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Programa de Relaxamento terapêutico na Ansiedade na Adolescência em

contexto comunitário.

OBJETIVO(S):
- Promover o bem-estar físico, psíquico e emocional na adolescência;
- Prevenir ocorrência de episódios de ansiedade relacionados com life events
negativos ou potencialmente ansiogénicos;
- Dotar o adolescente de ferramentas para lidar com níveis de ansiedade
elevados;
- Prestar cuidados de Enfermagem diferenciados no âmbito da saúde mental
na adolescência;
- Promover a literacia no âmbito da saúde mental na adolescência.

DESCRIÇÃO:

Pressupostos
Técnicas Música
de relaxamento
propostas Relaxamento muscular progressivo de Jacobson

Treino respiratório

Treino autogénico de Schultz

Imaginação guiada
Participantes Grupos de 6 adolescentes da mesma faixa etária (entre os
13 e os 15 anos de idade) que cumpram os critérios de
inclusão.
Periocidade Semanal
Duração 45 minutos/sessão ao longo de 8 semanas
Objetivos Promover o bem-estar na adolescência;

Dotar as crianças/adolescentes de estratégias promotoras


de saúde mental em ambiente escolar;

Promover altos índices de saúde mental na adolescência;

Capacitar os adolescentes para gerir de forma assertiva


situações de risco para o desenvolvimento de patologia do
foro mental.
Critérios de  Adolescentes dos 13 aos 15 anos de idade com
inclusão frequência no terceiro ciclo de escolaridade do
ensino regular na Escola Secundária XXXX;
 Adolescentes com fatores de risco identificados para
o desenvolvimento de perturbações de ansiedade
 Adolescentes sinalizados pela equipa de saúde
escolar e/ou equipa de saúde familiar.
Critérios de Diagnóstico clínico de ansiedade confirmado;
exclusão
Comorbilidade com outras patologias do foro mental (e.g.
hiperatividade);

Diagnóstico clínico de transtorno de neurodesenvolvimento


e/ou neurocognitivo confirmado;

Adolescentes pertencentes a faixas etárias menores que 13


anos e maiores que 15 anos;

Falta de comparência a mais do que uma sessão do


programa;

Falta de consentimento expresso para a participação.

Recursos físicos/ Espaço físico com setting terapêutico adequado;


Materiais Colchões;
Almofadas;
Computador;
Colunas de som;

Enfermeiro ESMP.

Desenvolvimento da sessão
Introdução 1 - Planear a intervenção:

2- Determinar motivação do adolescente, e fatores que a


afetam, para participar na intervenção

3- Preparar o setting para a intervenção: Ambiente tranquilo,


com condições de luz e temperatura ambiente adequadas,
em local não suscetível a interrupções por terceiros durante
a implementação das sessões;

4 - Informar sobre programa de relaxamento e seu


desenvolvimento

5 - Clarificar o motivo da intervenção e seus objetivos

6 - Ensinar sobre técnicas de relaxamento utilizadas


7- Instruir técnicas de relaxamento utilizadas;

8- Treinar técnicas de relaxamento utilizadas.


Desenvolviment 5 - Executar técnica de relaxamento:
o
 Música

 Técnica de relaxamento muscular progressivo

 Treino Respiratório

 Treino autogénico de Schultz

 Imaginação guiada

Conclusão 6 – Aplicar a versão portuguesa do Inventário de ansiedade


estado-traço de Spielberg (STAY Y1 e STAY Y2) como
instrumento de medida destinado a avaliar a ansiedade de
forma individualizada (Rodrigues, 2009);

7- Elaborar registos individualizados

Procedimento:

1. Preparar o setting:
Ambiente sossegado, ameno e não suscetível de interrupções
Usar roupa confortável
Sentar/deitar a pessoa de forma a que fica confortável

2. Informar sobre técnica de relaxamento e seus objetivos


3. Clarificar o motivo da intervenção e seus objetivos

4. Executar técnica de relaxamento


Indução
De seguida, deitam-se confortavelmente em decúbito dorsal, com os braços ao
longo
do corpo numa postura descontraída. Com os olhos fechados, são incentivados
a centrarem a sua atenção na música e na voz do terapeuta de modo a
abstraírem-se do exterior.
Durante a sessão de relaxamento o terapeuta deve usar um tom de voz calmo
e sossegado, mas não hipnótico. A ideia do relaxamento não é dormir, mas sim
relaxar.
As instruções devem ser dadas pausadamente de forma longa, de modo a dar
tempo aos participantes para as executarem.

Relaxamento progressivo de Jacobson ( Vasconcelos, 2014).

Antes de se iniciar esta prática pede-se ao participante que identifique no seu


corpo
focos de tensão (cabeça, tronco e membros), levando-o à consciencialização
da importância do corpo no bem/mal-estar do eu.

− Pé direito: Contrair os músculos, voltando o pé para dentro e,


simultaneamente, dobrando os dedos (sem fazer muita força). Sente a tensão
na planta do pé (10seg). Relaxe. Repare no contraste entre a tensão e o
relaxamento (20 seg).

− Parte inferior da perna direita: Contrair os músculos, empurrando fortemente


os dedos do pé para cima, em direção à cabeça / na direção oposta à cabeça.
Sente a tensão no gémeo (10 seg). Relaxe. Repare no contraste entre a tensão
e o relaxamento (20 seg).

− Coxa direita: Contrair os músculos, encolhendo fortemente a nádega direita e


contraindo os músculos da parte superior da perna. Sente a tensão na nádega
e na coxa (10 seg). Relaxe. Repare no contraste entre a tensão e o
relaxamento (20 seg).

- Pé esquerdo: Contrair e descontrair os músculos, utilizando o procedimento


descrito para o do lado direito
− Parte inferior da perna esquerda: Contrair e descontrair os músculos,
utilizando o procedimento descrito para a do lado direito.

− Coxa esquerda: Contrair e descontrair os músculos, utilizando o


procedimento.

− Abdómen: Contrair os músculos, encolhendo fortemente o estômago (como


que para evitar um soco). Sente o estômago tenso e apertado (10 seg). Relaxe.
Repara no contraste entre a tensão e o relaxamento (20 seg).

− Peito, ombros e parte superior das costas: Contrair os músculos, inspirando


profundamente, guardando o ar dentro dos pulmões e empurrando os ombros e
as omoplatas para trás (como se quisesse tocar com um ombro no outro).
Sente a tensão no peito, ombros e costas (10 seg). Relaxe. Repare no
contraste entre a tensão e o relaxamento (20 seg).

− Mão e antebraço direito: Contrair os músculos, fechando fortemente o punho


e mantendo o braço direito. Sente a tensão na mão, nos nós dos dedos, nas
articulações do punho e nos músculos do antebraço (10 seg). Relaxe. Repare
no contraste entre a tensão e o relaxamento (20 seg).

− Braço direito: Contrair os músculos, empurrando o cotovelo contra o braço o


Colchão ou empurrando o cotovelo para baixo e para dentro contra o corpo.
Sente a tensão no braço (10 seg). Relaxe. Repare no contraste entre a tensão
e o relaxamento (20 seg).

− Mão e antebraço esquerdo: Contrair e descontrair os músculos utilizando o


procedimento descrito para os do lado direito.

− Braço esquerdo: Contrair e descontrair os músculos utilizando o


procedimento descrito para o do lado direito.

− Pescoço: Contrair os músculos, empurrando fortemente o queixo para baixo,


contra o peito, sem tocar neste ou empurrando a cabeça para trás, contra o
chão.
Sente a tensão no pescoço (10 seg). Relaxe. Repare no contraste entre a
tensão e o relaxamento (20 seg).

− Parte superior da face (testa): Contrair os músculos, levantando as


sobrancelhas o mais alto possível / franzindo a testa. Sente a tensão na testa e
no centro do couro cabeludo (10 seg). Relaxe. Repare no contraste entre a
tensão e o relaxamento (20 seg).

− Parte central da face (parte superior das bochechas e nariz): Contrair os


músculos, fechando fortemente os olhos e franzindo o nariz, levantando-o.
Sente a tensão em redor dos olhos, no nariz e no alto das bochechas (10 seg).
Relaxe.
Repare no contraste entre a tensão e o relaxamento (20 seg).

− Parte inferior da face (parte inferior das bochechas, boca e queixo): Contrair
os músculos, fechando fortemente os dentes e empurrando os cantos da boca
para trás, como se quisesse sorrir exageradamente (10 seg). Sente a tensão à
volta dos maxilares e do queixo. Relaxe. Repare no contraste entre a tensão e
o relaxamento (20 seg).

Treino respiratório (Payne. R, 2000)

Pede-se ao individuo que preste atenção na sua própria respiração e


identifique os movimentos de inspiração e expiração. Nesta respiração quando
a pessoa inspira o diafragma desloca-se para baixo, ficando quase plano e o
abdómen desloca-se para fora. Na expiração, o diafragma desloca-se para
cima, ficando semelhante a um cone e o abdómen desloca-se para dentro.

− Com a boca fechada faça a inspiração do ar pelo nariz, ao mesmo tempo que
projeta o abdómen para fora.

− Segure o ar e simultaneamente conte mentalmente: 1, 2, 3, 4.


− Solte o ar.
Relaxe. Inspire o ar. Solte o ar expirando pela boca e ao mesmo
tempo conte mentalmente até cinco. Relaxe. Inspire o ar. Solte o ar, expirando
pela boca e ao mesmo tempo conte mentalmente até seis. Relaxe. Inspire
novamente o ar. Solte o ar, expirando pela boca e ao mesmo tempo conte
mentalmente até sete. Inspire o ar. Solte o ar, expirando pela boca e ao mesmo
tempo conte mentalmente até oito. Relaxe. Esteja atento aos movimentos de
entrada, circulação e saída do ar no aparelho respiratório e perceba a
passagem do ar pelos seus pulmões e os movimentos de contração e dilatação
dos músculos do peito e das costas. Repita o exercício três vezes. Mantenha a
atenção no movimento e esteja sereno
.
Treino Autógeno de Schultz( Payne. R, 2000)

− O terapeuta pede ao participante para concentrar a sua atenção só no braço


direito durante 30 segundos e repete frases indutoras: 1º de peso e só depois
de
calor, várias vezes (até ao máximo de 5).

− De seguida pede para concentrar a sua atenção só no braço esquerdo


durante
30 segundos e volta a repetir frases indutoras: 1º de peso e só depois de calor,
várias vezes (até ao máximo de 5).

− Repete de igual forma para os membros inferiores, começando sempre pelo


membro direito (se houver algum participante esquerdino deve começar pelo
membro esquerdo).

Visualização dirigida ( Payne. R, 2000)

− O terapeuta constrói gradativamente uma cena imaginada ou um “local


especial”
(esta cena deve ser rica em imagens sensoriais de visão, som, cheiro, paladar,
textura, temperatura, …).

− Encorajar o participante a imaginar como o corpo se sente nesse local


(dando
ênfase a sensações/sentimentos agradáveis, sendo aconselhado a afastar-se
dos desagradáveis ou mesmo pôr fim à visualização em situações de não
controlo).

− O terapeuta termina esta etapa de forma gradual levando a imagem mental a


esbater-se deliberadamente e levando a concentrar-se no local onde se
encontra
(“quando se sentir preparado deixe que a visualização se desvaneça… volte
devagar ao presente… contando 1,2,3).

Finalizar a prática
Nunca se deve finalizar o relaxamento de maneira abrupta, deve ser feito
gradual e devagar. Alguns terapeutas recorrem a um processo de contagem e
outros através de uma simples frase. A finalização de uma sessão é por vezes
referida como vigília ou regresso à atividade quotidiana.

− Estimular a abertura os olhos e alongar os músculos de todo o corpo


suavemente.

− Posicionar-se em decúbito lateral e posteriormente sentar-se devagar.

5. Concluir a sessão de relaxamento.

6. Dar tempo para que expresse sentimentos relativos à intervenção;


7. Avaliar trabalho desenvolvido, obter feedback da intervenção e aplicar
escala DASS 21.
8. Encorajar o próprio a praticar sessões de relaxamento regulares.

9. Elaborar registos individualizados

Bibliografia

Vasconcelos, L. H. S. (2014). Avaliação da Eficácia da Técnica de


Relaxamento Muscular 29

Progressivo de Jacobson na Redução de Fadiga em Uma Trabalhadora de


Enfermagem (Tese de Mestrado, Universidade de S. Paulo, Brasil). Disponível
a partir de http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/7/7140/tde-05112014-
124513/pt-br.php
Junqueira, M. (2006). A viagem do relaxamento: técnicas de relaxamento e
dinâmicas. Obtido por: http://newpsi.bvs-
psi.org.br/ebooks2010/pt/Acervo_files/ViagemRelaxamento.pdf

Payne, R. (2000). Técnicas de Relaxamento, um guia prático para profissionais


de saúde. Loures: Lusociência, Edições técnicas e cientificas Lda,.

Payne, R. (2003). Técnicas de relaxamento: um guia prático para profissionais


de saúde, (2ª ed.) pp. 13-59.

Sequeira, C. (2006). Introdução à prática clínica: do diagnóstico à intervenção


de enfermagem de saúde mental e psiquiatria. pp. 46-47

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