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Plano de Aula: Controle concentrado (Cont.

)
DIREITO CONSTITUCIONAL AVANÇADO -
CCJ0135
Título
Controle concentrado (Cont.)
Número de Aulas por Semana
Número de Semana de Aula
6
Tema
Controle concentrado: Ação Declaratória de Constitucionalidade e Arguição de
Descumprimento de Preceito Fundamental
Objetivos
- Compreender o funcionamento da ADC no sistema de controle concentrado
de constitucionalidade brasileiro.
- Relacionar ADC e ADI como ações de natureza dúplice.
- Compreender os objetivos da regulamentação do art. 102, par. 1o, CF pela lei
9.882/99 (ADPF).
- Diferenciar as espécies de ADPF criadas pelo legislador.
- Analisar a jurisprudência do STF sobre ADPF.
Estrutura do Conteúdo
Aplicação Prática Teórica
Questão discursiva 1:
(OAB ? XIX Exame Unificado) Durante a tramitação de determinado projeto de
lei de iniciativa do Poder Executivo, importantes juristas questionaram a
constitucionalidade de diversos dispositivos nele inseridos. Apesar dessa
controvérsia doutrinária, o projeto encaminhado ao Congresso Nacional foi
aprovado, seguindo-se a sanção, a promulgação e a publicação. Sabendo que
a lei seria alvo de ataques perante o Poder Judiciário em sede de controle
difuso de constitucionalidade, o Presidente da República resolveu ajuizar, logo
no primeiro dia de vigência, uma Ação Declaratória de Constitucionalidade.
Diante da narrativa acima, responda aos itens a seguir.
a) É cabível a propositura da Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC)
nesse caso?
Resp.  Não. Não caberia a ADC por falta de comprovação de relevante controvérsia
perante juízes e tribunais a respeito da constitucionalidade da lei. A controvérsia
existente no âmbito da doutrina não torna possível o ajuizamento da ADC. Com
efeito, é de se presumir que, no primeiro dia de vigência da lei, não houve ainda
tempo hábil para a formação de relevante controvérsia judicial, isto é, não haveria
decisões conflitantes de tribunais e juízos monocráticos espalhados pelo País. É a
própria dicção do Art. 14, III, da Lei nº 9.868/99 que estabelece a necessidade de
comprovação da relevante controvérsia judicial, não sendo, por conseguinte, o
momento exato de se manejar a ADC.
b) Em sede de Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC), é cabível a
propositura de medida cautelar perante o Supremo Tribunal Federal? Quais
seriam os efeitos da decisão do STF no âmbito dessa medida cautelar?
Resp. Sim. Nos termos do Art. 21, caput, da Lei nº 9868/99, os efeitos da medida
cautelar, em sede de ADC, serão decididos pelo Supremo Tribunal Federal, por
decisão da maioria absoluta de seus membros. Tais efeitos, de natureza vinculante,
serão erga omnes e ex nunc, consistindo na determinação de que juízes e Tribunais
suspendam o julgamento dos processos pendentes que envolvam a aplicação da lei
ou do ato normativo objeto da ação até seu julgamento definitivo que, de qualquer
maneira, há de se verificar no prazo de cento e oitenta dias, nos termos do Art. 21,
parágrafo único, da referida lei. Ou seja, a concessão da medida liminar serviria para
determinar que juízes e tribunais do país não pudessem afastar a incidência de
qualquer dos preceitos da Lei nos casos concretos, evitando, desde logo, decisões
conflitantes. Pode o STF, por maioria absoluta de seus membros, conceder a medida
cautelar, com efeitos ex tunc.
Questão discursiva 2:
O Governador de um Estado-membro da Federação vem externando sua
indignação à mídia, em relação ao conteúdo da Lei Estadual nº 1234/15. Este
diploma normativo, que está em vigor e resultou de projeto de lei de iniciativa
de determinado deputado estadual, criou uma Secretaria de Estado
especializada no combate à desigualdade racial. Diante de tal quadro, o
Governador resolveu ajuizar, perante o Supremo Tribunal Federal, uma Arguição
de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) impugnando a Lei
Estadual nº 1234/15. Com base no fragmento acima, responda,
justificadamente, aos itens a seguir. a) A Lei Estadual nº 1234/15 apresenta
algum vício de inconstitucionalidade?
Resp. A referida lei estadual apresenta vício de inconstitucionalidade formal, já que
somente lei de iniciativa privativa do Chefe do Poder Executivo pode criar órgão de
apoio a essa estrutura de poder. É o que dispõe o Art. 61, § 1º, inciso II, da
CRFB/88, aplicável por simetria aos Estados, tal qual determina o Art. 25, caput. 
a) É cabível a medida judicial proposta pelo Governador?
Resp.  Não. A resposta deve ser no sentido de negar o cabimento da ADPF
diante da ausência das condições especiais para a propositura daquela ação
constitucional, ou seja, a observância do princípio da subsidiariedade,
previsto no Art. 4º, § 1º, da Lei nº 9882/99. A jurisprudência do STF é firme
no sentido de que o princípio da subsidiariedade rege a instauração do
processo objetivo de ADPF, condicionando o ajuizamento dessa ação de
índole constitucional à ausência de qualquer outro meio processual apto a
sanar, de modo eficaz, a situação de lesividade indicada pelo autor. 
Questão objetiva:
(TRT 20 região 2016 ? Analista Judiciário ? Administrativa) Considere:
I. Governador do Estado de Sergipe.
II. Confederação Sidical ?XXX?.
III. Procurador-Geral da República.
IV. Mesa da Câmara dos Deputados.
V. Prefeito da cidade de Lagarto.
De acordo com a Constituição Federal de 1988, possuem legitimidade ativa
para propor ação declaratória de constitucionalidade, dentre outros, os
indicados APENAS em:
a) I, II e III.
b) I, II, III e IV.
c) I, III, IV e V.
d) III, IV e V.
e) I, III e IV

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Tema
Controle concentrado: Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI
Objetivos
- Compreender a importância da fiscalização de constitucionalidade por via de
ADI
- Analisar o exercício atípico da jurisdição provocado pela ADI, e o sentido de
processo objetivo
- Compreender a importância do STF no exercício da jurisdição constitucional.
- Delimitar os atos normativos que podem ser objeto de impugnação por via de
ação direta de inconstitucionalidade
- Estabelecer o bloco de constitucionalidade como parâmetro de aferição da
constitucionalidade das normas
- Diferenciar os casos de ADI e de representação de inconstitucionalidade
conforme objeto e parâmetro da ação.
Estrutura do Conteúdo
Aplicação Prática Teórica
Questão discursiva:
O Procurador Geral da República ajuizou uma Ação Direta de
Inconstitucionalidade em face da Lei distrital n. 3.669/2005, que cria a carreira
de atividades penitenciárias e respectivos cargos no quadro de pessoal do
Distrito Federal. Alega, em síntese, que o DF teria usurpado competência da
União (arts. 21, XIV c/c 32, § 4°, CRFB/88), que atribui a responsabilidade pelas
funções exercidas por tal carreira aos agentes penitenciários integrantes da
carreira da polícia civil. Citado na forma do art. 103, § 3°, CRFB/88, o Advogado
Geral da União manifestou-se pela procedência da ação, pedindo,
consequentemente, a declaração de inconstitucionalidade da referida lei
distrital. Diante de tal situação, responda, justificadamente: Poderia o AGU ter
deixado de proceder à defesa do ato normativo impugnado?
Resp. Sim, o AGU poderia deixar de ter defendido devido a posição do STF sobre o
tema.
O  Supremo Tribunal Federal  realizou uma mudança de entendimento sobre o papel
exercido pelo Advogado-Geral da União no cumprimento da norma prevista no § 3º
do artigo 103 da Constituição Federal de 1988, ou seja a respeito da declaração de
inconstitucionalidade de uma norma.
Questão objetiva:
Sobre o processo da ADI é incorreto afirmar que:
a) A atuação do AGU somente será possível se o mesmo não representar o
autor da ação.
b) O PGR é chamado ao processo para apresentar o seu parecer.
c) O amigo da corte participará do processo à convite do relator, figurando
como um técnico na questão.
d) O pedido liminar deferido suspenderá todas as ações do controle concreto
que versem sobre a referida inconstitucionalidade.

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CCJ0135
Título
Controle Concentrado (Cont.)
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Número de Semana de Aula
8
Tema
Controle concentrado: ADI por omissão e mandado de injunção
Objetivos
- Compreender a sistemática de fiscalização das omissões inconstitucionais
- Diferenciar a ADO do MI
Estrutura do Conteúdo
Aplicação Prática Teórica
Questão discursiva:
(OAB – XX Exame de Ordem Unificado) Emenda à Constituição insere novo
direito na Constituição da República. Trata-se de uma norma de eficácia
limitada, que necessita da devida integração por via de lei. Produzido o diploma
legal regulador (Lei Y), ainda assim, alguns dos destinatários não se
encontram em condições de usufruir do direito a que fazem jus, por ausência
de regulamentação da norma legal pelo órgão competente (o Ministério da
Previdência Social), conforme exigido pela citada Lei Y. Passados dois anos
após a edição da Lei Y, Mário, indignado com a demora e impossibilitado de
usufruir do direito constitucionalmente garantido, é aconselhado a impetrar
um Mandado de Injunção. Não sabendo exatamente os efeitos que tal medida
poderia acarretar, Mário consulta um(a) advogado(a). A orientação recebida
foi a de que, no seu caso específico, a adoção, pelo órgão judicante, de uma
solução concretista individual iria satisfazer plenamente suas necessidades.
Diante dessa situação, responda fundamentadamente aos itens a seguir.
a) Assiste razão ao(à) advogado(a) de Mário quanto à utilidade do acolhimento
do Mandado de Injunção com fundamento na posição concretista individual?
Resp.De acordo com a teoria concretista individual é uma das posições reconhecidas
pelo STF como passível de ser adotada nas situações em que é dado provimento ao
Mandado de Injunção. Segundo esse entendimento, diante da lacuna, o Poder
Judiciário deve criar a regulamentação para o caso específico, ou seja, a decisão
viabiliza o exercício do direito, ainda não regulamentado pelo órgão competente,
somente pelo impetrado, vez que a decisão teria efeitos inter partes. Como se vê, o
órgão judicante, ao dar provimento ao Mandado de Injunção, estabeleceria a
regulamentação da lei para que Mário (e somente ele) pudesse usufruir do direito
constitucional garantido.
b) A que órgão do Poder Judiciário competiria decidir a matéria?
Resp. Segundo o Art. 125, inciso I, alínea h, da CRFB/88, compete ao Superior
Tribunal de Justiça processar e julgar o Mandado de Injunção quando a elaboração
da norma regulamentadora for atribuição de órgão federal, da administração direta
ou indireta. No caso, o Ministério da Previdência é um órgão da administração
pública federal, sendo, portanto, o Superior Tribunal de Justiça o órgão judicial
competente para processar e julgar a ação de Mário.
Questão objetiva:
Assinale a opção correta no que diz respeito ao controle das omissões
inconstitucionais.
a) A ação direta de inconstitucionalidade por omissão que objetive a
regulamentação de norma da CF somente pode ser ajuizada pelos sujeitos
enumerados no artigo 103 da CF, sendo a competência para o seu julgamento
privativa do STF.
b) Na omissão inconstitucional total ou absoluta, o legislador deixa de
proceder à completa integração constitucional, regulamentando
deficientemente a norma da CF.
c) A omissão inconstitucional pode ser sanada mediante dois instrumentos: o
mandado de injunção, ação própria do controle de constitucionalidade
concentrado; e a ação direta de inconstitucionalidade por omissão,
instrumento do controle difuso de constitucionalidade.
d) O mandado de injunção destina-se à proteção de qualquer direito previsto
constitucionalmente, mas inviabilizado pela ausência de norma integradora.