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AULA 3 – VENTILAÇÃO

E CIRCULAÇÃO
PULMONAR E TROCAS
Prof. MsC Marcela
GASOSAS
C.M. Barroso
“Sistema respiratório é composto dos pulmões e
pleura e das passagens aéreas (narinas, cavidade
nasal, faringe, laringe, traqueia, brônquios e
bronquíolos).”
FIGURA : corte transversal esquemático de tórax equino mostrando as relações entre as pleuras
visceral e parietal (REECE, W.O., 2017).
FIGURA : radiografia de tórax de cão saudável. A – incidência ventrodorsal. B – incidência lateral
(REECE, W.O., 2017).
INTRODUÇÃO
• Principais funções da respiração

• Prover oxigênio aos tecidos


• Remoção de dióxido de carbono

• Divisões da respiração
• Ventilação pulmonar
• Difusão de oxigênio e dióxido de carbono
• Transporte de oxigênio e dióxido de carbono
• Regulação na ventilação
MECÂNICA DA
VENTILAÇÃO
PULMONAR
CONTRAÇÃO E EXPANSÃO
PULMONAR
• Contração e expansão pulmonar

• Movimentos de subida e descida do diafragma para


aumentar ou diminuir a cavidade torácica
• Elevação e depressão das costelas para elevar ou diminuir
da cavidade torácica
CONTRAÇÃO E EXPANSÃO
PULMONAR
• Inspiração
• Contração diafragmática puxa as superfícies inferiores dos
pulmões para baixo

• Expiração
• Diafragma relaxa e retração elástica dos pulmões
• Parede torácica e estruturas abdominais comprime os
pulmões e expele o ar
CONTRAÇÃO E EXPANSÃO
PULMONAR
• Durante respiração vigorosa os músculos abdominais
se contraem e empurram o conteúdo abdominal
contra o diafragma, comprimindo os pulmões

• Elevação da caixa torácica


• Promove expansão dos pulmões
• Projeção das costelas para frente
• Aumento do diâmetro torácico
FIGURA : contração e expansão da caixa torácica durante a expiração e inspiração , mostrando a
contração diafragmática, a função dos músculos intercostais e a elevação e depressão torácica
(GUYTON & HALL, 2017).
PRESSÃO QUE MOVIMENTA O AR
NOS PULMÕES
• O pulmão “flutua” na caixa torácica

• Pulmões são recobertos por fina camada de líquido


pleural
• Lubrificação: facilita o movimento
PRESSÃO QUE MOVIMENTA O AR
NOS PULMÕES
• Pressão pleural

• Entre a pleura visceral e pleura parietal


• Pressão negativa
• Na inspiração a pressão se torna ainda mais negativa
PRESSÃO QUE MOVIMENTA O AR
NOS PULMÕES
• Pressão alveolar

• Pressão do ar no interior dos alvéolos


• Pressão ligeiramente negativa para permitir entrada de ar
na inspiração
• Na expiração a pressão alveolar fica ligeiramente positiva
para expelir o ar
PRESSÃO QUE MOVIMENTA O AR
NOS PULMÕES
• Pressão transpulmonar
• Diferença entre pressão alveolar e pressão pleural
• Também chamada de pressão de retração

• Complacência pulmonar
• Grau de extensão dos pulmões
FIGURA : mudanças no volume pulmonar, da pressão alveolar, da pressão pleural e da
pressão transpulmonar durante a respiração normal (GUYTON & HALL, 2017).
PRESSÃO QUE MOVIMENTA O AR
NOS PULMÕES
• Tensão superficial
• Água forma superfície de contato com o ar
• Moléculas da superfície da água tem atração umas pelas
outras
• Superfície da água está sempre tentando se contrair
• Efeito gota de chuva
PRESSÃO QUE MOVIMENTA O AR
NOS PULMÕES
• Tensão superficial

• Nos alvéolos: a superfície da água também tenta se


contrair
• Força o ar para fora dos alvéolos
• Colapso do alvéolo
• = força elástica da tensão superficial
PRESSÃO QUE MOVIMENTA O AR
NOS PULMÕES
• Surfactante

• Agente ativo na superfície da água


• Reduz a tensão superficial da água
• Secretado pela células epiteliais
alveolares
• Composto rico em lipídeos
CAIXA TORÁCICA

• Complacência torácica e pulmonar

• Trabalho da respiração
• Contrações dos músculos respiratórios ocorrem durante a
inspiração
• Expiração é processo passivo
TIPOS DE RESPIRAÇÃO

• Respiração abdominal
• Movimentos predominantes abdominais na respiração
• Causas: pleurites, pneumonias

• Respiração costal
• Movimentos pronunciados das costelas
• Causas: peritonites e demais dores abdominais
ESTADOS DA RESPIRAÇÃO

• Eupneia
• Respiração normal, silenciosa

• Dispneia
• Respiração difícil, com grande esforço para respirar

• Hiperpneia
• Aumento da profundidade e/ou frequência após exercício
físico
ESTADOS DA RESPIRAÇÃO

• Polipneia
• Respiração rápida e superficial
• Semelhante a hiperpneia, porém na polipneia a respiração
é superficial

• Apneia
• Cessação da respiração
• Pode ser transitório
ESTADOS DA RESPIRAÇÃO

• Taquipneia
• Rapidez excessiva na respiração

• Bradipneia
• Lentidão na respiração
FREQUÊNCIA RESPIRATÓRIA

• Número de ciclos respiratório por


minuto

• Indicador do estado de saúde do animal

• Se altera de acordo com: idade, sexo,


espécie, tamanho, temperatura
ambiental, gestação, doenças...
VOLUMES E
CAPACIDADES
PULMONARES
ESPIROMETRIA
• Movimento do volume de ar para dentro e para fora
dos pulmões
• Espirômetro

FIGURA : espirometria em
ruminantes
FIGURA : espirometria em (https://docplayer.com.br/6410794
equinos 0-Espirometria-na-avaliacao-do-
(http://admin.nuvemsimples.co sistema-respiratorio-de-ruminantes-
m/website/fairport.com.br/web/ em-ambiente-tropical.html).
paginas/Pesquisaemedicinaveteri
naria.asp).
VOLUMES PULMONARES

• Volume máximo que os pulmões podem expandir


• Volume corrente: volume de ar expirado ou inspirado
• Volume de reserva inspiratório: volume de ar extra
inspirado quando se inspira com força total
• Volume de reserva expiratório: volume máximo de ar
expirado quando se expira com força total
• Volume residual: volume de ar que fica nos pulmões após
respiração forçada
CAPACIDADES PULMONARES

• Eventos do ciclo pulmonar

• Capacidade inspiratória: volume corrente + volume de


reserva inspiratório = capacidade que o animal tem de
inspirar

• Capacidade residual funcional: volume de reserva


expiratório + volume residual = quantidade de ar que
permanece nos pulmões na expiração normal
CAPACIDADES PULMONARES

• Eventos do ciclo pulmonar

• Capacidade vital: volume de reserva inspiratório + volume


corrente + volume de reserva expiratório = quantidade de
ar máxima que pode ser expelida dos pulmões na
expiração após inspiração máxima

• Capacidade pulmonar total: capacidade vital + volume


residual = volume máximo de expansão pulmonar
VENTILAÇÃO
ALVEOLAR
VENTILAÇÃO ALVEOLAR

• Definição: quando o ar novo alcança alvéolos

• Espaço morto
• Parte do ar inspirado não alcança as áreas de trocas
gasosas
• Nariz, faringe e traquéia
FUNÇÕES DAS VIAS
RESPIRATÓRIAS
• Traqueia, brônquios e bronquíolos

• Vias aéreas distribuem o ar pelos pulmões, traqueia,


brônquios e bronquíolos
• Devem permanecer abertas para permitir o fluxo de ar
• Anéis traqueais e cartilagem brônquica evitam colapso
FIGURA : representação esquemática de corte transversal da traqueia. A – epitélio
pseudoestratificado; B – glândulas na lâmina própria; C – glândulas na submucosa; D –
cartilagem; E – músculo liso (REECE, W.O., 2017).
FUNÇÕES DAS VIAS
RESPIRATÓRIAS
• Resistência ao fluxo aéreo na árvore brônquica

• Contração muscular das paredes


• Edema nas paredes
• Acúmulo de muco no lúmen dos bronquíolos
FUNÇÕES DAS VIAS
RESPIRATÓRIAS
• Controle neural e local da musculatura bronquiolar

• Dilatação simpática dos bronquíolos


• Constrição parassimpática dos bronquíolos
• Estímulos irritativos locais como fumaça, poeira, infecções crônicas
podem desencadear reflexo parassimpático constritor bronquial
FUNÇÕES DAS VIAS
RESPIRATÓRIAS
• Fatores locais associados a broncoconstrição

• Liberação de substâncias ativas na broncoconstrição pelos


mastócitos (histamina)
• Estímulos irritativos locais como fumaça, poeira, infecções
crônicas podem desencadear reações locais de constrição
bronquial
FUNÇÕES DAS VIAS
RESPIRATÓRIAS
• Revestimento mucoso das vias aéreas e ação de
cílios na limpeza das vias

• Muco
• Umidificação das vias aéreas
• Proteção
• Epitélio ciliado
• Movimento dos cílios para direcionar o muco até a faringe
FUNÇÕES DAS VIAS
RESPIRATÓRIAS
• Reflexo de tosse

• Brônquios, traqueia, laringe e alvéolos são sensíveis a


substâncias estranhas ou outras irritativas
• Impulsos neurais são conduzidos pelo vago até o bulbo →
ativação de sequência de eventos neurais
TOSSE
Ar sob alta pressão
Inspiração de grande
explode em direção Tosse
volume de ar
ao exterior

Epiglote se fecha e
Abertura súbita da
cordas vocais são
epiglote e cordas
fechadas
vocais
aprisionando o ar

Músculos abdominais
se contraem Aumento da pressão
empurrando pulmonar
diafragma
FUNÇÕES DAS VIAS
RESPIRATÓRIAS
• Reflexo de espirro

• Semelhante ao reflexo de tosse, porém, nas vias nasais


• Irritação das vias nasais → impulsos aferentes até o bulbo
→ reflexo desencadeado → ar expelido pelo nariz em alta
velocidade
FUNÇÕES RESPIRATÓRIAS DO
NARIZ
• Aquecimento do ar
• Umidificação do ar
• Filtração parcial do ar: conformação das conchas
nasais e pelos nasais
CIRCULAÇÃO
PULMONAR
VOLUME SANGUÍNEO NOS
PULMÕES
• Pulmões como reservatórios de sangue

• Sob condições fisiológicas e patológicas o volume


sanguíneo pode variar
• Quando se assopra o ar com força, elevando a pressão
pulmonar, desencadeia expulsão do sangue dos pulmões
para as vias sistêmicas
FLUXO DE SANGUE NOS
PULMÕES E DISTRIBUIÇÃO
• Diminuição de oxigênio alveolar induz vasoconstrição

• Oposto a circulação sistêmica


• Causa desconhecida???
• Vasoconstrição: mobiliza o sangue para áreas com maior
oxigenação
FLUXO DE SANGUE NOS
PULMÕES E DISTRIBUIÇÃO
• Durante o exercício físico

• Débito cardíaco aumenta e é acomodado pela circulação


pulmonar sem grandes alterações na pressão pulmonar
• Aumento do nº de capilares abertos
• Distensão de capilares e elevação da velocidade do fluxo
• Aumento da pressão arterial pulmonar (menor influência)
FLUXO DE SANGUE NOS
PULMÕES E DISTRIBUIÇÃO
• Pressão intersticial pulmonar negativa

• Os alvéolos não se enchem de líquido devido a pressão


negativa do interstício
• Quando há líquido no alvéolo este será puxado para o
interstício pulmonar
• Do interstício, o excesso de líquido é removido pelo vasos
linfáticos pulmonares
FLUXO DE SANGUE NOS
PULMÕES E DISTRIBUIÇÃO
• Pressão intersticial pulmonar negativa

• Quando essa pressão é aumentada desencadeia-se o


edema pulmonar
• Aumento da filtração de líquidos para fora dos capilares
pulmonares ou mal funcionamento dos linfáticos pulmonares
• Causas: IC esquerda, doença mitral, pneumonia
LÍQUIDO NA CAVIDADE PLEURAL

• Durante expansão e contração pulmonar os pulmões


deslizam na cavidade pleural

• Esse deslizamento é auxiliado pelo líquido pleural


entre pleura parietal e pleura visceral
FIGURA : dinâmica da troca de líquidos no espaço intrapleural (GUYTON & HALL, 2017).
LÍQUIDO NA CAVIDADE PLEURAL

• Pressão negativa no espaço pleural

• Auxilia na manutenção do pulmão expandido

• Derrame pleural

• Edema de cavidade pleural


• Mesmas causas de edema pulmonar
TROCAS GASOSAS
DIFUSÃO DOS GASES

• A diferença de pressão causa a difusão efetiva dos


gases através dos líquidos

• Moléculas em área de alta pressão se dirigem a área


de menor pressão
FIGURA : difusão de oxigênio da extremidade de uma câmara para outra. A diferença
entre os comprimentos das setas representa a difusão efetiva (GUYTON & HALL, 2017).
COMPOSIÇÃO DO AR

• Ar alveolar é ≠ do ar atmosférico

• Umidificação do ar nas vias respiratórias


• Alterações constantes de O2 e CO2 em virtude das trocas
gasosas
• Renovação do ar alveolar não é completa
FIGURA : pressões parciais dos gases respiratórios quando entram e saem dos pulmões
(GUYTON & HALL, 2017).
FIGURA : expiração de gás de alvéolo, com sucessivas respirações (GUYTON & HALL, 2017).
COMPOSIÇÃO DO AR

• Ar alveolar é ≠ do ar atmosférico

• Substituição lenta do ar alveolar


• Evita mudanças bruscas nas concentrações dos gases
• Mecanismos de controle respiratório mais estáveis
• Sem grandes alterações mesmo em curtas interrupções de
respiração
CONCENTRAÇÃO E PRESSÃO DE
O2 E CO2
• Concentrações e pressões de O2 e CO2 são
determinadas por:

• Intensidade de absorção/excreção dos gases


• Valor de ventilação que entra/sai dos pulmões
CONCENTRAÇÃO E PRESSÃO DE
O2 E CO2
• Para mensurações de gases deve-se avaliar o ar
alveolar

• Porção final da expiração = ar alveolar


• Porção inicial composta por ar do espaço morto
• Porção mediana composta de ambos
FIGURA : pressões parciais do oxigênio e dióxido de carbono nas diversas porções do ar
respirado (GUYTON & HALL, 2017).
DIFUSÃO DOS GASES ATRAVÉS
DA MEMBRANA
• Unidade respiratória

• Bronquíolo respiratório
• Ductos alveolares
• Alvéolos
FIGURA : unidade respiratória
(GUYTON & HALL, 2017).
FIGURA : representação esquemática das subdivisões dos pulmões (REECE, W.O., 2017).
DIFUSÃO DOS GASES ATRAVÉS
DA MEMBRANA
• Paredes alveolares são finas

• Entre os alvéolos existe grande quantidade de


capilares interconectados

• Trocas gasosas entre ar alveolar e sangue pulmonar


através da membrana pulmonar ou respiratória por
toda porção final dos pulmões
FIGURA : visão das superfícies dos capilares na parede alveolar (GUYTON & HALL, 2017).
REDUZ TENSÃO
SUPERFICIAL DO
LÍQUIDO ESPESSURA PEQUENA
DA MEMBRANA QUE
FACILITA A TROCA DE
GASES DIRETAMENTE
COM AS HEMÁCIAS
DIFUSÃO DOS GASES ATRAVÉS
DA MEMBRANA
• Fatores que afetam a difusão

• Espessura da membrana (edema, fibrose)


• Área superficial da membrana (ressecção, enfisema)
• Coeficiente de difusão (solubilidade do gás)
• Diferença de pressão entre os dois lados da membrana
DIFUSÃO DOS GASES ATRAVÉS
DA MEMBRANA
• Capacidade de difusão

• Aumento durante atividade física


• Vasodilatação de capilares pulmonares
• Melhor perfusão de gases
ENIGMAS DA MÃE MARCELA

Quais palavras chamaram a atenção de vcs na


aula de hoje???