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Dimensão

investigativa da prática
profissional
Tanany
Reis
Março/2018
Pesquisa e Serviço Social

•O projeto pedagógico da formação profissional,


consubstanciado nas Diretrizes Curriculares estabelece as
dimensões investigativa e interventiva como princípio
formativo e condição central da formação e da relação teoria
e realidade.
Pesquisa e Serviço Social

• As Diretrizes da ABEPSS (1996) destacam que a ética e a


pesquisa são transversais à formação e ser transversal
significa:

• que em toda a disciplina e processo formativo, a atitude


investigativa e o exercício de processos de
desvendamento, via investigação, sejam privilegiados;

• a busca pelo adensamento sobre os contextos, os


sujeitos, os processos, as políticas e os fenômenos com
os quais se trabalha, com o compromisso ético de
superar o aparente;
• As Diretrizes da ABEPSS (1996) destacam que a ética e a
pesquisa são transversais à formação e ser transversal
significa (continuação):

• a articulação de conteúdos teóricos com dados empíricos


que emanam da realidade.
• O perfil profissional forjado a partir do projeto pedagógico
vigente exige que os/as assistentes sociais sejam capazes,
através da pesquisa, de desvendar as dimensões
constitutivas da questão social, bem como as respostas
instrumentais dadas a elas. Com isso é possível identificar e
construir estratégias profissionais voltadas não apenas às
demandas imediatas, mas à reconstrução crítica destas (=>
articulação teoria-prática).
• Leitura a partir de: Iamamoto (2008) diz que a pesquisa de
situações concretas, aliada às suas determinações
macrossociais, é condição necessária tanto para superar a
defasagem entre o discurso genérico sobre a realidade social
e os fenômenos singulares com o que o assistente social se
defronta no seu cotidiano, quanto para desvelar as
possibilidades de ação contidas na realidade.
• No cumprimento das atribuições e competências
socioprofissionais, é preciso realizar permanentemente a
pesquisa das condições e relações sob as quais o exercício
profissional se realiza, dos objetos de intervenção, das
condições e relações de vida, trabalho e resistência dos
sujeitos sociais que recebem os serviços. Isso sinaliza a
natureza investigativa das nossas competências
profissionais.
Pesquisa e Serviço Social

• Sobre a pesquisa no Serviço Social Bourguignon (2007)


destaca que:

• a pesquisa é constitutiva e constituinte da prática


profissional do Serviço Social, sendo determinada pela
sua natureza interventiva e pela inserção histórica na
divisão sociotécnica do trabalho; ENTENDER A
REALIDADE PARA ALEM DA APARENCIA,
RESPONDENDO ROMPENDO COM A
IMEDIATICIDADE

• o caráter constitutivo e constituinte da pesquisa faz parte


da natureza da profissão e aparece e se desenvolve
socialmente, ao desvendar a complexidade do real e nele
Pesquisa
buscar as possibilidades de e Serviço Social
intervenção.
• Sobre a pesquisa no Serviço Social Bourguignon (2007)
destaca que (continuação):

• o caráter constitutivo da atitude investigativa / pesquisa se


fundamenta na relação dinâmica entre teoria e prática,
a qual deve ser considerada para buscar compreender
criticamente os fenômenos sociais para fundamentar
sua intervenção (o que aponta para uma prática que
ultrapassa o imediato e a mera requisição formal-
burocrática);
• Sobre a pesquisa no Serviço Social Bourguignon (2007)
destaca que (continuação):

• o caráter constituinte decorre dos avanços observados na


esfera da produção de conhecimento, da prática
profissional no âmbito das políticas públicas e da
formação, os quais mobilizam a reconstrução crítica da
própria natureza profissional.
• Sobre a pesquisa no Serviço Social Bourguignon (2007)
destaca também a necessidade de preservação da
centralidade dos sujeitos no processo metodológico de
investigação do real e na produção de conhecimento
correspondente. Essa preocupação se afina com o que
preconiza o projeto ético-político, de modo que se evidencia
a intenção do profissional de estabelecer com o sujeito
participante da investigação um diálogo crítico, capaz de
gerar conhecimentos novos e propiciar a elevação do
nível de consciência desse sujeito.
(Devolver aos sujeitos os resultados dos estudos e pesquisas)
• Ainda sobre a pesquisa no Serviço Social Bourguignon
(2007) sublinha a preocupação com o retorno e alcance
social das nossas produções à realidade que sustentou a
construção de determinado conhecimento.

• O retorno deve subsidiar mobilizações que transformem a


realidade investigada, seus sujeitos e a própria profissão,
alargando seus horizontes e potencializando seus objetivos,
suas competências e habilidades profissionais. Todo esse
movimento permite perceber a citada dimensão constitutiva e
constituinte da profissão.
• IMPORTANTE: Nem todo assistente social vai fazer
pesquisa sistematicamente (como atividade acadêmica), em
função de sua alocação socioprofissional (porque
obviamente nem todo AS segue carreira acadêmica). Mas
todo/a assistente social, no seu campo de trabalho e
intervenção (nos termos do que também falam Bourguignon
(2007), Iamamoto (2008) e Guerra (2009)), deve desenvolver
uma atitude investigativa.
Atitude investigativa

• Postura aberta do sujeito para investigar; permanente


curiosidade;

• Expectativa para apreender o inesperado, o que extrapola o


imediato;

• É a manifestação de um processo que envolve o


questionamento permanente dos fatos, buscando sempre
novas explicações, superando os limites impostos pela
realidade social e pelo conhecimento acumulado pela ciência
(BATTINI apud BOURGUIGNON, 2007)
• Torna possível a superação da visão pragmática na ação
profissional, centrada na imediaticidade dos fatos e que
privilegia sequências empíricas;

• Desmistifica o fato de que só fazem ciência ou só agem


cientificamente aqueles que estão na academia;

• Possibilita uma ação profissional reflexiva nutrida pela


intencionalidade e pelo planejamento.
• Passos constitutivos do processo pelo qual o profissional
pode desenvolver a atitude investigativa:

• 1. ele deve possuir uma visão global da dinâmica social


concreta, conjugando o conhecimento do modo de
produção capitalista com sua particularização na
sociedade;
• Passos constitutivos do processo pelo qual o profissional
pode desenvolver a atitude investigativa (continuação):

• 2. o profissional precisa encontrar as principais mediações


que vinculam o problema específico com que se ocupa
com as expressões gerais assumidas pela “questão
social” no Brasil contemporâneo e com as várias políticas
sociais (públicas e privadas que se propõem a enfrentá-
las);
• Passos constitutivos do processo pelo qual o profissional
pode desenvolver a atitude investigativa (continuação):

• 3. ao profissional cabe apropriar-se criticamente do


conhecimento existente sobre o problema específico com
o qual se ocupa.
Serviço Social, pesquisa e produção
de conhecimentos

• No amadurecimento do Serviço Social a pesquisa e a


produção de conhecimentos situam-se como um importante
divisor de águas.

• Não só a iniciativa de ruptura, que teve seu início no


Movimento de Reconceituação, mas a ampliação da
produção de conhecimentos da área, pautada na pesquisa
proporcionada pelos Programas de Pós-Graduação que, no
Brasil (década de 1970), alteraram significativamente a
maturidade do Serviço Social, fazendo com que a área
ganhasse um novo estatuto.
Serviço Social, pesquisa e produção
de conhecimentos

• Na entrada dos anos 1970 deu-se o início dos cursos de


pós- graduação, que foram, sem dúvidas, os principais
responsáveis pelo estímulo à pesquisa no Serviço Social.

• As atividades de pesquisa inserem-se tardiamente em nosso


campo profissional – dado que o Serviço Social no Brasil já
contava, então, com mais de três décadas de existência
Serviço Social, pesquisa e produção
de conhecimentos

• De qualquer modo, a partir dos finais dos anos 1970, a


pesquisa veio se consolidando nos espaços da formação pós-
graduada e é hoje um elemento significativo do Serviço Social
brasileiro, atestando a sua maioridade intelectual e as suas
condições para participar da interlocução com as ciências
sociais. E, desde meados dos anos 1980, também as
revisões curriculares foram concedendo destaque à pesquisa,
de modo que também na graduação ela começou a ganhar
destaque.
Serviço Social, pesquisa e produção
de conhecimentos

• A década de 1980, fortalecida pelos Cursos de Pós-Graduação,


viabiliza a sustentação de um novo projeto profissional, a
partir do diálogo com pensadores clássicos, iniciando o processo
de superação do que Netto chama de apropriação enviesada
do marxismo.

• A criação dos programas de pós-graduação como fator impulsor


da produção do conhecimento e, consequentemente, da
pesquisa no Serviço Social tem sido tema recorrente na
literatura do Serviço Social, como Aglair Setúbal, Maria Ozanira
Silva e Silva, Nobuco Kameyama, Aldaíza Sposati, Jussara
Alves Bourguignon, dentre outros autores.
Serviço Social, pesquisa e produção
de conhecimentos

• Yolanda Guerra ressalta a importância da pós-graduação sob


inspiração crítica do Serviço Social “que hoje detém
hegemonia na produção do conhecimento e da pesquisa,
responsável pela renovação da imagem profissional e por
tornar o Serviço Social contemporâneo de seu tempo,
colocando-o como interlocutor reconhecido no campo das
ciências sociais”.
Referências

• BOURGUIGNON, Jussara Ayres. A particularidade histórica


da pesquisa no Serviço Social. In: Rev. Katálysis.
Florianópolis, v. 10 n. esp. P. 46-54 2007. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/rk/v10nspe/a0510spe.pdf. Acesso em
19 mar 2012.

• FRAGA, Cristina Kologeski. A atitude investigativa no


trabalho do assistente social. In: Revista Serviço Social e
Sociedade, São Paulo, n. 101, p. 40-64, jan./mar. 2010.
• GUERRA, Yolanda. A dimensão investigativa no exercício
profissional. In: Serviço Social: direitos sociais e
competências profissionais. Brasília: CFESS/ABEPSS, 2009.

• IAMAMOTO, Marilda Vilela. Serviço Social em tempo de


capital fetiche: capital financeiro, trabalho e questão social.
São Paulo: Cortez, 2008.

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