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MONITORIA DE BASES SEMIOLÓGICAS

- Guia de Habilidades -

EXAME FÍSICO GERAL

mesmo apresenta uma percepção consciente do


I. ESTADO GERAL
mundo exterior e de si mesmo, por meio da sua
O examinador fará uma avaliação subjetiva com
responsividade a estímulos externos.
base no conjunto de dados exibidos pelo paciente
com base em sua experiência clínica. Engloba o O paciente poderá ser classificado em:
estado de nutrição, higiene, aparência de doença
● Lúcido ou alerta: paciente responde
aguda e modo com que se apresenta para o exame
normalmente e com coerência.
(deambulando, cadeira de rodas, acamado,
consciente ou inconsciente, etc.). Corresponde, ● Letárgico: Parece sonolento, mas abre os olhos
portanto, ao estado de saúde aparente do e olha para o examinador, responde às
indivíduo, visto em sua totalidade. É útil para que perguntas e, depois, adormece.
o impacto da doença sobre o paciente, como um
todo, possa ser avaliado. Podemos classificá-lo ● Obnubilado: paciente abre os olhos e olha para
em: o examinador, mas responde lentamente e
● Bom Estado Geral (BEG): paciente parece confuso. O grau de interesse e o nível
aparentemente saudável; indivíduo que de consciência estão diminuídos.
mesmo sendo portador de uma doença, ● Torpor: paciente só desperta após estímulos
mantém o aspecto físico, intelectual e dolorosos. As respostas verbais são lentas ou
emocional compatível com sua idade e até mesmo inexistentes. O paciente retorna ao
condição social; estado não reativo quando o estímulo cessa.
● Regular Estado Geral (REG): meio termo entre Existe mínima conscientização de si mesmo ou
o bom e o ruim; paciente que manifesta sinais do ambiente.
de doença, mas não se encontrada prostrado, ● Coma: paciente não responde aos estímulos e
nem teve sua condição nutricional e permanece com olhos fechados. Não há
consciência significativamente alterados; respostas evidentes aos estímulos internos ou
● Ruim ou Mau Estado Geral (MEG): paciente externos.
debilitado visualmente; indivíduo com O conteúdo da consciência é avaliado por meio
manifestações inequívocas da doença, com da atenção, orientação em tempo e espaço,
evidências clínicas de perda de peso, memória (imediata, recente e tardia), cálculo,
desidratação, alteração do nível de pensamento abstrato, percepção visual e
consciência, confusão mental. corporal, fala e linguagem. Essa porção do
exame da consciência será vista com maior
II. CONSCIÊNCIA
detalhamento no Exame Neurológico.
O exame da consciência pode ser dividido em
avaliação do nível da consciência e do seu Geralmente, no exame físico geral, se avalia o
conteúdo. nível de consciência do paciente, a sua
Para classificar o paciente quanto ao nível da sua orientação em tempo e espaço e a sua fala e
consciência, o examinador deve avaliar se o linguagem.
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III. FALA E LINGUAGEM ● Umidade das mucosas
A fala depende de mecanismos bastante
● Fontanelas (em crianças)
complexos compreendendo o órgão fonador,
músculos da fonação e elaboração. ● Alterações oculares
Dentre as possíveis alterações da fala e linguagem
● Estado geral
que podemos encontrar, temos:
Avalia-se a elasticidade da pele pinçando uma
● Disfonia ou afonia: alteração do timbre da voz
prega cutânea com o polegar e o indicador e em
(voz rouca, fanhosa ou bitonal) causada por
seguida efetua-se uma tração. Ao soltar a pele, a
problema no órgão fonador.
prega deve se desfazer prontamente. Uma
● Dislalia: alterações menores, comuns em diminuição de elasticidade pode ser observada
crianças. Dificuldade em articular palavras. Ex: caso a prega se desfaça vagarosamente após a
Troca de letras (R e L). manobra. Uma pele hiperelástica possui
característica semelhante à da borracha,
● Disritmolalia: Forma especial de dislalia. distendendo-se duas a três vezes mais que a pele
Envolve ritmo da fala. Exemplos são a gagueira normal.
e a taquilalia De maneira semelhante, o turgor é avaliado
● Disartria: É uma disfunção motora, que pode através de pinçamento de pregas cutâneas. Um
turgor diminuído é identificado através da
ocorrer devido a alterações nos músculos da
sensação de pele murcha e lento desfazimento da
fonação, incoordenação cerebral, hipertonia
prega.
no parkinsonismo ou perda do controle
piramidal. Desidratação é a diminuição de água e eletrólitos
totais do organismo, se caracterizando pelos
● Disfasia: Distúrbio na elaboração cortical da seguintes elementos:
fala. Apesar do termo afasia significar
• Sede
estritamente uma completa ausência de
linguagem, consagrou-se o seu uso no lugar da • Diminuição abrupta de peso
palavra mais correta “disfasia”. Pode ser de • Pele seca, com elasticidade e turgor
dois tipos: diminuídos
● Recepção ou sensorial (Wernicke): Paciente • Mucosas secas
não entende o que se é dito; • Olhos afundados (enoftalmia) e hipotônicos
● Expressão ou motora (Broca): Paciente • Fontanelas deprimidas (no caso de crianças)
entende, mas não consegue se expressar. • Estado geral comprometido
● Disgrafia: perda da capacidade de escrita. • Excitação psíquica ou abatimento
● Dislexia: perda da capacidade de ler. • Oligúria

IV. AVALIAÇÃO DO ESTADO DE A desidratação pode ser classificada de acordo


com a:
HIDRATAÇÃO
Para avaliar o estado de hidratação do paciente, ● Intensidade: Quantidade de peso perdido.
devemos ter em mente os seguintes parâmetros:
✔ Leve: 5% de peso.
● Alteração abrupta de peso
✔ Moderada: 5 a 10%
● Alterações da pele (elasticidade, turgor,
umidade) ✔ Grave: Acima de 10%
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● Osmolalidade do Sódio: nível sanguíneo de máximos considerados em relação à etnia,
sódio. sexo e à idade.

✔ Isotônica: 130 < Na < 150mEQ/l ● Obesidade ou sobrepeso: Excesso de peso


decorrente do acúmulo de gordura. Pode ser
✔ Hipotônica: Na < 130mEq/l diagnosticada de modo:

✔ Hipertônica: Na > 150mEq/l ● Quantitativo: de acordo com o IMC

● Qualitativo: Refere-se à distribuição da


gordura:
Na prática médica, classifica-se, de forma
subjetiva, o grau da desidratação em cruzes (+ a ✔ Ginecoide ou periférica (tipo “pêra”): Gordura
4+/4+). concentrada principalmente nos quadris, coxas e
glúteos.
V. AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
O estado nutricional reflete o equilíbrio entre a ✔ Androide ou Central (tipo “maçã”): Gordura
ingestão e a demanda de nutrientes de um concentrada principalmente em tronco e
indivíduo. A manutenção do equilíbrio depende de abdômen. Maior risco para as doenças
uma série de fatores. cardiovasculares.

● A ingestão pode depender tanto de fatores ● Desnutrição ou hiponutrição: deficiência nas


associados aos alimentos quanto daqueles reservas corporais de calorias, proteínas,
relacionados à digestão e à absorção; vitaminas e/ou minerais. O peso está abaixo dos
valores mínimos normais, a musculatura é
● A demanda cobre as necessidades básicas do hipotrófica e o panículo adiposo escasso.
corpo.
● De acordo com a origem pode ser classificada
● Situações especiais como ingesta de alimentos em:
alterada, estresse fisiológico, febre, infecção, ✔ Primária: Inadequação e desequilíbrio na
doenças, entre outros fatores podem acabar alimentação, tanto na quantidade, quanto na
interferindo nesse equilíbrio. qualidade
Deve ser avaliado de acordo com os seguintes ✔ Secundária: é secundária a outras
parâmetros: enfermidades, como condições de má-absorção,
anorexia, hipermetabolismo, insuficiência de
● Peso, musculatura, panículo adiposo,
órgãos, entre outros.
desenvolvimento físico, estado geral, pele,
pelos e olhos. ● De acordo com a fonte do nutriente de
maior deficiência:
Podemos dividir em:
✓ Desnutrição Calórico-proteica:
● Estado de nutrição normal: elementos acima
dentro dos limites de normalidade. ✔ Marasmo: diminuição da ingestão calórica e
proteica.
● Excesso de peso: Ocorre quando o peso está
acima do normal, o panículo adiposo ✔ Kwashiorkor: diminuição da ingestão proteica.
ultrapassa os limites de normalidade e o ✔ Kwashiorkor-marasmático: diminuição da
desenvolvimento físico está acima dos valores ingestão calórica e proteica, acompanhada de
estresse (aguda).
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VI. DESENVOLVIMENTO FÍSICO imprimem na face traços característicos, gerando,
São avaliados: portanto, algumas fácies típicas.

● Altura ● Fácies normal ou atípica


● Fácies típicas
● Estrutura Somática, a qual inclui:

✔ Inspeção Global
HIPOCRÁTICA
✔ Desenvolvimento Osteomuscular
Geralmente indica doença
Pode ser classificado em: grave.

● Desenvolvimento normal ✓ Olhos fundos, parados e


inexpressivos - Nariz e
● Hiperdesenvolvimento lábios afilados.
✓ Batimentos das asas do
Praticamente sinônimo de gigantismo, é o estado nariz.
de crescimento exagerado anormal. ✓ Rosto geralmente coberto de suor.
● Hipodesenvolvimento ✓ Palidez cutânea e uma discreta cianose labial.

Se diferencia do nanismo apenas por questões de


grau e qualidade.
OBS: No nanismo, existe uma pronunciada
deficiência no crescimento longitudinal do corpo,
cuja estatura fica muito aquém da média para o
meio e para a raça.
● Hábito grácil NEFRÓTICA OU RENAL

Corresponde à constituição corporal frágil e Geralmente indica doença


delgada, mas sem significado patológico, renal, como síndrome
envolvendo: nefrótica ou
glomerulonefrite.
✔ Ossatura fina;
✓ Edema periorbital.
✔ Musculatura pouco desenvolvida; ✓ Palidez cutânea.
✔ Altura e peso abaixo dos níveis normais.
● Infantilismo ADENOIDIANA

Persistência anormal das características infantis Geralmente presente em


na fase adulta. indivíduos com hipertrofia de
adenoide.
✓ Nariz pequeno e afilado.
VII. DESENVOLVIMENTO FÍSICO ✓ Boca entreaberta.
É o conjunto de dados exibidos na face do
paciente. É a resultante dos traços anatômicos
mais a expressão fisionômica. Certas doenças

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PARKINSONIANA ✓ Aumento do tamanho do nariz, lábios e
orelhas.
Geralmente presente em
indivíduos com síndrome ou
na doença de Parkinson.
CUSHINGOIDE
✓Rigidez facial, inexpressiva.
Geralmente presente em
indivíduos com síndrome de
Cushing por hiperfunção do
córtex suprarrenal ou em
BASEDOWIANA pacientes que fazem uso
prolongado de corticoides.
Geralmente presente em
indivíduos com ✓ Arredondamento do
hipertireoidismo. rosto, com atenuação dos traços faciais.
✓ Aparecimento de acne.
✓ Olhos salientes
(exoftalmia).
✓ Rosto magro, com
MONGOLOIDE
aspecto de espanto.
✓ Bócio. Geralmente presente em
indivíduos com síndrome de
Down.
MIXEDEMATOSA
✔ Olhos oblíquos, bem
Geralmente presente em distantes um do outro.
indivíduos com
hipotireoidismo ou mixedema. ✔ Rosto redondo.

✓ Rosto arredondado. ✔ Boca quase sempre entreaberta


✓ Nariz e lábios grossos.
✓ Pele seca, espessada e com
acentuação de seus sulcos. PARALISIA FACIAL PERIFÉRICA
✓ As pálpebras tornam-se infiltradas e ✓ Assimetria da face, com impossibilidade de
enrugadas. fechar as pálpebras, repuxamento da boca
✓ Os supercílios são escassos e os cabelos secos para o lado saudável e apagamento do sulco
e sem brilho. nasolabial.

ACROMEGÁLICA MIASTÊNICA

Geralmente presente em Miopatias como miastenia


indivíduos com acromegalia gravis.
(aumento da secreção de GH
✓ Ptose palpebral bilateral
em adultos).
que obriga o paciente a franzir
✓ Saliência das arcadas a testa e levantar a cabeça.
supraorbitárias.
✓ Proeminência das maçãs do
rosto e do maxilar inferior.
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ETÍLICA
✓ Olhos avermelhados
✓ Ruborização da face
✓ Hálito etílico
✓ Voz pastosa

VIII. ATITUDE E DECÚBITO PREFERIDO NO • Atitude parkinsoniana


LEITO ✓ Característica do paciente com doença de
● Atitude é a posição adotada pelo paciente por Parkinson. Ele apresenta semiflexão da
comodidade, hábito ou com o objetivo de cabeça, tronco e membros inferiores.
conseguir alívio para algum padecimento. • Atitude em decúbito
✓ Decúbito lateral: alivia dor pleurítica
● As posições podem ser voluntárias (ativa) ou ✓ Decúbito dorsal: alivia inflamação
involuntárias (passiva). pelviperitoneal.
✓ Decúbito ventral: alivia cólica intestinal
OBS: Só têm valor diagnóstico as atitudes
involuntárias ou as que proporcionam alívio para ATITUDES INVOLUNTÁRIAS
algum sintoma.
• Atitude passiva
ATITUDES VOLUNTÁRIAS
• Quando o paciente fica na posição em que é
• Atitude ortopneica
colocado no leito, sem que haja contratura
muscular
• Alivia falta de ar. O paciente permanece
sentado à beira do leito, curvado, com os pés
no chão, e as mãos apoiadas no colchão.

OBS: Pacientes graves podem se apresentar


deitados, porém com vários travesseiros, para
ficar o mais ereto possível.

• Atitude genupeitoral ou prece maometana


• Ortótono
✓ Facilita o enchimento do coração. O paciente
✓ Atitude em que todo o tronco e os membros estão
posiciona-se de joelhos com o tronco fletido
rígidos, sem se curvarem.
sobre as coxas, enquanto a face anterior do
• Opistótono
tórax (peito) põe-se em contato com o solo ou
colchão. ✓ Atitude decorrente de contratura da musculatura
lombar. O corpo se apoia na cabeça e nos
calcanhares, emborcando-se como um arco.
✓ Presente nos casos de tétano e meningite.

• Atitude de cócoras
✓ Alivia hipóxia generalizada.

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• Emprostótono ✓ Mucosas secas: perdem o brilho,
✓ O corpo forma uma cavidade voltada para apresentando aspecto ressecado, indicando,
frente. na maioria das vezes, desidratação.
✓ Presente no tétano, na meningite e na raiva.
• Pleurostótono X. BIOTIPO OU TIPO MORFOLÓGICO
✓ O corpo se curva lateralmente. Conjunto de características morfológicas
✓ Mais rara, é encontrada no tétano, na apresentadas pelo indivíduo. É importante para
meningite e na raiva que haja uma correta interpretação das variações
• Posição em gatilho anatômicas que acompanham cada tipo
✓ Hiperextensão da cabeça, flexão das pernas morfológico, uma vez que há uma relação entre a
sobre as coxas e encurvamento do tronco com forma exterior do corpo e a posição das vísceras.
concavidade para frente.
OBS: O Ângulo de Charpy é formado pelo
✓ Encontrada na irritação meníngea.
cruzamento das últimas costelas inferiores, tendo
como vértice a base do apêndice xifoide.
IX. EXAME DAS MUCOSAS
Geralmente, as mucosas que são mais comumente
examinadas são as conjuntivas oculares e as
mucosas labiobucal, lingual e gengival. O método
do exame é a inspeção, associada a pequenas
manobras que exponham as mucosas à visão do
examinador.
● É importante que haja uma boa iluminação, de
preferência com luz natural, complementada
por uma lanterna se necessário.
Podem ser classificados em:
Avalia-se os seguintes critérios: ● Longilíneo:
● COLORAÇÃO ✓ Pescoço longo e delgado;
✓ Mucosas normocoradas
✓ Tórax afilado e chato;
✓ Mucosas hipocoradas: Pode ser
classificada em cruzes (+ a 4+/4+); ✓ Membros alongados com franco predomínio
sobre o tronco;
✓ Mucosas hipercoradas
✓ Musculatura delgada e panículo adiposo
✓ Cianose
pouco desenvolvido;
✓ Icterícia: é mais facilmente identificada
✓ Tendência para estatura elevada;
na mucosa conjuntival e no frênulo da
língua. Também pode ser classificada em
✓ Ângulo de Charpy < 90º.
cruzes (+ a 4+/4+).
● Mediolíneo:
● UMIDADE
✓ Equilíbrio entre os membros e o tronco;
✓ Umidade normal: apresentam um discreto
brilho indicativo de tecidos hidratados; ✓ Desenvolvimento harmônico da musculatura e
do panículo adiposo

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● Peso
✓ Ângulo de Charpy = 90º.
✓ É um fraco indicador para análise de
● Brevelíneo: obesidade. Deve-se atentar à calibragem da
✓ Pescoço curto e grosso; balança. O paciente deverá utilizar itens
pessoais mínimos.
✓ Tórax alargado e volumoso; ✓ Se for medir altura e peso, o ideal é que o
paciente suba de costas para a balança, caso
✓ Membros curtos em relação ao tronco; for apenas o peso, paciente poderá subir de
frente para a mesma.
✓ Musculatura desenvolvida e panículo adiposo ● IMC
espesso;
✓ Peso (Kg) / Altura² (m²);
✓ Tendência para baixa estatura;

✓ Ângulo de Charpy > 90º.

XI. OUTROS ASPECTOS QUE TAMBÉM


PODEM SER AVALIADOS
● Higiene;

● Vestuário;

● Cuidados com a aparência;

● Odores corporais;

● Hálito; ● Circunferência Abdominal


● Panículo adiposo (normal, aumentado ou ✓ Local de medida: ponto médio entre a crista
diminuído). ilíaca e o último arco costal; marcar esse ponto
médio bilateralmente. A fita deverá passar por
● Presença ou ausência de movimentos
ambas as marcações.
involuntários (tremores, coreia, atetose, ✓ Parâmetros normais: mulheres < 88 cm;
hemibalismo, flapping, entre outros); homens < 102 cm.
● Marcha (melhor detalhado no exame ● Quadril
neurológico).
✓ Local de medida: na maior circunferência das
● Edema (local, intensidade, elasticidade, nádegas.
temperatura, sensibilidade, consistência) ● Relação cintura/quadril

XII. MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS ✓ Parâmetros normais: mulheres < 0,80; homens


● Altura < 0,90.

✓ Posição: Paciente em pé, ereto, descalço, pés


aproximados, queixo perpendicular ao tórax.

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XIII. DADOS VITAIS Palpar A. braquial → manguito 2,5 cm acima do
sulco antecubital (corretamente posicionado com
PRESSÃO ARTERIAL relação a A. braquial) → palpar A. radial → insuflar
● Escolher manguito adequado: o manguito até parar de sentir o pulso radial →
quando o pulso radial não puder ser sentido, o
✓ Largura da bexiga inflável: 40% da valor indicado corresponderá à pressão sistólica
circunferência do braço. estimada → Desinflar o manguito lentamente.

✓ Comprimento da bexiga inflável: 80% da Local de palpação da A. Braquial: Entre o


circunferência do braço epicôndilo medial do úmero e o tendão do bíceps
braquial na fossa antecubital.
✓ OBS: A circunferência do braço deverá ser
medida no ponto médio entre o acrômio e o
olecrano. • FASE AUSCULTATÓRIA

✓ A braçadeira padrão tem 12 x 23 cm. Esperar de 15 a 30 segundos após a fase palpatória


→ posicionar estetoscópio na A. braquial (não
OBS: Se a braçadeira for pequena (estreita) deverá encostar no manguito) → somar 30 mmHg
demais, os valores aferidos da pressão arterial à pressão sistólica estimada e insuflar até tal valor
serão superestimados; caso a braçadeira for muito → desinflar lentamente (2 a 3 mmHg por
grande (larga), os valores serão subestimados. segundo), se atentando aos sons de Korotkoff →
Preparação para o exame: auscultar por mais 20 a 30 mmHg abaixo do valor
indicado no momento do último som para
● Paciente sentado, com as costas encostadas na confirmar o seu desaparecimento.
cadeira, pernas descruzadas, pés no chão e
braço na altura do coração; ● Sons de Korotkoff

● Realizar entrevista sobre fatores que podem ✓ Primeiro som auscultado corresponde à
pressão sistólica (fase I de Korotkoff);
alterar a pressão arterial;
✓ Momento em que os sons cessam
✓ A: Álcool ou alimentos ricos em sal, nos últimos correspondem à pressão diastólica (fase V de
30 min? Korotkoff);
✓ Caso sons persistem até o nível 0, registrar a
✓ B: Banheiro? pressão diastólica quando for auscultado o
abafamento dos sons (fase IV de Korotkoff),
✓ C: Café nos últimos 30 min? fazendo o registro da seguinte forma:
✓ D: Drogas lícitas ou ilícitas? ✓ P. sistólica / P. diastólica / 0 mmHg

✓ E: Exercício nos últimos 60 min? Paciente


deve estar em repouso nos últimos 5 a 10 • Primeira consulta
min antes da avaliação. ✓ Realizar pelo menos duas medições no
mesmo braço, com intervalo de 1 min entre
✓ F: Fumo nos últimos 30 min? as duas. Se necessário, realizar mais aferições;
✓ Realizar aferições no outro braço;
✓ G: Gravidez?
✓ O maior valor encontrado durante as
✓ H: Histórico de Pressão Arterial? aferições deverá ser aquele levado como
referência;
● FASE PALPATÓRIA
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✓ Anotar os valores encontrados para PA sem proximal à superfície ventral da prega do
aproximações! punho.
✓ Caso necessário, poderá ser realizada a • Nesse momento avalia-se as seguintes
aferição da pressão: características desse pulso:
✓ Nas 3 posições (deitado, sentado e em ✓ Frequência (em 1 min): normocárdico,
ortostase): Pode ser útil em casos de bradicárdico, taquicárdico;
hipotensão postural, comum em idosos. ✓ Ritmo: Rítmico (intervalo entre os pulsos
✓ Em outros membros (coxa e perna): No caso iguais) e arrítmico (com ritmo de base ou sem
de doenças vasculares, como na coarctação ritmo de base);
de aorta, o valor da pressão nos MMII pode ✓ Amplitude: cheio ou filiforme.
sofrer alterações, quando comparada com a ✓ Valores normais: 50/60 a 100bpm;
do MMSS. Em condições normais, a PA
sistólica nas pernas é geralmente 10 a 20%
mais elevada do que a verificada na artéria
braquial.
✓ Valores de referência: Diretriz Brasileira de
Hipertensão (2016) - hipertensão se PAS ≥
140 mmHg e/ou PAD ≥ 90 mmHg;

• VALORES DE REFERÊNCIA PARA PRESSÃO


ARTERIAL:
✓ Sociedade Brasileira de Cardiologia (2017)

TEMPERATURA
● Desinfetar o termômetro de mercúrio.

● Observar se a coluna de mercúrio está igual ou


inferior a 35°C; fazer manobras para abaixar a
coluna de mercúrio até este nível, se
necessário.

● Posicionar o termômetro no local de aferição e


mantê-lo por aproximadamente 5 min,
aproveitando esse período para observar os
outros sinais vitais.

● Os termômetros digitais dependem de bateria.


FREQUÊNCIA CARDÍACA São mais sensíveis, bastando a permanência
de 1 min na região axilar.
• Avaliar o pulso radial utilizando as polpas dos
dedos indicador e médio. ● Temperatura axilar: 35,5 a 37°C, em média de
• Local de palpação da A. radial: medialmente ao 36 a 36,5°C;
processo estiloide do rádio e lateralmente ao ● Temperatura bucal: 36 a 37,4°C;
tendão do flexor radial do carpo, 2 a 3 cm ● Temperatura retal: 36 a 37,5°C (0,5°C maior
que a axilar).

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FREQUÊNCIA RESPIRATÓRIA
● Observar a expansão torácica e amplitude.

● Evitar que o paciente saiba em qual momento


se está avaliando a FR.

● Valores de referência: 14/16 a 20 ipm.

● Dados Vitais e Antropométricos:


✓ PA: 110 x 60 mmHg; FR: 16 ipm; PR: 64 bpm; T:
36,5ºC; Peso: 68,0 kg; Altura: 175 cm; IMC:
22,20; Circ. Abdominal: 70 cm; Quadril: 100
cm; RCQ: 0,7.

XIV. EXEMPLO DE DESCRIÇÃO DO EXAME


FÍSICO GERAL NORMAL:
• Geral: Paciente alerta, em bom estado geral,
lúcido e orientado em tempo e em espaço,
eupneico, com fala normal, mediolíneo e
desenvolvimento físico normal. Hidratado,
anictérico e acianótico. Paciente tinha estado
nutricional aparente dentro dos padrões de
normalidade, fácies atípica e atitude ativa no
leito. Mucosas normocoradas e de umidade
normal.

Referências
1 SWARTZ, M. H. Tratado de Semiologia Médica,
7ª ed., 2015.
2 BATES, B.; BICKLEY, L. S.; SZILAGYI, P. G.

Propedêutica Médica, 12ª ed., 2018.


3 PORTO, C. C.; PORTO, A. L., Exame Clínico, 8ª ed.,

2017.
4 PORTO, C. C. Semiologia Médica, 7ª ed., 2014.

ATENÇÃO: O Guia de Habilidades é um facilitador


do aprendizado de técnicas do exame físico e da
anamnese e não substitui o estudo pela
bibliografia oficial do Componente Bases
Semiológicas.

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