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IMERSÃO NA BÍBLIA - JOÃO

Parte 1

O rosto humano de Deus em Jesus (Deus em carne humana)

A. UMA VISÃO GERAL DO EVANGELHO DE JOÃO:

1. O Evangelho de João – é surpreendente e magnifico por sua linguagem, maestria e beleza


– consiste num tratado de grande profundidade espiritual. Aborda a Pessoa de Jesus
como a plenitude da revelação salvadora de deus Por isso é chamado de “evangelho
espiritual”.

2. Em seu conteúdo, o texto é de natureza mais INTERPRETATIVA do que NARRATIVA,


talvez por se dedicar a perspectiva celestial e missão de Jesus, ou por explicar a vida
interior de Deus e a relação do crente com ele. Seu procedimento lógico não é linear, mas
espiral – ao redor de um tema central. Seria como se você estivesse contemplando um
diamante de muitas facetas que rodando diante você reflete sucessiva e
coordenadamente os raios multicores da sua luz.

3. Isto explica porque o interesse principal de João é o significado teológico, não histórico,
que está expresso num estilo mais contemplativo do que narrativo. Sem nada tirar da
realidade histórica de Jesus, penetra com sua linguagem em sua realidade intima, por
meio de simbolismos.

• O templo de Jerusalém, como o símbolo do novo templo, corpo de Cristo (Jo 2.19-22)

• Sopro do Espirito, como símbolo da ação do Espirito Santo (Jo 3.8)

• Pão do milagre, como símbolo do verdadeiro pão descido do céu (Jo 6.26-27);

• Unção em Betânia, como antecipação simbólica a unção para a sepultura (Jo 12.7)
1
4. Ou seja, o foco de João é a Pessoa majestosa de Jesus Cristo (que não lhe parece
suficientemente aprofundada nos outros evangelhos), com um toque de originalidade toda
própria, revelado todo o significado dos atos e palavras de Jesus. Cada ato e palavra
eram a manifestação do seu ser divino. Nesta apresentação, João toma como base a
sua experiência histórica, ao longo dos anos, que é várias vezes lembradas (você
perceberá que João gosta de narrar comentando), no sentido de que aquele que CRER
em Jesus, possa se sentir tal como ele, contemporâneo do Verbo Encarnado.

5. Com efeito, o evangelho de João é uma obra de profundidade espiritual sem precedentes:
Deus vindo habitar em nossa história e compartilhar de nossa humanidade. Contudo,
este evangelho tem um estilo simples e direto, numa linguagem clara, com uma finalidade
bem definida: CRER! (Jo 20.30; 21.25). Daí, então, a tarefa dos fiéis, pela iluminação e
revelação do Espírito Santo (Jo 16.12-13), é captar suas profundezas de segredos pela
impressionante simplicidade do dizer do autor, sendo conduzido a verdade plena, isto, é, a
revelação do Cristo glorioso.

6. O evangelho de João, uma das últimas obras escritas do Novo Testamento (85 d.C), foi
escrito numa época em que havia um forte influência das correntes gnósticas,1 que
ensinavam ser a matéria irremediavelmente má, por isso negavam a humanidade de
Jesus. Portanto, naquele tempo a figura de Jesus não tinha sido valorizada em toda a sua
dimensão. Por isso, João coloca a divindade de Jesus em primeiro plano: Jesus é o
Filho de Deus! Assim, tanto no evangelho como em suas epístolas, João combateu
frontalmente os gnósticos, mostrando ser o Senhor Jesus verdadeiro homem e verdadeiro
Deus.

7. Por outro lado, João escreveu seu evangelho no contexto de uma comunidade que
buscava viver a proposta radical do seguimento do Cristo real, por isso justifica ele
escrever a historia do ponto de vista teológico, sempre marcado por um dualismo
vertical, entre o mundo e a vida superiores, e suas contrapartidas terrenas. A audiência
original de João era uma comunidade inserida, também, no contexto judaico. As duas
fases básicas na formação deste Evangelho foram:

A. Tensão entre crentes em Jesus e os judeus;

B. Tensão entre crentes em Jesus e outros grupos afins.

8. Mas precisa ser dito que o evangelho de João tem um caráter nitidamente judaico. Veja,
pois, duas evidências disto:

1
Gnosticismo deriva-se do termo grego gnosis, que significa “conhecimento”. Os gnósticos acreditavam que os seus
devotos adquiriam um tipo especial de iluminação espiritual, alcançado por ela um nível secreto ou mais elevado de
conhecimento não acessível aos não-iniciados. Os gnósticos tinham também a tendência de realçar a esfera espiritual em
detrimento da material.
2
A. Suas numerosas alusões a símbolos e costumes associados a Israel (Jo 1.1,29,45,51;
2.6,21; 3.14; 4.10; 7.37; 8.12)

B. A apresentação positiva dos samaritanos descendentes distantes dos israelitas (Jo


4.39-42).

9. Assim sendo, faz todo sentido à utilização de determinados vocábulos identificando quem
e o que se contrapõe a Jesus:

A. Os “judeus” – identificados sempre por rejeitarem a Jesus. Os judeus são mencionados


no evangelho de João, com destaque a descrença deles, considerada como uma
grande tragédia dos primeiros anos do cristianismo (Jo 1.12);

B. O “pecado” – em contraposição ao ato de CRER em Jesus (cf. Jo 8.34,44)

C. O “mundo” – caracterizado por um sistema que não conhece a Jesus (cf. Jo 1.10). O
termo é utilizado em diferentes sentidos, conforme 3.16 e 17.9 (pessoas ímpias)
contrastando com 17.11 (local geográfico).

10. Outro aspecto curioso no evangelho de João é que o conceito conversão (do grego
metanóia) nunca aparece em parte alguma, pois é substituído pelo termo CRER (do
grego pisteuo) que significa “reconhecer a verdade como verdade”. Ou melhor, “acreditar
em, depositar a confiança em estar persuadido de”.

“Outro aspecto importante do chamado de João a CRER é que somos convidados a crer
em Jesus Cristo, a pessoa. Não apenas em sua mensagem, não apenas em seu
ensinamento, não apenas em seu exemplo, não apenas em seu desafio a viver de
determinada maneira. Somos chamados primeiramente e acima de tudo a crer nele. Essa
crise intelectual e moral é apresentada a pessoa de todos os tipos na narrativa de João,
muitas vezes das quais respondem com pistis – fé, completo confiança”.2

B. COMPARANDO O EVANGELHO DE JOÃO COM OS OUTROS EVANGELHOS

11. O Evangelho de João é diferente dos outros três evangelhos (Mateus, Marcos e Lucas),
chamados sinóticos, principalmente porque apresenta a Pessoa de Jesus como o Filho
de Deus (sua divindade). Ao comparar o evangelho de João com os outros evangelhos
constata-se:

Mateus, Marcos e Lucas João


• Apresentam a Jesus • Interpreta Jesus
• Preocupam-se com discursos • Preocupa-se com conversas
públicos particulares.
• Destacam fatos • É doutrinário, instrutivo

2
SWINDOLL, Charles. Comentário Bíblico Swindoll – João. São Paulo: Hagnos, 2017, p. 22
3
12. Observe essa diferença de outra forma: 1) Mateus – O Messias prometido está aqui...
Veja as suas credenciais! 2) Marcos – Era assim que Jesus operava... Veja o seu poder!
3) Lucas – Jesus tinha este aspecto... Veja a sua natureza! 4) João – Ele era
exatamente assim... Veja a sua Divindade!

13. Nesta linha, em João 6, aparece a primeira de sete metáforas redentoras, Jesus
usando afirmações pessoais “Eu Sou”, que são auto-apresentações.

A. “Eu Sou” o pão da vida (Jo 6.35,38,41,51)

B. “Eu Sou” a luz do mundo (Jo 8.12; 9.5)

C. “Eu Sou” a porta (Jo 10.7,9)

D. “Eu Sou” o bom pastor (Jo 10.11,14)

E. “Eu Sou” a ressurreição e a vida (Jo 11.25)

F. “Eu Sou” o caminho, a verdade e a vida (Jo 14.6)

G. “Eu Sou” a videira verdadeira (Jo 15.1,5)

14. E ainda, comparando o evangelho de João com Mateus, Marcos e Lucas, poderíamos
até dizer que de fato, os sinóticos tiram FOTOGRAFIAS, enquanto João tira RAIO-X.
Apesar da foto e o Raio-X serem bem diferentes um do outro, ambos são verdadeiros. A
foto mostra aquilo que os olhos podem ver, o Raio-X revela na chapa o que o olho não
pode ver. Em outras palavras, o Evangelho de João revela o que os olhos não
conseguem enxergar e que só a fé consegue “ver”. Assim, o Evangelho de João a
aprofunda o sentido da Boa Nova que Jesus nos trouxe, para que percebamos o sentido
mais profundo nas coisas que Jesus fez e ensinou.

15. Agora vejamos alguns conceitos que são fundamentais no estudo do evangelho de
João, quando comparado com os outros evangelhos:3

Conceitos João Mateus Marcos Lucas


• Verdade (do grego alatheia) 46 2 4 4
• Conhecer (do grego ginôskein) 57 20 13 28
• Vida (do grego zoe) 35 7 4 5
• Judeus (do grego ioudaioi) 67 5 6 5
• Mundo (do grego kosmos) 78 8 2 3
• Testemunho (do grego martyria) 47 4 6 5
• De Deus (do grego patêr) 118 45 4 17
• Manifestar (do grego phaneroum) 9 0 1 7
• Luz (do grego phos) 27 1 7 7

3
ALEGRE, Josep-Oriol Tuñi Xavier. Escritos Joaninos e Cartas Católicas. São Paulo: Ave-Maria, 1999, p. 19
4
C. UMA VISÃO GERAL DO EVANGELHO DE JOÃO

16. Síntese:

A. Prólogo - 1.1-18

B. Tempo dos SINAIS – 1.19-12.50

C. Tempo da completa GLORIFICAÇÃO – 13.1-20.29

D. Epílogo – 20.30-21.25

17. PRÓLOGO: 1.1-18 (o núcleo principal). Aqui João faz um sumário em forma de profissão
de fé do ministério e da missão de Jesus.

A. Sua preexistência (eterna);

B. Sua função na Criação;

C. Seu valor para o mundo/humano;

Mesmo com o acontecimento da ENCARNAÇÃO – Deus caminhando sobre a terra,


cheio de “graça e de verdade” - João enfatiza o repudio humanidade contra a obra de
Jesus. Ou seja: o mundo dos homens “não o compreendeu” (1.5), “não o reconheceu”
(1.10), “não o acolheu” (1.11), tornando-se “trevas”. Mas alguns “o acolheram” (1.12).

18. PARTE I: O TEMPO DOS SINAIS: 1.19–12.50. Com os SINAIS João procura mostrar a
auto-revelação de Jesus, sua manifestação ao mundo mediante a narrativa de atos e
palavras que o credenciam como Enviado de Deus.

A. Milagres-SINAIS (da glória do Filho de Deus) formam uma coleção de histórias de


sete milagres escolhidos por João dentre muitos outros possíveis, para falar das ações
poderosas de Jesus. Assim, a divindade de Jesus poderia ser reconhecível
precisamente nesses SINAIS (cf. Jo 2.11; 11.40), pois manifestam a glória do Filho de
Deus e sua onipotência salvifica, unindo fé e salvação (Jo 4.50-53).

Os milagres foram os primeiros e principais “sinais” da divindade escondida na Pessoa


de Jesus (Jo 5.31; 10.25-38)

B. DISCURSOS-de-revelação. Junto com os “sinais”, como comentário explicativo do


significado deles, vem os DISCURSOS ou sermões de Jesus, muitas vezes objeto de
escândalo por parte dos incrédulos judeus, mas como objeto de fé por parte dos
discípulos. Os DISCURSOS revelam vários aspectos da Pessoa e da atividade de
Jesus.

• Para Nicodemos, que ressalta os milagres, Jesus explica que desceu do céu (Jo
3.2,13)
5
• Para os judeus, após a cura milagrosa do paralítico do tanque de Betesda, Jesus
afirma ser o filho natural de Jesus (Jo 5.17-27).

• Depois do milagre, o cego de nascença é convidado a crer em Jesus como Filho de


Deus (Jo 9.35-37)

Assim, João mostra que tanto os atos como as palavras de Jesus são atos e palavras
de Deus. Normalmente, a estrutura dos discursos revela certo esquema com três
elementos: 1) Auto-apresentação do Revelador, às vezes, introduzida pela formula EU
SOU; 2) um convite, ou chamado à decisão, e 3) promessa, ocasionalmente ligada a
uma situação de ameaça contra Jesus.

Vale ressaltar, também, que esses discursos-de-revelação, são mais do que discursos
de Jesus, são discursos sobre Jesus. É importante observar que os discursos não
versam sobre problemas da época (como a lei, o sábado, os alimentos puros e
impuros, etc.), mas sobre as pretensões de Jesus como enviado do Pai.

C. DIÁLOGOS. João descreve o descobrimento do Messias por meio de diálogos! Ele


pretende que seus leitores ouçam a expressão daqueles que entraram em contato
com o Jesus histórico, cujo clímax do diálogo é uma confissão incipiente da verdade
oculta, já revelada no prólogo: “tu és o filho de Deus”, “sabemos que este é
verdadeiramente o Salvador do mundo”, “Eu creio, Senhor”, etc.

19. Em suma, João apresenta a Pessoa de Jesus como o mais qualificado intérprete de
Deus, a o ponto da referência de Genesis 28.12, ser utilizada para indicar que Deus se
fez presente no mundo pelo homem Jesus (cf. Jo 1.51).

De uma forma ou de outra, este pensamento é afirmado 37 no evangelho de João.

20. PARTE II: O TEMPO DA COMPLETA GLORIFICAÇÃO/exaltação de Jesus: 13.1–20.29.


Esta sessão mostra a revelação de Jesus aos discípulos, de modo mais intimo.

A. Com efeito, os capítulos 13 a 17 constituem a última lição do Mestre, e são chamados


de “discurso de despedida”, que culmina na sua morte e ressurreição – o grande e
definitivo sinal!

B. Aqui, a glória se manifesta tanto nos discursos de despedida (capítulos 13-17) como
no relato propriamente dito da morte e ressurreição de Jesus (capítulos 18-20)

21. Epílogo: 20.30–21.25.

A. Conclusão da historia que João está contando ao longo do evangelho, é a historia que
atinge o seu clímax na crucificação-ressurreição-ascensão de Jesus, com sua
correspondência no que foi exposto no Prólogo (Jo 1.1-18), o tratado da nova criação
6
em Jesus! Mas o evangelho tem duas conclusões, uma em Jo 20.30-31 e outra em
Jo 21.25.

B. Neste contexto, João descreve a missão da igreja no mundo depois da ascensão de


Jesus.

C. Para João, crucificação-ressurreição-ascensão é basicamente a mesma coisa, um


evento único: Jesus está “partindo”.

22. Resumindo, o evangelho de João apresenta um Prólogo (1.1-18) e um Epílogo (20.30-


21.25), entre duas partes centrais:

A. A primeira parte (1.19-12.50) aborda o ensino e o ministério de Jesus, até a última


semana final em Jerusalém, com os sinais, discursos e diálogos;

B. A segunda parte (13.1-20.31) dedica-se a semana final de Jesus em Jerusalém,


incluindo sua crucificação-ressurreição-ascensão.

C. Portanto, a cristologia está explicitamente revelada no prólogo atingindo seu ápice no


capítulo 20.

D. O NÚCLEO PRINCIPAL DO EVANGELHO DE JOÃO - Jo 1.1-18

23. Nesse núcleo principal (chamado de prólogo) temos quatro designações de Jesus:
Verbo, Filho, Vida e Luz.

A. Duas dessas designações estão relacionadas a Deus – Verbo e Filho;

B. Duas dessas designações estão relacionadas ao homem – Vida e Luz.

Duas questões importantes a serem destacadas aqui no Jesus visível (histórico) o Deus
invisível é revelado (Jo 1.14,18). A Pessoa de Jesus trata-se de um fato ocorrido, objeto
de fé (“vimos a sua glória”).

• Na encarnação Jesus está “Cheio de graça e de verdade”. “Graça” (salvadora),


“verdade” (reveladora) = plenitude (Jo 1.16).

24. Para comunicar a resposta humana à revelação de Deus (o Verbo Jesus), há três
expressões chaves, no contexto de que a revelação de Jesus Cristo requer “conversão”:

A. Reconhecer (Jo 1.10)

B. Acolher (Jo 1.11)

C. Contemplar (Jo 1.14)


7
25. Com efeito, as três afirmações de João 1.14, ilumina o conceito dessa
revelação/conversão:

A. “O verbo se fez carne” - O “Verbo” é o nome histórico de Jesus (cf. Jo 1.19). “Carne”
fala de fragilidade humana de Jesus.

B. “nós vimos a sua glória” – revelação: a glória está presente na fragilidade humana de
Jesus. A “glória” aponta para a manifestação (na cruz) esplêndida e salvadora.

C. “cheio de graça e verdade” – Jesus, a última e definitiva Palavra de Deus.

26. Para facilitar a compreensão desta magnifica revelação/conversão, em João 1.11-12,


temos a síntese do constante conflito entre FÉ e INCREDULIDADE. Assim, desde inicio
do evangelho de João vemos o progressivo manifestar-se destas duas questões
antagônicas.

A. Da fé (lembrando que Jesus revela seu mistério – por “sinais” e palavras ou


discursos).

B. Da incredulidade. Nas Escrituras a incredulidade jamais é neutra. O leitor do


Evangelho tem a necessidade de escolher entre FÉ para tornar-se corretamente
relacionado com o Senhor e a incredulidade que significa negar a Jesus o controle que
é, por direito, seu. Por isto, João frequentemente relaciona a oposição, que cresceu de
um simples preconceito ou questionamento (Jo 1.46; 2.18) chegando até ao ódio
declarado (Jo 15.18; 10.31; 12.10-11). Portanto o ato de não acolher a Jesus faz o
homem revelar cada vez mais a sua incredulidade.

27. Neste sentido, não é possível passar do “sinal” à fé, mas o contrário, pois este processo
requer conversão (Jo 3.3; 6.65).

A. O processo de CRER se expressa pelos termos: aceitar, seguir, buscar, vê, etc.

B. Ou se quiser: reconhecer (Jo 1.10); acolher (Jo 1.11), comtemplar (Jo 1.14).

28. Neste núcleo principal Jo 1.12 é chave. A frase “serem feitos” quer dizer “tornar-se”. Já
a palavra chave é: VIDA! Aliás, diria ser esse o resumo de todo o Evangelho.

A. De uma ponta a outra no evangelho de João tem o apelo de Cristo, oferecendo a Vida
abundante (Jo 4.10; 6.35; 7.37; 10.10; 12.44-47, etc).

B. Nos capítulos de 1 a 6, por exemplo, os termos que significam VIDA aparecem 42 num
total de 56 vezes.

C. Neste mesmo sentido, a partir do capitulo 13, o termo AMOR é empregado 32 num
total de 40 vezes no evangelho inteiro. Outro termo nessa mesma direção é a LUZ, só
aparece nos capítulos 1 a 12.
8
E. Em suma, o evangelho de João apresenta Jesus como revelação salvadora, por
meio de metáforas: “Pão da vida” = ir a ele (Jo 6.35); “Luz do mundo” = segui-lo (Jo
8.12); “Sou a Porta” = mundo novo (Jo 10.9). Vejamos, ainda, outras “palavras-
chaves” encontradas no Evangelho de João:

• O “Testemunho” (do grego marturia). Importante sempre ver quem é que dá


Testemunho e de quem é que dá “Testemunho”.

• No Evangelho de João existe uma “procura”, um “encontrar”. Sublinhe estas


palavras.

• O verbo “entregar” também é significativo: quem entrega o que, quem...

• Os verbos “crer e acreditar” são muito frequentes e muito bem empregados.

• A “glória” de Jesus e todas as expressões do verbo “glorificar” merece muita


atenção.

• O verbo “amar” e o substantivo “amor” aparecem inúmeras vezes!

• Os verbos: “conhecer”, “ver”, “permanecer”, são requentes.

• A “vida eterna” – vida espiritual – é muito presente.

• O “Mundo” tem um sentido especial. Significa quem é contra Jesus. Podem ser os
chefes dos judeus, os romanos ou aqueles que não creem. Em geral é negativa (6
vezes em Jo 15,18-19; 18 vezes em Jo 17).

E. A DECLARAÇÃO DE PROPÓSITO DO EVANGELGO DE JOÃO: Jo 20.31

29. O propósito geral do Evangelho de João é encorajar ao CRER! Esse propósito tem
aspecto mais apologético do que evangelístico, e o seu alvo é estabelecer a
singularidade e realidade histórica sobre a natureza do homem Jesus, desde começo (Jo
1.19ss) ao fim (Jo 12.12-19; 18.19-21.25). Assim, João objetiva estabelecer relações
pessoais de fé para com Deus por meio da Pessoa de Jesus Cristo.

João 20.31: “... estes, porém, foram escritos para que creais”.

O termo “estes” quer dizer “sinais” miraculosos mencionados no versículo 30, os quais
testificam a autenticidade de tudo que Jesus diz. Vale ressaltar que as palavras de Jesus
(discurso) comentam os “sinais” – caps 3; 9; 11; 13).

A. No que devemos CRER? “para que creais...”. CRER em Jesus Cristo - o Messias. Por
isto é necessário um testemunho direto sobre a Pessoa de Jesus e a sua obra levando
seus leitores crer nele e, assim, ser salvo. Esta é a razão dos célebres ditos de Jesus
“Eu Sou” no Evangelho de João (Jo 8.58; 10.10.7,9; 10.11,14; 14.6; 15.5, etc).
9
• CRER em Jesus Cristo é ACEITÁ-LO como Jesus histórico (Jo 3.11-12; 3.32-36;
5.43-44; 13.20; 12.46-47).

• Implica ir a Jesus e “segui-lo” (Jo 8.12; 10.27; 21.19); estabelecer uma relação
direta com ele.

• Assim, CRER e CONHECER são sinônimos, indicando acesso ao mistério da


Pessoa de Jesus (Jo 13.7; 14.29)

B. O que significa CRER? No evangelho de João, o ato de “CRER” consiste numa junção
de compreensão intelectual com compromisso de vida (Jo 1.4; 3.14-16,36; 4.14;
5.24; 6.40). Ou seja:

• O CRER é o acolhimento de Jesus (Jo 1.12), proporcionado por Deus em nosso


coração.

• Em outras palavras, o ato de CRER implica em fazer a “obra de Deus” (Jo 6.26-31),
como referencia a revelação espiritual (Jo 6.30-33), ou nossa participação na obra
de Deus (Jo 6.29,40). De modo que o “Pão do céu” – Jesus (Jo 6.51) fala da
“Paixão de Cristo” que se desdobra na questão sacramental.

• Em João, normalmente, o CRER flui do contato que as pessoas tinham com Jesus
e sua Palavra, como no exemplo dos samaritanos (Jo 4.40-42), e os desafios dos
efeitos da ressurreição de Lázaro (Jo 11.48; 12.11,42).

30. Portanto, o CRER em João consiste na linguagem da conversão, visto que este
evangelho nunca usa o termo conversão (do grego metanóia).

João se caracteriza pelo dualismo demonstrado por pares de termos opostos:


Deus/mundo, luz/trevas, verdade/mentira, vida/morte. A utilização, por exemplo, dos
vocábulos LUZ e TREVAS (Jo 1.5,8), tem uma relação ética ao BEM e MAL (Jo 3.16,18-
21). Portanto, acolher a LUZ é indispensável para se tornar um verdadeiro filho de Deus
(Jo 1.12-13), e fugir das trevas, da mentira e da morte; por se posicionar ao lado do
“Verbo” divino que nos traz LUZ, VERDADE, VIDA, como uma majestosa Revelação da
Pessoa de Jesus (Jo 1.9; 8.12).

Essa revelação é o chamado à fé em Jesus como revelador. Revelação que não consiste
em transmissão de conhecimento, e, sim, de evento salvifico.

31. Esse processo revelação-conversão está expressamente demonstrado em três


episódios do evangelho de João:

A. João 3.2, a expressão “de noite” tem uma conotação “trevas”; e a expressão “de novo”
(Jo 3.3) aponta para possibilidade de “ver” e “entrar” no Reino de Deus; o significado
aqui é a conversão resultante do encontro com Jesus (Jo 3.14).
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B. Em João 4.7-42, toda a narrativa aponta para um processo gradativo de
reconhecimento de Jesus (judeus-senhor-profeta-Messias) que pode ser denominado
de revelação progressiva.

C. Em João 9.1-41, o clímax é a conversão (vs. 35-38). Depois, temos a revelação no


sentido mais profundo (vs. 39-41). Veja, neste caso, as etapas:

• Versículo 11 “o homem a quem chama...”.

• Versículo 17 – “e tu, que dizes...”.

• Versículos 22-23 – o homem é excluído da sinagoga.

• Versículo 25 – o homem torna-se discípulo.

D. Agora, vamos simplificar o ato de CRER à luz da experiência do cego de nascença:

• O cego quem vê. Ou seja: ele responde à luz, e alcança o mistério da Pessoa de
Jesus.

• O “crer” ou conversão exige uma decisão (Jo 3.19; 5.22; 12.31; 16.8)

F. TERMOS CHAVES NO EVANGELHO DE JOÃO QUE REQUER UMA EXPLICAÇÃO:


“VER” E “CRER”

32. O “VER” - olhos, tato, tocar (1.14,18); e o “CRER” – contemplar pela fé/ou uma
compreensão espiritual (Exemplo: Jo 11.15,21,40)

A. De fato, esta compreensão espiritual é obra do Espírito Santo (Jo 14.16,26; 16.12) =
Paraclito, defensor.

B. Desta forma, o CRER não segue automaticamente ao VER (Jo 2.23), pois o CRER é
um ato que se realiza no coração. Contudo, temos tanto a necessidade de CRER
como a necessidade de VER!

33. Algo curioso é que o evangelho de João nunca utiliza o termo grego abstrato pistis (“fé”),
mas o verbo pisteuein (“crer”) é empregado 99 vezes realçando melhor o caráter ativo do
CRER: resposta concreta numa Pessoa concreta: Jesus.

Ou seja, o verbo Pisteuein fala da adesão íntima - crer em direção a Cristo: marca o
objeto da profissão de fé, como foi o caso de Marta (Jo 11.27). Fica demonstrada aqui a
fé como princípio e cerne da existência cristã.

G. UM EXERCÍCIO PRÁTICO

34. VER, OUVIR, TOCAR – Jo 20.1-20. Temos aqui quatro tipos diferentes de repostas de fé
a Pessoa de Jesus ressuscitado. Em João 20, a preocupação não é exclusivamente com
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a ressurreição de Jesus, mas também com esses itinerários de fé dos discípulos,
concluindo na missão que se desenvolve na obediência:

A. Primeiro relato: Pedro e João (vs. 3-10).

Chegando à fé antes mesmo que o Senhor ressuscitado apareça, ou que a profecia


das Escrituras seja lembrada. O próprio João vai ao tumulo, vê e crê (v. 8).

B. Segundo relato: Maria Madalena (vs. 11-18).

Nem as palavras do anjo, nem a súbita aparição de Jesus leva Maria Madalena à fé.
Isso só acontece quando Jesus chama-a pelo seu nome.

C. Terceiro relato: os discípulos (vs. 19-23). Nesta cena Jesus aparece e envia. Jesus
confia aos discípulos uma missão que prolonga a dele.

D. Quarto relato: Tomé (vs. 24-29).

Tomé declara que não crerá sem vê-lo e tocá-lo (v. 25); ele verbaliza certa incerteza,
mas depois não precisou tocar para CRER! É, pois, na declaração de Tomé (“Senhor
meu e Deus meu”), que todos os fios se juntam. Antes, a declaração dos discípulos
(Jo 6.69), e de Maria (Jo 11.27), estavam apontando nesta direção...

No versículo 29, Jesus explica que o verdadeiro discípulo é aquele que, superada a
dúvida e a pretensão de VER, aceita o testemunho autorizado de quem viu. Todos
estão vendo “a glória de Deus” (Jo 1.14) não ao olharem apenas para a crucificação,
mas ao olharem (seja pela fé, como nós ou pela visão como os discípulos) para a
ressurreição do crucificado.

Mas CRER sem VER (Jo 20.28) não significa acreditar em qualquer um, mas era
aceitar o ensinamento só de quem foi testemunha ocular – testemunha autorizada por
Deus (1 Jo 1.1-3). De modo que “nós” (Jo 1.14) fala daqueles que creram e sentem a
necessidade de anunciar para que os outros venham CRER (Jo 20.31).

35. Enfim, depois dos quatro relatos, João passa direto para conclusão (vs. 30-31)
ressaltando o tema central (CRER) que domina todo evangelho. Nisso, os traços do
Cristo ressuscitado se esclarecem à luz das Escrituras (Jo 20.9) e na condição de que o
discípulo sai da tristeza e da nostalgia do passado (Jo 20.11-20). Portanto, em cada um
dos quatros relatos acima, as pessoas passam de um estado de “dúvida” para a
posição de CRER, com base na evidência. O CRER, de verdade, inclui uma mente
inteligente e investigativa.

A. Mas a fé verdadeira às vezes dispensa o “ver” (Jo 20.29). Aliás, Jesus não confiava
nas pessoas que criam somente por causa dos “sinais” (Jo 2.23-24);
12
B. A verdadeira fé supõe permanência e progresso na aceitação da Palavra (Jo 8.31s),
como no exemplo do cego de nascença (Jo 9.17,33,35).

C. O exemplo deste está em João 5, onde depois da cura do paralitico, o discurso de


Jesus segue nesta direção (Jo 5.17-19, 30).

H. ESTUDOS DE CASOS SOBRE A RELAÇÃO ENTRE “VER” E “CRER”

36. Estudo de caso 1 – Jo 4.48-50

CRER imediatamente sem VER; a FÉ como atitude interior baseada na Palavra.

37. Estudo de caso 2 – Jo 6.36-40

FÉ, como algo imperfeita quando deriva apenas do ato de VER.

38. Estudo de caso 3 - Jo 7.3-7

O ato de CRER se junta ao ato de VER, onde a FÉ é mais importante. Ou seja, aqui
temos a insuficiência do ato de VER.

39. Estudo de caso 4 - Jo 20.27

A necessidade de tocar antes de CRER, para chegar à verdadeira FÉ. Mas, na


sequencia não foi necessário tocar...
13

O PRIMEIRO ROTEIRO DE LEITURA DE JOÃO

João 1.19–12.50
I – TEMPO DOS SINAIS

1. O cerne desta primeira parte do evangelho de João inclui uma série de sete milagres que
João chama de “SINAIS” (do grego semeion), porque provam que Jesus, embora seja
completamente humano, é também mais que humano. Ele é o Filho do homem que
também é Filho de Deus. Isso percorre todo o evangelho, em torno dos quais se agregam
DIÁLOGOS particulares e DISCURSOS públicos de Jesus. Trata-se de uma descrição
literal de uma série concreta de eventos.

A glória divina e a missão redentora de Jesus são reveladas por meio de uma série de
milagres, discursos e diálogos que provocam reações de fé, de alguns, e incredulidade,
de outros. No início, até que provoca uma reação positiva (Jo 2.11), mas não foi assim
sempre.

Inicialmente, a disposição das narrativas é claramente intencional: sinal (Jo 2.1-25),


diálogo (Jo 3.1-21), testemunho sobre Jesus (Jo 3.22-36), diálogo (Jo 4.1-42), milagre (Jo
4.43-54). “Para João, os milagres eram indicadores de um acontecimento sobrenatural,
uma prova de que o que muitos consideravam ser verdades teóricas eram de fato
tangivelmente reais”.4

2. O termo SINAL aparece em João, 17 vezes, e 60 vezes em todo Novo Testamento. Mas o
que interessa a João é a estrutura essencial dos SINAIS, seu sentido revelador, a
manifestação da glória de Deus! É neste sentido que João Batista não realizou SINAIS (Jo
10.41), porque são próprios de Jesus Cristo.

A. Os sinais dão a conhecer a fonte e a origem da atividade divina de Jesus.

B. Valorizam o agir sobrenatural de Jesus e dão razão de sua presença entre os homens.

C. Assim, servem de caminho para um maior aprofundamento da realidade de Jesus, em


seu ser de enviado do Pai.

3. Mas qual é o sentido concreto e especifico que João atribui aos SINAIS, por ele
elencados?5 João relaciona os SINAIS com o CRER! (Jo 2.11; 3.2; 4.54; 11.47; 20.30).
Em João, o SINAL consiste, portanto, naqueles gestos feitos por Jesus que, uma vez
visto pelos homens, conduz a FÉ nele.

4
SWINDOLL, Charles. Comentário Bíblico Swindoll – João. São Paulo: Hagnos, 2017, p. 21
5
O evangelho de João, como faz os sinóticos, nunca utiliza a palavra dunamis para referir-se aos gestos extraordinários de
Jesus. Nos sinóticos o “sinal” é utilizado em três sentidos: escatológico, com referência aos últimos tempos (Mt
24.3,24,30), como prova apologética, não é aceito por Jesus (Mt 12.38-39; 16.1-4; Lc 23.8), e como expressão técnica que
designa os “milagres” de Jesus.
14
4. Às vezes, a “fé” resultante dos sinais não é uma fé na qual Jesus confia! (Jo 2.23; 3.2;
6.26). Os sinais nem sempre conduzem a fé verdadeira em Jesus (Jo 6.26; 12.37). Aliás,
Jesus desconfia dos sinais como meio único para chegar à fé (Jo 4.48 cf. 2.23). Por isso,
os sinais não são imprescindíveis para CRER (Jo 20.29). Com efeito, não é necessário
“ver” sinais para “crer”. Contudo, o CRER leva a um ver mais profundo (Jo 11.40).

Em síntese, os SINAIS são instrumento de manifestação da GLÓRIA DE DEUS para


aqueles que estão dispostos a penetrar o ministério e a dinâmica da FÉ em Jesus e segui-
lo (Jo 2.11). No que consiste essa “GLÓRIA”? Trata-se da manifestação visível da
majestade de Deus em atos extraordinários. Resume-se no fato de que o Deus invisível se
manifesta aos homens em atos visíveis e extraordinários (Ex 16.7-10; 24.17). Por isso que
o evangelho de João sublinha o elemento extraordinário que envolve as ações de Jesus:

• Lázaro estava morto já há quatro dias;

• O enfermo do tanque de Betesda esta assim a trinte e oito anos.

• O cego o era desde o nascimento;

5. De modo especial, a relação entre SINAL e o CRER em Jesus é salientada a propósito


desde primeiro milagre operado por Jesus, em Caná, assim como nos outros:

A. Primeiro SINAL: Transforma água em vinho – Jo 2.1-11

B. Segundo SINAL: Cura o filho do oficial real – Jo 4.46-53

C. Terceiro SINAL: Cura o paralítico – Jo 5.2-9

D. Quarto SINAL: Multiplicação dos pães – Jo 6.1-14

E. Quinto SINAL: Caminha sobre a aguas – Jo 6.15-19

F. Sexto SINAL: Cura o homem cego – Jo 9.1-38

G. Sétimo SINAL: Ressuscita Lázaro – Jo 11.1-45

* Mas o grande e definitivo SINAL é a ressurreição de Jesus (Jo 20).

6. No evangelho de João, um SINAL nunca deve ser considerado em sua materialidade, mas
em sua interpretação (Jo 6.26). Assim, o princípio do CRER torna-se revelado
didaticamente nos “sinais” (provas, legitimação), como um atestado de que Jesus é divino
(Filho de Deus).

Portanto, o SINAL para João significa um CAMINHO - abertura para uma compreensão
mais profunda da Pessoa de Jesus - Verbo feito carne - o sujeito central do CRER
(conversão, Salvação).
15
7. Desta forma, o principal objetivo dos “sinais” é a REVELAÇÃO DA GLÓRIA DE DEUS que
conduz os ouvintes CRER em Jesus – o enviado do Pai. Em outras palavras, o ato de
CRER conduz o nosso olhar para a cruz (Jo 3.14-16; 12.23-32), com uma ideia unificadora
de transformação!

A. Da tristeza à alegria;

B. Da doença à saúde;

C. Da paralisia à cura;

D. Da carência à satisfação;

E. Da agitação à tranquilidade;

F. Das trevas à luz;

G. Da morte à vida.

8. Logo após o ultimo “sinal”, a ressurreição de Lázaro, tem uma transição (Jo 11.55-12.50),
que conclui a primeira parte do Evangelho de João e introduz a segunda. “As
circunstâncias nas quais a ressurreição de Lázaro aconteceu fazem deste o clímax dos
milagres no Evangelho de João, aquele que serve como estopim da decisão definitiva de
matar Jesus (Jo 11.45-53), em vista da resposta popular ao evento”.6

Assim, este último “sinal” faz a ligação com o processo de oposição que culmina com a
condenação e morte de Jesus (Jo 11.9; 12.1, 9-11,17-19).

II - OS DISCURSOS DE JESUS EM JOÃO

9. Em João 1.19-12.50, além dos setes SINAIS, temos também DISCURSOS (ou sermões).
Ou seja, os relatos dos SINAIS culminam quase sempre em um DISCURSO (interpretando
o sinal).

Pois, João não quer simplesmente passar adiante as obras que Jesus fez (sinais), antes,
quer interpretá-las. Aliás, essa é uma marcante característica do seu evangelho.

10. Assim, os DISCURSOS no evangelho de João, são desenvolvidos em torno da temática


evangelística, onde frequentemente são utilizados os termos “vida”, “luz”, “verdade”; bem
como os seus opostos: “morte”, “trevas”, “mentira”.

Convém ressaltar ainda que alguns desses DISCURSOS não têm indicação de tempo e
lugar, pois o objetivo principal João é outro: descrever o antagonismo entre Jesus com os
judeus, com ênfase na incredulidade deles (Jo 8.1-20, 21-59; 10.1,21).

66
CARDOSO PINTO, Carlos Osvaldo. Foco e Desenvolvimento. São Paulo: Hagnos, 2008, p 163
16
11. Então, veja, por exemplos, como alguns SINAIS culminam em discursos de
revelação:

A. O capitulo 5 é um excelente exemplo do modo como João apresenta a ligação de um


SINAL com um DISCURSO (que por sua vez o explica).

Nos versículos 1-9 temos uma narrativa do SINAL – como auto-atestação e auto-
revelação de Deus em Jesus - foi seguida por um discurso. A última parte deste
capítulo, vai tratar da oposição dos judeus à auto-reveleção de Jesus (vs. 38-40).

A. Outro típico exemplo, está no capítulo 6, onde a narrativa de um SINAL é seguida de


um extenso DISCURSO de revelação: O milagre sinal da multiplicação dos pães (Jo
6.1-15) remete ao discurso do Pão da Vida (Jo 6.25-71), retratando a obra salvadora de
Jesus em contraponto ao esforço humano dos judeus em busca de salvação (Jo 6.29).

C. Um caso especial da relação de um sinal com um discurso de relação está no capítulo


8, onde o discurso sobre a “Luz do mundo” vem logo após ao famoso episódio da
mulher adúltera, e se apresenta como transição entre a rejeição de Jesus por causa de
sua origem (Galiléia) e o seu inestimável valor como “Luz do mundo”.

D. Outro caso é o discurso sobre o “Bom Pastor” (Jo 10.1-21), uma continuação do tema
da insensibilidade espiritual muito bem ilustrada pelo incidente do SINAL da cura do
cego de nascença, do capítulo 9.

12. Além destes, existe também o famoso DISCURSO DE DESPEDIDA ocorrido no contexto
da refeição no cenáculo (Jo 13.1-16.33), onde Jesus fala - a caminho da morte – como
que numa retrospectiva, admoestando e advertindo os onze discípulos, com a promessa
de lhes prestarem assistência.

A. De fato, o DISCURSO começa com uma longa e cuidadosa declaração do tema geral
do evangelho (Jo 13.1-3). E não poderia ser diferente!

B. E termina com uma oração que aponta na mesma direção (Jo 17.1,5,11,13).

III – DIÁLOGOS PARTICULARES DE JESUS EM JOÃO

13. Os DIÁLOGOS no evangelho de João são peças chaves para compreensão, na prática,
do processo do CRER. Eles consistem um chamado a CRER e a SEGUIR a Jesus. Esta,
pois, é outra característica marcante do evangelho de João.

Então, de forma objetiva, esses DIÁLOGOS são entrevistas de Jesus com indivíduos ou
pequenos grupos, bastante variado, mas claramente delineados e definidos, com o
propósito de levar as pessoas CRER, ou fomentar a fé e a esperança cristã. Em João, é
possível perceber como, por meio de uma conversa evangelística, construir um caminho
para levar as pessoas CRER em Cristo.
17
14. Diante disto, vejamos agora quais são esses grandes DIÁLOGOS em João. Os quais
podem também ser considerados como uma espécie de ampliação das narrativas dos
SINAIS e dos DISCURSOS:

A. Diálogo com Natanael (Jo 1.43-51)

• Primeiro encontro pessoal de alguém com Jesus, relatado por João, onde foi
revelado o Messias-Salvador.

B. Diálogo com Nicodemos (Jo 3.1-21), cuja introdução é João 2.23-25.

• O personagem Nicodemos é uma espécie de porta-voz de uma fé inadequada. Pois


a fé verdadeira é adquirida somente quando alguém é gerado por Deus (“do alto”).

• O Nicodemos que chega a Jesus dizendo “sabemos” (v. 2), não é capaz de
compreender a linguagem espiritual da conversão/CRER (v. 4).

• Parece que depois que Nicodemos “desaparece” na escuridão de onde saiu, o


diálogo se tornou apenas um monólogo de Jesus, mas não foi isso, Nicodemos ouviu
as explicações de Jesus até o versículo 21.

C. Diálogo com a Mulher samaritana (Jo 4.6-30)

• A personagem da mulher é mais que um simples indivíduo. Ela também figura


também como porta-voz de um tipo particular de encontro divino com Jesus.

• Esse diálogo começa com a misteriosa afirmação de Jesus “Se conhecesses o dom
de Deus” (Jo 4.10) e no fim encontra-se o verbo “conhecer” (Jo 4.42). Lembrando da
importância da terminologia “revelação” relacionada com os verbos conhecer, crer,
manifestar...

D. Diálogo com o homem cego de nascença (Jo 9.35-41)

• No contexto desse diálogo (Jo 9.13-34), o processo do cego diante do sinédrio


antecipa, também, a cegueira incurável que os judeus demonstram no processo
contra Jesus (Jo 18.19-24)

E. Diálogo com as irmãs de Lázaro - Marta e Maria (Jo 11.17-44)

• Aqui, Marta já acredita que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. Mas Jesus conduz a
uma fé mais profunda.

• Neste episódio há três cenas: 1) diálogo com Marta – versículos 20-27; 2) Marta
chama Maria - versículos 28-31; 3) Jesus, Maria e os que tinham vindo para consolar
as duas irmãs – versículos 32-37.

• E, enfim, acontece o milagre - versículos 38-44.


18
• A conclusão – versículos 45-53 – descreve a impressão contrária que o milagre
causou, nas pessoas que presenciaram o milagre. E, então, a decisão do Sinédrio
para matar Jesus.

F. Diálogo de despedida com os onze discípulos (Jo 13.1-16.33)

• Esse foi, sem dúvida, um momento sublime de aprofundamento da visão da vida de


Jesus, como já antes expresso no Prólogo, em João 1.14: “Vimos a sua glória, a glória
do Unigênito do Pai, cheio de graça e verdade”.

G. Diálogo com Maria Madalena (Jo 20.11-18)

• Observe que nem as palavras do anjo, nem a súbita aparição de Jesus levou Maria
Madalena ao CRER. Isso só acontece quando Jesus chama-a pelo seu nome.

H. Diálogo com Pedro (Jo 21.15-23)

• O diálogo compreende dois episódios: a missão apostólica de Pedro (vs. 15-17), e o


confronto de Jesus entre Pedro e João (vs. 18-23). O mais importante nesse diálogo é
considerar que a tríplice declaração de amor se opõe a tríplice negação de Pedro (Jo
18.17,25-27).

15. O tom característico de grande parte desses diálogos é a marca da oposição, ou


controvérsias. Não é de se estranhar que a maioria das discussões de Jesus com os
judeus está situada no contexto das festas judaicas, especialmente da festa das Tendas
(Jo 7 a 9).

A. Os judeus se escandalizavam com a doutrina de Jesus e o perseguem abertamente (Jo


5.16,18).

B. Procuram apedrejar a Jesus (Jo 8.59; 10.31) e até matá-lo (Jo 5.18; 7.1,19,25; 8.37-40).

16. Desta forma, os DIÁLOGOS são como “refletores” que iluminam a trágica rejeição de
Jesus pelos judeus (Jo 1.11-12). Na leitura desses diálogos precisa ser observado que
iniciam com uma discussão sobre algum ponto ou tema, mas sempre termina com uma
relação com Jesus (ápice do diálogo é o CRER, ou centralidade em Jesus).

17. Vejamos alguns casos onde primeiro se constata o tema, e depois se chega ao ápice do
DIÁLOGO.

Texto bíblico Tema Ápice do diálogo


2.21 O templo O templo do corpo de Jesus
5.17-18 O sábado Jesus está acima do sábado
5.46 Moisés e Jesus Moises escreveu a respeito de mim
5.38 A Escritura A Escritura dá testemunho de mim
19
7.28-29 A origem do Messias Vós me conheceis e sabeis de onde
venho
8.36 A liberdade O filho vos libertará
10.25 Jesus-Messias Eu vo-lo digo, mas não me credes

18. Outro aspecto prático dos DIÁLOGOS em João é a expressão viva da maneira como
Jesus apresentou o seu discipulado (instrução/catequese), especialmente em seu modo
como levou os interlocutores a progrediram na fé, como vemos na progressão da
samaritana (Jo 4.6-30), bem como na compreensão da ressurreição, em Jo 11.17-44.

Mas esses diálogos revelam também que o ensino de Jesus tem algo “inacessível” para
a mera inteligência humana, como pode ser visto, por exemplo, com Nicodemos quando
ele não entendeu inicialmente que significava o “novo nascimento” que Jesus tratava (Jo
3.3-5); assim como a mulher samaritana não entendeu de que água Jesus falava (Jo
4.15).

Este tipo de progresso ou aprofundamento é encontrado em todos os diálogos, de modo


que não é por acaso que todos culminam com uma plena manifestação de Jesus. No
fundo, o ápice destes diálogos é a revelação de Jesus: “Eu Sou”.

19. Neste sentido, vejamos, pois, o exemplo de quatro destes DIÁLOGOS, onde Jesus opera
a nova vida em “quantos o receberam” (Jo 1.12).

Diálogo e personagem O que aconteceu?


• Nicodemos • Nascer de novo
• Mulher samaritana • Fonte interior de vida e satisfação
• Cego de nascença • Uma percepção interior
• Pedro • Restauração

20. Nos capítulos 13 a 16, há também pequenos diálogos de Jesus com discípulos.
20
O SEGUNDO ROTEIRO DE LEITURA DE JOÃO

A “HORA” DE JESUS – 13.1-20.30


1. A primeira parte do evangelho de João - tempo dos “sinais” - termina com uma dupla
conclusão (Jo 12.37-43 e 12.44-50); esta última é o sumário da mensagem de Jesus. O
capitulo 12 leva ao seu ápice a controvérsia iniciada dois anos antes (capitulo 5,
provavelmente na Páscoa de a.D. 31): Reflexão sobre a incredulidade dos judeus e
síntese da pregação de Jesus (Jo 12.47).

2. Já, nos capítulos 7 a 12, temos ambiente hostil para Jesus com uma crescente ameaça de
morte, das quais ele escapa por não ter chegado ainda a sua “hora” (Jo 7.30; 8.20).

3. O evangelho de João desenvolveu este tema no transcorrer de todo o livro. Desde o inicio
já nos encontramos com referências de uma “hora” misteriosa que ainda não chegou (Jo
2.4; 7.30; 8.20).

A. Jesus sabe de onde vem e para onde vai (Jo 7.27-29). Por isso apresenta aos
opositores como “água viva” (Jo 7.37) e “Luz do mundo” (Jo 8.12);

B. Seus opositores eram os maus pastores, que provocam a ruína do rebanho (Jo 10);

C. Os capítulos 11 e 12 são dominados pelo tema da morte e ressurreição de Jesus (Jo


11.20,50; 12.1-11), preparando a “Hora”.

4. Por 17 vezes o Evangelho de João faz referência a uma “hora” misteriosa de Jesus,
identificando inequivocamente a “hora” de Jesus com hora de sua morte na cruz, onde
Jesus cumpriria sua “hora” e revelaria plenamente a glória de Deus - o rosto do Pai. Jesus
foi até o fim da sua missão: “Pai, é chegada a hora” (Jo 17.2).

A. A morte de Jesus é a hora de sua glorificação. Toda a sua vida está orientada para
essa “sua hora”. Esta era a vontade do Pai para a sua vida. Por isto que a glorificação
de Jesus na sua morte foi descrita em termos de eficácia salvifica (Jo 12.24; 16.33;
17.2).

João menciona 23 vezes o termo “glorificar” (do grego Doxazo), significando “o poder e
o esplendor do Ser de Deus”: Cristo, a imagem exata de Deus. Ou seja, o evangelho
de João mostra Jesus – o Filho eterno de Deus – como possuidor da glória de seu Pai
(Jo 1.14); glória exibida nos sinais (Jo 2.11) e, principalmente, na sua aceitação da
morte na cruz (Jo 12.23-24). Nisso, João inclui dois elementos - MORTE e
RESSURREIÇAO - na glorificação de Jesus Cristo (Jo 16.16-18)

B. Observe que, antes da morte na cruz, Jesus ora ao Pai para glorificar sua humanidade,
que ressuscitará para participar na eterna glória que ele já possui em divindade (Jo
17.5,24).
21
5. Sendo que a “hora” de Jesus coincide com a sua morte na cruz, ela implica também no
apogeu de sua missão. João relaciona a CRUZ com EXALTAÇÃO de Jesus, colocando
assim o lado propício da sua ENCARNAÇÃO!

O ser “levando”, de João 3.14, significa o mesmo tempo ser levando na cruz e ser
levantado na glória.

6. Mas a “hora” de Jesus, no Evangelho de João, não faz referência apenas à cruz de Cristo,
mas também a nova vida em Cristo. Veja então estas perspectivas sobre a “hora” de
Jesus:

A. Em João 4.21-23 Jesus declara que sua “hora” tem total relação com a verdadeira
adoração. A adoração desta “hora” não se limite a tempo e lugar.

B. Em João 5.25-29 afirma que a “hora” de Jesus diz respeito ao tempo em que os mortos
ouvirão a sua voz e levantar novamente.

C. Em João 12.20-24 Jesus afirma que sua “hora” aponta para o tempo do florescer de
uma nova vida.

6. Recapitulando, João aborda a “hora” de Jesus em duas etapas:

Etapa 1 - Expectativa da “hora” (Capítulos 1-12)

A. “Minha hora ainda não chegou” (Jo 2.4, cf 7.30; 8.20; 12.23,27).

B. João narra os “sinais” (ou milagres) de Jesus demonstrando, para quem estava
disposto a CRER, que ele é o Enviado do Pai.

Etapa 2 - Chegada da “hora” (Capítulos 13-20)

A. O cronômetro dispara na última semana de Jesus na terra, quando o próprio Jesus


declara que a “hora” de sua glorificação chegou (Jo 12.23,27; 13.1, cf 16.2,32; 17,1) e
somente os discípulos estão presentes! Ações de preparação para a morte (12.1-50)
que desemboca no lava-pés (Jo 13.1-30)

B. O sermão de despedida de Jesus para os discípulos, em João 13.1-17.26, marca o


principio das dores, com a traição de Judas. Estes capítulos narram os acontecimentos
da noite em que Jesus foi traído. Este sermão, que são as palavras de encorajamento
de Jesus aos discípulos para não abrirem mão da fé nele por causa de sua morte
iminente, pode ser visto em quatro estágios.

• João 13.31-14.31: foca nos judeus-cristãos expulsos das sinagogas;

• João 15.1-16.6 – resposta ao escândalo da excomunhão. Em João 15 o repetido


verbo “permanecer” (vs. 4,7,9,10,12) implica em “amar-vos uns aos outros”.
22
• João 16.4-33 – encarar a hostilidade do mundo contra aqueles que abraçam a fé em
Jesus

• João 17.1-26 – oração intercessória.

C. Cinco referências ao Espírito Santo como Paracleto (Jo 14.16,26; 15.26; 16.7-11,12-
15), sendo da mesma essência que Jesus e o Pai: “outro” (do grego ellus). Estes textos
abordam a ação do Espírito Santo em relação aos discípulos, depois da partida de
Jesus. Ele “ensinará e recordará” aos discípulos “tudo” o que o Mestre lhes disse;
coisas que eles não poderiam entender agora (Jo 16.12,23,25). Manifestará a verdade
revelada contida na historia de Jesus!

D. Os acontecimentos dramáticos da prisão, julgamento e crucificação de Jesus (Jo 18.1-


19.42), e depois sua ressurreição (Jo 20.1-29) foi um drama para os discípulos. Estes
capítulos falam da prisão, julgamentos, crucificação e ressurreição de Jesus, sintetizado
na frase “Tudo está consumado” (Jo 19.30).
23

Parte 2

Aulas práticas no evangelho de João


24

LIÇÃO 1
DEUS CHEGANDO PERTO DO HOMEM, O HOMEM CHEGANDO
MAIS PERTO DE DEUS
Texto: Jo 1.1-18, 43-51

Logo, de início, destacamos que o evangelho de João nunca utiliza a palavra grega
abstrata pistis (“FÉ”), mas o verbo pisteuein (“CRER”), empregado 99 vezes com o
sentido de: uma resposta concreta a uma Pessoa concreta.

1. CRER É O PRINCÍPIO E O CERNE DA EXISTÊNCIA CRISTÃ.

A. partindo da premícia de que o verbo Pisteuein fala da adesão íntima – CRER em direção a
Cristo – a profissão de fé requer objeto, como foi o caso de Marta (Jo 11.27). É assim que
a FÉ implica no princípio e no cerne da existência cristã.

• Existem dois termos chaves no evangelho de João que requer uma breve explicação:
“VER” e “CRER”. O “ver” - olhos, tato, tocar (Jo 1.14,18) e o “crer” – contemplar pela
fé/ou uma compreensão espiritual (cf. Jo 11.15,21,40).

B. Essa compreensão espiritual é obra do Espírito Santo (Jo 14.16,26; 16.12), a qual nem
sempre segue automaticamente ao ato de VER (Jo 2.23), por ser um ato que se realiza no
coração. Contudo, às vezes, é necessário VER (sinais) para CRER!

2. DEUS CHEGANDO PERTO DO HOMEM – Jo 1.1-18

A. Quatro designações de Jesus, em João 1.1-18 - Verbo, Filho, Vida e Luz - mostram o
Deus invisível presente no Jesus visível, onde a palavra-chave é VIDA. Jesus é o “Verbo
da vida” (1 Jo 1.1). No evangelho de João, há um apelo insistente de Jesus oferecendo
VIDA (Jo 4.19; 6.35; 7.37; 10.10; 12.44-47, etc.

B. Nos versículos 12 e 14, temos duas expressões indicando que a REVELAÇÃO da glória
de Deus (no Verbo) requer CONVERSÃO (crer):

• Acolher (v. 12): “todos quantos o receberem”.

• Contemplar (v. 14): “vimos a sua glória”.

C. Nos 10-13, encontram-se duas reações opostas à revelação do Cristo majestoso,


mostrando “luz” (FÉ) e as “trevas” (INCREDULIDADE) em conflito constante:

• A incredulidade (vs. 10-11) implica em negar ou não acolher o Verbo de Deus. No


evangelho de João, a incredulidade cresce de simples preconceito ou questionamento
(Jo 1.46; 2.18) chegando até ao ódio declarado (Jo 15.18; 10.31; 12.10-11).
25
• A fé com a filiação divina (vs. 12-13) passa pela revelação da glória em Jesus,
expressa por meio dos sinais e palavras (vê, buscar, aceitar, seguir, etc.).

2. VENDO O DEUS INVISÍVEL NO JESUS VISÍVEL – Jo 1.43-51

A. Os diálogos7 de Jesus, que constituem uma característica marcante do evangelho de


João, servem para compreender, na prática, o processo do princípio do CRER - um
chamado a CRER e a SEGUIR.

B. O primeiro diálogo que vamos abordar é o de Jesus com Natanael, que ilustra bem o
reconhecimento de Jesus como Messias-Cristo. A narrativa desse diálogo serve como
conclusão dos dois blocos de versículos anteriores: 29-34 e 35-42.8

• A narrativa dos versículos 43-46 se assemelha a narrativa dos versículos 35-42, já a


narrativa dos versículos 47-51 se assemelha a narrativa dos versículos 29-34.

• De um lado João faz uma revelação sobre Jesus, de outro Jesus “reconhece”
Natanael. Ou seja, Deus dá um sinal a João; e Jesus dá um sinal a Natanael.

C. Chegando ao ponto mais alto da COMPREENSÃO ESPIRITUAL do Cristo. Quando


Natanael pergunta: “De onde o senhor me conheces?” (v. 48) é porque percebeu que
alguém extraordinário está a sua frente. Era como se Natanael estivesse pedindo a
Jesus um “sinal” para ele superar sua tamanha perplexidade diante da REVELAÇÃO.

• “Eu já tinha visto você debaixo da figueira” – esta é a revelação que convenceu
Natanael de que Jesus é o Messias-Cristo.

• Daí, a pergunta de Jesus, no versículo 50, é como se fosse uma solicitação para que o
seu novo discípulo prosseguisse na jornada da fé, que acabara de ser inaugurada
com a COMPREENSÃO de que Jesus é o Messias-Cristo.

• Então, a expressão - “verás coisas maiores” – está se referindo, neste contexto, a uma
revelação superior e progressiva, que foi pronunciada por Jesus a seguir (v. 51), onde
Messias-Cristo é, ao mesmo tempo, meio de encontro (“escada”) entre o céu e a terra
e a presença salvadora de Deus entre os homens.

Aplicação pessoal

1. O que você acha que poderia fazer para chegar a um ponto mais alto na compreensão de
Cristo?

2. Tarefa: Leia, durante a semana, João 3.1-21 (junto com João 2.23-25)

7
De forma objetiva, os diálogos em João são entrevistas de Jesus com indivíduos ou pequenos grupos, bastante variado,
mas claramente delineados e definidos.
8
João Batista, o precursor do Cristo, aponta para Jesus como Messias divino e o Cordeiro sacrificial de Deus diante de uma
audiência marcada pelo ceticismo.
26

Lição 2
ALINHANDO-SE A VISÃO ESPIRITUAL DE JESUS
Texto básico: João 3.1-21 (Jo 2.23-25)

Agora, abordaremos sobre o segundo diálogo de Jesus, conforme registrado em João 3, o


diálogo de Jesus com Nicodemos. O tema central desse diálogo é o problema da fé, e
contexto é João 2.23-25, onde parecia havido uma reação favorável da multidão à Jesus,
ao verem “os sinais que ele fazia” (cf. Jo 4.39,41; 7.31; 8.20; 10.42; 12.11,42), mas a “fé”
deles era superficial demais e muito fácil de exaltar-se.

Com efeito, aprenderemos com esse dialogo que a verdadeira fé implica na compreensão
sobrenatural de Jesus Cristo e uma clara adesão ao seu seguimento.

1. NICODEMOS – UM PORTA-VOZ DE UMA FÉ IMPERFEITA

A. conectando com o contexto anterior (Jo 2.23-25), Nicodemos refere-se aos sinais de
Jesus (Jo 3.2); mais tarde Jesus expõe ser ele mesmo o “sinal” de Deus que desceu do
céu (Jo 3.13). A expressão “foi até Jesus” equivale “crer em Jesus”. Mas a fé de
Nicodemos era imperfeita, originada superficialmente dos “sinais” vistos! Por isso que
Jesus contrapõe com a necessidade de ele “nascer de novo” ou “do alto” (v.3), para
chegar à verdadeira fé nele.

O significado aqui do “nascer de novo” ou “do alto”, é sugerido pela expressão paralela
“ser gerado por Deus” (v.13).

B. Portanto, Nicodemos é uma espécie de porta-voz de uma fé imperfeita ou superficial.


Pois, a fé plena e verdadeira em Cristo só é adquirida quando alguém é gerado por Deus
(“do alto”), por meio de uma revelação clara de Jesus (vs. 5-8). Por isso que a
incompreensão humana de Nicodemos da revelação divina (“Como pode ser isso”?)
provoca a censura de Jesus (vs. 9-10).

O que Nicodemos não entendia era a natureza do nascimento espiritual (ou “do espírito”)
que leva a fé verdadeira.

2. NECESSIDADE DE UMA MUDANÇA DE DENTRO PARA FORA

A. O Nicodemos que chega a Jesus dizendo “sabemos” (v. 2), é incapaz de compreender a
linguagem espiritual de Jesus (v. 4). Com efeito, os diálogos de Jesus revelam, de certa
forma, que seus ensinos têm algo “inacessível” para a mera inteligência humana, que é o
caso aqui quanto ao que significa o “novo nascimento” (vs. 3-5). Da mesma forma,
inicialmente, a mulher samaritana não entendeu de água Jesus falava (Jo 4.15).
27
Vale ressaltar, que esse tipo de progresso (ou aprofundamento) é encontrado em todos os
dialogo, de modo que não é por acaso que todos culminam com uma plena revelação
salvifica de Jesus.

B. João 3.2, a expressão “de noite” tem uma conotação de “trevas”, e em João é símbolo da
maldade (cf. Jo 11.10; 13.30). E a expressão “de novo” (Jo 3.3) aponta para possibilidade
de “ver” e “entrar” no Reino de Deus, por meio da conversão espiritual. Os termos “ver” e
“entrar”, significam, neste contexto, conversão (resultante do encontro com Jesus, Jo
3.14).

C. Observe que a partir do versículo 11, Nicodemos como que “desaparece” na escuridão de
onde saiu, parecendo que agora o diálogo se torna apenas um monólogo de Jesus, mas
isso não é verdade! Certamente, Nicodemos ainda estava ali, ouvindo as explicações de
Jesus, pelo menos até o versículo 21.9 Esta porção bíblica está articulada da seguinte
forma:

• Considerações sobre o caráter definitivo do “testemunho” cristão, que ao mesmo tempo


serve de transição e introdução – vs. 11-13.

• O conteúdo da mensagem cristã como deve ser – vs. 14-18.

• A dupla resposta dos homens à verdade – vs. 19-21

Aplicação pessoal

1. Em que aspecto você sente que hoje precisaria melhorar em sua compreensão espiritual
de Jesus Cristo?

2. Tarefa: Leia, durante a semana, João 4.1-44, trazendo pelo menos uma observação ou
pergunta para o próximo encontro.

9
Na sequencia (vs. 22-36) João Batista dá testemunho sobre Jesus confirmando seu papel como Messias – o “Noivo”.
28

Lição 3
A EXPERIÊNCIA DE UM DIÁLOGO TRANSFORMADOR
Texto básico: João 4.1-42

Nesta aula, abordaremos sobre o diálogo de Jesus com a Mulher samaritana. A


personagem da mulher é mais que um simples indivíduo. Ela também é um porta-voz de
um tipo particular de encontro com Jesus.

1. A PROGRESSIVA COMPREENSÃO DA PESSOA DE JESUS

A. Esse diálogo começa com a misteriosa afirmação de Jesus: “Se conhecesses o dom de
Deus” (Jo 4.10) e no fim encontramos o verbo “conhecer” (Jo 4.42), no sentido de que a
compreensão progressiva (em lugar da terminologia “revelação”) está associada aos
verbos conhecer/crer.

B. Com efeito, todo diálogo aponta para um processo gradativo de reconhecimento do


Messias-Cristo que denominamos aqui de compreensão progressiva da Pessoa do
Revelador, pela mulher samaritana. Compreensão esta que não consiste em transmissão
de conhecimento e, sim, de evento salvífico.

“Messias” (v. 29)

“profeta” (v. 19)

“senhor” (v. 15)

“judeu” (v. 9)
29
2. O CAMINHO DA COMPREENSÃO PROGRESSIVA DE JESUS

A. Inicialmente, nos versículos 10-15, a REVELAÇÃO de Jesus a mulher samaritana tem um


esquema, onde Jesus “provoca” a mulher e ela reage cada vez mais positivamente.

• Jesus começa com uma misteriosa revelação: uma ação presente – v. 10

• Depois, temos a incompreensão da mulher. Pois ela entende as palavras de Jesus ao


pé da letra – vs. 11-14

• Mas, em seguida, temos a reação positiva inicial da mulher: ela pede “água” – v. 15

B. Agora, no próximo bloco de versículos (vs. 16-28), é a mulher que movimenta o diálogo,
abordando os temas:

• Uma introdução – vs. 16-18

• Segue a reação positiva da mulher: “vejo que o senhor é profeta” – v. 19

• De repente, a mulher levanta um novo tema (adoração), e Jesus desenvolve a temática


com maestria – vs. 20-24

• E, enfim, Jesus se revela definitivamente à samaritana como Messias – vs. 25-26: “Sou
eu”. Esta é a fórmula por excelência como Jesus se revela (cf. Jo 6.35).

• Conclusão do diálogo – vs. 27-28. Onde a partida da mulher para a cidade, constitui a
ocasião da manifestação da salvação em seu interior. E os samaritanos creem sem
necessidade de sinais (vs. 39-41).

Na sequência vemos também, por meio da cura do filho do oficial (vs. 43-54) que a fé dos
galileus era independente de milagres.

Aplicação pessoal

1. Tomando por base a experiência da mulher samaritana, em que estágio da compreensão


de Cristo você se encontra hoje?

2. Tarefa: Leia, durante a semana, João 5.1-47


30

Lição 4
O ENCONTRO COM O SOBRENATURAL DE DEUS
Texto básico: João 5.1-47

Mais uma atividade sobrenatural do Cristo (milagre) que provoca um sério conflito com os
judeus quanto a autoridade de Jesus, especialmente por causa de a cura ser no dia de
sábado. Essa “obra” de Jesus configurava uma violação da lei do repouso sabático, e o
discurso de Jesus em seguida reivindicando sua identidade com o Pai, era uma blasfêmia.
Assim, ficou claro mais uma vez o antagonismo entre o Cristo e as autoridades judaicas.

1. A DIVINDADE DE JESUS É ATESTADA PELO MILAGRE

A. Nos versículos 1-9, temos a narrativa do milagre da cura do paralitico. Em todo este
capitulo, Jesus é apresentado como auto-revelação de Deus, como o Filho de Deus.

• “Queres ficar curado?”. Refere-se ao poder de Deus tanto para cura física como
emocional.

• A expressão “levanta-te”, significa literalmente “desperta”, “ressuscita”, com um


sentido mais profundo.

B. Esta cura consiste, pois, num ato da onipotência soberana do Filho de Deus que não
segue os esquemas humanos, mas do Pai (Jo 5.19). É nesta perspectiva que, a acusação
dos judeus e a defesa do homem curado (vs. 9-11) dão lugar uma forte hostilidade dos
judeus contra Jesus. Esse tipo de hostilidade se torna um veredicto de condenação, pois
os judeus entendem que Jesus estava violando o sábado (vs. 12-16).

C. Assim, toda atenção da cena do milagre fica concentrada sobre o Cristo que cura e sobre
o significado da sua ação milagrosa.

2. O SIGNIFICADO DA AÇÃO MILAGROSA DE JESUS E SUA AUTO-REVELAÇÃO

A. Agora vamos abordar sobre o DISCURSO de Jesus após o episódio do milagre. E, veja,
primeiramente, como a divindade de Jesus foi enfatizada nesse discurso. Logo, nos
versículos 17 e 18, constatamos que o maior “crime” de Jesus foi fazer-se “igual a Deus”:

• Em conhecimento (vs. 19-20), que se desenvolve de maneira cíclica: Filho-Pai; Pai-


Filho. Jesus explica o fundamento da igualdade do seu agir com o agir divino, indicando
igualdade de natureza entre o Pai e o Filho.

• No vivificar e ressuscitar (vs. 21,28-29). Uma prerrogativa essencialmente divina, da


qual o Filho participa com a mesma soberana liberdade de Deus. Pois a mesma voz de
Jesus, que ecoa agora, tornara a fazer-se ouvir no fim dos tempos.
31
• No poder de julgar (vs. 22,27). Deus é Juiz de todos, mas exerce seu juízo por meio do
Filho.

• Em honra semelhante a Deus (v. 23). Aqui está explicitado todo o escopo pelo qual
Deus concede seus poderes ao Filho.

• Em regeneração dos que creem (vs. 24-25). Nota-se aqui a situação da salvação –
como atividade de Cristo - presente naquele que crer, como sinal do seu poder
universal. Fala da escuta da fé. Quem adere a Jesus já esta salvo!

• Em sua preexistência (v. 26). O Pai e o Filho são apresentados como fonte de poder
vivificador.

B. Isso mostra como Jesus reclama para si uma prerrogativa divina, que os judeus
encaravam como expressão de rebelião orgulhosa. Portanto, numa análise mais completa,
da primeira parte deste discurso, nos versículos 17 a 30, convém considerar que se trata
da autodefesa de Jesus de ser igual a Deus.

C. Da mesma forma, numa análise mais completa, da segunda parte do discurso, os


versículos 31 a 47, mostram a onipotência soberana do Filho de Deus que não segue os
esquemas humanos, mas do Pai.

• Jesus apresenta as testemunhas em seu favor – vs. 31-38. As quais são apresentadas
e discutidas de maneira cíclica.

• Jesus é apoiado pelo testemunho das Escrituras – vs. 39-47. E na conclusão do


discurso Jesus denuncia a incredulidade dos seus acusadores - “judeus” -
desmascarando a sua falsa segurança quanto aos pontos fundamentais da fé: as
Escrituras! Por isto, o “vir a mim” equivale “crer em mim”.

D. No evangelho de João destaca sempre a rejeição ou descrença dos judeus em relação a


Jesus, como uma grande tragédia dos primeiros anos do cristianismo (Jo 1.12). Portanto,
Não é de se estranhar que a maioria dos debates de Jesus com os judeus, no evangelho
de João, estão situados no contexto das festas judaicas, especialmente da festa das
Tendas, como se pode observa nos capítulos 7 a 9.

• Os judeus se escandalizavam com a doutrina de Jesus e o perseguiram abertamente


(Jo 5.16,18).

• Procuram apedrejar a Jesus (Jo 8.59; 10.31) e até matá-lo (Jo 5.18; 7.1,19,25; 8.37-40).

Aplicação pessoal

1. Em que estágio você acha que se encontra quanto a compreensão de Jesus Cristo?

2. Tarefa: Leia, durante a semana, João 6.1-71.


32

Lição 5
A REVELÇÃO DE JESUS EM UM NÍVEL MAIS PROFUNDO
Texto básico: João 6.1-71

Agora, veremos o MILAGRE DA MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES simbolizando o poder de


Deus apresentando o alimento capaz de saciar a alma. Esse alimento é a revelação de
Jesus! O “pão da vida”, descido do céu, é portador da revelação definitiva de Deus.

1. A ALIMENTAÇÃO MILAGROSA

A. No capítulo 6, temos dois sinais: a multiplicação dos pães (Jo 6.1-15) e o poder de Jesus
andando sobre as águas (Jo 6.16-21), que são seguidos por um extenso discurso de
revelação (Jo 6.22-71). Esses dois sinais são manifestações de Jesus Cristo como
Deus, como regente das leis da natureza.

B. Quanto a narrativa do milagre da multiplicação os pães, destacamos a seguinte estrutura:

• Uma introdução – vs. 1-3

• Uma conversa de Jesus com dois de seus discípulos – vs. 4-10

• A ação propriamente dita de Jesus, que constitui o centro de toda a cena - 11

• A orientação de Jesus aos discípulos – vs. 12-13

• E a conclusão – vs. 14-15, que retorna aos motivos vistos na introdução.

C. Com efeito, o publico “percebe” neste milagre um sinal messiânico, e se exaltam querendo
fazer de Jesus rei, como motivos exclusivamente materiais e colocando, assim, Jesus a
frente de um possível movimento de libertação nacional. Este revela eles terem uma fé
imperfeita (v. 14).

D. Quanto ao milagre de Jesus caminhando sobre as águas (vs. 16-21), compreende a


seguinte estrutura:

• Uma introdução – vs. 16-17

• A cena propriamente dita de Jesus caminhando sobre as aguas – vs. 17-20

• E a conclusão do episódio – v. 21

2. SEGUIR A JESUS - UMA LONGA OBEDIÊNCIA NA MESMA DIREÇÃO

A. Agora vamos abordar acerca do grande discurso sobre o Pão da Vida (Jo 6.25-71), que
retrata a obra salvadora de Jesus, em contraponto ao esforço humano dos judeus para
33
obter a salvação (Jo 6.29). Também, convém frisar a crise de fé entre os discípulos (Jo
6.60-71). O discurso propriamente dito (vs. 26-59) pode ser assim esboçado:

• Jesus convida os judeus a se “esforçarem” na busca profunda da verdadeira fé e de


se identificarem com Ele; desejar o verdadeiro alimento – vs. 26-27

• Destaque da fé como “obra de Deus” – vs. 28-29. A fé em Cristo, como alimento que
permanece. Jesus confronto seus ouvintes por estarem reféns de motivos
equivocados.

• Diante disto, os judeus fazem a Jesus o desafio de um “sinal” semelhante ao do antigo


maná do deserto - vs.30-31. Naturalmente que esses judeus estão pensando em
Moisés. Por isso, provocam Jesus a fazer outro tanto (“sinal”) que lhes dê a certeza de
sua autoridade.

B. Na sequência, temos o tipo de fé (Jo 6.32-40) como algo imperfeito, quando esta deriva
apenas do ato de VER. Com efeito, nem sempre os sinais conduzem a verdadeira fé em
Jesus (Jo 6.26). Por isso que, em João, o sinal significa o caminho - abertura para uma
compreensão mais profunda de Jesus – elemento central do CRER. Portanto, o ato de
CRER conduz nosso olhar para Jesus (cruz). Lembrando, que Jesus não confiava nas
pessoas que criam apenas por causa dos sinais (Jo 2.23-24).

C. No contexto do evangelho de João o pão designa, no nível imediato, a revelação de


Jesus, e no nível simbólico, nosso relacionamento com ele. Desta forma, os versículos
32-46 se estruturam numa ordem cíclica. Ou seja:

• O pão do céu como Dom de Deus – vs. 32-33. Aqui Jesus coloca em evidência dois
motivos: o Dom do pão messiânico e a origem do céu deste Dom glorioso.

• Depois temos o pedido especifico dos judeus: “dá-nos sempre desse pão” – v. 34.
Nesse ponto, incialmente, temos a impressão que esses judeus reagem positivamente
à ideia do verdadeiro pão, mas quando Jesus declara ser ele mesmo esse pão (vs.
35,41-42), não passam no teste do CRER. Pois, não conseguem perceber, além do véu
da humanidade de Jesus, sua profunda realidade divina.

• Em seguida temos a revelação objetivo de Jesus, como o pão da vida – vs. 35-40.
Portanto, com a declaração “eu sou o pão da vida” (vs.35,38,41,51), uma tremenda
metáfora redentora, Jesus exprime o seu relacionamento com os homens, no
simbolismo da função do pão, em cujo contexto “o que vem a mim” corresponde a
“quem crê em mim”. Ou seja, o verdadeiro crente “vê” a realidade profunda e sobre-
humana de Jesus e CRER nele (v. 40). Nisso, Jesus acentua também o caráter
definitivo de sua vontade escatologia para com o crente: “... e eu o ressuscitarei no
último dia”.
34
• A seguir aparece a murmuração dos judeus – vs. 41-42. Isso mostra que eles não
conseguiram ultrapassar o conhecimento natural que tinham de Jesus-homem, para
poderem crer nele para a salvação.

• Enfim, temos o ato de CRER em Jesus como obra do Pai – vs. 43-47. Portanto, “ir” a
Jesus é resultado de uma obra divina.

• De fato, “a resposta de Jesus as acusações dos judeus sobre Sua origem e Sua oferta
de vida é apontar a incapacidade da Lei mosaica de oferecer verdadeiro alimento
espiritual”.10

3. O MISTÉRIO DA ENCARNAÇÃO, DA REDENÇÃO E O DISCIPULADO DE JESUS

A. Nesta última parte do discurso (vs. 48-59) temos um esquema circular que ressalta os
mistérios da ENCARNAÇÃO de Jesus e a REDENÇÃO em seu nome. Em João, “carne”
relaciona-se com Encarnação de Jesus. Fato este que os judeus julgam impossível e que
por isso recusaram o sacrifício Redentor de Jesus.

• Esse bloco de versículos, portanto, começa com um confronto de Jesus em relação ao


conceito do “maná” – vs. 48-50. O assunto já havia sido discutido antes (vs. 31-32), mas
agora Jesus inclui um elemento novo: “comeram o maná... e morrerá”.

• Isso leva Jesus a uma revelação enigmática, ao expor de forma direta sua revelação –
vs. 51-57, devido à incompreensão dos seus ouvintes judeus. Neste contexto, os verbos
“comer” e “beber” tem sentido figurado apontando para a revelação de Jesus, na
Encarnação e Redenção.

• No versículo 58, temos um novo confronto com a ideia do “maná”, como que voltando ao
início (cf. 49-50), numa espécie de recapitulação.

• Enfim, a conclusão do discurso – v. 59

B. Finalizando João 6 (vs. 60-71) temos a mostra do discipulado de Jesus na prática


expresso nas reações à Sua revelação. Como em todo historia do cristianismo, a
revelação de Jesus gera, portanto, abandono de uns e adesão de outros.

Aplicação pessoal

1. Como você poderia avançar na revelação de Jesus a um nível mais profundo?

2. Tarefa: Leia, durante a semana, João 7 e 8.

10
CARDOSO PINTO, Osvaldo. Foco e Desenvolvimento no Novo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2008, p. 171
35

Lição 6
JESUS SE REVELANDO PELOS SEUS ENSINAMENTOS
Texto básico: João 7 e 8

No capítulo 8, o discurso sobre a “Luz do mundo” vem logo após o famoso episódio da
mulher adúltera, que é apresentado como transição entre a rejeição de Jesus por causa
de sua origem (da Galileia) e o seu inestimável valor como “Luz do mundo”. Mas, o
contexto mais amplo é todo capitulo 7.

1. JESUS TEM UMA DOUTRINA GENUINAMENTE ESPIRITUAL – Jo 7.14-52

A. O capítulo 7, começa com os irmãos de Jesus querendo dele uma grande exibição de
milagres (vs. 3-5), mas Jesus tem outros planos: “meu tempo ainda não chegou” (v. 6).

• A palavra “tempo” (do grego kairós) é relativo à “hora” da glorificação e da suprema


revelação na cruz.

• A seguir, Jesus expõe a realidade do confronto decisivo entre ele e o mundo sem
Deus (vs. 7-8)

B. Assim, depois que Jesus decide ir a Jerusalém, para a festa dos Tabernáculo (v. 10) e de
um breve sumário sobre opiniões acerca de Jesus (vs. 11-13), o capitulo 7 pode ser
esboçado da seguinte forma:

• O ensino de Jesus provém do Pai celeste – vs. 14-24. O contexto aqui contempla a
reação com hostilidade dos judeus em relação à doutrina de Jesus (v. 14-15), por Ele
reivindicar Sua autoridade divina sobre o sábado. Jesus parte de uma breve explicação
acerca da natureza de sua doutrina, mostrando a perfeita identidade entre Ele e o Pai,
finalizando com um duro confronto (vs. 16-19), que causa reação do povo (v. 20). Então
Jesus faz uma firme argumentação explicando que seus ouvintes não estão
compreendendo ainda que sua obra é o cumprimento da Lei, na qual se expressa a
vontade de Deus (vs. 21-24). E Jesus fecha esta afirmando que eles precisavam
aprender fazer um julgamento justo, segundo a justiça, não segundo as aparências
ritualísticas.

• A origem de Jesus Cristo divide opiniões – vs. 25-31. O motivo da controvérsia é


porque Jesus reivindica ser o cumprimento das esperanças judaicas relacionadas à
Festa dos Tabernáculo. Mas o ponto chave aqui diz respeito que o ser de um homem é
determinado pela sua origem; e a origem de Jesus é Deus! O contexto deixa claro que
o “conhecimento” de Deus e o conhecimento de Jesus estão estreitamente ligados.
Portanto, o não “conhecimento” de Deus impede de conhecer a Jesus Cristo, mantendo
36
apenas o conhecimento humano de sua pessoa. Com isso, a reação as palavras de
Jesus foi dupla: rejeição (v. 30) e aceitação (v. 31).

• A questão do destino de Jesus – vs. 32-44. O texto abre com uma iniciativa das
autoridades judaicas (v. 32), e segue com Jesus falando sobre sua partida (vs. 33-34)
e com comentário dos próprios judeus sobre esta fala de Jesus (vs. 35-36). Em
seguida Jesus aborda a dádiva do Espírito para quem CRER (vs. 37-39) e diferentes
reações de ouvintes (vs. 40-44). Houve uma “divisão” no auditório de Jesus: parte dos
ouvintes reagiu positivamente, e parte reagiu negativamente.

• O destino de Jesus – vs. 45-52. O contexto mostra uma reação oficial ao ensino de
Jesus com o julgamento pelas autoridades judaicas, mesmo com o protesto de
Nicodemos, que demonstrando assim ter crido em Jesus. Enfim, as “obras” de Jesus
são tão importantes quanto a Sua doutrina.

2) O TESTEMUNHO PESSOAL DE JESUS – Jo 8.12-59

A. Agora, vamos tratar sobre outro DISCURSO de Jesus, em João 8, após o episódio da
mulher adultera (vs. 1-11), que contrasta a sabedoria e perdão de Jesus com a
desonestidade intelectual e insensibilidade espiritual dos lideres religiosos.

B. No discurso vamos perceber que as reinvindicações quanto a sua origem divina o faz
superior a Abraão, e isso provoca uma tentativa de apedrejá-lo. A primeira parte deste
discurso pode ser divida da seguinte forma:

• A afirmação fundamental de Jesus: “Eu sou a luz do mundo” – v. 12 (cf. versículos


18,23,24,28,58). Jesus, como a revelação divina destinada a todos os homens.

• A objeção dos judeus a afirmação de Jesus – v. 13. O testemunho de Jesus como “luz
do mundo” serve para suscitar a reação imediata dos judeus.

• Jesus explica quanto ao seu auto-testemunho – 14-18. Aqui fica evidente como o
ensinamento de Jesus é aprovado pelo testemunho do Pai (vs. 14 e 18).

• Os judeus fazem uma pergunta – v. 19a. A ideia de Jesus ser enviado do Pai é
recebida com perplexidade. Isso revela a incapacidade de eles crerem.

• Jesus responde a pergunta e conclui a primeira parte do discurso – v. 19b-20

C. Na segunda parte do discurso (vs. 21-30) é abordada a perdição para quem não crê e a
plena revelação para aquele que crê em Jesus.

• Jesus inicia aqui com outra afirmação de Jesus - v. 21. Jesus e o pecado são duas
realidades espirituais que representam respectivamente Vida e morte.

• Incompreensão dos judeus – v. 22. Anunciam inconscientemente a verdade de Deus.


37
• Uma primeira explicação de Jesus – v. 23. Sim, a origem define a natureza: os
judeus são “de baixo” ou deste mundo. Jesus, pelo contrario, é “de cima”.

• Uma nova afirmação de Jesus – v. 24. Acrescenta o elemento novo, a fé na sua


pessoa sobre-humana.

• Uma pergunta incrédula dos judeus – v. 25. Com efeito, Jesus fala uma linguagem
que somente Deus pode falar. Jesus distingue a sua manifestação histórica, limitada,
da sua revelação completa (do Espírito Santo), pela vontade de Deus.

• A explicação completa de Jesus e conclusão – vs. 25-30. Jesus é digno do nome


“Eu Sou”, pois está em perfeito acordo com o Pai.

D. Na sequência do discurso (vs. 31-36) a abordagem é sobre a promessa da verdade


libertadora, que provoca uma resposta irracional do orgulho judaico. A mensagem aqui é
que mesma Palavra que liberta do pecado e da morte denuncia o caráter demoníaco da
incredulidade dos homens.

• O anúncio de Jesus – vs. 31-32. Jesus está procurando conduzir aqueles que estão
atraídos a ele para que se tornem seus discípulos.

• A objeção dos judeus – v. 33. Mas eles só conseguem pensar com a categoria da
liberdade religiosa. (obs: aqui eles não estão pensando em liberdade politica!)

• Jesus explica seu ensino – vs. 34-36. Expõe que somente a fé nele constitui o vinculo
de pertencimento ao povo escolhido de Deus.

E. Avançando no discurso (vs. 37-40) Jesus afirma que o ato de crê nele, a pessoa se
constitui “filho de Abraão”.

• Neste sentido, Jesus começa com uma declaração geral – vs. 37-38. Na qual ele
retoma o debate anterior (v. 33)

• Em seguida vem o protesto dos judeus: “Nosso pai é Abraão” – v. 39a. Parece até
que eles desconfiam para onde Jesus está levando o debate.

• De fato, Jesus faz uma refutação direta – vs. 39b-40. Com efeito, os judeus
contemporâneos de Jesus não se portavam como Abraão. Aqui, Jesus não está se
referindo no nível de geração carnal, mas no nível da fé e das obras que derivam dessa
fé.

F. Na penúltima parte deste discurso (vs. 41-47) Jesus afirma ser superior a Abraão e por
isso é acusado de blasfêmia, junto com uma tentativa de apedrejá-lo. A lição aqui é que
ser contra Jesus é fazer o jogo do diabo.
38
• Jesus faz uma afirmação genérica – vs. 41ª, que recoloca novamente o tema da
paternidade dos judeus.

• Em seguida, como era de se esperar, temos o protesto veemente dos judeus: “Nós
não somos bastardos; temos um pai, que é Deus” – v. 41b.

• Com firmeza Jesus responde – vs. 42-47. São palavras duras! Jesus não tinha como
ser mais explicito!

G. Enfim, o discurso termina (vs. 48-59) fazendo uma relação entre Jesus e Abraão. Esta
parte se estrutura em forma de um diálogo acalorado.

• Chamar Jesus de “samaritano” seria o mesmo que chamar de herege ou espúrio – vs.
48-50.

• A reação dos judeus contra Jesus – vs. 51-53. Por quê? Devido o “pretenso” poder
da palavra de Jesus, especialmente no sentido de que a sua palavra ter poder contra a
morte.

• A glória do Filho é o Pai - vs. 54-55. Jesus explica que o projeto de salvação de Jesus
está alicerçado na vontade soberana do Pai, com quem mantem uma relação intima de
comunhão e obediência.

• Jesus é antes de Abraão – vs. 56-58. Jesus responde agora a pergunta do versículo
53. “Alegrou-se por ver o meu dia” aponta para o tempo messiânico da salvação.

• Conclusão – v. 59. “... e saiu do templo”, indica conclusão do discurso.

Aplicação pessoal

1. De que forma a nossa sociedade se assemelhado aos “judeus” contemporâneos de


Jesus?

2. Tarefa: Leia, durante a semana, João 9 e 10.


39

Lição 7
SENDO TRANSPORTADOS DAS “TREVAS” PARA “LUZ”
Texto básico: João 9 e 10

O discurso de Jesus sobre o “Bom Pastor” (Jo 10.1-21) é continuação do tema da


insensibilidade espiritual abordada por ocasião do irrefutável milagre da cura do cego de
nascença,11 (Jo 9), que suscita mais a controvérsia entre Jesus e os judeus, como aquelas
dos capítulos 5,7 e 8.

1. O IMPACTO DE UM ENCONTRO COM JESUS

A. Jesus foi enviado pelo Pai para ser a “luz” do mundo. Por isso a presença de Jesus no
provoca uma “decisão”: aqueles que, em nome de uma mal-entendida fidelidade ao
judaísmo, se opõem a Jesus se tornam “cegos”, e não entram em seu “rebanho”. Mas
aqueles que recebem a ele como “luz” são iluminados, mesmo correndo o risco de serem
excluídos da comunidade judaica, como aconteceu com o cego de nascença.

As autoridades religiosas em sua cegueira espiritual ignoraram a evidência de mais um


SINAL de Jesus porque isso conflitava com suas tradições, especialmente quanto ao
sábado.

B. O cego, além da cura física dos olhos, recebeu de Jesus outro milagre: a
REGENERAÇÃO pela fé! A cura física, portanto, é apresentada aqui como demonstração
de que Jesus é a “luz” do mundo, não só das vistas, mas também da alma.

C. O clímax da CONVERSÃO do cego se encontra nos versículos 35-38. O cego “vê” a


revelação e responde à luz, alcançando o mistério da Pessoa de Jesus. E, na sequência,
temos a revelação de Jesus no sentido mais profundo (vs. 39-41). A fé do curado chega à
maturidade, com uma plena confissão de fé no Cristo. Mas como foi o processo de CRER
à luz da experiência do cego de nascença?

• Versículo 11 “o homem a quem chama...”.

• Versículo 17 – “e tu, que dizes...”.

• Versículos 22-23 – o homem seria excluído da sinagoga.

• Versículo 25-33 – evidencias que o curado se tornou discípulo de Jesus.

D. Após o milagre da cura, o restante do capitulo se desenvolve com o debate que abraçar a
fé cristã ou cristianismo (v. 22), se constitui uma ruptura definitiva com o judaísmo:
11
De acordo com o pensamento judaico, a cegueira, mais do que qualquer outra doença, era consequência do pecado.
Concepção popular que fazia (e faz) depender a doença de uma culpa (Jo 9.2; cf. Jo 5.14). Mas Jesus explica, em João
9.39-41, no que consiste verdadeiramente o pecado.
40
• A discussão entre o povo – vs. 8-12. Este é o primeiro momento de uma longa
investigação, que ocorre várias vezes (vs. 15,16,19,21,26).

• O primeiro interrogatório do curado – vs. 13-17. Este é o primeiro interrogatório do


curado. “Levaram” é um termo judiciário. O mais importante é que as opiniões acerca
de Jesus estavam divididas!

• Confronto com os pais do curado – vs. 18-23. Os judeus recusam crer no fato. A
cegueira espiritual deles impede de reconhecer a intervenção divina através de Jesus.

• O segundo interrogatório do curado – vs. 24-34. Aqui temos o debate como tal sobre
a cura, e ao mesmo tempo o confronto dramático entre o curado (ou discípulo) e os
opositores de Jesus, que não são capazes de crer. O curado chega a ironizá-los (v. 27)

• A fé do curado e a incredulidade dos judeus-fariseus – vs. 35-41. “os que não


veem” são os que, como o cego de nascença, tem um conhecimento limitado da
vontade divina, mas estão conscientes de sua insuficiência; “os que veem” são, o
contrário, os que, os judeus, são instruídos na Lei se gloriam da sua autossuficiência.
Frente à revelação do Cristo - a “luz” completa - há uma reviravolta de destinos.

2. IMAGENS BÍBLICAS DE REDENÇÃO EM JOÃO (Jo 10.1-21)

A. A relação de Jesus com seus discípulos se expressa, aqui, com a imagem do pastor e do
rebanho. Jesus é o único legítimo Pastor (vs. 1-17) e a única porta da salvação (vs. 7-21).

• Logo no início temos um contraponto entre o “pastor” e o “ladrão” (vs. 1-3a), seguido
por uma descrição da relação familiar entre o “pastor” e suas ovelhas (vs. 3b-5), onde a
expressão “Ouvem a sua voz” diz respeito aquele ao CRER, e o termo “Seguem”
aponta para o ser discípulo.

• A ideia, portanto, é que os judeus estão ouvindo as palavras de Jesus, mas nem todos
são “suas” ovelhas.

B. Agora, uma nova revelação sobre o papel salvífico do Cristo: “Eu sou a porta” – que
conduz a salvação (vs. 7,9), e “Eu sou o bom pastor” (vs. 11,14).

• Através de Jesus-a-porta as “ovelhas” podem transcorrer livremente em sua vida de


abundância. Jesus é, portanto, o único Mediador para se chegar à salvação e a vida.

• Jesus-bom-pastor, oposto ao comportamento mercenário, com suas práticas


autogratificantes (vs. 12-13), tem por suas ovelhas uma mútua e profunda relação
pessoal, e dá a vida por cada uma delas. Aqui o “conhecer” ultrapassa o saber abstrato
e intelectual; fala de experiência concreta.
41
• “Um rebanho” trata-se de um novo “povo” (a Igreja) constituído de judeus e gentios, que
viria surgir da morte de Jesus, “um pastor”.

C. Enfim, as opiniões acerca de Jesus se dividem (vs. 19-21). E a promessa de segurança


oferecida pelo pastor provoca uma violenta oposição (vs. 22-30), ao ponto de Jesus ter
que se retirar dali (vs. 31-42).

Aplicação pessoal

1. No momento, você tem enfrentado algum tipo de hostilidade por sua adesão a Jesus.
Como tem lidado com essa oposição?

2. Tarefa: Leia, durante a semana, João 11.1-44.


42

Lição 8
A VIDA QUE VENCE A MORTE
Texto básico: João 11.1-44

Normalmente, quando Jesus ai para Jerusalém, se hospedava em Betânia, na casa dos


irmãos Marta, Maria e Lázaro, de quem ele era amigos. Agora, Lázaro está morto! Mas
sua ressurreição promove fé entre discípulos e seguidores, ao mesmo tempo revela os
opositores em seu pecado e incredulidade.

1. UMA GLORIOSA MANIFESTAÇÃO DA “GLÓRIA” DE DEUS

João capítulo 11, inicia tratando da doença de Lázaro (vs. 1-6), e segue com a descrição
da incompreensão dos discípulos sobre o tema da morte (vs. 7-10) e sobre a morte de
Lázaro (vs. 11-15).

B. Vale ressaltar que, o milagre propriamente dito, só ocorre nos versículos 38-44, a medida
que Jesus demanda a fé, apresentado em três momentos:

• Ordem, oposição, resposta, execução – vs. 39-40. Jesus está absolutamente


consciente do poder que lhe vem da qualidade de enviado da parte de Deus.

• A oração de Jesus, no centro do episódio – vs. 41-42. Não é apenas um homem


justo orando, mas o próprio Filho de Deus. No versículo 42, Jesus explica o sentido e
finalidade do milagre.

• Ordem, execução, ordem conclusiva – vs. 43-44. A onipotência divina da palavra de


Jesus e a demonstração do sinal mais grandioso dos poderes divinos de Jesus.

C. Na sequência, temos a descrição da impressão que o milagre causou nas pessoas


presentes (vs. 45-53).

• Diante do milagre os presentes se dividiram: alguns creram no Cristo, enquanto outros


o denunciaram as autoridades.

• O sinédrio toma a decisão de eliminar Jesus. E ele se retira, enquanto uma nação
perplexa diante dele se prepara para a Páscoa (vs. 54-57).

2. APROFUNDANDO SEU RELACIONAMENTO COM DEUS – Jo 11.17-27

A. Marta aparece nesse diálogo com Jesus como um exemplo de fé verdadeira. Depois de
suas palavras (vs. 21-22), segue a REVELAÇÃO de Jesus, com o seguinte esquema:

• A revelação – v. 23. Marta precisava fazer a transição de uma fé centrada na tradição


judaica para uma fé centrada no Cristo.
43
• Incompreensão – v. 24. Marta ainda não compreendia a promessa de Jesus, pois ela
ainda interpreta a doutrina da ressurreição de acordo com a mentalidade judaica,
apenas como uma esperança escatológica.

• Revelação clara – vs. 25-26. “Eu sou”. Para aquele que cré no Cristo a ressurreição
não é mais que uma promessa, trata-se de uma realidade já atual. Em Jesus Cristo o
futuro já está presente!

• A confissão de Marta – v. 27. Marta responde positivamente ao convite de Jesus e faz


uma confissão pública de sua fé nele; uma fé genuinamente “cristã”.

B. Com efeito, Marta já acredita que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. Mas ela precisava
ser conduzida a um nível mais profundo de compreensão acerca da Pessoa de Jesus!
Neste contexto, fica evidente três posturas em relação a fé:

• Marta, está preparada para “perceber” a vinda de Jesus e “sair” ao encontro: atende o
convite direto à fé. Tornou-se uma evangelista em relação a irmã, à semelhança de
André e Filipe, depois de terem se tornado discípulos de Jesus (Jo 1.42 e 48).

• Maria, “levanta-se” para ir ao encontro de Jesus levada mais pela súplica da irmã do
que por uma questão de fé - vs. 28-31.

• Os judeus, simplesmente seguem Maria, sem a mínima noção de estão “indo” ao


encontro de Jesus – vs. 32-37.

C. Neste episódio, além do diálogo de Jesus com Marta (vs. 20-27) ainda temos outras
duas cenas:

• Marta chama Maria – vs. 28-31;

• Jesus, Maria e os que tinham vindo para consolar as duas irmãs – vs. 32-37.

• Com efeito, Marta já acredita que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. Mas Jesus
conduz a uma fé mais profunda.

Aplicação pessoal

1. Com quem você mais se identifica no momento: com Marta, Maria ou os judeus?

2. Tarefa: Leia, durante a semana, João 12.1-44.


44

Lição 9
UMA VIDA COM PROPÓSITO
Texto básico: João 12.1-50

Logo após o ultimo “sinal”, a ressurreição de Lázaro, vem uma transição (Jo 11.55-12.50),
que conclui a primeira parte do Evangelho de João (1.19-12.50) e introduz a segunda
parte (Jo 13.1-21.25)

“As circunstâncias nas quais a ressurreição de Lázaro aconteceu fazem deste o clímax
dos milagres no evangelho de João, aquele que serve como estopim da decisão definitiva
de matar Jesus (Jo 11.45-53), em vista da resposta popular ao evento”.12

Assim, este último “sinal” faz a ligação com o processo de oposição que culmina com a
condenação e morte de Jesus (Jo 11.9; 12.1, 9-11,17-19).

1. A “HORA” DA GLORIFICAÇÃO DE JESUS

A. João apresenta um novo episódio (vs. 1-8) como consequência do milagre da ressurreição
de Lázaro, onde Maria unge os pés de Jesus como expressão de honra e carinho por Ele.
Mas esse gesto antecipa profeticamente a sepultura de Jesus.

• Ou seja, Maria, inconscientemente anuncia a morte do Messias e prepara seu corpo


para a sepultura. Portanto, a unção dos pés de Jesus é estranha com relação a uma
pessoa viva, mas compreensível na perspectiva de um morto (v. 7).

• Na prática, o ato de CRER conduz o nosso olhar para a cruz (vs. 23-32), com uma ideia
unificadora de transformação!

B. No contexto da grande repercussão do milagre da ressurreição de Lázaro, Jesus é


saudado como rei messiânico e libertador nacional (vs. 9-19).

2. O SIGNIFICADO DA MORTE DE JESUS

A. O pedido dos gregos13 piedosos para “ver” Jesus (vs. 20-22), imediatamente, não se vê a
conexão entre este pedido e o discurso de Jesus. Todavia, o ensino de Jesus é que, de
fato, Ele só será plenamente conhecido (“visto”) na sua “hora”. Que “hora” é essa? Por 17
vezes o evangelho de João faz referência a uma “hora” misteriosa de Jesus, identificando
inequivocamente essa “hora” com a sua morte na cruz. João, frequentemente vinha
anunciando que não era chegada ainda a “hora” (Jo 2.4; 7.30; 8.20). Mas daqui para frente
é anunciada que a “hora” chegou! (Jo 12.23,27; 13.1; 17.2).

12
CARDOSO PINTO, Carlos Osvaldo. Foco e Desenvolvimento. São Paulo: Hagnos, 2008, p 163
13
Gregos – gente de origem pagã, nascidos nas províncias orientais do Império e cuja língua era o grego, simpatizantes do
judaísmo.
45
• A morte “frutífera” de Jesus e a necessidade da imitação dos seus verdadeiros
discípulos – vs. 23-26. Jesus anuncia que sua “hora” chegou (a cruz), onde ele
cumpriria a sua missão e revelaria plenamente a glória de Deus ao mundo. “Glorificado”
aqui tem sentido amplo, não só da morte “frutífera” de Jesus, mas também da sua
ressurreição e a ascensão. Portanto, “Produz muito fruto” significa que a salvação será
produzida pela sua morte. Daí o convite para os discípulos imitá-los (“siga-me”),
estando dispostos a dar a vida por Ele.

• A morte glorificadora do Cristo – vs. 27-30. O tema aqui continua sendo a


“glorificação” – o sentido profundo da “hora” de Jesus. Mas agora a ênfase é que a
glorificação do Pai e do Filho estão unidas e se realizam nos mesmos acontecimentos
da vida de Jesus. Enfim, Jesus é publicamente aprovado pela “voz” divina!

• A exaltação do Cristo e a urgência da fé – vs. 31-36. A “hora” de Jesus será


simultaneamente a hora da plena revelação do juízo definitivo, pois este se manifesta
perante a revelação. Com a morte de Jesus o diabo foi definitivamente destronado,
deixou de ser “o príncipe deste mundo”, e Jesus entronizado como rei absoluto: “atrairei
todos a mim mesmo”. Agora que chegou o momento decisivo da “hora” de Jesus e do
seu “juízo” é urgente o apelo “crede na luz”, enquanto isso ainda é possível. A “luz” é a
revelação de Jesus (cf. Jo 1.4).

B. Nos versículos 27-43, de João 12, está ressaltado mais uma vez a “cegueira” espiritual
dos judeus. Veja como está estrutura o texto:

• Não quiseram crer – vs. 37-38. A reflexão é sobre a relação fé e “sinais”, tema
fundamental em todo evangelho, que aparece aqui diante da incredulidade cristalizada
dos judeus.

• Não podiam crer – vs. 39-41. Incompreensão. Endurecimento de coração. Impedidos


assim de qualquer possibilidade de conversão. E o juízo divino sobre os judeus
incrédulos se realizou pela falta de reação a verdade revelada – por isso – se tornaram
cegos! (cf. Jo 9.39)

• Creram, mas não o confessaram – vs. 42-43. A fé debilitada é declara. Faltou de


coragem para romper definitivamente com o sistema religioso morto e abraçar, sem
reservas, o Cristo vivo, ou a fé cristã autêntica.

C. O apelo de Jesus (vs. 44-50) é a última declaração solene e Jesus, que fala:

• Ser igual ao Pai – vs. 44-45. Jesus é o objeto final da fé e, ao mesmo tempo, Ele é
igual a Deus.
46
• Sua missão entre os homens – vs. 46-48. Jesus veio como Revelador para salvar,
não para condenar. Porém, quem não aceita sua mensagem de salvação será julgado,
não por Ele, mas por sua Palavra, termo equivalente a “luz”.

• Seu anúncio das palavras do Pai – vs. 49-50. Jesus anuncia ao mundo o que o pai
lhe ordenou, cuja verdade fundamental é esta: através do Cristo é o próprio Deus que
opera no mundo; reconhecer esta revelação é salvar-se!

D. Enfim, a primeira parte do evangelho de João - tempo dos “sinais” - termina com uma
dupla conclusão (Jo 12.37-43 e 12.44-50). Esta última é o sumário da mensagem de
Jesus. Assim, o capitulo 12 leva ao seu ápice a controvérsia iniciada dois anos antes
(capitulo 5, provavelmente na Páscoa de a.D. 31), reflexão sobre a incredulidade dos
judeus e síntese da pregação de Jesus (Jo 12.47).
47

Lição 10
A LÓGICA DIVINA DO “VER”, “OUVIR”, “TOCAR” E O “CRER”
Texto básico: João 20.1-31.

Como dissemos - na primeira lição - o evangelho de João nunca utiliza o termo grego
abstrato pistis (“FÉ”), mas o verbo pisteuein (“CRER”), o qual é empregado 99 vezes,
comunicando melhor o sentido de: uma resposta concreta a uma Pessoa concreta.

Agora, em João 20, vemos que a preocupação não é apenas com o grande e decisivo
SINAL da ressurreição de Jesus (vs. 1-10), mas também com os desdobramentos da FÉ
dos discípulos, concluindo com a missão deles no desenvolvimento na obediência ao
mandado de Jesus: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” (v. 21)

1. CENAS DO ATO DE CRER – Jo 20.3-29

João não se refere as aparições do Cristo Ressuscitado – quatro cenas - com objetivo
principal da apologia,14 mas da revelação, em busca do CRER. Aliás, essas aparições são
apresentadas como “sinais” para sustentar a fé dos discípulos e demonstrar a verdade do
Cristianismo. Com os quais discípulos seriam guiados para um novo relacionamento com
o Cristo Ressuscitado, passando de um contato físico para a comunhão íntima de fé, já
preanunciada no “discurso de despedida” – João 13 a 17, especialmente capítulos 14 a
16.

A. Primeira cena: Pedro e João (vs. 3-10).

• Pedro e João chegam a CRER antes mesmo que o Cristo ressuscitado aparecesse, ou
que a profecia das Escrituras fosse por eles lembrada. É o próprio João, autor do
evangelho, que vai junto com Pedro ao tumulo: “viu e creu” (v. 8).

• O verbo “viu” é muito importante em João por está relacionado aos “sinais” e a fé (v. 30).
Esse “viu” mostra que eles compreenderam os fatos (conduz à fé) que sugere a ideia da
ressurreição. Assim, segundo o evangelho de João a fé na ressurreição nasceu de um
processo de constatação e de reflexão guiada pelo Espírito Santo.

B. Segunda cena: Maria Madalena (vs. 11-18).

• Nem as palavras do anjo, nem a súbita aparição de Jesus leva Maria Madalena à fé.
Isso só acontece quando Jesus chama-a pelo seu nome: “Maria!” indicando que a
“conhece” profundamente; conhecimento que penetra o íntimo dos corações (cf. 1.47-
50; 4.19,29,39).

14
Apologia – defesa de uma visão particular. A apologética é o “ramo da teologia cristã que tem como objetivo a defesa
equilibrada da fé cristã. Inclui tanto argumentos positivos em favor da verdade do cristianismo como refutações das
criticas lançadas a ele” (ERICKSON, Millard J. Dicionário Popular de Teologia. São Paulo: Mundo Cristão, 2011, p. 19)
48
• “Não me detenhas”. A lição é que terminado o tempo contato físico com, os discípulos
deveriam aprender a encontrar o Cristo ressuscitado de modo espiritual, passando de
uma experiência visível da sua presença a uma outra, totalmente interior e mais intima
(cf. Jo 14 14.21-23).

• Observe que Maria recebe a tarefa de anunciar a ascensão (v. 17), não a ressurreição,
a qual está ligada ao inicio de um novo tempo que será marcado pela total comunhão
intima com o Cristo Ressuscitado e com o pai, pela presença do Espírito Santo, no
coração dos que creem.

C. Terceira cena: os discípulos (vs. 19-23).

• Nesta cena se distingue duas coisas: aparição de Jesus e alegria dos discípulos (vs.
19-20) e a missão dos discípulos como prolongamento da missão de Jesus (vs. 21-23).
Aqui, não é o “ver” Jesus e tocá-lo que se constitui a alegria, mas simplesmente o crer
nele. Neste contexto, o Ressuscitado tenciona fazer-se reconhecer pelos seus
discípulos como idêntico ao Jesus da cruz: “mostrou-lhes as mãos e o lado”.

• A expressão “Soprou sobre eles” é um gesto que significa, portanto, que Jesus suscita
nos discípulos uma nova vida no Espírito, para torná-los capazes de cumprir a missão
recebida, como prolongamento da Sua missão.

• Quanto a essa missão, esperava-se que Jesus falasse de “anunciar o Evangelho”, no


entanto, para Ele, a missão dos discípulos consiste em “perdoar” ou reter os pecados,
como fruto da aceitação ou rejeição da mensagem.

D. Quarta cena: Tomé (vs. 24-29).

• Tomé declara que não crerá sem vê-lo e tocá-lo (v. 25). Na verdade, a sua condição não
pede nada a mais do que os outros discípulos puderam ver: por o dedo o dedo ou a
mão equivale de fato a “ver”; constatar pessoalmente.

• Com efeito, Tomé verbaliza incerteza, mas depois da revelação nem precisou tocar para
CRER! Assim, a questão aqui não está no “tocar”, mas no fato de “ver” como condição
para CRER. Ou seja, a existência de um “sinal” como base da fé.

• É, pois, na declaração de Tomé - “Senhor meu e Deus meu” -, que todos os fios se
juntam. Essa resposta de Tomé reconhece, portanto, Jesus como igual a Deus e
demonstra a profissão mais alta fé cristã.

Nestas quatro cenas, fica explicito que o verdadeiro discípulo é aquele que, superada a
dúvida e a pretensão de VER e TOCAR, aceita o testemunho autorizado de quem viu. Não
por está contemplando Jesus-homem, mas por está olhando (seja pela fé, como nós ou
pela visão como os discípulos) para a ressurreição do crucificado.
49
2. A DECLARAÇÃO DE PROPÓSITO DO EVANGELHO DE JOÃO – Jo 20.30-31

Portanto, após os quatro relatos, João passa direto para conclusão (vs. 30-31) ressaltando
o tema CRER, que domina todo evangelho.

“... estes, porém, foram escritos para...” (v. 31). O termo “estes” quer dizer “sinais”
miraculosos mencionados no versículo 30, os quais testificam a autenticidade de tudo que
Jesus diz.

Assim, o propósito geral de João é suscitar a FÉ! Essa finalidade tem aspecto mais
apologético do que evangelístico. Por isso ele fez a escolha de “sinais”, dos discursos e
dos diálogos, mostrando situações vivenciadas pelos discípulos, do contato físico
com Jesus à experiência intima do Cristo ressuscitado, a fim de estabelecer a
singularidade e realidade histórica sobre a natureza do homem Jesus, desde começo (Jo
1.19ss) ao fim (Jo 12.12-19; 18.19-21.25), tendo em vista relações pessoais de fé, para
com Deus, por meio da Pessoa de Jesus.

A. No que devemos CRER? “para que creais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus...”. A fé
perfeita reconhece Jesus como “Cristo”, isto é, o “enviado” de Deus por excelência, e
como “Filho de Deus”, isto é, capaz de realizar as obras do Pai, de comunicar as suas
palavras, e por isso igual a Ele. Por isto ser necessário um testemunho direto sobre a
Pessoa de Jesus e a sua obra levando os leitores crer nele e, assim, ser salvo.

• CRER em Jesus Cristo é ACEITÁ-LO como Jesus histórico (Jo 3.11-12; 3.32-36; 5.43-
44; 13.20; 12.46-47).

• Implica ir a Jesus e “segui-lo” (Jo 8.12; 10.27; 21.19); estabelecer uma relação direta
com ele.

• Assim, CRER e CONHECER são sinônimos, indicando acesso ao mistério da Pessoa


de Jesus (Jo 13.7; 14.29)

B. O que significa CRER? No evangelho de João, o ato de “CRER” consiste numa junção de
compreensão intelectual com compromisso de vida (Jo 1.4; 3.14-16,36; 4.14; 5.24;
6.40). Ou seja:

• O CRER é o acolhimento de Jesus (Jo 1.12), proporcionado por Deus em nosso


coração. Em outras palavras, o ato de CRER implica em fazer a “obra de Deus” (Jo
6.26-31), como referencia a revelação espiritual (Jo 6.30-33), ou nossa participação na
obra de Deus (Jo 6.29,40). De modo que o “Pão do céu” – Jesus (Jo 6.51) fala da
“Paixão de Cristo” que se desdobra na questão sacramental.

• Em João, normalmente, o CRER flui do contato que as pessoas tinham com Jesus e
sua Palavra, como no exemplo dos samaritanos (Jo 4.40-42), e os desafios dos efeitos
da ressurreição de Lázaro (Jo 11.48; 12.11,42).
50
BIBLIOGRAFIA

1. BAXTER, J. Sidlow. Examinai as Escrituras, volume 5. São Paulo: Vida Nova, 1992

2. BORTOLINI, José. Como ler o Evangelho de João. São Paulo: Paulus, 1990

3. BLOMBERG, Graig. Jesus e os Evangelhos. São Paulo: Vida Nova, 2009.

4. CARSON, D.A. O comentário de João. São Paulo: Shed Publicações, 2007