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Ano 5 • nº 19 • Ou

Outtub
ubrro 2008

Psicologia e Diversidade Sexual


O qque
ue sig nifica p
significa peensar di
divversida
sidadde se
sexual omo dir
xual cco direeitoh
ito humano?
umano? O qque ue tteem a ho
homo mo
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ver cco
om a p rát
prát ica d
rática o psicólo
do psicóloggo? O JJo
ornal ddoo CRP
CRP-RJ-RJ ou
ouvv iu psicólo
psicóloggos parparaa tteentar
resp
espoond outt ras p
ndeer a essas e ou peerguntas– pág inas 3 a 15
páginas

Psicologia na luta pela democratização da Comunicação Eventos do CRP-RJ discutem violência de Estado e Ado-
- Pág. 17 ção - Pág. 18
O uso público de espaços públicos - Pág 17 CRP-RJ comemora o Dia do psicólogo - Pág. 20
Editorial • Expediente •

Conse lho R
nselho Reegio nal d
ional dee Psic
Psicolo
ologgia
sicolo
“Amoladores de facas” do R io d
Rio dee JJane
aneir
aneir o – CRP
iro -RJ
CRP-RJ
Rua Delgado de Carvalho, 53 – Tijuca - CEP: 20260-280
Tel/Fax: (21) 2139 5400 - E-mail: crprj@crprj.org.br
O que significa pensar diversidade sexual tar o preconceito seria uma ingênua dedução, site: www.crprj.org.br
como direito humano? Como pensar Direitos Dir
ireetor ia E
Exxecu
cuttiva:
uma análise que justifica e alimenta os autori-
José Novaes – presidente - CRP 05/980
Humanos para além de uma concepção vin- tários ‘pontos de vista’, os relativismos e a ênfa- Eliana Olinda Alves - vice-presidente - CRP 05/24612
Marília Álvares Lessa – tesoureira - CRP 05/1773
culada à noção de tratados e convenções? O se na boa ou má consciência. O autoritarismo Maria da Conceição Nascimento – secretária - CRP 05/26929
que significa pensar Direitos Humanos como dos ‘pontos de vista’ funda-se no esvaziamento Membros Efetivos:
Ana Carla Souza Silveira da Silva - CRP 05/18427
práticas? Como pensar em práticas homo- da implicação coletiva e da construção históri- Eliana Olinda Alves - CRP 05/24612
fóbicas para falar de homofobia? E, enfim, o ca e sociopolítica do olhar e do outro. O pre- Francisca de Assis Rocha Alves - CRP 05/18453
Janaina Barros Fernandes - CRP 05/26927
que tem a homofobia a ver com a nossa práti- conceito remetido a uma questão pessoal esva- José Henrique Lobato Vianna - CRP 05/18767
ca, de psicólogos? zia suas tramas com o poder, sua eficácia polí- Lindomar Expedito Silva Darós - CRP 05/20112
Luiz Fernando Monteiro P. Bravo - CRP 05/2346
Falamos de homofobia quando afirmamos tica na manutenção e na desqualificação dos Lygia Santa Maria Ayres - CRP 05/1832
que a cada três dias um homossexual é morto no modos de existir. O que os amoladores de facas Maria da Conceição Nascimento - CRP 05/26929
Noeli de Almeida Godoy de Oliveira - CRP 05/24995
Brasil por conta da sua condição homossexual têm em comum é a presença camuflada do ato Pedro Paulo G. de Bicalho – CRP 05/26077
Suyanna Linhales Barker - CRP 05/27041
ou, ainda, quando lembramos que existem 80 genocida. São genocidas, porque retiram da Wilma Fernandes Mascarenhas - CRP 05/27822
países que criminalizam a homossexualidade em vida o sentido de experimentação e de criação Membros Suplentes:
Alessandra Daflon dos Santos - CRP 05/26697
suas leis penais – e, destes, sete ainda como ques- coletiva”. Ana Lúcia de Lemos Furtado - CRP 05/0465
tão de pena de morte. Homofobia entendida, Por que trazer para uma discussão sobre o Ana Maria Marques Santos - CRP 05/18966
Elizabeth Pereira Paiva - CRP 05/4116
assim, como genocídio. enfretamento à homofobia o conceito de Érika Piedade da Silva Santos - CRP 05/20319
Luis Antônio Baptista, em seu texto “A atriz, amoladores de facas? Porque, para além da ques- Fernanda Brant Gabry Stellet - CRP 05/29217
Luciléia Pereira- CRP 05/29453
o padre e a psicanalista – os amoladores de fa- tão da criminalização, está a pergunta: “onde es- Márcia Ferreira Amêndola - CRP 05/24729
cas”, nos diz: “o fio da faca que esquarteja, ou o tão essas práticas que amolam facas?”. E em que Maria Márcia Badaró Bandeira - CRP 05/2027
Rosilene Souza Gomes de Cerqueira - CRP 05/10564
tiro certeiro nos olhos, possui alguns aliados, sentido a prática de amolar facas são práticas Samira Younes Ibrahim - CRP 05/7923
agentes sem rostos que preparam o solo para que vão de encontro a práticas de Direitos Hu- Vanda Vasconcelos Moreira - CRP 05/6065
Vivian de Almeida Fraga - CRP 05/30376
esses sinistros atos. Sem cara ou personalidade, manos? Quem são os amoladores de facas? Em Comissão de Comunicação Social:
Alessandra Daflon dos Santos
podem ser encontrados em discursos, textos, quais momentos amolamos facas? Eliana Olinda Alves
falas, modos de viver, modos de pensar que cir- Recorramos a Foucault: para além da ques- José Novaes
Marília Álvares Lessa
culam entre famílias, jornalistas, prefeitos, ar- tão da normalidade, por que é construído, em Noeli de Almeida Godoy de Oliveira
tistas, padres, psicanalistas, etc. Destituídos de torno da sexualidade, um objeto de saber? Qual Colab
olabo orador a:
Fabiana Castelo Valadares - CRP 05/28553
aparente crueldade, tais aliados amolam a faca é o lugar do psicólogo na produção desses sabe-
Jor nalista Resp
Responsáv
espo nsáveel
e enfraquecem a vítima, reduzindo-a a pobre res que, aliados a exercícios de poder, produzem Marcelo Cajueiro - MTb 15963/97/79

coitado, cúmplice do ato, carente de cuidado, processos de subjetivação? Lembremos de João Proje
jetto Gráfic
Gráfic o
ráfico
Octavio Rangel
fraco e estranho a nós, estranho a uma condi- Cabral de Melo Neto, que em ‘Morte e Vida Redação
Bárbara Skaba (jornalista)
ção humana plenamente viva.” O que têm em Severina’ nos pergunta: qual parte nos cabe nes- Felipe Simões (estagiário)
comum, afinal, os amoladores de facas? “Apon- se latifúndio? Produção Edit or ial
Edito
Diagrama Comunicações Ltda.
(21) 2232-3866 / 3852-6820
Imp
mprressão

Sistema Conselhos propõe alteração na Lei 5766/71 Editora EDIOURO


Tir ag
ageem / P
irag Peer iodicida
iodicida de
dicidad
30.000 exemplares / Bimestral
O Conselho Federal de Psicologia e os Conse- comparativo com perguntas sobre as propostas.
Os conceitos emitidos nos artigos assinados são de
lhos Regionais vêm trabalhando desde dezembro O GT convida todos os psicólogos a responderem responsabilidade dos autores, não refletindo necessariamente a
de 2007 para elaborar uma PL para alterar a Lei ao questionário, disponível em www.crprj.org.br. opinião do CRP-RJ.
O Jornal do CRP-RJ é uma publicação do
5.766/71, que regulamenta o Sistema Conselhos No site, os psicólogos também podem ler a Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro.
de Psicologia. A proposta foi enviada à Casa Civil Cartilha da Mudança da Lei 5.766/71, que explica
em setembro deste ano com algumas alterações as propostas e as razões pelas quais o Sistema Con- Filiado à União Latino Americana de
fundamentais, mas outras poderão ser realizadas selhos as considera importantes. Entidades de Psicologia (ULAPSI)
através de resoluções. O CRP-RJ realizará ainda um seminário sobre Car tas par
artas paraa o JJo
ornal d o CRP
do -RJ d
CRP-RJ deevem seserr
Para discutir a questão, o CRP-RJ criou um o tema no dia 27 de novembro de 2008 (veja mais env ia das par
iadas paraa a sede d
sed oC
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Co lho ou
nselho
Grupo de Trabalho, que elaborou um quadro detalhes na agenda). paraa o e-mail asc
par om@cr
asco m@crpprj.o
rj.o rg
.org .b
.brr
rg.b

Pág. 2 Jornal do CRP-RJ


Psicologia e diversidade sexual
No último dia 31 de agosto, a travesti Cinara tão da diversidade sexual em suas práticas profis- entanto, difere de aceitação. Neste sentido, fato-
foi encontrada morta no Piauí. Ela estava nua e sionais. res como religião e local de moradia influenciam
havia recebido facadas por todo o corpo. Ela tam- Apesar de discordarem quanto ao aumento ou na possibilidade de aceitação da diversidade sexu-
bém apresentava sinais de violência sexual e es- não da tolerância nos últimos anos, todos os en- al”, afirmam Isadora Severo Garcia (CRP 05/
pancamento. Em 28 de setembro, 28520) e Marcos Antonio Fer-
após dois anos de ameaças, o pre- reira do Nascimento (CRP 05/
sidente da Associação Amazo- 23163), psicólogos do Instituto
nense de Gays, Lésbicas e Trans- Promundo.
gêneros (AAGLT), Adamor Gue- Roberto Pereira (CRP 05/
des, foi assassinado em Manaus. 16524), psicólogo do Centro de
A esses nomes, somam-se ain- Educação Sexual (CEDUS) e co-
da muitos outros: o do adestra- representante da ONG Aids-RJ,
dor de cães Edson, que morreu em possui uma posição semelhante.
São Paulo depois de ter sido es- “Não dá para negar que se avan-
pancado por uma gangue de skin- çou bastante, mas não podemos
heads; o economista Leonardo, nos iludir que a situação esteja
atingido por 42 facadas; a traves- sob controle. Ainda é muito gran-
ti Priscila, que, além de receber de o número de assassinatos e ou-
diversos tiros, teve seus olhos ar- tros tipos de violência, das mais
rancados, em Maceió; o travesti sutis até a física, contra pessoas
Paulo, morto com 20 balas de pis- de orientação sexual fora do pa-
tola no Rio; e muitos outros. drão tido como ‘normal’. O pa-
Os casos apresentados, apesar pel da família, que deveria ser de
de representarem uma ínfima par- acolhimento e suporte, infeliz-
te da violência praticada contra mente ainda tem sido de exclusão.
homossexuais no Brasil, já permi- Quando falo de exclusão, não me
tem perceber a dimensão atual da refiro unicamente ao seu sentido
homofobia. Segundo a pesquisa estrito, mas também aos seus as-
“Política, Direitos, Violência e Ho- pectos mais sutis, mas nem por
mossexualidade”, realizada pelo isso, menos dolorosos”.
Grupo Arco-Íris de Cidadania Marcelo Santana Ferreira
LGBT e pelas universidades Cân- (CRP 05/20582), professor do De-
dido Mendes e UERJ, a cada dois partamento de Psicologia da UFF,
dias um homossexual é assassina- por outro lado, mostra-se pessi-
do, atualmente, no Brasil. Além mista. “Contemporaneamente,
disso, cerca de 70% dos homosse- até se fala muito em uma maior
xuais entrevistados já sofreram al- aceitação, mas uma aceitação ba-
gum tipo de violência devido à sua seada na submissão a determina-
orientação sexual. dos modelos preestabelecidos: o
Nesse contexto, perguntamos: modelo do consumismo, da juve-
qual o papel da Psicologia no nilização. A grande questão, no
enfrentamento à homofobia e na promoção de trevistados apontam que a homofobia está longe entanto, é sobreviver a esses estereótipos, possibi-
uma cidadania independente de orientação sexu- de ser dissipada na nossa sociedade. “Percebemos litar que um conjunto maior de diversidades pos-
al? Para tentar responder a essa pergunta, ouvi- que há uma maior tolerância na sociedade atual sa ser compreendido”.
mos seis psicólogos que discutem e pensam a ques- com relação à diversidade sexual. Tolerância, no (continua na próxima página)

Jornal do CRP-RJ Pág. 3


Psicologia e Diversidade Sexual • Outubro 2008

(continuação da página anterior) riam contribuir para a expressão de outras for- “A qquestão
uestão não é
Já o psicólogo, conselheiro do CRP-RJ e pro- mas de relação com o desejo, outros modos de ser, aceitar ou não
fessor do Instituto de Psicologia da UFRJ Pedro não apenas os caricaturais. Existem mil outras for- aceitar
itar.. Ninguém
Ninguém
Paulo Gastalho de Bicalho (CRP 05/26077) colo- mas de ser homossexual que não estão visíveis na pergunta a
ca em questão a própria necessidade de aceitação. mídia. A questão é que essa imagem que se vende or ie ntação se
ientação xual
sexual
“A questão não é aceitar ou não aceitar. Ninguém não é a imagem que corresponde à experiência em dos cida dãos no
cidadãos
pergunta a orientação sexual dos cidadãos no mo- sua integridade”, declara o professor. É no que mo
mome me nt
ment
ntoo da
mento da declaração do Imposto de Renda, por também acredita Pedro Paulo: “O estereótipo, seja declar ação d
laração o
do
exemplo. Portanto, não há a questão de aceitar ele qual for, só ajuda a manter concepções Imp
mpostost
ostooddee R
Reenda. SSee são cidadãos eem
cidadãos m
ou não suas contribuições tributárias. É preciso generalizantes e distantes da singularidade que seus d
seus deeveres, d deevem seserr da mesma ffo orma
tratar com isonomia outras questões. Se são cida- atravessa existências e que propiciam a diversida- em se us dir
seus direeitos, se
itos, m dist
sem inções.
inções.””
distinções.
dãos em seus deveres, devem ser da mesma forma de e a pluralidade”. Pedr
drooP aulo B
Paulo icalho
Bicalho
com seus direitos, sem distinções”. Inserida nesse contexto social, a família - que,
O psicólogo e pesquisador Alexandre Nabor para os psicólogos, possui um papel importante
Mathias de França (CRP05/32345), colaborador na apropriação de homossexuais que estão entran- nossos ‘pré-conceitos’, passamos a desconstruí-
do Grupo de Trabalho Psicologia e Diversidade do em contato com sua sexualidade - pode acabar lo para moldar novos conceitos. É a descons-
Sexual do CRP-RJ, também não fala em aceitação, se transformando em mais um mecanismo exclu- trução para uma nova construção. O mais im-
mas tolerância. “Tenho observado que a tolerân- dente. Para Marcelo, “a família tem um papel portante é saber o que se faz com o preconceito,
cia está um pouco maior. Entre adolescentes, por crucial de dialogar sobre dificuldade que temos para que ele não se enraíze e se transforme em
exemplo, a questão sobre orientação sexual não é em aceitar a diferença e a diversidade”. “Mesmo um ato homofóbico”.
tão assustadora como há vinte anos”. Ele ressalta, com a suposta crise da família brasileira na socie-
O papel da Psicologia
no entanto, que ainda há muitos mecanismos de dade contemporânea, ela ainda é uma instituição
reprodução do preconceito. “A mídia é um dos muito importante, muito subsidiadora do modo Mas de que forma essa reflexão e esse diálogo
grandes contribuintes para o crescimento da como as pessoas se constituem”, completa. apontados por Alexandre podem ser construídos
desinformação e de mitos que foram criados ao “A família pode ser ao mesmo tempo uma fon- na nossa sociedade? Os profissionais entrevista-
longo dos anos em relação à homossexualidade, te de conflito ou de suporte. Muitas vezes, o pre- dos acreditam que um dos caminhos é através da
tais como ‘todo gay é frágil, efeminado e insegu- conceito começa na própria família. Outras ve- Psicologia. A primeira questão apontada por eles
ro’, ‘toda lésbica é masculina’, ‘toda travesti é pros- zes, quando ela compreende, acolhe e aceita, pode é o seu papel social, ou seja, a contribuição para o
tituta’, assim por diante. Cada estereótipo criado ser um apoio fundamental para lidar com os pre- enfrentamento ao preconceito na sua expressão
na mídia, tais como são veiculados nos progra- conceitos em outros contextos da vida”, destacam coletiva, não individual.
mas humorísticos e novelas, é mais um ser huma- Isadora e Marcos. “A Psicologia, como saber e prática, tem papel
no que é desrespeitado em sua singularidade”. Pedro Paulo ressalta o sofrimento causado por importante, na medida em que pode garantir a
Marcelo Santana também problematiza o pa- essa discriminação. “O preconceito faz sofrer. E legitimidade de um desejo – homossexual – não
pel da mídia. “As mídias mais hegemônicas pode- nenhum ser humano precisa sofrer desnecessaria- como desvio ou patologia, mas sim como uma
mente. A sexualidade, enquanto um critério que expressão da diversidade humana”, dizem Isadora
nos define, emerge de um processo histórico mar- e Marcos. “A Psicologia deve contribuir para uma
“O p prreconcnceeitoé
ito cado por relações de saber-poder. A pergunta que reflexão sobre as diferentes formas de expressão
uma ação tão tên tênue
ue se faz é: por que o modo como nos relacionamos da sexualidade humana, desconstruindo estereó-
que, às vvez ezes, ne
ezes, nem m (ou não nos relacionamos) sexualmente serve para tipos, preconceitos e um discurso de homoge-
percebemos qque ue o dizer algo sobre nós?”. neização dos homossexuais”.
temos. Ele está Alexandre França chama a atenção, ainda, De acordo com Pedro Paulo, outra discussão
const
nstrruíd
uídoo na para o preconceito. “O preconceito é uma ação que pode ser levantada pela Psicologia é a
cult
culturur
ura,a, mas ppoo de tão tênue que, às vezes, nem percebemos que o problematização do que se entende por homo-
se
serr ttrransf
ansfoorma
mad do temos. Ele está construído na cultura, mas pode fobia. “Não entendemos que homofobia seja res-
em algo a se
algo serr rreefle
flettido e dialo
ido dialoggado.” ser transformado em algo a ser refletido e dialo- trita a violências físicas, que podem ser coibidas
Ale xandr
xandree F
lexandr Frrança gado. A partir do momento em que falamos de por uma lei que criminaliza tais práticas. Homo-

Pág. 4 Jornal do CRP-RJ


Psicologia e Diversidade Sexual • Outubro 2008

fobia também são discursos e omissões. Homo- pel dos psicólogos na clínica. “No âmbito do con- A grande questão é
fobia também é uma questão institucional. Te- sultório, a Psicologia pode ser uma poderosa fer- sobreviver a esses
mos há quase 10 anos uma resolução que deixa ramenta no sentido de ajudar pessoas em crise, estereótipos,
claro que nenhum psicólogo pode, publicamen- em processo de inadequação social, ou até mesmo possibilitar que um
te, se pronunciar preconceituosamente. Como em processo de desvelamento da sua identidade, conjunto maior de
também não podemos, por métodos e técnicas oferecendo suporte para o fortalecimento desses diversidades possa
psicológicas, tentar curar aquilo que a Psicolo- indivíduos”, esclarece. se
serr cco
omp
mprreendido.”
ndido
gia brasileira afirma não ser patologia, perver- Ele coloca que, no geral, estudos apontam três Marcelo Santana
são ou desvio”. momentos críticos na auto-descoberta da homos-
Para Marcelo Santana, “a Psicologia tem mui- sexualidade: “O primeiro é quando o indivíduo se
to a contribuir devido à sua inserção privilegiada percebe diferente do que a sociedade e a família instigação, desenvolvi a ‘desconstrução’ de deter-
na sociedade contemporânea. A Psicologia pode esperam dele; o segundo, quando ele decide inves- minados depoimentos preconceituosos, legitima-
fazer alianças com os movimentos sociais e dialo- tigar essa atração e procura alguém para dividir dos pelo discurso da moral e dos bons costumes,
gar com as pessoas que trabalham no campo da suas angústias; finalmente, quando ele decide as- tidos como ‘normais’. Muitos dos participantes
Educação. Além disso, nós, psicólogos que traba- sumir sua identidade. Cabe ao psicólogo, quando sofriam discriminações diariamente, mas não con-
lhamos com essas questões, devemos politizar mais a situação assim o exigir, ajudar pessoas e grupos seguiam ver que havia direitos legais que os favo-
a homofobia, garantir que as pessoas não sofram nesse processo de auto-descoberta”. recessem. O discurso é uma ferramenta fundamen-
tanto por conta disso. Por que é preciso tanto so- Posição semelhante é adotada por Alexandre tal para o profissional de Psicologia enfrentar o
frimento em relação ao fato de a pessoa ter um França. “A Psicologia se coloca como apoio fun- preconceito e a discriminação, dando, assim, su-
desejo e práticas sexuais diferentes da maioria?”. damental às pessoas que se encontram vulnerá- porte a pessoas que se encontram caladas e vulne-
Roberto Pereira também acredita que “a Psi- veis psicossocialmente. Em 2007, pude desenvol- ráveis”.
cologia pode contribuir de forma significativa na ver no Grupo Diversidade Niterói (GDN), um Pedro Paulo questiona a colocação da homos-
desconstrução de mitos, tabus e padrões estereo- grupo de apoio psicológico, que já existia na insti- sexualidade como fator negativo na formação
tipados” na sociedade, mas destaca também o pa- tuição. Através do método da contextualização e psicológica do sujeito. Ele exemplifica com os re-
(continua na próxima página)

Resolução 001/99: pela defesa da livre orientação sexual


Desde 1999, o Conselho Federal de Psicolo- aqueles que disciplinam a não discriminação e a rarão com eventos e serviços que proponham
gia se tornou o primeiro conselho profissional promoção e bem-estar das pessoas e da huma- tratamento e cura das homossexualidades.
a publicar uma norma em defesa da livre ori- nidade. Art. 4° - Os psicólogos não se pronuncia-
entação sexual. A Resolução 001/99, que regu- Art. 2° - Os psicólogos deverão contribuir, rão, nem participarão de pronunciamentos pú-
lamenta a prática do psicólogo na questão da com seu conhecimento, para uma reflexão so- blicos, nos meios de comunicação de massa,
diversidade sexual, proíbe qualquer patolo- bre o preconceito e o desaparecimento de dis- de modo a reforçar os preconceitos sociais
gização da homossexualidade por parte dos criminações e estigmatizações contra aqueles existentes em relação aos homossexuais como
psicólogos. que apresentam comportamentos ou práticas portadores de qualquer desordem psíquica.
O CFP entende que a orientação sexual é homoeróticas.
uma expressão da subjetividade humana e, por Art. 5° - Esta Resolução entra em vigor na
essa razão, não pode ser tratada como doença Art. 3° - Os psicólogos não exercerão qual- data de sua publicação.
nem ser “curada”. quer ação que favoreça a patologização de com- Art. 6° - Revogam-se todas as disposições
portamentos ou práticas homoeróticas, nem em contrário.
Ve ja o que diz a R
que esol
Resolução:
esolução: adotarão ação coercitiva tendente a orientar ho-
mossexuais para tratamentos não solicitados. Brasília, 22 de março de 1999.
Art. 1° - Os psicólogos atuarão segundo os
Parágrafo único - Os psicólogos não colabo- ANA MERCÊS BAHIA BOCK
princípios éticos da profissão notadamente
Conselheira Presidente

Jornal do CRP-RJ Pág. 5


Psicologia e Diversidade Sexual • Outubro 2008

(continuação da página anterior) pre melhor do que cada profissional tomar uma
sultados da pesquisa “Psicologia e criminalização medida simplesmente limitada por seus valores”.
da sexualidade: impactos da resolução CFP 001/ Por outro lado, no entanto, o professor reflete
99”, coordenada por ele na UFRJ, que entrevis- sobre a necessidade de uma resolução para deter-
tou cerca de 100 homossexuais. “Mais de 60% dos minar uma prática que já deveria ser realizada
entrevistados, em algum momento de sua vida, pelos psicólogos. “O que nós temos feito há tanto
foram encaminhados a psicólogos quando o as- tempo em relação a uma questão tão séria? Ela diz
sunto em pauta era a sexualidade de LGBTs. En- respeito ao modo como as pessoas se relacionam
tre os que se declaravam heterossexuais, no en- com seu desejo, com seu prazer. Por que devería- “A P sic
Psic olo
ologg ia, cco
sicolo omo sabsabeer e p rát
prát ica, tteem
rática,
tanto, ninguém foi encaminhado ao psicólogo mos ser gestores disso? Não devemos estar nessa pap
papeel imp
impo or tant
tante,e, na me dida eem
medida m qqueue ppo o de
por conta de sua ‘heterossexualidade’. É preciso, posição”. gar ant
arant ir a le
antir legg it imida
itimida
imidad de d
dee um d ese
dese jo –
esejo
portanto, discutirmos amplamente o que isso Roberto Pereira também problematiza a Re- ho mosse
homosse
mossexual
xual – não cco omo d esv
desv
esvioio ou
significa e, principalmente, o que nós psicólogos solução do CFP, que, para ele, não deveria ser ne- pat olo
ologg ia, mas sim cco
patolo omo uma eexp xp
xprressão
temos feito com essas demandas que são endere- cessária, mas ainda é. “O CFP tem tido um papel da di
divversida de h
sidad umana
umana””,
humana
çadas a nós”. fundamental desde a publicação da Resolução con- Mararccos N ascime
Nascime
asciment nto e IIsa
nto sa
saddor a Gar
Garciacia
Ainda no contexto da clínica, os profissionais tra qualquer tentativa de patologização por par-
destacam a importância e, ao mesmo tempo, a ne- te dos psicólogos com relação à orientação sexu-
movimentos que têm se configurado em torno
cessidade de reflexão acerca da Resolução 001/99 al. Não raro, vemos ainda companheiros(as)
dessas questões, não vai ser um bom formador ”,
do Conselho Federal de Psicologia, que determi- nossos(as) envolvidos em ‘cruzadas pela cura da
acrescenta Marcelo.
na que psicólogos não podem tratar a homosse- homossexualidade’”.
Segundo Pedro Paulo, a universidade tem avan-
xualidade como doença (veja mais no box da pá- Segundo Alexandre França, outro aspecto im-
çado em relação às pesquisas na área. “Cada vez
gina 5). “Entendemos que o CFP dá suporte aos portante da Resolução é ser um instrumento para
mais temos transversalizado nossos conteúdos pro-
psicólogos e também à sociedade, ao tornar pú- o psicólogo respaldar suas decisões éticas. “A Re-
gramáticos com discussões em torno do tema.
blica esta resolução, para o entendimento da di- solução 001/99 foi criada pelo CFP devido à de-
Cada vez mais temos produzido pesquisas e pro-
versidade sexual não como uma doença, distúr- manda a alguns profissionais da Psicologia de pro-
jetos de extensão, além de eventos marcados pela
bio ou perversão, ou seja, um ‘problema’ a ser tra- porem tratamento para homossexuais com a fi-
transdisciplinaridade. Não defendo a existência
tado, mas como uma forma de expressão da di- nalidade de ‘cura’. A resolução dá ao psicólogo o
de disciplinas específicas, mas da possibilidade de
versidade humana que deve ser respeitada, com- respaldo de que a homossexualidade não deve ser
este tema atravessar outros conteúdos”.
preendida e acolhida”, colocam Isadora Garcia e vista como algo patológico. Penso na importân-
Alexandre França, por sua vez, resume outras
Marcos Nascimento. cia da resolução na legitimidade do direito sexual
formas de contribuição do psicólogo. “Há vários
Marcelo Santana concorda com essa idéia, pois individual”.
trabalhos que podem ser desenvolvidos pelo psi-
acredita que “isso ser colocado em evidência é sem- Além do aspecto social e do clínico, um tercei-
cólogo: na clínica, dando apoio psicológico para
ro ponto destacado pelos entrevistados sobre o
as pessoas que precisem de encorajamento para
papel da Psicologia no combate à homofobia é
“A P sic
Psic olo
ologg ia p
sicolo ode
po decidir suas escolhas; nas ONGs, propondo tra-
sua atuação nas universidades, ou seja, na forma-
se
serr uma p pooderosa balhos de grupo e abrindo espaço para que pesso-
ção de novos profissionais e nas pesquisas acerca
fer rame
amentanta no as possam colocar suas experiências de vida com
da diversidade sexual. “A formação dos psicólo-
se nt
sent id
ntid
idood dee aj udar
ajudar outras diferentes das suas; nas empresas, levando
gos ainda carece de espaço para esta temática. No
pesso
essoasas eem
m cr ise, eem
crise, m a discussão sobre a homossexualidade na tentati-
entanto, já encontramos pesquisas em nível de
processo d dee va de mostrar que a mesma é uma variação do
graduação, mestrado e doutorado, que vêm dis-
ina
inaddequação so social,
cial, comportamento sexual humano e não um obstá-
cutindo sobre Psicologia, diversidade sexual e
ou até mesmo eem m culo potencial; ou em todas as áreas psicológicas,
homofobia”, afirmam Isadora e Marcos.
processo d dee d esv
esveelame
desv nt
lament
ntoo da ssua
ua tentando instigar a potencialidades destas pesso-
“Acho importante que o profissional da Psico-
id
ideent
ntida
idad
ida de, oofferecend
ndoo ssup
up
upo or te par
paraa o as que estão sofrendo, tentando diminuir o medo
logia problematize seus próprios valores, princi-
for tale
talecime
ciment
cime nt
ntood esses indi
desses víd
indivíd uos.
uos.””
víduos. e a insegurança que a violência pode ocasionar”.
palmente na formação dos futuros profissionais. As eent
nt
ntrrev istas ffeeitas par
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Psicologia e Diversidade Sexual • Outubro 2008

Entrevista com Maria Berenice Dias

Direito nas relações homoafetivas


Em um casamento, se uma das partes morre discriminação em relação à mulher, no Direito de única referência legal sobre isso, pois diz que se
sem deixar outro parente, ninguém contesta que Família, mas vi que havia também outros “guetos” aplica independentemente de orientação sexual.
a herança será recebida pelo marido ou esposa. discriminados, como pessoas com AIDS, porta- Como vale para violência doméstica, na família, a
Recentemente, no entanto, um caso em Porto Ale- dores de necessidades especiais e idosos. legislação acabou reconhecendo que as uniões ho-
gre (RS) chamou a atenção. Um homem morreu No caso dos homossexuais, fiquei muito assus- mossexuais são uma entidade familiar.
nessas circunstâncias, após um relacionamento de tada em ver que eles estavam alijados do Direito
47 anos, e o Município entrou na Justiça requeren- de Família. Foi quando comecei a reivindicar que Não havendo leis específicas, de que forma os
do a herança. A diferença? Seu relacionamento era fossem inseridos como uma unidade familiar. Eles homossexuais podem conseguir esses direitos
com outro homem, que lutou por seus direitos. No estavam condenados a uma invisibili–dade muito na Justiça?
fim do processo, houve um empate e a situação foi perversa, como se não tivessem direito ao afeto. Alguns avanços vão sendo obtidos no âmbito
decidida favoravelmente ao companheiro pelo do Poder Judiciário. Daí a importância de lutar
voto de minerva do vice-presidente. na Justiça por esses direitos. Foi o motivo que me
A decisão poderia ter sido diferente se o ho- levou a me aposentar da magistratura. Eu pensei:
mem não tivesse sido defendido por Maria “é preciso entrar com ações”. E, para entrar com
Berenice Dias, especializada em Direito Homo- ações, é preciso estar muito capacitada, tem que se
afetivo, Direito de Família e Sucessões. “Como se erguer, não pode se deixar discriminar.
pode dizer que 47 anos não foram nada?”, declara Ainda há um número pequeno de ações. As
a advogada, resumindo sua indignação com situ- pessoas têm dificuldade de se expor e não sabem
ações como essa. que advogado procurar.
Atualmente com um vasto currículo (indicada
ao Prêmio Nobel da Paz em 2005, autora de vários Que leis a senhora usa em casos mais específi-
livros sobre Direito de Família, mestre em Proces- cos, como herança ou guarda de filhos?
so Civil pela PUC-RS, membro efetivo do Institu- Nesses casos, entra o princípio do melhor inte-
to dos Advogados do RS, diretora jurídica da Aca- Quais são as maiores dificuldades enfrentadas resse da criança, que é o que rege o Estatuto da
demia Literária Feminina do RS, professora da nesse campo do Direito? Criança e do Adolescente. A criança tem o direito
Escola Superior da Magistratura, vice-presidente A maior é o preconceito, indiscutivelmente. à convivência familiar, que é com seus pais, ainda
nacional do Instituto Brasileiro de Direito de Fa- Vivemos numa sociedade muito preconceituosa, que sejam do mesmo sexo.
mília, entre outras titulações), Maria Berenice, que com uma idéia muito sacralizada da família como Quanto ao casal, é uma união estável, inde-
foi a primeira mulher a entrar na magistratura do homem, mulher e filhos. O Legislador também pendentemente de sexo das pessoas, então, aplica-
Rio Grande do Sul, se aposentou do cargo de tem muita dificuldade de se manifestar a respeito. se toda a legislação de União Estável. Nada justifi-
desem–bargadora para se dedicar a defender Esse segmento é alvo de muita exclusão e as pesso- ca haver discriminação. Esses casais têm o mesmo
quem não tem direitos assegurados pela legisla- as parecem ter medo de serem “rotuladas de ho- direito.
ção brasileira. mossexuais”. E há também o medo de desagradar
Dona do único escritório do Brasil especializa- o eleitorado. Fica um círculo vicioso: não há lei A senhora acredita que o reconhecimento do
do em Direito Homoafetivo, ela conversou com o porque o legislador não consegue aprovar e, se casamento entre homossexuais pode ser uma
Jornal do CRP-RJ sobre as dificuldades e os avan- não tem lei, como vamos aplicar e reconhecer di- realidade em um futuro próximo?
ços nessa área. reitos? A questão é que há uma idéia muito sacrali–
zada de casamento, mas, na verdade, ele é um con-
Como a senhora começou a trabalhar com Existem leis hoje no Brasil destinadas direta- trato. Não há nenhum motivo pelo qual homos-
Direito Homoafetivo? mente a direitos nas relações homoafetivas? sexuais não possam se casar. A procriação não é
Eu fui a primeira mulher a entrar na magistra- Há projetos de leis tramitando há muito tem- um elemento configurador. Se fosse, antes de ca-
tura do Rio Grande do Sul e vi quanto dói a dis- po, mas não conseguem ser aprovados. A lei Ma- sar, a pessoa teria que provar que é fértil e assumir
criminação. Comecei, então, a trabalhar com a ria da Penha, de combate à violência sexual, traz a um compromisso de que vai ter filhos.

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Psicologia e Diversidade Sexual • Outubro 2008

Criminalização da homofobia em debate


Desde 2001, tramita no Congresso Nacional um grande quando se trata de violência contra ho- cas e serviços na área de Saúde, Direitos Humanos
Projeto de Lei que propõe a criminalização da mossexuais”, afirmou. “O que nós queremos, basi- e Segurança Pública, que possam dar conta de aten-
homofobia. O projeto pretende incluir a discrimi- camente, é a equiparação do crime de homofobia der à demanda de homossexuais vítimas da
nação de gênero, sexo, orientação sexual e identi- ao crime de racismo e de intolerância religiosa. É homofobia”.
dade de gênero como crime na Lei nº 7.716, de 5 de preciso uma resposta clara dos poderes constituí- Paula, por outro lado, não vê a lei como forma
janeiro de 1989, que já define os crimes resultantes dos de que a homofobia é um horror, uma chaga, de abrir portas, mas sim de individualizar a ques-
de preconceito de raça ou de cor. O Projeto de Lei algo que precisa ser repudiado e recriminado”. tão. “Se criarmos uma lei contra a homofobia,
5003/2001 foi aprovado na Câmara dos Deputa- Paula concorda com a necessidade de repúdio daqui a pouco vamos demandar delegacias
dos em 2006, quando foi transformado em Projeto à homofobia, mas questiona o caminho da especializadas. Assim, é criado um mundo especí-
de Lei da Câmara (PLC 122/2006). Desde então, criminalização. “O Brasil é um dos fico para o gay. Você vai cada vez mais
tramita no Senado Federal para aprovação. países que mais prendem, ou seja, compartimentando a sociedade”.
As posições dentro dos movimentos LGBT acho que não podemos falar em im- Além disso, a psicóloga acredita
quanto à criminalização da homofobia, no entan- punidade, mas sim em uma seletivi- que a legislação, no máximo, pode
to, não são unânimes. O grupo Arco-Íris de dade do sistema penal. Se você colo- mudar a forma de manifestação do
Conscientização Homossexual, organizador da ca o sujeito na cadeia, ele vai deixar preconceito, como teria acontecido
Parada do Orgulho LGBT do Rio de Janeiro, le- de ser homofóbico?”. no caso do racismo. “Mesmo com a
vantou, na 13ª Parada, no último dia 12 de outu- A psicóloga acredita que devem Lei do Racismo, o país não deixou de
bro, a bandeira da “Criminalização Já” e lançou o ser demandadas do Estado outras for- ser racista. Ele pode ter mudado sua
site www.naohomofobia.com.br, que visa a arre- mas de enfrentamento à homofobia. maneira de manifestar. O mesmo ser-
cadar assinaturas em favor da lei. Por outro lado, “É preciso buscar que o Estado orga- ve para uma lei que venha punir atos
grupos ligados a associações de Direitos Huma- nize ações no sentido de promover a homofóbicos. Quais atos essa lei vai
nos, como o Projeto Legal, que executa um Cen- cidadania homossexual, mas não pela via puniti- ser capaz de alcançar e quais ela não vai classificar
tro de Referência de Enfrentamento à Homofobia, va”, declarou. “Podemos, inclusive, cobrar leis, mas como homofóbicos?”, explicou.
conveniado ao programa Brasil Sem Homofobia, que sejam leis sociais, não punitivas. Alguns exem- Citando uma pesquisa desenvolvida por Sér-
do governo federal, questionam se a criminalização plos são leis que promovam semanas de diversida- gio Carrara e Adriana Viana, que analisaram sen-
é a melhor forma de combate a uma realidade his- de, museus, incentivo a publicações que esclareçam tenças de casos de violência contra homossexuais,
tórica e social. a população. Porque o preconceito vem muito da ela exemplifica: “Mesmo nos casos em que o juiz
Para entender os diversos argumentos sobre o desinformação”. aplicava uma punição à agressão, não significava
tema e dar visibilidade a esse debate, o Jornal do Cláudio concorda que a criminalização não é que esse juiz não era homofóbico, mas ele, de cer-
CRP-RJ ouviu Cláudio Nascimento, suficiente e também vê a necessidade ta maneira, mantinha valores que norteiam a in-
membro do Grupo Arco-Íris, coorde- de políticas públicas que promovam tolerância”. O juiz, o advogado, todas as pessoas
nador geral da 13ª Parada do Orgu- a cidadania LGBT, mas acredita que envolvidas no processo, se preocupavam em re-
lho LGBT do Rio e superintendente a lei pode abrir caminho para essas gistrar no processo que esse sujeito agredido era
de Direitos Individuais, Coletivos e outras ações. “A lei não vai mudar vítima das suas paixões, das suas perversões, que
Difusos da Secretaria de Assistência uma realidade de homofobia e into- ele levava para o seu apartamento pessoas loucas,
Social e Direitos Humanos do Estado lerância de uma hora para a outra. que podiam matar. A punição existia, mas isso
do RJ (SEAS.DH), e Paula Smith Pei- Mas ela vem dizer que o Estado bra- muda a mentalidade das pessoas?”.
xoto (CRP 05/34667), psicóloga e co- sileiro reconhece a comunidade Cláudio, no entanto, defende que a sociedade
ordenadora do Centro de Referência LGBT como parte de seus cidadãos e vem mudando sua forma de pensar e que a
de Enfrentamento à Homofobia da que vai mobilizar esforços para criminalização da homofobia poderia contribuir
Organização de Direitos Humanos protegê-la. A lei também fornece um para essa transformação. “A última pesquisa do
Projeto Legal e estudante do curso de especializa- instrumento poderoso a pessoas que hoje já de- Data Senado, de junho passado, apontou que
ção em Psicologia Jurídica pela UERJ. nunciam casos de discriminação”. 70% das pessoas entrevistadas no Brasil apóiam
Cláudio explicou que a proposta da lei é equi- O militante aponta ainda outras estratégias que a lei de criminalização da homofobia, resultado
parar os direitos dos cidadãos. “Os homossexuais devem estar vinculadas à lei: “São necessárias cam- que, talvez, há uma década, fosse o contrário.
ainda são tratados como cidadãos de segunda clas- panhas informativas contra a homofobia, ampli- Então, as coisas vêm mudando, mas é preciso que
se no Brasil e há uma situação de impunidade muito ação das redes de proteção social, políticas públi- essa mudança se reflita em dispositivos legais,

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Psicologia e Diversidade Sexual • Outubro 2008

como as leis de criminalização da homofobia, do do, ir muito além do Sistema Penal. Outras ban- berdade de opinião e expressão foi uma grande
reconhecimento da união civil de pessoas do deiras poderiam ser levantadas, como a da ado- conquista da sociedade brasileira que nós defen-
mesmo sexo, de mudança de nome de travestis e ção por casais homossexuais ou a união civil, que demos radicalmente. Porém, não se pode confun-
transexuais”. estariam mexendo num dos pilares do Estado, que dir liberdade de opinião com incitação à violên-
Paula destaca que, entre os projetos para as leis é a família”. cia e discriminação. Também é preciso deixar cla-
citadas por Cláudio, o da criminalização da Para Cláudio, por outro lado, a lei de crimi- ro que não queremos criar uma nova casta, uma
homofobia é o mais avançado no Congresso, o nalização é importante para acabar com posturas ‘ditadura gay’, ou ter direitos privilegiados, como
que é usado como argumento para defendê-lo. homofóbicas de grupos que tentam impor visões alguns grupos dizem”.
Mas a psicóloga questiona essa forma de dar visi- preconceituosas a toda a sociedade. “Há uma idéia Ambos os entrevistados concordam, no entan-
bilidade ao movimento LGBT. “Fala-se muito que, de que é natural ofender, bater, matar homosse- to, que o debate em torno da criminalização deve
com esse projeto, ‘estamos fazendo História’. Mas xuais. E ainda mais, de que a apuração dos crimes ser ampliado. “O debate sobre a criminalização e
eu pergunto: qual é a história que queremos cons- não chega a lugar nenhum, de que ninguém vai sobre a homofobia acaba acontecendo um pouco
truir? Sim, esse é o projeto que mais andou, mas dar importância. Há também uma visão – em entre muros, do movimento para o movimento”,
olha o que ele pede!”. minha opinião, autoritária e, muitas vezes, fascis- afirmou Paula. Para Cláudio, “há pouco espaço
A psicóloga acredita que o movimento LGBT ta – de que essas pessoas estão prestando um servi- na mídia para debater o assunto. Alguns progra-
poderia repensar sua forma de ação e priorizar ço à população ao tirar os homossexuais do con- mas de televisão já vêm participando, mas a mai-
outras demandas. “Não é a toa que esse projeto da vívio da sociedade”. or parte deles ou é para gerar um embate entre
criminalização tem força. Ele coincide com o Es- Segundo o militante, essa visão vem de setores nós e os evangélicos - mais para aumentar a audi-
tado neoliberal, que demanda cada vez mais o sis- conservadores da sociedade, que tentam barrar o ência do que para gerar um debate rico - ou são
tema punitivo. O debate para construir uma ci- projeto de lei alegando que ele ofende a liberdade programas evangélicos que falam da lei sem dar
dadania homossexual precisa ser muito amplia- de expressão. “O projeto deixa bem claro que li- direito de a comunidade (LGBT) se colocar”.

CRP-RJ cria GT Psicologia e Diversidade Sexual


Em consonância com o foco do XII Plenário serem adotadas pelo Sistema Conselhos no que
nos Direitos Humanos, o CRP-RJ constituiu em diz respeito à diversidade sexual, como pro-
2008 o Grupo de Trabalho Psicologia e Diversida- dução de referências para a prática do psicó-
de Sexual, que trabalha a partir da diretriz de que logo no processo transexualizador, a interfe-
“Nenhuma forma de violência vale a pena”. rência do fundamentalismo religioso na prá-
No dia 15 de outubro, o GT organizou duas tica psicológica, adoção e homoparentalidade,
atividades na sede do Conselho: o I Encontro Na- homoconjugalidade, sexualidade como crité-
cional dos GTs de Psicologia e Diversidade Sexual rio em testagem psicológica, políticas públi-
do Sistema Conselhos e o Seminário Psicologia, cas intersetoriais e transversais para popula-
Diversidade Sexual e Combate à Homofobia. ção LGBT, relações entre diversidade sexual,
No Encontro, foram discutidas as diretrizes a psicologia e educação.
O Seminário teve participação dos
Seminário P
minário sic
Psicologgia, D
olo
sicolo Diiversidade SSeexual e C
sidad ombat
Combatee à Homo
Homoffobia
conselheiros Lindomar Expedito
Darós e Pedro Paulo Bicalho, do superin- para LGBT, ocorridas na UERJ; fala de abertura e
tendente de Direitos Individuais, Coletivos distribuição de material informativo sobre a Re-
e Difusos da SEAS.DH, Cláudio Nascimen- solução 001/99 do CFP na XIII Parada do Orgu-
to, da coordenadora da Projeto Laços e lho LGBT do RJ; participação em mesas de dis-
Acasos – Mulheres, Lésbicas e Bissexuais cussão nos eventos que antecederam a Parada de
do Grupo Arco-Íris, Joana Schroeder, e do São Paulo (no CRP-SP), no Seminário Interna-
membro do GT Luan Cassal. cional Fazendo Gênero (UFSC, Florianópolis),
O GT também foi responsável por di- no Encontro da ABEH (USP, São Paulo), no II
versas outras ações: participação da co- Fórum Internacional de Saúde Coletiva, Saúde
missão organizadora das Conferências Mental e Direitos Humanos (UERJ) e na III Se-
Par
artt icipação do CRP
do -RJ na 13ª P
CRP-RJ ar
araada d
Par o Orgulho L
do LGBT
GBT
GB Regional e Estadual de Políticas Públicas mana da Diversidade Sexual (UFRJ).

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Psicologia e Diversidade Sexual •

Cultura LGBT: uma realidade no Bras


Um dos possíveis meios de tra a importância da cultura. “A cepção de muitas pessoas. E o mo-
enfrentamento ao preconceito é a cul- cultura tem parte fundamental vimento gay americano tornou-se
tura. Essa realidade já foi constatada na conscientização, na auto-acei- muito forte. O cinema do país
por vários movimentos sociais, que tação e na saída do armário. Eis também incentivou isso. As publi-
percebem que filmes, livros, programas porque teríamos que ter cada vez cações impressas de Estados Uni-
de televisão e outras mídias podem ser mais livros nas prateleiras, filmes dos e Europa voltadas aos gays há
elementos de conscientização para a di- no cinema, séries na TV e DVDs bastante tempo também são mui-
versidade. Destaca-se que o debate nas lojas e locadoras sobre o to bem-recebidas no exterior. Fe-
referente ao modo como os meios de tema”. Ele cita como exemplos o lizmente, o Brasil está se abrindo
comunicação apresentam a temática filme “Another Gay Movie” (uma para este tipo de revista”.
LGBT pode reforçar estereotipias e comédia no estilo de “American Para Diego, uma das causas des-
preconceitos, mas, também, pode Pie”, sobre adolescentes tendo sua sa “invisibi-lidade” é “o grande de-
constituir-se em um meio privilegiado “primeira vez”, mas em versão sinteresse da indústria, que acha
para produzir rupturas com tais gay) e a série de televisão “Queer que não há mercado para investi-
estigmas e preconceitos. As Folk”, na qual, em um dos episódios, o persona- mentos maciços na área”. “Por ou-
O jornalista Diego Castro, colaborador do por- gem Emmett afirma: “Deus ama você tro lado, há a questão do ‘armário’.
tal Mix Brasil, o maior portal gay da América Latina, exatamente do jeito que você é”. Muitos gays não se sentem assumidos
e responsável pelo Festival Mix Brasil, voltado para “No livro ‘Queer As Folk, The o suficiente para chegar numa loca-
exibição de filmes de temática LGBT, conversou com Book’, especializado na série e não dora e procurarem determinado fil-
o Jornal do CRP-RJ sobre o preconceito dentro dos lançado no Brasil, um dos atores as- me de temática gay, ou para pararem
veículos de comunicação e sobre a falta de visibili- sumidos do programa, Peter Paige, numa banca de jornal e pedirem por
dade da cultura homossexual no Brasil. que interpreta Emmett, cita essa fra- uma revista. E há, claro, o preconcei-
O principal ponto destacado pelo jornalista é a se comentando que teria sido muito to permeando todo o processo, em-
importância de filmes, livros e outros produtos cul- importante para ele, como homem bora dificilmente este seja assumido.
turais na formação dos jovens. “O ‘bullying’, que é a gay, ter ouvido isso num programa Então, os consumidores vão dizer que
perseguição sofrida por diversas crianças e adoles- de televisão quando ele tinha 15 anos a indústria não oferece muitos títu-
centes por parte de outras nas escolas, também se e lutava para se aceitar”, conclui los e a indústria vai devolver dizendo
aplica ao jovem gay: é o ‘bullying’ por preconceito Diego. que poucos os procuram. Felizmen-
em relação à sexualidade. O garoto que é persegui- O jornalista destaca a diferença te, aos poucos esta
do, sofre debo- entre a difusão desses produtos nos situação vai melho-
ches, é humilhado Estados Unidos e no Brasil. “Uma das referências rando, à medida em que mais gays
e espancado pelos que temos para dizer que a mídia brasileira dá pou- conscientes exigem filmes, livros e
colegas na escola ca visibilidade favorável ao gay é a do exterior. Nos séries que reflitam suas realidades”.
por demonstrar EUA, por exemplo, os programas de TV, as revistas Segundo Diego, além da falta de
inclinação gay, vai e a mídia em geral são muito mais abertas ao tema visibilidade, outro problema é a
muitas vezes cres- gay do que aqui no Brasil. Houve séries de muito imagem passada pela mídia brasi-
cer se sentindo in- sucesso, como “Dawson´s Creek” e “Melrose Place”, leira do homossexual. “Um dos
ferior, sentindo que tinham personagens gays nem um pouco este- grandes problemas no Brasil nesse
vergonha”, expli- reotipados, além de séries compostas primordial- aspecto é a falta do beijo na novela,
ca. mente de personagens gays e que dialogavam dire- um beijo que tem que ser sem cul-
Segundo tamente com este público”, esclareceu. “Lentamen- pa, sem perseguições, sem neuroses
Diego, é aí que en- te, esses programas de TV foram mudando a per- e crises familiares. Um beijo român-

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Outubro 2008

sil? Veja alguns filmes e livros de temática


LGBT já lançados no Brasil

tico, tranqüilo, de duas pessoas


Filmes:
apaixonadas. Não se pode negar a  Morte eem m Veneza (Luchino Visconti – 1971)
influência que a televisão tem na  Que
Querrelle (Rainer Werner Fassbinder – 1982)
formação cultural de um povo. O  AL Leei doD
do ese
Dese jo (Pedro Almodóvar – 1987)
esejo
começo de qualquer mudança mais  Fila délfia (Jonathan Demme – 1993)
Filadélfia
prática no Brasil, que realmente  Priscilla – Rainha do Deserto (Stephan Elliott
mude a cabeça dos cidadãos, passa - 1994)
pela cultura, pela televisão”.  Par
araa Wong FFooo, o brig
ob igaada p or ttud
po ud o! (Beeban
udo!
Além da cultura, Diego tam- Kidron - 1995)
bém aponta o papel do jornalismo  Saindo do Armário (Simon Shore – 1998)
nesse contexto. Novamente, ele usa  A Razão do Meu Afeto (Nicholas Hytner –
o exemplo dos Estados Unidos em 1998)
comparação ao Brasil. “Há muitos  Meninos não choram (Kimberly Pierce –
pontos de vista envolvidos na co- 1999)
bertura da mídia. Há primeiro a  Amo
morres p ossív
ossíveeis (Sandra Werneck – 2000)
possív
idéia de que nunca houve no Brasil um aconteci-  O C Cll ub
ubee d os C
dos Coo r ações P ar
artt id
Par os (Greg
idos
mento de mobilização nacional em torno da causa Berlanti – 2000)
gay, como aconteceu em pelo menos em duas ocasi-  Plata Quemada (Marcelo Piñeyro – 2000)
ões nos EUA: no levante de Stonewall em 1969 e no  Um Amo morr Quase P Peerfeit o (Ferzan Ozpetek –
ito
assassinato do jovem Matthew Shepard, de 21 anos, 2001)
Diego acredita que uma forma de diminuir o pre-
espancado e deixado pra morrer preso à uma cerca,  Até o Fim (David Siegel – 2001)
conceito é exatamente através da mídia e da cultura. “
como se fosse um espantalho, em 1998. Assim, a po-  Madame Satã (Karim Aïnouz – 2002)
A sociedade tende a colocar o gay como seres ‘inferio-
pulação foi começando a ver o gay na sociedade de  Angels in América (Mike Nichols – 2003)
res’, ‘aberrações da natureza’ que não merecem viver e
forma diferente. Aqui, houve o assassinato de um  De-L
e-Loovely - Vida e Amo morres ddee C ole P
Cole orter
Po
ter os direitos mais básicos, como namorar ou casar.
gay de forma similar, um professor da Universidade (Irwin Winkler – 2004)
Todos são humanos e sangram vermelho. Não há a
de Brasília foi espancado e deixado pra morrer amar-  Um T oque d
To dee R osa (Ian Iqbal Rachid – 2004)
Rosa
casta dos escolhidos, nem a dos desprezados”.
rado a uma árvore em um parque, mas quase nin-  O segredo de Brokeback Mountain
guém ficou sabendo, não houve grande cobertura (Ang Lee – 2005)
da imprensa”.  Transamér
ansaméricaica (Duncan Tucker – 2005)
Para o jornalista, outro problema  Bendito fruto (Sérgio Goldenberg - 2005)
é o preconceito dentro dos próprios  The Bubble (Eytan Fox – 2006)
veículos. Ele ilustra com um exemplo  Baby Love (Vincent Garenq – 2008)
pessoal: “Uma vez, um editor de cine- Livros:
ma alterou a legenda de uma foto que
ilustrava minha crítica sobre o filme  E ninguém tinha nada com isso (Marcelo
‘Os Irmãos Grimm’, com Matt Da- Garcia)
mon, Heath Ledger e Monica Belucci.  Devassos no P ar
Par aíso (João Silvério Trevisan)
araíso
Porque eu tinha elogiado no texto a  O Armár io (Vida e Pensamento do Desejo Proi-
mário
beleza de atriz, ele colocou na legenda bido) (Fabrício Viana)
da foto dela: ‘Essa cura até gay’. Ele  Toque ddee SSilêncio
ilêncio – História da Homosse-
disse que eu tinha que ter espírito es- xualidade na Marinha Brasileira (Flávio Alves
portivo e deixou a legenda lá”. e Sérgio Barcellos)

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Psicologia e Diversidade Sexual • Outubro 2008

Entrevista com João Silvério Trevisan

A história do Movimento LBGT


As lutas contra a homofobia e a favor dos di- contestatórios de maio de 1968, que
reitos civis dos grupos homossexuais tinham pou- abriram espaço para “o pluralismo
ca ou nenhuma visibilidade até o final dos anos ideológico e novos valores na área
60. As comunidades gays que existiam até então comportamental”.
estavam confinadas a espaços específicos das gran- Entretanto, se, no mundo, o ce-
des cidades. Mas esse quadro foi revertido e, atu- nário era mais favorável à abertura
almente, o movimento LGBT é uma conhecida or- para novos modelos comporta-
ganização de luta pelo reconhecimento dos direi- mentais e sexuais, no Brasil, a situa-
tos civis desse grupo. ção era bem diferente. Nessa época,
O marco inicial da articulação em prol dos o país vivia o auge da ditadura mili-
direitos dos homossexuais foi o dia 28 de junho tar (1964-1985), o que tornava difí-
de 1969. Nessa noite de sábado, o Stonewall Inn, cil “furar o paredão da censura e da
famoso bar gay de Nova York, foi palco de uma esquerda machista de então”, lem-
briga entre freqüentadores que terminou em vi- bra Trevisan. Levante de Stonewall, em 1969
olenta ação policial. Uma mulher resistiu à de- Observando a articulação atual
tenção e outras duzentas pessoas à porta do bar do movimento no Brasil, ele acredita que o próprias lutas anti-discriminatórias de Stonewall
iniciaram protestos e gritos de denúncia à vio- ativismo LGBT tenha sido relativamente eficaz na surgiram no caldeirão das rebeliões de maio de
lência da polícia. Desde então, o episídio é luta geral e considera que a recente aprovação de 1968. Nos Estados Unidos, particularmente, nada
relembrado como o ponta-pé inicial da mobili- algumas leis anti-discriminatórias reflitam certo disso teria sido possível sem a existência da con-
zação do movimento. avanço. No entanto, também admite que resta tra-cultura, que rompeu as barreiras do esquer-
De acordo com João Silvério Trevisan, jorna- muito a ser feito. dismo autoritário existente até então e abriu es-
lista, cineasta e militante do Movimento LGBT, as Veja abaixo a entrevista completa com João paço para o pluralismo ideológico e novos valo-
lutas anti-discriminatórias seguintes a Stonewall Silvério Trevisan: res na área comportamental.
só foram possíveis graças aos movimentos
O movimento LGBT começou a ganhar cor- Em que sentido o movimento gay pode ser
po, no Brasil, por volta dos anos 70. A que o consid
nsideerado “contntrra-cult ur
uraa”?
a-cultur
senhor atribui essa data? Dois homens ou duas mulheres que se amam
É fundamental apontar como causa imediata precisam tirar do nada novas formas de relacio-
a volta dos exilados ainda no período da ditadura namento, já que não encontram imagem social na
militar. Eu mesmo vivi três anos fora do Brasil, qual se espelhar – pelo contrário, tudo o que vêem
entre 1973 e 1976, entre Berkeley (na Califórnia) e são distorções discriminatórias contra o amor ho-
México. Em Berkeley, sobretudo, convivi com os mossexual. Em outras palavras, para se assumi-
nascentes movimentos gay, feminista, anti-racial rem homossexuais as pessoas têm que rever, quo-
e ambientalista. Gente como [Fernando] Gabeira tidianamente, a cultura na qual estão imersas.
e eu voltamos com muitas idéias novas, que no Uma mera transa fora do quadro consagrado e
Brasil tinham dificuldade de furar o paredão da imposto culturalmente já carrega em si mesma a
censura ditatorial e o paredão ideológico da es- contestação de uma cultura inteira. Não tenho
querda machista de então. A partir da cena inter- dúvida de que o desejo homossexual é um desejo
nacional, a influência mais direta foram as lutas contra-cultural.
de Stonewall, em junho de 1969.
Do ponto de vista do movimento, o feminis- Qual foi o impacto do aparecimento da AIDS
mo teve grande importância para os GLBT, pois sobre o movimento?
nos instrumentalizou com um número fantástico Devastador, mas também surpreendentemen-
de novos conceitos e abordagens critico-analíti- te positivo. Seus elementos negativos são eviden-
A 113ª
3ª Parada do Orgulho LGBT do Rio, em 2008 cas. No geral, deve-se lembrar, também, que as tes: reforçou a homofobia em alto grau e dimi-

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Psicologia e Diversidade Sexual • Outubro 2008

nuiu em muito a auto-estima dos homossexuais. tido, acho que dois anos de AIDS podiam equi- rossexualidade normalmente usada para escon-
Mas se costuma esquecer que a AIDS teve um efei- valer a 10 anos de esforços de visibilidade do mo- der a prática homossexual dentro de casamentos
to colateral tremendamente positivo: ela levou vimento pelos direitos homossexuais. héteros.
para as primeiras páginas dos jornais a existên-
cia de homossexuais concretos (como atores de Como o senhor vê o preconceito e a homo- Como o senhor analisa a articulação do movi-
Hollywood e da TV Globo) e, sobretudo, a viva- fobia no Brasil? mento de luta anti-homofobia hoje no Brasil?
cidade de uma cultura homossexual. A socieda- Estão vivos e continuam fazendo muito mal. O GLBT é um movimento que tem sido mais
de foi bombardeada, a contragosto, com infor- Fico pasmo quando ouço homofóbicos dissimu- eficaz na luta geral do que quotidiana. As leis anti-
mações de que gays existiam, tinham nome e en- lados dizerem que agora virou moda ser homos- discriminatórias estão se impondo. Mas os gru-
dereço. Quando um médico denunciava que exis- sexual. Eu os convidaria a darem um passeio de pos de ativismo GLBT sempre foram e, acredito,
tiam saunas gays promíscuas, estava brandindo mãos dadas com outro homem. E, mais ainda, a continuarão restritos às classes médias. Com isso,
uma faca de dois gumes: através dele a popula- darem um beijo entre dois homens ou duas mu- o nível de conhecimento dos direitos e a consciên-
ção era informada de que homossexuais tinham lheres. A reprovação generalizada ou até mesmo cia política são baixos na comunidade homosse-
um estilo de vida próprio, ainda que imposto a violência que certamente iriam sofrer os faria xual. Felizmente, temos as Paradas do Orgulho
marginalmente pela sociedade, e eram muito ati- sentir na pele o que é ser homossexual no Brasil. GLBT que se multiplicam pelo Brasil. Bem ou mal,
vos no exercício da sua sexualidade. A AIDS con- Não por acaso, temos uma parcela extraordiná- é o nosso movimento de massa mais concreto em
solidou socialmente a idéia da existência concre- ria de práticas “bissexuais” neste país. As aspas prol da afirmação do amor homossexual e da visi-
ta de uma comunidade homossexual. Nesse sen- são do mesmo tamanho do biombo da hete- bilidade GLBT.

Diversidade Sexual nas escolas


Recentemente, em uma escola de São Gonçalo de homossexuais, atrás apenas de amigos e família. HIV e promover a solidariedade e o respeito às pes-
(RJ), dois estudantes transgêneros se sentiam Para o estudante, além do preconceito, há um soas com AIDS. O segundo, destinado a profissio-
acuados em usar os banheiros masculino e femini- despreparo de grande parte dos professores para nais de Educação, tem como objetivo mostrar a
no por conta da provocação dos demais estudan- discutir diversidade sexual e de gênero, na medi- importância de se discutirem nas escolas as diver-
tes; a diretora da escola, em uma tentativa de so- da em que “a sexualidade não aparece como con- sas formas de expressão da sexualidade.
lucionar o problema, adotou uma saída que está teúdo de formação dos professores”. “A escola é Embora admitam a ainda forte presença do
longe do ideal: a partir de então, os estudantes uma instituição de formação de sujeitos e um preconceito nas escolas, ambos os entrevistados
transgêneros passariam a usar o banheiro da di- espaço onde se podem observar as diferenciações concordam que há mais espaço para discussão.
retoria. de gênero o tempo todo”, acrescenta. “De alguma forma, esse debate já está presente nos
A solução paliativa clarifica, na verdade, a gran- Luciana Kamel, assessora de projetos da ABIA alunos de hoje. Você já encontra na escola grupos
de dificuldade ainda hoje enfrentada pelos docen- (Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS) de alunos assumidamente homo e bissexuais, que
tes das escolares primária – organização não-gover- criam espaços próprios de socialização”, diz Luan.
e secundária, sejam elas namental que atua na luta Para Luciana, “desde a década de 70, a escola
públicas ou privadas, em contra a AIDS e desenvol- brasileira vem dando visibilidade para debates e
lidar com a questão da ve projetos em escolas –, discussões acerca do tema sexualidade no currí-
diversidade sexual. A que concorda com Luan e vê culo escolar. Atualmente, ela trabalha com o con-
se pode atribuir isso? À na escola não um “espaço ceito de inclusão de raça, etnia, gênero, orienta-
falta de capacitação? Ao isolado da sociedade”, mas ção sexual, deficiência e prevenção às DST/AIDS”.
preconceito? um lugar que “precisa ser No entanto, os dois também ressaltam que ain-
De acordo com o estu- visto cada vez mais como da resta muito por fazer. “A escola sozinha jamais
dante do Instituto de Psi- um espaço de reflexão, conseguirá responder a todos os questio–
cologia da UFRJ Luan desconstrução e aprendi- namentos que vêm surgindo em torno dos mo-
Cassal, membro do GT zagem”. delos de sexualidade. É importante que os pro-
Psicologia e Diversidade Para exemplificar, ela fessores se informem e se organizem”, acredita
Sexual do CRP-RJ e cola- cita dois projetos que a Luciana.
borador do Projeto de Extensão da UFRJ “Diver- ABIA realiza nas escolas: a Companhia de Saúde e “Acho importante conversar sobre relaciona-
sidade Sexual na Escola”, pesquisas realizadas em o Escola sem Homofobia. O primeiro, direcionado mentos, sexualidade, direitos, orientação, violên-
Paradas do Orgulho Gay apontam a escola como às crianças, consiste na utilização de técnicas cir- cia e identidades para desconstruir uma série de
o terceiro espaço onde mais se discrimina e/ou agri- censes e de teatro de rua para informar sobre o mitos sobre a sexualidade”, completa Luan.

Jornal do CRP-RJ Pág. 13


Psicologia e Diversidade Sexual • Outubro 2008

Adoção por casais homossexuais


Em 2001, quando Cássia Eller morreu, tor- tar previamente habilitado pela VIJI
nou-se pública a batalha judicial travada entre da Comarca onde reside. Depois, se
sua companheira, Maria Eugênia, e seu pai, Altair iniciam as tentativas para encontrar
Eller, pela guarda de Chicão, filho da cantora. o filho desejado. O certificado de ha-
Após acordo entre as partes, foi concedida a guar- bilitação tem validade de um a dois
da definitiva a Eugênia, com quem Chicão mora anos, dependendo da Comarca que
até hoje. Outro caso recente que mobilizou a opi- o emite; caso uma criança não seja
nião pública brasileira foi a tentativa de adoção adotada dentro desse prazo, faz-se a
de Theodora Rafaela Carvalho da Gama, de cinco reabilitação.
anos, por um casal de homens, em Catanduva Contudo, no intuito de dar mais
(SP), cujo desfecho foi a decisão favorável da Justi- transparência e celeridade aos pro-
ça, que, pela primeira vez, concedeu a adoção de cessos de adoção no país, o Conse-
uma criança a um casal homossexual. lho Nacional de Justiça (CNJ) deli-
No entato, enquanto o Judiciário muitas ve- berou sobre a implementação do
zes atua de forma progressista, levando em conta Cadastro Nacional de Adoção, ao
principalmente o bem-estar da criança, parcela qual todas as VIJI do país poderão ter acesso na homossexual, corra o risco de ser abusada ou te-
considerável da opinião pública brasileira se busca por uma criança ou adolescente apto e fa- nha seu desenvolvimento psíquico comprome-
posiciona contra a adoção ou guarda por mília habilitada à adoção. Hoje, a inexistência des- tido pelo fato de não conviver com os dois sexos.
homossexuais. se cadastro dificulta uma busca nacional. Lindomar questiona esse “receio”, alegando
Conforme esclarece o conselheiro do CRP-RJ que “o próprio argumento nele embutido traz
e psicólogo na Vara da Infância, Juventude e Ido- O psicólogo no processo de adoção sua refutação”, ao sugerir que ser homossexual
so (VIJI) de São Gonçalo, Lindomar Expedito seja algo ruim. Também argumenta que qualquer
Silva Darós (CRP 05/20112), no Brasil a “legisla- A atuação do psicólogo é fundamental ao lon- configuração familiar afeta a criança e que,
ção em vigência tanto não prevê esse tipo de ado- go de todo o processo de adoção, tanto na fase portanto, não “se pode ter uma previsão pontual
ção quanto não a veda expressamente, agindo inicial de habilitação quanto no momento em que dos efeitos específicos que atravessam essa crian-
apenas no sentido de preconizar os requisitos a criança ou adolescente já foi encontrado. ça e nem dos sentidos próprios que ela vai dar a
para validar uma adoção”. Assim, as autoridades Lindomar afirma que a função do psicólogo é a de essas afetações”.
judiciais têm a possibilidade de conceder ou não preparação da criança/adolescente para inserção Sobre a tese de que um casal homossexual
a adoção de crianças ou adolescentes para casais em família substituta e de acompanhamento no teria dificuldades em legitimar o papel de pai/
homossexuais. estágio de convivência. “O que deve haver”, ressal- mãe instituído pela Justiça, causando prejuízos
Para Anna Paula Uziel CRP (05/17260), psi- ta, “é um acompanhamento psicossocial, e não um à criança, Anna Paula afirma que “o cruzamento
cóloga e pesquisadora associada ao Centro Lati- tratamento psicoterápico, que só ocorre se houver entre orientação sexual, construção de gênero e
no Americano em Sexualidade e Direitos Huma- real necessidade”. parentalidade é arbitrário e é preciso desconfiar
nos (CLAM), no entanto, o grande problema se Anna Paula, por sua vez, sublinha a importân- da necessidade de se indagar sobre a orientação
encontra na “bancada conservadora que se man- cia de o olhar do psicólogo ser “independente da sexual dos pais e mães quando o foco é paren-
tém no Congresso Nacional”. “O projeto da nova orientação sexual do casal requerente” para evitar talidade”. Para ela, essa idéia condiz com o imagi-
lei de adoção tramita no Congresso Nacional há que se crie “uma conduta específica que afirme nário muito presente na sociedade, no qual a saú-
13 anos, e a versão original, da então deputada que há algo no exercício da parentalidade de gays de mental de uma criança só será garantida pela
Marta Suplicy, foi omissa em relação à adoção, e lésbicas que necessitaria de maior atenção”. existência de uma família onde pai e mãe sejam
por solteiros ou casais, e tampouco abordava a Apesar disso, muitas outras questões estão dois papéis distintos.
questão da guarda”, afirma. Contudo, o substi- implicadas na realização do trabalho desses psicó- Lindomar explica que ainda se confunde ge-
tutivo, que teve por relator o então deputado fe- logos. A principal delas se resume ao preconceito nética com verdade nas relações parentais. Se-
deral fluminense Roberto Jefferson, veta claramen- social e de parte do Judiciário em relação à consti- gundo ele, “pai e mãe são papéis sociais, que se
te a possibilidade de adoção por casais do mesmo tuição de uma família homoparental. constroem e legitimam na relação. Assim, o tra-
sexo. De acordo com Anna Paula, esse tipo de ado- balho do psicólogo seria colocar em análise a cris-
De acordo com o Estatuto da Criança e do ção ainda encontra resistência dentro das instân- talização dos papéis, o que tende a transformar
Adolescente (ECA), para se adotar uma criança, cias do Judiciário, onde alguns juízes mais con- realidades, no caso específico, os papéis sociais
a pessoa ou casal interessado, em tese, precisa es- servadores receiam que a criança possa se tornar de pais, mães e filhos”.

Pág. 14 Jornal do CRP-RJ


Psicologia e Diversidade Sexual • Outubro 2008

A homofobia e a cultura da intolerância


Sergio Gomes da Silva* sexual é motivo mais do que suficiente para, por uma nova modalidade de sistema totalitário. (...)
exemplo, os altos índices de violência contra esse Quando penso em igualdade, penso juntamente
A notícia do número grupo divulgados na mídia. (...) com o psicanalista Benilton Bezerra Júnior, em
de assassinatos de homos- Se o horror do nazismo foi derrotado e posto um sistema que funcione como “ideal regulador,
sexuais em 2007 divulga- abaixo juntamente com a intolerância, por que esta como horizonte político que estimula e legitima
última assumiu novos contornos na atualidade? a redução progressiva das desigualdades injustas
dos em abril deste ano
De que modo ela se cristalizou nas mentes de de- e da intolerância”. (...)
pelo Jornal Folha de São
terminados grupos, cuja violência se tornou mote Para atingir este universo é necessário um tra-
Paulo, através de levanta-
de toda a sorte de atitudes de preconceito e discri- balho contínuo dos movimentos sociais na denún-
mento do Grupo Gay da minação contra o minimamente diferente? cia de crimes e violações dos Direitos Humanos,
Bahia (GGB), chamou a atenção para um fato Os homossexuais ainda hoje assim como têm feito alguns
que se tornou uma das principais reivindicações se encontram entre os grupos “ É pr
pr e ciso q ue
que haj
haja a uma movimentos de grande repre-
por parte do movimento homossexual no Brasil de maior vulnerabilidade à vi- o rg anização
rganização p
poo r par
part t e da sentatividade no cenário nacio-
e por militantes dos Direitos Humanos desde olência. Não há, inclusive, ne- so cie
socie
ciedada
dadd e civ
civ il na co
co b r ança de
de nal. Mas também é preciso que
nhuma representatividade atra- at it
atit ud
itud
udeses ddee nossos ggo overnant es, haja uma organização por par-
nantes,
então: o combate à homofobia e à violência, pre-
vés de mecanismos jurídicos na cr iação d
criação dee me didas d
medidas dee te da sociedade civil na cobran-
conceito e discriminação de gays e lésbicas no
nacionais ou internacionais que mit
mitig ig ação
igação c o
co nt
ntrr a a v iolência.
violência.
iolência.” ” ça de atitudes de nossos
cenário nacional.
protejam os Direitos Humanos governantes, na criação de me-
Como entender o preconceito e o ódio irraci-
desses indivíduos. (...) didas de mitigação contra a violência, desde aquela
onal contra homens e mulheres com determina-
Segundo o Relatório Nacional sobre os Direi- que sustenta o vício das elites até aquelas que aten-
das características desejantes? Por que nossa so- tos Humanos, divulgado em 2005, 157 homosse- tam contra a integridade do cidadão comum.
ciedade, apesar dos avanços culturais e jurídicos xuais foram barbaramente assassinados no Brasil Para tanto, é preciso combater a violência con-
em prol da cidadania homoerótica, ainda fomen- em 2004, dos quais 119 eram gays, três eram lés- tra os homossexuais, levando a cabo as recomen-
ta uma cultura da intolerância? bicas e 35 eram travestis ou transexuais, sendo a dações postuladas pelo Relatório Anual do Cen-
Quando a crença de uma anormalidade e uma Região Nordeste e a Região Sudeste líderes no ín- tro de Justiça Global de 2005: a) a vigilância cons-
patologia foi colada à figura do homossexual já dice de assassinatos no país, quando tomado o tante do sistema de justiça criminal, que deve
no final do século XVIII (...); quando o sentido de período compreendido entre 2003-2005. E certa- estar apto para apurar e punir violações de Di-
uma perversão poderia estar presente na consti- mente estes dados tendem a estar sub-notificados, reitos Humanos contra gays e lésbicas; b) a apro-
tuição da sexualidade de um indivíduo, tornan- se levarmos em conta os casos de discrimina- vação da Lei que reconhece a União Civil entre
do-o passível de tratamento e ção direta ou indireta tais como pessoas do mesmo sexo; c) a implementação efe-
cura; quando passamos a di- “P or qque
“Po ue rreeferendar a mo morr te ameaça, tortura, roubo, extorsão tiva das medidas sobre orientação sexual já adi-
vidir normativamente os su- de d deetermina das p
minadas esso
pesso
essoasas a ou ataques contra homossexuais. cionadas ao II Plano Nacional de Direitos Hu-
jeitos em espécies sexuais - A cultura da intolerância, por- manos - o PNDH II; e d) que organizações go-
par
parttir d dee ssuas
uas id
ideent ida
ntida
idad des
hetero, homo e bissexuais; e tanto, forja a cultura da violência vernamentais e não governamentais de Direitos
sexuais? R
sexuais? esp
Resp osta simples:
esposta
quando a identidade passou a e por esta é sustentada. É certo Humanos que trabalham com mecanismos jurí-
ser definidora da sua sexuali-
p o r q ue e
emm no me
nome d
doo ódio e que a violência está presente em dicos e tratados internacionais criem preceden-
dade, é possível compreender da int ole
intole rância
olerância co
co nt
ntrr a esses qualquer forma de organização tes na jurisprudência internacional, no sentido
o porquê de tanta violência, indi víd
indivíd uos,
víduos, mata-se!” social e, por isso mesmo, os go- de reconhecer e garantir os direitos sexuais de
intolerância, preconceito e vernos precisam legitimar medi- todos aqueles que têm sofrido as agruras de per-
discriminação contra a figura dos homossexuais, das que coíbam o uso indiscriminado da violên- tencer a uma sexualidade que vem sendo mote
dos travestis ou de lésbicas, fazendo a irracio- cia contra os cidadãos. Por isso, é preciso que ele- de toda a sorte de intolerância.
nalidade da homofobia beirar a insensatez. vemos ao máximo o projeto de uma sociedade
* Psicanalista em formação pelo Circulo Brasi-
Por que, então, referendar a morte de deter- mais solidária, menos exclusiva e mais igualitá-
leiro de Psicanálise-RJ; mestre em Saúde Coletiva
minadas pessoas a partir de suas identidades se- ria, ao menos no tocante aos direitos civis.
xuais? Resposta simples: porque em nome do Porém, quando penso em igualdade, de fato, pelo Instituto de Medicina Social (IMS/UERJ); es-
ódio e da intolerância contra esses indivíduos, não penso em uma sociedade cuja igualdade seja pecialista em Direitos Humanos pela UFPB; espe-
mata-se! (...) Na mentalidade arcaica de deter- uma verdade absoluta entre os seus membros, cialista em Sexualidade Humana pelo Centro de
minados grupos, a idéia de uma normatividade pois se assim o fosse, estaríamos conformando Educação/UFPB).

Jornal do CRP-RJ Pág. 15


Prestação de contas de 2008 Assembléia
De acordo com o princípio da transparência na gestão, o Conselho Regional de
Orçamentária aprova
Psicologia do Rio de Janeiro apresenta o Demonstrativo de Resultados de 2008. anuidade e taxas de
Esta demonstração propicia informar, sinteticamente, o resultado das se
serr v iços par
paraa 2009
contribuições e suas aplicações no decorrer do período.
Ocorreu, em 19 de setembro, na sede do CRP-
DEMONSTRATIVO DE RESULTADOS DE JAN a SET 2008 RJ, a Assembléia Orçamentária de 2008, evento
anual que teve como objetivo aprovar o valor da
Receitas anuidade e o Orçamento para o ano de 2009. Na
Receitas de Contribuição 4.250.547 ocasião, também foram expostas as receitas e as
Receitas de Contribuições de anos anteriores 875.322 despesas relativas a 2007.
Receitas Patrimoniais 342.980
O valor da anuidade para 2009 foi, então, de-
Receitas de Serviços 83.458
finido em R$ 276,07 para pessoas físicas e R$ 345,51
Outras Receitas 235.783
para pessoas jurídicas. O pagamento de cota úni-
Total das Receitas Brutas 5.788.090 ca até o dia 31 de janeiro dá ao psicólogo 10% de
desconto, enquanto o pagamento até o dia 28 de
Transferências (-) fevereiro dá desconto de 5%. A anuidade também
Conselho Federal de Psicologia 1.390.881 pode ser parcelada em três vezes.
Também foram decididos os valores das diver-
Total das Receitas Líquidas 4.397.209
sas taxas e emolumentos . A inscrição de pessoa
Despesas (-) física será R$ 54,48 e de pessoa jurídica, R$ 205,10.
Pessoal e Obrigações Patronais 1.278.121 A segunda via da carteira custará R$ 10,90, que
Jeton, Diárias e Ajudas de Custo 242.755 representa o valor mínimo estabelecido pela As-
Materiais de Consumo 22.908 sembléia das Políticas da Administração e das Fi-
Energia elétrica, Telefonia, Postagem e Àgua 285.360 nanças.
Manutenção de Bens Móveis e Imóveis 29.135 A Assembléia Orçamentária, vale ressaltar, é
Impressão Gráfica 80.323
aberta à participação de todos os profissionais de
Transporte e Hospedagem 62.315
Congressos, Fóruns e Eventos 71.035 Psicologia.
Serviços de Assessoria 128.787
Terceirização 288.935
Seguros, Condomínio e Locação 18.730
Assembléia Geral
Impostos, Taxas e Tarifas Bancárias 94.604 Extraordinária
O Conselho Regional de Psicologia da 5ª Re-
Total das Despesas de Operações 2.603.008
gião convoca os psicólogos inscritos no Rio de Ja-
Investimentos (-) neiro e que estejam em pleno gozo de seus direitos
Programas de Informática 0 a participarem, no dia 18 de novembro de 2008,
Máquinas, Motores e Equipamentos 1.804 da Assembléia Geral Extraordinária para Com-
Mobiliário em Geral 3.823 pra e Venda de Imóveis.
Equipamentos de Informática 0 A Assembléia será no Sindicato dos Trabalha-
dores do Poder Judiciário, na Travessa do Passo,
Total dos Investimentos 5.627
23, 13º, Centro, Rio de Janeiro. A primeira con-
Roner Tavares Marília Álvares Lessa vocação se dará às 18h30 e a segunda, às 19h. A
Contador CRC/RJ-097613/O-8 Conselheira-tesoureira (CRP 05/1773) pauta incluirá a venda do imóvel onde funciona a
sede (Tijuca) e o imóvel de Botafogo, além da aqui-
* Esta demonstração de receitas e despesas é uma adaptação do Balanço Financeiro exigido sição de novo imóvel para sede.
pela Lei 4.320/64 Participe!

Pág. 16 Jornal do CRP-RJ


O uso público de espaços públicos
José Novaes* também que “uma das orientações políticas de ocupação bastante elevada na medida do uso dos
nossa gestão é reativar os contatos e as aproxima- espaços por nossos eventos próprios (reuniões
Em dezembro de 2005, em matéria intitulada ções com a categoria, que estavam profundamen- de entrega de carteiras a novos inscritos, eventos
“Passagem do Ano”, no número 8 – ano 2 de nos- te esgarçados, tendo sido prejudicados especial- diversos e reuniões das Comissões, reuniões ple-
so jornal, abordávamos a situação do uso de nos- mente pela crise em que mergulhou o Conselho, nárias etc.). Nas sub-sedes, ocorre o contrário:
sos espaços públicos para fins particulares a pe- agravada durante pelo menos dois anos, 2001 e elas estão ainda subutilizadas; há, portanto, maior
dido de entidades ou grupos privados. Dizíamos: 2002 (...) Seria oportuno lembrar que gestões an- disponibilidade para uso de seus espaços. Algu-
“O Conselho vem sendo solicitado a ceder seus teriores usavam os espaços do Conselho, órgão mas condições podem ser colocadas: uma delas
espaços para estes fins: eventos de associações ou público, de forma inadequada, demagógica, é que o uso dos espaços nas sub-sedes seja feito
grupos de estudos, reuniões diversas, até mesmo clientelista, ensejando um uso particular e priva- em horário de funcionamento das mesmas, das
cursos pagos. A resposta a tais demandas tem sido do, de grupos e interesses específicos, de espaços 9h às 18h, em dias úteis.
negativa; informamos, no entanto, que o Plená- que devem ser públicos” (idem, pp. 12 e 13). Está claro, portanto, que não estamos negan-
rio do Conselho estuda estes pedidos, com a pers- Tendo em vista o princípio básico acima cita- do o uso de nossos espaços por associações, ins-
pectiva de estabelecer critérios e indicativos pe- do, estabelecemos: tituições e grupos privados de psicólogos, desde
los quais possa respondê-los” (Jornal do CRP- 1) Prioridade para eventos públicos, de órgãos que os critérios acima sejam obedecidos. Além
RJ – ano 2, nº 8, dezembro de 2005, p. 12). públicos, em primeiro lugar do próprio CRP-05. disso, privilegiaremos aqueles que não dispo-
Podemos, agora, definir minimamente alguns Após atendermos nossas necessidades, considera- nham de meios próprios financeiros ou materi-
critérios essenciais para analisar os pedidos e fun- remos o pedido de outros Conselhos Profissionais ais – como os próprios espaços que necessitam –
damentar nossas respostas. No mesmo número ou de outros órgãos públicos, ligados à Psicologia para atender a suas necessidades.
de nosso jornal acima citado, esclarecíamos: “A ou não, e sempre dependendo de uma solicitação Assim, estamos concretizando, com esta prá-
condição geral para a construção destes critérios a ser feita em tempo hábil, a fim de podermos or- tica, um princípio consubstanciado no compro-
e indicativos (...) [é que] o CRP-05 é um órgão ganizar nossa agenda sem atropelos. misso de acolher a categoria profissional dos(as)
público federal, uma autarquia especial; não é uma 2) Não cederemos nossos espaços para eventos psicólogos(as) do Rio de Janeiro, em sua diversi-
entidade particular, privada, de livre associação, pagos, sob qualquer forma: mensalidades, taxas dade de idéias e práticas, de apoiá-la e ajudá-la a
não é sindicato de classe para defender os interes- de matrícula ou de materiais distribuídos. construir a Psicologia, a desenvolvê-la enquanto
ses – trabalhistas, legais etc. – de quem a ele se 3) Deve-se fazer uma distinção entre os espaços ciência e enquanto profissão.
associa” (idem, p. 12). No entanto, lembrávamos do Conselho. Na sede, estamos com uma taxa de * Conselheiro-presidente do CRP-RJ (CRP 05/980)

Psicologia na luta pela democratização da Comunicação


O Dia Nacional de Luta pela Democratização da salta que o movimen-to pretende fa- cologia tem muito a contribuir nessa
Comunicação (17 de outubro), foi lembrado de for- zer da Comunicação um espaço de- discussão por abranger um saber de
ma otimista pelas mais de 30 mentidades da socie- mocrático de debates e reflexões so- interface com a Comunicação.
dade civil – entre elas, o Sistema Conselhos de Psico- bre as políticas públicas. Outro “Além disso”, complementa,“as pes-
logia – mobilizadas pela convocação da I Conferên- grande objetivo é diversificar os soas que atendemos e encontramos
cia Nacional de Comunicação. conteúdos produzidos e também os em nossos espaços de trabalho são
O Movimento Pró-Conferência, atuante desde agentes produtores de conteúdo. atravessadas pelos modos de vida
junho de 2007, pretende pressionar o poder Exe- De acordo com Noeli, a idéia é que a mídia veicula e vende”.
cutivo federal a convocar a Conferência para dis- consolidar, dentro da grande Nessa perspectiva, o grau de
cutir os critérios adotados para a renovação das mídia, novos espaços criativos bem envolvimento do Sistema Conse-
concessões de rádio e TV, a importância de um como novas aberturas à participa- lhos de Psicologia tem sido intenso.
novo modelo regulatório para as comunicações e ção popular na comunicação. Em agosto, o CFP elaborou um ofí-
novas diretrizes para orientar as políticas públi- Mas, por que a articulação ativa cio que prevê o repasse de verbas a
cas dessa área. de profissionais de Psicologia e do Sis- CRPs de pequeno a médio porte
A psicóloga e conselheira do CRP-RJ Noeli de tema Conselhos a favor da democratização da Co- interessados na produção de projetos relaciona-
Almeida Godoy de Oliveira (CRP 05/24995) res- municação? Para a representante do CRP-RJ, a Psi- dos à Comunicação.

Jornal do CRP-RJ Pág. 17


Agenda •

Novembro 2008 • II Seminário Nacional sobre o Dia 27 de novembro – 18h


Sistema Prisional Local: Auditório do CRP-RJ – Rua Delgado de
• III Seminário de Pesquisa do IMS Questionamento ao Modelo e Desafio aos Di- Carvalho, 53, Tijuca, Rio de Janeiro
Saúde Coletiva e SUS: 20 anos de engajamento
De 3 a 5 de novembro de 2008 reitos Humanos
Local: Instituto de Medicina Social da UERJ - Rua De 12 a 14 de novembro de 2008 • Seminário Regional da Educação
São Francisco Xavier, 524, pavilhão João Lyra Local: Instituto Metodista Bennet - Rua Marqu- Dia 29 de novembro
Filho, 7º, bloco E, Maracanã, Rio de Janeiro ês de Abrantes, 55, Flamengo, Rio de Janeiro Local: Auditório do Bloco O da UFF - Rua Vis-
Informações: (61) 2109-0101 conde do Rio Branco, s/n, Gragoatá, Niterói
Inscrições: www.pol.org.br Inscrições pelo e-mail informe@crprj.org.br
• Fórum de Ética - Os lugares do
psicólogo e da Psicologia
Laudos, uma ferramenta de intervenção? • Assembléia Geral Extraordinária Dezembro2008
Dia 4 de novembro – 9h Dia 18 de novembro de 2008 • I Congresso Brasileiro de Saúde
Local: Auditório da Escola de Magistratura do Primeira convocação: 18h30 Mental
Estado do Rio de Janeiro (EMERJ) - Avenida Segunda convocação: 19h Perspectivas em Saúde Mental: Diversidade e
Erasmo Braga, 115, Centro, Rio de Janeiro Local: Sindicato dos Trabalhadores do Poder Ju- Aproximações
diciário - Travessa do Passo, 23, 13º, Centro, Rio De 03 a 05 de dezembro de 2008
de Janeiro
• Psicoterapia em Debate Local: Florianópolis - SC
2009 - Ano Temático da Psicoterapia no Sistema Informações e inscrições:
Conselhos de Psicologia • I Congresso Brasileiro para o www.congressodesaudemental.ufsc.br
Dia 8 de novembro – 9h Enfrentamento das Violências Sexuais
contra Crianças e Adolescentes
Local: Auditório do CRP-RJ – Rua Delgado de
De 25 a 28 de novembro
• IV Seminário Regional de Direitos
Carvalho, 53, Tijuca, Rio de Janeiro Humanos
Local: UERJ - Rua São Francisco Xavier, 524, Judicialização da Vida
Maracanã, Rio de Janeiro
• Seminário Pró-Conferência Informações: (21) 2225-7578
Dias 11 e 12 de dezembro
Nacional de Comunicação Local: Auditório Paulo Freire da UNIRIO - Av.
Dia 8 de novembro – 9h Pasteur 458, Urca, Rio de Janeiro
Local: Clube de Engenharia – Av. Rio Branco, 124, • Seminário 5.766 Inscrições gratuitas pelo site www.crprj.org.br, a
Centro, Rio de Janeiro Debate sobre as mudanças na Lei 5.766/71 partir de 15 de novembro

Para ver mais informações sobre os eventos, acesse o site www.crprj.org.br

Eventos do CRP-RJ discutem violência de Estado e Adoção


A Comissão de Orientação e Ética (COE) do lescente?. Estiveram presentes Lygia Ayres (CRP
CRP-RJ realizou, no dia 1º de outubro, a segun- 05/1832), coordenadora da COE do CRP-RJ; José
da edição de 2008 da Quart’ética, com tema Ado- Eduardo Menescal Saraiva (CRP 05/23758), psi-
ção: uma medida de proteção à criança a ao ado- cólogo da Vara da Infância, da Juventude e do
Idoso da Comarca da Capital-RJ, e as coordena-
doras do grupo Café com Adoção, Patrícia Pi-
nho (CRP 05/20045) e Solange Diuana (CRP 05/ Quart’ética

25308). O evento teve a participação da psicóloga


Já a Comissão Regional de Direitos Humanos Luciana Knijnik (CRP 05/33458), membro do Gru-
foi responsável pela terceira edição do Trocando po Tortura Nunca Mais, Marilene Lima Souza e
em Miúdos do ano, com o tema “A violência de Patrícia Oliveira da Silva, ambas da Rede Comuni-
Estado e a criminalização da pobreza”, em 11 de cações e Movimentos contra a Violência, e Valdean,
Tro cand
candoo eem
m M iúd
Miúd
iúdos
os setembro. do projeto fotográfico Imagens do Povo.

Pág. 18 Jornal do CRP-RJ


Concurso para Título de Especialista Coletivo de Estudantes
O CRP-RJ iniciou em julho as reuniões do
O Conselho Federal de Psicologia (CFP) rea- a prova do CFP, sendo necessários, ainda, pelo
Fórum de Estudantes, com a participação de
lizará, em dezembro, o IV Concurso para Con- menos dois anos de inscrição no Conselho. O
interessados em pensar a construção de um espaço
cessão do Título de Especialista. Onze especiali- Título, no entanto, não é obrigatório na prática
de trabalho dos estudantes no CRP. Na reunião
dades serão oferecidas: Psicologia Clínica, do psicológica, ou seja, quem não o possuir não está
de 6 de outubro, levantou-se a possibilidade da
Esporte, do Trânsito, Escolar e Educacional, impedido de trabalhar como psicólogo.
organização de um GT para conduzir a proposta.
Jurídica, Organizacional e do Trabalho, Psico- Para Maria da Conceição Nascimento (CRP
A efetivação deste projeto depende da sua
motricidade, Psicopedagogia, Social, Neuro- 05/26929), presidente da Comissão de Análise
presença! Interessados podem escrever para
psicologia e Hospitalar. No caso da última, a pro- para Concessão do Registro de Título de Especi-
coletivodeestudante@crprj.org.br.
va acontecerá somente em 2009, durante o Con- alista (CATE) do CRP-RJ, as especialidades em
gresso da Sociedade Brasileira de Psicologia Hos- Psicologia atendem a uma demanda crescente do
pitalar. mercado. “Hoje, mais do que nunca, busca-se o GT de Psicologia do Esporte
O concurso tem sido promovido bienalmente aperfeiçoamento do profissional em áreas O CRP-RJ aprovou, na Reunião Plenária de
pelo CFP. Aqueles que forem aprovados deverão específicas, e isto não é de todo ruim, porém há setembro, a criação do GT de Psicologia do Esporte,
comprovar atividade profissional na área preten- uma tendência de se perder a visão do ser que será coordenado pelo conselheiro José Henrique
dida pelo período mínimo de dois anos para ter humano de forma integral”, afirma. Lobato Vianna (CRP05/18767).
a inscrição do Título de Especialista incluída na Conceição teme que “o enfraquecimento da O principal objetivo é promover conhecimento
carteira profissional. formação generalista dos psicólogos” submeta os sobre psicólogos atuantes na área do esporte e
Ao criar o Título em 2000, o CFP deu um pra- profissionais em Psicologia a uma especialização atividade física, com o intuito de verificar suas
zo de 270 dias para que os psicólogos com mais baseada em um “modelo médico, fragmentado”. demandas e ampliar suas possibilidades de inter-
de 5 anos de prática solicitassem-no junto ao Para debater com a categoria estas e outras venção junto à sociedade. Para isso, estão previstas
Conselho, caso tivessem interesse. Atualmente, questões sobre a titulação, a CATE promoverá, várias ações, como eventos interdiscplinares, discus-
para obtê-lo, é preciso fazer ou um curso de es- em 2009, o II Fórum de Debates sobre o Título sões sobre políticas públicas, intercâmbio com meios
pecialização em uma instituição credenciada ou de Especialista. de comunicação, etc.

Informes das comissões •


Comissão de Saúde denúncia e a ampla defesa dos psicólogos. Estão Interno da Secrtaria no que se refere à descrição de
sendo realizadas 104 instruções de representa- cargos de psicólogo e de psicólogo com especializa-
1. Realizamos enquetes com psicólogos e
ções e processos éticos, distribuídos em três co- ção em Psicopedagogia.
operadoras de saúde sobre a inserção do psicólo-
go na saúde suplementar. Convidamos todos a missões de instrução. Foram realizados em 2008
participarem das discussões sobre o tema. Infor- sete julgamentos de processos disciplinares éticos. Psicologia e Justiça
2. Foram organizados pré-eventos para o Algumas comissões do CRP-RJ, incluindo a
mações: saudesuplementar@crprj.org.br.
Fórum de Ética, que será em 4 de novembro. A de Justiça, vêm realizando visitas a Conselhos
2. Continuamos realizando as Oficinas Itine-
COE esteve no Rio, Niterói, Petrópolis, Campos, Tutelares através do GT Rede de Proteção à
rantes “ApropriAção em Saúde”. Psicólogos inte- Infância. O objetivo é se aproximar e entender a
ressados em fazer uma discussão na sua região po- Nova Iguaçu, Angra e Resende com oficinas.
atuação dos psicólogos da área. Em dezembro, o
dem entrar em contato: comsaude@crprj.org.br. mapeamento da Baixada Fluminense será
Comissão de Direitos Humanos encerrado com um evento em Nova Iguaçu.
No dia 10 de dezembro, celebramos 60 anos
CREPOP Ocorrerão ainda visitas a outras regiões.
da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
O CREPOP está em seu 4º ciclo/2008 e
Em consonância com a data e com o foco do XII
convida os psicólogos que trabalham em Atenção Comissão de Educação
Plenário nos DH, realizaremos o IV Seminário
Básica a responderem ao questionário online, em O ano de 2008 foi estabelecido pelo Sistema
Regional de Direitos Humanos, com o tema
http://crepop.pol.org.br. O ciclo também inclui Conselhos como o Ano da Educação. O projeto
Judicialização da Vida.
encontros presenciais nos CRPs. No CRP-RJ, essa consiste em uma etapa regional, com pré-eventos
reunião ocorreu em 17 de setembro. e um seminário, e uma nacional, na qual serão
Coordenadoria Técnica apresentadas propostas dos regionais. A Comis-
Com apoio da COTEC do CRP-RJ, os psicó- são de Educação do CRP-RJ fez pré-eventos em
Comissão de Ética logos da Secretaria Municipal de Educação de Cam- Niterói, Petrópolis, Campos, Nova Iguaçu e
1. A COE empenha-se em garantir a agilidade pos tiveram suas reivindicações junto ao órgão aten- Resende. O Seminário Regional será em novem-
processual, o respeito ao cidadão que apresenta didas. Eles demandavama alteração do Regimento bro (veja agenda).

Jornal do CRP-RJ Pág. 19


CRP-RJ comemora o Dia do Psicólogo
O CRP-RJ comemorou o Dia do Psicólogo, em Na parte da tarde,
27 de agosto, com o evento CRP de Portas Aber- os presentes assistiram
tas. Durante todo o dia, psicólogos e estudantes à mesa redonda “Pro-
tiveram a oportunidade de participar de mesas blematizando nossas
redondas, oficinas e debates. práticas”, com as psi-
Dando início às atividades, o conselheiro-presi- cólogas Esther Aran-
dente do CRP-RJ, José Novaes (CRP 05/980), a tes (CRP 05/3192), co-
conselheira Ana Lúcia Furtado (CRP 05/465), laboradora da Comis-
membro da Comissão de Saúde, e a conselheira são Regional de Direi-
Francisca Alves (CRP 05/18453), coordenadora da tos Humanos do CRP-
Comissão de Educação, participa-
Grupo Os Nômades
ram da mesa de abertura, mediada
pela conselheira Rosilene Cerqueira assistente técnica da Comissão de Orien-
(CRP 05/10564). tação e Fiscalização; e Roseli Goffman
Em seguida, houve duas ativida- (CRP 05/2499), conselheira do Conselho
des simultâneas: a oficina “Desfa- Federal de Psicologia. O dia foi encerrado
zendo fronteiras no mundo psi”, da com a apresentação do grupo de teatro
Comissão para Avaliação do Título “Os nômades”.
de Especialista (CATE), e um cine- O CRP-RJ também participou de di-
debate baseado no filme O Profeta versos eventos em outras instituições, re-
das Águas. presentado por seus conselheiros e cola-
boradores. Foram realizadas palestras,
oficinas e outras atividades na Universi-
Vídeo-debate
dade Católica de Petrópolis, na Univer-
RJ; Lygia Santa Maria sidade Severino Sombra (Vassouras), na Univer-
Ayres (CRP 05/1832), sidade Estácio de Sá, no Hospital Geral de
conselheira coordenadora Bonsucesso, na Universidade Federal Rural do Rio
da Comissão de Ética; de Janeiro (Seropédica), no Centro Universitário
Noeli Godoy (CRP 05/ Celso Lisboa, na Universidade Federal de Santa
24995), conselheira; Anne Catarina, na Faculdade São Francisco de Barrei-
Mesa de abertura Meller (CRP 05/27198), ras (Bahia) e no Procordis (Niterói).

MUDOU-SE Impresso
DESCONHECIDO Especial
RECUSADO
9912174124/2007-DR/RJ
ENDEREÇO INSUFICIENTE
NÃO EXISTE O Nº INDICADO DEVOLUÇÃO CRP - 5ª REGIÃO
GARANTIDA
INFORMAÇÃO ESCRITA PELO
CORREIOS
PORTEIRO OU SÍNDICO CORREIOS
FALECIDO
AUSENTE
NÃO PROCURADO

REINTEGRADO AO SERVIÇO
POSTAL EM ___/___/___

EM___/___/_____________________
CARTEIRO

CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA - 5 ª REGIÃO


RUA DELGADO DE CARVALHO,53 TIJUCA
RIO DE JANEIRO - RJ - CEP: 20260-280

IMPRESSO

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