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2.

EMBALAGEM DEFENSIVO AGRÍCOLA


2.1 O que são
O Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV) é uma entidade
filantrópica criada em 2001 que atua na correta destinação de embalagens de defensivos
agrícolas, e desde 2002 quando entrou em funcionamento o inpEV busca por meio da
mobilização de todos os participantes da cadeia agrícola, bem como a sociedade, alcançar a
sustentabilidade.
O inpEV classifica as embalagens defensivo agrícola em dois grupos: as embalagens
laváveis e não laváveis. As embalagens laváveis servem para armazenar líquidos para serem
diluídos em água e são feitas de plástico, metal ou vidro. O grupo das não laváveis é
composto por sacos de plástico e de papel, mistos ou feitos com outros materiais flexíveis
como por exemplo caixas de papelão, e acondicionam embalagens primárias, assim não
entram em contato com a formulação do produto agrícola.

2.2 Aplicações e modo de reinserção no mercado


As embalagens laváveis correspondem a 95% das embalagens vazias de defensivos
agrícolas colocadas no mercado, e desde que seja corretamente limpa, podem ser recicladas
e voltar ao mercado. Os outros 5% restantes correspondem as embalagens não laváveis
também são recicladas se não houver contaminação, caso haja, as embalagens são
incineradas.
O inpEV tem parceria com nove empresas recicladoras em diversos estados, essas
empresas recebem e reciclam as embalagens de acordo com um padrão de segurança,
qualidade e rastreabilidade para cumprir exigências legais e normas ambientais. Mediante
essa parceria são produzidos 17 artefatos diferentes bem como a própria embalagem para
defensivos agrícolas, ilustrados na Figura 1:
Figura 1 – Artefatos produzidos a partir da reciclagem de embalagens defensivo agrícola

Fonte: Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias

2.3 Normas e requisitos legais


As normas e requisitos legais das embalagens de defensivos agrícolas tem evoluído
constantemente, mediante o impacto que o excesso dela causa no ambiente e a atuação dos
governos de acordo com o desenvolvimento de canais de distribuição reversos e também
nas tentativas de equilíbrio entre os fluxos diretos e reversos estão trazendo benefícios não
só ao governo mas sim para toda a sociedade (LEITE, 2008).
O cenário legal das embalagens de defensivo agrícolas pode ser esboçado pela
seguinte linha do tempo:
Figura 2 – Linha do tempo

Fonte: PIVETTA (2013)


 De acordo com a Lei Nº 7.802 de Julho de 1989, e o Decreto Nº4.074 de Janeiro de
2002, que, dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e
rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a propaganda
comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e
embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de
agrotóxicos, seus componentes e afins, e dá outras providências, estabeleceram a
responsabilidade compartilhada por usuários, fabricantes, empresas de
comercialização e poder público para a destinação das embalagens vazias de agro-
denfensivos;

 A Resolução Nº 334 de 2003, disciplina, à espécie, os requisitos e critérios técnicos


mínimos necessários para o licenciamento ambiental, pelos órgãos competentes, de
unidades de recebimento de embalagens vazias de agrotóxicos e afins;

 A Agência Nacional de Transportes Terrestres, ANTT, na Resolução Nº420


regulamentou exigências específicas e detalhadas aplicáveis ao transporte terrestre
de produtos perigosos, nos quais incluem as embalagens vazias de defensivos
agrícolas, que passaram a ser adequadamente classificados, embalados, marcados,
rotulados e sinalizados para cumprir com as condições de transporte exigidas por
este Regulamento.

 A Lei Nº 12.305 de Agosto de 2010, institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos,


dispondo sobre seus princípios, objetivos e instrumentos, bem como sobre as
diretrizes relativas à gestão integrada e ao gerenciamento de resíduos sólidos,
incluindo os perigosos, às responsabilidades dos geradores e do poder público e aos
instrumentos econômicos aplicáveis.

De acordo com a linha do tempo, pode-se notar que a destinação das embalagens de
defensivos agrícolas tem se tornado uma grande responsabilidade de todos que a
usufruem.
Outra Lei como a Nº9.974/2000 e Decreto 4.074/2002 determina que a destinação
das embalagens vazias de defensivos agrícolas é de responsabilidade de todos os agentes
atuantes na produção agrícola.

2.4 Direcionador estratégico evidenciado no processo reverso


O inpEV sem dúvidas é o grande agente no processo reverso das embalagens
defensivo agrícolas pois apoia as unidades de recebimentos de embalagens defensivo
agrícola como os pontos de recebimento e as centrais de recebimento. As unidades devem
ter as licenças necessárias para o recebimento das embalagens.
2.4.1 Postos de recebimentos
Os postos de recebimentos são geridos por uma Associação de Distribuidores ou
Cooperativa e estão aptas a realizar as seguintes atividades:

 Receber embalagens laváveis e não laváveis;


 Inspeção e classificação das embalagens em laváveis e não laváveis;
 Emissão do recibo de confirmação de entrega da embalagem para o agricultor;
 Encaminhamento da embalagem para às centrais de recebimento.

2.4.2 Centrais de recebimento


A diferença entre as centrais de recebimento e os postos de recebimento no que diz
respeito a gestão, é que as centrais são geridas também pela Associação de Distribuidores
ou Cooperativa mas com gerenciamento feito pelo inpEV, e estão aptas a realizar as
seguintes atividades:

 Receber embalagens laváveis e não laváveis apenas de agricultores, postos e


estabelecimentos comerciais licenciados;
 Inspeção e classificação das embalagens em laváveis e não laváveis;
 Separação e compactação das embalagens por tipo de material;
 Emissão de ordem de coleta para que o inpEV providencie o encaminhamento para o
destino final que será a incineração ou a reciclagem.

2.5 Logística reversa das embalagens defensivo agrícolas


O processo de logística reversa das embalagens de defensivos agrícolas funciona da
seguinte forma: O agricultor adquire seus defensivos agrícolas pela indústria ou por um
distribuidor, e após o seu uso as embalagens devem ser encaminhadas para os postos ou
centrais de recebimento e mediante suas ações serem incineradas ou voltarem ao ciclo
produtivo (PIVETTA, 2013).
Este processo pode ser ilustrado pela figura 3:
Figura 3 – Processo de logística reversa de embalagens defensivo agrícola

Fonte: PIVETTA (2013)

De acordo com este processo, o Brasil em 2004 foi capaz de recolher 14.825
toneladas de embalagens chegando a posição de líder mundial, impedindo não só que
grande parte destes resíduos voltem a natureza, mas também reduzir a reutilização
inadequada pois por se tratar de produtos químicos nocivos ao meio ambiente, havendo o
risco de contaminação do solo, lençol freático e diretamente a saúde humana.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL Decreto nº 4.074, de 04 de Janeiro de 2002, Diário Oficial da União, Brasília, 8 de Janeiro de
2002.

BRASIL, Lei nº 7,802 de 11 de Janeiro de 1989, Diário Oficial da União, Brasilia, 12 de julho de 1989.

BRASIL, Lei nº 9.974 de 6 de Junho de 2000, Diário Oficial da União, Brasília

BRASIL, Lei nº 12.305 de 2 de Agosto de 2010, Diário Oficial da União, Brasília

LEITE, Paulo Roberto. Logística reversa: meio ambiente e competitividade. São Paulo: Pearson
Prentice Hall, 2008.

PIVETTA, Camila Chiosini. O PAPEL DA LOGÍSTICA REVERSA SOB A VISÃO DAS NOVAS LEIS DE
GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS. 2013. P. 22-29. ESCOLA DE ENGENHARIA DE
LORENA, UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO , Lorena,2013. Disponível
em: <http://sistemas.eel.usp.br/bibliotecas/monografias/2013/MIQ13001.pdf>. Acesso em: 10 nov. 2016.

INPEV – Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias. Disponível em: . Acesso em: 20
de abril de 2013.

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