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NOÇÕES INTRODUTÓRIAS
1. O ESTADO E SUA ORGANIZAÇÃO
PESSOAS JURÍDICAS são entidades a quem a ordem jurídica confere personalidade
jurídica, possibilitando-lhes a atuação como sujeitos de direitos e obrigações.
As pessoas jurídicas podem ser classificadas como de DIREITO PRIVADO ou de DIREITO
PÚBLICO (INTERNO OU EXTERNO).
O ESTADO é pessoa jurídica de direito público interno constituído por três elementos
indissociáveis: povo, território e governo soberano.

 POVO: elemento humano


 TERRITÓRIO: é a base física
 GOVERNO SOBERANO: é aquele que não se submete a nenhum outro governo,
que exerce o poder de autodeterminação e auto-organização
De acordo com a ORGANIZAÇÃO POLÍTICA DO TERRITÓRIO é possível distinguir duas
formas de Estado: o unitário e o federado.

 UNITÁRIO: é aquele em que há um único poder político central, sendo


marcado pela centralização política.
 FEDERADO: é aquele em que há uma descentralização política, coexistindo
diversos poderes políticos distintos.

FORMA DE FORMA DE SISTEMA DE REGIME DE GOVERNO


ESTADO GOVERNO GOVERNO
FEDERATIVO REPÚBLICA PRECIDENCIALISTA DEMOCRÁCIA
(SEMIDIRETA/PARTICIPATIVA)

2. A TRIPARTIÇÃO DO PODER E A FUNÇÃO ADMINISTRATIVA


O poder do Estado tem caráter instrumental, servindo como meio para alcançar fins,
qual seja, o interesse público.
Esse poder é exercido por meio de órgãos que possuem três funções básicas:
administrativas; legislativas; judiciais.
 OBS: Nem os órgãos nem os Poderes possuem personalidade jurídicas. Esta,
quem apenas possui são os Entes Políticos.
A ideia de atribuir aos órgãos especializados a execução das atribuições estatais funda-
se em dois objetivos básicos:
a) Garantir os próprios direitos individuais
b) Garantir a eficiência
Cumpre ressaltar que as funções estatais não são divididas de forma estanque. Há uma
relação de interdependência entre os poderes.
Ao lado das funções típicas de cada Poder, existem também algumas funções atípicas.
Deste modo, a tripartição dos poderes não se dá de forma absoluta no âmbito do
aparelho do Estado.

3. GOVERNO E ADMINISTRAÇÃO.
GOVERNO: tem natureza política, tendo a atribuição de formular as políticas públicas.
É exercido por agentes que tomam decisões políticas de maneira relativamente
independente e discricionária.
ADMINISTRAÇÃO: é responsável pela execução de tais decisões tomadas pelo
Governo. Age de maneira técnica, neutra, normalmente vinculada à lei ou à norma
técnica exercida mediante conduta hierarquizada.
4. FORMAS DE GOVERNO
Diz respeito ao conjunto de instituições políticas pelas quais um Estado se organiza a
fim de exercer o seu poder sobre a sociedade.
REPÚBLICA: é a forma de governo caracterizada pela elegibilidade dos representantes
do povo, pela temporariedade dos mandamentos, e pelo dever de prestar contas.
MONARQUIA: transmissão do poder de forma hereditária e vitalícia. Não há dever de
prestar contas (irresponsabilidade do monarca)
5. SISTEMA DE GOVERNO
Diz respeito à forma como se relacionam o Poder Legislativo e o Executivo.
PRESIDENCIALISMO

 Presidente acumula as funções de Chefe de Estado e Chefe de Governo.


 Possui mandato Fixo.
PARLAMENTARISMO:

 O Poder Executivo tem suas atribuições de cúpula divididas.


 A Chefia de Estado é exercida pelo Monarca ou Presidente.
 A Chefia de Governo pode ser titularizada pelo Primeiro-Ministro ou pelo
Presidente do Conselho de Ministro.
 Em regra, o Primeiro-Ministro é indicado ou nomeado pelo Chefe de Estado ou
pelo Parlamento.
 Sua permanência no cargo depende da confiança no parlamento.
6. SENTIDOS DA EXPRESSÃO ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

SENTIDO SENTIDO
SUBJETIVO/FORMAL/ORGÂNICO: OBJETIVO/MATERIAL/FUNCIONAL:
ENTES QUE EXERCEM AS FUNÇÕES ATIVIDADE ADMINISTRATIVA EXERCIDA
ADMINISTRATIVAS

SENTIDO SUBJETIVO/FORMAL/ORGÂNICO: designa os entes que exercem as funções


administrativas, compreendendo as pessoas jurídicas, os órgãos, e os agentes.
SENTIDO OBJETIVO/MATERIAL/FUNCIONAL: designa a atividade administrativa
exercida pela Administração Pública.
Características:
 Atividade Concreta
 Vinculada à consecução direta (atividade-fim) ou indiretamente (atividade-
meio) do interesse público.
 Regime predominante de direito público
OBS:
 ATIVIDADE-FIM: configuram a administração pública externa ou extroversa;
objetivam os interesses públicos primários;
 ATIVIDADE-MEIO: configuram a administração púbica interna ou introversa.
Atendem ao interesse público secundário.
É possível ainda pensar em outras atividades desempenhadas pela Administração
Pública:
a) Policia Administrativa
b) Intervenção
c) Fomento
d) Serviço Público
7. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM SENTIDO AMPLO E EM SENTIDO ESTRITO

8. O DIREITO ADMINISTRATIVO E OS RAMOS DO DIREITO

9. ORIGEM E DESENVOLVIMENTO DO DIREITO ADMINISTRATIVO


Remonta aos fins do século XVIII e início do século XIV.
O Direito Administrativo nasce, já na fase do Estado Moderno, relacionando-se
diretamente com a consagração dos ideais da Revolução Francesa de 1789 e com o
desenvolvimento do conceito de Estado de Direito.
No CAMPO NORMATIVO, costuma-se indicar, como marco inicial do nascimento do
Direito Administrativo, a Lei de 28 pluvioso do Ano VIII (Lei 28, de 16.02.1800), que deu
à Administração Pública francesa uma organização jurídica.
Aponta-se, ainda, como marco inicial da AUTONOMIA do Direito Administrativo o
famoso caso Blanco, ocorrido em 1873, em que uma menina (Agnès Blanco), ao
atravessar uma rua na cidade de Bordeaux, foi atropelada por um vagonete da
Companhia Nacional de Manufatura do Fumo.
O Estado foi responsabilizado em termo publicísticos. A decisão foi inovadora pois
reconheceu pioneiramente a competência da jurisdição administrativa e de que a
responsabilidade do Estado não poderia ser regida pelos princípios do Código Civil.
O Direito Administrativo Brasileiro sofreu marcante influência do direito francês, de
modo que institutos como, serviços públicos, teoria dos atos e da responsabilizada de,
princípio da legalidade, derivam do sistema francês.
(O controle judicial da administração, no Brasil, não é de origem Francesa, mas sim de
origem inglesa.)
10. AUSÊNCIA DE CODIFICAÇÃO
O Direito Administrativo no Brasil não é codificado, ou seja, não existe um código que
reúna e consolide em um único diploma legal as principais normas administrativistas.
Trata-se apenas de uma opção política do legislador. Assim, temos no Brasil o Direito
Administrativo como um sub-ramo não codificado e autônomo do direito (porque
regido por princípios que lhe são peculiares).
11. OBJETO E MÉTODO DE ESTUDO DO DIREITO ADMINISTRATIVO
O Direito Administrativo é um sub-ramo do direito público interno, porém há também
a incidência de normas de direito privado. (Ex. Contrato de Locação).
O Objeto do Direito Administrativo são as relações jurídicas por ele disciplinadas:

 Relações Internas: entre a própria administração.


 Relações Externas: entre a administração e seus administrados
Atualmente predomina o critério ou método técnico-cientificido de estudo do Direito
Administrativo, marcado pela preocupação em definir e sistematizar os institutos e
princípios informativos desse ramo do Direito.
12. CONCEITO DE DIREITO ADMINISTRATIVO
O conceito de Direito Administrativo depende dos critérios utilizados para a
formulação do próprio conceito.
Dentre os critérios unitários adotados sobressaem-se os apresentados a seguir.
A) CRITÉRIO LEGALISTA (ESCOLA LEGALISTA)
Consiste na disciplina jurídica responsável pelo estudo das normas administrativas
(leis, decretos, regulamentos) de um determinado país. (Deixa de fora o papel dos
princípios e se reduz à análise das leis)
B) CRITÉRIO DO PODER EXECUTIVO
Consiste na disciplina jurídica das atividades do Poder Executivo.
(A Administração também é exercida de forma atípica pelo Judiciário e Legislativo)
C) CRITÉRIO DO SERVIÇO PÚBLICO (OU ESCOLA DO SERVIÇO PÚBLICO)
Surgiu na França, inspirada na jurisprudência do Conselho de Estado Francês, que, a
partir do caso Blanco (1873), passou a fixar a competência dos Tribunais
Administrativos em razão da execução de serviços públicos.
Há duas correntes
i) DUGUIT E BONNARD: consideravam o serviço público em sentido amplo, abrangendo
todas as funções do Estado. (Inclusive a judiciária).
ii) JEZE: adotava o sentido estrito de serviço púbico, compreendendo apenas as
atividades exercidas pelo Estado para satisfação de necessidades coletivas.
(Escola também ineficiente, pois não engloba, por exemplo, as relações privadas,
delegadas pelo estado)
D) CRITÉRIO DAS RELAÇÕES JURÍDICAS
Entendido como o conjunto de normas que regem as relações jurídicas entre a
Administração e os administrados.
(O direito tributário também cuida desse objetivo)
E) CRITÉRIO TELEOLÓGICO (OU FINALÍSTICO)
Designa o conjunto de normas que disciplinam a atuação concreta do Estado para
consecução de seus fins. (fins públicos)
(É muito vago e ideológico esse critério)
F) CRITÉRIO NEGATIVO OU RESIDUAL
Tem por objeto as normas que disciplinam as atividades desenvolvidas para a
consecução dos fins públicos, excluídas a atividade legislativa e a jurisdicional, além
das atividades patrimoniais, regidas pelo direito privado.
(Vago e ideológico)
G) CRITÉRIO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
O Direito Administrativo corresponde ao conjunto de princípios e normas que regem a
Administração Pública.
(Visto isoladamente também é insuficiente, uma vez que existem regras de direito
privado que também se aplicam à Administração Pública)
H) CRITÉRIO DA DISTINÇÃO ENTRE ATIVIDADE JURÍDICA E SOCIAL DO ESTADO
Alguns autores preferem definir o Direito Administrativo levando em conta o tipo de
atividade exercida (atividade jurídica não contenciosa) e os órgãos que a exercem.
‘’conjunto dos princípios que regulam a atividade jurídica não contenciosa do Estado e
a constituição dos órgãos e meios de sua ação em geral’’.
(É um desdobramento da escola da Administração Público, e por isso sofre das
mesmas críticas)
I) CRITÉRIO DA DISTINÇÃO ENTRE ATIVIDADES DE AUTORIDADE E ATIVIDADES DE
GESTÃO (ESCOLA DA PUISSANCE PUBLIQUE OU DA POTESTADE PÚBLICA)
Fazem a distinção entre atividades de autoridade e atividades de gestão.
Nas primeiras, o Estado atua com autoridade sobre os particulares, utilizando
prerrogativas próprias de autoridade, ou seja, com supremacia sobre o particular;
enquanto nas segundas, o Estado atua em posição de igualdade perante os
particulares, regendo-se pelo direito privado.
Somente as atividades de autoridade é que seriam regidas pelo Direito Administrativo.
(Exclui os atos praticados sem prerrogativas públicas)
13. FONTES DO DIREITO ADMINISTRATIVO

Obs. A praxe administrativa não é fonte do direito.


13.1. CLASSIFICAÇÃO DAS FONTES DO DIREITO ADMINISTRATIVO:
A) FONTES FORMAIS: Emanam do Estado, criadas por meio de processos formais
estabelecidos pela ordem jurídica. Ex: Lei;
B) FONTES MATERIAIS: São produzidas fora do ambiente institucional. Ex: costumes;
C) FONTES IMEDIATAS OU DIRETAS: São aquelas que tem força suficiente para gerar
normas jurídicas. Ex: Lei e costumes;
D) FONTES MEDIATAS E INDIRETAS: Não possuem força suficiente para produção de
normas jurídicas, mas condicionam ou influenciam essa produção. Ex: Doutrina e
Jurisprudência
14. TENDÊNCIAS DO DIREITO ADMINISTRATIVO
a) Constitucionalização do Direito Administrativo;
b) Democratização da Administração Pública
c) Profundas alterações do conceito de discricionariedade administrativa
d) Crise na noção de serviço público
e) Movimento de agencificação
f) Aplicação do princípio da subsidiariedade
g) Adoção da Administração Pública Gerencial
h) Procura da consensualidade
i) Centralidade da pessoa humana (princípio versus princípio da supremacia do
interesse público)
j) Privatização ou fuga do Direito Administrativo ou fuga para o direito privado