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CÓD: SL-007JL-21

7908433207078

FUNSAÚDE-CE
FUNDAÇÃO REGIONAL DE SAÚDE DO ESTADO DO CEARÁ

Enfermeiro Assistencial
EDITAL N° 01 E 02, DE 24 DE JUNHO DE 2021
DICA

Como passar em um concurso público?


Todos nós sabemos que é um grande desafio ser aprovado em concurso público, dessa maneira é muito importante o concurseiro
estar focado e determinado em seus estudos e na sua preparação.
É verdade que não existe uma fórmula mágica ou uma regra de como estudar para concursos públicos, é importante cada pessoa
encontrar a melhor maneira para estar otimizando sua preparação.
Algumas dicas podem sempre ajudar a elevar o nível dos estudos, criando uma motivação para estudar. Pensando nisso, a Solução
preparou este artigo com algumas dicas que irão fazer toda a diferença na sua preparação.

Então mãos à obra!

• Esteja focado em seu objetivo: É de extrema importância você estar focado em seu objetivo: a aprovação no concurso. Você vai ter
que colocar em sua mente que sua prioridade é dedicar-se para a realização de seu sonho.
• Não saia atirando para todos os lados: Procure dar atenção a um concurso de cada vez, a dificuldade é muito maior quando você
tenta focar em vários certames, pois as matérias das diversas áreas são diferentes. Desta forma, é importante que você defina uma
área e especializando-se nela. Se for possível realize todos os concursos que saírem que englobe a mesma área.
• Defina um local, dias e horários para estudar: Uma maneira de organizar seus estudos é transformando isso em um hábito,
determinado um local, os horários e dias específicos para estudar cada disciplina que irá compor o concurso. O local de estudo não
pode ter uma distração com interrupções constantes, é preciso ter concentração total.
• Organização: Como dissemos anteriormente, é preciso evitar qualquer distração, suas horas de estudos são inegociáveis. É
praticamente impossível passar em um concurso público se você não for uma pessoa organizada, é importante ter uma planilha
contendo sua rotina diária de atividades definindo o melhor horário de estudo.
• Método de estudo: Um grande aliado para facilitar seus estudos, são os resumos. Isso irá te ajudar na hora da revisão sobre o assunto
estudado. É fundamental que você inicie seus estudos antes mesmo de sair o edital, buscando editais de concursos anteriores. Busque
refazer a provas dos concursos anteriores, isso irá te ajudar na preparação.
• Invista nos materiais: É essencial que você tenha um bom material voltado para concursos públicos, completo e atualizado. Esses
materiais devem trazer toda a teoria do edital de uma forma didática e esquematizada, contendo exercícios para praticar. Quanto mais
exercícios você realizar, melhor será sua preparação para realizar a prova do certame.
• Cuide de sua preparação: Não são só os estudos que são importantes na sua preparação, evite perder sono, isso te deixará com uma
menor energia e um cérebro cansado. É preciso que você tenha uma boa noite de sono. Outro fator importante na sua preparação, é
tirar ao menos 1 (um) dia na semana para descanso e lazer, renovando as energias e evitando o estresse.

Se prepare para o concurso público


O concurseiro preparado não é aquele que passa o dia todo estudando, mas está com a cabeça nas nuvens, e sim aquele que se
planeja pesquisando sobre o concurso de interesse, conferindo editais e provas anteriores, participando de grupos com enquetes sobre
seu interesse, conversando com pessoas que já foram aprovadas, absorvendo dicas e experiências, e analisando a banca examinadora do
certame.
O Plano de Estudos é essencial na otimização dos estudos, ele deve ser simples, com fácil compreensão e personalizado com sua
rotina, vai ser seu triunfo para aprovação, sendo responsável pelo seu crescimento contínuo.
Além do plano de estudos, é importante ter um Plano de Revisão, ele que irá te ajudar na memorização dos conteúdos estudados até
o dia da prova, evitando a correria para fazer uma revisão de última hora.
Está em dúvida por qual matéria começar a estudar? Vai mais uma dica: comece por Língua Portuguesa, é a matéria com maior
requisição nos concursos, a base para uma boa interpretação, indo bem aqui você estará com um passo dado para ir melhor nas outras
disciplinas.

Vida Social
Sabemos que faz parte algumas abdicações na vida de quem estuda para concursos públicos, mas sempre que possível é importante
conciliar os estudos com os momentos de lazer e bem-estar. A vida de concurseiro é temporária, quem determina o tempo é você,
através da sua dedicação e empenho. Você terá que fazer um esforço para deixar de lado um pouco a vida social intensa, é importante
compreender que quando for aprovado verá que todo o esforço valeu a pena para realização do seu sonho.
Uma boa dica, é fazer exercícios físicos, uma simples corrida por exemplo é capaz de melhorar o funcionamento do Sistema Nervoso
Central, um dos fatores que são chaves para produção de neurônios nas regiões associadas à aprendizagem e memória.
DICA

Motivação
A motivação é a chave do sucesso na vida dos concurseiros. Compreendemos que nem sempre é fácil, e às vezes bate aquele desânimo
com vários fatores ao nosso redor. Porém tenha garra ao focar na sua aprovação no concurso público dos seus sonhos.
Caso você não seja aprovado de primeira, é primordial que você PERSISTA, com o tempo você irá adquirir conhecimento e experiência.
Então é preciso se motivar diariamente para seguir a busca da aprovação, algumas orientações importantes para conseguir motivação:
• Procure ler frases motivacionais, são ótimas para lembrar dos seus propósitos;
• Leia sempre os depoimentos dos candidatos aprovados nos concursos públicos;
• Procure estar sempre entrando em contato com os aprovados;
• Escreva o porquê que você deseja ser aprovado no concurso. Quando você sabe seus motivos, isso te da um ânimo maior para seguir
focado, tornando o processo mais prazeroso;
• Saiba o que realmente te impulsiona, o que te motiva. Dessa maneira será mais fácil vencer as adversidades que irão aparecer.
• Procure imaginar você exercendo a função da vaga pleiteada, sentir a emoção da aprovação e ver as pessoas que você gosta felizes
com seu sucesso.

Como dissemos no começo, não existe uma fórmula mágica, um método infalível. O que realmente existe é a sua garra, sua dedicação
e motivação para realizar o seu grande sonho de ser aprovado no concurso público. Acredite em você e no seu potencial.
A Solução tem ajudado, há mais de 36 anos, quem quer vencer a batalha do concurso público. Se você quer aumentar as suas chances
de passar, conheça os nossos materiais, acessando o nosso site: www.apostilasolucao.com.br

Vamos juntos!
ÍNDICE

Língua Portuguesa
1. Elementos de construção do texto e seu sentido: gênero do texto (literário e não literário, narrativo, descritivo e argumentativo);
interpretação e organização interna . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01
2. Semântica: sentido e emprego dos vocábulos; campos semânticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
3. Emprego de tempos e modos dos verbos na Língua Portuguesa. Morfologia: reconhecimento, emprego e sentido das classes gramat-
icais; processos de formação de palavras; mecanismos de flexão dos nomes e verbos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
4. Sintaxe: frase, oração e período; termos da oração; processos de coordenação e subordinação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
5. Concordância nominal e verbal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
6. Transitividade e regência de nomes e verbos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
7. Padrões gerais de colocação pronominal na Língua Portuguesa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
8. Mecanismos de coesão textual . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
9. Ortografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
10. Acentuação gráfica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
11. Emprego do sinal indicativo de crase . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
12. Pontuação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
13. Estilística: figuras de linguagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
14. Reescritura de frases: substituição, deslocamento, paralelismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
15. Variação linguística . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30
16. Norma padrão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32

Raciocínio Lógico
1. Proposições, conectivos, equivalências lógicas, quantificadores e predicados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01
2. Conjuntos e suas operações, diagramas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
3. Números inteiros, racionais e reais e suas operações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
4. Porcentagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
5. Proporcionalidade direta e inversa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
6. Medidas de comprimento, área, volume, massa e tempo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
7. Estrutura lógica de relações arbitrárias entre pessoas, lugares, objetos ou eventos fictícios; dedução de novas informações das relações
fornecidas e avaliação das condições usadas para estabelecer a estrutura daquelas relações. Compreensão e análise da lógica de uma
situação, utilizando as funções intelectuais: raciocínio verbal, raciocínio matemático, raciocínio sequencial, reconhecimento de pa-
drões, orientação espacial e temporal, formação de conceitos, discriminação de elementos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01
8. Compreensão de dados apresentados em gráficos e tabelas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
9. Problemas de lógica e raciocínio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01
10. Problemas de contagem e noções de probabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
11. Geometria básica: ângulos, triângulos, polígonos, distâncias, proporcionalidade, perímetro e área . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40
12. Noções de estatística: média, moda, mediana e desvio padrão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45

Atualidades
1. Meio ambiente e sociedade: problemas, políticas públicas, organizações não governamentais, aspectos locais e aspectos
globais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01
2. Descobertas e inovações científicas na atualidade e seus impactos na sociedade contemporânea. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
3. Mundo Contemporâneo: elementos de política internacional e brasileira; cultura internacional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
4. Cultura brasileira (música, literatura, artes, arquitetura, rádio, cinema, teatro, jornais, revistas e televisão) . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
5. Elementos de economia internacional contemporânea . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
6. Panorama da economia brasileira. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
7. Ética e cidadania. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
8. Relações humanas no trabalho. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
ÍNDICE

Legislação
1. Sistema Único de Saúde (SUS): princípios, diretrizes, estrutura e organização; políticas de saúde. Estrutura e funcionamento das insti-
tuições e suas relações com os serviços de saúde . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01
2. Níveis progressivos de assistência à saúde . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 07
3. Políticas públicas do SUS para gestão de recursos físicos, financeiros, materiais e humanos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 08
4. Sistema de planejamento do SUS: estratégico e normativo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
5. Direitos dos usuários do SUS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
6. Participação e controle social . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
7. Ações e programas do SUS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
8. Legislação básica do SUS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
9. Política Nacional de Humanização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38

Conhecimentos Específicos
Enfermeiro Assistencial
1. Modalidades Assistenciais: Hospital-Dia E Assistência Domiciliar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01
2. Teorias E Processos De Enfermagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 03
3. Taxonomias De Diagnósticos De Enfermagem. Atuação Da Enfermagem Em Procedimentos E Métodos Diagnósticos . . . . . . 04
4. Assistência De Enfermagem Ao Adulto Portador De Transtorno Mental; Unidades De Atenção À Saúde Mental: Ambulatório De
Saúde Mental, Centro De Atenção Psicossocial E Hospital Psiquiátrico; Instrumentos De Intervenção De Enfermagem Em Saúde
Mental: Relacionamento Interpessoal, Comunicação Terapêutica, Psicopatologias, Psicofarmacologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
5. Assistência De Enfermagem Em Gerontologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
6. Assistência De Enfermagem Ao Paciente Oncológico Nas Diferentes Fases Da Doença E Tratamentos: Quimioterapia, Radioterapia E
Cirurgias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
7. Procedimentos Técnicos Em Enfermagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
8. Assistência De Enfermagem Perioperatória . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
9. Assistência De Enfermagem A Pacientes Com Alterações Da Função Cardiovascular E Circulatória; Digestiva E Gastrointestinal; Me-
tabólica E Endócrina; Renal E Do Trato Urinário; Reprodutiva; Tegumentar; Neurológica; Músculoesquelética . . . . . . . . . . . . . . . . 74
10. Assistência De Enfermagem Aplicada À Saúde Sexual E Reprodutiva Da Mulher, Com Ênfase Nas Ações De Baixa E Média Complexi-
dade. Assistência De Enfermagem À Gestante, Parturiente E Puérpera. Assistência De Enfermagem Ao Recém-Nascido. Modelos De
Atenção Ao Recém-Nascido, Que Compõem O Programa De Humanização No Pré-Natal E Nascimento. Assistência De Enfermagem À
Mulher No Climatério E Menopausa E Na Prevenção E Tratamento De Ginecopatias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81
11. Assistência De Enfermagem À Criança Sadia: Crescimento, Desenvolvimento, Aleitamento Materno, Alimentação; Cuidado Nas
Doenças Prevalentes Na Infância (Diarreicas E Respiratórias) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 103
12. Atendimento A Pacientes Em Situações De Urgência E Emergência: Estrutura Organizacional Do Serviço De Emergência Hospitalar E
Préhospitalar; Suporte Básico De Vida Em Emergências; Emergências Relacionadas A Doenças Do Aparelho Respiratório, Do Aparel-
ho Circulatório E Psiquiátricas; Atendimento Inicial Ao Politraumatizado; Atendimento Na Parada Cardiorrespiratória; Assistência De
Enfermagem Ao Paciente Crítico Com Distúrbios Hidroeletrolíticos, Ácidobásicos, Insuficiência Respiratória E Ventilação Mecânica;
Insuficiência Renal E Métodos Dialíticos; Insuficiência Hepática; Avaliação De Consciência No Paciente Em Coma; Doação, Captação E
Transplante De Órgãos; Enfermagem Em Urgências: Violência, Abuso De Drogas, Intoxicações, Emergências Ambientais . . . . . . 124
13. Gerenciamento De Enfermagem Em Serviços De Saúde: Gerenciamento De Recursos Humanos: Dimensionamento, Recrutamento E
Seleção, Educação Permanente, Liderança, Supervisão, Comunicação, Relações De Trabalho E Processo Grupal; Processo De Trabalho
De Gerenciamento Em Enfermagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 173
14. Gerenciamento Dos Resíduos De Serviços De Saúde . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 191
15. Central De Material E Esterilização; Processamento De Produtos Para Saúde; Processos De Esterilização De Produtos Para Saúde; Con-
trole De Qualidade E Validação Dos Processos De Esterilização De Produtos Para Saúde . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 191
16. Práticas De Biossegurança Aplicadas Ao Processo De Cuidar; Risco Biológico E Medidas De Precauções Básicas Para A Segurança Indi-
vidual E Coletiva No Serviço De Assistência À Saúde; Precaução-Padrão E Precauções Por Forma De
17. Transmissão Das Doenças: Definição, Indicações De Uso E Recursos Materiais; Medidas De Proteção Cabíveis Nas Situações De Risco
Potencial De Exposição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 195
18. Controle De Infecção Hospitalar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 201
19. Vigilância Epidemiológica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 207
20. Vigilância Em Saúde . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 214
21. Programas De Prevenção E Controle De Doenças Transmissíveis Prevalentes No Cenário Epidemiológico Brasileiro . . . . . . . 209
22. Doenças E Agravos Não-Transmissíveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 228
23. Programa Nacional De Imunizações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 229
ÍNDICE

24. Lei Nº 7.498/1986 (Lei Do Exercício Profissional), Regulamentada Pelo Decreto Nº 94.406/1987 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 240
25. Código De Ética E Deontologia Da Enfermagem – Análise Crítica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 248
26. Bioética . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 253

Conteúdo Digital Complementar e Exclusivo


Legislação
1. Constituição Federal de 1988 - Título VIII - artigo 194 a 200 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01
2. Lei nº 8.142/90 (dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as transferências
intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde e dá outras providências) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 03
3. Lei nº 8.080/90 (dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos
serviços correspondentes e dá outras providências) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 05
4. RDC nº 63, de 25 de novembro de 2011 (dispõe sobre os requisitos de boas práticas de funcionamento para os Serviços de Saúde)13
5. Resolução CNS nº 553/2017 (dispõe sobre a carta dos direitos e deveres da pessoa usuária da saúde) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
6. RDC nº 36, de 25 de julho de 2013 (institui ações para a segurança do paciente em serviços de saúde e dá outras providências) . 21

Prezado Candidato, para estudar o conteúdo digital complementar e exclusivo,


acesse: https://www.editorasolucao.com.br/retificacoes
LÍNGUA PORTUGUESA
1. Elementos de construção do texto e seu sentido: gênero do texto (literário e não literário, narrativo, descritivo e argumentativo);
interpretação e organização interna . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01
2. Semântica: sentido e emprego dos vocábulos; campos semânticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
3. Emprego de tempos e modos dos verbos na Língua Portuguesa. Morfologia: reconhecimento, emprego e sentido das classes grama-
ticais; processos de formação de palavras; mecanismos de flexão dos nomes e verbos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
4. Sintaxe: frase, oração e período; termos da oração; processos de coordenação e subordinação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
5. Concordância nominal e verbal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
6. Transitividade e regência de nomes e verbos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
7. Padrões gerais de colocação pronominal na Língua Portuguesa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
8. Mecanismos de coesão textual . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
9. Ortografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
10. Acentuação gráfica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
11. Emprego do sinal indicativo de crase . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
12. Pontuação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
13. Estilística: figuras de linguagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
14. Reescritura de frases: substituição, deslocamento, paralelismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
15. Variação linguística . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30
16. Norma padrão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
LÍNGUA PORTUGUESA

ELEMENTOS DE CONSTRUÇÃO DO TEXTO E SEU SENTI-


DO: GÊNERO DO TEXTO (LITERÁRIO E NÃO LITERÁRIO,
NARRATIVO, DESCRITIVO E ARGUMENTATIVO); INTER-
PRETAÇÃO E ORGANIZAÇÃO INTERNA

Compreensão e interpretação de textos


Chegamos, agora, em um ponto muito importante para todo o
seu estudo: a interpretação de textos. Desenvolver essa habilidade
é essencial e pode ser um diferencial para a realização de uma boa
prova de qualquer área do conhecimento.
Mas você sabe a diferença entre compreensão e interpretação?
A compreensão é quando você entende o que o texto diz de
forma explícita, aquilo que está na superfície do texto.
Quando Jorge fumava, ele era infeliz.
Por meio dessa frase, podemos entender que houve um tempo
que Jorge era infeliz, devido ao cigarro. Além de saber desses conceitos, é importante sabermos
A interpretação é quando você entende o que está implícito, identificar quando um texto é baseado em outro. O nome que
nas entrelinhas, aquilo que está de modo mais profundo no texto damos a este processo é intertextualidade.
ou que faça com que você realize inferências.
Quando Jorge fumava, ele era infeliz.
Interpretação de Texto
Interpretar um texto quer dizer dar sentido, inferir, chegar
Já compreendemos que Jorge era infeliz quando fumava, mas
a uma conclusão do que se lê. A interpretação é muito ligada ao
podemos interpretar que Jorge parou de fumar e que agora é feliz.
Percebeu a diferença? subentendido. Sendo assim, ela trabalha com o que se pode deduzir
de um texto.
Tipos de Linguagem A interpretação implica a mobilização dos conhecimentos
Existem três tipos de linguagem que precisamos saber para que prévios que cada pessoa possui antes da leitura de um determinado
facilite a interpretação de textos. texto, pressupõe que a aquisição do novo conteúdo lido estabeleça
• Linguagem Verbal é aquela que utiliza somente palavras. Ela uma relação com a informação já possuída, o que leva ao
pode ser escrita ou oral. crescimento do conhecimento do leitor, e espera que haja uma
apreciação pessoal e crítica sobre a análise do novo conteúdo lido,
afetando de alguma forma o leitor.
Sendo assim, podemos dizer que existem diferentes tipos de
leitura: uma leitura prévia, uma leitura seletiva, uma leitura analítica
e, por fim, uma leitura interpretativa.

É muito importante que você:


- Assista os mais diferenciados jornais sobre a sua cidade,
estado, país e mundo;
- Se possível, procure por jornais escritos para saber de notícias
(e também da estrutura das palavras para dar opiniões);
- Leia livros sobre diversos temas para sugar informações
ortográficas, gramaticais e interpretativas;
- Procure estar sempre informado sobre os assuntos mais
polêmicos;
• Linguagem não-verbal é aquela que utiliza somente imagens, - Procure debater ou conversar com diversas pessoas sobre
fotos, gestos... não há presença de nenhuma palavra. qualquer tema para presenciar opiniões diversas das suas.

Dicas para interpretar um texto:


– Leia lentamente o texto todo.
No primeiro contato com o texto, o mais importante é tentar
compreender o sentido global do texto e identificar o seu objetivo.

– Releia o texto quantas vezes forem necessárias.


Assim, será mais fácil identificar as ideias principais de cada
parágrafo e compreender o desenvolvimento do texto.

– Sublinhe as ideias mais importantes.


Sublinhar apenas quando já se tiver uma boa noção da ideia
principal e das ideias secundárias do texto.
– Separe fatos de opiniões.
O leitor precisa separar o que é um fato (verdadeiro, objetivo
• Linguagem Mista (ou híbrida) é aquele que utiliza tanto as e comprovável) do que é uma opinião (pessoal, tendenciosa e
palavras quanto as imagens. Ou seja, é a junção da linguagem mutável).
verbal com a não-verbal.

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LÍNGUA PORTUGUESA
– Retorne ao texto sempre que necessário. zade começou há uns 12 mil anos, no tempo em que as pessoas
Além disso, é importante entender com cuidado e atenção os precisavam caçar para se alimentar. Os cachorros perceberam que,
enunciados das questões. se não atacassem os humanos, podiam ficar perto deles e comer a
comida que sobrava. Já os homens descobriram que os cachorros
– Reescreva o conteúdo lido. podiam ajudar a caçar, a cuidar de rebanhos e a tomar conta da
Para uma melhor compreensão, podem ser feitos resumos, casa, além de serem ótimos companheiros. Um colaborava com o
tópicos ou esquemas. outro e a parceria deu certo.

Além dessas dicas importantes, você também pode grifar Ao ler apenas o título “Cachorros”, você deduziu sobre o pos-
palavras novas, e procurar seu significado para aumentar seu sível assunto abordado no texto. Embora você imagine que o tex-
vocabulário, fazer atividades como caça-palavras, ou cruzadinhas to vai falar sobre cães, você ainda não sabia exatamente o que ele
são uma distração, mas também um aprendizado. falaria sobre cães. Repare que temos várias informações ao longo
Não se esqueça, além da prática da leitura aprimorar a do texto: a hipótese dos zoólogos sobre a origem dos cães, a asso-
compreensão do texto e ajudar a aprovação, ela também estimula ciação entre eles e os seres humanos, a disseminação dos cães pelo
nossa imaginação, distrai, relaxa, informa, educa, atualiza, melhora mundo, as vantagens da convivência entre cães e homens.
nosso foco, cria perspectivas, nos torna reflexivos, pensantes, além As informações que se relacionam com o tema chamamos de
de melhorar nossa habilidade de fala, de escrita e de memória. subtemas (ou ideias secundárias). Essas informações se integram,
Um texto para ser compreendido deve apresentar ideias ou seja, todas elas caminham no sentido de estabelecer uma unida-
seletas e organizadas, através dos parágrafos que é composto pela de de sentido. Portanto, pense: sobre o que exatamente esse texto
ideia central, argumentação e/ou desenvolvimento e a conclusão fala? Qual seu assunto, qual seu tema? Certamente você chegou à
do texto. conclusão de que o texto fala sobre a relação entre homens e cães.
O primeiro objetivo de uma interpretação de um texto é Se foi isso que você pensou, parabéns! Isso significa que você foi
a identificação de sua ideia principal. A partir daí, localizam-se capaz de identificar o tema do texto!
as ideias secundárias, ou fundamentações, as argumentações,
ou explicações, que levem ao esclarecimento das questões Fonte: https://portuguesrapido.com/tema-ideia-central-e-ideias-se-
apresentadas na prova. cundarias/
Compreendido tudo isso, interpretar significa extrair um
significado. Ou seja, a ideia está lá, às vezes escondida, e por isso IDENTIFICAÇÃO DE EFEITOS DE IRONIA OU HUMOR EM
o candidato só precisa entendê-la – e não a complementar com TEXTOS VARIADOS
algum valor individual. Portanto, apegue-se tão somente ao texto, e
nunca extrapole a visão dele. Ironia
Ironia é o recurso pelo qual o emissor diz o contrário do que
IDENTIFICANDO O TEMA DE UM TEXTO está pensando ou sentindo (ou por pudor em relação a si próprio ou
O tema é a ideia principal do texto. É com base nessa ideia com intenção depreciativa e sarcástica em relação a outrem).
principal que o texto será desenvolvido. Para que você consiga A ironia consiste na utilização de determinada palavra ou ex-
identificar o tema de um texto, é necessário relacionar as diferen- pressão que, em um outro contexto diferente do usual, ganha um
tes informações de forma a construir o seu sentido global, ou seja, novo sentido, gerando um efeito de humor.
você precisa relacionar as múltiplas partes que compõem um todo Exemplo:
significativo, que é o texto.
Em muitas situações, por exemplo, você foi estimulado a ler um
texto por sentir-se atraído pela temática resumida no título. Pois o
título cumpre uma função importante: antecipar informações sobre
o assunto que será tratado no texto.
Em outras situações, você pode ter abandonado a leitura por-
que achou o título pouco atraente ou, ao contrário, sentiu-se atraí-
do pelo título de um livro ou de um filme, por exemplo. É muito
comum as pessoas se interessarem por temáticas diferentes, de-
pendendo do sexo, da idade, escolaridade, profissão, preferências
pessoais e experiência de mundo, entre outros fatores.
Mas, sobre que tema você gosta de ler? Esportes, namoro, se-
xualidade, tecnologia, ciências, jogos, novelas, moda, cuidados com
o corpo? Perceba, portanto, que as temáticas são praticamente in-
finitas e saber reconhecer o tema de um texto é condição essen-
cial para se tornar um leitor hábil. Vamos, então, começar nossos
estudos?
Propomos, inicialmente, que você acompanhe um exercício
bem simples, que, intuitivamente, todo leitor faz ao ler um texto:
reconhecer o seu tema. Vamos ler o texto a seguir?

CACHORROS

Os zoólogos acreditam que o cachorro se originou de uma


espécie de lobo que vivia na Ásia. Depois os cães se juntaram aos
seres humanos e se espalharam por quase todo o mundo. Essa ami-

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LÍNGUA PORTUGUESA
Exemplo:

Na construção de um texto, ela pode aparecer em três modos:


ironia verbal, ironia de situação e ironia dramática (ou satírica).
ANÁLISE E A INTERPRETAÇÃO DO TEXTO SEGUNDO O GÊ-
Ironia verbal NERO EM QUE SE INSCREVE
Ocorre quando se diz algo pretendendo expressar outro sig- Compreender um texto trata da análise e decodificação do que
nificado, normalmente oposto ao sentido literal. A expressão e a de fato está escrito, seja das frases ou das ideias presentes. Inter-
intenção são diferentes. pretar um texto, está ligado às conclusões que se pode chegar ao
Exemplo: Você foi tão bem na prova! Tirou um zero incrível! conectar as ideias do texto com a realidade. Interpretação trabalha
com a subjetividade, com o que se entendeu sobre o texto.
Ironia de situação Interpretar um texto permite a compreensão de todo e qual-
A intenção e resultado da ação não estão alinhados, ou seja, o quer texto ou discurso e se amplia no entendimento da sua ideia
resultado é contrário ao que se espera ou que se planeja. principal. Compreender relações semânticas é uma competência
Exemplo: Quando num texto literário uma personagem planeja imprescindível no mercado de trabalho e nos estudos.
uma ação, mas os resultados não saem como o esperado. No li- Quando não se sabe interpretar corretamente um texto pode-
vro “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, a -se criar vários problemas, afetando não só o desenvolvimento pro-
personagem título tem obsessão por ficar conhecida. Ao longo da fissional, mas também o desenvolvimento pessoal.
vida, tenta de muitas maneiras alcançar a notoriedade sem suces-
so. Após a morte, a personagem se torna conhecida. A ironia é que Busca de sentidos
planejou ficar famoso antes de morrer e se tornou famoso após a Para a busca de sentidos do texto, pode-se retirar do mesmo
morte. os tópicos frasais presentes em cada parágrafo. Isso auxiliará na
apreensão do conteúdo exposto.
Ironia dramática (ou satírica) Isso porque é ali que se fazem necessários, estabelecem uma
A ironia dramática é um dos efeitos de sentido que ocorre nos relação hierárquica do pensamento defendido, retomando ideias já
textos literários quando a personagem tem a consciência de que citadas ou apresentando novos conceitos.
suas ações não serão bem-sucedidas ou que está entrando por um Por fim, concentre-se nas ideias que realmente foram explici-
caminho ruim, mas o leitor já tem essa consciência. tadas pelo autor. Textos argumentativos não costumam conceder
Exemplo: Em livros com narrador onisciente, que sabe tudo o espaço para divagações ou hipóteses, supostamente contidas nas
que se passa na história com todas as personagens, é mais fácil apa- entrelinhas. Deve-se ater às ideias do autor, o que não quer dizer
recer esse tipo de ironia. A peça como Romeu e Julieta, por exem- que o leitor precise ficar preso na superfície do texto, mas é fun-
plo, se inicia com a fala que relata que os protagonistas da história damental que não sejam criadas suposições vagas e inespecíficas.
irão morrer em decorrência do seu amor. As personagens agem ao
longo da peça esperando conseguir atingir seus objetivos, mas a Importância da interpretação
plateia já sabe que eles não serão bem-sucedidos. A prática da leitura, seja por prazer, para estudar ou para se
informar, aprimora o vocabulário e dinamiza o raciocínio e a inter-
Humor pretação. A leitura, além de favorecer o aprendizado de conteúdos
Nesse caso, é muito comum a utilização de situações que pare- específicos, aprimora a escrita.
çam cômicas ou surpreendentes para provocar o efeito de humor. Uma interpretação de texto assertiva depende de inúmeros fa-
Situações cômicas ou potencialmente humorísticas comparti- tores. Muitas vezes, apressados, descuidamo-nos dos detalhes pre-
lham da característica do efeito surpresa. O humor reside em ocor- sentes em um texto, achamos que apenas uma leitura já se faz sufi-
rer algo fora do esperado numa situação. ciente. Interpretar exige paciência e, por isso, sempre releia o texto,
Há diversas situações em que o humor pode aparecer. Há as ti- pois a segunda leitura pode apresentar aspectos surpreendentes
rinhas e charges, que aliam texto e imagem para criar efeito cômico; que não foram observados previamente. Para auxiliar na busca de
há anedotas ou pequenos contos; e há as crônicas, frequentemente sentidos do texto, pode-se também retirar dele os tópicos frasais
acessadas como forma de gerar o riso. presentes em cada parágrafo, isso certamente auxiliará na apreen-
Os textos com finalidade humorística podem ser divididos em são do conteúdo exposto. Lembre-se de que os parágrafos não es-
quatro categorias: anedotas, cartuns, tiras e charges. tão organizados, pelo menos em um bom texto, de maneira aleató-
ria, se estão no lugar que estão, é porque ali se fazem necessários,
estabelecendo uma relação hierárquica do pensamento defendido,
retomando ideias já citadas ou apresentando novos conceitos.

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LÍNGUA PORTUGUESA
Concentre-se nas ideias que de fato foram explicitadas pelo au- Receita: texto instrucional e injuntivo que tem como objetivo
tor: os textos argumentativos não costumam conceder espaço para de informar, aconselhar, ou seja, recomendam dando uma certa li-
divagações ou hipóteses, supostamente contidas nas entrelinhas. berdade para quem recebe a informação.
Devemos nos ater às ideias do autor, isso não quer dizer que você
precise ficar preso na superfície do texto, mas é fundamental que DISTINÇÃO DE FATO E OPINIÃO SOBRE ESSE FATO
não criemos, à revelia do autor, suposições vagas e inespecíficas.
Ler com atenção é um exercício que deve ser praticado à exaustão, Fato
assim como uma técnica, que fará de nós leitores proficientes. O fato é algo que aconteceu ou está acontecendo. A existência
do fato pode ser constatada de modo indiscutível. O fato pode é
Diferença entre compreensão e interpretação uma coisa que aconteceu e pode ser comprovado de alguma manei-
A compreensão de um texto é fazer uma análise objetiva do ra, através de algum documento, números, vídeo ou registro.
texto e verificar o que realmente está escrito nele. Já a interpreta- Exemplo de fato:
ção imagina o que as ideias do texto têm a ver com a realidade. O A mãe foi viajar.
leitor tira conclusões subjetivas do texto.
Interpretação
Gêneros Discursivos É o ato de dar sentido ao fato, de entendê-lo. Interpretamos
Romance: descrição longa de ações e sentimentos de perso- quando relacionamos fatos, os comparamos, buscamos suas cau-
nagens fictícios, podendo ser de comparação com a realidade ou sas, previmos suas consequências.
totalmente irreal. A diferença principal entre um romance e uma Entre o fato e sua interpretação há uma relação lógica: se apon-
novela é a extensão do texto, ou seja, o romance é mais longo. No tamos uma causa ou consequência, é necessário que seja plausível.
romance nós temos uma história central e várias histórias secun- Se comparamos fatos, é preciso que suas semelhanças ou diferen-
dárias. ças sejam detectáveis.

Conto: obra de ficção onde é criado seres e locais totalmente Exemplos de interpretação:
imaginário. Com linguagem linear e curta, envolve poucas perso- A mãe foi viajar porque considerou importante estudar em ou-
nagens, que geralmente se movimentam em torno de uma única tro país.
ação, dada em um só espaço, eixo temático e conflito. Suas ações A mãe foi viajar porque se preocupava mais com sua profissão
encaminham-se diretamente para um desfecho. do que com a filha.

Novela: muito parecida com o conto e o romance, diferencia- Opinião


do por sua extensão. Ela fica entre o conto e o romance, e tem a A opinião é a avaliação que se faz de um fato considerando um
história principal, mas também tem várias histórias secundárias. O juízo de valor. É um julgamento que tem como base a interpretação
tempo na novela é baseada no calendário. O tempo e local são de- que fazemos do fato.
finidos pelas histórias dos personagens. A história (enredo) tem um Nossas opiniões costumam ser avaliadas pelo grau de coerên-
ritmo mais acelerado do que a do romance por ter um texto mais cia que mantêm com a interpretação do fato. É uma interpretação
curto. do fato, ou seja, um modo particular de olhar o fato. Esta opinião
pode alterar de pessoa para pessoa devido a fatores socioculturais.
Crônica: texto que narra o cotidiano das pessoas, situações que
Exemplos de opiniões que podem decorrer das interpretações
nós mesmos já vivemos e normalmente é utilizado a ironia para
anteriores:
mostrar um outro lado da mesma história. Na crônica o tempo não
A mãe foi viajar porque considerou importante estudar em ou-
é relevante e quando é citado, geralmente são pequenos intervalos
tro país. Ela tomou uma decisão acertada.
como horas ou mesmo minutos.
A mãe foi viajar porque se preocupava mais com sua profissão
do que com a filha. Ela foi egoísta.
Poesia: apresenta um trabalho voltado para o estudo da lin-
guagem, fazendo-o de maneira particular, refletindo o momento, Muitas vezes, a interpretação já traz implícita uma opinião.
a vida dos homens através de figuras que possibilitam a criação de Por exemplo, quando se mencionam com ênfase consequên-
imagens. cias negativas que podem advir de um fato, se enaltecem previsões
positivas ou se faz um comentário irônico na interpretação, já esta-
Editorial: texto dissertativo argumentativo onde expressa a mos expressando nosso julgamento.
opinião do editor através de argumentos e fatos sobre um assunto É muito importante saber a diferença entre o fato e opinião,
que está sendo muito comentado (polêmico). Sua intenção é con- principalmente quando debatemos um tema polêmico ou quando
vencer o leitor a concordar com ele. analisamos um texto dissertativo.

Entrevista: texto expositivo e é marcado pela conversa de um Exemplo:


entrevistador e um entrevistado para a obtenção de informações. A mãe viajou e deixou a filha só. Nem deve estar se importando
Tem como principal característica transmitir a opinião de pessoas com o sofrimento da filha.
de destaque sobre algum assunto de interesse.
ESTRUTURAÇÃO DO TEXTO E DOS PARÁGRAFOS
Cantiga de roda: gênero empírico, que na escola se materiali- Uma boa redação é dividida em ideias relacionadas entre si
za em uma concretude da realidade. A cantiga de roda permite as ajustadas a uma ideia central que norteia todo o pensamento do
crianças terem mais sentido em relação a leitura e escrita, ajudando texto. Um dos maiores problemas nas redações é estruturar as
os professores a identificar o nível de alfabetização delas. ideias para fazer com que o leitor entenda o que foi dito no texto.
Fazer uma estrutura no texto para poder guiar o seu pensamento
e o do leitor.

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LÍNGUA PORTUGUESA
Parágrafo Língua escrita e língua falada
O parágrafo organizado em torno de uma ideia-núcleo, que é A língua escrita não é a simples reprodução gráfica da língua
desenvolvida por ideias secundárias. O parágrafo pode ser forma- falada, por que os sinais gráficos não conseguem registrar grande
do por uma ou mais frases, sendo seu tamanho variável. No texto parte dos elementos da fala, como o timbre da voz, a entonação, e
dissertativo-argumentativo, os parágrafos devem estar todos rela- ainda os gestos e a expressão facial. Na realidade a língua falada é
cionados com a tese ou ideia principal do texto, geralmente apre- mais descontraída, espontânea e informal, porque se manifesta na
sentada na introdução. conversação diária, na sensibilidade e na liberdade de expressão
do falante. Nessas situações informais, muitas regras determinadas
Embora existam diferentes formas de organização de parágra- pela língua padrão são quebradas em nome da naturalidade, da li-
fos, os textos dissertativo-argumentativos e alguns gêneros jornalís- berdade de expressão e da sensibilidade estilística do falante.
ticos apresentam uma estrutura-padrão. Essa estrutura consiste em
três partes: a ideia-núcleo, as ideias secundárias (que desenvolvem Linguagem popular e linguagem culta
a ideia-núcleo) e a conclusão (que reafirma a ideia-básica). Em pa- Podem valer-se tanto da linguagem popular quanto da lingua-
rágrafos curtos, é raro haver conclusão. gem culta. Obviamente a linguagem popular é mais usada na fala,
nas expressões orais cotidianas. Porém, nada impede que ela esteja
Introdução: faz uma rápida apresentação do assunto e já traz presente em poesias (o Movimento Modernista Brasileiro procurou
uma ideia da sua posição no texto, é normalmente aqui que você valorizar a linguagem popular), contos, crônicas e romances em que
irá identificar qual o problema do texto, o porque ele está sendo o diálogo é usado para representar a língua falada.
escrito. Normalmente o tema e o problema são dados pela própria
prova. Linguagem Popular ou Coloquial
Usada espontânea e fluentemente pelo povo. Mostra-se quase
Desenvolvimento: elabora melhor o tema com argumentos e sempre rebelde à norma gramatical e é carregada de vícios de lin-
ideias que apoiem o seu posicionamento sobre o assunto. É possí- guagem (solecismo – erros de regência e concordância; barbarismo
vel usar argumentos de várias formas, desde dados estatísticos até – erros de pronúncia, grafia e flexão; ambiguidade; cacofonia; pleo-
citações de pessoas que tenham autoridade no assunto. nasmo), expressões vulgares, gírias e preferência pela coordenação,
que ressalta o caráter oral e popular da língua. A linguagem popular
Conclusão: faz uma retomada breve de tudo que foi abordado está presente nas conversas familiares ou entre amigos, anedotas,
e conclui o texto. Esta última parte pode ser feita de várias maneiras irradiação de esportes, programas de TV e auditório, novelas, na
diferentes, é possível deixar o assunto ainda aberto criando uma expressão dos esta dos emocionais etc.
pergunta reflexiva, ou concluir o assunto com as suas próprias con-
clusões a partir das ideias e argumentos do desenvolvimento. A Linguagem Culta ou Padrão
É a ensinada nas escolas e serve de veículo às ciências em que
Outro aspecto que merece especial atenção são  os conecto- se apresenta com terminologia especial. É usada pelas pessoas ins-
res. São responsáveis pela coesão do texto e tornam a leitura mais truídas das diferentes classes sociais e caracteriza-se pela obediên-
fluente, visando estabelecer um encadeamento lógico entre as cia às normas gramaticais. Mais comumente usada na linguagem
ideias e servem de ligação entre o parágrafo, ou no interior do pe- escrita e literária, reflete prestígio social e cultural. É mais artificial,
ríodo, e o tópico que o antecede. mais estável, menos sujeita a variações. Está presente nas aulas,
Saber usá-los com precisão, tanto no interior da frase, quanto conferências, sermões, discursos políticos, comunicações científi-
ao passar de um enunciado para outro, é uma exigência também cas, noticiários de TV, programas culturais etc.
para a clareza do texto.
Sem os conectores (pronomes relativos, conjunções, advér- Gíria
bios, preposições, palavras denotativas) as ideias não fluem, muitas A gíria relaciona-se ao cotidiano de certos grupos sociais como
vezes o pensamento não se completa, e o texto torna-se obscuro, arma de defesa contra as classes dominantes. Esses grupos utilizam
sem coerência. a gíria como meio de expressão do cotidiano, para que as mensa-
Esta estrutura é uma das mais utilizadas em textos argumenta- gens sejam decodificadas apenas por eles mesmos.
tivos, e por conta disso é mais fácil para os leitores. Assim a gíria é criada por determinados grupos que divulgam
Existem diversas formas de se estruturar cada etapa dessa es- o palavreado para outros grupos até chegar à mídia. Os meios de
trutura de texto, entretanto, apenas segui-la já leva ao pensamento comunicação de massa, como a televisão e o rádio, propagam os
mais direto. novos vocábulos, às vezes, também inventam alguns. A gíria pode
acabar incorporada pela língua oficial, permanecer no vocabulário
NÍVEIS DE LINGUAGEM de pequenos grupos ou cair em desuso.
Ex.: “chutar o pau da barraca”, “viajar na maionese”, “galera”,
Definição de linguagem “mina”, “tipo assim”.
Linguagem é qualquer meio sistemático de comunicar ideias
Linguagem vulgar
ou sentimentos através de signos convencionais, sonoros, gráficos,
Existe uma linguagem vulgar relacionada aos que têm pouco
gestuais etc. A linguagem é individual e flexível e varia dependendo
ou nenhum contato com centros civilizados. Na linguagem vulgar
da idade, cultura, posição social, profissão etc. A maneira de arti-
há estruturas com “nóis vai, lá”, “eu di um beijo”, “Ponhei sal na
cular as palavras, organizá-las na frase, no texto, determina nossa
comida”.
linguagem, nosso estilo (forma de expressão pessoal).
As inovações linguísticas, criadas pelo falante, provocam, com
Linguagem regional
o decorrer do tempo, mudanças na estrutura da língua, que só as Regionalismos são variações geográficas do uso da língua pa-
incorpora muito lentamente, depois de aceitas por todo o grupo drão, quanto às construções gramaticais e empregos de certas pala-
social. Muitas novidades criadas na linguagem não vingam na língua vras e expressões. Há, no Brasil, por exemplo, os falares amazônico,
e caem em desuso. nordestino, baiano, fluminense, mineiro, sulino.

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LÍNGUA PORTUGUESA
Tipos e genêros textuais Tipo textual expositivo
Os tipos textuais configuram-se como modelos fixos e abran- A dissertação é o ato de apresentar ideias, desenvolver racio-
gentes que objetivam a distinção e definição da estrutura, bem cínio, analisar contextos, dados e fatos, por meio de exposição,
como aspectos linguísticos de narração, dissertação, descrição e discussão, argumentação e defesa do que pensamos. A dissertação
explicação. Eles apresentam estrutura definida e tratam da forma pode ser expositiva ou argumentativa.
como um texto se apresenta e se organiza. Existem cinco tipos clás- A dissertação-expositiva é caracterizada por esclarecer um as-
sicos que aparecem em provas: descritivo, injuntivo, expositivo (ou sunto de maneira atemporal, com o objetivo de explicá-lo de ma-
dissertativo-expositivo) dissertativo e narrativo. Vejamos alguns neira clara, sem intenção de convencer o leitor ou criar debate.
exemplos e as principais características de cada um deles.
Características principais:
Tipo textual descritivo • Apresenta introdução, desenvolvimento e conclusão.
A descrição é uma modalidade de composição textual cujo • O objetivo não é persuadir, mas meramente explicar, infor-
objetivo é fazer um retrato por escrito (ou não) de um lugar, uma mar.
pessoa, um animal, um pensamento, um sentimento, um objeto, • Normalmente a marca da dissertação é o verbo no presente.
um movimento etc. • Amplia-se a ideia central, mas sem subjetividade ou defesa
Características principais: de ponto de vista.
• Os recursos formais mais encontrados são os de valor adje- • Apresenta linguagem clara e imparcial.
tivo (adjetivo, locução adjetiva e oração adjetiva), por sua função
caracterizadora. Exemplo:
• Há descrição objetiva e subjetiva, normalmente numa enu- O texto dissertativo consiste na ampliação, na discussão, no
meração. questionamento, na reflexão, na polemização, no debate, na ex-
• A noção temporal é normalmente estática. pressão de um ponto de vista, na explicação a respeito de um de-
• Normalmente usam-se verbos de ligação para abrir a defini- terminado tema.
ção. Existem dois tipos de dissertação bem conhecidos: a disserta-
• Normalmente aparece dentro de um texto narrativo. ção expositiva (ou informativa) e a argumentativa (ou opinativa).
• Os gêneros descritivos mais comuns são estes: manual, anún- Portanto, pode-se dissertar simplesmente explicando um as-
cio, propaganda, relatórios, biografia, tutorial. sunto, imparcialmente, ou discutindo-o, parcialmente.

Exemplo: Tipo textual dissertativo-argumentativo


Era uma casa muito engraçada Este tipo de texto — muito frequente nas provas de concur-
Não tinha teto, não tinha nada sos — apresenta posicionamentos pessoais e exposição de ideias
Ninguém podia entrar nela, não apresentadas de forma lógica. Com razoável grau de objetividade,
Porque na casa não tinha chão clareza, respeito pelo registro formal da língua e coerência, seu in-
Ninguém podia dormir na rede tuito é a defesa de um ponto de vista que convença o interlocutor
Porque na casa não tinha parede (leitor ou ouvinte).
Ninguém podia fazer pipi
Porque penico não tinha ali Características principais:
Mas era feita com muito esmero • Presença de estrutura básica (introdução, desenvolvimento
Na rua dos bobos, número zero e conclusão): ideia principal do texto (tese); argumentos (estraté-
(Vinícius de Moraes) gias argumentativas: causa-efeito, dados estatísticos, testemunho
de autoridade, citações, confronto, comparação, fato, exemplo,
TIPO TEXTUAL INJUNTIVO enumeração...); conclusão (síntese dos pontos principais com su-
A injunção indica como realizar uma ação, aconselha, impõe, gestão/solução).
instrui o interlocutor. Chamado também de texto instrucional, o • Utiliza verbos na 1ª pessoa (normalmente nas argumentações
tipo de texto injuntivo é utilizado para predizer acontecimentos e informais) e na 3ª pessoa do presente do indicativo (normalmente
comportamentos, nas leis jurídicas. nas argumentações formais) para imprimir uma atemporalidade e
um caráter de verdade ao que está sendo dito.
Características principais: • Privilegiam-se as estruturas impessoais, com certas modali-
• Normalmente apresenta frases curtas e objetivas, com ver- zações discursivas (indicando noções de possibilidade, certeza ou
bos de comando, com tom imperativo; há também o uso do futuro probabilidade) em vez de juízos de valor ou sentimentos exaltados.
do presente (10 mandamentos bíblicos e leis diversas). • Há um cuidado com a progressão temática, isto é, com o
• Marcas de interlocução: vocativo, verbos e pronomes de 2ª desenvolvimento coerente da ideia principal, evitando-se ro-
pessoa ou 1ª pessoa do plural, perguntas reflexivas etc. deios.
Exemplo: Exemplo:
Impedidos do Alistamento Eleitoral (art. 5º do Código Eleito- A maioria dos problemas existentes em um país em desenvol-
ral) – Não podem alistar-se eleitores: os que não saibam exprimir-se vimento, como o nosso, podem ser resolvidos com uma eficiente
na língua nacional, e os que estejam privados, temporária ou defi- administração política (tese), porque a força governamental certa-
nitivamente dos direitos políticos. Os militares são alistáveis, desde mente se sobrepõe a poderes paralelos, os quais – por negligência
que oficiais, aspirantes a oficiais, guardas-marinha, subtenentes ou de nossos representantes – vêm aterrorizando as grandes metró-
suboficiais, sargentos ou alunos das escolas militares de ensino su- poles. Isso ficou claro no confronto entre a força militar do RJ e os
perior para formação de oficiais. traficantes, o que comprovou uma verdade simples: se for do desejo
dos políticos uma mudança radical visando o bem-estar da popula-
ção, isso é plenamente possível (estratégia argumentativa: fato-

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LÍNGUA PORTUGUESA
-exemplo). É importante salientar, portanto, que não devemos ficar Dissertativo-argumentativo Editorial Jornalístico
de mãos atadas à espera de uma atitude do governo só quando o Carta de opinião
caos se estabelece; o povo tem e sempre terá de colaborar com uma Resenha
cobrança efetiva (conclusão). Artigo
Ensaio
Tipo textual narrativo Monografia, dissertação de
O texto narrativo é uma modalidade textual em que se conta mestrado e tese de doutorado
um fato, fictício ou não, que ocorreu num determinado tempo e lu-
gar, envolvendo certos personagens. Toda narração tem um enredo, Narrativo Romance
personagens, tempo, espaço e narrador (ou foco narrativo). Novela
Crônica
Características principais: Contos de Fada
• O tempo verbal predominante é o passado. Fábula
• Foco narrativo com narrador de 1ª pessoa (participa da his- Lendas
tória – onipresente) ou de 3ª pessoa (não participa da história –
onisciente). Sintetizando: os tipos textuais são fixos, finitos e tratam da for-
• Normalmente, nos concursos públicos, o texto aparece em ma como o texto se apresenta. Os gêneros textuais são fluidos, infi-
prosa, não em verso. nitos e mudam de acordo com a demanda social.

Exemplo: INTERTEXTUALIDADE
Solidão A  intertextualidade  é um recurso realizado entre textos, ou
João era solteiro, vivia só e era feliz. Na verdade, a solidão era seja, é a influência e relação que um estabelece sobre o outro. As-
o que o tornava assim. Conheceu Maria, também solteira, só e fe- sim, determina o fenômeno relacionado ao processo de produção
liz. Tão iguais, a afinidade logo se transforma em paixão. Casam-se. de textos que faz referência (explícita ou implícita) aos elementos
Dura poucas semanas. Não havia mesmo como dar certo: ao se uni- existentes em outro texto, seja a nível de conteúdo, forma ou de
rem, um tirou do outro a essência da felicidade. ambos: forma e conteúdo.
Nelson S. Oliveira Grosso modo, a intertextualidade é o diálogo entre textos, de
Fonte: https://www.recantodasletras.com.br/contossur- forma que essa relação pode ser estabelecida entre as produções
reais/4835684 textuais que apresentem diversas linguagens (visual, auditiva, escri-
ta), sendo expressa nas artes (literatura, pintura, escultura, música,
GÊNEROS TEXTUAIS dança, cinema), propagandas publicitárias, programas televisivos,
Já os gêneros textuais (ou discursivos) são formas diferentes provérbios, charges, dentre outros.
de expressão comunicativa. As muitas formas de elaboração de um
texto se tornam gêneros, de acordo com a intenção do seu pro- Tipos de Intertextualidade
dutor. Logo, os gêneros apresentam maior diversidade e exercem • Paródia: perversão do texto anterior que aparece geralmen-
funções sociais específicas, próprias do dia a dia. Ademais, são te, em forma de crítica irônica de caráter humorístico. Do grego
passíveis de modificações ao longo do tempo, mesmo que preser- (parodès), a palavra “paródia” é formada pelos termos “para” (se-
vando características preponderantes. Vejamos, agora, uma tabela melhante) e “odes” (canto), ou seja, “um canto (poesia) semelhante
que apresenta alguns gêneros textuais classificados com os tipos a outro”. Esse recurso é muito utilizado pelos programas humorís-
textuais que neles predominam. ticos.
• Paráfrase: recriação de um texto já existente mantendo a
mesma ideia contida no texto original, entretanto, com a utilização
Tipo Textual Predominante Gêneros Textuais de outras palavras. O vocábulo “paráfrase”, do grego (paraphrasis),
Descritivo Diário significa a “repetição de uma sentença”.
Relatos (viagens, históricos, etc.) • Epígrafe: recurso bastante utilizado em obras e textos cientí-
Biografia e autobiografia ficos. Consiste no acréscimo de uma frase ou parágrafo que tenha
Notícia alguma relação com o que será discutido no texto. Do grego, o ter-
Currículo mo “epígrafhe” é formado pelos vocábulos “epi” (posição superior)
Lista de compras e “graphé” (escrita).
Cardápio • Citação: Acréscimo de partes de outras obras numa produção
Anúncios de classificados textual, de forma que dialoga com ele; geralmente vem expressa
entre aspas e itálico, já que se trata da enunciação de outro autor.
Injuntivo Receita culinária Esse recurso é importante haja vista que sua apresentação sem re-
Bula de remédio lacionar a fonte utilizada é considerado “plágio”. Do Latim, o termo
Manual de instruções “citação” (citare) significa convocar.
Regulamento • Alusão: Faz referência aos elementos presentes em outros
Textos prescritivos textos. Do Latim, o vocábulo “alusão” (alludere) é formado por dois
Expositivo Seminários termos: “ad” (a, para) e “ludere” (brincar).
Palestras • Outras formas de intertextualidade menos discutidas são
Conferências o pastiche, o sample, a tradução e a bricolagem.
Entrevistas
Trabalhos acadêmicos ARGUMENTAÇÃO
Enciclopédia O ato de comunicação não visa apenas transmitir uma informa-
Verbetes de dicionários ção a alguém. Quem comunica pretende criar uma imagem positiva
de si mesmo (por exemplo, a de um sujeito educado, ou inteligente,

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LÍNGUA PORTUGUESA
ou culto), quer ser aceito, deseja que o que diz seja admitido como instituição bancária e sua antiguidade, esta tem peso argumentati-
verdadeiro. Em síntese, tem a intenção de convencer, ou seja, tem vo na afirmação da confiabilidade de um banco. Portanto é provável
o desejo de que o ouvinte creia no que o texto diz e faça o que ele que se creia que um banco mais antigo seja mais confiável do que
propõe. outro fundado há dois ou três anos.
Se essa é a finalidade última de todo ato de comunicação, todo Enumerar todos os tipos de argumentos é uma tarefa quase
texto contém um componente argumentativo. A argumentação é o impossível, tantas são as formas de que nos valemos para fazer as
conjunto de recursos de natureza linguística destinados a persuadir pessoas preferirem uma coisa a outra. Por isso, é importante enten-
a pessoa a quem a comunicação se destina. Está presente em todo der bem como eles funcionam.
tipo de texto e visa a promover adesão às teses e aos pontos de Já vimos diversas características dos argumentos. É preciso
vista defendidos. acrescentar mais uma: o convencimento do interlocutor, o auditó-
As pessoas costumam pensar que o argumento seja apenas rio, que pode ser individual ou coletivo, será tanto mais fácil quanto
uma prova de verdade ou uma razão indiscutível para comprovar a mais os argumentos estiverem de acordo com suas crenças, suas
veracidade de um fato. O argumento é mais que isso: como se disse expectativas, seus valores. Não se pode convencer um auditório
acima, é um recurso de linguagem utilizado para levar o interlocu- pertencente a uma dada cultura enfatizando coisas que ele abomi-
tor a crer naquilo que está sendo dito, a aceitar como verdadeiro o na. Será mais fácil convencê-lo valorizando coisas que ele considera
que está sendo transmitido. A argumentação pertence ao domínio positivas. No Brasil, a publicidade da cerveja vem com frequência
da retórica, arte de persuadir as pessoas mediante o uso de recur- associada ao futebol, ao gol, à paixão nacional. Nos Estados Unidos,
sos de linguagem. essa associação certamente não surtiria efeito, porque lá o futebol
Para compreender claramente o que é um argumento, é bom não é valorizado da mesma forma que no Brasil. O poder persuasivo
voltar ao que diz Aristóteles, filósofo grego do século IV a.C., numa de um argumento está vinculado ao que é valorizado ou desvalori-
obra intitulada “Tópicos: os argumentos são úteis quando se tem de zado numa dada cultura.
escolher entre duas ou mais coisas”.
Se tivermos de escolher entre uma coisa vantajosa e uma des- Tipos de Argumento
vantajosa, como a saúde e a doença, não precisamos argumentar. Já verificamos que qualquer recurso linguístico destinado a fa-
Suponhamos, no entanto, que tenhamos de escolher entre duas zer o interlocutor dar preferência à tese do enunciador é um argu-
coisas igualmente vantajosas, a riqueza e a saúde. Nesse caso, pre- mento. Exemplo:
cisamos argumentar sobre qual das duas é mais desejável. O argu-
mento pode então ser definido como qualquer recurso que torna Argumento de Autoridade
uma coisa mais desejável que outra. Isso significa que ele atua no É a citação, no texto, de afirmações de pessoas reconhecidas
domínio do preferível. Ele é utilizado para fazer o interlocutor crer pelo auditório como autoridades em certo domínio do saber, para
que, entre duas teses, uma é mais provável que a outra, mais pos- servir de apoio àquilo que o enunciador está propondo. Esse recur-
sível que a outra, mais desejável que a outra, é preferível à outra. so produz dois efeitos distintos: revela o conhecimento do produtor
O objetivo da argumentação não é demonstrar a verdade de do texto a respeito do assunto de que está tratando; dá ao texto a
um fato, mas levar o ouvinte a admitir como verdadeiro o que o garantia do autor citado. É preciso, no entanto, não fazer do texto
enunciador está propondo. um amontoado de citações. A citação precisa ser pertinente e ver-
Há uma diferença entre o raciocínio lógico e a argumentação. dadeira. Exemplo:
O primeiro opera no domínio do necessário, ou seja, pretende “A imaginação é mais importante do que o conhecimento.”
demonstrar que uma conclusão deriva necessariamente das pre-
missas propostas, que se deduz obrigatoriamente dos postulados Quem disse a frase aí de cima não fui eu... Foi Einstein. Para
admitidos. No raciocínio lógico, as conclusões não dependem de ele, uma coisa vem antes da outra: sem imaginação, não há conhe-
crenças, de uma maneira de ver o mundo, mas apenas do encadea- cimento. Nunca o inverso.
mento de premissas e conclusões. Alex José Periscinoto.
Por exemplo, um raciocínio lógico é o seguinte encadeamento: In: Folha de S. Paulo, 30/8/1993, p. 5-2
A é igual a B.
A é igual a C. A tese defendida nesse texto é que a imaginação é mais impor-
Então: C é igual a A. tante do que o conhecimento. Para levar o auditório a aderir a ela,
o enunciador cita um dos mais célebres cientistas do mundo. Se
Admitidos os dois postulados, a conclusão é, obrigatoriamente, um físico de renome mundial disse isso, então as pessoas devem
que C é igual a A. acreditar que é verdade.
Outro exemplo:
Todo ruminante é um mamífero. Argumento de Quantidade
A vaca é um ruminante. É aquele que valoriza mais o que é apreciado pelo maior nú-
Logo, a vaca é um mamífero. mero de pessoas, o que existe em maior número, o que tem maior
duração, o que tem maior número de adeptos, etc. O fundamento
Admitidas como verdadeiras as duas premissas, a conclusão desse tipo de argumento é que mais = melhor. A publicidade faz
também será verdadeira. largo uso do argumento de quantidade.
No domínio da argumentação, as coisas são diferentes. Nele,
a conclusão não é necessária, não é obrigatória. Por isso, deve-se Argumento do Consenso
mostrar que ela é a mais desejável, a mais provável, a mais plau- É uma variante do argumento de quantidade. Fundamenta-se
sível. Se o Banco do Brasil fizer uma propaganda dizendo-se mais em afirmações que, numa determinada época, são aceitas como
confiável do que os concorrentes porque existe desde a chegada verdadeiras e, portanto, dispensam comprovações, a menos que o
da família real portuguesa ao Brasil, ele estará dizendo-nos que um objetivo do texto seja comprovar alguma delas. Parte da ideia de
banco com quase dois séculos de existência é sólido e, por isso, con- que o consenso, mesmo que equivocado, corresponde ao indiscu-
fiável. Embora não haja relação necessária entre a solidez de uma tível, ao verdadeiro e, portanto, é melhor do que aquilo que não

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LÍNGUA PORTUGUESA
desfruta dele. Em nossa época, são consensuais, por exemplo, as - Para conseguir fazer exames com mais cuidado e porque al-
afirmações de que o meio ambiente precisa ser protegido e de que guns deles são barrapesada, a gente botou o governador no hospi-
as condições de vida são piores nos países subdesenvolvidos. Ao tal por três dias.
confiar no consenso, porém, corre-se o risco de passar dos argu-
mentos válidos para os lugares comuns, os preconceitos e as frases Como dissemos antes, todo texto tem uma função argumen-
carentes de qualquer base científica. tativa, porque ninguém fala para não ser levado a sério, para ser
ridicularizado, para ser desmentido: em todo ato de comunicação
Argumento de Existência deseja-se influenciar alguém. Por mais neutro que pretenda ser, um
É aquele que se fundamenta no fato de que é mais fácil aceitar texto tem sempre uma orientação argumentativa.
aquilo que comprovadamente existe do que aquilo que é apenas A orientação argumentativa é uma certa direção que o falante
provável, que é apenas possível. A sabedoria popular enuncia o ar- traça para seu texto. Por exemplo, um jornalista, ao falar de um
gumento de existência no provérbio “Mais vale um pássaro na mão homem público, pode ter a intenção de criticá-lo, de ridicularizá-lo
do que dois voando”. ou, ao contrário, de mostrar sua grandeza.
Nesse tipo de argumento, incluem-se as provas documentais O enunciador cria a orientação argumentativa de seu texto
(fotos, estatísticas, depoimentos, gravações, etc.) ou provas concre- dando destaque a uns fatos e não a outros, omitindo certos episó-
tas, que tornam mais aceitável uma afirmação genérica. Durante dios e revelando outros, escolhendo determinadas palavras e não
a invasão do Iraque, por exemplo, os jornais diziam que o exérci- outras, etc. Veja:
to americano era muito mais poderoso do que o iraquiano. Essa “O clima da festa era tão pacífico que até sogras e noras troca-
afirmação, sem ser acompanhada de provas concretas, poderia ser vam abraços afetuosos.”
vista como propagandística. No entanto, quando documentada pela
comparação do número de canhões, de carros de combate, de na- O enunciador aí pretende ressaltar a ideia geral de que noras
vios, etc., ganhava credibilidade. e sogras não se toleram. Não fosse assim, não teria escolhido esse
fato para ilustrar o clima da festa nem teria utilizado o termo até,
Argumento quase lógico que serve para incluir no argumento alguma coisa inesperada.
É aquele que opera com base nas relações lógicas, como causa Além dos defeitos de argumentação mencionados quando tra-
e efeito, analogia, implicação, identidade, etc. Esses raciocínios são tamos de alguns tipos de argumentação, vamos citar outros:
chamados quase lógicos porque, diversamente dos raciocínios lógi- - Uso sem delimitação adequada de palavra de sentido tão am-
cos, eles não pretendem estabelecer relações necessárias entre os plo, que serve de argumento para um ponto de vista e seu contrá-
elementos, mas sim instituir relações prováveis, possíveis, plausí- rio. São noções confusas, como paz, que, paradoxalmente, pode ser
veis. Por exemplo, quando se diz “A é igual a B”, “B é igual a C”, “en- usada pelo agressor e pelo agredido. Essas palavras podem ter valor
tão A é igual a C”, estabelece-se uma relação de identidade lógica. positivo (paz, justiça, honestidade, democracia) ou vir carregadas
Entretanto, quando se afirma “Amigo de amigo meu é meu amigo” de valor negativo (autoritarismo, degradação do meio ambiente,
não se institui uma identidade lógica, mas uma identidade provável. injustiça, corrupção).
Um texto coerente do ponto de vista lógico é mais facilmente - Uso de afirmações tão amplas, que podem ser derrubadas por
aceito do que um texto incoerente. Vários são os defeitos que con- um único contra exemplo. Quando se diz “Todos os políticos são
correm para desqualificar o texto do ponto de vista lógico: fugir do ladrões”, basta um único exemplo de político honesto para destruir
tema proposto, cair em contradição, tirar conclusões que não se o argumento.
fundamentam nos dados apresentados, ilustrar afirmações gerais - Emprego de noções científicas sem nenhum rigor, fora do con-
com fatos inadequados, narrar um fato e dele extrair generalizações texto adequado, sem o significado apropriado, vulgarizando-as e
indevidas. atribuindo-lhes uma significação subjetiva e grosseira. É o caso, por
exemplo, da frase “O imperialismo de certas indústrias não permite
Argumento do Atributo
que outras crescam”, em que o termo imperialismo é descabido,
É aquele que considera melhor o que tem propriedades típi-
uma vez que, a rigor, significa “ação de um Estado visando a reduzir
cas daquilo que é mais valorizado socialmente, por exemplo, o mais
outros à sua dependência política e econômica”.
raro é melhor que o comum, o que é mais refinado é melhor que o
que é mais grosseiro, etc.
A boa argumentação é aquela que está de acordo com a situa-
Por esse motivo, a publicidade usa, com muita frequência, cele-
ção concreta do texto, que leva em conta os componentes envolvi-
bridades recomendando prédios residenciais, produtos de beleza, ali-
dos na discussão (o tipo de pessoa a quem se dirige a comunicação,
mentos estéticos, etc., com base no fato de que o consumidor tende
a associar o produto anunciado com atributos da celebridade. o assunto, etc).
Uma variante do argumento de atributo é o argumento da Convém ainda alertar que não se convence ninguém com mani-
competência linguística. A utilização da variante culta e formal da festações de sinceridade do autor (como eu, que não costumo men-
língua que o produtor do texto conhece a norma linguística social- tir...) ou com declarações de certeza expressas em fórmulas feitas
mente mais valorizada e, por conseguinte, deve produzir um texto (como estou certo, creio firmemente, é claro, é óbvio, é evidente,
em que se pode confiar. Nesse sentido é que se diz que o modo de afirmo com toda a certeza, etc). Em vez de prometer, em seu texto,
dizer dá confiabilidade ao que se diz. sinceridade e certeza, autenticidade e verdade, o enunciador deve
Imagine-se que um médico deva falar sobre o estado de saúde construir um texto que revele isso. Em outros termos, essas quali-
de uma personalidade pública. Ele poderia fazê-lo das duas manei- dades não se prometem, manifestam-se na ação.
ras indicadas abaixo, mas a primeira seria infinitamente mais ade- A argumentação é a exploração de recursos para fazer parecer
quada para a persuasão do que a segunda, pois esta produziria certa verdadeiro aquilo que se diz num texto e, com isso, levar a pessoa a
estranheza e não criaria uma imagem de competência do médico: que texto é endereçado a crer naquilo que ele diz.
- Para aumentar a confiabilidade do diagnóstico e levando em Um texto dissertativo tem um assunto ou tema e expressa um
conta o caráter invasivo de alguns exames, a equipe médica houve ponto de vista, acompanhado de certa fundamentação, que inclui
por bem determinar o internamento do governador pelo período a argumentação, questionamento, com o objetivo de persuadir. Ar-
de três dias, a partir de hoje, 4 de fevereiro de 2001. gumentar é o processo pelo qual se estabelecem relações para che-

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LÍNGUA PORTUGUESA
gar à conclusão, com base em premissas. Persuadir é um processo - evidência;
de convencimento, por meio da argumentação, no qual procura-se - divisão ou análise;
convencer os outros, de modo a influenciar seu pensamento e seu - ordem ou dedução;
comportamento. - enumeração.
A persuasão pode ser válida e não válida. Na persuasão váli-
da, expõem-se com clareza os fundamentos de uma ideia ou pro- A enumeração pode apresentar dois tipos de falhas: a omissão
posição, e o interlocutor pode questionar cada passo do raciocínio e a incompreensão. Qualquer erro na enumeração pode quebrar o
empregado na argumentação. A persuasão não válida apoia-se em encadeamento das ideias, indispensável para o processo dedutivo.
argumentos subjetivos, apelos subliminares, chantagens sentimen- A forma de argumentação mais empregada na redação acadê-
tais, com o emprego de “apelações”, como a inflexão de voz, a mí- mica é o silogismo, raciocínio baseado nas regras cartesianas, que
mica e até o choro. contém três proposições: duas premissas, maior e menor, e a con-
Alguns autores classificam a dissertação em duas modalidades, clusão. As três proposições são encadeadas de tal forma, que a con-
expositiva e argumentativa. Esta, exige argumentação, razões a fa- clusão é deduzida da maior por intermédio da menor. A premissa
vor e contra uma ideia, ao passo que a outra é informativa, apresen- maior deve ser universal, emprega todo, nenhum, pois alguns não
ta dados sem a intenção de convencer. Na verdade, a escolha dos caracteriza a universalidade.
dados levantados, a maneira de expô-los no texto já revelam uma Há dois métodos fundamentais de raciocínio: a dedução (silo-
“tomada de posição”, a adoção de um ponto de vista na disserta- gística), que parte do geral para o particular, e a indução, que vai do
ção, ainda que sem a apresentação explícita de argumentos. Desse particular para o geral. A expressão formal do método dedutivo é o
ponto de vista, a dissertação pode ser definida como discussão, de- silogismo. A dedução é o caminho das consequências, baseia-se em
bate, questionamento, o que implica a liberdade de pensamento, a uma conexão descendente (do geral para o particular) que leva à
possibilidade de discordar ou concordar parcialmente. A liberdade conclusão. Segundo esse método, partindo-se de teorias gerais, de
de questionar é fundamental, mas não é suficiente para organizar verdades universais, pode-se chegar à previsão ou determinação de
um texto dissertativo. É necessária também a exposição dos fun- fenômenos particulares. O percurso do raciocínio vai da causa para
damentos, os motivos, os porquês da defesa de um ponto de vista. o efeito. Exemplo:
Pode-se dizer que o homem vive em permanente atitude argu-
mentativa. A argumentação está presente em qualquer tipo de dis- Todo homem é mortal (premissa maior = geral, universal)
curso, porém, é no texto dissertativo que ela melhor se evidencia. Fulano é homem (premissa menor = particular)
Para discutir um tema, para confrontar argumentos e posições, Logo, Fulano é mortal (conclusão)
é necessária a capacidade de conhecer outros pontos de vista e
seus respectivos argumentos. Uma discussão impõe, muitas ve- A indução percorre o caminho inverso ao da dedução, baseia-
zes, a análise de argumentos opostos, antagônicos. Como sempre, se em uma conexão ascendente, do particular para o geral. Nesse
essa capacidade aprende-se com a prática. Um bom exercício para caso, as constatações particulares levam às leis gerais, ou seja, par-
aprender a argumentar e contra-argumentar consiste em desenvol- te de fatos particulares conhecidos para os fatos gerais, desconheci-
ver as seguintes habilidades: dos. O percurso do raciocínio se faz do efeito para a causa. Exemplo:
- argumentação: anotar todos os argumentos a favor de uma O calor dilata o ferro (particular)
ideia ou fato; imaginar um interlocutor que adote a posição total- O calor dilata o bronze (particular)
mente contrária; O calor dilata o cobre (particular)
- contra-argumentação: imaginar um diálogo-debate e quais os O ferro, o bronze, o cobre são metais
argumentos que essa pessoa imaginária possivelmente apresenta- Logo, o calor dilata metais (geral, universal)
ria contra a argumentação proposta;
- refutação: argumentos e razões contra a argumentação opos-
Quanto a seus aspectos formais, o silogismo pode ser válido
ta.
e verdadeiro; a conclusão será verdadeira se as duas premissas
também o forem. Se há erro ou equívoco na apreciação dos fatos,
A argumentação tem a finalidade de persuadir, portanto, ar-
pode-se partir de premissas verdadeiras para chegar a uma conclu-
gumentar consiste em estabelecer relações para tirar conclusões
são falsa. Tem-se, desse modo, o sofisma. Uma definição inexata,
válidas, como se procede no método dialético. O método dialético
uma divisão incompleta, a ignorância da causa, a falsa analogia são
não envolve apenas questões ideológicas, geradoras de polêmicas.
algumas causas do sofisma. O sofisma pressupõe má fé, intenção
Trata-se de um método de investigação da realidade pelo estudo de
sua ação recíproca, da contradição inerente ao fenômeno em ques- deliberada de enganar ou levar ao erro; quando o sofisma não tem
tão e da mudança dialética que ocorre na natureza e na sociedade. essas intenções propositais, costuma-se chamar esse processo de
Descartes (1596-1650), filósofo e pensador francês, criou o mé- argumentação de paralogismo. Encontra-se um exemplo simples de
todo de raciocínio silogístico, baseado na dedução, que parte do sofisma no seguinte diálogo:
simples para o complexo. Para ele, verdade e evidência são a mes- - Você concorda que possui uma coisa que não perdeu?
ma coisa, e pelo raciocínio torna-se possível chegar a conclusões - Lógico, concordo.
verdadeiras, desde que o assunto seja pesquisado em partes, co- - Você perdeu um brilhante de 40 quilates?
meçando-se pelas proposições mais simples até alcançar, por meio - Claro que não!
de deduções, a conclusão final. Para a linha de raciocínio cartesiana, - Então você possui um brilhante de 40 quilates...
é fundamental determinar o problema, dividi-lo em partes, ordenar
os conceitos, simplificando-os, enumerar todos os seus elementos Exemplos de sofismas:
e determinar o lugar de cada um no conjunto da dedução.
A lógica cartesiana, até os nossos dias, é fundamental para a Dedução
argumentação dos trabalhos acadêmicos. Descartes propôs quatro Todo professor tem um diploma (geral, universal)
regras básicas que constituem um conjunto de reflexos vitais, uma Fulano tem um diploma (particular)
série de movimentos sucessivos e contínuos do espírito em busca Logo, fulano é professor (geral – conclusão falsa)
da verdade:

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LÍNGUA PORTUGUESA
Indução nos arbitrário, em que os caracteres comuns e diferenciadores são
O Rio de Janeiro tem uma estátua do Cristo Redentor. (parti- empregados de modo mais ou menos convencional. A classificação,
cular) no reino animal, em ramos, classes, ordens, subordens, gêneros e
Taubaté (SP) tem uma estátua do Cristo Redentor. (particular) espécies, é um exemplo de classificação natural, pelas caracterís-
Rio de Janeiro e Taubaté são cidades. ticas comuns e diferenciadoras. A classificação dos variados itens
Logo, toda cidade tem uma estátua do Cristo Redentor. (geral integrantes de uma lista mais ou menos caótica é artificial.
– conclusão falsa)
Exemplo: aquecedor, automóvel, barbeador, batata, caminhão,
Nota-se que as premissas são verdadeiras, mas a conclusão canário, jipe, leite, ônibus, pão, pardal, pintassilgo, queijo, relógio,
pode ser falsa. Nem todas as pessoas que têm diploma são profes- sabiá, torradeira.
sores; nem todas as cidades têm uma estátua do Cristo Redentor. Aves: Canário, Pardal, Pintassilgo, Sabiá.
Comete-se erro quando se faz generalizações apressadas ou infun- Alimentos: Batata, Leite, Pão, Queijo.
dadas. A “simples inspeção” é a ausência de análise ou análise su- Mecanismos: Aquecedor, Barbeador, Relógio, Torradeira.
perficial dos fatos, que leva a pronunciamentos subjetivos, basea- Veículos: Automóvel, Caminhão, Jipe, Ônibus.
dos nos sentimentos não ditados pela razão.
Tem-se, ainda, outros métodos, subsidiários ou não fundamen- Os elementos desta lista foram classificados por ordem alfabé-
tais, que contribuem para a descoberta ou comprovação da verda- tica e pelas afinidades comuns entre eles. Estabelecer critérios de
de: análise, síntese, classificação e definição. Além desses, existem classificação das ideias e argumentos, pela ordem de importância, é
outros métodos particulares de algumas ciências, que adaptam os uma habilidade indispensável para elaborar o desenvolvimento de
processos de dedução e indução à natureza de uma realidade par- uma redação. Tanto faz que a ordem seja crescente, do fato mais
ticular. Pode-se afirmar que cada ciência tem seu método próprio importante para o menos importante, ou decrescente, primeiro
demonstrativo, comparativo, histórico etc. A análise, a síntese, a o menos importante e, no final, o impacto do mais importante; é
classificação a definição são chamadas métodos sistemáticos, por- indispensável que haja uma lógica na classificação. A elaboração
que pela organização e ordenação das ideias visam sistematizar a do plano compreende a classificação das partes e subdivisões, ou
pesquisa.
seja, os elementos do plano devem obedecer a uma hierarquização.
Análise e síntese são dois processos opostos, mas interligados;
(Garcia, 1973, p. 302304.)
a análise parte do todo para as partes, a síntese, das partes para o
Para a clareza da dissertação, é indispensável que, logo na in-
todo. A análise precede a síntese, porém, de certo modo, uma de-
trodução, os termos e conceitos sejam definidos, pois, para expres-
pende da outra. A análise decompõe o todo em partes, enquanto a
sar um questionamento, deve-se, de antemão, expor clara e racio-
síntese recompõe o todo pela reunião das partes. Sabe-se, porém,
nalmente as posições assumidas e os argumentos que as justificam.
que o todo não é uma simples justaposição das partes. Se alguém
É muito importante deixar claro o campo da discussão e a posição
reunisse todas as peças de um relógio, não significa que reconstruiu
adotada, isto é, esclarecer não só o assunto, mas também os pontos
o relógio, pois fez apenas um amontoado de partes. Só reconstruiria
todo se as partes estivessem organizadas, devidamente combina- de vista sobre ele.
das, seguida uma ordem de relações necessárias, funcionais, então, A definição tem por objetivo a exatidão no emprego da lingua-
o relógio estaria reconstruído. gem e consiste na enumeração das qualidades próprias de uma
Síntese, portanto, é o processo de reconstrução do todo por ideia, palavra ou objeto. Definir é classificar o elemento conforme a
meio da integração das partes, reunidas e relacionadas num con- espécie a que pertence, demonstra: a característica que o diferen-
junto. Toda síntese, por ser uma reconstrução, pressupõe a análise, cia dos outros elementos dessa mesma espécie.
que é a decomposição. A análise, no entanto, exige uma decompo- Entre os vários processos de exposição de ideias, a definição
sição organizada, é preciso saber como dividir o todo em partes. As é um dos mais importantes, sobretudo no âmbito das ciências. A
operações que se realizam na análise e na síntese podem ser assim definição científica ou didática é denotativa, ou seja, atribui às pa-
relacionadas: lavras seu sentido usual ou consensual, enquanto a conotativa ou
Análise: penetrar, decompor, separar, dividir. metafórica emprega palavras de sentido figurado. Segundo a lógica
Síntese: integrar, recompor, juntar, reunir. tradicional aristotélica, a definição consta de três elementos:
- o termo a ser definido;
A análise tem importância vital no processo de coleta de ideias - o gênero ou espécie;
a respeito do tema proposto, de seu desdobramento e da criação - a diferença específica.
de abordagens possíveis. A síntese também é importante na esco-
lha dos elementos que farão parte do texto. O que distingue o termo definido de outros elementos da mes-
Segundo Garcia (1973, p.300), a análise pode ser formal ou in- ma espécie. Exemplo:
formal. A análise formal pode ser científica ou experimental; é ca-
racterística das ciências matemáticas, físico-naturais e experimen- Na frase: O homem é um animal racional classifica-se:
tais. A análise informal é racional ou total, consiste em “discernir”
por vários atos distintos da atenção os elementos constitutivos de
um todo, os diferentes caracteres de um objeto ou fenômeno.
A análise decompõe o todo em partes, a classificação estabe- Elemento especie diferença
lece as necessárias relações de dependência e hierarquia entre as a ser definido específica
partes. Análise e classificação ligam-se intimamente, a ponto de se
confundir uma com a outra, contudo são procedimentos diversos: É muito comum formular definições de maneira defeituosa,
análise é decomposição e classificação é hierarquisação. por exemplo: Análise é quando a gente decompõe o todo em par-
Nas ciências naturais, classificam-se os seres, fatos e fenôme- tes. Esse tipo de definição é gramaticalmente incorreto; quando é
nos por suas diferenças e semelhanças; fora das ciências naturais, a advérbio de tempo, não representa o gênero, a espécie, a gente é
classificação pode-se efetuar por meio de um processo mais ou me- forma coloquial não adequada à redação acadêmica. Tão importan-

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LÍNGUA PORTUGUESA
te é saber formular uma definição, que se recorre a Garcia (1973, ou melhor; nos testemunhos são comuns as expressões: conforme,
p.306), para determinar os “requisitos da definição denotativa”. segundo, na opinião de, no parecer de, consoante as ideias de, no
Para ser exata, a definição deve apresentar os seguintes requisitos: entender de, no pensamento de. A explicitação se faz também pela
- o termo deve realmente pertencer ao gênero ou classe em interpretação, em que são comuns as seguintes expressões: parece,
que está incluído: “mesa é um móvel” (classe em que ‘mesa’ está assim, desse ponto de vista.
realmente incluída) e não “mesa é um instrumento ou ferramenta Enumeração: Faz-se pela apresentação de uma sequência de
ou instalação”; elementos que comprovam uma opinião, tais como a enumeração
- o gênero deve ser suficientemente amplo para incluir todos os de pormenores, de fatos, em uma sequência de tempo, em que são
exemplos específicos da coisa definida, e suficientemente restrito frequentes as expressões: primeiro, segundo, por último, antes, de-
para que a diferença possa ser percebida sem dificuldade; pois, ainda, em seguida, então, presentemente, antigamente, de-
- deve ser obrigatoriamente afirmativa: não há, em verdade, pois de, antes de, atualmente, hoje, no passado, sucessivamente,
definição, quando se diz que o “triângulo não é um prisma”; respectivamente. Na enumeração de fatos em uma sequência de
- deve ser recíproca: “O homem é um ser vivo” não constitui espaço, empregam-se as seguintes expressões: cá, lá, acolá, ali, aí,
definição exata, porque a recíproca, “Todo ser vivo é um homem” além, adiante, perto de, ao redor de, no Estado tal, na capital, no
não é verdadeira (o gato é ser vivo e não é homem); interior, nas grandes cidades, no sul, no leste...
- deve ser breve (contida num só período). Quando a definição, Comparação: Analogia e contraste são as duas maneiras de
ou o que se pretenda como tal, é muito longa (séries de períodos se estabelecer a comparação, com a finalidade de comprovar uma
ou de parágrafos), chama-se explicação, e também definição expan- ideia ou opinião. Na analogia, são comuns as expressões: da mesma
dida;d forma, tal como, tanto quanto, assim como, igualmente. Para esta-
- deve ter uma estrutura gramatical rígida: sujeito (o termo) + belecer contraste, empregam-se as expressões: mais que, menos
cópula (verbo de ligação ser) + predicativo (o gênero) + adjuntos (as que, melhor que, pior que.
diferenças). Entre outros tipos de argumentos empregados para aumentar
o poder de persuasão de um texto dissertativo encontram-se:
As definições dos dicionários de língua são feitas por meio de Argumento de autoridade: O saber notório de uma autoridade
paráfrases definitórias, ou seja, uma operação metalinguística que reconhecida em certa área do conhecimento dá apoio a uma afir-
consiste em estabelecer uma relação de equivalência entre a pala- mação. Dessa maneira, procura-se trazer para o enunciado a credi-
vra e seus significados. bilidade da autoridade citada. Lembre-se que as citações literais no
A força do texto dissertativo está em sua fundamentação. Sem- corpo de um texto constituem argumentos de autoridade. Ao fazer
pre é fundamental procurar um porquê, uma razão verdadeira e uma citação, o enunciador situa os enunciados nela contidos na li-
necessária. A verdade de um ponto de vista deve ser demonstrada nha de raciocínio que ele considera mais adequada para explicar ou
com argumentos válidos. O ponto de vista mais lógico e racional do justificar um fato ou fenômeno. Esse tipo de argumento tem mais
mundo não tem valor, se não estiver acompanhado de uma funda- caráter confirmatório que comprobatório.
mentação coerente e adequada. Apoio na consensualidade: Certas afirmações dispensam expli-
Os métodos fundamentais de raciocínio segundo a lógica clás- cação ou comprovação, pois seu conteúdo é aceito como válido por
sica, que foram abordados anteriormente, auxiliam o julgamento consenso, pelo menos em determinado espaço sociocultural. Nesse
da validade dos fatos. Às vezes, a argumentação é clara e pode reco- caso, incluem-se
nhecer-se facilmente seus elementos e suas relações; outras vezes, - A declaração que expressa uma verdade universal (o homem,
as premissas e as conclusões organizam-se de modo livre, mistu- mortal, aspira à imortalidade);
rando-se na estrutura do argumento. Por isso, é preciso aprender a - A declaração que é evidente por si mesma (caso dos postula-
reconhecer os elementos que constituem um argumento: premis- dos e axiomas);
sas/conclusões. Depois de reconhecer, verificar se tais elementos - Quando escapam ao domínio intelectual, ou seja, é de nature-
são verdadeiros ou falsos; em seguida, avaliar se o argumento está za subjetiva ou sentimental (o amor tem razões que a própria razão
expresso corretamente; se há coerência e adequação entre seus desconhece); implica apreciação de ordem estética (gosto não se
elementos, ou se há contradição. Para isso é que se aprende os pro- discute); diz respeito a fé religiosa, aos dogmas (creio, ainda que
cessos de raciocínio por dedução e por indução. Admitindo-se que parece absurdo).
raciocinar é relacionar, conclui-se que o argumento é um tipo espe-
cífico de relação entre as premissas e a conclusão. Comprovação pela experiência ou observação: A verdade de
Procedimentos Argumentativos: Constituem os procedimentos um fato ou afirmação pode ser comprovada por meio de dados con-
argumentativos mais empregados para comprovar uma afirmação: cretos, estatísticos ou documentais.
exemplificação, explicitação, enumeração, comparação. Comprovação pela fundamentação lógica: A comprovação se
Exemplificação: Procura justificar os pontos de vista por meio realiza por meio de argumentos racionais, baseados na lógica: cau-
de exemplos, hierarquizar afirmações. São expressões comuns nes- sa/efeito; consequência/causa; condição/ocorrência.
se tipo de procedimento: mais importante que, superior a, de maior Fatos não se discutem; discutem-se opiniões. As declarações,
relevância que. Empregam-se também dados estatísticos, acompa- julgamento, pronunciamentos, apreciações que expressam opi-
nhados de expressões: considerando os dados; conforme os dados niões pessoais (não subjetivas) devem ter sua validade comprova-
apresentados. Faz-se a exemplificação, ainda, pela apresentação de da, e só os fatos provam. Em resumo toda afirmação ou juízo que
causas e consequências, usando-se comumente as expressões: por- expresse uma opinião pessoal só terá validade se fundamentada na
que, porquanto, pois que, uma vez que, visto que, por causa de, em evidência dos fatos, ou seja, se acompanhada de provas, validade
virtude de, em vista de, por motivo de. dos argumentos, porém, pode ser contestada por meio da contra-
Explicitação: O objetivo desse recurso argumentativo é expli- -argumentação ou refutação. São vários os processos de contra-ar-
car ou esclarecer os pontos de vista apresentados. Pode-se alcançar gumentação:
esse objetivo pela definição, pelo testemunho e pela interpreta- Refutação pelo absurdo: refuta-se uma afirmação demonstran-
ção. Na explicitação por definição, empregamse expressões como: do o absurdo da consequência. Exemplo clássico é a contraargu-
quer dizer, denomina-se, chama-se, na verdade, isto é, haja vista, mentação do cordeiro, na conhecida fábula “O lobo e o cordeiro”;

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LÍNGUA PORTUGUESA
Refutação por exclusão: consiste em propor várias hipóteses - analisar as condições atuais de vida nos grandes centros ur-
para eliminá-las, apresentando-se, então, aquela que se julga ver- banos;
dadeira; - como se poderia usar a ciência e a tecnologia para humanizar
Desqualificação do argumento: atribui-se o argumento à opi- mais a sociedade.
nião pessoal subjetiva do enunciador, restringindo-se a universali-
dade da afirmação; Conclusão
Ataque ao argumento pelo testemunho de autoridade: consis- - a tecnologia pode libertar ou escravizar: benefícios/conse-
te em refutar um argumento empregando os testemunhos de auto- quências maléficas;
ridade que contrariam a afirmação apresentada; - síntese interpretativa dos argumentos e contra-argumentos
Desqualificar dados concretos apresentados: consiste em de- apresentados.
sautorizar dados reais, demonstrando que o enunciador baseou-se
em dados corretos, mas tirou conclusões falsas ou inconsequentes. Naturalmente esse não é o único, nem o melhor plano de reda-
Por exemplo, se na argumentação afirmou-se, por meio de dados ção: é um dos possíveis.
estatísticos, que “o controle demográfico produz o desenvolvimen-
to”, afirma-se que a conclusão é inconsequente, pois baseia-se em
uma relação de causa-feito difícil de ser comprovada. Para con- SEMÂNTICA: SENTIDO E EMPREGO DOS VOCÁBULOS;
traargumentar, propõese uma relação inversa: “o desenvolvimento CAMPOS SEMÂNTICOS
é que gera o controle demográfico”.
Apresentam-se aqui sugestões, um dos roteiros possíveis para
desenvolver um tema, que podem ser analisadas e adaptadas ao Significação de palavras
desenvolvimento de outros temas. Elege-se um tema, e, em segui- As palavras podem ter diversos sentidos em uma comunicação.
da, sugerem-se os procedimentos que devem ser adotados para a E isso também é estudado pela Gramática Normativa: quem cuida
elaboração de um Plano de Redação. dessa parte é a Semântica, que se preocupa, justamente, com os
significados das palavras. Veremos, então, cada um dos conteúdos
que compõem este estudo.
Tema: O homem e a máquina: necessidade e riscos da evolução
tecnológica
Antônimo e Sinônimo
- Questionar o tema, transformá-lo em interrogação, responder
Começaremos por esses dois, que já são famosos.
a interrogação (assumir um ponto de vista); dar o porquê da respos-
ta, justificar, criando um argumento básico;
O Antônimo são palavras que têm sentidos opostos a outras.
- Imaginar um ponto de vista oposto ao argumento básico e
Por exemplo, felicidade é o antônimo de tristeza, porque o signi-
construir uma contra-argumentação; pensar a forma de refutação
ficado de uma é o oposto da outra. Da mesma forma ocorre com
que poderia ser feita ao argumento básico e tentar desqualificá-la homem que é antônimo de mulher.
(rever tipos de argumentação);
- Refletir sobre o contexto, ou seja, fazer uma coleta de ideias Já o sinônimo são palavras que têm sentidos aproximados e
que estejam direta ou indiretamente ligadas ao tema (as ideias po- que podem, inclusive, substituir a outra. O uso de sinônimos é mui-
dem ser listadas livremente ou organizadas como causa e conse- to importante para produções textuais, porque evita que você fi-
quência); que repetindo a mesma palavra várias vezes. Utilizando os mesmos
- Analisar as ideias anotadas, sua relação com o tema e com o exemplos, para ficar claro: felicidade é sinônimo de alegria/conten-
argumento básico; tamento e homem é sinônimo de macho/varão.
- Fazer uma seleção das ideias pertinentes, escolhendo as que
poderão ser aproveitadas no texto; essas ideias transformam-se em Hipônimos e Hiperônimos
argumentos auxiliares, que explicam e corroboram a ideia do argu- Estes conceitos são simples de entender: o hipônimo designa
mento básico; uma palavra de sentido mais específico, enquanto que o hiperôni-
- Fazer um esboço do Plano de Redação, organizando uma se- mo designa uma palavra de sentido mais genérico. Por exemplo, ca-
quência na apresentação das ideias selecionadas, obedecendo às chorro e gato são hipônimos, pois têm sentido específico. E animais
partes principais da estrutura do texto, que poderia ser mais ou domésticos é uma expressão hiperônima, pois indica um sentido
menos a seguinte: mais genérico de animais. Atenção: não confunda hiperônimo com
substantivo coletivo. Hiperônimos estão no ramo dos sentidos das
Introdução palavras, beleza?!?!
- função social da ciência e da tecnologia;
- definições de ciência e tecnologia; Outros conceitos que agem diretamente no sentido das pala-
- indivíduo e sociedade perante o avanço tecnológico. vras são os seguintes:

Desenvolvimento Conotação e Denotação


- apresentação de aspectos positivos e negativos do desenvol- Observe as frases:
vimento tecnológico; Amo pepino na salada.
- como o desenvolvimento científico-tecnológico modificou as Tenho um pepino para resolver.
condições de vida no mundo atual;
- a tecnocracia: oposição entre uma sociedade tecnologica- As duas frases têm uma palavra em comum: pepino. Mas essa
mente desenvolvida e a dependência tecnológica dos países sub- palavra tem o mesmo sentido nos dois enunciados? Isso mesmo,
desenvolvidos; não!
- enumerar e discutir os fatores de desenvolvimento social; Na primeira frase, pepino está no sentido denotativo, ou seja,
- comparar a vida de hoje com os diversos tipos de vida do pas- a palavra está sendo usada no sentido próprio, comum, dicionari-
sado; apontar semelhanças e diferenças; zado.

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LÍNGUA PORTUGUESA
Já na segunda frase, a mesma palavra está no sentindo conotativo, pois ela está sendo usada no sentido figurado e depende do con-
texto para ser entendida.
Para facilitar: denotativo começa com D de dicionário e conotativo começa com C de contexto.

Por fim, vamos tratar de um recurso muito usado em propagandas:

Ambiguidade
Observe a propaganda abaixo:

https://redacaonocafe.wordpress.com/2012/05/22/ambiguidade-na-propaganda/

Perceba que há uma duplicidade de sentido nesta construção. Podemos interpretar que os móveis não durarão no estoque da loja, por
estarem com preço baixo; ou que por estarem muito barato, não têm qualidade e, por isso, terão vida útil curta.
Essa duplicidade acontece por causa da ambiguidade, que é justamente a duplicidade de sentidos que podem haver em uma palavra,
frase ou textos inteiros.

EMPREGO DE TEMPOS E MODOS DOS VERBOS NA LÍNGUA PORTUGUESA. MORFOLOGIA: RECONHECIMENTO, EM-
PREGO E SENTIDO DAS CLASSES GRAMATICAIS; PROCESSOS DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS; MECANISMOS DE FLE-
XÃO DOS NOMES E VERBOS

ESTRUTURA E FORMAÇÃO DAS PALAVRAS


As palavras são formadas por estruturas menores, com significados próprios. Para isso, há vários processos que contribuem para a
formação das palavras.

Estrutura das palavras


As palavras podem ser subdivididas em estruturas significativas menores - os morfemas, também chamados de elementos mórficos: 
– radical e raiz;
– vogal temática;
– tema;
– desinências;
– afixos;
– vogais e consoantes de ligação.

Radical: Elemento que contém a base de significação do vocábulo.


Exemplos
VENDer, PARTir, ALUNo, MAR.

Desinências: Elementos que indicam as flexões dos vocábulos.

Dividem-se em:

Nominais
Indicam flexões de gênero e número nos substantivos.
Exemplos

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LÍNGUA PORTUGUESA
pequenO, pequenA, alunO, aluna. Prefixação: Formação de palavra derivada com acréscimo de
pequenoS, pequenaS, alunoS, alunas. um prefixo ao radical da primitiva.
Exemplos
Verbais CONter, INapto, DESleal.
Indicam flexões de modo, tempo, pessoa e número nos verbos
Exemplos Sufixação: Formação de palavra nova com acréscimo de um
vendêSSEmos, entregáRAmos. (modo e tempo) sufixo ao radical da primitiva.
vendesteS, entregásseIS. (pessoa e número) Exemplos
cafezAL, meninINHa, loucaMENTE.
Indica, nos verbos, a conjugação a que pertencem.
Exemplos Parassíntese: Formação de palavra derivada com acréscimo de
1ª conjugação: – A – cantAr um prefixo e um sufixo ao radical da primitiva ao mesmo tempo.
2ª conjugação: – E – fazEr Exemplos
3ª conjugação: – I – sumIr EMtardECER, DESanimADO, ENgravidAR.

Observação Derivação imprópria: Alteração da função de uma palavra


Nos substantivos ocorre vogal temática quando ela não indica primitiva.
oposição masculino/feminino. Exemplo
Exemplos Todos ficaram encantados com seu  andar: verbo usado com
livrO, dentE, paletó. valor de substantivo.

Tema: União do radical e a vogal temática. Derivação regressiva: Ocorre a alteração da estrutura fonética
Exemplos de uma palavra primitiva para a formação de uma derivada. Em
CANTAr, CORREr, CONSUMIr. geral de um verbo para substantivo ou vice-versa.
Exemplos
Vogal e consoante de ligação: São os elementos que se combater – o combate
interpõem aos vocábulos por necessidade de eufonia. chorar – o choro
Exemplos
Prefixos
chaLeira, cafeZal.
Os prefixos existentes em Língua Portuguesa são divididos em:
vernáculos, latinos e gregos.
Afixos
Os afixos são elementos que se acrescentam antes ou depois do
Vernáculos: Prefixos latinos que sofreram modificações ou
radical de uma palavra para a formação de outra palavra. Dividem-
foram aportuguesados: a, além, ante, aquém, bem, des, em, entre,
se em:
mal, menos, sem, sob, sobre, soto.
Prefixo: Partícula que se coloca antes do radical.
Nota-se o emprego desses prefixos em palavras como: 
Exemplos abordar, além-mar, bem-aventurado, desleal, engarrafar, maldição,
DISpor, EMpobrecer, DESorganizar. menosprezar, sem-cerimônia, sopé, sobpor, sobre-humano, etc.
Sufixo Latinos: Prefixos que conservam até hoje a sua forma latina
Afixo que se coloca depois do radical. original:
Exemplos a, ab, abs – afastamento: aversão, abjurar.
contentaMENTO, reallDADE, enaltECER. a, ad – aproximação, direção: amontoar.
ambi – dualidade: ambidestro.
Processos de formação das palavras bis, bin, bi – repetição, dualidade: bisneto, binário.
Composição: Formação de uma palavra nova por meio da centum – cem: centúnviro, centuplicar, centígrado.
junção de dois ou mais vocábulos primitivos. Temos: circum, circun, circu – em volta de: circumpolar, circunstante.
cis – aquem de: cisalpino, cisgangético.
Justaposição: Formação de palavra composta sem alteração na com, con, co – companhia, concomitância: combater,
estrutura fonética das primitivas. contemporâneo.
Exemplos contra – oposição, posição inferior: contradizer.
passa + tempo = passatempo de – movimento de cima para baixo, origem, afastamento:
gira + sol = girassol decrescer, deportar.
des – negação, separação, ação contrária: desleal, desviar.
Aglutinação: Formação de palavra composta com alteração da dis, di – movimento para diversas partes, ideia contrária:
estrutura fonética das primitivas. distrair, dimanar.
Exemplos entre – situação intermediaria, reciprocidade: entrelinha,
em + boa + hora = embora entrevista.
vossa + merce = você ex, es, e – movimento de dentro para fora, intensidade,
privação, situação cessante: exportar, espalmar, ex-professor.
Derivação: extra – fora de, além de, intensidade: extravasar, extraordinário.
Formação de uma nova palavra a partir de uma primitiva. im, in, i – movimento para dentro; ideia contraria: importar,
Temos: ingrato.
inter – no meio de: intervocálico, intercalado.
intra – movimento para dentro: intravenoso, intrometer.

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LÍNGUA PORTUGUESA
justa – perto de: justapor. Origem, procedência: -estre, -este, -esco.
multi – pluralidade: multiforme.
ob, o – oposição: obstar, opor, obstáculo. Verbais
pene – quase: penúltimo, península. Comuns: -ar, -er, -ir.
per – movimento através de, acabamento de ação; ideia Frequentativos: -açar, -ejar, -escer, -tear, -itar.
pejorativa: percorrer. Incoativos: -escer, -ejar, -itar.
post, pos – posteridade: postergar, pospor. Diminutivos: -inhar, -itar, -icar, -iscar.
pre – anterioridade: predizer, preclaro.
preter – anterioridade, para além: preterir, preternatural. Adverbial = há apenas um
pro – movimento para diante, a favor de, em vez de: prosseguir, MENTE: mecanicamente, felizmente etc.
procurador, pronome.
re – movimento para trás, ação reflexiva, intensidade, repetição: CLASSES DE PALAVRAS
regressar, revirar.
retro – movimento para trás: retroceder. Substantivo
satis – bastante: satisdar. São as palavras que atribuem nomes aos seres reais ou imagi-
sub, sob, so, sus – inferioridade: subdelegado, sobraçar, sopé. nários (pessoas, animais, objetos), lugares, qualidades, ações e sen-
subter – por baixo: subterfúgio. timentos, ou seja, que tem existência concreta ou abstrata. 
super, supra – posição superior, excesso: super-homem,
superpovoado. Classificação dos substantivos
trans, tras, tra, tres – para além de, excesso: transpor.
tris, três, tri – três vezes: trisavô, tresdobro.
ultra – para além de, intensidade: ultrapassar, ultrabelo. SUBSTANTIVO SIMPLES: Olhos/água/
uni – um: unânime, unicelular. apresentam um só radical em muro/quintal/caderno/
sua estrutura. macaco/João/sabão
Grego: Os principais prefixos de origem grega são: SUBSTANTIVOS COMPOSTOS: Macacos-prego/
a, an – privação, negação: ápode, anarquia. são formados por mais de um porta-voz/
ana – inversão, parecença: anagrama, analogia. radical em sua estrutura. pé-de-moleque
anfi – duplicidade, de um e de outro lado: anfíbio, anfiteatro.
anti – oposição: antipatia, antagonista. SUBSTANTIVOS PRIMITIVOS: Casa/
apo – afastamento: apólogo, apogeu. são os que dão origem a mundo/
arqui, arque, arce, arc – superioridade: arcebispo, arcanjo. outras palavras, ou seja, ela é população
caco – mau: cacofonia. a primeira. /formiga
cata – de cima para baixo: cataclismo, catalepsia. SUBSTANTIVOS DERIVADOS: Caseiro/mundano/
deca – dez: decâmetro. são formados por outros populacional/formigueiro
dia – através de, divisão: diáfano, diálogo. radicais da língua.
dis – dualidade, mau: dissílabo, dispepsia.
en – sobre, dentro: encéfalo, energia. SUBSTANTIVOS PRÓPRIOS: Rodrigo
endo – para dentro: endocarpo. designa determinado ser /Brasil
epi – por cima: epiderme, epígrafe. entre outros da mesma /Belo Horizonte/Estátua da
eu – bom: eufonia, eugênia, eupepsia. espécie. São sempre iniciados Liberdade
hecto – cem: hectômetro. por letra maiúscula.
hemi – metade: hemistíquio, hemisfério. SUBSTANTIVOS COMUNS: biscoitos/ruídos/estrelas/
hiper – superioridade: hipertensão, hipérbole. referem-se qualquer ser de cachorro/prima
hipo – inferioridade: hipoglosso, hipótese, hipotermia. uma mesma espécie.
homo – semelhança, identidade: homônimo.
meta – união, mudança, além de: metacarpo, metáfase. SUBSTANTIVOS CONCRETOS: Leão/corrente
míria – dez mil: miriâmetro. nomeiam seres com existência /estrelas/fadas
mono – um: monóculo, monoculista. própria. Esses seres podem /lobisomem
neo – novo, moderno: neologismo, neolatino. ser animadoso ou inanimados, /saci-pererê
para – aproximação, oposição: paráfrase, paradoxo. reais ou imaginários.
penta – cinco: pentágono. SUBSTANTIVOS ABSTRATOS: Mistério/
peri – em volta de: perímetro. nomeiam ações, estados, bondade/
poli – muitos: polígono, polimorfo. qualidades e sentimentos que confiança/
pro – antes de: prótese, prólogo, profeta. não tem existência própria, ou lembrança/
seja, só existem em função de amor/
Sufixos um ser. alegria
Os sufixos podem ser: nominais, verbais e adverbial.
SUBSTANTIVOS COLETIVOS: Elenco (de atores)/
Nominais referem-se a um conjunto acervo (de obras artísticas)/
Coletivos: -aria, -ada, -edo, -al, -agem, -atro, -alha, -ama. de seres da mesma espécie, buquê (de flores)
Aumentativos e diminutivos: -ão, -rão, -zão, -arrão, -aço, -astro, -az. mesmo quando empregado
Agentes: -dor, -nte, -ário, -eiro, -ista. no singular e constituem um
Lugar: -ário, -douro, -eiro, -ório. substantivo comum.
Estado: -eza, -idade, -ice, -ência, -ura, -ado, -ato. NÃO DEIXE DE PESQUISAR A REGÊNCIA DE OUTRAS PALAVRAS
Pátrios: -ense, -ista, -ano, -eiro, -ino, -io, -eno, -enho, -aico. QUE NÃO ESTÃO AQUI!

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LÍNGUA PORTUGUESA
Flexão dos Substantivos
• Gênero: Os gêneros em português podem ser dois: masculino e feminino. E no caso dos substantivos podem ser biformes ou uni-
formes
– Biformes: as palavras tem duas formas, ou seja, apresenta uma forma para o masculino e uma para o feminino: tigre/tigresa, o pre-
sidente/a presidenta, o maestro/a maestrina
– Uniformes: as palavras tem uma só forma, ou seja, uma única forma para o masculino e o feminino. Os uniformes dividem-se em
epicenos, sobrecomuns e comuns de dois gêneros.
a) Epicenos: designam alguns animais e plantas e são invariáveis: onça macho/onça fêmea, pulga macho/pulga fêmea, palmeira ma-
cho/palmeira fêmea.
b) Sobrecomuns: referem-se a seres humanos; é pelo contexto que aparecem que se determina o gênero: a criança (o criança), a tes-
temunha (o testemunha), o individuo (a individua).
c) Comuns de dois gêneros: a palavra tem a mesma forma tanto para o masculino quanto para o feminino: o/a turista, o/a agente, o/a
estudante, o/a colega.
• Número: Podem flexionar em singular (1) e plural (mais de 1).
– Singular: anzol, tórax, próton, casa.
– Plural: anzóis, os tórax, prótons, casas.

• Grau: Podem apresentar-se no grau aumentativo e no grau diminutivo.


– Grau aumentativo sintético: casarão, bocarra.
– Grau aumentativo analítico: casa grande, boca enorme.
– Grau diminutivo sintético: casinha, boquinha
– Grau diminutivo analítico: casa pequena, boca minúscula. 

Adjetivo
É a palavra invariável que especifica e caracteriza o substantivo: imprensa livre, favela ocupada. Locução adjetiva é expressão compos-
ta por substantivo (ou advérbio) ligado a outro substantivo por preposição com o mesmo valor e a mesma função que um adjetivo: golpe
de mestre (golpe magistral), jornal da tarde (jornal vespertino).

Flexão do Adjetivos
• Gênero:
– Uniformes: apresentam uma só para o masculino e o feminino: homem feliz, mulher feliz.
– Biformes: apresentam uma forma para o masculino e outra para o feminino: juiz sábio/ juíza sábia, bairro japonês/ indústria japo-
nesa, aluno chorão/ aluna chorona. 

• Número:
– Os adjetivos simples seguem as mesmas regras de flexão de número que os substantivos: sábio/ sábios, namorador/ namoradores,
japonês/ japoneses.
– Os adjetivos compostos têm algumas peculiaridades: luvas branco-gelo, garrafas amarelo-claras, cintos da cor de chumbo.

• Grau:
– Grau Comparativo de Superioridade: Meu time é mais vitorioso (do) que o seu.
– Grau Comparativo de Inferioridade: Meu time é menos vitorioso (do) que o seu.
– Grau Comparativo de Igualdade: Meu time é tão vitorioso quanto o seu.
– Grau Superlativo Absoluto Sintético: Meu time é famosíssimo.
– Grau Superlativo Absoluto Analítico: Meu time é muito famoso.
– Grau Superlativo Relativo de Superioridade: Meu time é o mais famoso de todos.
– Grau Superlativo Relativo de Inferioridade; Meu time é menos famoso de todos.

Artigo
É uma palavra variável em gênero e número que antecede o substantivo, determinando de modo particular ou genérico.
• Classificação e Flexão do Artigos
– Artigos Definidos: o, a, os, as.
O menino carregava o brinquedo em suas costas.
As meninas brincavam com as bonecas.
– Artigos Indefinidos: um, uma, uns, umas.
Um menino carregava um brinquedo.
Umas meninas brincavam com umas bonecas.

Numeral
É a palavra que indica uma quantidade definida de pessoas ou coisas, ou o lugar (posição) que elas ocupam numa série.
• Classificação dos Numerais
– Cardinais: indicam número ou quantidade:
Trezentos e vinte moradores.
– Ordinais: indicam ordem ou posição numa sequência:

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LÍNGUA PORTUGUESA
Quinto ano. Primeiro lugar.
– Multiplicativos: indicam o número de vezes pelo qual uma quantidade é multiplicada:
O quíntuplo do preço.
– Fracionários: indicam a parte de um todo:
Dois terços dos alunos foram embora.

Pronome
É a palavra que substitui os substantivos ou os determinam, indicando a pessoa do discurso.
• Pronomes pessoais vão designar diretamente as pessoas em uma conversa. Eles indicam as três pessoas do discurso.

Pronomes Retos Pronomes Oblíquos


Pessoas do Discurso
Função Subjetiva Função Objetiva
1º pessoa do singular Eu Me, mim, comigo
2º pessoa do singular Tu Te, ti, contigo
3º pessoa do singular Ele, ela,  Se, si, consigo, lhe, o, a
1º pessoa do plural Nós Nos, conosco
2º pessoa do plural Vós Vos, convosco
3º pessoa do plural Eles, elas Se, si, consigo, lhes, os, as

• Pronomes de Tratamento são usados no trato com as pessoas, normalmente, em situações formais de comunicação.

Pronomes de Tratamento Emprego


Você Utilizado em situações informais.
Senhor (es) e Senhora (s) Tratamento para pessoas mais velhas.
Vossa Excelência Usados para pessoas com alta autoridade
Vossa Magnificência Usados para os reitores das Universidades.
Vossa Senhoria Empregado nas correspondências e textos escritos.
Vossa Majestade Utilizado para Reis e Rainhas
Vossa Alteza Utilizado para príncipes, princesas, duques.
Vossa Santidade Utilizado para o Papa
Vossa Eminência Usado para Cardeais.
Vossa Reverendíssima Utilizado para sacerdotes e religiosos em geral.

• Pronomes Possessivos referem-se às pessoas do discurso, atribuindo-lhes a posse de alguma coisa.

Pessoa do Discurso Pronome Possessivo


1º pessoa do singular Meu, minha, meus, minhas
2º pessoa do singular teu, tua, teus, tuas
3º pessoa do singular seu, sua, seus, suas
1º pessoa do plural Nosso, nossa, nossos, nossas
2º pessoa do plural Vosso, vossa, vossos, vossas
3º pessoa do plural Seu, sua, seus, suas

• Pronomes Demonstrativos são utilizados para indicar a posição de algum elemento em relação à pessoa seja no discurso, no tempo
ou no espaço.

Pronomes Demonstrativos Singular Plural


Feminino esta, essa, aquela estas, essas, aquelas
Masculino este, esse, aquele estes, esses, aqueles

• Pronomes Indefinidos referem-se à 3º pessoa do discurso, designando-a de modo vago, impreciso, indeterminado. Os pronomes
indefinidos podem ser variáveis (varia em gênero e número) e invariáveis (não variam em gênero e número).

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LÍNGUA PORTUGUESA

Classificação Pronomes Indefinidos – Voz ativa: Segundo a gramática tradicional, ocorre voz ativa
quando o verbo (ou locução verbal) indica uma ação praticada pelo
algum, alguma, alguns, algumas, nenhum, sujeito. Veja:
nenhuma, nenhuns, nenhumas, muito, mui- João pulou da cama atrasado
ta, muitos, muitas, pouco, pouca, poucos, – Voz passiva: O sujeito é paciente e, assim, não pratica, mas
poucas, todo, toda, todos, todas, outro, ou- recebe a ação. A voz passiva pode ser analítica ou sintética. A voz
Variáveis tra, outros, outras, certo, certa, certos, cer- passiva analítica é formada por:
tas, vário, vária, vários, várias, tanto, tanta, Sujeito paciente + verbo auxiliar (ser, estar, ficar, entre outros)
tantos, tantas, quanto, quanta, quantos, +  verbo principal da ação conjugado no particípio  + preposição
quantas, qualquer, quaisquer, qual, quais, por/pelo/de + agente da passiva.
um, uma, uns, umas. A casa foi aspirada pelos rapazes
quem, alguém, ninguém, tudo, nada, ou-
Invariáveis A voz passiva sintética, também chamada de voz passiva prono-
trem, algo, cada.
minal (devido ao uso do pronome se) é formada por:
• Pronomes Interrogativos são palavras variáveis e invariáveis Verbo conjugado na 3.ª pessoa (no singular ou no plu-
utilizadas para formular perguntas diretas e indiretas. ral) + pronome apassivador «se» + sujeito paciente.
Aluga-se apartamento.
Classificação Pronomes Interrogativos Advérbio
qual, quais, quanto, quantos, É a palavra invariável que modifica o verbo, adjetivo, outro ad-
Variáveis vérbio ou a oração inteira, expressando uma determinada circuns-
quanta, quantas.
tância. As circunstâncias dos advérbios podem ser:
Invariáveis quem, que.
– Tempo: ainda, cedo, hoje, agora, antes, depois, logo, já, ama-
nhã, tarde, sempre, nunca, quando, jamais, ontem, anteontem,
• Pronomes Relativos referem-se a um termo já dito anterior- brevemente, atualmente, à noite, no meio da noite, antes do meio-
mente na oração, evitando sua repetição. Eles também podem ser -dia, à tarde, de manhã, às vezes, de repente, hoje em dia, de vez
variáveis e invariáveis. em quando, em nenhum momento, etc.
– Lugar: Aí, aqui, acima, abaixo, ali, cá, lá, acolá, além, aquém,
Classificação Pronomes Relativos perto, longe, dentro, fora, adiante, defronte, detrás, de cima, em
cima, à direita, à esquerda, de fora, de dentro, por fora, etc.
o qual, a qual, os quais, as quais, cujo, cuja,
– Modo: assim, melhor, pior, bem, mal, devagar, depressa, rapi-
Variáveis cujos, cujas, quanto, quanta, quantos, quan-
damente, lentamente, apressadamente, felizmente, às pressas, às
tas.
ocultas, frente a frente, com calma, em silêncio, etc.
Invariáveis quem, que, onde. – Afirmação: sim, deveras, decerto, certamente, seguramente,
efetivamente, realmente, sem dúvida, com certeza, por certo, etc. 
Verbos – Negação: não, absolutamente, tampouco, nem, de modo al-
São as palavras que exprimem ação, estado, fenômenos me- gum, de jeito nenhum, de forma alguma, etc.
teorológicos, sempre em relação ao um determinado tempo. – Intensidade: muito, pouco, mais, menos, meio, bastante, as-
saz, demais, bem, mal, tanto, tão, quase, apenas, quanto, de pouco,
• Flexão verbal de todo, etc.
Os verbos podem ser flexionados de algumas formas. – Dúvida: talvez, acaso, possivelmente, eventualmente, por-
– Modo: É a maneira, a forma como o verbo se apresenta na ventura, etc.
frase para indicar uma atitude da pessoa que o usou. O modo é
dividido em três: indicativo (certeza, fato), subjuntivo (incerteza, Preposição
subjetividade) e imperativo (ordem, pedido). É a palavra que liga dois termos, de modo que o segundo com-
– Tempo: O tempo indica o momento em que se dá o fato ex- plete o sentido do primeiro. As preposições são as seguintes:
presso pelo verbo. Existem três tempos no modo indicativo: pre-
sente, passado (pretérito perfeito, imperfeito e mais-que-perfeito)
e futuro (do presente e do pretérito). No subjuntivo, são três: pre-
sente, pretérito imperfeito e futuro.
– Número: Este é fácil: singular e plural.
– Pessoa: Fácil também: 1ª pessoa (eu amei, nós amamos); 2º
pessoa (tu amaste, vós amastes); 3ª pessoa (ele amou, eles ama-
ram).

• Formas nominais do verbo


Os verbos têm três formas nominais, ou seja, formas que exer-
cem a função de nomes (normalmente, substantivos). São elas infi-
nitivo (terminado em -R), gerúndio (terminado em –NDO) e particí-
pio (terminado em –DA/DO).

• Voz verbal
É a forma como o verbo se encontra para indicar sua relação
com o sujeito. Ela pode ser ativa, passiva ou reflexiva.

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LÍNGUA PORTUGUESA
Conjunção
É palavra que liga dois elementos da mesma natureza ou uma SINTAXE: FRASE, ORAÇÃO E PERÍODO; TERMOS DA
oração a outra. As conjunções podem ser coordenativas (que ligam ORAÇÃO; PROCESSOS DE COORDENAÇÃO E SUBORDI-
orações sintaticamente independentes) ou subordinativas (que li- NAÇÃO
gam orações com uma relação hierárquica, na qual um elemento é
determinante e o outro é determinado). Agora chegamos no assunto que causa mais temor em muitos
estudantes. Mas eu tenho uma boa notícia para te dar: o estudo
• Conjunções Coordenativas da sintaxe é mais fácil do que parece e você vai ver que sabe muita
coisa que nem imagina. Para começar, precisamos de classificar al-
Tipos Conjunções Coordenativas gumas questões importantes:

Aditivas e, mas ainda, mas também, nem... • Frase: Enunciado que estabelece uma comunicação de sen-
contudo, entretanto, mas, não obstante, no tido completo. 
Adversativas Os jornais publicaram a notícia.
entanto, porém, todavia...
Silêncio! 
já…, já…, ou, ou…, ou…, ora…, ora…, quer…,
Alternativas
quer… • Oração: Enunciado que se forma com um verbo ou com uma
assim, então, logo, pois (depois do verbo), locução verbal.
Conclusivas
por conseguinte, por isso, portanto... Este filme causou grande impacto entre o público.
pois (antes do verbo), porquanto, porque, A inflação deve continuar sob controle.
Explicativas
que...
• Período Simples: formado por uma única oração.
O clima se alterou muito nos últimos dias.
• Conjunções Subordinativas
• Período Composto: formado por mais de uma oração.
Tipos Conjunções Subordinativas O governo prometeu/ que serão criados novos empregos.
Causais Porque, pois, porquanto, como, etc.
Bom, já está a clara a diferença entre frase, oração e período.
Embora, conquanto, ainda que, Vamos, então, classificar os elementos que compõem uma oração:
Concessivas
mesmo que, posto que, etc. • Sujeito: Termo da oração do qual se declara alguma coisa.
Se, caso, quando, conquanto que, O problema da violência preocupa os cidadãos.
Condicionais • Predicado: Tudo que se declara sobre o sujeito.
salvo se, sem que, etc.
A tecnologia permitiu o resgate dos operários.
Conforme, como (no sentido de con- • Objeto Direto: Complemento que se liga ao verbo transitivo
Conformativas
forme), segundo, consoante, etc. direto ou ao verbo transitivo direto e indireto sem o auxílio da pre-
Para que, a fim de que, porque (no posição.
Finais
sentido de que), que, etc. A tecnologia tem possibilitado avanços notáveis.
À medida que, ao passo que, à Os pais oferecem ajuda financeira ao filho.
Proporcionais • Objeto Indireto: Complemento que se liga ao verbo transi-
proporção que, etc.
tivo indireto ou ao verbo transitivo direto e indireto por meio de
Quando, antes que, depois que, até preposição. 
Temporais
que, logo que, etc. Os Estados Unidos resistem ao grave momento.
Que, do que (usado depois de mais, João gosta de beterraba.
Comparativas • Adjunto Adverbial: Termo modificador do verbo que exprime
menos, maior, menor, melhor, etc.
determinada circunstância (tempo, lugar, modo etc.) ou intensifica
Que (precedido de tão, tal, tanto), um verbo, adjetivo ou advérbio.
Consecutivas
de modo que, De maneira que, etc. O ônibus saiu à noite quase cheio, com destino a Salvador.
Integrantes Que, se. Vamos sair do mar.
• Agente da Passiva: Termo da oração que exprime quem prati-
Interjeição ca a ação verbal quando o verbo está na voz passiva.
É a palavra invariável que exprime ações, sensações, emoções, Raquel foi pedida em casamento por seu melhor amigo.
apelos, sentimentos e estados de espírito, traduzindo as reações • Adjunto Adnominal: Termo da oração que modifica um subs-
das pessoas. tantivo, caracterizando-o ou determinando-o sem a intermediação
• Principais Interjeições de um verbo.
Oh! Caramba! Viva! Oba! Alô! Psiu! Droga! Tomara! Hum! Um casal de médicos eram os novos moradores do meu pré-
dio.
Dez classes de palavras foram estudadas agora. O estudo delas • Complemento Nominal: Termo da oração que completa no-
é muito importante, pois se você tem bem construído o que é e a mes, isto é, substantivos, adjetivos e advérbios, e vem preposicio-
função de cada classe de palavras, não terá dificuldades para enten- nado.
der o estudo da Sintaxe. A realização do torneio teve a aprovação de todos.
• Predicativo do Sujeito: Termo que atribui característica ao su-
jeito da oração.
A especulação imobiliária me parece um problema.

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LÍNGUA PORTUGUESA
• Predicativo do Objeto: Termo que atribui características ao objeto direto ou indireto da oração.
O médico considerou o paciente hipertenso.
• Aposto: Termo da oração que explica, esclarece, resume ou identifica o nome ao qual se refere (substantivo, pronome ou equivalen-
tes). O aposto sempre está entre virgulas ou após dois-pontos.
A praia do Forte, lugar paradisíaco, atrai muitos turistas.
• Vocativo: Termo da oração que se refere a um interlocutor a quem se dirige a palavra.
Senhora, peço aguardar mais um pouco.

Tipos de orações
As partes de uma oração já está fresquinha aí na sua cabeça, não é?!?! Estudar os tipos de orações que existem será moleza, moleza.
Vamos comigo!!!
Temos dois tipos de orações: as coordenadas, cuja as orações de um período são independentes (não dependem uma da outra para
construir sentido completo); e as subordinadas, cuja as orações de um período são dependentes (dependem uma da outra para construir
sentido completo).
As orações coordenadas podem ser sindéticas (conectadas uma a outra por uma conjunção) e assindéticas (que não precisam da
conjunção para estar conectadas. O serviço é feito pela vírgula).

Tipos de orações coordenadas

Orações Coordenadas Sindéticas Orações Coordenadas Assindéticas


Aditivas Fomos para a escola e fizemos o exame final. • Lena estava triste, cansada, decepcionada.
Adversativas Pedro Henrique estuda muito, porém não passa •
no vestibular. • Ao chegar à escola conversamos, estudamos, lan-
chamos.
Alternativas Manuela  ora  quer comer hambúrguer,  ora  quer
comer pizza. Alfredo está chateado, pensando em se mudar.
Conclusivas Não gostamos do restaurante,  portanto não
iremos mais lá. Precisamos estar com cabelos arrumados, unhas feitas.

Explicativas Marina não queria falar,  ou seja, ela estava de João Carlos e Maria estão radiantes, alegria que dá inveja.
mau humor.

Tipos de orações subordinadas


As orações subordinadas podem ser substantivas, adjetivas e adverbiais. Cada uma delas tem suas subclassificações, que veremos
agora por meio do quadro seguinte.

Orações Subordinadas
Subjetivas É certo que ele trará os a sobremesa do
Exercem a função de sujeito jantar.
Completivas Nominal Estou convencida de que ele é solteiro.
Exercem a função de complemento
nominal
Predicativas O problema é que ele não entregou a
Orações Subordinadas Substantivas Exercem a função de predicativo refeição no lugar.
Apositivas Eu lhe disse apenas isso: que não se
Exercem a função de aposto aborrecesse com ela.
Objetivas Direta Espero que você seja feliz.
Exercem a função de objeto direto
Objetivas Indireta Lembrou-se da dívida que tem com ele.
Exercem a função de objeto indireto
Explicativas Os alunos, que foram mal na prova de
Explicam um termo dito anteriormente. quinta, terão aula de reforço.
SEMPRE serão acompanhadas por
vírgula.
Orações Subordinadas Adjetivas
Restritivas Os alunos que foram mal na prova de quinta
Restringem o sentido de um termo terão aula de reforço.
dito anteriormente. NUNCA serão
acompanhadas por vírgula.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Causais Estou vestida assim porque vou sair.


Assumem a função de advérbio de causa
Consecutivas Falou tanto que ficou rouca o resto do dia.
Assumem a função de advérbio de
consequência
Comparativas A menina comia como um adulto come.
Assumem a função de advérbio de
comparação
Condicionais Desde que ele participe, poderá entrar na
Assumem a função de advérbio de reunião.
condição
Conformativas O shopping fechou, conforme havíamos
Assumem a função de advérbio de previsto.
Orações Subordinadas Adverbiais
conformidade
Concessivas Embora eu esteja triste, irei à festa mais
Assumem a função de advérbio de tarde.
concessão
Finais Vamos direcionar os esforços para que todos
Assumem a função de advérbio de tenham acesso aos benefícios.
finalidade
Proporcionais Quanto mais eu dormia, mais sono tinha.
Assumem a função de advérbio de
proporção
Temporais Quando a noite chega, os morcegos saem de
Assumem a função de advérbio de suas casas.
tempo

Olha como esse quadro facilita a vida, não é?! Por meio dele, conseguimos ter uma visão geral das classificações e subclassificações
das orações, o que nos deixa mais tranquilos para estudá-las.

CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL

Concordância Nominal
Os adjetivos, os pronomes adjetivos, os numerais e os artigos concordam em gênero e número com os substantivos aos quais se
referem.
Os nossos primeiros contatos começaram de maneira amistosa.

Casos Especiais de Concordância Nominal


• Menos e alerta são invariáveis na função de advérbio:
Colocou menos roupas na mala./ Os seguranças continuam alerta.

• Pseudo e todo são invariáveis quando empregados na formação de palavras compostas:


Cuidado com os pseudoamigos./ Ele é o chefe todo-poderoso.

• Mesmo, próprio, anexo, incluso, quite e obrigado variam de acordo com o substantivo a que se referem:
Elas mesmas cozinhavam./ Guardou as cópias anexas.

• Muito, pouco, bastante, meio, caro e barato variam quando pronomes indefinidos adjetivos e numerais e são invariáveis quando
advérbios:
Muitas vezes comemos muito./ Chegou meio atrasada./ Usou meia dúzia de ovos.

• Só varia quando adjetivo e não varia quando advérbio:


Os dois andavam sós./ A respostas só eles sabem.

• É bom, é necessário, é preciso, é proibido variam quando o substantivo estiver determinado por artigo:
É permitida a coleta de dados./ É permitido coleta de dados.

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LÍNGUA PORTUGUESA
Concordância Verbal Assistir (dar assistência) Não usa preposição
O verbo concorda com seu sujeito em número e pessoa:
O público aplaudiu o ator de pé./ A sala e quarto eram enor- Deparar (encontrar) com
mes. Implicar (consequência) Não usa preposição

Concordância ideológica ou silepse Lembrar Não usa preposição


• Silepse de gênero trata-se da concordância feita com o gêne- Pagar (pagar a alguém) a
ro gramatical (masculino ou feminino) que está subentendido no
Precisar (necessitar) de
contexto.
Vossa Excelência parece satisfeito com as pesquisas. Proceder (realizar) a
Blumenau estava repleta de turistas. Responder a
• Silepse de número trata-se da concordância feita com o nú-
mero gramatical (singular ou plural) que está subentendido no con- Visar ( ter como objetivo a
texto. pretender)
O elenco voltou ao palco e [os atores] agradeceram os aplau- NÃO DEIXE DE PESQUISAR A REGÊNCIA DE OUTRAS PALAVRAS
sos. QUE NÃO ESTÃO AQUI!
• Silepse de pessoa trata-se da concordância feita com a pes-
soa gramatical que está subentendida no contexto.
O povo temos memória curta em relação às promessas dos po-
líticos. PADRÕES GERAIS DE COLOCAÇÃO PRONOMINAL NA
LÍNGUA PORTUGUESA

TRANSITIVIDADE E REGÊNCIA DE NOMES E VERBOS A colocação do pronome átono está relacionada à harmonia da
frase. A tendência do português falado no Brasil é o uso do prono-
me antes do verbo – próclise. No entanto, há casos em que a norma
• Regência Nominal  culta prescreve o emprego do pronome no meio – mesóclise – ou
A regência nominal estuda os casos em que nomes (substan- após o verbo – ênclise.
tivos, adjetivos e advérbios) exigem outra palavra para completar- De acordo com a norma culta, no português escrito não se ini-
-lhes o sentido. Em geral a relação entre um nome e o seu comple- cia um período com pronome oblíquo átono. Assim, se na lingua-
mento é estabelecida por uma preposição. gem falada diz-se “Me encontrei com ele”, já na linguagem escrita,
formal, usa-se “Encontrei-me’’ com ele.
• Regência Verbal Sendo a próclise a tendência, é aconselhável que se fixem bem
A regência verbal estuda a relação que se estabelece entre o as poucas regras de mesóclise e ênclise. Assim, sempre que estas
verbo (termo regente) e seu complemento (termo regido).  não forem obrigatórias, deve-se usar a próclise, a menos que preju-
Isto pertence a todos. dique a eufonia da frase.

Regência de algumas palavras Próclise


Na próclise, o pronome é colocado antes do verbo.
Esta palavra combina com Esta preposição
Palavra de sentido negativo: Não me falou a verdade.
Acessível a Advérbios sem pausa em relação ao verbo: Aqui te espero pa-
Apto a, para cientemente.
Havendo pausa indicada por vírgula, recomenda-se a ênclise:
Atencioso com, para com
Ontem, encontrei-o no ponto do ônibus.
Coerente com Pronomes indefinidos: Ninguém o chamou aqui.
Conforme a, com Pronomes demonstrativos: Aquilo lhe desagrada.
Orações interrogativas: Quem lhe disse tal coisa?
Dúvida acerca de, de, em, sobre Orações optativas (que exprimem desejo), com sujeito ante-
Empenho de, em, por posto ao verbo: Deus lhe pague, Senhor!
Orações exclamativas: Quanta honra nos dá sua visita!
Fácil a, de, para,
Orações substantivas, adjetivas e adverbiais, desde que não se-
Junto a, de jam reduzidas: Percebia que o observavam.
Pendente de Verbo no gerúndio, regido de preposição em: Em se plantando,
tudo dá.
Preferível a Verbo no infinitivo pessoal precedido de preposição: Seus in-
Próximo a, de tentos são para nos prejudicarem.
Respeito a, com, de, para com, por Ênclise
Situado a, em, entre Na ênclise, o pronome é colocado depois do verbo.
Ajudar (a fazer algo) a
Verbo no início da oração, desde que não esteja no futuro do
Aludir (referir-se) a indicativo: Trago-te flores.
Aspirar (desejar, pretender) a Verbo no imperativo afirmativo: Amigos, digam-me a verdade!

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LÍNGUA PORTUGUESA
Verbo no gerúndio, desde que não esteja precedido pela pre- Coerência
posição em: Saí, deixando-a aflita. É uma rede de sintonia entre as partes e o todo de um texto.
Verbo no infinitivo impessoal regido da preposição a. Com Conjunto de unidades sistematizadas numa adequada relação se-
outras preposições é facultativo o emprego de ênclise ou próclise: mântica, que se manifesta na compatibilidade entre as ideias. (Na
Apressei-me a convidá-los. linguagem popular: “dizer coisa com coisa” ou “uma coisa bate com
outra”).
Mesóclise Coerência é a unidade de sentido resultante da relação que se
Na mesóclise, o pronome é colocado no meio do verbo. estabelece entre as partes do texto. Uma ideia ajuda a compreen-
der a outra, produzindo um sentido global, à luz do qual cada uma
É obrigatória somente com verbos no futuro do presente ou no das partes ganha sentido. Coerência é a ligação em conjunto dos
futuro do pretérito que iniciam a oração. elementos formativos de um texto.
Dir-lhe-ei toda a verdade. A coerência não é apenas uma marca textual, mas diz respeito
Far-me-ias um favor? aos conceitos e às relações semânticas que permitem a união dos
elementos textuais.
Se o verbo no futuro vier precedido de pronome reto ou de A coerência de um texto é facilmente deduzida por um falante
qualquer outro fator de atração, ocorrerá a próclise. de uma língua, quando não encontra sentido lógico entre as propo-
Eu lhe direi toda a verdade. sições de um enunciado oral ou escrito. É a competência linguística,
Tu me farias um favor? tomada em sentido lato, que permite a esse falante reconhecer de
imediato a coerência de um discurso.

Colocação do pronome átono nas locuções verbais A coerência:


Verbo principal no infinitivo ou gerúndio: Se a locução verbal - assenta-se no plano cognitivo, da inteligibilidade do texto;
não vier precedida de um fator de próclise, o pronome átono deve- - situa-se na subjacência do texto; estabelece conexão concei-
rá ficar depois do auxiliar ou depois do verbo principal. tual;
Exemplos: - relaciona-se com a macroestrutura; trabalha com o todo, com
Devo-lhe dizer a verdade. o aspecto global do texto;
Devo dizer-lhe a verdade. - estabelece relações de conteúdo entre palavras e frases.

Havendo fator de próclise, o pronome átono deverá ficar antes Coesão


do auxiliar ou depois do principal. É um conjunto de elementos posicionados ao longo do texto,
Exemplos: numa linha de sequência e com os quais se estabelece um vínculo
Não lhe devo dizer a verdade. ou conexão sequencial. Se o vínculo coesivo se faz via gramática,
Não devo dizer-lhe a verdade. fala-se em coesão gramatical. Se se faz por meio do vocabulário,
tem-se a coesão lexical.
Verbo principal no particípio: Se não houver fator de próclise, A coesão textual é a ligação, a relação, a conexão entre pala-
o pronome átono ficará depois do auxiliar. vras, expressões ou frases do texto. Ela manifesta-se por elementos
Exemplo: Havia-lhe dito a verdade. gramaticais, que servem para estabelecer vínculos entre os compo-
nentes do texto.
Se houver fator de próclise, o pronome átono ficará antes do Existem, em Língua Portuguesa, dois tipos de coesão: a lexical,
auxiliar. que é obtida pelas relações de sinônimos, hiperônimos, nomes ge-
Exemplo: Não lhe havia dito a verdade. néricos e formas elididas, e a gramatical, que é conseguida a partir
do emprego adequado de artigo, pronome, adjetivo, determinados
Haver de e ter de + infinitivo: Pronome átono deve ficar depois advérbios e expressões adverbiais, conjunções e numerais.
do infinitivo. A coesão:
Exemplos: - assenta-se no plano gramatical e no nível frasal;
Hei de dizer-lhe a verdade. - situa-se na superfície do texto, estabele conexão sequencial;
Tenho de dizer-lhe a verdade. - relaciona-se com a microestrutura, trabalha com as partes
componentes do texto;
Observação - Estabelece relações entre os vocábulos no interior das frases.
Não se deve omitir o hífen nas seguintes construções:
Devo-lhe dizer tudo.
Estava-lhe dizendo tudo.
Havia-lhe dito tudo. ORTOGRAFIA

ORTOGRAFIA OFICIAL
• Mudanças no alfabeto: O alfabeto tem 26 letras. Foram rein-
MECANISMOS DE COESÃO TEXTUAL troduzidas as letras k, w e y.
O alfabeto completo é o seguinte: A B C D E F G H I J K L M N O
Coesão e coerência fazem parte importante da elaboração de PQRSTUVWXYZ
um texto com clareza. Ela diz respeito à maneira como as ideias são • Trema: Não se usa mais o trema (¨), sinal colocado sobre a
organizadas a fim de que o objetivo final seja alcançado: a com- letra u para indicar que ela deve ser pronunciada nos grupos gue,
preensão textual. Na redação espera-se do autor capacidade de gui, que, qui.
mobilizar conhecimentos e opiniões, argumentar de modo coeren-
te, além de expressar-se com clareza, de forma correta e adequada.

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LÍNGUA PORTUGUESA
Regras de acentuação 2. Prefixo terminado em consoante:
– Não se usa mais o acento dos ditongos abertos éi e ói das – Com hífen diante de mesma consoante: inter-regional, sub-
palavras paroxítonas (palavras que têm acento tônico na penúltima -bibliotecário.
sílaba) – Sem hífen diante de consoante diferente: intermunicipal, su-
persônico.
– Sem hífen diante de vogal: interestadual, superinteressante.
Como era Como fica
alcatéia alcateia Observações:
apóia apoia • Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra
iniciada por r: sub-região, sub-raça. Palavras iniciadas por h perdem
apóio apoio essa letra e juntam-se sem hífen: subumano, subumanidade.
• Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de pala-
Atenção: essa regra só vale para as paroxítonas. As oxítonas vra iniciada por m, n e vogal: circum-navegação, pan-americano.
continuam com acento: Ex.: papéis, herói, heróis, troféu, troféus. • O prefixo co aglutina-se, em geral, com o segundo elemento,
mesmo quando este se inicia por o: coobrigação, coordenar, coope-
– Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o acento no i e no rar, cooperação, cooptar, coocupante.
u tônicos quando vierem depois de um ditongo. • Com o prefixo vice, usa-se sempre o hífen: vice-rei, vice-al-
mirante.
Como era Como fica • Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam
a noção de composição, como girassol, madressilva, mandachuva,
baiúca baiuca pontapé, paraquedas, paraquedista.
bocaiúva bocaiuva • Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró,
usa-se sempre o hífen: ex-aluno, sem-terra, além-mar, aquém-mar,
Atenção: se a palavra for oxítona e o i ou o u estiverem em recém-casado, pós-graduação, pré-vestibular, pró-europeu.
posição final (ou seguidos de s), o acento permanece. Exemplos:
tuiuiú, tuiuiús, Piauí. Viu? Tudo muito tranquilo. Certeza que você já está dominando
muita coisa. Mas não podemos parar, não é mesmo?!?! Por isso
vamos passar para mais um ponto importante.
– Não se usa mais o acento das palavras terminadas em êem
e ôo(s).

Como era Como fica ACENTUAÇÃO GRÁFICA


abençôo abençoo
Acentuação é o modo de proferir um som ou grupo de sons
crêem creem com mais relevo do que outros. Os sinais diacríticos servem para
indicar, dentre outros aspectos, a pronúncia correta das palavras.
– Não se usa mais o acento que diferenciava os pares pára/ Vejamos um por um:
para, péla(s)/ pela(s), pêlo(s)/pelo(s), pólo(s)/polo(s) e pêra/pera.
Acento agudo: marca a posição da sílaba tônica e o timbre
Atenção: aberto.
• Permanece o acento diferencial em pôde/pode. Já cursei a Faculdade de História.
• Permanece o acento diferencial em pôr/por. Acento circunflexo: marca a posição da sílaba tônica e o timbre
• Permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural fechado.
dos verbos ter e vir, assim como de seus derivados (manter, deter, Meu avô e meus três tios ainda são vivos.
reter, conter, convir, intervir, advir etc.). Acento grave: marca o fenômeno da crase (estudaremos este
• É facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as caso afundo mais à frente).
palavras forma/fôrma. Sou leal à mulher da minha vida.

Uso de hífen As palavras podem ser:


Regra básica: – Oxítonas: quando a sílaba tônica é a última (ca-fé, ma-ra-cu-
Sempre se usa o hífen diante de h: anti-higiênico, super-ho- -já, ra-paz, u-ru-bu...)
mem. – Paroxítonas: quando a sílaba tônica é a penúltima (me-sa,
sa-bo-ne-te, ré-gua...)
Outros casos – Proparoxítonas: quando a sílaba tônica é a antepenúltima
(sá-ba-do, tô-ni-ca, his-tó-ri-co…)
1. Prefixo terminado em vogal:
– Sem hífen diante de vogal diferente: autoescola, antiaéreo. As regras de acentuação das palavras são simples. Vejamos:
– Sem hífen diante de consoante diferente de r e s: anteprojeto, • São acentuadas todas as palavras proparoxítonas (médico,
semicírculo. íamos, Ângela, sânscrito, fôssemos...)
– Sem hífen diante de r e s. Dobram-se essas letras: antirracis- • São acentuadas as palavras paroxítonas terminadas em L, N,
mo, antissocial, ultrassom. R, X, I(S), US, UM, UNS, OS, ÃO(S), Ã(S), EI(S) (amável, elétron, éter,
– Com hífen diante de mesma vogal: contra-ataque, micro-on- fênix, júri, oásis, ônus, fórum, órfão...)
das. • São acentuadas as palavras oxítonas terminadas em A(S),
E(S), O(S), EM, ENS, ÉU(S), ÉI(S), ÓI(S) (xarás, convéns, robô, Jô, céu,
dói, coronéis...)

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LÍNGUA PORTUGUESA
• São acentuados os hiatos I e U, quando precedidos de vogais
(aí, faísca, baú, juízo, Luísa...) PONTUAÇÃO

Viu que não é nenhum bicho de sete cabeças? Agora é só trei- Pontuação
nar e fixar as regras. Com Nina Catach, entendemos por pontuação um “sistema
de reforço da escrita, constituído de sinais sintáticos, destinados a
organizar as relações e a proporção das partes do discurso e das
pausas orais e escritas. Estes sinais também participam de todas as
EMPREGO DO SINAL INDICATIVO DE CRASE
funções da sintaxe, gramaticais, entonacionais e semânticas”. (BE-
CHARA, 2009, p. 514)
A crase é a fusão de duas vogais idênticas. A primeira vogal a A partir da definição citada por Bechara podemos perceber a
é uma preposição, a segunda vogal a é um artigo ou um pronome importância dos sinais de pontuação, que é constituída por alguns
demonstrativo. sinais gráficos assim distribuídos: os separadores (vírgula [ , ], pon-
a (preposição) + a(s) (artigo) = à(s) to e vírgula [ ; ], ponto final [ . ], ponto de exclamação [ ! ], reti-
cências [ ... ]), e os de comunicação ou “mensagem” (dois pontos
• Devemos usar crase: [ : ], aspas simples [‘ ’], aspas duplas [ “ ” ], travessão simples [ – ],
– Antes palavras femininas: travessão duplo [ — ], parênteses [ ( ) ], colchetes ou parênteses
Iremos à festa amanhã retos [ [ ] ], chave aberta [ { ], e chave fechada [ } ]).
Mediante à situação.
O Governo visa à resolução do problema. Ponto ( . )
O ponto simples final, que é dos sinais o que denota maior pau-
– Locução prepositiva implícita “à moda de, à maneira de” sa, serve para encerrar períodos que terminem por qualquer tipo
Devido à regra, o acento grave é obrigatoriamente usado nas de oração que não seja a interrogativa direta, a exclamativa e as
locuções prepositivas com núcleo feminino iniciadas por a: reticências.
Os frangos eram feitos à moda da casa imperial. Estaremos presentes na festa.
Às vezes, porém, a locução vem implícita antes de substanti-
vos masculinos, o que pode fazer você pensar que não rola a crase. Ponto de interrogação ( ? )
Mas... há crase, sim! Põe-se no fim da oração enunciada com entonação interrogati-
Depois da indigestão, farei uma poesia à Drummond, vestir- va ou de incerteza, real ou fingida, também chamada retórica.
-me-ei à Versace e entregá-la-ei à tímida aniversariante. Você vai à festa?

– Expressões fixas Ponto de exclamação ( ! )


Existem algumas expressões em que sempre haverá o uso de Põe-se no fim da oração enunciada com entonação exclama-
crase: tiva.
à vela, à lenha, à toa, à vista, à la carte, à queima-roupa, à von- Ex: Que bela festa!
tade, à venda, à mão armada, à beça, à noite, à tarde, às vezes, às
pressas, à primeira vista, à hora certa, àquela hora, à esquerda, à Reticências ( ... )
direita, à vontade, às avessas, às claras, às escuras, à mão, às escon- Denotam interrupção ou incompletude do pensamento (ou
didas, à medida que, à proporção que. porque se quer deixar em suspenso, ou porque os fatos se dão com
• NUNCA devemos usar crase: breve espaço de tempo intervalar, ou porque o nosso interlocutor
nos toma a palavra), ou hesitação em enunciá-lo.
– Antes de substantivos masculinos:
Ex: Essa festa... não sei não, viu.
Andou a cavalo pela cidadezinha, mas preferiria ter andado a
pé.
Dois-pontos ( : )
Marcam uma supressão de voz em frase ainda não concluída.
– Antes de substantivo (masculino ou feminino, singular ou
Em termos práticos, este sinal é usado para: Introduzir uma citação
plural) usado em sentido generalizador:
(discurso direto) e introduzir um aposto explicativo, enumerativo,
Depois do trauma, nunca mais foi a festas.
distributivo ou uma oração subordinada substantiva apositiva.
Não foi feita menção a mulher, nem a criança, tampouco a ho- Ex: Uma bela festa: cheia de alegria e comida boa.
mem.
Ponto e vírgula ( ; )
– Antes de artigo indefinido “uma” Representa uma pausa mais forte que a vírgula e menos que o
Iremos a uma reunião muito importante no domingo. ponto, e é empregado num trecho longo, onde já existam vírgulas,
para enunciar pausa mais forte, separar vários itens de uma enume-
– Antes de pronomes ração (frequente em leis), etc.
Obs.: A crase antes de pronomes possessivos é facultativa. Ex: Vi na festa os deputados, senadores e governador; vi tam-
bém uma linda decoração e bebidas caras.
Fizemos referência a Vossa Excelência, não a ela.
A quem vocês se reportaram no Plenário? Travessão ( — )
Assisto a toda peça de teatro no RJ, afinal, sou um crítico. Não confundir o travessão com o traço de união ou hífen e com
o traço de divisão empregado na partição de sílabas (ab-so-lu-ta-
– Antes de verbos no infinitivo -men-te) e de palavras no fim de linha. O travessão pode substituir
A partir de hoje serei um pai melhor, pois voltei a trabalhar. vírgulas, parênteses, colchetes, para assinalar uma expressão inter-
calada e pode indicar a mudança de interlocutor, na transcrição de
um diálogo, com ou sem aspas.

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LÍNGUA PORTUGUESA
Ex: Estamos — eu e meu esposo — repletos de gratidão. Brasileiros, é chegada a hora de votar.
• Separa termos repetidos.
Parênteses e colchetes ( ) – [ ] Aquele aluno era esforçado, esforçado.
Os parênteses assinalam um isolamento sintático e semântico
mais completo dentro do enunciado, além de estabelecer maior in- • Separa certas expressões explicativas, retificativas, exempli-
timidade entre o autor e o seu leitor. Em geral, a inserção do parên- ficativas, como: isto é, ou seja, ademais, a saber, melhor dizendo,
tese é assinalada por uma entonação especial. Intimamente ligados ou melhor, quer dizer, por exemplo, além disso, aliás, antes, com
aos parênteses pela sua função discursiva, os colchetes são utiliza- efeito, digo.
dos quando já se acham empregados os parênteses, para introduzi- O político, a meu ver, deve sempre usar uma linguagem clara,
rem uma nova inserção. ou seja, de fácil compreensão.
Ex: Vamos estar presentes na festa (aquela organizada pelo go-
vernador) • Marca a elipse de um verbo (às vezes, de seus complemen-
tos).
Aspas ( “ ” ) O decreto regulamenta os casos gerais; a portaria, os particula-
As aspas são empregadas para dar a certa expressão sentido res. (= ... a portaria regulamenta os casos particulares)
particular (na linguagem falada é em geral proferida com entoação
especial) para ressaltar uma expressão dentro do contexto ou para • Separa orações coordenadas assindéticas.
apontar uma palavra como estrangeirismo ou gíria. É utilizada, ain- Levantava-me de manhã, entrava no chuveiro, organizava as
da, para marcar o discurso direto e a citação breve. ideias na cabeça...
Ex: O “coffe break” da festa estava ótimo.
• Isola o nome do lugar nas datas.
Vírgula Rio de Janeiro, 21 de julho de 2006.
São várias as regras que norteiam o uso das vírgulas. Eviden-
ciaremos, aqui, os principais usos desse sinal de pontuação. Antes • Isolar conectivos, tais como: portanto, contudo, assim, dessa
disso, vamos desmistificar três coisas que ouvimos em relação à forma, entretanto, entre outras. E para isolar, também, expressões
vírgula: conectivas, como: em primeiro lugar, como supracitado, essas infor-
1º – A vírgula não é usada por inferência. Ou seja: não “senti- mações comprovam, etc.
mos” o momento certo de fazer uso dela. Fica claro, portanto, que ações devem ser tomadas para ame-
2º – A vírgula não é usada quando paramos para respirar. Em nizar o problema.
alguns contextos, quando, na leitura de um texto, há uma vírgula, o
leitor pode, sim, fazer uma pausa, mas isso não é uma regra. Afinal,
cada um tem seu tempo de respiração, não é mesmo?!?!
3º – A vírgula tem sim grande importância na produção de tex- ESTILÍSTICA: FIGURAS DE LINGUAGEM
tos escritos. Não caia na conversa de algumas pessoas de que ela é
menos importante e que pode ser colocada depois. Figuras de Linguagem
Agora, precisamos saber que a língua portuguesa tem uma or- As figuras de linguagem ou de estilo são empregadas para
dem comum de construção de suas frases, que é Sujeito > Verbo > valorizar o texto, tornando a linguagem mais expressiva. É um re-
Objeto > Adjunto, ou seja, (SVOAdj). curso linguístico para expressar de formas diferentes experiências
Maria foi à padaria ontem. comuns, conferindo originalidade, emotividade ao discurso, ou tor-
Sujeito Verbo Objeto Adjunto nando-o poético.

Perceba que, na frase acima, não há o uso de vírgula. Isso ocor- As figuras de linguagem classificam-se em
re por alguns motivos: - figuras de palavra;
1) NÃO se separa com vírgula o sujeito de seu predicado. - figuras de pensamento;
2) NÃO se separa com vírgula o verbo e seus complementos. - figuras de construção ou sintaxe.
3) Não é aconselhável usar vírgula entre o complemento do
verbo e o adjunto. Figuras de palavra: emprego de um termo com sentido dife-
rente daquele convencionalmente empregado, a fim de se conse-
Podemos estabelecer, então, que se a frase estiver na ordem guir um efeito mais expressivo na comunicação.
comum (SVOAdj), não usaremos vírgula. Caso contrário, a vírgula
é necessária: Metáfora: comparação abreviada, que dispensa o uso dos co-
Ontem, Maria foi à padaria. nectivos comparativos; é uma comparação subjetiva. Normalmente
Maria, ontem, foi à padaria. vem com o verbo de ligação claro ou subentendido na frase.
À padaria, Maria foi ontem.
Exemplos
Além disso, há outros casos em que o uso de vírgulas é neces- ...a vida é cigana
sário: É caravana
• Separa termos de mesma função sintática, numa enumera- É pedra de gelo ao sol.
ção. (Geraldo Azevedo/ Alceu Valença)
Simplicidade, clareza, objetividade, concisão são qualidades a
serem observadas na redação oficial. Encarnado e azul são as cores do meu desejo.
• Separa aposto. (Carlos Drummond de Andrade)
Aristóteles, o grande filósofo, foi o criador da Lógica.
• Separa vocativo.

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LÍNGUA PORTUGUESA
Comparação: aproxima dois elementos que se identificam, Exemplo:
ligados por conectivos comparativos explícitos: como, tal qual, tal Sou Ana, da cama,
como, que, que nem. Também alguns verbos estabelecem a com- da cana, fulana, bacana
paração: parecer, assemelhar-se e outros. Sou Ana de Amsterdam.
(Chico Buarque)
Exemplo:
Estava mais angustiado que um goleiro na hora do gol, quando Paronomásia: Emprego de vocábulos semelhantes na forma ou
você entrou em mim como um sol no quintal. na prosódia, mas diferentes no sentido.
(Belchior)
Catacrese: emprego de um termo em lugar de outro para o Exemplo:
qual não existe uma designação apropriada. Berro pelo aterro pelo desterro berro por seu berro pelo seu
[erro
Exemplos quero que você ganhe que
– folha de papel [você me apanhe
– braço de poltrona sou o seu bezerro gritando
– céu da boca [mamãe.
– pé da montanha (Caetano Veloso)

Sinestesia: fusão harmônica de, no mínimo, dois dos cinco sen- Onomatopeia: imitação aproximada de um ruído ou som pro-
tidos físicos. duzido por seres animados e inanimados.

Exemplo: Exemplo:
Vem da sala de linotipos a doce (gustativa) música (auditiva) Vai o ouvido apurado
mecânica. na trama do rumor suas nervuras
(Carlos Drummond de Andrade) inseto múltiplo reunido
para compor o zanzineio surdo
A fusão de sensações físicas e psicológicas também é sineste- circular opressivo
sia: “ódio amargo”, “alegria ruidosa”, “paixão luminosa”, “indiferen- zunzin de mil zonzons zoando em meio à pasta de calor
ça gelada”. da noite em branco
(Carlos Drummond de Andrade)
Antonomásia: substitui um nome próprio por uma qualidade,
atributo ou circunstância que individualiza o ser e notabiliza-o. Observação: verbos que exprimem os sons são considerados
onomatopaicos, como cacarejar, tiquetaquear, miar etc.
Exemplos
O filósofo de Genebra (= Calvino). Figuras de sintaxe ou de construção: dizem respeito a desvios
O águia de Haia (= Rui Barbosa). em relação à concordância entre os termos da oração, sua ordem,
possíveis repetições ou omissões.
Metonímia: troca de uma palavra por outra, de tal forma que
a palavra empregada lembra, sugere e retoma a que foi omitida. Podem ser formadas por:
omissão: assíndeto, elipse e zeugma;
Exemplos: repetição: anáfora, pleonasmo e polissíndeto;
Leio Graciliano Ramos. (livros, obras) inversão: anástrofe, hipérbato, sínquise e hipálage;
Comprei um panamá. (chapéu de Panamá) ruptura: anacoluto;
Tomei um Danone. (iogurte) concordância ideológica: silepse.

Alguns autores, em vez de metonímia, classificam como siné- Anáfora: repetição da mesma palavra no início de um período,
doque quando se têm a parte pelo todo e o singular pelo plural. frase ou verso.

Exemplo: Exemplo:
A cidade inteira viu assombrada, de queixo caído, o pistoleiro Dentro do tempo o universo
sumir de ladrão, fugindo nos cascos de seu cavalo. (singular pelo [na imensidão.
plural) Dentro do sol o calor peculiar
(José Cândido de Carvalho) [do verão.
Dentro da vida uma vida me
Figuras Sonoras [conta uma estória que fala
Aliteração: repetição do mesmo fonema consonantal, geral- [de mim.
mente em posição inicial da palavra. Dentro de nós os mistérios
[do espaço sem fim!
Exemplo: (Toquinho/Mutinho)
Vozes veladas veludosas vozes volúpias dos violões, vozes ve-
ladas. Assíndeto: ocorre quando orações ou palavras que deveriam
(Cruz e Sousa) vir ligadas por conjunções coordenativas aparecem separadas por
vírgulas.
Assonância: repetição do mesmo fonema vocal ao longo de um
verso ou poesia.

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LÍNGUA PORTUGUESA
Exemplo: Paciência tenho eu tido...
Não nos movemos, as mãos é (Antônio Nobre)
que se estenderam pouco a
pouco, todas quatro, pegando-se, Anacoluto: interrupção do plano sintático com que se inicia a
apertando-se, fundindo-se. frase, alterando a sequência do processo lógico. A construção do
(Machado de Assis) período deixa um ou mais termos desprendidos dos demais e sem
Polissíndeto: repetição intencional de uma conjunção coorde- função sintática definida.
nativa mais vezes do que exige a norma gramatical.
Exemplos:
Exemplo: E o desgraçado, tremiam-lhe as pernas.
Há dois dias meu telefone não fala, nem ouve, nem toca, nem (Manuel Bandeira)
tuge, nem muge.
(Rubem Braga) Aquela mina de ouro, ela não ia deixar que outras espertas bo-
tassem as mãos.
Pleonasmo: repetição de uma ideia já sugerida ou de um ter- (José Lins do Rego)
mo já expresso.
Hipálage: inversão da posição do adjetivo (uma qualidade que
Pleonasmo literário: recurso estilístico que enriquece a expres- pertence a um objeto é atribuída a outro, na mesma frase).
são, dando ênfase à mensagem.
Exemplo:
Exemplos: ...em cada olho um grito castanho de ódio.
Não os venci. Venceram-me (Dalton Trevisan)
eles a mim. ...em cada olho castanho um grito de ódio)
(Rui Barbosa)
Silepse:
Morrerás morte vil na mão de um forte. Silepse de gênero: Não há concordância de gênero do adjetivo
(Gonçalves Dias) ou pronome com a pessoa a que se refere.

Pleonasmo vicioso: Frequente na linguagem informal, cotidia- Exemplos:


na, considerado vício de linguagem. Deve ser evitado. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho...
(Rachel de Queiroz)
Exemplos:
Ouvir com os ouvidos. V. Ex.a parece magoado...
Rolar escadas abaixo. (Carlos Drummond de Andrade)
Colaborar juntos.
Hemorragia de sangue. Silepse de pessoa: Não há concordância da pessoa verbal com
Repetir de novo. o sujeito da oração.

Elipse: Supressão de uma ou mais palavras facilmente suben- Exemplos:


tendidas na frase. Geralmente essas palavras são pronomes, con- Os dois ora estais reunidos...
junções, preposições e verbos. (Carlos Drummond de Andrade)

Exemplos: Na noite do dia seguinte, estávamos reunidos algumas pessoas.


Compareci ao Congresso. (eu) (Machado de Assis)
Espero venhas logo. (eu, que, tu)
Ele dormiu duas horas. (durante) Silepse de número: Não há concordância do número verbal
No mar, tanta tormenta e tanto dano. (verbo Haver) com o sujeito da oração.
(Camões)
Exemplo:
Zeugma: Consiste na omissão de palavras já expressas anterior- Corria gente de todos os lados, e gritavam.
mente. (Mário Barreto)

Exemplos:
Foi saqueada a vila, e assassina dos os partidários dos Filipes. REESCRITURA DE FRASES: SUBSTITUIÇÃO, DESLOCA-
(Camilo Castelo Branco) MENTO, PARALELISMO
Rubião fez um gesto, Palha outro: mas quão diferentes.
(Machado de Assis) A reescrita é tão importante quanto a escrita, visto que, difi-
cilmente, sobretudo para os escritores mais cuidadosos, chegamos
Hipérbato ou inversão: alteração da ordem direta dos elemen- ao resultado que julgamos ideal na primeira tentativa. Aquele que
tos na frase. observa um resultado ruim na primeira versão que escreveu terá,
na reescrita, a possibilidade de alcançar um resultado satisfatório.
Exemplos: A reescrita é um processo mais trabalhoso do que a revisão, pois,
Passeiam, à tarde, as belas na avenida. nesta, atemo-nos apenas aos pequenos detalhes, cuja ausência não
(Carlos Drummond de Andrade) implicaria em uma dificuldade do leitor para compreender o texto.

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LÍNGUA PORTUGUESA
Quando reescrevemos,  refazemos  nosso texto, é um proces- – se não, senão – quando se pode substituir por caso não, se-
so bem mais complexo, que parte do pressuposto de que o autor parado; quando não se pode, junto
tenha observado aquilo que está ruim para que, posteriormente, – todo mundo – todos
possa melhorar seu texto até chegar a uma versão final, livre dos er- – todo o mundo – o mundo inteiro
ros iniciais. Além de aprimorar a leitura, a reescrita auxilia a desen- – não pagamento = hífen somente quando o segundo termo
volver e melhorar a escrita, ajudando o aluno-escritor a esclarecer for substantivo
melhor seus objetivos e razões para a produção de textos. – este e isto – referência próxima do falante (a lugar, a tempo
presente; a futuro próximo; ao anunciar e a que se está tratando)
Nessa perspectiva, esse autor considera que reescrever seja – esse e isso – referência longe do falante e perto do ouvinte
um processo de descoberta da escrita pelo próprio autor, que passa (tempo futuro, desejo de distância; tempo passado próximo do pre-
a enfocá-la como forma de trabalho, auxiliando o desenvolvimento sente, ou distante ao já mencionado e a ênfase).
do processo de escrever do aluno.
Expressões não recomendadas
Operações linguísticas de reescrita:
A literatura sobre reescrita aponta para uma tipologia de ope- – a partir de (a não ser com valor temporal).
rações linguísticas encontradas neste momento específico da cons- Opção: com base em, tomando-se por base, valendo-se de...
trução do texto escrito.
- Adição, ou acréscimo: pode tratar-se do acréscimo de um ele- – através de (para exprimir “meio” ou instrumento).
mento gráfico, acento, sinal de pontuação, grafema (...) mas tam- Opção: por, mediante, por meio de, por intermédio de, se-
bém do acréscimo de uma palavra, de um sintagma, de uma ou de gundo...
várias frases.
- Supressão: supressão sem substituição do segmento suprimi- – devido a.
do. Ela pode ser aplicada sobre unidades diversas, acento, grafe- Opção: em razão de, em virtude de, graças a, por causa de.
mas, sílabas, palavras sintagmáticas, uma ou diversas frases.
- Substituição: supressão, seguida de substituição por um ter- – dito.
mo novo. Ela se aplica sobre um grafema, uma palavra, um sintag- Opção: citado, mencionado.
ma, ou sobre conjuntos generalizados.
- Deslocamento: permutação de elementos, que acaba por mo- – enquanto.
dificar sua ordem no processo de encadeamento. Opção: ao passo que.

Graus de Formalismo – inclusive (a não ser quando significa incluindo-se).


São muitos os tipos de registros quanto ao formalismo, tais Opção: até, ainda, igualmente, mesmo, também.
como: o registro formal, que é uma linguagem mais cuidada; o colo-
quial, que não tem um planejamento prévio, caracterizando-se por – no sentido de, com vistas a.
construções gramaticais mais livres, repetições frequentes, frases Opção: a fim de, para, com a finalidade de, tendo em vista.
curtas e conectores simples; o informal, que se caracteriza pelo uso
de ortografia simplificada e construções simples ( geralmente usado – pois (no início da oração).
entre membros de uma mesma família ou entre amigos). Opção: já que, porque, uma vez que, visto que.

As variações de registro ocorrem de acordo com o grau de for- – principalmente.


malismo existente na situação de comunicação; com o modo de Opção: especialmente, sobretudo, em especial, em particular.
expressão, isto é, se trata de um registro formal ou escrito; com a
sintonia entre interlocutores, que envolve aspectos como graus de
cortesia, deferência, tecnicidade (domínio de um vocabulário espe-
cífico de algum campo científico, por exemplo). VARIAÇÃO LINGUÍSTICA

Expressões que demandam atenção É possível encontrar no Brasil diversas variações linguísticas,
– acaso, caso – com se, use acaso; caso rejeita o se como na linguagem regional. Elas  reúnem as variantes da língua
– aceitado, aceito – com ter e haver, aceitado; com ser e estar, que foram criadas pelos homens e são reinventadas a cada dia.
aceito Delas surgem as variações que envolvem vários aspectos histó-
– acendido, aceso (formas similares) – idem ricos, sociais, culturais, geográficos, entre outros.
– à custa de – e não às custas de Nenhuma língua é usada de maneira uniforme por todos os
– à medida que – à proporção que, ao mesmo tempo que, con- seus falantes em todos os lugares e em qualquer situação. Sabe-se
forme que, numa mesma língua, há formas distintas para traduzir o mes-
– na medida em que – tendo em vista que, uma vez que mo significado dentro de um mesmo contexto.
– a meu ver – e não ao meu ver As variações que distinguem uma variante de outra se mani-
– a ponto de – e não ao ponto de festam em quatro planos distintos, a saber: fônico, morfológico,
– a posteriori, a priori – não tem valor temporal sintático e lexical.
– em termos de – modismo; evitar
– enquanto que – o que é redundância Variações Morfológicas
– entre um e outro – entre exige a conjunção e, e não a Ocorrem nas formas constituintes da palavra. As diferenças en-
– implicar em – a regência é direta (sem em) tre as variantes não são tantas quanto as de natureza fônica, mas
– ir de encontro a – chocar-se com não são desprezíveis. Como exemplos, podemos citar:
– ir ao encontro de – concordar com

30
LÍNGUA PORTUGUESA
– uso de substantivos masculinos como femininos ou vice- – a ausência da preposição adequada antes do pronome relati-
-versa: duzentas gramas de presunto (duzentos), a champanha (o vo em função de complemento verbal: são pessoas que (em vez de:
champanha), tive muita dó dela (muito dó), mistura do cal (da cal). de que) eu gosto muito; este é o melhor filme que (em vez de a que)
– a omissão do “s” como marca de plural de substantivos e ad- eu assisti; você é a pessoa que (em vez de em que) eu mais confio.
jetivos (típicos do falar paulistano): os amigo e as amiga, os livro
indicado, as noite fria, os caso mais comum. Variações Léxicas
– o enfraquecimento do uso do modo subjuntivo: Espero que o Conjunto de palavras de uma língua. As variantes do plano do
Brasil reflete (reflita) sobre o que aconteceu nas últimas eleições; Se léxico, como as do plano fônico, são muito numerosas e caracteri-
eu estava (estivesse) lá, não deixava acontecer; Não é possível que zam com nitidez uma variante em confronto com outra. São exem-
ele esforçou (tenha se esforçado) mais que eu. plos possíveis de citar:
– o uso do prefixo hiper- em vez do sufixo -íssimo para criar o – as diferenças lexicais entre Brasil e Portugal são tantas e, às
superlativo de adjetivos, recurso muito característico da linguagem vezes, tão surpreendentes, que têm sido objeto de piada de lado a
jovem urbana: um cara hiper-humano (em vez de humaníssimo), lado do Oceano. Em Portugal chamam de cueca aquilo que no Brasil
uma prova hiperdifícil (em vez de dificílima), um carro hiperpossan- chamamos de calcinha; o que chamamos de fila no Brasil, em Por-
te (em vez de possantíssimo). tugal chamam de bicha; café da manhã em Portugal se diz pequeno
– a conjugação de verbos irregulares pelo modelo dos regula- almoço; camisola em Portugal traduz o mesmo que chamamos de
res: ele interviu (interveio), se ele manter (mantiver), se ele ver (vir) suéter, malha, camiseta.
o recado, quando ele repor (repuser). – a escolha do adjetivo maior em vez do advérbio muito para
– a conjugação de verbos regulares pelo modelo de irregulares: formar o grau superlativo dos adjetivos, características da lingua-
vareia (varia), negoceia (negocia). gem jovem de alguns centros urbanos: maior legal; maior difícil;
Esse amigo é um carinha maior esforçado.
Variações Fônicas
Ocorrem no modo de pronunciar os sons constituintes da pala- Designações das Variantes Lexicais:
vra. Entre esses casos, podemos citar: – Arcaísmo: palavras que já caíram de uso. Por exemplo, um bo-
– a redução de proparoxítonas a paroxítonas: Petrópis (Petró- balhão era chamado de coió ou bocó; em vez de refrigerante usava-
polis), fórfi (fósforo), porva (pólvora), todas elas formas típicas de -se gasosa; algo muito bom, de qualidade excelente, era supimpa.
pessoas de baixa condição social. – Neologismo: contrário do arcaísmo. São palavras recém-cria-
– A pronúncia do “l” final de sílaba como “u” (na maioria das das, muitas das quais mal ou nem entraram para os dicionários. A na
regiões do Brasil) ou como “l” (em certas regiões do Rio Grande computação tem vários exemplos, como escanear, deletar, printar.
do Sul e Santa Catarina) ou ainda como “r” (na linguagem caipira): – Estrangeirismo: emprego de palavras emprestadas de outra
quintau, quintar, quintal; pastéu, paster, pastel; faróu, farór, farol. língua, que ainda não foram aportuguesadas, preservando a forma
– deslocamento do “r” no interior da sílaba: largato, preguntar, de origem. Nesse caso, há muitas expressões latinas, sobretudo da
estrupo, cardeneta, típicos de pessoas de baixa condição social. linguagem jurídica, tais como: habeas-corpus (literalmente, “tenhas
– a queda do “r” final dos verbos, muito comum na linguagem o corpo” ou, mais livremente, “estejas em liberdade”), ipso facto
oral no português: falá, vendê, curti (em vez de curtir), compô. (“pelo próprio fato de”, “por isso mesmo.
– o acréscimo de vogal no início de certas palavras: eu me
alembro, o pássaro avoa, formas comuns na linguagem clássica, As palavras de origem inglesas são várias: feeling (“sensibilida-
hoje frequentes na fala caipira. de”, capacidade de percepção), briefing (conjunto de informações
– a queda de sons no início de palavras: ocê, cê, ta, tava, ma- básicas).
relo (amarelo), margoso (amargoso), características na linguagem – Jargão: vocabulário típico de um campo profissional como
oral coloquial. a medicina, a engenharia, a publicidade, o jornalismo. Furo é no-
tícia dada em primeira mão. Quando o furo se revela falso, foi uma
Variações Sintáticas barriga.
Correlação entre as palavras da frase. No domínio da sintaxe, – Gíria: vocabulário especial de um grupo que não deseja ser
como no da morfologia, não são tantas as diferenças entre uma va- entendido por outros grupos ou que pretende marcar sua identida-
riante e outra. Como exemplo, podemos citar: de por meio da linguagem. Por exemplo, levar um lero (conversar).
– a substituição do pronome relativo “cujo” pelo pronome – Preciosismo: é um léxico excessivamente erudito, muito raro:
“que” no início da frase mais a combinação da preposição “de” com procrastinar (em vez de adiar); cinesíforo (em vez de motorista).
o pronome “ele” (=dele): É um amigo que eu já conhecia a família – Vulgarismo: o contrário do preciosismo, por exemplo, de
dele (em vez de cuja família eu já conhecia). saco cheio (em vez de aborrecido), se ferrou (em vez de se deu mal,
– a mistura de tratamento entre tu e você, sobretudo quando arruinou-se).
se trata de verbos no imperativo: Entra, que eu quero falar com
você (em vez de contigo); Fala baixo que a sua (em vez de tua) voz Tipos de Variação
me irrita. As variações mais importantes, são as seguintes:
– ausência de concordância do verbo com o sujeito: Eles che- – Sociocultural: Esse tipo de variação pode ser percebido com
gou tarde (em grupos de baixa extração social); Faltou naquela se- certa facilidade.
mana muitos alunos; Comentou-se os episódios. – Geográfica: é, no Brasil, bastante grande. Ao conjunto das
– o uso de pronomes do caso reto com outra função que não características da pronúncia de uma determinada região dá-se o
a de sujeito: encontrei ele (em vez de encontrei-o) na rua; não irão nome de sotaque: sotaque mineiro, sotaque nordestino, sotaque
sem você e eu (em vez de mim); nada houve entre tu (em vez de ti) gaúcho etc.
e ele. – De Situação: são provocadas pelas alterações das circuns-
– o uso do pronome lhe como objeto direto: não lhe (em vez de tâncias em que se desenrola o ato de comunicação. Um modo de
“o”) convidei; eu lhe (em vez de “o”) vi ontem. falar compatível com determinada situação é incompatível com
outra

31
LÍNGUA PORTUGUESA
– Histórica: as línguas se alteram com o passar do tempo e com A Linguagem Popular ou Coloquial
o uso. Muda a forma de falar, mudam as palavras, a grafia e o senti- É aquela usada espontânea e fluentemente pelo povo. Mos-
do delas. Essas alterações recebem o nome de variações históricas. tra-se quase sempre rebelde à norma gramatical e é carregada de
vícios de linguagem (solecismo – erros de regência e concordância;
barbarismo – erros de pronúncia, grafia e flexão; ambiguidade; ca-
cofonia; pleonasmo), expressões vulgares, gírias e preferência pela
NORMA PADRÃO coordenação, que ressalta o caráter oral e popular da língua. A lin-
guagem popular está presente nas conversas familiares ou entre
A Linguagem Culta ou Padrão amigos, anedotas, irradiação de esportes, programas de TV e audi-
É aquela ensinada nas escolas e serve de veículo às ciências tório, novelas, na expressão dos esta dos emocionais etc.
em que se apresenta com terminologia especial. É usada pelas pes-
soas instruídas das diferentes classes sociais e caracteriza-se pela Dúvidas mais comuns da norma culta
obediência às normas gramaticais. Mais comumente usada na lin-
guagem escrita e literária, reflete prestígio social e cultural. É mais Perca ou perda
artificial, mais estável, menos sujeita a variações. Está presente nas Isto é uma perda de tempo ou uma perca de tempo? Tomara
aulas, conferências, sermões, discursos políticos, comunicações que ele não perca o ônibus ou não perda o ônibus? Quais são as fra-
científicas, noticiários de TV, programas culturais etc. ses corretas com perda e perca? Certo: Isto é uma perda de tempo.
Ouvindo e lendo é que você aprenderá a falar e a escrever bem.
Procure ler muito, ler bons autores, para redigir bem. Embaixo ou em baixo
A aprendizagem da língua inicia-se em casa, no contexto fa- O gato está embaixo da mesa ou em baixo da mesa? Continua-
miliar, que é o primeiro círculo social para uma criança. A criança rei falando em baixo tom de voz ou embaixo tom de voz? Quais
imita o que ouve e aprende, aos poucos, o vocabulário e as leis são as frases corretas com embaixo e em baixo? Certo: O gato está
combinatórias da língua. Um falante ao entrar em contato com ou- embaixo da cama
tras pessoas em diferentes ambientes sociais como a rua, a escola
e etc., começa a perceber que nem todos falam da mesma forma. Ver ou vir
Há pessoas que falam de forma diferente por pertencerem a outras A dúvida no uso de ver e vir ocorre nas seguintes construções:
cidades ou regiões do país, ou por fazerem parte de outro grupo Se eu ver ou se eu vir? Quando eu ver ou quando eu vir? Qual das
ou classe social. Essas diferenças no uso da língua constituem as frases com ver ou vir está correta? Se eu vir você lá fora, você vai
variedades linguísticas. ficar de castigo!
Certas palavras e construções que empregamos acabam de-
nunciando quem somos socialmente, ou seja, em que região do Onde ou aonde
país nascemos, qual nosso nível social e escolar, nossa formação e, Os advérbios onde e aonde indicam lugar: Onde você está?
às vezes, até nossos valores, círculo de amizades e hobbies. O uso Aonde você vai? Qual é a diferença entre onde e aonde? Onde indi-
da língua também pode informar nossa timidez, sobre nossa capa- ca permanência. É sinônimo de em que lugar. Onde, Em que lugar
cidade de nos adaptarmos às situações novas e nossa insegurança. Fica?
A norma culta é a variedade linguística ensinada nas escolas,
contida na maior parte dos livros, registros escritos, nas mídias te- Como escrever o dinheiro por extenso?
levisivas, entre outros. Como variantes da norma padrão aparecem: Os valores monetários, regra geral, devem ser escritos com al-
a linguagem regional, a gíria, a linguagem específica de grupos ou garismos: R$ 1,00 ou R$ 1 R$ 15,00 ou R$ 15 R$ 100,00 ou R$ 100
profissões. O ensino da língua culta na escola não tem a finalidade R$ 1400,00 ou R$ 1400.
de condenar ou eliminar a língua que falamos em nossa família ou
em nossa comunidade. O domínio da língua culta, somado ao do-
Obrigado ou obrigada
mínio de outras variedades linguísticas, torna-nos mais preparados
Segundo a gramática tradicional e a norma culta, o homem ao
para nos comunicarmos nos diferentes contextos lingísticos, já que
agradecer deve dizer obrigado. A mulher ao agradecer deve dizer
a linguagem utilizada em reuniões de trabalho não deve ser a mes-
obrigada.
ma utilizada em uma reunião de amigos no final de semana.
Portanto, saber usar bem uma língua equivale a saber empre-
Mal ou mau
gá-la de modo adequado às mais diferentes situações sociais de que
participamos. Como essas duas palavras são, maioritariamente, pronunciadas
A norma culta é responsável por representar as práticas lin- da mesma forma, são facilmente confundidas pelos falantes. Qual a
guísticas embasadas nos modelos de uso encontrados em textos diferença entre mal e mau? Mal é um advérbio, antônimo de bem.
formais. É o modelo que deve ser utilizado na escrita, sobretudo Mau é o adjetivo contrário de bom.
nos textos não literários, pois segue rigidamente as regras gramati-
cais. A norma culta conta com maior prestígio social e normalmente “Vir”, “Ver” e “Vier”
é associada ao nível cultural do falante: quanto maior a escolariza- A conjugação desses verbos pode causar confusão em algumas
ção, maior a adequação com a língua padrão. situações, como por exemplo no futuro do subjuntivo. O correto é,
Exemplo: por exemplo, “quando você o vir”, e não “quando você o ver”.
Venho solicitar a atenção de Vossa Excelência para que seja Já no caso do verbo “ir”, a conjugação correta deste tempo ver-
conjurada uma calamidade que está prestes a desabar em cima bal é “quando eu vier”, e não “quando eu vir”.
da juventude feminina do Brasil. Refiro-me, senhor presidente, ao
movimento entusiasta que está empolgando centenas de moças, “Ao invés de” ou “em vez de”
atraindo-as para se transformarem em jogadoras de futebol, sem “Ao invés de” significa “ao contrário” e deve ser usado apenas
se levar em conta que a mulher não poderá praticar este esporte para expressar oposição.
violento sem afetar, seriamente, o equilíbrio fisiológico de suas fun- Por exemplo: Ao invés de virar à direita, virei à esquerda.
ções orgânicas, devido à natureza que dispôs a ser mãe.

32
LÍNGUA PORTUGUESA
Já “em vez de” tem um significado mais abrangente e é usado 2. (PREFEITURA DE CARANAÍBA - MG - ASSISTENTE SOCIAL -
principalmente como a expressão “no lugar de”. Mas ele também FCM - 2019)
pode ser usado para exprimir oposição. Por isso, os linguistas reco-
mendam usar “em vez de” caso esteja na dúvida. Um país do balacobaco
Mentor Neto
Por exemplo: Em vez de ir de ônibus para a escola, fui de bici-
cleta. 1. Nossa cultura popular é uma enciclopédia aberta, envolven-
te e rica em termos e frases de profundidade inquestionável. Co-
“Para mim” ou “para eu” nhecimento comum, da gente simples, do dia a dia, que resultou
Os dois podem estar certos, mas, se você vai continuar a frase em gotículas de sabedoria muitas vezes desprezadas. Ao longo dos
com um verbo, deve usar “para eu”. anos venho colecionando inúmeras. Utilizo esta enciclopédia aber-
Por exemplo: Mariana trouxe bolo para mim; Caio pediu para ta como repositório que, acredito, poderia ser de amplo emprego
eu curtir as fotos dele. por alguns brasileiros.
2. É verdade que algumas dessas expressões caíram em desuso,
“Tem” ou “têm” mas nem por isso perderam o brilhantismo. Por exemplo, no es-
Tanto “tem” como “têm” fazem parte da conjugação do verbo cândalo mais recente, o caso Intercept Brasil, o conselho “em boca
“ter” no presente. Mas o primeiro é usado no singular, e o segundo fechada não entra mosca” teria sido de profunda utilidade. 
no plural. 3. Há como descrever melhor o trabalho da Lava Jato do que
Por exemplo: Você tem medo de mudança; Eles têm medo de com um “cada enxadada uma minhoca”? Aos acusados ou suspei-
mudança. tos de corrupção, aos que se enriqueceram por meios ilícitos, um
“bobeou, dançou” cai feito uma luva.
“Há muitos anos”, “muitos anos atrás” ou “há muitos anos 4. “Entornar o caldo” me parece adequado quando nos refe-
atrás” rimos à cultura de delações premiadas na qual estamos imersos.
Usar “Há” e “atrás” na mesma frase é uma redundância, já que Por falar nisso, os delatores encontram um sábio conselho no “ajoe-
ambas indicam passado. O correto é usar um ou outro. lhou, tem que rezar” ou, quem sabe, no consagrado “colocar a boca
Por exemplo: A erosão da encosta começou há muito tempo; O no trombone”! Já aos que preferem manter o silêncio, “boca de siri”
romance começou muito tempo atrás. é o ideal.
Sim, isso quer dizer que a música Eu nasci há dez mil anos atrás, 5. Alguns personagens desse “bafafá” que tomou conta de nos-
de Raul Seixas, está incorreta. sa política são protagonistas tão importantes que merecem frases
conhecidas de aplicação exclusiva, já que “entraram numa fria”. Afi-
nal, como descrever mais precisamente o que ocorreu com aquele
que “foi pego com a boca na botija”?
EXERCÍCIOS 6. Para os destacados empresários do ramo frigorífico, um belo
“mamar na vaca você não quer, né?” é incontestável. Tenho certeza
1. (PREFEITURA DE CARANAÍBA - MG - AUXILIAR DE CONSULTÓ- de que o estimado leitor há de concordar.
RIO DENTÁRIO - FCM - 2019) 7. E os deputados e senadores? E os que infringiram acordos?
Ou aquilo está “um quiprocó”, “um perereco” do caramba mesmo.
O Sol e a Neve Alguns ministros “aparecem mais que umbigo de vedete”, mas a
real é que deveriam “sair de fininho”.
Era uma floquinha de neve que vivia no alto de uma montanha 8. A verdade é que o País está “do jeito que o diabo gosta” e
gelada. Um dia, se apaixonou pelo sol. E passou a flertar descarada- cabe a nós acabar logo com esse “lero-lero” e “partir pras cabeças”.
mente com ele. “Cuidado!”, alertaram os flocos mais experientes. Afinal, amigo, nossa situação “está mais feia que bater na mãe”.
“Você pode se derreter”. Mas a nevinha não queria nem saber e IstoÉ, n. 2581, 19 jun. 2019. Adaptado
continuava a olhar para o Sol, que com seus raios a queimava de
paixão. Ela nem percebia o quanto se derretia... e ficou ali um bom Avalie as informações sobre aspectos estilísticos e semânticos
tempo, só se derretendo, se derretendo. Quando viu, era uma goti- utilizados pelo autor do texto.
nha, uma pequena lágrima de amor descendo, com nobreza e deli- I. No período “Tenho certeza de que o estimado leitor há de
cadeza, a montanha. Lá embaixo, um rio esperava por ela. concordar...”, algumas palavras estão empregadas no sentido cono-
Disponível em: <file:///C:/Users/sosan/Downloads/2014-08a-18s- tativo.
-ep-05.pdf> Acesso em: 15 ago. 2019. II. Identifica-se a metonímia em um dos sintagmas da estrutura
frasal “... aos que se enriqueceram por meios ilícitos, um ‘bobeou,
No sentido figurado, a personificação confere características, dançou’ cai feito uma luva”. (§3)
qualidades e sentimentos de seres humanos a seres irracionais ou III. A locução adjetiva “do balacobaco”, presente no título, diz
inanimados. respeito a algo inverossímil, descontextualizado e que caiu em de-
O trecho em que a personificação NÃO aparece é suso.
(A) “Lá embaixo, um rio esperava por ela.” IV. Em “Nossa cultura popular é uma enciclopédia aberta, en-
(B) “... com seus raios a queimava de paixão.” volvente e rica em termos e frases de profundidade inquestionável”
(C) “Mas a nevinha (...) continuava a olhar para o sol”. (§1), uma das figuras de linguagem empregada é a personificação.
(D) “‘Cuidado’!, alertaram os flocos mais experientes.” V. A expressão “enciclopédia aberta” (§1) é uma metáfora, pois
nela as palavras foram retiradas do seu contexto convencional e um
novo campo de significação se instaurou por meio de uma compa-
ração implícita.

33
LÍNGUA PORTUGUESA
Está correto apenas o que se afirma em 5. (CORE-MT - ASSISTENTE ADMINISTRATIVO - INSTITUTO EX-
(A) II e IV. CELÊNCIA - 2019)
(B) IV e V. Na tirinha abaixo, há dois exemplos de figura de linguagem,
(C) I, II, III. identifique-os e assinale a alternativa CORRETA:
(D) I, III e V.

3. (EMDEC - ADVOGADO JR - IBFC - 2019)

A perfeição (adaptado)

O susto de reencontrar alguém que não vemos há anos é o im-


pacto do tempo. O desmanche alheio incomoda? Claro que não,
apenas o nosso refletido na hipótese de estarmos também daquele
jeito. Há momentos nos quais o salto para o abismo do fim parece
mais dramático: especialmente entre 35 e 55. (...)
Agatha Christie deu um lindo argumento para todos nós que
envelhecemos. Na sua Autobiografia, narra que a solução de um ca-
samento feliz está em imitar o segundo casamento da autora: con-
trair núpcias com um arqueólogo (no caso, Max Mallowan), pois,
quanto mais velha ela ficava, mais o marido se apaixonava. Talvez
o mesmo indicativo para homens e mulheres estivesse na busca de
geriatras, restauradores, historiadores, egiptólogos ou, no limite, (A) Metáfora e pleonasmo.
tanatologistas. (B) Metáfora e antítese.
Envelhecer é complexo, a opção é mais desafiadora. O célebre (C) Metonímia e hipérbole.
historiador israelense Yuval Harari prevê que a geração alpha (nas- (D) Metonímia e ironia.
cidos no século em curso) chegará, no mínimo, a 120 anos se obti- (E) Nenhuma das alternativas.
ver cuidados básicos. O Brasil envelhece demograficamente e nós
poderíamos ser chamados de vanguarda do novo processo. Dizem 6. (CORE-MT - ASSISTENTE ADMINISTRATIVO - INSTITUTO EX-
que Nelson Rodrigues aconselhava aos jovens que envelhecessem, CELÊNCIA - 2019)
como o melhor indicador do caminho a seguir. Não precisamos do Em “Tempos Modernos”, fez-se o uso de figuras de linguagem,
conselho pois o tempo é ceifador inevitável. (...) assinale a alternativa em que os termos destacados têm a classifi-
Como em toda peça teatral, o descer das cortinas pode ser cação corretamente:
a deixa para um aplauso caloroso ou um silêncio constrangedor,
quando não vaia estrondosa. É sabedoria que o tempo ensina, ao ”Hoje o tempo voa, amor
retirar nossa certeza com o processo de aprendizado. Hoje começa escorre pelas mãos
mais um dia e mais uma etapa possível. Hoje é um dia diferente de ...Vamos viver tudo que há pra viver .
todos. Você, tendo 16 ou 76, será mais velho amanhã e terá um dia ..eu vejo um novo começo de era
a menos de vida. Hoje é o dia. Jovens, velhos e adjacentes: é preciso de gente fina, elegante, sincera
ter esperança.  com habilidade para dizer mais sim do que não

Leia os trechos retirados do texto e assinale a alternativa (A) Prosopopeia / pleonasmo / gradação / antítese.
que não possui uma figura de linguagem em sua construção. (B) Metáfora / pleonasmo / gradação / antítese.
(A) “pois o tempo é ceifador inevitável.” (C) Metáfora / hipérbole / gradação / antítese.
(B) “deixa para um aplauso caloroso.” (D) Pleonasmo / metáfora / antítese / gradação.
(C) “É sabedoria que o tempo ensina.” (E) Nenhuma das alternativas.
(D) “Você, tendo 16 ou 76, será mais velho amanhã.”
7. (PREFEITURA DE PIRACICABA - SP - PROFESSOR - EDUCA-
4. (CORE-MT – FISCAL - INSTITUTO EXCELÊNCIA - 2019) ÇÃO INFANTIL - VUNESP - 2020)

Assinale a alternativa que contém as figuras de linguagem cor- Escola inclusiva


respondentes aos períodos a seguir:
I- “Está provado, quem ama o feio, bonito lhe parece.” É alvissareira a constatação de que 86% dos brasileiros concor-
II- “ Era a união do amor e o ódio.” dam que há melhora nas escolas quando se incluem alunos com
III- Ele foi discriminado por faltar com a verdade.” deficiência.
Uma década atrás, quando o país aderiu à Convenção sobre
IV- Marta quase morreu de tanto rir no circo.
os Direitos das Pessoas com Deficiência e assumiu o dever de uma
educação inclusiva, era comum ouvir previsões negativas para tal
(A) ironia - antítese - eufemismo - hipérbole.
perspectiva generosa. Apesar das dificuldades óbvias, ela se tornou
(B) eufemismo - ironia - hipérbole - antítese.
lei em 2015 e criou raízes no tecido social.
(C) hipérbole - eufemismo - antítese - ironia.
A rede pública carece de profissionais satisfatoriamente qualifi-
(D) antítese - hipérbole – ironia – eufemismo.
cados até para o mais básico, como o ensino de ciências; o que dizer
(E) Nenhuma das alternativas.
então de alunos com gama tão variada de dificuldades.
Os empecilhos vão desde o acesso físico à escola, como o en-
frentado por cadeirantes, a problemas de aprendizado criados por
limitações sensoriais – surdez, por exemplo – e intelectuais.

34
LÍNGUA PORTUGUESA
Bastaram alguns anos de convívio em sala, entretanto, para Em “A Guerra das Salamandras”, romance de 1936 do tcheco
minorar preconceitos. A maioria dos entrevistados (59%), hoje, dis- Karel Čapek (pronuncia-se tchá-pek), um explorador descobre na
corda de que crianças com deficiência devam aprender só na com- costa de Sumatra uma raça de lagartos gigantes, hábeis em colher
panhia de colegas na mesma condição. pérolas e construir diques submarinos. Em troca das pérolas que as
Tal receptividade decerto não elimina o imperativo de contar salamandras lhe entregam, ele lhes fornece facas para se defende-
com pessoal capacitado, em cada estabelecimento, para lidar com rem dos tubarões. O resto, você adivinhou: as salamandras se re-
necessidades específicas de cada aluno. O censo escolar indica 1,2 produzem, tornam-se milhões, ocupam os litorais, aprendem a falar
milhão de alunos assim categorizados. Embora tenha triplicado o e inundam os continentes. São agora bilhões e tomam o mundo.
número de professores com alguma formação em educação espe- Não quero dizer que os micróbios comedores de lixo podem
cial inclusiva, contam-se não muito mais que 100 mil deles no país. se tornar as salamandras de Čapek. É que, no livro, as salamandras
Não se concebe que possa haver um especialista em cada sala de aprendem a gerir o mundo melhor do que nós. Com os micróbios
aula. no comando, nossos mares, pelo menos, estarão a salvo.
As experiências mais bem-sucedidas criaram na escola uma es- Ruy Castro, jornalista, biógrafo e escritor brasileiro. Folha de S. Paulo.
trutura para o atendimento inclusivo, as salas de recursos. Aí, ao Caderno Opinião, p. A2, 20 mai. 2019.
menos um profissional preparado se encarrega de receber o aluno
e sua família para definir atividades e de auxiliar os docentes do Os pronomes pessoais oblíquos átonos, em relação ao verbo,
período regular nas técnicas pedagógicas. possuem três posições: próclise (antes do verbo), mesóclise (no
Não faltam casos exemplares na rede oficial de ensino. Compe- meio do verbo) e ênclise (depois do verbo).
te ao Estado disseminar essas iniciativas exitosas por seus estabele- Avalie as afirmações sobre o emprego dos pronomes oblíquos
cimentos. Assim se combate a tendência ainda existente a segregar nos trechos a seguir.
em salas especiais os estudantes com deficiência – que não se con- I – A próclise se justifica pela presença da palavra negativa: “E
funde com incapacidade, como felizmente já vamos aprendendo. não se contenta em brindar os mares, rios e lagoas com seus pró-
(Editorial. Folha de S.Paulo, 16.10.2019. Adaptado) prios dejetos.”
II – A ênclise ocorre por se tratar de oração iniciada por verbo:
Assinale a alternativa em que, com a mudança da posição do
“Intoxica-os também com garrafas plásticas, pneus, computadores,
pronome em relação ao verbo, conforme indicado nos parênteses,
sofás e até carcaças de automóveis.”
a redação permanece em conformidade com a norma-padrão de
III – A próclise é sempre empregada quando há locução verbal:
colocação dos pronomes.
“Não quero dizer que os micróbios comedores de lixo podem se
(A) ... há melhora nas escolas quando se incluem alunos com
tornar as salamandras de Čapek.”
deficiência. (incluem-se)
IV – O sujeito expresso exige o emprego da ênclise: “O ser hu-
(B) ... em educação especial inclusiva, contam-se  não muito
mano revelou-se capaz de dividir o átomo, derrotar o câncer e pro-
mais que 100 mil deles no país. (se contam)
(C) Não se concebe que possa haver um especialista em cada duzir um ‘Dom Quixote’”.
sala de aula. (concebe-se)
(D) Aí, ao menos um profissional preparado  se  encarrega de Está correto apenas o que se afirma em
receber o aluno... (encarrega-se) (A) I e II.
(E) ... que não se confunde com incapacidade, como felizmente (B) I e III.
já vamos aprendendo. (confunde-se) (C) II e IV.
(D) III e IV.
8. (PREFEITURA DE CARANAÍBA - MG - AGENTE COMUNITÁ-
RIO DE SAÚDE - FCM - 2019) 9. (PREFEITURA DE BIRIGUI - SP - EDUCADOR DE CRECHE -
VUNESP - 2019)
Dieta salvadora Certo discurso ambientalista tradicional recorrentemente bus-
A ciência descobre um micróbio adepto de um ca indícios de que o problema ambiental seja universal (e de fato
alimento abundante: o lixo plástico no mar. é), atemporal (nem tanto) e generalizado (o que é desejável). Algu-
ma ingenuidade conceitual poderia marcar o ambientalismo apo-
O ser humano revelou-se capaz de dividir o átomo, derrotar o logético; haveria dilemas ambientais em todos os lugares, tempos,
câncer e produzir um “Dom Quixote”. Só não consegue dar um des- culturas. É a bambificação(*) da natureza. Necessária, no entanto,
tino razoável ao lixo que produz. E não se contenta em brindar os como condição de sobrevivência. Há quem tenha encontrado nor-
mares, rios e lagoas com seus próprios dejetos. Intoxica-os também mas ambientais na Bíblia, no Direito grego, e até no Direito romano.
com garrafas plásticas, pneus, computadores, sofás e até carcaças São Francisco de Assis, nessa linha, prosaica, seria o santo padroeiro
de automóveis. Tudo que perde o uso é atirado num curso d’água, das causas ambientais; falava com plantas e animais.
subterrâneo ou a céu aberto, que se encaminha inevitavelmente A proteção do meio ambiente seria, nesse contexto, instintiva,
para o mar. O resultado está nas ilhas de lixo que se formam, da predeterminando objeto e objetivo. Por outro lado, e este é o meu
Guanabara ao Pacífico. argumento, quando muito, e agora utilizo uma categoria freudiana,
De repente, uma boa notícia. Cientistas da Grécia, Suíça, Itália, a pretensão de proteção ambiental seria pulsional, dado que resiste
China e dos Emirados Árabes descobriram em duas ilhas gregas um a uma pressão contínua, variável na intensidade. Assim, numa di-
micróbio marinho que se alimenta do carbono contido no plástico mensão qualitativa, e não quantitativa, é que se deveria enfrentar
jogado ao mar. Parece que, depois de algum tempo ao sol e atacado a questão, que também é cultural. E que culturalmente pode ser
pelo sal, o plástico, seja mole, como o das sacolas, ou duro, como o abordada.
das embalagens, fica quebradiço – no ponto para que os micróbios, O problema, no entanto, é substancialmente econômico. O
de guardanapo ao pescoço, o decomponham e façam a festa. Os dilema ambiental só se revela como tal quando o meio ambiente
cientistas estão agora criando réplicas desses micróbios, para que passa a ser limite para o avanço da atividade econômica. É nesse
eles ajudem os micróbios nativos a devorar o lixo. Haja estômago. sentido que a chamada internalização da externalidade negativa
exige justificativa para uma atuação contra-fática.

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LÍNGUA PORTUGUESA
Uma nuvem de problematização supostamente filosófica tam- No plano econômico, a plena mobilidade da mão de obra se-
bém rondaria a discussão. Antropocêntricos acreditam que a prote- ria muito bem-vinda. Segundo algumas estimativas, ela faria o PIB
ção ambiental seria narcisística, centrada e referenciada no próprio mundial aumentar em até 50%. Mesmo que esses cálculos estejam
homem. Os geocêntricos piamente entendem que a natureza deva inflados, só uma fração de 10% já significaria um incremento da or-
ser protegida por próprios e intrínsecos fundamentos e característi- dem de US$ 10 trilhões (uns cinco Brasis).
cas. Posições se radicalizam. Uma das principais razões para o mundo ser mais pobre do
A linha de argumento do ambientalista ingênuo lembra-nos o que poderia é que enormes contingentes de humanos vivem sob
“salto do tigre” enunciado pelo filósofo da cultura Walter Benjamin, sistemas que os impedem de ser produtivos. Um estudo de 2016
em uma de suas teses sobre a filosofia da história. Qual um tigre de Clemens, Montenegro e Pritchett estimou que só tirar um tra-
mergulhamos no passado, e apenas apreendemos o que interessa balhador macho sem qualificação de seu país pobre de origem e
para nossa argumentação. É o que se faz, a todo tempo. transportá-lo para os EUA elevaria sua renda anual em US$ 14 mil.
(Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy. Disponível em: https://www. A imigração se torna ainda mais tentadora quando se considera
conjur.com.br/2011. Acesso em: 10.08.2019. Adaptado) que é a resposta perfeita para países desenvolvidos que enfrentam
o problema do envelhecimento populacional.
(*) Referência ao personagem Bambi, filhote de cervo conhe- Não obstante tantas virtudes, imigrantes podem ser maltrata-
cido como “Príncipe da Floresta”, em sua saga pela sobrevivência dos e até perseguidos quando cruzam a fronteira, especialmente
na natureza.  se vêm em grandes números. Isso está acontecendo até no Brasil,
que não tinha histórico de xenofobia. Desconfio de que estão em
Assinale a alternativa que reescreve os trechos destacados em- operação aqui vieses da Idade da Pedra, tempo em que membros
pregando pronomes, de acordo com a norma-padrão de regência e de outras tribos eram muito mais uma ameaça do que uma solução.
colocação. De todo modo, caberia às autoridades incentivar a imigração,
Uma nuvem de problematização supostamente filosófica tam- tomando cuidado para evitar que a chegada dos estrangeiros dê
bém rondaria a discussão. / Alguma ingenuidade conceitual pode- pretexto para cenas de barbárie. Isso exigiria recebê-los com inte-
ria marcar o ambientalismo apologético. ligência, minimizando choques culturais e distribuindo as famílias
(A) ... lhe rondaria ... o poderia marcar por regiões e cidades em que podem ser mais úteis. É tudo o que
(B) ... rondá-la-ia ... poderia marcar ele não estamos fazendo.
(C) ... rondaria-a ... podê-lo-ia marcar (Hélio Schwartsman. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/
(D) ... rondaria-lhe ... poderia o marcar colunas/.28.08.2018. Adaptado)
(E) ... a rondaria ... poderia marcá-lo Considere as frases:
• países desenvolvidos que enfrentam o problema do envelhe-
cimento populacional. (4º parágrafo)
10. (PREFEITURA DE CABO DE SANTO AGOSTINHO - PE -
• ... minimizando choques culturais e distribuindo  as famí-
TÉCNICO EM SANEAMENTO - IBFC - 2019)
lias por regiões e cidades em que podem ser mais úteis. (6º pará-
grafo)
Vou-me embora pra Pasárgada,
lá sou amigo do Rei”.
A substituição das expressões em destaque por pronomes está
(M.Bandeira)
de acordo com a norma-padrão de emprego e colocação em:
(A) enfrentam-no; distribuindo-lhes.
Quanto à regra de colocação pronominal utilizada, assinale a (B) o enfrentam; lhes distribuindo.
alternativa correta. (C) o enfrentam; distribuindo-as.
(A) Ênclise: em orações iniciadas com verbos no presente ou (D) enfrentam-no; lhes distribuindo.
pretérito afirmativo, o pronome oblíquo deve ser usado pos- (E) lhe enfrentam; distribuindo-as.
posto ao verbo.
(B) Próclise: em orações iniciadas com verbos no presente ou 12. (PREFEITURA DE PERUÍBE - SP – SECRETÁRIO DE ESCOLA
pretérito afirmativo, o pronome oblíquo deve ser usado pos- - VUNESP - 2019)
posto ao verbo. Considere a frase a seguir. Como as crianças são naturalmente
(C) Mesóclise: em orações iniciadas com verbos no presente ou agitadas, cabe aos adultos impor às crianças limites que garantam
pretérito afirmativo, o pronome oblíquo deve ser usado pos- às crianças um desenvolvimento saudável. Para eliminar as repeti-
posto ao verbo. ções da frase, as expressões destacadas devem ser substituídas, em
(E) Próclise: em orações iniciadas com verbos no imperativo conformidade com a norma-padrão da língua, respectivamente, por
afirmativo, o pronome oblíquo deve ser usado posposto ao (A) impor-nas ... lhes garantam
verbo. (B) impor-lhes ... as garantam
(C) impô-las ... lhes garantam
11. (PREFEITURA DE PERUÍBE - SP - INSPETOR DE ALUNOS (D) impô-las ... as garantam
- VUNESP - 2019) (E) impor-lhes ... lhes garantam
Pelo fim das fronteiras
13. (PREFEITURA DE BLUMENAU - SC - PROFESSOR - GEO-
Imigração é um fenômeno estranho. Do ponto de vista pura- GRAFIA – MATUTINO - FURB – 2019)
mente racional, ela é a solução para vários problemas globais. Mas, O tradicional desfile do aniversário de Blumenau, que completa
como o mundo é um lugar menos racional do que deveria, pessoas 169 anos de fundação nesta segunda-feira, teve outra data especial
que buscam refúgio em outros países costumam ser recebidas com para comemorar: os 200 anos de nascimento do Doutor Hermann
desconfiança quando não com violência, o que diminui o valor da Blumenau. __________ 15 mil pessoas que estiveram na Rua XV de
imigração como remédio multiuso. Novembro nesta manhã acompanhando o desfile, de acordo com
estimativa da Fundação Cultural, conheceram um pouco mais da
vida do fundador do município. [...] O desfile também apresentou

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LÍNGUA PORTUGUESA
aspectos da colonização alemã no Vale do Itajaí. Dessa forma, as 17. (AOCP – PREF. DE CATU/BA – BIBLIOTECÁRIO – 2007) Leia
bandeiras e moradores das 42 cidades do território original de Blu- a seguinte sentença: Não precisaremos voltar ao médico nem fazer
menau, que foi fundado por Hermann, também estiveram repre- exames. Assinale a alternativa que classifica corretamente as duas
sentadas na Rua XV de Novembro. [...] orações.
Disponível em: <https://www.nsctotal.com.br/noticias/desfile-em-blu- (A) Oração coordenada assindética e oração coordenada
menau-comemora-o-aniversario-da-cidade-e-os-200-anos-do-funda- adversativa.
dor>.Acesso em: 02 set. 2019.[adaptado] (B) Oração principal e oração coordenada sindética aditiva.
(C) Oração coordenada assindética e oração coordenada
No mesmo excerto “Dessa forma, as bandeiras e moradores aditiva.
das 42 cidades do território original de Blumenau, que foi fundado (D) Oração principal e oração subordinada adverbial consecu-
por Hermann, também estiveram representadas na Rua XV de No- tiva.
vembro.”, a palavra destacada pertence à classe gramatical: (E) Oração coordenada assindética e oração coordenada
(A) conjunção adverbial consecutiva.
(B) pronome
(C) preposição 18. (EMPASIAL – TJ/SP – ESCREVENTE JUDICIÁRIO – 1999) Ana-
(D) advérbio lise sintaticamente a oração em destaque:
(E) substantivo “Bem-aventurados os que ficam, porque eles serão recompen-
sados” (Machado de Assis).
14. (PREFEITURA DE BLUMENAU - SC - PROFESSOR - PORTU- (A) oração subordinada substantiva completiva nominal.
GUÊS – MATUTINO - FURB – 2019) (B) oração subordinada adverbial causal.
(C) oração subordinada adverbial temporal desenvolvida.
Determinado, batalhador, estudioso, dedicado e inquieto. Mui- (D) oração coordenada sindética conclusiva.
tos são os adjetivos que encontramos nos livros de história para (E) oração coordenada sindética explicativa.
definir Hermann Blumenau. Desde os primeiros anos da colônia, es-
teve determinado a construir uma casa melhor para viver com sua 19. (FGV – SENADO FEDERAL – TÉCNICO LEGISLATIVO – ADMI-
família, talvez em um terreno que lhe pertencia no morro do aipim. NISTRAÇÃO – 2008) “Mas o fato é que transparência deixou de ser
Infelizmente, nunca concretizou este sonho, porém, nunca deixou um processo de observação cristalina para assumir um discurso de
de zelar por tudo aquilo que lhe dizia respeito.[...] políticas de averiguação de custos engessadas que pouco ou quase
Disponível em: <https://www.blumenau.sc.gov.br/secretarias/funda- nada retratam as necessidades de populações distintas.”.
cao-cultural/fcblu/memaoria-digital-ao-comemoraacaao-200-anos-dr- A oração grifada no trecho acima classifica-se como:
-blumenau85>. Acesso em: 05 set. 2019. [adaptado] (A) subordinada substantiva predicativa;
(B) subordinada adjetiva restritiva;
Sobre a colocação dos pronomes átonos nos excertos: “...talvez (C) subordinada substantiva subjetiva;
em um terreno que lhe pertencia no morro do aipim.” e “...zelar por (D) subordinada substantiva objetiva direta;
tudo aquilo que  lhe  dizia respeito.”, podemos afirmar que ambas (E) subordinada adjetiva explicativa.
as próclises estão corretas, pois o verbo está precedido de palavras
que atraem o pronome para antes do verbo. Assinale a alternativa 20. (FUNCAB – PREF. PORTO VELHO/RO – MÉDICO – 2009) No
que identifica essas palavras atrativas dos excertos: trecho abaixo, as orações introduzidas pelos termos grifados são
(A) palavras de sentido negativo classificadas, em relação às imediatamente anteriores, como:
(B) advérbios “Não há dúvida de que precisaremos curtir mais o dia a dia,
(C) conjunções subordinativas mas nunca à custa de nossos filhos...”
(D) pronomes demonstrativos (A) subordinada substantiva objetiva indireta e coordenada
(E) pronomes relativos sindética adversativa;
(B) subordinada adjetiva restritiva e coordenada sindética
15. Levando-se em consideração os conceitos de frase, oração explicativa;
e período, é correto afirmar que o trecho abaixo é considerado um (C) subordinada adverbial conformativa e subordinada adver-
(a): bial concessiva;
“A expectativa é que o México, pressionado pelas mudanças (D) subordinada substantiva completiva nominal e coordenada
americanas, entre na fila.” sindética adversativa;
(A) Frase, uma vez que é composta por orações coordenadas e (E) subordinada adjetiva restritiva e subordinada adverbial
subordinadas. concessiva.
(B) Período, composto por três orações.
(C) Oração, pois possui sentido completo. 21. (ACEP – PREF. QUIXADÁ/CE – PSICÓLOGO – 2010) No pe-
(D) Período, pois é composto por frases e orações. ríodo “O essencial é o seguinte: //nunca antes neste país houve um
governo tão imbuído da ideia // de que veio // para recomeçar a
16. (AOCP – PREF. DE CATU/BA – MECÂNICO DE VEÍCULOS – história.”, a oração sublinhada é classificada como:
2007) Leia a seguinte sentença: Joana tomou um sonífero e não dor- (A) coordenada assindética;
miu. Assinale a alternativa que classifica corretamente a segunda (B) subordinada substantiva completiva nominal;
oração. (C) subordinada substantiva objetiva indireta;
(A) Oração coordenada assindética aditiva. (D) subordinada substantiva apositiva.
(B) Oração coordenada sindética aditiva.
(C) Oração coordenada sindética adversativa.
(D) Oração coordenada sindética explicativa.
(E) Oração coordenada sindética alternativa.

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LÍNGUA PORTUGUESA
22. (FDC – PROFESSOR DE PORTUGUÊS II – 2005) Marque a (C) sábio.
série em que o hífen está corretamente empregado nas cinco pa- (D) também.
lavras: (E) lâmpada.
(A) pré-nupcial, ante-diluviano, anti-Cristo, ultra-violeta, infra-
-vermelho. 27. (FGV – SENADO FEDERAL – POLICIAL LEGISLATIVO FEDERAL
(B) vice-almirante, ex-diretor, super-intendente, extrafino, – 2008) Assinale a alternativa em que se tenha optado corretamen-
infra-assinado. te por utilizar ou não o acento grave indicativo de crase.
(C) anti-alérgico, anti-rábico, ab-rupto, sub-rogar, antihigiêni- (A) Vou à Brasília dos meus sonhos.
co. (B) Nosso expediente é de segunda à sexta.
(D) extraoficial, antessala, contrassenso, ultrarrealismo, con- (C) Pretendo viajar a Paraíba.
trarregra. (D) Ele gosta de bife à cavalo.
(E) co-seno, contra-cenar, sobre-comum, sub-humano, infra-
-mencionado. 28. (FDC – MAPA – ANALISTA DE SISTEMAS – 2010) Na oração
“Eles nos deixaram À VONTADE” e no trecho “inviabilizando o ata-
23. (ESAF – SRF – AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL – que, que, naturalmente, deveria ser feito À DISTÂNCIA”, observa-se
2003) Indique o item em que todas as palavras estão corretamente a ocorrência da crase nas locuções adverbiais em caixa-alta. Nas
empregadas e grafadas. locuções das frases abaixo também ocorre a crase, que deve ser
(A) A pirâmide carcerária assegura um contexto em que o marcada com o acento, EXCETO em:
poder de infringir punições legais a cidadãos aparece livre de (A) Todos estavam à espera de uma solução para o problema.
qualquer excesso e violência. (B) À proporção que o tempo passava, maior era a angústia do
(B) Nos presídios, os chefes e subchefes não devem ser exata- eleitorado pelo resultado final.
mente nem juízes, nem professores, nem contramestres, nem (C) Um problema à toa emperrou o funcionamento do siste-
suboficiais, nem “pais”, porém avocam a si um pouco de tudo ma.
isso, num modo de intervenção específico. (D) Os técnicos estavam face à face com um problema insolú-
(C) O carcerário, ao homogeinizar o poder legal de punir e o vel.
poder técnico de disciplinar, ilide o que possa haver de violen- (E) O Tribunal ficou à mercê dos hackers que invadiram o
to em um e de arbitrário no outro, atenuando os efeitos de sistema.
revolta que ambos possam suscitar.
(D) No singular poder de punir, nada mais lembra o antigo po- 29. (CESGRANRIO – FINEP – TÉCNICO – 2011) A vírgula pode
der do soberano iminente que vingava sua autoridade sobre o ser retirada sem prejuízo para o significado e mantendo a norma
corpo dos supliciados. padrão na seguinte sentença:
(E) A existência de uma proibição legal cria em torno dela um (A) Mário, vem falar comigo depois do expediente.
campo de práticas ilegais, sob o qual se chega a exercer con- (B) Amanhã, apresentaremos a proposta de trabalho.
trole e aferir lucro ilícito, mas que se torna manejável por sua (C) Telefonei para o Tavares, meu antigo chefe.
organização em delinqüência. (D) Encomendei canetas, blocos e crachás para a reunião.
(E) Entrou na sala, cumprimentou a todos e iniciou o discurso.
24. (FCC – METRÔ/SP – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO JÚNIOR
– 2012) A frase que apresenta INCORREÇÕES quanto à ortografia é: 30. (CESGRANRIO – PETROBRAS – TÉCNICO DE ENFERMAGEM
(A) Quando jovem, o compositor demonstrava uma capacida- DO TRABALHO – 2011) Há ERRO quanto ao emprego dos sinais de
de extraordinária de imitar vários estilos musicais. pontuação em:
(B) Dizem que o músico era avesso à ideia de expressar senti- (A) Ao dizer tais palavras, levantou-se, despediu-se dos convi-
mentos pessoais por meio de sua música. dados e retirou-se da sala: era o final da reunião.
(C) Poucos estudiosos se despõem a discutir o empacto das (B) Quem disse que, hoje, enquanto eu dormia, ela saiu sorra-
composições do músico na cultura ocidental. teiramente pela porta?
(D) Salvo algumas exceções, a maioria das óperas do compo- (C) Na infância, era levada e teimosa; na juventude, tornou-se
sitor termina em uma cena de reconciliação entre os persona- tímida e arredia; na velhice, estava sempre alheia a tudo.
gens. (D) Perdida no tempo, vinham-lhe à lembrança a imagem
(E) Alguns acreditam que o valor da obra do compositor se muito branca da mãe, as brincadeiras no quintal, à tarde, com
deve mais à árdua dedicação do que a arroubos de inspiração. os irmãos e o mundo mágico dos brinquedos.
(E) Estava sempre dizendo coisas de que mais tarde se arre-
25. (FUNIVERSA – CEB – ADVOGADO – 2010) Assinale a alter- penderia. Prometia a si própria que da próxima vez, tomaria
nativa em que todas as palavras são acentuadas pela mesma razão. cuidado com as palavras, o que entretanto, não acontecia.
(A) “Brasília”, “prêmios”, “vitória”.
(B) “elétrica”, “hidráulica”, “responsáveis”. 31. (FCC – INFRAERO – ADMINISTRADOR – 2011) Está inteira-
(C) “sérios”, “potência”, “após”. mente correta a pontuação do seguinte período:
(D) “Goiás”, “já”, “vários”. (A) Os personagens principais de uma história, responsáveis
(E) “solidária”, “área”, “após”. pelo sentido maior dela, dependem, muitas vezes, de peque-
nas providências que, tomadas por figurantes aparentemente
26. (CESGRANRIO – CMB – ASSISTENTE TÉCNICO ADMINISTRA- sem importância, ditam o rumo de toda a história.
TIVO – 2012) Algumas palavras são acentuadas com o objetivo ex- (B) Os personagens principais, de uma história, responsáveis
clusivo de distingui-las de outras. Uma palavra acentuada com esse pelo sentido maior dela, dependem muitas vezes, de peque-
objetivo é a seguinte: nas providências que tomadas por figurantes, aparentemente
(A) pôr. sem importância, ditam o rumo de toda a história.
(B) ilhéu.

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LÍNGUA PORTUGUESA
(C) Os personagens principais de uma história, responsáveis 35. (ESAF – CGU – ANALISTA DE FINANÇAS E CONTROLE – 2012)
pelo sentido maior dela dependem muitas vezes de pequenas Assinale a opção que fornece a correta justificativa para as relações
providências, que, tomadas por figurantes aparentemente, de concordância no texto abaixo.
sem importância, ditam o rumo de toda a história. O bom desempenho do lado real da economia proporcionou
(D) Os personagens principais, de uma história, responsáveis um período de vigoroso crescimento da arrecadação. A maior lucra-
pelo sentido maior dela, dependem, muitas vezes de peque- tividade das empresas foi decisiva para os resultados fiscais favo-
nas providências, que tomadas por figurantes aparentemente ráveis. Elevaram-se, de forma significativa e em valores reais, de-
sem importância, ditam o rumo de toda a história. flacionados pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), as
(E) Os personagens principais de uma história, responsáveis, receitas do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), a Contribuição
pelo sentido maior dela, dependem muitas vezes de pequenas Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), e a Contribuição para o Finan-
providências, que tomadas por figurantes, aparentemente, ciamento da Seguridade Social (Cofins). O crescimento da massa de
sem importância, ditam o rumo de toda a história. salários fez aumentar a arrecadação do Imposto de Renda Pessoa
Física (IRPF) e a receita de tributação sobre a folha da previdência
32. (FCC – TRE/MG – TÉCNICO JUDICIÁRIO – 2005) As liberda- social. Não menos relevantes foram os elevados ganhos de capital,
des ...... se refere o autor dizem respeito a direitos ...... se ocupa a responsáveis pelo aumento da arrecadação do IRPF.
nossa Constituição. Preenchem de modo correto as lacunas da frase (A) O uso do plural em “valores” é responsável pela flexão de
acima, na ordem dada, as expressões: plural em “deflacionados”.
(A) a que – de que; (B) O plural em “resultados” é responsável pela flexão de
(B) de que – com que; plural em “Elevaram-se”.
(C) a cujas – de cujos; (C) Emprega-se o singular em “proporcionou” para respeitar
(D) à que – em que; as regras de concordância com “economia”.
(E) em que – aos quais. (D) O singular em “a arrecadação” é responsável pela flexão
de singular em “fez aumentar”.
33. (ESAF – CGU – ANALISTA DE FINANÇAS E CONTROLE – 2008) (E) A flexão de plural em “foram” justifica-se pela concordân-
Assinale o trecho que apresenta erro de regência. cia com “relevantes”.
(A) Depois de um longo período em que apresentou taxas de
crescimento econômico que não iam além dos 3%, o Brasil 36. (CESGRANRIO – SEPLAG/BA – PROFESSOR PORTUGUÊS –
fecha o ano de 2007 com uma expansão de 5,3%, certamente 2010) Estabelece relação de hiperonímia/hiponímia, nessa ordem,
a maior taxa registrada na última década. o seguinte par de palavras:
(B) Os dados ainda não são definitivos, mas tudo sugere (A) estrondo – ruído;
que serão confirmados. A entidade responsável pelo estudo (B) pescador – trabalhador;
foi a conhecida Comissão Econômica para a América Latina (C) pista – aeroporto;
(CEPAL). (D) piloto – comissário;
(C) Não há dúvida de que os números são bons, num momen- (E) aeronave – jatinho.
to em que atingimos um bom superávit em conta-corrente,
em que se revela queda no desemprego e até se anuncia a 37. (VUNESP – SEAP/SP – AGENTE DE ESCOLTA E VIGILÂNCIA
ampliação de nossas reservas monetárias, além da descoberta PENITENCIÁRIA – 2012) No trecho – Para especialistas, fica uma
de novas fontes de petróleo. questão: até que ponto essa exuberância econômica no Brasil é
(D) Mesmo assim, olhando-se para os vizinhos de continen- sustentável ou é apenas mais uma bolha? – o termo em destaque
te, percebe-se que nossa performance é inferior a que foi tem como antônimo:
atribuída a Argentina (8,6%) e a alguns outros países com (A) fortuna;
participação menor no conjunto dos bens produzidos pela (B) opulência;
América Latina. (C) riqueza;
(E) Nem é preciso olhar os exemplos da China, Índia e Rússia, (D) escassez;
com crescimento acima desses patamares. Ao conjunto inteiro (E) abundância.
da América Latina, o organismo internacional está atribuindo
um crescimento médio, em 2007, de 5,6%, um pouco maior 38. (CONSULPLAN – ANALISTA DE INFORMÁTICA (SDS-SC) –
do que o do Brasil. 2008) A alternativa em que todas as palavras são formadas pelo
mesmo processo de formação é:
34. (VUNESP – TJ/SP – ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – (A) responsabilidade, musicalidade, defeituoso;
2011) Assinale a alternativa em que a concordância verbal está cor- (B) cativeiro, incorruptíveis, desfazer;
reta. (C) deslealdade, colunista, incrível;
(A) Haviam cooperativas de catadores na cidade de São Paulo. (D) anoitecer, festeiro, infeliz;
(B) O lixo de casas e condomínios vão para aterros. (E) reeducação, dignidade, enriquecer.
(C) O tratamento e a destinação corretos do lixo evitaria que
35% deles fosse despejado em aterros. 39. (IMA – PREF. BOA HORA/PI – PROCURADOR MUNICIPAL –
(D) Fazem dois anos que a prefeitura adia a questão do lixo. 2010) No verso “Para desentristecer, leãozinho”, Caetano Veloso
(E) Somos nós quem paga a conta pelo descaso com a coleta cria um neologismo. A opção que contém o processo de formação
de lixo. utilizado para formar a palavra nova e o tipo de derivação que a
palavra primitiva foi formada respectivamente é:
(A) derivação prefixal (des + entristecer); derivação parassinté-
tica (en + trist + ecer);
(B) derivação sufixal (desentriste + cer); derivação imprópria
(en + triste + cer);

39
LÍNGUA PORTUGUESA
(C) derivação regressiva (des + entristecer); derivação paras- Leia o texto abaixo para responder a questão.
sintética (en + trist + ecer); A lama que ainda suja o Brasil
(D) derivação parassintética (en + trist + ecer); derivação prefi- Fabíola Perez(fabiola.perez@istoe.com.br)
xal (des + entristecer);
(E) derivação prefixal (en + trist + ecer); derivação parassintéti- A maior tragédia ambiental da história do País escancarou um
ca (des + entristecer). dos principais gargalos da conjuntura política e econômica brasilei-
ra: a negligência do setor privado e dos órgãos públicos diante de
40. (IMA – PREF. BOA HORA/PI – PROCURADOR MUNICIPAL – um desastre de repercussão mundial. Confirmada a morte do Rio
2010) A palavra “Olhar” em (meu olhar) é um exemplo de palavra Doce, o governo federal ainda não apresentou um plano de recu-
formada por derivação: peração efetivo para a área (apenas uma carta de intenções). Tam-
(A) parassintética; pouco a mineradora Samarco, controlada pela brasileira Vale e pela
(B) prefixal; anglo-australiana BHP Billiton. A única medida concreta foi a aplica-
(C) sufixal; ção da multa de R$ 250 milhões – sendo que não há garantias de
(D) imprópria; que ela será usada no local. “O leito do rio se perdeu e a calha pro-
(E) regressiva. funda e larga se transformou num córrego raso”, diz Malu Ribeiro,
coordenadora da rede de águas da Fundação SOS Mata Atlântica,
41. (CESGRANRIO – BNDES – ADVOGADO – 2004) No título do sobre o desastre em Mariana, Minas Gerais. “O volume de rejeitos
artigo “A tal da demanda social”, a classe de palavra de “tal” é: se tornou uma bomba relógio na região.”
(A) pronome; Para agravar a tragédia, a empresa declarou que existem ris-
(B) adjetivo; cos de rompimento nas barragens de Germano e de Santarém. Se-
(C) advérbio; gundo o Departamento Nacional de Produção Mineral, pelo menos
(D) substantivo; 16 barragens de mineração em todo o País apresentam condições
(E) preposição. de insegurança. “O governo perdeu sua capacidade de aparelhar
órgãos técnicos para fiscalização”, diz Malu. Na direção oposta
42. Assinale a alternativa que apresenta a correta classificação Ao caminho da segurança, está o projeto de lei 654/2015,
morfológica do pronome “alguém” (l. 44). do senador Romero Jucá (PMDB-RR) que prevê licença única em um
(A) Pronome demonstrativo. tempo exíguo para obras consideradas estratégicas. O novo marco
(B) Pronome relativo. regulatório da mineração, por sua vez, também concede priorida-
(C) Pronome possessivo. de à ação de mineradoras. “Ocorrerá um aumento dos conflitos ju-
(D) Pronome pessoal. diciais, o que não será interessante para o setor empresarial”, diz
(E) Pronome indefinido. Maurício Guetta, advogado do Instituto Sócio Ambiental (ISA). Com
o avanço dessa legislação outros danos irreversíveis podem ocorrer.
43. Em relação à classe e ao emprego de palavras no texto, na FONTE: http://www.istoe.com.br/reportagens/441106_A+LA MA+-
oração “A abordagem social constitui-se em um processo de traba- QUE+AINDA+SUJA+O+BRASIL
lho planejado de aproximação” (linhas 1 e 2), os vocábulos subli-
nhados classificam-se, respectivamente, em 45. Observe as assertivas relacionadas ao texto lido:
(A) preposição, pronome, artigo, adjetivo e substantivo. I. O texto é predominantemente narrativo, já que narra um
(B) pronome, preposição, artigo, substantivo e adjetivo. fato.
(C) conjunção, preposição, numeral, substantivo e pronome. II. O texto é predominantemente expositivo, já que pertence ao
(D) pronome, conjunção, artigo, adjetivo e adjetivo. gênero textual editorial.
(E) conjunção, conjunção, numeral, substantivo e advérbio. III. O texto é apresenta partes narrativas e partes expositivas, já
que se trata de uma reportagem.
44. (FEMPERJ – VALEC – JORNALISTA – 2012) Intertextualidade IV. O texto apresenta partes narrativas e partes expositivas, já
é a presença de um texto em outro; o pensamento abaixo que NÃO se trata de um editorial.
se fundamenta em intertextualidade é:
(A) “Se tudo o que é bom dura pouco, eu já deveria ter morri- Analise as assertivas e responda:
do há muito tempo.” (A) Somente a I é correta.
(B) “Nariz é essa parte do corpo que brilha, espirra, coça e se (B) Somente a II é incorreta.
mete onde não é chamada.” (C) Somente a III é correta
(C) “Une-te aos bons e será um deles. Ou fica aqui com a (D) A III e IV são corretas.
gente mesmo!”
(D) “Vamos fazer o feijão com arroz. Se puder botar um ovo, 46. Observe as assertivas relacionadas ao texto “A lama que
tudo bem.” ainda suja o Brasil”:
(E) “O Neymar é invendável, inegociável e imprestável.” I- O texto é coeso, mas não é coerente, já que tem problemas
no desenvolvimento do assunto.
II- O texto é coerente, mas não é coeso, já que apresenta pro-
blemas no uso de conjunções e preposições.
III- O texto é coeso e coerente, graças ao bom uso das classes
de palavras e da ordem sintática.
IV- O texto é coeso e coerente, já que apresenta progressão
temática e bom uso dos recursos coesivos.

Analise as assertivas e responda:


(A) Somente a I é correta.

40
LÍNGUA PORTUGUESA
(B) Somente a II é incorreta. — Ora agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da
(C) Somente a III é correta. baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que
(D) Somente a IV é correta. vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para
a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas?
Leia o texto abaixo para responder as questões. Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de ca-
UM APÓLOGO beça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:
Machado de Assis. — Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é
que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze
Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha: como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam,
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrola- fico.
da, para fingir que vale alguma coisa neste mundo? Contei esta história a um professor de melancolia, que me dis-
— Deixe-me, senhora. se, abanando a cabeça: — Também eu tenho servido de agulha a
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está muita linha ordinária!
com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me
der na cabeça. 47. De acordo com o texto “Um Apólogo” de Machado de Assis
— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. e com a ilustração abaixo, e levando em consideração as persona-
Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem gens presentes nas narrativas tanto verbal quanto visual, indique
o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos a opção em que a fala não é compatível com a associação entre os
outros. elementos dos textos:
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa
ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora
que quem os cose sou eu, e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pe-
daço ao outro, dou feição aos babados…
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante,
puxando por você, que vem atrás, obedecendo ao que eu faço e
mando…
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel su-
balterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o (A) “- Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda en-
trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto… rolada, para fingir que vale alguma coisa neste mundo?” (L.02)
Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. (B) “- Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é
Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar?”
tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a (L.06)
costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, en- (C) “- Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adian-
fiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando te, puxando por você, que vem atrás, obedecendo ao que eu
orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre faço e mando...” (L.14-15)
os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a (D) “- Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há
isto uma cor poética. E dizia a agulha: pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a
Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é eles, furando abaixo e acima.” (L.25-26)
que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo (E) “- Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para
e acima… ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha
A linha não respondia nada; ia andando. Buraco aberto pela de costura. Faze como eu, que não abro caminho para nin-
agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe guém. Onde me espetam, fico.” (L.40-41)
o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha vendo que
ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era 48. O diminutivo, em Língua Portuguesa, pode expressar outros
tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-pli- valores semânticos além da noção de dimensão, como afetividade,
c-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a pejoratividade e intensidade. Nesse sentido, pode-se afirmar que
costura, para o dia seguinte; continuou ainda nesse e no outro, até os valores semânticos utilizados nas formas diminutivas “unidi-
que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile. nha”(L.26) e “corpinho”(L.32), são, respectivamente, de:
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que (A) dimensão e pejoratividade;
a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para (B) afetividade e intensidade;
dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da (C) afetividade e dimensão;
bela dama, e puxava a um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, (D) intensidade e dimensão;
alisando, abotoando, acolchetando, a linha, para mofar da agulha, (E) pejoratividade e afetividade.
perguntou-lhe:

41
LÍNGUA PORTUGUESA
49. Em um texto narrativo como “Um Apólogo”, é muito co- 20 D
mum uso de linguagem denotativa e conotativa. Assinale a alterna-
tiva cujo trecho retirado do texto é uma demonstração da expressi- 21 B
vidade dos termos “linha” e “agulha” em sentido figurado. 22 D
(A) “- É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de
nossa ama, quem é que os cose, senão eu?” (L.11) 23 B
(B) “- Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agu- 24 C
lha. Agulha não tem cabeça.” (L.06)
25 A
(C) “- Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um
pedaço ao outro, dou feição aos babados...” (L.13) 26 A
(D) “- Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordi- 27 A
nária!” (L.43)
(E) “- Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pou- 28 D
co?” (L.25) 29 B

50. De acordo com a temática geral tratada no texto e, de modo 30 E


metafórico, considerando as relações existentes em um ambiente 31 A
de trabalho, aponte a opção que NÃO corresponde a uma ideia pre-
32 A
sente no texto:
(A) O texto sinaliza que, normalmente, não há uma relação 33 D
equânime em ambientes coletivos de trabalho; 34 E
(B) O texto sinaliza que, normalmente, não há uma relação
equânime em ambientes coletivos de trabalho; 35 A
(C) O texto indica que, em um ambiente coletivo de trabalho, 36 E
cada sujeito possui atribuições próprias.
37 D
(D) O texto sugere que o reconhecimento no ambiente cole-
tivo de trabalho parte efetivamente das próprias atitudes do 38 A
sujeito. 39 A
(E) O texto revela que, em um ambiente coletivo de trabalho,
frequentemente é difícil lidar com as vaidades individuais. 40 D
41 A
42 E
GABARITO 43 B
44 E
45 C
1 B
46 D
2 B
47 E
3 D
48 D
4 A
49 D
5 C
50 D
6 A
7 D
8 A
9 E
10 A
11 C
12 E
13 B
14 E
15 B
16 C
17 C
18 E
19 A

42
RACIOCÍNIO LÓGICO
1. Proposições, conectivos, equivalências lógicas, quantificadores e predicados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01
2. Conjuntos e suas operações, diagramas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
3. Números inteiros, racionais e reais e suas operações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
4. Porcentagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
5. Proporcionalidade direta e inversa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
6. Medidas de comprimento, área, volume, massa e tempo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
7. Estrutura lógica de relações arbitrárias entre pessoas, lugares, objetos ou eventos fictícios; dedução de novas informações das rela-
ções fornecidas e avaliação das condições usadas para estabelecer a estrutura daquelas relações. Compreensão e análise da lógica de
uma situação, utilizando as funções intelectuais: raciocínio verbal, raciocínio matemático, raciocínio sequencial, reconhecimento de
padrões, orientação espacial e temporal, formação de conceitos, discriminação de elementos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01
8. Compreensão de dados apresentados em gráficos e tabelas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
9. Problemas de lógica e raciocínio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01
10. Problemas de contagem e noções de probabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
11. Geometria básica: ângulos, triângulos, polígonos, distâncias, proporcionalidade, perímetro e área . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40
12. Noções de estatística: média, moda, mediana e desvio padrão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
RACIOCÍNIO LÓGICO

PROPOSIÇÕES, CONECTIVOS, EQUIVALÊNCIAS LÓGICAS, QUANTIFICADORES E PREDICADOS. ESTRUTURA LÓGICA


DE RELAÇÕES ARBITRÁRIAS ENTRE PESSOAS, LUGARES, OBJETOS OU EVENTOS FICTÍCIOS; DEDUÇÃO DE NOVAS
INFORMAÇÕES DAS RELAÇÕES FORNECIDAS E AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES USADAS PARA ESTABELECER A ESTRU-
TURA DAQUELAS RELAÇÕES. COMPREENSÃO E ANÁLISE DA LÓGICA DE UMA SITUAÇÃO, UTILIZANDO AS FUNÇÕES
INTELECTUAIS: RACIOCÍNIO VERBAL, RACIOCÍNIO MATEMÁTICO, RACIOCÍNIO SEQUENCIAL, RECONHECIMENTO DE
PADRÕES, ORIENTAÇÃO ESPACIAL E TEMPORAL, FORMAÇÃO DE CONCEITOS, DISCRIMINAÇÃO DE ELEMENTOS. PRO-
BLEMAS DE LÓGICA E RACIOCÍNIO

RACIOCÍNIO LÓGICO MATEMÁTICO


Este tipo de raciocínio testa sua habilidade de resolver problemas matemáticos, e é uma forma de medir seu domínio das diferentes
áreas do estudo da Matemática: Aritmética, Álgebra, leitura de tabelas e gráficos, Probabilidade e Geometria etc. Essa parte consiste nos
seguintes conteúdos:
- Operação com conjuntos.
- Cálculos com porcentagens.
- Raciocínio lógico envolvendo problemas aritméticos, geométricos e matriciais.
- Geometria básica.
- Álgebra básica e sistemas lineares.
- Calendários.
- Numeração.
- Razões Especiais.
- Análise Combinatória e Probabilidade.
- Progressões Aritmética e Geométrica.

RACIOCÍNIO LÓGICO DEDUTIVO


Este tipo de raciocínio está relacionado ao conteúdo Lógica de Argumentação.

ORIENTAÇÕES ESPACIAL E TEMPORAL


O raciocínio lógico espacial ou orientação espacial envolvem figuras, dados e palitos. O raciocínio lógico temporal ou orientação tem-
poral envolve datas, calendário, ou seja, envolve o tempo.
O mais importante é praticar o máximo de questões que envolvam os conteúdos:
- Lógica sequencial
- Calendários

RACIOCÍNIO VERBAL
Avalia a capacidade de interpretar informação escrita e tirar conclusões lógicas.
Uma avaliação de raciocínio verbal é um tipo de análise de habilidade ou aptidão, que pode ser aplicada ao se candidatar a uma vaga.
Raciocínio verbal é parte da capacidade cognitiva ou inteligência geral; é a percepção, aquisição, organização e aplicação do conhecimento
por meio da linguagem.
Nos testes de raciocínio verbal, geralmente você recebe um trecho com informações e precisa avaliar um conjunto de afirmações,
selecionando uma das possíveis respostas:
A – Verdadeiro (A afirmação é uma consequência lógica das informações ou opiniões contidas no trecho)
B – Falso (A afirmação é logicamente falsa, consideradas as informações ou opiniões contidas no trecho)
C – Impossível dizer (Impossível determinar se a afirmação é verdadeira ou falsa sem mais informações)

ESTRUTURAS LÓGICAS
Precisamos antes de tudo compreender o que são proposições. Chama-se proposição toda sentença declarativa à qual podemos atri-
buir um dos valores lógicos: verdadeiro ou falso, nunca ambos. Trata-se, portanto, de uma sentença fechada.

Elas podem ser:


• Sentença aberta: quando não se pode atribuir um valor lógico verdadeiro ou falso para ela (ou valorar a proposição!), portanto, não
é considerada frase lógica. São consideradas sentenças abertas:
- Frases interrogativas: Quando será prova? - Estudou ontem? – Fez Sol ontem?
- Frases exclamativas: Gol! – Que maravilhoso!
- Frase imperativas: Estude e leia com atenção. – Desligue a televisão.
- Frases sem sentido lógico (expressões vagas, paradoxais, ambíguas, ...): “esta frase é falsa” (expressão paradoxal) – O cachorro do
meu vizinho morreu (expressão ambígua) – 2 + 5+ 1

• Sentença fechada: quando a proposição admitir um ÚNICO valor lógico, seja ele verdadeiro ou falso, nesse caso, será considerada
uma frase, proposição ou sentença lógica.

Proposições simples e compostas


• Proposições simples (ou atômicas): aquela que NÃO contém nenhuma outra proposição como parte integrante de si mesma. As
proposições simples são designadas pelas letras latinas minúsculas p,q,r, s..., chamadas letras proposicionais.

1
RACIOCÍNIO LÓGICO
• Proposições compostas (ou moleculares ou estruturas lógicas): aquela formada pela combinação de duas ou mais proposições
simples. As proposições compostas são designadas pelas letras latinas maiúsculas P,Q,R, R..., também chamadas letras proposicionais.

ATENÇÃO: TODAS as proposições compostas são formadas por duas proposições simples.

Proposições Compostas – Conectivos


As proposições compostas são formadas por proposições simples ligadas por conectivos, aos quais formam um valor lógico, que po-
demos vê na tabela a seguir:

OPERAÇÃO CONECTIVO ESTRUTURA LÓGICA TABELA VERDADE

Negação ~ Não p

Conjunção ^ peq

Disjunção Inclusiva v p ou q

Disjunção Exclusiva v Ou p ou q

Condicional → Se p então q

2
RACIOCÍNIO LÓGICO

Bicondicional ↔ p se e somente se q

Em síntese temos a tabela verdade das proposições que facilitará na resolução de diversas questões

Exemplo:
(MEC – CONHECIMENTOS BÁSICOS PARA OS POSTOS 9,10,11 E 16 – CESPE)

A figura acima apresenta as colunas iniciais de uma tabela-verdade, em que P, Q e R representam proposições lógicas, e V e F corres-
pondem, respectivamente, aos valores lógicos verdadeiro e falso.
Com base nessas informações e utilizando os conectivos lógicos usuais, julgue o item subsecutivo.
A última coluna da tabela-verdade referente à proposição lógica P v (Q↔R) quando representada na posição horizontal é igual a

( ) Certo
( ) Errado

Resolução:
P v (Q↔R), montando a tabela verdade temos:

R Q P [P v (Q ↔ R) ]
V V V V V V V V
V V F F V V V V
V F V V V F F V
V F F F F F F V

3
RACIOCÍNIO LÓGICO

F V V V V V F F
F V F F F V F F
F F V V V F V F
F F F F V F V F

Resposta: Certo

Proposição
Conjunto de palavras ou símbolos que expressam um pensamento ou uma ideia de sentido completo. Elas transmitem pensamentos,
isto é, afirmam fatos ou exprimem juízos que formamos a respeito de determinados conceitos ou entes.

Valores lógicos
São os valores atribuídos as proposições, podendo ser uma verdade, se a proposição é verdadeira (V), e uma falsidade, se a proposi-
ção é falsa (F). Designamos as letras V e F para abreviarmos os valores lógicos verdade e falsidade respectivamente.
Com isso temos alguns aximos da lógica:
– PRINCÍPIO DA NÃO CONTRADIÇÃO: uma proposição não pode ser verdadeira E falsa ao mesmo tempo.
– PRINCÍPIO DO TERCEIRO EXCLUÍDO: toda proposição OU é verdadeira OU é falsa, verificamos sempre um desses casos, NUNCA
existindo um terceiro caso.

“Toda proposição tem um, e somente um, dos valores, que são: V ou F.”

Classificação de uma proposição


Elas podem ser:
• Sentença aberta: quando não se pode atribuir um valor lógico verdadeiro ou falso para ela (ou valorar a proposição!), portanto, não
é considerada frase lógica. São consideradas sentenças abertas:
- Frases interrogativas: Quando será prova? - Estudou ontem? – Fez Sol ontem?
- Frases exclamativas: Gol! – Que maravilhoso!
- Frase imperativas: Estude e leia com atenção. – Desligue a televisão.
- Frases sem sentido lógico (expressões vagas, paradoxais, ambíguas, ...): “esta frase é falsa” (expressão paradoxal) – O cachorro do
meu vizinho morreu (expressão ambígua) – 2 + 5+ 1

• Sentença fechada: quando a proposição admitir um ÚNICO valor lógico, seja ele verdadeiro ou falso, nesse caso, será considerada
uma frase, proposição ou sentença lógica.

Proposições simples e compostas


• Proposições simples (ou atômicas): aquela que NÃO contém nenhuma outra proposição como parte integrante de si mesma. As
proposições simples são designadas pelas letras latinas minúsculas p,q,r, s..., chamadas letras proposicionais.

Exemplos
r: Thiago é careca.
s: Pedro é professor.

• Proposições compostas (ou moleculares ou estruturas lógicas): aquela formada pela combinação de duas ou mais proposições
simples. As proposições compostas são designadas pelas letras latinas maiúsculas P,Q,R, R..., também chamadas letras proposicionais.

Exemplo
P: Thiago é careca e Pedro é professor.

ATENÇÃO: TODAS as proposições compostas são formadas por duas proposições simples.

Exemplos:
1. (CESPE/UNB) Na lista de frases apresentadas a seguir:
– “A frase dentro destas aspas é uma mentira.”
– A expressão x + y é positiva.
– O valor de √4 + 3 = 7.
– Pelé marcou dez gols para a seleção brasileira.
– O que é isto?

Há exatamente:
(A) uma proposição;
(B) duas proposições;

4
RACIOCÍNIO LÓGICO
(C) três proposições;
(D) quatro proposições;
(E) todas são proposições.

Resolução:
Analisemos cada alternativa:
(A) “A frase dentro destas aspas é uma mentira”, não podemos atribuir valores lógicos a ela, logo não é uma sentença lógica.
(B) A expressão x + y é positiva, não temos como atribuir valores lógicos, logo não é sentença lógica.
(C) O valor de √4 + 3 = 7; é uma sentença lógica pois podemos atribuir valores lógicos, independente do resultado que tenhamos
(D) Pelé marcou dez gols para a seleção brasileira, também podemos atribuir valores lógicos (não estamos considerando a quantidade
certa de gols, apenas se podemos atribuir um valor de V ou F a sentença).
(E) O que é isto? - como vemos não podemos atribuir valores lógicos por se tratar de uma frase interrogativa.
Resposta: B.

Conectivos (conectores lógicos)


Para compôr novas proposições, definidas como composta, a partir de outras proposições simples, usam-se os conectivos. São eles:

OPERAÇÃO CONECTIVO ESTRUTURA LÓGICA TABELA VERDADE

Negação ~ Não p

Conjunção ^ peq

Disjunção Inclusiva v p ou q

Disjunção Exclusiva v Ou p ou q

Condicional → Se p então q

5
RACIOCÍNIO LÓGICO

Bicondicional ↔ p se e somente se q

Exemplo:
2. (PC/SP - Delegado de Polícia - VUNESP) Os conectivos ou operadores lógicos são palavras (da linguagem comum) ou símbolos (da
linguagem formal) utilizados para conectar proposições de acordo com regras formais preestabelecidas. Assinale a alternativa que apre-
senta exemplos de conjunção, negação e implicação, respectivamente.
(A) ¬ p, p v q, p ∧ q
(B) p ∧ q, ¬ p, p -> q
(C) p -> q, p v q, ¬ p
(D) p v p, p -> q, ¬ q
(E) p v q, ¬ q, p v q

Resolução:
A conjunção é um tipo de proposição composta e apresenta o conectivo “e”, e é representada pelo símbolo ∧. A negação é repre-
sentada pelo símbolo ~ou cantoneira (¬) e pode negar uma proposição simples (por exemplo: ¬ p ) ou composta. Já a implicação é uma
proposição composta do tipo condicional (Se, então) é representada pelo símbolo (→).
Resposta: B.

Tabela Verdade
Quando trabalhamos com as proposições compostas, determinamos o seu valor lógico partindo das proposições simples que a com-
põe. O valor lógico de qualquer proposição composta depende UNICAMENTE dos valores lógicos das proposições simples componentes,
ficando por eles UNIVOCAMENTE determinados.

• Número de linhas de uma Tabela Verdade: depende do número de proposições simples que a integram, sendo dado pelo seguinte
teorema:
“A tabela verdade de uma proposição composta com n* proposições simples componentes contém 2n linhas.”

Exemplo:
3. (CESPE/UNB) Se “A”, “B”, “C” e “D” forem proposições simples e distintas, então o número de linhas da tabela-verdade da propo-
sição (A → B) ↔ (C → D) será igual a:
(A) 2;
(B) 4;
(C) 8;
(D) 16;
(E) 32.

Resolução:
Veja que podemos aplicar a mesma linha do raciocínio acima, então teremos:
Número de linhas = 2n = 24 = 16 linhas.
Resposta D.

Conceitos de Tautologia , Contradição e Contigência


• Tautologia: possui todos os valores lógicos, da tabela verdade (última coluna), V (verdades).
Princípio da substituição: Seja P (p, q, r, ...) é uma tautologia, então P (P0; Q0; R0; ...) também é uma tautologia, quaisquer que sejam
as proposições P0, Q0, R0, ...

• Contradição: possui todos os valores lógicos, da tabela verdade (última coluna), F (falsidades). A contradição é a negação da Tauto-
logia e vice versa.
Princípio da substituição: Seja P (p, q, r, ...) é uma contradição, então P (P0; Q0; R0; ...) também é uma contradição, quaisquer que sejam
as proposições P0, Q0, R0, ...

• Contingência: possui valores lógicos V e F ,da tabela verdade (última coluna). Em outros termos a contingência é uma proposição
composta que não é tautologia e nem contradição.

6
RACIOCÍNIO LÓGICO
Exemplos:
4. (DPU – ANALISTA – CESPE) Um estudante de direito, com o objetivo de sistematizar o seu estudo, criou sua própria legenda, na qual
identificava, por letras, algumas afirmações relevantes quanto à disciplina estudada e as vinculava por meio de sentenças (proposições).
No seu vocabulário particular constava, por exemplo:
P: Cometeu o crime A.
Q: Cometeu o crime B.
R: Será punido, obrigatoriamente, com a pena de reclusão no regime fechado.
S: Poderá optar pelo pagamento de fiança.

Ao revisar seus escritos, o estudante, apesar de não recordar qual era o crime B, lembrou que ele era inafiançável.
Tendo como referência essa situação hipotética, julgue o item que se segue.
A sentença (P→Q)↔((~Q)→(~P)) será sempre verdadeira, independentemente das valorações de P e Q como verdadeiras ou falsas.
( ) Certo
( ) Errado

Resolução:
Considerando P e Q como V.
(V→V) ↔ ((F)→(F))
(V) ↔ (V) = V
Considerando P e Q como F
(F→F) ↔ ((V)→(V))
(V) ↔ (V) = V
Então concluímos que a afirmação é verdadeira.
Resposta: Certo.

Equivalência
Duas ou mais proposições compostas são equivalentes, quando mesmo possuindo estruturas lógicas diferentes, apresentam a mesma
solução em suas respectivas tabelas verdade.
Se as proposições P(p,q,r,...) e Q(p,q,r,...) são ambas TAUTOLOGIAS, ou então, são CONTRADIÇÕES, então são EQUIVALENTES.

Exemplo:
5. (VUNESP/TJSP) Uma negação lógica para a afirmação “João é rico, ou Maria é pobre” é:
(A) Se João é rico, então Maria é pobre.
(B) João não é rico, e Maria não é pobre.
(C) João é rico, e Maria não é pobre.
(D) Se João não é rico, então Maria não é pobre.
(E) João não é rico, ou Maria não é pobre.

Resolução:
Nesta questão, a proposição a ser negada trata-se da disjunção de duas proposições lógicas simples. Para tal, trocamos o conectivo
por “e” e negamos as proposições “João é rico” e “Maria é pobre”. Vejam como fica:

7
RACIOCÍNIO LÓGICO

Resposta: B.

Leis de Morgan
Com elas:
– Negamos que duas dadas proposições são ao mesmo tempo verdadeiras equivalendo a afirmar que pelo menos uma é falsa
– Negamos que uma pelo menos de duas proposições é verdadeira equivalendo a afirmar que ambas são falsas.

ATENÇÃO
As Leis de Morgan exprimem que NEGAÇÃO CONJUNÇÃO em DISJUNÇÃO
transforma: DISJUNÇÃO em CONJUNÇÃO

CONECTIVOS
Para compôr novas proposições, definidas como composta, a partir de outras proposições simples, usam-se os conectivos.

OPERAÇÃO CONECTIVO ESTRUTURA LÓGICA EXEMPLOS


Negação ~ Não p A cadeira não é azul.
Conjunção ^ peq Fernando é médico e Nicolas é Engenheiro.
Disjunção Inclusiva v p ou q Fernando é médico ou Nicolas é Engenheiro.
Disjunção Exclusiva v Ou p ou q Ou Fernando é médico ou João é Engenheiro.
Condicional → Se p então q Se Fernando é médico então Nicolas é Engenheiro.
Bicondicional ↔ p se e somente se q Fernando é médico se e somente se Nicolas é Engenheiro.

Conectivo “não” (~)


Chamamos de negação de uma proposição representada por “não p” cujo valor lógico é verdade (V) quando p é falsa e falsidade (F)
quando p é verdadeira. Assim “não p” tem valor lógico oposto daquele de p. Pela tabela verdade temos:

Conectivo “e” (˄)


Se p e q são duas proposições, a proposição p ˄ q será chamada de conjunção. Para a conjunção, tem-se a seguinte tabela-verdade:

ATENÇÃO: Sentenças interligadas pelo conectivo “e” possuirão o valor verdadeiro somente quando todas as sentenças, ou argumen-
tos lógicos, tiverem valores verdadeiros.

Conectivo “ou” (v)


Este inclusivo: Elisabete é bonita ou Elisabete é inteligente. (Nada impede que Elisabete seja bonita e inteligente).

8
RACIOCÍNIO LÓGICO

Conectivo “ou” (v)


Este exclusivo: Elisabete é paulista ou Elisabete é carioca. (Se Elisabete é paulista, não será carioca e vice-versa).

• Mais sobre o Conectivo “ou”


– “inclusivo”(considera os dois casos)
– “exclusivo”(considera apenas um dos casos)

Exemplos:
R: Paulo é professor ou administrador
S: Maria é jovem ou idosa
No primeiro caso, o “ou” é inclusivo,pois pelo menos uma das proposições é verdadeira, podendo ser ambas.
No caso da segunda, o “ou” é exclusivo, pois somente uma das proposições poderá ser verdadeira

Ele pode ser “inclusivo”(considera os dois casos) ou “exclusivo”(considera apenas um dos casos)

Exemplo:
R: Paulo é professor ou administrador
S: Maria é jovem ou idosa

No primeiro caso, o “ou” é inclusivo,pois pelo menos uma das proposições é verdadeira, podendo ser ambas.
No caso da segunda, o “ou” é exclusivo, pois somente uma das proposições poderá ser verdadeiro

Conectivo “Se... então” (→)


Se p e q são duas proposições, a proposição p→q é chamada subjunção ou condicional. Considere a seguinte subjunção: “Se fizer sol,
então irei à praia”.
1. Podem ocorrer as situações:
2. Fez sol e fui à praia. (Eu disse a verdade)
3. Fez sol e não fui à praia. (Eu menti)
4. Não fez sol e não fui à praia. (Eu disse a verdade)
5. Não fez sol e fui à praia. (Eu disse a verdade, pois eu não disse o que faria se não fizesse sol. Assim, poderia ir ou não ir à praia).
Temos então sua tabela verdade:

Observe que uma subjunção p→q somente será falsa quando a primeira proposição, p, for verdadeira e a segunda, q, for falsa.

9
RACIOCÍNIO LÓGICO
Conectivo “Se e somente se” (↔)
Se p e q são duas proposições, a proposição p↔q1 é chamada bijunção ou bicondicional, que também pode ser lida como: “p é con-
dição necessária e suficiente para q” ou, ainda, “q é condição necessária e suficiente para p”.
Considere, agora, a seguinte bijunção: “Irei à praia se e somente se fizer sol”. Podem ocorrer as situações:
1. Fez sol e fui à praia. (Eu disse a verdade)
2. Fez sol e não fui à praia. (Eu menti)
3. Não fez sol e fui à praia. (Eu menti)
4. Não fez sol e não fui à praia. (Eu disse a verdade). Sua tabela verdade:

Observe que uma bicondicional só é verdadeira quando as proposições formadoras são ambas falsas ou ambas verdadeiras.

ATENÇÃO: O importante sobre os conectivos é ter em mente a tabela de cada um deles, para que assim você possa resolver qualquer
questão referente ao assunto.

Ordem de precedência dos conectivos:


O critério que especifica a ordem de avaliação dos conectivos ou operadores lógicos de uma expressão qualquer. A lógica matemática
prioriza as operações de acordo com a ordem listadas:

Em resumo:

Exemplo:
(PC/SP - DELEGADO DE POLÍCIA - VUNESP) Os conectivos ou operadores lógicos são palavras (da linguagem comum) ou símbolos (da
linguagem formal) utilizados para conectar proposições de acordo com regras formais preestabelecidas. Assinale a alternativa que apre-
senta exemplos de conjunção, negação e implicação, respectivamente.
(A) ¬ p, p v q, p ∧ q
(B) p ∧ q, ¬ p, p -> q
(C) p -> q, p v q, ¬ p
(D) p v p, p -> q, ¬ q
(E) p v q, ¬ q, p v q

Resolução:
A conjunção é um tipo de proposição composta e apresenta o conectivo “e”, e é representada pelo símbolo ∧. A negação é repre-
sentada pelo símbolo ~ou cantoneira (¬) e pode negar uma proposição simples (por exemplo: ¬ p ) ou composta. Já a implicação é uma
proposição composta do tipo condicional (Se, então) é representada pelo símbolo (→).
Resposta: B

CONTRADIÇÕES
São proposições compostas formadas por duas ou mais proposições onde seu valor lógico é sempre FALSO, independentemente do
valor lógico das proposições simples que a compõem. Vejamos:
A proposição: p ^ ~p é uma contradição, conforme mostra a sua tabela-verdade:

10
RACIOCÍNIO LÓGICO

Exemplo:
(PEC-FAZ) Conforme a teoria da lógica proposicional, a propo-
sição ~P ∧ P é:
(A) uma tautologia. Propriedades
(B) equivalente à proposição ~p ∨ p. • Reflexiva:
(C) uma contradição. – P(p,q,r,...) ⇒ P(p,q,r,...)
(D) uma contingência. – Uma proposição complexa implica ela mesma.
(E) uma disjunção.
• Transitiva:
Resolução: – Se P(p,q,r,...) ⇒ Q(p,q,r,...) e
Montando a tabela teremos que: Q(p,q,r,...) ⇒ R(p,q,r,...), então
P(p,q,r,...) ⇒ R(p,q,r,...)
P ~p ~p ^p – Se P ⇒ Q e Q ⇒ R, então P ⇒ R
V F F
Regras de Inferência
V F F • Inferência é o ato ou processo de derivar conclusões lógicas
F V F de proposições conhecidas ou decididamente verdadeiras. Em ou-
tras palavras: é a obtenção de novas proposições a partir de propo-
F V F sições verdadeiras já existentes.
Como todos os valores são Falsidades (F) logo estamos diante Regras de Inferência obtidas da implicação lógica
de uma CONTRADIÇÃO.
Resposta: C

A proposição P(p,q,r,...) implica logicamente a proposição Q(p,-


q,r,...) quando Q é verdadeira todas as vezes que P é verdadeira.
Representamos a implicação com o símbolo “⇒”, simbolicamente
temos:

P(p,q,r,...) ⇒ Q(p,q,r,...). • Silogismo Disjuntivo


ATENÇÃO: Os símbolos “→” e “⇒” são completamente distin-
tos. O primeiro (“→”) representa a condicional, que é um conec-
tivo. O segundo (“⇒”) representa a relação de implicação lógica
que pode ou não existir entre duas proposições.

Exemplo:

• Modus Ponens

Observe:
- Toda proposição implica uma Tautologia:

- Somente uma contradição implica uma contradição:

11
RACIOCÍNIO LÓGICO
• Modus Tollens Vejamos algumas formas:
- Todo A é B.
- Nenhum A é B.
- Algum A é B.
- Algum A não é B.

Onde temos que A e B são os termos ou características dessas


proposições categóricas.

• Classificação de uma proposição categórica de acordo com


o tipo e a relação
Elas podem ser classificadas de acordo com dois critérios fun-
damentais: qualidade e extensão ou quantidade.
– Qualidade: O critério de qualidade classifica uma proposição
categórica em afirmativa ou negativa.
– Extensão: O critério de extensão ou quantidade classifica
uma proposição categórica em universal ou particular. A classifica-
Tautologias e Implicação Lógica ção dependerá do quantificador que é utilizado na proposição.

• Teorema
P(p,q,r,..) ⇒ Q(p,q,r,...) se e somente se P(p,q,r,...) → Q(p,q,r,...)

Entre elas existem tipos e relações de acordo com a qualidade


e a extensão, classificam-se em quatro tipos, representados pelas
letras A, E, I e O.

• Universal afirmativa (Tipo A) – “TODO A é B”


Teremos duas possibilidades.

Observe que:
→ indica uma operação lógica entre as proposições. Ex.: das
proposições p e q, dá-se a nova proposição p → q.
⇒ indica uma relação. Ex.: estabelece que a condicional P →
Q é tautológica.

Inferências

• Regra do Silogismo Hipotético Tais proposições afirmam que o conjunto “A” está contido no
conjunto “B”, ou seja, que todo e qualquer elemento de “A” é tam-
bém elemento de “B”. Observe que “Toda A é B” é diferente de
“Todo B é A”.

• Universal negativa (Tipo E) – “NENHUM A é B”


Tais proposições afirmam que não há elementos em comum
Princípio da inconsistência entre os conjuntos “A” e “B”. Observe que “nenhum A é B” é o mes-
– Como “p ^ ~p → q” é tautológica, subsiste a implicação lógica mo que dizer “nenhum B é A”.
p ^ ~p ⇒ q Podemos representar esta universal negativa pelo seguinte dia-
– Assim, de uma contradição p ^ ~p se deduz qualquer propo- grama (A ∩ B = ø):
sição q.

A proposição “(p ↔ q) ^ p” implica a proposição “q”, pois a


condicional “(p ↔ q) ^ p → q” é tautológica.

Lógica de primeira ordem


Existem alguns tipos de argumentos que apresentam proposi-
ções com quantificadores. Numa proposição categórica, é impor-
tante que o sujeito se relacionar com o predicado de forma coeren- • Particular afirmativa (Tipo I) - “ALGUM A é B”
te e que a proposição faça sentido, não importando se é verdadeira Podemos ter 4 diferentes situações para representar esta pro-
ou falsa. posição:

12
RACIOCÍNIO LÓGICO
Em síntese:

Essas proposições Algum A é B estabelecem que o conjunto “A”


tem pelo menos um elemento em comum com o conjunto “B”. Con- Exemplos:
tudo, quando dizemos que Algum A é B, presumimos que nem todo (DESENVOLVE/SP - CONTADOR - VUNESP) Alguns gatos não
A é B. Observe “Algum A é B” é o mesmo que “Algum B é A”. são pardos, e aqueles que não são pardos miam alto.
Uma afirmação que corresponde a uma negação lógica da afir-
• Particular negativa (Tipo O) - “ALGUM A não é B” mação anterior é:
Se a proposição Algum A não é B é verdadeira, temos as três (A) Os gatos pardos miam alto ou todos os gatos não são par-
representações possíveis: dos.
(B) Nenhum gato mia alto e todos os gatos são pardos.
(C) Todos os gatos são pardos ou os gatos que não são pardos
não miam alto.
(D) Todos os gatos que miam alto são pardos.
(E) Qualquer animal que mia alto é gato e quase sempre ele é
pardo.

Resolução:
Temos um quantificador particular (alguns) e uma proposição
do tipo conjunção (conectivo “e”). Pede-se a sua negação.

O quantificador existencial “alguns” pode ser negado, seguindo


o esquema, pelos quantificadores universais (todos ou nenhum).
Logo, podemos descartar as alternativas A e E.
Proposições nessa forma: Algum A não é B estabelecem que o A negação de uma conjunção se faz através de uma disjunção,
conjunto “A” tem pelo menos um elemento que não pertence ao em que trocaremos o conectivo “e” pelo conectivo “ou”. Descarta-
conjunto “B”. Observe que: Algum A não é B não significa o mesmo mos a alternativa B.
que Algum B não é A. Vamos, então, fazer a negação da frase, não esquecendo de
que a relação que existe é: Algum A é B, deve ser trocado por: Todo
• Negação das Proposições Categóricas A é não B.
Ao negarmos uma proposição categórica, devemos observar as Todos os gatos que são pardos ou os gatos (aqueles) que não
seguintes convenções de equivalência: são pardos NÃO miam alto.
– Ao negarmos uma proposição categórica universal geramos Resposta: C
uma proposição categórica particular.
– Pela recíproca de uma negação, ao negarmos uma proposição (CBM/RJ - CABO TÉCNICO EM ENFERMAGEM - ND) Dizer que a
categórica particular geramos uma proposição categórica universal. afirmação “todos os professores é psicólogos” e falsa, do ponto de
– Negando uma proposição de natureza afirmativa geramos, vista lógico, equivale a dizer que a seguinte afirmação é verdadeira
sempre, uma proposição de natureza negativa; e, pela recíproca, (A) Todos os não psicólogos são professores.
negando uma proposição de natureza negativa geramos, sempre, (B) Nenhum professor é psicólogo.
uma proposição de natureza afirmativa. (C) Nenhum psicólogo é professor.
(D) Pelo menos um psicólogo não é professor.
(E) Pelo menos um professor não é psicólogo.

Resolução:
Se a afirmação é falsa a negação será verdadeira. Logo, a nega-
ção de um quantificador universal categórico afirmativo se faz atra-
vés de um quantificador existencial negativo. Logo teremos: Pelo
menos um professor não é psicólogo.
Resposta: E

13
RACIOCÍNIO LÓGICO
• Equivalência entre as proposições Vejamos a tabela abaixo as proposições categóricas:
Basta usar o triângulo a seguir e economizar um bom tempo na
resolução de questões.
TIPO PREPOSIÇÃO DIAGRAMAS

TODO
A
AéB

Se um elemento pertence ao conjunto A,


então pertence também a B.

Exemplo:
(PC/PI - ESCRIVÃO DE POLÍCIA CIVIL - UESPI) Qual a negação NENHUM
lógica da sentença “Todo número natural é maior do que ou igual E
AéB
a cinco”?
(A) Todo número natural é menor do que cinco.
Existe pelo menos um elemento que
(B) Nenhum número natural é menor do que cinco.
pertence a A, então não pertence a B, e
(C) Todo número natural é diferente de cinco.
vice-versa.
(D) Existe um número natural que é menor do que cinco.
(E) Existe um número natural que é diferente de cinco.

Resolução:
Do enunciado temos um quantificador universal (Todo) e pede-
-se a sua negação.
O quantificador universal todos pode ser negado, seguindo o
esquema abaixo, pelo quantificador algum, pelo menos um, existe
ao menos um, etc. Não se nega um quantificador universal com To- Existe pelo menos um elemento co-
dos e Nenhum, que também são universais. mum aos conjuntos A e B.
Podemos ainda representar das seguin-
ALGUM tes formas:
I
AéB

Portanto, já podemos descartar as alternativas que trazem


quantificadores universais (todo e nenhum). Descartamos as alter-
nativas A, B e C.
Seguindo, devemos negar o termo: “maior do que ou igual a
cinco”. Negaremos usando o termo “MENOR do que cinco”.
Obs.: maior ou igual a cinco (compreende o 5, 6, 7...) ao ser
negado passa a ser menor do que cinco (4, 3, 2,...).
Resposta: D

Diagramas lógicos
Os diagramas lógicos são usados na resolução de vários proble-
mas. É uma ferramenta para resolvermos problemas que envolvam
argumentos dedutivos, as quais as premissas deste argumento po-
dem ser formadas por proposições categóricas.

ATENÇÃO: É bom ter um conhecimento sobre conjuntos para


conseguir resolver questões que envolvam os diagramas lógicos.

14
RACIOCÍNIO LÓGICO
- Algum teatro é casa de cultura

ALGUM
O
A NÃO é B
Visto que na primeira chegamos à conclusão que C = CC
Segundo as afirmativas temos:
Perceba-se que, nesta sentença, a aten- (A) existem cinemas que não são teatros- Observando o último
ção está sobre o(s) elemento (s) de A que diagrama vimos que não é uma verdade, pois temos que existe pelo
não são B (enquanto que, no “Algum A é menos um dos cinemas é considerado teatro.
B”, a atenção estava sobre os que eram B,
ou seja, na intercessão).
Temos também no segundo caso, a dife-
rença entre conjuntos, que forma o con-
junto A - B

Exemplo:
(GDF–ANALISTA DE ATIVIDADES CULTURAIS ADMINISTRAÇÃO
– IADES) Considere as proposições: “todo cinema é uma casa de
cultura”, “existem teatros que não são cinemas” e “algum teatro é
casa de cultura”. Logo, é correto afirmar que
(A) existem cinemas que não são teatros.
(B) existe teatro que não é casa de cultura.
(B) existe teatro que não é casa de cultura. – Errado, pelo mes-
(C) alguma casa de cultura que não é cinema é teatro.
mo princípio acima.
(D) existe casa de cultura que não é cinema.
(C) alguma casa de cultura que não é cinema é teatro. – Errado,
(E) todo teatro que não é casa de cultura não é cinema.
a primeira proposição já nos afirma o contrário. O diagrama nos
afirma isso
Resolução:
Vamos chamar de:
Cinema = C
Casa de Cultura = CC
Teatro = T
Analisando as proposições temos:
- Todo cinema é uma casa de cultura

(D) existe casa de cultura que não é cinema. – Errado, a justifi-


cativa é observada no diagrama da alternativa anterior.
(E) todo teatro que não é casa de cultura não é cinema. – Cor-
reta, que podemos observar no diagrama abaixo, uma vez que todo
cinema é casa de cultura. Se o teatro não é casa de cultura também
não é cinema.

- Existem teatros que não são cinemas

Resposta: E

15
RACIOCÍNIO LÓGICO
LÓGICA DE ARGUMENTAÇÃO
Chama-se argumento a afirmação de que um grupo de propo-
sições iniciais redunda em outra proposição final, que será conse-
quência das primeiras. Ou seja, argumento é a relação que associa
um conjunto de proposições P1, P2,... Pn , chamadas premissas do
argumento, a uma proposição Q, chamada de conclusão do argu-
mento.

Observem que todos os elementos do conjunto menor (ho-


mens) estão incluídos, ou seja, pertencem ao conjunto maior (dos
pássaros). E será sempre essa a representação gráfica da frase
“Todo A é B”. Dois círculos, um dentro do outro, estando o círculo
menor a representar o grupo de quem se segue à palavra TODO.
Exemplo: Na frase: “Nenhum pássaro é animal”. Observemos que a pa-
P1: Todos os cientistas são loucos. lavra-chave desta sentença é NENHUM. E a ideia que ela exprime é
P2: Martiniano é louco. de uma total dissociação entre os dois conjuntos.
Q: Martiniano é um cientista.

O exemplo dado pode ser chamado de Silogismo (argumento


formado por duas premissas e a conclusão).
A respeito dos argumentos lógicos, estamos interessados em
verificar se eles são válidos ou inválidos! Então, passemos a enten-
der o que significa um argumento válido e um argumento inválido.

Argumentos Válidos
Dizemos que um argumento é válido (ou ainda legítimo ou bem
construído), quando a sua conclusão é uma consequência obrigató-
ria do seu conjunto de premissas.
Será sempre assim a representação gráfica de uma sentença
Exemplo: “Nenhum A é B”: dois conjuntos separados, sem nenhum ponto em
O silogismo... comum.
P1: Todos os homens são pássaros. Tomemos agora as representações gráficas das duas premissas
P2: Nenhum pássaro é animal. vistas acima e as analisemos em conjunto. Teremos:
Q: Portanto, nenhum homem é animal.

... está perfeitamente bem construído, sendo, portanto, um


argumento válido, muito embora a veracidade das premissas e da
conclusão sejam totalmente questionáveis.

ATENÇÃO: O que vale é a CONSTRUÇÃO, E NÃO O SEU CON-


TEÚDO! Se a construção está perfeita, então o argumento é válido,
independentemente do conteúdo das premissas ou da conclusão!

• Como saber se um determinado argumento é mesmo váli-


do?
Para se comprovar a validade de um argumento é utilizando Comparando a conclusão do nosso argumento, temos:
diagramas de conjuntos (diagramas de Venn). Trata-se de um mé- NENHUM homem é animal – com o desenho das premissas
todo muito útil e que será usado com frequência em questões que será que podemos dizer que esta conclusão é uma consequência
pedem a verificação da validade de um argumento. Vejamos como necessária das premissas? Claro que sim! Observemos que o con-
funciona, usando o exemplo acima. Quando se afirma, na premissa junto dos homens está totalmente separado (total dissociação!) do
P1, que “todos os homens são pássaros”, poderemos representar conjunto dos animais. Resultado: este é um argumento válido!
essa frase da seguinte maneira:
Argumentos Inválidos
Dizemos que um argumento é inválido – também denominado
ilegítimo, mal construído, falacioso ou sofisma – quando a verdade
das premissas não é suficiente para garantir a verdade da conclu-
são.

16
RACIOCÍNIO LÓGICO
Exemplo:
P1: Todas as crianças gostam de chocolate.
P2: Patrícia não é criança.
Q: Portanto, Patrícia não gosta de chocolate.

Este é um argumento inválido, falacioso, mal construído, pois as premissas não garantem (não obrigam) a verdade da conclusão.
Patrícia pode gostar de chocolate mesmo que não seja criança, pois a primeira premissa não afirmou que somente as crianças gostam de
chocolate.
Utilizando os diagramas de conjuntos para provar a validade do argumento anterior, provaremos, utilizando-nos do mesmo artifício,
que o argumento em análise é inválido. Comecemos pela primeira premissa: “Todas as crianças gostam de chocolate”.

Analisemos agora o que diz a segunda premissa: “Patrícia não é criança”. O que temos que fazer aqui é pegar o diagrama acima (da
primeira premissa) e nele indicar onde poderá estar localizada a Patrícia, obedecendo ao que consta nesta segunda premissa. Vemos
facilmente que a Patrícia só não poderá estar dentro do círculo das crianças. É a única restrição que faz a segunda premissa! Isto posto,
concluímos que Patrícia poderá estar em dois lugares distintos do diagrama:
1º) Fora do conjunto maior;
2º) Dentro do conjunto maior. Vejamos:

Finalmente, passemos à análise da conclusão: “Patrícia não gosta de chocolate”. Ora, o que nos resta para sabermos se este argumen-
to é válido ou não, é justamente confirmar se esse resultado (se esta conclusão) é necessariamente verdadeiro!
- É necessariamente verdadeiro que Patrícia não gosta de chocolate? Olhando para o desenho acima, respondemos que não! Pode
ser que ela não goste de chocolate (caso esteja fora do círculo), mas também pode ser que goste (caso esteja dentro do círculo)! Enfim, o
argumento é inválido, pois as premissas não garantiram a veracidade da conclusão!

Métodos para validação de um argumento


Aprenderemos a seguir alguns diferentes métodos que nos possibilitarão afirmar se um argumento é válido ou não!
1º) Utilizando diagramas de conjuntos: esta forma é indicada quando nas premissas do argumento aparecem as palavras TODO, AL-
GUM E NENHUM, ou os seus sinônimos: cada, existe um etc.
2º) Utilizando tabela-verdade: esta forma é mais indicada quando não for possível resolver pelo primeiro método, o que ocorre quan-
do nas premissas não aparecem as palavras todo, algum e nenhum, mas sim, os conectivos “ou” , “e”, “” e “↔”. Baseia-se na construção
da tabela-verdade, destacando-se uma coluna para cada premissa e outra para a conclusão. Este método tem a desvantagem de ser mais
trabalhoso, principalmente quando envolve várias proposições simples.
3º) Utilizando as operações lógicas com os conectivos e considerando as premissas verdadeiras.
Por este método, fácil e rapidamente demonstraremos a validade de um argumento. Porém, só devemos utilizá-lo na impossibilidade
do primeiro método.
Iniciaremos aqui considerando as premissas como verdades. Daí, por meio das operações lógicas com os conectivos, descobriremos o
valor lógico da conclusão, que deverá resultar também em verdade, para que o argumento seja considerado válido.

17
RACIOCÍNIO LÓGICO
4º) Utilizando as operações lógicas com os conectivos, considerando premissas verdadeiras e conclusão falsa.
É indicado este caminho quando notarmos que a aplicação do terceiro método não possibilitará a descoberta do valor lógico da con-
clusão de maneira direta, mas somente por meio de análises mais complicadas.

Em síntese:

Exemplo:
Diga se o argumento abaixo é válido ou inválido:

(p ∧ q) → r
_____~r_______
~p ∨ ~q

Resolução:
-1ª Pergunta) O argumento apresenta as palavras todo, algum ou nenhum?
A resposta é não! Logo, descartamos o 1º método e passamos à pergunta seguinte.

- 2ª Pergunta) O argumento contém no máximo duas proposições simples?


A resposta também é não! Portanto, descartamos também o 2º método.
- 3ª Pergunta) Há alguma das premissas que seja uma proposição simples ou uma conjunção?
A resposta é sim! A segunda proposição é (~r). Podemos optar então pelo 3º método? Sim, perfeitamente! Mas caso queiramos seguir
adiante com uma próxima pergunta, teríamos:
- 4ª Pergunta) A conclusão tem a forma de uma proposição simples ou de uma disjunção ou de uma condicional? A resposta também
é sim! Nossa conclusão é uma disjunção! Ou seja, caso queiramos, poderemos utilizar, opcionalmente, o 4º método!
Vamos seguir os dois caminhos: resolveremos a questão pelo 3º e pelo 4º métodos.

18
RACIOCÍNIO LÓGICO
Resolução pelo 3º Método
Considerando as premissas verdadeiras e testando a conclusão
verdadeira. Teremos:
- 2ª Premissa) ~r é verdade. Logo: r é falsa!
- 1ª Premissa) (p ∧ q)r é verdade. Sabendo que r é falsa,
concluímos que (p ∧ q) tem que ser também falsa. E quando uma
conjunção (e) é falsa? Quando uma das premissas for falsa ou am-
bas forem falsas. Logo, não é possível determinamos os valores
lógicos de p e q. Apesar de inicialmente o 3º método se mostrar
adequado, por meio do mesmo, não poderemos determinar se o
argumento é ou NÃO VÁLIDO. A condicional só será F quando a 1ª for verdadeira e a 2ª falsa,
utilizando isso temos:
Resolução pelo 4º Método O que se quer saber é: Se Maria foi ao cinema, então Fernando
Considerando a conclusão falsa e premissas verdadeiras. Tere- estava estudando. // B → ~E
mos: Iniciando temos:
- Conclusão) ~p v ~q é falso. Logo: p é verdadeiro e q é verda- 4º - Quando chove (F), Maria não vai ao cinema. (F) // A → ~B
deiro! = V – para que o argumento seja válido temos que Quando chove
Agora, passamos a testar as premissas, que são consideradas tem que ser F.
verdadeiras! Teremos: 3º - Quando Cláudio fica em casa (V), Maria vai ao cinema (V).
- 1ª Premissa) (p∧q)r é verdade. Sabendo que p e q são ver- // C → B = V - para que o argumento seja válido temos que Maria
dadeiros, então a primeira parte da condicional acima também é vai ao cinema tem que ser V.
verdadeira. Daí resta que a segunda parte não pode ser falsa. Logo: 2º - Quando Cláudio sai de casa(F), não faz frio (F). // ~C → ~D
r é verdadeiro. = V - para que o argumento seja válido temos que Quando Cláudio
- 2ª Premissa) Sabendo que r é verdadeiro, teremos que ~r é sai de casa tem que ser F.
falso! Opa! A premissa deveria ser verdadeira, e não foi! 5º - Quando Fernando está estudando (V ou F), não chove (V).
// E → ~A = V. – neste caso Quando Fernando está estudando pode
Neste caso, precisaríamos nos lembrar de que o teste, aqui no ser V ou F.
4º método, é diferente do teste do 3º: não havendo a existência si- 1º- Durante a noite(V), faz frio (V). // F → D = V
multânea da conclusão falsa e premissas verdadeiras, teremos que
o argumento é válido! Conclusão: o argumento é válido! Logo nada podemos afirmar sobre a afirmação: Se Maria foi ao
cinema (V), então Fernando estava estudando (V ou F); pois temos
Exemplos: dois valores lógicos para chegarmos à conclusão (V ou F).
(DPU – AGENTE ADMINISTRATIVO – CESPE) Considere que as Resposta: Errado
seguintes proposições sejam verdadeiras.
• Quando chove, Maria não vai ao cinema. (PETROBRAS – TÉCNICO (A) DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO
• Quando Cláudio fica em casa, Maria vai ao cinema. JÚNIOR – INFORMÁTICA – CESGRANRIO) Se Esmeralda é uma fada,
• Quando Cláudio sai de casa, não faz frio. então Bongrado é um elfo. Se Bongrado é um elfo, então Monarca
• Quando Fernando está estudando, não chove. é um centauro. Se Monarca é um centauro, então Tristeza é uma
• Durante a noite, faz frio. bruxa.
Ora, sabe-se que Tristeza não é uma bruxa, logo
Tendo como referência as proposições apresentadas, julgue o (A) Esmeralda é uma fada, e Bongrado não é um elfo.
item subsecutivo. (B) Esmeralda não é uma fada, e Monarca não é um centauro.
Se Maria foi ao cinema, então Fernando estava estudando. (C) Bongrado é um elfo, e Monarca é um centauro.
( ) Certo (D) Bongrado é um elfo, e Esmeralda é uma fada
( ) Errado (E) Monarca é um centauro, e Bongrado não é um elfo.

Resolução: Resolução:
A questão trata-se de lógica de argumentação, dadas as pre- Vamos analisar cada frase partindo da afirmativa Trizteza não é
missas chegamos a uma conclusão. Enumerando as premissas: bruxa, considerando ela como (V), precisamos ter como conclusão
A = Chove o valor lógico (V), então:
B = Maria vai ao cinema (4) Se Esmeralda é uma fada(F), então Bongrado é um elfo (F)
C = Cláudio fica em casa →V
D = Faz frio (3) Se Bongrado é um elfo (F), então Monarca é um centauro
E = Fernando está estudando (F) → V
F = É noite (2) Se Monarca é um centauro(F), então Tristeza é uma bruxa(F)
A argumentação parte que a conclusão deve ser (V) →V
Lembramos a tabela verdade da condicional: (1) Tristeza não é uma bruxa (V)

Logo:
Temos que:
Esmeralda não é fada(V)
Bongrado não é elfo (V)
Monarca não é um centauro (V)

19
RACIOCÍNIO LÓGICO
Como a conclusão parte da conjunção, o mesmo só será verdadeiro quando todas as afirmativas forem verdadeiras, logo, a única que
contém esse valor lógico é:
Esmeralda não é uma fada, e Monarca não é um centauro.
Resposta: B

LÓGICA MATEMÁTICA QUALITATIVA


Aqui veremos questões que envolvem correlação de elementos, pessoas e objetos fictícios, através de dados fornecidos. Vejamos o
passo a passo:

01. Três homens, Luís, Carlos e Paulo, são casados com Lúcia, Patrícia e Maria, mas não sabemos quem ê casado com quem. Eles tra-
balham com Engenharia, Advocacia e Medicina, mas também não sabemos quem faz o quê. Com base nas dicas abaixo, tente descobrir o
nome de cada marido, a profissão de cada um e o nome de suas esposas.
a) O médico é casado com Maria.
b) Paulo é advogado.
c) Patrícia não é casada com Paulo.
d) Carlos não é médico.

Vamos montar o passo a passo para que você possa compreender como chegar a conclusão da questão.
1º passo – vamos montar uma tabela para facilitar a visualização da resolução, a mesma deve conter as informações prestadas no
enunciado, nas quais podem ser divididas em três grupos: homens, esposas e profissões.

Medicina Engenharia Advocacia Lúcia Patrícia Maria


Carlos
Luís
Paulo
Lúcia
Patrícia
Maria

Também criamos abaixo do nome dos homens, o nome das esposas.

2º passo – construir a tabela gabarito.


Essa tabela não servirá apenas como gabarito, mas em alguns casos ela é fundamental para que você enxergue informações que ficam
meio escondidas na tabela principal. Uma tabela complementa a outra, podendo até mesmo que você chegue a conclusões acerca dos
grupos e elementos.

HOMENS PROFISSÕES ESPOSAS


Carlos
Luís
Paulo

3º passo preenchimento de nossa tabela, com as informações mais óbvias do problema, aquelas que não deixam margem a nenhuma
dúvida. Em nosso exemplo:
- O médico é casado com Maria: marque um “S” na tabela principal na célula comum a “Médico” e “Maria”, e um “N” nas demais
células referentes a esse “S”.

Medicina Engenharia Advocacia Lúcia Patrícia Maria


Carlos
Luís
Paulo
Lúcia N
Patrícia N
Maria S N N

ATENÇÃO: se o médico é casado com Maria, ele NÃO PODE ser casado com Lúcia e Patrícia, então colocamos “N” no cruzamento
de Medicina e elas. E se Maria é casada com o médico, logo ela NÃO PODE ser casada com o engenheiro e nem com o advogado (logo
colocamos “N” no cruzamento do nome de Maria com essas profissões).
– Paulo é advogado: Vamos preencher as duas tabelas (tabela gabarito e tabela principal) agora.

20
RACIOCÍNIO LÓGICO
– Patrícia não é casada com Paulo: Vamos preencher com “N” na tabela principal
– Carlos não é médico: preenchemos com um “N” na tabela principal a célula comum a Carlos e “médico”.

Medicina Engenharia Advocacia Lúcia Patrícia Maria


Carlos N N
Luís S N N
Paulo N N S N
Lúcia N
Patrícia N
Maria S N N

Notamos aqui que Luís então é o médico, pois foi a célula que ficou em branco. Podemos também completar a tabela gabarito.
Novamente observamos uma célula vazia no cruzamento de Carlos com Engenharia. Marcamos um “S” nesta célula. E preenchemos
sua tabela gabarito.

Medicina Engenharia Advocacia Lúcia Patrícia Maria


Carlos N S N
Luís S N N
Paulo N N S N
Lúcia N
Patrícia N
Maria S N N

HOMENS PROFISSÕES ESPOSAS


Carlos Engenheiro
Luís Médico
Paulo Advogado

4º passo – após as anotações feitas na tabela principal e na tabela gabarito, vamos procurar informações que levem a novas conclu-
sões, que serão marcadas nessas tabelas.
Observe que Maria é esposa do médico, que se descobriu ser Luís, fato que poderia ser registrado na tabela-gabarito. Mas não vamos
fazer agora, pois essa conclusão só foi facilmente encontrada porque o problema que está sendo analisado é muito simples. Vamos con-
tinuar o raciocínio e fazer as marcações mais tarde. Além disso, sabemos que Patrícia não é casada com Paulo. Como Paulo é o advogado,
podemos concluir que Patrícia não é casada com o advogado.

Medicina Engenharia Advocacia Lúcia Patrícia Maria


Carlos N S N
Luís S N N
Paulo N N S N
Lúcia N
Patrícia N N
Maria S N N

Verificamos, na tabela acima, que Patrícia tem de ser casada com o engenheiro, e Lúcia tem de ser casada com o advogado.

Medicina Engenharia Advocacia Lúcia Patrícia Maria


Carlos N S N
Luís S N N
Paulo N N S N
Lúcia N N S
Patrícia N S N
Maria S N N

21
RACIOCÍNIO LÓGICO
Concluímos, então, que Lúcia é casada com o advogado (que é Fortaleza Goiânia Curitiba Salvador
Paulo), Patrícia é casada com o engenheiro (que e Carlos) e Maria é
casada com o médico (que é Luís). Luiz N N N
Preenchendo a tabela-gabarito, vemos que o problema está Arnaldo N N
resolvido:
Mariana N N S N
Paulo N N
HOMENS PROFISSÕES ESPOSAS
Carlos Engenheiro Patrícia Agora, completando o restante:
Luís Médico Maria Paulo viajou para Salvador, pois a nenhum dos três viajou. En-
tão, Arnaldo viajou para Fortaleza e Luiz para Goiânia
Paulo Advogado Lúcia

Exemplo: Fortaleza Goiânia Curitiba Salvador


(TRT-9ª REGIÃO/PR – TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINIS- Luiz N S N N
TRATIVA – FCC) Luiz, Arnaldo, Mariana e Paulo viajaram em janeiro,
Arnaldo S N N N
todos para diferentes cidades, que foram Fortaleza, Goiânia, Curi-
tiba e Salvador. Com relação às cidades para onde eles viajaram, Mariana N N S N
sabe-se que: Paulo N N N S
− Luiz e Arnaldo não viajaram para Salvador;
− Mariana viajou para Curitiba; Resposta: B
− Paulo não viajou para Goiânia;
− Luiz não viajou para Fortaleza. Quantificador
É um termo utilizado para quantificar uma expressão. Os quan-
É correto concluir que, em janeiro, tificadores são utilizados para transformar uma sentença aberta ou
(A) Paulo viajou para Fortaleza. proposição aberta em uma proposição lógica.
(B) Luiz viajou para Goiânia.
(C) Arnaldo viajou para Goiânia.
(D) Mariana viajou para Salvador. QUANTIFICADOR + SENTENÇA ABERTA = SENTENÇA FECHADA
(E) Luiz viajou para Curitiba.
Tipos de quantificadores
Resolução:
Vamos preencher a tabela: • Quantificador universal (∀)
− Luiz e Arnaldo não viajaram para Salvador; O símbolo ∀ pode ser lido das seguintes formas:

Fortaleza Goiânia Curitiba Salvador


Luiz N
Arnaldo N
Mariana Exemplo:
Paulo Todo homem é mortal.
A conclusão dessa afirmação é: se você é homem, então será
− Mariana viajou para Curitiba; mortal.
Na representação do diagrama lógico, seria:
Fortaleza Goiânia Curitiba Salvador
Luiz N N
Arnaldo N N
Mariana N N S N
Paulo N

− Paulo não viajou para Goiânia;


ATENÇÃO: Todo homem é mortal, mas nem todo mortal é ho-
mem.
Fortaleza Goiânia Curitiba Salvador A frase “todo homem é mortal” possui as seguintes conclusões:
Luiz N N 1ª) Algum mortal é homem ou algum homem é mortal.
Arnaldo N N 2ª) Se José é homem, então José é mortal.
Mariana N N S N A forma “Todo A é B” pode ser escrita na forma: Se A então B.
Paulo N N A forma simbólica da expressão “Todo A é B” é a expressão (∀
(x) (A (x) → B).
− Luiz não viajou para Fortaleza. Observe que a palavra todo representa uma relação de inclusão
de conjuntos, por isso está associada ao operador da condicional.

22
RACIOCÍNIO LÓGICO
Aplicando temos: – Algum animal é cavalo ou Algum cavalo é um animal.
x + 2 = 5 é uma sentença aberta. Agora, se escrevermos da for- – Se é cavalo, então é um animal.
ma ∀ (x) ∈ N / x + 2 = 5 ( lê-se: para todo pertencente a N temos x Nesse caso, nossa resposta é toda cabeça de cavalo é cabeça
+ 2 = 5), atribuindo qualquer valor a x a sentença será verdadeira? de animal, pois mantém a relação de “está contido” (segunda forma
A resposta é NÃO, pois depois de colocarmos o quantificador, de conclusão).
a frase passa a possuir sujeito e predicado definidos e podemos jul- Resposta: B
gar, logo, é uma proposição lógica.
(CESPE) Se R é o conjunto dos números reais, então a proposi-
• Quantificador existencial (∃) ção (∀ x) (x ∈ R) (∃ y) (y ∈ R) (x + y = x) é valorada como V.
O símbolo ∃ pode ser lido das seguintes formas:
Resolução:
Lemos: para todo x pertencente ao conjunto dos números reais
(R) existe um y pertencente ao conjunto dos números dos reais (R)
tal que x + y = x.
– 1º passo: observar os quantificadores.
X está relacionado com o quantificador universal, logo, todos
os valores de x devem satisfazer a propriedade.
Exemplo: Y está relacionado com o quantificador existencial, logo, é ne-
“Algum matemático é filósofo.” O diagrama lógico dessa frase cessário pelo menos um valor de x para satisfazer a propriedade.
é: – 2º passo: observar os conjuntos dos números dos elementos
x e y.
O elemento x pertence ao conjunto dos números reais.
O elemento y pertence ao conjunto os números reais.
– 3º passo: resolver a propriedade (x+ y = x).
A pergunta: existe algum valor real para y tal que x + y = x?
Existe sim! y = 0.
X + 0 = X.
Como existe pelo menos um valor para y e qualquer valor de
x somado a 0 será igual a x, podemos concluir que o item está cor-
O quantificador existencial tem a função de elemento comum.
reto.
A palavra algum, do ponto de vista lógico, representa termos co-
Resposta: CERTO
muns, por isso “Algum A é B” possui a seguinte forma simbólica: (∃
(x)) (A (x) ∧ B).

Aplicando temos: CONJUNTOS E SUAS OPERAÇÕES, DIAGRAMAS


x + 2 = 5 é uma sentença aberta. Escrevendo da forma (∃ x) ∈
N / x + 2 = 5 (lê-se: existe pelo menos um x pertencente a N tal que x Conjunto está presente em muitos aspectos da vida, sejam eles
+ 2 = 5), atribuindo um valor que, colocado no lugar de x, a sentença cotidianos, culturais ou científicos. Por exemplo, formamos conjun-
será verdadeira? tos ao organizar a lista de amigos para uma festa agrupar os dias da
A resposta é SIM, pois depois de colocarmos o quantificador, semana ou simplesmente fazer grupos.
a frase passou a possuir sujeito e predicado definidos e podemos Os componentes de um conjunto são chamados de elementos.
julgar, logo, é uma proposição lógica. Para enumerar um conjunto usamos geralmente uma letra
maiúscula.
ATENÇÃO:
– A palavra todo não permite inversão dos termos: “Todo A é B” Representações
é diferente de “Todo B é A”. Pode ser definido por:
– A palavra algum permite a inversão dos termos: “Algum A é -Enumerando todos os elementos do conjunto: S={1, 3, 5, 7, 9}
B” é a mesma coisa que “Algum B é A”. -Simbolicamente: B={x>N|x<8}, enumerando esses elementos
temos:
Forma simbólica dos quantificadores B={0,1,2,3,4,5,6,7}
Todo A é B = (∀ (x) (A (x) → B).
Algum A é B = (∃ (x)) (A (x) ∧ B). – Diagrama de Venn
Nenhum A é B = (~ ∃ (x)) (A (x) ∧ B).
Algum A não é B= (∃ (x)) (A (x) ∧ ~ B).

Exemplos:
Todo cavalo é um animal. Logo,
(A) Toda cabeça de animal é cabeça de cavalo.
(B) Toda cabeça de cavalo é cabeça de animal.
(C) Todo animal é cavalo.
(D) Nenhum animal é cavalo.

Resolução:
A frase “Todo cavalo é um animal” possui as seguintes conclu-
sões:

23
RACIOCÍNIO LÓGICO
Há também um conjunto que não contém elemento e é repre- b) finito quando é possível enumerar todos os seus elementos
sentado da seguinte forma: S = c ou S = { }. c) singular quando é formado por um único elemento
Quando todos os elementos de um conjunto A pertencem tam- d) vazio quando não tem elementos
bém a outro conjunto B, dizemos que:
A é subconjunto de B Exemplos
Ou A é parte de B N é um conjunto infinito (O cardinal do conjunto N (#N) é infi-
A está contido em B escrevemos: A ⊂ B nito (∞));
A = {½, 1} é um conjunto finito (#A = 2);
Se existir pelo menos um elemento de A que não pertence a B = {Lua} é um conjunto singular (#B = 1)
B: A ⊄ B { } ou ∅ é o conjunto vazio (#∅ = 0)

Símbolos Pertinência
∈: pertence O conceito básico da teoria dos conjuntos é a relação de perti-
∉: não pertence nência representada pelo símbolo ∈. As letras minúsculas designam
⊂: está contido os elementos de um conjunto e as maiúsculas, os conjuntos. Assim,
⊄: não está contido o conjunto das vogais (V) é:
⊃: contém V={a,e,i,o,u}
⊅: não contém A relação de pertinência é expressa por: a∈V
/: tal que A relação de não-pertinência é expressa por:b∉V, pois o ele-
⟹: implica que mento b não pertence ao conjunto V.
⇔: se,e somente se
∃: existe Inclusão
∄: não existe A Relação de inclusão possui 3 propriedades:
∀: para todo(ou qualquer que seja) Propriedade reflexiva: A⊂A, isto é, um conjunto sempre é sub-
∅: conjunto vazio conjunto dele mesmo.
N: conjunto dos números naturais Propriedade antissimétrica: se A⊂B e B⊂A, então A=B
Z: conjunto dos números inteiros Propriedade transitiva: se A⊂B e B⊂C, então, A⊂C.
Q: conjunto dos números racionais
Q’=I: conjunto dos números irracionais Operações
R: conjunto dos números reais União
Dados dois conjuntos A e B, existe sempre um terceiro formado
Igualdade pelos elementos que pertencem pelo menos um dos conjuntos a
Propriedades básicas da igualdade que chamamos conjunto união e representamos por: A∪B.
Para todos os conjuntos A, B e C,para todos os objetos x ∈ U, Formalmente temos: A∪B={x|x ∈ A ou x ∈ B}
temos que: Exemplo:
(1) A = A. A={1,2,3,4} e B={5,6}
(2) Se A = B, então B = A. A∪B={1,2,3,4,5,6}
(3) Se A = B e B = C, então A = C.
(4) Se A = B e x ∈ A, então x∈ B. Interseção
Se A = B e A ∈ C, então B ∈ C. A interseção dos conjuntos A e B é o conjunto formado pelos
elementos que são ao mesmo tempo de A e de B, e é representada
Dois conjuntos são iguais se, e somente se, possuem exata- por : A∩B. Simbolicamente: A∩B={x|x∈A e x∈B}
mente os mesmos elementos. Em símbolo:
Para saber se dois conjuntos A e B são iguais, precisamos saber
apenas quais são os elementos.
Não importa ordem:
A={1,2,3} e B={2,1,3}

Não importa se há repetição:


A={1,2,2,3} e B={1,2,3}

Classificação
Definição Exemplo:
Chama-se cardinal de um conjunto, e representa-se por #, ao A={a,b,c,d,e} e B={d,e,f,g}
número de elementos que ele possui. A∩B={d,e}

Exemplo Diferença
Por exemplo, se A ={45,65,85,95} então #A = 4. Uma outra operação entre conjuntos é a diferença, que a cada
par A, B de conjuntos faz corresponder o conjunto definido por:
Definições A – B ou A\B que se diz a diferença entre A e B ou o comple-
Dois conjuntos dizem-se equipotentes se têm o mesmo cardinal. mentar de B em relação a A.
Um conjunto diz-se A este conjunto pertencem os elementos de A que não perten-
a) infinito quando não é possível enumerar todos os seus ele- cem a B.
mentos A\B = {x : x∈A e x∉B}.

24
RACIOCÍNIO LÓGICO
Não importa se há repetição:
A={1,2,2,3} e B={1,2,3}

Relação de Pertinência
Relacionam um elemento com conjunto. E a indicação que o
elemento pertence (∈) ou não pertence (∉)
Exemplo: Dado o conjunto A={-3, 0, 1, 5}
0∈A
2∉A

Relações de Inclusão
Relacionam um conjunto com outro conjunto.
Simbologia: ⊂(está contido), ⊄(não está contido), ⊃(contém),
⊅ (não contém)
Exemplo:
A = {0, 1, 2, 3, 4, 5} e B = {5, 6, 7} A Relação de inclusão possui 3 propriedades:
Então os elementos de A – B serão os elementos do conjunto A
menos os elementos que pertencerem ao conjunto B. Exemplo:
Portanto A – B = {0, 1, 2, 3, 4}. {1, 3,5}⊂{0, 1, 2, 3, 4, 5}
{0, 1, 2, 3, 4, 5}⊃{1, 3,5}
Complementar
Sejam A e B dois conjuntos tais que A⊂B. Chama-se comple- Aqui vale a famosa regrinha que o professor ensina, boca aber-
mentar de A em relação a B, que indicamos por CBA, o conjunto ta para o maior conjunto.
cujos elementos são todos aqueles que pertencem a B e não per-
tencem a A. Subconjunto
A⊂B⇔ CBA={x|x∈B e x∉A}=B-A O conjunto A é subconjunto de B se todo elemento de A é tam-
bém elemento de B.
Exemplo
A={1,2,3} B={1,2,3,4,5} Exemplo: {2,4} é subconjunto de {x∈N|x é par}
CBA={4,5}
Operações
Representação
-Enumerando todos os elementos do conjunto: S={1, 2, 3, 4, 5} União
-Simbolicamente: B={x∈ N|2<x<8}, enumerando esses elemen- Dados dois conjuntos A e B, existe sempre um terceiro formado
tos temos: pelos elementos que pertencem pelo menos um dos conjuntos a
B={3,4,5,6,7} que chamamos conjunto união e representamos por: A∪B.
Formalmente temos: A∪B={x|x ∈A ou x∈B}
- por meio de diagrama:
Exemplo:
A={1,2,3,4} e B={5,6}
A∪B={1,2,3,4,5,6}

Quando um conjunto não possuir elementos chama-se de con-


junto vazio: S=∅ ou S={ }. Interseção
A interseção dos conjuntos A e B é o conjunto formado pelos
Igualdade elementos que são ao mesmo tempo de A e de B, e é representada
Dois conjuntos são iguais se, e somente se, possuem exata- por : A∩B.
mente os mesmos elementos. Em símbolo: Simbolicamente: A∩B={x|x ∈A e x ∈B}

Para saber se dois conjuntos A e B são iguais, precisamos saber


apenas quais são os elementos.
Não importa ordem:
A={1,2,3} e B={2,1,3}

25
RACIOCÍNIO LÓGICO
Exemplo: Exemplo
A={a,b,c,d,e} e B={d,e,f,g} (MANAUSPREV – Analista Previdenciário – FCC/2015) Em um
A∩B={d,e} grupo de 32 homens, 18 são altos, 22 são barbados e 16 são care-
cas. Homens altos e barbados que não são carecas são seis. Todos
Diferença homens altos que são carecas, são também barbados. Sabe-se que
Uma outra operação entre conjuntos é a diferença, que a cada existem 5 homens que são altos e não são barbados nem carecas.
par A, B de conjuntos faz corresponder o conjunto definido por: Sabe-se que existem 5 homens que são barbados e não são altos
A – B ou A\B que se diz a diferença entre A e B ou o comple- nem carecas. Sabe-se que existem 5 homens que são carecas e não
mentar de B em relação a A. são altos e nem barbados. Dentre todos esses homens, o número
A este conjunto pertencem os elementos de A que não perten- de barbados que não são altos, mas são carecas é igual a
cem a B. (A) 4.
(B) 7.
A\B = {x : x ∈A e x∉B}. (C) 13.
(D) 5.
(E) 8.

Primeiro, quando temos 3 diagramas, sempre começamos pela


interseção dos 3, depois interseção a cada 2 e por fim, cada um

B-A = {x : x ∈B e x∉A}.

Exemplo:
A = {0, 1, 2, 3, 4, 5} e B = {5, 6, 7} Se todo homem careca é barbado, não teremos apenas homens
Então os elementos de A – B serão os elementos do conjunto A carecas e altos.
menos os elementos que pertencerem ao conjunto B. Homens altos e barbados são 6
Portanto A – B = {0, 1, 2, 3, 4}.

Complementar
O complementar do conjunto A( ) é o conjunto formado pelos
elementos do conjunto universo que não pertencem a A.

Sabe-se que existem 5 homens que são barbados e não são


altos nem carecas. Sabe-se que existem 5 homens que são carecas
e não são altos e nem barbados

Fórmulas da união
n(A ∪B)=n(A)+n(B)-n(A∩B)
n(A ∪B∪C)=n(A)+n(B)+n(C)+n(A∩B∩C)-n(A∩B)-n(A∩C)-n(B C)

Essas fórmulas muitas vezes nos ajudam, pois ao invés de fazer


todo o diagrama, se colocarmos nessa fórmula, o resultado é mais
rápido, o que na prova de concurso é interessante devido ao tempo.
Mas, faremos exercícios dos dois modos para você entender
melhor e perceber que, dependendo do exercício é melhor fazer de
uma forma ou outra.

26
RACIOCÍNIO LÓGICO
Sabemos que 18 são altos Resolução
A nossa primeira conta, deve ser achar o número de candidatos
que não são físicos, biólogos e nem químicos.
n (F ∪B∪Q)=n(F)+n(B)+n(Q)+n(F∩B∩Q)-n(F∩B)-n(F∩Q)-
-n(B∩Q)
n(F ∪B∪Q)=80+90+55+8-32-23-16=162
Temos um total de 250 candidatos
250-162=88
Resposta: A.

NÚMEROS INTEIROS, RACIONAIS E REAIS E SUAS OPE-


RAÇÕES
Quando somarmos 5+x+6=18
X=18-11=7 Números Naturais
Os números naturais são o modelo matemático necessário
Carecas são 16 para efetuar uma contagem.
Começando por zero e acrescentando sempre uma unidade,
obtemos o conjunto infinito dos números naturais

- Todo número natural dado tem um sucessor


a) O sucessor de 0 é 1.
b) O sucessor de 1000 é 1001.
c) O sucessor de 19 é 20.

Usamos o * para indicar o conjunto sem o zero.


7+y+5=16
Y=16-12 {1,2,3,4,5,6... . }
Y=4
- Todo número natural dado N, exceto o zero, tem um anteces-
Então o número de barbados que não são altos, mas são care-
sor (número que vem antes do número dado).
cas são 4.
Exemplos: Se m é um número natural finito diferente de zero.
Nesse exercício ficará difícil se pensarmos na fórmula, ficou
a) O antecessor do número m é m-1.
grande devido as explicações, mas se você fizer tudo no mesmo dia-
grama, mas seguindo os passos, o resultado sairá fácil. b) O antecessor de 2 é 1.
c) O antecessor de 56 é 55.
Exemplo d) O antecessor de 10 é 9.
(SEGPLAN/GO – Perito Criminal – FUNIVERSA/2015) Suponha
que, dos 250 candidatos selecionados ao cargo de perito criminal: Expressões Numéricas
Nas expressões numéricas aparecem adições, subtrações, mul-
1) 80 sejam formados em Física; tiplicações e divisões. Todas as operações podem acontecer em
2) 90 sejam formados em Biologia; uma única expressão. Para resolver as expressões numéricas utili-
3) 55 sejam formados em Química; zamos alguns procedimentos:
4) 32 sejam formados em Biologia e Física;
5) 23 sejam formados em Química e Física; Se em uma expressão numérica aparecer as quatro operações,
6) 16 sejam formados em Biologia e Química; devemos resolver a multiplicação ou a divisão primeiramente, na
7) 8 sejam formados em Física, em Química e em Biologia. ordem em que elas aparecerem e somente depois a adição e a sub-
tração, também na ordem em que aparecerem e os parênteses são
Considerando essa situação, assinale a alternativa correta. resolvidos primeiro.
(A) Mais de 80 dos candidatos selecionados não são físicos
nem biólogos nem químicos. Exemplo 1
(B) Mais de 40 dos candidatos selecionados são formados ape- 10 + 12 – 6 + 7
nas em Física. 22 – 6 + 7
(C) Menos de 20 dos candidatos selecionados são formados 16 + 7
apenas em Física e em Biologia. 23
(D) Mais de 30 dos candidatos selecionados são formados
apenas em Química. Exemplo 2
(E) Escolhendo-se ao acaso um dos candidatos selecionados, 40 – 9 x 4 + 23
a probabilidade de ele ter apenas as duas formações, Física e 40 – 36 + 23
Química, é inferior a 0,05. 4 + 23

27
RACIOCÍNIO LÓGICO
27

Exemplo 3
25-(50-30)+4x5
25-20+20=25

Números Inteiros
Podemos dizer que este conjunto é composto pelos números Representação Fracionária dos Números Decimais
naturais, o conjunto dos opostos dos números naturais e o zero. 1ºcaso) Se for exato, conseguimos sempre transformar com o
Este conjunto pode ser representado por: denominador seguido de zeros.
O número de zeros depende da casa decimal. Para uma casa,
um zero (10) para duas casas, dois zeros(100) e assim por diante.

Subconjuntos do conjunto :
1)Conjunto dos números inteiros excluindo o zero

{...-2, -1, 1, 2, ...}

2) Conjuntos dos números inteiros não negativos

{0, 1, 2, ...}

3) Conjunto dos números inteiros não positivos

{...-3, -2, -1} 2ºcaso) Se dízima periódica é um número racional, então como
podemos transformar em fração?
Números Racionais
Chama-se de número racional a todo número que pode ser ex- Exemplo 1
presso na forma , onde a e b são inteiros quaisquer, com b≠0 Transforme a dízima 0, 333... .em fração
São exemplos de números racionais: Sempre que precisar transformar, vamos chamar a dízima dada
-12/51 de x, ou seja
-3 X=0,333...
-(-3)
-2,333... Se o período da dízima é de um algarismo, multiplicamos por
10.
As dízimas periódicas podem ser representadas por fração, 10x=3,333...
portanto são consideradas números racionais.
Como representar esses números? E então subtraímos:
10x-x=3,333...-0,333...
Representação Decimal das Frações 9x=3
Temos 2 possíveis casos para transformar frações em decimais X=3/9
X=1/3
1º) Decimais exatos: quando dividirmos a fração, o número de-
cimal terá um número finito de algarismos após a vírgula. Agora, vamos fazer um exemplo com 2 algarismos de período.

Exemplo 2
Seja a dízima 1,1212...
Façamos x = 1,1212...
100x = 112,1212... .

Subtraindo:
100x-x=112,1212...-1,1212...
99x=111
X=111/99
2º) Terá um número infinito de algarismos após a vírgula, mas lem-
brando que a dízima deve ser periódica para ser número racional Números Irracionais

OBS: período da dízima são os números que se repetem, se Identificação de números irracionais
não repetir não é dízima periódica e assim números irracionais, que – Todas as dízimas periódicas são números racionais.
trataremos mais a frente. – Todos os números inteiros são racionais.
– Todas as frações ordinárias são números racionais.
– Todas as dízimas não periódicas são números irracionais.
– Todas as raízes inexatas são números irracionais.

28
RACIOCÍNIO LÓGICO
– A soma de um número racional com um número irracional é Intervalo:]a,b[
sempre um número irracional. Conjunto:{xϵR|a<x<b}
– A diferença de dois números irracionais, pode ser um número
racional. Intervalo fechado à esquerda – números reais maiores que a ou
– Os números irracionais não podem ser expressos na forma , iguais a A e menores do que B.
com a e b inteiros e b≠0.

Exemplo: - = 0 e 0 é um número racional.

– O quociente de dois números irracionais, pode ser um núme-


ro racional. Intervalo:{a,b[
Conjunto {x ϵ R|a≤x<b}
Exemplo: : = = 2 e 2 é um número racional.
Intervalo fechado à direita – números reais maiores que a e
– O produto de dois números irracionais, pode ser um número menores ou iguais a b.
racional.

Exemplo: . = = 7 é um número racional.

Exemplo: radicais( a raiz quadrada de um número na- Intervalo:]a,b]


tural, se não inteira, é irracional. Conjunto:{x ϵ R|a<x≤b}

Números Reais Intervalos Ilimitados


Semirreta esquerda, fechada de origem b- números reais me-
nores ou iguais a b.

Intervalo:]-∞,b]
Conjunto:{x ϵ R|x≤b}

Semirreta esquerda, aberta de origem b – números reais me-


nores que b.

Fonte: www.estudokids.com.br Intervalo:]-∞,b[


Conjunto:{x ϵ R|x<b}
Representação na reta
Semirreta direita, fechada de origem a – números reais maiores
ou iguais a A.

Intervalo:[a,+ ∞[
Conjunto:{x ϵ R|x≥a}
Intervalos limitados
Intervalo fechado – Números reais maiores do que a ou iguais a Semirreta direita, aberta, de origem a – números reais maiores
e menores do que b ou iguais a b. que a.

Intervalo:[a,b]
Conjunto: {x ϵ R|a≤x≤b} Intervalo:]a,+ ∞[
Conjunto:{x ϵ R|x>a}
Intervalo aberto – números reais maiores que a e menores que
b. Potenciação
Multiplicação de fatores iguais

2³=2.2.2=8

29
RACIOCÍNIO LÓGICO
Casos 3) (am)n Potência de potência. Repete-se a base e multiplica-se
1) Todo número elevado ao expoente 0 resulta em 1. os expoentes.

Exemplos:
(52)3 = 52.3 = 56

2) Todo número elevado ao expoente 1 é o próprio número.

4) E uma multiplicação de dois ou mais fatores elevados a um


expoente, podemos elevar cada um a esse mesmo expoente.
(4.3)²=4².3²
3) Todo número negativo, elevado ao expoente par, resulta em
um número positivo. 5) Na divisão de dois fatores elevados a um expoente, podemos
elevar separados.

4) Todo número negativo, elevado ao expoente ímpar, resulta


em um número negativo. Radiciação
Radiciação é a operação inversa a potenciação

5) Se o sinal do expoente for negativo, devemos passar o sinal


para positivo e inverter o número que está na base.

Técnica de Cálculo
A determinação da raiz quadrada de um número torna-se mais
fácil quando o algarismo se encontra fatorado em números primos.
Veja:

6) Toda vez que a base for igual a zero, não importa o valor do 64 2
expoente, o resultado será igual a zero.
32 2
16 2
8 2
4 2
Propriedades 2 2
1) (am . an = am+n) Em uma multiplicação de potências de mesma
base, repete-se a base e soma os expoentes. 1

Exemplos: 64=2.2.2.2.2.2=26
24 . 23 = 24+3= 27
(2.2.2.2) .( 2.2.2)= 2.2.2. 2.2.2.2= 27 Como é raiz quadrada a cada dois números iguais “tira-se” um
e multiplica.

2) (am: an = am-n). Em uma divisão de potência de mesma base. Observe:


Conserva-se a base e subtraem os expoentes. 1 1 1
3.5 = (3.5) = 3 .5 = 3. 5
2 2 2
Exemplos:
96 : 92 = 96-2 = 94
De modo geral, se
a ∈ R+ , b ∈ R+ , n ∈ N * ,

30
RACIOCÍNIO LÓGICO
Então:
n
a.b = n a .n b
Caso tenha:
O radical de índice inteiro e positivo de um produto indicado é
igual ao produto dos radicais de mesmo índice dos fatores do radi- Não dá para somar, as raízes devem ficar desse modo.
cando.
Racionalização de Denominadores
Raiz quadrada de frações ordinárias Normalmente não se apresentam números irracionais com
radicais no denominador. Ao processo que leva à eliminação dos
1 1 radicais do denominador chama-se racionalização do denominador.
2 2 2 2 2
2 1º Caso: Denominador composto por uma só parcela
Observe: =  = 1 =
3 3 3
32
a na
* *
De modo geral, se a ∈ R+ , b ∈ R , n ∈ N , então: n =
+
b nb
O radical de índice inteiro e positivo de um quociente indicado
é igual ao quociente dos radicais de mesmo índice dos termos do
radicando. 2º Caso: Denominador composto por duas parcelas.

Raiz quadrada números decimais

Devemos multiplicar de forma que obtenha uma diferença de


quadrados no denominador:

Operações

PORCENTAGEM

Operações Porcentagem é uma fração cujo denominador é 100, seu sím-


bolo é (%). Sua utilização está tão disseminada que a encontramos
nos meios de comunicação, nas estatísticas, em máquinas de cal-
Multiplicação cular, etc.

Exemplo Os acréscimos e os descontos é importante saber porque ajuda


muito na resolução do exercício.

Acréscimo
Divisão Se, por exemplo, há um acréscimo de 10% a um determina-
do valor, podemos calcular o novo valor apenas multiplicando esse
valor por 1,10, que é o fator de multiplicação. Se o acréscimo for
de 20%, multiplicamos por 1,20, e assim por diante. Veja a tabela
abaixo:
Exemplo

ACRÉSCIMO OU LUCRO FATOR DE MULTIPLICAÇÃO


10% 1,10
Adição e subtração
15% 1,15
Para fazer esse cálculo, devemos fatorar o 8 e o 20. 20% 1,20
47% 1,47
8 2 20 2
67% 1,67
4 2 10 2
2 2 5 5 Exemplo: Aumentando 10% no valor de R$10,00 temos:
1 1
10 x 1,10 = R$ 11,00

31
RACIOCÍNIO LÓGICO
Desconto Exemplo:
No caso de haver um decréscimo, o fator de multiplicação será: Na sala do 1º ano de um colégio há 20 rapazes e 25 moças.
Fator de Multiplicação =1 - taxa de desconto (na forma decimal) Encontre a razão entre o número de rapazes e o número de moças.
Veja a tabela abaixo: (lembrando que razão é divisão)

DESCONTO FATOR DE MULTIPLICAÇÃO


10% 0,90
25% 0,75
Proporção
34% 0,66 Proporção é a igualdade entre duas razões. A proporção entre
60% 0,40 A/B e C/D é a igualdade:
90% 0,10

Exemplo: Descontando 10% no valor de R$10,00 temos:


Propriedade fundamental das proporções
10 X 0,90 = R$ 9,00 Numa proporção:
Chamamos de lucro em uma transação comercial de compra e
venda a diferença entre o preço de venda e o preço de custo.
Lucro=preço de venda -preço de custo
Os números A e D são denominados extremos enquanto os nú-
Podemos expressar o lucro na forma de porcentagem de duas meros B e C são os meios e vale a propriedade: o produto dos meios
formas: é igual ao produto dos extremos, isto é:

AxD=BxC

Exemplo: A fração 3/4 está em proporção com 6/8, pois:

Exemplo Exercício: Determinar o valor de X para que a razão X/3 esteja


(DPE/RR – Analista de Sistemas – FCC/2015) Em sala de aula em proporção com 4/6.
com 25 alunos e 20 alunas, 60% desse total está com gripe. Se x%
das meninas dessa sala estão com gripe, o menor valor possível Solução: Deve-se montar a proporção da seguinte forma:
para x é igual a
(A) 8.
(B) 15.
(C) 10.
(D) 6.
(E) 12.
Segunda propriedade das proporções
Resolução Qualquer que seja a proporção, a soma ou a diferença dos dois
45------100% primeiros termos está para o primeiro, ou para o segundo termo,
X-------60% assim como a soma ou a diferença dos dois últimos termos está
X=27 para o terceiro, ou para o quarto termo. Então temos:
O menor número de meninas possíveis para ter gripe é se to-
dos os meninos estiverem gripados, assim apenas 2 meninas estão.

Ou
Resposta: C.

PROPORCIONALIDADE DIRETA E INVERSA

Razão Ou
Chama-se de razão entre dois números racionais a e b, com b
0, ao quociente entre eles. Indica-se a razão de a para b por a/bou
a : b.

32
RACIOCÍNIO LÓGICO
Ou Exemplo
Velocidade x Tempo a tabela abaixo:

VELOCIDADE (M/S) TEMPO (S)


5 200
Terceira propriedade das proporções 8 125
Qualquer que seja a proporção, a soma ou a diferença dos an-
tecedentes está para a soma ou a diferença dos consequentes, as- 10 100
sim como cada antecedente está para o seu respectivo consequen- 16 62,5
te. Temos então:
20 50

Quanto MAIOR a velocidade MENOS tempo??


Inversamente proporcional
Se eu dobro a velocidade, eu faço o tempo pela metade.
Ou
Diretamente Proporcionais
Para decompor um número M em partes X1, X2, ..., Xn direta-
mente proporcionais a p1, p2, ..., pn, deve-se montar um sistema
com n equações e n incógnitas, sendo as somas X1+X2+...+Xn=M e
p1+p2+...+pn=P.
Ou

A solução segue das propriedades das proporções:


Ou

Exemplo
Grandezas Diretamente Proporcionais Carlos e João resolveram realizar um bolão da loteria. Carlos
Duas grandezas variáveis dependentes são diretamente pro- entrou com R$ 10,00 e João com R$ 15,00. Caso ganhem o prêmio
porcionais quando a razão entre os valores da 1ª grandeza é igual a de R$ 525.000,00, qual será a parte de cada um, se o combinado
razão entre os valores correspondentes da 2ª, ou de uma maneira entre os dois foi de dividirem o prêmio de forma diretamente pro-
mais informal, se eu pergunto: porcional?
Quanto mais.....mais....

Exemplo
Distância percorrida e combustível gasto

DISTÂNCIA (KM) COMBUSTÍVEL (LITROS)


13 1
26 2
39 3
Carlos ganhará R$210000,00 e Carlos R$315000,00.
52 4
Inversamente Proporcionais
Quanto MAIS eu ando, MAIS combustível? Para decompor um número M em n partes X1, X2, ..., Xn inver-
Diretamente proporcionais samente proporcionais a p1, p2, ..., pn, basta decompor este número
Se eu dobro a distância, dobra o combustível M em n partes X1, X2, ..., Xn diretamente proporcionais a 1/p1, 1/p2,
..., 1/pn. A montagem do sistema com n equações e n incógnitas,
Grandezas Inversamente Proporcionais assume que X1+X2+...+ Xn=M e além disso
Duas grandezas variáveis dependentes são inversamente pro-
porcionais quando a razão entre os valores da 1ª grandeza é igual
ao inverso da razão entre os valores correspondentes da 2ª.
Quanto mais....menos...

33
RACIOCÍNIO LÓGICO
cuja solução segue das propriedades das proporções:

MEDIDAS DE COMPRIMENTO, ÁREA, VOLUME, MASSA E TEMPO

UNIDADES DE COMPRIMENTO
km hm dam m dm cm mm
Quilômetro Hectômetro Decâmetro Metro Decímetro Centímetro Milímetro
1000m 100m 10m 1m 0,1m 0,01m 0,001m

Os múltiplos do metro são utilizados para medir grandes distâncias, enquanto os submúltiplos, para pequenas distâncias. Para medi-
das milimétricas, em que se exige precisão, utilizamos:

mícron (µ) = 10-6 m angströn (Å) = 10-10 m

Para distâncias astronômicas utilizamos o Ano-luz (distância percorrida pela luz em um ano):
Ano-luz = 9,5 · 1012 km

Exemplos de Transformação
1m=10dm=100cm=1000mm=0,1dam=0,01hm=0,001km
1km=10hm=100dam=1000m

Ou seja, para transformar as unidades, quando “ andamos” para direita multiplica por 10 e para a esquerda divide por 10.

Superfície
A medida de superfície é sua área e a unidade fundamental é o metro quadrado(m²).

Para transformar de uma unidade para outra inferior, devemos observar que cada unidade é cem vezes maior que a unidade imedia-
tamente inferior. Assim, multiplicamos por cem para cada deslocamento de uma unidade até a desejada.

UNIDADES DE ÁREA
km 2
hm 2
dam 2
m2 dm2 cm2 mm2
Quilômetro Hectômetro Decâmetro Metro Decímetro Centímetro Milímetro
Quadrado Quadrado Quadrado Quadrado Quadrado Quadrado Quadrado
1000000m2 10000m2 100m2 1m2 0,01m2 0,0001m2 0,000001m2

Exemplos de Transformação
1m²=100dm²=10000cm²=1000000mm²
1km²=100hm²=10000dam²=1000000m²

Ou seja, para transformar as unidades, quando “ andamos” para direita multiplica por 100 e para a esquerda divide por 100.

Volume
Os sólidos geométricos são objetos tridimensionais que ocupam lugar no espaço. Por isso, eles possuem volume. Podemos encontrar
sólidos de inúmeras formas, retangulares, circulares, quadrangulares, entre outras, mas todos irão possuir volume e capacidade.

UNIDADES DE VOLUME
km 3
hm 3
dam3 m3 dm3 cm3 mm3
Quilômetro Hectômetro Decâmetro Metro Decímetro Centímetro Milímetro
Cúbico Cúbico Cúbico Cúbico Cúbico Cúbico Cúbico
1000000000m3 1000000m3 1000m3 1m3 0,001m3 0,000001m3 0,000000001m3

34
RACIOCÍNIO LÓGICO
Capacidade
Para medirmos a quantidade de leite, sucos, água, óleo, gasolina, álcool entre outros utilizamos o litro e seus múltiplos e submúltiplos,
unidade de medidas de produtos líquidos.
Se um recipiente tem 1L de capacidade, então seu volume interno é de 1dm³

1L=1dm³

UNIDADES DE CAPACIDADE
kl hl dal l dl cl ml
Quilolitro Hectolitro Decalitro Litro Decilitro Centilitro Mililitro
1000l 100l 10l 1l 0,1l 0,01l 0,001l

Massa

Unidades de Capacidade
kg hg dag g g dg cg mg
Quilograma Hectograma Decagrama Grama Grama Decigrama Centigrama Miligrama
1000g 100g 10g 1g 0,1g 0,1g 0,01g 0,001

Toda vez que andar 1 casa para direita, multiplica por 10 e quando anda para esquerda divide por 10.
E uma outra unidade de massa muito importante é a tonelada
1 tonelada=1000kg

Tempo
A unidade fundamental do tempo é o segundo(s).
É usual a medição do tempo em várias unidades, por exemplo: dias, horas, minutos

Transformação de unidades
Deve-se saber:
1 dia=24horas
1hora=60minutos
1 minuto=60segundos
1hora=3600s

Adição de tempo
Exemplo: Estela chegou ao 15h 35minutos. Lá, bateu seu recorde de nado livre e fez 1 minuto e 25 segundos. Demorou 30 minutos
para chegar em casa. Que horas ela chegou?

15h 35 minutos
1 minutos 25 segundos
30 minutos
--------------------------------------------------
15h 66 minutos 25 segundos

Não podemos ter 66 minutos, então temos que transferir para as horas, sempre que passamos de um para o outro tem que ser na
mesma unidade, temos que passar 1 hora=60 minutos
Então fica: 16h6 minutos 25segundos
Vamos utilizar o mesmo exemplo para fazer a operação inversa.

Subtração
Vamos dizer que sabemos que ela chegou em casa as 16h6 minutos 25 segundos e saiu de casa às 15h 35 minutos. Quanto tempo
ficou fora?

11h 60 minutos
16h 6 minutos 25 segundos
-15h 35 min
--------------------------------------------------

35
RACIOCÍNIO LÓGICO
Não podemos tirar 6 de 35, então emprestamos, da mesma for- Barra vertical
ma que conta de subtração.
1hora=60 minutos

15h 66 minutos 25 segundos


15h 35 minutos
--------------------------------------------------
0h 31 minutos 25 segundos

Multiplicação
Pedro pensou em estudar durante 2h 40 minutos, mas demo-
rou o dobro disso. Quanto tempo durou o estudo?

2h 40 minutos
x2 Barra horizontal
----------------------------
4h 80 minutos OU
5h 20 minutos

Divisão
5h 20 minutos : 2

5h 20 minutos 2

1h 20 minutos 2h 40 minutos
80 minutos
0
Histogramas
1h 20 minutos, transformamos para minutos :60+20=80minu-
São gráfico de barra que mostram a frequência de uma variável
tos
específica e um detalhe importante que são faixas de valores em x.

COMPREENSÃO DE DADOS APRESENTADOS EM GRÁ-


FICOS E TABELAS

Os gráficos e tabelas apresentam o cruzamento entre dois da-


dos relacionados entre si.
A escolha do tipo e a forma de apresentação sempre vão de-
pender do contexto, mas de uma maneira geral um bom gráfico
deve:
-Mostrar a informação de modo tão acurado quanto possível.
-Utilizar títulos, rótulos, legendas, etc. para tornar claro o con-
texto, o conteúdo e a mensagem.
-Complementar ou melhorar a visualização sobre aspectos des-
critos ou mostrados numericamente através de tabelas.
-Utilizar escalas adequadas.
-Mostrar claramente as tendências existentes nos dados.

Tipos de gráficos
Barras- utilizam retângulos para mostrar a quantidade.
Setor ou pizza- Muito útil quando temos um total e queremos
demonstrar cada parte, separando cada pedaço como numa pizza.

36
RACIOCÍNIO LÓGICO

PROBLEMAS DE CONTAGEM E NOÇÕES DE PROBABI-


LIDADE

Análise Combinatória
A Análise Combinatória é a área da Matemática que trata dos
problemas de contagem.

Princípio Fundamental da Contagem


Estabelece o número de maneiras distintas de ocorrência de
um evento composto de duas ou mais etapas.
Se uma decisão E1 pode ser tomada de n1 modos e, a decisão E2
pode ser tomada de n2 modos, então o número de maneiras de se
tomarem as decisões E1 e E2 é n1.n2.
Linhas- É um gráfico de grande utilidade e muito comum na
representação de tendências e relacionamentos de variáveis Exemplo

O número de maneiras diferentes de se vestir é:2(calças).


3(blusas)=6 maneiras

Fatorial
É comum nos problemas de contagem, calcularmos o produto
de uma multiplicação cujos fatores são números naturais consecu-
Pictogramas – são imagens ilustrativas para tornar mais fácil a tivos. Para facilitar adotamos o fatorial.
compreensão de todos sobre um tema. n! = n(n - 1)(n - 2)... 3 . 2 . 1, (n ϵ N)

Arranjo Simples
Denomina-se arranjo simples dos n elementos de E, p a p, toda
sequência de p elementos distintos de E.

Exemplo
Usando somente algarismos 5, 6 e 7. Quantos números de 2
algarismos distintos podemos formar?

Da mesma forma, as tabelas ajudam na melhor visualização de


dados e muitas vezes é através dela que vamos fazer os tipos de
gráficos vistos anteriormente.

Podem ser tabelas simples:

Quantos aparelhos tecnológicos você tem na sua casa?

APARELHO QUANTIDADE
Televisão 3
Celular 4
Geladeira 1 Observe que os números obtidos diferem entre si:
Pela ordem dos elementos: 56 e 65
Pelos elementos componentes: 56 e 67
Cada número assim obtido é denominado arranjo simples dos
3 elementos tomados 2 a 2.

37
RACIOCÍNIO LÓGICO
Indica-se A3,2 Binomiais Complementares
Dois binomiais de mesmo numerador em que a soma dos de-
nominadores é igual ao numerador são iguais:

Permutação Simples
Chama-se permutação simples dos n elementos, qualquer
agrupamento(sequência) de n elementos distintos de E. Relação de Stifel
O número de permutações simples de n elementos é indicado
por Pn.
Pn = n!

Exemplo
Quantos anagramas tem a palavra CHUVEIRO? Triângulo de Pascal
Solução
A palavra tem 8 letras, portanto:
P8 = 8! = 8 . 7 . 6 . 5 . 4 . 3 . 2 . 1 = 40320

Permutação com elementos repetidos


De modo geral, o número de permutações de n objetos, dos
quais n1 são iguais a A, n2 são iguais a B, n3 são iguais a C etc.

Exemplo
Quantos anagramas tem a palavra PARALELEPÍPEDO?

Solução
Se todos as letras fossem distintas, teríamos 14! Permutações.
Como temos uma letra repetida, esse número será menor.
LINHA 0 1
Temos 3P, 2A, 2L e 3 E LINHA 1 1 1
LINHA 2 1 2 1
LINHA 3 1 3 3 1
LINHA 4 1 4 6 4 1
Combinação Simples
Dado o conjunto {a1, a2, ..., an} com n objetos distintos, pode- LINHA 5 1 5 10 10 5 1
mos formar subconjuntos com p elementos. Cada subconjunto com LINHA 6 1 6 15 20 15 6 1
i elementos é chamado combinação simples.
Binômio de Newton
Denomina-se binômio de Newton todo binômio da forma (a +
b)n, com n ϵ N. Vamos desenvolver alguns binômios:
n = 0 → (a + b)0 = 1
n = 1 → (a + b)1 = 1a + 1b
Exemplo n = 2 → (a + b)2 = 1a2 + 2ab +1b2
Calcule o número de comissões compostas de 3 alunos que po- n = 3 → (a + b)3 = 1a3 + 3a2b +3ab2 + b3
demos formar a partir de um grupo de 5 alunos.
Observe que os coeficientes dos termos formam o triângulo de
Solução
Pascal.

Números Binomiais
O número de combinações de n elementos, tomados p a p,
também é representado pelo número binomial .
Experimento Aleatório
Qualquer experiência ou ensaio cujo resultado é imprevisível,
por depender exclusivamente do acaso, por exemplo, o lançamento
de um dado.

38
RACIOCÍNIO LÓGICO
Espaço Amostral Exemplo
Num experimento aleatório, o conjunto de todos os resultados Uma bola é retirada de uma urna que contém bolas coloridas.
possíveis é chamado espaço amostral, que se indica por E. Sabe-se que a probabilidade de ter sido retirada uma bola vermelha
No lançamento de um dado, observando a face voltada para é .Calcular a probabilidade de ter sido retirada uma bola que não
cima, tem-se: seja vermelha.
E={1,2,3,4,5,6}
Solução
No lançamento de uma moeda, observando a face voltada para
cima:
E={Ca,Co}

Evento São complementares.


É qualquer subconjunto de um espaço amostral.
No lançamento de um dado, vimos que
E={1,2,3,4,5,6}

Esperando ocorrer o número 5, tem-se o evento {5}: Ocorrer Adição de probabilidades


um número par, tem-se {2,4,6}. Sejam A e B dois eventos de um espaço amostral E, finito e não
vazio. Tem-se:
Exemplo
Considere o seguinte experimento: registrar as faces voltadas
para cima em três lançamentos de uma moeda.

a) Quantos elementos tem o espaço amostral? Exemplo


b) Descreva o espaço amostral. No lançamento de um dado, qual é a probabilidade de se obter
um número par ou menor que 5, na face superior?
Solução
a) O espaço amostral tem 8 elementos, pois cada lançamento, Solução
há duas possibilidades. E={1,2,3,4,5,6} n(E)=6

2x2x2=8 Sejam os eventos


A={2,4,6} n(A)=3
b) B={1,2,3,4} n(B)=4
E={(C,C,C), (C,C,R),(C,R,C),(R,C,C),(R,R,C),(R,C,R),(C,R,R),(R,R,R)}

Probabilidade
Considere um experimento aleatório de espaço amostral E com
n(E) amostras equiprováveis. Seja A um evento com n(A) amostras.

Probabilidade Condicional
Eventos complementares É a probabilidade de ocorrer o evento A dado que ocorreu o
Seja E um espaço amostral finito e não vazio, e seja A um even- evento B, definido por:
to de E. Chama-se complementar de A, e indica-se por , o evento
formado por todos os elementos de E que não pertencem a A.

E={1,2,3,4,5,6}, n(E)=6
B={2,4,6} n(B)=3
A={2}

Note que

Eventos Simultâneos
Considerando dois eventos, A e B, de um mesmo espaço amos-
tral, a probabilidade de ocorrer A e B é dada por:

39
RACIOCÍNIO LÓGICO

GEOMETRIA BÁSICA: ÂNGULOS, TRIÂNGULOS, PO-


LÍGONOS, DISTÂNCIAS, PROPORCIONALIDADE, PERÍ-
METRO E ÁREA
Triângulo
Ângulos
Denominamos ângulo a região do plano limitada por duas se- Elementos
mirretas de mesma origem. As semirretas recebem o nome de la-
dos do ângulo e a origem delas, de vértice do ângulo. Mediana
Mediana de um triângulo é um segmento de reta que liga um
vértice ao ponto médio do lado oposto.
Na figura, é uma mediana do ABC.
Um triângulo tem três medianas.

Ângulo Agudo: É o ângulo, cuja medida é menor do que 90º.

A bissetriz de um ângulo interno de um triângulo intercepta o


lado oposto

Bissetriz interna de um triângulo é o segmento da bissetriz de


um ângulo do triângulo que liga um vértice a um ponto do lado
oposto.
Na figura, é uma bissetriz interna do .
Um triângulo tem três bissetrizes internas.

Ângulo Obtuso: É o ângulo cuja medida é maior do que 90º.

Ângulo Raso: Altura de um triângulo é o segmento que liga um vértice a um


- É o ângulo cuja medida é 180º; ponto da reta suporte do lado oposto e é perpendicular a esse lado.
- É aquele, cujos lados são semi-retas opostas.
Na figura, é uma altura do .

Um triângulo tem três alturas.

Ângulo Reto:
- É o ângulo cuja medida é 90º;
- É aquele cujos lados se apoiam em retas perpendiculares.

40
RACIOCÍNIO LÓGICO
Mediatriz de um segmento de reta é a reta perpendicular a
esse segmento pelo seu ponto médio.

Na figura, a reta m é a mediatriz de .

Quanto aos ângulos


Triângulo acutângulo: tem os três ângulos agudos

Mediatriz de um triângulo é uma reta do plano do triângulo


que é mediatriz de um dos lados desse triângulo.
Na figura, a reta m é a mediatriz do lado do .
Um triângulo tem três mediatrizes.

Triângulo retângulo: tem um ângulo reto

Classificação

Quanto aos lados


Triângulo obtusângulo: tem um ângulo obtuso
Triângulo escaleno: três lados desiguais.

Triângulo isósceles: Pelo menos dois lados iguais.

Desigualdade entre Lados e ângulos dos triângulos


Num triângulo o comprimento de qualquer lado é menor que
a soma dos outros dois. Em qualquer triângulo, ao maior ângulo
opõe-se o maior lado, e vice-versa.

QUADRILÁTEROS
Quadrilátero é todo polígono com as seguintes propriedades:
- Tem 4 lados.
- Tem 2 diagonais.
- A soma dos ângulos internos Si = 360º
- A soma dos ângulos externos Se = 360º
Triângulo equilátero: três lados iguais.
Trapézio: É todo quadrilátero tem dois paralelos.

41
RACIOCÍNIO LÓGICO

- é paralelo a
- Losango: 4 lados congruentes
- Retângulo: 4 ângulos retos (90 graus)
- Quadrado: 4 lados congruentes e 4 ângulos retos.

Número de Diagonais

Observações:
- No retângulo e no quadrado as diagonais são congruentes
(iguais)
- No losango e no quadrado as diagonais são perpendiculares
entre si (formam ângulo de 90°) e são bissetrizes dos ângulos inter-
nos (dividem os ângulos ao meio).

Áreas Ângulos Internos


A soma das medidas dos ângulos internos de um polígono con-
1- Trapézio: , onde B é a medida da base maior, b é a vexo de n lados é (n-2).180
medida da base menor e h é medida da altura. Unindo um dos vértices aos outros n-3, convenientemente es-
colhidos, obteremos n-2 triângulos. A soma das medidas dos ângu-
2 - Paralelogramo: A = b.h, onde b é a medida da base e h é a los internos do polígono é igual à soma das medidas dos ângulos
medida da altura. internos dos n-2 triângulos.

3 - Retângulo: A = b.h

4 - Losango: , onde D é a medida da diagonal maior e d


é a medida da diagonal menor.

5 - Quadrado: A = l2, onde l é a medida do lado.

Polígono
Chama-se polígono a união de segmentos que são chamados
lados do polígono, enquanto os pontos são chamados vértices do
polígono.
Ângulos Externos

Diagonal de um polígono é um segmento cujas extremidades A soma dos ângulos externos=360°


são vértices não-consecutivos desse polígono.

42
RACIOCÍNIO LÓGICO
Teorema de Tales
Se um feixe de retas paralelas tem duas transversais, então a
razão de dois segmentos quaisquer de uma transversal é igual à ra-
zão dos segmentos correspondentes da outra.
Dada a figura anterior, O Teorema de Tales afirma que são váli-
das as seguintes proporções:

Exemplo

3º Caso: LLL (lado - lado - lado)


Se dois triângulos têm os três lado correspondentes proporcio-
nais, então esses dois triângulos são semelhantes.

Semelhança de Triângulos Razões Trigonométricas no Triângulo Retângulo


Dois triângulos são semelhantes se, e somente se, os seus ân-
gulos internos tiverem, respectivamente, as mesmas medidas, e os Considerando o triângulo retângulo ABC.
lados correspondentes forem proporcionais.

Casos de Semelhança
1º Caso: AA(ângulo - ângulo)
Se dois triângulos têm dois ângulos congruentes de vértices
correspondentes, então esses triângulos são congruentes.

2º Caso: LAL(lado-ângulo-lado)
Se dois triângulos têm dois lados correspondentes proporcio- Temos:
nais e os ângulos compreendidos entre eles congruentes, então es-
ses dois triângulos são semelhantes.

43
RACIOCÍNIO LÓGICO
a: hipotenusa
b e c: catetos
h: altura relativa à hipotenusa
m e n: projeções ortogonais dos catetos sobre a hipotenusa

Relações Métricas no Triângulo Retângulo


Chamamos relações métricas as relações existentes entre os
diversos segmentos desse triângulo. Assim:

1. O quadrado de um cateto é igual ao produto da hipotenusa


pela projeção desse cateto sobre a hipotenusa.

Fórmulas Trigonométricas
2. O produto dos catetos é igual ao produto da hipotenusa pela
altura relativa à hipotenusa.
Relação Fundamental
Existe uma outra importante relação entre seno e cosseno de
um ângulo. Considere o triângulo retângulo ABC.
3. O quadrado da altura é igual ao produto das projeções dos
catetos sobre a hipotenusa.

4. O quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos


catetos (Teorema de Pitágoras).

Posições Relativas de Duas Retas


Duas retas no espaço podem pertencer a um mesmo plano.
Nesse caso são chamadas retas coplanares. Podem também não
Neste triângulo, temos que: c²=a²+b²
estar no mesmo plano. Nesse caso, são denominadas retas rever-
Dividindo os membros por c²
sas.

Retas Coplanares
a) Concorrentes: r e s têm um único ponto comum

Como

-Duas retas concorrentes podem ser:


Todo triângulo que tem um ângulo reto é denominado trian-
1. Perpendiculares: r e s formam ângulo reto.
gulo retângulo.
2. Oblíquas: r e s não são perpendiculares.
O triângulo ABC é retângulo em A e seus elementos são:

44
RACIOCÍNIO LÓGICO
b) Paralelas: r e s não têm ponto comum ou r e s são coinci- Estimação
dentes. A técnica de estimação consiste em utilizar um conjunto de da-
dos incompletos, ao qual iremos chamar de amostra, e nele calcular
estimativas de quantidades de interesse. Estas estimativas podem
ser pontuais (representadas por um único valor) ou intervalares.

Teste de Hipóteses
O fundamento do teste estatístico de hipóteses é levantar su-
posições acerca de uma quantidade não conhecida e utilizar, tam-
bém, dados incompletos para criar uma regra de escolha.

População e amostra

NOÇÕES DE ESTATÍSTICA: MÉDIA, MODA, MEDIANA E É o conjunto de todas as unidades sobre as quais há o interesse de
DESVIO PADRÃO investigar uma ou mais características.

Estatística descritiva Variáveis e suas classificações


Qualitativas – quando seus valores são expressos por atribu-
O objetivo da Estatística Descritiva é resumir as principais ca-
tos: sexo (masculino ou feminino), cor da pele, entre outros. Dize-
racterísticas de um conjunto de dados por meio de tabelas, gráficos
mos que estamos qualificando.
e resumos numéricos.
Quantitativas – quando seus valores são expressos em núme-
ros (salários dos operários, idade dos alunos, etc). Uma variável
Noções de estatística
quantitativa que pode assumir qualquer valor entre dois limites
A estatística torna-se a cada dia uma importante ferramenta de
recebe o nome de variável contínua; e uma variável que só pode
apoio à decisão. Resumindo: é um conjunto de métodos e técnicas
assumir valores pertencentes a um conjunto enumerável recebe o
que auxiliam a tomada de decisão sob a presença de incerteza. nome de variável discreta.
Estatística descritiva (Dedutiva) Fases do método estatístico
O objetivo da Estatística Descritiva é resumir as principais ca- — Coleta de dados: após cuidadoso planejamento e a devida
racterísticas de um conjunto de dados por meio de tabelas, gráficos determinação das características mensuráveis do fenômeno que se
e resumos numéricos. Fazemos uso de: quer pesquisar, damos início à coleta de dados numéricos necessá-
rios à sua descrição. A coleta pode ser direta e indireta.
Tabelas de frequência — Crítica dos dados: depois de obtidos os dados, os mesmos
Ao dispor de uma lista volumosa de dados, as tabelas de fre- devem ser cuidadosamente criticados, à procura de possível falhas
quência servem para agrupar informações de modo que estas pos- e imperfeições, a fim de não incorrermos em erros grosseiros ou
sam ser analisadas. As tabelas podem ser de frequência simples ou de certo vulto, que possam influir sensivelmente nos resultados. A
de frequência em faixa de valores. crítica pode ser externa e interna.
— Apuração dos dados: soma e processamento dos dados ob-
Gráficos tidos e a disposição mediante critérios de classificação, que pode
O objetivo da representação gráfica é dirigir a atenção do ana- ser manual, eletromecânica ou eletrônica.
lista para alguns aspectos de um conjunto de dados. Alguns exem- — Exposição ou apresentação de dados: os dados devem ser
plos de gráficos são: diagrama de barras, diagrama em setores, apresentados sob forma adequada (tabelas ou gráficos), tornando mais
histograma, boxplot, ramo-e-folhas, diagrama de dispersão, gráfico fácil o exame daquilo que está sendo objeto de tratamento estatístico.
sequencial. — Análise dos resultados: realizadas anteriores (Estatística Descri-
tiva), fazemos uma análise dos resultados obtidos, através dos métodos
Resumos numéricos da Estatística Indutiva ou Inferencial, que tem por base a indução ou in-
Por meio de medidas ou resumos numéricos podemos levantar ferência, e tiramos desses resultados conclusões e previsões.
importantes informações sobre o conjunto de dados tais como: a
tendência central, variabilidade, simetria, valores extremos, valores Censo
discrepantes, etc. É uma avaliação direta de um parâmetro, utilizando-se todos os
componentes da população.
Estatística inferencial (Indutiva)
Utiliza informações incompletas para tomar decisões e tirar Principais propriedades:
conclusões satisfatórias. O alicerce das técnicas de estatística infe- - Admite erros processual zero e tem 100% de confiabilidade;
rencial está no cálculo de probabilidades. Fazemos uso de: - É caro;

45
RACIOCÍNIO LÓGICO
- É lento; 6. (TJ/SP – ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VU-
- É quase sempre desatualizado (visto que se realizam em pe- NESP/2017) Sabe-se que 16 caixas K, todas iguais, ou 40 caixas Q,
ríodos de anos 10 em 10 anos); todas também iguais, preenchem totalmente certo compartimento,
- Nem sempre é viável. inicialmente vazio. Também é possível preencher totalmente esse
mesmo compartimento completamente vazio utilizando 4 caixas K
Dados brutos: é uma sequência de valores numéricos não or- mais certa quantidade de caixas Q. Nessas condições, é correto afir-
ganizados, obtidos diretamente da observação de um fenômeno mar que o número de caixas Q utilizadas será igual a
coletivo. (A) 10.
(B) 28.
Rol: é uma sequência ordenada dos dados brutos. (C) 18.
(D) 22.
(E) 30.
EXERCÍCIOS
7. (IBGE – AGENTE CENSITÁRIO ADMINISTRATIVO-
FGV/2017) Lucas foi de carro para o trabalho em um horário de
1. (CRF/MT - AGENTE ADMINISTRATIVO – QUADRIX/2017) trânsito intenso e gastou 1h20min. Em um dia sem trânsito intenso,
Num grupo de 150 jovens, 32 gostam de música, esporte e leitu- Lucas foi de carro para o trabalho a uma velocidade média 20km/h
ra; 48 gostam de música e esporte; 60 gostam de música e leitura; maior do que no dia de trânsito intenso e gastou 48min.
44 gostam de esporte e leitura; 12 gostam somente de música; 18 A distância, em km, da casa de Lucas até o trabalho é:
gostam somente de esporte; e 10 gostam somente de leitura. Ao (A) 36;
escolher ao acaso um desses jovens, qual é a probabilidade de ele (B) 40;
não gostar de nenhuma dessas atividades? (C) 48;
(A) 1/75 (D) 50;
(B) 39/75 (E) 60.
(C) 11/75
(D) 40/75 8. (EMDEC - ASSISTENTE ADMINISTRATIVO JR – IBFC/2016)
(E) 76/75 Carlos almoçou em certo dia no horário das 12:45 às 13:12. O total
de segundos que representa o tempo que Carlos almoçou nesse dia
2. (CRMV/SC – RECEPCIONISTA – IESES/2017) Sabe-se que é:
17% dos moradores de um condomínio tem gatos, 22% tem cachor- (A) 1840
ros e 8% tem ambos (gatos e cachorros). Qual é o percentual de (B) 1620
condôminos que não tem nem gatos e nem cachorros? (C) 1780
(A) 53 (D) 2120
(B) 69
(C) 72 09. (SESAU/RO – Enfermeiro – FUNRIO/2017) Um torneio de
(D) 47 futebol de várzea reunirá 50 equipes e cada equipe jogará apenas
uma vez com cada uma das outras. Esse torneio terá a seguinte
3. (SAP/SP - AGENTE DE SEGURANÇA PENITENCIÁRIA - MS- quantidade de jogos:
CONCURSOS/2017) O valor de √0,444... é: (A) 320.
(A) 0,2222... (B) 460.
(B) 0,6666... (C) 620.
(C) 0,1616... (D) 1.225.
(D) 0,8888... (E) 2.450.

4. (CÂMARA DE SUMARÉ – ESCRITURÁRIO - VUNESP/2017) 10. (IFAP – Engenheiro de Segurança do Trabalho – FUNIVER-
Se, numa divisão, o divisor e o quociente são iguais, e o resto é 10, SA/2016) Considerando-se que uma sala de aula tenha trinta alu-
sendo esse resto o maior possível, então o dividendo é nos, incluindo Roberto e Tatiana, e que a comissão para organizar
(A) 131. a festa de formatura deva ser composta por cinco desses alunos,
(B) 121. incluindo Roberto e Tatiana, a quantidade de maneiras distintas de
(C) 120. se formar essa comissão será igual a:
(D) 110. (A) 3.272.
(E) 101. (B) 3.274.
(C) 3.276.
5. (MPE/GO – OFICIAL DE PROMOTORIA – MPEGO/2017) (D) 3.278.
José, pai de Alfredo, Bernardo e Caetano, de 2, 5 e 8 anos, respec- (E) 3.280.
tivamente, pretende dividir entre os filhos a quantia de R$ 240,00,
em partes diretamente proporcionais às suas idades. Considerando 11. (TJ/RS - TÉCNICO JUDICIÁRIO – FAURGS/2017) Em cada
o intento do genitor, é possível afirmar que cada filho vai receber, um de dois dados cúbicos idênticos, as faces são numeradas de 1
em ordem crescente de idades, os seguintes valores: a 6. Lançando os dois dados simultaneamente, cuja ocorrência de
(A) R$ 30,00, R$ 60,00 e R$150,00. cada face é igualmente provável, a probabilidade de que o produto
(B) R$ 42,00, R$ 58,00 e R$ 140,00. dos números obtidos seja um número ímpar é de:
(C) R$ 27,00, R$ 31,00 e R$ 190,00. (A) 1/4.
(D)R$ 28,00, R$ 84,00 e R$ 128,00. (B) 1/3.
(E) R$ 32,00, R$ 80,00 e R$ 128,00. (C) 1/2.

46
RACIOCÍNIO LÓGICO
(D) 2/3.
(E) 3/4. GABARITO

12. (SAP/SP - AGENTE DE SEGURANÇA PENITENCIÁRIA - 1. Resposta: C


MSCONCURSOS/2017) A uma excursão, foram 48 pessoas, entre
homens e mulheres. Numa escolha ao acaso, a probabilidade de se
sortear um homem é de 5/12 . Quantas mulheres foram à excursão?
(A) 20
(B) 24
(C) 28
(D) 32

13. (TJ/RS - TÉCNICO JUDICIÁRIO – FAURGS/2017) Na figura


abaixo, encontra-se representada uma cinta esticada passando em
torno de três discos de mesmo diâmetro e tangentes entre si.

32+10+12+18+16+28+12+x=150
X=22 que não gostam de nenhuma dessas atividades
P=22/150=11/75

2. Resposta: B
Considerando que o diâmetro de cada disco é 8, o comprimen-
to da cinta acima representada é
(A) 8/3 π + 8 .
(B) 8/3 π + 24.
(C) 8π + 8 .
(D) 8π + 24.
(E) 16π + 24.

14. (TJ/RS - TÉCNICO JUDICIÁRIO – FAURGS/2017) Na figura


abaixo, ABCD é um quadrado de lado 10; E, F, G e H são pontos
médios dos lados do quadrado ABCD e são os centros de quatro
círculos tangentes entre si.

9+8+14+x=100
X=100-31
X=69%

3. Resposta: B.
Primeiramente, vamos transformar a dízima em fração
X=0,4444....
10x=4,444...
9x=4

A área da região sombreada, da figura acima apresentada, é


(A)100 - 5π .
(B) 100 - 10π .
(C) 100 - 15π .
(D)100 - 20π . 4. Resposta: A.
(E)100 - 25π . Como o maior resto possível é 10, o divisor é o número 11 que
é igua o quociente.
11x11=121+10=131

47
RACIOCÍNIO LÓGICO
5. Resposta: E
2k+5k+8k=240
15k=240
K=16
Alfredo: 2⋅16=32 12. Resposta: C.
Bernardo: 5⋅16=80 Como para homens é de 5/12, a probabilidade de escolher uma
Caetano: 8⋅16=128 mulher é de 7/12

6. Resposta: E
Se, com 16 caixas K, fica cheio e já foram colocadas 4 caixa,
faltam 12 caixas K, mas queremos colocar as caixas Q, então vamos 12x=336
ver o equivalente de 12 caixas K X=28

13. Resposta: D
Observe o triângulo do meio, cada lado é exatamente a mesma
medida da parte reta da cinta.
Q=30 caixas
Que é igual a 2 raios, ou um diâmetro, portanto o lado esticado
7. Resposta: B. tem 8x3=24 m
V------80min A parte do círculo é igual a 120°, pois é 1/3 do círculo, como são
V+20----48 três partes, é a mesma medida de um círculo.
Quanto maior a velocidade, menor o tempo(inversamente) O comprimento do círculo é dado por: 2πr=8π
Portanto, a cinta tem 8π+24

14. Resposta: E
80v=48V+960 Como o quadrado tem lado 10,a área é 100.
32V=960
V=30km/h
30km----60 min
x-----------80

60x=2400
X=40km

8 Resposta: B.
12:45 até 13:12 são 27 minutos
27x60=1620 segundos

09. Resposta: D.
O lado AF e AE medem 5, cada um, pois F e E é o ponto Médio
X²=5²+5²
X²=25+25
X²=50
X=5√2
10. Resposta: D. X é o diâmetro do círculo, como temos 4 semi círculos, temos
2 círculos inteiros.
Roberto e Tatiana ________
São 30 alunos, mas vamos tirar Roberto e Tatiana que terão que A área de um círculo é
fazer parte da comissão.
30-2=28

11. Resposta: A. A sombreada=100-25π


Para o produto ser ímpar, a única possibilidade, é que os dois
dados tenham ímpar:

48
ATUALIDADES
1. Meio ambiente e sociedade: problemas, políticas públicas, organizações não governamentais, aspectos locais e aspectos glo-
bais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01
2. Descobertas e inovações científicas na atualidade e seus impactos na sociedade contemporânea. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
3. Mundo Contemporâneo: elementos de política internacional e brasileira; cultura internacional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
4. Cultura brasileira (música, literatura, artes, arquitetura, rádio, cinema, teatro, jornais, revistas e televisão) . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
5. Elementos de economia internacional contemporânea . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
6. Panorama da economia brasileira. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
7. Ética e cidadania. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
8. Relações humanas no trabalho. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
ATUALIDADES
Nas regiões de fronteira agrícola, ou em países de industrializa-
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE: PROBLEMAS, POLÍTI- ção recente, tais como os tigrinhos asiáticos, é muito comum o uso
CAS PÚBLICAS, ORGANIZAÇÕES NÃO GOVERNAMEN- de queimadas para limpar campos. Estas se dão nos meses mais se-
TAIS, ASPECTOS LOCAIS E ASPECTOS GLOBAIS cos do ano, em áreas de pastagens ou queima de coivaras, casando
acidentes em rodovias, com mortes de pessoas, animais, e sérios
A QUESTÃO AMBIENTAL problemas respiratórios em cidades circundadas por canaviais, num
dos casos mais alarmantes de poluição atmosférica.
Antes de mais nada é bom lembrar que só podemos entender A escravidão de menores e de armazém é uma constante nas
a questão ambiental, aqui no Brasil, na forma da onda da globaliza- áreas de carvoaria, como as denunciadas na região Centro Oeste e
ção neoliberal que vem promovendo uma total perda da soberania Norte do Brasil.
nacional sobre a gestão dos seus recursos naturais, coibindo assim a Neste sentido, são também graves as denuncias feitas a China
alternativa de projetos de desenvolvimento sustentáveis, aprofun- dentro da OMC, já que este país é um paraíso proletário e um dos
dando as desigualdades sociais, dilapidando os recursos naturais, principais acusados de Dunnping Social. Não se esqueça da escra-
excluindo em grande parte a população do mercado de trabalho, vidão de mulheres no mundo muçulmano e da venda de mulheres
sem que participe dos frutos propiciados pelo avanço da ciência e chinesas (Cidadania).
tecnologia.
Quanto a esta questão, não confundir, por exemplo, efeito es- Aquecimento Global
tufa, (natural, conceito da Física) com efeito de estufa (aquele pro-
vocado pela ação do homem, conceito da geografia). Lembre-se: a Iceberg passa pela costa da Nova Zelândia em função do aque-
última grande conferência sobre o clima, se deu em Kioto, Japão, no cimento global.
ano de 1997, sendo que este ano houve mais um encontro em Bohn Estudos e alertas de especialistas sobre os efeitos nefastos do
no qual ficou claro que alguns países não estão cumprindo suas re- aquecimento global no futuro do planeta chamaram a atenção da
soluções. Dois resistentes foram a Austrália e o Japão. O Governo população para o problema em 2006. Ambientalistas e pesquisado-
Bush neoliberal de direita não ratificou o acordo de Kioto mesmo
res defendem que as ações contra a mudança climática devem ser
sendo os EUA responsáveis pela emissão de ¼ dos “gases de estufa”
imediatas para evitar um verdadeiro “desastre” para a economia
do globo. Um capítulo polêmico deste encontro, foi a emissão dos
mundial, que poderia sofrer decréscimo de até 20% na produção
gases de estufa, cujas quantidades devem ser reduzidas ao nível de
em 50 anos por culpa da alta das temperaturas do planeta.
quinze anos atrás.
Os Americanos são 100 milhões de carros. Cada americano » Mudança climática ameaça alimentação dos humanos
consome energia para: 3 suíços, 4 italianos, 160 tanzanianos e 1100 » Derretimento de geleiras indica aquecimento global
ruandeses. Utilizam 40% dos recursos renováveis do globo sendo » Europa vive o outono mais quente dos últimos séculos
que suas fontes de energia são baseadas em combustíveis fósseis: » Mudança climática causa extinção de mamíferos
Carvão, Petróleo e Gás Natural. » Planeta pode entrar em colapso em 50 anos, diz estudo
A questão ambiental é uma questão global, sendo necessária » Al Gore tenta salvar a Terra em filme
uma ação conjunta de todos os países do globo. As energias carbo-
nadas, petróleo e carvão, principalmente, as queimadas*, os gases Essa é a advertência do relatório preparado pelo economista
emitidos pelas fábricas, são causas básicas do efeito de estufa, ilha Nicholas Stern, que convocou os governos de todo o mundo a fixar
de calor, chuva ácida e inversão térmica, problemas sério dos tem- um preço para as emissões de CO2 mediante o pagamento de im-
pos atuais e que reforçam uma de nossas principais contradições. postos. O relatório adverte que, com uma alta das temperaturas de
Ela reside no fato de não coadunarmos desenvolvimento científico 3ºC a 4ºC, o aumento do nível dos mares transformará centenas de
e questão ambiental. Lembre-se de que, no Brasil, estamos conhe- milhões de pessoas em vítimas de inundações a cada ano.
cendo sérios retrocessos na legislação ambiental. Os principais são As áreas litorâneas do sudeste da Ásia, sobretudo Bangladesh e
poder reflorestar com eucalípteros e o projeto de desmatamento Vietnã, assim como as pequenas ilhas do Caribe e do Pacífico terão
da amazônia em fase de discussão. O projeto da bancada ruralista que ser protegidas do mar. Grandes cidades como Tóquio, Londres,
prevê redução da área de preservação dos atuais 80% para 20% na Nova York ou Cairo também ficarão expostas ao risco de inunda-
Amazônia e de 35% para 20% no Cerrado Amazônico. ções.
Na quarta conferência mundial sobre o clima, chegou-se a con- O lançamento do documentário Uma Verdade Inconveniente,
clusão de que a temperatura da terra deve elevar-se mais 5 graus protagonizado pelo ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore,
até 2100. Os gases de estufa proveniente da queima combustíveis ajudou a dar voz para o problema em 2006. Al Gore, que visitou o
fósseis, em especial o petróleo e carvão, faz nossa necessidade de Brasil, defende que a adoção de medidas contra a emissão de gases
fontes alternativas como a solar, a eólica, a das marés, a dos gé- efeito estufa é mais uma questão “ética” e “moral” do que política.
iseres ou a de biomassa, que são as fontes da revolução técnico
científica. A agenda 21 é uma plano ambicioso que prevê a implan-
Convenção da ONU
tação de um programa de desenvolvimento sustentável para todo o
globo para o século XXI. Nela os países X se comprometem destinar
Diversos locais declarados patrimônio da humanidade podem
0,7% dos seus PIBs para aplicação neste programa. Por enquanto só
estar ameaçados pelas conseqüências da mudança climática global,
mandaram as fábricas que mais poluem. Há uma proposta de cres-
cimento zero não aceita pelos países periféricos uma vez que teriam segundo o atlas apresentado em Nairóbi na Convenção das Nações
que estagnar o seu processo de industrialização. Unidas sobre Mudança Climática, que reuniu durante duas semanas
5 mil participantes.

1
ATUALIDADES
A reunião da ONU, além de trazer dados novos sobre as con- importante que o petróleo. No Centro Oeste do Brasil, a calagem
sequências climáticas, teve o objetivo de dar prosseguimento ao de solo causa eutrofização de mananciais, constituindo-se em um
Protocolo de Kyoto, o acordo mundial fechado em 2005 que prevê grave impacto sobre recursos hídricos. Não falta água por falta de
cortes na emissão de gases estufa até 2012. O encontro acertou chuvas. A grande causa da escassez é o mau uso dos solos agrícolas
que as negociações para levar adiante e ampliar Kyoto deveriam e urbanos por compactação pelo uso de máquinas e pastoreio ou
acontecer em 2008 e alguns delegados criticaram a falta de uma ainda pela impermeabilidade de área urbana. Fala-se em taxar todo
ação firme para combater o aquecimento da Terra. e qualquer uso de água. É necessário racionalizar o uso da água e,
Apesar dos esforços para conter o avanço dos danos ambien- em caso extremo, seu racionamento. Quarenta municípios goianos
tais, o ritmo das emissões de carbono no mundo mais que duplicou já apresentam problemas crônicos com abastecimento de água. No
entre 2000 e 2005, de acordo com levantamento publicado pela município de Bom Jesus de Goiás os pivôs de irrigação chegaram a
rede mundial sobre o tema, a Global Carbon Project. As emissões ser paralisados por ordem do ministério público. Todas as grandes
vinham crescendo a menos de 1% anualmente até o ano 2000, mas cidades do mundo já se ressentem deste recurso, em especial as
aumentaram a uma taxa de 2,5% ao ano. Segundo a organização, megacidades dos países periféricos, serão palcos, mais e mais, de
a aceleração se deve sobretudo ao aumento do uso de carvão e à disputas por rios que as abastecem e de grandes epidemias. O Nilo
falta de ganhos na eficiência do uso da energia. e o Níger são dois bons exemplos destas disputas. O Brasil embora
tendo a maior reserva de água disponível do globo apresenta re-
Alimentação giões em estresse hídrico, menos de 2000 metros cúbicos de água
por habitante por ano. Este é o caso de muitas áreas do Nordeste.
A mudança climática também põe em risco a comida dos seres
ENERGIA
humanos e torna ainda mais difícil o desafio de alimentar a cres-
cente população mundial, de acordo com a Organização das Nações
O século XIX foi da máquina a vapor, um motor a combustão
Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).
externa. O século XX foi do motor a combustão interna. Já o século
Um novo estudo sobre os oceanos sugeriu que o fitoplâncton
XXI será da célula de combustível que promete divorciar o automó-
- o primeiro elo na cadeia alimentar marítima - será fortemente
vel da poluição. Quanto a nossa crise energética, tanto a Petrobrás
afetado pelo aquecimento climático. A pesca nos trópicos e nas
quanto o setor energético e tudo o que é público no Brasil passaram
médias latitudes pode ser severamente afetada pela perda destes
a sofrer as conseqüências do projeto neoliberal. A receita do FMI
microorganimos como resultado de águas mais quentes, acrescenta foi retirar dinheiro das estatais para equilibrar as contas públicas.
o artigo do botânico Michael Behrenfeld, da Universidade Estadual O resultado foi que não só a Petrobrás como todo o setor energé-
do Oregon (EUA). tico sofreram com tais medidas resultando em graves “Acidentes
O acelerado derretimento das geleiras foi apontado como um Ecológicos”, ameaças, ou até mesmo, apagões. Agora dois setores
fato que mostra o imediatismo do problema. “No passado as ge- geoestratégicos estão prontos para serem privatizados. Outros se-
leiras do norte mostravam um padrão que não correspondia aos tores como saúde, transporte e educação também estão sucatea-
modelos de mudança climática (provocada pelo aquecimento glo- dos. Desta forma os meios de comunicação de massa imperam em
bal), poderiam até mesmo ser usadas como um argumento contra suas opiniões. “Achamos” que tudo no Brasil deve ser privatizado.
o aquecimento global. Mas agora, dados dos últimos anos mostram Quanto as fontes de energia, temos que analisá-las em termos
uma mudança que se encaixa perfeitamente bem com os modelos de disponibilidade, viabilidade, extração, transporte, armazena-
de mudança climática”, disse o professor de glaciologia Per Hol- mento, distribuição, poluente ou limpa, renovável ou esgotável.
mlund, da Universidade de Estocolmo. Assim, no caso do Brasil, as fontes alternativas, (biomassa, eólica
Se o aquecimento global prosseguir, o gelo do Ártico poderá ou solar) assumem uma importância fundamental por ser um país
derreter totalmente até 2080, alertou um grupo de cientistas eu- tropical. A energia solar é considerada a fonte energética do século
ropeus. “Se a situação evoluir como prevêem os físicos, os campos XXI. Na década de 70, houve o fortalecimento da OPEP e OPAEP,
de gelo do Oceano Ártico desaparecerão completamente até 2080”, (países produtores de petróleo) em reação às sete irmãs (empresas
disse Eberhard Fahrbach, do Instituto Alfred Wegner (AWI), mem- que controlam a distribuição do petróleo no globo e estão em pro-
bro do grupo Damocles de pesquisas sobre o Ártico europeu. cesso de fusões). No mundo, como um todo, os países buscaram as
fontes alternativas como forma de se prevenirem ante as crises do
Calor petróleo. Lembre-se do programa Proálcool, da tentativa ineficaz
das nucleares que Fernando Henrique acabou por quase desativar.
A Europa viveu um dos verões mais quentes da sua história, É bom lembrar dos erros de projetos, como a represa de Balbina no
com ondas de calor por todo o continente. A Europa teve também Amazonas, causando sérios problemas ao meio ambiente. Por estes
o outono mais quente em décadas, até mesmo séculos, o que põe fatores, a dédada de 70 é considerada a “década da crise energéti-
em risco o início da temporada de esportes de inverno nos Alpes. ca”, além, é claro, da variável social, com baixos salários e repres-
Na Holanda, o Instituto Real de Meteorologia informou que este ou- são militar duríssima. Lembrar da Operação Condor dos militares
tono foi o mais quente do país em 300 anos, com uma temperatura latino-americanos que trabalharam em conjunto na repressão as
média de 13,5ºC. forças revolucionárias. Já a dédada de 80 foi considerada a “década
da destruição e perdida” com problemas ambientais sérios, dentre
ÁGUA eles o acidente com o Césio em Goiânia.
Associe fontes de energia ao tipo de transporte adotado em
A água potável será um dos recursos mais caros (custo bene- cada país.
fício) do século XXI. Sendo assim, os rios internacionais são, cada Desta forma, fica mais fácil entender quais países são mais ve-
vez mais geoestratégicos, motivando conflitos entre os países en- lozes na produção, como os tigres ou tigrinhos asiáticos, e porque
volvidos. Um grande exemplo é a questão do Nilo, ou ainda, as países como o Brasil, Índia, China, Indonésia e Rússia são conside-
nascentes do rio Jordão, palco das disputas entre árabes e judeus, rados “países baleias”, por serem grandes e lentos. O modelo de
no Oriente Médio. Nestas regiões, água é, relativamente, mais transporte rodoviário é o mais caro.

2
ATUALIDADES
O ferroviário é muito viável para o Brasil. Lembre-se da Norte- Do ponto de vista das políticas públicas, ou dos direitos sociais
-Sul que vai interligar Belém (PA) a Senador Canêdo e começou, este que elas materializam, a verdadeira tarefa histórica que se impu-
ano, suas obras em nha ao Governo Lula era romper com as modificações restritivas no
espaço público da proteção social, sob forte impacto das políticas
Anápolis. neoliberais. Caberiam, então, ações decisivas para se garantir o am-
plo financiamento público para as políticas sociais, que suplantasse
A hidrovia é, sem dúvida, o transporte mais barato, em termos a lógica da restrição orçamentária.
de custo benefício. Recentemente, num total desrespeito a legis- Haveria de se superar de vez a lógica financista, que subordina
lação ambiental, barcaças de grande calado resolveram, a revelia, as decisões em termos de direitos sociais à disponibilidade de caixa,
tentar abrir uma hidrovia no rio Araguaia. Seria o Araguaia adequa- finalmente conhecidas após as decisões de cúpula a respeito das
do para se fazer uma Hidrovia? Não se esqueça das voçorocas neste taxas de juros, superávit fiscal, câmbio, política tributária, enfim,
rio. quando os grandes números do fundo público já estão comprome-
Todo país para atrair investimentos dentro da novíssima divisão tidos com as elites de sempre.
internacional do trabalho, deve ser viável, o que significa trabalhar Porém, seguem inalteradas as limitações ao processo de ex-
em Just In Time, tendo que possuir boa infra-estrutura. Será que o pansão das garantias coletivas na esfera dos direitos sociais, que
Brasil em crise energética irá atrair investimentos?. De que adianta mais do que nunca se mostram imprescindíveis para subverter as
ter minérios se não se pode extraí-lo a menor custo? Minério tem históricas estruturas de poder político e econômico próprio das
muito pouco valor agregado. Jamais houve vantagem comparativa sociedades latino-americanas, uma vez que estas, e especialmente
para países que produzem matérias primas. O gaseoduto virá da a brasileira, se estabeleceram sobre IANNI,Otávio (1996), A ideia
Bolívia chegando até Goiás, contudo, toda obra deve pautar-se em de Brasil moderno, São Paulo: Brasiliense, p.267. padrões extrema-
Eia-Rima confiável. A instalação de várias Empresas, como a per- mente injustos e assimétricos de usufruto da riqueza coletivamente
digão em Rio Verde, (Detroitização) podem causar sérios impactos construída e de processos cada vez mais excludentes de acesso ao
ambientais. Alguns bem visíveis, são os impactos na represa de trabalho digno.
Corumbá, com a matança de toneladas de peixes. Serra da Mesa, Não é a toa que o atual governo jamais pautou o debate pú-
(agora Cana Brava e Peixe também no rio Tocantins) a represa do blico sobre as propostas de superação da pobreza com o combate
Yang Tsé Kiang na China. da riqueza acumulada privada e abusivamente, como se esperava
Preste atenção nas negociações para venda da Celg e das cons- em termos de reforma tributária e fiscal, cujas iniciativas pontuais
truções da ETA e da ETE em Goiânia, que envolvem a preservação permanecem valorizando a renúncia fiscal dos setores agro-expor-
do rio Meia Ponte e sua recuperação, em 50 anos, tendo como mo- tadores, parasitas da cadeia produtiva do grande latifúndio.
delo o Tâmisa. O uso bélico da energia nuclear constitui-se num dos Mas nenhuma destas limitações e contradições pode ser reme-
graves problemas atuais. Os TNPs devem ser revistos por todos os tida ao plano da fatalidade. Todos os constrangimentos concretos
países. É lógico, (nascentes do rio Ganges e Indu) países como o decorrem de opções estratégicas, racionalmente adotadas pelo
Paquistão e a Índia, que disputam a Kashimira, fazem vista grossa Presidente Lula e sua equipe, quando se constata o aprofundamen-
as sanções da ONU, onde fica, bem visível o colonialismo do Grupo to do modelo econômico neoliberal com sua lógica recessiva e, em
dos 7 mais a Rússia, sobre os países emergentes. Estes países estão direção complementar, a destinação significativas de recursos pú-
desenvolvendo, mais e mais, armas biológicas (motivo das sanções blicos para os serviços das dívidas internas ou externas.
da OMC ao Iraque). Estas são consideradas bombas atômicas dos Devemos reconhecer que a articulação orgânica das medidas
países pobres. Será que o Taleban irá conseguir armas Atômicas? de políticas públicas redistributivistas, com investimentos impor-
tantes nas áreas da saúde, educação, assistência social, previdên-
Políticas Públicas cia, segurança alimentar, geração de emprego e renda, agricultura
familiar e reforma agrária pode ser altamente emancipadora quan-
É desnecessário registrar mais uma vez a perversidade dos his- do estas políticas públicas são asseguradas em escala de massas,
tóricos indicadores de concentração da renda e de patrimônio no com a mobilização efetiva a população para o exercício cotidiano da
Brasil, eles são gritantes demais em nosso dia-adia. participação política protagônica.
Mas é preciso alertar: todos estão perfeitamente preservados Diferentemente do esperado, não se constatou no governo
nos últimos três anos, por força da impotência das medidas sociais, Lula o compromisso real com um amplo e consistente sistema de
políticas e econômicas do Governo Lula. atenção e proteção no âmbito das necessidades humanas sociais,
A análise sobre a atuação do atual governo diante das tarefas que contemplasse a contribuição decisiva de todas as áreas sociais,
impostas pela pobreza e desigualdade social pode ser, desde a par- educacionais e político-culturais, combinadas com as outras medi-
tida, melhor compreendida se lembrarmos a advertência de Otavio das complementares de garantia do exercício do protagonismo da
Ianni sobre as contradições dos processos revolucionários brasilei- população e da emancipação dos indivíduos e grupos sociais.
ros: Nesta pátria desimportante, o quadro social de profunda de-
“como não há ruptura definitiva com o passado, a cada passo sigualdade e de extrema pobreza das maiorias segue o mesmo:
este se reapresenta na cena histórica e cobra o seu preço” desemprego, fragilização da capacidade socializadora das redes
O que ele nos lembra é que qualquer processo político efeti- familiares, falta de perspectivas para a juventude e abandono na
vamente comprometido com as causas populares deve enfrentar, velhice; trabalho infantil, exploração e abuso sexual de crianças e
sem acanhamento ou tolerância, o projeto conservador dominante adolescentes, crescimento das condutas.
em nossa história, fatalmente imobilizador das energias transfor- POCHAMAMM, Marcio demonstra que as transferências ao
madoras e democráticas. É, portanto, um libelo contra a dinâmica setor financeiro, como pagamento aos detentores dos títulos da
de conciliação com as elites que sempre predominou nos momen- dívida pública, alcançaram a seguinte tendência: anualmente o go-
tos de disputa com os sistemas de privilégios sobre os quais nossa verno Cardoso destinou R$ 71,4 bilhões; Sarney remeteu R$ 65, 5
economia capitalista dependente se ergueu. bilhões, e finalmente o Governo Lula R$ 60, 8 bilhões. Cf. Plutocra-

3
ATUALIDADES
cia do capital financeiro, disponível em: <http://agenciacartamaior. no que empreendem o velho paralelismo nas franjas dos sistemas
uol.com.br/agencia.asp?coluna=boletim&id=1251, consultado em públicos de proteção social. Não se interrompeu a tendência neoli-
05/01/2006. violentas e práticas econômicas que lucram com a beral de desconstrução da idéia-força do direito social, conquistado
criminalidade e a toxicodependência, penúria sócio-cultural, empo- na luta dos trabalhadores pelo acesso ao excedente, que deveria
brecimento político dos processos artísticos populares, a degrada- ser potencializado pelas estratégias organizativas populares e pelas
ção ambiental, morte por doenças curáveis, fome. medidas de fortalecimento subjetivo e político e de pertencimento
A proposta mais incentivada pelo governo Lula denomina-se a um projeto coletivo de classe, desta vez - como um governo de
Programa Fome-Zero, que consiste, segundo documentos oficiais, esquerda deve honrar - radicalmente democrático, portanto, revo-
“numa estratégia impulsionada pelo governo federal, para assegu- lucionário e anticapitalista.
rar o direito humano à alimentação adequada, priorizando as pes- Assim, já que o Fome Zero não é direito social nem projeto
soas com dificuldades, de acesso aos alimentos. Tal estratégia se in- de classe é mais uma vez favor, benesse, ação abnegada, doação,
sere na promoção da segurança alimentar e nutricional e contribui enfim, a repavimentação dos percursos que pretendem comprimir
para a erradicação da extrema pobreza e a conquista da cidadania o espaço público, transfigurá-lo em oposição ao projeto popular e
da população mais vulnerável à fome”. Nenhuma proposta pode- democrático. O tema da pobreza, sufocado da sua dimensão estru-
ria ser menos ambiciosa. Com toda propaganda veiculada não se tural, permanece confinado como um problema da esfera do consu-
verifica no Programa Fome Zero algo que é essencial para o povo mo e da estrutura familiar, por esta razão as medidas são tão tími-
brasileiro: a garantia do direito social, cuja ação do Estado reconhe- das. Por mais que a pobreza seja aguda e na medida em que é uma
ça o vínculo de classe, contribuindo para sedimentar uma noção fe- questão explosiva, o melhor mesmo é esterilizá-la, sobrepondo
cunda e radical de democracia popular, ao mesmo tempo libertária ações diversas e pulverizadas, que não atacam a raiz do problema.
e igualitária. O risco de se atuar na lógica do ajustamento de comportamentos
Como o passado que não quer passar, o que é perene no dese- individuais não é pequeno, haja vista o esforço em empreender e
nho dos atuais programas englobados sob a insígnia do Fome Zero é divulgar as chamadas condicionalidades para que as famílias te-
a trágica visão elitista de sempre, na qual o povo - a população sub- nham acesso aos benefícios.
-empregada e super-explorada – permanece como um indesejável Nos sombrios tempos de capitulação política do atual governo,
“resíduo social”, para o qual qualquer ajuda basta e qualquer apoio com a conhecida naturalização do estado de desigualdades, não é
serve. Não é por outra razão que as ações principais consistem no de se estranhar que a principal medida do governo Lula na área da
Programa BolsaFamília, na construção de cisternas no semi-árido previdência social tenha sido concluir a contrareforma do Governo
nordestino e uma ou outra ação pontual em termos de segurança FHC no que diz respeito aos direitos dos servidores públicos, insti-
alimentar. tuindo a cobrança de contribuição também aos aposentados e o
Nada que se assemelhe a uma potente articulação política e so- fim do regime jurídico único para os novos concursados, ou seja,
cial que seja capaz de enfrentar o mesmo pensamento conservador promovendo o cancelamento do direito à aposentadoria integral,
que naturaliza a pobreza e condena as iniciativas de investimento recém conquistada em 1988.
público no campo dos direitos sociais. Em termos de alocação orça- Empreendeu-se algo pavorosamente cínico, se considerarmos
mentária não é desprezível o redirecionamento de recursos paras que nestes anos todos o Partido dos Trabalhadores - partido do pre-
as ações de transferência de renda socioassistenciais como o Bolsa sidente Lula - foi uma trincheira no parlamento contra tal medida,
Família. Pela primeira vez, famílias miseráveis encontram alguma e que boa parte dos votos obtidos pelo Presidente Lula era fruto
medida de proteção social que seja não-contributiva. também deste compromisso, rapidamente esquecido. Mais abusivo
Mas os limites são muitos: os valores das prestações são muito ainda, se lembrarmos que a base social sindical do PT, era fortemen-
pequenos, os critérios de acesso altamente rigorosos e excludentes te apoiada no funcionalismo público e que o impacto nas contas da
e a sua implementação não se faz acompanhada ainda de um forte previdência social seria, como é, inexpressivo. No fundo esta ação
aparato político-pedagógico de emancipação política, educacional serviu apenas para provar às elites e à opinião pública conservadora
e cultural para os pais e os jovens. que o governo dos trabalhadores poderia cortar na própria carne,
Ao contrário, as ações ainda permanecem sob o império da atacando direitos consagrados, ao invés de encaminhar a luta pela
despolitização, operada, mais uma vez, pela perda de vínculo de sua extensão para o conjunto dos trabalhadores do setor privado.
classe destas políticas públicas com as disputas históricas ao fundo Boicotes explícitos ao Sistema Único de Saúde permanecem,
público. No que se oculta tais vínculos, ou seja, não se combate a assustadoramente, sob o governo Lula. A definição do percentual
destinação dos recursos públicos ao velho sistema de privilégios e de recursos financeiros federais, previstos na Constituição Federal
assegura sua alocação para as ações de redução das desigualdades para o SUS, permanece descumprida pela política econômica. Na
sociais, tudo permanece como nos modelos atuais, uma ação polí- comparação internacional nossos atuais 3,2% do PIB, destinados
tica governamental ambígua, que oscila entre o apelo eleitoreiro e à saúde, representam porcentagem menor do que da Bolívia, Co-
uma versão ainda estigmatizadora da pobreza. lômbia, África do Sul, Rússia, Venezuela, Uruguai, Argentina (cerca
Adotar o caminho salvacionista do Fome Zero pode ser um de 5.12%), Cuba (6,25%), EEUU (6,2%) Japão, Inglaterra, Austrália,
grande giro, mas de 360°. Portugal, Itália, Canadá, França, Alemanha (8,1%).
A proliferação das propostas neste campo do combate à pobre- O sub-financiamento do SUS revela-se como uma medida con-
za sem enfrentar suas causas - as estratégias macroeconômicas que creta a impossibilitar a oferta de serviços públicos, gratuitos e com
promovem a super-acumulação capitalista-rentista e do seu equi- qualidade, como reza a Constituição, e conforme as necessidades
valente, a crescente pauperização do povo – reproduz a submissão da população. Como um direito social altamente valorizado no mer-
e a docilidade que parecem condenar à mesmice os governos de cado privado, já que a saúde é uma necessidade humana vital, a
centro-esquerda, tais como o Governo Lula. disputa com o setor lucrativo não ingressou na agenda de priorida-
Tão grave quanto o pequeno investimento financeiro é cons- des do governo Lula, onde interesses e pressões de mercado dos
tatar que as ações do Governo Lula se organizam precariamente, produtores de equipamentos, de medicamentos, de tecnologias e
em nome de uma solidariedade sem sujeitos e sem projetos, reedi- de prestadores de serviços e corporações poderosas mantêm-se
tando os mecanismos de dominação e de subalternização políticas, intactos.

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ATUALIDADES
O quadro de desfinanciamento da saúde pública gera o inevitá- Organizações Não Governamentais
vel: intensa repressão de demanda, insuportável congestionamen-
to nos pronto-socorros e consultórios de especialidades, precariza- As organizações não-governamentais desempenham um papel
ção da atenção básica preventiva e o predomínio de intervenções fundamental na modelagem e implementação da democracia par-
tardias, com suas doenças preveníveis não prevenidas, com doen- ticipativa. A credibilidade delas repousa sobre o papel responsável
ças agravadas não atendidas precocemente, mortes evitáveis não e construtivo que desempenham na sociedade. As organizações
evitadas, e expansão da saúde privada, via planos de saúde para formais e informais, bem como os movimentos populares, devem
classe média. ser reconhecidos como parceiros na implementação da Agenda 21.
Como se não bastasse toda esta herança intocada, o governo A natureza do papel independente desempenhado pelas organiza-
Lula aprofunda a crise, no que atua contra a regulamentação da ções não-governamentais exige uma participação genuína; portan-
Emenda Constitucional 29, que garante a vinculação de percentuais to, a independência é um atributo essencial dessas organizações e
mínimos para aplicação orçamentária na política de saúde. Os valo- constitui condição prévia para a participação genuína.
res são expressivos, cerca de R$ 2,3 bilhões representa a diferença Um dos principais desafios que a comunidade mundial en-
acumulada pelo não cumprimento por parte do governo federal da frenta na busca da substituição dos padrões de desenvolvimento
EC. 29 nos anos de 2001 a 2005, porém só no governo Lula este insustentável por um desenvolvimento ambientalmente saudável e
déficit acumula a cifra de R$1.832.000,00. sustentável é a necessidade de estimular o sentimento de que se
Se os direitos sociais devem ser universais e a proteção social
persegue um objetivo comum em nome de todos os setores da so-
que estes suscitam deve ser pública e gratuita, ou seja, desmer-
ciedade. As chances de forjar um tal sentimento dependerão da dis-
cadorizada, como explicar que na área de Educação a medida de
posição de todos os setores de participar de uma autêntica parceria
maior impacto tenha se restringido ao Programa Universidade para
social e diálogo, reconhecendo, ao mesmo tempo, a independência
Todos que nada mais é do que organizar ampliando o abusivo re-
curso da renúncia fiscal dos encargos previdenciários, no esforço dos papéis, responsabilidades e aptidões especiais de cada um.
de subvencionar o setor privado das universidades em troca de am- As organizações não-governamentais, inclusive as organizações
pliação de vagas por fora do sistema público e gratuito? sem fins lucrativos que representam os grupos de que se ocupa esta
Após três anos de governo, ainda hoje o Governo Lula não foi seção da Agenda 21, possuem uma variedade de experiência, co-
capaz de enfrentar uma grave lacuna na regulamentação da LDB, nhecimento especializado e capacidade firmemente estabelecidos
que é o desfinanciamento da educação infantil. nos campos que serão de particular importância para a implemen-
Mesmo sendo um direito absolutamente vital para as classes tação e o exame de um desenvolvimento sustentável, ambiental-
populares, no que garantiria creche pública para todas as crianças mente saudável e socialmente responsável, tal como o previsto em
até seis anos de idade, somente por meio de uma longa e penosa toda a Agenda 21. Portanto, a comunidade das organizações não
luta, travada pelos movimentos sociais, é que o governo Lula se ma- governamentais oferece uma rede mundial que deve ser utilizada,
nifestou - através de iniciativa legislativa ainda não aprovada - com capacitada e fortalecida para apoiar os esforços de realização des-
a possibilidade de assumir parte no cofinanciamento desta área, ses objetivos comuns.
uma vez que os municípios e estados, diante da omissão do gover- Para assegurar que a contribuição potencial das organizações
no federal, têm feito o mesmo: rejeitado um direito vital e universal não governamentais se materialize em sua totalidade, deve-se pro-
à educação às crianças pequenas, mantendo o ciclo de pobreza nos mover a máxima comunicação e cooperação possível entre elas
seus níveis imorais de hoje. e as organizações internacionais e os Governos nacionais e locais
Um marcador valioso para dimensionar os insignificantes esfor- dentro das instituições encarregadas e programas delineados para
ços na direção da transformação do desmonte das políticas públicas executar a Agenda 21. Será preciso também que as organizações
pode ser obtido com a análise do financiamento federal dos gastos não-governamentais fomentem a cooperação e comunicação entre
sociais em comparação com os grandes números do orçamento pú- elas para reforçar sua eficácia como atores na implementação do
blico, como condensado nos dados abaixo, em relação ao ano de desenvolvimento sustentável.
2004:
Por fim, cabe ressaltar que o governo Lula de fato realizou mo- Objetivos
dificações importantes, sobretudo quando comparado aos feitos
desastrosos do Governo anterior.
A sociedade, os Governos e os organismos internacionais de-
Porém, isto não elide o fato de que a timidez e o continuís-
vem desenvolver mecanismos para permitir que as organizações
mo no conteúdo, na forma e no alcance das políticas sociais em
não-governamentais desempenhem seu papel de parceiras com
nada asseguram qualquer alteração na composição das estruturas
responsabilidade e eficácia no processo de desenvolvimento sus-
de poder político e econômico, imprescindíveis à recomposição das
estruturas públicas de proteção social, com clareza de propósitos tentável e ambientalmente saudável.
universalistas, para além dos alegados problemas de caixa. Para fortalecer o papel de parceiras das organizações não-go-
Uma razão de Estado comprometida com as maiorias popu- vernamentais, o sistema das Nações Unidas e os Governos devem
lares participando efetivamente, não só da produção, mas em es- iniciar, em consulta com as organizações não-governamentais, um
pecial do usufruto da riqueza socialmente produzida e também da processo de exame dos procedimentos e mecanismos formais para
socialização do poder político-decisório, constitui-se como arranjo a participação dessas organizações em todos os níveis, da formula-
institucional possível, desejável e absolutamente imprescindível ção de políticas e tomada de decisões à implementação.
para a democracia radicalmente igualitária. Infelizmente o governo Até 1995, deve-se estabelecer um diálogo mutuamente produ-
Lula, desde seu primeiro dia, abriu mão desta histórica realização. tivo no plano nacional entre todos os Governos e as organizações
não-governamentais e suas redes auto-organizadas para reconhe-
cer e fortalecer seus respectivos papéis na implementação do de-
senvolvimento ambientalmente saudável e sustentável.

5
ATUALIDADES
Os Governos e os organismos internacionais devem promover Conseguir a participação das organizações não-governamen-
e permitir a participação das organizações não-governamentais na tais nos mecanismos ou procedimentos nacionais estabelecidos
concepção, no estabelecimento e na avaliação de mecanismos ofi- para executar a Agenda 21, fazendo o melhor uso de suas capacida-
ciais procedimentos formais destinados a examinar a implementa- des particulares, em especial nos campos do ensino, mitigação da
ção da Agenda 21 em todos os níveis. pobreza e proteção e reabilitação ambientais;
Levar em consideração as conclusões dos mecanismos de mo-
Atividades nitoramento e exame das organizações não-governamentais na
elaboração e avaliação de políticas relativas à implementação da
O sistema das Nações Unidas, incluídos os organismos interna- Agenda 21 em todos os seus níveis;
cionais de financiamento e desenvolvimento, e todas as organiza- Examinar os sistemas governamentais de ensino para identifi-
ções e foros intergovernamentais, em consulta com as organizações car maneiras de incluir e ampliar a participação das organizações
não-governamentais, devem adotar medidas para: não-governamentais nos campos do ensino formal e informal e de
Examinar e informar sobre as maneiras de melhorar os proce- conscientização do público;
dimentos e mecanismos existentes por meio dos quais as organi- Tornar disponível e acessível às organizações não-governamen-
zações nãogovernamentais contribuem para a formulação de po- tais os dados e informação necessários para que possam contribuir
líticas, tomada de decisões, implementação e avaliação, no plano efetivamente para a pesquisa e a formulação, implementação e
de organismos individuais, nas discussões entre instituições e nas avaliação de programas.
conferências das Nações Unidas;
Tendo por base o inciso (a) acima, fortalecer, ou caso não exis- Meios de implementação
tam, estabelecer mecanismos e procedimentos em cada organismo
para fazer uso dos conhecimentos especializados e opiniões das or- (a) Financiamento e estimativa de custos
Dependendo do resultado dos processos de exame e da evo-
ganizações nãogovernamentais sobre formulação, implementação
lução das opiniões sobre a melhor maneira de forjar a parceria e o
e avaliação de políticas e programas;
diálogo entre as organizações oficiais e os grupos de organizações
Examinar os níveis de financiamento e apoio administrativo às
não-governamentais, haverá gastos nos planos nacional e interna-
organizações não-governamentais e o alcance e eficácia da partici-
cional, relativamente baixos, mas imprevisíveis, a fim de melhorar
pação delas na implementação de projetos e programas, tendo em
os procedimentos e mecanismos de consulta.
vista aumentar seu papel de parceiras sociais; Da mesma forma, as organizações não-governamentais preci-
Criar meios flexíveis e eficazes para obter a participação das sarão de financiamento complementar para estabelecer sistemas
organizações não-governamentais nos processos estabelecidos de monitoramento da Agenda 21, ou para melhorá-los ou contribuir
para examinar e avaliar a implementação da Agenda 21 em todos para o funcionamento deles.
os níveis; Esses custos serão significativos, mas não podem ser estimados
Promover e autorizar as organizações não-governamentais e com segurança com base na informação existente.
suas redes autoorganizadas a contribuir para o exame a a avaliação (b) Fortalecimento institucional
de políticas e programas destinados a implementar a Agenda 21, As organizações do sistema das Nações Unidas e outras organi-
inclusive dando apoio às organizações não-governamentais dos paí- zações e foros intergovernamentais, os programas bilaterais e o se-
ses em desenvolvimento e suas redes auto-organizadas; tor privado, quando apropriado, precisarão proporcionar um maior
Levar em consideração as conclusões dos sistemas de exame e apoio financeiro e administrativo às organizações não-governa-
processos de avaliação das organizações não-governamentais nos mentais e suas redes autoorganizadas, em particular para aquelas
relatórios pertinentes da Secretaria Geral à Assembléia Geral e de sediadas nos países em desenvolvimento, que contribuam ao mo-
todos os órgãos das Nações Unidas e de outras organizações e fo- nitoramento e avaliação dos programas da Agenda 21, e proporcio-
ros intergovernamentais pertinentes, relativas à implementação da nar treinamento às organizações nãogovernamentais (e ajudá-las a
Agenda 21, em conformidade com o processo de exame da Agenda. desenvolver seus próprios programas de treinamento) nos planos
Proporcionar o acesso das organizações não-governamentais a internacional e regional, para intensificar seus papéis de parceiras
dados e informação exatos e oportunos para promover a eficácia de na formulação e implementação de programas.
seus programas e atividades e de seus papéis no apoio ao desenvol- Os Governos precisarão promulgar ou fortalecer, sujeitas às
vimento sustentável. condições específicas dos países, as medidas legislativas necessá-
rias para permitir que as organizações não-governamentais esta-
Os Governos devem tomar medidas para: beleçam grupos consultivos e para assegurar o direito dessas or-
Estabelecer ou intensificar o diálogo com as organizações não- ganizações de proteger o interesse público por meio de medidas
governamentais e suas redes auto-organizadas que representem judiciais.
setores variados, o que pode servir para: (i) examinar os direitos e
responsabilidades dessas organizações; (ii) canalizar eficientemen-
te as contribuições integradas das organizações não-governamen-
tais ao processo governamental de formulação de políticas; e (iii)
facilitar a coordenação não-governamental na implementação de
políticas nacionais no plano dos programas;
Estimular e possibilitar a parceria e o diálogo entre organiza-
ções nãogovernamentais e autoridades locais em atividades orien-
tadas para o desenvolvimento sustentável;

6
ATUALIDADES
A preservação dos recursos naturais passou a ser preocupação O agir administrativo na seara ambiental é repleto de deveres
mundial e nenhum país tem o direito de fugir dessa responsabili- para conservação e a proteção do meio ambiente. A inércia, au-
dade. sência de atuação e fiscalização do Estado trazem conseqüências
nefastas aos interesses da sociedade, ao meio ambiente e à quali-
A necessidade de proteção ambiental é antiga, surgindo quan- dade de vida do ser humano, sendo necessária a conscientização da
do o homem passou a valorizar a natureza, inicialmente de forma população que deve exigir o cumprimento das leis existentes que
mais amena, e atualmente, de forma mais acentuada. Primordial- asseguram uma efetiva proteção ambiental, sendo evidente a ação
mente, se dava a importância à natureza por ser uma criação divina. coercitiva dessas garantias e, portanto, obrigatório o seu cumpri-
Depois, que o homem começou a reconhecer a interação dos com- mento pelos governantes.
ponentes bióticos e abióticos que interagem no ecossistema é que Claro que na hipótese da negação de direitos assegurados pela
efetivamente sua responsabilidade aumentou. Carta Constitucional e legislação infraconstitucional que garantem
Com a evolução da sociedade, o homem foi rapidamente de- a democracia e os direitos fundamentais ao meio ambiente sadio
gradando o meio ambiente, contaminando-o com resíduos nucle- para as gerações presentes e futuras e da saúde pública ambiental
ares, disposição de lixos químicos, domésticos, industriais, hospita- resta tão-somente, o controle judicial das Políticas Públicas através
lares de forma inadequada, pelas queimadas, pelo desperdício dos do Poder Judiciário.
recursos naturais não renováveis, pelo efeito estufa, pelo desmata-
mento indiscriminado, pela contaminação dos rios, pela degrada- A proteção constitucional do meio ambiente
ção do solo através da mineração, pela utilização de agrotóxicos,
pela má distribuição de renda, pela acelerada industrialização, pelo Na Constituição Federal, o artigo 225[3] exerce o papel nortea-
dor do meio ambiente devido a seu complexo teor de direitos, men-
crescimento sem planejamento das cidades, pela caça e pela pesca
surado pela obrigação do Estado e da Sociedade na garantia de um
predatória.
meio ambiente ecologicamente equilibrado. Importante salientar,
A preocupação com a preservação do meio ambiente é recente
ainda, que a Constituição ao longo de vários outros artigos trata do
na história da humanidade, realidade esta também no Brasil. Com o
meio ambiente e das imposições legais para preservá-lo.
acontecimento de catástrofes e problemas ambientais, os organis-
mos internacionais passaram a exigir uma nova postura, sendo mar- A vontade do legislador brasileiro em relação à proteção ao
cante a atuação da Organização das Nações Unidas (ONU) que em meio ambiente está marcada na Constituição Federal através da
1972 organizou a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Am- distribuição da competência em matéria ambiental que passou a
biente Humano. A partir dessa Conferência, com a elaboração da ser comum entre União, Estados e Municípios, conforme o artigo
declaração de princípios (Declaração de Estocolmo), os problemas 23, que dispõe: “VI proteger o meio ambiente e combater a polui-
ambientais receberam tratamentos diferentes, tendo repercussão ção em qualquer de suas formas; VII ­preservar florestas, a fauna e a
no Brasil. Há pouco a legislação nacional sofreu um forte impacto flora”. Restou, além disto, forte no artigo 225, que o bem ambiental
com o surgimento de novas leis e, em especial, da Lei 6.938/81, é um bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade
conhecida como Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, que de vida, assegurando o direito ao meio ambiente ecologicamente
reconhece juridicamente o meio ambiente como um direito próprio equilibrado como direito de todos. Portanto, a natureza jurídica do
e autônomo e terminou com as preocupações pontuais, centradas bem ambiental é bem de uso comum do povo e essencial à sadia
em problemas específicos inerentes às questões ambientais de vi- qualidade de vida, criando um terceiro gênero de bem que não é
zinhança, propriedade, ocupação do solo, utilização dos recursos público e muito menos privado. Agora cabe tanto ao Estado (Poder
minerais e apropriação das florestas, etc.. A partir desse momento, Público) como à sociedade civil (coletividade) o dever de preservar
iniciou-se no Brasil uma Política Nacional do Meio Ambiente que os bens ambientais não só para quem está vivo nos dias de hoje
estabeleceu princípios, diretrizes e instrumentos para a proteção (presentes gerações) como para aqueles que virão (futuras gera-
ambiental. Sob a influência de paradigmas internacionais, o Brasil ções) a existência real dos bens ambientais.
avança e, na Constituição de 1988, criou-se o elemento normativo Não se pode esquecer, como já referido, de que o artigo 225
que faltava para considerar o Direito Ambiental uma ciência autô- é apenas o porto de chegada ou ponto mais saliente de uma série
noma dentro do ordenamento jurídico brasileiro, a exemplo do que de outros dispositivos que, direta ou indiretamente, instituem uma
já ocorria em outros países. verdadeira malha regulatória que compõe a ordem pública ambien-
O Direito Ambiental, segundo José Rubens Morato Leite: tal baseada nos princípios[4] da primariedade do meio ambiente e
“[...] se ocupa da natureza e futura gerações nas sociedades de da explorabilidade limitada da propriedade, ambos de caráter geral
risco, admitindo que a projeção dos riscos é capaz de afetar desde e implícito.
hoje o desenvolvimento do futuro, que importa afetar, portanto, as Sobre a proteção constitucional ao meio ambiente, José Ru-
garantias do próprio desenvolvimento da vida”.[1] bens Morato Leite expressa:
Na Constituição Federal de 1988, a proteção do ambiente e “Em termos formais, a proteção do meio ambiente na Consti-
salvaguarda da sadia qualidade de vida são asseguradas através da tuição de 1988 não segue - nem seria recomendável que seguisse -
implementação de políticas públicas[2]. Apesar da existência des- um único padrão normativo, dentre aqueles encontráveis no Direito
sas garantias constitucionais e da legislação infraconstitucional, que Comparado. Ora o legislador utiliza-se da técnica do estabelecimen-
vedam a poluição sonora causada por bares, que exigem o depósito to de direito e dever gené­ricos (p. ex.. a primeira parte do artigo
do lixo em aterros, que proíbem o lançamento de esgoto sem trata- 225, caput, ora faz uso da instituição de deveres especiais (p. ex.,
mento em corpos de água, restringem o corte de árvores, que exi- todo o artigo 225, § 1º.). Em alguns casos, tais enunciados norma-
gem Estudo de Impacto Ambiental (EIA), que exigem o Relatório de tivos podem ser apreciados como princípios específicos e explícitos
Impacto Ambiental (RIMA), que estabelecem diretrizes, critérios e (p. ex., os princípios da função ecológica da propriedade rural e do
procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil; etc., polui dor-pagador, previstos, respectivamente, nos arts. 186, II, e
verifica-se ausência de eficácia dessas garantias pela não aplicação 225, §§ 22 e 32), noutros, como instrumentos de execução (p. ex.,
efetiva dessas políticas públicas pelo Poder Público. a previsão do Estudo Prévio de Impacto Ambiental ou da ação civil

7
ATUALIDADES
pública). O constituinte também protegeu certos biomas hiperfrá- Dessa forma, ainda segundo Eduardo Appio:
geis ou de grande valor ecológico (p. ex., a Mata Atlântica, o Pan- “As políticas públicas podem ser conceituadas, portanto, como
tanal, a Floresta Amazônica, a Serra do Mar e a Zona Costeira)”.[5] instrumentos de execução de programas políticos baseados na in-
Na Constituição Federal, restou assegurado que todos têm di- tervenção estatal na sociedade com a finalidade de assegurar igual-
reito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso dade de oportunidade aos cidadãos, tendo por escopo assegurar as
comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se condições materiais de uma existência digna a todos os cidadãos”.
ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- Por sua vez, as políticas públicas devem obrigatoriamente estar
-lo para as presentes e futuras gerações (artigo 225). diretamente voltadas a realizar os desígnios constitucionais, por-
Analisando o § 1º do artigo 225 da Constituição Federal, veri- tando os programas de ação governamental devem ser balizados
fica-se que para assegurar a efetividade desse direito ao meio am- em direitos previstos, ainda que de forma genérica, na Constituição.
biente ecologicamente equilibrado na forma do disposto no inciso Importante frisar que a implementação de políticas públicas
I, deste parágrafo, compete ao Poder Público preservar e restaurar não afasta a legalidade das mesmas.
os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico Na atualidade, os governos são questionados e cobrados, para
das espécies e ecossistemas. Também é responsabilidade do Poder apresentarem soluções às crescentes demandas sociais, não só
Público exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou ativida- pelo aumento do déficit econômico, mas como resultado de uma
de potencialmente causadora de significativa degradação do meio participação cada vez maior do povo na vida política, o que é rele-
ambiente, estudo prévio de impacto ambiental a que se dará pu- vante para a consolidação do processo democrático no país.
blicidade (inciso IV). Além disso, ao Poder Público cabe controlar a Promover o desenvolvimento humano, proteger o cidadão e
produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e incentivar as atividades econômicas devem ser as principais atri-
substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e buições do Estado.
o meio ambiente (inciso V). No que tange ao Direito Ambiental, é forçoso reconhecer-se a
Assim, pelo que se depreende do texto constitucional, a prote- existência de suficiente legislação ordinária e capítulo constitucio-
ção ao meio ambiente e ao meio ambiente equilibrado são conside- nal para a proteção do ambiente e salvaguarda da sadia qualidade
rados direitos fundamentais, sendo que a concretização/realização de vida. Todavia, é deficiente sua implementação, uma vez que os
dos mesmos é uma diretriz, um balizamento, uma determinação, órgãos estatais estão insuficientemente equipados para sua imple-
uma responsabilidade do Poder Público que deve implementá-las mentação, ou diante das dificuldades da realidade político-adminis-
notadamente através da adoção de Políticas Públicas Estatais, no trativa ou de interesses econômicos de grupos poderosos tornam-
caso ambientais. -se tolerantes/displicentes/condescendentes.
Por sua vez, o Estado ao criar normas jurídicas com o objetivo
Políticas públicas de obter apenas méritos políticos para os parlamentares que apre-
sentam os projetos de lei sem, contudo, ter interesse na efetiva
A população tem o direito de obter determinados serviços por aplicação dessa legislação, busca, sub-repticiamente, não ferir inte-
intermédio do Governo, cabendo a este assegurar determinados di- resses de industriais, construtoras, imobiliárias, estabelecimentos
reitos aos cidadãos, notadamente os direitos fundamentais sociais comerciais, enfim, grupos[8] com atividades econômicas que costu-
como saúde, educação, segurança pública. O Poder Executivo não mam provocar impactos negativos significativos ao meio ambiente.
apenas executa as leis, mas determina suas políticas e programas Estamos diante do que Antonio Herman de Vasconcelos e Benjamin
necessários à realização dos ordenamentos legais. descreve como o Estado teatral [9]. Portanto, ainda hoje temos uma
Nas políticas públicas, o próprio planejamento estatal tem por teatralidade estatal, existindo a separação entre a lei e sua imple-
finalidade o atingimento do interesse público, assim não se trata mentação, entre a norma escrita e a norma praticada, resultante
de eleição pura e simples de prioridades governamentais e, sim, a em uma Ordem Pública Ambiental incompleta.
concretização da opção já levada a efeito pelo legislador que, ao Nas questões ambientais o Poder Público tem o papel de pre-
elaborar tais metas em planos de ação executiva, deve junto com venção ao dano, sendo esse o seu dever constitucional.
o administrador, observar os objetivos de igualdade e justiça social Em que pese à obrigação do Estado de prover e concretizar
da República, que formam a base da Ordem Social Constitucional. políticas públicas que possibilitem uma vida digna ao cidadão com
As normas constitucionais balizam o legislador, ao passo que os conforto mínimo e condições razoáveis de subsistência quer no as-
mecanismos utilizados pelo administrador são tanto os regramen- pecto da saúde, lazer, trabalho, educação e um meio ambiente sa-
tos constitucionais como os textos infraconstitucionais que estejam dio, isso não ocorre efetivamente. São constantes as denúncias na
em consonância com a ordem instituída. Com efeito, as políticas mídia nacional, sendo a omissão estatal fato corriqueiro tanto na
públicas contempladas em legislação ordinária incumbem o admi- ausência de fiscalização quando da invasão de áreas de preservação
nistrador a sua aplicação e sua regulamentação. permanentes, loteamento irregulares, lixões a céu aberto, ausência
APPIO, trazendo a idéia de Gouvêa, reporta que: de água tratada e tratamento dos resíduos líquidos e sólidos das
“As políticas públicas consistem em instrumentos estatais de cidades, saúde ineficiente, rede de ensino pública sem qualidade e
intervenção na economia e na vida privada, consoante limitações sem produtividade, todos esses fatos são veiculados tanto na mídia
e imposições previstas na própria Constituição, visando assegurar impressa, internet, rádio, e TV. Para socorrer o cidadão e a socie-
as medidas necessárias para a consecução de seus objetivos, o que dade como um todo, nessas situações, tanto o Ministério Público
demanda uma combinação de vontade política e conhecimento como o próprio cidadão individualmente têm a possibilidade de sa-
técnico”. nar a omissão do Governo e exigir o cumprimento de uma política
Assim, as Políticas Públicas viabilizam esses direitos. Os ins- pública em juízo que não se dá apenas quando se trata de poder
trumentos, utilizados pelo governo para intervir na sociedade, na discricionário, pelo contrário, a busca por controle pode ocorrer em
economia, na política, executando programas políticos em busca diferentes momentos através de controle judicial de políticas públi-
de melhores condições de vida aos seus cidadãos, são as Políticas cas sociais e através dos magistrados na condução dessas políticas.
Públicas.

8
ATUALIDADES
Para Zenildo Bodnar: Existe, ainda, o questionamento sobre a natureza jurídica da
“A dogmática processual tradicional construída apenas para responsabilidade administrativa, ou seja, se é responsabilidade ci-
resolver conflitos individuais, também não equaciona com eficácia vil objetiva por risco ou por risco integral. A responsabilidade civil
as ofensas aos bens ambientais. Deve o Estado constitucional eco- objetiva por risco administrativo admite as excludentes de culpa da
lógico facilitar o acesso do cidadão à justiça ambiental não apenas vítima, caso fortuito, força maior e fato da natureza. A responsa-
criando novos instrumentos de defesa, mas principalmente confe- bilidade civil por risco integral não admite causas excludentes de
rindo uma interpretação adequada aos instrumentos processuais já responsabilidade.
existentes como da Ação Civil Pública e a Ação Popular, para confe- No regramento constitucional, a responsabilidade civil do Es-
rir-lhes a verdadeira amplitude e potencial idade. tado por danos provocados liga a responsabilidade à ação estatal
Dentro deste contexto, o papel do Poder Judiciário é ainda através de seus agentes, não existindo na Constituição previsto
mais importante na concretização do direito fundamental, ao meio qualquer tipo de dano provocado por caso fortuito, força maior,
ambiente saudável e do dever fundamental de todos de protegê-lo fato de natureza ou atos predatórios de terceiros, tão somente da-
para a construção deste verdadeiro Estado constitucional ecológi- nos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, não
co”. [10] havendo nenhuma restrição.
Resta claro, que está no Poder Judiciário a responsabilidade Conforme disposto no artigo 225 da Constituição, é dever do
de atuar como um poder estratégico, assegurando que as políticas Estado – do Poder Público- preservar e restaurar os processos eco-
públicas garantam a democracia e assegurando, também, o cumpri- lógicos essenciais[11] e prover atuantemente, comissivamente, so-
mento dos direitos fundamentais. bre um ambiente ecologicamente equilibrado que é considerado de
uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impon-
Responsabilidade do Estado pela implementação de políticas do-se sua defesa ao Poder Público e à coletividade.
públicas em matéria ambiental O Estado deve agir através de seus órgãos ambientais de forma
eficaz atuando em defesa do meio ambiente para evitar sua degra-
Incontáveis são os danos causados pelo Poder Público, por dação, utilizando de todos os instrumentos à sua disposição e usar
ação ou omissão, direta ou indiretamente, ao meio ambiente, da- do poder/dever de polícia ambiental.
nos estes decorrentes da ausência da elaboração e implementação Na seara ambiental, o agir administrativo está permeado de
de políticas públicas na área ambiental, ocasionando: a) a poluição deveres de conservação do ambiente natural, impostos pela ordem
de rios e corpos d’água pelo lançamento de efluentes, esgotos ur- constitucional vigente e também pela legislação infraconstitucional
banos e industriais sem o devido tratamento; b) a degradação de recepcionada (como é o caso da Lei da Política Nacional do Meio
ecossistemas e áreas naturais de relevância ecológica; c) o depósito Ambiente, Lei Federal no. 6.938/81) e editada em conformidade
e a destinação final inadequados de lixo urbano; d) o abandono de com a Constituição de 1988. Essas previsões constitucionais e or-
bens integrantes do patrimônio cultural brasileiro. dinárias têm comando coercitivo condizente com a garantia de sua
Dispõe o § 3º, do artigo 225 da Constituição Federal, que as observância pelo governante e possibilita o controle de seus atos.
condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente, sujei- Em que pese ocorrer o cumprimento espontâneo das normas
tarão os infratores, pessoas naturais ou jurídicas, a sanções penais no meio social, não se pode duvidar da possibilidade de sua ino-
e administrativas independentemente da obrigação de reparar os
bservância, surgindo a necessidade da coercibilidade disposta nas
danos causados, restando evidente que a responsabilidade das pes-
regras jurídicas de direito objetivo.
soas naturais ou jurídicas está garantida constitucionalmente.
A formulação de políticas públicas relativas ao meio ambiente
compete ao Poder Legislativo que, em síntese, representa a vonta-
Em relação à Administração Pública, o tema também é tratado,
de do povo, formulando as diretrizes a serem seguidas. Por sua vez,
no capítulo ‘Da Administração Pública’, artigo 37, § 6º da Constitui-
compete ao Poder Executivo a sua execução e a implementação.
ção Federal, ao consignar que as pessoas jurídicas de direito público
Assim, não compete ao poder Judiciário a formulação de políticas
e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responde-
públicas ambientais.
rão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a ter-
ceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos Um dos aspectos mais importantes da participação da socie-
casos de dolo ou culpa. O que a Constituição distingue, com efeito, dade na proteção do meio ambiente é o controle da Administração
é o dano causado pelos agentes da Administração pelos danos cau- Pública, por intermédio do Poder Judiciário exercido diretamente,
sados objetivamente, cobrindo o risco administrativo da atuação ou quando o cidadão ingressa com a Ação Popular ou através do Mi-
inação dos servidores públicos. nistério Público, o qual representa institucionalmente os interesses
Surgiu pela primeira vez no Brasil a responsabilidade civil obje- da sociedade, quando constatada a ineficiente implementação de
tiva por dano ambiental através do Decreto no. 79.347, de 20-03-77 políticas públicas para garantir a higidez ambiental e a saúde da
que promulgou a Convenção Internacional sobre responsabilidade população, socorrendo-se, nesta hipótese, ao Poder Judiciário para
civil em danos causados por poluição por óleo, de 1969. Em segui- garantir o exercício efetivo desse direito.
da, foi promulgada a Lei no. 6.453, de 17­10-77, que, em seu artigo Sobre a celeuma da Partição do Poderes, vem sendo supera-
4º, caput, acolheu a responsabilidade objetiva relativa aos danos da nos Tribunais, uma vez que a Constituição não estabeleceu um
provenientes de atividade nuclear. sistema radical de não interferência entre as diferentes funções do
A responsabilidade civil objetiva por danos ambientais foi con- Estado. Nesse aspecto, José Afonso da Silva:
sagrada na Lei nº. 6.938/81, que dispõe sobre a Política Nacional de “De outro lado, cabe assinalar que nem a divisão de funções
Meio ambiente, que expressa no artigo 14, parágrafo 1º. entre os órgãos do poder nem sua independência são absolutas.
“Sem obstar a aplicação das penalidades previstas neste artigo, Há interferências, que visam ao estabelecimento de um sistema de
é o poluidor obrigado, independentemente de existência de culpa, freios e contrapesos, à busca do equilíbrio necessário à rea­lização
a indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a ter- do bem da coletividade e indispensável para evitar o arbítrio e o
ceiros, efetuados por sua atividade. O Ministério Público da União e desmando de um em detrimento do outro e especial­mente dos go-
dos Estados terá legitimidade para propor ação de responsabilidade vernados”. [12]
civil e criminal por danos causados ao meio ambiente”.

9
ATUALIDADES
Nesse sentindo, quando ocorrem omissões do Poder Público
na execução de políticas públicas relativas ao meio ambiente, a so- DESCOBERTAS E INOVAÇÕES CIENTÍFICAS NA
ciedade tem no Poder Judiciário a sua salvaguarda, significando que ATUALIDADE E SEUS IMPACTOS NA SOCIEDADE
compete ao Poder Judiciário, por meio de ações judiciais, determi- CONTEMPORÂNEA
nar que o Estado adote medidas de preservação ao meio ambiente,
como a implantação de sistema de tratamento de esgotos ou de Uma questão crucial e oportuna para um país emergente, que
resíduos sólidos urbanos ou, ainda, a implantação definitiva de es- busca caminhos para alcançar um nível de produção e renda com-
paço territorial protegido, já instituído por norma, ou a preservação patíveis com as necessidades da sociedade, são os processos, e os
de um bem de valor cultural. seus desafios, para gerar valor econômico a partir do conhecimen-
to. Ou seja, é a relação entre o dispêndio em pesquisa e desenvol-
Gestão de Bens Comuns vimento (DPD) e o crescimento do produto interno bruto (PIB) do
país, no presente cenário de um mundo globalizado, além da forma
Políticas Públicas são diretrizes e princípios norteadores da em que esse DPD é aplicado.
ação do poder público. Comecemos por compreender como se realiza o processo em
No tocante às questões ambientais, Esquivel afirma que, a pro- que um dado conhecimento é incorporado ao valor econômico de
posta para uma política para o ambiente, em um país, é motivada um produto ou processo.
por fatores como a conscientização dos governantes sobre o tema Esse mecanismo é complexo e variável para cada tipo de agre-
e influências externas a que seu governo está atrelado. A Política gação.
Pública Ambiental é o documento estratégico da gestão ambiental e Entretanto, é possível estabelecer algumas etapas comuns a
transcende o debate sobre os problemas de preservação ambiental, todos os processos, sistematizando-os para que possamos melhor
ou seja, dar-se-á pleno enfoque à gestão ambiental. compreendê-los e até interferir, com a formulação de políticas pú-
A gestão ambiental é regida por princípios e direcionamentos blicas para o seu pleno desenvolvimento.
gerais, de onde partem todas as ações secundárias, formulados O uso de um conhecimento científico em uma nova aplicação
para resolver problemas ambientais que afetam a sociedade. Es- determina o que vamos chamar de uma descoberta tecnológica.
quivel comenta que o poder público representa, por meio dos seus Esse conhecimento tanto pode ser já consagrado em outros usos
níveis federal, estadual e municipal, o principal agente do meio am-
(por exemplo, válvula de emissão termoiônica para fazer o cines-
biente.
cópio da televisão) ou acabado de ser descoberto (uso do cristal
líquido para fazer uma tela de calculadora). Nessa fase embrionária,
Órgãos de Gestão Ambiental
uma descoberta tecnológica é, em si mesma, essencialmente um
novo conhecimento, um conhecimento tecnológico, que se consti-
Esfera Federal
tui na própria proposta de uma aplicação criativa do conhecimento
científico.
Órgão Superior: O Conselho de Governo, formado pela Casa
Nesse estado nativo, é de muito interesse para atividade aca-
Civil e todos os Ministros; tem a função de assessorar o Presidente
da República na formulação da Política Nacional do Meio Ambiente. dêmica, principalmente para a capacitação de recursos humanos
Órgão Consultivo e Deliberativo: O Conselho Nacional do Meio para a pesquisa, e também porque pode ser objeto de publicações
Ambiente (CONAMA) reúne os diferentes setores da sociedade e e teses. Mas não tem ainda, de per se, um valor econômico, pois
tem caráter normatizador dos instrumentos da Política Ambiental. não é suficientemente robusta para competir, no mercado, com as
O CONAMA é a entidade que estabelece padrões e normas federais. alternativas tecnológicas existentes, e nem é ainda patenteável.
O CONAMA é um colegiado representativo dos setores fede- À essa descoberta tecnológica começam, então, a ser agrega-
rais, estaduais e municipais, empresarial e sociedade civil. É presi- dos inúmeros aperfeiçoamentos, ou inovações tecnológicas, con-
dido pelo Ministro do Meio Ambiente e composto pelas seguintes tadas, muitas vezes, às centenas e até milhares, tanto no produto
instâncias: Plenário, Câmaras Técnicas e Grupos de Trabalho. quanto no seu processo de fabricação. Essas inovações vão imple-
Órgão Central: Ministério do Meio Ambiente (MMA), agente mentando a robustez da tecnologia até dar-lhe suficiente competi-
formulador de Políticas Públicas Ambientais. tividade, para que possa vir a disputar com as outras tecnologias do
Órgão Executor: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos mesmo produto ou processo, ou do seu substituto, uma parcela do
Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), tem a tarefa de executar e seu mercado.
fazer executar as Políticas Ambientais. É importante notar que, em sua grande maioria, essas inova-
ções não exigem que seja gerado um novo conhecimento, mas são
Esfera Estadual simplesmente o uso criativo, para o caso específico, de conheci-
mentos já existentes. Por exemplo, fazer a tela do cinescópio plana
Em geral, Secretarias e Fundações Estaduais do Meio Ambiente ou tornar a tela de cristal líquido em matriz ativa.
com a função de executar a Política Ambiental, monitorar o meio Assim, são, em geral, patenteáveis mas não publicáveis.
ambiente e realizar educação ambiental. Desta forma, podemos conceituar uma descoberta científica
ou tecnológica como um ato acadêmico, realizado no âmbito da
Esfera Municipal universidade, destinado à capacitação de recursos humanos qua-
lificados e gerador de novos conhecimentos publicáveis nos perió-
Em geral, Secretarias e Fundações Municipais do Meio Ambien- dicos especializados, como prova de sua originalidade e valor como
te, responsáveis pelo controle e fiscalização das atividades de pro- um conhecimento.
teção e melhoria da qualidade ambiental. A inovação, ao contrário, como acima apresentado, é uma ati-
vidade econômica, executada no ambiente da produção, e que se
destina a dar mais competitividade a uma tecnologia, ou descober-
ta tecnológica, de um produto ou processo, ampliando a sua parce-
la de mercado e, assim, agregando valor econômico e lucratividade.

10
ATUALIDADES
Portanto, uma tecnologia constitui-se de uma descoberta, o A medida internacionalmente usada para avaliar o grau de
uso de algum conhecimento recente ou não em uma nova aplica- inovação é a outorga ou obtenção de patentes de invenção. Como
ção, robustecida por centenas ou milhares de inovações utilizando as patentes têm âmbito local, toma-se o mercado americano para
criativamente conhecimentos existentes. Um mesmo produto tem, comparação, por ser o maior mercado mundial, com 157 mil paten-
em geral, umas poucas descobertas amplamente conhecidas atra- tes em 2000. Apenas 12 países geram 95% dessas patentes ameri-
vés de publicações e centenas ou milhares de inovações, protegidas canas. Entre esses, só dois emergentes: Taiwan, o quarto, e Coréia,
do conhecimento e uso por terceiros através de patentes. o oitavo. A nossa posição é humilhante para a nossa criatividade, o
Como exemplo, temos a tela de monitor que, em 70 anos de tamanho e a diversidade da nossa economia e as expectativas da
existência, teve duas descobertas tecnológicas, válvula termoiônica nossa sociedade: tivemos menos de um milésimo das patentes, em
e cristal líquido, e milhares de inovações patenteadas por diversos 2000.
fabricantes, pois é óbvio que os atuais modelos no mercado só têm Mas o mais grave é que enquanto crescemos de três em três
em comum com os primeiros as descobertas tecnológicas. Outro patentes, os países acima citados agregam cerca de uma quarta
exemplo é a propulsão do avião que, em cem 130 anos, só teve parte a cada ano, dobrando a cada três anos. São países que mobili-
três descobertas: a hélice, o turbo-hélice e o jato. Mas o número de zam a sua criatividade para alcançar a autonomia tecnológica, asse-
inovações conta-se aos milhares. gurar a competitividade, elevar a renda, distribuila de forma justa e,
Note-se que as inovações podem ser desenvolvidas em desco- assim, construir o próprio futuro. E inovação tecnológica própria é
bertas tecnológicas recentes ou antigas, pelos que realizaram a des- o que não temos na medida do necessário. Veja-se o quadro abaixo.
coberta ou por outros produtores. Assim, a Coréia, embora domine Patentes outorgadas nos Estados Unidos
o mercado de monitores, não descobriu nenhuma das duas tecno-
logias usadas para telas. O mesmo ocorre com a telefonia celular,
que não é descoberta da Nokia, da Samsung ou da Motorola, os
três principais fabricantes. Assim como a Embraer não descobriu
o avião.
Como a descoberta tecnológica, em seu estado natural, não
tem viabilidade no mercado sem as inovações, fica claro que essas
é que são o real mecanismo de agregação de valor econômico, na
medida em que transformam uma descoberta em um produto ou
processo capaz de disputar o mercado, pela quase contínua incor-
poração de conhecimentos.
Um aspecto relevante é que uma descoberta tecnológica pode
consumir 10, 20 ou mais anos para alcançar suficiente robustez para Fonte: U.S. Patent and Trade Mark Office. (1) Ajuste linear.
tornar-se uma tecnologia e disputar mercado. E, por vezes, isso ja-
mais acontece e a descoberta acaba definitivamente abandonada. A consequência direta da competência na inovação é que o
O seu risco, portanto, é muito elevado. A inovação, ao contrário, na país pode disputar o mercado internacional pela via das exporta-
medida em que é o atendimento de uma demanda real do merca- ções. Isso amplia o mercado para os seus produtos e, assim, propi-
do, por ser mais objetiva, é rapidamente implementada e, por essas cia condições de um crescimento mais rápido da economia, isto é,
razões, tem baixo risco. do PIB. Veja-se, no quadro abaixo, como o nosso desempenho se
Portanto, mesmo para um país que descobre novas tecnolo- compara com países que têm uma intensiva geração de inovações,
gias, como os países do primeiro mundo, é indispensável ter uma uma vez que é no setor produtivo que se executam mais de 70% do
eficiente geração de inovações no setor produtivo, para que alcance DPD total do país.
uma agregação efetiva de valor econômico com o uso do conheci- Crescimento do PIB e do dispêndio em inovação, taxas anuais
mento. E este, entretanto, nem precisou ser gerado no próprio país, médias (%)
como é o caso de Taiwan e Coréia.
Portanto, para transformar conhecimento em valor agregado,
a geração de inovações é condição indeclinável. E a descoberta de
novas tecnologias é conveniente, desde que o setor produtivo seja
um gerador de inovações.
A posição do nosso país está muito aquém do desejável e até
do necessário para alimentar o nosso desenvolvimento sustentado.
Temos realizado, nos últimos 30 anos, o DPD de modo irregular e,
principalmente, ineficiente, para a transformação de conhecimento
em valor econômico, posto que a nossa política de fomento à pes-
quisa (ou política de ciência & tecnologia, na nomenclatura oficial)
não contempla a geração de inovações pelo setor produtivo, mas
apenas as descobertas científicas e tecnológicas, realizadas no âm-
bito acadêmico. É o que mostram a medida da nossa inventividade
e de crescimento do PIB.

Fontes: 1) Banco Mundial; 2) página Internet; 3) KITA, 2000.

11
ATUALIDADES
Temos o pior desempenho entre os países acima e nem sequer Busca
temos os dados de dispêndio em inovação do nosso país, estimados Faça sua pesquisa na Internet:
em cerca de 0,10 a 0,15 do PIB. O mais grave, porém, é que a dis-
tância entre a nossa economia e a dos EUA aumentou nos últimos A União Astronômica Internacional excluiu Plutão como um
vinte anos. Além disso, fomos ultrapassados em PIB per capita por planeta de pleno direito do Sistema Solar no dia 24 de agosto de
Taiwan (US$ 14,4 mil) e pela Coréia (US$ 13,7 mil), contra apenas 2006, após longas e intensas controvérsias sobre esta resolução.
US$ 3,5 mil do nosso país, o 81o do mundo. Em 1981, porém, o
PIB per capita da Coréia era um quarto menor e o de Taiwan só Plutão não é mais considerado planeta
5% maior do que o nosso. Ou seja, em cerca de 20 anos, o PIB per
capita de Taiwan cresceu quase quatro vezes mais do que o nosso, Com a decisão votada no plenário da XXVI assembléia geral da
e o da Coréia, cerca de cinco vezes mais. entidade, realizada em Praga, se reduziu o número de planetas no
O nosso mau desempenho em inovações deixou as indústrias Sistema Solar de nove para oito. Os mais de 2,5 mil analistas de 75
nacionais, que sobreviveram à desnacionalização dos anos noven- países reunidos na capital checa reconhecem desta forma que se
ta, sem um mínimo de competitividade, condição essencial ao cres- cometeu um erro quando se outorgou a Plutão a categoria de pla-
cimento da sua produção. Ora, sem fomento governamental para neta, em 1930, ano de sua descoberta.
inovações tecnológicas e sem tempo e capital para desenvolvê-las A definição adotada preenche um vazio que existia neste cam-
com risco próprio, as empresas foram compelidas a recorrer ao li- po científico desde os tempos do astrônomo polonês Copérnico
cenciamento de patentes e de tecnologias do exterior. Isso propi- (1473-1543). A nova definição estabelece três grupos de planetas, o
ciou um crescimento moderado de 23% do PIB, de 1992 a 1997, ao primeiro com os oito planetas “clássicos” - Mercúrio, Vênus, Terra,
custo de se elevarem as patentes licenciadas em quase cem vezes Marte, Júpiter, Netuno, Saturno e Urano -, depois um segundo, que
e os gastos diretos com licenciamentos externos em mais de nove são os asteróides, e um terceiro grupo, com Plutão e o novo objeto
vezes, no período, como se nota no quadro abaixo. UB313, descoberto no ano passado.
Plutão, além de ser reduzido a um planeta anão, agora é o as-
Gastos com licenciamentos externos (US$ milhões) teróide número 134340 do Centro de Planetas Menores, organiza-
ção oficial que coleta dados sobre asteróides e cometas.
Segundo o acordo acertado na reunião da UAI, será chamado
de planeta um corpo celeste que esteja na órbita de uma estrela,
sem ser ele mesmo uma estrela. O corpo celeste também precisa
ter massa suficiente para que sua própria gravidade molde-o numa
forma praticamente esférica, e que tenha limpado os arredores de
sua órbita.
Plutão, descoberto há 76 anos pelo cientista americano Clyde
Tombaugh (1906-1997), é objeto de polêmica há décadas, princi-
palmente devido a seu tamanho, que foi reduzido ano após ano
e que foi estabelecido agora em 2,3 mil quilômetros de diâmetro.
Assim, Plutão é muito menor que a Terra (12.750 quilômetros)
e até mesmo menor que a Lua (3.480 quilômetros) e o UB313 (3 mil
quilômetros), que no entanto está muito mais longe do Sol.
Outro argumento contra Plutão é a forma pouco ortodoxa de
Fonte: Banco Central sua órbita, cuja inclinação não é paralela à da Terra e a dos outros
sete planetas do Sistema Solar.
O desafio, portanto, é gerar no país as inovações tecnológicas Mesmo assim, centenas de cientistas dos Estados Unidos firma-
exclusivas que nos faltam para propiciar, à nossa produção, um alto ram um abaixo-assinado contra a recente decisão internacional de
valor econômico agregado e uma forte competitividade nos merca- retirar o status de planeta de Plutão. A rebelião astronômica mostra
dos internacionais. Os exemplos de Taiwan e Coréia, países emer- que o debate sobre a definição dos planetas deve prosseguir.
gentes que realmente estão crescendo pela via da inovação própria,
são os exemplos. Outros são China e Índia, que já seguem a mesma Projeto Genoma
trilha com resultados significativos. Para vencer esse desafio, preci-
samos criar políticas públicas de fomento à inovação própria gerada O Projeto Genoma Humano é um empreendimento internacio-
no setor produtivo, principalmente para tecnologias já existentes e nal, iniciado formalmente em 1990 e projetado para durar 15 anos,
comerciais. Mas, para realizá-lo, precisamos, decididamente, em- com os seguintes objetivos:
penhar-nos em mobilizar os produtores, bem como a toda a socie- Identificar e fazer o mapeamento dos 80 mil genes que se cal-
dade. cula existirem no DNA das células do corpo humano;
Determinar as sequências dos 3 bilhões de bases químicas que
Plutão deixa de ser considerado planeta compõem o DNA humano;
Armazenar essa informação em bancos, desenvolver ferramen-
AFP tas eficientes para analisar esses dados e torná - los acessíveis para
Plutão agora é um planeta-anão novas pesquisas biológicas.

12
ATUALIDADES
O PHG tem como um objetivo principal construi uma série de Com a chave do código, os cientistas vão compreender o pro-
diagramas descritivos de cada cromossomo humano, com reso- cesso que gera tais males, para então desenvolver exames de diag-
luções cada vez mais apuradas. Para isso, é necessário: dividir os nóstico e tratamentos. Há esperança de cura com a substituição de
cromossomos em fragmentos menores que possam ser propaga- genes anormais.
dos e caracterizados; e depois ordenar esses fragmentos, de forma
a corresponderem a suas respectivas posições nos cromossomos Mulher com primeiro rosto transplantado
(mapeamento).
Depois de completo mapeamento, o passo seguinte é deter- A primeira reação da mulher de 38 anos que foi submetida à
minar a sequência das bases de cada um dos fragmento de DNA já cirurgia pioneira de transplante de rosto da história foi agradecer
ordenados. O objetivo é descobrir os genes na sequência do DNA e aos médicos.
desenvolver meios de usar esta informação para estudo da biologia Segundo os cirurgiões, ela pediu uma caneta e um papel e es-
e da medicina, na cura de doenças por exemplo. creveu em francês a palavra “merci” [obrigada, em português].
Ele começou como uma iniciativa do setor público, tendo a li- De acordo com eles, a palavra foi escrita depois de ela ter se
derança de James Watson, na época chefe dos Institutos Nacionais olhado no espelho, 24 horas após a cirurgia que ocorreu no último
de Saúde dos Estados Unidos (NIH). Numerosas escolas, universida- domingo na cidade de Amiens, no norte da França.
des e laboratórios participam do projeto, usando recursos do NIH A mulher recebeu tecidos, artérias e veias de outra mulher que
e Departamento de Energia norteamericano. Ó este órgão financia havia tido morte cerebral. Em maio passado, a transplantada foi
cerca de 200 investidores separados nos EUA. atacada por seu cão, um labrador (em geral, uma raça dócil), e teve
Em outros países, grupos de pesquisadores em universidades seu rosto desfigurado.
e institutos de pesquisa também estão envolvidos no Projeto Ge- Segundo o jornal londrino “Daily Telegraph”, a mulher se cha-
noma. ma Isabelle Dinoire. É divorciada e mãe de dois adolescentes. Isa-
Além destes, muitas empresas privadas grandes e pequenas belle mora em Valenciennes (norte da França).
também conduzem pesquisa sobre o genoma humano.
Basicamente, 18 países iniciaram programas de pesquisas so- BIOTECNOLOGIA E TRANSGÊNICOS
bre o genoma humano. Os maiores programas desenvolvem- se na
Alemanha, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coréia, Dinamarca, Es- A biotecnologia, conceitualmente, é a união de biologia com
tados Unidos, França, Holanda, Israel, Itália, Japão, México Reino tecnologia; é um conjunto de técnicas que utilizam os seres vivos
Unido, Rússia, Suécia e União Européia. no desenvolvimento de processos e produtos que tenham uma fun-
Comparando o mapeamento e seqüenciamento genético ao ção econômica e/ou social. A biotecnologia envolve várias áreas do
mapeamento de uma estrada que se estendesse, digamos, de Por- conhecimento e, em conseqüência, vários profissionais, sendo uma
to Alegre a Manaus. O Projeto Genoma Humano, conduzido pelos ciência de natureza multidisciplinar.
órgãos do governo tem obtido dados de alta qualidade e precisão, Apesar do termo biotecnologia ser novo, o princípio é muito
registrando os detalhes das células humanas - inclusive as porções antigo. Por exemplo, a utilização da levedura na fermentação da uva
do DNA que não contém gene algum e que constituem 97% do seu e do trigo para produção de vinho e pão vem de muitos anos antes
total. A iniciativa privada, porém, juntou- se ao projeto em vista do de Cristo. Com a evolução da ciência em seus diversos setores, inú-
potencial de lucro que as pesquisas podem trazer, especialmente meras metodologias biotecnológicas têm sido sistematizadas, au-
para as indústrias farmacêuticas. A rapidez na obtenção de resulta- mentando seus benefícios econômicos, sociais e ambientais. Vários
dos, que podem ser transformados em patentes, tornou- se crucial cientistas, com suas descobertas, tiveram grande importância para
para. a evolução e sistematização da biotecnologia. Por exemplo, Louis
Com a iniciativa privada ocupando- se apenas dos genes mais Pasteur com a descoberta dos microrganismos em 1861, Gregor
interessantes e os pesquisadores do governo dedicando- se ao se- Mendel com a descoberta da hereditariedade em 1865, James Wat-
quenciamento dos demais, as duas formas de trabalho podem se son e Francis Crick com a descoberta da estrutura do DNA (ácido de-
complementar, em benefício do conhecimento geral. soxirribonucléico, molécula responsável pela informação genética
Com a entrada da iniciativa privada no Projeto Genoma, dando de cada ser vivo) em 1953, entre outros.
preferência a uma abordagem dirigida apenas aos genes que apre- A partir da descoberta da estrutura do DNA, houve uma revo-
sentam interesse para a cura de doenças, o setor público passou a lução incrível na área da genética e biologia molecular, surgindo,
rever seu cronograma e espera concluir o Projeto em 2003 e não então, a chamada biotecnologia moderna, a qual consiste na ma-
em 2005, como proposto inicialmente. nipulação controlada e intencional do DNA por meio das técnicas
As tecnologia, os recursos biológicos e os bancos de dados de engenharia genética. Por meio de tais técnicas foi possível a pro-
gerados pela pesquisa sobre o genoma terão grande impacto nas dução de insulina humana em bactérias e o desenvolvimento de
indústrias relacionadas à biotecnologia, como a agricultura, a pro- inúmeras plantas transgênicas a partir da década de 80.
dução de energia, o controle do lixo, a despoluição ambiental. As várias técnicas relacionadas à biotecnologia têm trazido, via
O Projeto Genoma Humano, conseguiu até agora identificar os de regra, benefícios para a sociedade. As fermentações industriais
genes contidos em dois cromossomos , 22 e o 21. na produção de vinhos, cervejas, pães, queijos e vinagres; a produ-
A conquista do genoma promete uma revolução na medicina ção de fármacos, vacinas, antibióticos e vitaminas; a utilização de
cujos resultados brotarão aos poucos ao longo das próximas dé- biofungicidas no controle biológico de pragas e doenças; o uso de
cadas. Os genes são instruções que determinam as características microrganismos visando à biodegradação de lixo e esgoto; o uso de
físicas de cada indivíduo, como a cor dos olhos e a formação óssea. bactérias fixadoras de nitrogênio e fungos micorrízicos para a me-
Também produzem proteínas indispensáveis ao funcionamento do lhoria de produtividade das plantas; o desenvolvimento de plantas
corpo, como as que ajudam o estômago a dirigir comida ou a meta- e animais melhorados utilizando técnicas convencionais de melho-
bolizar carboidratos. Genes defeituosos desequilibram o organismo ramento genético e também a transformação genética.
e podem causar doenças.

13
ATUALIDADES
Os maiores avanços científicos no primeiro trimestre do ano. Reportado um segundo paciente curado do vírus HIV

Os cientistas e pesquisadores de todo o mundo estão sempre O segundo paciente a ser curado do vírus HIV, agente causador
procurando descobrir e criar inovações no mundo da ciência e da da aids, é informado à comunidade médica, o que demonstra que
tecnologia. Seus avanços alteram a vida na Terra e mudam nossa uma cura completa da doença é possível.
percepção da realidade. As maiores descobertas científicas são um Ambos os pacientes foram livres do vírus que causa aids após
testemunho inspirador das capacidades humanas. Todos os anos, um transplante de células-tronco de medula óssea de um doador
cientistas fazem descobertas incríveis. O que os cientistas apren- com uma mutação genética rara do gene CCR5. O primeiro paciente
deram em 2017 pode ajudá-los a fazer novos avanços em 2018, e a comprovar isso foi um homem de Berlim, Timothy Brown, que
as descobertas científicas em 2018 podem influenciar os avanços ficou conhecido na literatura médica como “o paciente de Berlim”.
científicos 2019. Ele passou pelo procedimento que eliminou o vírus da seu orga-
Esta lista de descobertas científicas 2019 apresenta avanços e nismo há mais de uma década. Brown parou de tomar os medica-
recentes divulgações que abrangem uma ampla gama de discipli- mentos anti-retrovirais utilizados para suprimir o HIV e permaneceu
nas. Desde aprender novidades sobre mundos além do nosso pla- sem vírus.
neta a até desbloquear possibilidades dentro de nossas próprias O segundo homem que teve o mesmo sucesso contra o HIV é
células, algumas descobertas provocaram uma compreensão mais um paciente que não teve o nome divulgado, identificado apenas
rica do nosso passado. como “o paciente de Londres”. Esse segundo portador do vírus a ser
Esses avanços e feitos da ciência até agora lhe darão esperança curado parou com sua medicação há dezoito meses e não mostrou
em um futuro mesmo em vezes sombrio. As mais recentes notícias sinais de o vírus ter retornado ao seu corpo.
da ciência são inspiradoras para uma nova geração de pensadores Como transplantes da medula óssea não são uma solução a ser
que continuarão a empurrar os limites da capacidade humana. aplicada em larga escala para o tratamento contra o HIV, os cientis-
Leia abaixo as maiores descobertas de 2019 e os últimos avan- tas esperam que estes sejam os primeiros passos para “uma estra-
ços científicos no balanço da Sociedade Ciência no primeiro trimes- tégia segura, econômica e fácil capaz de alcançar esses resultados
tre do ano, numeradas apenas para fins didáticos, não sendo a or- usando tecnologia de genes ou técnicas de anticorpos”. Atualmen-
dem apresentada um julgamento de importância. te, é necessário aos pacientes com HIV tomar uma pílula diária para
se manter uma pessoa com saudável e lhes assegurar uma vida nor-
Estudo Universidade de Yale reativa atividade celular em cé- mal.
rebro de porcos horas após a morte O artigo científico publicado na Nature, uma das mais respei-
tadas publicações científica do mundo, em 5 de março de 2019,
Uma equipe de pesquisa na Universidade de Yale estudou em detalha como o tratamento da célula-tronco funciona e quais as
porcos a restauração da circulação cerebral e das funções celulares possibilidades são para o que vem depois.
horas após aqueles animais terem morrido.
Os pesquisadores descobriram que “uma quantidade surpre- Genoma do tubarão branco é decodificado
endente de função celular foi preservada ou restaurada”. Isso im-
plica que nossa compreensão neurologia previa, que toda atividade Em 18 de fevereiro de 2019, cientistas anunciaram que termi-
celular pára uma vez cortado o suprimento de oxigênio, ainda é li- naram a decodificar o genoma do tubarão branco (Carcharodon
mitado. carcharias). Como o maior peixe predador da Terra, o sucesso evo-
Os pesquisadores que conduziram esse estudo, por uma ques- lutivo dos tubarões sugere uma riqueza de informações genéticas
tão de ética, tiveram cuidado evitar estimular a atividade cerebral possíveis, desde o aumento da cicatrização de feridas até uma no-
responsável pelo pensamento e a consciência, atividades essas que tável tolerância a danos no DNA. Ao dizer isso, não podemos perder
não foram nem mesmo preservadas artificialmente após a morte de vista que os tubarões evoluíram do resto do reino animal há 400
dos animais. Ainda assim, as implicações éticas da função celular milhões de anos, antes mesmo que os primeiros anfíbios aventurei-
post-mortem colocam em questão as leis em vigor sobre o bem-es- ros deixassem os oceanos para terra seca. As adaptações genéticas
tar animal e até a proteção de seres humanos que foram declarados que esses animais vêm desenvolvendo contidas em seus DNA, que
com morte cerebral. os cientistas agora decodificaram, oferecem muitas possibilidades
Usando trinta e duas cabeças de porco obtidas de abatedouros, no mundo da saúde e da medicina. Com toda essa informação ge-
a equipe limpou e isolou cada cérebro antes de ligar os principais nética, revelou o estudo, o grande tubarão branco tem um genoma
vasos sanguíneos a um dispositivo que bombeava um coquetel quí- 1,5 vezes maior do que o de humanos.
mico especialmente formulado por seis horas. O procedimento teve
início cerca de quatro horas depois que os porcos passavam. A tec- 2 – As primeiras plantas germinam na Lua
nologia usada no estudo é chamada BrainEx.
Embora estar ciente de que a restauração a nível celular da Alimentadas com ar, água e nutrientes, bem como levedura e
atividade de alguns neurônios é possível horas após a morte pos- ovos de mosca de fruta na tentativa de formar uma biosfera auto-
sa ser eticamente complicada, a pesquisa também “oferece uma -sustentável, sementes de algodão e batata germinaram seus pri-
nova maneira de estudar doenças ou lesões cerebrais”. Indepen- meiros brotos em 14 de janeiro de 2019. E esse foi um feito notável,
dentemente disso, a distinção entre um “cérebro vivo” e um “cé- já que estes plantas estão fazendo isso na Lua, embora não direta-
rebro celularmente ativo” é essencialmente a mesma diferença mente no solo lunar. Esta é a primeira vez que as plantas germinam
entre “quase completamente morto” e “completamente morto”. E na Lua, outra ótima notícia da missão chinesa Chang’e 4.
a designação “quase completamente morto” não costuma carregar Esse avanço científico com plantas brotando na Lua é impor-
consigo uma conotação positiva. tante para aprendermos qual a nossa chance cultivar alimentos na
O artigo científico descrevendo o trabalho dos pesquisadores Lua. E isso pode ser importante cada vez mais necessário à medida
da Universidade de Yale foi publicado na Nature. que exploramos o espaço.

14
ATUALIDADES
Aprender como é possível estabelecer na Lua um ponto de par- Em 10 de abril de 2019, a colaboração que reuniu importantes
tida para outros planetas é especialmente importante para a China, instituições científicas em todo chamada Event Horizon Telescope
que espera enviar missões tripuladas a Marte. (EHT) divulgou a primeira imagem bem-sucedida do horizonte de
eventos de um buraco negro. O buraco negro em questão está da
Primeiro desembarque no lado “escuro” da da Lua galáxia Messier 87: a maior e mais massiva (termo técnico da física)
galáxia do nosso superaglomerado local de galáxias. Os astrônomos
Depois de lançar o Chang’e 4 no início de dezembro de 2018, de o mundo expressaram admiração e empolgação pela primeira
a China realizou outro feito notável. O país asiático pousou de sua visão real, já que todas as outras imagens existentes até então eram
sonda no lado oculto da Lua em 03 de janeiro de 2019 às 10h26 da simulações computacionais feitas a partir de dados observacionais
manhã, horário de Pequim, tornando a sonda Chang’e 4 a primeira e matemáticos, deste misterioso devorador galáctico.
nave espacial a realizar tal façanha. No centro da Messier 87, uma enorme galáxia no aglomerado
Na foto acima, vemos uma imagem do outro lado da Lua. Regis- de galáxias de Virgem, está o buraco negro supermassivo. Designa-
trada pelo aterrissador chinês Chang’e-4, à esquerda está a borda da simplesmente de M87 (a 87ª galáxia no catálogo de Messier) e
do corpo da sonda, enquanto à direita está a parte direita da perna localizada a mais de 55 milhões de anos-luz da Terra, é nela que o
da sonda, bem como a base do pé, que afundou parcialmente no monstruoso gigantesco buraco negro está, bem no seu centro, com
regolito lunar. O vídeo com o registro o pouso do qual a imagem massa equivalente a 6,5 bilhões de vezes a massa do nosso sol. E
provem foi divulgado pela estatal chinesa CNSA (sigla para China esse é o buraco negro registrado pelos cientistas do EHT, denomi-
National Space Administration), a agência espacial chinesa, que co- nado M87*.
ordena o Chinese Lunar Exploration Program – CLEP. “Este é um grande dia para a astrofísica”, disse a diretora Na-
Já a segunda imagem deste item mostrada abaixo, também di- tional Science Foundation (NSF), France Córdova, em comunicado.
vulgada pela CNSA, é a primeira fotografia colorida retornada da “Estamos vendo o invisível. Buracos negros têm impulsionado a
superfície do outro lado da Lua. A câmera de implementação do imaginação por décadas. Eles têm propriedades exóticas e são mis-
rover da Chang’e-4 fez este registro, que mostra uma cratera cheia teriosos para nós. No entanto, com mais observações como esta,
de poeira nas proximidades, e a implantação rampa do rover no eles estão revelando os seus segredos. É por isso que a NSF existe.
topo da foto. Nós capacitamos cientistas e engenheiros para iluminar o desco-
Embora o lado “escuro” da Lua nem sempre seja verdadeira- nhecido, para revelar a majestade sutil e complexa do nosso univer-
mente escuro, o lado mais distante do satélite da Terra é relativa- so”. A NSF é uma agência governamental ligada ao governo federal
mente desconhecido, já que está constantemente voltado para lon- dos Estados Unidos que promove a pesquisa e educação fundamen-
ge do planeta. tal em todos os campos da ciência e da engenharia.
A incapacidade de ver diretamente a superfície lunar no lado
“de trás” do nosso satélite natural também aumenta a dificuldade
de pousar qualquer espaçonave nela. Embora o lado mais distante
da Lua já tenha sido completamente mapeado, o módulo Chang’e
4 é o primeiro artefato humano a realmente aterrissar nessa parte
intocada do satélite.
Além do feito ser notável no sentido da exploração em si, uma
sonda no outro lado da Lua pode abrir caminho para que possamos
observar o espaço mais claramente, graças à própria Lua bloque-
ando os sinais de rádio vindos da Terra. Como explicou Yu Guobin,
o porta-voz da missão, “esta sonda pode preencher a lacuna da
observação de baixa frequência na radioastronomia e fornecerá in-
formações importantes para o estudo da origem das estrelas e da A imagem acima é um fotografia da distante galáxia M87. A
evolução de nebulosas”. gigantesca galáxia elíptica Messier 87 aparece nesta imagem de
campo profundo, uma imagem produzida a partir do zoom em uma
Cientistas revelam a primeira imagem real de um buraco ne- pequena região do espaço. Foi o buraco negro supermassivo no co-
gro ração desta galáxia que teve sua imagem recentemente capturada
por uma equipe internacional de pesquisadores e somente reve-
lada ao mundo depois de dois anos de pesquisas e confirmações.
Apesar de seu tamanho supermassivo, o M87* está longe o
suficiente de nós para representar um enorme desafio para que
qualquer telescópio existente hoje capturasse sozinho a imagem.
De acordo com a Nature, para que isso fosse possível, exigiria algo
com uma resolução mais de mil vezes melhor do que o Telescópio
Espacial Hubble. Em vez disso, os astrônomos decidiram criar algo
maior. Muito maior.
Em abril de 2018, os astrônomos sincronizaram uma rede glo-
bal de radiotelescópios para observar o ambiente nas imediações
cósmicas do M87*. Com todos os telescópios trabalhando juntos,
as instituições de pesquisa se organizaram para formar o Event Ho-
rizon Telescope (EHT), um observatório virtual do tamanho de um
planeta capaz de capturar detalhes sem precedentes de corpos ce-
leste em grandes distâncias.

15
ATUALIDADES
Apesar de amplamente difundida, há muitos protestos e críti-
MUNDO CONTEMPORÂNEO: ELEMENTOS DE POLÍTICA cas à globalização, sobretudo ressaltando os seus pontos negativos.
INTERNACIONAL E BRASILEIRA. CULTURA INTERNA- As principais posições defendem que esse processo não é democrá-
CIONAL tico, haja vista que os produtos, lucros e desenvolvimentos ocorrem
predominantemente nos países desenvolvidos e nas elites das so-
Quando falamos em geografia politica e econômica, pensamos ciedades, gerando margens de exclusão em todo o mundo. Críticas
em globalização. também são direcionadas à padronização cultural ou hegemoniza-
Uma das características da globalização é a crescente integra- ção de valores, em que o modo de vida eurocêntrico difunde-se no
ção econômica em escala planetária, devido ao aumento das trocas cerne do pensamento das sociedades.
comerciais e financeiras, que consolida a formação de um mercado De toda forma, a Globalização está cada vez mais consolidada
mundial influenciado pelas empresas transnacionais. no mundo atual, embora existam teóricos que, frequentemente, re-
Nesse contexto, ganhou notoriedade a Organização Mundial afirmam a sua reversibilidade, sobretudo em ocasiões envolvendo
do Comércio (OMC), instituição internacional que visa fiscalizar e revoltas contra o seu funcionamento ou o próprio colapso do sis-
regulamentar o comércio mundial. tema financeiro. O seu futuro, no entanto, ainda está à mercê não
A globalização é o processo de interligação e interdependência tão somente das técnicas e da economia, mas também dos eventos
entre as diferentes sociedades e resulta em uma intensificação das políticos que vão marcar o mundo nas próximas décadas.
relações comerciais, econômicas, políticas, sociais e culturais entre O Enem apresenta uma tendência de abordar temas que pos-
países, empresas e pessoas. Esse fenômeno é possibilitado pelo suam certa atualidade, ou seja, que se relacionem com eventos ou
avanço das técnicas, com destaque para os campos das telecomuni- acontecimentos que sejam de relevância para o contexto atual da
cações e dos transportes. sociedade. Por esse motivo, além de estudar os temas básicos da
A expressão “globalização” foi criada na década de 1980. No Geografia, é preciso sempre estar informado através do acompa-
entanto, não podemos dizer que ela seja um processo recente, uma nhamento de notícias tanto na mídia televisiva quanto na impressa
vez que teria se iniciado ao longo dos séculos XV e XVI, com a ex- e, também, na internet.
pansão ultramarina europeia, que iniciava uma era de integração Nesse sentido, a Globalização emerge como um dos principais
plena entre o continente europeu e as demais partes do planeta. temas a serem abordados pela banca examinadora, haja vista que
Por outro lado, foi apenas na segunda metade do século XX que todos os seus conceitos e efeitos podem ser visualizados direta ou
esse fenômeno encontrou a sua forma mais consolidada. indiretamente nas sociedades do mundo contemporâneo. Portan-
Podemos dizer que o mundo só alcançou o nível atual de inte- to, a globalização no Enem é uma oportunidade de compreender as
gração graças aos desenvolvimentos realizados, como já dissemos, relações geopolíticas e sociais à luz dos estudos da Geografia.
no âmbito dos transportes e das comunicações. Esses meios são A globalização é, de modo geral, vista como o processo de
importantes por facilitarem o deslocamento e a rápida obtenção de integração e inter-relação mundial envolvendo a economia, a cul-
informações entre pontos remotos entre si. Tais avanços, por sua tura, a informação e, claro, os fluxos de pessoas. Esse fenômeno
vez, ocorreram graças à III Revolução Industrial, também chamada instrumentaliza-se pela difusão e avanço dos meios de transporte
de Revolução técnico-científica informacional, que propiciou o de- e comunicação, haja vista que regiões distantes, antes tidas como
senvolvimento de novas tecnologias, como a computação eletrôni- isoladas umas das outras, integram-se plenamente.
ca, a biotecnologia e inúmeras outras formas produtivas. O termo Globalização, apesar de ser considerado por muitos
Outro fator que também pode ser tido como uma das causas um processo gradativo que se iniciou com a expansão marítima eu-
da Globalização é o desenvolvimento do Capitalismo Financeiro, a ropeia, difundiu-se no meio intelectual apenas a partir da década
fase do sistema econômico marcada pela fusão entre empresas e de 1980. Assim, a sua consolidação ocorreu na segunda metade do
bancos e pela divisão das instituições privadas em ações. Hoje em século XX em diante, com a difusão do neoliberalismo, a propaga-
dia, o mercado financeiro, por meio das bolsas de valores, operam ção de tecnologias, a integração econômica e comercial entre os
em redes internacionais, com empresas de um país investindo em países, a formação e expansão dos blocos econômicos e o fortale-
vários lugares, alavancando o nível de interdependência econômi- cimento das instituições internacionais, tais como a OTAN e a ONU.
ca. Além disso, os principais agentes da globalização são, sem dúvidas,
A título de comparação, a carta de Pero Vaz de Caminha ao rei as empresas transnacionais, também conhecidas como multinacio-
de Portugal sobre o descobrimento do Brasil levou alguns meses nais ou globais.
para chegar ao seu destino. Em 1865, o assassinato do presidente
dos Estados Unidos, Abraham Lincon, foi informado duas semanas
depois na Europa. Já em 11 de setembro de 2001, os atentados ter-
roristas às torres gêmeas do World Trade Center foram acompanha-
dos em tempo real, com o mundo vendo ao vivo o desabamento
dos prédios.
Um dos mais notáveis efeitos da Globalização é, sem dúvidas,
a formação e expansão das multinacionais, também conhecidas
como empresas globais. Essas instituições possuem seus serviços
e mercadorias disponibilizados em praticamente todas as partes do
planeta. As fábricas, em muitos casos, migram das sociedades in-
dustrializadas para os países periféricos em busca de mão de obra
barata, matérias-primas acessíveis e, claro, maior mercado consu-
midor, isso sem falar na redução ou isenção de impostos.
Outro efeito da Globalização foi a formação dos mercados re-
gionais, por meio dos blocos econômicos. Esses acordos entre os
países facilitaram os processos de negociação para aberturas eco-
nômicas e entrada de pessoas e bens para consumo.

16
ATUALIDADES
Globalização e Economia Agropecuária

Sistemas Agrícolas

Sistemas agrícolas são classificações utilizadas para a produção


agrícola e pecuária. Há dois sistemas, o intensivo e o extensivo.
Para definir se o sistema agrícola é intensivo ou extensivo são
considerados os pontos da produção em qualquer tamanho de pro-
priedade.
O sistema é revelado por resultados como a produtividade por
hectare e o investimento na produção.

Sistema Intensivo
No modelo da agricultura brasileira, o sistema intensivo é o
mais praticado. Por ele, são aplicadas técnicas modernas de previ-
são que englobam o preparo do solo, a forma de cultivo e a colheita.
A produtividade não está somente no rendimento obtido dire-
to do solo, mas do seu redimensionamento para resultar na maior
produção possível por metro quadrado (a chamada produtividade
Os países dominam as grandes empresas ou as grandes em- média por hectare).
presas dominam os países? No período de colheita, as perdas são equacionadas para que
atinjam o mínimo. O mesmo vale para o armazenamento.
As empresas transacionais que comercializam no mundo todo Esse sistema é criticado porque agride o meio ambiente por
são os principais agentes da globalização econômica. conta de fatos como: desmatamento para implantação de mono-
É certo que ainda falamos de governo e nação, no entanto, es- culturas ou pasto, uso de agrotóxicos, erosão e empobrecimento do
tes deixaram de representar o interesse da população. Agora, os solo após sucessivos plantios.
Estados defendem, sobretudo, as empresas e bancos.
Na maior parte das vezes são as empresas americanas, euro- Sistema Extensivo
peias e grandes conglomerados asiáticos que dominam este pro- O sistema extensivo é o que menos agride o meio ambiente. É
cesso. o sistema tradicional em que são utilizadas técnicas rudimentares
que garantem a recuperação do solo e a produção em baixa escala.
Globalização e Neoliberalismo Em geral, o sistema extensivo é usado pelo modelo denomina-
A globalização econômica só foi possível com o neoliberalis- do agricultura familiar e, ainda, pela agricultura orgânica.
mo adotado nos anos 80 pela Grã-Bretanha governada por Mar- No primeiro, a produção é destinada à subsistência e somen-
garet Thatcher (1925-2013) e os Estados Unidos, de Ronald Reagan te o excedente é vendido. Há o uso de agrotóxicos, mas em baixa
(1911-2004). escala.
O neoliberalismo defende que o Estado deve ser apenas um Já o modelo de agricultura orgânica dispensa o uso de agrotóxi-
regulador e não um impulsor da economia. Igualmente aponta a cos, privilegia alimentos saudáveis e permite a exploração racional
flexibilidade das leis trabalhistas como uma das medidas que é pre- do solo.
ciso tomar a fim de fortalecer a economia de um país.
Isto gera uma economia extremamente desigual onde somente Agricultura moderna
os gigantes comerciais tem mais adaptação neste mercado. Assim, A agricultura moderna faz uso de várias tecnologias, como os
muita gente fica para trás neste processo. tratores, colhedeiras, ceifadeiras, adubo, fertilizantes, etc. Além
disso, também seleciona sementes modificadas geneticamente. No
Globalização e Exclusão entanto, ela não se limita ao uso de máquinas; há também uso de
Uma das faces mais perversas da globalização econômica é a biotecnologia.
exclusão. Isto porque a globalização é um fenômeno assimétrico e Ela se baseia no aumento da sua produção à medida em que
nem todos os países ganharam da mesma forma. incrementa tecnologia. Isso nos leva ao importante conceito de pro-
Um dos grandes problemas atuais é a exclusão digital. Aqueles dutividade agrícola, que se diferencia de produtividade industrial. O
que não têm acesso às novas tecnologias (smartphones, computa- primeiro é a relação entre a produção realizada e a área cultivada.
dores) estão condenados a ficarem cada vez mais isolados. Quando falamos de geografia agrária, podemos aumentar a produ-
tividade sem aumentar a área plantada.
Globalização Cultural Esse tipo de agricultura é capitalizada, baseada em grandes
Toda essa movimentação populacional e também financeira investimentos. Por isso, a forma mais concreta de se falar em geo-
acaba provocando mudanças culturais. Uma delas é a aproximação grafia agrária moderna é através dos famosos complexos agroindus-
entre culturas distintas, o que chamamos de hibridismo cultural. triais. Existe uma troca constante entre a indústria tecnológica e a
Agora, através da internet, se pode conhecer em tempo real agropecuária, na qual a primeira oferece tecnologia e a outra ajuda
costumes tão diferentes e culturas tão distantes sem precisar sair com capital. Por fim, ainda temos o sistema financeiro, responsável
de casa. por bancar toda essa cadeia produtiva.
No entanto, os deslocamento de pessoas pode gerar o ódio ao
estrangeiro, a xenofobia. Do mesmo modo, narcotraficantes e ter-
roristas têm o acesso à tecnologia e a utilizam para cometer seus
crimes.

17
ATUALIDADES
Agricultura tradicional Os maiores rebanhos de suínos no planeta estão na China, Es-
Ao contrário da agricultura moderna, a agricultura tradicional tados Unidos, Rússia e Brasil.
faz uso de métodos ultrapassados e de mão de obra em larga esca-
la. No entanto, há um caso particular, cujo o uso extenso de mão Tipos de criação caprina
de obra na versão moderna é necessário, que é a fruticultura. Se ti- - Extensiva - criação de cabras para a produção de carne, mais
vermos uma produção agrícola de fruticultura, nos dois casos serão comum em regiões de relevo acidentados e de climas semiáridos
empregadas muita mão de obra, uma vez que certas partes dessa ou áridos.
produção não podem ser mecanizadas, por exemplo, a colheita das - Intensiva - produção estabulada de cabritos para o aproveita-
frutas. mento da pele e da carne e de cabras fornecedoras de leite.
Outra diferença em relação à agricultura moderna, é que na A China, a Índia e a Itália são os grandes produtores.
tradicional é necessário incorporar terras para aumentar a produ-
ção. Então, tal tipo de é considerada de baixa produtividade e capaz Tipos de criação asinina
de gerar tantos impactos ambientais quanto a moderna. A agricul- - Extensiva - jumentos e jegues destinados para corte ou para o
tura tradicional é típica dos países em desenvolvimento, o que não uso na tração animal (carroças puxadas por jumentos são um exem-
significa que não seja praticada na geografia agrária dos países de- plo de tração animal).
senvolvidos. O mesmo ocorre com a moderna; embora seja pratica- - Intensiva - para selecionar reprodutores.
da mais amplamente nos países desenvolvidos, também é praticada
em menor escala em alguns países em desenvolvimento. Tipos de criação equina
- Extensiva - criação de éguas e cavalos para tração, montaria
Pecuária ou corte.
Na pecuária, o rendimento também é avaliado para definir o - Intensiva - estabulada e com o propósito de selecionar e pre-
sistema aplicado. Da mesma maneira que ocorre com a agricultura, parar éguas e cavalos para atividades esportivas (“corrida de cava-
o modo de produção intensivo é direcionado para resultados ele- lo” e “partidas de polo”).
vados.
A produção de gado pode ser a pasto ou em sistema de confi- Muares
namento e a densidade de cabeças deve ser a maior possível. Burros e bestas ou mulas originadas pelo cruzamento entre
Para melhor desempenho da produção pecuária são avaliados equinos e asininos.
os investimentos em: qualidade do solo, rendimento do pasto, con-
formação de carcaça (quando o gado de corte oferece maior quan- Avicultura
tidade de carne), oferta de leite e genética de qualidade. É a criação de aves para o corte e para a produção de ovos.
Nas áreas rurais de quase todos os países do globo são criados gali-
Tipos de pecuária nhas e frangos, gansos, marrecos, codornas, perus e patos. O mais
Denomina-se de pecuária a criação e reprodução de animais importante rebanho de aves, quantitativamente e quanto ao valor
com finalidades econômicas. Os animais assim criados e reproduzi- econômico, consiste nos galináceos (frangos e galinhas).
dos são conhecidos como gado.
Diversos são os tipos de gado: os bovinos, os ovinos, os suínos, Tipos de criação galinácea
os caprinos, os asininos, os equinos e os muares. - Extensiva - destinada ao corte sendo a carne consumida pelo
próprio produtor ou enviada para frigoríficos com a objetivo de
Tipos de criação bovina aproveitamento econômico.
- Extensiva - gado solto nas pastagens onde são criados novi- - Intensiva - criação feita em granjas e fundamentalmente vol-
lhos e engordados o “gado de corte”, bois que servem para a produ- tada para a produção de ovos.
ção de carnes para mercado. Outras atividades
- Intensiva - gado criado em estábulos, normalmente vacas Piscicultura - criação e reprodução de peixes e crustáceos em
para a produção de leite. Na criação intensiva, a utilização de rações cativeiro (no Chile, destaca-se a criação de salmão; no Brasil está
adequadas e os cuidados veterinários possibilitam a inseminação bastante difundida a criação de trutas).
artificial e a seleção de touros e de raças. Sericicultura - criação de casulos de bichos-da-seda, ampla-
Os maiores rebanhos bovinos do mundo estão localizados na mente praticada na Ásia (China, Japão, República da Coreia ou Co-
Índia, nos Estados Unidos, na Rússia, no Brasil, na Austrália e na reia do Sul e na República Democrática da Coreia ou Coreia do Nor-
Argentina. te, os maiores produtores mundiais de seda).
Um tipo de gado bovino muito produzido hoje é o búfalo, prin-
cipalmente na Índia, na China, no Paquistão e nos Estados Unidos. Estrutura agrária
A expressão estrutura agrária é usada em sentido amplo, signi-
Tipos de criação ovina ficando a forma de acesso à propriedade da terra e à exploração da
- Intensiva - criação de ovelhas para a produção de lã, principal- mesma, indicando as relações entre os proprietários e os não pro-
mente na Austrália, na Nova Zelândia e na Rússia. prietários, a forma como as culturas se distribuem pela superfície
- Extensiva - ovelhas de corte para a produção de carne. da Terra (morfologia agrária) e como a população se distribui e se
relaciona aos meios de transportes e comunicações (habitat rural).
Tipos de criação suína A estrutura agrária são as características do espaço que são:
- Extensiva - criação de porcos para a produção de banha e de Estrutura fundiária- concentração de terras(muitas terras pouco uti-
carnes para consumo do próprio produtor. Nesse tipo de criação, lizada) Produção agrícola- exportação no caso do Brasil Relações de
pouco são os cuidados técnicos e com a higiene. trabalho- mão de obra , máquinas fazendo o trabalho que um dia
- Intensiva - porcos estabulados com cuidados científicos e mui- foi feito pelo homem
ta higiene; destinados a produção de couro e carnes para indústrias
e frigoríficos.

18
ATUALIDADES
A Fome no mundo – Produção, distribuição e consumo de ali- Globalização e sua influencia na economia
mentos Acima já falamos um pouco sobre o conceito da globalização,
Em várias partes do mundo persistem os problemas de saúde então aqui, falaremos sobre o papel da globalização na economia.
ligados à falta de alimentos. Segundo a Organização Mundial de Ao longo do século XX, a globalização do capital foi conduzindo
Saúde (OMS) a subnutrição ainda é causa indireta de cerca de 30% à globalização da informação e dos padrões culturais e de consumo.
das mortes de crianças no mundo. Afetando o desenvolvimento fí- Isso deveu-se não apenas ao progresso tecnológico, intrínseco à Re-
sico e mental de milhões de crianças, a subalimentação também volução Industrial, mas - e sobretudo - ao imperativo dos negócios.
compromete seu desenvolvimento intelectual e profissional, dimi- A tremenda crise de 1929 teve tamanha amplitude justamente por
nuindo o número de cidadãos preparados para contribuir com o ser resultado de um mundo globalizado, ou seja, ocidentalizado,
desenvolvimento de seus países. face à expansão do Capitalismo. E o papel da informação mundia-
Este é o ciclo vicioso a que são condenadas regiões pobres em lizada foi decisivo na mundialização do pânico. Ao entrarmos nos
todo o mundo: falta de acesso a alimentos gera subnutrição. Esta anos 80/90, o Capitalismo, definitivamente hegemônico com a ru-
prejudica o desenvolvimento intelectual e profissional de parte ína do chamado Socialismo Real, ingressou na etapa de sua total
da população. Na falta de cidadãos preparados, o crescimento da euforia triunfalista, sob o rótulo de Neo-Liberalismo. Tais são os
economia fica comprometido e desta forma não geram-se menos nossos tempos de palavras perfumadas: reengenharia, privatização,
recursos para produzir ou comprar alimentos para toda a população economia de mercado, modernidade e - metáfora do imperialismo
– principalmente aquela mais necessitada. Por isso, é preciso que os - globalização.
países detentores de tecnologia agrícola desenvolvida atuem nes- A classe trabalhadora, debilitada por causa do desemprego,
tes países na transferência de conhecimentos. resultante do maciço investimento tecnológico, ou está jogada no
A fome ainda presente no século XXI não é por falta de alimen- desamparo , ou foi absorvida pelo setor de serviços, uma econo-
tos. A produção mundial de comida é suficiente para abastecer os mia fluida e que não permite a formação de uma consciência de
atuais 7,3 bilhões de habitantes da Terra. Se parte da população classe. O desemprego e o sucateamento das conquistas sociais de
dos países menos desenvolvidos não tem acesso a quantidades su- outros tempos, duramente obtidas, geram a insegurança coletiva
ficientes de comida, isto se deve a fatores como insuficiente pro- com todas as suas mazelas, em particular, o sentimento de impo-
dução local; falta de recursos do país para adquirir alimentos no tência, a violência, a tribalização e as alienações de fundo místico
mercado internacional; e elevação dos preços internacionais devido ou similares. No momento presente, inexistem abordagens racio-
a ações especulativas, entre outros. nais e projetos alternativos para as misérias sociais, o que alimenta
A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricul- irracionalismos à solta.
tura (FAO) alerta que a população mundial deverá atingir 9 bilhões A informação mundializada de nossos dias não é exatamente
em 2050, o que incrementará a procura por alimentos. Segundo os troca: é a sutil imposição da hegemonia ideológica das elites. Cria
especialistas, para fazer frente a esta demanda, o mundo deverá a aparência de semelhança num mundo heterogêneo - em qual-
atacar este problema em três frentes principais. Primeiro, aumentar quer lugar, vemos o mesmo McDonald`s, o mesmo Ford Motors, a
a produção de produtos agrícolas, sem comprometer os recursos mesma Mitsubishi, a mesma Shell, a mesma Siemens. A mesma in-
naturais, não avançando sobre áreas de vegetação natural. Isto sig- formação para fabricar os mesmos informados. Massificação da in-
nifica que o Brasil, por exemplo, precisará investir muito mais em formação na era do consumo seletivo. Via informação, as elites (por
pesquisa e tecnologia – o que em parte já vem fazendo – para obter que não dizer: classes dominantes?) controlam os negócios, fixam
uma melhor produtividade das áreas agrícolas já existentes. regras civilizadas para suas competições e concorrências e vendem
O segundo aspecto a ser considerado é a melhoria dos sistemas a imagem de um mundo antisséptico, eficiente e envernizado.
de armazenagem e distribuição das colheitas. Dados apontam que A alta tecnologia, que deveria servir à felicidade coletiva, está
cerca de 30% dos produtos agrícolas mundiais são perdidos entre o servindo a exclusão da maioria. Assim, não adianta muito exaltar as
campo e o ponto de venda do produto. Será necessário, na maioria conquistas tecnológicas crescentes - importa questionar a que - e a
dos países produtores, construir mais silos e armazéns, ampliar a quem - elas servem. A informação global é a manipulação da infor-
rede rodoviária, ferroviária e ampliar e modernizar as instalações mação para servir aos que controlam a economia global. E controle
portuárias. é dominação. Paralelamente à exclusão social, temos o individualis-
A última providência sugerida pelos estudiosos é reduzir a mo narcisístico, a ideologia da humanidade descartável, o que favo-
perda de alimentos nos pontos de venda e entre os consumidores. rece a cultura do efêmero, do transitório - da moda.
Segundo um relatório elaborado pela FAO, depois de comprados, De resto, se o trabalho foi tornado desimportante no imagi-
aproximadamente 50% dos alimentos são jogados fora, tanto na Eu- nário social, ofuscado pelo brilho da tecnologia e das propagandas
ropa quanto nos Estados Unidos. No Brasil aproxima 70.000 tonela- que escondem o trabalho social detrás de um produto lustroso,
das (aproximadamente 2.800 carretas) de alimentos acabam no lixo pronto para ser consumido, nada mais lógico que desvalorizar o
a cada ano no Brasil. Compra de produtos em excesso, mal acon- trabalhador - e, por extensão, a própria condição humana. Ou será
dicionamento são fatores que fazem com que milhões de famílias possível desligar trabalho e humanidade? É a serviço do interesse
descartem quantidade imensas de alimentos, sem reaproveitá-las. de minorias que está a globalização da informação.
No futuro serão necessárias campanhas em todos os países – prin- Ela difunde modas e beneficia o consumo rápido do descartá-
cipalmente os ricos – incentivando e ensinando o reaproveitamento vel - e o modismo frenético e desenfreado é imperativo às grandes
de alimentos. Se os alimentos forem melhor manuseados e aprovei- empresas, nesta época pós- keynesiana, em que, ao consumo de
tados, haverá comida para todos. massas, sucedeu a ênfase no consumo seletivo de bens descartá-
veis. Cumpre à informação globalizada vender a legitimidade de
tudo isso, impondo padrões uniformes de cultura, valores e com-
portamentos - até no ser “diferente” (diferente na aparência para
continuar igual no fundo). Por suposto, os padrões de consumo e
alienação, devidamente estandartizados, servem ao tédio do urba-
nóide pós-moderno.

19
ATUALIDADES
Nunca fomos tão informados. Mas nunca a informação foi tão Essas estratégias são na verdade cada vez mais excludentes. O
direcionada e controlada. A multiplicidade estonteante de informa- raio de ação das transnacionais se concentra na órbita dos países
ções oculta a realidade de sua monotonia essencial - a democrati- desenvolvidos e alguns poucos países periféricos que alcançaram
zação da informação é aparente, tal como a variedade. No fundo, certo estágio de desenvolvimento. No entanto, o caráter setorial e
tudo igual. Estamos - e tal é a pergunta principal - melhor informa- diferenciado dessa inserção tem implicado, por um lado, na consti-
dos? Controlada pelas elites que conhecemos, a informação globa- tuição de ilhas de excelência conectadas às empresas transnacio-
lizada é instrumento de domesticação social. nais e, por outro lado, na desindustrialização e o sucateamento de
grande parte do parque industrial constituído no período anterior
Principais tendências da globalização por meio da substituição de importações.
A crescente hegemonia do capital financeiro As estratégias globais das transnacionais estão sustentadas no
O crescimento do sistema financeiro internacional constitui aumento de produtividade possibilitado pelas novas tecnologias e
uma das principais características da globalização. Um volume cres- métodos de gestão da produção. Tais estratégias envolvem igual-
cente de capital acumulado é destinado à especulação propiciada mente investimentos externos diretos realizados pelas transnacio-
pela desregulamentação dos mercados financeiros. nais e pelos governos dos seus países de origem. A partir de 1985
Nos últimos quinze anos o crescimento da esfera financeira foi esses investimentos praticamente triplicaram e vêm crescendo em
superior aos índices de crescimento dos investimentos, do PIB e do ritmos mais acelerados do que o comércio e a economia mundial.
comércio exterior dos países desenvolvidos. Isto significa que, num Por meio desses investimentos as transnacionais operam pro-
contexto de desemprego crescente, miséria e exclusão social, um cessos de aquisição, fusão e terceirização segundo suas estratégias
volume cada vez maior do capital produtivo é destinado à especu- de controle do mercado e da produção. A maior parte desses fluxos
lação. de investimentos permanece concentrada nos países avançados,
O setor financeiro passou a gozar de grande autonomia em re- embora venha crescendo a participação dos países em desenvolvi-
lação aos bancos centrais e instituições oficiais, ampliando o seu mento nos últimos cinco anos. A China e outros países asiáticos, são
controle sobre o setor produtivo. Fundos de pensão e de seguros os principais receptores dos investimentos direitos.
passaram a operar nesses mercados sem a intermediação das insti- O Brasil ocupa o segundo lugar dessa lista, onde destacam-se
tuições financeiras oficiais. os investimentos para aquisição de empresas privadas brasileiras
O avanço das telecomunicações e da informática aumentou a (COFAP, Metal Leve etc.) e nos programas de privatização, em parti-
capacidade dos investidores realizarem transações em nível global. cular nos setores de infraestrutura.
Cerca de 1,5 trilhões de dólares percorre as principais praças finan-
ceiras do planeta nas 24 horas do dia. Isso corresponde ao volume Liberalização e Regionalização do Comércio
do comércio internacional em um ano. O perfil altamente concentrado do comércio internacional tam-
Da noite para o dia esses capitais voláteis podem fugir de um bém é indicativo do caráter excludente da globalização econômica.
país para outro, produzindo imensos desequilíbrios financeiros e Cerca de 1/3 do comércio mundial é realizado entre as matrizes e
instabilidade política. A crise mexicana de 94/95 revelou as conse- filiais das empresas transnacionais e 1/3 entre as próprias trans-
qüências da desregulamentação financeira para os chamados mer- nacionais. Os acordos concluídos na Rodada Uruguai do GATT e a
cados emergentes. Foram necessários empréstimos da ordem de criação da OMC mostraram que a liberação do comércio não resul-
38 bilhões de dólares para que os EUA e o FMI evitassem a falência tou no seu equilíbrio, estando cada vez mais concentrado entre os
do Estado mexicano e o início de uma crise em cadeia do sistema países desenvolvidos.
financeiro internacional. A dinâmica do comércio no Mercosul traduz essa tendência. Na
Ao sair em socorro dos especuladores, o governo dos Estados realidade a integração do comércio nessa região, a exemplo do que
Unidos demonstrou quem são os seus verdadeiros parceiros no ocorre com o Nafta e do que se planeja para a Alca em escala conti-
Nafta. Sob a forma da recessão, do desemprego e do arrocho dos nental, tem favorecido, sobretudo a atuação das empresas transna-
salários, os trabalhadores mexicanos prosseguem pagando a conta cionais, que constituem o carro chefe da regionalização.
dessa aventura. Nos períodos “normais” a transferência de riquezas O aumento do comércio entre os países do Mercosul nos últi-
para o setor financeiro se dá por meio do serviço da dívida públi- mos cinco anos foi da ordem de mais de 10 bilhões de dólares. Isto
ca, através da qual uma parte substancial dos orçamentos públicos se deve em grande parte às facilidades que os produtos e as empre-
são destinados para o pagamento das dívidas contraídas junto aos sas transnacionais passaram a gozar com a eliminação das barreiras
especuladores. O governo FHC destinou para o pagamento de juros tarifárias no regime de união aduaneira incompleta que caracteriza
da dívida pública um pouco mais de 20 bilhões de dólares em 96. o atual estágio do Mercosul.
No mesmo período, o Mercosul acumulou um déficit de mais
Novo Papel das Empresas Transnacionais de 5 bilhões de dólares no seu comércio exterior. Este resultado re-
As empresas transnacionais constituem o carro chefe da glo- flete as consequências negativas das políticas nacionais de estabili-
balização. Essas empresas possuem atualmente um grau de liber- zação monetária ancoradas na valorização do câmbio e na abertura
dade inédito, que se manifesta na mobilidade do capital industrial, indiscriminada do comércio externo praticadas pelos governos FHC
nos deslocamentos, na terceirização e nas operações de aquisições e Menem.
e fusões. A globalização remove as barreiras à livre circulação do O empenho das centrais sindicais para garantir os direitos
capital, que hoje se encontra em condições de definir estratégias sociais no interior desses mercados tem encontrado enormes re-
globais para a sua acumulação. sistências. As propostas do sindicalismo de adoção de uma Carta
Social do Mercosul, de democratização dos fóruns de decisão, de
fundos de reconversão produtiva e de qualificação profissional têm
sido rechaçadas pelos governos e empresas transnacionais.

20
ATUALIDADES
A liberalização do comércio e a abertura dos mercados nacio- Com o crescimento expressivo da atuação do capital em nível
nais têm produzido o acirramento da concorrência. A super explo- mundial, chegou-se a questionar o papel do Estado, isto é, o Esta-
ração do trabalho é cada vez mais um instrumento dessa disputa. O do seria de fato um agente importante neste processo ou atuaria
trabalho infantil e o trabalho escravo são utilizados como vantagens como um impeditivo para a livre circulação do capital, uma vez que
comparativas na guerra comercial. poderia criar regras ou leis que inviabilizariam a livre circulação do
Essa prática, conhecida como dumping (rebaixamento) social, capital? Segundo este raciocínio, as transnacionais estariam coman-
consiste precisamente na violação de direitos fundamentais, utili- dando a dinâmica econômica mundial em detrimento dos Estados.
zando a superexploração dos trabalhadores como vantagem com- Vale destacar que muitas empresas transnacionais passaram a de-
parativa na luta pela conquista de melhores posições no mercado sempenhar papéis que antes eram oferecidos pelo Estado, como
mundial. Nesse contexto, as conquistas sindicais são apresentadas serviços ligados à infraestrutura básica (exemplo: transporte e sa-
pelas empresas como um custo adicional que precisa ser eliminado neamento básico).
(“custo Brasil”, “custo Alemanha” etc.). No entanto, as sucessivas crises geradas pelo capitalismo mos-
traram que o papel do Estado não se apagou, como pensavam al-
Blocos econômicos e comércio mundial. guns, pelo contrário, em momentos de crise financeira, o Estado é
As transformações econômicas mundiais ocorridas nas últimas chamado a ajudar as empresas em dificuldade econômica. Portan-
décadas, sobretudo no pós segunda guerra mundial, são funda- to, o papel do Estado no contexto de globalização reestruturou-se,
mentais para entendermos as dinâmicas de poder estabelecidas passando este a atuar como um salvador dos excessos e econômi-
pelo grande capital e, também, pelas grandes corporações trans- cos promovidos pelas empresas nacionais ou internacionais, con-
nacionais. Além delas, não podemos deixar de mencionar a impor- trolando taxas de juros, câmbios, manutenção de subsídios em se-
tância crescente das instituições supranacionais, que atuam como tores estratégicos, bem como fiscalizando, direta e indiretamente,
verdadeiros agentes neste jogo de interesses, como por exemplo, o os recursos energéticos.
Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial, entre ou-
tros. A Formação dos Blocos Econômicos
O surgimento dos blocos econômicos coincide com a mudança
exercida pelo Estado. Em um primeiro momento, a ideia dos blocos
econômicos era de diminuir a influência do Estado na economia e
comércio mundiais. Mas, a formação destas organizações suprana-
cionais fez com que o estado passasse a garantir a paz e o cresci-
mento em períodos de grave crise econômica. Assim, a iniciativa
de maior sucesso até hoje foi a experiência vivida pelos europeus.
A União Europeia iniciou-se como uma simples entidade eco-
nômica setorial, a chamada CECA (Comunidade Europeia do Carvão
e do Aço, surgida em 1951) e depois, expandiu-se por toda a econo-
mia como “Comunidade Econômica Europeia” até atingir a confor-
mação atual, que extrapola as questões econômicas perpassando
por aspectos políticos e culturais.
Além da União Europeia, podemos citar o NAFTA (North Ameri-
can Free Trade Agreement, surgido em 1993); o Mercosul (Mercado
Nova York, uma das cidades mais globalizadas do mundo Comum do Sul, surgido em 1991); o Pacto Andino; a SADC (Comu-
(Foto: Wikimedia Commons) nidade de Desenvolvimento da África Austral, surgida em 1992),
entre outros. A busca pela ampliação destes blocos econômicos
O cenário que se afigura com a chegada destes novos agentes mostra que o jogo de poder exercido pelas nações tenta garantir as
econômicos é imprescindível para compreendermos o significado áreas de influência das mesmas, controlando mercados e estabele-
da chamada globalização econômica. Esta tem como características: cendo parcerias com nações que despertem o interesse dos blocos
-A ruptura de fronteiras, ou seja, tal ruptura é atribuída à dinâ- econômicos.
mica do capital, que circula livremente pelo globo, sem respeitar a Além disso, o jogo de poder também está presente interna-
delimitação de fronteiras territoriais; mente aos blocos, ou seja, existem países líderes dentro do bloco,
-Perda da soberania local, ou seja, países, estados e cidades que acabam submetendo os outros países do acordo aos seus inte-
tem que se submeter à lógica do capital para conseguir gerar lucro resses. Assim, nem sempre a constituição de um bloco econômico é
em seus orçamentos; benéfica a todos os membros; por exemplo, a constituição do NAF-
-Expansão da dinâmica do capital, fato que se relaciona à rup- TA (México, Canadá e EUA) fez com que a frágil economia mexicana
tura de fronteiras, ou seja, o capital se dirige agora também à pe- aumentasse ainda mais sua dependência em relação aos EUA, o Ca-
riferia do capitalismo, uma vez que as transnacionais compreende- nadá, por sua vez, passou a ser considerado uma extensão dos EUA,
ram que a exploração (no sentido de explorar a força de trabalho dada sua subordinação à economia de seu vizinho.
diretamente) dos países subdesenvolvidos promoveria grandes
lucros para estes.

21
ATUALIDADES
Divisão internacional de Trabalho Mas dentro do território está inserida uma cultura que é desen-
Recebe o nome de Divisão internacional de Trabalho (DIT), a volvida pelo povo, o significado é o conjunto de pessoas que vivem
prática de repartir as atividades e serviços entre os inúmeros países em uma nação, essa é constituída pela sociedade politicamente or-
do mundo. Trata-se de uma divisão produtiva em âmbito interna- ganizada com governos e leis próprias, para elaboração e realização
cional, onde os países emergentes ou em desenvolvimento, expor- do cumprimento de tais leis caracteriza o papel do estado, o estado,
tadores de matéria-prima, com mão-de-obra barata e de industria- nesse sentido, tem sua essência no valor político, pois significa que
lização quase sempre tardia, oferecem aos países industrializados, a nação é soberana, ou seja, exerce poder sobre seu território, e
economicamente mais fortes, um leque de benefícios e incentivos também é independente e reconhecida internacionalmente pelos
para a instalação de indústrias, tais como a isenção parcial ou total outros países.
de impostos, mão-de-obra abundante, leis ambientais frágeis, entre Estado tem outro significado que difere do citado anterior-
outras facilidades. mente, se define como divisão interna do país, ou seja, os estados
Um dos principais conceitos da DIT é que nenhum país conse- que compõe a federação (ex. Goiás, Rio de Janeiro), no entanto al-
gue ser competitivo em todos os setores, e de fato, acabam por se guns países usam outras expressões como cantões, repúblicas, pro-
direcionar suas economias. No fundo, o objetivo é o mesmo da divi- víncias etc., para designar as divisões internas dos países.
são de tarefas numa fábrica, o de gerar um elevado grau de especia- Alguns povos possuem cultura independente, porém não tem
lização para que a produção seja mais eficiente, exatamente como território, são os chamados minorias nacionais, que vivem subordi-
Adam Smith em sua Riqueza das Nações já afirmava no século XVIII. nados aos regimes políticos divergentes às suas culturas, são tam-
O processo de DIT se expandiu na mesma proporção do capi- bém denominadas de sentimento nacionalista que corresponde a
talismo no mundo moderno, expressando as diferentes fases da aspiração de um povo em conquistar a sua independência política e
evolução histórica do capitalismo, desde a ligação entre metrópo- territorial, do estado ao qual está subordinado.
les e colônias, chegando às relações em que países desenvolvidos Por causa disso, vários movimentos surgiram, sendo marcados
se agregam aos subdesenvolvidos. A é geralmente dividida em três muitas vezes por lutas armadas ou pacíficas, mas na maioria das
fases, obedecendo à dinâmica econômica e política do período his- vezes o primeiro perfil predomina, os principais povos sem terri-
tórico em que elas existiram. tório que buscam sua independência territorial e político-cultural
A primeira DIT corresponde ao final do século XV e ao longo do são o povo Basco, na Espanha, os Curdos, no Oriente Médio, Ira, na
século XVI, no qual o capitalismo estava em fase inicial, chamada Irlanda, entre outros.
de capitalismo comercial. Era caracterizado pela produção manual No mundo existem várias áreas de focos de tensão provocadas
a partir da extração de matérias-primas e acúmulo de minérios e por questões de fronteiras, que são as disputas territoriais por zona
metais preciosos por parte das nações (metalismo). de fronteira, nessas podemos citar o exemplo da China, Paquistão
A segunda DIT ocorre no século XVI, mas principalmente a par- e Índia, Armênia, a Irlanda do Sul e do Norte e a Faixa de Gaza. As
tir do século XVII, com a Primeira e a Segunda Revolução Indus- disputas por territórios fazem crescer a produção bélica no mundo
trial. As colônias e os países subdesenvolvidos passaram a fornecer e aumenta os focos de possíveis confrontos armados.
também produtos agrícolas, assim como vários tipos de minerais e As lutas das minorias nacionais e as disputas por zona de fron-
especiarias. teira têm alterado a configuração das fronteiras em várias partes do
Finalmente, a terceira DIT ou “Nova DIT” surge no século XX, mundo, atualmente os cartógrafos têm encontrado muito trabalho
com a revolução técnico-científica-informacional e a consolidação para elaboração de mapas políticos, pois as questões geopolíticas
do capitalismo financeiro, que permite a expansão das grandes deixam as delimitações em constante processo de mutação, no sé-
multinacionais pelo mundo. Nesse período, os países subdesenvol- culo XX, a Europa foi a região do mundo que mais sofreu a modifi-
vidos iniciam seus processos tardios de industrialização, entre eles o cações.
Brasil. Tal acontecimento foi possível graças à abertura do mercado Indústrias consideradas poluidoras também procuram cada vez
financeiro desses países e pela instalação de empresas multinacio- mais os países subdesenvolvidos, onde seu consumo de grandes
nais ou globais, oriundas, quase sempre, de países desenvolvidos. quantidades de matéria-prima e de energia é ignorado além da far-
Uma das críticas à DIT é que seu processo se dá de maneira ta e barata mão-de-obra a disposição.
desigual, onde os países industrializados costumam levar vanta-
gem no comércio global. Além disso, as empresas transnacionais Estados Territoriais e Estados Nacionais
buscam seus próprios interesses, sem considerar as consequências
sociais, econômicas e ambientais nos países onde suas filiais estão
instaladas.

Nação e Território
Território significa os limites que delimitam ou separam um ter-
ritório do outro formando várias fronteiras em todo mundo, essas
delimitam o mundo em mais de 190 países, os territórios são con-
cebidos através de acordos ou conflitos, esses são estabelecidos de
acordo com os interesses socioeconômicos e culturais.
A partir das divisões dos países formam-se variadas culturas,
entende-se por cultura o conjunto de conhecimentos humanos ad-
quiridos a partir das relações sociais ao longo do tempo e que são
passadas para as gerações subsequentes, é o aspecto que mais ca-
racteriza os grupos humanos.
Alguns elementos são determinantes na composição de qual-
quer cultura, seja ela arcaica ou moderna, os elementos que mais
demonstram a identidade cultural são, principalmente, a língua e
a religião.

22
ATUALIDADES
As fronteiras definem a extensão geográfica da soberania do Pouco depois, o novo Estado encontrou a sua moldura jurídica.
estado. No interior do espaço que delimitam, no território nacio- A Constituição francesa de 1791 adotou a doutrina dos Três Pode-
nal, o poder do estado é soberano. É ele que estabelece as divisões res de Montesquieu, estabelecendo a separação entre os poderes
internas, realiza os censos, organiza as informações sobre a popu- básicos do Estado: Executivo, Legislativo e Judiciário. Em 1792, a
lação e as atividades econômicas e formulas estratégicas de desen- Revolução derrubou a monarquia e proclamou a República. Uma
volvimento ou de proteção desse território. convenção nacional, eleita pelo sufrágio universal, reunia os repre-
A noção política de fronteira foi elaborada pelo Império Roma- sentantes do povo. Definia-se, assim, o formato do Estado nacional
no. O limes – uma linha demarcatória dos limites do império – sepa- contemporâneo.
rava os romanos dos “bárbaros”. As célebres legiões romanas pro-
tegiam o império guarnecendo os limes. Estar no interior do espaço
demarcado pelo limes era fazer parte da civilização romana. Estar
no exterior desse espaço equivalia a ser bárbaro, termo depreciati-
vo que englobava em um único conjunto uma infinidade de povos.
A noção contemporânea de fronteira política internacional se-
parando Estados soberanos, porém, surgiu no final da Idade Média,
com os Estados territoriais.
O Estado territorial originou-se na Europa do Renascimento,
quando o poder político foi unificado pelas monarquias e ganhou
uma base geográfica definida, passível de ser delimitada por fron-
teiras lineares. Nessa época, foram criados exércitos regulares sob
as ordens do rei e corpos estáveis de funcionários burocráticos,
que, entre outras coisas, organizavam a coleta dos impostos. Algu-
mas cidades tornaram-se capitais permanentes, residência fixa de
monarcas e sede de aparelho administrativo. Organização do Estado Nacional
O Estado territorial correspondeu à monarquia absolutista. O Estado se manifesta por seus órgãos que são:
Nele. o território era patrimônio do monarca, fonte de toda sobe-
rania. Os súditos, ou seja, todos aqueles que viviam nos territórios a) Supremos (constitucionais) – a estes incumbe o exercício do
unificados pela soberania do monarca, deviam-lhe obediência e le- poder político. Formam o governo ou os órgãos governamentais.
aldade. São estudados pelo Direito Constitucional.
b) Dependentes (administrativos) – formam a Administração
Pública. São estudados pelo Direito Administrativo.

Administração Pública
“É o conjunto de meios institucionais, materiais, financeiros e
humanos preordenados à execução das decisões políticas”.

Conclui-se assim que:

- ela é subordinada ao poder político


- é meio (e não fim)
- é conjunto de órgãos a serviço do poder político e das ativida-
des administrativas.

Organização Administrativa
É imputada a diversas entidades governamentais autônomas,
daí porque temos:
A Revolução francesa de 1789 assinalou um momento-chave
da transformação do estado territorial absolutista em Estado nacio- - A Adm. Pública Federal (da União)
nal. A revolta da burguesia contra o poder absoluto do monarca e - A Adm. Pública Estadual (de cada Estado)
contra os privilégios da nobreza explodiu em 20 de junho de 1789, - A Adm. Pública municipal ou local (do DF e de cada Municí-
quando seus representantes exigiram que o rei convocasse uma As- pio).
sembleia Constituinte. Depois da Queda da Bastilha, a Assembleia
Constituinte revogou os privilégios da nobreza e do clero, tais como Cada uma delas pode descentralizar-se formando:
servidão, dízimos, monopólios, isenções de impostos e tribunais a) Administração Direta (centralizada) conjunto de órgãos su-
especiais. No dia 26 de agosto daquele ano, era divulgada a Decla- bordinados diretamente ao respectivo poder executivo;
ração dos Direitos do Homem. Esse documento não só previa prin- b) Administração Indireta (descentralizada) - com órgãos inte-
cípios e garantias fundamentais, como a liberdade, a segurança e a grados nas muitas entidades personalizadas de prestação de servi-
propriedade, como estabelecia o direito à rebelião contra a tirania. ços ou exploração de atividades econômicas.
A soberania era retirada das mãos do rei e transferida para o povo,
ou seja, para os cidadãos.

23
ATUALIDADES
Formam a Adm. indireta: Governo e Administração
O próprio Hely Lopes Meirelles tinha dificuldades em distinguir
- autarquias governo e de administração. Todavia, demonstrava que o governo
- empresas públicas (e suas subsidiárias) significava a totalidade de órgãos representativos da soberania e a
- sociedades de economia mista (e suas subsidiárias) administração pública, subordinada diretamente ao poder execu-
- fundações públicas (fundações instituídas ou mantidas pelo tivo, alcançava o complexo de funções que esse órgão exercitava
poder público) no desempenho de atividades, que interessam ao Estado e ao seu
povo”.
As autarquias são alongamentos do Estado. Possuem persona-
lidade de direito público e só realizam serviços típicos, próprios do Organização do Estado e da Administração
Estado. A lei 7032/82 autoriza o Poder Executivo a transformar au- A organização do Estado é matéria constitucional. São tratados
tarquia em empresa pública. sob este tema a divisão política do território nacional, a estrutura-
As empresas públicas e sociedades de economia mista são pes- ção dos Poderes, a forma de Governo, a investidura dos governan-
soas jurídicas de direito privado, criadas por lei (vide art. 37, XIX tes e os direitos e as garantias dos governados. Realizada a orga-
e XX, CF). O que as diferencia é a formação e a administração do nização política do Estado soberano, nasce por meio de legislação
capital. Na empresa pública este capital é 100% público. Na socie- complementar e ordinária, a organização administrativa das entida-
dade de economia mista há participação do Poder Público e de par-
des estatais, das autarquias e empresas estatais que realizarão de
ticulares na formação do capital e na sua administração. O controle
forma desconcentrada e descentralizada os serviços públicos e as
acionário é sempre público (a maioria das ações com direito a voto
demais atividades de interesse coletivo.
deve pertencer ao poder público). Tanto uma como outra explora
O Estado Federal brasileiro compreende a União, os Estados-
atividades econômicas ou presta serviços de interesse coletivo, ou-
torgado ou delegado pelo Estado (vide art. 173, § 1o, CF). Elas estão -membros, o Distrito Federal e os Municípios. Estas são, assim, as
sujeitas a regime jurídico próprio das empresas privadas (inclusive entidades estatais brasileiras que possuem autonomia para fazer as
quanto às obrigações trabalhistas e tributárias) e não podem gozar suas próprias leis (autonomia política), para ter e escolher gover-
de privilégios fiscais não extensivos ao setor privado (vide art. 173, no próprio (autonomia administrativa) e auferir e administrar a sua
§ 2o, CF). renda própria (autonomia financeira). As demais pessoas jurídicas
As fundações públicas, pessoas jurídicas de direito privado, são instituídas ou autorizadas a se constituírem por lei ou se constituem
universalidades de bens, personalizada, em atenção a fins não lu- de autarquias, ou de fundações, empresas públicas, ou entidades
crativos e de interesse da coletividade (educação, cultura, pesquisa paraestatais. Ou seja, estas últimas são as componentes da Admi-
científica etc.). Ex.: Funai, Fundação Getúlio Vargas, Fundação de nistração centralizada e descentralizada.
Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, Febem etc. A instituição A organização da Administração ocorre em um momento pos-
de fundações públicas também depende de lei (vide art. 37, XIX, terior à do Estado. No Brasil, após a definição dos três Poderes que
CF). integram o Governo, é realizada a organização da Administração, ou
O estudo da Administração Pública tem como ponto de partida seja, são estruturados legalmente as entidades e os órgãos que re-
o conceito de Estado. A partir daí é que se vislumbram as considera- alizarão as funções, por meio de pessoas físicas chamadas de agen-
ções a respeito das competências de prestação de serviços públicos tes públicos. Tal organização se dá comumente por lei. Ela somente
aos seus cidadãos. se dará por meio de decreto ou de normas inferiores quando não
implicar na criação de cargos ou aumento da despesa pública.
Estado de Direito O direito administrativo estabelece as regras jurídicas que orga-
Predominantemente vive-se hoje em Estados de Direito, ou nizam e fazem funcionar os órgãos do complexo estatal.
seja, em Estados juridicamente organizados que obedecem às suas Medauar indica que a Administração Pública é o objeto precí-
próprias leis. puo do direito administrativo e se encontra inserida no Poder Exe-
cutivo. Dois são os ângulos em que a mesma pode ser considerada,
Administração Pública funcional ou organizacional.
É necessário que se compreenda o significado de administra- No sentido funcional, Administração Pública representa uma
ção pública para o bom entendimento a respeito do que se preten-
série de atividades que trabalham como auxiliares das instituições
de estudar neste momento.
políticas mais importantes no exercício de funções de governo. Aqui
De Plácido e Silva define Administração Pública, lato sensu,
são organizadas as prestações de serviços públicos, bens e utilida-
como uma das manifestações do poder público na gestão ou exe-
des para a população. Em face da dificuldade de se caracterizar ob-
cução de atos ou de negócios políticos. A Administração Pública se
confundiria, assim, com a própria função política do poder público, jetivamente a Administração Pública, autores distintos fazem sua
expressando um sentido de governo que se entrelaçaria com o da identificação de modo residual, ou seja, as atividades administra-
administração e lembrando-se que a política pode ser compreen- tivas seriam aquelas que não são nem legislativas, nem judiciárias.
dida como a ciência de bem governar um povo constituído sob a Já sob o aspecto organizacional, por Administração Pública po-
forma de um Estado. de-se entender o conjunto de órgãos e entes estatais responsáveis
Administração pública seria, então, simples direção ou gestão pelo atendimento das necessidades de interesse público. Aqui a Ad-
de negócios ou serviços públicos, realizados por suas entidades ou ministração Pública é vista como ministérios, secretarias, etc.
órgãos especializados, para promover o interesse público. José Cretella Jr utiliza o critério residual para definir a Adminis-
A administração pública federal cuida dos interesses da União, tração Pública por aquilo que ela não é. A Administração Pública
a Estadual dos Estados, a municipal dos interesses dos municípios seria toda a atividade do Estado que não seja legislar ou julgar.
e a distrital dos mesmos assuntos do governo do Distrito Federal, Já pelo critério subjetivo, formal ou orgânico a Administração
sede da Capital Federal. seria o conjunto de órgãos responsáveis pelas funções administra-
tivas. Administração seria uma rede que fornece serviços públicos,
aparelhamento administrativo, sede produtora de serviço.

24
ATUALIDADES
O critério objetivo ou material considera a Administração uma No plano interno, o poder soberano não encontra limites ju-
atividade concreta desempenhada pelos órgãos públicos e destina- rídicos. Mas parte da doutrina entende que a soberania estatal é
da à realização das necessidades coletivas, direta e imediatamente. restringida por princípios de direito natural, além de limites ideoló-
O mesmo autor, em seu livro Direito Administrativo Brasileiro, gicos (crenças e valores nacionais) e limites estruturais da socieda-
utiliza a opinião de Laband e relembra não se poder esquecer que de (sistema produtivo, classes sociais). Já no plano internacional, a
Administração, no campo do direito público, tem o significado per- soberania estatal encontra limites no princípio da coexistência pací-
feito de “gerenciamento de serviços públicos”. fica das soberanias estatais.

Elementos do Estado Poder Global e a Nova ordem mundial


Os três elementos do Estado são o povo, o território e o go- A Nova Ordem Mundial – ou Nova Ordem Geopolítica Mun-
verno soberano. O povo pode ser entendido como o componente dial – significa o plano geopolítico internacional das correlações de
humano de cada Estado. Já o território pode ser concebido como a poder e força entre os Estados Nacionais após o final da Guerra Fria.
base física sobre a qual se estabelece o próprio Estado. Com a queda do Muro de Berlim, em 1989, e o esfacelamento
Governo soberano, por sua vez, é o elemento condutor do Es- da União Soviética, em 1991, o mundo se viu diante de uma nova
tado. Ele detém e exerce o poder absoluto de autodeterminação e configuração política. A soberania dos Estados Unidos e do capita-
auto-organização emanado do povo. lismo se estendeu por praticamente todo o mundo e a OTAN (Orga-
A chamada vontade estatal se apresenta e se manifesta por nização do Tratado do Atlântico Norte) se consolidou como o maior
meio dos Poderes de Estado. e mais poderoso tratado militar internacional. O planeta, que antes
1. Território: base física do Estado; se encontrava na denominada “Ordem Bipolar” da Guerra Fria, pas-
2. Povo: associação humana; sou a buscar um novo termo para designar o novo plano político.
3. Governo: comando por parte de autoridade soberana. A primeira expressão que pode ser designada para definir a
Nova Ordem Mundial é a unipolaridade, uma vez que, sob o ponto
de vista militar, os EUA se tornaram soberanos diante da impossi-
bilidade de qualquer outro país rivalizar com os norte-americanos
nesse quesito.
A segunda expressão utilizada é a multipolaridade, pois, após
o término da Guerra Fria, o poderio militar não era mais o critério
principal a ser estabelecido para determinar a potencialidade global
de um Estado Nacional, mas sim o poderio econômico. Nesse plano,
1. Território novas frentes emergiram para rivalizar com os EUA, a saber: o Japão
É a base física sobre a qual se fixa o povo e se exerce o poder e a União Europeia, em um primeiro momento, e a China em um
estatal. Cuida-se da esfera territorial de validade da ordem jurídica segundo momento, sobretudo a partir do final da década de 2000.
nacional (KELSEN). Por fim, temos uma terceira proposta, mais consensual: a uni-
multipolaridade. Tal expressão é utilizada para designar o duplo ca-
2. Povo ráter da ordem de poder global: “uni” para designar a supremacia
Conjunto das pessoas dotadas de capacidade jurídica para militar e política dos EUA e “multi” para designar os múltiplos cen-
exercer os direitos políticos assegurados pela organização estatal. tros de poder econômico.
Difere-se da população, cujo conceito envolve aspectos mera-
mente estatísticos do número total de indivíduos que se sujeitam Mudanças na hierarquia internacional
ao poder do Estado, incluindo, por exemplo, os estrangeiros, apátri- Outra mudança acarretada pela emergência da Nova Ordem
das e os visitantes temporários. Mundial foi a necessidade da reclassificação da hierarquia entre os
Povo também não se confunde com “nação”. Embora o concei- Estados nacionais. Antigamente, costumava-se classificar os países
to de nação esteja ligado ao conceito de povo, contém um sentido em 1º mundo (países capitalistas desenvolvidos), 2º mundo (países
político próprio: a nação é o povo que já adquiriu a consciência de socialistas desenvolvidos) e 3º mundo (países subdesenvolvidos e
si mesmo. emergentes). Com o fim do segundo mundo, uma nova divisão foi
O povo é o titular da soberania (art. 1º, parágrafo único, da elaborada.
CF/88). É aos componentes do povo que se reservam os direitos A partir de então, divide-se o mundo em países do Norte (de-
inerentes à cidadania. No Brasil, contudo, a regra de que os direitos senvolvidos) e países do Sul (subdesenvolvidos), estabelecendo
políticos são reservados somente a quem pertença ao povo com- uma linha imaginária que não obedece inteiramente à divisão nor-
porta exceção, por causa do regime de equiparação entre brasilei- te-sul cartográfica, conforme podemos observar na figura abaixo.
ros e portugueses, quando houver reciprocidade (art. 12, § 1º, da
CF/88).
3. Governo
É o conjunto das funções necessárias à manutenção da ordem
jurídica e da administração pública.
Deve ser soberano, ou seja, absoluto, indivisível e incontestá-
vel no âmbito de validade do ordenamento jurídico estatal. Todavia,
existem formas estatais organizadas sob dependência substancial
de outras (exemplos: San Marino, Mônaco, Andorra, Porto Rico),
que por isso não podem ser chamadas de Estado perfeito. Ou seja,
a soberania é uma qualidade do poder que mantém estreita ligação
com o âmbito de validade e eficácia da ordem jurídica. Trata-se da
característica de que se reveste o poder absoluto e originário do
governo, que é exercitado em nome do povo.

25
ATUALIDADES

Mapa com a divisão norte-sul e a área de influência dos principais centros de poder

É possível perceber, no mapa acima, que a divisão entre norte e sul não corresponde à divisão estabelecida usualmente pela Linha
do Equador, uma vez que os critérios utilizados para essa divisão são econômicos, e não cartográficos. Percebe-se que alguns países do
hemisfério norte (como os Estados do Oriente Médio, a Índia, o México e a China) encontram-se nos países do Sul, enquanto os países do
hemisfério sul (como Austrália e Nova Zelândia), por se tratarem de economias mais desenvolvidas, encontram-se nos países do Norte.
No mapa acima também podemos visualizar as áreas de influência política dos principais atores econômicos mundiais. Vale lembrar,
porém, que a área de influência dos EUA pode se estender para além da divisão estabelecida, uma vez que sua política externa, muitas
vezes, atua nas mais diversas áreas do mundo, com destaque para algumas regiões do Oriente Médio.

A “Guerra ao terror”
Como vimos, após o final da Guerra Fria, os Estados Unidos se viram isolados na supremacia bélica do mundo. Apesar de a Rússia ter
herdado a maior parte do arsenal nuclear da União Soviética, o país mergulhou em uma profunda crise ao longo dos anos 1990 e início dos
anos 2000, o que não permitiu que o país mantivesse a conservação de seu arsenal, pois isso custa muito dinheiro.
Em face disso, os Estados Unidos precisavam de um novo inimigo para justificar os seus estrondosos investimentos em armamentos e
tecnologia bélica. Em 2001, entretanto, um novo inimigo surgiu com os atentados de 11 de Setembro, atribuídos à organização terrorista
Al-Qaeda.

A tragédia de 11 de Setembro vitimou centenas de pessoas, mas motivou os EUA a gastarem ainda mais com armas.

Com isso, sob o comando do então presidente George W. Bush, os Estados Unidos iniciaram uma frenética Guerra ao Terror, em que
foram gastos centenas de bilhões de dólares. Primeiramente os gastos se direcionaram à invasão do Afeganistão, em 2001, sob a alegação
de que o regime Talibã que governava o país daria suporte para a Al-Qaeda. Em segundo, com a perseguição dos líderes dessa organização
terrorista, com destaque para Osama Bin Laden, que foi encontrado e morto em maio de 2011, no Paquistão.
O que se pode observar é que não existe, ao menos por enquanto, nenhuma nação que se atreva a estabelecer uma guerra contra o
poderio norte-americano. O “inimigo” agora é muito mais difícil de combater, uma vez que armas de destruição em massa não podem ser
utilizadas, pois são grupos que atacam e se escondem em meio à população civil de inúmeros países.
Fronteiras Estratégicas e os muros que dividem o mundo

A expressão Cortina de ferro refere-se à fronteira que, a partir do fim da Segunda Guerra Mundial, dividiu a Europa ocidental do leste
Europeu, região dominada pela União Soviética. Em um dos discursos mais famosos do período da Guerra Fria, Winston Churchill, então
primeiro-ministro britânico, afirmou que:

26
ATUALIDADES
“De Estetino, no [mar] Báltico, até Trieste, no [mar] Adriático, Embora os tempos de Globalização apregoem a maior aproxi-
uma cortina de ferro desceu sobre o continente. Atrás dessa linha mação das diferentes partes do planeta, com a diminuição das dis-
estão todas as capitais dos antigos Estados da Europa Central e tâncias e dos obstáculos, ainda são vários os muros que dividem
Oriental. Varsóvia, Berlim, Praga, Viena, Budapeste, Belgrado, Bu- o mundo e que continuam a difundir-se por ele. Se, de um lado,
careste e Sófia; todas essas cidades famosas e as populações em temos a facilidade do deslocamento e da comunicação, por outro
torno delas estão no que devo chamar de esfera soviética, e todas temos a adoção de políticas de contenção dessas facilidades, atra-
estão sujeitas, de uma forma ou de outra, não somente à influência vés da imposição de barreiras que visam, sobretudo, à divisão das
soviética mas também a fortes, e em certos casos crescentes, medi- pessoas e à materialização das fronteiras que existem somente na
das de controle emitidas de Moscou.” imaginação política dos governos e de alguns povos.
Era 5 de março de 1946 e a Segunda Guerra Mundial recém A seguir você poderá conferir um breve resumo dos principais
acabara. Vivia-se um período de tensão entre a comunista União muros do mundo na atualidade. Se, antes, o Muro de Berlim era
Soviética e as outras potências Aliadas, todas de economia capitalis- alcunhado pelos países ocidentais capitalistas de “Muro da Vergo-
ta. O discurso de Churchill é considerado um marco para o início da nha”, o que dizer então dos muros atuais erguidos por esses mes-
Guerra Fria, pois colocou fim à aliança que derrotara Alemanha na mos países?
Guerra e iniciou o processo de divisão da Europa e, posteriormente,
do mundo, em duas zonas de influência: capitalista e comunista. Muro de Israel
A expressão usada por Churchill era uma metáfora sobre a in- O Muro de Israel – também chamado de Muro da Cisjordânia
fluência soviética na região e a separação econômica existente en- – é um dos mais polêmicos muros da atualidade, pois se estabelece
tre o leste europeu e a Europa capitalista. No entanto, a metáfora em torno da área onde se encontram os territórios dos povos pales-
tornou-se realidade com a construção de muros militarmente pro- tinos, que perderam parte de suas áreas após a instauração do Es-
tegidos pelos soviéticos, sendo o Muro de Berlim o mais famoso tado de Israel pela ONU em 1947 e os desdobramentos posteriores
deles. a esse episódio histórico.
No mesmo discurso, Churchill disse ainda que era necessário
evitar que outra catástrofe como o nazifascismo voltasse a destruir
a Europa. Referia-se ao comunismo. Em resposta, Stálin, líder da
União Soviética, afirmou que as baixas soviéticas durante a guerra
haviam sido muito maiores que as britânicas ou norte-americanas e
que, portanto, era os soviéticos que a Europa devia agradecer pela
libertação do nazifascismo.
Em 1985, Mikhail Gorbachev assumiu a liderança da União So-
viética e deu início a um processo de abertura politica e econômica
do regime, chamadas, respectivamente, de perestroika e glasnost.
Tais reformas contribuíram para diminuir a tensão entre o bloco
capitalista e a União Soviética, mas resultaram no fim da mesma.
Em 1989, com a queda do Muro de Berlim, o mundo polarizado
começou a ruir. Com a derrubada de Gorbachev, em 1991, o regime
soviético chegou ao fim. Trinta anos depois de criada, a cortina de
ferro se abriu definitivamente.
São vários os muros que dividem o mundo. Os de maior evidên- Imagem do Muro de Israel, na Cisjordânia
cia estão no México, na Cisjordânia, em Ceuta e Melilla, no Chipre,
além de inúmeros outros casos e exemplos. A construção desse muro iniciou-se em 2002 e ainda se encon-
tra em fase de execução. Seu objetivo é isolar os povos islâmicos da
Cisjordânia do território judeu sob a alegação de que, assim, evi-
tar-se-ia a proliferação de atentados terroristas. A perspectiva é de
que, ao final, o muro da Cisjordânia tenha pouco menos de 800 km.
Existem várias críticas direcionadas ao Muro de Israel, como a
de que ele separaria famílias, isolaria os povos palestinos de suas
fontes de trabalho e de recursos naturais, além de acusações que
afirmam que esse muro estaria sendo construído em áreas para
além da fronteira, reduzindo ainda mais o território já diminuto dos
palestinos.

Os muros proliferam-se nas fronteiras políticas e atuais do


mundo

27
ATUALIDADES
Muro do México Muro do Chipre (linha verde)
O Muro do México vem sendo construído desde 1994 pelos O Muro do Chipre, também chamado de Linha Verde, é uma
Estados Unidos, principalmente com a articulação dos acordos re- barreira dentro da ilha europeia que já foi dominada por vários po-
ferentes ao NAFTA (Tratado de Livre Comércio da América do Nor- vos ao longo da história. Após a independência do país, iniciaram-se
te). Construído em várias partes da fronteira entre os dois países vários conflitos envolvendo a maioria turca e a minoria grega. Por
e contando, atualmente, com mais de mil e cem quilômetros de essa razão, foram promovidas várias tentativas de paz que culmina-
extensão, o seu objetivo é conter a onda migratória de mexicanos e ram no estabelecimento da linha verde pela ONU e na construção
outros povos em direção aos EUA. do muro na cidade de Nicósia, em 1974.

Vista do Muro do Chipe, na linha verde de Nicósia

Apesar de parte do muro ter sido destruída e de haver certa


Muro construído nos arredores da cidade mexicana de Tijuana tensão entre os dois lados, ele ainda existe. No entanto, é permitido
cruzar de um lado para outro, embora a barreira ainda sirva como
Além da barreira em si, o Muro do México conta com fiscais uma espécie de vigilância e também como uma forma de demarca-
dentro e fora de suas construções, além de equipamentos detecto- ção territorial.
res de movimento e outras formas de vigiar a fronteira. No entanto, Além de todas essas barreiras, ainda existem vários outros mu-
mesmo com a existência da barreira, são muitos os mexicanos que ros espalhados pelo mundo, como o construído pelo Egito na região
migram de uma área para outra, isso sem mencionar o número de de fronteira com a Faixa de Gaza; o que divide o Kwait do Iraque e
pessoas que morrem durante o percurso, feito muitas vezes por es- até mesmo um muro entre Índia e Paquistão na Caxemira, além de
pecialistas em tráfico de pessoas, os chamados “coiotes”. outros casos. De toda forma, a existência desses muros derruba o
Esse muro é considerado por muitos um símbolo da ordem ge- mito de que, com os avanços tecnológicos, as fronteiras estariam
opolítica atual, que é marcada pela divisão do mundo entre os paí- mais fluidas e menos fortes. Pelo contrário, a fixação dessas frontei-
ses do norte desenvolvido e do sul subdesenvolvido, expressando, ras ainda continua sendo uma tônica no contexto geopolítico global
assim, as relações de desigualdade econômica e histórica, além das contemporâneo.
relações de dependência entre as diferentes partes do planeta.
Elementos de política brasileira.
Muros de Ceuta e Melilla
As cidades de Ceuta e Melilla encontram-se no extremo nor- A primeira constatação que se pode fazer a propósito da prová-
te do continente africano, no Marrocos, e são banhadas pelo Mar vel política externa do futuro governo do presidente Luís Inácio Lula
Mediterrâneo. No entanto, elas são de domínio espanhol, sendo da Silva é a de que se tratará de uma diplomacia evolutiva, tanto
consideradas como cidades autônomas da Espanha. Por esse moti- em seus contornos conceituais como em seu modus operandi. No
vo, são muitos os imigrantes africanos que se deslocam para essas dia seguinte à sua eleição consagradora no segundo turno das elei-
áreas com vistas a alcançar o território espanhol. ções presidenciais, e não conhecido ainda o nome que integrará seu
futuro governo na qualidade de chanceler – que poderia ser tanto
um representante da diplomacia profissional, como um “civil” com
conhecimento da área –, pode-se dizer que o PT percorreu um lon-
go caminho de construção tentativa de um pensamento em política
externa, desde o programa de cunho socializante do partido criado
mais de duas décadas atrás, até o programa da campanha presiden-
cial de 2002 e, mais importante, o primeiro pronunciamento oficial
do presidente eleito, em 28 de outubro de 2002.
Com efeito, o programa fundacional do PT previa uma “política
internacional de solidariedade entre os povos oprimidos e de res-
peito mútuo entre as nações que aprofunde a cooperação e sirva
à paz mundial. O PT apresenta com clareza sua solidariedade aos
movimentos de libertação nacional...” Não constava, do primeiro
Muro construído na cidade de Melilla * programa, menção explícita à “política externa”, mas, o “plano de
ação” contemplava os seguintes pontos em seu item “VIIndepen-
Sendo assim, a Espanha também decidiu pela criação de dois dência Nacional: contra a dominação imperialista; política externa
muros, um em cada cidade. Mesmo assim, o número de imigrantes independente; combate a espoliação pelo capital internacional;
é muito alto e não são raras as pessoas que morrem partindo em respeito à autodeterminação dos povos e solidariedade aos povos
direção ao território espanhol através do Mar Mediterrâneo. A ex- oprimidos”.
tensão desses muros é de 20 km.

28
ATUALIDADES
Como se vê, uma plataforma típica dos partidos esquerdistas Em todo caso, a partir desse período, Lula passou a viajar bas-
da América Latina no período clássico da Guerra Fria e dos “movi- tante pelo Brasil e ao exterior e patrocinou em São Paulo um “foro”
mentos de libertação nacional”. de partidos de esquerda da América Latina, que depois consolidou-
Desde então, o partido e seus dirigentes evoluíram sensivel- -se como reunião periódica de formações “progressistas” da região
mente, mas o itinerário não deixou de ser algo errático, ou pelo me- e contrárias às supostas ou reais políticas “neoliberais” de estabi-
nos hesitante (ou relutante) na adesão a princípios consagrados da lização econômica no continente. A despeito de uma condenação
política externa brasileira, como poderia ser observado mediante genérica do chamado “consenso de Washington”, o candidato do
um exame perfunctório dos principais temas de relações interna- PT também desenvolveu um maior conhecimento a respeito das
cionais do Brasil selecionados como plataforma de campanha nas opções na frente externa, tendo chegado a posições definidas, em-
eleições presidenciais de 1989 até hoje. Vejamos rapidamente algu- bora nem todas explícitas, em relação aos grandes problemas inter-
mas dessas posições. nacionais enfrentados pelo Brasil.
Em 1989, a principal característica do candidato Lula era sua O PT foi também o que primeiro definiu um programa de Gover-
identificação com a luta dos oprimidos da América Latina. O can- no para as eleições de 1994, com propostas bem articuladas, mas
didato do PT apresentou um amplo e abrangente programa de go- por vezes contraditórias, que refletiam um intenso debate interno
verno e, segundo se depreendia das resoluções políticas adotadas entre as diversas correntes do partido. Alguns grupos representa-
pelo Partido em seu IV Encontro Nacional (junho de 1989), preten- tivos de “minorias” (negros, ecologistas, homossexuais e outros
dia propor uma “política externa independente e soberana, sem grupos de “excluídos” ou “marginalizados”) lograram incluir suas
alinhamentos automáticos, pautada pelos princípios de autodeter- reivindicações específicas nesse programa. Com base no programa
minação dos povos, não-ingerência nos assuntos internos de outros do Partido e em texto assinado pelo próprio candidato, quais foram,
países e pelo estabelecimento de relações com governos e nações em todo caso, os principais elementos da agenda do PT em relação
em busca da cooperação à base de plena igualdade de direitos e à política externa nacional e às relações internacionais nesse ano
benefícios mútuos”. do Plano Real (definido pelo PT como um “estelionato eleitoral”)?
Mesmo se esses princípios não diferiam muito da política ex- O problema básico da política externa brasileira, tal como de-
terna efetivamente seguida pelo Brasil, ainda assim uma vitória do tectado no programa, foi designado como sendo a ausência, “há
candidatotrabalhador, representaria uma reavaliação radical das mais de quinze anos, de um projeto nacional de desenvolvimento”,
posturas brasileiras na área, já que a “Frente Brasil Popular” prome- opinião reafirmada pelo candidato em artigo publicado no Boletim
tia adotar uma “política antiimperialista, prestando solidariedade da Associação dos Diplomatas Brasileiros.
irrestrita às lutas em defesa da autodeterminação e da soberania Lula reconhecia, também em acordo com o programa, que
nacional, e a todos os movimentos em favor da luta dos trabalhado- “durante os governos militares, mais particularmente no período
res pela democracia, pelo progresso social e pelo socialismo”. Um do general Geisel, existia um projeto nacional, politicamente auto-
hipotético Governo da Frente defenderia a “luta dos povos oprimi- ritário e socialmente excludente” que, a despeito das críticas que
dos da América Latina” e Lula chegou mesmo a propor a “decre- seu partido pode fazer, “abriu brechas para que o Brasil reorien-
tação de uma moratória unilateral para ‘solucionar’ a questão da tasse sua política externa”. Em 1994, segundo o programa, persis-
dívida externa”. tia “inercialmente a política externa daquele período, adequada
Aliás, na proposta que o PSB – um dos membros da Frente – empiricamente às novas realidades...”. Mas, em face do quadro de
apresentou de um “programa mínimo” das esquerdas para as elei- mudanças, o “Governo Democrático e Popular deveria desenvolver
ções presidenciais de 1989, se defendia a “imediata suspensão de uma política externa que buscará simultaneamente uma inserção
qualquer pagamento relacionado com a dívida externa”, a consti- soberana do Brasil na mundo e a alteração das relações de força
tuição de um “entendimento entre os diversos países devedores internacionais contribuindo para a construção de ordem mundial
com vistas a fortalecer o não-pagamento” e o estabelecimento de justa e democrática”.
“relações fraternas com todos os partidos que tenham como obje- O programa de então destacava como áreas prioritárias da
tivo a construção da democracia e do socialismo com o objetivo de “nova política externa” a América Latina e o Mercosul, referindo-se
unir esforços na preparação de uma alternativa à crise do modo de aqui, de forma equivocada, ao “Merconorte”. Ele não deixava tam-
produção capitalista”. pouco de dar ênfase às “relações de cooperação econômica e nos
Em 1994, o candidato do PT lançou-se em campanha à frente domínios científico e tecnológico, com uma correspondente agenda
de todos os demais, tendo preparado-se, aliás, para disputar no- política”, na esfera Sul-Sul, com países como a China, Índia, Rússia e
vamente a presidência praticamente desde o final das eleições de África do Sul e com os países de língua portuguesa. Algumas iniciati-
1989. Alguns meses depois dessas eleições, o líder do PT tinha com vas internacionais eram listadas, como, por exemplo, a “rediscussão
efeito anunciado, em coalizão com alguns outros partidos de es- dos problemas das dívidas externas dos países periféricos”, propos-
querda, a formação de um “governo paralelo”, seguramente um dos tas sobre a fome e a miséria no mundo ou ainda a convocação de
poucos exemplos de shadow cabinet ao sul do Equador. uma conferência internacional – “de porte semelhante à ECO92”
Infelizmente, a experiência não chegou realmente a frutificar, – para discutir a situação do trabalho no mundo e medidas efeti-
pelo menos no que se refere à atividade de um “ministro paralelo” vas contra o desemprego. O programa também prometia recuperar
das relações exteriores. o Ministério das Relações Exteriores, “cuja estrutura foi sucateada
Não se teve notícia de que o chanceler “paralelo” – designado nos últimos anos”.
na pessoa do filósofo e professor Carlos Nelson Coutinho – tivesse Em seu artigo assinado, depois de listar algumas das transfor-
avançado um programa, ou sequer elementos, de uma “política ex- mações por que passou o mundo no período recente, o candidato
terna alternativa”, com propostas concretas para o relacionamento Lula indicava alguns elementos para a formulação da “nova política
internacional do Brasil. externa para o Brasil”. “Em primeiro lugar, o Brasil só poderá ter
uma política externa consistente se tiver um claro projeto nacional
de desenvolvimento, com o correspondente fortalecimento da de-
mocracia, o que significa universalização da cidadania, do respeito

29
ATUALIDADES
aos direitos humanos, reforma e democratização do Estado”. Esse De maneira mais positiva, o programa enfatizava a intenção de
projeto nacional de desenvolvimento compreende um “modelo de fortalecer as relações do Brasil com os outros países do Sul, “em
crescimento que favoreça a criação de um gigantesco mercado de especial com os da América Latina, da África meridional e aos de
bens de consumo de massas que permita redefinir globalmente a expressão portuguesa”. O processo de integração subregional, fi-
economia, dandolhe, inclusive, novas condições de inserção e de nalmente, era visto muito positivamente, mas ficava claro o desejo
cooperatividade internacionais”. “Em segundo lugar, o Brasil não de efetuar uma “ampliação ereforma do Mercosul que reforce sua
pode sofrer passivamente a atual (des)ordem mundial. Ele tem de capacidade de implementar políticas ativas comuns de desenvolvi-
atuar no sentido de buscar uma nova ordem política e econômica mento e de solução dos graves problemas sociais da região”. Depre-
internacional justa e democrática”. endia-se, contudo, das declarações de diversos membros da coali-
Considerando que a política externa é, antes de mais nada, zão que o Mercosul era considerado como uma espécie de “bastião
uma questão de política interna, o candidato reafirmava seus pres- antiimperialista”, em contraposição ao projetos norte-americanos
supostos de atuação: “A política externa não vem depois da defini- de diluir esse esquema num vasto empreendimento livre-cambista
ção de um projeto nacional. Ela faz parte deste projeto nacional”. do Alasca à Terra do Fogo. De forma geral, a ALCA se apresentava
Parafraseando Clausewitz, o candidato do PT, portanto, também como um anátema na política externa de um Governo liderado pelo
poderia hipoteticamente dizer: “A política externa é a continuação PT, perdendo apenas em importância na escala de inimigos ideoló-
da política interna por outros meios”. gicos para o neoliberalismo e a globalização selvagem promovida
pelas grandes empresas multinacionais.
Em 1998, já em sua terceira candidatura, desta vez por uma Já em 2002, o cenário mudou substancialmente, com a expres-
coligação a “União do Povo Muda Brasil”, com PT/PDT/PCdoB/PSB/ são inédita de um novo realismo diplomático, a começar pela polí-
PCB Lula esforçou-se por colocá-la sob o signo da continuidade e tica de alianças buscada pelo candidato Lula, desta vez não unica-
da inovação, este último aspecto apresentando-se, desde o início mente à esquerda, mas envolvendo em especial o Partido Liberal,
da campanha, sob a forma de uma aliança política privilegiada com que forneceu seu candidato a vice. Ainda que partindo na frente
seu concorrente trabalhista das experiências anteriores, o líder do de todos os demais candidatos, tanto em termos de candidatura
PDT Leonel Brizola. Este antigo líder da história política brasileira oficiosa como no que se refere aos índices de aceitação eleitoral,
chegou a causar constrangimentos para o então relativamente mo- o candidato do PT e o próprio partido foram desta vez extrema-
derado candidato “dos trabalhadores”, ao defender uma postura mente cautelosos na formulação das bases da campanha política, a
intransigente em relação ao capital estrangeiro e às privatizações começar pelas alianças contraídas com vistas a viabilizar um apoio
de empresas públicas, chegando mesmo a declarar que não só esse “centrista” ao candidato.
processo seria interrompido mas que algumas das leiloadas seriam Lula foi também bastante cauteloso na exposição de sua idéias,
suscetíveis de reversão ao domínio estatal num eventual governo ainda que algumas delas, ainda no início da campanha, tenham sido
da coligação. exploradas por seus adversários (como por exemplo o apoio às polí-
ticas subvencionistas da agricultura européia ou a proposta de que
O próprio candidato à presidência defendeu uma redução das
o Brasil deveria deixar de exportar alimentos até que todos os brasi-
importações por via de medidas governamentais, embora de cará-
leiros pudessem se alimentar de maneira conveniente). Nessa fase,
ter tarifário, o que garantiria a transparência da política comercial
ele ainda repetia alguns dos velhos bordões do passado (contra o
de um Governo do PT e seus aliados partidários. As “Diretrizes do
FMI e a Alca, por exemplo), que depois foram sendo corrigidos ou
Programa de Governo” da coalizão popular acusavam o Governo
alterados moderadamente para acomodar as novas realidades e a
FHC de ter praticado uma abertura “irresponsável” da economia
coalizão de forças com grupos nacionais moderados que se pensava
e de ter desnacionalizado a “nossa indústria e nossa agricultura,
constituir de forma inédita.
provocando desemprego e exclusão social”. A ênfase na perda de
Em matéria de política externa, mais especificamente, a inten-
soberania econômica do País era aliás o ponto forte da campanha
ção – aliás partilhada com os demais candidatos e, de certa forma,
de Lula na área internacional, elemento combinado a uma política implementada pelo governo FHC – era a de ampliar as relações do
externa de tipo voluntarístico que se propunha mudar a forma de Brasil com outros grandes países em desenvolvimento, sendo in-
inserção do Brasil no mundo a partir da manifestação da vontade variavelmente citados a China, a Índia e a Rússia. No plano econô-
política, aqui ignorando aparentemente as linhas de força nas insti- mico, o compromisso – também expresso pelos demais candidatos
tuições internacionais e nas relações com os demais países, parcei- – era o de diminuir o grau de dependência financeira externa do
ros ou “adversários” na atual ordem econômica mundial. Brasil, mobilizando para tal uma política de promoção comercial ati-
O Ponto 12 dessas diretrizes, “Presença soberana no mundo”, va, com novos instrumentos para esse efeito (possivelmente uma
defendia, de forma conseqüente, uma “política externa, fundada secretaria ou ministério de comércio exterior). Segundo a “Carta ao
nos princípios da autodeterminação”, que faria — segundo o texto, Povo Brasileiro”, divulgada por Lula em 22 de junho, o povo brasilei-
“expressará nosso desejo” de ver — o Brasil atuar “com decisão vi- ro quer “trilhar o caminho da redução de nossa vulnerabilidade ex-
sando alterar as relações desiguais e injustas que se estabeleceram terna pelo esforço conjugado de exportar mais e de criar um amplo
internacionalmente”. Ainda nessa mesmo linha, um eventual Go- mercado interno de consumo de massas”.
verno liderado pelo PT lutaria “por mudanças profundas nos orga- De maneira ainda mais enfática, nesse documento, Lula afir-
nismos políticos e econômicos mundiais, sobretudo a ONU, o FMI e mou claramente que a “premissa dessa transição será naturalmen-
a OMC”. Com efeito, documento liberado quando do agravamento te o respeito aos contratos e obrigações do País”.
da crise financeira, em princípios de setembro de 1998, avançava Depois de algumas ameaças iniciais de se retirar das negocia-
a proposta de “participar da construção de novas instituições fi- ções da Alca (que seria “mais um projeto de anexação [aos EUA] do
nanceiras internacionais”, uma vez que “as atualmente existentes que de integração”), Lula passou a não mais rejeitar os pressupos-
— FMI, OMC, BIRD — são incapazes de enfrentar a crise”. De forma tos do livre-comércio, exigindo apenas que ele fosse pelo menos
ainda mais explícita, a coalizão de Lula pretendia combater o Acor- equilibrado, e não distorcido em favor do parceiro mais poderoso, o
do Multilateral de Investimentos em fase de negociação na OCDE, que constituiu notável evolução em relação a afirmações de poucas
considerado como “atentatório à soberania nacional”. semanas antes. O principal assessor econômico do candidato, de-

30
ATUALIDADES
putado Aloízio Mercadante foi bastante cauteloso na qualificação tar os desafios do mundo globalizado. Para tanto, é fundamental
das eventuais vantagens da Alca: “Esta não deve ser vista como uma que o bloco construa instituições políticas e jurídicas e desenvolva
questão ideológica ou de posicionamento pró ou contra os Estados uma política externa comum.”
Unidos, mas sim como um instrumento que pode ou não servir aos Persistia, igualmente, no programa, a atitude de princípio con-
interesses estratégicos brasileiros” (Valor Econômico, 15.07.02). Os trária à Alca e um certo equívoco quanto aos objetivos de uma zona
contatos mantidos pela cúpula do PT com industriais, banqueiros de livre-comércio, pois que se via nesse processo a necessidade do
e investidores estrangeiros tendiam todos a confirmar esse novo estabelecimento de políticas compensatórias, quando são raros os
realismo diplomático, e sobretudo econômico, do candidato. exemplos de acordos de simples liberalização de comércio que con-
De fato, os principais dirigentes do PT começaram, em plena templem tais tipos de medidas corretivas:
campanha, a se afastar cautelosamente das propostas tendentes a “Essa política em relação aos países vizinhos é fundamental
realizar um plebiscito nacional sobre a Alca (organizado pela CUT, para fazer frente ao tema da Área de Livre Comércio das Améri-
pelo MST e pela CNBB), uma vez que ele teria resultados mais do cas (ALCA). O governo brasileiro não poderá assinar o acordo da
que previsíveis, todos negativos para a continuidade dessas nego- ALCA se persistirem as medidas protecionistas extra-alfandegárias,
ciações. De modo ambíguo, porém, o assessor Mercadante parecia impostas há muitos anos pelos Estados Unidos. (…) A política de
acreditar na possibilidade de um acordo bilateral com os EUA, sem livre comércio, inviabilizada pelo governo norteamericano com to-
explicar como e em que condições ele poderia ser mais favorável das essas decisões, é sempre problemática quando envolve países
do que o processo hemisférico: “é importante que, independente- que têm Produto Interno Bruto muito diferentes e desníveis imen-
mente da Alca, o Brasil e os Estados Unidos iniciem um processo sos de produtividade industrial, como ocorre hoje nas relações dos
de negociação bilateral direcionado para a ampliação do seu inter- Estados Unidos com os demais países da América Latina, inclusive
câmbio comercial e a distribuição mais justa de seus benefícios”. o Brasil. A persistirem essas condições a ALCA não será um acor-
O PT parecia assim ter iniciado, ainda que de maneira hesitante, o do de livre comércio, mas um processo de anexação econômica do
caminho em direção ao reformismo moderado. Continente, com gravíssimas consequências para a estrutura pro-
O programa divulgado pelo candidato em 23 de julho de 2002 dutiva de nossos países, especialmente para o Brasil, que tem uma
era bastante ambicioso quanto aos objetivos de “sua” política ex- economia mais complexa. Processos de integração regional exigem
terna, uma vez que prometia convertê-la num dos esteios do pro- mecanismos de compensação que permitam às economias menos
cesso de desenvolvimento nacional: “A política externa será um estruturadas poder tirar proveito do livre comércio, e não sucumbir
meio fundamental para que o governo implante um projeto de de- com sua adoção. As negociações da ALCA não serão conduzidas em
senvolvimento nacional alternativo, procurando superar a vulnera- um clima de debate ideológico, mas levarão em conta essencial-
bilidade do País diante da instabilidade dos mercados financeiros mente o interesse nacional do Brasil.”
globais. Nos marcos de um comércio internacional que também Um certo idealismo mudancista se insinua igualmente no pro-
vem sofrendo restrições em face do crescente protecionismo, a po- grama, ao pretender um eventual governo do PT conduzir uma
lítica externa será indispensável para garantir a presença soberana “aproximação com países de importância regional, como África do
do Brasil no mundo.” Parece ter ocorrido aqui, ao contrário das oca- Sul, Índia, China e Rússia”, com o objetivo de “construir sólidas rela-
siões anteriores, uma espécie de sobrevalorização da política exter- ções bilaterais e articular esforços a fim de democratizar as relações
na, ou em todo caso, uma esperança exagerada em suas virtudes internacionais e os organismos multilaterais como a Organização
transformadoras. das Nações Unidas (ONU), o Fundo Monetário Internacional (FMI),
Com efeito, o candidato Lula pretendia, nada mais nada menos a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o Banco Mundial”. Por
que reorganizar o mundo e o continente sul-americano a partir de outro lado, a antiga desconfiança em relação ao capital estrangeiro
suas propostas diplomáticas, o que denota ou excesso de otimismo cedeu lugar a uma postura mais equilibrada, uma vez que se afir-
ou desconhecimento quanto aos limites impostos pela realidade in- mou no programa de 2002 que o Brasil “não deve prescindir das
ternacional a esses grandes projetos mudancistas no cenário exter- empresas, da tecnologia e do capital estrangeiro”, alertando então
no, sobretudo vindos de um país dotado de recursos externos limi- que os “países que hoje tratam de desenvolver seus mercados in-
tados como o Brasil. “Uma nova política externa deverá igualmente ternos, como a Índia e a China, não o fazem de costas para o mun-
contribuir para reduzir tensões internacionais e buscar um mundo do, dispensando capitais e mercados externos”. Mas, se advertia
com mais equilíbrio econômico, social e político, com respeito às também que as “nações que deram prioridade ao mercado externo,
diferenças culturais, étnicas e religiosas. A formação de um governo como o Japão e a Coréia, também não descuidaram de desenvolver
comprometido com os interesses da grande maioria da sociedade, suas potencialidades internas, a qualidade de vida de seu povo e as
capaz de promover um projeto de desenvolvimento nacional, terá formas mais elementares de pequenos negócios agrícolas, comer-
forte impacto mundial, sobretudo em nosso Continente. Levando ciais, industriais e de serviços.”
em conta essa realidade, o Brasil deverá propor um pacto regional O excessivo viés em favor do mercado interno foi corrigido no
de integração, especialmente na América do Sul. Na busca desse programa, que tende por outro lado a esquecer a ênfase atribuída
entendimento, também estaremos abertos a um relacionamento pelo governo FHC ao crescimento das exportações: “Sem cresci-
especial com todos os países da América Latina.” mento dificilmente estaremos imunes à espiral viciosa do desem-
Em contraposição ao candidato governista, supostamente her- prego crescente, do desarranjo fiscal, de déficits externos e da in-
deiro da política de integração do presidente FHC mas de fato cético capacidade de honrar os compromissos internos e internacionais. O
quanto a suas vantagens para o Brasil, o candidato Lula era o mais primeiro passo para crescer é reduzir a atual fragilidade externa. (…)
entusiástico promotor do Mercosul, mas ainda aqui com pouco rea- Para combater essa fragilidade, nosso governo vai montar um sis-
lismo em relação às chances de uma moeda comum no curto prazo tema combinado de crédito e de políticas industriais e tributárias.
ou a implantação de instituições mais avançadas: “É necessário re- O objetivo é viabilizar o incremento das exportações, a substituição
vigorar o Mercosul, transformando-o em uma zona de convergência competitiva de importações e a melhoria da infra-estrutura. Isso
de políticas industriais, agrícolas, comerciais, científicas e tecnológi- deve ser feito tanto por causa da fragilidade das contas externas
cas, educacionais e culturais. Reconstruído, o Mercosul estará apto como porque o Brasil precisa conquistar uma participação mais sig-
para enfrentar desafios macroeconômicos, como os de uma política nificativa no comércio mundial, o que o atual governo menosprezou
monetária comum. Também terá melhores condições para enfren- por um longo período”.

31
ATUALIDADES
Em suma, o candidato do PT realizou um notável percurso em De modo geral, a “nova diplomacia” não parece afastar-se mui-
direção de uma postura mais realista no campo da política exter- to da “velha”, com talvez uma afirmação mais enfática dos “inte-
na, assim como no terreno mais geral das políticas econômicas, resses nacionais” e da defesa da soberania: “É uma boa hora para
notadamente no que se refere ao relacionamento com o capital reafirmar um compromisso de defesa corajosa de nossa soberania
estrangeiro e com as instituições financeiras internacionais. Cabe regional. E o faremos buscando construir uma cultura de paz entre
registro, em todo caso, a seu acolhimento, não totalmente desfa- as nações, aprofundando a integração econômica e comercial entre
vorável, em relação ao acordo anunciado pelo governo de mais um os países, resgatando e ampliando o Mercosul como instrumento
pacote de sustentação financeira por parte do FMI, desta vez pela de integração nacional e implementando uma negociação soberana
soma inédita de 30 bilhões de dólares. A nota divulgada pela cam- frente à proposta da ALCA. Vamos fomentar os acordos comerciais
panha de Lula na ocasião foi bastante cautelosa no que se refere bilaterais e lutar para que uma nova ordem econômica internacio-
ao cumprimento das obrigações externas, ainda que registrando nal diminua as injustiças, a distância crescente entre países ricos e
negativamente o encargo passado ao governo futuro de manter um pobres, bem como a instabilidade financeira internacional que tan-
superávit primário na faixa de pelo menos 3,75% do PIB até 2004. tos prejuízos tem imposto aos países em desenvolvimento Nosso
Ao encontrar-se com o presidente FHC, a pedido deste, para tratar governo será um guardião da Amazônia e da sua biodiversidade.
da questão do acordo com o FMI, em 19 de agosto, o candidato do Nosso programa de desenvolvimento, em especial para essa região,
PT reiterava seu entendimento de que as dificuldades decorriam do será marcada pela responsabilidade ambiental.” Em outros termos,
“esgotamento do atual modelo econômico”, confirmando também, abandonou-se a tese da Alca “anexacionista” em favor de uma ne-
com franqueza, seu compromisso afirmado na “Carta ao Povo Bra- gociação séria dos interesses brasileiros nesses acordos de liberali-
sileiro”: o de que, “se vencermos as eleições começaremos a mudar zação comercial.
A defesa do multilateralismo não destoa, em praticamente
a política econômica desde o primeiro dia”.
ponto nenhum, das conhecidas posições defendidas tradicional-
Não obstante, Lula oferecia uma série de sugestões para, no
mente pela diplomacia brasileira:
seu entendimento, “ajudar o País a sair da crise”, muitas delas me-
“Queremos impulsionar todas as formas de integração da Amé-
didas de administração financeira, de política comercial e de reati-
rica Latina que fortaleçam a nossa identidade histórica, social e cul-
vação da economia. tural. Particularmente relevante é buscar parcerias que permitam
O PT e seu candidato das três disputas anteriores se esforça- um combate implacável ao narcotráfico que alicia uma parte da ju-
vam, dessa forma, em provar aos interlocutores sociais – eleitores ventude e alimenta o crime organizado.
brasileiros – e aos observadores externos – capitalistas estrangeiros Nosso governo respeitará e procurará fortalecer os organismos
e analistas de Wall Street – que o partido e seus aliados estavam internacionais, em particular a ONU e os acordos internacionais re-
plenamente habilitados a assumir as responsabilidades governa- levantes, como o protocolo de Quioto, e o Tribunal Penal Interna-
mentais e a representar os interesses externos do País com maior cional, bem como os acordos de não proliferação de armas nuclea-
dose de realismo econômico e diplomático do que tinha sido o caso res e químicas. Estimularemos a ideia de uma globalização solidária
nas experiências precedentes. e humanista, na qual os povos dos países pobres possam reverter
Essa evolução moderada foi confirmada, finalmente, no pri- essa estrutura internacional injusta e excludente.”
meiro pronunciamento do presidente eleito, em 28 de outubro de Em suma, atendidas algumas ênfases conceituais e a defesa
2002. Nesse texto, consciente da gravidade da crise econômica e afirmada da soberania nacional, a política externa do governo que
dos focos de tensão externa remanescente, Lula advertiu: “O Brasil inicia seu termo em janeiro de 2003 não destoará, substancialmen-
fará a sua parte para superar a crise, mas é essencial que além do te, da diplomacia conduzida de maneira bastante profissional pelo
apoio de organismos multilaterais, como o FMI, o BID e o BIRD, se Itamaraty no período recente, conformando aliás uma concordância
restabeleçam as linhas de financiamento para as empresas e para de princípio com a tradicional “diplomacia do desenvolvimento” im-
o comércio internacional. Igualmente relevante é avançar nas ne- pulsionada pelo Brasil desde largos anos. No plano operacional, pa-
gociações comerciais internacionais, nas quais os países ricos efe- rece inevitável o aumento do diálogo do Itamaraty com o Congresso
tivamente retirem as barreiras protecionistas e os subsídios que e outras forças organizadas da sociedade civil, como os sindicatos,
penalizam as nossas exportações, principalmente na agricultura.” as organizações não-governamentais e representantes do mundo
A segunda frase, particularmente, poderia, sem qualquer mudança, acadêmico. Trata-se, em todo caso, de uma saudável inovação para
ter sido pronunciada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, uma instituição cujo moto organizador parece consubstanciar-se na
por seu chanceler ou por seu ministro da economia. frase “renovar-se na continuidade”. Com talvez alguma surpresas
Também, diferentemente da “ameaça” de cessar as exporta- verbais, naturais em momentos de mudança paradigmática como
a que vive o Brasil, tanto a inovação como a continuidade parecem
ções de alimentos até que todos os brasileiros pudessem se alimen-
garantidas no futuro governo sob a hegemonia do novo centro po-
tar de maneira conveniente, Lula traçou um retrato convincente
lítico brasileiro. As gerações mais jovens do Itamaraty certamente
das possibilidades nessa área: “Nos últimos três anos, com o fim da
receberam com bastante satisfação a confirmação da mudança po-
âncora cambial, aumentamos em mais de 20 milhões de toneladas
lítica no cenário eleitoral e parecem animadas com as perspectivas
a nossa safra agrícola. Temos imenso potencial nesse setor para de- de mudança – talvez até geracional – que podem operar-se na Casa
sencadear um amplo programa de combate à fome e exportarmos de Rio Branco. A confirmar-se a “continuidade da renovação”, o Ita-
alimentos que continuam encontrando no protecionismo injusto maraty tem todas as condições de emergir, nos próximos quatro
das grandes potências econômicas um obstáculo que não poupa- anos, com uma nova legitimidade no plano societal interno, ao ser
remos esforços para remover.” Igualmente, não há nada aqui que implementada a nova diretriz de colocar, de maneira mais afirmada,
não poderia receber o endosso – e de fato já integra o discurso – da a política externa a serviço de um projeto nacional de desenvolvi-
administração atuante até o final de 2002. mento econômico e social.

32
ATUALIDADES
música erudita e instrumental, livros de arte, acervos de museus,
CULTURA E SOCIEDADE BRASILEIRA: MÚSICA, LITERA- itinerância de exposições de artes plásticas e acervos de bibliotecas
TURA, ARTES, ARQUITETURA, RÁDIO, CINEMA, TEA- públicas. É uma política fiscal generosa e adequada pois, em fun-
TRO, JORNAIS, REVISTAS E TELEVISÃO ção do conhecido déficit fiscal do Estado brasileiro e das enormes
carências de recursos para áreas prioritárias, as empresas privadas
A partir de meados da década de 90, o Brasil vem conhecendo são convidadas a se associarem ao Governo Federal e aos produto-
uma extraordinária retomada de suas atividades culturais. O cinema res culturais para garantirem o desenvolvimento da cultura.
foi a primeira área a beneficiar-se disso. O sucesso com que foram Com efeito, a partir de importantes reformas introduzidas em
recebidos pelo público filmes como Carlota Joaquina, O Quatrilho, 1995 e 1996 na legislação de incentivo fiscal à cultura, e só a nível
O Que é Isso Companheiro? e Central do Brasil indica que o cinema federal, onde o incentivo ocorre a partir de deduções no Imposto de
brasileiro poderá reconquistar, a curto prazo, o lugar de destaque Renda dos patrocinadores privados, o Governo atraiu investimen-
que havia alcançado no panorama cultural, no início dos anos 60, tos que ultrapassaram os 180 milhões de reais nos dois primeiros
com Terra em Transe e outros filmes. É um sinal de que a indústria anos de governo. E a atual política de financiamento da cultura está
cinematográfica tem futuro no país. longe de se limitar apenas a estimular os investimentos privados
Mas o cinema não é o único. Também na área do patrimônio na área. O Governo Federal reconhece que também lhe cabe papel
artístico e cultural as iniciativas são tantas e tão diferentes, toma- fundamental no financiamento a fundo perdido da cultura, particu-
das em distintas esferas de responsabilidade pública, que estão a larmente no que diz respeito às atividades que, pela sua natureza,
demonstrar que em sociedades como a brasileira, quando se logra não chegam ou não têm atrativo no mercado. Por essa razão, pela
alcançar um estágio razoável de controle da inflação e de estabilida- primeira vez em muitas décadas, aumentou-se em mais de 100%
de econômica, a energia social antes empregada pela comunidade o orçamento do Ministério da Cultura de um ano para o outro, fa-
na luta pela sobrevivência pode ser canalizada também para a pre- zendo-o passar de R$ 104 milhões, em 1995, para R$ 212 milhões,
servação das identidades culturais. em 1996.
O restauro do Pelourinho, no Centro Histórico de Salvador Além disso, através de suplementações orçamentárias e de
(Bahia), a reforma e recuperação da Pinacoteca do Estado e do Mu- um acordo inédito com o BID, ao final de quatro anos, em 1998, o
Governo Federal aplicou quase 300 milhões de dólares no restauro
seu do Ipiranga (São Paulo), a retomada de cuidados com o centro
de sítios históricos e na recuperação de áreas urbanas, em vários
histórico do Rio de Janeiro e do centro colonial de cidades como São
estados do País, onde há forte interação entre a cultura e partes
Luiz (Maranhão), Ouro Preto e Diamantina (Minas Gerais), e Recife
do tecido urbano deteriorado ou em deterioração. Ainda, através
e Olinda (Pernambuco), e as celebrações, por todo o País, dos 300
de investimentos diretos, o Ministério da Cultura tem apoiado a re-
Anos de Zumbi e da Década dos Povos Indígenas, mostram que, a cuperação de arquivos públicos, fomentado produções na área das
despeito de avanços que ainda são necessários nas áreas econômi- artes cênicas, estimulado a renovação e a consolidação de orques-
ca e social, às vésperas de celebrarmos os 500 anos do Descobri- tras sinfônicas e apoiado a reforma de museus, teatros e espaços
mento, os brasileiros estão redescobindo a importância da sua pró- culturais de diferentes naturezas. São todos sinais de que o Estado e
pria memória histórica e cultural. São sinais de enorme renovação a sociedade percebem, cada vez mais, a importância da cultura para
da própria cultura. a qualidade de vida das pessoas.
A retomada cultural no Brasil pode ser percebida também na Tal política de financiamento é adequada à realidade cultural
música, na literatura e, mais importante ainda, em um extraordiná- brasileira? Para justificá-la, podemos mencionar algumas razões.
rio fenômeno de mídia, que reflete o interesse dos brasileiros pela O Brasil é um país de cultura extremamente rica e diversificada. A
produção cultural do País. origem dessa característica está no peculiar processo de formação
Certamente, a revalorização das atividades dos museus e das da sociedade brasileira, que desde o seunascimento no século XVI,
artes plásticas -com exposições de pintura e escultura de artistas recolheu a generosa contribuição de povos e etnias tão diferentes
como Rodin, Miró, Monet e Maillol, sem esquecer a própria Bienal quanto os índios autóctones, os portugueses descobridores, os afri-
de Artes de São Paulo - são reflexos desse interesse, ao mesmo tem- canos feitos escravos e, depois, franceses, espanhóis, holandeses,
po em que o criam. Desde 1994, tais eventos atraíram a atenção de italianos, japoneses, árabes e tantos outros que, como conquis-
mais de 2 milhões de pessoas, deixando para trás a percepção tra- tadores ou aventureiros, vieram deixar a sua marca cultural aqui,
dicional que creditava o interesse pela linguagem plástica apenas a acrescentando valores novos aos trazidos pelos pioneiros desbra-
parcelas eruditas do público. Na realidade, essas mostras de extra- vadores.
ordinária beleza e valor transformaram-se em manifestações cultu- Tudo isso fez da cultura brasileira um formidável e curioso ca-
rais de massa, particularmente do público mais jovem, mostrando leidoscópio, em que se mesclam raças e se misturam múltiplas con-
que o espaço está aberto para novas iniciativas semelhantes. cepções de vida, expressando uma enorme variedade de influên-
Há, evidentemente, muitas outras manifestações interessantes cias. O mais interessante, no entanto, é que toda essa diversidade
e inovadoras acontecendo na cultura brasileira. Mas o que foi dito não implica, ao contrário do que ocorre em algumas sociedades,
conflitos ou exclusões de qualquer natureza em relação ao diferen-
é suficiente para colocar em discussão um outro aspecto tão im-
te, isto é, àqueles que expressam identidades culturais distintas. Ao
portante quanto inovador. Trata-se da questão do financiamento da
contrário, uma das mais extraordinárias características da cultura
cultura.
brasileira está em seu caráter acolhedor e integrador. É um sinal de
Desde meados de 1995, o Governo Federal vem implemen-
que, no Brasil, as diferentes origens do povo brasileiro servem para
tando, na área cultural, uma vigorosa política de parceria entre o integrá-lo e não para excluí-lo ou dividi-lo.
Estado brasileiro, os produtores culturais e a iniciativa privada. Tal Por isso mesmo, é indispensável que a política de financiamen-
política se apoia na legislação de incentivo fiscal às atividades artís- to da cultura, no Brasil, seja vigorosa o suficiente para impulsionar
ticas e culturais e permite, no caso do cinema, que os investidores o seu desenvolvimento e, ao mesmo tempo, capaz de assegurar a
privados deduzam 100% do que aplicam e, no caso das outras áreas realização plena da riqueza e diversidade formadoras da sua ma-
culturais, entre 66 e 76%, dependendo da natureza das empresas, triz. Com efeito, o financiamento da cultura em países pluriculturais
podendo-se chegar aos mesmo 100% para o caso das artes cênicas, como este tem de ser tarefa de distintas fontes de financiamento:

33
ATUALIDADES
o Estado, os produtores culturais e as empresas privadas. Isso asse- culturalista de tradição anglo-saxônica, onde importa antes de tudo
gura tanto que o interesse público seja preservado, através da ação um ideal de “representação federada” dos grupos culturalmente
do Estado, como que a sociedade civil possa intervir no processo de definidos em uma arena pública competitiva.
criação artística, através de seus projetos e de seus investimentos. Hoje, depois de um longo período em que a célula-mater da
A política de parceria é o fundamento da atual política cultural identidade social foi a nação, forças centrífugas têm trazido para a
que se baseia na essência da cultura brasileira, isto é, a sua riqueza arena política diversos outros atores. Identidades étnicas, de gêne-
e diversidade. Identidade e diversidade são termos de forte carga ro, religiosas, sexuais, de idade, de condição social etc., entraram
emocional e política, que aparentemente apontam para campos na competição pela primazia na definição do lugar do indivíduo
opostos: o que privilegiar, o idêntico ou o diverso? Num extremo no mundo. Ao lado e freqüentemente contra a ação política ins-
estaria a idéia, cara à sociedade ocidental moderna, de que todos titucional, surgiram as ONG’s como expressão mais “pura” da so-
somos iguais (perante a lei, perante Deus). ciedade civil. No Brasil, essa tendência fragmentadora vem sendo
No outro, a liberdade, igualmente cara, de grupos comparti- temperada pela tradição do Estado central forte, tradicionalmente
lharem características e valores específicos que os diferenciam dos visto como árbitro de conflitos entre cidadãos iguais, e que passa a
demais. Neste embate, o universalismo é acusado de totalitário e ser visto também como arena onde os desiguais podem expressar
o particularismo de discriminatório e defensor das desigualdades. a sua diversidade. O Ministério da Cultura é chamado a reconhe-
O Ministério da Cultura – através da Secretaria da Identidade e Di- cer e proteger as culturas contra forças que as ameaçam por um
“neocolonialismo” interno ou externo. Tais identidades culturais
versidade Cultural e da Fundação Casa de Rui Barbosa – promoveu,
se constróem no embate concreto dos grupos em sociedade e são
ao longo de 2004, uma série de encontros para discutir os signifi-
cambiantes. Assim como o indivíduo é múltiplo e fragmentado em
cados, a história, os dilemas e as implicações político-jurídicas da
sua psique, ele partilha de múltiplas e instáveis identidades sociais,
identidade e da diversidade cultural, assim como sua relevância e
que se reafirmam e se redefinem. O grande desafio do Estado na-
aplicações ao contexto brasileiro. O propósito de tais discussões cional e da sociedade internacional organizada hoje é exercer sua
foi lançar alguma luz sobre conceitos amplamente usados e pouco função agregadora, favorecendo o diálogo em lugar do conflito, es-
entendidos e servir como subsídio à tomada de decisões sobre po- timulando a criatividade de forças centrífugas, sem permitir que o
líticas públicas. caos acabe por inviabilizar a criação.
A moderna idéia de cultura está, desde o seu surgimento, in- A reivindicação dos direitos do cidadão pode ser percebida
trinsecamente associada à idéia de diversidade. Produto do roman- como um processo de demanda por direitos universais. Universal
tismo alemão, ela passou a reunir na mesma noção, desde o início no sentido de que tais direitos e os movimentos sociais associados
do século XIX, a tradição humanista de cultivo das realizações supe- com o seu desenvolvimento tendem a reforçar um ideal capaz de
riores do espírito nas artes e ciências e a nova valorização, de raiz englobar toda a sociedade. Os direitos civis, políticos e sociais fo-
iluminista, da diversidade de costumes e crenças dos povos como ram configurados com base nessa idéia.
via para o conhecimento do humano. O que tornava possível essa Sua implementação possibilitou uma certa homogeneização
aproximação era o fato de ambas as componentes caracterizarem- social, o que está claro, por exemplo, no direito de uma educação
-se pela afirmação de valores e atribuição de sentido ao mundo. igual e gratuita para todos.
Integrados numa totalidade, costumes coletivos e obras individuais Entretanto, ao reforçarem um ideal oposto, o universal e o ho-
ganhavam um pressuposto de coerência e influência recíproca, en- mogêneo, em vez do particular e do heterogêneo, os movimentos
fatizado por sua descrição através da analogia com o organismo. sociais mais recentes dizem não ser mais possível um sistema jurídi-
Essa mesma analogia facilitava a apresentação dos povos como in- co cego a diferenças – étnicas, de cor, de gênero, etc. A questão que
divíduos coletivos, e a afirmação das identidades nacionais como se coloca para o debate é se a implementação do direito à diferença
um processo correspondente à maturação e aperfeiçoamento das representa ou não o antagonismo entre uma cidadania universal-in-
capacidades singulares de cada indivíduo. Compartilhamento de clusiva e outra particular-plural.
valores e significados e singularização diante de outros conjuntos Nesse sentido, é significativo que a Unesco tenha aprovado em
da mesma natureza são assim o verso e o reverso, as duas dimen- 2001 a sua Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural. O
sões inseparáveis da idéia de cultura. documento chama a atenção para algumas questões interessantes,
Cabe lembrar que a gênese dessa idéia ocorre num contexto das quais se destaca, numa reflexão sobre o tema no Brasil, o conte-
údo do Artigo 3º: “A diversidade cultural amplia as possibilidades de
de conflito, com o significado político de oposição ao império na-
escolha que se oferecem a todos: é uma das fontes do desenvolvi-
poleônico, apoiado por sua vez no universalismo revolucionário da
mento, entendido não somente como crescimento econômico, mas
doutrina dos direitos do homem. O potencial agressivo da idéia de
também como meio de acesso a uma existência intelectual, afetiva,
cultura nacional não tardou a se manifestar nas lutas posteriores à
moral e espiritual satisfatória”.
unificação alemã e nas duas guerras mundiais. Concomitantemen- A diversidade de condições econômicas e sociais entre as vá-
te, os organismos internacionais comprometidos com esforços de rias regiões do Brasil, aliada ao peso de um passado histórico espe-
paz, como a Liga das Nações e a ONU, através da Unesco, desde cífico está na base da diversidade de suas manifestações culturais.
cedo se empenharam em promover o potencial de tolerância e diá- A circunstância histórica que fez com que em determinada região
logo presente naquela mesma idéia. tenha havido maior concentração de escravos, ou de imigrantes ou
Por outro lado, identidades culturais singularizantes não tarda- de populações indígenas só recentemente contatadas conforma a
ram a ser reivindicadas por outros tipos de grupos humanos, aquém fisionomia cultural do lugar; bem como o isolamento em que se
ou além do recorte nacional, com as mesmas oscilações entre for- mantiveram localidades distantes do interior foi fundamental para
mas pacíficas e conflitivas de afirmação. Todas essas variações aca- a preservação de usos e falares antigos e já desaparecidos nas gran-
baram por dar origem a diferentes modelos de articulação da diver- des cidades.
sidade cultural no seio dos Estados nacionais, desde o que inspirou Essas peculiaridades culturais locais conformam identidades
André Malraux na criação do Ministério da Cultura francês, em que culturais específicas. Elas podem se manifestar tanto nas variações
as identidades distintas tenderiam a se integrar em níveis sucessiva- de uso da língua portuguesa, quanto na de realizar determinados
mente ampliados de perspectiva universalizante, ao modelo multi- trabalhos, nos hábitos alimentares, na indumentária, na maneira de

34
ATUALIDADES
construir as habitações, nas tradições religiosas, nas festas e nas Engajamento social;
manifestações artísticas. Produzir o mapa cultural do Brasil é loca- Novas técnicas de escrita e arte;
lizá-las e identificá-las, estabelecendo a cartografia cultural do país Produção de contos e crônicas.
em sua diversidade. Ao mesmo tempo, este mapa deve identificar A literatura contemporânea é divida em duas linhas principais:
também uma espécie de bacia hidrográfica cultural que ligaria en-
tre si os grupos que compartilham características culturais indepen- TRADICIONAL
dente de sua localização física. Autores já consagrados ganham mais destaque ainda, como
O Brasil garante em sua constituição de 1988 direitos diferen- João Cabral e Drummond, além do destaque para novos artistas,
ciados para as minorias indígenas. De maneira semelhante, algu- como Dalton Trevisan e Lygia Telles.
mas políticas públicas vêm sendo implementadas com o objetivo de Esses tinham como linha de escrita o tradicional: regionalismo,
dar maior projeção social e econômica às minorias étnicas e de cor. intimismo, introspecção e psicológico.
No nosso contexto, coloca-se para discussão:
1. como a implementação desses direitos diferenciados assim ALTERNATIVO
como dessas políticas públicas fundamentadas na discriminação Porém, havia ainda aqueles que queriam romper com o tra-
positiva (ou ação afirmativa) são compatíveis com os princípios do dicional, trazendo novos estilos ou novas maneiras de exprimir
universalismo e do individualismo jurídico que definem o sistema a arte, principalmente na poesia, na qual os sentimentos que há
jurídico brasileiro; muito tempo ficaram oprimidos pela Ditadura ganham espaço, por
2. qual a melhor maneira de implementar essas políticas sem exemplo:
que grupos sociais fiquem em desvantagem em relação a outros; Concretismo;
3. quais os impactos que essas políticas virão a ter para a so- Poema processo;
ciedade (países que as adotaram podem servir de exemplo para o Poesia social;
debate). Poesia marginal.
Fonte: https://www.assisprofessor.com.br/concursos/aposti-
las/camara_deputados/3.%20Conhecimentos%20Gerais.pdf CONCRETISMO
LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA: CONTEXTO HIS- Idealizado pelos irmãos Haroldo e Augusto de Campos e Dé-
TÓRICO, PRINCIPAIS AUTORES E OBRAS cio Pignatari, esse movimento começou na revista “Noisgrandes”,
porém ganhou destaque somente na Exposição Nacional da Arte
CONTEXTO HISTÓRICO Concreta em São Paulo.
O Brasil viveu o desenvolvimento tecnológico há poucas déca- No geral, esse tipo de poesia não possui uma forma e nem ver-
das, causando impactos tanto na indústria, quanto política e na so- sos, fugindo do lirismo, como se o poema estivesse sendo feito em
ciedade. Nos anos 60 – enquanto J.K. governava -, aconteceram vá- uma tela, podendo ser lido em qualquer direção. Veja um exemplo,
rios reflexos na sociedade disso, vide a bossa nova, o cinema novo, abaixo, para compreender melhor:
o teatro de Arena, as vanguardas, o movimento da Tropicália e o
surgimento da televisão.
Porém, com a crise causada pela renúncia de Jânio Quadros e
o golpe militar que depôs João Goulart do poder, o momento de
felicidade do país deu origem ao de descontentamento, provocado
pela censura e sensação de medo constante, principalmente pelo
fechamento do Congresso, pelos vários jornais sendo calados, pela
perseguição, pela tortura e pelo exílio de intelectuais, políticos e
artistas.
É nesse momento que a cultura precisou encontrar formas
diferentes de se expressar, mesmo que por baixo dos panos. Esse
também foi o período em que o Brasil conquistou a sua terceira
vitória na Copa do Mundo, sendo utilizada como motivo nacionalis-
ta, silenciando a população por um tempo. É nesse momento que
surge o ditado “Brasil – ame-o ou deixe-o”.
No final dos anos 70, o presidente Figueiredo sanciona a Lei da
Anistia, permitindo a volta dos exilados para o território nacional.
Isso desperta o sentimento de otimismo para aqueles que estavam
descontentes com o regime militar da época.
A ditadura militar, por sua vez, acaba em 1985, e o movimento
Diretas Já! ganha força em 1989, tendo Fernando Collor de Mello
como o novo presidente do Brasil, posteriormente deposto 2 anos
depois.

LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA: CARACTERÍSTICAS


No geral, a literatura contemporânea procura:
Diminuição das fronteiras entre a arte popular e a erudita;
Intertextualidade;
Vários estilos de narrativa;
Preocupação com o presente;
Temas cotidianos;
Metalinguagem;

35
ATUALIDADES
POESIA PROCESSO POESIA MARGINAL
No ano de 1964, Décio Pignatari e Luiz Ângelo Pinto criaram o Um exemplo da contracultura no Brasil, durante os tempos “ne-
poema código ou semiótico, geralmente visual, como se fosse um gros” da Ditadura Militar, a poesia marginal vinha com o intuito de
poema dadaísta, veja exemplo, abaixo: expressar a violência diária e ir contra o conservadorismo da época.

São marcadas principalmente por ironia, sarcasmo, gírias e hu-


mor. Os grandes nomes do movimento são Paulo Leminski, Torqua-
to Neto, Chacal e Ana Cristina Cesar.

PROSA NA LITERATURA CONTEMPORÂNEA


Há vários tipos no Brasil que ganham destaque:

ROMANCE REGIONALISTA

POESIA SOCIAL Com uma pegada ainda consequente do Romantismo, muitos


O nome mais conhecido desse tipo de poesia é Ferreira Gullar, escritores comentam sobre as zonas rurais e os problemas relacio-
que no ano de 1964 sai fora do padrão da poesia concreta e de for- nados. Alguns dos principais escritores e suas obras são:
ma lírica, impondo o verso com temas de interesse social, principal-
mente relacionados à Guerra Fria, Corrida Atômica, Neocapitalismo Mário Palmério – Vila dos Confins;
e mais. José Cândido de Carvalho – O Coronel e o Lobisomem;
Antônio Callado – Quarup;
Porém, depois do golpe militar, ela é considerada uma poesia Herberto Sales – Além dos Maribus.
de resistência, tendo grandes nomes, como Thiago de Mello, Affon-
so Romano de Sant’Ana, Chico Buarque e muito mais. ROMANCE INTIMISTA
Com linha mais de sondagem do ser humano, os autores têm
uma pegada mais angustiada, com traumas e vários problemas psi-
cológicos que envolvem tanto o campo espiritual, quanto moral e
metafísico. Os principais nomes desse estilo são:
Lydia Fagundes Telles – Ciranda de Pedra;
Autran Dourado – Ópera dos Mortos;
Lya Luft – Reunião de Família;
Fernando Sabino – O Encontro Marcado;
Chico Buarque – Estorvo.

ROMANCE URBANO/SOCIAL
Mostra os centros urbanos e seus problemas relacionados à
burguesia, luta do proletariado, violência urbana, solidão e muito
mais. Os principais nomes são:
José Conde – Um Ramo Para Luísa;
Carlos Heitor Cony – O Ventre;
Dalton Trevisan – Cemitério de Elefantes.

ROMANCE POLÍTICO
Depois do fim da Ditadura Militar, vários romances surgiram
como forma de expressão de tudo que se passou e ficou sufocado.
Esse tipo de literatura possui algumas classes variadas, como:

36
ATUALIDADES
Paródia histórica com nomes como Ariano Suassuna, com A Pe-
dra do Reino, e João Ubaldo Ribeiro, com Sargento Getúlio. ELEMENTOS DE ECONOMIA INTERNACIONAL CON-
Também, o romance reportagem surge, usando a linguagem TEMPORÂNEA
jornalística para explanar os relatos de tortura, como uma voz de
denúncia e protesto. Os grandes nomes são: A relativa sincronização do ciclo econômico nas três principais
Ignácio de Loyola Brandão – Zero, não Verás País Nenhum; regiões econômicas, evidenciada pela desaceleração nos Estados
Roberto Drummond – Sangue de Coca-Cola; Unidos da América (EUA), pela fraca atividade na área do Euro e
Rubem Fonseca – O Caso Morel. pela depressão no Japão, pode significar que a retomada da econo-
O romance policial também ganha destaque com a narrativa mia internacional será mais lenta do que inicialmente imaginado.
urbana, com autores como Marcelo Rubens Paiva, com Bala na Agu- Além disso, a ameaça de ataque norte-americano ao Iraque lança
lha, e Rubens Fonseca, com A Grande Arte. incertezas adicionais sobre o preço futuro do petróleo.
O romance histórico também traz à tona histórias com caracte- A relação entre as três principais moedas internacionais alte-
rísticas policiais e políticas. Grandes nomes dessa forma de protesto rou-se levemente em agosto, na esteira da melhora do mercado
são Ana Miranda, com Boca do Inferno, Fernando Morais, com Olga, de ações, principalmente nos Estados Unidos, ajudando, assim, a
e Rubem Fonseca, com Agosto. recompor, em parte, o valor efetivo do dólar comparativamente ao
Ainda, surge o Realismo fantástico ou Surrealismo, no qual al- iene e ao euro. Existem, contudo, dúvidas quanto à sustentabilida-
guns escritores tratam da situação do Brasil de modo metafórico, de dessa recuperação, tendo em vista que o dólar ainda se encontra
como Murilo Rubião, com O Pirotécnico Zacarias, J. J. Veiga, com A valorizado em relação à média histórica. Ademais, a forte desace-
Hora dos Ruminantes, e Érico Veríssimo, com Incidente em Antares. leração da economia norte-americana no segundo trimestre deve
frustrar as expectativas de lucros em ambiente já bastante contur-
ROMANCE MEMORIALISTA/AUTOBIOGRÁFICO bado pelas denúncias de fraudes contábeis em algumas das princi-
Um estilo que ganha força durante os anos 80, misturando-se pais corporações norte-americanas. Por fim, o déficit em transações
à autobiografia e às reflexões intelectuais de quem viveu no exílio correntes dos EUA permanece bastante significativo, associado à
ou sofreu com torturas durante o Regime Militar. Os nomes mais ampliação do déficit fiscal.
marcantes são Fernando Gabeira, com O que é isso, Companheiro?, Na América Latina, o longo processo de negociação entre o go-
Marcelo Rubens Paiva, com Feliz Ano Velho, e Érico Veríssimo, com verno argentino e o FMI ainda não permite vislumbrar solução para
Solo de Clarineta I e II. a moratória naquele país. Por outro lado, o apoio do Tesouro dos
Estados Unidos e a renovação de acordos Stand-by com Uruguai,
ROMANCE EXPERIMENTAL E METALINGUÍSTICO Paraguai e Brasil trouxeram maior alento à região, mas não foram
Marcado pela sua estrutura fragmentada e diferente, há no- suficientes para restaurar inteiramente a confiança do mercado fi-
mes marcantes como Osman Lins, com Avalovara, Ignácio de Loyola nanceiro internacional. Essa maior aversão global ao risco refletiuse
Brandão, com Zero, e Ivan Ângelo, com A Festa. em piores condições de financiamento privado para os mercados
emergentes, dificultando inclusive a rolagem integral das linhas de
CONTOS E CRÔNICAS créditos comerciais para países como o Brasil.
Nos anos 70, os contos e as crônicas ganham o mundo pela nar- Entre os países emergentes asiáticos, embora o ritmo da ati-
rativa mais simples e curta, atendendo à necessidade dos leitores vidade econômica tenha arrefecido, as projeções apontam para
que buscavam algo mais rápido de ser consumido. crescimento do produto acima da média mundial. De fato, a firme
Esse tipo de literatura é marcado por sequência anormal, relato expansão da demanda interna na região, associada à demanda ex-
pessoal, vários flashes, mistura entre poesia e prosa, além de apare- terna, sustenta taxas de crescimento mais vigorosas nessas econo-
cimento de estados emocionais com frequência. mias, frente à desaceleração observada no resto do mundo.
Os nomes mais marcantes são: Dalton Trevisan, Hilda Hist, Luís
Vilela, Marcelo Rubens Paiva, Domingos Pellegrini JR., Vinícius de Estados Unidos
Moraes, Rachel de Queiroz, Carlos Drummond de Andrade, Fernan-
do Sabino, Luís Fernando Veríssimo, além de muitos outros. A revisão da série do PIB dirimiu as dúvidas restantes quanto
à ocorrência de recessão nos EUA no ano passado. Ademais, dados
OUTROS ESTILOS preliminares indicam que a economia norte-americana apresentou
A literatura contemporânea também deu abertura a outros ti- forte desaceleração no segundo trimestre do ano corrente. Nessas
pos de literatura que envolvem multimodalidades, ou variadas for- condições, o temor de nova recessão ganhou força (double-dip),
mas composicionais, como é o caso de Valêncio Xavier e seu livro contribuindo para deteriorar ainda mais as expectativas de empre-
Mez da Grippe, no qual o autor narra uma história, valendo-se de sários e consumidores.
vários gêneros textuais para compor o livro, como notícias, entre- Dados mais recentes mostram que a demanda de consumo
vistas, poesias e propagandas. continua em expansão, ainda que em ritmo lento, influenciada por
A literatura produzida por povos quilombolas e indígenas tam- fatores extraordinários, como o financiamento sem juros na compra
bém ganha destaque, como é o caso de Daniel Munduruku, com de automóveis. Os preços dos imóveis mantiveram-se em alta, mas
Coisas de Índio, e Kaka Werá Jecupé, com A terra dos mil povos, que há o risco de que tal espiral reflita, na verdade, a realocação do por-
revelam outras formas de literatura que já existiam antes mesmo da tfólio de ativos de risco para ativos reais, movimento característico
colonização no Brasil. de ambientes de maior incerteza.
Carolina de Jesus também inova no cenário literário brasileiro As bolsas de valores e o dólar apresentaram recuperação em
com Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada lançado em 1960. agosto, compensando, em parte, as fortes baixas do ano, contri-
O livro abre espaço para a literatura feminista. buindo para que o preço das ações e o valor efetivo do dólar si-
tuem-se em níveis bem acima dos padrões históricos.

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ATUALIDADES
Por outro lado, é ainda difícil antecipar em toda sua extensão As condições do mercado de trabalho mantiveram-se relativa-
e profundidade os efeitos negativos que o abalo da confiança nas mente inalteradas nos últimos meses. Assim, a taxa de desemprego
grandes corporações norte-americanas exercerá sobre as decisões do setor não-agrícola manteve-se estável em julho, em 5,9%, com
de investimento e seu financiamento. Nessas condições, aumentam apenas seis mil novos postos de trabalho tendo sido ocupados no
as preocupações quanto ao enorme déficit em conta-corrente dos mês. O número de horas trabalhadas na semana declinou, em julho,
Estados Unidos, cuja correção abrupta e não-coordenada faria de- para o nível mais reduzido, desde outubro do ano passado.
sencadear pressões ainda mais intensas sobre o dólar. Tendo em vista a evolução da demanda, a deterioração das
Assim, embora os indicadores econômicos e financeiros ain- condições do mercado financeiro, o clima de desconfiança em rela-
da emitam sinais parcialmente contraditórios, cresce a percepção ção às corporações e a menor robustez dos ganhos de produtivida-
entre investidores e analistas de que a economia norte-americana de, o Federal Reserve decidiu manter a meta da taxa dos fed funds
dificilmente repetirá no futuro próximo as elevadas taxas de cres- inalterada em 1,75% a.a. na última reunião, em 13 de agosto.
cimento econômico e de produtividade assinaladas nos anos no- Adicionalmente, foi adotado viés de baixa, de vez que os ris-
venta. cos de desaceleração econômica são agora percebidos como mais
De acordo com dados do PIB revisados pelo Bureau of Eco- presentes. Essa interpretação está refletida no comportamento dos
nomic Analysis (BEA) para o período 1999-2001, o crescimento da preços, que, tanto no nível do produtor quanto no do consumidor,
economia norte-americana foi consideravelmente mais fraco que apresentam trajetórias estáveis.
o esperado na maior parte do ano 2000 e na primeira metade de
2001. De fato, o PIB apresentou crescimento negativo nos três pri- Japão
meiros trimestres de 2001, de -0,6%, -1,6% e -0,3%, nessa ordem,
na série anualizada, quando na série anterior a contração havia sido No segundo trimestre de 2002, registrou-se percepção mais
restrita ao terceiro trimestre do ano. Além disso, o crescimento do favorável quanto à evolução da economia japonesa, embora, no
primeiro trimestre de 2002 foi corrigido de 6,1% para 5%, enquanto âmbito interno, persistisse o cenário deflacionário, apesar da po-
dados preliminares para o segundo trimestre do ano indicam de- lítica monetária fortemente expansionista, o consumo privado não
saceleração do crescimento para 1,1%, resultado do aumento das apresentasse sinais consistentes de recuperação e a taxa de desem-
importações e da menor expansão do consumo. prego permanecesse em patamar elevado. No setor externo, a re-
O ritmo de expansão das vendas no varejo arrefeceu levemen- cuperação das economias dos Estados Unidos e do leste asiático
te, passando de 1,5%, em junho, para 1,2%, em julho, considerada reverteu a trajetória declinante da balança comercial, a despeito da
a série dessazonalizada. Excluídas as vendas de automóveis, a taxa apreciação do iene. A economia permanece fortemente dependen-
de crescimento alcançou 0,2% em julho. te da demanda externa e da implementação de reformas estrutu-
O número de construções de novas residências iniciadas em rais, especialmente a do setor bancário.
julho, a exemplo do registrado no mês anterior, recuou 2,7%, após As encomendas às fábricas estão estacionadas desde junho de
assinalar expansão de 11,2% em maio. No trimestre encerrado em 2001, muito embora seu núcleo, que exclui encomendas voláteis,
julho, o início de construções cresceu 1,1%, ante o patamar de igual tenha crescido durante todo o primeiro semestre de 2002. O início
período do ano passado. de novas construções alcançou 102,2 mil unidades, em média, no
O déficit orçamentário no ano fiscal, que termina em setembro, segundo trimestre, ante 86,3 mil no primeiro. O consumo privado
aumentou para US$147,2 bilhões em julho. As previsões mais re- permanece estável, devido ao continuado enfraquecimento da ren-
centes indicam déficit de 1,5% do PIB no presente ano fiscal. da e às incertezas no mercado de trabalho.
No que se refere ao déficit do comércio exterior, totalizou As exportações atingiram U$104,9 bilhões no segundo trimes-
US$40,8 bilhões em junho, retrocedendo 2,2% no mês, mas ex- tre, crescendo 10,4% em relação ao primeiro trimestre e 3,4% re-
pandindo 15,2% no segundo trimestre, em relação ao período ime- lativamente a igual período de 2001. As importações alcançaram
diatamente anterior. O crescimento do déficit comercial deve-se, U$82,6 bilhões, expandindo 7,4% e decrescendo 7,1%, respectiva-
principalmente, à expansão das importações, superior à das expor- mente, nas mesmas bases de comparação.
tações, desde o início do ano. A produção industrial cresceu de fevereiro a maio de 2002, im-
A produção industrial vem crescendo de forma lenta, mas contí- pulsionada sobretudo pela demanda externa por bens de capital. A
nua, desde o início do ano. Em julho, a produção expandiu-se 0,2%, taxa de desemprego alcançou 5,4% em junho, inalterada em rela-
desacelerando um pouco em relação a junho, quando aumentou ção a maio, mas próxima ao recorde de 5,5% do pósguerra. Ressal-
0,7%. Refletindo esse crescimento continuado, a utilização da capa- te-se que a elevação do número de desempregados reflete também
cidade vem aumentando mês a mês, alcançando 75,6% em julho. o processo de reestruturação corporativa, que implicou dispensa de
Os ganhos de produtividade da economia norteamericana funcionários, como forma de redução de custos.
também foram reajustados para baixo, no período 1999-2001, as- Em primeira estimativa, o Banco do Japão divulgou que o PIB
sinalando-se que os resultados refletem não só as revisões perió- cresceu 1,4%, ou 5,7% em termos anualizados, no primeiro trimes-
dicas do PIB, efetuadas pelo BEA, como a revisão anual dos dados tre de 2002, após três trimestres consecutivos de retração. O cresci-
do mercado de trabalho, pelo Bureau of Labor Statistics (BLS). A mento foi impulsionado, em grande medida, pelo desempenho das
produtividade do setor não-agrícola sofreu forte desaceleração no exportações líquidas, responsáveis pela metade do resultado. Na
segundo trimestre de 2002, aumentando 1,7% na série anualizada. comparação com igual período do ano precedente, o PIB decresceu
No mesmo sentido, a produtividade do setor manufatureiro no se- 1,6%. Alegando crescimento insuficiente da demanda externa e bai-
gundo trimestre caiu à metade da taxa registrada no primeiro tri- xo desempenho da demanda interna, o Banco Central do Japão re-
mestre. Todavia, o ganho anualizado de 4,3% no segundo trimestre visou suas expectativas de crescimento para os anos fiscais de 2002
é o melhor resultado do setor nos últimos vinte anos, quando utili- e 2003, de -0,1% para -0,3%, e de 1,6% para 0,8%, respectivamente.
zada a mesma base de comparação. As pressões deflacionárias permaneceram, com o Índice de
Preços ao Consumidor (IPC) registrando, em junho, variação anual
negativa pelo 33º mês consecutivo. O governo credita essa tendên-
cia ao enfraquecimento da demanda, queda nos preços da terra e
concorrência de produtos importados. No mesmo sentido, o Índice

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ATUALIDADES
de Preços no Atacado (IPA) vem registrando variação anual nega- Em relação ao mesmo mês de 2001, a taxa registrou, em julho,
tiva desde setembro de 2001. Para contrarrestar tal tendência, o elevação em dez dos doze países da região.
governo vem exercendo política monetária fortemente expansio- O PIB da Área do Euro cresceu 0,6% no segundo trimestre,
nista, cuja meta de excesso de liquidez, representada pelo saldo comparativamente ao segundo trimestre de 2001, após elevar-se
na contacorrente do Banco Central, tem variado entre ¥10 trilhões 0,3% no primeiro trimestre, na mesma base de comparação. Por
e ¥15 trilhões (US$83 bilhões e US$124 bilhões). Adicionalmente, setores da economia, os maiores aumentos ocorreram em serviços
continuou comprando mensalmente ¥1 trilhão em títulos públicos financeiros e em outros serviços, 1,6% e 1,8%, respectivamente, e
como forma de manter o mercado bancário líquido. as maiores contrações na construção e na indústria, 1,7% e 0,9%,
Em abril deste ano, o governo extinguiu a garantia do seguro- seqüencialmente. A variação do PIB relativa ao trimestre anterior,
depósito para contas de poupança acima de ¥10 milhões, manten- ajustada sazonalmente e anualizada, alcançou 1,4%. O consumo
do garantia ilimitada para depósitos em conta corrente, a vigorar privado, que correspondeu a 57% do PIB, subiu 0,3% no segundo
até abril de 2003. Essa medida levou à expressiva saída de depó- trimestre, enquanto a formação bruta de capital fixo, responsável
sitos de poupança para conta-corrente, com o saldo das primeiras por 21% do PIB, contraiu 2,9%, relativamente ao mesmo trimestre
reduzindose de ¥145 trilhões para ¥93 trilhões. de 2001.
A confiança empresarial medida pelo índice Tankan, que afere
O arrefecimento da inflação no segundo semestre permitiu que
as expectativas de curto prazo das grandes indústrias, alcançou -18
o Banco Central Europeu (BCE) mantivesse a taxa básica de juros
pontos no segundo trimestre, ante -38 pontos no período anterior,
em 3,25% a.a., prevalecente desde novembro de 2001. O Índice de
registrando a primeira variação positiva desde o segundo trimestre
Preços ao Consumidor Harmonizado (IPCH), cuja variação anual se
de 2000. Embora o mesmo índice para as condições de oferta e de-
manda tenha evoluído de -45 para -36, uma provável recuperação manteve acima de 2,5% no primeiro trimestre, mudou de patamar
nos lucros corporativos no segundo semestre ocorreria devido mais nos últimos meses, registrando elevações de 2% em maio, 1,8% em
a esforços de reestruturação e outros cortes de custos do que, pro- junho e 1,9% em julho. Se confirmada a contenção das pressões
vavelmente, pelo aumento nas vendas. inflacionárias que se manifestaram no início do ano, haverá espaço
para que o BCE reduza a taxa de juros visando evitar desaceleração
Área do Euro adicional do nível de atividade econômica.
A frágil recuperação da economia ameaça comprometer as me-
O ritmo de expansão da economia permanece próximo da es- tas fiscais de alguns países da Área do Euro, tendo em vista que o
tagnação, como atestam os desempenhos do PIB e de outros in- déficit público anual deve se manter abaixo do limite de 3% do PIB,
dicadores de oferta e demanda. Produção industrial e vendas ao conforme determinado pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento,
varejo exibem desempenho frágil, ao mesmo tempo que se elevam firmado em 1997. Nesse sentido, a Alemanha, que no primeiro se-
as taxas de desemprego. A incerteza quanto à recuperação da eco- mestre apresentou déficit equivalente a 3,5% do PIB, possivelmente
nomia americana, a insegurança frente ao risco de desemprego e a excederá o teto de 3% para o ano, haja vista os gastos adicionais
deterioração dos preços de ativos de renda variável se traduzem em decorrentes dos efeitos das enchentes. Adicionalmente, a França
pessimismo por parte de empresas e consumidores, como apontam enfrentará dificuldades para se manter abaixo do valor de referên-
os principais indicadores de confiança. A única sinalização positiva, cia, em 2003, se o desempenho econômico permanecer debilitado,
quanto ao nível de atividade, provém da balança comercial, cujos assim como a Itália, que pretende reduzir a carga tributária, no pró-
elevados superávits continuaram a se ampliar ao longo do segundo ximo ano.
trimestre. As expectativas do setor empresarial e dos consumidores, que
De fato, a demanda interna tem se mostrado incapaz de sus- vinham apresentando evolução positiva desde novembro de 2001,
tentar a retomada do crescimento. deterioraram-se a partir de maio, de acordo com indicadores de
As vendas ao varejo vinham exibindo comportamento irregular confiança da Área do Euro e das principais economias da região. O
desde o final de 2001, com variações anuais pequenas, embora po- índice do Instituto de Pesquisas Econômicas (IFO), que afere expec-
sitivas. Em junho, declinaram 0,9%, após elevações de 0,8% e 0,7% tativas de negócios na Alemanha, recuou de 91,6 pontos em maio,
em abril e maio, respectivamente. As variações mensais foram de
para 91,3 e 89,9 nos meses seguintes, alcançando 88,8 pontos em
-1%, 0,3% e -0,5% em abril, maio e junho.
agosto. Na Itália, indicador equivalente estimado pelo Istituto di
Os saldos comerciais positivos prosseguiram em trajetória de
Studi e Analisi Economica (Isae) declinou de 97,2 para 93,2 pontos
expansão, a despeito da acentuada apreciação do euro em relação
de maio para julho e na França, o índice do Institut National de la
ao dólar. No segundo trimestre, essa evolução decorreu, principal-
mente, do crescimento das exportações, que se recuperaram após Statistique et des Études Économiques (Insee) passou de 101 para
atingirem, em fevereiro, o valor mais baixo desde agosto de 2000. 98 pontos em igual período. O índice para a Área do Euro, calculado
As importações vêm crescendo desde dezembro, embora ainda se pela Comissão Européia, registrou retração de -9 para -10. Compor-
mantenham abaixo do patamar observado no início de 2001. O tamento semelhante pode ser observado com relação aos indicado-
superávit comercial alcançou US$7,9 bilhões em maio e US$10,2 res de confiança do consumidor destes países. Entre esses, o índice
bilhões em junho, resultado de exportações de US$82,6 bilhões e referente aos consumidores italianos registrou o maior declínio, de
US$86,9 bilhões e de importações de US$74,7 bilhões e US$76,7 119 para 113,3 pontos, de maio a julho, ao passo que o indicador
bilhões, nos meses de maio e junho, respectivamente. para a Alemanha subiu de 89 para 92 pontos no mesmo intervalo.
A produção industrial prosseguiu apresentando variações anu- O índice da Comissão Européia recuou de -8 para -10. Economias
ais negativas ao longo do segundo trimestre, assinalando decrés- emergentes
cimos de 1,2% em maio e junho. Em termos mensais, a produção
industrial declinou 0,7% em abril, manteve-se estável em maio e China
expandiu 0,5% em junho. As indicações provenientes do mercado
de trabalho também são desfavoráveis. A taxa de desemprego man- No segundo trimestre de 2002, o PIB apresentou crescimento
tevese em 8,3% de maio a julho, após permanecer em 8,2% nos anual de 8%. Essa expansão foi impulsionada pelas altas de 8,6%
quatro primeiros meses do ano. nas vendas no varejo e de 21,5% no investimento.

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ATUALIDADES
A atividade econômica no país continuou em ritmo elevado em A inflação em doze meses, medida pelo IPC, alcançou 15% em
julho, alavancada pela expansão das exportações, que se beneficia- julho, ante 14,7% no mês precedente. Esse crescimento refletiu, em
ram do bom desempenho das vendas ao exterior de produtos elé- parte, a tendência de alta nos preços ao produtor observada desde
tricos e eletrônicos, e do investimento, impulsionado pelos maiores abril, visto que, desse mês até julho, a inflação anual no âmbito do
gastos na construção de edifícios, reflexo da adoção de pacote de produtor deslocou-se de 6,8% para 11,4%.
estímulos fiscais desde o início de 2002. Em relação ao mês anterior, Em relação ao comércio exterior, as exportações totalizaram
o crescimento com ajuste sazonal desses componentes do gasto US$8,2 bilhões e as importações, US$4,8 bilhões, em julho. A con-
agregado atingiu 5,3% e 1,9%, respectivamente. Em comparação ao tinuidade de saldos mensais positivos ao longo do ano resultou
mês correspondente em 2001, as exportações expandiram 28,1% e em superávit acumulado de US$21 bilhões no primeiro semestre
o investimento, 22,9%. de 2002. O superávit acumulado em doze meses até junho atingiu
Ainda em julho, as vendas no varejo mantiveram-se em nível US$42,4 bilhões, 2,5% abaixo do superávit acumulado até maio.
elevado, sustentadas pelas despesas com alimentação, registrando Ao final de julho, as reservas internacionais atingiram US$43,3
crescimento mensal de 0,8%, com ajuste sazonal. Na comparação bilhões, ante US$43,6 bilhões no mês anterior e US$36,5 bilhões ao
com igual mês do ano anterior, as vendas expandiram 8,6%. O IPC final de julho de 2001. O aumento paulatino do nível de reservas
apresentou variação negativa de 0,1% em julho, evidenciando me- externas tem contribuído para a estabilidade da moeda doméstica
nores preços da alimentação e relativa estabilidade do segmento de no patamar de 30 rublos por dólar, ao longo do ano. Ainda em julho,
produtos não alimentícios. a taxa interbancária de juros elevou-se para 13,4% a.a., ante 6,4%
Considerando a variação em 12 meses, o IPC registrou variação a.a., em junho, e 5,2% a.a., em maio, voltando a aproximar-se da
igualmente negativa, de 0,9%. taxa assinalada em fevereiro.

Coréia do Sul Turquia

No segundo trimestre de 2002, o PIB a preços constantes apre- A aprovação pelo Parlamento de reformas necessárias para o
sentou crescimento de 7,8%, em relação ao trimestre anterior, re- início de negociações visando o ingresso do país na União Européia
cuperando, em parte, a contração de 10,2% assinalada no primeiro (UE), a contenção da inflação e o sólido desempenho fiscal foram
trimestre do ano, comparativamente ao último trimestre do ano an- determinantes para o restabelecimento da confiança, face as incer-
terior. Em relação a igual trimestre de 2001, o PIB real expandiu-se tezas de ordem política associadas às eleições de novembro.
6,3%. A recuperação da atividade econômica decorreu da intensi- Esse quadro foi corroborado com a aprovação, pelo FMI, da ter-
ficação na produção industrial, que cresceu 8,1% no segundo tri- ceira revisão do acordo assinado em fevereiro, o que possibilitou
mestre do ano, comparativamente ao período anterior, sustentada, desembolso adicional de US$1,15 bilhão.
principalmente, pelo desempenho das exportações, que expandi- O arrefecimento da inflação contribuiu para a continuada redu-
ram 12,9% no período. Considerada a mesma base de comparação, ção da taxa de juros overnight, que foi fixada em 46% a.a. no início
a formação bruta de capital fixo elevou-se 12,4% e a atividade de de agosto. O banco central reduziu a taxa em seis ocasiões, desde
construção, 25,1%. o início do ano, acumulando contração de 13 p.p. A variação anual
A produção industrial dessazonalizada elevou-se 1,9% em ju- do índice de preços ao consumidor, que havia alcançado 52,7% em
lho, em comparação ao mês anterior, e 8,9% frente ao mesmo mês abril, declinou para 42,6% em junho, 41,3% em julho e 40,2% em
de 2001, contribuindo para que a taxa de desemprego totalizasse agosto, sugerindo o cumprimento da meta para a inflação, de 35%,
2,7%, mesmo patamar de junho, ante 3,4% em julho de 2001. para 2002.
No mesmo mês, a inflação anual, medida pelo IPC, alcançou O PIB cresceu 2,3% no primeiro trimestre, em relação ao mes-
2,1%, ante 2,6% de junho. As variações, igualmente anuais, de 0,9% mo trimestre de 2001. Na mesma base de comparação, estimati-
nos preços ao produtor e de -7,2% nos preços de importação contri- vas apontam crescimento superior a 7% no segundo trimestre,