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CAPA

CONTRA-CAPA
Copyright © 2021 por Editora Pasteur
Os pontos de vista dos capítulos são de responsabilidade dos seus respectivos autores, não refletindo
necessariamente a posição da Editora Pasteur ou da sua equipe editorial.

Editor Chefe

Dr Guilherme Barroso Langoni de Freitas

Corpo Editorial

Dr. Alaércio Aparecido de Oliveira Dr Guilherme Barroso Langoni de Freitas


Dra. Aldenora Maria Ximenes Rodrigues Dra. Hanan Khaled Sleiman
Bruna Milla Kaminski MSc. Juliane Cristina de Almeida Paganini
Dr. Daniel Brustolin Ludwig Dr. Lucas Villas Boas Hoelz
Dr. Durinézio José de Almeida MSc. Lyslian Joelma Alves Moreira
Dr. Everton Dias D’Andréa Dra. Márcia Astrês Fernandes
Dr. Fábio Solon Tajra Dr. Otávio Luiz Gusso Maioli
Francisco Tiago dos Santos Silva Júnior Dr. Paulo Alex Bezerra Sales
Dra. Gabriela Dantas Carvalho MSc. Raul Sousa Andreza
Dr. Geison Eduardo Cambri Dra. Teresa Leal
MSc. Guilherme Augusto G. Martins

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Editora Pasteur, PR, Brasil)

FR862c FREITAS, Guilherme Barroso Langoni de.


Epidemiologia e Políticas Públicas de Saúde / Guilherme
Barroso Langoni de Freitas - 2. ed. - Irati: Pasteur, 2021.
1 livro digital; 461 p.; il.

Modo de acesso: Internet


https://doi.org/10.29327/542260
ISBN: 978-65-86700-53-4,

1. Ciências da Saúde 2. Epidemiologia 3. Medicina I. Título.

CDD 610
CDU 601/618
PREFÁCIO

Epidemiologia é a ciência que estuda a distribuição, fatores de risco e soluções de situações


específicas relacionadas à saúde. Ela é responsável por realizar a previsão e traçar e estratégia para
que populações específicas tenham o suporte de saúde racional e adequado as suas condições.
Portanto, todo serviço público ou privado de saúde que priorize a organização deve se debruçar
sobre estudos epidemiológicos de qualidade.
Por se caracterizar como uma área extensa e de alta complexidade em algumas interpretações e
coletas de dados, a Epidemiologia é essencialmente multidisciplinar. Por conseguinte, a Editora
Pasteur selecionou um conjunto de trabalhos desenvolvidos por estudos e profissionais de diferentes
áreas da saúde. Com isso, a Coleção Epidemiologia e Políticas Públicas de Saúde chega a sua
segunda edição com estudos atuais, renovados e que esperamos dar conhecimento e prazer aos seus
leitores.
PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE ÓBITOS DECORRENTES DE DOENÇA
RENAL CRÔNICA NA REGIÃO SUL DO BRASIL ................................... 418

SÍFILIS GESTACIONAL E A SAÚDE: UMA REVISÃO INTEGRATIVA


......................................................................................................................... 427

COMUNIDADES QUILOMBOLAS E ACESSO À SAÚDE PÚBLICA


BRASILEIRA: UMA REVISÃO ................................................................... 432

PESQUISA DE ESTRUTURAS PARASITÁRIAS NA AREIA DAS PRAIAS


DA ILHA DE COTIJUBA REGIÃO METROPOLITANA DE BELÉM ...... 437

PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DAS VÍTIMAS DE ACIDENTES POR


ANIMAIS PEÇONHENTOS NO BRASIL NOS ANOS DE 2015-2021 ...... 444
Capítulo 50
Epidemiologia e Políticas Públicas de Saúde

PERFIL
EPIDEMIOLÓGICO DE ÓBITOS DECORRENTES DE DOENÇA
RENAL CRÔNICA NA REGIÃO SUL DO BRASIL

Palavras-chave: Rins; Patologia; Insuficiência Renal Crônica; Doenças Crônicas Não Transmissíveis.

418
Capítulo 50
Epidemiologia e Políticas Públicas de Saúde

INTRODUÇÃO negativos sobre a saúde geral do paciente. A


doença mesmo em tratamento afeta
A doença renal crônica (DRC) pode ser negativamente o sistema cardiorrespiratório e
definida como uma condição de lenta e musculoesquelético, interferindo desta forma
progressiva evolução, na qual uma série de na saúde física e mental do mesmo
lesões interferem no correto funcionamento (FASSBINDER et al., 2015).
dos rins, estas lesões são provocadas por A DRC demonstra ser um importante
outras doenças, as nefropatias. Em seu estado objeto de estudo, devido a sua considerável
mais avançado, o quadro é chamado de prevalência na população mundial. Segundo
insuficiência renal crônica (IRC), situação que dados da OMS, cerca de 1,5% das mortes no
afeta duramente a qualidade de vida dos ano de 2012 foram devido a esta condição, a
pacientes, isso ocorre devido ao qual também está listada entre as principais
desenvolvimento da síndrome urêmica, cuja causas de morte no mundo ocupando a décima
manifestação ocasiona sintomas como a quinta posição. Possui uma taxa de
irritabilidade, tremores, miopatias, mortalidade de 12,2/100.000 pessoas, e desde
hipertensão arterial, entre outros 1990 apenas as mortes por complicações do
(NASCIMENTO et al., 2012). HIV aumentaram mais que as mortes por DRC
A presença de lesão renal pode ser (WEBSTER et al., 2017).
detectada precocemente pela presença de Os pacientes submetidos à terapia dialítica
microalbuminúria, um moderado aumento de possuem uma elevada taxa de mortalidade, e
excreção de albumina na urina (30 - 300 um dos principais fatores são problemas de
mg/dia). Desta forma o diagnóstico da DRC é ordem cardiovascular, afetando cerca de 40%
feito a partir da detecção da redução na taxa desta população (destaca-se o infarto agudo
de filtração glomerular (TFG), evidenciada do miocárdio [IAM] entre estas, sendo
pela consequente proteinúria (COSTA & responsável por cerca de 20% dos óbitos),
RAMÔA, 2018). seguido por outras causas como a sepse, as
Apesar dos evidentes avanços da terapia neoplasias e a desnutrição entre outras não
hemodialítica, e o aumento da sobrevida dos definidas (PERES et al., 2010).
pacientes, outros fatores envolvem o Vários estudos demonstram uma alta
tratamento, principalmente no que concerne à incidência de hipertensão arterial sistêmica
qualidade de vida dos que se encontram (HAS) e diabetes mellitus (DM) nos pacientes
submetidos ao regime terapêutico. Severas acometidos pela DRC (COSTA & RAMÔA,
mudanças são necessárias e englobam 2018; PERES et al., 2010). A maioria desta
principalmente restrições alimentares e população consiste em homens, ressaltando
hídricas, assim como o uso intermitente de uma tendência já demonstrada em estudos
medicamentos e questões psicossociais comparativos anteriores, que estes são mais
devido ao aumento da dependência de vulneráveis a doenças crônicas graves, de
familiares (PEREIRA & GONÇALVES, forma a possuir também uma
2019). morbimortalidade maior que as mulheres,
Entre outros fatores envolvidos no fator que pode estar fortemente associado a
emprego da terapia renal de substituição, questões culturais ligadas ao preconceito e ao
estudos evidenciaram a presença de impactos machismo (SANTANA et al., 2019).

419
Capítulo 50
Epidemiologia e Políticas Públicas de Saúde

No Brasil, estimativas da prevalência da N18 que codifica os óbitos IRC, em uma faixa
DRC são incertas, pois poucos artigos de 10 anos, nos estados do Paraná, Santa
trabalham os dados epidemiológicos. O Catarina e Rio Grande do Sul.
conhecimento da prevalência da DRC entre os Foram obtidos dados de mortalidade
brasileiros ajudaria a melhorar o planejamento devido a esse quadro clínico de forma geral
de ações preventivas e assistenciais e diminuir (total por estado), por sexo biológico
a taxa de mortalidade desses pacientes (feminino e masculino), e por faixa etária. As
(MARINHO et al., 2016). Isso devido ao fato categorias de faixa etária utilizadas foram, em
de ser uma doença de evolução silenciosa, de anos: 0 a 1, 1 a 4, 5 a 9, 10 a 14, 15 a 19, 20 a
prognóstico negativo e tratamento de custos 29, 30 a 39, 40 a 49, 50 a 59, 60 a 69, 70 a 79,
elevados (REZENDE et al., 2021). 80 ou mais, idade ignorada.
Haja vista o exposto, o objetivo deste Foram realizados cálculos proporcionais
trabalho foi realizar uma análise destas mortalidades, para 100 mil habitantes,
epidemiológica através de dados públicos do para cada estado, sendo que os dados
perfil dos pacientes que foram a óbito por referentes às populações foram obtidos no site
DRC na região sul do Brasil, durante os anos do IBGE (2020).
de 1996 a 2017. Os dados coletados foram tabulados em
planilhas eletrônicas do programa Excel
MÉTODO (2019). A análise descritiva foi realizada pelo
programa estatístico R Core Team (2020)
A metodologia utilizada foi uma análise avaliando regressão linear e a inclinação da
descritiva-exploratória realizada no mês de reta (b1) resultante de cada regressão foi
dezembro de 2019 com dados que constam no utilizado como parâmetro de ritmo de
Departamento de Informática do Sistema crescimento dos óbitos por DRC ao longo do
Único de Saúde (DATASUS) (BRASIL, período avaliado.
2021) através da ferramenta TABNET,
utilizando dados do Sistema de Informações RESULTADOS E DISCUSSÃO
sobre Mortalidade (SIM). Os dados
encontrados no SIM são alimentados pelas Em todas as situações avaliadas, houve
Secretarias de Saúde com as informações aumento do número de óbitos por DRC ao
contidas nas Declarações de Óbitos emitidas longo do período avaliado. A mortalidade
pelos cartórios, e geridas pelo Departamento geral registrada na região sul do Brasil, entre
de Análise de Situação de Saúde da Secretaria os anos de 2008 e 2017, apresentou maior
de Vigilância em Saúde do Ministério da inclinação da reta de regressão no Estado de
Saúde. Os dados populacionais foram obtidos Santa Catarina (0,1284), seguido pelo Rio
através do banco de dados do IBGE e Grande do Sul (0,0851), por fim o Paraná,
DATASUS. estado com menor inclinação da reta (0,0526).
Os dados de mortalidade coletados no Dados demonstrados na Figura 50.1.
SIM, são classificados de acordo com a 10ª
Revisão de Classificação Internacional de
Doença – CID-10, sendo então utilizado o

420
Capítulo 50
Epidemiologia e Políticas Públicas de Saúde

Figura 50.1. Mortalidade geral de pacientes (SOUZA JÚNIOR et al., 2019), a pirâmide
por DRC na região Sul do Brasil entre os anos etária demonstra que o funil das maiores
de 2008 e 2017 idades está mais largo em 2017, que em 2008
(IBGE, 2020).
Mortalidade por doença renal crônica

4,5
RS
(/ 100 mil habitantes)

4,0 y=-167,3467+0,0851*x
r2 =0,5980 Figura 50.2. Mortalidade de pacientes por DRC
3,5
PR
y=-102,7985+0,0526*x
nos estados do Paraná (A), Santa Catarina (B) e
3,0 r2 =0,3473 Rio Grande do Sul (C), da região Sul do Brasil,
2,5
SC
y=-255,6294+0,1284*x
entre os anos de 2008 e 2017, por sexo biológico
r2 =0,6733
2,0
5,5
A Paraná
1,5 5,0 Masculino
2006 2008 2010 2012 2014 2016 2018 y=-108,5007+0,0556*x
4,5
Ano r2 =0,3236
4,0
3,5
Legenda: As retas das regressões lineares foram Feminino
traçadas para cada estado. Paraná está representado por 3,0 y=-86,8187+0,0444*x
r2 =0,1405
quadrados pretos e a reta contínua; Santa Catarina está 2,5
Mortalidade por doença renal crônica (/ 100 mil habitantes)

representada por quadrados brancos e a reta pontilhada, 2,0


e o Rio Grande do Sul está representado pelos 1,5
quadrados cinzas e pela reta tracejada. 2006 2008 2010 2012 2014 2016 2018
Ano
5,5
B Santa Catarina Masculino
No estado do Paraná, a inclinação da reta 5,0 y=-386,4317+0,1935*x
r2 =0,6814
do sexo biológico masculino (0,0556) foi 4,5
4,0
maior à do sexo biológico feminino (0,0444).
3,5 Feminino
Em Santa Catarina, esse mesmo padrão foi y=-124,0383+0,0628*x
3,0
r2 =0,2028
encontrado, porém ainda mais acentuado, com 2,5
inclinação da reta de 0,1935 para o sexo 2,0
biológico masculino, e de 0,0628 para o 1,5
2006 2008 2010 2012 2014 2016 2018
feminino. No Rio Grande do Sul, a inclinação Ano
5,5
da reta foi de 0,0852 para ambos os sexos C Rio Grande do Sul Masculino
5,0 y=-167,0351+0,0852*x
biológicos (Figura 50.2). r2 =0,3087
4,5
O acumulado de óbitos por DRC mostrou 4,0
que a mortalidade aumenta com o avançar da 3,5
Feminino
y=-168,0897+0,0852*x
idade (Figura 50.3), sendo a maior inclinação 3,0 r2 =0,6308

da reta presente no Rio Grande do Sul 2,5

(87,6099), seguida por Santa Catarina 2,0


1,5
(33,4835), e então pelo Paraná (60,6319). 2006 2008 2010 2012 2014 2016 2018
O aumento do número de óbitos por IRC Ano

possui fatores epidemiológicos e sociais


Legenda: Masculino (▲) e Feminino (○). As retas das
envolvidos. Em relação à epidemiologia, é regressões lineares foram traçadas para cada estado e sexo
previsto um aumento no número de óbitos por biológico.
conta do envelhecimento da população

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Capítulo 50
Epidemiologia e Políticas Públicas de Saúde

Figura 50.3. Mortalidade acumulada de pacientes sistema renina-angiotensina-aldosterona,


por DRC na região Sul do Brasil entre os anos de portanto um leva ao outro e vice-versa, mas
2008 e 2017, por faixa etária em termos de óbito, a primeira patologia a
surgir é a insuficiência, que será agravada
caso possua alguma das comorbidades citadas
Mortalidade por doença renal crônica

1800
1600
anteriormente (BONDUGULAPATI &
(/ 100 mil habitantes)

1400 RS SHANDILYA, 2015).


1200 y=-183,9670+87,6099*x
1000 r2 =0,4378 A análise das principais causas de morte
800
600
PR
y=-106,6374+60,6319*x
revela doenças fortemente influenciadas pelo
r2 =0,4653
400 aumento da população e seu envelhecimento
200 SC
0
y=-66,2088+33,4835*x (LOZANO et al., 2012). O primeiro estudo de
r2 =0,4469
-200 carga de doenças para a população do Brasil,
-400

0
a
1 4 9 14 19 29 39 49 59 69 79 ais da
a a
1 5 0 a 5 a 0 a 0 a 0 a 0 a 0 a 0 a u m ora
realizado em 1998, já revelava que as doenças
1 1 2 3 4 5 6 7 o Ign
80 crônicas não transmissíveis eram responsáveis
Faixa etária (anos) por 66,3% da carga de doença no país,
seguidas das doenças infecciosas (23,5%) e
Legenda: As retas das regressões lineares foram traçadas
para cada estado. Paraná está representado por quadrados causas externas (10,2%), com notável carga
pretos e a reta contínua; Santa Catarina está representada por de incapacidade gerada pelas doenças
quadrados brancos e a reta pontilhada, e o Rio Grande do Sul neuropsiquiátricas (SCHRAMM et al., 2004).
está representado pelos quadrados cinzas e pela reta
tracejada. A DRC é, em parte, associada à detecção
tardia e manejo inadequado do diabetes e da
hipertensão (BASTOS et al., 2010,
Com o envelhecimento da população MARINHO et al., 2016). As principais causas
surgem comorbidades inerentes a população básicas de morte tendo a IRC como causa
geriátrica, sendo as mais comuns: HAS e associada foram as doenças circulatórias e
diabetes mellitus tipo 1 (DM1) (PINHO et al., endócrinas, nutricionais e metabólicas, com
2015), ambas patologias estão ênfase para as doenças hipertensivas e o
fisiologicamente ligados a complicações da diabetes, corroborando outros estudos.
DRC (SARMENTO et al., 2018). Apesar da grande importância, existem
O processo hipertensivo envolve poucos artigos científicos que analisam a IRC
alterações funcionais e estruturais dos rins, no Brasil. Por ser uma doença de fase terminal
pois causam lesões vasculares, associado à ou avançada de uma sequência de patologias
hiperglicemia da DM1, configura um que leva à morte, essa causa é usualmente
prognóstico desfavorável (JÚNIOR et al., preterida em relação às demais. Assim,
2017). Em se tratando de patologias aparece com pouca frequência nas estatísticas
cardiovasculares, as quais compreendem 60% oficiais de mortalidade, geradas a partir do
dos óbitos em escala global associado a IRC, SIM, com base nos dados da Declaração de
temos à pressão alta associada ao colesterol Óbito (DO) (REZENDE et al., 2021).
alto ou glicemia alta, padrão da diabetes Tendo em vista que as estatísticas
mellitus, como maiores vilões (RASHIDI et agrupadas de mortalidade retratam
al., 2008, DANAEI et al., 2014), isso porque informações apenas da causa básica de morte,
a insuficiência renal está diretamente ligada a selecionada entre todas as causas informadas
problemas cardíacos, visto que temos o
422
Capítulo 50
Epidemiologia e Políticas Públicas de Saúde

na DO, muitos diagnósticos mencionados Outro ponto do aumento acelerado de


nessa declaração não aparecem como causa óbitos no Rio Grande do Sul (RS), em relação
básica, por determinação das regras de seleção a diminuição do Paraná (PR), pode estar
da classificação internacional das doenças. relacionado com a faixa etária populacional,
Assim estudos limitados ao enfoque de causa pois a população idosa, mais prevalente nos
básica, por negligenciarem determinados casos de IRC, é maior no RS, compreendendo
diagnósticos, podem deformar a magnitude de um total de 994.613 pessoas com mais de 65
algumas doenças e afetar a tendência de anos, enquanto o PR comporta apenas
outras. Para as mortes em que muitas 575.124 pessoas com mais de 65 anos, de
alterações patológicas são mencionadas a acordo com dados coletados pelo IBGE
análise sob a perspectiva de causas múltiplas (2020).
é a mais apropriada por considerar todas as Analisando estes dados em relação a
menções informadas na DO, inclusive a causa outros estudos vemos que há similaridade já
básica (REZENDE et al., 2021). que as idades dos pacientes com insuficiência
Entretanto, a utilização das causas renal se correspondem. Como foi visto no
múltiplas seria uma análise mais fidedigna do estudo feito por Piccolli et al. (2017) no Sul
porquê da diferença de mortalidade entre os do Brasil, apresentando uma média de idades
Estados do Sul do Brasil. E a percepção de de 45 anos (faixa variando de 18 a 87 anos).
morte crescente refletiria de forma mais real. Assim como observou o estudo de Vaz et al.
O que podemos perceber nos dados do artigo (2020) feito no Estado do Amazonas com uma
é que houve um aumento do número de óbitos frequência maior de pacientes com idade
renais nos três Estados, ficando o Rio Grande superior a 50 anos. Já Sarmento et al. (2017)
do Sul com a maior taxa. e Souza et al. (2020), que fizeram seus estudos
No quesito epidemiológico, é esperado na região Nordeste e Sudeste respectivamente,
que o número de afetados seja maior no sexo observaram que na faixa etária de 60 a 69 anos
masculino, como visto nos resultados, pois havia maior frequência de pacientes com
nesse gênero existe fortemente a cultura da DRC, cerca de vinte e dois por cento (22,02%)
negação de patologias, sendo a ausência de em ambos os estudos.
busca por profissionais da saúde muito O que fica claro com a análise dos dados é
comum (BIDINOTTO et al., 2016; a necessidade de aumentar a informação sobre
CARNEIRO et al., 2019), não aderir a as doenças crônicas não transmissíveis
tratamentos preventivos aumenta (DCNT), pois essas são disparadores de
consideravelmente o desenvolvimento de Insuficiência Renal. Apesar da possibilidade
doenças crônicas. Em relação à IRC temos de prevenção, as DCNT permanecem como
outros ponto, seus sintomas são silenciosos e um dos maiores desafios enfrentados pelos
mal definidos, tardando ou evitando ainda sistemas de saúde nos dias atuais. Tanto em
mais a busca por assistência, em geral esses relação ao controle como em relação ao custo
sintomas são: cansaço, apetite reduzido, para o SUS. Assim, promoção de saúde e
câimbras noturnas, pele seca e irritada e maior prevenção primária são as palavras-chave
frequência urinária (GUEDES & GUEDES, para tentarmos diminuir o número de óbitos de
2012). insuficiência renal no Brasil.

423
Capítulo 50
Epidemiologia e Políticas Públicas de Saúde

CONCLUSÃO culturais intrínsecas ao mundo estigmatizado


masculino, em que ir regularmente ao médico
Os resultados apresentados revelam que a possa demonstrar fraqueza.
IRC aumenta em todo o sul do Brasil, em Com o estudo apresentado é factível tanto
especial no estado do Rio Grande do Sul aos profissionais, quanto aos leitores, a busca
devido à grande parcela de idosos residentes pela saúde primária, questão tão buscada pelo
no estado. SUS, para a prevenção de patologias
Além de demonstrar a prevalência de primárias ou complicadoras da IRC, como a
óbitos entre os gêneros, o qual é mais HAS e a DMI.
inclinado para os homens, muito por causas

424
Capítulo 50
Epidemiologia e Políticas Públicas de Saúde

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Epidemiologia e Políticas Públicas de Saúde

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426
ÍNDICE REMISSIVO
Acadêmico de Medicina, 240 Epidemiologia, 1, 12, 29, 41, 56, Pandemia, 316, 378
Acesso aos Serviços de Saúde, 363 122, 145, 168 Pandemia da Covid-19, 153
Acidente, 420 Esquizofrenia, 342 Parasitos, 437
Acidentes, 192 Estruturas Parasitárias, 437 Patologia, 418
Adultos, 92 Estudantes, 50 Pediatria, 185
AIDS, 133 Exercício Físico, 249 Pessoa Idosa, 174
AINE’s, 103 Fisiopatologia, 68 Plasmodium vivax, 35
Álcool, 122 Flebotomíneos, 395 Pneumonia Silenciosa, 162
Analgesia, 202 Fotoeducação, 328 Políticas, 378
Animais Peçonhentos, 41, 420 Fotoexposição, 328 Políticas Públicas, 174
Ansiedade, 153 Gestação, 22 População em Situação de Rua, 363
Assistência, 342 Hanseníase, 1, 56 Povos Tradicionais, 432
Atenção Básica, 62, 211, 342 Hepatopatia Gordurosa não Prevalência, 29, 202
Atenção Básica à Saúde, 249 Alcoólica, 185 Profissionais da Saúde, 153
Atenção Primária à Saúde, 321 Hepatopatias, 185 Promoção da Saúde, 249
Automedicação, 103 Hipertensão Arterial Sistêmica, 285 Psicológico, 50
Belém do Pará, 92 HIV, 133 Qualidade de Vida, 427
Brasil, 420 Homossexualidade, 133 Quilombolas, 432
Câncer de Pele, 328 Idoso, 306 Revisão, 296
Cárcere, 78 Idosos, 168, 262 Rins, 418
Cardiopatias, 268, 350, 383 Incidência, 29, 56, 371 Risco, 427
Cidadania, 116 Infância, 192 Sarampo, 145, 371
Colonoscopia, 110 Infecções por HTLV, 92 Saúde Coletiva, 174
Comorbidades, 211 Infectocontagiosas, 78 Saúde da Mulher, 226
Complicações, 335 Insuficiência Cardíaca, 168 Saúde Mental, 342
Consentimento Presumido, 128 Insuficiência Renal, 262 Saúde Pública, 116, 226, 277, 363,
Coronavírus, 12, 50, 378 Insuficiência Renal Crônica, 418 395, 432
Covid-19, 12, 110, 162, 240, 268, Internações, 268, 383 Sífilis, 22, 427
316, 321, 335, 350, 383 Internações Hospitalares, 35 Sintomas, 350
Cura, 413 Judicialização, 277 Sistema de Informação de Saúde, 41
Depressão, 211 Lei, 128 Sistema Prisional, 78
Desigualdade Social, 116 Leishmania spp., 395 Sistemas de Informação, 62
Diabetes Mellitus tipo 2, 335 Leptospira interrogans, 68 Solo, 437
Direitos Básicos, 116 Leptospirose, 68 Transtornos Mentais, 122
Doença Infecciosa, 22 Leve, 413 Trypanosoma cruzi, 296
Doenças Crônicas Não Loxoscele, 413 Tuberculose, 29, 78
Transmissíveis, 418 Malária, 35 Unidade de Pronto Atendimento,
Doenças Crônicas Não Medicamentos, 277 285
Transmissíveis (DCNT), 321 Mortalidade, 192, 262, 306 Vacinação, 145, 371
Doenças Endêmicas, 1 Mulher Violentada, 226 Violência Doméstica, 316
Dor, 202 Neoplasia de Cólon, 110 Vulnerabilidade, 404
Dor Crônica, 62 Neoplasias, 306 Vulnerabilidade em Saúde, 404, 432
Efeitos Colaterais, 103 Nordeste, 296 Vulnerabilidade Sexual, 404
Enfermagem, 285 Obtenção de Órgãos e Tecidos, 128
Ensino Híbrido, 240 Paciente Assintomático, 162

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