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Faculdade Unida de Campinas- FAC-Unicamps

Hedilene Araújo Lima,


Ludymila Pereira Inocêncio, e
Renata Cristina Cardial Hora

ESTUDO DE CASO:

Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica

Goiânia

2021
Hedilene Araújo Lima,
Ludymila Pereira Inocêncio, e
Renata Cristina Cardial Hora

ESTUDO DE CASO:

Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica

Trabalho da disciplina de UTI, apresentado


como requisito para nota da disciplina do
curso de Enfermagem da Faculdade Unida
de Campinas – FacUnicamps

Orientação da Prof.° Lara Isa

Goiânia

2021
FISIOPATOLOGIA: DPOC é uma condição heterogênea, cuja patogênese envolve
acometimento das vias aéreas (bronquite crônica e bronquiolite), do parênquima
pulmonar (enfisema) e da vasculatura pulmonar. É resultado da resposta inflamatória
exacerbada do tecido pulmonar, frente à exposição de gases e de partículas nocivas, em
conjunto com fatores individuais, como predisposição genética, presença de outras
comorbidades, prematuriedade e infecção respiratória prévia.

Vias aéreas: As alterações nas vias aéreas incluem inflamação crônica com infiltração
de macrófagos e linfócitos CD8, hipertrofia das glândulas mucosas e metaplasia das
células de goblet, disfunção ciliar, fibrose tecidual, estreitamento e redução do número
de vias aéreas e colapso de vias aéreas por perda de ancoragem causada pela
destruição de paredes alveolares.

Parênquima pulmonar: As alterações no parênquima incluem processo inflamatório


crônico com infiltração de macrófagos e linfócitos CD8, ativação de proteases e estresse
oxidativo, o qual leva à destruição do parênquima, das membranas alveolares e dos
ácinos.

Vasculatura: As alterações na vasculatura pulmonar incluem hiperplasia/hipertrofia da


camada íntima e da musculatura lisa dos vasos, associada à perda de capilares
pulmonares pela destruição do parênquima.

CASO CLÍNICO: J.G.B, 65 anos, feminino, aposentada, moradora do bairro Goiá,


Goiânia. Procurou a unidade de saúde com queixas de dispneia, tosse produtiva, relata
que há 5 dias iniciou quadro de tosse com secreção purulenta, febre de 38 °C, sudorese
noturna, prostração intensa, dispnéia e anorexia. Informa que é portadora de DPOC
(Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) a 3 anos. Usava diariamente brometo de tiotrópio,
b2-agonista de longa duração, associado a corticosteróide inalatório desde setembro de
2018; nas exacerbações agudas, utilizava corticosteróide sistêmico associado a
antibiótico. Tabagista desde os 18 anos, parou de fumar desde que foi diagosticada,
nega etilismo, não pratica atividade física. Ao exame apresentava fácies de sofrimento;
prostrada; hipocorada; taquipnéica (44 ciclos/min); taquicárdica (120 bpm); temperatura
axilar, 37 °C; pressão arterial, 120/80 mmHg; e saturação periférica de oxigênio, 84% em
ar ambiente. Roncos em ambos os pulmões. Exame Físico apresenta edemas nos MMII.
ANAMNESE ENTREVISTA:
Nome: Joice Gomes Borges

Idade: 65 anos

Sexo: Feminino

Moradía: Rua B, 09 Bairro Goiá, Goiânia/GO

Ocupação: Aposentada

Estado civil: Viúva

Queixa Principal: Dispnéia, tosse produtiva com secreção prulenta, febre, astenia, algia
na região torácica.

HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL: Paciente refere início dos sintomas ao tentar realizar
atividades domésticas, pouco pesadas. relata também que a 5 dias está com sintomas
gripais. Informa dores mensurada em 09 numa escala de 0 a 10, a dor se localiza no
tórax, porém irradia para membros superiores e inferiores, interferindo nas suas
atividades do dia-a-dia. Refere que a dispneia iniciou a 10 dias com piora progressiva
em curto tempo.

HISTÓRIA DA DOENÇA PROGRESSIVA: Paciente Hipertensiva, faz uso de losartana


25mg. Informa internação à 3 anos quando foi diagnosticado a DPOC.

HISTÓRICO FAMILIAR: Familiares relativamente saúdaveis,não apresentam doenças


crônicas ou episódios de internamento hospitalar.

HÁBITOS DE VIDA/ AVALIAÇÃO FUNCIOAL: Pouco convívio familiar, refere


tabagismo dos 18 aos 62 anos de 20 cigarros/ dia, nega etilismo, não pratica atividades
físicas.

REVISÃO DOS SISTEMAS: Refere dificuldade de deambulação (sistema locomotor).


EXAME FÍSICO

Inspeção

Estática: Nota-se o tórax em tonel, pouca presença de pêlos, pele íntegra sem presença
de cicatrizes ou lesões. Sem abaulamentos ou retrações, cianose presente.

Dinâmica: Respiração com amplitude profunda, arrítmica,uso de musculatura acessória,


tiragem intercostal.

Palpação:

Táquéia com boa mobilidade, sem atrofias musculares, sem altração de sensibilidade,
presênça de edema em MMII, ausência de linfonodos, expansibilidade em ápices e base
pulmonares presente e bilateral, mas com dificuldade de respiração, frêmito toracovocal
presente e normal.

Percurssão:

Região pulmonar apresentando som claro pulmonar mas com submacicez com base
hemitoráx direito, área de proteção do coração macicez cardíaca, fígao apresenta
macicez hepática, região baço apresentando submacicez esplêmica e timpanismo em
região epigástrica.

EXAMES COMPLEMENTARES

Laboratoriais:

Exame Referência Resultado


Hemoglobina (Hb) 12.0 a 16.0 g/dL 15,2/l
Hematócrito (Ht) 35 a 47% 42%
Leucócitos 4.000 a 10.000/ mm3 7.400/mm3
Gasometria Arterial:

RESULTADOS:
PARÃMETROS MEDIDOS:
pH : 7,139
pCO2 : 119,0 mmHg
PO2 : 131,9 mmHg
Lactato : 0,9 mmol/L
PARÃMETROS CALCULADOS:
HCO3- : 40,8 mmol/L
TCO2 : 44,4 mmol/L
BEecf : 11,5 mmol/L
BE (B) : 7,5 mmol/L
SO2 : 97,3
VALORES DE REFERÊNCIA:
pH : 7,35 A 7,45
PCO2 : 35 A 45 mmHg
PO2 : 83 A 108 mmHg
HCO3 : 21 A 28 mmol/L
TCO2 : 24 A 31 mmol/L

Eletrocardiograma:
No ecg observamos:
1- onda P apiculada e com amplitude chegando a 5 mm em D2. Onda P > 2,5 mm em
D2 = SAD. Quando esta onda p aumentada é resultado de cor pulmonale, dá-se o nome
de ONDA P PULMONALE.
2- variação importante de amplitude do qrs entre V1 e V2. É o chamado sinal de
Peñalosa-Tranchesi e também significa SAD (sobrecarga de átrio direito).
3- onda S > onda R em V6 – denota SVD (sobrecarga ventricular direita)
4- onda S profunda em V3 que quando somada a onda R de avL resulta em > 20mm –
índice de cornell. Significa SVE (sobrecarga ventricular esquerda)
5- Índice de morris presente em V1 – significa SAE. (sobrecarga de átrio esquerdo)
6- importante desvio do eixo cardíaco (qrs positivo em avR).
PROCESSO DE ENFERMAGEM
DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM
1. Risco de infecção relacionado às 1. Avaliar a presença de febre,
defesas primárias inadequadas, à aparência das secreções, local de
diminuição ciliar e à doença inserção de drenos e cateteres
crônica

2. Padrão respiratório ineficaz


(inspiração e/ou expiração que 2. Avaliar o padrão respiratório, uso
não proporciona ventilação de musculatura acessória,
presença de cianose, dispneia,
adequada) caracterizado por
tosse, secreções
alteração na profundidade
respiratória, capacidade vital 3. Realizar ausculta pulmonar e
diminuída e dispneia, relacionado cardíaca
a fadiga muscular respiratória
4. Avaliar a frequência cardíaca e
3. Troca de gases prejudicada dilatação de veias do pescoço
(excesso ou déficit na oxigenação
5. Avaliar a capacidade de realizar
e/ ou na eliminação de dióxido de atividades no leito
carbono na membrana
alveolocapilar) caracterizado pelo 6. Avaliar resultados de gasometria
resultado da gasometria (acidose arterial e monitorar a saturação de
e hipercapnia), respiração anormal oxigênio por meio de oxímetro de
e taquicardia relacionada ao pulso
7. Avaliar padrão de sono e
desequilíbrio na ventilação- respiração durante o sono –
perfusão e/ou alterações na verificar ocorrência de apneia do
membrana capilar sono

8. Promover mudança de decúbito a


cada 2 horas

9. Monitorar presença de arritmias


devido à hipoxemia e hipóxia
AVALIAÇÃO:
Seguindo implementações de enfermagem a qualidade de atendimento e recuperação
do paciente vem melhorando progressivamente.
Aceitação do cuidado progressivo pela paciente, família, e pessoal hospitalar, após a
implementação de cuidados específicos.
Padrão respiratório melhorado com o uso de oxigenoterapia.
Avaliação contínua por meio do prontuário da paciente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

1. AIDê, Miguel Abidon et al. Nocardiose pulmonar em portador de doença pulmonar


obstrutiva crônica e bronquiectasias. 2007. 4 f. ).Universidade Federal Fluminense – Uff
– Niterói (Rj) Brasil, Niterói, 2007.
2. COTA, Maria; SIQUEIRA, Helio; COELHO, Paulo; CRUZ, Pedro; KOPILER, Daniel. Prova
de esforço e Gasometria arterial na avaliação da doença pulmonar obstrutiva crônica.
SPOTER/RJ, [s. l.], v. 4, p. 121-133, 2017.
3. ZOPPI, Daniel. Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica: Exacerbação Aguda na Sala de
Urgência. Revista QualidadeHC, Ribeirão Preto -SP, p. 1-6, 25 out. 2018.
4. Diagnósticos de enfermagem da NANDA-I: definições e classificação 2018-2020
[recurso eletrônico] / [NANDA International]; tradução: Regina Machado Garcez; revisão
técnica: Alba Lucia Bottura Leite de Barros... [et al.]. – 11. ed. – Porto Alegre: Artmed,
Editado como livro impresso em 2018. ISBN 978-85-8271-504-8.
5. Carpenito, L. J. (1997). Diagnósticos de Enfermagem. Aplicação à Prática Clínica. (6º
ed.). Porto Alegre: Lusodidáctica
6. .Docheterman, J. M. & Bulechek, G. M. (2008). Classificação das Intervenções de
Enfermagem (NIC). (4ª ed.). Porto Alegre: Artmed.
7. Johnson, M., Mass, M. & Moorhead, S. (org.) (2004). Classificação dos Resultados de
Enfermagem (NOC). (2ª ed.). Porto Alegre: Artmed.

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