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Na minha interpretação nos estudos que fiz sobre Daniel, percebi que cada profecia é

uma ampliação da outra, por exemplo:

o capitulo 7 é uma ampliação do capítulo 2. O capítulo 11 é uma ampliação do capítulo


8. E o capítulo 12 é uma ampliação do capítulo 9.

O capitulo 2 e7 fala do futuro das nações e revela a besta e o anticristo, sua queda e o
estabelecimento do Reino Eterno de Cristo.

O capitulo 8 e 11 fala o que aconteceu com o povo de Deus (Israel) no período


intertestamentário durante os 400 anos de silêncio profético, fala de suas
perseguições causadas pelos imperadores “antiDeus” que prefiguram o anticristo
futuro.

O capítulo 9 e 12 fala da vinda do Messias para salvar a humanidade do pecado, fala


também da rejeição do Evangelho da parte da nação judaica onde eles perdem o
direito exclusivo de povo de Deus para anunciar o evangelho, também nos dá uma luz
do fim dos tempos e da ressurreição dos mortos na vinda de cristo.

E eu só consegui chegar em uma conclusão transformando os dias e semanas da


profecia em anos literais.

Vamos lá:

70 Semanas Proféticas

Nesta profecia o anjo diz que 70 semanas estavam determinadas para o povo Judeu e
a nação de Israel para: (a) acabar com a transgressão (b) dar fim ao pecado (c) expiar
as culpas (d) trazer justiça eterna (e) cumprir a visão e a profecia (f) e ungir o
santíssimo.

Em outras palavras, todo o céu estava investindo outra vez no povo de Israel
esperando arrependimento da parte deles e se isso não acontecesse, o povo perderia
o privilégio de ser a nação escolhida para propagar o Evangelho da Graça de Deus
(Mateus 22.1-8).

No versículo 25 o anjo diz que as 70 semanas iniciariam sua contagem a partir da


“promulgação do decreto que manda restaurar e reconstruir Jerusalém”.
O livro de Esdras registra três decretos: o primeiro decreto foi no primeiro ano de Ciro
em 537 a.C. (Esdras 1.1-4); o segundo, durante o reinado de Dario I em 519 a.C. (Esdras
6.1-12); o terceiro foi o sétimo ano de Artaxerxes em 457 a.C. (Esdras 7.1-26).

Mas apenas o decreto de Artaxerxes em 457 a.C. cumpre os requisitos da profecia de


Daniel 9.25, veja que o anjo diz que seria em tempos difíceis que Jerusalém seria
reconstruída, e isso realmente aconteceu; os primeiros dois decretos para restauração
de Israel foram interrompidos por inimigos que se opuseram a reconstrução da cidade
e restituição do povo (Esdras 4; Neemias 4 – 6). Portanto em 457 a.C. se inicia o
período de 70 semanas proféticas.

O anjo divide a profecia em períodos: 7 semanas + 62 semanas = 69 semanas


Lembremos que dias em profecia pode ser interpretada por anos literais, portanto
temos o seguinte calculo: 69 semanas x 7 dias = 483 dias/ anos literais.

Se partirmos do ano 457 a.C., data do decreto de Artaxerxes, e viajarmos no tempo


483 anos, chegaremos ao ano 27 d.C. Que segundo o anjo, ao termino desse período
seria o ano do aparecimento do “Ungido” (Daniel 9.25).

Mas o que aconteceu no ano 27 d.C. e ao fim das 69 semanas proféticas? Quem é esse
Ungido que apareceria no fim dessas 69 semanas?

27 d.C. foi exatamente o ano do Batismo de Jesus Cristo quando ele recebe a unção do
Espírito Santo no Rio Jordão por João Batista, Jesus estava com cerca de 30 anos ao
iniciar Seu Ministério terrestre, portanto vemos que o Ungido que o anjo fala é o
Próprio Jesus Cristo, Podemos então representar a profecia até aqui com o seguinte
gráfico:

69 SEMANAS PROFETICAS
457 a.C.__________408 a.C.__________27 d.C.
7 SEMANAS 62 SEMANAS

Depois das 62 semanas, o Ungido fará uma aliança que durará uma semana. No meio
da semana ele será morto e dará fim ao Sacrifício e á oferta de manjares e já não
haverá lugar para ele.

A cidade e o lugar santo serão destruídos pelo povo do governante que virá. O fim virá
como uma inundação: guerras continuarão até o fim, e desolações foram decretadas. E
sobre a ala do Templo será colocado o Sacrilégio terrível, e o que está determinado
será derramado sobre o assolador.
Como vimos, conforme a profecia ele faria uma “firme aliança com muitos por uma
semana”, ou seja, sete anos, alcançando o ano 34 d.C. que acontecimento assinala o
fim desse período de aliança? Estudando o livro de Atos, encontramos o último
discurso de Estevão, um dos sete diáconos da igreja Primitiva (Atos 7.1-53).

Após uma pregação dura dirigida aos Judeus que perseguia a Igreja ele foi apedrejado
até a morte (Atos 7.54-58). Antes de morrer ele contemplou Jesus em pé á direita do
Pai (Atos 7.55-56), todas as vezes em que algum profeta tem a visão de Jesus ao lado
de Deus no trono, eles o viam sentado no trono, mas desta vez Estevão vê Jesus em pé
ao lado do trono de Deus e essa é a única vez na Bíblia em que vemos Jesus em pé e
não sentado a destra de Deus.

Isso mostrava uma atitude de reprovação da parte de Jesus à nação Judaica, Isso
ocorreu em 34 d.C. e assinala o fim dos 490 anos (70 semanas) de oportunidade ao
povo Judeu como povo escolhido para a Pregação do Evangelho.

Vemos com tristeza que os Judeus sempre lutaram contra o seu próprio Deus, sempre
foram um povo obstinado, duros e incircuncisos de coração, reprovavam diariamente
ao Filho de Deus e no fim ainda o crucificaram, mas como sabemos, a crucificação de
Cristo era necessária, portanto, eles ainda tinham a oportunidade de se reconciliar
com o seu Deus.

Então como promessa, Jesus após sua ascensão ao Céu derrama o Espírito Santo no dia
de Pentecostes Batizando todos com Poder para testemunharem aos Judeus que Jesus
era o Cristo e que tinha Ressuscitado.

Mas vemos o que o povo fez a sangue frio com o diácono Estevam, e com essa atitude
mostraram claramente que eles estavam negando aquela chance que Deus havia lhes
dado.

Após isto Deus levanta Sua Igreja para que através dela o Evangelho fosse Pregado a
todas as Nações. Saulo, que estava presente no apedrejamento de Estevão tornou-se
Paulo, o apostolo dos gentios (Estrangeiros de todas as nações, povos não Judeus) e
pregou o evangelho aos pagãos, gregos e romanos (Atos 9.1-9; Romanos 1.1).
ao invés de aceitar o Evangelho apedrejaram

Ainda nos resta saber alguns outros detalhes dos versículos, como o que aconteceu
com o Ungido na metade da semana da aliança.

Já vimos que o termino da semana foi o ultimo período que o povo Judeu tinha para se
arrepender, mas o versículo nos fala que o Ungido fez cessar o Sacrifício e a oferta de
manjares, como Jesus fez isso?

Ele próprio deu fim ao sistema de sacrifícios do Antigo Testamento tornado-se a


própria oferta (João 1.29; I Coríntios 5.7).
Vemos que uma semana eram 7 anos literais, se contarmos do Batismo de Cristo em
27 d.C. até a morte dele em 31 d.C. veremos que a profecia se cumpriu perfeitamente,
pois Jesus iniciou seu Ministério com 30 anos, seu Ministério terrestre durou 3 anos e
meio, e após sua ressurreição até a morte de Estevam temos mais 3 anos e meio que
completam exatamente 7 anos (ou uma semana profética) que dão fim aos 490 anos
(ou 70 semanas), com isso temos aqui o cumprimento da profecia das 70 semanas.

No exato momento de sua morte, o véu do templo, que separava o lugar Santo do
Santíssimo, rasgou de alto a baixo indicando assim o fim daquele sistema tipológico de
salvação (Mateus 27.50, 51; Hebreus 9.11-15 e 28).

Quando o versículo diz que “já não haverá mais lugar para ele”, quer dizer que ao
abolir toda lei cerimonial do Antigo Testamento, Cristo se torna o sacrifício perfeito, o
Cordeiro Perfeito que tirou o pecado do mundo.

Portanto, não haveria mais necessidade de um novo Sacrifício ou qualquer obra para
Justificar o pecador, pois “o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado” (I João 1.7).
Portanto podemos interpretar melhor o cumprimento das datas da profecia seguindo
o gráfico:

70 SEMANAS
457 a.C._______408 a.C.__________27 d.C.____31 d.C.____34 d.C.
7 SEMANAS 62 SEMANAS 1 SEMANA

E quanto ao restante do versículo onde diz que (a) a cidade e o lugar santo serão
destruídos pelo povo do governante que virá. (b) o fim virá como uma inundação:
guerras continuarão até o fim, e desolações foram decretadas. (c) e sobre a ala do
Templo será colocado o Sacrilégio terrível, e o que está determinado será derramado
sobre o assolador.

Podemos identificar o cumprimento de uma parte desta profecia na historia em 70 d.C.


onde Jerusalém e o Templo são destruídos pelos Romanos ao comando do imperador
Tito. Cristo já havia advertido previamente seus Discípulos sobre este acontecimento
quando disse: “Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o
profeta Daniel...” (Mateus 24.15; Lucas 21.20-24).
Os Cristãos ao lembrarem-se das advertências de Cristo, fugiram de Jerusalém assim
que viram os exércitos romanos cercar a cidade. Eles se recusaram a pegar em armas
contra os romanos e retiraram-se para a cidade de Pela, na Transjordânia.

Realmente “a cidade e o lugar santo” (Templo) foram destruídos pelo imperador Tito e
as tropas Romanas e “um sacrilégio terrível aconteceu”, Porém, muitos teólogos são
unânimes ao afirmarem que essa profecia não diz respeito somente à invasão e
destruição de Jerusalém em 70 d.C.

Mas também se refere aos últimos dias na Grande Tribulação, e isso realmente faz
sentido, pois em seguida o versículo diz que “o fim viria como uma inundação”, e “que
guerras e desolações continuariam a acontecer até o fim”, e o que “estava
determinado seria derramado sobre o assolador”, não entraremos em detalhes a
respeito destas coisas, mas quando estudamos o livro de Apocalipse vemos que as
profecias que diz respeito aos acontecimentos da Grande Tribulação nos mostram
quão terríveis serão aqueles tempos, guerras e desolações acontecem até hoje em
nossos dias, e quando olhamos para o cenário mundial vemos que o mundo caminha
em direção a uma grande tribulação, não há mais amor, respeito, justiça, compaixão,
misericórdia e perdão, parece até que o ditado popular “cada um por si” mudou para
“cada um contra si”. E quanto ao assolador destes últimos tempos, assim como
Antíoco Epifânio IV, Tito e sua tropa foram apenas uma luz do que o anticristo dos
últimos dias fará com aqueles que se oporem a ele, como já estudamos no capitulo
sete, o assolador (anticristo) receberá um fim terrível por conseqüência de sua
maldade para com o povo de Deus, literalmente, o que está determinado para o fim
dele, será derramado sobre ele. Mas se você realmente quer saber a respeito da
destruição de Jerusalém em 70 d.C. deixo aqui como indicação o livro do Historiador
Flavio Josefo “Guerra dos Judeus”, ali você saberá um pouco dessa horripilante e triste
historia que o povo Judeu vivenciou, mas deixo aqui alguns trechos do Livro para você
ter uma noção do que foi essa “Abominação da desolação” de que falou Jesus e Daniel.

Josefo: “É então um caso miserável, uma visão que até poria lágrimas em nossos olhos, como
os homens agüentaram quanto ao seu alimento... a fome foi demasiado dura para todas as
outras paixões... a tal ponto que os filhos arrancavam os próprios bocados que seus pais
estavam comendo de suas próprias bocas, e o que mais dava pena, assim também faziam as
mães quanto a seus filhinhos... quando viam alguma casa fechada, isto era para eles sinal de
que as pessoas que estavam dentro tinham conseguido alguma comida, e então eles
arrombavam as portas e corriam
para dentro... os velhos, que seguravam bem sua comida eram espancados, e se as mulheres
escondiam o que tinham dentro de suas mãos, seu cabelo era arrancado por fazerem isso...”
(Guerras dos Judeus, livro 5, capítulo 10, seção 3).

Josefo: “Ela então tentou a coisa mais natural, e agarrando seu filho, que era uma criança de
peito, disse, ‘Oh, pobre criança! Para quem eu te preservarei nesta guerra, nesta fome e nesta
rebelião?... ’ Logo que acabou de dizer isto, ela matou seu filho e, então, assou-o, e comeu
metade dele, e guardou a outra metade escondida para si.” (Guerras, livro 6, capítulo 3, seção
4).

Josefo: “Eu falarei, portanto aberta e francamente aqui de uma vez por todas e brevemente:
que nenhuma outra cidade sofreu tais misérias nem nenhuma era produziu uma geração mais
frutífera em perversidade do que era esta, desde o começo do mundo.” (Guerras, livro 5,
capítulo 10, seção 5).

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