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Planejamento e Serviço

Social

Tanany
Reis
Março/2020
Planejamento e Serviço Social

• Na atualidade há grande demanda para o planejamento, a


gestão e a formulação de políticas públicas:
• marcos jurídico-políticos da Constituição de 1988, que
avançou na concepção de direitos sociais (no que toca à
política de Seguridade Social); (adensamento da
participaçao no planejamento a partir desse marco
teorico)

• direitos em outros campos, a exemplo dos conquistados


pelas diversificadas etnias e “minorias”, na medida em
que essa mesma Constituição inovou e inaugurou um
pluralismo jurídico para a atuação com diferentes
formações sociais.
Planejamento e Serviço Social
(TEIXEIRA, 2009)
• O planejamento começa a integrar a matriz discursiva do
Serviço Social, com maior intensidade, na década de
1970 , parametrado pelo discurso da racionalidade e da
intervenção nos processos de mudança, necessários e
em curso nos países subdesenvolvidos e em
desenvolvimento.

• O planejamento, como instrumento, está condicionado


politicamente, o que determina que seu direcionamento
ocorra no interesse da maioria, quando democraticamente
utilizado, ou, ao contrário, de alguns grupos dominantes que
têm acesso ao Estado ou participam do controle de
organismos e agentes econômicos internacionais.

(NOGUEIRA; MIOTO, 2006)


• Para Nogueira; Mioto (2006) há três enfoques básicos do
planejamento:

• o planejamento social em si, como instrumento que


orienta as mudanças sociais (apud BAPTISTA, 1979);

• o planejamento institucional, como instrumento de


gestão e gerência;

• o planejamento como técnica estritamente ligada à


ação profissional, isto é, à orientação da ação:
instrumento inerente à prática profissional.
• Planejar a ação profissional:

• garante a possibilidade de um repensar contínuo sobre


a eficiência, efetividade e eficácia do trabalho
desenvolvido;

• permite formalizar a articulação intrínseca entre as


dimensões do fazer profissional, ou seja, as dimensões
ético-política, teórico-metodológica e técnico-operativa;

• possibilita, no campo da saúde, formalizar as relações


entre as estruturas institucionais e profissionais, entre os
eixos da ação profissional, entre as dimensões da
integralidade e da intersetorialidade na garantia do
cumprimento dos objetivos propostos e ou previstos.

(NOGUEIRA; MIOTO, 2006)


• Ações profissionais e institucionais caminham juntas,
embora não se confundam, pois têm naturezas distintas,
porém complementares.

• O caráter institucional coloca um relativo limite ao recorte


do objeto da ação profissional, na apreensão das demandas
e definição de objetivos, condicionando, ainda, os resultados
do trabalho. Por sua vez, as ações profissionais moldam
comportamentos institucionais em uma relação dialética,
assimétrica e determinada pelo jogo de interesses e forças
condensadas em espaços sócio-ocupacionais.

• Para articular de forma favorável à relação


instituição/desempenho profissional, é preciso conhecer a
dinâmica societária, os atores em confronto, suas
intenções e seus projetos e os protagonistas emergentes.
Planejamento na perspectiva lógico-racional

• O planejamento é um processo lógico (ou lógico-racional)


e também um processo político.

• Como processo lógico-racional é um processo


permanente e metódico de abordagem relacional e
científica de questões que se colocam no mundo social.

• Como processo permanente supõe ação contínua sobre


um conjunto dinâmico de situações em um determinado
momento histórico.

• Como processo metódico supõe uma sequência de atos


decisórios, ordenados em momentos definidos e
baseados em conhecimentos teóricos, científicos e
(BAPTISTA, 2000)
técnicos.

(BAPTISTA, 2000)
Planejamento na perspectiva lógico-
racional

JÁ CAIU MIL VEZES EM PROVA!


• Como processo racional o planejamento se organiza por
operações complexas e interligadas de:

• Reflexão;

• Decisão;

• Ação;

• Retomada da reflexão.
Planejamento na perspectiva lógico-racional
Retomada da
Reflexão Decisão Açã
reflexão
o
As operações de As operações de As operações As operações
reflexão se decisão se relativas à ação pertinentes à
referem ao referem à estão retomada da
conhecimento de escolha de relacionadas à reflexão referem-
dados, à análise alternativas, à execução das se à operação
e ao estudo de determinação de decisões. É o crítica dos
alternativas, à meios, à foco central do processos e dos
superação e definição de planejamento. efeitos da ação
reconstrução de prazos, etc. Orienta-se por planejada, com
conceitos e momentos que a vistas ao
técnicas de antecedem e é embasamento do
diferentes subsidiada pelas planejamento de
disciplinas escolhas ações
relacionadas com efetivadas na posteriores.
a explicação e a operação anterior,
quantificação quanto aos
dos fatos sociais. necessários
processos de
organização.
Planejamento na perspectiva lógico-
racional
ATENÇÃO: NÃO É UMA CONSTRUÇÃO LINEAR (QUE
VAI EM UMA LINHA RETA E
ACABA) MAS SIM PROCESSUAL,
SE RETROALIMENTANDO

DECISÃO

REFLEXÃO AÇÃO

(BAPTISTA, 2000)
RETOMADA DA
REFLEXÃO

Planejamento na perspectiva lógico-


racional

• Dimensões do planejamento:
Na dimensão da
• Racionalidade
racionalidade, a
• Político-decisória dimensão político-
decisória dá suporte
• Ético-política ético-político à ação
técnico-
(BAPTISTA, 2000)
administrativa.
• Técnico-administrativa

(BAPTISTA, 2000)
Planejamento como processo
político

• A dimensão política do planejamento decorre do fato de


que ele é um processo contínuo de tomada de decisões,
inscritas em relações de poder, o que caracteriza ou
envolve uma ação política. JÁ CAIU MIL VEZES EM
PROVA!

• Para que o planejado se efetive como desejado, é


fundamental que, além do conteúdo tradicional de leitura da
realidade para o planejamento da ação, sejam aliados à
apreensão das condições objetivas o conhecimento e a
captura das condições subjetivas (Os interesses dos
sujeitos que fazem parte do processo de planejamento, as
alianças construidas, as visões de mundo) do ambiente em
que ela ocorre.
Planejamento como processo
político

DECISÃO

EQUACIONAMENTO OPERACIONALIZAÇAO

AÇÃO
Planejamento como processo
técnico-político

• O planejamento se realiza a partir de um processo de


aproximações (pois o objeto do planejamento não está
finalizado, a realidade não se apresenta de forma pronta e
acabada), que tem como centro de interesse a situação
delimitada como objeto de intervenção.

• O desencadeamento desse processo particular de


planejamento se faz a partir do reconhecimento da
necessidade de uma ação sistemática perante questões
ligadas a pressões ou estímulos determinados por situações
que, em um momento histórico, colocam desafios por
(BAPTISTA, 2000)
respostas mais complexas que aquelas construídas no
imediato da prática.

(BAPTISTA, 2000)
Planejamento como processo técnico-político
• Assumida a decisão de planejar, o movimento de reflexão-
decisão-ação-(retomada da) reflexão realiza
concomitantemente as seguintes aproximações (nem
sempre se mostram nitidamente ordenadas):

• 1. construção / (re) construção do objeto;


• 2. estudo de situação;
• 3. definição de objetivos para a ação;
• 4. formulação e escolhas de alternativas;
• 5. montagem de planos, programas e projetos;
• 6. implementação;
• 7. implantação;
• 8. controle da execução;
• 9. avaliação de processo e da ação executada;
• 10. retomada do processo em outro patamar.
Síntese da dinâmica do processo de
planejamento
Processo Fases Documentação decorrente
racional metodológicas
(aproximações)
(Re) construção do objeto Proposta preliminar
Estudo de situação Diagnósticos
Estabelecimento de
Reflexão prioridades
Propostas alternativas Estudos de
viabilidade
Anteprojetos
Escolha de prioridades Planos
Escolha de alternativas Programa
Decisão
Definição de objetivos e s
metas Projetos
Implementaçã Roteiros
o Implantação Rotinas
Ação
Execução Normas/manuai
Controle s Relatórios
Avaliação Relatórios avaliativos
Retorno ou retomada da
Retomada do processo Novos planos, programas
reflexão
e projetos
Planejamento estratégico

• Forma contemporânea da planificação;

• Forte conteúdo político;

• Contrapõe-se ao planejamento tradicional (também


chamado de normativo);

(TEIXEIRA, 2009)
• Destaque para a categoria estratégia:
• confere um sentido político para a gestão pública e o
planejamento;
• evidencia a noção de combate e de enfrentamento:
Disputa de poder
• agrega ao processo a noção de mobilização, de
negociação, de movimento, de manejo de técnicas
e de recursos, ou seja, de todos os meios táticos
necessários para enfrentar o(s) oponente(s) ou uma
situação complexa.
• A noção de estratégia no planejamento surge para desvendar
o seu caráter de concepção e ação (institucional ou não), que
busca efetividade em um ambiente não homogêneo, onde
diferentes interesses e diferentes posições disputam o
alcance de resultados e da hegemonia.
(TEIXEIRA, 2009)
• A gestão pública democrática sintoniza com o
planejamento estratégico, porque:

• tende a romper, nas organizações, com as hierarquias


verticais rígidas de comando, promovendo um tipo de
comunicação horizontal intensiva (colegiada);
possibilidade de cada sujeito dizer como enxerga o
mundo, não tem uma verdade absoluta, vai tentando
compor um consenso a partir desta diversidade e muitas
vezes desses antagonismos

• busca ultrapassar a democracia representativa,


combinando-a com a democracia participativa ou
direta.

• A categoria estratégia agrega ao processo a noção de


mobilização, de negociação, de movimento, de manejo
de técnicas, recursos, enfim, todos os meios (táticos)
necessários para enfrentar o(s) oponente(s) ou uma
situação complexa. De tudo o que voce vai precisar para
fazer esses enfrentamentos, sera importante para
compor uma determinada correlação de forças que se
mova em direção daquilo que vc considera importante,
obviamente isso vai se dar no campo de disputa
(TEIXEIRA, 2009)
• Ao se considerar a categoria estratégia os seguintes
procedimentos, interrelacionados, passam a fazer parte do
exercício de planejar:
• Identificação do “terreno” ou “cenário” em que se
desenvolverá a ação e suas tendências;
• Identificação de “aliados”, “oponentes”, “interessados”,
“neutros” e, em alguns casos, até “inimigos”, mapeando
a natureza e consistência de seus vínculos entre os
diferentes sujeitos;

• Identificação do perfil das forças em confronto, seus


recursos, suas técnicas, suas alianças (em magnitude e
qualidade), sua capacidade operacional;

• Identificação do tempo disponível (de luta).


(TEIXEIRA, 2009)
Planejamento Estratégico
Situacional (PES)

• Existe um “jogo social”, forjado a partir da variedade de


interesses políticos, econômicos e culturais que levam “atores”
a entrar em conflito ou em cooperação com outros ao
perseguirem seus objetivos.
• Admitir que existe jogo é admitir que existem vários atores
com diferentes interesses e objetivos, e com diferentes
maneiras de explicar a realidade. É também admitir que as
jogadas são fundamentadas em função destas explicações.
Assim, o jogo social é a interação entre atores
comprometidos com diferentes objetivos, que pensam e
agem a partir de diferentes pontos de vista.
(FIGUEIREDO; MÜLLER, s. d.)
Planejamento Estratégico
Situacional (PES)

• Para o economista chileno Carlos Matus, o planejamento


tradicional, que este autor chama de normativo, não fornece
o instrumental necessário para que o ator participe deste
jogo de maneira mais efetiva.

• Segundo Matus, o jogo social requer um tipo de


planejamento que articule técnica com política,
estabeleça, coerentemente, as ações face aos objetivos e
aos meios para alcança-los e formule estratégias para o
encontro com outros atores.
Planejamento Estratégico
Situacional (PES)

• No PES o ator que planeja está dentro da realidade e


coexiste com outros autores que também planejam, diferente
do método normativo, onde o planejador é um sujeito
separado da realidade, colocando-se fora dela e querendo
controlá-la [...].

• No PES o conceito de situação é um conceito importante.

(UFMS, s. d.)
Planejamento Estratégico
Situacional (PES)

• Para Matus, situação é lugar onde estão os atores e suas


ações. É a explicação da realidade que realiza uma força
social em função da sua ação e luta com outras forças
sociais. Nessa concepção, a contradição e o conflito são
assumidos e o planejamento passa a ser entendido como
uma ação política.

• Ainda segundo Matus, planejamento situacional refere-se à


arte de governar em situações de poder compartilhado, ou
seja, nas situações da nossa realidade.

(UFMS, s. d.)
Planejamento Estratégico
Situacional (PES)
• Conceitos básicos do PES:

• Triângulo de governo;

• Estratégia;

• Situação;

• Ator social;

• Problema.
Planejamento Estratégico
Situacional (PES)
Triângulo de governo

• Matus utilizou-se da figura do triângulo para explicar


importantes fundamentos do PES:
Planejamento Estratégico
Situacional (PES)
Triângulo de governo

• Matus utilizou-se da figura do triângulo para explicar


importantes fundamentos do PES:

• 1. Projeto de Governo;

• 2. Governabilidade;

• 3. Capacidade de Governo.
(UFMS, s. d.)
Planejamento Estratégico
Situacional (PES)
Triângulo de governo

• 1) Projeto de governo: é o conteúdo proposicional de um


governo. Ao se configurar um ator, a definição de um projeto
é a sua plataforma, a declaração de objetivos que busca
alcançar, as ações que se quer realizar, a atividade fim de
uma organização. Compreende ainda o conjunto de valores
que pretende firmar, e as mudanças que quer realizar.

(DIEESE, 2014)
Planejamento Estratégico
Situacional (PES)
Triângulo de governo

• 2) Governabilidade: a governabilidade para um ator é a


relação de peso entre as variáveis que controla e as que
não controla, em relação ao seu plano. Pode ser associado
com o poder, propriamente dito, que tem um ator, ou ainda,
com a sua representatividade ou legitimidade.

(DIEESE, 2014)
Planejamento Estratégico
Situacional (PES)
Triângulo de governo

• 3) Capacidade de Governo: conjunto de destrezas,


experiências, habilidades, teorias e métodos de direção
de que uma equipe de governo dispõe. Também é o conjunto
de recursos financeiros, cognitivos, humanos,
organizativos etc. com que um governo ou uma organização
conta.

(DIEESE, 2014)
Planejamento Estratégico
Situacional (PES)
Triângulo de governo

• O Projeto de Governo, a Governabilidade e a Capacidade de


Governo devem ser vistos numa interrelação dinâmica;

• A análise do equilíbrio entre os três vértices do triângulo


permite avaliar as fragilidades da gestão orientando os
ajustes necessários, ou seja, se é preciso trabalhar melhor o
plano, se é preciso aumentar a governabilidade ou a
capacidade de governo;

(UFMS, s. d.)
Planejamento Estratégico
Situacional (PES)
Triângulo de governo

• O triângulo de governo nos ajuda refletir sobre como se está


dando o processo de planejamento em nossa equipe. Por
exemplo, às vezes temos um bom plano (do ponto de vista
da ciência), mas não temos o apoio da comunidade, ou do
gestor, o que significa que não construímos governabilidade.
Também existem os casos onde o gestor possui
governabilidade, mas não tem equipe preparada para
executar o seu projeto de governo, o que significa dizer que
não possui capacidade de governo.
Planejamento Estratégico
Situacional (PES)
Estratégia

• Matus propõe um modelo de planejamento que funcione na


realidade e a realidade é conflitiva. Na realidade ou
na situação existem diversos atores sociais com diferentes
visões de mundo, interesses e compromissos. São essas
diferenças que provocam conflitos. Existindo conflitos, é
necessário pensar estrategicamente para enfrentar os
oponentes e alcançar os objetivos propostos. Na visão do
PES todas as forças sociais planejam e governam;
• Pensar e agir estrategicamente implica construir viabilidade
(política, técnica e econômica) para o plano;
Planejamento Estratégico
Situacional (PES)
Estratégia

• Ser estratégico é cotejar as oportunidades, fragilidades,


fortalezas e ameaças;

• Agir estrategicamente é construir as alianças e


mobilizações necessárias para a superação dos
obstáculos ao plano.

(UFMS, s. d.)
Planejamento Estratégico
Situacional (PES)
Momentos do PES

(DIEESE, 2014)
Planejamento Estratégico
Situacional (PES)
Momentos do PES

• São momentos e não etapas porque, como diz Matus, “são


um permanente fazer, uma permanente aprendizagem, um
permanente cálculo, uma permanente explicação, um
permanente desenho e uma ação persistente no dia a dia.

• É como uma espécie de espiral, onde estes momentos se


repetem incessantemente, mas mudando de conteúdo,
contexto e lugar no tempo”.
(DIEESE, 2014)
Planejamento Estratégico
Situacional (PES)
Momentos do PES

• A ideia de momento indica instância, circunstância ou


conjuntura de um processo contínuo que não tem nem
início nem fim determinados.

• Nenhum momento está isolado dos demais. O que ocorre


é um domínio passageiro de um momento sobre os
demais ao longo do processo.
(DIEESE, 2014)
Planejamento Estratégico
Situacional (PES)
Momentos do PES – Explicativo
La na frente tem uma síntese

• Este momento caracteriza-se por ser aquele em que vamos


explicar o problema da maneira mais detalhada possível.

• Este momento é equivalente ao diagnóstico do planejamento


normativo. Mas é realizado de forma a estimular a
participação de todos que compõem o ator coletivo que está
planejando, e não de um técnico “especializado”.
(DIEESE, 2014)
Planejamento Estratégico
Situacional (PES)
Momentos do PES – Explicativo

• O momento explicativo é aquele onde se está indagando


sobre as oportunidades e problemas que enfrenta o ator
que planeja e buscando, antes de tudo, explicar suas
origens e causas. Relaciona-se a compreensão do que foi e
do que tende a ser a realidade.

• A grande diferença em relação ao método normativo é que


no PES consideramos a explicação de outros atores sociais,
além, da nossa explicação.

(AZEVEDO, 1992) / (DIEESE, 2014) / (UFMS, s. d.)


Planejamento Estratégico
Situacional (PES)
Momentos do PES – Explicativo

• A explicação situacional, ao contrário do diagnóstico


tradicional, é um diálogo entre um ator e outros atores.

(AZEVEDO, 1992) / (DIEESE, 2014) / (UFMS, s. d.)


Planejamento Estratégico
Situacional (PES)
Momentos do PES – Normativo

• Uma vez explicado o problema, passamos a pensar no ponto


onde queremos chegar. Qual é o nosso objetivo? Até que
ponto a nossa intervenção vai transformar o problema?
Pensar no resultado da nossa ação vai possibilitar que
possamos planejá-la.

• O momento normativo corresponde ao desenho de como


deve ser a realidade, que, no planejamento tradicional, se
confunde com todo o processo de planejamento.

(AZEVEDO, 1992) / (DIEESE, 2014)


Planejamento Estratégico
Situacional (PES)
Momentos do PES – Normativo

• Significa a operação que supere os problemas cruciais


(chamados de nós críticos), permitindo estabelecer as
operações que, em diferentes cenários, levam à mudança da
situação inicial em direção à situação objetivo. Elaboração de
propostas de solução.

(AZEVEDO, 1992) / (DIEESE, 2014)


Planejamento Estratégico
Situacional (PES)
Momentos do PES – Estratégico

• O momento estratégico se relaciona à questão da


viabilidade e, portanto, aos obstáculos a vencer para
aproximar a realidade da situação eleita como objetivo.

• É nesse momento que deve se dar o cálculo para a


superação dos obstáculos que se colocam para a
efetivação de mudanças, sejam eles relativos à escassez de
recursos econômicos, políticos ou institucionais-
organizacionais.

• Está centrado na identificação do "que pode ser".


(AZEVEDO, 1992)
Planejamento Estratégico Situacional
(PES)
Momentos do PES – Tático-operacional

• O momento tático-operacional é "o fazer“ – é o momento


decisivo do planejamento situacional.
• Já que o planejamento é concebido como cálculo que
precede e preside a ação, as possibilidades ou o alcance do
processo de planejamento se darão pela capacidade desse
cálculo alterar, conduzir, orientar as ações presentes.
• É o momento tático-operacional que articula o planejamento
situacional de conjuntura com o planejamento de situações-
perspectivas.
Planejamento Estratégico Situacional
(PES)
Momentos do PES – Tático-operacional

• Pode ser compreendido a partir de dois movimentos básicos,


os quais apresentam uma relação dialética entre si que
concretiza a mediação entre conhecimento e ação.

• Esses dois movimentos básicos são:

• Avaliação da situação na conjuntura – instância


de conhecimento;

• Decisão sobre problemas e operações – instância


de ação.
Planejamento Estratégico Situacional
(PES)
Momentos do PES – Tático-operacional

• Avaliação da situação na conjuntura – instância de


conhecimento: representa o juízo que permite captar e
avaliar a realidade e o desenvolvimento de novos problemas,
tendo como perspectiva a análise da direcionalidade do
processo.

• Decisão sobre problemas e operações – instância de


ação: volta-se para a resolução dos problemas e
operações, constituindo-se como a via para ajustes entre o
plano e a realidade, através das decisões e ações
concretas.
Planejamento Estratégico Situacional (PES)
Momentos do PES – Síntese

(SANTOS, s. d.)
Planejamento Estratégico Situacional (PES)
Momentos do PES – Síntese
• Momento explicativo: busca-se conhecer a situação atual,
procurando identificar, priorizar a e analisar seus problemas.
Apesar das semelhanças desse momento com o chamado
“diagnóstico tradicional”, aqui se considera a existência de
outros atores, que têm explicações diversas sobre os
problemas, impossibilitando a construção de uma leitura
única e objetiva da realidade;

• Momento normativo: quando são formuladas soluções


para o enfrentamento dos problemas identificados,
priorizados e analisados no momento explicativo, que
podemos entender como o momento de elaboração de
propostas de solução;
(CAMPOS, 2010)
• Momento estratégico: busca-se aqui analisar e construir
viabilidade para as propostas de solução elaboradas,
formulando estratégias para se alcançarem os objetivos
traçados;

• Momento tático-operacional: é o momento de execução do


plano. Aqui devem ser definidos e implementados o modelo
de gestão e os instrumentos para acompanhamento e
avaliação do plano.
Diferenças entre planejamento
estratégico, tático/funcional e
operacional
Diferenças entre planejamento
estratégico, tático/funcional e
operacional

• Planejamento estratégico:
• É de responsabilidade dos níveis mais altos da organização no
que se refere à adoção e formulação de objetivos, na escolha
de ações necessárias para atingir os objetivos e a consolidação
das metas;

• Ocorre quando se decidem os meios através dos quais


organização atingirá os objetivos;

• É a relação dos objetivos de longo prazo com as estratégias e


ações para alcançar tais objetivos.
Diferenças entre planejamento
estratégico, tático/funcional e
operacional

• Planejamento tático ou funcional:


• Utilizado quando existe a necessidade de qualificar uma
determinada área e não a organização como um todo;

• Relaciona os objetivos de curto prazo com as estratégias a ações


que afetam apenas parte da organização;

• É desenvolvido pelos níveis intermediários, com a finalidade de


utilizar eficientemente os recursos disponíveis para o alcance dos
objetivos previamente pré-estabelecidos.
Diferenças entre planejamento
estratégico, tático/funcional e
operacional

• Planejamento operacional:
• É considerado o planejamento diário;

• Realizado por níveis inferiores, focalizando as atividades


cotidianas da organização, através de planos de ação ou
planos operacionais;

• Previsão é de curto prazo;

• Define tarefas específicas;

• Define orçamento e cronograma, entre outros elementos.


Planificação do planejamento: plano,
programa e projeto
ESTE É UM ASSUNTO QUE SEMPRE É COBRADO NAS
PROVAS ELABORADAS POR (QUASE) TODAS AS BANCAS!

• Às vezes são confundidos com o próprio planejamento;

• São apenas os meios pelos quais o planejamento se


expressa;

• A distinção entre estes documentos está no nível de


agregação de decisões e no detalhamento das operações de
execução;

• Plano > Programa > Projeto.


Plano, programa e projeto – Baptista

Plano – Estrutura organizacional por


inteiro
Quanto maior o âmbito e menor o detalhe referido, mais o
documento se caracteriza como um plano.

O plano delineia as decisões de caráter geral do sistema,


suas grandes linhas políticas, suas estratégias, suas
diretrizes e precisa responsabilidades.
Programa – Setor, área ou região
Documento que detalha, por setor, a política, diretrizes,
metas e medidas instrumentais.

É basicamente, um desdobramento do plano: os objetivos


setoriais do plano irão constituir os objetivos gerais do
programa.

É mais que um punhado de projetos, pois pressupõe


também, vinculação entre os projetos componentes. TRATA-
SE DE PROJETOS QUE TENHAM UMA CERTA
VINCULAÇÃO ENTRE SI
Projeto – Detalhamento de alternativas singulares de
intervenção
É a unidade elementar do processo sistemático de
racionalização de decisões.

Constitui-se da proposição de produção de algum bem ou


serviço, com emprego de técnicas determinadas, com o
objetivo de obter resultados definidos em um determinado
período de tempo e de acordo com um determinado limite
de recursos.
Plano, programa e projeto – Teixeira
Plano
É o documento mais abrangente e geral, que contém estudos, análises
situacionais ou diagnósticos necessários à identificação dos pontos a
serem atacados, dos programas e projetos necessários, dos objetivos,
estratégias e metas.

Program
a
É o documento que indica um conjunto de projetos cujos resultados
permitem alcançar o objetivo maior de uma política pública (ou de
política institucional).

Projeto
É a menor unidade do processo de planejamento.

É um instrumento técnico administrativo de execução de


empreendimentos específicos, direcionados para as mais variadas
Plano, programa e projeto – Teixeira
atividades interventivas e de pesquisa no espaço público e no espaço
privado.
Referências

• AZEVEDO, Creuza da S. Planejamento e Gerência no


Enfoque Estratégico Situacional de Carlos Matus. In: Cad.
Saúde Públ., Rio de Janeiro, 8 (2): 129-133, abr/jun, 1992.

• BAPTISTA, Myrian Veras. Planejamento social:


intencionalidade e instrumentação. São Paulo: Veras Editora;
Lisboa: CPIHTS, 2000.
• CAMPOS, Francisco Carlos Cardoso de. Planejamento e
avaliação das ações em saúde. Belo Horizonte:
Nescon/UFMG, 2010.

• DIEESE. Planejamento estratégico situacional.


Brasília/DF: Confederação Nacional dos Trabalhadores em
Educação, 2014.
• FIGUEIREDO FILHO, Wilson Bento; MÜLLER, Geraldo.
Planejamento estratégico segundo Matus: proposta e
crítica. s. l. : s. ed., s. d.

• TEIXEIRA, Joaquina Barata. Formulação, administração e


execução de políticas públicas. In: Serviço Social: direitos
sociais e competências profissionais. Brasília:
CFESS/ABEPSS, 2009.
• Consultar também o seguinte site:
https://virtual.ufms.br/objetos/Unidade2/obj-un2-
mod1/index.html

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