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A relação entre estado moderno e a

administração pública
Sobre o Estado, o Estado moderno. Sobre a Administração
Pública, sobre os agentes públicos, sobre a hipercomplexidade
da burocracia.

1 Do Estado
Tanto a política como o mercado econômico se mesclam em interesses
comuns, suas formas de exercícios, quando não pautadas no bem comum
resultam em ferimento na dignidade da pessoa humana; A política ao longo
da história se focou em como dominar as massas; dessa busca resultou a
criação de conceitos chaves para legitimar seu domínio, usando o Estado
como meio.

O Estado detém o poder absoluto, dentro de seu território físico e legal, e a


política atua nessa esfera como força motriz, capaz de fazer o Estado
funcionar dentro de seus parâmetros, dando certa conotação.

Segundo Michael Mann, o Estado é separado em duas formas de poder:

O “despótico” – a faixa de ações do Estado em que a elite tem o poder de


realizar sem uma negociação rotineira e institucionalizada com grupos da
sociedade civil... E poder “infraestrutural”

A capacidade do Estado de efetivamente penetrar na sociedade civil...


Dentro deste quadro se situa a administração pública, servindo como
instrumento do próprio Estado, para melhor efetivação dos serviços
necessários aos cidadãos. Na análise clássica de T. H. Marshall sobre os
direitos da cidadania:

“os filósofos iluministas e os tribunais ingleses definiram os direitos civis


que serviriam de fundamento para o estado liberal no século XIX”.

Com os direitos civis, os cidadãos ganharam o direito à liberdade e à


propriedade perante um estado que costumava ser opressor e despótico
(Marshall 1950). ‘Estado-nação’ e ‘cidadão’ (dotado de direitos políticos) são
conceitos políticos que surgiram ao mesmo tempo.
Apesar de estarmos em uma democracia, tendo a alternância do governo de
quatro em quatro anos, podemos perceber que os representantes não
realizam uma administração pública correta, que foi lhes designada.

Ultimamente fica claro a alternância de dois sistemas governamentais, o


neoliberal do PSDB e o social democrático do PT. Esses dois sistemas tem
pontos positivos e negativos. A característica trivial do neoliberalismo é a
privatização de empresas públicas, transformando-as em privadas para
desafogar a máquina pública.

Já uma grande característica do partido dos trabalhadores é a sobre carga


da máquina estatal, com a criação de concursos públicos para melhor gerir o
interesse popular. Um ponto positivo do neoliberalismo é que a privatização
pode gerar, em longo prazo, benefícios para a população.

Um exemplo foi à privatização de uma empresa de telecomunicação, que


inicialmente parecia que iria visar interesses próprios, mas depois de um
tempo teve melhorias na vida das pessoas. Creio que um ponto negativo do
neoliberalismo é a característica de uma empresa privada, geralmente visa
apenas o lucro e não os benefícios para a sociedade.

Já uma empresa estatal, pública, não tem como fim, obter ganhos
exorbitantes. Podemos concluir que independente de modelo que esteja no
poder, neoliberal ou liberal, ambos tem o pensamento individual. Isto é, só
pensam no bem próprio e esquecem-se dos necessitados, no caso, a
população. É bom salientar, que tanto um como o outro, tem um teor em
comum, no que diz respeito sobre a carga de impostos, que sempre continua
em altos índices; sobre o problema, percebemos então, que não está na
forma de governo, mas, na forma de administrá-lo.

O Estado sofreu uma grande transição desde o tempo dos regimes


autoritários até os dias atuais, passando do autoritarismo para liberalismo e
por ultimo para a democracia atual. Nesse meio tempo, a sociedade civil foi
ganhando mais espaço e poder político sobre o próprio governo, os políticos
e funcionários públicos, influenciando assim nas decisões do Estado.

No início do século XX o Estado ainda era liberal, elitista e de uma


administração burocrática. Já na segunda parte do mesmo século o Estado
se torna social-democrático, tendo em vista proteger os direitos sociais e
promover o desenvolvimento econômico, porém com uma democracia mais
social, não mais elitista.

Já no início do seguinte milênio a democracia se torna mais participativa ou


republicana e a administração torna-se gerencial, de acordo com os
princípios de uma nova gestão pública A Administração pública no Brasil
evoluiu muito ultimamente, porém com todo esse avanço, ainda nota-se
certa dificuldade quanto à modernização desse sistema administrativo
perante a atual sociedade brasileira.

Segundo Petrucci, o Brasil passou por três grandes reformas no setor


administrativo, a mais recente no ano de 1995, chamada Reforma Gerencial,
a qual foi a primeira a pensar no sistema público do país de uma forma mais
democrática, com instituições públicas mais eficazes e eficientes. Porém
esse modo de governo funciona perfeitamente na teoria, já na prática muda
tudo.

Da Administração Pública
É notável algumas discrepância no que diz respeito sobre os conceitos de
democracia de massas, coligações partidárias, sufrágio universal, tendo
como exemplo o momento histórico social do filósofo Montesquieu, que
teorizou sobre a tripartição dos poderes, ou melhor, sobre a divisibilidade de
competências dentro da Soberania do Estado.

Sendo assim o Estado seria administrado por três esferas do poder


Soberano, sendo elas; o executivo, Legislativo e o Judiciário. No contexto de
Montesquieu, o Estado seria condicionado pela administração do Monarca,
e a sociedade dividida entre nobres e os plebeus.

Porém devido à restrição constitucional acerca da divisão das competências,


pouca atenção se deu a Administração Pública, aparece entrelaçada nas
funções de toda a máquina estatal, chegando a certo de ponto de mostrar
uma personalidade própria, uma forma que se desenrola diante do cidadão,
como agente de mediação entre o coletivo e os direitos inerentes, garantidos
por normas constitucionais.

A Administração pública é sintetizada na pessoa do agente público, os


políticos representam a classe de agentes públicos elevados, dotados da
prerrogativa do poder econômico, trabalham em fazer com que o direito
garanta as posses da elite e mantenha o pobre em seus agrilhoes. Não
observam as necessidades das camadas inferiores do povo, apenas quando
em época de eleições, para angariar os seus votos, como rito de um sistema
autoritário e em nada democrático.
O Estado deveria atuar como um beneficiador, o cidadão seria o beneficiado,
mas o Estado pós-moderno não é um contrato social, ele figura como uma
relação de subordinação entre a elite e os subordinados, o povo.

Devido as grandes massas, povos com mais de 100 milhões de cidadãos,


pluralismo cultural e religioso, o Estado pós-moderno é sobrecarregado,
atua com sistemas hipercomplexos, a burocracia se torna o grande entrave,
o agente público agora na pessoa dos agentes administrativos, funcionários
do próprio governo atuante, deliberam sobre os benefícios, ajustando os
cidadãos, que sem perceber, se torna totalmente dependente deste suposto
poder, tendo partes do seu direito restringido.

A Administração deveria ser o braço usado pelo Estado para beneficiar o


povo, ao invés disso, ela desponta como ferramenta da opressão, ela não usa
a força, apenas trabalha o medo, o cidadão é por vez totalmente dependente
do sistema, precisa do mesmo para acesso a saúde, a educação, a
previdência, concessões; o sistema, agora, mas equipado dispondo de
capacidade tecnológica suficiente para limitar e conhecer melhor seu
usuário, o cidadão comum.

A administração dispõe também da força da lei, da norma pena; a lei em


suma, é elaborada por seus agentes políticos, com finalidades exclusivas de
impor aos cidadãos um estado de direito inferior.

Saliento o quão diferente são os agentes públicos em comparação à própria


Administração Pública, os agentes são pessoas comuns, só que dotados da
prerrogativa de pertencerem ao quadro funcional do governo, não são de
todo mal, apenas seguem as regras do jogo, imposto pelo sistema político
vigente.

Os agentes públicos são pessoais, também são vítimas do próprio poder da


Administração Pública, que com o passar do tempo torna-se, mas pessoal,
deixando outrora a impessoalidade com que deveria o Estado atuar, pois o
Estado é a suma das vontades de todos, é o coletor das individualidades dos
cidadãos, representa os anseios e a busca pelo bem estar geral: Portanto não
deveria restringir os seus próprios cidadãos quanto aos direitos inerentes á
dignidade humana.

A Administração torna-se má no momento em que adquire personalidade e


se exalta como uma das esferas do poder soberano, atuando concordada
mente entre as esferas do Executivo, Legislativo e Executivo, trás em seu
bojo uma hiper burocracia, o suficiente para atravancar o exercício do
próprio Estado, a um ponto de nem os agentes públicos nem os cidadãos se
aperceberem do fato.
Mas esse problema se arrasta desde o início do Estado moderno, numa
época em que se pesavam a forma de gerir o poder e a atuação do Estado
com vistas a criar um bem estar geral no seu povo, trazendo a ordem e a paz
coletiva, com a garantia da norma constitucional, de que a regra não seria
mudada, mesmo que surgisse um impopular tirano, não encontraria terreno
fértil no âmbito do Estado, pois o mesmo estaria apoiado em três esferas.

Do Contexto Brasileiro
No Brasil, percebemos o quanto a Administração Pública é falha, uma vez
que vemos nas instituições do Estado, longas filas e reclamações; o INSS
(Instituto Nacional do Seguro Social) é o exemplo clássico, onde os cidadãos
mais necessitados, em muitas situações com debilidade na saúde ou
impossibilidade física, são tratados como escórias, como prisioneiros de
guerra; o trabalhador durante trinta em cinco anos deu para a pátria suas
forças físicas, seu tempo, e muitos impostos, em contrapartida, o Estado
Brasileiro, lhe dar, uma fila enorme a ser encarada por longos dias,
tratamento desumano, e muita burocracia para atormentar a vida do pobre
trabalhador.

Cabe também observar, Que as coligações políticas enfraquece a qualidade


do serviço público; quando o agente político do executivo é eleito pelo
sufrágio universal, automaticamente seus aliados políticos, sem
competência alguma para a função ou o cargo público, são nomeados, em
maioria dos casos, cargos de chefia, onde eles ditam as regras da
administração pública, com prejuízo para o povo, tendo em vista que será o
mais prejudicado. Esses agentes não tem comprometimento com o Estado,
mas apenas com o partido político, dando outra face á Administração
Pública, que deveria ser pautada no interesse de todos os cidadãos.

O Estado por ser contínuo não tem partido quem tem partido é o governo,
que está limitado a certo período para atuar. Dentro deste contexto todos os
agentes públicos, políticos ou subalternos deveriam exercer suas funções
com objetivos de elevar a condição sine qua non o Estado, trazendo os
benefícios para todo o povo.
Mais na Republica do Brasil ocorre o inverso, nossa Administração é
totalmente indiferente para com o povo, pela qual a mesma justifica sua
existência, deveria ser uma esfera do poder atuante nas melhorias dos
serviços oferecidos ao povo: Mais na prática, quando sai um governo, o novo
trata de renovar o quadro funcional do Estado, como se fosse o quadro
funcional do partido, os interesses são totalmente pessoais, o
comprometimento com os eleitores é quase nulo, atingindo o ápice de o
governo e o Estado se mesclarem em muitas situações, minando o direito
constitucional, que declara em seu texto, ser o Estado para o povo, e não
para grupos econômicos ou elitistas.

Adeilson Oliveira

Jurista

Bacharel em Direito pela Universidade Católica de Pernambuco. Especialização em Direito do Trabalho e


Processo do Trabalho. Advogado OAB/PE

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