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GUIA BÁSICO DE COSMETOLOGIA – QUÍMICA DA BELEZA GC- 00

APOSTILA GC-00

Ana Darezzo

Belo Horizonte

Todos os direitos reservados 1

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GUIA BÁSICO DE COSMETOLOGIA – QUÍMICA DA BELEZA GC- 00

GUIA BÁSICO DE COSMETOLOGIA .............................................................................. 3


APRESENTAÇÃO PESSOAL .............................................................................................. 4
HISTÓRIA DOS COSMÉTICOS ......................................................................................... 5
DEFINIÇÕES BÁSICAS ....................................................................................................... 8
CONCEITO DE FORMULAÇÕES COSMÉTICAS.......................................................... 9
LEGISLAÇÃO ...................................................................................................................... 12
SEGURANÇA E EFICÁCIA DE PRODUTOS COSMÉTICOS ..................................... 13
CLASSIFICAÇÃO DE PRODUTOS COSMÉTICOS ..................................................... 14
MATÉRIAS-PRIMAS .......................................................................................................... 17
COMPONENTES BÁSICOS DE UMA FORMULAÇÃO COSMÉTICA ..................... 18
NOMENCLATURA DE INGREDIENTES COSMÉTICOS (INCI) ............................. 37
ÁGUA PARA COSMÉTICOS ............................................................................................ 39
pH ........................................................................................................................................... 40
PROCESSO DE PRODUÇÃO ............................................................................................ 43
REFERÊNCIA FUTURA .................................................................................................... 49
VALIDADE DE PRODUTOS COSMÉTICOS ................................................................. 50
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................ 52

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O uso de produtos cosméticos não


é algo novo, data de tempos
remotos. Mas, atualmente, a
produção e o uso de produtos
cosméticos vêm crescendo
exponencialmente, pois tanto
mulheres quanto homens estão
mais envolvidos e preocupados com
o cuidado da pele e cabelos, além dos hábitos de higiene.

Com essa intensa valorização, produtos e técnicas foram


desenvolvidos para facilitar a manutenção e cuidados da pele e
dos cabelos, tendo a cosmetologia como parceira, atuando com
a beleza, correção, preservação, fantasia e sonho. Porém, o
grande e lucrativo mercado de beleza exige conhecimento,
atualizações e segurança.

Quais os componentes básicos de uma formulação cosmética?


Como calcular as quantidades de matérias-primas nas
formulações? Quais as legislações pertinentes? As respostas
a essas e outras questões são encontradas neste guia, onde os
temas são colocados de forma a fornecer subsídios para a
produção de cosméticos e novas fontes de consulta para
ampliar ainda mais o conhecimento de atividades direcionadas
para a cosmetologia.

Dessa forma, o guia foi criado com o intuito de ajudar aqueles


que pensam em entrar no ramo da beleza, ou já estão nele e
querem se aperfeiçoar, com o objetivo de proporcionar os
conhecimentos básicos para a produção, eficácia e segurança
de produtos cosméticos e as legislações pertinentes.

Este guia não o habilita como profissional ou perito da área,


mas serve para que tenha conhecimento do assunto e possa
decidir posteriormente se deseja aprofundar nos estudos,
fazendo cursos direcionados a formação profissional.

Não nos responsabilizamos por eventuais danos causados na


utilização dessas informações de maneira errônea. E alertamos
a observação às normas legais que regulam a fabricação e/ou
comercialização de produtos cosméticos.
É vedada a divulgação por quaisquer meios o conteúdo do curso
sem prévia autorização, sendo cabíveis ações pertinentes.
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Olá!
Sou Ana Darezzo.
Apaixonada e fascinada pelo universo da química e
física, me formei no Curso Técnico de Química e
posteriormente me graduei em Engenharia Química.
Com mais de 7 anos de experiência no ramo da
química, já trabalhei em laboratórios de análises, indústrias
cosméticas, realizando análises físico-químicas, pesquisa e
desenvolvimento de formulações cosméticas, bem como no
desenvolvimento e implementação do Sistema de Gestão para a
Qualidade.
Criei esse guia com a finalidade de ajudar aqueles que querem
abrir seu próprio negócio no ramo de produtos cosméticos ou
que querem fazer produtos para consumo próprio, a terem uma
boa base sobre as informações necessárias na área de
cosmetologia e legislações pertinentes.
Espero que com este guia, você adquira informações que ampliem
os seus conhecimentos e que tenha muito sucesso nos seus
objetivos.

Então vamos lá!

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Acredita-se que o uso de cosméticos remonta há pelo menos 30.000 anos, uma vez que
os homens da pré-história já faziam gravações em rochas e cavernas e pintavam o próprio
corpo.

A decoração do corpo também era parte de rituais tribais, praticados pelos aborígenes,
assim como a pintura de guerra. Os produtos cosméticos também eram utilizados em
cerimônias religiosas, em que frequentemente empregavam resinas e unguentos de
perfumes agradáveis. A queima de incenso deu origem à palavra perfume, que no latim
significa “através da fumaça”.

Entretanto, através de evidências arqueológicas e dos relatos


da história, os egípcios foram os primeiros usuários de
produtos cosméticos, em larga escala. Para proteger a pele do
clima desértico da região, os egípcios recorriam à gordura
animal e vegetal, cera de abelhas, mel e leite no preparo de
cremes para a pele. Utilizavam sombras e rouge, e um extrato
vegetal de henna para pintar os cabelos.

Durante a dominação Grega na Europa, 400 a.C, os cosméticos tornaram menos


conectados aos religiosos e mais aos cientistas, que davam conselhos sobre higiene,
banhos de água e sol, a importância do ar puro e da atividade física. Os gregos e romanos
foram os primeiros povos a produzir sabões, que eram preparados a partir de extratos
vegetais muito comuns no Mediterrâneo, como o azeite de oliva e o óleo de pinho, e
também a partir de minerais alcalinos obtidos a partir da moagem de rochas. Em seguida
surgiu a alquimia com formulações cosméticas que eram muito utilizadas em atos de
magia e ocultismo, surgi também os primeiros conceitos de produto voltados para a beleza
da mulher.

Porém, com a Idade Média, vieram os anos de clausura


para a ciência cosmética, um período em que o rigor
religioso reprimiu o culto a higiene e a exaltação da
beleza. Com a epidemia de peste negra, os banhos
foram proibidos, pois a medicina da época e o
radicalismo religioso pregavam que a água quente, ao
abrir os poros, permitia a entrada da peste no corpo.
Durante os 400 anos seguintes, os europeus evitaram
os banhos e a água era somente usada para beber. O uso de cosméticos na Europa
desapareceu completamente, sendo essa época conhecida como “500 anos sem banho”.

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Com o Renascentismo e descobrimento das Américas, no século


XV, ocorre uma retomada pela busca do embelezamento. Os
costumes e hábitos de vida da época passam a ser retratados pelos
pintores, que buscam exaltar a beleza em sua plenitude. Porém, a
falta de higiene persiste e os perfumes são criados para mascarar o
odor corporal.

Durante a Idade Moderna, séculos VXII e XVIII, há um crescente


uso dos cosméticos e na Europa eram vendidos produtos cosméticos, depilatórios,
pomadas, azeites, águas aromáticas, sabonetes e outros artigos de beleza. Neste período
ainda não se tinha o costume de tomar banho regularmente, proporcionando o
crescimento da produção de perfumes, que foi de grande importância para a economia
francesa da época.

Porém, no final daquele século, os Puritanos trouxeram um


novo período, no qual o uso de cosméticos e perfumes saiu
de moda. E em 1770, o Parlamento Inglês estabeleceu que
as mulheres não poderiam usar produtos cosméticos e nem
produto de limpeza, caso contrário seriam acusadas de
bruxaria e poderiam ter o casamento anulado.

Já na Idade Contemporânea, século XIX, os cosméticos


retomam a popularidade. Donas de casa dessa época
fabricavam cosméticos em suas próprias residências utilizando limonadas, leite, água de
rosas, creme de pepino, etc. Foi um período rico para o surgimento de indústrias de
matérias-primas para a fabricação de produtos cosméticos e de higiene nos Estados
Unidos, França, Japão, Inglaterra e Alemanha, e o início do mercado de produtos
cosméticos e produtos de higiene no mundo.

No início do século XX, os cosméticas passaram das


cozinhas para a produção industrial. A mulher no pós-guerra
passou a ocupar com desenvoltura e responsabilidade as
atividades até então exclusivamente masculinas. A liberação
da mulher em poder fazer apenas afazeres domésticos fez
com que cosméticos e produtos de higiene passassem a ser
comprados prontos.

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Em 1910, Helena Rubinstein abriu em Londres o primeiro salão


de beleza do mundo. Em 1921, pela primeira vez o batom é
embalado em um tubo e vendido em cartucho para as
consumidoras. Entre as inovações da indústria de cosméticos,
destacam- se: os desodorantes em tubos, os produtos químicos
para ondulação dos cabelos, os xampus sem sabão, os laquês em
aerossol, as tinturas de cabelo pouco tóxicas e a pasta de dentes
com flúor.

Nos anos 50, políticas de incentivo trouxeram para o Brasil


empresas multinacionais gigantescas, como a americana Avon e a francesa L’Oréal, que
trouxeram muitas novidades e, até mesmo produtos para o público masculino.

Nas décadas de 1970 e 1980, os filtros solares chegaram ao Brasil, bem como o
surgimento de aparelhos a laser e, os ácidos retinóico e glicólico passaram a ser utilizados
no tratamento de rugas e manchas. Nos anos 90, surgem os cosméticos multifuncionais,
como batons com protetor solar e hidratantes antienvelhecimento.

Neste século 21, os alfa-hidroxiácidos (AHA), que revolucionou a cosmetologia no século


XX ao serem utilizados em cremes para renovar a pele, começam a ser substituídos por
enzimas mais eficazes. Outra tendência é a descoberta de novas matérias-primas contendo
várias funções. No momento atual, as pesquisas avançam na direção da manipulação
genética para melhorar a eficácia dos cosméticos.

Ao longo dos anos à cosmetologia


vem evoluindo e se associando a
outras áreas do conhecimento, como
fitoterapia, aromaterapia,
aromacologia e cronobiologia, além
de se dividir em várias vertentes
como cosmecêutica, neurocosmética
e outras, que tornam a cosmetologia
cada vez mais uma ciência
multidisciplinar.

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A cosmetologia é uma ciência que pode ser definida como o


estudo e o ensino das formulações cosméticas, naturais ou
sintéticas, e os produtos para higiene, a fim de preservar a
saúde e a beleza da pele e dos cabelos. Engloba desde a
concepção dos produtos de beleza até a aplicação dos
produtos elaborados.

Permite à verificação das propriedades dos produtos


cosméticos, além da pesquisa de novas matérias-primas,
tecnologias, desenvolvimento de formulações, produção,
comercialização, controle de qualidade, toxicologia, eficácia de produtos e matérias-
primas e legislação, junto aos órgãos sanitários competentes, produtos e processos.

É a ciência e a arte que tem como objetivo o cuidado e a melhora da estética, aparência e
beleza, sem finalidade curativa ou de tratamento, mas sim de prevenção e enriquecimento
da pele e do cabelo.

O termo vem do grego Kosmétikós, que se refere ao enfeite, ao adorno. Os cosméticos


são substâncias, misturas ou formulações que atuam na superfície da pele, com o intuito
de higienizar, limpar, lubrificar, hidratar, nutrir, retardar o envelhecimento e embelezar o
ser humano. Os produtos são formulados com diversas substâncias e de modo a não
causarem reações indesejáveis.

Produtos cosméticos com funções mais complexas do que a limpeza ou o


embelezamento, que procuram aliar propriedades terapêuticas, causando modificações
na estrutura e na atividade da pele, mucosas e couro cabeludo. Entretanto, este fato ainda
confronta a legislação vigente, visto que os produtos cosméticos são considerados
preparações que não modificam a estrutura e atividade da pele.

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A formulação cosmética é a “receita” ou a fórmula para


desenvolver um produto cosmético, contendo as matérias-
primas necessárias, bem como sua função, a quantidade de
cada matéria-prima para a produção de uma determinada
batelada de produto e o modo e técnicas utilizadas para a
produção.
As formulações cosméticas são compostas por veículos, princípio ativo (PA) e aditivo,
dando origem a vários tipos de cosméticos que são utilizados de acordo com os objetivos
dos procedimentos estéticos.

Exemplo: Formulação Gel creme oil free (não iônico) 100g.

COMPONENTES FASE QUANTIDADE FUNÇÃO


(%p/p)
Hidroxitilcelulose A 2,00 Espessante
Propilenoglicol A 5,00 Umectante
Imidazolidinil ureia A 0,50 Conservante
Metilparabeno A 0,15 Conservante
Água destilada A qsp 100,00 Veículo
Óleo de silicone B 2,00 Emoliente
Tensoativo B qs Emulsificante

MODO DE PREPARO: Em um béquer misturar todos os componentes da fase A.


Aquecer até 65-70ºC, sob agitação. Tirar do aquecimento e manter agitação até
temperatura inferior a 40ºC. Adicionar os componentes da fase B e homogeneizar.

qsp é a abreviação de “quantidade suficiente para”, usada para dizer que deve ser usado
uma quantidade suficiente para completar uma determinada requisição (peso ou volume
de um produto).

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No exemplo acima, note a indicação qsp 100,00. Isto indica que o total da fórmula terá
100,00 g e que será completada pelo veículo – água destilada.

qsp é a abreviação de “quantidade suficiente”, usada para dizer que deve ser usado uma
quantidade suficiente para dar ao produto a característica desejada. Por exemplo, no caso
de corantes, deve-se adicionar uma quantidade suficiente de corante apenas para dar ao
produto a cor desejada.

Para calcular o qsp da fórmula, basta somar a quantidade das matérias-primas e subtrair
pela quantidade total, assim determinará a quantidade referida ao qsp. No exemplo acima
da formulação Gel creme oil free (não iônico) 100g, seria:

QUANTIDADE 2,00 + 5,00 + 0,50 + 0,15 + 2,00 = 9,65 g


(%p/p) qsp = 100,00 – 9,50 = 90,35 g
2,00
5,00 Entretanto, no exemplo ainda temos a quantidade qs. Logo, a
0,50 quantidade colocada no qs deverá ser somada juntamente com
0,15 as outras matérias-primas antes de realizar o cálculo do qsp.
qsp 100,00
2,00 2,00 + 5,00 + 0,50 + 0,15 + valor de qs +2,00 = X g
qsp = 100,00 – X
qs

A maioria das formulações cosméticas utiliza porcentagem (%) para


representar a quantidade das matérias-primas, pois assim permite fazer
a quantidade desejada, ou seja, pode-se fazer 100g ou 1000Kg, bem
como 10 mL ou 100 mL, ou qualquer quantidade que quiser, basta
colocar os ingredientes na proporção indicada na fórmula.
No exemplo da formulação Gel creme oil free (não iônico), temos a quantidade das
matérias-primas em porcentagem para o preparo de 100g do produto.

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Assim, ao realizar os cálculos teremos que pesar:

QUANTIDADE QUANTIDADE A
(%p/p) SER PESADA 𝟐, 𝟎𝟎
𝑿 𝟏𝟎𝟎𝒈 = 𝟐, 𝟎𝟎 𝒈
2,00 2,00 g 𝟏𝟎𝟎
5,00 5,00g
0,50 0,50g O cálculo será o mesmo para as demais
0,15 0,15 matérias-primas.
qsp 100,00 qsp 100,00
2,00 2,00g
qs qs

Porém, se quiséssemos fazer 1000g da formulação Gel creme oil free (não iônico), ao
realizar os cálculos teríamos que pesar:

QUANTIDADE QUANTIDADE A
(%p/p) SER PESADA 𝟐, 𝟎𝟎
𝑿 𝟏𝟎𝟎𝟎𝒈 = 𝟐𝟎, 𝟎𝟎 𝒈
2,00 20,00 g 𝟏𝟎𝟎
5,00 50,00g
0,50 5,00g O cálculo será o mesmo para as demais
0,15 1,50 matérias-primas.
qsp 100,00 qsp 100,00
2,00 20,00g
qs qs

UNIDADES DE CONCENTRAÇÃO

Porcentagem em massa: X % (p/p) X g de soluto por 100 g de solução.

Porcentagem em volume: X % (v/v) X mL de soluto por 100 mL de solução.

Porcentagem em massa/volume: X % (p/v) X g de soluto por 100 mL de solução.


Soluto: Pode ser definido como a substância dissolvida, ou seja, a que se distribui no interior
de outra substância na forma de pequenas partículas.

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Os cosméticos são entendidos de distintas maneiras em diferentes países. Por exemplo,


nos Estados Unidos a legislação não enquadra sabões como produtos cosméticos,
enquanto na França, os perfumes pertencem a uma classe de produtos industriais a parte
dos cosméticos.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), é o órgão do Ministério


da Saúde responsável por regular e fiscalizar a elaboração e comercialização dos produtos
cosméticos. Entre as competências do setor estão à regulamentação, controle e
monitoramento dos produtos cosméticos, de higiene pessoal, perfumes e saneantes
domissanitários para assegurar a sua qualidade, eficácia e segurança.

De acordo com a ANVISA, “Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes são


preparações constituídas por substâncias naturais ou sintéticas, de uso externo nas diversas
partes do corpo humano, pele, sistema capilar, unhas, lábios, órgãos genitais externos,
dentes e membranas mucosas da cavidade oral, com o objetivo exclusivo ou principal de
limpá-los, perfumá-los, alterar sua aparência e/ou corrigir odores corporais e/ou protegê-
los ou mantê-los em bom estado”.

Perante a ANVISA não existe diferença entre produtos


industrializados ou artesanais, se eles chegam às mãos do
consumidor devem ser regularizados. Visto que a função da
ANISA é garantir a saúde do consumidor, todos os produtos
cosméticos ao serem comercializados devem ser notificados
ou registrados, de acordo com seu grau de risco, e para isso a
empresa deve estar regularizada. Outra alternativa mais viável
é a terceirização de produtos com a sua marca em uma
empresa já regularizada.

As legislações pertinentes aos produtos cosméticos encontram-se no link abaixo:


http://www.anvisa.gov.br/cosmeticos/legis/especifica_registro.htm

Para informações sobre produtos cosméticos acesse:


http://portal.anvisa.gov.br/cosmeticos

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Segurança é entendido como a condição de estar


protegido, enquanto eficácia consiste em atingir um
dado objetivo ou resultado esperado. A partir deste
conceito, um cosmético seguro e eficaz é aquele que
cumpre o objetivo proposto com baixa possibilidade
de ocorrer danos ao usuário, já que a ausência total
de riscos não existe.
De acordo com a ANVISA, ao atribuir algum
benefício ao produto cosmético, o fabricante deve
comprová-lo através de testes validados e realizados por profissionais qualificados. O
produto para venda deve ser certificado que apresenta estabilidade físico-química,
microbiológica e ser seguro para uso. Posteriormente, deve ser comprovado a sua eficácia
e os dizeres no rótulo, atribuindo benefícios, devem estar de acordo com os resultados
encontrados nos testes de eficácia.
A fim de minimizar os riscos, os produtos cosméticos devem levar em suas composições
apenas componentes permitidos pela legislação garantindo, assim, maior segurança e
diminuindo possíveis problemas a saúde humana nas condições de uso recomendadas e
razoavelmente previsíveis.
Os produtos cosméticos para comercialização devem ter dados comprobatórios que
atestem a qualidade, segurança e eficácia, bem como a idoneidade dos respectivos dizeres
do rótulo, aos quais devem ser apresentados aos órgãos da vigilância sanitária sempre que
solicitados.
Cada vez mais os consumidores estão preocupados com a
segurança dos produtos cosméticos que usam, bem como
interessados em saber o que estão comprando e se realmente
cumpre o que promete no rótulo. Com isso, a ANVISA está cada
vez mais exigindo que se demostre que os cosméticos vendidos
são seguros e eficazes.

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Conforme a Resolução RDC nº 211, de 14 de julho de 2005, os produtos cosméticos são


classificados de acordo com critérios definidos em função da probabilidade de ocorrência
de efeitos não desejados devido ao uso inadequado do produto, sua formulação,
finalidade de uso, áreas do corpo a que se destinam e cuidados a serem observados quanto
sua utilização.

 são produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes com risco mínimo,


na qual sua formulação se caracteriza por possuir propriedades básicas ou elementares,
cuja comprovação não seja inicialmente necessária e não requeiram informações
detalhadas quanto ao seu modo de usar e suas restrições de uso, devido às
características intrínsecas do produto.

 são produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes com risco potencial,


na qual sua formulação possui indicações específicas, cujas características exigem
comprovação de segurança e/ou eficácia, bem como informações e cuidados, modo e
restrições de uso.

Para comercializar o produto de acordo com as normas da ANVISA,


é imprescindível saber a classificação do produto cosmético para
que possa ser notificado ou registado junto ao órgão e, de acordo
com a mesma, os documentos e especificações no rótulo que são
necessários.

Nas próximas páginas encontra-se a lista de produtos de Grau 1 e de Grau 2.

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LISTA DE TIPOS DE PRODUTOS DE GRAU 1


1 - Água de colônia, Água Perfumada, Perfume e Extrato Aromático.
2 - Amolecedor de cutícula (não cáustico).
3 - Aromatizante bucal.
4 - Base facial/corporal (sem finalidade foto protetora).
5 - Batom labial e brilho labial (sem finalidade foto protetora).
6 - Blush/Rouge (sem finalidade foto protetora).
7 - Condicionador/Creme rinse/Enxaguatório capilar (exceto os com ação antiqueda, anticaspa e/ou outros benefícios específicos
que justifiquem comprovação prévia).
8 - Corretivo facial (sem finalidade foto protetora).
9 - Creme, loção e gel para o rosto (sem ação foto protetora da pele e com finalidade exclusiva de hidratação).
10 - Creme, loção, gel e óleo esfoliante ("peeling") mecânico, corporal e/ou facial.
11 - Creme, loção, gel e óleo para as mãos (sem ação foto protetora, sem indicação de ação protetora individual para o trabalho,
como equipamento de proteção individual - EPI - e com finalidade exclusiva de hidratação e/ou refrescância).
12 - Creme, loção, gel e óleos para as pernas (com finalidade exclusiva de hidratação e/ou refrescância).
13 - Creme, loção, gel e óleo para limpeza facial (exceto para pele acnéica).
14 - Creme, loção, gel e óleo para o corpo (exceto os com finalidade específica de ação ante-estrias, ou anticelulite, sem ação foto
protetora da pele e com finalidade exclusiva de hidratação e/ou refrescância).
15 - Creme, loção, gel e óleo para os pés (com finalidade exclusiva de hidratação e/ou refrescância).
16 - Delineador para lábios, olhos e sobrancelhas.
17 - Demaquilante.
18 - Dentifrício (exceto os com flúor, os com ação antiplaca, anticárie, antitártaro, com indicação para dentes
sensíveis e os clareadores químicos).
19 - Depilatório mecânico/epilatório.
20 - Desodorante axilar (exceto os com ação antitranspirante).
21 - Desodorante colônia.
22 - Desodorante corporal (exceto desodorante íntimo).
23 - Desodorante pédico (exceto os com ação antitranspirante).
24 - Enxaguatório bucal aromatizante (exceto os com flúor, ação antisséptica e antiplaca).
25 - Esmalte, verniz, brilho para unhas.
26 - Fitas para remoção mecânica de impureza da pele.
27 - Fortalecedor de unhas.
28 - Kajal.
29 - Lápis para lábios, olhos e sobrancelhas.
30 - Lenço umedecido (exceto os com ação antisséptica e/ou outros benefícios específicos que justifiquem a comprovação prévia).
31 - Loção tônica facial (exceto para pele acnéica).
32 - Máscara para cílios.
33 - Máscara corporal (com finalidade exclusiva de limpeza e/ou hidratação).
34 - Máscara facial (exceto para pele acnéica, peeling químico e/ou outros benefícios específicos que justifiquem a
comprovação prévia).
35 - Modelador/fixador para sobrancelhas.
36 - Neutralizante para permanente e alisante.
37 - Pó facial (sem finalidade foto protetora).
38 - Produtos para banho/imersão: sais, óleos, cápsulas gelatinosas e banho de espuma.
39 - Produtos para barbear (exceto os com ação antisséptica).
40 - Produtos para fixar, modelar e/ou embelezar os cabelos: fixadores, laquês, reparadores de pontas, óleo capilar, brilhantinas,
mousses, cremes e géis para modelar e assentar os cabelos, restaurador capilar, máscara capilar e umidificador capilar.
41 - Produtos para pré-barbear (exceto os com ação antisséptica).
42 - Produtos pós-barbear (exceto os com ação antisséptica).
43 - Protetor labial sem foto protetor.
44 - Removedor de esmalte.
45 - Sabonete abrasivo/esfoliante mecânico (exceto os com ação antisséptica ou esfoliante químico).
46 - Sabonete facial e/ou corporal (exceto os com ação antisséptica ou esfoliante químico).
47 - Sabonete desodorante (exceto os com ação antisséptica).
48 - Secante de esmalte.
49 - Sombra para as pálpebras.
50 - Talco/pó (exceto os com ação antisséptica).
51 - Xampu (exceto os com ação antiqueda, anticaspa e/ou outros benefícios específicos que justifiquem a comprovação prévia).
52 - Xampu condicionador (exceto os com ação antiqueda, anticaspa e/ou outros benefícios específicos que justifiquem
comprovação prévia).

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LISTA DE TIPOS DE PRODUTOS DE GRAU 2


1 - Água oxigenada 10 a 40 volumes (incluídas as cremosas exceto os produtos de uso medicinal).
2 - Antitranspirante axilar.
3 - Antitranspirante pédico.
4 - Ativador/ acelerador de bronzeado.
5 - Batom labial e brilho labial infantil.
6 - Bloqueador Solar/antissolar.
7 - Blush/ rouge infantil.
8 - Bronzeador.
9 - Bronzeador simulatório.
10 - Clareador da pele.
11 - Clareador para as unhas químico.
12 - Clareador para cabelos e pelos do corpo.
13 - Colônia infantil.
14 - Condicionador anticaspa/antiqueda.
15 - Condicionador infantil.
16 - Dentifrício anticárie.
17 - Dentifrício antiplaca.
18 - Dentifrício antitártaro.
19 - Dentifrício clareador/ clareador dental químico.
20 - Dentifrício para dentes sensíveis.
21 - Dentifrício infantil.
22 - Depilatório químico.
23 - Descolorante capilar.
24 - Desodorante antitranspirante axilar.
25 - Desodorante antitranspirante pédico.
26 - Desodorante de uso íntimo.
27 - Enxaguatório bucal antiplaca.
28 - Enxaguatório bucal antisséptico.
29 - Enxaguatório bucal infantil.
30 - Enxaguatório capilar anticaspa/antiqueda.
31 - Enxaguatório capilar infantil.
32 - Enxaguatório capilar colorante / tonalizante.
33 - Esfoliante "peeling" químico.
34 - Esmalte para unhas infantil.
35 - Fixador de cabelo infantil.
36 - Lenços Umedecidos para Higiene infantil.
37 - Maquiagem com foto protetor.
38 - Produto de limpeza/ higienização infantil.
39 - Produto para alisar e/ ou tingir os cabelos.
40 - Produto para área dos olhos (exceto os de maquiagem e/ou ação hidratante e/ou demaquilante).
41 - Produto para evitar roer unhas.
42 - Produto para ondular os cabelos.
43 - Produto para pele acnéica.
44 - Produto para rugas.
45 - Produto protetor da pele infantil.
46 - Protetor labial com foto protetor.
47 - Protetor solar.
48 - Protetor solar infantil.
49 - Removedor de cutícula.
50 - Removedor de mancha de nicotina químico.
51 - Repelente de insetos.
52 - Sabonete antisséptico.
53 - Sabonete infantil.
54 - Sabonete de uso íntimo.
55 - Talco/amido infantil.
56 - Talco/pó antisséptico.
57 - Tintura capilar temporária/progressiva/permanente.
58 - Tônico/loção Capilar.
59 - Xampu anticaspa/antiqueda.
60 - Xampu colorante.
61 - Xampu condicionador anticaspa/antiqueda.
62 - Xampu condicionador infantil.
63 - Xampu infantil.

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Há muitos critérios para a seleção de uma matéria-prima, entre eles temos:

Possibilidade de
Logística de entrega Possibilidade de
Disponibilidade Vida útil substituição por
e de distribuição estocagem
outra matéria-prima

Versatilidade da
Condições do
embalagem em que é Toxicidade Riscos ambientais
processamento
fornecida

Atualmente, o mercado dá importância também se as matérias-primas são produzidas


sobre princípios sociais e ambientais de sustentabilidade.
A escolha das matérias-primas é muito importante, pois representam aproximadamente
65% do custo direto de produção de um cosmético. Mas, se quiser produzir um produto
de qualidade é necessário matérias-primas de qualidade para que o produto final possa
ser usado de forma eficaz.

É interessante ao adquiri as matérias-primas, verificar se o fornecedor também oferece


uma grande variedade de embalagens como vidros, tampas, potes, formas de silicone,
frascos e outros materiais de apoio como vasilhames, espátulas, funil, etiquetas e moldes
diversos, dependendo do que deseja produzir. Principalmente, para quem deseja montar
seu próprio negócio e começar a fabricar seus próprios produtos de cosméticos.
As substâncias/ matérias-primas que compõem as
formulações cosméticas podem ser formadas por
diversas possibilidades de composições, com
componentes de origem vegetal, animal ou mineral,
podendo também ser natural ou sintética.
Normalmente são inócuas para a saúde, com raras
exceções, logo suas quantidades devem ser
estritamente controladas. São utilizadas de acordo
com suas propriedades funcionais e físico-químicas, que são derivadas de suas respectivas
estruturas químicas, como veremos no próximo tópico.

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Os produtos cosméticos são formulados para uso tópico e quando utilizados corretamente
proporcionam resultados satisfatórios colaborando, incentivando, para que estes ocorram
de modo a melhorarem a qualidade de pele e cabelo, sem causar efeitos indesejados.
As substâncias/ matérias-primas que compõem as formulações cosméticas são
classificadas:

As substâncias orgânicas são aquelas que contêm o


elemento químico carbono, formando compostos de
carbono. São produzidas naturalmente pelos seres
vivos (animais ou vegetais), tais como carboidratos,
lipídios e proteínas, ou produzidas sinteticamente, ou
seja, preparadas artificialmente em laboratório e
indústrias.

O cosmético para ser certificado como um cosmético natural deve conter em sua
formulação pelo menos 5% de matérias-primas certificadas orgânicas. Os 95%
restantes da formulação pode ser composto por água, matérias-primas naturais não
certificadas ou permitidas para formulações naturais. Uma matéria-prima somente
será certificada com natural se for 100% natural.
Para um cosmético ser considerado um cosmético orgânico é necessário ser
certificado pelos órgãos competentes e conter na sua formulação 95% de matérias-
primas certificadas orgânicas, descontando-se a água e o sal. Os 5% restantes da
formulação pode ser composto por água, matérias-primas naturais, provenientes de
agricultura ou extrativismo não certificadas ou permitidas para formulações orgânicas.
Uma matéria-prima somente poderá ser classificada como orgânica e receber sua
certificação se for 100% orgânica, ou seja, obedecendo a todos os critérios de
produção, extração e processamento para um produto orgânico.

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As substâncias inorgânicas não possuem o carbono


como principal elemento de sua composição, sendo
compostos de todos os demais elementos químicos.
São produzidas naturalmente pelos minerais, ou
produzidas sinteticamente, ou seja, preparadas
artificialmente em laboratório e indústrias.


Os aldeídos são compostos orgânicos que possuem o grupo funcional ligado a
cadeias carbônicas.
A fórmula básica dos aldeídos é dada pela substituição de dois átomos de
hidrogênio de um hidrocarboneto, por um de oxigênio. De uma forma geral, os
aldeídos de menor massa molecular apresentar odor desagradável (a exemplo do
formol), enquanto que os de maior massa possuem odor agradável de frutas
(odoríferos naturais).


As cetonas são compostos orgânicos que possuem o grupo funcional ligado entre
dois carbonos. A propanona é a forma mais simples de uma cetona, ela é usada
na obtenção de solvente de esmaltes, resinas e vernizes, é mais conhecida pela
denominação de acetona.

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O grupo —CO—, característico dos aldeídos e cetonas, aparece


também em muitos compostos naturais, como essências, perfumes e
fixadores, extraídos de vegetais e animais. Por exemplo:

Jasmona Aldeído Cinâmico


(do óleo de jasmim) (essência de canela)


Os ácidos carboxílicos ou carboxilácidos são compostos orgânicos com que possuem um
ou mais grupos funcionais ligados a cadeias carbônicas.

Os ácidos carboxílicos possuem cheiro pronunciado e, em


geral, desagradável. Na natureza, os ácidos carboxílicos estão
presentes principalmente nos ésteres que constituem os óleos
e gorduras, tanto de origem vegetal como de origem animal.

São muito utilizados industrialmente na fabricação de


solventes, perfumes, inseticidas, fibras têxteis, etc. Outro uso
importante dos ácidos carboxílicos e de seus derivados é na
produção de filtros, protetores ou bloqueadores solares.

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Os ésteres são compostos orgânicos formados pela troca do hidrogênio presentes nos
grupos funcionais dos ácidos carboxílicos por um grupo orgânico.

Assim, o seu grupo funcional é caracterizado por:

Os ésteres mais simples aparecem no perfume das flores e no aroma e sabor dos frutos,
na forma de líquidos voláteis que conferem os seus cheiros característicos. As indústrias
utilizam-nos como flavorizante, isto é, como aditivos químicos para conferir cheiro e gosto
aos produtos fabricados.
Ésteres de moléculas maiores constituem os óleos e gorduras de origem vegetal e animal.
E ésteres de moléculas muito grandes aparecem nas ceras vegetais e nos organismos dos
animais.


Os éteres são compostos orgânicos em que o oxigênio está diretamente ligado a duas
cadeias carbônicas.

Esses compostos são mais aplicados como solventes em reações orgânicas e para extrair
essências, óleos e gorduras e como tensoativos para a produção de sabão.

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As aminas são compostos teoricamente derivados da amônia (NH ), pela substituição de
3

um, dois, ou três hidrogênios por grupos orgânicos. Surge daí a classificação das aminas
em primárias, secundárias ou terciárias.

Na indústria as aminas são utilizadas em certos tipos de sabão e em


inúmeras sínteses orgânicas. As aminas aromáticas são
importantíssimas na fabricação de corantes, como por exemplo, a
anilina.


As amidas são compostos teoricamente derivados da amônia (NH ), pela substituição de
3

um hidrogênio por um grupo orgânico.

As amidas são muito utilizadas em detergentes, xampus, cremes condicionadores,


sabonetes líquidos e produtos de limpeza. Possui ação espessante, sobrengordurante
evitando o ressecamento excessivo da pele e dos cabelos (repõe a gordura natural da pele
e do cabelo retirada por ação da detergência dos produtos), estabilizador de espuma e
solubilizante de essências. É utilizada para espessar xampus e detergentes, diminuindo a
quantidade de sal no acerto da viscosidade.

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É o componente que geralmente aparece em


maior quantidade na fórmula. Os veículos ou
excipientes são um conjunto de substâncias que
tem a função de dar a forma final com o objetivo
de transportar, favorecer ou abrandar os efeitos
dos princípios ativos. São eles que irão receber
os outros componentes e incorporar as outras
substâncias. Devem ter grande capacidade de solubilização ou de dispersão, conforme o
caso.
Alguns veículos podem ser usados para obter as características físicas e químicas desejadas
ao produto ou para melhorar a aparência, ou até mesmo melhorar a sensação do produto
quando aplicado na pele.

A sensação agradável quando aplicado o produto na pele é


fundamental para a aceitação da fórmula, pois se o consumidor não
sentir bem-estar quando aplicar o produto, dificilmente usará por
vários dias consecutivos e, portanto, não perceberá os efeitos
benéficos do mesmo.

Os veículos cosméticos estão disponíveis na forma de gel, líquido, pó, vetorial ou emulsão.

O formulador deve selecionar o tipo de veículo observando a melhor compatibilidade


com outros componentes e também a finalidade do princípio ativo, conforme o tipo
cutâneo, visto que é de fundamental importância para a estabilidade e absorção e,
consequentemente para a eficácia do produto.

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A forma cosmética gel é um sistema semissólido,


possui características coloidal, na qual as partículas
coloidais não se sedimentam (ficam dispersas), de
aspecto gelatinoso. É formado por duas fases, sendo
uma fase dispersora líquida (água, álcool,
propilenoglicol, acetona), e outra fase dispersora sólida
(agentes gelificantes).

Normalmente as substâncias formadoras de géis são


polímeros que, ao serem dispersos em um meio aquoso doam viscosidade à preparação.
Existem dois tipos principais de gel: gel aquoso e gel creme, e suas características e funções
são determinadas pela base veicular, ou mais precisamente pela fase dispersora.

Nos géis aquosos deve ser adicionado um umectante, pois tendem a apresentar um
ressecamento com o tempo, ou seja, a água presente no produto pode evaporar,
ocasionando ressecamento do produto. Além disso, a adição de conservantes é muito
importante, visto que os géis aquosos são bastante susceptíveis a contaminação
microbiológica.

Já os géis creme são emulsões com alta porcentagem de fase aquosa e baixo conteúdo
oleoso, estabilizados por coloide hidrofílico, não contendo material graxo como agente
de consistência. São chamados de cremes oil free. Em um gel creme é possível veicular
substancias lipossolúveis, tais como filtros solares, princípios ativos oleosos, sem que o
produto final deixe na pele uma sensação gordurosa.

Por se tratar de um veículo de preparo bem simples, geralmente o


gel é utilizado em formulações cosméticas acrescidos de princípios
ativos, para atender as necessidades específicas, tendo, portanto,
gel com efeito hidratante, refrescante, nutritivo e etc.

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É um veículo simples, em que o principal componente é a água, sendo muito utilizando


em loções cosméticas. Há dois tipos de loções:

Loção Aquosa: Quando a base veicular é água e os


princípios ativos hidrofílicos.

Loção Adstringente ou hidroalcoólica: Quando o álcool é


misturado à água.

Este veículo é indicado para produtos


preparados e conservados seco, sem
qualquer umidade, como por exemplo,
talco, pó facial e máscaras argilosas e
secativas. Nessas últimas, a adição de água
deve ser feita no momento da aplicação.

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Este veículo é uma estrutura projetada para carrear ativos hidrossolúveis ou lipossolúveis
até as camadas mais profundas da epiderme. São eles:

Lipossomas ou lipossomos: São pequenas vesículas compartimentadas,


sólidas, com revestimento formado por uma camada biomolecular, muito
semelhante à estrutura da membrana plasmática. Eles liberam seu
conteúdo de princípios ativos na primeira célula viva que encontram.

Nanosferas: São estruturas poliméricas porosas e inertes, capazes de fixar


em sua superfície ou armazenar em seu interior ativos, que são liberados
lenta e gradativamente à medida que o vetor é absorvido pelo tecido,
levando em torno de 12 horas em um processo.

Silanois ou silício orgânico: É um vetor com grande capacidade de


penetração cutânea e absorção celular, devido a grande afinidade do silício
com o organismo. Opõe-se a formação de radicais livres, tornando a
membrana celular mais resistente aos ataques de moléculas reativas,
reduzindo a oxidação e acelerando o processo de hidratação.

É um veículo heterogêneo, constituído por uma mistura de um líquido disperso no outro,


no qual são imiscíveis.

Normalmente, emulsões são sistemas heterogêneos, constituídos de um lado por água


e por outro de óleo, ou seja, sistema imiscível, e por um terceiro componente que é o
agente emulsificante (também chamado de tensoativo ou surfactante), o qual torna
miscíveis dois sistemas imiscíveis, dispersando um no outro.

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A fase dispersa é denominada como fase interna ou descontínua, sendo constituída de


microesferas ou micelas, enquanto o meio dispersante denominado como fase externa ou
contínua, consiste na substância que envolve a micela da fase interna.

As emulsões apresentam-se na forma de cremes, leites e loções


cremosas. Logo, são formas cosméticas emulsionadas de baixa
(loção) ou alta (creme) viscosidade.

As emulsões com o tempo tornam-se instáveis, com eventual


separação das fases (fases aquosas e oleosas se separam).
Somente permanecem estáveis por um determinado período
de tempo após sua preparação, mantendo suas características
originais de forma aceitável. Este período é denominado de
“prazo de validade”.

Portanto, cabe ao formulador conseguir uma emulsão estável num prazo suficiente para
o produto ser usado. Calor ou frio, embalagens não adequadas, destruição microbiana e
pH extremos, são alguns dos fatores que podem acelerar a separação das emulsões. O
aumento da viscosidade da emulsão pode torná-la mais estável.

i.

I. Emulsão O/A: As emulsões com fase interna oleosa e fase externa aquosa são
conhecidas como emulsões óleo em água, que podem ser designadas como “O/A”.
Gotículas de óleo (micelas) são dispersas em
água, que são circundadas por tensoativos com
sua parte lipofílica (que possuem afinidade com
óleo) apontando para dentro, e as hidrofílicas
(que possuem afinidade com água) para fora,
mantendo o óleo disperso em água. Nesse tipo
de emulsão a fase externa é a água e a interna o
óleo. Possui grande concentração de água e
baixa proporção de óleo. Normalmente é
menos oleosa, menos emoliente, tem secagem
mais rápida e facilmente lavável, podendo
ocorrer à formação de espuma. Micela, uma gota de óleo rodeada por água.

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II. Emulsão A/O: As emulsões com fase interna aquosa e fase externa oleosa são
conhecidas como emulsões água em óleo, que podem
ser designadas como “A/O”. Gotículas de água
(micelas inversas) são dispersas em óleo, que são
circundadas por tensoativos com sua parte hidrofílica
apontada para dentro, e a lipofílica para fora. Nesse
tipo de emulsão a fase externa é o óleo e a interna a
água. Possui grande concentração de óleo e baixa
proporção de água, com alto grau de emoliência e
dissolvência, sendo ideal para preparação de
cosméticos demaquilantes e cremes de limpeza em
geral.
Micela invertida.

III. Emulsão de fase múltipla


(A/O/A): Possuem mais do
que duas fases. Em uma
emulsão água-óleo-água
(A/O/A), uma emulsão de
duas fases A/O é dispersa em
água.
Emulsão de fase múltipla

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Os emulsionantes são utilizados para diminuir a força de repulsão entre as fases da


emulsão, denominada tensão superficial, permitindo assim que as fases se misturem. São
também denominados de tensoativos, surfactantes ou agente emulsionante, em razão da
sua propriedade especial de emulsificação.

Os tensoativos ou surfactante são substâncias fundamentais para preparar uma emulsão


estável, pois são substâncias com características especiais em sua estrutura molecular.
Agem reduzindo a tensão superficial entre as fases da emulsão, diminuindo a repulsão
entre as moléculas.

Em sua estrutura, os tensoativos possuem em uma extremidade da cadeia molecular um


radical lipofílico (que possuem afinidade com óleo) e um radical hidrofílico (que possuem
afinidade com água) na outra, servindo de ligação entre uma fase e outra da emulsão.
Devido às essas características, é imprescindível que o tensoativo seja lipofílico ou
hidrofílico. Assim, ser for lipofílico irá orientar a emulsão no sentido A/O, e ser for
hidrofílico, no sentido O/A.

Lipofílico Hidrofílico
Capaz de interagir Capaz de interagir
com o óleo com a água

Quando dimensionados da forma correta, os tensoativos atuam de modo a arrastar as impurezas,


retirando as sujeiras.

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Os tensoativos devem ser selecionados pelo


formulador, conforme a finalidade do cosmético: sejam
formadores de espuma (detergentes, xampus, etc.),
sejam dissolventes, isto é, dissolver substâncias
lipofílicas ou hidrofílicas, conforme a formulação.

Um bom tensoativo deve possuir características gerais


como ser um bom agente estabilizador, diminuir a
tensão superficial entre as fases, ser específico (lipofílico ou hidrofílico), ser quimicamente
estável, ser inodoro, incolor e não irritante para a pele, ser compatível com outras
matérias-primas; além de possuir propriedades especificas, ou seja, ser emulsificante,
espessante, dispersante, estabilizante, detergente, emoliente e antisséptico.

i.

Os tensoativos podem ser classificados com primários ou secundários: os primários


interferem diretamente a tensão superficial e os secundários na viscosidade, aumentado à
estabilidade da emulsão, também chamados de espessantes ou estabilizantes. Para melhor
entendimento, vamos abordar as classes de tensoativos. São eles:

I. Tensoativos aniônicos: São aqueles que, em solução aquosa se dissociam,


formando ânions (carga elétrica negativa). São hidrofílicos, por isso orientam
emulsões no sentido O/A. São detergentes, dispersantes e antissépticos. Os
principais tensoativos aniônicos utilizados em cosméticos são mono, di e
triestearatos de sódio, estearato de glicerina, derivados orgânicos amínicos, ésteres
sulfúricos de álcoois graxos, laurel sulfato de sódio, laurel sulfato de amônia, lauril-
éter-sulfato de sódio, lauril-éter-sulfacianato de sódio e laurel sulfato de
trietanolamina.

Sais metálicos de ácidos graxos (estearatos de cálcio e magnésio)


são tensoativos aniônicos, porém agem de maneira contrária,
orientando a emulsão no sentido A/O.

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II. Tensoativos catiônicos: São aqueles que, em solução aquosa se dissociam,


formando cátions (carga elétrica positiva). São substâncias bacteriostáticas e
amaciantes (pele e cabelo) e orientam as emulsões no sentido A/O. Os principais
tensoativos catiônicos utilizados em cosméticos são sais de amônio quaternário,
brometo de cetil- triemetilamônio, muito utilizado para cabelos em emulsões para
cremes, hidratantes e amaciantes, associados à tintura capilar, cloreto de
trimetilamônio e cloreto de benzalcônico.

III. Tensoativos anfóteros: São substâncias que possuem dupla polaridade, podendo
formar ânions e cátions, dependendo do pH do meio em que se encontram. Em
meio alcalino formam tensoativos aniônicos e, em meio ácido formam tensoativos
catiônicos. São menos agressivos do que os tensoativos aniônicos e, por isso, são
mais utilizados em formulações mais suaves, como xampus para bebês, cremes para
pele sensível, etc. Os tensoativos anfóteros são compatíveis com outros tensoativos,
são hidrofílicos orientando a emulsão no sentido O/A, possuem ação detergente,
espumante e bactericida. Os principais tensoativos anfóteros utilizados em
cosméticos são os detergentes (imidazolina e seus derivados), espumantes,
bactericidas (betaína e seus derivados), aminoácidos e derivados.

IV. Tensoativos não iônicos: São aqueles que, em solução aquosa não se dissociam, ou
seja, não formam íons. São oleosos, muito utilizados como agentes estabilizantes e
espessantes das emulsões, são compatíveis com outros tensoativos (normalmente
são associados a outros tensoativos) e pouco irritativos. Os principais tensoativos
não iônicos utilizados em cosméticos são estearato de polietilenoglicol,
monoetanolaminas de ácidos graxos de coco, deitalominas de ácidos graxos de
coco, ésteres de sorbitol e ésteres de sacarose.

Classificação dos tensoativos.


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São substâncias higroscópicas, ou seja, têm a capacidade de absorver a umidade


atmosférica. Os umectantes têm como objetivo garantir a umidade da massa cremosa dos
produtos, impedindo a formação de crostas superficiais e permitem a hidratação
superficial da epiderme, pois forma uma película sobre a pele após a aplicação do
produto. Os umectantes mais usados são sorbitol, etilenoglicol, glicerol, propilenoglicol,
lactatos, d-pantenol, derivados de lanolina, poliálcoois, etc.

São substâncias higroscópicas intracelulares, ou seja, que auxiliam no processo de


reposição do teor de água da pele ou do cabelo de maneira ativa, diferenciando-se dos
umectantes que são um processo passivo.

São responsáveis pelo espalhamento e lubrificação, que juntamente com os umectantes


são responsáveis pela hidratação da pele e cabelo. Os emolientes também são
responsáveis nas formulações por consistência e aparência. Alguns dos principais
emolientes são:

EMOLIENTE ESPALHABILIDADE CARÁTER OLEOSO


Vaselina Baixa Alto
Óleo de amêndoa Baixa Alto
Óleo mineral Baixa Alto
Álcool oleico Média Médio
Miristato de miristila Média Médio
Palmitato de isopropila Alta Baixo
PPG-15 estearil éter Alta Baixo

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São responsáveis por impedir a mobilidade da fase aquosa alterando sua viscosidade e
auxiliando o tensoativo, impedindo o rompimento da emulsão.

i.

I. Espessante orgânico
a) De fase oleosa: São espessantes insolúveis em água e solúveis em óleo. São
empregados em cremes, loções e condicionadores. Exemplos: Álcoois graxos,
monoestearato de gliceríla, ésteres de álcoois e ácidos graxos, ceras naturais e
minerais, óleos e gorduras.

b) De fase aquosa: Conferem viscosidade à fase aquosa. São normalmente insolúveis


na fase oleosa. Exemplos: CMC – carboximetilcelulose; HEC - hidroxietilcelulose
– natrosol; carbômero, PVP, álcool polivinílico; polissacarídeos: amido, agar-agar,
gomas e alginatos.

II. Espessante inorgânico

Cloreto de sódio, fosfato de sódio ou amônio, etc.

São usados em cosméticos para conferir alcalinidade às soluções, para neutralizar ácidos
graxos e corrigir pH. São mais usados ácido cítrico, ácido fosfórico, hidróxido de sódio e
TEA (trietanolamina).

Os agentes quelantes, também conhecidos como sequestrantes, associam-se e desativam


íons metálicos para eliminar reações indesejadas e estabilizar o produto. Previnem a
formação de precipitações de metais, estabiliza a cor do produto, evita que os óleos se
tornem rançosos e ajudam a retardar a deterioração por oxidação do produto final. Um
dos sequestrantes mais utilizado é o EDTA (ácido etilenodiamino tetra-acético).
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Substâncias que inibem ou bloqueiam o processo de


degradação por oxidação dos componentes orgânicos
(óleos vegetais, gorduras vegetais ou animais, óleos
essenciais e vitaminas). Estes processos de oxidação
podem se manifestar principalmente por modificações
do odor e da cor podendo até provocar irritações no
tecido cutâneo. Os componentes mais propensos a
sofrerem oxidação são as fragrâncias, os corantes, alguns ativos e os óleos (emolientes).

Em uma formulação, é o elemento com ação ou efeito mais acentuado. Possuem


propriedades anti-inflamatórias, antissépticas, calmante, cicatrizante, hidratante, nutritiva,
etc.

São substâncias utilizadas nas formulações cosméticas, com ação aromatizante, corante e
conservante.

A elaboração de cosméticos está sujeita a contaminação microbiológica, seja ela por


bactérias ou fungos.

A contaminação pode ser transmitida por diversas fontes, tais como: água, insetos,
matérias-primas, vidrarias, embalagens, manipuladores e usuários. Quando em pequenas
quantidades estas são aceitáveis, porém ao extrapolar os limites pré-determinados já são
considerados como contaminação e, portanto, devem ser evitadas.
Assim, os conservantes são substâncias que adicionadas aos produtos tem como finalidade
preservá-los de danos causados por microrganismos durante a estocagem, ou mesmo de
contaminações acidentais produzidas pelos consumidores durante o uso.

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Os agentes conservantes podem ser utilizados individualmente ou principalmente em


associações, o que assegura maior espectro de atividade e cada um poderá estar em menor
quantidade gerando possivelmente menos efeitos tóxicos.

Para cada tipo de agente conservante e dependendo da formulação há uma concentração


máxima permitida, que deve ser seguida rigorosamente. A lista de substâncias de ação
conservante permitidas para produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes,
encontra-se no link abaixo:

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2012/rdc0029_01_06_2012.pdf

Substância responsável por conferir cor a um produto. De acordo com


sua solubilidade podem ser nomeados de corantes ou pigmentos.

Corantes: substâncias que desenvolvem seu poder


de colorir quando são dissolvidas no meio em que
são utilizadas.

Pigmentos: substâncias que desenvolvem seu poder de


colorir quando são dispersas no meio em que são
utilizadas.

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As fragrâncias são substâncias que geram odores agradáveis aos produtos.

A constituição de uma fragrância é identificada através das notas (odor): notas de cabeça
ou saída, notas de corpo, notas de fundo, sendo uma sucessão de impressões olfativas e
não um conjunto homogêneo de todas elas.

Cada tipo de fragrância é uma mistura de diferentes funções químicas e estas matérias-
primas podem ser de origem natural (animal ou vegetal) e sintética.

A escolha da fragrância deve ser baseada em um consenso entre os corantes, a finalidade


e o tipo do produto, devendo estar harmonizada com atributos do produto e expectativas
do consumidor.

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As matérias-primas ou ingredientes utilizados em formulações cosméticas seguem um


sistema internacional de codificação da nomenclatura, reconhecido e adotado
mundialmente, criado com a finalidade de padronizar os ingredientes na rotulagem dos
produtos cosméticos. Sendo adotado o INCI, que é a sigla para “Internacional
Nomenclature Of Cosmetic Ingredients”, que em português seria, Nomenclatura
Internacional de Ingredientes Cosméticos.
O INCI foi desenvolvido com a participação de vários países e culturas, baseando a
nomenclatura em listas internacionais de ingredientes conhecidos e utilizados por
pesquisadores e cientistas de todo o mundo. No Brasil o INCI é regulado pela ANVISA.

Nomes químicos (IUPAC) (International Union of Pure and Applied


Chemistry);

Denominação comum internacional (INN – International Non-


proprietary Name);

Denominações de farmacopeias (americana, brasileira, europeia);

Nomes comerciais (um para cada fornecedor);

CAS – Chemical Abstracts Service (codificação mundial);

NCM – Nomenclatura Comum do Mercosul (codificação regional);

EINECS – European Inventory of Existing Commercial Chemical Substances


(inventário europeu das substâncias químicas existentes no mercado);

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É importante a classificação dos ingredientes cosméticos pelo INCI para que haja maior
agilidade, precisão, clareza na identificação dos ingredientes, evitando confusão com
sinônimos e diferentes sistemas de nomenclatura, e facilitando o trabalho de localização
de informações e de orientação para consumidores, profissionais de saúde e de vigilância
sanitária.
A organização dos componentes respeita uma ordem sequenciada começando no
ingrediente mais concentrado até ao menos concentrado. Em primeiro lugar aparece
muitas vezes a água, porque é quase sempre um dos maiores constituintes. No final
costumam encontram-se letras seguidas de números, que indicam os ingredientes usados
como corantes ou conservantes, também apresentados segundo uma escala internacional.

• Ingrediente: Formol.

Exemplo: • Nomes comerciais: Karsan, Ivalon, Fanoform, Lysoform.

Nomenclatura • Nomes químicos: metanal, formaldeído, aldeído fórmico,


Formol metil aldeído, oximetileno, oxometano, formalina.

• INCI: FORMALDEHYDE

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A água é muito utilizada em formulações cosméticas, portanto ela precisa receber um


tratamento adequado para remoção de impurezas sólidas, microrganismos e alguns íons
específicos para que não provoque ou acelere reações químicas nocivas ao produto.
A água utilizada nas formulações cosméticas pode ser: água filtrada, destilada, deionizada
ou ultrapura. Veja a diferença de cada uma abaixo:
I. Água filtrada: É a água distribuída pela rede pública que geralmente, provém de
rios, represas ou lagos, que passa por tratamento com produtos químicos para
remover as impurezas presentes até se tornar potável e sem riscos para a saúde. A
água ao chegar a nossas casas e ao passar por um dispositivo filtrante é considerada
água filtrada. Após passar por um filtro de alta qualidade, a água melhorará sua
qualidade, estará pura e pronta para ser consumida. Pode ser utilizada em algumas
formulações.

II. Água destilada: A água distribuída pela rede pública passa por um processo
denominado destilação, separando os componentes da água com base nos seus
diferentes pontos de ebulição. É uma água com alto grau de pureza, isenta de
minerais e íons. Muito indicada para a utilização em formulações cosméticas.

III. Água deionizada: A água distribuída pela rede pública passa por um processo de
remoção de íons catiônicos e aniônicos através de um sistema de resinas trocadoras
de íons. Possui baixos valores de minerais e íons. Pode ser utilizada em algumas
formulações.

IV. Água ultrapura: A água distribuída pela rede pública passa por um sistema de
abrandamento com resinas trocadoras, substituindo o cálcio e o magnésio
dissolvidos na água por íons de sódio. Posteriormente, segue para um sistema de
osmose reversa, que faz a remoção desses íons, seguindo de um refinamento por
uma série de filtros constituídos de resinas catiônicas e aniônicas, um leito de carvão
ativo para remoção de contaminantes orgânicos e por fim, por um filtro físico para
remoção de particulados. É uma água de extrema pureza, isenta de quaisquer tipos
de contaminantes, minerais, íons, substâncias orgânicas ou microrganismos.
Também indicada para a utilização em formulações cosméticas.

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O pH dos produtos cosméticos é de extrema importância, pois se não estiver adequado


pode causar sérias lesões e danos na pele e no couro cabeludo. O pH sofre alterações
conforme a região do corpo, idade e sexo, e dependendo da finalidade, se o pH do
produto for diferente do natural, pode causar alguma reação contrário ao desejado. Por
isso, vamos entender melhor sobre o pH.
Primeiramente, temos que entender um pouco sobre os íons, antes de falar sobre o pH.
O íon é um átomo ou molécula com carga elétrica, assim quando uma molécula se ioniza,
divide-se em duas, criando um par de íons com cargas elétricas opostas, ou seja, um com
carga elétrica negativa (ânion), e um com carga elétrica positiva (cátion).
Uma molécula de água é composta por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio, mas
algumas de suas moléculas não permanecem unidas. Por causa da ionização natural da
água, algumas moléculas se ionizam (dividem) em dois íons separados: H e OH .
+ +

Ionização da água.

H é o íon de hidrogênio, ácido. OH é o íon de hidróxido, alcalino. Toda molécula de


+ +

água ao se ionizar rende um íon de hidrogênio (H ) e um de hidróxido (OH ).


+ +

A ionização da água faz o pH possível. Somente substâncias


aquosas têm pH. Soluções não aquosas, como álcool e óleo, não.

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A sigla pH significa Potencial do Hidrogênio. A escala de pH, mede os íons, indicando a


acidez e a alcalinidade por meio da medição da concentração de íons de hidrogênio em
uma solução aquosa.

Perceba que o pH é escrito com “p” minúsculo; que representa


quantidade; e “H” maiúsculo; que representa a quantidade de íons de
hidrogênio (H+).

A escala de pH varia de 0 a 14. Um pH 7 indica que é uma solução neutra, abaixo disso
é uma solução ácida, e acima uma solução alcalina.

A escala de pH meda a acidez (o íon de hidrogênio H ), mas não a alcalinidade (o íon de


+

hidróxido alcalino OH ) diretamente, mas se subtende que a alcalinidade aumenta


+

enquanto a acidez diminui.

A água pura é neutra porque não é ácida nem alcalina. Ela é formada por um
equilíbrio, ou seja, contém o mesmo número de íons de hidrogênio (H+) e de
íons de hidróxido (OH+), sendo 50% ácida e 50% álcali.

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Existem vários tipos de medidores de pH, entre eles temos o pHmetro, é mais utilizado
nas indústrias, e as fitas de pH, que mudam de cor quando colocadas na solução e são
comparadas a uma tabela.

pHmetro de bancada.

pHmetro de bolso.

Fita de pH.

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A produção de produtos cosméticos segue a norma da ANVISA de Boas Práticas de


Fabricação, para assegurar a qualidade dos produtos comercializados. Dentro da indústria
e empresas regularizadas, seguindo as normas da ANVISA, o processo de produção se
dá pela seguinte maneira:

MP → Matéria-prima CQ→ Controle de Qualidade

Entretanto, iremos focar nas seguintes etapas de produção:

Aquisição
Manipulação Envase Rotulagem
materia-prima

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I. Aquisição de matéria-prima: As matérias-primas ao serem adquiridas para


produção de produtos cosméticos devem vim com uma ficha de informações
técnicas, que contém as informações necessárias para a utilização adequada do
material. Elas devem ser avaliadas quanto a dados toxicológicos básicos, tais como:
absorção cutânea, estudo do potencial de efeito sistêmico, alergênico e riscos
irritativos. É importante comprar matérias-primas de qualidade para assegurar a
eficiência e qualidade do produto.
Exemplo: Ficha de informação técnica de uma matéria-prima para formulações
cosméticas.

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II. Manipulação: As matérias-primas devem ser manipuladas de acordo com a


formulação, seguindo as etapas para a produção do produto. É necessário também
estar atento à limpeza e ventilação adequada do local em que o produto será
manipulado, limpeza das vidrarias e matérias utilizadas, higienização e
paramentação apropriada do manipulador, para garantir a qualidade do seu
produto e a segurança do manipulador durante o processo de fabricação.

III. Envase: O produto depois de manipulado deve se envasado, ou seja,


acondicionando em embalagens próprias. As embalagens representam, em média,
de 15 a 30% do custo final de um cosmético. Entretanto, além de um design de
excelência, é necessário atentar para a escolha de um material apropriado, para a
limpeza da embalagem antes e após adicionar o produto, sua versatilidade,
qualidade, praticidade e facilidade de manipulação e de aplicação. A embalagem
deve ser resistente ao produto (não pode sofrer ataque ou corrosão do mesmo), à
passagem do tempo e aos diversos esforços e stress a que é submetida ao longo do
seu uso. As embalagens são classificadas em:

a) Embalagem Primária: envoltório ou recipiente que se encontra em contato


direto com os produtos.
b) Embalagem Secundária: é a embalagem destinada a conter a embalagem
primária ou as embalagens primárias.

IV. Rotulagem: A rotulagem tem como objetivo estabelecer as informações


indispensáveis que devem figurar nos rótulos dos produtos, referentes à sua
utilização, assim como toda a indicação necessária alusiva ao produto. Assim, o
rótulo é uma identificação impressa ou litografada, bem como dizeres pintados ou
gravados, decalco sobre pressão ou outros, aplicados diretamente sobre recipientes,
embalagens, invólucros, envoltórios ou qualquer outro protetor de embalagens. No
rótulo deve conter:
a) Nome/Grupo/Tipo: designação do produto para distingui-lo de outros, ainda
que da mesma empresa ou fabricante, da mesma espécie, qualidade ou
natureza.

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b) Marca: elemento que identifica um ou vários produtos da mesma empresa ou


fabricante e que os distingue de produtos de outras empresas ou fabricantes.

c) Origem: lugar de produção do produto.

d) Lote ou partida: Quantidade de um produto em um ciclo de fabricação,


devidamente identificado, cuja principal característica é a homogeneidade.

e) Prazo de validade: tempo em que o produto mantém suas propriedades,


quando conservado na embalagem original e sem avarias, em condições
adequadas de armazenamento e utilização.

f) Responsável técnico: pessoa responsável pelo processo de produção.

g) Fabricante: empresa que possui as instalações necessárias para a


fabricação/elaboração de Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e
Perfumes.

h) Número de registro do produto: corresponde ao número de identificação de


empresa e o número de Resolução ou Autorização de comercialização do
produto.

i) Ingredientes/Composição: descrição dos componentes da fórmula através de


sua designação genérica, utilizando a codificação de substâncias estabelecida
pela Nomenclatura Internacional de Ingredientes Cosméticos (INCI).

j) Advertências e restrições de uso: são as estabelecidas nas listas de substâncias


quando exigem a obrigatoriedade de informar a presença das mesmas no
rótulo e aquelas estabelecidas no Anexo V, da RDC nº 211, de 14 de julho
de 2005.

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A Quando não existir embalagem secundária toda a informação


requerida deve figurar na Embalagem Primária.
saber:
O Modo de Uso poderá figurar em folheto anexo. Neste caso
deverá indicar-se na embalagem primária: - "Ver folheto anexo".

Quando a embalagem for pequena e não permitir a inclusão de


advertências e restrições de uso, as mesmas poderão figurar em
folheto anexo. Deverá estar indicado na embalagem primária: -
"Ver folheto anexo".

Os produtos não poderão ter nome ou designação que induza a


erro quanto à sua composição.

Não poderão constar da rotulagem ou da publicidade e


propaganda designações, nomes geográficos, símbolos, figuras,
desenhos ou quaisquer indicações que possibilitem interpretação
falsa, erro ou confusão quanto à origem, procedência, natureza,
composição ou qualidade, ou que atribuam ao produto finalidades
ou características diferentes daquelas que realmente possua.

Os requisitos para a rotulagem específica de produtos cosméticos encontram-se nos


links abaixo
http://www.uberlandia.mg.gov.br/uploads/cms_b_arquivos/8250.pdf

http://www.anvisa.gov.br/cosmeticos/guia/html/79_2000.pdf

Veja também a RDC nº 343, de 13 de dezembro de 2005.

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Exemplo: Rotulagem de produtos cosméticos.

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Após o processo de produção é necessário reservar


amostras do produto acabado, para cada lote produzido,
retidas em material de embalagem original ou equivalente
ao material de embalagem de comercialização e
armazenadas nas condições especificadas, em temperatura
ambiente, por um período de três anos. Após o prazo as
amostras poderão ser descartadas.
Essas amostras denominadas de referência futura ou
amostras de retenção devem ser em quantidade suficiente
para permitir que sejam executadas, no mínimo, analises físico-químicas e microbiológicas
do produto, ou qualquer tipo de verificação do produto após sua comercialização, se
necessário.
Isso é muito importante, pois qualquer eventual problema apresentado no seu produto
comercializado será possível verificar a procedência ou não das reclamações e, assim, caso
necessário, realizar as devidas correções.

Para amostras cuja gramatura da embalagem original estiver


compreendida entre 300g e 1000g ou mL, deve ser retido apenas uma
embalagem do produto acabado.
Para amostras cuja gramatura da embalagem original inferior a 300 g ou
for superior a 1000g ou 1000 mL, deverá ser retido apenas uma
embalagem do produto, porém com o conteúdo de 300g ou 300 mL.

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O uso de produtos cosméticos vencidos é um meio propício para a proliferação de


bactérias e fungos, o que pode acarretar problemas na pele, irritações desagradáveis,
hipersensibilidade, reações alérgicas e a proliferação de doenças, além de não exercer as
propriedades desejadas, podendo também comprometer a confiabilidade frente ao
consumidor.
No Brasil, a obrigatoriedade da indicação do prazo de validade na embalagem dos
produtos cosméticos, à vista do consumidor, está estabelecida em legislação específica,
Resolução 79/00 e suas atualizações e Lei 8.078/90 - Código de Proteção e Defesa do
Consumidor.
Entende-se por prazo de validade como o período de vida útil, no qual o produto mantém
suas características originais, em condições de qualidade, sendo um produto estável do
ponto de vista físico-químico, microbiológico ou toxicológico. Portanto, o prazo de
validade pode ser estimado por meio dos Estudos de Estabilidade, e sua confirmação
deve ser realizada por meio do Teste de Prateleira. Os resultados serão considerados
satisfatórios quando as amostras apresentarem valor dentro da especificação estabelecida
para o produto. Alguns produtos, em função do risco que podem apresentar, têm limites
estabelecidos por regulamentação específica (RDC 215/05 ou atualização).

A estabilidade é denominada como a capacidade que o produto tem num determinado


período de manter as suas propriedades (físico-químicas e microbiológicas) e
características (organolépticas) que apresentava no momento em que finalizou a sua
fabricação através de um procedimento padronizado.
O estudo de estabilidade contribui para orientar o desenvolvimento das formulações e do
material adequado de acondicionamento, oferecer subsídios para o aperfeiçoamento das
formulações, estimar o prazo de validade e auxiliar no monitoramento da estabilidade
organoléptica, físico-química e microbiológica, oferecendo informações da eficácia e
segurança do produto.
Você poderá encontrar mais sobre o teste de estabilidade no link:
http://portal.anvisa.gov.br/documents/106351/107910/Guia+de+Estabilidade+de+Produt
os+Cosm%C3%A9ticos/49cdf34c-b697-4af3-8647-dcb600f753e2

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De maneira geral, o tempo médio de duração de alguns dos produtos cosméticos é:

PRODUTO PRAZO DE VALIDADE


Produtos para cabelos 12 meses
Cremes para o rosto: hidratantes,
6 meses
higienizadores e demaquilantes
Creme para os olhos 3 meses
Tônico facial 12 meses
Protetor solar 6 a 12 meses
Pó bronzeador 24 meses
Lápis de olhos, sobrancelha e lábios 12 meses
Base 6 a 18 meses
Corretivo 8 a 18 meses
Pó compacto 12 a 24 meses
Primer 6 a 12 meses
Blush em pó 18 a 24 meses
Blush em creme ou líquido 6 a 12 meses
Iluminadores 6 a 12 meses
Rímel 3 a 6 meses
Delineador 6 a 12 meses
Sombras em pó 12 a 24 meses
Batom 12 a 18 meses
Gloss 6 a 12 meses
Desodorantes 24 meses
Perfumes 2 a 5 anos
Esmalte 8 a 24 meses
Ceras depilatórias 3 anos

O prazo de validade expresso em “mês e ano” dispensa a


colocação da data de fabricação; porém nos casos
“Validade 2 anos” a data de fabricação deve constar no
rótulo.

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BRASIL, AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução RDC


nº 29, de 01 de junho de 2013.
BRASIL, AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução RDC
nº 48, de 16 de março de 2006.
BRASIL, AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução RDC
nº 79, de 28 de agosto de 2000.
BRASIL, AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução RDC
nº 162, de 11 de setembro de 2001.
BRASIL, AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução RDC
nº 211, de 14 de julho de 2005.
BRASIL, AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução RDC
nº 215, de 25 de julho de 2005.
BRASIL, AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução RDC
nº 343, de 13 de dezembro de 2005.
BRASIL, AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Guia de
estabilidade de produtos cosméticos. 1. ed. Brasília. 2004.
BRASIL, PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA CASA CIVIL. Lei nº 8.078, de 11 de
setembro de 1990.
FELTRE, R. Química orgânica. 6. ed. 2004. São Paulo. Moderna.
GABRIEL, M; GOMES, R.S. Descomplicando os princípios ativos. 4. ed. 2013. Medica
Paulista Edito.
HALL, J. Tricologia e a química cosmética capilar. 5. ed. 2012. CENGAGE Learning.
RIBEIRO, C. J. Cosmetologia aplicada a dermoestética. 2. ed. 2010. Pharmabooks.

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