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R"le--l-ç §c+twkz-'ê-

NACTON,4"L PÜR SUBTRAÇAO

tino-
carâter
cultural sue levamos. Essa experiência tem sido um dado Íor-
mador de nossa rêflexão crítica desde os tempos da In<lepen-
clência. Ela pode ser e loi interpretada de muitas maneiras,
por românticos, naturalistas, modernistas, esquerda, direita,
cosmopolitas, nacionalistas etc., o que faz supor que comes-
ponda a um problema durável e de fundo.
"&tes ae sggisc4i
uma explicacão a mais, disamos portante gue o mencionq_do
$elsstar el_umelo.
As suas manilestações cotidianas vão do inbfensivo ao
horripilante. 0 Papai Noel enfrentando a canícula êm roupa
de esquimó é um exemplo de inadequação. Da ótica de um
tradicionalista, a guitarra elétrica no país clo samba é outro.
Entre os representantes do regime de 64 foi comum clizer que
o povo brasileiro é despreparado e que dernocracia aqui não
passâva de uma impropriedade. No século XIX comentava-se
o abismo entre a fachada liberal do Império, calcada no par-
lamentarismo inglês, e o regime de trabaiho efetivo, que era
escravo. Mário de Andrade, no "Lundu do escritor difícil",
chamava de macaco o compatriota que só sabia das coisas do
estrangeiro. Recentemente, quando a política de Direitos Hu-
manos do governo Montoro passou a beneficiar os presos,
,a\4 .a! I/ !:,'-\.
ri. .,. l,' i-*'t(::: .".'+1*' :. I /.s],/i..*-; houve manilestações de insatisfação popular: por que dar ga-
,.
rantias aos condenaclos, se fora da cadeia elas faltam a muita

29
r\JÊÃtl)r 1..1
gente? I)essa perspectiva, também os Direitos llumanos se- autarquia intelectual para reconhecer os inconvenientes desta
riarn postiços no Brasii... Sao exemplos desencontrados, mui- praxe, â que falta a convicção não sô das teorias, logo tro-
to diferentes no calibre, pressuponclo *rodos de ver incompa- oadas, mas tambêm de suas implicações fi]enos prôximas, de
tíveis uns corl os ouiros, mas escolhiclos com propôsito de in- srra relação coÍn o movimento social cortjunto, e, ao fim e ao
cabo, da relevância do próprio trabalho e dos assuntos estu-
dados. Percepções e teses notâveis a respeito da ctúfura do
pais são decapitadas periodicamente, e problemas a muito
modelo. custo iclentificados e assurnidos ficam sem o desdobrameuto ., r/
da questão
tudan Letras, vejamos algo que ihes poderia colrespouder. p prejuízo acarretado se pode --
comprovar pela via contrária, t"iiü__rr-Oo a estatura isolada de
v.
efir nosso campo. Nos vinte anos em que tenho
dado aula de literatura assisti ao trânsito da crítica por inr- uns poucos escritores como Macliado de Assis, Mário de An- ,Yt'-g
pressiorrismo, hisioriografia positivista, new critícisrz anreri- drade e, hoje, Atrtonio Cauclido, cuja qualidade se prende a \"ulJt
cano, estilística, marxismo, fenomenologia, estruturalismo,
pós-estruturalismo e agorâ teorias da recepção. A lista é im-
este ponto. A nenhunr deles faltou informação nenr abertura
para a atualidade. Entretanto, todos souberam retomarcritica-
fl
pressionante e atesta o esforço de atualização e desprovincia- mente e em larga escala o trabalho dos predecessores, enten-
nização em nossa universidade. Mas é iâcil obseruar que só dido não como peso morto, mas como elemento dinâmico e
raramente a passagem de uma escola a outta correspotrde, irresolvido, subjacente às contradições conternporâneas.2
como seria de esperãr, ao esgotamento de um projeto; no geral Não se trata, portanto, de continuidade pela continui-
ela se deve ao prestígio americano ou europeu da doutrina dade, mas da constituição de utn campo de problemas reais,
seguinte. Resulta a impressão * decepcionante * d.a nru- particulares, conl inserção e duração histôrica próprias, que
dança sern neçessidade interna, e por isso mesmo sem pro- recolha as forças em pl'esença e solicite o passo adiante. Sern \
veito" O gosto pela novidade tenrrinolóeicâ_§ dogtrlnâriqpr*- desrnerecer os [eóricos da últinra leva que estudarnos cm nossos I'
conheci cursos de faculdade, parece evidente que nos situaríamos me-
.rf,
çxgupls,êff)rÍUqg plano acAdêEico - do ssrâtet.jJt]ilatiyç d§_-_
. lhor se nos obrigássemos a um juízo refleticlo sobre as pers- d{\
ggssê yrd4_ç.ulIqf?1, Veremos quc o problerna está mal posto, pectivas propostas por Sílvio Romero, Osivald e Mârio de An- \
,f If
nras alrtes «lisso não custa reconhecer a sua verdade relativa. drade, Antonio Candido, pelo grupo concretista, pelos C"- { 1.0
pecês... Eá uma dose de adensamento cultural, dependente \ lo{ íet
4 '
Jro Brasil parece recomeçar do eero. O ar:etite oela prorLrção d. ulianç -0-/t)in
-o-fl- r/
a -ú- ^,.1n
tgét rl,".tntr"t fl .#"
da reflexão. Con notava Ma- titica:gdg, Isso posto, vale a pena lernbrar que aos hispano-
ue determina a americanos o Brasil dá impressáo de invejâvel orgauicidade
intelectual, e que, por incrível que pareça, dentro do relativo
eles talvez até tenham razão.
Não é preciso ser adepto da tradição ou de uma impossível
(2) Para um baianço equilibrado e substancioso do tema, ver do próprio An'
(i) Machâ<Jo cie Ássis, "A nrlva geração", in obru completa,lti' de Jarreiro, tonio Candido "Literatura e subdesenvolvimento", it Á educação pela noiíe, Stra
Aguil6, 1959, v. 3, p, fiX6. Paulo, Àtica, 1987.

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não otrstante, da ilusão própria ao nacionalismo populista,
que coloca o mal todo no exterior.
Quando os nacionalistas de <lireita em 64 denunciavam
meis ra- corno alienígena o marxismo talvez imaginassem qlle o fas-
to. oara alel]érlt
-zg3y§1,-pçItpqlto,.p,ara
alguêm =go=P§Çlgqtg
con Ag::qts§ cismo fosse invenção brasileira. @i-
Gtu'appólq=qpqqtp..q-lgtg.gill3lggg:b*q§Lq-gpp:f gpgggÉ1qg-, ferenÇas, as duas vertentes ruciqtali.stas qqlBgi(llêI1-1-l- gspe-
iendênci+nretropolitaprtpggLitlcar,r.-çal.qlgu'jl1q-lq!*çl"it-ô1 íâverm achar o que buscavam atravês da eliminaçês do que
mais substantiva. A conclusão é ilusória, como se verá, mas
tern apoio intuitivo forte. Durante algum tempo ela andou na submnõiilutàltica do rraíq. A mesma iiusáo ftincionou no
boca dos nacionalismos de esquerda e direita, convergência ffiIõXfX=uando entretanto nova cultura nacional se de-
a
que, sendo mart sinal para â esquerda, deu gratrde circulação veu muito mais à díversificaçâo dos modelos europeus que à
social àquele ponfo cle vista e contribuiu para prestigiar cr exclusão do nrodelo português. Na outra banda, dos retró-
baixo-nível. gra<los, os adversários da descaracterização romântico-liberal
";ruís
" da socieclacle brasileira tampouco chegavam ao país atttêntíco,
Daí a bu
'r I L') P-i]
..+ od.rltffirro seria a cultlra popular se fosse possível pre- pois cxtirlradas zts novicla«1cs franccs:rs e inglesas ficava res-
ffimêrcio e, sobretudo, da comunicação de massa? t:rurada a oLrlcltt c<llr.lnial, isto é, utna criação porttlguesa. O
O que seria uma economia naciotral sem mistura? De 64
para paracloxo geral cleste tipo de purismo está encarnado na fiÊrrra
cá a internacionalização do capital, a mercantilização das re- rle Policarpo Quaresma, a queil1 o afã de autenticidacle leva a
lações sociais e â pre§ença da mídia avançaram tanto que es- se expressar em tupi, língua estranha para ele. Analogarnente

tas questões perderam a verossimilhança. Entretanto, hâ vinte ern Quarup, de Antonio Callado, onde o depositário da uação
anos apenas elas ainda agitavam a intelectualidade e ocu' autêntica não ê o passado pré-colonial, corno queria a figura
pavam a ordem do dia. Reinava um estado de espírito com- rle Lima Ban'eto, mas o interior longínquo do territôrio, dis-
tante da costa atlântica e de seus contatos esttangeirizantes.
bativo, segundo o qual o progres§o resultaria de uma espécie
cle reconquista, ou melhor, da expulsão dos invasores' Recha'
Unt grupo de personage:rs identifica uo mapa o ceirtro geo-
e in- gráfico clo país e sai à sua busca. Depois de mr.rita peripécia a
çado o lrnperialismo, neutralizadas as formas mercantis
dustriais de cultura que lhe correspondiam, e afastacla a parte expedição chega ao termo da procura, onde encontra
formigueiro.
- lltrl
antinacional da burguesia, aliada do primeiro, estaria tudo
pronto parâ que desabrochasse a cultura nacional verdadeira, 4o nacionalista a padronizaÇão e a marca americana çue
a§-güglorgs*etúçndid çt co'tt o
d e s c a rac t e rízqd{t p elg s elsry?efit
. É claro
çglru^Wy%ba. A ênfase, muito justa, nos mecailisnros da
tivos da
clominação norte-americana servia à mitificação cla comttni- geraÇão sesuinte. oara cuem o novo clima era natural. o nq-
clade brasileira, objeto de amor patriôtico e subtraída à aná- ciqnalismo é que teria de parecer esteticantente arcaico e pro-
lise cle classe que a tornaria problemâticâ por sua vez' Aqui ê y.inciano. Pela primeira vez, que eu saiba, entra em circulaÇâo
preciso uma ressalvâ: o governo Goulart, «lurante o qu:rl esle !r sentinrento de clüe a defesa das sinsularidades nacionais
sentimento <las coisas chegou ao auge' foi trm perío<lo de acon- contra a uniformização imperialista é um tópico vazio. Sobre
lecimcnt<ls exlraorclinârios, c«lm Cxperimentação social e rea- ftlndo r1e indírstria cultural, o mal-estar na cultura brasileira
linhanrerrlos denrocrítticos em larga escala. Não po<le ser re- desaparece, ao menos para quem queira se iludir.
r{uz.iclo às irrconsistências tlc sua agtg-itnagem Também nos anos 60 o nacionalismo havia sido objeto da
-ilustrativas,
an
32 .,J
crítica de grupos que se estimavam mais avançados que ere
política e esteticamente. o raciocínio de então vem fAfit*$gIiê_tgncesêeçente
'- i l-------------l--- é outro fator no descrédito- do _
sen<Ío reto-
rnado efir uossos dias, mas agora sem ruta de classes nacionalis tnq c!4tuIêI. A_glreqtação an l.ito tal i zadora. a orefe-
ner, a,ti- rência por níveis de historicictade alheios ao ârnbito nacional,_
imperialismo, e no âmbito internacio,alíssimo rra comuni-
cação de massas. N"cs@_ + desfirontaeem de andaimes convençionais cia vida literária
d,e_$u1plôgiê_utu_
(tais como as nocões de autoria. obra. influência. origjnali- _,
Itura " dade etc.) desmancham, ou, ao menos, desprestigiam a cor-
pape.l dg vehariq. Iricâ pâ.tente o §eu cafâreimG. m; de
v4ç1q!A e comprefilentar
yruvrlrÇrêrru q complementar de de lôrln⧠arcS"icas de opressã-o.
lizaÇão da grande obra e a redenção da coletividade. corres-
a oondência cujo valor de çonheciurento e potencial de misti{i-
tura venr an ç4E4q_lgg-§êg__dpsp&iygis e que enima os _
da
s.idiê, Assim corro os nacionalistas atacavam o irnperialismo E!gU{â. O esvaziamento pode ser fulminante e conyen""r em
e erarn lacônicos quanto à opressão burguesa, os antinacio- parte, além de render conlorto ao sentirnento nacional onde
rnenos se espera.
,.*Q._gápi a_á-Essu n d ari a
e$ relação ao ori gS§penSle {ç_le, _yA& 14g§p§*gtc= EqLa
p-e.{§p-§çXrva-€ala.Ç-a*u.=u1-qird=:dget:os=d!e!-l§.d-g-_çsúrutqdos
gs f orsqr eulluffii§ -do ço- n trqçu,!q-g--ç.§-ta* a b ê§g_dp_tu a}e s tqr
.

i4tçtgqt§âts,ls ê {-qg;-:"* qsqqlLq-=_Qla, dqrnglrgltal o intundÊ49_


de -{ilo,sofia *
çutopêta atgê], p. ex., de Feucalrlt e D_errida. Por que diz.er :

que o anterior prima sobre o posterior, o modelo sobre a imi"


tação, o central sobre o periférico, a infra-estrutura econô-
tnica sobre a vida cultural e assim por diante? Segundo os fi-
lósofos em questão, trata-se de condicionamentos (rnas são de
que ,ão deixam nresma ordern?) preconceituosos, que não descrevem a vida
de existir porque há mistificação na fó,nuia do espírito em seu rnovimento real, antes refletiudo a orien-
tação inerente às ciências hurnanas tradicionais. Seria nrais
ex*to e neutro imaginar unra seqüência infinita de transfor-
nraçôes, sem começo nern Íim, sern primeiro ou segundo, pior
ou inelhor. §eta_à .yt§là_o ê1iyitr+jappretp.:tp"d.p ao amor- -
irrírprio e tanrhénr à irrquietação do nrun-d_O subclese-!^yg-J.yido,
-tt-üIÀtéua'lonla-diz q n-orye. dos países centrais. De a-tlasados
templativo pode senir de comparação: a feiúra
repulsiva cras
psgsêtí s m s t-a-açti"an-tp-dps*
-dp*d@
liores-a,s,perierles_(aquelêJlg§:rlê_.tupsupnd*de-eliár,*-gue
nfe-

mansões em que se pâvoneava o capital


rta fase pàssada pa-
rece perversamente tolerái.el ao pé dos arranha-céus e,@, isto porque os países que vivem na
cla fase humilhação da cópia explícita e inevitável estão mais prepa,
atual, por untâ questão de escala, e devi<lo tamtrém
à poeriu rados que a metrôpole para abrir mão das ilusÕes cla origern
que emanír de qualquer poder quando
ele é passado p*.u trí,r. pritrreira (ainda que â lebre tenha sido levantada lâ e náo
.í4
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i! aqui). soLrretudo o problema da culfura reflexa deixaria de ser
t6rnável do presente, em qlle o espaço econÔmico está interna-
!:':.i.:':

' particularnrente nosso, e, cle certo ângulo, em lugar da alme- ':.t;.1'

cionalizaclo (o que é diferente de hornogeneizado), mas a arena


,r:ll,

1 jada europeização ou americanização cla Amórica Latina,


polítiea não'
:. assistiríamos à latino-americanização tlas cultur.as centrais. ' NgS-..,f, O" ZO . pt"..qqt *
, i Leiam-se, desse ponto de vista, "O entre-l*gar rlo discurso T
. r , ..
,, latino-amet'icano", de Silviano Santiago (Uma literuture ruos Osu,ll<i de Andrade tanüérue l

\
tróf icos, São Paulo, Perspectiva, Ig?8), e ,,Da raeão arrlr.|.- I
, i {ágica: diâlogo e diferença na cnltura brasileira", rrç IliLr.olrlo lidarles clerivadas clo natriarcaclo rLtral forrna ito centro rje slr4 I
j j ae Campos (ÍJoletínt Bibliográfit:o lJiblhtt,.:u Múrit) tltr ,4rr- poesia. Ào primeiro dos dois elementos cabe o prrpel de veleida- à
I

§ efracte, São Paulo, v. 44, jart./dez..lgtii]). dc disparaíada ("Rui Barbosa: uma cartola na Senegâmbia"). O
B§Ia:te§,] !-r91up!ltgulqg@r clesajuste não é encaratlo como vexame, e sim com otimismo *
arcem leva a eouaÇiouff op combater relações de suborcli-
g3sãr-r efgt_!-v-q. §e_fê_ gg§_-A§*
irí a urtviclade
-, (:on-lo intlício cle inocôncia nacional e cia possi-
se bilirliule tL: ttLn lttttto histótico itltcrttittivo, cltter tlizer, não-bur-
tgrna"m dispç,sáveis }rma yez desvestidrls do presiígig da_ori-
grrôs. Llstc progtcssisrtto .rui gt'ttt'ri.t' se cr:ntpleta pela aposta na
sinalidade? auré,rtu341e
tecrri[icaç:iiu: irtocência Irrasileira (fr"trto cle cristianizaçáo e abur-
e§1êLe*u]-ç*ogdigflp q C.
*- *-* guesamento apenas superficiais) + técnica = utopia. A iciéia é
postiç as. Çontrariamente a,q q lrg .aglrS.-
r.-,tr1
lt.\)dJ - @§.gsgg"gaojeja_n
\.:
la ary1lise fa4;gpo1, íL quebra do deslumbramento qqltural do aproveitar o progrcsso tnaterial moderno para saltar da socieclade
6 tu.nr,.r* i.x;'' s*brip.§çIy_-sh,-i-d.*q"unp_ _d"tn o pré-burguesa diretamente ao paraíso. O próprio Marx na car{a
çr:-drs;sa: *gtOlino. A reprodução de soluções cle ponta lesponde a neces- tarnosa a Vera Sassr-rlitch (1881) especulava soble uma hipótese
*4- /t'r' sidaclesculturais, econônricas e poríticas de que a noçã* de Barecida, segunclo a qual a coitluna camponesa russa alcançaria o
cópia, com sua conotação psicologizante, não dá iciéia e as socialisrno sem interregno capítalista, graças aos meios que o pro-
* zr,ié--- quais não especifica. Em_dççE:êUqa o exome .lesta gresso do Ociclente coloçava à sua clisposição. Neste mêsrno sen-
) ê'rràrr \)a " ticlo, ainda que en-r registo onde piada, provocação, filoso{ia da
::3:-:::.*
cri\/o:Ái[) füíL
o cazes história e profetismü eslão indistintos (como aliás mais tartle enr
sla
,*.r.*.--"ó"*tçf ,qqr ryz atmm Glauber Rocha), a Antiapoíagia visava clueirnar ttma etapa.
I pou<.lsr- ta uulQ pâr- a-
}§À rc'- ttqulal=de-ean
,.:abr,{Í, la tlo no Brasil pela cultura ocidental, está c]rug que o prggrarma de
saq.e lil;fu- : c.dtica de corte fi te-
Oswald lhe alterava a tônica. É o primitivismo locâI que devolver4
i-*/ .- @nte. Ain<ia aqui o nacionalisrno é argr-i-
me.ntativamente a parte fraca, mâs nem por isso sua srrpe_ Lcd.nsqdê-pgtgrqpulelgte*a-§e!Ídg1i-qçl9".qlq, .quel dizq1,, !qe*1!
raçito filosôfica satisfaz, pois nada cliz sobre as :.ealiclacles a qIEg
,Uitcs$çãA.9:1qt{ g. do uqilitarisrno capitalista. A. i
clne ele cleve a força. Entre parôntesis, note-se quc ncstcs ril- ra seria um ponto carcleal clit'erenciado e corn virtualidade !t-{Iica
limos temp.rs a qllase ausência clo naci.nirlism<l n, ilcbate in- (algo semelhante está insinua-
{r:leclual sél'ir: tenr anclatlo ao Í)íl' corn a slrÍl presença cres- do nos pôemas de htlário dc Anclrade e Raul Bopp sobre a pregLriça
centc n:r írrtla cla adnrirristrztçilo cla ctrltrrra, orrde ptrra mal olr amazônica). Foi profr-rnda portanto a viravoltil valorativa operacla
para bem nlo há conro fugir i\ crxislôncir eletiva cla clin-rensão
pelo Moclernismo: pela prirneira vez o plocesso e.m curso no Brasil
tracional. A volta pelu outra portu reflele unr paradoxo incon-
é considerado e sopesado dlretamellte no coiltexto da atualidade
ii
:
;:
ii:
mundial, corlo tendo algo a olerecer no capítulo. E_m.lugar .',
;:i :. .

--
clogio o sentimento de viverem entre instituições e
se i,qUe r-rrn
eml:asbacnnr*lrto, Os*ald proponhu u*u nostu.u !r::-rr:... âã.- copiadas
---^ são
que ^^.-,^á-. Á^ estrangeiro
do oc}r'qn<yairn e
+ trãn
não rpfleferrr reali-
refletenr a rg:fli-
rcuÍe*e S e rn sentin rÊnto d_e i níed-orj d arle g1$afbf "ultorêl
lfr-*Jq ,ffinr -l.ptéttiT:
. lAed g _
1rê ç!-eglur_i ,fu * local. Coutu clo, n ãro b asta:'enun"ii: :n : T1
@-dsrdhqb-gqlig-s.1-gl'4aqJa&qn-qrad-o-ra.arlis-rân-c_iairprernpo ,iiüLrru,"uiyer
ç de modo mais autê1tico. Aliâs, esta renúncia não
Yrrur uv "tr
l)el}Sitt
çorrratvrs"íve.i*a_pâriç._dq_ j:$_rl_qurcldçt-@_Lq§1ps ,"irrerrsávcl. Por outro 1a,Jo, a clestruição {ilosófica da noÇão de
:tt,. _ I r_,-_^ TJ^--- "-^-^ .-,-
prorpst as qxÍf aof dinéLias . ffipin tamporco faz desaparecef o problema. Itletl para a^colls- ino-
A voga dos rrmnifestos oswã.ldianos a partir rta c}écacra de 60, ffin.io programâtica co,r que o antropófago ignora o
e sobretuclo nos arlos 70, ocone em contexto muito diverso do ffingi*"nto, o qual teirna em reaparecet.de"Tupi or not Tupi,
Osrvald, cujo teor
primitivo. c) pano de funrlo a-aora é clado pe:la ditadura militar,, ;,,,+i.,*tls ilre question", na fatnosa fôrmula
ávida de progresso técnico, aliada ao grande capital, nacional e 11. ile contradição
* a busca da identidade naciotral passando
e um trocadillo
;...f.fo 1íngua inglesa, por uma citação clássica
,.
internacional, e menos repressiva. qlre o es;:erado em matéria tle
,l
|::
iii costumes. No outro ctullpo, a lentativa de passar à guerra revolu*
;$;* diz,muito sobre o imPasse.
ll
ffi Vista em perspectiva histôrica a questão talvez se des-
]:: cionária para clerrubtu o capitalismo também alterarrâ as acepções
a res'
Í,i n.plique. Silvio Roprero tem excelentesO observações
a:t

i" do que fosse "r'adical". Em sumâ, nacra a ver coill a estreiteza pro- que
:ti
!: ii:,.. eito, de mistura com vârios absurdos.
trecho vamos
vinciana dos anos 2ü, por oposição à quar a rebelião antropof.ági- em 1897 contra Ma-
'li:Íi tír,titar e comentar estâ num livro escrito -{,. /
l*1.' ca fazia figura libertríria e esclarecida em alto gra*. Nas novas cir.-
íffifu c1e Assis, justan:rente parâ provâr que a arte deste trão '
T nstâncias o otindsmo técnico tem ':. a:i-r *4t'-.;7
!,{ i,.i tt,.uu de anglornania inepta, servil, inadequada etc' 'í..,.t''" -
.?ii,V '
,")''
Deu-se, entretanto, uma espêcie de disparate t"'l: umâ
Ç))"' .
net' i\
:i' ,
i: \
prejuízo do resulJado artístico muitas vezes bom. Em detrinrento
da lirnpidez corlstrutiva e tIo lance agurio, tão pãcuhares ao espí-
pe-
qllena elite intelectual separou-se notavelmetrte do grosso cla
t)

1, t
t,
I,t
populaçio, e, âo passo que esta peÍmatlece quase inteirametrte /
rito praticado por osward, sobe a coÍ.açã'cros procedimentos incutta, aquela, sendo eln especial dotada da faculdade de í)"l 'r'^"f{'
14i-
mários e avacalhantes, clue ele tanrbém cultivava. A deglutição aprenrler e imitar, atirou'se a copiar na política e nas letras \,
sem culpa pode exemplifical uma evolucão desta espécie. o que
era liberdade em face do catolicismo, da trurguesia e do cleslum-
brame,to diante da Europa é hoje, nos anos g0, um áIibi desajei-
tado e rombudo para lidar acriticameiite com as ambigüidades
da de rnestiços e meridionais, apaixo-
cultua de massa, que pedem lucidez" Como não notar que ü lrabilidade i.lgsô-$a ejlallia
;
sujeit* da Antropofagia t@' pêta-luvqúql i-êLa-pia dq4{
- seurelhante, neste ponto, ao *aciona-
lismo * ó o brasileiro em gerar, sem especificação de crasse?
-se§ 4
ou Jr"tt. ,t"; raie dat!8-do ill§{liêtp au nquo de nossa vida
que a arralogia com o processo digestivo nada esclarece "
cla políti- 9.49 qe§qs:hlslóla'
purq4lep.ç^ tenrpg; coloniais' -a hâbil polítigL Ílq:5-eg1:e- t'
I
ca e estética do processo cultural coütempoúneo? "nnt11
En-r síntese" desde o sócuro passado existe entre gação, aÍasta, '
as Basiiio, Durão, Golzaga'
pessoâs educarlas do Brasil * urlla categoria social, .@iCI Oe.gçsgg. Por isso tiven-ros
mais Alvarenga Peixoto, Claudio e Silva Alvaretrga, que se mo-
veram nurn meio de idêias puramente poltuguesas e brasi-
(3) Á obser.,'ação é de Vinicius Dantas.
leiras.

-r8 3q
Corn o primeiro irnperador e a Regência, a pequena fresta
(aberta) no muro de nosso isoramento pcr I). ioão vr arargou-
mente, note-se que a exigência de organicidade coincidia no
se, e cômeçâmos a copiar o rornantismo político e literârio tempo com â expansão de lmperialismo e ciência organizada,
dos
franceses. tluas tendôncias que toffiravam obsoleta a hipótese tle uma cultura
Macaqueamos a carta de 1814, transplantamos para câ as naci«:nal autocentrada e hannônica.
fantasias de Benjamin constant, arremedamos o p:irramenta- 9pecadgorieinal,, causâ dâ descone a._lQgefei-
risnro e a política cnnstitucional do autor tle Adt.tlplt., clc ,ris- hs_aegô[iyqsjgla estão Lo plano da çisão social: a cultura seJr
tnra com a poesia e os sonhos do autor de ltutó a Atda. rekqões com o ambiefite. a ç$odtrçáo q:ue não sai do fi+ndo de .

nossa vida. Ota, a despr:oporção entre o efciÍo * a sociedade


O povo, este continuâ a ser arralíabckr.
O segundo reina<io, c()m s,il 1:.lítica va.cilarrtc, incerta, irr_
dividicla * e a causa o vezo imitativo * ó tanianha que leva
. cap&z' durante cinqiienla ít,os, esc,,c,r.u r,das as poÍtas,
e -
fê-lo tunrrrltrrilri*nrenle, senr rriscrínrelr, senl critér.io. A irni- a duviclar rlesta írltima e a desconsíderá-la. São as indicações mes-
tação, â lllacaqueírçilo de turlo, nrodas, coshrmes, 1eis, có_ mas t1o Autor que convidam a raciocinar em liúa diferente da
rligos, versos, dramas, Íomances, foi a regra geral. sua. Atrrindo um parêntesis,.
A comunicação direta parâ o velho contjnente pelos pa_ ser evitável e que. de falo. o argumento e a invectiva de Silirio
guetes de linha regurar engrossou a corrente da i,ritação,
t1a {azenr crcr que é obúgação cla elite corigir o erro que a disran-
côpia servil.
ciou cla populaç&. A crítica ambicionava tornar intolerável,*o
t...1
H eis porque, como cópia, cotno aÍTemedo, como ,já
trtastíche po
para inglês ver, não rrâ povo q,e tenha melhor constifuição
no
papel, [ .. . J tudo melhor.. . no papel. A realidade é horrível!,,a .poprrlar deseslimulava outras rJoÇLes.
As tlescrições e as explicações de silvio são desencon-
-
trâdas, às vezes incompatíveis, e interessam or" p"rá-ãre"" intjtqJiva de rnesÍiços e meridionuis, pouco dotatlos pafa a cr-iação.
mento, ora pela ideologia característica. Ao reitor dá hoje Apetição de princípio é óbvia, pois a imitação se explicapela bossa
con-
vém examiná-Ias em separado. e,ç_-s.quema bâsiço
ser _
- racial - p&a aquela mesilra imi.tação que se queria explicar, no
&lltg.,rrrta"pç-gpç4a,çlitÊ iqdiça-re a copiur a c Jhrra dol/e- que aliás o Autor imitava o naturalismo científico em voga na
ths- . Europa. São explicações hoje difíceis de levar a sério, e que no
ryI3sg;q çglI_q.,_."F*ry .ç
q_n e
s
qii Çn cia, I,itelut.,. a q ãffiú entanto merccem exame enguanto voz c:onente e urecanismo ídeo-
lógico. §e a causa da tendência brasileira para a cópia é racial, por

g]@ujBlranaci. .@Iar-ou-trc-kÀo ó claÍo qrrc- se tt:dos


Àdavet- -copiassern. dcsaoareceriam como nor encanto o.s mencio[ados
ryqn-te hpqtegêtrp*a-sssn:
funilq-gagulêÍ, norrnâ aliírs que não ejeitos dq "gxolismg' a-
pode ser reduzida a uma ilusão dá historiografia
riterària ,u ,taÍ9" (separação entre ejite e povo). e, corn eles. todo o p{oblema.
do Romantismo, pois ern certa medicla expressa
as c,nrlições nsrc tr,,,'t,,,,1
3, .*
Nos parágrat'os seguintes Silvio esboça o histórico do víci-o
eura qlq dlfa?rt2lg:Tor outro ãffi
igitativo da cult tá
(4) Silvio llomero, Machutlo ássx, Ilio de Janeiro, Laemrmert & C., lgg7,
p. rZL-3.
r1e Iturn
. Euti.e_

4t) 41
tarto, a distância entre elite e popuiação serÍa rnenor naquele a em beneficio das classes dominantes locais. I)ia.p-
ternpo? o amor da cópia menos vivo? Seguramente não, e aliás não istência itâvel
é isso que está dito. A coesão ár que se refere a pâssâgern era cle
outra ordem, efeito da "hábil política da segregação" (!), que sepa* plr.ell-a9li}l!rqq-4gqs-14*4aaiLpgteçq§§qql-e-§J{ên-sq-!tg5-ott
râvâ o Brasil de tudo que não fosse português. A comparação nou- po-rliçpt. - Uttb aqrgn 3!s,,emp1esla d4s, desplorP osit adas etc"
.

.o,ifqirUs alieferêncla dp-s difelentes críticos. A violência


da
tms palavras-é sem objeto, pois num caso a exigência de homoger
brasileiro
neidade se opõe a ulna estu'uturâ social, extraordinária pela tlesi *áú,"çAô -i4$iç-a 4s c-ontr.rtç-ões do amor-próprio
Jde elilg!-qlqSgad-o* a desffig1'ecg1
em nome do progresso os
gualdade, e no outro favorece a proibição de idéias estrangeiras. A
falta de foco ó complete. Isso pt-rsto, se a explicação não convcn- irtt&" ss*"prçsgi*qryr+ §oqlgL glL Y!99:Ygr§4----oPção
ce, a observação qire elir devia esclarccer ó justa: antes <Jo sécukr -Otp ql. .*c,asos- De um laclo,
trâfico negxeiro, lati-
i.inOio, escraviclão e mandonismo, url1 complexo de relações
XIX a cópia do modelo europelr e a distfurcia entre letr-aclos e com regrâ própria, firrnado durante a Colônia e ao
qual o uni-
população não constituíam "disparate". Digarnos, esquematizando
versalismo rla civilizaç:ão trurguesa não cltegava; de outro,
âo exúemô, que na situação coloniai o letrado é solictár.io da sendo posto em xeque pelo prirneiro, mas pondo'o eln xeque
públiôo
rnetrópole, da tradição do Oçidente s tâ$bérn de se*s confiades, tarnbém, a Lei (igual para todos), a separação entre o
mas nâo da população local. Nestas cirçunstâncias, o cultivo clo e'o privado, as liberdades civis, o parlanrerlto, o patriotismo
padrão rnetropolitano e o afastârnento cultunrl em relação ao meio romântico etc. âgqggf,Q!çrir iaryiliqq e e5lalilizada-e4tre es-
â.
não aparecem Çomo deficiência, até pelo contráÍio. AS1e.SSS que--e tas
eStCtiça,ueo"Ussi"a e univ. aprárti- ista.Â-Unl.il-
§a daq fennas canônicas. de modo que têmbóm no pl*qn_o da.tegda
da Arte a imitação aparecia como urn valor pobitivo. Na bo_ggh.ser- a rnarcha do . Outros viam nela o paqgglê:t"ti9o'
lit lircir ta r", ,r"servado .ontro imitações abiuldas' Outlos airtda «ie-
ninfa no lo escravo' Para ttào
dtreir'ão do carmo não estava falÍando com a -orjBinalicrade-:_incor-
pamye Sinqq§crais à tr+diçâo -çlo ,Ocidente. e. rneritoriarnqnte, ffi "dr-:sghsrit.-d*as---dsit,-.ç--.Çut:q§$t-als--esgsideravam
que esta couc'iliação iá e4rtlê-ç çr'a des.nloralizante' A crítica
temas;'
;itsll"i" p* t* ,"r, *J"ápo.âoea do declínio do Segundo
Pqttlrqlo a qApi+ l1ãq ttaqçeq cqt! ea
a _abç{tura-,{qr B-q_!rp.i Reinado, us<.r argulilentos conservadores dentro de ânimo
pro-
I-nggpsffqcia,co*" quqú Si ê p.irrir gressista: salienta o país "real"' Íruto e continuação do auto-
d,Aíg"legLglu4 e'b§.p1úy.çl:Eqblq$il{Êts} ê=ré lroje se discute e que dtarisrno da colônia, inas para combatô-lo; e rnenospreza Ô
§o=lig-1Jê*t-e-l_ o=Lç§ryrglf.qq:ílg _usp.ç_Q_q, arremedo ov pasticlxe. por país "ilusôrio", das leis, rlcs bacharêis, da cultura importada'
2 que motivo a imitação passava a ter conotação pejorativa? àepreciado por inoperante. Daí a sua obsemação: "não hâ
És&iüo=Sgç***lg{sp,Sr}dêÀE_q-b:q_qrtç1ran-ã_o*{qiumare- pouo que tenha melhor coustituição no papei ["']' A reali-
voluÇão: rcssalvadas a rrludança no relacionamelrto extqrno e dade é horrível!"-
a reorgan ização aclministrativa no toplL_a e slÍulgtL,gçonô- A lista <le arrernedos lembrada por silvio e que a alfân-
ial continrrav dega faria bem de barrar inclui tnodâs, costuntes, leis' có-
digos, versos, drarnas e rornânces. Um a ufil, medidos peta
(-5) Ântonio candido, Fonnação da ríterarura hrasireira, são pauk>, MâÍtins, realidacle social c1o país, estes iteus efetivamente podiam pa-
1969, v. l, p. 74- recer importação sutr-,érflua, destinada a tapar a indigência
.1 1
,41
AL +-,
real e a encenâr a ilusão dn progresso. Vistos eni conjunto, entre- Digamos que o passo da Colônia ao Estado autônonro l ..J' -d
tanto, são aspectos da constituição e do apareihamento do novo acarretâva a colaboraÇão assídua entre as formas de vicla ca-
Estado nacional, bem como da paflicipação clas no\ras elites na racterísticas cla opressão colonial e as inovações do progfesso
*n*n" ,n,^§r
cultura contemporânea. Sem pre.juízo da aparência postiça, estra- burguôs. A nova etapa do capitalisrno desmanchava a relaçãcl .rr'1,^*
nha ao andamento cotidíano dos negócios, este dado é mais ilrse- exclusiva com a metrópole, transformava os proprietários lo-
to
parírvel clo quadro que a própria escravidão, a qual adiante seria cais e administradores em classe dominante nacional, virtual-
substituída por ouí'as formas de trabalho compulsório, também nrente parte da burguesia mundial em constituição, e consell
eltrs incourpatíveis com a pretensão esclarecida. corrido o tempo, vaya entretanto as antigas formas de exploração do trabalho,
qer concebicla como a cuja redefitição moderna até hoje não se completort. Noutras
r rrr
palavras, a discrepância entre os "dois Brasis" não ó produ-
penhor de identidade. Privados cle seu contexto oitocentista euro- zida pela veia imitativa, como pensavam Silvio e mttitos ou-
peu e acoplaclos ao munclo da sociabilidade colonial, os melhora- tros, nenr Ínarcâ um curto momento de transição.ElqJqlS
mentos da civilizaçilo qLre importávamos passâvâm a operá]r resultado duradouro da criação do Estado necional sobre base -..

segundo outÍà reÊrÍI, diversa da consagrada nos países hegemôni- de tratralho escravo. a qfual por sua vez. com perdão da bt-q-
cos. Daí o sentimento tão difundido cle pastiche incligno, a que yidade,.decorria dqRevolgção Industri+l inglesa e da col?se-
escâpava Machado de As.sis, cuja grande imparcialklade Ihe per- ,[iiente crise. clo anJiqo sis.tema colonial. quer dizer. r/eç.qrrua
rltt ki;tórío cçntem .7 Assim, a nrâ-formação brasileira,
mitia ver um modo particr"rlar de funcionerffiento ideológico onde
dita atrasada, manifesta a ordem rla attralirlade a mesmo tí-
os cÍemais críticos só enxergavam esvaziamento. Em palavras de
tulo que o progresso dos países adiantados. 9s "{isp+Lq-tes"
Sórgio Buarque de Holancla: "A presteza com gue na antiga colô-
nia chegara a cliÍundir-se a pregação das 'idéiar novas,, e o fervor
de Silvio
- na vefda à
i,ta-
finalidpde,
com qile em mrrilos círculos elas foram abraçadas às r,ésperas rla
liFrnq.mundial - não são clesvios. Plendem-se
Inesm+"do- processq Brasil. exiee a -
V Independência, mostram de modo inequÍvoco. a possibilidacle
IJ rgiteracão do trabalho Íorcallqou semi-forcado e a ctecorrente
que tiúam de atender a um clesejo insofrido de murJar, à genera-
\.i1
\^ §eqr-esacão -cultural dos pobres. Com moclificações, muito
lizada cefieza de que o povo, aÍinal, se achava ama<lurecido parâ tlisso veio até os nossos dias. No momento o panofAnra parece
Y
tl- a rnudança. Mas também é claro que a ordem social expressa por estar mudando, devido a consumo e cornunicação de lnassas,
CI
.I I elas estava longe de encontrar aqui o seu equivalen(e exato, mor-
/,, J crüo efeito à primeira vista ê anti-segregador. São os novís-
3 mente Fora dos meios citadinos. outm eÍa â articulação da socie- simos termos da opressão e expropriação cul'fural, pouco ex&-
\'p
.Ç dade, outros os critórios básicos de exploração econômica e da nrinados por etrquanto.
repartição de privilégios, de sode que não podiam, essas idéias, $gsint, 4 tgse d,a cóqia culfurill é ideoloeia na acepcão
((
ter o sentido qre lhes era dado em parte da Europa ou da antiga §rârxisla do terruo. guer dizer. uma ilusão bem fur-rdada na-§--
América inglesa l.".l.O resultado ó que as 1,órmulas e palavras são ,apefênc-iCç:-â coexistôncia entre principios burgueses e do an-
its rnesmas, erntrora fclssem diversos o conteírdo e o sisniÍlcadO tigo regime, fato muito notório e glosado, é explicarla seguntio
clrre :rc1ui passavÍlm a âssumir"_n
(7) Emília Viotti da Costa, Da lt'Íonarquitt à Repuhlica: momeilto§ r/ecisivos,
(ír)Stlri.li,rllrr:rrrlucdcHolanda, l)oltttpérioàl?epúbtica, t.?,v.5 daHi.srórta São Paulo, Grijalbo, Luiz Felipe de Â.lencastro, "La traite négriêre et
797-1, cap. 1;
I'uniré nationale brésilienne", Rcvut: Française de l'Histoire J'0ilrru ltier, l. 66, n.
lir'tttl tla tivili ;rrçtirt ltrtsíleira, dirigida pclo mesmo AutnÍ, são paulo, Difel. 197?-
244-5, 19?9; Fernando Novais, "Passagens para o Novo M*ndo", Novos Estudos
l' /'/ ti .
Cebrap, Sâo Paulo, Cebrap, n. 9,jul. 1984.

44 45
um esquenra plausível, de alcance abrangente e
fundamento
individualista, em que efeitos e causas estão trocatros ante cultural veio asero eixo de
ern toda
linha. tiva crítica tua e difundida. Para trf,
Silvio, a falta de n!:gelant0
" i1)
ão nacional desta últirna. po; a* 0antio o lgitor nut,lr falso problema.
2) Q qqe é *m .{n+t-esÍRr de c-lqsse.dominante,.ljFado à
Itaria cle formas de des dade brutais ::

I
rnln colno feição
rte socierl ,::j.

nacional.
ada". O ;ti):::

adotacla a idéia cle nação que erâ nor- 3) IiçÉr sugerido que as elites se pociedarn conduzir d.e
rna) da classe dominante pelas viclas que explorâva putro modo, sanando o problerna. o qne eqriivale a pedil que
a tornatra
estrangeira ern seu prôprio juí2o... A origem
colonial e e§cÍa-
vista destas causas salta aos olhos. 4) Por sua lógica o argumento oculta o essencial, pois
ê p {eli.!êfr giqg cp131qmente assoc!+{as- à_qqi ta_ç o
.
elite e m uando o
fl rypli_
c"êrll-se da m.e-qqp grrÊgi1i. Cg1lÍo.rÍrtç"
ç_ç e-qus -críticos, a cópia
estâ nos sntípqd-aç-d-e- prisinaii lo&, iii"i*o
sentido na-
eional,. "o*
jgiçp-lp-{epsgdgüg-q-sd*es}i{qg§-s.ltçg:1[la,r.i*"t".
5) ,à solução impiícita estâ nlL auto-reformír. da
pra, no extr-emo a dominaça" afrsorutãÇ;iã-;'"i,ttrr., classq
ttadaexpressq".dàss_ol4!ts.üeq_çLq_e,lllç.dã_qri{+,_s-ç*e*..tràrnro,
do balha
o tr4ço de fqtili"dadsgtlg-_{9§Iillq.d-i§.gq
ttçrtpo e que *tg,.n, da atualidade. para n-
escritores souberam explorar. Dra;;;;iiterul"ry
p"Í- teresse. o que *
{ ica exó t icas_ " _qlt].+
l. gg[]-. lig_{çêg gqlLo--*igilclq i nredi ato
_
o u lorr _ mocracla
- neste canrno vale crollls _dpfiniqãg__dg_{q:.

: ll/* sí,qpo dq rioqt4Jrde*ç"._ü.*.lr;§mô: ;


sência cle "rliscrím,em" ; ;;;fité;il{i sobretudo. a conr.icção
u.,_
6) Quq.rq úz_qqplq_ps8sq nqlgtufr qllglnai,_qtlç1em a
,1 q-.r*'stão ü
nruito pro*unciacla cic_q.e é tudo sír papel Noutias
poiuur*r,
do qual a prirneira é o re-
.precçdência*-ef,tá:-flau-t& parte. e
d n rni.r*çÃ-t, ose!Ínsria-ê{hllre*d+_qrvilizaçêo_iqüted*.*aggr;qJ,rzioo tlexo inÍerior. Esta diminuicão qenêrica {reatientenrentç. r*e-s-
i^^\ .4 n;;tarÃõ
tec"*L L§la 4 P"J9-18
p-orlde à consciência que tênr de si as elites latino-americ:r{ras, 6iaÂJ'Érl.^+'-
tr,ro a1 .,"=t1:a
&-r-T-c4
loci-al-dç-paír*fl -r-ecçn{,ercàçult-ura-rmapasiça!-torort"r, g dâ consistência mítica. ng qlano d c rrna cle
tâvel, çqn-traditória ççm e seu autoconçeito-,-e-q"* § §Ê§çl4li"z.a§Qes -r;ç ei pnai g d-g. e spíri t g-às dç s i eu al d a d.qs . ec o n ô-
*ota-"tãrt" gliçp:tççsu.o1ósicq- pglÍÍiç as própri4§_aq gu Ad{o
.
^\tõ4e4LQ-
,a óppça11ã-q qrÍLtêo çstérir quarrto os a.gpnr."Ls^à"-Jir"r" t ern+ gion ai Cf{àf.> ..§-*
-.f:: iá "to*- -Ln
fazem crer. Cornptementirnierite, a .rf"r]o'
prluco permanecia irnprodutiva, e suas
,*à;;;;; poÍ isso adiâüê p
o-:*paísçs
"!* Í4 h.t,yln-e!
ma,ifestações *rais +digrtados"para gs qtras,ÍIdo§). Nqm q
adiante teriam, parâ o intelectual de extração
culta, o valor cle
pôlo opr:sto: as_ obieçóes filosófigas ao conceito de originjL.ti- ".*s**{ É1L)
componente não-burguesa da vida nacio,al, dade levarn a considerar inexistente um urohlema efetivo, qqe
'1)râ seruilrl0-lhe
como fixador da icrentidade brasileira (com §s:ria ahsurdo desconbggep. A historiografia c1a culi*ra ficou
as u*rrigtiiãoa*,
oDyras). devendo o passo globalizante dado pela ecorromia e sociorogia
de esquerclâ, {true estudam o nosso "atraso" colno partê da
46
47
histôria contemporânea do capital e de seus avanços.E Visto tlo
ângulo da côpia, o anacronismo formado pela justaposição de
formas da civilização moderna e realidades originadas na Co-
Iônia é um modo r1e não-ser, ou ainda, a realização vexato-
riamente imperleita de um modelo que está alhures. Já o crí-
tico dialêtico busca no mesmo anacronismo llma Íigura da
atualidade e de seu andamento promissor, grotesco ou catas-
tróÍico.
7) A idéia de côpia discutiria aqtri opõe o n4cional a-o

e
do irnitado-no orieinal. e também o
(Paulo Emilio Salles Gomes fala de "ilossa incompetência
criativa em copiar"'.) !e-
euiEte arranio d-e três elementos: um a-
lijade do país. a giUiiifgsão (as n3qõer adiantaclas -..seqfu-
Wê-:dliga glxl A*qlg!$ e! ro as s gqgcqr 3 s e g u p-d a . fu §ip
este essuema é irre -sa-
ber. a dimensão orsanizada e cumulativa do processo, alorça

em ioeo. internaci<ltrais inclusive. Sem prejuízo de seus aspec-


tos inaceitáveis -_ para quem? * a vida cultural tem dina-
mismos próprios, de que a eventual originalidade, trem como
a falta de1a, são eiementos entre outros- .A questão da cópia
não é falsa- descle aue tratada pragmaticamente. de um pont*Q"
de vista estética e
rla
criação a partir do nada.

(tj) Ver Oclso Furtado, A pró'revolttç:ão brusilcira, Rio rie Janeiro, Fundo de
('rrllrrra, l1)(r2, e [;ernatrdo II. Cardoso, Entpresúrio iudtstrial e descrtt'olvinzenlo
r,r1)rr(rrnri'r, mt llra.sil, São Pau[o. DiÍel, 1964.
(t)) I'arrlo L'lnrilio Salles Cornes, Cinema: traietória nrt suhrlesenvolvímento,
l{irr rle Jarrciro, Paz c'l'etra. 1980, p. 77.

4,\

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