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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUI - UFPI


CENTRO DEEDUCAÇÂO ABERTA E A DISTANCIA - CEAD
CURSO: LICENCIATURA PLENA EM
FILOSOFIA PÓLO: CHAPADA DAS
MANGABEIRAS

FABIANO OLIVEIRA DA SILVA

AS LEIS CIVIS E AS LEIS NATURAIS NO LEVIATÃ DE THOMAS HOBBES

GILBUÉS-PI
2021
2

FABIANO OLIVEIRA DA SILVA

AS LEIS CIVIS E AS LEIS NATURAIS NO LEVIATÃ DE THOMAS HOBBES

Monografia apresentada ao Curso de Licenciatura


Plena em Filosofia da Universidade Federal do
Piauí
– UFPI, a ser utilizado como requisito em obtenção
ao título de Licenciado em Filosofia sob a
orientação do ...

GILBUÉS-PI
2021
3

AS LEIS CIVIS E AS LEIS NATURAIS NO LEVIATÃ DE THOMAS HOBBES

Monografia apresentada ao Curso de Licenciatura


Plena em Filosofia da Universidade Federal do
Piauí
– UFPI, a ser utilizado como requisito em obtenção
ao título de Licenciado em Filosofia sob a
orientação do

Aprovada em / /

Banca Examinadora

Prof.

Profª

Profº. Me.
4

AGRADECIMENTO
5
6
RESUMO

Este trabalho tem por objetivo fazer uma analise a cerca da filosofia politica descrita por
Thomas Hobbes em especial na sua obra, o Leviatã. Desse modo, por sua filosofia que dará
amplo embasamento teórico a outros autores principalmente contratualistas, dos conceitos
chaves, Hobbes mostra nestas obras que as Leis Naturais e Leis Civis foram peças
fundamentais para a construção do Estado tal qual ele se apresenta. Partindo-se da categoria
mais elementar do pensamento hobbesiano, o poder à qual se podem reduzir todas as demais
relações humanas aborda-se as noções de estado de natureza, competição, direito, lei e
liberdade, procurando sintetizar ao leitor que se inicia nos clássicos do pensamento político os
principais passos lógicos do autor para a construção de sua teoria acerca do surgimento do
Estado bem como seus principais elementos. Perante os vários perpectivas que poderiam ser
seguidas, é necessário expor as seguintes questões que embasam este trabalho: As
caracteristicas das Leis Naturais e as Leis Civis sob a otica de Hobbes, como elas se
evidenciam e se respaldam sob uma perspectiva mecanicista de natureza humana? Com vistas
a responder estes questionamentos o presente trabalho investiga as principais leis na visão de
Tomas Hobbes utilizando sua famosa obra O Leviatã como fonte de embasamento.

Palavras-chave: Hobbes. o Leviatã . leis naturais e leis civis ,Estado.


8

ABSTRACT

Keywords:
9

SUMÁRIO
1.Introdução

2. .

2.1

3.

3.1
3.2
4. Considerações finais
Referencias
10

1 INTRODUÇÃO

Um dos livros políticos mais importantes do ocidente O Leviatã é uma obra


riquíssima, cuja influência ultrapassa as diferentes realidades políticas do mundo e das épocas,
mantendo a obra como um referencial para o estudo do Poder e da Política. Escrita por
Thomas Hobbes, matemático e filósofo inglês do século XVII. Hobbes, nascido em 1588
buscou nessa obra entender a realidade política da sociedade inglesa do início do século XVII,
período conturbado para os ingleses, tanto no campo cultural quanto no religioso e político o
nome da obra, Leviatã, faz referência ao monstro bíblico, também referido por outras culturas,
que é representado de várias formas ao longo do tempo e que seria uma das criaturas mais
temíveis e poderosas do mundo.
Buscamos neste trabalho o objetivo de analisar a obra Leviatã, de Thomas Hobbes,
poder afirmar que o pensamento hobbesiano, ao tentar compreender o homem e o Estado, suas
idéias, conceitos e reflexões, Ultrapassa a mera tentativa de explicação histórica, ou
mitológica, sobre o momento de passagem do “estado de natureza” do homem para o “estado
de sociedade”. Nesse sentido, a insegurança humana é o que impulsiona o fortalecimento e a
criação do Estado. Hobbes busca com o livro, explicar seu modo de compreensão de como a
sociedade se estrutura e as razões pelas quais os homens são o que são e fazem o que fazem e
como a política é pensada, aplicada e interfere nesse contexto. Para o autor, o homem nasce
egoísta e em busca de satisfação de suas necessidades e que o mundo não pode satisfazer
plenamente a necessidade de todos os homens.
Nesse Estado Natural do ser humano que busca a satisfação de necessidades e
vontades, o homem desconhece a Lei e a Justiça, considerando, a princípio, essas ideais como
limitadores ou mesmo inexistentes. Dentro desse “caso da lei natural”, um ponto específico
vem sendo bastante estudado: a relação entre lei natural e lei civil para Hobbes, do ponto de
vista do direito civil e político, cabe somente ao soberano decidir e julgar. O direito de
natureza, liberdade natural do homem, pode, então, ser legitimamente limitado pelas leis da
comunidade política. A finalidade da lei é essa restrição, sem a qual, de certo modo, não
haveria paz. Diversos intérpretes vêm abordando tal relação visto que não há acordo entre os
comentadores sobre a definição de lei natural e tampouco sobre a relação entre lei natural e
lei civil em Hobbes, este trabalho assume a idéia de que a dificuldade em compreender essa
relação vem do fato de não existir uma formulação precisa nem do que é lei natural e nem do
que é lei civil no pensamento de Hobbes.
O trabalho vem composto por três capítulos onde faremos uma explanação a respeito
do pensamento de Tomas Hobbes a cerca das leis naturais e civis e como estas leis foram
importantes para a formação do Estado tal qual vimos hoje. O primeiro se baseia nas teorias
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filosoficas da politica sob o olhar de Hobbes. No segundo capítulo abordaremos as Leis
Naturais e as condições para o pacto social para Hobbes, os homens precisavam de um Estado
forte, pois a ausência de um poder superior resultava na guerra. O ser humano, que é egoísta,
se submetia a um poder maior, somente para que pudesse viver em paz e também ter condição
de prosperar. No terceiro capítulo trataremos das Leis Civis, a organização do Estado e a
diferenciação das Leis Naturais.
Desta forma concluiremos nossa pesquisa, que utilizará um modelo de pesquisa de
caráter descritivo e bibliográfico, que mais que respostas definitivas sobre a filosofia
Hobbesiana,pretendendo resgatar sua concepção das leis que regiam a sociedade e como o
surgimento do estado mudou a visão dos filosofos daquela época. .Embasaremos nossa
pesquisa, através da apreciação de comentários em livros, artigos, revistas e monografias de
estudiosos da filosofia de Tomas Hobbes utilizando como base o livro O Leviatã onde o
filósofo detalhou as leis que nortearam a criação do estado.
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REVISÃO DE LITERATURA

2-BASES FILOSÓFICAS DA TEORIA POLITICA NA VISÃO DE HOBBES

Tomas Hobbes inaugurou um novo modo de pensar a política, refletindo não apenas
sobre os paradigmas já existentes, mas questionando-se sobre a origem do Estado e sua função;
na visão de Hobbes, o problema é a conservação do homem. O pensamento Hobbesiano parte do
ponto de um hipotético estado de natureza o estado de natureza é um estado de violência, de
guerra: Bellum omnium contra omnes (a guerra de todos contra todos) O homem não é um
animal político ou social, como dizia Aristóteles, mas um lobo egoísta e interesseiro, que
sempre quer saciar seu apetite.
O desejo de se preservar é a fonte mais abundante dessa guerra que nos instiga a ver
o próximo como um inimigo. Para alcançar nosso insaciável desejo de poder, estaríamos sempre
matando, subjugando e repelindo o próximo. Afinal, o homem só encontra a felicidade por
comparação com os outros homens, ou seja, sua felicidade depende da miséria do próximo:
“Todo o prazer intelectual e toda a felicidade se baseiam no fato de ter uma pessoa com quem se
comparar e em relação a quem se sentir superior” Portanto, a vida anterior ao Estado e à
sociedade no hipotético estado de natureza seria brutal, violenta, miserável, infeliz e solitária, a
guerra de todos contra todos, marcada pelo mais intenso sentimento do homem: o medo da
morte.
Segundo Wayne Morrison (2006, p.p.92-93), a base da filosofia Hobbesiana teve
seu enfoque na emoção do medo e o desejo da preservação do domínio terretre contra a
expectativa da morte. Em meio a uma ordem social que se deparava com o caos da Guerra Civil
inglesa, Hobbes escreveu o texto fundamental da filosofia política inglesa, o Leviatã no ano de
(1651), surgindo neste periodo um pensamento dominante para a modernidade, em rompimento
com o paradigma da idade média o liberalismo político, o qual aborda a defesa dos próprios
direitos como parâmetro da ética e das relações sociais, sendo isto possível com o
estabelecimento de uma ordem estável, com a criação de certas regras naturais que deveriam ser
observadas por meio da obediência e não pelo exercício consciente da liberdade, abordado pela
ética. Na visão de Hobbes a filosofia tem que ter um fundamento prático, precisa ser útil, e dessa
forma descarta a metafísica como sendo de interesse da filosofia.
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A filosofia tem que se interessar pelos corpos, a explicação das causas desses corpos
e as suas propriedades. A filosofia também não trabalha com a história, pois essa se fundamenta
em indícios e probabilidades. A filosofia tem que estudar os corpos em geral, como os objetos
inanimados; os copos dos homens, que são animados; e os corpos artificiais, como o estado.
Tudo o que for espiritual ou não corpóreo, não é do interesse da filosofia. Os interesses da
filosofia são os mesmos interesses da ciência, ambas buscam aumentar o poder dos homens
sobre a natureza. Hobbes acreditava que a razão não é uma prioridade humana, pois em certos
graus os animais também usam da razão, como quando conseguem prever os acontecimentos
futuros com base em suas experiências passadas.
O que acontece é que nos homens essa previsão do futuro é muito superior, pois
conseguem calcular e modificar o futuro com base nos experimentos passados. A razão humana
vai muito além e consegue através da lógica tornar mais complexo e profundo o nosso
pensamento que derivam e se fundamentam em sinais que são os nomes que damos aos
pensamentos ou acontecimentos passados. Esse processo tem por objetivo repassar aos outros
seres humanos nossas experiências e pensamentos só que de forma sistematizada e elaborada.
 Raciocinar é calcular nomes e sentenças, esse calcular pode ser uma soma,
subtração, multiplicação ou divisão. Os cálculos do nosso raciocínio têm por base os sinais
linguísticos que usamos para significar as nossas experiências, que são retiradas dos nossos
sentidos, pois a origem de todos os nossos pensamentos está nos sentidos que estão baseados
nos objetos externos ao nosso corpo. 
Em Hobbes a ciência e a filosofia são vistas como sendo a busca do conhecimento
da origem das coisas e desse conhecimento devemos excluir a teologia, pois o objeto de estudo
da teologia é Deus e de Deus não podemos descobrir a origem.  A filosofia de Hobbes é ainda
definida como corpórea e mecanicista. É corpórea porque os corpos são gerados e por isso são
os únicos sobre os quais é possível raciocinar. É mecanicista porque somente um corpo pode
sofrer uma ação.
O prazer, a dor, o querer o ódio e o amor também são movimentos em todos esses
movimentos não existe um bem e um mal, pois ambos são relativos se levarmos em conta que o
bem é aquilo que buscamos e o mal aquilo do qual fugimos e que as pessoas buscam ou tentam
se afastar de maneira e de coisas diferentes. Mesmo não existindo um bem e um mal como valor
absoluto, Hobbes admite que exista um primeiro bem que precede muito outro esse bem é a
conservação da vida, e o contrário desse primeiro bem é a morte. Levando seus princípios para a
análise política e social, Hobbes discorda da posição aristotélica que diz que o homem é um
animal político. Hobbes acredita que cada homem é diferente do outro e que a vida social é
definida pelo egoísmo dessa diferença e pela convenção da convivência em grupo.
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O Estado em que esses indivíduos vivem não é algo natural, mas artificial, criado
por esses indivíduos para alcançar da melhor forma seus objetivos egoístas. Naturalmente os
homens, devido ao seu egoísmo, viveriam em guerra de todos contra todos, cada um tendendo a
defender os seus próprios interesses. Conforme palavras de Hobbes, em estado natural o
"homem é o lobo do homem "Nesse estado o homem ficaria prejudicado em seus interesse
egoístas pois a qualquer momento poderia perder o seu primeiro bem que é a vida.
Usando o instinto e a razão ele tenta fugir dessa situação e se auto-conservar. Para se
conservarem os homens fazem entre si um pacto social e delegam a um único homem ou a uma
assembleia o direito de representá-los. Esse único homem é o rei e ele detém todos os poderes.
Em torno desse rei ou da assembleia é formado o estado que Hobbes chama de Leviatã. Esse
estado defenderá os homens das agressões estrangeiras e das agressões deles contra eles
mesmos. Em o Leviatã o autor esclarece o paradigma de liberdade:
Liberdade se entende, de acordo com o significado próprio da palavra,
a ausência de impedimentos externos, impedimentos que com
freqüência reduzem parte do poder que um homem tem de fazer o que
quer; porém não podem impedir que use o poder que lhe resta, de
acordo com o que seu juízo e razão lhe ditem (HOBBES, 1974,
p.133).

A liberdade para Hobbes pode ser vista de formas diferentes, ou seja, há mais de
um tipo de liberdade, a se conhecer:
1- A liberdade que impera no estado de natureza, uma vez que os homens não se
respeitam, ou melhor, respeitam apenas seus desejos particulares;
2- A liberdade que diz respeito ao direito de ir e vir. Ou seja, aquela liberdade que não
aprisiona o homem;
3-A liberdade que permite ao homem, rodeado pelas leis, clamar por mais “liberdade”. E no
que diz respeito a esse tipo, o autor mostra que o Estado deve estar pronto para punir com a
força aqueles que tentarem se contrapor às regras;
4- A liberdade que se relaciona às leis naturais que, casualmente, sejam desrespeitadas pelas
leis artificiais;
5-A liberdade do soberano, que é maior que todas as liberdades. Hobbes entende
por liberdade e porque, e em nome de que, o homem deve abrir mão da plenitude do termo,
pois para ele a liberdade está na vida civil. O homem é livre quando está submetido ao
Estado, ou seja, às leis. É por isso que para o autor, a soberania não reside nem na pessoa
natural do monarca, nem em uma associação de pessoas naturais, mas na pessoa artificial do
Estado.
Hobbes aperfeiçoou uma filosofia política partindo da visão do comportamento
humano no estágio denominado pelos modernos como “estado natural ou de natureza”,
marcada por uma condição de igualdade da espécie, do egoísmo e do estado de vigilância e
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luta permanente, sendo necessária a presença de um poder que subjugue os indivíduos a fim
de estabelecer a paz e a segurança, algo que não se assemelha ao caráter espontâneo, visto que
o homem, nesta condição, faz uso indistinto e indiscriminado da sua liberdade e da sua força
para obter para si os bens e garantir a sua sobrevivência.

2.1-TEORIA DO CONTRATO SOCIAL OU CONTRATUALISMO

Em O Leviatã, obra prima de Thomas Hobbes expõe a natureza anti-política


humana e a necessidade de, a partir de um contrato social, estabelecer um poder soberano que
garanta a paz e a estabilidade. Hobbes também contribuiu para outros campos, como
direito, história, ética e física, esse último principalmente por seus estudos em óptica.
A filosofia de Hobbes é materialista em essência ela busca refutar a metafísica, ou seja, afirma
que tudo tem existência material.
Daí surge sua visão mecanicista, em que todos os fenômenos são explicados por
força e movimento. O sistema filosófico de Hobbes aplica esse fundamento não apenas para
explicar a ciência física, mas também a natureza humana e a política. O contratualismo,
defendida por diversos filósofos, foi uma das teorias que marcaram surgimento da sociedade e o
do contrato social. Naquela época, predominava o sistema do mercantilismo, que estabelecia
práticas voltadas para o comércio. Portanto, o contratualismo foi essencial para criar as bases
sociais para a formação do Estado contemporâneo. O Contrato é um consenso entre os
componentes da sociedade e não como um documento firmado em cartório.
Para Hobbes e para os outros contratualistas, a criação do consenso marca uma
transição do Estado de Natureza para o Estado Social. No Estado de Natureza, o homem possui
liberdade e características naturais que nascem com ele. Hobbes tinha uma visão pessimista do
homem em seu Estado de Natureza o Contrato de Hobbes propõe um governo superior que
controlaria as guerras e conflitos humanos. Dessa forma, ele teria todo o poder como
governante, que seria transferido dos cidadãos diretamente para ele a fim de manter a vida e paz
(sem guerras e mortes), além de controlar o “instinto de lobo” do homem. 
No estado de natureza, todos os homens possuem o direito natural este consiste na
liberdade de usar o próprio poder da maneira como bem entender para se preservar. Possuem
também liberdade natural, que consiste na ausência de qualquer fator externo que possa impedir
ou tirar parcialmente o poder de se fazer o que quiser e da maneira que for necessária para
atingir os fins desejados.
Na visão do autor todos têm o direito a liberdade e de fazer o que quiserem se
considerado cauteloso para sua autopreservação, pois não há espaço para moralidade no estado
de guerra e todos os homens estão vulneráveis ao ataque mais gratuito a qualquer momento .
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Neste sentido o homem é conduzido por medo da morte a celebrar contratos entre si, que
consistem na renúncia e transferência mútua de direitos naturais entre os contratantes
(HOBBES, 1988, p. 78- 85).
A primeira lei da natureza recomenda “que todo homem deve esforçar-se para
alcançar a paz, na medida em que tenha esperança de consegui-la, e caso não a consiga pode
procurar e usar todas as ajudas e vantagens da guerra” (HOBBES, 1988, p. 78). Já a segunda lei
surge da primeira e preconiza que em Hobbes (1988, p. 79):

Que um homem concorde, quando outros também o façam, e na medida


em que tal considere necessário para a paz e para a defesa de si mesmo,
em renunciar a seu direito a todas as coisas, contentando-se, em relação
ao outros homens, com a mesma liberdade que aos outros homens
permite em relação a si mesmo. (HOBBES, 1988, p. 78).

Na terceira lei constitui-se o princípio da justiça ao passo que não há pactos


celebrados no estado de guerra, todos têm direitos sobre tudo e todos, porém, quanto se
estabelece um contrato, o rompimento do mesmo é considerado injusto. Esta lei preconiza que
os homens cumpram com os acordos que fizerem uns com os outros, do contrário, os contratos
seriam apenas palavras vazias. Os contratos são celebrados através da desistencia ou
transferência igualiatária de direitos.Vale resaltar que, ao renunciar um direito, aquele que o faz
não dá a outro homem nenhum direito do qual este já não tenha por natureza.

E ao transferir um direito para alguém, aquele que o faz não deve impedir aquele que
recebe de usá-lo ou anular a transferência que, a princípio foi voluntária, pois, segundo Hobbes,
isto seria considerado uma injúria e um absurdo (Conforme Manent (1990, p. 44), o estado de
natureza obriga os homens a terem liberdade e direito sobre todas as coisas e até sobre os corpos
uns dos outros). Portanto, somente a renúncia e a transferência dos direitos a um poder soberano
capaz de punir qualquer violação poderiam cessar a condição de guerra e garantir que todos os
homens cumprissem suas obrigações ao celebrarem contratos.
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2-O ESTADO SEGUNDO HOBBES

Thomas Hobbes foi o primeiro filósofo moderno que construiu uma teoria da
formação do Estado. O Leviatã é o livro mais famoso do filósofo inglês, publicado em 1651. O
título do livro se deve ao monstro bíblico que habita os mares chamado Leviatã. Hobbes é um
contratualista, para ele a organização entre os seres humanos, ou seja, a sociedade, só surgiu
depois de um contrato firmado pelos mesmos. Antes todos viviam em estado de guerra de todos
contra todos, sem poder ou organização.
Hobbes foi um dos pioneiros no desenvolvimento de teorias acerca do
assunto. Sua sabedoria revela uma análise realista acerca da natureza do homem e esse é
o ponto central para o desenvolvimento de toda a sua teoria contratualista, a qual é
descrita de maneira racional o comportamento do homem e os motivos pelos quais o
levaram a buscar o contrato como meio de estabelecer uma relação de dependência com
um poder maior, capaz de governar todos os homens.
Para o autor, somente através de um contrato social é que a paz é determinada, a qual
levará o Homem a renuciar de entrar em conflito com seus semelhantes. O filósofo enxega os
seres humanos como seres egoístas por natureza , necessitando de um ser superior que puna
aqueles que não obedecem ao contrato social estabelecido. Nestes aspectos Hobbes diz:
Os homens em seu estado de natureza iriam perceber, em seus momentos
de reflexão, que a lei da natureza os obriga a renunciar a seu direito de
julgamento privado do que é perigoso em casos dúbios, e a aceitar por si
mesmo o julgamento de uma autoridade comum. (HOBBES, 1979,
p.106).

O pensamento hobbesiano, divide-se em três fases: Estado de natureza, de guerra e


de segurança. Hobbes formulou a humanidade semelhante a animais selvagens incapazes de
desenvolver uma vida em sociedade, pois, segundo seu pensamento, todos eram iguais e essa
igualdade era ponto de partida para um estado de guerra. Hobbes, na fase inicial dessa
cronologia acerca da formação do Estado, enxerga o homem como um animal irracional e
incapaz de estabelecer, por si só, normas ou condutas que o permitissem conviver em paz em
meio a sociedade.
O homem é visto pelo autor como um “selvagem” Este espírito selvagem do homem
para com os outros homens geravam um espírito de medo sobre eles, ou seja, ao invés de uma
segurança e do direito a vida, não havia nem se quer a certeza de que a vida seria preservada,
pois não tinha valor algum. Para Hobbes, era fundamental essa análise realista acerca da
natureza selvagem do homem. A liberdade era outra acusação, da parte de Hobbes, que
consistia em ter direito a tudo, ou simplesmente nada, já que a vida era banalizada.
Ora, se um homem pode tudo, nada há de lhe impedir de fazer sua vontade porque
seu desejo é a sua lei e não há um limite entre ele e o outro. Hobbes vê o homem como um ser
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egocêntrico, irracional e refém de seu semelhante. Nesse cenário de extrema liberdade, ausência
de paz e insegurança, refletindo em um estado de guerra por não haver controle entre os homens,
o autor relata o sentimento de poder, perseguição, e de traição do homem em relação a seu
semelhante. A liberdade é base para o medo e o medo, por sua vez, aliado aos sentimentos que
fomenta esse estado de guerra, leva ao homem, de acordo com Hobbes, a buscar meios de por
fim a esse grande e generalizado conflito.
O homem é demonstrado como um ser impotente diante dessa circunstância em que
ele se encontra. Conduzidos pelo medo e pelo desejo de segurança e direito a vida, Hobbes
expõe, a partir disso, que esse estado de guerra leva a todos a renunciar todo o direito de que
possui a fim de conseguir estabelecer essa paz e a proteção a vida. Um ponto que parece
paradoxo em Hobbes se não fosse pela sua concepção do homem no estado de natureza: todos se
conscientizam, a partir do medo e insegurança, a abrirem mão de todos os seus direitos em busca
da paz. Daqui parte o pensamento hobbesiano acerca da necessidade de mudança e,
posteriormente, da adesão ao contrato social. Até então, a concepção de Estado em Hobbes
ainda não havia sido descrita, logo o homem era tido como incapaz, pelo seu único esforço, de
desenvolver, em sociedade, as leis da natureza.
A sociedade para Hobbes não existia, sendo classificada apenas como uma
aglomeração de pessoas. Seu pensamento, agora, remonta a necessidade de estabelecimento de
um poder ainda superior aos dos homens e que esse poder é base para a formação e existência do
que é concebido hoje como sociedade ou Estado. Com a concepção da formação do Estado e do
estabelecimento da sociedade, surge, principalmente, uma soberania para qual se transfere todos
os poderes que cada indivíduo possui, sendo esse o grande responsável, agora, em ser a voz, o
reflexo de todos aqueles que antes estavam sem luz, em estado de guerra. Aqui se inicia a ideia
da formação de súditos e um processo de hierarquização social, em que se define aquele que
detém a autoridade e os que devem, de fato, obedecer, fazendo com que surja uma sociedade
devidamente organizada.
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4. CONSIDERAÇOES FINAIS
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REFERÊNCIAS

HOBBES, Thomas. Leviatã ou matéria, forma e poder de um estado eclesiástico e civil. Trad.
João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva. 2ªed. São Paulo: Abril Cultural, 1979.

HOBBES, T. Leviatã ou matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e civil. Coleção Os


Pensadores. (1º volume). 4ª Edição, Nova Cultural, 1988.

Leviatã ou matéria, forma e poder de um estado eclesiástico e civil. Tradução de João Paulo
Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva. São Paulo: Abril Cultural, 1974. (Coleção Os
Pensadores).
MANENT, P. História intelectual do liberalismo: dez lições. Rio de Janeiro: Imago, 1990.

MORRISON, Wayne. Filosofia do direito: dos gregos ao pós-modernismo. Tradução de


Jefferson Luiz Camargo; revisão técnica Gildo Sá Leitão Rios. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

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