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Antigo pavimento industrial de

concreto sendo fresado para


receber overlay de concreto.

GLOSSÁRIO

Overlay de concreto – é um revestimento ou


camada de concreto, normalmente com altura su-
perior a 25mm,feito no local, sobre pisos de asfal-

A
to ou concreto muito castigado, de modo a restituir
antiga aceitação, pura e simples, de Mas não é que ainda existem opiniões in- sua situação original de tráfego.
Retração – é a diminuição do conprimento ou do
pavimentos asfálticos (flexíveis) sensatas de que recuperação de pavimen- volume das peças de concreto, como resultado da
como solução para a recuperação tos de concreto e até de concretos asfálti- variação do teor de umidade ou de mudanças quí-
de tudo acabou de ruir. É a miragem da gló- cos com concreto, mais precisamente com micas, devido ao endurecimento.
Retração por secagem – retração devido a perda
ria para o mercado das empresas especiali- overlays de concreto é cara, ao invés do de umidade.
zadas ou não em pisos e pavimentos de con- indefectível concreto asfáltico? Estas opi- Retração plástica – ocorre antes que a pasta de
creto, mais para este último, como aquele niões tendem a ruir pelo fato de que há enor- cimento, argamassa, grout ou concreto endureça.
Junta de dilatação – abertura programada em
sonho em que um novo lugar é sintetizado mes reduções de custos com os overlays de uma estrutura de concreto, de modo a regular a
diante dos olhos, do corpo, dos sentidos e concreto, considerando-se as novas estra- surgência de movimentos dimensionais em dife-
rentes regiões da estrutura.
o percorremos, por vezes, em labirinto. tégias pertinentes a esta nova tecnologia.
Continua na pág. 6
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A novidade

Este artigo, na verdade, introduz a forma de


recuperar pavimentos de concreto e tam-
bém asfálticos, utilizando-se recapeamen-
tos feitos com concreto armado, ou melhor,
overlays de concreto armado, através de
metodologias simples e com alternativas.
Esta nova tecnologia consegue otimizar o
clímax, exatamente no parâmetro custo-be-
nefício, vejamos por que:
• Overlays de concreto duram e duram,
mantendo sua superfície intacta duran-
te décadas. O que, infelizmente, não
acontece com overlays asfálticos.
• Overlays de concreto também são efici-
entes e rápidos de construir.
• Adaptam-se para uma variedade de pa-
tologias que, normalmente, ocorrem em
nossas estradas. E que estradas!?
• Os equipamentos necessários
são os usuais.
• Poder-se-á utilizar dosagens con-
vencionais.
• Overlays de concreto são 100% re-
cicláveis, ou seja, poder-se-á remove-
los e reutilizá-los, inclusive como materi-
Situações de pavimentos rígidos e flexíveis, candidatos a overlays de concreto.
al de base.
• Os serviços feitos com overlays de con- Esclarecendo a técnica chamada de Whitetopping, em re-
creto têm a mesma durabilidade de um lação aos novos conceitos de overlay ade-
pavimento novo feito com concreto.
• Adapta-se, sem problemas, às exigênci-
Esta nova tecnologia impõe novos termos, rido, parcialmente aderido e não aderido.
as mundiais que clamam por estradas comparando-se aos antigos utilizados. Que- De forma apropriada e normatizada para
mais largas. remos dizer que, o pessoal que constrói pa- evitar qualquer confusão, a Associação
• A armação pode ser feita com tela de vimentos de concreto poderá fazer alguma Americana de Pavimentos de Concreto
fibra de vidro estrutural. confusão misturando o termo overlay com (ACPA) adotou uma linguagem ou nomen-
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clatura bem simples de ser compreendida.
A nova tecnologia chama-se overlay de con-
creto e é organizada em apenas duas famíli-
as: o aderido e o não aderido, que podem
ser executados tanto sobre pavimentos de
concreto danificados quanto em pavimen-
tos asfálticos esburacados e até na mistura
dos dois, o que é bastante comum. Para
atender a estas três condições, idealizou-
se 6 tipos de overlays de concreto:
Situações típicas, onde são sugeridos
overlays de concreto aderido (OCA). • O aderido sobre pavimentos de con-
creto, asfalto e misturas dos dois.
• O não aderido com as mesmas condi-
ções.

OCAs e OCNAs

Overlays de concreto aderidos (OCAs)


são projetados para se integrarem ao pa-
vimento original, desde que este apresen-
te ainda alguma condição de tráfego, de
modo a compor ou formar um único pavi-
mento, monolítico, com características es-
truturais superiores. Dá para perceber que
a aderência é essencial para a obtenção
desta empreitada. Em caso contrário o over-
lay ficará sem pai nem mãe e o resultado
não será o esperado.
Já os overlays de concreto não aderidos
(OCNAs) são projetados para trabalhar
independentemente, como um novo pa-
vimento, desconsiderando-se o pavimen-
to original, bastante danificado e impres-
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Amostra onde se apresenta o


pavimento com a condição atual,
a preparação e a situação final.

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tável, servindo apenas como base está- FAMÍLIA ADERIDA
vel. Ambos irão trabalhar cada um para (Overlay de concreto aderido)
seu lado, independentes. Desta maneira,
nada será exigido da aderência entre am- Dependendo da garantia desejada, terá espessura de 5 a 13cm.
bos, ou seja, a perda de adesão não re- Considerar-se-á a carga do tráfego e o solo de fundação.
sulta em comprometimento para o OCNA.
Na prática, é comum conseguir-se algu-
ma aderência ao aplicá-lo sobre pavimen-
tos asfálticos. Nenhum prejuízo. Por ou-
tro lado, ao executá-lo sobre um pavimen-
to de concreto, dever-se-á aplicar uma
membrana separadora, fazendo com que
ambos trabalhem independentes, elimi-
nando a possível ressurgência de trincas/
fissuras antigas provenientes do antigo
pavimento.
Bem projetados, OCAs e OCNAs são,
hoje, a melhor programação para a recu-
peração duradoura de pavimentos de ro-
dovias e os existentes dentro de plantas
industriais.
Ficou no ar a idéia de que um OCA teria
características de uma recuperação e um
OCNA de uma obra de reconstrução. Na
verdade, ambos podem e devem ser utili-
zados em conjunto, até mesmo em uma
mesma obra, adicionando-se melhorias
como, por exemplo, o aumento da largura
do pavimento.

Projetando OCAs e OCNAs

Tudo deverá ser avaliado: a importância


do pavimento, se é uma auto-estrada, um
pavimento de rua ou um pavimento in-
dustrial. Suas condições (a do pavimen-
to), sua sub-base e subleito, podendo-se
utilizar um falling – weight deflectometer.
Naturalmente, se haverá ou não adicio-
nais como alargamentos no pavimento e,
claro, dinheiro suficiente para a emprei-
tada. Afim eliminar qualquer dúvida que
possa ainda existir sobre a aplicação de
OCAs e OCNAs, vamos apresentar as
duas famílias na forma de quadros.

Condições ideais para um OCNA

Pavimentos de concreto ou asfáltico com


fraturas e desplacamentos generalizados,
reatividade álcali-agregado (pavimentos
de concreto), subleito comprometido, seja
com borrachudos, desnivelamentos, dre-
nagens insuficientes, recalques etc. Al-
gumas práticas construtivas e detalhes
para a execução de um bom OCNA são os
seguintes:

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• Restabelecendo a condição suporte do pa-
FAMÍLIA NÃO ADERIDA
vimento original
(Overlay de concreto aderido)
Dependendo da garantia desejada, terá espessura de 10 a 28cm. Pavimentos de concreto
Considerar-se-á a carga do tráfego e o solo de fundação. A maioria dos problemas existentes em sua
superfície não precisa ser recuperada, ape-
nas sua condição suporte ou estrutural,
de modo a não comprometer o OCNA. As-
sim, painéis comprometidos pela condição
do subleito ou totalmente fraturados e sem
base estável (recalques) precisam ser bem
recuperados, antes do OCNA.

Pavimento asfáltico e mistos


Caso existam apenas sulcos ou aqueles
riscos característicos ao longo do pavi-
mento com largura menor do que 5cm,
poder-se-á lançar diretamente o OCNA,
sem que haja qualquer trabalho de fratu-
ramento do pavimento para melhorar sua
estabilidade. Se houver desnivelamentos,
dever-se-á corrigi-los, a fim de assegurar
a espessura mínima do OCNA. Mas cui-
dado no corte para não desestabilizar sua
condição suporte.

Preparação para lançamento de uma placa de OCNA.


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Situações típicas, onde são sugeridos
overlays de concreto aderido (OCA).

• Preparando a superfície para receber o vocando ou acelerando as trincas de retra- Condições ideais para um OCA
OCNA ção. Lave as superfícies com água e che-
que a temperatura. Antes de lançar o A adesão é a condição primordial para este
Preparar antigas superfícies de pavimen- OCNA, retire todas as poças d’água. tipo de overlay. A melhor prática construti-
tos de concreto e asfalto exige técnicas va é a seguinte:
distintas para receber o OCNA. • Espessura do OCNA
• Restabelecendo a condição suporte do pa-
Pavimentos de concreto Varia de 10 a 30cm. As exigências para o vimento original
Torna-se necessário isolar o pavimento de novo pavimento é que definirão a espes-
concreto com uma camada de asfalto com sura adequada. De modo geral, dever-se-á restabelecer re-
espessura variando de 2 a 3cm. Poder-se- giões severamente danificadas, antes de
á utilizar tecidos asfálticos adequados. • Dosagem do concreto executar o OCA.
Trata-se de uma medida necessária para
impedir que a antiga superfície do pavi- Geralmente utiliza-se a dosagem padrão Pavimentos de concreto
mento asfáltico, cheia de trincas e fissu- utilizada em pavimentos, com a particula- Toda e qualquer trinca que exista no pavi-
ras, adira ao overlay, comprometendo-o. ridade obrigatória do acelerador de pega mento original refletirá no OCA, a não ser
Atenção à temperatura do antigo pavimen- para liberação rápida do tráfego. que se construa juntas de controle sobre
to. Caso esteja quente, lave-o e assegure estas trincas. Evidentemente fraturas e
uma condição natural. • Corte e cura grandes aberturas deverão ser adequada-
mente, quer dizer, profundamente preen-
Pavimentos asfálticos e mistos O corte das juntas de controle (serradas) chidas com concreto, antes do OCA.
Basta dar uma boa vassourada para remo- do OCNA deverá ter um padrão diferente
ver a sujeira, porventura existente. Aten- dos pavimentos tradicionais. As juntas Pavimentos asfálticos e mistos
ção, caso a temperatura do antigo pavimen- deverão ser bem mais próximas, de modo Todo e qualquer grande defeito, como
to asfáltico esteja alta, geralmente superior a reduzir as tensões e as conseqüentes aquela aparência de pele de jacaré, mui-
a 45ºC, poderá comprometer o OCNA, pro- fissuras que poderão existir. to característico em antigos pavimentos

Um dos tipos de fresa para preparação do pavimento. Trincas induzidas pelo corte da junta de controle.

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asfálticos mal tratados, deverão ser re- • Preparando a superfície para receber o rão de pau exatamente na interface de cola-
movidas. Assim como comprometimen- OCA gem. Assim, o desenho projetado para as
tos de seu subleito ou sub-base. Desni- juntas de controle e a estratégia do posici-
velamentos maiores que 5cm deverão ser Pavimento de concreto, asfáltico e mistos onamento das juntas de concretagem será
corrigidos, de modo a não comprometer Todo pavimento deverá ser fresado, de extremamente importante para liberar e jo-
a espessura do OCA. Cuidado para não modo a assegurar a aderência com o OCA. gar para longe estas tensões malucas. Fa-
cortar muito o antigo asfalto, pois ser- Como opção, poder-se-á utilizar hidroja- lamos no desenho ou no projeto das jun-
virá de base para o OCA. Caso existam teamento com areia, quando o pavimento tas de controle, mas não há um padrão, já
grandes trincas ou fraturas transversais, for muito frágil. A limpeza deve ser abso- que é muito comum encontrarmos antigos
muito características, provocadas por luta, de preferência lavando-se e removen- pavimentos com diferentes padronizações
fraturas térmicas, deverão ser desobs- do-se poças d’água. Atenção à tempera- de juntas. De qualquer maneira, é muito útil
truídas e preenchidas com argamassa ou tura das superfícies. O ideal é que a tem- dar uma olhada antes no software Hiper-
concreto. peratura da superfície esteja igual ao do pav, que estabelece a condição ideal para o
OCA no momento do lançamento. Caso corte de juntas de controle.
Pavimento misto contrário, problemas poderão aparecer.
Situação típica de pavimento asfáltico so- Claro, trincas de retração, muitas. Em pavimentos de concreto
bre concreto. Caso exista fratura com mo- As juntas deverão ser feitas exatamente
vimentação, devido à falta de base, de- • Juntas e cura sobre as existentes, de modo a evitar a
ver-se-á analisar a situação, podendo ser reflexão de trincas. O corte deverá atingir
necessárias injeções de calda de cimento Evidentemente, overlays relativamente fi- toda a espessura da OCA, avançando
naquela região. Se forem apenas fratu- nos apresentam grandes chances de sofre- mais 1,5cm.
ras, poder-se-á colocar pedaços de tela rem rápidos processos de retração e expan-
de armação sobre o local, de modo a neu- são, além de empenamentos de bordas. Em pavimentos asfálticos e mistos
tralizar este problema. Tudo isto motivado por tensões que cai- O corte deverá estabelecer pequenos “pa-
nos” que variam de 1m a 2,5m ou, segun-
do uma outra padronização, de 12 a 18
vezes a espessura do OCA. A junta longi-
tudinal deverá ser feita afastando-a o má-
ximo possível da trajetória das rodas dos
veículos.
A cura aqui também é importantantíssima
para controlar as tensões e manter a su-
per importante adesão. É muito interessan-
te utilizar película de cura química pigmen-
tada (esbranquiçada), de modo a visuali-
zar-se sua aplicação, inclusive nas bor-
Típica degradação do pavimento asfáltico, devido a falta de condições para tal: ideal para overlay de concreto. das verticais do OCA.
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Para ter mais


informações sobre
Análise.

Mix rutting

REFERÊNCIAS
• Patrícia Karina Tinoco é engenheira
civil especialista em química e física da cons-
trução.
• Mellinger, Frank M., Structural design of
concrete overlays, ACI Journal.
• “Bonded Concrete Resurfacing”, Bulletin HB-
RENEW 23 2nd Ed., Portland Cement Association.
Tele-atendimento • Design of Concrete Overlays for Pavements
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Estabilidade de talude em áreas de florestas: monitoramento
constante para garantir o coeficiente de segurança.

P
ara fazermos a fundação de uma de estabilidade. De um modo geral, dever-
GLOSSÁRIO
casa ou edificação é preciso que a se-á tomar medidas especiais para as se-
condição geotécnica do terreno guintes condições:
Solo mole – são solos sedimentares com baixa
seja estável e que o investimento esteja isen- resistência à penetração (valores de SPT inferio-
to de riscos ativos. Caso os riscos sejam de A Camadas de solos fracos e heterogêne- res a 4 golpes), em que a fração argila imprime as
natureza aleatória ou recorrente, o projeto os, com resistências e deformabilidades características de solo coesivo e compressível
(plástico). São argilas moles ou areias fofas. Os
da fundação deverá considerar possíveis diferenciadas sob a área da fundação. depósitos ou ambientes de deposição variam des-
ações inibidoras, como melhoria das condi- B Camada resistente profunda, em rela- de fluvial (aluviões nas várzeas dos rios) até o
ção à cota da fundação. costeiro, passando pelos pântanos, onde ocorrem
ções do solo ou medidas especiais para os os depósitos orgânicos chamados turfas.
elementos de fundação. A presença de solo C Fatores geotécnicos adversos, como Compressibilidade – propriedade de um solo
mole no terreno de fundação, seja a partir nível freático alto e camadas de baixa quanto a sua susceptibilidade à diminuição de volu-
me sob o efeito de uma carga, que pode ser exter-
da superfície ou presente em camadas resistência. na ou interna.
subhorizontais incorre em sério problema D Presença de aterros de resíduos urbanos.
Continua na pág. 16
14 RECUPERAR • Julho / Agosto 2008
Existe maneira mais moderna, inteligente e barata para consolidar solos sem resistência em grandes áreas.

COMPACTAÇÃO PROFUNDA RADIAL


(CPR) CPR
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os seguintes critérios para a execução de
um projeto de fundação:
Colapso do solo de
fundação nesta rodovia:
causas previsíveis.
• Estabilidade, ou seja, um coeficiente de
segurança adequado.
• Que as deformações ou recalques sejam
tolerados pela estrutura.
• Que não se afete as construções vizinhas.
• Que seja durável, mantendo-se durante
toda a vida útil da estrutura, consideran-
do-se possíveis alterações das condições
possibilidades de insucesso. Todos os iniciais, tais como:
E Solo mole, a partir da superfície até pro-
fundidades consideráveis. itens, contudo, têm na melhoria do solo
uma solução comum. o Não ocorra mudanças de volume no
solo de fundação, como é o caso de ter-
Os itens A, B e C necessitam corriqueira- Critérios a serem obedecidos renos mal compactados.
mente de fundações profundas, já que o Comprometimento do concreto do ele-
fundações superficiais estariam compro- Todo projeto exige critérios. O de uma fun- mento de fundação, devido ao contato
metidas com análise custosas e grandes dação não foge a regra. Assim, exigir-se-á com águas ou solos contaminados.

Várias camadas de um solo de fundação: resistências diferenciadas. Escavação para obtenção da cota de fundação.
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GLOSSÁRIO

Resistência ao cisalhamento – todos os solos


rompem por cisalhamento, que está combinado à
coesão (c) e ao atrito interno (Ø). A coesão tem a
ver com a adesão entre as partículas do solo, o que
é significativo nos solos argilosos e zero nas areias
lavadas. O ângulo de atrito interno (Ø) deve-se a
aspereza estrutural entre partículas do solo, conside-
rável nas areias e fraca nas argilas. Assim a resis-
tência ao cisalhamento é igual a coesão + tensão
total x tg Ø. A tensão total, fundamental para a
resistência ao cisalhamento, divide com a poropres-
são essa importância, já que esta última absorve
parte da carga imposta, reduzindo-a. Lembramos
que a tensão total é igual a tensão efetiva + poro-
pressão. A tensão total, em qualquer plano do solo,
é a soma da tensão efetiva, ou seja, tensão entre
partículas sólidas do solo e a pressão do fluido exis-
tente em seus vazios.
Poropressão – pressão que atua na água contida
nos vazios do solo. O mesmo que pressão neutra.
Quando um solo compressível, saturado e de baixa
permeabilidade é tensionado, de alguma forma, as
tensões são, no início, transferidas ou suportadas
pela água de seus poros, que acarreta o chamado
excesso de poropressão e que, aos poucos, vai sen-
do transferido para a estrutura do solo.
Compactação profunda radial (CPR) – técni-
ca de consolidação do solo mole ou fofo com a
Execução de um grande radier para a construção de um centro comercial. redução da compressibilidade e o aumento de sua
resistência, através da instalação prévia de geodre-
• Oscilações do nível d’água, ocasionando ção dos pilares ou apoios e, naturalmente, nos e a posterior compactação de suas partículas,
devido a formação de bulbos de grout bombeado a
mudanças nas tensões efetivas e alteran- as cargas previstas, essencialmente verti- alta pressão. O Compaction Grouting é uma varia-
do a resistência e a deformabilidade do cais, além de outros dados. ção do método.
Adensamento ou consolidação – redução pro-
solo de fundação. gressiva do volume de uma massa de solo mole ou
Presença de solo mole fofo com conseqüente perda d’água, sob o efeito do
Para a elaboração do projeto serão neces- seu próprio peso e/ou de um acréscimo de tensões
na massa do volume do solo provocadas pelas téc-
sários dois levantamentos básicos: Evidentemente os dados importantes serão nicas de estabilização com geodrenos/aterro tempo-
sua resistência ao esforço cortante ou coe- rário ou geodrenos/compactação profunda radial
(CPR). A quantidade de compressão aplicada por
Dados para oo projeto são, seu peso específico e sua deformabili- um dos dois processos, em qualquer período de tem-
dade. Com relação à resistência, deverá ser po, não se relaciona apenas às cargas desenvolvi-
das, mas principalmente à quantidade de tensões
Para o caso de casas e edificações, signifi- analisada sem drenagem. Sua deformabili- transmitidas no contato das partículas, ou seja, à
ca o tipo de estrutura, as dimensões, a for- dade tem a ver com seu módulo de defor- diferença entre a tensão imposta e o excesso de
ma e as armaduras das fundações, a situa- mação ou com o índice de compressão. poropressão, quer dizer a tensão efetiva.

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Como é prudente prever recalques diferen-
ciais em longo prazo, é bastante útil conhe-
cer o coeficiente de consolidação. A falta
de uniformidade do solo mole e sua hetero-
geneidade são pródigas na produção de re-
calques diferenciais, conseqüência das di-
ferentes condições de apoio entre sapatas
ou outros elementos de fundação. Dever-
se-á conhecer a tensão de ruptura do solo
e determinar-se o desejado coeficiente de
segurança a ser adotado, de modo a esta-
belecer a tensão admissível. Finalizando,
dever-se-á estimar os movimentos provo-
cados pelas cargas aplicadas no solo, ou
seja, os temidos recalques e a tolerância a
ser obedecida.

A opção pela fundação direta

O dimensionamento de uma fundação dire-


ta exige cálculos com uma série de parâme-
tros pertinentes ao solo (mole) que está lá.
Sapata corrida, típica para conjunto de casas populares.
Existem dois tipos fundamentais de funda-
ção direta: Os critérios de segurança ça (K) define-se como um número através
do qual se reduzirá a resistência do solo
1 Sapatas É prática na engenharia de fundações es- de fundação para que ela alcance o estado
Que podem ser isoladas, para um só pilar, timar a segurança frente às condições ge- de equilíbrio limite. Este número ou valor
ou combinadas, que recebem vários pila- otécnicas de instabilidade do terreno, me- depende do grau de conhecimento dos pa-
res e é chamada de sapata corrida. diante um coeficiente de segurança que,
verdadeiramente, indica, de forma deter- GLOSSÁRIO

2 Radier minística, a relação entre as forças estabi-


Adensamento secundário – deformações len-
Segundo a NB de fundações, um radier lizantes e desestabilizantes atuantes, ten- tas que desenvolvem-se no solo com tensão efetiva
deve ser dimensionado para receber to- do como parâmetro uma situação de equi- constante, mesmo após finalizados os recalques pre-
vistos pela Teoria do Adensamento.
dos os pilares da edificação. líbrio limite. Este Coeficiente de Seguran-
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mecânica dos solos. O problema agrava-se
ainda mais quando desejamos estimar os
recalques diferenciais na estrutura, pelo
fato de que sua interação com o solo su-
porte dá lugar a uma reorganização de car-
gas e movimentos associados. Veremos a
seguir que, para o caso de solos moles, tor-
na-se obrigatória a melhoria do solo.

Os três tipos de recalques a serem


considerados

Invariavelmente, à medida que a constru-


ção é erguida, produz-se um recalque ins-
tantâneo (Ri). Solos de baixíssima permea-
bilidade e saturados, como solos moles, fa-
zem com que durante os momentos iniciais,
a água não seja capaz de “escapar” dos seus
Sobrecarga no terreno em torno da estaca e o perfil correspondente dos recalques: atrito negativo poros, embora haja aumento da pressão
na estaca e, naturalmente, mais carga atuante.
neutra ou poropressão, ou seja, estabele-
râmetros do solo, como pressões hidros- te são conhecidas. No entanto, há outras ce-se um excesso da pressão intersticial
táticas, superfícies de ruptura, recalques, mais complexas, como a distribuição das ten- sem, no entanto, haver qualquer drenagem
intensidade das cargas da edificação etc. sões de reação no solo, sob a sapata ou ra- da água, de maneira que o recalque inicial
Quando um terreno apresenta solo mole, dier, que dependem do tipo de solo e da rigi- corresponda a uma distorção do solo, sem
ou seja, reais possibilidades de grandes dez do elemento de fundação escolhido. A qualquer mudança de volume.
recalques na futura edificação, dever-se-á presença de solo mole para qualquer tipo Depois da ocorrência do Recalque Instan-
considerá-los nos cálculos de estabilida- de fundação, seja sapata ou radier, a pre- tâneo (Ri) inicia-se, timidamente, a dissipa-
de e segurança, incorporando-os. Geral- sença de solo mole torna todo o cálculo ção daquele excesso de pressão intersticial
mente, o coeficiente de segurança fica a bastante complicado. Melhorar as condi- ou poropressão gerados e, naturalmente, o
cargo do projetista. No entanto, recomen- ções do solo torna-se menos complicado. recalque, devido à consolidação primária
da-se 1,5 < K < 3,0. (Rcp). Os problemas não param aí. Solos
Estimando os recalques moles caracterizam-se por recalcar bem mais
Distribuição das tensões no solo após todo aquele excesso de poropressão
Trata-se de um cálculo obrigatório, pois ter escoado ou dissipado, já com tensões
Para o dimensionamento de uma fundação toda fundação ao ser carregada sofre recal- efetivas atuantes, ou seja, com a parcela
direta é preciso conhecer todas as forças que ques. O cálculo dos recalques é, sem dúvi- (nada) resistente da água do solo neutrali-
atuam sobre ela. As que a estrutura transmi- da, um dos problemas mais complexos da zada. Este último fenômeno denomina-se
○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

RECUPERAR • Julho / Agosto 2008 19


mente com o agravante do lençol freático
alto, deve ser motivo, primeiro, de consoli-
dação ou melhoria, de modo a eliminar fu-
turos problemas.

A opção por fundação profunda

Quando as camadas superficiais do terreno


não são resistentes ou são muito compres-
síveis, como é o caso de solos moles, fica
difícil projetar fundações diretas com coe-
ficiente de segurança adequado ou com li-
mitação de recalques a valores toleráveis.
A opção por fundações profundas, utilizan-
Representação do recalque instantâneo (Ri), do relativo à consolidação primária (Rcp) e secundária
do-se estacas, exige que haja substratos
(Rcs). resistentes, geralmente distantes da super-
fície. Mesmo assim, havendo presença de
solos estruturalmente instáveis, como tur-
a) Fundação direta fas, argilas moles, areias fofas e solos co-
(distribuição lapsíveis, concomitantemente com execu-
horizontal de ção de aterros nos locais da construção, o
tensões) que é comum, o estaqueamento estará su-
jeito ao fenômeno do atrito negativo e de
deslocamentos laterais (efeito Tschebota-
rioff), estabelecendo-se recalques diferen-
○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○
ciais perigosos. Evidentemente, o custo de
uma fundação profunda é relativamente
grande para grandes e pequenos projetos.
b) Fundação
profunda (distri- A opção pela melhoria do solo
buição vertical (Compactação Profunda)
das tensões)
Compactar ou consolidar solos saturados
ou com umidade significa unir mais suas
partículas, reduzindo os espaços presen-
tes ocupados até então pelo ar e pela água.
Conseqüentemente, aumenta-se sua den-
sidade, tornando-o mais resistente. Existem
quatro técnicas de consolidação profunda
Tipos básicos de
fundação. específicas para solos moles: a remoção do
solo mole, a precompressão, as estacas de
fluência do solo, ou recalque devido à con- compactação e Compactação Profunda Ra-
solidação secundária (Rcs). Como conse- dial (CPR).
qüência, o recalque total que a estrutura se
submeterá será a soma dos três componen- A remoção do solo mole
tes citados, ou seja, Ri + Rcp + Rcs. Adici-
onalmente aos três recalques, é comum Esta técnica, bastante antiga, já não é mais
ocorrer também, paralelamente, movimen- utilizada pelo fato das restrições ambien-
tos laterais no solo de fundação, criando tais. Assim mesmo, sua atuação resumia-
transtornos para construções anexas à edi- se às camadas de, no máximo, 4 metros.
ficação que está sendo construída. A exe-
cução de provas de carga com ensaios de Precompressão
placa, não deverão ser executadas, pois,
como se viu, não representa as condições Também denominada aterro provisório ou
a que estará submetida a construção. Em aterro sobre solo mole é a técnica mais an-
resumo, qualquer elemento de fundação O ensaio de placa não “vê” o que ocorrerá sob a tiga de consolidação de terrenos onde exis-
direta assentado em solo mole, principal- fundação. tem solos moles. No entanto, ainda causa

20 RECUPERAR • Julho / Agosto 2008


move-se o aterro e inicia-se a construção. Compactação Profunda Radial (CPR)
Os grandes inconvenientes desta técnica
de consolidação: Técnica específica para solos moles, já
que envolve instalação prévia de geodre-
1 Demanda tempo, geralmente meses e até nos, através de malha de cravação previa-
anos.
2 A instrumentação e o cálculo de sua es-
tabilidade e efetividade são caras, às ve-
zes problemáticas.
3 O aterro provoca mais deslocamentos
horizontais no solo mole do que propri-
amente deslocamentos verticais.
4 Sua atuação é restrita a terrenos onde a
Empuxo lateral na estaca devido a cargas de ater- camada de solo mole é pequena, pois as
ros.
tensões/deformações induzidas atin-
surpresa aos projetistas, tanto no que diz gem apenas uns poucos metros. Casos
respeito a rupturas como a grandes recal- de aterros de resíduos urbanos sobre
ques e deslocamentos inesperados. Pre- solos moles inviabilizam esta técnica.
viamente, instalam-se geodrenos ou esta- 5 Sua efetividade é melhor quando utiliza
cas de areia, de modo a acelerar a drena- colunas de material granular ao invés
gem da água, diminuindo a trajetória da de geodrenos fibroquímicos.
mesma dentro da massa do solo compres- 6 Em resumo, sua eficácia é bastante limitada.
sível. A seguir, instalam-se equipamentos
para monitorar as tensões e a poropres- Estacas de compactação
são. Constrói-se, então, o aterro sobre a mente dimensionada, seguida da cravação
camada mole, em uma ou várias etapas, po- Esta técnica é indicada apenas para solos dos tubos de bombeamento do grout es-
dendo-se utilizar geotêxteis na interface arenosos, quando muito para solos areno- pecífico, que promoverá a compactação do
aterro-solo mole, com o objetivo de dar sos-siltosos. Nunca para solos moles. Se o solo mole ao longo de toda a sua profun-
mais estabilidade ao conjunto. O aterro teor de finos do solo ultrapassa a 20% sua didade. Seus equipamentos permitem iden-
comprime o solo, impondo cargas superi- eficácia fica comprometida. Geralmente as tificar, previamente, a resistência não dre-
ores à futura construção e acelerando os estacas são feitas com areia, argamassa, nada do solo mole (coesão), ao longo de
futuros recalques. Após certo tempo, re- concreto e até madeira. toda a sua altura, à semelhança do ensaio
pressiométrico. Com isto, ao finalizar o
Monitoramento das condições do solo de bombeamento de cada bulbo, pode-se pre-
fundação anexo à estrada de ferro: A ver o grau ou a intensidade de consolida-
amplitude das cargas dinâmicas correspon-
dentes à passagem do trem é o informativo
ção imposta a cada metro da camada de
mais precioso de sua estabilidade. Suas solo mole. Trata-se de uma técnica moder-
amplitudes precisam estar estáveis na, isenta de inconvenientes técnicos, já
enquanto o trem passa. Em áreas de risco,
como taludes e pontes, o MAE torna-se que alia rapidez e eficiência.
obrigatório.
fax consulta nº 11

Para ter mais


informações sobre
Solos.

REFERÊNCIAS
• Jorge L. F. de Almeida é professor e enge-
nheiro de fundações.
• Jiménez Salas, J.A., Justo Alpañes, J.L. y Ser-
rano González, A.. Geotecnia e Cimientos II.
• Serions, N.E., and Menzies, B.K. A short cour-
se on foundation engineering.
• Bjerrim, L., Problems of Soils Mechanics and
Construction on Softsoils, 8º ICSMFE.
A amplitude das deformações dinâmicas precisa situar-se dentro de uma área estável para confirmar a • Uriel, A., CImentaciones en la edification.
segurança do solo de fundação.

RECUPERAR • Julho / Agosto 2008 21


Survey fPractice

Pontes em concreto protendido e mistas apresentam complexos


processos de deformação por distorção, onde sobressaem

C
a fluência e a retração.
asais discutem pra se amar. O de ou de toda a estrutura
bate, sem fingimento, sincero e executar sua fun-
acalorado, expõe as pessoas ção, de forma irre-
como elas são, sem seus defeitos e prefe- versível, seja pela
rências. Por esse motivo, a ausência de mudança de seu
discussões impede aprofundar tanto as comportamento,
semelhanças quanto às diferenças. Por seja pela degradação
semelhança, queremos por em questão as dos materiais envolvi-
situações que levam uma peça estrutural dos. Estamos falando de pe-
ou mesmo uma estrutura a um estado pro- ças ou estruturas metálicas, de con-
blemático que, para nós, aqui e agora, sig- creto armado – protendido, do solo de
nifica a incapacidade da peça estrutural fundação, etc.

22 RECUPERAR • Julho / Agosto 2008


Survey fPractice

Quase sempre associamos patologias nas


construções à presença de fissuras, recal-
ques, desgastes e corrosão. A presença
destes quatro fatores, juntos ou separa-
dos, no entanto, não são suficientes para
estabelecer um estado de patologia. Es-
truturas metálicas ou de concreto também
se degradam quando ocorre distorção em
seu tamanho ou forma que, usualmente,
leva ao comprometimento de sua ativida-
de comportamental.
Os dicionários da língua portuguesa fa-
lam de distorção como mudança de forma,
de estrutura, uma torção anormal. Já dis-
torcer é apresentado como alteração da
Estruturas de pontes são as que mais
apresentam processos de distorção.
forma original ou da posição normal. O fato
é que quando uma peça estrutural entra
Continua na pág. 26
○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

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Os tipos de ruína causados pela


distorção

Patologias causadas pela distorção podem


ser classificadas de diferentes maneiras.
Trata-se de um viés a ser facilmente inves-
tigado, evidenciando a distorção de tama-
nho causado por:
Na viga-caixão desta ponte, as deformações por fluência e retração têm significativa influência em seu
sistema estrutural, particularmente em suas partes metálicas Mudanças de volume, tanto
em colapso, quebra ou chega ao estado de identificamos a patologia distorção como por aumento como por
ruína, muita coisa aconteceu ali. Assim, uma mudança no tamanho e/ou forma de retração dimensional
uma estrutura, geralmente complexa de ser
GLOSSÁRIO explicada. Sim, porque necessita de infor- e distorção da forma da peça/estrutura atra-
Fluência – deformação causada por carregamen- mações cruciais de projeto, da análise es- vés de:
to constante, ao longo do tempo. trutural, da tecnologia dos materiais que ge-
Relaxação de tensões – tensões que diminuem • Estiramento
ao logo do tempo em uma estrutura sob deforma- rou a peça ou a própria estrutura. Um outro • Flexionamento
ção constante. complicador é que a distorção pode ser cau- • Torção
Retração – diminuição de volume ou compri-
mento causado pela secagem do concreto ou por sada por tensões residuais presentes den- • Compressão
mudanças químicas. Acontece em função do tem- tro da peça/estrutura ou por tensões exter-
po. Não tem relação com tensões provocadas por
cargas mecânicas.
nas. Patologias estruturais causadas pelo Puxando ainda mais o fio da meada, verifi-
Tensões residuais – tensões internas, presentes fenômeno da distorção são extremamente ca-se que o fenômeno da distorção pode
em uma peça estrutural ou estrutura, mesmo consi- sérias pois, usualmente, conduzem a outros ser taxado de temporária e um caso típico
derando que ainda existam forças externas ou gra-
dientes térmicos atuantes. Estas tensões, conside- tipos de patologias que, no final, com um ocorre nas estruturas metálicas, pelo fato
rando que possam atuar em pontos localizados ou monte de sintomas ou o próprio colapso, destes materiais serem elásticos e fletirem,
em toda a estrutura, são o resultado de uma monta-
gem mal feita entre partes pertencentes de uma
passam despercebidas. A distorção também distorcerem, principalmente sob tensões
mesma estrutura. A situação interna destas estrutu- ocorre em peças ou estruturas submetidas pequenas. E permanente, resultado do es-
ras, causada por um ou mais fatores distorce as à fluência ou à relaxação provocadas por
regiões vizinhas com tensões não programadas.
coamento ou esmagametno durante servi-
tensões. ço, por fluência, flexionamento, torção, com-
○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

26 RECUPERAR • Julho / Agosto 2008


Survey fPractice

pressão etc, alcançando seu limite elástico.


Fluência não é um fenômeno simplório, de Alguns tipos de distorção
curto prazo como outras patologias corre- • Retração longitudinal
lacionadas. Ao contrário, é caracterizada por • Retração transversal
deformações causadas por tensões, ao lon- • Inclinação devido à distorção angular
go de tempos relativamente grandes, mani- • Flexionamento com torção
festando-se como uma distorção gradual • Fluência
onde o fator temperatura costuma interfe-
rir. A definição para este tipo de distorção
pode parecer insuficiente, contudo trata-
Distorção típica em
se de um fenômeno bastante complexo. chapas soldadas.

Algumas situações
nando ao seu tamanho/forma original quan-
A totalidade das pe- do descarregadas, perfazendo-se o modelo GLOSSÁRIO
ças estruturais é elástico ou temporário de deformações, às Deformação elástica – tem a ver com o com-
portamento tensão/deformação aplicado. O grau
programada para quais dá-se o nome de deflexão. Assim, é para o qual uma peça ou estrutura deforma depen-
trabalhar dentro comum vermos vigas metálicas ou de con- derá da intensidade das tensões aplicadas. Para o
caso das estruturas metálicas, que são tensiona-
do limite elásti- creto fletirem ou empenarem. Da mesma for- das à tração, tensões ( δ) e deformações (ε) atu-
co, retor- ma pontes de concreto e metálicas podem antes equivalem-se através da relação
E = δ/ε, chamada lei de Hooke, onde E é a cons-
sofrer distorções, devido a deflexões dife- tante de proporcionalidade, dada em MPa, chama-
renciais de vigas adjacentes e também dis- da de módulo de elasticidade. Havendo a propor-
cionalidade, as deformações serão elásticas. Esta
torção causada por fluência e relaxação proporcionalidade comportamental inicial nas es-
de tensões em caixões protendi- truturas metálicas não ocorre no concreto, ou seja,
a porção elástica inicial na curva tensão-deforma-
dos. Pode-se citar também o fe- ção não é linear. Assim, não é possível determi-
nômeno da distorção angu- nar o módulo de elasticidade do concreto, de for-
ma simples como nos metais, tornando-se neces-
lar causada por recal- sário utilizar o módulo tangente ou secante.
ques diferenciais en- Fluência – deformação que depende do tempo
ou mudança de forma de uma seção submetida a
tre peças de funda- tensões. Geralmente, tem sempre tensões de tra-
ção. É significativa a ção no contexto, muito embora possa ocorrer com
qualquer tipo de tensão em todo tipo de material,
ordem de problemas cau- seja concreto, aço e compósitos. Assim, pode-se
sados pela distorção em pavi- chegar a estados de fratura (ruína) devido a mu-
dança gradual na forma da peça estrutural, tanto
mentos rígidos ou flexíveis, devi- devido a tensões de compressão, tração, flexão e
do a solos moles. É comum também este torção.

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

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RECUPERAR • Julho / Agosto 2008 27


Survey fPractice

Seções estruturais de todo o tipo estão sujeitas a processos de distorção.

A distorção angular e o recalque diferencial fax consulta nº 16

Para conhecermos os problemas que uma duas peças quaisquer da fundação. O


estrutura pode ter em relação a seu solo recalque diferencial (∆) impõe distorções
de fundação, precisaremos saber sobre na estrutura que, dependendo da Para ter mais
recalque absoluto, que é o deslocamento intensidade acarretarão trincas. A informações sobre
vertical descendente de uma peça de distorção angular (δ) é o cociente entre o Análise.
fundação. Já recalque diferencial é a recalque diferencial e a distância entre
diferença entre os recalques absolutos de duas peças da fundação.

citar o empenamento de pisos industriais,


GLOSSÁRIO REFERÊNCIAS
ou seja, a distorção das placas em suas ex-
Distorção angular – na resistência dos materi- tremidades, tanto com flexionamentos para • Thomas Kim é engenheiro civil e trabalha
ais, a distorção angular (δ)é obtida pela expressão no repairbusiness.
δ = τ/G, onde τ é a tensão cisalhante e G é o
baixo quanto para cima, devido a processos
• EG. Bernasconi and G. Piatti, Creep of engi-
módulo cisalhante do material que está sendo con- de retração/dilatação da superfície do piso neering materials and structures.
siderado.
Halografia – processo fotográfico para a obten-
em relação ao seu fundo. Variações de tem- • N.E. Dowling, Mechanical Behavior of Ma-
são de imagens tridimensionais mediante a utiliza- peratura e umidade também causam distor- terials: Engineering Methods for Deformati-
on, Fracture and Fadigue.
ção de laser. ção em pisos industriais. • R.W. Hertsberg, Deformation and Fracture
Mechanics of Engineering Materials.
sinistro em consoles de concreto, causado Pesquisando a distorção
○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○
pela deterioração do apoio elástico. Vigas-
○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

paredes costumam sofrer empenamentos Há inúmeros trabalhos que analisam o


distorcionais. Tanques de concreto arma- processo de distorção e o campo das ten-
do-protendido corriqueiramente sofrem dis- sões envolventes, que ocorrem nas estru-
torção, devido a tensões térmicas e a pro- turas com a utilização da tecnologia ótica
blemas com sua fundação. Tudo isto sem halográfica em tempo real.

Técnicas para a análise do estado de ruína


Para estudar qualquer tipo de ruína precisa- estrutural perde sua capacidade portante. Os
mos considerar um amplo espectro de possibi- estados de ruína por distorção, desgaste e
lidades ou razões para a ocorrência. De forma corrosão, também importantes, conduzem a
freqüente, precisamos considerar também um estados de fraturas mais previsíveis e, natu-
grande número de fatores, normalmente in- ralmente ainda com possibilidades de trata-
terrelacionados, compreendendo-os de forma mento. O primeiro passo para investigar qual-
clara, de modo a determinar a causa primária quer tipo de ruína, acredite, é não fazer NADA.
ou original da ruína. Bote Sherlock Holmes nis- Apenas estude as evidências, analise e ques-
so. Fraturas, inquestionoavelmente, consti- tione o local, assim como as circustâncias. A
tui-se no mais sério tipo de ruína, geralmente partir daí, desenvolve a análise do estado de
trazendo resultados trágicos quando uma peça ruína.

28 RECUPERAR • Julho / Agosto 2008


A tecnologia do Monitoramento da Atividade Estrutural (MAE) está presente no mundo
inteiro, de forma crescente, para todos os tipos de estruturas e para solos de fundação.

O
GLOSSÁRIO
s detratores do inconsciente, os gos técnicos de monitoramento realmente Transdutores – qualquer dispositivo que trans-
caretas de espírito, os inimigos chatos. Felizmente, a maioria dos e-mails forma um sinal de determinado tipo num sinal de
mortais das novas tecnologias há recebidos enaltece este achado. No mundo outro tipo. Um alto-falante é um transdutor eletro-
acústico, transformando sinais elétricos em acús-
de dizer que as novas técnicas de monito- todo o MAE é considerado a junção do ticos. Quando tem fonte própria é dito ativo. Quan-
ramento com fibra ótica e wireless são mui- imponderável dos desenhos animados, ale- do apenas transforma sinais, sem fonte de ener-
gia própria é dito passivo.
to chatas, que assim, que assado. Estou me gres e fáceis de digerir com a frieza da reali- Transmissores – aparelhos que transmitem sinais.
referindo às primeiras matérias apresenta- dade das estruturas. Melhor, impossível. Atuadores – aparelhos que convertem energia
líquida em energia mecânica.
das nas edições 82 e 83 da RECUPERAR e Sensor – aparelho que converte energia de uma
inúmeros e-mails que recebi de alguns lei- A tecnologia da leitura forma para outra. A energia de entrada no sensor
tores reclamando da chatice de tudo ligado representa o fenômeno físico/químico que se
deseja medir.
a monitoramentos. Pessoal, estou apresen- A tecnologia empregada para a obtenção dos Algorítimo – processo ou operação de cálculo.
tando a verdadeira solução para a engenha- dados de interesse baseia-se nas metodolo- Série de operações matemáticas que fornecem
soluções de problemas.
ria civil, sem todos aqueles clichês dos arti- gias e técnicas desenvolvidas para detectar
Continua na pág. 32
30 RECUPERAR • Julho / Agosto 2008
RECUPERAR • Julho / Agosto 2008 31
perturbações, distorções e alterações físi-
co-químicas, através de transdutores/sen-
sores: aparelhos que detectam ou lêem vari-
áveis físicas ou químicas de uma estrutura
ou de um ambiente, ou seja, são os primeiros
componentes da cadeia do MAE, responsá-
veis pela precisão e confiabilidade da medi-
da a ser feita. Podem ser simples, que dizer,
de apenas uma função ou multifuncionais.
Veja só o que podem ler:
Ponte com tabuleiro e
pilares em concreto
armado e vigas
metálicas.

Extensômetros transversais e longitudinais, à base de cabos Intensidade das deformações


óticos, sob o tabuleiro. transversais e longitudinais causadas
pela passagem de um veículo.

A energia vital energia. Os três requisitos básicos que pre-


cisamos gerenciar neste particular são sua
Sem energia não há informação. Logo, para localização, a geração e, claro, como esto-
um sensor funcionar precisamos dar-lhe car todos os dados coletados. Relaxe, pois
A junção do imponderável do nosso sonho ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○
ou desejo com a frieza da realidade de uma
○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

estrutura dever-se-á materializar com a es-


colha dos sensores que, além de especifi-
car nossa intenção, deverão ter atributos
complementares que tornarão ainda mais
precisa nossa escolha:

• Acessibilidade - capacidade de
leitura dos sensores associada à
precisão desejada.
• Dimensão das variáveis - as di-
mensões das variáveis físicas e químicas.
• Tamanho - o volume físico dos senso-
res.
• Alcance da operação - limites dos sen-
sores.
• Formato dos dados - características das
medidas em relação ao tempo. Poderá
ser contínuo ou localizado, analógicos, ou
digitais.
• Sensibilidade - a menor grandeza ou
mudança que o sensor poderá fornecer.
• Inteligência - sua capacidade de pro-
cessar dados e tomar decisões.
• Passivos e ativos - tanto podem gerar
dados como, simplesmente, recebê-los.
• Contato físico - a forma como o sensor
se posiciona na estrutura.
Tele-atendimento
• Princípio operacional - poderá ser ele- (0XX21) 3154-3250
tromagnético, eletro-ótico, piezoelétrico, fax (0XX21) 3154-3259
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Fax consulta nº 26
ultravioleta.

32 RECUPERAR • Julho / Agosto 2008


já existem sensores com energia própria,
capazes de mandar dados até para a China.
Evidentemente, usam baterias.

A tecnologia da comunicação

O propósito da transmissão de dados é


enviar informação através de processamen-
to em diferentes formatos, quer dizer, ana- Impactos,trincas e desplacamentos ocorreram
neste viaduto. Preocupações com relação à
lógico, combinando-se ondas oscilantes de estabilidade. Contratou-se um MAE para checar
diferentes freqüências ou digital, estocan- sua condição.

do-se dados na forma de dígitos binários e


transmitidos ao longo da rede de comuni-
cação entre os sensores e laptops utilizan-
do-se sinais elétricos. Os dados podem ser
transportados por fios, com propagação
dos sinais feita por fluxos de corrente elé-
trica, ou por rádio transmissão, com a emis- Instalação da ligação
do cabo ótico:
são de sinais elétricos que se propagam Informação instantâ-
como ondas magnéticas. Um resumo inte- Instalação de cabo ótico com 10m de Deformações dinâmicas devido à passa- nea sobre a condição
ressante da forma como é feita a transmis- comprimento ao longo da seção curva gem do trem. Repare que são totalmente do viaduto em
o viaduto. reversíveis. qualquer lap-top
são de dados é a seguinte:
A tecnologia da
estocagem de dados GLOSSÁRIO
• Pares de fios ou cabos coaxiais.
• Microondas
• Fibra ótica O monitoramento de uma estrutura tem que Trabalho – medida de qualquer forma de energia
(a térmica exclusive) que, uma vez fornecida ou
ser muito bem programado, de modo a termos retirada de um sistema, é capaz de alterar seu
dados suficientes para diagnosticar determi- estado. Assim, o trabalho de expansão é uma
Só complementando, a velocidade da trans- medida da energia que se deve fornecer a uma
nados comportamentos. De outra forma, po- estrutura para alterar o seu volume. O trabalho de
missão é feita em bits por segundo (bps), a der-se-á incorrer numa quantidade infinita de extensão mede a energia necessária para alterar
largura da faixa da transmissão é dada em dados desnecessários. Assim, é imprescindí- uma dimensão linear da estrutura e o trabalho de
superfície mede a energia necessária para alterar
Hertz e o padrão de transmissão é feito por vel dimensionar uma quantidade precisa de a área da estrutura.
interfaces padronizadas. sensores e a freqüência do monitoramento.
○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

MAE
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RECUPERAR • Julho / Agosto 2008 33


seja feito, acabam por gerar uma monstruo-
sa quantidade de dados, quase que impos-
sível de digerir. Razão pela qual há a neces-
sidade de compactá-los. Isto é muito co-
mum no monitoramento wireless.
Contudo, a principal atividade do MAE é a
interpretação das leituras. Ou seja, forne-
cer apenas sensores moderninhos é impor-
tante. Fundamental, no entanto, é determi-
nar o significado das anomalias encontra-
das no monitoramento, e poucos são capa-
zes desta empreitada. Mais MAE na próxi-
ma edição.

fax consulta nº 28

Este viaduto apresenta um fluxo de 17.500 veículos/dia e está situado à beira


mar. Este ambiente promove rapidamente processos de corrosão no concreto
e, principalmente, em suas armaduras.
Para ter mais
informações sobre
Monitoramento.

REFERÊNCIAS
• Mariana Tati é engenheira civil e trabalha
no repairbusiness na área de monitoramento.
• Buyukozturk, O., and T. Y. Yu, “Structural
Health Monitoring and Seismic Impact As-
sessment”, Proceeding of the Fifth National
Conference on Earthquake Engineering, Is-
tanbul, Turkey.
• P. Goltermann: “Managing large bridge struc-
tures in Scandinavia”, July 14-18 2003, Cam-
bridge, UK.
• Klinghoffer, O.; Goltermann, P. and Bässler,
Localização da instrumentação. Cabos óticos posicionados na viga inferior e superior de uma viga T
protendida, de modo a determinar a posição correta do eixo neutro. Deformações dinâmicas excessivas R.: “Smart Structures: Embeddable sensors for
devido ao tráfego intenso diário. use in the integrated monitoring systems of
concrete structures”, Proc. IABMAS 02, July
2002, Barcelona, Spain.
A tecnologia do
GLOSSÁRIO • Goltermann, P. et al: “SMART STRUCTU-
processamento de dados RES Integrated Monitoring Systems for Du-
rability Assessment of Concrete Structures.
Temperatura – grandeza que caracteriza o equi-
Este conjunto de conhecimentos científi- líbrio térmico de um sistema simples ou em rela-
Project Report”, February 2002, available for
downloading at http://smart.ramboll.dk/
cos deve-se aos chamados algoritmos. Mas ção a outro. Quando há equilíbrio a temperatura é
constante em todos os pontos. smart_eu/index.htm
precisamente os algoritmos de processa- • Elsener, B. et al:”Assessment of reinforce-
Estado – situação de uma estrutura em que são
mento de sinais. Neste particular, torna-se definidas as variáveis físicas e químicas neces- ment corrosion by means of galvanostatic
necessário tanto eliminar interferências de sárias para caracterizá-la. pulse technique”, Proc. Int. Conf. “Repair of
Calor – forma de energia (e também medida des- Concrete Structures”, Svolvær, Norway, 1997.
sinais, como também compactar estes mes- ta energia) que pode ser transferida de uma para • Frølund, T. and Klinghoffer, O.: “Compari-
mos sinais. Explica-se. No campo, nas outra estrutura, sem ser acompanhada de trans- son of half-cell potentials and corrosion rate
obras, ou melhor, no mundo real são detec- porte de massa e/ou da execução ou recebimento
measurements – A field experience with eva-
de trabalho, graças à diferença de temperatura
tados um sem número de sinais desneces- existente entre dois sistemas. A troca de calor
luation of reinforcement corrosion”, Proc
EUROCORR 2004, Nice, France, 2004.
sários e até prejudiciais ao estudo do moni- (troca térmica) provoca alteração no estado das
estruturas, sem que tenham recebido ou cedido • Goltermann, P. et al.: “SMART STRUCTU-
toramento. Influências ambientais, como trabalho. Forma ou manifestação especial de ener- RES. Integrated Monitoring Systems for Du-
flutuação de temperatura e interferências gia em trânsito, conversível em trabalho e vice- rability Assessment of Concrete Structures,
de alguma atividade que esteja ocorrendo versa; base do 1º princípio da termodinâmica. Subtask 3.2 On-site Testing of Portable Sys-
Massa – grandeza fundamental da física. Defi- tems. Extensive Testing of Portable Syste-
junto à estrutura devem ser catalogadas e ne-se como a quantidade de matéria contida num ms”, February 2002.
eliminadas. Com este intuito utilizam-se fil- corpo. Demonstra-se que a massa é variável, ou
• Luping, T. “Calibration of the Electroche-
seja, cresce quando altera-se sua velocidade.
tros. A utilização de muitos sensores e a Algorítimo – processo ou operação de cálculo. mical Methods for the Corrosion Rate Mea-
necessidade de leituras contínuas implica Série de operações matemáticas que fornecem surement of Steel in Concrete. NORDTEST
soluções de problemas. Project No. 1531-01”, SP REPORT 2002:25.
num sem número de dados que, caso nada

34 RECUPERAR • Julho / Agosto 2008

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