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Dizer o Direito1
Rafael Oliveira
João Batista
A estado brasileiro passou por uma reforma para abondar o modelo burocrático (preso ao excesso
de formalismo e procedimentos) e passar a adotar um modelo chamado administração gerencial,
fundado no princípio da eficiência.
Na busca pelo modelo gerencial, foram apontados dois pilares "revolucionários": a) a administração
pública deve ser permeável à maior participação dos agentes privados e/ou das organizações da
sociedade civil; b) deslocar a ênfase dos procedimentos (meios) para os resultados.
1
CAVALCANTE. Márcio André Lopes. Dizer o direito. Extraído do sítio: http://www.dizerodireito.com.br/
1
constitucional.
O foco, então, desloca-se para a obtenção dos resultados pela máquina estatal, é dizer, busca-se
ampliar a autonomia dos órgão e entidades integrantes da administração pública, sobretudo pela
redução dos controles de procedimentos. Outrossim, utilizam-se de instrumentos tendentes a
assegurar o aumento da produtividade dos agentes públicos2.
O Estado passou, também, a extinguir entidades da administração pública que atuavam em áreas
NÃO exclusivas do Estado, e pessoas jurídicas privadas SEM fins lucrativos foram estimuladas a
atuar nas áreas em que antes operavam essas entidades públicas extintas. Vê-se, portanto, que o
chamado terceiro setor passou a receber fomento estatal para assumir o desempenho dessas
atividades em colaboração com o setor público.
2. CONCEITO E FUNDAMENTOS
São pessoas jurídicas de direito PRIVADO, SEM fins lucrativos, que atuam AO LADO e em regime de
COLABORAÇÃO com o Estado, sem com ele se confundirem, e que exercem função típica do
Estado, embora não exclusiva, e se sujeitam ao controle direto ou indireto do Poder Público.
2
Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo.
2
Fundamentos do surgimento do terceiro setor (segundo Rafael Oliveira):
c) fomento: o Poder Público deve incentivar o exercício de atividades sociais pelos indivíduos (ex.:
subvenções).
Espécies:
3
Merecem destaque as seguintes qualificações jurídicas: os “Serviços Sociais Autônomos” (Sistema
“S”), as “Organizações Sociais” (“OS”), as “Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público”
(“OSCIP”) e as fundações de apoio.
Os Serviços Sociais Autônomos são criados por Confederações privadas (Confederação Nacional do
Comércio – CNC – e da Indústria – CNI), após autorização legal, para exercerem atividade de
amparo a determinadas categorias profissionais, recebendo contribuições sociais, cobradas
compulsoriamente da iniciativa privada, na forma do art. 240 da CF. Ex.: Serviço Social da Indústria
(SESI), Serviço Social do Comercio (SESC), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI),
Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC).
Autorização legal:
A exigência de autorização legal para a criação dos Serviços Sociais Autônomos decorre da
necessidade de lei impositiva das contribuições sociais, espécie tributária, e da sua respectiva
destinação. Em outros termos: não se trata da autorização legislativa prevista no art. 37, XIX, da CF,
mas, sim, da necessidade de lei (princípio da legalidade) para criação de tributos e para o seu
repasse às mencionadas pessoas privadas, tendo em vista o disposto no art. 240 da CF.
Aquisição da personalidade:
Ocorre quando a entidade privada instituidora inscreve os respectivos atos constitutivos no registro
civil das pessoas jurídicas. Eles são instituídos sob formas jurídicas comuns, próprias das entidades
privadas sem fins lucrativos, tais como associações civis ou fundações.
Objeto trata-se de uma atividade social, NÃO lucrativa, voltada ao aprendizado profissionalizante, à
prestação de serviços assistenciais ou de utilidade pública, tendo como beneficiários determinados
grupos sociais ou profissionais.
4
As Contribuições sociais são tributos?
SIM. As contribuições sociais destinadas aos Serviços Sociais Autônomos são instituídas pela União
(art. 149 da CF) que exerce a fiscalização sobre tais entidades, e são objetos de recolhimento
compulsório pelos contribuintes definidos em lei. Trata-se de uma verdadeira espécie tributária, e
uma exemplificação da parafiscalidade, a União arrecada e transfere para os serviços sociais
autônomos as contribuições.
NÃO. Segundo o STF, no julgamento ACO 1953 AgR, os serviços sociais autônomos são pessoas
jurídicas de direito PRIVADO, definidos como entes de colaboração, mas não integrantes da
Administração Pública. Quando o produto das contribuições ingressa nos cofres dessas entidades,
PERDE o caráter de recurso público.
NÃO. Os Serviços Sociais Autônomos, por constituírem pessoas jurídicas privadas, não se
submetem ao regime do precatório em relação ao pagamento de seus débitos oriundos de
sentença judicial, conforme já decidiu o STF. Segundo o julgamento do STF no AI 841.548 “é
incompatível com a Constituição o reconhecimento às entidades paraestatais dos privilégios
processuais concedidos à Fazenda Pública em execução de pagamento de quantia em dinheiro.”
Súmula 516 do STF: O Serviço Social da Indústria (SESI) está sujeito a jurisdição da justiça estadual.
SIM. “O art. 150, VI, “c” da CF/88 prevê que as instituições de educação e de assistência social, sem
fins lucrativos, gozam de imunidade tributária quanto aos impostos, desde que atendidos os
requisitos previstos na lei.
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As entidades do chamado “Sistema S”, tais como SESI, SENAI, SENAC e SEBRAE, também gozam de
imunidade porque promovem cursos para a inserção de profissionais no mercado de trabalho,
sendo consideradas instituições de educação e assistência social.
Se o SENAC adquire um terreno para a construção de sua sede, já havendo inclusive um projeto
nesse sentido, deverá incidir a imunidade nesse caso considerando que o imóvel será destinado às
suas finalidades essenciais. STF. 1ª Turma. RE 470520/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
17/9/2013 (Info 720).3”
Regime de pessoal:
NÃO. “Os serviços sociais autônomos, por possuírem natureza jurídica de direito privado e não
integrarem a Administração Pública, mesmo que desempenhem atividade de interesse público em
cooperação com o ente estatal, NÃO estão sujeitos à observância da regra de concurso público (art.
37, II, da CF/88) para contratação de seu pessoal.
Obs.: vale ressaltar, no entanto, que o fato de as entidades do Sistema “S” não estarem submetidas
aos ditames constitucionais do art. 37, não as exime de manterem um padrão de objetividade e
eficiência na contratação e nos gastos com seu pessoal.
STF. Plenário. RE 789874/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 17/9/2014 (repercussão geral)
(Info 759).”4
SIM. DL.200, Art. 183. As entidades e organizações em geral, dotadas de personalidade jurídica de
direito privado, que recebem contribuições parafiscais e prestam serviços de interesse público ou
3 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Serviços sociais autônomos gozam de imunidade tributária. Buscador Dizer o
Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/8e98d81f8217304975ccb23337bb5761>. Acesso
em: 12/09/2018
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CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Os serviços sociais autônomos não precisam realizar concurso público para
contratar seu pessoal. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/496e05e1aea0a9c4655800e8a7b9ea28>. Acesso
em: 12/09/2018
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social, estão sujeitas à fiscalização do Estado nos termos e condições estabelecidas na legislação
pertinente a cada uma.
Segundo Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo, pelo fato de administrarem serviços públicos, estão
sujeitos a certas normas de direito público, especialmente normas de controle, tais como prestação
de contas ao Tribunal de Contas, sujeição à Lei de Improbidade, e seus empregados são
enquadrados como funcionário público para fins penais.
Procurador TCE-AP 2010 (FCC): Os serviços sociais autônomos podem ter natureza jurídica de
direito público ou privado.
Errado.
Procurador TCE-AP 2010 (FCC): Os serviços sociais autônomos prestam atividade de cooperação e
fomento, revestindo-se da forma de entes de natureza privada.
Certo.
DPE-AL 2017 (CESPE): Os serviços sociais autônomos são alcançados pelos sistemas de
precatórios.
Errado.
DPE-AL 2017 (CESPE): Os serviços sociais autônomos são beneficiados pelos privilégios de dilação
de prazo recursal.
Errado.
DPE-AL 2017 (CESPE): Os serviços sociais autônomos possuem personalidade jurídica de direito
público.
Errado.
DPE-AL 2017 (CESPE): Os serviços sociais autônomos estão obrigados a realizar procedimentos
licitatórios.
Errado.
DPE-AL 2017 (CESPE): Os serviços sociais autônomos devem ser criados mediante autorização por
lei.
Certo.
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de concurso público para a contratação de pessoal, nos moldes do que prevê a CF para a
investidura em cargo ou emprego público.
Errado.
Certo.
Conceito:
As Organizações Sociais são entidades privadas, qualificadas na forma da Lei Federal 9.637/1998,
que celebram “contrato de gestão” com o Estado para cumprimento de metas de desempenho e
recebimento de benefícios públicos (ex.: recursos orçamentários, permissão de uso de bens
públicos, cessão especial de servidores públicos).
Segundo Maria Sylvia Z. Di Pietro, Organizações Sociais é
- a “qualificação jurídica”;
Como bem ensinam Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo, “as OS NÃO são uma nova categoria de
pessoa jurídica. Trata-se, apenas, de uma QUALIFICAÇÃO ESPECIAL, um título concedido
discricionariamente pelo poder público a determinadas entidades privadas, sem fins lucrativos, que
atendam a certas exigências legais. Não integram a administração direta nem a indireta; são
entidades da iniciativa privada que, sem finalidade lucrativa, associam-se ao Estado, recebendo
deste fomento para realização de atividades de interesse coletivo”.
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Pressupostos para a qualificação como OS:
ambiente.
Atenção! As OS não são delegatárias de serviço público, ou seja, não exercem atividades públicas
de titularidade exclusiva do poder público, mas atividades privadas, em seu próprio nome, com
incentivo (fomento) do Estado.
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NÃO. A qualificação de entidade privada como organização é social é temporária, somente sendo
vigente, enquanto durar o vínculo firmado.
Cessão especial de servidor para as OS, com ônus para o órgão de origem do servidor cedido.
Contrato de gestão:
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a) especificação do PROGRAMA DE TRABALHO proposto pela organização social, a estipulação das
metas a serem atingidas e os respectivos prazos de execução, bem como previsão expressa dos
critérios objetivos de avaliação de desempenho a serem utilizados, mediante indicadores de
qualidade e produtividade;
b) a estipulação dos limites e critérios para despesa com remuneração e vantagens de qualquer
natureza a serem percebidas pelos dirigentes e empregados das organizações sociais, no exercício
de suas funções.
O contrato de gestão será fiscalizado pelo órgão ou entidade supervisora da área de atuação
correspondente à atividade fomentada e pelo Tribunal de Contas (arts. 8.º e 9.º da Lei 9.637/1998).
Quando da contratação com o Poder Público, possuem dispensa de licitação (art. 24, XXIV, da Lei n
8.666/93).
ADI 1923/DF: O Plenário do STF, por maioria, acolheu, em parte, pedido formulado na ADI para
conferir interpretação conforme a Constituição e deixar explícitas as seguintes conclusões:
a) o procedimento de qualificação das organizações sociais deve ser conduzido de forma pública,
objetiva e impessoal, com observância dos princípios do “caput” do art. 37 da CF, e de acordo com
parâmetros fixados em abstrato segundo o disposto no art. 20 da Lei 9.637/98;
b) a celebração do contrato de gestão deve ser conduzida de forma pública, objetiva e impessoal,
com observância dos princípios do “caput” do art. 37 da CF;
c) as hipóteses de dispensa de licitação para contratações (Lei 8.666/1993, art. 24, XXIV) e outorga
de permissão de uso de bem público (Lei 9.637/1998, art. 12, § 3º) são válidas, mas devem ser
conduzidas de forma pública, objetiva e impessoal, com observância dos princípios do “caput” do
art. 37 da CF;
d) a seleção de pessoal pelas organizações sociais deve ser conduzida de forma pública, objetiva e
impessoal, com observância dos princípios do “caput” do art. 37 da CF, e nos termos do
regulamento próprio a ser editado por cada entidade; e e) qualquer interpretação que restrinja o
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controle, pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas da União, da aplicação de verbas
públicas deve ser afastada.
TRE-PE 2017 (CESPE): Pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos, não integrante da
administração pública, que atua na área de ensino e pode contratar diretamente com o poder
público por dispensa de licitação, para a prestação de serviços contemplados no contrato de
gestão firmado com o ente público, é denominada organização social.
Certo.
Errado.
Certo.
DETRAN-PE: A desqualificação da organização social independe de processo administrativo.
Errado.
DETRAN-PE: A execução do contrato de gestão celebrado por organização social não sofre
qualquer fiscalização pelo poder público.
Errado.
Auditor Fiscal Cuiabá-MT 2016 (FGV): A qualificação de pessoas jurídicas de direito privado sem
fins lucrativos em Organização Social depende de lei específica de iniciativa do chefe do Poder
Executivo.
Errado.
Auditor Fiscal Cuiabá-MT 2016 (FGV): Não obstante a qualificação como Organização Social, a
entidade de direito privado qualificada está submetida à prévia licitação para a prestação do
serviço delegado.
Errado.
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Auditor Fiscal Cuiabá-MT 2016 (FGV): A qualificação da entidade privada como Organização Social
depende de licitação na modalidade de concorrência, salvo se por inviabilidade de competição a
mesma for inexigível.
Errado.
Auditor Fiscal Cuiabá-MT 2016 (FGV): As entidades qualificadas como Organização Social não
integram a estrutura da Administração Pública e não possuem fins lucrativos, mas se submetem
ao controle financeiro do Poder Público, inclusive do Tribunal de Contas.
Certo.
IMPORTANTE! Com base no §5º art. 1º do Decreto n. 5.504/2005, a doutrina afirmava que tanto as
Organizações Sociais (OS) quanto às OSCIPs deveriam licitação para contratações resultantes da
aplicação de recursos e bens repassados diretamente pela união.
Conceito:
- em razão de atividades que estas venham a desenvolver em regime de parceria com o Poder
Público.
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A QUALIFICAÇÃO (lembrar que a entidade já é pré-existente, somente recebendo uma qualificação
do Poder Público) “Organização da Sociedade Civil de Interesse Público” (“OSCIP”), na forma do
art. 1.º da Lei Federal 9.790/1999, alterada pela Lei 13.019/2014, será conferida às entidades
privadas, constituídas e em regular funcionamento há, no mínimo, três anos, que NÃO exercerem
atividades lucrativas e desempenharem as atividades especialmente citadas pela Lei.
Definição legal de pessoa jurídica sem fim lucrativo (art. 1º, §1º, da 9.790/1999)
Art. 1o Podem qualificar-se como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público as pessoas jurídicas
de direito privado sem fins lucrativos que tenham sido constituídas e se encontrem em funcionamento
regular há, no mínimo, 3 (três) anos, desde que os respectivos objetivos sociais e normas estatutárias
atendam aos requisitos instituídos por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 13.019, de
2014) (Vigência)
§ 1o Para os efeitos desta Lei, considera-se sem fins lucrativos a pessoa jurídica de direito privado que não
distribui, entre os seus sócios ou associados, conselheiros, diretores, empregados ou doadores, eventuais
excedentes operacionais, brutos ou líquidos, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu
patrimônio, auferidos mediante o exercício de suas atividades, e que os aplica integralmente na consecução
do respectivo objeto social.
Instrumento:
Seu vínculo com o Poder Público dar-se-á por termo de parceria e sua qualificação dá-se pelo
Ministério da Justiça.
VINCULADO. Diferentemente das OS, caso a pessoa privada cumpra com os requisitos trazidos por
lei específica adquire o direito subjetivo à qualificação.
Lei 9.790/99, Art. 1º (...), § 2o A outorga da qualificação prevista neste artigo é ato vinculado ao
cumprimento dos requisitos instituídos por esta Lei.
Objetivos:
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histórico e artístico; promoção gratuita da educação de forma complementar; promoção gratuita
da saúde de forma complementar; segurança alimentar e nutricional; defesa, preservação e
conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável; voluntariado;
desenvolvimento econômico e social e combate à pobreza; experimentação, não lucrativa, de
novos modelos socioprodutivos e de sistemas alternativos de produção, comércio, emprego e
crédito; promoção de direitos estabelecidos, construção de novos direitos e assessoria jurídica
gratuita de interesse suplementar; promoção da ética, da paz, da cidadania, dos direitos humanos,
da democracia e de outros valores universais; estudos e pesquisas, desenvolvimento de tecnologias
alternativas, produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos que
digam respeito às atividades mencionadas anteriormente.
Uma vez qualificadas, tais entidades poderão firmar “TERMO DE PARCERIA” com o Poder Público,
que estabelecerá programas de trabalho (metas de desempenho), e estarão aptas a receber
recursos orçamentários do Estado (art. 10). A celebração do Termo de Parceria será precedida de
consulta aos Conselhos de Políticas Públicas das áreas correspondentes de atuação existentes, nos
respectivos níveis de governo (art. 10, § 1.º, da Lei 9.790/1999).
São cláusulas essenciais do Termo de Parceria (art. 10, § 2.º, da Lei 9.790/1999):
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a) objeto do ajuste: programa de trabalho proposto pela OSCIP (inciso I);
d) previsão das receitas e despesas a serem realizadas em seu cumprimento, estipulando item por
item as categorias contábeis usadas pela organização e o detalhamento das remunerações e
benefícios de pessoal a serem pagos, com recursos oriundos ou vinculados ao Termo de Parceria, a
seus diretores, empregados e consultores (inciso IV);
Fiscalização:
O Termo de Parceria será fiscalizado pelo órgão ou entidade supervisora da área de atuação
correspondente à atividade fomentada, bem como pelos Conselhos de Políticas Públicas das áreas
correspondentes de atuação existentes, em cada nível de governo, e pelo Tribunal de Contas.
Perda da qualificação:
A OSCIP que deixar de preencher, posteriormente, os requisitos exigidos na lei sofrerá a perda da
qualificação como organização da sociedade civil de interesse público, exigindo a lei, para tanto,
processo administrativo, instaurado a pedido do Ministério Público ou de qualquer cidadão, em
que se lhe assegure contraditório e ampla defesa.
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Como caiu em prova:
TCE-SP 2012 (FCC): OSCIP - Organização da Sociedade Civil de Interesse Público é uma
organização social especializada exclusivamente na defesa, preservação, conservação do meio
ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável.
Errado.
TCE-SP 2012 (FCC): OSCIP - Organização da Sociedade Civil de Interesse Público é uma
organização jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, cujos objetivos sociais tenham as
finalidades determinadas pelo Estado.
Certo.
PGE SE 2005 (FCC): Determinada pessoa jurídica de direito privado, constituída sob a forma de
sociedade, não empresária e sem fins lucrativos, tem como objeto principal a prática de
atividades de defesa do meio ambiente. Seu estatuto não prevê a existência de conselho de
administração, mas prevê a existência de conselho fiscal, com atribuição de opinar sobre as
demonstrações financeiras da entidade. Supondo existentes os demais requisitos legais, essa
pessoa jurídica poderá qualificar-se como organização da sociedade civil de interesse público,
mas não como organização social.
Certo.
DICA:
VUNESP 2010: As OSCIP (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público) não podem, por
vedação legal expressa, participar em campanhas de interesse político-partidário ou eleitorais,
sob quaisquer meios ou formas.
Certo.
OS x OSCIP:
OS OSCIP
Lei 9637/98. Lei 9790/99.
Exerce atividades de interesse público anteriormente Exercem atividade de natureza privada.
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desempenhadas pelo Estado.
Contrato de gestão. Termo de parceria.
A qualificação depende de aprovação do Ministro de A qualificação é outorgada pelo Ministro da Justiça.
Estado ligado à área de atuação da entidade.
A outorga é discricionária. A outorga é vinculada.
Presença obrigatória de representante do Poder Presença facultativa de servidor público na
Público (art. 2º, I, “d”, da Lei 9.637/98) composição do Conselho da entidade (art. 4.º,
parágrafo único, da Lei 9.790/99)
Observações:
1. As organizações sociais estão proibidas de receber qualificação de OSCIP.
2. A OS participa necessariamente do Conselho de Organização de representantes da sociedade civil e
do Poder Público.
3. A OSCIP participa necessariamente do Conselho de Organização de representantes da sociedade civil
e há possibilidade de participação do Poder Público.
6. ENTIDADES DE APOIO
Segundo Di Pietro as ENTIDADES DE APOIO são pessoas jurídicas de direito privado, sem fins
lucrativos, instituídas por servidores públicos, porém em nome próprio, sob forma de fundação,
associação ou cooperativa, para a prestação, em caráter privado, de serviços sociais não
exclusivos de estado, mantendo vínculo jurídico com entidades da administração direta ou
indireta, em regra por meio de convênio.
Uma das espécies do gênero entidades de apoio são as fundações de apoio.
As fundações de apoio devem ser constituídas sob a forma de fundações de direito privado (não
integram a administração pública formal), sem fins lucrativos, regidas pelo CC e por estatutos cujas
normas expressamente disponham sobre a observância dos princípios da legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade, economicidade e eficiência.
As fundações ora em comento são obrigadas a prévio registro e credenciamento no Ministério da
Educação e do Desporto e no Ministério da ciência e Tecnologia, renovável bienalmente. Estão
sujeitas a fiscalização pelo MP, nos termos do CC e do CPC, e o seu pessoal é regido pela legislação
trabalhista – CLT.
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7. COMENTÁRIOS À LEI 13.019/2014 (PARCERIAS ENTRE A ADMINISTRAÇÃO E AS ORGANIZAÇÕES
DA SOCIEDADE CIVIL)
Em 1° de agosto de 2014, foi publicada a lei 13.019/14 que regulamenta duas novas espécies de
parcerias que podem ser firmadas entre o poder público e entidades privadas sem fins lucrativos,
quais sejam, o termo de colaboração e o termo de fomento, definindo regras específicas para as
entidades que pretendam assumir este vínculo com o Estado.
Tais entidades receberam a designação de Organizações da Sociedade Civil (OSC), devendo ser,
necessariamente, uma
- que não distribui, entre os seus sócios ou associados, conselheiros, diretores, empregados ou
doadores, eventuais resultados, e que os aplica integralmente na consecução do respectivo objeto
social, de forma imediata ou por meio da constituição de fundo patrimonial ou fundo de reserva.
NACIONAL. A lei 13.019/2014 tem por objetivo regular, em âmbito nacional, o regime jurídico das
parcerias voluntárias, envolvendo ou não transferências de recursos financeiros, firmadas entre a
Administração Pública e as organizações da sociedade civil sem fins lucrativos (OSC).
Art. 1º:
Art. 1o Esta Lei institui normas gerais para as parcerias entre a administração pública e organizações da
sociedade civil, em regime de MÚTUA COOPERAÇÃO, para a consecução de finalidades de interesse público
e recíproco, mediante a execução de atividades ou de projetos previamente estabelecidos em planos de
trabalho inseridos em termos de colaboração, em termos de fomento ou em acordos de
cooperação. (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
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A seguir os pontos que se entende serem mais relevantes a respeito da lei:
a) entidade privada SEM FINS LUCRATIVOS que não distribua entre os seus sócios ou associados,
conselheiros, diretores, empregados, doadores ou terceiros eventuais resultados, sobras, excedentes
operacionais, brutos ou líquidos, dividendos, isenções de qualquer natureza, participações ou parcelas do
seu patrimônio, auferidos mediante o exercício de suas atividades, e que os aplique integralmente na
consecução do respectivo objeto social, de forma imediata ou por meio da constituição de fundo
patrimonial ou fundo de reserva; (Incluído pela Lei nº 13.204, de 2015)
Art. 2º, inc. II - ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: União, Estados, Distrito Federal, Municípios e respectivas
autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista prestadoras de serviço público, e
suas subsidiárias, alcançadas pelo disposto no § 9o do art. 37 da Constituição Federal; (Redação dada pela
Lei nº 13.204, de 2015)
Art. 2º, inc. III - PARCERIA: conjunto de direitos, responsabilidades e obrigações decorrentes de relação
jurídica estabelecida formalmente entre a administração pública e organizações da sociedade civil, em
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regime de mútua cooperação, para a consecução de finalidades de interesse público e recíproco, mediante a
execução de atividade ou de projeto expressos em termos de colaboração, em termos de fomento ou em
acordos de cooperação; (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
III-A - atividade: conjunto de operações que se realizam de modo contínuo ou permanente, das quais resulta
um produto ou serviço necessário à satisfação de interesses compartilhados pela administração pública e
pela organização da sociedade civil; (Incluído pela Lei nº 13.204, de 2015)
III-B - projeto: conjunto de operações, limitadas no tempo, das quais resulta um produto destinado à
satisfação de interesses compartilhados pela administração pública e pela organização da sociedade civil;
(Incluído pela Lei nº 13.204, de 2015)
V - administrador público: agente público revestido de competência para assinar termo de colaboração,
termo de fomento ou acordo de cooperação com organização da sociedade civil para a consecução de
finalidades de interesse público e recíproco, ainda que delegue essa competência a terceiros; (Redação dada
pela Lei nº 13.204, de 2015)
VI - gestor: agente público responsável pela gestão de parceria celebrada por meio de termo de colaboração
ou termo de fomento, designado por ato publicado em meio oficial de comunicação, com poderes de controle
e fiscalização; (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
VII - TERMO DE COLABORAÇÃO: instrumento por meio do qual são formalizadas as parcerias estabelecidas
pela administração pública com organizações da sociedade civil para a consecução de finalidades de
interesse público e recíproco PROPOSTAS PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA que envolvam a transferência de
recursos financeiros; (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
VIII - TERMO DE FOMENTO: instrumento por meio do qual são formalizadas as parcerias estabelecidas pela
administração pública com organizações da sociedade civil para a consecução de finalidades de interesse
público e recíproco PROPOSTAS PELAS ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL, que envolvam a transferência
de recursos financeiros; (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
VIII-A - acordo de cooperação: instrumento por meio do qual são formalizadas as parcerias estabelecidas
pela administração pública com organizações da sociedade civil para a consecução de finalidades de
interesse público e recíproco que não envolvam a transferência de recursos financeiros; (Incluído pela Lei nº
13.204, de 2015)
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IX - conselho de política pública: órgão criado pelo poder público para atuar como instância consultiva, na
respectiva área de atuação, na formulação, implementação, acompanhamento, monitoramento e avaliação
de políticas públicas;
X - comissão de seleção: órgão colegiado destinado a processar e julgar chamamentos públicos, constituído
por ato publicado em meio oficial de comunicação, assegurada a participação de pelo menos um servidor
ocupante de cargo efetivo ou emprego permanente do quadro de pessoal da administração pública;
(Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
XII - chamamento público: procedimento destinado a selecionar organização da sociedade civil para firmar
parceria por meio de termo de colaboração ou de fomento, no qual se garanta a observância dos princípios
da isonomia, da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade
administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhes são
correlatos;
XIII - bens remanescentes: os de natureza permanente adquiridos com recursos financeiros envolvidos na
parceria, necessários à consecução do objeto, mas que a ele não se incorporam; (Redação dada pela Lei nº
13.204, de 2015)
XIV - prestação de contas: procedimento em que se analisa e se avalia a execução da parceria, pelo qual seja
possível verificar o cumprimento do objeto da parceria e o alcance das metas e dos resultados previstos,
compreendendo duas fases: (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
b) análise e manifestação conclusiva das contas, de responsabilidade da administração pública, sem prejuízo
da atuação dos órgãos de controle;
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aos contratos de gestão celebrados com organizações sociais, desde que cumpridos
os requisitos previstos na Lei nº 9.637, de 15 de maio de 1998;
b) dirigentes de órgão ou de entidade da administração pública; (Incluída pela Lei nº 13.204, de 2015)
c) pessoas jurídicas de direito público interno; (Incluída pela Lei nº 13.204, de 2015)
d) pessoas jurídicas integrantes da administração pública; (Incluída pela Lei nº 13.204, de 2015)
X - às parcerias entre a administração pública e os serviços sociais autônomos. (Incluído pela Lei nº 13.204,
de 2015)
c) Chamamento público (arts. 23 a 32 da Lei): procedimento que tem por objetivo selecionar
organização da sociedade civil para firmar parceria por meio de termo de colaboração ou de
fomento, com a observância dos princípios da isonomia, da legalidade, da impessoalidade, da
moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da vinculação ao
instrumento convocatório, do julgamento objetivo, dentre outros.
Art. 23. A administração pública deverá adotar procedimentos claros, objetivos e simplificados que
orientem os interessados e facilitem o acesso direto aos seus órgãos e instâncias decisórias,
independentemente da modalidade de parceria prevista nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 13.204, de
2015)
23
Parágrafo único. Sempre que possível, a administração pública estabelecerá critérios a serem seguidos,
especialmente quanto às seguintes características: (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
I - objetos;
II - metas;
IV - custos;
VI - indicadores, quantitativos ou qualitativos, de avaliação de resultados. (Redação dada pela Lei nº 13.204,
de 2015)
Critério de julgamento deve levar em consideração o grau de adequação da proposta aos objetivos
específicos objeto da parceria e, quando for o caso, ao valor de referência constante do
chamamento constitui critério obrigatório de julgamento.
d) Parcerias diretas: casos de dispensa (art. 30) e inexigibilidade (art. 31) de chamamento público;
II - nos casos de guerra, calamidade pública, grave perturbação da ordem pública ou ameaça à paz
social; (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
III - quando se tratar da realização de programa de proteção a pessoas ameaçadas ou em situação que possa
comprometer a sua segurança;
IV - (VETADO).
Art. 31. Será considerado inexigível o chamamento público na hipótese de inviabilidade de competição
entre as organizações da sociedade civil, em razão da natureza singular do objeto da parceria ou se as metas
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somente puderem ser atingidas por uma entidade específica, especialmente quando: (Redação dada pela Lei
nº 13.204, de 2015)
II - a parceria decorrer de transferência para organização da sociedade civil que esteja autorizada em lei na
qual seja identificada expressamente a entidade beneficiária, inclusive quando se tratar da subvenção
prevista no inciso I do § 3o do art. 12 da Lei no 4.320, de 17 de março de 1964, observado o disposto no art.
26 da Lei Complementar no 101, de 4 de maio de 2000. (Incluído pela Lei nº 13.204, de 2015)
Art. 32. Nas hipóteses dos arts. 30 e 31 desta Lei, a ausência de realização de chamamento público será
justificada pelo administrador público. (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
§ 1o Sob pena de nulidade do ato de formalização de parceria prevista nesta Lei, o extrato da justificativa
previsto no caput deverá ser publicado, na mesma data em que for efetivado, no sítio oficial da
administração pública na internet e, eventualmente, a critério do administrador público, também no meio
oficial de publicidade da administração pública. (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
§ 2o Admite-se a impugnação à justificativa, apresentada no prazo de cinco dias a contar de sua publicação,
cujo teor deve ser analisado pelo administrador público responsável em até cinco dias da data do respectivo
protocolo. (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
§ 3o Havendo fundamento na impugnação, será revogado o ato que declarou a dispensa ou considerou
inexigível o chamamento público, e será imediatamente iniciado o procedimento para a realização do
chamamento público, conforme o caso.
§ 4o A dispensa e a inexigibilidade de chamamento público, bem como o disposto no art. 29, não afastam a
aplicação dos demais dispositivos desta Lei. (Incluído pela Lei nº 13.204, de 2015)
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pública, em regime de mútua cooperação com organizações da sociedade civil, selecionadas por
meio de chamamento público, é denominado:
a) termo de fomento.
b) contrato de gestão.
c) concessão patrocinada.
d) convênio administrativo.
e) termo de colaboração.
f) Parcerias “ficha limpa”: O art. 39 da Lei 13.019/2014 veda a celebração de parcerias nos
seguintes casos:
tenha tido as contas rejeitadas pela administração pública nos últimos cinco anos,
exceto se:
a) for sanada a irregularidade que motivou a rejeição e quitados os débitos eventualmente imputados;
(Incluído pela Lei nº 13.204, de 2015)
b) for reconsiderada ou revista a decisão pela rejeição; (Incluído pela Lei nº 13.204, de 2015)
c) a apreciação das contas estiver pendente de decisão sobre recurso com efeito suspensivo; (Incluído pela
Lei nº 13.204, de 2015)
26
Que tenha contas de parceria julgadas irregulares ou rejeitadas por Tribunal ou
Conselho de Contas de qualquer esfera da Federação, em decisão irrecorrível, nos últimos
oito anos etc.
g) Contratações realizadas pelas organizações da sociedade civil: os arts. 34, VIII, e 43 da Lei
13.019/2014 dispunham que as contratações de bens e serviços realizadas pelas entidades da
sociedade, com recursos públicos, deveriam observar procedimento que atendesse aos princípios
da Administração, com a elaboração do "regulamento de compras e contratações" pela OSC,
devidamente aprovado pela Administração. Ocorre que as referidas normas foram revogadas pela
Lei 13.204/2015, e, atualmente, o art. 80 da Lei 13.019/2014 determina que as compras e
contratações que envolvam recursos financeiros provenientes de parceria poderão ser efetuadas
por meio de sistema eletrônico disponibilizado pela Administração às OSCs, aberto ao público via
internet, que permita aos interessados formular propostas
h) Despesas vedadas (art. 45 da Lei): utilizar recursos para finalidade alheia ao objeto da parceria. É
vedado, também: pagar, a qualquer título, servidor ou empregado público com recursos vinculados
à parceria, salvo nas hipóteses previstas em lei específica e na lei de diretrizes orçamentárias
i) Pessoal contratado pela entidade parceira: A remuneração da equipe de trabalho com recursos
da parceria não gera vínculo trabalhista com a Administração e o eventual inadimplemento dos
encargos trabalhistas não acarreta a responsabilidade do Poder Público por seu pagamento (art. 46,
§§ 1.º e 2.º, da Lei);
Art. 46
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§ 3o O pagamento de remuneração da equipe contratada pela organização da sociedade civil com recursos
da parceria não gera vínculo trabalhista com o poder público. (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
j) Prestação de contas: a Lei contém normas detalhadas sobre a prestação de contas por parte da
entidade privada (arts. 63 a 72 da Lei). Além disso, com o intuito de garantir maior transparência, a
Administração deverá manter, em seu sítio oficial na internet, a relação das parcerias celebradas e
dos respectivos planos de trabalho, até 180 dias após o respectivo encerramento, bem como
deverá divulgar os meios de representação sobre a aplicação irregular dos recursos envolvidos na
parceria (arts. 10 e 12 da Lei). A OSC, por sua vez, deverá divulgar na internet e em locais visíveis de
suas sedes sociais e dos estabelecimentos em que exerça suas ações todas as parcerias celebradas
com a Administração (art. 11 da Lei). A Lei contém normas detalhadas sobre a prestação de contas
por parte da entidade privada (arts. 63 a 72 da Lei). A organização da sociedade civil é obrigada a
prestar contas da boa e regular aplicação dos recursos recebidos no prazo de até 90 dias a partir do
término da vigência da parceria ou no final de cada exercício, se a duração da parceria exceder 1
ano (art. 69 da Lei).
CAPÍTULO IV
DA PRESTAÇÃO DE CONTAS
Seção I
Normas Gerais
Art. 63. A prestação de contas deverá ser feita observando-se as regras previstas nesta Lei, além de prazos e
normas de elaboração constantes do instrumento de parceria e do plano de trabalho.
§ 1o A administração pública fornecerá manuais específicos às organizações da sociedade civil por ocasião
da celebração das parcerias, tendo como premissas a simplificação e a racionalização dos
procedimentos. (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
§ 2o Eventuais alterações no conteúdo dos manuais referidos no § 1o deste artigo devem ser previamente
informadas à organização da sociedade civil e publicadas em meios oficiais de comunicação.
Art. 64. A prestação de contas apresentada pela organização da sociedade civil deverá conter elementos que
permitam ao gestor da parceria avaliar o andamento ou concluir que o seu objeto foi executado conforme
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pactuado, com a descrição pormenorizada das atividades realizadas e a comprovação do alcance das metas
e dos resultados esperados, até o período de que trata a prestação de contas.
§ 2o Os dados financeiros serão analisados com o intuito de estabelecer o nexo de causalidade entre a
receita e a despesa realizada, a sua conformidade e o cumprimento das normas pertinentes.
§ 4o A prestação de contas da parceria observará regras específicas de acordo com o montante de recursos
públicos envolvidos, nos termos das disposições e procedimentos estabelecidos conforme previsto no plano
de trabalho e no termo de colaboração ou de fomento.
Art. 65. A prestação de contas e todos os atos que dela decorram dar-se-ão em plataforma eletrônica,
permitindo a visualização por qualquer interessado. (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
Art. 66. A prestação de contas relativa à execução do termo de colaboração ou de fomento dar-se-á
mediante a análise dos documentos previstos no plano de trabalho, nos termos do inciso IX do art. 22, além
dos seguintes relatórios:
I - relatório de execução do objeto, elaborado pela organização da sociedade civil, contendo as atividades ou
projetos desenvolvidos para o cumprimento do objeto e o comparativo de metas propostas com os
resultados alcançados; (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
II - relatório de execução financeira do termo de colaboração ou do termo de fomento, com a descrição das
despesas e receitas efetivamente realizadas e sua vinculação com a execução do objeto, na hipótese de
descumprimento de metas e resultados estabelecidos no plano de trabalho. (Redação dada pela Lei nº
13.204, de 2015)
Parágrafo único. A administração pública deverá considerar ainda em sua análise os seguintes relatórios
elaborados internamente, quando houver: (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
§ 1o No caso de prestação de contas única, o gestor emitirá parecer técnico conclusivo para fins de
avaliação do cumprimento do objeto. (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
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§ 2o Se a duração da parceria exceder um ano, a organização da sociedade civil deverá apresentar prestação
de contas ao fim de cada exercício, para fins de monitoramento do cumprimento das metas do
objeto. (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
§ 4o Para fins de avaliação quanto à eficácia e efetividade das ações em execução ou que já foram
realizadas, os pareceres técnicos de que trata este artigo deverão, obrigatoriamente,
mencionar: (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
I - os resultados já alcançados e seus benefícios;
Art. 68. Os documentos incluídos pela entidade na plataforma eletrônica prevista no art. 65, desde que
possuam garantia da origem e de seu signatário por certificação digital, serão considerados originais para os
efeitos de prestação de contas.
Parágrafo único. Durante o prazo de 10 (dez) anos, contado do dia útil subsequente ao da prestação de
contas, a entidade deve manter em seu arquivo os documentos originais que compõem a prestação de
contas.
Seção II
Dos Prazos
Art. 69. A organização da sociedade civil prestará contas da boa e regular aplicação dos recursos recebidos
no prazo de até noventa dias a partir do término da vigência da parceria ou no final de cada exercício, se a
duração da parceria exceder um ano. (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
§ 1o O prazo para a prestação final de contas será estabelecido de acordo com a complexidade do objeto da
parceria. (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
§ 2o O disposto no caput não impede que a administração pública promova a instauração de tomada de
contas especial antes do término da parceria, ante evidências de irregularidades na execução do objeto.
(Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
§ 3o Na hipótese do § 2o, o dever de prestar contas surge no momento da liberação de recurso envolvido
na parceria. (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
§ 4o O prazo referido no caput poderá ser prorrogado por até 30 (trinta) dias, desde que devidamente
justificado.
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§ 5o A manifestação conclusiva sobre a prestação de contas pela administração pública observará os prazos
previstos nesta Lei, devendo concluir, alternativamente, pela: (Redação dada pela Lei nº 13.204, de
2015)
II - aprovação da prestação de contas com ressalvas; ou (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
§ 6o As impropriedades que deram causa à rejeição da prestação de contas serão registradas em plataforma
eletrônica de acesso público, devendo ser levadas em consideração por ocasião da assinatura de futuras
parcerias com a administração pública, conforme definido em regulamento. (Redação dada pela Lei nº
13.204, de 2015)
Art. 70. Constatada irregularidade ou omissão na prestação de contas, será concedido prazo para a
organização da sociedade civil sanar a irregularidade ou cumprir a obrigação.
§ 1o O prazo referido no caput é limitado a 45 (quarenta e cinco) dias por notificação, prorrogável, no
máximo, por igual período, dentro do prazo que a administração pública possui para analisar e decidir sobre
a prestação de contas e comprovação de resultados.
Art. 71. A administração pública apreciará a prestação final de contas apresentada, no prazo de até cento e
cinquenta dias, contado da data de seu recebimento ou do cumprimento de diligência por ela determinada,
prorrogável justificadamente por igual período. (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
§ 4o O transcurso do prazo definido nos termos do caput sem que as contas tenham sido
apreciadas: (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
I - não significa impossibilidade de apreciação em data posterior ou vedação a que se adotem medidas
saneadoras, punitivas ou destinadas a ressarcir danos que possam ter sido causados aos cofres públicos;
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II - nos casos em que não for constatado dolo da organização da sociedade civil ou de seus prepostos, sem
prejuízo da atualização monetária, impede a incidência de juros de mora sobre débitos eventualmente
apurados, no período entre o final do prazo referido neste parágrafo e a data em que foi ultimada a
apreciação pela administração pública. (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
II - regulares com ressalva, quando evidenciarem impropriedade ou qualquer outra falta de natureza formal
que não resulte em dano ao erário; (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
III - irregulares, quando comprovada qualquer das seguintes circunstâncias: (Redação dada pela Lei nº
13.204, de 2015)
§ 1o O administrador público responde pela decisão sobre a aprovação da prestação de contas ou por
omissão em relação à análise de seu conteúdo, levando em consideração, no primeiro caso, os pareceres
técnico, financeiro e jurídico, sendo permitida delegação a autoridades diretamente subordinadas, vedada a
subdelegação. (Incluído pela Lei nº 13.204, de 2015)
§ 2o Quando a prestação de contas for avaliada como irregular, após exaurida a fase recursal, se mantida a
decisão, a organização da sociedade civil poderá solicitar autorização para que o ressarcimento ao erário
seja promovido por meio de ações compensatórias de interesse público, mediante a apresentação de novo
plano de trabalho, conforme o objeto descrito no termo de colaboração ou de fomento e a área de atuação
da organização, cuja mensuração econômica será feita a partir do plano de trabalho original, desde que não
tenha havido dolo ou fraude e não seja o caso de restituição integral dos recursos. (Incluído pela Lei nº
13.204, de 2015)
l) Destino dos bens remanescentes: os termos de colaboração e de fomento devem conter cláusula
com a definição do destino dos bens remanescentes, assim considerados aqueles de natureza
permanente adquiridos com recursos financeiros envolvidos na parceria, necessários à consecução
do objeto, mas que a ele não se incorporam, admitindo-se a doação, ao término da parceria,
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quando os bens não forem necessários à continuidade do objeto pactuado (arts. 2.°, XIII, 36, caput
e parágrafo único, e 42, X, da Lei). Os equipamentos e materiais permanentes adquiridos pela OSC,
com recursos provenientes da celebração da parceria, serão gravados com cláusula de
inalienabilidade, e a entidade parceira deverá formalizar promessa de transferência da propriedade
à Administração, na hipótese de sua extinção (art. 35, § 5.0, da Lei).
Art. 42.
(…)
33
Art. 73. Pela execução da parceria em desacordo com o plano de trabalho e com as normas desta Lei e da
legislação específica, a administração pública poderá, garantida a prévia defesa, aplicar à organização da
sociedade civil as seguintes sanções: (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
I - advertência;
III - declaração de inidoneidade para participar de chamamento público ou celebrar parceria ou contrato
com órgãos e entidades de todas as esferas de governo, enquanto perdurarem os motivos determinantes da
punição ou até que seja promovida a reabilitação perante a própria autoridade que aplicou a penalidade,
que será concedida sempre que a organização da sociedade civil ressarcir a administração pública pelos
prejuízos resultantes e após decorrido o prazo da sanção aplicada com base no inciso II. (Redação dada
pela Lei nº 13.204, de 2015)
§ 1o As sanções estabelecidas nos incisos II e III são de competência exclusiva de Ministro de Estado ou de
Secretário Estadual, Distrital ou Municipal, conforme o caso, facultada a defesa do interessado no respectivo
processo, no prazo de dez dias da abertura de vista, podendo a reabilitação ser requerida após dois anos de
aplicação da penalidade. (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015)
Ao contrário do art. 87 da Lei 8.666/1993, a Lei 13.019/2014 não prevê a multa no rol de sanções.
Da mesma forma, a nova legislação não menciona o ressarcimento integral do dano. Contudo,
apesar da omissão legislativa, deve ser reconhecida a prerrogativa da Administração em buscar o
ressarcimento integral do dano, a qualquer tempo, para recompor o erário, sendo certo que o
ressarcimento não possui caráter de sanção.
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