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Resumo Projeto de Iniciação Cientifica

Uriel Ricardo de Araújo

INTRODUÇÃO

A contemporaneidade, marcada pelo intermédio tecnológico, vê gradativamente seus


espaços de autonomia serem tomados pelo consumo. Entre os ambientes mais
prejudicados por esse avanço consumista está o tempo livre. Entre uma juventude que
está imersa no uso de tecnologias e no consumo e uma vida adulta marcada pelo
impulso à competição, questiona-se quais são os impactos da ressignificação do tempo
livre na velhice. O envelhecimento populacional torna-se cada vez mais relevante,
segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 10 anos a
população brasileira com 60 anos ou mais será a quinta maior do mundo. Por meio da
Análise de conteúdo (Bardin, 1977) investiga-se os sentidos acerca da produtividade e
do tempo livre apresentados no canal do Youtube "Avós da Razão".

METODOLOGIA

A fim de se obter uma análise que ajude a compreender como certas temáticas são
introduzidas no discurso produzido sobre a velhice, optou-se pela análise de conteúdo
(Bardin, 1977) tendo como objeto de análise o canal do Youtube "Avós da razão" e
especificamente o programa intitulado “Quarentena com as avós” criado pelas
apresentadoras do canal durante a pandemia do Coronavírus de 2020. O canal apresenta
mais de 100 vídeos, e o programa citado possui 22 edições até a data de conclusão desta
pesquisa. Serão analisadas as temáticas mais recorrentes, buscando-se compreender o
que esses temas dizem a respeito da audiência e das apresentadoras do canal,
recorrendo-se também para esta análise ao arcabouço teórico descrito no referencial
teórico.

RESULTADOS

A análise do conteúdo (Bardin, 1977) evidenciou que as temáticas apresentadas no


canal refletem pressões e anseios da velhice contemporânea, sobretudo, o impulso à
produção e o prolongamento da juventude. Dentre os temas mais recorrentes estavam o
sexo, cuidados estéticos e a vida profissional, assuntos comumente relacionados à
juventude. Notou-se, ainda, que as influenciadoras do canal se tornam propagadoras das
ideias que pressionam as mesmas à vivencia performática da velhice (FREITAS, 2018),
principalmente a necessidade de se manter produtivo durante a velhice, caso contrário
esta etapa da vida torna-se vazia de sentido.

CONCLUSÃO

Ao passo que os espaços de autonomia do ser são ressignificados como locais de


produção, os indivíduos internalizam esse processo e se tornam avaliadores de si e dos
outros (FERRAZ, 2014) gerando um culto a performance perfeita (EHRENBERG,
2010). Na velhice, este cenário começa mostrar suas consequências, sobretudo a
alienação das pessoas velhas em torno da necessidade de atribuir sentido a velhice por
meio da produtividade. A medida que o envelhecimento populacional ganha destaque,
as inquietações acerca da velhice aumentam, e se faz necessário que este debate
ultrapasse os limites do mundo acadêmico e seja democratizado, a fim de se retomar o
tempo livre como espaço de real autonomia buscando promover um envelhecimento que
não dependa da produtividade para ter sentido.

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