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AULA 4 – Sócrates e os sofistas

Prof. Gui de Franco


CONTEXTO HISTÓRICO: Atenas Clássica (século V – IV a.C):  Para Sócrates, amar a Verdade, amar buscar a Verdade era o
Democracia/ Cidadania/Retórica/ Catarse único modo de vida autêntico, como uma jornada existencial.
OS SOFISTAS AS FONTES QUE CITAM SÓCRATES NO MUNDO ANTIGO E A
 Embora a imagem dos sofistas tenha sido denegrida por PROBLEMÁTICA DE SUA EXISTÊNCIA
filósofos como Platão (aristocracia ateniense), foram
fundamentais para o desenvolvimento da retórica na polis  Sócrates não deixou escritos próprios e atestamos sua
de Atenas. existência através de algumas fontes que o citaram.
 Os sofistas cobravam dos jovens da nobreza para  Como principais fontes podemos destacar: Xenofonte
ensinarem a debater e pregavam, no geral, um (visão ingênua), Aristófanes (visão satírica), Aristóteles
relativismo das ideias, focando em argumentos fortes (visão positiva exagerada) e Platão (principal fonte pois
para vencer algum debate e não no conteúdo em si. revela o método socrático de desenvolvimento do
 A principal crítica dos filósofos clássicos aos sofistas era conhecimento em toda sua plenitude.)
que não amavam buscar a verdade, nem se
comprometiam com ela uma vez que não acreditavam em O MÉTODO SOCRÁTICO: A MAIÊUTICA OU O PARTO DAS
IDEIAS
sua existência. (relativismo).
 Eram professores de retórica, mestres itinerantes que  Tinha como objetivo aprofundar o conhecimento rumo à
educam profissionalmente os jovens dispostos a pagar Verdade, destruindo as opiniões prévias e consistia em
por conhecimento. (educadores). basicamente 4 etapas: Exortação, Indagação, Ironia e
 Todavia, na posteridade, filósofos como Hegel Maiêutica.
resgataram a importância destes personagens  Na EXORTAÇÃO, Sócrates convida os discípulos à
(chamados de Iluministas gregos), dentre os quais, dois discussão de um tema proposto. É preciso aceitar se
se destacam em seus pensamentos que repercutiram até abrir para a discussão, aceitar o tema ou não há debate.
a modernidade: Protágoras de Abdera e Górgias de
 Na INDAGAÇÃO, Sócrates começa a levantar o senso
Leontini.
comum (as opiniões) dos discípulos sobre o tema
 PROTÁGORAS DE ABDERA: “O homem é a medida de proposto.
todas as coisas”. Ao realizar tal afirmação, Protágoras
 Na IRONIA, Sócrates destrói o senso comum, ironizando
lança as bases de um pensamento humanista, que
e questionando as opiniões, mostrando para os
coloca a mente humana como força que molda a
discípulos que as opiniões não correspondem à Verdade
realidade que o cerca. Não há uma Verdade absoluta,
ao destruí-las uma a uma.
uma vez que toda verdade é subjetiva, sendo o homem
 Na MAIÊUTICA, etapa final, há a gênese de uma ideia
que determina os sentidos de seu mundo. Tudo é variável
mais aprofundada sobre o tema na qual os discípulos
e relativo, até mesmo os valores de acordo com o lugar e
formulam novas teses acerca do tema proposto.
o tempo. (RELATIVISMO – Ex: Incesto)
 Podemos afirmar que o método socrático estabelece um
 GÓRGIAS DE LEONTINI: “Nada existe. Se existisse
caminho que parte das opiniões (DOXA) para o
não poderia ser pensado. Se pudesse ser pensado,
conhecimento mais seguro e concreto através do
não poderia ser comunicado.”. Se o não-ser não é
QUESTIONAMENTO (EPISTEME) constante, base do
como afirmava Parmênides, então ele é alguma coisa.
pensamento de Sócrates.
Ele é o inexistente. Portanto, o não-ser é. O Nada existe.
Ora, pela lógica dos contrários (antilogia), se o não-ser é, O PENSAMENTO SOCRÁTICO: CITAÇÕES IMPORTANTES
então, o ser não é. Nem eterno, nem uno, nem nada.
Nada existe.  Para compreendermos melhor o pensamento de Sócrates,
devemos analisar algumas frases importantes atribuídas a ele nas
A IMPORTÂNCIA DE SÓCRATES PARA A FILOSOFIA
obras de Platão:
 A Filosofia se divide em antes e depois de Sócrates.
"Só sei que nada sei". - Revela a noção de sabedoria para Sócrates,
 Sócrates é considerado um divisor de águas para a Filosofia ou seja, o fato de que na verdade, não sabemos de nada, estamos num
uma vez que muda o foco da physis/arché para questões mais eterno aprendizado, em uma eterna busca pelo conhecimento. O início
ligadas ao mundo humano (nomos). dessa busca é compreender e reconhecer a própria ignorância.
 Consagrou sua trajetória à busca da Verdade, da sabedoria
"Conhece-te a ti mesmo" – Tomada do oráculo de Delfos, essa
através de reflexões como "Uma vida que não é refletida, não
inscrição representava para Sócrates a indagação e o
vale a pena ser vivida". autoconhecimento através da lógica, da razão são ferramentas para se
aproximar da Verdade.

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A CONDENAÇÃO DE SÓCRATES E SUAS INTERPRETAÇÕES

 No ano 399 a.C, Sócrates foi condenado pelos juízes de Atenas por
três crimes básicos: corromper a juventude de Atenas desviando-a
da Agora, desacreditar nos deuses da cidade e tentar instituir
novas divindades.
 Não se defende dos juízes, uma vez que se defender seria assumir
a própria culpa, quando não há.
 Sua morte foi pública, com direito à defesa, o qual utilizou para
filosofar sobre a morte e não para se justificar.
 Sua pena foi tomar cicuta (veneno/suicídio induzido)
 Tal evento refletiu diretamente nas obras de seu discípulo mais
próximo: Platão. (base do mito da caverna).

DIÁLOGO SOCRÁTICOS NA OBRA DE PLATÃO

 Diálogos apologéticos: Apologia de Sócrates e Críton


 Diálogos aporéticos: Laques (Coragem), Lisis (Amizade), Cármides
(Sabedoria), Hípias Maior (Beleza), Primeiro Alcibíades (Política),
Eutifron (Piedade).
 Diálogos intermediários: Protágoras, Menon, Gorgias, República
 Diálogos clássicos: Banquete, Fédon, Fedro, Crátilo, Teeteto
 Diálogos da velhice: Parm~enides, Sofista, Político, Timeu, Crítias
e Filebo.

EXERCÍCIOS DE SALA

(Enem (Libras) 2017) Alguns pensam que Protágoras de Abdera


pertence também ao grupo daqueles que aboliram o critério, uma
vez que ele afirma que todas as impressões dos sentidos e todas as
opiniões são verdadeiras, e que a verdade é uma coisa relativa,
uma vez que tudo o que aparece a alguém ou é opinado por
alguém é imediatamente real para essa pessoa.
KERFERD, G. B. O movimento sofista. São Paulo: Loyola, 2002
(adaptado).

O grupo ao qual se associa o pensador mencionado no texto se


caracteriza pelo objetivo de
a) alcançar o conhecimento da natureza por meio da experiência.
b) justificar a veracidade das afirmações com fundamentos
universais.
c) priorizar a diversidade de entendimentos acerca das coisas.
d) preservar as regras de convivência entre os cidadãos.
e) analisar o princípio do mundo conforme a teogonia.

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