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Figura 1 - Parte do porto com sua estrutura de


concreto armado/protendido sintomática.

U
ma doca com 11.000m2 para atra- 5m, apresentava água salgada com alguma naturalmente, sua solução. Concreto arma-
cação de navios, que alimenta uma contaminação de dejetos orgânicos. Este do ou protendido sem qualquer tipo de pro-
grande indústria, estava com suas quadro é conseqüência de vinte e dois anos teção, em água salgada, é problema na cer-
estacas pré-moldadas de concreto proten- de serviços e ausência de monitoramento e ta, em curto prazo. Vinte e dois anos não
dido em avançado estado de corrosão, tan- manutenção. significaram o tempo de resistência da es-
to o concreto quanto o aço de alta resistên- trutura contra a corrosão, dois levantamen-
cia. As estacas, com 45cm de diâmetro, sus- Os caminhos para a solução tos executados demonstraram que o nível
tentavam blocos, vigas transversais e lon- de deterioração existente tinha pelo menos
gitudinais, além das lajes, todas em concre- Diante do possível colapso, esta indústria 12 anos de vida, devido às perdas da seção
to armado moldadas no local. O ambiente contratou um escritório de consultores de do aço analisada. A análise da solução, na-
marinho, com nível de elevação da maré de engenharia para a análise do problema e, turalmente, passou pelos sistemas tradici-
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onais à base de barreira com produtos ci- troquímica, sugerido pelos consultores, trutural nas estacas, vigas e lajes, neutrali-
mentícios e poliméricos que só enchergam convenceu os engenheiros da indústria, já zaria a ação contaminante e irreversível do
o próprio umbigo. O uso de “barreira” ele- que além de incorporarem a integridade es- concreto e sua ação deletéria contra o aço,

Antes e depois
Estacas exigem tratamento eletroquímico têm nenhum efeito positivo nos processos bamento da JAQUETA G pode ser com ja-
com proteção catódica do tipo JAQUETA G. de contaminação do concreto e da corrosão queta de fibra de vidro, polietileno ou com
Tratamentos com barrreira polimérica não nas armaduras/cabos de protensão. O aca- concreto projetado.

Outro acabamento da JAQUETA G


A JAQUETA G também é executada com acabamento em concreto projetado.
Veja abaixo o esquema típico de execução.

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armado ou protendido, com proteção cató-


dica. Para as estacas, dimensionou-se o uso
de JAQUETA G. Para as vigas longarinas/
transversinas projetou-se o uso de VARA
G contínua e nas lajes o ZINCO TERMO
PROJETADO (ZTP).

Explicando a solução

Proteção catódica, por corrente galvânica, é


um sistema de tratamento da corrosão que
se baseia na diferença de energia eletroquí-
mica entre o aço e o anodo empregado, o
que gera uma corrente elétrica de proteção
que neutraliza todos os focos de corrente da
corrosão existente na superfície do aço. O
material do anodo, mistura de alumínio, zin-
co e índio é a liga anódica mais eficiente e
mais moderna que existe, pois oferece alto
potencial eletroquímico, reduzida ação pas-
sivadora provocada pelo ambiente alcalino
do concreto (o zinco é facilmente passivado
em ambiente alcalino) e corrente galvânica
suficiente para longos anos de proteção para
o aço. Os benefícios da proteção catódica
por corrente galvânica incluem:
Viga longarina com seu fundo
9 Ausência de sistemas de todo desplacado. Na foto menor a
monitoramento de curto condição das estacas.

prazo.
9 Ausência de fonte externa de energia.
9 Cada peça estrutural tem seu próprio O tratamento da corrosão timas e fluviais, indicado para a zona
sistema de proteção catódica, dimen- nas estacas de variação da maré, onde se concen-
sionado de acordo com a densidade continua na página 10
de aço existente. JAQUETA G é um sistema de trata- GLOSSÁRIO
9 100% segura para o concreto proten- mento da corrosão, por proteção ca-
Fluência – medida da relaxação do material na
dido. tódica, específico para estacas marí- condição não confinado e sob tensão.

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tra a maior incidência da corrosão. teger a região submersa da estaca. As JAQUETA G nas estacas foram as se-
Este sistema também consegue pro- 10 etapas básicas da instalação da guintes:

Procedimentos para as estacas


1ª Todas as estacas foram analisadas e as
regiões desplacadas e com aço exposto
foram adequadamente cortadas e limpas. Trincas,
desplaca-
2ª As trincas existentes foram injetadas com mentos e
epóxi com ultra baixa viscosidade muita
(<50cps). corrosão
3ª A superfície do concreto das estacas foi nas
estacas
hidrojateada com areia de modo a proce-
antes do
der à limpeza necessária. tratamen-
4ª Executou-se a abertura de “janelas”, com to.
10cm x 10cm, ao longo do corpo de cada Situação
estaca, de modo a descobrir as cordoa- após o
tratamen-
lhas de sua seção. to.
5ª Instalou-se, a seguir, armadura de refor-
ço em forma de espiral, com diâmetro e estacas, sobre a armadura de reforço em tanciadores de 5cm entre a fôrma e a
quantidade de espiras por metro, ade- forma de espiral. Um cabo de cobre nº 10 armadura espiralada.
quadamente dimensionada. Esta armadu- AWG, protegido, foi fixado ao longo da 9ª Procedeu-se então, o enchimento da JA-
ra foi interligada com o sistema de cordo- TELA G, de modo a formar o polo negati- QUETA G com grout cimentício adequa-
alhas protendidas, de modo a haver a vo. do, através de bomba de concreto.
continuidade elétrica entre ambos. A fi- 7ª Na região submersa de cada estaca, foi 10ª Na parte superior das estacas os cabos
xação da armadura espiralada ao con- fixado o TARUGO G, que garante o forne- de cobre que interligavam os anodos (TELA
creto foi feita com pinos fixados com pis- cimento de corrente de proteção na maré G e TARUGO G) e o aço (armadura espira-
tola. baixa. O cabo de cobre foi ligado também lada e cordoalhas) foram revestidos com
6ª O anodo TELA G, adequadamente dimen- ao TARUGO G. eletroduto de PVC, chegando a uma caixa
sionado para estas estacas conforme sua 8ª O complemento final da JAQUETA G, suas também de PVC. Nesta caixa ficam os po-
densidade de armadura e cordoalhas, foi fôrmas em fibra de vidro, formando a se- los positivo e negativo da proteção cató-
então fixado ao longo de toda a área das ção quadrada de cada estaca, com dis- dica para monitoramento futuro.

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O tratamento da corrosão nas para problemas a curto e médio pra-


vigas longarinas/transversinas zos.
5º A seguir, foi feita a projeção de micro-
concreto, revestindo-se as armaduras
2º As armaduras, assim expostas, foram
A presença da corrosão em vigas portuári- e anodos, compondo-se a nova cama-
hidrojateadas com areia, de modo a se
as, sejam longarinas ou transversinas, é da de recobrimento das vigas.
avaliar as possíveis perdas de seção.
manifestada em sua região inferior. Lá ocor- Confirmando-se estas perdas, inseri-
rem desplacamentos e exposição das arma- ram-se novas barras procedendo-se o
duras com presença de corrosão. Tudo isto transpasse normativo. O tratamento da corrosão no
motivado não pelo contato direto da água 3º O sistema de armaduras de todas as fundo das lajes
salgada, mas sim pela intensa maresia e vigas foi checado com relação à conti-
deposição de sal nas superfícies. Com o nuidade elétrica. Toda e qualquer bar- Sintomas pontuais de corrosão, tendo como
fundo das vigas todo comprometido pela ra ou estribo, sem continuidade elétri- fundo aquela sinistrose trivial viciada de
corrosão, projetou-se um sistema de trata- ca, foi interligada às demais. armadura colada na fôrma, compôs o menu
mento da mesma com proteção catódica 4º A seguir, fixaram-se 2 anodos contínu- de problemas das lajes do sistema de do-
com base em anodos contínuos, VARA G, os, VARA G, nas armaduras de fundo cas deste porto. A solução? Com tal diag-
seção redonda com 2cm de diâmetro. De de cada viga. nóstico de concreto contaminado, ausên-
acordo com a densidade das armaduras das cia de camada de recobrimento protetora e
vigas, foram projetados 2 anodos para cada corrosão instalada, só poderia ser a prote-
viga, fixados nos cantos delas. ção catódica com Zinco Termo Projetado
(ZTP), com uma espessura nominal de 1mm
Procedimentos para as vigas (1.000 micrômetros). Os procedimentos do
tratamento foram os seguintes:
1º Toda camada de recobrimento do con-
creto do fundo das vigas foi removida Procedimentos para as lajes
já que, mesmo as regiões sem sinais 1º Limpeza preliminar com hidrojateamen-
de desplacamento, em sua maioria, to de areia em toda a superfície do con-
mostrou potenciais comprometedores Posicionamento da VARA G ao longo do fundo creto que compõe o fundo das lajes,
no teste com a Semi-Pilha, acenando da longarina.

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de modo a remover depósitos de sais, 3º Uma vez finalizada esta preparação A durabilidade projetada
sujidades e aquela película indesejá- preliminar, iniciou-se a aplicação do
vel de nata superficial sobre a qual ZTP com uma espessura nominal mé- O objetivo deste tratamento, devido ao na-
nada adere de modo a possibilitar a dia de 1.000 micrômetros, checada tural estado de contaminação do concreto
aderência do ZTP na superfície do com lâmina medidora de película por sais do ambiente marinho, e o conse-
concreto. seca. qüente comprometimento do aço ali hos-
2º Abertura de sulco com 5cm de largura pedado, foi interromper e salvaguar, dar pe-
ao longo de todo o perímetro das lajes los próximos 20 anos, todo o aço estrutural
(20cm afastado do vigamento) e ainda que compõe a infra-estrutura do porto em
uma cruz no meio de modo a manter o questão, totalizando uma área aproximada
pólo negativo da proteção catódica. de 7.000m2.

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Para ter mais


informações sobre
Corrsoão.

A aplicação do ZTP.

4º Finalizando o tratamento, com o obje-


REFERÊNCIAS
tivo de impedir a auto passivação do
• Joaquim Rodrigues é engenheiro civil,
zinco e a diminuição da corrente de mestre em corrosão, membro de diversos
proteção, revestiu-se a película de ZTP institutos nos EUA, em assuntos de patolo-
Esquema da área de uma laje e a disposição gias da construção, É editor e diretor da RE-
do sulco que permitiu a ligação do pOlo ne-
com 200 micrômetros de TOPCOAT
CUPERAR, além de consultor de diversas
gativo da proteção catódica do ZTP em dire- FC, tinta de elevada durabilidade à empresas.
ção às armaduras. base de poliuretano.

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Serviços de Compactação Profunda Radial (CPR) em uma área urbana com


8.000m2, em Recife, e com camada de solo mole de + 10m de profundidade.

P
Geodreno purgando água após o CPR.

ara avaliar o módulo ou a condição mam ignorar dois fatores super significan- Rotineiramente, após serviços de consoli-
de um solo mole após serviços de tes: dação de solo mole, costuma-se avaliá-lo
consolidação profunda radial com teste CPT. É bom lembrar que testes
1º Solos super consolidados têm
(CPR), aterro temporário etc, tornando-se aumento contínuo da resis- SPT não são boa referência para atestar este
um solo super consolidado, existem alguns tência após o término dos tipo de serviço (veja matéria na RECUPE-
métodos específicos onde sobressai o tes- serviços de consoolidação, di- RAR nº 77). Não é difícil acontecer de tes-
ferentemente das técnicas tradici-
te de penetração do cone, Cone Penetrati- tes CPT, pós-consolidação, apresentarem
onais de fundação.
on Test, em inglês CPT, seja ele estático ou 2º Depois da primeira campanha de tes- valores que reflitam pouca melhoria no solo
dinâmico que, na realidade, funciona como te CPT, após a consolidação, o solo tratado. Com esta situação, engenheiros e
uma verdadeira prova de carga. Verdade? assim super consolidado tem au- técnicos, que trabalham com a técnica do
mento contínuo dos valores de CPT.
Sim, claro. No entanto, engenheiros costu- CPR, por exemplo, costumam questionar:
Continua na pág. 16
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Existe maneira mais moderna, inteligente e barata para consolidar solos sem resistência em grandes áreas.

COMPACTAÇÃO PROFUNDA RADIAL


(CPR) CPR
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pesquisadores também atribuem esta melho-


Relembrando mecânica de solos
ria, evidenciada pelo tempo, às tensões efe-
Quando se promove consolidação profunda num 1 - Compressão primária ou instantânea, que tivas, à compressão secundária, a cimenta-
solo mole por CPR, por exemplo, a poropres- ocorre enquanto há dissipação do excesso ção, ao movimento dispersivo das partícu-
são presente não ficará mais em equilíbrio. Isso da poropressão através dos geodrenos.
quer dizer que, devido às cargas aplicadas, 2 - Compressão secundária ou atrasada, que
las, ao efeito de arqueamento e suas ten-
surgem fluxos d’água e, conseqüentemente, continua de forma lenta, após a completa sões internas, além de outros fatores.
ocorre a dissipação desse excesso da poro- dissipação do excesso da poropressão. Sua
pressão devido às tensões impostas pelos bul- existência deve-se à relação, totalmente
Os números
bos do grout. Ou seja, ocorrem fluxos d´água dependente do tempo, do volume de vazios
para dissipar a poropressão adicional criada. do solo com as tensões efetivas atuantes.
Assim, estabelece-se gradientes ao longo da Como a formação dos bulbos do CPR induz Não é novidade que técnicos e engenhei-
massa do solo mole tensionado e, portanto, formação imediata de tensões, assim como ros envolvidos em serviços de melhoria do
iniciam-se fluxos como resultado destes gradi- sua permanência durante prazos diversos,
entes e o excesso de poropressão dentro do esta última característica introduz ainda mais
solo mole começa a diminuir além do seu volu- consolidação no solo mole. Em camadas es- GLOSSÁRIO
me na região carregada. O termo consolida- pessas de solo mole, durante o CPR, ocorre
ção radial é empregado onde ocorrem fluxos naturalmente compressão instantânea. À Solo mole – são solos sedimentares com baixa
transientes radiais devido à instalação da ma- medida que dissipa-se o excesso de poro- resistência à penetração (valores de SPT inferiores
lha de geodrenos para acelerar a velocidade pressão, verifica-se já a presença dos efei- a 4 golpes), em que a fração argila imprime as
características de solo coesivo e compressível
da consolidação do solo mole. O efeito com- tos da compressão atrasada, cujo tempo (plástico). São argilas moles ou areias fofas. Os
pressivo na camada de solo mole durante a de permanência dependerá da espessura depósitos ou ambientes de deposição variam desde
execução do CPR, devido à formação dos bul- do solo mole tratado, assim como do nível fluvial (aluviões nas várzeas dos rios) até o costeiro,
bos do grout, pode ser dividido em duas fases: de tensões imposto pelos bulbos do grout. passando pelos pântanos, onde ocorrem os depósitos
orgânicos.
Tensões efetivas – parcela da tensão total, apli-
será que toda a malha de geodrenos, toda a aceito que as propriedades de compressibi- ada a um solo, suportada pelo esqueleto sólido,
responsável pela resistência e deformação.
quantidade de grout bombeado (geralmen- lidade e resistência de um solo seja argiloso, Adensamento secundário – fase em que após
te de 10 a 20% do volume do solo) e todo o arenoso ou siltoso, melhorem com o tempo, a completa dissipação da poropressão ocorrem de-
nível de tensões (de 10 a 30kg/cm2) impos- tanto em depósitos de solos naturais, como formações no solo, devido à compressão do seu
esqueleto sólido.
to ao solo foi insuficiente ou as correlações quando submetidos a superconsolidação Módulo – tensão para uma determinada deformação.
entre compressibilidade e os parâmetros ge- com as técnicas do CPR, aterro temporário, Poropressão – pressão que atua na água contida
nos vazios do solo. O mesmo que pressão neutra.
otécnicos estão errados? Como não é difí- vibro-compactação etc. Numerosos artigos Quando um solo compressível, saturado e de baixa
cil verificar o estado de tensão-deformação têm sido publicados sobre este fenômeno, permeabilidade é tensionado, de alguma forma, as
tensões são, no início, transferidas ou suportadas
de um solo (seu módulo), fica claro que a incluindo a 25ª leitura de Karl Terzaghi (Sch- pela água de seus poros, que acarreta o chamado
resposta a este problema é conciliar todo o merhmann, 1991). Esta melhoria da resistên- excesso de poropressão e que, aos poucos, vai
estado de tensões imposto com os parâme- cia e aumento do módulo ocorre com a dissi- sendo transferido para a estrutura do solo.

tros geotécnicos obtidos. É perfeitamente pação do excesso da poropressão. Alguns Continua na pág. 22

CPV-4
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cerca de 60cm no greide do solo (10% de


deformação). Ensaios CPT, imediatamente
posteriores, informaram pouco ou nenhu-
ma melhoria no depósito chegando, inclu-
sive, a apresentar valores de resistência
inferior aos obtidos antes dos trabalhos de

GLOSSÁRIO

Gradiente (hidráulico) – a carga que a água


dissipa durante sua percolação em direção aos
geodrenos, em função das tensões criadas pelo,
por exemplo, CPR dividida pela distância até os
geodrenos.
Permeabilidade de um solo – tem a ver com
um coeficiente chamado coeficiente de permeabi-
lidade K, que indica a velocidade de percolação da
água no solo. Sua unidade é o m/s e como para os
solos seu valor é muito baixo, é expresso pelo
produto de um número inferior a 10 por uma po-
tência de 10. Por exemplo, uma argila tem
CPR sendo executado em uma área de 30mil metros quadrados em Recife, em uma camada de solo mole k<10-9m/s enquanto uma areia grossa o k é supe-
de 8m de profundidade. rior a 10-2m/s.
Superconsolidação – também chamada de so-
solo, assim como consultores geotécnicos, após os serviços de consolidação. “Curio- bre consolidação, sobre adensamento e até over-
costumam ficar frente a frente com a ques- samente”, apenas algum tempo após esta consolidação, refere-se a relação entre a máxima
primeira campanha de testes, as proprieda- tensão sofrida pelo solo, em sua história, e a
tão de como explicar ou avaliar o nível de máxima tensão imposta no presente, por exem-
melhoria de depósitos de solos consolida- des de resistência e compressibilidade au- plo, com um CPR.
dos, na maioria das vezes analisados por mentaram substancialmente. O Massachu- Compressibilidade – susceptibilidade de um solo
ao diminuir de volume sob o efeito de uma tensão
dados do SPT (!) e até CPT onde, de forma setts Institute of Technology apresenta na imposta.
incrível, chegam a informar diminuição nas figura abaixo, a relação entre compressão
Continua na pág. 20
propriedades de resistência e compressibi- instantânea e atrasada para uma determi-
lidade do depósito tratado, imediatamente nada espessura de solo mole. Jones tam-
bém apresentou trabalho interessante so-
bre consolidação do solo por vibro-substi-
tuição em um depósito de solo fofo, em São
Francisco, onde se aferiu um abatimento de

Relação entre o efeito da compressão instantânea


e atrasada com a compressão primária e secundá-
ria para uma determinada espessura de solo mole.

Lenta dissipação do excesso de poropressão, em


CPT dinâmico sendo executado. torno do geodreno, 10 dias após a execução do CPR.

E os geodrenos?
Geodrenos são drenos verticais inseridos no
solo através de maquinário específico.
Trata-se de um sistema de drenagem de dois
componentes, formado por um falso tecido fil-
trante que envolve uma chapa plástica corru-
gada. O falso tecido permite apenas a água
passar, em direção à chapa plástica corruga-
da, que se encarrega de direcioná-la para a Análise do
CPT funciona como
superfície. uma verdadeira prova
de carga.

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Melhoria da resistência do solo aferida por um CPT.


solo com relação a futuros recalques. O re-
calque calculado na ponta do lápis é inver-
samente proporcional ao módulo do solo,
tanto para o módulo elástico, E, como para
o módulo confinado, M, que, por sua vez
CPR sendo executado. Em primeiro plano o tubo que adentra no solo com seu manômetro que informa
a tensão imposta ao solo na profundidade do bombeamento. está associado à resistência obtida com o
ensaio CPT, através da fórmula:
consolidação do solo. Algum tempo depois, lhos de consolidação do solo, o nível
confirmou-se um enorme incremento de re- d’água chegou a subir cerca de 1m, fazen-
M = α • qc
sistência. Lukas, por sua vez, apresentou do com que a capa de areia se comportasse
pesquisa feita com trabalhos de consolida- como uma esponja. Testes pressométricos
Onde qc é a resistência de ponta e α relaci-
ção do solo sobre uma capa de areia depo- feitos duas semanas após o tratamento apre-
ona-se ao tipo, ao estado de tensões e ao
sitada sobre uma capa de solo mole silto- sentaram valores inferiores aos originais,
argiloso, com nível d’água (NA) localizado obtidos antes da consolidação. A análise
no topo da capa mole. Durante os traba- dos piezômetros informou que a dissipa- GLOSSÁRIO
ção do excesso da poropressão ocorreu 35
Piezômetro – instrumento utilizado para medir a
dias depois. Um mês e meio após, novos poropressão no solo.
testes pressométricos já apresentavam va- Adensamento – redução rápida ou lenta do volu-
me de uma massa de solo sob o efeito de seu
lores bem superiores. Mais dois meses se próprio peso e/ou de cargas externas ou invasivas.
passaram e novos testes já informavam o Ocorre em 3 estágios sucessivos: inicial, primário
dobro dos anteriores. e secundário.
Ensaio pressométrico – desenvolvido na Fran-
ça em 1955 é, basicamente, um dispositivo cilíndri-
Aprofundando a análise co que adentra no solo, promovendo uma tensão
uniforme nas paredes do furo, através de sua mem-
brana flexível, ocasionando uma expansão no solo.
Testes de penetração tipo CPT ou SPT são Existem 3 tipos no mercado. Exige muito cuidado e
O efeito da densificação do solo devido à formação calibração permanente.
dos bulbos do CPR. utilizados para estimar o comportamento do

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22 RECUPERAR • Janeiro / Fevereiro 2008


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nheiro de fundações . II, Raleigh, NC, ASCE, pp 279-345.


GLOSSÁRIO
2 Jones, J. (1988), Report of ground im- 7 Robertson, P. and Campanella, R. (1983),
provement following vibroreplacement at .Interpretation of Cone Penetration
Resistência (ao cizalhamento) – todos os
solos rompem por cisalhamento, que está combi-
the U.S. Navy Treasure Island Dental Tests., Canadian Geotechnical Journal,
nado à coesão (c) e ao atrito interno (Ø). A coesão Clinic, San Francisco, California, unpub- Vol. 20, No. 4, pp 718-733.
tem a ver com a adesão entre as partículas do lished. 8 Schmertmann, J. (1970), .Static Cone to
solo, o que é significativo nos solos argilosos e
3 Luka s, R. (1997), .Delayed Soil Compute Settlement Over Sand,. Journal
zero nas areias lavadas. O ângulo de atrito interno
(Ø) deve-se à aspereza estrutural entre partículas Improvement.. Ground Improvement, of Soil Mechanics and Foundations
do solo, considerável nas areias e fraca nas argi- Ground Reinforcement, Ground Division, ASCE, Vol. 96, SM3, May, pp.
las. Assim a resistência ao cizalhamento é igual a Treatment, Developments 1987 - 1997, 1011-1043.
coesão + tensão total x tg Ø. A tensão total é
fundamental para a resistência ao cizalhamento que, Geotechnical Special Publication No. 69, 9 Schmertmann, J. (1978), .Guidelines for
no entanto, divide com a poropressão essa tarefa, Logan, Utah, pp 409-420 . Cone Penetration Test, Performance and
já que esta última absorve parte da carga imposta, 4 Lunne, T. and Christoffersen, H. (1985), Design,. Federal Highway Administration
reduzindo-a. Lembramos que a tensão total é igual
à tensão efetiva + poropressão. A tensão total, em .Interpretation of Cone Penetrometer for Report No. FHWA-TS-78-209, U.S.
qualquer plano do solo, é a soma da tensão efetiva Offshore Sands., N orwegian Dept. of Transportation, Washington,
ou seja tensão entre partículas sólidas do solo e a Geotechnical Institute No. 156, Oslo, pp D.C.
pressão do fluido existente em seus vazios.
Compactação profunda radial (CPR) – téc-
1-11. 10 Schmertmann, J., et. al., (1986), .CPT/
nica de consolidação do solo mole ou fofo com a 5 Mayne, P., 1986, .Law Engineering D MT Quality Cont rol o f Grou nd
redução da compressibilidade e o aumento de sua Te sting Co. Report for Moduli for Modification., Proceeding, Use of In Situ
resistência, através da instalação prévia de geo-
drenos e a posterior compactação, devido a for-
Settlement Calculations, Dynamic Tests in Geotechnical Engineering,
mação de bulbos de grout bombeado a alta pres- Compaction Program, Haii Al Bathna and A S C E , S p e c i a l P u b l ic at i o n N o . 6 ,
são. O Compaction Grouting é uma variação do Haii Al Oyoun, Yanbu, Saudi Arabia. Blacksburg, Virginia, pp 985-1135.
método. 6 Mitchell, J. and Gardner W. (1975), .In 11 Schmertmann, J. (1991), .The
Tempo de adensamento ou consolidação –
relaciona-se, primeiro, à quantidade de água que é Situ Measurement of Volume Change Mechanical Aging of Soils,. Journal of
expulsa da massa do solo. Vincula-se ao produto Characteristics,. Proceedings, In Situ Geotechnical Engineering, Vol. 117, No.
das tensões impostas, à compressibilidade (quanto Measurement of Soil Properties, Volume 9, pp 1288-1329.
mais plástico mais compressível) do solo e ao seu
volume. Segundo, o tempo para ocorrer a consoli-
dação é inversamente proporcional à velocidade
com que a água flui pelo solo. O uso de geodrenos
em solos moles aumenta substancialmente sua bai-
xíssima permeabilidade e altera o tempo de conso-
lidação.

grau de consolidação imposto ao solo. Ape-


nas com base nesta equação, Mitchell, Gard-
ner, Lunne e Christoffersen atestam:

Consolidação profunda
significa solo Super
Consolidado

Solos super consolidados, mesmo com


resultados de CPT (e até SPT) que não
evidenciem a melhoria do solo, certamen-
te terão recalques bem menores do que a
metade do que seria esperado antes da
consolidação.

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Solos.

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1 Jorge L. F. de Almeida é professor e enge- Fax consulta nº 16

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N
o meio do fogo cruzado de uma dentro das bolhas presentes na pintura. Analise tudo, antes.
quantidade enorme de resultados de A calorimetria de varredura diferencial
testes sofisticados, um patologis- (CVD) informa se a película curou ade- A vitrine de tintas e revestimentos de pro-
ta experimentado poderá, com certa faci- quadamente. A microscopia com energia teção para a área de construção e industrial
lidade, descobrir porque uma película de dispersiva do Raio-X (EDRX) detecta e é enorme. A variedade de superfícies e mi-
tinta falhou. Por exemplo, a espectrosco- caracteriza, de forma precisa, planos de croambientes então, nem se fala. Não há
pia do infravermelho (EI) pode determi- ruína na película, presença de detritos e um livro de receitas de procedimentos para
nar informações sobre o tipo da tinta, a elementos estranhos. Para todas estas si- caracterizar o chamado “estado de ruína”
presença de contaminação e a relação de tuações, no entanto, o tipo e a qualidade
mistura dos dois componentes. A croma- da amostra de película têm fundamental GLOSSÁRIO
tografia detecta solventes residuais tan- importância. Sem estes dois atributos,
Analítico – relativo a, ou que procede por análise.
to na película quanto no líquido que fica nada feito. E aí? Vamos lá.

24 RECUPERAR • Janeiro / Fevereiro 2008


será de suma utilidade. Uma das primeiras
observações é procurar idealizar o padrão
de ruína presente. A formação de bolhas ou
o estado de fraturamento da película pode
estar ocorrendo apenas em um lado da es-
trutura ou próximo às juntas de dilatação.
Todas estas informações, da “cena do cri-
me”, ajudarão a montar o quebra-cabeça da
causa da ruína. O melhor dos laboratórios,
apenas com a análise da amostra, poderá
incorrer em erro de diagnóstico.

Amostra boa versus ruim

Provavelmente, a regra mais importante na


análise da ruína de películas de pintura/re-
vestimentos seja comparar amostras com e
sem problemas. Isto porque na roleta russa
de causas prováveis da ruína está a pouca
ou muita espessura do filme, a presença de
vazios, a mistura inadequada dos compo-
nentes, a formação de filme seco durante a
aplicação etc. Muitas das vezes um primer
Desplacamento típico e comum em pisos epóxicos.
é aplicado de forma incorreta e acaba acon-
de uma película, seja tinta ou revestimento, sintonizado em relação ao tipo de problema tecendo a fissuração do filme, exatamente
com um caminhão de variáveis para des- existente e as nuances que o cercam, de pelo fato de que foi aplicado muito espes-
trinchar. O patologista ou investigador, que modo a elaborar o esquema de amostragem. so, por exemplo, com 200 micrômetros, ao
irá coletar as amostras, deverá estar bem Toda informação, nos mínimos detalhes, Continua na pág. 26

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invés de 80, tornando óbvio o julgamento.
Esta moldura, infelizmente, não é comum.
Assim, é de bom tamanho obter-se três ou
quatro amostras problemáticas e, pelo me-
nos, duas ou três em perfeito estado, de
modo a fazer com que “estas testemunhas”
comecem a “falar”. Algumas vezes, contu-
do, fica até difícil prognosticar o que é área
boa e em estado de ruína. Por exemplo,
quando ocorre formação de bolhas, desco-
loração ou pontinhos de ferrugem na pelí-
cula fica fácil diagnosticar a área boa da
ruim. Casos de adesão insuficiente do fil-
me, contudo, torna o caso complicado. No
Instituto de Patologias da Construção (Ipa-
con) temos recebido amostras “boas”, mui-
tas das vezes do tamanho de uma moeda
de 10 centavos, enquanto as amostras da
região comprometida são do tamanho de
uma folha A4 o que induz, de imediato, um
caso de falta de adesão. O que é prematuro
porque, muito provavelmente, as pequenas
amostras “boas” podem pertencer a uma

26 RECUPERAR • Janeiro / Fevereiro 2008


demão em relação à outra, que forma a base,
é obrigatório obter amostras das duas ca-
madas, pondo-as no mesmo saco, identifi-
cando-as separadamente.

Películas já desplacadas
não são amostras

Nas situações apresentadas acima, referi-


mo-nos à remoção de películas com proble-
mas de aderência. Outra coisa é coletar
amostras, já desplacadas, existentes no lo-
cal. Embora possam nos dizer alguma coi-
sa, seu lado interno, certamente, já está
comprometido pelo ambiente. Este tipo de
situação é tão mais importante quando se
trata da camada de acabamento em relação
Nesta microscopia fica evidente a separaçaõ da resina em relação aos demais componentes da tinta.
ao primer aplicado como base.
Trata-se de um caso de tinta de má qualidade. Microambientes com altas temperaturas podem também
provocar esta patologia que, a olho nu, é completamente invisível. Cara ou coroa?

região com problemas de adesão que, no Quando a película Raramente existirá similaridade entre casos
entanto, ainda não se manifestou. Assim, se desfaz de ruína de película, que variam de uma sim-
muito provavelmente, ambas as amostras ples e sutil gradação até casos de despla-
poderão pertencer a regiões comprometi- Quando o estado de ruína envolve o des- camentos bem complexos. Há casos em que
das. camamento ou formação de bolhas de uma uma simples e cuidadosa microscopia de-

Pintura de proteção com epóxi novolac no interior do tanque de uma estação de tratamento de efluentes industriais. Na foto menor, o serviço realizado. A
preparação das superfícies e o primer são fundamentais para a durabilidade da proteção.

RECUPERAR • Janeiro / Fevereiro 2008 27


nas. Quanto menor a amostra maior a exi-
gência de limpeza. Qualquer sujeira poderá
conduzir a respostas errôneas. Amostras
grandes, por outro lado, permitem ao ana-
lista limpá-las adequadamente, podendo es-
colher partes da amostra.

Identificando tintas antigas

Ao se proteger estruturas antigas com pin-


turas e revestimentos, torna-se obrigatório
identificar a antiga tinta de base, com o
Bolhas na superfície da pintura de proteção
objetivo evidente de selecionar uma pintu-
provocadas pela volatização do seu solvente. ra nova compatível. A moderna maneira de
Geralmente estas bolhas são muito pequenas e só fazer isto é com espectroscopia do infra-
vistas ao microscópio. Quando maiores, as
bolhas apresentam furos formando pequenas vermelho (EI). Para tanto, basta retirar amos-
crateras. tras com o tamanho de uma moeda de 10
centavos. Desta forma, obtem-se um espec-
tro do infravermelho da superfície da amos-
tra. Muitas vezes a superfície (antiga) da
tecta a causa do problema. Desplacamen- ringa de 1cc adequada, fura-se a bolha e amostra apresenta sujeira aliada ao próprio
to intercamadas, contudo, é uma das pa- extrai-se o líquido. Antes, porém, é suge- envelhecimento da película. Desta forma,
tologias mais complexas de diagnóstico. rido aplicar um papel toalha molhado so- dever-se-á limpá-la com solução de brome-
Parece engraçado, mas quando a película bre a superfície da pintura, de modo a lim- to de potássio e, às vezes, até fazer um pe-
de acabamento chega desplacada da base pá-la, evitando possível contaminação queno lixamento.
ou primer, a primeira pergunta que se faz externa do líquido. Se a película for tão
é: qual é o lado de fora? Isto porque há dura a ponto de uma faca poder perfurá- fax consulta nº 18
muita semelhança entre os dois lados. la, faça-o e depois insira a seringa. A pró-
Assim, torna-se necessário identificar pria seringa poderá ser enviada ao labo-
qual o lado interno e o externo da camada ratório. Uma vez retirada a agulha, inse-
de acabamento. re-se o plug plástico, vedando-se com fita Para ter mais
informações sobre
adequada. É muito importante este pro-
Análise.
O líquido das bolhas cedimento porque o material coletado po-
derá conter solventes voláteis. Não es-
Formação de bolhas é uma patologia co- queça da identificação.
mum. Muitas vezes, a simples análise do
líquido presente identifica o mecanismo Limpeza REFERÊNCIAS
de ruína da película. Assim, a coleta do • Michelle Batista é química.
líquido é fator crítico para o diagnóstico. Técnicas de identificação como a EI ou a
Como coletar? Não é difícil. Com uma se- MEV-EDRX necessitam de amostras peque-

28 RECUPERAR • Janeiro / Fevereiro 2008


Survey fPractice

Figura 1 - A biodeterioração é
facilmente encontrada em estações
de tratamento de efluentes.

Figura 2 -

A
Pinturas
protetoras devem
biodeterioração, certamente, tem ter agentes
um espectro de atuação bem mais específicos de
proteção física e
amplo que a já conhecida corro- biológicas que
são microbiológica, já que em sua dieta, impeçam o
depósito
além do aço da construção, encontra-se biológico.
o desprotegido concreto, plásticos e até
os resistentes compósitos à base de fibra vivemos com depósitos biológicos sobre nicas de seres extracelulares produzidos
de carbono. Para que entendamos do as- a superfície dos materiais, tanto na forma pelos microorganismos.
sunto, corrosão microbiológica, biocor- de micro como de macro depósitos, am- O depósito biológico, bem característico,
rosão ou corrosão induzida por microor- bos formando o sinistro biofilme, que ocorre tanto com fluxos turbulentos como
ganismos (CIM) são processos de desin- contabiliza partículas inorgânicas, preci- em águas paradas, industriais ou não. Den-
tegração que afetam em cheio o aço e o pitados cristalinos, produtos da corrosão tro deste ambiente ocorrem processos or-
concreto. Neste ambiente, vemos e con- e células imobilizadas em matrizes orgâ- gânico-biológicos cujo resultado é a velha
Continua na pág. 32
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Figura 3 - As diferentes etapas de formação de biofilmes microbianos. Figura 4 - Esquema dos processos de transferência de massa em um biofilme.

corrosão. Estes fenômenos modificam in- tação de tratamento. Estes microoganimos, cias deste grude é a contaminação contí-
tensamente o comportamento da interface iniciam então um processo de crescimento nua do líquido por partículas biológicas e
aço-solução ou concreto-solução. Como em escala assombrosa. Nada que não pos- inorgânicas, como apresentado na figura
pode ser visto na figura acima, da esquer- sa ser removido com um potente jato acima, à direita. O processo de corrosão, que
da, primeiro ocorre a formação de um filme d’água. No entanto, se nada for feito, esta- acontece na carona da biocorrosão/biode-
orgânico, que acaba modificando a capaci- belece-se naturalmente um processo dinâ- terioração promove a dissolução do aço, in-
dade de molhagem e a conseqüente distri- mico de renovação do biofilme, totalmente troduzindo grande quantidade de subpro-
buição dos resíduos na superfície do con- dependente de sua espessura, da veloci- dutos no meio, tipo sais inorgânicos insolú-
creto ou do aço, facilitando a aderência dos dade do fluido e do crescimento dos micro- veis, que acabam por se depositar nas pare-
microorganismos presentes no fluido da es- organismos. Uma das grandes conseqüên- des dos tanques e tubulações. Tudo isto

Figuras 5 e 6 - Estações de tratamento de efluentes são o babitat nº 1 dos depósitos biológicos e de processos corrosivos complexos.

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Survey fPractice

GLOSSÁRIO

Corrosão – dissolução do aço em contato com meio agressivo. É um proces-


so eletroquímico onde elétrons são liberados (oxidação) e a superfície do aço se
desintegra na forma de íons positivos (Fe++) que passam para o eletrólito.
Microorganismos – são unicelulares vegetais ou animais invisíveis a olho
nu, com dimensões que variam de 1 a 200μm.
Oxidação – tem a ver com o aço, que cede elétrons, em sua região anódica.
Pilha de aeração diferencial – pilha galvânica de corrosão em que a força
eletromotriz tem origem nas diferenças de concentração de oxigênio no eletró-
lito.
Biofilme – matriz gelatinosa de material extracelular de natureza polissacarí-
deo, com alto teor d’água (~95% em massa), células microbianas e detritos.
Polissacarídeos – grupo de hidróxidos de carbono que contém mais de 3
moléculas de açúcar. Carboidratos.
Depósitos biológicos – no inglês é denomiado “fouling”. Significa sujeira
com participação biológica ou abiótica por acúmulo de material em superfícies.
Abiótico – sem participação de microorganismos.
Biocida – substância tóxica capaz de deter ou retardar o crescimento microbi-
ano.
Passivação – redução da velocidade da corrosão, devida à formação de filme
Figura 7 - Esquema da interface bioeletroquímica aço/solução, na presença de protetor sobre o aço.
depósitos biológicos e inorgânicos.

coordenado por uma orquestra de figuras alimentada de maneira eletroquímica e bioló-


envolvidas com pH, temperatura, condição gica. O biofilme, característico da biocorro- 1 – Dificultando o transporte das espéci-
do fluido e do fluxo etc. Na carona em ter- são e da biodeterioração, é uma matriz gela- es químicas tanto em direção ao aço
mos, porque, na verdade, ambos os proces- tinosa com alto conteúdo de água, cerca de quanto proveniente dele.
sos têm direções opostas. A biodeteriora- 95%, onde proliferam células microbianas 2 – Acelerando a remoção da pintura pro-
ção ocorre do meio do “fluido” para a super- com dejetos diversos em suspensão. Este tetora.
fície metálica. Já a conhecida corrosão vai ambiente do biofilme nada tem a ver com o 3 – Gerando condições de aeração diferen-
no sentido contrário, ou seja, da superfície eletrólito típico da corrosão inorgânica ou cial, já que o biofilme é tudo menos
metálica para o meio do “fluido”. Como con- eletroquímica. No entanto, a interação entre uniforme.
seqüência deste cruzamento, forma-se uma os depósitos biológicos e inorgânicos aca- 4 – Altera as condições redox naquela in-
nova interface aço-solução, meio sei lá o que, bam por mudar, de cinco belas maneiras, o terface, principalmente devido à respi-
chamada interface bioeletroquímica, já que é comportamento passivo do aço: ração microbiana.

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Present and Future " , em: Biodeterioration
5, T. A Oxley, S. Barry (eds.), p. 1, John
Wiley & Sons, Chichester, UK, (1983).
• Videla, H. A, "Introduction" em: Manual of
Biocorrosion, p.7. CRC Lewis Publishers,
Boca Raton, FL, (1996).
• Characklis, W. C., "Microbial Fouling", em:
Biofilms, W. G. Charack1is, K. C. Marshall
(eds.), p. 523, John Wiley & Sons, NewYork.
(1990).
• Characklis, W. G., Marshall, K. c., "Biofilms:
A Basis for an Interdisciplinary Approach",
em: Biofilms, W. G. Characklis, K. C.
Marshall (eds.), p. 3, John Wiley & Sons,
New York, (1990).
• Characklis, W. G., Bioteehnol. Bioeng.
Figura 8 - Modelo do biofilme, onde o transporte é, principalmente, convectivo e acontece por canais entre 23,1923, (1981).
aglomerados microbianos. • Videla, H. A, "Electrochemical Aspects of
Este modelo conceitual de biofilme permite Biocorrosion", em: Bioextraetion and
GLOSSÁRIO explicar a limitação do acesso de alguns Biodeterioration of Metals, C. C. Gaylarde,
Respiração celular – ocorre devido à oxidação H. A Videla (eds.), p. 85, Cambridge Univer-
biocidas oxidantes, como por exemplo o clo-
das substâncias orgânicas, onde o oxigênio é re- sity Press, Cambridge, UK, (1995).
ceptor de elétrons.
ro (arrepios!) e sua menor eficiência sobre • Geesey, G. G., Am. Soe. Mierobiol. News 48,9,
Convecção – forma de transmissão de calor que microorganismos aderidos ao aço. (1982).
ocorre em fluidos, onde o transporte da energia
• Lewandowski, Z., Lee, w., Charack1is, W.
térmica é acompanhada pelo transporte de massa. fax consulta nº 29
Este último pode ser provocado pela diferença de G., Little, B. J., "Mícrobíal Alteratíon of the
densidades que o calor estabelece no fluido. Metal Water Interface: Díssolved Oxygen
Redox – fenômeno inseparável formador do sis-
and pH Mícroelectrode Measurements",
tema onde elétrons são sequestrados de um áto-
Corrosion/88, paper No. 93, NACE
mo (oxidação) e entregues a outro átomo (redu- Para ter mais
ção). Como o elétron tem carga negativa, quem Internatíonal, Houston, IX, (1988).
perde fica positivo, quem ganha fica negativo. A informações sobre • Costerton, J. w., "Structure of Bíofilms", em:
força que executa estas reações é patrocinada Corrosão. Biofouling and Bioeorrosion in Industrial Wa-
pelo potencial eletroquímico.
ter Systems, G. G. Geesey, Z. Lewandowskí,
H. C. Flemmíng (eds.), p. 1, Lewis Publish-
5 – É predador, por excelência, de filmes ers, Boca Raton, FL, (1994).
de óxidos que passivam a superfície • Lewandowskí, Z., Stoodley, P., Roe, F., "In-
REFERÊNCIAS
do aço. ternal mass transport ín heterogeneous
• Patrícia Karina Tinoco é engenheira ci- bíofilms. Recent advances", Corrosion/95,
Só para materializarmos o modelito do mal vil especialista em química e física da cons- paper No. 222, NACE International, Hou-
encarado biofilme, suas famílias de micro- trução. ston, IX, (1995).
• Hueck, H. J. "Biodeterioration of MateriaIs", • De Beer, D., Srínívasan, R., Stewart,
organismos formam aglomerados separados p. 6, EIsevier, London, (1968). P.S.,Appl. Environ. Mierobiol. 60 (12),
por canais ou túneis onde o transporte lí- • Eggins, H. O. W., "Biodeterioration, Past, 4339, (1994)..
quido ocorre por convecção.

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