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UNIVERSIDADE ANHANGUERA EDUCACIONAL

LICENCIATURA EM PEDAGOGIA

MICHELLE DE OLIVEIRA

RA: 26296945

PRODUÇÃO TEXTUAL INTERDISCIPLINAR INDIVIDUAL


Temática Interdisciplinar: “A importância da cultura afro-brasileira e indígena na construção
de uma escola democrática”

Igarapava

2020
MICHELLE DE OLIVEIRA

RA: 26296945

A importância da cultura afro-brasileira e indígena na construção de uma escola democrática.

A Produção Textual Individual (PTI) - apresentada à


Anhanguera Educacional como requisito parcial para
a obtenção de média semestral nas disciplinas de
Políticas Públicas da Educação Básica; Ética,
Política e Cidadania; Psicologia da Educação e da
Aprendizagem; Metodologia Científica; Educação e
Diversidade; Ed - Interpretação de Texto; Práticas
Pedagógicas e Gestão da Aprendizagem;

Tutor à distância: Ana Lucia Batista

Igarapava

2020
SUMÁRIO

Introdução..............................................................................................................04
1. Aspectos Históricos......................................................................................05
2. A educação para as relações étnico-raciais, cultura afro-brasileira e
indígena........................................................................................................06
3. Processo de Ensino Aprendizagem............................................................07
Considerações Finais............................................................................................09
Referências............................................................................................................10
Introdução

A sociedade brasileira é constituída por uma grande variedade de etnias resultantes do


seu processo histórico de formação, nos referimos a uma nação heterogênea, isso significa que
diferente de outras nações, somos e possuímos uma variedade de culturas, costumes pelo
território brasileiro. Desta forma, desde seu início tornou-se uma sociedade marcada por
desigualdades sociais, educacionais e econômicas, que com o passar dos tempos se
acentuaram, prevalecendo até a atualidade, marcada também pelas questões étnicas
A educação não pode alienar-se diante dessa questão, pois a escola é um dos mais
relevantes espaços para realizar a educação das crianças e dos adolescentes e de socialização
do saber, visto que para muitas crianças ela será o único acesso ao conhecimento científico,
reflexões filosóficas e de contato com atividades artísticas.
Uma escola democrática deve levar em consideração a importância de todas
as etnias e culturas em uma sociedade mista como é a brasileira, e isso inclui dar importância
o ensino das diversas culturas, inclusive a indígena e a afro-brasileira.
Quando a escola passa a agir de forma democrática e demonstrar a variedade de
culturas que o Brasil possui, auxilia a combater os estereótipos e preconceitos, além de
esclarecer a origem dos próprios alunos e do Brasil.
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Aspectos históricos

Os indígenas são povos que há milhares de anos já habitavam principalmente a costa


do território brasileiro, muito antes da invasão europeia. Viviam em grupos, tinham costumes
próprios, se alimentavam com produtos originados da caça de animais e da agricultura. O
trabalho era dividido por gênero, as mulheres cuidavam da casa e das crianças, enquanto os
homens cuidavam dos trabalhos pesados, como a caça.
Tinham próprias tradições e tinham crenças espirituais, além de uma linguagem
criada apenas para comunicação entre seus povos. Com a chegada dos portugueses no Brasil,
em 1500, houve uma grande mudança nos costumes e hábitos. Os registros escritos que temos
daquela época foram apenas divulgados pelos portugueses, então temos uma visão de mundo
que girava em torno dos interesses europeus.
Os historiadores, portanto, foram responsáveis por mostrar uma compreensão mais
próxima da realidade dos tempos antecedentes à chegada dos europeus em território
brasileiro. Ainda no Brasil Colônia, os jesuítas começaram a ensinar a língua portuguesa para
os nativos, bem como introduziram o cristianismo para um povo que já estava habituado a
suas próprias crenças espirituais e que também acreditavam em seus próprios deuses. Ao
mesmo passo que os indígenas brasileiros, os escravos que chegaram ao Brasil tinham
culturas e manifestações linguísticas, religiosas e artísticas únicas. Juntas, elas caracterizam os
povos e as diferentes regiões da África.
Com a expedição de Marim Afonso de Souza, em 1530, os primeiros escravos vindos
da África chegaram ao Brasil. Com a expansão da produção de cana-de-açúcar, a necessidade
de mão de obra foi inevitável. O comércio negreiro, então, começou a ter valor no Brasil
Colônia. Vivendo em condições precárias, sem remuneração e sofrendo castigos
constantemente, os escravos que aqui viveram não deixaram suas tradições. Muitas
influências culturais dos povos afro-brasileiros permanecem até hoje. A feijoada, a capoeira, o
samba de roda, o candomblé e os orixás e o culto à Iemanjá são exemplos culturais herdados
pelos povos afro-brasileiros.
No Brasil Colônia, junto com a vinda dos jesuítas ao Brasil, se deu a evangelização
dos índios e africanos. O ensino da Bíblia era realizado através de recursos audiovisuais como
canto, música e teatro. (TERRA, 2000) O ensino da fé cristã acabou distanciando os costumes
religiosos próprios desses povos, assim como a solidificação dos costumes europeus, também
no início do século XVI, distanciou práticas musicais, de dança, de hábitos alimentares e de
higiene próprios dos indígenas e negros, em detrimento ao dos europeus. Desde aquele
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período, indígenas e afro-brasileiros tentam manter suas tradições. Por isso, a valorização da
história da cultura afro-brasileira e indígena é essencial. Tanto para reconhecimento social,
quanto para o estudo, solidariedade e sensibilização dos alunos para com as diferenças de
origens em sala de aula.

A educação para as relações étnico-raciais, cultura afro-brasileira e indígena

A Constituição Federal de 1988 e o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA


asseguram a educação básica de qualidade como direito fundamental para as crianças e
jovens brasileiros. As Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica – DCNEB afirmam
que para o projeto de nação que está sendo construído no Brasil, “a formação escolar é o
alicerce indispensável e condição primeira para o exercício pleno da cidadania e o acesso aos
direitos sociais, econômicos, civis e políticos”. (BRASIL, 2013, p. 4). Dessa forma, a educação
tem como princípio o pleno desenvolvimento das potencialidades dos indivíduos, em
ambientes de liberdade e assegurados o respeito e valorização da dignidade e das diferenças
entre as pessoas.
Com a LDB, Lei nº.9394/1996 , tivemos o marco legal para a estruturação da
educação no Brasil, estabelecendo princípios, determinações e finalidades, entre outros
aspectos e, em 2004, foi aprovado pelo Conselho Nacional de Educação – CNE as Diretrizes
Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de
História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Vale ressaltar que apesar de o título enfatizar
discussões relacionadas à História e Cultura de origem negras, em várias passagens do texto
são abordadas as questões referentes a indígenas, bem como por analogia, vários aspectos
dessas diretrizes se aplicam a todas as etnias.
Embora a Lei 11.645/2008 seja posterior, essas orientações curriculares aplicam-se às
suas demandas. Esse documento traz orientações pertinentes para a promoção de um
ensino de História que possibilite a garantia da inclusão afirmativa da História e Cultura Afro-
Brasileira e Indígena, possibilitando mais uma conquista, não só para os assuntos
relacionados a esses temas, mas também à cidadania e à democracia no Brasil.
Todavia, a inclusão da educação como direito fundamental dos cidadãos brasileiros
esteve distante da realidade de gerações anteriores e se constituiu em um processo lento e
gradativo, conquistado através de várias lutas sociais e políticas em diversos processos na
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nossa história, e que, durante as etapas de sua construção, muitas vezes se priorizou a
satisfação de interesses de grupos dirigentes e não se garantiu total acesso da população em
geral ao exercício da cidadania plena e a uma efetiva participação política. E, como
afirma Tardif (2002), muitas vezes as legislações são impostas com repercussão direta nas
práticas docentes, sem que haja uma adequada preparação destes para os fins que são
buscados.

Processo de Ensino Aprendizagem

Reconhecemos que a revisão historiográfica do que vem sendo contado acerca de


nossos antepassados não é uma tarefa que trará efeitos imediatos. O avanço consiste em
estancar práticas de exclusão e reconstruir um ensino História do Brasil que coloque negros e
indígenas no patamar de importância que realmente têm.
Um processo de ensino-aprendizagem de História voltado para a interação de
diferentes matrizes culturais, como forma de fortalecer as relações interétnicas, requer:
a) Políticas educacionais e estratégias pedagógicas favorecedora de uma integração de
diferentes setores da educação, com destaque para a adoção de Projetos Políticos Pedagógicos
que reflitam o compromisso da escola com essas demandas;
b) Questionamentos de relações étnicas baseadas em preconceitos que desqualificam
negros, indígenas e mestiços;
c) Valorização e divulgação de processos de resistência individuais e coletivos;
d) Compreensão dos valores e lutas através da sensibilização ao sofrimento desses
grupos e suas descendências – resultados da escravidão, exclusão e preconceitos a que
estiveram historicamente submetidos;
e) Criação de condições para que negros, indígenas e mestiços possam cada vez mais
frequentar os sistemas escolares e não serem submetidos à rejeição ou exclusão;
f) Garantia dos direitos de ver registradas e abordadas de maneira equânime as
contribuições históricas e culturais de seus antepassados.
É vital que os professores recorram, em suas práticas de ensino, à valorização da
memória dos diversos grupos étnicos que compõem a nossa sociedade, como forma de
incentivar nos alunos a audição da voz de excluídos e as lições que podem trazer para
enriquecer suas experiências.
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Com a imersão dos jovens em um mundo de novidades tecnológicas, com amplo


acesso a informações, torna-se necessário, cada vez mais, formar as novas gerações para o
exercício da cidadania, estimular os alunos a compreenderem o contexto social, a necessidade
de interpretar fatos a partir da história, como um pressuposto para um trabalho edificante.
Diante do exposto, consideramos a necessidade de um ensino cada vez mais, voltado
para a diversidade e que incentive a inclusão das diversidades inerentes à realidade brasileira,
não somente no âmbito da etnicidade, como também de gênero, ideologia e religião.
Assim, faz-se necessário reformas nos diversos níveis da educação nacional para uma
adequada execução e um alcance eficiente dos resultados propostos pela Lei 11.645/2008.
Tais reformas devem ocorrer nos processos de formação docente nas universidades, com a
inclusão dessa temática em componentes curriculares seja na graduação como na pós-
graduação, e que as escolas abram espaços para essas discussões, assim como os gestores e
entes governamentais ofereçam formação e incentivem os professores a participarem desses
processos formativos.
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Considerações Finais

De acordo com o que foi explanado, o ensino da cultura afro-brasileira e


indígena, tal como foi promulgado pela lei nº 11.645 de 10 de março de 2008, traz
benefícios, tanto para o processo ensino-aprendizagem, como para a convivência
em sala de aula. Compreender a história dos povos que contribuíram para o
crescimento cultural do Brasil é importante para desenvolver sentimentos de
colaboração entre os alunos e aceitação de si e do próximo.
O multiculturalismo, o conhecimento da socio-diversidade e a inclusão são
assuntos para serem trabalhados em sala de aula sobretudo em conjunto com a
literatura afro-brasileira e indígena. Não só pelo valor didático que possuem, mas
sim, por sua capacidade de criar um pensamento voltado para a aceitação das
diferenças.
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Referências

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Belo Horizonte: Rede Saci, 2002. Disponível em: <www.saci.org.br>. Acesso em: 15 abr.
2020.

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Brasil, 2007. Disponível em: <http://www.abnt.org.br/>. Acesso em: 01 abr. 2020.

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15 abr. de 2020.