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Licenciatura em Solicitadoria

UC: Direito Administrativo I

Aula 01 – 03/03/2021
Dados da Disciplina:
I. Professor: Kafft Kosta
II. Email: kafft.kosta@ipbeja.pt
III. Bibliografia:
a. Rebelo de Sousa, Marcelo – Direito Administrativo TOMO I, Lisboa, D.
Quixote, 2008, ISBN: 9789722032421
b. Rebelo de Sousa, Marcelo – Direito Administrativo, TOMO III, Lisboa, D.
Quixote, 2009, ISBN: 9789722038799
c. Freitas do Amaral. Diogo – Curso de Direito Administrativo, VOL. I,
Coimbra: Almedina, 2020, ISBN: 9789724062099
IV. Avaliações:
a. 1 caso prático, 21 de Abril – 25%
b. 2 caso prático, 2 Junho – 25%
c. Avaliação Oral Global – 50%
d. Trabalho Oral de Grupo, 16 de Junho:
- Estado de Necessidade Administrativo

Preparação da Aula 08/03/2021


TÓPICO 1: DIREITO ADMINISTRATIVO E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
1. Administração Pública: Considerações gerais; Funções do estado
 Administração Pública é o que regula a administração pública e que está
interligada com a doutrina da separação de Poderes do autor Montesquieu.
É importante realçar que a Administração Pública do Estado mesmo ao
estar alojada no Poder Executivo, não exerce apenas a função
administrativa.
 Em Portugal, como na generalidade dos países de Estado de Direito,
consideramos que a Administração Pública é um sujeito de direito que atua,
com respeito pelo direito, mas com o uso do direito aplicável aos cidadãos
em geral, ou seja, direito administrativo – artigo 4º do CPA (porém pode
recorrer ao Direito Privado quando se considere oportuno e o legislador
não o proíba, porém como está presente no Artigo 6º do CPA a
Administração Pública em contacto com os particulares terá SEMPRE que
respeitar o princípio da igualdade) e que poderá utilizar também poderes

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normativos e jurisdicionais, o que lhe dá a capacidade de impor sem mais, a


sua vontade à dos particulares, estando no entanto sempre sujeita a
posterior fiscalização dos tribunais, quando os cidadãos não tem esse
cumprimento existe uma indemnização pelo facto. Artigo 3º/Nº1 do CPA.
Porém em estado de necessidade e apenas se não tiver outra alternativa o
lesado tem o direito de ser indemnizado inserto no Artigo 3º/Nº2 do CPA.
 Administração Pública não é uma atividade exclusiva do Estado,
compreende também órgãos e serviços locais. Alguns serviços são
administrados pelas autarquias (obras, limpezas …) já outros em
concorrência por administrados por instituições públicas e particulares
(estabelecimento de saúde ou escolares) outros apenas administrados
desempenhados por sociedades comerciais (empreiteiros, concessionários).
O que os une? Todos querem a satisfação das necessidades coletivas:
segurança, a cultura e o bem-estar.
 Administração Pública tem muitos sentidos, se falarmos apenas
“Administração Pública” existe a legitimidade para perguntar: em que
conceito? Sentido Formal, Sentido Orgânico ou Sentido Material? E assim
nos deparamos com a dogmática da tripartição funcional da teoria das
funções do Estado.
2. Sondando a polissemia da Administração Pública:
a) Administração Pública em sentido orgânico
 Administração pública no sentido orgânico ou sentido subjetivo,
conjunto de agentes, órgãos e pessoas jurídicas aos quais é
atribuído o exercício da função administrativa, ou seja, agentes
públicos (União, Estados, Municípios) aqui encontram-se órgãos
da chamada Administração Direta na Administração Indireta
encontra-se as entidades que desempenham suas funções de
maneira descentralizada. (exemplo: administração das
alfândegas).
 Conjunto de pessoas colectivas que desempenham a título
principal funções administrativas
b) Administração Pública em sentido formal
 Administração Pública em sentido formal, tem a ver com o modo
próprio de agir que caracteriza a administração pública em
determinado tipo de sistemas de administração.
c) Administração Pública em sentido material
 Administração pública em sentido material ou sentido objetivo,
atividades exercidas pelo Estado por meio dos seus agentes,

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órgãos e entidades, engloba polícia administrativa, serviço


público, intervenção administrativa (exemplo: administração
local).

https://www.algosobre.com.br/direito-administrativo/sentidos-da-administracao-publica.html
https://psicanalisarodireitoadministrativo16b.blogs.sapo.pt/administracao-publica-funcao-1983
http://www.condesso2011.no.comunidades.net/administracao-publica-e-funcoes-do-estado

3. Administração Pública e Administração Privada


 Conceito de Administração Pública: Gestão de Instituições públicas e
governamentais onde se encontra uma relação íntima com o Estado.
 Conceito de Administração Privada: Gestão de empresas privadas,
finalidades mais particulares aqui a organização e o desenvolvimento é
direcionado para pessoas específicas, como por exemplo os proprietários,
gestores ou empregados da empresa.
 PRINCIPAIS DIFERENÇAS:
a) Recursos:
I. Administração pública: cofres públicos (impostos, taxas e
contribuições).
II. Administração privada: pagamentos feitos pelos clientes.
b) Público-alvo:
I. Administração pública: a população no seu coletivo.
II. Administração privada: cliente.
c) O tipo de controlo:
I. Administração pública: O Estado.
II. Administração privada: O mercado; comércio.
d) Tomada de decisão:
I. Administração pública: é feita de forma lenta e com fundamento em
políticas públicas.
II. Administração privada: é feito de forma rápida e com fundamento
na política da empresa.
e) Ordenamento jurídico:
I. Administração pública: princípio da legalidade e do direito
(constitucional e administrativo) o que a lei não determina é
proibido.
II. Administração privada: englobada no direito privado (civil e
comercial) o que não está proibido por lei é permitido.

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https://prezi.com/p/gv9btaf7u8mj/administracao-publica-x-administracao-privada-principais-
diferencas/

5. Gestão pública e gestão privada da Administração Pública

Aula 02 – 08/03/2021
A Administração Pública na sua polissemia
 Se entendermos Administração Pública em sentido orgânico ela traduzir-se-á num
conjunto de pessoas coletivas que desempenham funções administrativas a título
principal (ou seja, é a sua missão principal).
 Administração Pública em sentido orgânico: Função administrativa é aquela atividade
pública permanentemente orientada para a satisfação de necessidades coletivas
através de produção de bens e de realização de serviços.

Ex.: Direcção-Geral da Cultura, IPBeja, Universidade Lisboa, Município de


Coimbra, Região Autónoma da Madeira.
NOTA: Estes exemplos foram por ordem de centralização, desde a administração central até
aos serviços da administração mais descentralizados – que são as regiões autónomas são
autoridade com poderes mais descentralizados.

Normas caracterizadoras da Administração Pública em sentido orgânico:


1.º. Pluralidade de entidades que exercem as funções administrativas (elas são varias e são
diversas – ver segunda nota).
2.º. Diversidade do ponto de vista institucional e orgânico das entidades, por exemplo,
encontramos pessoas coletivas públicas e pessoas coletivas privadas que exercem
funções públicas fazem todos parte da administração pública.
3.º. Interdependência numa sociedade, numa democracia aberta, participativa e
colaborante a interdependência é importante. A interdependência exprime-se pelo
reconhecimento da existência de uma cadeia e hierárquica, por exemplo, X deve
obediência a Y e Y deve audiência obediência Z.
 A Hierarquia significa uma linha de comando e o facto disciplinar é importante
ressaltar visto que não é um capricho, mas sim um imperativo de racionalidade
que se deteta na relação hierárquica.
 A interdependência capta-se na relação hierárquica mas também se cabe na
relação de superintendência (a superintendência é aquela situação em que
aparece uma entidade, que não sendo superior hierárquica do outro, está na
condição de fixar objetivos, definir fins e obrigar outra entidade a cumprir os
fins mas esse entidade não pode dar ordens – Z fixa um conjunto de objectivos
á entidade Y, Y vai cumprir os fins mas da forma como achar mais pertinente,

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ou seja, a escolha dos meios a utilizar cabe a Y, existindo assim uma relação
óbvia de interdependência entre dois órgãos administrativos).
 Na tutela também existe uma relação de interdependência mas não existe
hierarquia. Exemplo: A relação de tutela que o IPBeja tem com o Ministério do
Ensino Superior. Se o Presidente do IPBeja tiver uma conduta errónea/danosa,
o particular pode recorrer ao Ministério do Ensino Superior mas o Ministério
do Ensino Superior não pode dar ordens (porque não há uma relação
hierárquica) ao Presidente do IPBeja.
4.º. Indispensabilidade da intervenção do particular, quer dizer que o poder
Administrativo aparece a operar de modo próprio/por vontade própria, ou seja, não
tem de ficar á espera que o particular desencadeie um procedimento (há momentos
em que o poder administrativo age independentemente da iniciativa dos privados).
A 5ª nota distingue o Poder Administrativo do Poder Judicial
5.º. Poder Administrativo é parcial (o poder judicial deve ser imparcial). É parcial porque
age em prol da satisfação dos interesses públicos àquela entidade administrativa (por
este motivo toma partido em confronto com os particulares). Não é uma entidade
“supra partes” ao contrário do poder judicial (tribunais) que é imparcial.
6.º. Amovibilidade (a amovibilidade é a suscetibilidade de administração pública ou as
“pedras” que compõe a administração pública se amoverem, daí se falar em
transferências de postos de locais de trabalho).
Ligada á amovibilidade aparece a responsabilidade
7.º. Responsabilidade dos titulares de cargos da administração pública em sentido
orgânico (diferentemente do poder judicial – o juiz não é responsabilizado a priori pela
decisão que cometeu – se assim não for poderá ter receio de decidir). Está retratada
no artigo 22º da CRP – a responsabilidade pode ser civil e disciplinar.

Administração Pública é diferente Administração Privada mas a Administração Pública pode


ser/funcionar através de entidades privadas.
Administração Pública abrange atualmente:
1. Pessoas coletivas totalmente sujeitas ao Direito Administrativo.
2. Pessoas coletivas controladas pelo Direito Público, mas manifestando juridicamente
formas privadas (ex: sociedades comerciais anónimas).
3. Pessoas coletivas privadas (ex: associações, fundações).
4. Pessoas coletivas controladas pelo Direito Público (apesar de se manifestarem
juridicamente como formas privadas são de regime jurídico privado).

 Administração Pública em sentido formal: A AP, em sentido formal, tem a ver com o
modo próprio de agir que caracteriza a Administração Pública em determinado tipo de
sistemas de administração. Por outras palavras, refere-se a quem exerce (á pessoa), ou
seja, é o conjunto de órgãos, pessoas jurídicas e agentes que o nosso ordenamento
jurídico identifica como administração pública, não importa a atividade que exerçam.

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 Administração Pública em sentido material: A AP, em sentido material, reveste-se do


ius imperium que a coloca num patamar superior face aos cidadãos. É uma atividade
administrativa concreta que materializa na função da administração do Estado. É
preciso que essa atividade concretamente delimitada tenha implicações materiais,
tenha envolvimento com certas funções materiais e que cumpra certas funções
materiais atribuídas á AP.
OBSERVAÇÃO:
 Diferentemente é o que se passa na visão da doutrina tradicional Alemã. Aqui a
diferença está na forma como age a Administração Pública no sentido orgânico,
independentemente de exercer a Administração Pública em sentido material (na
doutrina tradicional Alemã, não é necessário que se peça a essa entidade
organicamente administrativa que cumpra certas funções substantivas, ou seja, a
forma como se apresenta [ou como age] a Administração Pública em sentido orgânico
não precisa/necessita de um requisito complementar) – vamos ver quando falarmos
de administração pública em sentido material.

Tarefas primordiais da Administração Pública em sentido material:


1.º. Assegurar/garantir a força da ordem pública (ex.: Forças Armadas ou Direcção-Geral
de Saúde).
2.º. Direção da sociedade:
 Garantir a proteção do ambiente (é uma das funções do Estado com projeção
no Direito Administrativo).

Ex.: Central nuclear de Almaraz.


 Garantir a regulação económica (quando existem indicadores
macroeconómicos que evidenciam indícios de desregulação económica ou que
possa haver uma crise económica [ex.: troika] a intervenção do poder político
não é tão nefasta na sociedade nem na economia). Num Estado de Direito
Social as intervenções da Administração Pública são cada vez mais fortes.

“O que seria se Portugal não tivesse um SNS minimamente estruturado nesta crise pandémica?”
As entidades privadas não quereriam tratar pacientes covid porque não dá lucro, todos se
viraram para o Serviço Nacional de Saúde em busca de respostas.

Reserva do possível o Estado deve executar as normas programáticas constantes da


Constituição (saúde, habitação, educação e direitos sociais) e esses só são exequíveis na medida
em que o Estado tenha condições para os cumprir. Tem de produzir legislação/regulamentos
administrativos mas tem também de promover a concretização dos direitos sociais, com a
construção de hospitais, escolas, compra de vacinas, etc. Em suma, o Estado pode não ter hoje
mas vai-se organizar para poder amanhã cumprir com a sua função.

Âmbito material da administração pública:

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(e notas características da Administração Pública em sentido material)

1. Angariação de recursos materiais, por exemplo, através da Administração fiscal com a


cobrança de impostos e taxas, com angariação destes recursos vai aplicar onde faz
falta, por exemplo, na saúde, na educação, nas rodovias, nos aeroportos, etc. porque
há um pacto social fundador que angaria recursos através dos cidadãos para lhes
garantir segurança, justiça e bem-estar.
2. Administração dos recursos materiais e humanos através de gestão do património
público e de várias atividades. Nota-se aqui uma variabilidade no tempo e no espaço
do âmbito material da Administração Pública, por exemplo, consoante estejamos num
ambiente:
 Neoliberal o âmbito de atuação do Estado será uma intervenção reduzida
cumprindo as funções essenciais.
 Social providencial a administração pública será mais robusta, mais ampla,
com mais missão de distribuição de recursos (subsídios, por exemplo) e com
mais funcionários públicos.
Quais são os fins que a Administração Pública em sentido material deve seguir?
 Qual é o fim que deve seguir a Administração Pública (em sentido material) em
primeira linha? É o interesse público, definido na Constituição e nas leis. É a garantia
do poder administrativo seguir e procurar o interesse público.
 Conformação social (porque há uma projeção global da atividade
administrativa não restrita àquela projeção minimalista que encontramos no
Estado Não Liberal ou no Estado Liberal).
 Continuidade dos serviços públicos (aplicável em situações de suplência ou em
situações de substituição).
 Diversidade de manifestações da administração pública no sentido social.
Estas podem ser:
a) Agressiva para recolher (ex.: liquidação de impostos, expropriação por
utilidade pública, etc.).
b) Prestação, ou seja, abertura para dar (ex.: subsídio de desemprego,
RSI, bolsas de estudo, etc.).
c) Infra-estrutural, isto é, define e executa planos económicos, define e
executa planos urbanísticos.

NOTA: As alíneas a), b) e c) podem condicionar-se mutuamente e


não são mutuamente excludentes.
Ex.: A liquidação de impostos pode servir para pagar subsídios.
A gestão pública e gestão privada da Administração Pública
 Gestão pública da Administração Pública: Quando a ordem jurídica confere
supremacia ao interesse público relativamente aos interesses privados, por outras

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palavras, aos institutos públicos face os institutos privados. Neste caso a


Administração Pública deve aplicar subsidiariamente o Direito Privado mas apenas
quando as normas de Direito Administrativo o autorizarem expressamente, por
exemplo, no caso da contratação pública existem remissões para o Código Civil e para
o Código de Processo Civil (isto só pode acontecer quando o legislador assim o
determina, não há liberdade total da parte dos agentes ou dos titulares de órgãos
administrativos para quando lhes apetecer visitarem ou revisitarem a legislação civil e
aplicarem).
 Gestão privada da Administração Pública: A Administração Pública pode atuar á
sombra do direito privado quando ordenamento jurídico não atribui primazia ao
interesse público sobre os interesses privados em jogo, por outras palavras, aos
institutos públicos sobre os institutos privados, nesse caso há um espaço para o
surgimento da gestão privada da Administração Pública. Nesta hipótese a
Administração Pública deve submeter-se também a princípios e preceitos
constitucionais e legais, não é por isso que foge da alçada da Constituição e da
legislação do Direito Público, nomeadamente do Direito Administrativo.

Aula 03 – 10/03/2021
Direito Administrativo:
 O Direito Administrativo é um ordenamento jurídico (ou jurídico-administrativo) que
se pode considerar historicamente novo se compararmos a sua idade com a idade de
outros ramos do saber jurídico.
 O Direito Administrativo é ainda um “infante” se o compararmos com o Direito Civil,
por exemplo. É um ramo do Direito novo cujas bases dogmaticamente mais vincadas
remontam á Revolução Francesa (vêm do séc. XVIII), enquanto o Direito Civil vem do
Direito Romano.
 O que se constata atualmente em Portugal, na Alemanha, na França (principalmente) é
que se nota um grande desenvolvimento do Direito Administrativo que se
autonomizou plenamente do Direito Civil e do Direito Privado e que se está a
desenvolver em Portugal a olhos nus.
 Há um redescobrir do Direito Administrativo notável em Portugal (nas faculdade de
Direito, por exemplo) apesar de ser “novo” comparado com outros ramos.
Curiosamente está a sofrer uma autonomização no próprio seio do ramo do Direito
Administrativo visto que estão a aparecer especialidade diversas dentro do Direito
Administrativo Especial (Direito do Ambiente, Direito do Urbanismo, Direito da
Energia, etc.), ou seja, o Direito Administrativo Geral autonomizou-se Do Direito
Privado e do Direito Civil e agora dentro do Direito Administrativo estão a “nascer”
pólos de independência/autonomia face ao tronco comum.

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 O Direito Administrativo, se o considerarmos na perspetiva inicial, seria o Direito


comum da Função Administrativa. Ramo do Direito Público que se comporta a um
conjunto de princípios e regras que têm como objeto a Função Administrativa.

Qual é a noção rigorosa do Direito Administrativo?


 Quando falamos de Direito Administrativo falamos de um bloco composto por
princípios e regras jurídicas que incidem sobre a função Administrativa e são comuns a
esta função – Conceção funcional do Direito Administrativo.
NOTA: O que nos interessa não é a componente estatutária ou a componente organizacional, o
que nos interessa é saber quais são as funções atribuídas ao Direito Administrativo.
 A função administrativa é também passível de regulação por normas de outros
campos, ou seja, não é regulada apenas pelo Código de Procedimento Administrativo
(CPA), pelo Estatuto dos Tribunais Administrativos e Fiscais (ETAF), pelo Código de
Processo nos Tribunais Administrativos (CPTA), etc. nós encontramos na própria lei
administrativa remissões para diplomas normativos de outras áreas jurídicas (Direito
Civil, Código do Trabalho, etc.). Não é só das normas do Direito Administrativo que
vive a função administrativa, esta é também regulada por normas de outras áreas
jurídicas.
Funções do Direito Administrativo
 A função principal do Direito Administrativo é a de dar á administração pública a
autoridade dominante para que possa fazer prevalecer um interesse público sobre o
interesse privado (a Teoria Objectivista fala sobre isto mas esquece-se da componente
garantística: os interesses e os direitos dos particulares também devem ser
respeitados e tutelados).
NOTA: A Teoria Subjectivista só pensa na garantia da posição jurídica dos particulares
face á atuação da administração pública como a principal função do Direito
Administrativo.
 Por um lado as funções do Direito Administrativo são garantir a prevalência do Direito
Público, por outro lado não esquecer a garantia dos direitos e interesses dos
particulares. Daí que tenha surgido uma conceção híbrida que junta a componente
objetiva á componente subjectiva tentando aproveitar o “melhor dos dois mundos”
(ou seja, não só a componente objetiva mas também a componente subjectiva)
encontrando um ponto em que as duas áreas se conjuguem.
Qual é a abrangência do Direito Administrativo?
 Incide sobre a ação de sujeitos que não integram administração pública em sentido
orgânico mas desempenham a função administrativa (Administração indireta do
Estado).
Ex.: Instituto Politécnico de Beja.

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 Incide sobre a ação da Administração Pública em sentido orgânico.


Ex.: Direção-Geral da Saúde, Câmara Municipal de Lisboa, Governo Regional da
Madeira, etc.
 Incide sobre a ação de qualquer sujeito que circunstancialmente tropece na função
administrativa, por outras palavras, a ação de qualquer sujeito que se cruze com a
função administrativa.
Ex.: Um particular ao agir em cumprimento de deveres que a administração pública
deveria realizar entra nesta conceção.

Quais são as fontes de Direito Administrativo?


 As fontes de Direito são formas de produção/revelação do Direito. O Direito
Administrativo revela-se através:
 Da Constituição.
 Dos instrumentos jurídicos internacionais.
 Da lei (nas suas 3 variáveis portuguesas – lei da Assembleia da República,
Decreto-Lei do Governo e Decreto-Legislativo Regional).
 Dos regulamentos administrativos.
 Do costume (aqui podemos ter costume em matéria de lei, costume em
matéria de regulamento, costume em matéria de constituição). O costume
pode ser contra constitutionem, contra legem, secundum constitutionem,
secundum legem, praeter constitutionem e praeter legem. Há o costume
constitucional e costume infra constitucional.
 Na base temos os acórdãos do Tribunal Constitucional (mas só aqueles
acórdãos com eficácia erga omes, ou seja, com força obrigatória geral –
aqueles que estão relacionados com a fiscalização sucessiva abstrata, art.
281º CRP).
 Do Direito da União Europeia.
 Do regulamento/a diretiva/a decisão administrativo/a.
 Do regulamento administrativo (quer na forma de regulamento
autónomo/independente, quer na forma de regulamento complementar ou
regulamento de execução).
 O que não é fonte de Direito Administrativo:
 Direito circulatório (é o direito de circular e é composto pelos ofícios-circular)
visto que tem uma eficácia meramente interna.
 Doutrina (não é fonte de Direito Administrativo em Portugal) mas pode
influenciar a montante a legislação, a administração, a jurisprudência, etc.
porque os Professores quando escrevem pareceres e comunicam acabam por
influenciar os decisores administrativos, os decisores políticos, os legisladores,
os juízes, os magistrados em geral, etc. e acabam por ser fonte mediata de
Direito mas não fonte imediata de Direito.

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Organização Administrativa:
 267, nº 2 CRP: A organização administrativa nesses termos é uma zona de atuação do
Direito Administrativo.
 O procedimento do Direito Administrativo é uma zona de atuação do Direito
Administrativo (o procedimento Administrativo é, por exemplo, quando um particular
solicita uma autorização para caçar desencadeia um procedimento administrativo mas
pode não acabar ali e é expectável que não acabe ali).
 O procedimento administrativo está retratado no CPA do artigo 21º a 35º.
 As relações entre administração pública e os privados também entram na área de
incidência do Direito Administrativo – art. 135º e seguintes do CPA.
Relação entre o Direito administrativo geral e especial
 Direito Administrativo Geral: O Direito Administrativo Geral cobra/abrange os
princípios gerais da organização e da atividade administrativa, por outras palavras, é o
regime comum da organização, atividade administrativa, responsabilidade
administrativa e procedimento administrativo. O CPA enquadra-se no Direito
Administrativo geral.
 Direito Administrativo Especial: O Direito Administrativo Especial não se confunde com
o Direito Administrativo Geral visto que tem autonomia atualmente e essa mesma
autonomia dá-lhe o estatuto de uma das ramificações do Direito Administrativo.
NOTA: Vamos falar mais pormenorizadamente do Direito Administrativo Especial mais
para o final do semestre.

Características que distinguem o Direito Administrativo de outros ramos do Direito


 Mutabilidade: A mudança atrelada a mudanças de raiz filosófica (se o Estado for
estruturalmente liberal o que se exige da aparelhagem administrativa é X; se o Estado
for estruturalmente de Direito Social o que se exige é Y. Quando se mudam as
estruturas ideológicas, políticas, sociais, culturais ou económicas de um Estado muda-
se imediatamente a estrutura do Direito Administrativo).
 Juventude do Direito Administrativo (é um Direito relativamente novo). Este Direito
Administrativo que estudamos hoje arranca da modernidade europeia.
 Direito que não disciplina a totalidade do seu objeto, mas apenas pedaços desse
objeto. Porquê? Porque o dinâmico aparecimento de cada vez mais domínios que
exigem normação não permite ao legislador uma resposta normacional expedita e
eficaz daí que o Direito Administrativo seja fragmentado em vários momentos e em
várias áreas.
 Não é completo, não é racional pensar-se num conjunto de normas jurídico-
administrativas capazes de regular a totalidade das situações da vida. O Direito
Administrativo abre lacunas no seu seio e entrega nas mãos do poder administrativo a
faculdade de resolver problemas de uma forma livre (a tal margem de livre

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depreciação/decisão que encontramos na lei administrativa) pois acredita na


capacidade de boa decisão do poder administrativo.
 A codificação que nos encontramos no Direito Administrativo é uma codificação
parcial. A própria parte geral do Direito Administrativo está em parte reunida no CPA
mas não totalmente (o CPA reúne a parte geral mas não toda do Direito
Administrativo); já a parte especial do Direito Administrativo está em legislação
dispersa, vai conhecendo o movimento codificador crescente (por exemplo, da área do
urbanismo, do direito das autarquias locais) mas encontramos ainda aqui uma
variedade de diplomas esparsos (separados/independentes) que vão ter de ser
conjugados para que possamos ter uma compreensão global do ordenamento jurídico-
administrativo. Tem vantagens (fornece certeza e clareza do Direito – o Professor deu
enfase nesta parte e mencionou “creio que é altamente meritório o movimento
codificador”) e desvantagens (excessiva rigidez e dificuldade em adaptar-se ás
constantes alterações que o exterior impõe).
3 critérios que nos podem a perceber se o Direito Administrativo faz parte do Direito
Público ou do Direito Privado
1. Natureza dos sujeitos: Qual é a natureza dos sujeitos intervenientes? É Direito Público
Administrativo porque os sujeitos são públicos, ou seja, de acordo com este critério, se
os sujeitos forem públicos, estamos perante Direito Público Administrativo. Este
critério não é totalmente correto visto que existem momentos em que intervêm
apenas sujeitos privados mas nem por isso deixaremos de falar de Direito
Administrativo.
2. Posição dos sujeitos: Qual é a posição dos sujeitos? É uma posição de dominância? De
autoridade? De ius imperium? Se a posição dessa autoridade for de ius imperium é
Direito Público. Este critério também é insuficiente.
3. Natureza dos interesses: Qual é a natureza dos interesses das entidades envolvidas? Se
o interesse prevalecente for privado será Direito Privado; se o interesse se revelar
público, será Direito Público Administrativo (é o critério mais adequado para o Prof.
Kafft Kosta). Aqui o que queremos avaliar é a prevalência dos interesses, ou seja, qual
é o interesse que mais peso tem.
NOTA: Apesar do Professor Kafft Kosta achar que este é o argumento que melhor
resolver a questão, acrescenta que atualmente a separação entre Direito Público e
Direito Privado, às vezes, encontra-se numa zona muito cinzenta e determinado ramo
tem tanto de público como de privado (tem algo a ver com o Direito Público e tem
simultaneamente algo a ver com o Direito Privado). Logo, concluímos que nenhum dos
critérios quando analisados isoladamente resolve a questão, é necessário haver uma
análise simultânea dos 3 critérios para chegarmos ao cerne da questão.

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Aula 04 – 15/03/2021
Sumário

I. Conclusão e consolidação.
II. A organização administrativa
i. Administração directa do Estado
ii. Administração periférica do Estado

…Continuação da Aula Anterior

Relações entre direito público e o direito privado


A CRP é um repositório dos princípios fundamentais da relação jurídico-administrativa, devido
a uma afirmação desenvolvida num artigo de 1959, de Werner: “o da não é senão o dc
concretizado”. Visível nos Arts 266º, 267º, 272º (mas não só) da CRP, sendo que é a parte
talhada para lidar com a relação jurídico-administrativa. É parte fundamental do DA alojada no
CRP.

Há noutras partes da CRP outros preceitos que se referem ao DA, como o Princípio da
igualdade (Art 13º - CRP), da universalidade (Art 12º - CRP), da legalidade (Art 3º - CRP), o
estado de direito (Art 2º - CRP), separação de poderes (Art 111º - CRP). Todos eles iluminam o
DA, que não encontra “chão mais fértil” que a CRP, visto que é através dos princípios
fundamentais que se constrói o DA.

Há, no entanto, uma diferença fundamental entre o DA e o DC, o DA está alojado no DC, assim
como outros ramos do direito. Embora tenham uma relação fortíssima pois ambos fazem parte
do direito público.

Direitos Adjetivos
I. Relação entre Direito Processual Administrativo e Direito Processual
Civil
· Embora se fale de DA (que é direito público) e DC (que é direito privado), esta relação
tem a ver com a aplicação subjetiva do CC, mas a mesma é um ramo do direito público.
Tal como acontece com DP.
· O que o une os dois direitos é o facto de ambos serem ramos do Direito Processual,
que por sua vez é parte do Direito Judiciário, um sector distinto.
· Tudo o que tenha a ver com a processualística, com a dimensão adjetiva, está
integrado nos Direitos Processuais (laborais, administrativos, penais, civis, etc…)
· No entanto, o contencioso administrativo autonomizou-se do direito administrativo
substantivo (ao qual se chamava anteriormente processo contencioso vs processo
gracioso, hoje chama-se procedimento administrativo vs contencioso administrativo)

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· O contencioso administrativo equivale ao atual processo jurisdicional administrativo e


é dirigido ao tribunal administrativo.
· Quando existe um problema solucionável dentro do DA, falamos em processo gracioso
ou procedimento administrativo;
· Quando não é suficiente o DA, é necessário recorrer ao Tribunal Administrativo,
falando-se assim então de contencioso administrativo (deixando assim de se utilizar o
CPA e remetendo para o CPTA e para o ETAF, ou seja, a parte subjetiva da aplicação do
DA)

II. 3Relação entre Direito Processual Administrativo e Direito


Processual Penal
 Na sua relação com o DP, o DA apresenta alguns pontos de parecença:
 Há neles uma pulsão sancionatória especifica, no DP traduz-se em penas (prisão,
multas, etc.…)
 No DA, a sanção é o auge do processo disciplinar e está catalogada na respetiva
legislação por ordem de gravidade (desde uma repreensão verbal ou escrita, até à
suspensão em dias, ou multa, ou despedimento, desoneração, etc…)
 Segundo os Arts 271º nº3 – CRP e 36º nº2 – CP, se um subordinado obedecer a ordens
ilícitas de um superior hierárquico, a conduta do inferior hierárquico não deixa de ser
ilícita. Contudo, se não houver culpa, pode ser excluída a responsabilidade penal (Art
37º - CP). Isto é um exemplo de relação entre os dois direitos.

 No entanto, também têm diferenças:
 O DP incide sobre pressupostos e exclusão de responsabilidade criminal, sanciona
crimes através de penas que podem implicar prisão e aplicadas unicamente por
tribunais. Por outro o DA, sanciona contraordenações através de coimas pecuniárias
(não multas), insuscetíveis de conversão em prisão.
 A diferença entre coima e multa é que a coima não é suscetível de conversão em
prisão, enquanto que a multa é.
 A coima é aplicada por uma autoridade administrativa e a multa é aplicada por uma
autoridade judicial (por exemplo, um juiz).

III. Relação entre Direito Processual Administrativo e Direito Privado:


Direito Processual Administrativo e Direito Comercial
· São exemplos desta relação: o regime jurídico administrativo das concessões,
autorizações, licenciamento para práticas de atividades comerciais, a fiscalização de
atividade económica por uma autoridade administrativa (ASAE, por exemplo)

Direito Processual Administrativo e Direito Civil


 Existem remissões do DA para preceitos do direito civil (Código Contratos Públicos –
Arts 284º nº3, 285º nº 3)

14
Licenciatura em Solicitadoria
UC: Direito Administrativo I

 O DC influencia o DA em vários aspetos, no instituto do contrato admin., no princípio


de RC da AP (Art 22º - CRP), no princípio da boa fé (Tese de Menezes Cordeiro “Boa
Fé”) e a teoria de imprevisão nos contratos administrativos (Art 437º - CC)
 Hoje já a destrinça entre DC e DA, sendo que anteriormente estavam englobados na
categoria única de DC.

Direito Processual Administrativo e Direito do Trabalho


· Há aproximações entre o DA e o DT, como por exemplo a relação jurídica do emprego
publico. Por um lado, um empregador público e por outro uma entidade particular
(contrato de trabalho em funções públicas, uma nomeação, contrato de prestação de
serviços, etc.)
· O regime jurídico do emprego público faz parte do DA especial, mas apresenta-se,
estruturalmente, muito similar ao DT (contrato de trabalho em funções públicas, que
não é mais que a reprodução do contrato de trabalho do direito privado)
· Há uma aplicação comum de certos preceitos ao DT e ao DA do emprego público
(liberdade sindical, direito à greve: Arts 53º a 57º - CRP).

Direito Processual Administrativo e Direito do Urbanismo


· O DU tem como material de trabalho o espaço, ou o solo. Remete para o CC através do
direito das coisas, de propriedade, de usufruto e de arrendamento. Ou seja, o direito
do urbanismo está a paredes meias com DC.
· Podemos considerar que o direito do urbanismo se insere no grupo de direitos
transversais, com isso surpreende-se o carácter não natural da destrinça entre os
ramos do Direito.
· O DU não é só Direito Público nem só Direito Privado, é ambos. Logo, é necessário
relativizar a divisão clássica entre estes dois Direitos, ou seja, nem todas as disciplinas
jurídicas se encaixam plenamente numa só categoria.
· O DU encarregou-se de demonstrar que não pode ser um Direito à parte por estar
dentro de ambos os Direitos, pois existem outros como o Direito dos contratos, do
ambiente, da contratação pública etc.

A organização administrativa
Administração direta do Estado
 A administração é direta porque é central e tem uma cadeia de comando
hierarquizada, do topo à base.
 O topo é o Governo, independentemente das nuances que é importante sublinhar
como autarquias locais, poder regional autónomo, às regiões administrativas (quando
existentes). O Governo acaba por ser a “cabeça” do poder administrativo.
 Este é uma comunidade administrativa composta por território, povo e poder político.
Tal comunidade foi formada, por um momento ou por uma entidade num

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Licenciatura em Solicitadoria
UC: Direito Administrativo I

determinado momento. Essa entidade que formou o Estado tem o nome de poder
constituinte e dotou o mesmo de uma Constituição, escrita ou não.
 Na sua vertente administrativa, o Estado é uma pessoa coletiva pública, dotada de
autonomia, a quem cabe o desenvolvimento da atividade administrativa.
 Embora sendo o Governo que dirige toda a administração direta do Estado, se sairmos
desse campo e nos focarmos na Administração Local (ou periférica) do Estado,
veremos um desenvolvimento especial específico:
o Divisão administrativa do território, podendo ser militar ou civil estas podem
não coincidir.
o A divisão civil pode ser para a Administração Local do Estado ou para a
Autárquica.
o A Administração Local do Estado tem a ver com um processo de
desconcentração de competências e não de descentralização administrativa
ou política.
o O poder local goza de legitimidade democrática, assim como maior autonomia
administrativa.
· A Administração Direta é a atividade administrativa exercida por serviços que se
integram no Estado como pessoa coletiva (Presidência concelho ministros, ministérios,
direções gerais, etc.)
· Há órgãos não administrativos (AR, tribunais, PR), no entanto podem praticar atos
materialmente administrativos. São encabeçados pelo Governo, ou seja, PM, Vice-PM,
ministro, secretários de estado, quando existentes.
· É aqui que se começa a verificar a ligação vertical, que cai para diretores gerais,
diretores de serviços, chefes de repartição, secretários-gerais dos ministérios e a nível
militar os Chefes de Estado Maior Generais da Armada, do Exército e da Força Aérea,
que fazem parte da administração direta pública do Estado, assim como o
Comandante-Geral da GNR, Diretor Nacional da PJ, Diretor da PSP e CEF, o Procurador-
Geral da República
· Também são órgãos da administração direta, embora independentes, o Provedor de
Justiça, a CNE, a ANACOM.

Administração Periférica
· A sua periferia é interna e externa, ou seja, através de consulados e embaixadas, que
são entidades desconcentradas e que fazem parte da administração diretas do Estado,
especificamente do Ministro dos Negócios Estrangeiros
· Podem ser também órgãos dos Institutos ou associações públicas, podem ter
“antenas” exteriores consideradas administração periférica do Estado. Ou seja, podem
ter internamente, deslocalizações espaciais ou territoriais de um instituto público e
são então assim consideradas como Administração Periférica do Estado.

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Licenciatura em Solicitadoria
UC: Direito Administrativo I

Aula 05 – 17/03/2021
Sumário
i. Administração Indirecta do Estado
ii. Caso Prático

Administração Indirecta do Estado (AIE)


Não se dilui na Administração Central nem na Administração Directa do Estado.

Não tem um fio condutor vertical.

As entidades sediadas na AIE não estão hierarquicamente subordinadas.

Há outro tipo de compromisso, de vínculo a ligar ambos os sectores, mas não é o poder de
ordenar, como acontece por exemplo entre o director geral das finanças e o chefe de uma
repartição.

Os IP não recebem ordens hierarquizadas de organismos do estado.

I. AIE - Ponto de vista / sentido orgânico


Pensamos num órgão numa instituição – IP (Institutos Públicos)
Definição de Administração Indirecta do Estado (AIE) como uma IP, um acervo
de IP’s um conjunto de I’s.
O que as distingue das demais? Por enquanto nada porque as direcções gerais
dos ministérios são pessoas colectivas.
A PGR, por exemplo são pessoas colectivas públicas.
A diferença é apenas no sentido de – parte-se do princípio de um conjunto de
instituições revestidas de:
a) Personalidade jurídica
b) Autonomia administrativa e financeira ou apenas de autonomia
administrativa.
Mas esse é o sentido orgânico (fotografia da instituição com os seus órgãos e
agentes)
IV. AIE – Ponto de vista / sentido material
Fins que pretendem realizar

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Licenciatura em Solicitadoria
UC: Direito Administrativo I

Caracteriza-se pela actividade desenvolvida que pretende realizar os fins do


Estado (conj de actividades que visam realizar os fins do estado não através de
intervenção directa, mas sim através de IP criadas para o efeito munidas de
personalidade jurídica – são sujeitos autónomos de direitos e deveres. Têm
autonomia administrativa ex: podem gerir os seus recursos humanos como
pretenderem e têm autonomia financeira. Não têm qualquer vínculo
hierárquico com as entidades em administração directa do estado.
Exemplo: IP’s
Ex: ESTIG é uma escola inserida e integra o IPBeja.
O IPB é um instituto público, não faz parta da administração directa do estado.
O Ministro do Ensino superior não pode dar ordens ao presidente do IPB.
Pode haver uma relação de tutela, mas não uma relação hierárquica.
Não há um poder de mandar. O ministro competente em razão da matéria, tem
tutela que se traduz numa situação que dará direito ao órgão titular da tutela
para sindicar, controlar a legalidade das decisões do órgão tutelado. Está a
jusante da acção.
O órgão tutelado é livre de agir, e depois de agir aparece o órgão tutelador,
para controlar a actuação do órgão tutelado.
A tutela pode ser de várias ordens:
a) De legalidade – controla apenas a validade jurídica do acto – se está
ou não de acordo com a lei
b) De mérito – para além da legalidade serve ainda para sindicar da
oportunidade da decisão tomada, da bondade da decisão tomada.
Não se substitui ao órgão tutelado para tomar decisões. Se se substituir temos
poder hierárquico. (superioridade hierárquica de um órgão sobre outro isso
acontece ex: entre a ministra da saúde e directora geral da ARS)
O órgão tutelado tem autonomia decisória. (só depois da acção é que a tutela
age)
Caso Prático
PLANO DE AULA
DA I -D
17-3-2021
Prof. Doutor Kafft Kosta CASO PRÁTICO E QUESTIONÁRIO
Questão 1

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UC: Direito Administrativo I

1. Por Decreto Regulamentar, o Governo fixou 3 objectivos a cumprir pela Câmara


Municipal de Portalegre.
O Presidente da Câmara Municipal de Portalegre, considerando que 2 dos objectivos
não eram do interesse do Município (sendo mesmo nefastos, tendo em linha de conta
esses interesses), nem constavam do programa eleitoral com base no qual a respectiva
lista havia sido eleita, quer saber como resolver o problema.
- Analise a hipótese, identificando os problemas dali resultantes e as soluções jurídicas
possíveis.

Resolução Questão 1

A medida de fixar objectivos faz parte do DR ?


O DR é um regulamento administrativo aprovado pelo Governo, aprovado em
conselho de ministros. Mas pode através dele impor objectivos a uma CMunicipal?
Não – se há descentralização administrativa e com base nela aparecem entidades
autónomas – municípios – que dizer que já fugiram do horizonte do poder hierarquia
do governo.
O fixar objectivos não faz parta da competência do governo. Seria ilegal e
poe em causa a descentralização administrativa, que por sua vez no art 6º e 288º está
blindada na CRP.
A descentralização administrativa é uma garantia que as autarquias locais usufruem,
não podendo o governo pôr em causa os seus objectivos por força do art 6a e no 288a.
Na medida em que blinda á revisão constitucional a autonomia autárquica. Já
sustentada na norma protegida do art 6º.
Art 288, alínea n) - Se em sede de revisão constitucional mão se podes beliscar a
autonomia autárquica, muito menos se pode admitir que o órgão ponha em causa os
seus objectvos.
Estes preceitos invocados não afastam outros, como sejam Art.º 241, Artº 242 – n.º 1 e
art.º 237 – descentralização administrativa
Questão 2

2. O Ministro da Justiça ordenou ao Provedor de Justiça, por despacho emitido a


1.2.2021, que exerça superintendência sobre a Câmara Municipal da Guarda, tendo
em consideração os graves problemas aqui detectados, em matéria de violação
grosseira dos direitos fundamentais dos funcionários.

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Licenciatura em Solicitadoria
UC: Direito Administrativo I

- Analise a hipótese, identificando os problemas dali resultantes e as soluções jurídicas


possíveis.
Resolução Questão 2

O Provedor de justiça não deve obediência ao ministro nem ao governo.


Mesmo que o ministro pudesse dar ordens ao provedor, este (provedor) não tem
superintendência sobre a CM.
É Ilegal e Inconstitucional
Ministro da justiça – adm directa do estado, órgão político, do governo que é órgão de
soberania e tem função administrativa
Estatuto do provedor – (qualificação)
CMunicipal – (qualificação)
Superintendência – o que é ? – não é uma posição hierárquica dominante.
Fixação de objectivos – dá margem de manobra ao órgão alvo para chegar a resultados
por ele escolhidos. Quem fixa objectivos não determina o modus operandi. Como os
atingem depende do órgão a quem foram estabelecidos. Desde que não viole a lei
Questão 3

3. Comente a frase «A E.R.C. e a D-G da Cultura têm a mesma natureza jurídica».


Resolução Questão 3

Faz parta da administração directa do estado


DGC – administração directa do estado
Questão 4

4. Qual é a natureza jurídica da Ordem dos Enfermeiros?


Resolução Questão 4

Associação publica, administração autónoma do estado.

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Licenciatura em Solicitadoria
UC: Direito Administrativo I

Aula 06 – 22/03/2021
Associações Públicas, Autarquias Locais e das Regiões
Autónomas
São três as entidades que partilham entre si uma caraterística única, a de que gozam
autonomia face ao Estado, face ao poder Central, e a configuração dessa autonomia é que
varia de instituição para instituição dentro da Administração Autónoma do Estado.

Nem todos partilham das mesmas caraterísticas, o ponto de convergência é serem Autónomas
em relação ao poder Central, mas depois há especificidades que caracterizam cada ma dessas
figuras.

Pertencem à Administração autónoma pois visam a


Autarquias Locais e as realização de interesses públicos, afetos a essas mesmas
Regiões Autónomas, são pessoas coletivas, e a autonomia projeta-se na capacidade
pessoas coletivas de de definir autonomamente, como orientar as suas ações de
População e Território, e as forma autónoma, não se submetendo a qualquer diretriz de
associações publicas sendo carater hierárquico pulmante do Estado e poder Central,
pessoas coletivas do tipo nem sequer se admite nesta configuração uma relação de
Associativo. superintendência entre estas pessoas coletivas e o Governo.

O máximo em regra é a tutela, capacidade do Governo


fiscalizar as decisões e os atos dessas entidades. Acontece nomeadamente nas Autarquias
Locais, sob a forma de Tutela de legalidade (Art. 242º CRP), tutela essa que pode conduzir
inclusive à dissolução de órgãos Autárquicos, mas em situações extremas de violação de lei e
nada a haver com o mérito, ética, oportunidade ou a bondade, mas só e unicamente com o
Direito e a violação da lei.

A administração autónoma, auto administra-se, estes órgãos de forma independente fixam as


suas orientações alheios a ordens, instruções, diretivas ou orientações do Governo.

Região administrativa, não


se confunde com Região
Autónoma.
Associações Públicas
são antes de mais, Associações, uma conjugação de duas vertentes distintas, a Associativa e a
vertente Pública.

A Associação é partilhada com outras Associações decorrentes do Direito Privado Civil do art.
157º e 167º CC, são pessoas jurídicas formadas por um conjunto de pessoas singulares ou
coletivas, sem que a finalidade lucrativa seja o momento determinante.

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Licenciatura em Solicitadoria
UC: Direito Administrativo I

A Associação, quer seja pública ou Privada, não prossegue fins lucrativos, as Sociedades Civis é
que sendo pessoas jurídicas Stricto Senso, formadas por um conjunto de indivíduos,
prosseguem fins lucrativos.

Associação Publica é uma Associação e tem carater Público, pessoa Coletiva de caracter
associativo que visa a prossecução do interesse público cabível à entidade, mas prossegue
esses interesses de forma autónoma.

Que espécies de Associações Públicas existem?

- Associações que agrupam Entidades Públicas (e. Área Metropolitana, Comunidades Urbanas,
Lei 10/2003)

As Comunidades Intermunicipais, decorrentes da Lei 11/2003 são exemplos de Associações


Públicas de entidades Públicas.

Mas as Associações Públicas podem integrar entidades Privadas, podendo ser o somatório de
entidades Privadas (Ordens Profissionais, Camaras profissionais, Casa do Douro, Academias de
Ciências e Culturais…).

Há Associações que partilham as duas valências, por um lado a componente pública e por
outro lado a componente Privada (Centros Protocolados integram associados públicos e
privados, como as cooperativas de interesse público, Agência para a Energia).

Existem instituições que podem parecer Associações Públicas, mas não são, porque ou lhes
falta a característica de Associativo, ou lhes falta a personalidade Jurídica ou a dimensão de
Direito Público que as tornaria Pessoas Coletivas de Direito Público.

Lista e Exemplo Instituições:


Assim para serem
Associações Públicas, tem de
 Câmara de Comércio e Indústria
ser Pessoas Coletiva de
Pessoas coletiva Privada de Utilidade Pública
Direito Público, ter
 Igreja Católica
personalidade Jurídica e tem
Pessoa Coletiva Privada
de ter carater Associativo –
 Federação Portuguesa de Futebol
Natureza Associativo.
Pessoa Coletiva Privada de Direito Público
 Intersindical
Pessoa Coletiva Privada
 Partido Comunista Português
Pessoa Coletiva Privada
 Associação Nacional de Freguesias
Pessoa Coletiva Privada
 Associação acional de Municípios
Pessoa Coletiva Privada

22
Licenciatura em Solicitadoria
UC: Direito Administrativo I

 Relação entre as partes PPPs


Sem personalidade Jurídica
 Cruz Vermelha Portuguesa
Associação Privada de utilidade Pública
 Comissão de Carteira Profissional de Jornalista
Privada sem carater Associativo
 Organização de Moradores (Art. 236º-265º CRP)
Privada sem personalidade Jurídica
 Universidade de Coimbra
Dr. Diogo Freitas do Amaral, sustenta o carater de Instituo Público, Dr. Marcelo Rebelo
de Sousa, Dr. Jorge Miranda e Dr. Rui Medeiros, sustentam o carater de Associação.
As Universidades são Instituições que hoje são uma mescla de características que as
colocam simultaneamente entre o campo de Associação Pública e no campo do
Instituto Público.
A componente e Associação Pública é revelada pela forma como a dinâmica de
funcionamento de cada uma dessas instituições ocorre.
Quem frequenta uma Universidade, sabe que há uma espécie de associação de
professores, Associação de Estudantes, Associação de funcionários, há uma dinâmica
democrática genuína dentro da Universidade. Os reitores são eleitos, os Diretores dos
Departamentos são eleitos… do topo à base todas as entidades relevantes são eleitas,
e há uma participação intensa num mandato curto.
No entanto e apesar desta dinâmica de participação evolvendo alunos, docentes e
funcionários, não nos pode fazer esquecer do fundamentas, e que os professores são
funcionários, possuindo um compromisso e recebendo um vencimento por lecionar
com qualidade e atribuir valor.
O aluno é um utente de um serviço, pois paga para ter direito a exigir uma qualidade
de ensino adequada.
Apesar da participação ou valência democrático-participativa no funcionamento
interno da Universidade Pública, a verdade é que o ponto de partida é a dimensão de
Instituto Público.
Quem defende tratar-se de uma Associação Pública, sustenta uma argumentação em
cascata, pois se a Associação Pública não pegar, no mínimo Pessoa Coletiva Publica de
natureza Associativa integrada na Administração Autónoma.

As Autarquias Locais
Por seu lado, são pessoas coletivas de população e território. A população são os munícipes
daquele espaço territorial delimitado, sabendo com rigor onde começa e acaba.

Pessoa coletiva pública, cujos interesses visa defender essa população e esse território através
de órgãos próprios e representam a população.

23
Licenciatura em Solicitadoria
UC: Direito Administrativo I

Pertence à Administração Autónoma do Estado, formada por município e freguesias, gozando


de autonomia Administrativa, Art. 6º e 288º CRP, pela carta Europeia da Autonomia Local nos
Art. 2ºe 3º, são entidades que se auto administram.

Os órgãos constitutivos dos Municípios são, Câmara Municipal, Assembleia Municipal e


Presidente da Câmara.

A Câmara Municipal é um órgão colegial, da qual o Presidente da Câmara se destacou,


passando a ser um Sistema de Presidencialismo Municipal, mas do ponto de vista é
Parlamentar porque assenta na Assembleia Municipal, mas de facto o Presidente de Câmara
cresceu como o Poder Local.

Os órgãos das freguesias são a Assembleia de Freguesia, Junta de Freguesia e Presidente da


Junta, CRP, Lei das Autarquias Locais, Lei sobre a Tutela Administrativa 27/96, Lei sobre a
Transferência de atribuições e Competências para as Autarquias Locais e Lei sobre as eleições
Autárquicas.

A região
é um projeto que enquanto projeto também se inscreve nas Associações Públicas e são
autarquias Supramunicipais, um aglomerado de Municípios, de que resultará uma Região.

É um projeto em construção, mas com muito trabalho para fazer, Art. 257 e ss da CRP, Lei
Quadro das Regiões Administrativas. Ao definir (de forma ilegal) um princípio de
subsidiariedade (art. 6º n. 1)) da Lei, é motivo para colocar em causa a sua
Constitucionalidade, pois inverte a definição de subsidiariedade pondo em causa o Art. 6º da
CRP e o a. Art. 4º da Carta Europeia da Autonomia Local.

Os órgãos das Regiões serão Assembleia Regional, Junta Regional e Governador Civil Regional.

O processo de regionalização ficou pelo caminho, sendo aprovada a lei quadro, não passou daí
após reprovação em referendo.

Regiões Autónomas
O que existe de Entidades eu se enquadra nesta categoria de facto e de Direito, são as Regiões
Autónomas os Açores e da Madeira.

As regiões Autónomas possuem autonomia Administrativa tal como as Autarquias, mas


possuem autonomia Politico-Legislativa.

Relativamente às regiões autónomas, há também espaço para de falar de figuras parecidas,


mas que não se confundem com a Região Autónoma:

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Licenciatura em Solicitadoria
UC: Direito Administrativo I

 Regiões Administrativas
 Grades Áreas Metropolitanas
 Regiões (norte, Centro, Algarve, Lisboa….) CCDR

Estas não são regiões Autónomas pois não possuem autonomia Politico-Legislativa.

Os antecedentes históricos da Região Autónoma, surge em 1976, na CRP, havendo antes a


existência de territórios Adjacentes (Não confundir com Regiões Ultramarinas).

Aula 07 – 24/03/2021
Instituições Particulares de interesse Público
 Sociedades de interesse Coletivo
 Pessoas Coletivas de Utilidade Pública e Administrativa
 Pessoas coletivas de mera utilidade pública
 Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS)

Estas instituições apesar de particulares, possuem importantíssima relevância na componente


pública. O interesse público que eles desenvolvem dá-lhes uma nota especial diferenciadora
relativamente às demais instituições particulares.

Na sua raiz trata-se de pessoas coletivas de Direito Privado,


Corresponde esta mas depois levando em consideração uma série de
designação de instituições requisitos, condições e situações acabam por estar
particulares de interesse vinculados ao respeito pelo Regime de Direito
publico àquilo que o Prof. Administrativo estabelecido. De um lado nascem como
Marcelo designa por Pessoas instituições Privadas, mas depois acabam por ter uma
Coletivas de Direito Privado relação muito forte com o Direito Público e o Direito
e Regime Administrativo. Administrativo.

São entes Privados que se destinam a cumprir fins Públicos,


consequentemente sujeitam-se a um regime jurídico administrativo entrelaçado com o regime
jurídico-privado. Existem quatro tipos de instituições de Regime Privado de interesse Público.

Pessoa Coletiva de Mera utilidade Pública


São pessoas jurídicas, associações ou fundações de caracter privado que possuem como linha
de orientação a prossecução de fins de caracter não lucrativo e de interesse geral. Pedindo e
recebendo da AP a declaração de utilidade pública, chave esta capaz de abrir portas, mas
criando um grau de exigência a cumprir. (ex. Clubes Desportivos, clubes recreativos e culturais,
Associações Científicas).

25
Licenciatura em Solicitadoria
UC: Direito Administrativo I

O prof. Diogo Freitas do Amaral, começa por dizer quanto as pessoas coletivas de mera
utilidade pública que são todas as pessoas coletivas de utilidade pública que não sejam
instituições particulares de solidariedade social, e eu não sejam pessoas coletivas de utilidade
pública administrativa.

Pessoas Coletivas e utilidade Publica Administrativa

São pessoas coletivas de utilidade publica, e não são instituições particulares de solidariedade
social, e não sendo cabem na figura de Pessoa Coletiva de Utilidade Publica Administrativa e
tenham como desiderato s fins estabelecidos no Código Administrativo Art. 416º (ex.
Bombeiros Voluntários, Associações de carater humanitário…).

Este é um conceito que alguns autores tendem a eliminar no sentido em que a CRP de1976 fez
desaparecer do mapa conceptual esta figura (opinião do Dr. Jorge Miranda) mas Dr. Freitas do
Amaral sustenta que esta não desapareceu.

Estas instituições possuem privilégios de caracter tributário, fiscal, financeiro e inclusive alguns
informais.

Como encargos, estas não fogem à tutela administrativa, podem ser objeto de controlo
financeiro do Estado.

Ex. Bombeiro Voluntários da As IPSS


Guarda e Santa casa da
Misericórdia da Guarda... o têm na sua genética uma preocupação social e moral de
que as distingue? formação, promoção de saúde, habitação, apoio aos idosos,
jovens, preocupações que o Estado passa para tas
 Em comum são entidades, e por isso a sua posição privilegiada no elenco
pessoas coletivas das instituições privadas no elenco público.
Privadas de
interesse Público
Sociedades de Interesse Coletivo
 Santa Casa da
Misericórdia (IPSS) São empresas privadas cujo lucro é o objetivo principal
 Bombeiros dessas Sociedades. O que distingue estas do Direito Privado
Voluntários (PCUPA) puro, é que acabam por exercer competências/poderes de
Direito Público. Ao exercer poderes Públicos, está
objetivamente sujeito a um regime de Direito
Administrativo, não deixando de ser uma empresa Privada.

É uma concecionária de um serviço público, concecionária de uma obra pública a exercer


poderes Administrativos.

26
CASO PRÁTICO

O ministro da Administração
interna, determinou por
despacho publicado a
01/04/2015 a dissolução da Licenciatura em Solicitadoria
Assembleia e Câmara
UC: Direito Administrativo I
Municipal de Benavente.

A Lê-se
BRISA é despacho
nesse uma delas,
que sem
os sabermos estamos a ser regulados por regulamentos
Administrativos
referidos que compete
órgãosaos poderes públicos administrativos.
autárquicos, boicotaram a
Aopresidência
deterem poderes
aberta como
que esses,
o submetem-se à Fiscalização da Administração Pública. E
devem obedecer aos parâmetros
Presidente da República fez normativos fixados nas leis administrativas.
no município 20 dias antes.
Questões
Falar das concecionárias dos
Assim a
serviços públicos edelegação
de obras
presidencial De acordo com a teoria da Organização Administrativa,
públicas é falar dae como é que se classificam as intituições a seguir alinhadas?
governamental,
exploração do domínio esteve
durante
público, éumafalar semana
também das em
visita ao da Município de  Governo do Dr. António Costa?
empresas economia Administração Central, com poder executivo como
Benavente,
mista com acapital Assembleia
publico,e
Câmara Municipal nem se órgão de soberania na valência política pura, mas
ainda que minoritário, enquanto poder administrativo já não é um órgão
dignaram
sociedades aparticipadas
responderpelo ao
convite de soberania, apesar de mais importante que os
Estado, formado
empresas meses em restantes órgãos administrativos.
antes pelo económica
situação PR. difícil Art. 181º CRP, governo é o órgão de condução da
que abrem janelas à política geral do país e é o órgão superior da
Esta situaçãodo
intervenção configura
Estado, umasão
falta grave de nointeressetrato Administração Pública.
Sociedades  Secretário de Estado do Ensino Superior
institucional
Público. e pessoal, com
graves consequências nas Administração Direta do Estado
relações entre os órgãos  Ordem dos Médicos
Associação Publica de Direito Privado
constitucionais.
 Município do Porto
Tal foi Administração
suficiente paraAutónoma
que o do Estado
 Universidade
MAI, por despacho de tenha
Aveiro
Instituto
determinado Público (verdaquestões da aula 06)
a dissolução
 Fundação
Assembleia eChampalimaud
Câmara
Pessoa Coletiva
Municipal de Benavente. de Direito Privado e Utilidade Publica Administrativa
 Regiões Autónomas
Administração Autónoma do Estado
Quid Irus.
 Consulado da China em Aveiro
Não pertence
O ministro não ao posse
ordenamento Jurídico Português
 Consulado
legitimidade Português
para destituirem Xangai
membros Administração
dos órgãos Periférica
da do Estado
 InstitutoAutónoma.
Administração Camões
Na medida em que tem projeção internacional, as suas antenas fora do país é
Carta Administração
Europeia Periféricada
Autonomia Local, que só
pode ser exercida Tutela
segundo os casos previstos
na lei, art. 241º e 242º da
CRP.

Assim a dissolução destes 27


órgãos, só poderá ocorrer
em casos de violação da lei,
Licenciatura em Solicitadoria
UC: Direito Administrativo I

AULA 08 – 08/04/2021
Sistema de Organização Administrativa em Portugal
Breve introdução para contextualização e interiorização:
Segundo o Art. 267.º da CRP, “1. A Administração Pública será estruturada de modo a evitar a
burocratização, a aproximar os serviços das populações (…)” . Deste modo podemos entender
que a organização administrativa é o modo de estruturação concreta que a Administração
Pública de um país está estabelecida nos princípios legais.

Elementos de organização administrativa: as pessoas coletivas públicas e os serviços públicos.

As pessoas coletivas são entidades destinadas à prossecução de certos fins comuns e às quais
o direito atribui a qualidade de pessoas jurídicas, ou seja, a capacidade de terem direitos e
obrigações. Exemplos de pessoas coletivas publicas: Estado, institutos públicos, empresas
públicas (na modalidade de entidades públicas empresariais), associações públicas, entidades
administrativas independentes, autarquias locais, regiões autónomas.

Os serviços públicos são as células que compõem internamente as pessoas colectivas publicas.
Por exemplo: O Estado é uma figura de pessoa coletiva pública e dentro dele há direções-
gerais, gabinetes, repartições, etc. A isso chamamos exemplos de serviços públicos. Segundo
Freitas do Amaral, “serviços públicos são organizações humanas criadas no seio de cada
pessoa coletiva publica com o fim de desempenhar as atribuições desta, sob a direcção dos
respetivos órgãos.”

Sistemas de organização
 Concentração e desconcentração
 Centralização e descentralização

Concentração e desconcentração:
Concentração é o sistema em que o superior hierárquico mais elevado é o único órgão
competente para tomar decisões, enquanto em desconcentração, o sistema baseia-se na
repartição do poder decisório entre o superior e um ou vários órgãos subalternos (os quais
permanecem sujeitos à direção e supervisão do superior).

Chamo a atenção para o facto que o professor mencionou que não existe concentração nem
desconcentração absoluta em Portugal. Apoiamo-nos então no Art.º 267.º n.º2 CRP, que
salvaguarda “a lei estabelecerá adequadas formas de (…) desconcentração administrativa, sem
prejuízo da necessária eficácia e unidade de Acão e dos poderes de direção, superintendência
e tutela dos órgãos competentes.”

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Centralização e descentralização
Ao contrário da Concentração e Desconcentração que se baseiam no reconhecimento da
hierarquia de poder, a centralização e descentralização assentam na inexistência ou no
reconhecimento de pessoas coletivas publicas autónomas, distintas do Estado.

A descentralização pode ser territorial (regiões autónomas) ou institucional (pessoas coletivas


como institutos públicos ou associações públicas).

A imagem em baixo carateriza bem este assunto:

Delegação de poderes
Acontece quando um órgão tem uma competência, mas para a prática de alguns actos, esse
órgão entrega totalmente ou parcialmente essa competência. No Art.º 44 n.º1 CPA consta

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esta definição. Uma caraterística da Delegação de Poderes, é que a competência de avocar


salienta-se. Avocar quer dizer “ato de atrair para si alguma competência.”

Segundo o CPA, o delegante pode mandar o delegado a sub delegar, salvo disposição em
contrário – Artigo 46.º .

Tipos de tutela
As principais espécies de tutela administrativa distinguem-se quanto ao fim e quanto ao
conteúdo.

 Tutela de legalidade: visa controlar a legalidade das decisões da entidade tutelada;

Esta apura se a decisão da entidade tutelada é ou não conforme à lei.

 Tutela de mérito: visa controlar o mérito das decisões administrativas da entidade


tutelada. VAI MAIS ALÉM!

Esta questiona se a dita decisão, independentemente de ser ou não legal, é uma decisão
conveniente ou inconveniente, oportuna ou inoportuna, correta ou incorreta do ponto de vista
administrativo, técnico, financeiro, etc.

A tutela pode ter vários tipos de conteúdo:


 Tutela integrativa: consiste no poder de autorizar ou aprovar os atos das entidades
tuteladas.
 Tutela inspetiva: poder de fiscalização dos órgãos, serviços, documentos e contas da
entidade tutelada, isto é, consiste no poder de fiscalização da organização e
funcionamento da entidade tutelada.
 Tutela sancionatória: traduz-se no poder de aplicar sanções por irregularidades que
tenham sido detetadas, no exercício da tutela inspectiva, na entidade tutelada.
 Tutela revogatória: funda-se no poder de revogar os atos administrativos praticados
pela entidade tutelada.
 Tutela substitutiva: é o poder da entidade tutelar de suprir as omissões da entidade
tutelada, praticando, em vez dela e por conta dela, os atos que forem legalmente
devidos. Isto traduz-se na hipótese de os órgãos competentes da pessoa tutelada não
praticarem atos que lhes sejam juridicamente obrigatórios. Assim, se houver tutela
substitutiva, o órgão tutelar pode substituir-se aos órgãos da entidade tutelada e
praticar os atos legalmente devidos.

Superintendência
Segundo a definição aceite por Freitas de Amaral, a superintendência trata-se de um espécie
com natureza própria e com autonomia que se diferencia dos institutos da tutela e da

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hierarquia, ainda que semelhante a estes últimos. Da tutela, na medida em que não controla
ou fiscaliza, mas permite uma definição de objetivos e de rumos; da hierarquia na medida em
que carece de consagração na lei e não se rege por poderes presumidos, típicos do superior
hierárquico. Nada impede, porém, que 2 entidades estejam simultaneamente conectadas por
superintendência e tutela.

Está expresso no art 199º, alínea “d” da CRP que juntamente com o art 182.º da CRP : “O
Governo é o órgão de condução da política geral do país e o órgão superior da Administração
Pública.”

O art 225.º CRP fala dos casos administrativos das Regiões Autónomas.

Poderes do delegante / sub delegante


Art.º 49 CPA

1 - O órgão delegante ou subdelegante pode emitir diretivas ou instruções vinculativas para o


delegado ou subdelegado sobre o modo como devem ser exercidos os poderes delegados ou
subdelegados.
2 - O órgão delegante ou subdelegante tem o poder de avocar, bem como o de anular, revogar
ou substituir o ato praticado pelo delegado ou subdelegado ao abrigo da delegação ou
subdelegação.

Extinção da delegação / sub delegação


Art.º50 CPA

A delegação e a subdelegação de poderes extinguem-se:

a) Por anulação ou revogação do ato de delegação ou subdelegação;

b) Por caducidade, resultante de se terem esgotado os seus efeitos ou da mudança dos


titulares dos órgãos delegante ou delegado, subdelegante ou subdelegado.

AULA 09 - 12-04- 2021


TEMA: A DELEGAÇÃO DE PODERES
I. Delegação de poderes também conhecida como delegação de
competências
Como ponto de partida temos uma norma da CRP “nenhum órgão de soberania, nenhum
órgão de região autónoma, ou de poder local pode delegar os seus poderes noutros órgãos a
não ser nos casos e nos termos expressamente previstos na CRP e na lei” a isto chama-se
princípio da competência e princípio da imodificabilidade da competência, está incerto na

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interdependência da separação de poderes, princípio este que está positivado no Nº1 do


ARTIGO 111º da CRP

Na sequência desta interdependência pergunta-se: o que é que um órgão dotado de um certo


e determinado número de competências, poderá fazer com estas mesmas consequências? São
competências funcionais, são poderes funcionais que poderá exercer, mas será que ele pode
entregar a outro órgão, a outro agente da administração pública, o exercício dessa mesma
competência funcional? É o que iremos ver na aula de hoje com a delegação de competências.

Quando é que ocorre a delegação de competências?

Ø Primeiro existe uma lei, uma lei nos termos por força da qual uma entidade dá a outra
entidade poderes para praticar atos administrativos da esfera de competência daquele
outro órgão, o órgão X que tem originalmente essa competência funcional transfere o
seu exercício para outro órgão ou outro agente de administração pública, é nisto que
consiste a delegação de poderes.

Tem outro nome, como, desconcentração derivada (desconcentração de poderes é matéria da


aula anterior, desconcentração derivada tem este nome porque é aquela que a lei dá a um
órgão a competência para praticar certos atos. Se é por força de lei que essa desconcentração
de competências ocorre, chamamos a isso desconcentração originária e de competência.

Ø Delegação de poderes é uma desconcentração derivada porque num primeiro


momento foi constituído um ato legislativo a chamada norma de habilitação, norma
habilitante, a norma habilitante conferiu poderes X a órgão A, isto é, delegação ou
desconcentração originária. O Órgão. A por força ao abrigo dessa lei habilitante
transferiu exercício/ competência a Órgão B (ou ao agente administrativo B) este
segundo momento também é reflexo de uma desconcentração, é uma
desconcentração derivada, aqui já não é desconcentração originária.

ARTIGO 112º/Nº2 “PRINCIPIO DA IMODIFICABILIDADE DA COMPETÊNCIA” Imodificabilidade


porque está contido no Nº1 que nenhum órgão de soberania , de região autónoma ou de
poder local pode delegar os seus poderes noutros órgãos , principio da imodificabilidade da
competência que é ressalvado na segunda parte desse mesmo artigo , quando diz “ salvo os
casos e nos termos expressamente previstos na CRP e na lei” está-se a reafirmar que na lei
afinal o principio da imodificabilidade de competência , não é um principio absoluto , é
relativizado quando a própria lei abre exceção à regra , quando a Constituição permitir que o
órgão originalmente competente possa transferir o exercício de competência a outro órgão , é
a lei é a constituição que está a criar exceções à regra da imodificabilidade da competência.

Delegação ou desconcentração de poderes / substituição uma figura que iremos estudar que é
semelhante a delegação, mas não corresponde exatamente à delegação.

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ü O CPA encarregou-se de dar-nos de uma forma equilibrada a densificação normativa


da figura de delegação, são poucos preceitos, mas contemplam o fundamental da
normação relativa à delegação de poderes (ARTIGOS 44º A 50º).

NOTA: SÃO POUCOS ARTIGOS, MAS OS SUFICIENTE PARA O ALUNO RESOLVER QUALQUER
CASO PRÁTICO DE DELEGAÇÃO OU SUB-DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIAS ADMINISTRATIVAS.

A noção legal vem na sequência ou no seguimento de uma construção que encontramos há


muitos anos nas lições de Direito Administrativo do Dr. Freitas do Amaral. O artigo homólogo
do CPA anterior já tinha esta redação que passou para o novo código dizendo que os órgãos
administrativos normalmente competentes para decidir determinada matéria podem sempre
que para tal estejam habilitados permitir que num ato de delegação de poderes que outro
órgão ou agente da mesma pessoa coletiva ou outro órgão de uma diferente pessoa coletiva
pratique atos administrativos sobre a mesma matéria, chama-se a isso delegação de poderes.

Se desconstruirmos esta definição encontraremos todos os elementos típicos e fundamentais


da delegação de poderes, encontramos nesse preceito uma referência à lei habilitante, uma
norma legal habilitante para que possa haver delegação de poderes, se não, vigora a primeira
parte do ARTIGO 111º/Nº2 da CRP “principio da imodificabilidade da competência”.

Mas quando é a própria lei que processa, neste caso a identidade X pode delegar as
competências originalmente recebidas. Sem lei habilitante a delegação de poderes é um ato
ilegal, é um ato inconstitucional se enquadrar nos termos do ARTIGO 111º/Nº2 da CRP.

No ARTIGO 44º uma referência ao elemento subjetivo existencial, corresponde ao


reconhecimento de que sem delegante ou sem delegado não há delegação, é preciso que haja
uma identidade física que possa delegar e outra entidade física que possa receber a delegação
e exercer os poderes delegados.

NOTA: QUANDO O PROFESSOR MENCIONA O ELEMENTO SUBJETIVO EXISTENCIAL ESTAVA A


FALAR DOS ORGÃOS DE PESSOAS COLETIVAS DISTINTAS OU DE UM ORGÃO OU AGENTE DA
MESMA PESSOA COLETIVA PÚBLICA. EM SUMA O QUE SE PEDE AQUI É QUE EXISTA UM
DELEGANTE E UM DELEGADO. ENTRE O DELEGANTE E O DELAGADO EXISTE UM ATO FORMAL.
DELEGANTE PARA TRANSMITIR OS PODERES AO DELEGADO TERÁ QUE FAZÊ-LO ATRAVÉS DE
UM ATO FORMAL.O ATO DE DELEGAÇÃO.

SÃO 3 OS REQUISITOS QUE ENCONTRAMOS PATENTES NO ARTIGO 44º DO CPA.

V. DELEGAÇÃO DE FIRMA
Há vários conceitos (que devemos comparar com a aula anterior) há conceitos parecidos com a
delegação , mas não sinónimos , a delegação de firma que acontece quando a lei a um inferior
hierárquico o poder de assinar um ato em nome da identidade competente para decidir é uma
mera delegação de firma porque a decisão é tomada previamente pela identidade competente

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, quem assinou não foi quem decidiu , quem assinou , assinou em nome de quem decidiu
apenas , e esse expediente é utilizado para descongestionar o processo , o procedimento
administrativo , descongestionar a organização administrativa , descongestionar a entidade ,
porque há serviços que diariamente tem que assinar dezenas e até centenas de processos , de
decisões , ou intermédias ou definitivas mas decisões. E há um chefe, o chefe deve ser liberto
para questões mais importantes. Liberta-se o chefe para funções mais estruturantes, mais
relevantes. Nas assinaturas está o subordinado do chefe, e esta autorização que o subordinado
tem chama-se delegação de firma. (isto não tem nada a ver com delegação de competência).

VI. DESCONCENTRAÇÃO ORIGINÁRIA DE PODERES E


DEFINITIVA
Outro conceito que é parecido, mas não corresponde há figura de delegação, é a
desconcentração originária de poderes, originária e definitiva de poderes, ou seja,
transferência legal de poderes, quando por força de lei uma competência é atribuída
desconcentrada mente pela entidade X a transferência é final é definitiva. A delegação de
competências é resultado de uma desconcentração derivada, não de uma desconcentração
originária e é esta a diferença.

VII. DELEGAÇÃO TÁCITA


Outro conceito diferente, delegação tácita, não tem muito a ver com a delegação de
competências, de acordo com a definição no artigo 44º e outros do CPA. É tácita porque não é
expressa, não é explicita, ou seja , existe delegação tácita quando a lei dispõe que um órgão é
competente e pode exercer uma competência delegada , se outro órgão não se manifestar em
sentido contrário , é a lei que diz que o órgão Y pode exercer uma certa competência delegada
se o órgão X não se manifestar contra , aqui o silêncio vale o consentimento , o silêncio do
órgão X vale delegação de poder , delegação tácita “quem cala , consente “ .

O ARTIGO 5º / Nº4 do decreto-lei 79/2005 diz-nos que o Ministro de Estado e das Finanças é
coadjuvado no exercício das suas funções pelas seguintes entidades:

· Secretário de Estado Adjunto e do Orçamento


· Secretário de Estado do Tesouro e Finanças
· Secretário de Estado dos assuntos Fiscais
· Secretário de Estado de Administração Pública

Aqui há delegação tácita, se o Ministro de Estado e das Finanças não se manifestar em sentido
contrário aquelas competências funcionais podem ser exercidas imediatamente pelas
entidades acima mencionadas, pelos secretários de estado que em regime de coadjuvação se
ligam ao Ministro e isto não delegação de poderes no sentido próprio, porque se trata aqui de
uma delegação originária de poderes, da lei diretamente para os secretários de Estado.

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DELEGAÇÃO DE PODERES É DESCONCENTRAÇÃO DERIVADA, NÃO É DESCONCENTRAÇÃO


ORIGINÁRIA.

VIII. SUPLÊNCIA
Outra figura que é confundida muitas vezes com delegação de poderes, mas não é: Pensamos
neste cenário, o titular do órgão não exerce um poder, pode por exemplo encontrar-se
impedido, pode ocorrer por falta, ausência, por vacatura. Quem sobe é o suplente, observados
esses pressupostos, a lei manda que um determinante ente desempenha automaticamente
essas funções, vacatura do cargo, automaticamente o suplente salta e desempenha essas
funções, atenção durante a suplência, o suplente ocupa o lugar e não partilha com o detentor
do lugar, com o titular do órgão. Este titular a partir do momento em que entra em
impedimento ou dá lugar há vacatura do cargo, quem se ocupa desse cargo ainda de forma
temporária é o suplente. E este é o conceito de suplência.

IX. SUBSTITUIÇÃO
Outro conceito várias vezes confundido com suplência e com delegação de poderes é a
substituição. E o que acontece aqui? Acontece a ausência de vontade de entidade competente
para cumprir os seus deveres funcionais, falta vontade, a lei aqui confere a outro os poderes
para praticar atos pertencentes há esfera jurídica e projeta-se as consequências, neste aspeto
de projeção das consequências, da esfera do substituído, há uma diferença clara em relação à
declaração porque na delegação as consequências projetam-se na esfera jurídico do delegado,
não do delegante. Outra diferença com a delegação, o requisito de falta de vontade da
entidade competente para cumprir os deveres não é de todo relevante, não é uma questão de
faltar vontade ao ente, a delegação acontece quando o detentor do lugar resolve de monte
próprio e não pela negativa, mas apenas porque acha que deve desconcentrar certas
competências e a lei assim o permite. O Nº1 do Artigo 44º enfatiza o verbo “poder”.

 Quando afirmamos que na substituição e quando a lei dá poderes a outro ente para
praticar atos que pertencem à esfera jurídica do substituído, existe uma diferença em
relação a delegação, porque na delegação os atos do delegado são seus, não são do
delegante.

X. REPRESENTAÇÃO
Representação mais um elemento que é confundido com a delegação , a representação
traduz-se na prática de um ato por um representante em nome do representado só que aqui
projetam-se os efeitos jurídicos na esfera do representado , diferentemente de delegação em
que o delegado pratica atos próprios e os efeitos desses atos próprios projetam-se na esfera
jurídica da pessoa coletiva onde se insere o delegado , não na esfera jurídica do delegado (ele
mesmo sozinho , individualmente) mas na pessoa jurídica onde se insere (pessoa jurídica
também conhecida como pessoa coletiva).

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XI. DELEGAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS


Delegação de serviços públicos, o que está aqui em causa? É a gestão total de um serviço
público (Natureza social, Natureza cultural) que é transferida tal gestão para entidades
privadas sem fins lucrativos, e isto é delegação de serviços públicos.

EXEMPLO: Pensemos num Centro Cultural algures no interior alentejano, pertencente


originalmente ao poder público, mais propriamente a Autarquia de Moura, o que é que a
Camara Municipal de Moura faz? Transfere a uma entidade privada dirigida por Maria, a Maria
é proprietária de um negócio e é capaz de explorar esse bem até melhor que a Camara
Municipal, a Camara transfere para Maria o bem só que Maria é uma empresária e nesse caso
terá que agir sem fins lucrativos, isto é, a finalidade Maria não é propriamente ganhar
dinheiro, mas sim explorar melhor o Centro Cultural e isto é uma delegação de serviços
públicos.

XII. CONCESSÃO
O que é uma concessão? É um ato pelo qual é transferido a uma entidade (regra geral
entidade privada) temporariamente (também regra geral) o exercício de uma atividade
económica de fins lucrativos cabendo a gestão ao concessionário.

EXEMPLO: Concessão da exploração da autoestrada nacional 2, conceção da ponte 25 de Abril


(…) tudo isto é concessão e não delegação.

 A DELEGAÇÃO PODE SER AMPLA, MUITO AMPLA OU PODE SER RESTRITA.


 DELEGAÇÃO AMPLA: Pode ser ampla abrangendo um leque de competências
constituído por variados poderes. Mas por mais ampla nunca pode violar o artigo 45º/
línea a do CPA onde se fala da delegação total de poderes. EXEMPLO: Maria é
presidente da Câmara tem uma lista de competências funcionais que deve exercer,
Maria está muito subcarregada com ocupações pessoais e resolve delegar a Nelson o
exercício de todos os poderes que têm, Maria acaba por “descansar” porque houve
uma delegação total de competências, isso é manifestamente ilegal por força do artigo
45º do CPA

O delegante também não pode delegar uma competência suscetível de ser exercida pelo
próprio delegado. EXEMPLO: António delega em Bento a competência para exercer poder
disciplinar sobre o próprio Bento. Quem tinha essa competência para exercer o poder
disciplinar pelo menos de uma parte do procedimento disciplinar era António, este delega a
Bento, só que esta competência é suscetível a ser utilizada contra Bento ARTIGO 45º/ línea) b
do CPA proíbe este tipo de delegação de competências.

· DELEGAÇÃO RESTRITA: Pode ser restrita e dirigir-se a um determinado campo


pequeno e esgotar-se aqui a competência do delegado para exercer a sua função.
 A DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA PODE SER GENÉRICA OU ESPECIFICA.
· Genérica porque incide sobre uma diversidade de atos.

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· Especifica porque incide sobre um ato específico, e há um ato específico que é objeto
de delegação de competências, uma vez praticado esse ato específico esgota-se a
competência delegada, caduca o ato de delegação de competências.
 DELEGAÇÃO HIERÁRQUICA VS DELEGAÇÃO NÃO HIERÁRQUICA
· Hierárquica acontece quando um superior hierárquico delega num subalterno o
exercício de certas competências. Quando ocorre? Na relação entre o diretor geral e o
seu diretor de serviço, na relação entre diretor serviço e o seu chefe de divisão, na
relação entre o diretor de serviço e o seu chefe de repartição (…) existe sempre aqui
uma hierarquia presente. Ou seja, se houver delegação de competências é hierárquica,
isto é, se um particular não ficar satisfeito com a decisão tomada pelo delegado pode
recorrer hierarquicamente para o delegante. (o mesmo não se passa no conceito
abaixo mencionado).
· Não hierárquica é quando um órgão administrativo delega noutro órgão ou agente que
não tem um vínculo de dependência hierárquico com o delegante. EXEMPLO:
Concelho de Ministros VS Ministro X, Y ou Z; 1º Ministro VS Ministro, aqui se houve
uma delegação do 1ºMinistro para o Ministro, se o Ministro decidir não há recurso
hierárquico para o 1º Ministro. Ministro VS Secretário de Estado; Câmara Municipal VS
Presidente da Câmara Municipal. Aqui existe delegação quando é o delegante que por
força de uma lei habilitante transfere o exercício de certos poderes ao delegado e
acaba aqui a “cadeia” e onde termina a cadeia falamos de delegação de sensu próprio.
(ARTIGOS 44º E SEGUINTES DO CPA).

BREVES REQUISITOS DA DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIAS:

1. ESTÁ RELACIONADO COM O ATO DE DELEGAÇÃO (ARTIGO 47º CPA) ESTE ATO DE
DELEGAÇÃO OU SUB-DELEGAÇÃO O ORGÃO DELEGANTE OU SUB-DELEGANTE DEVE
ESPECIFICAR OS PODERES QUE SÃO DELEGADOS OU SUB-DELEGADOS, OS ATOS QUE O
SUB-DELEGADO PODE PRATICAR BEM COMO MENCIONAR A NORMA TRIBUTIVA DO
PODER DE DELEGADO E AQUELA QUE HABILITA O ORGÃO A DELEGAR, TUDO ISTO
DEVE CONSTAR NO ATO DE DELEGAÇÃO E ESTÃO SUJEITOS A PUBLICAÇÃO NOS
TERMOS DO ARTIGO 159º.
2. PODERES DO DELEGANTE (ESTÃO TODOS NO ARTIGO 49º CPA)
3. O QUE É O DELEGANTE PODE FAZER OU SUBDELEGADO? PODEM AVOCAR OS
PODERES QUE TINHA DELEGADO. SE PODE AVOCAR ESSA COMPETÊNCIA PARA
EXERCER PODE DESTRUIR O ATO PRATICADO PELO DELEGADO ATRAVÉS DA
REVOGAÇÃO OU DA NULAÇÃO.
4. REQUISITOS DO ATO DO DELEGADO (ARTIGO 48º CPA) SE FALTAR MENÇÃO OU SE A
MENÇÃO FOR INCORRETA O MESMO NÃO AFETA A VALIDADE DO ATO, SIGNIFICA
APENAS QUE É MERAMENTE IRREGULAR AQUELA RESULTA DO CASAMENTO DO
ARTIGO 47º/Nº1 COM O ARTIGO 48º/Nº2.
5. EXTINÇÃO DA DELEGAÇÃO (ARTIGO 50º CPA)
6. PODERES A EXERCER PELO DELEGADO FORA DO AMBITO DA RESPETIVA COMPETÊNCIA
TERRITORIAL, DELEGANTE DELETA NO DELEGADO UMA COMPETÊNCIA QUE O

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DELEGADO NÃO PODE EXERCER PORQUE NÃO FAZ PARTE DA SUA ÁREA TERRITORIAL.
(ARTIGO 45º línea C do CPA).
7. REGIME DAS SUBDELEGAÇÕES (ARTIGO 46º CPA)
8. NATUREZA JURIDICA DA DELEGAÇÃO – SÃO 3 AS MAIS RELEVANTES: (O professor disse
para ver as páginas que ele indicou no moodle sobre este assunto).

AULA 10 - 14/04/2021
TEMA: PRINCÍPIO DA LEGALIDADE
No 1º semestre falámos de separação de poderes, neste semestre em Direito Administrativo
também aborda o princípio da separação de poderes, da ação do Estado, da Administração
pública em geral e nessa continuidade, há desconcentração e descentralização, portanto há
separação de poderes também.

Hoje iremos ver como é que o princípio da ilegalidade se encaixa na ação administrativa, como
se manifesta na prática, o que impõe (…)

 Os princípios norteadores do regime administrativo, estão explicitados na Constituição


e no Código de Procedimento Administrativo.
· Falar do Princípio da legalidade, é falar daquele princípio segundo o qual
Administração Pública e os poderes políticos em geral devem obediência à lei, para
que uma entidade administrativa aprove um regulamento administrativo, esse
regulamento deve conformar-se à lei, para que uma entidade administrativa pratique
o ato administrativo esse ato administrativo deve obediência à lei sobre pena de
ilegalidade.

Tais diretrizes resultam diretamente da Constituição, primeiramente no ARTIGO 266º/Nº2.

Respeitar a lei significa obedecer ao princípio da legalidade, respeitar este ARTIGO 266º CRP
mas também o ARTIGO 3º do CPA de sequência o legislador ordinário fez aquilo que o
legislador de revisão (ou os legisladores de revisão) ensaiaram durante décadas e ainda hoje
não conseguiram fazer , isto é , o legislador ordinário introduziu no programa normativo uma
diretriz que o legislador constituinte não conseguiu introduzir e os legisladores de revisão
constitucional sucessivamente falharam , o legislador ordinário do CPA conseguiu
discretamente alojar no ARTIGO 1º a expressão ao Direito que os órgãos da administração
pública devem obediência à lei e ao Direito.

· ARTIGO 203º da CRP está previsto que os tribunais estão sujeitos apenas à lei, não
estão sujeitos à lei e ao Direito. É estranho no mínimo que aquilo que um tribunal não
pode fazer o administrador público pode fazer. De uma certa perspetiva o Direito
Administrativo está em vantagem na medida em que ele está sujeito à lei, mas
também ao Direito, em suma no CPA conseguiu-se aquilo que o poder constituinte não
aceitou.

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· ARTIGO 3º E ARTIGO 203º (AMBOS DA CRP) tem uma ligação. No ARTIGO 203º não foi
para a frente a expressão “estão sujeitos à lei e ao Direito” porque o juiz podia
interpretar o Direito de derivadas formas.

NOTA: O PROFESSOR QUIS MENCIONAR A QUESTÃO INTERIOR PARA TERMOS NOÇÃO QUE
AQUILO QUE O PODER CONSTITUINTE NÃO CONSEGUIU DERREPENTE O PODER ORDINÁRIO
CONSEGUIU E QUIS QUE REFLETISSIMOS SOBRE ESTE ASSUNTO E PARA TERMOS MAIS NOÇÃO
DO QUE ESTÁ NO INTERIOR DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE.

O Princípio da legalidade remeto-nos para a questão da preferência da lei, o que é isto da


preferência da lei?

I. QUEM PREVALECE?
Administração não pode praticar atos que contrariarem leis, porque se houver contradição,
entre o ato de administração e uma lei, prevalece a lei, a lei prefere, a lei tem preferência,
independentemente da capacidade de raciocínio da argumentação, lei é lei, se o administrador
não concordar com a bondade dessa lei enquanto ela estiver em vigor tem sempre que
respeitá-la, lei é lei.

O papel do administrador não se pode substituir ao do legislador, isso seria violação da


separação de poderes.

XIII. PREFERÊNCIA DE LEI


A preferência de lei é um dos pilares fundamentais da legalidade enquanto princípio jurídico, o
que nos convoca para a seguinte pergunta: Se a lei prefere sobre atuação da Administração,
como é que podemos garantir de uma forma clara, objetiva, que todos perceberão que nesta
matéria não pode entrar ninguém a não ser o legislador? Isso só acontece quando estão
reservados os territórios legislativos, é por isso que existe por exemplo o ARTIGO 164º/165º
da CRP porque nestas matérias só Assembleia da República pode atuar.

Imaginemos o poder administrativo a determinar o que serão as linhas fundamentais do


Regime legal atinente ao setor da defesa de segurança , imaginemos o poder administrativo a
dizer o que é que deve ser estruturante na organização e funcionamento no Tribunal
Constitucional , é inconcebível porque são matérias absolutamente reservadas à Assembleia
da República , existirão matérias reservadas à mesma mas onde o Governo pode atuar ,
legislando mas não fazendo regulamentos administrativos nem atos administrativos é o que
afirma o 165º.

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XIV. RESERVA DE LEI


A reserva de lei é admitir que a ação da Administração deve fundar-se em normas jurídicas,
normas jurídicas estas que tem o monopólio da definição primária das ações que o poder
Administrativo pode desenvolver, as matérias mais importantes são aquelas matérias alocadas
ao poder legislativo (ARTIGO 164º/165º da CRP). O poder Administrativo não pode atuar
nestas áreas porque são fundamentais, as mais importantes, estão reservas à lei.

DA RESERVA DE LEI RESULTOU DUAS DIRETRIZES:


1. A precedência de lei que significa que a lei é o fundamento da atuação Administrativa
e assim goza de anterioridade relativamente às demais ações.
2. E a reserva de densificação normativa que significa que a lei é fundamento de atuação
de Administração e assim deve ser suficientemente pormenorizada de molde a poder-
se prever essa atuação, uma lei que seja incompreensível por demasiado sintética não
dá vazão a que os administrados programem devidamente as suas vidas, a lei não deve
ser algo que se transforma em atos administrativos ou em normações muito
especificas.

EXEMPLO: Cada um de nós nesta sala virtual tem os seus planos de vida, planos mensais,
planos semanais, plano a longo prazo (…) estes planos são feitos com base em previsões.

Ø A outra dimensão que faz parte do princípio da legalidade e já antes falada é


preferência de lei, que é um conceito que entra em ação na prática consumada da
Administração Pública, já estamos a colocar em comparação, ação da Administração
Pública e uma lei existente.

Uma ação que já exista e uma lei que também já exista, qual prevalece? Uma ação
Administrativa deve conformar-se à lei, mas aquela situação amomadas em que não há
compatibilidade entre ação do poder administrativo e a lei existente, a ação do poder
administrativo deve cair e a lei é o parâmetro determinado desse comportamento, isto é, o ato
de Administração Pública vai ser considerado inválido.

A LEI PREVALECE SOBRE QUALQUER ATO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.

PREFERÊNCIA DE LEI VS RESERVA DE LEI

Hoje num Estado social de Direito, o Princípio da legalidade está para lá de uma visão
meramente liberal que se tinha do Princípio da legalidade num Estado de Direito.

Ø O Princípio da legalidade nasce como reação há imprevisibilidade da ação do poder, da


retórica do Direito, antes a lei era o próprio monarca, o Estado era o próprio monarca
e o povo estava descontente, foi necessário este princípio da legalidade para provocar
uma revira volta. Por isso nós somos mais confiantes em leis objetivas, do que em

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confiar em alguém que pode estar no poder hoje, mas amanhã já ser outro, ou ele
mesmo mudar de opinião várias vezes.

O que se quis fazer num Estado liberal foi dar liberdade às nossas vidas, às vidas dos
administrados, retirando o poder discricionário das mãos do detentor do poder executivo, isto
é, haver leis escritas que todos possamos ler. O principio de legalidade foi um dos mecanismo
que o Estado liberal de Direito utilizou para conferir maior previsibilidade à vida dos
administrados , isto é , preferência de lei e havendo incompatibilidade prefere a lei , fala-se da
exigência de preferência de lei enquanto precedência de lei nos casos de invasão na esfera
jurídica do particular , mas principalmente deste desenvolvimento que houve e sofreu uma
atualização importante no enquadramento jurídico na Administração de prestação e de
Administração infraestrutural , Administração deixou de ser aquela ação que atuava de forma
minimal porque o resto estava para a sociedade e o Estado social de Direito comprometeu-se a
fazer mais ( a construir infraestruturas , a dar subsídios , bolsas de estudos …) e nisto a
Constituição ganhou centralidade no Ordenamento Jurídico.

Para finalizar pensemos no ARTIGO 3º do CPA para orientação da aula de hoje.

NOTA: ESTE ARTIGO É UMA CÓPIA DO ARTIGO 20º DA CONSTITUIÇÃO ALEMÃ.

Não esquecer que a lei e a Constituição não se podem usar ao mesmo tempo.

Aula 11 - 19/04/2021
TEMA: Discricionariedade
Discricionariedade
 A discricionariedade está diretamente relacionada com o princípio da legalidade, visto
que, a discricionariedade é fruto da legalidade e têm que ser entendida exatamente no
quadro da legalidade. É um ato que surge só porque e na medida em que a lei
determinou.

NOTA: Podem ser enquadradas as expressões “tomar as medidas adequadas” ou “boa-fé” na


discricionariedade.

 há três truques para analisar a norma e perceber se confere este poder:


o o verbo poder (poder e não dever – ouvimos pode e não deve – se é pode há
uma grande probabilidade de se tratar deste poder);
o indicar o fim e utilizar conceitos vagos (aqui estará feito o pleno);
o indeterminados (Não especificar por exemplo, o tempo exato de execução de
um ato específico, ou seja é indeterminado, fica a cargo do administrador
decidir o tempo para tal).

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I. Poder discricionário vs arbitrário


Não se confunde poder discricionário com arbitrário porque este último não tem poderes e o
primeiro sim. Não se confunde o primeiro com conceitos vagos e indeterminados, isto porque
os conceitos vagos são um indício de que poderemos estar eventualmente sobre uma margem
de livre apreciação para valorar e preencher aquele conceito – tem de resultar da própria
norma que isto se possa fazer – só concluímos que estes concedem poderes discricionários se
o objetivo da norma era fazer com que a AP tivesse de interpretar essa norma e assim
proceder à escolha

XV. Limites do poder discricionário


Quando estivermos a resolver hipóteses práticas estamos sempre a ver se a atuação da
administração está ou não de acordo com aquilo que a lei prevê – princípio da legalidade -,
é o mais importante porque significa que a AP está submetida ao bloco da legalidade:

 Perspetiva orgânica – perceber se os órgãos competentes estão a agir de acordo com a


lei e no seu fundamento – perceber se existe usurpação de poder ou se existe
incompetência – pode ser absoluta (exerce competência de um órgão de outro órgão
de outra pessoa coletiva) ou relativa (exercer a competência de outro órgão da mesma
pessoa coletiva) -perceber se há usurpação de poder quando a AP decidia uma
questão que estava a ser decidida em tribunal
 Formal – apreciamos se as formalidades foram ou não respeitadas
 Material – vemos se o fim foi respeitado ou se o conteúdo objeto está de acordo com
a lei – subprincípios do princípio da justiça

XVI. Quando é que podemos falar de discricionariedade na ação


administrativa?
Quando nós por força da lei detetarmos a existência de uma liberdade detida pelo poder
administrativo no que toca á ação da administração, se pode ou não pode agir, se tiver de agir
deve agir de acordo com um padrão ou outro padrão e se, entretanto, tiver de agir cabe ou
não a ele medir a intensidade dessa Acão.

Se oferece ao poder administrativo uma margem de livre apreciação no seu agir e por essa via
pode-se chegar também á discricionariedade nas mãos daquela autoridade administrativa.

Liberdade de escolha, dentro dos parâmetros legais, é a lei que vai determinar qual é a
intensidade dessa intervenção qual é a necessidade ou a possibilidade da intervenção.

Na lei podemos verificar sinalizadores de presença da discricionariedade determinada pelo


legislador.

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Exemplo de discricionariedade:

Artigo 63.º CPA

Comunicações por telefax, telefone ou meios eletrónicos

2 - Presume-se que o interessado consentiu na utilização de telefax, de telefone


ou de meios eletrónicos de comunicação quando, apesar de não ter procedido à
indicação constante do número anterior, tenha estabelecido contacto regular
através daqueles meios.

Não se trata de um contacto único, mas não nos


informa da quantidade exata de regularidade. Aqui a
indeterminação é uma realidade, saber se bastam
dois contactos ou são exigidos 3/4/5 etc.…, para se
preencher o tipo do artigo é uma questão a resolver,
visto que o conceito é suficientemente indeterminado
para não concitar uma resposta unívoca á pergunta
colocada.

 Perante este tipo de conceitos o que se


pode exigir do Poder Administrativo? Se ele intervir agindo com base no seu próprio
juízo na sua própria interpretação do Artigo 63º n2 CPA, daquele conceito
indeterminado, o resultado dessa ação é sindicado jurisdicionalmente, sim ou não? Se
sim, em que termos? Quem poderá fazê-lo?

Artigo 177.º CPA

Ato exequendo e decisão de proceder à execução


3 - A decisão de proceder à execução é notificada ao destinatário, com a cominação de
um prazo razoável para o cumprimento da obrigação exequenda.

Qual á o prazo razoável?


Quantos dias? Quantas
 Quando é a própria lei que faculta á Autoridade semanas? Quantos meses?
Administrativa essa margem de atuação, quem é Quem é que fixa esse prazo?
o poder judicial para pôr em causa esse juízo feito E uma vez que a Autoridade
num caso/situação/pessoa concreta? Administrativa fixe aja fixado

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Separação de poderes, cada instituição têm o seu quadro de poderes e não se pode admitir
que o poder judicial cujo território é delimitado e blindado á intervenção de outros poderes se
permita assumir o papel de superpoder e invadir ostensivamente áreas delimitadas a favor de
outros órgãos. Existe interdependência de poderes porem não pode ser algo que mine o
núcleo central dos poderes dos outros órgãos constitucionais.

XVII. A discricionariedade de acção/ inação


Dá á autoridade administrativa a prerrogativa de agir ou não agir, de acordo com o Artigo
168.nº 4 CPA, perfeitamente enquadráveis na lei.

Artigo 168.º CPA

Condicionalismos aplicáveis à anulação administrativa

4 - Salvo se a lei ou o direito de União Europeia prescreverem prazo diferente,


os atos constitutivos de direitos podem ser objeto de anulação administrativa no
prazo de cinco anos, a contar da data da respetiva emissão, nas seguintes
circunstâncias:

Podem, mas não têm


necessariamente de ser.

É uma faculdade que assiste

A discricionariedade não é absoluta, tal como a vinculatividade, não existem atos


absolutamente vinculados ou atos absolutamente discricionários há sempre um qd.

XVIII. Discricionariedade de escolha

 Apresentação de 2/3/4 alternativas positivadas na lei dando á AA a possibilidade de


escolher entre essas alternativas, ou seja, há uma lista fechada de alternativas
oferecidas ao administrador e o mesmo escolhe entre elas.

Ex.: Expressão “ou”

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Artigo 122.º CPA

Notificação para a audiência

1 - Para efeitos do disposto no artigo anterior, o órgão responsável pela direção do


procedimento determina, em cada caso, se a audiência se processa por forma escrita
ou oral e manda notificar os interessados para, em prazo não inferior a 10 dias, dizerem
o que se lhes oferecer.

Opção de escolha

 Existem, porém, momentos em que é detetada simultaneamente discricionariedade


de ação e de escolha. Exemplo:

Artigo 197.º CPA

Decisão

3 - O órgão competente para decidir o recurso pode, se for caso disso, anular,
no todo ou em parte, o procedimento administrativo e determinar a realização de
nova instrução ou de diligências complementares.

Discricionariedade de Discricionariedade de acção


escolha

XIX. Discricionariedade Criativa


Criação de ação alternativa

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 “(…)ou “discricionariedade criativa”, se o legislador apenas estabelecer “um número


mínimo de identificador do género de medida, deixando ao executor a invenção do
conteúdo completo do acto.” JOSÉ MANUEL SÉRVULO CORREIA, Legalidade…, p. 479.

Conceito indeterminado
 A falta da previsibilidade na lei, propositalmente falando, permite aos órgãos
administrativos resolver o problema com outra flexibilidade. A possibilidade de agir
perante problemas novos que possam surgir sem a necessidade de criação de novas
leis ou se proceder a uma interpretação autêntica da norma ou integração de lacunas.
 É a própria lei que autoriza a AA a atuar de acordo com os seus critérios desde que os
mesmos caibam nos limites desses conceitos indeterminados

Exemplo:

Artigo 177.º CPA

Ato exequendo e decisão de proceder à execução

3 - A decisão de proceder à execução é notificada ao destinatário, com a


cominação de um prazo razoável para o cumprimento da obrigação exequenda.

 O “quando” desse
prazo razoável não
está definido na lei Expressões usadas: “urgente”, “durante a noite”,
 Quem é que vai “conveniência de serviço”, “circunstâncias de caracter
numa situação excecional”, “razoabilidade”.
concreta fixar um
certo e determinado Ex: O próprio conceito de interesse público pode ser
prazo? considerado como um conceito indeterminado.

Os conceitos indeterminados podem conduzir a um ato discricionário, caso a caso. Se for o


caso esses atos que são discricionários estarão fora do controle judicial por isso o tribunal não
pode anular tais atos ou entrar no mérito do ato e é algo que o poder judicial por amor ao
princípio da separação de poderes não deve fazer.

Margem de livre apreciação ex.: avaliação de um professor a um teste (resulta ou pode


resultar dos conceitos indeterminados.)

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1. Ato vinculado
É aquele que a administração pratica no exercício de poderes vinculados

Exemplo: Liquidação do IRC

XX. Ato discricionário


Quando a administração poder praticar esse ato no exercício de poderes discricionário.
Exemplo:

Artigo 149.º CPA

Cláusulas acessórias

1 - Os atos administrativos podem ser sujeitos, pelo seu autor, mediante decisão
fundamentada, a condição, termo, modo ou reserva, desde que estes não sejam
contrários à lei ou ao fim a que o ato se destina, tenham relação direta com o
conteúdo principal do ato e respeitem os princípios jurídicos aplicáveis,
designadamente o princípio da proporcionalidade.

O autor do ato
administrativo pode ou não
fixar o modo como cláusula
acessória.
XXI. Poder vinculado
O poder será vinculado respetivamente o seu titular não
receber da lei, autorização para definir livremente os critérios para a solução de casos
concretos fixando antes a lei e parâmetro de resolução

XXII. Poder discricionário


O poder será discricionário vinculado respetivamente o seu titular receber da lei, autorização
para definir livremente os critérios para a solução de casos concretos deixando nas mãos dele
a possibilidade de optar pelas decisões que satisfaçam o interesse público.

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NOTA: O regulamento é um Aula 12 - 05/05/2021


ato de administração pública
de carácter geral e abstrato, Mais princípios fundamentais do Direito
um ano normativo. Um ato Administrativo
administrativo é uma
NOTA: O autor Paulo
decisão concreta.
Otero relativamente é o
que tem as suas obras Uma grande ajuda no
mais atualizadas e estudo dos princípios é o
próprio legislador. Se lermos com atenção o CPA na
compostas em relação à
parte dos princípios (isto é, a partir do seu artigo 3º)
matéria lecionada na aula
encontramos uma explicação mais ou menos
competente ou até muito de hoje. No livro de esclarecedora. É
importante destacar que o Freitas Amaral esta parte legislador não tem o
deve de explicar os princípios dos princípios está feita visto que o legislador não
tem que fazer doutrina (por de uma forma muito outras palavras, não tem
que servir-se da lei para breve e pouco sustentar teses) mas
apenas impor na lei aquilo que é circunstancialmente a
desenvolvida.
sua forma de ver o Direito.
Livros de consulta:
Portanto, o legislador vem  Direito do facilitar os estudantes.
Se, por exemplo, o professor Procedimento perguntar o que é o
Princípio da Boa Administração Administrativo, basta ler o artigo 5º do
CPA, pegar nas palavras do legislador e fundamentar
Paulo Otero,
com aquilo que sabemos estruturando o raciocínio
Coimbra: Almedina
e temos o princípio definido.
(edição de 2015) –
Destaco ainda que o CPA é uma Páginas 73 e lei ordinária e, assim
sendo, terá que obedecer à seguintes. Constituição e, por vezes,
reproduz com exaustão aquilo  Direito que está enunciado na
CRP. Nós, como estudantes de Solicitadoria e Direito, só
Administrativo,
temos que “casar” a Constituição com a lei e
Marcelo rebelo de
extrair desta relação de cumplicidade pistas de
orientação para aplicação no Sousa e André Direito da prática.
Salgado de Matos,
Alguns princípios já se Tomo I (3ª edição, encontram nos artigos da
Constituição da República 2010) – Páginas Portuguesa (Princípio da
Separação de Poderes [artigo 111º], Princípio da
145-159 e 207-
Legalidade [artigo 266º, nº 2 da CRP e artigo 3º, nº 1 do
229.
CPA] e Princípio da Unidade de Estado [artigo 6º da
CRP]).

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I. 3. Princípio da Unidade da Ação Administrativa


 Durante este semestre a ideia que deixamos assente sobre este princípio é de
uma dinâmica, isto é, uma tensão dialética criadora entre dois movimentos: um
movimento Centrípeto (que se dirige para o centro, do exterior para o interior)
e um movimento Centrífugo (tendência afastar-se do centro).
 Neste âmbito, pode dizer-se que se parte de uma ideia fundamental (de que o
Estado Português é um estado unitário [artigo 6º da CRP]) mas com receio
dessa centralização ser esmagadora das periferias. O próprio legislador
Constituinte impôs ferramentas corretivas (como a centralidade, a unidade do
Estado ou a unidade da ação administrativa, mas, sempre que possível, a
existência de descentralização e desconcentração). Logo, afirmar a unidade do
Estado não afasta a descentralização (e o inverso também é verdadeiro), assim
como afirmar a descentralização não reduz em nada a centralização (elas
devem existir ou coexistir numa relação de tensão, mas sempre com espaço
tanto para uma como para outra).
 Qual é o objetivo da unidade da ação administrativa? Em primeiro lugar, o
artigo 6º da CRP diz-nos que o Estado é unitário, mas depois temos o artigo
267º, nº2 do CRP que nos diz que a unidade da ação administrativa é um
princípio basilar apesar da descentralização administrativa e da
desconcentração administrativa. Em suma, apesar da desconcentração e da
descentralização, haverá, quando for necessário, poder de direção, poder de
tutela e poder de superintendência.
 Quais são os instrumentos da Unidade da ação Administrativa? Podemos
começar por destacar os artigos 44º e seguintes do CPA (regime da delegação
de poderes). Estudamos os poderes de direção, de tutela e de superintendência
no artigo 267º, nº 2 da CRP, no artigo 199º, alínea d) da CRP. Adicionalmente,
estudamos o poder de fiscalização administrativa dos entes particulares que
exerçam poderes públicos, presente no artigo 267º, nº 6 da CRP.

XXIII. 4 e 5. Princípio da descentralização e Princípio da desconcentração


administrativas
 O tal movimento centrífugo é garantido pelos princípios da descentralização e
desconcentração administrativas (artigo 267º, nº 2 da CRP), ou seja, é fuga a
partir do centro em direção à periferia, mas o movimento contrário é
dialeticamente assegurado pelo princípio da unidade do Estado (artigo 6º CRP)
e da unidade da ação administrativa (artigo 267º, nº 2 da CRP).

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 Quais são os exemplos de entidades titulares no quadro da descentralização


administrativa? Temos as autarquias locais (artigo 235º e 288º, alínea n) da CRP
– a partir do artigo 288º o legislador quis blindar o próprio princípio, impedindo
que futuros legisladores de revisão constitucional efetuassem uma regressão).
NOTA: Se as autarquias locais antes do 25 de abril não eram verdadeiras
autarquias locais porque não disponham de autonomia administrativa
relevante, o legislador do pós 25 de abril o que quis deixar para posterioridade
é o Princípio da Descentralização.
 Exemplos de entidades titulares situadas no quadro da descentralização
administrativa política? Temos o exemplo do artigo 288º, alínea o) da CRP
(arquipélagos dos Açores e da Madeira, mais precisamente).
 A subsidiariedade é algo potenciador, ou seja, é algo que alimenta o Princípio
da Descentralização. Falamos de subsidiariedade por ser um conceito que só
faz sentido quando se quer verdadeiramente dar valor à periferia (às periferias)
ou ao movimento centrifugo (fuga do centro [“centro” simbolicamente Lisboa,
Terreiro do Paço, etc.] – valorização da periferia, das entidades municipais, das
juntas ou dos órgãos de freguesia, ou seja, valorização daquilo que está fora do
centro) atrás assinalado. Por outras palavras, quem tem prioridade na ação é
quem está mais perto do problema e o poder público só pode atuar quando os
objetivos dessa atuação não possam ser realizados por entes menores (critério
da racionalidade, critério da eficácia e o critério da eficiência – quem está mais
perto do problema, em tempo útil, pode reagir a esse problema e formular
critérios de superação desse problema), ou seja, só quando a periferia não
conseguir atuar é que se deve abrir espaço para a intervenção do centro.
NOTA: Os órgãos de uma freguesia integram-se no Princípio da
Descentralização Administrativa visto que têm autonomia administrativa face
ao centro (não confundir os órgãos de uma freguesia com os do município).
 Por exemplo, não é subsidiariedade aquilo que a legislação ordinária, por
exemplo, a lei quadro das regiões administrativas assinala quando vem dizer
que a preferência está no centro, ou seja, só quando o centro falhar é que as
futuras eventuais regiões administrativas, isto é, os futuros eventuais órgãos
das regiões administrativas podem atuar (a lei está a inverter a sequência das
coisas, sendo assim já não é o Princípio da Subsidiariedade mas sim o Princípio
de Subsidiariedade ao contrário – em vez de dar preferência às futuras regiões
administrativas essa lei diz que em primeiro lugar cabe preferência ao centro,
ou seja, é a administração central que tem preferência de atuação – não
podemos considerar isso subsidiariedade). Há quem sustente que a violação do

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Princípio da Descentralização (que o artigo 6º da CRP articula) na sua relação


com a centralidade do Estado dizendo sempre que se deve preservar o critério
de subsidiariedade (ora este critério terá sido posto em causa pela lei-quadro
das regiões administrativas).
 Falar da subsidiariedade é mencionar o artigo 6º da CRP e o Direito da União
Europeia (na sua relação com o Direito Nacional) isto porque, no caso do
primeiro exemplo, a subsidiariedade estava num eixo em cujos extremos está o
poder de administração central do Estado e, por exemplo, as autarquias locais
ou as regiões autónomas. No Direito da União Europeia o eixo é constituído por
dois extremos/pontos: de um lado a União Europeia e de outro lado cada
estado-membro da União Europeia. Como é que funciona aqui a
subsidiariedade? Existe preferência pelos estados-membros, ou seja, os órgãos
de cada estado-membro na resolução de problemas que se coloquem nesse
mesmo estado (só depois é que se abre espaço para o poder dos órgãos da UE).
 A subsidiariedade também pode ser encontrada em várias Constituições
nomeadamente a de um Estado Federal que nasceu das cinzas da Segunda
Guerra Mundial e percebeu que deve instalar uma Constituição provisória a
pensar numa futura reunificação com a Alemanha do Leste (na Constituição da
República Federal Alemanha pode ser encontrada, no seu artigo 72º, nº 2, a
subsidiariedade).

XXIV. 6. Princípio da prossecução do interesse público (artigo 266º, nº 1 da


CRP)
 Este é o primeiro preceito que o legislador constituinte decidiu eleger da lista
dos Princípios fundamentais da atividade administrativa ou da administração
pública. Se a ordem ou a disposição das normas tem algum peso (“se” visto que
para o professor Kafft Kosta esta localização geográfica das normas não tem
grande peso), vamos perceber que afinal o primeiro Princípio que o legislador
constituinte resolveu consagrar é o da Prossecução do Interesse Público,
posteriormente aparecem o Princípio da Boa-Fé, o Princípio da Imparcialidade,
o Princípio da Proporcionalidade, o Princípio da Justiça, o Princípio da
Igualdade, etc. É curioso que seja o primeiro princípio pois a Administração
Pública deve dar preferência ao interesse público (talvez por esse motivo o
Princípio da Prossecução do Interesse Público seja o primeiro princípio).
NOTA: A Administração Pública quando prossegue interesses privados em
detrimento dos interesses públicos comete uma ilegalidade (art. 161º do CPA).

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 No vício de incompetência quando se prossegue um interesse público mas


afinal quem devia prosseguir esse interesse público era um outro órgão porque
este sim é que tem competência legal para desenvolver essa ação, ou seja,
quem prosseguiu com a prossecução do interesse público não tinha
competência para tal (fala-se aqui do vicio da incompetência).
 O vício de incompetência pode ser absoluto ou relativo. É absoluta na medida
em que, no primeiro caso, o órgão que agiu não faz parte da pessoa coletiva
(órgão) que tinha competência legal para isso. Isto é o que se passa, por
exemplo, na ação de um Presidente da Câmara Municipal X que em matéria de
competência do Ministro da Defesa emitiu um regulamento administrativo ou
um ato administrativo, neste caos, obviamente, é uma incompetência absoluta.
 No caso de ser relativa estamos também perante uma pessoa coletiva (ex.: um
Presidente da Câmara e um Vice-Presidente) que, imaginemos, o Vice-
Presidente pratica um ato que era de competência do Presidente da Câmara
(não deixa de haver um vicio de incompetência, mas aqui é relativa).

XXV. 7. Princípio da proteção dos direitos e interesses dos cidadãos


 O artigo 4º do CPA traz, no mesmo preceito, estes dois princípios: de um lado a
prossecução do interesse público e do outro a proteção dos direitos e
interesses dos cidadãos. É possível que uma autoridade administrativa,
prosseguindo os interesses públicos, acautele os direitos e interesses dos
cidadãos desde que a lei proteja estes direitos e interesses.
 O que foi mencionado acima é um exercício muito difícil de se fazer mas é
possível em várias situações e sempre que for possível a entidade
administrativa tem que olhar para o interesse público e para os particulares por
causa da garantia dos interesses dos cidadãos.
NOTA: O “servir” os particulares não pode entrar em choque com o interesse público.

XXVI. 8. Princípio da Boa Administração


 Diz-nos o artigo 5º do CPA que administração pública deve pautar-se por
critérios de eficiência, economicidade e celeridade.
NOTA: Eficiência é algo mais apurado do que eficácia. Por exemplo, Vítor
estudou 2h para o teste e teve 20 valores, porém o Manuel estudou durante 20
dias e teve 10 valores. Ambos foram eficazes porque conseguiram positiva, mas
quem foi mais eficiente foi Vítor porque teve menos esforço e conseguiu um
excelente resultado. O Critério da Eficiência é um critério norteador (que deve
guiar) da Administração Pública, ou seja, não importa apenas o resultado, mas
sim o melhor resultado conseguido com menos recursos.

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 Celeridade procedimental, celeridade processual, celeridade na ação é um


Critério de Eficiência. Exemplificando, uma obra que devia durar 2 anos e dura
20 anos não é uma realização do Princípio da Boa Administração). Celeridade e
economicidade andam sempre de “braço dado” de acordo com o Princípio da
Boa Administração (aqui também se fala do Princípio da Desburocratização).
 Princípio da Desburocratização: Este princípio visa incrementar a eficácia na
resolução de problemas através da simplificação e racionalização das estruturas
deficitárias existentes. Aqui visa-se evitar a duplicação de estruturas
organizativas e de procedimentos sobrepostos de forma bem como
formalidades inúteis com vista a permitir um melhor fluxo intercomunicativo
entre os cidadãos. Está presente no artigo 10º do CPA.

OBSERVAÇÃO FEITA A PARTIR DO ARTIGO 58º do CPA:


 O princípio inquisitório, de acordo com o artigo 58º do CPA, diz que “O
responsável pela direção do procedimento e os outros órgãos que participem
na instrução podem, mesmo que o procedimento seja instaurado por iniciativa
dos interessados, proceder a quaisquer diligencias que se revelem adequadas e
necessárias à preparação de uma decisão legal e justa, ainda que respeitantes
a matérias não mencionadas nos requerimentos ou nas respostas dos
interessados.”. Quer dizer que a administração pública não tem que ficar numa
posição passiva à espera de um empurrão dos particulares para agir, por outras
palavras, há momentos em que vale o princípio do inquisitório, não é preciso
que as partes (particulares) requeiram algo para que administração pública faça
algo. Uma atuação diferente desta diretriz pode implicar a violação do princípio
da imparcialidade do artigo 9º.
 Existem limites para o Princípio Inquisitório:
 O primeiro limite é o de adequação da intervenção (tem que ter uma
intervenção adequada, ou seja, apesar do Princípio Inquisitório, a
Autoridade Administrativa quando tiver que atuar deve respeitar o
critério da adequação, isto é, é uma atuação que deve ser adequada
para o fim pretendido).
 No artigo 117º, nº 2 do CPA existe um limite ao Princípio do Inquisitório
porque esse artigo afirma que é legitima a recusa às determinações
previstas no nº 1 desse mesmo artigo, quando a obediência às mesmas
envolver a violação de sigilo profissional ou segredo comercial ou
industrial, etc. No artigo 117º, nº 1 verificamos que são solicitadas
provas aos interessados, isto é, por iniciativa própria ou de modo

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próprio essas identidades podem agir (daí a existência do Princípio


Inquisitório) mas como há limites ao Princípio Inquisitório surge o nº 2
do artigo 117º do CPA oferecendo aos particulares uma ferramenta
muito importante que é a recusa àquelas determinações nas hipóteses
nas alíneas do artigo 117º, nº 2 do CPA.
 O artigo 115º, nº 1 do CPA afirma que “o responsável pela direção do
procedimento deve procurar averiguar todos os factos (…)” (aí está o
limite ao Princípio Inquisitório) “ (…) cujo conhecimento seja adequado
e necessário à tomada de uma decisão legal e justa dentro de prazo
razoável, podendo, para o efeito, recorrer a todos os meios de prova
admitidos em direito.”
 O artigo 116º, nº 1 diz que “cabe aos interessados provar os factos que
tenham alegado, sem prejuízo do dever cometido ao responsável pela
direção do procedimento nos termos do nº do artigo anterior.” e
afigura-se como outro limite para o Princípio Inquisitório.
 Entre outros limites (artigo 113º do CPA, artigo 131ºdo CPA, etc.).
XXVII. 9. Princípio da Justiça
 Este Princípio está previsto no artigo 8º do CPA.
 A primeira ideia que se retira a partir deste princípio é a de que a justiça
procura tratar de forma justa todos aqueles que estabeleceram relações com a
Administração Pública, devendo cada um ter aquilo que lhe é devido (a AP
deve procurar garantir a equidade do caso em concreto).
 Assim, não basta que a Administração Pública tenha uma atuação que chegue a
uma solução com um conteúdo justo (dimensão material da justiça), é também
necessário ter em conta os modos como se decide e verificar se foram
cumpridos os procedimentos justos para se obter uma decisão justa (dimensão
formal da justiça). Para tal, é necessário agregar a justiça à imparcialidade, à
equidade e à razoabilidade.
 Para o Professor Freitas do Amaral, o Princípio da Justiça traduz-se num
“conjunto de valores que impõem ao Estado e a todos os cidadãos a obrigação
de dar a cada um o que lhe é devido, em função da dignidade humana”. O
mesmo Professor distingue ainda a justiça coletiva (que corresponde ao
respeito dos Direitos Humanos) e a justiça individual (que remete para a ideia
de igualdade, proporcionalidade e a boa-fé).

XXVIII. 10. Princípio da Igualdade


 Princípio da Igualdade (artigo 6º do CPA e artigo 266º, nº 2 da CRP).

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NOTA: O artigo 6º do CPA é uma reprodução do artigo 13º da CRP (a única


diferença que se consegue isolar é como o artigo 6º do CPA começa “nas suas
relações com os particulares, a Administração Pública deve (…)”).
 Este princípio estabelece que, nas suas relações com os particulares, a
Administração Pública não pode privilegiar, beneficiar, prejudicar, privar de
qualquer direito ou isentar de qualquer dever ninguém em razão de uma série
de elementos que lhe sejam característicos (ascendência, sexo, raça, língua,
território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução,
situação económica, condição social ou orientação sexual).
 Em suma, o Princípio da Igualdade visa, no fundo, assegurar o tratamento de
modo idêntico daquilo que é idêntico e de modo desigual daquilo que é
diferente ou que não é idêntico.
 Tem-se entendido que o princípio da igualdade se desdobra em duas vertentes:
 A da proibição de discriminação (vertente negativa): uma medida é
violadora do princípio da igualdade se estabelecer uma igualdade ou
diferenciação de tratamento para a qual, à luz do objetivo visado, não
existe justificação material suficiente).
 A da obrigação de diferenciação (vertente positiva): dever de
implementação de medidas administrativas que estabeleçam um
tratamento desigual para as situações que forem diferentes (por
exemplo, em razão de carências físicas ou sociais), ou seja, que
constituam discriminações positivas.

XXIX. 11. Princípio da Imparcialidade


 Está presente no artigo 9º do CPA e no artigo 266º, nº 2 da CRP. É importante
mencionar que o artigo 9º concretiza melhor este Princípio (este artigo avança
com um exemplo e é fundamental termos atenção visto que a enumeração
neste artigo é exemplificativa e não taxativa).
 O artigo 9º do CPA começa por afirmar que a Administração Pública deve tratar
de forma imparcial aqueles que com ela entrem na relação, de seguida avança
com um exemplo que é considerar com objetividade todos e apenas os
interesses relevantes no contexto decisório e adotar soluções organizatórias e
procedimentais indispensáveis à preservação da isenção administrativa e à
confiança nessa isenção.
NOTA: A palavra forte aqui é “isenção”. Isenção é uma diretriz iluminante do artigo 9º
do CPA que é o Princípio da Imparcialidade.

55
Licenciatura em Solicitadoria
UC: Direito Administrativo I

XXX. 12. Princípio da Boa-fé


 Este Princípio está representado no artigo 10º do CPA. Nós vamos analisá-lo a
partir do artigo 266º, nº 2 da CRP e do artigo 60º, nº 1 do CPA (neste último
artigo estamos perante uma boa-fé procedimental).
 Está ligado a este Princípio à proteção da confiança quando se diz “no
cumprimento do disposto no número anterior, devem ponderar-se os valores
fundamentais do Direito relevantes em face das situações consideradas, e, em
especial, a confiança suscitada na contraparte pela atuação em causa e o
objetivo a alcançar com a atuação empreendida.” (artigo 10º, nº 2 do CPA).
 Ao se ler o artigo transcrito anteriormente percebemos que existe uma
proibição venire contra factum proprium (significa vedação ao comportamento
contraditório, pressupondo a adoção de comportamento incompatível com o
anterior pelo mesmo agente), por exemplo, quando uma atuação é
desenvolvida por uma entidade pública gera espectativas, a condução lógica
desses passos traduzir-se-á possivelmente e provavelmente numa certa e
determinada posição quando de repente há uma mudança de 180º para
posições contrarias, isto afigura-se uma violação da tal proibição venire contra
factum proprium. Se uma das partes da relação jurídico-administrativa tiver
este comportamento estará a violar o artigo 10º, nº 2 do CPA.

XXXI. 13. Princípio da Proporcionalidade


 Está prevista no artigo 266º, nº 2 e, também, no artigo 7º do CPA. Assim sendo,
artigo 7º, nº 1: “Na prossecução do interesse público, a Administração Pública
deve adotar os comportamentos adequados (…)” (critério da adequação).
 Artigo 7º, nº 2: “As decisões da Administração que colidam com direitos
subjetivos ou interesses legalmente protegidos dos particulares só podem
afetar essas posições na medida do necessário e em termos proporcionais aos
objetivos a realizar.”
 Neste artigo (artigo 7º, nos 1 e 2) encontram-se as 3 linhas caracterizadoras do
Princípio da Proporcionalidade:
1. A atuação deve ser necessária porque se não for necessária põe-se até
em causa, (não só mas) nomeadamente, o Princípio da Boa
Administração assim como o Princípio da Proporcionalidade.
2. Tem que ser adequada essa medida porque se não for adequada está
em causa o Princípio da Proporcionalidade.

56
Licenciatura em Solicitadoria
UC: Direito Administrativo I

3. Tem que ser razoável (e a razoabilidade entra na última parte do artigo


7º, nº 2 – “(…) em termos proporcionais aos objetivos a realizar.”) se
não for razoável está em causa o Princípio da Proporcionalidade.
NOTA: Para falarmos em violação do Princípio da Proporcionalidade basta ser violado uma das
linhas caracterizadoras mencionadas acima (não tem que ser as 3 em simultâneo).

XXXII. 14. Princípio da participação dos particulares na gestão da


Administração Pública
 Este Princípio está consagrado no artigo 12º do CPA (“Os órgãos da
Administração Pública devem assegurar a participação dos particulares, bem
como das associações que tenham por objeto a defesa dos seus interesses, na
formação das decisões que lhes digam respeito, designadamente através da
respetiva audiência nos termos do presente Código.”).
 A “participação dos particulares” é estimulada porque num contexto de
democracia participativa, não é só a dimensão política que é convidada a agir
respeitando essa abertura. A democracia participativa estende-se até ao nível
municipal e não só, em suma, estende-se a todos os níveis (na relação entre
institutos públicos e particulares, ou seja, sempre que houver essa relação
pede-se, dentro do possível, que se abra espaço à participação dos particulares
e das associações visto que cada associação e cada particular têm o seu
interesse – desde que esse interesse não vá contra lei merece proteção).
 Por exemplo, na confeção dos orçamentos participativos municipais não
intervém apenas os órgãos competentes do município, também os particulares
são convocados a intervir.
 Este Princípio tem uma vantagem obvia, visto que quando são os próprios
administrados que desenvolvem tal iniciativa o resultado a prazo pode ser
interessante e de certa forma garantido porque se essa obra for concluída cada
um desses municípios sentirá como obra sua e zelará (no sentido de proteger)
essa obra porque participou e ajudou a construir. Se esse espírito se disseminar
na comunidade temos o respeito e a observância do Princípio da participação
dos particulares na gestão da Administração Pública.
 Na relação jurídico-administrativa no campo procedimental também se dá a
participação. Imaginemos um regulamento administrativo que tem que ser
aprovado e que envolve uma certa comunidade, pode ser feito com base na
auscultação dos indivíduos dentro dessa comunidade de forma a que o futuro
regulamento administrativo ou futura decisão sejam construídos com base
nesses influxos – tudo respeitando o Princípio da participação dos particulares
na gestão da Administração Pública e tudo na lógica do Estado de Direito que a

57
Licenciatura em Solicitadoria
UC: Direito Administrativo I

Constituição Portuguesa foi implementando gradualmente até ao ponto em


que nos encontramos atualmente, num Estado de Direito Democrático, e a
Democracia não se cingir apenas àquele exercício rotineiro, de 4 em 4 anos ou
de 5 em 5 anos, para eleger alguns órgãos de soberania ou de não soberania
como o Presidente da República, Deputados, eleições municipais, eleições ao
Parlamento Europeu. Em suma, a Democracia Participativa não se esgota
naquele ato formal de votar, ela exerce-se diariamente num serviço, na rua,
nos comboios, na atividade política, cívica ou cultural, etc.
NOTA: É importante mencionar que o Direito Administrativo também absorveu
a Democracia Participativa. É um Direito Administrativo fundado no Estado de
Direito Democrático à luz da Constituição de 1976.

Aula 13 - 10/05/2021
5 Princípios Fundamentais do Direito Administrativo
 Princípio da Decisão (artigo 13º CPA): A decisão administrativa começa com um
procedimento administrativo e acaba com um despacho. O que o artigo 13º do
CPA diz é que ao pedido tem que haver uma decisão (“Os órgãos da AP têm o
dever de se pronunciar sobre todos os assuntos da sua competência que lhes
sejam apresentados e, nomeadamente, sobre os assuntos que aos interessados
digam diretamente respeito, bem como sobre quaisquer petições, (…)”).
O nº 2 desse mesmo artigo vai mais além e deste artigo é necessário tirar 4
condições que devemos reter: 1ª “o mesmo órgão competente”; 2ª “sobre o
mesmo pedido”; 3ª “formulado pelo mesmo particular”; 4ª “com os mesmos
fundamentos” – Chama-se a isto tetrapla identidade (isto ao existir liberta o
órgão administrativo do dever de decidir, ou seja, já não está vinculado ao
princípio da decisão se estas 4 circunstâncias ocorrerem).
O nº 3 do artigo 13º diz-nos que os órgãos administrativos não estão
vinculados ao pedido (contrariamente aos juízes do Tribunal Constitucional)
porque não cabe ao requerente fixar o objeto do processo/procedimento.

 Princípio do Caso Decidido Administrativo: Uma vez tomada uma decisão,


imaginemos, há 3 anos atrás, terá o órgão administrativo de decidir atualmente
da mesma forma? No Direito adjetivo, no Direito Processual Civil Criminal há o
chamado caso julgado, ou seja, por uma questão até de segurança jurídica, não
se pode modificar a decisão tomada a respeito desse mesmo caso no futuro (só
existe uma exceção: perante circunstâncias que legitimem um recurso
extraordinário pode haver uma intervenção, por exemplo, detetou-se e

58
Licenciatura em Solicitadoria
UC: Direito Administrativo I

comprovou-se que um juiz para decidir naquele suposto caso julgado foi
corrompido, ou seja, aqui não há caso julgado porque, imaginemos, 10 anos
depois da decisão tomada do juiz descobre-se que este apenas decidiu de tal
forma devido à corrupção essa decisão pode ser posta em causa).
Mas no Direito Administrativo será que existe caso decidido administrativo?
Segundo a definição do Professor Paulo Otero (Direito do Procedimento
Administrativo, Coimbra: Almedina, 2015 – Página 116), o caso decidido
administrativo “traduz uma decisão administrativa que não podendo já ser
objeto de impugnação administrativa judicial tornando-se por isso inatacável (o
chamado caso decidido formal) goza de efeito vinculativo face a posteriores
decisões administrativas sobre a mesma matéria verificando-se que estas
últimas se contrariarem aquela são válidas”. Neste seguimento podemos dizer
que existem dois tipos de caso decidido:
Ao existir uma decisão que não possa já ser impugnada estamos perante um caso formal.
1. Caso decidido formal: É caso administrativo que já está decidido e já
não pode ser atacado, ou seja, mal ou bem está decidido e fica
vinculativo (as partes estão vinculadas).
2. Caso decidido material: São os casos administrativos que, desde que
sejam sobre a mesma matéria, podem contrariar o caso decidido. Por
outras palavras, são decisões posteriores que contrariem a já julgada
sobre o mesmo tema mas que obtêm decisão favorável (e que ainda
possa ser impugnada).
NOTA: O artigo 168º, nº 7 do CPA afirma que “desde que ainda o possa fazer, a
Administração tem o dever de anular o ato administrativo que tenha sido julgado
válido por sentença transitada em julgado, proferida por um tribunal administrativo
com base na interpretação do direito da União Europeia, invocando para o efeito nova
interpretação desse direito em sentença posterior, transitada em julgado, proferida
por um tribunal administrativo que, julgando em última instância, tenha dado
execução a uma sentença de um tribunal da União Europeia vinculativa para o Estado
português.” – Põe em causa o Princípio da Segurança e da Confiança Jurídica (visto que
já não temos “por base” a decisão tomada anteriormente).
É importante destacar que a Segurança Jurídica é uma das manifestações do
Princípio do Estado de Direito (se não há Segurança Jurídica não existe Estado de
Direito) e de que o artigo 8º da CRP afirma que as normas do Direito da União
Europeia nunca poderão pôr em causa os Princípios de Direito (entra aqui justamente
o Princípio de Segurança Jurídica).
 Princípio da Responsabilidade Administrativa (artigos 22º e 271º da CRP e
artigo 16º do CPA): Quem decidiu e pôs em causa legítimos direitos e interesses
de particulares pode ser responsabilizado e a responsabilidade pode ser civil,

59
Licenciatura em Solicitadoria
UC: Direito Administrativo I

disciplinar, criminal, etc. Na responsabilidade civil, imaginemos, que o órgão


administrativo competente decidiu mas ao decidir pôs m causa direitos
garantidos de um particular, logo esse particular pode pedir uma indeminização
por danos não patrimoniais e pede 500 000€ ao diretor do instituto X (Instituto
Público, faz parte da administração indireta do Estado), o diretor desse
instituto é chamado à barra para indemnizar o particular que foi afetado por
essa sua decisão. A estratégia que se segue é a de chamar também (e em
primeira mão) o Estado para que o Estado pague (é mais fácil cobrar ao Estado,
isto é, é mais fácil que o Estado pague essas indeminizações do que um
particular, por mais presidente ou diretor que seja o Estado tem mais dinheiro
que ele em princípio) logo, pode dizer-se que o Estado paga solidariamente e
depois ajusta as contas internamente com a entidade administrativa (chama-se
a isso exercer direto de regresso).

 Princípio do Inquisitório (artigo 58º do CPA): Segundo o artigo 58º do CPA: “O


responsável pela direção do procedimento e os outros órgãos que participem
na instrução podem, mesmo que o procedimento seja instaurado por iniciativa
dos interessados, proceder a quaisquer diligências que se revelem adequadas e
necessárias à preparação de uma decisão legal e justa (…)”, ou seja, temos aqui
mais uma manifestação de que o poder administrativo não está “acorrentado”
ao pedido dos particulares. Até que ponto é que pode existir um proativismo da
parte do poder administrativo na sua atividade? Terá que ficar passivamente à
espera que os particulares a ele recorram para decidir?
Há limites ao Princípio do Inquisitório, podemos falar da adequação da
intervenção, por exemplo. Podemos também visitar os artigos 117º, nº 2; 155º,
nº 1; 166º, nº 1; 113º, nº 3 e 133º para encontrar os limites a esse Princípio do
Inquisitório.
Este princípio retrata uma faceta característica do poder administrativo,
faceta essa que contrapõe o poder administrativo ao, nomeadamente, poder
judicial (poder dos juízes do Tribunal Constitucional).
NOTA: No caso do poder administrativo, contrariamente ao poder judicial do
Tribunal Constitucional, já não tem que ficar passivamente à espera que os
particulares o requeiram, ou seja, há circunstâncias em que este
independentemente do pedido dos particulares age ou atua.

OBSERVAÇÃO:
 A prepósito do mencionado acima sobre o Princípio do Inquisitório: Existe um
Princípio que rege a atividade do juiz constitucional (nemo iudex sine actore).

60
Licenciatura em Solicitadoria
UC: Direito Administrativo I

 Esta expressão quer dizer que enquanto não chegarem pedidos aos juízes do
tribunal constitucional estes não podem atuar. Poderão ficar um ano inteiro
sem julgar nenhum caso mas quando isso acontece os intervenientes têm uma
justificação forte (ninguém recorreu a nós).

 Princípio da Preferência pelos Meios Eletrónicos (artigos 61º e 63º do CPA): É


uma garantia dos particulares, ou seja, quem se envolver nessa linha
procedimental é porque autorizou (a autorização pode ser expressa mas
também pode ser implícita). Neste âmbito é ainda importante destacar o artigo
14º do CPA e, no fundo, falar dos infoexcluídos visto que atualmente nem toda
a gente tem ainda acesso a meios eletrónicos.
NOTA: O Professor Kafft Kosta deu também um pequeno ênfase ao princípio consagrado no
artigo 14º do CPA (Princípios Aplicáveis à Administração Eletrónica).

NOTA:
 A autorização pode ser implícita, por exemplo, no caso de entrarmos em
contacto com a entidade decisora através do email, quer dizer que, doravante,
estamos sujeitos a receber as notificações por essa via.

Aula 14 - 12/05/2021

Não aparece o vídeo da aula – É sobre estado de necessidade

Aula 15 - 17/05/2021
Relações Jurídicas de emprego Público
O que é uma relação Jurídica de emprego público?

 Qualquer relação de vida social que tenha relevância jurídica é uma relação jurídica.
Mais precisamente, uma ligação da vida social a que o Direito não atribua qualquer
valor não é uma relação jurídica, é por isso que dizemos que uma relação jurídica é
uma relação da vida social regulada pelo Direito mas isso pode não bastar.
 Se avançarmos um pouco mais para tentar circunscrever uma definição mais exigente
diremos que uma relação jurídica stricto sensu é uma relação da vida social regulada
pelo direito, mediante a atribuição a uma pessoa de um direito e, geralmente, é
correspondente a outra pessoa de um dever jurídico/sujeição.
 Na relação jurídica de emprego público temos tudo isso mas enquadrado por normas
de direito público administrativo. Neste âmbito, quais são as relações jurídicas que se

61
Licenciatura em Solicitadoria
UC: Direito Administrativo I

estabelecem no terreno do emprego público? Comissão de serviço, contratos,


concursos, nomeações, etc.
 A partir do momento em que o contrato é celebrado temos a constituição de relação
jurídica de emprego público (que depois terá as suas vicissitudes). É importante
destacar que tudo o que acontece do início ao fim do contrato interessa no âmbito da
modificação da relação jurídica do emprego público e, depois, no fim na extinção
jurídica do emprego público.
 Como se extingue a relação jurídica de emprego público? Através da lei de nomeação,
comissão de serviço, contrato de trabalho, contrato de avença, contrato de tarefa,
ainda dentro dos contratos temos as cláusulas acessórias.

IMPORTANTE! Relação jurídica de emprego público será o nexo entre o trabalho e os


órgãos ou serviços do estado regulados pelo Direito, é esta a definição exata de
relação jurídica de emprego público.

Aula 16 - 19/05/2021
Constituição de relação jurídica do emprego público na ótica da
nomeação
O diploma da Lei 35/2014 (LGTFP) não esgota a normação fundamental sobre a relação jurídica
do emprego público.

Artigo 4º da LTFP (Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas) reconhecendo a sua


insuficiência remete ou dá licença para a aplicação do Código do Trabalho em certas e
determinadas condições.

No que toca às modalidades de vinculação vamos falar nesta aula da nomeação. O que é
nomeação? A nomeação é um ato unilateral do ente empregador cuja eficácia depende da
aceitação do nomeado.

NOTA: Afirmamos de forma clara que é um ato unilateral mas depois reduzimos a força ou
amenizamos a violência dessa afirmação com uma segunda parte que é a aceitação.

A nomeação é um ato unilateral (não há qualquer nexo sinalagmático entre o nomeado e o


nomeador – quem nomeia, nomeia e determina unilateralmente), não existe aqui um
contrato.

62
Licenciatura em Solicitadoria
UC: Direito Administrativo I

NOTA: O contrato é um ato bilateral e, apesar de ser um ato bilateral, não é um ato
exatamente igual aos outros atos bilaterais dos contratos civis. É de importante destacar que
um contrato público não é exatamente igual a um contrato civil de, por exemplo, compra e
venda ou de arrendamento. Os contratos públicos e os contratos civis têm em comum o facto
de haver dois lados (serem bilaterais) mas para lá dessa bilateralidade não encontramos
grande conexão.

Ex.

Imaginemos que a Maria faz um contrato com a Daniela a dizendo-lhe que lhe arrenda a casa
de férias por 2 000 € ao mês mas que Daniela tem que pagar 1 mês em adiantado e que
quando chega a altura de Daniela ir buscar a chave a Maria, já tendo os 2 000 € adiantados,
falta com a sua palavra e não está no sítio marcado para entregar a chave. No mundo da
relação jurídico-privada isso não pode acontecer, ambos os lados (proprietária e arrendatária)
têm exatamente a mesma força reconhecida pela lei e o que está escrito no contrato é para
ser cumprido rigorosamente e de boa-fé. Caso uma das partes falhe (ou a proprietária ou a
arrendatária) há responsabilização decorrente dos termos contratuais, isto é, há o chamado
nexo de sinalagmaticidade rigorosa (o peso de Maria é exatamente igual ao peso de Daniela).

Um contrato público de conceção de serviço público. Maria é titular do órgão administrativo


que é responsável pela assinatura e implementação desse contrato, já Daniela é uma cidadã
particular que resolveu celebrar um contrato público com a administração pública
representada por Maria. O contrato está em evolução, mas de repente a administração pública
decide suspender durante 1 mês a execução desse contrato e depois decide que há um
interesse público de grande peso que deve levar a administração pública a acabar com essa
relação contratual (para lá de suspensa é mesmo definitivamente interrompida). O interesse
público invocado, perante a lei portuguesa, é bastante para sustentar uma medida tão radical
como a anterior.

NOTA: Daniela pode ter direito a uma justa compensação (a lei prevê que haja ajuste, isto é,
uma indeminização) mas Daniela pode querer mais do que uma indeminização, ou seja, pode
querer levar até ao fim dito contrato. É de valor destacar que a indeminização não é imediata,
a administração pública submete o particular a um processo para que o mesmo tenha direito à
indeminização.

No caso da nomeação não há bilateralidades, não há negociações, não há ajuste de posições.


O que existe e é de bom senso existir é o contacto prévio, normalmente por concurso, ou seja,
Maria é a responsável por uma unidade administrativa e tem poderes ou competência para
nomear ou dirigir o processo de nomeação de Daniela. Para lá do processo que tem que seguir
de padronização até ao fim, tem de saber se a nomeada está disposta a esse exercício porque
senão corre o risco de depois a nomeada não aceitar e basta não aparecer no ato de tomada

63
Licenciatura em Solicitadoria
UC: Direito Administrativo I

de posse para que essa nomeação não tenha efeito/eficácia. No exemplo anterior não existe
um contrato entre Maria e a nomeada Daniela mas sim um ato administrativo chamado
nomeação.

Na nomeação o que está primeiramente em destaque é que é um ato unilateral da entidade


empregadora, mas essa unilateralidade é compensada/amenizada pelo fator da necessidade
do nomeado vir a aceitar formalmente o seu cargo ou a sua nomeação. Onde é que o nomeado
aceita formalmente a nomeação? Através da tomada de posse, só através da mesma é que
podemos dizer que a nomeação (que é um ato administrativo unilateral) tem eficácia e é
publicada em Diário da República ao abrigo do artigo 4º da Lei 35/2014 (Lei Geral do Trabalho
em Funções Públicas).

Atenção! O facto de se dizer que o nomeado tem que aceitar formalmente através da tomada
de posse não dá a este um tempo ilimitado, ou seja, o nomeado tem 20 dias para aceitar a
nomeação (por força do artigo 43º da Lei 35/2014 – Lei Geral do Trabalho em Funções
Públicas). Se analisarmos o artigo 43º verificamos que uma lei especial pode impor outro prazo
que não os tais 20 dias anteriormente mencionados para a aceitação da nomeação (mas no
“silêncio” da lei o que vale é o artigo 43º, nº 1).

NOTA: Imaginemos que a nomeação foi publicada no dia 18 de maio de 2021, a contagem dos
dias só começa a partir do dia 19 de maio de 2021 (dia seguinte), segundo o artigo 50º, nº 1 da
Lei 35/2014. Destaca-se ainda que no caso de doença o prazo de 20 dias já não será de 20 dias
e em caso de férias interrompe-se o prazo e em ambas as circunstâncias o prazo poderá ser
prolongado por períodos determinados pela entidade competente pela assinatura de um
respetivo contrato (artigo 43º, nº 2 e artigo 50º, nº 2 da Lei 35/2014 – Lei Geral do Trabalho
em Funções Públicas).

A partir do artigo 41º até ao artigo 51º da Lei 35/2014 podemos verificar o que nos reserva a
figura da nomeação. É importante destacar que a nomeação não é a principal ou a primeira
forma de constituição da relação jurídica de emprego público. A forma normal é o contrato (é
assim que determina a Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas, atualmente o contrato é a
primeira forma ou a forma normal de acesso a essas funções).

Quais são os campos onde pode incidir a nomeação? De acordo com o artigo 8º da Lei Geral do
Trabalho em Funções Públicas (Lei 35/2014) o vínculo de emprego público constituído por
nomeação terá de circunscrever-se às seguintes atribuições competências e atividades:

 Missões genéricas e específicas das Forças Armadas em quadros permanentes.


 Representação externa do Estado.
 Informações de segurança.
 Investigação criminal.

64
Licenciatura em Solicitadoria
UC: Direito Administrativo I

 Segurança pública, quer em meio livre quer em meio institucional.


 Inspeção.

Ao analisarmos o artigo 41º, nº 1 da LGTFP percebemos que a nomeação reveste a forma de


despacho e pode simplificar-se o ato com uma simples declaração de concordância a priori (a
entidade X propõe e a entidade Y concorda).

NOTA: É preciso que haja uma lei habilitante prévia para que a nomeação tenha valor jurídico,
ou seja, sem lei habilitante a nomeação não é válida.

“A aceitação é um ato público e pessoal pelo qual o nomeado declara aceitar a nomeação.” –
Artigo 42º, nº 1 da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas (ato público porque é publicado
em Diário da República; ato pessoal porque tem que ser pessoalmente e nunca poderá ser
através de representante).

NOTA: O objeto/conteúdo desse ato formal de posse (da aceitação da nomeação) é uma
declaração de aceitação (nos termos de posse vamos ler algo semelhante a isto: “o nomeado
declara que aceita a nomeação”).

Artigo 42º, nº 7 da Lei 35/2014 – O prazo aqui falado são os tais 20 dias falados anteriormente,
ou seja, após estes 20 dias terem passado e, na falta de aceitação do nomeado durante esses
20 dias, o ato de nomeação encontra-se caducado e este não pode ser repetido no
procedimento em que foi praticado.

Após a aceitação existe o chamado período experimental que, por sua lei, é o tempo inicial de
execução das funções do trabalhador (artigo 45º, nº 1 Lei 35/2014 – da Lei Geral do Trabalho
em Funções Públicas). O objetivo deste período experimental é saber se o trabalhador possui
as competências exigidas pelo posto de trabalho que vai ocupar (artigo 45º, nº 1 da Lei
35/2014). É de valor destacar que o período da experiência é controlado por uma entidade
(pode ser o superior hierárquico em certas condições, pode ser um júri constituído ad hoc para
seguir aquele trabalhador que está lá em período experimental e, quando o período
experimental se encerra, tal júri produz uma classificação do trabalhador em razão de 0 a 20
valores sendo que essas notas vão determinar o acesso [ou o não acesso] à função do
indivíduo).

A avaliação de 0 a 20 valores mencionada anteriormente está presente no artigo 46º, nº 4 da


Lei 35/2014 – Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas. É importante destacar que se

65
Licenciatura em Solicitadoria
UC: Direito Administrativo I

considera que o trabalhador passou com distinção no período experimental caso alcance uma
nota superior a 12 valores.

São duas as modalidades que a lei prevê para o período experimental:

1. Período experimental do vínculo, que corresponde ao tempo inicial de execução do


vínculo de emprego público [artigo 45º, nº 2, alínea a)]. Destaco que é quando se
conclui com sucesso este período experimental que nasce o vínculo com o emprego
público.
2. Período experimental de função, que corresponde ao tempo inicial de desempenho de
nova função em diferente posto de trabalho, por trabalhador que já seja titular de um
vínculo de emprego público por tempo indeterminado [artigo 45º, nº 2, alínea b)].
Caso o trabalhador se considere inapto para a nova função volta à sua função anterior.

NOTA: Caso o trabalhador não conclua com sucesso a etapa do período experimental não tem
direito a qualquer indeminização. Ou seja, termina automaticamente a experiência e volta à
procedência que é fora da administração pública ou, estando já na administração pública, fora
daquela função para a qual o trabalhador estava em estágio/experiência (segundo o artigo
45º, nº 4 da Lei 35/2014).

A entidade competente não tem que aguardar o término desse período experimental, ou seja,
esta pode fazer cessar o tempo experimental antes do prazo que a lei estipula (no artigo 49º
da Lei 35/2014) quando o trabalhador revele claramente não possuir as competências exigidas
pelo posto de trabalho que ocupa (artigo 45º, nº 5 da Lei 35/2014). Ao terminar antes do
tempo terá que justificar adequadamente esse ato administrativo.

A avaliação deve ser feita com cuidado porque há uma entidade responsável pelo
acompanhamento do processo. Essa entidade competente pode ser um júri ad hoc, ou seja,
formado para esse caso e só para esse caso. O júri apenas intervém naqueles casos previstos
no artigo 46º, nº 1 da Lei 35/2014.

NOTA: Nos vínculos de trabalhador de emprego público a termo, é que se permite a


intervenção apenas de um superior hierárquico, nos demais vínculos terá que ser constituído
um júri ad hoc de acompanhamento. A única circunstância que a lei permite que o superior
hierárquico seja simultaneamente a entidade que vai acompanhar o trabalhador em
experiência é nos vínculos de trabalhador público a termo (nos outros casos terá que ser
constituído um júri).

Durante o período de experiência o trabalhador pode proceder à denúncia do contrato e daí


não decorre qualquer penalização, não tem que invocar justa causa e não tem que indemnizar
a entidade laboral. Por outras palavras, durante o período experimental o trabalhador pode
denunciar livremente a relação jurídico-administrativa que se constituiu. Ele não tem que se

66
Licenciatura em Solicitadoria
UC: Direito Administrativo I

preocupar com fundamentar em justa causa a denúncia, nem tem que indemnizar a entidade
em causa por não ter cumprido integralmente o período de experimental.

A duração da experiência é em função da modalidade do vínculo que estiver em causa. Se for


um contrato de trabalho em funções públicas por tempo indeterminado o período
experimental pode ser de 90 dias, 180 dias ou 240 dias de acordo com as hipóteses delineadas
nas alíneas a), b) e c) do artigo 49º, nº 1 da Lei 35/2014. Se o contrato de trabalho em funções
públicas for a termo o período reduz-se substancialmente poderá ser 30 ou 15 dias de acordo
com as hipóteses formuladas nas alíneas a) e b) do artigo 49º, nº 2 da Lei 35/2014. Se não
houver uma lei especial que imponha um prazo específico para o período experimental na
nomeação definitiva o prazo é de 1 ano de acordo com o artigo 49º, nº 3 da Lei 35/2014.

“O período experimental começa a contar-se a partir do início da execução da prestação pelo


trabalhador, compreendendo as ações de formação ministradas pelo empregador público ou
frequentadas por determinação deste, desde que não excedam metade do período
experimental.” – Artigo 50º, nº 1 da Lei 35/2014 (Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas).
Ou seja, essas ações de formação também são contabilizadas no período experimental.

Artigo 51º, nº 1: “A duração do período experimental pode ser reduzida por instrumento de
regulamentação coletiva de trabalho.” – Um instrumento de regulamentação coletiva de
trabalho é um acordo entre a entidade "patronal" e os representantes dos colaboradores, por
norma sindicatos. Entre os dois, são protocolados deveres e benefícios extra e diferentes em
relação a outras entidades. Por exemplo, a Câmara de Portimão assinou um instrumento de
regulamentação coletiva com o sindicato em que os trabalhadores têm direito a mais três dias
de férias por ano (é importante mencionar que isso só conta para a Câmara de Portimão e de
que nessa regulamentação também poderá ficar definido o tempo de estágio, por exemplo).

NOTA: Um instrumento de regulamentação coletiva de trabalho é um acordo entre as partes e


que se transforma em "regulamento interno da instituição".

Aula 17 - 24/05/2021
Cláusulas Acessórias

I. CLAUSULA ACESSÓRIA - CONDIÇÃO


Condição Suspensiva Vs Resolutiva

Um Acto Jurídico (AJ) é colocado na dependência desse evento de caracter futuro e


Incerto. É um acontecimento que irá ter lugar, embora não se saiba o dia que se vai
verificar. - Condição como clausula suspensiva.

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Clausula Suspensiva - quando 270º CC - dispõe da seguinte forma, as partes podem


subordinar a um acontecimento futuro e incerto a produção dos efeitos de um NJ.

É posta na pendencia desse acontecimento futuro e Incerto.”

Neste caso, substituímos NJ (negócio jurídico) por AJ (ato jurídico)

Essa norma, quer dizer que o acto não produz efeitos até que o evento aconteça.
O direito em causa não é adquirido enquanto não ocorrer o evento.
Esta condição suspensivo -suspende a aquisição do direito e suspende o exercício do
direito.

Exemplo: A doa um smartphone a B se B saltar a fasquia de 2,5mts em altura. Um


desafio. Há aqui um contrato de doação de uma coisa móvel (smartphone) e que é posta
a doação é posta na dependência de um acontecimento futuro e incerto.

A condição pode ser resolutiva.

Na condição suspensiva - O ato produz efeitos - o direito nasce.

Na condição resolutiva - O direito cessa se o evento acontecer. 270º CC “ as partes


podem subordinar a um acontecimento futuro e incerto a resolução dos efeitos do NJ”

Uma vez mais - substituir NJ por AJ.

Se o acontecimento tiver lugar, o negócio jurídico chega ao fim.

Exemplo: Entidade A determina num NJ com B a seguinte clausula. B fica sem bolsa
de estudo no dia em que fizer o último exame com sucesso.

O direito de que vinha gozando cessa podia em que tiver feito a última prova do curso e
passar nela.

Acordão: A clausula de contrato de promessa de compra e venda. Ex: não realização


escritura até uma data por culpa não imputável ao autor, determina a resolução do
contrato.

Um facto necessariamente incerto o contrato deixaria de produzir os seus efeitos,


condição resoluta do contrato. – 270º, 276º CC

XXXIII. CLAUSULA ACESSÓRIA - TERMO

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Termo Certo vs Incerto


Baliza temporal que determina o ponto inicial e o final de um ato inicio e a extinção de
um ato jurídico.
Referência a data, de uma referência a algo que vai acontecer - que é CERTO - falamos
de uma isto temporal-.
Não ocorre a suspensão de aquisição do direito. O que acontece é o adiamento o do
exercício desse direito.

Ex: dou-te o smartphone no dia em que fizeres 18 anos.


A, doa a B no dia em que B fizer 18 anos. - é o TERMO CERTO.
Sabemos quando B faz anos. 20/10, a partir das 0h de 20/10 tem direito ao smartphone.

Mas o termo pode também ser incerto.


A Doa a B no dia em que o seu gato morrer. Ninguém sabe quando o gato morre. -
Termo incerto

Termo Inicial ou suspensivo vs Resolutivo

O Termo pode ser inicial (ou suspensivo) - data a partir da qual o direito pode ser
exercido

Mas o que se contrapõe a termo inicial é o resolutivo.

A aquisição do direito não se encontra impedida. O que se passa é o retardamento do


exercício desse direito.
Exemplo: A dou o smartphone a B no dia em que B fizer anos. Não é impedida a
aquisição do direito, apenas retardada até B fazer anos. O temo suspensivo ou inicial
adia o exercício do direito (não o suspende).

Termo resolutivo - data partir da qual o direito já não pode ser exercido.
Art 57º lei trabalho em funções publicas (Lei 35/2014) - fundamentos do contrato de
trabalho a termo resolutivo.

Alíneas a) a k) - Esta é uma lista fechada. Só se pode celebrar um contrato em funções


publicas a termo resolutivo mediante o preenchimento destes requisitos.
Art.º 60º do mm diploma diz que o contrato a termo certo dura pelo período acordado
(…. ) sem prejuízo de lei especial”

Havendo lei especial essa norma é derrogável, não havendo o prazo é o definido neste
diploma.

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XXXIV. CLAUSULA ACESSÓRIA - CLAUSULA MODAL OU MODO

Também conhecido como modo.

Exemplo: Joana, determinou que Miguel deve doar um pacote de leite pasteurizado por
dia a uma cresce situada ao pé da propriedade que ela Joana cedeu a Miguel para
exploração de Oliveiras.
Tem um olival de 5ha, que Joana cedeu gratuitamente a Miguel para este explorar, e a
única coisa que exige a Miguel é que diariamente faça uma atenção aquela cresce.
Trata-se de um encargo. Um encargo que Joana passou / impôs a Miguel.
Joana é autora da liberalidade (cedência da propriedade de 5ha para produção de
azeitona), e Miguel só tem de fazer uma coisa, diariamente, religiosamente entregar o
pacote de Leite.
Miguel é o beneficiário da Liberalidade. Joana

Entre os dois situa-se um encargo, oferta diária de um pacote de leite á cresce.


É um imperativo, no próprio interesse de Miguel. Imperativo do próprio interesse do
Miguel (porque ao não cumprir, perderá o direito á doação)

A doação que é uma liberalidade está sujeita ao cumprimento do encargo. Para que
Miguel possa beneficiar do direito, tem de diariamente oferecer um pacote de leite a
cresce - Isto chama-se MODO ou claúsula Modal.

XXXV. Exercício / Caso prático:

“Maria, foi nomeada directora executiva do IPLeiria, o contrato que regulava


designadamente as condições que presidiam ao desempenho das funções de Maria, foi
firmado pelo vice-presidente do IPL, em nome do presidente.
Bem como pela Dra. Maria enquanto directora executiva em 1/2/2020.
O vínculo é a termo resolutivo incerto.

Qual foi o fundamento invocado?

A necessidade de substituição do anterior director executivo, Mário, que no mês anterior


Jan/2020, fora considerado definitivamente impedido para o exercício da referida
função.

Verificando-se mais tarde a circunstância cuja existência se fazia depender a cessação


do vínculo, a Maria foi formalmente demitida pelo vice presidente Miguel.”
Quid Juris.

Tópicos a abordar na resolução do caso prático:


Contrato ou nomeação?
Nomeação é unilateral

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Contrato é bilateral
O contrato foi firmado para que seja nomeado.?
Qual a contradição ? Se já foi nomeada não precisa de um contrato.
Art.º 6º, 7º, 8º, 9º e 10º significam?
Modalidades de constituição do vinculo de emprego publico, contrato de
trabalho, nomeação, comissão de serviço.
Art.º 6º e ss -

Lei geral de trabalho em funções publicas


Nomeação,
Contrato (nas sua variadissimas formas, temos reolutivo e incerto)
em nome do vice presidente - delegação de firma? De competências?
fundamento invocado: substituição
verificando-se a circunstância…. houve demissão.
“verificou-se a circunstância cuja existência se fazia depender a cessação do
vinculo…..” - remete-nos para que clausula ? -
art.º 57 n.º 3 alíneas a) a k) - requisitos para a contratação ?!

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Índice
Aula 01 – 03/03/2021...................................................................................................................1
Dados da Disciplina:.................................................................................................................1
Preparação da Aula 08/03/2021..............................................................................................1
Aula 02 – 08/03/2021...................................................................................................................4
A Administração Pública na sua polissemia..............................................................................4
Administração Pública abrange atualmente:...........................................................................5
A gestão pública e gestão privada da Administração Pública...................................................7
Aula 03 – 10/03/2021...................................................................................................................8
Direito Administrativo:.............................................................................................................8
Funções do Direito Administrativo...........................................................................................9
Qual é a abrangência do Direito Administrativo?.....................................................................9
Quais são as fontes de Direito Administrativo?......................................................................10
Relação entre o Direito administrativo geral e especial.........................................................11
Características que distinguem o Direito Administrativo de outros ramos do Direito...........11
3 critérios que nos podem a perceber se o Direito Administrativo faz parte do Direito Público
ou do Direito Privado.............................................................................................................12
Aula 04 – 15/03/2021.................................................................................................................12
Relações entre direito público e o direito privado.................................................................13
Direitos Adjetivos...................................................................................................................13
I. Relação entre Direito Processual Administrativo e Direito Processual Civil...............13
II. 3Relação entre Direito Processual Administrativo e Direito Processual Penal...........14
III. Relação entre Direito Processual Administrativo e Direito Privado:.......................14
A organização administrativa.................................................................................................15
Administração direta do Estado.............................................................................................15
Administração Periférica........................................................................................................16
Aula 05 – 17/03/2021.................................................................................................................16
Sumário..................................................................................................................................16
Administração Indirecta do Estado (AIE)................................................................................16

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I. AIE - Ponto de vista / sentido orgânico.....................................................................17


II. AIE – Ponto de vista / sentido material.....................................................................17
Caso Prático............................................................................................................................18
Aula 06 – 22/03/2021.................................................................................................................20
Associações Públicas, Autarquias Locais e das Regiões Autónomas.......................................20
Associações Públicas..............................................................................................................21
As Autarquias Locais...............................................................................................................23
A região..................................................................................................................................24
Regiões Autónomas................................................................................................................24
Aula 07 – 24/03/2021.................................................................................................................25
Instituições Particulares de interesse Público........................................................................25
Pessoa Coletiva de Mera utilidade Pública.............................................................................25
As IPSS....................................................................................................................................26
Sociedades de Interesse Coletivo...........................................................................................26
AULA 08 – 08/04/2021...............................................................................................................29
Sistema de Organização Administrativa em Portugal.............................................................29
Breve introdução para contextualização e interiorização:.....................................................29
Sistemas de organização........................................................................................................29
Concentração e desconcentração:.........................................................................................29
Centralização e descentralização...........................................................................................29
Delegação de poderes............................................................................................................30
Tipos de tutela........................................................................................................................31
A tutela pode ter vários tipos de conteúdo:...........................................................................31
Superintendência...................................................................................................................31
Poderes do delegante / sub delegante...................................................................................32
Extinção da delegação / sub delegação..................................................................................32
AULA 09 - 12-04- 2021...............................................................................................................32
TEMA: A DELEGAÇÃO DE PODERES........................................................................................32
I. Delegação de poderes também conhecida como delegação de competências..........32
II. DELEGAÇÃO DE FIRMA...............................................................................................34
III. DESCONCENTRAÇÃO ORIGINÁRIA DE PODERES E DEFINITIVA...............................35

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IV. DELEGAÇÃO TÁCITA................................................................................................35


V. SUPLÊNCIA..................................................................................................................35
VI. SUBSTITUIÇÃO........................................................................................................36
VII. REPRESENTAÇÃO....................................................................................................36
VIII. DELEGAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS......................................................................36
IX. CONCESSÃO............................................................................................................37
AULA 10 - 14/04/2021................................................................................................................38
TEMA: PRINCÍPIO DA LEGALIDADE.........................................................................................38
I. QUEM PREVALECE?....................................................................................................40
II. PREFERÊNCIA DE LEI...................................................................................................40
III. RESERVA DE LEI......................................................................................................40
DA RESERVA DE LEI RESULTOU DUAS DIRETRIZES:.................................................................40
Aula 11 - 19/04/2021.................................................................................................................42
TEMA: Discricionariedade......................................................................................................42
Discricionariedade..................................................................................................................42
I. Poder discricionário vs arbitrário................................................................................42
II. Limites do poder discricionário..................................................................................42
III. Quando é que podemos falar de discricionariedade na ação administrativa?.......43
IV. A discricionariedade de acção/ inação...................................................................45
V. Discricionariedade de escolha....................................................................................45
VI. Discricionariedade Criativa.....................................................................................47
Conceito indeterminado.........................................................................................................47
1. Ato vinculado..............................................................................................................48
VII. Ato discricionário....................................................................................................48
VIII. Poder vinculado......................................................................................................48
IX. Poder discricionário................................................................................................49
Aula 12 - 05/05/2021.................................................................................................................49
Mais princípios fundamentais do Direito Administrativo.......................................................49
I. 3. Princípio da Unidade da Ação Administrativa.........................................................50
II. 4 e 5. Princípio da descentralização e Princípio da desconcentração administrativas50
III. 6. Princípio da prossecução do interesse público (artigo 266º, nº 1 da CRP).........52

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IV. 7. Princípio da proteção dos direitos e interesses dos cidadãos.............................53


V. 8. Princípio da Boa Administração..............................................................................53
VI. 9. Princípio da Justiça.............................................................................................55
VII. 10. Princípio da Igualdade......................................................................................56
VIII. 11. Princípio da Imparcialidade..............................................................................56
IX. 12. Princípio da Boa-fé............................................................................................57
X. 13. Princípio da Proporcionalidade.............................................................................57
XI. 14. Princípio da participação dos particulares na gestão da Administração Pública
58
Aula 13 - 10/05/2021.................................................................................................................59
Aula 14 - 12/05/2021.................................................................................................................59
Aula 15 - 17/05/2021.................................................................................................................59
Relações Jurídicas de emprego Público..................................................................................59
Aula 16 - 19/05/2021.................................................................................................................60
Constituição de relação jurídica do emprego público na ótica da nomeação........................60
Aula 17 - 24/05/2021.................................................................................................................65
Cláusulas Acessórias...............................................................................................................65
I. CLAUSULA ACESSÓRIA - CONDIÇÃO...........................................................................65
II. CLAUSULA ACESSÓRIA - TERMO.................................................................................66
III. CLAUSULA ACESSÓRIA - CLAUSULA MODAL OU MODO.........................................68
IV. Exercício / Caso prático:.........................................................................................68

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