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Instituto Superior de Engenharia de Lisboa

TRANSPORTE DE FLUIDOS

2ª EDIÇÃO Helena Teixeira Avelino


Jaime Filipe Borges Puna
António Carlos Coentro
Fevereiro 2003
INSTITUTO SUPERIOR DE ENGENHARIA DE LISBOA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA

SECÇÃO 9 – PROCESSOS QUÍMICOS E REACTORES

TRANSPORTE DE FLUIDOS

1ª EDIÇÃO:
HELENA TEIXEIRA AVELINO
1999

2ª EDIÇÃO:
HELENA TEIXEIRA AVELINO
JAIME FILIPE BORGES PUNA
ANTÓNIO CARLOS COENTRO
2003
INDICE

CAPÍTULO I – MECÂNICA DE FLUIDOS

1. Introdução 1
1.1 Classificação dos fluidos 2
1.2 Fluido em movimento 5
1.3 Fluido estática 7
1.4 Manómetros 8
2. Mecanismo do fluxo de fluidos 11
2.1 Distribuição de velocidades 12
2.2 Noção de viscosidade e massa volúmica 14
3. Princípio da conservação de energia
3.1 Teorema de Bernouilli 17
3.2 Equação da continuidade 22
3.3 Tubagens, tubos e acessórios 24
4. Perdas de pressão no fluxo de fluidos em tubagens 29
4.1 Cálculo das perdas por fricção em tubagens 32
5. O efeito do choque hidráulico 41
6. Número de Karman 42
7. Diâmetro mínimo de uma tubagem 43
8. Previsão da perda de carga 44
9. Medidores de caudais 45
9.1 Medidores de carga variável 46
9.1.1 Medidor de orifício 48
9.1.2 Embocadura 51
9.1.3 Medidor de Venturi 52
9.1.4 Tubo de Pitot 53
9.2 Medidores de área variável
9.2.1 Rotâmetros 54
9.3 Outros medidores de caudal e de velocidades locais 55
PROBLEMAS 67
CAPÍTULO II – BOMBAS

1. Introdução 73
1.1 Balanços de massa/balanços de energia 73
1.2 Tipos de bombas 74
1.2.1. Bombas de deslocamento positivo 76
1.2.2. Bombas centrífugas 80
1.3 Escolha da bomba centrífuga 83
2. Dimensionamento de uma bomba centrífuga 85
3. Cavitação 90
4. Curvas características das bombas centrífugas 95
5. Leis de semelhança entre bombas centrífugas 97
5.1 Efeito da variação da velocidade do rotor com diâmetro constante 98
5.3 Efeito da variação do diâmetro do rotor com velocidade de rotação do
rotor constante 98
6. Ponto de funcionamento 99
7. Associação de bombas 101

PROBLEMAS 103

CAPÍTULO III – COMPRESSORES

1. Introdução 111
2. Classificação dos compressores 112
3. Ciclos de compressão 115
3.1 Compressão isotérmica 115
3.2 Compressão adiabática ou isentrópica 116
3.3 Compressão politrópica 116
4. Teoria da compressão
4.1 Energia Interna 118
4.2 1ª Lei da Termodinâmica 118
4.3 2ª Lei da Termodinâmica 120
4.4Trabalho teórico 122
4.4.1 – Processo isotérmico 122
4.4.2 – Processo isentrópico 123
4.4.3 – Processo politrópico 128
4.4.4 – Gás real 129
5. Cargas de velocidade 130
6. Potência e eficiência dos compressores 132
6.1 Eficiência de compressores alternativos 133
6.2 Eficiência de compressores centrífugos 136
7. O aumento da temperatura durante a conversão 139
8. Diâmetro do rotor e velocidade 139
9. Compressores multi-andares 140

PROBLEMAS 145

BIBLIOGRAFIA 151
Mecânica de Fluidos 1

CAPÍTULO I – MECÂNICA DE FLUIDOS

1. INTRODUÇÃO:

No decurso da sua actividade os engenheiros químicos são confrontados na


indústria com uma grande diversidade de processos de fabrico nos quais poderão
existir simultânea ou isoladamente, transformações físicas e/ou químicas.

Define-se da seguinte maneira:


1 - Processo Unitário - como toda a sequência ou operação que envolve uma
transformação química;
2 - Operação Unitária - como toda a sequência ou operação que implica apenas
uma transformação física.

Os primeiros cursos de engenharia química eram baseados no estudo de tecnologia


industrial e sofreram grandes alterações pela introdução do conceito de operações
unitárias, decorrente da semelhança entre as mudanças físicas que são utilizadas
em indústrias totalmente diversas.
Por exemplo, reconheceu-se que a evaporação de um líquido de uma solução
seguia os mesmos princípios, balanços de massa e energia, quer se tratasse de um
processo de obtenção de açúcar, fertilizante ou sumo concentrado. Assim a
evaporação tornou-se uma das operações unitárias reconhecida como tal. Pode-se
distinguir, entre outros, os seguintes passos de um processo: transporte ou
escoamento de líquidos, transferência de calor, humidificação, secagem, destilação,
absorção gasosa, extracção, etc...

Neste capitulo irá estudar-se uma das operações unitárias mais importantes em
Engenharia Química - O Transporte de Fluidos.
A importância desta operação unitária está associada ao facto de o manuseamento
de líquidos ser muito mais simples e económico do que o manuseamento de sólidos.
Assim o engenheiro químico tende, sempre que lhe seja possível, a movimentar
todas as substâncias na forma de líquidos, suspensões ou soluções.
Principalmente nas industrias transformadoras, ocorre com muita frequência o facto
de os fluidos necessitarem de ser bombeados a longas distâncias entre as unidades
2 Transporte de Fluidos

de armazenagem e os reactores, por exemplo, ou entre estes para outras operações


unitárias, etc. e, haverá frequentemente, uma perda de pressão importante, tanto na
conduta como nas próprias unidades em causa. Por conseguinte, é preciso
considerar os problemas associados ao cálculo da potência necessária à
bombagem, ao projecto do sistema de fluxo mais apropriado, à medição do caudal e
muitas vezes ao controle deste mesmo caudal.

1.1. Classificação dos fluidos:

Um fluido pode definir-se como uma substância que não resiste permanentemente a
uma distorção.
Ao pretender modificar-se a forma de uma massa de fluido, observa-se que as
camadas do mesmo se deslocam umas em relação às outras, até que se alcance
uma nova forma. Durante este processo ocorrem tensões tangenciais (esforços de
corte) que dependem da viscosidade e da velocidade de fluxo do fluido. Um fluido
em equilíbrio está completamente livre de esforços cortantes.

Os fluidos subdividem-se em líquidos e gases, podendo ser classificados das


seguintes formas:

1 - De acordo com o seu comportamento sob a acção de uma pressão aplicada


exteriormente:

¾ Incompressíveis
Se o volume de um elemento de fluido é independente da sua pressão e
temperatura. Ex.: Líquidos. Para pequenas variações de pressão, podem-se
considerar incompressíveis.

¾ Compressíveis
Se o volume de um elemento de fluido varia com a sua pressão e temperatura. Ex.:
Gases

Note-se contudo que nenhum dos fluidos reais é completamente incompressível. No


entanto, os líquidos podem ser encarados como tal para efeitos de estudo do seu
mecanismo de fluxo.
Mecânica de Fluidos 3

2 - De acordo com os efeitos produzidos sob a acção de um esforço de corte:

O comportamento de um fluido sob a acção de um esforço de corte é muito


importante pois determina a forma como ele se movimentará. A fim de que se possa
introduzir a noção de esforço de corte (tensão tangencial), torna-se necessário
analisar as forças exteriores que actuam numa determinada massa de fluido sujeita
à acção da aceleração da gravidade. Essas forças são de dois tipos:

a - Peso do fluido;
b - Forças de contacto que actuam sobre a superfície que limita o volume ocupado
pela massa de fluido.

Figura 1: Forças exteriores que actuam numa massa de fluido

A força de contacto dF exercida sobre dA pode decompor-se segundo um versor n


normal a dA em:
dFn - Força normal a dA
dFt - Força tangencial a dA

A grandeza escalar p= dFn/dA recebe o nome de pressão;


e a grandeza escalar R= dFt/dA designa-se por tensão tangencial (esforço de corte).

Num fluido em repouso não existem tensões tangenciais e de acordo com a lei de
Pascal a pressão num ponto é igual em todas as direcções. Nos fluidos em
movimento, em que se manifeste a acção da viscosidade desenvolvem-se tensões
tangenciais ou esforços de corte.
4 Transporte de Fluidos

Sendo a viscosidade uma propriedade física que determina a resistência ao


escoamento uniforme de um fluido, ela afecta a distribuição do esforço de corte
deste, verificando-se no caso dos gases que, mesmo para velocidades de corte
elevadas as tensões tangenciais observadas são muito pequenas.

Considere-se então:

Ry - esforço de corte
dv
- velocidade de corte
dy

verificou-se experimentalmente que o esforço de corte é directamente proporcional


à velocidade de corte. Introduzindo uma nova constante µ (viscosidade dinâmica ou
absoluta) tem-se que:

dv
Ry = µ. (1.1)
dy

ou particularizando para escoamento laminar no interior de um tubo de secção


circular:

dv
Ry = - µ. (1.2)
dy

em que y representa o raio do cilindro, devendo-se o sinal ( - ) ao facto de v


(velocidade do fluxo do fluido) diminuir quando y aumenta.

Representando graficamente Ry = f (dv/dy), obtém-se:


Mecânica de Fluidos 5

Figura 2: Gráfico esforço de corte (Ry) vs. velocidade de corte (dv/dy)

Da análise do gráfico conclui-se que:

Fluido Ideal - apresenta resistência nula à deformação;


Fluido Newtoniano - o esforço de corte é proporcional à velocidade de
corte, sendo τ o declive da recta;
Fluido não Newtoniano - deforma-se de tal maneira que o esforço de corte
não é proporcional à velocidade de corte;
Plástico Ideal - o fluido sustém, inicialmente, um esforço sem qualquer
deformação, deformando-se posteriormente de forma proporcional ao esforço
de corte;
Sólido Ideal - não ocorre deformação para qualquer valor de tensão.

Os Fluidos Newtonianos são praticamente todos os líquidos orgânicos e inorgânicos


enquanto que os Fluidos não Newtonianos podem ser classificados em
pseudoplásticos, dilatantes, Bingham, etc. . Como exemplos de Fluidos não
Newtonianos podem-se destacar a pasta de celulose, algumas tintas, borracha,
massa de bolo, etc. .

1.2. Fluido em movimento:

Quando um fluido circula numa tubagem, a sua velocidade pode ser medida numa
direcção perpendicular à corrente. A variação de velocidade pode ser indicada pelo
uso de linhas de corrente de acordo com:
6 Transporte de Fluidos

Figura 3: Linhas de corrente que exemplificam o escoamento de um fluido

Linhas de corrente equidistantes indicam que a velocidade do fluxo é constante.


Um menor espaçamento entre as linhas de corrente indica um aumento na
velocidade de fluxo de fluido.

Figura 4: Linhas de corrente e distribuição de velocidades num fluido em regime laminar e turbulento.
Mecânica de Fluidos 7

1.3. Fluido estática:

Considere a seguinte coluna de fluido estático:

Figura 5: Coluna de fluido estático

Num tubo de secção S as forças de pressão que actuam num fluido de massa
volúmica, ρ, às diferentes alturas Xn são as seguintes:

P1=F/S
P2 = P1 + h1 ρ g/gc

P3 = P2 + (h2-h1) ρ g/gc

Note-se que g/gc = 1 se o factor de proporcionalidade (gc) for expresso em unidades


do sistema europeu de engenharia, isto é, gc = 9.8 kgm.m.kgf-1.s-2 .

No Sistema Internacional de Unidades (SI), g/gc = 9.8 porque o factor de


proporcionalidade (gc) é adimensional e igual à unidade, isto é, gc = 1.
8 Transporte de Fluidos

1.4. Manómetros:

Os manómetros são instrumentos de medida que permitem determinar uma


diferença de pressão entre dois pontos num escoamento de um determinado fluido.
Como se sabe, este diferencial de pressão é medido pelo desnível de alturas do
líquido existente no manómetro (líquido manométrico) nos dois ramos do
manómetro. As figuras seguintes apresentam alguns tipos de manómetros (os mais
usuais) e as expressões adequadas que permitem calcular o diferencial de pressão.

⇒ Manómetro em U:

g
∆P = R.(ρ(líquido manométrico) - ρ(fluido)). (1.3)
gc

Figura 6: Esquema de um manómetro em U com líquido manométrico B instalado numa tubagem onde se escoa
um fluido A.
Mecânica de Fluidos 9

⇒ Manómetro diferencial:

Neste tipo de manómetro, existe um líquido “intermédio” entre o líquido manométrico


e o fluido. Esse líquido designa-se por líquido diferencial. Este tipo de manómetro
normalmente é utilizado para determinar diferenciais de pressão muito pequenos.

g
∆P = R.( ρC - ρA ). (1.4)
gc

Figura 7: Esquema de um manómetro diferencial com líquido manométrico C e líquido diferencial B, instalado
numa tubagem onde se escoa um fluido A.

⇒ Manómetro inclinado:

Semelhante ao manómetro em U em termos de constituição, mas em que um dos


ramos está sujeito a uma inclinação em relação ao plano horizontal, diferente da do
outro.
10 Transporte de Fluidos

g
∆P = R.senα.(ρA - ρB ). (1.5)
gc

Figura 8: Esquema de um manómetro inclinado com um ângulo α e com um líquido manométrico A, instalado
numa tubagem onde se escoa um fluido B.

As unidades da diferença de pressão (∆P) do fluido dependem do sistema de


unidades utilizado. Por exemplo:

Sistema Internacional: [∆P] ≡ PASCAL (Pa) ≡ N.m-2 , onde gc = 1;


Sistema Europeu de Engenharia: [∆P] ≡ kgf.m-2, onde gc = 9.8 kgm.m.kgf-1.s-2 ;
Sistema Inglês de Engenharia: [∆P] ≡ lbf.ft-2, onde gc = 32.17 lbm.ft.lbf-1.s-2 .
Mecânica de Fluidos 11

2. MECANISMO DE FLUXO DE FLUIDOS:

Considere-se a experiência de Osborn Reynolds:

Figura 9: Esquema simplificado da experiência de Reynolds, realizada em 1883.

Na experiência de Reynolds liga-se um tubo de vidro a um depósito de água de tal


forma que a velocidade desta, que flui ao longo do tubo possa ser modificada. Na
extremidade do tubo introduz-se na massa de água uma fina corrente de corante.

Reynolds verificou que quando a velocidade da água era baixa, permanecia um filme
corado uniforme ao longo do tubo. Aumentando a velocidade da água concluiu que
para determinado valor de velocidade, o filme corado desaparecia tingindo-se a
água uniformemente.

Estas duas formas de regime foram designadas, como corolário da experiência,


respectivamente por:

• REGIME LAMINAR OU VISCOSO


• REGIME TURBULENTO

A velocidade a partir da qual o regime de fluxo passa de laminar a turbulento


designa-se por velocidade critica (vc).
12 Transporte de Fluidos

Esta velocidade crítica é função de: vc = f (v,ρ,µ, Di )

onde:
v - velocidade média de circulação do fluido
ρ - massa específica do fluido
µ - viscosidade do fluido
Di - diâmetro interno da tubagem

A conjugação correcta destas variáveis permitiu que Reynolds definisse um grupo


adimensional que caracteriza o tipo de regime ou de fluxo de um determinado fluido,
grupo este designado por Nº de Reynolds:

ρ .v.Di
Re =
µ (1.6)

Conclui-se que para o fluxo de fluidos em tubagens circulares rectilíneas:

Re < 2100 ⇒ Regime laminar


2100 < Re < 4000 ⇒ Regime de transição
Re > 4000 ⇒ Regime turbulento

2.1. Distribuição de velocidades:

Se se medir a velocidade de circulação de um fluido a diferentes distâncias do


centro de uma tubagem circular rectilínea e representarmos graficamente a
velocidade local v’ como função da distância do centro da tubagem, conclui-se,
através da análise cuidada da figura seguinte que, independentemente do regime de
fluxo do fluido, a velocidade é sempre maior no centro da tubagem e vai diminuindo
progressivamente até às paredes desta. Aqui a velocidade é sempre mais baixa do
que nos restantes pontos da tubagem. Tal facto deve-se ao atrito provocado pela
rugosidade das paredes desta que depende essencialmente do material constituinte
e do seu diâmetro.
Mecânica de Fluidos 13

v
Figura 10: Gráfico em função da distância do centro às paredes de uma tubagem, para um fluido nos
v máx.
vários regimes.

As curvas A, B e C, representam os seguintes regimes, para qualquer fluido:

A – Regime de Transição;
B - Regime Turbulento;
C - Regime Laminar - Perfil Parabólico.

Definem-se equações empíricas que relacionam a velocidade média de um fluido


com a sua velocidade máxima (que se situa no centro da tubagem). Deste modo,
tem-se o seguinte:

REGIME LAMINAR: Vmédia = 0,5 . Vmáxima (1.7)

REGIME TURBULENTO: Vmédia = 0,8 . Vmáxima (1.8)


14 Transporte de Fluidos

À medida que nos aproximamos das paredes da tubagem a velocidade vai


diminuindo, pelo que junto das paredes existe uma película de fluido que se move
em regime laminar vcrítica > vmédia. Logo que v > vc, o regime de fluxo passa a
turbulento.
(v = vmédia; vc = vcritica; vmáx = vmáxima; v’ = vlocal)

Relação entre a velocidade e a velocidade máxima e o número de Reynolds:

Existem gráficos que relacionam v com a vmáx, podendo sob determinadas condições
conhecer-se v a partir de vmáx.

v
Figura 11: Gráfico que relaciona com o n.º de Reynolds.
v máx.

2.2 - Noção de viscosidade e massa volúmica:

A viscosidade (µ) é uma propriedade física que é definida como sendo a resistência
de um fluido ao seu escoamento uniforme.
Considere-se duas camadas paralelas de fluido separadas de L cm, onde cada uma
2
delas possui uma área de A cm .
Mecânica de Fluidos 15

Seja F a força em dines necessária para manter a placa inferior com uma velocidade
v em relação à placa superior.

Verificou-se experimentalmente que:

A
F = µ.v.
L

Figura 12: Experiência que permite definir a viscosidade de um fluido.

A viscosidade, para cada fluido, depende da temperatura e pressão.

A grandeza viscosidade pode ser caracterizada por duas vertentes:

DINÂMICA
VISCOSIDADE
CINEMÁTICA

A viscosidade dinâmica (µ) para um determinado fluido é determinada recorrendo a


tabelas ou a gráficos enquanto que a viscosidade cinemática (ν) é expressa da
seguinte maneira:
µ
ν= (1.9)
ρ

onde ρ é a massa volúmica do fluido, a qual depende também da temperatura e da


pressão, sendo esta preponderante no caso dos gases. A massa volúmica, que é
definida como sendo a massa de fluido ocupada por um determinado volume, é
determinada recorrendo a tabelas ou a gráficos (no caso de líquidos ou de gases à
pressão atmosférica) ou então pela expressão (1.14) para gases sujeitos a
quaisquer valores de pressão e temperatura, expressão esta demonstrada da
seguinte forma:
16 Transporte de Fluidos

m
ρ= (1.10)
V

onde (m) é a massa de fluido e (V) o volume de fluido ocupado por (m).

Mas, m = n.M (1.11)

onde (n) é o n.º moles de fluido e (M) a massa molar desse fluido.

Considerando que um determinado fluido gasoso se comporta como um gás


n.R.T
perfeito, V= (1.12)
P

onde (R) é a constante dos gases perfeitos, (P) a pressão absoluta do gás e (T) a
temperatura absoluta desse gás.
Combinando (1.11) e (1.12) com (1.10), vem:

n.M
ρ= (1.13)
n.R.T
P
simplificando e obtendo a expressão final, que permite determinar a massa volúmica
de um fluido gasoso a qualquer pressão e a qualquer temperatura, vem:

P.M
ρ= (1.14)
R.T

UNIDADES:
Sistema de
ρ µ ν
unidades
S.I. Kg.m-3 Kg.m-1.s-1 m2.s-1
c.g.s. g.cm-3 g.cm-1.s-1 ≡ Poise (P) cm2.s-1 ≡ Stoke (Sk)
Sistema Inglês lb.ft-3 lb.ft-1.s-1 ft2.s-1
Tabela 1: Sistemas de unidades para ρ, µ e ν.
Mecânica de Fluidos 17

3. PRINCIPIO DA CONSERVAÇÃO DE ENERGIA:

3.1 Teorema de Bernoulli:

No nosso estudo de transporte de fluidos ir-se-á sempre estipular as seguintes


considerações:

Regime Estacionário - as variáveis do processo, como por exemplo, pressão,


temperatura, volume, etc. permanecem constantes ao longo do tempo;
Fluido Newtoniano - a viscosidade é constante;
Fluido Incompressivel - a massa volúmica é praticamente constante ao longo do
processo, no caso de líquidos;
Fluxo de um fluido unifásico - o fluido é gás ou liquido.

Em disciplinas anteriores, foi estudado o primeiro princípio da termodinâmica em


dispositivo termodinâmico fechado:

∆U = Q + W (1.15)

onde a variação de energia interna de um sistema (∆U) é igual à soma do calor


trocado no sistema (Q) com o trabalho realizado (W) nesse mesmo sistema.

No caso do transporte de qualquer fluido, o sistema está, como um todo, em


movimento em relação a um referencial solidário com o dispositivo termodinâmico,
isto é, o sistema possui energia cinética associada à velocidade v do seu centro de
inércia. Diz-se, nestas condições, que se trata de um dispositivo termodinâmico
aberto (DTA), o qual pode ser enunciado da seguinte forma:

“Em qualquer transformação que ocorra em regime estacionário, num DTA de


paredes perfeitamente indeformáveis, a variação da energia potencial gravítica,
energia de pressão, energia cinética e energia interna do sistema é igual à soma
algébrica das interacções com o exterior sob a forma electromagnética, calor ou
trabalho, sendo de incluir neste ultimo caso, os aparelhos de transporte”.
18 Transporte de Fluidos

∆Epot. + ∆Ecin + ∆U + ∆Epress. = W + Q + f.e.m. (1.16)

A variação é entre 2 pontos do sistema.

Exemplos de aparelhos de transporte:

bombas, compressores, ventiladores - fornecem energia ao sistema


turbinas - retiram energia do sistema

Considere-se o seguinte sistema genérico de escoamento de qualquer fluido e


estipule-se o seguinte:

Base de Cálculo: 1 Kg de Fluido

Figura 13: Figura que representa o escoamento genérico de um fluido entre dois pontos quaisquer.

MN – Plano horizontal.
Mecânica de Fluidos 19

A energia associada ao fluido de massa (m) no ponto A, é a seguinte:

g
Epotencial = m.XA. (1.17)
gc

em que:
X = altura do fluido em relação a um referencial previamente estabelecido,

v 2A
Ecinética = m. (1.18)
2.g c

em que:
v = velocidade do fluido,

m.PA .VA .g
Epressão = (1.19)
gc

em que:
V = volume específico, P = pressão absoluta do fluido,

e considerando ainda que:

g
m.F. = perdas de energia por fricção no sistema,
gc
g
m.W. = energia fornecida ao sistema por meio de um equipamento mecânico,
gc

tem-se,

g v2 m.PA .VA .g g g g v 2B
m.XA. + m. A + - m.F. + m.W. = m.XB. + m. +
gc 2.g c gc gc gc gc 2.g c

m.PB .VB .g
(1.20)
gc
20 Transporte de Fluidos

Em Engenharia, é costume escrever-se a equação de conservação da energia


reportada ou à unidade de peso do fluido circulante, ou à unidade de volume de
fluido circulante, ou ainda à unidade de tempo.

Considerando a equação de conservação da energia reportada à unidade de peso


de fluido:

v 2A v 2B
XA + + PA.VA – F + W = XB + + PB.VB (1.21)
2.g c 2.g c

onde gc = 9.8 kgm.m.kgf-1.s-2 para o Sistema Europeu de Engenharia ou gc = 32.17


lbm.ft.lbf-1.s-2 . A energia por unidade de peso tem dimensões de altura (comprimento)
e assim, cada um dos termos é acompanhado de um adjectivo que precisa o termo a
que se reporta:

v2
X = altura potencial = altura cinética
2.g c

m
P.V = altura estática = P. F = perdas de carga
ρ

W = energia por unidade de peso adicionada ao sistema por meio de um


equipamento mecânico (ex. bomba, compressor, etc.)

Assim, a equação do balanço energético associada ao transporte de qualquer fluido


(para uma unidade de massa desse fluido) assumirá a seguinte forma genérica:

v 2A P v 2B P
XA + + A - F + W = XB + + B
2.g c ρ 2.g c ρ (1.22)

expressão esta que se designa por equação de Bernouilli.


Mecânica de Fluidos 21

Se efectuarmos uma análise dimensional da equação de Bernouilli, constata-se que


cada termo tem a dimensão de um comprimento (L).

 v 2  L2 .θ -2  P  M.L-2
[X] ≡ L   ≡ ≡L ρ ≡ ≡L
g
 c  L.θ -2
  M.L
-3

[F] ≡ L [W] ≡ L
Sistema de Sistema Europeu de Sistema Inglês de
S.I.
unidades Engenharia Engenharia
X m m ft
v m.s-1 m.s-1 ft.s-1
P N.m-2 ≡ Pa kgf.m-2 lbf.m-2
ρ kg.m-3 kg.m-3 lb.ft-3
F m m ft
W m m ft
Tabela 2: Sistemas de unidades para os vários termos da equação de Bernouilli.

¾ É importante notar que a equação de Bernouilli tal como está descrita em (1.22),
a pressão absoluta do fluido tem de vir necessariamente expressa em unidades do
Sistema Europeu de Engenharia ou, no Sistema Inglês de Engenharia ou, em PSI
(lbf.in-2) ou, nos respectivos submúltiplos. Não poderá ser expressa nem em
unidades do Sistema Internacional nem em unidades derivadas como atmosfera,
bar, mm Hg, Torr, etc. .

¾ Para se poder exprimir a pressão absoluta em unidades SI [Pascal (Pa)], a


equação de Bernouilli tem de assumir a seguinte forma:

v 2A P v 2B P
XA + + A - F + W = XB + + B
2.g c ρ .g 2.g c ρ .g (1.23)

equação de Bernouilli aplicada no Sistema Internacional de Unidades (SI).

Note que, 1 Newton (N) ≡ 1 kgf.m.s-2


22 Transporte de Fluidos

3.2. Equação da continuidade:

Considere-se a passagem de um fluido através de um tubo de corrente conforme se


indica na figura:

Seja:
Ai = área interna da secção normal
ao fluxo;
v = velocidade de fluxo do fluido
ρ = massa volúmica do fluido
Figura 14 : Tubo de escoamento de um fluido
Define-se então:

Caudal mássico (Qm): Massa de fluido transportada (m) por unidade de tempo (t):

m
Qm = (1.24)
t

Caudal molar (QM): N.º moles de fluido (n) transportado por unidade de tempo (t):

n
QM = (1.25)
t

Caudal volumétrico (Qv): Volume de fluido (V) transportado por unidade de tempo
(t):

V
Qv = (1.26)
t

A relação do caudal volumétrico de fluido com a sua velocidade é expressa da


seguinte forma:

Qv = v.Ai (1.27)
Mecânica de Fluidos 23

Em relação ao caudal mássico, tem-se:

Qm = ρ.Qv = ρ.v.Ai (1.28)

e, em relação ao caudal molar, tem-se:

Qm ρ .v.A i
QM = = (1.29)
M M

onde (M) é a massa molar de fluido transportado.

¾ Se considerarmos uma tubagem com vários troços de tubagem de diâmetros


diferentes, o caudal de fluido é sempre constante em toda a tubagem. Aliás, o
caudal de um fluido só pode ser alterado por agentes externos à tubagem, como por
exemplo, através de válvulas, equipamento mecânico instalado (bomba, por
exemplo), etc. .

Considere-se três troços de tubagem com diâmetros quaisquer:

(1) (2) (3)

Então, como Qv = const.,

Qv1 = Qv2 = Qv3 = Qv ⇔ v1.Ai1 = v2.Ai2 = v3.Ai3 = v.Ai (1.30)

A expressão (1.30) é designada por equação da continuidade. O termo continuidade


deriva do facto de o caudal em todos os troços ser constante.

Em termos de caudal mássico (Qm = cont.),

Qm1 = Qm2 = Qm3 = Qm ⇔ ρ.v1.Ai1 = ρ.v2.Ai2 = ρ.v3.Ai3 = ρ.v.Ai (1.31)


24 Transporte de Fluidos

3.3 Tubagens, tubos e acessórios:

Antes de se iniciar uma discussão mais detalhada dos métodos de determinação


das perdas de pressão por fricção no fluxo de fluidos em tubagens, termo F da
equação de Bernoulli, torna-se importante analisar os recursos necessários para que
se possa proceder à movimentação de um fluido.

Tubagens e tubos:

Os fluidos são frequentemente encontrados numa gama muito diversificada de


processos químicos, sendo a sua movimentação assegurada entre as diferentes
etapas do processo através da utilização de tubagens ou tubos de secção circular.

As tubagens e os tubos são fabricados a partir dos materiais de construção dentro


de determinadas gamas de especificação disponíveis no mercado, dependendo a
opção de escolha das propriedades corrosivas e da pressão de fluxo do fluido a ser
transportado. Alguns dos materiais de tubagens mais utilizados são os seguintes:

• Vidro;
• Concreto;
• Ferro fundido, galvanizado;
• aço comercial, aço inox, aço rebitado;
• plásticos (PVC);
• madeira, etc. ;

No entanto os materiais mais vulgarmente utilizados na sua construção são o ferro,


o aço e o cobre.

a) Tubagens

As tubagens podem ser fabricadas com diferentes diâmetros, espessuras de parede


e materiais, pelo que se tornou necessário standardizar as suas dimensões. Assim,
por convenção e, de acordo com a ANSI (American National Standards Institute), as
dimensões das tubagens e acessórios são caracterizadas em termos do seu
Mecânica de Fluidos 25

diâmetro nominal e espessura de parede. Para tubagens de aço, por exemplo, os


diâmetros nominais podem variar entre 1/8" e 30".
O diâmetro nominal de uma tubagem é uma grandeza que não coincide com o seu
diâmetro interno ou externo, no entanto para tubagens com diâmetros nominais
inferiores a 12", os diâmetros nominais constituem uma boa aproximação do
diâmetro interno da tubagem. O diâmetro interno é a grandeza que é utilizada para
todos os cálculos relativos a transporte de fluidos onde o diâmetro da tubagem
intervenha.

Figura 15: Vista frontal de várias tubagens com o mesmo diâmetro nominal, para vários catálogos.

Como se pode constatar pela figura 15, tubagens com o mesmo diâmetro nominal
possuem o mesmo diâmetro externo, mas possuem espessuras de parede
diferentes, o que implica, necessariamente, diâmetros internos diferentes. Esta
situação permite a utilização indiscriminada dos diferentes tipos de acessórios
standardizados disponíveis no mercado.
A espessura da parede de uma tubagem é indicada pelo seu n.º de catálogo
(schedule number):

P
Sch. number = 1000. (1.32)
S

em que: P = Pressão de trabalho interna


S = Tensão de segurança admitida para o material à temperatura de
trabalho.
26 Transporte de Fluidos

Quanto maior o n.º catálogo, maior é a espessura da parede, podendo assim


especificar com maior rigor o tipo de tubo necessário ao processo.

Os 11 Schedule Number existentes são:

5,10, 20, 30, 40, 60, 80, 100, 120, 140 e 160.

O Schedule 40 corresponde a tubos standart e é a espessura mais utilizada na


prática, a que corresponde um tubo de parede normal. O Schedule 80 é designado
por tubo extra forte e o Schedule 160 é designado por tubo duplamente extra forte.

A título de exemplo, observe-se a seguinte tabela, para um diâmetro nominal de 4”:


Diâmetro Diâmetro Externo Diâmetro Interno Espessura da Schedule
Nominal (inches) (inches) parede
(inches)
4” 4,500 4,026 0,237 40
4” 4,500 3,826 0,337 80
4” 4,500 3,264 0,438 100
4” 4,500 3,438 0,531 160
Tabela 3: Vários diâmetros internos, espessuras e shedule numbers para uma tubagem de diâmetro nominal de 4”.

Para aço comercial, não existe Schedule 5. Os tubos de aço inoxidável existentes no
mercado são Schedule 5, 10, 40 e 80.

b) Tubos

Os tubos, de menores dimensões que as tubagens, são comercializados com base


nos seu diâmetro externo e espessura da parede. A espessura da parede dos tubos
é expressa frequentemente pelas Birmingham Wire Gage (BWG).

Acessórios de tubagens:

O termo acessório refere-se a uma peça de equipamento instalada numa tubagem e


que pode satisfazer uma das seguintes funções:

• União de dois troços de tubagem – Ex.: Uniões


• Mudança na direcção de uma tubagem – Ex.: Curvas, Tês
Mecânica de Fluidos 27

• Mudança no diâmetro de uma tubagem – Ex.: Reduções, Alargamentos


• Interrupção de uma tubagem – Ex.: Tampões , Válvulas
• União de duas correntes para formar uma terceira – Ex.: Tês
• Controle de fluxo (caudal) – Ex.: Válvulas

Os acessórios para tubagens de aço são vulgarmente construídos em ferro fundido


ou aço macio, encontrando-se disponíveis no mercado para uma gama muito
diversificada de espessura de parede.

Válvulas:

As válvulas, sendo um acessório, possuem algumas funções muito importantes para


além da simples ligação a uma tubagem. De facto entre as suas aplicações pode-se
destacar:
9 controle de caudal;
9 interrupção no fluxo de um fluido numa tubagem.

O tipo de concepção de uma válvula determina a sua aplicação. Uma vez que uma
descrição exaustiva deste tipo de equipamento sai fora do âmbito da cadeira far-se-á
apenas uma breve referência às válvulas de comporta e de globo.

a) Válvula de comporta:
Constituída por um disco posicionado na direcção perpendicular ao fluxo. É
fundamentalmente utilizada para interrupção do fluxo.

b) Válvula globo:
O fluido passa através de uma abertura cuja área é controlada por um disco
posicionado numa direcção paralela ao fluxo. Muito utilizada para controle do caudal.

c) Outro tipo de válvulas:

- Válvula de macho esférico, de retenção, de diafragma;


- Válvulas de segurança, automáticas de controle, etc. .
28 Transporte de Fluidos

Figura 16: Acessórios roscados


Mecânica de Fluidos 29

Figura 17: Válvulas mais usuais


30 Transporte de Fluidos

Figura 18: Outros tipos de válvulas e purgadores


Mecânica de Fluidos 31

4. PERDAS DE PRESSÃO NO FLUXO DE FLUIDOS EM TUBAGENS:

Na equação de Bernoulli foi incluído um termo F que representa a perda de energia


por unidade de força, devida à fricção no fluxo de fluidos em tubagens. A este termo
dá-se o nome de perda de carga total do fluido transportado.
Uma das aplicações de maior interesse em engenharia consiste na determinação de
perdas de carga para o fluxo de qualquer fluido a partir das suas propriedades
físicas e condições de escoamento.

Ao discutir-se o mecanismo do fluxo de fluidos concluiu-se que um fluido se pode


movimentar segundo os seguintes regimes:

- Laminar ou viscoso;
- Turbulento.

Quando um fluido se movimenta em regime laminar, a perda de pressão por fricção


(∆P) pode ser determinada através da equação de Hagen-Poiseuille:

32.L.v.µ
∆P = (1.33)
g.D i2

onde:
L – comprimento da tubagem;
v – velocidade média do fluido;
µ - viscosidade dinâmica do fluido;
Di – diâmetro interno da tubagem.

No entanto verifica-se na prática que, a maioria dos fluidos são movimentados em


regime turbulento, pelo que, não será possível a utilização da mesma equação para
efeitos da determinação das perdas por fricção na maioria dos casos.

Tratando-se de regimes de fluxo diferentes, os processos de determinação das


perdas de energia por fricção serão necessariamente diferentes, pelo que a solução
do problema passa inevitavelmente por uma generalização dos conceitos
32 Transporte de Fluidos

relacionados com as transferências da quantidade de movimento que ocorrem


durante o fluxo de um fluido.

Assim a perda de pressão por fricção de um fluido que se move ao longo de uma
tubagem, representa um caso especial da lei geral da resistência entre um sólido e
um fluido em movimento relativo. De acordo com esta lei verificou-se
experimentalmente que, a força resistente total ao fluxo do fluido depende
unicamente de;

- rugosidade, volume e forma do sólido;


- velocidade, massa específica e viscosidade do fluido.

Desta forma resulta a conveniência prática de que entre outras variáveis a força
resistente total é uma função do número de Reynolds o que simplifica a solução do
problema.

4.1 Cálculo das perdas de carga em tubagens:

De acordo com o que foi discutido, as perdas de energia por unidade de peso de
fluido devidas a fricção, termo F da equação de Bernoulli, deverão ser determinadas
a partir do regime de fluxo do fluido e das suas propriedades físicas. Essas perdas
de energia por unidade de peso devidas a fricção, são vulgarmente conhecidas por
perdas de carga:

F = Σ∆H (1.34)

correspondem ao somatório dos seguintes tipos de perdas de carga:


A ⇒ ∆Hf - Perda de carga por atrito;

B ⇒ ∆Ha - Perda de carga por alargamento súbito na secção da tubagem;

C ⇒ ∆Hc - Perda de carga por contracção súbita na tubagem;

D ⇒ ∆Hv - Perdas de carga provocadas pela introdução de acessórios nas


tubagens.
Mecânica de Fluidos 33

A ⇒ Perda de carga por atrito ou fricção (∆Hf):

Considere-se a seguinte tubagem com um comprimento (L) por onde se desloca um


fluido sujeito a uma tensão de corte (τ):

P + ∆Pf
τ
Figura 19: Perda de carga num tubo cilíndrico.

A força (F) exercida pelo fluido sobre toda a superfície transversal interna da
tubagem (Ai) é dada por:

D i2
F = ∆Pf.Ai = ∆Pf.π. .g (1.35)
4

onde ∆Pf corresponde à perda de pressão do fluido por fricção, isto é, devido ao
atrito. ∆Pf é expresso em unidades dos sistemas de engenharia (europeu ou inglês).

Esta perda de pressão do fluido por fricção corresponderá a uma perda de carga por
atrito, a qual dependerá de um factor de atrito, resultante da existência de fricção
entre o fluido e as paredes da tubagem. Fanning definiu factor de atrito como sendo
a razão da tensão de corte (τ) pela energia cinética do fluido, calculada com base na
velocidade média deste, ou seja,

ρ .v 2
τ = f. (1.36)
2

em que f é o factor de atrito de Fanning. Por sua vez, a força associada à tensão de
corte do fluido é dada por τ.π.Di.L . Ora, pela lei do equilíbrio do sistema de forças
existente, equilibrando esta força com a força (F) da expressão (1.35), vem:

D i2
τ.π.Di.L = ∆Pf.π. .g (1.37)
4
34 Transporte de Fluidos

ou seja,

L.ρ .v 2
∆Pf = 2.f. (1.38)
g.D i

Como para qualquer perda de pressão de um fluido está subjacente uma


correspondente perda de carga, tem-se para as perdas de pressão por atrito,

∆Pf
∆Hf = (1.39)
ρ

e, combinando (1.38) com (1.39), vem:

2.f.v 2 .L
∆Hf = (1.40)
g.D i

onde:
∆HF – Perdas de carga por atrito ou fricção;
Di – Diâmetro interno da tubagem;
v – Velocidade média do fluido;
L – Comprimento da tubagem;
f – Factor de atrito de Fanning (adimensional).

A expressão (1.40), designada por equação de Fanning, é utilizada para calcular


qualquer perda de carga por atrito para um fluido em movimento ao longo de uma
tubagem, em qualquer tipo de regime.

O valor de f pode ser determinado graficamente recorrendo ao gráfico de Fanning


(apresentado na sebenta de Tabelas de Tecnologia Química), onde se representa:

f = função do n.º de Reynolds (Re) e da rugosidade relativa (ε/D)

O valor da rugosidade relativa de uma tubagem pode ser encontrado em tabelas


onde esta grandeza é função do tipo de material e do diâmetro da tubagem. A
Mecânica de Fluidos 35

grandeza ε representa a rugosidade da superfície interior da tubagem possuindo as


dimensões de um comprimento.
É preciso ter cuidado com o factor de atrito utilizado, visto que, em diversa literatura,
existem outros factores de atrito que diferem daquele que é aqui referido. Por
exemplo, é muito comum utilizar-se o factor de atrito de Moody (ou Darcy) e que é
quatro vezes superior ao de Fanning.

Especificamente, para regime laminar, se for conhecida a viscosidade de um fluido


que se mova neste tipo de regime numa tubagem rectilínea de secção circular, pode
determinar-se o valor da perda de carga por atrito (∆Hf), a partir da equação de
Hagen-Poiseuille (válida apenas para regime laminar):

32.L.v.µ
∆Hf = (1.41)
g.ρ .Di 2

em que:
∆Hf – perda de carga
L - comprimento da tubagem
v - velocidade média de circulação do fluido
Di - Diâmetro interno da tubagem
ρ - Massa volúmica do fluido
µ - Viscosidade dinâmica do fluido

Para regimes de fluxo laminar, pode-se combinar a equação de Poiseiulle com a


equação de Faning, obtendo-se:

32. L. v. µ f . 2 L. v 2
=
ρ. g. D2 g. D
(1.42)

Donde se conclui-se que, para regime laminar:

16
f= (1.43)
Re
A equação de Fanning tanto pode ser usada para regime laminar como turbulento.
36 Transporte de Fluidos

Uma análise mais detalhada do gráfico f = f(Re, ε/D), apresentado na sebenta de


Tabelas de Tecnologia Química, permite concluir o seguinte:

• Para Reynolds < 2100 o factor de atrito é independente da rugosidade; f =


16/Re;
• Para Reynolds > 4000 o factor de atrito depende da rugosidade e do Re;
• Para Reynolds muito mais elevados o factor de atrito é praticamente
independente do Reynolds;
• Para a zona de transição é impossível prever o regime de fluxo;
• No gráfico f = f(Re, ε/D), a curva indicada mais abaixo representa as tubagens de
superfície interior lisa, onde o valor da rugosidade relativa é praticamente nulo;
• Resta por último salientar que a precisão de leitura no mapa de atrito é de
aproximadamente 5 a 10%.

É comum utilizar-se, para regime turbulento, a expressão de Colebrook and White,


que relaciona o factor de atrito de Fanning com o n.º Reynolds (Re) e a rugosidade
relativa (ε/D):

1  ε  2,51 
= -2.log10  +  (1.44)
f  3,7.D  Re. f 

que prevê factores de atrito na gama 3500 ≤ Re ≤ 108 e 0 ≤ ε/D ≤ 0,05. A tabela 4
indica valores de rugosidade absoluta (ε) para vários materiais de tubagem.

B ⇒ Perdas de carga por alargamento brusco na secção da tubagem:

Conforme se indica na figura 20, se o diâmetro de uma tubagem aumentar


bruscamente, a área efectiva disponível para o fluxo aumentará gradualmente,
desde o tubo mais pequeno até ao tubo de maior diâmetro, diminuindo
progressivamente a velocidade do fluxo, ou seja, um aumento do diâmetro da
tubagem provoca uma diminuição da velocidade do fluido.
Mecânica de Fluidos 37

MATERIAL DA TUBAGEM ε (mm)


Latão, vidro 0,003
PVC, cobre 0,01 a 0,04
Novo 0,05
Usado 0,10 a 0,20
Aço laminado: Enferrujado 0,15 a 0,25
Incrustado 1,5 a 3
Revestido 0,015
Novo 0,05 a 0,1
Aço soldado: Usado 0,15 a 0,25
Enferrujado 0,4
Aço galvanizado 0,15 a 0,20
Aço inoxidável 0,01
Novo 0,25
Ferro fundido: Enferrujado 1 a 1,5
Fortemente incrustado Até 3
Polyester, fibra de vidro reforçada, D > 200 mm 0,05 a 0,085
Fibrocimento 0,03
Grés 0,3 a 1
Madeira 0,3 a 1
Galerias em rocha (não revestidas) 90 a 600
Betão liso 0,3 a 0,8
1
Tabela 4: Rugosidades absolutas para vários materiais de tubagem .

Figura 20: Alargamento de uma tubagem

1
Jerónimo, Prof. Manuel, “Curso de Transporte de Fluidos em Tubagens”, CENERTEC, Porto, 2001.
38 Transporte de Fluidos

Para um alargamento brusco de secção, a perda de carga será representada por:

∆Ha =
(v 1 - v 2 )2 (1.45)
2.g c

onde, com base na figura 20, v1 é a velocidade média do fluido antes do


alargamento da tubagem e v2 após o alargamento da tubagem, em que a área
interna Ai2 > Ai1.

C ⇒ Perdas de carga por contracção súbita na secção de uma tubagem:

Conforme se indica na figura 21, se o diâmetro de uma tubagem diminuir


bruscamente, a área efectiva disponível para o fluxo diminuirá gradualmente, desde
o tubo maior até ao tubo de menor diâmetro, aumentando progressivamente a
velocidade do fluxo, ou seja, uma diminuição do diâmetro da tubagem provoca um
aumento da velocidade do fluido.

Figura 21: Contracção de uma tubagem.

A perda de carga num acidente deste tipo pode ser expressa por:

∆Hc =
(v1 - v 2 )2 .K (1.46)
2.g c

onde, com base na figura 21, v1 é a velocidade média do fluido antes da contracção
da tubagem e v2 após a contracção da tubagem, em que a área interna Ai2 < Ai1.
Mecânica de Fluidos 39

K representa o coeficiente de contracção de tubagem (adimensional) que depende


da relação de áreas das duas secções Ai2/Ai1. A constante K pode ser obtida por via
gráfica:

 área menor 
Figura 22: Gráfico K em função do quociente de áreas  .
 área maior 

D ⇒ Perdas de carga provocadas pela introdução de acessórios nas tubagens:

A perda de carga introduzida pelos acessórios instalados nas tubagens deve ser
expressa como um comprimento de tubo rectilíneo com a mesma resistência. Este
comprimento é designado por comprimento equivalente. Usualmente não se
expressa em metros de tubagem, mas como um certo n.º de diâmetros de tubagem.
Num sistema que apresente acessórios e para o qual haja que calcular a perda de
carga por atrito, a tubagem rectilínea mede-se entre o espaço ocupado pelos
acessórios. A esta distância, comprimento físico, real, adiciona-se o comprimento
equivalente dos acessórios que existem no sistema. O comprimento resultante
chamado comprimento total é o valor de L que se utiliza na equação de Fanning.
Considere-se o seguinte exemplo, que serve como caso geral:

Figura 23: Esquema de uma tubagem com troços rectos L1 e L2 e um acessório (Leq.)
40 Transporte de Fluidos

O comprimento equivalente de cada acessório pode ser determinado pela seguinte


expressão:

Leq.
Leq.(acessório) = .Di (1.47)
Di

Leq.
O quociente representa o comprimento equivalente de um acessório por
Di
unidade de diâmetro de tubagem. Basta multiplicar este quociente pelo diâmetro
interno da tubagem para se obter o comprimento equivalente absoluto desse mesmo
Leq.
acessório. A tabela 5 apresenta, para vários acessórios, o respectivo .
Di
PERDAS DE CARGA PROVOCADAS PELA INTRODUÇÃO DE ACESSÓRIOS:
ACESSÓRIO Leq./Di
Joelhos 15
Cotovelos a 90º, raio normal 32
Cotovelos a 90º, raio médio 26
Cotovelos a 90º, grande curvatura 20
Cotovelos a 90º, em esquadria 60
Curvas de retorno de 180º, fechadas 75
Curvas de retorno de 180º, raio médio 50
Tês (utilizados como cotovelos, com entrada pelo centro) 60
Tês (utilizados como cotovelos, entrada lateral) 90
Acoplamentos Desprezável
Uniões Desprezável
Válvulas de comporta, 100% abertas 7
Válvulas de assento esférico, 100% abertas 300
Válvulas de ângulo, 100% abertas 170
Contadores de água, de disco 400
Contadores de água, de pistão 600
Contadores de água, de rodete 300

Leq.
Tabela 5: para vários acessórios de tubagem.
Di
Mecânica de Fluidos 41

O comprimento equivalente total de uma tubagem será igual à soma dos vários
troços rectos da tubagem com os vários comprimentos equivalentes dos diversos
acessórios.

Leq.T = ΣLTROÇOS RECTOS + ΣLeq. (ACESSÓRIOS) (1.48)

Na prática, a perda de carga por atrito (∆Hf) e a perda de carga por introdução de
acessórios (∆Hv) são expressas numa só, que é designada por perda de carga por
atrito com introdução de acesórios (∆Hf):

2.f.v 2 .Leq.T
∆Hf = (1.49)
g.D i

que não é mais do que a equação de Fanning aplicada a tubagens com acessórios.

Como conclusão deste ponto 4, a determinação da perda de carga total de qualquer


fluido num sistema de transporte entre dois pontos, termo F da equação de Bernouilli
(1.23), é a seguinte:

F = Σ∆Hf + Σ∆Ha + Σ∆Hc (1.50)

5. O EFEITO DO CHOQUE HIDRÁULICO:

Quando se provoca uma alteração rápida da velocidade de escoamento de um fluido


numa tubagem, tal como a provocada por uma obturação rápida de uma válvula de
macho esférico ou pelo arranque ou paragem de uma bomba, surgem
sobrepressões e subpressões muito consideráveis, que provocam vibrações e por
vezes rebentamentos. Este fenómeno é designado por choque hidráulico ou golpe
de aríete. A sobrepressão ∆P resultante da variação muito rápida da velocidade ∆v,
para a água, é dada apróximadamente por:

∆P (bar) ≅ 10.∆v (m.s-1) (1.51)


42 Transporte de Fluidos

Deste modo, uma variação de velocidade súbita de 1m/s de água, produz uma
sobrepressão de 10 bar. Por este facto, deve-se limitar a velocidade de circulação
dos fluidos, sempre que houver possibilidades de alterações rápidas desta grandeza
e/ou usar dispositivos de protecção que amorteçam as ondas de choque geradas.

6. NÚMERO DE KÁRMAN:

O n.º de Kárman permite a solução de problemas nos quais seja desconhecida a


velocidade de circulação do fluido (v), mas onde sejam conhecidas as perdas de
carga por atrito com ou sem acessórios (∆Hf) e o diâmetro da tubagem (Di).

Define-se o n.º de Karman como sendo o produto do n.º de Reynolds pela raiz
quadrada do factor de atrito de Fanning:

Λ = Re. f (1.52)

onde:
Λ - Nº Karman;
Re – Nº Reynolds;
f – Factor de atrito de Fanning

utilizando a definição do n.º Reynolds (1.6) e a equação de Fanning (1.49) e


substituindo estas expressões em (1.52), vem:

ρ .v.D i g.D i .∆H f


Λ= . (1.53)
µ 2.v 2 .Leq.T

simplificando, vem:

ρ .D i g.D i .∆H f
Λ= . (1.54)
µ 2.Leq.T
Mecânica de Fluidos 43

A determinação do factor de atrito de Fanning é efectuada através de gráfico próprio


(sebenta de Tabelas de Tecnologia Química), onde (f) é função da rugosidade
relativa (ε/D) e do n.º Kárman (Λ).

Definindo um procedimento de cálculo para este tipo de problema, este poderá ser o
que a seguir se descreve:

1.º Calcular Λ através de (1.54);


2.º Retirar o valor de ε/D através do gráfico ε/D = f(D, material da tubagem);
1
3.º Determinar o valor de f através do gráfico = f(ε/D, Λ);
2. f
4.º Determinar o valor de Re através de (1.52);
5.º Calcular v através da definição de Re (1.6);
6.º Calcular Qv através da equação da continuidade (1.31).

7. DIÂMETRO MÍNIMO DE UMA TUBAGEM:

Muitas vezes, torna-se necessário determinar o diâmetro mínimo de uma tubagem a


utilizar numa instalação, dispondo de uma energia determinada para um caudal de
circulação do fluido conhecido. A dedução matemática da expressão que permite a
determinação do diâmetro mínimo de uma tubagem, conhecida a velocidade do
fluido e a perda de carga por atrito, com ou sem acessórios, é a seguinte:

Combinando a equação da continuidade (1.31)

π .D i2 4.Qv
Qv = v.Ai = v. ⇔ v= (1.55)
4 π .D i2

com a equação de Fanning (1.49)

2 2
∆HF = 2.f.v .Leq.T = 32.f.Qv .Leq.T (1.56)
g.D i π 2 .g.D 5i
vem:
44 Transporte de Fluidos

32.f.Qv 2 .Leq.T
Di(min.) = 5 (1.57)
π 2 .g.∆H f

Considerando que (f) é função do diâmetro da tubagem, através da rugosidade


relativa, tal como está, a expressão (1.57) conduz a uma indeterminação. Este tipo
de problema terá de ser resolvido por tentativas.

Ora, definindo um procedimento de cálculo para este tipo de problema, este poderá
ser o que a seguir se descreve:

Método Iterativo:

1.º Arbitrar um valor para f = 0,005;


2.º Determinar o Di(min.) correspondente ao (f) arbitrado através de (1.57);
3.º Determinar ε/D através do gráfico ε/D = f(D, material da tubagem);
4.º Determinar v através de (1.55);
5.º Determinar Re pela definição (1.6);
6.º Determinar um novo valor para o factor de atrito (f’) pelo gráfico de Fanning f’ =
f(ε/D, Re);
7.º Comparar f’ com o valor de f arbitrado;
8.º Se os valores de f não coincidirem, voltar a arbitrar um novo valor de f;
9.º Efectuar os passos 2 a 7 até f = f’ ou a diferença entre estes valores implicar,
normalmente, um erro relativo Er ≤ 2%;
10.º Quando se cumprir o passo 9, o diâmetro mínimo da tubagem será o calculado
por (1.57) com o valor de (f) acertado no passo anterior.

8. PREVISÃO DA PERDA DE CARGA:

No projecto de um processo ou de uma fábrica é necessário muitas vezes estimar as


perdas de carga antes de possuir toda a informação necessária. Um exemplo típico
acontece quando se acaba de obter o diagrama de fluxo processual e ainda não se
tem a tubagem desenhada em detalhe. Conhece-se a localização do equipamento
Mecânica de Fluidos 45

principal, podendo estimar-se o comprimento equivalente da tubagem e acessórios


(Leq.) somente a partir do comprimento da tubagem (L), do seu diâmetro (D) e de
um factor de complexidade da instalação (Fc). A expressão encontrada para esta
correlação2, quando expressa em unidades SI, é a seguinte:

Leq.
L
(
= 1 + 2,18. D + 0,216. .Fc ) (1.58)

Os valores típicos de Fc são os seguintes, para alguns exemplos de instalações:


Instalação Fc
Redes de distribuição muito complexas 4
Redes de distribuição típicas 2
Tubagem normal 1
Tubagem longa razoavelmente longa 0,5
Linhas de fornecimento de utilidades (água, vapor, ar comprimido e
0,25
fuelóleo) fora dos limites das unidades
Tabela 6: Factores de complexidade para alguns exemplos de instalações.

Exemplo: numa tubagem normal, em que D = 0,1 m (4”), tem-se:

Fc = 1 e
Leq.
L
(
= 1 + 2,18. 0,1 + 0,216. .1 = 1,9 )

Daqui se conclui que, numa tubagem normal, o comprimento equivalente da mesma


com acessórios é cerca do dobro do comprimento do tubo rectilíneo.

9. MEDIDORES DE CAUDAIS:

A classe mais importante de medidores de caudal é aquela em que o fluido é


acelerado ou retardado na secção de medição e a variação na energia cinética é
medida pela diferença de pressão criada. Esta classe abrange:

2
Brown, G. G. , “Operaciones Básicas de la Ingeniería Química”, Editorial Marín, 1965.
46 Transporte de Fluidos

⇒ O tubo de Pitot, no qual um pequeno elemento de fluido é levado a parar num


orifício situado perpendicularmente à direcção do fluxo. Obtém-se o caudal
medindo a diferença entre a pressão de impacto e a pressão estática.
⇒ O medidor de orifício, no qual o fluido é acelerado numa constrição súbita, no
curso da corrente. A perda de pressão global é elevada, porque o excesso de
energia cinética do fluido é desperdiçado.
⇒ A embocadura, na qual o fluido é acelerado gradualmente até à garganta do
instrumento. A energia de pressão não é recuperada e, portanto, apresenta
características semelhantes às do medidor de orifício.
⇒ O medidor Venturi, no qual é gradualmente acelerado e, depois, é
gradualmente retardado. Uma fracção elevada do excesso de energia cinética é
recuperada.
⇒ O dique ou represa, no qual a energia do fluido correspondente à sua pressão
hidrostática é convertida em energia cinética.

Os medidores de caudal são classificados em dois grupos:

De carga variável

MEDIDORES
DE CAUDAL
{ De área variável

9.1 Medidores de carga variável:

Neste tipo de medidores de caudal, em cada um deles o fluido é acelerado através


de um estrangulamento; dá-se, deste modo, um aumento da energia cinética do
fluido transportado devido ao aumento de velocidade deste, que é consequência do
estrangulamento existente na tubagem, isto é, redução do seu diâmetro. Isto irá
implicar uma diminuição da energia de pressão. O caudal determina-se medindo a
diferença de pressão, através de um manómetro, entre a entrada do medidor (onde
não ocorre perturbação do fluido) e um ponto de pressão reduzida (localizado no
próprio medidor). Aplicando-se a equação de Bernoulli entre estes pontos, tem-se:
Mecânica de Fluidos 47

v 2A PA v 2B P
XA + + - F + W = XB + + B (1.59)
2.g c ρ 2.g c ρ

Em que o ponto (A) corresponde a um ponto a montante do estrangulamento e (B)


um ponto no interior do referido estrangulamento. Ora, considerando que numa
tubagem rectilínea, os pontos (A) e (B) estão à mesma altura piezométrica em
relação ao mesmo referencial, XA = XB e que, entre estes mesmos pontos, não
existe qualquer equipamento mecânico (nem tal facto fazia sentido), W = 0.
Considerando ainda que as perdas de carga entre estes dois pontos (muito
próximos) são nulas, tem-se que F = 0. Logo, a expressão (1.59), vem, com as
referidas simplificações:

v 2A P v 2B P
+ A = + B (1.60)
2.g c ρ 2.g c ρ

que pode assumir a seguinte forma:

PA - PB
v 2B - v 2A = 2.g c . (1.61)
ρ

mas, da expressão (1.39),

PA - PB ∆P
ρ = ρ = ∆H (1.62)

vem:

v 2B - v 2A = 2.g c .∆H (1.63)

equação geral para os medidores de caudal de carga variável. ∆H é a perda de


carga do fluido nesse medidor de caudal.

Nota importante: Em relação às unidades, nestas expressões, a diferença de


pressão (∆P) terá de vir expressa em unidades dos sistemas europeu ou inglês de
engenharia, ou respectivos sub-múltiplos, ou ainda, em PSI (lbf.in-2). Para se utilizar
48 Transporte de Fluidos

unidades do Sistema Internacional para o ∆P (Pascal), a perda de carga no medidor


de caudal (1.62) terá de ser a seguinte:

PA - PB ∆P
ρ .g = ρ .g = ∆H (1.64)

9.1.1. Medidor de orifício:

Figura 24: Medidor de orifício, com as bordas agudas

Um medidor de orifício é constituído por uma placa plana que contém um orifício
concêntrico através do qual passa o fluido. Esse orifício situa-se no eixo da
tubagem, o que implica uma redução significativa do diâmetro desta e posterior
alargamento significativo. O medidor deve ser normalizado.

Os factores mais importantes que influem na leitura do ∆P de um medidor de orifício


são os seguintes:
¾ o tamanho do orifício;
¾ o diâmetro da tubagem em que se encontra.

Outros factores, porém, afectam de algum modo essa leitura:

♦ a posição exacta das tomas de pressão;


♦ o método de fixação das mesmas,

porque a área do fluxo e, portanto, a velocidade do fluido, variam gradualmente na


região do orifício. A toma de montante deve estar situada a cerca de um diâmetro do
tubo e a toma a jusante a cerca de meio diâmetro do orifício. A primeira corresponde
ao fluxo normal e a segunda à vena contracta.
Mecânica de Fluidos 49

Na prática, desconhece-se o diâmetro da vena contracta, mas é conhecido o


diâmetro do orifício. A equação pode escrever-se em função da velocidade através
do orifício, introduzindo uma constante que tenha em conta a diferença entre esta
velocidade e a da vena contracta. Existem, por outro lado, perdas por atrito que
devem ser consideradas na dita constante. Esta constante é designada por
coeficiente de descarga do medidor de orifício Co.

v o2 - v 2A = C o2 2.g c .∆H o (1.65)

em que:
vo - velocidade do fluido no orifício do medidor;
vA – velocidade do fluido num ponto da tubagem a montante do estrangulamento;
∆Po
∆Ho – perda de carga do fluido no medidor de orifício = e ∆Po é a diferença de
ρ
pressão do fluido no medidor de orifício, que é determinada pela equação do
respectivo manómetro, acoplado no medidor [ver expressões (1.3), (1.4) e (1.5)].

A constante Co depende de:


9 rugosidade das paredes do tubo;
9 forma exacta do orifício;
9 espessura da chapa do orifício;
9 proximidade de curvas e válvulas.

O medidor deve colocar-se nunca a menos de 50 diâmetros do tubo a partir de


qualquer dessas obstruções. Co é função do N.º de Reynolds no orifício (Reo) e do
quociente entre o diâmetro do orifício (do) e o diâmetro interno da tubagem (Di).

do
Co = f(Reo, )
Di

A desvantagem mais grave do medidor é que a maior parte da perda de pressão não
é recuperável. Normalmente apenas se consegue recuperar, como energia de
pressão, cerca de 5 a 10% da energia cinética em excesso. A perda de carga
50 Transporte de Fluidos

através do medidor de orifício é, portanto, elevada e isto pode impedir a sua


utilização em certas circunstâncias.

A expressão (1.65) pode tomar a seguinte forma:

2.g.∆H o
Qv =Co. (1.66)
 1 1 
 2 - 2 
 A o Ai A 

que é a equação do medidor de orifício, onde:


Qv - caudal volumétrico;
Ao - área do orifício;
AiA - área interna da tubagem por onde circula o fluido;
Co - coeficiente de descarga do orifício;
g - aceleração da gravidade = 9,8 ms-2;
∆Ho - perda de carga no medidor de orifício.
do
A determinação do Co pode ser efectuada por gráfico apropriado Co = f(Reo, ),
Di
existente na sebenta de Tabelas de Tecnologia Química, mas esta determinação
implica conhecer-se a velocidade do fluido no medidor de orifício e, por conseguinte,
o caudal. No entanto, quando a variável é, precisamente o caudal, a determinação
gráfica de Co torna-se impossível de ser efectuada. Nestas condições, a
determinação de Co é feita por método iterativo. Um algoritmo simples de resolução
para determinação de Co nestas condições poderá ser o seguinte:

Método Iterativo simples:


1.º Arbitrar um valor para Co = 0,63;
2.º Determinar Qv através de (1.66);
Qv
3.º Determinar vo = ;
Ao
ρ .v o .d o
4.º Determinar Reo = ;
µ
5.º Se Reo > 104, então Co = 0,63 ⇒ Qv é o calculado no passo 2;
Mecânica de Fluidos 51

6.º Se Reo < 104, determina-se o verdadeiro valor de Co através do gráfico Co =


do
f(Reo, ).
Di

Nota importante: O Co só assume um valor constante e independente de Reo e de


do
, a partir de valores de n.º Reynolds no orifício Reo ≥ 104 [ver gráfico Co = f(Reo,
Di
do
), existente na sebenta de Tabelas de Tecnologia Química]. Daí a razão de se
Di
começar o processo iterativo simples com Co = 0,63.

9.1.2. Embocadura:

Este medidor é semelhante ao do orifício, como se indica na figura seguinte:

Figura 25: Embocadura

A embocadura tem um coeficiente de descarga (CE) elevado e constante, cerca de


0,99, numa extensa gama de condições, porque o coeficiente de contracção é igual
a um. Este coeficiente é a razão da área na vena contracta pela área do orifício. É
mais dispendioso que o medidor de orifício e é muito usado para medir caudais de
vapores e líquidos sujos. A equação deste medidor será a seguinte:

2.g.∆H E
Qv =CE. (1.67)
 1 1 
 2 - 2 
 A E Ai A 
52 Transporte de Fluidos

onde:
AE - área do estrangulamento da embocadura;
CE - coeficiente de descarga da embocadura = 0,99;
∆HE - perda de carga na embocadura;
AiA – área interna da tubagem.

9.1.3. Medidor de Venturi:

Se em vez do que se passa no orifício, a variação de secção se efectuar,


gradualmente de forma a não originar remoinhos, as perdas de energia são
menores. Deste modo, o coeficiente de descarga correspondente (Cv) tem um valor
elevado. Existe um medidor de caudal de carga variável com estas condições, que
se designa por Venturi.

Figura 26: Venturi

Cv varia entre 0,9 e 0,99 para fluxo turbulento. Como valor médio típico = 0,98.
Para regime laminar, os coeficientes são muitíssimos baixos. A equação deste
medidor é a seguinte:

2.g.∆Hv
Qv =Cv. (1.68)
 1 1 
 2 - 2 
 A v Ai A 

onde:
Av - área do estrangulamento (garganta) do Venturi;
Cv - coeficiente de descarga do Venturi = 0,98;
Mecânica de Fluidos 53

∆Hv - perda de carga no Venturi;


AiA – área interna da tubagem.

9.1.4. Tubo Pitot:

O Tubo de Pitot serve somente para determinar velocidade local do fluido; por isso
só pode usar-se para explorar os gradientes de velocidades locais numa secção do
tubo pela qual circula o fluido.
Os valores obtidos para as velocidades locais em vários pontos de um diâmetro da
tubagem, constituem os valores precisos para o cálculo da velocidade média do
fluxo, baseada, na área total da secção transversal da tubagem. Só quando se
conhece de antemão a distribuição de velocidades na secção, é que se pode
calcular o caudal a partir só de uma leitura.

Quando o n.º de Reynolds ( calculado com a velocidade máxima) é maior do que


50.000, a relação entre a velocidade média e a velocidade local no centro de uma
conduta circular é igual a 0,81 e pode-se, para calcular a velocidade média, fazer
uma simples leitura com o referido instrumento colocado no centro da tubagem.

Figura 27: Tubo de Pitot.

v 2max
∆HP = (1.69)
2.g c
logo, vmáx. ≅ vA e,

vA = C. 2.g.∆H P (1.70)
54 Transporte de Fluidos

onde:
∆HP – Perda de carga no Tubo de Pitot;
C – Coeficiente de descarga no tubo de Pitot = 0,98;
vA – Velocidade local do fluido na tubagem.

É importante referir que, só uma calibração do aparelho para as mesmas condições,


permite fixar correctamente o valor de (C). Respeitando as condições de
aplicabilidade do Tubo de Pitot, pode-se relacionar a velocidade local determinada
na tubagem por (1.70) com o caudal de fluido (Qv):

Qv = vA.Ai (1.71)

onde Ai é a área interna da tubagem por onde se escoa o fluido.

9.2. Medidores de área variável:

9.2.1. Rotâmetros:

O rotâmetro consta de um tubo tronco - cónico transparente, colocado verticalmente,


e ligado à tubagem por flanges, no qual circula o fluido em sentido ascendente.
Dentro do tronco de cone há uma bóia que roda lentamente, mais densa que o
fluido, chamada de flutuador, que, para cada caudal, atinge uma altura determinada.
A regulação do caudal é feita através de uma válvula instalada a montante deste
medidor. A determinação do valor do caudal de fluido que passa no rotâmetro é feita
directamente através de uma escala de caudal (normalmente volumétrico ou
mássico) inscrita no próprio aparelho. Tal é possível por calibração do movimento
ascendente e descendente da bóia.

A bóia toma uma posição de equilíbrio no tubo, de maneira que a força de elevação
total que nela actua é igual ao seu peso. A diferença de pressão entre montante e
jusante da bóia é igual ao quociente do peso da bóia pela respectiva área máxima
da secção recta num plano horizontal. A área disponível para caudal é a coroa
circular formada entre a bóia e a parede do tubo; quanto mais acima estiver a bóia
Mecânica de Fluidos 55

no tubo, maior é a área, uma vez que a área da secção recta do tubo onde se
movimenta a bóia aumenta no sentido ascendente.

Pode considerar-se o rotâmetro como sendo um medidor de orifício com abertura


variável e, portanto, as fórmulas já deduzidas são aplicáveis. Tanto no medidor de
orifício vulgar como no rotâmetro, a queda de pressão resulta de duas causas,
nomeadamente, a conversão de energia de pressão em energia cinética e o atrito de
superfície nas paredes do orifício ou da bóia. A diferença de pressão, pode
expressar-se pelo equilíbrio de forças na bóia. A força descendente que se exerce
na bóia, ou seja o peso da mesma, menos a força ascensional, será equilibrada pela
diferença de pressão no fluido em ambos os lados da bóia, multiplicada pela área da
secção transversal da bóia.

g
Vb (ρ b − ρ ) = Ab (− ∆P ) (1.72)
gc

Vb ( ρb − ρ ) g
(- ∆P) = (1.73)
Ab g c

∆P = ρ∆Η (1.74)

2g(ρ b − ρ )Vb
Qv = CR Ao (1.75)
ρAb
Figura 28: Rotâmetro comercial.

9.3. Outros medidores de caudal e de velocidades locais:

Existem outros medidores de velocidades locais, como por exemplo:

¾ Cilindro de Pitot;
¾ Esferas de Pitot;
¾ Molinetes;
56 Transporte de Fluidos

¾ Correntógrafo;
¾ Flutuadores.

O Cilindro de Pitot é uma variante do Tubo de Pitot que permite eliminar os erros
de direcção, desde que se conheça o plano que contém o vector velocidade. O
aparelho consta de um cilindro em que, numa secção recta, existem duas tomadas
de pressão fazendo entre si um ângulo cerca de 78º.

Figura 29: Cilindro de Pitot

O modo de operar resume-se ao seguinte:

1.º Faz-se coincidir a secção do cilindro, em que estão as tomadas de pressão, com
o plano (π) que contém o vector velocidade e ligam-se as duas extremidades do
cilindro a um manómetro diferencial;
2.º Roda-se o cilindro até que a diferença de pressão indicada pelo manómetro seja
nula. Nesta posição, a velocidade é dirigida segundo a bissectriz do ângulo (α),
ficando consequentemente a conhecer-se a direcção da velocidade no plano π
(ver figura seguinte);
3.º Roda-se o cilindro de metade do ângulo α (39º). A leitura do manómetro, nesta
posição, dá a grandeza da velocidade, por processo análogo ao Tubo de Pitot.
Mecânica de Fluidos 57

A Esfera de Pitot é ainda uma variante que permite conhecer, num ponto, a
direcção e grandeza da velocidade, sem necessidade de conhecer a priori o plano
do vector velocidade. Consta fundamentalmente de uma esfera, na qual se fazem 5
tomadas de pressão (ver figura seguinte).

Figura 30: Esferas de Pitot

⇒ A esfera está colocada na extremidade de uma haste que pode rodar em torno
do seu eixo, sendo o ângulo de rotação, registado numa escala horizontal. Durante a
operação de calibração, pode-se fazer variar o ângulo de inclinação δ da haste. A
pressão estática e a velocidade são entidades conhecidas na operação de
calibração. Fixado um determinado δ, roda-se a haste até que as leituras no
manómetro 4 e 5 coincidam (h4 = h5);
⇒ Efectuam-se também as leituras h1, h2, e h3 e estabelecem-se os seguintes
coeficientes que, dentro de certos limites, são só características do aparelho, isto é,
independentes da velocidade:

h 3 - h1
Coeficiente de direcção ⇒ Kd = (1.71)
h2 - h4

h2 - h4
Coeficiente de velocidade ⇒ Kv = (1.72)
v2
2.g
58 Transporte de Fluidos

h2 - h
Coeficiente de pressão ⇒ Kh = (1.73)
v2
2.g

⇒ Repete-se a operação para outros valores de δ e obtêm-se as curvas de Kd, Kv e


Kh em função de δ. Estas curvas são caracteristicas próprias de cada aparelho.
⇒ Para medir a velocidade e sua direcção num ponto, coloca-se a esfera nesse
ponto, com a haste perpendicular ao eixo do canal e roda-se a haste até que os
piezómetros 4 e 5 indiquem leituras iguais (h4 = h5) e lê-se então o ângulo horizontal.
Registam-se também os valores de h1, h2 e h3 e determina-se o valor de Kd. Para
este valor e, a partir da curva de calibração, determina-se o valor de δ, o que,
juntamente com o valor do ângulo horizontal, define completamente a direcção da
velocidade. Conhecido δ, obtêm-se a partir das curvas de taragem, os valores de Kv
e Kh, os quais permitem conhecer a grandeza da velocidade (v) e da pressão (h), no
ponto em estudo.

Denomina-se molinete um sistema de pás ou hélices, montado num eixo vertical ou


horizontal, o qual é posto em movimento por acção da velocidade da água. O
número de rotações dado pelo aparelho é função da velocidade da água. O modo de
efectuar a contagem do número de rotações é específico de cada aparelho. A
relação entre a velocidade e o n.º rotações é feita em ensaios prévios de calibração,
que se realizam em laboratório, movendo-se o molinete a uma determinada
velocidade, com a água parada. A equação de calibração chama-se curva
característica do molinete e é do tipo

v = a + b.n (1.76)

em que (v) é a velocidade do fluido, (n) o n.º rotações, (a) e (b) são duas constantes
caracteristicas de cada aparelho. Os ensaios de calibração devem ser repetidos
periodicamente, visto que, com o próprio funcionamento, se alteram as condições do
molinete. Há também que ter em atenção a turbulência do escoamento, para o que é
necessário que a medição, em cada ponto, se realize durante um certo tempo (5 a
10 minutos ou mesmo mais) até se obter valores constantes.
Mecânica de Fluidos 59

O correntógrafo é um tipo de molinete especialmente adaptado ao registo de


correntes marítimas. Existem vários tipos de correntógrafos no mercado, os quais,
colocados num ponto, durante alguns dias, registam a direcção e a intensidade
instantânea da corrente nesse ponto. A técnica de colocação e de trabalho é
específica de cada tipo de aparelho.

O meio mais intuitivo de medir velocidades consiste no emprego de flutuadores.


Este meio é válido sobretudo para velocidades superficiais. O princípio hidráulico de
medição não oferece qualquer dificuldade: medição do comprimento percorrido
durante certo intervalo de tempo. A realização deste princípio é que por vezes se
apresenta mais difícil porque, em geral, os flutuadores não seguem trajectórias
previamente escolhidas, pois de um modo geral, tendem a encaminhar-se para o
filão (zona de maior velocidade do fluido). Como ordem de grandeza, pode supor-se
que, em correntes de uma certa regularidade, a velocidade média do fluido é cerca
de 0,7 a 0,8 vezes a velocidade no filão. Convém porém não esquecer que, esta
relação pode ser superior a 1, sobretudo em canais profundos de paredes quase
verticais, em que as velocidades máximas deixam de se verificar próximo da
superfície.

Em relação à utilização de outros instrumentos de medida para determinação de


caudais, para além dos já mencionados anteriormente (medidor de orifício, venturi e
embocadura), que são classificados como aparelhos deprimogéneos, são,
actualmente, enquadrados nos seguintes grupos:

¾ Métodos volumétricos;
¾ Diafragmas e Bocais (aparelhos deprimogéneos);
¾ Contadores mecânicos;
¾ Medidores electromagnéticos;
¾ Medição de caudais por meio de curvas.

O modo mais rigoroso de medir esta grandeza, quer em pressão, quer em superfície
livre, é a partir da sua própria definição: volume escoado por unidade de tempo. Ou
seja, aplicando métodos volumétricos. Deste modo, medindo-se o volume de fluido
que se escoou durante um certo intervalo de tempo, obtém-se o caudal volumétrico
médio durante esse tempo. Este método só é viável para pequenos caudais. Para a
60 Transporte de Fluidos

medição dos volumes, utilizam-se tanques convenientemente aferidos. Para a


medição do tempo, utilizam-se cronómetros. O método mais simples consiste em
dispor de um cronógrafo, com actuação manual e de um tanque aferido. Nestas
condições, se o tanque tiver capacidade para, pelo menos, um minuto de
escoamento, o erro cometido pode ser unicamente da ordem de 1%.

Os diafragmas e bocais, que pertencem ao grupo dos aparelhos deprimogéneos,


medem o caudal de um fluido em condutas fechadas à custa da medição de uma
diferença de pressão provocada por um estreitamento na tubagem.

O Diafragma é constituído por um orifício, em aresta rectangular, aberto numa placa


delgada (ver fig. 31a). A face de montante da placa deve ser plana e trabalhada,
sem necessidade propriamente de ser rectificada. A face de jusante da placa deve
ser também trabalhada, embora com menor cuidado do que a face de montante. O
diâmetro do orifício deve ser calibrado com uma aproximação de ±0,001D. As
tomadas de pressão são feitas nos ângulos e são habitualmente constituídas por
fendas anelares que abrem em camâras também anelares piezométricas (parte
superior da fig. 31). São designadas por tomadas de pressão tipo “A”. A fenda de
comunicação das camâras anelares com o tubo, deve ser igual ou inferior a 0,02D.
Deve também estar compreendida entre 5 mm e 1 mm. Se D > 400 mm, é permitido,
embora não recomendado, utilizar tomadas de pressão individuais (parte inferior da
fig. 31), designadas por tomadas de pressão tipo “B”. Os diafragmas são construídos
normalmente em aço, com diâmetros a partir de 100 mm. A fig. 31a, mostra um
esquema de um diafragma mais correntemente utilizado (Diafragma ISA 1932).

O Bocal ISA 1932 (mais correntemente utilizado) está representado na fig. 31b. As
suas dimensões absolutas podem ser quaisquer, desde que o diâmetro menor seja
superior a 20 mm. A superfície de montante do bocal deve ser torneada até que o
diâmetro de entrada seja igual ao do tubo. O bocal deve ser cuidadosamente
trabalhado: assim, o diâmetro (d), da parte cilíndrica, deve ter dimensões com erro
inferior a 0,0001D. Por outro lado, num comprimento igual a 2D, deve verificar-se o
diâmetro da tubagem com a tolerância de 1%. Sobre as tomadas de pressão, são
válidas as considerações feitas para os diafragmas. Os bocais são construídos
geralmente a partir de D = 150 mm.
Mecânica de Fluidos 61

Figura 31: Diafragma e Bocal

Os contadores mecânicos dividem-se em dois grandes grupos:


¾ Contadores de velocidade;
¾ Contadores volumétricos.

Os contadores de velocidade são baseados na medição da velocidade de rotação de


um molinete ou dispositivo análogo, posto em movimento por acção de um líquido.
São fundamentalmente constituídos pelos seguintes orgãos: orgão motor;
transmissão, normalmente do tipo redutor, que assegura a transmissão do
movimento do orgão motor ao mecanismo de medida e registo; registador,
62 Transporte de Fluidos

usualmente do tipo totalizador; envólucro, estrutura onde se alojam os orgãos


referidos e dotada de um tubo de entrada e outro de saída, por onde passa o líquido
a medir.

Os contadores volumétricos são baseados na medição de volumes, nos quais o


orgão motor é constituído por um disco, pistão ou roda que, movido por acção da
água, se desloca no interior da câmara de medida, impulsionando por cada
oscilação, translacção ou rotação, um certo volume de líquido.

Como variante de montagem destes dois tipos, apresentam-se os contadores


proporcionais e os contadores compostos. Nos contadores proporcionais, o orgão
motor encontra-se instalado numa derivação à conduta, de tal modo que por ele
passa só uma parcela do caudal a medir, sendo o caudal total, proporcional a essa
parcela. Os contadores compostos são constituídos por dois contadores, um
principal (geralmente de velocidade) instalado na conduta principal e outro
secundário (geralmente um contador volumétrico) instalado numa derivação. Uma
válvula, de seccionamento, automática, assegura o encaminhamento do líquido
sujeito a medição, em função do valor do caudal respectivo, para um ou outro dos
contadores: os grandes caudais são medidos na conduta principal, os pequenos
caudais são medidos na derivação.

É possível dispor no mercado de uma grande variedade de marcas e modelos


diferenciados entre si, pelo calibre, caudal nominal, pressão de serviço, perda de
carga, capacidade de medida, sensibilidade e precisão, tipo de totalizador e de
transmissão, etc. . Merecem uma referência particular os contadores de hélice
dotados de sela de montagem, destinados a instalação em condutas já existentes de
diâmetro igual ou superior a 100 mm. A capacidade de medida pode variar de 1 L/s
para contadores com calibre de 15 mm, até 1 m3/s para calibres de 800 mm.

Os medidores electromagnéticos baseiam-se na medição da voltagem introduzida


no seio de um líquido que atravessa um campo magnético. Têm como principais
orgãos, uma unidade sensível, captor e a aparelhagem de medida e registo, onde se
processa a conversão dos valores de tensão, em valores de caudal ou de volume. O
captor é formado pelas seguintes partes principais: tubo de medida, troço de
conduta não magnética, isolada, onde corre o fluido; indutor, constituído por 2
Mecânica de Fluidos 63

bobinas magnéticas colocadas em posições diametralmente opostas em relação à


conduta, de modo a criar um campo magnético normal ao eixo desta; 2 eléctrodos,
colocados na parede interna da conduta, de forma a que o diâmetro que os une seja
normal às linhas de força do campo magnético; detector, circuito eléctrico, que
normalmente assegura a amplificação da voltagem introduzida e a sua transmissão
até ao aparelho de medida e registo. Há necessidade de garantir uma fonte de
alimentação eléctrica que assegure a activação dos magnetos e a alimentação do
circuito de medida e registo. Os modelos disponíveis no mercado diferem entre si
por particularidades de fabrico, nomeadamente no que diz respeito às caracteristicas
de medida, dimensões, modo de ligação à conduta e material da tubagem, dos
eléctrodos ou do revestimento interno das condutas.

Em relação à medição de caudais por meio de curvas, é de referir que, numa


curva geram-se diferenças de pressão entre a sua parte interior e a sua parte
exterior. Esta diferença de pressão pode ser utilizada para medição do caudal
escoado (ver fig. 32).

Figura 32: Curva de tubagem para determinação de caudal


64 Transporte de Fluidos

A determinação do caudal (Qv) será então efectuada pela seguinte expressão:

Qv = µ’.k.Ai. 2.g.∆H (1.77)

onde:
µ’ – coeficiente de vazão, dado pela tabela 73;
k – coeficiente de forma, dado pela tabela 7, em função do raio da curva (r) e do
diâmetro interno da conduta (Di);
Ai – área interna da conduta;
∆H – desnível de alturas do líquido manométrico entre a face interior e a face
exterior da curva, ambas medidas na bissectriz do ângulo.

r/D 1,0 1,25 1,50 1,75 2,00 2,25 2,50 2,75 3,00
µ’ 1,23 1,10 1,07 1,05 1,04 1,03 1,03 1,02 1,02
K 0,570 0,697 0,794 0,880 0,954 1,02 1,08 1,14 1,20
Tabela 7: Valores de µ’ e de k, para vários valores de r/D.

7.4 Factores a ter em conta na escolha de medidor de caudais para


escoamentos em pressão:

‰ Pela sua própria constituição e dada a fragilidade de funcionamento do orgão


motor, os contadores mecânicos têm o seu campo de aplicação praticamente
limitado aos sistemas de água limpa. Apenas para os medidores de propulsor e,
em condutas de razoável dimensão, seria possível a sua aplicação, na medição
de caudais de esgoto;
‰ Na hipótese de a água a medir poder arrastar limos ou originar depósitos
calcários, deve evitar-se o uso de medidores volumétricos, em especial, de disco;
‰ Os aparelhos deprimogéneos podem utilizar-se na medição de águas limpas ou
de esgoto, desde que a carga sólida seja, neste último caso, suficientemente
reduzida e de molde a poder considerar-se o líquido homogéneo, como sucede,
regra geral, com as águas de esgoto residual bombeadas através de condutas
elevatórias;

3
Lencastre, A., “Hidráulica Geral”, 2ª Edição, Dinalivro, 1996.
Mecânica de Fluidos 65

‰ Neste caso, poderão ser utilizados quaisquer dos aparelhos deprimogéneos


citados, desde o tubo de Venturi clássico que, pelo traçado do seu perfil, garante
a não formação de zonas de águas mortas, susceptíveis de originar depósitos
das partículas sólidas transportadas, até aos diafragmas;
‰ Em qualquer caso, na medição de caudais de esgoto por meio de aparelhos
deprimogéneos, deverão utilizar-se sempre modelos com tomadas de pressão,
sem camâra piezométrica, dada a facilidade com que estas se entopem;
‰ Os caudais a medir por meio de aparelhos deprimogéneos deverão ser, tanto
quanto possível, constantes ou sujeitos a variações lentas e pouco importantes;
com caudais ainda relativamente constantes, pode recorrer-se ao uso de
contadores de hélice horizontal, muito utilizados em condutas elevatórias;
‰ Em situações de flutuações sensíveis de caudal e dentro da gama dos pequenos
caudais, podem utilizar-se, com vantagem, os contadores volumétricos;
flutuações importantes de caudal e caudais significativos tornam aconselhável o
uso de contadores de hélice de eixo vertical (se as perdas de carga não tiverem
importância relevante) ou contadores compostos ou proporcionais, nos casos em
que se pretende restringir as perdas de carga introduzidas.
66 Transporte de Fluidos
Mecânica de Fluidos 67

PROBLEMAS

Equação de BERNOULLI:

1º) Determinado óleo (d=0,87) move-se na canalização indicada abaixo, sendo os


diâmetros nominais schedule 40, respectivamente de 2", 7", 1".
Em 3, igual quantidade de liquido, move-se em cada um dos tubos sendo o caudal
em cada um destes, de 140 litros/ minuto.
Calcular:
a) O caudal em massa em cada um dos tubos, expresso em Kg/h;
b) A velocidade linear média em cada um dos tubos, expressa em cm /s.
(Q3 = 7308 kg/h; Q1 = Q2 = 14616 kg/h)
(v3 = 419 cm/s)

2º) Metanol a 40% sai continuamente do depósito representado na figura. Este


depósito está aberto para a atmosfera e é de grandes dimensões. A altura do ponto
A é de 2 metros e a dos pontos B e C é de 0,3 metros. Os diâmetro nominais
schedule 80 são respectivamente nos pontos B e C de 3" e 1". O fluido é
transportado até a um equipamento instalado no ponto C, que se encontra a
funcionar à pressão atmosférica. Considere que o fluido não sofre perdas de carga
em toda a conduta.
Calcular:
a) O caudal de fluido, expresso em litros /segundo. (QB = Qc = 2,68 l/s)
4 2
b) A pressão em B. (PB = 1,19x10 kgf/m )
68 Transporte de Fluidos

3º) Considere o sistema indicado abaixo. Trata-se de um tanque cheio de água,


aberto para a atmosfera e de grandes dimensões, o qual sai pelas tubagens A e B
com diâmetros internos respectivamente de 10 e 20 cm. Os eixos destas tubagens
encontram-se ao mesmo nível e o tanque é continuamente alimentado com um
3
caudal de 2200 ft /minuto, o qual assegura um nível constante no tanque. A pressão
em B é igual a 87,4 atm..
Desprezando a perda de carga, calcule a altura da água no tanque.
(Xc = 950 m)

PERDAS de CARGA :

4º) Calcular a perda de carga em cm e a perda de pressão em Kgf/m2, numa


instalação de aço comercial que transporta álcool isopropílico a 20ºC, e que é
constituído por 50 metros de tubagem de diâmetro nominal de 2"(cat.40).
O caudal transportado é de 2500 Kg /h.
Considere toda a instalação na mesma linha de referência ou seja na horizontal.
(F = 0,26m; ∆Pf = 206,6 kgf/m2)

5º) Água a 20ºC é transportada de um depósito através de uma tubagem de aço


comercial, de 1" de diâmetro nominal (cat.40), ao longo de 800 ft de comprimento,
para um outro depósito à mesma pressão, mas situado 25 ft de altura abaixo do
primeiro. O caudal de fluido é de 10000 lb/h.
Calcular:
a) N.º de Reynolds, indicando o tipo de fluxo. (Re = 5,83x104 ; turb.)
b) O factor de atrito ou de irreversibilidade. (f = 0,0065)
c) A perda de carga na tubagem, expressa em ft. (F = 202,5ft)
d) A perda de pressão correspondente, expressa em psi. (∆P = 87,4 psi)

6º) Calcular a perda de carga total em ft, de uma instalação em aço comercial, que
transporta tetracloreto de carbono a 20ºC e que é constituída por:
- 20 metros de tubagem de diâmetro nominal de 21/2" (cat. 40);
Mecânica de Fluidos 69

- redução súbita de 21/2” para 11/2" de diâmetro nominal (cat. 40);


- 120 metros de tubagem de 11/2" de diâmetro nominal, equipada com uma válvula
de comporta 100% aberta , 3 cotovelos de 90º raio médio e 60 uniões.
O caudal transportado é de 4000 Kg/h. A instalação está toda ao mesmo nível.
(F = 4,05 ft)

7º) Uma rede municipal para abastecimento de água utiliza um depósito de grandes
dimensões, colocado a um nível superior do centro de distribuição.
A água é movimentada a 77ºF e a 100 GPM, devendo assegurar-se uma pressão à
entrada do centro de distribuição, de 25,4 psig.
O sistema de tubagens de alimentação de água ao centro de distribuição é
constituído por:
- 16 ft de tubagem em aço comercial com D = 2" (cat.40), contendo 3 cotovelos a
90º(raio médio) e uma válvula de comporta aberta;
- Alargamento da tubagem de 2" para D = 3" (cat. 40);
- 20 ft de tubagem em aço comercial, contendo 3 cotovelos a 90º (raio normal) e
uma válvula de globo ou de assento esférico aberta.
O tanque de abastecimento de água encontra-se fechado, estando no entanto
ventilado para a atmosfera. Determinar a que altura do ponto de alimentação de
água ao centro de distribuição se deverá encontrar o nível da água no tanque de
abastecimento, para que sejam verificadas as condições operatórias do sistema.
(F = 8,2 ft; XA = 67,4 ft)

8º) Transporta-se numa conduta em aço comercial, água à temperatura de 23ºC.


Esta conduta é constituída pelo seguinte:
- Tubagem com D = 2” (cat. 40), com 1 m de comprimento, 1 válvula de comporta
100% aberta, seguido de 2m de comprimento (tudo na horizontal);
- Contracção da tubagem de D = 2” para D = 1” (cat. 40);
70 Transporte de Fluidos

- 0,5 m de comprimento, um cotovelo de 90º, raio normal, 2 m de comprimento


(descendente), outro cotovelo de 90º, raio normal e mais 1 m de comprimento na
horizontal (o fluido desloca-se no mesmo sentido do 1º troço);
- Alargamento da tubagem de D = 1” para D = 2” (cat. 40);
- 5 m de comprimento, seguido de um contador de água, em disco e mais 1 m de
comprimento, tudo na horizontal.
Foram recolhidos, ao fim de 2 minutos, aproximadamente cerca de 1600 litros de
água no final da conduta. Determinar:
a) O regime em cada troço de tubagem;
b) A perda de carga total do fluido;
c) A pressão da água no final da conduta, expressa em atmosferas, sabendo que,
neste ponto, corresponde a cerca de metade da pressão no início da conduta.
(Re1 = Re3 = 3,2x105; Re2 = 6,3x105)
(F = 171,4 m)
(Pc = 16,9 atm)

N.º de KARMAN:

8º) Determinar o caudal de água, expresso em m3/dia a 20ºC, que é transportado


através de 300 metros de tubagem em aço comercial, com D = 3" (cat.40) e com
uma diferença de pressão de 4,3 atmosferas. (Qv = 1477 m3/dia)

9º) Pretende-se transportar ar à pressão relativa de 3 atm e à temperatura de 28ºC


numa tubagem de aço comercial com D = 21/2 (cat. 40) e com 300 m de
comprimento. É necessário que a perda de pressão, em toda a tubagem, não seja
superior a 1,7 atm. Determine o caudal máximo de ar a ser transportado, expresso
em m3/dia. (Qv = 7603 m3/dia)

DIÂMETRO MÍNIMO DA TUBAGEM:

10º) Pretende-se fazer o aproveitamento energético da água contida num lago de


uma montanha. A superfície da água nesse lago encontra-se a 85 metros acima das
turbinas da central hidroeléctrica que utilizará esta água. Seguindo o traçado mais
favorável determinado pelos topógrafos, o fluido terá de percorrer 940 metros de
comprimento total equivalente. Determinar qual será o diâmetro mínimo da tubagem,
Mecânica de Fluidos 71

expresso em polegadas, necessário para um caudal de 4,0 m3/min e com a pressão


nas turbinas de 7 Kgf/cm2, acima da pressão atmosférica. Considere a temperatura
da água igual a 15ºC. (Di(min.) ≅ 1”)

11º) Numa tubagem de aço comercial transportam-se 5,3 galões U.S./h de água a
15ºC, sendo o comprimento total equivalente igual a 600 ft, com uma perda de
pressão de 1 Kgf/cm2. Determinar o diâmetro mínimo da tubagem.
(Di(min.) = 4,7x10-3 m)

12º) Determinar o diâmetro mínimo que deve ter uma conduta em aço comercial,
para transportar um caudal de 150 litros/s de água a 20ºC, com uma perda de carga
por atrito igual a 0,006 por unidade de comprimento de conduta. (Di(min.) = 0,34 m)

MEDIDORES DE CAUDAL:

a) MEDIDOR de ORIFÍCIO:

13º) Para medir um caudal de uma tubagem em aço comercial de D = 2" (cat.40)
numa instalação industrial onde circula éter etílico a 25ºC, utiliza-se um medidor de
orifício de 25 mm de diâmetro, tendo acoplado um manómetro em U de mercúrio
que marca uma diferença de nível de 40 cm.
Calcule o caudal de fluido, em litros/h. (Qv = 13,6x103 l/h)

14º) Qual seria a dimensão do orifício que daria uma diferença de pressão de 12"
de coluna de água, para um caudal de um petróleo a 15ºC (d=0,95 e µ = 3600 cp) de
245000 gpm US, num tubo de 6" de diâmetro interno? (do = 15,1 cm)

15º) Um gás natural (CH4 = 80%;N2 = 20%) circula ao longo de uma tubagem em
aço comercial de D = 16", no qual está instalado um medidor de orifício de 2,5". A
montante do orifício o gás está a 85ºF e a uma pressão de 5,0 psig. O manómetro
diferencial inclinado com um ângulo de 15º com a horizontal, está ligado ao orifício e
tem uma leitura de 6,2" de água. Qual o caudal de gás que atravessa esta tubagem,
em libras/hora? Considere a pressão atmosférica igual a 1 Kgf/cm2.
(Qm = 112,3 lb/h)
72 Transporte de Fluidos

b) TUBO de VENTURI:

16º) Por uma tubagem de 3"(cat.40) circula água a 20ºC com um caudal de 550
litros/ minuto. Se for instalado um Venturi com um diâmetro de garganta de 1,7", qual
será a leitura num manómetro em U de Hg ligado ao medidor?
(R’ = 0,15 m)

17º) Um tubo de Venturi com um diâmetro de garganta de 35 mm, é usado para


medir um caudal de uma corrente de hidrogénio (88 ºC ; 14,7 psia), que circula num
tubo de 4,6" de diâmetro interno. A leitura do manómetro em U acoplado ao Venturi
é de 0,6 metros de coluna de água. Determine o caudal de fluido, em ft3/dia.
(Qv = 2087 ft3/dia)

c) TUBO de PITOT:

18º) Um tubo de Pitot é instalado no eixo central de uma tubagem horizontal de 3"
(cat.40), no qual circula tolueno a 20ºC. A pressão indicada num manómetro
diferencial de tetracloreto de carbono é de 10,4 cm. Calcule o caudal em m3/h.
(Qv = 22 m3/h)

19º) Um tubo de Pitot é instalado no eixo duma tubagem instalada na horizontal


com diâmetro interno de 12", onde circula oxigénio (t=80ºF; pr=2" H2O). Obtém-se
uma leitura de 4" de água num manómetro inclinado com um declive de 10/1
horizontal/vertical. Calcule a velocidade do Oxigénio no ponto onde se fez a leitura,
em ft/s e o caudal de fluido, em lb/h. (v = 37,7 ft/s; Qm = 6,64x106 lb/h)

20º) Faz-se transportar CO2 a P.T.N., numa tubagem de diâmetro nominal igual a 2”
(cat. 40). Para se determinar o caudal, utilizou-se um medidor acoplando-se nas
extremidades no mesmo, um manómetro de Hg inclinado em cerca de 45º com a
horizontal, tendo o desnível de alturas do líquido manométrico indicado o valor de
100 mm. Determine o caudal volumétrico de fluido, nas seguintes condições:
a) utilizando um medidor de orifício com um diâmetro de 0,5”; (7,86x10-3 m3/s)
b) utilizando um venturi com um diâmetro de garganta de 1,5”; (0,128 m3/s)
c) utilizando um tubo de Pitot. (0,21 m3/s)
Dados: ρ(Hg) = 13,6 g/cm3
Bombas 73

CAPÍTULO II – BOMBAS

1. INTRODUÇÃO:

Em qualquer sistema onde há movimento de um fluido em relação a uma fronteira,


há transferência de momento do fluido para a fronteira. Esta transferência provoca
diminuição da pressão do sistema, e esta diminuição interessa ao projectista.
Em todas as aplicações práticas é necessário conhecer os balanços de energia e de
massa do processo analisado. Por exemplo, a perda de pressão num fluido que
escoa num tubo é uma função da velocidade de escoamento. Esta velocidade pode
ser calculada por um balanço de massa ao processo. Analogamente, a potência
necessária para bombear um fluido através de um sistema de tubagens pode ser
calculada mediante um balanço de massa e energia.

1.1 Balanços de Massa/Balanços de Energia:

TANQUE

BOMBA
XB

TANQUE XA

linha de referência
Figura 33: Sistema de bombagem de um líquido

Em relação ao sistema de bombagem anterior, poderão ser efectuados os seguintes


balanços:

BALANÇO DE MASSA:
Entrada de massa = Saída de massa + Acumulação
74 Transporte de Fluidos

Em regime permanente, a acumulação de massa é nula, de modo que:

Entrada de massa = Saída de massa

ou seja,
(Qvolumétrico ρ )entrada = (Qvolumétrico ρ )saída (2.1)

(v * S * ρ )entrada = (v * S * ρ )saída (2.2)

v – velocidade do fluido;
S - área transversal ou secção de passagem interna da tubagem;
ρ - massa volúmica do fluido.

BALANÇO DE ENERGIA - Equação de Bernoulli:

v A2 v B2
X A+ + PA V A + W − F = X B + + PB VB (2.3)
2g 2g

XA, XB – altura do fluido em relação a um plano horizontal de referência;

v A2 v2
, B - energia cinética por unidade de peso, devido ao movimento do fluido;
2g 2g

PA
PA VA - é o trabalho realizado para introduzir o fluido no sistema = ;
ρ
PB
PB VB - trabalho efectuado para a descarga do fluido = ;
ρ
W - trabalho realizado pela bomba por unidade de peso de fluido;
F - perdas de carga totais do fluido.

1.2. Tipo de Bombas:

Num sistema típico com movimento, é necessário adicionar energia ao fluido para
mantê-lo em movimento. Esta energia é gerada por um equipamento motriz como,
uma bomba ou um compressor e, quando expressa por unidade de peso de fluido,
corresponde ao termo (W) da equação de Bernouilli. A energia fornecida pela bomba
Bombas 75

(ou compressor) pode compensar as perdas de carga por atrito ou contribuir para o
aumento da velocidade, da pressão ou da altura de fluido percorrida.
Os fluidos que participam em Processos Químicos podem ser gases, líquidos ou
combinação de ambos. É convencional falar de bombeamento quando estão,
envolvidos líquidos e o equipamento utilizado é uma bomba. Em alguns casos é
necessário transportar suspensões (misturas de um líquido e sólidos finamente
divididos) mediante bombas especiais. Os gases têm densidades e viscosidades
mais baixas, além de maior compressibilidade, de modo que se usam equipamentos
diferentes para movimentá-los - os compressores.

P2
P1

Figura 34: Esquema de uma Bomba

As bombas são equipamentos mecânicos destinados para o transporte de líquidos.


Imprimem movimento a um determinado caudal de líquido, aumentando-lhe
simultaneamente a pressão, isto é,

P2 > P1 ⇒ ∆Pbomba = P2 – P1 > 0.

A maioria das bombas cai em uma das duas classes principais:

Deslocamento positivo ou efectivo (volumétricas)


BOMBAS { Centrífugas

As bombas de deslocamento positivo, têm as seguintes características:


¾ Fazem deslocar um volume bem definido de líquido (aprisionado pelas partes
móveis da bomba), por cada volta do mecanismo, transportando o líquido de
uma zona de baixa pressão para uma zona de alta pressão, independentemente
do ∆P a vencer. As folgas entre as partes móveis e o corpo da bomba têm assim
de ser pequenas;
¾ O caudal volumétrico (Qv) depende muito pouco de ∆Pbomba;
76 Transporte de Fluidos

¾ Não precisam, normalmente, de ser ferradas, isto é, não precisam de estar


cheias de líquido para começarem a funcionar. Postas a funcionar sem líquido,
criam vácuo e são capazes de sugar aquele, pela conduta de admissão.

As bombas centrífugas, ao contrário das bombas de deslocamento efectivo, impelem


um volume que depende da pressão de descarga ou da energia adicionada. Têm as
seguintes características:
¾ A energia mecânica do líquido é aumentada pela acção centrífuga de um rotor de
alta velocidade;
¾ Precisam de ser ferradas;
¾ Qv é função de ∆Pbomba.

1.2.1 Bombas de deslocamento positivo:

Dentro deste grupo de bombas, enquadram-se as seguintes bombas:

¾ Bombas alternativas;
¾ Bombas de diafragma;
¾ Bomas peristálticas;
¾ Bombas rotativas ou de carretos.

BOMBAS ALTERNATIVAS:

Por cada golpe de um pistão, um determinado volume fixo de líquido bombeado é


descarregado, tal como se pode veirifcar pela figura seguinte:

Figura 35: Bomba alternativa com simplex de efeito duplo.


Bombas 77

A descarga real de líquido efectuada por este tipo de bomba normalmente não
coincide com a descarga baseada no deslocamento do pistão, porque pode ocorrer
má vedação do cilindro da bomba, o que implica a existência de volumes “mortos”. É
com base neste facto, que se pode determinar a eficiência volumétrica (η) deste tipo
de bombas:

descarga real
η= x 100 (2.4)
descarga baseada no deslocamento do pistão

Para este tipo de bombas, tem-se em consideração o seguinte:

• Com as bombas bem ajustadas ⇒ η ≅ 95%;


• O caudal que sai da bomba não é constante, dado que o volume de líquido
descarregado também não o é (ver figura seguinte).

Figura 36: Gráfico do volume descarregado de líquido pela bomba, em função do tempo, para: 1 – simplex de
efeito simples; 2 – simplex de efeito duplo; 3 – duplex de efeito duplo (2 cilindros).

De seguida apresenta-se um quadro com as principais vantagens e desvantagens


deste tipo de bombas4:

4
Alves, Prof. Sebastião, “Fenómenos de Transferência I – 2ª parte”, AEIST, 1997/98.
78 Transporte de Fluidos

VANTAGENS DESVANTAGENS
Pode produzir altas pressões (até ≅ É mais cara que uma bomba centrífuga
10000 atm)
É eficiente numa grande gama de Não serve para bombear suspensões de
pressões líquidos
Não precisa de ser ferrada Pouco adequada para certos líquidos
corrosivos, devido aos materiais de
construção
Impele um caudal irregular

BOMBAS DE DIAFRAGMA:

São bombas que foram projectadas para bombear líquidos corrosivos e suspensões
de sólidos abrasivos. As únicas partes móveis em contacto com o fluido são as
válvulas, fabricadas, normalmente, em material resistente e, o diafragma, que pode
ser de borracha, couro ou de plástico.

Figura 37: Esquema de uma bomba de diafragma

Como limitações de uso, refere-se o seguinte:

• Pressões de líquido bombeado até ≅ 250 atm;


• Caudais de líquido modestos.

BOMBAS PERISTÁLTICAS:

Este tipo de bombas, muito usadas em laboratório, impelem caudais pequenos e


pressões de líquido bombeado não muito altas. Tem a vantagem de se evitar
Bombas 79

contaminação do líquido, porque este só contacta o tubo flexível, que normalmente é


feito de material plástico ou de borracha (ver figura seguinte):

Figura 38: Esquema de uma bomba peristáltica.

BOMBAS ROTATIVAS OU DE CARRETOS:

Neste tipo de bombas, o líquido é forçado entre os dentes dos carretos que precisam
de aderir com precisão ao corpo da bomba. Por este motivo, este tipo de bombas
não é utilizado para bombear suspensões de sólidos (ver figura seguinte):

Figura 39: Esquema de uma bomba rotativa de carretos.

⇒ Este tipo de bombas impele caudais elevados, origina altas pressões no


líquido bombeado e pode ser utilizada para bombear líquidos viscosos. Como
exemplos de aplicação, destaca-se as bombas de óleo nos automóveis ou bombas
de óleos residuais em destilarias. Tal como as restantes bombas de deslocamento
positivo, estas também não necessitam de ser ferradas.
80 Transporte de Fluidos

1.2.2 Bombas Centrífugas:

⇒ As bombas centrífugas são as mais usadas na indústria química. São


baratas, versáteis e podem ser construídas nos mais diversos materiais (inclusive
plásticos);
⇒ As bombas centrífugas constroem-se em dimensões tão pequenas que tem
um caudal de alguns galões por minuto, operando com uma pressão de descarga
pequena, até bombas com um caudal de vários milhares de galões por minuto,
operando com uma pressão de várias dezenas de atmosferas;
⇒ Na sua forma mais simples, a bomba é constituída por um rotor que gira no
interior de uma carcaça. O fluido entra na bomba nas vizinhanças do eixo do rotor
propulsor e é lançado para a periferia pela acção centrífuga. A energia cinética do
fluido aumenta do centro do rotor para a ponta das palhetas propulsoras. Esta
energia cinética é convertida em pressão quando o fluido sai do impulsor e entra na
voluta ou difusor. Veios condutores fixos no corpo da bomba podem ajudar a dirigir o
fluido, melhorando a eficiência da bomba;

⇒ Como as pás não se ajustam perfeitamente ao corpo da bomba, a bomba


aceita suspensões de sólidos. Pela mesma razão, a bomba precisa de ser ferrada,
visto que, em vazio, é incapaz de criar o vácuo necessário para a sucção do líquido;

Figura 40: Forma típica de uma bomba centrífuga.


Bombas 81

⇒ Uma bomba centrífuga com um só rotor é uma bomba de um único estágio


(ou andar). Quando se deseja ter uma combinação de pressão total e capacidade
que não se enquadra numa bomba de um só estágio, usa-se uma operação multi-
estágio. Na realidade, a descarga de uma bomba dum estágio é injectada na
admissão de uma bomba de um segundo estágio, onde se preserva a pressão do
primeiro. O fluido depois de entrar no segundo estágio terá um aumento de energia
sob forma de aumento de pressão e assim sucessivamente. As bombas multi-
estágio podem ser consideradas como bombas com vários estágios simples,
montadas sobre o mesmo eixo e com descargas em série.

Muito resumidamente, as principais peças constituintes de uma bomba centrífuga,


são as seguintes:
9 Corpo da bomba;
9 Motor eléctrico;
9 Propulsor ou rotor (considerado o coração da bomba, normalmente é
um disco que roda a alta velocidade, o que permite transmitir a
energia ao líquido para este adquirir o aumento de pressão desejado);
9 Veios condutores;
9 Sistema de refrigeração;
9 Sistema de lubrificação.

Em relação às bombas centrífugas, estas são objecto de vários tipos de


classificação:

Quanto à forma do propulsor:

Figura 41: Tipos de impulsores (rotores).


82 Transporte de Fluidos

em que:
a) Bombas centrífugas propriamente ditas ou de escoamento radial: o líquido entra
axialmente pelo centro e sai radialmente pela periferia. Se a entrada se faz só
por um lado, dizem-se de aspiração simples, se for feita pelos dois lados, dizem-
se de aspiração dupla. É uma bomba destinada a grandes elevações;
b) Bombas de escoamento misto: o líquido entra axialmente e sai numa direcção
média entre axial e radial. Destina-se a alturas de elevação médias;
c) Bombas de escoamento axial: o líquido entra axialmente e sai quase axialmente.

Quanto ao corpo:

a) Voluta ou espiral: desenhada de modo a manterem-se velocidades iguais à volta


do impulsor e a reduzir a velocidade de passagem para a saída (ver figura
seguinte);

Figura 42: Corpo de bomba espiral.

b) Circular ou tipo turbina: tem acção constante e concêntrica com o propulsor que
é contornado por pás fixas que guiam o escoamento e reduzem a velocidade da
água, transformando a energia cinética em energia de pressão (ver figura
seguinte);

Figura 43: Corpo de bomba circular.


Bombas 83

Quanto ao n.º de impulsores:

a) De um só andar: quando têm um só impulsor;


b) De andares múltiplos: quando existem vários impulsores.
Quanto ao sentido de rotação:

a) De sentido directo: se o eixo da bomba roda no sentido anti-horário;


b) De sentido retrógrado: se o eixo da bomba roda no sentido horário.

Quanto à posição do eixo:

a) Eixo horizontal;
b) Eixo vertical;
c) Eixo inclinado.

As bombas centrífugas caracterizam-se ainda pela sua velocidade específica,


determinada por:

N Q1 / 2
Ns = (2.5)
(g H )3 / 4

Ns - velocidade especifica
N - rotações por segundo (rps)
Q - caudal volumétrico, m3/s
H - carga, m
g - aceleração da gravidade m/s2

1.3. Escolha da Bomba:

A escolha de uma bomba é feita, essencialmente, com base no caudal e na carga


requerida, juntamente com outras considerações de processo, tais como corrosão
ou presença de sólidos no fluido. Não pode separar-se a escolha da bomba, do
projecto do sistema de tubagem em conjunto. A carga total necessária a desenvolver
84 Transporte de Fluidos

pela bomba, será a soma da carga dinâmica devido às perdas por atrito na tubagem,
acessórios, válvulas, equipamento do processo, carga estática devida a diferenças
de cota e diferença de pressão entre o ponto inicial e final.

O diagrama representado na fig. seguinte pode usar-se para determinar o tipo de


bomba requerido para uma determinada carga e caudal.

Figura 44: Mosaico para escolha de Bombas Centrífugas

Resumidamente, os factores para os quais se deve ter em linha de conta, quando se


pretende escolher uma determinada bomba centrífuga, são os que a seguir se
enunciam:

¾ Caudal volumétrico de líquido a bombear (Qv);


¾ Aumento de pressão adquirida pelo líquido (∆Pbomba);
¾ Carga desenvolvida pela bomba, que corresponde à altura manométrica do
líquido bombeado (Hman. ou H);
¾ Massa volúmica do líquido (ρ);
¾ Viscosidade dinâmica do líquido (µ);
¾ Natureza química do líquido, como por exemplo, acidez ou alcalinidade,
substância corrosiva, concentração, etc.;
¾ Presença de partículas sólidas em suspensão no líquido a bombear;
Bombas 85

¾ Diâmetro e material da tubagem;


¾ Material de construção da bomba;
¾ Grandezas que caracterizam o dimensionamento de uma bomba centrífuga:
potência, rendimento, carga efectiva positiva de sucção, diâmetro e velocidade
de rotação do impulsor da bomba;
¾ Custo da bomba centrífuga.

⇒ A carga desenvolvida pela bomba (H) depende da altura a que se pretende


elevar o líquido a bombear, da distância a percorrer pelo líquido a jusante da bomba,
da perda de carga por atrito na tubagem a jusante, da perda de carga contracção e
alragamento de tubagem e da existência de acidentes na tubagem a jusante da
bomba.

É costume definir-se duas zonas de trabalho num sistema de bombagem:

¾ ZONA DE SUCÇÃO, DE CARGA OU DE ASPIRAÇÃO: zona a montante da


bomba;
¾ ZONA DE DESCARGA: zona a jusante da bomba.

2. DIMENSIONAMENTO DE UMA BOMBA CENTRÍFUGA:

É através de um balanço ao sistema de bombagem (ver fig. 33), aplicando a


equação de Bernouilli, que se determina o trabalho que a bomba terá de
desenvolver para deslocar o líquido do ponto A para o ponto B.
Fazendo as seguintes considerações e simplificações em relação à equação 2.3:

v 2A P
HA = XA + + A - Carga total do fluido no ponto A (2.6)
2.g c ρ

v 2B P
HB = XB + + B - Carga total do fluido no ponto B (2.7)
2.g c ρ
Sendo (F) a perda de carga total que um fluido sofre desde o ponto A (a montante
da bomba) até ao ponto B (a jusante da bomba), tem-se que:
86 Transporte de Fluidos

F = ∆Hf + ∆Ha + ∆Hc + Fp (2.8)

em que:

∆Hf - perda de carga por atrito (em qualquer fluido real, a viscosidade tende a
oferecer resistência ao movimento do fluido, e por isso provoca uma transferência de
momento para a parede da tubagem de escoamento) com introdução de
acessórios. Esta determinação é feita pela equação de Fanning (eq. 1.49);
∆Ha – perda de carga por alargamento de tubagem (eq. 1.45);
∆Hc – perda de carga por contracção de tubagem (eq. 1.46);
Fp - perda de carga do líquido que ocorre na bomba (perdas de carga por atrito na
própria bomba).

Substituindo (2.6), (2.7) e (2.8) em (2.3), vem:

W = HB – HA + ∆Hf + ∆Ha + ∆Hc + Fp (2.9)


onde:
W – energia por unidade de peso de líquido bombeado, fornecida ao líquido pela
bomba. Mas,

(2.10)
W = Wútil + Fp

porque, de toda a energia por unidade de peso de líquido bombeado, que é emitida
pela bomba, apenas uma parte é, na realidade, transmitida ao líquido. Esta parcela é
designada por energia útil (Wútil). Tal facto acontece devido às perdas de carga que
o líquido sofre quando passa na bomba (Fp). Daí que, a restante parcela de (W)
sirva para compensar (Fp). A % de distribuição destas duas parcelas de (W) é
função do rendimento da bomba.

Substituindo (2.10) em (2.9), vem:

Wútil = HB – HA + ∆Hf + ∆Ha + ∆Hc (2.11)


Bombas 87

expressão esta que permite determinar a energia útil por unidade de peso,
transmitida ao líquido a bombear, pela bomba.

Se analisarmos a expressão (2.11), verificamos que todos os termos correspondem


a uma perda de carga, inclusive, (HB – HA), que corresponde ao somatório das
componentes energéticas potencial, cinética e de pressão, por unidade de peso de
líquido bombeado. Sendo assim, a soma de todos os termos de (2.11) corresponde
a uma perda de carga (∆HT). Esta perda de carga é referente à soma de todos os
tipos de perda de carga que o líquido encontra na sua trajectória, à excepção de
(Fp), ou seja,

W = ∆HT + Fp (2.12)

o que implica, igualando (2.10) a (2.12):

Wútil = ∆HT (2.13)

A equação 2.13 significa que, a bomba terá de desenvolver uma carga (H) igual a
∆HT, ou seja, a carga da bomba corresponde ao somatório de todas as perdas de
carga que o líquido encontra a jusante da bomba, a qual, por sua vez, corresponde à
energia útil por unidade de peso transmitida ao líquido. Então, a igualdade verificada
em (2.13) toma o seguinte aspecto (mais completo):

Wútil = ∆HT = H (2.14)

expressão esta que é designada por TEOREMA DAS BOMBAS.

Os parâmetros utilizados para o dimensionamento de uma bomba centrífuga, são os


seguintes:
H – carga desenvolvida para a bomba = Wútil = ∆HT;
η - rendimento da bomba;
Pot. – potência da bomba;
HCEPS - carga efectiva positiva de sucção (ver ponto 3 deste capítulo).
88 Transporte de Fluidos

Rendimento da bomba (η):

Wútil
η= (2.15)
W

Como já foi referido, nem toda a energia transmitida ao fluido pela bomba é feita de
forma útil. Existem várias ineficiências pelo caminho:

™ Ineficiência mecânica de transmissão;


™ Ineficiência dentro do próprio corpo da bomba, que transforma energia
cinética em calor em vez de transformar essa energia cinética em energia de
pressão, como seria desejado.

O rendimento da bomba reflecte todo um conjunto de ineficiências, referidas acima.

Potência desenvolvida no transporte do líquido (Pot.):

Por unidade de massa de fluido, o trabalho exercido sobre este num sistema aberto
(considerando desprezáveis o efeito da energia potencial e da energia cinética no
efeito de bombagem):

saída saída
dP
Ws = ∆h = ∫ γ dP = ∫
entrada entrada
ρ
(2.16)

onde:

Ws – trabalho por unidade de massa;


∆h – variação de entalpia específica;
1
γ - volume específico = ;
ρ
∆P – variação de pressão entre a entrada e a saída da bomba.

Ora, a potência desenvolvida pela bomba é definida como:


Bombas 89

saída
dP
Pot. = Qm.Ws = Qm. ∫
entrada
ρ
(2.17)

onde Qm é o caudal mássico de fluido. Considerando que, para fluidos


incompressíveis, como é o caso dos líquidos, ρ é constante, tem-se:

saída
Qm
Pot. =
ρ
. ∫ dP = Qv.(P
entrada
saída – Pentrada) = Qv.∆Pbomba (2.18)

Qm
mas, atendendo a que, ∆Pbomba = ∆Hbomba.ρ, Qv = e que, ∆Hbomba = ∆HT, vem:
ρ

Pot. = Qv.ρ.∆HT (2.19)

onde Qv é o caudal volumétrico de fluido bombeado.

Se a eficiência de uma bomba fosse 100% (η = 1), tal significava que toda a energia
emitida por esta era transferida para o líquido bombeado. No entanto, na realidae, tal
não acontece, devido às perdas de carga na própria bomba, pelo que a eficiência é
sempre menor que 100%. Daí que, a potência a de uma bomba tem de ser calculada
também em função dessas perdas de energia, logo, Pot. é função do η:

Qv.ρ .∆H T
Pot. = (2.15)
η

No sistema Europeu de Engenharia, a potência é expressa em cavalos-vapor (cv):

Qv.ρ .∆H T
Pot. = (2.17)
75.η

em que: 1 cv = 75 Kg.m.s-1
com: [Qv] ≡ m3.s-1
[ρ] ≡ kg.m-3
[∆HT] ≡ m
90 Transporte de Fluidos

No sistema Inglês de Engenharia a potência é expressa em horse-power (HP):

Qv.ρ .∆H T
Pot. = (2.18)
550.η

em que: 1 HP = 550 lb.ft.s-1


com: [Qv] ≡ ft3.s-1
[ρ] ≡ lb.ft-3
[∆HT] ≡ ft

Outros factores de conversão para potência: 1 cv = 735 W


1 HP = 745,7 W
1 cv = 1,015 HP

3. CAVITAÇÃO:

Quando uma bomba centrífuga opera a elevada capacidade, é possível instalarem-


se baixas pressões na zona de sucção da bomba. Quando esta pressão é inferior à
pressão de vapor do líquido pode dar-se a vaporização do mesmo. As bolhas
formadas deslocam-se para uma zona de maior pressão e aí desaparecem
(rebentam). Esta formação e desaparecimento das bolhas de vapor designa-se por
fenómeno de CAVITAÇÃO, cuja consequência mais gravosa é a deterioração
mecânica precoce da bomba. É importante que a pressão de sucção da bomba não
desça abaixo da tensão de vapor do líquido que está a ser bombeado, para a
mesma temperatura, caso contrário, formam-se bolhas e o líquido começa a
evaporar, o que leva a uma redução do caudal. Ora, como se sabe, as bombas, pela
sua constituição, não foram projectadas para transportar gases, mas sim, líquidos.

Cavitação numa bomba tem duas desvantagens:


• A criação e colapso das bolhas de vapor podem danificar a bomba;
• A bomba torna-se muito menos eficiente porque passa a bombear uma mistura
de líquido e vapor, com uma densidade muito mais baixa.
Bombas 91

Logo, na instalação de qualquer bomba, é necessário ter muito cuidado com o


dimensionamento desta, porque há que evitar a todo o custo, a ocorrência de
cavitação, particularmente, com líquidos quentes e voláteis.

Carga Efectiva Positiva de Sucção (HCEPS) é o valor pelo qual a pressão absoluta
na zona de sucção da bomba, expressa em coluna de líquido a bombear, deve
exceder a tensão de vapor do líquido, para a mesma temperatura. O HCEPS
necessário é uma função do projecto da bomba e é especificado pelo fabricante
como orientação geral; este HCEPS é normalmente superior a 3 metros no caso com
capacidade até 1000 m3/s, e 6 metros para capacidades maiores. O HCEPS disponível
pelo sistema deve ser maior ao indicado pelo fabricante (necessário), isto é,

H disponível
CEPS
necessário
> H CEPS (2.19)

⇒ Pode-se reduzir ou eliminar a cavitação mediante a diminuição da velocidade


da bomba. Pode-se também usar impulsores com um traçado especial para vencer
dificuldades devidas a baixa carga na zona de sucção. Muitas vezes é necessário
alterar a cota da bomba (posição) em relação ao plano de referência. A redução do
caudal de líquido bombeado, o aumento da pressão de sucção da bomba ou a
diminuição da temperatura do líquido bombeado, poderão constituir opções para
eliminar a ocorrência de cavitação.

A carga disponível na sucção é determinada pelo projecto da tubagem de sucção e


pela tensão de vapor do fluido podendo calcular-se segundo a definição de HCEPS:

PA' Pv v 2A'
HCEPS = - + (2.20)
ρ ρ 2.g c

Ora, para que não ocorra cavitação:

HCEPS > 0 ⇒ PA’ > Pv


92 Transporte de Fluidos

v 2A'
O termo é desprezável em relação aos restantes termos da expressão (2.20).
2.g c

Aplicando o balanço de energia (equação de Bernouilli) à zona de sucção, em que o


ponto (A) representa um ponto num equipamento a montante da bomba
(normalmente é um tanque) e (A’) representa o ponto à entrada da bomba, vem:

v 2A PA v 2A' P
XA + + - Fasp. = XA’ + + A' (2.21)
2.g c ρ 2.g c ρ

Considerando que, entre A e A’ corresponde à zona de sucção da bomba, logo,


Pv
entre estes dois pontos, W = 0. Adicionando e subtraíndo o termo na expressão
ρ
anterior e, substituíndo (2.20) em (2.21), vem:

v 2A P Pv
XA + + A - Fasp. = XA’ + HCEPS + (2.22)
2.g c ρ ρ

Simplificando, em ordem a HCEPS:

PA - Pv v 2A
HCEPS = - Fasp. – XA’ + XA + (2.23)
ρ 2.g c

em que:

HCEPS - carga efectiva positiva de sucção disponível;


PA - pressão absoluta do líquido no ponto A;
PV - pressão de vapor do líquido à temperatura de trabalho;
Fasp. - perda de carga total na zona de carga (aspiração) = [∆Hf + ∆Ha + ∆Hc]asp.;
ρ - massa volúmica do líquido;
XA' - posição do líquido à entrada da bomba;
XA – posição do líquido no ponto A;
vA – velocidade do líquido no ponto A.
Bombas 93

Normalmente, o equipamento a montante da bomba é um tanque ou um depósito,


pelo que, o ponto (A) da equação de Bernouilli situa-se na superfície do líquido
sobrenadante que se encontra no referido tanque. Sendo assim, pode-se adoptar as
seguintes simplificações na expressão (2.23):
• XA = 0, se o ponto (A) for a origem do referencial;
• vA ≅ 0, considerando o tanque de grandes dimensões (ATANQUE → ∞ ⇒ vA→ 0).

Deste modo, a expressão (2.23) toma o seguinte aspecto:

PA - Pv
HCEPS = - Fasp. – XA’ (2.24)
ρ

Desta forma, XA’ é a posição da bomba em relação a XA (tanque de admissão).


Assim, verifica-se uma das seguintes condições:

9 Se o sistema de bombeamento for com elevação na aspiração (parte superior da


fig. 45), então, XA’ > 0;
9 Se o sistema de bombeamento for com pressão positiva na aspiração (parte
inferior da fig. 45), então, XA’ < 0.

Nota importante: É muito frequente aparecer a sigla NPSH em vez de CEPS.


N.P.S.H. é a tradução para inglês de C.E.P.S., que quer dizer: “Net Positive Suction
Head”.

RESUMINDO:

Para garantir que não há cavitação, é necessário que:

¾ HCEPS > 0 ⇒ PA’ > Pv ;

¾ Colocar a bomba a uma altura tal que o H disponível


CEPS
necessário
> H CEPS .

Em particular, na descarga de um líquido perto do ponto de ebulição, a bomba tem


de estar abaixo do ponto de descarga, como se exemplifica na figura 46.
94 Transporte de Fluidos

Figura 45: Em cima: sistema de bombeamento com elevação na aspiração; Em baixo: sistema de bombeamento
com pressão positiva na aspiração.
Bombas 95

Figura 46: Esquema demonstarndo a posição de uma bomba numa coluna de destilação.

4. CURVAS CARACTERÍSTICAS DE BOMBAS CENTRÍFUGAS:

O funcionamento de determinada bomba expressa-se melhor por meio de curvas


características. As curvas características operatórias de uma bomba dependem do
seu tamanho, velocidade e geometria. Qualquer que seja o tipo de curva
caracteristica de bomba centrífuga, será sempre função do caudal volumétrico de
líquido (ver figuras 47, 48 e 49).

Figura 47: Curvas características de bombas centrífugas ∆HT = f(Qv).


96 Transporte de Fluidos

Figura 48: Curvas características de bombas centrífugas HCEPS = f(Qv).

Figura 49: Curvas características de bombas centrífugas Pot. = f(Qv).

Os tipos de curvas caracteristicas de bombas centrífugas que podemos encontrar,


são as seguintes:
¾ Altura manométrica [H = f(Qv)];
¾ Eficiência [η = f(Qv)];
¾ Potência [Pot. = f(Qv)];
¾ Carga efectiva positiva de sucção [HCEPS = f(Qv)].

Pelo teorema das bombas (2.14), a curva [H = f(Qv)] é muitas vezes representada
como sendo [∆HT = f(Qv)], porque a altura manométrica corresponde às perdas de
carga totais que o líquido bombeado sofre durante a sua trajectória, com excepção
da perda de carga na própria bomba (Fp). Muitas vezes, os fabricantes de bombas
apresentam diagramas com todos os tipos de curvas caracteristicas utilizadas, tal
como é apresentado na figura seguinte.
Bombas 97

Figura 50: Gráfico com as curvas caracteristicas de uma bomba centrífuga.

A utilização das curvas caracteristicas é uma ferramenta muito importante a ser


utilizada quando se pretende escolher uma bomba centrífuga para um determinado
processo. Estas curvas revelam a dependência dos parâmetros de
dimensionamento da bomba (carga necessária, rendimento, potência e carga
efectiva positiva de sucção) com o caudal de líquido bombeado. As curvas
características das bombas são função da sua velocidade de rotação e do diâmetro
do impulsor.

5. LEIS DE SEMELHANÇA ENTRE BOMBAS CENTRÍFUGAS:

O traçado das curvas caracteristicas depende do raio do rotor (impulsor) e da


velocidade de rotação deste. A alteração destes dois parâmetros provoca alterações
nas curvas caracteristicas. Na prática, existem muitas bombas centrífugas com
velocidade de rotação variável, isto é, possuem um mecanismo do tipo, alternador
de frequências, que permite alterar a velocidade de rotação do seu impulsor. Este
procedimento é muito frequente, pois é necessário, em muitas situações, encontrar o
caudal desejado ou os parâmetros de dimensionamento adequados.

Através das leis de semelhança entre bombas centrífugas, é possível determinar


curvas características de bombas a partir de uma conhecida. Por exemplo,
conhecendo a curva característica de uma bomba a uma determinada velocidade de
rotação do rotor, é possível determinar essa mesma curva a uma velocidade de
rotação diferente.
98 Transporte de Fluidos

Estas leis são relações entre: caudal volumétrico (QV), carga a desenvolver pela
bomba (H), potência (Pot.) e carga efectiva positiva de sucção (HCEPS) com a
velocidade do rotor (N) ou com o diâmetro do rotor (D).

5.1 Efeito da variação da velocidade do rotor com o diâmetro constante:

Qv 2 N
Caudal ⇒ = 2 (2.25)
Qv1 N1

2
H2 N 
Carga Hidrostática ⇒ =  2  (2.26)
H1  N1 

3
Pot. 2 N 
Potência ⇒ =  2  (2.27)
Pot.1  N1 

2
Hceps 2 N 
HCEPS exigido ⇒ =  2  (2.28)
Hceps1  N1 

5.2 Efeito da variação do diâmetro do rotor com velocidade de rotação


do rotor constante:
Qv 2 D
Caudal ⇒ = 2 (2.29)
Qv1 D1

2
H2 D 
Carga Hidrostática ⇒ =  2  (2.30)
H1  D1 

3
Pot. 2 D 
Potência ⇒ =  2  (2.31)
Pot.1  D1 

2
Hceps 2 D 
HCEPS exigido ⇒ =  2  (2.32)
Hceps1  D1 
Bombas 99

6. PONTO DE FUNCIONAMENTO:

O ponto de funcionamento de uma bomba centrífuga corresponde à determinação


do par caudal volumétrico/carga desenvolvida (Qv, H) que resulta da intersecção da
curva caracteristica da bomba [H = f(Qv)] com a curva caracteristica do sistema. O
ponto de funcionamento traduz, em certa medida, um óptimo de funcionamento da
bomba. Considere-se a seguinte instalação genérica de transporte de líquido com
bomba centrífuga:

TANQUE

BOMBA
XB

TANQUE XA

linha de referência
Figura 51: Instalação genérica de transporte de líquidos, com bomba centrífuga.

A curva caracteristica do sistema é determinada a partir da expressão que determina


a carga desenvolvida pela bomba (2.11) e que, pelo teorema das bombas,
corresponde à determinação de ∆HT. Esta curva é função da carga estática do

sistema (XB – XA), da carga cinética ( v 2B - v 2A ), da carga de pressão (PB - PA), das

perdas de carga por atrito com acessórios (∆Hf), da perda de carga por alargamento
de tubagem (∆Ha) e da perda de carga por contracção de tubagem (∆Hc). A curva
caracteristica do sistema é explicitada através de uma expressão analítica da forma
[∆HT = f(Qv)] ou [H = f(Qv)]. Explicitando cada um dos termos de (2.11), tem-se:

v 2B - v 2A PB - PA 2f.v 2 .L eq.T
H = XB – XA + + + + ∆Ha + ∆Hc (2.33)
2.g c ρ g.D i
100 Transporte de Fluidos

Ora, explicitando (2.33) em função de Qv e, considerando que na tubagem de


ligação, não existe nem contracções nem alargamentos de tubagem (∆Ha=∆Hc=0),
obtém-se:

8.Qv 2 v 2A PB - PA 32f.Qv 2 .L eq.T


H = XB – XA + - + + (2.34)
π 2 .g c .D i4 2.g c ρ π 2 .g.D 5i

Normalmente, vA = 0, se o equipamento a montante da bomba for um tanque de


grandes dimensões. A expressão (2.34) é a expressão analítica [H = f(Qv)], que
configura a curva caracteristica do sistema.

A determinação do ponto de funcionamento pode ser efectuada de duas maneiras:


™ Por via gráfica;
™ Por via analítica.

Por via gráfica, a determinação corresponde à intersecção da curva caracteristica da


bomba (C.C.B.) com a curva caracteristica do sistema (C.C.S.) num eixo cartesiano.
As duas curvas, que são do tipo [H = f(Qv)], ao serem traçadas gráficamente, elas
intersectam-se num ponto. Esse ponto de coordenadas [(Qv, H)] corresponde ao
ponto de funcionamento da bomba centrífuga (ver figura seguinte).

Figura 52: Determinação gráfica do ponto de funcionamento.


Bombas 101

Por via analítica, determinam-se as expressões analíticas da CCS e da CCB e,


posteriormente, igualam-se as duas expressões. Isto acontece porque, no ponto de
funcionamento, as duas curvas têm a mesma carga desenvolvida (H) e o mesmo
caudal volumétrico (Qv). Da igualdade de CCS com CCB, obtém-se o caudal
volumétrico correspondente ao ponto de funcionamento. Em seguida, substitui-se
este Qv na expressão da CCS ou na expressão da CCB, obtendo-se a carga
desenvolvida correspondente ao ponto de funcionamento. Tem-se deste modo, o par
de valores (Qv, H) relativos ao ponto de funcionamento da bomba.

EFEITO DA VÁLVULA DE CONTROLE:

O ponto de funcionamento pode ser alterado actuando na válvula de controle de


descarga (válvula a jusante da bomba). Actuando-se nesta válvula, altera-se o
caudal, logo a CCS altera-se, o que implica modificação no ponto de funcionamento.
Com a válvula mais fechada, o caudal de líquido bombeado é menor, para a mesma
carga desenvolvida, logo o declive da CCS é maior (ver figura seguinte).

Figura 53: Gráfico exemplificativo da influência da válvula de controle de descarga da bomba, na CCS.

7. ASSOCIAÇÃO DE BOMBAS:

A associação de bombas pode reverter-se em duas formas distintas:


9 Bombas em paralelo;
9 Bombas em série.
102 Transporte de Fluidos

Consoante o objectivo pretendido, associa-se um determinado n.º de bombas numa


destas formas. Estas situações são utilizadas na prática, quando se pretende um
caudal ou uma carga desenvolvida significativamente maiores, mas as quais não
são possíveis de serem obtidas apenas com recurso a uma única bomba.

Na associação de bombas em parelelo, para cada altura de líquido a vencer, o


caudal resultante é a soma dos caudais impelidos por cada bomba (ver figura
seguinte).

Figura 54: Associação de bombas em série

Na associação de bombas em série, o caudal em cada bomba é o mesmo e a altura


total que é possível elevar o líquido bombeado é a soma das alturas conseguidas
isoladamente em cada bomba (ver figura seguinte). Esta altura corresponde à carga
desenvolvida (H).

Figura 55: Associação de bombas em paralelo.


Bombas 103

PROBLEMAS

1º) - Uma bomba transporta salmoura a uma temperatura de 20ºC, sendo a


densidade de 1,2. A pressão relativa de descarga é de 1.75 Kgf/cm2 e o manómetro
de aspiração indica um vazio de 305 mmHg. O manómetro de descarga está a 0.6 m
por cima do centro da bomba e a ligação do manómetro de aspiração a 0.25 m por
baixo deste centro.
a) Achar a altura manométrica total da bomba expressa em metros; (12 m)
b) Sendo o rendimento da bomba de 80%, determinar a potência ao freio do motor
quando o caudal da bomba é de 1900 L de salmoura/min, expressa em cv. (7,7 cv)

2º) - Uma solução de densidade 1,25 é bombeada através de uma tubagem em aço
inoxidável de 100 mm Di com o comprimento de 200 m. A elevação real é de 15 m.
Existem no traçado diversos acidentes que correspondem a um comprimento
equivalente de 78 m. O factor de atrito pode tomar-se igual a 0,0043. O caudal é de
0,0285 m3/s. Determine:
a) A carga total a ser desenvolvida pela bomba; (H = 47,8 m)
b) A potência correspondente da bomba, se o seu rendimento for de 65%, expressa
em kW e HP. (Pot. = 24,5 kW; 32,8 HP)

3º) - Achar a potência, expressa em cv e o rendimento mecânico da bomba


centrífuga, acoplada directamente a um motor eléctrico de 5 HP que trabalha a
carga total, para as seguintes condições:
- fluido: óleo de densidade 0,85;
- temperatura do óleo = 21ºC;
- caudal volumétrico = 1,1 m3/min;
- pressão total desenvolvida pela bomba = 1.75 Kg/cm2. (η = 92,1%)

4º) - Uma bomba centrífuga com o rotor de 14,75 in diâmetro e rodando a 1800 rpm,
apresenta a seguinte curva característica (na folha seguinte). Determinar as curvas
∆HT = f(Qv) para as seguintes condições operatórias:
104 Transporte de Fluidos

Caudal (gpm) Altura (m) Potência (HP)


4000 157,0 189,5
3500 183,5 185,0
3000 200,5 174,5
2000 221,0 142,3
1000 228,5 107,0
0 230,0 76,5

a) Quando a bomba trabalhar a 1600 rpm;


b) Quando se substituir o rotor de 14,75 in por um outro de 14 in de diâmetro.

5º) – Uma bomba centrífuga é utilizada para elevar água a 20ºC do tanque (1) para o
tanque (2), ambos abertos, com um caudal de 12 ft3/min. O diâmetro interno da
tubagem é de 4 in. Considere que toda a tubagem é construída em aço comercial.

25

12

50
(2)

120

1,5

(1)

Nota: Todos as cotas estão expressas em metros, os cotovelos utilizados são de 90º, raio
normal.
Determine:
a) A potência da bomba, expressa em cv, para um rendimento de 75%; (4,1 cv)
b) A carga efectiva positiva de sucção. (8,6 m)

6º) - Uma bomba centrífuga é projectada para ser accionada a 600 rpm e funcionar
com rendimento máximo quando debitar 5000 gal/min de água, contra uma carga
hidrostática de 64 ft. O valor do rendimento é de 70%. É porém necessário usar essa
Bombas 105

bomba para debitar água com uma carga de 100 ft. Qual a velocidade a que deve
ser accionada a bomba? Determine também o novo caudal de descarga e a potência
necessária correspondente.
(N = 750 rpm; Qv = 6250 gal US/min.; Pot. = 224,6 HP)

7º) - Uma bomba centrífuga operando a 1750 rpm é utilizada para bombear um
caudal de 200 gal/min (US) de água a 20ºC, dum tanque para uma estação de
tratamento 20 ft acima. A água bombeada terá de passar por colunas permutadoras
onde se verifica uma perda de carga de 55 ft.
No período de regeneração das colunas é necessário utilizar a mesma bomba
actuando sobre as mesmas características de funcionamento, para bombear água
para outro serviço, situado num local 45 ft mais elevado que o nível da água no
tanque de alimentação, e onde a água terá de chegar à pressão de 18,5 psia.
Admitindo que a perda de carga na linha de transporte é a mesma em ambas as
instalações, determine o caudal que a referida bomba poderá fornecer na segunda
utilização.

A curva característica da bomba centrífuga a 1750 rpm é a seguinte:

Qv(gal US/min) 40 80 120 160 200 240 280


∆HT (ft) 105 103 100 95 86 75 60

(Qv = 230 gal US/min)

8º) - Um sistema de bombagem vai ser utilizado para bombear um caudal de 10 000
m3/h a uma altura manométrica equivalente de 150 m de fluido. Calcular o número
de rpm a que deve funcionar a bomba centrífuga nestas condições.

A curva característica da bomba centrífuga a 2700 rpm é a seguinte:

Qv(m3/h) 10250 11500 12580 13650


∆HT (m) 250 200 150 100

(N = 2146 rpm)
106 Transporte de Fluidos

9º) - Pretende-se aplicar uma bomba centrífuga para extrair a água de um


condensador no qual o vácuo é de 25 inHg. Para o caudal de descarga previsto, a
carga efectiva positiva de sucção tem de ser no mínimo de 10 ft acima da tensão de
vapor que é de 28 in de vácuo de mercúrio. Se as perdas de carga na tubagem de
sucção forem de 5 ft, determine a altura mínima do nível do líquido no condensador
acima da entrada da bomba, expressa em ft. (XA’ = -16,2 ft)

10º) - Uma bomba é utilizada para bombear 120 m3/h de benzeno desde um tanque
de alimentação até um reactor, situado 20 m acima. Determine a que distância deve
colocar a bomba em relação ao tanque de alimentação.
Dados:
Pressão no tanque de alimentação = 1 atm;
Pressão no reactor = 2 atm (relativa);
Temperatura do benzeno = 30ºC;
Massa específica do benzeno = 0,88 g/cm3;
Comprimento equivalente na zona de descarga = 70 m;
Diâmetro interno da tubagem = 4 in;
Factor de atrito = 0,008;
Carga efectiva positiva de sucção = 5 m.

A curva característica da bomba centrífuga a 2700 rpm é a seguinte:

Qv(m3/h) 100 115 125 137


∆HT (m) 115 85 55 25

(XA’ = - 0,06 m)

11º) Água à temperatura de 27ºC é bombeada de um tanque, aberto e de grandes


dimensões, para um aquecedor, que se encontra à pressão uniforme e absoluta de
4,7 atm. A ligação entre o tanque e o aquecedor é efectuada através de 3 tubagens
ligadas entre si, conforme figura seguinte. Sabendo que o factor de atrito é igual a
0,005 nas tubagens maiores e igual a 0,006 na tubagem menor e, sabendo também
que, a bomba trabalha a 2000 rpm, cuja curva caracteristica é dada pela expressão
∆HT = 90 – 2,1x106.Qv2, válida no SI, determine, em unidades Si (excepto quando
indicado em contrário):
Bombas 107

a) O ponto de funcionamento da bomba; (0,003 m3/s; 71,0 m)


b) A potência da bomba, em cv, para um rendimento de 65%; (4,4 cv)
c) O HCEPS; (15,9 m)
d) A energia emitida pela bomba por unidade de peso e a sua perda de carga;
(109,2 m; 38,2 m)
e) O novo ponto de funcionamento da bomba e a nova potência, para uma
velocidade de rotação do rotor de 1500 rpm. (0,00225 m3/s; 40,0 m; 1,84 cv)

Dados:
• Cotovelos de 90º, raio normal;
• Válvula de comporta 100% aberta;
• Diâmetro das tubagens maiores = 2” (cat. 40);
• Diâmetro da tubagem menor = 1” (cat. 40).

12º) - Considere o sistema descrito na figura e que deverá transportar água a 15ºC
desde o reservatório inferior para o reservatório superior. Pretende-se utilizar a
bomba cujas características se fornecem em anexo.
108 Transporte de Fluidos

Dados:
- Diferença de cota entre os níveis de água = 20 m
- Leq da zona de sucção = 100 m
- Leq da zona de descarga = 400 m
- Diâmetro da conduta = 0.15 m
- f= 0.0045

a) Se utilizar a bomba de 260 mm (ver figura do prob. 15), qual o ponto de


funcionamento da bomba (Qv, ∆HT)? (Qv = 290 m3/h, ∆HT = 80 m)
b) Para a mesma bomba, determine a distância desde o centro desta até ao nível do
reservatório inferior. (XA’ = - 10,4 m)

13º) - Uma solução de cloreto de sódio a 12%, à temperatura de 20ºC, é bombeada


de um tanque de armazenagem, aberto e de grandes dimensões, para colunas
permutadoras à razão de 50 gal/min. A diferença de pressão entre as colunas e o
tanque de armazenagem é de 50 lbf/in2, encontrando-se as colunas 20 ft acima do
nível do tanque. A tubagem é de aço comercial com 3 in de diâmetro nominal (cat.
40) e com 150 ft de comprimento. A massa volúmica da solução é de 67,77 lb/ft3 e o
factor de atrito calculado é de 0,006.
Considerando que o rendimento da operação de bombeagem é de 70%, determine a
potência necessária para o motor acoplado à bomba, expressa em unidades SI.
(Pot. = 1842 W)

14º) - Um bomba aspira uma solução de salmoura de um tanque e descarrega-a


noutro tanque através de uma tubagem de 6 in cat.40, segundo o esquema:

235 ft

10 ft
Bombas 109

Dados:
Qv = 825 gpm (US);
Leq da tubagem de aspiração = 113 ft;
Leq da tubagem de descarga = 853 ft;
f = 0.0041;
densidade da solução = 1,2;
viscosidade = 1,2 cp;
Pressão de vapor = 0,6 psia.

Calcular:
a) O HCEPS, expresso em ft; (55,3 ft)
b) A carga desenvolvida pela bomba, expressa em ft; (264,4 ft)
c) A potência, em cv, sendo o rendimento de 75%. (86 cv)

15º) - Determine a elevação máxima a que a bomba de 240 mm (ver figura segunte)
pode estar situada (acima da superfície da água do reservatório) sem que se
verifique cavitação. Determine também a Potência (cv), o rendimento e a carga
desenvolvida pela bomba. O caudal a transportar é de 250 m3/h e a água
encontra-se a 15ºC. Considere que o sistema se encontra à pressão atmosférica.
Considere também que só existe atrito na secção recta da conduta de sucção
(despreze acidentes), com um comprimento L = 10m e diâmetro φ = 0,15m. Utilize
para o factor de atrito de Fanning, o valor de f = 0,005.

Anexo: Curva característica da bomba a utilizar

(XA’ = 2,1 m)
(Pot. = 82 cv)
(η = 0,8)
(H = 68 m)
110 Transporte de Fluidos

Figura 56: Curvas caracteristicas a utilizar nos problemas 12 e 15.


Compressores 111

CAPÍTULO III – COMPRESSORES

1. INTRODUÇÃO:

Em inúmeros processos de fabrico, onde estejam envolvidas substâncias gasosas,


existe a necessidade de as fazer transportar entre várias etapas de operação,
através de tubagens de ligação entre essas mesmas etapas. Para movimentar os
gases, é necessário utilizar-se as unidades motrizes adequadas, da mesma forma
que os líquidos são transportados através de bombas. Os equipamentos destinados
a movimentar gases classificam-se em três categorias, que dependem das gamas
de aumento de pressão incutidas no gás. A saber:

CATEGORIAS GAMA DE APLICAÇÃO


VENTILADORES ↑∆P < 0,03 atm.
SOPRADORES 0,03 < ↑∆P < 0,3 atm.
COMPRESSORES 0,3 < ↑∆P < 4000 atm.

A distinção entre estes tipos nem sempre é clara, nem se deve encarar as pressões
acima mencionadas como fronteiras rígidas entre as três categorias de
equipamento. Neste capitulo, o conceito de compressores compreende a acção de
qualquer equipamento de deslocamento de gases, independentemente do aumento
de pressão envolvido.

A compressão de gases até elevadas pressões é uma operação frequentemente


encontrada nas indústrias de processos químicos. Para o Eng.º que tem
ocasionalmente de avaliar a operação de compressores, as fórmulas e a
nomenclatura envolvida podem parecer muito fora do comum. No entanto, se o
Eng.º tiver uma boa percepção dos princípios básicos da Termodinâmica,
rapidamente compreenderá que todas as equações de base do dimensionamento
dos compressores são baseadas nestes princípios.

A compressão consiste em aumentar a pressão de um determinado gás que se


encontra inicialmente a uma pressão inferior, fazendo com que Psaída > Pentrada no
compressor. Muitas vezes, o gás a ser comprimido está inicialmente à pressão
112 Transporte de Fluidos

atmosférica. Na compressão, pode-se alcançar aumentos de pressão baixos ou


elevadíssimos e, ainda, o gás ser debitado em pequenos caudais de alguns litros por
hora até milhares de metros cúbicos por minuto. Obviamente, estas hipóteses têm a
ver com a capacidade, a potência e o tipo de compressor a seleccionar, tendo em
conta os objectivos que se pretende atingir.

2. CLASSIFICAÇÃO DOS COMPRESSORES:

Existem vários tipos de compressores, visto que a sua configuração exacta depende
do tipo de aplicação. Os diferentes tipos de compressores podem ser classificados
em dois grandes grupos, baseados no modo de compressão. A compressão de um
gás é feita segundo um de dois procedimentos básicos, os quais determinam duas
classes de compressores: Volumétricos e Dinâmicos.

DINÂMICOS

{ {
(Turbocompressores) Centrífugo
Axial
Compressores
VOLUMÉTRICOS Rotativo
(Deslocamento
Positivo)
{ Alternativo

Figura 57: Classificação dos compressores

A distinção entre compressores dinâmicos e volumétricos subsiste nos dois modos


de compressão que podem ocorrer – COMPRESSÃO DINÂMICA e COMPRESSÃO
VOLUMÉTRICA.

A escolha do compressor, papel que pode caber ao Eng.º Químico, necessita, tal
como para a escolha de uma bomba, de ponderação adequada para o processo. Os
factores que são preponderantes na escolha de um compressor, são os seguintes:

‰ Caudal de gás a debitar;


‰ Pressões de entrada e saída do gás;
‰ Propriedades físicas e químicas do gás a comprimir;
Compressores 113

‰ Aspectos do processo (como a continuidade e estabilidade de operação);


‰ Custos operatórios e custo do compressor.

A escolha é normalmente feita em colaboração com o fabricante. A figura seguinte


apresenta a gama de aplicação dos compressores:

200

Alternativos Multi-estágio

Alternativos de estágio único


Pout/Pin

Compressores Rotativos
20
Centrífugos Multi-estágio

Centrífugos de estágio único

Axiais Multi-estágio
2

10 2 10 3 10 4 10 5 10 6

Caudal (CFM)

Figura 58: Gama de aplicação dos compressores

COMPRESSÃO DINÂMICA – Esta compressão é o resultado da transformação de


energia cinética em energia de pressão, ou seja, gastamos energia para movimentar
fortemente o gás e quando este perde velocidade, a pressão aumenta. A figura
seguinte exemplifica, de uma forma simples este conceito, isto é, num compressor
Dinâmico, o fluxo de gás é acelerado à entrada das pás, sendo a secção de saída
das mesmas superior à da entrada. A compressão dinâmica também é designada
por turbocompressão ou compressão de fluxo contínuo.

Velocidade -
Velocidade +

Pressão -
Pressão +

Figura 59: Princípio de funcionamento de um compressor Dinâmico


114 Transporte de Fluidos

Esta diferença de secções, existente na pá impulsora, bem com a elevada


velocidade de rotação desta, são responsáveis pela transformação energética. O
aumento progressivo da secção faz com que a velocidade do gás diminua, e
consequentemente a pressão aumenta. Assim, a energia cinética, de que um gás
vem animado, é convertida em energia de pressão, devido à contínua desacelaração
do referido fluxo.

COMPRESSÃO VOLUMÉTRICA – Nesta compressão, o aumento da pressão de


uma certa massa de gás é conseguido pela redução de volume que este ocupava. A
compressão volumétrica, também é conhecida por deslocamento positivo ou
compressão de fluxo intermitente.

Vejamos, por exemplo, na figura seguinte, o que se passa num compressor


Alternativo (de êmbolo ou pistão) de simples efeito (compressão só numa das faces
do êmbolo), que como se sabe, processa compressão volumétrica.

1 2 3

Sucção Compressão Descarga

Figura 60: Princípios de funcionamento de um compressor alternativo

Como se pode observar da figura 60, na posição 1 o gás é admitido (aspirado) por
sucção (válvula de admissão aberta), o que equivale a dizer que não entra à pressão
atmosférica, mas sim ligeiramente abaixo desta. Deve-se ter sempre presente este
défice (vácuo parcial), visto ele ser responsável pela diminuição do débito à saída da
Compressores 115

unidade. No entanto vamos admitir (teoricamente) que a pressão de admissão é


constante e que é igual à pressão do meio onde o ar está ser aspirado. Na posição 2
(válvula de admissão fechada), vê-se que o volume inicialmente aspirado começa a
diminuir, porque o êmbolo começa a subir, resultando desse facto um aumento de
pressão do gás. Na posição 3, depois de o volume ter sido reduzido ao mínimo e a
pressão elevada ao máximo, dá-se a abertura da válvula de descarga, saíndo o gás
para o exterior com a pressão resultante da compressão.

3. CICLOS DE COMPRESSÃO:

A compressão de qualquer gás, antes de mais, é um fenómeno termodinâmico. Ora,


são os ciclos termodinâmicos de compressão que estão na “base” deste fenómeno.
De uma forma geral, considera-se que existem três ciclos básicos de compressão:
os ciclos de compressão ISOTÉRMICO, ISENTRÓPICO (ADIABÁTICO) e
POLITRÓPICO, respectivamente, dois teóricos e um real. Em qualquer dos casos,
os princípios a que todos obedecem são válidos para os métodos de compressão já
referidos: Dinâmicos e Volumétricos. Não serão englobados, neste estudo, a
compressão Isocórica (volume constante), nem a compressão Isobárica (pressão
constante) por não serem relevantes para o estudo dos compressores.

3.1. - Compressão Isotérmica:

Sob o ponto de vista teórico, esta compressão significa que durante o aumento de
pressão, a temperatura do gás (T) mantém-se sempre constante. Para que tal fosse
possível, seria necessário remover, continuamente, todo o calor produzido na fase
de compressão. Por exemplo, partindo do princípio que o ar atmosférico seria
captado à temperatura de 20ºC e, após ter atingido, por hipótese, a pressão de 7
bar, a temperatura de descarga desse mesmo ar continuaria a 20ºC. Este tipo de
compressão segue a Lei de Boyle-Mariotte, ou seja

Para T = constante ⇒ P1.V1 = P2.V2 ⇔ P.V = constante (3.1)

onde:
116 Transporte de Fluidos

P1, P2 – Pressão do gás à entrada e à saída do compressor, respectivamente;


V1, V2 – Volume ocupado pelo gás nas condições de entrada e saída do compressor,
respectivamente.

Porém, na realidade, não é possível remover o calor tão rapidamente quanto ele é
gerado durante a fase de compressão.

3.2. Compressão Adiabática ou Isentrópica:

Neste ciclo, todo o calor desenvolvido não se remove, ou seja, é considerada uma
compressão a calor constante. Este ciclo segue a lei de Poisson:

P1.V1k = P2.V2k (3.2)

onde (k) representa a constante da compressão politrópica.

Atendendo a que, durante este ciclo, a «indisponibilidade» de energia se mantém


sempre ao mesmo nível (não há degradação energética), diz-se então, que a
entropia permanece constante e por isso, este ciclo é igualmente, conhecido por
compressão isentrópica.

Por analogia com a Isotérmica, também não é possível, na prática, a obtenção da


compressão Adiabática, na medida que há sempre perda de calor nas unidades
compressoras. De resto, por condução, radiação e convecção, há transferência
contínua de calor para o exterior que impede o referido ciclo de se processar
conforme, teoricamente, foi admitido.

3.3. Compressão Politrópica:

Na prática, a compressão Politrópica constitui o ciclo real e segue a equação abaixo


indicada:

P1V1n = P2V2n (3.3)


Compressores 117

A constante de compressão politrópica (n), obtida por via experimental, é


normalmente inferior à constante da compressão isentrópica (k) pelo que este tipo
de compressão está compreendido entre a Isotérmica e a Adiabática, conforme se
pode observar na figura 61. Neste diagrama Pressão (P)/Volume (V), a área
referente à compressão politrópica (2-3-7-5) é intermédia às outras duas, pelo que
se chega à conclusão que este tipo de compressão requer menos de 20% do que a
Adiabática (2-3-6-5) e mais 16% que a Isotérmica (2-3-4-5).

Adiabática
5 4 7 6
P2

Politrópica

Isotérmica

P1 2 3
P0 V

Figura 61: Diagrama PV – Tipos de Compressão

A teoria vem, muito claramente, demonstrar-nos que, quanto maior for a quantidade
de calor removida mais económica será a compressão, porque menos energia é
necessária fornecer à unidade compressora. Ou seja, o trabalho é tanto menor
quanto mais baixa for a elevação de temperatura durante a compressão.

Um compressor industrial transforma a energia eléctrica em energia mecânica e


esta, por sua vez, é transformada em calor e pressão. Obviamente, o que se
pretende é produzir energia na forma de pressão e não na forma calorifica, isto é,
estamos a pagar por duas, quando só pretendemos uma. O ideal será a construção
de unidades compressoras capazes de se libertarem da maior quantidade de calor
possível, o que significa, em termos reais, a aproximação da compressão Politrópica
à Isotérmica, ainda que na prática seja impossível de atingir No entanto, é possível
118 Transporte de Fluidos

uma boa aproximação quando se recorre à técnica de vários andares de


compressão e, por complemento, optimamente arrefecidos.

4. TEORIA DA COMPRESSÃO:

4.1. Energia Interna:

Quando um fluido se escoa de um ponto para outro, a sua energia é convertida, isto
é, há transformação de uma forma de energia para outra. A energia que é atribuível
ao estado físico do fluido é conhecida como a sua energia interna; é arbitrariamente
considerada como zero num estado de referência, tal como o zero absoluto de
temperatuta ou o ponto de fusão do gelo à pressão atmosférica. Uma mudança no
estado físico dum fluido causará geralmente, uma alteração na sua energia interna.
Uma mudança reversível elementar resulta duma mudança infinitesimal num dos
factores intensivos (pressão, temperatura) actuando sobre o sistema; a mudança
prossegue a uma velocidade infinitesimal e uma mudança do factor intensivo no
sentido inverso, causará a inversão do processo.

Na prática não existem processos verdadeiramente reversíveis, mas a consideração


de processos reversíveis simplifica extraordinariamente o desenvolvimento das
expressões matemáticas que explicam os processos de dinâmica de fluidos; por
outro lado, os processos reversíveis servem de referência para a explicação dos
desvios que se observam nos processos reais. Num processo irreversível, as
mudanças são causadas por uma variação finita no factor intensivo e o processo
tem lugar a uma velocidade finita. Em geral, o processo será acompanhado pela
conversão da energia eléctrica ou mecânica em calor, ou pela redução do diferencial
de temperatura entre diferentes partes do sistema.

4.2. 1ª Lei da Termodinâmica:

Segundo a 1ª lei da Termodinâmica, para um material no estado estacionário, a


variação da sua energia é igual à diferença entre a quantidade de calor adicionado
ao sistema e a quantidade de trabalho efectuado pelo sistema sobre a vizinhança.
Esta lei baseia-se no princípio de conservação da energia, a qual diz que “a energia
Compressores 119

não pode ser criada nem destruída mas unicamente convertida de uma forma para
outra”. Matematicamente,

∆E = Q - WT (3.4)

em que:
Q – quantidade de calor adicionado ao sistema;
WT – trabalho efectuado pelo sistema sobre a vizinhança.

A variação da energia do sistema (considerando 1 e 2 como a entrada e a saída do


compressor, respectivamente) pode ser expressa por:

∆E = ∆EP + ∆EC + ∆U (3.5)

onde:
∆U = variação da energia interna = U2 – U1 ;
∆EP = variação da energia potencial = EP2 – EP1 ;
∆EC = variação da energia cinética = EC2 – EC1 .

O termo do trabalho (WT) pode ser expresso da seguinte forma:

WT = W + m.P2.V2 – m.P1.V1 (3.6)

onde:
W = trabalho realizado pelo sistema;
m = massa de fluido no sistema;
P = pressão do fluido no sistema;
V = Volume do fluido no sistema.

Considerando a unidade de massa de gás transportado, substituindo (3.5) e (3.6) em


(3.4) e aplicando a definição de energia potencial gravítica e de energia cinética,
vem:

g v12 g v 22
X1. + + U1 + P1.V1 + Q = X2. + + U2 + P2.V2 + W (3.7)
gc 2.g c gc 2.g c
120 Transporte de Fluidos

onde:
U - energia interna
v - velocidade do gás
X - cota em relação a uma linha arbitrária de referência

Pela definição de entalpia:

H = U + P.V (3.8)

Substituindo na equação (3.7), vem:

v12 v 22
X1 + + H1 + Q = X2 + + H2 + W (3.9)
2.g c 2.g c

A equação (3.9) é a equação geral de um balanço de energia para processos de


fluxo em estado estacionário (equação de Bernoulli). Note-se que se procedeu à
seguinte consideração: gc = g = 9,8 kgm.m.kgf.s-2 (para o sistema europeu de
engenharia) ou gc = g = 32,15 lbm.ft.lbf.s-2 (para o sistema inglês de engenharia).

Tendo em atenção que as diferenças de cota (altura) e de velocidade do gás à


entrada e à saída do compressor não são significaticas, considera-se que X2 = X1 e
v2 = v1 . Logo, a equação de Bernouilli vem simplificada, para um sistema gasoso
que sofre compressão:

H1 + Q = H2 + W ⇔ ∆H = Q - W (3.10)

4.3. 2ª Lei da Termodinâmica:

A segunda lei da Termodinâmica pode ser enunciada de várias formas:


1- o calor não pode, por si só (sem ajuda externa), passar de um corpo frio para
outro mais quente;
2- o calor, tal como a água, só flui de um ponto mais alto para um ponto mais baixo;
Compressores 121

3- o calor, só pode ser transferido de um corpo a menor temperatura para outro a


maior temperatura se, e só se, for aplicado trabalho exterior.

Basicamente, esta lei afirma que “a energia existe a vários níveis e só está
disponível para ser transferida de forma natural, quando passa de um nível mais
elevado para outro menos elevado”. Para processos reversíveis, a entropia, (s),
pode ser definida na forma diferencial como:

dQ
ds = (3.11)
T

onde ds é uma variação infinitesimal da entropia do sistema resultante da adição


duma quantidade infinitesimal de calor dQ ao sistema à temperatura absoluta T e em
condições reversíveis.

Na realidade é reconhecido como sendo verdadeiro que não existem processos


100% reversíveis. Se os processos reais resultam num aumento de entropia, a
segunda lei pode ser expressa como sendo

∆S ≥ 0 (3.12)

Se o trabalho fornecido ao sistema é distribuído por toda a área, por exemplo, a


pressão P actuando sobre o volume, V então na forma diferencial temos:

dW = P.dV (3.13)

Considerando que não há variação da energia cinética nem potencial devido a X2 =


X1 e v2 = v1 , o 1º Princípio da Termodinâmica pode vir expresso de forma
simplificada:

dU = dQ – dW (3.14)

Combinando (3.11) e (3.13) com (3.14), resulta:

dU = T.dS – PdV (3.15)


122 Transporte de Fluidos

4.4. Trabalho Teórico:

O cálculo do trabalho teórico que o gás tem de ralizar durante a sua compressão é a
base para o dimensionamento de um compressor, juntamente com o cálculo da sua
potência. Para determinar este trabalho teórico, pode usar-se o balanço de energia
(equação de Bernouilli). As diferenças de cota entre a entrada e a saída de um
compressor não são significativas e, dado que, a energia cinética do gás é
desprezável em relação ás outras componentes energéticas, tem-se então, a
equação de Bernouilli simplificada:

∆H = Q – W (3.16)

Considerando a equação da entalpia (3.8) expressa na forma diferencial:

dH = dU + d(P.V) (3.17)

Substituindo (3.15) em (3.17) e, aplicando a derivada de um produto, obtém-se:

dH = T.dS – P.dV + P.dV + V.dP (3.18)

Considerando, por simplificação, que a compressão é um processo reversível, então


dS = 0. Simplificando (3.18), resulta:

dH = V.dP (3.19)

4.4.1. Processo Isotérmico:

Supondo que o gás se comporta como gás perfeito e, considerando uma mole de
gás ideal, vem:

R.T
dH = .dP (3.20)
P

integrando (3.20) em ordem a dH e a dP e, considerando a compressão isotérmica,


vem:
Compressores 123

H2 P2
dP
∫ dH = R.T. ∫
H1 P1
P
(3.21)

ou seja,

 P2 
H2 – H1 = R.T . ln   (3.22)
 P1 

A equação (3.22) permite determinar a diferença de entalpia de um gás quando


sujeito a uma compressão isotérmica, onde:
H1, H2 – entaplia do gás à entrada e à saída do compressor, respectivamente;
P1, P2 – pressão do gás à entrada e à saída do compressor, respectivamente;
R – constante dos gases perfeitos;
T – temperatura absoluta do gás.

4.4.2. Processo Isentrópico:

Para um Processo Isentrópico (adiabático),

P.Vk = constante = C (3.23)

resolvendo em ordem a P

P = C. V-k (3.24)

Derivando P em ordem a V, resulta

dP = (-k).C.V-k-1.dV (3.25)

Substituindo (3.25) em (3.19), resulta

dH = (-k).C.V-k-1.V.dV = (-k).C.V-k.dV (3.26)


124 Transporte de Fluidos

Integrando entre o estado final e inicial no compressor (pontos 2 e 1


respectivamente) para a entalpia e para o volume de gás e, assumindo k constante
em toda a gama, resulta:

H2 V2

∫ dH = C.(-k). ∫ V
-k
.dV (3.27)
H1 V1

ou seja,

H2 – H1 = C.(-k).
(V-k +1
2 - V1-k +1 )
(3.28)
- k +1

Substituindo,

C = P1.V1k = P2.V2k (3.29)

na equação (3.28), resulta

P2 .V2k .V2-k .V2 - P1 .V1k .V1-k .V1


H2 – H1 = (3.30)
k -1
k

ou seja,

P2 .V2 - P1 .V1
H2 – H1 = (3.31)
k -1
k

Usando a equação dos gases perfeitos, para 1 mole de gás,

P.V = R.T (3.32)

e substituindo em (3.31), vem:


Compressores 125

R.(T2 - T1 )
H2 – H1 = (3.33)
k -1
k

Simplificando, vem:

R.T1 .k  T2 
H2 – H1 = .  - 1 (3.34)
k -1  T1 

A diferença de entalpia, é uma função da variação da temperatura, para os


processos adiabáticos e é expressa por:

H2 – H1 = Cp.(T2 – T1) (3.35)

A constante da compressão adiabática pode ser calculada usando a constante dos


gases perfeitos (R) e o calor específico k:

cp
k= (3.36)
cp − R

vindo para o valor de cp:

Rk
cp = (3.37)
k −1

Substituindo esta equação em (3.35), vem:

R.T1 .k  T2 
H2 – H1 = .  - 1 (3.38)
k -1  T1 

Esta equação é igual à equação (3.34). Mantendo o pressuposto que o processo é


adiabático, tem-se:
126 Transporte de Fluidos

R.T1 .k  T2 
H2 – H1 = .  - 1 = -W (3.39)
k -1 T
 1 

O sinal negativo significa que é trabalho fornecido ao sistema, porque as trocas de


calor com o exterior no sistema são nulas (Q = 0).

Neste tipo de compressão, o aumento de pressão implica aumento de temperatura


do gás. Para 1 mole, a equação dos gases perfeitos (à entrada e à saída do
compressor) pode ser relacionada da seguinte maneira:

P1 V1 P2 V2
= (3.40)
T1 T2

Substituindo (3.23) em (3.40), vem:

-1

T2 P .P k
= 2 2
-1
(3.41)
T1
P1 .P 1
k

ou seja,

k -1
T2 P  k
=  2  (3.42)
T1  P1 

A equação (3.42) permite o cálculo rápido da temperatura final de compressão para


um gás ideal, numa compressão isentrópica, quando se conhece: temperatura
inicial; pressão à entrada e à saída do compressor e relação das capacidades
caloríficas. Quando se substitui a equação (3.42) na equação (3.39), resulta a
clássica forma de equação para determinação da variação de entalpia do gás numa
compressão adiabática:
Compressores 127

 k -1

R.T1 .k   P2  k 
H2 – H1 = .   - 1 = -W (3.43)
k - 1   P1  
 

No caso de não se verificar a lei dos gases perfeitos (gás ideal) deve ser adicionado
um termo à equação dos gases perfeitos (3.32) para corrigir os desvios à não
idealidade. Esse termo é designado por factor de compressibilidade (Z).

P.V = Z.R.T (3.44)

A equação (3.31) toma o seguinte aspecto:

R.(T2 .Z 2 - T1 .Z1 )
H2 – H1 = (3.45)
k -1
k

Para uma variação de temperatura num processo isentrópico o (Z) não varia. Caso a
sua variação seja pequena podemos utilizar um valor médio, Zmédio.

Z1 + Z 2
Zmédio = (3.46)
2

Então, para gás real, a equação (3.43), usando o factor de compressibilidade médio
(Zmédio), é:

 k -1

Z .R.T1 .k  P  k 
H2 – H1 = médio .   2  - 1 = -W (3.47)
k -1   P1  
 

Esta expressão é muito utilizada pelos engenheiros de máquinas rotativas devido à


facilidade com que os valores de potência para gases ideais podem ser corrigidos
para se obter a potência para gases reais.
128 Transporte de Fluidos

4.4.3. Processo Politrópico:

Para o Processo Politrópico (reversível) é necessário fazer as seguintes


considerações:

n − 1 k −1 1
= * (3.48)
n k ηp

onde: ηp = eficiência politrópica;


n = constante da compressão politrópica;
k = constante da compressão adiabática ou isentrópica.

O termo da eficiência politrópica pode ser expresso em termos de:

n / (n − 1)
ηp = (3.49)
k / ( k− 1)

Substituindo (k) por (n) em (3.43) e, considerando uma eficiência politrópica de


100%, a equação para determinar a diferença de entalpia de um gás quando sujeito
a uma compressão politrópica, é a seguinte:

R.T1 .n  T2 
H2 – H1 = .  - 1 ≅ -W (3.50)
n -1 T
 1 

De facto a compressão em condições reais não é nem isentrópica nem isotérmica,


devido aos efeitos de irreversibilidade interna dos compressores; por isso, por
aproximação, calcula-se o valor do trabalho de compressão politrópica, baseado na
expressão (3.50).

Este tipo de compressão implica também aumento de temperatura. Seguindo o


mesmo racioccínio que na compressão adiabática, mas utilizando a lei

PVn = constante = C (3.51)


Compressores 129

A expressão que relaciona o aumento de temperatura com o aumento de pressão na


compressão politrópica é a seguinte:

n -1
T2 P  n
=  2  (3.52)
T1  P1 

Substituindo (3.52) em (3.50), vem:

 n -1

R.T1 .n  P  n 
H2 – H1 = .   2  - 1 ≅ -W (3.53)
n -1   P1  
 

Se o gás se comportar como gás real, então (3.50) fica da seguinte forma, tal como
acontece na compressão adiabática:

 n -1

Z .R.T1 .n  P  n 
H2 – H1 = médio .   2  - 1 ≅ -W (3.54)
n -1   P1  
 

PVn = constante onde (n) é definido como constante politrópica. Os valores de (n)
para um dado gás obtém-se a partir dos testes do compressor, utilizando diagramas
indicadores que de facto, são gráficos de pressão em função de volume. O valor de
(n) pode ser aproximadamente determinado pelo declive da recta definida pela
seguinte relação:

log P + n.log V = log constante (3.55)

4.4.4. Gás Real:

Tendo considerado que o factor k = cp/cv é constante ao longo do caminho de


compressão, de facto isso não é completamente verdade, (k) pode variar. Sendo (k)
definida pela equação (3.36), (k) tem um papel dual como razão dos calores
específicos e como coeficiente isentrópico da equação (3.39). Quando o gás é
130 Transporte de Fluidos

comprimido do ponto 1 ao ponto 2, na equação (3.39), o (k) no ponto 2 não é


necessariamente igual ao (k) do ponto 1. Felizmente, na maioria das condições
práticas, (k) não varia muito durante o processo de compressão. Quando (k) não
varia muito poderá utilizar-se um valor médio de (k). O problema está quando o gás
se encontra perto do ponto crítico, em que (k) varia entre o estado inicial e o estado
final e de um modo não linear. Para uma situação destas, (k) médio não é uma boa
aproximação e as modificações seguintes permitem uma análise mais exacta.

Para calcular o coeficiente de compressão simples que representa o caminho 1→2,


as seguintes equações são utilizadas:
Substituindo k por γ na equação (3.42), vem:

γ -1
T2 P  γ
=  2  (3.56)
T1  P1 

onde γ é o coeficiente de compressão. Resolvendo em ordem a γ, vem a seguinte


equação:

ln P2 / P1
γ = (3.57)
ln P2 / P1 − ln T2 / T1

o coeficiente de compressão γ é determinado usando um diagrama de Mollier, para


determinar T2 é usado o ponto 1 (P1T1) no gráfico de Mollier e através de uma linha
isentrópica chega-se à pressão P2, a partir do qual podemos determinar T2. Para
uma mistura de gás, ou um gás na qual não se conheça o diagrama de Mollier, os
problemas tornam-se mais sérios, a alternativa é utilizar uma equação de estado.

5. CARGAS DE VELOCIDADE:

A determinação das perdas de pressão no compressor e outros pontos periféricos


podem ser determinados por análise ao sistema. É comum nos compressores
industriais exprimir estas perdas como cargas de velocidade. A expressão para a
carga de velocidade pode ser derivada da equação de Bernouilli e considerar o
Compressores 131

seguinte: (1) – assumir que o fluxo é incompressível, o que é razoável uma vez que
a variação da densidade é desprezável, logo V1 = V2 = V; (2) – como não há adição
de calor ou trabalho fornecido, U, W, Q = 0 e (3) - assumindo que X1 =X2, então,a
equação de Bernouilli, vem:

v12 v 22
+ P1.V = + P2.V (3.58)
2.g c 2.g c

v2
Esta equação contém dois termos de carga o termo de carga PV e o termo ,
2.g c
designado por carga de velocidade. Quando o caudal de fluido passa através de
uma restrição, o fluxo é acelerado. Este fenómeno pode ser examinado,
reagrupando a equação anterior

v 22 v2
V. (P1 − P2 ) = − 1 (3.59)
2g c 2g c

O termo da esquerda representa a queda de pressão necessária para acelerar o


fluido, passando da velocidade inicial para a velocidade final. Se a velocidade inicial
1
for muito pequena (v2>>v1) e a massa volúmica ρ = for substituída na equação
V
(3.59), considerando massa unitária de gás, vem:

v 22
P1 − P2 = ρ . (3.60)
2g

A queda de pressão pode ser definida como equivalente da carga de velocidade.


Logo a carga equivalente da carga de velocidade é a queda de pressão necessária
para produzir uma velocidade igual à velocidade da corrente que flui antes de atingir
a restrição. O termo (K) é utilizado para descrever a queda de pressão nos vários
elementos restritivos (acidentes). Este termo é independente da densidade ou da
velocidade. Substituindo ∆P = P1 − P2 , a equação para determinar a queda de
pressão para (K) cargas de velocidade é a seguinte:
132 Transporte de Fluidos

v 22
∆P = K.ρ . (3.61)
2g

6. POTÊNCIA E EFICIÊNCIA DOS COMPRESSORES:

Como é muito simples calcular o trabalho isentrópico, pois tal envolve apenas a
leitura do valor de entalpia nas condições de aspiração e descarga do compressor
dos diagramas de Mollier do gás a ser comprimido, é normalmente o trabalho
isentrópico que se toma para base de cálculo das potências dos compressores.
Aplicam-se de seguida os coeficientes de correcção sob a forma de factor de
eficiência para calcular a potência no veio (brake horsepower). Os compressores
alternativos são os que na prática mais se aproximam duma operação isentrópica
devido à manutenção duma temperatura constante na camisa do cilindro garantida
pela circulação contínua de água na mesma. No caso dos compressores
centrífugos, que não são arrefecidos já tal não acontece, embora mesmo assim, se
prefira tomar a base isentrópica para o cálculo do funcionamento dos compressores.
Sendo a potência, uma das grandezas determinantes para o dimensionamento de
qualquer compressor, a sua determinação, por definição, é a seguinte:

Pot. = (-W).QM (3.62)

em que:
W – trabalho realizado pelo gás durante a compressão ≅ H2 – H1 ;
QM – caudal molar de gás que circula no compressor.

A expressão (3.62) é válida para qualquer tipo de ciclo de compressão.

⇒ De referir que se utiliza normalmente o caudal molar, porque o temo (W) vem
expresso habitualmente em unidades de energia/mole de gás. No entanto, se (W) for
expresso, por exemplo, em unidades de energia/massa de gás, óbviamente que o
caudal em questão tem de ser mássico e não molar.
Compressores 133

6.1. Eficiência de compressores alternativos:

Figura 62: Diagrama genérico P-V

Convém agora analisar como se calcula o trabalho realizado no ciclo de um


compressor alternativo. Como se sabe, neste ciclo estão envolvidos os seguintes
passos:

• Compressão de V1P1 até V2P2 cuja expressão de trabalho é dada por – ∫ P dV ;


• Expulsão à pressão constante P2 expressa por P2 (V2-V3);

• Expansão de V3 a V4 dada por ∫ P dV ;


• Finalmente, sucção expressa por P1 (V1 - V4).

O trabalho total é dado pela soma dos trabalhos realizados em cada um destes
passos e ilustrado no diagrama acima pela área 1-2-3-4, que por sua vez é igual à
área 1-2-5-6 menos a área 4-3-5-6. Ora a área 1-2-5-6 é matematicamente expressa

por ∫ P dV que, em condições isentrópicas é igual a:

k   P  (k −1)/k 
P1 V1   2  − 1 (3.63)
k −1   P1  
 

enquanto que a área 4-3-5-6 é expressa por ∫ P dV e é igual a:


134 Transporte de Fluidos

k  P  (k −1)/k

P1 V4   2  − 1 (3.64)
k −1   P1  
 

Nas mesmas condições, ou seja, o trabalho total/mole de gás é dado por:

k  P 
(k −1)/k

W= P1 ( V1 − V4 )   2  − 1 (3.65)
k −1   P1  
 

o que, para o seu cálculo exige a determinação de V4. Para tal será necessário
introduzir mais algumas definições.

Define-se volume residual aquele que não é possível expulsar completamente do


cilindro após o tempo de compressão/expulsão V3. Define-se volume varrido aquele
que é varrido pelo pistão na fase de compressão/expulsão Vl-V3. O volume total do
cilindro é a soma do volume varrido mais o volume residual. A folga (c) é definida
como

V3
c= (3.66)
V1 − V3

Como, em condições isentrópicas

1/k
P 
V4 = V3  2  (3.67)
 P1 

então,

1/k
P 
V1 − V4 = (V1 − V3 ) +(V3 − V4 ) =(V1 − V3 ) + V3 − V3  2  =
 P1 
1/k
(3.68)
 V3  V3  P2 
= (V1 − V3 ) +  1 + −
 V − V  P 
 V11 − V3  1 3  1 
Compressores 135

Se for designado ( V1 − V3 ) volume varrido Vv, então a expressão de trabalho/mole

de gás toma a seguinte forma:

k   P2  
(k −1)/k 1/k
 P 
W = P1 Vv   − 1 1 + c − c  2   (3.69)
k − 1   P1    P1  
  

e o termo

 1/k

 1 + c − c  P2 
  (3.70)
 P 
  1  

é a eficiência volumétrica teórica e representa uma medida do efeito do volume


residual na compressão isentrópica. Como a compressão dos compressores
alternativos se aproxima muito da compressão adiabática, todos os cálculos são
feitos na base isentrópica, utilizando-se eficiências isentrópicas para se obter o
trabalho real. A tabela seguinte apresenta os valores típicos de eficiências
isentrópicas para compressores alternativos.

Eficiência de Compressores Alternativos


Razão de Eficiência isentrópica (%)
compressão
Motores de Combustão *
1,1 50 – 60
1,2 60 – 70
1,3 65 – 80
1,5 70 – 85
2,0 80 – 89
3,0 82 – 90
4,0 85 - 90
*Para compressores que utilizem motores eléctricos estes valores devem ser multiplicados
por 0,95.

Tabela 8: Eficiência de Compressores Alternativos


136 Transporte de Fluidos

A eficiência politrópica é definida como:

Trabalho politrópico
Eficiência politrópica = (3.71)
Trabalho ao veio real

Quando a constante da compressão politrópica (n) é determinada a partir do


diagrama de Mollier do gás em estudo, então a eficiência politrópica é
aproximadamente igual à eficiência mecânica.

A eficiência volumétrica dos compressores alternativos é afectada pelos desvios da


idealidade e o não entrar em consideração com tal facto pode levar a um
dimensionamento incorrecto dos cilindros. Pode-se deduzir que a eficiência
volumétrica dos compressores alternativos no caso de gases reais é dada por:

 Z   P2 
1/k

E v = 1 + c −c  2     (3.72)
  Z1   P1  

onde os índices 1 e 2 se referem às condições de aspiração e descarga, no


compressor. Se houver disponível um diagrama de pressão - entalpia do gás a ser
comprimido, então o trabalho isentrópico teórico e a temperatura podem ser
calculados rapidamente e com precisão. A diferença entálpica em BTU/mole (ou
equivalente) entre as condições finais e iniciais é equivalente ao trabalho isentrópico
para um gás real. Se o diagrama entálpico não estiver disponível, podem empregar-
se cartas generalizadas tais com as de Hougen e Watson. A entalpia do gás ideal
pode ser convertido para entalpia de gás real utilizando as correlações
generalizadas mas o procedimento requer a aplicação do método iterativo e como
tal, perde-se muito tempo antes de se chegar à solução.

6.2. Eficiência de compressores centrífugos:

Alguns fabricantes referem-se à eficiência politrópica das máquinas centrífugas


como eficiência hidráulica ou eficiência de aumento de temperatura. Os
compressores centrífugos não arrefecidos aproximam-se mais da compressão
politrópica do que da isentrópica. Por isso se diz, e com razão, que a eficiência
Compressores 137

politrópica dependerá do tipo de gás a ser comprimido. Tal acontece porque todas
as perdas de energia aquecem o gás que assim se desvia das condições
isentrópicas. Estes desvios exigem o conhecimento das eficiências isentrópicas para
diferentes gases a serem comprimidos pela mesma máquina. Por conseguinte, é
necessário encontrar um mecanismo para se calcular a eficiência isentrópica devido
à facilidade com que o trabalho isentrópico pode ser obtido a partir dos diagramas
de Mollier dos gases.

Para tal começa-se por calcular a eficiência politrópica que, embora varie com o gás
a ser comprimido, não varia tanto como a eficiência isentrópica. A figura 63
representa as eficiências politrópicas em função do caudal de qualquer gás (CFM -
ft3/min.) nas condições de aspiração do compressor. A tabela 9 indica os factores de
correcção a aplicar às eficiências politrópicas lidas no gráfico da figura 63 para
entrar em linha de conta com as taxas de compressão.

Figura 63: Eficiência Politrópica

Razão de compressão ou taxa de compressão (Rp) é definida como sendo o


quociente entre a pressão de saída do gás no compressor (P2) sobre a pressão de
entrada (P1), isto é:

P2
Rp = (3.73)
P1
138 Transporte de Fluidos

RP Caudal volumétrico de gás (ft3/min.)

1500 2000 3000 4000 5000 7500 15000 30000 >6x104


1.35
1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0 1.0
1.75
0.983 0.990 0.990 0.994 0.996 0.996 0.996 0.996 1.0
2.25
0.976 0.977 0.986 0.985 0.991 0.995 0.995 0.995 1.0
2.80
- 0.969 0.980 0.980 0.989 0.992 0.993 0.994 1.0
5.00
- - 0.965 0.970 0.972 0.985 0.991 0.996 0.997
10.0
- - - 0.944 0.955 0.960 0.985 0.989 0.995
15.0
- - - - 0.935 0.957 0.971 0.986 0.993
Tabela 9: Tabela dos factores de correcção das eficiências politrópicas nos compressores centrífugos

Finalmente, a figura 64 permite calcular a eficiência isentrópica a partir da eficiência


politrópica para diferentes valores de

(k −1)/k
P 
φ =  2  (3.74)
 P1 

Figura 64: Quociente entre a eficiência isentrópica e a eficiência politrópica


Compressores 139

7. O AUMENTO DE TEMPERATURA DURANTE A COMPRESSÃO:

A temperatura final do gás nos compressores alternativos pode ser estimada a partir
da equação (3.42) ou de um diagrama de Mollier, uma vez que os compressores
alternativos se aproximam da compressão isentrópica. Para compressores
centrífugos não arrefecidos, a subida de temperatura isentrópica não é, contudo,
comparável à subida actual da temperatura neste tipo de máquinas, uma vez que a
maior parte das perdas serve para aquecer o gás a ser comprimido. No entanto uma
aproximação da subida da temperatura pode obter-se da seguinte relação:

η S = C p ∆TS / C p ∆TA (3.75)

ou
∆TS
∆TA = (3.76)
ηS

em que:
∆TA = subida real da temperatura;
∆TS = subida de temperatura isentrópica = T2 – T1 ;
ηS = Eficiência isentrópica.

8. DIÂMETRO DO ROTOR E VELOCIDADE:

O trabalho produzido por unidade de peso de gás comprimido num andar de


compressor é função da energia cinética e pode ser expresso em ft:

v2
W = K. (3.77)
gc

onde:
v = velocidade periférica, ft/s
K = coeficiente de pressão que varia entre 0,5 e 0,65 dependendo do Design do
rotor e do andar.
140 Transporte de Fluidos

Os fabricantes de compressores normalmente fabricam as suas máquinas para uma


velocidade normal periférica de 770 ft/s. Assim, para um valor médio de K=0,55, o
valor de 10000 ft para (W) por andar é um bom valor médio para estimar o número
de andares necessários. O número de andares necessários é, portanto,
condicionado pela taxa de compressão total e pelo trabalho/andar. A velocidade
periférica está relacionada com o diâmetro do rotor e com a velocidade de rotação
deste, como se segue:

60.v = π.D.N 12 ou v = π.D.N 720 (3.78)

onde D = diâmetro do rotor, em in e N = velocidade de rotação do rotor, em rpm.


Donde:

0.5 0.5
v  W.g  1300  W 
N = 720. = 720.  / (π.D.N ) = .  (3.79)
πD  K  D K

Pode então escolher-se um diâmetro padrão de rotor e a sua velocidade de rotação,


através de (3.79).

9. COMPRESSORES MULTI-ANDARES:

Num compressor simples (com um único andar de compressão) a razão de


compressão, está limitada pelo aumento de temperatura e projecto da câmara de
compressão nesse único andar. Ora, para razões de compressão não
necessáriamente muito elevadas, nas compressões isentrópica e politrópica, o
aumento de temperatura é significativo, atingindo-se temperaturas no compressor
elevadas. Temperaturas elevadas nos compressores pode degradar os lubrificantes,
degradar o gás se este for sensível à temperatura e ainda afectar os materiais de
construção. Ou seja, o sobreaquecimento nos compressores provoca a deterioração
mecânica dos mesmos.

Para evitar esta situação, que habitualmente se aplica para razões de compressão
significativas, é necessário que a compressão seja feita por várias etapas. A
compressão por etapas consiste, no fundo, em ter vários compressores em série. A
Compressores 141

este procedimento dá-se o nome de compressão multi-andares, multi-etapas ou


multi-estágio.

Na compressão multi-andares, esta processa-se com arrefecimento intermédio do


gás, ou seja, o gás é arrefecido, por meio de permutadores de calor, entre cada dois
andares. Estes permutadores de calor normalmente utilizam como fluido frio, gás ou
água e, como já foi referido, são instalados entre os andares dos compressores.
Deste modo, o gás à saída de uma determinada etapa é arrefecido quase até à
temperatura de entrada do andar anterior e, desta maneira, o processo de
compressão aproxima-se duma operação isotérmica para o qual o trabalho de
compressão é mínimo.

O trabalho de compressão numa operação multi-andar é simplesmente a soma do


trabalho de cada um dos andares. Supondo que (k) e a temperatura de aspiração
são constantes para cada andar e, diferenciando o trabalho total em relação à
pressão e igualando o diferencial a zero afim de determinar a taxa de compressão
óptima por andar, verifica-se que esta é igual a

1/S
 Psaida da última etapa 
RP =   (3.80)
 P 
 entrada da 1ª etapa 

onde (S) é o número de andares. Esta é uma regra bem conhecida de distribuição
equitativa de trabalho entre os andares, neste caso, de taxa de compressão. Isto
significa que, a razão de compressão é idêntica em cada etapa. No entanto, esta
relação é rigorosamente válida apenas para gases ideais.

Rp = Rp(1º) = Rp(2º) = ... = Rp(Sº) (3.81)

Na base da mesma taxa de compressão por andar, o trabalho total para os S


andares, para compressão isentrópica, é dado por:
142 Transporte de Fluidos

 k -1

S.R.T1 .k   P2  S.k 
-Wm = .   - 1 (3.82)
k - 1   P1  
 

e, para compressão politrópica, tem-se:

 n -1

S.R.T1 .n   P2  S.n 
-Wm = .   - 1 (3.83)
n - 1   P1  
 

É preferível calcular a potência para cada andar separadamente uma vez que 5 psi
devem ser somados à descarga de cada andar para tomar em conta as perdas por
fricção na tubagem de ligação entre os andares e nos arrefecedores. Por razões
mecânicas, é preciso realizar o mesmo trabalho em cada andar. No caso de gases
reais isto não equivale necessariamente à mesma taxa de compressão por andar.
No entanto, pode-se calcular, a potência (Pot.) para as (S) etapas de compressão,
quer para processo isentrópico, quer para processo politrópico, através da definição:

Pot. = (-Wm).QM (3.84)

onde QM é o caudal molar de gás comprimido. Se (-Wm) fôr expresso em unidades


de energia/massa de gás, então o caudal utilizado é o caudal mássico.

Outro critério a seguir no dimensionamento dos compressores é conservar a taxa


máxima de compressão entre andares entre 3 e 5. Cada caso deve ser analisado
individualmente e a taxa económica de compressão deve ser decidida juntamente
com o fabricante do compressor. As taxas de compressão típicas nas seguintes
aplicações estão dentro das gamas indicadas:

Compressores para linhas de grande diâmetro 1,2 a 2,0


Compressores de processo 1,5 a 4,0
Pequenas unidades piloto 6
Compressores 143

A decisão final é baseada em muitos factores. É por exemplo desejável utilizar o


menor número de andares possível. A limitação no entanto, é a temperatura de
descarga de cada andar a qual não deve ultrapassar os 115ºC para evitar a
deterioração dos elementos mecânicos que fazem a selagem do gás comprimido
dentro do corpo do cilindro.
144 Transporte de Fluidos
Compressores 145

PROBLEMAS

Problema 1:

O ar a 100 kPa e 280 K é igualmente comprimido para 600 kPa e 400 K. O fluxo de
ar é de 0,02 Kg s-1 e as perdas de calor, ocorridas durante o processo, são de 16 kJ
kg-1.
Assumindo que as variações de energia potencial e cinética são desprezáveis,
determine a potência fornecida pelo compressor.

q P2
T2

QM,ar

W=?

P1
T1

Nota: Consultar tabelas de entalpia do ar.

(Pot. = 2,74 kW)

Problema 2:

O refrigerante R-12 entra num compressor adiabático como vapor saturado a –200 C
e deixa o compressor a 0,70 MPa e 70 0 C. O seu fluxo é de 1,2 kg/s. K = 1,4.
Determine:
a) A potência do compressor; (Pot. = 2,60 kW)
b) O caudal volumétrico de gás. (V ≅ 1 m3)

Problema 3:

O ar entra num compressor a 100 kPa e a 25º C com uma velocidade baixa, saindo
a 100 MPa e 347º C com uma velocidade de 90 m s-1. O compressor é arrefecido
146 Transporte de Fluidos

com uma razão de 1500 kJ min-1 e a potência fornecida pelo compressor é de 250
kW. Determine caudal mássico de ar que é comprimido.
Nota: Consultar tabelas de entalpia do ar. (Qm = 0,7 kg/s)

Problema 4:

O ar é comprimido a partir de 100 kPa e 220 C para 1 MPa, sendo o arrefecimento


de 16 kJ.kg-1 por circulação de água na camisa do compressor. O volume de ar, nas
condições de entrada, é de 150 m3 min-1 e a potência dada pelo compressor é de
500 kW.
Determine:
a) O caudal mássico de ar; (Qm = 2996 kg/s)
b) a temperatura de saída do ar. (T2 = 448,2 k)

Problema 5:

O ar é comprimido por um processo reversível, partindo de 100 kPa e 300 K e


saindo a 900 kPa. Determine o trabalho do compressor, por unidade de massa para:
a) compressão isentrópica com K = 1,4; (-W = 262,9 J/g)
b) compressão politrópica com n = 1,3; (-W = 246,1 J/g)
c) compressão isotérmica. (-W = 189,0 J/g)
Considere que o ar pode ser tratado como um gás ideal.

P2 = 900 kPa

W=?

P1 = 100 kPa
T1 = 300 K
Compressores 147

Problema 6:

0
O ar comprime-se desde 80 F e 1 atm até uma pressão manométrica de 300 psi.
Supondo o comportamento do ar como gás ideal e uma compressão isentrópica,
calcular a temperatura final e o trabalho de compressão:
a) A partir das entalpias (consultar tabelas);
b) Considerando um valor médio de K = 1,395 e as fórmulas aplicáveis à
compressão isentrópica de um gás ideal.
(-W = 180,4 BTU/lb; T2 = 1285,7 ºR)

Problema 7:

O ar entra num compressor a 100 kPa e a 27ºC e é comprimido a 900 kPa.


Admitindo que a compressão é um processo isentrópico, determine:
a) A potência do compressor para um caudal mássico de 0,02 kg s-1; (5,3 kW)
b) A potência do compressor para um caudal mássico de 0,02 kg s-1, mas se utilizar
dois estágios onde o ar, à saída do 1º estágio é arrefecido à temperatura de
entrada. (4,5 kW)

P2 = 900 kPa

1º Estágio 2º Estágio

W=?

P1 = 100 kPa
T1 = 300 K
148 Transporte de Fluidos

Problema 8:

Considere os dados do problema 5 em que a compressão é feita em dois estágios


com arrefecimento intermédio. Considere n = 1,3.
Determine o trabalho do compressor por unidade de massa. (-Wm = 215,1 J/g)

Problema 9:

Um compressor de 2 estágios, é utilizado para comprimir 2 kg/s de N2, nas


condições apresentadas na figura seguinte. A pressão á saída do primeiro estágio é
de 5 atm, mas o gás entra neste estágio à pressão atmosférica. O primeiro estágio
opera adiabaticamente, o segundo é isotérmico.

P2 = 10 atm

1º Estágio 2º Estágio

W=?

T1 = 20ºC

a) Qual é a temperatura à saída de cada estágio, considerando que o processo é


reversível; (T1’ = 464,3 K; T2’ = 464,3 K)
b) Qual a potência requerida para cada estágio. (Pot.1 = 356 kW; Pot.2 = 191 kW)

Problema 10:

O ar é comprimido adiabaticamente a partir de 100 kPa e 12 ºC até 800 kPa , sendo


o seu caudal de 0,2 kg/s. A eficiência adiabática do compressor é de 80 %.
a) Determine a temperatura de saída do ar; (T2real = 574,3 K)
b) Determine a potência do compressor. (Pot. = 58 kW)
Compressores 149

P2 = 800 kPa

W=?

P1 = 100 kPa
T1 = 12ºC

Problema 11:

Ar é comprimido de 1 atm até 10 atm. A temperatura de entrada do ar é de 25ºC.


Determine, para um caudal de 1,2 kg/s, o trabalho realizado pelo compressor, bem
como a sua potência, nas seguintes condições:
a) Em compressão isotérmica; (-Wm = 5708 J/molg; Pot. = 237 kW)
b) Em compressão adiabática; (-Wm = 8075 J/molg; Pot. = 336 kW)
c) Em compressão politrópica. (-Wm = 7533 J/molg; Pot. = 313 kW)
d) Determine a temperatura de saída do ar nas condições das alíneas a), b) e c);
(298,2 K; 573,6 K; 507,2 K)
e) Determine o trabalho realizado pelo compressor e a sua potência, considerando
uma compressão isentrópica com 2 estágios; (6758 J/molg; 281 kW)
f) Determine o trabalho realizado pelo compressor e a sua potência, considerando
uma compressão politrópica com 3 andares. (6244 J/molg; 260 kW)

Problema 12:

Pretende-se comprimir isentrópicamente, ar a 1 atm e a 25ºC até 25 atm, com um


caudal de 2,5 kg/s. No entanto, a temperatura máxima aceitável nos compressores é
de 200ºC.
a) A compressão pode ser efectuada com um só andar? Justifique.
b) Em caso negativo, qual o n.º de andares necessário? (S = 2)
c) Determine a potência desenvolvida pelo compressor, em unidades SI; (873 kW)
d) Determine a entalpia específica do ar à saída do compressor. (649,6 kJ/kg)
150 Transporte de Fluidos

Dados:
Cp = 29,099 J.molg-1.s-1

H 1aratm, 25º C = 300,3 kJ/kg

Problema 13:

Pretende-se projectar um compressor para comprimir 96 kg/s de uma mistura


explosiva a 1 atm e a 25ºC até 8 atm. A operação tem de ser realizada em várias
etapas, onde cada etapa opera reversível e politrópicamente, com a mesma razão
de compressão. Admitindo que se consegue reduzir, em cerca de 45ºC, a
temperatura do gás em cada arrefecimento e, sabendo também, que se pretende
trabalhar com uma razão de compressão igual a 2.0, determine, em unidades SI
(salvo indicação em contrário):
a) O n.º etapas; (S = 3)
b) A temperatura do gás à saída de cada estágio; (349,9 K; 357,7 K, 367,0 K)
c) A potência do compressor; (Pot. = 20,6 MW)
d) Se a mistura explodir a 400 K, será possível efectuar a compressão num só
andar?
Dados:
M = 26
n = 1,3
Compressores 151

BIBLIOGRAFIA

9 J. Welty, C. Wicks, R. Wilson; “Fundamentals of Momentum, Heat Transfer and


Mass Transfer”, John Wiley, 1969.
9 R. Bind, W. Stuart, E. Lihfoot; “Transport Phenomena”, John Wiley, 1983.
9 Frank White; “Fluid Mechanics”, McGraw Hill, 1994.
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Fundação Calouste Gulbenkian, 1977;
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Química”, 1º volume, Editorial Reverté, 1975;
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9 Alves, Prof. Sebastião, “Fenómenos de Transferência I – 2ª parte”, AEIST,
1997/98.

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