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Universidade de Blumenau

Engenharia Química
Prof. Jonathan Utzig

Reatores 1
indiamart.com/proddetail/industrial-chemical-reactor-8645248388.html
5- PROJETO DE REATORES IDEAIS ISOTÉRMICOS: Rxs MÚLTIPLAS
5- PROJETO DE REATORES IDEAIS ISOTÉRMICOS: Rxs MÚLTIPLAS
5.1- Conceitos básicos
Quando nos preocupamos em representar as demais reações além da
principal, é preciso perceber as diferentes possibilidades:
Reações em Reações em Reações
paralelo: série: independentes:
𝑘1 𝑘1 𝑘2 𝑘1
𝐵 𝐴→𝐵
𝐴→𝐵→𝐶
𝐴
𝑘2
𝑘2 𝐶 𝐶 →𝐷+𝐸
𝑘1
𝐵
Reações combinadas: paralelo-série: 𝐴 𝑘3
𝑘2 𝐶→𝐷
5- PROJETO DE REATORES IDEAIS ISOTÉRMICOS: Rxs MÚLTIPLAS
5.1- Conceitos básicos
A conversão continua sendo um conceito válido quando
trabalha-se com reações múltiplas. No entanto, ela não é
suficiente para descrever o progresso de mais de uma
reação e também não é suficiente para definir a composição
completa de um sistema com mais de uma reação.

De fato, a conversão não deve ser utilizada na análise de


projetos de reatores com reações múltiplas (ou deve ser
utilizada com cuidado!). É comum escrever as equações de
projeto e taxas de reação em termos das concentrações
molares e/ou vazões molares.
5- PROJETO DE REATORES IDEAIS ISOTÉRMICOS: Rxs MÚLTIPLAS
5.1- Conceitos básicos
Para auxiliar no tratamento de sistemas de múltiplas reações, definimos a
seletividade e o rendimento. Define-se seletividade pontual como:

𝑡𝑎𝑥𝑎 𝑑𝑒 𝑓𝑜𝑟𝑚𝑎çã𝑜 𝑑𝑎 𝑒𝑠𝑝é𝑐𝑖𝑒 𝑖 𝑟𝑖


𝑆𝑖𝑗 = =
𝑡𝑎𝑥𝑎 𝑑𝑒 𝑓𝑜𝑟𝑎çã𝑜 𝑑𝑎 𝑒𝑠𝑝é𝑐𝑖𝑒 𝑗 𝑟𝑗

Em reações paralelas onde deseja-se obter maiores valores do


produto “i”, a seletividade pontual (𝑆𝑖𝑗 ) deve ser maximizada. A
seletividade global, por sua vez, será:

𝑡𝑎𝑥𝑎 𝑚𝑜𝑙𝑎𝑟 𝑑𝑒 𝑖 𝑛𝑎 𝑠𝑎í𝑑𝑎 𝑑𝑜 𝑟𝑒𝑎𝑡𝑜𝑟 𝐹𝑖


𝑆𝑖𝑗 = =
𝑡𝑎𝑥𝑎 𝑚𝑜𝑙𝑎𝑟 𝑑𝑒 𝑗 𝑛𝑎 𝑠𝑎í𝑑𝑎 𝑑𝑜 𝑟𝑒𝑎𝑡𝑜𝑟 𝐹𝑗
5- PROJETO DE REATORES IDEAIS ISOTÉRMICOS: Rxs MÚLTIPLAS
5.1- Conceitos básicos
A seletividade nos fornece a ideia da capacidade de conversão de um reagente
em um produto desejado em relação a um produto indesejado.

O rendimento é a relação entre o produto desejado e o reagente de


referência, ou seja, o rendimento pontual será:

𝑟𝑖 𝐹𝑖
𝑌𝑖 = e o rendimento global, 𝑌𝑖 =
𝑟𝐴 𝐹𝐴0 − 𝐹𝐴

Deve-se ter cuidado com a definição de seletividade e


rendimento, pois a literatura não é muito consistente nestas
definições. Estas acima são de Fogler (2009).
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5.2- Estrutura para projeto de reatores ideais isotérmicos com
reações múltiplas
De forma geral e simplificada, o projeto de reatores com reações
múltiplas é similar àqueles já vistos, porém deve-se considerar as
equações globais das taxas de reação dos componentes.

Para isso, elenca-se: --os balanços molares;


--as velocidades globais de reação;
--as leis de velocidade para cada
componente;
--as relações estequiométricas e
velocidades relativas;
--as relações entre concentrações;
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5.2- Estrutura para projeto de reatores ideais isotérmicos com
reações múltiplas
Quanto às velocidades globais de reação, é importante notar que um
componente A pode ocorrer ou não em uma dada reação dentre as tantas que
ocorrem simultaneamente. E cada uma que 𝐴 ocorre, deve-se conhecer a sua
velocidade de reação. Consideremos:

𝑘1 Cada reação possui uma velocidade para cada


𝐴 + 𝐵 → 3𝐶 + 𝐷
𝑘2 componente. Se pode escrever uma equação
𝐴 + 2𝐶 → 3𝐸 da taxa para A ou para B na rx1, por exemplo.
𝑘3
2𝐵 + 3𝐸 → 4𝐹 Na rx2, para A ou C; na rx3, para B ou E.

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5.2- Estrutura para projeto de reatores ideais isotérmicos com
reações múltiplas
Assim, se obteria:
𝑛
𝑟𝐴 = 𝑟1𝐴 + 𝑟2𝐴 + 𝑟3𝐴 … 𝑟𝑛𝐴 = 𝑟𝑖𝐴
𝑖=1

e o mesmo para cada outra espécie. Se as espécies forem numeradas (𝑗) em vez
de indicadas por letras, se poderia escrever:
𝑛
𝑟𝑗 = 𝑟𝑖𝑗
𝑖=1

Naturalmente, nas reações onde a espécie não aparece, 𝑟𝑖𝑗 = 0.


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5.2- Estrutura para projeto de reatores ideais isotérmicos com
reações múltiplas

A maior dificuldade destes casos,


de fato, está no conhecimento
das taxas individuais e
parâmetros que as compõe. Não
obstante, a solução deve ser feita
por métodos de aproximação
numérica.
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5.3- Maximização de produtos desejados
Dado o problema de múltiplas reações ocorrerem simultaneamente,
uma tarefa é a de maximizar aquela de interesse, gerando mais
produto desta que das outras.

Consideremos o seguinte sistema de reações em paralelo,


onde 𝐴 é consumido em cada reação :
𝑘1 𝑘2
𝛼𝐴 → 𝑏𝐵 e 𝛽𝐴 → 𝑐𝐶
elementar e irreversível, tal que:

𝛽
−𝑟𝐴1 = 𝑘1 𝐶𝐴𝛼 e −𝑟𝐴2 = 𝑘2 𝐶𝐴
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5.3- Maximização de produtos desejados em paralelo
Das relações estequiométricas entre as taxas, pode-se dizer que:

𝑟𝐴1 𝑟𝐵 𝑏 𝑏
= 𝑟𝐵 = (−𝑟𝐴1 ) = 𝑘1 𝐶𝐴𝛼 = 𝑘𝐵 𝐶𝐴𝛼
−𝛼 𝑏 𝛼 𝛼
𝑟𝐴2 𝑟𝐶 𝑐 𝑐 𝛽 𝛽
= 𝑟𝐶 = (−𝑟𝐴2 ) = 𝑘2 𝐶𝐴 = 𝑘𝐶 𝐶𝐴
−𝛽 𝑐 𝛽 𝛽

Para a maximização de B em relação a C deve-se fazer 𝑆𝐵𝐶


o maior valor possível, ou seja:
𝑟𝐵 𝑘𝐵 𝐶𝐴𝛼 𝑘𝐵 (𝛼−𝛽)
𝑆𝐵𝐶 = = 𝛽
= 𝐶𝐴
𝑟𝐶 𝑘𝐶 𝐶 𝑘𝐶
𝐴
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5.3- Maximização de produtos desejados em paralelo
Diferentes estratégias podem ser adotadas dependendo das ordens
individuais, para se maximizar o produto desejado.

Consideremos que B é desejado e C, indesejado.

Se 𝛼 > 𝛽, a ordem resultante da concentração é positiva, então deve-se


praticar a maior concentração possível de 𝐶𝐴 . Reações em fase gasosa devem
ser realizadas em altas pressões e não se recomenda utilizar inertes; em fase
líquida, não se recomenda utilizar diluentes, ou que estejam na mínima
concentração possível.
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5.3- Maximização de produtos desejados em paralelo

Consideremos que B é desejado e C, indesejado.

Se 𝛼 < 𝛽, 𝐶𝐴 estará no denominador da expressão. Para que a seletividade


𝑆𝐵𝐶 seja maximizada, 𝐶𝐴 deve ser mantida o mais baixo possível. Isso pode
ser feito utilizando-se de diluição (gases inertes ou soluções líquidas), ou
também reciclando produto para a entrada do reator.

Dependendo das energias de ativação, similarmente, a reação pode ter de


ser conduzida na mais alta temperatura possível, se 𝐸𝐵 > 𝐸𝐶 . No caso
oposto, baixas temperaturas, mas não tão baixas a ponto de a reação não se
desenvolver o tanto desejado.
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5.3- Maximização de produtos desejados
Por outro lado, consideremos o seguinte sistema de reações
em série, onde 𝐴 é consumido para 𝐵 e este, para 𝐶:
𝑘1 𝑘2
𝐴→𝐵→𝐶

Nestas situações, diferentemente do caso anterior em que a


condição operacional e o tipo de reator auxiliam na
maximização, o tempo de reação é preponderante.

O tempo espacial em reatores contínuos e o tempo de


batelada em descontínuos permitirá maximizar a produção de
um intermediário de interesse, por exemplo.
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5.3- Maximização de produtos desejados em série

Consideremos que B é desejado e C, indesejado.

A seletividade não auxilia neste caso, pois 𝐵 é produto e reagente ao


mesmo tempo.
Se a primeira reação for lenta e a segunda, rápida, será muito difícil
maximizar a produção de 𝐵; do contrário, é fácil. Porém, se ambas reações
têm velocidades semelhantes, conforme 𝐵 é produzido 𝐶 pode começar a
consumir 𝐵, então haverá uma ponderação a se fazer, encontrando o
ponto de 𝐶𝐵 máximo. Isso pode ser bem determinado através da solução
computacional do modelo de reação, como realizado no Capítulo 4: nos
gráficos, identifica-se este ponto pelos perfis das concentrações.
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CASO 5

Exercício para entregar, resolvido em grupo, vale 1,0 ponto na Prova 2.

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