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CONVERSÃO SUBSTANCIAL DO NEGÓCIO JURÍDICO

CONVERSÃO SUBSTANCIAL DO NEGÓCIO JURÍDICO


Revista de Direito Privado | vol. 26/2006 | p. 146 - 171 | Abr - Jun / 2006
Doutrinas Essenciais Obrigações e Contratos | vol. 1 | p. 1055 - 1084 | Jun / 2011
DTR\2006\276

Eduardo Luiz Bussatta


Mestre em Direito Negocial pela UEL. Professor nos cursos de graduação e
pós-graduação da Unipar. Advogado no Paraná.

Área do Direito: Civil


Sumário:

- 1. Introdução - 2. Definição de negócio jurídico - 3. Os planos do negócio jurídico:


existência, validade e eficácia - 4. Princípio da conservação do negócio jurídico - 5.
Conversão substancial do negócio jurídico - 6. Pressupostos para a conversão do negócio
jurídico - 7. Conversão substancial, conversão legal e conversão formal - 8. Institutos
afins da conversão substancial - 9. Conclusão - 10. Referências bibliográficas

Resumo: Trata da Conversão Substancial do Negócio Jurídico na forma positivada no art.


170 do CC, instituto esse fundado no princípio da conservação do negócio jurídico e que
consiste na re-avaliação do negócio jurídico tabulado a fim de que, apesar da invalidade
que sobre ele pesa, seja possível extrair, de acordo com a vontade hipotética das partes,
efeitos jurídicos práticos.

Palavras-chave: Negócio jurídico - Planos - Conversão substancial.

1. Introdução

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O Código Civil positivou, pela primeira vez no ordenamento jurídico pátrio, em seu
artigo 170, o instituto da conversão substancial do negócio jurídico. Apesar de sua
inequívoca importância teórica e prática, dada a sua novidade, aliada a parca atenção
dispensada pela doutrina, faz com que fique mergulhado em uma série de incerteza e
imprecisões.

O objetivo do presente artigo é justamente contribuir para o aclaramento do instituto,


baseando-se o estudo na doutrina pátria e estrangeira.

Para tanto, serão analisados os planos do negócio jurídico, a fim de estabelecer a correta
distinção e situar o campo de aplicação da conversão substancial.

Após isso o estudo será focado na conversão propriamente dita, a fim de estabelecer o
seu fundamento, definição, requisitos e a distinção com institutos afins.

2. Definição de negócio jurídico

Dentre os acontecimentos cotidianos, somente interessam para o direito aqueles que


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sofrem a incidência de uma regra jurídica em seu suporte fático, sendo designados por
fatos jurídicos (em sentido lato). Alguns acontecimentos relevantes para o mundo do
direito são decorrentes das ações humanas, especialmente os denominados negócios
jurídicos, espécie de ato jurídico onde se admite que o agente, de acordo com
disposições legais de ordem pública, através da autonomia privada, crie regras jurídicas
a fim de obter efeitos jurídicos desejados.

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A realização de efeitos jurídicos é a finalidade para a qual são criados todos os negócios
jurídicos. De fato, os negócios jurídicos visam transformar o mundo que os circunda,
justamente através da realização de efeitos jurídicos.

As definições de negócio jurídico são amplas e variadas, tendo praticamente cada jurista
a sua. Porém, a grande maioria refere-se à gênese do negócio jurídico, ou seja, à
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vontade. Definem o negócio jurídico como a manifestação da vontade individual que
resulta em efeitos jurídicos. Manuel A. Domingues de Andrade, seguindo tal corrente do
pensamento define o negócio jurídico "como um facto voluntário lícito cujo núcleo
essencial é constituído por uma ou várias declarações de vontade privada, tendo em
vista a produção de certos efeitos práticos ou empíricos, predominantemente de
natureza patrimonial (econômica) com ânimo que tais efeitos sejam tutelados pelo
direito - isto é, obtenham a sanção da ordem jurídica, e a que a lei lhe atribui efeitos
jurídicos correspondentes, determinados, grosso modo, em conformidade com a
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intenção do declarante ou dos declarantes (autores ou sujeitos do negócio)".

Por outro lado, parte da doutrina, criticando tal posição, prefere definir o ato jurídico
através da sua função, qual seja, a de criar efeitos jurídicos, de forma que o considera
"antes um meio concedido pelo ordenamento jurídico para a produção de efeitos
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jurídicos do que um ato de vontade." A vontade é deixada de lado; foca-se a função do
negócio jurídico, que é justamente a de criar efeitos jurídicos.

Outra definição do negócio jurídico é a que leva em conta a sua estrutura, buscando
saber exatamente o que ele é, não a sua origem ou mesmo a sua finalidade. Antonio
Junqueira de Azevedo afirma que o negócio jurídico é uma categoria, ou seja, fato
jurídico concreto, sendo uma hipótese de fato jurídico que "consiste em uma
manifestação de vontade cercada de certas circunstâncias (as circunstâncias negociais)
que fazem com que socialmente essa manifestação de vontade seja vista como dirigida à
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produção de efeitos jurídicos".

Sem adentrar nas críticas a tais concepções - vez que não é este o objetivo almejado - é
correto afirmar que o negócio jurídico tem como finalidade, ou é admitido pela ordem
jurídica ou, ainda, tem a sua estrutura voltada para a constituição de efeitos jurídicos.
Somente pode se falar em negócio jurídico fazendo referência a criação de efeitos
jurídicos.

É certo que não é somente o negócio jurídico que gera efeitos para o direito. O gênero
fato jurídico, cujo negócio é uma das suas espécies, também gera efeitos jurídicos.
Porém, o que os diferencia neste ponto é que no negócio jurídico os efeitos são
produzidos de acordo com a vontade do agente, na medida em que é no campo do
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negócio jurídico que a autonomia privada atua.

De fato, caso o negócio jurídico não redundasse na criação de efeitos jurídicos nada de
jurídico teria, sendo apenas fato social irrelevante para o direito. Assim, induvidoso que
a produção de efeitos jurídicos é da essência do negócio jurídico.

A produção de efeitos jurídicos é, sem dúvida, o que polariza o negócio jurídico. Tanto é
assim que a doutrina criou o princípio da conservação, pelo qual, mesmo havendo
alguma imperfeição busca-se a extração de alguns efeitos do negócio jurídico realizado.
De tal princípio surge a redução do negócio jurídico, pelo qual, havendo nulidade parcial
do ato praticado, reduz-se o mesmo, suprindo a parte infringida. Também, a conversão
do negócio jurídico que, pressupondo um negócio totalmente nulo, o converte em outro
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negócio jurídico, objeto do presente estudo.

3. Os planos do negócio jurídico: existência, validade e eficácia

A doutrina, baseada nos estudos da pandectista alemã, costuma analisar o negócio


jurídico nos planos da existência, validade e eficácia. "Plano da existência, plano da
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validade e plano da eficácia são os três planos nos quais a mente humana deve
sucessivamente examinar o negócio jurídico, a fim de verificar se ele obtém plena
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realização."

Esta divisão, além de lógica, é de grande utilidade prática, à medida que ajuda a
entender o fenômeno jurídico e a chegar às conclusões necessárias quando da análise de
determinado negócio jurídico concreto.

No plano da existência, indaga-se quanto ao ser do negócio jurídico, a sua existência


para o mundo do direito. A análise realiza-se quanto à existência dos elementos ou
pressupostos que a lei considera necessários para que o fato social possa entrar para o
mundo jurídico.

Emilio Betti afirma que "o ato antes de ser encarado como ato jurídico deve ser, existir
como realidade material, isto é, como conjunto de dados fáticos que corresponda ao tipo
jurídico ( fattispecie). Se nem ao menos esses dados mínimos de natureza material
ocorreram e a fattispecie não se configurou, o caso é de inexistência do ato jurídico e
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não apenas de nulidade."

Ora, de fato, nada mais natural do que a análise sobre determinado acontecimento com
relevância para o mundo jurídico se inicie com a indagação da sua existência enquanto
tal. "A existência do fato jurídico, constitui, pois, a premissa de que decorrem todas as
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demais situações que podem acontecer no mundo jurídico."

Assim, num primeiro momento deve o investigador indagar quanto a presença dos
elementos necessários para que o negócio jurídico possa efetivamente existir. Tem se
por elementos do negócio jurídico tudo aquilo que lhe dá existência na área jurídica.
Segundo Antonio Junqueira Azevedo tais elementos são classificados de acordo com os
graus de abstração, podendo ser: gerais, quando integrantes de todo e qualquer negócio
jurídico; categoriais, quando referente a um tipo específico de negócio jurídico, e;
12
particulares, existente em cada negócio.

José de Abreu Filho afirma que o negócio jurídico inexistente "seria aquele que carecesse
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de elementos indispensáveis a sua própria configuração como figura negocial".
Considera-se tais elementos como sendo "a vontade e o objeto. Não se pode conceber a
existência de um negócio jurídico, como temos reiteradamente afirmado, se falta o
elemento volitivo. Sem a manifestação da vontade, o negócio não pode formar-se
14
evidentemente."

Manuel A. Domingues de Andrade expõe que "dá-se a inexistência quando nem sequer
aparentemente se verifica o corpus de certo negócio jurídico. Quando nem sequer na
aparência existe uma qualquer materialidade que corresponda à própria noção de tal
negócio. Temos ainda inexistência quando, embora exista essa aparência, a realidade
não corresponde todavia àquele conceito. É claro, de resto, que tanto podemos falar da
inexistência de determinado tipo particular de negócio jurídico, como da inexistência de
qualquer negócio jurídico em geral. Tudo depende das circunstâncias, aferidas segundo o
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critério indicado". Passado o plano da existência, adentra-se ao plano da validade,
onde indagar-se-á quanto à validade ou invalidade do negócio jurídico existente. Este
plano é específico dos negócios jurídicos, o que importa dizer, quanto aos fatos jurídicos
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e atos jurídicos, não há que se perquirir sobre a validade ou não.

Dois são os graus de invalidade. A invalidade mais grave é tida como nulidade, em que
são atingidos interesses de ordem pública, razão pela qual não haverá sua convalidação
pelo decurso do tempo, podendo ser declarada de ofício. São exemplos os negócios que
não observam a forma prescrita em lei, os simulados e os praticados por menor
absolutamente incapaz. A invalidade menos grave é chamada de anulabilidade, em que
interesse meramente particulares são atingidos. Em razão de que o interesse é
particular, admitem confirmação, convalidam-se com o decurso do tempo (decadência) e
somente podem ser conhecidos em ação própria movida pelo interessado. São exemplos
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de anulabilidade os negócios praticados sob lesão ou estado de perigo e os praticados


por menores relativamente incapazes.

Marcos Bernardes de Mello entende que a nulidade ou anulabilidade "se prendem à


deficiência dos elementos complementares do suporte fáctico, relacionado ao sujeito, ao
objeto ou a forma do ato jurídico. A invalidade, no entanto, pressupõe, como essencial a
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suficiência do suporte fáctico, portanto, a existência do fato jurídico".

Na mesma trilha segue Antonio Junqueira Azevedo, ao asseverar que "A validade é, pois,
a qualidade que o negócio deve ter ao entrar no mundo jurídico, consistente em estar de
acordo com as regras jurídicas (ser regular). Validade é, como sufixo da palavra indica,
qualidade de um negócio existente. 'Valido' é adjetivo com o que se qualifica o negócio
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jurídico formado de acordo com as regras jurídicas."

Assim, no plano da validade, grosso modo, aferem-se as qualidades dos elementos do


suporte fático, para verificar se os mesmos se encontram de acordo com o direito. Ou,
inversamente, o direito "adjetiva" os elementos do suporte fático, impondo-lhes
requisitos para a adequação ao mundo jurídico.

Para que o negócio jurídico exista é necessário um agente, mas para que o mesmo seja
válido este agente deve ser capaz; a existência do negócio jurídico pressupõe a
manifestação de vontade, mas para que o negócio seja válido essa vontade deve ser
livre de qualquer vício, o que significa ser manifestada de forma consciente, livre e
baseada em um conhecimento real; a forma é essencial à existência do negócio jurídico
e para a sua validade necessário se faz que a forma seja a prescrita ou, no mínimo, não
vedada por lei.

E, por último, tem-se o plano da eficácia, que "é a parte do mundo jurídico onde os fatos
jurídicos produzem seus efeitos, criando as situações jurídicas, as relações jurídicas, com
todo o seu conteúdo eficacial representados pelos direitos e deveres, pretensões e
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obrigações, ações ou exceções, ou os extinguindo."

Trata-se do terceiro e último plano, onde se verifica a produção de efeitos jurídicos pelo
negócio jurídico. "Nesse plano, não se trata, naturalmente, de toda e qualquer eficácia
prática do negócio, mas sim, tão-só, da sua eficácia jurídica e, especialmente, da sua
eficácia própria ou típica, isto é, da eficácia referente aos efeitos manifestados como
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queridos."

Normalmente o negócio jurídico produz os efeitos que lhe são próprios. Porém, por
variadas razões, como a nulidade do mesmo, a não realização de condição suspensiva,
tais efeitos não vêm a ocorrer. Dir-se-á então que o negócio jurídico é ineficaz.

Quanto ao plano da eficácia, Manuel A. Domingues de Andrade diz que "o negócio
jurídico é ineficaz quando por qualquer motivo legal não produz todos ou parte dos
efeitos que, segundo o conteúdo das declarações de vontade que o integram, tenderia a
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produzir."

Neste ponto é importante esclarecer que quando se fala em ineficácia do negócio jurídico
não se está a falar da não realização de nenhum efeito jurídico. Se assim fosse o
fenômeno sequer seria jurídico. Pelo contrário, todo e qualquer negócio jurídico, em
maior ou menor medida, gera efeitos jurídicos. Marcos Bernardes de Mello afirma que
por vezes, "como, por exemplo, quando o negócio jurídico é nulo, ou quando, como no
caso do testamento precisa de um fato que deflagre a sua eficácia. Mas, em qualquer
hipótese, a simples entrada no mundo jurídico fará com que o fato jurídico irradie, pelo
menos, o efeito de criar uma situação jurídica, cujo conteúdo, embora limitado, é típico .
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"

Humberto Theodoro Júnior entende que há dois graus de eficácia para o negócio
jurídico: o estático e o dinâmico. "No primeiro a vontade negocial cria a relação jurídica
(isto é, constitui, modifica, transfere ou extingue uma relação de direito) e fixa a sua
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idoneidade em tese para o fim jurídico almejado. No segundo estágio, já se depara com
uma relação jurídica já constituída e parte-se para a realização dos resultados práticos
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que lhe correspondem".

Assim, a ineficácia do negócio jurídico se refere aos efeitos que dele são próprios,
objetivamente queridos pelas partes. Por exemplo, num contrato de venda e compra
submetido à condição suspensiva, os efeitos próprios desta categoria negocial somente
vão ser realizados a partir do momento que o fator de eficácia (condição) ocorrer.
Porém, tão-só pela contratação há a geração de efeitos jurídicos, pois houve a criação de
uma relação jurídica, estando as partes autorizadas por lei a realizar as medidas
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necessárias para a conservação do seu direito.

A não geração dos efeitos próprios do negócio jurídico (no grau dinâmico) pode decorrer
de uma sanção imposta pela ordem jurídica em razão da inobservância de requisitos
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impostos pela lei (invalidade) ou em decorrência da não realização dos chamados
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fatores de eficácia. A primeira hipótese configura a ineficácia em sentido lato,
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enquanto a segunda a ineficácia propriamente dita ou em sentido estrito.

Como dito, entende-se por ineficácia em sentido lato a não realização dos efeitos
naturais dos negócios jurídicos em razão de que o mesmo contém uma invalidade,
impondo a não geração de efeitos como sanção.

Trata-se de uma ineficácia estrutural, na medida em que a não realização dos efeitos
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decorre de vício constante da estrutura do negócio jurídico. Caso o negócio jurídico for
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praticado por menor absolutamente incapaz, a ordem jurídica o considera nulo,
retirando-lhe os efeitos como sanção, a fim de proteger o menor. Patente que a não
realização de efeitos decorre do vício intrínseco que o negócio possui, o que é analisado
no plano da validade. Não chega sequer a entrar no campo da eficácia, na medida em
que não ultrapassou o plano anterior.

É equivocado, por conseguinte, falar no plano da eficácia e conseqüentemente, ineficácia


do negócio jurídico, quando a não produção dos efeitos desejados do negócio tem como
causa a invalidade, que é objeto de análise no plano anterior. Pensar de forma diversa
significa também falar em ineficácia do negócio jurídico inexistente, o que, no mínimo,
soa estranho, bem como significa confundir a invalidade e a eficácia.

É correto afirmar que ocorre a ineficácia propriamente dita (ou em sentido estrito)
quando o negócio jurídico existe e é válido. Somente então se observará a divisão
elaborada pela pandectista alemã e se evitará equívocos como os não raros cometidos
por parte da doutrina que costuma chamar de ineficaz todo e qualquer fenômeno jurídico
que por razões diversas não produziu os efeitos desejados. Cria-se, com isso,
equivocadamente, o gênero ineficácia, do qual são espécies os negócios inexistentes, os
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negócios inválidos e os negócios propriamente ineficazes.

Outrossim, a eficácia dos negócios jurídicos inválidos é uma exceção admitida pelo
ordenamento jurídico e, como tal deve ser tratada, vindo somente a confirmar a regra
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da divisão dos planos acima defendida.

O inverso também é verdadeiro. O negócio jurídico existente e válido pode não ser
eficaz. Na ineficácia propriamente dita a análise do jurista se volta aos negócios jurídicos
que, obviamente, existem e são válidos, porém por fatores externos à sua estrutura, não
produzem todos ou parte dos efeitos objetivamente queridos pelos agentes. Pode, assim,
a ineficácia ser uma ocorrência normal ao negócio jurídico e, por que não dizer, desejada
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pelos próprios agentes, como na hipótese de estar submetido à condição suspensiva.

Antonio Junqueira do Azevedo afirma que "muitos negócios, para a produção de seus
efeitos, necessitam dos fatores de eficácia, entendida a palavra fatores como algo
extrínseco ao negócio, algo que dele não participa, que não o integra, mas contribui para
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a obtenção do resultado visado." "Fatores de eficácia, portanto, são dados que
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condicionam a produção do efeito do negócio jurídico sem integrarem a sua


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composição."

Há que se asseverar que a previsão do fator de eficácia no negócio jurídico,


normalmente, é elemento acidental do mesmo, conforme já citado, sendo, portanto,
interno. Externo, sim, é o acontecimento que deve ser realizado a fim de que o negócio
produza os efeitos objetivamente desejados pelas partes. Assim, a cláusula contratual
que impõe uma condição suspensiva é elemento acidental, portanto interno, do negócio.
O fator de eficácia em si é o acontecimento previsto contratualmente pelas partes que,
sendo externo ao negócio, somente após ocorrer permitirá que os efeitos sejam
produzidos. No caso, a efetiva realização da condição suspensiva prevista na disposição
contratual.

Os fatores de eficácia são inúmeros, variando de acordo com cada negócio jurídico em
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particular. Não obstante a impossibilidade de enumerá-los, é possível a sua
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classificação. Antonio Junqueira do Azevedo classifica-os da seguinte forma:

a) fatores de atribuição de eficácia em geral, ou seja, aqueles sem os quais o ato


nenhum efeito querido produz, como no caso de estar sujeito à condição suspensiva ou
no caso do testamento, antes da morte do testador;

b) fatores de atribuição de eficácia diretamente visada, que significam aqueles


indispensáveis para que o negócio jurídico venha a produzir os efeitos para os quais foi
objetivamente criado, mesmo que já esteja produzindo alguns efeitos para as partes;

c) fatores de atribuição de eficácia mais extensa, que são aqueles necessários para que
o negócio eficaz entre as partes tenha eficácia em relação a terceiros específicos ou
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mesmo erga omnes.

De acordo com estes fatores, podemos classificar a ineficácia em:


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a) absoluta ou relativa: Ter-se-á ineficácia absoluta quando o negócio jurídico não
produz os efeitos objetivamente queridos, nem mesmo entre as partes, como na
hipótese de condição suspensiva. Já, haverá ineficácia relativa quando o negócio não
produzir efeitos em relação a terceiros, como na hipótese da não notificação do cedido
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na cessão de crédito ou a venda a non domino, fraude à execução.

b) ineficácia total e ineficácia parcial. Haverá ineficácia total quando nenhum dos efeitos
queridos pelas partes efetivamente se realizar. Parcial, quando somente parte destes
efeitos vier a ocorrer.

c) ineficácia inicial e ineficácia superveniente. Ineficácia inicial se dá quando o negócio


jurídico não gera efeitos desde o seu nascimento. Ineficácia superveniente quando gera
efeitos jurídicos, sendo que os mesmo cessam em decorrência de um fator externo ao
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negócio jurídico.

José Carlos Barbosa Moreira classifica a ineficácia em temporal, quando o negócio


jurídico está sujeito a um fator de eficácia que lhe impede a realização dos efeitos
durante determinado tempo, e ineficácia subjetiva, onde o negócio jurídico não gera
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efeitos em face de determinadas pessoas.

Assim, patente que o negócio ineficaz é um negócio válido, mas que lhe falta um fator
de eficácia, razão pela qual não produz efeitos desde logo.

4. Princípio da conservação do negócio jurídico

Como afirmado, o negócio jurídico desempenha importante papel na sociedade, já que


"posto a serviço da autonomia privada para a ordenação de conflitos de interesses de
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pessoas particulares." Logicamente, para desempenhar tal papel, necessário se faz que
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tal negócio cumpra com alguns requisitos impostos pela ordem jurídica. A inobservância
de tais requisitos importará na invalidade do negócio, o que significa dizer, a
impossibilidade de produzir efeitos de acordo com a ordem jurídica. Entretanto, se tal
negócio tiver dois sentidos, um inválido e outro válido, ou então, dele puder-se, não
obstante a invalidade existente, extrair efeitos de acordo com o ordenamento jurídico,
não seria apropriado, diante de tais possibilidades, entender-se pela invalidade.

Essa tentativa de salvar o ato que de alguma forma encontra-se inquinado de vício é o
que se chama princípio da conservação ou favor negotti. "Por ele, tanto o legislador,
quanto o intérprete, o primeiro, na criação de normas jurídicas sobre os diversos
negócios, e o segundo, na aplicação destas diversas normas, devem procurar conservar,
em qualquer dos três planos - existência, validade e eficácia -, o máximo possível do
negócio jurídico realizado pelo agente." De forma que "consiste em procurar salvar tudo
que é possível num negócio jurídico concreto, tanto no plano da existência, quanto da
validade, quanto da eficácia. Seu fundamento prende-se à própria razão de ser do
negócio jurídico; sendo este uma espécie de fato jurídico, de tipo peculiar, isto é, uma
declaração de vontade (manifestação de vontade a que o ordenamento jurídico imputa
efeitos manifestados como queridos) é evidente que, para o sistema jurídico, a
autonomia da vontade produzindo auto-regramentos de vontade, isto é, a declaração
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produzindo efeitos, representa algo de juridicamente útil."

De fato, mesmo que o ordenamento não permita a produção dos efeitos próprios do ato
praticado, ou em toda a sua extensão, deve-se averiguar quanto a possibilidade de que
o mesmo venha a gerar algum efeito socialmente útil de acordo com a ordem jurídica.
Afinal, "entre duas interpretações possíveis da declaração de vontade, uma que prive de
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validade e outra que lhe assegure validade, há de ser adotada a última."

A idéia subjacente a tal princípio é que a ordem jurídica somente deve impor a
destruição de atos jurídicos afetados de qualquer vício quando o vício não for
remediável. Se possível, o negócio deve ser tratado de forma que mantenha a produção
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de efeitos jurídicos ainda que pouco diverso dos objetivamente queridos.

Derivados do princípio da conservação são as figuras da redução do negócio jurídico, da


confirmação, da sanação e da conversão, dentre outros.

Diante deste quadro, o intérprete deverá sempre envidar seus melhores esforços a fim
de que o negócio jurídico produza algum efeito prático, não obstante a invalidade que
sobre ele pesa, na medida em que o negócio jurídico concreto foi criado com uma
finalidade e esta deve, tanto quanto possível, ser atingida.

5. Conversão substancial do negócio jurídico

Deparando-se o intérprete com um negócio jurídico nulo da forma com que foi
convencionado, mas que poderia gerar efeitos sucedâneos aos queridos pelas partes ou
aproximados da finalidade prática perseguida, deve valer-se da conversão do negócio
jurídico.

A conversão apresenta-se como "o aproveitamento do suporte fático, que não bastou a
um negócio jurídico, razão de sua nulidade, ou anulabilidade, para outro negócio
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jurídico, para o qual é suficiente."
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Teresa Luso Soares define a conversão como "o meio jurídico em virtude do qual,
verificados certos requisitos, se transforma noutro um negócio jurídico inválido, para
salvaguardar, na medida do possível, o resultado prático que as partes visavam alcançar
com aquele."

Segundo Emilio Betti, a conversão consiste numa correção da qualificação jurídica do


negócio, valorando-o como tipo diverso daquele que na verdade foi celebrado. É que
"um negócio, embora inválido, pode, não obstante, conservar alguns dos efeitos
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correspondentes ao tipo legal de que ele faz parte."

Marcos Bernardes de Mello acentua que "a conversão do ato jurídico constitui uma das
aplicações do princípio da conservação que consiste no expediente técnico de
aproveitar-se como outro ato jurídico válido aquele inválido, nulo ou anulável, para o fim
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a que foi realizado."

O Código Civil Alemão (BGB) de 1900 foi o primeiro diploma legislativo moderno a
consagrar a conversão do negócio jurídico, assim dispondo:

"§ 140. Correspondendo um negócio jurídico nulo aos requisitos de um outro negócio
jurídico, vale o último, se for de presumir-se que sua validade, à vista do conhecimento
da nulidade, teria sido querida."

O Código Civil Italiano de 1942, de forma similar ao disposto no BGB, assim positiva o
instituto:

"Art. 1.424. (Conversão do contrato nulo). O contrato nulo pode produzir os efeitos de
um contrato diverso, do qual contenha os requisitos de substância e de forma, quando,
tendo em vista o propósito perseguido pelas partes, deva considerar-se que elas o
teriam querido, se tivessem conhecido a nulidade."

Por sua vez, o Código Civil Português de 1967 estabelece:

"Art. 293.° O negócio nulo ou anulado pode converter-se num negócio de tipo ou
conteúdo diferente, do qual contenha os requisitos essenciais de substância e de forma,
quando o fim perseguido pelas partes permita supor que elas o teriam querido, se
tivessem previsto a invalidade."

Anteriormente ao Código Civil não havia sido positivado expressamente tal instituto
jurídico no ordenamento jurídico pátrio. Mesmo ausente a disciplina legal, a doutrina
considerava aplicável o instituto jurídico da conversão, vez que derivado do princípio da
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conservação e decorrente da ciência e de atividade sadia. Essa omissão foi sanada, vez
que o Código Civil assim positivou a matéria:

"Art. 170. Se, porém, o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro, subsistirá
este quando o fim a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido, se
houvessem previsto a nulidade."

De fato, tem-se a inequívoca possibilidade de admitir a substituição de um negócio


jurídico inválido por outro válido, a fim de que a declaração de vontade venha a produzir
efeitos. Parte-se de uma declaração de vontade inválida e, perquirindo-se quanto à
finalidade que as partes buscaram quando da realização do negócio jurídico, chega-se a
um novo negócio, com novos efeitos.

Questão tormentosa prende-se à natureza jurídica da conversão. Para Antonio Junqueira


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da Azevedo, João Alberto Schutezer Del Nero, Humberto Theodoro Junior, dentre
outros, a conversão é uma modalidade de qualificação jurídica, onde o intérprete dá ao
negócio jurídico qualificação diversa daquela que as partes celebrantes haviam adotado.
Assim, numa primeira qualificação realizada pelas partes, o negócio é nulo; já, em um
segundo momento, atribui-se nova qualificação, qualificação essa que torna o negócio
provido de efeitos válidos.
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Luiz A. Carvalho Fernandes, em minuciosa exposição do tema, diverge acertadamente
de tal posição, adotando a concepção de que a conversão consiste numa "re-valoração"
do comportamento negocial, na medida em que se atribui ao negócio jurídico celebrado,
através do instituto da conversão, uma eficácia sucedânea àquela que as partes tinham
em vista. "A re-valoração que está na origem da conversão opera em função de duas
'coordenadas': por um lado, os elementos juridicamente relevantes do negócio celebrado
pelas partes; por outro, o fim prático por elas visado. A primeira define os efeitos
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possíveis; a segundo os efeitos admissíveis; no ponto de encontro de ambos estão os


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efeitos sucedâneos."

De fato, a questão da interpretação e qualificação é apenas prévia, uma parte da efetiva


atividade do intérprete frente a conversão. Após a qualificação, deve o intérprete
re-valorar o negócio jurídico, convertendo em outro substancialmente diverso do
primeiro.

6. Pressupostos para a conversão do negócio jurídico

Os autores são quase unânimes em afirmar que os pressupostos para a verificação da


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conversão do negócio jurídico são de duas naturezas: objetiva e subjetiva.

6.1 Pressupostos objetivos

Primeiramente, faz-se necessário a existência de um negócio jurídico inválido. Ou seja, o


negócio será convertido justamente em razão de ser inválido. Este parece ser o
pressuposto menos complexo. Contudo, alguma celeuma surge em relação aos negócios
anuláveis, inexistentes e ineficazes.

Quanto ao negócio jurídico nulo propriamente dito, não há qualquer dúvida quanto a
possibilidade de sua conversão. Pode-se até mesmo dizer que o habitat natural da
conversão é o ato nulo, como dá conta a simples leitura do art. 170 do CC/2002.

Em relação aos chamados negócios inexistentes, Antonio Junqueira de Azevedo entende


ser possível a conversão quando o negócio primitivo contenha os seus elementos gerais,
ou seja, os comuns a todos os negócios jurídicos, mas esteja ausente um dos elementos
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categoriais inderrogáveis ou assim se considere para evitar dar como inválido o
contrato. Entretanto, não há que se falar em conversão em casos como tais, mas sim em
mera qualificação correta do negócio jurídico. Ora, se em um negócio qualificado pelas
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partes como compra e venda faltar o elemento categorial inderrogável preço
certamente ocorreu uma qualificação equivocada, vez que na verdade poder-se-ia tratar
de uma doação. O entendimento do citado autor somente se justifica em razão de que
considera o instituto da conversão como um fenômeno de qualificação, o que já foi
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rechaçado supra.

Controvérsia surge ainda em relação aos negócios meramente anuláveis. O Código Civil
Português é expresso em admitir a conversão em relação aos negócios anulados. O
Código Civil brasileiro somente fala em negócios nulos provavelmente em razão de que
os negócios meramente anuláveis podem ser confirmados. Contudo, pode haver algumas
hipóteses de negócio anulável em que não seja possível a confirmação ou esta não traga
60
o resultado prático desejado, de forma que a conversão seria útil. De fato, se se
admite a conversão para o caso do vício mais grave que acarreta a nulidade não há
argumento a afastar a conversão em se tratando de vício menos grave, como é o caso
dos negócios anuláveis.

Por último, quadra averiguar sobre a possibilidade de conversão dos negócios ineficazes
em sentido estrito. A doutrina é bastante dividida quanto a este ponto. Luiz A. Carvalho
Fernandes a admite em razão de não encontrar argumentos ponderáveis para afastá-la.
61 62 63
Por sua vez, Pontes de Miranda, seguido por Marcos Bernardes de Mello,
inadmitem a possibilidade da conversão do negócio ineficaz. A razão parece estar com
estes últimos, vez que a ineficácia em sentido estrito, como já ressaltado, decorre de
fatores externos ao negócio. Não há nos negócios jurídicos ineficazes em sentido estrito
qualquer vício ou defeito na sua estrutura. Está é perfeita e legal. Contudo, o negócio
não produz efeitos práticos correspondentes em razão de que não realizado o
acontecimento externo colocado como fator de eficácia. Assim, ausente o primeiro
pressuposto da conversão do negócio que é justamente a existência de negócio jurídico
Página 9
CONVERSÃO SUBSTANCIAL DO NEGÓCIO JURÍDICO

com deficiência em seu suporte fático.

O segundo pressuposto objetivo para a realização da conversão refere-se à suficiência


64
do suporte fático do negócio inválido para um novo negócio válido. De fato, faz-se
necessário que o negócio jurídico nulo contenha os elementos do negócio jurídico que irá
substituí-lo. O novo negócio, decorrente da aplicação da conversão, deve encontrar, nas
ruínas do negócio inválido, os elementos previstos em lei para a sua total validade. Em
se tratando de uma venda e compra de imóvel cujo valor exceda a trinta vezes o maior
salário mínimo vigente, faz-se indispensável para a validade de tal contrato que ele seja
65
formalizado por meio de escritura pública. Caso as partes o tenham realizado por
instrumento particular, o mesmo será nulo. Contudo, valerá como contrato preliminar,
66
ou seja, promessa de compra e venda.

Por último, faz-se necessário para a conversão que o negócio vertido mantenha o
67
mesmo objeto material, a mesma prestação mediata, do negócio jurídico convertido.
Não se pode admitir que o negócio inválido que verse sobre o bem "A" venha a ser
convertido no negócio válido sobre o bem "B", que sequer havia sido aventado pelas
partes, ou ainda, que um negócio jurídico oneroso seja convertido em um negócio
jurídico gratuito.

6.2 Pressupostos subjetivos

Para que a conversão se opere, necessário se faz que, para o negócio sucedâneo, haja
vontade hipotética ou conjectural das partes. Não se trata aqui de vontade real, mas de
uma vontade construída que leva em conta a finalidade prática almejada pelas partes
quando da realização do negócio. A conversão só se realiza quando seja de admitir que
as partes teriam querido o negócio sucedâneo caso tivessem se apercebido da
deficiência do negócio principal e não o pudessem tê-lo realizado com observância do
requisito infringido. Esta vontade hipotética será a alma do negócio sucedâneo, mas
construída com base no contrato principal, tendo em vista a sua natureza típica e suas
particularidades concretas.

Conforme expressa o art. 170 do CC/2002 dever-se-á buscar no negócio sucedâneo a


finalidade prática que se poderia supor que os agentes teriam querido caso tivessem
previsto a nulidade. Aí se encontra o requisito da vontade hipotética, que não é uma
vontade presumida ou real, mas sim construída tendo em conta os efeitos práticos
almejados pelas partes quando da realização do negócio. A funcionalidade ou vontade
funcional é a pedra de toque da resolução da questão. Quando as partes celebram
determinado negócio jurídico têm em vista determinados efeitos práticos protegidos pelo
68
direito. Tais efeitos práticos, geralmente de ordem econômica, são os motivadores da
realização do negócio jurídico. Assim, no negócio vertido, o efeito prático deve ser o
mais próximo possível daqueles que seriam desencadeados caso o negócio convertido
válido fosse.

A questão que se coloca é a da interpretação do contrato inválido para chegar ao


negócio aproximado que presumivelmente teria sido querido. A doutrina divide-se em
várias correntes, podendo juntá-las em apenas duas: subjetivistas, ligada à concepção
voluntarista do negócio jurídico, segundo a qual, dever-se-á atentar para a efetiva
intenção das partes; objetivistas, onde se deverá atentar à vontade declarada.

Sem nos aprofundar nestas teorias, na medida em que foge aos objetivos deste
trabalho, é certo que o Código Civil adotou a concepção objetivista para a interpretação
dos contratos, onde não interessa a vontade interna, psicológica das partes, mas
69
somente a vontade declarada, de forma que, trazendo tais lições para a questão aqui
proposta, tem-se que a vontade hipotética deve ser obtida mediante a interpretação da
declaração de vontade, desconsiderando-se a vontade interna do agente.

Parte da doutrina considera ainda como pressuposto subjetivo da conversão do negócio


Página 10
CONVERSÃO SUBSTANCIAL DO NEGÓCIO JURÍDICO

70
jurídico a ignorância da invalidade do negócio jurídico a ser convertido. Argumenta-se
no sentido de que se era sabido que o negócio era nulo, ele foi querido e, portanto, não
cabível a conversão. Contrário a tal entendimento é a posição de Carvalho Fernandes,
sustentando ser relevante somente "o que as partes teriam querido se não estivesse
71
mais em suas mãos o controlo do valor do negócio." Acertado tal entendimento, na
medida que a conversão deve pautar-se pela função do negócio jurídico em si,
independente de terem as partes efetiva ciência de sua invalidade.

Por último, cabe discorrer, ainda que brevemente, sobre a relevância da vontade
contrária à conversão. Entende-se que a vontade das partes teria um papel negativo na
conversão, ou seja, concluindo-se que as partes não querem o negócio vertido, o novo
72
negócio, inadmissível seria a conversão. Carvalho Fernandes não concorda com tal
entendimento, afirmando que a vontade de uma das partes não poderia impedir a outra
de buscar a conversão. Quando a vontade de ambas as partes for contrária à conversão,
porém, haverá relevância no plano funcional da conversão, na medida que nenhuma
delas buscará a conversão ou mesmo poderão tabular novo negócio jurídico com o fim
de destruir o negócio convertível. Contudo, na sua visão, não haveria qualquer
73
impedimento no plano estrutural da conversão, vez que não se tem em conta a
vontade real das partes, mas sim a vontade hipotética.

7. Conversão substancial, conversão legal e conversão formal

A conversão que vem sendo tratada até o presente momento é a chamada conversão
substancial, comum ou propriamente dita, que se baseia na vontade hipotética das
partes, construída tendo em conta a finalidade prática perseguida pelos contratantes.
Assim, como já afirmado, o negócio vertido deverá conter os mesmos - ou mais
próximos possíveis - efeitos práticos do negócio convertido, o que somente poderá ser
analisado de acordo com cada caso concreto.

Figura próxima, mas inconfundível, é a chamada conversão legal, onde a lei


expressamente separa determinado negócio em dadas circunstâncias e determina,
também, de forma expressa, em que em outro negócio será ele convertido. A conversão
legal decorre de norma cogente, desencadeando efeitos que não podem ser atribuídos à
vontade, ainda que hipotética, dos agentes envolvidos. Também possui o seu campo de
aplicação no negócio nulo. Porém, a limitação da autonomia privada é anterior à
74
conversão. "Assim, na conversão comum, o negócio é tomado na sua especificidade e,
por isso, a eficácia sucedânea que lhe vem a ser imputada é definida em função do fim
que com a sua celebração as partes tinham em vista. Pelo contrário, na conversão legal,
a eficácia sucedânea é estabelecida por norma de forma apriorística e abstrata, para
uma certa categoria negocial. Daí que não se possa levar em conta mais do que o fim
75
que normalmente determina os autores de um tal negócio celebrá-lo."

Cita-se como exemplo de conversão legal a aceitação feita fora do prazo ou com
76
ressalvas, onde a lei a considera como sendo nova proposta.
77 78
Pontes de Miranda, seguido por Marcos Bernardes de Mello, entende inexistir
conversão legal. O que ocorreria, na verdade, seria a substituição de um negócio por
outro determinado pela lei. Razão não assiste aos mesmos, na medida em que, na
verdade, ocorre efetiva conversão de um negócio em outro por força da determinação
legal cogente que, verificando a deficiência no suporte fático de dado negócio lhe atribui
efeitos próprios de outro.

A conversão legal aproxima-se da redução legal, vez que em ambas desconsidera-se a


vontade conjectural das partes. Também, a redução importa numa manifestação do
princípio do favor negotii. Porém, na redução elimina-se a cláusula inquinada de vício e o
negócio subsiste com tudo o mais querido pelas partes, enquanto na conversão há
79
verdadeira transformação, sendo a vontade das partes substituída pela vontade da lei.
Página 11
CONVERSÃO SUBSTANCIAL DO NEGÓCIO JURÍDICO

Fala-se também em conversão formal, como sendo aquela que se dá em relação a


documentos. Assim, por exemplo, quando uma escritura pública é nula por defeito de
forma, se presentes os requisitos do documento particular, assim deverá ser
considerada. A importância prática da conversão formal é pouco significativa, sendo
aplicável somente quando ocorrer superabundância, ou seja, quando a forma utilizada é
mais solene que a exigida por lei. Na hipótese de venda de um automóvel através de
escritura pública, sendo esta nula, porém possuindo os requisitos do escrito particular,
valerá este, na medida em que tal venda e compra é admitida através de escrito
particular. Então, somente terá verdadeiro interesse quando as partes adotarem
formalidades superiores as legalmente exigidas. "A conversão formal respeita a
documentos e verifica-se quando faltam ou se mostram viciadas formalidades que lhe
são próprias e essenciais como documento de certo tipo. Em tais casos pode acontecer
que o título em que ocorrem os vícios possa, todavia, valer como documento do tipo
menos solene."

8. Institutos afins da conversão substancial

Vários são os institutos próximos, porém distintos, da conversão comum do negócio


jurídico. Dado o limite deste trabalho, somente serão tratados os reputados mais
relevantes.
80
a) Conversão comum e errada qualificação. Há errada qualificação quando as partes ao
celebrar determinado negócio jurídico, dão-lhe nome jurídico que não corresponde
àquele realmente celebrado. Ora, não há dúvida que o negócio jurídico deve ser
qualificado em função de seu conteúdo e não em razão do nome que lhe é atribuído.
Assim, sempre que há erro de qualificação, o negócio produz os efeitos adequados ao
seu verdadeiro tipo e não ao equivocadamente mencionado.

Com isso já fica afastado o primeiro requisito da conversão substancial, que é


justamente a existência de nulidade, na medida em que não há que se falar em
invalidade no negócio erroneamente qualificado. Ademais, o negócio equivocadamente
qualificado produzirá exatamente os efeitos pretendidos pelas partes, por suas vontades
efetivas, e não efeitos semelhantes, baseados em uma vontade hipotética.
81
b) Conversão comum e transformação voluntária. Dá-se a transformação voluntária
em virtude de uma faculdade definida no próprio ato. Atribui-se a uma das partes a
possibilidade de, de acordo com o seu interesse, transformar o negócio jurídico
celebrado em outro. Manifestamente, não há como confundir com a conversão do
negócio jurídico, na medida que não há como cogitar de invalidade, bem como tal
faculdade, por óbvio, decorre da vontade efetiva das partes, enquanto já restou
assentado que a conversão do negócio decorre da vontade hipotética, construída de
acordo com a finalidade prática do negócio jurídico.
82
c) Conversão comum e confirmação do negócio. Entende-se por confirmação o direito
potestativo atribuído à parte de confirmar o negócio jurídico anulável que tabulou.
Assim, a confirmação pressupõe vontade real e não hipotética. Na confirmação,
afasta-se a possibilidade de invocar o vício que inquinava o negócio jurídico, passando,
ao mais, tudo como foi efetivamente entabulado.
83
d) Conversão comum e convalidação do negócio jurídico. Por convalidação entende-se
a superveniência dos requisitos cuja ausência no momento da celebração determinavam
a invalidade. Dá-se a convalidação, por exemplo, nos casos de legitimação
superveniente ao negócio jurídico. Ocorre a validação do negócio anulável, o que não
ocorre na conversão, que pressupõe a permanência da invalidade.

e) Conversão comum e novação. A novação importa na constituição de nova obrigação


para extinguir e substituir a primitiva. Exige que a primeira obrigação seja válida, bem
84
como exista inequívoca intenção das partes em novar. Assim, baseia-se no nascimento
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CONVERSÃO SUBSTANCIAL DO NEGÓCIO JURÍDICO

de novo negócio, com vontade real das partes.

f) Conversão comum e renovação do negócio jurídico. "Fala-se, então, em renovação ou


reprodução do negócio jurídico, pois as partes renovam uma declaração de vontade já
emitida, mantendo a relação precedente inalterada. Pode ter como causa negócio
85
anterior válido ou inválido. Logicamente, baseia-se na vontade real das partes."

g) Conversão comum e redução do negócio jurídico. Ocorre a redução quando somente


uma ou algumas cláusulas contratuais são nulas e o negócio é divisível. Assim, com
vistas ao princípio do favor negotii (conservação) preserva-se o negócio, exceto as
cláusulas que são consideradas nulas. O negócio subsiste, porém reduzido. Na redução
dever-se-á atentar para duas circunstâncias especiais: a divisibilidade do negócio, na
medida em que não sendo possível a separação da parte válida da inválida, o contrato
será nulo por inteiro; a função do negócio, baseado na vontade hipotética das partes, tal
qual na conversão.

A redução poderá ser qualitativa ou quantitativa, ou seja, poderá ser reduzido o valor da
86
cláusula penal, por exemplo, ou a condição fisicamente impossível, que será tida por
87
inexistente.

Tais figuras diferem-se pelos mesmos motivos que já expostos quando diferenciamos a
conversão legal da redução legal, ou seja, na conversão surge um novo negócio,
88
enquanto na redução o negócio continua o mesmo, porém reduzido.

9. Conclusão

De acordo com o contido nas linhas acima pode-se concluir que:

1) O negócio jurídico, ferramenta da autonomia privada, independente das diversas


teorias que o definem, tem como finalidade precípua a produção de efeitos jurídicos,
especialmente aqueles que são objetivamente queridos pelas partes.

2) A análise do negócio jurídico deve ser feita em três planos: o da existência, no qual se
verifica se o negócio jurídico efetivamente existe, ou seja, se estão presentes os
elementos necessários para o seu surgimento, eis que, caso contrário, estar-se-á diante
de um não ato, ou seja, de negócio aparente; o da validade, onde se analisa se os
elementos do suporte fático do negócio jurídico estão de acordo com a ordem jurídica,
ou seja, se aferem os requisitos de validade, que nada mais são do que qualidades
impostas pela ordem jurídica aos elementos de existência; finalmente, no plano da
eficácia em que se tem em mira a efetiva produção dos efeitos jurídicos objetivamente
queridos pelos agentes.

3) A ineficácia não significa a total ausência de efeitos jurídicos decorrente do negócio,


mas somente daqueles que lhe são próprios, objetivamente queridos pelos agentes.
Todo e qualquer negócio jurídico contém um mínimo de eficácia, dita estática, que é a de
criar situações, posições ou relações jurídicas.

4) A ineficácia em sentido amplo corresponde à não produção de efeitos jurídicos em


razão de que o negócio encontra-se maculado, ou seja, a sua estrutura contém algum
vício, servindo a cassação dos efeitos como sanção. A invalidade do negócio jurídico
decorre sempre de defeitos intrínsecos que possui.

5) A ineficácia em sentido estrito ou propriamente dita importa na não realização dos


efeitos objetivamente queridos pelas partes em razão de algo extrínseco ao próprio
negócio jurídico. Pressupõe negócio jurídico existente e válido. De fato, o negócio
jurídico pode existir, ser válido e, entretanto, ser ineficaz em razão de que não
satisfeitos os fatores de eficácia, como a condição suspensiva ou o termo a quo. O
negócio jurídico será ineficaz quando subordinado a um fator de eficácia, considerado
este como um acontecimento externo ao negócio jurídico. A ausência de efeitos não é
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CONVERSÃO SUBSTANCIAL DO NEGÓCIO JURÍDICO

uma sanção atribuída pela ordem jurídica, mas decorre de fatores externos ao negócio,
podendo ser até mesmo querida pelas partes.

6) O princípio da conservação do negócio jurídico, também conhecido como favor negotii


, tem como conteúdo a tarefa atribuída ao intérprete de somente entender pela
invalidade quando não for possível atribuir algum efeito válido ao negócio jurídico.

7) A conversão do negócio jurídico é decorrência do favor negotii, na medida em que,


diante de um negócio inválido busca-se transformá-lo em outro a fim de que possam
surgir efeitos práticos mais próximos quanto possível daqueles almejados pelas partes
quando da celebração do negócio jurídico.

8) A conversão tem natureza jurídica de re-valoração do negócio, sendo que a


qualificação é parte integrante da mesma.

9) A conversão tem lugar diante da nulidade ou anulabilidade do negócio jurídico, sendo


que os argumentos contrários à conversão do negócio meramente anulável não
convencem.

10) A doutrina, de forma majoritária, inadmite a conversão do negócio jurídico


inexistente. Se ausentes elementos categoriais inderrogáveis pela vontade das partes,
haverá qualificação incorreta, figura distinta da conversão.

11) Em relação aos negócios ineficazes em sentido estrito não é admitida a conversão
propriamente dita, na medida em que esta pressupõe a existência de vício estrutural do
negócio e a ineficácia em sentido estrito não guarda qualquer relação com a estrutura do
negócio.

12) A conversão será realizada sobre os escombros do negócio jurídico inválido. O


suporte fático do negócio convertido deve ser suficiente para o negócio jurídico vertido.

13) A conversão somente poderá verificar-se quando o negócio vertido tenha o mesmo
objeto mediato ou material do negócio jurídico convertido.

14) A conversão não se baseia na vontade real ou presumida das partes, mas sim em
uma vontade hipotética, conjectural, construída pelo juiz com base no objetivo prático
do negócio jurídico.

15) A ignorância pelas partes do vício que afeta o negócio jurídico não pode ser
considerada como pressuposto para a conversão.

16) A vontade contrária à conversão, sendo de uma das partes não a impede. Sendo de
ambas, porém, não haverá funcionalidade do instituto, à medida que não se buscará a
conversão ou será realizado novo negócio jurídico com o intuito de destruir o anterior.

17) A conversão que se baseia na vontade hipotética e chamada de conversão comum


ou propriamente dita. Difere da conversão legal, na medida em que esta não se baseia
na vontade das partes, ainda que conjectural, mas sim na expressa disposição legal.
Também difere da conversão formal, na medida que essa versa exclusivamente sobre
documentos, somente tendo utilidade prática nos casos de superabundância.

18) A conversão difere da transformação voluntária, da confirmação, da convalidação, da


novação e da renovação especialmente pelo fato de que tais figuras são fundamentadas
na vontade real das partes, enquanto a conversão tem como fundamento a vontade
hipotética. Difere da redução, na medida em que nesta o negócio conserva-se o mesmo,
com a exclusão da(s) cláusula(s) tida(s) como nula(s), enquanto na conversão há
transformação do negócio inválido em outro válido.

10. Referências bibliográficas

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CONVERSÃO SUBSTANCIAL DO NEGÓCIO JURÍDICO

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1 Lei 10.406, de 10.01.2002. As disposições do Código Civil de 1916 citadas no texto


estão devidamente identificadas.

2 MIRANDA, Pontes de. Tratado de direito privado. Campinas: Bookseller, 2000, t. V, p.


3.

3 AZEVEDO, Antônio Junqueira de. Negócio jurídico: existência, validade e eficácia . São
Paulo: Saraiva, 2002, p. 04.

4 ANDRADE. Manuel Antônio Domingues de. Teoria geral da relação jurídica: fato
jurídico, em especial negócio jurídico. Coimbra: Almedina, 1992, v. 2, p. 25.

5 AZEVEDO, Antônio Junqueira de. Negócio jurídico: existência, validade e eficácia . São
Paulo: Saraiva, 2002, p. 10.

6 AZEVEDO, Antônio Junqueira de. Negócio jurídico: existência, validade e eficácia . São
Paulo: Saraiva, 2002, p. 16.

7 "A autonomia privada é o poder da pessoa de regular seus interesses, estabelecendo


as normas de seu próprio comportamento. Seu instrumento é o negócio jurídico,
declaração de vontade destinada a produzir efeitos que os declarantes pretendem e o
direito protege. O negócio jurídico é, assim, modo de expressão das regras jurídicas
criadas pela vontade dos particulares." (AMARAL. Francisco. Direito civil: introdução. 4.
ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2002, p. 77/78) .

8 ANDRADE, Manuel Antônio Domingues de. Teoria geral da relação jurídica: fato
jurídico, em especial negócio jurídico. Coimbra: Almedina, 1992, p. 427-437. Também
MOTA PINTO, Carlos Alberto da. Teoria Geral do Direito Civil. 3. ed. Coimbra: Coimbra
Editora, 1992, pp. 624-635, DEL NERO, João Alberto Schützer Conversão substancial do
negócio jurídico. São Paulo: Renovar, 2001).

9 AZEVEDO, Antônio Junqueira de. Negócio jurídico: existência, validade e eficácia . São
Paulo: Saraiva, 2002, p. 24.

10 BETTI, Emilio. Teoria geral do negócio jurídico. Coimbra: Coimbra Editora, 1970, v. 3,
p. 17-18.
Página 16
CONVERSÃO SUBSTANCIAL DO NEGÓCIO JURÍDICO

11 MELLO, Marcos Bernardes de. Teoria do fato jurídico: plano da existência. São Paulo:
Saraiva, 2001, p. 83.

12 AZEVEDO, Antônio Junqueira de. Negócio jurídico: existência, validade e eficácia .


São Paulo: Saraiva, 2002, p. 39-40.

13 ABREU FILHO, José de. O negócio jurídico e sua teoria geral. São Paulo: Saraiva,
1997, p. 339.

14 ABREU FILHO, José de. O negócio jurídico e sua teoria geral. São Paulo: Saraiva,
1997, p. 339.

15 ANDRADE, Manuel Antônio Domingues de. Teoria geral da relação jurídica: fato
jurídico, em especial negócio jurídico. Coimbra: Almedina, 1992, p. 414.

16 AZEVEDO, Antônio Junqueira de. Negócio jurídico: existência, validade e eficácia .


São Paulo: Saraiva, 2002, p. 41.

17 MELLO, Marcos Bernardes de. Teoria do fato jurídico: plano da existência. São Paulo:
Saraiva, 2001, p. 84.

18 MELLO, Marcos Bernardes de. Teoria do fato jurídico: plano da existência. São Paulo:
Saraiva, 2001, p. 84.

19 MELLO, Marcos Bernardes de. Teoria do fato jurídico: plano da existência São Paulo:
Saraiva, 2001, p. 85.

20 AZEVEDO, Antônio Junqueira de. Negócio jurídico: existência, validade e eficácia .


São Paulo: Saraiva, 2002, p. 49.

21 ANDRADE, Manuel Antônio Domingues de. Teoria geral da relação jurídica: fato
jurídico, em especial negócio jurídico. Coimbra: Almedina, 1992, p. 411.

22 MELLO, Marcos Bernardes de. Teoria do fato jurídico: plano da existência. São Paulo:
Saraiva, 2001, p. 151-152.

23 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Lesão e fraude contra credores no projeto de novo


código civil brasileiro. Revista Jurídica 260, junho de 1999, p. 134.

24 Artigo 130 do CC. "Ao titular de direito eventual, nos casos de condição suspensiva
ou resolutiva, é permitido praticar os atos destinados a conservá-lo".

25 Havendo invalidade no negócio jurídico, a sanção imposta é a não concessão dos


efeitos objetivamente desejados. De fato, ao contrário do Direito penal que impõe uma
pena corporal ao infrator, o Direito civil retira a idoneidade do negócio para produzir
efeitos, que sem dúvida cumpre com a finalidade da ordem jurídica de manter-se
íntegra.

26 AZEVEDO, Antônio Junqueira de. Negócio jurídico: existência, validade e eficácia .


São Paulo: Saraiva, 2002, p. 55.

27 "A ineficácia é um conceito mais vasto: abrange todas as hipóteses em que, por
qualquer motivo, interno ou externo, o negócio jurídico não deva produzir os efeitos a
que se dirigia. A nulidade é apenas a ineficácia que procede da falta ou irregularidade de
qualquer dos elementos internos ou essenciais do negócio: falta de capacidade, falta ou
defeito de declaração de vontade, impossibilidade física ou legal do objeto (incluindo a
ilicitude). A nulidade procede, em suma, de um vício de formação do negócio jurídico.
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CONVERSÃO SUBSTANCIAL DO NEGÓCIO JURÍDICO

Isto posto, é fácil ver que se pode distinguir entre ineficácia lato sensu e ineficácia stricto
sensu, e quais os termos da distinção. Também não é difícil estabelecer o confronto
entre a nulidade e a ineficácia em sentido estrito: a nulidade pressupõe uma falta ou
irregularidade quanto aos elementos internos do negócio; a ineficácia em sentido estrito
pressupõe uma falta ou irregularidade de outra natureza." (ANDRADE, Manuel Antônio
Domingues de. Teoria geral da relação jurídica: fato jurídico, em especial negócio
jurídico. Coimbra: Almedina, 1992, p. 411).

28 "Ocorre a ineficácia estrutural quando o negócio se constitui de maneira defeituosa,


e, assim, sua inaptidão a gerar efeitos programados é inerente ao próprio negócio."
(THEODORO JÚNIOR, Humberto. Comentários ao novo código civil. Dos fatos jurídicos:
do negócio jurídico. t. I, v. 3. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 407).

29 Art. 166, I, do CC.

30 Cometendo tal impropriedade PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de direito


civil. 19. ed., São Paulo: Forense, v. 1, p. 402. O Código Civil de 1916 é pródigo em tais
equívocos, o que, sem dúvida, gerou a imprecisão da doutrina a este respeito. Como
exemplos podemos citar os arts. 1.067 e 1.069 do CC/1916, que tratavam como inválida
a cessão de crédito quando não notificada ao cedido (artigo 1.067) ou registrada no
registro de títulos para valer contra terceiros (artigo 1.069). Também o disposto no art.
256, parágrafo único, II, do CC/1916 que tratava como nulo pacto antenupcial se não
lhe seguir o casamento. O Código Civil de 2002, adotando a separação aqui defendida
corrige tais equívocos, conforme pode ser verificado pelo disposto nos arts. 288, 290 e
1.653 do CC/2002, respectivamente. Porém, quadra observar a impropriedade do art.
290 do CC/2002 ao não exigir o registro da cessão de crédito como fator de eficácia em
relação a terceiros, sendo que tal exigência é feita pelo art. 221 do CC/2002.

31 "Às vezes, pode ocorrer, por exceção, que um negócio nulo produza efeitos jurídicos
(são os chamados efeitos do nulo), embora nem sempre esses efeitos sejam os efeitos
próprios, ou típicos, como acima definidos. Exemplo conhecido é o do casamento
putativo, que tem 'eficácia civil', em relação ao cônjuge de boa-fé (ou aos dois se ambos
estavam de boa-fé) e em relação aos filhos. Trata-se de hipótese em que, aliás, os
efeitos são os manifestados como queridos; não é, porém, o único exemplo." (AZEVEDO,
Antônio Junqueira de. Negócio jurídico: existência, validade e eficácia . São Paulo:
Saraiva, 2002, p. 49-50. Outros exemplos da eficácia do negócio jurídico inválido podem
ser citados como a eficácia do negócio jurídico anulável enquanto não decretada a
anulabilidade judicialmente.

32 ASCENSÃO, José de Oliveira. Teoria geral do direito civil. Lisboa: 1992, v. 3, Acções e
Fatos Jurídicos, p. 424/425.

33 AZEVEDO, Antônio Junqueira de. Negócio jurídico: existência, validade e eficácia .


São Paulo: Saraiva, 2002, p. 55.

34 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Comentários ao novo código civil: Dos fatos


jurídicos: do negócio jurídico. t. I. Rio de Janeiro: Forense, 2003, v. 3, p. 408. Este
doutrinador assevera ainda que, em tal condição, a ineficácia seria funcional nos
seguintes termos: "Quando o negócio, sem vício de estrutura, perde a adequação para
atender a função que o negócio originariamente teve como fonte da relação idônea e,
por isso, se torna propenso a contrariar sua função econômica-social, ocorrem as causas
de ineficácia funcional. Rescisão, revocação e resolução, nessa ordem de idéias,
provocam a ineficácia funcional do negócio jurídico válido, enquanto a nulidade acarreta
a ineficácia do negócio jurídico afetado em sua validade por inidoneidade estrutural."
(op. cit., p. 408)

35 Os mais comuns, porém, são: a condição, que é a cláusula que condiciona a eficácia
do negócio jurídico a evento futuro e incerto; e o termo, que é a cláusula que sujeita a
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CONVERSÃO SUBSTANCIAL DO NEGÓCIO JURÍDICO

eficácia do negócio jurídico a evento futuro e certo.

36 AZEVEDO, Antônio Junqueira de. Negócio jurídico: existência, validade e eficácia .


São Paulo: Saraiva, 2002, p. 57.

37 Nesta espécie de fator inserem-se as medidas de publicidade em geral, como a


inscrição da hipoteca no registro de imóveis ou do compromisso de venda e compra e do
contrato de locação com cláusula de valer contra terceiros. Também, a notificação do
cedido no contrato de cessão de crédito. Nesse sentido, digna de elogios a disposição do
art. 290 do CC/2002 que dispõe que a cessão de crédito não tem eficácia em relação ao
devedor, senão quando a este notificada. Ocorreu significativo aprimoramento técnico,
vez que o art. 1.069 do CC/1916 tratava a ausência de notificação do cedido como sendo
caso de invalidade.

38 ANDRADE, Manuel Antônio Domingues de. Teoria geral da relação jurídica: fato
jurídico, em especial negócio jurídico. Coimbra: Almedina, 1992 , p. 412.

39 AZEVEDO, Antônio Junqueira de. Negócio jurídico: existência, validade e eficácia .


São Paulo: Saraiva, 2002, p. 60. De fato, a venda a non domino é eficaz entre
comprador e vendedor, somente não sendo em relação ao proprietário da coisa.

40 Como exemplo de ineficácia parcial superveniente tem-se as hipóteses de revisão


judicial dos contratos.

41 BARBOSA MOREIRA, José Carlos. Invalidade e ineficácia do negócio jurídico. Revista


Síntese de Direito Civil e Processual Civil, n. 23, maio-jun/2003, p. 126.

42 FERNANDES, Luiz A. Carvalho. A conversão dos negócios jurídicos civis. Lisboa: Quid
Juris, 1993, p. 31.

43 AZEVEDO, Antônio Junqueira de. Negócio jurídico: existência, validade e eficácia .


São Paulo: Saraiva, 2002, p. 66-67.

44 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Comentários ao novo código civil. Dos fatos jurídicos:
do negócio jurídico. t. I, v. 3. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 532.

45 FERNANDES, Luiz A. Carvalho. A conversão dos negócios jurídicos civis. Lisboa: Quid
Juris, 1993, p. 516.

46 MIRANDA, Pontes de. Tratado de direito privado. Campinas: Bookseler, 2000, t. IV,
p. 102.

47 Apud THEODORO JÚNIOR, Humberto. Comentários ao novo código civil. Dos fatos
jurídicos: do negócio jurídico. t. I, v. 3. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 532.

48 BETTI, Emilio. Teoria geral do negócio jurídico. Traduzido por Ricardo Rodrigues
Gama. Campinas: LZN, 2003, t. III, p. 57.

49 MELLO, Marcos Bernardes de. Teoria do fato jurídico: plano de validade. São Paulo:
Saraiva, 1995, p. 209.

50 MIRANDA, Pontes de. Tratado de direito privado. Campinas: Bookseller, 2000, t. IV,
p. 103. Pietro Perlingieri, citado por Leonardo de Andrade Mattietto também fundamenta
a conversão do negócio jurídico no princípio da conservação dos negócios, o que faz com
que tal instituto seja aplicado mesmo nos ordenamentos jurídicos onde não se encontra
expressamente previsto. (MATTIETTO, Leonardo de Andrade. Invalidade dos atos e
negócios jurídicos. In: Tepedino, Gustavo (coord.). A parte geral do novo código civil.
Rio de Janeiro: Renovar, 2003, p. 340).
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CONVERSÃO SUBSTANCIAL DO NEGÓCIO JURÍDICO

51 AZEVEDO, Antônio Junqueira de. Negócio jurídico: existência, validade e eficácia .


São Paulo: Saraiva, 2002, pp. 66-67.

52 DEL NERO, João Alberto Schützer Conversão substancial do negócio jurídico. São
Paulo: Renovar, 2001.

53 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Comentários ao novo código civil. Dos fatos jurídicos:
do negócio jurídico. t. I, v. 3. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 535-536.

54 FERNANDES, Luiz A. Carvalho. A conversão dos negócios jurídicos civis. Lisboa: Quid
Juris, 1993, p. 431-488.

55 FERNANDES, Luiz A. Carvalho. A conversão dos negócios jurídicos civis. Lisboa: Quid
Juris, 1993, p. 474.

56 Neste sentido: DIEZ-PICASO. Luis. Fundamentos del derecho civil patrimonial:


introduccion teoria del contrato . 5. ed. Madri: Civitas, 1996, p. 485; ANDRADE, Manuel
Antônio Domingues de. Teoria geral da relação jurídica: fato jurídico, em especial
negócio jurídico. Coimbra: Almedina, 1992, p. 427-437. Também MOTA PINTO, Carlos
Alberto da. Teoria geral do direito civil. 3. ed. Coimbra: Coimbra Editora, 1992, pp.
624-635, DEL NERO, João Alberto Schützer Conversão substancial do negócio jurídico.
São Paulo: Renovar, 2001; THEODORO JÚNIOR, Humberto. Comentários ao novo código
civil: dos fatos jurídicos: do negócio jurídico. t. I, v. 3. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p.
535-536; MELLO, Marcos Bernardes de. Teoria do fato jurídico: plano de validade. São
Paulo: Saraiva, 1995, p. 209; BETTI, Emilio. Teoria geral do negócio jurídico. Traduzido
por Ricardo Rodrigues Gama. Campinas: LZN, 2003, t. III, p. 57; FERNANDES, Luiz A.
Carvalho. A conversão dos negócios jurídicos civis. Lisboa: Quid Juris, 1993, pp. 411 e
ss; MATTIETTO, Leonardo de Andrade. Invalidade dos atos e negócios jurídicos.
In:Tepedino, Gustavo (coord.). A parte geral do novo código civil. Rio de Janeiro:
Renovar, 2003, p. 341.

57 AZEVEDO, Antônio Junqueira de. Negócio jurídico: existência, validade e eficácia .


São Paulo: Saraiva, 2002, p. 67.

58 AZEVEDO, Antônio Junqueira de. Negócio jurídico: existência, validade e eficácia. São
Paulo: Saraiva, 2002, p. 35.

59 Pela inconvertibilidade do negócio jurídico inexistente é a opinião de FERNANDES,


Luiz A. Carvalho. A conversão dos negócios jurídicos civis. Lisboa: Quid Juris, 1993,
p.237/240. Inclusive, o referido autor afirma ser tal entendimento dominante na
doutrina portuguesa, não havendo, sequer, controvérsia significativa.

60 MELLO, Marcos Bernardes de. Teoria do fato jurídico: plano de validade. São Paulo:
Saraiva, 1995, p. 211. O entendimento de Pontes de Miranda também é no sentido de
admitir a conversão para os negócios anuláveis (PONTES DE MIRANDA, Francisco
Cavalcanti. Tratado de direito privado. t. IV. Campinas: Bookseller, 1999, p. 105-106).

61 FERNANDES, Luiz A. Carvalho. A conversão dos negócios jurídicos civis. Lisboa: Quid
Juris, 1993, p. 279-293.

62 PONTES DE MIRANDA, Francisco Cavalcanti. Tratado de direito privado. t. IV.


Campinas: Bookseller, 1999, p. 105-106.

63 MELLO, Marcos Bernardes de. Teoria do fato jurídico: plano da validade. São Paulo:
Saraiva, 2000, p. 210.

64 MELLO, Marcos Bernardes de. Teoria do fato jurídico: plano da validade. São Paulo:
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Saraiva, 2000, p. 209.

65 Conf. art. 108 do CC/2002.

66 Quanto ao contrato preliminar, o Código Civil , no artigo 462 é expresso em dispor


que "O contrato preliminar, exceto quanto à forma, deve conter todos os requisitos
essenciais ao contrato a ser celebrado."

67 ANDRADE, Manuel Antônio Domingues de. Teoria geral da relação jurídica: fato
jurídico, em especial negócio jurídico. Coimbra: Almedina, 1992, p. 434. Tal exigência é
criticada por Mota Pinto (MOTA PINTO, Carlos Alberto da. Teoria geral do direito civil. 3.
ed. Coimbra: Coimbra Editora, 1992, p. 632), sob o argumento de que a conversão
"deve manter-se dentro do domínio do negócio traçado pelas partes", tendo em conta a
vontade hipotética.

68 Ver a respeito da Teoria dos efeitos práticos-jurídicos em FERNANDES, Luiz A.


Carvalho. A conversão dos negócios jurídicos civis. Lisboa: Quid Juris, 1993, pp. 49-92.

69 O artigo 112 do Código Civil assim dispõe: "Nas declarações de vontade se atenderá
mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem." Ainda, o
artigo 110 afasta o querer interno do agente ao traçar como regra geral que a reserva
mental não afeta a validade do negócio jurídico.

70 Assim PONTES DE MIRANDA, Francisco Cavalcanti. Tratado de direito privado. t. IV.


Campinas: Bookseller, 1999, p. 105 e MELLO, Marcos Bernardes de. Teoria do fato
jurídico: plano da validade. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 211.

71 FERNANDES, Luiz A. Carvalho. A conversão dos negócios jurídicos civis. Lisboa: Quid
Juris, 1993, p. 340.

72 MOZOS, Jose Luis de Los. El negocio juridico. Madri: Montecorvo, 1987, p. 591;
DIEZ-PICASO. Luis. Fundamentos del derecho civil patrimonial: introduccion teoria del
contrato . 5. ed. Madri: Civitas, 1996, p. 485.

73 FERNANDES, Luiz A. Carvalho. A conversão dos negócios jurídicos civis. Lisboa: Quid
Juris, 1993, p. 342.

74 FERNANDES, Luiz A. Carvalho. A conversão dos negócios jurídicos civis. Lisboa: Quid
Juris, 1993, p. 657.

75 FERNANDES, Luiz A. Carvalho. A conversão dos negócios jurídicos civis. Lisboa: Quid
Juris, 1993, p. 659.

76 Art. 431 do CC.

77 Assim PONTES DE MIRANDA, Francisco Cavalcanti. Tratado de direito privado. t. IV.


Campinas: Bookseller, 1999, p. 105 e 107-108.

78 MELLO, Marcos Bernardes de. Teoria do fato jurídico: plano da validade. São Paulo:
Saraiva, 2000, p. 214.

79 FERNANDES, Luiz A. Carvalho. A conversão dos negócios jurídicos civis. Lisboa: Quid
Juris, 1993, p. 675.

80 FERNANDES, Luiz A. Carvalho. A conversão dos negócios jurídicos civis. Lisboa: Quid
Juris, 1993, p. 711-715.

81 FERNANDES, Luiz A. Carvalho. A conversão dos negócios jurídicos civis. Lisboa: Quid
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Juris, 1993, p. 717

82 FERNANDES, Luiz A. Carvalho. A conversão dos negócios jurídicos civis. Lisboa: Quid
Juris, 1993, p. 720-722.

83 FERNANDES, Luiz A. Carvalho. A conversão dos negócios jurídicos civis. Lisboa: Quid
Juris, 1993, p. 723.

84 Conforme arts. 361 e 367 do CC.

85 FERNANDES, Luiz A. Carvalho. A conversão dos negócios jurídicos civis. Lisboa: Quid
Juris, 1993, p. 729.

86 Conforme expressamente prevê o art. 413 do CC.

87 Conforme art. 124 do CC.

88 O Código Civil, a exemplo do anterior, positivou nos seguintes termos a hipótese de


redução do negócio jurídico: "Art. 184. Respeitada a intenção das partes, a invalidade
parcial de um negócio jurídico não o prejudicará na parte válida, se esta for separável; a
invalidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias, mas a destas não
induz a da obrigação principal." Também o Código de Defesa do Consumidor consagra a
redução, ao afirmar que "A nulidade de uma cláusula contratual abusiva não invalida o
contrato, exceto quando de sua ausência, apesar dos esforços de integração, decorrer
ônus excessivo a qualquer das partes". (§ 2.º do artigo 51).

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