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UNIDADE II

A ESTÉTICA DA IMAGEM NO PENSAMENTO FOTOGRÁFICO

Prof. Esp. Gabriel Rodrigues de Andrade

Objetivos de Aprendizagem
Compreender a construção do pensamento fotográfico;
Identificar os tipos de enquadramento;
Conhecer a construção estética da imagem fotográfica;
Reconhecer a presença e a função da poética, linguagem e discurso
fotográfico.

Plano de Estudo
Nesta unidade, serão abordados os seguintes tópicos:
1. A construção do pensamento fotográfico
2. Construção da linguagem poética e discurso fotográfico
3. Os discursos presentes na imagem fotográfica
4. A estética na fotografia

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CONVERSA INICIAL

Caro aluno, nesta Unidade abordaremos questões que permeiam e se fazem


presentes em toda construção da imagem fotográfica. A partir da estética
fotográfica é possível criar sentidos e diferentes linguagens, tornando o
universo fotográfico empregando de inúmeros significados.
A construção do pensamento fotográfico implica em conhecer o percurso da
fotografia enquanto imagem técnica e, a partir daí, compreender como o
aparelho fotográfico, mediante seus componentes óticos e técnicos, constituem
procedimentos discursivos que definem estética ou tecnicamente a produção
de sentido e sua significação.
A estética da imagem constrói significados e padrões estéticos a partir das
técnicas fotográficas. Quando olhamos uma imagem, incoscientemente
percebemos a narrativa por trás da fotografia bem como, a mensagem que ela
deseja transmitir.
Pensar na estética da imagem consiste em compreender o que a imagem
deseja transmitir quais foram as técnicas utilizadas para a sua produção. Isso
significa que a fotografia não se limita a um equipamento, necessidade ou
desejo de registro, mas sim, a uma série de técnicas, conhecimentos e
sensações e mensagens implícitas e explícitas que constroem a imagem
fotográfica.
Nesta Unidade, nos aproximaremos dos conceitos que caracterizam a
fotografia e compreenderemos os aspectos gerais que constituem o ato de
fotografar. A maneira como olhamos para uma cena é tão importante quanto o
equipamento que será utilizado para registrá-lo.
Desta forma, concluímos que a fotografia é uma arte que integra o ser humano
ao local a ser fotografado por meio de um aparelho tecnológico, a câmera.
Portanto, a fotografia é uma maneira de conexão entre indivíduos, objetos e
paisagens.

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Módulo 1 - A construção do pensamento fotográfico

A imagem fotográfica não é confundida com outras imagens devido aos


aspectos técnicos da câmera, a imagem gerada carrega aspectos visuais bem
definidos e distintos. Por isso, também não se confunde com os outros tipos de
representações com as quais convivemos ao longo dos séculos.
Veremos mais adiante os aspectos técnicos da fotografia. Mas, desde já, é
importante sabermos que as diferentes combinações e variações desses
aspectos criam imagens únicas e com características variadas. A imagem
fotográfica é naturalmente distinta de outras, por isso possui um espaço
específico, no qual conseguimos identificar suas categorias, funções e
finalidades.
Ao longo do tempo, o homem buscou identificar os parâmetros que
delimitassem o que chamamos de pensamento fotográfico. Primeiramente,
dedicou-se ao conhecimento técnico sobre a fotografia, sua aparelhagem e
configurações visuais.
Com o avanço da tecnologia, criação, aperfeiçoamento e estudo das inúmeras
técnicas fotográficas, a qualidade da imagem passou a ser uma preocupação
para os fotógrafos. Como a imagem fotográfica é produzida por um aparelho,
ela se opõe às imagens artesanais típicas das construções que ampararam a
humanidade da pré-história até o século XIX, período em que surge a fotografia
analógica.
A tecnologia fez com que a fotografia criasse um ruptura com a tradição
imagética na medida em que instaurou um modo de construir imagens que
contrariavam as habilidades humanas que, por meio do apertar de um botão,
automatizam a produção de imagens.
Esta automação tecnológica também determinou um novo modo de pensar,
modo através do qual as imagens integram o processo de entendimento de
forma prioritária passando a fazer parte do contexto social e interferir na
construção do conhecimento e da comunicação.
Imaginar não é mais apenas idealizar, abstrair, pensar, mas sim, construir
imagens ou criá-las mediante uma ação autônoma, técnica e objetiva. Basta
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escolher um tema, adequar às variáveis ambientais, aos ajustes da câmera e,
pronto, as imagens surgem como que por encanto.
Por isso, refletir sobre o ato que dá existência à fotografia, é também refletir
sobre o pensamento que a institui enquanto imagem e que lhe dá autonomia e
significação. Logo, o pensamento fotográfico, como abordagem teórica, é uma
atividade cognitiva e investigativa destinada a identificar e desenvolver o
conhecimento sobre conceitos, pressupostos, princípios, condições técnicas,
poéticas, estéticas e discursivas, decorrentes da constituição das imagens
fotográficas e de sua significação.
Neste alinhamento, as investigações neste campo de atuação podem ser
realizadas por meio de diferentes recortes teóricos ou abordagens, sejam
conceituais, técnicas, estéticas ou filosóficas, etnográficas, sociais,
antropológicas ou históricas.
Desta forma, é essencial delimitar as características destas imagens e os
contextos nos quais elas existem e significam, além de seus aspectos técnicos,
estéticos e temáticos. Um primeiro ponto é entender como a imagem
fotográfica surge e como é configurada pela operacionalização das câmeras.
Para termos essa compreensão, é necessário determinarmos alguns conceitos
para continuarmos a entender o pensamento fotográfico. É muito importante
reconhecermos que a imagem fotográfica é Estenopéica, ou seja, registra o
mundo visto através de um furo. Ao que chamamos de furo, nos referimos ao
princípio da câmara escura que já estudamos no primeiro módulo.
Estenopo, do grego, significa furo, orifício. Uma característica física da luz é
sua propriedade de passar por um furo e transferir a imagem que tem diante
dele para o lado oposto e, se colocarmos neste lado, um suporte sensível a luz,
teremos a fotografia.
Então, caro aluno, vamos relembrar que a câmara escura foi o primeiro invento
capaz de transferir as informações luminosas do meio ambiente para outro
espaço, o interior de um aparato técnico e, lá dentro, dar oportunidade ao
artista de desenhar uma imagem mais próxima da natureza, com menos riscos
de interpretá-la por sua conta. É possível dizer que o princípio ótico da
fotografia é baseado no Estenopo, portanto, a fotografia é uma imagem
estenopéica
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A imagem fotográfica é obtida por meio de um orifício, de um furo, logo, toda
câmera fotográfica é uma caixa com um furo. Este furo, deu origem à câmara
escura que, por sua vez, deu origem à todas as câmeras fotográficas, como
também às lente de fotografia que passaram a ocupar o lugar do pequeno furo.

Indicação De Recurso Didático


• Os Tempos da Fotografia: o efêmero e o perpétuo. Boris Kossoy. 2007.
Disponível em:
https://books.google.com.br/books?id=slXbspM_u4AC&pg=PA21&dq=pensame
nto+fotogr%C3%A1fico&hl=pt-
BR&sa=X&ved=0ahUKEwiTvZeh2trjAhVEK7kGHU2LArgQ6AEILjAB#v=onepag
e&q&f=false
• Pausas do Destino: teoria, arte e história da fotografia. Mauricio
Lissovsky. 2014. Disponível em:
https://books.google.com.br/books?id=5IkQBAAAQBAJ&pg=PT45&dq=pensam
ento+fotogr%C3%A1fico&hl=pt-
BR&sa=X&ved=0ahUKEwiTvZeh2trjAhVEK7kGHU2LArgQ6AEINDAC#v=onep
age&q&f=false
• Perspectivas Imagéticas. Inmaculada Gordillo, Jefferson Barcelos,
Danilo Bressan, Dorival Rossi. 2019.
Ler: Parte 1 - Fotografia e Imagem. Disponível em:
https://books.google.com.br/books?id=yoKWDwAAQBAJ&pg=PA67&dq=pensa
mento+fotogr%C3%A1fico&hl=pt-
BR&sa=X&ved=0ahUKEwiTvZeh2trjAhVEK7kGHU2LArgQ6AEIOjAD#v=onepa
ge&q&f=false
• A Experiência da Imagem na Etnografia. Andrea Barbosa, Edgar
Teodoro da Cunha, Rose Satiko Gitirana Hikiji, Sylvia Caiuby Novaes. 2016.
Ler: Capítulo 2 - Fotografia e Etnografia. Disponível em:
https://books.google.com.br/books?id=cTKhDwAAQBAJ&pg=PA181&dq=pensa
mento+fotogr%C3%A1fico&hl=pt-
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BR&sa=X&ved=0ahUKEwiTvZeh2trjAhVEK7kGHU2LArgQ6AEIPzAE#v=onepa
ge&q&f=false
• O Ato Fotográfico. Philippe Dubois. 1993. Disponível em:
https://books.google.com.br/books?id=U4srQ7I5--
8C&pg=PA326&dq=pensamento+fotogr%C3%A1fico&hl=pt-
BR&sa=X&ved=0ahUKEwiTvZeh2trjAhVEK7kGHU2LArgQ6AEIUjAI#v=onepag
e&q&f=false
Sobre Fotografia. Susan Sontag. 2004. Disponível em:
https://books.google.com.br/books?id=KACoBAAAQBAJ&pg=PT94&dq=pensa
mento+fotogr%C3%A1fico&hl=pt-
BR&sa=X&ved=0ahUKEwje7azX3trjAhWVFLkGHdAVDXU4ChDoAQhPMAg#v
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Módulo 2 - Construção da linguagem poética e discurso fotográfico

Como vimos, os modos de construir imagens fotográficas são modos de dizer e


significar, por isso consideramos a construção de uma linguagem e o discurso
que dela decorre.Todos os ajustes aplicados à câmera consistem em impor às
fotografias aspectos e características variáveis e, consequentemente, produção
de sentidos diferentes.
Todas as estratégias que constituem a imagem fotográfica implicam em uma
produção de sentido e instauram o que podemos chamar de “Poética
Fotográfica”, ou mais comumente “Linguagem Fotográfica” o que significa a
construção do discurso fotográfico.
Cabe ressaltar que o termo poética vem do grego Poieticós e se refere ao
fazer, ao processo de construção e isto se aplica a todas as modalidades de
expressão, quer sejam artísticas ou não.
Para a fotografia, são as características e variações dos ajustes dos
componentes da câmera fotográfica que irão determinar sentidos e
significados, juntamente com as demais escolhas de assuntos, abordagens e

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implicações culturais e sociais decorrentes das tomadas das imagens que
fazemos do mundo.
Sintetizando, podemos dizer que a fotografia se dedica a criar imagens que se
destinam a, pelo menos, três tipos de função: documental, comunicativa e
expressiva.
As imagens documentais são aquelas que cumprem a função de registro.
Destinadas a documentar fatos, eventos, acontecimentos e circunstâncias às
quais atribuímos valor social e que, em última instância, constituem nosso
repertório histórico, antropológico, étnico e cultural.

Fonte: Gervasio Sanchez

A foto acima retrata o momento de sofrimento de uma família. A fotografia


documental tem como uma de suas principais funções, retratar os
acontecimentos da maneira mais real possível. Na imagem, é perceptível a dor
e sofrimento das mulheres abraçando o corpo de um ente querido.
As imagens comunicativas são aquelas que cumprem a função de informar,.
Estão presentes na comunicação social, exercendo papel informativo ou
comercial, no Jornalismo, no Marketing, na Publicidade e na Propaganda.

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Foto: O Boticário

Concluímos que a imagem comunicativa tem como objetivo persuadir quem a


vê, a fim de fazer com que as pessoas comprem produtos, ideias ou estilos de
vida.
Por fim, as imagens expressivas são aquelas que se destinam a cumprir
funções estéticas, ou seja, não se dedicam ao registro e muito menos à
informação. São autônomas enquanto proposição, tematização e significação.

Foto: Dior

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Como as fotografias cumprem diferentes funções sociais, uma mesma imagem
pode cumprir mais de uma delas, embora todas possuam aspectos técnicos e
estéticos semelhantes, o que as diferencia ou as coloca em uma ou em outra
função, é sua relação com o contexto discursivo.

Indicação De Recurso Didático


• A Imagem Fotográfica como uma Forma de Comunicação e
Construção Estética: apontamentos sobre a fotografia vencedora do World
Press Photo 2010. Célia Martins. 2010. Disponível em:
http://www.bocc.ubi.pt/pag/martins-celia-2013-imagem-fotografica-como-uma-
forma-de-comunicacao.pdf
• Formas de Ver: a imagem fotográfica como construção social e cultural.
Livia Gabriela dos Santos Diniz, Adriana Imbriani Marchi Veiga. Disponível em:
http://www.bocc.ubi.pt/pag/bocc-diniz-fotografia.pdf
• Fotografia e Modernidade. Frederico Lopes. Disponível em:
http://www.bocc.ubi.pt/pag/lopes-fred_fotografia.pdf
• Fotografia Publicitária e Fotografia Jornalística: pontos em comum.
Ricardo Cordeiro. Disponível em: http://www.bocc.ubi.pt/pag/cordeiro-ricardo-
fotografia-publicitaria.pdf
• Entre a Técnica e a Teoria: o ensino de fotografia para os cursos de
graduação em publicidade e propaganda. Renata Voss Chagas. Disponível em:
http://www.bocc.ubi.pt/pag/voss-renata-entre-a-tecnica-e-a-teoria.pdf
• Uma Breve Resenha Sobre a Fotografia e a Publicidade na
Imprensa Brasileira. Nicole Kollross, Angelo José da Silva. Disponível em:
http://www.bocc.ubi.pt/pag/kollross-silva-uma-breve-resenha-sobre-a-
fotografia.pdf
• Fotografia na Imprensa: a mensagem visual publicizada. Íria Catarina
Queiróz Baptista, Karen Cristina Kraemer Abreu. Disponível em:
http://www.bocc.ubi.pt/pag/baptista-iria-abreu-karen-fotografia-na-imprensa.pdf

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Construção de Significados Visuais: a participação de jovens a partir da
fotografia participativa. Daniel Meirinho. Disponível em:
http://www.bocc.ubi.pt/pag/meirinho-daniel-2018-construcao-significados-
visuais.pdf

Módulo 3 - Os discursos presentes na imagem fotográfica

O contexto discursivo se constitui pelo conjunto de atributos que a fotografia


possui para operar a informação em um suporte jornalístico, publicitário,
artístico ou documental.
O discurso não se faz apenas pela palavra, mas pela relação que ela tem com
outras e de todas com o contexto. Podemos dizer que o mesmo acontece com
a imagem fotográfica. O que também define sua função, é a sua inserção no
contexto informativo no qual ela opera ou existe.
Por definição, a fotografia, enquanto imagem técnica, possui algumas
características próprias: é uma imagem plana, bidimensional, (converte o 3D
em 2D) e fixa, captada por um aparelho ótico e registrada numa superfície
sensível à luz, logo, sua poética parte desses pressupostos. A poética
fotográfica é composta por fronteiras entre a técnica, o registro e a expressão.
Como observamos, há diferenças essenciais entre a fotografia e as demais
imagens construídas pela humanidade ao longo da história.
Enquanto a maioria das imagens construídas até o século XIX dependiam da
capacidade de observação e habilidade psicomotora humana, a fotografia
surge como uma alternativa para suprimir toda a dependência das habilidades
humanas, por meio de um aparelho ótico (câmera fotográfica), capaz de
registrar as imagens do mundo.
A fotografia democratiza a produção de imagens, possibilitando sua elaboração
sem que fosse necessário qualquer aprendizado motor e manual relacionados

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às habilidades técnicas ou artísticas destinadas ao desenho, à pintura ou à
escultura.
A principal característica da fotografia consiste no pressuposto de que a
imagem obtida por ela decorre de condicionantes e ocorrências manifestas
previamente no meio e tomadas no ato fotográfico como um recorte,
ressignificando o visível. Ou seja, uma imagem fotográfica depende de que
algo tenha, obrigatoriamente, ocorrido no mundo que seja registrado pela
câmera.
A câmera fotográfica não “inventa”, “cria" ou “imagina”, apenas registra o que já
existe no mundo. Embora o registro possa ser, em boa parte, conduzido pelo
fotógrafo, a ocorrência em si, mesmo que tenha sido ordenada, produzida e
coordenada pelo ser humano, deve ter acontecido antes para existir, e depois,
ser eternizada na imagem fotográfica. O ato fotográfico em si, reside na
capacidade de identificar, escolher e reter informações visuais do meio
ambiente, exclusivamente pela luz.
Entendemos que este processo da reprodução do visível, foi a maior
responsável pela difusão e consolidação da fotografia, fazendo com que ela
superasse a produção das demais imagens conhecidas. O que também a
valorizou foi o seu potencial de aplicação em diferentes áreas do conhecimento
e da expressão humana, atendendo diferentes funções, dos registros, à
informação e criação.
Pode-se dizer que a fotografia sempre operou em duas instâncias distintas:
captação e registro. E, desde sua invenção, atuou em dois domínios técnicos:
óticos e digitais. Pode-se dizer que, desde os primeiros momentos da história o
ser humano buscou entender os fenômenos óticos, isto serviu para intuir a
possibilidade de reproduzir imagens mais próximas do mundo natural, talvez
tenha sido esta a motivação da descoberta do fenômeno estenopéica.
Entretanto, apenas depois do momento em que foram descobertos os materiais
que são sensíveis à luz é que foi possível a invenção da fotografia. Logo, seu
surgimento deu-se em razão do domínio dos conhecimentos químicos,
substituído, mais tarde, pelo sistema de fotografia digital.
Agora que conhecemos e reforçamos os conhecimentos sobre a imagem
fotográfica, vamos verificar o processo de leitura das fotografias. Esse
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processo é dividido em quatro etapas: imago, imaginação, imaginário e
imagética.
Imago, traduzido do latim, significa imagem. A palavra “imagem”, na nossa
compreensão, acomoda tanto a ideia de representação como a ideia de
criação, ou seja, a tomada de alguma coisa que já existe como também a
possibilidade de criar algo novo.
Neste caso, a criação passa a ser resultado do ato de elaborar, inventar e criar
que, nada mais é, do que imaginar. Ao longo da história humana, o processo
de criação de imagens foi se desenvolvendo, tanto técnica como
conceitualmente, possibilitando às imagens cumprirem diversas funções
sociais, formando assim, a imaginação.
Deste modo, o conjunto ou a coleção destas imagens de diferentes origens,
funções e, sobretudo, ideologias, constituiu no que chamamos de imaginário.
Em suma, nossa atuação em torno da imagem nos habilita, ou possibilita,
pensar em estratégias de observação e transformação que constituem um
campo específico ao qual podemos chamar de imagética. Ou seja, um lugar
onde construímos, desenvolvemos, tratamos e significamos as imagens.
No caso da fotografia, em especial, atuamos no campo imagético e mais, ao
longo do tempos nos apropriamos das percepções, qualidades sensíveis,
aspectos plásticos e valores inerentes às demais imagens, com a vantagem de
termos à disposição um aparelho específico para o registro das imagens. Logo
percebemos que a câmera fotográfica nada mais é do que um aparelho criado
para produzir imagens e, ao mesmo tempo, é um equipamento que respeita a
visão mais técnica da construção das imagens registradas pelo ser humano do
que da perspectiva ótica.

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• Photography: a cultural history. Mary Warner Marien. 2002.
Disponível em:
https://books.google.com.br/books?id=NsolmLbz8igC&printsec=frontcover&dq=
photography&hl=pt-
BR&sa=X&ved=0ahUKEwju_9fGvd3jAhXoH7kGHT3gBeEQ6AEIMTAB#v=onep
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• The Manual of Photography. Elizabeth Allen, Sophie
Triantaphillidou. 2011. Disponível em:
https://books.google.com.br/books?id=IfWivY3mIgAC&printsec=frontcover&dq=
photography&hl=pt-
BR&sa=X&ved=0ahUKEwju_9fGvd3jAhXoH7kGHT3gBeEQ6AEIPzAD#v=onep
age&q&f=false
• Digital Photography Bible. Dan Simon. 2004. Disponível em:
https://books.google.com.br/books?id=3ygQ6Ie0pWEC&printsec=frontcover&dq
=photography&hl=pt-
BR&sa=X&ved=0ahUKEwju_9fGvd3jAhXoH7kGHT3gBeEQ6AEITjAF#v=onepa
ge&q&f=false
• Metodologia do Ensino de Artes: linguagem das artes visuais.
Luciana Barone Bueno. 2008. Disponível em:
https://books.google.com.br/books?id=Nfg-
gxHQinIC&pg=PA107&dq=lendo+imagens&hl=pt-
BR&sa=X&ved=0ahUKEwjbhdPUvd3jAhW0FbkGHV1aDzwQ6AEILTAB#v=one
page&q&f=false
• Leitura de Imagens. Lucia Santaella. 2012. Disponível em:
https://books.google.com.br/books?id=Hrv0pjjqoncC&pg=PT22&dq=lendo+ima
gens&hl=pt-
BR&sa=X&ved=0ahUKEwjbhdPUvd3jAhW0FbkGHV1aDzwQ6AEINzAD#v=one
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Módulo 4 - A estética na fotografia

Para ler fotografias temos que considerar todo o percurso histórico e técnico da
construção de imagens, caso contrário, nosso caminho ficaria incompleto e
faltariam dados para sua compreensão. É como se, em uma viagem, víssemos
apenas a chegada e não tivéssemos presenciado o início e vivenciado o
percurso.
A superposição de todas estas camadas de informação são essenciais para ler
fotografias, considerando que ela assume a tradição das imagens, desde suas
origens, e vai além desta tradição aditando tecnologia a este processo.
Portanto, temos que considerar, nesta leitura, aspectos perceptivos, aspectos
psicomotores, aspectos da física, da química, da informática, bem como,
aspectos históricos, sociais, antropológicos e estéticos.
É nisso que se constituiu o pensamento fotográfico. Se, de um lado, há a
imagem produzida tecnicamente, de outro, há também a imagem simbólica,
aquela que o ser humano preza e revela todos os seus valores, crenças e
desejos.
Desde seus anseios humanos mais primitivos, que eram procriar e se
alimentar, outros foram sendo acrescidos especialmente os da atualidade,
alimentados pela sociedade capitalista, instaurados pela indústria e comércio
como o marketing e o consumo.
Desta forma, é muito importante compreendermos como a estética na
fotografia trabalha para a administração e construção dos desejos da
sociedade atual. A estética faz referência a uma filosofia da fotografia em
busca de sua linguagem.
Para falarmos de estética, em qualquer campo da arte ou da expressão
humana, é necessário iniciarmos a discussão pelo próprio sentido do termo
“estética”. Estética vem do grego Aístetikós que, por sua vez, se origina em
Aísthésis. Este termo se refere à apreensão sensível do mundo, ao sensório,
sensorial, ao perceptivo e estético. O campo estético está relacionado ao
âmbito sensorial e perceptível. Logo, o conceito de estética, parte do perceptivo
e do sensível.
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Perceba, caro aluno, que estamos novamente permeando as definições de
aspectos perceptíveis e qualidades sensíveis. No campo estético da fotografia,
essas qualidades se mostravam nos elementos expressivos usados nas
diferentes modalidades artísticas, portanto, o estético está relacionado com
qualidade e valor.
Os estudos estéticos realizados por diversos autores elevou a questão estética
na fotografia a um patamar de disciplina rica, complexa e ao mesmo tempo
desafiadora. Considerando estes aspectos, não há como definir apenas uma
estética para o contexto da arte em geral, mas sim de delimitar, para cada
modalidade expressiva, quer seja visual, sonora, cênica ou literária, os
contornos estéticos para a análise de cada campo de expressão.
Podemos dizer numa aproximação superficial, que o percursos da fotografia
delineou um caminho próprio e exclusivo, onde apenas ela é capaz de
expressar e significar do modo que o faz.
Pode-se afirmar que, em uma aproximação superficial, o percurso da fotografia
delineou um caminho próprio e exclusivo, onde apenas ela é capaz de
expressar e significar do modo que o faz. Como já vimos, originariamente a
fotografia buscou filiar-se à pintura. As primeiras imagens produzidas pelos
artistas/ fotógrafos, tinham influência muito forte da estética pictórica.
Isso faz sentido quando analisamos a primeira tendência da fotografia, o
fotopictorialismo, ou pictorialismo fotográfico. O movimento pictorialista teve
como principal objetivo promover a produção de fotografias artísticas, capazes
de conferir aos fotógrafos o mesmo reconhecimento dado aos artistas
tradicionais.
A segunda tendência estética na fotografia pode ser identificada como
movimento Foto Secessão. A proposta deste movimento foi a autonomia da
produção fotográfica, o que se assemelha a Arte Moderna, que possuí o
mesmo objetivo.

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Fotografia Pictorialista de Henry Peach Robinson

Foto Secessão, foto de Alfred Stieglitz

Indicação De Recurso Didático


• Documentário: A Arte e a Ciência da Fotografia. Arthur Fernandes.
Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=Pwrri5s7Xg8&ab_channel=ArthurFernandes
• Fotografia é Arte?. Victor Naine. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=4J3t2vFwYkA&ab_channel=VictorNaine

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• Faces Fotografia e a Arte do Retrato. Paul Fuqua, Steven Biver. 2010.
Disponível em:
https://books.google.com.br/books?id=YP0vRVpXnlgC&pg=PR7&dq=fotografia
+arte&hl=pt-
BR&sa=X&ved=0ahUKEwiA2aeK6d3jAhWoIbkGHXHgA_4Q6AEIMjAC#v=onep
age&q&f=false
• Fotografia Usos e Funções no Século XIX. Annateresa Fabris. 2008.
Disponível em:
https://books.google.com.br/books?id=84ERMEgyezoC&pg=PA173&dq=fotogra
fia+arte&hl=pt-
BR&sa=X&ved=0ahUKEwiA2aeK6d3jAhWoIbkGHXHgA_4Q6AEIPTAE#v=one
page&q&f=false
• Intermediário Aula 12 - O Significado da Estética - Jan Mukarovsky -
Sit Kong Sang. Escola Pública de Fotografia. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=kwDFVIX309U&ab_channel=EscolaP%C3%
BAblicadeFotografia
• Estética da Fotografia. Rebecca Torquato. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=uNUsYv520Gk&ab_channel=RebeccaTorqu
ato
• A Crise da Aura na Fotografia: estudo sobre os desdobramentos do
texto de Walter Benjamin, a obra de arte na era da sua reprodutibilidade.
Gustavo José Barbosa Paraiso. 2007. Disponível em:
http://www.bocc.ubi.pt/pag/paraiso-gustavo-crise-na-fotografia.pdf
O que Vemos: experiências fotográficas a partir do mundo interior. Iulo
Almeida Alves. 2009. Disponível em: http://www.bocc.ubi.pt/pag/alves-iulo-o-
que-vemos-experiencias-fotograficas.pdf

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Conclusão

Concluímos assim, mais uma Unidade. Nos últimos quatro módulos estudamos
sobre alguns movimentos fotográficos, qual a relação da fotografia com a
estética e as melhores formas de ler e compreender uma imagem.
Percebemos caro aluno, que quando bem estudada, a fotografia promove
compreensões, experiências e vivências únicas. Enquanto forma de arte
,promove a reflexão de diversas formas de expressão e pode ser vista como
uma maneira de conexão entre as pessoas.
A observação do mundo, ou seja, a observação das coisas ao nosso redor, faz
com que interpretemos as imagens fotográficas de forma muito mais profunda.
É necessário treinar o olhar para, a partir das concepções apresentadas,
possamos compreender o imagético fotográfico de uma maneira concreta e
relevante.
A Linguagem fotográfica é o resultado da soma de diversos elementos que
compõem o discurso da fotografia. Compreender a Linguagem Fotográfica é
entender todo o processo da fotografia, desde sua produção até a sua
divulgação.
Desta forma, caro aluno, é muito importante reiterarmos que a fotografia é um
processo técnico, artístico e expressivo muito importante para o homem, desde
aspectos comerciais até aspectos históricos e sociais.

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Referências

HEDGECOE, John. O novo manual de fotografia: guia completo para todos


os formatos. 3 ed. São Paulo: SENAC, 2007.

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