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P o l i s e P s i q u e , V o l .

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O atendimento da crise nos diversos componentes da rede de atenção


psicossocial em Natal/RN
The crisis attention in the various components of psychosocial care network in Natal / RN
Atención a la crisis en los diversos componentes de la red
de atención psicosocial en Natal/RN

Magda Dimenstein
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN, Brasil.
Ana Karenina Arraes Amorim
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN, Brasil.
Jader Leite
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN, Brasil.
Kamila Siqueira
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN, Brasil.
Viktor Gruska
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN, Brasil.
Clarisse Vieira
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN, Brasil.
Cecília Brito
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN, Brasil.
Ianny Medeiros
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN, Brasil.
Maria Clara Bezerril
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN, Brasil.

Resumo
O atendimento da crise é um dos problemas mais evidentes e de difícil manejo na atualidade.
Além disso, é um dos eixos estratégicos e pilar de sustentação da reforma psiquiátrica. Em
função disso realizamos uma investigação com o objetivo conhecer a configuração,
funcionamento e modos de acolhimento na RAPS de Natal-RN. Entrevistamos 137
profissionais e gestores vinculados aos CAPS, SAMU, UPAs, Hospitais Gerais e Hospital
Psiquiátrico. Identificamos diversos pontos de estrangulamento: número limitado de serviços
que acolhem urgências; falta de comunicação entre equipes dos diferentes componentes;
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ausência de matriciamento com a atenção primária e de leitos de atenção integral nos


hospitais gerais. Consideramos que o município apresenta capacidade limitada de responder
às situações de crise e demandas emergenciais, a qual depende de uma boa articulação entre
os componentes da RAPS e destes com os demais serviços de saúde, especialmente de
urgência e emergência, da presença efetiva de leitos de atenção integral, além de integração
eficaz com a rede de suporte social.
Palavras-chave: Reforma Psiquiátrica, Saúde Mental, Crise, Rede de Atenção Psicossocial

Abstract
The crisis' treatment is one of the most evident problems in our days, and also one of the
hardest to fix. Besides that, it's one of the pillars of the psychiatrical reform. Taking that in
consideration, we realized an investigation with the objective of knowing the configuration,
the operation and the ways of reception at the RAPS of Natal-RN. We interviewed 137
professionals connected to the following institutions: CAPS, SAMU, UPAs, Hospitais Gerais
and Hospital Psiquiátrico. We identified many points strangulation: the limited number of
services that concern to the urgent care, the lack of communication between the working-
teams, the absence of specialist orientation in primary care and the lack of beds for full time
caring in the general hospitals. We consider that the city presents a limited capacity to
respond to a crisis situations and emergencial demands, that depend on a good articulation
between the components of the RAPS and the other ones with the health system, specially the
emergency ones, the effective presence of beds for full time care, and of the proper integration
with the social support network.
Keywords: Psychiatric Reform, Mental Health, Crisis, Psychosocial Care Network.

Resumen
La atención a la crisis es uno de los problemas más evidentes y difíciles de manejar en salud
mental. Además, es uno de los pilares estratégicos de la reforma psiquiátrica. Esta
investigación fue hecha con el objetivo de conocer la configuración, modos de
funcionamiento y de acogida en la RAPS de la ciudad de Natal, Brasil. Hemos entrevistado a
137 directivos y profesionales vinculados al CAPS, SAMU, UPAS, hospitales generales y
hospital psiquiátrico. Se identificaron varios problemas: número limitado de servicios de
emergencia, falta de comunicación entre los equipos de los diferentes componentes, ausencia
de articulacion con la atención primaria y de camas de psiquiatria en los hospitales generales.
Creemos que el municipio tiene una capacidad limitada para responder a las crisis y las
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demandas de emergencia, que depende de una buena relación entre los componentes de la
RAPS y con otros servicios de salud, especialmente las salas de emergencia, la presencia
efectiva de camas atención integral y efectiva integración con la red de apoyo social.
Palabras clave: Reforma Psiquiátrica, Crisis, Salud Mental, Red de Atención Psicosocial.
Introdução possibilidades de reinserção social. Em
função disso, desenvolvemos uma
O atendimento da crise é um dos pesquisa2 objetivando conhecer a
problemas mais evidentes e de difícil configuração, funcionamento e modos de
manejo para as equipes de saúde mental na acolhimento produzidos nos diversos
atualidade. Segundo Souza (2012)1 componentes da rede de atenção
psicossocial/RAPS de Natal-RN.
(...) este desafio “não é somente uma No Brasil, o atendimento da crise
prioridade estratégica, mas funciona como
só vem sendo alvo de preocupação há
um analisador dos processos de Reforma
poucos anos. Não observamos esforços no
Psiquiátrica. Analisa a sua amplitude e
capacidade de resposta ao sofrimento sentido de estabelecer critérios claros e/ou
mental, num sentido quantitativo e a sua regulamentação adequada para garantir
consistência política em termos de acesso a uma atenção de qualidade
capacidade de desinstitucionalização (p.2).
respeitando os direitos dos usuários. Neste
sentido, essa pesquisa cumpre a função de
A substituição do modo asilar
gerar conhecimento que possa subsidiar
implica na estruturação de uma rede
mudanças e novos direcionamentos para a
articulada de serviços que abarquem as
Política Nacional de Saúde Mental/PNSM
diferentes necessidades da pessoa em
e organização da Rede de Atenção
sofrimento psíquico, especialmente nos
Psicossocial/RAPS. É preciso investir não
momentos de crise. Nosso desafio está em
só na desconstrução do paradigma
melhorar a qualidade técnica, a equidade e
manicomial que sustenta as práticas de
a continuidade da atenção em relação às
atenção nesse campo, mas especialmente,
pessoas com transtornos mentais graves e
na reorganização de uma rede de cuidados
persistentes, com o objetivo de reduzir suas
que articule a rede SUS como um todo e,
consequências e proporcionar
2
Pesquisa intitulada: Rede de Atenção Integral à
1
Texto acessível em: Crise e Estratégias de Acolhimento com
http://xa.yimg.com/kq/groups/22370896/13303633 Classificação de Risco em Saúde Mental. Foi
27/name/Servico_de_Urgencia_Psiquiatrica%5B1 aprovada pelo CEP (protocolo 330/09) e financiada
%5D.pdf pelas agências de fomento CNPq (Edital Ciências
Humanas e Sociais/2010) e FAPERN (PPSUS III).
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nesse sentido, o CAPS III, os hospitais serviços substitutivos, hospitais de


gerais e de emergência, bem como o urgência e emergência, pronto-
Serviço de Atenção Móvel de atendimentos, SAMU e Hospital
Urgência/SAMU e Pronto- Psiquiátrico João Machado, para mapear as
Atendimentos/UPAs, têm lugar de equipes presentes nessas instituições e
destaque. fazer um levantamento da disponibilidade
dos técnicos para participação na pesquisa.
Percurso Metodológico Trabalhamos com dois roteiros de
entrevistas semiestruturadas: um para
Nosso percurso metodológico gestores e outro para trabalhadores. Os
consistiu de diferentes etapas eixos temáticos das entrevistas versaram
desenvolvidas ao longo de 24 meses sobre: estratégia da atenção psicossocial;
(Agosto de 2010 a Julho de 2012). Teve rede de cuidados; atenção à crise; gestão;
início com os contatos institucionais com formação profissional; processos de
as gestões estadual e municipal de saúde e trabalho em saúde. Para melhor
saúde mental no sentido de definir os operacionalização da coleta de dados,
locais e pactuar calendário da pesquisa de estabelecemos três etapas de imersão na
campo. Depois de estabelecidos os rede de serviços de saúde local.
acordos, procedemos às visitas aos

ETAPAS DA COLETA DE SERVIÇOS PESQUISADOS ENTREVISTAS


DADOS REALIZADAS
(n = 137)

ETAPA I (n = 63) 01 CAPS III, 27


Serviços da RAPS 01 CAPS II/Oeste 13
01 CAPS ad/Norte 12
01 CAPS ad/Leste 11
ETAPA II (n = 41) UPA- Pajuçara 12
Rede de Pronto-Atendimento UPA- Mãe Luísa 11
e SAMU UPA- Satélite 12
SAMU 06
ETAPA III (n = 33) Hospital Universitário Onofre Lopes/HUOL 09
Rede hospitalar de urgência e Hospital Pedro Bezerra/Santa Catarina 10
emergência e Hospital Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel 05
psiquiátrico Hospital Psiquiátrico Dr. João Machado/HJM 09
Polis e Psique, Vol.2, Número Temático, 2012 Página |1

Quadro 1 – Etapas da coleta de dados


Fonte: Dados da pesquisa

As entrevistas foram realizadas danos à saúde, há consequências sociais e


nos serviços de saúde durante o ano de econômicas de longo alcance e por isso
2011 com todos os profissionais que se recomendou aos Estados membros,
dispuseram a participar da pesquisa, após
assinatura do Termo de Consentimento a que, según las prioridades nacionales y en
el marco de sus contextos específicos,
Livre e Esclarecido. Não houve
elaboren y refuercen políticas y estrategias
delimitação prévia de número e categoria
integrales referentes a la promoción de la
profissional. A estratégia foi visitar cada salud mental, la prevención de los trastornos
serviço quantas vezes fossem necessárias mentales, y la identificación temprana, la
para atingir um maior número de atención, el apoyo, el tratamiento y la
recuperación de las personas con trastornos
participantes, contemplando os diferentes
mentales (Organización Mundial de la
turnos dos mesmos.
Salud, 2011, p.3).

Atendimento Da Crise:
Apesar de todo o empenho, há certa
O Cenário Da Saúde Mental No
invisibilidade ou desconhecimento em
Contexto Nacional E Local
nível nacional acerca da gravidade e do
impacto que os transtornos mentais
As doenças crônicas não transmissíveis
provocam, especialmente, a depressão, as
(DCNT) se tornaram a principal prioridade
na área da saúde no Brasil – 72% das mortes psicoses e os transtornos atribuíveis ao uso
ocorridas em 2007 foram atribuídas a elas. inadequado do álcool, responsáveis pela
As DCNT são a principal fonte da carga de maior parte da carga de adoecimento e
doença e os transtornos neuropsiquiátricos
mortalidade. Nesse contexto, o
detêm a maior parcela de contribuição
atendimento da crise ganha bastante
(Schmidt et al, 2011, p.61).
relevo. Diversos países têm se preocupado
em elaborar propostas de intervenção para
Esses dados foram publicados
esses momentos críticos por considerar que
recentemente pela revista The Lancet
a rapidez da atenção e a forma de manejo
acerca da Saúde no Brasil. A Organização
dessas situações são decisivas para dar
Mundial da Saúde/OMS, na 65a
uma resposta eficaz e assim evitar
Assembleia Mundial de Saúde ocorrida em
hospitalizações, sofrimento e, por
maio de 2012, reconheceu que além dos
consequência, cronificação. Dessa forma, o
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tipo de abordagem dirigida à crise pode ser expansão e interiorização dos diversos
um fator de proteção se “ayudar al paciente serviços que compõem a RAPS pelo país e
a estabilizar y reajustar su situación a consequente diminuição no número de
psicopatológica y a posibilitar la leitos (passou de 39.567 em 2006 para
recuperación de su nivel de 32.735 em 2010) e de internações em
funcionamento” (Comunidad DE Madrid, hospitais psiquiátricos (Brasil, 2011).
2012, p.16). Estamos de acordo com Souza Apesar dessa ampliação que indica o
(2012) que avanço do processo de reforma psiquiátrica
brasileira é preciso promover ações que
a resposta às crises dos portadores de garantam o acesso com qualidade,
sofrimento mental grave e persistente tem
trabalhar de forma georeferenciada, ofertar
sido apontada como um dos principais
cuidados considerando a diversidade das
desafios da Reforma Psiquiátrica na medida
em que é condição essencial para dar necessidades dos usuários e garantir a
sustentação ao conjunto de iniciativas no participação dos mesmos nos processos
campo da assistência/cuidado e reabilitação decisórios. Nesse cenário, o problema do
psicossocial destes sujeitos, tendo em vista
atendimento da crise emerge como um dos
as suas demandas e exigências políticas de
principais entraves ao aprofundamento das
cidadania. Este desafio não é somente uma
prioridade estratégica, mas funciona como mudanças em curso.
um analisador dos processos de Reforma Além do estigma e preconceitos
Psiquiátrica. Analisa a sua amplitude e associados ao portador de transtornos
capacidade de resposta ao sofrimento
mentais e dos problemas relacionados aos
mental, num sentido quantitativo e, a sua
processos de trabalho em saúde,
consistência política em termos de
capacidade de desinstitucionalização (p.02).
especificamente em termos do cuidado a
essa clientela, outros obstáculos se impõem
Conforme a Política de Saúde à reestruturação da RAPS, em especial a
Mental brasileira move-se em direção ao integração da rede hospitalar geral e a
fornecimento de cuidados integrais a completa substituição do aparato
usuários em sofrimento psíquico, tornam- manicomial. Atualmente, é indiscutível a
se necessários a ampliação dos necessidade de termos serviços em rede
entendimentos acerca da crise e a que operem na perspectiva da continuidade
elaboração de formas eficazes para seu de cuidados, gestão integrada de casos e
manejo nos hospitais gerais e de corresponsabilização. Sabemos que criar
emergência, Pronto-Atendimentos, CAPS articulações com a rede de atenção
III e SAMU. Hoje, podemos observar uma primária, fortalecendo seu potencial no
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acolhimento às demandas em saúde saúde mental apresentadas pelas equipes da


mental, bem como com os serviços de ESF.
urgência e emergência e hospitais gerais, é Por outro lado, o modo de
uma das principais ações para termos funcionamento do SAMU e a fragilidade
resultados mais efetivos no atendimento da da participação do hospital geral no
crise. Ademais, precisamos definir critérios processo de reforma psiquiátrica
claros, levando em conta o que as configuram-se como poderosos obstáculos.
legislações internacionais recomendam Em estudo anterior sobre a urgência
acerca das situações de crise e emergência, psiquiátrica (Jardim & Dimenstein, 2007),
dos procedimentos para admissão e indicamos que a formatação dos serviços
tratamento involuntários, bem como sobre de urgência e emergência impossibilita a
os direitos dos usuários. formação de vínculo, visto que são
No entanto, o que observamos no pontuais, ignoram a complexidade do
cenário nacional e local é uma evidente sofrimento, simplificando-o por meio da
fragilidade em diversos componentes da atenção ao sintoma, retira do indivíduo a
RAPS e das propostas de avanço acima responsabilidade sobre o seu estado e a sua
referenciadas. Dos 1.620 CAPS existentes vida, inserindo-o em um cotidiano artificial
no país apenas 55 são do tipo III, dos quais isolado, roubam sua autonomia,
o Rio Grande do Norte, incluindo a capital, desconsideram a potencialidade da crise
possui apenas 01. Em relação à Atenção enquanto movimento de mudança e
Primária, diversos estudos realizados transformação.
nacionalmente, assim como em Natal, Apesar da portaria 2048/GM que
apontam as dificuldades em relação à atesta que as urgências psiquiátricas são de
implantação do matriciamento e ao competência técnica dos serviços de
desenvolvimento de ações compartilhadas urgência (Brasil, 2003), localizando o
pelas equipes da Estratégia de Saúde da SAMU como uma porta de entrada
Família/ESF, dos Núcleos de Apoio à itinerante capaz de fazer potentes
Saúde da Família/NASF e dos serviços articulações inter-redes (Jardim &
substitutivos, nos territórios de vinculação Dimenstein, 2007), nota-se uma enorme
dos usuários. Observa-se que o número de resistência dos SAMUs no país inteiro em
equipes de NASF no país ainda é reduzido, prestar socorro; se recusam a atender os
e em Natal ele se limita a três (03) equipes, casos de pessoas em sofrimento mental
indicando a precária capacidade de cobrir agudo ou, mais grave ainda, a utilização
as necessidades crescentes de suporte em corrente de procedimentos que trazem a
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marca dos métodos clássicos empregados encaminhamento ao hospital psiquiátrico.


costumeiramente pelos hospitais Em outras palavras, as dificuldades de
psiquiátricos, bastante semelhantes à fechamento de hospitais psiquiátricos no
tortura, como a imobilização mecânica país devem-se, em grande parte, à
usada como punição (Jardim & ineficiência de serviços que deem suporte à
Dimenstein, 2008). crise. Assim, os manicômios continuam
Importante destacar que a Política ocupando um lugar central em função na
Nacional de Saúde Mental vem inexistência desses dispositivos e tendo sua
trabalhando nos últimos anos com o existência justificada socialmente.
conceito de leitos de atenção integral em Atualmente em Natal, dispomos de
saúde mental, presentes em hospitais uma Rede de Atenção Psicossocial/RAPS
gerais, CAPS III, emergências gerais e claramente precarizada. Estão em
serviços hospitalares de referência para funcionamento um CAPS II e um CAPS
álcool e drogas. Apesar desse fomento, III. A rede possui também dois CAPSad,
existia até final de 2010 apenas 3.371 um CAPSi, um ambulatório de saúde
leitos psiquiátricos do SUS em hospitais mental, um Ambulatório de Prevenção e
gerais em um cenário de redução Tratamento de Tabagismo, Alcoolismo e
significativa de leitos em hospitais outras drogas e dois serviços residenciais
psiquiátricos, tal como no período de 2007 terapêuticos. Não dispomos de leitos de
a 2010, quando se registrou uma redução atenção integral nos hospitais gerais e de
de 6.832 leitos psiquiátricos no país emergência, apenas 06 leitos em ala
(Brasil, 2011). Dessa forma, a expansão do psiquiátrica localizada no Hospital
número de leitos qualificados para a Universitário Onofre Lopes/HUOL, não há
atenção a saúde mental em Hospitais centro de convivência e cultura, casas de
Gerais foi considerado insatisfatório em acolhimento transitório, e muito menos de
todo território nacional nos últimos anos, uma articulação eficaz com a rede básica
além do que “a criação desses leitos de saúde. Ademais, contabiliza-se um total
psiquiátricos no Brasil não obedeceu a de 717 leitos psiquiátricos no Estado,
qualquer planejamento de cobertura sendo que 532 estão concentrados na
populacional” (Pitta, 2011, p.4581). capital3. Segundo dados do DATASUS4,
Tais fatos vêm produzindo espaços
3
lacunares na atenção ao usuário em crise,
http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?cnes/cnv
vazios para os quais a principal resposta da /leiintrn.def
Acesso em 12 de setembro de 2012
RAPS, especialmente em Natal, tem sido o
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no período de janeiro de 2011 a junho de seguintes categorias: Enfermagem,


2012, foram registrados 3.064 internações Medicina, Técnico de Enfermagem e
psiquiátricas em Natal, muitas das quais Psicologia. Essa configuração das equipes
poderiam ter sido evitadas ou acolhidas na da rede local não difere da encontrada na
rede extra-hospitalar e/ou de hospitais realidade brasileira como um todo.
gerais. Portanto, a precariedade e Outro aspecto identificado na
desarticulação da rede assistencial no pesquisa diz respeito à distribuição da
município são uma evidência e um força de trabalho em saúde por idade e
problema com o qual precisamos nos sexo, bem como quanto ao regime de
preocupar e investir na formulação de contratação e vínculos de trabalho.
estratégias visando à efetivação dos Percebemos que a maioria dos nossos
princípios da integralidade, resolutividade, participantes é de mulheres, jovens, com
a intersetorialidade das políticas e uma média de idade entre 33 e 40 anos,
atuação territorial. concursada e com vários vínculos
empregatícios. Estudos nacionais (Brito,
Perfil dos Técnicos e Gestores de Saúde 2000; Silva, Rotemberg & Fischer, 2011;
Participantes da Investigação Luiz & Bahia, 2009) demonstram que a
saúde pública tem se tornado um espaço de
Os participantes da nossa concentração de trabalho feminino e
investigação constaram de 137 assalariado (Lopes & Leal, 2012). Ou seja,
profissionais vinculados à RAPS do temos observado no país uma feminização
município de Natal/RN, lotados do cuidado em saúde, bem como o fato do
especificamente em serviços do tipo trabalho assalariado se constituir a
CAPS, SAMU, Pronto-Atendimento, principal forma de inserção de muitas
Hospitais Gerais e Psiquiátrico. Desses, categorias, dentre as quais destacamos a
121 exerciam função técnica e 16 estavam enfermagem e a psicologia,
na gestão das referidas instituições. tradicionalmente femininas. Esses estudos
Registramos uma variedade de categorias também mostram que pelo fato da
profissionais dentre os entrevistados, precariedade ter sempre estado associada
embora 80% estejam concentrados nas ao trabalho feminino, nota-se que questões
como remuneração, condições de trabalho,
4
dentre outras, apresentam-se problemáticas
http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sih/cnv/s
xrn.def quando se trata da saúde pública. Em
Acesso em 11 de setembro de 2012.
função disso, observa-se a busca por mais
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de um vínculo de trabalho, de forma a bem como aos fluxos identificados entre


garantir uma remuneração considerada tais instituições. Abaixo, os serviços
justa e adequada às necessidades. Quanto pesquisados distribuídos por bairros da
às instituições formadoras, o grande capital potiguar.
percentual é de profissionais egressos das
instituições de ensino federais (n = 82) tais Serviço de Saúde Bairro
como Universidade Federal do Rio Grande 01 CAPS III, Petrópolis
do Norte/UFRN, Universidade Federal da 01 CAPS II/Oeste Lagoa Nova
Paraíba/UFPB e de Campina 01 CAPS ad/Norte Potengi
Grande/UFCG, mas já se observa a 01 CAPS ad/Leste Tirol
presença de instituições privadas locais UPA- Pajuçara Pajuçara
como formadoras da mão de obra em saúde UPA- Mãe Luísa Mãe Luísa
no estado. Nota-se que muitos UPA- Satélite Cidade
profissionais apresentam formação pós- SAMU Satélite
graduada em diferentes níveis.
Hospital Universitário Petrópolis
Onofre Lopes/HUOL Potengi
Configuração e Funcionamento da
Hospital Pedro Tirol
RAPS no Atendimento da Crise
Bezerra/Santa Catarina Tirol
Hospital Monsenhor
a. Organização da rede
Walfredo Gurgel
Hospital Psiquiátrico Dr.
Para contextualizar o conjunto de
João Machado/HJM
dados obtidos nesta investigação, é
imprescindível conhecer o desenho da rede Quadro 2 – Distribuição dos serviços
de atendimento da crise que articula CAPS, por bairro
Fonte: Dados da pesquisa
SAMU, UPAS, Hospitais Gerais, Hospital
Psiquiátrico, no município de Natal/RN, no
Na sequência, apresentamos a
que se refere à sua localização geográfica,
distribuição desses serviços por Distrito
aos equipamentos e estruturas existentes,
Sanitário de Saúde.
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Legendas:

UPAS CAPS HOSPITAIS GERAIS HOSPITAL PSIQUIÁTRICO

Figura 1 - Serviços de Saúde por Distrito Sanitário


Fonte: Dados da Pesquisa

Observando o mapa acima é consequências importantes. Vejamos por


possível identificar, à primeira vista, uma que.
concentração dos componentes que A modelagem das redes de atenção
compõem a rede de atendimento da crise à saúde, segundo Mendes (2007), precisa
em uma área determinada da capital: a levar em consideração alguns elementos.
zona leste. Essa área é a menos populosa Em primeiro lugar, deve-se ter clara a
de Natal, a que apresenta melhores população usuária, em seguida, os serviços
condições de infraestrutura urbana, disponíveis e, por fim, o modelo de
transporte, de saneamento básico, índices atenção à saúde que articula pessoas e
epidemiológicos, serviços de saúde público equipamentos. Para esse autor, é necessário
e privados, ou seja, é a que é ocupada pelas utilizar variáveis como perfil demográfico
classes média-alta e alta de Natal. Isso tem e epidemiológico da população para a
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definição do modelo de atenção e para a operar, redirecionando os casos para o


estruturação das redes de atenção à saúde. HJM. A função de atendimento dos casos
A configuração observada em Natal graves e das crises pelos CAPS II ainda
demonstra alguns pontos de não foi incorporada ou não há consenso
estrangulamento. Em primeiro lugar, há sobre isso em muitos serviços. Se as redes
um reduzido número de serviços que de atenção à saúde são constituídas para
prestam atendimento da crise. Segundo, a produzir resultados bons sanitários
estruturação da rede não levou em conta o (ampliação do acesso, qualidade,
perfil demográfico e epidemiológico da resolutividade, participação social, etc),
população para a abertura dos CAPS e das funcionar de forma integrada, de acordo
UPAS. Assim, a localização geográfica de com a situação demográfica e
quase todos os serviços dificulta o acesso epidemiológica do território, nota-se que o
para a maioria dos usuários que frequenta desenho em curso em Natal tem distorçoes
os serviços de saúde do SUS, os quais são e vem produzindo resultados
oriundos, principalmente, da zona norte da insatisfatórios.
cidade, área que apresenta perfil sócio É claro que isso está diretamente
demográfico e epidemiológico claramente relacionado ao cenário político da gestão
distinto. Isso significa que se trabalha por municipal (2009-2012), especialmente, da
oferta e não de acordo com o princípio da Secretaria Municipal de Saúde/SMS, que
territorialização e população de referência, ao longo desses anos não só não investiu
aspecto que vai totalmente de encontro à na qualificação e expansão da rede de
proposta de construir redes integradas, saúde local, bem como desmantelou a rede
solidárias, responsivas e resolutivas. Em e afundou os avanços conquistados nas
terceiro lugar, não existem de unidades de gestões passada. A priorização gradativa
saúde tipo CAPS III nas demais regiões da da cessão da gestão de serviços públicos de
cidade, deixando a população sem saúde para as Organizações da Sociedade
retaguarda, obrigada a recorrer ao hospital Civil de Interesse Público (OSCIPs) e
psiquiátrico, que é o centro de terceirização do SUS na cidade de Natal
comunicação da rede e concentra as foi outro aspecto que causou impacto
demandas de todas as áreas da cidade. negativo na medida em que muitos pontos
Mesmo com a existência de um da assistência à saúde passaram a ser
hospital geral e uma UPA na zona norte, negligenciados como o caso da atenção
como veremos adiante, esses serviços não primária e psicossocial, da rede de
atendem situações de crise como deveriam urgência e emergência envolvendo UPAs e
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SAMU e os leitos de atenção integral, educativo, ocupacional, redes de cuidado


componentes imprescindíveis à abordagem informais, grupos de autoajuda,
das situações crônicas que requerem como envolvendo usuários, suas famílias e as
ação de enfrentamento a continuidade de comunidades. Só assim poderemos
cuidados. diminuir as referências aos especialistas e
Em análise recente do cenário hospitais psiquiátricos e superar o modo de
internacional e nacional, Mendes (2010) atenção asilar, produtor de iatrogenia e
aponta que a maior dos países apresenta exclusão social, na medida em que se
sistemas de saúde fragmentados, focados tecem planos de cuidado que abarcam
nas condições agudas, caracterizados por tanto a atenção ao portador de transtornos
pontos que não se comunicam e incapazes mentais, quanto ao seu entorno familiar e
de prestar uma atenção contínua à social.
população. Diz claramente que “os Foi nessa direção, o Ministério da
sistemas fragmentados têm sido um Saúde, através da Portaria 3088 de 23
desastre sanitário e econômico em todo o dezembro de 2011(Brasil, 2011) instituiu a
mundo” (Mendes, 2010, p.2299), pois Rede de Atenção Psicossocial/RAPS como
carecem dos atributos fundamentais que parte integrante da Rede de Atenção à
caracterizam um sistema integrado e Saúde do SUS, entendida como um
articulado em redes de saúde. Ele conjunto de ações e serviços de saúde
acrescenta que há “evidências de boa articulados em níveis de complexidade
qualidade de que as redes de atenção à crescente, desenvolvidos em uma região de
saúde podem melhorar a qualidade clínica, saúde que apresenta densidade tecnológica
os resultados sanitários, a satisfação dos de gestão e cuidado, com a finalidade de
usuários e reduzir os custos dos sistemas garantir a integralidade da assistência
de atenção à saúde” (Mendes, 2010, p. numa perspectiva comunitária, territorial e
2303). longitudinal.
No que diz respeito à saúde O componente da regulação e
mental, sabemos que uma rede bem avaliação dos serviços está diretamente
articulada, com coordenação entre os relacionado à qualificação das práticas de
serviços e garantia de continuidade de cuidado, de gestão e de funcionamento da
cuidados necessita de integração em todos rede de atenção psicossocial. Nesse
os âmbitos da saúde, incluindo as atenções sentido, se reconhece a necessidade de
primária, secundária e terciária, e oferecer alguns elementos normativos, ou
articulação com as redes de caráter social, melhor, a definição de algumas linhas de
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cuidado (clínico e psicossocial) que Isso ficou evidente na realidade


contemplem a multidimensionalidade pesquisada. Quando questionamos nossos
pessoal/subjetiva, territorial, cultural, de entrevistados acerca da função e
recursos, etc, que caracteriza o trabalho em articulação do seu serviço na RAPS,
saúde mental. Tal necessidade se apresenta percebemos desarticulação, falta de clareza
como algo fundamental na atualidade, pois e de propostas comuns de trabalho.
segundo Mângia e Muramoto é evidente Identificamos assim problemas
que há uma “crise de operatividade” dos elementares no tocante à rede assistencial.
serviços de saúde mental que geralmente, Os discursos de que “a rede não existe; a
rede é inoperante; não há integração”,
tendem a não responderem satisfatoriamente
indicam uma dificuldade de conceber a
as demandas e necessidades dos usuários,
rede não como algo etéreo e transcende,
apresentam uma organização fragmentada
em procedimentos e competências das mas como uma malha viva de articulação
diversas corporações profissionais que os entre atores que se comprometem, trocam
compõem, não desenvolvem ações conhecimentos e pactuam
territoriais, nem definem claramente
responsabilidades, logo, que todos fazem
prioridades assistenciais e níveis de
parte do cenário e são coparticipes.
responsabilidade sobre a população sob seus
cuidados (Mângia & Muramoto, 2009, Outro aspecto identificado é que
p.120). para entrevistados há problemas com
relação às definições das demandas
Além disso, complementam atendidas por cada um, sobretudo no
enfatizando que: tocante à diferenciação entre “dependência
química” e “transtorno mental”, bem como
Tais avaliações também apontam para a
em relação à territorialidade.
dificuldade de criação de uma linguagem
comum e compartilhada entre todos os
Identificamos, portanto, três grandes
atores que compõe as redes de serviços. problemas na organização dos serviços
Faltam, sobretudo, definição e pesquisados: 1) Falta de consenso no
compartilhamento de critérios e indicadores
sentido do que e quem deve ou não ser
que possam subsidiar a caracterização e
atendido no CAPS III; 2) Falta de acordos
mensuração dos objetivos e resultados
pretendidos e contribuir no processo de acerca do atendimento ao usuário que não
avaliação das novas redes e serviços possui registro no serviço, contato ou
(Mângia & Muramoto, 2009, p.120). presença de familiares; 3) Equívocos em
relação ao pertencimento territorial.
Traduzindo em miúdos, o CAPS III, único
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em Natal, não tem porta aberta para as e a internação (hospital psiquiátrico). Os


demandas em saúde mental, apenas para os autores concluem:
moradores dos distritos leste e sul, além
A lógica seletiva de organização dos
dos usuários vinculados ao CAPS Oeste.
serviços, com base em sua própria
Não há atendimento de urgência para
competência, resulta em constantes reenvios
residentes do Distrito Norte, tal como da demanda a outras estruturas assistenciais,
anunciado anteriormente, onde reside parte restrição e ausência de respostas aos
da população que mais busca os serviços problemas e sofrimentos das pessoas,
desconhecimento das necessidades presentes
de saúde. Para eles resta o atendimento na
no território e, sobretudo,
Unidade de Pronto-atendimento deste
desresponsabilização e abandono das
distrito e o Hospital Psiquiátrico. Além situações e dos usuários considerados graves
disso, os casos de uso abusivo de álcool e (Nicácio & Campos, 2004, p. 73).
outras drogas que chegam ao CAPS III são
encaminhados para o CAPS AD em função Não há dúvida que essa é a
do entendimento que a competência do realidade identificada em Natal. O lugar
serviço diz respeito somente aos casos de que a crise ocupa na assistência revela uma
transtornos mentais graves. Nota-se, dessa crise nela própria no sentido de confrontar
forma, que há no CAPS III uma restrição o limite de cada serviço em responder de
importante em relação à demanda que pode forma resolutiva e eficiente a algo que
ser atendida, sendo esse um dos demanda a criação de uma complexidade
componentes mais estratégicos da RAPS. de instrumentos e ações por parte das
Nicácio e Campos (2004) equipes (Costa, 2007). Assim, observamos
afirmam que a organização da rede que o Hospital Psiquiátrico é o ponto de
assistencial com alta taxa de especialidade atenção mais requisitado da rede. Ele
dos serviços resulta na reafirmação do recebe casos oriundos de todos os outros
lugar do hospital psiquiátrico como serviços, na maior parte das vezes através
necessário no desempenho da função de do SAMU. O CAPS III, que deveria estar
internação. Sendo assim, o que deveria fortalecido nessa rede, ainda não tem
configurar-se como uma rede psicossocial conseguido atender uma demanda
articulada, funciona como circuito considerável de casos de urgência e
psiquiátrico, no qual as instituições produzir uma assistência diferenciada, com
funcionam em esquema de curta internação e continuidade de
complementaridade, dividindo suas cuidados. Atuar como principal porta de
funções entre a atenção territorial (CAPS) entrada para casos de crise e diminuir o
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número de internações, iniciando um usuários. Essas diretrizes combinadas com


processo paulatino de substituição do a indicação das alternativas de recursos
hospital psiquiátrico, ainda não é uma terapêuticos e sóciocomunitários
realidade no município de Natal. O CAPS disponíveis no território do usuário, bem
III tem conseguido, no máximo, ser uma como orientações em relação ao plano de
estrutura acoplada ao hospital psiquiátrico, continuidade de cuidados, são estratégias
diminuindo sua superlotação e, portanto, para
colaborando na disponibilização de vagas.
“Convivem com a internação, sem (…) la puesta en práctica de actuaciones
integradas em los mecanismos generales de
substituí-la, e acabam por confirmar sua
respuesta a las situaciones de crisis, que
necessidade” (Costa, 2007, p.97).
propician uma visión menos estigmatizadora
Diante deste quadro, entendemos del paciente y su familia en los momentos,
a necessidade de novas diretrizes e quizá más trágicos, del discurrir de la
organização do atendimento da crise local enfermedad, facilitándoles un mecanismo de
respuesta accesible, sencillo y ágil que
e nacionalmente, já que essa realidade não
contribuye a dar una respuesta más serena y
é privilégio de Natal, mas pode ser
normalizada en esos momentos (Junta de
identificada no país como um todo. Nessa Extremadura, 2005, p.8).
direção, algumas linhas estão em operação
em nível mundial a fim de definir e b. Formas de acolhimento e cuidado
consensuar pautas de atuação e ao usuário em crise
responsabilidades de cada um dos pontos
da rede de atenção que intervêm no De acordo com a Política Nacional
processo e os mecanismos de coordenação de Humanização/PNH do Ministério da
entre eles a fim de evitar a fragmentação Saúde (Brasil, 2004):
do cuidado e o desperdício de recursos.
O acolhimento é um modo de operar os
Além disso, nota-se um esforço em
processos de trabalho em saúde de forma a
orientar as equipes quanto ao acolhimento,
atender a todos que procuram os serviços de
transporte adequado, critérios de saúde, ouvindo seus pedidos e assumindo no
hospitalização voluntária e involuntária, serviço uma postura capaz de acolher,
procedimentos durante a internação, escutar e pactuar respostas mais adequadas
aos usuários. Implica prestar um
orientação para contenção mecânica e
atendimento com resolutividade e
farmacológica, critérios de alta, orientação
responsabilização, orientando, quando for o
à família durante e após episódio de crise e caso, o paciente e a família em relação a
hospitalização, bem como direito dos outros serviços de saúde para a continuidade
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da assistência e estabelecendo articulações encaminhamento ao hospital psiquiátrico


com esses serviços para garantir a eficácia
ou CAPS III gira em torno da falta de
desses encaminhamentos (Brasil, 2004, p.5).
medicação, local apropriado para o
atendimento e o fato do serviço não dispor
Objetiva-se reverter os modos
de psiquiatra em todos os horários.
tradicionais de cuidado em saúde que se
Esse quadro é preocupante. Não
restringem a uma “ação pontual, isolada e
bastassem as restrições impostas pelo
descomprometida com os processos de
CAPS III, o acolhimento ofertado no
responsabilização e produção de vínculo”
CAPS II está praticamente restrito ao
(Brasil, 2004, p.7). Em relação ao cenário
encaminhamento. A equipe não possui
local no que diz respeito ao acolhimento ao
diretrizes terapêuticas para atender a
usuário em crise confirmamos a ausência
demanda de crise, nem a espontânea, nem
de critérios claros em termos das
a de seus próprios usuários. Isso nos leva a
intervenções e distribuição de
questionar: esse serviço está de fato
responsabilidades na RAPS, contrariando
produzindo um encaminhamento
todas as diretrizes da PNH acima referidas.
responsável e resolutivo, conseguindo
O acolhimento à crise no CAPS II
avaliar riscos e vulnerabilidades? Está
pesquisado está completamente
conseguindo acolher com
condicionado à presença do psiquiatra no
responsabilização já que sabemos que “as
serviço. É unânime o discurso de que o
portas de entrada dos aparelhos de saúde
CAPS II não é um serviço adequado para
podem demandar a necessidade de um
atender a crise, principalmente se o usuário
grupo especializado em promover o
não possui vinculo anterior com a equipe e
primeiro contato do usuário com o serviço,
procura atendimento sem acompanhante. A
como Pronto-socorro, Ambulatórios de
conduta da equipe é que após avaliação
Especialidades, Centros de Saúde, etc”
pelo psiquiatra, todo e qualquer usuário
(Brasil, 2004, p.16)? Isso significa que o
deve ser encaminhado para o hospital
acolhimento como ato ou efeito de acolher
psiquiátrico ou para o CAPS III, indicando
implica, em suas várias definições, uma
total ausência de hospitalidade nesses
ação de aproximação, um “estar com” e
dispositivos. Caso esteja com
“perto de”, ou seja, implica uma atitude de
acompanhante, esse se responsabiliza por
inclusão.
chamar o SAMU para que se realize o
No SAMU, apesar de todas as
atendimento e deslocamento. Sendo
dificuldades em termos das práticas em
usuário do serviço, a justificativa para
relação à crise, nota-se uma linha de ação
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mais definida e, portanto, uma clareza satisfatórias e não consiga produzir uma
acerca do seu lugar na RAPS. Sua função atenção integral. A situação do CAPS III é
tem sido a de direcionar de forma a mesma apontada por Costa (2007) em
adequada o usuário na rede, distribuindo os relação às experiências internacionais cujas
casos entre os serviços disponíveis. Sem propostas eram desarticuladas, não davam
isso, toda a demanda do município iria respostas satisfatórias às necessidades dos
para o HP. O SAMU faz a identificação da usuários, com encaminhamento sistemático
demanda, da área onde se encontra o dos casos “porque não superavam o
usuário para definir o serviço mais modelo cultural de referência ao hospital
próximo e adequado às necessidades, bem psiquiátrico como recurso de recepção dos
como realiza algumas orientações em “fracassos” dos serviços comunitários. Tal
termos de medicação e cuidados funcionamento acabava por manter a
domiciliares. Em outras palavras, o SAMU sustentação prática, técnica e ideológica do
tem cumprido um papel fundamental nessa hospital” (p.98).
rede de atenção de atendimento da crise, Já os CAPS AD têm limitações
contribuindo para a articulação e definição em relação à atenção do usuário com
de responsabilidades sanitárias de cada patologia dual; em situações de
ponto de atenção. exacerbação da crise com intercorrências
Em relação ao CAPS III, serviço clínicas, de articulação com o CAPS III,
estratégico de atenção à crise 24hs e único bem como com o HP, que geralmente não
em Natal, atualmente conta 10 leitos dispõe de vagas na unidade de
(podendo acolher até 12 usuários). Como desintoxicação, enviando o usuário de
referido anteriormente, atende unicamente volta ao CAPS AD. Por esse motivo, os
usuários do próprio serviço e moradores profissionais tentam evitar o
dos distritos sanitários sul e leste e usuários encaminhamento, dando suporte à crise
do CAPS Oeste. Em relação a esse serviço dentro dos limites do serviço,
observamos grande demanda não acolhida encaminhando em casos excepcionais após
por falta de suporte estrutural e técnico; avaliação criteriosa. Nesse ponto, os
processo de trabalho e de gestão sem entrevistados relatam uma pactuação
definição clara das funções de cada um, realizada com o Hospital Psiquiátrico, na
sem coordenação e consenso quanto às qual os usuários do CAPS AD seriam
formas de intervenção em relação à crise; recebidos com prioridade no hospital e
precariedade da rede de atenção que faz vice-versa, porém com a mudança de
com que o CAPS III não dê respostas gestão do HP, o acordo não vem sendo
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cumprido. Novamente, observa-se a desenvolvendo um tipo de atenção não


fragmentação da rede e a não manutenção alinhada à perspectiva de reconfiguração
dos acordos no sentido de melhorar a dos hospitais gerais no contexto da reforma
assistência em saúde. psiquiátrica. Em Natal, os seis leitos
Observa-se que tanto nos casos existentes no HU não podem ser ocupados
dos hospitais gerais quanto das UPAs o por usuários em crise, mas apenas por
que já foi detectado em outras realidades: aqueles que vêm encaminhados de outro
“o uso excessivo de medicação e a hospital com alguma enfermidade que
polifarmácia, a utilização frequente de exige observação clínica. Por não consistir
procedimentos de contenção, sem critério e em porta de entrada para urgências, todos
monitoração, uma tendência a limitar o os usuários que buscam o HU e se
cuidado à clínica da supressão de enquadram no perfil de crise (transtorno
sintomas” (Souza, 2012, p.6), além da falta e/ou uso de substâncias) são encaminhados
de estrutura física e de capacitação dos para o hospital psiquiátrico. Sendo assim,
recursos humanos, os quais são os conforme relato do gestor do serviço, os
elementos problemáticos que impedem o leitos de atenção integral são destinados
acolhimento das situações de crise de apenas a usuários eletivos, que possuem
forma resolutiva e criação de novas algum tipo de comorbidade clínica
modelagens de continência da crise, associada ao transtorno mental,
indicando a necessidade de reconfiguração configurando-se num mecanismo de
da rede, de formação permanente desses urgência referenciada, isto é, recebendo
profissionais e de divisão de apenas usuários encaminhados de outras
responsabilidades entre estes serviços e os unidades hospitalares.
de cunho substitutivo. Em outras palavras, Esse quadro indica que estamos
apresentam pouca capacidade de resposta na contramão do que vem sendo proposto
em relação às demandas dos portadores de pela PNSM. Os hospitais gerais aparecem
transtornos mentais e reafirmam um lugar juntamente com os CAPS III e unidades de
para o manicômio na rede de atenção emergência, como dispositivos
psicossocial. fundamentais na composição da rede de
Em relação ao hospital atendimento da crise, responsáveis,
universitário, fica claro que apesar de sobretudo, pelo acolhimento noturno de
contar com leitos de atenção integral em usuários que demandam cuidado
saúde mental, continua funcionando na emergencial (Dias, Gonçalves & Delgado,
lógica das especialidades clínicas e 2010). Transformar os leitos de atenção
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integral em porta de entrada para as intoxicados ou com síndrome de


urgências e situações de crise consiste em abstinência, hiperativos, agitados ou
um mecanismo efetivo para a garantia da agressivos. Após o acolhimento e a
acessibilidade, bem como tentativa de avaliação médica, o usuário é medicado,
reversão do modelo asilar de atenção. Essa podendo ser liberado ou ficar em
função não vem sendo cumprida pelo observação, como ocorre na maioria dos
hospital universitário de Natal. casos. Esse processo varia de 24 à 72hs,
Em última análise, o HU não tem que pode derivar para liberação ou
porta aberta à crise, logo, não faz parte da internação. Em caso de permanência, o
rede de suporte. Entretanto, o mais usuário é encaminhado para uma das
preocupante é o fato de que não há enfermarias, sendo sua alta conferida por
nenhuma problematização por parte dos um clínico geral.
gestores acerca do funcionamento desses
leitos, muito menos proposições para c. Critérios diagnósticos para crise
mudança. Sabemos que a tendência e internação
mundial é o investimento em unidades de
hospitalização breve, focalizadas na crise Não há, entre os profissionais
aguda e em intervenções terapêuticas investigados, concordância quanto à
intensivas a partir de um diagnóstico definição de crise. Observa-se que os
pluridimensional e orientadas por modos de reconhecimento da crise derivam
recomendações de atuação específicas das diferentes definições assumidas na
quanto à contenção mecânica, prática de cada profissional. Concordamos
farmacológica, etc. Essas unidades estão com Costa que de modo geral, a crise e as
articuladas aos demais componentes da tentativas de respostas às mesmas podem
rede de atenção psicossocial para garantir a ser esquematizadas em torno das seguintes
continuidade do tratamento no pós-alta características:
com adequado planejamento de utilização
dos recursos sanitários e sociais de acordo  Exacerbação da noção de periculosidade

com as necessidades do usuário. ligada à pessoa em crise;


 Redução da experiência a sintomas e a
Já o hospital psiquiátrico
comportamentos considerados “bizarros”;
constitui, indiscutivelmente, a porta de
com tendência ao reconhecimento apenas de
entrada para as situações de crise. Segundo “traços” patológicos, anormais e insanos;
os profissionais, os usuários que chegam  Intervenções mais direcionadas à remissão

ao HP, se encontram em “surto”, dos sintomas em curto período de tempo;


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 Tentativa de normalizar e impor hábitos que é então reconhecida como um evento


morais; negativo que precisa de cuidados médicos
 Ênfase na negatividade da loucura e da
intensivos com o objetivo de solucionar
crise; ênfase na desrazão, nas incapacidades
rapidamente a situação de agitação e/ou
e nas impossibilidades;
 Separação entre a crise e a vida global do agressividade.
sujeito; Essa concepção reducionista de crise
 Uso frequente e mecanizado das define os modos de acolhimento na rede de
contenções físicas, da eletroconvulsoterapia;
Natal que são prioritariamente a medicação
uso generalizado e padronizado da
e a contenção, como apontadas
medicação como recurso terapêutico mais
importante ou prioritário; anteriormente. Tal concepção não requer
 Ênfase no controle e na tutela; uso do ações amplas, intensivas, flexíveis e
espaço físico para contenção das crises; e singularizadas. Além disso, contribui
Internação como recurso predominante
diretamente para a entrada ou permanência
(Costa, 2007, p.96).
dos usuários no circuito psiquiátrico, na
medida em que são ações muito pontuais,
Dell’Acqua e Mezzina (2004) apontam
focadas em sintomas, que não levam em
os parâmetros que os serviços podem
conta a multidimensionalidade do
utilizar para identificar as situações graves
problema. Assim, observamos crises
e que podem ser conduzidas para
frequentes e internações recorrentes com
internação. São aquelas que obedecem, no
consequências nos processos de
mínimo, a três dos cinco parâmetros
incapacitação e exclusão social dos
especificados: (1) grave sintomatologia
usuários.
psiquiátrica, (2) intensa ruptura no plano
Outro aspecto preocupante é a
familiar e/ou social, (3) resistência ao
inexistência de orientação em relação ao
tratamento, (4) recusa obstinada de
atendimento da crise. Há poucas
contato, (5) incapacidade de enfrentar as
concordâncias quanto às formas de
situações de alarme surgidas em seu
acolhimento, aos critérios diagnósticos
contexto de vida. Nas entrevistas
para identificação dos quadros de
realizadas, apenas o primeiro ponto foi
agudização do sofrimento psíquico e para
destacado pelos profissionais da RAPS de
aferição dos riscos apresentados pelos
Natal como critério de definição da crise
usuários como suicídio e condutas
psiquiátrica. Nenhum outro aspecto foi
violentas. Contudo, a maioria dos
levado em conta que indique uma
entrevistados considera o médico como
concepção ampliada das situações de crise,
figura indispensável para avaliar a crise e
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decidir que condutas serão adotadas, atenção às famílias, inserção comunitária,


indicando a presença de referências dentre outros.
próprias ao modelo asilar em que o médico Esse quadro revela fatores de risco
é o protagonista em detrimento do trabalho associados ao processo assistencial local,
colaborativo, em equipe. tal como indicado no Guía de Seguridad en
Portanto, ficou evidente a resposta la Atención a Personas con Trastornos
padronizada diante da crise vivida de Mentales organizado pela Consejería de
maneira tão distinta por cada usuário. Sanidad y Gerencia Regional de Salud de
Mesmo assim, questionamos se havia nos la Junta de Castilla y Leon, na Espanha. A
serviços orientação clara de como proceder ausência de protocolos específicos em
diante dessas situações. Chegamos à termos de “evaluación general de riesgos;
conclusão que as equipes não têm clareza recogida y traslado seguro de pacientes;
do que deve ser feito, cada uma faz aquilo garantía de derechos en la hospitalización;
que é possível no momento, não há nada evaluación e intervención en pacientes con
que estruture o processo de trabalho, riesgo de suicídio y autolesiones; atención
desconhecem recomendações básicas em a pacientes con riesgo de agitación,
termos de estrutura e funcionamento heteroagresividad y/o comportamentos
adequado dos serviços para atender crise, antisociales; actuación ante pacientes con
bem como em termos de contenção riesgo de fuga; actuación ante riesgo de
mecânica e farmacológica em caso de accidentes/caídas; consentimiento
agitação, de intoxicação, de síndrome de informado; actuación ante pacientes con
abstinência, de psicoses, de transtornos mala evolución; observación y vigilância”
psicorgânicos, transtornos de ansiedade e (Junta de castilla y leon, 2009, p.43), são
risco de suicídio. Essa desorientação não aspectos que interferem na qualidade do
parece estar ligada à formação de processo assistencial.
categorias profissionais específicas ou ao Apesar das críticas procedentes
tempo de trabalho, mas emerge como quanto ao risco de se produzir
consequência da ausência de uma política padronização de condutas diagnósticas e
contínua de ações coordenadas em diversos terapêuticas, de se perder a singularização
níveis e a fragilidade da rede de atenção dos casos e do “traço artesanal” e de
que não tem diretrizes claras que orientem criatividade que o trabalho clínico precisa
o cotidiano das equipes em relação aos ter - como diz Campos e Amaral (2007,
recursos, intervenções, gestão dos serviços, p.851) ao criticar os protocolos,
hospitalização, coordenação do cuidado, fluxogramas, dentre outros procedimentos
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estandartizados de gestão - consideramos identificam e não têm afinidade com o


indispensável o estabelecimento de alguns trabalho em saúde mental pelo fato de
norteadores ou linhas de cuidado pela terem entrado via concurso público para a
necessidade de qualificar a atenção, de rede de saúde geral. Nas UPAs, a chegada
adotar modos mais eficientes de utilização do usuário em crise gera problemas para o
dos recursos humanos e materiais e de serviço: tumulto nas dependências e para a
garantir responsabilização clínica, eficácia própria equipe, é um usuário que requer
e resolução das situações. Assim, esses mais atenção, gerando a necessidade de
norteadores podem funcionar como indutor destacar um profissional para observação
de boas práticas e fator de proteção, seja na constante. É recorrente o discurso de que a
prática clínica, seja na gestão, seja junto UPA não é o local ideal para o
aos usuários. Independente da importância atendimento da crise por não contar com
e do potencial de tais protocolos, sua um especialista em psiquiatria, ser carente
utilização deve estar atrelada a uma de recursos materiais como leitos que
preocupação mais ampla quanto aos permitam contenção e de insumos como
processos de trabalho. Ou seja, eles devem medicamentos psicotrópicos. Os
servir para promover mudanças e profissionais destacam a preocupação com
capacitação das equipes, criar a continuidade do cuidado, uma vez que o
parâmetros/indicadores para o máximo que o serviço pode realizar é um
funcionamento da RAPS e possibilitar o atendimento paliativo. Nesse ponto, a
diálogo entre os serviços nas diferentes questão da falta de articulação da rede, seja
realidades do país. com os CAPS, seja com a atenção
primária, é contemplada como a grande
d. Recursos disponíveis e dificuldade para a continuidade da atenção
dificuldades no atendimento da e indicam problemas de acessibilidade na
crise RAPS:

Um arranjo de serviço acessível permite que


Nos serviços substitutivos, ao serem
as pessoas não tenham que passar por
interrogados a respeito de dificuldades no
esperas longas e burocráticas para avaliação
atendimento da crise, os profissionais e início de seu tratamento. O princípio da
apontaram a falta de educação permanente, acessibilidade também deve garantir acesso
de supervisão e apoio institucional. Além a todas as pessoas que necessitem dos
serviços, sem barreiras seletivas a grupos
disso, indicam que a composição das
determinados (por diagnósticos, raça, grau
equipes é feita de pessoas que não se
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de severidade ou quaisquer outros), além da recursos humanos qualificados e de


disponibilidade em oferecer atendimento
estrutura adequada capaz de prover
durante a noite e aos finais de semana
condições de segurança e privacidade para
(Mângia & Muramoto, 2009, p.122).
os usuários, técnicos e familiares
acompanhantes. Tais fatores comprometem
Em relação ao HP, os técnicos
as condições de segurança requeridas ao
julgam que o volume de internações
acolhimento, tratamento e à realização dos
ultrapassa a capacidade de atendimento do
procedimentos emergenciais de contenção.
hospital, produzindo um descompasso que
Esses são exemplos claros daquilo
vem se ampliando continuamente na
que a literatura revela como fatores de
adequação dos recursos humanos e
risco associados à estrutura e
materiais para atenção qualificada dessa
funcionamento dos serviços.
demanda. As condições insalubres de
tratamento são apontadas por todos os
Valoración de los factores ambientales y
entrevistados: pacientes internados em
de equipamiento: carencia, inadecuación
leitos-chão, uso de lençóis rasgados para del equipamiento, mala conservación y
contenção; no pronto-socorro o número de mantenimiento del médio físico donde se
técnicos é desproporcional ao de usuários lleva a cabo el proceso asistencial:
◊ Espacio: paredes, suelos, ventanas,
(3 ou 4 profissionais são responsáveis pelo
puertas, etc., con medidas de protección
cuidado de 70 pessoas em intenso
ante caídas, golpes, incendios provocados
sofrimento psíquico); os leitos não contam o fortuitos.
com aparelhagem requerida aos demais ◊ Facilidad de acceso: indicadores claros,
hospitais para o atendimento emergencial sin barreras arquitectónicas que
desorienten e impidan llegar a su destino
de intercorrências clínicas; inexiste local
de la forma más rápida a los usuarios.
para a acomodação dos acompanhantes, e o
◊ Luz: adecuada a la situación para la
pouco e desorganizado espaço dificulta a actividad y orientación de pacientes y
circulação de técnicos e usuários. Ou seja, trabajadores.
o HJM tem a clássica e conhecida ◊ Mobiliario: adecuado al espacio y
situación, mínimo, confortable y seguro,
arquitetura das instituições totais: baixa
que no pueda ser utilizado para actuar la
iluminação, longos e sujos corredores
hostilidade
radiais, janelas gradeadas, poucos espaços ◊ Instrumental y aparataje adecuados y no
individuais. potencialmente lesivos, (por ejemplo
Os hospitais gerais, por sua vez, contenciones mecánicas), así como
custodia adecuada de material médico, de
indicam como dificuldades a falta de
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limpieza, etc. (Junta de Castilla y leon, das decisões terapêuticas e no


2009, p.42).
acompanhamento do tratamento, em
consonância com a Política Nacional de
Apesar do pouco conhecimento de
Humanização (Brasil, 2004), que para
referências quanto à organização do espaço
tanto propõe dispositivos como a visita
e adequação da estrutura física para o
aberta e o direito ao acompanhante em
atendimento da crise entre os
espaço hospitalar.
entrevistados, técnicos e gestores do
Problemas na qualificação da
hospital universitário, baseados em suas
assistência representam importante desafio
práticas cotidianas, apontaram importantes
para a consecução do acesso e
elementos nesse sentido: evitar o
resolutividade no atendimento da crise. De
isolamento dos leitos de atenção integral
maneira geral, o conhecimento sobre as
em unidades específicas nos hospitais
diretrizes que orientam a RAPS e a
gerais e atenção redobrada em termos de
experiência prévia no trato clínico das
vidraças, escadarias e objetos
urgências psiquiátricas tende a produzir
perfurocortantes. Em concordância,
práticas de atenção voltadas para
acredita-se que a integração dos leitos
corresponsabilização dos usuários em
psiquiátricos às demais alas hospitalares
crise. Entrevistados que relataram maiores
pode auxiliar na desconstrução das
dificuldades no emprego adequado das
estigmatizações dos usuários, contribuindo
técnicas de contenção e condução
para que o hospital como um todo se torne
emergencial do tratamento da crise foram
um espaço de cuidado em saúde mental
aqueles cujas práticas restringiam-se ao
(Dias, Gonçalves & Delgado, 2010). Por
encaminhamento intransitivo dos usuários
fim, destacaram o estabelecimento de
para o hospital psiquiátrico.
espaços para acomodação dos
A inexistência de qualquer
acompanhantes. O indicativo da
programa educação permanente para o
necessidade de locais destinados aos
diagnóstico e acolhimento da crise faz
acompanhantes aponta para o
parte do rol de dificuldades que estorvam a
reconhecimento da importância dos amigos
ação das equipes de saúde, sendo
e familiares na corresponsabilização do
frequentes as dúvidas acerca dos critérios
cuidado, seja na ampliação do processo
clínicos para o diagnóstico e caracterização
diagnóstico por meio do fornecimento de
dos quadros psicopatológicos, sobre
informações acerca do contexto social e
etiologia, disfunções decorrentes, possíveis
familiar do usuário, seja na participação
efeitos comórbidos e prognósticos
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esperados em função da gravidade dos Ou seja, o manejo terapêutico das


sintomas identificados. Em outras palavras, situações de crise exige de seus operadores
os profissionais identificam problemas na uma revisão sistemática dos enrijecidos
realização do diagnóstico clínico e saberes e fazeres tradicionais. O elevado e
situacional, bem como dos riscos multiforme sofrimento, as graves rupturas
associados à condição do usuário. A essas nos planos familiar e social e a
dúvidas soma-se o desconhecimento acerca irredutibilidade da experiência subjetiva a
da legislação que rege a RAPS, suas qualquer categoria ou conjunto de
diretrizes e financiamento, da disposição e sintomas, demonstram o quão complexa é
dos modos de funcionamento da rede de a situação de crise e o quanto devem ser
saúde SUS como um todo. complexos os instrumentos e recursos para
Esse quadro tende a minar as respondê-la (Costa, 2007). De fato, por ser
estratégias para o manejo da crise, uma ocorrência imprevista de agravo à
dificultando a adequação terapêutica dos saúde, cuja intensidade pode oferecer
recursos clínicos disponíveis às perigo ao usuário, urge uma assistência
necessidades de cuidado dos usuários. imediata; todavia, configura-se como um
Conforme descritas por Vasconcelos momento particularmente vulnerável, de
(2003), tais necessidades não se limitam à intensa fragilidade subjetiva, onde as
atenção aos agravos psíquicos decorrentes condições de realidade se redistribuem de
dos quadros de agudização psiquiátrica. Os maneira brutal para o usuário, provocando-
profissionais dos serviços hospitalares lhe a fragmentação de seus sistemas de
precisam estar preparados para intervir referência (Ferigato, Campos & Ballarin,
junto às vulnerabilidades socioeconômicas 2007).
das quais sofrem a grande maioria dos Nesse sentido, uma qualificação
usuários. Além delas, precisam saber lidar contínua que englobasse toda essa
com os conflitos de interesse e vínculos complexidade no entendimento e no
familiares patogênicos, com as manejo da crise seria de fundamental
consequências iatrogênicas dos longos importância, de modo a contemplar
períodos de internações anteriores e ainda estratégias de intervenção eficazes. Do
com as limitações cognitivas e mesmo modo, a supervisão pode contribuir
comunicacionais induzidas pelo próprio na orientação desse trabalho e também na
transtorno mental e pelos efeitos colaterais escuta e busca de manejo das dificuldades
dos psicofármacos. enfrentadas pelos trabalhadores no
atendimento da crise e estabelecimento de
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planos de seguimento e articulação com a em caráter estrito, e aliviar outros


sofrimentos da população; a pressão para
rede de suporte. Quando não há uma
trabalhar mal; o risco de não identificar os
política efetiva que garanta supervisão das
casos de risco de vida; o lidar com a
equipes e educação permanente, como violência; e o não reconhecimento do bom
acontece na realidade investigada, observa- trabalho, entre outras. Muitas estratégias de
se uma fragilidade na consecução dos defesa utilizadas contra o sofrimento
corroem, aliadas a outros fatores, os espaços
princípios da Política Nacional de
para a solidariedade, a cooperação e o
Humanização (Brasil, 2004), a qual prevê a
cuidado com a vida. Outras, no entanto,
educação permanente dos profissionais da indicam que algum grau de ilusão e
saúde como ferramenta crucial no idealização com relação ao trabalho ainda
incremento da qualidade da assistência, subsiste e, junto com a busca por
reconhecimento, podem abrir algumas
imprescindível não apenas pela
brechas para a transformação do cotidiano
qualificação e reciclagem profissional, mas
dos serviços de saúde (Sá, 2005, p. 08).
do ponto de vista da valorização e do
reconhecimento do trabalhador, assim
Considerações Finais
como de suporte para que possa lidar
melhor com a sobrecarga emocional e o
Como referido no início desse
desgaste gerado pelo trabalho. Estudo
trabalho, o atendimento da crise é um
realizado por Sá (2005) junto ao segmento
analisador privilegiado da capacidade de
que atende emergências psiquiátricas
resposta da RAPS às demandas de saúde
observou o processo de trabalho na porta
mental do ponto de vista da oferta e
de entrada de um hospital de emergência
resolutividade, organização dos serviços,
em grande centro urbano do Brasil sob a
processo de trabalho, qualificação das
ótica dos processos intersubjetivos
equipes e educação permanente. A
presentes naquele serviço de saúde. A
presente pesquisa revelou aspectos
pesquisa revelou as estratégias defensivas
preocupantes nesse sentido na realidade do
dos trabalhadores para lidar com o
município de Natal. Identificamos em
sofrimento gerado pela complexidade de
diferentes pontos da RAPS problemas
tal demanda:
referentes aos seguintes níveis:
 Estrutura e funcionamento dos
o trabalho na Porta de Entrada da
serviços, recursos materiais e
Emergência representa muitas fontes de
sofrimento psíquico para os trabalhadores, insumos disponíveis: rede
como o dilema entre atender as urgências, precarizada do ponto de vista do
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número e distribuição dos serviços realização de diagnóstico clínico e


que acolhem crise; problemas de situacional, bem como dos riscos
acessibilidade/porta aberta; estrutura associados; ausência de planos de
física inadequada, carente de ação e tratamento imediato, assim
equipamentos e medicamentos; falta como de seguimento articulado com
de integração dos componentes da a rede sociosanitária e familiar; falta
RAPS entre si, especialmente com os de orientação às famílias sobre crise,
serviços de atenção primária e cuidados e direitos dos usuários.
dispositivos do território de
pertencimento do usuário; Dessa forma, consideramos que
configuração hospital-centrada. há pontos de estrangulamento na RAPS
 Composição e qualificação das que impactam no atendimento da crise e
equipes: reduzido número de indicam problemas na sua capacidade de
profissionais disponíveis para resposta. Iniciativas em curso em outras
cuidados intensivos, formação realidades revelam que é preciso investir
inadequada e ausência de processos em estratégias que fortaleçam a aliança e o
de educação permanente visando à vínculo terapêutico, fundamentais para a
qualificação do cuidado e suporte ao prevenção de recaídas e re-internação.
trabalhador. Nessa direção, os leitos em hospitais
 Processo de trabalho e gestão: gerais, as instâncias de hospitalização
inexistência de linhas claras de breve que acolhem pequenos grupos, a
cuidado e diretrizes sobre o manejo articulação com os serviços de atenção
da crise; ausência de apoio primária para o manejo, detecção precoce e
institucional e supervisão do constituição da rede de suporte
trabalho; sobrecarga de atribuições e comunitário, o atendimento domiciliar e
falta de corresponsabilização dos apoio intensivo à crise, são estratégias que
diferentes dispositivos no podem impactar não só nos processos de
atendimento da crise; centralidade na acolhimento e cuidado do usuário, mas nos
figura do médico e fragilidade nos trabalhadores e familiares, reduzindo a
processos coletivos de trabalho. sobrecarga e ampliando a
 Clínica e continuidade do cuidado: corresponsabilização. Isso nos leva a
tripé do cuidado é constituído pela concluir que Natal não apresenta, no
contenção, medicação e momento,
encaminhamento; dificuldades na
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capacidade de responder às situações de consolidar a mudança do modelo.


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Magda Dimenstein: Doutora em Saúde
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Departamento de Psicologia. Docente do em Psicologia/UFRN. Bolsista IC- PIBIC
PPGPsi/UFRN. Bolsista de Produtividade E-mail: iannyfelinto@hotmail.com
do CNPq.
E-Mail: magda@ufrnet.br Maria Clara Bezerril: Discente de
graduação em Psicologia/UFRN. Bolsista
Ana Karenina Arraes Amorim: Doutora IC- FAPERN
em Psicologia Social/UFRN. Professora E-mail: clarinha_bezerril@yahoo.com.br
Adjunta do Departamento de
Psicologia/UFRN.
E-Mail: akarraes@gmail.com

Jader Leite: Doutor em Psicologia


Social/UFRN. Professor Adjunto do
Departamento de Psicologia. Docente do
PPGPsi/UFRN.
E-Mail: jaderfleite@gmail.com

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