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História, imagem e narrativas

No 21, outubro/novembro/2015 - ISSN 1808-9895 - http://www.historiaimagem.com.br

História e Complexidade

Carlos Alberto Pereira Silva


Doutor em Educação (UFRN)
Professor do Departamento de História (UESB)
Coordenador do Laboratório Transdisciplinar de Estudos em Complexidade
kk.uesb@gmail.com

Resumo: No tempo presente, a sociedade ocidental está vivenciando múltiplas metamorfoses. Entre as
transformações em curso inserem-se as mutações existentes no interior da cultura científica. Diante deste
contexto, este artigo reflete acerca da pertinência da epistemologia complexidade no trabalho de construção do
conhecimento histórico e sobre a aposta na religação dos saberes no processo de emergência de uma ciência da
inteireza.

Palavras Chave: Pensamento complexo. Religação dos saberes. Conhecimento histórico.

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Emergência do pensamento complexo

Em seu itinerário histórico, desde épocas remotas, os humanos têm procurado elaborar
pensamentos e idéias que possibilitem o alcance de compreensões multidimensionais acerca
do mundo e da vida. Na trajetória da humanidade, tanto no Oriente quanto no Ocidente, é
possível encontrar as premissas de um pensamento complexo. Na antiguidade chinesa
emergiu a filosofia taoísta concebendo a existência de relações complementares entre
dimensões opostas. Os “ensinamentos essenciais” de Chuang Tzu (1998, p.32), ao
preconizarem que “aquilo nasce disso, mas isso também é exatamente causado por aquilo”,
configuram-se como antecedentes de um dos operadores cognitivos fundamentais do
pensamento complexo que é o princípio dialógico. No interior da cultura ocidental, na Grécia
Antiga há aproximadamente 500 anos antes de Cristo, Heráclito foi um pioneiro no
acolhimento das contradições. Ao dizer que os contrários “concordam entre si e a
discordância cria a mais bela harmonia”, Heráclito (apud MORIN, 2013, p.25), com sua
concepção dialógica acerca da realidade, pode ser considerado um dos precursores do
pensamento complexo. No mundo moderno, na época do nascimento da ciência clássica que
emergiu propagando a separação do espírito da matéria e do sujeito do objeto, Blaise Pascal
inseriu-se no cenário intelectual europeu proclamando as virtudes de um pensamento que
acolhe as contradições.
Na primeira metade do século XX, com o advento da física quântica, surgiram
premissas importantes que contribuíram para a configuração do pensamento complexo. Niels
Bohr, ao conceber que no mundo subatômico um corpúsculo apresenta-se ambiguamente
como partícula e como onda e ao anunciar que o sujeito interfere na realidade observada,
abalou as crenças objetivistas presentes na ciência moderna. Naquele contexto, o físico
Werner Heisenberg, ao atestar a impossibilidade de medição simultânea e precisa da posição e
da velocidade de uma partícula, elaborou o principio da incerteza que se configura como um
dos operadores cognitivos fundamentais da complexidade. Nesta primeira metade do século
passado, os pensadores da Escola de Frankfurt com suas posturas iconoclastas, ao

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desconfiarem das excessivas promessas contidas na racionalidade iluminista que tudo


procurava decifrar, atestaram a existência dos limites cognitivos contidos na razão ocidental.
Theodor Adorno (Apud MORIN, 2005, p.69), ao dizer que “a totalidade é a não-verdade”,
contribuiu para emergência do pensamento complexo por sugerir, conforme atesta a
epistemologia da complexidade, que todo e qualquer conhecimento está condenado à
incompletude.
Ainda que as premissas de um pensamento pautado na busca da compreensão dos
entrelaçamentos de tudo o que tecido junto possua uma longa história, é no interior da crise da
modernidade que emerge o pensamento complexo cujo principal expoente é, o “pensador sem
fronteiras”, Edgar Morin.
O advento da crise da modernidade ocidental está situado temporalmente na segunda
metade do século XX. Um dos fatores que permitem entender o início da crise relaciona-se
com as trágicas conseqüências derivadas da segunda guerra mundial. Naquela guerra,
sobretudo com o lançamento das duas bombas atômicas que mataram milhares de pessoas nas
cidades de Hiroshima e Nagasaki, foi evidenciado o poder destrutivo contido nos artefatos
tecnocientíficos. A partir daquele momento, a ciência moderna, que desde o seu nascimento
apresentava-se como portadora de incontáveis positividades, passou a ser enxergada por
vários cientistas e pensadores como uma forma de conhecimento possuidora de
ambivalências. Outro aspecto caracterizador do advento da crise da modernidade encontra-se
no surgimento da impossibilidade de dominação do mundo por parte dos seres humanos. Na
medida em que os problemas ecológicos começaram a aparecer com nitidez, foi sendo
evidenciada a falsidade da tese, engendrada no contexto de surgimento da ciência ocidental,
que atestava serem os “homens senhores e possuidores da natureza”. Assim, com o anúncio
dos limites do antropocentrismo ocidental, a ciência clássica sofreu abalos que contribuíram
para a emergência e propagação do pensamento complexo. Insere-se também neste processo
de crise da modernidade, a proliferação de questionamentos à crença na construção de um
futuro radiante que era cultuada pelas utopias políticas gestadas na modernidade. Como
sentencia Morin (2011, p.25) “a crise atinge nossos mitos mais importantes: progresso,
felicidade e dominação do mundo”. Assim, neste contexto preenchido pelo advento da crise

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da modernidade ocidental, emergiu o pensamento complexo através, especialmente, do


trabalho intelectual de Edgar Morin.
Nascido em 1921, Morin formou-se em História, Geografia e Direito, participou da
Resistência Francesa contra o nazifascismo e aderiu ao Partido Comunista Francês em 1941,
do qual foi expulso, por suas posições críticas frente ao stalinismo, uma década depois. O
primeiro empreendimento intelectual de Morin ocorreu em 1946 com a publicação do livro
“O ano zero da Alemanha”, no qual ele teceu uma densa narrativa sobre a situação da
sociedade alemã no período imediatamente após a segunda guerra mundial. Demonstrando
sua disposição em romper com a rigidez imposta pelas fronteiras disciplinares, em 1951, ao
adentrar numa reflexão antropológica, Morin publica “O homem e a morte”. Ao escrever o
livro “O cinema ou o homem imaginário”, que foi publicado em 1956, ele iniciou uma
reflexão sobre arte e cognição. A partir daquele momento, Morin procurou refletir sobre
política, cultura de massas, imaginário, desenvolvimento, sociologia do presente, dentre
outros temas, em vários livros escritos antes da publicação do livro “O Paradigma perdido” ,
onde é encontrada a apresentação dos principais fundamentos epistemológicos do pensamento
complexo. Em “O paradigma perdido”, publicado em 1973, Morin, ao assumir a sua vocação
transdisciplinar, explicita uma de suas principais obsessões intelectuais que é a aposta na
religação dos saberes.

Trata-se muito mais do que estabelecer relações diplomáticas e comerciais entre as disciplinas,
em que cada uma delas se confirma na sua soberania. Trata se de pôr em questão o princípio
das disciplinas que transformam em picado o objeto complexo, o qual é essencialmente
constituído pelas inter-relações, pelas interacções, pelas interferências, pelas
complementaridades, pelas oposições entre elementos constitutivos, cada um dos quais é
prisioneiro de uma disciplina particular. Para haver uma verdadeira interdisciplinaridade, é
preciso que as disciplinas sejam articuladas e abertas sobre fenômenos complexos, e,
evidentemente uma, metodologia ad hoc. Também é necessária uma teoria – um pensamento –
transdisciplinar que se esforce para abranger o objecto, o objecto único, simultaneamente
contínuo e descontínuo, da ciência: a physis (Morin, 2000a, p.208).

Após a publicação de “O paradigma perdido”, Morin dedicou-se ao trabalho de


construção da obra “O método”. Através dos seis volumes que possuem mais de duas mil
páginas, nas quais existem reflexões sobre natureza, vida, conhecimento, idéias, humanidade
e ética, Morin expõe densamente sobre os operadores cognitivos, os fundamentos, as noções e
os princípios que constituem a epistemologia da complexidade. Avesso à idolatria de falsas

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certezas e descrente das receitas teóricas e das doutrinas políticas, ao incorporar a sentença de
que “caminhando se faz o caminho”, Morin enfatiza o caráter aberto de sua obra dizendo:

Eu não trago o método. Eu parto em busca do método. Eu não parto com o método, eu parto
com a recusa totalmente consciente da simplificação. A simplificação é a disjunção em
entidades separadas e fechadas, a redução a um elemento simples, a expulsão do que não entra
num esquema linear (Morin, 2005, p.35)

Possuidor de uma vasta produção bibliográfica e de incontáveis cursos, conferências e


palestras proferidas em diversos países de vários continentes ao longo de sete décadas de
jornada intelectual, Morin (2010, p.309), ao assumir que “a vida é, simultaneamente, a coisa
mais horrível e a mais maravilhosa”, continua insistindo na necessidade da cultura ocidental
acolher as contradições, religar os saberes e apostar na construção, aqui e agora, de um
mundo melhor.

Religação dos saberes: aposta fundamental da complexidade

A ciência moderna, que hoje demonstra as suas insuficiências e limitações diante de


um mundo preenchido por profundas mutações, surgiu no século XVII e difundiu-se nos
séculos seguintes com a pretensão de ser a única forma de conhecimento válido. Os
propagadores da ciência clássica, ao elegerem a razão como dimensão privilegiada da
existência, preconizaram a negação da validade das crenças e concepções que não estivessem
baseadas em explicações científicas. Naquele contexto, o princípio da separação erigiu-se
como um dos grandes fundamentos do conhecimento científico. Este princípio foi projetado
por René Descartes (1999, p.23) que propôs, como uma das regras do método científico,
"dividir cada uma das dificuldades que examinasse em tantas parcelas quantas fosse possível
e necessário para melhor resolvê-las". Este princípio fundamentou a idéia de que o progresso
do conhecimento aconteceria na medida em que os fenômenos fossem separados e estudados
em partes isoladas para a obtenção do verdadeiro conhecimento.
O princípio da separação, tão largamente difundido nos últimos séculos, trouxe
consigo diversos resultados. No século XIX, com o triunfo do cientificismo, houve uma
expansão considerável do conhecimento parcelar gerado através do surgimento de inúmeras

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disciplinas. A proliferação das diversas disciplinas, ao assentar-se na crença na existência da


separação entre a natureza e a cultura, desdobrou-se na compartimentação entre as ciências
ditas naturais e as ciências consideradas humanas. Segundo essa perspectiva, as ciências
naturais estudariam os fenômenos físicos e biológicos e as ciências humanas estudariam os
problemas sociais e as questões culturais. Assim, através da pulverização disciplinar, a ciência
moderna expandiu-se sem conceber as interdependências existentes entre fenômenos,
processos e acontecimentos.
No contexto de crise da modernidade, em virtude da proliferação de múltiplas
demandas que exigem superação sem negação dos conhecimentos compartimentados, é que
emerge a aposta na religação dos saberes. Ao fazer um balanço das transformações ocorridas
no século passado, Morin destaca a necessidade da ocorrência de metamorfoses na cultura
científica para que ela possa contribuir no enfrentamento dos problemas multidimensionais do
tempo presente.

O século XX produziu avanços gigantescos em todas as áreas do conhecimento científico,


assim como em todos os campos da técnica. Ao mesmo tempo produziu nova cegueira para os
problemas globais, fundamentais e complexos, e esta cegueira gerou inúmeros erros e ilusões,
a começar por parte dos cientistas, técnicos e especialistas (MORIN, 2000b, p.45).

Na atualidade, onde ainda há o predomínio da fragmentação disciplinar, a religação


dos saberes aparece com um dos grandes desafios propostos pelo pensamento complexo.
Religar, sem fundir, os saberes produzidos pelas diversas áreas existentes na cultura científica
é um imperativo. Em consonância com essa perspectiva, faz-se necessário religar os saberes
produzidos pelas ciências humanas com os saberes produzidos pelas ciências da natureza.
Este processo, que visa a articulação das disciplinas, certamente contribuirá para que as
ciências humanas, no diálogo com as ciências natureza, passem a conceber a realidade
corpórea e a animalidade do homem enquanto que as ciências da natureza deverão assumir a
premissa de que o natural é atravessado pelas dimensões antropossociais.
No âmbito das ciências humanas é urgente superar a compartimentação e o
reducionismo ainda existentes. Como diz Morin (2004, p.357), a História, “ciência
polidisciplinar”, a Antropologia, a Psicologia, a Geografia, a Sociologia, e tantas outras
disciplinas vinculadas ao universo das ciências antropossociais, devem construir elos de

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comunicação para que possam contribuir no alargamento de compreensões que estão


submersas em razão da incomunicabilidade existente entre as diversas áreas do conhecimento
científico. Assim, o pensamento complexo concebe que retalhar a História em História
Cultural, História Social, História Econômica, História Política, História Ambiental, dentre
tantas outras, pode ser algo contraproducente à construção do conhecimento histórico porque
este conhecimento configura-se como algo essencialmente multidimensional.
Outro imperativo apontado pelo pensamento complexo é a religação da ciência com a
arte. No itinerário das sociedades modernas, os cientistas, obcecados com a procura das
certezas absolutas e desdenhando dos atributos cognitivos pertinentes à atividade artística,
procuraram alcançar o conhecimento objetivo através da observação, da experimentação e da
quantificação. Entretanto, mesmo separada da ciência que se sucumbiu à lógica disjuntiva, a
arte não entrou em estado letárgico. Livre das rígidas regras prescritas pelo conhecimento
científico e imersa no mundo da vida, a arte potencializou seu ativismo, sua intrepidez e sua
ousadia criativa. Enquanto a ciência ocupava-se com a análise dos fatos a posteriori, a arte
estabelecia um fecundo diálogo em tempo real com o mundo que não visava à dissecação dos
fatos e fenômenos, mas à compreensão de suas complexas inteirezas. Configurando-se como
“expressão não retocada da verdade”, como afirmou Friedrich Nietzsche (2005, p.63), a arte
penetrou profundamente na subjetividade e na objetividade do mundo, ampliando a
compreensão das realidades físicas e metafísicas. Enquanto a ciência, obcecada com a
experimentação e a quantificação, desprezava a imaginação, o sonho, a intuição, a magia e a
emoção, arremessando-os “para o amplo conceito negativo de sentimento”, “a arte, como
manifestação suprema e acabada de tudo que existe”, conforme destacou Arthur
Schopenhauer (2001, p.281), continuou cultivando essas dimensões e integrando-as como
operadores cognitivos fundamentais ao pensamento.
Insurgindo contra a fragmentação e o reducionismo disseminados pelo conhecimento
científico moderno, que tem retalhado o todo ao separar natureza e cultura, objetividade e
subjetividade, razão e emoção, os cientistas David Bohm e David Peat explicitam a
importância da imaginação, cultivada pela arte, na produção de conhecimentos.

Literalmente, imaginação significa ‘capacidade de construir imagens mentais’, imitativas das


formas de objetos reais. Porém os poderes da imaginação vão de facto muito além, incluindo a

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concepção de novas formas, até então desconhecidas e que são sentidas não somente como
imagens visuais, mas também como sensações tácteis e cinestéticas, e ainda por outras vias que
desafiam a descrição.[...] A imaginação é, assim, o início da penetração criativa no domínio do
manifesto. (BOHM; PEAT, 1989, p.342-343).

No processo de geração de conhecimentos concebido através da arte, a imaginação


tem como leal companheira a dimensão intuitiva que está presente nos estados
contemplativos. Possibilitadora da emergência de compreensões acerca das múltiplas
realidades, sem que haja a mediação das pretensiosas regras da razão analítica, a intuição
configura-se como uma potente ferramenta cognitiva. Impulsionada pela faculdade
imaginante e pela dimensão intuitiva, a criação artística nutre-se também da emoção pensante.
Ao salientar que “o humano se constitui no entrelaçamento do emocional com o racional”,
Humberto Maturana reflete acerca da relação dialógica existente entre razão e emoção.
Advogando a proeminência da dimensão emocional na vida humana, Maturana contrapõe-se à
desvalorização da emoção empreendida por cientistas racionalizadores.

Dizer que a razão caracteriza o humano é um antolho, porque nos deixa cegos frente à emoção,
que fica desvalorizada como algo animal ou como algo que nega o racional. Quer dizer ao nos
declaramos seres racionais vivemos uma cultura que desvaloriza as emoções, e não vemos o
entrelaçamento cotidiano entre razão e emoção, que constitui nosso viver humano, e não nos
damos conta de que todo sistema racional tem um fundamento emocional. (MATURANA,
2005, p.15).

Com emoção, deixando fluir a imaginação e valorizando os sentimentos intuitivos, os


artistas seguem, com ousadia e intrepidez, gerando conhecimentos pertinentes. Nesse
contexto, preenchido pela vibrante presença da arte, a ciência precisa desvencilhar-se da
ingênua crença de que ela constitui-se numa forma de saber superior. Sabiamente, os
cientistas precisam incorporar as fecundas dimensões cultivadas pela arte porque:

(...) existe uma dimensão artística na atividade científica e, constantemente vemos que os
cientistas também são artistas que relegaram para uma atividade secundária ou adotaram como
hobby seu gosto pela música, pela pintura e até mesmo pela literatura (MORIN, 2008, p.59).

Numa época na qual ainda predomina o pensamento fragmentado e fragmentador, a


religação entre a arte, ousada e intrépida, e a sua comedida irmã, a ciência, pode gerar um
fecundo diálogo capaz de possibilitar a superação das mutiladas e unidimensionais
concepções acerca da vida e do mundo ainda propagadas por muitos cientistas.

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O estabelecimento de um profícuo diálogo entre a cultura científica e os saberes da


tradição constitui-se num outro desafio. O reconhecimento e a valorização dos saberes
transmitidos oralmente de geração para geração, por populações ribeirinhas, povos das
florestas e outras tantas comunidades que ainda não foram tragadas pela sedutora
uniformização empreendida pela ocidentalização do mundo, contribui para que a religação
possa expressar um abraço mais amplo entre os diversos tipos de conhecimento, porque

em diversos lugares espalhados pelo Brasil, mulheres dispõem de grande sabedoria para
tratar as doenças. Elas conhecem os segredos e as qualidades das plantas para curar
enfermidades as mais diversas, sabem assistir os nascimentos, fazer partos, cuidar da
alimentação da mãe, tratar do recém-nascido, dizer o que se deve ou não comer. Os
homens, mais afeitos às longas caminhadas para o trabalho, sabem ler a natureza, a
linguagem dos bichos, os segredos da mata. O mundo rural, distante das grandes
cidades, tem também seus sábios. (ALMEIDA, 2006, p.108).

A aposta na religação dos múltiplos saberes é um desafio inadiável. Na prática da


pesquisa histórica, esse desafio pode se enfrentado com o acolhimento do pensamento
complexo e da visão transdisciplinar que tem contribuído para a emergência de
conhecimentos comprometidos com a vida em suas múltiplas dimensões.

Princípios da complexidade e conhecimento histórico


A epistemologia da complexidade singulariza-se por possuir princípios, operadores
cognitivos, noções e conceitos que possibilitam a compreensão multidimensional dos
fenômenos e processos estudados. Entre os vários princípios da complexidade, destacarei
quatro princípios que, por possuírem relação direta com a compreensão da história, devem ser
incorporados no trabalho intelectual dos estudiosos e pesquisadores vinculados aos estudos
históricos.
Princípio da ecologia da ação - Na juventude, ao encontrar-se na condição de aluno
do historiador Georges Lefebvre, Morin incorporou uma compreensão sobre os processos
históricos que foi teorizada por ele como o princípio da ecologia da ação. Conforme relata
Morin, ao ficar atento às explanações de Lefebvre sobre a Revolução Francesa, ele constatou
que

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(...) a Revolução havia sido suscitada, em sua origem, por uma reação aristocrática que,
querendo aproveitar-se da debilidade do poder real para retomar antigas prerrogativas abolidas
pela monarquia absoluta de Luís XVI, suscitou a convocação dos Estados-gerais, os quais
desencadearam o processo revolucionário contrário. (MORIN, 2000b, p.29).

A partir da compreensão sobre a história da Revolução Francesa, Morin concluiu que


as “conseqüências da ação escapam das intenções dos seus iniciadores”, porque uma ação
desencadeada num meio preenchido por inter-retro-relações pode ter o seu curso desviado
desdobrando se no contrário da intenção desejada.
Ao estudarmos processos históricos diversos constataremos que o princípio da
ecologia da ação é um operador cognitivo fundamental à compreensão ampliada da história.
Aqui, apresentarei dois exemplos da presença da ecologia da ação na história recente do
Brasil.
Na primeira metade da década de 60 do século passado, o Brasil vivenciou uma crise
multifacetada cujo resultado foi a supressão do sinuoso regime democrático e a instauração de
um regime ditatorial que teve a vigência 21 anos. No contexto de polarização política e
ideológica existente no governo João Goulart, o governador do estado da Guanabara Carlos
Lacerda e o governador do estado de São Paulo Adhemar de Barros destacaram-se como
participantes ativos do golpe civil-militar que destituiu o presidente da República.
Entusiasmados com o golpe, ambos acreditavam que a intervenção dos militares seria
cirurgicamente curta e que eles poderiam disputar a presidência da República no ano de 1965.
Entretanto, em razão de múltiplos acontecimentos que possibilitaram a continuidade da
ditadura, além de não disputarem a eleição presidencial de 1965 dada a sua inexistência,
ambos foram cassados pelo regime que ajudaram a implantar. Hoje, podemos dizer: estes
sujeitos históricos não sabiam o que é ecologia da ação.
Recentemente, no ano de 2013, a sociedade brasileira esteve imersa num contexto no
qual o princípio da ecologia da ação esteve presente de maneira explícita. Na cidade de São
Paulo, em razão do aumento das tarifas do transporte coletivo, o Movimento Passe Livre
(MPL) realizou em meados daquele ano várias manifestações nas quais havia a exigência de
revogação do aumento das tarifas. Inicialmente, estes movimentos estiveram circunscritos à
capital paulista e possuíam como pauta principal reivindicações vinculadas ao transporte
urbano. Porém, após a ocorrência de atos de repressão policial que ganharam visibilidade nos

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diversos meios de comunicação, os movimentos experimentaram uma significativa


metamorfose. Subitamente, eclodiram movimentos em inúmeras cidades que contaram com a
participação de milhares de pessoas. Especialmente através de passeatas, indivíduos
pertencentes às diversas classes sociais ocuparam as ruas manifestando os seus
descontentamentos frente aos diversos problemas existentes no Brasil. Revogação dos
aumentos de tarifas dos transportes coletivos, inconformismo com a corrupção, insatisfação
com a qualidade da saúde pública e denúncias da lastimável situação da educação pública no
país, dentre outras demandas, compunham a ampla e indeterminada pauta de massivas
manifestações. Dessa forma, um movimento que originalmente possuía uma pauta específica
e que estava sob a direção dos jovens do MPL transmutou-se numa generalizada insatisfação
urbana com reivindicações imprecisas, sem direção definida, e com um intenso protagonismo
dos indivíduos que faziam os seus próprios cartazes e empunhavam suas próprias bandeiras.
Assim, as Jornadas de Junho de 2013 configura-se como um acontecimento histórico na qual
sobressai o ensinamento de que uma ação colocada em movimento, não raras vezes, pode
fugir do controle de quem a desencadeou.
Principio Dialógico - Mesmo que o pensamento ocidental esteja eivado de concepções
que afirmam a existência de rígidas dualidades assentadas na separação entre o isso e o
aquilo, iremos encontrar no itinerário da cultura do ocidente diversos pensadores que
concebem a existência de relações complementares e antagônicas entre opostos. Na Grécia
Antiga, Heráclito, um pioneiro no acolhimento das contradições, ao afirmar que “o bem e o
mal são uma coisa só” e que “o caminho da ascensão e o caminho da queda são os mesmos”,
pavimentou o caminho para o desabrochar do princípio dialógico. Recentemente, ao dissertar
sobre a os filósofos que tiveram influência na sua formação intelectual, Morin (2012, p.21)
sentenciou: “sou profundamente heraclitiano. Chego a contradições a partir do momento em
reflito sobre os grandes problemas e constato que a maior parte dessas contradições não são
superáveis”. No mundo moderno, Blaise Pascal, conforme nos informa Morin (2012, p.58)
assumia as contradições ao elaborar e responder a seguinte indagação: “Que quimera é, então
o homem? Que novidade, que monstro, que caos, que sujeito de contradições, que prodígio!
Juiz de todas as coisas, verme imbecil da terra; depositário do verdadeiro, cloaca de incerteza
e de erros; glória e escória do universo” Influenciado pelas idéias deste pensador, Morin

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(2012, p.53), ao escrever sobre as influências dele recebidas, assim diz: “Li Pascal muito cedo
e hoje compreendo que o me pascalizava e pascaliza para sempre: é o laço extraordinário e
complementar entre a fé, a razão, a dúvida; combate, complementaridade que sempre foram
meus”. Embalado por estas contribuições pretéritas, Morin, ao debruçar sobre o processo de
construção do método complexo, definiu assim a dialógica:

Unidade complexa entre duas lógicas, entidades ou instâncias complementares, concorrentes e


antagônicas que se alimentam uma da outra, mas também se opõem e combatem. Distingue-se
da dialética hegeliana. Em Hegel, as contradições encontram uma solução superam-se e
suprimem numa unidade superior. Na dialógica os antagonismos persistem e são constitutivos
das entidades ou fenômenos complexos (MORIN, 2002, p.300-301).

Assentado na existência de relações complementares e antagônicas entre opostos, o


acolhimento do princípio dialógico é fundamental para a compreensão da história porque
através desse princípio é possível conceber a relação indissociável entre objetividade e
subjetividade, sujeito e objeto, reducionismo e holismo, razão e emoção, parte e todo,
natureza- cultura, sapiência e demência, bem e mal, dentre outras dualidades. Na busca de
superação das visões dualistas e dos maniqueísmos em suas reflexões acerca dos processos
históricos, os historiadores podem encontrar no princípio dialógico um poderoso instrumento
para a construção de narrativas complexas sobre a história. Por julgar necessário que
encaremos a história como um emaranhado de relações complementares e antagônicas entre
fenômenos, classes sociais, sujeitos e ideologias opostas, a título de exemplo, apresento uma
narrativa sobre um aspecto da História do Brasil no qual o princípio dialógico é evidenciado:
Entre 1946 a 1964 o Brasil vivenciou uma sinuosa experiência democrática que é
reconhecida por muitos estudiosos como sendo a “fase populista” da sua história republicana.
Durante aquela época, aconteceram intensas mobilizações sociais e calorosos debates sobre os
rumos civilizatórios que o nosso país tropical deveria seguir para transformar-se numa
“grande nação”. Dialogicamente, segmentos antagônicos convergentemente
complementavam-se ao defenderem a industrialização para o país. Assim, quase todos os
letrados, desde os ativistas políticos até os homens e mulheres envolvidos com o mundo da
arte, desejavam que o Brasil superasse o “subdesenvolvimento” e entrasse no clube das
nações ditas civilizadas.

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No que diz respeito às clivagens políticas, em um dos lados estavam nacionalistas,


trabalhistas, reformistas, socialistas e comunistas. No outro lado estavam udenistas,
controvertidos liberais e velhos integralistas. Fascinados com as perspectivas modernizadoras,
numa época em que a modernidade já dava sinais de crise nos países materialmente
desenvolvidos, ambos os lados apostavam na modernidade ocidental como panacéia para a
resolução dos antigos e novos problemas civilizatórios. Sem distinção, os dois lados
defendiam a industrialização como portadora de incontáveis positividades. Sacralizavam a
ciência como dimensão responsável pelo alcance de verdades incontestáveis. Endeusavam a
vida urbana que era encarada como sinônimo de progresso social. Faziam apologia do
trabalho como dimensão central da existência. Encantavam se com a técnica moderna ao
depararem com a difusão das “maravilhas” estampadas nos novos artefatos tecnológicos. E,
ilusoriamente, acreditavam na possibilidade de controle das forças da natureza e na
inesgostabilidade de suas riquezas.
Entretanto, mesmo possuindo estas convergências fundamentais, os dois lados eram
portadores de enormes diferenças Ainda que todos fossem apologistas da modernidade
ocidental, um dos lados singularizava-se por defender uma modernidade includente, enquanto
o outro insistia na defesa da concretização de uma modernidade essencialmente excludente.
Em consonância com a busca de uma modernidade includente, nacionalistas,
trabalhistas, socialistas e comunistas defendiam reformas sociais que fossem capazes de
garantir maior equidade social e ampliar a participação popular no processo político. Reforma
agrária, aumento dos salários dos trabalhadores, limitação das remessas de lucros enviados ao
exterior, nacionalização de empresas, adoção do voto para os analfabetos eram demandas
difundidas na sociedade e, algumas delas, acolhidas pelos governos. Do outro lado, grandes
empresários e latifundiários defendiam tenazmente o alinhamento econômico e cultural do
Brasil aos Estados Unidos da América. Tanto era assim que muitos exclamavam: “o que é
bom para os americanos é bom para o Brasil”. Avessos às reformas sociais, incontáveis
fazendeiros organizavam-se para o combate à possibilidade de realização de uma reforma
agrária que pudesse contrapor o seu secular domínio. Politicamente, controvertidos liberais,
ao defenderem a democracia apenas por conveniência, quase sempre questionavam os
resultados eleitorais desfavoráveis para eles.

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Portanto, é neste contexto, caracterizado pela configuração de oposições,


convergências, antagonismos e complementaridades entre segmentos sociais díspares, que
ocorrem os embates políticos cujo desdobramento foi a implantação da ditadura civil- militar
no ano de 1964.
Princípio Hologramático - A ciência moderna nasceu e desenvolveu-se afirmando,
conforme anunciava Descartes, o princípio da decomposição do todo para que, através da
análise das partes, os fenômenos pudessem ser conhecidos. Com base neste fundamento, a
ciência consolidou-se com a propagação dos conhecimentos parcelares e compartimentados.
A partir daí, tanto os pesquisadores vinculados às ciências da natureza quanto pesquisadores
da área das ciências humanas assumiram o conhecimento das partes como uma grande tarefa
na epopéia do conhecimento científico.
No âmbito dos estudos históricos, essa visão disjuntora apareceu enfaticamente nas
pesquisas dos historiadores. Tanto é assim que ainda hoje existem estudiosos insistindo na
existência da separação entre micro-história e macro-história. Além disso, no âmbito da
História enquanto disciplina a fragmentação ocupa lugar de destaque quando, ao buscar
retalhar fenômenos que possuem íntima ligação, historiadores tentam fragmentar o estudo da
história vivida em História Econômica, História Social, História Política, História Ambiental,
História das Mentalidades, dentre outras tantas histórias.
Apostando na superação das concepções fragmentadoras e da hiper-especialização, o
pensamento complexo coloca em movimento a tese da existência de relação dialógica entre a
parte e o todo. Em sua trajetória intelectual, ao partir em busca de um método insurgente
contra o conhecimento parcelar, Morin encontrou em Pascal uma grande referência para a
elaboração do princípio hologramático, em virtude deste pensador atestar que a parte está no
todo e o todo está na parte. Assim, a síntese deste princípio encontra-se numa sentença de
Pascal acolhida e difundida por Morin.

E como todas as coisas são causadas e causantes, ajudadas e ajudantes, mediatas e imediatas e
todas se entrelaçam por um vínculo natural e insensível que liga as mais distantes e as mais
diferentes, considero impossível conhecer as partes sem conhecer o todo, bem como conhecer
o todo sem conhecer particularmente as partes (PASCAL, Apud MORIN, 2014, p.287).

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No âmbito dos estudos históricos, ao assumirmos a premissa de que parte está no todo
e o todo está na parte, podemos vislumbrar a emergência de compreensões complexas sobre a
história alicerçadas no entendimento de que é possível distinguir, sem separar o acidental, o
eventual, o caso singular da macro-história.
Princípio da incerteza - Resultante das metamorfoses ocorridas na ciência ocidental
com a emergência da física quântica, o princípio da incerteza originou-se no interior nos
laboratórios vinculados aos trabalhos de pesquisas subatômicas. No final da década de 20 do
século passado, Werner Heisenberg, físico alemão, atestou a impossibilidade de medição
simultânea e precisa da posição e da velocidade de uma partícula. A partir dessa constatação
revolucionária no interior das ciências da natureza, este princípio ultrapassou as fronteiras
disciplinares e adentrou nas ciências humanas cujo desdobramento foi o alargamento da
compreensão acerca dos processos históricos. Ainda que a migração deste princípio para os
estudos dos processos históricos possa ter possibilitado uma relativa perda de sua definição
originária, a sua utilização no trabalho de pesquisa no âmbito da História é fundamental para
que haja o reconhecimento das imprevisibilidades históricas. Atento às mutações
epistemológicas ocorridas no itinerário da ciência ocidental, Morin acolheu o princípio da
incerteza como um operador cognitivo fundamental à compreensão do mundo da vida e da
história. Para Morin, a história humana é preenchida por incertezas, acidentes, aleatoriedades,
indeterminações, acasos e imprevisibilidades. Sustentando a premissa de que o historiador
deve estar ciente da existência das indeterminações históricas, Morin elenca diversas
perguntas que atestam a presença inquietante da incerteza na história:

Quem teria pensado, na primavera de 1914, que um atentado cometido em Sarajevo


desencadearia a guerra mundial que duraria quatro anos e faria milhões de vítimas?
Quem teria pensado, em 1916, que o exército russo se desagregaria e que um pequeno partido
marxista, marginal, provocaria, contrariamente à própria doutrina, a revolução comunista em
1917?
Quem teria pensado, em 1918, que o tratado de paz assinado trazia em si os germes da
Segunda Guerra Mundial que arrebentaria em 1939?
Quem teria pensado, na prosperidade de 1927, que uma catástrofe econômica, iniciada em
1929, em Wall Street, se abateria sobre o planeta?
Quem teria pensado, em 1930, que Hitler chegaria legalmente ao poder em 1933?
Quem teria pensado, em 1940-41, afora alguns irrealistas, que o formidável domínio nazista
sobre a Europa, após os impressionantes progressos de Wehrmacht na URSS até a s portas de
Leningrado e Moscou seria acompanhado em 1942 pela reviravolta total da situação?
Quem teria pensado, em 1943, durante a plena aliança entre soviéticos e ocidentais que a
guerra fria se manifestaria entre estes mesmos aliados?

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Quem teria pensado, em 1980, afora alguns iluminados que o Império Soviético implodiria em
1989? (MORIN, 2000c, p.80-81)

No estudo da história recente do Brasil podemos acrescentar várias perguntas que


contribuem para o acolhimento do princípio da incerteza nas pesquisas históricas:
Quem teria pensado, no eufórico Comício da Central do Brasil ocorrido em 13 de
Março de 1964, que alguns dias depois o presidente seria deposto e uma ditadura civil-militar
seria implantada?
Quem teria pensado, em maio de 2013 num cenário de relativa tranqüilidade social,
que o Brasil seria sacudido por gigantescas manifestações no mês seguinte?
Quem teria pensado, no clima de comemorações pela conquista da Copa das
Confederações em julho de 2013, que a seleção brasileira de futebol sofreria uma derrota
humilhante para os alemães na Copa do Mundo realizada no Brasil em 2014?
A história é assim! E por ser assim, os historiadores devem pensar de maneira
complexa para conceberem, compreenderem e acolherem as incertezas históricas.

REFERÊNCIAS

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Conceição de & PEREIRA, Wani Fernandes. (Org.). Lagoa do Piató: fragmentos de uma
história. 2ª ed. rev. e ampl. Natal, Edufrn: 2006.

BOHM, David; PEAT, F. David. Ciência, ordem e criatividade. Tradução de Jorge da Silva
Branco. Lisboa: Gradiva, 1989.

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Paulo: Cultrix, 2000.

DESCARTES, René. Discurso do método. Tradução de Maria Ermantina Galvão. São Paulo:
Martins Fontes, 1999.

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MATURANA, Humberto. Emoções e linguagem na educação e na política. 4. reimpr.


Tradução de José Fernando Campos Fortes. Belo Horizonte: Editora UFMG. 2005.

MORIN, Edgar. O paradigma perdido: a natureza humana. 6. ed. Tradução de Hermano


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______. Meus demônios. 2. ed. Tradução de Leneide Duarte e Clarice Meireles. Rio de
Janeiro: Bertrand Brasil, 2000b.
______. Os sete saberes necessários à educação do futuro. Tradução de Catarina Eleonora
F, da Silva e Jeanne Sawaya. São Paulo: Cortez; Brasília: UNESCO, 2000c.

_______. Sexta jornada / História: Introdução. In: MORIN, Edgar. (Dir.). A religação
dos saberes: o desafio do século XXI. 4 ed. Tradução de Flávia Nascimento. Rio de Janeiro:
Bertrand Brasil, 2004.

______. O método 1: a natureza da natureza: Tradução de Ilana Heineberg. Porto Alegre:


Sulina, 2005.

______. Ciência com consciência. 11. ed. Tradução de Maria D. Alexandre e Maria Alice
Sampaio Dória. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2008

______. Meu caminho: entrevistas com Djénane Kareh Tager. Tradução de Edgard de Assis
Carvalho e Mariza Perassi Bosco. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2010.

_______. Rumo ao abismo? Tradução de Edgard de Assis Carvalho e Mariza Perassi Bosco.
Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2011.

_______. Meus filósofos. Tradução de Edgard de Assis Carvalho e Mariza Perassi Bosco.
Porto Alegre: Sulina, 2012.

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_______. Os livros que fizeram a diferença. In: PENA-VEGA, Alfredo; WOLTON,


Dominique. (Org.). Edgar Morin – Um pensamento livre para o século XXI. Tradução de
Edgard de Assis Carvalho e Mariza Perassi Bosco. Rio de Janeiro: Garamond, 2014.

NIETZSCHE, Friedrich. O nascimento da tragédia. Tradução de Heloisa da Graça Burati.


São Paulo: Rideel, 2005

SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade e representação. Tradução de M. F. Sá


Correia. Rio de Janeiro: Contraponto, 2001.

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