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1.

INTRODUÇÃO AO DIREITO ADMINISTRATIVO


1.1 CONCEITO
Direito Administrativo é o direito que se aplica a administração pública, a grosso modo.
Nada mais é que o arcabouço normativo que pauta a atuação da Administração; é o
que se extrai da definição clássica do José Santos Carvalho Filho.
Segundo o autor, direito administrativo “é o conjunto de princípios e regras que
regem a administração pública nas suas relações internas e externas”.
As RELAÇÕES INTERNAS são aquelas da administração com ela mesma, como
exemplo: a relação da União com uma autarquia, da União com uma empresa pública
– como a Petrobrás – ou da União com seus servidores.
RELAÇÕES EXTERNAS são aquelas tomadas com os particulares, administrados em
geral.
1.2 BREVE HISTÓRICO E RAZÃO DE SER
É um ramo do direito novo, que existe há cerca de 300 anos.
É um ramo novo, pois só passou a fazer sentido com o advento do Estado de direito,
com a queda do absolutismo.
No antigo regime, o monarca era o próprio estado, de modo que administrava o reino
do jeito que queria. A vontade do estado era a própria vontade do rei, assim, não fazia
sentido existir regras para limitá-lo.
Com a Revolução Francesa e a queda do antigo regime, passamos a conhecer o Estado
de Direito, que é pautado pelo princípio da legalidade, onde todos, inclusive o rei,
devem obediência.
Quando o próprio rei deve obediência a lei, o próprio poder que cria o direito também
deve respeitar o direito, para regular o respeito do monarca ou governante às leis é
que se construiu o direito administrativo.
A partir do momento em que o administrador deve seguir regras é que faz sentido
ter um ramo jurídico especializado nessas normas que devem pautar a administração
pública.
Então, é preciso cercar esse gestor de regras – isso é o direito administrativo.
1.3 FUNÇÕES
Nesse contexto, o direito administrativo possui duas funções, quais sejam, (i) LIMITAR
O PODER DO ADMINISTRADOR e, por outro lado, (ii) DAR PODER A ADMINISTRAÇÃO,
direcionado unicamente para a SATISFAÇÃO DE INTERESSES COLETIVOS, evitando que
esse interesse seja apropriado pela vontade particular do governante.
1.4 REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO
Nesse contexto, é possível tirar algumas conclusões lógicas acerca do Direito
Administrativo, a primeira delas é que ele é um conjunto de normas regulando o
poder e atuação do Estado, a segunda conclusão é que ele apresenta uma
bipolaridade, uma dupla finalidade, onde LIMITA O PODER DO ESTADO e ao mesmo
tempo concede e DIRECIONA O PODER PARA A SATISFAÇÃO DO INTERESSE PÚBLICO.
REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO
Conjunto harmônico de princípios que definem a lógica da atuação do ente público, a
qual se baseia na existência de limitações (sujeições) e prerrogativas em face do
interesse público. Esses princípios devem resguardar essa lógica, havendo, entre eles,
um ponto de coincidência.
O regime jurídico administrativo pode ser resumido em duas palavras:
PRERROGATIVAS E SUJEIÇÕES.
Pode-se estabelecer a presença de dois princípios basilares na definição do regime
jurídico administrativo, quais sejam: a supremacia do interesse público sobre o
interesse privado e a indisponibilidade do interesse público pelos administradores do
Estado.

INTERESSE PÚBLICO PRIMÁRIO INTERESSE PÚBLICO SECUNDÁRIO


Composto pelas necessidades da Vontade da máquina estatal, são os
sociedade. anseios e as necessidades do Estado
como sujeito de direito.
É relevante entender que a busca indevida de interesses secundários, abrindo mão
do interesse primário - ou seja, do interesse público propriamente dito - enseja
abuso de poder.

A REGRA GERAL é que a administração vai atuar no regime jurídico de direito


PÚBLICO sempre que estiver atuando em sua FINALIDADE PRIMÁRIA, atendendo as
necessidades coletivas.
Agora, quando ela atuar exclusivamente para atender seus INTERESSES
INSTRUMENTAIS, SECUNDÁRIOS, poderá atuar no regime PRIVADO.
1.5. SENTIDOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
A expressão administração pública pode ter dois sentidos diferentes. São eles:
a) SUBJETIVO/FORMAL/ORGÂNICO: refere-se aos entes da administração, a pessoa,
órgão ou agente público (concursado ou não) que compõem a administração pública.
b) OBJETIVO/MATERIAL/FUNCIONAL: refere-se a própria ATIVIDADE
ADMINISTRATIVA. Diz respeito ao serviço público, ao poder de polícia, a atividade de
fomento estatal, enfim, a própria função administrativa que está sendo executada.
Outra distinção de sentido importante, principalmente porque a banca CESPE gosta de
cobrar essas nuances doutrinarias, é RELATIVA A EXTENSÃO:
A) ESTRITO: a Administração Pública abrange apenas os ÓRGÃOS SUBORDINADOS,
isto é, aqueles que estão hierarquicamente INFERIORES AOS ÓRGÃOS POLÍTICOS, os
que vão executar as políticas públicas. Ex: delegado federal, o procurador, o lixeiro.
B) AMPLO: engloba, além dos órgãos subordinados, TAMBÉM OS ÓRGÃOS
POLÍTICOS, que irão definir as políticas públicas e não executar. Ex: Presidente da
República, presidente do Senado. (Esses órgãos são conhecidos como órgãos
constitucionais de governo.)

SUBJETIVO/FORMAL/ORGÂNIC OBJETIVO/MATERIAL/FUNCIONAL
O
SENTIDO Órgãos administrativos Execução das políticas públicas
ESTRITO subordinados. (função administrativa).
SENTIDO Órgãos constitucionais de Formulação de políticas públicas
AMPLO Governo e órgãos (função de governo) e execução
administrativos subordinados. dessas políticas (função
administrativa).

1.6. CRITÉRIOS PARA CONCEITUAR DIREITO ADMINISTRATIVO


Existem outros critérios para definir o Direito Administrativo, não é de tanta
incidência, mas ultimamente o CESPE tem cobrado. São eles:
a) DO PODER EXECUTIVO: o direito administrativo é aquele que REGULA O PODER
EXECUTIVO. Essa conceituação é criticada, pois o Direito Administrativo não se
restringe ao Poder Executivo, já que abrange também o exercício das funções atípicas
do Judiciário e do Legislativo, por exemplo, o gozo de férias pelos juízes ou pelos
servidores da Assembleia Legislativa, são atos administrativos e regidos pelo Direito
Administrativo.
b) DO SERVIÇO PÚBLICO: o direito administrativo disciplina a instituição e
PRESTAÇÃO DO SERVIÇO PÚBLICO. É também um critério muito criticado, a
administração tem mais funções que somente a prestação do serviço público, como o
poder de polícia e atividades de fomento.
c) DAS RELAÇÕES JURÍDICAS: nos diz que o Direito Administrativo é o ramo que regula
A RELAÇÃO ENTRE A ADMINISTRAÇÃO E O ADMINISTRADO. Também é insuficiente
esse critério, haja vista que outros ramos do direito também tratam dessa relação,
como o Direito Tributário, que rege relações entre a administração e os administrados
(contribuintes).
d) TELEOLÓGICO OU FINALÍSTICO: para este o Direito Administrativo é a disciplina da
ATIVIDADE FIM do Estado. Só que essa noção é muito abstrata, vaga, e por isso é
criticada pela doutrina.
e) NEGATIVISTA OU RESIDUAL: o direito Administrativo estuda tudo o que NÃO É
JURISDICIONAL OU LEGISLATIVO. Também é muito vago e criticado pela doutrina.
f) ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: embora todos os critérios tenham um sentido de
verdade, a doutrina tradicional é mais apegada ao critério da administração pública,
que diz que o Direito Administrativo É UM CONJUNTO DE REGRAS DA
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.

QUESTÕES
 CESPE. AGU. ADVOGADO DA UNIÃO. 2009: Pelo critério teleológico, o
Direito Administrativo é considerado como o conjunto de normas que
regem as relações entre a administração e os administrados. Tal critério
leva em conta necessariamente, o caráter residual ou negativo do Direito
Administrativo.
COMENTÁRIO: O critério teleológico é aquele que diz que o direito
administrativo disciplina o cumprimento das finalidades do Estado. Essa
definição colocada na questão é do critério das relações jurídicas. Ao final,
traz a definição do caráter residual. Questão incorreta.
 CESPE. TCE/PB. PROCURADOR. 2014: Para Gaston Jezè, defensor da Escola
do Serviço Público, o direito administrativo tem como objeto a soma das
atividades desenvolvidas para a realização dos fins estatais, excluídas a
legislação e jurisdição.
COMENTÁRIO: Gaston Jezè foi defensor da escola do serviço público, mas
a definição da escola de serviço público na questão está errada, que na
verdade é a de que o direito administrativo regula a prestação do serviço
público, o conceito dado na questão é o conceito do critério negativo ou
residual. Questão incorreta.
 CESPE. PGM/FORTALEZA. PROCURADOR MUNICIPAL. 2017: A regulação das
relações jurídicas entre agentes públicos, entidades e órgãos estatais cabe
ao direito administrativo, ao passo que a regulação das relações entre o
Estado e Sociedade compete aos ramos do direito privado, que regulam,
por exemplo, as ações judiciais de responsabilização do Estado.
COMENTÁRIO: Questão incorreta. O direito administrativo é o conjunto de
normas que regula as atividades do Estado, tanto em sua relação interna
quanto externa (Estado e sociedade).
 CESPE. TRF-1. MAGISTRATURA. 2017: A administração pública, em seu
sentido material, compreende as pessoas jurídicas, os órgãos e os agentes
que exercem a função administrativa. Por outro lado, em seu sentido
forma, designa a natureza da atividade exercida por esses entes.
COMENTÁRIO: questão incorreta. É justamente o contrário, as pessoas e
órgãos se referem ao requisito subjetivo, já a atividade exercida se trata
do requisito material.

2. NOÇÕES GERAIS
Os princípios do Direito Administrativo são postulados, axiomas fundamentais, que
norteiam a atuação da Administração Pública.
São aplicáveis a toda administração, seja direta, indireta, de direito privado ou
público.
Os princípios têm finalidade, segundo a doutrina:
A) INFORMATIVA: reside em GUIAR, ORIENTAR a ATUAÇÃO DO LEGISLADOR. O
legislador não pode atuar em afronta aos princípios do Direito Administrativo.
B) INTERPRETATIVA: são usados como BALIZAS para CONHECER e INTERPRETAR as
regras jurídicas.
C) NORMATIVA: diz respeito à aplicação DIRETA e IMEDIATA de um princípio em uma
realidade completa, é a atuação do princípio como NORMA COGENTE. Isso é possível,
ocorrendo o princípio os direitos e deveres são gerados por si só, sem nenhuma
interposição legislativa. O maior exemplo de força cogente é a vedação ao nepotismo
(Súmula Vinculante 13), pois decorre diretamente do art. 37, caput, do princípio da
moralidade, eficiência, impessoalidade, e etc. Os princípios, segundo a doutrina, são
divididos entre expressos (explícitos) e implícitos.
Os PRINCÍPIOS EXPRESSOS são os constantes do art. 37, caput, da CF. Essa norma é
muito importante para o Direito Administrativo, pois regula não só princípios, mas
também disposições sobre concurso público, agentes públicos, organização da
administração, etc.
Já os PRINCÍPIOS IMPLÍCITOS derivam do ordenamento jurídico como um todo e são
reconhecidos pela doutrina. O legislador, em alguns casos, chegou a positivar alguns
dos princípios implícitos, como é o caso da lei 9.784/99 que regula o processo
administrativo federal.
A doutrina gosta de fazer a classificação entre os princípios serem expressos ou
implícitos, no entanto, não há diferença alguma entre eles, tendo eles, em abstrato, o
MESMO VALOR e FORÇA NORMATIVA.
Decorre da teoria dos princípios, estudada em Constitucional, que dita que NÃO
EXISTE UMA HIERARQUIA ENTRE PRINCÍPIOS.
Para definir qual princípio é mais importante, é necessário olhar o caso concreto, à luz
deste é que se vai sopesar os princípios e ver qual prevalecerá no caso concreto.
Assim, não há qualquer diferença ontológica de força dos princípios.
2.1. PRINCIPIOS EXPLICÍTOS OU EXPRESSOS
Todos estão presentes no art. 37, caput da CF/88. São decorados no acrônimo LIMPE.
2.2. LEGALIDADE
Todos devem observar a lei, para a Administração isso significa que toda e qualquer
atividade administrativa deve ser AUTORIZADA EM LEI, tendo previsão legal.
Seu fundamento está nas origens do Direito Administrativo, pois decorre do Estado
de Direito.
Sua premissa é que todos devem respeitar a lei, é o império da lei.
Esse respeito a legalidade é diferente para o particular e para o agente público, uma
vez que a legalidade do particular é aquela presente no art. 5o da CF/88, que diz que
ninguém é obrigado a fazer ou não algo, senão em virtude de lei. Isso significa que o
particular pode atuar na livre vontade quando não há uma lei que o proíba, na omissão
da lei o particular tem liberdade, conhecido também como autonomia da vontade ou
vinculação negativa à lei.
A administração pública tem uma completa SUBMISSÃO A LEI, uma legalidade
estrita, de modo que o administrador só pode agir quando a lei expressamente o
autoriza.
O princípio da legalidade afasta a possibilidade de a Administração praticar atos
INOMINADOS; estes são possíveis para os particulares, como decorrência do
princípio da autonomia da vontade".
CAIU ASSIM: O princípio da legalidade veda à administração a prática de atos
inominados, embora estes sejam permitidos aos particulares. (CERTO)
O conceito cunhado por HELY LOPES MEIRELLES é que “enquanto na administração
particular é lícito fazer tudo o que a lei não proíbe, na Administração Pública só é
permitido fazer o que a lei autoriza”.
PRINCÍPIO DA JURIDICIDADE
A administração deve obediência ao princípio da legalidade, o que significa que deve
atuar somente nos casos e na forma prevista nas leis. O princípio da juridicidade
amplia esta observância, de modo que a Administração deve respeito não só ao
disposto nas leis mas, também, ao disposto no Direito como um todo, incluindo
princípios gerais, normas internacionais, infralegais dentre outros. Desta forma, a
Administração deve atuar conforme a lei e o Direito.
LEGALIDADE CLÁSSICA: Administração estava vinculada unicamente aos ditames da
lei.
LEGALIDADE MODERNA: Administração está submetida à lei e o Direito (princípios,
atos infralegais, etc).
2.2.1. LEGALIDADE x RESERVA LEGAL
O princípio da reserva legal tem um SENTIDO MAIS ESPECÍFICO, qual seja, algumas
matérias só poderão ser tratadas por lei; reserva, assim, algumas matérias a serem
tratadas por LEI FORMAL, estes temas estão previstos na Constituição Federal, como o
direito tributário (art. 149, CF).
2.2.2. EXCEÇÕES AO PRINCIPIO DA LEGALIDADE
Assim como todo princípio, o princípio da legalidade NÃO É ABSOLUTO, mas admite
algumas mitigações, essas mitigações estão na Constituição Federal. Para concurso é
importante lembrar as seguintes mitigações:
 CF, art. 84, VI: permissão para que o Presidente da República disponha,
mediante DECRETO, sobre organização administrativa federal, quando
não implicar aumento de despesas e para a extinção de funções ou cargos
vagos. É conhecido como decreto autônomo.
CF, Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:
VI – dispor, MEDIANTE DECRETO, sobre: (Redação dada pela Emenda
Constitucional no 32, de 2001)
a) organização e funcionamento da administração federal, quando
não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos
públicos; (Incluída pela Emenda Constitucional no 32, de 2001)
b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos; (Incluída
pela Emenda Constitucional no 32, de 2001)
 ESTADO DE DEFESA e ESTADO DE SÍTIO: quando há anormalidade
institucional é instaurada uma LEGALIDADE EXTRAORDINÁRIA, que mitiga
a legalidade comum.

 As MEDIDAS PROVISÓRIAS estão regulamentadas no art. 62 da Carta Magna e


são expedidas com força de lei, em caso de relevância e urgência, pelo
Presidente da República, devendo ser submetidas, de imediato, ao Congresso
Nacional. Importa ressaltar que a MP não pode tratar matéria referente à
nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos, direito
eleitoral, direito penal, processual penal e processual civil entre outras
vedações estampadas no próprio dispositivo mencionado.
2.3. IMPESSOALIDADE
Em sua acepção mais corrente na doutrina, é dever da administração de promover
tratamento igualitário, isonômico para todos os administrados.
A administração deve tratar IGUALMENTE todos aqueles que estejam em idêntica
situação jurídica.
Por isso não é possível beneficiar ou prejudicar ninguém sem um fundamento
legítimo escorado no interesse público, um discrímen correto, justo.
Pode-se perceber que a impessoalidade decorre do PRINCÍPIO DA ISONOMIA, como
se fosse uma manifestação deste para a administração pública, justamente por ser um
desdobramento, admite a isonomia material. Um exemplo clássico de impessoalidade
é o do art. 100 da CF, que trata sobre os precatórios e o pagamento em ordem
cronológica de apresentação dos débitos judiciais.
Por admitir essa isonomia material, a CF ADMITE UM DISCRÍMEN justo para tratar de
forma diferente alguns administrados, por isso que existe a fila dos precatórios
alimentar de idosos e portadores de doenças graves, tendo um tratamento
diferenciado frente aos titulares de créditos ordinários.
Cumpre dizer que a impessoalidade ainda possui uma segunda acepção invocada pela
doutrina, qual seja, no sentido da IMPUTAÇÃO VOLITIVA. Essa imputação volitiva diz
que os ATOS PRATICADOS pelo agente público NÃO SÃO ATRIBUÍDOS AO PRÓPRIO
AGENTE, mas sim a pessoa jurídica a que ele pertence. Por exemplo, um delegado
federal prende um famoso traficante, assim, quem realizou essa prisão, para o direito
administrativo, foi a Polícia Federal, órgão da União, já que o delegado é apenas um
longa manus da administração pública.
Os atos praticados pelos órgãos são atribuídos a pessoa jurídica que ele integra.
Relaciona-se a impessoalidade porque o ato não é do agente, e sim da pessoa jurídica,
que as realizações públicas não são conquistas pessoais, mas realizações da
respectiva entidade administrativa, o que implica no chamado DEVER DE
NEUTRALIDADE DO AGENTE, assim a publicidade oficial não pode promover
pessoalmente os agentes públicos, mas tão somente a administração, a pessoa jurídica
administrativa.
Essa proibição está contida no art. 37, §1o da CF.
CF, Art.37, §1o A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e
campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo
ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou
imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou
servidores públicos.
Um julgado interessante do STF disse que ofende a impessoalidade a proibição de
candidatos tatuados em concurso público, uma vez que ter tatuagem ou não, não é
um discrímen válido para tratar de forma diferente o cidadão.
“O Legislador não pode escudar-se em uma pretensa discricionariedade
para criar barreiras legais arbitrárias e desproporcionais para o acesso às
funções públicas. (...)Assim, o fato de uma pessoa possuir tatuagens,
visíveis ou não, não poderia ser tratado pelo estado como parâmetro
discriminatório quando do deferimento de participação em concursos e
provas e títulos para ingresso na carreira pública.
Entretanto, tatuagens que representassem obscenidades, ideologia
terroristas, discriminatórias, que pregassem a violência e a criminalidade,
discriminação de raça, credo, sexo ou origem, temas inegavelmente
contrários às instituições democráticas, poderiam obstaculizar o acesso a
função pública.
Eventual restrição nesse sentido não se afiguraria desarrazoada ou
desproporcional”. RE 898.450, rel Min. Luiz Fux)
PRINCÍPIO DA INTRANSCENDÊNCIA
Trata-se de princípio que excepcionaliza a ideia de impessoalidade. O princípio da
intranscendência subjetiva das sanções, consagrado pelo STF, inibe a aplicação de
severas sanções a entidades federativas por ato de gestão anterior à assunção dos
deveres públicos.
2.4. MORALIDADE
A doutrina é controvertida quanto ao princípio da moralidade, pois é um pouco vago.
Contudo, para fins de concurso, é necessário que o administrador observe preceitos
éticos em todas as suas condutas, que VÃO ALÉM DO QUE PREVÊ A LEI.
Essa MORAL É OBJETIVA, independe da concepção pessoal sobre o que é moral ou
imoral.
Está ligada a noção de probidade, boa-fé e ao senso comum de honestidade e boas
práticas administrativas.
É, portanto, um CONCEITO OBJETIVO.
Mais importante que isso é perceber que a moralidade excede a legalidade, vez que
uma conduta pode ser legal, por não violar a lei, mas ser imoral, violando a
moralidade.
Isso não é tão frequente na prática, haja vista que grande parte das imoralidades
estão previstas na legislação, qualificadas como ilegalidade. Um exemplo é a lei
8429/92, que traz diversas imoralidades, tais como dilapidação do patrimônio
público, desvio de recursos públicos, utilização de mão-de-obra pública em proveito
particular, etc. São todas condutas imorais, mas também ilegais pela previsão na Lei de
Improbidade, o que acaba por não invocar o princípio da moralidade.
Há casos em que a imoralidade não está prevista em lei, o exemplo mais notório é o
caso da vedação ao nepotismo. O nepotismo consiste no favorecimento de vínculos de
parentesco em detrimento de critérios profissionais na escolha de cargos, funções de
assessoria e direção na administração pública. Ex: o professor como procurador no TCE
pode nomear dois assessores comissionados e o fato de sua irmã estar em dificuldades
financeiras faz com que ele a nomeie, apesar de não haver qualquer lei que proíba
esse tipo de nomeação, esta nomeação atenta contra o princípio da moralidade, já
que a escolha não foi pautada no melhor candidato para a vaga de assessor e sim no
parentesco.
Por isso, o STF sumulou a vedação ao nepotismo em sua Súmula vinculante 13.
Súmula Vinculante 13: A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente
em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da
autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido
em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo
em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na
administração pública direta e indireta em qualquer dos poderes da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste
mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal.
Decorre diretamente do princípio da moralidade, sendo exemplo da finalidade
normativa dos princípios.
Esse princípio possui força cogente e, por si só, cria uma regra jurídica, pela qual não
se pode nomear parente para cargo público.
O STF não exige a edição de lei formal para a vedação ao nepotismo.
A vedação do nepotismo não exige a edição de lei formal para coibir a
prática, uma vez que decorre diretamente dos princípios contidos no art.
37, caput, da Constituição Federal. (STF, Rcl 6.702-AgR-MC)
Conteúdo básico que é preciso saber sobre moralidade para fins de concurso público:
 O nepotismo veda a nomeação de parentes até 3o grau, em qualquer
direção, ascendente, descendente, colateral e consanguíneo;
 Decorre diretamente do princípio da moralidade, não exige a edição de
lei formal.
 O nepotismo é, como regra, aferível de forma objetiva. Não sendo
necessário comprovar que existe fraude ou que o candidato é inapto. O
fato de ser parente já se configura o nepotismo.
 No que tange aos CARGOS POLÍTICOS, que pode ser feita inclusive entre
familiares, só haverá proibição se houver comprovação de fraude ou
troca de favores.
Essa regra, contudo, foi MITIGADA pelo STF no que tange aos CARGOS POLÍTICOS,
que pode ser feita inclusive entre familiares, só haverá proibição se houver
comprovação de fraude ou troca de favores.
Assim, o nepotismo é de aferição objetiva, contudo, em relação aos cargos políticos,
por exemplo, se o presidente quiser nomear seu irmão para um cargo político poderá,
pois segundo o STF há o exercício de um múnus público, não é um mero agente
administrativo, salvo se comprovar de forma objetiva a ocorrência de fraude, como o
irmão ser um funcionário fantasma.

A jurisprudência do STF tem afastado a incidência da SV 13 nos casos que


envolvem a investidura de cônjuges ou a nomeação de parentes em cargos
públicos de natureza política, como ministro de Estado ou de secretário
estadual ou municipal, desde que não se configurem hipóteses de fraude à
lei ou no caso de ausência evidente de qualificação técnica ou de
idoneidade moral para o desempenho da função pública.
Esse vínculo de parentesco deve ser entre a autoridade nomeante, ou quem tenha
poder de influir na nomeação, e o nomeado.
Voltando ao exemplo do TCE, onde o professor não poderia nomear a própria irmã, de
outro modo, outro indivíduo poderá ser nomeado como assessor, mesmo se possuir
parentesco com outro auditor do TCE, vez que esse parente não possui qualquer poder
para influir no processo de seleção.
Supremo Tribunal Federal Inteiro Teor do Acórdão - Página 1 de 29 Ementa
e Acórdão RCL 18564 / SP agente político ou do servidor público de
referência no processo de seleção para fins de configuração objetiva de
nepotismo na contratação de pessoa com relação de parentesco com
ocupante de cargo de direção, chefia ou assessoramento no mesmo órgão,
salvo ajuste mediante designações recíprocas.(Rcl18564/SP)

2.5. PUBLICIDADE
Pode ser compreendido como o dever da administração de DIVULGAR de forma mais
ampla possível todos os atos e informações constantes do seu banco de dados, isso
existe para possibilitar o CONTROLE SOCIAL DA ADMINISTRAÇÃO, para os cidadãos
poderem fiscalizar seus representantes e verem se o interesse público está realmente
alcançado.
A doutrina também analisa a publicidade como requisito de eficácia dos atos
administrativos e não de validade.
O princípio da publicidade prescreve, por um lado, que a administração tenha que
fornecer as informações que lhe são solicitadas, que é conhecida como
TRANSFERÊNCIA PASSIVA, havendo também a TRANSFERÊNCIA ATIVA, que é o
esforço da administração para fornecer a todos a maior quantidade de informações
públicas, publicizando os atos, criando portal da transparência, etc.
Tem como fundamento legal o art. 37, caput da CF, bem como algumas normas de
reforço espalhadas na Constituição, em especial no art. 5o da CF.
Duas delas tem alta incidência em questões de concurso na primeira fase:
 CF, Art. 5o, XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos
informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que
serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas
aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado;
A publicidade é a regra, mas a própria CF admite o sigilo da administração pública
como exceção. O sigilo está regulado na esfera federal, na Lei de Acesso a Informação
(Lei 2.547/11), tendo as especificações de até quando pode se manter o sigilo. (Art. 5o,
inciso XXXIV).
 CF, Art. 5º, XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do
pagamento de taxas:
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra
ilegalidade ou abuso de poder;

b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e


esclarecimento de situações de interesse pessoal;
Ao menos na CF, é assegurado o acesso a certidões independentemente do
pagamento de taxas, quando envolver a defesa de direitos e esclarecimento de
situações de cunho pessoal.
 É possível divulgar salário de servidores com identificação nominal na
internet?
Sim, no caso, existe uma colisão entre o princípio da publicidade com a intimidade e
o sigilo fiscal, mas por serem agentes públicos se deve preponderar, no caso concreto,
a publicidade.
CONSTITUCIONAL. PUBLICAÇÃO, EM SÍTIO ELETRÔNICO MANTIDO PELO
MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, DO NOME DE SEUS SERVIDORES E DO VALOR
CORRESPONDENTES VENCIMENTOS.
LEGITIMIDADE. 1. É legítima a publicação, inclusive em sítio eletrônico
mantido pela Administração Pública, dos nomes dos seus servidores e do
valor dos correspondentes vencimentos e vantagens pecuniárias. 2.
Recurso extraordinário conhecido e provido. (STF, ARE 652777/SP,
julgamento 23.04.201, Tribunal Pleno)
 Sigilo bancário pode ser invocado em relação a operações financeiras
envolvendo recursos com destinação pública?
Não, o sigilo bancário NÃO ABRANGE operações que estão submetidas aos
princípios da administração pública do art. 37 da CF. Por serem recursos públicos
devem ser de conhecimento público.
“Operações financeiras que envolvam RECURSOS PÚBLICOS não estão
abrangidas pelo SIGILO BANCÁRIO a que alude a lei complementar
105/2001, visto que as operações dessa espécie estão submetidas aos
princípios da administração pública insculpidos no art. 37 da Constituição
Federal. Em tais situações, é prerrogativa constitucional que o TCU tenha o
acesso a informações relacionadas a operações financiadas com recursos
públicos (MS 33.340, rel. Min. Luiz Fux)
No caso, o TCU exigiu informações sobre essa operação e o BNDES negou, baseado no
fato de que iria prejudicar o sigilo bancário do particular, o STF entendeu que se o
empresário não quer ver divulgado os empréstimos que recebe, que procure então
uma instituição privada, pois na instituição pública os valores serão revelados.
Qualquer interessado poderá apresentar pedido de acesso a informações aos órgãos e
entidades públicas, por qualquer meio legítimo, devendo o pedido conter a
identificação do requerente e a especificação da informação requerida, devendo ser
essa informação prestada imediatamente ou, caso não tenha como ser prestada de
forma imediata, justificadamente, dentro do prazo máximo de 20 (vinte) dias.
É importante não confundir Publicidade com Publicação, esta é somente uma das
hipóteses de Publicidade, portanto não são sinônimos. A não observância deste
princípio, ou seja, do dever de dar publicidade ao ato, pode caracterizar ato de
Improbidade administrativa, nos moldes do art. 11, IV da lei 8.429/92.
 Quais são os graus e os prazos máximos de sigilo previstos na Lei de Acesso?
O prazo máximo para classificação, de acordo com a Lei de Acesso, é de:

 25 anos para as informações ultrassecretas. O prazo de classificação da


informação classificada como ultrassecreta pode ser prorrogado uma única vez
por igual período;
 15 anos para as informações secretas, sem possibilidade de prorrogação;
 5 anos para as informações reservadas, sem possibilidade de prorrogação.
O prazo de sigilo é contado a partir da data de produção da informação, e não de sua
classificação.
2.6. EFICIÊNCIA
O princípio da eficiência foi introduzido pela EC 19/98, acrescendo na esteira de uma
reforma administrativa, para dar mais AGILIDADE e MODERNIDADE para a
Administração.
Assevera-se que a administração tem o dever de ser produtiva e econômica, o
administrador público e os agentes públicos devem atuar com racionalidade, devem
medir os custos que suas condutas implicam em relação a satisfação das necessidades
públicas.
O princípio da eficiência vai prescrever ao gestor que amplie ou melhore os serviços
públicos com economia e CONTROLE DE GASTOS, essa noção está intrinsecamente
ligada com a ideia de ADMINISTRAÇÃO GERENCIAL.
A administração pública sempre foi burocrática, cuja função sempre foi cumprir a lei,
aplicando-a na satisfação de necessidades coletivas. Hoje, a administração ganhou
outros tônus, é vista, antes de tudo, como uma administração que precisa ser útil e
devolver ao cidadão a maior quantidade de utilidades, de benefícios, precisa ser
gerencial e dar resultados e não meramente formal.
Essa é a administração gerencial, que tem ligação com o princípio da eficiência.
Esse princípio possui um destaque forte quanto a sua função informativa, pois
direciona o legislador em diversos aspectos.
O legislador, para garantir que a administração contrate bens e serviços, cria uma lei
de licitações (L. 8666/93), em tese, a licitação existe para dar eficiência a aquisição de
bens e serviços.
A eficiência para contratar pessoas existe por meio do concurso público, para
contratar os melhores candidatos, conjugando a impessoalidade com a eficiência.
Eficiência para CONTROLAR GASTOS, tais como o teto do STF, temos o teto de gastos
com despesa pessoal da Lei de Responsabilidade Fiscal. O princípio se projeta por toda
a atuação do legislador.

QUESTÕES
 CESPE. PGF. 2013: Como decorrência do princípio da legalidade, a
organização e o funcionamento da administração federal somente podem
ser disciplinados por lei.
COMENTÁRIO: Duas observações sobre técnica de chute em provas
discursivas: sempre desconfie de juízos absolutos (aquela convicção de
sempre, nunca, jamais, exclusivamente, somente), viu uma palavra dessas,
circule. Geralmente essas palavras restringem o sentido da questão e,
muitas vezes, está errado, é logico que há exceções, pois a lei também
utiliza essas expressões, mas é algo a se desconfiar.
A questão está errada, pois fala que a organização da administração
pública é somente por lei, mas, na verdade, ela excepcionalmente poderá
ser por DECRETO (como no caso do art. 84 da CF).
 CESPE. PGF. 2013: No convênio celebrado entre o poder público e entidade
particular, o valor repassado pelo poder público não passa a integrar o
patrimônio da entidade, mas mantém a natureza de dinheiro público,
vinculado aos fins previstos no convênio, obrigando a entidade a prestar
contas de sua utilização, para o ente repassador e para o tribunal de
contas.
COMENTÁRIO: Essa questão pode ser resolvida por dois ângulos, pelos
contratos e convênios administrativos ou pelo princípio da publicidade,
porque, se o convênio é este repasse de recursos para o particular realizar
o fim público, é certo que deve haver PUBLICIDADE quanto ao uso desse
dinheiro, especialmente para o ente que repassou e para os órgãos de
controle, motivo pelo qual, só com a análise do princípio da publicidade se
vê que a questão está correta.
 CESPE. AGU. 2009. Com base no princípio da eficiência e em outros
fundamentos constitucionais, o STF entende que viola a Constituição a
nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou
por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de
servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou
assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança
ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta
em qualquer dos poderes da União, dos estados, do Distrito Federal e dos
municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas.
COMENTÁRIO: alternativa correta, veicula a vedação ao nepotismo,
prevista na Súmula Vinculante 13.
 CESPE. AGU. 2009. Considere que Platão, governador de estado da
Federação, tenha nomeado seu irmão, Aristóteles, que possui formação
superior na área de engenharia, para o cargo de secretário de estado de
obras. Pressupondo-se que Aristóteles atenda a todos os requisitos legais
para a referida nomeação, conclui-se que esta não vai de encontro ao
posicionamento adotado em recente julgado do STF.
COMENTÁRIO: Questão correta. Secretário é CARGO POLÍTICO, de modo
que a aferição do nepotismo se dá pela VIA SUBJETIVA, assim, se o
indivíduo possui os requisitos para o cargo e não há nenhuma fraude,
poderá ser nomeado.
 CESPE. PROCURADOR BACEN. 2013. Em razão do princípio da publicidade,
que rege a administração pública, todos têm direito de obter dos órgãos
públicos, desde que mediante o pagamento de taxa, certidões para a
defesa e esclarecimento de situações e interesse pessoal.
COMENTÁRIO: questão incorreta. As certidões são fornecidas
independentemente do pagamento de taxas, nos termos do art. 5o,
XXXIV.
 TRT-18.2014. Sendo a lei um mandamento moral e visto que, no âmbito da
administração pública, só é permitido aos agentes públicos atuarem nos
estritos limites da lei, para atender à moralidade administrativa basta que
o agente observe fielmente os mandamentos legais.
COMENTÁRIO: Para atender o PRINCÍPIO DA MORALIDADE não basta
olhar só a lei, pois ele é algo que EXCEDE A LEI, como é o caso do
nepotismo, pois é possível ofender a moralidade sem ofender qualquer
regra legal. Questão incorreta.

3. PRINCÍPIOS IMPLÍCITOS OU RECONHECIDOS


Falaremos agora dos princípios implícitos ou reconhecidos, que são aqueles que não
estão contemplados no art. 37 da CF.
Derivam da interpretação da doutrina e jurisprudência, na prática, eles caem menos
nas provas de primeira fase, sendo mais invocados nas provas orais e discursivas.
Justamente por serem princípios implícitos, não existe uma enumeração de que
princípios são esses, variando a quantidade de acordo com o doutrinador.
3.1 INDISPONIBILIDADE DO INTERESSE PÚBLICO
Assevera-se que a administração NÃO TEM A LIVRE DISPOSIÇÃO do interesse público,
pois ela atua em nome de terceiros, é o mandatário do povo, já que vivemos em uma
República, onde elegemos os nossos representantes e eles administrarão.
O interesse público não é da administração, mas de todos, por isso o administrador
NÃO PODERÁ RENUNCIAR esse interesse a seu bel prazer.
Existem dois graus de interesse público, quais sejam, o primário e o secundário.
Quanto ao INTERESSE PÚBLICO PRIMÁRIO, é propriamente o interesse da
coletividade, são as essencialidades previstas na CF que devem ser prestadas pela
Administração Pública. Ex: dar saúde pública, segurança, previdência, habitação.
Já o INTERESSE SECUNDÁRIO é o interesse do erário enquanto pessoa jurídica, são os
interesses da Fazenda Pública, são os interesses instrumentais, coisas necessárias
para que a administração continue existindo, não para atender o povo. Por exemplo,
compra de papel higiênico, bens de consumo, pagar conta de energia, etc., são
interesses públicos secundários.
Esses interesses públicos SECUNDÁRIOS são relativamente ALIENÁVEIS. Apenas os
interesses públicos PRIMÁRIOS são propriamente INDISPONÍVEIS. Assim, a
administração pode deixar de pagar uma conta ou renunciar a um crédito, desde que
esta alienação do interesse público secundário vise a atender interesse público
primário.
Entender esse princípio ajuda na disciplina de bens públicos. Os bens públicos são
inalienáveis, salvo os bens dominicais, que não têm utilização para a administração e
não estão satisfazendo o interesse público primário. Assim, aquele bem dominical faz
parte do interesse público secundário, por isso pode ser alienado, observada as
condições da lei.
3.2. SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO
Pelo princípio da supremacia, O INTERESSE PÚBLICO DEVE PREVALECER DIANTE DO
INTERESSE PRIVADO. Então, havendo choque ou colisão entre os interesses
particulares e o interesse público, este deve prevalecer de forma a condicionar ou
reduzir o interesse dos particulares.
O fundamento da supremacia do interesse público, segundo a doutrina clássica do
Direito Administrativo, está baseado na ideia de que o indivíduo é parte integrante da
sociedade e, como parcela da sociedade, seu interesse individual não pode
prevalecer diante do interesse de toda coletividade. Portanto, o interesse público
deve prevalecer.
Esse princípio não significa que prevalece a administração se o interesse for público ou
que seu interesse será sempre maior que o do particular.
De acordo com a teoria tradicional, o princípio da supremacia do interesse público
tem sua APLICAÇÃO RESTRITA ao INTERESSE PRIMÁRIO.
Isso quer dizer que somente quando a Administração está buscando seu INTERESSE
PRIMÁRIO, prestando direitos fundamentais à coletividade, é que se pode falar em
primazia do interesse público.
Portanto, o interesse público primário trata de direitos difusos e coletivos que
interessam a todos, o que leva à conclusão de que a administração não pode se
arvorar nesse princípio para buscar vantagens em prol do interesse público
secundário, que é o interesse instrumental da Fazenda, o interesse da fazenda
enquanto pessoa jurídica.
Exemplo: A Fazenda não pode invocar o interesse público secundário para deixar de
pagar um credor. Logo, ela não pode dizer: Eu tenho interesse em ter mais dinheiro
em caixa e como isso se trata de meu interesse, que é público, não vou pagar o credor.
Por outro lado, a Fazenda pode se valer do interesse público primário, porque há um
interesse coletivo para fazer valer sua vontade. Nesse caso, aplica-se a vontade da
administração sobre o particular.

CRÍTICAS AO PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO


TEORIA MODERNA DOS PRINCÍPIOS O INTERESSE PARTICULAR ESTÁ
CONTIDO NO INTERESSE PÚBLICO.
Não existe hierarquia abstrata entre os As garantias e direitos dos indivíduos
princípios, de modo que, se há choque estão positivados na CRFB e são tão
entre princípios, eles devem ser importantes quanto o interesse público
sopesados à luz do caso concreto, para primário, sendo integrantes deste,
saber qual será cabível ou não, e não considerando que o interesse público
sopesados a priori e abstratamente como primário engloba o respeito aos direitos
o faz este princípio, dando sempre a individuais.
supremacia ao interesse público. Portanto, não há necessidade de
diminuir o interesse dos particulares de
forma abstrata, mas tão somente no
caso concreto, conforme parâmetro da
lei.

ATENÇÃO! A crítica será usada mais em uma segunda fase. Na primeira fase, basta
saber que o princípio da supremacia do interesse público traduz esse primado do
interesse público sobre o particular, interesse público que seria primário.
3.3. AUTOTUTELA
Segundo o princípio da autotutela, a administração possui o PODER-DEVER DE REVER
SEUS PRÓPRIOS AUTOS, tanto para ANULA-LOS, em razão do vício de legalidade,
como para REVOGA-LOS, diante de perda superveniente do interesse público na
manutenção do ato.
A administração, assim como os particulares, está sujeita a erros, assim é necessário
que ela tenha os meios e instrumentos necessários para corrigir seus erros.
Esses instrumentos para sanar os erros derivam do princípio da autotutela, que é
reconhecido há muito tempo pelo STF e, em especial, pela Súmula 473 do STF, que foi
editada na década de 60.
Súmula 473 do STF:
A administração PODE ANULAR seus próprios atos, quando eivados de
vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou
REVOGÁ-LOS, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os
direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.
Essa súmula enuncia o princípio da autotutela. Embora seja da década de 60, tem
aplicabilidade atualmente, tendo sido positivada no artigo 53 da Lei 9.784, que regula
o processo administrativo federal.
Art. 53. A Administração DEVE anular seus próprios atos, quando eivados
de vício de legalidade, e PODE revogá-los por motivo de conveniência ou
oportunidade, RESPEITADOS OS DIREITOS ADQUIRIDOS.
Possui dupla incidência, já que serve para corrigir duas espécies de erros.
Serve para corrigir ILEGALIDADES e INCONVENIÊNCIAS.
A administração, quando se encontra diante de uma ILEGALIDADE, quando pratica ato
desconforme com a lei, deve sanar o ato via ANULAÇÃO. Essa anulação elimina ato
pelo qual não se origina direitos. A anulação tem efeitos EX TUNC, isto é, retroage.
Já a REVOGAÇÃO é diferente, porque tem como objeto a INCONVENIÊNCIA, o que fica
mais claro quando se estuda o ato administrativo, discricionariedade e vinculação.
Se o ato se torna INCONVENIENTE, a administração está errando em manter o ato,
ela precisa ter o poder de tirar o ato do ordenamento jurídico, o que vira uma
REVOGAÇÃO, que tem efeitos meramente EX NUNC. Isso significa que os efeitos da
revogação não retroagem, ao contrário da anulação.

ANULAÇÃO REVOGAÇÃO
ILEGALIDADE INCONVENIÊNCIA
EX TUNC EX NUNC

O professor dará 2 (dois) exemplos de autotutela, para facilitar a compreensão.


Exemplo1: Um funcionário público está exercendo suas funções quando recebe uma
cartinha informando que ele foi aposentado compulsoriamente. No entanto, este
funcionário só possui 45 anos de idade. A aposentadoria compulsória é só para os que
têm 75 anos, por isso o servidor entende que o ato é ilegal. A administração pública,
ao observar a ilegalidade do ato, irá anular o ato. A anulação faz com que a
comunicação de aposentadoria compulsória nunca tenha existido, não tendo existido
qualquer direito ou obrigação dela.
Exemplo2: Uma pessoa não passou no concurso de Delegado, mas ganhou autorização
do Município para montar uma banca de jornal em uma praça. Após 06 meses, a
administração quer construir um hospital no local da praça e a banca não poderá mais
ficar lá. A concessão e permissão de uso é legal, e dela se originou direitos, tantos que
a pessoa está na praça vendendo coisas com a banca, sendo esse o caso, não há como
anular o ato da administração. O ato de concessão de uso se tornou inoportuno
posteriormente, por isso, cabe à administração revogar sua permissão de uso, com
efeitos ex nunc. Então, em determinado dia chega uma carta com a decisão do
prefeito comunicando a revogação da concessão e a pessoa deixa de poder usar a
banca, mas todos os direitos gerados até o momento do recebimento da carta são
válidos e eficazes.
 O poder de autotutela tem limites ou a administração pode anular e revogar à
vontade?
É claro que a Administração possui limites, o que fica claro ao se estudar o próximo
princípio, que é o da segurança jurídica e da proteção à confiança legítima.
3.4 SEGURANÇA JURÍDICA E PROTEÇÃO À CONFIANÇA
A administração pode corrigir seus erros, mas essa correção não pode causar uma
instabilidade no ordenamento jurídico ou violar a confiança legítima que ela gerou
para os administrados. Em razão disso, invoca-se o princípio da segurança jurídica e
proteção à confiança legítima.
Segundo esses princípios, a administração deve atuar de forma a promover a
PREVISIBILIDADE e ESTABILIDADE DAS RELAÇÕES JURÍDICAS, bem como respeitar
todas as LEGÍTIMAS EXPECTATIVAS GERADAS a partir da estabilidade do ordenamento
jurídico.
A CRFB garante, entre outras coisas, no artigo 5o, as garantidas da coisa julgada,
direito adquirido, ato jurídico perfeito e isso indica que o constituinte quer preservar
as relações jurídicas e a estabilidade e segurança jurídica.
PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA se refere ao aspecto objetivo do conceito,
indicando a necessidade de dar estabilidade às relações jurídicas constituídas; já a
PROTEÇÃO À CONFIANÇA se ocupa do aspecto subjetivo, relacionado à crença do
indivíduo de que os atos da Administração são legais.
A administração pública, como principal ator do ordenamento jurídico de um país,
não pode violar as expectativas. Ela não pode atuar de forma a desestabilizar o
ordenamento jurídico.
Por isso, este princípio acaba LIMITANDO o poder de AUTOTUTELA da administração
REVISAR seus atos a seu bel prazer. Isso não é feito apenas de forma abstrata. Os
princípios têm 3 funções, uma delas é a informativa, que direciona a conduta do
legislador.
Portanto, por meio dos princípios, dá-se a limitação ao poder da administração, em
prol da segurança jurídica.
O melhor exemplo de limitação talvez esteja no artigo 54 da Lei 9784, que prevê o
prazo decadencial QUINQUENAL para anular atos administrativos praticados que
gerem direitos para terceiros de boa-fé.
Sempre que um ato jurídico AFETAR TERCEIROS DE BOA-FÉ, terá 05 anos para poder
ser ANULADO, sob pena do ato ser ESTABILIZADO.
Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de
que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos,
contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé.
Exemplo: Foi concedida uma permissão de uso de bem público com algum vício legal
de competência. Esse vício não foi alegado em 10 anos. Sendo assim, o vício está
estabilizado, por força do artigo 54, desde que seja beneficiário de boa-fé. Caso a
pessoa esteja de má-fé, tenha contribuído para o vício, a administração não estará
adstrita ao prazo decadencial.
Outro exemplo da manifestação da função informativa do princípio é o artigo 2o, XIII,
da Lei 9784, essa lei VEDA a INTERPRETAÇÃO RETROATIVA PELA ADMINISTRAÇÃO.
Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios
da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade,
moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse
público e eficiência.
XIII - interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta
o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa
de nova interpretação.
Exemplo: Digamos que não haja prazo para recorrer no DETRAN, mas sempre se
recorra em 10 dias nos processos administrativos. É possível que alguém recorra em 10
dias, mas a administração interprete essa ausência de norma como prazo de 05 dias.
Caso ela faça isso, não pode aplicar a interpretação de forma retroativa, apenas para
os futuros recursos a serem interpostos. Então, se a pessoa tem a expectativa de que
teria 10 dias, mas um mês depois se interpreta que o prazo é só de 05 dias, essa
interpretação só vale para os novos recursos.
Como se vê, esse exemplo ilustra a aplicação da vedação de interpretação da norma
administrativa de forma que prejudique o administrado.
Além desses casos clássicos da legislação, a jurisprudência, em atenção à segurança
jurídica, estabelece hipóteses específicas de limitação ao poder de autotutela da
administração com base no princípio.
O mais importante é a TEORIA DO FATO CONSUMADO, que prescreve que embora
ilegal, se a anulação de um ato gerar extrema instabilidade jurídica, é melhor
conviver com o ato ilegal, ao invés de anulá-lo.
Essa teoria é aplicada em casos em que a administração está coberta de razão em
relação a uma ilegalidade, mas interessa ao interesse público manter a ilegalidade.
Exemplo: Há a prova da AGU, a pessoa estuda muito, é aprovada e está no cargo há
muitos anos, quando cerca de 3 anos após alguém argui que o edital da AGU não
cumpriu com a reserva de vagas para deficiência. O edital foi ilegal, porque não
cumpriu com a reserva de vagas. Mas foram 300 aprovados que saíram e estão
praticando atos judiciais. Essa ilegalidade será suficiente para alterar a vida dos 300
aprovados e os milhares de atos praticados?
Esse exemplo extremo justifica a manutenção da ilegalidade, com base na teoria do
ato consumado.
Os efeitos do ato já se consumaram e não podem ser desfeitos sem um grande
prejuízo.
Vamos tratar de uma posição doutrinária que pretende distinguir segurança jurídica da
proteção à confiança.
A primeira pergunta é: vale a pena distinguir esses princípios?
Para fins de concurso, o professor recomenda que não. Segunda essa doutrina,
existiria uma distinção, a segurança jurídica seria de caráter objetivo e diria respeito
a estabilidade geral do ordenamento jurídico. Já o princípio da confiança legítima
seria um aspecto subjetivo, que tem a ver com a expectativa gerada em cada
administrado e particular.
Uma coisa é indissociável da outra. O particular só tem confiança legítima porque
existe uma segurança jurídica quanto à estabilidade do ordenamento jurídico de forma
global.
Isto é, são dois lados da mesma moeda e não faz muito sentido distinguir. Na prática, a
jurisprudência menciona os dois de forma indistinta.
3.5 RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE
Uma definição simples diria que a razoabilidade e proporcionalidade seria analisar as
leis e os atos administrativos à luz de uma PAUTA AXIOLÓGICA, baseada em critérios
de ACEITABILIDADE e PONDERAÇÃO.
Basicamente, exige-se que os atos da administração observem critérios de
aceitabilidade, tenham pertinência lógica entre os atos e a realidade, as decisões
administrativas e o ser.
A administração não pode atuar de forma a violar o senso comum daquilo que é
razoável ou proporcional.
Exemplo: Em 2010, a administração exigiu que além dos eleitores apresentassem o
RG, apresentassem o título de eleitor. O STF entendeu que essa resolução seria
inconstitucional, por violar a razoabilidade, já que não fazia sentido restringir o direito
ao voto por mera formalidade que não acrescenta em nada na identificação do sujeito,
já que o título de eleitor sequer foto teria.
 Esses princípios são a mesma coisa ou cada um é uma coisa diferente?
A doutrina se controverte quanto a fungibilidade entre os princípios da razoabilidade
e da proporcionalidade.
Para fins de concurso público, é justo tratar como equivalentes, porque o próprio STF
assim o faz, pensando que são formas de analisar condutas administrativas à luz de
uma pauta axiológica.
Caso alguém insista na diferença desses princípios, deve-se dizer o seguinte:
Quanto à origem, o PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE vem da common law, do direito
anglo-saxão. Ele possui uma aplicação holística. No direito anglo-saxão existe o
substantive due process of law, que é o devido processo no sentido material, no
sentido de que não basta, para garantir os diretos dos cidadãos, o contraditório e a
ampla defesa formal, mas uma proteção efetiva às suas liberdades públicas.
No princípio da razoabilidade se faz uma única análise, verifica-se se faz sentido no
caso concreto.
O princípio da PROPORCIONALIDADE não é aplicado de forma holística, é tripartite.
Em elação à origem, vem do direito alemão. Os alemães vão dizer que a
proporcionalidade tem 3 subprincípios que são: a) necessidade; b) adequação e c)
proporcionalidade em sentido estrito.
A ADEQUAÇÃO visa analisar se o ato é apto a atingir o fim pretendido, ele questiona,
se realizar o ato funciona ou não ao fim pretendido.
A NECESSIDADE diz respeito a existência ou não de um meio menos gravoso para
atingir o resultado.
A PROPORCIONALIDADE EM SENTIDO ESTRITO determina que se deve analisar o caso
concreto para saber se as vantagens superam as desvantagens.
Exemplo: Um prefeito decide que deve melhorar o trânsito no centro, por isso, resolve
proibir o trânsito de pedestres, porque os carros não precisariam parar no farol. Se os
alemães olhassem o caso, eles se questionariam: sem pedestres, o trânsito fluiria
melhor. No entanto, existem outros meios mais adequados, como construir metrô,
colocar mais ônibus, etc. Por sua vez, os americanos iriam dizer que a restrição de
pedestres não poderia ser feita, porque existem outras maneiras. Então, a lei seria
inconstitucional, devendo se criar outras medias, alguma que atenda à razoabilidade.
Basicamente, os dois princípios geram os mesmos resultados. Enquanto a
razoabilidade é mais intuitiva, os metódicos alemães fazem a análise tripartite, fazendo
a análise fática.
3.6. PRINCIPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA
É o direito conferido ao particular de saber o que acontece no processo administrativo
ou judicial de seu interesse, bem como o direito de se manifestar na relação
processual, requerendo a produção de provas e provocando sua tramitação, seja
diante de um processo judicial ou de um processo administratvo.
Decorre do devido processo legal, exposto no art. 5º, LIV, da Carta Magna.
Ninguém pode ser processado e julgado sem ter amplo conhecimento dos fatos
relatados nesse processo e dos motivos que deram ensejo a sua instauração.
EXCEÇÕES (IMPORTANTE)
''A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não
ofende a Constituição" (Súmula Vinculante n. 5 do Supremo Tribunal Federal).
"Nos processos perante o Tribunal de Contas da união asseguram-se o contraditório e
a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato
administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do
ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão" (Súmula Vinculante n.
03).

3.7. PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE


Exigência de que a atividade do Estado seja contínua, não podendo parar a prestação
dos serviços, não comportando falhas ou interrupções, já que muitas necessidades
da sociedade são inadiáveis, como é o exemplo dos serviços de fornecimento de água
e energia elétrica à população em geral (art. 6º, §1º, da Lei 8987/95). Obrigatoriedade
do desempenho da atividade pública.
3.7.1. DIREITO DE GREVE
Os servidores militares não têm direito de greve nem de sindicalização, por expressa
vedação constitucional, sejam eles das forças armadas ou policiais militares estaduais e
integrantes do corpo de bombeiros militar dos estados. A vedação abrange também
os policiais civis, conforme entendimento do STF.
Ao tratar dos servidores públicos civis, em seu art. 37, VII, a Carta Magna definiu o
direito de greve a estes agentes nos termos e condições estabelecidos em lei
específica, garantindo ainda o direito à livre associação sindical, no art. 37, VI.
O Supremo Tribunal Federal já pacificou o entendimento de que o direito de greve é
norma de eficácia limitada.
No que tange aos servidores civis, o Supremo Tribunal Federal determinou, ao julgar
Mandado de Injunção referente à matéria que, enquanto não houver lei específica a
regulamentar a greve dos servidores, será utilizada a lei geral de greve (Lei 7.783/89)
para o exercício deste direito.
ATENÇÃO! Embora não tenha direito à remuneração pelos dias parados, não deve
haver o corte da remuneração durante o exercício deste direito, desde que o
movimento paredista tenha sido realizado licitamente. (STJ)
O STF, em 2016, decidiu que "a Administração Pública deve proceder ao desconto dos
dias de paralisação decorrentes do exercício do direito de greve pelos servidores
públicos, em virtude da suspensão do vínculo funcional que dela decorre, permitida a
compensação em caso de acordo. O desconto será, contudo, incabível se ficar
demonstrado que a greve foi provocada por conduta ilícita do Poder Público.
3.7.2.INTERRUPÇÃO DA PRESTAÇÃO DE UM SERVIÇO MOTIVADA POR RAZÕES DE
ORDEM TÉCNICA OU INADIMPLEMENTO DO USUÁRIO
A Lei 8.987/95, em seu art. 6, §3º, estabelece expressamente não se caracteriza como
descontinuidade do serviço a sua interrupção em situação de emergência ou após
prévio aviso, quando motivada por razões de ordem técnica ou de segurança das
instalações e por inadimplemento do usuário, considerado o interesse da
coletividade.
A respeito da interrupção por motivos de ordem técnica, não há discussão doutrinária
acerca da sua regularidade.
No caso de inadimplemento do usuário, ele deve ser previamente avisado, nos
moldes exigidos pela legislação.
É ilegal, caso enseje a interrupção de um serviço essencial à coletividade, pois será
prejudicial ao seu interesse.
3.7.3. EXCEÇÃO DE CONTRATO NÃO CUMPRIDO
Trata-se do Direito de suspender a execução do contrato em face do inadimplemento
da outra parte.
Consoante disposição do art. 78, XV, da Lei 8.666/93, o particular tem direito de
invocar a exceção do contrato não cumprido, desde que a administração seja
inadimplente por mais de 90 (noventa) dias em relação aos seus pagamentos.
É a exceção de contrato não cumprido de forma diferida. Para tanto, não precisa de
autorização judicial, somente se exigindo o provimento do Poder Judiciário para que
se determine a rescisão do contrato. Essa é a corrente majoritária na doutrina e
jurisprudência modernas.
3.7.4. OCUPAÇÃO TEMPORÁRIA DE BENS E SUBSTTUIÇÃO
O art. 58, V, da lei 8.666/93, define que a Administração Pública poderá ocupar
provisoriamente bens para evitar a interrupção da atividade pública nos casos de
serviços essenciais.
Ao final do contrato de concessão de serviços públicos, se admite a transferência de
propriedade dos bens das concessionárias que estejam atrelados à prestação do
serviço. Instituto conhecido como reversão de bens móveis, imóveis, pessoal e
serviços vinculados ao objeto do contrato, ocorre na hipótese da necessidade de
acautelar apuração administrativa de faltas contratuais pelo contratado, bem como na
hipótese de rescisão do contrato administrativo.
Os estatutos dos servidores públicos preveem os institutos da substituição e suplência
como forma de evitar que a ausência de um determinado agente enseje à não
execução do serviço que lhe era atribuído.
3.8. PRINCIPIO DA MOTIVAÇÃO
É o dever imposto ao ente estatal de indicar os pressupostos de fato e de direito que
determinaram a prática dos atos administratvos.
A motivação é indispensável ao controle dos atos administratvos, uma vez que
demonstram à sociedade as razões pelas quais o poder público atuou de determinada
forma, tornando possível a análise dos cidadãos acerca da legitimidade e adequação
de seus motivos.
"As decisões administrativas dos tribunais serão motivadas e em sessão pública, sendo
as disciplinares tomadas pelo voto da maioria absoluta de seus membros" (art. 93, X,
CF/88).
MOTIVAÇÃO ALIUNDE/PER RELATIONE
Consoante estabelece o artigo 50, §1º da lei 9.784/99 "A motivação deve ser explícita,
clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com
fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que,
neste caso, serão parte integrante do ato.
3.9. PRINCIPIO DA ISONOMIA
O aspecto material do Princípio da Isonomia determina que a Administração Pública
deve tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida das suas
desigualdades.
"O limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art.
7º, XXX, da Constituição Federal, quando possa ser justificado pela natureza das
atribuições do cargo a ser preenchido" (Súmula n. 683 do STF)
A isonomia vem se manifestando por meio de programas de governo que visam a
inclusão, nas universidades públicas, de alunos afrodescendentes ou egressos de
escolas públicas.
3.9. PRINCIPIO DA FINALIDADE
Pode-se definir que, de acordo com o princípio da finalidade, a norma administrativa
deve ser interpretada e aplicada pelo agente do Estado da forma que melhor garanta
a realização do fim público a que se dirige. Deve-se ressaltar que o que explica,
justifica e confere sentido a uma norma é precisamente a finalidade a que se destina.
Dessa forma, a lei 4.717/65, em seu art. 2º, parágrafo único, "e", dispõe que "o desvio
de finalidade se verifica quando o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele
previsto, explícita ou implicitamente, na regra de competência".
3.10. PRINCIPIO DA ESPECIALIDADE
Baseia-se no princípio da indisponibilidade do interesse público e do dever de
eficiência na execução da atividade administrativa, inerente aos órgãos estatais, o
que justifica a necessidade de descentralização dos serviços do Estado e da
desconcentração de atividades dentro da estrutura orgânica da Administração.
Uma entidade especializada na execução de uma determinada atividade terá mais
sucesso em sua execução em comparação a entidades que devem executar um rol
extenso de atribuições.
3.11. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE E DE VERACIDADE DAS CONDUTAS ESTATAIS
Até que o particular atingido pela atuação estatal prove em contrário - uma vez que as
presunções são relativas ou juris tantum - o ato administrativo estampa uma situação
de fato real, ou seja, o ato goza de fé pública e os fatos apresentados em sua prática
presumem-se verdadeiros, em conformidade com os fatos efetivamente ocorridos.
A presunção de veracidade diz respeito a fatos e causa a inversão do ônus da prova
dos fatos alegados no ato administrativo.
No que tange à presunção de legitimidade, trata-se de presunção jurídica, portanto,
até prova em contrário, o ato foi editado em conformidade com a lei e com o
ordenamento jurídico, configurando-se, mais uma vez hipótese de presunção relativa,
que pode ser elidida mediante comprovação do interessado.
Alguns doutrinadores consideram que há uma mitigação deste atributo disposta no
art. 116, IV da lei 8.112/90, que permite ao servidor deixar de cumprir uma
determinada ordem de seu superior hierárquico, se a considerar ilícita. Com efeito,
dispõe o artigo que é dever do servidor, "cumprir as ordens superiores, exceto
quando manifestamente ilegais".
RESUMO DOS PRINCIPIOS

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