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Aula Demonstrativa - A atividade

empresarial.
Curso: Direito Empresarial Auditor Fiscal da
Receita Federal do Brasil
Professor: Wangney Ilco
Curso de Direito Empresarial para AFRFB
Teoria e Questões comentadas
Prof. Wangney Ilco – Aula 00

APRESENTAÇÃO

Olá pessoal! Tudo beleza?


Sejam bem-vindos ao nosso:

Curso de Direito Empresarial p/ o cargo de:


Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil

Certamente, este é um dos concursos mais cobiçados do país. Logo,


precisamos nos preparar com qualidade se quisermos beliscar uma das vagas.
Ainda não temos edital. Tudo bem! Mas devemos iniciar os estudos o quanto
antes. Muitos candidatos estão na fila há anos, certo? Então, meus caros, para
atingir este objetivo, estamos aqui, contribuindo com o ensino de Direito
Empresarial, que foi uma das disciplinas cobradas no concurso realizado em
2012 pela banca ESAF. No concurso de 2014, a nossa disciplina ficou de fora,
fugindo da tendência atual. No entanto, há um certo “burburinho” de que
Direito Empresarial estará de volta!!! ☺ Beleza? Então, vamos lá!

Se não puder voar, corra. Se não puder correr,


ande. Se não puder andar, rasteje, mas continue
em frente de qualquer jeito.

(Martin Luther King Jr.)

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Teoria e Questões comentadas
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Aula 00 – Empresa. Empresário. Estabelecimento. Prepostos.


Escrituração.

Sumário
Apresentação do professor .................................................................. 5
Histórico e análise das provas de Direito Empresarial ......................... 6
Estrutura do curso ............................................................................... 6
1- Direito Comercial ............................................................................. 8
1.1 – Origem e evolução histórica .................................................................................................. 8
1.2 – Definição e autonomia ........................................................................................................ 10
1.3 - Fontes ................................................................................................................................... 11
1.4 - Características ..................................................................................................................... 11
2- A atividade empresarial ................................................................. 12
2.1 – Teoria dos atos de comércio ............................................................................................... 12
2.2 – Teoria da Empresa ............................................................................................................... 13
2.2.1 – Atributos da Teoria da Empresa ................................................................................... 14
2.3 – A empresa............................................................................................................................ 15
2.4 – O empresário ....................................................................................................................... 16
2.5 – Exceções à Teoria da Empresa ............................................................................................ 18
2.6 – Empresário Individual.......................................................................................................... 19
2.7 – Requisitos e impedimentos para o exercício da atividade empresarial.............................. 20
2.7.1 - Capacidade Civil do Empresário Individual ................................................................... 21
2.7.2 - Capacidade Civil da Sociedade Empresária - sócio ....................................................... 23
2.7.3–Impedimentos: Empresário Individual ........................................................................... 24
2.7.4–Empresário casado ......................................................................................................... 25
2.8- Empresa Individual de Responsabilidade Limitada - EIRELI .................................................. 27
3-Registro da empresa ...................................................................... 31
3.1- Órgãos de registro da empresa ............................................................................................. 31
3.2 - Atos de registro .................................................................................................................... 32
3.3 - Registro do empresário ........................................................................................................ 32
3.4 - Registro da sociedade empresária ....................................................................................... 34
3.5 - Registro da atividade rural ................................................................................................... 36
3.6 - A inatividade da empresa..................................................................................................... 36
3.7 - Empresário irregular ............................................................................................................ 38

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4 - Livros Comerciais ......................................................................... 39
4.1 - Sigilo dos livros comerciais................................................................................................... 41
5 - Nome empresarial ........................................................................ 42
6 - Estabelecimento Empresarial ....................................................... 45
6.1 - Trespasse.............................................................................................................................. 46
6.2 - Aviamento ............................................................................................................................ 50
6.3 - Clientela ............................................................................................................................... 50
6.4 - O ponto empresarial (ou comercial) .................................................................................... 51
7 - Prepostos ..................................................................................... 53
7.1 – O Gerente ............................................................................................................................ 55
7.2 – O Contabilista ...................................................................................................................... 55
8 - Questões Comentadas .................................................................. 58
9 - Lista de Exercícios ...................................................................... 131
10 - Gabarito ................................................................................... 165

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Apresentação do professor

Pois bem, agora vou me apresentar: Meu nome é Wangney Ilco. Sou
ex-aluno do Colégio Naval (ingresso em 1997) e Escola Naval (ingresso em
2000). Bacharel em Ciências Navais pela Escola Naval com especialidade em
Sistemas (2004). Após alguns anos como Oficial da Marinha, decidi deixar a
vida militar e ingressei nesta doce vida de “concurseiro”. O foco era a área
fiscal, mais especificamente o fisco do Estado do Rio de Janeiro. Nos dois
primeiros certames (2008) não fui feliz devido a alguns problemas pessoais.
Porém, já no ano seguinte, após alguns meses sem estudar, retornei com
muita força já com edital na praça. Fiz alguns ajustes. Foram 45 dias de
dedicação total e foco máximo. Resumos, gráficos, esquemas, mapas-
mentais foram utilizados para aproveitar o tempo com a máxima eficiência. E
deu certo! Obtive a tão sonhada aprovação: Auditor Fiscal da Receita
Estadual do Rio de Janeiro. Cargo que exerço atualmente! Assim, desde
final de 2009, troquei de lado e venho participando intensamente na
preparação dos alunos para diversos concursos (ICMS, ISS, AFT, AFRFB,
CGU), sempre em Direito Empresarial e, mais recentemente, em Direito Civil
(confira meus cursos de civil AQUI). Por fim, vale ressaltar que, no momento,
estou cursando Direito na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
– UNIRIO.
Portanto, meus caros, já tenho certa experiência em contribuir com a
aprovação de alunos em concursos públicos na disciplina de Direito
Empresarial.

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Histórico e análise das provas de Direito Empresarial

Como o nosso objetivo é marcar o “xis” na alternativa correta, fizemos


uma análise das provas anteriores. Concluímos que o histórico de
questões é bem pequeno. No entanto, observamos que as questões são
bem diversificadas, abrangendo quase todo o conteúdo programático:

Provas ESAF
Assunto PGFN AFRFB AFC/CGU PGFN Total
2015 ATFRB 2012 2012
2012
Empresário 1 1 2
Individual/EIRELI
Operações 1 1
societárias
Órgãos societários 2 2
Falência e 2 3 2 1 8
recuperação
Estabelecimento 1 1
Empresarial
Sociedades 3 2 5
Escrituração 1 1
Nome empresarial 1 1

Estrutura do curso

Então, meus amigos, o presente curso de Direito Empresarial é de


TEORIA e Exercícios para o cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal
do Brasil (AFRFB). A linguagem do curso pretende ser a mais próxima
possível de uma aula presencial: solta, objetiva, leve; sem expressões difíceis,
como encontramos nos livros e, principalmente, utilizando muitos recursos
gráficos e esquematizações para facilitar a assimilação do Direito Empresarial.
Lembre-se que foi esta a metodologia de estudos objetiva que utilizei e que
deu certo!!! Afinal, o objetivo do curso é a aprovação; é ensinar a marcar o
“X” na alternativa correta e “partir pro abraço”. Beleza?

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O programa de empresarial que consta no edital foi organizado da
seguinte forma em nosso curso:
AULA ASSUNTO
00 Empresa. Empresário. Estabelecimento. Prepostos. Escrituração.
01 Conceito de sociedades. Sociedades não personificadas e
personificadas. Sociedade simples.
02 Microempresa e empresa de pequeno porte (Lei Complementar nº
123/2006). Sociedade limitada. Sociedade cooperativa.
03 Sociedades por ações. Operações societárias. Dissolução e liquidação
de sociedades.
04 Nota promissória. Cheque. Duplicata.
05 Falência. Classificação creditória.
06 Recuperação judicial e extrajudicial.
07 Questões ESAF
BÔNUS RESUMÃO
*Confira o cronograma de liberação das aulas no site do Exponencial
Concursos, na página do curso.
Além de abordar a parte teórica, faremos cerca de 500 questões. As
questões, assim como o curso, têm por foco a ESAF, ok? No entanto, não
temos um histórico tão grande de questões da ESAF em Direito Empresarial
quando em comparação às principais bancas organizadoras de concursos do
país, tais como FGV (Fundação Getúlio Vargas), CESPE/UnB (Centro de
Seleção e Promoção de Eventos da Universidade de Brasília) e FCC (Fundação
Carlos Chagas). Assim, faremos questões das demais bancas para preencher
as lacunas do programa, ok? Assim, diminuem as chances de sermos
surpreendidos no dia da prova e teremos um excelente banco de questões (da
ESAF catalogamos cerca de 120 questões)!!!!
Todas as questões inseridas nas aulas serão devidamente comentadas,
de modo a não deixar dúvidas. Desse modo, este curso será completo. Ele foi
elaborado visando ser sua única fonte de estudos de Direito Empresarial.
Por fim, não deixem de usar e abusar de nosso fórum tira-dúvidas. É
uma ferramenta importante onde a interação com os alunos é maior. Além
disso, recomendo utilizar nosso SISTEMA DE QUESTÕES e SIMULADOS para
uma eficiência maior nos estudos. E, para mais informações sobre nossa
disciplina, acessem minha página no Exponencial Concursos (AQUI) e
Facebook: Wangney.
Pois bem, vamos ao que interessa!

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1- Direito Comercial

Bem, pessoal, o nosso primeiro tópico diz respeito à origem e evolução


do Direito Comercial. É uma parte de nossa disciplina que, embora tenha a sua
relevância para fins didáticos, não é muito cobrada em provas de concurso
público. Na maioria das vezes nem consta no edital. Então, normalmente, esta
parte evolutiva de nossa disciplina, costumamos “passar batido” mesmo;
afinal de contas, por que abordar um tema que não consta nos editais e não é
cobrado em provas? Lembrem-se de nossa objetividade, ok?
No entanto, devemos nos precaver, certo? Então, vamos lá!

1.1 – Origem e evolução histórica

A evolução do Direito Comercial está diretamente ligada à história do


comércio. No início, apesar da existência do comércio por meio de trocas de
mercadorias entre as famílias e, posteriormente, pelas relações comerciais
marítimas, não se pode dizer que já existia o Direito Comercial. Os usos e
costumes, aliados a alguns simples contratos, regulavam o comércio nas
cidades antigas. Então, segundo Frans Martins, “Não se pode, com segurança,
dizer que houve um Direito Comercial na mais remota antiguidade”, referindo-
se aos fenícios e gregos.
Já no período do Império Romano, o exercício do comércio era restrito
aos escravos, pois não seria uma prática digna aos cidadãos romanos. Assim,
apesar de existirem algumas regras e institutos que regulavam o comércio na
época, o Direito Comercial ainda não havia ganhado autonomia.
Com fundamento nas obrigações e nos contratos do Direito Romano, já
na Idade Média, é que o Direito Comercial surge e ganha autonomia
frente ao Direito Civil, para regular o intenso comércio marítimo na região do
Mar Mediterrâneo. Cidades se tornaram importantes centros comerciais, em
especial na Itália. Mercados surgiram e feiras eram realizadas. Nesse cenário,
houve a necessidade de criar regras para harmonizar as relações comerciais e
os mercadores e artesões se organizaram em corporações de ofício. Nelas,
havia os juízes consulares, eleitos para dirimir os conflitos internos, inclusive
com a atribuição de impor penalidades, com base nos usos e costumes.
Portanto, embora haja certa controvérsia, a maioria da doutrina
entende que o Direito Comercial tenha surgido aí, nessa fase corporativista
e subjetivista, pois era destinado aos membros das corporações num
primeiro momento, mas que extrapolou o seu âmbito, alcançando todos os
indivíduos que praticassem atos comerciais.
Então, dada essa abrangência além das corporações, bem como o
surgimento de alguns institutos do Direito Comercial, como títulos de crédito,
tem-se a fase objetiva e o surgimento da chamada Teoria dos Atos de

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Comércio. Assim, o Direito Comercial passou a regular objetivamente
qualquer indivíduo que praticasse ato próprio de comércio, ou seja, não estava
mais restrito aos membros das corporações. Estatutos e Códigos foram criados
para consolidar as normas e práticas comerciais.
No entanto, ainda não havia um importante documento regulatório das
relações comerciais imposto pelo Estado. Até que em 1673, na França, temos
o chamado Código de Savary que tratava do comércio terrestre e, em 1681,
temos a Ordenança da Marinha, regulando diversos contratos marítimos, que
serviram de base para o primeiro Código Comercial em 1807, promulgado
por Napoleão. Este Código Comercial Francês influenciou diversos códigos pelo
mundo afora, dentre eles o Código Comercial Brasileiro de 1850.
Por fim, nessa linha de evolução do Direito Comercial, atualmente,
temos a chamada Teoria da Empresa, que é o objeto do nosso curso.
Portanto, podemos observar que o atual nome de nossa disciplina – Direito
Empresarial – é devido a teoria da empresa que rege o regime jurídico-
empresarial. Mais adiante, falaremos mais detalhadamente da passagem da
Teoria dos Atos de Comércio para a Teoria da Empresa, ok? Por ora, pessoal,
tenham em mente essas 3 fases de evolução de nossa disciplina:
corporações de ofício (subjetivismo), teoria dos atos de comércio
(objetivismo) e teoria da empresa (subjetivismo moderno).
Obs.: As duas denominações de nossa disciplina (comercial e empresarial) são
aceitas por nossa doutrina. “Comercial” é a denominação mais antiga e
tradicional; “empresarial” é a moderna, a partir do Código Civil de 2002. Neste
curso, adotaremos Direito Empresarial, ok?

1. (CESPE/Delegado da PF/2013) Apesar de os gregos e


os fenícios serem historicamente associados a atividades de compra e troca, o
surgimento do direito comercial de forma organizada corresponde à ascensão
da classe burguesa na Idade Média. À medida que artesãos e comerciantes
europeus se reuniam em corporações de ofícios, surgiam normas destinadas a
disciplinar os usos e costumes comerciais da época.
Comentários

Correta. Esta questão menciona exatamente a evolução histórica do Direito


Empresarial e suas fases. De fato, é na Idade Média que surge o Direito
Comercial de forma organizada e relacionado às corporações de ofícios. Tais
corporações eram formadas por mercadores e artesãos.

Portanto, pessoal, em resumo acerca do surgimento do Direito Comercial:


Idade Média

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1.2 – Definição e autonomia

O Direito pode ser dividido didaticamente em dois grandes ramos:


direito público e direito privado. Deste modo, o Direito Empresarial é o ramo
do direito privado que regula e disciplina o empresário e os atos de
empresa, possuindo regras, métodos e princípios próprios.
Portanto, podemos perceber que o Direito Empresarial é autônomo
em relação aos demais ramos do Direito, principalmente em relação ao Direito
Civil, que também faz parte do direito privado. As razões dessa autonomia são
as seguintes:
1 – A nossa Constituição Federal de 1988, em seu art. 22, inciso I, separa o
Direito Civil do Comercial: “Art. 22. Compete privativamente à União legislar
sobre: I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário,
marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho;”.
2 – Apesar de terem pontos em comum, como os aspectos gerais dos
contratos e das obrigações, o Civil não se confunde com o Comercial, que
possui normas e princípios próprios que objetivam as relações comerciais ou
empresariais. Há diversas normas comerciais dispersas por nosso
ordenamento jurídico, além da matéria presente no Código Civil.
Logo, o Direito Empresarial é autônomo! ☺

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1.3 - Fontes

Então, quais seriam as fontes de estudo do Direito Empresarial? Onde


encontraremos as normas e dispositivos para estudarmos para a nossa prova?
FONTES DO DIREITO EMPRESARIAL
- Código Civil 2002: principal
- Lei de Falências
❖ Fonte Primária ou direta - Legislação dos títulos de crédito
- Legislação dos contratos mercantis
- etc.

❖ Secundária ou indireta doutrina, jurisprudência, dos tratados e


convenções internacionais, dos usos e costumes (Art. 4º da Lei de
Introdução às normas do Direito Brasileiro).
Então, essas serão as nossas fontes de estudo no presente curso,
beleza?

1.4 - Características

As características do Direito Empresarial é mais um tópico presente no


último edital. Então, vejamos quais as características do Direito Empresarial
que o diferenciam dos outros ramos do Direito:

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2- A atividade empresarial

Antes de estudarmos a atividade empresarial e a chamada teoria da


empresa, na qual atualmente baseia-se a nossa disciplina, necessitamos
compreender a própria evolução de nossa disciplina. Assim, iniciemos pelo
estudo da teoria dos atos de comércio.

2.1 – Teoria dos atos de comércio

Antes das normas contidas no Código Civil de 2002, o Direito Comercial


era regido pelo Código Comercial de 1850, que era baseado no Código
Francês e dividia-se em três partes:

CÓDIGO COMERCIAL DE 1850


1ª PARTE Atos de Revogada pelo Código Civil de 2002
Comércio
2ª PARTE Direito Marítimo Ainda em vigor
3ª PARTE Direito Não estava mais em vigor desde a antiga
Falimentar lei de falências (DL 7.661/45). Em vigor a
nova Lei de Falências (Lei 11.101/05)
Então:
• Código Comercial de 1850  regia as sociedades comerciais.
• Código Civil 1916  regia as sociedades civis.
Bem, a chamada TEORIA DOS ATOS DE COMÉRCIO era o pilar
daquele Código Comercial. Por esta teoria, o que importava era o objeto da
atividade comercial. Ou seja, a partir do objeto ou gênero da atividade
comercial exercida foi elaborada uma enumeração das atividades como forma
de enquadrar a atividade no âmbito do Direito Comercial. Era uma forma bem
objetiva e direta de classificar as atividades no regime jurídico comercial.

TEORIA DOS ATOS DE COMÉRCIO – forma objetiva de enquadrar


as atividades no regime jurídico comercial. O que importava era o
objeto da atividade em si.

A teoria dos atos de comércio era caracterizada por três ATRIBUTOS:


Habitualidade: com que a atividade é exercida;
Lucro: como objetivo da atividade;
Intermediação: comprar para vender.
Porém, com a evolução das relações comerciais foi surgindo a
necessidade de atualizar o ordenamento jurídico tendo em vista a situação

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real e atual das relações comerciais, já que algumas atividades importantes,
como a prestação de serviços e a atividade imobiliária, estavam fora da
disciplina comercial. Então, a jurisprudência passou a adotar o entendimento
de que a teoria dos atos de comércio não deveria mais vigorar. Nessa linha,
depois de vários anos de discussões e debates, o Novo Código Civil de 2002 foi
aprovado, revogando a primeira parte do Código Comercial de 1850 que
tratava dos atos de comércio e adotando a TEORIA DA EMPRESA, por
influência do direito italiano.
Vejamos uma questão cobrada em prova sobre o tema:

2. (FCC/OAB-SP/2006) O Código Comercial, sancionado em


1850,
a) foi totalmente revogado.
b) foi parcialmente revogado, mantendo-se vigentes apenas os dispositivos
que regem os contratos e obrigações mercantis e o comércio marítimo.
c) não foi revogado.
d) foi parcialmente revogado, mantendo-se vigentes apenas os dispositivos
que regem o comércio marítimo.
Comentários

Letra “d”. Viram como a questão ficou fácil após estudarmos o assunto?
Embora possa parecer banal determinado ponto da matéria, há sempre a
possibilidade de cair em prova. É justamente este o nosso trabalho: direcionar
o caro aluno a marcar a alternativa correta, de forma objetiva. Pois bem,
como vimos acima, a única alternativa correta é a letra d). Só está em vigor a
2ª parte, que trata do Direito Marítimo.

2.2 – Teoria da Empresa

Então, o Código Civil de 2002 entrou em vigor e adotou a TEORIA


DA EMPRESA sob a influência do direito italiano como fundamento para o
regime jurídico comercial. Este será o nosso grande foco nas primeiras
aulas do curso! Prosseguindo...
Mas o que vem a ser de fato a TEORIA DA EMPRESA?
Bem, por meio desta teoria, passou-se a priorizar o
desenvolvimento da atividade em detrimento do ato de
comércio, do objeto em si. Portanto, a teoria da empresa e o
Novo Código Civil priorizam a FORMA como é exercida e/ou
desenvolvida a atividade empresarial.
Deste modo, a teoria da empresa nos revela alguns atributos que
devem ser observados para que determinada atividade seja considerada como

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atividade empresarial. São eles: profissionalismo, atividade econômica e
organização.

2.2.1 – Atributos da Teoria da Empresa

PROFISSIONALISMO: atividade exercida de forma habitual e profissional.


ATIVIDADE ECONÔMICA: objetiva o lucro. Esta é característica
intrínseca daquele que assume os riscos da atividade econômica.
ORGANIZAÇÃO: este é o principal atributo que uma atividade econômica
exercida de forma profissional deve possuir para se enquadrar como uma
atividade empresarial. Diz respeito à organização dos FATORES DE
PRODUÇÃO: capital, mão de obra, matéria-prima e tecnologia.
Portanto, além de objetivar o lucro e agir com profissionalismo, a atividade
empresarial deve ser organizada.
Vejamos algumas distinções entre as duas teorias:

Pois bem, de forma geral, podemos concluir que a atividade empresarial


pode ser entendida como um mecanismo que faz circular os fatores de
produção: capital, insumo, mão-de-obra e tecnologia, almejando a obtenção
de riquezas e o desenvolvimento econômico.

3. (ESAF/ADVOGADO IRB/2004) A recepção do instituto


empresa pelo Código Civil resultará em:
a) retornar a discussão sobre ato de comércio como intermediação na
circulação de mercadorias.
b) realçar a ideia de atividade sobre a de ato.

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c) incorporar novos ofícios e profissões ao campo do direito mercantil.
d) extremar atividades empresariais e não empresariais.
e) criar novo sistema de análise da atividade econômica.
Comentários
b) Correta. É a nossa resposta. A forma como a atividade econômica está
sendo exercida é o que importa atualmente. Portanto, a atividade econômica
em si se sobrepõe à ideia de enumeração das atividades conforme o seu
objeto (ato de comércio).
a) A teoria dos atos de comércio faz parte do passado. A teoria que rege
atualmente a atividade empresarial é a teoria da empresa. Incorreta.
c) De certo modo está correta, já que atualmente o D. Comercial PODERÁ
abranger outras profissões que não eram regidas pela teoria dos atos de
comércio. No entanto, é a forma como a atividade econômica é exercida que
prevalece e que vai determinar a sujeição ou não ao regime jurídico comercial.
Assim, a alternativa b) prevalece e está “mais correta”. Há questões onde
devemos assinalar a alternativa mais correta, ok?
d) Incorreta, pois mesmo antes da teoria da empresa já havia a divisão entre
as atividades comerciais e as civis. Hoje, melhor seria dizer: atividades
empresariais (ou típicas de empresa) e atividades não empresariais.
e) Não há lógica em sua afirmativa. Incorreta.

2.3 – A empresa

A Teoria da Empresa foi adotada pelo Novo Código Civil de 2002, no


entanto, NÃO há um conceito jurídico de empresa. Temos, porém, o
conceito econômico, pelo qual a empresa seria a união dos fatores de
produção por um indivíduo (o empresário) visando à obtenção de um produto
ou a prestação de um serviço. Esta definição é aquela que possuímos e
retiramos de nosso cotidiano econômico, através da observação da sociedade
e da dinâmica comercial que nos cerca.
Por conta disso, foi criada a teoria dos Perfis de Empresa (Prof.
Asquini) para o entendimento do instituto EMPRESA. Esta é a teoria mais
aceita e aborda a empresa como fenômeno poliédrico a partir de quatro
perfis:

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A empresa está relacionada ao indivíduo que
exerce de forma organizada e profissional uma
atividade econômica objetivando a produção ou
Perfil Subjetivo circulação de bens ou de serviços. O EMPRESÁRIO
é o sujeito de direito, pois é ele quem exerce a
atividade empresarial.
A empresa está relacionada à ATIVIDADE
EMPRESARIAL em si, direcionada a um
Perfil Funcional
determinado fim produtivo, que é gerar riquezas.
A empresa está relacionada ao
ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL,
Perfil Objetivo ou
considerando os bens patrimoniais da empresa
patrimonial
como resultado do fator econômico.
A empresa relacionada ao grupo organizacional
formado pelo empresário e seus colaboradores.
Perfil Corporativo ou
Este perfil está superado, pois não tem
institucional
correspondência na realidade atual.

Deste modo, podemos definir EMPRESA como sendo:

A ATIVIDADE econômica ORGANIZADA para a produção ou a


circulação de bens ou serviços, exercida de forma PROFISSIONAL
pelo EMPRESÁRIO.

Obs.: Teoria dos feixes de contratos: formulada pelo economista britânico


Ronald Coase, a teoria dos feixes de contratos define a empresa sob a ótica
econômica. Então, a empresa seria um feixe de contratos com o objetivo de
organizar a atividade econômica (fatores de produção) e de reduzir os
custos de transação. Isso significa dizer que os mais diversos tipos de
contratos são firmados de modo a viabilizar a produção de bens e serviços ao
mercado, de maneira organizada e menos custosa. Esta teoria se aproxima do
perfil institucional de Asquini.

2.4 – O empresário

Então, não há uma definição jurídica de empresa. Com a positivação da


teoria da empresa pelo Código Civil de 2002, temos SOMENTE a definição de
EMPRESÁRIO, conforme a perfil subjetivo de Asquini. Esta definição é uma
das mais importantes no D. Empresarial. Vejamos:

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• DEFINIÇÃO DE EMPRESÁRIO

Art. 966 do CC. Considera-se empresário quem exerce


profissionalmente atividade econômica organizada
para a produção ou a circulação de bens ou de
serviços.

Destaca-se que a “produção ou circulação de bens ou serviços”,


representa uma maior amplitude em relação ao campo de incidência da antiga
teoria dos atos de comércio. Agora, qualquer atividade poderá ser considerada
empresária, desde que possua as demais características e requisitos da Teoria
da Empresa. Desta forma, consegue-se definir empresário - a pessoa
(física ou jurídica) que exerce a atividade típica de empresa.

Assim, temos a seguinte esquematização:

Então, até o momento podemos distinguir perfeitamente os seguintes


conceitos:

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EMPRESÁRIO ESTABELECIMENTO
EMPRESA EMPRESARIAL

Atividade Sujeito que Complexo de


Empresarial exerce a atividade bens

2.5 – Exceções à Teoria da Empresa

Então meus amigos, a regra geral para a caracterização da atividade


econômica como empresarial é dada acima, nos termos do art. 966 do CC
visto no tópico anterior. Porém, a esta regra temos as seguintes exceções:

• PROFISSIONAL INTELECTUAL EXCETO SE a organização dos


Natureza científica, artística ou fatores de produção for mais
literária – não é empresário. importante que a atividade
pessoal desenvolvida (Aí
constitui Elemento de empresa)

§único, art. 966, CC Considera-se


empresário

Exceções à Art. 971 e 984, CC


• ATIVIDADE RURAL
Teoria da O indivíduo (ou sociedade) tem
Empresa a OPÇÃO de ser empresário

§único, art. 982, CC

Independente da
• SOCIEDADES COOPERATIVAS forma com que a
São sempre sociedades simples. atividade é
exercida

Em suma, a cooperativa jamais poderá ser considerada uma atividade


empresarial; o profissional liberal (intelectual) em regra não exerce a

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atividade empresarial (só se constituir elemento de empresa). Então, estas
são consideradas atividades econômicas civis, ok?
Mas o que significa elemento de empresa? Essa expressão deve ser
compreendida sob um enfoque econômico, pelo qual as atividades (intelectual,
de natureza científica, literária ou artística) são exercidas observando a
organização dos fatores de produção: Capital, Mão-de-obra, Insumos (ou
matéria-prima) e Tecnologia. Assim, essa estrutura de produção deve ser
exercida de forma organizada e profissional, para que seja considerada
uma atividade empresarial.
Observação: A sociedade pode ser empresária ou simples; a sociedade
simples, obviamente, não exerce a atividade empresarial. No mais, a
sociedade será tema de aula futura, ok?

4. (COPS-UEL/ICMS-PR/2012) Sobre o Direito de


Empresa, previsto no Código Civil, considere as afirmativas a seguir.
I. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade
econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços
ou quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou
artística.
Comentários
Incorreta. O examinador faz um jogo de palavras nesta afirmativa em relação
à definição legal de empresário, de acordo com o art. 966 do Código Civil. Aí
também está positivada a Teoria da Empresa. Bem, a primeira parte desta
afirmativa está literal ao caput do art. 966. Está perfeita, tranquila! A segunda
parte da afirmativa aborda o chamado profissional liberal. Aquele que exerce
profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística. Como
estudamos, em regra o profissional liberal não é considerado empresário,
conforme o parágrafo único do art. 966. No entanto, caso a atividade exercida
pelo profissional liberal apresente elemento de empresa, ele será
considerado empresário e estará sujeito ao regime jurídico empresarial. Então,
como o examinador não menciona tal requisito para o profissional liberal ser
considerado empresário, esta afirmativa está incorreta, ok?

2.6 – Empresário Individual

Pois bem, como sabemos, o titular da atividade econômica é o


empresário. O empresário é o sujeito de direito, apto a adquirir direitos e
contrair obrigações, podendo ser tanto uma pessoa física na condição de
empresário individual, quanto uma pessoa jurídica na condição de
sociedade empresária.

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Em termos gerais a atividade empresarial é exercida conforme a


esquematização acima. Assim, o empresário individual é uma pessoa física
que exerce a atividade empresarial, que na prática, compreende atividades
econômicas de pouco capital/investimentos: artesanatos, mercearias,
padarias, etc. Inclusive, PODERÁ se enquadrar como Microempresa (ME),
Empresa de Pequeno Porte (EPP) e Microempreendedor Individual (MEI).
Ainda, PODE optar pela nova forma Empresa Individual de Responsabilidade
Limitada – EIRELI.
Porém, o ponto mais importante acerca do EMPRESÁRIO
INDIVIDUAL é com relação a sua responsabilidade pelas obrigações e
dívidas decorrentes da sua atividade. Deste modo, a RESPONSABILIDADE
do empresário individual é ILIMITADA e DIRETA, pois ele NÃO possui
personalidade jurídica e, por consequência, os BENS da pessoa física e
do empresário individual são os MESMOS, se confundem. Neste caso,
ele responde com seus próprios bens (ilimitadamente) para saldar as dívidas
surgidas no curso da atividade empresarial.
Quando à SOCIEDADE EMPRESÁRIA, ela é formada por um grupo de
pessoas (sócios) que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou
serviços para o exercício de atividade típica de empresa e a partilha, entre si,
dos resultados (art. 981 e 982, CC). Este é o conceito de sociedade
empresária e, no momento, é o que basta sabermos para prosseguirmos com
a matéria.
Obs.: Apesar de não possuir personalidade jurídica, o empresário individual é
obrigado a se registrar no Registro Público das Empresas Mercantis (RPEM) e
ao uso da inscrição no CNPJ (Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas).

2.7 – Requisitos e impedimentos para o exercício da atividade


empresarial

Bem, os primeiros requisitos para o exercício da empresa são aqueles


que a caracterizam como tal, e que já comentamos na Teoria da Empresa.
Relembremos: Tendo em vista a teoria da empresa, considera-se empresário
aquele que:

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➢ COM Profissionalismo – habitualidade no exercício da atividade
econômica;
➢ EXERCE A Atividade econômica – objetivo de auferir lucros;
➢ DE FORMA Organizada – principal requisito. Organização dos fatores de
produção;
➢ PARA A Produção ou a circulação de bens ou de serviços – objetivo
de satisfazer as necessidades do mercado exercendo qualquer tipo de
atividade econômica.
Além desses requisitos que devem ser cumpridos para caracterizar o
empresário e a atividade empresária, ainda devem ser observados os casos de
capacidade e impedimento, nos termos do art. 972, do CC.
“Art. 972 do CC. Podem exercer a atividade de empresário os que
estiverem em pleno gozo da capacidade civil e não forem
legalmente impedidos.”

2.7.1 - Capacidade Civil do Empresário Individual

O empresário individual necessita estar CIVILMENTE CAPAZ para


exercer a atividade empresarial. Esta capacidade civil é exatamente aquela
prevista no Direito Civil: artigos 3º e 4º do CC (apesar de saber que o caro
leitor (a) possui a lei seca ao seu lado enquanto estuda este curso, no intuito
de facilitar e relembrar a disciplina civil, apresento a seguinte
esquematização):
Absolutamente Incapaz x Relativamente Incapaz
Absolutamente Incapaz Relativamente Incapaz
Idade Menor de 16 anos 16 a 18 anos
Pessoas Ébrios habituais, viciados em
tóxicos, pródigos, aquele que não
puder exprimir sua vontade (por
causa transitória ou permanente).
Obs.: O quadro acima está conforme a nova redação dos arts. 3º e 4º do CC,
dada pela Lei nº 13.146/2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência).
Observemos que não há mais hipóteses de uma pessoa maior de idade ser
considerada absolutamente incapaz. O objetivo de tais mudanças é promover
a inclusão social e cidadania às pessoas com deficiência.
No entanto, a esta necessidade de plenitude na capacidade civil para o
exercício da atividade empresarial, temos duas situações de exceções,
conforme esquema abaixo:

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Empresário
Individual 1ª-Em favor do
Regra Mediante incapaz no caso de
Autorização Judicial sucessão da empresa
após análise das por causa mortis.
Deve ter
capacidade circunstâncias e riscos
civil

EXCEÇÕES O INCAPAZ é
representado
ou assistido

2ª-Pela incapacidade
superveniente do
empresário.

Pessoal, percebam que há sempre um fato novo que culmina no


exercício da atividade empresarial por agente incapaz. Isso quer dizer que o
incapaz NÃO poderá iniciar ou constituir uma empresa como empresário
individual; nos casos acima ocorre a continuidade da atividade
empresarial já exercida. Assim, o Código Civil observa o princípio da
preservação da atividade típica de empresa incentivando o desenvolvimento
e continuidade da atividade econômica.
Ressalta-se que os bens particulares (aqueles estranhos à empresa)
que o incapaz possuía quando ainda era capaz ou antes da sucessão NÃO
estão sujeitos ao resultado da empresa, ou seja, não respondem pelas
obrigações oriundas da atividade empresarial. Portanto, acerca desses bens,
ocorre a separação patrimonial entre os bens da empresa e os bens do
empresário individual (incapaz).

5. (FCC/Auditor-Substituto de Conselheiro-TCM-RJ/
2015) O relativamente incapaz, desde que devidamente assistido, poderá
continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, vedada tal
possibilidade ao absolutamente incapaz, ainda que por meio de representante.
Comentários
Incorreta. Como podemos observar, esta assertiva está incorreta pois tanto o
relativamente incapaz, quanto o absolutamente incapaz, podem continuar a
empresa, desde que devidamente assistidos ou representados (art. 974,
caput, CC).

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2.7.2 - Capacidade Civil da Sociedade Empresária - sócio

Bem, e quanto à capacidade civil daquele que é sócio de


sociedade empresária? Como proceder?

Tratando deste tema, em 2011 foi publicada a Lei nº


12.399/2011 que acrescentou o §3º ao Art. 974 do Código Civil. Vejamos os
pressupostos que devem ser atendidos CUMULATIVAMENTE para a pessoa
incapaz ser sócio da sociedade empresária:

• O sócio incapaz não pode exercer a administração da


sociedade;
• O capital social deve estar totalmente integralizado;
• O sócio relativamente incapaz deve ser assistido e o
absolutamente incapaz deve ser representado por seus
representantes legais.

Atendidos os
pressupostos

REGISTRAR o contrato e suas


alterações na JUNTA COMERCIAL

Por fim, vale ressaltar, ainda, que a prova de emancipação do menor


e a autorização do incapaz devem ser registradas no Registro Público das
Empresas Mercantis (Junta Comercial).
Vejamos a seguinte questão:

6. (COPS-UEL/Procurador do Estado-PR/2011) Sobre o


regime jurídico do empresário no Código Civil de 2002, assinale a alternativa
correta:
IV – o Registro Público de Empresas Mercantis deverá registrar contratos ou
alterações contratuais de sociedade que envolva sócio absolutamente incapaz,
desde que o capital social da sociedade esteja totalmente integralizado e que,
o incapaz, devidamente representado, não exerça administração da sociedade.
Comentários

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Correta. O examinador cobrou exatamente o que consta no esquema acima,
que acabamos de estudar. Portanto, está correta conforme o art. 974, §3º do
CC.
Art. 974, §3º. O Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das
Juntas Comerciais deverá registrar contratos ou alterações contratuais
de sociedade que envolva sócio incapaz, desde que atendidos, de forma
conjunta, os seguintes pressupostos:
I – o sócio incapaz não pode exercer a administração da sociedade;

II – o capital social deve ser totalmente integralizado;


III – o sócio relativamente incapaz deve ser assistido e o absolutamente
incapaz deve ser representado por seus representantes legais.

2.7.3–Impedimentos: Empresário Individual

Bem, pessoal, o empresário individual além de ter que possuir o pleno


gozo da capacidade civil, precisa não estar legalmente impedido para
exercer a atividade empresarial, ou seja, embora o indivíduo seja
civilmente capaz, a lei poderá impedi-lo.
Assim, por exemplo, está impedido legalmente o servidor público
federal (Art. 117, X, lei 8.112/90), o militar (Art. 29, lei 6.880/93), membro
do ministério público (Art. 44, III, lei 8.625/1993), etc. Portanto, o
impedimento legal para o exercício da atividade empresária é consignado em
leis específicas, beleza? Outra coisa: o impedimento legal é com relação ao
empresário individual, ou seja, nada impede que um servidor público federal,
por exemplo, seja acionista ou quotista de uma sociedade, desde que não
participe de sua administração.
Porém, alguém poderia perguntar: Professor, e se o impedido resolver
exercer a atividade empresária? Os atos por ele praticados são nulos? Neste
caso, o indivíduo não poderá se valer do impedimento para se livrar de
obrigações assumidas na condição de empresário, respondendo por
elas (art. 973 do CC). Perfeito? Isso é tema de questões de prova!!!
SÓ PARA RECORDAR: Então, vimos que temos as seguintes condições para
o exercício da atividade empresarial:
- Capacidade civil: deve estar em pleno gozo
(arts. 3º, 4º e 5º do CC). Exceções:
incapacidade superveniente e sucessão da
empresa (causa mortis).

- Sem impedimentos legais: possui


capacidade civil e não é proibido legalmente.

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7. (FCC/PROMOTOR JUSTIÇA-MPE-CE/2009) Em relação


ao empresário, é INCORRETO afirmar que:
a) se a pessoa legalmente impedida de exercer atividade empresarial assim
agir, responderá pelas obrigações contraídas.
b) de sua definição legal, destacam-se as noções de profissionalismo,
atividade econômica organizada e produção ou circulação de bens ou
serviços.
c) a profissão intelectual, de natureza científica ou artística pode ser
considerada empresarial, se seu exercício constituir elemento de empresa.
d) a atividade empresarial pode ser exercida pelos que estiverem em pleno
gozo da capacidade civil, não sendo impedidos legalmente.
e) ainda que representado ou assistido, não pode o incapaz continuar a
empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo
autor da herança.
Comentários:
O enunciado pede para assinalar a alternativa incorreta em relação ao
empresário. Analisemos cada uma delas.
e) Incorreta. Nossa resposta. A alternativa vai de encontro ao preconizado no
art. 974 do CC, o qual permite ao incapaz continuar a empresa naquelas
condições e situações. Está incorreta em função da palavra NÃO.
a) Correta. Conforme o art. 973, CC, descumprindo a proibição de exercer a
atividade empresarial, o impedido responderá pelas obrigações contraídas.
b) Correta. Alternativa menciona as características do titular da atividade
empresária: profissionalismo, atividade econômica organizada e produção ou
circulação de bens ou serviços.
c) Correta. A profissão intelectual, de natureza científica ou artística PODE ser
considerada empresarial, DESDE QUE o seu exercício caracterize elemento de
empresa. Esta é uma das exceções à teoria da empresa (art. 967, §único).
d) Correta. É exatamente o que exige o art. 972 que vimos acima:
CAPACIDADE CIVIL e SEM IMPEDIMENTOS LEGAIS.
e) Incorreta. Nossa resposta. A alternativa vai de encontro ao preconizado no
art. 974 do CC, o qual permite ao incapaz continuar a empresa naquelas
condições e situações. Está incorreta em função da palavra NÃO.

2.7.4–Empresário casado

O Código Civil também traz algumas considerações acerca do


empresário casado. Vamos lá?

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Obs.: Os cônjuges, separadamente, podem contratar sociedade com


terceiros, independente do regime de casamento. O regime de separação
legal ou obrigatória é o seguinte:
Art. 1.641. É obrigatório o regime da separação de bens no casamento:

I - das pessoas que o contraírem com inobservância das causas


suspensivas da celebração do casamento;

II – da pessoa maior de 70 (setenta) anos;

III - de todos os que dependerem, para casar, de suprimento judicial.

Ainda sobre o empresário casado, ele pode alienar os imóveis que


integrem o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real (limitação de
fruição e disposição do bem), sem necessidade de outorga do outro cônjuge,
independente do regime do casamento (art. 978, CC). Esta regra reflete a
preocupação do legislador em privilegiar a atividade empresarial diante de
possível confusão patrimonial entre os bens particulares do empresário e da
pessoa jurídica.
Obs.: ATENÇÃO – Há certa divergência quanto a necessidade de autorização
conjugal para alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis que integram o
patrimônio da empresa. A razão de tal divergência é que este tema versa
sobre dois artigos do CC que aparentemente estão em conflito, quais sejam:
Art. 978. O empresário casado pode, sem necessidade de outorga
conjugal, qualquer que seja o regime de bens, alienar os imóveis
que integrem o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real.

Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges


pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação
absoluta:
I - alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis; (...)

Assim, há duas correntes e interpretações quanto a este assunto:


1) Prevalece o art. 1.647 – há a necessidade de autorização conjugal. O art.
978 seria interpretado de modo restritivo face à regra do art. 1.647. Nesta
linha, os autores da I Jornada de Direito Comercial entenderam o seguinte:
“Enunciado 6. O empresário individual regularmente inscrito é o
destinatário da norma do art. 978 do Código Civil, que permite alienar ou
gravar de ônus real o imóvel incorporado à empresa, desde que exista, se for
o caso, prévio registro de autorização conjugal no Cartório de Imóveis,
devendo tais requisitos constar do instrumento de alienação ou de instituição

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do ônus real, com a consequente averbação do ato à margem de sua inscrição
no Registro Público de Empresas Mercantis.”. Notem que esta orientação
da Jornada de Direito Comercial é endereçada somente ao empresário
individual. Por ela, faz-se necessária a outorga conjugal para que o empresário
individual aliene ou grave de ônus real os bens patrimoniais da empresa;
2) Prevalece o art. 978 – este artigo seria uma exceção à regra geral do art.
1.647, ou seja, não haveria a necessidade de autorização conjugal. Essa
corrente entende que o princípio da autonomia patrimonial deve
prevalecer em privilégio à empresa. Assim, os bens diretamente
envolvidos e destinados à atividade empresarial poderiam ser alienados ou
gravados de ônus real sem a necessidade de outorga do outro cônjuge,
independente do regime de bens do casamento, já que estes seriam bens da
empresa e não da sociedade conjugal. Caso contrário, como preceitua a
corrente anterior, haveria um entrave ao perfeito desenvolvimento e execução
das atividades empresariais. Também se refere exclusivamente ao empresário
individual casado.
Então, qual das duas correntes/interpretações devemos adotar?
Resposta: aquela que a banca entende! rsrs Boa resposta! De fato, veremos
na parte das questões, que a FGV, por exemplo, se afiliou à segunda
corrente em uma questão bem recente, ok?

8. (FCC/Juiz substituto-TJ-PE/2011) É correto afirmar


que:
e) é vedado aos cônjuges contratar sociedade entre si ou com terceiros,
qualquer que seja o regime de bens escolhido.
Comentários
Está incorreta, visto que a vedação é quando o regime de casamento é o da
SEPARAÇÃO OBRIGATÓRIA ou DA COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS. Ok?

2.8- Empresa Individual de Responsabilidade Limitada - EIRELI

A empresa individual de responsabilidade limitada, EIRELI, foi criada


pela lei nº 12.441/2011 como nova forma de organização do empresário
individual; não é um novo tipo de sociedade, ok? Mas é um novo ente
jurídico – pessoa jurídica de direito privado. Ela foi inserida no art. 980-A do
CC. Vejamos então suas características de forma esquematizada:

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*Obs.: Divergência no registro: o CC silencia e não é pacífico o registro


onde a EIRELI deve ser registrada. O mais aceito é que se for de natureza
empresária deve se registrar no RPEM-Registro Público de Empresas Mercantis
(Junta Comercial); se de natureza simples, no RCPJ-Registro Civil de Pessoas
Jurídicas.

**Obs.: Divergência se pessoa jurídica poderia constituir EIRELI: o


Departamento de Registro Empresarial e Integração (DREI) considerava que
pessoa jurídica não poderia constituir uma EIRELI, enquanto que a doutrina e
jurisprudência consideravam que não havia qualquer impedimento neste
sentido. Com a Instrução Normativa DREI nº 38/2017, esta divergência ficou
para trás, pois o DREI passou a considerar expressamente que uma pessoa
jurídica, inclusive estrangeira, poderá ser titular de uma EIRELI.
Pois bem, o objetivo e a principal característica da EIRELI estão
relacionados à responsabilidade pelas dívidas sociais. Neste caso, a
EIRELI responderá com o seu próprio patrimônio por suas dívidas, por conta
da separação patrimonial tal qual ocorre nas sociedades limitadas.
Inclusive, as regras das sociedades limitadas são aplicadas à EIRELI no que
couber. Portanto, a responsabilidade na EIRELI é limitada ao seu
patrimônio, podendo ser ainda ser aplicado o princípio da desconsideração da
personalidade jurídica.
Vejamos outras disposições acerca da EIRELI:

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A constituição da EIRELI de forma derivada ocorre quando as quotas


de outro tipo de sociedade encontram-se concentradas nas mãos de um único
sócio. Logo, temos uma sociedade unipessoal. Então, em observância ao
princípio da preservação da atividade econômica, a lei possibilita a
transformação da sociedade unipessoal em EIRELI (ou em empresário
individual), já que a falta de pluralidade de sócios além do prazo de 180 dias é
um caso de dissolução da sociedade (art. 1.033, IV, CC). Então, o art. 980-A,
§3º combinado com o art. 1.033, §único possibilita a transformação da
sociedade unipessoal em EIRELI através de requerimento ao RPEM.
Outro importante ponto sobre a EIRELI é quanto a sua administração.
A EIRELI, portanto, poderá ser administrada por uma ou mais pessoas
designadas em seu ato constitutivo. O mais comum é que o titular da EIRELI
exerça a sua administração, seja o seu próprio administrador. Porém, é
possível que uma pessoa estranha, que não seja o titular, administre a EIRELI.
Logo, tanto o titular quanto o não-titular poderá ser o administrador da
EIRELI. No mais, somente pessoa física (ou natural) poderá administrar a
EIRELI e é permitido que estrangeiro também exerça esse papel (deve ter
visto permanente e não estar enquadrado em caso de impedimento para o
exercício da administração).
Por fim, relembra-se que a EIRELI tem a possibilidade de
enquadramento em ME e EPP, nos termos previstos no art. 3º da LC
123/06. Além disso, destaca-se que um profissional da área intelectual,
artística ou científica, que seja detentor de direitos patrimoniais de sua obra
ou criação, poderá constituir EIRELI para a prestação de serviços e, assim,
explorar comercialmente e diretamente a sua obra ou, ainda, poderá ceder
tais direitos patrimoniais à EIRELI que preste esse tipo de serviço (art. 980-A,
§5º).

9. (FCC/Procurador da Procuradoria Especial-TCM-


RJ/2015) Acerca da empresa individual de responsabilidade limitada,
considere:
I. Seu titular não poderá figurar em outras empresas de mesma modalidade,
nem participar, como sócio, de quaisquer sociedades empresárias.

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II. Seu nome empresarial deverá ser formado pela inclusão da expressão
"LTDA." após a firma ou a denominação social.
III. Será constituída por uma única pessoa titular da totalidade do capital
social, devidamente integralizado, que não poderá ser inferior a cem vezes o
maior salário-mínimo vigente no País.
IV. Poderá ser formada a partir da concentração das quotas de sociedade
limitada num único sócio, independentemente das razões que motivaram tal
concentração.
V. Sua personalidade jurídica confunde-se com a do seu titular, sendo incapaz
de adquirir personalidade jurídica própria.
Está correto o que se afirma APENAS em
a) III e IV.
b) I e V.
c) II e V.
d) I e IV.
e) II e III.
Comentários
Letra “a”. Itens III e IV corretos.
I – Incorreta. Não é vedado ao titular da EIRELI participar como sócio de outra
sociedade. A vedação que existe é com relação à constituição de outra EIRELI.
Ou seja, a mesma pessoa não poderá ser titular de mais de uma EIRELI.
Art. 980-A. §2º A pessoa natural que constituir empresa individual de
responsabilidade limitada somente poderá figurar em uma única empresa
dessa modalidade.
II – Incorreta. Conforme, o art. 980-A, §1º, o nome empresarial da empresa
individual de responsabilidade se dá da seguinte forma: FIRMA ou
DENOMINAÇÃO + expressão “EIRELI”. Também, pode se enquadrar como
ME ou EPP, neste caso o nome empresarial fica desta forma: firma ou
denominação + “EIRELI” + “ME” ou “EPP”
III – Correta. Assertiva nos termos previsto no caput do art. 980-A: “A
empresa individual de responsabilidade limitada será constituída por uma
única pessoa titular da totalidade do capital social, devidamente integralizado,
que não será inferior a 100 (cem) vezes o maior salário-mínimo vigente no
País”.
IV – Correta. Assertiva literal ao §3º do art. 980-A.
V – Incorreta. A EIRELI é um novo ente jurídico personificado, onde o seu
patrimônio não se confunde com o patrimônio particular do seu titular.
Inclusive, sujeita-se à desconsideração da personalidade jurídica. Neste

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sentido, vejamos as seguintes orientações doutrinárias materializadas nos
Enunciados da Jornada de Direito Civil:
Enunciado nº 469 – Arts. 44 e 980-A: A empresa individual de
responsabilidade limitada (EIRELI) não é sociedade, mas novo ente
jurídico personificado.

Enunciado nº 470 – Art. 980-A: O patrimônio da empresa individual


de responsabilidade limitada responderá pelas dívidas da pessoa
jurídica, não se confundindo com o patrimônio da pessoa natural que a
constitui, sem prejuízo da aplicação do instituto da desconsideração da
personalidade jurídica.

3-Registro da empresa

Pessoal, o registro da empresa no órgão competente, bem como realizar


a correta escrituração de suas atividades, tornam a empresa regular perante a
lei. Então, neste tópico trataremos da regular inscrição da empresa perante os
órgãos públicos, ok?

3.1- Órgãos de registro da empresa

O registro da empresa, independentemente do seu objeto, ocorre no


chamado Registro Público de Empresas Mercantis (sigla RPEM), regulado
pela Lei nº 8.934/94. O RPEM atua em todo o território nacional por meio do
Sistema Nacional de Registro de Empresas Mercantis (SINREM), composto da
seguinte maneira:

Portanto, pessoal, devemos ter em mente que por meio do RPEM é


conferida garantia, publicidade, autenticidade, segurança e eficácia dos atos

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jurídicos das empresas nacionais e estrangeiras, além de efetuar a matrícula
(e cancelamento) dos seus agentes auxiliares (prepostos).
*NOTA: A estrutura acima é dada pela Lei nº 8.934/94. Acontece que o
Decreto nº 8.001/13 extinguiu o DNRC, que havia sido criado pela lei nº
4.048/61, ou seja, um decreto extinguiu um órgão criado por lei (?????? – ver
o art. 84, VI, “a”, da CF). As funções do DNRC agora são da competência do
Departamento de Registro Empresarial e Integração – DREI. Ainda, o
DREI é órgão que pertence à estrutura da recém-criada Secretaria da Micro e
Pequena Empresa – SMPE. Então, as instruções normativas que veremos
acerca dos atos de registro foram emitidas pela DREI – as instruções do DNRC
foram revogadas.

3.2 - Atos de registro

O registro da empresa é gênero cujas espécies são a matrícula,


arquivamento e autenticação, nos termos do art. 32 da Lei 8.934/94.

• Matrícula – dos leiloeiros, tradutores públicos e intérpretes


comerciais, trapicheiros e administradores de armazéns-gerais;
• Arquivamento – dos atos constitutivos, alterações, dissolução e
extinção de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e
cooperativas; dos atos relativos a consórcio e grupo de
sociedade; dos atos concernentes a empresas mercantis
estrangeiras autorizadas a funcionar no Brasil; das declarações de
microempresa; de atos ou documentos que, por determinação
legal, sejam atribuídos ao RPEM ou daqueles que podem
interessar ao empresário e às empresas mercantis;
• Autenticação – dos instrumentos de escrituração das empresas
mercantis registradas e dos agentes auxiliares do comércio, na
forma de leis próprias.

3.3 - Registro do empresário

A INSCRIÇÃO DO EMPRESÁRIO no Registro Público de Empresas


Mercantis de sua sede é OBRIGATÓRIA, antes do início de sua atividade
(art. 967, CC).
Tal ato de inscrição no RPEM apesar de ser obrigatório não é
constitutivo da condição de empresário ou sociedade empresária. A inscrição
determinada pelo art. 967 do CC é DECLARATÓRIA, resultando na
REGULARIDADE da condição de empresário, passando a estar regular
perante a lei e apto a adquirir direitos e a contrair obrigações. Como exemplo,
poderá se valer do benefício da recuperação judicial por estar regular.

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Isto significa dizer que inscrição no RPEM não dá a qualidade de


empresário, mas sim a sua regularidade. Assim, determinada atividade poderá
possuir todas as características e atributos de empresa, mas não estar inscrita
no RPEM; logo estará irregular. Beleza? Vejamos o teor dos enunciados da
Jornada de Direito Civil realizada pelo Conselho Federal da Justiça (CFJ) que
tratam deste tema:

Enunciado 198
Art. 967: A inscrição do empresário na Junta Comercial não é requisito
para a sua caracterização, admitindo-se o exercício da empresa sem tal
providência. O empresário irregular reúne os requisitos do art. 966,
sujeitando-se às normas do Código Civil e da legislação comercial, salvo
naquilo em que forem incompatíveis com a sua condição ou diante de
expressa disposição em contrário.

Enunciado 199
Art. 967: A inscrição do empresário ou sociedade empresária é requisito
delineador de sua regularidade, e não de sua caracterização.

Então, pergunto: como deve ser feita a inscrição do empresário? Qual o


procedimento? Bem, a inscrição se dá através de requerimento contendo
(art. 968):
1) O seu NOME, nacionalidade, domicílio, estado civil e, se casado, o
regime de bens;
2) A FIRMA, com a respectiva assinatura autografa (pode ser substituída
por assinatura autenticada com certificação digital ou equivalente);
3) O CAPITAL;
4) O OBJETO e a SEDE da empresa.

Obs.: Atenção ao item 2 acima, pois é mudança recente no CC


(Lei Complementar nº 147/14), bem suscetível de ser cobrado.
Ressalto, ainda, que a microempresa (ME) e empresa de pequeno
porte (EPP) estão dispensadas do uso da firma, como forma de
facilitar o início de seu funcionamento (art. 4º,§1º, I, LC 123/06 –
abaixo transcrito).

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Art. 4º. § 1o. O processo de abertura, registro, alteração e baixa da
microempresa e empresa de pequeno porte, bem como qualquer
exigência para o início de seu funcionamento, deverão ter trâmite
especial e simplificado, preferencialmente eletrônico, opcional para o
empreendedor, observado o seguinte:

I - poderão ser dispensados o uso da firma, com a respectiva assinatura


autógrafa, o capital, requerimentos, demais assinaturas, informações
relativas ao estado civil e regime de bens, bem como remessa de
documentos, na forma estabelecida pelo CGSIM;

Pois bem, à margem da inscrição dos atos constitutivos da empresa,


deve ser averbada qualquer alteração relacionada às informações nela
constantes. Por exemplo, no caso de constituição de estabelecimento
secundário (sucursal, filial ou agência), o empresário deve averbar esta
modificação no RPEM da sede da empresa.

10. (FCC/JUIZ SUBSTITUTO-TJ-PE/2011) É correto


afirmar que
c) É facultativa a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas
Mercantis da sede respectiva, antes do início de sua atividade.
Comentários
Incorreta. A inscrição do empresário no Registro Público de Empresas
Mercantis (RPEM) de sua sede é OBRIGATÓRIA antes do inicio de sua
atividade (art. 967, CC). Logo a assertiva está incorreta pelo uso da palavra
“facultativa”. Ressalta-se, apenas, que este procedimento é delineador de sua
regularidade, e não de sua caraterização, conforme dispõe o enunciado que
acabamos de estudar!

3.4 - Registro da sociedade empresária

Meus caros, a próxima aula será especificamente sobre as sociedades,


onde trataremos acerca de sua definição, classificação e tipos. Porém neste
momento, devemos falar sobre o seu registro, beleza? Logo, necessitamos
adiantar que a sociedade divide-se em dois grandes grupos conforme exerçam
ou não a atividade empresarial: SOCIEDADE EMPRESÁRIA e SOCIEDADE
SIMPLES.
Pois bem, por definição, a sociedade é uma pessoa jurídica de direito
privado que adquire personalidade jurídica com a inscrição dos seus atos
constitutivos no registro próprio. É neste momento que se dá o
“nascimento” da sociedade. Assim, os dois grupos de sociedades seguem a
seguinte esquematização em relação aos seus registros:

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Portanto, o “nascimento” das sociedades (e demais pessos jurídicas de


direito privado) significa o início de sua existência legal. Então, tal como
ocorre para o empresário, a inscrição dos atos constitutivos da sociedade no
registro próprio (RPEM ou RCPJ) confere a REGULARIDADE à sociedade, na
forma da lei. Mais ainda: a sociedade adquire personalidade jurídica e
poderá exercer a sua atividade econômica de forma plena e regular.
Bem, na próxima aula trataremos da constituição e do contrato social da
sociedade, ok? No mais, importa dizer, neste momento, que um rito formal
deve ser observado pelas sociedades na sua constituição, bem como pelo
empresário (art. 1.151), conforme a seguinte esquematização:

30 dias Regularidade

Lavratura (assinatura) Averbação pelo


dos atos constitutivos
registro
Registro dos atos
Prazo final para levar constitutivos
os atos ao registro

Assim, o empresário e a sociedade (simples ou empresária) devem


apresentar os documentos necessários ao registro no prazo de 30 (trinta)
dias contados da lavratura dos atos. No caso de omissão ou demora, o
sócio ou qualquer interessado poderá ir ao RPEM/RCPJ e efetuar o
registro dos atos constitutivos, respondendo por perdas e danos aqueles
obrigados a requerer o registro.
Destaca-se que no caso do registro ocorrer além do prazo de 30
(trinta) dias, ele só produzirá os efeitos próprios (regularidade) após a
concessão ou averbação pelo RPEM/RCPJ.

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3.5 - Registro da atividade rural

Ressalta-se, por fim, o caso da ATIVIDADE RURAL. Já mencionamos


que aquele que exerce a atividade rural seria uma exceção à teoria da
empresa. Recordam? Bem, esta exceção deve-se ao fato de que é opcional
para aquele que exerce a atividade rural se sujeitar às regras próprias de
quem é empresário. Vejamos como pode ser a inscrição da atividade rural:

O mesmo serve para a sociedade que tenha por objeto o exercício da


atividade própria de empresário rural: PODERÁ requerer inscrição no
RPEM, sujeitando-se às regras da sociedade empresária.
Em relação ainda ao empresário rural e sua inscrição, está previsto
no CC que a lei assegurará TRATAMENTO FAVORECIDO, DIFERENCIADO
E SIMPLIFICADO ao empresário rural. O mesmo ocorre para pequeno
empresário (art. 970).

3.6 - A inatividade da empresa

A inatividade da empresa ocorre quando ela não proceder a qualquer


arquivamento na Junta Comercial por 10 anos contados da data do
último arquivamento e não se manifestar a respeito quando intimada pela
Junta Comercial. Então, como resultado, a empresa será considerada
inativa e terá o seu registro cancelado. Além disso, perde a sua proteção
ao nome empresarial.

O art. 60 da Lei nº 8.934/94 é enfático: Art. 60. A firma individual ou a


sociedade que não proceder a qualquer arquivamento no período de dez anos
consecutivos deverá comunicar à junta comercial que deseja manter-se em
funcionamento. Conforme o art. 3º da IN DREI nº 5/13, é previsto o prazo de
30 dias da data do instrumento de comunicação (via postal ou edital) para que
a empresa em vias de ser cancelada se manifeste. Esse prazo poderá ser
prorrogado.

Com o cancelamento do registro, a Junta Comercial deverá comunicar


os órgãos arrecadadores no prazo de 10 dias (dica: 10 anos 10 dias). No mais,
a empresa cancelada poderá ser reativada obedecendo os mesmos
procedimentos requeridos para a sua constituição.

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Vale destacar que a empresa que se encontra paralisada
temporariamente poderá requerer o arquivamento da chamada
“Comunicação de Paralisação Temporária de Atividades” para evitar que
o cancelamento de sua inscrição e a perda do seu nome empresarial.
Deve-se observar o prazo de 10 anos. Vejamos uma questão que aborda
este assunto:

11. (FGV/Juiz Substituto-TJ-PA/2009) A respeito de


Registro de Empresas Mercantis, analise as afirmativas a seguir.

I. O registro dos atos de comércio é constitutivo de direitos.

II. Os atos das sociedades mercantis serão arquivados no Registro Público das
Empresas Mercantis independente de seu objeto, salvo as exceções previstas
em lei.

III. As Juntas Comerciais são órgãos integrantes da administração estadual


que desempenham uma função de natureza federal.

IV. Será cancelado administrativamente o registro de empresa mercantil que


não comunicar à Junta Comercial que está em funcionamento, caso não tenha
procedido a qualquer arquivamento no período de 15 anos consecutivos.

Assinale:

a) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.

b) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.

c) se somente as afirmativas I, II e IV estiverem corretas

d) se somente as afirmativas II, III e IV estiverem corretas

e) se todas as afirmativas estiverem corretas.

Comentários

Letra “b”.

I – O registro dos atos de comércio é constitutivo de direitos. Incorreta. O


registro dos atos de comércio NÃO é constitutivo de direitos, mas
simplesmente declaratório da qualidade de empresário.

II – Os atos das sociedades mercantis serão arquivados no Registro Público


das Empresas Mercantis independente de seu objeto, salvo as exceções
previstas em lei. Correta. A expressão “mercantil” utilizada na alternativa caiu
em desuso, mas significa empresa, ok? Assim, o empresário e a sociedade
empresária vinculam-se ao RPEM (Registro Público das Empresas Mercantis),
por força do art. 1.150, CC. Segundo o art. 2º da lei 8.934/94, seus atos

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serão arquivados no RPEM independente de seu objeto, salvo exceções
previstas em lei, em especial o art. 35 da lei 8.934/94, que proíbe o
arquivamento em certas hipóteses.

III – As Juntas Comerciais são órgãos integrantes da administração estadual


que desempenham uma função de natureza federal. Correta. Conforme o art.
6º da Lei 8.934/94, a junta comercial subordina-se administrativamente ao
governo estadual, mas desempenha função de natureza federal. É
tecnicamente subordinado ao atual Departamento de Registro Empresarial e
de Integração (DREI), que é o órgão central do Sistema Nacional de Registro
Mercantil. No entanto, a Junta Comercial do Distrito Federal subordina-se à
Secretaria da Micro e Pequena Empresa – SMEP.

IV – Será cancelado administrativamente o registro de empresa mercantil que


não comunicar à Junta Comercial que está em funcionamento, caso não tenha
procedido a qualquer arquivamento no período de 15 anos consecutivos.
Incorreta. Esta sem dúvidas foi a afirmativa mais difícil da questão. Nos
termos do art. 60 da Lei 8.934/94, o período é de 10 anos consecutivos, e
não de 15 anos.

3.7 - Empresário irregular

Há uma série de consequências para o empresário irregular perante a


lei, em decorrência da falta de registro no RPEM, bem como escrituração dos
livros irregularmente. Vejamos algumas mais importantes:

Consequências Fundamento legal


Não tem legitimidade ativa para pedir a falência Art. 97, § 1º da LF (Lei nº
do seu devedor, pois somente o empresário 11.101 /2005 - Lei de Falências)
regularmente inscrito na Junta Comercial pode
requerer.

Não tem legitimidade ativa para se beneficiar Arts. 48, 51, V e 161 da da LF
de recuperação judicial e extrajudicial, pois (Lei nº 11.101 /2005 - Lei de
somente o empresário regularmente inscrito na Falências)
Junta Comercial pode se valer de tais benefícios
legais.

A escrituração da empresa não poderá ser Art. 32, III; art. 39, I da Lei
autenticada no RPEM, pois é necessário estar 8.934/94 (Lei do RPEM) e art.
registrado. Assim, os livros não possuirão a 379 do CPC.
eficácia probatória em caso de litígio.

Crime falimentar - Deixar de elaborar, Art. 178 da LF (Lei nº 11.101


escriturar ou autenticar os documentos de /2005 - Lei de Falências)
escrituração contábil obrigatórios

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Além dessas consequências, no caso de sociedade irregular, os sócios
responderão ilimitadamente pelas obrigações da sociedade, como veremos na
próxima aula. No mais, no decorrer do curso trataremos dessas consequências
para o empresário irregular.

4 - Livros Comerciais

Os livros comerciais ou a escrituração empresarial estão relacionados ao


registro da empresa, na medida em que são também pressupostos da
regularidade empresarial. Assim, temos a autenticação nas Juntas
Comerciais dos instrumentos de escrituração das empresas, como um dos atos
do registro da empresa (os outros dois são a matrícula e o arquivamento).
Portanto, no exercício de sua atividade, o empresário e a sociedade
devem seguir a correta escrituração dos seus livros e assim manter a sua
atividade regular, sendo aplicada ainda às suas sucursais, filiais ou
agências, com sede no estrangeiro.
Então, primeiramente, podemos concluir que a escrituração constitui
a prova do exercício regular da atividade empresarial, ok? Isto porque,
os livros comerciais provam contra e a favor da empresa que os elaborar. É o
que prevê os arts. 417 e 418 do Código de Processo Civil (CPC). Ou seja, de
fato, a escrituração constitui prova do exercício regular da empresa.
Vejamos as disposições do CPC:
Art. 417 do CPC. Os livros empresariais provam contra seu autor,
sendo lícito ao empresário, todavia, demonstrar, por todos os
meios permitidos em direito, que os lançamentos não
correspondem à verdade dos fatos.
Art. 418 do CPC. Os livros empresariais que preencham os
requisitos exigidos por lei provam a favor de seu autor no litígio
entre empresários.

Logo, devemos notar que os livros comerciais têm força probante


relativa, já que eles admitem prova em contrário. Assim, os livros comerciais
fazem prova a favor e contra o seu titular, sendo lícito a demonstração por
todos os meios admitidos em direito de que os lançamentos não correspondem
às verdades dos fatos. No mesmo sentido, o §único do art. 1.192 do CC aduz
que “A confissão resultante da recusa pode ser elidida por prova documental
em contrário”.
Portanto, a escrituração serve para provar a existência das operações,
bem como para que os sócios e o empresário verifiquem e avaliem os efeitos
econômicos da ação administrativa da empresa. No entanto, o PEQUENO
EMPRESÁRIO ESTÁ DISPENSADO de manter um sistema de contabilidade
completo (Art. 1.179, §2º, CC). As suas obrigações são simplificadas, mas
existentes (escrituração).

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Pois bem, em síntese, verificamos as seguintes regras e obrigações
do empresário e da sociedade empresária em relação à escrituração dos livros
comerciais com base no que diz o Código Civil:

Pequeno
empresário -
DISPENSADO

Podemos ainda considerar que além de caracterizar a regularidade da


atividade empresarial, a escrituração possui três outras funções: Gerencial,
Documental e Fiscal. Pela função gerencial, a escrituração serve de auxílio à
tomada de decisões administrativas, financeiras e comerciais. Já pela função
documental, ela serve de base para informações do interesse de terceiros
(sócios, investidores, bancos credores). E por fim, pela função fiscal a
escrituração serve para a fiscalização do cumprimento de obrigações legais
(natureza fiscal).
No mais, há consequências para a falta de escrituração dos livros
comerciais, como crime falimentar (art. 178, Lei 11.101/05) e a não obtenção
do benefício da recuperação judicial (art. 51, Lei 11.101/05).
Outra obrigação importante e que costuma ser cobrado em prova é
aquela referente ao livro Diário. Vejamos:

Então, conforme o art. 1.180 do CC, o único livro obrigatório para


TODOS os empresários é o Diário, com exceção do pequeno empresário

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(Microempreendedor Individual – MEI – receita brutal anual de até 81 mil
reais).
Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o
Diário, que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração
mecanizada ou eletrônica.

Art. 1.185. O empresário ou sociedade empresária que adotar o sistema


de fichas de lançamentos poderá substituir o livro Diário pelo livro
Balancetes Diários e Balanços, observadas as mesmas formalidades
extrínsecas exigidas para aquele.

4.1 - Sigilo dos livros comerciais

Bem, eu diria que esta é a parte mais importante com relação aos livros
e à escrituração comercial. O esquema abaixo engloba as possibilidades de
QUEBRA DO SIGILO DOS LIVROS COMERCIAIS:

Para complementar o esquema acima, é importante termos atenção às


sumulas do STF:

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Súmula 439: Estão sujeitos à fiscalização tributária ou previdenciária


quaisquer livros comerciais, limitado o exame aos pontos objeto da
investigação.

Súmula 260: O exame de livros comerciais, em ação judicial, fica


limitado às transações entre os litigantes.

Súmula 390: A exibição judicial de livros comerciais pode ser requerida


como medida preventiva.

Logo, observemos que tanto o sigilo quanto o exame dos livros


comerciais não são direitos absolutos.

5 - Nome empresarial

Então! Vamos seguir em frente?! Bem, tal como ocorre para as pessoas
naturais, a pessoa jurídica tem direito ao nome. Assim, é através de seu nome
que a empresa realiza negócios com clientes e credores, obrigando-se
juridicamente perante terceiros. Deste modo, o nome empresarial pode ser
dividido nas seguintes espécies: FIRMA e DENOMINAÇÃO. A firma ainda
pode se dividir em: individual e social. Quando tratar-se de EMPRESÁRIO
INDIVIDUAL, usaremos a FIRMA INDIVIDUAL. Quando tratar-se de
SOCIEDADE usaremos a expressão “FIRMA SOCIAL” (ou “firma coletiva”
ou “razão social”).
Importa destacar que a lei confere ao nome da sociedade simples,
associação e fundação a mesma proteção do nome empresarial, mesmo não
sendo tais entes sociedades empresárias. Bem, abaixo vamos detalhar cada
tipo de nome empresarial:
• FIRMA INDIVIDUAL  formada pelo nome civil, de forma completa ou
abreviada, seguida opcionalmente de designação mais precisa da sua
pessoa ou do gênero de sua atividade. Exemplos: Carlos Eduardo / Carlos
Eduardo Automóveis / C E Automóveis.
• FIRMA OU RAZÃO SOCIAL  usada para sociedades. Semelhante à
firma individual. Formada pelo nome civil de um ou mais sócios. Exemplos:
André Neves, Antônio Jorge e Vinícius Milagre Bar e Restaurante / Antônio
Jorge e companhia / Vinícius Milagre & Cia.
• DENOMINAÇÃO  formada por expressão ou nome fantasia e,
obrigatoriamente, por expressão indicativa do objeto social (ramo de
atividade). É permitido o uso do nome de um ou mais sócios. Lembrando
que a denominação é somente usada em caso de sociedade.
Exemplos: Nery e Cohen Tecidos Ltda.; Flamengo Carros S/A / Companhia
Flamengo de Carros.

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Na tabela abaixo relacionamos cada nome empresarial com os tipos
societários e empresário individual. Lembrando que trataremos de cada tipo
societário mais adiante neste curso, ok?

Tipo Societário Espécie Exemplo


Empresário Firma individual André Neves
Individual

Sociedade Simples Razão social ou Denominação Paulo e José Flores ou


PJ Floricultura LTDA

Sociedade em nome Razão social Ana, João e José Flores


coletivo ou Ana & Cia

Sociedade Comandita Razão social (apenas o Antônio & Companhia


Simples comandidato aparece no nome)

Sociedade Limitada Razão social ou Denominação João & Cia. LTDA ou


Transportes FLA LTDA

Comandita por ação Razão social ou Denominação Bar do Buí comandita por
ações

Micro Empresa e Razão social ou Denominação PJ Floricultura LTDA EPP


Empresa de Pequeno
Porte

Sociedade Anônima Denominação (vedado o uso de Companhia do Rio de


“companhia” ou “Cia.” no final Janeiro ou Cia do Rio de
da denominação) Janeiro ou Rio de Janeiro
S/A ou Rio de Janeiro
Sociedade Anônima

Cooperativas Denominação Cooperativa dos


Concurseiros do Brasil

Obs1: a Sociedade em conta de participação não possui nome empresarial


(art. 1.162).
Obs2: Micro empresa e Empresa de pequeno porte – usa firma ou
denominação + “ME” ou “EPP” + objeto da sociedade (facultativo) – art. 72 da
LC 123;
Obs3: Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI):
firma ou denominação + expressão “EIRELI”. Também, pode se enquadrar
como ME ou EPP, neste caso o nome empresarial fica desta forma: firma ou
denominação + “EIRELI” + “ME” ou “EPP”.

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Nota: esta nova modalidade societária foi criada através da Lei
nº 12.441, de 11 de julho de 2011. Já temos questões
“fresquinhas” sobre EIRELI, que trataremos em aula própria.
Bem pessoal, sei que inicialmente saber qual tipo de nome empresarial
é adotado por determinado tipo de sociedade pode parecer confuso. Mas não
é. Vocês verão! Com o tempo e paciência, este tema estará tranquilo em suas
cabeças.
Ainda em relação ao NOME EMPRESARIAL, é importante assimilarmos as
regras na tabela abaixo e que constam no Código Civil.

• PROTEÇÃO • Âmbito ESTADUAL – Junta Comercial (JC)


• PRINCÍPIO DA VERACIDADE • NÃO pode conter informações falsas.

• NÃO pode conter sócio falecido ou excluído ou


se retirado.

• PRINCÍPIO DA NOVIDADE • Deve ser único no registro (JC)


• EXTINÇÃO DO NOME • Requerimento de qualquer interessado

• Encerramento da atividade
• Liquidação
• OMISSÃO da expressão • Responsabilidade solidária e ilimitada dos
“LTDA” administradores pelo ato de omitir.

Prosseguindo, devemos atentar para o fato de que o uso indevido do


nome empresarial pode acarretar responsabilidades, como no caso da omissão
da expressão “LTDA” na sociedade limitada, conforme acima na tabela. Nesta
mesma linha, as sociedades que possuem sócios de responsabilidade
ilimitada (sociedade em nome coletivo e sociedade em comandita simples)
devem usar a firma (razão social), sendo que somente o sócio de
responsabilidade ilimitada pode aparecer na firma, ok? Na esquematização
abaixo podemos entender melhor este aspecto da responsabilidade social em
relação ao nome empresarial (art. 1.157).

Obrigatório

Bem, agora para fecharmos o assunto nome empresarial, devemos


saber da seguinte REGRA: o nome empresarial não pode ser objeto de
ALIENAÇÃO, EXCETO se por ato entre vivos o contrato de trespasse

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(contrato de alienação do estabelecimento empresarial) permitir. Neste caso,
o adquirente do estabelecimento PODE utilizar o nome do alienante precedido
de seu próprio nome, com a qualificação de sucessor.
Exemplo: Renata Almeida Calçados adquire o estabelecimento
empresarial de Valéria Teixeira Bolsas, passando a se chamar Renata Almeida
Calçados, sucessor de Valéria Teixeira Bolsas. Ou seja, de forma isolada, o
nome empresarial NÃO pode ser alienado.

12. (FCC/Julgador Administrativo Tributário-SEFAZ-


PE/2015) Quanto ao nome empresarial, é correto afirmar:
e) A omissão da palavra "limitada" no nome da sociedade limitada determina
a responsabilidade subsidiária dos administradores que assim empregarem
a firma ou a denominação da sociedade.
Comentários
Incorreta. No caso de omissão da palavra “limitada”, a responsabilidade é
solidária e ilimitada dos administradores que assim empregarem a firma ou a
denominação da sociedade limitada (art. 1.158, §3º, CC).

6 - Estabelecimento Empresarial

Este é um importante tema; muito cobrado em prova!


Bem, estudamos mais acima a Teoria dos Perfis de Empresa (Prof.
Asquini), lembram? Portanto, devem lembrar que o estabelecimento
empresarial diz respeito ao Perfil Objetivo ou Patrimonial, certo? Assim,
podemos definir o Estabelecimento Empresarial:

“Estabelecimento empresarial é o CONJUNTO DE BENS reunidos


pelo empresário para a exploração de sua atividade econômica.”
(Fabio Ulhoa Coelho).

Assim, podemos entender o Estabelecimento Empresarial como sendo o


COMPLEXO DE BENS ORGANIZADO para o exercício da empresa (art.
1.142, CC), sendo elemento essencial para o exercício da atividade. É
formado, ainda, por bens corpóreos (tangível) e incorpóreos (intangível).
• Bens corpóreos: mercadorias, instalações, máquinas e
utensílios;
• Bens incorpóreos: bens industriais (patente de invenção, de
modelo de utilidade, registro de desenho industrial, marca registrada,
nome empresarial e título de estabelecimento) e o ponto comercial

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Vale destacar que o Estabelecimento Empresarial possui natureza
jurídica caracterizada por uma UNIVERSALIDADE DE FATO - pluralidade de
bens singulares que, pertinentes à mesma pessoa, tenha destinação unitária
(art. 90, CC), sendo, deste modo, OBJETO UNITÁRIO de direitos e
negócios jurídicos, translativos ou constitutivos. Isso significa que o
estabelecimento empresarial poderá ser objeto de um negócio, por exemplo,
de arrendamento, ou de cessão, venda, alienação. Beleza?

6.1 - Trespasse

Outro importante tema relacionado ao estabelecimento empresarial diz


respeito ao TRESPASSE. Aí, surge a pergunta: que troço é esse de trespasse?
Hehehe. Embora não haja um conceito legal, vejamos à luz da doutrina e
jurisprudência:

TRESPASSE: É o contrato comercial inter-vivos pelo qual a


titularidade do estabelecimento empresarial é transferida
(contrato de compra e venda).

Então, o que vai nos interessar são as circunstâncias e consequências


que envolvem a transferência do estabelecimento empresarial. Observemos o
esquema abaixo.

Se não restarem
ao alienante
bens suficientes.

Podemos notar que as condições para a eficácia da alienação são


verdadeiras proteções aos credores do alienante.
Assim, efetuada a alienação do estabelecimento e caso haja DÉBITOS
anteriores à transferência, o adquirente RESPONDE por eles, desde que
estejam regularmente contabilizados. Porém, o alienante (devedor

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primitivo) continua a responder SOLIDARIAMENTE ao adquirente por 1
(um) ano contado da publicação do contrato de venda do estabelecimento
pelos débitos vencidos e, da data do vencimento, dos outros débitos, também
por um ano (art. 1.146, CC). Portanto, a SOLIDARIEDADE entre o
alienante e o adquirente, pelos débitos do estabelecimento, possui o
duração de 1 (um) ano, nesses termos:

Obs.: A sucessão empresarial (solidariedade) acima engloba TODAS AS


DÍVIDAS do empresário? NÃO. Considera-se que a regra do art. 1.146 não
engloba as dívidas trabalhistas e as tributárias, que contam com regras
próprias – arts. 448 da CLT e 133 do CTN, respectivamente. Portanto, mesmo
existindo cláusulas pactuadas no contrato de trespasse regulando a
responsabilidade por tais dívidas, nem o alienante e nem o adquirente, podem
se valer de tais cláusulas quando demandados ou pelo fisco ou pela Justiça do
Trabalho. Os efeitos das referidas cláusulas se restringem às partes
pactuadas, no caso de ação em regresso.
E quanto aos CRÉDITOS existentes no momento do trespasse? Bem,
neste caso, os créditos são também transferidos e seus respectivos
devedores estarão afetados pelo trespasse. Isso só não ocorre se o
devedor, agindo de boa fé, pagar seus débitos ao antigo proprietário
(cedente). Ok? Beleza?
Outra consequência do trespasse diz respeito à possibilidade de
concorrência por parte do alienante ou cedente após a transferência. Como
regra, é proibido ao alienante ou cedente do estabelecimento
empresarial fazer concorrência ao adquirente. Somente no caso de
alienação é permitida a CONCORRÊNCIA, nos seguintes termos:

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Obs.: Enunciado nº 490 da Jornada de Direito Civil: “A ampliação do
prazo de 5 (cinco) anos de proibição de concorrência pelo alienante ao
adquirente do estabelecimento, ainda que convencionada no exercício da
autonomia da vontade, pode ser revista judicialmente, se abusiva”.
E quanto aos contratos em vigor no momento do trespasse? Bem,
salvo disposição em contrário, o adquirente poderá assumir (sub-rogação) os
contratos que não tiverem caráter pessoal. Sendo que, os terceiros podem
rescindir o contrato em 90 (noventa) dias contados da publicação da
transferência, se ocorrer justa causa, ressalvada, neste caso, a
responsabilidade do alienante. Então, ocorrendo o trespasse, as partes
podem tratar e estabelecer disposições sobre os contratos afetos ao
estabelecimento. Porém, caso não tratem desse assunto, o CC trata.
Resumindo:
• CONTRATOS  Alienante e adquirente acertam entre si;
• Contrato de caráter pessoal  adquirente NÃO ASSUME;
• RESCISÃO de contratos  até 90 dias de publicado a transferência
em caso de justa causa.

Obs.: CONTRATO DE LOCAÇÃO do ponto comercial  Embora não se


transmita automaticamente ao adquirente por conta do trespasse do
estabelecimento empresarial, o contrato de locação segue a regra geral acima
vista para os demais contratos. O Enunciado nº 8 da I Jornada de Direito
Comercial também vai neste mesmo sentido:
“A sub-rogação do adquirente nos contratos de exploração
atinentes ao estabelecimento adquirido, desde que não possuam
caráter pessoal, é a regra geral, incluindo o contrato de locação”.
Por fim, mais adiante voltaremos a este assunto quando tratarmos do
Ponto Comercial e da renovação do contrato de locação e seus requisitos.

13. (FCC/Juiz-TJ-AL/2015) Relativamente ao


estabelecimento empresarial, considere:
I. O contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou arrendamento do
estabelecimento, só produzirá efeitos quanto a terceiros depois de averbado à
margem da inscrição do empresário, ou da sociedade empresária, no Registro
Público de Empresas Mercantis, e de publicado na Imprensa Oficial.

II. Se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu passivo, a
eficácia da alienação do estabelecimento depende do pagamento de todos os
credores, ou do consentimento destes, somente de modo expresso, em trinta
dias a partir de sua notificação.

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III. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos
anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados,
continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um
ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos
outros, da data do vencimento.

IV. Não havendo autorização expressa, o alienante do estabelecimento não


pode fazer concorrência ao adquirente, nos três anos subsequentes ao registro
da transferência.

V. É legítima a penhora da sede do estabelecimento comercial.

Está correto o que se afirma APENAS em

a) II, III e IV.

b) II, III, IV e V.

c) I, III e V.

d) I, II, IV e V.

e) I, III, IV e V.

Comentários

Letra “c”.

I - Importante ter em mente que o contrato de alienação, usufruto ou


arrendamento só produz efeitos após averbado no RPEM e de publicado
oficialmente (art. 1.144, CC). Correta.

II – Incorreta. O erro está no “somente de modo expresso”, pois tacitamente


a alienação do estabelecimento adquire eficácia – no caso dos credores não se
manifestarem em 30 dias no sentido de consentir com a alienação (art. 1.145,
CC).

Art. 1.145. Se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o


seu passivo, a eficácia da alienação do estabelecimento depende do
pagamento de todos os credores, ou do consentimento destes, de
modo expresso ou tácito, em trinta dias a partir de sua notificação.

III – Correta, conforme a literalidade do art. 1.146 do CC.


IV – Incorreta. São 5 (cinco) anos e não 3 (três). Art. 1.147, CC.

V – Para complementar o que já estudamos até aqui sobre estabelecimento


empresarial, vale destacar que “é legítima a penhora da sede do
estabelecimento comercial”, conforme teor da Súmula nº 451 do STJ. Porém,
esta é uma medida excepcional, quando não existir outros bens passíveis de
penhora e desde que não seja servil à residência da família. Correta.

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6.2 - Aviamento

Partindo do pressuposto de que o estabelecimento empresarial é


composto de elementos materiais e imateriais empregados na execução da
atividade empresarial, surge a ideia de aviamento. O aviamento é
considerado um atributo do estabelecimento empresarial e pode ser
conceituado como:

“... sobrevalor, agregado aos bens do estabelecimento empresarial


em razão da sua racional organização pelo empresário” (Ulhoa)

“... é a aptidão da empresa de produzir lucros, decorrente da


qualidade e da melhor perfeição de sua organização” (Requião)

Então, observemos que o aviamento não é um elemento corpóreo ou


incorpóreo do estabelecimento empresarial, mas está com ele intimamente
ligado, não podendo ser separado do mesmo. Em suma, é uma qualidade
adquirida pelo estabelecimento em razão da forma como a atividade
empresarial está sendo exercida, de tal sorte que confere um sobrevalor aos
bens quando considerados em conjunto.
Obs. (1): Fundo de comércio (ou fundo de empresa): ora é empregado
como sinônimo de estabelecimento empresarial, ora é empregado como
aviamento. Azienda (do italiano) também pode vir empregado como sinônimo
de fundo de comércio e estabelecimento empresarial.
Obs. (2): Goodwill of a trade (ou somente goodwill): expressão econômica
que também podemos encontrar como sinônimo de aviamento. Inclusive, esta
expressão já foi tema da seguinte prova: (CESPE/Juiz-PI/2007) “...mais valia
do conjunto de bens do empresário em relação à soma dos valores individuais,
relacionado à expectativa de lucros futuros”. Portanto, atenção a essas
expressões conforme o contexto da questão, pois não é pacífica a distinção
precisa entre elas, ok?

6.3 - Clientela

A clientela também é um atributo do estabelecimento empresarial e


representa as pessoas que mantém certa relação com a empresa na busca por
bens e serviços. A doutrina majoritária entende que a clientela NÃO pode ser
considerada como ELEMENTO DO ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL, já
que não pode ser quantificada ou mensurada. Assim, não pode ser objeto de
alienação isolada, pois só existe enquanto a empresa estiver em
funcionamento. Além disso, o empresário não é proprietário de seus clientes.

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Então, a clientela não pode ser vendida, pois representa uma dada
situação de fato relacionada ao aviamento e à forma como a atividade
empresarial está sendo exercida. Considera-se, por isso, que a clientela seria
uma manifestação externa do aviamento.

6.4 - O ponto empresarial (ou comercial)

Por fim, para finalizar esta aula, devemos cuidar do ponto empresarial
ou ponto de comércio ou ponto de negócio.
Bem, o ponto empresarial é o local onde a atividade empresarial é
exercida de maneira contínua e a clientela relaciona-se com o
empresário. Note que o ponto empresarial é parte integrante do
estabelecimento e não se confunde com o local físico; sua definição vai além
do simples conceito de imóvel, pois é consequência do trabalho desenvolvido
no local. É um bem incorpóreo do estabelecimento empresarial, ok?
Dada a sua importância para o exercício da atividade empresarial e
observando o princípio da preservação da empresa, a legislação confere
proteção ao ponto empresarial. Afinal, imaginemos a situação onde um
empresário exerce durante anos a sua atividade em um imóvel alugado. Ele,
obviamente, por meio de investimentos, já possui uma clientela fiel; sendo ele
mesmo cliente de seus fornecedores. Então, existe um contrato de locação
que contém diversas cláusulas, sendo uma delas o prazo de duração daquela
relação contratual.
Assim, o principal aspecto que envolve o ponto empresarial é essa
proteção à atividade ali exercida. A Lei nº 8.245/91 (Lei de Locação-LL) é o
instrumento a ser utilizado no caso de imóvel alugado, conferindo ao
empresário locatário o direito de permanecer no imóvel ou de indenização em
caso de não renovação, conforme a lei – Direito de Inerência. No entanto,
alguns requisitos legais devem ser observados no caso de renovação
obrigatória do contrato de locação (art. 51 da LL).

Logo, em regra, o empresário detém o direito de renovação do contrato


de locação mesmo contra a vontade do locador. Porém, esse direito não é

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absoluto, existindo algumas situações em que o locador (proprietário do
imóvel) poderá se opor à renovação do aluguel, mesmo preenchidos os
requisitos acima. É o chamado Direito de Retomada. Tais hipóteses são as
seguintes (art. 52 e 72 da LL):
1. Por determinação do Poder Público – proprietário deve realizar
obras no imóvel que resultem em sua radical transformação ou
aumentem o valor do negócio ou da propriedade;
2. Proprietário irá utilizar ele próprio o imóvel;
3. Proprietário irá transferir fundo de comércio já existente há mais
de um ano, quando o detentor da maioria do capital social for o
locador, seu cônjuge, ascendente ou descendente;
4. A proposta do locatário não atende ao valor locativo real do
imóvel;
5. Existir proposta de terceiro em condições melhores – ao locatário
cabe indenização para ressarcimento dos prejuízos e dos lucros
cessantes que tiver que arcar com mudança, perda do lugar e
desvalorização do fundo de comércio;
Observações:
• Hipóteses 2 e 3: o locador não poderá usar o imóvel no mesmo ramo
de atividade que o locatário, salvo se a locação também envolvia o
fundo de comércio, com as instalações e pertences;
• Hipóteses 1, 2 e 3: o locador tem o prazo de 3 meses para dar o
destino alegado ao imóvel ou iniciar as obras determinadas pelo Poder
Público ou que declarou pretender realizar, sob pena de indenizar o
locatário por prejuízos e lucros cessantes que tiver que arcar com
mudança, perda do lugar e desvalorização do fundo de comércio.

14. (CESPE / Juiz-TJ-TO / 2007) Considere que SB Móveis


Ltda. possua vários móveis, imóveis, marcas e lojas intituladas de Super Bom
Móveis, em diversos pontos da cidade. Nessa situação, à luz da disciplina
jurídica do direito de empresa, assinale a opção correta.
a) O ponto empresarial confunde-se com o imóvel onde funciona cada loja da
SB Móveis Ltda
b) O aviamento e o nome fantasia Super Bom Móveis são elementos
integrantes do estabelecimento empresarial da SB Móveis Ltda.
c) A lei veda a alienação do nome empresarial da SB Móveis Ltda.
d) Pelo princípio da veracidade, o nome empresarial da SB Móveis Ltda. deve
se distinguir de outros já existentes.
Comentários
Letra “c”.
c) Correta, nos termos do art. 1.164 do CC.

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Art. 1.164. O nome empresarial não pode ser objeto de alienação.

Parágrafo único. O adquirente de estabelecimento, por ato entre vivos,


pode, se o contrato o permitir, usar o nome do alienante, precedido do
seu próprio, com a qualificação de sucessor.

a) Incorreta. O ponto empresarial, como vimos, não pode ser confundido com
o imóvel. É um elemento imaterial (incorpóreo) do estabelecimento.
b) Incorreta, pois o aviamento não é elemento do estabelecimento, mas sim
atributo. O nome fantasia (título do estabelecimento) é elemento imaterial do
estabelecimento.
d) Incorreta. O princípio descrito é o da novidade (art. 1.163, CC), e não da
veracidade. Pelo princípio da veracidade, o nome empresarial deve
corresponder à situação real da empresa (não pode conter informações falsas,
nome de sócio já falecido).
Art. 1.163. O nome de empresário deve distinguir-se de qualquer outro
já inscrito no mesmo registro.

Parágrafo único. Se o empresário tiver nome idêntico ao de outros já


inscritos, deverá acrescentar designação que o distinga.

7 - Prepostos

Imagine que ficar sozinho a frente de uma atividade empresarial não é


uma tarefa fácil. Portanto, os prepostos são as pessoas que auxiliam o
empresário no exercício da atividade empresária. E, assim como os
instrumentos de escrituração, os instrumentos dos agentes auxiliares devem
ser autenticados pelas Juntas Comerciais.
Art. 39. As juntas comerciais autenticarão:
I - os instrumentos de escrituração das empresas mercantis e dos
agentes auxiliares do comércio;

Os auxiliares da empresa podem ser profissionais com vínculo


empregatício ou profissionais autônomos. Quando há vínculo empregatício, o
empresário é conhecido como preponente. Portanto, o empresário é
chamado de preponente e é RESPONSÁVEL “pelos atos de quaisquer
prepostos, praticados nos seus estabelecimentos e relativos à atividade
da empresa, ainda que não autorizados por escrito.” (art. 1.178). No
entanto, se os atos forem praticados fora do estabelecimento, o preponente
fica obrigado somente até o limite dos poderes que foram conferidos por
escrito ao preposto. E qual é a responsabilidade do preposto?

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Logo, a responsabilidade do preposto é SUBJETIVA, visto a


necessidade de se demonstrar culpa ou dolo. Beleza? Ainda com relação às
funções do preposto (art. 1.169 e 1.170, CC):

Obs.: Pessoal, podemos conceber que os tipos acima de autorização são


sinônimos (escrita e expressa). Afinal, uma autorização expressa normalmente
deve ser escrita, certo? Não podemos aceitar algo do tipo: o preponente dar
uma autorização expressa, mas verbal, para o preposto fazer concorrência
com ele. Não seria viável, certo? Entendo que neste caso a autorização deve
ser expressa e escrita. Pois bem, no entanto, para fins de prova, e sabemos
que as bancas cobram muitas vezes a literalidade da lei, devemos ficar com
essa relação literal acima, ok?

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7.1 – O Gerente

O gerente pode ser considerado o preposto mais importante no


exercício da empresa. Ele é o preposto permanente no exercício da
empresa, na sede desta, ou em sucursal, filial ou agência (art. 1.172). Abaixo,
vejamos a seguinte esquematização sobre os poderes do gerente e sua
relação com o preponente:

*Na falta de disposição diversa:


• DOIS ou MAIS Gerentes seus PODERES são SOLIDÁRIOS

7.2 – O Contabilista

Bem, o empresário e a sociedade empresária estão obrigados por


lei a manter e a seguir um sistema de contabilidade, ou seja, devem
escriturar em livros suas atividades comerciais. Portanto, é necessário
ter um profissional responsável por escriturar os livros do empresário e da
sociedade empresária: Contador ou Contabilista.
Assim, nos termos do art. 1.182 do CC, a escrituração ficará sob a
responsabilidade de contabilista legalmente habilitado, SALVO se
nenhum houver na localidade. Logo, outro preposto poderá ser o
responsável pelos assentos lançados nos livros ou fichas do preponente.
Por fim, importa destacar que a escrituração realizada pelo contabilista
ou outro preposto tem os mesmos efeitos se fosse realizada pelo preponente
(empresário), desde que tenha feito de boa-fé a escrituração.

15. (ESAF/ Auditor Fiscal do trabalho / 2010) Sobre a


disciplina dos prepostos no Livro do Direito de Empresa do Código Civil,
assinale a opção incorreta.

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a) Considera-se o gerente autorizado a praticar todos os atos necessários ao
exercício dos poderes que lhe foram outorgados, mesmo quando a lei exigir
poderes especiais.
b) Em regra, considera-se perfeita a entrega de papéis, bens ou valores ao
preposto, encarregado pelo preponente, se os recebeu sem protesto.
c) O preposto não pode, sem autorização escrita, fazer-se substituir no
desempenho da preposição, sob pena de responder, pessoalmente, pelos
atos do substituto e pelas obrigações por ele contraídas.
d) O gerente pode estar em juízo em nome do preponente, pelas obrigações
resultantes do exercício da sua função.
e) Na falta de estipulação diversa, consideram-se solidários os poderes
conferidos a dois ou mais gerentes.
Comentários
Letra “a”. O enunciado da questão pede para assinalar a alternativa
incorreta. A letra A, de cara é a nossa resposta, pois evidentemente se a lei
exigir poderes especiais, o gerente não poderá praticar certos atos, conforme
o art. 1.173, CC.
Art. 1.173. Quando a lei não exigir poderes especiais, considera-se o gerente
autorizado a praticar todos os atos necessários ao exercício dos poderes que
lhe foram outorgados.

Aprofundando um pouco mais, os prepostos são as pessoas que


auxiliam o empresário no exercício da atividade empresária. Os
auxiliares da empresa podem ser profissionais com vínculo empregatício ou
profissionais autônomos. Quando há vínculo empregatício, o empresário é
conhecido como preponente. Portanto, o empresário é chamado de
preponente e é RESPONSÁVEL “pelos atos de quaisquer prepostos,
praticados nos seus estabelecimentos e relativos à atividade da
empresa, ainda que não autorizados por escrito” (art. 1.178).
Pois bem, a única alternativa incorreta é a letra A, de fato. As demais
estão corretas, conforme a seguir:
Art. 1.171. Considera-se perfeita a entrega de papéis, bens ou valores ao
preposto, encarregado pelo preponente, se os recebeu sem protesto, salvo nos
casos em que haja prazo para reclamação. (letra B)

Art. 1.169. O preposto não pode, sem autorização escrita, fazer-se substituir
no desempenho da preposição, sob pena de responder pessoalmente pelos atos
do substituto e pelas obrigações por ele contraídas. (letra C)
Art. 1.176. O gerente pode estar em juízo em nome do preponente, pelas
obrigações resultantes do exercício da sua função. (letra D)
Art. 1.173. Parágrafo único. Na falta de estipulação diversa, consideram-se solidários
os poderes conferidos a dois ou mais gerentes. (letra E)

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Então, pessoal, esta foi a parte teórica de nossa aula demonstrativa.


Espero que tenham assimilado com atenção o que foi apresentado. Agora é
“arregaçar as mangas” e fazer muitos exercícios. Ressalto a importância de
fazer muitas e muitas questões. Esse é o nosso objetivo. É simples: aprender
a fazer questões. Marcar o “xis” na alternativa correta. A parte teórica é para
nos dar o suporte, a base para acertarmos as questões. Ela é importante
também. Óbvio que sim. Mas só saber a parte teórica, sem treinar, não vai ser
o suficiente no dia da prova. Com certeza não vai ser. Beleza?
Então, elaborei a sequência de questões abaixo. Há questões bem
“fresquinhas”. Sugiro que iniciem pela lista de questões que se encontra logo
depois das questões comentadas, para de fato treinar, sem verificar os
comentários. Aí, depois estudem os comentários e aprimorem os seus
conhecimentos. Façam com atenção!
Forte abraço! Até a próxima aula.
Wangney Ilco

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8 - Questões Comentadas

Pessoal, as questões a seguir estão dispostas aleatoariamente sem


considerar a ordem dos assuntos vistos acima na teoria, ok? Acho importante
estudar desta maneira, pois as provas não seguem uma sequência gradual e
didática dos assuntos. Além disso, estudar assuntos distintos em pouco tempo
estimula o raciocínio do aluno!!! Sugiro ainda iniciar pela lista de questões e só
depois verificar os comentários. A lista de questões encontra-se após este
tópico de questões comentadas. Então, vamos lá!

16. (ESAF/Auditor–TCE-GO/2007) Os livros e fichas dos empresários e


sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, mas jamais em seu
favor.
Comentários

Incorreta. A escrituração constitui a prova do exercício regular da


atividade empresarial, ok? Isto porque, os livros comerciais provam contra
e a favor da empresa que os elaborar. É o que prevê os arts. 417 e 418 do
Novo Código de Processo Civil (NCPC). Ou seja, de fato, a escrituração
constitui prova do exercício regular da empresa. Vejamos as disposições
do Novo CPC:

Art. 417. Os livros empresariais provam contra seu autor, sendo lícito ao
empresário, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em
direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos.

Art. 418. Os livros empresariais que preencham os requisitos exigidos


por lei provam a favor de seu autor no litígio entre empresários.

Logo, devemos notar que os livros comerciais têm força probante relativa,
já que eles admitem prova em contrário. Assim, os livros comerciais fazem
prova a favor e contra o seu titular, sendo lícito a demonstração por todos os
meios admitidos em direito de que os lançamentos não correspondem às
verdades dos fatos.

17. (ESAF/ICMS-PI/2002) Do ponto de vista do Direito Comercial, o


conceito de empresa deve ser entendido como equivalente:
a) ao de empresário, ou seja, o sujeito da atividade mercantil, que assume os
riscos do negócio.
b) ao de estabelecimento, como tal o conjunto de bens utilizados para o
exercício da atividade mercantil.
c) ao de qualquer entidade de fins lucrativos, qualquer que seja a forma
utilizada.

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d) ao de uma atividade organizada com o objetivo da obtenção de lucros.
e) ao de empresário, de estabelecimento, ou de uma forma societária
qualquer, não se tratando de conceito doutrinariamente unívoco.
Comentários
Gabarito: D Considerando os atributos para que uma atividade econômica
seja considerada como empresária, bem como a teoria da empresa e os perfis
de empresa de Asquini, não resta qualquer dificuldade para assinalarmos a
letra D como correta. Certo? Relembrando a teoria da empresa: Atividade
econômica (lucro), Profissionalismo, Organização e Produção ou Circulação de
bens ou serviços. Empresa não se confunde com empresário ou
estabelecimento empresarial. Empresa é considerada a atividade empresarial
(perfil subjetivo).

18. (ESAF/ICMS-MS/2001) Do ponto de vista do Direito Comercial, o


conceito de empresário deve ser entendido como equivalente ao:
a) do titular da empresa, empresário individual ou alguma espécie de
sociedade mercantil, que assume o risco do negócio
b) de estabelecimento, como tal o conjunto de bens utilizados para o exercício
da atividade mercantil
c) de qualquer entidade de fins lucrativos, qualquer que seja a forma utilizada
d) de uma atividade organizada com o objetivo da obtenção de lucros
e) de empresa, ou seja, o sujeito da atividade mercantil, que se apropria do
lucro.
Comentários
Gabarito: A Esta questão é bem semelhante à anterior, porém nesta pede-se
a definição de empresário. Mas antes devemos notar que tal questão é de
2001, ou seja, antes do Código Civil de 2002. Isso significa que mesmo antes
do diploma legal que trata da matéria empresarial atual, a doutrina já se
referia à Teoria da Empresa e suas características. Por isso, temos algumas
misturas de denominações, como “empresário”, “sociedade mercantil”,
“atividade mercantil”. Esta é uma época de transição. Então, devemos relevar
essas denominações e nos preocupar com o conteúdo e significado dessas
expressões, beleza? Pensemos que a sociedade mercantil é a sociedade
empresária e a atividade mercantil é a atividade empresarial.
Bem, voltemos ao enunciado. Ele pede a definição de empresário. O
empresário está definido no art. 966 do CC: “Considera-se empresário quem
exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou
a circulação de bens ou de serviços.”. Como já vimos, não podemos confundir
os institutos: empresário, empresa e estabelecimento. Vejamos:

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a) É a definição de empresário, pois o empresário é o titular da empresa, é
quem exerce a atividade, podendo ser empresário individual ou sociedade
empresária. Ele vai assumir o risco do negócio, já que se trata de uma
atividade econômica. Correta.
b) Como vimos, estabelecimento não se confunde com o empresário. Esta
alternativa reflete exatamente a definição de estabelecimento. Incorreta.
c) O empresário deve exercer sim uma atividade de fins lucrativos, contudo
isso não é determinante para ser considerado empresário. Por exemplo, o
vendedor ambulante da esquina exerce uma atividade econômica com fins
lucrativos, certo? Mas ele pode ser considerado empresário? Certamente, não!
É preciso que a atividade econômica seja exercida com organização dos
fatores de produção (capital, mão-de-obra, tecnologia, insumos). Da mesma
forma, uma sociedade simples não é empresária, mas exerce atividade com
fins lucrativos. A sociedade simples será tratada em aula futura. Alternativa
incorreta.
d) Esta é a definição de empresa; não de empresário. Incorreta.
e) de empresa, ou seja, o sujeito da atividade mercantil, que se apropria do
lucro. Aparentemente esta alternativa estaria correta. Mas, não está! O
examinador é maldoso, lembrem-se. O erro está no uso de “empresa”. Ou
seja, ele confunde o empresário e a empresa. Como vimos, são conceitos
distintos. A parte final da alternativa está corretamente relacionada ao
conceito de empresário (sujeito da atividade empresária que se apropria dos
lucros).

19. (ESAF/Procurador-PGFN/2006) Com base no que dispõe o Código civil


brasileiro, julgue os itens a seguir, assinalando, ao final, a opção com a
resposta correta.
() As obrigações contraídas pela pessoa impedida legalmente de exercer
atividade própria de empresário são nulas.
() Poderá o representante ou assistente legal do incapaz continuar a empresa
antes exercida por ele, enquanto capaz, mediante autorização judicial.
() Ocorrendo emancipação do menor, a inscrição no Registro Civil é suficiente
para dar publicidade a esta condição para o exercício da atividade de
empresário até então exercida pelo assistente legal.
() O empresário casado pode alienar os imóveis que integrem o patrimônio da
empresa sem necessidade de outorga conjugal, qualquer que seja o regime de
bens.
() Não podem contratar sociedade, entre si ou com terceiros, os cônjuges
casados no regime de separação de bens convencional ou comunhão universal
de bens.

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a) V, F, V, F, V
b) F, V, V, V, F
c) F, V, F, V, F
d) F, F, F, V, V
e) V, V, V, F, F
Comentários
Gabarito: C
1º item: A questão trata do impedido de exercer a atividade empresária.
Como regra, dispõe o CC:
Art. 972. Podem exercer a atividade de empresário os que
estiverem em pleno gozo da capacidade civil e não forem
legalmente impedidos.
Ou seja, o indivíduo é capaz civilmente de ser empresário individual,
porém está impedido pela lei, como por exemplo, o servidor público federal
(art. 117, X, lei 8.112/90), o militar (art. 29, lei 6.880/93), membro do
ministério público (art. 44, III, lei 8.625/1993), etc. No entanto, caso a pessoa
legalmente impedida exerça a atividade típica de empresa, RESPONDERÁ
pelas obrigações que contrair, conforme art. 973: “A pessoa legalmente
impedida de exercer atividade própria de empresário, se a exercer,
responderá pelas obrigações contraídas”. Logo, seus atos não são nulos.
FALSO.
2º item: VERDADEIRO. Está de acordo com o caput e §1º, ambos do art. 974
do CC.
Art. 974. Poderá o incapaz, por meio de representante ou devidamente
assistido, continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por seus
pais ou pelo autor de herança.

§ 1o Nos casos deste artigo, precederá autorização judicial, após exame das
circunstâncias e dos riscos da empresa, bem como da conveniência em
continuá-la, podendo a autorização ser revogada pelo juiz, ouvidos os pais,
tutores ou representantes legais do menor ou do interdito, sem prejuízo dos
direitos adquiridos por terceiros.

3º item: FALSO. A inscrição no Registro Civil NÃO é suficiente, pois a


emancipação e a autorização do incapaz devem ser averbadas no Registro
Público de Empresas Mercantis (Junta Comercial), conforme determina o art.
976, caput.
Art. 976. A prova da emancipação e da autorização do incapaz, nos casos do
art. 974, e a de eventual revogação desta, serão inscritas ou averbadas no
Registro Público de Empresas Mercantis.

4º item: VERDADEIRO. Em que pese a divergência doutrinária que já


alertamos na teoria, esta assertiva está de acordo com o art. 978 do CC. Esta

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disposição é oriunda do princípio da autonomia patrimonial da sociedade, que
preconiza a separação entre os bens da sociedade e dos sócios.
Art. 978 do CC - O empresário casado pode, sem necessidade de outorga
conjugal, qualquer que seja o regime de bens, alienar os imóveis que integrem
o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real.

5º item: FALSO. Devemos nos lembrar de nossa esquematização (art. 977). O


erro desta assertiva é mencionar “regime de separação de bens convencional”
(é o contrato antenupcial), em vez de obrigatória (conforme previsão legal).

20. (ESAF/Advogado da União/1998) O conceito de empresário contém a


ideia de ser aquele que:
a) dirige o negócio
b) é o titular do negócio
c) organiza a produção e a distribuição da riqueza
d) mantém atividade com recursos próprios
e) exerce o comércio
Comentários
Gabarito: C Esta questão poderá ser resolvida pela famosa “técnica da
eliminação”. O empresário dirige o negócio? Sim, pode dirigir o seu negócio,
assim como o vendedor de empada na praia dirige o seu negócio, mas nem
por isso é considerado empresário. O profissional liberal também dirige o seu
negócio, mas a princípio não é empresário. (letra A eliminada).
O empresário é o titular do negócio? Pegadinha! Mas que negócio? Negócio
relacionado à atividade de empresa ou não? O empresário é o titular/sujeito
da atividade considerada empresarial (perfil subjetivo). Mas não é titular de
atividade não empresarial. Logo, faltou definir de qual atividade ele seria
titular: atividade de empresa ou não. (letra B eliminada).
O empresário mantém atividade com recursos próprios? Sim, mas não é
requisito relacionado ao conceito de empresário, pois o vendedor ambulante
ou profissional liberal também pode manter a atividade com recursos próprios
(letra D eliminada).
O empresário exerce o comércio? Se considerarmos que o comércio é a
atividade empresária ou empresa, esta alternativa pode até ser considerada

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correta. Porém, o comércio abarca as atividades empresárias e não
empresárias – é um conceito abrangente. E empresário, considerando a teoria
da empresa, é quem exerce a atividade econômica de forma organizada e não
só o comércio. Mas devemos considerar que esta assertiva pode gerar
dúvidas. Então, vejamos se a letra C está “mais correta” (utilizamos também
esta técnica em prova de concurso – marcar a mais correta ou menos
incorreta).
O empresário organiza a produção e a distribuição da riqueza? Lembrem-se do
importante atributo do empresário: organização dos fatores de produção. O
resultado será a obtenção e distribuição dos lucros, correto? Desta forma, a
alternativa que melhor atende o enunciado é a letra C, de fato!

21. (ESAF/Auditor Fiscal da Previdência Social/2002) Nas sociedades


por quotas de responsabilidade limitada, a delegação da gerência:
a) é permitida na ausência de estipulação contratual vedatória.
b) é proibida porque a gerência, nas sociedades de pessoas, é deferida
apenas aos sócios.
c) impõe ao delegante responsabilidade pessoal pelas perdas causadas à
sociedade.
d) pode ser ajustada pelos sócios gerentes entre si.
e) segue a regra das companhias quanto a poderem ser administradores não
membros.
Comentários:
Gabarito: C Questão sobre o gerente (preposto).
a) e c): A delegação da gerência é o ato pelo qual o gerente delega seus
poderes a outro. Porém, conforme o art. 1.169 do CC, O preposto não pode,
sem autorização escrita, fazer-se substituir no desempenho da preposição,
sob pena de responder pessoalmente pelos atos do substituto e pelas
obrigações por ele contraídas. Portanto, a delegação deve ser por autorização
escrita. Então, a letra A está incorreta. Já na letra C, temos que inferir que
não há essa autorização escrita – só assim o delegante responderá
pessoalmente pelas perdas causadas à sociedade. A letra C é o gabarito, mas
vejamos se há outra alternativa mais correta.
b) Não há qualquer previsão legal neste sentido. Além disso, como já
comentamos, não é proibida a delegação da gerência, desde que haja
autorização escrita. Incorreta.
d) e e) Incorretas. Não há esta previsão na legislação. Não há muita lógica
nessas alternativas. Assim, de fato, a única alternativa correta é a letra C, por
força do Art. 1.169 do CC.

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22. (ESAF/ICMS-CE/2003) Em vista de uma denúncia anônima, foi
descoberto que um funcionário público era titular de um estabelecimento
comercial. Como consequência desse fato:
a) os negócios por ele feitos eram nulos de pleno direito.
b) não haveria qualquer penalidade, desde que ele não tivesse se valido do
cargo para conseguir algum favor.
c) independentemente de efeitos na esfera administrativa, suas obrigações
manter-se-iam válidas.
d) ele não poderia ter a falência decretada.
e) sua falência seria decretada de pleno direito.
Comentários
Gabarito: C É livre o exercício da atividade empresária desde que o indivíduo
esteja em pleno gozo da capacidade civil e não esteja legalmente impedido
(Art. 972 do CC). Algumas pessoas, mesmo sendo plenamente capazes estão
proibidas por lei de exercer a atividade econômica, nesse rol de impedidos
legais temos os servidores públicos. Ressalta-se, contudo, que o servidor
público poderá ser sócio cotista de sociedade, não podendo exercer a
administração de empresa. Assim, aquele impedido legalmente de exercer a
atividade empresarial, caso a exerça, responderá pelas obrigações
contraídas (art. 973, CC). Como consequência, seus atos são válidos e não
nulos. Logo, a letra A está incorreta e a letra C que diz que
“independentemente de efeitos na esfera administrativa, suas obrigações
manter-se-iam válidas” está correta e é o nosso gabarito. Quanto à
penalidade ao servidor público em questão (letra B), a proibição é clara e não
é condicional à obtenção de vantagens em razão de seu cargo público.
Portanto, poderá haver sanções administrativas a ele, além de responder pelas
obrigações contraídas.
d) e e) O impedido poderá falir, contudo há alguns requisitos para a falência
de empresário irregular, por isso essa falência não é de pleno direito.
Incorretas. Veremos com mais detalhe este ponto na aula de direito
falimentar.

23. (ESAF/Procurador-PGFN/2007) O estabelecimento, como


universalidade de fato, constitui:
a) um conjunto de bens materiais que não pode ser desmembrado.
b) um conjunto de bens materiais e imateriais que serve ao exercício de
atividades econômicas.
c) complexo de relações jurídicas ativas e passivas derivadas do exercício da
empresa.
d) uma criação do direito para promover a organização da empresa.

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e) um mecanismo instrumental necessário para o desenvolvimento da
empresa.
Comentários
Gabarito: B
Já comentamos que o estabelecimento empresarial é considerado uma
Universalidade de Fato. Disso não podemos ter dúvidas, beleza? Agora
vamos comentar as alternativas, cujo enunciado refere-se ao estabelecimento
como universalidade de fato:
b) É exatamente esta a definição de estabelecimento e universalidade de fato
que estudamos na aula de hoje. Logo, esta alternativa está correta.
a) Incorreta. O estabelecimento abrange tanto os bens materiais quanto os
imateriais. Além disso, o conjunto de bens materiais pode ser desmembrado,
por exemplo, na venda de uma máquina.
c) Como vimos, o estabelecimento é uma universalidade de fato, logo ele
representa as relações jurídicas derivadas do exercício da empresa. Tais
relações jurídicas são provenientes do patrimônio da empresa e não do
estabelecimento empresarial em si. Incorreta
d) A alternativa refere-se às características da universalidade de direito,
portanto incorreta. Pela universalidade de direito, a lei determina a reunião
dos bens para determinado fim.
e) Alternativa sem muito fundamento, por tudo que já foi exposto até o
momento. Incorreta.

24. (ESAF/ICMS-RN/2005) Os requisitos previstos em lei para que as


pessoas naturais sejam qualificadas como empresários destinam- se a:
a) garantir o cumprimento de obrigações contraídas no exercício de atividade
profissional.
b) impedir, em face do registro obrigatório, que incapazes venham a ser
considerados empresários.
c) facilitar a aplicação da teoria da aparência.
d) por conta da inscrição no Registro de Empresas, servirem para dar
conhecimento a terceiros sobre os exercentes da profissão.
e) facilitar o controle dos exercentes de atividades empresariais.
Comentários
Gabarito: A
A qualificação do indivíduo como empresário refere-se a sua regularidade
perante a lei. Assim, vimos alguns requisitos obrigatórios por lei para tornar o
empresário regular, como: Registrar-se na Junta Comercial (art. 997),

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Manter escrituração regular de seus negócios e Levantar
demonstrações contábeis periódicas (art. 1.179). Esse controle exigido
em lei sobre a qualificação e regularidade do empresário, é no sentido de
garantir o cumprimento das obrigações assumidas pelo empresário no
curso de sua atividade regular. É uma proteção aos terceiros. Desta forma,
os terceiros de boa-fé e a sociedade em geral estarão protegidos. Como
exemplo, a lei falimentar (lei 11.101/05) considera crime falimentar o
empresário ou sociedade empresária que possua escrituração irregular (Art.
178 da lei de falências). Assim, a alternativa correta é a letra a).

25. (ESAF/Procurador-PGFN/2006) Em regra, o trespasse importa em


sub-rogação do adquirente nos contratos estipulados para exploração do
estabelecimento, respondendo também o adquirente pelo pagamento dos
débitos contabilizados anteriores à transferência.
Comentários

Gabarito: Correta.
De fato, por ocasião do trespasse do estabelecimento empresarial, os
contratos relacionados a ele são assumidos ou sub-rogados pelo adquirente,
em regra. A exceção são os contratos pessoais e o contrato de locação, que
não se transmite automaticamente. Logo, a primeira parte desta assertiva
está correta, conforme o art. 1.148 do CC. A segunda parte da assertiva
também está correta. Então, a regra é o adquirente assumir os débitos
anteriores à transferência do estabelecimento, obviamente respeitados os
requisitos previstos no art. 1.146 do CC.
Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento
dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente
contabilizados, continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado
pelo prazo de um ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da
publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento.
Art. 1.148. Salvo disposição em contrário, a transferência importa a
sub-rogação do adquirente nos contratos estipulados para exploração do
estabelecimento, se não tiverem caráter pessoal, podendo os terceiros
rescindir o contrato em noventa dias a contar da publicação da
transferência, se ocorrer justa causa, ressalvada, neste caso, a
responsabilidade do alienante.

26. (ESAF/AFRFB/2009) A respeito do empresário individual no âmbito do


direito comercial, marque a opção correta.
a) O empresário individual atua sob a forma de pessoa jurídica.
b) Da inscrição do empresário individual, constam o objeto e a sede da
empresa.

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c) O analfabeto não pode registrar-se como empresário individual.
d) O empresário, cuja atividade principal seja a rural, não pode registrar-se
no Registro Público de Empresas.
e) O empresário individual registra uma razão social no Registro Público de
Empresas.
Comentários

Gabarito: B
b) Correta. A inscrição do empresário individual no Registro Público das
Empresas Mercantis deve conter alguns dados conforme o art. 968 do CC:
1) O seu NOME, nacionalidade, domicílio, estado civil e, se casado, o
regime de bens;
2) A FIRMA, com a respectiva assinatura autografa (pode ser substituída
por assinatura autenticada com certificação digital ou equivalente);
3) O CAPITAL;
4) O OBJETO e a SEDE da empresa.
a) Incorreta. O empresário individual é a pessoa física ou natural à frente da
empresa. A sociedade é um tipo de pessoa jurídica. Recordando:

c) Incorreta. Não há qualquer impedimento legal à inscrição do analfabeto


como empresário individual, se ele possuir capacidade civil. No entanto, ele
precisa ser representado por procurador constituído mediante procuração por
instrumento público, ok? Este procedimento está previsto na IN DREI nº
10/2013, abaixo transcrito:
1.3.5 - REPRESENTAÇÃO DO EMPRESÁRIO

Poderá o empresário ser representado por procurador com poderes


específicos para a prática do ato. Em se tratando de empresário
analfabeto, a procuração deverá ser outorgada por instrumento
público. Na procuração por instrumento particular deve constar o
reconhecimento da firma do outorgante.

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d) Incorreta. A atividade rural é uma das exceções à teoria da empresa.
Assim, quem a exerce tem a opção de se inscrever no RPEM, se sujeitando
para todos os efeitos ao regime jurídico empresarial.
Art. 971. O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão,
pode, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus parágrafos,
requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva
sede, caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para todos os efeitos,
ao empresário sujeito a registro.

e) Incorreta. Conforme o art. 1.156 do CC, o empresário individual opera sob


firma como nome empresarial.
Art. 1.156. O empresário opera sob firma constituída por seu nome, completo
ou abreviado, aditando-lhe, se quiser, designação mais precisa da sua pessoa
ou do gênero de atividade.

27. (ESAF/Auditor Fiscal do Trabalho/2010) Assinale, a seguir, a


sociedade que só pode adotar denominação social.
a) Companhia.
b) Sociedade em nome coletivo.
c) Sociedade Limitada.
d) Sociedade em conta de participação.
e) Sociedade em comum.
Comentários
Gabarito: A
De acordo com o nosso quadro de nome empresarial, a sociedade anônima,
também conhecida por “companhia”, só pode utilizar denominação. Gabarito
é a letra A. O art. 1.160 do CC preconiza essa situação (Art. 1.160. A
sociedade anônima opera sob denominação designativa do objeto social,
integrada pelas expressões "sociedade anônima" ou "companhia", por extenso
ou abreviadamente). Ressalto, ainda, que na denominação PODE constar o
nome do fundador, acionista, ou pessoa que haja concorrido para o bom êxito
da formação da empresa.

28. (ESAF/AFRFB/2009) A sociedade limitada opera sob firma ou


denominação social.
Comentários

Gabarito: Correta

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Basta uma simples consulta em nosso esquema de nome empresarial para
verificarmos que esta assertiva está correta. Ela está de acordo com o
determinado no Art. 1.158, caput, abaixo transcrito.
Art. 1.158. Pode a sociedade limitada adotar firma ou denominação, integradas
pela palavra final "limitada" ou a sua abreviatura.

29. (ESAF/Procurador-PGFN/2006) Com o trespasse, o alienante não


pode fazer concorrência ao adquirente por três anos subsequentes à
transferência.
Comentários

Gabarito: Incorreta

Esta questão trata da cláusula de não restabelecimento ou não concorrência,


no caso de alienação do estabelecimento empresarial. Conforme reza o art.
1.147, caput, CC, em regra, o alienante não poderá fazer concorrência ao
adquirente pelo prazo de 5 anos. Exceção: SE HOUVER AUTORIZAÇÃO
EXPRESSA.
Art. 1.147. Não havendo autorização expressa, o alienante do
estabelecimento não pode fazer concorrência ao adquirente, nos cinco
anos subseqüentes à transferência.

30. (ESAF/Analista Jurídico–SEFAZ-CE/2006) Se o empresário A cede


seu estabelecimento a outrem, não empresário, pode-se afirmar que:
a) o cessionário será qualificado empresário.
b) após a cessão, o cedente perde a qualidade de empresário de vez que não
mais exercerá atividade de empresa por ter-se desfeito dos bens para
tanto predispostos.
c) o cessionário se desobriga em relação às dívidas anteriores à cessão que
eram de responsabilidade do cedente.
d) a transferência do estabelecimento não preserva contratos anteriormente
firmados pelo cedente.
e) a cessão dos créditos referidos ao estabelecimento cedido é automática.
Comentários
Gabarito: E
e) Correta. Os créditos existentes na época da transferência do
estabelecimento são automaticamente cedidos ao adquirente com a publicação
do contrato de transferência.
Art. 1.149. A cessão dos créditos referentes ao estabelecimento
transferido produzirá efeito em relação aos respectivos devedores,

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desde o momento da publicação da transferência, mas o devedor
ficará exonerado se de boa-fé pagar ao cedente.

Art. 1.144. O contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou


arrendamento do estabelecimento, só produzirá efeitos quanto a
terceiros depois de averbado à margem da inscrição do
empresário, ou da sociedade empresária, no Registro Público de
Empresas Mercantis, e de publicado na imprensa oficial.

Então, percebam que a eficácia da transferência do estabelecimento se


dá após o registro no RPEM e de publicação na imprensa oficial. Essa
transferência imediata dos créditos é um procedimento especial, já que fica
dispensada a notificação normal do devedor quanto à cessão dos créditos a
outrem, conforme a regra geral do art. 290 do CC: “A cessão do crédito não
tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a este notificada; mas por
notificado se tem o devedor que, em escrito público ou particular, se declarou
ciente da cessão feita”.
a) Incorreta. Não necessariamente o adquirente do estabelecimento
empresarial torna-se empresário. Lembrem-se da teoria da empresa:
atividade econômica, profissionalismo, organização dos fatores de produção e
produção ou circulação de bens ou serviços. Então, em que pese a existência
na atualidade de estabelecimentos virtuais, podemos dizer que o
estabelecimento empresarial físico é necessário, mas não é suficiente para
caracterizar uma atividade econômica como empresária.
b) Incorreta, pois o empresário não perde a sua qualidade de empresário ao
dispor daquele estabelecimento empresarial, afinal, ele ainda poderá possuir
um outro ou ainda, posteriormente, poderá adquirir um outro
estabelecimento. Além disso, ele ainda possuirá inscrição na Junta Comercial,
podendo cancelá-la juntamente com a alteração oriunda do contrato de
trespasse ou voltar a exercê-la posteriormente.
c) Incorreta. O adquirente do estabelecimento responde pelas dívidas desde
que essas dívidas estejam escrituradas devidamente.
Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo
pagamento dos débitos anteriores à transferência, desde que
regularmente contabilizados, continuando o devedor primitivo
solidariamente obrigado pelo prazo de um ano, a partir, quanto aos
créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, da data do
vencimento.

d) Incorreta. A regra é exatamente oposta, pois a transferência do


estabelecimento implica a sub-rogação (passar a outrem) do adquirente nos
contratos estipulados para a exploração do estabelecimento, conforme
determina o art. 1.148.

31. (ESAF/Procurador-DF/2004) A alienação do estabelecimento


empresarial:

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a) transfere automaticamente ao adquirente as obrigações regularmente
contabilizadas, exonerando o alienante de qualquer responsabilidade.
b) impede o alienante de exercer a mesma atividade que exercia
anteriormente pelo prazo de cinco anos, em qualquer ponto do território
nacional.
c) não importa sub-rogação no contrato de locação comercial.
d) não implica a cessão dos créditos relativos à atividade exercida no
estabelecimento.
e) equivale à alienação do imóvel utilizado para o exercício de atividade
empresarial.
Comentários
Gabarito: C
c) Correta. Esta é a nossa alternativa. O contrato de locação tem caráter
pessoal, portanto ele se enquadra na exceção do art. 1.148, ou seja, a
transferência do estabelecimento empresarial não importa a sub-rogação do
adquirente no contrato de locação comercial.
Art. 1.148. Salvo disposição em contrário, a transferência importa a
sub-rogação do adquirente nos contratos estipulados para exploração do
estabelecimento, se não tiverem caráter pessoal, podendo os
terceiros rescindir o contrato em noventa dias a contar da publicação da
transferência, se ocorrer justa causa, ressalvada, neste caso, a
responsabilidade do alienante.

a) Incorreta em razão da parte final “exonerando o alienante de qualquer


responsabilidade”. O alienante responde solidariamente ao adquirente, em
regra!
Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento
dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente
contabilizados, continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado
pelo prazo de um ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da
publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento.

b) Incorreta. A proibição referida no Art. 1.147 do CC é em relação à


concorrência (cláusula do não restabelecimento). Porém, não existe
concorrência se alguém vende um estabelecimento e continua exercendo
ATIVIDADE DIVERSA, ainda que na mesma praça; ou se for exercer a mesma
atividade em lugar longe daquele que vendeu. Ressaltando que a concorrência
neste aspecto, refere-se principalmente à clientela do alienante. Por isso
vemos que a alternativa fica incoerente ao colocar a expressão “em qualquer
ponto do território nacional”.
d) A alienação do estabelecimento implica a cessão dos créditos relativos à
atividade exercida no estabelecimento, conforme o Art. 1.149, que já
comentamos. Incorreta.

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e) Incorreta. O conceito de estabelecimento empresarial não diz respeito
SOMENTE ao imóvel (bem material). Refere-se aos bens imateriais também.
Além disso, estabelecimento e patrimônio da sociedade são coisas diferentes.
Incorreta.

32. (ESAF/Analista Jurídico-AGU/1999) Analisando os lançamentos


constantes de balanço de uma companhia, notou-se que uma das rubricas se
referia a "fundo de comércio". Indaga-se se fundo de comércio é:
a) Ativo que pode ser depreciado
b) Valor pago pela clientela
c) Organização do estabelecimento
d) Valor que acresce ao estabelecimento
e) Passível de lançamento contábil
Comentários
Gabarito: D
Alguns autores utilizam fundo de comércio como sinônimo de estabelecimento
comercial ou empresarial. Outros, como o Prof. Fabio Ulhoa Coelho,
consideram o fundo de comércio como um atributo do estabelecimento
empresarial, correspondendo à capacidade que os bens do estabelecimento
têm de, uma vez vendidos em conjunto, gerarem um lucro maior do que
teriam se fossem vendidos isoladamente. O aviamento pode ser considerado
como sinônimo de fundo de comércio e azienda. Então, o fundo de comércio é
o valor agregado dos bens que são utilizados na atividade empresarial.
Portanto, a única alternativa correta é a letra D, pela qual o fundo de comércio
é o valor que acresce ao estabelecimento. Logo, a banca ESAF se alinha ao
pensamento do Prof. Ulhoa quanto à definição de fundo de comércio.

33. (ESAF/ISS-Recife/2003) A escrituração mercantil, por permitir a


verificação das mutações patrimoniais e, dado seu valor probatório, deve:
a) facilitar a análise dos agentes da fiscalização.
b) permitir avaliar a eficácia da ação administrativa.
c) garantir a apuração dos tributos devidos pelo empresário.
d) dar aos credores informações sobre as operações contratadas.
e) estar escoimada de imperfeições.
Comentários
Gabarito: E

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“Escoimar” é um termo que não raramente é cobrado em prova. Significa
livrar de imperfeições e defeitos. Desta forma, tendo em mente o contido no
art. 1.183 do CC, abaixo transcrito, a única alternativa correta é a letra E. No
entanto, as demais alternativas também representem aspectos funcionais
válidos relacionados à escrituração empresarial. Mas são aspectos bem
específicos e a letra E, de fato, retrata um pressuposto do seu valor
probatório.
Art. 1.183. A escrituração será feita em idioma e moeda corrente
nacionais e em forma contábil, por ordem cronológica de dia, mês e ano,
sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borrões, rasuras, emendas
ou transportes para as margens.

34. (ESAF/Auditor Fiscal do Trabalho/2003) As obrigações empresariais


relacionadas com a escrituração:
a) têm em conta o interesse de terceiros quanto a informações daquela
constantes.
b) determinam, no seu descumprimento, responsabilidade no plano cível
apenas para o contador responsável.
c) são relevantes apenas do ponto de vista fiscal, determinando a
caracterização de crimes de sonegação fiscal, na sua desobediência.
d) acarretam responsabilidades para os sócios não-administradores por culpa
in vigilando.
e) podem levar à prisão civil os administradores, caso os livros obrigatórios
não tenham sido escriturados ou o tenham sido de forma indevida.
Comentários
Gabarito: A
a) e c) A letra A é de cara a nossa resposta, pois uma das funções que vimos
da escrituração é exatamente a função documental que serve de base para
informações do interesse de terceiros (sócios, investidores, bancos
credores). A letra C, portanto, está incorreta pois a escrituração não tem
somente a função fiscal, mas também a gerencial e documental. O uso da
expressão “apenas” deixa a alternativa incorreta.
b) Incorreta. O erro está na expressão “apenas”, pois o descumprimento das
obrigações escriturais poderá ter como consequência a responsabilidade
solidária do profissional de contabilidade com o preponente perante terceiros.
(art. 1.177, §único, do CC).
Art. 1177. Parágrafo único. No exercício de suas funções, os prepostos
são pessoalmente responsáveis, perante os preponentes, pelos atos
culposos; e, perante terceiros, solidariamente com o preponente, pelos
atos dolosos.

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d) Incorreta. Vamos observar dois conceitos da responsabilidade civil:
- A culpa in vigilando: Falta de atenção e cuidado na fiscalização ou
vigilância de atividades ou pessoas que estavam obrigatoriamente sob a
guarda ou responsabilidade de alguém. Exemplo: os pais são responsáveis por
reparar os danos dos filhos que estão sob a sua autoridade e em sua
companhia (art. 932, I, CC).
- A culpa in eligendo: Configura-se pela má eleição do preposto.
Caracteriza-se pela negligência do contratante, ao delegar serviço ou negócio
da sua competência, sem a necessária investigação acerca da idoneidade e
solvabilidade do contratado (Art. 932. São também responsáveis pela
reparação civil: III- o empregador ou comitente, por seus empregados,
serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão
dele).
Portanto, não há que se falar em responsabilidade do sócio não-
administrador por atos do preposto, pois aquele nem mesmo participou de sua
contratação.
e) Incorreta. Não há previsão legal de prisão civil neste caso.

35. (ESAF/ISS-RJ/2010) Quanto ao estabelecimento empresarial, marque a


opção incorreta.
a) Pode o estabelecimento ser objeto unitário de direitos e de negócios
jurídicos, translativos ou constitutivos, que sejam compatíveis com a sua
natureza.
b) O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos
anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados.
c) A cessão dos créditos referentes ao estabelecimento transferido produzirá
efeito em relação aos respectivos devedores, desde o momento da
publicação da transferência, mas o devedor ficará exonerado se de boa-fé
pagar ao cedente.
d) Salvo disposição expressa em contrário, o alienante do estabelecimento
pode fazer concorrência ao adquirente.
e) Considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado, para
exercício da empresa, por empresário ou por sociedade empresária.
Comentários
Gabarito: D
Questão que pede a alternativa incorreta. A letra a) está expressa de forma
literal no art. 1.143 do CC, representando o estabelecimento empresarial um
objeto unitário. A letra b) está correta, conforme art. 1146 do CC. Já a letra c)
está correta, nos termos do art. 1149 do CC. A letra d) é a nossa resposta,

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estando incorreta, devido ao fato de ser proibido o alienante fazer
concorrência ao adquirente do estabelecimento pelo prazo de cinco anos, salvo
autorização expressa (art. 1147). E a letra e), traz a definição de
estabelecimento empresarial, conforme o art. 1142.
36. (ESAF/Procurador-PGFN/2015) Assinale a opção correta.
a) Por configurar uma universalidade de fato, o estabelecimento empresarial
pode ser objeto unitário de direitos e de negócios jurídicos, translativos ou
constitutivos, que sejam compatíveis com a sua natureza.
b) O adquirente do estabelecimento empresarial responde pelo pagamento
dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente
contabilizados, ficando o devedor primitivo subsidiariamente responsável
pelo pagamento das dívidas pelo prazo de 1 (um) ano, contado da data da
publicação da alienação, quanto aos créditos vencidos; ou da data do
vencimento, quanto aos créditos vincendos.
c) Com exceção das dívidas de natureza trabalhista e fiscal, a aquisição de
estabelecimento empresarial em alienação judicial promovida em processo
de falência ou de recuperação judicial exime a responsabilidade do
adquirente pelas obrigações anteriores.
d) A transferência do estabelecimento empresarial importa a sub-rogação do
adquirente nos contratos negociados anteriormente pelo alienante,
podendo os terceiros rescindir apenas aqueles contratos que têm caráter
pessoal.
e) De acordo com a atual jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ),
considerado o princípio da preservação da empresa, não é legítima a
penhora da sede do estabelecimento empresarial.
Comentários
Gabarito: A
a) Correta. A ideia de universalidade de fato conferida ao estabelecimento
empresarial ganhou força e é o entendimento da maioria dos nossos
doutrinadores. Pelo conceito de universalidade de fato, os elementos que
compõem o estabelecimento empresarial possuem uma única destinação e
finalidade, conforme previsto no art. 90 do CC.
Art. 90. Constitui universalidade de fato a pluralidade de bens singulares
que, pertinentes à mesma pessoa, tenham destinação unitária.

Art. 1.143. Pode o estabelecimento ser objeto unitário de direitos e de


negócios jurídicos, translativos ou constitutivos, que sejam compatíveis
com a sua natureza.

Este conjunto de bens não se dá em razão de mandamento legal, como


ocorre, por exemplo, na massa falida – universalidade de direito.
b) Incorreta. A responsabilidade é solidária e não subsidiária, como sugere o
examinador (art. 1.146, CC). Portanto, há SOLIDARIEDADE entre o alienante

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e o adquirente, pelos débitos do estabelecimento, possui o duração de 1 (um)
ano, nesses termos:

c) Incorreta. Na falência e na recuperação judicial, NÃO há sucessão do


arrematante ou adquirente nas obrigações do devedor no caso de alienação do
estabelecimento empresarial (filiais e a própria empresa), inclusive as de
natureza tributária e trabalhista (art. 60 e 141, II, da Lei de Falências – Lei
11.101/05).
Art. 60. Se o plano de recuperação judicial aprovado envolver alienação
judicial de filiais ou de unidades produtivas isoladas do devedor, o juiz
ordenará a sua realização, observado o disposto no art. 142 desta Lei.

Parágrafo único. O objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e


não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor,
inclusive as de natureza tributária, observado o disposto no § 1o do art.
141 desta Lei.

Art. 141. Na alienação conjunta ou separada de ativos, inclusive da


empresa ou de suas filiais, promovida sob qualquer das modalidades de
que trata este artigo:

II – o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá


sucessão do arrematante nas obrigações do devedor, inclusive as de
natureza tributária, as derivadas da legislação do trabalho e as
decorrentes de acidentes de trabalho.

d) Incorreta. Em caso de transferência do estabelecimento, os contratos de


caráter pessoal não serão assumidos pelo adquirente, em regra. Os demais
contratos só poderão ser rescindidos por terceiros em caso de justa causa –
mas podem ser rescindidos.
Art. 1.148. Salvo disposição em contrário, a transferência importa a
sub-rogação do adquirente nos contratos estipulados para exploração do
estabelecimento, se não tiverem caráter pessoal, podendo os terceiros
rescindir o contrato em noventa dias a contar da publicação da
transferência, se ocorrer justa causa, ressalvada, neste caso, a
responsabilidade do alienante.

e) Incorreta, conforme a Súmula 451 do STJ: “é legítima a penhora da


sede do estabelecimento comercial”. Porém, esta é uma medida
excepcional, quando não existir outros bens passíveis de penhora e desde que
não seja servil à residência da família.

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37. (ESAF/PGFN/2012) O empresário opera sob firma constituída por seu
nome, completo ou abreviado, aditando-lhe, se quiser, designação mais
precisa da sua pessoa ou do gênero de atividade.
Comentários
Gabarito: Correta
Esta assertiva trata do nome empresarial do empresário individual e está
perfeitamente literal ao art. 1.156 do CC. Normalmente a ESAF não é tão
literal assim não, ok?

38. (ESAF/AFRFB/2012) Sobre a disciplina escrituração empresarial


prevista no Código Civil, assinale a opção incorreta.
a) O empresário e a sociedade empresária são obrigados
a seguir um sistema
de contabilidade, mecanizado ou
não, com base na escrituração uniforme
de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva,
e a
levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico.
b) A escrituração será feita em idioma e moeda corrente nacionais e em forma
contábil, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em
branco, nem entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou transportes para as
margens, sendo permitido o uso de código de números ou de abreviaturas,
que constem de livro próprio, regularmente autenticado.
c) O empresário ou sociedade empresária que adotar o sistema de fichas de
lançamentos poderá substituir o livro Diário pelo livro Balancetes Diários e
Balanços, observadas as mesmas formalidades extrínsecas exigidas para
aquele.
d) O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa
guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à
sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante
aos atos neles consignados.
e) O juiz ou tribunal pode autorizar a exibição integral dos livros e papéis
de escrituração empresarial quando necessária para resolver qualquer
questão de caráter patrimonial.
Comentários
Gabarito: E
e) Incorreta. Somente o juiz poderá autorizar a exibição integral dos livros e
papéis de escrituração (art. 1.191 do CC). Essa exibição é para tratar de
questões de: sucessão, comunhão ou sociedade, administração ou gestão à
conta de outrem, falência e liquidação da sociedade ou sucessão por morte de
sócio (art. 420, NCPC).
Art. 1.191. O juiz só poderá autorizar a exibição integral dos livros e
papéis de escrituração quando necessária para resolver questões

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relativas a sucessão, comunhão ou sociedade, administração ou gestão
à conta de outrem, ou em caso de falência.

Art. 420. O juiz pode ordenar, a requerimento da parte, a exibição


integral dos livros empresariais e dos documentos do arquivo:

I – na liquidação de sociedade;

II – na sucessão por morte de sócio;

III – quando e como determinar a lei.

a) Correta, conforme a literalidade do art. 1.179 do CC.


b) Correta, conforme a literalidade do art. 1.183 do CC.
c) Correta, conforme a literalidade do art. 1.185 do CC.
d) Correta, conforme a literalidade do art. 1.194 do CC.

39. (ESAF/Auditor Fiscal-RN/2005) A obrigação de manter a escrituração


das operações comerciais seja em livros seja de forma mecanizada, em fichas
ou arquivos eletrônicos:
a) serve para que, periodicamente, se apure a variação patrimonial.
b) permite que se apure o cumprimento das obrigações e sua regularidade.
c) serve para preservar informações de interesse dos sócios das sociedades
empresárias.
d) constitui prova do exercício regular de atividade empresária.
e) facilita a organização de balancetes mensais para prestação de contas aos
sócios.
Comentários
Gabarito: D
De todas as alternativas apresentadas nessa questão, a única que está de
acordo com o que estudamos acerca da escrituração é a letra D. Afinal de
contas, a atividade empresarial estará regular perante a lei nessas condições:
registrar-se na Junta Comercial, manter escrituração regular de seus
negócios e levantar demonstrações contábeis periódicas.

40. (ESAF/Procurador-BACEN/2009) A sociedade anônima opera sob


firma ou razão social, sempre designativa do objeto social e integrada pelas
expressões sociedade anônima ou companhia, por extenso ou
abreviadamente.
Comentários
Gabarito: Incorreta

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Pela simples observação do nosso quadro de nome empresarial, concluímos
que esta assertiva está incorreta, pois a sociedade anônima opera
somente por DENOMINAÇÃO designativa do objeto social. Essa é a
disposição presente no art. 1.160 do CC.

41. (ESAF/Procurador-BACEN/2009) Mesmo que o empresário adote o


sistema de fichas de lançamentos, o livro diário, por ser obrigatório, não pode
ser substituído pelo livro balancetes diários e balanços, ainda que observadas
as mesmas formalidades extrínsecas exigidas para aquele.
Comentários
Gabarito: Incorreta.
Afirmativa incorreta, pois há a possibilidade de substituição do livro diário pelo
livro Balancetes Diários e Balanços, no caso do empresário ou da sociedade
empresária adotar o sistema de fichas de lançamentos.
Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o
Diário, que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração
mecanizada ou eletrônica.

Art. 1.185. O empresário ou sociedade empresária que adotar o sistema


de fichas de lançamentos poderá substituir o livro Diário pelo
livro Balancetes Diários e Balanços, observadas as mesmas
formalidades extrínsecas exigidas para aquele.

42. (ESAF/Procurador-PGFN/2012) É obrigatória a inscrição do


empresário no Registro Público de Empresas da respectiva sede, antes do
início de sua atividade.
Comentários
Gabarito: Correta.
Esta afirmativa está conforme o art. 967 do CC. De fato, esta obrigação é
requisito legal para tornar a atividade do empresário regular desde o seu
início. Contudo, como bem sabemos, a inscrição do empresário no registro
público não é pressuposto da caracterização da condição de empresário. Em
outras palavras, o ato de inscrição do empresário é DECLARATÓRIO e não
CONSTITUTIVO.

43. (ESAF/Procurador-PGFN/2012) O empresário, cuja atividade rural


constitua sua principal profissão, pode requerer inscrição no Registro Público
de Empresas da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará
equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro.
Comentários
Gabarito: Correta.

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Esta afirmativa é reprodução literal do art. 971 do CC. Portanto, este
dispositivo permite que o empresário, cuja atividade rural constitua sua
principal profissão, se registre no RPEM. Ou seja, é uma faculdade concedida
àquele profissional. É uma exceção à Teoria da Empresa, pois o ato de
registrar o profissional rural no RPEM, o equipara ao empresário, sujeitando-o
ao regime jurídico empresarial para todos os efeitos. Optando pelo registro no
RCPJ, isso não ocorre – é uma atividade civil (não empresarial).

44. (ESAF/Analista Jurídico-SEFAZ-CE/2006) Qualificar uma pessoa como


empresária depende de:
a) a pessoa exercer atividade econômica.
b) a pessoa organizar a atividade que é exercida por outrem.
c) a pessoa aceitar os riscos derivados de participar de um mercado como
consumidor.
d) ser aceita sua inscrição como empresária.
e) adotar uma das formas societárias previstas para o exercício da empresa.
Comentários
Esta foi uma questão polêmica. Vejamos!
d) Correta. É o gabarito oficial. No enunciado, tudo indica que o examinador
usou o termo qualificar referindo-se à REGULARIDADE do empresário
perante a lei (art. 967. É obrigatória a inscrição do empresário no Registro
Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua
atividade). Acontece, meus caros (as), que a inscrição do empresário não é
constitutiva da condição de empresário. A sua inscrição é apenas
DECLARATÓRIA. Isso quer dizer que, caso um empresário não inscreva seus
atos constitutivos no Registro Público de Empresas Mercantis (RPEM), ele não
deixará de ser empresário, porém estará irregular perante a lei. Assim, esta
alternativa só estaria correta se usarmos a expressão “qualificar” no sentido
de regularidade perante a lei. No mais, por eliminação chegaríamos a esta
resposta, pois as demais alternativas estão bem incorretas.
a) a pessoa exercer atividade econômica. Pelo art. 966 do CC, temos os
requisitos e características de empresário. O simples exercício de uma
atividade econômica não caracteriza o indivíduo como empresário. Por
exemplo, um ambulante exerce uma atividade econômica, mas não pode ser
considerado empresário. Um profissional liberal exerce atividade econômica,
mas a princípio não é empresário. É preciso, ainda, a satisfação dos outros
requisitos e características delineados no art. 966 do CC. É preciso, acima de
tudo, que haja ORGANIZAÇÃO dos fatores de produção. Assim, a
alternativa está incorreta.

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b) a pessoa organizar a atividade que é exercida por outrem. A palavra
“organizar” está presente na alternativa, porém está mal-empregada. Veja
que não fala se é uma atividade econômica exercida profissionalmente. Não há
qualquer característica de empresário nessa alternativa. A atividade é exercida
por outra pessoa. Incorreta.
c) a pessoa aceitar os riscos derivados de participar de um mercado como
consumidor. Quem deve assumir os riscos de praticar uma atividade
econômica é o fornecedor. Não há requisito nem característica de empresário
nesta alternativa. Incorreta.
e) adotar uma das formas societárias previstas para o exercício da empresa.
Esta alternativa versa acerca dos tipos societários, sobre as formas pelas quais
as sociedades se organizam. Observemos que a forma objetiva como a
alternativa aborda o empresário não condiz com as características da teoria da
empresa: profissionalismo, atividade econômica, organização e produção ou
prestação de bens ou serviços. Logo, o simples fato de uma pessoa adotar um
tipo societário previsto para uma sociedade empresária não a torna
empresária. Ok? No mais, citarei apenas o artigo que de forma contundente
deixa a alternativa incorreta.
Art. 983. A sociedade empresária deve constituir-se segundo um dos
tipos regulados nos arts. 1.039 a 1.092; a sociedade simples pode
constituir-se de conformidade com um desses tipos, e, não o
fazendo, subordina-se às normas que lhe são próprias.

45. (FUNDATEC/ICMS-RS/2014) Analise as seguintes assertivas sobre o


estabelecimento:

I. O estabelecimento empresarial tem natureza jurídica de massa patrimonial


personificada, possuindo, portanto, personalidade jurídica própria.

II. A chamada cláusula de proibição de concorrência nos contratos de


trespasse tem natureza dispositiva, podendo ser afastada por acordo entre as
partes.

III. O contrato de trespasse importa a sub-rogação do adquirente em todos os


contratos estipulados para a exploração do estabelecimento.

Quais estão corretas?

a) Apenas I.

b) Apenas II

c) Apenas III

d) Apenas I e II.

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e) Apenas II e III.

Comentários

Letra “b”. Somente a assertiva II está correta.

I- Incorreta. “Estabelecimento empresarial é o CONJUNTO DE BENS reunidos


pelo empresário para a exploração de sua atividade econômica.” (Fabio Ulhoa
Coelho). Portanto, quem possui a personalidade jurídica é a empresa e não o
estabelecimento empresarial, que tem natureza jurídica de uma universalidade
de fato.
II – Correta. Como regra, é proibido ao alienante ou cedente do
estabelecimento empresarial fazer concorrência ao adquirente.
Somente no caso de alienação é permitida a CONCORRÊNCIA, nos seguintes
termos:

Art. 1.147. Não havendo autorização expressa, o alienante do


estabelecimento não pode fazer concorrência ao adquirente, nos cinco
anos subsequentes à transferência.

Portanto, tem caráter de direito disponível – as partes poderão dispor


acerca deste assunto.

III – Incorreta, pois há restrições e condicionantes à sub-rogação dos


contratos por conta do trespasse.

Art. 1.148. Salvo disposição em contrário, a transferência importa a


sub-rogação do adquirente nos contratos estipulados para exploração do
estabelecimento, se não tiverem caráter pessoal, podendo os
terceiros rescindir o contrato em noventa dias a contar da publicação da
transferência, se ocorrer justa causa, ressalvada, neste caso, a
responsabilidade do alienante.

46. (FUNDATEC/ICMS-RS/2009) Em relação ao nome empresarial, assinale


a assertiva incorreta:
a) a sociedade em conta de participação não pode ter firma ou denominação.

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b) cabe ao prejudicado, a qualquer tempo, ação para anular a inscrição do
nome empresarial feita com violação da lei ou do contrato.
c) a inscrição do nome empresarial será cancelada, a requerimento de
qualquer interessado, quando cessar o exercício da atividade para que foi
adotado, ou quando ultimar-se a liquidação da sociedade que o inscreveu.
d) o nome de sócio que vier a falecer, for excluído ou se retirar, pode ser
conservado na firma social,
e) o nome de empresário deve distinguir-se de qualquer outro já inscrito no
mesmo registro.
Comentários
Letra “d”. Incorreta. É exatamente o contrário: “Art. 1.165 CC. O nome de
sócio que vier a falecer, for excluído ou se retirar, não pode ser conservado
na firma social”. Deve observar o Princípio da Veracidade do nome
empresarial.
As demais assertivas estão conforme a literalidade dos dispositivos abaixo do
CC:
Art. 1.162. A sociedade em conta de participação não pode ter firma ou
denominação. (Letra A).

Art. 1.167. Cabe ao prejudicado, a qualquer tempo, ação para anular a


inscrição do nome empresarial feita com violação da lei ou do contrato.
(Letra B).

CC, Art. 1.168. A inscrição do nome empresarial será cancelada, a


requerimento de qualquer interessado, quando cessar o exercício da
atividade para que foi adotado, ou quando ultimar-se a liquidação da
sociedade que o inscreveu. (Letra C).

Art. 1.163. O nome de empresário deve distinguir-se de qualquer outro


já inscrito no mesmo registro. (Letra E).

47. (FCC/Direito-Eletrobrás-Eletrosul/2016) Analise os seguintes


enunciados em relação à atividade empresarial:
I. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade
econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.
II. Considera-se empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza
científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou
colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de
empresa.

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III. É facultativa a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas
Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade.
IV. Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou com terceiros,
desde que não sejam casados sob o regime da comunhão universal de bens,
ou no da separação obrigatória.
Está correto o que se afirma APENAS em:
a) II, III e IV.
b) I, III e IV.
c) II e III.
d) I e IV.
e) I e II.
Comentários
Letra “d”: itens I e IV corretos.
I-Correto. Esta é a positivação da Teoria da Empresa, que define o empresário
nos termos previstos no art. 966 do CC.

II-Incorreta. É o contrário: estas características não qualificam o indivíduo


como empresário, exceto se estiver presente elemento de empresa (art.
966, §único, CC).
III-Incorreta. Conforme o art. 967 do CC, é obrigatória a inscrição do
empresário no Registro Público das Empresas Mercantis da respectiva sede,
antes do início de suas atividades. Esta determinação define a regularidade
perante à lei do empresário.
IV-Correta, conforme a literalidade do art. 977 do CC.

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48. (CONSULPLAN/Titular de Serviços Notariais-TJ-MG/2017)De acordo


com o Código Civil, assinale a afirmativa correta sobre a constituição do
empresário e da sociedade empresária:
a) É facultativa a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas
Mercantis da respectiva sede antes do início de suas atividades.
b) Decai em cinco anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas
de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da
publicação de sua inscrição no registro.
c) O processo de abertura, registro, alteração e baixa do microempreendedor
individual, bem como qualquer exigência para o início de seu funcionamento
deverão ter trâmite especial e simplificado.
d) O empresário que instituir sucursal, filial ou agência em lugar sujeito à
jurisdição de outro Registro de Empresas Mercantis, deverá inscrevê-la apenas
no Registro da empresa sede.
Comentários
Letra “c”. Correta, conforme o §4º do art. 968 do CC:
§ 4o O processo de abertura, registro, alteração e baixa do
microempreendedor individual de que trata o art. 18-A da Lei
Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, bem como qualquer
exigência para o início de seu funcionamento deverão ter trâmite
especial e simplificado, preferentemente eletrônico, opcional para o
empreendedor, na forma a ser disciplinada pelo Comitê para Gestão da
Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de
Empresas e Negócios - CGSIM, de que trata o inciso III do art. 2º da
mesma Lei.

Letra “a”. Incorreta, pois é obrigatória.


Art. 967. É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público
de Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua
atividade.

Letra “b”. Incorreta, pois são 3 anos.


Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito
privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro,
precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder

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Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar
o ato constitutivo.

Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular a constituição


das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo,
contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro.

Letra “d”. Incorreta, pois deverá providenciar o registro da filial onde abrir.
Art. 969. O empresário que instituir sucursal, filial ou agência, em lugar
sujeito à jurisdição de outro Registro Público de Empresas Mercantis,
neste deverá também inscrevê-la, com a prova da inscrição
originária.

49. (CONSULPLAN/Titular de Serviços Notariais-TJ-MG/2017)


Possui(em) capacidade para ser empresário, EXCETO:
a) Os que estiverem em pleno gozo da capacidade civil e não forem
legalmente impedidos.
b) O incapaz, desde que representado ou assistido, poderá continuar a
empresa antes exercida por ele enquanto capaz.
c) Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou com terceiros,
desde que não tenham casado no regime da comunhão universal de bens, ou
no da separação obrigatória.
d) O falido não reabilitado.
Comentários
O enunciado pede para assinalar a alternativa que representa hipótese de
incapacidade para exercer a atividade empresarial, ou seja, as demais
alternativas são hipóteses previstas para a exercício regular da atividade
empresarial.
Letra “d”. Correta, conforme a Lei de Falências (Lei nº 11.101/06).
Art. 102. O falido fica inabilitado para exercer qualquer atividade
empresarial a partir da decretação da falência e até a sentença que
extingue suas obrigações, respeitado o disposto no § 1o do art. 181
desta Lei.

Letra “a”. Art. 972. Podem exercer a atividade de empresário os que


estiverem em pleno gozo da capacidade civil e não forem legalmente
impedidos.
Letra “b”. Art. 974. Poderá o incapaz, por meio de representante ou
devidamente assistido, continuar a empresa antes exercida por ele enquanto
capaz, por seus pais ou pelo autor de herança.
Letra “c”. Art. 977. Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou
com terceiros, desde que não tenham casado no regime da comunhão
universal de bens, ou no da separação obrigatória.

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50. (CONSULPLAN/Titular de Serviços Notariais-TJ-MG/2017) Nos
termos do Código Civil marque a afirmativa INCORRETA acerca da definição de
empresário:
a) É aquele que exerce profissionalmente atividade econômica organizada para
a produção ou a circulação de bens ou de serviços.
b) É aquele que exerce profissionalmente atividades em cooperativas sendo
um dos cooperados.
c) É aquele cuja atividade rural constitua sua principal profissão, desde que
seja inscrito no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede.
d) É aquele que exerce atividade empresarial individual de responsabilidade
limitada, por uma única pessoa titular da totalidade do capital social.
Comentários
Letra “b”. Incorreta, pois não se relaciona à definição de empresário nos
termos da regra geral prevista no art. 966 do CC, nem representa uma das
hipóteses de exceção à teoria da empresa. Ressaltando que a sociedade
cooperativa será sempre considerada uma sociedade simples.
Art. 982 Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-
se empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa

Letra “a”. Correta. Definição de empresário e representa a teoria da empresa.


Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente
atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens
ou de serviços.

para os demais empresários.

Letra “c”. Correta. Aquele que exerce a atividade rural é exceção à teoria da
empresa, pois para ser considerado empresário basta a sua inscrição já Junta
Comercial.
Art. 971. O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal
profissão, pode, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e
seus parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas
Mercantis da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará
equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro.

Letra “d”. Correta. Representa a chamada EIRELI, que tanto pode ser de
natureza simples como empresarial. Porém, esta assertiva representa uma
EIRELI de natureza empresarial, pois afirma-se “É aquele que exerce atividade
empresarial”.
Art. 980-A. A empresa individual de responsabilidade limitada será
constituída por uma única pessoa titular da totalidade do capital social,
devidamente integralizado, que não será inferior a 100 (cem) vezes o
maior salário-mínimo vigente no País.

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51. (CONSULPLAN/Titular de Serviços Notariais-TJ-MG/2017) O Código
Civil brasileiro adotou, de forma indireta, uma definição para o termo jurídico
“empresa”. Levando em conta, esta definição, amplamente aceita e adotada
pela doutrina pátria, a palavra-chave que está presente nesta definição é
a) atividade.
b) pessoa.
c) coisa.
d) instituição.
Comentários
Letra “a”. Podemos definir empresa como sendo “A ATIVIDADE econômica
ORGANIZADA para a produção ou a circulação de bens ou serviços,
exercida de forma PROFISSIONAL pelo EMPRESÁRIO”. A Teoria dos
Perfis de Asquini procura definir a empresa:

A empresa está relacionada ao indivíduo que


exerce de forma organizada e profissional uma
atividade econômica objetivando a produção ou
Perfil Subjetivo circulação de bens ou de serviços. O EMPRESÁRIO
é o sujeito de direito, pois é ele quem exerce a
atividade empresarial.
A empresa está relacionada à ATIVIDADE
EMPRESARIAL em si, direcionada a um
Perfil Funcional
determinado fim produtivo, que é gerar riquezas.
A empresa está relacionada ao
ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL,
Perfil Objetivo ou
considerando os bens patrimoniais da empresa
patrimonial
como resultado do fator econômico.
A empresa relacionada ao grupo organizacional
formado pelo empresário e seus colaboradores.
Perfil Corporativo ou
Este perfil está superado, pois não tem
institucional
correspondência na realidade atual.

Logo, a forma como é exercida a atividade é determinante para


caracterizar a empresa, conforme o perfil funcional acima.

52. (CONSULPLAN/Titular de Serviços Notariais-TJ-MG/2016) Sobre o


conceito de empresário e sua capacidade, e à luz do Código Civil brasileiro, é
correto afirmar:

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a) Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade
econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de
serviços.
b) A pessoa legalmente impedida de exercer atividade própria de empresário,
se a exercer, não responderá pelas obrigações contraídas.
c) Poderá o incapaz, mesmo sem assistência, continuar a empresa antes
exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor da herança.
d) O empresário casado necessita de outorga conjugal, qualquer que seja o
regime de bens, para alienar os imóveis que integram o patrimônio da
empresa ou gravá-los de ônus real.
Comentários

a) Correta. É o gabarito. Esta assertiva reproduz literalmente o conceito de


empresário, segundo o art. 966 do CC. Ter atenção para: “...exerce
profissionalmente atividade econômica organizada...”.
b) Incorreta. O erro está na palavra “não”, já que a pessoa legalmente
impedida de exercer atividade própria de empresário, se a exercer,
responderá pelas obrigações contraídas (art. 973, CC).
c) Incorreta, pois o incapaz deve ser representado ou assistido no exercício da
empresa, conforme o art. 974 do CC.
Art. 974. Poderá o incapaz, por meio de representante ou devidamente
assistido, continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz,
por seus pais ou pelo autor de herança.

d) Incorreta, conforme o art. 978 do CC, pelo qual o empresário casado não
necessitaria de outorga conjugal, qualquer que seja o regime de bens, para
alienar os imóveis que integram o patrimônio da empresa ou gravá-los de
ônus real.

53. (VUNESP/Titular de Serviços Notariais-TJ-SP/2016) Considera-se


juridicamente empresa:
a) a atividade economicamente organizada exercida pelo empresário.
b) o fundo de comércio das entidades empresariais.
c) as sociedades empresárias registradas devidamente no Registro de
Comércio.
e) as sociedades unipessoais que exerçam atividade econômica para produção
ou circulação de bens ou serviços, de maneira habitual e com intuito de
lucro.
Comentários

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Letra “a”. Das alternativas acima, somente a alternativa “a” representa o que
a doutrina e jurisprudência nacional consideram como empresa. Este conceito
está conforme os ensinamentos do Prof. Asquini e sua teoria dos Perfis de
Empresa, abordando a empresa como um fenômeno poliédrico: perfil
subjetivo, perfil funcional, perfil objetivo ou patrimonial e perfil corporativo ou
institucional. Assim, o perfil funcional de Asquini está relacionado a essa
definição jurídica de empresa.

54. (FGV/ICMS-RJ/2010) Segundo o art. 966 do Código Civil, é


considerado empresário:
a) quem é sócio de sociedade empresária dotada de personalidade jurídica.
b) quem é titular do controle de sociedade empresária dotada de
personalidade jurídica.
c) quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a
produção ou a circulação de bens ou serviços.
d) quem exerce profissão intelectual de natureza científica, literária ou
artística.
e) quem assume a função de administrador em sociedade limitada ou
sociedade anônima.
Comentários
Letra “c”. Percebam que a banca cobrou a literalidade do art. 966 do CC na
letra C, que é a nossa resposta. Comentemos as demais alternativas.
a), b) e e) - Incorretas, pois somente pelo fato de um indivíduo ser sócio ou
controlador, ou ainda, administrador de uma sociedade empresária, não
significa que ele seja empresário. O requisito para ser considerado empresário
é que a pessoa física ou jurídica exerça profissionalmente atividade
econômica de forma organizada.
d) quem exerce profissão intelectual de natureza científica, literária ou
artística. Incorreta. Essas atividades são as exceções à teoria da empresa,
pela qual somente são empresárias se constituírem elemento de empresa,
conforme o parágrafo único do art. 966, CC, transcrito abaixo:
Art. 966. Parágrafo único do CC. Não se considera empresário quem
exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou
artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se
o exercício da profissão constituir elemento de empresa.

55. (FGV/ICMS-RJ/2008) Pela teoria da empresa, adotada pelo novo


Código Civil, pode-se afirmar que o principal elemento da sociedade
empresarial é:
a) o trabalho.

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b) o capital.
c) a organização.
d) o ativo permanente.
e) o maquinário.
Comentários
Letra “c”. Embora o enunciado mencione a sociedade empresarial, sabemos
que a teoria da empresa refere-se tanto ao empresário individual quanto à
sociedade. Afinal, o fundamento daquela teoria é a forma como a atividade
econômica é exercida. Assim, dentre as alternativas, a ORGANIZAÇÃO da
atividade empresarial é o elemento mais importante da teoria da
empresa e do regime jurídico comercial atual.

56. (CESPE/Procurador-PG-DF/2013) Para Ronald Coase, jurista norte-


americano cujo pensamento doutrinário tem sido bastante estudado pelos
juristas brasileiros, a empresa se revelaria, estruturalmente, como um “feixe
de contratos” que, oferecendo segurança institucional ao empresário, permite
a organização dos fatores de produção e a redução dos custos de transação.
Nesse aspecto, a proposta de Coase coincide com o perfil institucional
proposto por Asquini.
Comentários
Afirmativa incorreta. É a teoria dos perfis de empresa de Asquini que é
adotada pela doutrina nacional. Além disso, é incorreto dizer que a teoria dos
feixes de contratos coincide com o perfil institucional de Asquini, pois na
verdade representam concepções distintas: enquanto a teoria de feixe de
contratos relaciona-se aos contratos para organizar a atividade econômica e
reduzir os custos de transação, o perfil institucional ou corporativo de Asquini
refere-se à empresa como uma instituição, formada pelo empresários e seus
coloboradores, ok?

57. (FCC/Juiz do Trabalho-TRT-23ªR-MT/2015) Antônio é empresário


individual, como tal inscrito no Registro de Empresas e no CNPJ há mais de
dez anos. Com exceção daqueles legalmente impenhoráveis, respondem pelas
dívidas contraídas por Antônio no exercício da atividade empresarial:
a) somente os seus bens afetados à atividade empresarial, mas limitadamente
ao valor do capital da empresa.
b) todos os seus bens, inclusive os não afetados à atividade empresarial,
desde que deferida judicialmente a desconsideração da personalidade
jurídica da empresa.
c) todos os seus bens.

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d) todos os seus bens, mas limitadamente ao valor do capital da empresa.
e) somente os seus bens afetados à atividade empresarial.
Comentários
Letra “c”. O principal ponto acerca do empresário individual é em relação à sua
responsabilidade pelas dívidas oriundas dos seus negócios. Por elas, o
empresário individual deve responder ilimitadamente, posto que não possui
personalidade jurídica e não há a separação dos bens particulares daqueles
destinados à sua atividade. Ou seja, há confusão patrimonial: bens da
empresa e bens pessoais. No entanto, como bem diz o enunciado, os bens
legalmente considerados impenhoráveis não serão atingidos (arts. 591, 648 e
649, CPC). Assim, a nossa resposta é a letra C – todos os bens do empresário
individual são chamados a responder pelas dívidas da empresa!

58. (FCC / Juiz-TJ-GO / 2015) Thiago, titular de uma empresa individual do


ramo de padaria, veio ser interditado judicialmente e declarado absolutamente
incapaz para os atos da vida civil por conta de uma doença mental que lhe
sobreveio. A Thiago, nesse caso, é:
a) permitido continuar a empresa por meio de representante, mediante prévia
autorização judicial, que não é passível de revogação.
b) vedado continuar a empresa, ainda que por meio de representante.
c) permitido continuar a empresa por meio de representante, mediante prévia
autorização judicial, que poderá ser revogada, também judicialmente, sem
prejuízo dos direitos de terceiros.
d) permitido continuar a empresa por meio de representante,
independentemente de prévia autorização judicial.
e) permitido continuar a empresa por meio de representante, caso em que
todos os bens que já possuía ao tempo da sua interdição ficarão sujeitos
ao resultado da empresa, ainda que estranhos ao acervo desta.
Comentários
Obs.: Não existe mais essa hipótese de incapacidade absoluta, conforme nova
redação do art. 3º do CC (Lei nº 13.146/15). Enunciado fica prejudicado,
porém a consequência e o procedimento em relação a preservação da
empresa continuam válidos, conforme o comentário a seguir!
Letra “c”. Questão que trata da capacidade civil do empresário individual.
Thiago foi declarado absolutamente incapaz, portanto, legalmente, deve ser
representado para continuar a atividade empresarial, mediante prévia
autorização judicial. No entanto, esta autorização judicial poderá ser
revogada pelo juiz sem prejuízo de terceiros, conforme o art. 974, §1º do CC.
Assim, a única alternativa correta é a letra C. Já a letra E está incorreta em
razão do teor do §2º do mesmo artigo.

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Art. 974, CC: poderá o incapaz, por meio de representante ou
devidamente assistido, continuar a empresa antes exercida por
ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor da herança.
§ 1º. Nos casos deste artigo, precederá autorização judicial, após
exame das circunstâncias e dos riscos da empresa, bem como da
conveniência em continuá-la, podendo a autorização ser
revogada pelo juiz, ouvidos os pais, tutores ou representantes
legais do menor ou do interdito, sem prejuízo dos direitos
adquiridos por terceiros.
§ 2o Não ficam sujeitos ao resultado da empresa os bens que o
incapaz já possuía, ao tempo da sucessão ou da interdição, desde
que estranhos ao acervo daquela, devendo tais fatos constar do
alvará que conceder a autorização.

59. (FCC/Auditor-Substituto de Conselheiro-TCM-RJ/2015) É vedado ao


empresário casado, salvo no regime da separação total de bens, alienar os
imóveis que integrem o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus reais
sem a outorga conjugal.
Comentários
Incorreta. Esta assertiva tem como fundamento o art. 978 do CC. Por este
artigo, o empresário casado pode alienar ou gravar de ônus real os imóveis
destinados à atividade empresarial sem a necessidade de autorização do seu
cônjuge, independente do regime de casamento. Notemos que neste caso os
imóveis aqui tratados estão identificados e integrados ao patrimônio da
empresa, logo não há necessidade de outorga conjugal. Assim, esta assertiva
está incorreta, pois não há a ressalva do regime de separação total de bens.
Porém, certamente o examinador intencionava confundir o candidato em razão
do teor do art. 1.647, I, CC: “Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum
dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação
absoluta: I - alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis”. Conflito entre o
art. 978 e 1.647, inciso I ???? Bem, há controvérsia sim! Olhem só o
enunciado nº 6 da I Jornada de Direito Comercial:
“O empresário individual regularmente inscrito é o destinatário da
norma do art. 978 do Código Civil, que permite alienar ou gravar
de ônus real o imóvel incorporado à empresa, desde que exista,
se for o caso, prévio registro de autorização conjugal no Cartório
de Imóveis, devendo tais requisitos constar do instrumento de
alienação ou de instituição do ônus real, com a consequente
averbação do ato à margem de sua inscrição no Registro Público
de Empresas Mercantis”.
Por este enunciado, observemos, exige-se a prévia autorização
conjugal. No entanto, entendemos que este conflito é apenas aparente, em
que pese o enunciado acima. Para chegarmos a um entendimento razoável

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sobre o tema, devemos aplicar o art. 978 de forma especial ou específica
somente aos imóveis destinados à atividade empresarial, ou seja, aos imóveis
efetivamente incorporados à empresa. Neste caso, consagrando a atividade
empresarial e a teoria da empresa, permitindo o livre exercício da atividade
econômica, não haveria a necessidade de outorga conjugal para alienar ou
gravar de ônus real tais bens, ok? Beleza? Foi neste sentido o entendimento
do examinador: art. 1.647, I é a regra geral e o art. 978 é uma regra mais
específica.

60. (FCC/ICMS-RJ/2014) No tocante à atividade empresarial, é correto


afirmar:
a) A pessoa legalmente impedida de exercer atividade própria de empresário,
se a exercer, não responderá pelas obrigações que contrair.
b) Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou com terceiros,
desde que tenham casado no regime da comunhão universal de bens, ou
no da separação obrigatória.
c) Em nenhum caso poderá o incapaz, após reconhecida judicialmente sua
incapacidade, continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz,
por seus pais ou pelo autor da herança.
d) O empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal, qualquer
que seja o regime de bens, alienar os imóveis que integrem o patrimônio
da empresa ou gravá-los de ônus real.
e) A sentença que decretar ou homologar o divórcio do empresário pode ser
oposta de imediato a terceiros, sem necessidade de qualquer averbação ou
arquivo no Registro Público de Empresas Mercantis.
Comentários
d) Esta é a nossa resposta, conforme a literalidade do art. 978 do CC. Esta
regra refere-se ao empresário individual regularmente inscrito no RPEM.
Assim, se o imóvel pertencer ao patrimônio da empresa, não há necessária a
autorização conjugal para alienar ou gravar de ônus real o imóvel,
independente do regime de comunhão do casamento, ok?
a) Além da necessidade de estar em pleno gozo da capacidade civil, o
indivíduo para exercer a atividade empresarial precisa NÃO estar
legalmente impedido, certo? Assim, aquele que estiver por lei impedido de
exercer a atividade empresarial, caso venha a exercer responderá pelas
obrigações assumidas. Logo, seus atos não serão considerados nulos, ok?
Alternativa incorreta, nos termos do art. 973, CC.
b) Relembrando a nossa esquematização sobre o empresário casado, a
alternativa está incorreta, pois os regimes de comunhão citados são as
exceções para que os cônjuges contratem sociedades.

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Obs.: Os cônjuges, separadamente, podem contratar sociedade com terceiros


independente do regime de casamento.
c) Pessoa, devemos ter sempre cuidado com expressões do tipo “Em nenhum
caso”, “jamais”, “nunca”, “todas”, e outras. Normalmente o erro está aí. No
caso desta alternativa, há a afirmação de que em nenhum caso o incapaz
poderá exercer a atividade empresarial. Porém, segundo o art. 974 do CC, o
incapaz poderá exercer a atividade empresarial desde que assistido ou
representado, mediante autorização judicial prévia. Alternativa incorreta.
e) Mais uma vez o uso de expressão extremista: “qualquer”. Em respeito à
publicidade dos atos, o art. 980 do CC determina a necessidade de averbação
e arquivamento no RPEM da sentença de divórcio e de reconciliação, antes de
serem opostas a terceiros.

61. (FCC/Assessor Jurídico-TCE-PI/2014) João Renato era dono de um


restaurante, exercendo pessoalmente sua administração. Sofre um acidente
grave, automobilístico, que o leva a ser interditado para os atos da vida civil,
mas insiste em continuar as atividades da empresa. Nessas condições
pessoais:
a) poderá fazê-lo, por meio de autorização judicial na qual se nomeará um
curador e de natureza irrevogável, salvo prova de abuso de gestão.
b) poderá fazê-lo, desde que por meio de representante ou devidamente
assistido, sem interferência judicial, já que as obrigações legais passam a
ser integralmente de seu representante.
c) não poderá fazê-lo, por impedimento legal e, se o fizer, não responderá
pelas obrigações contraídas, por sua incapacidade.
d) não poderá fazê-lo, por impedimento legal às atividades empresariais mas,
se o fizer, responderá pelas obrigações contraídas, para que não haja
prejuízo a terceiros de boa-fé.
e) poderá fazê-lo, desde que por meio de representante ou devidamente
assistido, com precedente autorização judicial que examine as
circunstâncias e riscos da empresa, bem como a conveniência em continuá-
la e podendo tal autorização ser revogada pelo juiz, nos termos previstos
em lei.
Comentários

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Obs.: Não existe mais essa hipótese de incapacidade absoluta, conforme nova
redação do art. 3º do CC (Lei nº 13.146/15). Enunciado fica prejudicado,
porém a consequência e o procedimento em relação a preservação da
empresa continuam válidos, conforme o comentário a seguir!
Letra “e”. Observem como as questões se repetem. Após algumas questões e
comentários, ficou fácil esta questão, não é mesmo? A nossa resposta é a letra
E, conforme o art. 974, §1º do CC. Logo, é importantíssimo sempre fazermos
questões de provas anteriores, ok?

62. (FCC/Assessor Jurídico-TCE-PI/2014) Marina é dona de um


laboratório especializado em exames patológicos, que realiza a pedido de
médicos e hospitais. Fábio é agricultor, com atividade voltada à montagem de
cestas de legumes e verduras orgânicas, a serem vendidas em feiras e
supermercados. Quanto a essas atividades:
a) em nada se relacionam com atividades empresariais, por serem próprias de
sociedades civis e de profissionais liberais.
b) somente a de Marina é empresarial, já que voltada ao lucro, apesar de
científica; a de Fábio é atividade agrária, que não se confunde com uma
conduta empresarial.
c) somente a conduta de Fábio é empresarial, já que se trata de atividade
econômica organizada para a produção de bens, enquanto a atividade de
Marina é científica, que não se considera empresarial.
d) nenhuma delas é empresarial, já que a atividade de Marina é científica, que
não se considera empresarial, e a de Fábio é meramente agrária, também
não caracterizada como tal.
e) são ambas empresariais, pois Marina exerce profissão de natureza
científica, mas visando ao lucro e constituindo elemento de empresa,
enquanto Fábio exerce atividade econômica organizada, para a produção e
circulação de bens.
Comentários
Letra “e”. Esta questão aborda a teoria da empresa. O enunciado menciona
duas atividades que devem ser confrontadas entre si nos termos da teoria da
empresa. Só o enunciado não nos ajuda muito para acertarmos a questão.
Mas pelos detalhes das alternativas é possível acertarmos pelo que já
estudamos até aqui, principalmente quanto às exceções à teoria da empresa.
Vejamos!
e) Pessoal, já ouviram aquela frase “não adianta brigar com o examinador”?
Ou aquela outra clássica dos concurseiros “marque a menos incorreta”? É o
caso aqui. As demais alternativas estão muito incorretas – sem chances!!!
Porém, esta alternativa E tem uma impropriedade até certo ponto grave no
seu final. A definição sobre a atividade da Marina está correta (menciona

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elemento de empresa numa atividade científica, beleza?). Agora, sobre a
atividade de Fábio é que temos o problema. Fábio é agricultor e exerce uma
atividade rural, correto? Portanto, esta é uma das exceções à teoria da
empresa. Quem exerce a atividade rural, seja de forma organizada
configurando empresa ou não, deve se registrar na Junta Comercial para ser
considerado empresário (art. 971, CC) – é opcional. Então, este registro é
constitutivo da condição de empresário rural, conforme a corrente
majoritária. Inclusive esta é a orientação da Jornada de Direito Civil sob a
tutela do Conselho da Justiça Federal no enunciado nº 202: “O registro do
empresário ou sociedade rural na Junta Comercial é facultativo e de natureza
constitutiva, sujeitando-o ao regime jurídico empresarial. É inaplicável esse
regime ao empresário ou sociedade rural que não exercer tal opção”. Porém,
entendeu o examinador que exercendo a atividade nos moldes do conceito
clássico de empresário (art. 966, caput) é suficiente para ser considerado
empresário rural. Enfim, muita atenção!!!!
a) Incorreta, pois esta diferenciação entre sociedades comerciais e civis, de
forma objetiva, é a base da teoria dos atos comerciais. Assim, necessitamos
verificar de que forma a atividade empresarial está sendo exercida.
b) Incorreta, pois a lucratividade de forma isolada não é a principal
característica definidora da atividade empresarial. Então, dizer que a atividade
de Mariana é empresária pelo simples fato de visar o lucro é incorreto. Além
disso, a atividade rural (agrária) pode ser considerada empresária.
c) Incorreta. Por ser uma atividade rural, a opção pelo regime jurídico
empresarial é dada pelo registro da atividade na Junta Comercial (art. 971,
CC). Como já comentamos, a atividade científica pode ser considerada
empresarial desde que possua elemento de empresa.
Art. 971. O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal
profissão, pode, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e
seus parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas
Mercantis da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará
equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro.

d) Incorreta. Somente pelas informações do enunciado não seria possível


chegar a uma conclusão sobre se tais atividades são empresariais ou não.
Porém, as definições trazidas por esta alternativa estão definitivas incorretas.

63. (CESPE/Procurador-AGU/2010) Marcos exerce atividade rural como


sua principal profissão. Nessa situação, Marcos poderá requerer, observadas
as formalidades legais, sua inscrição perante o Registro Público de Empresas
Mercantis da respectiva sede, equiparando-se, após a sua inscrição, ao
empresário sujeito a registro.
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Correta. A pessoa ou a sociedade que exercer atividade rural tem a opção de
inscrever-se tanto no RCPJ quanto no RPEM, conforme previsto nos arts. 971 e
984 do CC. Optando pelo RPEM, será equiparado ao empresário sujeito a
registro.

64. (FCC/Juiz Substituto-TJ-MS/2010) Considera-se empresário:


a) quem organiza a produção de certa mercadoria, ainda que episodicamente,
destinando-a à venda no mercado.
b) quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a
produção ou a circulação de bens ou de serviços.
c) quem exerce habitualmente qualquer atividade, econômica ou intelectual,
para prestação de serviços diretos na comunidade.
d) o profissional da área científica, literária ou artística, desde que se trate de
atividade habitual, como regra.
e) quem exerce atividade econômica, habitualmente ou não, desde que
destine a produção de seus bens à venda no mercado.
Comentários
Letra “b”. Questão literal ao art. 966 do CC, que define empresário e positiva a
teoria da empresa.
“Art. 966 do CC. Considera-se empresário quem exerce
profissionalmente atividade econômica organizada para a
produção ou a circulação de bens ou de serviços”

65. (FCC/Juiz Substituto-TRT 11ª/2007) Determinada pessoa física


exercia atividade empresarial e, em determinado momento, torna-se
incapaz para os atos da vida civil. Nesse caso, a continuidade do exercício
da empresa
a) pode ser efetuada por mandatário do empresário.
b) é ilegal.
c) depende de autorização judicial.
d) pode ser efetuada por curador, independentemente de autorização judicial.
e) é possível por intermédio dos sócios do empresário.
Comentários
Letra “c”. Mais uma questão sobre capacidade e impedimento para o exercício
de atividade típica de empresário. Em caso de incapacidade ou impedimento, a
autorização judicial é imprescindível para o exercício da atividade
empresarial pelo incapaz ou impedido, de acordo com o art. 974, §1º do
CC. Logo, a alternativa correta é a letra c.

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66. (FCC/Procurador BACEN/2006) Pessoa incapaz pode ser empresária
individual
a) se autorizada judicialmente a continuar a exploração de estabelecimento
recebido por ela em herança.
b) se for maior de 14 (quatorze) anos e possuir estabelecimento com
economia própria.
c) na qualidade de sócia de sociedade de responsabilidade limitada, desde
que não possua poderes de administração.
d) como acionista, sem direito de voto, de sociedade anônima.
e) em qualquer hipótese, desde que devidamente representada na forma da
lei.
Comentários
Letra “a”. Logo de cara a letra a) é a nossa resposta. A alternativa está
conforme o art. 974, §1º do CC. É necessária a devida autorização judicial
para que o incapaz possa ser empresário individual e continue a atividade
empresária recebida em herança. Vamos passar pelas demais alternativas. A
letra b) está incorreta em virtude de mencionar a idade de 14 anos. Se
mencionasse 16 anos, estaria correta, pois conforme o art. 5º do CC, há essa
possibilidade de emancipação do menor. Neste caso, teria que ser averbada
no Registro Público de Empresas Mercantis a prova da emancipação (art. 976,
CC). As letras c) e d) estão absolutamente infundadas. A letra e) está
incorreta devido à expressão “em qualquer hipótese”, pois somente em
algumas hipóteses o incapaz poderá ser empresário individual.

67. (FCC/Procurador Jaboatão dos Guararapes-PE/2006) Em relação ao


empresário, é correto afirmar que
a) empresário casado sob o regime de comunhão universal de bens não pode
alienar os imóveis que integram o patrimônio da empresa ou gravá-los de
ônus real sem o consentimento de seu cônjuge.
b) se se tornar incapaz, não poderá continuar a empresa antes exercida por
ele enquanto capaz.
c) se impedido de exercer atividade própria de empresa, vier a exercê-la, não
responderá pelas obrigações contraídas.
d) é facultado contratar sociedade com seu cônjuge, se forem casados sob o
regime da comunhão parcial de bens.
e) sem qualquer restrição, podem exercer a atividade de empresário os que
estiverem em pleno gozo da capacidade civil.
Comentários

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d) Correta. O art. 977 do CC faculta aos cônjuges contratar sociedade
entre si, com a condição de NÃO terem casado no regime da comunhão
universal de bens ou no da separação obrigatória.
a) Incorreta. O empresário casado independente do regime de bens pode
alienar os imóveis que integrem o patrimônio da empresa ou gravá-los de
ônus real SEM o consentimento de seu cônjuge.
b)Incorreta. Há previsão no art. 974, caput para que o empresário individual
que se tornou incapaz de continuar a empresa antes exercida por ele
enquanto capaz.
c) Incorreta nos termos do art. 973 do CC, que prevê a responsabilidade do
empresário impedido de exercer atividade empresarial, quando vier a
exercê-la.
e) Incorreta. Devemos ficar sempre atentos a expressões extremistas, como
“sempre”, “nunca”, “toda”, “sem qualquer restrição” e outras mais. Pode haver
uma “pegadinha”. Nesta alternativa, a plena capacidade civil NÃO
configura condição suficiente para caracterizar o empresário, já que,
ainda deve preencher os requisitos estabelecidos no art. 966 do CC, bem
como não estar impedido. O indivíduo pode ser capaz civilmente para
exercer a atividade empresária, porém estar impedido, em razão de ser
militar, por exemplo.

68. (FCC/Procurador-BACEN/2006) O art. 195, I, da Constituição


estabelece que a seguridade social será custeada por contribuições sociais
"do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da
lei". De acordo com a terminologia empregada pelo Código Civil, a palavra
"empresa", no texto constitucional, está usada de modo:
a) correto.
b) incorreto, devendo ser substituída por "empresário".
c) incorreto, devendo ser substituída por "pessoa jurídica".
d) incorreto, devendo ser substituída por "atividade".
e) incorreto, devendo ser substituída por "estabelecimento".
Comentários
Letra “b”. Esta questão aborda exatamente a diferença: empresa, empresário
e estabelecimento empresarial. Observemos que o enunciado menciona
sujeitos de direito: “empregador”, “entidade”. Logo, não restam dúvidas de
que o dispositivo deveria mencionar “empresário”, como indivíduo que exerce
a atividade típica de empresa, sendo sujeito de direito (perfil subjetivo de
Asquini).

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69. (FCC/OAB-SP/2005) No regime do atual Código Civil, a caracterização
de determinada atividade econômica como empresarial
a) depende de expressa previsão legal ou regulamentar, devendo a atividade
constar em relação previamente expedida pelo Departamento Nacional de
Registro de Comércio.
b) é feita mediante opção do empresário, que no momento do seu registro
deverá declinar se sua atividade será empresarial, ou não.
c) é aferida a posteriori, conforme seja a atividade efetivamente exercida em
caráter profissional e organizado, ou não.
d) depende do ramo da atividade exercida pelo empresário, sendo
empresarial a compra e venda de bens móveis e semoventes e não
empresariais as demais atividades.
Comentários
Letra “c”. Mais uma boa questão de atividade empresarial. Pelo que já
estudamos fica “mole” marcamos a letra c), tendo em vista a necessidade de
analisarmos a forma como a atividade está sendo exercida para inseri-la no
regime jurídico empresarial. As letra a) e d) referem-se aos atos de comércio.
A letra b) trata da exceção à teoria da empresa e faz referência àquele que
exerce a atividade rural.

70. (FCC/Juiz Substituto-TRT 11ª/2005) De acordo com o Código Civil de


2002, a utilização do termo "comerciante" para designar todo aquele a
quem são dirigidas as normas de Direito Comercial:
a) permanece correta, em razão da adoção, pelo Código Civil, da teoria
objetiva dos atos de comércio.
b) perdeu sentido, pois a revogação de parte expressiva do Código Comercial
operou a extinção do Direito Comercial.
c) tornou-se equivocada, pois o Código Civil estendeu a aplicação do Direito
Comercial a todos os que exercem atividade econômica organizada e
profissional, não apenas comerciantes.
d) permanece correta, em razão da adoção, pelo Código Civil, da teoria da
empresa.
e) tornou-se equivocada, pois os antigos "comerciantes" são hoje
denominados "empresários", embora designando os mesmos conceitos.
Comentários
Letra “c”. Comentemos, então, cada alternativa sobre a expressão
“comerciante”.
c) Correta e d) e e) Incorretas. Com o novo Código Civil e a adoção da teoria
da empresa, ampliou-se a aplicação do Direito Comercial a todos os que

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exercem atividade econômica organizada e profissional, não apenas aos
comerciantes (pessoa que pratica o comércio). Logo, o termo comerciante
tornou-se equivocado, cedendo lugar ao EMPRESÁRIO, expressão mais
abrangente, sendo definido nos termos do art. 966, do CC.
a) Incorreta, pois a alternativa menciona a teoria dos atos de comércio e a
teoria adotada pelo Código Civil de 2002 foi a Teoria da Empresa.
b) Incorreta, pois mesmo revogando-se duas partes do Código Comercial, o
regime jurídico-comercial está em plena aplicação, não foi extinto. O Direito
Comercial está em plena atividade, não é mesmo? (rsrsrs).

71. (FGV/ISS-Recife/2014) Paulo Afonso, casado no regime de comunhão


parcial com Jacobina, é empresário enquadrado como microempreendedor
individual (MEI). O varão pretende gravar com hipoteca o imóvel onde está
situado seu estabelecimento, que serve exclusivamente aos fins da
empresa. De acordo com o Código Civil, assinale a opção correta.
a) O empresário casado não pode, sem a outorga conjugal, gravar com
hipoteca os imóveis que integram o seu estabelecimento, salvo no regime
da separação de bens.
b) O empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal, qualquer
que seja o regime de bens, gravar com hipoteca os imóveis que integram o
seu estabelecimento.
c) O empresário casado, qualquer que seja o regime de bens, depende de
outorga conjugal para gravar com hipoteca os imóveis que integram o seu
estabelecimento.
d) O empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal, gravar
com hipoteca os imóveis que integram o seu estabelecimento, salvo no
regime da comunhão universal.
e) O empresário casado pode, mediante autorização judicial, gravar com
hipoteca os imóveis que integram o estabelecimento.
Comentários:
Letra “b”. A questão trata da possibilidade do empresário Paulo Afonso, casado
no regime de comunhão parcial de bens, gravar com hipoteca o imóvel onde
se localiza o estabelecimento empresarial, que serve exclusivamente aos fins
da empresa. O enquadramento de Paulo Afonso como MEI, não é relevante
para a resolução da questão. Pois bem, sugiro que nos recordemos do que foi
falado quanto ao empresário casado na parte teórica. Tudo bem? Então,
devemos nos lembrar que há certo conflito entre o art. 978 que trata do
empresário individual casado e o art. 1.647, o qual aborda a proteção à
sociedade conjugal. Também, deve ser lembrado que há duas possíveis
interpretação para solucionar esse conflito: 1) necessita de autorização
conjugal, exceto no regime de separação total de bens; 2) NÃO necessita de

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autorização conjugal independente do regime de casamento. A FGV, nesta
questão, considerou a segunda corrente para tornar a letra B correta, ok?
Entendido? Ou seja, deu-se privilégio à atividade empresarial.

72. (FGV / ICMS-RJ / 2010) As alternativas a seguir apresentam figuras


que estão proibidas de exercer a atividade empresarial, à exceção de uma.
Assinale-a.
a) O falido que, mesmo não tendo sido condenado por crime falimentar, não
foi reabilitado por sentença que extingue suas obrigações.
b) O magistrado.
c) O militar da ativa.
d) A mulher casada pelo regime da comunhão universal de bens, se ausente a
autorização marital para o exercício de atividade empresarial.
e) Os que foram condenados pelo juízo criminal à pena de vedação do
exercício de atividade mercantil.
Comentários
Letra “d”. Nesta questão, primeiramente tenha bastante atenção ao que está
sendo pedido no enunciado. Por vezes ele pode nos confundir, certo? Veja que
ele nos pede para assinalar a alternativa que NÃO está proibida de exercer a
atividade empresarial, sendo que as demais estarão impedidas devido a
dispositivos legais. Algumas das alternativas tratamos nesta aula. Outras nem
tanto. Porém, a questão poderia ser acertada pelo candidato utilizando o
famoso método da “eliminação”, bastaria ter calma para analisar cada uma.
Vamos lá? Com exceção da alternativa correta, as demais têm previsão de
proibição/vedação em leis específicas.
d) A mulher casada pelo regime da comunhão universal de bens, se ausente a
autorização marital para o exercício de atividade empresarial.
Esta é nossa resposta por eliminação. O antigo código civil trazia esta
previsão. Porém, hoje não há mais cabimento para este tipo de previsão,
certo? Ou seja, não existe a distinção apontada na alternativa entre homem e
mulher.
a) O falido que, mesmo não tendo sido condenado por crime falimentar, não
foi reabilitado por sentença que extingue suas obrigações.
Incorreta. Art. 102 da Lei de Falências (Lei nº 11.101/05). Mesmo sem
ter estudado ainda o regime falimentar, é óbvio que o indivíduo falido que
ainda tem obrigações pendentes não poderá se aventurar em outra atividade
empresarial, não é mesmo?
b) O magistrado.
c) O militar da ativa.

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Incorretas. Art. 36, I da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Lei
Complementar n.° 35/79) e o art. 29 do Estatuto dos Militares (Lei nº
6.880/80). Logicamente, essas pessoas não podem ser empresárias.
e) Os que foram condenados pelo juízo criminal à pena de vedação do
exercício de atividade mercantil.
Incorreta. Art. 35, II da Lei do Registro Público de Empresas Mercantis
(Lei n.° 8.934/94). Obviamente que se o juiz condena o indivíduo a esse tipo
de pena, pressupomos realmente que ele estará proibido de exercer a
atividade empresária.

73. (FGV / ISS-Cuiabá / 2014) A respeito do empresário individual,


assinale V para a afirmativa verdadeira e F para a falsa.
( ) O empresário individual poderá limitar sua responsabilidade pelos atos
praticados no exercício da empresa caso seja enquadrado como
microempreendedor individual.

Comentários
Incorreta. Pela teoria da empresa, o empresário individual é a pessoa física
que exerce a atividade típica de empresa. Como não há a proteção da
personalidade jurídica própria das pessoas jurídicas de direito privado (art. 44
do Código Civil-CC), o empresário individual possui responsabilidade ilimitada
e direta pelas obrigações e dívidas decorrentes do exercício de sua atividade.
Ou seja, ele irá responder com seus próprios bens pela solvência das dívidas
surgidas no exercício de sua atividade empresarial. Logo, voltando à assertiva,
ela está incorreta ao tentar limitar a responsabilidade do empresário
individual, beleza? No mais, o empresário individual pode se enquadrar como
Microempresa, Empresa de pequeno porte, e Microempreendedor Individual
(MEI). Ainda pode ser Empresa Individual de Responsabilidade Limitada
(EIRELI). Com relação ao MEI, conforme o art. 18-A da LC 123/06, é aquele
empresário individual com receita bruta anual de até R$ 81.000,00
podendo optar pelo Simples Nacional. O MEI é o pequeno empresário a que se
refere o art. 966, CC.

74. (FGV/ISS-Niterói/2015) A Empresa Individual de Responsabilidade


Limitada (EIRELI) é uma pessoa jurídica que pode ser constituída por pessoa
natural, desde que seja aportado um valor em bens ou em numerário de, no
mínimo, 100 (cem) salários mínimos, totalmente integralizado. Em relação a
EIRELI, analise as afirmativas a seguir:
I. O administrador da EIRELI, sempre pessoa natural, poderá ser designado no
ato de constituição ou em ato separado.
II. O nome empresarial da EIRELI não pode ser usado pelo instituidor, exceto
se for administrador com os necessários poderes.

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III. A pessoa natural somente poderá instituir uma EIRELI para participar dela.
IV. A EIRELI enquadrada como microempresa terá direito, em sede de
recuperação judicial, ao parcelamento de seus débitos com prazos 20% (vinte
por cento) maiores do que aqueles ordinariamente concedidos.
V. Em caso de concentração de todas as quotas de uma sociedade empresária
na titularidade de sócio pessoa natural, esse poderá requerer a transformação
do registro em EIRELI. Está correto o que se afirma em:
a) somente III;
b) somente II e IV;
c) somente I, II e V;
d) somente I, II, IV e V;
e) I, II, III, IV e V.
Comentários
Letra “e”. Esta questão exigiu bastante do candidato, já o examinador cobrou
pontos além do Código Civil e que se encontram na Instrução Normativa nº
38/2017 do Departamento de Registro Empresarial e Integração-DREI, órgão
subordinado à Secretaria da Micro e Pequena Empresa, que substituiu o
Departamento Nacional de Registro do Comércio nas atribuições de registro
dos atos empresariais.
I – O primeiro ponto desta alternativa é sobre a administração da EIRELI
quanto à possibilidade de pessoa jurídica exercer tal papel. A IN nº 38 do
DREI, Anexo V, veda a pessoa jurídica como administradora da EIRELI
(item 1.2.12.3 – Administrador – pessoa jurídica). O segundo ponto diz
respeito à hipótese do administrador da EIRELI ser nomeado em ato
separado. Bem, normalmente, assim como na sociedade limitada, o
administrador pode ser nomeado em ato separado. A IN em questão não
dispõe de forma contrária. O RCPJ-RJ, por exemplo, dispõe de forma expressa
que o administrador poderá ser designado tanto no ato constitutivo quanto em
ato separado. Logo, podemos pressupor que existe a possibilidade do
administrador ser nomeado em ato separado. Também poderíamos concluir
este ponto por meio das normas da sociedade limitada, já que pelo art. 980-A,
§6º, CC, as normas da sociedade limitada são aplicadas subsidiariamente à
EIRELI. Por conseguinte, o art. 1.060 do CC permite que o administrador da
sociedade limitada seja nomeado em ato separado. Enfim, apesar da
polêmica, esta alternativa está conforme a norma vigente. Correta.
II – Como vimos no item anterior, as normas da sociedade limitada são
aplicadas à EIRELI. Assim, o art. 1.064 que afirma que “O uso da firma ou
denominação social é privativo dos administradores que tenham os
necessários poderes”, é o fundamento que deixa esta assertiva correta.
III – Correta, nos termos do §2º do art. 980-A do CC.

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Art. 980-A. §2º A pessoa natural que constituir empresa individual de
responsabilidade limitada somente poderá figurar em uma única
empresa dessa modalidade.

IV – Correta, nos termos do §único do art. 68 da Lei nº 11.101/2005 (Lei de


Falências). Trata-se de um item bem específico que foi recentemente incluído
na Lei de Falências. Talvez aí, na novidade, esteja a razão do examinador ter
cobrado este ponto. Mais uma maldade da FGV!!! Ainda veremos este ponto
futuramente. Por ora, transcrevo apenas o dispositivo em comento:
Art. 68. Parágrafo único. As microempresas e empresas de pequeno
porte farão jus a prazos 20% (vinte por cento) superiores àqueles
regularmente concedidos às demais empresas. (Incluído pela Lei
Complementar nº 147, de 2014)

V – Correta, nos termos do §3º do Art. 980-A c/c com o §único do Art. 1.033
do CC. Gabarito: E (todas corretas)
Art. 980-A. § 3º A empresa individual de responsabilidade limitada
também poderá resultar da concentração das quotas de outra
modalidade societária num único sócio, independentemente das razões
que motivaram tal concentração.

Art. 1.033. Parágrafo único. Não se aplica o disposto no inciso IV caso o


sócio remanescente, inclusive na hipótese de concentração de todas as
cotas da sociedade sob sua titularidade, requeira, no Registro Público de
Empresas Mercantis, a transformação do registro da sociedade para
empresário individual ou para empresa individual de responsabilidade
limitada, observado, no que couber, o disposto nos arts. 1.113 a 1.115
deste Código.

75. (FGV / ISS-Cuiabá / 2014) A respeito do empresário individual,


assinale V para a afirmativa verdadeira e F para a falsa.

( ) Ao efetuar seu registro como empresário individual, a pessoa física tem a


opção de declarar se exerce a empresa como empresário ou como EIRELI; no
primeiro caso, a responsabilidade será ilimitada e, no segundo, limitada.

Comentários
Incorreta. Maldade da banca! Afirmativa difícil, mas incorreta. Vejo dois erros:
1) Há o obstáculo do capital social, que não pode ser inferior a 100 vezes o
maior salário-mínimo vigente (art. 980-A, caput, CC), ou seja, dizer
genericamente que o empresário individual pode optar pela EIRELI não é
correto – está incompleto; 2) Além disso, a pessoa física ou opta por se
registrar como empresário individual ou como EIRELI – já registrado como
empresário individual não cabe essa declaração de exercício da atividade como
empresário ou como EIRELI, pois já é empresário individual. O que pode

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ocorrer é a transformação dos atos constitutivos de empresário individual para
EIRELI por meio de requerimento. Beleza?

76. (FEPESE/Analista Técnico em Gestão de Registro Mercantil-


JUCESC/2013) De acordo com a Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002,
que institui o Código Civil brasileiro, é correto afirmar sobre a empresa
individual de responsabilidade limitada (EIRELI):
a) A EIRELI será constituída por uma ou mais pessoas titulares da totalidade
do capital social.
b) A pessoa natural que constituir EIRELI somente poderá figurar em uma
única empresa dessa modalidade.
c) A totalidade do capital social da EIRELI não será inferior a 60 vezes o maior
salário-mínimo vigente no País.
d) O nome empresarial utilizado será obrigatoriamente a denominação social,
acompanhado da expressão “EIRELI”.
e) Aplicam-se à EIRELI, no que couber, as regras previstas para as sociedades
simples.
Comentários
Letra “b”. Correta, conforme a literalidade do §2º do art. 980-A do CC.

Letra “a” e “c”. Incorreta, conforme o caput do art. 980-A do CC: Art. 980-A.
A empresa individual de responsabilidade limitada será constituída por uma
única pessoa titular da totalidade do capital social, devidamente
integralizado, que não será inferior a 100 (cem) vezes o maior salário-
mínimo vigente no País.
Letra “d”. Incorreta, pois a EIRELI pode adotar firma ou denominação social
como nome empresarial. Art. 980-A. § 1º O nome empresarial deverá ser
formado pela inclusão da expressão "EIRELI" após a firma ou a
denominação social da empresa individual de responsabilidade limitada.
Letra “e”. Incorreta, pois as normas das sociedades limitadas são aplicadas
subsidiariamente à EIRELI.

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Art. 980-A. § 6º Aplicam-se à empresa individual de responsabilidade
limitada, no que couber, as regras previstas para as sociedades
limitadas.

77. (FCC/Promotor de Justiça-MPE-PE/2014) Em relação à Empresa


Individual de Responsabilidade Limitada, é correto afirmar:
a) Sua constituição e funcionamento, independentemente do objeto,
dependem de prévia autorização da Junta Comercial.
b) O seu capital social não poderá ser superior a 100 (cem) vezes o maior
salário mínimo vigente no País.
c) Tem natureza jurídica de sociedade limitada unipessoal, de sorte que o seu
nome empresarial deverá ser formado pela inclusão da expressão "Ltda."
após a firma ou a denominação social.
d) A mesma pessoa natural não poderá, simultaneamente, ser titular de mais
de uma empresa individual de responsabilidade limitada, ainda que seja
capaz de integralizar o capital de todas elas.
e) Tem personalidade jurídica própria, que não se confunde com a do seu
titular e se adquire com a sua inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas
Jurídicas (CNPJ).
Comentários
d) Correta, conforme estabelecido no art. 980-A, §2º, CC.
Art. 980-A, § 2º. A pessoa natural que constituir empresa individual de
responsabilidade limitada somente poderá figurar em uma única
empresa dessa modalidade.

a) Incorreta. Não há a previsão de autorização prévia da Junta Comercial para


constituir EIRELI.
b) Incorreta. O capital social da EIRELI não será inferior a 100 vezes o salário
mínimo vigente no país (art. 980-A, caput, CC).
c) Incorreta. Conforme o Enunciado nº 469, da Jornada de Direito Civil, a
EIRELI é um novo ente jurídico personalizado, ou seja, não é sociedade
unipessoal. Já o Enunciado nº 3, da Jornada de Direito Comercial, afirma que:
“A Empresa Individual de Responsabilidade Limitada – EIRELI não é
sociedade unipessoal, mas um novo ente, distinto da pessoa do empresário
e da sociedade empresária”. Além disso, acerca do seu nome empresarial,
deve-se incluir a expressão “EIRELI” após a firma ou denominação.
Art. 980-A §1º. O nome empresarial deverá ser formado pela inclusão
da expressão “Eireli” após a firma ou a denominação social de
empresa individual de responsabilidade limitada.

e) Incorreta. A EIRELI adquire a personalidade jurídica com a inscrição dos


seus atos constitutivos no registro próprio, e não no CNPJ. Afinal de contas, a
existência legal das pessoas jurídicas inicia-se conforme o art. 45 do CC
abaixo transcrito:

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Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas direito privado
com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro,
procedida, quando necessário ou aprovação do Poder Executivo,
averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato
constitutivo.

78. (FCC / Juiz-TJ-SC / 2015) Ricardo, empresário do ramo de móveis,


alienou o seu estabelecimento para Alexandre, que ali deu continuidade à
exploração da mesma atividade. No contrato de trespasse, foram
regularmente contabilizadas todas as dívidas relativas ao estabelecimento,
algumas delas já vencidas e outras por vencer. Nesse caso, Ricardo:
a) não responde pelas dívidas do estabelecimento, ainda que anteriores à sua
transferência.
b) responde com exclusividade por todas as dívidas do estabelecimento
anteriores à sua transferência.
c) responde com exclusividade apenas pelas dívidas já vencidas por ocasião
da transferência do estabelecimento.
d) responde solidariamente com Alexandre, durante determinado prazo, por
todas as dívidas anteriores à transferência do estabelecimento.
e) responde solidariamente com Alexandre apenas pelas dívidas já vencidas
por ocasião da transferência do estabelecimento.
Comentários
Letra “d”. Esta questão versa sobre a sucessão empresarial em relação ao
contrato de trespasse do estabelecimento. Conforme reza o Art. 1.146, “O
adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos
anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados,
continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um
ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos
outros, da data do vencimento”. Logo, a única alternativa correta é a letra D.
Ressalta-se, contudo, que não são todas as dívidas sujeitas a essa regra, tal
como estudamos mais acima. As dívidas trabalhistas e tributárias possuem
regras próprias! Porém, as demais alternativas estão de fato incorretas.

79. (FCC / Procurador-TCE-CE / 2015) Considere as seguintes proposições


acerca do registro da empresa:
I. Entre outras atribuições, cabe ao órgão incumbido do registro verificar a
regularidade das publicações determinadas em lei.
II. O ato sujeito a registro, ressalvadas disposições especiais da lei, não pode,
antes do cumprimento das respectivas formalidades, ser oposto a terceiro,
salvo prova de que este o conhecia.

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III. A sociedade empresária vincula-se ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas.
IV. Cumpre à autoridade competente, antes de efetivar o registro, verificar a
legitimidade do signatário do requerimento, mas não a sua autenticidade.
V. O registro é pressuposto para a constituição regular da sociedade
empresária, mas a aquisição de personalidade jurídica somente ocorre com a
sua inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas − CNPJ.
Está correto o que se afirma APENAS em:
a) IV e V.
b) I e III.
c) II e V.
d) III e IV.
e) I e II.
Comentários
Letra “e”.
I – Correta, conforme caput do art. 1.152 do CC:
Cabe ao órgão incumbido do registro verificar a regularidade das
publicações determinadas em lei, de acordo com o disposto nos
parágrafos deste artigo.

II – Correta, segundo a literalidade do caput do art. 1.154 do CC.


III – Incorreta. A sociedade empresária está vinculada ao RPEM (Junta
Comercial), enquanto a sociedade simples vincula-se ao RCPJ.
Art. 1.150, CC. O empresário e a sociedade empresária vinculam-se ao
Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais,
e a sociedade simples ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas, o qual
deverá obedecer às normas fixadas para aquele registro, se a sociedade
simples adotar um dos tipos de sociedade empresária.

IV – Incorreta, conforme caput do art. 1.153 do CC:


Cumpre à autoridade competente, antes de efetivar o registro, verificar
a autenticidade e a legitimidade do signatário do requerimento, bem
como fiscalizar a observância das prescrições legais concernentes ao ato
ou aos documentos apresentados.

V – Incorreta, pois a inscrição no registro próprio dos atos constitutivos


confere à sociedade personalidade jurídica – ela “nasce” para o Direito.
Art. 985. A sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição, no
registro próprio e na forma da lei, dos seus atos constitutivos (arts. 45 e
1.150).

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80. (FCC / Juiz-TJ-PE / 2015) Acerca do nome empresarial, é correto
afirmar:
a) O nome de sócio que vier a falecer pode ser conservado na firma social.
b) É vedada a alienação do nome empresarial.
c) A inscrição do nome empresarial somente será cancelada a requerimento
do seu titular, mesmo quando cessado o exercício da atividade para que foi
adotado.
d) Independentemente de previsão contratual, o adquirente de
estabelecimento, por ato entre vivos, pode usar o nome empresarial do
alienante, precedido do seu próprio, com a qualificação de sucessor.
e) A sociedade em conta de participação pode ter firma ou denominação.
Comentários
Letra “b”.
b) Correta. É a nossa resposta mesmo, nos termos do art. 1.164 do CC: “O
nome empresarial não pode ser objeto de alienação”.
a) Incorreta, pois conforme o princípio da veracidade, o nome empresarial
deve retratar a realidade, ou seja, não pode conter informações falsas nem o
nome do sócio falecido, excluído ou que se retirou da sociedade, conforme o
art. 1.165 do CC: “O nome de sócio que vier a falecer, for excluído ou se
retirar, não pode ser conservado na firma social”.
c) Incorreta, pois qualquer interessado poderá requerer o cancelamento do
nome empresarial quando cessar o exercício da atividade para que foi
adotado, ou quando ultimar-se a liquidação da sociedade que o inscreveu (art.
1.168, CC).
d) Incorreta, já que faz-se necessária a previsão de permissão no contrato a
utilização do nome empresarial pelo adquirente do estabelecimento.
Art. 1.164, §único. O adquirente de estabelecimento, por ato
entre vivos, pode, se o contrato o permitir, usar o nome do
alienante, precedido do seu próprio, com a qualificação de
sucessor.

e) Incorreta. A sociedade em conta de participação não poderá ter nome


empresarial (art. 1.162, CC).

81. (FCC / Julgador Administrativo Tributário-SEFAZ-PE / 2015)


Quanto ao estabelecimento empresarial, é correto afirmar:
a) O conceito de estabelecimento empresarial confunde-se com o da
sociedade empresária, como sujeito de direito, e com o de empresa, como
atividade econômica.

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b) O estabelecimento empresarial é composto apenas por elementos
materiais, como as mercadorias do estoque, os mobiliários, utensílios,
veículos, maquinaria, clientela etc.
c) Na classificação geral dos bens, conforme Código Civil, o estabelecimento
empresarial é uma universalidade de fato, por encerrar um conjunto de
bens pertinentes ao empresário e destinados à mesma finalidade, de servir
à exploração de empresa.
d) Ao estabelecimento empresarial imputam-se as obrigações e asseguram-se
os direitos relacionados com a empresa, já que passou o estabelecimento a
possuir personalidade jurídica.
e) A sociedade empresária só pode ser titular de um único estabelecimento
empresarial, dado o princípio da unicidade.
Comentários
a) e d) Incorretas. A letra “c” é o nosso gabarito. O estabelecimento
empresarial representa uma universalidade de fato, logo não constitui sujeito
de direito nem possui personalidade jurídica própria e distinta da empresa
(art. 1.142 do CC).

EMPRESÁRIO ESTABELECIMENTO
EMPRESA EMPRESARIAL

Atividade Sujeito que Complexo de


Empresarial exerce a atividade bens

b) Incorreta. O estabelecimento empresarial é composto por bens materiais e


imateriais.
e) Incorreta. Para a execução mais eficiente de sua atividade econômica, a
sociedade empresária, como pessoa jurídica, muitas vezes constitui filiais.
Contudo, o patrimônio da sociedade continua um só, em respeito à unicidade
patrimonial da pessoa jurídica. A autonomia de cada estabelecimento
empresarial da sociedade empresária refere-se somente às suas obrigações
tributárias, facilitando a fiscalização. Ou seja, é criado um CNPJ para cada
filial, mas que vinculam-se ao CNPJ matriz da sociedade empresária, ok?

82. (FCC / Julgador Administrativo Tributário-SEFAZ-PE / 2015) Em


relação ao registro da empresa, é correto afirmar:

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a) O ato empresarial sujeito a registro não pode, antes do cumprimento das
respectivas formalidades, em nenhuma hipótese, ser oposto a terceiro.
b) As sociedades empresárias, dependendo do objeto a que se dedicam,
devem registrar-se na Junta Comercial do Estado em que estão sediadas.
c) Os atos do registro de empresa praticados pelas Juntas Comerciais são, em
sua totalidade, a matrícula e o arquivamento dos atos empresariais.
d) O registro dos atos empresariais sujeitos à formalidade legal será requerido
privativamente pelos sócios da empresa.
e) A principal sanção imposta à sociedade empresária que explora
irregularmente sua atividade econômica, funcionando sem registro na
Junta Comercial, é a responsabilidade ilimitada dos sócios pelas obrigações
da sociedade.
Comentários
e) Correta. Uma sociedade empresária que funcione sem inscrição dos atos
constitutivos no RPEM, encontra-se irregular e deve ser regida pelas regras do
da chamada Sociedade em Comum, conforme art. 986, CC:
Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas
obrigações sociais, excluído do benefício de ordem, previsto no
art. 1.024, aquele que contratou pela sociedade.

a) Incorreta, pois esta regra contém as ressalvas especiais da lei e a prova de


que o terceiro conhecia, conforme o art. 1.154, CC:
O ato sujeito a registro, ressalvadas disposições especiais da
lei, não pode, antes do cumprimento das respectivas
formalidades, ser oposto a terceiro, salvo prova de que este o
conhecia. Parágrafo único. O terceiro não pode alegar
ignorância, desde que cumpridas as referidas formalidades .

b) Incorreta em razão da expressão “dependendo do objeto a que se


dedicam”. A sociedade empresária vincula-se ao RPEM e a sociedade simples
ao RCPJ (art. 1.150, CC).
c) Incorreta. Faltou mencionar o ato de autenticação dos instrumentos de
escrituração das empresas mercantis registradas e dos agentes
auxiliares do comércio, conforme previsto no art. 32 da Lei nº 8.934/94.
d) Incorreta em razão do teor do art. 1.151, CC:
O registro dos atos sujeitos à formalidade exigida no artigo
antecedente será requerido pela pessoa obrigada em lei, e,
no caso de omissão ou demora, pelo sócio ou qualquer
interessado.

83. (FCC/Defensor Público-DPE-CE/2014) João, titular de


estabelecimento comercial do ramo de confeitaria, alienou-o para Paulo, que

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continuou explorando a mesma atividade no local. Dois anos depois da
transferência, João decidiu alugar o imóvel vizinho, no qual estabeleceu nova
confeitaria, passando a competir diretamente com Paulo. Nesse caso, e
considerando que o contrato de trespasse nada previa acerca da proibição de
concorrência, é correto afirmar:
a) João tem direito de fazer concorrência a Paulo, dado que o contrato nada
previa a esse respeito.
b) É requisito de validade do contrato de trespasse a estipulação, por escrito,
acerca do direito de concorrência por parte do alienante do
estabelecimento.
c) Nem mesmo com autorização expressa de Paulo seria lícito a João fazer-lhe
concorrência, por se tratar de direito irrenunciável, que visa a impedir o
comportamento empresarial predatório, prejudicial ao desenvolvimento
sustentável da ordem econômica.
d) João tem direito de explorar a mesma atividade no imóvel vizinho
amparado no princípio constitucional da liberdade de concorrência,
reputando-se nulas quaisquer convenções que o proibissem de competir
com Paulo.
e) Na omissão do contrato, João não poderá fazer concorrência a Paulo nos
cinco anos subsequentes à transferência do estabelecimento.
Comentários
Letra “e”. Esta questão trata da cláusula de não restabelecimento ou não
concorrência, no caso de alienação do estabelecimento empresarial. Conforme
reza o art. 1.147, caput, CC, em regra, João não poderá fazer concorrência a
Paulo pelo prazo de 5 anos da transferência do estabelecimento, exceto se
Paulo expressamente autorizar. Assim, a única alternativa correta é a letra E.

84. (FCC / ICMS-PE / 2014) Quanto ao nome empresarial, é correto


afirmar:
a) O nome de sócio que vier a falecer, for excluído ou se retirar, pode sempre
ser conservado na firma social.
b) A inscrição do empresário, ou dos atos constitutivos das pessoas jurídicas,
ou as respectivas averbações, no registro próprio, asseguram o uso
privativo do nome exclusivamente nos limites do respectivo município.
c) O nome de empresário deve distinguir-se de qualquer outro já inscrito no
mesmo registro; se o empresário tiver nome idêntico ao de outros já
inscritos, deverá acrescentar designação que o distinga.
d) O nome empresarial pode ser objeto de alienação, pois tem conteúdo
econômico.

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e) O adquirente de estabelecimento, por ato entre vivos, é legalmente
impedido de usar o nome do alienante, ainda que precedido do seu próprio,
com a qualificação de sucessor.
Comentários
c) Correta. É a nossa resposta, segundo o art. 1.163 do CC:
O nome de empresário deve distinguir-se de qualquer outro já
inscrito no mesmo registro. Parágrafo único. Se o empresário
tiver nome idêntico ao de outros já inscritos, deverá acrescentar
designação que o distinga.

a) Em respeito ao princípio da veracidade, o nome empresarial não pode


conter o nome de sócio que não faça mais parte da sociedade. Esta regra está
preconizada no art. 1.165 do CC, deixando esta alternativa incorreta.
b) A proteção ao nome empresarial é, em regra, no âmbito estadual, nos
termos do art. 1.166 do CC:
A inscrição do empresário, ou dos atos constitutivos das pessoas
jurídicas, ou as respectivas averbações, no registro próprio,
asseguram o uso exclusivo do nome nos limites do respectivo
Estado. Parágrafo único. O uso previsto neste artigo estender-se-
á a todo o território nacional, se registrado na forma da lei
especial.

d) O nome empresarial não pode ser objeto de alienação (art. 1.164, caput,
CC). Incorreta.
e) Incorreta, segundo o §único do art. 1.164, CC.

85. (FCC / DEFENSOR PUBLICO-SP / 2009) Para que uma pessoa possa
ser reputada empresária tem-se que verificar sua inscrição perante o Registro
Público de Empresas Mercantis.
Comentários
Incorreta. Conforme a teoria da empresa, para que uma pessoa seja
considerada empresária ela deve reunir os atributos e características típicas da
atividade empresarial. Assim, a inscrição perante o RPEM é apenas
DECLARATÓRIA da condição de empresário, ou seja, da sua regularidade.
Assertiva incorreta.

86. (FCC / JUIZ SUBSTITUTO-TJ-PE / 2011) É correto afirmar que a lei


assegurará tratamento isonômico ao empresário rural e ao pequeno
empresário, quanto à inscrição empresarial e aos efeitos dela decorrentes.
Comentários
Incorreta. Pessoal, a banca trocou palavras e aparentemente pode parecer
que a afirmativa é correta. Lendo rápido podemos nos equivocar. Na verdade,

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o que está previsto é o tratamento favorecido, diferenciado e simplificado ao
empresário rural e ao pequeno empresário com relação a sua inscrição e seus
efeitos. É assim que está previsto no art. 970 do CC. A palavra “isonômico”
deixa a afirmativa incorreta.

87. (FGV/ISS-Niterói/2015) No contrato de arrendamento de um dos


estabelecimentos da sociedade empresária Abreu & Cia Ltda., celebrado pelo
prazo de 10 (dez) anos, não houve estipulação autorizando o arrendatário a
fazer concorrência ao arrendador. A partir desse dado, é correto afirmar que o
arrendador:

a) não poderá fazer concorrência ao arrendatário pelo prazo do contrato,


porém esse prazo fica limitado a cinco anos;

b) poderá fazer concorrência ao arrendatário, porque as cláusulas implícitas


ou expressas de proibição de concorrência são nulas;

c) diante da omissão no contrato quanto à proibição de concorrência, poderá


fazer concorrência ao arrendatário pelo prazo do contrato;

d) não poderá fazer concorrência ao arrendatário pelo prazo do contrato,


mesmo que esse seja maior do que cinco anos;

e) não poderá fazer concorrência ao arrendatário porque o prazo de duração


do contrato coincide com o máximo fixado em lei para a cláusula de
proibição de concorrência.

Comentários

Letra “d”. Questão tranquila. Sem problemas. Está nos termos do §único do
art. 1.147 do CC. Notemos que mesmo sendo uma questão considerada fácil,
ela não foi abordada de forma literal à norma legal.

Art. 1.147. Não havendo autorização expressa, o alienante do


estabelecimento não pode fazer concorrência ao adquirente, nos cinco
anos subseqüentes à transferência.

Parágrafo único. No caso de arrendamento ou usufruto do


estabelecimento, a proibição prevista neste artigo persistirá durante o
prazo do contrato.

88. (FGV/ISS-Niterói/2015) A partir da previsão contida no art. 1.143 do


Código Civil, segundo o qual “pode o estabelecimento ser objeto unitário de
direitos e de negócios jurídicos, translativos ou constitutivos, que sejam
compatíveis com a sua natureza”, é possível afirmar que tal instituto tem
natureza de:

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a) comunhão ou universalidade de direitos;

b) universalidade de fato;

c) patrimônio de afetação;

d) pessoa jurídica de direito privado;

e) pessoa formal, sem personalidade jurídica.

Comentários

Letra “b”. Nossos doutrinadores divergiam bastante quanto à natureza do


estabelecimento empresarial: universalidade de fato ou universalidade de
direito. Ultimamente, segundo a maior parte da doutrina, o estabelecimento
empresarial é uma universalidade de fato, ou seja, “pode ser objeto de
relações jurídicas próprias, distintas das relativas a cada um dos bens
singulares que o integram” (Negrão, Ricardo. Direito Empresarial: estudo
unificado. 5 ed. rev. – São Paulo; Saraiva, 2014.). Gabarito: B.

89. (FGV/ISS-Niterói/2015) O empresário e a sociedade empresária


devem adotar um nome para o exercício da empresa, de acordo com o Código
Civil. Esse instituto, conhecido como nome empresarial, possui regras para sua
formação e utilização. A afirmativa que revela corretamente uma regra para
utilização/formação do nome empresarial é:

a) a sociedade em nome coletivo deverá adotar firma como nome


empresarial, que incluirá o nome de pelo menos um dos sócios, sendo
facultativo o aditivo & Companhia, caso todos os sócios sejam nominados;

b) a denominação social é uma espécie de nome empresarial, também


conhecida como “nome de fantasia”, porque nela não se inclui nome
patronímico, apenas palavras ou expressões designativas do objeto social;

c) nas sociedades cujo capital é dividido em ações, é proibido o uso da firma


social como nome empresarial, somente sendo permitido o uso da
denominação com a indicação do objeto social;

d) o adquirente de estabelecimento por ato entre vivos ou causa mortis, pode


usar a firma do alienante ou do de cujus, precedida de sua própria, com a
qualificação de sucessor;

e) na sociedade em conta de participação a espécie de nome empresarial é


firma, exclusivamente, formada pelo nome patronímico do sócio ostensivo
seguida do aditivo & Companhia, por extenso ou abreviado.

Comentários

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Letra “a”. Esta é uma questão polêmica em razão da alternativa A.

a) Manteve esta alternativa como correta, apesar dos diversos recursos.


Vejamos: O aditivo & Companhia é usado quando não constar na firma a
individualização de todos os sócios, tão-somente, conforme art. 5º, II, a) da
Instrução Normativa DREI nº 15, de 5 de dezembro de 2013: da sociedade em
nome coletivo, se não individualizar todos os sócios, deverá conter o nome de
pelo menos um deles, acrescido do aditivo “e companhia”, por extenso ou
abreviado. O art. 1.157 do CC também assim dispõe:

Art. 1.157 do CC. A sociedade em que houver sócios de


responsabilidade ilimitada operará sob firma, na qual somente os nomes
daqueles poderão figurar, bastando para formá-la aditar ao nome de um
deles a expressão "e companhia" ou sua abreviatura.

Portanto, o examinador considera correto facultativo o uso do aditivo


& Companhia quando todos os sócios constarem na firma social da sociedade
em nome coletivo. Complicado!!!! O Professor Ricardo Negrão (2014, p.56),
por sua vez, dispõe acerca da sociedade em nome coletivo: “...quanto ao
nome adotado: admite-se apenas firma social, isto é, nome empresarial
composto pelo nome de um ou alguns sócios, de forma reduzida ou integral,
acrescido da expressão “e companhia”, abreviada ou completa, ou, ainda, o
nome de todos os sócios, sem qualquer acréscimo”. Veja: “...sem acréscimo.”.
Logo, observemos que não há previsão legal para manter o aditivo “&
Companhia” quando todos os sócios estiverem individualizados na firma social,
já que não há evidente necessidade. Enfim, levemos isso para a prova já que
a banca manteve o gabarito! A FGV se manifestou sobre esta alternativa
nestes termos: “A alternativa que contém a afirmativa “a sociedade em nome
coletivo deverá adotar firma como nome empresarial, que incluirá o nome de
pelo menos um dos sócios, sendo facultativo o aditivo & Companhia, caso
todos os sócios sejam nominados” é a única correta, com base nos artigos
1.042 e 1.157 do Código Civil, considerando-se também que na sociedade em
nome coletivo todos os sócios possuem responsabilidade ilimitada pelas
obrigações sociais”.

b) Incorreta, pois pode figurar na denominação de sociedade limitada o nome


de um ou mais sócios (art. 1.158, §2º: A denominação deve designar o objeto
da sociedade, sendo permitido nela figurar o nome de um ou mais sócios.).

c) Incorreta, pois na sociedade em comandita por ações é permitido o uso da


firma como modalidade de nome empresarial, nos termos do Art. 1.161. A
sociedade em comandita por ações pode, em lugar de firma, adotar
denominação designativa do objeto social, aditada da expressão "comandita
por ações".

d) Incorreta, pois o nome do sócio falecido não pode ser conservado na firma
social (art. 1.165, CC).

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e) Incorreta, pois a sociedade em conta de participação não pode ter nome
empresarial (art. 1.162, CC).

90. (FGV / ISS-Cuiabá / 2014) Uma sociedade empresária com sede em


Denise/MT, composta por três sócios pessoas naturais, adotou o nome
empresarial “Pontes, Lacerda & Cáceres”. Sobre esse nome empresarial,
assinale a afirmativa correta.

a) Trata-se de denominação adotada por sociedade em comandita por ações.

b) Trata-se de firma social adotada por sociedade cooperativa.

c) Trata-se de denominação adotada por sociedade anônima.

d) Trata-se de firma adotada por sociedade em nome coletivo.

e) Trata-se de firma adotada por sociedade em comandita simples.

Comentários

d) Correta. A sociedade em nome coletivo utiliza a firma ou razão social


como nome empresarial (art. 1.041, CC).

a) Incorreta. Na denominação deve constar expressão ou nome fantasia. No


caso de sociedade em comandita por ações, a expressão “comandita por
ações”. Lembrando que a comandita pode adotar denominação ou firma (art.
1.161, CC).

b) Incorreta. A cooperativa usa somente denominação e deve constar a


expressão “cooperativa” (art. 1.159, CC).

c) Incorreta. Não se trata de denominação e a sociedade anônima utiliza


expressões “Companhia” ou “Sociedade Anônima”, por extenso ou
abreviadamente. É vedado o uso de “Companhia” ou “Cia.” no final da
denominação.

e) Incorreta. A sociedade em comandita simples deverá conter o nome de pelo


menos um dos sócios comanditados, com o aditivo "e companhia", por
extenso ou abreviado, conforme prevê a Instrução Normativa nº 104/07 em
seu art. 5º.

91. (FGV / ISS-Recife / 2014) Alfredo Chaves exerce em caráter


profissional atividade intelectual de natureza literária com a colaboração de
auxiliares. O exercício da profissão constitui elemento de empresa. Não há
registro da atividade por parte de Alfredo Chaves em nenhum órgão público.

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Com base nestas informações e nas disposições do Código Civil, assinale a
afirmativa correta.
a) Alfredo Chaves não é empresário porque exerce atividade intelectual de
natureza literária.
b) Alfredo Chaves não é empresário porque não possui registro em nenhum
órgão público.
c) Alfredo Chaves será empresário após sua inscrição na Junta Comercial.
d) Alfredo Chaves é empresário porque exerce atividade não organizada em
caráter profissional.
e) Alfredo Chaves é empresário independentemente da falta de inscrição na
Junta Comercial.
Comentários
Letra “e”. Em razão do §único do art. 966, CC, num primeiro momento Alfredo
Chaves não seria considerado empresário por exercer atividade intelectual. No
entanto, o exercício dessa atividade constitui elemento de empresa, logo
pela parte final deste dispositivo do CC, Alfredo Chaves exerceria atividade
típica de empresário – organizada e com a contribuição de auxiliares. Por
outro lado, ele não efetuou o devido registro dessa atividade no órgão
competente (Junta Comercial), conforme determina o art. 967 do CC: Art.
967. É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas
Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade. Acontece que a
inscrição do empresário na Junta Comercial não é constitutiva da condição
de empresário, mas sim da sua regularidade, ou seja, significa dizer que
Alfredo Chaves seria um empresário irregular (um empresário ou comerciante
informal). Assim, somente a letra E está correta.

92. (FGV / ISS-Recife / 2014) O complexo de bens organizado e


titularizado por empresário para o exercício de atividade econômica em
caráter profissional, que pode ser objeto unitário de direitos e negócios
jurídicos, denomina-se:

a) aviamento.

b) firma.

c) empresa.

d) estabelecimento.

e) matriz ou sede.

Comentários

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Letra “d”. O aviamento é um atributo do estabelecimento empresarial que
significa a capacidade que ele tem de produzir lucros, podendo ser entendido
como o conjunto dos bens pertencentes ao estabelecimento. Assim, a
alternativa correta é a letra D, nos termos dos artigos abaixo transcritos:

Art. 1.142. Considera-se estabelecimento todo complexo de bens


organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou por
sociedade empresária.

Art. 1.143. Pode o estabelecimento ser objeto unitário de direitos e de


negócios jurídicos, translativos ou constitutivos, que sejam compatíveis
com a sua natureza.

Gabarito: D

93. (FGV / OAB-XIII Exame / 2014) Ananias Targino consulta sua


advogada para saber as providências que deve tomar para publicizar o
trespasse do estabelecimento da Empresa Individual de Responsabilidade
Limitada (EIRELI) por ele constituída e enquadrada como microempresa, cuja
firma é Ananias Targino EIRELI ME. A advogada corretamente respondeu que:

a) é dispensável qualquer publicização ou arquivamento do contrato de


trespasse do estabelecimento por ser a EIRELI enquadrada como
microempresa.

b) é dispensável o arquivamento do contrato de trespasse no Registro Público


de Empresas Mercantis, mas ele deverá ser publicado na imprensa oficial.

c) é dispensável o arquivamento do contrato de trespasse no Registro Público


de Empresas Mercantis, mas ele deverá ser publicado na imprensa oficial e
em jornal de grande circulação.

d) é dispensável a publicação do contrato de trespasse na imprensa oficial,


mas ele deverá ser arquivado no Registro Público de Empresas Mercantis.

Comentários

Letra “d”. Questão bem específica sobre o trespasse de estabelecimento


empresarial de uma EIRELI enquadrada como microempresa. Portanto,
sujeita-se à LC 123/06. Assim, ela estará dispensada de publicar o contrato de
trespasse na imprensa oficial por determinação do art. 71 da LC 123/06, que a
dispensa da publicação de qualquer ato societário. Porém, por força do
art. 1.144 do CC, ela deve registrar no RPEM o trespasse.

Art. 71. Os empresários e as sociedades de que trata esta Lei


Complementar, nos termos da legislação civil, ficam dispensados da
publicação de qualquer ato societário.

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Art. 1.144. O contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou
arrendamento do estabelecimento, só produzirá efeitos quanto a
terceiros depois de averbado à margem da inscrição do empresário, ou
da sociedade empresária, no Registro Público de Empresas Mercantis, e
de publicado na imprensa oficial.

94. (FGV / ISS-Recife / 2014) Condado Confeitaria Ltda. arrendou o


estabelecimento de uma de suas filiais, situado na cidade de Buíque, à
sociedade empresária Calumbi, Machados & Cia. Ltda. Não houve notificação
prévia do arrendamento aos credores quirografários do arrendador, apenas a
publicação legal do contrato e seu arquivamento na Junta Comercial.

O contrato foi celebrado pelo prazo de quatro anos e contém estipulação


estabelecendo que, durante sua vigência, o arrendador está proibido de fazer
concorrência ao arrendatário na cidade de Buíque.

Com base nessas informações, é correto afirmar que a estipulação contratual


é:

a) válida, porque, no caso de arrendamento do estabelecimento, a proibição


de concorrência ao arrendador persiste durante o prazo do contrato.

b) nula de pleno direito, porque viola os princípios constitucionais da livre


iniciativa e da livre concorrência, impedindo o restabelecimento do
arrendador.

c) anulável, porque, no caso de arrendamento do estabelecimento, o prazo de


proibição de concorrência ao arrendador limita-se aos cinco anos
subsequentes à transferência.

d) não escrita, porque somente é possível proibir o restabelecimento em caso


de alienação do estabelecimento e, ainda assim, até o limite de cinco anos.

e) é válida, porém ineficaz perante terceiros, porque, em havendo


arrendamento do estabelecimento, o arrendador deveria ter notificado
previamente seus credores quirografários.

Comentários

Letra “a”. Temos dois pontos principais a serem destacados nesta questão
sobre arrendamento do estabelecimento empresarial: a não comunicação
prévia aos credores quirografários do arrendador e a existência de cláusula
contratual de não restabelecimento. Em relação ao primeiro ponto, no
arrendamento do estabelecimento empresarial, a comunicação aos credores
não é requisito para a sua eficácia perante terceiros (art. 1.144, CC); basta a
publicação legal do contrato e sua inscrição no RPEM. Essa condição é aplicada
no caso de alienação do estabelecimento, já que a propriedade deste será

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transferida em definitivo para outra pessoa. Logo, a alternativa E está
incorreta. Relembremos o nosso esquema:

Se não restarem
ao alienante
bens suficientes.

Quanto ao segundo ponto, a aludida cláusula de não restabelecimento está


conforme o parágrafo único do art. 1.147 do CC. Ou seja, sua duração é a
mesma do prazo do contrato de arrendamento. Assim, a única alternativa
correta é a letra A.

Art. 1.147. Não havendo autorização expressa, o alienante do


estabelecimento não pode fazer concorrência ao adquirente, nos
cinco anos subseqüentes à transferência.

Parágrafo único. No caso de arrendamento ou usufruto do


estabelecimento, a proibição prevista neste artigo persistirá
durante o prazo do contrato.

95. (FGV / ISS-Recife / 2014) Sobre os atos de competência do Registro


Público de Empresas Mercantis (denominado atualmente Registro
Empresarial), a cargo das Juntas Comerciais, assinale a afirmativa correta:

a) O registro compreende a matrícula dos leiloeiros, tradutores públicos e


intérpretes comerciais, trapicheiros e administradores de armazéns-gerais,
bem como o cancelamento dela.

b) Os atos concernentes a sociedades simples e a sociedades empresárias


estrangeiras autorizadas a funcionar no Brasil estão sujeitos a
arquivamento.

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c) O arquivamento dos documentos relativos à constituição, alteração,
dissolução e extinção de associações, sociedades empresárias e
cooperativas compete às Juntas Comerciais.

d) A autenticação dos instrumentos de escrituração das sociedades


empresárias, do empresário individual, registrado ou não, e dos agentes
auxiliares do comércio é de responsabilidade das Juntas Comerciais.

e) As Juntas Comerciais procederão ao assentamento dos usos e das práticas


mercantis apenas quando houver provocação da Procuradoria ou de
entidade de classe interessada.

Comentários

Letra “a”. Questão sobre o registro da empresa. As disposições que justificam


as alternativas são todas da Lei nº 8.934/94.

a) De cara é o nosso gabarito. Está praticamente literal ao art. 32, inciso I.

b) Incorreta. O erro está em mencionar sociedade simples, que vincula-se ao


RCPJ (art. 32, inciso II, alínea c).

c) Incorreta. Aqui, considerando a literalidade do art. 32, inciso II, alínea a, o


único erro seria mencionar que as associações estariam sujeitas à inscrição
dos atos constitutivos na Junta Comercial. Porém, um outro possível erro
poderá ser questionado: cooperativa. É que há certa divergência quanto à
inscrição das sociedades cooperativas, se na Junta Comercial ou no RCPJ,
tendo em vista que a cooperativa possui natureza de sociedade simples.
Entretanto, nesta questão me parece que o examinador quis abordar a
literalidade dos dispositivos da lei de registro das empresas, pois as outras
alternativas encontram justificativas nessa lei. No mais, voltaremos a essa
divergência mencionada quando tratarmos especificamente da sociedade
cooperativa, ok?

d) Incorreta. O erro está em mencionar que podem ser autenticados os


instrumentos de entes não registrados na Junta Comercial (art. 32, inciso III).

e) Incorreta. Não há a condição restritiva apresentada na parte final desta


alternativa. Além disso, a Procuradoria, como órgão da Junta Comercial,
possui outra atribuição: fiscalizar e promover o fiel cumprimento das normas
legais e executivas (art. 28). No mais, compete à Junta Comercial realizar o
assentamento dos usos e das práticas mercantis (art. 8, inciso IV). Vejamos a
seguir os dispositivos legais do art. 32.

Art. 32. O registro compreende:

I - a matrícula e seu cancelamento: dos leiloeiros, tradutores públicos e


intérpretes comerciais, trapicheiros e administradores de armazéns-
gerais;

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II - O arquivamento:

a) dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e


extinção de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e
cooperativas;

b) dos atos relativos a consórcio e grupo de sociedade de que trata a Lei


nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976;

c) dos atos concernentes a empresas mercantis estrangeiras autorizadas


a funcionar no Brasil;

d) das declarações de microempresa;

e) de atos ou documentos que, por determinação legal, sejam atribuídos


ao Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins ou
daqueles que possam interessar ao empresário e às empresas
mercantis;

III - a autenticação dos instrumentos de escrituração das empresas


mercantis registradas e dos agentes auxiliares do comércio, na forma de
lei própria.

96. (FGV / Juiz-TJ-AM / 2013) De acordo com o Direito Empresarial,


disciplinado pelo Código Civil, assinale a afirmativa correta.

e) A sociedade limitada que tem por objeto a criação de cabeças de gado para
corte, pode ter os seus atos constitutivos registrados no Registro Civil de
Pessoas Jurídicas.

Comentários

Correta. Com estas características, podemos pressupor que trata-se de uma


sociedade limitada que exerce atividade rural, logo, ela poderá se vincular
tanto ao RPEM quanto ao RCPJ – é uma mas das exceções à Teoria da
Empresa. Assim, registrando-se no RCPJ será uma sociedade de natureza
simples.

Art. 984. A sociedade que tenha por objeto o exercício de atividade


própria de empresário rural, e seja constituída, ou transformada, de
acordo com um dos tipos de sociedade empresária, pode, com as
formalidades do art. 968, requerer inscrição no Registro público de
Empresas Mercantis da sua sede, caso em que, depois de inscrita,
ficará equiparada, para todos os efeitos, à sociedade empresária.

97. (FGV/Juiz-TJ-AM/2013) De acordo com o Direito Empresarial,


disciplinado pelo Código Civil, assinale a afirmativa correta.

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b) O analfabeto pode se inscrever como empresário individual no Registro
Público de Empresas Mercantis, mediante outorga de uma procuração, por
instrumento público ou particular.
Comentários
Incorreta. Não há qualquer vedação legal à inscrição do analfabeto como
empresário individual. A capacidade civil para o exercício da atividade
empresarial é aquela que está presente nos artigos 3º e 4º, CC. Então,
podemos concluir que a primeira parte desta afirmativa estaria correta. A
dúvida que podemos ter é sobre a exigência de “...outorga de uma
procuração, por instrumento público ou particular.” ao analfabeto. Aí, galera,
caso alguém não tivesse o conhecimento do dispositivo da Instrução
Normativa DREI nº 10/2013 abaixo transcrito, deveria usar a técnica do bom
senso, afinal de contas, somente mediante uma procuração com os poderes
necessários para a prática do ato de inscrição é que o analfabeto estaria apto
e regular para exercer a atividade empresarial. Só um detalhe: esta
procuração deve ser por instrumento público.
1.3.5 - REPRESENTAÇÃO DO EMPRESÁRIO

Poderá o empresário ser representado por procurador com poderes


específicos para a prática do ato. Em se tratando de empresário
analfabeto, a procuração deverá ser outorgada por instrumento
público. Na procuração por instrumento particular deve constar o
reconhecimento da firma do outorgante.

98. (FGV / ICMS-RJ / 2011) O empresário individual e as sociedades


empresárias são obrigados, por lei, a seguir um sistema de contabilidade,
mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em
correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o
balanço patrimonial e o de resultado econômico.

A respeito dos livros comerciais, é INCORRETO afirmar que:

a) o empresário que adotar o sistema de fichas de lançamentos poderá


substituir o livro Diário pelo livro Balancetes Diários e Balanços,
observadas, contudo, as mesmas formalidades extrínsecas exigidas para
aquele.

b) a filial localizada no Brasil, de sociedade empresária com sede em país


estrangeiro, fica subordinada às mesmas disposições relativas à
escrituração dos livros comerciais, previstas no Código Civil brasileiro.

c) além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Razão, que pode
ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou
eletrônica.

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d) salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as
fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público
de Empresas Mercantis.

e) o juiz só poderá autorizar a exibição integral dos livros e papéis de


escrituração quando necessária para resolver questões relativas a
sucessão, comunhão ou sociedade, administração ou gestão à conta de
outrem, ou em caso de falência.

Comentários

Gabarito preliminar: Letra “c”. Questão que foi anulada. Vejamos o motivo,
lembrando que devemos assinalar a alternativa incorreta. A alternativa a) está
correta e literal ao art. 1.185. A letra b) está conforme o Art. 1.195, afinal a
regra válida para a sociedade nacional também se aplica a sociedade
estrangeira que aqui atua. Já a c) está incorreta, pois o livro indispensável é o
DIÁRIO, e não o Razão, segundo art. 1.180 do CC – este foi o gabarito
preliminar. A alternativa d) está correta conforme o art. 1.181 do CC. Bem, a
alternativa e) foi a razão da anulação da questão. Percebemos que todas as
alternativas estão praticamente literais aos dispositivos do CC, inclusive esta.
Por isso mesmo, o examinador desconsiderou o contido no art. 381 do Código
de Processo Civil, que diz:

Art. 381, CPC. O juiz pode ordenar, a requerimento da parte, a


exibição integral dos livros comerciais e dos documentos do
arquivo:

I – na liquidação da sociedade;

II – na sucessão por morte de sócio;

III – quando e como determinar a lei.

Portanto, ao usar a expressão “só” na alternativa, o examinador


desconsiderou a interpretação sistêmica de ordenamento jurídico. Assim, nos
casos dos incisos acima do art. 381 do CPC, o juiz também poderá ordenar a
exibição integral dos livros comerciais, beleza? Logo, questão perfeitamente
anulada.

99. (FGV / ICMS-RJ / 2011) XYZ Produtos Alimentícios Ltda. é uma


sociedade empresária, regularmente inscrita no órgão competente desde
1999, cujo objeto constitui a exploração do ramo de alimentos. Com sólido
nome no mercado, localizada em um ponto empresarial altamente valorizado
no Estado do Rio de Janeiro, detentora de valiosa marca e linhas de crédito
pré-aprovadas nos melhores bancos do Estado à sua disposição, os sócios
decidem, por maioria absoluta, fazer a cessão do estabelecimento,

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aproveitando ótima proposta oferecida por um empresário que já atua no
mesmo ramo.

Em relação ao estabelecimento, assinale a afirmativa correta.

a) A sociedade empresária XYZ Produtos Alimentícios Ltda. responde de forma


subsidiária por eventuais débitos existentes anteriormente à cessão
apontada.

b) A cessão dos créditos referentes ao estabelecimento transferido produz


efeitos em relação aos respectivos devedores, desde o momento da
publicação da transferência, somente ficando exonerado se, de boa-fé,
paga ao cedente.

c) Para ser considerada eficaz, a cessão é indispensável à expressa


autorização dos credores existentes àquela época, ainda que a sociedade
possua bens suficientes para solver o seu passivo.

d) A sociedade empresária XYZ Produtos Alimentícios Ltda. não pode fazer


concorrência ao empresário adquirente, pelo prazo de 2 (dois) anos, salvo
se obtida autorização expressa.

e) O contrato de cessão produz efeitos em relação a terceiros desde a sua


averbação à margem da inscrição da sociedade no Registro Público de
Empresas Mercantis, no caso, a cargo da Junta Comercial do Estado do Rio
de Janeiro, independente de a publicação ocorrer na imprensa oficial.

Comentários

Letra “b”. Pessoal, esta é uma questão que gerou dúvidas. Vejamos!
b) Esta é mais uma daquelas alternativas que geram dúvidas. Aqui podemos
adotar aquele conhecido jargão de concurseiro: “Esta é a alternativa mais
correta ou menos errada”. Tudo devido ao fato de que o examinador não se
limitou em copiar o dispositivo da lei; até aí tudo bem, porém não pode é
alterar o sentido legal almejado pelo legislador, ou colocá-lo em dúvida. E foi
isso que ocorreu. O artigo em comento é o art. 1.149 do CC. Obviamente, com
a transferência do estabelecimento não só os débitos, mas também os créditos
são envolvidos. Assim, desde o momento da publicação do trespasse, a
cessão dos créditos passa a produzir efeitos em relação aos seus
devedores. No entanto, caso o devedor pague de boa-fé ao cedente do
estabelecimento, ele estará desobrigado. Ou seja, como há a possibilidade de
ocorrer o pagamento ao cedente após a celebração do contrato de cessão sem
que o devedor tenha conhecimento da publicação do ato, ele fica exonerado
da obrigação, pois teria agido de boa-fé. Bem, é dessa forma que versa o
Código Civil. Todavia, o examinador substituiu a expressão “mas” por
“somente” na alternativa, gerando muitos recursos. O argumento dos
recorrentes era no sentido de que em utilizando a expressão “somente”, não
haveria outra forma do devedor ser exonerado de sua obrigação, senão o

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pagamento ao cedente (credor original). Porém, ele poderia pagar diretamente
ao adquirente do estabelecimento, e, desta forma, se livraria de sua
obrigação. Assim, se julgado procedente os recursos, não haveria alternativa
correta, já que as demais estão flagrantemente erradas.

Contudo, a FGV manteve o gabarito argumentando que “a palavra


“somente”, presente na afirmativa, destaca a necessidade de haver a boa-fé.
Não havendo boa-fé, não ficará o devedor exonerado. Não objetivou a questão
esgotar as possibilidades de exoneração da obrigação do devedor.”.

Minha opinião é no sentido de que a FGV acertou em manter o gabarito,


porém reitero a maldade e desnecessidade de utilizar ferramentas que
coloquem em dúvidas dispositivos legais; considerando, ainda, que as demais
alternativas estão muito incorretas, e esta é a que melhor atende o enunciado.

a) Incorreta, pois os débitos anteriores à cessão do estabelecimento são de


responsabilidade de quem adquirir o estabelecimento, DESDE que estejam
regularmente contabilizados. Porém, o proprietário/devedor antigo fica
SOLIDARIAMENTE obrigado por essas dívidas existentes por UM ANO a partir
da data da publicação do trespasse quanto aos débitos já vencidos e por UM
ANO, também, do dia do vencimento quanto aos débitos a vencerem (art.
1.146 do CC).

c) Para ser considerada eficaz, a cessão é indispensável à expressa


autorização dos credores existentes àquela época, ainda que a sociedade
possua bens suficientes para solver o seu passivo. Incorreta, nos termos do
art. 1.145 do CC. O consentimento dos credores do alienante do
estabelecimento sobre a sua transferência pode ser expresso ou tácito em
trinta dias a partir de sua notificação. Tal consentimento é vital para a eficácia
da transferência. Todavia, somente é exigido esse consentimento, SE AO
ALIENANTE NÃO RESTAREM BENS SUFICIENTES PARA SOLVER O SEU
PASSIVO. De outra forma, para garantir a eficácia do trespasse, obviamente,
o alienante poderá pagar seus credores. Portanto, o erro desta alternativa está
em sua parte final, já que se possuir bens suficientes para solver o seu
passivo, não será necessário o consentimento dos credores.

d) A sociedade empresária XYZ Produtos Alimentícios Ltda. não pode fazer


concorrência ao empresário adquirente, pelo prazo de 2 (dois) anos, salvo se
obtida autorização expressa. Incorreta. O erro está “no prazo de 2 (dois)
anos”, quando o prazo correto é de 5 (cinco) anos, conforme art. 1.147 do CC.

e) O contrato de cessão produz efeitos em relação a terceiros desde a sua


averbação à margem da inscrição da sociedade no Registro Público de
Empresas Mercantis, no caso, a cargo da Junta Comercial do Estado do Rio de
Janeiro, independente de a publicação ocorrer na imprensa oficial. Incorreta,
já que conforme preconizado no art. 1.144 do CC, é necessário publicar na

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Imprensa Oficial o contrato de cessão do estabelecimento para que a
transferência realmente produza efeitos.

100. (FGV / ICMS-RJ / 2010) Com relação ao estabelecimento empresarial,


assinale a afirmativa incorreta.

a) É o complexo de bens organizado para o exercício da empresa, por


empresário ou por sociedade empresária.

b) Refere-se tão-somente à sede física da sociedade empresária.

c) Desponta a noção de aviamento.

d) Inclui, também, bens incorpóreos, imateriais e intangíveis.

e) É integrado pela propriedade intelectual.

Comentários

b) Incorreta. Eis a nossa resposta. O estabelecimento é complexo de bens


corpóreos e incorpóreos, logo não se refere somente à sede física.

a) Correta. Definição legal de estabelecimento nos termos do art. 1.142 do


CC.

c) Correta. O Professor Rubens Requião conceitua: “aviamento é a aptidão da


empresa de produzir lucros, decorrente da qualidade e da melhor perfeição de
sua organização”. O aviamento, desta forma, pressupõe a existência do
estabelecimento.

d) Como já foi afirmado, o estabelecimento empresarial é um complexo de


bens, e traduz tanto os bens corpóreos quanto os incorpóreos, imateriais e
intangíveis.

e) Correta. A propriedade intelectual pode ser dividida em direito autoral e


propriedade industrial. A propriedade industrial compreende a invenção e
modelo de utilidade (bens patenteáveis), bem como as marcas de produtos ou
serviços. Desta forma, são bens imateriais e integram o estabelecimento
empresarial. A propriedade industrial está fora de nosso programa.

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9 - Lista de Exercícios

1. (CESPE/Delegado da PF/2013) Apesar de os gregos e os fenícios serem


historicamente associados a atividades de compra e troca, o surgimento do
direito comercial de forma organizada corresponde à ascensão da classe
burguesa na Idade Média. À medida que artesãos e comerciantes europeus se
reuniam em corporações de ofícios, surgiam normas destinadas a disciplinar
os usos e costumes comerciais da época.

2. (FCC/OAB-SP/2006) O Código Comercial, sancionado em 1850,


a) foi totalmente revogado.
b) foi parcialmente revogado, mantendo-se vigentes apenas os dispositivos
que regem os contratos e obrigações mercantis e o comércio marítimo.
c) não foi revogado.
d) foi parcialmente revogado, mantendo-se vigentes apenas os dispositivos
que regem o comércio marítimo.

3. (ESAF/ADVOGADO IRB/2004) A recepção do instituto empresa pelo


Código Civil resultará em:
a) retornar a discussão sobre ato de comércio como intermediação na
circulação de mercadorias.
b) realçar a ideia de atividade sobre a de ato.
c) incorporar novos ofícios e profissões ao campo do direito mercantil.
d) extremar atividades empresariais e não empresariais.
e) criar novo sistema de análise da atividade econômica.

4. (COPS-UEL/ICMS-PR/2012) Sobre o Direito de Empresa, previsto no


Código Civil, considere as afirmativas a seguir.
I. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade
econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços
ou quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou
artística.

5. (FCC/Auditor-Substituto de Conselheiro-TCM-RJ/ 2015) O


relativamente incapaz, desde que devidamente assistido, poderá continuar a
empresa antes exercida por ele enquanto capaz, vedada tal possibilidade ao
absolutamente incapaz, ainda que por meio de representante.

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6. (COPS-UEL/Procurador do Estado-PR/2011) Sobre o regime jurídico
do empresário no Código Civil de 2002, assinale a alternativa correta:
IV – o Registro Público de Empresas Mercantis deverá registrar contratos ou
alterações contratuais de sociedade que envolva sócio absolutamente incapaz,
desde que o capital social da sociedade esteja totalmente integralizado e que,
o incapaz, devidamente representado, não exerça administração da sociedade.

7. (FCC/PROMOTOR JUSTIÇA-MPE-CE/2009) Em relação ao empresário, é


INCORRETO afirmar que:
a) se a pessoa legalmente impedida de exercer atividade empresarial assim
agir, responderá pelas obrigações contraídas.
b) de sua definição legal, destacam-se as noções de profissionalismo,
atividade econômica organizada e produção ou circulação de bens ou
serviços.
c) a profissão intelectual, de natureza científica ou artística pode ser
considerada empresarial, se seu exercício constituir elemento de empresa.
d) a atividade empresarial pode ser exercida pelos que estiverem em pleno
gozo da capacidade civil, não sendo impedidos legalmente.
e) ainda que representado ou assistido, não pode o incapaz continuar a
empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo
autor da herança.

8. (FCC/Juiz substituto-TJ-PE/2011) É correto afirmar que:


e) é vedado aos cônjuges contratar sociedade entre si ou com terceiros,
qualquer que seja o regime de bens escolhido.

9. (FCC/Procurador da Procuradoria Especial-TCM-RJ/2015) Acerca da


empresa individual de responsabilidade limitada, considere:
I. Seu titular não poderá figurar em outras empresas de mesma modalidade,
nem participar, como sócio, de quaisquer sociedades empresárias.
II. Seu nome empresarial deverá ser formado pela inclusão da expressão
"LTDA." após a firma ou a denominação social.
III. Será constituída por uma única pessoa titular da totalidade do capital
social, devidamente integralizado, que não poderá ser inferior a cem vezes o
maior salário-mínimo vigente no País.
IV. Poderá ser formada a partir da concentração das quotas de sociedade
limitada num único sócio, independentemente das razões que motivaram tal
concentração.

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V. Sua personalidade jurídica confunde-se com a do seu titular, sendo incapaz
de adquirir personalidade jurídica própria.
Está correto o que se afirma APENAS em
a) III e IV.
b) I e V.
c) II e V.
d) I e IV.
e) II e III.

10. (FCC/JUIZ SUBSTITUTO-TJ-PE/2011) É correto afirmar que


c) É facultativa a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas
Mercantis da sede respectiva, antes do início de sua atividade.
11. (FGV/Juiz Substituto-TJ-PA/2009) A respeito de Registro de
Empresas Mercantis, analise as afirmativas a seguir.

I. O registro dos atos de comércio é constitutivo de direitos.

II. Os atos das sociedades mercantis serão arquivados no Registro Público das
Empresas Mercantis independente de seu objeto, salvo as exceções previstas
em lei.

III. As Juntas Comerciais são órgãos integrantes da administração estadual


que desempenham uma função de natureza federal.

IV. Será cancelado administrativamente o registro de empresa mercantil que


não comunicar à Junta Comercial que está em funcionamento, caso não tenha
procedido a qualquer arquivamento no período de 15 anos consecutivos.

Assinale:

a) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.

b) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.

c) se somente as afirmativas I, II e IV estiverem corretas

d) se somente as afirmativas II, III e IV estiverem corretas

e) se todas as afirmativas estiverem corretas.

12. (FCC/Julgador Administrativo Tributário-SEFAZ-PE/2015) Quanto


ao nome empresarial, é correto afirmar:

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e) A omissão da palavra "limitada" no nome da sociedade limitada determina
a responsabilidade subsidiária dos administradores que assim empregarem
a firma ou a denominação da sociedade.

13. (FCC/Juiz-TJ-AL/2015) Relativamente ao estabelecimento empresarial,


considere:
I. O contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou arrendamento do
estabelecimento, só produzirá efeitos quanto a terceiros depois de averbado à
margem da inscrição do empresário, ou da sociedade empresária, no Registro
Público de Empresas Mercantis, e de publicado na Imprensa Oficial.

II. Se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu passivo, a
eficácia da alienação do estabelecimento depende do pagamento de todos os
credores, ou do consentimento destes, somente de modo expresso, em trinta
dias a partir de sua notificação.

III. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos


anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados,
continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um
ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos
outros, da data do vencimento.

IV. Não havendo autorização expressa, o alienante do estabelecimento não


pode fazer concorrência ao adquirente, nos três anos subsequentes ao registro
da transferência.

V. É legítima a penhora da sede do estabelecimento comercial.

Está correto o que se afirma APENAS em

a) II, III e IV.

b) II, III, IV e V.

c) I, III e V.

d) I, II, IV e V.

e) I, III, IV e V.

14. (CESPE / Juiz-TJ-TO / 2007) Considere que SB Móveis Ltda. possua


vários móveis, imóveis, marcas e lojas intituladas de Super Bom Móveis, em
diversos pontos da cidade. Nessa situação, à luz da disciplina jurídica do
direito de empresa, assinale a opção correta.
a) O ponto empresarial confunde-se com o imóvel onde funciona cada loja da
SB Móveis Ltda

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b) O aviamento e o nome fantasia Super Bom Móveis são elementos
integrantes do estabelecimento empresarial da SB Móveis Ltda.
c) A lei veda a alienação do nome empresarial da SB Móveis Ltda.
d) Pelo princípio da veracidade, o nome empresarial da SB Móveis Ltda. deve
se distinguir de outros já existentes.

15. (ESAF/ Auditor Fiscal do trabalho / 2010) Sobre a disciplina dos


prepostos no Livro do Direito de Empresa do Código Civil, assinale a opção
incorreta.
a) Considera-se o gerente autorizado a praticar todos os atos necessários ao
exercício dos poderes que lhe foram outorgados, mesmo quando a lei exigir
poderes especiais.
b) Em regra, considera-se perfeita a entrega de papéis, bens ou valores ao
preposto, encarregado pelo preponente, se os recebeu sem protesto.
c) O preposto não pode, sem autorização escrita, fazer-se substituir no
desempenho da preposição, sob pena de responder, pessoalmente, pelos
atos do substituto e pelas obrigações por ele contraídas.
d) O gerente pode estar em juízo em nome do preponente, pelas obrigações
resultantes do exercício da sua função.
e) Na falta de estipulação diversa, consideram-se solidários os poderes
conferidos a dois ou mais gerentes.

16. (ESAF/Auditor–TCE-GO/2007) Os livros e fichas dos empresários e


sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, mas jamais em seu
favor.

17. (ESAF/ICMS-PI/2002) Do ponto de vista do Direito Comercial, o


conceito de empresa deve ser entendido como equivalente:
a) ao de empresário, ou seja, o sujeito da atividade mercantil, que assume os
riscos do negócio.
b) ao de estabelecimento, como tal o conjunto de bens utilizados para o
exercício da atividade mercantil.
c) ao de qualquer entidade de fins lucrativos, qualquer que seja a forma
utilizada.
d) ao de uma atividade organizada com o objetivo da obtenção de lucros.
e) ao de empresário, de estabelecimento, ou de uma forma societária
qualquer, não se tratando de conceito doutrinariamente unívoco.

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18. (ESAF/ICMS-MS/2001) Do ponto de vista do Direito Comercial, o
conceito de empresário deve ser entendido como equivalente ao:
a) do titular da empresa, empresário individual ou alguma espécie de
sociedade mercantil, que assume o risco do negócio
b) de estabelecimento, como tal o conjunto de bens utilizados para o exercício
da atividade mercantil
c) de qualquer entidade de fins lucrativos, qualquer que seja a forma utilizada
d) de uma atividade organizada com o objetivo da obtenção de lucros
e) de empresa, ou seja, o sujeito da atividade mercantil, que se apropria do
lucro.

19. (ESAF/Procurador-PGFN/2006) Com base no que dispõe o Código civil


brasileiro, julgue os itens a seguir, assinalando, ao final, a opção com a
resposta correta.
() As obrigações contraídas pela pessoa impedida legalmente de exercer
atividade própria de empresário são nulas.
() Poderá o representante ou assistente legal do incapaz continuar a empresa
antes exercida por ele, enquanto capaz, mediante autorização judicial.
() Ocorrendo emancipação do menor, a inscrição no Registro Civil é suficiente
para dar publicidade a esta condição para o exercício da atividade de
empresário até então exercida pelo assistente legal.
() O empresário casado pode alienar os imóveis que integrem o patrimônio da
empresa sem necessidade de outorga conjugal, qualquer que seja o regime de
bens.
() Não podem contratar sociedade, entre si ou com terceiros, os cônjuges
casados no regime de separação de bens convencional ou comunhão universal
de bens.
a) V, F, V, F, V
b) F, V, V, V, F
c) F, V, F, V, F
d) F, F, F, V, V
e) V, V, V, F, F

20. (ESAF/Advogado da União/1998) O conceito de empresário contém a


ideia de ser aquele que:
a) dirige o negócio
b) é o titular do negócio

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c) organiza a produção e a distribuição da riqueza
d) mantém atividade com recursos próprios
e) exerce o comércio

21. (ESAF/Auditor Fiscal da Previdência Social/2002) Nas sociedades


por quotas de responsabilidade limitada, a delegação da gerência:
a) é permitida na ausência de estipulação contratual vedatória.
b) é proibida porque a gerência, nas sociedades de pessoas, é deferida
apenas aos sócios.
c) impõe ao delegante responsabilidade pessoal pelas perdas causadas à
sociedade.
d) pode ser ajustada pelos sócios gerentes entre si.
e) segue a regra das companhias quanto a poderem ser administradores não
membros.

22. (ESAF/ICMS-CE/2003) Em vista de uma denúncia anônima, foi


descoberto que um funcionário público era titular de um estabelecimento
comercial. Como consequência desse fato:
a) os negócios por ele feitos eram nulos de pleno direito.
b) não haveria qualquer penalidade, desde que ele não tivesse se valido do
cargo para conseguir algum favor.
c) independentemente de efeitos na esfera administrativa, suas obrigações
manter-se-iam válidas.
d) ele não poderia ter a falência decretada.
e) sua falência seria decretada de pleno direito.

23. (ESAF/Procurador-PGFN/2007) O estabelecimento, como


universalidade de fato, constitui:
a) um conjunto de bens materiais que não pode ser desmembrado.
b) um conjunto de bens materiais e imateriais que serve ao exercício de
atividades econômicas.
c) complexo de relações jurídicas ativas e passivas derivadas do exercício da
empresa.
d) uma criação do direito para promover a organização da empresa.
e) um mecanismo instrumental necessário para o desenvolvimento da
empresa.

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24. (ESAF/ICMS-RN/2005) Os requisitos previstos em lei para que as


pessoas naturais sejam qualificadas como empresários destinam- se a:
a) garantir o cumprimento de obrigações contraídas no exercício de atividade
profissional.
b) impedir, em face do registro obrigatório, que incapazes venham a ser
considerados empresários.
c) facilitar a aplicação da teoria da aparência.
d) por conta da inscrição no Registro de Empresas, servirem para dar
conhecimento a terceiros sobre os exercentes da profissão.
e) facilitar o controle dos exercentes de atividades empresariais.

25. (ESAF/Procurador-PGFN/2006) Em regra, o trespasse importa em


sub-rogação do adquirente nos contratos estipulados para exploração do
estabelecimento, respondendo também o adquirente pelo pagamento dos
débitos contabilizados anteriores à transferência.

26. (ESAF/AFRFB/2009) A respeito do empresário individual no âmbito do


direito comercial, marque a opção correta.
a) O empresário individual atua sob a forma de pessoa jurídica.
b) Da inscrição do empresário individual, constam o objeto e a sede da
empresa.
c) O analfabeto não pode registrar-se como empresário individual.
d) O empresário, cuja atividade principal seja a rural, não pode registrar-se
no Registro Público de Empresas.
e) O empresário individual registra uma razão social no Registro Público de
Empresas.

27. (ESAF/Auditor Fiscal do Trabalho/2010) Assinale, a seguir, a


sociedade que só pode adotar denominação social.
a) Companhia.
b) Sociedade em nome coletivo.
c) Sociedade Limitada.
d) Sociedade em conta de participação.
e) Sociedade em comum.

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28. (ESAF/AFRFB/2009) A sociedade limitada opera sob firma ou
denominação social.

29. (ESAF/Procurador-PGFN/2006) Com o trespasse, o alienante não


pode fazer concorrência ao adquirente por três anos subsequentes à
transferência.

30. (ESAF/Analista Jurídico–SEFAZ-CE/2006) Se o empresário A cede


seu estabelecimento a outrem, não empresário, pode-se afirmar que:
a) o cessionário será qualificado empresário.
b) após a cessão, o cedente perde a qualidade de empresário de vez que não
mais exercerá atividade de empresa por ter-se desfeito dos bens para
tanto predispostos.
c) o cessionário se desobriga em relação às dívidas anteriores à cessão que
eram de responsabilidade do cedente.
d) a transferência do estabelecimento não preserva contratos anteriormente
firmados pelo cedente.
e) a cessão dos créditos referidos ao estabelecimento cedido é automática.

31. (ESAF/Procurador-DF/2004) A alienação do estabelecimento


empresarial:
a) transfere automaticamente ao adquirente as obrigações regularmente
contabilizadas, exonerando o alienante de qualquer responsabilidade.
b) impede o alienante de exercer a mesma atividade que exercia
anteriormente pelo prazo de cinco anos, em qualquer ponto do território
nacional.
c) não importa sub-rogação no contrato de locação comercial.
d) não implica a cessão dos créditos relativos à atividade exercida no
estabelecimento.
e) equivale à alienação do imóvel utilizado para o exercício de atividade
empresarial.

32. (ESAF/Analista Jurídico-AGU/1999) Analisando os lançamentos


constantes de balanço de uma companhia, notou-se que uma das rubricas se
referia a "fundo de comércio". Indaga-se se fundo de comércio é:
a) Ativo que pode ser depreciado
b) Valor pago pela clientela

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c) Organização do estabelecimento
d) Valor que acresce ao estabelecimento
e) Passível de lançamento contábil

33. (ESAF/ISS-Recife/2003) A escrituração mercantil, por permitir a


verificação das mutações patrimoniais e, dado seu valor probatório, deve:
a) facilitar a análise dos agentes da fiscalização.
b) permitir avaliar a eficácia da ação administrativa.
c) garantir a apuração dos tributos devidos pelo empresário.
d) dar aos credores informações sobre as operações contratadas.
e) estar escoimada de imperfeições.

34. (ESAF/Auditor Fiscal do Trabalho/2003) As obrigações empresariais


relacionadas com a escrituração:
a) têm em conta o interesse de terceiros quanto a informações daquela
constantes.
b) determinam, no seu descumprimento, responsabilidade no plano cível
apenas para o contador responsável.
c) são relevantes apenas do ponto de vista fiscal, determinando a
caracterização de crimes de sonegação fiscal, na sua desobediência.
d) acarretam responsabilidades para os sócios não-administradores por culpa
in vigilando.
e) podem levar à prisão civil os administradores, caso os livros obrigatórios
não tenham sido escriturados ou o tenham sido de forma indevida.

35. (ESAF/ISS-RJ/2010) Quanto ao estabelecimento empresarial, marque a


opção incorreta.
a) Pode o estabelecimento ser objeto unitário de direitos e de negócios
jurídicos, translativos ou constitutivos, que sejam compatíveis com a sua
natureza.
b) O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos
anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados.
c) A cessão dos créditos referentes ao estabelecimento transferido produzirá
efeito em relação aos respectivos devedores, desde o momento da
publicação da transferência, mas o devedor ficará exonerado se de boa-fé
pagar ao cedente.

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d) Salvo disposição expressa em contrário, o alienante do estabelecimento
pode fazer concorrência ao adquirente.
e) Considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado, para
exercício da empresa, por empresário ou por sociedade empresária.

36. (ESAF/Procurador-PGFN/2015) Assinale a opção correta.


a) Por configurar uma universalidade de fato, o estabelecimento empresarial
pode ser objeto unitário de direitos e de negócios jurídicos, translativos ou
constitutivos, que sejam compatíveis com a sua natureza.
b) O adquirente do estabelecimento empresarial responde pelo pagamento
dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente
contabilizados, ficando o devedor primitivo subsidiariamente responsável
pelo pagamento das dívidas pelo prazo de 1 (um) ano, contado da data da
publicação da alienação, quanto aos créditos vencidos; ou da data do
vencimento, quanto aos créditos vincendos.
c) Com exceção das dívidas de natureza trabalhista e fiscal, a aquisição de
estabelecimento empresarial em alienação judicial promovida em processo
de falência ou de recuperação judicial exime a responsabilidade do
adquirente pelas obrigações anteriores.
d) A transferência do estabelecimento empresarial importa a sub-rogação do
adquirente nos contratos negociados anteriormente pelo alienante,
podendo os terceiros rescindir apenas aqueles contratos que têm caráter
pessoal.
e) De acordo com a atual jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ),
considerado o princípio da preservação da empresa, não é legítima a
penhora da sede do estabelecimento empresarial.

37. (ESAF/PGFN/2012) O empresário opera sob firma constituída por seu


nome, completo ou abreviado, aditando-lhe, se quiser, designação mais
precisa da sua pessoa ou do gênero de atividade.

38. (ESAF/AFRFB/2012) Sobre a disciplina escrituração empresarial


prevista no Código Civil, assinale a opção incorreta.
a) O empresário e a sociedade empresária são obrigados
a seguir um sistema
de contabilidade, mecanizado ou
não, com base na escrituração uniforme
de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva,
e a
levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico.
b) A escrituração será feita em idioma e moeda corrente nacionais e em forma
contábil, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em
branco, nem entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou transportes para as

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margens, sendo permitido o uso de código de números ou de abreviaturas,
que constem de livro próprio, regularmente autenticado.
c) O empresário ou sociedade empresária que adotar o sistema de fichas de
lançamentos poderá substituir o livro Diário pelo livro Balancetes Diários e
Balanços, observadas as mesmas formalidades extrínsecas exigidas para
aquele.
d) O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa
guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à
sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante
aos atos neles consignados.
e) O juiz ou tribunal pode autorizar a exibição integral dos livros e papéis
de escrituração empresarial quando necessária para resolver qualquer
questão de caráter patrimonial.

39. (ESAF/Auditor Fiscal-RN/2005) A obrigação de manter a escrituração


das operações comerciais seja em livros seja de forma mecanizada, em fichas
ou arquivos eletrônicos:
a) serve para que, periodicamente, se apure a variação patrimonial.
b) permite que se apure o cumprimento das obrigações e sua regularidade.
c) serve para preservar informações de interesse dos sócios das sociedades
empresárias.
d) constitui prova do exercício regular de atividade empresária.
e) facilita a organização de balancetes mensais para prestação de contas aos
sócios.

40. (ESAF/Procurador-BACEN/2009) A sociedade anônima opera sob


firma ou razão social, sempre designativa do objeto social e integrada pelas
expressões sociedade anônima ou companhia, por extenso ou
abreviadamente.

41. (ESAF/Procurador-BACEN/2009) Mesmo que o empresário adote o


sistema de fichas de lançamentos, o livro diário, por ser obrigatório, não pode
ser substituído pelo livro balancetes diários e balanços, ainda que observadas
as mesmas formalidades extrínsecas exigidas para aquele.

42. (ESAF/Procurador-PGFN/2012) É obrigatória a inscrição do


empresário no Registro Público de Empresas da respectiva sede, antes do
início de sua atividade.

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43. (ESAF/Procurador-PGFN/2012) O empresário, cuja atividade rural
constitua sua principal profissão, pode requerer inscrição no Registro Público
de Empresas da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará
equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro.

44. (ESAF/Analista Jurídico-SEFAZ-CE/2006) Qualificar uma pessoa como


empresária depende de:
a) a pessoa exercer atividade econômica.
b) a pessoa organizar a atividade que é exercida por outrem.
c) a pessoa aceitar os riscos derivados de participar de um mercado como
consumidor.
d) ser aceita sua inscrição como empresária.
e) adotar uma das formas societárias previstas para o exercício da empresa.

45. (FUNDATEC/ICMS-RS/2014) Analise as seguintes assertivas sobre o


estabelecimento:

I. O estabelecimento empresarial tem natureza jurídica de massa patrimonial


personificada, possuindo, portanto, personalidade jurídica própria.

II. A chamada cláusula de proibição de concorrência nos contratos de


trespasse tem natureza dispositiva, podendo ser afastada por acordo entre as
partes.

III. O contrato de trespasse importa a sub-rogação do adquirente em todos os


contratos estipulados para a exploração do estabelecimento.

Quais estão corretas?

a) Apenas I.

b) Apenas II

c) Apenas III

d) Apenas I e II.

e) Apenas II e III.

46. (FUNDATEC/ICMS-RS/2009) Em relação ao nome empresarial, assinale


a assertiva incorreta:
a) a sociedade em conta de participação não pode ter firma ou denominação.

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b) cabe ao prejudicado, a qualquer tempo, ação para anular a inscrição do
nome empresarial feita com violação da lei ou do contrato.
c) a inscrição do nome empresarial será cancelada, a requerimento de
qualquer interessado, quando cessar o exercício da atividade para que foi
adotado, ou quando ultimar-se a liquidação da sociedade que o inscreveu.
d) o nome de sócio que vier a falecer, for excluído ou se retirar, pode ser
conservado na firma social,
e) o nome de empresário deve distinguir-se de qualquer outro já inscrito no
mesmo registro.

47. (FCC/Direito-Eletrobrás-Eletrosul/2016) Analise os seguintes


enunciados em relação à atividade empresarial:
I. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade
econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.
II. Considera-se empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza
científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou
colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de
empresa.
III. É facultativa a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas
Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade.
IV. Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou com terceiros,
desde que não sejam casados sob o regime da comunhão universal de bens,
ou no da separação obrigatória.
Está correto o que se afirma APENAS em:
a) II, III e IV.
b) I, III e IV.
c) II e III.
d) I e IV.
e) I e II.

48. (CONSULPLAN/Titular de Serviços Notariais-TJ-MG/2017)De acordo


com o Código Civil, assinale a afirmativa correta sobre a constituição do
empresário e da sociedade empresária:
a) É facultativa a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas
Mercantis da respectiva sede antes do início de suas atividades.

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b) Decai em cinco anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas
de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da
publicação de sua inscrição no registro.
c) O processo de abertura, registro, alteração e baixa do microempreendedor
individual, bem como qualquer exigência para o início de seu funcionamento
deverão ter trâmite especial e simplificado.
d) O empresário que instituir sucursal, filial ou agência em lugar sujeito à
jurisdição de outro Registro de Empresas Mercantis, deverá inscrevê-la apenas
no Registro da empresa sede.

49. (CONSULPLAN/Titular de Serviços Notariais-TJ-MG/2017)


Possui(em) capacidade para ser empresário, EXCETO:
a) Os que estiverem em pleno gozo da capacidade civil e não forem
legalmente impedidos.
b) O incapaz, desde que representado ou assistido, poderá continuar a
empresa antes exercida por ele enquanto capaz.
c) Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou com terceiros,
desde que não tenham casado no regime da comunhão universal de bens, ou
no da separação obrigatória.
d) O falido não reabilitado.

50. (CONSULPLAN/Titular de Serviços Notariais-TJ-MG/2017) Nos


termos do Código Civil marque a afirmativa INCORRETA acerca da definição de
empresário:
a) É aquele que exerce profissionalmente atividade econômica organizada para
a produção ou a circulação de bens ou de serviços.
b) É aquele que exerce profissionalmente atividades em cooperativas sendo
um dos cooperados.
c) É aquele cuja atividade rural constitua sua principal profissão, desde que
seja inscrito no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede.
d) É aquele que exerce atividade empresarial individual de responsabilidade
limitada, por uma única pessoa titular da totalidade do capital social.

51. (CONSULPLAN/Titular de Serviços Notariais-TJ-MG/2017) O Código


Civil brasileiro adotou, de forma indireta, uma definição para o termo jurídico
“empresa”. Levando em conta, esta definição, amplamente aceita e adotada
pela doutrina pátria, a palavra-chave que está presente nesta definição é
a) atividade.

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b) pessoa.
c) coisa.
d) instituição.

52. (CONSULPLAN/Titular de Serviços Notariais-TJ-MG/2016) Sobre o


conceito de empresário e sua capacidade, e à luz do Código Civil brasileiro, é
correto afirmar:
a) Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade
econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de
serviços.
b) A pessoa legalmente impedida de exercer atividade própria de empresário,
se a exercer, não responderá pelas obrigações contraídas.
c) Poderá o incapaz, mesmo sem assistência, continuar a empresa antes
exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor da herança.
d) O empresário casado necessita de outorga conjugal, qualquer que seja o
regime de bens, para alienar os imóveis que integram o patrimônio da
empresa ou gravá-los de ônus real.

53. (VUNESP/Titular de Serviços Notariais-TJ-SP/2016) Considera-se


juridicamente empresa:
a) a atividade economicamente organizada exercida pelo empresário.
b) o fundo de comércio das entidades empresariais.
c) as sociedades empresárias registradas devidamente no Registro de
Comércio.
d) as sociedades unipessoais que exerçam atividade econômica para produção
ou circulação de bens ou serviços, de maneira habitual e com intuito de
lucro.

54. (FGV/ICMS-RJ/2010) Segundo o art. 966 do Código Civil, é


considerado empresário:
a) quem é sócio de sociedade empresária dotada de personalidade jurídica.
b) quem é titular do controle de sociedade empresária dotada de
personalidade jurídica.
c) quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a
produção ou a circulação de bens ou serviços.
d) quem exerce profissão intelectual de natureza científica, literária ou
artística.

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e) quem assume a função de administrador em sociedade limitada ou
sociedade anônima.

55. (FGV/ICMS-RJ/2008) Pela teoria da empresa, adotada pelo novo


Código Civil, pode-se afirmar que o principal elemento da sociedade
empresarial é:
a) o trabalho.
b) o capital.
c) a organização.
d) o ativo permanente.
e) o maquinário.

56. (CESPE/Procurador-PG-DF/2013) Para Ronald Coase, jurista norte-


americano cujo pensamento doutrinário tem sido bastante estudado pelos
juristas brasileiros, a empresa se revelaria, estruturalmente, como um “feixe
de contratos” que, oferecendo segurança institucional ao empresário, permite
a organização dos fatores de produção e a redução dos custos de transação.
Nesse aspecto, a proposta de Coase coincide com o perfil institucional
proposto por Asquini.

57. (FCC/Juiz do Trabalho-TRT-23ªR-MT/2015) Antônio é empresário


individual, como tal inscrito no Registro de Empresas e no CNPJ há mais de
dez anos. Com exceção daqueles legalmente impenhoráveis, respondem pelas
dívidas contraídas por Antônio no exercício da atividade empresarial:
a) somente os seus bens afetados à atividade empresarial, mas limitadamente
ao valor do capital da empresa.
b) todos os seus bens, inclusive os não afetados à atividade empresarial,
desde que deferida judicialmente a desconsideração da personalidade
jurídica da empresa.
c) todos os seus bens.
d) todos os seus bens, mas limitadamente ao valor do capital da empresa.
e) somente os seus bens afetados à atividade empresarial.

58. (FCC / Juiz-TJ-GO / 2015) Thiago, titular de uma empresa individual do


ramo de padaria, veio ser interditado judicialmente e declarado absolutamente
incapaz para os atos da vida civil por conta de uma doença mental que lhe
sobreveio. A Thiago, nesse caso, é:

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a) permitido continuar a empresa por meio de representante, mediante prévia
autorização judicial, que não é passível de revogação.
b) vedado continuar a empresa, ainda que por meio de representante.
c) permitido continuar a empresa por meio de representante, mediante prévia
autorização judicial, que poderá ser revogada, também judicialmente, sem
prejuízo dos direitos de terceiros.
d) permitido continuar a empresa por meio de representante,
independentemente de prévia autorização judicial.
e) permitido continuar a empresa por meio de representante, caso em que
todos os bens que já possuía ao tempo da sua interdição ficarão sujeitos
ao resultado da empresa, ainda que estranhos ao acervo desta.

59. (FCC/Auditor-Substituto de Conselheiro-TCM-RJ/2015) É vedado ao


empresário casado, salvo no regime da separação total de bens, alienar os
imóveis que integrem o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus reais
sem a outorga conjugal.

60. (FCC/ICMS-RJ/2014) No tocante à atividade empresarial, é correto


afirmar:
a) A pessoa legalmente impedida de exercer atividade própria de empresário,
se a exercer, não responderá pelas obrigações que contrair.
b) Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou com terceiros,
desde que tenham casado no regime da comunhão universal de bens, ou
no da separação obrigatória.
c) Em nenhum caso poderá o incapaz, após reconhecida judicialmente sua
incapacidade, continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz,
por seus pais ou pelo autor da herança.
d) O empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal, qualquer
que seja o regime de bens, alienar os imóveis que integrem o patrimônio
da empresa ou gravá-los de ônus real.
e) A sentença que decretar ou homologar o divórcio do empresário pode ser
oposta de imediato a terceiros, sem necessidade de qualquer averbação ou
arquivo no Registro Público de Empresas Mercantis.

61. (FCC/Assessor Jurídico-TCE-PI/2014) João Renato era dono de um


restaurante, exercendo pessoalmente sua administração. Sofre um acidente
grave, automobilístico, que o leva a ser interditado para os atos da vida civil,
mas insiste em continuar as atividades da empresa. Nessas condições
pessoais:

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a) poderá fazê-lo, por meio de autorização judicial na qual se nomeará um
curador e de natureza irrevogável, salvo prova de abuso de gestão.
b) poderá fazê-lo, desde que por meio de representante ou devidamente
assistido, sem interferência judicial, já que as obrigações legais passam a
ser integralmente de seu representante.
c) não poderá fazê-lo, por impedimento legal e, se o fizer, não responderá
pelas obrigações contraídas, por sua incapacidade.
d) não poderá fazê-lo, por impedimento legal às atividades empresariais mas,
se o fizer, responderá pelas obrigações contraídas, para que não haja
prejuízo a terceiros de boa-fé.
e) poderá fazê-lo, desde que por meio de representante ou devidamente
assistido, com precedente autorização judicial que examine as
circunstâncias e riscos da empresa, bem como a conveniência em continuá-
la e podendo tal autorização ser revogada pelo juiz, nos termos previstos
em lei.

62. (FCC/Assessor Jurídico-TCE-PI/2014) Marina é dona de um


laboratório especializado em exames patológicos, que realiza a pedido de
médicos e hospitais. Fábio é agricultor, com atividade voltada à montagem de
cestas de legumes e verduras orgânicas, a serem vendidas em feiras e
supermercados. Quanto a essas atividades:
a) em nada se relacionam com atividades empresariais, por serem próprias de
sociedades civis e de profissionais liberais.
b) somente a de Marina é empresarial, já que voltada ao lucro, apesar de
científica; a de Fábio é atividade agrária, que não se confunde com uma
conduta empresarial.
c) somente a conduta de Fábio é empresarial, já que se trata de atividade
econômica organizada para a produção de bens, enquanto a atividade de
Marina é científica, que não se considera empresarial.
d) nenhuma delas é empresarial, já que a atividade de Marina é científica, que
não se considera empresarial, e a de Fábio é meramente agrária, também
não caracterizada como tal.
e) são ambas empresariais, pois Marina exerce profissão de natureza
científica, mas visando ao lucro e constituindo elemento de empresa,
enquanto Fábio exerce atividade econômica organizada, para a produção e
circulação de bens.

63. (CESPE/Procurador-AGU/2010) Marcos exerce atividade rural como


sua principal profissão. Nessa situação, Marcos poderá requerer, observadas
as formalidades legais, sua inscrição perante o Registro Público de Empresas

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Mercantis da respectiva sede, equiparando-se, após a sua inscrição, ao
empresário sujeito a registro.

64. (FCC/Juiz Substituto-TJ-MS/2010) Considera-se empresário:


a) quem organiza a produção de certa mercadoria, ainda que episodicamente,
destinando-a à venda no mercado.
b) quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a
produção ou a circulação de bens ou de serviços.
c) quem exerce habitualmente qualquer atividade, econômica ou intelectual,
para prestação de serviços diretos na comunidade.
d) o profissional da área científica, literária ou artística, desde que se trate de
atividade habitual, como regra.
e) quem exerce atividade econômica, habitualmente ou não, desde que
destine a produção de seus bens à venda no mercado.

65. (FCC/Juiz Substituto-TRT 11ª/2007) Determinada pessoa física


exercia atividade empresarial e, em determinado momento, torna-se
incapaz para os atos da vida civil. Nesse caso, a continuidade do exercício
da empresa
a) pode ser efetuada por mandatário do empresário.
b) é ilegal.
c) depende de autorização judicial.
d) pode ser efetuada por curador, independentemente de autorização judicial.
e) é possível por intermédio dos sócios do empresário.

66. (FCC/Procurador BACEN/2006) Pessoa incapaz pode ser empresária


individual
a) se autorizada judicialmente a continuar a exploração de estabelecimento
recebido por ela em herança.
b) se for maior de 14 (quatorze) anos e possuir estabelecimento com
economia própria.
c) na qualidade de sócia de sociedade de responsabilidade limitada, desde
que não possua poderes de administração.
d) como acionista, sem direito de voto, de sociedade anônima.
e) em qualquer hipótese, desde que devidamente representada na forma da
lei.

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67. (FCC/Procurador Jaboatão dos Guararapes-PE/2006) Em relação ao
empresário, é correto afirmar que
a) empresário casado sob o regime de comunhão universal de bens não pode
alienar os imóveis que integram o patrimônio da empresa ou gravá-los de
ônus real sem o consentimento de seu cônjuge.
b) se se tornar incapaz, não poderá continuar a empresa antes exercida por
ele enquanto capaz.
c) se impedido de exercer atividade própria de empresa, vier a exercê-la, não
responderá pelas obrigações contraídas.
d) é facultado contratar sociedade com seu cônjuge, se forem casados sob o
regime da comunhão parcial de bens.
e) sem qualquer restrição, podem exercer a atividade de empresário os que
estiverem em pleno gozo da capacidade civil.

68. (FCC/Procurador-BACEN/2006) O art. 195, I, da Constituição


estabelece que a seguridade social será custeada por contribuições sociais
"do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da
lei". De acordo com a terminologia empregada pelo Código Civil, a palavra
"empresa", no texto constitucional, está usada de modo:
a) correto.
b) incorreto, devendo ser substituída por "empresário".
c) incorreto, devendo ser substituída por "pessoa jurídica".
d) incorreto, devendo ser substituída por "atividade".
e) incorreto, devendo ser substituída por "estabelecimento".

69. (FCC/OAB-SP/2005) No regime do atual Código Civil, a caracterização


de determinada atividade econômica como empresarial
a) depende de expressa previsão legal ou regulamentar, devendo a atividade
constar em relação previamente expedida pelo Departamento Nacional de
Registro de Comércio.
b) é feita mediante opção do empresário, que no momento do seu registro
deverá declinar se sua atividade será empresarial, ou não.
c) é aferida a posteriori, conforme seja a atividade efetivamente exercida em
caráter profissional e organizado, ou não.
d) depende do ramo da atividade exercida pelo empresário, sendo
empresarial a compra e venda de bens móveis e semoventes e não
empresariais as demais atividades.

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70. (FCC/Juiz Substituto-TRT 11ª/2005) De acordo com o Código Civil de
2002, a utilização do termo "comerciante" para designar todo aquele a
quem são dirigidas as normas de Direito Comercial:
a) permanece correta, em razão da adoção, pelo Código Civil, da teoria
objetiva dos atos de comércio.
b) perdeu sentido, pois a revogação de parte expressiva do Código Comercial
operou a extinção do Direito Comercial.
c) tornou-se equivocada, pois o Código Civil estendeu a aplicação do Direito
Comercial a todos os que exercem atividade econômica organizada e
profissional, não apenas comerciantes.
d) permanece correta, em razão da adoção, pelo Código Civil, da teoria da
empresa.
e) tornou-se equivocada, pois os antigos "comerciantes" são hoje
denominados "empresários", embora designando os mesmos conceitos.

71. (FGV/ISS-Recife/2014) Paulo Afonso, casado no regime de comunhão


parcial com Jacobina, é empresário enquadrado como microempreendedor
individual (MEI). O varão pretende gravar com hipoteca o imóvel onde está
situado seu estabelecimento, que serve exclusivamente aos fins da
empresa. De acordo com o Código Civil, assinale a opção correta.
a) O empresário casado não pode, sem a outorga conjugal, gravar com
hipoteca os imóveis que integram o seu estabelecimento, salvo no regime
da separação de bens.
b) O empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal, qualquer
que seja o regime de bens, gravar com hipoteca os imóveis que integram o
seu estabelecimento.
c) O empresário casado, qualquer que seja o regime de bens, depende de
outorga conjugal para gravar com hipoteca os imóveis que integram o seu
estabelecimento.
d) O empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal, gravar
com hipoteca os imóveis que integram o seu estabelecimento, salvo no
regime da comunhão universal.
e) O empresário casado pode, mediante autorização judicial, gravar com
hipoteca os imóveis que integram o estabelecimento.

72. (FGV / ICMS-RJ / 2010) As alternativas a seguir apresentam figuras


que estão proibidas de exercer a atividade empresarial, à exceção de uma.
Assinale-a.
a) O falido que, mesmo não tendo sido condenado por crime falimentar, não
foi reabilitado por sentença que extingue suas obrigações.

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b) O magistrado.
c) O militar da ativa.
d) A mulher casada pelo regime da comunhão universal de bens, se ausente a
autorização marital para o exercício de atividade empresarial.
e) Os que foram condenados pelo juízo criminal à pena de vedação do
exercício de atividade mercantil.

73. (FGV / ISS-Cuiabá / 2014) A respeito do empresário individual,


assinale V para a afirmativa verdadeira e F para a falsa.
( ) O empresário individual poderá limitar sua responsabilidade pelos atos
praticados no exercício da empresa caso seja enquadrado como
microempreendedor individual.

74. (FGV/ISS-Niterói/2015) A Empresa Individual de Responsabilidade


Limitada (EIRELI) é uma pessoa jurídica que pode ser constituída por pessoa
natural, desde que seja aportado um valor em bens ou em numerário de, no
mínimo, 100 (cem) salários mínimos, totalmente integralizado. Em relação a
EIRELI, analise as afirmativas a seguir:
I. O administrador da EIRELI, sempre pessoa natural, poderá ser designado no
ato de constituição ou em ato separado.
II. O nome empresarial da EIRELI não pode ser usado pelo instituidor, exceto
se for administrador com os necessários poderes.
III. A pessoa natural somente poderá instituir uma EIRELI para participar dela.
IV. A EIRELI enquadrada como microempresa terá direito, em sede de
recuperação judicial, ao parcelamento de seus débitos com prazos 20% (vinte
por cento) maiores do que aqueles ordinariamente concedidos.
V. Em caso de concentração de todas as quotas de uma sociedade empresária
na titularidade de sócio pessoa natural, esse poderá requerer a transformação
do registro em EIRELI. Está correto o que se afirma em:
a) somente III;
b) somente II e IV;
c) somente I, II e V;
d) somente I, II, IV e V;
e) I, II, III, IV e V.

75. (FGV / ISS-Cuiabá / 2014) A respeito do empresário individual,


assinale V para a afirmativa verdadeira e F para a falsa.

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( ) Ao efetuar seu registro como empresário individual, a pessoa física tem a
opção de declarar se exerce a empresa como empresário ou como EIRELI; no
primeiro caso, a responsabilidade será ilimitada e, no segundo, limitada.

76. (FEPESE/Analista Técnico em Gestão de Registro Mercantil-


JUCESC/2013) De acordo com a Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002,
que institui o Código Civil brasileiro, é correto afirmar sobre a empresa
individual de responsabilidade limitada (EIRELI):
a) A EIRELI será constituída por uma ou mais pessoas titulares da totalidade
do capital social.
b) A pessoa natural que constituir EIRELI somente poderá figurar em uma
única empresa dessa modalidade.
c) A totalidade do capital social da EIRELI não será inferior a 60 vezes o maior
salário-mínimo vigente no País.
d) O nome empresarial utilizado será obrigatoriamente a denominação social,
acompanhado da expressão “EIRELI”.
e) Aplicam-se à EIRELI, no que couber, as regras previstas para as sociedades
simples.

77. (FCC/Promotor de Justiça-MPE-PE/2014) Em relação à Empresa


Individual de Responsabilidade Limitada, é correto afirmar:
a) Sua constituição e funcionamento, independentemente do objeto,
dependem de prévia autorização da Junta Comercial.
b) O seu capital social não poderá ser superior a 100 (cem) vezes o maior
salário mínimo vigente no País.
c) Tem natureza jurídica de sociedade limitada unipessoal, de sorte que o seu
nome empresarial deverá ser formado pela inclusão da expressão "Ltda."
após a firma ou a denominação social.
d) A mesma pessoa natural não poderá, simultaneamente, ser titular de mais
de uma empresa individual de responsabilidade limitada, ainda que seja
capaz de integralizar o capital de todas elas.
e) Tem personalidade jurídica própria, que não se confunde com a do seu
titular e se adquire com a sua inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas
Jurídicas (CNPJ).

78. (FCC / Juiz-TJ-SC / 2015) Ricardo, empresário do ramo de móveis,


alienou o seu estabelecimento para Alexandre, que ali deu continuidade à
exploração da mesma atividade. No contrato de trespasse, foram
regularmente contabilizadas todas as dívidas relativas ao estabelecimento,
algumas delas já vencidas e outras por vencer. Nesse caso, Ricardo:

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a) não responde pelas dívidas do estabelecimento, ainda que anteriores à sua
transferência.
b) responde com exclusividade por todas as dívidas do estabelecimento
anteriores à sua transferência.
c) responde com exclusividade apenas pelas dívidas já vencidas por ocasião
da transferência do estabelecimento.
d) responde solidariamente com Alexandre, durante determinado prazo, por
todas as dívidas anteriores à transferência do estabelecimento.
e) responde solidariamente com Alexandre apenas pelas dívidas já vencidas
por ocasião da transferência do estabelecimento.

79. (FCC / Procurador-TCE-CE / 2015) Considere as seguintes proposições


acerca do registro da empresa:
I. Entre outras atribuições, cabe ao órgão incumbido do registro verificar a
regularidade das publicações determinadas em lei.
II. O ato sujeito a registro, ressalvadas disposições especiais da lei, não pode,
antes do cumprimento das respectivas formalidades, ser oposto a terceiro,
salvo prova de que este o conhecia.
III. A sociedade empresária vincula-se ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas.
IV. Cumpre à autoridade competente, antes de efetivar o registro, verificar a
legitimidade do signatário do requerimento, mas não a sua autenticidade.
V. O registro é pressuposto para a constituição regular da sociedade
empresária, mas a aquisição de personalidade jurídica somente ocorre com a
sua inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas − CNPJ.
Está correto o que se afirma APENAS em:
a) IV e V.
b) I e III.
c) II e V.
d) III e IV.
e) I e II.

80. (FCC / Juiz-TJ-PE / 2015) Acerca do nome empresarial, é correto


afirmar:
a) O nome de sócio que vier a falecer pode ser conservado na firma social.
b) É vedada a alienação do nome empresarial.

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c) A inscrição do nome empresarial somente será cancelada a requerimento
do seu titular, mesmo quando cessado o exercício da atividade para que foi
adotado.
d) Independentemente de previsão contratual, o adquirente de
estabelecimento, por ato entre vivos, pode usar o nome empresarial do
alienante, precedido do seu próprio, com a qualificação de sucessor.
e) A sociedade em conta de participação pode ter firma ou denominação.

81. (FCC / Julgador Administrativo Tributário-SEFAZ-PE / 2015)


Quanto ao estabelecimento empresarial, é correto afirmar:
a) O conceito de estabelecimento empresarial confunde-se com o da
sociedade empresária, como sujeito de direito, e com o de empresa, como
atividade econômica.
b) O estabelecimento empresarial é composto apenas por elementos
materiais, como as mercadorias do estoque, os mobiliários, utensílios,
veículos, maquinaria, clientela etc.
c) Na classificação geral dos bens, conforme Código Civil, o estabelecimento
empresarial é uma universalidade de fato, por encerrar um conjunto de
bens pertinentes ao empresário e destinados à mesma finalidade, de servir
à exploração de empresa.
d) Ao estabelecimento empresarial imputam-se as obrigações e asseguram-se
os direitos relacionados com a empresa, já que passou o estabelecimento a
possuir personalidade jurídica.
e) A sociedade empresária só pode ser titular de um único estabelecimento
empresarial, dado o princípio da unicidade.

82. (FCC / Julgador Administrativo Tributário-SEFAZ-PE / 2015) Em


relação ao registro da empresa, é correto afirmar:
a) O ato empresarial sujeito a registro não pode, antes do cumprimento das
respectivas formalidades, em nenhuma hipótese, ser oposto a terceiro.
b) As sociedades empresárias, dependendo do objeto a que se dedicam,
devem registrar-se na Junta Comercial do Estado em que estão sediadas.
c) Os atos do registro de empresa praticados pelas Juntas Comerciais são, em
sua totalidade, a matrícula e o arquivamento dos atos empresariais.
d) O registro dos atos empresariais sujeitos à formalidade legal será requerido
privativamente pelos sócios da empresa.
e) A principal sanção imposta à sociedade empresária que explora
irregularmente sua atividade econômica, funcionando sem registro na

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Junta Comercial, é a responsabilidade ilimitada dos sócios pelas obrigações
da sociedade.

83. (FCC / Defensor Público-DPE-CE / 2014) João, titular de


estabelecimento comercial do ramo de confeitaria, alienou-o para Paulo, que
continuou explorando a mesma atividade no local. Dois anos depois da
transferência, João decidiu alugar o imóvel vizinho, no qual estabeleceu nova
confeitaria, passando a competir diretamente com Paulo. Nesse caso, e
considerando que o contrato de trespasse nada previa acerca da proibição de
concorrência, é correto afirmar:
a) João tem direito de fazer concorrência a Paulo, dado que o contrato nada
previa a esse respeito.
b) É requisito de validade do contrato de trespasse a estipulação, por escrito,
acerca do direito de concorrência por parte do alienante do
estabelecimento.
c) Nem mesmo com autorização expressa de Paulo seria lícito a João fazer-lhe
concorrência, por se tratar de direito irrenunciável, que visa a impedir o
comportamento empresarial predatório, prejudicial ao desenvolvimento
sustentável da ordem econômica.
d) João tem direito de explorar a mesma atividade no imóvel vizinho
amparado no princípio constitucional da liberdade de concorrência,
reputando-se nulas quaisquer convenções que o proibissem de competir
com Paulo.
e) Na omissão do contrato, João não poderá fazer concorrência a Paulo nos
cinco anos subsequentes à transferência do estabelecimento.

84. (FCC / ICMS-PE / 2014) Quanto ao nome empresarial, é correto


afirmar:
a) O nome de sócio que vier a falecer, for excluído ou se retirar, pode sempre
ser conservado na firma social.
b) A inscrição do empresário, ou dos atos constitutivos das pessoas jurídicas,
ou as respectivas averbações, no registro próprio, asseguram o uso
privativo do nome exclusivamente nos limites do respectivo município.
c) O nome de empresário deve distinguir-se de qualquer outro já inscrito no
mesmo registro; se o empresário tiver nome idêntico ao de outros já
inscritos, deverá acrescentar designação que o distinga.
d) O nome empresarial pode ser objeto de alienação, pois tem conteúdo
econômico.

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e) O adquirente de estabelecimento, por ato entre vivos, é legalmente
impedido de usar o nome do alienante, ainda que precedido do seu próprio,
com a qualificação de sucessor.

85. (FCC / DEFENSOR PUBLICO-SP / 2009) Para que uma pessoa possa
ser reputada empresária tem-se que verificar sua inscrição perante o Registro
Público de Empresas Mercantis.

86. (FCC / JUIZ SUBSTITUTO-TJ-PE / 2011) É correto afirmar que a lei


assegurará tratamento isonômico ao empresário rural e ao pequeno
empresário, quanto à inscrição empresarial e aos efeitos dela decorrentes.

87. (FGV/ISS-Niterói/2015) No contrato de arrendamento de um dos


estabelecimentos da sociedade empresária Abreu & Cia Ltda., celebrado pelo
prazo de 10 (dez) anos, não houve estipulação autorizando o arrendatário a
fazer concorrência ao arrendador. A partir desse dado, é correto afirmar que o
arrendador:

a) não poderá fazer concorrência ao arrendatário pelo prazo do contrato,


porém esse prazo fica limitado a cinco anos;

b) poderá fazer concorrência ao arrendatário, porque as cláusulas implícitas


ou expressas de proibição de concorrência são nulas;

c) diante da omissão no contrato quanto à proibição de concorrência, poderá


fazer concorrência ao arrendatário pelo prazo do contrato;

d) não poderá fazer concorrência ao arrendatário pelo prazo do contrato,


mesmo que esse seja maior do que cinco anos;

e) não poderá fazer concorrência ao arrendatário porque o prazo de duração


do contrato coincide com o máximo fixado em lei para a cláusula de
proibição de concorrência.

88. (FGV/ISS-Niterói/2015) A partir da previsão contida no art. 1.143 do


Código Civil, segundo o qual “pode o estabelecimento ser objeto unitário de
direitos e de negócios jurídicos, translativos ou constitutivos, que sejam
compatíveis com a sua natureza”, é possível afirmar que tal instituto tem
natureza de:

a) comunhão ou universalidade de direitos;

b) universalidade de fato;

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c) patrimônio de afetação;

d) pessoa jurídica de direito privado;

e) pessoa formal, sem personalidade jurídica.

89. (FGV/ISS-Niterói/2015) O empresário e a sociedade empresária


devem adotar um nome para o exercício da empresa, de acordo com o Código
Civil. Esse instituto, conhecido como nome empresarial, possui regras para sua
formação e utilização. A afirmativa que revela corretamente uma regra para
utilização/formação do nome empresarial é:

a) a sociedade em nome coletivo deverá adotar firma como nome


empresarial, que incluirá o nome de pelo menos um dos sócios, sendo
facultativo o aditivo & Companhia, caso todos os sócios sejam nominados;

b) a denominação social é uma espécie de nome empresarial, também


conhecida como “nome de fantasia”, porque nela não se inclui nome
patronímico, apenas palavras ou expressões designativas do objeto social;

c) nas sociedades cujo capital é dividido em ações, é proibido o uso da firma


social como nome empresarial, somente sendo permitido o uso da
denominação com a indicação do objeto social;

d) o adquirente de estabelecimento por ato entre vivos ou causa mortis, pode


usar a firma do alienante ou do de cujus, precedida de sua própria, com a
qualificação de sucessor;

e) na sociedade em conta de participação a espécie de nome empresarial é


firma, exclusivamente, formada pelo nome patronímico do sócio ostensivo
seguida do aditivo & Companhia, por extenso ou abreviado.

90. (FGV / ISS-Cuiabá / 2014) Uma sociedade empresária com sede em


Denise/MT, composta por três sócios pessoas naturais, adotou o nome
empresarial “Pontes, Lacerda & Cáceres”. Sobre esse nome empresarial,
assinale a afirmativa correta.

a) Trata-se de denominação adotada por sociedade em comandita por ações.

b) Trata-se de firma social adotada por sociedade cooperativa.

c) Trata-se de denominação adotada por sociedade anônima.

d) Trata-se de firma adotada por sociedade em nome coletivo.

e) Trata-se de firma adotada por sociedade em comandita simples.

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91. (FGV / ISS-Recife / 2014) Alfredo Chaves exerce em caráter


profissional atividade intelectual de natureza literária com a colaboração de
auxiliares. O exercício da profissão constitui elemento de empresa. Não há
registro da atividade por parte de Alfredo Chaves em nenhum órgão público.
Com base nestas informações e nas disposições do Código Civil, assinale a
afirmativa correta.
a) Alfredo Chaves não é empresário porque exerce atividade intelectual de
natureza literária.
b) Alfredo Chaves não é empresário porque não possui registro em nenhum
órgão público.
c) Alfredo Chaves será empresário após sua inscrição na Junta Comercial.
d) Alfredo Chaves é empresário porque exerce atividade não organizada em
caráter profissional.
e) Alfredo Chaves é empresário independentemente da falta de inscrição na
Junta Comercial.

92. (FGV / ISS-Recife / 2014) O complexo de bens organizado e


titularizado por empresário para o exercício de atividade econômica em
caráter profissional, que pode ser objeto unitário de direitos e negócios
jurídicos, denomina-se:

a) aviamento.

b) firma.

c) empresa.

d) estabelecimento.

e) matriz ou sede.

93. (FGV / OAB-XIII Exame / 2014) Ananias Targino consulta sua


advogada para saber as providências que deve tomar para publicizar o
trespasse do estabelecimento da Empresa Individual de Responsabilidade
Limitada (EIRELI) por ele constituída e enquadrada como microempresa, cuja
firma é Ananias Targino EIRELI ME. A advogada corretamente respondeu que:

a) é dispensável qualquer publicização ou arquivamento do contrato de


trespasse do estabelecimento por ser a EIRELI enquadrada como
microempresa.

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b) é dispensável o arquivamento do contrato de trespasse no Registro Público
de Empresas Mercantis, mas ele deverá ser publicado na imprensa oficial.

c) é dispensável o arquivamento do contrato de trespasse no Registro Público


de Empresas Mercantis, mas ele deverá ser publicado na imprensa oficial e
em jornal de grande circulação.

d) é dispensável a publicação do contrato de trespasse na imprensa oficial,


mas ele deverá ser arquivado no Registro Público de Empresas Mercantis.

94. (FGV / ISS-Recife / 2014) Condado Confeitaria Ltda. arrendou o


estabelecimento de uma de suas filiais, situado na cidade de Buíque, à
sociedade empresária Calumbi, Machados & Cia. Ltda. Não houve notificação
prévia do arrendamento aos credores quirografários do arrendador, apenas a
publicação legal do contrato e seu arquivamento na Junta Comercial.

O contrato foi celebrado pelo prazo de quatro anos e contém estipulação


estabelecendo que, durante sua vigência, o arrendador está proibido de fazer
concorrência ao arrendatário na cidade de Buíque.

Com base nessas informações, é correto afirmar que a estipulação contratual


é:

a) válida, porque, no caso de arrendamento do estabelecimento, a proibição


de concorrência ao arrendador persiste durante o prazo do contrato.

b) nula de pleno direito, porque viola os princípios constitucionais da livre


iniciativa e da livre concorrência, impedindo o restabelecimento do
arrendador.

c) anulável, porque, no caso de arrendamento do estabelecimento, o prazo de


proibição de concorrência ao arrendador limita-se aos cinco anos
subsequentes à transferência.

d) não escrita, porque somente é possível proibir o restabelecimento em caso


de alienação do estabelecimento e, ainda assim, até o limite de cinco anos.

e) é válida, porém ineficaz perante terceiros, porque, em havendo


arrendamento do estabelecimento, o arrendador deveria ter notificado
previamente seus credores quirografários.

95. (FGV / ISS-Recife / 2014) Sobre os atos de competência do Registro


Público de Empresas Mercantis (denominado atualmente Registro
Empresarial), a cargo das Juntas Comerciais, assinale a afirmativa correta:

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a) O registro compreende a matrícula dos leiloeiros, tradutores públicos e
intérpretes comerciais, trapicheiros e administradores de armazéns-gerais,
bem como o cancelamento dela.

b) Os atos concernentes a sociedades simples e a sociedades empresárias


estrangeiras autorizadas a funcionar no Brasil estão sujeitos a
arquivamento.

c) O arquivamento dos documentos relativos à constituição, alteração,


dissolução e extinção de associações, sociedades empresárias e
cooperativas compete às Juntas Comerciais.

d) A autenticação dos instrumentos de escrituração das sociedades


empresárias, do empresário individual, registrado ou não, e dos agentes
auxiliares do comércio é de responsabilidade das Juntas Comerciais.

e) As Juntas Comerciais procederão ao assentamento dos usos e das práticas


mercantis apenas quando houver provocação da Procuradoria ou de
entidade de classe interessada.

96. (FGV / Juiz-TJ-AM / 2013) De acordo com o Direito Empresarial,


disciplinado pelo Código Civil, assinale a afirmativa correta.

e) A sociedade limitada que tem por objeto a criação de cabeças de gado para
corte, pode ter os seus atos constitutivos registrados no Registro Civil de
Pessoas Jurídicas.

97. (FGV/Juiz-TJ-AM/2013) De acordo com o Direito Empresarial,


disciplinado pelo Código Civil, assinale a afirmativa correta.
b) O analfabeto pode se inscrever como empresário individual no Registro
Público de Empresas Mercantis, mediante outorga de uma procuração, por
instrumento público ou particular.

98. (FGV / ICMS-RJ / 2011) O empresário individual e as sociedades


empresárias são obrigados, por lei, a seguir um sistema de contabilidade,
mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em
correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o
balanço patrimonial e o de resultado econômico.

A respeito dos livros comerciais, é INCORRETO afirmar que:

a) o empresário que adotar o sistema de fichas de lançamentos poderá


substituir o livro Diário pelo livro Balancetes Diários e Balanços,

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observadas, contudo, as mesmas formalidades extrínsecas exigidas para
aquele.

b) a filial localizada no Brasil, de sociedade empresária com sede em país


estrangeiro, fica subordinada às mesmas disposições relativas à
escrituração dos livros comerciais, previstas no Código Civil brasileiro.

c) além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Razão, que pode
ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou
eletrônica.

d) salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as


fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público
de Empresas Mercantis.

e) o juiz só poderá autorizar a exibição integral dos livros e papéis de


escrituração quando necessária para resolver questões relativas a
sucessão, comunhão ou sociedade, administração ou gestão à conta de
outrem, ou em caso de falência.

99. (FGV / ICMS-RJ / 2011) XYZ Produtos Alimentícios Ltda. é uma


sociedade empresária, regularmente inscrita no órgão competente desde
1999, cujo objeto constitui a exploração do ramo de alimentos. Com sólido
nome no mercado, localizada em um ponto empresarial altamente valorizado
no Estado do Rio de Janeiro, detentora de valiosa marca e linhas de crédito
pré-aprovadas nos melhores bancos do Estado à sua disposição, os sócios
decidem, por maioria absoluta, fazer a cessão do estabelecimento,
aproveitando ótima proposta oferecida por um empresário que já atua no
mesmo ramo.

Em relação ao estabelecimento, assinale a afirmativa correta.

a) A sociedade empresária XYZ Produtos Alimentícios Ltda. responde de forma


subsidiária por eventuais débitos existentes anteriormente à cessão
apontada.

b) A cessão dos créditos referentes ao estabelecimento transferido produz


efeitos em relação aos respectivos devedores, desde o momento da
publicação da transferência, somente ficando exonerado se, de boa-fé,
paga ao cedente.

c) Para ser considerada eficaz, a cessão é indispensável à expressa


autorização dos credores existentes àquela época, ainda que a sociedade
possua bens suficientes para solver o seu passivo.

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d) A sociedade empresária XYZ Produtos Alimentícios Ltda. não pode fazer
concorrência ao empresário adquirente, pelo prazo de 2 (dois) anos, salvo
se obtida autorização expressa.

e) O contrato de cessão produz efeitos em relação a terceiros desde a sua


averbação à margem da inscrição da sociedade no Registro Público de
Empresas Mercantis, no caso, a cargo da Junta Comercial do Estado do Rio
de Janeiro, independente de a publicação ocorrer na imprensa oficial.

100. (FGV / ICMS-RJ / 2010) Com relação ao estabelecimento empresarial,


assinale a afirmativa incorreta.

a) É o complexo de bens organizado para o exercício da empresa, por


empresário ou por sociedade empresária.

b) Refere-se tão-somente à sede física da sociedade empresária.

c) Desponta a noção de aviamento.

d) Inclui, também, bens incorpóreos, imateriais e intangíveis.

e) É integrado pela propriedade intelectual.

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Curso de Direito Empresarial para AFRFB
Teoria e Questões comentadas
Prof. Wangney Ilco – Aula 00

10 - Gabarito

1 Correta 11 B 21 C 31 C 41 Incorreta

2 D 12 Incorreta 22 C 32 D 42 Correta

3 B 13 C 23 B 33 E 43 Correta

4 Incorreta 14 C 24 A 34 A 44 D

5 Incorreta 15 A 25 Correta 35 D 45 B

6 Correta 16 Incorreta 26 B 36 A 46 D

7 E 17 D 27 A 37 Correta 47 D

8 Incorreta 18 A 28 Correta 38 E 48 C

9 A 19 C 29 Incorreta 39 D 49 D

10 Incorreta 20 C 30 E 40 Incorreta’ 50 B

51 A 61 E 71 B 81 C 91 E

52 Correta 62 E 72 D 82 E 92 D

53 A 63 Correta 73 Incorreta 83 E 93 D

54 C 64 B 74 E 84 C 94 A

55 C 65 C 75 Incorreta 85 Incorreta 95 A

56 Incorreta 66 A 76 B 86 Incorreta 96 Correta

57 C 67 D 77 D 87 D 97 Incorreta

58 C 68 B 78 D 88 B 98 Anulada

59 Incorreta 69 C 79 E 89 A 99 B

60 D 70 C 80 B 90 D 100 B

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