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G RH

Romances Históricos
apresenta
Maya Banks
M c Ca b e 2

Seduzida pelo Highlander

Tradução/Pesquisa: GRH
Revisão Inicial: Claudia Barbetta
Revisão Final: Ana Paula G.
Formatação: Ana Paula G.

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Resumo
Um guerreiro é pego entre um casamento por dever e um amor
proibido no livro dois da sensual trilogia de Maya narrando a história de
três irmãos indomáveis.
Ferozmente leal a seu irmão mais velho, Alaric McCabe lidera seu clã na luta
pelos seus direitos de nascença. Agora ele está preparado para casar por dever
também. Mas em seu caminho para pedir a mão de Rionna McDonald, filha de um
chefe vizinho, ele sofre uma emboscada e é dado por morto. Milagrosamente, sua vida
é salva pelo toque suave de um anjo das Highlands, uma bela e corajosa dama que
colocará à prova sua lealdade para com seu clã, sua honra e seus mais profundos
desejos .
Banida de seu próprio clã, Keeley McDonald foi traída por aqueles a quem
amava e confiava. Quando o guerreiro ferido cai de seu cavalo, ela fica atraída por
seu corpo forte. O lampejo pecaminoso nos olhos verdes dele acende uma paixão que
os seguirá até a casa de Alaric, onde o amor proibido entre eles os levará ao mais
profundos prazeres carnais. Mas conforme a conspiração e perigos se aproximam,
Alaric deverá fazer uma escolha impossível. Ele trairá os laços de sangue pela mulher
que ama?

Comentário da Revisora Claudia Barbetta:


Este é o segundo livro de uma trilogia que conta a história dos irmão
McCabe. O primeiro trata de Ewan, o irmão feroz. O terceiro livro, conta a
história de Caelen, o irmão frio e prático.

Neste livro, conhecemos Alaric, o mais amoroso dos irmãos. Confesso


que não me apaixonei pela história à primeira vista. Mas, conforme a narrativa
se desenrolava, fui amando, sofrendo, torcendo... Pois essa é uma história de
amor, de superação, de entrega. Alaric está disposto a ir até o fim com o
compromisso que assumiu, mesmo perdendo a mulher que ama. Keeley está
disposta a viver seu amor, mesmo sabendo que será breve e fugaz.
Houve momentos em que fiquei com raiva de Keeley, cheia de
autopiedade. Porém, no final não há como deixar de se solidarizar com sua
dor e sofrimento.
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Amei... Alaric é quente, carinhoso, apaixonado. Não vejo a hora de ler
os outros dois livros.

Comentário da Revisora Ana Paula G.:


Confesso a vocês que nunca tinha lido livros da Maya Banks.
Acho que quem faz o livro tão bom é o Alaric...a mocinha me deu raiva
quase o tempo todo, aceitando tudo, ficar em segundo plano,sabendo que ele
vai ter que casar com outra.
Mas a história em si e muito linda!! E os trechos hot são tudo, muito bem
descritos, para viajar mesmoo!!!! Adorei!!!

Capítulo Um
Alaric McCabe olhou para a vastidão das terras McCabe enquanto uma
indecisão o afligia. Respirou o ar frio e olhou para o céu. Não nevaria neste dia.
Mas em breve. O outono já estava deixando as highlands. O ar mais frio e os dias
mais curtos sinalizavam isso.
Depois de tantos anos de luta para sobreviver, para reconstruir seu clã, seu
irmão Ewan fez grandes progressos em restaurar McCabe à sua antiga glória.
Neste inverno, seu clã não passaria fome. Seus filhos não ficariam sem uma roupa
adequada.
Era a vez de Alaric fazer sua parte pelo clã. Em pouco tempo, viajaria para a
fortaleza McDonald para pedir formalmente a mão de Rionna McDonald em
casamento.
Seria apenas uma cerimônia. O acordo já havia sido assinado semanas antes.
O velho laird queria que Alaric passasse um tempo entre os McDonalds, um clã do
qual Alaric pertenceria quando se casar com a filha McDonald, a única herdeira.
Mesmo agora, o pátio estava vivo com a atividade de um contingente de
soldados McCabe que se preparavam para fazer a viagem com Alaric.
Ewan, o irmão mais velho de Alaric e laird do clã McCabe, queria enviar seus
homens mais confiáveis para acompanhar Alaric em sua viagem, mas Alaric
recusou. Ainda havia perigo para a mulher de Ewan, Mairin, que estava grávida.
Enquanto Duncan Cameron estiver vivo, ele representava uma ameaça para os
McCabes. Ele cobiçava tudo o que era de Ewan – a esposa, o conseqüente
controle sobre as terras de Neamh Alainn, um legado trazido pelo casamento com
Mairin, a filha do antigo rei da Escócia.
E agora, devido à frágil paz nas terras altas e a ameaça que Duncan Cameron
representava não só aos clãs vizinhos, mas ao trono do rei Davi, Alaric concordou

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com o casamento que iria consolidar uma aliança entre os McCabes e o clã cujas
terras estavam entre Neamh Alainn e as terras de McCabe.
Era um bom acordo. Rionna McDonald era bonita, mesmo que fosse uma
moça estranha que preferiu as roupas e os deveres de um homem no lugar do de
uma mulher. E Alaric nunca teria o que mais desejava se continuasse com Ewan –
seu próprio clã para liderar. Suas terras. Um legado para o seu herdeiro.
Então, por que ele não estava ansioso para montar seu cavalo e correr em
direção ao seu destino?
Virou-se quando ouviu um som à sua esquerda. Mairin McCabe estava
correndo pela encosta, ou pelos menos tentava correr, e Cormac, seu guarda-
costas, parecia irritado enquanto a seguia. Ela estava enrolada em um xale e seus
lábios tremiam de frio. Alaric estendeu a mão, que ela segurou, inclinando-se para
ele enquanto tentava recuperar o fôlego.
— Você não devia estar aqui, moça. – Alaric repreendeu – Vai congelar até a
morte.
— Não, ela não deveria –Cormac concordou – Se o nosso laird descobrir, ele
ficará com muita raiva.
Mairin revirou os olhos e depois olhou ansiosamente para Alaric.
— Você tem tudo o que precisa para sua viagem?
Alaric sorriu.
— Sim, tenho. Gertie embalou comida suficiente para uma viagem duas
vezes mais longa.
Ela apertava e acariciava a mão de Alaric alternadamente, seus olhos
preocupados enquanto esfregava sua barriga com a outra mão. Ele puxou-a mais
próxima de modo que ela teria o calor do corpo dele.
— Se esperar mais um dia? Já é perto do meio-dia. Talvez devesse esperar e
sair mais cedo amanhã.
Alaric sufocou seu sorriso. Mairin não estava feliz com sua partida. Ela estava
acostumada a ter seu clã logo ali onde queria. Nas terras McCabe. E agora que
Alaric decidiu partir, ela estava se tornando mais veemente em sua preocupação e
sua insatisfação.
— Não ficarei fora por muito tempo, Mairin. – ele disse, delicadamente –
Algumas semanas no máximo. Então voltarei para alguns arranjos do casamento e
depois residirei permanentemente na fortaleza McDonald.
Os lábios dela se viraram para baixo em uma careta descontente com a
lembrança de que Alaric os deixaria e, para todos os efeitos, seria um McDonald.
— Pare de franzir a testa, moça. Não é bom para o bebê. Nem é bom para
você estar aqui no frio.
Ela suspirou e jogou os braços ao redor dele. Ele deu um passo para trás e
trocaram olhares divertidos com Cormac sobre sua cabeça. A mulher estava ainda

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mais emotiva agora com a gravidez e os membros de seu clã se tornaram cada vez
mais familiarizados com as explosões espontâneas de afeto.
— Sentirei sua falta, Alaric. Sei que Ewan também ficará bem. Ele não diz
nada, mas tem estado mais calado ultimamente.
— Também sentirei sua falta. – Alaric disse solenemente – Fique tranqüila,
estarei aqui quando você der à luz ao mais novo McCabe.
Diante disso, seu rosto se iluminou e ela deu um passo para trás para tocar-
lhe o rosto.
— Seja bom para Rionna, Alaric. Eu sei que você e Ewan acham que ela
precisa de uma mão mais firme, mas na verdade eu acho que ela precisa é de amor
e aceitação.
Alaric se inquietou, apavorado que ela gostasse de discutir assuntos de amor
com ele. Pelo amor de Deus. Ela riu.
— Tudo bem. Posso ver que eu fiz você se sentir desconfortável. Mas preste
atenção em minhas palavras.
— Minha senhora, o laird descobriu você e ele não parece satisfeito. – disse
Cormac.
Alaric se virou para ver Ewan em pé no pátio, com os braços cruzados sobre
o peito e uma carranca gravada em seu rosto.
— Venha, Mairin. – Alaric disse e colocou a mão sobre o braço dela – É
melhor eu levá-la de volta ao meu irmão antes que ele venha atrás de você.
Mairin resmungou baixinho, mas permitiu que Alaric a escoltasse para baixo
da encosta.
Quando chegaram ao pátio, Ewan cravou os olhos em sua esposa, mas
voltou sua atenção para Alaric.
— Você tem tudo o que precisa?
Alaric concordou. Caelen, o irmão McCabe mais novo, veio para ficar ao lado
de Ewan.
—Tem certeza de que não quer que eu o acompanhe?
— Você é necessário aqui. – disse Alaric – Mais agora que a gravidez de
Mairin se aproxima do fim. A neve deste inverno logo estará sobre nós e Duncan
poderá atacar quando menos esperarmos.
Mairin estremeceu ao lado de Alaric novamente, e ele se virou para ela.
— Dê-me um abraço, irmã, e depois volte para a fortaleza antes que morra
de frio. Meus homens estão prontos e não quero ver você chorando em cima de
nós enquanto partimos.
Como esperado, Mairin fez uma careta, mas mais uma vez jogou os braços
em torno de Alaric e o abraçou apertado.
— Deus o acompanhe. – ela sussurrou.

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Alaric roçou uma mão carinhosa em seus cabelos e depois a empurrou na
direção do castelo. Ewan reforçou a determinação de Alaric com uma feroz
carranca autoritária. Mairin lhe mostrou a língua e então se virou, com Cormac
seguindo-a nos degraus da torre.
— Se você precisar de mim, basta me chamar. – Ewan disse – Irei
imediatamente.
Alaric segurou o braço de Ewan e os dois irmãos se entreolharam por um
longo momento antes de Alaric se soltar. Caelen bateu nas costas de Alaric
enquanto ele montava seu cavalo.
— Isso é algo bom para você. – disse Caelen, uma vez que Alaric montou.
Alaric olhou para o irmão e sentiu a primeira agitação de satisfação.
— Sim, é.
Ele respirou fundo e as duas mãos apertaram as rédeas. Suas terras. Seu clã.
Ele seria laird. Sim, isso era uma coisa boa.
Alaric e uma dúzia de soldados McCabe seguiram em um ritmo constante
durante todo o dia. Como eles saíram tarde, e a viagem normalmente durava um
dia, seriam obrigados a chegar às terras McDonald apenas na manhã seguinte.
Sabendo disso, Alaric não pressionou seus homens. Na realidade, ele interrompeu
a viagem logo após o anoitecer para montar acampamento. Acenderam o fogo e
mantiveram a chama baixa, para não iluminar uma grande área.
Depois de comer a refeição que Gertie preparou para a viagem, Alaric dividiu
seus homens em dois grupos e disse aos seis primeiros para assumirem o primeiro
turno.
Eles se posicionaram ao redor do acampamento, fornecendo proteção para
o restante do grupo dormir por algumas horas.
Embora Alaric tenha ficado para o segundo turno, não conseguiu dormir.
Ficou acordado no chão duro, olhando para o céu cheio de estrelas. Era uma noite
clara e fria. Os ventos chegavam vindos do norte, anunciando a mudança de
estação.
Casado. Com Rionna McDonald. Ele se empenhou, mas não conseguia
imaginar a moça. Tudo o que conseguia se lembrar era o vibrante cabelo dourado.
Ela era quieta, que ele supunha ser uma boa característica em uma mulher, No
entanto Mairin não era uma mulher tranquila ou particularmente obediente. E
ainda assim ele a achava cativante, e sabia que Ewan não mudaria uma única coisa
nela.
Mas enquanto Mairin era tudo o que uma mulher dever ser – suave e doce –
Rionna foi masculinizada nas vestes e na conduta. Ela não era uma moça atraente,
o que intrigava saber que ela desempenhava atividades completamente
inadequadas para uma mulher.
Era algo que ele abordaria imediatamente.

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Um leve distúrbio do ar foi o único aviso que teve antes de se lançar para o
lado. Uma espada atingiu-o de lado, cortando-o através da roupa. A dor queimou
através de seu corpo, mas ele deixou-a de lado assim que pegou sua espada e saiu
correndo. Seus homens acordaram e o ar se encheu com o som da batalha.
Alaric lutou com dois homens, o tinido das espadas estourando em seus
ouvidos. Suas mãos vibraram com os golpes repetidos enquanto ele se defendia e
atacava.
Voltou para a área vigiada por seus homens e quase tropeçou em um deles
que tinha ficado de guarda. Uma flecha se projetava em seu peito, uma prova de
que a emboscada foi furtivamente planejada. Eles estavam em número
extremamente menor e embora Alaric pudesse fazer os soldados McCabe lutarem
contra qualquer pessoa, a qualquer hora, e ter certeza do resultado, sua única
opção era bater retirada para não serem todos abatidos. Simplesmente não havia
chance de ganhar.
Gritou para seus homens pegarem seus cavalos. Então, despachou o homem
a sua frente e lutou para chegar a sua própria montaria. De seu lado, onde foi
ferido, o sangue derramava-se. O cheiro acre subiu e encheu suas narinas. A visão
já se escurecia, e soube que se não chegasse rápido em seu cavalo, ele já era.
Assobiou e seu cavalo surgiu à sua frente como um guerreiro, e Alaric o montou.
Enfraquecido pela perda de sangue, lutou sem a disciplina que Ewan insuflou nele.
Arriscou-se. Foi imprudente. Lutando por sua vida.
Com um rugido, o adversário de Alaric pulou na sua frente. Agarrando sua
espada com ambas as mãos, Alaric balançou. Ele cortou o pescoço do atacante e o
decapitou completamente.
Alaric não teve tempo para saborear a vitória. Havia outro caindo sobre ele.
Com o que restava de suas forças, jogou-se de seu cavalo e o executou.
Ele podia ver o contorno dos corpos enquanto seu cavalo trovejava à
distância e com o sentimento de um náufrago, Alaric sabia que eles não eram o
inimigo. Ele perdeu a maioria, senão todos, dos seus soldados no ataque.
— Casa. – ele ordenou com voz rouca.
Segurou seu ferimento e tentou bravamente permanecer consciente, mas
cada solavanco enquanto o cavalo voava pelo terreno, a visão de Alaric se
esmaecia.
Seu último pensamento antes de perder a consciência foi que precisava
voltar para casa e avisar Ewan. Ele só esperava que a fortaleza McCabe também
não tivesse sido atacada.

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Capítulo Dois
Antes do amanhecer, Keeley McDonald já estava cuidando do fogo e
aprontando-se para o dia. Ela estava indo atrás da casa para buscar madeira,
quando ocorreu o quão ridículo era imaginar que teria um dia cheio de tarefas e
atividades.
Parou quando ao virar a esquina da casa, olhou para o vale que se estendia
vários quilômetros de distância, até o ponto mais alto. A fumaça da fortaleza
McDonald e das casas ao redor subiam como um sussurro e flutuavam
preguiçosamente para o céu.
Ela pensou como era apropriado ter uma visão privilegiada do lugar onde
nunca foi bem-vinda. Sua casa. Seu clã. Não mais. Eles viraram as costas para ela.
Eles não a reconheceram com parente. Ela era um pária. Foi essa a punição? Ser
relegada a uma casa de campo onde sempre se lembraria de sua cidade natal,
perto o suficiente para ver, mas sem permissão para retornar?
No final das contas, supunha que deveria estar agradecida por ter um lugar.
Poderia ser pior. Ela poderia ter sido forçada a deixar sua casa sem nenhum lugar
para ir, ou sem nenhum recurso, ganhando a vida por conta própria.
Apertou os lábios e soltou um rosnado. Foi o julgamento de sua boa
natureza que a debruçou sobre essas questões. Isso só a fez se sentir com raiva e
amarga. Não havia nada que pudesse fazer. Ela não podia mudar o passado. Seu
único arrependimento foi não ter sido capaz de buscar justiça contra o bastardo
McDonald por tudo o que ele tinha feito. E a sua esposa. Ela sabia da verdade.
Keeley viu nos olhos dela, mas a senhora da fortaleza a puniu pelos pecados de
seu marido.

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Catriona McDonald faleceu há quatro anos e Rionna ainda não foi ao
encontro de Keeley. Sua querida amiga de infância não veio buscá-la. Não a
chamou de volta a casa. E Rionna, de todas as pessoas, sabia a verdade.
Keeley suspirou. Era estupidez ficar ali debruçada sobre mágoas do passado
e esperanças frustradas. Era estupidez ter esperança de que com a morte da mãe
de Rionna, Keeley poderia ser recebida de volta no clã.
O barulho de um cavalo fez Keeley girar e ela deixou cair a braçada de
madeira. O cavalo veio em sua direção e parou ao lado de Keeley. O suor brilhava
no pescoço do animal e havia uma selvageria em seus olhos que sugeriam que ele
havia sofrido um susto.
Mas os olhos de Keeley estavam cravados no guerreiro caído sobre a sela e
no sangue que escorria constantemente para o chão.
Antes que ela pudesse reagir, o homem caiu do cavalo com um pesado
baque. Keeley estremeceu. Jesus, isso deve ter doído.
O cavalo dançou de um lado para o outro, deixando o guerreiro deitado aos
pés de Keeley. Ela se abaixou, puxando a túnica dele, enquanto procurava a fonte
de todo o sangue. Quando afastou o tecido em frangalhos, viu um enorme rasgo
na carne, fazendo-a arquejar.
Havia um corte que ia do quadril para logo abaixo do braço. A carne aberta
foi esfolada e a ferida tinha pelo menos um centímetro de profundidade.
Felizmente não era mais profundo, pois certamente teria sido um golpe mortal.
Com certeza seria necessário agulha e linha e muita oração para ele não
sucumbir a uma febre.
Ela passou as mãos ansiosamente sobre seu abdômen definido. Ele era um
guerreiro forte, esguio e musculoso. Havia outras cicatrizes, uma na barriga e
outra no ombro. Elas eram mais antigas e não se pareciam tão graves como sua
lesão atual.
Como ela o levaria para sua casa? Ela olhou para trás, como lábio inferior
preso firmemente entre os dentes. Ele era enorme e não era páreo para uma moça
de seu tamanho. Era preciso muita astúcia para resolver este dilema.
Ela se levantou e correu para sua casa. Tirou a roupa de cama e amassou em
suas mãos. Correu de volta para fora, deixando o lençol se abrir com o vento.
Levou um momento para posicionar o lençol, pois ela ainda teve que colocar
pedras nas pontas, para protegê-lo do vento. Quando terminou, deu a volta e
ficou ao lado do guerreiro, empurrando e rolando o corpo dele sobre o lençol.
Foi como empurrar uma pedra. Ela cerrou os dentes e colocou mais esforço
em cada músculo. Ele se moveu um pouco, mas ainda permanecia em seu lugar.
— Acorde e me ajude!- ela pediu com frustração. – Não posso deixá-lo aqui
fora no frio. É provável que hoje neve e você ainda está sangrando. Você não quer
salvar sua vida?

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Ela o cutucou e como ele não se mexeu, deu-lhe um tapa no rosto com a
palma de sua mão. Ele mexeu-se e franziu o cenho. Um grunhido escapou de seus
lábios que quase a mandou de volta para a segurança de sua casa. Ela fez uma
careta e se inclinou mais perto para que ele pudesse ouvir.
— Você é um teimoso, isso sim, mas verá que eu sou mais ainda. Você não
vencerá esta batalha, guerreiro. É melhor se render agora e me ajudar no meu
esforço.
— Deixe-me em paz. – ele rosnou, sem abrir os olhos – Eu não vou ajudá-la a
levar-me para o inferno.
— Vai ser o inferno se você não parar de ser tão difícil. Agora, mova-se!
Para sua surpresa, ele resmungou, mas rolou quando ela o empurrou.
— Eu sempre soube que havia mulheres no inferno. – ele murmurou – É
muito apropriado que lá elas compliquem tudo como fazem na terra.
— E estou tentada a deixá-lo aqui apodrecendo no frio. – Keeley rosnou. –
Você é um ingrato e suas opiniões são tão deploráveis quanto suas maneiras. Não
é de admirar que ache as mulheres tão repulsivas. Não tenho dúvida de que nunca
foi capaz de chegar perto o suficiente de uma para mudar de opinião.
Para seu espanto, o guerreiro riu e então prontamente gemeu quando a
ação lhe causou dor. A irritação abandonou o rosto de Keeley quando ela viu o
rosto pálido e o suor escorrer pela testa dele. Realmente agonizava e ali estava ela
discutindo com ele.
Balançou a cabeça e depois puxou com as mãos o lençol pelas
extremidades.
— Dai-me força, Deus- ela suplicava. – Eu não tenho nenhuma chance de
arrastá-lo para minha casa sem a sua ajuda.
Ela franziu os lábios, rangeu os dentes e em seguida puxou com toda sua
força. Apenas para ser jogada para trás. Ela quase caiu no chão. Seu guerreiro não
se mexeu nem um milímetro.
— Bem, Deus nunca prometeu a você força extraordinária – ela murmurou –
Talvez Ele só atenda pedidos razoáveis.
Olhou para o problema atrás dela e depois para o cavalo do guerreiro que
estava a poucos metros mastigando grama. Com um suspiro descontente, ela
marchou para o cavalo e agarrou as rédeas. No começo, ele se recusou a ceder,
mas ela plantou seus pés e persuadiu o monstruoso animal a obedecê-la.
— Você não tem lealdade? – ela acusou – Seu senhor está deitado no chão,
gravemente ferido e tudo o que pode pensar é em sua barriga?
O cavalo não parecia impressionado com o discurso, mas finalmente foi em
direção ao guerreiro caído. Inclinou o focinho para baixo e roçou o pescoço de seu
senhor, mas Keeley o puxou para trás. Se ela conseguisse prender as
extremidades do lençol na sela do cavalo, então ele poderia puxá-lo para a casa.

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Não que ela quisesse um animal sujo e malcheiroso em sua casa, porém, no
momento, não viu alternativa. Levou vários minutos para resolver, mas era um
plano viável.
Depois de prender o lençol e se assegurar de que o guerreiro não rolaria
para fora, ela pediu ao cavalo para seguir em direção à casa. Para sua alegria,
funcionou. O cavalo arrastou o guerreiro ao longo da terra. Levaria uma semana
para limpar a sujeira da roupa de cama, mas pelo menos o homem estava sendo
movido. O cavalo trotou até sua casa. Mal havia espaço para manobrar em torno
do animal e do guerreiro. Eles encheram o minúsculo interior da casa.
Ela rapidamente desamarrou as extremidades do lenços e em seguida
tentou levar o cavalo para fora. O animal, teimoso, decidiu que gostou do interior
da casa. Demorou meia hora para movê-lo para fora. Quando ela finalmente
conseguiu, fechou a porta e inclinou-se fortemente contra ela. Precisava se
lembrar da próxima vez que as boas ações nem sempre são recompensadas.
Estava exausta com seus esforços, mas seu guerreiro precisava de cuidados para
sobreviver.
Seu guerreiro? Ela bufou. Ele é um pé no saco, isso sim. Não era hora de um
entretenimento estúpido, de pensamentos fantasiosos. Se ele morresse, ela
provavelmente seria responsabilizada.
Após uma inspeção mais próxima, percebeu que ele obviamente não era um
McDonald. Ela franziu o cenho. Seria um inimigo dos McDonalds? Não que
devesse sua lealdade, mas ela era uma McDonald também e sendo assim, os
inimigos era dela também. Poderia estar salvando a vida de um homem que
representava uma ameaça para ela?
— Lá vai você de novo, Keeley. – ela murmurou
Suas fantasias muitas vezes a levaram drasticamente para o absurdo. Os
contos que lhe passavam pela cabeça fariam um bardo se sentir chato.
Ela não conhecia as cores que ele usava, mas nunca tinha se afastado das
terras de sua família em toda a sua vida. Não tinha esperança de levá-lo até sua
cama, então resolveu trazer sua cama até ele.
Organizou os cobertores e travesseiros em torno dele para que se sentisse
mais confortável e depois acrescentou madeira no fogo que já estava morrendo.
Logo, o frio abandonava a sala.
Em seguida, ela reuniu seus suprimentos e agradeceu por ter viajado à aldeia
vizinha há poucos dias para reabastecer sua despensa. Conseguiu juntar quase
tudo o que precisava. Graças ao bom Deus, tinha um excelente dom para cura,
porque era tudo o que a tinha feito no último ano.
Os McDonalds foram rápidos o suficiente para expulsá-la do clã, mas não
tiveram pudores em procurá-la quando um deles precisava de cura. Não era

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incomum para ela costurar um guerreiro McDonald depois de um acidente no
treino ou a cabeça de um pequenino, depois cair de uma escada.
McDonald tinha sua própria curandeira, mas ela estava envelhecendo e sua
mão já não era estável para costurar. Falavam que ela fazia mais mal do que bem
ao colocar a agulha na carne.
Se Keeley tivesse um espírito mesquinho, ela os trataria da mesma forma
como eles a trataram, mas as moedas ocasionais que eles lhe davam por seus
serviços colocavam comida na mesa quando a caça era magra e lhe permitia
comprar suprimentos que não poderia obter sozinha.
Ela amassava ervas mistas e folhas, acrescentando água suficiente para
fazer uma pasta. Assim que ficou satisfeita com a consistência, deixou-a de lado e
começou a preparar ataduras de um linho que guardava para tais emergências.
Quando tudo estava em ordem, voltou para seu guerreiro e se ajoelho ao
seu lado. Ele não tinha recuperado a consciência desde que foi arrastado para a
cama. E estava grata por isso. A última coisa que precisava era de um homem duas
vezes seu tamanho se tornando agressivo.
Ela mergulhou um pano em uma tigela de água e suavemente começou a
limpar a ferida. O sangue fresco escorria do machucado enquanto ela tirava a
crosta seca. Era meticulosa em sua tarefa, não querendo deixar uma partícula de
sujeira na ferida quando se fechar.
Era um ferimento irregular e que deixaria uma cicatriz grande, mas não era
nada que o mataria se ele não tiver febre.
Depois de estar convencida de que ele estava limpo, ela apertou a carne
novamente e pegou a agulha. Prendeu a respiração no momento em que espetou
a agulha na primeira vez, mas o guerreiro continuava a dormir, então rapidamente
fez os pontos, certificando-se de que estavam bem apertados e juntos.
Ela trabalhou para baixo, pairando sobre ele e seus olhos doíam de tensão.
Calculou que a ferida devia ter pelo menos oito centímetros de comprimento.
Talvez dez. De qualquer forma, sentiria dor se ele se movesse nos próximos dias.
Quando ela fez o último ponto, sentou-se e suspirou de alívio. A parte mais
difícil tinha acabado. Agora precisava cobri-lo de bandagens e segurá-lo no lugar.
Assim que terminou sua queda de braço com o guerreiro, sentiu-se exausta. Tirou
os cabelos de seus olhos e foi se lavar e esticar suas pernas que doíam. O interior
tinha ficado abafado e ela saudou o ar fresco do lado de fora. Caminhou até o
riacho borbulhante, não muito longe de sua casa e se ajoelhou na margem para
beber água com suas mãos.
Ela encheu uma bacia com água doce e voltou para casa. Então, lavou a
ferida mais uma vez antes de aplicar uma grossa camada de cataplasma sobre a
carne suturada. Dobrou várias tiras de tecido para fazer uma bandagem.

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Segurando-o pelo seu lado e desajeitadamente enrolou as tiras ao redor da cintura
para segurar a bandagem no lugar.
Se ao menos pudesse sentá-lo, teria tornado sua tarefa mais fácil. Como
percebeu que não conseguiria levantá-lo para a posição sentada, ela puxou a
cabeça e em seguida, colocou seu corpo inteiro atrás dele para empurrar para
cima.
Ele caiu par frente e mais sangue infiltrou seus pontos. Trabalhando
rapidamente, ela enrolou firmemente as tiras em torno de sua barriga até que
esteve convencida de que tudo iria ficar no lugar. Então, suavemente deitou-o de
volta até que a cabeça repousou sobre uma almofada pequena. Ela alisou o cabelo
da testa e tocou a trança que pendia da têmpora dele.
Atraída pela beleza de seu rosto, ela passou o dedo sobre sua bochecha e
queixo. Ele era realmente um homem bonito. Perfeitamente formado e moldado.
Um guerreiro forte, forjado para as batalhas.
Ela se perguntou sobre a cor de seus olhos. Azul, especulou. Com esse
cabelo escuro, azul seria fascinante, mas era provável que eles fossem castanhos.
Como se quisesse responder à pergunta dela, ele abriu sua pálpebras. Seu
olhar estava desfocado, mas ela ficou hipnotizada pelas órbitas verdes rodeadas
por cílios escuros que só aumentavam sua graciosidade.
Graciosidade. Com certeza ela precisava encontrar um termo melhor. Ele se
sentiria mortalmente ofendido por uma mulher referindo-se a ele como gracioso.
Atraente. Sim. Mas atraente ainda era pouco para descrever o guerreiro.
— Anjo – ele resmungou – Eu cheguei ao céu, não é? É a única explicação
para uma beleza como esta.
Sentiu uma picada de prazer até que se lembrou que no começo ele estava
comparando-a com o inferno. Com um suspiro, ela alisou a mão sobre o queixo
com barba por fazer do guerreiro. Sentiu o atrito dos pêlos na palma da mão e se
perguntou como seria sentir outras partes do corpo dele.
Então, prontamente corou e expulsou de sua mente esses pensamentos
pecaminosos.
— Não guerreiro. Aqui não é o céu. Você ainda é deste mundo, embora
possa estar se sentindo como se tivesse sido tomado pelo fogo do inferno.
—Não é possível um anjo como você morar nas entranhas do inferno. –
disse ele com um voz arrastada.
Ela sorriu e acariciou novamente o rosto dele com a palma da mão. Virou-se
e o aninhou em suas mãos, enquanto ele fechava os olhos com uma expressão de
prazer.
—Durma agora, guerreiro. – sussurrou. – Tenha fé que você vai se recuperar.
— Não me deixe, moça – ele murmurou.
— Não guerreiro. Eu não o deixarei.

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Capítulo Três
Alaric percebeu a dor que queimava no seu lado ficando mais forte a cada
segundo que ele ficava consciente. Doía tanto que ele se moveu na tentativa de
aliviar a tensão insuportável.
— Fique quieto, guerreiro, para não soltar os pontos.
A voz doce era acompanhada por mãos suaves que aquecia sua pele já muito
quente. O calor era insuportável, ainda assim ele ficou imóvel, não querendo que o
anjo parasse de tocá-lo. Esta era a única imagem que tinha. Como poderia ficar em
cima do fogo do inferno e sentir os prazeres de um anjo, ele não sabia. Talvez
estivesse entre os dois mundos e ainda não se decidiu por qual direção seguir.
— Tenho sede – ele resmungou, passando a língua pelo lábios secos e
rachados, desejando o bálsamo da água.
— Sim, mas só um pouquinho. Não quero que vomite em todo o chão. –
disse o anjo.
Ela enfiou o braço por debaixo do pescoço e levantou a cabeça. Ele se
envergonhou por se sentir tão fraco quanto um gatinho recém nascido. Se não
fosse pelo pulso firme que o segurava, ele seria incapaz de levantar-se.
Um copo foi pressionado contra seus lábios e ele bebeu avidamente, quase
inspirando a água fresca. A forma fria e refrescante foi um choque para ele, que
arrepiou o corpo inteiro. O contraste era doloroso. Gelo para o fogo que queimava
sobre sua carne.
— Pronto. –acalmou o anjo. – Isso é suficiente por enquanto. Eu sei que
você sofre. Prepararei uma infusão para a dor e que vai ajudá-lo a dormir um
pouco melhor.
Mas ele não queria dormir. Queria permanecer nos braços dela, aninhado
nos seus seios. Eram seios agradáveis. Macios e cheios, como devem ser os seios
de uma mulher. Ele se virou, se aninhando em sua suavidade. Inalou o doce
perfume dela e sentiu o fogo do inferno retroceder. A paz o rodeava. Ah. Ele deu
um passo em direção ao céu, com certeza.
— Diga-me seu nome. – ele ordenou. Será que anjos têm nomes?
— Keeley, guerreiro. Meu nome é Keeley. Silêncio agora. Você deve
descansar para recuperar suas forças. Não trabalhei duramente para você ser
teimoso e morrer em meu colo.
Não, ele não iria morrer. Havia coisas importantes que devia fazer, embora
naquele momento sua mente não conseguia entender exatamente o que era.
Talvez ela estivesse certa. Deveria descansar por enquanto. Quem sabe se
na próxima vez que acordasse, saberia o que fazer.

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Respirou profundamente de novo e deixou-se ficar mole. Estava vagamente
consciente de seu anjo, baixando a cabeça. Ele respirou uma ultima vez,
absorvendo o cheiro dela. Foi como beber o mais doce dos vinhos. Um quente e
suave burburinho corria em suas veias e o embalava. Ele parou de lutar. Seu anjo
não lhe permitiria morrer.
— Não, guerreiro. Não vou permitir que morra.
Lábios macios roçaram demoradamente sobre a testa. Ele virou o rosto,
desejando sua boca contra a dela. Pensou que morreria se não a beijasse.
Houve uma hesitação, que sentiu como uma eternidade, antes de
finalmente sentir a boca de seu anjo tocar a dele. Apenas um gesto simples e
inocente como o de uma criança. Ele rosnou. Porra, ele queria mais que um
simples beijo.
— Beije-me, meu anjo.
Ele sentiu mais que ouviu o som da respiração dela, mas então a respiração
vibrou contra sua boca. O sopro de ar sinalizou que ela estava perto. Tão perto.
Isso lhe tirou toda a sua força, mas levantou o braço e mergulhou a mão no
cabelo dela, segurando-a pela nuca para prendê-la. Ele levantou a cabeça e seus
lábios se encontraram em um quente beijo sem fôlego.
Deus, ela era doce. Seu gosto encheu-lhe a boca, deslizando a língua como
em mel liso. Ele empurrou com impaciência em seus lábios, exigido que ela se
abrisse para ele. Com um suspiro, ela deu o que ele pedia. Seus lábios se
separaram e ele mergulhou em seu interior, investigando e degustando cada parte
de sua boca. Sim, ali era o céu, porque se fosse o inferno, não havia um homem em
toda a Escócia que já tivesse trilhado o caminho da justiça.
Sua força se foi e ele caiu para trás, batendo a cabeça no travesseiro com um
baque.
— Você se sobrecarregou, guerreiro. – ela repreendeu com voz rouca.
— Mas valeu a pena. – ele sussurrou.
Ele pensou que ela sorriu, mas a sala estava tão turva ao seu redor que não
teve certeza. Vagamente sentiu que ela se afastava, mas não tinha forças para
protestar. Um momento depois, ela voltou a colocar o copo em seus lábios outra
vez.
A bebida tinha um gosto amargo e ele tossiu, mas ela não desistiu.
Derramou o liquido na boca até que ele não tivesse escolha a não ser engolir ou
engasgar. Quando terminou, abaixou a cabeça dele sobre o travesseiro e passou
os dedos sobre a testa.
— Durma agora, guerreiro.
— Fique comigo, meu anjo. Acho que não dói tanto quando você está por
perto.

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Houve um ligeiro sussurro e ela se deitou no seu lado não lesionado, seu
corpo macio e tão quente, um escudo contra o frio que tomava conta dele a cada
momento que passava.
O perfume dela o rodeava. A sensação de seu corpo contra o dele acalmou o
fogo selvagem. Respirou mais fácil, pois a paz o envolveu. Sim, ela era seu próprio
anjo, vindo para protegê-lo dos portões do inferno.
Apenas no caso de ela pensar em deixá-lo, ele passou o braço em volta dela,
apertando-a mais ao seu lado. Virou a cabeça para o lado até que o cabelo dela fez
cócegas em seu nariz. Ele inspirou profundamente e deixou a escuridão rastejar
sobre ele.
Keeley estava em uma situação difícil. Sim, ela estava presa contra o seu
guerreiro, seu braço como uma corda de aço em torno de sua cintura. Ficou por lá
horas e horas, esperando ele cair no sono para se soltar, mas ela estava colada
nele.
Podia sentir cada tremor de seu corpo. Toda vez que ele estremecia de frio
de sua febre. Várias vezes ele murmurou em seu sono e ela passava a mão sobre
seu peito para acalmá-lo.
Ela sussurrava palavras sem sentindo, com voz baixa, para confortá-lo. Cada
vez que falava, ele parecia ficar relaxado. Ela aninhou a cabeça no braço dele e
descansou seu rosto no peito do guerreiro. Era pecaminoso o prazer que sentiu ao
deitar-se nele, mas não havia ninguém para vê-la e, certamente, Deus iria perdoá-la
se ela conseguisse salvar a vida do guerreiro.
Olhou para a janela com uma careta. O crepúsculo caía sobre eles e o frio
aumentava a cada minuto. Ela precisava levantar-se para cobrir a janela e atiçar o
fogo para tornar a noite mais quente. Havia também a questão do cavalo do
guerreiro, se o animal não tivesse ido embora. Poucas coisas poderiam tornar um
homem mais zangado que descuidar de seu cavalo. Depois, ele poderia perdoá-la
por negligenciar seus ferimentos do que negligenciar seu cavalo. Afinal, os
homens tinham prioridades.
Com um suspiro de arrependimento, ela começou a desembaraçar-se das
garras do guerreiro. Não foi uma tarefa simples, porque ele parecia determinado a
não deixá-la sair. Ele franziu a testa durante o sono e até murmurou algumas
palavras que a deixou corada. Mas no final, ela venceu e conseguiu escapar do
braço dele e rolou para fora.
Esforçou-se sobre seus pés e esticou seus músculos rígidos, antes de ir para
a janela e fechá-la. O vento assobiava através do teto de palha. Se não nevasse em
breve, ela ficaria surpresa. Depois de buscar um xale e envolvê-lo ao seu redor,
saiu e olhou para o cavalo. Para sua surpresa, ele estava logo abaixo da janela,
como se estivesse verificando seu senhor.
Ela acariciou seu pescoço.

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— Não tenho dúvidas que você está mais acostumado a cuidar dele que eu,
mas na verdade, não tenho lugar para abrigar você. Pense em como enfrentará a
noite aqui fora?
O cavalo bufou e balançou a cabeça para cima e para baixo, soprando o ar
quente para fora de suas narinas. Era um animal enorme e com certeza ele se
envolveu em coisa piores no passado. Mas, de qualquer forma, ela não poderia
acolher o animal em sua casa.
Com um último carinho, ela deixou o cavalo e foi buscar mais lenha para o
fogo. Sua pilha foi diminuindo e de manhã ela precisaria cortar mais um pouco se
fosse manter o fogo em chamas. Estremeceu quando o vento uivava sobre ela,
que pegou as pontas do xale e puxou-as, como se tentando barrar o frio. Correu
para dentro empilhando a madeira ao lado da lareira. Depois de se certificar se a
porta e a janela estavam fechadas, acrescentou mais lenha no foto e cutucou até
que as brasas se acenderam.
Seu estômago roncou, lembrando que ela não tinha comido desde o
desjejum da manhã. Pegando um pedaço de peixe salgado e sobras de pão,
sentou-se com as pernas cruzadas ao lado do guerreiro adormecido e comeu com
o calor do fogo.
Enquanto mastigava distraidamente, olhou para o rosto dele, iluminado pelo
brilho laranja das chamas. Sempre fantasiosa, sua mente começou a pintar
imagens. Imagens agradáveis. Ela suspirou enquanto imaginava pertencer aquele
homem. Os dois comendo juntos depois de um dia duro. Ou talvez recebendo-o
em casa depois de uma batalha feroz. Ele, naturalmente, seria vitorioso e ela daria
uma recepção de herói.
Ele ficaria feliz em vê-la. Ele a levantaria nos braços e a beijaria até deixá-la
sem fôlego. Diria que sentia saudade dela e que pensou nela durante toda a sua
ausência.
Um leve sorriso provocado por memórias distantes fez seu peito
doer.Quando crianças, ela e Rionna sonhavam acordadas sobre o dia em que se
casariam com seus guerreiros. Este sonho foi cruelmente arrancado de Keeley e a
amizade que tanto significou para ela foi deixado de lado.
Havia poucas chances de Keeley se casar. Ela era um tabu para o clã
McDonald e Keeley nunca havia viajado para além de sua casa. Ainda assim, um
belo guerreiro caindo em sua porta devia ser um sinal, certo? Talvez esta fosse sua
única chance. Ou talvez ele estivesse apenas alimentando suas fantasias até ser
suficiente e partir de novo. Seja qual for o caso, Keeley decidiu que desfrutaria de
seus sonhos. Mesmo que fossem tolos e um desperdício de tempo. Às vezes, os
sonhos eram tudo o que a sustentava.
Ela sorriu novamente. Ele a chamou de anjo. Ele a achou linda. Ah, mas a
mente dele estava obscurecida pela febre. Tocou os lábios com os dedos, ainda

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capaz de sentir o formigamento provocado pelo calor de seu beijo. Era verdade
que ela não fez nenhum esforço para evitar sua afeição, e talvez isso faça dela uma
prostituta como os McDonalds a haviam estigmatizado. Mas se recusava a sentir
culpa. Não havia ninguém que pensasse bem dela, mesmo. Então, não era isso que
faria sua estima cair mais ainda.
Posto desta forma, ela não se sentia tão pecaminosa. Um sorriso malicioso
ampliou sua boca. Quem saberia, afinal? Alguns beijos roubados e uma cabeça
cheia de sonhos de menina não fariam mal a ninguém. Ela estava cansada de
sempre dizer a si mesma para deixar de lado suas tolas noções de amor. Cumpriria
seu dever e traria o guerreiro de volta à saúde. E se ele resolvesse roubar um dois
beijos durante o processo...
Enxugando as mãos nas saias, olhou para o guerreiro adormecido e depois
decidiu que a melhor maneira de monitorar sua condição era deitar-se exatamente
onde estava antes.
Gentilmente moveu o braço dele e se arrastou contra o seu lado.
Imediatamente o braço dele a prendeu pela cintura e ele virou a cabeça como se
estivesse procurando por ela. Ela se sentiu quente quando ele murmurou Anjo.
Ela sorriu e se aconchegou um pouco mais perto de seu calor.
— Sim. – ela sussurrou – Seu anjo está de volta.

Capítulo Quatro
Com que rapidez o anjo se tornou o diabo. Como a febre do guerreiro durou
o dia seguinte inteiro, ele alternava, ora xingando Keeley como a serva do diabo
enviada para arrastá-la para as entranhas do inferno, ora acreditando que ela era o
mais doce dos anjos.
Ela estava exausta e nunca tinha certeza se de um momento para o outro
ele tentaria beijá-la ou expulsá-la de seu lado. Só podia dar graças a Deus que ele
estivesse tão enfraquecidos de sua lesão e da febre que não era capaz de fazer
muito mais do agitar seus braços para ela.
Ela se sentia mal por ele. Realmente sentia. Acalmou-o. Enxugou sua testa.
Murmurou mais e mais, acariciando seus cabelos e beijando-o, pressionando
contra sua testa. Ele gostava dos beijos.
Certa vez ele mudou sua boca para cima e pegou a dela em um beijo quente,
sensual, que roubou o fôlego completamente. O homem tinha um apetite para
amar, porque quando não estava xingando, passava o tempo todo tentando beijá-
la.

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Para sua vergonha, não tentava dissuadi-lo. Afinal, ele era um homem muito
doente. Essa foi a desculpa que usou e ela se recusou a aceitar qualquer outra
razão par a sua tolerância de suas afeições.
Quando a tarde caiu, ela separou um pouco de caldo do cozido de carne de
veado que preparou. Ficou feliz quando alguém agradecido por sua cura deixou
metade de uma carcaça de veado em sua porta. Seria alimento para vários dias.
Carregando o caldo em um copo rachado, ajoelhou-se ao lado do guerreiro e
com dificuldade conseguiu que ele tomasse um gole do liquido quente.
Felizmente ele não estava em um estado de espírito combativo e a olhava
como o mais doce dos anjos. Tomou um gole como se fosse ambrosia oferecida
pelo próprio Deus.
Quase derramou o caldo sobre o queixo dele quando uma batida soou na
porta. O medo apoderou-se de seu estômago quando ela olhou rapidamente ao
redor, para de alguma forma esconder o guerreiro. Esconder um homem? Ele
tomava um quarto inteiro.
Ela deixou o copo de lado e colocou uma mão suave na testa do guerreiro,
esperando que ele não escolhesse esse momento para começar a murmurar
blasfêmias. Então, levantou-se e correu em direção à porta.
Abriu apenas uma fresta e olhou para fora. Era quase pôr do sol. O sol estava
pouco visível ao longo da montanha distante. Ela estremeceu quando o vento frio
soprou sobre ela.
Respirou um pouco mais aliviada quando viu que era simplesmente um dos
vizinhos. Isto é, até que ela se lembrou no enorme cavalo do guerreiro que estava
ao lado de sua residência.
Ela sorriu e olhou para os lados, franzindo o cenho quando não viu nem sinal
do animal. Onde tinha ido a besta. O guerreiro, com certeza, não ficaria satisfeito
se perdesse um animal como aquele.
— Lamento incomodar você, Keeley, um dia tão frio como este. – Jane
McNab começou.
Keeley voltou sua atenção para Jane e forçou um sorriso nos lábios.
— Não é incômodo nenhum. Só peço que mantenha distância. Acho que
estou doente e não quero que você seja infestada.
Os olhos da outra mulher se arregalaram e ela deu um passo apressado para
trás. Pelo menos agora ela não esperaria que Keeley a convidasse a entrar.
— Eu gostaria de saber se você tem algum remédio para o peito de Angus.
Ele está com uma tosse feroz. Acontece a cada vez que há uma virada no clima.
— É claro. – Keeley afirmou – Eu fiz um novo lote apenas dois dias atrás.
Espere aqui e vou buscá-lo.
Ela correu para dentro e remexeu no canto onde guardava suas misturas e
poções. Tinha feito um suprimento extra do xarope porque ela tinha vários

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freqüentadores que sofriam da mesma aflição de Angus. Usando dos copos
rachados, colocou o suficiente da mistura para durar uma semana e depois o levou
para onde Jane estremecia de frio.
—Obrigada, Keeley. Rezarei para que você melhore em breve. – disse Jane.
Ela pressionou uma moeda na palma de Keeley antes que esta pudesse protestar.
Então, virou-se e correu.
Encolhendo os ombros, Keeley voltou para dentro e guardou a moeda no
pedaço de linho junto com seus escassos fundos. Com o inverno chegando,
precisaria de todas as moedas que podia juntar para quando a despensa da casa
ficasse quase vazia.
Seu guerreiro estava quieto e parecia estar descansando, mesmo que
irregularmente. Ele se contorceu agitado durante o sono, mas deixou de lado suas
alucinações. Ela soltou um suspiro de alívio.
E nem precisou fingir que os olhos estavam cansados e meio doentes para
convencer Jane. Ela estava exausta. Provavelmente parecia à beira da morte. Daria
qualquer coisa por uma noite repousante.
Ajoelhou-se ao lado do guerreiro e colocou sua mão sobre a testa. Ele
estremeceu e seus músculos ficaram tensos como se tentasse espantar o frio.
Ela olhou para a lareira e soube que teria que se aventurar mais uma vez
para reabastecer o estoque de madeira para a noite. O vento já uivava por sua
janela, eriçando sua pele. Sabendo que era melhor fazer isso logo para que
pudesse passar o resto da noite no calor de sua casa, puxou com força o xale ao
redor dela e aventurou-se para coletar outra braçada de lenha.
Quando voltou, o xale estava rasgado e ela sentia o vento. Entrou e jogou a
madeira no chão junto à lareira, e começou a alimentar o fogo até as chamas
lamberem o alto da chaminé.
Ela estava com fome, mas estava demasiadamente cansada para comer.
Tudo o que queria era deitar e fechar os olhos. Examinou o guerreiro adormecido
e ponderou a possibilidade de dar-lhe algum sonífero. Ficar se debatendo não
seria bom para sua lesão, e nenhum dos dois havia descansado o suficiente
enquanto ele agonizava em torno de Deus sabe que tipo de ilusões.
Desejando deitar-se em sua cama esta noite, ela misturou uma dose do
medicamento e ajoelhou-se ao lado, envolvendo seu braço por baixo do pescoço
do guerreiro. Levantou-o e segurou o copo no lábios dele.
— Beba agora – disse com uma voz suave – Isto irá ajudá-lo por esta noite.
Você precisa de um sono tranqüilo. E eu também.
Ele bebeu docilmente, fazendo careta apenas no último gole. Suspirando,
ela o deitou de volta, cobriu-o com uma pele para mantê-lo aquecido e então se
colocou ao seu lado, com a cabeça apoiada em seu braço.

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As acomodações não eram as mais recatadas. Se alguém os visse, ficaria
escandalizado e ela seria rotulada de prostituta novamente. Mas ninguém estava
ali para julgá-la e ela estava pouco se importando pelo que acontecia sob seu teto.
Cedeu sua cama para o guerreiro. O mínimo que podia fazer era partilhar seu calor
corporal.
Um pouco dos tremores diminuíram enquanto ela se apertava ao corpo
dele. Ele até suspirou de contentamento e virou cegamente, deslizando seu braço
pela sua cintura. Ele passou a mão pelas costas dela até descansar nas omoplatas.
Então, simplesmente se enfiou no calor do corpo dela e a puxou para junto dele.
Era como estar cercada de fogo ardente. O calor penetrou em sua carne até
seus músculos estarem aquecidos. Ela teve o cuidado de não tocá-lo em seu lado,
embora desejasse lançar seu próprio braço possessivamente sobre ele quanto
este a segurava. Contentou-se em sentir as batidas do coração contra a palma da
mão.
— Você é um homem bonito, guerreiro. – ela sussurrou – Eu não sei de onde
você vem, se você é amigo ou inimigo, mas você é o homem mais bonito que eu já
encontrei.
Quando ela mergulhou em um sono feliz, o calor a envolvendo como um
cobertor, o guerreiro sorriu na escuridão.

Capítulo Cinco
Uma incomoda ponta escorregou sobre a pele de Keeley momentos antes
de ela abrir os olhos. Ela ofegou e teria gritado se uma grande mão não prendesse
sua boca. O terror a varreu quando viu guerreiros reunidos ao redor de onde ela e
o guerreiro ferido estavam deitados. Eles não pareciam nada satisfeitos. Usavam
ferozes carrancas e ela registrou que dois deles tinham uma notável semelhança
com o seu guerreiro.
Não teve tempo de ver mais nada porque foi colocada em pé por um dos
homens empunhando uma espada e que facilmente poderia quebrá-la em duas.
Estava prestes a fazer perguntas sobre quem eram eles quando o guerreiro
olhou-a tão ferozmente que ela prontamente engoliu em seco e manteve os lábios
fechados. Parecia que ele mesmo estava em dúvida.
— Quem é você e o que fez com ele? – ele exigiu saber, apontando para
onde seu guerreiro estava deitando.
Ela ficou boquiaberta, incapaz de chamar de volta seu suspiro de indignação.
— Não! Eu não fiz nada, bom senhor. Bem, exceto salvar sua vida, mas
suponho que isso é insignificante.

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O olhar dele se estreitou e a apertou mais ainda, segurando o braço dela até
que ela deu um pequeno grito de dor.
— Deixe-a em paz, Caelen, - o que parecia ser o líder gritou.
Caelen fez uma careta, mas a afastou e a empurrou até que ela esbarrou no
peito de outro homem. Ela se virou, pretendendo fugir, mas o outro homem fez
como Caelen e agarrou seu braço, porém com mais suavidade.
O líder se ajoelhou ao lado do guerreiro adormecido e a preocupação
escureceu suas feições. Ele passou a palma da mão sobre a testa febril e em
seguida sobre o peito e ombros, em busca da origem de seu mal.
— Alaric – ele gritou, sua voz era suficiente para acordar os mortos.
Alaric? Era um bom nome para um guerreiro. Mas Alaric não reagiu. O
homem ajoelhado sobre ele voltou seu olhar preocupado para Keeley e então seus
olhos verdes, tão parecidos como os de Alaric, tornaram-se frios e tempestuosos.
— O que aconteceu aqui? Por que ele não acorda?
Ela se virou e olhou incisivamente para o guerreiro que segurava seu braço e
baixou o olhar para a mão que prendia seu braço, até que ele entendeu o recado e
soltou-a. Ela correu para onde estava Alaric, determinada a quem quer que fosse
aquele homem, não deixaria incomodar Alaric, enquanto ele estivesse com febre.
— Uma febre o tomou. – disse ela, com voz rouca, tentando afastar o medo
que a rodeava, assim como os homens que a cercava.
— Isso eu mesmo posso perceber – o guerreiro rosnou – O que aconteceu?
Keeley começou a afastar a túnica de Alaric onde ela o costurou. O som de
várias respirações profundas tomaram a sala e Caelen, que antes tinha apertado o
braço dela até quase parti-lo, avançou sobre Alaric e olhou para a ferida suturada.
— Eu não sei o que aconteceu – disse ela – Seu cavalo o trouxe aqui e ele
caiu no chão, na minha porta. Usei toda a minha inteligência para trazê-lo aqui
para que pudesse cuidar de suas feridas. Foi um corte feio. Costurei-o da melhor
maneira que pude, cuidei dele e o mantive aquecido desde então.
— Ela fez um bom trabalho. – disse Caelen a contragosto.
Keeley se encrespou, mas segurou a língua. O que ela gostaria de fazer era
dar-lhe um chute na bunda. Seu braço ainda doía onde ele a apertou.
— Sim, ela fez. – o líder disse suavemente. – Eu só gostaria de saber o que
aconteceu para ele chegar tão gravemente ferido.
Ele virou seu olhar, procurando o de Keeley, sondando, como se avaliasse se
ela estava sendo sincera.
— Se eu soubesse, eu diria a você. – ela resmungou. – É uma vergonha. Ele
deve ter sofrido uma emboscada e lutaram de forma injusta. Ele parece apto para
lidar sozinho em uma luta.
Os olhos do líder brilharam por um momento e ela jurou que ele quase
sorriu.

23
— Eu sou Laird McCabe e Alaric é meu irmão.
Keeley olhou para baixo e fez uma reverência desajeitada. Ele não era seu
laird, mas ainda assim, um homem de sua posição merecia respeito, e não era
como se o seu laird fosse um homem que o merecesse.
— Com quem eu falo? – perguntou ele, impaciente.
— Keeley, - ela gaguejou – Keeley... Apenas Keeley. De qualquer forma, os
McDonalds não a reconheciam como parente há muito tempo.
— Bem, apenas Keeley. Ao que parece, devo a vida do meu irmão a você.
Seu rosto se apertou enquanto o calor o esquentava. Ela se mexeu
desconfortavelmente, não acostumada a elogios.
Laird McCabe começou a emitir ordens a seus homens sobre como
transportar Alaric de volta para suas terras. Sim, ela sabia que eles o queriam de
volta à sua casa, mas sentiu uma profunda tristeza por saber que seu guerreiro
deixaria de ocupar seu lar.
— Seu estúpido cavalo fugiu. – ela desabafou, não querendo ser culpada por
não cuidar bem do corcel. – Eu fiz o que pude.
Mais uma vez algo parecido com um sorriso cintilou sobre as feições de Laird
McCabe.
— Aquele cavalo estúpido nos alertou que Alaric estava com problemas. –
ele disse secamente.
Ela escutou impassível enquanto faziam planos para a partida imediata e
quase não escutou eles a mencionarem. Não, lá estava. Uma clara indicação para
ela. Ela virou-se, boquiaberta diante de Caelen, que obviamente era o outro irmão
McCabe. Ele se parecia muito com Alaric, mas, para ser honesta, Alaric era muito
mais agradável de olhar. Caelen franziu a testa tão ferozmente que ela não
poderia imaginar uma mulher que gostaria de chegar perto daquele homem.
— Eu não vou com você. – ela protestou, certa de que ouviu errado.
Caelen não respondeu, nem se impressionou com sua ira. Ele simplesmente
agarrou-a, jogou-a por cima dos ombros e começou a andar para fora da casa. Em
sua indignação, ela estava momentaneamente atordoada. Muda e imóvel.
Enquanto ele se dirigia ao seu cavalo, ela compreendeu seu propósito e começou a
chutar e lutar.
Em vez de forçá-la em seu cavalo, ele prontamente deixou-a cair no chão e
olhou para ela com um olhar de aborrecimento absoluto.
— Isso dói – ela disse, olhando para o guerreiro.
Caelen revirou os olhos.
— Você tem duas escolhas. Pode levantar do chão e vir de boa vontade. Ou
posso amarrá-la, de preferência com uma mordaça, e jogá-la sobre a minha sela.

24
— Eu não posso simplesmente sair! Por que, por tudo o que é sagrado,
vocês me querem? Eu não fiz nada contra seu irmão. Salvei a vida dele. Onde está
a sua gratidão? Há pessoas que dependem de meu dom de cura aqui.
— Precisamos muito mais de uma curandeira em McCabe. – Caelen
calmamente explicou. – Você fez um bom trabalho em meu irmão e o manteve
vivo. Vai continuar a fazer isso nas terras McCabe.
Ela o olhou diretamente em seus olhos, embora tivesse que levantar o
pescoço para fazê-lo.
— Eu não irei com você. – cruzou o braço sobre o peito teimosamente para
dar ênfase.
— Bem...
Ele a arrancou do chão e caminhou até onde um de seus homens já estava
montado. Sem nenhum aviso, jogou-a para outro guerreiro.
Caelen olhou para ela.
— Está feliz agora? Você pode montar com Gannon.
Gannon não parecia satisfeito com a tarefa. Ela fez uma careta de
descontentamento que dizia para Caelen o que exatamente pensava dele.
— Eu não gosto de você. É um cafajeste completo.
Ele deu de ombros, mostrando- lhe claramente que não se importava se ela
gostava ou não dele. Mas podia jurar que ouviu dizer “bom” baixinho quando se
afastou para ver Alaric.
— Precisa ter cuidado para não rasgar seus pontos. – ela gritou.
Ela se jogou para frente e Gannon a segurou cuidadosamente ao redor de
sua cintura para impedi-la de cair.
— É uma boa ideia você ficar parada. – sugeriu – Será um longo caminho
neste terreno para uma moça tão pequena como você.
— Não tenho nenhum desejo de partir. – ela protestou.
Gannon encolheu os ombros.
— O laird decidiu levá-la. É melhor você aceitar de bom grado. Os McCabe
são um bom clã. E nós precisamos de uma curandeira, desde que a nossa morreu
apenas algumas semanas atrás.
Ela estreitou o olhar e estava quase dizendo ao homem que não poderia
simplesmente sair por aí raptando as pessoas, mas controlou as palavras e se
aquietou.
Ele pareceu relaxar e ela sentiu um suspiro de alívio em seu peito. Um clã.
Uma posição em um clã. Era realmente tão simples assim? Ela franziu a testa.
Pertenceria ao clã McCabe ou seria uma prisioneira, sem privilégios? Seria bem
tratada até a recuperação de Alaric. E se ele não se recuperasse? Ela seria culpada
por isso?

25
Um arrepio tomou conta de seus pensamentos e instintivamente se
aconchegou no calor do guerreiro. O vento era cortante e ela não estava
preparada para isso.
Não. Ela não permitira que Alaric morresse. Decidiu isso desde que pousou
seus olhos sobre o guerreiro bonito. Atrás dela, Gannon amaldiçoou.
— Consiga algo para proteger a moça do frio. – ele gritou – Ela vai congelar
antes de chegarmos a nossas terras.
Um dos outros homens jogou um cobertor e Gannon cuidadosamente o
colocou ao redor de Keeley. Ela segurou as pontas e ficou mais perto de seu peito,
apesar do fato de ele ser seu captor.
Não. Não era seu captor. Ele não parecia satisfeito com aquele arranjo. Não.
A culpa era de Caelen e do Laird McCabe. Ela lançou um olhar sobre eles apenas
para demonstrar que estava descontente com ousadia deles. Nenhum dos
homens prestou atenção nela, enquanto seguraram a maca improvisada de Alaric.
— Fiquem alertas. – o laird gritou aos homens antes da partida – Nós não
sabemos o que aconteceu durante a viagem de Alaric e ninguém, exceto ele,
sobreviveu. Devemos voltar para a fortaleza McCabe sem demora.
Keeley estremeceu com a declaração sinistra do laird. Alguém tinha de fato
tentado matar o guerreiro. E ele foi o único sobrevivente.
— Tudo bem, moça. Nós não permitiremos que nenhum dano chegue até
você. – disse Gannon, ao senti-la estremecer.
De alguma forma, ela acreditou nele. E sentiu-se ridícula em depositar toda a
confiança nestes homens quando eles estavam seqüestrando-a em sua própria
casa.
Ela relaxou no peito de Gannon e inclinou a cabeça quando começaram a
avançar em ritmo lento. Suas noites sem dormir cuidando de Alaric batiam em sua
cabeça. Ela estava cansada, com frio e fome, e não havia nada que pudesse fazer a
respeito disso. Então fez a única coisa que podia fazer. Dormir.

Capítulo Seis
— Você poderia ao menos ter encontrado uma mulher mais amigável para
roubar. – Caelen resmungou.
Ewan sorriu e olhou para os lados onde seus homens levavam Alaric. Ele
ainda não tinha acordado, o que significava que a pequena bruxa cuidou bem dele.
O que a tornava perfeita para o que tinha em mente.
— Ela é uma boa curandeira, isso é tudo o que importa. – Ewan disse, não
querendo discutir sobre mulheres com Caelen.

26
Enquanto falava, lançou um olhar para Gannon, que cavalgava com a mulher
à sua frente. Ela estava deitada no peito do guerreiro.
— Parece que ela não descansou durante sua vigília com Alaric. – Ewan
murmurou. – Nós precisamos de toda a sua dedicação. Logo Mairin dará a luz, e
me faria sentir melhor termos uma parteira competente por perto. Farei de tudo
para a segurança de minha esposa e de nosso filho.
Caelen franziu a testa, mas acenou com um acordo.
Gannon diminui o passo quando a moça se mexeu e quase caiu da sela.
Segurou-a no último momento, e ela abriu os olhos quando se endireitou. Seu
olhar descontente fez Ewan querer rir. Ela era uma coisa espinhosa. E não estava
nada feliz com a honra que ele proporcionou. Por que ela gostaria de continuar a
viver sozinha e na miséria, quando ele ofereceu uma posição reverenciada em seu
clã?
— Você já teve experiência com partos, moça? – ele gritou para ela.
Ela lhe lançou um olhar severo e seus olhos se estreitaram.
— Sim, eu já trouxe um ou dois bebês para este mundo.
— Tem alguma habilidade nisso? – ele insistiu.
— Bem, ninguém morreu, se é isso que está perguntando. – disse ela,
secamente.
Ewan puxou as rédeas e sinalizou para Gannon fazer o mesmo.
— Ouça-me, megera. Duas pessoas que são mais importantes para mim do
que minha vida precisam de suas habilidades. Meu irmão está ferido gravemente e
minha esposa que me dará um filho neste inverno. Eu preciso de sua assitência, e
não de seu desrespeito. Enquanto estiver em minhas terras e em minha fortaleza,
minha palavra é lei. Você vai me reconhecer como seu laird. Se não me ajudar,
ficará sem abrigo e sem comida neste inverno.
Keeley mordeu os lábios e deu um aceno curto.
— É melhor não deixar o laird irado, moça. – Gannon sussurrou perto de seu
ouvido. – Ele está no limite com Lady McCabe para dar a luz. Nosso clã inteiro
depende da chegada do bebê saudável.
Keeley engoliu, sentindo-se arrependida por sua irreverência. Ainda assim,
ela não poderia se culpar demais. Foi tirada de sua casa e esperava para ser
tomada pelos McCabe. Ninguém lhe deu escolhas. Se o laird tivesse explicado seu
problema antes, ela poderia ter aceitado a oferta de viajar. Mas nada em sua vida
esteve em seu controle e por muito tempo ela não teve escolha em seu destino.
— Eu já trouxe mais de vinte bebês em segurança para este mundo, laird. –
disse a contragosto. – Nunca perdi um. Farei o meu melhor pela sua senhora e não
deixarei seu irmão morrer.
— Olhe só. A moça é teimosa. – Caelen murmurou. – Ela e Mairin poderão se
dar bem.

27
Keeley inclinou a cabeça.
— Mairin?
— A esposa de nosso laird. – Gannon explicou.
Keeley estudou o laird com interesse, porque era evidente que tinha falado a
verdade. Seu irmão e sua esposa significavam muito para ele. Podia ver a
preocupação em seu rosto e seu coração romântico assumiu. Que doce ver um
laird raptar uma curandeira para sua esposa que estava para dar a luz.
Keeley gemeu. Que ridículo era pensar no laird de forma tão poética e
romântica. Ele a raptou, pelo amor de tudo o que era sagrado. Ela devia estar
gritando pela floresta abaixo, não sonhando melancolicamente sobre o carinho do
laird por sua esposa.
— Você é uma idiota. – ela murmurou.
— Como? - Gannon soou ofendido.
— Não quis dizer você. Estava se referindo a mim.
Ela pensou ouvi-lo dizer sobre como as mulheres são estúpidas, mas não
tinha certeza.
— Quanto falta para chegarmos à fortaleza, laird? – ela gritou.
Ele se virou em sua direção.
—Quase um dia, mas com Alaric dessa forma, poderemos levar mais tempo.
Vamos viajar tão longe pudermos e ficarmos o mais perto possível das terras
McCabe.
— Quando eu curar seu irmão e deixar sua querida Lady McCabe em
segurança, poderei voltar para minha casa?
Os olhos do laird se estreitaram. Caelen percebeu que ele queria gritar que
sim.
— Eu vou considerá-lo. Mas não farei promessas. Nosso clã precisa de uma
curandeira qualificada.
Ela franziu a testa, mas acreditou que isto era melhor que uma recusa
absoluta.
Entediada e inquieta pelo ritmo lento dos guerreiros, ela recostou-se contra
o peito de Gannon novamente, indiferente se era bom ou não.
Ajustou suas vistas sobre o campo, tentando ver o que havia além da área
que ela cresceu e morou desde seu nascimento. Na verdade, não era tão diferente.
A paisagem era acidentada. Rochas se espalhavam pelo chão. Ele cavalgaram
entre áreas densamente florestadas e vales ricamente verdes, entre picos
escarpados.
Sim, tudo era muito bonito, mas não tão diferente como ela imaginou.
Quando se aproximavam de um riacho que ligava dois lagos, Laird McCabe
ordenou aos homens que parassem e vigiassem o perímetro onde eles
acampariam.

28
Em uma operação bem orquestrada, cada homem se ocupou de uma tarefa
diferente e logo as tendas foram montadas, o fogo foi aceso e os guardas se
colocaram a postos. Tão logo Alaric foi colocado perto do fogo, ela correu para
ele, sentindo seu rosto e colocando sua cabeça perto do peito dele para sentir a
respiração.
O longo tempo em que ele estava inconsciente a incomodou muito. Ele não
acordou nenhuma vez durante a viagem. Ela se esforçou para ouvir sua respiração,
que estava muito fraca.
A testa queimava ao toque. Seus lábios estavam secos e rachados. Ela girou
a cabeça em direção aos seus irmãos, sabendo que eles estavam assistindo.
— Preciso de água e preciso da ajuda de vocês para dar-lhe de beber.
Caelen foi buscar água enquanto Ewan se ajoelhava ao lado de Alaric e
colocava o braço por baixo do pescoço do irmão. Caelen entregou uma lata para
Keeley que cuidadosamente colocou-a nos lábios de Alaric, que se recusou a
beber.
—Pare de ser teimoso, guerreiro. – ela repreendeu – Beba, para que
possamos dormir esta noite. Eu tenho ficado sem dormir durante muito tempo
por sua causa.
— Diabo. – Alaric resmungou.
Ewan contraiu a boca e Keeley olhou para ele.
— Pode me chamar como quiser se você beber. – ela disse.
— O que fez com meu anjo? – Alaric falou arrastado.
Ela aproveitou a boca aberta e inclinou a lata de água sobre seus lábios. Ele
engasgou e tossiu, mas engoliu a maior parte.
— Sim, mais agora. Você vai se sentir melhor. – Keeley murmurou enquanto
derramava mais água na boca.
Alaric bebeu obedientemente e quando Keeley se sentiu satisfeita, fez um
sinal para Ewan deitar Alaric de volta. Ela arrancou um pedaço de suas saias
esfarrapadas e mergulhou-o na água restante. Então, limpou a testa de Alaric.
— Fique tranqüilo, guerreiro. – sussurrou.
— Anjo – ele murmurou – Você voltou. Estava preocupado que o diabo lhe
fez alguma mal.
Keeley suspirou.
— Agora sou um anjo de novo.
— Fique perto de mim.
Keeley olhou por cima dos ombros para ver Caelen carrancudo enquanto os
olhos de Ewan brilhavam de diversão. Ela estreitou os olhos para os dois. Ele
queriam que seu irmão se recuperasse. Que o mantivesse calmo e não combativo.
Se isso significava dormir ao lado dele, então ela iria fazê-lo. Ewan se adiantou.

29
— Pegarei os cobertores para que ambos se sintam confortáveis. Eu aprecio
que você fique perto dele quando ele está tão mal.
Nesse momento, Keeley decidiu que o laird não poderia ser tão ruim. Ainda
não ia julgar Caelen, mas o laird percebeu que ela estava desconfortável com o
que considerou seu dever, e foi ajudando-a a ficar a vontade para permanecer ao
lado de Alaric.
Ainda assim, ela olhou rapidamente ao redor para avaliar se os homens do
laird ouviram ou sabiam sobre onde ela iria dormir.
Nenhum deles parecia se incomodar, e de fato, eles começaram a posicionar
numa circunferência apertada em torno de Alaric para protegê-lo de todos os
lados. Dois dos homens levaram cobertores e rolaram um deles como uma
almofada.
— Para sua cabeça – um dos guerreiros explicou. – Assim, não será tão difícil
dormir no chão.
Tocada por sua atenção, ela sorriu e pegou os cobertores.
— Como você se chama?
Ele voltou a sorrir.
— Cormac, senhora.
— Obrigada, Cormac. A verdade é que passei as últimas noites no chão e
gostaria de receber algum conforto .
Ela organizou os cobertores e então rapidamente se posicionou ao lado de
Alaric, com cuidado para manter uma distância respeitável entre eles.
Apesar de sua soneca durante o dia, ela bocejou e logo puxou os cobertores
sobre ela e Alaric. Era importante mantê-lo aquecido. Podia senti-lo tremer.
Durante muito tempo ela ficou deitada na escuridão, vendo e ouvindo Alaric.
O fogo apagou mas os guardas que estava a postos cuidavam deles. Enquanto o
sono chegava, percebeu que, no dia seguinte, um novo capítulo de sua vida iria
começar. E não tinha certeza exatamente como seria isso.

Capítulo Sete
Quando Keeley abriu os olhos, tudo o que ela podia ver era a largura do
tórax de um homem. O calor a cercava, assim como duas barras de aço, que ela
finalmente descobriu que eram braços. Soltou um som de exasperação. Tentou
manter distância de Alaric McCabe. Mas à noite ele a puxou contra seu corpo e
nem mesmo um sopro poderia separá-los.

30
Resignada com sua situação, ela mexeu os braços entre eles e correu os
dedos sobre a testa. Franziu a testa e apertou os lábios de preocupação. Ele ainda
estava quente. Quente demais para seu gosto.
Girou a cabeça e olhou para o céu para ver o dia começando a clarear, com
tons da aurora. Ao seu redor, os homens se agitavam discretamente, preparando
os cavalos e embalando os equipamentos.
Quando ela avistou Laird McCabe, chamou-o baixinho. Ele a atendeu e
caminhou até onde estava Alaric.
— Temos que acelerar. – ela disse – ele precisa de um quarto quente. Não
vai melhorar até que possamos vê-lo fora deste ar frio e úmido. Sua febre está alta
e ainda é de manhã.
— Sim, nós vamos sair imediatamente. Não estamos longe de McCabe.
Chegaremos à fortaleza no meio da manhã.
Enquanto se afastava, Keeley relaxou contra o seu guerreiro e permitiu que
os seu calor penetrasse em sua carne. Era uma sensação agradável se deitar em
seus braços. Ela suspirou e passou a mão pelo peito dele.
— Você ficará melhor, guerreiro. – ela murmurou. –Sua família não vai
gostar se eu for incapaz de fazê-lo se curar. É verdade, eu tive muitos problemas. E
gostaria de uma vida mais tranquila daqui em diante.
— Senhora, é hora de ir. – disse Cormac.
Logo, Caelen e Cormac gentilmente colocaram Alaric sobre a maca sobre a
qual foi transportado no dia anterior. Antes de Keeley perceber, viu-se jogada
sobre Gannon que já estava montado em seu cavalo.
Ela bufou de irritação quando saltou contra o peito do guerreiro.
— Quero ter a sorte de você parar de me jogar dessa maneira. Eu sou mais
do que capaz de montar um cavalo sozinha.
Gannon sorriu.
— É mais rápido dessa forma, moça. Apenas fique onde eu colocá-la e não
haverá problemas.
Ela enviou-lhe um olhar de nojo antes de se fixar no caminho a frente.
O vento varreu por cima de Keeley e ela sentiu o cheiro de neve. O céu foi se
tornando cinza e as nuvens se inchando, inchando e prontas para soltar sua
umidade a qualquer momento. Ela estremeceu enquanto rodava de forma
consistente para frente. Gannon puxou o cobertor mais apertado em torno dela
com uma mão enquanto que com a outra guiava o cavalo. Ela agarrou com
gratidão as extremidades e puxou-as para que pudesse absorver seu calor.
Laird McCabe parou seu cavalo e emitiu uma ordem a Cormac para ir à
frente e alertar na fortaleza sobre seu retorno. Ao seu redor, o clamor subiu no
grupo de guerreiros. Eles estavam nas terras McCabe.

31
— Certifique-se de que minha mulher esteja na fortaleza, onde é o lugar
dela. – o laird ordenou a Cormac.
Cormac suspirou e os outros guerreiros deram-lhe olhares de piedade,
enquanto cavalgava à frente.
Gannon riu e se virou para Keeley.
— Essa é uma tarefa impossível que nosso laird deu a Cormac, e ele sabe
disso.
— E Lady McCabe não obedece aos desejos do laird, não é?
Ao redor, vários homens riram. Mesmo Caelen indicava se divertir com a
pergunta.
—Seria deslealdade minha responder a esta pergunta. – disse solenemente
Gannon.
Keeley encolheu os ombros. Ela sabia por experiência própria que quando as
mulheres estavam grávidas elas tendiam ser mais obstinadas. Ficar presa dentro
de um castelo pode deixar insana qualquer mulher grávida. Ela não poderia culpar
a mulher do laird por querer um pouco de liberdade.
Algumas horas mais tarde, eles subiram uma elevação e Keeley viu as águas
escuras de um lago espalhando-se sobre o vale e batendo nas colinas. Aninhado
na curva, havia uma castelo em vários estágios de reparação, ou em mau estado,
embora parecesse que vários homens trabalhavam duro para reconstruir os
muros.
Parecia que os McCabe estavam passando por momentos difíceis. Enquanto
ela mesma não poderia ser considerada rica, era auto-suficiente e nunca ficou sem
comida.
Como se sentisse a direção dos pensamentos dela, o Laird a olhou
fixamente.
— Você será bem provida nas nossas terras. Enquanto realizar suas tarefas,
será amplamente recompensada com um lugar para morar e comida na sua mesa.
Ela quase bufou. Ele fazia tudo isso parecer tão civilizado, como se tivessem
um contrato de serviço. Arrebatando-a do calor de seus cobertores na madrugada
dificilmente poderia ser interpretado como um convite.
— Você vai trabalhar duro durante o inverno, Laird? – ela perguntou
enquanto desciam a ladeira em direção à ponte do castelo.
Ewan não respondeu. Sua atenção estava concentrada em sua frente, como
olhos penetrantes, observando cada detalhe. Era como se estivesse procurando
alguém.
Quando se aproximaram da ponte, Keeley podia ver dentro da parede de
pedra. Os guerreiros se reuniram, com a preocupação gravada em seus rostos.
Atrás deles, mulheres e crianças também se reuniram em silêncio e espera.

32
Assim que entraram no pátio, Ewan franziu a testa e soltou um grande
suspiro. Keeley seguiu seu olhar para onde uma mulher visivelmente grávida corria
entre os guerreiros em posição de sentido. Outro homem a seguia, com expressão
abatida.
— Ewan! – a mulher chorou- O que aconteceu com Alaric.
Ewan desmontou assim que a mulher chegou ao lado da maca.
— Mairin, você foi instruída a permanecer dentro do castelo. Não é só pelo
frio aqui fora, mas não é seguro.
Mairin levantou seu olhar para Ewan e franziu a testa tão ferozmente
quanto ele estava carrancudo para ela.
— Você deve trazê-lo para dentro para que possamos cuidar dele. Ele não
parece bem!
— Eu trouxe alguém para cuidar dele. – Ewan a acalmou.
Mairin virou bruscamente e olhou entre os cavaleiros que estavam
desmontando até encontrar Keeley. Em seguida, o olhar de Mairin repousou sobre
Keeley e suas sobrancelhas se abriram em surpresa. Seus olhos se estreitaram e
seu rosto se fechou, pensativa.
— Ela é qualificada para cuidar dos ferimentos de Alaric?
Keeley se soltou abruptamente de Gannon, caindo no chão. Logo, se
colocou em pé e enfrentou Mairin com um sopro de indignação.
— Fique você sabendo que sou procurada regularmente por minha
capacidade de curar. Alem disso, não estou aqui por minha vontade. Não me foi
dada escolha! Se estou qualificada? Certamente. Mas a pergunta que deve ser feita
é se estou disposta a cuidar dos ferimentos de Alaric.
Mairin piscou e seu queixo caiu. Suas sobrancelhas se juntaram em confusão
pouco antes de se voltar para o marido, que olhava Keeley furioso.
— Ewan? Isso é verdade? Você seqüestrou essa mulher?
Os lábios de Ewan se contorceram em um rosnado. Ele apontou para Keeley
e avançou. Ela não demonstrou medo, mesmo que estivesse apavorada com os
dedos dos pés.
— Irá tratar Lady McCabe com respeito. Você tem duas escolhas. Ou aceitar
seu destino ou morrer. E se mostrar a minha esposa tal desrespeito outra vez, irá
se arrepender. Não tenho tempo para petulância. A vida de meu irmão está
pendurada em uma balança. Você cuidará dele e não deixará seu dever, fui claro?
Keeley apertou os lábios e mordeu a língua para não dizer o que realmente
queria. Em vez disso, emitiu um aceno curto.
O olhar de Mairin ia entre Keeley e seu marido, claramente confusa.
— Ewan, você não pode simplesmente raptar a mulher. O que será de sua
casa? Ou de sua família? Certamente havia outra maneira.

33
Ewan colocou as mãos sobre os ombros da esposa e Keeley não perdeu a
doçura do gesto. O rosto dele suavizava. Ele realmente a amava. Keeley suspirou,
mas segurou-se.
— Enquanto estamos aqui discutindo, Alaric piora. Vá depressa e prepare o
quarto dele, enquanto meus homens o levam para dentro. Keeley terá todos os
suprimentos. Certifique-se de que as mulheres darão a ela o que precisar para
cuidar de Alaric. Ela também precisa de um quarto. Dê-lhe o mais próximo de
Alaric para que esteja por perto o tempo todo.
Havia uma exasperação na voz dele, mas sua expressão o desmentia.
Mairin deu uma última olhada para Keeley, com pesar. Keeley podia jurar
que havia um pedido de desculpas não dito naquele olhar. Em seguida, virou-se e
Mairin correu para a fortaleza, gritando por Maddie. Assim que sua esposa foi
embora, Ewan olhou para Keeley com expressão negra.
— Você vai me obedecer agora sem questionar fará de tudo para ajudar
tanto Alaric quanto minha senhora esposa.
Keeley engoliu em seco e balançou a cabeça.
Ewan virou as costas com desdém sobre ela e fez sinal para seus homens
para transportar Alaric para dentro. Por um momento, ela ficou ali
silenciosamente sem saber o que fazer.
Gannon a cutucou e gesticulou para que ela seguisse os homens. Ele
permaneceu apenas alguns passos atrás dela durante todo o trajeto até a estreita
escada em caracol. Ele a segurou na porta do quarto até que os homens que
levaram Alaric saíssem. Então Gannon entrou no recinto na sua frente.
Mairin e outra mulher mais velha estavam junto do fogo que ardia no
quarto. Ainda estava gelado ali, mostrando que o fogo acabava de ser aceso. Ewan
ficou ao lado da cama de Alaric e fez um sinal de impaciência para Keeley.
— Dê uma lista do que você precisa para Maddie. Veja a ferida dele e
certifique-se de que os pontos não estão rasgados.
Ela se segurou mais uma vez para não explicar que sabia o que fazer. Em vez
disso, deu um aceno e se dirigiu para onde Alaric estava deitado.
Cobriu a testa dele com a palma da mão, animada por não senti-lo tão
quente.
— Será que ele vai se recuperar? – Mairin perguntou com medo.
Keeley virou-se para a esposa do laird.
— Sim. Eu não deixarei que aconteça de outra maneira.
A mulher do lado de Mairin ergueu as sobrancelhas.
— Você é tão jovem para ser tão arrogante, moça.
— Arrogante? – Keeley se surpreendeu por uma avaliação honesta da outra
mulher. – Eu nunca me considerei arrogante. Não quando outras vidas dependem
de mim. Acho que me humilho o tempo todo. Sempre estou com medo de não

34
conseguir prestar o cuidado necessário. Mas sou teimosa, não arrogante. Eu me
recuso a permitir que alguém sofra se isto estiver ao meu alcance.
Mairin sorriu e fechou a distância entre eles. Ela apertou as mãos de Keeley.
— Se é arrogância ou confiança, eu não me importo. Só me preocupo em
ver essa determinação em seus olhos e sei que não permitirá Alaric morrer. Por
isso eu agradeço, senhora.
Keeley sentiu o rosto queimar pelo agradecimento da outra mulher.
— Por favor, me chame de Keeley.
— E você deve me chamar de Mairin.
Keeley meneou a cabeça.
— Oh não, minha senhora. Eu não faria. E seu laird não gostaria nem um
pouco.
Mairin riu.
— Ewan late mais do que morde. Ele pode ser rude, mas é um homem justo.
Keeley arqueou uma sobrancelha para a outra mulher Mairin continuou.
—O que ele fez foi repreensível. Não consigo imaginar no que estava
pensando. Talvez a preocupação com Alaric o cegou.
— Acho que a preocupação com você tenha algo a ver com isso.- Keeley
disse secamente.
— Eu?
Keeley olhou para a barriga inchada de Mairin.
— Ele pretende que eu a ajude no nascimento do bebê.
— Oh, querida. – Mairin murmurou – Que imbecil. Ele não pode sair por aí
seqüestrando pessoas porque teme pela minha segurança. Isso é loucura.
Keeley sorriu.
— Um bom marido se preocupa com sua esposa. Acho que depois de
conhecer você, não estou com tanta raiva de passar o inverno aqui para ver seu
filho nascer.
— Você tem um coração gentil, Keeley. – Maddie interveio. – Precisamos de
uma boa curandeira. Lorna morreu há algumas semanas e o laird não tem nenhum
conhecimento em ervas e cataplasmas, embora seja bom com agulhas. E não tem
nenhuma experiência com parto, também.
Keeley ergueu as sobrancelhas novamente.
— O laird tem atuado como o curandeiro de vocês?
— Ele costurou minha ferida quando fui atingida por uma flecha.- disse
Mairin – E fez um bom trabalho.
— Diga-nos o que precisa. –Maddie pediu - Eu garanto que você os terá o
mais rapidamente possível.

35
Keeley pensou por um momento enquanto examinava o guerreiro
adormecido. Ela precisava de uma série de ervas e raízes, mas preferia ela mesma
procurar. Não confiava nos outros para reconhecer as plantas que usava.
Então pediu a Maddie água, bandagens e um caldo para alimentar Alaric. Era
importante manter sua força. Um homem enfraquecido não lutaria contra a
enfermidade.
Orientou a mulher sobre o que fazer com Alaric enquanto estivesse fora.
— Mas onde você está indo?- Mairin perguntou com uma careta.
— Preciso procurar raízes e ervas para preparar o medicamento. Se não for
agora, terei que esperar até amanhã, e poderá ser tarde demais.
— Ewan não vai gostar disso. – Mairin murmurou - Ele é muito rígido sobre
sair dos muros do castelo.
— Se ele quer que seu irmão sobreviva, não poderá reclamar.
— Será melhor que você tenha uma escolta. – disse Mairin – Eu iria com
você, se pudesse. Daria qualquer coisa por ar fresco, mas Ewan não permitiria.
— Você não tem permissão para nem mesmo para caminhar um pouco fora
da fortaleza?
— Não o julgue mal. Ewan não é arrogante. Ele está preocupado e com
razão. Temos muitos inimigos e até o bebê nascer, eu sou o alvo.
Como Keeley continuou olhando intrigada para ela, Mairin soltou um longo
suspiro.
— Essa é uma longa história. Talvez eu lhe conte sobre isso hoje à noite
enquanto cuidamos de Alaric.
— Oh, não, minha senhora. Não é seu dever ficar acordada ao lado de Alaric.
Ele está sob meus cuidados. Uma mulher na sua condição precisa de todo o
repouso possível.
— Ainda assim, ficarei com você por algum tempo. Além do mais, será uma
maneira de passar o tempo. De qualquer maneira, não quero dormir preocupada
com Alaric.
Keeley sorriu.
— Muito bem, então. Agora se me permitem, devo estar fora antes que o
dia escureça.
— Maddie, veja todo o material que Keeley precisa. Vou levá-la ao pátio e
pedir a Gannon e Cormac para acompanhá-la em sua busca. Ewan não permitirá
nada menos, tenho certeza.
Maddie riu.
— Você conhece nosso laird bem, minha senhora.
Maddie se virou e saiu correndo da sala. Keeley roçou a mão pela testa de
Alaric uma última vez antes de sair do quarto.

36
Como Keeley esperava, o laird reclamou apenas enquanto ela não explicou
que se não reunisse as coisas de que precisava, seu irmão iria sofrer. A
contragosto, ele enviou três de seus homens com ela, embora nenhum parecia
satisfeito com a tarefa.
— Eles não gostam de cuidar de mulheres. – Mairin sussurrou ao lado de
Keeley. – Eu sou a maldição de suas existências, pois eles sempre precisam cuidar
de mim.
Keeley sorriu.
— Eu ouvi muito sobre você durante nossa viagem.
Mairin fez uma careta.
— É deslealdade deles falarem de mim nas minhas costas.
— Eles não falam tanto quanto insinuam. – Keeley corrigiu. – E Gannon se
recusou a responder uma pergunta direta. Ele disse que era deslealdade.
Mairin riu abertamente.
— Venha, senhora. – disse Gannon – Vamos rápido para a floresta para que
possamos retornar logo.
— Não precisa agir como se você fosse condenado à morte. – Keeley
murmurou.
Mairin riu baixinho.
— Vou esperar por vocês no quarto de Alaric, Keeley. Nesse meio tempo,
terei certeza de que ele estará confortável e de que suas instruções estão sendo
seguidas.
Keeley acenou com a cabeça e saiu atrás do grupo de guerreiros destinados
para vigiá-la. Apesar da irritação inicial por ele não deixá-la sair do castelo sozinha,
ela se sentiu importante ao mandar três de seus guerreiros altamente treinados
para cuidar dela.
Ela nunca se sentiu mais segura do que agora com três homens tão fortes
em torno dela enquanto caminhavam em direção ás árvores. Talvez estar na
fortaleza McCabe não fosse tão inconveniente como tinha pensado inicialmente. A
esposa do laird não era como esperava e apesar das circunstâncias da chegada de
Keeley, estava sendo bem tratada.
Era perfeitamente possível que ela pudesse viver ali. Afinal, não tinha um clã
para o qual voltar. Ela franziu os lábios e sacudiu a cabeça. Não fazia sentindo
colocar a carroça na frente dos bois. Era totalmente fantasioso para seu próprio
bem. O laird não a trouxe por bondade no coração. Ele não tinha vontade de fazê-
la se sentir em casa ou fazê-la se sentir um membro valorizado de seu clã. Queria
apenas suas habilidades. Nada mais. Caberia a ela se lembrar disso. Quando não
servisse mais para seus propósitos, ela pode muito bem ser enviada para longe. A
única coisa que aprendeu na vida era que família era um conceito volúvel. Não

37
havia lealdade. Se não podia esperar tal coisa de seu próprio clã, como poderia
esperar de completos estranhos?
Balançou a cabeça tristemente. Sim, ela precisava tirar a cabeça das nuvens
e ver sua missão com mais objetividade. Ela era uma prisioneira. Nada mais.
Esquecer tal coisa era se abrir para mais uma decepção.

Capítulo Oito
Quando Keeley retornou ao castelo, o sol já tinha descido além do horizonte
e o frio permeava seus ossos. Ela estava cansada e dolorida, mas foi bem sucedida
além de suas expectativas. Os McCabe tinham um estoque excelente de raízes e
plantas, e agora sua saia estava cheia enquanto ela se dirigia para a porta.
Estremeceu e se enrolou mais ainda no tecido de seu vestido. Suas mãos estavam
dormentes de frio e seus dentes não paravam de tremer. Ela mal podia sentir seu
queixo. Tropeçou subindo os degraus e Cormac a segurou pelo cotovelo para
firmá-la. Ela murmurou um agradecimento e continuou, acolhendo o ar quente do
interior.
— Está esfriando, - disse Gannon. – Parece que nevará esta noite.
— E parece neve para dois dias. – argumentou Cormac.
—Sim, ele está certo. Vai nevar antes do amanhecer. – Keeley disse
enquanto subia a escada para o quarto de Alaric.
— Graças a Deus a despensa está cheia. – disse Gannon. – Nos preparamos
para um longo inverno. Será bom não nos preocuparmos quando será nossa
próxima refeição.
Keeley parou nas escadas e olhou para trás para onde Gannon estava.
— O que aconteceu aqui? A fortaleza está em mau estado e você fala de
tempos difíceis.
Gannon fez uma careta.
— Falava de outra época. Isso não é algo que deveria ter falado tão
abertamente. Estava pensando alto. Meu laird não gostaria de saber que falei
demais.
Keeley encolheu os ombros.
— Não lhe pedi segredos de batalha. Só acho que tenho o direito de saber
para onde estou sendo empurrada.

38
— Não há nada com que se preocupar. – Cormac respondeu. – Tudo está
bem agora que o laird se casou com Lady McCabe. Nosso clã prospera novamente
graças a ela. Somos abençoados por tê-la.
Keeley sorriu para a afeição óbvia em sua voz. Mairin McCabe era uma
mulher muito feliz e amada, não só pelo marido, mas pelo seu clã também.
— Existe alguma razão para você se demorar nas escadas quando meu
irmão está ferido e precisa de sua ajuda? – Caelen rosnou de cima.
Ela se virou e lançou um olhar maligno em sua direção.
— Existe alguma razão para seu mau humor? Passei as últimas horas
procurando em sua floresta todos os tipos de ervas. Estou cansada. Estou com
fome. Não durmo há dias. E mesmo assim, sou mais educada que você. Não acha
que há algo errado nisso?
Caelen piscou e depois fez uma careta. Não que ela esperava menos. Ele
abriu a boca como se quisesse dizer algo, mas então rapidamente voltou a fechá-
la. Homem inteligente. Ele não a intimidou e ela não fugiu com sua grosseria. Era
verdade. Ela estava exausta e a última coisa que precisava era dele pairando sobre
ela, criticando cada movimento seu.
Chegou ao topo da escada e olhou-o tão ferozmente quanto ele. Então,
entrou no quarto de Alaric e fechou a porta firmemente.
— Keeley, você está de volta! – Mairin exclamou da cabeceira de Alaric.
Keeley observou Mairin enxugar cuidadosamente a testa de Alaric,
enquanto Maddie ficava ao seu lado. O fogo estava aceso e mais madeira foi
adicionada. Keeley se dirigiu para frente da lareira, sentindo o calor aquecer seu
corpo.
— Aqui, moça, dê-me essas raízes e folhas. Posso colocar junto com as
outras coisas ou você fará algo especial? – Maddie perguntou.
Keeley olhou para o monte sobre suas saias recolhidas.
— Sim, você pode deixar tudo junto. Resolverei o que fazer depois que
puder sentir minhas mãos novamente. Vou precisar de uma tigela para moer as
folhas e raízes.
— Você ouviu a moça. – Maddie disse para Gannon, que estava em pé na
porta. – Vá buscar tigelas e um pilão.
Gannon parecia extremamente descontente por estar recebendo ordens de
uma mulher, mas se virou para atender ao pedido.
Mairin franziu a testa na direção de Keeley.
— Keeley, tem certeza de que pode cuidar de Alaric a noite toda? Você
parece exausta e está tremendo de frio.
Keeley ofereceu um leve sorriso.
— Eu me aquecerei em um momento. Se tiver comida sobrando, ficaria
grata por ter algo para comer.

39
— Buscarei algo de Gertie. – Maddie disse.
Quando Maddie deixou o quarto, encontrou Gannon em seu caminho com
os itens que Keeley havia pedido. Keeley depositou cuidadosamente as ervas em
uma das tigelas e endireitou suas saias.
— Você precisa de uma roupa apropriada se vai ficar aqui. – disse
rispidamente Gannon. – Falarei com meu laird sobre isso imediatamente.
— Oh, você está certo. – disse Mairin, com um pesado remorso em sua voz.
Isso é algo que eu deveria ter pensado. Você não devia estar preparada para uma
viagem se meu marido a tirou de casa. Falarei com as mulheres. Entre nós,
podemos certamente corrigir o problema.
— Eu agradeço a atenção de ambos. – Keeley respondeu.
— Existe alguma coisa mais de que precisa? – Gannon perguntou.
—Não. Obrigada pela sua ajuda. Já tenho tudo o que preciso.
Gannon acenou a cabeça e em seguida se retirou do quarto.
Aliviada por ter se livrado da maioria dos ocupantes do quarto, Keeley se
sentou no banco ao lado da cama de Alaric. Mairin pairou à distância, observando
como Keeley cuidadosamente examinava o ferimento de Alaric.
Ela tocou no corte longo, franzindo a testa com a forma como estava
inchado e vermelho. Fechou os olhos e emitiu uma maldição em voz baixa.
— O que está errado, Keeley? – Mairin perguntou – Ele está piorando?
Keeley abriu os olhos e olhou para a ferida inflamada. Ela suspirou.
— Preciso reabrir a ferida para livrá-la do veneno. Será preciso uma limpeza
e depois terei que costurá-lo de novo. Essa não é uma tarefa fácil, mas deve ser
feita.
— Devo ficar para ajudá-la?
Keeley olhou para a mulher e para sua barriga. Em seguida, ela balançou a
cabeça.
— Não desejo que você se machuque se Alaric se tornar agressivo. Seria
melhor se um dos irmãos estivesse aqui para caso houver necessidade de segurá-
lo.
Mairin franziu a testa e olhou para cima de Alaric.
— Se ele tentar lutar, será necessário mais de um homem para segurá-lo.
Talvez eu deva chamar Ewan e Caelen.
Keeley contorceu os lábios a contragosto. Mairin riu baixinho.
— Caelen é verdadeiramente uma pessoa muito boa. Eu juro que o homem
não tem nada mais que uma cara feia. Ele não é tão terrível assim uma vez que se
acostume aos seus modos.
— Modos? Ele não tem nenhum modo. – Keeley murmurou.
Os olhos de Mairin brilharam divertidos.

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— Eu gosto de você, Keeley... – então, ela franziu a testa – Como é o seu
nome de família?
Keeley congelou e se recusou a encontrar o olhar de Mairin. Podia sentir a
outra mulher a avaliando, sondando-a com seu olhar. Olhou para suas mãos e as
torceu no colo.
— McDonald – ela sussurrou. – Eu costumava ser, mas agora não sou mais.
Agora só me chamo Keeley.
— McDonald? – Mairin ecoou – Oh, querida. Eu me pergunto, será que Ewan
sabe que roubou a curandeira do clã em que Alaric seria o laird?
Keeley levantou a cabeça para cima.
—Laird? Mas os McDonalds têm um laird.
Ela devia saber. O bastardo foi diretamente responsável por sua expulsão.
Se algo havia acontecido com aquele verme, ela não deveria saber? Ela não fora
condenada a viver para sempre longe de sua família? Não ser bem vinda ao seu lar?
Lágrimas queimaram suas pálpebras e ela se condenou antes de deixar uma
delas rolarem. Eles poderiam apodrecer, inclusive Gregor McDonald.
Especialmente Gregor McDonald.
— Essa é uma longa história. – Mairin disse com um suspiro. – O casamento
de Alaric com Rionna McDonald foi arranjado. Ele estava viajando para a fortaleza
dos McDonald para oficializar a união, pedindo formalmente a mão de Rionna.
Laird McDonald não tem herdeiro masculino e ele quer que o homem que se casar
com Rionna torne-se seu herdeiro na liderança.
Casado com Rionna. Sua amiga de infância. Sua única amiga. Mas ela, como
todo mundo, virou as costas para Keeley. Isso não devia machucá-la, mas
aconteceu. Keeley tinha amado sua prima e amiga. Ainda ocupava um lugar
especial no coração de Keeley e esta sentia sua falta dolorosamente.
Olhou para o guerreiro adormecido. Seu guerreiro. Não. Ele pertencia a
Rionna. Justo o homem que girava em suas fantasias de menina era proibido para
ela. Se algum dos McDonalds soubesse que ela acolheu Alaric, as acusações
começariam mais uma vez.
— Eu disse algo errado? – Mairin perguntou baixinho. Keeley meneou a
cabeça.
— Então, ele se casará com Rionna.
— Sim. Quando a primavera chegar. Eu odeio a ideia de Alaric deixando
nossas terras, mas é uma boa oportunidade para ele ter algo. Um clã para liderar.
Terras próprias. Crianças que serão seus herdeiros.
Era bobagem a tristeza que penetrou em seu peito. Ela não tinha nada além
de fantasias ridículas sobre um forte guerreiro, apto para entrar em sua vida e
levá-la para longe.

41
— É melhor eu dizer a Ewan o que ele fez. – Mairin disse com voz
preocupada. – Ele deve fazer isso corretamente.
— Não! – Keeley disse e se atirou aos pés de Mairin. – Eu não pertenço ao clã
McDonald. É verdade. Ninguém sentirá minha falta. É certo que tenho habilidade
para curas e sou procurada regularmente por alguns do clã McDonald, mas não
vivo dentro de suas paredes. Estou livre para ir onde quiser.
Mairin a olhou com evidente curiosidade.
— Se você tem um dom, eles seriam loucos em não mantê-la. Por que você
deixou de ser uma McDonald?
— Não foi minha escolha. Eu não virei as costas para o meu clã. Eles viraram
as costas para mim.
Elas foram interrompidas quando Maddie entrava no quarto com uma
bandeja de alimentos. Ela colocou-a sobre a mesa em um canto .
— Venha comer, moça. Você deve manter suas forças para atender Alaric
durante a noite.
Com a fome que estava, Keeley descobriu que não tinha mais apetite depois
de saber do iminente casamento de Alaric. Ainda assim, se forçou a comer,
descobrindo que o ensopado e pão assado fresco era a melhor refeição da qual ela
podia se lembrar.
— Chamarei Ewan e Caelen. – disse Mairin. – Venha, Maddie. Deixe Keeley
comer sua refeição. Ela tem uma tarefa árdua pela frente.
As duas mulheres saíram, deixando Keeley a sós com Alaric. Keeley olhou
para as linhas duras no magro rosto do guerreiro.
— Por que não poderia ter pertencido a outra? – ela sussurrou – Rionna é
minha irmã do coração, não importa se ela me traiu. Não deveria sentir tanto pelo
fato de estar noivo, mas acho que a decepção é grande demais para suportar. Não
sei como, mas você rapidamente encontrou um lugar em meu coração.
Alaric se mexeu e abriu os verdes olhos e olhando-a com esplendor. Por um
longo momento, ele a olhou como se não soubesse quem ela era ou onde estava.
Então seus lábios se moveram e ele sussurrou, tão suave, que ela quase não ouviu.
— Anjo. Meu anjo.

Capítulo Nove
Parecia que ela mal tinha deitado a cabeça sobre o travesseiro quando uma
batida soou alto em sua porta. Abriu os olhos e piscou, tentando se orientar.
Devia estar perto do amanhecer. Ela passou duas horas meticulosamente
limpando e costurando a ferida de Alaric com a ajuda de seus dois irmãos. Ela

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ainda tinha os olhos turvos e estava quase inconsciente quando ela foi trôpega
para seu quarto.
Tentou puxar o travesseiro sobre a cabeça e ignorar a intimação na porta,
mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, a porta se abriu. Ela puxou as
cobertas até o queixo, apesar do fato de estar completamente vestida e olhou
com irritação para ou os intrusos.
Ewan e Caelen McCabe pararam em sua porta e eles não pareciam mais
felizes que ela por estarem ali.
— Alaric está chamando por seu anjo. – disse Caelen com desgosto.
Keeley piscou e depois descansou o olhar sobre Ewan.
— Vocês sabem tão bem quanto eu que serei o demônio na próxima
respiração.
Ewan suspirou.
— Ele está muito agitado. Estou preocupado que rasgue os pontos e faça a
ferida sangrar novamente. Devemos mantê-lo quieto e deixá-lo descansar. E a
única maneira que vejo para fazer isso é se... você estiver com ele.
Keeley ficou de boca aberta.
— O que está sugerindo não é adequado. Você pode ter me raptado, mas
me recuso a permitir que minha reputação seja mais arruinada do que está. A
última coisa que preciso é que seu clã pense que sou uma mulher sem moral.
— Meu clã não vai dizer nada. – disse Ewan, erguendo a mão para apaziguá-
la. – Ninguém vai saber. Eu garanto que ninguém, além de mim ou minha esposa,
poderá entrar no quarto de Alaric – ou no seu, em questão. Eu não pediria isso se
não fosse importante, Keeley. Neste momento farei o que for necessário para
acalmar meu irmão e aliviar sua angústia.
Keeley se apoiou sobre um cotovelo e passou a mão sobre o rosto cansado.
— O que eu preciso é dormir. Não tenho dormido desde que encontrei Alaric
ferido. Seu for para o quarto dele, você me garante que não serei incomodada?
Ela sabia que sua voz refletia seu aborrecimento, mas no momento, ela
simplesmente não se importava. Ela faria o que fosse preciso para que essas
pessoas a deixassem em paz.
— Na verdade – ela continuou – o que realmente gostaria era que todos me
deixassem sozinha para cuidar de Alaric. Se precisar de algo, eu os chamarei.
Keeley já estava sonhando com horas ininterruptas de sono. Se para isso ela
teria que dormir no quarto de Alaric, então isso é que faria. O canto da boca de
Ewan se contraiu.
— Sim, Keeley. Você terá o seu sono. Eu farei para que fique tranquila. Nós
verificaremos as condições de Alaric até a tarde. Você tem a minha palavra.

43
Keeley se levantou com cuidado para manter se vestido esfarrapado
cobrindo o máximo possível. Esforçou-se para ficar em pé e alisando seu cabelo
emaranhado.
— Vamos até ele, então. – ela resmungou.
Keeley se arrastou para o quarto de Alaric para encontrar as cobertas
emboladas nos pés dele. Ele movia a cabeça de um lado para o outro,
murmurando coisas ininteligíveis. O suor brilhava em seu peito e na ferida
também. Ela podia ver que a costura estava tensa. Sufocou uma maldição e correu
para o lado dele, sondando com os dedos, o corte costurado. Ele se acalmou
imediatamente e seus olhos se abriram turvos com a confusão.
— Anjo?
— Sim, guerreiro. É o seu anjo que vem para acalmá-lo. Diga-me agora,
descansará se eu permanecer ao seu lado?
— Que bom que você está aqui. – ele resmungou. – Não é o mesmo quando
vai embora.
Ela ficou mole da cabeça aos pés e se inclinou mais perto, permitindo que
sua mão tocasse o braço dele.
— Eu não vou deixá-lo, guerreiro. Ficarei com você.
O braço dele se enrolou ao redor dela, puxando-a até que ela foi forçada
para deitar-se a seu lado.
— Não vou deixá-lo desta vez, guerreiro.
Keeley se recusou a olhar para os irmãos de Alaric. Não queria ver a irritação
nos olhos de Caelen, condenando-a. Já tinha visto esse olhar o suficiente na sua
vida inteira. Se ele tiver uma única palavra para dizer depois de tirá-la da cama, ela
o bateria no rosto e dane-se a conseqüências. Felizmente, não ouviu nenhum som.
Apenas o leve fechar da porta alertou-a que estava sozinha com Alaric.
Aconchegou-se ao seu lado e passou a mão sobre seu abdômen.
— Durma agora, guerreiro. Seu anjo estará por perto. Eu prometo.
Ele fez um som de contentamento e seu corpo se relaxou. Ele apertou o
braço ao redor dela até que todo o corpo estivesse encostado nela.
Imediatamente ele dormiu. Apesar do cansaço esmagador, Keeley ainda
ficou acordada por um longo tempo, saboreando a sensação de encontrar-se nos
braços de seu guerreiro.
Quando abriu os olhos, a luz do sol já penetrava através das cortinas da
janela. O fogo havia apagado e apenas algumas brasas permaneceram. Apesar do
frio, ela estava banhada em calor. Estava tão aconchegada e confortável que não
moveu um único músculo.
O braço de Alaric ainda estava firmemente preso ao redor de sua cintura e
ela estava pressionada junto ao ombro dele.

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Ela deslizou a mão sobre o peito dele até descansar sobre o rosto. Para sua
alegria, sua pele estava mais fria que das últimas horas. Um suor fresco brilhava
sobre a testa dele e ela se soltou dos seus braços levantando-se animadamente.
Quando olhou para seu rosto, ficou surpresa pela forma como os olhos dele
estavam claros. Sem neblina ou confusão escurecendo as esferas de luz verde.
Então ele sorriu para ela e para sua total surpresa, ele estendeu a mão e a
puxou para cima dele.
— Você está louco! – ela sussurrou enquanto lutava para não atingir o lado
ferido. – Soltará seus pontos que gastei mais de duas horas para colocar!
— Então, meu anjo é real. – ele murmurou, sem deixá-la escapar.
— Sua avaliação de demônio era mais precisa. – ela rangeu.
Ele riu e em seguida fez uma careta de dor.
— Viu? Deve ficar deitado ainda e não me arrastando para cima de você. –
ela disse, exasperada.
— Mas eu gosto de senti-la em meu corpo. – ele ronronou. – Gosto muito.
Na verdade, mal sinto meu ferimento agora. Tudo o que sinto é a sua suavidade
contra a minha carne. Seus seios pressionando meu peito.
O rubor subiu pelo corpo dela. Ela se recusou a encontrar o olhar dele e
focou o olhar em seu ombro.
— Você sabe o que me faria sentir ainda melhor – ele soltou.
— O quê? – ela perguntou nervosa.
— Um beijo.
Ela balançou a cabeça, mesmo tentando se afastar de seu peito. Ele a
segurou e aproximou a mão livre de seu queixo.
Ignorando seus protestos, levantou a cabeça e pousou seus lábios sobre os
dela. Não ficou claro quem estava quente. Ele ou ela. Keeley sentia o calor através
de seu corpo. Era uma sensação maravilhosa. Inebriante. Pecaminosamente doce.
Sua cabeça girava e ela se sentia incrivelmente leve, como se estivesse voando, à
deriva entre as nuvens. Ela soltou um suspiro e se derreteu sobre ele.
Os dedos dele a acariciavam subindo pelas costas. Quando chegaram à nuca,
ela a segurou pelo pescoço, mergulhando os dedos em seus cabelos.
— Alaric. – ela sussurrou.
— Eu gosto do som de meu nome em seus lábios, moça. Agora, diga-me o
seu para que eu saiba o nome de meu anjo.
— Meu nome é Keeley.
— Keeley. – murmurou. – Um nome tão bonito. Apropriado para uma moça
tão linda.
— Você deve me soltar. – ela disse com firmeza. – Seus irmãos entrarão a
qualquer momento. Eles estão muito preocupados com o seu ferimento. Preciso

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olhar seus pontos e me certificar de que estão bem presos. Se estiver se sentindo
forte o suficiente, deve comer.
— Eu prefiro beijar você.
Com uma suave repreensão, ela golpeou peito dele. Para sua surpresa, ele
riu, mas desistiu de abraçá-la. Ela se soltou e alisou suas roupas amassadas e o
cabelo desgrenhado.
Ela manteve seu olhar sobre o peito largo e nu. Não que o peito de um
homem fosse um mistério para ela. Nem o resto da anatomia masculina. Ela já
tinha visto muitos homens nus devido ao seu dom para a cura. Mas este homem
lhe roubou seu fôlego. Ele era... magnífico.
Os olhos dela o comeram, e ela não estava sendo totalmente discreta sobre
isso. Esperava que a febre e a dor o impedisse de perceber sua ávida atenção.
— Eu preciso examinar seu ferimento. – ela disse, com voz rouca.
Ele olhou para baixo e lentamente rolou de lado, para que a lesão ficasse
exposta.
— Devo agradecer a você, Keeley. Não me lembro sobre o dia em que fui
ferido, só que sabia que morreria se não procurasse ajuda. Quando abri meus
olhos e vi você, sabia que Deus tinha me enviado um anjo.
— Desculpe desapontá-lo. – disse levemente. – Não sou um anjo. Sou
apenas uma mulher comum que é hábil nas artes da cura. Nada mais que
conhecimentos provenientes de outras mulheres que vieram antes de mim.
— Não. – ele negou. Estendeu a mão e pegou a dela enquanto ela se
aproximava, trazendo-lhes os dedos aos lábios.
Ela sentiu um formigamento em seu braço e seu peito se apertar de prazer.
Era difícil não sorrir para um guerreiro bonito que dizia palavras tão ternas. Ela
puxou seu pulso e se inclinou para examinar a ferida recém costurada. Gostou de
ver que a vermelhidão havia diminuído e que já não parecia tão inflamada.
— Qual é o veredicto? Viverei? – ele perguntou, divertido.
— Sim, guerreiro. Você viverá uma vida longa e saudável. Está em boa
forma, que irá ajudá-lo na recuperação completa.
— Fico feliz em ouvir isso.
Quando ela terminou, ele esfregou a barriga e fez uma careta.
— Está com fome?
— Sim. Estou faminto.
— Isso é um bom sinal. – ela disse, acenando com aprovação. – Pedirei para
trazer uma bandeja para você.
— Não vá embora.
Ela levantou a sobrancelha, porque não era um pedido. O comando em sua
voz era evidente.
— Por favor.

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Quando ele baixou a voz, ela quase derreteu novamente.
— Sim. Eu ficarei.
Ele sorriu, mesmo com as pálpebras fechadas. Piscou, lutando contra o
desejo de dormir. Ela colocou sua mão sobre a testa.
— Descanse, guerreiro. Vou alimentá-lo em um momento.
Ela se levantou da cama e alisou suas saias, desejando não ter a aparência
tão terrivelmente desgrenhada. Estava prestes a abrir a porta, quando esta se
abriu. Ela fez uma careta para o intruso, evidenciando que não era bem vindo.
Caelen devolveu a careta, mostrando que não ficava impressionado com a
ira dela.
— Como ele está? – perguntou.
— Veja por si mesmo. Estava acordado há poucos minutos atrás. E está com
fome.
Quando ela se virou para sair, quase caiu sobre Ewan.
— Eu suponho que você esquecerá o que viu. – ela murmurou.
Ewan contorceu os lábios em diversão.
— Vi o quê?
Keeley acenou com aprovação e em seguida saiu, sem saber para onde
estava indo, mas definitivamente, ela precisava de um pouco de ar. Ela ainda podia
sentir a boca de Alaric na dela. Ela ainda podia sentir o sabor dele.

Capítulo Dez
Alaric manteve o olhar preso na moça até que ela desapareceu de vista.
Então, olhou para seus irmãos.
— Há algo que vocês queiram? – ele perguntou irritado.
— Sim. – Caelen respondeu. – Por exemplo, saber se você está vivo ou não.
— Como podem ver, estou. Não há outra coisa que vocês poderiam estar
fazendo?
Ewan balançou a cabeça e sentou no banco ao lado da cama.
— Esqueça seu fascínio pela moça por um momento. Há coisas que
devemos saber. Começando por quem fez isso a você.
Alaric suspirou. Seu lado doía. Sentia a cabeça como se tivesse passado a
semana toda se afogando em uma caneca de cerveja, e ele estava com fome e
rabugento. A última coisa que queria era uma inquisição.
— Não sei. – disse ele honestamente. – Eles nos emboscaram no meio da
noite. Foi um massacre. Estávamos em desvantagem, em número bem menor. Eu
mal consegui escapar e não me lembro de muita coisa, além de acordar me

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sentindo como se estivesse sendo queimado pelo fogo do inferno, mas com um
anjo para acalmar a dor.
Caelen bufou.
— Está mais como um demônio.
— Ela salvou minha vida.
— Sim, ela salvou. – Ewan concordou. - Ela é uma boa curandeira. Quero que
ela ajude no parto de Mairin.
Um inesperado prazer e uma excitação percorreram o sangue de Alaric,
mexendo com um desejo que há muito tempo não sentia por uma mulher. Ele teve
vários casos. Apenas sexo rápido para satisfazer as necessidades de um homem.
Mas Keeley disparou seus sentidos como nenhuma outra mulher. Ele estava
nervoso, tenso, tudo porque ela não estava por perto.
— Ela concordou em vir conosco e se tornar nossa curandeira? – Alaric
perguntou casualmente.
— Não exatamente – Caelen respondeu, rindo.
— Como assim? – Alaric perguntou, apertando os olhos.
— Quer dizer que não demos a ela uma escolha. Você precisava de sua
habilidade, assim como Mairin. Então eu a trouxe aqui. – Ewan respondeu,
encolhendo os ombros.
Era típico de Ewan. Ele tomava a decisão e agia. Embora gostasse de ter
Keeley por perto, não se sentiu bem ao saber como os irmãos a trataram. Isso
explicava a sua aspereza com ele.
— Esqueça essa mulher. – Caelen disse sombriamente. – Antes que se
esqueça, você tem uma acordo de casamento com a filha de McDonald.
— Não, eu não me esqueci.
Ele podia ter tirado o fato de sua mente temporariamente, mas não tinha
esquecido do porque embarcou na jornada em que havia perdido vários de seus
melhores homens.
— Recebi uma carta de Gregor algumas horas atrás. – Ewan disse. – Ele
estava preocupado que você não havia chegado. Não enviei uma resposta até
saber exatamente o que aconteceu.
— É como eu lhe disse. – Alaric disse com voz cansada. Ele levantou a mão e
esfregou sua testa dolorida. – Nós paramos quando anoiteceu. Seis homens
estavam de guarda. No meio da noite, fomos atacados com velocidade e
ferocidade que não via desde o ataque que dizimou nossa fortaleza há oito anos.
— Cameron? – Caelen perguntou com uma carranca.
Ewan soprou, seus olhos estavam mais escuros que uma tempestade de
inverno.

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— Quem mais? Quem poderia lançar um ataque tão cruel? E não era um
seqüestro. Você não mata as pessoas que lhe darão esperança de uma
recompensa.
Caelen encostou-se na parede, com os lábios apertados em uma linha
sombria.
— Mas por que Alaric? Mairin e Neamh Alainn são os alvos. Matar você faz
sentido, Ewan. Assim ele fica mais perto de seu objetivo, ter Mairin e sua herança.
Matando Alaric não há nada que favoreça sua campanha.
— Ele quer impedir que os clãs se aliem. – apontou Alaric. – Não apenas os
McDonalds. Se passarmos a ter o controle de uma vasta porção de terra, os clãs
vizinhos facilmente se juntariam a nós. E ele tem medo de isto acontecer.
— Avisarei McDonald sobre o que ocorreu. Vou alertá-lo para que esteja
pronto para um possível ataque de Cameron. Vamos resolver o que será feito
sobre seu casamento com Rionna.
Caelen assentiu com a cabeça.
— Por enquanto, devemos nos preocupar com a segurança de Mairin e de
seu filho. Tudo o mais pode esperar.
Alaric também acenou com a cabeça, o alívio correndo por seu corpo até
que a sensação o deixou tonto. Ele sabia que seu clã precisava dessa aliança. Seu
futuro dependia de fazer fortes laços com os clãs vizinhos. Ele até cobiçava a
posição de laird de seu próprio clã. Mas isso não significava que estivesse com
pressa para deixar tudo o que ele mais prezava. Não quis dizer que estava pronto
para apressar o matrimônio com uma mulher que não despertava nada nele.
Talvez isso explicasse sua atração por Keeley. A moça não apenas o salvou,
mas a proximidade de um vínculo com a outra mulher poderia explicar porque ele
a queria tão perto dele. Ela era uma distração. Sim. Nada mais.
Sentindo-se melhor agora que explicou seu fascínio estranho por ela, voltou
sua atenção para seus irmãos.
— Não estarei na cama por muito tempo. É nada além de um corte. Estarei
em pé e em campo de treinamento em breve.
— Um corte pequeno? – Caelen bufou. – Você quase morreu. Irá descansar e
fazer tudo o que Keeley disser, nem que eu tenha que amarrá-lo nesta cama.
Alaric fez uma careta para seu irmão mais novo.
— Este corte não me impedirá de dar-lhe uma surra.
Caelen revirou os olhos e Ewan fechou a cara para os dois.
— Vocês agem como um bando de crianças.
— Olhe o velho casado falando. – Alaric respondeu.
Caelen riu e concordou. Pelas costas de Ewan, ele fez um gesto que
mostrava que Mairin agarrou Ewan pelo sexo. Alaric sufocou um sorriso e gemeu
de dor.

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— É obvio que você precisa passar os próximos dias na cama. –Ewan disse
severamente. – Caelen está certo. Se tivermos que atá-lo, vamos fazê-lo. Não me
teste, irmão.
— Não preciso de seus mimos. Não se preocupe. Sairei da cama quando
estiver pronto. Enquanto isso, não tenho pressa. Tenho a intenção de permitir que
Keeley cuide de mim em todos os sentidos.
Caelen balançou a cabeça.
— Não tenho ideia do que você viu nessa moça espinhosa. Ela parece um
ouriço.
— Então não preciso avisá-lo para não dar em cima dela, né? – Alaric disse
com um sorriso.
— Lembre-se de seu dever e de seu futuro casamento. – Ewan disse
calmamente.
—Isso é apenas o que posso pensar, Ewan. Não corro o risco de esquecer.
— Vamos deixá-lo descansar agora. – disse Ewan, levantando-se. – Keeley
deve estar de volta com sua refeição a qualquer momento. Então, talvez você
possa permitir que a moça vá para seus aposentos para descansar. Ela ficou ao seu
lado todos esses dias sem dormir.
Alaric concordou, mas não tinha a intenção de deixá-la dormir sozinha. Ela
ficaria com ele. Em seus braços.
Assim que seus irmãos saíram, Keeley entrou com uma bandeja na mão e um
copo na outra. Alaric olhou para seu rosto. Sim. Ela parecia cansada. Desgastada
completamente. Esteve zelando por ele.
Ele ainda estava doente. Não estava em seu melhor estado, não importava o
que disse a seus irmãos. Precisava dos cuidados de Keeley e se certificaria de que
ela tinha tudo o que precisasse.
Keeley olhou para seus irmãos com irritação, o que divertiu Alaric. Ela deu
um passo em torno deles e não poupou outro olhar enquanto caminhava até a
cabeceira da cama.
— Trouxe um caldo e um pouco de cerveja. Eu queria água, mas Gertie
insistiu que um homem deve beber cerveja para recuperar suas forças.
— Gertie está certa. Uma boa cerveja cura qualquer doença.
Keeley franziu o nariz, mas não discutiu.
— Você pode se sentar?
Alaric se apoiou no colchão e tentou dar um empurrão para cima. Ele sentiu
dor do seu lado, roubando sua respiração. Congelou, ofegando suavemente
enquanto uma névoa cobria sua visão.
Keeley fez um som alarmante e de repente estava ao lado dele. Colocou os
braços ao seu redor e ajudou-o a se sentar. Sacudiu vários travesseiros atrás dele e
ajudou-o a se encostar.

50
— Lentamente, guerreiro. Eu sei que dói.
Ele estava lá ofegante, com um brilho de suor em sua testa. Náuseas
brotaram de sua barriga e tudo o que podia fazer era debruçar-se e arfar. Jesus, o
corte parecia ter sido feito pelo diabo.
Ele começou a protestar quando ela se afastou, mas antes que pudesse abrir
a boca, ela estava de volta com a bandeja e a cerveja na mão. Ela deu-lhe o copo e
depois deslizou na cama ao lado dele.
— Beba lentamente, até seu estômago se acostumar. - ela murmurou.
Como sabia que estava enjoado, ele fez questão de seguir seus conselhos e
tomou goles cautelosos da forte bebida. Depois de alguns goles, fez uma careta e
colocou o copo a distância.
— Acho que você estava certa, Keeley. Água pura seria melhor para meu
estômago. A cerveja parece que azeda mais ainda.
— Aqui. – disse ela com voz suave – Tome o caldo. Eu descerei para buscar
um pouco de água para você.
— Não. Não se mova. – ele jogou a cabeça para trás e gritou o nome de
Gannon.
Keeley pulou sobressaltada.
— Desculpe, moça. – ele disse – Não quis assustá-la.
Depois de um momento, a porta se abriu e Gannon enfiou a cabeça dentro e
Keeley lhe lançou um olhar confuso que fez Alaric rir.
—É seu dever permanecer fora de meu quarto para caso eu precise de algo.
Sabia que ele não estava longe.
— Isso foi apenas um teste? – Gannon resmungou.
—Não. Eu preciso de água e não queria que Keeley fosse sozinha buscar. Ela
está cansada.
— Voltarei em um momento. – disse Gannon enquanto se retirava.
— Vai comer esse caldo agora? Ou vai continuar berrando para seus
homens?
Alaric sorriu com uma nota ácida em sua voz.
— Eu poderia precisar de você para me ajudar. Estou me sentindo um pouco
fraco.
Keeley revirou os olhos, mas se voltou para ele, equilibrando a bandeja na
palma da mão.
— Coma mais um pouco. — ela disse – Não muito rápido. Deixe repousar no
seu estômago antes de tomar mais.
Alaric tomou o liquido e saboreou o calor reconfortante. Mais que o
conforto do caldo, ele sentia o cuidado carinhoso de Keeley ao seu lado. Os nos
dedos que roçavam seus lábios enquanto ela se aproximava dele. Ela se ajoelhou e
se inclinou, dando-lhe uma ampla visão de seu decote. Os deliciosos montes

51
surgiam acima do decote da blusa. Ele prendeu a respiração, esperando que o
vestido se movesse mais para baixo.
Ele podia prová-la agora e tudo o que tinha que fazer era se inclinar para
acariciar a doce e suave carne.
Ela segurou seu queixo e o levantou até o olhar dele encontrar o dela.
Castanhos. Ricas piscinas castanhas com pequenas manchas verdes e douradas.
Seus cílios eram espessos, tornando seus olhos ainda maiores e mais exóticos.
— Beba. – ela disse.
Ele permitiu que ela o controlasse por completo. Tudo o que ela mandava,
ele obedecia. Ela acariciou seu rosto, enquanto inclinava a tigela com mais caldo.
Cada vez que seus corpos se roçavam, o corpo dele se mexia
desconfortavelmente. Ele pensou que seu membro não reagiria daquela forma
devido a dor que estava sentindo. Mas ele estava duro, empurrando suas calças. E
essa dor era tão insuportável quando a dor de seu ferimento.
Antes que ele percebesse, tomou todo o caldo.
— Você quer mais? – ela perguntou com voz rouca.
— Sim.
— Vou pedir mais.
— Não.
— Não?
— Não é o que eu quero.
Seus olhos brilharam e ela olhou para ele, jogando seu olhar sobre o rosto
dele.
— O que você quer, guerreiro?
Ele se abaixou e roçou os dedos nos dela. Ele levantou a mão e embalou o
rosto dela em sua palma. Esfregou para frente e para trás até que o prazer se
tornou difícil de suportar.
— Quero você perto de mim.
— Já disse que não irei deixá-lo. – ela o repreendeu suavemente.
A porta se abriu novamente e Alaric amaldiçoou a todos, enquanto Keeley
saltava de seus braços. Ela ajeitou a saia e se ocupou da bandeja e do copo,
enquanto Gannon entregava a lata de água para Alaric.
Ele bebeu avidamente, querendo que Gannon fosse embora o mais rapido
possível. Quando bebeu toda a água, devolveu o recipiente para Gannon.
— Certifique-se de que não sejamos perturbados. Keeley deve descansar.
— Eu?
Keeley abriu a boca e seus olhos se estreitaram.
— Se não me engano, é você quem está ferido gravemente.
Alaric concordou.
— Sim, mas você não tem descansado desde então.

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Ela fechou a boca e ele sorriu para ela. Estava exausta e não tinha condições
de argumentar. Seus ombros cederam e Alaric fez sinal para Gannon se aproximar.
— Prepare um banho para Keeley. – ele murmurou para seu homem. – Você
pode trazer a banheira aqui e deixá-la no canto para que ela tenha privacidade.
Gannon ergueu a sobrancelha, mas não discutiu. Virou-se e deixou o quarto.
Alaric se recostou na cama, satisfeito por ver Keeley arrumando uma coisa ali e
outra aqui, em um claro esforço para evitá-lo.
Quando outra batida soou na porta, Keeley franziu a testa, mas foi atender.
Alaric sorriu quando ela se afastou, os olhos arregalados para os homens que
carregavam uma grande banheira para dentro do quarto. Eles foram seguidos por
várias mulheres, cada uma com um balde de água quente. Keeley olhou para
Alaric.
— Você não pode molhar seus pontos.
— Não é para mim.
— Para quem é então? – ela perguntou, nervosa.
— Para você.
Seus olhos se arregalaram e ela olhou para a banheira, como se não tivesse
ideia do que responder. Quando abriu a boca, ele levou o dedo aos lábios em um
movimento para silenciá-la.
Ela atravessou a sala e sentou-se na beira da cama.
— Alaric, eu não posso tomar banho aqui!
— Eu não vou olhar. – disse ele inocentemente.
Ela olhou ansiosamente para a banheira. O vapor subia da água.
— Se você não se apressar, a água vai ficar gelada. – ele disse.
Gannon voltou em seguida com uma parede de madeira dobrada ao meio.
— Pedi a Mairin um biombo. – ele disse a Keeley.
Alaric atirou-lhe um olhar, mas Gannon fez de conta que não viu.
— Biombo? – Keeley olhou para a engenhoca com perplexidade.
— Sim, ela mandou construir para protegê-la quando quisesse tomar banho
em privado. – explicou Gannon.
Keeley sorriu de alegria, pois isso tirava a visão da banheira.
—É perfeito!
Gannon voltou a sorrir e, em seguida, estendeu a trouxa de roupa em sua
direção.
— Mairin enviou-lhe um vestido novo para trocar. Ela pediu para dizer que
no dia seguinte as mulheres terão mais para lhe dar.
O rubor subiu pelo rosto de Keeley.
— Agradeça a Mairin e às outras mulheres por mim. – ela disse, em voz
baixa.

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Gannon assentiu e virou-se para acompanhar as mulheres para fora,
fechando a porta atrás dele.
Keeley passou os dedos pelo material do vestido, uma expressão
melancólica no rosto. Então olhou para Alaric.
— Serei rápida.
Alaric balançou a cabeça.
— Não há necessidade. Leve o tempo que você quiser. Estou me sentindo
muito melhor agora que me alimentei. Só preciso descansar.
Ele começou a suar frio quando Keeley se escondeu atrás da tela e
momentos depois o vestido voou por cima, ficando pendurado na beira.
Ela estava nua por trás daquele pedaço de madeira. Ele amaldiçoou Gannon
por sua interferência, porque agora ele estava preso na cama imaginando as
longas pernas esguias, os seios perfeitos e os quadris curvilíneos, coberto de
cachos em seu centro, que provavelmente seriam tão escuros quanto seus
cabelos.
Ele fechou os olhos quando ouviu o barulho de água. Os suspiros de
contentamento que ela soltava apertavam seu escroto e seu membro se esticou
implacavelmente para cima, tão duro e tão ereto que ele pensou que poderia furar
uma parede.
Estendeu sua mão esquerda, desamarrando com impaciência seus cordões.
Colocou os dedos em sua carne rígida e circulou a base, segurando apertado. Para
cima e para baixo, trabalhou, quase gemendo em voz alta.
Ela fez alguns barulhos e ele fechou os olhos enquanto imaginava ela
esticando uma perna de cada vez para lavá-las.
Jesus. Ele não poderia terminar assim. Inferno que não podia. Ele usaria a
água do banho dela mais tarde. Precisava limpar o sangue de sua ferida de
qualquer maneira. Ela tinha feito um excelente trabalho para mantê-lo limpo.
Mesmo o cabelo dele. Nunca antes uma mulher cuidou dele de uma maneira tão
íntima.
Daria tudo para ser capaz de ir atrás daquele biombo e retribuir o favor. Ele
lavaria cada centímetro do delicioso corpo e correria os dedos pelos fios de seda
dela.
Fez uma pressão mais firme ao redor de seu eixo, tocando o prepúcio sobre
a cabeça, pressionando e deslizando para baixo novamente. Sua respiração
tornou-se mais rápida. Ele fechou os olhos e imaginou-a de joelhos na frente dele,
com os lábios entreabertos para aceitá-lo. Suas mãos se aprofundando nos
cabelos dela, segurando-a firmemente enquanto guiava seu pau para o calor de
sua boca de veludo. Afundando, profundamente. Para frente e para trás,
esfregando a língua eroticamente sobre a coroa.

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O fogo se reuniu em sua virilha. Seu saco se apertou insuportavelmente e
sua liberação se aproximava. Mais rápido pelo seu eixo. Mais rápido e mais duro.
Ignorou a dor de seu ferimento, inclinando as costas e arqueando-se para cima,
ondulando os dedos enquanto seu sêmen jorrava sobre sua barriga.
Foi intenso e doloroso. A versão mais violenta de sua vida. Jesus, e ele ainda
não a tinha tocado. Quanto mais incrível seria se ele estivesse no fundo de seu
corpo ou cercado por sua boca?
O som da água caindo o alertou para o fato de que ela estava saindo da
banheira. Ele gemeu e lentamente limpou os últimos vestígios de sua liberação
antes de deixar seu membro cair. Puxou as calças para trás sobre sua virilha,
estremecendo quando o material roçou sua carne sensível.
Keeley espiou pelo biombo.
— Você está bem? Eu pensei tê-lo ouvido.
— Estou bem. – ele resmungou. – Se você terminou, eu gostaria de me lavar
também. Terei cuidado para não molhar meus pontos.
Ela franziu a testa, mas não discutiu. Desapareceu por trás da madeira
novamente e ele ouviu o farfalhar do tecido. Poucos minutos depois, ela
reapareceu com um vestido limpo e as faces coradas do calor da água. Seus longos
cabelos formavam uma trilha úmida pelas costas.
— Enquanto você se banha, secarei meu cabelo no fogo. – ela disse.
Ele começou a levantar-se, mas prendeu a respiração e ficou parado quando
sua ferida protestou. Ela correu adiante, alcançando seu braço.
— Deixe-me ajudá-lo. Apóie-se em mim. Segure-se em minha cintura e deixe-
me puxá-lo para que você possa ficar em pé.
Ele não precisava de convite para enrolar seu braço em volta da cintura e
enterrar o rosto com suavidade em seu ventre. Ele inalou o perfume limpo, o
cheiro de rosas provocando o seu nariz. Era o sabão de Mairin, mas nunca o atraiu
como agora na pele de Keeley.
— Venha agora. – ela insistiu com voz doce e rouca.
Ele permitiu que ela o puxasse para frente, mas segurando-a para que não
caíssem. Seu peso era demais para ela suportar sozinha. Quando se virou de modo
que seus pés tocassem o chão, parou um momento, reunindo forças para se
levantar.
Assim que ele se pôs em pé, a sala nadou em círculos e seus joelhos
ameaçaram falhar. Levou um tempo até se estabilizar. De repente, tornou-se
consciente de uma necessidade física. Com uma careta, ele passou um braço em
volta dos ombros de Keeley para se firmar.
— Preciso de um penico. – ele disse rispidamente – Talvez seja melhor sair
da sala por um momento. Eu não desejo horrorizá-la com minhas necessidades
pessoais.

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A expressão dela se suavizou e ela sorriu para ele.
— Quem você acha que o ajudou nestes aspectos durante esses dias,
guerreiro?
O calor subiu pelo pescoço dele até ele ter certeza de que estava corando
como uma donzela.
— Eu vou esquecer que você disse isso.
Ela riu e colocou-o debaixo do braço.
— Tem certeza que ficará bem? Eu só vou estar ali fora. Se precisar de mim é
só gritar. Vou dar a você um momento para entrar na banheira e depois voltarei.
Alaric concordou e a observou sair do quarto. Uma vez lá, ela se virou e lhe
enviou um sorriso tímido que o arrepiou. Então, fechou a porta.
Sentindo-se um homem velho e decrépito, Alaric se aliviou e em seguida
seguiu para a banheira. Ele achou melhor se ajoelhar em um joelho ao invés de
sentar-se. Nunca entendeu os prazeres do banho. Preferia mergulhar no lago com
seus irmãos. A banheira era muito pequena para um homem do seu tamanho e era
estranho como o inferno se mexer ali dentro.
Ainda assim, ele conseguiu lavar-se o melhor que podia. Quando estava
convencido de que havia feito um trabalho adequado, apoiou as mãos nos lados
da banheira e se levantou com um grunhido.
— Alaric?
A voz de Keeley soou através da barreira de madeira.
— Sim.
— Você está bem? Precisa se ajuda?
Ele foi tentado a dizer que sim, mas ele não conseguia ser ardiloso.
— Olhe em minha cômoda, aos pés da cama e me traga um par de calças
limpas.
Um momento depois ela colocou as mãos ao lado do biombo e estendeu
calças limpas para ele.
— Tem certeza de que será capaz de fazê-lo sozinho? – ela perguntou com
dúvida.
— Tentarei.
Alguns dolorosos minutos depois, ele marchou para fora do biombo, com o
rosto branco como uma folha. Ela o olhou e imediatamente colocou os braços ao
redor de sua cintura, com cuidado para não tocar a ferida.
— Deveria ter me deixado ajudá-lo. – ela o repreendeu. – Você está com dor.
Ele relaxou em cima da cama e com a ajuda dela, se posicionou de costas.
Sentia-se debilitado, mas ergueu a mão para ela.
— Deite-se comigo, Keeley. Nós dois precisamos de um descanso. Eu vou
dormir com você ao meu lado.

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Os olhos dela brilharam e o rosto corou, mas ela permitiu que ele a puxasse
para o colchão.
— É verdade, estou cansada. – ela sussurrou.
— Sim, e você tem motivo para estar assim.
Ele deslizou a mão para cima e para baixo em suas costas e apoiou o queixo
no topo da cabeça. Aos poucos, ela relaxou até que se sentiu mole contra ele.
— Keeley?
— Sim. – ela perguntou sonolenta.
— Obrigado por cuidar de mim e me trazer de volta para meus irmãos.
Ela ficou em silêncio por um momento e então respondeu:
— De nada, guerreiro.

Capítulo Onze
Keeley suspirou e se enfiou mais perto da fonte de calor. Ela bocejar
preguiçosamente e quase ronronou na mão grande que se esfregava em suas
costas.
— É tão maravilhoso despertar assim.
Então se lembrou de que estava na cama com Alaric McCabe e só podia ser a
mão dele vagando sem rumo pelas suas costas.
Levantou a cabeça e encontrou-o olhando para ela. Sua mão subiu
gentilmente pelos cabelos, massageando a nunca. Ela estava hesitante em falar,
para quebrar aquela paz que invadiu o quarto.
Uma luz suave penetrava através das cortinas e o fogo não era nada mais
que um leito de brasas.
Alaric se apoiou sobre ela. Olhou-a deliciosamente selvagem, mas satisfeito
também. Não havia dor em seu olhar. Não, algo totalmente diferente brilhou em
seu íntimo. Algo que a fez arrepiar por dentro e esquentar por fora.
Ela lambeu os lábios nervosamente e o olhar dele se escureceu ainda mais,
até que o verde de seus olhos se tornou um fino círculo ao redor das pupilas
dilatadas. A boca de Alaric se separou e sua respiração se tornou irregular. Sua
mão apertou-se em torno da nuca de Keeley e antes que ela pudesse processar a
situação ele a puxou, inclinando-se para encontrar seus lábios.
Foi um beijo suave. Apenas um roçar de bocas, mas com um doce sabor.
Beijou-a novamente, desta vez pressionando a boca para o canto dela. Sua língua
rodou para fora, quente e áspera, arrastando sobre a curva de sua boca para
depois correr ao longo da junção, exigindo que seus lábios se abrissem. Incapaz de
negar-lhe qualquer coisa, ela os abriu e permitiu-lhe a entrada. Ele sondou

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cautelosamente enquanto saboreava a primeira união das suas línguas. Em uma
dança delicada, as duas duelaram, retiravam e depois avançavam com mais
ousadia, roçando uma sobre a outra.
— Você tem um gosto tão doce. – Alaric sussurrou.
Sua voz causou arrepios em sua coluna, mas também a despertou para o
que estava fazendo. Ela estava deitada em sua cama, meio deitada em cima dele,
enquanto ele a beijava.
E ele estava comprometido como outra. Este último pensamento foi tão
eficaz quanto um banho de água fria.
— Keeley, o que é?
Ela o empurrou com as mãos, colocando um espaço entre eles.
— Isso é errado. – ela murmurou. – Você está prometido em casamento a
outra.
Alaric fez uma careta.
— Quem lhe disse isso?
Ela franziu a testa.
—Não importa quem disse. Importa que é a verdade. Você pertence a
outra. Não é certo me beijar e me segurar assim.
— Eu ainda não estou casado.
Keeley suspirou.
— Essa é uma desculpa bem podre, sabia disso? Você tem planos para não
se casar com ela?
Alaric apertou os lábios, mas balançou a cabeça.
— Não. É um casamento arranjado. Uma união necessária para garantir
nossa aliança com os McDonalds.
Ela não devia se sentir magoada por algo do qual já sabia. O que era este
homem para ela, afinal? Não era nada, além de alguém precisando de sua ajuda.
Nada mais. Alguns beijos trocados não fazem um futuro.
Ela balançou a cabeça para livrar-se de tais pensamentos. Rionna era filha de
um laird e Keeley não era nada. Não tinha nada que o fizesse mudar de ideia. Sem
conexões. Sem dote. Nem mesmo o apoio de seu clã.
— Então, está beijando a mulher errada. – disse levemente.
Alaric suspirou e deitou a cabeça em seu travesseiro.
— Não pode ignorar que existe uma atração entre nós, Keeley. Nem eu
poderia, se quisesse. Nunca senti algo tão forte por uma mulher. Queimo por você,
moça.
Keeley fechou os olhos. Sua garganta se apertou e ela engoliu em seco.
Quando reabriu os olhos, viu a agonia nos olhos de Alaric.

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— Diga-me, guerreiro. O que acontecerá comigo? – perguntou baixinho. –
Entrego-me a você apenas para vê-lo casado com outra. O que será de mim
enquanto você se tornar o laird do clã McDonald?
Alaric estendeu a mão para tocar seu rosto.
— Gostaria de vê-la bem cuidada. Você sabe disso. Não faria nada que lhe
trouxesse vergonha ou desgraça.
Ela sorriu levemente. Vergonha e desgraça eram coisas com que estava bem
acostumada.
— Se você cuidar de mim, não poderá haver nada entre nós.
Ele a olhou como se quisesse argumentar, mas ela apertou seu dedo sobre
os lábios em uma gentil reprovação.
—Está amanhecendo agora. Nós dormimos a noite toda. Preciso ver sua
ferida e trazer algo para o desjejum. E depois procurarei o laird para definir minha
posição neste castelo.
— Ele cuidará de você. – disse Alaric firmemente. – Se não fizer, irá
responder a mim.
Ela se ocupou de inspecionar os pontos do ferimento.
— A vermelhidão quase desapareceu. – disse – Descanse mais alguns dias e
então deixarei você sair da cama, e não voltará a lutar até que coloque os pés nos
chão.
Sua tentativa de descontrair não funcionou. Alaric ainda a olhava com
sombrio remorso. Ela desviou olhar e em seguida saiu da cama.
Foi até a janela, afastando as cortinas para permitir que o ar fresco e o sol da
manhã entrassem. Por um momento, estava lá, xingando o destino e seu fim
inevitável. Apertou as mãos até os nós dos dedos ficarem brancos e olhou o
nascer do sol diante da tristeza e do arrependimento de seu coração.
Sua vida, seu futuro, foram determinados pelas ações dos outros. Ela tinha
jurado que nunca mais deixaria seu destino ser guiado pelos outros. Mas agora, ao
decidir por si própria, trouxe um sentimento de insatisfação. Tinha feito o que era
certo? Do que tentava se proteger? Infelicidade? Desgraça?
Devia se sentir melhor, pois só decidiu o curso de seu destino. Em vez disso,
ficou com dores no peito e sensação fugaz de desejos não realizados.
Olhou novamente para Alaric, que permanecia com os olhos fechados e a
cabeça imóvel sobre o travesseiro. Sim. Era melhor daquela maneira. Ele nunca
poderia ser dela. Se concordasse com isso, seria apenas para machucá-la mais. Era
melhor não conhecer as alegrias do amor.
Respirando fundo, endireitou os ombros e atravessou o quarto até a porta.
Era hora de determinar o resto de seu destino. Ewan McCabe seqüestrou a pessoa
errada. Ele precisava contar-lhe seus planos e oferecer-lhe algumas garantias se
quisesse que ela ficasse até o nascimento do bebê.

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Quando saiu, quase tropeçou em Gannon, que estava sentado no corredor
com a cabeça apoiada na parede. Ele ficou de pé imediatamente. Alaric não tinha
exagerado quando disse que seu homem ficaria ali fora no caso de precisar de
alguma coisa.
— Há algo que possa fazer por você? – Gannon perguntou educadamente.
— Não. Alaric está bem. Vou descer as escadas e falar com o laird e pedir
uma refeição para Alaric.
Uma expressão inquieta brilhou no rosto de Gannon.
— Talvez seja melhor eu ir ao laird fazer seus pedidos.
— Não, eu não acho melhor. – ela disse, estreitando os olhos. – Se você
quiser ajudar, pode ir até a cozinha e trazer uma refeição para Alaric. Estarei com o
laird, se precisar de mim.
Não dando ao guerreiro a chance de defender seu ponto de vista, ela passou
por ele e desceu as escadas. Uma vez no grande salão, examinou o interior com
curiosidade. Havia várias mulheres trabalhando. Ela não tinha ideia de onde
procurar o laird. Estava nervosa.
— Keeley! Existe algo que possa fazer para ajudá-la?
Keeley virou-se para ver Maddie se aproximando da cozinha.
— Onde posso encontrar o laird?
Maddie franziu a testa.
Ele está lá fora treinando com seus homens no pátio.
Keeley sorriu.
— Obrigada.
Quando se virou para ir, Maddie a chamou:
— O laird não gosta de ser perturbado quando está treinando!
— Sim, bem, eu também não gosto de ser incomodada quando estou em
minha casa, dormindo em minha cama. – Keeley resmungou baixinho.
Parou na porta que conduzia ao pátio e prendeu a respiração ao ver tantos
guerreiros, todos lutando, ou atirando com arco e flecha, ou com espadas. Havia
centenas, e o som de luta quase a ensurdeceu.
Segurando as mãos nos ouvidos, ela desceu para o pátio e cautelosamente
procurou o laird. Parou quando um floco de neve caiu em seu nariz e ela olhou
para cima para ver que realmente começava a nevar. Tremendo, encolheu os
ombros e continuou na sua busca. Quando virou ao lado de uma parede de
homens, ficou cara a cara com o laird e seu irmão.
Caelen fechou a cara instantaneamente e o laird não ficou muito atrás
quando a viu.
— Há algo errado? – o laird exigiu. – Alguma coisa com Alaric?
— Alaric está bem. Sua ferida está se curando e sua febre diminuiu. E não
vim falar com você sobre Alaric.

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— Estou ocupado. – disse o laird. – Seja o que for, pode esperar.
Virou as costas para ela com desdém e o sangue de Keeley ferveu.
— Não, laird. Não vai esperar. – ela bateu o pé para dar ênfase e fez sua
própria voz ser ouvida acima do barulho.
O laird enrijeceu e em seguida virou-se lentamente de volta para olhar para
ela. Em torno deles, a atividade cessou, enquanto os homens paravam para olhar
para Keeley.
— O que você disse? – ele perguntou com voz perigosamente baixa.
Caelen olhou para ela em descrença e depois olhou para o irmão como se
confirmando que ela ousou discutir com o laird.
Ela ergueu o queixo, recusando-se a recuar. Mesmo que seus joelhos
estivessem tremendo.
— Eu disse que não vai esperar.
— É mesmo? Diga-me, então. O que é tão importante que precisa
interromper o treinamento de meus homens? Tem toda a nossa atenção, agora.
Não seja tímida.
— Nunca disse que sou tímida. – ela disse secamente – E o que é importante
é saber quais são seus planos para mim. Você me tirou de minha casa para cuidar
de seu irmão e espera que eu ajude no parto de Lady McCabe. Recuso-me a ser
tratada como uma prisioneira. Gostaria de saber qual o meu lugar em seu clã.
Ewan McCabe arqueou uma sobrancelha enquanto olhava para ela.
— E você não foi tratada com respeito até agora? Eu lhe asseguro que meus
prisioneiros não têm quarto próprio e nem seus pedidos pessoais atendidos. Aqui,
meus prisioneiros são bem-vindos no calabouço.
Ela se recusou a ser intimidar com a austeridade em sua voz. Encarou-o e
ficou ereta.
— Gostaria de saber qual é a minha posição aqui, laird. Para não haver
nenhum mal entendido mais tarde. Tive que desistir da segurança e do único lar
que conheço. Estou acostumada a viver sob minhas próprias regras. Acho que não
sei obedecer às ordens dos outros tão facilmente.
Uma expressão escura cobriu o rosto de Ewan, e ela tinha certeza de que ele
estava a ponto de explodir. Mas em seguida, para seu total espanto, ele jogou a
cabeça para trás e soltou uma gargalhada.
— Diga-me, Keeley, você tem falado com minha mulher? Será que ela a
instigou a isso?
Ao redor, seus homens começaram a rir. Mesmo Caelen perdeu a cara de
mau humor. Ela olhou para todos com perplexidade.
— Por que Lady McCabe me mandaria falar com você? Eu não a vi esta
manhã.
Ewan deu de ombros e soltou um suspiro exagerado.

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— Jesus, estou amaldiçoado a ter duas mulheres que insistem em desafiar
cada ordem minha.
— Lembre-se que a ideia foi sua. – Caelen murmurou.
Ewan levantou a mão enquanto as risadas cresciam entre suas fileiras.
Keeley o olhou ansiosamente. Eles pareciam pensar que tudo não passava de uma
brincadeira. Estava totalmente séria e mais furiosa por ver que eles riam quando
ela fora seqüestrada e forçada a sair de sua casa, e pior, perdendo sua
independência.
Com os dentes cerrados, ela se virou e seguiu de volta para o castelo.
Pensou em ir até Alaric e descarregar sua frustração e raiva, mas isso só causaria
discórdia entre os irmãos. A última coisa de que ele precisava era isso.
Quando quase estava chegando ao castelo, uma mão forte a cercou pelo
ombro e a girou. Ela golpeou com os punhos. Caelen arregalou os olhos em
choque pouco antes de se esquivar para o lado e tentou bloquear seu golpe.
— Por Deus, mulher. Baixe a guarda.
— Retire suas mãos de mim. – ela retrucou.
— Keeley, gostaria de falar com você. – Ewan disse, com voz sombria.
Ela olhou atrás de Caelen e viu Ewan. Afastou a mão de Caelen e deu um
passo para trás.
— Acho que já disse o suficiente, laird.
— Não, eu não penso assim. Entre. Vamos falar na sala enquanto tomo o
café da manhã. Você já comeu? Costumo comer com minha esposa. Ela dorme
mais agora que está esperando nosso filho.
Keeley acenou com a cabeça e esperou o laird ir à frente dela para o castelo.
Caelen recuou e com um último olhar na direção de Keeley voltou para onde os
homens estavam treinando.
Quando entraram no salão, os lugares já estavam prontos e Mairin
aguardava na mesa. Seu rosto se iluminou quando encontrou os olhos do marido e
tentou se levantar.
— Não, carinho, não se levante. – ele disse, colocando uma mão sobre seu
ombro. Ele parou e colocou um beijo em sua testa com um sorriso que fez Keeley
se sentir melancólica.
Quando ele se sentou, fez um sinal para Keeley se sentar ao lado deles.
—Bom dia, Keeley. – disse Mairin, sorrindo.
— Bom dia, - Keeley respondeu.
— Como está Alaric?
Keeley deu-lhe um sorriso tranqüilizador.
— Ele está melhor nesta manhã. Sua febre diminuiu e eu o aconselhei a
descansar nos próximos dias.
— É maravilhoso ouvir isso, e devemos tudo a você. – disse Mairin.

62
Ewan limpou a garganta e olhou para Keeley enquanto as mulheres se
serviam.
— Embora as circunstâncias de sua vinda aqui fossem menos do que
desejável, minha intenção é que você fique conosco pelo até Mairin dar a luz. Ela é
tudo para mim. Quero o melhor cuidado que posso dar a ela.
— Seu respeito é admirável, laird. Sua esposa tem sorte de ter um marido
tão preocupado com seu bem estar.
— Eu sinto um “mas” em sua declaração. – Ewan disse secamente.
— Eu quero sua garantia de minha situação aqui. – Keeley continuou – Eu
quero a liberdade de ir e vir como e onde quiser.
Ewan sentou-se e estudou-a por um longo momento.
— Se eu lhe der essa liberdade, tenho sua palavra que você não abandonará
minhas terras?
Keeley respirou profundamente. Uma vez dada a sua palavra, esta não
poderia ser quebrada. O que significava que passaria o inverno com os McCabes.
Ela sentia uma tentação que nunca havia conhecido quando estava ao lado de
Alaric.
Olhou para Mairin que parecia ao mesmo tempo delicada e cansada e depois
viu o amor e a preocupação nos olhos do laird. Ele realmente amava sua esposa e
temia pelo seu bem-estar. Se Keeley pudesse aliviar essa preocupação e assistir o
nascimento do filho de Mairin, ela o faria.
— Sim, você tem a minha palavra.
Ewan assentiu.
—É importante saber que sua liberdade vem acompanhada de algumas
condições. Não poderá deixar nossa fortaleza sem uma escolta. Temos inimigos
que usariam todos os meios necessários para nos atacar.
— Posso viver com essas condições.
— Sim, Keeley. Terá sua posição respeitada e reverenciada em nosso clã.
Embora a tenha trazido aqui para cuidar de Alaric e do parto de meu filho, nós não
temos uma curandeira e os membros de meu clã precisam de seus serviços.
Espero que você possa ajudá-los. Se der a sua lealdade de boa vontade, será
tratada como uma McCabe, o que significa que sempre terá o que podemos
oferecer.
Seu discurso foi sério e sincero. Ele não parecia um homem que oferecia
mentira. Não, ele era um homem de honra.
— Vou fazer o que quiser, laird. – ela murmurou.
Mairin juntou as mãos de alegria.
— É uma notícia maravilhosa! Será bom ter outra mulher aqui. Talvez você
possa nos ensinar um pouco de seus conhecimentos, Keeley.

63
— Como se nós já não tivéssemos mulheres em número suficiente. – Ewan
resmungou. – Vocês descaradamente já superam o número de homens no
castelo.
Mairin cobriu a boca com a mão, mas seus olhos brilhavam de felicidade.
— Após a refeição, eu e Maddie mostraremos as roupas que fizemos para
você. Então mostrarei todo o castelo e vou apresentá-la ao clã. Todos estão
animados para conhecer a nova curandeira.
Keeley sorriu para a outra mulher.
— Obrigada, eu gostaria disso,
Depois da refeição, Ewan se afastou da mesa e se inclinou para beijar a face
de Mairin.
— Devo voltar para os homens. Certifique-se de manter Gannon e Cormac
com vocês enquanto mostra tudo a Keeley.
Mairin revirou os olhos quando Ewan foi embora.
— Vi isso, Mairin! – Ewan rosnou.
Mairin sorriu e acenou com a mão para se despedir.
— Você precisa ver Alaric antes de começar? – ela perguntou a Keeley.
— Ele vai ficar bem. – Keeley disse rapidamente. – Estava descansando
confortavelmente em sua cama quando saí e pedi a Gannon que levasse algo para
comer.
Mairin acenou com a cabeça e depois se levantou desajeitamente.
— Venha, então. Vou apresentá-la às outras mulheres.

Capítulo Doze
Ao longo da excursão por toda a fortaleza, Mairin conversou bastante. A
cabeça de Keeley girava a maior parte do tempo, mas tentava guardar o nome das
pessoas a quem era apresentada.
Como Mairin não dizia o sobrenome de Keeley, muitos dos McCabe a
olhavam com desconfiança, embora outros a acolhessem calorosamente.
Christina, uma moça um ou dois anos mais jovem que Keeley, olhou-a
animada e com um sorriso pronto. Foi bom sentir uma afinidade imediata com
outra mulher.
Keeley sufocou um sorriso ao ver o óbvio flerte entre Christina e Cormac.
Eles não conseguiam tirar os olhos do outro, mas ambos fingiam desinteresse
ferozmente.
Circularam o castelo, onde um grupo de crianças brincava na neve. Os flocos
pararam de cair, embora ao olhar para o céu, Keeley sabia que começaria a nevar a
qualquer momento.

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Um dos meninos olhou para cima e quando viu Mairin, deixou o grupo de
crianças e correu em direção a Mairin e Keeley.
— Mama!
A criança e Mairin se abraçaram apertadamente. Keeley assistiu a tudo com
interesse. Mairin parecia jovem demais para ter uma criança desta idade. Ela
limpou a cabeça do menino e em seguida virou-se para Keeley, com um sorriso
indulgente no rosto.
— Crispen, eu gostaria que você conhecesse Keeley. Ela ficará conosco por
um tempo.
— É maravilhoso conhecê-lo, Crispen.
Ele levantou a cabeça e olhou para Keeley. Ela ficou surpresa ao ver a
ansiedade piscando nos olhos do menino.
— Você ajudará minha mãe quando chegar a hora do parto?
O coração de Keeley se suavizou ao ouvir a preocupação com Mairin. Era um
menino doce.
— Sim, Crispen. Eu já fiz o parto de vários bebês. E estarei ajudando a sua
mãe quando chegar a hora dela.
O alívio passou pelos olhos do menino e ele abriu um largo sorriso.
— Que bom isso. Papai e eu queremos que ela tenha o melhor. Ela carrega o
meu irmão ou a minha irmã!
Keeley sorriu.
—É verdade. Você prefere menino ou menina?
Crispen torceu o nariz e depois olhou de volta para o grupo de crianças.
— Não me importo em ter uma irmã, desde que não seja como Gretchen.
Mas um irmão seria mais agradável para brincar.
Mairin riu.
— Acho que já combinamos que Gretchen é muito gentil. Agora volte a
brincar. Tenho que terminar de mostrar a fortaleza a Keeley.
Crispen deu-lhe outro abraço e correu de volta para as outras crianças.
Keeley olhou para Mairin com curiosidade, sem saber por onde começar as
perguntas. Mairin balançou a cabeça.
— Gretchen é uma mulher de espírito jovem que sem dúvida um dia
dominará o mundo. É a desgraça da existência de Crispen e de outros meninos.
Quando não os está superando nas brincadeiras de guerra, ela insiste que um dia
se tornará um guerreiro.
Keeley sorriu, facilmente descobrindo quem era Gretchen no grupo de
crianças. Ela estava sentada em um dos meninos, segurando seus braços no chão,
enquanto ele gritava seus protestos.
— Crispen é filho de Ewan, de seu primeiro casamento. – Mairin explicou. –
Sua esposa morreu quando Crispen ainda era um bebê.

65
—É óbvio que ele gosta muito de você.
O rosto de Mairin se suavizou.
— Eu espero um filho próprio, agora, mas Crispen sempre será o meu
primeiro. A criança de meu coração que não veio de meu ventre. Ele é a razão pela
qual vim para Ewan. Ele me trouxe aqui.
Impulsivamente, Keeley esticou o braço e apertou a mão de Mairin.
—Você é uma mulher muito feliz. E é claro que o laird a ama muito.
— Pare com isso ou verá que choro por tudo. E tenho chorado muito neste
dias. Todos os homens de Ewan me evitam, por medo de fazer ou dizer algo que
me faça chorar.
Keeley riu.
— Você não é a única mulher grávida que chora assim. Muitas outras
mulheres a quem já assisti encontravam-se excessivamente emotivas.
Elas continuaram a caminhar ao longo da encosta e quando voltaram com
Cormac de volta para o castelo, rapidamente chegaram ao pátio. No início, Keeley
deu pouca atenção ao que acontecia ali. Então viu que os homens passavam o
tempo todo lutando. E vida de um guerreiro era assim. Um homem tinha que estar
preparado para defender sua casa em todos os momentos.
Mas então, um guerreiro em particular lhe chamou a atenção. Ele não estava
treinando. Sequer segurava uma espada. Andava ao lado do laird observando
como os outros homens lutavam.
— Que idiota. – Keeley murmurou.
— O quê? – Mairin perguntou com voz assustada.
Ignorando tanto Mairin quanto Cormac, Keeley desceu a colina em direção
ao pátio com a fúria borbulhando em cada passo.
— Ignorante, idiota, teimoso!
Ela não percebeu que os homens pararam no momento em que ela entrou
no pátio, com suas palavras voando como flechas.
Ewan inclinou a cabeça para o céu como se pedisse por paciência enquanto
Alaric sorriu e abriu os braços para afastar o ataque iminente.
— O que você está dizendo? – Alaric perguntou quando ela parou na frente
dele.
— O que você acha que está fazendo? – ela exigiu – Eu disse para você ficar
na cama. No seu quarto. Para descansar! Não deveria estar aqui fora, no frio. Não
devia nem estar em pé. Como posso cuidar de você se não me ouve?
Alaric estremeceu enquanto Caelen riu. Alaric atirou para seu irmão um olhar
sombrio.
— Acredito que a moça apenas sugeriu que você está fora de seu juízo. –
Caelen brincou – Parece que a julguei mal. Ela é uma moça astuta.

66
Alaric girou com o punho erguido, quando Keeley agarrou seu pulso e
forçou-o a encará-lo. Então ela se voltou furiosamente para o laird e para Caelen.
— Vocês dois são tão culpados pela falta de juízo dele. Por que não
insistiram para que seu irmão voltasse para o quarto no momento em que saiu?
— Ele não é uma criança para ser mimado. – Ewan rosnou. – E você vai parar
com seus insultos imediatamente.
— Isso não tem nada a ver com ser uma criança. O homem claramente não
tem juízo. Você faz as leis. Não é o laird? Permitiria que um de seus outros
guerreiros arriscasse sua saúde saindo cedo de seu leito? Como explicaria uma
derrota em batalha dizendo que o guerreiro que não pode ser mimado como uma
criança não está presente para ajudá-lo a defender seu castelo porque ele está em
um túmulo frio?
— A moça tocou em ponto importante. – Caelen apontou. – E gostaria de
lembrar que disse que você seria um idiota por permitir isso.
Ewan fez uma careta. Ele claramente não gostava de ser repreendido por
uma mulher. E parecia ainda menos feliz ao ver que sua esposa estava presente.
— Mairin, você não deveria estar aqui fora neste frio. – ele disse,
severamente.
Keeley ficou boquiaberta com ele.
— Ah, então você repreende sua esposa que está saudável, mas não seu
irmão que mal se recuperou de uma febre e tem ainda muito tempo para estar
fora da cama?
— Deus me ajude. – Ewan murmurou.
Keeley voltou ferozmente para Alaric.
— Você está tentando se matar? Não se preocupa com sua saúde? Se rasgar
meus pontos, não irei consertá-los. Irá sangrar até a morte. A ferida vai se inflamar
e sua carne apodrecerá, mas não espere nenhuma ajuda minha. Homem teimoso e
irritante.
Alaric colocou ambas as mãos em seus ombros e apertou suavemente.
— Keeley, por favor. Acalme-se. Estou me sentindo muito bem. Meu
ferimento ainda dói. Eu sei que não estou totalmente recuperado, mas se passar
mais um minuto trancado naquele quarto, enlouquecerei. Precisava um pouco de
ar fresco.
— Bem, você teve seu ar fresco. – Ewan resmungou. – Agora leve seu rabo
de volta para seu quarto para que possamos restaurar a paz por aqui. – ele olhou
para Mairin e Keeley. – E quanto a vocês, voltem para dentro de casa
imediatamente. Quando concordei com as apresentações, não quis dizer que
poderia ir para toda nossa terra, Mairin.
Mairin sorriu serenamente, mas não parecia nem um pouco intimidada pelo
marido.

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— E você – Keeley disse para Gannon, que estava ao lado de Alaric – Não era
seu dever não deixar Alaric fazer nada de tolo?
A boca de Gannon se abriu e seus lábios se a agitaram para cima e para
baixo, mas nada saiu. Ele olhou para Ewan, mas o laird estava muito ocupado
balançando a cabeça.
Keeley não perdeu mais nenhum momento. Agarrou o braço de Alaric e
começou a puxá-lo na direção aos degraus de entrada do castelo. Alaric riu, mas a
seguiu, permitindo que ela o guiasse.
Durante todo o caminho, ela o orientava para que não se machucasse.
Afinal, não havia sofrido um pequeno raspão. O corte foi fundo, e ele poderia ter
sangrado até a morte. Ela o empurrou para dentro do quarto e bateu a porta atrás
deles.
— Você está louco – disse ela – completa e totalmente louco. Agora vamos
tirar essas botas. Como você conseguiu colocá-las? Deve ter doído muito.
— Alguém já lhe disse que você tem a boca mais escandalosa, deliciosa,
sedutora, incrível?
Ela parou seu sermão e olhou silenciosamente para ele.
— Eu... você... o quê? – ela gaguejou.
Ele sorriu, fazendo uma covinha aparecer no lado de seu rosto. Senhor, este
homem era simplesmente irresistível.
— Vem aqui. - ele ordenou, chamando-a com o dedo.
Muito confusa para fazer qualquer coisa, a não ser obedecer, ela se
aproximou dele para ficar entre suas coxas.
— Assim é melhor. – ele murmurou. – Agora, chegue mais perto.
Ele a enlaçou pela cintura e a puxou até a sua boca estar muito próxima dos
seios, e isso causou uma sensação diferente em seus mamilos. Endureceram e
apunhalaram incansavelmente o corpete do vestido e doíam como se estivessem
sendo acariciados pelo fogo.
— Não vai me ignorar ou fingir que não estou aqui. – ele reprovou – Você
não me impedirá.
Ela colocou as mãos em seus ombros e o olhou com um olhar de
consternação.
— É por isso que saiu do quarto?
— Foi a única maneira de chamar sua atenção. – disse ele preguiçosamente.
– Você acha que eu iria colocar essas botas só para ter um pouco de ar fresco
quando está tão frio lá fora? Você acertou, moça. Aquelas malditas botas quase
me mataram.
— Você testa a minha paciência, guerreiro. – Keeley respondeu, balançando
a cabeça, impotente. – Eu tinha outras tarefas para atender. Inclusive acertando

68
com seu irmão minha situação neste clã e conhecendo a fortaleza com Mairin. Era
importante conhecer as pessoas de quem cuidarei.
— Sua primeira prioridade sou eu. Acho que não gosto quando está longe,
moça. Você se tornou tão importante quanto o ar que respiro. Não vá tão longe da
próxima vez. Acho que tenho pensamentos idiotas quando fico sozinho.
— Acho que é mimado. – ela suspirou. – Alguém já lhe disse não alguma vez?
— Tenho certeza que sim, mas não me lembro no momento.
— Eu cuidarei de você, guerreiro. Não me dá nenhuma escolha se for para
fazê-lo sobreviver. Sua impulsividade vai matá-lo.
O triunfo brilhou nos olhos de Alaric e uma frívola emoção passou pela
espinha dela.
— Sei que disse para não a beijar, moça, mas devo avisá-la que nunca fui
bom em seguir ordens.

Capítulo Treze
Depois de uma curta hesitação, ele sentiu que ela se rendeu. Então
aproveitou para puxá-la mais perto até que seus lábios se tocaram. Por um
momento, permaneceu imóvel, simplesmente absorvendo a sensação de sua boca
contra a dela. Então, pressionou-a, movendo-se sensualmente sobre ela, mais
duro, mais profundo, até que ambos perderam o fôlego.
Respirou, saboreando-a. Era como se eles respirassem juntos. Com
delicadeza, ele a segurou pela nuca. Se percebeu ou não, ela o puxou mais perto.
Beijou-o avidamente, abandonada entre as chamas descontrolados de todo seu
corpo.
Ele esfregou sua língua sobre o lábio superior e em seguida brincou,
lambendo toda a junção da boca. Sua língua se arrastou para fora com cautela
para tocar a dela e ele gemeu quando finalmente se encontraram e se enlaçaram.
Leve, no início, mais urgente em seguida, como se eles não se cansassem e
quisessem mais e mais.
Suas mãos escorregaram pelo rosto, segurando-a enquanto mergulhava nos
dedos em seus cabelos. Ele a apertou firmemente. Segurou-a com mais força para
não deixá-la ir. Devorando sua boca, ele impulsionou sua língua no fundo, em uma
imitação perfeita do queria fazer com seu pênis. Sua boca era tão quente e tão
úmida, perfeita, e só de imaginar como o sexo dela seria, ele se sentiu queimado
pelo fogo.
Estava perigosamente perto de girar em torno dela e prendê-la ao seu
colchão. Poderia levantar suas saias e tê-la ali naquele momento. Mas não era a
maneira certa de tratá-la. Ela merecia ser cortejada. Merecia beijos de amor e

69
palavras doces. Merecia ouvir o quanto é bonita como ela faz um homem se sentir
como se fosse único no mundo. A última coisa que queria era ter com ela sexo
duro e rápido.
Seu coração disparou enquanto puxava sua boca da dela.
— O que você faz comigo, moça. – ele sussurrou, cada palavra doída através
de sua garganta apertada.
Era como se tivesse engolido cacos de vidro. Sua pele se sentia apertada.
Seu corpo todo pesado. Seu pênis prestes a explodir dentro de suas calças. E sua
ferida doía como o inferno. Mas ele queria mais dela a cada respiração.
Ele não era assim. O que sentia estava no limite da obsessão. Não. Não era
o limite. Era a verdadeira obsessão. Quase enlouqueceu quando horas antes ela
deixou o quarto e não retornou. Ele se levantou de sua cama, suando,
praguejando com cada movimento. Passeou pelo quarto, olhou pela janela, ouviu
atrás da porta, ansioso para ouvi-la chegando.
Finalmente, foi tudo o que ele conseguiu suportar. Simplesmente tinha que
sair do quarto. Ir lá fora, onde poderia respirar. Onde poderia se sentir mais livre
da loucura que tomou conta dele.
— Não podemos continuar com isso. – ela sussurrou de volta. – Por favor,
Alaric. Eu não consigo negar qualquer coisa a você.
Os olhos dela brilhavam com uma infinidade de emoções. Remorso. Desejo.
Ele ouviu as palavras que queria ouvir, mas não com a aflição evidente em sua voz.
Ela parecia estar perto de chorar e isso o aniquilou.
— Sinto muito, Keeley. Acho que não consigo negar-me o prazer de seu
toque. Você é um vicio que não posso ficar sem tão facilmente. Escuto seus
argumentos e compreendo bem, mas depois você olha para mim ou eu olho para
você, e a razão vai embora. Só sei que se não tocá-la, se não a beijar, irei
enlouquecer.
Ela embalou o rosto dele nas mãos e deu-lhe um olhar tão triste que ele
sentiu o estômago se apertar.
— Suas palavras são tão doces e entram tão duramente em meus ouvidos.
Eu as levarei em meu coração e sentirei saudade e alegria, tudo ao mesmo tempo.
Você nunca será meu, guerreiro. Exatamente como nunca serei sua. É loucura
continuar a nos atormentar.
— Não posso, não quero aceitar que não podemos ficar juntos, mesmo que
por pouco tempo. – ele sussurrou. Não é melhor termos um pouco agora do que
não termos nada e passarmos uma vida inteira de arrependimento?
— É como uma ferida. É melhor fazer um corte rápido e limpo e nos
livrarmos da dor em vez de esperar para se tornar angustiante.

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Ele fechou os olhos à convicção da voz dela. Ela realmente acreditava no que
falou. Fazia sentido para ele. Mas ele não concordava. Qualquer momento para
saborear sua doçura era melhor do que nada. Ele só tinha que convencê-la.
Lentamente ele se afastou.
— Eu a deixarei ir... por enquanto. Não quero que se aflija. A última coisa
que quero é fazê-la triste. Prefiro muito mais ter você por aqui me repreendendo
ou mandando em mim com aquele sorriso atrevido que tem. Então, sorria, Keeley.
Sorria para mim.
Ela deu um leve sorriso, mas seus olhos ainda continha toda a tristeza. Era
loucura. Ele sempre teve o que queria. Nunca foi recusado por nenhuma mulher.
Mas Keeley... Keeley era diferente e era importante cortejá-la com paciência. Ele se
contentaria com o afastamento, por enquanto. Ele a queria de livre vontade,
rendição completa.
— Agora, se terminou com esse assunto, deveria voltar para sua cama. – ela
disse categoricamente, sem sinais de angústia.
Ele olhou para seu rosto bonito e para a dureza de seus traços. A verdade
estava nos olhos dela. Eles nunca mentiram.
— Sim, curandeira. Voltarei para minha cama. Acho que toda essa atividade
drenou minhas forças.
Inclinou-se cautelosamente para trás, descansando a cabeça no travesseiro.
Fechou os olhos e o cansaço o atacou. Ele sentiu o hálito quente em sua testa .
— Durma, guerreiro. – ela sussurrou. – Estarei aqui quando acordar.
Ele sorriu e se permitiu dormir, segurando firma à promessa dela em seu
coração.

Capítulo Quatorze
A proximidade de Keeley foi levando-o à loucura. Embora mantivesse uma
distância modesta entre eles, simplesmente estar na mesma sala que ela era um
exercício de frustração.
Sua ferida já estava melhor depois de alguns dias e durante aquele tempo
Keeley se tornou especialista em erguer barreiras entre eles. Quanto mais ele se
recuperava, mais distante ela se tornava.
Ainda estava dolorido. Seu lado ainda doía e se mexer era muito difícil. Mas
ele se recusava a passar mais um momento olhando para o teto, procurando
maneiras de fazer o desejo desaparecer. Mesmo agora, quando tentava se sentar
e ouvir o que seus irmãos estavam discutindo, mantinha o olhar à deriva por todo

71
o salão onde as mulheres do castelos se sentavam para costurar as roupas do
bebê de Mairin.
Lá fora a neve caía e se acumulava no terreno. Todos estavam abrigados
dentro do castelo ou em suas casas. Os homens bebiam cerveja e discutiam
guerras e alianças e, é claro, seu inimigo mais odiado – Duncan Cameron.
Mas Alaric não queria ouvir nada disso. Viu como Keeley ria e como seus
olhos brilhavam de alegria enquanto conversava com as mulheres.
Ewan ocasionalmente lançava olhares na direção de Mairin. Ao notar a troca
de olhares, Alaric sentiu inveja do irmão. Seu amor era óbvio e o respeito que havia
entre os dois fez o peito de Alaric doer.
— Saia dessa, Alaric.
Alaric piscou e depois encarou Caelen por se intrometer de forma tão rude
em seus pensamentos.
— Que diabos você quer?
— Que você preste atenção. É importante discutirmos alguns assuntos e
você fica com a cabeça na lua por causa dessa moça.
Alaric curvou os dedos em um punho, mas não respondeu às provocações
de Caelen.
Ewan franziu a testa enquanto olhava entre os irmãos.
— Eu estava dizendo que recebi uma carta de laird McDonald. Ele lamenta
que sua viagem tenha sido interrompida e quer selar nossa aliança o mais rápido
possível. Está preocupado com a ideia de Cameron assumir as fronteiras. Há muita
agitação ente nossos vizinhos. Todos eles têm medo do que Cameron possa fazer
e estão nos procurando para ajuda e apoio.
Alaric olhou para seu irmão com o desconforto crescendo no peito.
— Ele não quer esperar até a primavera para se juntar ao nosso clã. Também
sabe que nos recusamos a deixar o castelo com Mairin tão perto de dar a luz. Ele
se ofereceu para vir com Rionna depois que o bebê nascer e realizar a cerimônia
do casamento aqui.
Alaric tentou não demonstrar suas emoções. Ficou tão imóvel que se podia
ouvir seu coração bater contra seu peito. Não olhava para Keeley. Ele não iria
pensar no que desejava quando o futuro de seu clã estava em suas mãos.
— Alaric, o que você diz? – Ewan perguntou.
— É bom que ele esteja disposto a viajar até aqui. – disse Alaric. – Não
podemos nos dar ao luxo de deixar o castelo sem fragilizar nossas defesas pelo
envio de um contingente comigo. Já perdemos uma dúzia de homens bons.
Ewan olhou pensativo para Alaric.
— Então ainda está disposto a manter esse casamento?
— Nunca disse nada para fazer você pensar diferente.

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— Não é o que disse ou não disse. – Ewan disse calmamente enquanto o
olhar de Alaric foi em direção para onde as mulheres estavam sentadas. – Eu sei
que você a quer.
Alaric recusou-se a virar e seguir a direção do olhar de Ewan.
— O que eu quero é inconseqüente. Concordei com esta aliança. Não
voltarei atrás com minha palavra.
A pena cintilou brevemente sobre o rosto de Ewan antes de endurecer suas
feições.
— Será feito, então. Responderei a mensagem de McDonald e avisá-lo que o
receberemos depois que meu filho nascer. É provável que você e sua nova esposa
passem o inverno aqui. Não vejo razão para se arriscar em uma viagem de retorno
até o degelo da neve.
A ideia de se casar com Rionna deixou uma sensação amarga, mas tê-la aqui,
vivendo com ele como sua mulher e ainda ter que ver Keeley diariamente, era
insuportável.
— Vou mandá-la embora logo após o parto de Mairin. – Ewan murmurou.
— Não! - Alaric protestou – Você não vai fazê-la mudar no meio do inverno.
Ela não tem nenhum lugar para ir ou uma casa para morar. Prometi-lhe que você
daria isso. Jura-me que ela ver ter uma casa aqui pelo tempo que desejar.
— Sim, então eu juro. – Ewan respondeu, com um suspiro.
— Você se tortura desnecessariamente, irmão. – Caelen assobiou – Tome a
moça. Livre-se dessa obsessão. Satisfaça a si mesmo enquanto McDonald não
chega e livre-se desse desejo.
Alaric olhou friamente para o irmão.
— Não, Caelen. Eu temo que nunca me estarei livre de meu desejo por ela. É
profundo e muito quente. E não vou usá-la assim. Ela merece meu respeito. Salvou
minha vida.
Caelen balançou a cabeça, mas não discutiu mais. Bebeu o resto de sua
cerveja e murmurou baixinho enquanto olhava para o fogo que ardia na lareira.
Do outro lado da sala, Mairin se levantou instantaneamente e colocou a mão
em suas costas. Parecia cansada, algo que não passou despercebido por Ewan. Ele
franziu a testa e se levantou rapidamente. Já estava do outro lado da sala,
inclinando-se para murmurar algo no ouvido dela. Ela sorriu e logo Ewan estava
levando-a em direção às escadas que leva ao quarto.
Alaric segurou seu copo e olhou para a cerveja que restava. Então colocou o
copo sobre a mesa, incapaz de beber mais.
— Eu odeio ver você assim. – Caelen murmurou. – Há mais de uma mulher
disposta a esquentar sua cama. Precisa esquecer essa curandeira. É impróprio
deixar que uma mulher tenha tanto poder sobre você.
Alaric sorriu levemente.

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—Você nunca desejou uma mulher do jeito como desejo Keeley.
A expressão de Caelen se escureceu e Alaric imediatamente desejou poder
nunca ter dito aquelas palavras. Anos atrás Caelen esteve completamente
obcecado por uma mulher. Ele havia declarado abertamente seu amor por ela.
Teria morrido por ela. Mas ela o traiu junto com Duncan Cameron e seu clã perdeu
tudo, inclusive a jovem esposa de Ewan e seu pai. Caelen nunca se permitiu cair
sob o feitiço de uma mulher novamente. Alaric não tinha certeza se Caelen se
deitava com uma mulher. Se ele o fazia, era extremamente discreto.
— Sinto muito. Não deveria ter dito isso. – disse Alaric.
Caelen levou o copo à boca e olhou impassível em direção ao fogo.
— Não me importo. Meus erros devem servir como um aviso para você
nunca permitir que uma mulher tenha controle sobre seu membro.
Alaric suspirou.
— Nem todas as mulheres são como Elsepeth. Olhe para Mairin. Ela e Ewan
se dão muito bem. Ela é leal. É tão boa mãe para Crispen e morreria por Ewan.
— Mairin é uma mulher acima das outras. – disse Caelen teimosamente –
Ewan tem sorte. A maioria dos homens passa a vida inteira sem encontrar uma
mulher que coloca o marido e o clã acima de si mesma.
— E Keeley não fez isso ao cuidar de mim? Como ela sabia que eu não era
um monstro que poderia estuprar ou abusar dela? Ela foi seqüestrada de sua casa
e foi levada a morar com estranhos e mesmo assim atende a todos com exaustão.
Caelen fez um som de aborrecimento.
— Está claro que você está obcecado e nada irá fazê-lo mudar de ideia. Siga
meu conselho, irmão. Fique longe da curandeira. Você estará casado antes que o
inverno termine. Nada de bom pode vir de seu namorico com outra mulher.
Estamos em tempos difíceis. Você não pode se dar ao luxo de ofender McDonald.
Muita coisa depende dessa aliança para que Cameron seja apagado da face da
terra. E embora sejamos fortes, não podemos ir atrás dele sozinho enquanto
Mairin não der a luz. Uma vez que ela estiver segura e com o herdeiro de Neamh
Alainn, nossos pensamentos e esforços podem se voltar para livrar-se da sua
ameaça. Precisamos que nossos clãs vizinhos se unam a nós em uma força
formidável.
Alaric torceu os lábios em um rosnado feroz. Caelen agiu como se Alaric
fosse um idiota sem sentido.
— Você não precisa me lembrar o que esta em jogo aqui, Caelen. Estou bem
ciente das implicações de meu casamento com Rionna McDonald. Eu disse que
cumpriria meu dever. Você me insulta ao sugerir que não farei isso.
— As minhas desculpas. – Caelen disse – Não abordarei o assunto
novamente.
—Bom. – Alaric murmurou.

74
Ele bebeu o resto de sua cerveja e fez uma careta. Tinha comido demais e
sua cabeça doía. Incapaz de resistir, procurou por Keeley no mesmo momento em
que ela virou a cabeça ligeiramente em sua direção. Seus olhares se encontraram
por um longo tempo. Por um momento ele viu tudo o que ela não queria que ele
visse. O mesmo desejo que sentia. O mesmo anseio. O mesmo lamento.
Ele afastou seu olhar para longe e praguejou baixinho. Então, ergueu o
copo e sinalizou para uma mulher para que o servisse.
De repente, decidiu que não tinha bebido o suficiente. Precisava de mais.
Talvez assim ele se esquecesse.

Capítulo Quinze
Keeley se agasalhou com uma pesada capa de pele enquanto seguia pela
neve em direção a casa de Maddie. O sol da tarde já estava alto e brilhava ao largo
da paisagem coberta pela neve lançando um brilho que cobria os olhos.
Mairin foi obrigada a permanecer no interior do castelo pelo laird, o que não
a deixou nada feliz. Ewan tinha medo de que Mairin pudesse cair no gelo e se ferir.
Ela estava grande e pesada com o bebê e já tinha quase caído da escada duas
vezes, quase matando Cormac do coração.
Consequentemente, ela estava proibida de subir e descer as escadas sem
alguém segurando seu braço. E desde que Mairin ficou confinada, Keeley se
ofereceu para ir buscar Maddie e Christina, que fariam companhia a sua senhora,
para que esta não morresse de tédio.
Keeley sorriu. Seria bom chamar as outras mulheres. Elas passavam muitas
noites na frente do fogo, costurando, fofocando e provocando Christina sobre sua
paixão por Cormac. Felizmente, ninguém havia notado ainda o interesse de Keeley
por Alaric, ou se notaram, permaneceram em silêncio, um favor pelo qual Keeley
agradecia.
Cormac sempre arrumava uma desculpa para permanecer na sala,
geralmente para beber cerveja com os homens e discutir o treinamento do dia,
mas sua atenção estava sempre voltada para Christina. Os dois jogavam um jogo
de gato e rato que divertia Keeley.
Eles não ficaram tão próximos como ela e Alaric, mas o que ganhou com
essa atração, a não ser mágoa e ressentimento?
Bateu na porta de Maddie e soprou ar quente em seus dedos frios. A porta
se abriu e Maddie imediatamente exclamou:
— Keeley! Não fique no frio. Venha se aquecer junto à lareira.
— Obrigada. - Keeley disse enquanto entrava para ficar ao lado da lareira.
— O que você faz aqui com esse frio?

75
— Keeley está no final de seu juízo. – Keeley respondeu sorrindo – Deseja
que você e Christina façam companhia para ela. O laird a proibiu de deixar o
castelo.
— Ele está certo – Maddie disse, com um aceno de aprovação. – Ela não
deve andar na neve ou no gelo. Pode cair e machucar o bebê.
— Embora tenha aceitado, ela não está feliz com isso. Pediu que se vocês
não estiverem ocupadas, se importariam em ficar com ela por algum tempo.
— Claro que não. Deixe-me pegar meu xale e minhas botas. Vamos passar
pela casa de Christina no caminho de volta ao castelo.
Depois de arrumar tudo, elas entraram no vento cortante.
— Você tem tudo que precisa para o próximo inverno? – Maddie perguntou
enquanto se aproximavam da casa de Christina.
Keeley meneou a cabeça.
— Não. Existem algumas ervas que devo procurar. Isso irá exigir que eu cave
na neve. Muitos ficarão com tosse e dores no peito à medida que o frio cresce.
Especialmente as crianças. Existe uma pasta que faço que diminui a dor e ajuda na
tosse. Será muito útil neste inverno.
Maddie franziu a testa.
— Quando você irá coletar essas ervas?
Keeley sorriu com tristeza.
— Apenas quando parar de nevar e ventar. Está muito frio para sair cavando
na neve agora.
— Sim, você está certa. Certifique-se de levar um ou dois homens para
ajudá-la. Não é tarefa fácil para uma moça realizar sozinha.
— Agora você parece o laird falando. – Keeley brincou.
Maddie parou e bateu à porta de Christina.
— O laird é um homem sábio. Não é insulto para mim ser comparado a ele.
Keeley revirou os olhos.
— Eu não a estava insultando.
Christina abriu a porta e seu rosto se iluminou quando viu Maddie e Keeley.
Quando lhe contaram que Mairin gostaria que ela fosse ao castelo, aproveitou a
oportunidade.
No caminho, Christina falava sem parar. Keeley riu.
— Tenho certeza de que a chance de ver Cormac animou seu espírito.
Christina corou e Maddie riu também.
— Acha que algum dia ele vai tentar me beijar? – Christina perguntou
melancolicamente.
Maddie franziu os lábios.
— Acho que se ainda não tentou beijá-la, é melhor você resolver esse
assunto com suas próprias mãos e beijá-lo.

76
Christina abriu a boca e arregalou os olhos com o choque.
— Oh, eu não poderia! Por que seria muito descarado. Ele ia achar que eu...
que eu... – ela gaguejou, claramente incapaz de dizer a palavra que vinha em sua
mente.
— Aposto que ele estaria a seus pés só por ter tais pensamentos. – Maddie
murmurou. – Alguns homens precisam de um empurrão de vez em quando. Um
beijo roubado não faz uma prostituta.
— Eu concordo com Maddie. – Keeley afirmou.
— Você concorda? – Christina virou para olhar para Keeley quando entraram
no castelo e foram recebidas pelo ar quente. – Você já beijou um homem? – sua
voz saiu como um sussurro, enquanto olhava ao redor para ter certeza de que não
eram ouvidas. – Quero dizer, aquele tipo de beijo?
— Sim. – Keeley respondeu suavemente. – Beijei e fui beijada. Não é algo
para se ter vergonha, Christina. Se ele não for longe demais. Cormac é um bom
homem. Não vai tirar vantagem de você. E se fizer, basta gritar bem alto e irei
chutá-lo entre as pernas.
Maddie caiu em risos enquanto Christina parecia muito chocada com a
resposta de Keeley.
Quando entraram no hall, Mairin se levantou da cadeira em frente ao fogo e
correu para elas.
— Graças a Deus vocês estão aqui. Estou me sentindo entediada. Ewan não
me permite sair.
Então Mairin parou e estudou-as com curiosidade.
— O que há de errado? E por que Christina tem esse olhar?
— A moça está conspirando. – Maddie riu.
Mairin ergueu as sobrancelhas e disse.
— Eu quero saber disso. Venham, vamos nos sentar em frente ao fogo e
vocês me contam tudo. Se for alguma travessura, quero fazer parte.
— Ah, claro, fazer o laird ficar furioso com todas nós. – Keeley resmungou.
Mairin sorriu descaradamente e se recostou na cadeira, colocando as mãos
sobre o ventre.
— Ewan não tocará em um fim de cabelo de suas cabeças. Pelo menos, não
até o bebê nascer.
— E depois disso você precisa se preocupar. – brincou Maddie.
Keeley ficou séria. Depois do nascimento do bebê de Mairin, seu futuro era
incerto. Não tinha ideia se ainda havia uma casa de campo para voltar. Com seu
desaparecimento, ninguém procuraria saber de seu paradeiro e certamente
alguém que precisasse de abrigo tomaria sua casa. Sua não. Era uma das
propriedades de McDonald.

77
— Será que dissemos alguma coisa errada? – Mairin perguntou ansiosa –
Você parece tão... triste, Keeley.
Keeley deu um valente sorriso.
— Não é nada. Estava pensando em meu destino depois que o bebê nascer.
— Certamente você não acha que será mandada embora – Maddie
exclamou, chocada.
Mairin se moveu para frente da cadeira e apertou a mão de Keeley.
— Ewan nunca permitiria que uma coisa dessas acontecesse. Você sabe que
é verdade, não sabe?
— Na verdade, não sei nada de meu futuro. – Keeley disse suavemente. – A
única certeza que tenho é que não existe uma casa para onde voltar. Tal como era.
— Você não gosta daqui? – Christina perguntou.
Keeley hesitou. Seria muito melhor ficar ali quando Alaric se casar com
Rionna, que retornar às terras McDonalds e ajudar Rionna a ter seu primeiro filho.
Com Alaric. Era demais para suportar. Por outro lado, ficar ali também não seria
fácil, pois Alaric e Rionna poderiam visitar os irmãos. Qualquer escolha poderia
feri-la, não importava o curso do destino.
— Sim, eu gosto daqui. – ela disse finalmente. – Nunca percebi como era
solitária até conhecer todas vocês.
—Keeley, vai nos contar o que aconteceu? – Mairin perguntou em voz baixa.
– Se não for assunto nosso, fique à vontade para dizer isso. Mas me pergunto o
que aconteceu para seu clã lhe dar as costas, a ponto de nem usar o nome
McDonald.
— Que vergonha. – disse Maddie – Família é família. Um clã é tudo o que
uma pessoa tem. Se não ficarem ao seu lado, quem ficará?
— Quem de fato? – Keeley perguntou com tristeza.
Ela se sentou e respirou profundamente, surpresa ao sentir uma raiva que
não sentia há muito tempo. O ressentimento envenenava seu sangue, à procura
de uma rachadura para escapar.
— Cresci como uma amiga muito próxima de Rionna McDonald, filha única
do laird.
— A noiva de Alaric?- Mairin perguntou com um suspiro.
— Sim, a noiva de Alaric. – Keeley quase recuou ao dizer as palavras. – Para
mim, era comum estar ao redor do Laird e de Lady McDonald. Eles nos deixavam
correr e brincar pelo castelo. À medida que eu crescia e se tornava mais mulher, o
laird começou a me observar. Ele ficava tão perto que chegava a me desconcertar.
— O libertino. – murmurou Maddie.
— Tornou-se tão desconfortável que passei a evitá-lo completamente e
comecei há ficar menos tempo com Rionna dentro do castelo. Um dia, quando fui
chamar Rionna em seu quarto, o laird me pegou sozinha e começou a me dizer

78
coisas horríveis. Ele me beijou e fiquei chocada. Eu lhe disse que iria gritar por
ajuda, mas perguntou quem iria contra ele. Ele era o laird. Poderia ter o que queria.
Ninguém iria negar-lhe. Eu estava apavorada. Ele teria me estuprado ali no quarto
de sua filha, mas Lady McDonald entrou.
— Oh, Keeley. – Mairin olhou horrorizada.
— Pensei que o pior de tudo foi ter o laird me atacando daquele jeito. Mas
estava errada.
O pior foi quando Lady McDonald me chamou de prostituta e me acusou de
seduzir seu marido. Fui expulsa do castelo e proibida de voltar. Acho que foi uma
sorte encontrar uma casa longe do castelo.
— Isso é desprezível. – Christina exclamou. – Como poderiam ter feito isso
com você.
Todos os três rostos das mulheres mostravam-se horrorizados. Isso
provocou alegria no coração de Keeley. Era bom ter alguém se indignando pelo
que fizeram a ela.
— Perder a amizade de Rionna foi o que machucou demais. Não sabia se
acreditava no que diziam sobre mim. Depois que Lady McDonald morreu e ela não
fez nenhum esforço para me trazer de volta ao clã, percebi que de fato todos
acreditavam no pior.
Mairin se levantou desajeitamente e abraçou Keeley.
— Você não pode voltar para lá. Deve ficar aqui com os McCabes. Nós não
damos as costas aos nossos e nunca expulsaríamos uma menina por causa da
lasciva. O laird McDonald veio nos visitar a alguns meses. Gostaria de ter
conhecido esta história antes. Teria cuspido em seus olhos.
Keeley riu. Depois que ela começou, não conseguia parar. Sacudia os
ombros com as gargalhadas imaginando Mairin cuspindo no laird. Ela olhou para
as outras mulheres que logo se juntaram às risadas.
Elas limparam as lágrimas dos olhos e recuperaram o fôlego, e então
olharam para Mairin, e voltaram a rir.
— Não consigo expressar como estou me sentindo melhor. – Keeley
confessou. – Eu nunca contei a ninguém a minha vergonha.
— Não é sua vergonha – disse Mairin ferozmente. – A vergonha é de Laird
McDonald.
Maddie concordou com a cabeça, enquanto Christina permanecia muda
diante da história de Keeley.
— Por isso dever simplesmente ficar aqui. – anunciou Maddie. – Pode não
ter nascido uma McCabe, mas uma McCabe você passará a ser. Seu dom de cura é
necessário aqui e ninguém ousará tratá-la como no clã McDonald. Nosso laird não
permitiria tal injustiça.

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— Tenho sentido raiva por tanto tempo. – admitiu Keeley. – Foi bom me
abrir com alguém. Obrigada por não me julgar.
— Os homens são porcos. – cuspiu Christina.
As três mulheres se voltaram para ela com surpresa. Christina tinha
permanecido grande parte em silêncio e agora suas bochechas estavam vermelhas
e seus olhos brilhavam de raiva.
— Eu não sei por que qualquer uma de nós tem que tolerá-los.
— Nem todos são porcos. – Mairin riu. – Seu Cormac tem uma boa cabeça
sobre os ombros.
— Se ele tem uma cabeça tão boa, então por que ainda não tentou me
beijar? – Christina murmurou.
— Você vê, moça. É por isso que deve tomar as rédeas em suas próprias
mãos e beijá-lo primeiro. O rapaz provavelmente está com medo de fazer um
movimento errado e ofendê-la ou assustá-la. Homens assumem as mais estranhas
noções, às vezes.
— Não deixe Maddie começar a falar sobre os homens. Chamará Bertha e
elas irão queimar seus ouvidos com todo o seu conhecimento.
— Mas moça, você e o laird tiveram vários benefícios com os nossos
conselhos. – Maddie disse presunçosamente.
Mairin corou furiosamente e abanou a mão na frente do rosto.
— Não devíamos estar falando sobre isso. Christina, eu concordo. Você deve
beijar Cormac e ver como ele reage.
Toda essa conversa sobre beijar e intimidade começou uma dor no peito de
Keeley. Observando uma jovem como Christina tão apaixonada, viva de alegria e
curiosidade, a fez ansiar por coisas que não poderia ter.
Christina se inclinou para frente em sua cadeira e lançou um olhar de cautela
para os lados.
—Mas quando? Não quero que ninguém nos veja, para ter certeza. E não
deve chegar aos ouvidos de minha mãe.
— Bem, se o seu beijo tiver o impacto que estamos esperando, você não
precisará se preocupar com sua mãe. – Maddie disse com um sorriso. – Talvez isso
acelere o pedido de casamento.
Um sorriso esperançoso rastejou sobre o rosto de Christina, suavizando seu
olhar, que brilhava à luz do fogo.
— Você acha que ele fará?
Keeley e Mairin trocaram olhares e sorriram para a menina mais nova.
— Sim, ele fará. – disse Mairin. – É obvio que está apaixonado por você. Seja
ousada. E se ele recuar, vou chutá-lo e vamos dizer toda a sorte de blasfêmias
contra os homens.

80
Keeley sorriu amplamente enquanto Maddie gargalhava. Christina sorriu e
saltou com entusiasmo de seu lugar.
— Eu ainda preciso saber quando. Deve ser um momento privado.
— Hoje à noite, quando os homens estiverem bebendo sua cerveja. Eu vou
sugerir que Cormac a acompanhe de volta para sua casa. – disse Mairin. - Assim
você poderá beijá-lo assim que deixar a sala, mas não fora das vistas dos vigias.
Nesse meio tempo, enviarei uma mensagem para sua mãe, explicando que você
irá comer comigo nesta noite.
— Oh, estou tão nervosa!
— Não fique nervosa, moça. Cormac ficará nervoso o suficiente para você
dois quando descobrir que irá escoltá-la para casa.- brincou Maddie.
— Esposa, meus homens e eu ouvimos sua risada por todo o caminho até o
pátio. – disse Ewan na entrada. – Estão todos com medo de que você esteja
conspirando contra eles de novo.
Mairin olhou para seu marido e se levantou, sorrindo maliciosamente.
— De fato, estamos, marido. Você pode, naturalmente, dizer-lhes que sim,
se desejar.
Ewan fez uma careta.
— Não sou idiota. Todos eles irão abandonar suas funções e se esconderem
como mulheres, se eu disser isso.
Mairin sorriu inocentemente enquanto Maddie e Keeley olhavam para o
outro lado.
— Não vou precisar interferir com meus homens e suas tarefas, Mairin? –
Ewan perguntou severamente.
— Claro que não. – ela acalmou.
Ele lançou um olhar desconfiado em sua direção e então se virou, deixando
o salão. Mal ele saiu e as mulheres caíram na gargalhada mais uma vez.

Capítulo Dezesseis
O jantar foi motivo de festa quando muitos dos homens de Alaric cearam
com ele no salão. Um fogo rugia na lareira e as cortinas protegiam as janelas.
Keeley se sentou à esquerda de Mairin. Cormac foi colocado
estrategicamente na mesma mesa de Christina, e vendo os dois desviando o olhar
um do outro, quando pensava que o outro não estava olhando, era divertido.
Em ambos os lados de Cormac estava sentados Alaric e Caelen. Apesar de
seus esforços, os olhos de Keeley procuravam por Alaric. Ewan discutia nesta noite
o casamento de Alaric. Keeley, sem forças, prendeu-se no lugar, sorrindo e agindo
como se ela não se preocupasse com o mundo.

81
Suas bochechas doíam. Sua cabeça latejava.
Alianças. Títulos. Guerra iminente. Nada importava, a não ser o fato de que
Alaric se casaria com outra e se mudaria para as terras McDonalds, onde tomaria a
posição de laird.
A comida, geralmente saborosa, estava seca e sem gosto. Ela comeu porque
não havia nada mais a fazer senão comer e sorrir. Outra mordida. Outro sorriso.
Olhava na direção de Christina. Ria de uma piada de Mairin. Assistia à carranca de
Caelen. E depois olhava na direção de Alaric novamente.
Ela suspirou e moveu a carne ao redor com sua faca. Só queria a refeição
terminasse para que pudesse se retirar para seu quarto e tentar se perder em um
sono de poucas horas.
Olhou novamente para Alaric e perdeu o fôlego quando encontrou o olhar
dele repousado nela. Ele não se afastou nem tentou fingir que não estava olhando
para ela. Seu olhos verdes pareciam gelo que passavam por suas defesas e
ameaçavam desmoroná-la.
Ele não sorriu. Em seus olhos, viu tudo o que sentia. E ainda assim, não
poderia desviar o olhar. Não, se ele pudesse ver o seu tormento. Ela não fingia
sentir nada. Ao lado dela, Mairin limpou sua garganta, tirando Keeley de seu olhar.
Rapidamente olhou ao redor, mas todos estavam voltados para a dona do castelo,
enquanto se preparava para falar.
— Já é quase hora de Christina voltar para sua casa. Sua mãe vai se
preocupar. – ela lançou para Cormac um talentoso doce sorriso. - Cormac, você
gentilmente acompanharia Christina? Eu odiaria que ela enfrentasse esse tempo
sozinha.
Por um momento, foi como se Cormac tivesse perdido a língua. Depois de
lançar um rápido olhar na direção de Christina, ele rapidamente se levantou.
—É claro, Lady McCabe.
Ewan atirou um olhar para Mairin e Caelen apenas franziu a testa quando
Cormac ofereceu seu braço pra Christina.
A sala ficou em silêncio e parecia que todos viam como Cormac guiava
Christina desajeitamente. Assim que eles foram embora, Ewan soltou um suspiro e
olhou para a esposa.
— O que você está aprontando agora, esposa?
Mairin sorriu e trocou um olhar cúmplice com Keeley antes de enfrentar o
marido.
— Você queria que Christina fosse desacompanhada para sua casa? Ora, ela
poderia escorregar e cair no gelo. O que diríamos à sua mãe, então? Que nosso
laird enviou uma jovem neste tempo sem escolta?
Ewan olhou para cima.
— Por que ainda pergunto?

82
— Venha, então, marido. Beba mais cerveja e me conte como foi seu dia. –
Mairin disse com um sorriso inocente.
— Você sabe como foi meu dia. Eu passei a última meia hora lhe contando.
— Você enviou uma mensagem ao McDonald concordando com os termos?
– Caelen perguntou.
Ele olhou diretamente para Keeley, incisivamente, enquanto falava. Keeley o
encarou, recusando-se a reagir às suas palavras.
— Sim, há dois dias. – Ewan disse. – Não espero receber uma resposta até
que a tempestade passe e a nevasca pare.
— Então devemos esperar por ele mais perto da primavera. – Caelen
pressionou. – Ele e Rionna.
— Caelen.
Alaric disse apenas uma palavra, mas seu tom era glacial, frio como os
ventos de fora. Era um aviso claro para seu irmão parar de se intrometer, mas não
fez Keeley se sentir melhor.
Caelen queria alertá-la. Ele sabia da atração entre ela e Alaric. Keeley queria
se esconder debaixo da mesa e morrer de vergonha.
Em vez disso, ela levantou o queixo e olhou para Caelen como se ele fosse
um inseto irritante que ela estava prestes a matar. Essa imagem a agradou
consideravelmente. Ela ia gostar de pisotear Caelen
Caelen ergueu a sobrancelha surpreso com a ousadia dela, e ela estreitou os
olhos para dizer-lhe que sabia exatamente o que ele estava fazendo.
Para sua surpresa, ele deu um leve sorriso. Então voltou a segurar seu copo
e prontamente a ignorou.
Keeley estava prestes desculpar-se quando Cormac voltou para o hall, com
um expressão confusa em seu rosto. Ela arqueou uma sobrancelha para Mairin,
que parecia totalmente encantada. Mairin apertou a mão de Keeley por debaixo
da mesa.
Cormac esbarrou na sua cadeira quando tentou retornar ao seu assento.
Estava corado e seu cabelo parecia decididamente despenteado. Mairin abriu um
amplo sorriso. Ewan grunhiu com desgosto e Caelen revirou os olhos. Alaric
apenas olhou para Keeley até ela ficar vermelha debaixo do escrutínio dele.
— Laird, preciso falar com você. – Cormac disse em voz baixa. – É de
extrema importância.
Ewan lançou um olhar resignado para a esposa e depois acenou com a
cabeça na direção de Cormac.
— Fale, então.
Cormac limpou a garganta e olhou nervosamente ao redor. A maioria dos
homens tinham ido para seus quartos, mas Gannon, Alaric e seus irmãos,
juntamente com Keeley, ainda estavam ali.

83
— Gostaria de sua permissão para pedir a mão de Christina em casamento. –
ele falou.
Mairin quase caiu da cadeira e Keeley foi incapaz de segurar o sorriso da
expressão atordoada do outro homem.
— Sei. Você pensou bem? – Ewan perguntou. – Ela é realmente a mulher
com quem quer casar? E tem certeza de que ela quer se casar com você?
— Sim. Disse que eu não poderia beijá-la novamente até que ela estivesse
formalmente prometida.
Neste ponto, Keeley e Mairin não conseguiram segurar o riso.
— Deus nos livre das interferências das mulheres. – Ewan murmurou. – E
pelo jeito há muitas casamenteiras rondando este castelo. Sim, Cormac. Você tem
minha permissão para falar com o pai de Christina, mas não deve interromper seus
deveres. Seu primeiro dever é zelar pela segurança de minha esposa. Se encontrá-
lo distraído mesmo uma vez, eu vou demiti-lo.
— Claro, laird. Minha lealdade é para você e sua senhora, acima de tudo. –
disse Cormac.
— Então, prepare o seu discurso para o pai. Nós logo teremos um padre, se
o tempo nos permitir.
Cormac soltou um sorriso de alívio. Keeley engoliu seu desejo e o breve
ciúmes que sentiu. Ela estava muito feliz por Christina. A jovem ficaria tonta de
alegria quando recebesse o pedido.
Ela olhou para Mairin e viu o entusiasmo espelhado no rosto da outra
mulher. Mairin se inclinou e sussurrou.
— Amanhã teremos que consultar Christina sobre esse beijo.
Keeley colocou a mão na boca para sufocar o riso.
— Acho que foi o beijo do século. – ela sussurrou de volta.
— Eu tive alguns desses. – disse Mairin melancólica. – Talvez mais do que
alguns.
Keeley quase confessou que também tinha experimentado um beijo como
nenhum outro, mas permaneceu quieta. Em vez disso, olhou para Alaric
novamente apenas para encontrar seu olhar acariciando-a.
Era como se alguém apertasse sua garganta. Cada respiração era torturante,
até o peito doía com o esforço. Ela levou o olhar para longe e depois fugiu de seu
lugar na mesa. Virou-se para Ewan e fez uma reverência desajeitada.
— Com sua permissão, laird. Gostaria de me recolher ao meu quarto. Acho
que estou bastante cansada nesta noite.
Ewan acenou com a cabeça e continuou sua conversa com Alaric. Keeley em
seguida virou-se para Mairin.
— Eu a verei amanhã. Boa noite.

84
Mairin lhe lançou um olhar de simpatia que mostrava a Keeley que sabia o
que havia entre ela e Alaric.
Keeley saiu correndo, mas sentiu o peso do olhar de Alaric o tempo todo. Ela
precisava ficar longe dos olhares atentos daqueles que estavam na mesa o mais
rápido possível. Já era uma tola ficar trocando olhares com Alaric. Alguém teria
que ser cego para não perceber o que estava acontecendo.
Quando entrou no seu quarto, foi reavivar o fogo, para aquecer-se. Após
colocar madeira fresca, estendeu as mãos para aquecê-las e depois foi verificar as
cortinas da janela.
Convencida de que estava tudo certo, vestiu sua camisola e deitou-se sob as
peles em sua cama. A única luz na escuridão era o brilho laranja do fogo, que
lançava sombras sobre a parede, fazendo-a sentir ainda mais sozinha.
Lá fora o vento assobiava e gemia como um velho lamento de sua sorte.
Keeley apertou mais ainda as cobertas ao seu redor e olhou as chamas dançando
no teto.
Se as coisas fossem tão simples como roubar um beijo. Se apenas ela
tomasse as rédeas em suas próprias mãos como Christina fez. Keeley sorriu
tristemente. Se apenas um beijo resolvesse todos os males. Christina beijou seu
homem e agora eles traçariam uma vida juntos.
Ela não poderia ter isso com Alaric. Apenas podia apreciar alguns momentos
roubados em seus braços. Ela ficou totalmente parada quando esse pensamento
tomou conta. Sua respiração parou e ela levou uma mão ao pescoço, massagendo-
o para aliviar o aperto em sua garganta.
E se fosse até Alaric? Como seria alterar qualquer aspecto de sua vida
quando já pensavam que ela era uma mulher sem virtude?
Fechou os olhos e balançou a cabeça em uma muda negação. Mas não podia
usar a desculpa de que Rionna era sua amiga. Amigos não viram as costas.
Apenas uma noite. E ninguém precisava saber. Seria possível?
Alaric a desejava. Ele havia deixado isso claro. E Keeley o desejava com todo
o seu fôlego. Ela o queria tanto que chegava a ser uma dor física. Como seria
sentir as mãos dele em sua pele? E sua boca?
Sim, doía ficar longe de Alaric. Doía também estar com ele, mas apenas um
pequeno encontro. Estava começando a acreditar que ele estava certo. Um
momento doce era melhor que uma vida inteira de amargo arrependimento. E ela
se arrependeria se fosse virgem para o túmulo.
Por muito tempo ela manteve sua virtude intacta. Tão intacta que nada mais
importava. Era a única prova de que não era a prostituta que tinha sido rotulada. E
mesmo assim não houve justiça. Não houve ninguém que ficasse ao lado dela.
Nunca haveria ninguém por ela. Essa era a verdade.
Que conforto a verdade trouxe para as noites frias?

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Quase riu do tempo que sua mente levou para racionalizar o desejo de se
envolver com seu guerreiro. Seu guerreiro. Sempre dela. Mas não. Em seu
coração, porém, não haveria nenhum outro. Nunca.
— Pare de ser tão dramática e fantasiosa, Keeley. – ela murmurou. – A
próxima coisa que você vai pensar é abrir as cortinas e ameaçar se jogar na neve
através das janelas.
Ela ria, mas lágrimas escorriam de seus olhos. Não, agora não era o
momento para sonhos bobos e idílicos. Ela precisava ser realista e decidir o que
era melhor para ela. Ninguém mais. Pela primeira vez, ela colocaria suas
necessidades e desejos acima de todos. Porque, se ela não procurasse sua
felicidade, ninguém mais o faria.
Uma noite nos braços de Alaric.
Uma vez que a ideia se fixou em sua mente, ela não conseguia afastar este
pensamento. Ele a consumia. Tentando-a e atormentando-a. Nunca tinha sido
beijada até Alaric, salvo a brutal boca do laird McDonald, mas isso ela não
considerou com um beijo. Um beijo era algo dado, e o laird tinha tomado. Ela
nunca lhe dera de bom grado.
Apertou as mãos aos olhos e mergulhou os dedos nos cabelos.
Era tarde para voltar atrás. Tornou-se mais que um sonho sem esperança. A
ideia cresceu. Queimava tão brilhantemente em sua mente que sabia que não
poderia seguir mais um dia sob a tensão insuportável que existia entre ela e Alaric.
Hoje à noite tinha que acabar.

Capítulo Dezessete
Alaric levantou-se e olhou tristemente para a noite através da janela. Acima,
a lua brilhava e refletia sua ousadia no terreno coberto de neve. Ao longe, o lago
brilhava como prata, sem nenhuma ondulação para perturbar a superfície
intocada.
A paisagem era tranquila, mas ainda assim seu interior estava um completo
tumulto.
As palavras de seu irmão murmuravam para ele, plantando um pensamento
ardiloso ao qual dava cada vez mais atenção. Tomá-la. Usá-la. Livrar-se desta
loucura.
Mas não podia. Porque sabia que o que sentia não era apenas luxúria. O que
era, não podia dizer. Era novo e fresco. Ele estava à beira de algo alarmante,
emocionante, tudo ao mesmo tempo. Como se estivesse preparado para a
batalha, seu pulso disparou.

86
Ele a queria, sim. Não havia dúvidas. Mas não podia forçá-la. A última coisa
que desejava era causar-lhe dor. Vendo o tormento nos olhos dela o fez se sentir
ferido de uma forma que não podia imaginar ser possível.
O som da porta de seu quarto se abrindo chegou aos seus ouvidos. Ele se
preparou para voar para cima de quem se atreveu a entrar sem bater. Quando viu
Keeley em pé nas sombras, ele se esqueceu de respirar.
— Pensei que você estivesse deitado.- ela sussurrou. – É tarde. Já devíamos
estar dormindo há muito tempo.
— E mesmo assim, estamos em pé, incapazes de dormir. O que é isso,
Keeley? - ele perguntou em voz baixa. – Será que vamos continuar a negar o que
nós dois desejamos?
— Não.
Ele ficou parado. Tão parado que o quarto se tornou mortalmente quieto e
apenas o uivo do vento podia ser ouvido. O frio correu pelo quarto. Keeley
estremeceu e abraçou-se a si mesma. Ela parecia tão vulnerável que cada instinto
dele gritou para protegê-la do perigo. Para cuidar dela e mostrar-lhe toda a
paciência e compreensão.
De repente, ele amaldiçoou quando outra onda de frio percorreu a sala. A
chama da lareira cintilava e soltava faíscas altas. Ele correu para a janela e fechou
as pesadas cortinas. Depois, puxou Keeley para seus braços, protegendo-a do frio.
O coração dela batia freneticamente contra o peito e ela tremida da cabeça aos
pés.
— Deite-se entre as cobertas da cama enquanto eu alimento o fogo. – ele
disse delicadamente.
Com cuidado, ele a afastou de seu peito e a levou para sua cama. Ela se
sentou na beirada, tensa e nervosa, e ele a cobriu com uma das peles. Incapaz de
resistir, ele beijou o topo de sua cabeça e passou as mãos sobre seus longos
cabelos. Ainda não teria o sabor dos lábios dela. Se começasse, não conseguiria
parar e ela iria congelar.
As mãos dele tremiam enquanto acrescentava madeira ao fogo. Enrolava e
desenrolava os dedos na tentativa de dissipar o tremor, mas sem sucesso. Ele
sentia tanto medo de fazer algum movimento errado que estava quase paralisado.
Por fim, virou-se para ver Keeley o observar com os olhos arregalados. Ele
atravessou o quarto, se ajoelhou diante dela.
— Tem certeza, Keeley?
Ela tocou os lábios dele com os dedos. Acariciou a boca e depois seguiu pela
linha da mandíbula.
— Eu quero você. Não posso mais negar. Sei que seu destino é se casar com
Rionna McDonald e se tornar um laird. É um destino nobre. Não o impedirei. Eu

87
quero esta noite. Uma noite em seus braços para que eu possa mantê-lo me minha
memória quando você partir.
Ele pegou sua mão e arrastou-a através de sua boca, colocando os lábios em
sua palma. Beijou a pele lisa e em seguida enfiou cada dedo em sua boca, beijando-
os.
— Eu a desejo tanto, moça. Tanto que dói. Quero gravá-la em meus braços
e em minha mente para que nunca a esqueça, não importa quantos anos eu possa
ter.
Ela sorriu, com os olhos brilhando de tristeza e segurou seu rosto com as
duas mãos.
— Dê-me esta noite, para fazermos uma memória para nós dois.
— Sim, moça. Eu também irei amá-la.
Quando ele descia as mãos até os pés dela, ela o interrompeu em um joelho.
— Há algo que quero dizer antes de seguirmos adiante.
Ele inclinou a cabeça, estudando-a em seu nervosismo súbito.
Passou os dedos pelos longos cabelos dela em um esforço para acalmá-la da
preocupação que surgia em seu rosto.
— Fale, então.
Ela olhou brevemente para longe antes de voltar a encará-lo.
— É importante que você saiba. Fui expulsa do clã McDonald. Eles são a
minha família. Eu nasci uma McDonald.
Ele franziu a testa com a confusão que se fez com o que ela disse. Uma
McDonald? Ele não tinha dado muita atenção para onde acabou indo quando se
feriu. O tempo todo em que ficou ferido era apenas um borrão. Seus irmãos
também não mencionaram o quão perto das terras McDonalds ele estava. Ela foi
expulsa? A raiva tomou conta dele. Ele tocou-a no queixo e olhou-a diretamente
nos olhos.
— Por que, moça? Por que sua própria família a expulsou?
— O laird fez avanços impróprios quando eu era apenas uma garota, quase
uma mulher. Sua esposa entrou quando ele tentou me estuprar e ela gritou,
chamando-me de prostituta. Ela me mandou embora por tentar seduzir o laird.
Alaric ficou momentaneamente sem palavras. Sua mão se afastou de seu
queixo enquanto sua mente lutava com as implicações.
— Jesus. – ele sussurrou.
As narinas se inflaram e ele apertou sua mandíbula enquanto imaginava sua
doce Keeley, uma Keeley muito mais jovem, tentando se defender de um grande
homem mais velho, mas forte. Isso o deixou com raiva.
— Não era verdade. – ela disse em um sussurro.
— Não. – ele disse, acariciando seu rosto. – É claro que não era. Eu espero
que não ache que eu pudesse pensar assim. Estou furioso por terem tratado você

88
injustamente e por pagar pelos pecados do laird. O trabalho dele é proteger seu
clã. Abusar de uma jovem é traição acima de tudo, que ele devia repudiar.
Ela fechou os olhos aliviados. Alaric sentiu uma dor no coração ao pensar em
tudo o que ela suportou. Ele sentia um forte desejo de ir até a fortaleza de
McDonald e bater no laird até que ele fosse incapaz de forçar qualquer outra
mulher. E pensar que comeu com aquele homem da sala McCabe. Recebeu o
homem em sua terra como um aliado e como um futuro pai através do casamento.
Seus lábios se enrolaram em desgosto e sua cabeça doía quando percebeu que
não havia nada que pudesse fazer. Ele não poderia anular uma aliança, tornando-
se um inimigo de McDonald.
Estava em uma posição bem difícil. Determinado a não insistir em um
assunto do qual não tinha controle, voltou a sua atenção para a única coisa que
podia fazer.
Acariciou a palma da mão de Keeley. Seus dedos acariciaram a fina coluna do
pescoço para descansar logo acima do volume de seus seios.
Sentiu a ligeira vibração dos pulsos dela e ouviu a rápida respiração quando
ele abaixou a mão para segurar um dos montes através do fino tecido de sua
camisola.
— Eu me pergunto se você tem ideia de sua beleza, moça. Sua carne é macia
e pálida como o luar sobre a neve. Não há uma só mancha ou defeito. Eu poderia
ficar tocando-a para sempre.
Ela suspirou e aproximou-se sentindo o calor das palmas das mãos dele. Ele
apertou um mamilo com seu polegar e roçou a ponta, fazendo o botão endurecer.
Suas bocas estavam perigosamente perto. Seu olhar deslizou sobre o rosto
dela, encontrando a beleza de seus olhos penetrantes. Quando seus lábios se
tocaram, foi um choque. Era como beijar a lua e ser iluminado por milhares de
raios de prata. O desejo serpenteava em sua espinha e se espalhava através de
seus membros.
Ele a lambeu na boca e mergulho entre os lábios sentido sua doçura. Quente
e úmida, tão pecaminosa que enviou arrepios de desejos sobre seu corpo.
Respirava com dificuldade, bufando sobre o rosto dele. Ela se afastou um
pouco.
— É verdade que nunca fiquei com outro homem. Ninguém jamais me tocou
como você.
A admissão dela despertou um desejo primitivo, possessivo, dentro de
Alaric. Ao mesmo tempo, ele se encheu de ternura e desejo ao fazer desta noite
algo que ela nunca esqueceria.
— Serei gentil, amor. Prometo.
Ela sorriu e colocou o rosto nas mãos dela, enquanto o trazia para perto.
— Sei que você será, guerreiro.

89
Ele a puxou em seus braços, prendendo-a contra seu peito. Aninhou-a
contra seu pescoço, inalando o cheiro dela e marcando-a com os dentes. Ela
estremeceu com cada mordida gentil.
— Sim, você é doce, moça. O melhor que já provei.
Ele sentiu o sorriso dela contra ele.
— E você tem mel nos lábios, guerreiro. O mais doce que já vi.
— Não são apenas palavras bonitas para conquistar você. Na verdade,
nunca falei isso para ninguém.
Ela o envolveu com os braços e se derreteu nele com um suspiro.
— Gosto da parte de beijar, mas algo me diz que há muito mais nesta
questão de amar.
Ele sorriu e roçou os lábios em sua testa.
— Sim, você está certa. Há muito mais e eu pretendo mostrar-lhe em cada
detalhe.
Seus lábios se encontraram de novo, desta vez com urgência. Ele permitiu
que ela tomasse a direção do beijo e a deixou tirar o quanto quisesse dele.
Antes, sempre gostou de sexo rápido. Levava para a cama mulheres que
gostavam de sexo rápido e divertido. Mas ali, naquele momento, ele queria
saborear cada instante. Queria que durasse para sempre. Faria devagar e
mostraria a Keeley as delícias da carne e do coração.
Alaric se levantou, deitou-a sobre a cama e colocou as palmas de sua mãos
ao lado da cabeça dela. Os cabelos dela espalhados pelos lençóis eram como uma
massa de seda. Os fios brilhavam como fios de ouro à luz do fogo. Ele correu as
pontas dos dedos sobre os reflexos de cor e tons variados, misturados em sua
densa cabeleireira.
Ela olhou para ele, seus olhos brilhando com confiança. Estava oferecendo
algo que nunca concedeu a nenhum outro homem. Saber que ela confiava tanto
nele o deixou assustado.
Ela se retorcia embaixo dele, levantando os braços toda convidativa.
Delicadamente, ele segurou as mãos dela, beijou os nós de cada dedo. Então
deslizou suas mãos pelos braços dela, puxando lentamente as mangas de sua
camisola sobre os ombros, expondo a carne cremosa.
Incapaz de resistir a tal tentação, ele se abaixou e beijou o topo de seu
ombro, provocando a curva de seu pescoço. Ele riu quando segurou o lóbulo de
sua orelha entre os dentes e ela estremeceu violentamente.
— Você tem uma boca perversa, guerreiro.
— Apenas comecei.
Puxou a camisola até descobrir precariamente as pontas dos seios. Prendeu
a respiração e seu corpo ficou tenso como a corda de um arco. Seu membro

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inchou, empurrando com força contra suas calças, esforçando-se para ser livre e
encontrar a doçura dela.
Ele amaldiçoou baixinho e apertou a mandíbula em um esforço frenético
para manter o controle. Por vários segundos, seu peito arfou.
— Há algo de errado?
Ele a olhou para encontrar preocupação nos olhos dela. Beijou-a longa e
vagarosamente, tentando afastar seus temores.
— Não, moça. Não há nada de errado. Tudo está certo. Exatamente certo.
Ele deixou sua boca, mordiscando levemente seu queixo em seu caminho de
volta aos seios. Parou um pouco acima do vale dos seios e depois se aninhou no
oco. Baixou o vestido na sua cintura e olhou para os mamilos endurecidos, rosas
deliciosas, tão firmes e implorando pela sua boca. Ele lambeu o botão e ela gritou,
com voz rouca e fina. Ela agarrou-o pelos ombros e cravou os dedos na carne dele.
Inclinou-se quando ele encontrou o outro mamilo e chupou fortemente em
sua boca.
Estava tão tensa, estirando-se para cima, com os dedos escavando tão
apertado que ela parecia estar perto da dor. Quando ele soltou sua presa, ela
gemeu e se moveu inquieta abaixo dele.
— Shhh, moça, estamos apenas começando. Fique tranquila. Deixe-me amá-
la.
Ele ficou em pé e puxou o vestido até que ele saiu, deixando-a nua para seu
olhar. Ele engoliu em seco. Em toda a sua vida, ele nunca viu um mulher mais
bonita. Sua pele brilhava na luz do fogo. Cremosa, suave, perfeita. Perfeitamente
formada, ancas arredondadas, cintura fina e seios generosos para encher a mão e
a boca de um homem. Sua barriga era plana, com um umbigo que ele estava
morrendo de vontade de correr a língua.
Seu olhar se fixou mais abaixo, para o pequeno pedaço de cachos situado no
encontro de suas pernas, protegendo a sua inocência e doçura. Ele achou que era
impossível crescer mais, mas seu pênis se esticou contra suas calças até que a
sensação sob o tecido o deixou louco.
Ele não queria assustá-la, mas se ele não se despisse logo, suas roupas
estariam rasgadas pela sua própria carne.
— Deite-se enquanto eu tiro minhas roupas. – ele disse em voz baixa.
Ela arregalou os olhos quando ele desamarrou os cordões de sua calça com
dedos atrapalhados. Em seguida, afastou o tecido e seu membro saltou livre.
O alívio foi tão grande que ele quase caiu de joelhos ali mesmo. Arrancou sua
túnica e jogou através do quarto. Quando voltou para Keeley, viu que o olhar dela
estava preso em sua virilha. Ele não tinha certeza se ela estava chocada ou curiosa.
Sua expressão era uma estranha mistura de ambos.

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Ele se colocou entre suas coxas e ela automaticamente subiu as mãos para
afastá-lo. Ele a segurou pelos pulsos e acariciou-os com os polegares.
— Não há nada o que temer, Keeley. Não a machucarei. Serei gentil.
Mesmo que isso o matasse, ele não quebraria sua palavra.

Capítulo Dezoito
Keeley prendeu a respiração até que esteve a ponto de desmaiar. Estava
diante de um guerreiro sem igual. Aperfeiçoado pelas batalhas. Musculoso.
Marcado. Definido. Nada fora do lugar em qualquer parte de seu corpo.
Ele erguia-se sobre ela, sua força era algo tangível no pequeno espaço do
quarto. Poderia tão facilmente machucá-la e ainda assim ela confiava nele
plenamente. Sua gentileza a acalmou e a fez doer de anseio.
Mas olhando para sua virilha com seu apêndice, projetando para cima como
uma bandeira de batalha, lançou-lhe um olhar duvidoso.
— Tem certeza... Tem certeza de que vamos... vai... se encaixar?
Ela gemeu com sua humilhação. Enquanto deveria agir como uma mulher
adulta, quase desmaiou com a visão do eixo de um homem. Não era como se ela
não tivesse visto antes. Já viu o dele em questão, mas sempre em repouso. Não
na posição de machado para batalha.
Ela se espantou que algo tão macio e tão comum pudesse crescer tanto e
parecer ameaçador.
— Sim, ele vai caber. É seu dever me acomodar.
Ela arqueou uma sobrancelha em sua arrogância.
— Meu dever? Quem fez essa regra, guerreiro?
Ele sorriu.
— Você irá abrandar e ficar úmida. É meu dever fazer isso acontecer.
— Eu irei?
Ela tentou afastar a confusão e a dúvida de sua voz, mas saiu ofegante,
quase excitada.
Ele se aproximou e então se inclinou sobre ela, seu corpo tão perto que seu
calor a cercava e penetrava em sua carne.
— Sim, você irá. Eu garanto isso.
Instalou-se sobre ela, queimando-a enquanto a pele dela se derretia contra a
dele. O cabelo em seu peito arranhava levemente sua pele e seus cabelos caiam
sobre os ombros dela.
— Não é próprio para um homem ter cabelo assim tão bonito. – ela
murmurou.

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Ele a olhou com uma careta.
— É impróprio dizer a um homem que ele tem cabelo bonito.
Ela sorriu.
— Oh, mas eu adoro correr meus dedos por ele. Você se lembra de eu lavá-
lo quando estávamos em minha casa? Sequei-o e escovei-o e então trançava os
fios na frente. Era como seda, a melhor que já senti.
— Eu me lembro de uma feiticeira deslizando as mãos pelos meus cabelos.
Era como um sonho do qual nunca quis acordar.
Ela estendeu as mãos para capturar os cabelos dele com os dedos.
— E este é um sonho que nunca mais quero acordar. – ela sussurrou.
Ele capturou sua boca. Feroz e quente. Não tão gentil como tinha sido antes.
Roubou seu fôlego. Exigia seu beijo. Seu corpo se movia contra o dela com
urgência, enquanto suas pernas se entrelaçavam.
A ereção de Alaric era ousada e dura, batendo contra a junção das pernas
dela. Instintivamente, ela abriu as coxas e quase engasgou quando o comprimento
dele deslizou ao longo de sua carne mais íntima.
Sensações indescritíveis sacudiram através de seu corpo enquanto o longo
eixo se esfregava no pequeno broto entre suas dobras. Ela levantou suas coxas,
querendo mais, mas ele a afastou, deslizando para baixo de seu corpo.
Ela teria protestado, mas ele girou a língua ao redor de seu umbigo e ela
prontamente se esqueceu de tudo, menos de sua boca pecaminosa. Mas quando
ele arrastou a língua ainda mais baixo, ela levantou a cabeça alarmada.
Olhou para ela, seus olhos brilhavam, lembrando-a um predador prestes a
atacar sua presa. Ela estremeceu com intensidade pura em seu olhar. E uma
promessa.
Lentamente ele abaixou a cabeça enquanto os dedos agarravam as coxas de
Keeley. Afastou-as, suavemente, mas com força suficiente para mostrar-lhe o quão
indefesa ela estava em suas mãos. Ele pressionou um beijo logo acima dos cachos
e ela tremeu inteira.
A mente de Keeley estava em chamas com a perversa e deliciosa idéia de
senti-lo tocando tão intimamente com sua língua. Ela se arrepiou da cabeça aos
pés e o quarto estava tão nebuloso que se sentia como se estivesse nadando em
águas aquecidas pelo sol.
— Oh, - ela arfou quando, com os dedos, ele delicadamente separou as
dobras entre as pernas.
Ele roçou o polegar o ponto sensível e colocou a ponta de outro dedo em
sua abertura, provocando-a.
Quando ele trocou o polegar pela sua língua, a mais incrível sensação
estimulou sua pélvis, pernas e braços. O ventre se apertou com prazer
insuportável.

93
Ele continuou uma dança lenta e decadente sobre a carne feminina,
lambendo e lambendo como se como se ela fosse um delicioso doce. Ela sentia a
pernas tremerem. Seus sentidos saíram do controle.
Ela se abaixou e enroscou os dedos pelos cabelos dele. Sua respiração se
tornou irregular, e rajadas dolorosas subiram queimando até sua garganta, antes
de explodir no silêncio.
— Alaric!
Ele continuou aninhado entre as pernas dela, beijando e lambendo até que
ela pediu para não parar, não parar, pedindo mais e mais.
Ela não tinha ideia do que estava acontecendo ou como deveria agir. Então,
colocou-se aos cuidados dele, confiando e deixando de lado seus temores e suas
reservas.
Ela nunca imaginou tal manifestação, da beleza física do amor entre um
homem e uma mulher. Conhecia os aspectos técnicos. Sabia o que acontecia, mas
imaginou algo mais básico e mais rápido. Uma rápida penetração de depois um
abraço.
Mas as mãos dele exploravam seu corpo, cada centímetro, revelando-lhe
cada segredo. Ele a beijou e a acariciou até que ela esteve a ponto de chorar,
desesperada por algo mais.
— Shhh, moça. – ele murmurou, enquanto se levantava e se posicionava
entre suas coxas mais uma vez. - Eu tenho você. Confie em mim agora. Poderá
doer um pouco no início, mas fique comigo. É uma dor passageira. Tomarei
cuidado com você.
Ela sentia um estranho e dolorido pulsar entre as pernas. Uma dor curta, que
latejava sem parar. Ela se retorceu sem relaxar, sabendo que precisava de algo
mais. As mãos voaram ao peito de Alaric, em um apelo mudo para aliviar a dor.
Com a mão, ele guiou sua ereção para a abertura dela. Roçou-o contra sua
entrada, enviando-lhe ondas e ondas de agradável antecipação.
Ele se deteve por um momento e fixou o olhar nos olhos dela. Ela ficou
tensa quando ele se abaixou.
— Segure-se em mim, moça. – ele sussurrou – Abrace-me forte.
Ela o abraçou e puxou-o para baixo até seus lábios se encontrarem.
Enquanto se beijavam, ele empurrou os quadris para frente. Ela abriu os olhos com
a sensação de alargamento.
— Dói?
Ela negou com a cabeça.
— Não. É uma sensação de plenitude. Maravilhosa. Estamos unidos?
— Sim, moça, nós estamos. – ele respondeu sorrindo.
Ele empurrou de novo e os dedos dela se enroscaram nas costa dele.
— Basta um pouco mais e o pior vai acabar. – ele acalmou.

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— Pior? Mas não está ruim até agora. – ela murmurou.
Ele sorriu e a beijou. Retirou-se e um pouco da pressão diminuiu. Então, ele
sondou suavemente mais uma vez e a sensação de plenitude, de forte estiramento
voltou ao redor dela. Ela amava esse sentimento. Ela queria mais.
— Agora, Alaric. – ela sussurrou em seu ouvido. – Faça-me sua.
Ele gemeu e colocou sua testa contra a dela, e seus olhares se fixaram. Ele
empurrou para frente, apertou seus lábios aos dela e engoliu seu suspiro
assustado de dor.
Ela sentiu seu corpo ceder. Sentiu uma lágrima escorrer quando ele
empurrou. A queima repentina de posse se agitou dentro dela.
Ela se tornou consciente de que ele murmurava em voz baixa. Palavras
doces e suaves. Elogios, dizendo-lhe como ela era linda.
— Acabou moça. Agora você é minha. – sua voz pairava sobre seus ouvidos,
quente e rouca. – Sonhei com esse momento, em que você me tomasse
profundamente em seu corpo.
Ele permaneceu imóvel enquanto o corpo dela se ajustava ao seu. Então, ele
a olhou e entre beijos, perguntou:
— Tudo certo, agora? A dor foi embora?
— Não foi nada. Apenas uma pontada. – ela assegurou. – Eu não sinto nada,
além de prazer.
Com um gemido, ele se retirou, e ela suspirou. Minúsculas ondulações de
prazer intenso viajaram pelo seu sangue, aquecendo suas veias, até ela sentir o
quarto abafado.
Ele voltou a impulsionar para dentro dela, observando-a durante todo o
tempo, como se estivesse preocupado em ainda lhe causar dor.
Ela se aproximou dele e o enlaçou com as pernas.
— Leve-me com você. Não faz mal. Por favor. Eu preciso de você.
Parecia que era tudo o que ele queria ouvir. Ele impulsionou para frente, os
quadris indo ao encontro dela em um forte impulso. Ele fechou os olhos enquanto
balançava sobre ela, seus corpos se ondulando em um ritmo perfeito. A tensão
insuportável estava de volta, só que desta vez não diminuiu.
Não havia espaço entre eles. Apenas seus quadris e nádegas se
movimentando enquanto ele entrava e saía de seu corpo. Mais profundo e mais
duro. Ela estava mais molhada ao redor dele, e ele se movia com maior facilidade.
O atrito era tão doce, mas a fazia desesperada por algo que ela não tinha certeza.
Liberar. Mas como?
— Não lute contra isso, moça. Segure-se em mim e deixe-se ir. Confie em
mim.
Suas palavras acalmaram a ansiedade crescente. Ela relaxou e fez como ele
pediu. Ela entregou-se a ele. Entregou sua confiança.

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Cada vez mais rápido eles chegaram a um pico aparentemente interminável.
Quando ela teve certeza de que não agüentaria e ia suplicar para que parassem,
sentiu-se como se tivesse entrado no espaço vazio.
O mundo ao redor se escureceu. Seu corpo sentiu ondas e ondas de
maravilhosos espasmos. O prazer entorpeceu sua mente, fragmentando-a.
Ele se apertou em torno dela. Seguia dentro dela e depois se afundou ainda
mais antes de se afastar rapidamente. Ela se aproximou, com medo de ele a estar
abandonando, mas ele voltou e ela sentiu jatos quentes sobre sua barriga nua.
Ele se deitou em cima dela, arfando para respirar. Ela tentou respirar, mas os
pulmões queimavam com seus esforços. Simplesmente não conseguia processar
o que aconteceu. Era normal? Era assim que acontecia cada vez que um homem e
uma mulher se entregavam ao amor? Certamente não poderia ser, caso contrário,
ninguém jamais sairia da cama.
Alaric rolou para o lado de modo que seu peso estava fora dela, mas
abraçou-a firmemente a seu corpo. Ela sentiu o pulsar do pênis contra a barriga
dela e o calor pegajoso em sua pele.
Finalmente entendeu o que havia acontecido e ela ficou ao mesmo tempo
agradecida e triste. Ele cuidou para não deixá-la com uma criança. Ela não teria
que suportar a vergonha de um filho ilegítimo.
No entanto, a ideia de ter uma parte dele, seu filho querido, era agradável.
Nunca teria outro homem em sua cama, depois de Alaric. Ela nunca teria filhos.
Suspirando, se aconchegou em seu abraço. Talvez ela fosse dramática demais ao
pensar assim. Talvez, uma vez que Alaric estivesse longe, ela pensaria diferente
sobre outro homem. Uma vida inteira de solidão não era bálsamo para um coração
partido. Mas ela pensaria nisso em outra hora. Por enquanto, não conseguia
pensar em estar com outro.
Alaric a apertou mais e beijou sua testa.
— Doeu demais, amor?
Ela balançou a cabeça contra seu peito.
— Não, guerreiro. Você foi fiel à sua palavra. Foi gentil e senti apenas uma
pequena dor quando você entrou em mim.
— Fico feliz. A última coisa que quero é lhe causar mal.
As palavras dele fizeram seu coração doer, pois sabia que, apesar das
melhores intenções, seu casamento pode lhe causar dor.
Determinada a não permitir que o futuro jogasse uma cortina de fumaça
sobre seu presente, ela deitou a cabeça em seu ombro e deu um beijo nos
músculos rígidos.
— Diga-me, guerreiro, em quanto tempo podemos fazer isso de novo?

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Ele ficou tenso e então levantou o queixo dela com um dedo, forçando-a
olhar para cima. Os olhos dele brilhavam e o calor em seu olhar fez o coração dela
bater mais rápido.
— Assim que você me diga sim.
— Sim. – ela sussurrou.

Capítulo Dezenove
Alaric se apoiou no cotovelo, piscando sonolento. Olhou através do quarto,
para a lareira, onde Keeley colocou mais lenha. Ela estava recostada no banco, seu
corpo nu brilhando com a luz laranja, olhando fixamente para as chamas.
Ela estava linda. Feminina e ainda mais forte. Suave e sedosa. Tinha uma
força interior que o surpreendeu, levando-se em conta o seu passado.
Muitas mulheres não teriam sobrevivido por conta própria depois de serem
expulsas pelo seu clã. Muitas adotariam o estilo de vida do qual a acusaram. Não
havia muitas maneiras para uma mulher sobreviver, mas Keeley fez isso.
Ela arrumou os cabelos por cima do ombro e virou a cabeça para olhar na
direção de Alaric. Seus olhos se arregalaram de surpresa por um momento, antes
de abrir um sorriso tímido.
Ele mal conseguia engolir. Ela estava incrivelmente linda.
— Venha aqui. – disse, enquanto esticava a mão para ela.
Ela se levantou e desajeitamente cobriu os seios em um esforço para manter
sua modéstia. Parecia adoravelmente tímida quando deslizou para a cama ao lado
dele. Ele a puxou em seus braços, amando a facilidade com que se encaixavam.
— Como você está se sentindo?
Ela se aninhou no pescoço dele e deu-lhe um beijo no pescoço.
— Muito melhor, agora.
— E você diz que eu tenho uma lingua perversa.
— Sim. Não há dúvida depois de tudo.
— Fico feliz em lhe dar prazer, minha senhora.
— Sim, você me agradou, guerreiro. E muito.
Ele se inclinou para beijá-la. Esperava que fosse um beijo leve, mas não
conseguiu se manter afastado. Suas línguas se encontram e duelaram. Desta vez
ela estava mais confiante e muito mais apaixonada.
— Temos algumas horas antes do amanhecer. Volte comigo para a cama,
Keeley. Não vamos desperdiçar o tempo nos resta.

97
O sorriso dela iluminou o quarto inteiro. Seus olhos brilhavam e seu sorriso
era travesso. Keeley colocou as mãos nos ombros e empurrou-o até que ele
estivesse reclinado na cama.
— Presumindo que não tenho nenhuma experiência em tais assuntos, acho
que será tão fácil para mim fazer amor quanto é para você.
Ele levantou uma sobrancelha e seus olhos brilharam diabolicamente.
— Essa é uma declaração arrogante, moça. Parece que você terá que provar
com ações.
Os cabelos dela caíram como uma cortina por cima do ombro quando
tomou a iniciativa de montar o corpo nu. A aprovação da arrogância de Keeley era
evidente em sua excitação. A ideia de vê-la por cima dele e tomar a iniciativa
testava sua disciplina e controle.
Ele era um homem paciente, mas naquele momento, sentiu o desejo insano
de derrubá-la e se enfiar no meio das coxas dela até que isso fosse a única coisa
que ambos pudessem sentir.
Olhou para ela, que estava montada nele. Seu pênis se ergueu, empurrando
contra os cachos macios aninhado em sua base. Ele prendeu a respiração,
ofegando, e estrangulou um suspiro quando ela baixou as mãos para agarrar seu
pênis.
Ela gentilmente acariciou o comprimento com uma expressão de admiração.
Para cima e para baixo, ela segurou firme a pele, até que a ponta dura se
estendeu. Era doloroso. Cada toque deixava-o louco a cada minuto. Ela era
perfeitamente suave, quase como se temesse machucá-lo. Finalmente, ele não
conseguiu agüentar mais e colocou a mão ao redor da dela, apertando-a.
— Assim. – ele disse de forma áspera, guiando a mãos para baixo e para
cima, e depois para baixo, apertando, soltando, até que a umidade formada na
ponta caiu sobre as mãos unidas. - Ah, moça, você vai me enlouquecer.
— Isso é uma boa coisa, eu espero.
— Sim, a melhor.
Com a mão ainda envolta em torno dele, ela se inclinou para baixo, com os
seios balançando na frente dele. Então, levantou os quadris para cima, mas depois
hesitou. Ela seguia seus instintos, mas não tinha experiência. Alaric descobriu que
adoraria ensiná-la. Ela era sua. Nunca tinha pertencido a outro homem. Foi até ele
para aprender tudo sobre o prazer.
Ele agarrou seus quadris e a ajudou a se levantar.
— Assim, moça, desse jeito. Colocou-a sobre seu membro e cuidadosamente
começou a puxá-la para baixo.
Ambos ofegaram quando ele encontrou o seu calor e afundou-se
lentamente dentro dela. Ela fez uma pausa, mordiscando nervosamente o lábio
inferior enquanto seu corpo se contraía ao redor dele.

98
Ele levantou uma mão para acariciar seus cabelos, querendo aliviar suas
preocupações.
— Devagar. Agradável e lento. – ele murmurou.
Ela tremeu quando começou uma lenta descida, mais uma vez. Foi a agonia
mais dolorosa da vida de Alaric e ele queria morrer com o prazer dela. Ela o
cercava. Banhando-o em seu fogo. Sua suavidade aveludada agarrou e sugou mais
profundo. Ela envolveu seu membro com cetim liquido, recebendo-o por inteiro.
Cautelosamente, ela acomodou seu traseiro arredondado sobre a virilha
dele, carne encontrando carne. Ele penetrava ainda mais profundamente nela,
mas parecia que ainda não era suficiente.
Ele precisava se mexer. Sua carne se sentia viva. O suor eclodiu em sua testa
e no lábio superior. Sua respiração estava irregular, áspera, silenciosa. Ele queria
dar a ela o tempo que precisava para se acostumar a estar em cima.
Ela tentou se movimentar, e ele gemeu em voz alta. Ela parou
imediatamente, preocupada.
—Não pare, moça. Deus, por favor, não pare. É maravilhoso.
Colocando as mãos sobre o peito dele, ela se movimento para cima, seu
pênis deslizando pelo calor úmido. Ela se levantou novamente e empurrou para
baixo até que seu traseiro se encontrou com a virilha dele, mais uma vez. Ela girou
em um círculo apertado, olhando para ele o tempo todo.
— Você é uma mulher sedutora. – ele disse com uma voz rouca.
— Não sou mais um anjo. Voltei a ser o demônio do inferno?
— Anjo mau. O melhor tipo. – ele se levantou e a abraçou, empurrando-a
ainda mais em seu pênis. – Meu anjo.
Ela aninhou-o e depois inclinou a cabeça para dar-lhe um beijo selvagem. Ele
ficou sem fôlego. Possessivo. Como se ele pertencesse somente a ela. E naquele
momento, ele pertencia. Nenhuma outra mulher existia para ele. Ele duvidou se
alguma vez existiu.
Estendeu as mãos para enrolar os dedos em torno dos quadris de Keeley. Ele
precisava dela. Precisava empurrar mais fundo. Precisava demonstrar sua posse.
Levantou e penetrou profundamente, arqueando os quadris. Ambos gritaram.
As mãos de Keeley voaram freneticamente sobre os ombros dele,
procurando apoio. Com um rosnado, os lábios de Alaric encontraram seu pescoço,
beliscando e mordendo a carne deliciosa. Ela arqueou as costas, apertando seus
seios contra o peito dele. As cordas em seu pescoço esticaram-se quando ele se
levantou e penetrou mais e mais.
— Suponho que seria eu quem deveria fazer isso. – ela disse, sem fôlego.
— Oh, sim. Você fez. E se fizer mais duro, eu morrerei.
— Por favor, - ela implorou – Está queimando, Alaric. Eu não posso... eu
devo...

99
—Faça o que você deseja. – insistiu ele.
Ela agarrou em seus ombros e começou a se levantar, empurrando para
mais baixo, mais e mais rápido, até que ela o montou, como faria com seu corcel.
Incapaz de manter a posição por mais tempo, ela se deitou para trás,
batendo contra o colchão. Ele a ajudou, mas ela era uma coisa selvagem em seus
braços, seus quadris ondulavam , levando-a mais e mais.
Ele nunca se excitou tanto por uma mulher. Nunca pensou que uma mulher
pudesse ser tão linda, entregando-se daquela forma. Nunca quis uma mulher para
ser sua. Não como aquela. Ele crescia em chamas. Deus, ele não iria durar.
Deslizou a mão entre seus corpos e encontrou seu calor escorregadio.
Acariciou seu ponto e prazer e estremeceu em êxtase quando ela apertou
espasmodicamente ao seu redor.
— Eu não posso durar. – ele gritou, com voz rouca.
— Então deixe ir. – ela disse, repetindo as palavras dele. Ela se abaixou e
colocou as mãos no rosto dele. – Eu estarei aqui para segurá-lo, guerreiro.
A doçura dela inundava a sua alma. Com um suspiro estrangulado, soltou-se
e arqueou. Ele mal conseguia agarrar os quadris e afastar-se dela. Entrou em
erupção em grandes jorros liquidos enquanto ela o abraçava, segurando-o contra
seu ventre.
Ele continuou a empurrar contra a sua carne, com as mãos apertadas ao seu
lado. Contorceu-se e empurrou contra ela, incapaz de se segurar quando o prazer
rasgou através de seus ossos.
À medida que ele se deitava na cama, seu domínio se suavizou e ela o soltou.
Olhou curiosamente para seu membro, parcialmente e ereto, e passou o dedo
sobre uma gota que ainda gotejava na cabeça. Olhou antes de colocar com
cuidado o dedo em sua boca. Sua língua dançou sobre a ponta antes de soltar, e
ele gemeu mais uma vez.
Ela levantou uma sobrancelha quando seu pau estremeceu e tornou-se
instantaneamente ereto.
— Eu queria prová-lo. – ela disse – Você me agradou quando em provou. –
ela inclinou a cabeça. – Antes, quando me amou com sua boca. É algo que os
homens gostam que as mulheres façam para eles?
— Oh, sim. – ele respirou. – Só de imaginar sua boca doce ao redor de meu
pau é mais do que eu possa suportar.
— Oh, isso é algo que eu nunca pensei antes.
Ele riu.
— Espero que não. Quando você começou a ter tais pensamentos?
—Apenas algumas horas em sua companhia e encontro-me completamente
devassa. – ela disse, sorrindo. – Certamente outras mulheres não pensam nessas
coisas.

100
— Eu não me importo o que pensam as outras mulheres. – ele murmurou. –
Apenas uma em particular e estou muito feliz pelo que ela está pensando agora.
—É muito cedo? –ela perguntou hesitante. – Quero dizer, para mim...
— Deixe eu me limpar. Então me deitarei assim que você estiver confortável.
Ela se reclinou em seu cotovelo e viu quando ele caminhou nu pelo quarto
até o jarro e a bacia. Foi excitante vê-lo cuidadosamente limpar a rigidez de seu
eixo. Ela olhou para seu ventre e percebeu que ela também precisava de limpeza.
Olhou para cima, preparada para levantar-se, mas Alaric já havia retornado
com um pano molhado na mão. Ele se reclinou na cama ao lado dela e gentilmente
limpou sua semente de seu ventre.
Seu eixo estava rigidamente distendido em sua virilha e ele não parecia
confortável. Como poderia ser? Parecia... doloroso. Inchado e grosso. Ela estendeu
a mão para tocá-lo. Ele foi ao encontro dela e fez um som estranho na garganta.
— Eu não estou certa do que fazer. Eu não quero fazer isso... errado.
Alaric sorriu e tocou o rosto dela.
— Eu garanto que você não fará nada errado. Bem, a menos que você use
seus dentes.
Ela riu e depois arrastou a mão sobre seu abdômen até seu peito.
— Talvez, você poderia me ensinar.
Ele a beijou e então mordiscou o canto da boca.
— Sim, moça. Vou mostrar como fazer um homem morrer feliz dentro de
sua boca.
Ele rolou da cama e ficou na beira. Estendeu a mão e quando ela se
aproximou, ele a puxou para a posição sentada. Em seguida, organizou as pernas
dela de modo que seus pés ficassem plantados no chão. Ela compreendeu
imediatamente quando viu o eixo dele no nível de sua boca. Estendeu a mão para
a cabeça dela, tocando os dedos em seus cabelos enquanto se posicionava.
— Abre a sua boca, moça. Deixe-me colocar dentro.
Ele deixou uma mão de sua cabeça e agarrou a base de seus pênis.
Lentamente, orientou-se para frente, passando pelos lábios entreabertos até
sentir a língua de Keeley. A sensação a assustou. Ele era incrivelmente duro e
áspero, ao mesmo tempo com a pele macia e sedosa, uma sensação inebriante.
— Relaxe. Confie em mim e respire pelo nariz.
Ela não tinha percebido quão tensa estava até ouvir as palavras dele.
Atendendo a sua instrução, ela quis relaxar e respirou como ele mandou.
Ele guiava a cabeça dela, segurando-a firmemente enquanto empurrava para
frente, mais profundo do que antes. Os dedos dele estavam trêmulos. Era o único
sinal de como estava afetado.
Ela nunca imaginou que tal ato fosse possível. Parecia de mau gosto, truque
de uma prostituta. Uma senhora nunca pensaria em tal coisa, e muito menos em

101
fazer. Mas isso despertou Keeley. Ela queria agradá-lo. Estava desesperada para
agradá-lo. Ela se sentiu estranha. Seus seios saltaram e incharam. Suas partes mais
femininas latejavam e pulsavam, tanto que, ao menor toque, ela ficaria fora do
controle.
O gosto dele era tão masculino quanto seu cheiro. Forte. Uma mistura de
madeira e fumo. Ela respirou fundo, querendo que o gosto e o cheiro ficassem
gravados em sua memória.
Minúsculas gotas salpicaram sua língua. Por um momento ela o saboreou e
permitiu que o liquido lubrificasse os impulsos mais profundos. Então,
carinhosamente deslizou a língua sobre a ponto, bebendo até não sobrar nada.
Ele bombeou, esticando para frente como os dedos apertados nas laterais
da cabeça.
— Deixe-me ir mais profundo. Engula. Sim, é isso, Keeley, Assim mesmo.
Tome tudo.
Ela engoliu e sugou-lhe com profundidade. Por um momento, ela lutava para
respirar, mas ele ajustou o ângulo para que ela ficasse mais confortável. Ele estava
dentro dela. Tudo o que ela poderia provar, respirar ou ver era ele. Seu saco
pesado encostou-se ao queixo e os cabelos ásperos em sua virilha fizeram cócegas
no nariz.
Quando recuou, a respiração dele estava tão irregular que o torturado som
era ouvido em todo o quarto. Por um longo momento ele ficou ali, ofegante, seu
pau ainda distendido uns centímetros fora de sua boca, enquanto ela também
tinha a respiração ofegante.
— Vire-se. – ele ordenou.
Ela piscou, confusa e olhou para trás. Ela estava na cama. O que ele quis
dizer?
— Fique em suas mãos e joelhos, o rosto longe de mim. – ele disse.
Ela tentou fazer o que pediu e ele a ajudou a se arrumar desajeitamente
sobre os joelhos e virou o rosto dela para a parede. Ele a empurrou para trás,
arrumando os joelhos ao longo do colchão macio até a parte inferior das pernas
dela balançarem no ar.
Assim que ficou satisfeito com a posição, deslizou as mãos sobre a curva das
suas nádegas. Era uma sensação estranha estar em tal posição. Sua mente
imaginou todos os tipos de imagens impertinentes, mas ela não tinha certeza se
tais coisas eram possíveis.
Ele apertou e acariciou os globos antes de baixar as mãos e espalhar suas
dobras. Ele passou os dedos através de sua umidade, deslizando facilmente dentro
dela. Ela ficou chocada e deu uma arremetida para trás, para encontrar o
movimento da mão dele.

102
— Eu quero tomá-la desse jeito, Keeley. Como um garanhão cobre uma
égua. Gostaria disso?
Ela fechou os olhos e deixou o queixo cair enquanto tentava respirar
profundamente.
— Sim. – ela sussurrou.
Os joelhos dela tremiam e ameaçavam desabar. Ela apoiou as palmas das
mãos contra a cama, em um esforço para não cair. Sentiu-se extremamente
vulnerável nessa posição. Não tinha defesas. Ele poderia tomá-la como gostava,
fazer qualquer coisa que quisesse. Não havia nada que ela pudesse fazer.
Mais uma vez a mão dele alisou a parte traseira, acariciando e esfregando
até que ela suspirou de prazer. Então a outra mão agarrou seu quadril e segurou-a
no lugar.
A ponta do pênis colidiu contra sua entrada, se afastou, e depois voltou, até
que finalmente ele empurrou para frente, enterrando-se no calor úmido.
Ela jogou a cabeça para trás e teria chorado se ele de repente não cobrisse a
boca com a mão.
— Shh, moça. Calma, agora.
Ela soltou um gemido quando ele empurrou ainda mais profundamente. Não
parecia possível que ela pudesse aceitá-lo tão profundo. Ela se sentiu cheia,
apertou-se ao redor dele, era quase doloroso.
— Vou montá-la mais duro, Keeley. – as palavras saíram como um grunhido.
Sua voz era rouca e áspera, como se o controle dele estivesse por um fio. – Só
fique deitada e me tome. Eu vou cuidar de você.
Ela não tinha escolha. Sua cabeça estava inclinada sobre o colchão e os
braços estavam espalhados, os dedos enroscados nas cobertas. Seus joelhos eram
seu único apoio enquanto ele arremetia de novo e de novo.
As imagens espancavam sua mente. Como ele se parecia montado sobre ela?
Sua boca ficou completamente seca e ela fechou os olhos quando tremeu de
prazer em todo o corpo.
Ele entrava mais e mais profundo do que tinha sido nas duas vezes em que a
tinha tomado. E ela estava mais sensível agora, depois de ter sofrido a posse dela
por duas vezes. Seus movimentos eram parte dor, mas também um prazer cru e
provocativo.
Após alguns momentos, a nuvem de prazer se dissipou e ela se tornou
consciente da duras pontadas com cada um de seus golpes. Ele era muito grosso,
muito grande, muito longo.
Ele mergulhou fundo, os quadris dele batendo contra sua nádegas. Ela
soltou um grito suave e se encolheu. Ele congelou e cuidadosamente retirou, e
mesmo assim ela provocou um som minúsculo de dor.
— Keeley, o que é isso? Eu a machuquei?

103
Ele a virou, sentou-a na cama e puxou-a em seus braços. Beijou sua testa e
acariciou seus cabelos enquanto a olhava ansiosamente. Ela fez uma careta.
— Estou um pouco sensível.
Ele amaldiçoou em voz baixa, a autorrecriminação brilhava intensamente em
seus olhos.
— Você era virgem e ainda assim eu a usei como se fosse uma mulher
acostumada a coisas da carne. Isso é indesculpável. Eu a queria tanto que nem
prestei atenção ao seu conforto.
Ela o acariciou no rosto.
— Foi apenas desconfortável por um momento.
Alaric balançou a cabeça.
— Você deveria ter um longo e quente banho de imersão para aliviar suas
dores. Eu mandarei uma banheira para seu quarto para que você possa ter os
cuidados que merece.
Mais uma vez ela sorriu e o puxou para beijá-lo em sua boca.
— Um banho soa celestial. Mas agora, temos apenas uma hora até o
amanhecer. Quero passar esse tempo em seus braços. Poderíamos deitar na sua
cama e descansar pelo resto de nosso tempo?
O olhar dele se suavizou e a puxou ternamente.
— Sim, moça. Não há nada que quero mais agora do que abraçá-la contra
mim. Quando a manhã vier, levarei seu banho ao seu quarto. Nenhuma vergonha
a afligirá por esta noite.
Ela segurou a mão dele e a apertou.
— Não é vergonha alguma ter passado a noite com você, Alaric. Quero que
você saiba disso. Eu não me arrependo.
— Nem eu. Não me arrependo. E me lembrarei desta noite pelo resto de
meus dias.
Ela permitiu que Alaric a levasse de volta para a cama. Ele estendeu a mãos
para as cobertas e puxou-as sobre si mesmo e sobre Keeley.
— Eu não vou dormir esta noite. – ela disse. – Porque não quero perder um
único minuto em seus braços.
Alaric a beijou na testa e delicadamente passou a mão várias vezes pelo seus
cabelos.
— Não fingirei que não amei você, Keeley. Em público eu nunca faria
qualquer coisa para fazê-la sentir vergonha. Mas em privado, não espere que eu
finja que você não deu sua inocência para mim.
O sorriso dela era triste.
— Não, Alaric. Eu não fingirei. Mas é melhor não insistir em assuntos
impossíveis.

104
— Vamos deixar esse tipo de conversa. Acho que isso faz meu coração
pesado.
— Então, envolva-se em mim para manter-me quente, até que chegue a
hora de levantar-me e ir para meu gelado quarto.
— Sim, moça. Eu farei isso.

Capítulo Vinte
O amanhecer rastejava pelo céu, trazendo consigo os dedos feios da
lamentação da noite que findou. Keeley estava deitada, dormindo contra ele, com
a cabeça aninhada na curva de seu braço.
O braço dele estava jogado possessivamente sobre sua barriga e os seios
estavam achatados contra o seu lado.
Lentamente ela roçou os dedos para cima e para baixo em seu braço nu
quando ele inalou o cheiro de seu cabelo. Ele adorava tocá-la. Amava seu cheiro.
Amava a sensação de tê-la próxima a ele. Era uma sensação com a qual ele
gostaria de acordar todos os dias.
Ao contrário, ele teria que acordar com outra mulher em sua cama. Alguém
que não tivesse a doçura de Keeley ou o seu fogo. Ou sua teimosia irritante que o
divertia muito.
Ele se virou para ela, enterrando seu rosto em seus cabelos. Ela se mexeu
tranquilamente e esticou o corpo contra as costas dele. Quando se afastou para
que pudesse contemplá-la, seus lábios se abriram em um bocejo. No início, seus
olhos estavam sonolentos e nublados, mas depois se aqueceu quando ela sorriu
para ele.
Incapaz de resistir, ele acariciou a linha de seu rosto com a ponta do dedo.
Em seus lábios, ele parou e beijou o canto antes de voltar a olhá-la em seus olhos.
— Bom dia. – ele murmurou.
Ela se aconchegou mais perto dele.
— Eu odeio que já é de manhã.
O medo pulsava em sua garganta.
—Sim, eu odeio isso, também. Mas devemos nos apressar a sua volta ao seu
quarto antes que descubram que você está aqui.
Ela suspirou e levantou-se em seu cotovelo, seus cabelos derramando-se
sobre um ombro, cobrindo o seio cheio. Quando ela tentou se afastar dele, ele a
pegou pela cintura e rolou até que ela ficasse por cima dele.

105
Erguendo a cabeça, ele pegou seus lábios, tão cheios e doce. Suave como a
mais fina seda. Ele a beijou como nunca tinha beijado outra mulher, permitindo
que toda a força de seu desejo e pesar transbordasse.
Quando ela se afastou, com seus olhos escurecidos por todas as coisas que
ele sentia, roçou a mão pelo rosto dela, enterrando os dedos em seus cabelos.
— Não há ninguém como você, Keeley. Quero que você saiba disso.
Ela sorriu e deu-lhe um último beijo. Tinha chegado a hora. Ela deveria
retornar ao seu quarto antes que todos acordassem.
— Vista-se rápido, moça. – ele insistiu- Darei a Gannon as instruções.
Quando ela correu para buscar seu vestido, Alaric foi até a porta e abriu-a.
Apenas Gannon estava no corredor escuro. Nenhuma janela ou tocha iluminava o
caminho.
— Gannon. – Alaric sussurrou.
Treinado para ser alertado pelo menor dos ruídos, Gannon se levantou
rapidamente.
—Algo está errado? – ele perguntou.
—Não. Está tudo bem.
Gannon esperou.
— Leve a banheira deste quarto para o quarto de Keeley. Consiga água
quente para um banho. Certifique-se de que ninguém saiba onde ela passou a
noite. Enquanto você desce as escadas, eu vou devolvê-la a seu quarto.
Gannon balançou a cabeça e Alaric olhou para trás para se certificar de que
Keeley estivesse completamente vestida. Ele não queria constrangê-la diante de
Gannon. Então ele atravessou o quarto, protegendo-a com seu corpo grande da
vista de Gannon, quando este começou a arrastar a banheira.
Keeley deitou o roto contra o peito dele. Quando a porta do quarto de
fechou, Alaric afastou-se e segurou-a pelos ombros.
— Vem. Vamos para o seu quarto. Você deve estar deitada quando
trouxerem a água de forma que pareça que você acabou de acordar.
Ela mordeu o lábio inferior e em seguida assentiu. Antes que cedesse à
tentação de abraçá-la por mais um momento, ele a guiou pela porta e no corredor
escuro. Entraram no quarto assim que Gannon saiu. Alaric sinalizou para que ele
aguardasse ali fora e depois para Keeley deitar-se na cama.
Ela se enfiou debaixo das cobertas e Alaric se sentou na beira, simplesmente
olhando para ela por um longo momento. Então se inclinou e beijou-a na testa.
— Eu guardarei esse tesouro para sempre.
— Assim como eu. – ela sussurrou. – Vá agora, Alaric. A separação fica mais
difícil para todos se esperarmos mais.
Ele engoliu em seco e saiu abruptamente. Ela estava certa. Quanto mais
tempo demorasse, mais tentado ficaria para mandar todos ao inferno.

106
Sem olhar para trás, ele deixou o quarto. Gannon o aguardava e Alaric lhe
deu instruções com voz concisa.
— Verifique seu banho. Certifique-se de que ela não seja perturbada. Diga
que está cansada e com mal-estar e que ficará em seu quarto durante todo o dia.
— Sim. – Gannon respondeu com um aceno.
Alaric observou-o ir e então voltou para seus aposentos. Ele fechou a porta
atrás dele. Seu coração batia como um machado em madeira.
Estar com Keeley tinha sido o mais doce dos prazeres, mas possuí-la e saber
que ele estava proibido para ela era uma agonia que ultrapassava qualquer ferida
d carne.
Keeley se encolheu embaixo da água e puxou os joelhos para o queixo. O
calor tinha acalmado as dores de seu corpo, mas nada poderia ser feito sobre a dor
que ainda residia em seu coração.
Ela balançou a cabeça e virou-se para colocar o rosto em seus joelhos. Na
noite passada tinha sido a única noite maravilhosa de sua vida. Foi um momento
de carinho. Ela passaria a vida lembrando-se de cada toque. Cada toque.
Não havia lugar para tristeza, agora.
E ainda assim não conseguia afastar a sensação de peso do peito.
Uma batida soou na porta e Keeley fechou os olhos, abraçando as pernas
um pouco mais apertado. Se ela ignorasse o chamado, talvez eles fossem embora.
Para seu horror, a porta se abriu. Enquanto tentava se esconder, Maddie enfiou a
cabeça pela porta.
— Oh, é você.
— Soube que estava doente. Vim ver se há algo que eu possa fazer.
Keeley sorriu, ou tentou. O resultado foi o arder nos olhos. Ela tentou
segurar, mas mesmo assim a primeira lágrima escorreu pelo seu rosto. Maddie
olhou horrorizada e em seguida, olhou-a com simpatia.
— Oh, moça, qual é o problema? Deixe-me ajudá-la a sair dessa banheira. Vai
dar tudo certo.
Keeley deixou que Maddie a ajudasse e depois de vestir-se com uma roupa
seca, ela se sentou em frente ao fogo enquanto Maddie secava e penteava os
cabelos.
— Agora me diga o que aconteceu. – Maddie disse gentilmente.
— Oh, Maddie. Eu temo que cometi um erro enorme, mas na verdade não
me arrependo nenhum minuto dele.
— Será que tem a ver com Alaric McCabe?
Keeley virou o seu olhar choroso de Maddie.
— É tão óbvio? Será que todo mundo sabe de minha vergonha?
Maddie envolveu Keeley nos braços.

107
— Shh. Nada disso. — ela balançou-a nos braços, em um movimento
maternal.
— Eu me entreguei a ele. – sussurrou Keeley. – Ele está prestes a casar com
outra mulher, mas fui até ele de qualquer maneira. Não podia resistir mais tempo.
— Você o ama.
— Sim, eu o amo.
— Não é vergonha em entregar-se ao homem que ama. Mas preciso saber
se ele se aproveitou de você?
Havia uma ponta de raiva no tom de Maddie e Keeley se afastou da mulher
mais velha.
— Não! Ele está sofrendo tanto quanto eu. Sabe que deve se casar com
Rionna. Nós dois tentamos ignorar o que sentimos um por outro. Eu é que fui ao
seu encontro.
Maddie acariciou os cabelos de Keeley suavemente.
— É difícil quando você precisa negar o que o coração sente. Não tenho
palavras para consolá-la. É uma boa mulher, Keeley. Não deve que o mal que foi
feito a você no passado a influencie agora. Não é uma prostituta. Tem um coração
bom. O McCabe tem sorte de ter você.
Keeley se jogou nos braços de Maddie e a abraçou.
— Obrigada, Maddie. Na verdade, nunca tive amigos como você e as outras
mulheres do castelo. Nunca esquecerei sua bondade e sua compreensão.
Maddie acariciou o cabelo de Keeley e soltou-se do abraço.
— Gannon disse aos outros que você está cansada e doente. Concordamos
que fez muito em pouco tempo por aqui. Por isso vou ficar com você e pedir a
Gertie que envie algo para comer. Se quiser, poderemos conversar, mas acho
melhor se deitar e dormir.
Keeley concordou e se afastou lentamente.
— Eu gostaria disso. Na verdade, estou cansada e com o coração doendo.
Não tenho forças para fingir que nada está acontecendo.
— Vá para a cama e deixe-me cuidar do resto. – Maddie disse, afagando-lhe
a mão – Será o nosso segredo. Não direi nem mesmo a Lady McCabe.
— Obrigada. – Keeley disse novamente.
Maddie se levantou e apontou para a cama.
— Vá agora. Sinta-se confortável. Depois de uma noite de amor, eu imagino
que você esteja faminta.
— Sim, pode ter certeza. – Keeley corou e depois riu.
Maddie sorriu e saiu do quarto, fechando a porta atrás dela. Keeley vestiu
sua camisola e depois se enfiou debaixo das cobertas. Era um dia frio e o quarto
estava gelado, apesar do fogo que Gannon acendeu.

108
Enquanto esperava por Maddie, olhou para o teto, grata por ter não precisar
suportar o dia sozinha. Seu coração já doía bastante sem o fardo da solidão. Às
vezes era melhor compartilhar com uma amiga.
Keeley viveu muito tempo sozinha, mas agora voltou a encontrar o
companheirismo e a camaradagem de outras mulheres, e a ideia de retornar a uma
casa silenciosa era mais do que poderia suportar.
Ela queria fazer parte do clã McCabe. Por mais doloroso que fosse, sabendo
que Alaric estaria por perto, mas nunca seria dela. Mas não estava disposta a ser
uma covarde e fugir para o mau humor e para a autopiedade.
Momentos depois, Maddie voltou acompanhada de Mairin e de Christina. As
mulheres invadiram o quarto com sorrisos e risadas vibrantes.
Christina estava muito feliz com a proposta de Cormac. Maddie olhou para
Keeley e depois apertou as suas mãos. Keeley olhou para trás e sorriu com carinho
para Christina. A moça estava muito feliz e Keeley deixou que a felicidade se
infiltrasse em sua alma.

Capítulo Vinte e um
— Keeley! Keeley!
Keeley virou a cabeça para ver Crispen correndo através do grande salão em
sua direção. Ela se preparou, já familiarizada com a maneira como Crispen a
“cumprimentava”.
Ele se atirou ao seu redor, quase derrubando os dois no chão. Ela riu e o
afastou.
— O que você quer, Crispen?
—Você quer ir lá fora e brincar na neve com a gente? Mamãe não pode ir.
Papai a proibiu de sair. Ela não está feliz, mas Maddie disse que é porque mamãe
está grande como uma abóbora e pode cair no gelo.
Keeley hesitou, quase rindo da torrente de palavras que saiam da boca do
menino.
—A tempestade acabou e o sol está lá fora. Está um dia lindo. Papai está
treinando desde o amanhecer. Podemos brincar nas colinas e Gannon e Cormac
podem vir juntos.
— Devagar. – ela disse rindo. – Eu adoraria ir lá fora e ter um pouco de ar
fresco.
O rosto de Crispen se iluminou.
— Então você virá? Sério?

109
— Se me der um momento para vestir roupas mais quentes, ficarei feliz em
sair com você desde que tenha a permissão do laird.
— Eu vou perguntar agora. – Crispen disse ansiosamente.
— Muito bem. Vou esperá-lo perto das escadas.
Ela viu Crispen sair correndo da sala a toda a velocidade e balançou a cabeça,
seguindo em direção às escadas para vestir roupas apropriadas para o frio intenso.
Quando voltou, Cormac e Gannon estavam cercados por Crispen e outras
crianças. Olharam desolados em sua direção quando ela se aproximou.
Sorrindo, ela fez questão de cumprimentar com entusiasmo cada uma das
crianças. Cercada por uma conversa animada, entrou no frio, tremendo.
— Como está frio, hoje! – ela exclamou.
— Sim, está. – Cormac resmungou. – Muito frio para sair e ficar cuidando de
crianças.
Keeley sorriu maliciosamente para Cormac.
— Provavelmente, Christina se juntará a nós.
A expressão dele se iluminou e então olhou para Gannon com entusiasmo.
— Vamos! – Crispen insistiu. Ele puxou a mão de Keeley até que ela cedeu e
correu até a colina para a área onde as crianças brincavam.
Rapidamente as crianças formaram dois grupos e Keeley gemeu quando
percebeu que a brincadeira era lançar bolas de neve uns aos outros.
Felizmente, Gretchen estava na equipe de Keeley. Os meninos uivavam com
indignação cada vez que Gretchen acertava um deles no rosto.
Depois de uma hora de guerra, eles pediram por uma trégua e pararam, com
as mãos nos quadris, ofegando por ar.
Crispen e Gretchen sussurravam em voz baixa, olhando para Cormac e
Gannon.
— Você pergunta. – Crispen murmurou.
— Não. Você pergunta. – Gretchen exigiu. – São os homens de seu pai. Eles
provavelmente farão isso por você.
Crispen ergueu o queixo.
— Você é uma menina. O fato é que as meninas sempre conseguem o que
querem.
Gretchen revirou os olhos e depois deu um soco no braço do menino.
— Ai!
Crispen olhou para ela e esfregou o braço.
— Nós vamos pedir juntos.
Gretchen sorriu serenamente e os dois correram em direção de Gannon.
Keeley assistiu com interesse quando os dois guerreiros recuaram. Então
começaram a abanar a cabeça fazendo gestos negativos. Eles franziram a testa,
fizeram uma careta e as crianças argumentavam.

110
A expressão de Gretchen se transformou e os homens se olharam inquietos.
Os olhos dela brilhavam com grandes lágrimas e o queixo tremia.
— Oh, Deus. Eles não tem a menor chance agora.
Keeley virou-se para ver Christina se aproximar, com um brilho divertido no
olhar.
— Gretchen não se opõe ao uso de artimanhas femininas, se for para ganhar
o que ela quer. A menina é mais inteligente do que penso. – disse Christina. – Se
não ganha batendo, ganha chorando.
— Estou curiosa para saber o que eles querem. – Keeley afirmou.
— Seja o que for, parece que eles estão conseguindo.
Cormac olhou para cima e seus olhos brilharam quando viu Christina.
Gannon caminhou em direção ao castelo, enquanto Crispen e Gretchen
arrastavam Cormac até onde estavam as duas mulheres.
— Gannon vai buscar o escudo! – Crispen gritou.
— O escudo dele? – Keeley perguntou.
— Sim. – disse Gretchen. – Para deslizar ladeira abaixo.
— É um pecado abusar de um escudo como esse. – Cormac murmurou.
— Será divertido descer a colina em cima deles. – Crispen disse.
Gannon apareceu à distância, com o sol brilhando no grande escudo que ele
carregava. Quando chegou, o grupo de crianças o aplaudiram.
Intrigada com a noção de deslizar abaixo de uma colina no escudo de um
guerreiro, Keeley se inclinou mais perto para examinar o objeto. Certamente era
grande o suficiente para levar uma criança ou mesmo um adulto pequeno.
— Como isso funciona?
— Nós colocamos para baixo, assim. – disse Gannon, colocando o escudo
para baixo, na neve. – Então, alguém sobe e outro empurra morro abaixo.
Keeley arregalou os olhos.
— E isso é seguro?
Gannon suspirou.
— Não, se ele não for para o lago ou para o pátio onde os homens estão
treinando. O laird ficaria furioso.
— Então temos que ir para outro caminho. – Keeley afirmou, apontando
para outra direção.
Cormac olhou para a colina mais próxima.
— Sim, a moça tem razão. Vamos precisar ir ao topo da outra colina para
ficarmos longe do perigo.
— Uau! É uma encosta muito mais íngreme para descer. – Crispen vibrou,
quando eles avançaram até a colina através da neve.
— Eu primeiro! – Robbie chorou assim que eles estavam olhando o vale
abaixo deles.

111
— Não! A ideia foi minha e fui eu quem pediu. – Gretchen protestou. – É
justo que eu vá primeiro.
— Deixe-a ir primeiro. – Crispen murmurou – Ela morrerá se não for seguro.
Robbie sorriu.
— Esse plano soa ser bom. Tudo bem, Gretchen. Você vai primeiro.
Gretchen olhou com desconfiança para os meninos, mas de bom grado
tomou sua posição sobre o escudo de Gannon.
— Agora mantenha as saias apertadas e não solte as mãos. – disse Christina,
ansiosamente.
— Tudo pronto? – Cormac perguntou.
— Sim, pode empurrar. – disse Gretchen, com os olhos arregalados de
excitação.
Gannon lhe deu um empurrão suave, mas o ferro polido do escudo era liso
na superfície e ela rapidamente pegou velocidade. Logo estava voando ao longo
do chão, quase roçando a superfície.
Em um ponto, ela se virou de lado, deu um grito satisfeito e se endireitou,
utilizando o peso do corpo.
— Essa menina é inteligente. – disse Gannon, em resignação. – Não tenho
nenhuma dúvida de que um dia ela vai comandar seu próprio exército.
Christina e Keeley trocaram olhares presunçosos.
Gretchen chegou ao pé da colina, derrapando a alguns centímetros de uma
árvore. Acenou com a mão com entusiasmo para que soubesse que tudo estava
bem.
Crispen foi o próximo a sair e ele gritou todo o caminho. Ele girou várias
vezes antes de parar. Robbie veio em seguida e ficou descontente quando tombou
no meio do caminho, rolando como uma bola de neve em fuga. Crispen e
Gretchen acharam isso divertido e ambos se atiraram na neve e rolaram morro
abaixo.
— Você gostaria de experimentar, Keeley? – Gannon ofereceu
educadamente, apontando para o escudo vazio.
Seu primeiro instinto foi recusar veemente, mas ela viu um desafio nos olhos
do guerreiro. Ela estreitou olhar e fitou-o com um brilho:
— Você me acha covarde demais para tentar.
Gannon encolheu os ombros.
— Parece um pouco assustador para um mulher esperta como você.
Christina ofegou, mas cobriu o som com uma tosse rápida.
— Isso me parece um desafio, guerreiro. Tenho outro para lhe fazer. Se eu
descer o morro sem cair do escudo, você e Cormac também deverão tentar.
Cormac fez uma careta.
— Um guerreiro não participa de brincadeiras de crianças.

112
— Bem, se está com medo. – ela disse, inocentemente.
— Você duvida de nossa coragem? – Gannon perguntou incrédulo.
— Sim, eu duvido. O que vai fazer sobre isso?
Gannon jogou o escudo e apontou.
— Prepare-se para se arrepender.
Keeley revirou os olhos e se acomodou sobre o metal frio. Antes que ela
pudesse dizer sim ou não, Gannon a empurrou morro abaixo. Pulou para trás e
segurou desesperadamente na borda do escudo. Era muito mais difícil do que
parecia e ela iria precisar de toda a sua inteligência para completar a jornada sem
levar um tombo enorme.
Lá embaixo, as crianças gritavam seu nome e aplaudiam freneticamente
enquanto ela se aproximava. O problema é que ela passou por elas e foi para além
das arvores.
Quando saiu voando pelo ar, apertou os olhos e se enrolou nos braços para
proteger a cabeça. Caiu no chão e comeu um bocado de neve. Graças a Deus, ela
não se encontrou com nenhuma árvore.
— Keeley! Keeley!
Era difícil discernir quem gritou seu nome. Foi uma mistura de crianças com
os urros de Gannon e Cormac. Ela olhou para cima a tempo de ver as crianças
rapidamente convergindo enquanto Gannon e Cormac , além de Christina,
gritavam para ela permanecer no lugar.
De repente ela sentiu uma ferroada na nunca. Suas narinas se queimaram.
Sua cabeça chicoteou quando se viu cercada por vários guerreiros que surgiram
através das árvores.
— Ataque! – ela gritou – Nós estamos sob ataque!

Alaric ficou intrigado com o fato de Gannon ter buscado um escudo antigo
em um monte de armaduras que precisava de reparos. Assim, ele se dirigiu ao
local onde ele e o grupo de mulheres e crianças deveriam estar. Só que não havia
ninguém lá. Ele sabia que Keeley levou as crianças para brincar e que Ewan deu
permissão. Apertou o passo para seguir Gannon e quando chegou mais próximo
do local onde Gannon havia desaparecido, viu Keeley, Christina, Cormac e as
crianças próximos ao pico da colina. Ele logo percebeu o propósito do escudo
quando viu Gretchen sentar-se sobre ele e sair escorregando morro abaixo.
Com um sorriso, ele caminhou até o lado oposto. Ficou chocado ao ver
Keeley subir no escudo e Gannon dar-lhe um poderoso empurrão. Mas a moça era
muito grande para aquela brincadeira. Ela foi girando, descendo a colina, fora de
controle e obviamente encontrando problemas. Ela desapareceu entre as árvores
no mesmo momento em que Gannon e Cormac se viraram e viram Alaric em pé
atrás deles.

113
Os dois homens começaram a descer a encosta, escorregando e deslizando
ao longo do caminho. As crianças já haviam desaparecido entre as árvores quando
Alaric saiu à procura de Gannon e Cormac.
Os homens congelaram quando ouviram o grito de Keeley.
— Ataque! Estamos sob ataque!
Sem perder tempo, os três sacaram suas espadas. Cormac gritou na direção
do castelo na esperança de que os homens o ouvissem e então ordenou que
Christina corresse para buscar ajuda.
Tão logo chegaram às árvores, foram recebidos por Robbie e Gretchen com
lágrimas em seus rostos. Eles balbuciaram incoerentemente quando Gannon os
abraçou.
— Eles pegaram Keeley e Crispen. – Gretchen chorou. – Vocês devem se
apressar. Eles têm cavalos.
— Pelo sangue de Cristo! – Alaric praguejou. – Nós nunca vamos pegá-los a
pé nestes desvios.
Segurando suas espadas, eles adentraram pela neve seguindo as pegadas
que levavam mais longe na floresta.
A raiva e o medo batiam fortes no peito de Alaric. Ele quase perdeu o filho
de Ewan antes. Eles pensaram que ele morreria. E agora, Alaric confrontava-se não
só com a perda do menino tão querido em todo o clã, como também a mulher que
lhe era mais cara que qualquer outro ser humano.
Quando virou em uma curva, a paisagem se abriu em um largo caminho
através da neve limpa. Para o espanto de Alaric, Crispen saltou de trás de uma
árvore e se jogou nos seus braços.
— Tio Alaric, você deve se apressar. Eles têm Keeley e acham que ela é
minha mãe. Eles vão matá-la quando descobrirem a verdade!
— Como na terra você conseguiu escapar, menino? – Alaric perguntou.
Porque, se Cameron pensou em seqüestrar o filho e a esposa de Ewan, ele teria
tudo o que o irmão mais prezava no mundo. Não podia imaginar que
simplesmente deixaria Crispen ir.
— Keeley chutou dois homens entre as pernas e me disse para correr. Ela
tentou correr também, mas o terceiro homem a pegou pelos cabelos e a puxou
para trás. Ela gritou para eu ir e que nunca mais deixaria eu jogar uma bola de neve
na minha vida se eu não a obedecesse.
— A moça salvou a vida do menino. – Cormac murmurou.
— Sim, parece que ela tem o hábito de salvar os McCabes. – concordou
Alaric. Ele segurou Crispen pela camisa. – Você se machucou? Eu preciso que você
volte para o castelo e diga ao seu pai o que aconteceu aqui. Diga que precisamos
de cavalos e homens. Certifique-se de que ele deixe homens suficiente para
defender o castelo e que Mairin esteja seguramente trancada.

114
— Sim. – disse Crispen, com a determinação estampada no rosto jovem. Só
que agora, ele não parecia tão jovem.
— Vamos. –ele ordenou a Gannon e Cormac. – Nós continuaremos a pé até
que os outros cheguem com os cavalos. Temos que seguir seus rastros.

Capítulo Vinte e dois


Vários minutos depois, Ewan apareceu, levando um cavalo para Alaric. Atrás
dele, seus homens vestiam armaduras, com as armas prontas.
Alaric jogou-se sobre o cavalo e ignorou o grito de protesto ao sentir sua
lesão. Atrás dele, Cormac e Gannon também estavam montados, enquanto seis
dos seus homens arrebanhavam as crianças em um círculo de proteção e os
levaram de volta para o castelo.
Sem esperar as ordens de Ewan, Alaric saiu à frente. Seguiu o conjunto de
pegadas, seus irmãos e homens logo atrás dele o tempo todo.
— Tenha mais cuidado, Alaric. – Ewan o chamou – Pode ser uma emboscada.
Os lábios de Alaric se enrolaram e ele olhou para o irmão.
— Eles acham que seqüestram Mairin. Você estaria dizendo para eu tomar
mais cuidado se fosse ela em perigo?
Ewan fez uma careta, mas calou-se.
— Eles não podem ter chegado longe nesse frio. Esse seqüestro foi muito
arriscado. – Alaric murmurou, enquanto estudava o terreno.
— Sim. Eles estão desesperados e esperaram para atacar quando menos se
esperava.
— Nós não deveríamos ter deixado o castelo. Mairin e o bebê são muito
importante para nós. – Caelen disse , logo atrás, esporeando seu cavalo.
Alaric teria atingido seu irmão se ele estivesse perto o suficiente. E apenas o
conhecimento que cada minuto perdido seria pior para Keeley o impediu de
lançar-se através da distância e ar vazão à sua raiva.
— Basta! – Ewan gritou. - Keeley é importante para o bem-estar de Mairin e
do bebê. Nós vamos atrás dela. A fortaleza está bem guardada. Só um tolo
lançaria um ataque na calada do inverno.
— Cameron revelou ser cada vez mais tolo. – apontou Alaric. – Vamos
encontrá-la antes que seja tarde demais.
Enquanto ele falava, o medo encheu seu coração. Sabia que logo
descobririam que Keeley não era Mairin, e a vida dela estaria perdida. Seria
descartada. Sem uso. Cameron era implacável em perseguir seus objetivos.
Alaric exigiu de seu cavalo toda a força, ao ponto de exaustão.

115
— Isso é loucura. – Caelen rosnou. – Você ainda não está suficiente curado
para montar ou ir para a batalha.
Alaric olhou para o irmão borbulhando de raiva como um caldeirão.
— Se eu não lutar por ela, quem o fará?
— Não vou deixá-la nas mãos de Cameron. – disse Caelen. - Não entendo seu
fascínio por essa mulher, mas não vou abandoná-la ao seu destino. Você precisa
retornar ao castelo.
Alaric ignorou seu irmão e empurrou para frente, fazendo a neve voar em
jatos grandes. Já havia passado uma hora. Talvez mais. Ele não tinha noção do
tempo. O sol estava se pondo mais cedo e logo a noite estaria sobre eles.
Qualquer possibilidade de busca ficaria mais difícil. Cavalgaram em silêncio, seu
olhares varrendo o horizonte buscando qualquer sinal de seus atacantes.
Caelen foi quem viu pela primeira vez a massa na neve. Ele parou
bruscamente, desmontou e foi vasculhar a neve antes que Alaric processasse o
que estava errado.
— Alaric, lá está ela!
Ewan e Alaric desmontaram de seus cavalos. Alaric sentiu uma dor aguda
que balançou seus joelhos. Ele ofegou, puxou o braço contra seu corpo mas não
pensou na dor, apenas com Keeley em sua mente. Caelen se ajoelhou e começou
freneticamente a retirar a neve que estava sobre o corpo dela. Alaric correu para
frente e se ajoelhou ao lado dela. Ele ajudou Caelen, retirando o resto de neve de
suas roupas e em seguida, levantou-a nos braços.
— Keeley. – ele sussurrou. – Keeley! – ele disse mais alto, quando ela não
respondeu.
Estava fria. Sua pele era como gelo. Ele pressionou seu ouvido contra o nariz
dela e sentiu um alívio quando percebeu que ela respirava. Afastou-se apenas o
suficiente para que pudesse examinar a lesão.
— Ela está com a cabeça sangrando. – disse Caelen severamente,passando
os dedos pelo cabelo dela. – Ou estava. Está muito frio e o sangramento parou.
— Temos que nos apressar. – Ewan insistiu. – Seus atacantes ainda podem
estar por perto e o frio está aumentando.
Quando Alaric começou a subir, ela se mexeu e suas feições se torceram de
dor.
— Keeley?
Ela abriu os olhos e olhou para ele, com os olhos atordoados.
— Alaric?
— Sim, carinho. Graças a Deus está tudo bem. Nunca senti tanto medo
desde que tinha dez anos.
Ele a apertou contra o peito e correu em direção ao seu cavalo.

116
Sem dizer nada, Caelen pegou-a dos braços de Alaric e esperou que ele
montasse cuidadosamente. Depois, entregou-a a Alaric e, para a surpresa do
irmão, pegou um cobertor de sua montaria e o entregou para que Alaric pudesse
aquecê-la.
— Obrigada, Caelen. – Keeley disse em uma voz rouca e fraca.
Caelen acenou com a cabeça e então pulou em seu cavalo. Alaric saiu logo
atrás de Caelen enquanto Ewan ainda montava.
Quando subiram a colina, foram recebidos por um contingente de soldados.
Eles rapidamente cercaram seu laird e seus irmãos, escoltando-os de volta ao
castelo.
Assim que entraram no pátio, Caelen desmontou e simplesmente ergueu os
braços para pegar Keeley dos braços de Alaric.
— Eu posso andar. – ela protestou.
Caelen não disse nada, mas também não atendeu ao pedido dela. Franziu o
cenho quando Alaric deslizou e tentou segurá-la.
— Vá na frente. Você não está em estado de carregar a mulher. Vai reabrir a
maldita ferida quando já está quase curado.
Não querendo argumentar quando Keeley tremia de frio, Alaric correu para
dentro, deixando Ewan para dar ordens aos seus homens .
Caelen gritou um série de ordens e as pessoas correram em todas as
direções. Ele levou Keeley para seu quarto enquanto várias mulheres corriam ao
redor dele para acender o fogo e colocar peles sobre a cama.
Quando ele deitou Keeley na cama, ela tremia dos pés à cabeça. Seus dentes
batiam violentamente e Alaric empurrou Caelen de lado para subir na cama ao
lado dela.
Alaric passou os braços firmemente ao redor dela e então dirigiu um olhar
para Caelen para que ele lançasse as peles ao redor dos dois.
— F-f-frio. – ela gaguejava. – T-tão f-frio.
Alaric roçou os lábios sobre sua cabeça.
— Eu sei, amor. Segure firme em mim. Precisamos aquecê-la agora.
—Crispen. – ela disse alarmada. – Ele está seguro? Você o encontrou? E as
outras crianças?
— Sim. Crispen está bem. Diga-me, como você escapou?
Para sua surpresa, ela abriu um sorriso ao redor dos dentes.
— Eles pensavam que eu era Mairin e quando descobriram seu erro,
tentaram me matar.
Alaric praguejou. Exatamente como ele imaginou. Caelen estreitou os olhos.
— Mas mesmo assim você sobreviveu. Eram ineptos?

117
— Infelizmente para você, eles eram. – ela disse secamente. – Sei que deve
ser uma grande decepção. Mas os convenci que eu era uma bruxa e iria amaldiçoá-
los toda sua descendência até a eternidade se me matassem.
Caelen fez uma careta.
— Não desejo que você morra, Keeley. Não sugira isso.
Alaric o cortou com impaciência.
— Uma bruxa? E eles acreditaram neste absurdo?
— Sim, bem, eu já havia causado um considerável dor. Lutei com eles,
permitindo que Crispen fugisse. Mordi o que me segurou antes de subir em seu
cavalo. Ele já estava meio convencido de que eu era um demônio do inferno
quando ameacei amaldiçoá-lo.
Caelen riu.
— Você é uma moça engenhosa. Incrível como você pensa rápido. Os
homens provavelmente fugiram por suas vidas.
Ela se aconchegou mais nos braços de Alaric e fechou os olhos.
— Não, moça. Você deve ficar acordada. – Alaric disse em alarme. Ele olhou
freneticamente para Caelen. – Discuta com ela. Provoque-a. Faça-a sentir raiva. Ela
não pode cair no sono até que tenha se aquecido.
Uma sombra de preocupação passou pelos olhos de Caelen. Ele se inclinou
para onde Keeley estava aninhada nos braços de Alaric.
— Desculpe por ter sido bom para você, Keeley. A sua fragilidade e sua
feminilidade despertaram dentro de mim um pouco de bondade. E eu aqui
pensando que você fosse muito mais valente.
Ela olhou para ele malignamente.
— Não tenho nenhuma intenção de morrer, Caelen, assim, pode economizar
seus insultos. Na verdade, prefiro você mal humorado, pois desconheço esse
homem gentil diante de mim. Vendo-o agindo assim me faz achar que morri e
ainda não percebi isso.
Caelen jogou a cabeça para trás e riu.
— Sim, você está muito longe de morrer, mulher intratável. Acho que temos
muito em comum.
— Deus, me ajude. – Alaric murmurou. – Esta é a última coisa de que eu
preciso. Dois Caelens.
— Você planeja ser mais agradável para mim, agora? – Keeley murmurou
sonolenta.
— Só se ficar acordada e parar de preocupar meu irmão. – ele respondeu. –
Alaric parece uma mãe preocupada.
— Então não seja gentil. Faz que eu pense que estou morrendo.
A voz dela estava ficando mais fraca e preocupando Alaric. Onde estavam as
mulheres com a água quente? O caldo quente? Mais cobertores e roupa seca?

118
Caelen e Alaric trocaram olhares preocupados. Caelen levantou-se
abruptamente e caminhou até a porta. Gritou para o corredor, fazendo Keeley
pular nos braços de Alaric.
Um momento depois, Maddie correu com Christina, Bertha e Mairin logo
atrás.
— Mairin, - Alaric repreendeu. – Você não devia estar aqui. Deixe que nós
cuidemos de Keeley.
— Fique em silêncio, Alaric McCabe. Keeley é minha amiga e salvou o meu
filho. Ficarei cuidando dela até que eu veja que está tudo bem.
A banheira e baldes de água foram levados para o quarto. Logo a banheira
estava cheia e as mulheres começaram a expulsar os homens da sala.
Relutante, Alaric se levantou. Ele não queria deixá-la, mas sua presença ali só
iria levantar questões delicadas que deixariam Keeley desconfortável. Assim, ele
ficou encostado na porta pelo lado de fora e se recusou a sair dali enquanto
Keeley estava sendo cuidada. Caelen ficou com ele e logo Ewan se juntou aos dois.
— Eu suponho que minha esposa está lá dentro. – Ewan disse com
resignação.
— Sim, elas estão aquecendo Keeley na banheira. – Alaric disse.
— Nossa vigilância foi redobrada e as crianças estão proibidas de saírem do
lado de suas mães. Nenhuma mulher pode deixar o castelo sem escolta.
Caelen assentiu com a cabeça.
— A primavera chegará mais cedo e as nossas alianças serão seladas. Logo
estaremos mais fortes para destruirmos Cameron. Nosso clã nunca conhecerá a
paz enquanto ele estiver vivo.
Alaric engoliu em seco e recostou a cabeça contra a parede. Sim, ele sabia
que seu casamento com Rionna McDonald era urgente. Quanto mais cedo,
melhor. E ainda temia sua chegada com todos aqueles sentimentos dentro dele.
Ele rezou por um inverno rigoroso e com muita neve. Qualquer coisa que possa
manter os McDonalds fora de suas paredes.
A porta do quarto se abriu e Mairin saiu. Ewan instantaneamente a abraçou
e ela deitou a cabeça no ombro dele. Alaric olhou para ela.
— Keeley está bem. Nós a aquecemos e agora ela está na cama. Há uma
ferida na cabeça, onde um dos atacantes a golpeou, mas não parece ser grave.
Nem precisa de sutura.
Alaric respirou fundo. Observou como as mulheres se moviam ao redor e
ignorou o olhar indagador que Maddie lhe enviou. Assim que todos saíram do
quarto ele se virou para entrar. Na porta, ele parou e olhou para seus irmãos.
— Garantam que não sejamos perturbados.

119
Capítulo Vinte e Três
Keeley abriu os olhos e viu Alaric em pé ao lado da cama, com uma
expressão curiosa.
— Como você está se sentindo? – perguntou.
— Aquecida. Finalmente aquecida.
Mas mesmo enquanto falava, um arrepio rolou sobre seu corpo,
desencadeando uma série de tremores incontroláveis. Murmurando uma
maldição, Alaric deslizou para a cama e puxou-a para seus braços.
Ele era o céu. Como uma pedra aquecida em um forno. Ela encostou cada
parte de seu corpo contra o dele para absorver seu calor. Estava tão bom que ela
gemeu.
— Você está com dor? – ele perguntou rapidamente.
— Não. Só está gostoso aqui. Você está tão quente. Não quero me mover.
Ele beijou sua testa e roçou a mão sobre o rosto dela.
— Se eu pudesse escolher, você nunca se moveria.
— Posso dormir agora? Maddie disse que a ferida em minha cabeça não é
séria. E não consigo manter meus olhos abertos.
— Sim, Keeley, durma. Ficarei por perto para cuidar de você.
Embora ela soubesse que ele não deveria estar ali ela não tinha o desejo de
mandá-lo embora. Deitou o rosto sobre o peito largo e suspirou de
descontentamento. A noite era dela e ela não gastaria, um único momento
lamentando o que não poderia ser mudado. Em vez disso, ela aproveitaria todos
os momentos que teria com ele, e amanhã se preocuparia.
Durante a noite, Alaric despertou com os movimentos inquietos de Keeley.
Levou um tempo para perceber que ela ainda estava dormindo profundamente.
Desperto, ele a estudou sob a luz fraca enquanto ela se retorcia ao lado dele. O
medo tomou conta e ele encostou a mão na testa dela. Ele amaldiçoou quando
sentiu que ela estava com febre.
— Está frio. – ela disse com voz baixa. – Por favor, fogo... eu preciso do
fogo.
— Shh, amor. Vou aquecê-la.
Mal disse as palavras, ele se lembrou que aquecê-la apenas pioraria a febre.
Ele deveria descobri-la e banhá-la em água fria, ou pelo menos colocar um pano
fresco na testa? Ele se sentiu impotente. Ele não sabia como cuidar de uma pessoa
com febre. Ele era um guerreiro. Sua experiência era a batalha. Matando e
defendendo. Cuidar de feridas? Ele não tinha experiência.
Delicadamente, ele afastou seu corpo para longe dela. Roçou os lábios em
sua testa quente.
— Voltarei a qualquer momento. Eu prometo.

120
O gemido dela lhe apertou o peito, mas ele se virou e correu para fora do
quarto. O corredor estava escuro e silencioso. Estavam todos dormindo. Ele
percorreu todo o caminho até o quarto de Ewan. Bateu na porta, sabendo que o
irmão tinha um sono leve. Só quando ouviu uma chamada ríspida, ele se atreveu a
meter a cabeça pela porta.
— Sou eu. – Alaric sussurrou.
Ewan sentou-se na cama, com cuidado para manter Mairin debaixo das
cobertas.
— Alaric? - Mairin perguntou sonolenta. – Há alguma coisa errada? Keeley
está...
— Volte a dormir. – Ewan disse gentilmente. – Você precisa descansar. Vou
ver o que há.
— Não há nada de errado. – Alaric assegurou. – Só preciso falar com Ewan.
Ewan se vestiu rapidamente e se juntou a Alaric no corredor.
— Qual é o problema? – Ewan perguntou.
— Não quis falar na frente de Mairin porque sabia que ela não ir dormir mais
esta noite. Keeley está com febre e não sei o que fazer.
— Eu vou dar uma olhada. – Ewan disse.
Os dois homens retornaram ao quarto de Keeley. Quando entraram, Alaric
viu que Keeley conseguiu chutar todas as peles da cama e sons de aflição
escapavam de seus lábios.
Ewan franziu a testa e foi para a cama. Ele se curvou e colocou a mão sobre
a testa dela.
— Ela está queimando. – ele disse severamente.
Alaric sentiu um nó de medo na garganta.
— Como é possível uma coisa dessas? Ela não está tão ferida. Há apenas um
machucado na cabeça. Nem sequer precisou de costura.
— Ela ficou deitada na neve por várias horas. – Ewan apontou. – É suficiente
para adoecer o mais vigoroso dos guerreiros.
— Então, é um mal menor.
Ewan suspirou.
— Não vou oferecer falsa esperança, Alaric. Não tenho ideia de como ela
está doente. Só o tempo dirá. Por agora, precisamos tentar esfriar sua pele. Vou
mandar subir uma bacia de água e alguns panos para banhar sua testa. Talvez
precisemos submergi-la na água. Nosso pai costumava usar esse método, por mais
estranho que pareça, para curar febre alta. Lembro-me de uma época em que ele
ordenou que um guerreiro enfurecido com febre há quatro dias fosse mergulhado
em uma banheira cheia de neve. Não foi muito agradável para o guerreiro, mas ele
se salvou. E vive até hoje.
— Eu farei de tudo para salvá-la.

121
— Sim, eu sei disso. Fique com ela. Eu descerei para buscar o que
precisamos. Será um noite longa, Alaric. Pode até durar dias.
— Ela cuidou de mim em meus piores dias. – Alaric disse, calmamente. – Não
posso fazer menos por ela. Ela não tem ninguém. Somos a sua família agora. É
nosso dever cuidar dela, assim como faríamos com qualquer outro membro de
nosso clã.
Ewan hesitou apenas um momento antes de assentir novamente.
— Devo-lhe uma grande dívida por salvar a sua vida e agora a do meu filho. E
minha dívida ficará maior quando meu filho nascer. Não posso fazer menos do que
cuidar dela em cada uma de suas necessidades.
Alaric se sentiu aliviado. A última coisa que queria era ter um conflito com
seu irmão. Keeley era importante para ele, mesmo que o futuro estisse
condenado.
Assim que Ewan partiu, Alaric voltou sua atenção para Keeley, que jazia
inerte na cama, mais quieta agora. Ele se deitou ao lado dela, acariciando-a com
sua mão sobre seu rosto até seu pescoço. Ela se transformou em seu carinho, sua
pele estava seca e quente. Mesmo seus lábios estavam quentes e rachados contra
a palma da mão.
Ela se enfiou debaixo dele e depois entrelaçou as pernas nas dele, como se
buscasse todo o calor que emanava dele.
— Frio. – ela murmurou. – Está tão frio.
Colocando a palma da mão por trás da cabeça de Keeley, ele a puxou em seu
pescoço e beijou-a na testa.
— Eu sei, amor. Eu sei que você está com frio. Vou cuidar de você, eu juro.
Mesmo quando me amaldiçoa com cada respiração, não vou vacilar.
Ela suspirou contra a carne dele e se arrepiou. Então, beijou-o, sua boca
quente e erótica contra seu pulso. Ele apertou todo o seu corpo contra o dela, e
ela procurava por ele impacientemente. Esfregou a parte superior da perna
sedutoramente sobre a junção das pernas dele. Ele amaldiçoou baixa e duramente
quando seu pênis inchou em resposta.
— Eu amo o seu gosto. – ela disse, com uma voz rouca, contra o pescoço
dele.
E para provar a veracidade de suas palavras, ela roçou a língua na garganta
dele, lambendo-o, fechando a boca quente e molhada sobre a pele do pescoço.
Antes que ele pudesse reagir, ela se levantou e fundiu sua boca na dele, tão
doce e ardente que ele não conseguia respirar. Ele não queria se mover, tão
envolvido na sensação e no cheiro dela.
Sensual e exigente. Ele abriu a boca para beijos quentes que quebraram
cada pedacinho de seu controle. Certamente Deus o estava testando naquele
momento. Podia sentir o fogo do inferno lambendo seus tornozelos quando ele

122
desejava deslizar entre as pernas dela e lhe dar o que tão desesperadamente
queria.
Não era apenas porque Ewan logo retornaria, mas ele simplesmente não se
permitiria tirar partido de Keeley em um estado de consciência reduzida.
Keeley tentava subir em cima dele e continuava a beijá-lo inconscientemente
quando Ewan entrou no quarto carregando dois baldes de água e panos diversos.
— Você precisa despi-la e usar apenas um lençol para cobri-la. Nada que
prenda o calor dentro de seu corpo ou crie mais.
Alaric fez uma careta.
— Eu vou desviar o olhar. – Ewan murmurou. – Você se esquece que sou um
homem dedicado à minha esposa. Não tenho nenhum desejo de ver o corpo de
outra mulher.
Assim, enquanto Ewan se ocupava com os panos no balde de água do outro
lado da sala, Alaric removia o vestido de Keeley, que não parecia muito feliz e
estava determinada a lutar contra ele.
—Não. – ela chorou.
Lágrimas escorriam pelo seu rosto e sua voz saía ainda mais rouca.
— Por favor. Isso não é adequado. Você não deve fazer isso. É errado!
Suas mãos golpearam, acertando a maçã do rosto de Alaric. Doeu, mas ela
estava muito fraca e não conseguiu dar um segundo soco. Graças a Deus.
— Shh, moça. Não vou lhe machucar. Juro. Sou eu, Alaric.
Quando ele continuou a tirar o vestido sobre seus ombros, ela começou a
chorar. Lágrimas silenciosas deslizavam perfeitamente sobre seu rosto. Havia
resignação em sua postura como se ela tivesse desistido de lutar.
— Essa é a minha casa. – ela disse, aos pedaços. – Você não pode me afastar
de minha casa. Eu não fiz nada.
A fúria de Alaric não encontrou limites. Ele percebeu que ela estava
revivendo o que passou pelas mãos do Laird McDonald.
— Jesus, o que aconteceu com ela? – Ewan perguntou em silêncio.
— Teve toda a sorte de injustiça acumulada sobre ela. – Alaric disse com voz
firme – E se depender de mim, pagarão pelo que fizeram por ela.
— Alaric... – Ewan parou e olhou para seu irmão enquanto ele pegava vários
panos. Ele parou e deixou cair o último sobre a beira do balde. – Não a faça se
apaixonar por você. Seria muito cruel. Ela gosta de você. Qualquer tolo pode ver
isso. Não a incentive nesta loucura. Só vai machucá-la mais tarde, quando você se
casar com outra. Se realmente se preocupa com ela, deve poupá-la desta
devastação e humilhação.
— Você me pede o impossível, Ewan. Não posso... não posso simplesmente
desistir dela porque é a coisa certa a fazer. É claro que sei o que tenho que fazer.
Não tenho nenhum desejo de ferir nem a ela, nem a outra mulher, mesmo não

123
conhecendo Rionna McDonald. Não quero envergonhar qualquer uma destas
mulheres.
— Isso não pode acabar bem. – Ewan disse suavemente. – Nem para você
ou Rionna ou Keeley. Alguém vai se machucar menos se você terminar com isso
aqui e agora.
— Você seria capaz de deixar Mairin? Se o rei viesse amanhã e ordenasse
que ela seja dada em casamento a outro homem para selar uma aliança com o
trono da Escócia, você simplesmente diria sim e aceitaria ?
— Essa é uma comparação ridícula.
— Não vou deixar meu dever de lado. Só sei que enquanto eu tê-la, recuso-
me a fingir que não fico cheio de felicidade quando ela entra em meu quarto. Não
desperdiçarei um único segundo, de modo que quando chegar a hora de nos
separarmos, teremos uma vida de recordações que nos manterá até nossas
velhice.
— Tolice. – Ewan falou. – Fique longe dela. Rompa com ela antes de se
envolver demais. É o melhor caminho.
Alaric sorriu tristemente.
— É muito tarde para não se envolver demais.
— Então seja discreto. Não podemos dar ao luxo de inflamar a raiva de
Gregor McDonald. Não, ela não é o mais forte dos aliados, mas é fundamental na
nossa busca para nos aliar com os clãs vizinhos.
— É melhor Gregor não me irritar. – Alaric bufou. – Ele tem muito para pagar
no leito de morte. Gostaria de apressar-lhe isto pelo jeito como tratou a Keeley.
Keeley começou a gemer novamente, sussurrando frases incoerentes e
balbuciando disparates. Ewan jogou para Alaric um dos panos frios e logo ele o
aplicou sobre a testa.
Ela silenciou por um momento, mas quando Alaric colocou o segundo pano
no pescoço, ela começou a tremer violentamente.
— F-f-fria, Alaric. Por favor, não quero sentir frio.
— Shh, amor, estou aqui. – ele cantava.
— Você quer que eu fique? – Ewan perguntou.
Alaric balançou a cabeça.
—Não. Mairin vai descobrir porque você está aqui. Se eu precisar de água ou
neve, chamarei Gannon e Cormac.
Ewan apertou seu ombro e então saiu do quarto. Alaric voltou sua atenção
para o banho de Keeley.
Cada vez que ele a tocava com um novo pano, ela tremia e gemia. Até que
finalmente ele achou que bastava. A pele dela já tinha esfriado o suficiente e ele
sabia que se continuasse, ela poderia morrer pela exposição ao frio.

124
Deixando-a nua, ele subiu na cama ao lado dela e a abraçou em seus braços.
O corpo dela foi um choque de frio e suas mãos desajeitadas procuravam o calor
dele.
Finalmente aninhada em baixo da túnica de Alaric, ela encontrou sua pele e
suspirou de contentamento. Gradualmente, o tremor parou e ela ficou mole
contra ele. Ele estendeu a mão para puxar uma das peles e cobrindo a ambos, com
cuidado para o calor não ser demais.
Ele beijou-a na testa ainda quente e sussurrou.
— Durma, meu amor. Estou aqui para cuidar de você.
— Meu guerreiro. – ela sussurrou.
E ele sorriu. Sim, assim como ela era seu anjo.

Capítulo Vinte e Quatro


Keeley acordou sentindo-se como se estivesse presa sob uma pedra. Mesmo
respirando mal. Sua cabeça estava tão pesada que não poderia levantá-la e ela
balançou-a de um lado para o outro em busca de ar. Abriu a boca, mas seus lábios
estavam rachados e sua língua tão seca que sentiu como se ela tivesse esfregado
em areia.
Então, ela cometeu o erro de tentar se mover. Lágrimas brotaram em seus
olhos. Como ela poderia se sentir tão miserável? O que tinha acontecido com ela?
Ela nunca esteve doente. Ela se orgulhava de ser firme e forte.
— Keeley, meu amor, não chore.
A voz de Alaric, geralmente tão suave, estalou nos ouvidos como o som de
espadas colidindo.
Sua visão estava embaçada pelas lágrimas e ela mal conseguia ver o
contorno do seu rosto quando ele a olhou.
— Doente. – ela resmungou.
— Sim, mulher, eu sei que você está doente.
— Nunca estive doente.
Ele se inclinou para mais perto e sorriu.
— Agora você está.
— Peça a Maddie para aplicar um emplastro sobre meu peito. Vai diminuir o
desconforto.
Alaric deslizou sua mão sobre o rosto dela e sentiu a ponta de seus dedos
frias contra o rosto ardente dela.

125
— Não se preocupe. Maddie já veio ao quarto três vezes nesta manhã. Está
cacarejando como uma galinha. Mairin está proibida de vir aqui e está
expressando seu descontentamento em qualquer pessoa ao seu redor.
Keeley tentou sorrir, mas doía muito.
— Estou com fome. – ela reclamou.
— Gertie vai trazer-lhe um pouco de caldo.
Ela piscou para tentar focar o rosto de Alaric, mas ele ainda estava
embaçado. Mas ela podia ver seus olhos. Seus lindos olhos verdes de cristal. Ela
suspirou.
— Eu amo seus olhos.
Ele sorriu e ela piscou, surpresa.
— Eu disse isso em voz alta?
— Sim, você fez. – ele disse em um tom pesado com diversão.
— É a febre. É a única explicação para minha língua rebelde.
— Sim, a febre ainda está alta dentro de você.
Ela franziu o cenho.
— Mas eu não sinto mais frio. Não tenho calafrios. Acho que estou muito
mais quente.
— Sua pele ainda queima e seus olhos estão embaçados. Disseram-me que é
um bom sinal você não estar com tremores, mas ainda assim, você está doente.
— Eu não gosto de ficar doente.
Ela sabia que soava como uma criança petulante, mas não conseguia
controlar seu mau humor. Ela era usada para cuidar de doentes e não para ser um
deles.
Alaric sorriu e então a puxou para seus braços.
— Por que você está cuidando de mim? – ela perguntou. – Você não pode
ser bom em tudo.
— Mas não é bom termos um tempo juntos? – ele murmurou.
Ela sorriu, mas depois ficou séria.
— O que todo mundo está pensando? O que estão dizendo?
— Se eles valorizam o seu bem-estar, não estão dizendo absolutamente
nada. Eles pensam o que eles quiserem pensar. Não podemos controlar isso.
Ela franziu o cenho. Ele estava certo. Ela sabia muito bem disso. Mas ela
também sabia que isso levaria a todo tipo de fofocas e boatos. Ele a beijou no
topo da cabeça e ela fechou os olhos sentindo a doçura de seu abraço.
— Ewan vai querer saber o que aconteceu. Você está se sentindo bem o
suficiente par enfrentar as perguntas?
Na verdade, ela preferia enfrentar uma multidão enfurecida arremessando
pedras do que pensar sobre esses eventos. Mas ela também sabia que o laird

126
precisava saber o que aconteceu. Ele tinha uma esposa e uma criança para
proteger. Ele tinha todo o clã para proteger.
— Enquanto eu tiver água para beber, poderei falar com o laird.
— Vou garantir que ele seja breve. – Alaric a acalmou.
Só então a porta se abriu e Maddie enfiou a cabeça. Mesmo que a mulher
mais velha soubesse de seus sentimentos, Keeley endureceu e tentou se afastar
de Alaric. Mas ele a segurou e esperou Maddie ir até eles.
— Trouxe um caldo quente e água. O caldo vai acalmar sua dor de garganta.
A água vai ajudar a diminuir a febre, assim espero. É importante que você beba o
suficiente.
Alaric segurou a tigela com o caldo e colocou-o com cuidado nos lábios de
Keeley.
— Tome só um gole. Está quente.
Agradecida pelo apoio de seu braço, ela cuidadosamente tomou um pouco
do caldo. Ela se sentia tão fraca e certamente teria caído se não fosse por Alaric
segurá-la.
Ele era infinitamente paciente, segurando a tigela cada vez que ela tomava
um pouco do liquido. No início, doeu um pouco. Sua garganta parecia que tinha
mil arranhões. Quando ela não agüentou mais, recostou-se contra o braço de
Alaric e fechou os olhos.
— Estarei de volta mais tarde, moça. – Maddie disse em voz baixa. – Se você
precisar de algo, é só me chamar. Virei correndo.
Keeley mal foi capaz de assentir. Apenas consumir o caldo tinha tomado
toda a sua força. E ela ainda tinha que falar com o laird.
Ela fechou os olhos tentou respirar devagar. Alaric apertou os lábios em sua
têmpora e se apertou mais no seu lado. O calor dele penetrou em seus ossos e ela
suspirou contente.
Gemeu quando ouviu outra batida na porta. A voz de Alaric pareceu
distante, como se ele estivesse debaixo d água. Ela levantou-se e franziu a testa.
Alaric estava discutindo com seu irmão. Ele queria que Ewan a deixasse sozinha e
voltasse depois para as perguntas.
— Não. Tudo bem. – ela disse. Sua garganta protestou contra as poucas
palavras.
Ewan sentou-se no pé da cama e Alaric permaneceu em pé. Keeley achou
isso um pouco impróprio, mas ele era o laird e como tal, poderia fazer o que
quisesse. Ewan sorriu.
— Sim, moça. Essa é uma regalia de ser o laird. Consigo fazer o que eu
gosto.
— Eu não quis dizer isso tão alto. – ela murmurou.

127
— Você está se sentindo bem o suficiente para me dizer o que aconteceu na
floresta? Falei com Crispen e as outras crianças, mas cada um conta de um jeito
diferente.
Ela sorriu, mas gemeu com dor na garganta.
— Não entendo porque estou tão mal.
Ewan, com uma expressão sóbria, inclinou-se para frente.
— Sinto que estou sempre agradecendo alguém por salvar a vida de meu
filho. Na verdade, ele parece encontrar problemas onde quer que vá. Ele me disse
que você lutou por ele. Devo-lhe uma dívida que nunca poderá ser reembolsada.
Ela balançou a cabeça sonolenta.
— Na verdade, você já fez isso. Seu clã. Você me fez membro de seu clã.
Isso já é o suficiente.
Alaric apertou o braço ao redor de seus ombros e acariciou-lhe os dedos
sobre os braços, como se a acalmasse. A expressão de Ewan se suavizou.
— Este será seu lar pelo tempo que desejar. Você tem a minha palavra.
Ela lambeu os lábios rachados e encostou-se um pouco mais em Alaric. O frio
estava voltando e seus ossos já doíam.
— Acho que não poderei ajudá-lo muito. Tudo aconteceu muito rápido. Sei
que eles achavam que eu era sua esposa e estavam ansiosos para se livrarem de
mim. Chamaram-no de tolo por deixar Lady McCabe desacompanhada.
Ewan fez uma careta e seu rosto se tornou escuro como uma nuvem de
tempestade.
— Eles se gabavam sobre o fato de terem conseguido capturar seu filho e
sua esposa.
Ewan se inclinou para frente, com olhos intensos.
— Eles disseram qualquer outra coisa? Identificaram-se? Você reconheceu
seu brasão?
Lentamente ela balançou a cabeça. Em seguida, as sobrancelhas se uniram
em concentração.
— Não. Há uma coisa. Eles disseram que Cameron iria recompensá-los
generosamente. É tudo que me lembro. Quando descobriram que não estava
grávida, quiseram me matar.
— Mercenários. – Alaric cuspiu. – Cameron colocou uma recompensa pela
captura de Mairin.
Ewan soltou uma série de blasfêmias.
— Há muitos homens sem moedas e sem nada a perder para tentar raptar
Mairin e meu filho.
— Se eles são mercenários, eles não pertencem a nenhum clã nem tem um
lar. Provavelmente ainda estão por perto.
Os lábios de Ewan se curvaram e as narinas se inflaram.

128
— Sim, ainda há tempo para caçá-los
— Irei me aprontar para acompanhá-lo.
Ewan fez uma pausa e depois balançou a cabeça. Olhou para Keeley e depois
de volta para seu irmão.
— Não. Eu preciso de você aqui. Quero que fique perto de Mairin. Ela pode
querer se ocupar com Keeley. Caelen vai me acompanhar.
Quando ele se levantou, olhou para Keeley novamente. Inclinou a cabeça em
um gesto de respeito.
— Novamente você tem o meu agradecimento pela vida de meu filho.
Espero que você se recupere em breve.
Keeley murmurou algo apropriado e lutou contra outro bocejo quando ele
saiu do quarto. Ela estava congelando outra vez e precisava de outra coberta. Por
que Alaric deixou-a sem cobertas?
Alaric afundou na cama e abraçou-a.
— Nunca estive tão assustado. – admitiu. – Quando ouvi o que tinha
acontecido e que talvez não pudesse encontrá-la. É um sentimento que não quero
ter nunca mais.
— Eu sabia que você viria.
— Sua fé me humilha.
Ela acariciou seu peito com a ponta dos dedos. Algum dia... Algum dia ele
deveria proteger Rionna. E seus filhos. Keeley não seria mais capaz de esperar por
ele para resolver seus males ou lutar suas batalhas. Depois de tanto tempo de
lutar sozinha, era maravilhoso ter um homem como Alaric para lutar por ela.
— Deveria descansar, Keeley. Posso sentir a febre queimar através de você.
Ela já estava relaxando, aconchegada no calor dele.
Alaric percorreu o interior do salão na escuridão. Ewan reuniu um
contingente de homens para acompanhar os mercenários que haviam atacado
Crispen e Keeley. Eles partiram há horas e a impaciência de Alaric crescia a cada
minuto que passava. Estava irritado por estar ali quando devia estar lutando.
Queria desabafar alguns minutos da raiva que ardia dentro dele. Não era apenas o
fato de que esses homens se atreveram a tocar no que era seu – e Keeley era sua.
Alaric queria soltar a frustração com o destino que lhe negava a mulher que
amava.
No entanto, ele esperava por seus irmãos, enquanto assistia em silêncio as
mulheres do castelo. Ele deveria voltar para junto de Keeley, mas Maddie
concordou em ficar ao seu lado enquanto Alaric ficou no andar de baixo onde
poderia ouvir o grito de alarme dos vigias.
O fogo estava morrendo na lareira, mas em vez de pedir que alguém
adicionasse mais madeira, ele mesmo se incumbiu da tarefa e logo as chamas
subiram, rugindo para a vida.

129
Um grito subiu no pátio e Alaric levantou a cabeça. Correu para a porta e
desceu as escadas, indo de encontro como ar da noite. Ewan e Caelen orientavam
o grupo no pátio e Alaric silenciosamente fez um balanço dos homens. Todos
estavam ali, o que significava que ou não foram bem sucedidos nas buscas ou não
tiveram nenhuma perda na luta.
Ewan desmontou e limpou distraidamente a mão sobre a túnica, deixando
uma mancha de sangue. Alaric avançou.
— Você se machucou?
Ewan olhou para baixo e balançou a cabeça.
— Não. Não há ninguém ferido.
— Eles estão mortos?
— Sim. – Caelen disse em uma voz escura. – Eles não vão ser um incômodo
para nós novamente.
— Bom. - Alaric concordou.
— Eles não queriam confessar e Deus é testemunha de que eu não estava
muito paciente com meu interrogatório. – Ewan disse. – Eram os mesmos homens
que pegaram Crispen e Keeley. É prova suficiente para mim.
— Quanto tempo devemos esperar? – Alaric perguntou em voz baixa.
Em torno deles os homens ficaram em silêncio. Todos olhavam para Ewan.
Eles queriam a guerra. Estavam prontos pra a guerra. Todos eles desprezavam
Cameron e tudo o que ele fez ao clã McCabe. Não iriam descansar até que
Cameron e todos os seus aliados fossem varridos da face da terra.
— Em breve. – disse laconicamente Ewan. – Teremos que ter paciência.
Depois que meu filho ou filha nascer, iremos reivindicar Neamh Alainn como é
nosso direito. Vamos unir todo o planalto por meio do casamento de Alaric e
Rionna McDonald. Então, vamos colocar Duncan Cameron no final de nossas
espadas.
Um rugido subiu no pátio. Tochas e espadas foram lançadas em direção ao
céu enquanto os gritos passavam de guerreiro para guerreiro. Espadas retiniam
contra escudos, cavalos empinavam-se e os punhos eram levantados enquanto o
barulho aumentava.
Alaric encontrou o olhar de seus irmãos entre o brilho das rochas. Nos olhos
de Ewan brilhavam a determinação. Pela primeira vez, Alaric sentiu vergonha pela
sua frustração sobre seu iminente casamento.
Ewan deu tudo pelo seu clã. Ele deixou de comer para que cada mulher e
criança não passasse fome. Colocou seus homens acima de si mesmo. Agora,
estavam prestes a ser o clã mais poderoso da Escócia.
Se Alaric pudesse fazer alguma coisa por seu clã, por seu irmão, por Mairin,
que salvou seu clã da extinção, então ele faria de bom grado e com orgulho.

130
Ele estendeu o braço, com a mão espalmada. Ewan agarrou-o e eles se
trancaram em um abraço. Suor e sangue brilhavam na pele de Ewan. Seus
músculos ficaram tensos enquanto se abraçavam ferozmente.
Houve uma compreensão quando seus olhares se encontraram.
Caelen embainhou a espada e em seguida, deu ordem para seus homens
desmontarem e retirar-se para seus quartos. Então, virou-se para seus dois irmãos.
— Que tal um mergulho no lago?

Capítulo Vinte e Cinco


Quando Keeley acordou, sua cabeça doía e sua boca estava seca, como se
sua língua tivesse sido arrastada ao longo de um terreno. Ela lambeu seus lábios,
tentando infundir qualquer tipo de umidade neles.
Virou a cabeça e gemeu. Jesus, seu corpo inteiro estava tão mole, sua pele
pegajosa de suor. E ela estava nua. Não havia nem uma peça de roupa, e as
cobertas estavam emboladas em seus pés.
Ela se sentiu novamente constrangida. Provavelmente estava vermelha de
vergonha. Só Deus sabia quem tinha entrado e saído de seu quarto durante o
tempo em que esteve com febre.
Um gemido ameaçou escapar, mas ela curvou os lábios e rosnou. Já era o
suficiente. Quanto mais lamentável era poderia se tornar? Ela já tinha
desperdiçado muito tempo na cama agindo como uma criança doente. Quantos
dias ela permaneceu ali? Era embaraçoso.
Levantou uma mão e depois deixou-a cair sobre a cama. A garganta ainda
doía, mas a febre foi embora, deixando-a fraca como um recém nascido.
E por falar em recém nascidos, precisava olhar Mairin para ver como estava
o bebê. Isso significava que deveria se levantar. Levou longos minutos antes de ser
capaz de empurrar-se para a beira da cama se sentar-se. Adoraria um banho
completo, mas ela não tinha forças para fazê-lo. Arrastou-se até a bacia e pegou
um pano molhado. Levou um tempo limpando seu corpo até sentir um pouco
melhor.
Estava tentada a pular no lago, com a temperatura fria e tudo mais.
Após se limpar, ela vestiu um de seus vestidos e enfrentou-se como se
estivesse indo para uma batalha. Com um sorriso triste, percebeu que estava.
Levou toda a sua força para se fazer apresentável. Sentou-se na beira cama
preparando-se para ir ao andar de baixo.
Cambaleando, foi até a escada, orgulhosa de que não ter caído. Ofegante,
mas satisfeita, abriu o caminho pelo corredor até o salão, olhando em volta para
ver quem estava por lá.

131
Mairin estava sentada ao lado do fogo com os pés apoiados em um
banquinho com um travesseiro. Keeley sorriu e foi em direção à lareira. Mairin
olhou para cima e quando a viu, quase engasgou.
— Keeley! O que você está fazendo fora da cama? Está muito doente. Deve
estar repousando, ainda. Você ganhará um puxou de orelha de Alaric por ter se
levantado cedo demais.
Keeley sentou-se na cadeira ao lado de Mairin.
— Sim, é verdade. Cobro isso de meus pacientes, mas não faço nada disso.
Espero que aqueles que estiverem sob meus cuidados não façam como eu faço.
Mairin caiu na gargalhada. Então esticou o braço e segurou na mão de
Keeley.
— Você está bem? Parece que ainda está um pouco pálida.
Keeley fez uma careta.
— Minha garganta ainda dói e minha cabeça parece estar oca, mas eu não
agüentaria ficar nem mais um momento na cama.
Mairin se mexeu em sua cadeira e reposicionou os pés na almofada.
— Eu adoraria ficar na cama hoje. O bebê está pressionando as minhas
costas e está difícil ficar em pé por um longo momento.
— Você deve ir para a cama, então. É importante não se sobrecarregar.
Mairin sorriu para ela.
— Você parece tão maternal e ainda assim não segue seus próprios
conselhos.
— É uma prerrogativa de curandeira. – Keeley afirmou descaradamente.
Ambas as mulheres foram surpreendidas quando Ewan entrou no salão com
um mensageiro do rei atrás dele. Caelen e Alaric entraram logo após eles. Mairin
lutava para se levantar da cadeira.
— Ewan?
Ewan atravessou a sala e empurrou-a suavemente para baixo.
— Não se levante.
Ele acenou para Keeley para ela também tomar seu assento e voltou sua
atenção ao mensageiro.
— Trago uma missiva do rei. Ele pede que eu espere pela resposta. – disse o
mensageiro.
Ewan acenou com a cabeça e gesticulou para o mensageiro se sentar. Então
apontou para um refresco trazido da cozinha. Abriu a carta e passou alguns
momentos lendo, antes que olhasse para cima novamente. Seu olhar foi ao
encontro de Alaric.
— É uma mensagem sobre seu futuro casamento.
Alaric franziu a testa e olhou rapidamente para Keeley antes de voltar para
seu irmão.

132
— O rei expressa sua satisfação com o acordo e sua excitação sobre as
alianças firmadas. Ele gostaria de viajar até aqui para o casamento e que os clãs
vizinhos sejam convidados para que todos possam ouvir seus votos de fidelidade.
O salão ficou em silêncio.
Keeley sentiu o peito se apertar tanto que parecia que iria explodir. Ela não
ousou olhar para Alaric, pois sabia que sua expressão devia ser de sofrimento.
Olhou para suas mãos firmemente apertadas, não querendo que ninguém
percebesse sua dor.
— Isso é uma grande honra, Alaric. – Ewan disse calmamente.
— Sim. Por favor, transmita meu apreço pela honra que ele dá a mim. –
Alaric respondeu formalmente.
— Ele pede que eu informe a data em que ocorrerá o casamento.
Pelo canto do olho, Keeley viu Alaric acenar rigidamente.
Keeley percebeu a respiração rápida de Mairin e quando a olhou, a simpatia
brilhava em seus olhos. Keeley sorriu bravamente e levantou o queixo.
— Eu sempre quis conhecer o rei.
Não foi a covardia que forçou Keeley a voltar para seu quarto antes que o
jantar houvesse acabado. Ela precisava colocar algumas idéias no lugar. Maddie
prometeu enviar água quente para um banho e a perspectiva de imersão em uma
banheira a fez gemer de antecipação. Ela lutou para subir as escadas e chegou
exausta no quarto.
Maddie chegou um momento mais tarde, com as mãos nos quadris
enquanto examinava Keeley.
— Você precisa de ajuda para entrar na banheira, moça?
— Não, obrigada. – Keeley respondeu sorrindo. – É maravilhoso fazer isso
sozinha, Maddie. Sei que foi difícil trazer a água pelas escadas.
Maddie deu um tapinha em seu joelho.
— É o mínimo que podemos fazer por você. Se não cuidarmos bem de você,
não haverá ninguém para cuidar de nós quando ficarmos doentes. Bem, vou deixá-
la. Gannon estará ali fora. É só chamá-lo, se precisar de alguma coisa.
— Gannon! Não posso deixá-lo se intrometendo por aqui. Além disso, é
dever dele cuidar de Alaric.
Maddie riu.
— Ele não entrará aqui, a não ser que não tema pela vida dele. Se você o
chamar, ele buscará Christina pra você.
— Caramba! – Keeley exclamou.
Maddie riu e deixou o quarto. Keeley não perdeu tempo e tirou vestido,
correndo para a banheira. Cada movimento lhe causava dor, mas ela avançou para
dentro da água e encostou a nuca na beira da banheira.
Aquilo era o céu.

133
Ela fechou os olhos e relaxou seu cansaço e as dores musculares. Soltou
tudo, sentindo a sensação maravilhosa da água quente. Se a água não esfriasse,
ela se contentaria em permanecer ali por alguns dias.
Suspirou e colocou os braços ao longo da banheira. O calor do fogo na
lareira a poucos passos de distância relaxou-a ainda mais.
Ela estava quase dormindo quando a porta se abriu. Assustada, ela olhou
para cima e viu Alaric de pé do outro lado da sala, envolto em trevas. As poucas
velas acesas em seu quarto estavam todas situadas em torno da banheira. O resto
da luz vinha do fogo na lareira.
Por um longo tempo ele ficou assistindo e ela devolveu o olhar, esperando e
a absorvendo com olhos famintos. Havia algo decididamente diferente em seu
comportamento nesta noite.
Normalmente ele era alegre e provocativo. Eles riam baixinho e muitas vezes
falavam sobre os acontecimentos do dia.
Esta noite a sua expressão era feroz e seus olhos tinham um brilho perigoso.
Ela engoliu em seco, nervosa quando ele avançou em direção à banheira, seu
nunca deixar de olhá-la.
Ele se deteve sobre a banheira, olhando para seu corpo nu, seu olhar
acariciando-a possessivamente. Quando ela tentou cobrir os seios com os braços,
ele se ajoelhou e gentilmente afastou os braços dela.
— Não se esconda de mim. Esta noite você é minha. Apenas minha. Você
pertence a mim e só a mim. Hoje à noite eu terei o que é meu. Eu acariciarei o que
é meu.
O queixo dela tremeu e ela apertou os lábios para conter o nervosismo. Ela
não estava com medo. Ela estava excitada. Mais do que já tinha estado e estava
prestes a pular fora da banheira.
Ele pegou o pano na beira da banheira e tocou-a no pescoço. Apesar do
calor da água e do fogo na lareira, um arrepio instantaneamente passou pelo
corpo dela. Esse arrepio passou pelos seus seios, endurecendo seus mamilos
quando ele gentilmente passou o pano sobre seu ombro.
O cheiro de rosas flutuava pelo seu nariz. Alaric pegou a barra de sabão e
massageou o pano em torno dela até formar espuma.
— Incline-se para frente. – ele ordenou.
Seu tom, tranqüilo e sensual, a fez tremer por dentro. Havia uma promessa
em sua voz e ela sentia perto de estourar.
Quando ela se inclinou, ele começou a esfregar o pano em círculos
preguiçosos sobre suas costas.
— Oh, isso é maravilhoso. – ela gemeu.
Ele cobriu cada centímetro, esfregando ombros, a linha das costas até o
vinco de suas nádegas. Ela fechou os olhos em uma doce letargia e prazer que

134
inundava seu ser. Mas quando ele começou a roçar seus mamilos, ela abriu os
olhos e sua respiração se acelerou.
Ele fez uma pausa e segurou ambos os montes em suas palmas.
Lentamente, os polegares roçaram sobre os picos. Para cima e para baixo, seu
toque enviava fisgadas de prazer através de seu ventre.
Ela se encolheu, não de dor, mas de choque quando Alaric pousou a boca
em sua nuca. Apenas um beijo simples,
gentil, mas sua boca era como um fogo.
As duas sensações – os polegares roçando seus mamilos e a boca movendo-
se sensualmente sobre seu pescoço – estavam virando-a do avesso. Ela estava
impotente. Completamente à mercê dele e muito excitada com isso.
— Você é tão bonita. – ele sussurrou contra seu pescoço. – Eu olho para
você e me sinto oprimido pelo seu fogo, por sua delicada beleza, por sua
determinação e coragem. Acho que nunca houver outra mulher como você. Nunca
haverá.
Ela sentiu o coração se inchar e a dor se espalhou para a garganta,
apertando, impossibilitando as palavras de saírem. O que ela poderia dizer, afinal?
— Hoje à noite eu cuidarei de você como cuidou de mim.
O sussurro rouco cantou em seus ouvidos e ela estremeceu ao ver imagens
que as palavras invocaram.
Ele molhou os cabelos dela e lentamente lavou os fios. Passou os dedos
pelas mechas, até que cada parte estivesse limpa. Inclinou a cabeça dela para trás
para que a água e o sabão não entrasse em seus olhos.
Jogou mais e mais água quente sobre os ombros, até que finalmente ele se
convenceu de que o trabalho foi feito.
— Dê-me sua mão.
Colocou os dedos sobre ele e ele a levantou. A água escorreu sobre seu
corpo. Nervosamente, ela aguardou que o olhar dele a varresse de baixo para
cima, aquecendo cada centímetro por onde passava. Ela prendeu a respiração
quando ele baixou a boca sobre seus seios. Ele puxou um mamilo em sua boca e
sugou fortemente na ponta.
Os joelhos dela se dobraram e ela teria caído de volta para a banheira se ele
não a agarrasse pela cintura, puxando-a contra ele, e com a boca ainda
firmemente em torno de seu mamilo.
— Você está se molhando. – ela disse, ofegante.
— Não me importo.
Ele se mudou para o outro seio e balançou a língua para fora. Lambeu o
ponto sensível, enviando arrepios de prazer em sua espinha.

135
Seus corpos se juntaram no brilho quente da luz do fogo, ele com a boca em
seus seios e com a pele reluzente de umidade. Era como cada sonho romântico
que ela sonhou. Ele era seu guerreiro. Seu amor.
— Ame-me, Alaric. – ela sussurrou.
— Sim, moça. Eu a amarei. Esta noite você é minha. Você é minha cativa para
fazer o que eu quiser. Nunca se sentirá valorizada e amada como esta noite.
Deixou-a por um momento e voltou com uma toalha em suas mãos. Assim
que ela saiu da banheira, ele a envolveu e a guiou para o fogo.
Cuidadosamente, ele enxugou toda a água em excesso de seus cabelos. Em
seguida, pegou um pente e começou a pacientemente pentear seus cabelos.
Ninguém nunca fez isso por ela. Foi uma sensação maravilhosa. Ela se sentiu
importante. Como se ela fosse a senhora do castelo e ele seu amado laird.
Ele apertou os lábios atrás de cabeça de Keeley e os manteve ali um longo
momento.
— Esta noite irá obedecer a todos os meus comandos. Sim, eu atenderei
todos os seus desejos, porque é isso o que eu quero. Mas esta noite, você também
cederá aos meus desejos.
Ele deslizou as mãos para cima e para baixo, passando boca para o lado do
pescoço.
— Se não concordar, basta me dizer não.
Em seu interior, ela respirava com tanta rapidez que a deixava tonta. O
poder e a sensualidade na voz dele a excitavam sem medida. Será que ele não
sabia que ela era incapaz de negar-lhe qualquer coisa?
Ela assentiu com a cabeça, incapaz de expressar uma única palavra. Ele a
virou e seus olhares se encontraram. Seus olhos ardiam e sua expressão era feroz,
cada centímetro do guerreiro que era.
— As palavras, Keeley. Eu quero ouvir as palavras.
— Sim. Eu concordo. – ela sussurrou.

Capítulo Vinte e Seis


Alaric levantou Keeley em seus braços e caminhou em direção à cama. A
toalha com a qual enrolou seu corpo se soltou, deixando-a nua. Ele a deitou sobre
o colchão e deu um passo para trás, sem afastar o olhar dela.
Ela se sentiu intensamente vulnerável e engoliu com excitação nervosa
quando ele começou a se despir lentamente.
— Abra suas coxas para mim, Keeley. Deixe-me olhar para sua suavidade
feminina.

136
Corando, ela relaxou as pernas e lentamente as abriu. Alaric estendeu a mão
e circulou os tornozelos com os dedos, empurrando para cima até que ela
estivesse com os calcanhares presos no colchão e os joelhos dobrados.
Ela estava completamente exposta para ele. Ele a deixou aberta e doendo
pelo seu toque.
Ele se ajoelhou ao lado da cama e correu um dedo através de suas pétalas
úmidas, parando na entrada antes de empurrar levemente para dentro. Ela ofegou
e arqueou os quadris, querendo mais. Ele se retirou e em seguida baixou a boca.
Ela prendeu a respiração até que ficasse tonta. Cada parte de seu corpo se
apertou em antecipação do toque dos lábios.
Mas não era a boca de Alaric que a tocou. Ele a lambeu a partir de sua
entrada até o broto apertado, cobrindo toda a carne em seu ápice.
Ela gritou de seu corpo se convulsionou. Ele agarrou suas coxas e segurou-a
no lugar enquanto ele voltava a lambê-la. A aspereza de sua língua enviava
lampejos indescritíveis de prazer, pelo seu ventre até seus seios, onde os mamilos
enrugavam dolorosamente.
Delicadamente ele chupou o pequeno monte e em seguida jogou sua língua
para trás sobre ele, persuadindo o ponto endurecido.
Era simplesmente demais. Ela sentia o corpo se despedaçando. Era como se
ela fosse folhas espalhadas pelo vento. Depois de tanta pressão e aperto
insuportável, de repente ela estava tão leve que flutuou para baixo em um suave
espiral.
Desnorteada pela intensidade de sua liberação, ela levantou a cabeça.
— Alaric? – ela sussurrou.
Mas ele não respondeu. Em vez disso ele suavemente a virou de barriga para
baixo e puxou uma das mãos atrás de suas costas. Para a surpresa dela, ele
envolveu uma faixa de linho em torno de seu pulso e então puxou o outro braço,
prendendo os pulsos juntos.
Quando ele terminou, testou o laço para ver se ela estava realmente firme.
Então a empurrou para os joelhos de modo que seu rosto descansasse contra o
colchão e as mãos amarradas atrás nas costas de forma segura.
Então ele se levantou e acariciou a curva de suas nádegas com a palma da
Mao. Ele espalmou ambas as bochechas das nádegas e empurrou para cima e para
fora para que ela se espalhasse para ele.
— Eu a machuquei desta forma quando você era quase uma virgem ainda.
Hoje à noite vou apenas dar-lhe prazer.
Ela sentiu o roçar dos dedos de Alaric quando ele posicionou seu membro
em sua abertura. Ele empurrou e sua espessura a encheu, esticando-a ao redor do
eixo dele.

137
Ela gemeu baixinho. Foi uma sensação maravilhosa quando ele forçou mais
ainda profundamente. O corpo dela se apertou firme a ele e ondulou sobre sua
dureza. Quando ele se afastou, sua carne inchada e molhada protestou.
— Você sente dor? – ele perguntou.
— Não. – ela sussurrou.
Ele empurrou para dentro dela, mais duro desta vez. Keeley nunca se sentiu
tão cheia, tão esticada. Depois de que ele teve certeza de que ela seria capaz de
tomá-lo naquela posição, ele começou a penetrá-la de forma mais vigorosa.
Ele estendeu a mãos e agarrou-lhe os pulsos presos. Segurando-a
firmemente, puxou-a para trás enquanto ele empurrava para frente.
A atmosfera do quarto foi preenchida pelo som dos golpes das coxas dele
batendo contra seu traseiro. Antes ele foi gentil, mas agora a tomava sem
piedade, estabelecendo um ritmo que lhe dava prazer.
Mais rápido, mais duro e, de repente, ele fez uma pausa, enterrando-se
profundamente dentro dela. Ela estava aberta e indefesa contra tudo o que ele
queria fazer. Mas isso só aumentava a excitação. Ela se mexeu com impaciência,
mas ela a segurou enquanto ainda estava alojado dentro dela.
Em seguida, retirou-se e bateu para frente. Muito mais lento e metódico
desta vez. Ele estava no controle, medindo suas estocadas. Rígido. Profundo. Mais
e mais ele recuava e depois mergulhava para frente, até que ela estava implorando
por sua libertação. Ela precisava de mais. Precisava que ele se movesse mais
rápido e forte.
— Já não lhe expliquei que você deve me obedecer esta noite? – ele
perguntou com voz rouca. Eu estou no comando, Keeley. Você não dirá nada,
apenas sim a tudo o que eu pedir.
Ela apertou os olhos e cerrou os dentes em doce agonia enquanto ele
continuava a se mover para frente e para traz, em um impulso especialmente
forte, como se para reforçar suas palavras. Sim. Ele estava no controle. Ela não
tinha nenhuma opção.
Ela mordeu os lábios para não protestar quando ele se retirou de seu corpo.
Alaric a puxou para seus pés e segurou-a até ter certeza de que ela estava estável.
Então, agarrou-a pelos ombros e empurrou-a de joelhos no chão.
Seu pênis enorme, ereto e duro se esticava há apenas alguns centímetros de
seu rosto. Brilhava com sua umidade e a pela se esticava sobre a ponta larga.
— Abra a boca, Keeley.
Ele a segurou pelos cabelos, apoiando sua nuca, ao mesmo tempo em que
agarrava a base de seu pênis com a outra mão, guiando-o para os lábios
entreabertos.

138
Keeley abriu a boca ao redor do membro inchado e ele empurrou
profundamente. No início ela se esforçou para acomodá-lo, mas ele foi paciente,
dando-lhe tempo para se adaptar e respirar pelo nariz.
Querendo agradá-lo, ela tomou mais, mas ele a puxou pelos cabelos para
evitar a ação.
— Não. Apenas fique quieta.
Segurando a cabeça com as duas mãos, ele começou a empurrar dentro da
boca de Keeley. Lentamente no início. Ele deslizava através de sua língua até a
parte de trás da garganta. Quanto mais ela relaxava, mais ele se tornava exigente
e empurrando mais profundamente, segurando-a lá antes de se retirar para que
ela pudesse respirar.
Os únicos sons que podia ouvir era o barulho molhado de sucção quando ele
mergulhava dentro e fora de sua boca.
Alaric gemeu quando uma pequena quantidade de liquido jorrou na língua
dela. Salgado e picante. Ela se preparou para mais, porém ele puxou para fora de
sua boca e em seguida segurou seu pau em sua mão. Sêmen quente espirrou
sobre os seios dela. Ele segurou-a pelo pescoço e inclinou a cabeça para cima,
enquanto ele descarregava mais e mais sobre os seios. Ele apertou os dedos em
sua nuca e gemeu quando ele fez a última liberação na pele de Keeley.
Ele ficou parado, com a respiração entrecortada. Keeley permaneceu de
joelhos, também tentando recuperar o fôlego. Nunca imaginou uma coisa dessas
entre um homem e uma mulher. Ela se sentia possuída pelo guerreiro.
Ele se inclinou e beijou o topo de sua cabeça e depois a ajudou a subir. Ele a
levou até a bacia e gentilmente limpou o sêmen de seu corpo. Lavou-se também, e
Keeley percebeu que ainda estava rigidamente ereto. Ela não estava bem
informada sobre essas coisas, mas estava certa de que isso não poderia ser
normal.
Deixando-a com as mãos presas atrás das costa, ele a levou de volta para a
cama onde ele empilhou os travesseiros. Então, ele simplesmente a colocou de
barriga para baixo, sobre as almofada, as pernas abertas e os pés plantados no
chão.
Desta vez, quando ele deslizou dentro dela por trás, ele não fez com a
urgência de antes. Quase como se tivesse saciado a si mesmo, poderia ser mais
paciente agora.
Ele penetrou, para frente e para trás, estabelecendo um ritmo lento e
constante, quase de natureza exploratória. Ele apertou o bumbum gordo com
ambas as mãos, massageando, enquanto seu membro desaparecia em seu corpo.
Logo, o corpo dela começou a reagir, arqueando para cima, para tomá-lo.
Vibrou de antecipação, apertando seu útero em uma necessidade desesperada. Ela
suspirou e encolheu os dedos em suas juntas.

139
Então ele colocou uma das mãos entre o travesseiro e seu corpo e seus
dedos encontraram o ponto sensível entre suas pernas. Ele acariciou e acariciou
até que ela se tornou selvagem. Ainda assim ele continuou seu ataque implacável
nunca se desviando do ritmo constante que ele tinha começado.
Ela estava quase chorando de desejo. Seu corpo estava dolorosamente
amarrado. A pressão era dolorosa. Ele a empurrava para trás e para frente,
infinitamente paciente.
Alaric acariciava delicadamente sua carne, até que finalmente ela ficou
tensa. E toda a tensão foi lançada em uma enorme explosão, de entorpecimento
mental de prazer.
A visão dela ficou turva. Ela gritou o nome dele mais e mais até que tudo o
que ela podia escutar eram seus próprios soluços. Ondas após ondas,
aparentemente intermináveis, atravessaram seu corpo, enquanto ela se segurava
nele. Ela perdeu a consciência enquanto flutuava sobre uma nuvem distante. Por
vários momentos ela não tinha conhecimento de onde estava ou que ele
continuava e empurrar dentro dela.
Aos poucos ela tomou consciência da carne contra carne e percebeu que ele
ainda estava dentro dela, montando impiedosamente.
Ela não tinha mais forças. Inacreditavelmente, sentiu seu núcleo despertar
quando ele continuou a pressão. Ele estava menos paciente agora. Agarrou os
quadris dela, com os dedos cavados em sua carne. Ele socava nela, aparentemente
determinado a acender o fogo dentro dela de novo.
Mais intenso, mais rápido, mais impetuoso. Ele sussurrou seu nome. Então
se inclinou para frente, seus quadris forçando contra ela com uma força agressiva.
— Você é minha. — ele proferiu. — Minha. Você pertence a mim. Nenhum
homem jamais vai tê-la como eu a tive esta noite.
O calor percorreu seu sangue. Não. Nenhum homem jamais a reivindicaria
como Alaric McCabe.
Ela se entregou. Ela se rendeu. Ela não queria nada mais do que pertencer a
este homem. Ela estremeceu no auge de sua libertação e abriu seu corpo
totalmente para recebê-lo.
Ele puxou para fora dela, abandonando dolorosamente sua carne inchada.
Então, ela sentiu sua semente em suas costas enquanto ele estava contra ela,
arfando com esforço.
Ele a beijou na nuca e sussurrou palavras suaves que ela não conseguia
ouvir. Por um longo tempo ele se deitou contra ela, seu membro ainda pulsando
contra o corpo dela. Então, lentamente ele levantou-se e desamarrou-lhe os
pulsos. Ele segurou cada um e massageou com suas mãos até os sinais dos laços
sumirem.
— Fique aqui. – disse, enquanto saía da cama.

140
Ele voltou um pouco depois com um pano quente e gentilmente limpou os
vestígios de sua paixão nas costas e nas nádegas. Quando terminou, ele a virou e
puxou-a em seus braços.
— Nunca agi desta forma com uma mulher. – ele admitiu enquanto
acariciava os cabelos dela. – É algo primitivo dentro de mim que ruge para
reclamar você, para fazê-la minha e marcá-la de alguma forma permanente.
Ela sorriu e aconchegou-se mais perto dele. Estava deliciosamente dolorida e
saciada.
— Gosto de ser marcada como sua. Nunca sonhei que algo assim existisse
entre um homem e uma mulher.
— Nem eu. – Alaric disse com tristeza. – Você me inspira, moça.
Ela riu e então bocejou. Alaric beijou sua testa e apertou-a ainda mais contra
ele.
— O que vamos fazer, Alaric?- ela sussurrou. – Era para ter sido apenas uma
noite.
Ele passou os dedos pelos cabelos e colocou seu rosto contra a testa dela.
— Vamos viver um dia de cada vez e saborear cada momento juntos.
Quando chegar a hora de dizer adeus, teremos estas noites para olhar para trás e
lembrar-se de como era feroz a paixão entre nós.

Capítulo Vinte e Sete


Keeley estava convencida de que o nascimento do bebê de Mairin não foi
apenas um evento abençoado no clã McCabe, mas no céu também. Em janeiro,
quando o inverno era geralmente muito rigoroso, um clima que poderia ser
considerado ameno surgiu algumas semanas antes do parto de Lady McCabe .
Era como se todo a highland se preparasse para receber o herdeiro de
Neamh Alainn.
Oh, o tempo estava frio, com certeza. Mas não tinha nevado nas últimas
semanas e o vento não uivava tanto. O sol parecia brilhar mais no curto período do
dia em que se elevava e as noites não pareciam tão escuras.
Mairin estava ficando cada vez mais impaciente. À noite, Keeley se reunia
com Maddie, Berth e Christina e elas se revezavam em divertir Mairin e mantê-la
com a mente ocupada por causa do parto iminente.
Mesmo Ewan juntou-se a elas e passava muitas noites sentado com sua
esposa na frente do fogo no grande salão. Era um momento descontraído, e cada
vez mais Keeley se sentia como parte do clã McCabe .

141
Embora ela e Alaric tivessem o cuidado de manter o mínimo contato em
público, suas noites eram passadas por trás das portas fechadas em seus
aposentos.
Ele vinha no final do dia, quando todos já foram dormir, e faziam amor até os
raios do amanhecer se espalharem no céu.
Oh, Keeley sabia que seu tempo estava chegando ao fim e este pensamento
causava-lhe uma dor forte no mais profundo de sua alma. Mas não era momento
de se arrepender de estar com ele. Era uma alegria que levaria com ela todos os
dias de sua vida.
Naquela manhã eles ficaram na cama mais tempo que o normal. Era típico de
Alaric voltar tranquilamente para seu quarto antes que o resto do castelo
despertasse. Mas naquele dia, eles ficaram deitados enquanto ele traçava
preguiçosamente linhas imaginarias no braço dela.
— Eu deveria me levantar. – ele sussurrou antes de pressionar seus lábios
em sua têmpora.
— Sim, você deve.
Ele permaneceu imóvel
— Está cada vez mais difícil deixar seus braços.
Ela fechou os olhos contra a dor e se aconchegou no peito dele. Na verdade,
ela esperava que ele se cansasse dela depois de algumas noites. Ela se resignou a
tomar o que ele ofereceu e não dizia uma palavra quando ele abandonava sua
cama. Mas nas últimas semanas, ele permanecia um tempo cada vez maior, até
que era comum ele passar a noite toda com ela.
— Você vai treinar hoje? – ela perguntou levemente.
Ele resmungou.
— Sim. E todos os dias. É importante não engordar ou ficar preguiçoso no
inverno. Com o dia de Mairin se aproximando, a chance de um ataque se torna
cada vez mais forte.
Ela suspirou.
— Isso não é vida. Pobre Mairin.
Descansaram em silêncio por mais alguns minutos antes de Alaric virar-se e
capturar seus lábios em um beijo, com fome carnal. Ele a pegou de surpresa e
antes que ela pudesse reagir, ele rolou, encaixando-se entre suas pernas.
Não houve gentileza. Onde antes era infinitamente paciente e amoroso,
agora era urgente e exigente. Ele se lembrou da noite em que ordenou sua
obediência completa e a tomou mais e mais.
Seu pau deslizou sobre sua entrada e então penetrou fundo. Ela ofegou com
a plenitude avassaladora e seus olhos se arregalaram com o olhar selvagem nos
olhos dele. Ele era feroz. Um predador sobre sua presa. Descendo, ele agarrou a

142
parte inferior de suas pernas e puxou para cima, para estar plenamente dentro
dela.
Keeley enterrou os dedos nos ombros de Alaric, enquanto ele se movia
sobre ela, seu corpo cobrindo o dela completamente.
A respiração dele era áspera, explosiva nos ouvidos dela.
— Nunca me canso de você. Digo a mim mesmo que será a última vez.
Apenas uma vez. E nunca é suficiente. Nunca será suficiente.
Ela sentiu a dor em sua voz. Passou tanto tempo remoendo seu próprio
desespero que nem tinha considerado que ele também estava sofrendo.
Ela estendeu a mão para seu rosto, tocando seu queixo forte antes de puxá-
lo para baixo ate sua boca.
— Eu te amo. – ela sussurrou. – Eu disse a mim mesma que não tornaria isso
difícil, que nunca diria essas palavras. Mas é duro para mim não dizê-las. Eu preciso
dá-las a você.
Ele prendeu a respiração e a angústia inundou seus olhos. Ficou quieto
dentro dela e olhou-a com tanta emoção. Quando começou a abrir a boca, ela
pressionou um dedo nos lábios.
— Não diga nada. Não é necessário. Sinto o seu coração dentro de mim. Eu
o carrego comigo onde quer que eu vá. Não fale de coisas proibidas entre nós.
Deixe-me lembrar sozinha de meu pecado.
Ele rolou até que ela estivesse em cima dele. Beijou-a sem fôlego, boca,
bochecha, olhos, queixo. Eles se consumiram um ao outro desesperadamente,
como se estivessem famintos, amando-se como se fosse a última vez juntos. Ela
não sabia o que alimentou essa urgência, mas não queria lutar contra isso.
— Monte-me. – ele sussurrou. Leve-me. Faça-me seu, moça. Deixe-me
segurá-la em meus braços e senti-la voar. Não há visão mais bonita.
Ela engoliu o nó na garganta, apertou as palmas das mãos contra o peito
dele e começou a cavalgar em cima dele, sensualmente, observando sua
expressão enquanto o aprofundava dentro de seu corpo.
Os olhos de Alaric brilhavam com o desejo e seus lábios se curvaram em um
sorriso satisfeito. Sim. Ele era dela. Seu guerreiro. Ninguém poderia tira isso dela.
Outra mulher poderia ter seu nome e seus filhos, mas ela teria seu coração.
O poder daquele corpo a hipnotizou. Cada ondulação, cada músculo, o plano
amplo de seu peito e a superfície tensa de seu ventre. Ele era todo masculino,
duro, lindo.
Ela se levantou e inclinou a cabeça para lamber o peito dele. Ele ficou tenso
e prendeu a respiração quando ela mordiscou um caminho até o pescoço. Ela
beliscou e depois afundou seus dentes no pescoço logo abaixo a sua orelha.
Com um gemido, ele passou os braços em volta dela e arrastou-a para baixo,
arremeteu seus quadris, dirigindo profundamente na suavidade dela.

143
— Eu te amo. Eu te amo.
Foi uma ladainha nos lábios dela, uma canção das profundezas de sua alma.
Lágrimas nadaram e deslizaram por seu rosto enquanto ela o apertava em seus
braços.
Ele prendeu os braços ao redor do corpo dela, como bandas de aço.
Mantiveram-se firmes um ao outro enquanto a tempestade crescia ao redor deles.
Quando ela alcançou o clímax, foi doce e terno, e não a maré tumultuosa que tinha
sido tantas vezes antes.
Quando a consciência voltou, ela sentiu as mãos dele acariciando suas
costas, os dedos correndo através de seus cabelos enquanto ele murmurava
baixinho em seu ouvido.
Ela se deitou por cima dele por um longo momento, segura pelos seus
braços, enquanto ele continuava a acariciá-la. Ela sabia que era tarde. Muito tarde
do que tinham ousado antes. Ele teria que ir em breve.
Como se lesse seus pensamentos, Alaric se mexeu debaixo dela. Ele a
segurou e rolou até que mais uma vez estivesse em cima dela, ainda enterrado
profundamente em seu corpo.
Ele a olhou, seus olhos sinceros e escuros.
— Eu também te amo, Keeley. Se não posso dar-lhe mais nada, deixe-me
dar-lhe estas palavras.
Ela mordeu o interior de seus lábios para evitar que mais lágrimas
deslizassem em seu rosto. Em vez disso, ela o beijou, apenas um beijo reverente
de amor.
— Você devê ir agora. – ela sussurrou. – Antes de sermos descobertos.
— Sim. Fique deitada e descanse por algum tempo. Se Mairin precisar, eu
pedirei para alguém chamá-la. Até lá, aproveite para descansar.
Ela sorriu e puxou as cobertas para cima quando ele se levantou. Vestiu-se
em silêncio e depois deixou o quarto, parando na porta para um último olhar.
Foi só depois que Alaric deixou seu quarto que percebeu que ele derramou
sua semente dentro dela.
Ela fechou os olhos, sentindo esperança e medo de uma só vez. Ela não
queria um filho para ter a estigma de bastardo, mas ao mesmo tempo, sabia que
se ficasse grávida, seria a única criança que poderia ter.
Rolou para o lado e apertou as cobertas firmemente sobre o peito.
— Eu não sei o que fazer. – ela sussurrou entre lágrimas. – Eu o amo. Eu o
quero. Eu quero os filhos dele. Mesmo que tudo isso seja proibido para mim.
Ela fechou os olhos e chorou. Chorou muito. Prometeu a si mesma que não
iria chorar. Mas cada vez mais sabia que estava enganando a si mesma. Pois,
quando chegar a hora de Alaric se casar com outra, ela estaria destruída.

144
Capítulo Vinte e Oito
Keeley levou tempo para se vestir. Não tinha pressa para descer e sair de sua
névoa de sonho que a cercavam e se evaporava quando encarava a realidade.
Cantarolava baixinho enquanto trançava o cabelo. Endireitou as cobertas da
cama, deu um tapinha final no travesseiro e saiu do quarto.
Certamente era muito tarde. Era um bom dia para ficar em casa e desfrutar
da companhia das outras mulheres. Mairin estava ficando cada vez mais inquieta
com o passar dos dias.
Faltavam três degraus para descer quando ela ouviu o ruído no salão.
Franzindo a testa, apoiou a mão contra a parede e olhou ao redor para ver o que
estava acontecendo.
— Laird McDonald se aproxima de nossos portões. – o arauto anunciou a
Ewan.
Keeley ofegou e ficou paralisada. Ficou rígida, olhando através da sala para
onde Alaric estava com seus irmãos, recebendo a notícia
— Ele traz sua filha e pede que seja recebido de boa fé.
Ewan acenou para o mensageiro.
— Sim. Diga a ele que pode entrar. Irei cumprimentá-lo no pátio.
Ele se virou e gritou várias ordens. As mulheres se espalharam em todas as
direções para preparar a mesa para os convidados se refrescarem.
Keeley olhou entorpecida para Alaric, sentindo que o mundo inteiro estava
se desintegrando sobre seus pés. Então, ele olhou para cima e a encontrou. Seu
olhar era frio e expressava todo o tumulto que se agitava dentro dela. Ela devia ser
forte. Ser uma pessoa melhor. Ser capaz de permanecer em pé. Mas ela não
conseguiria. Não podia enfrentar sua amiga de infância ou o homem que a atacou.
Não podia encarar a mulher que teria o homem que amava. Cobrindo a boca para
silenciar o soluço, ela girou e fugiu, subindo as escadas.
Alaric viu Keeley correr de volta até as escadas e se virou, não confiando em
si mesmo para não ir atrás dela.
— O que McDonald está fazendo aqui? – ele perguntou. – Ele deveria vir
perto da primavera, depois que Mairin tivesse o bebê.
— Eu não sei. – Ewan disse severamente. – Pretendo descobrir. Pode ser
possível que ele também tenha recebido uma carta do rei.
Alaric passou a mão pelos cabelos. O aperto em seu pescoço foi
aumentando. Talvez ele estivesse vivendo em negação de sua realidade. Empurrou
a ideia de seu casamento com Rionna para saborear cada noite nos braços de
Keeley.
Agora... agora seu futuro estava sobre ele e Keeley era parte de seu
passado.

145
— É melhor acabarmos com isso. – Ewan murmurou.
Alaric endireitou sua posição e empurrou para trás a sua angústia.
— Vamos recebê-lo, - disse calmamente.
Ewan segurou a mão de Mairin e puxou-a em seus braços.
— Espere aqui, carinho, onde está quente e confortável. Há mulheres para
atendê-los.
Ele esfregou a mão sobre sua barriga e beijou-a uma última vez antes de se
virar para Alaric.
Mairin infelizmente franziu a testa na direção de Alaric quando ele e seus
irmãos deixaram o salão para ir cumprimentar os McDonalds.
Durante todo o trajeto, Alaric ficou se perguntando como poderia fingir que
não odiava o bastardo. Como poderia ficar na frente do homem, abraçá-lo,
prometer cuidar de sua filha e assumir a liderança do clã?
Ele queria cuspir em seu olho e executá-lo completamente com uma espada.
Que tipo de homem caçava uma jovem mal saída da infância? Que permitiu que
ela fosse culpada por sua luxúria e expulsa de seu clã por uma esposa ciumenta?
Ele não podia pensar no assunto, porque sua fúria aumentava a cada
respiração.
— Melhore essa expressão. – Caelen murmurou. – Você tem um olhar
assassino.
— É vergonhoso o que ele fez com Keeley.
Caelen juntou as sobrancelhas. Os irmãos pararam perto do portão aberto
para aguardar a chegada do McDonalds.
— O que você está falando?
— Não é assunto seu. – Alaric respondeu rispidamente.
— Ainda assim, gostaria de saber que tipo de homem ele é antes de me aliar
cegamente. – respondeu Caelen.
— Não é a ele que você vai se aliar. – Ewan cortou. – Nosso irmão será o
laird. – ele olhou atentamente para Alaric enquanto falava. – Sei que você se
importa com Keeley, mas há muito em jogo com essa aliança. Pule fora e uma
guerra será declarada.
Ewan deu um passo para frente quando os cavaleiros McDonalds
apareceram ao longe na encosta. Quando Alaric começou a andar, Caelen pegou
seu braço e puxou-o para trás.
— O que você estava falando?
Alaric apertou os lábios.
— Ele molestou Keeley quando ela era ainda uma garota recém saída da
infância. Sua esposa os encontrou antes que ele pudesse estuprá-la, mas ela
acusou Keeley de ser prostituta e a expulsou do clã. Ela esteve sozinha desde
então.

146
Caelen ficou em silêncio. Sua mandíbula se contraiu, mas não disse nada,
enquanto olhava os cavalheiros chegarem
Alaric respirou profundamente quando viu McDonald e sua filha cavalgarem
lado a lado. Ela foi a primeira a desmontar e Alaric franziu a testa quando viu que
ela vestia trajes masculinos. Era muito escandaloso para uma mulher se vestir
dessa forma, mas ela parecia não estar muito preocupada com o assunto.
Corajosamente encontrou o olhar de Alaric, olhos de ouro brilhando ao sol.
Gregor McDonald desmontou com um grunhido e apertou os lábios em
desgosto quando se aproximou da filha.
— Ewan. – ele saudou com um aceno de reconhecimento.
— Gregor. – Ewan respondeu.
— Você conheceu minha filha. Dê uma olhada na mulher com quem você se
casará, Alaric. – Gregor olhou na direção de Alaric.
— Rionna. – Alaric disse, baixando a cabeça respeitosamente.
Rionna ofereceu uma reverência desajeitada, e em seguida olhou para onde
Caelen e Ewan estavam.
Sabendo que era esperado que a cortejasse enquanto estivesse ali, ou
melhor, até que se casassem, Alaric estendeu a mão para ela.
Por um momento ela olhou-o com verdadeira confusão antes de suas faces
se ruborizarem e colocar sua mão sobre a dele. Ele puxou-a aos lábios e roçou um
leve beijo.
— É um prazer, minha senhora.
Ela limpou a garganta e puxou a mão de volta, com claro desconforto.
— Minha esposa está ansiosa para vê-la novamente, Rionna. – Ewan disse. –
Ela espera dentro. Está prestes a dar a luz e por isso descansa, mas transmitiu seu
desejo de encontrá-la em seu lazer.
— Obrigada. Estou ansiosa para vê-la novamente. – disse Rionna em voz
baixa. Ela olhou outra vez desconfortavelmente para Alaric antes de caminhar em
direção à entrada do castelo.
Ewan voltou-se para Gregor logo que Rionna desapareceu. Ele estava de pé,
braços cruzados quando olhou par o homem mais velho.
— Não enviou nenhum aviso de sua chegada. Combinamos de que você viria
próximo da primavera, depois que Mairin tivesse o bebê.
Gregor teve a graça de olhar desconcertado para a rudeza de Ewan.
— Como o tempo melhorou, só fazia sentido fazer nossa viagem mais cedo.
Se o tempo voltasse a piorar, talvez não fossemos capazes de viajar na primavera.
E desejei selar nossa aliança na primeira oportunidade.
Ele soltou a respiração e olhou inquieto para Ewan.
— Ouvi rumores de que Cameron está reunido homens. David não tem
forças para vencer uma guerra contra a força aliada de Malcolm e Cameron. Se

147
Cameron voltar a olhar suas terras ou as dos clãs vizinhos, não seremos capazes de
vencê-los. Uma aliança é a única chance de derrotá-lo. Na verdade, Ewan, todo a
highland está colocando suas esperanças no nascimento do herdeiro de Neamh
Alainn. Esse título será a coroação de nossas forças. Com McCabe no controle,
formamos uma parede impenetrável que até Cameron será incapaz de derrotar.
Alaric escutou as palavras do laird, com o coração apertado.
— Seu casamento com Rionna é crucial, pois ele não apenas sela uma
aliança entre o McDonalds e os McCabes, mas também congrega os clãs vizinhos.
Clãs que estão com medo de desafiar Cameron – ou escolher o lado errado da
batalha pelo trono.
— Então você veio porque quer que o casamento se realize logo.
Gregor assentiu.
— Assim que ele puder ser arranjado.
— Rionna está de acordo com isso? – Ewan perguntou.
Gregor torceu os lábios.
— Ela é minha filha. Sabe qual é o seu dever. Irá concordar.
Ewan lançou um longo olhar para Alaric, quase como se pudesse enxergar
dentro da cabeça do irmão e arrancar seus pensamentos. Alaric odiou esse olhar.
Odiava saber que seu irmão sentia pena dele.
— Você está disposto, Alaric? – Ewan perguntou em voz baixa.
Alaric engoliu em seco. Ao seu lado, seus punhos se fechavam furiosamente.
Então, ele olhou para seu futuro sogro, de quem assumiria as funções de laird.
Foram as palavras mais difíceis de serem ditas, mas seu irmão, seu rei,
Mairin, seu clã... todos estavam de acordo com ele.
E assim falou as palavras que tiraria de sua vida a mulher que amou.
— Sim. Eu estou disposto.

Capítulo Vinte e Nove


— Não posso encará-la.
Keeley virou para olhar pela janela, ignorando o frio que entrava em seu
quarto. Maddie suspirou e depois andou atrás de Keeley, para deslizar um braço
ao redor dela.
— Eu sei que isso é doloroso para você. Mas não há nada o que ganhar ficar
aqui escondida. Cedo ou tarde terá que sair. Mairin terá o bebê a qualquer
momento.
— Já é ruim suficiente eu tê-la chamado de amiga, mas agora, devo ficar ao
seu lado e vê-la se casar com Alaric. E Laird McDonald. – ela estremeceu e fechou
os olhos. – Como posso olhar para ele depois do que fez?

148
Maddie segurou-a pelo braço e virou-a ao seu redor.
— Venha se sentar, moça. Quero ter uma palavra com você.
Entorpecida, Keeley seguiu Maddie para a cama e afundou-se na beira. A
mulher mais velha sentou-se ao lado dela e segurou-a pela mão.
— Você não fez nada de errado. Não tem nada do que se envergonhar. Laird
McDonald errou e ele responderá a Deus.
— Eu não deveria estar aqui. – Keeley disse com um gemido. - Que bagunça
isso virou. E me entreguei a um homem que não posso ter. O homem que vai se
casar com a mulher que eu costumava chamar de irmã. E ainda assim estou aqui
furiosa com ela e com seu pai. Não sou tão inocente quando se trata de errado.
Maddie abraçou Keeley e balançou-a para trás e para frente.
— Você está em uma situação impossível. Não discuto isso. Mas tem que
saber que Laird McCabe não permitirá que nenhum mal chegue até você. Alaric
também não permitirá isso. Está segura. Laird McDonald não pode fazer mal a
você.
— Sei que está certa. – Keeley afirmou. – Só estou com medo.
Maddie acariciou os cabelos de Keeley.
— Não, moça, não fique com medo. Não a culpo por sentir-se assim, mas
todos os McCabes estão do seu lado. Se realmente ama Alaric, faça isso o mais
fácil possível por ele. Não deixe que veja o quanto você está sofrendo. Só irá
aumentar o fardo dele.
Keeley afastou-se e limpou as lágrimas dos seus olhos.
— Você está certa, é claro. Estou agindo como uma criança mimada.
Maddie sorriu.
— Você só está agindo como uma mulher apaixonada que sabe que vai
perder. Diria que está agindo normal.
Keeley enviou-lhe um sorriso aguado.
— Amanhã serei mais corajosa. Prometo. Mas hoje, prefiro ficar em meu
quarto.
— Isso parece justo o suficiente para mim. Contarei a Mairin o que você
pretende fazer. Ela entenderá
— Chame-me se ela precisar de mim. Irei imediatamente.
Maddie balançou a cabeça e depois se levantou. Keeley caiu para trás para
olhar o teto. Naquela manhã ela estava deitada com Alaric nesta cama e dizendo-
lhe que o amava. E ele disse que a amava também.
Lágrimas rolaram pelo seu rosto Aquele não era para ter sido o último dia.
Deveriam saber da chegada de McDonald antes para terem tempo de dizer adeus.
Uma última vez juntos. Mais uma noite um nos braços do outro.
Ela fechou os olhos enquanto as lágrimas caíam mais rápido.
— Eu te amo. - ela sussurrou. – Eu sempre irei te amar.

149
Mairin McCabe mexia-se no banco duro pela centésima vez e controlou
valentemente a vontade de bocejar. O marido escutava educadamente Gregor
McDonald que contava suas histórias de bravura, também pela centésima vez.
Mas Mairin observava Alaric e Rionna. O casal não trocou mais que algumas
palavras durante todo o jantar. Alaric estava tão desatento, e ainda assim Rionna
parecia perfeitamente satisfeita com seu futuro marido não dizer quase nada.
Nos poucos minutos que Mairin tentou iniciar uma conversa com Rionna, foi
recebida com um silêncio teimoso. Sabia que a menina era amigável, pelo menos
quando as duas estavam sozinhas. Rionna já a visitou algumas vezes e elas se
deram muito bem juntas.
Alaric parecia ... infeliz. Oh, ele estava impassível e ninguém seria capaz de
ver nada nele, a não ser o guerreiro que era. Mas Mairin o conhecia. Alaric não era
tão frio quanto Caelen nem tão feroz quanto Ewan. Ele era capaz de conversar
horas a fio com alguém, e era muito sociável. Hoje à noite estava sentado em
silêncio sepulcral, beliscando a comida, como se não tivesse fome.
Keeley estava visivelmente ausente, apesar de Mairin não culpá-la. Já era
suficiente ter que olhar para o homem que amava cortejar outra mulher, e ainda
havia a presença de McDonald.
Mairin queria nada mais do que marchar até Laird e esmagar sua cabeça em
uma travessa.
— Você está quase caindo do banco. – Ewan disse em um sussurro. – O que
está errado? Você não está se sentindo bem?
Ela olhou para a preocupação e irritação nos olhos do marido.
— Estou pronta para me recolher. Posso ir sozinha. Fique e continue sua
conversa com Laird McDonald.
Ewan franziu a testa.
— Não, vou subir com você. Assim daremos a Alaric algum tempo para
conversar com o laird e com Rionna.
Sem esperar pela resposta dela, Ewan voltou-se para Laird McDonald e
suavemente interrompeu a conversa.
— Se você me desculpar, minha senhora quer se retirar. Ela se cansa
facilmente nestes dias e não gosto que ela vá ao nosso quarto sem mim.
Mairin não podia controlar o seu olhara de desagrado quando os olhos de
Laird McDonald brilharam lascivamente.
— Sim, e entendo. Se eu tivesse uma mulher bonita como a sua, ela nunca se
deitaria sem mim.
Mairin estremeceu. Pobre Keeley. Que terrível deve ter sido para ela quando
era apenas uma menina. O homem era um devasso.
— Venha, carinho. – Ewan murmurou enquanto a ajudava a se levantar.

150
Ela estava cansada. Mas ela se sentia cansada na maioria dos dias. Às vezes
ela achava que aquela gravidez nunca iria terminar. A criança ficava
particularmente agitada durante a noite. Ela e Ewan se deitariam na cama e
silenciosamente sentiriam só chutes minúsculos e solavancos. Ela fez uma pausa
no meio da escada, já sem fôlego. Ewan a estabilizou e esperou até que estivesse
pronta para retornar.
— Acho que vou estar grávida para sempre. – queixou-se enquanto Ewan a
levava para o quarto.
Ele sorriu e a ajudou a despir-se.
— Não vai demoraram muito agora. Pense como será emocionante quando
finalmente segurarmos nosso filho ou filha.
Mairin suspirou.
— Eu sei disso.
Assim que ela vestiu sua camisola, afundou na beira da cama. Do outro lado,
Ewan se despia e ela podia sentir o olha dele sobre ela. Ele se sentou ao lado dela.
— O que é, Mairin? Você parece preocupada. Está com medo pelo bebê?
Ela sorriu levemente e se virou antes de olhar para ele.
— Não, eu tenho completa confiança em Keeley.
— Então por que é que está tão infeliz?
—É Keeley. E Alaric. – ela desabafou.
Ewan soltou a respiração e começou a se virar, mas Mairin pegou seu braço.
— Eles estão infelizes, Ewan. Você não pode fazer nada?
Ewan fez uma careta e tocou a face de Mairin em um gesto reconfortante.
— Não há nada que eu possa fazer, carinho. Há muita coisa em jogo com
essa aliança. Alaric é um homem adulto. Ele fez sua escolha.
Ela bufou, exasperada.
— Mas ele teria tomado essa decisão se nosso clã não precisasse tanto
dessa aliança? Ele é um homem bom. Faria qualquer coisa por você. Pelo clã.
— Ele tem a chance de ser laird. – Ewan apontou. - A chance que nunca terá
se permanecer aqui. Esta é uma oportunidade tanto quanto uma necessidade que
ganhamos com essa aliança.
— Será que realmente precisamos tanto dos McDonalds? – ela perguntou,
incrédula. Não parecia lógico precisar de um clã mais fraco com todo o poder dos
McCabes.
— Há mais do que força. – Ewan disse gentilmente. – Isso é uma questão
política. O rei quer este jogo. Você não deveria saber disso, mas tememos que
McDonald possa se virar para o lado de Cameron, o que seria um desastre, pois ele
é tudo o que está entre as terras McCabe e Alainn Neamh.
Mairin enrugou o nariz.
— Então é mais questão de estratégia do que de força?

151
Ewan assentiu.
—Adicione a isso o fato de que existem alguns clãs que temem Cameron e
podem se aliar a ele apenas pelo medo de retaliação. Precisamos parecer uma
força invencível. É um ciclo interminável. Para atrair outros para nossa causa,
devemos fazer alianças com outros clãs.
— Isso é terrível. – Mairin suspirou. – quero que Alaric e Keeley sejam felizes.
Ewan a puxou em seus braços.
— Não há como dizer que Alaric não poderá ser feliz com o casamento.
Rionna é uma moça bonita. Ela carregará filhos e filhas fortes.
— Mas e Keeley. – Mairin sussurrou.
— Ela ficará conosco, abrigada pelo clã McCabe. Há muitos homens que
terão sorte de se casar com uma moça como Keeley.
— Você faz tudo parecer tão simples. Será que pensaria assim se fosse
proibido de se casar comigo?
— Não há força na terra ou no céu que me afastem do seu lado. – ele
respondeu com uma carranca no rosto.
— Sim. Eu te amo por isso. Talvez eu pense que isto é o que Alaric deve
estar disposto a fazer por Keeley. – ela disse calmamente.

Capítulo Trinta
Keeley levantou-se logo que amanheceu, olhando melancolicamente o
terreno através da janela. A neve tinha quase totalmente derretido durante o
inesperado aquecimento, mais incomum para janeiro. Ela não dormiu na noite
anterior e seus olhos estavam sem brilho e doloridos.
O conselho de Maddie foi de valor inestimável. Keeley precisava ouvir a
sabedoria da outra mulher. Não adiantava se esconder no quarto. Ela não era mais
a garotinha assustada que tinha pavor de ficar sozinha sem o apoio de seu clã.
Ela tinha os McCabes agora. Tinha uma família. E amigos. Bons e leais
amigos. Rionna e seu pai não poderiam machucá-la.
Mesmo morrendo, ela sorriria no casamento de Alaric. Ela ainda o amaria
com todo o seu coração, mas sem chorar. Sem dor. Algumas coisas eram privadas.
Por mais que ela adoraria gritar seu amor por Alaric para que todos ouvissem, era
melhor segurar esse sentimento em seu coração, onde nada poderia ser usado
contra ele.
Sentindo-se um pouco melhor depois de chorar a noite toda, ela lavou o
rosto e ajeitou o cabelo. Então, respirou fundo e saiu de seu quarto e desceu as
escadas. Realmente nem tinha ideia do que fazer naquele dia. Nas últimas
semanas, ela e as outras mulheres se reuniam para fazer companhia a Mairin no

152
salão. Com os McDonalds no castelo, as mulheres provavelmente fariam suas
visitas em um local mais silencioso.
Logo ficou óbvio para Keeley que a maioria do clã ainda estava dormindo
depois de uma divertida noite com os McDonalds. O castelo estava coberto de
silêncio.
Era uma oportunidade maravilhosa para uma caminhada ao redor do pátio,
pelo menos desde que o laird proibiu qualquer pessoa de se aventurar mais longe.
Ela parou na cozinha para conversar com Gertie e perguntar se havia alguma
erva que ela precisava. Gertie fez uma careta e acenou, murmurando algo sobre
ser interrompida quando estava tentando pensar.
Com um sorriso, Keeley partiu para o pátio. Um arrepio a acolheu logo que
saiu, mas ele se enrolou em seu xale. Ela respirou fundo e fechou os olhos. O ar
cheirava a limpeza e o frescor do inverno. O frio do gelo encheu os pulmões
quando ela exalou, sua respiração saiu em uma nuvem de vapor.
Rindo como uma criança, ela fez uma volta ao redor do muro e arriscou para
o lado da torre de menagem. O lago estava à sua esquerda e se assemelhava a um
espelho. O sol ricocheteava na superfície, lembrando-a um escudo levantado na
batalha.
Ela estava tão distraída em seu ponto de vista no lago que não notou a
pessoa vindo em sua direção até que ouviu seu nome.
— Keeley? Keeley McDonald, é você?
Keeley virou-se, com o coração pulando em sua garganta. Rionna está em
pé, há poucos metros de distância, sua expressão atordoada.
— Sim, sou eu. – Keeley respondeu em voz baixa. Deu um passou hesitante
para trás.
A dor vincou o rosto de Rionna. Seus olhos dourados não tinham o brilho
que sempre esteve presente.
— Eu pensei que você tivesse morrido. Quando me disseram que você foi
embora, eu esperei. Mas quando você não retornou, pensei que estivesse morta.
O rosto de Keeley se transformou em confusão.
— Quem lhe disse isso? Estou muito bem, como pode ver.
— As mulheres e os homens que enviei a sua casa para garantir o seu bem-
estar. Como chegou aqui? O que é que está fazendo nas terras McCabes?
Keeley olhou cautelosamente para a outra mulher, sem saber como
responder.
—Aqui é onde sou bem-vinda.
Um espasmo de dor atravessou o rosto de Rionna. Um dos homens
McDonalds apareceu ao longe e gritou o nome de Rionna.
— O laird está lhe procurando. Ele quer que você o acompanhe no desjejum.

153
Rionna apertou as mãos. Olhou pra trás, para Keeley e depois para o homem
de seu pai.
— Preciso ir. Gostaria de vê-la mais tarde. Tenho muito a dizer.
Sem mais explicações, Rionna virou e correu de volta párea o castelo. Keeley
observou-a ir, seu estômago em nós. Suas emoções era uma tal massa de
incerteza. Parte dela queria se jogar ao redor de Rionna e abraçá-la. Dizer a ela o
quanto sentia falta da amiga de infância e como estava bonita agora que cresceu.
A outra parte queria pedir uma explicação. A mágoa que pensava estar
enterrada subia á superfície. Talvez ela nunca fosse capaz de esquecer ou perdoar.
Suspirou e voltou para o lago. Caminhou pela margem e ficou olhando,
hipnotizada, as águas cristalinas. Ela adorava a água. Absorveu os humores e
caprichos da natureza.
Não soube ao certo quanto tempo ficou por lá. Olhou através do lago,
perdida em seus pensamentos e as constantes dores em seu coração.
— Está muito frio esta manhã para uma mulher estar ao ar livre. – Gannon
disse, suavemente.
Ela se virou espantada pela presença do guerreiro. Não o ouviu se
aproximar, pois estava entretida com outros assuntos.
Ela sorriu levemente.
— Não estava nem sentindo o frio.
— Então é pior, pois você nem perceberá o quanto esfriou.
Queria perguntar-lhe se Alaric o enviou, mas se recusou a falar seu nome.
Prometeu manter-se impassível, mesmo que isso a matasse.
— A manhã está bonita. – disse ela. – A neve está quase desaparecendo.
Geralmente não é tão quente nesta época do ano.
— Sim, mas ainda é frio demais para uma garota como você ficar fora,
sozinha, sem roupa adequada.
Keeley suspirou e lançou outro olhar sobre a água. O silêncio a acalmava.
Deu-lhe paz ao seu interior tão agitado.
— Você sabe que eu era do clã McDonalds.
As palavras foram ditas sem rodeio, dispostas de forma ousada. Ela nem
sabia por que contou isso a ele. Gannon dificilmente ouvia confidências. O
guerreiro provavelmente preferiria ter seu braço cortado a ouvir a tagarelice
feminina.
— Sim, eu sei. – ele respondeu.
Havia uma nota estranha em sua voz que ela não conseguia definir.
— Mas não sou mais.
Gannon assentiu.
— Não. Você é uma McCabe agora.

154
Ela sorriu para isso. Ele a encheu de tanto calor. Seus olhos lacrimejaram e
ele a olhou horrorizado que ela teve que rir.
— Obrigada por dizer isso. Eu precisava muito ouvir isso esta manhã. Eu não
estava... estava preparada para a chegada deles.
— Não há razão para chorar. – ele disse rispidamente. – Uma McCabe não
chora. Mantenha a cabeça erguida e não permita que outros pisem em você.
Ela lançou os braços ao redor dele, fazendo-o cambalear para trás quando o
atingiu no peito.
— Mas que...?
Ele a segurou para não cair e ficou duro como pedra enquanto ela o
abraçou. Então ele suspirou.
— Com você e Lady McCabe, juro que nosso clã está virando um regador
emocional.
Keeley riu. Havia tanta aspereza em sua voz, mas havia também verdadeiro
afeto. Ela se afastou e sorriu entre lágrimas.
— Você gosta de mim.
Ele fez uma careta.
— Eu não disse nada do tipo.
— Admita. Você gosta de mim.
— Exatamente agora, eu não gosto muito de você.
— Ah, mas antes, gostava.
Ele aprofundou sua carranca.
— Você deve voltar para dentro do castelo.
— Obrigada, Gannon. Na verdade, eu não estava me sentindo muito bem
hoje.
Olhou novamente e ficou tentada a abraçá-lo mais uma vez. Ele pareceu
perceber sua intenção porque recuou apressadamente. Ela sorriu.
— Acho que gosto muito de meu novo clã. Os McCabes reconhecem a
importância da lealdade e da família.
Ele olhou ofendido.
— Claro que sim. Não há clã mais leal que os McCabes e não há laird melhor
que o nosso.
— Estou muito feliz por estar aqui. – ela disse suavemente à medida que se
virou para voltar ao castelo.
Gannon hesitou por um breve momento e depois olhou de soslaio para ela.
— Estou feliz por você estar aqui, Keeley McCabe.

155
Capítulo Trinta e Um
Escoltada por Gannon, Keeley entrou na sala com cuidado para não olhara
para Rionna ou para seu pai. Gannon a levou a um lugar próximo de Mairin e
depois tomou o lugar do outro lado de Keeley.
Ela enviou-lhe um sorriso agradecido, ao mesmo tempo em que Mairin
apertava sua mão por debaixo da mesa.
Ela se recusou a olhar para Alaric, que se sentou alguns lugares adiante,
entre Rionna e Laird McDonald. Em vez disso, ela se concentrou em Mairin e
Christina, que estava sentada ao lado de Cormac.
O nervosismo a deixava doente. Seu estômago estava em nós. Certamente
Rionna contou ao pai sobre sua presença ali. Será que ele a chamaria de prostituta
na frente do clã McCabe? Será que ele tentaria arruinar sua posição ali? E o que
Rionna precisava contar a ela?
Comeu em silêncio, assentindo quando Mairin falou. De repente, Gannon se
inclinou e disse:
— Você disse sim quando Lady McCabe perguntou se achava que ela ficaria
grávida por meses ainda.
Keeley fechou os olhos e segurou a vontade de bater a testa com o punho.
Então se virou para Mairin, pedindo desculpas com os olhos.
— Sinto muito.
Mairin sorriu e abanou a cabeça.
— Estava apenas brincando com você. Sabia que você não prestava
atenção, porque dizia sim a tudo. – então inclinou-se mais perto. – Está quase
perfeito. Ninguém diria que você está tão pouco à vontade na mesa.
Keeley sorriu agradecida, mas quando voltou o olhar, viu Laird McDonald
olhando para ela. Suas sobrancelhas se reuniram e ela percebeu que o
reconhecimento ocorreu naquele momento. Seus olhos se arregalaram e ele olhou
para onde Rionna estava sentada, com uma carranca no rosto. Então, ele olhou
novamente para Keeley, mas não era raiva ou mesmo choque que ardia em seu
olhar.
Era luxúria, e isso a assustou mais do que se ele se levantasse e gritasse
prostituta.
Ela não podia olhar para ele sem se lembrar o total desamparo que sentiu
anos atrás, quando tinha certeza de que seria estuprada.
O desejo de fugir da mesa era tão forte que ela estava quase se colocando
em pé. Então percebeu que estava se deixando afetar por algo que aconteceu há
muito tempo.

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Rapidamente afastou o pânico e o medo que a deixando fraca e trêmula de
raiva. Relaxou na cadeira e abriu os punhos.
Ela não era mais uma menina. Era uma mulher adulta e tinha meios para se
defender. O laird não encontraria nela um alvo indefeso.
— Você não está sozinha. – murmurou Gannon.
Ela não iria envergonhar qualquer um deles, derramando lágrimas, mas
ainda assim seus olhos marejavam quando olhou para Gannon.
— Não, eu não estou sozinha. Não mais.
Ela sorriu.
— Se estiver pronta, vou acompanhá-la pelas escadas até seu quarto.
Keeley suspirou de alívio. O laird ou mesmo Rionna não poderiam correr
atrás dela em seu quarto sem causar uma cena, mas ainda assim ela estava com
medo.
— Obrigada. Será muito agradável me retirar mais cedo para meu quarto.
Mairin, que tinha ouvido tudo, se inclinou para frente e tocou Keeley no
braço.
— Sim, Keeley, por que não vai para cima?
Keeley se ergueu o mais silenciosamente possível, mas apesar de seu
esforço para não chamar a atenção, a mesa silenciou e todos os olhos se lançaram
em sua direção.
Rionna, Alaric e Laird McDonald, todos olhando para ela, mas com
diferentes emoções. A preocupação estava no olhar de Alaric, que se estreitou
drasticamente quando viu Gannon colocar o braço em Keeley. Rionna olhou para
ela com algo que se assemelhava a tristeza, e o laird olhou-a com interesse ávido,
o olhar rastejando sobre ela.
— Venha. – disse Gannon com voz baixa.
Keeley virou-se e Gannon guiou em direção à escada. Subiram em silêncio e
quando chegaram ao quarto, Gannon esperou educadamente quando ela abriu a
porta.
— Estarei aqui fora se precisar. – disse, quando ela entrou.
Ela se virou e estudou o guerreiro.
— Seu dever é para o laird e seus irmãos.
— Sim, é verdade. No entanto, você precisa mais de mim no momento.
Demorou um segundo para Keeley perceber que Gannon deve ter
descoberto sobre o ataque de Laird McDonald. Sentiu o rosto enrubescer e baixou
os olhos, incapaz de encontrar o olhar do guerreiro.
— Obrigada. – ela disse, em voz baixa.
Antes que pudesse responder, ela fechou a porta e inclinou-se fortemente
contra ela.

157
Que dilema terrível. Ela queria que Rionna e Gregor McDonald deixasse as
terras McCabes o mais rápido possível, mas quando eles partissem, Alaric viajaria
com eles como novo marido de Rionna.
Com um suspiro, ela começou a se despir e subiu em sua cama. Ficou lá por
um longo tempo, olhando as chamas se apagarem. Alaric estaria pensando nela
agora, ou estaria se familiarizando com sua noiva?
Keeley ficou acordada, examinando o teto, enquanto seu coração batia tão
forte. Era muito doloroso.
Sua porta se abriu e por um momento ela acreditou que seu pesadelo se
tornava realidade e Laird McDonald entrava em seu quarto olhando lascivamente
para ela.
— Keeley, sou eu, Ewan. Você precisa se apressar. Os sinais de Mairin
começaram.
Afastando o horror de sua frente, ela, gradualmente, viu Ewan à sua frente.
Ele permaneceu em pé em sua porta, aguardando uma resposta.
— Sim, claro. Irei imediatamente. – ela balbuciou.
Ela pulou da cama e pegou sua roupa, colocando-as na sua frente, enquanto
esperava o laird sair de seu quarto.
Apressou-se em se vestir, quase tropeçando na bainha de seu vestido.
Estava prestes a sair de seu quarto, quando parou e bateu as mãos na cabeça.
— Pense, Keeley, pense.
— Posso ajudar? – Gannon perguntou.
Ela massageou sua testa, ainda lutando contra os efeitos de seus sonhos.
Era ridículo ter medo de que Laird McDonald entrasse em seu quarto. Gannon
estava ali fora. Ele não permitiria a mais ninguém entrar. Isso a acalmou. Fechou os
olhos e respirou profundamente.
— Sim, chame Maddie. E Christina. Peça para trazerem lençóis e água fresca.
Devo buscar meu material e ir para o quarto do Laird.
Gannon acenou com a cabeça e caminhou pelo corredor, enquanto Keeley
voltava para seu quarto e pegar o material esquecido.
Alguns momentos depois, ela se aproximou do quarto do laird e bateu. A
porta se abriu e Ewan ficou na frente dela, sua expressão feroz.
— Quem é Ewan? – Mairin perguntou. – É Keeley?
Keeley empurrou Ewan e olhou Mairin com um sorriso encorajador.
— Sim, sou eu. Você está pronta para ter esse menino?
Mairin se sentou na cama e colocou sua mão sobre a barriga saliente. Seu
vestido estava reunido em torno do joelho e seu cabelo estava torto. Havia um
pouco de tensão em seus olhos e um sorriso nos lábios.
— Sim, estou pronta. Cansada de carregar essa criança no ventre. Pronta
para segurá-la em meus braços e não na barriga.

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Keeley riu. Ela cuidadosamente colocou suas coisas sobre uma mesa e
depois foi para a cama, sentando-se na beirada na frente de Mairin.
— Quando as suas dores começaram? Elas estão regulares?
Mairin franziu a testa e olhou para Ewan com culpa.
— Começaram esta manhã, mas vinha e iam embora.
Ewan fez uma careta e soltou um suspiro.
— Você deveria ter me dito o momento em que suas dores começaram.
— Eu não queria passar o dia inteiro na cama. – Mairin murmurou.
— Quando as dores começaram a se tornar mais fortes e constantes? –
Keeley perguntou. Ela acariciou a mão de Mairin enquanto falava em um esforço
para acalmá-la.
— Antes do jantar e estão mais freqüentes desde então.
— É difícil saber quanto tempo levará até a criança nascer. – Keeley disse,
enquanto se levantava. – Ás vezes não dura muito tempo, mas outras vezes é
como se a criança estivesse determinada a fazer o mundo esperá-la.
— Vou torcer pela primeira opção. – Mairin disse, rindo.
Seu riso morreu e um gemido escapou de seus lábios. Ela se curvou para
frente, com o rosto vincado de dor.
Ewan inclinou-se imediatamente, com as mãos voando sobre o corpo dela.
— Mairin, você está bem? Dói muito? – ele correu o olhar para Keeley. – O
que posso fazer? Como posso ajudá-la?
Era óbvio que se o laird continuasse ali, deixaria a todos louco. Ela colocou
uma mão no braço de Mairin e levantou-se.
— Voltarei em um instante.
Ela correu para o salão onde encontrou Gannon.
— Preciso que você busque Caelen e Alaric. Diga-lhes para buscar o laird e
levá-lo para baixo. Dê-lhe alguma cerveja ou algo para acalmar os nervos.
Gannon riu.
— Em outras palavras, tire-o de perto de você e de Lady McCabe.
— Exatamente. Vou chamá-lo quando o bebê nascer. – Keeley disse rindo.
Assim que Gannon desapareceu, Keeley voltou para Mairin. Assim que
entrar, Maddie e Christina chegaram com os itens que Keeley havia pedido. Mairin
parecia aliviada ao ver as outras mulheres e um pouco da tensão sumiu de seu
rosto.
— Pelo jeito das coisas, você ainda tem um tempo, moça. – Maddie disse a
Mairin.
Mairin fez uma careta. Ewan tinha um olhar perdido. Era claro que estava
dividido entre fugir dali ou ficar para dar apoio à esposa. Ele foi salvo quando
Caelen e Alaric chegaram.

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Houve uma breve discussão antes de Mairin o enxotá-lo, dizendo-lhe para
deixá-la em paz. Caelen e Alaric o pegaram pelo braço e o arrastaram do quarto.
Na porta, Alaric parou e olhou para Keeley. Seus lábios levantaram em um
meio sorriso e ela fez o mesmo. Em seguida, os três irmãos desapareceram.
Gannon colocou a cabeça pela porta e olhou para Mairin.
— Se você precisar de algo, estarei aqui fora.
— Obrigada, Gannon. – Mairin respondeu, antes de um espasmo de dor
estampar seu rosto.
— Ah, agora sim. – Maddie proclamou satisfeita quando Gannon
desapareceu atrás da porta. – A sala de parto não é lugar para um homem. Eles
ficam como crianças quando se trata da dor de uma mulher.
Christina riu e acenou em acordo.
— Ewan quer estar aqui. É importante para ele. – Mairin disse suavemente.
— Eu me assegurei de que ele estivesse aqui. Avisei a Gannon para dizer aos
outros para não deixá-lo beber em demasia. – Keeley brincou. Você ainda está em
trabalho de parto. É melhor ficar confortável e com o mínimo de estresse possível.
Por algumas horas as mulheres conversaram e brincaram com Mairin. Elas a
acalmaram através de suas dores, enxugaram sua testa e ofereceram-lhe conforto.
— Jesus, como está quente aqui. – Mairin queixou-se, enquanto Christina
limpava o suor de sua testa de pela décima vez.
— Você não vai querer que o bebê fique congelado depois que deixar o
calor de sua mãe! – Maddie destacou.
— Acho que é hora de remover seu vestido para você se deitar. – Keeley
afirmou. – O tempo entre suas dores está diminuindo e preciso verificar se o bebê
está posicionado corretamente.
— E se ele não estiver? – Mairin perguntou ansiosa.
— Não há nada para você se preocupar. – Keeley acalmou.
Elas ajudaram Mairin a se despir e deitaram-na confortavelmente na roupa
de cama limpa. Mairin era uma mulher pequena, mas seus quadris não eram
estreitos, para o alívio de Keeley. Se o bebê não for grande demais, ela não deveria
ter dificuldades com o parto.
Meia hora depois, as dores eram quase constantes e Keeley, que estava
posicionada entre as pernas de Mairin, olhou para cima.
— Vá buscar o laird. – disse calmamente. – Está quase na hora.
Christina arregalou os olhos e deixou escapar “eu vou”, correndo para a
porta, antes que Maddie ou Keeley pudessem responder.
Nem mesmo um minuto depois, o laird irrompeu na porta com o olhar fixo
em Mairin. Ele se ajoelhou ao lado da cama e juntou-lhe as mãos nas dela.
— Está tudo bem, carinho? Dói muito?

160
— Não, não muito. – Mairin respondeu entre dentes cerrados. – Dói como o
fogo do inferno!
— Estou vendo a cabeça! – Keeley exclamou. – Quando a dor vier, quero que
respire fundo e empurre. Não muito duro. Apenas empurre firme.
Mairin assentiu e segurou a mão de Ewan.
— Oh! – Mairin começou.
— Sim, é isso. – Keeley incentivou.
Quando a respiração de Mairin escapou, ela se jogou contra a cama. Keeley
olhou para cima.
— Descanse agora e aguarde o próximo. Você fará a mesma coisa, tudo de
novo.
— Isso é insano. – Ewan murmurou. – Por que o bebê ainda não está aqui?
Maddie revirou os olhos.
— Assim são os homens. Eles aparecem e esperam que tudo esteja pronto.
Nos minutos seguintes, Mairin e Keeley trabalharam juntas. Mairin respirava
e empurrava quando Keeley orientava. Então, a cabeça da criança caiu nas mãos
de Keeley.
— Assim, Mairin! Keeley disse, emocionada. – Mais um empurrão e pronto.
Mairin segurou-se em Ewan, reuniu sua respiração e fechou os olhos,
concentrada. O bebê escorregou nas mãos de Keeley, pegajoso e quente e
felizmente feliz.
— É uma menina! – Keeley exclamou. – Você tem uma filha, Mairin!
Lágrimas surgiram nos olhos de Mairin e até mesmo o laird parecia chorar
quando olhou para sua esposa.
— Uma filha. - ele disse com voz rouca.
Keeley cortou o cordão. Então, rapidamente limpou o bebê e seu choro
ecoou pelo quarto.
Ambos os pais ficaram hipnotizados por aquele primeiro som. Eles olhavam
admirados quando Keeley cuidadosamente embrulhou o bebê em um cobertor
quente e o colocou no peito de Mairin.
— Ela é linda. – Ewan sussurrou. Ele beijou a testa suada de Mairin e alisou o
cabelo do rosto. – Tão linda quanto a mãe.
Mairin colocou a boca do bebê sobre seu mamilo e estimulou o recém-
nascido a começar a mamar.
As lágrimas rolaram pelo rosto de Keeley quando ela viu a reverência
absoluta nos olhos de Ewan. Ele reuniu a esposa e a filha em seus braços e as
abraçou enquanto o bebê se alimentava. Nenhum dos pais conseguia tirar os
olhos da delicada menina embalada nos braços de Mairin.
— Você fez um bom trabalho, moça. – Maddie sussurrou enquanto abraçava
Keeley. – Nunca vi um parto ir tão bem.

161
Keeley sorriu para ela e então fez um sinal para ajudá-la a recolher a roupa
ensangüentada. Elas trabalharam em silêncio, para não perturbar o momento de
ternura entre o laird e sua família.
Já estavam indo em direção à porta quando de repente o laird virou-se e se
levantou da cama. Ele se aproximou de Keeley, parando diante dela com olhos de
alívio e alegria.
—Obrigado. Minha mulher é tudo para mim. Não seria capaz de perdê-la ou
a nossa filha. Você tem minha gratidão eterna e esta é uma dívida que nunca
espero pagar.
Keeley sorriu.
— Voltarei depois para verificar se está tudo bem.
Ewan acenou com a cabeça e rapidamente voltou para sua esposa.
Quando Keeley e Maddie entraram no corredor, Caelen, Alaric e Gannon
correram para falar com as mulheres.
— Está feito? – Caelen perguntou.
— O laird tem uma filha.
Alaric sorriu.
— Uma filha? Muito conveniente. Ela vai fazê-lo de estúpido igual a mãe.
Gannon riu.
— Sem mencionar o resto de nós.
— E Mairin? Está tudo bem com ela? – Caelen perguntou.
Keeley ergueu uma sobrancelha.
— Caelen, depois de tudo acredito que você tem um coração. Sim, Mairin
está bem. Ewan está com as duas, agora e achei melhor dar-lhes um pouco de
privacidade.
Caelen franziu a testa e murmurou algo em voz baixa, mas Keeley podia ver
o alívio em seus olhos.
— Se vocês nos desculparem, nós iremos descer para nos limpar, e gostaria
de tomar um pouco de ar fresco. – Keeley afirmou.
Sem esperar uma resposta, ela caminhou pelos homens e desceu as escadas,
com Maddie logo atrás.
— Dê-me a roupa de cama. – Maddie pediu quando entraram no hall. – Vá
tomar seu ar. Foi uma noite desgastante para você.
Keeley entregou a trouxa sem argumentar e se dirigiu ao pátio, ansiosa para
sentir o frescor em seu rosto. Fechou os olhos e logo o frio bateu nela. Totalmente
esgotada, ela apertou o passo. Ela sempre temeu os partos. Muitas mulheres
morreram durante o nascimento de uma criança e Keeley estava determinada a
não deixar isso acontecer com Keeley. Embora ela não precisasse se preocupar.
Foi um dos partos mais fáceis que ela já participou. Ainda assim, o alívio era tão
feroz dentro dela que seus joelhos estavam fracos.

162
Então, ela respirou profundamente, firme.
— Keeley, você está bem?
Ela levantou a cabeça para ver Alaric de pé nas sombras. Seu pulso começou
a bater mais rapidamente. Era engraçado, não havia passado tanto tempo desde a
última vez que o tinha visto, mas mesmo assim ela se encharcava da presença dele
como uma planta seca embebida em chuva.
— Sim, eu estou bem. – murmurou.
Ele deu um passo adiante, mas parou a uma distância respeitável.
— Keeley, eu...
Ela levantou-se, movida pelo desconforto em sua voz. Ela pressionou um
dedo sobre os lábios dele.
— Não. Não diga isso. – ela sussurrou. – Eu sempre soube qual era o seu
destino e o meu. O seu é nobre. Não deve ter arrependimentos. Você será grande,
Alaric. Será um grande laird. Tenho orgulho de tê-lo chamado de meu mesmo por
um tempo tão curto.
Alaric tocou o rosto dela e depois se inclinou lentamente, colocando um
beijo carinhoso nos lábios. Tão doce e fugaz. Breve. Mas ela o sentiu em sua alma.
— Você também será grande, Keeley McCabe. – ele sussurrou. – Meu clã é
melhor agora porque tem você.
Ela se inclinou, encostando sua testa na dele. Fechou os olhos, saboreando o
contato doce. Ela respirava, permitindo-lhe lavar o cansaço e a tristeza. Então se
afastou, endurecendo seu coração contra a dor.
— Tenho que ir agora. Preciso ver Mairin e o bebê.
Alaric acariciou seus cabelos e segurou o rosto dela entre suas mãos.
— Eu te amo. Lembre-se sempre.
Ela cobriu a mão dele com a dela e sorriu dolorosamente para ele.
— Sim, eu me lembrarei.
Lentamente ele se afastou para que ela pudesse caminhar de volta ao
castelo. Ela foi sem olhar para trás, mas sentia a umidade em seu rosto antes de
dar o primeiro passo.

Capítulo Trinta e Dois


Laird McCabe ficou no topo da escada que dava para o pátio, com o pacote
minúsculo de sua filha em seus braços enormes.
— Minha filha! – proclamou em voz alta.
O clã reunido rugiu sua aprovação. Levantaram as espadas, bateram os
escudos e uma alegria retumbante ecoou sobre a terra.

163
Ewan embalava a criança em seus braços e sua expressão era tão terna e
orgulhosa que Keeley mal conseguia engolir o nó ao redor da garganta. Maddie
abriu um grande sorriso e estendeu a mão para apertar a de Keeley.
— Esse é um dia maravilhoso para o clã McCabe.
O calor percorreu Keeley quando ela percebeu que a alegria do clã também
era a sua. Ela era parte do clã McCabe agora.
Quando os aplausos cessaram, Ewan voltou para dentro com o bebê e o clã
voltou para suas atividades. Maddie foi para a cozinha e Keeley foi para dentro
para verificar se estava tudo bem com Mairin.
Cantarolava para si mesma enquanto subia a escada. O corredor estava
vazio, uma surpresa desde que Gannon se tornou uma figura permanente fora dos
quartos. Parecia que o dever dele era estar ali. O que era um grande conforto. Ela
se acostumou com o rude guerreiro e gostava de sua companhia.
Não tinha dado mais que dois passos quando uma mão apareceu e a agarrou
pelos pulsos, jogando-a para dentro de um dos quartos. Antes que ela pudesse
gritar, defender-se, ou até mesmo entender o que estava acontecendo, seus lábios
foram devastados em um beijo brutal. A porta do quarto bateu atrás dela e ela foi
jogada de costas contra a porta forte o suficiente para roubar-lhe a respiração.
Em meio à confusão que se formou ao redor dela, reconheceu uma coisa:
estava acontecendo de novo. Mas desta vez não houve esforço para conquistar
uma garota jovem e inexperiente. Laird McDonald não teve nenhum cuidado para
não machucá-la ou saber se ela estava disposta.
Assim que seus lábios deixaram-na, ela abriu a boca para gritar só para ter a
mão dele tapando-a com força brutal.
— Não podia acreditar nos meus olhos quando a vi aqui. – ele ofegou. - Foi o
destino. Sempre soube que você pertencia a mim. Esperei anos por este
momento, Keeley. Anos. Você não poderá negar-se a mim desta vez.
Keeley olhou com horror ao velho laird. Ele era estúpido. Louco! Iria atacá-la
dentro do castelo dos McCabes?
A mão livre foi para os seios e os apertaram dolorosamente. Ele soltou a
mão sobre a boca, mas antes que ela pudesse reunir fôlego para gritar, ele
colocou sua boca sobre a dela novamente.
Com toda a sua força, ela empurrou seu joelho sobre a virilha dele. Quando
ele deixou suas mãos para baixo e curvar-se em agonia, ela o empurrou com força.
Ele tropeçou para trás e caiu com o traseiro no chão.
Ele se virou para a porta, desesperada para sair no hall. Mas ele a bloqueou!
Gritou rouca, quando o laird a agarrou pelos cabelos e jogou-a pela sala. Ela caiu
no chão, com a respiração batendo dolorosamente em seu peito. Ele estava sobre
ela, seus olhos brilhando de raia. Saliva escorria em seus lábios e seu rosto estava
vermelho pelo esforço.

164
— Sua pequena cadela. Você pagará por me desafiar.
Seus olhos se estreitaram em fúria e ela voou para ele. Chocou sua cabeça
contra a dele com força, e ele cambaleou para trás. Ele ergueu os braços para
agarrá-la, mas a raiva que ela sentia a fez seguir adiante. O desleixado bastardo a
enojou. Durante anos, ela o viu como um demônio do inferno, maior que a vida. O
mal. Poderoso. Ela vivia com medo dele, imaginando-o como algo que realmente
não era.
— Você não passa de um verme patético que ataca crianças. – ela sussurrou.
Ela fechou os punhos e girou. Os nós de seus dedos explodiram em dor
quando ela o atingiu no nariz. O sangue espirrou e a cabeça do laird sacudiu para
trás.
Ele gritou de raiva e revidou o soco. Ela abaixou-se, mas não a tempo de
impedi-lo de atingir seu rosto. Ela cambaleou e tropeçou sobre a cama.
— Exatamente onde você pertence. – ele cuspiu enquanto avançava.
Várias coisas acontecerem ao mesmo tempo.
A porta se estilhaçou e explodiu. Os olhos do laird se arregalaram de medo.
E então, de repente, ele voou pelo quarto, batendo contra a parede com um
sonoro baque.
Keeley olhou com espanto quando Caelen avançou sobre o laird, todo o seu
corpo cheio de raiva. Ela se escondeu atrás da cama, mas levantou-se o suficiente
par ver o que acontecia.
Caelen puxou o laird pelos pés e o esmurrou. Nunca tinha visto alguém tão
irritado. Se ela não interviesse, Caelen mataria o homem. Não que ela estivesse
particularmente preocupada com o destino do velho, mas havia outras
implicações.
Ignorando a dor ardente em sua mandíbula e do choque rastejante sobre
seu corpo, ela correu na direção de Caelen e segurou-o pelo braço.
— Caelen, você tem que parar!
Caelen deixou o laird cair e girou ao redor, com os olhos cheios de fúria.
— Você irá defendê-lo?
Ela balançou a cabeça, quase à beira das lágrimas.
— Não. No entanto, deixe-o. Por favor. Pense no que está fazendo. Pense
nas implicações.
Ela olhou para baixo, para onde o laird estava caído, todo ensangüentado, e
estremeceu de repulsa. Quando caiu em si, desabou em seus joelhos.
Caelen pegou-a e jogou-a e seus braços. Saiu para o corredor e foi em
direção ao quarto de Keeley. Sem hesitar, levou-a gentilmente para dentro até
colocá-la sobre a cama.
— Você quer que eu chame Maddie ou Christina? – ele perguntou em voz
baixa.

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Ela balançou a cabeça q colocou a mão sobre a mandíbula doendo.
— Eu vou matá-lo. - Caelen resmungou.
Ela balançou a cabeça em silêncio, atordoada demais para falar algo. Caelen
praguejou e depois se virou.
— Estou indo buscar Alaric.
Nisso, Keeley voou da cama e segurou Caelen. Ela o puxou para trás e bateu
a porta para fechá-la.
— Não! Você não pode. Caelen, não deve dizer uma palavra.
Caelen ficou boquiaberto, olhando incrédulo para ela.
— Pense no que está fazendo. – ela continuou com voz rouca. – Se você
contar, ele vai ficar furioso e nem sei o que poderá fazer.
— E com razão! Ninguém tolera tal tratamento a uma mulher. – Caelen
rosnou. – Ele merece morrer. Ele insultou todos os McCabes. Ewan nunca vai
deixá-lo viver.
—É exatamente por isso que não quero que você diga uma palavra. Esta
aliança é muito importante para o seu...- ela interromper e ergueu o queixo. – É
muito importante para o meu clã. O que acha que Alaric faria? Ele não pode se dar
ao luxo de insultara o pai da mulher com quem está prestes a casar. Alaric será o
laird do clã McDonald. Seu destino é grande. Se ele souber o que aconteceu, ficará
furioso. Com certeza, vai querer uma retaliação.
Caelen arrastou uma mão pelo cabelo e fez um som agudo de exasperação.
— Então, você quer que faça nada?
A pergunta saiu estrangulada, como se ele estivesse perto de explodir. Ela
ergueu o olhar, os olhos cheios de lágrimas. Estava muito próxima da histeria.
Começou a rir e chorar e não tinha certeza do que iria vencer.
Caelen suspirou e sentou-se ao lado dela na cama. Hesitou, e então,
cuidadosamente, colocou os braços e torno dela.
— É compreensível que você precise chorar. – ele disse rispidamente.
Ela escondeu o rosto no peito e caiu em prantos. Ela chorou ruidosamente
enquanto ele afagava-lhe sem jeito nas costas. Ela chorou até que seus olhos
ficaram inchados e sua cabeça doía terrivelmente. Depois de um tempo os soluços
diminuíram.
Ela se afastou e limpou o nariz com a parte traseira de sua mão. Então
começou a rir.
Caelen olhou desconfiado para ela e ela não o culpava por isso.
Provavelmente, pensava que ela ficou louca.
— Eu o acertei no nariz. – ela disse.
Caelen sorriu.
— Eu vi isso. Muito impressionante. Você é uma mulher valente.
— Eu também o chutei no meio das pernas.

166
Ele estremeceu, mas acenou com aprovação.
— Que fique entre nós, mas acho que ele não vai estar em forma para
abordar qualquer outra mulher nunca mais.
— Bom. – ela disse ferozmente. – Já que não podemos matá-lo, espero que
ele sofra muito.
Caelen riu. Ela suspirou e olhou para ele.
— Obrigada. Sinto muito ter chorado em cima de você. Devo ter molhado
sua túnica.
— Era o mínimo que podia fazer depois de tudo o que você fez pelo meu clã.
– ele disse com calma. – Sabe, eu não gostava muito de você no começo. Pensei
que nada de bom poderia vir de uma paixão entre Alaric e você. Mas descobri que
ele é um homem de sorte. Mesmo agora quando poderia destruir facilmente o
casamento entre ele e Rionna, você pensa só no clã. Você é uma mulher
surpreendente, Keeley McCabe.
Os olhos dela marejaram de novo.
— Oh, você deve parar. Estou chorando a toda hora que alguém me chama
de McCabe.
Caelen enfiou o dedo sob o queixo e forçou-o para cima.
— Você está bem? Ele lhe feriu muito?
— Eu fiz mais danos a ele do que ele fez em mim. Atingiu-me uma vez no
queixo e está doendo muito, mas foi tudo o que conseguiu.
—Bom. Agora, gostaria que eu chamasse uma das mulheres para você?
Ele parecia tão esperançosos que ela não teve como esconder o sorriso.
—Não. Eu vou ficar bem. Você fez muito bem o trabalho de uma mulher.
Ele fez uma careta, o que a divertiu ainda mais.
—Estou brincando. Mas é sério, muito obrigada. Significou muito para mim
quando você veio ao meu socorro.
Ela se levantou da cama, mas os joelhos vacilaram. Caelen a segurou no
braço para firmá-la e franziu o cenho ferozmente para ela.
— Você deve permanecer na cama. Sofreu um susto terrível.
— Preciso ver Mairin e o bebê. Não posso ficar aqui sentada e chorar.
— Assim que você atender Mairin, deve retornar ao seu quarto e descansar.
– ele disse severamente. – Se você não fizer isso, vou contar a Alaric o que
aconteceu.
— Tudo bem. Vou repousar depois de ver Mairin.
Caelen observou-a sair do quarto, ainda caminhando instável. Ela era
estúpida se achava que ele não diria a ninguém o que aconteceu. Ewan precisava
estar ciente da víbora que tinha sob seu teto. Faria o que ela pediu e não contaria a
Alaric. Não haveria o que acalmasse o irmão se ele souber do ataque de Gregor em

167
Keeley. Seria declarada uma guerra e tudo pelo qual os McCabes trabalharam ao
longo dos últimos anos seria em vão.
Pela primeira vez sentiu tristeza pelo irmão. Alaric se importava
profundamente por Keeley. E o fato de ela não querer se aproveitar do que
aconteceu para arruinar seu casamento com Rionna, lhe rendeu um profundo
respeito.
Não, Alaric não poderia saber o que aconteceu. Mas Caelen poderia ser o
protetor dela até que os McDonalds deixassem suas terras. Quanto mais cedo isso
acontecer, melhor. Pois Deus sabia que ele não seria capaz de olhar para o filho da
puta sem ver o rosto de Keeley molhado de lágrima, e então ia querer matá-lo
mais uma vez.

Capítulo Trinta e Três


— Keeley, o que aconteceu com seu rosto? – Mairin perguntou.
Keeley tocou o ferimento no queixo.
— Está tão mal?
Mairin franziu a testa.
— Há um hematoma. Não vi logo até que você virou para a luz. O que
aconteceu?
— Oh, nada. – Keeley disse. – Foi minha falta de jeito. E estou envergonhada
por isto. Não olhava por aonde ia. Graças a Deus ninguém estava ali para
testemunhar.
Mairin não parecia convencida, mas não insistiu.
— Agora me diga, como você está se sentindo?
— Cansada, mas por outro lado, me sinto bem. Ainda sinto um pouco de
dor, mas estou ansiosa para sair da cama. – ela olhou suplicante para Keeley. –
Ewan está quase me deixando doida. Disse a ele que inúmeras mulheres deixam a
cama depois de dar a luz, mas ele se recusa a me ouvir.
Keeley sorriu.
— Não vejo por que caminhar um pouco e esticar os músculos possam ser
errados.
— Eu adoraria sentar-me perto do fogo e ninar Isabel. Canso-me de ficar
deitada.
—Oh, então já escolheram o nome dela? É um lindo nome.
Mairin sorriu com orgulho e olhou para o bebe dormindo em seu regaço.
— Sim. Ewan vai anunciá-lo quando o rei chegar.
Keeley engoliu em seco e desviou o olhar, ocupando-se em arrumar algumas
coisas que nem precisavam serem arrumadas.

168
— O rei estará aqui em breve?
— Sim. Ewan enviou uma mensagem para ele antes do nascimento de
Isabel. Ele quer assistir ao casamento de Alaric. Esperamos que seu mensageiro
venha a qualquer momento para anunciar sua chegada iminente.
Endurecendo suas feições, Keeley alcançou o bebê.
— Deixe-me colocá-la no berço e então vou ajudar você a se sentar perto do
fogo. Gostaria de ajuda para se lavar e colocar roupas limpas, enquanto estou
aqui?
— Oh, seria maravilhoso. – Mairin respirava.
Depois de colocar o bebê no berço, Keeley ajudou Mairin a se sentar na beira
da cama. Despiu a outra mulher e ajudou-a a se lavara. Assim que Mairin vestiu
uma roupa limpa, com cheiro doce, Keeley apoiou-a para ficar em pé.
— Não é tão ruim. – disse Mairin com triunfo. – Já não me sinto tão fraca.
— Esposa, vou colocar um guarda colado em você para ter certeza de vai
ficar onde dever estar! – Ewan disse da porta.
Keeley segurou Mairin que se assustou e virou-se para o laird.
— Entre ou saia, mas feche a porta e mantenha a voz baixa. O bebê está
dormindo.
Ewan não parecia feliz em receber a ordem, mas a cumpriu e ficou de braços
a poucos centímetros de distância de Mairin.
— Oh, pare de ficar aí tão mal humorado. – Keeley disse, exasperada. –
Ajude-a a sentar-se na cadeira perto do fogo. Ela gostaria de alimentar a filha com
todo o conforto.
— Ela deveria estar na cama descansando. – Ewan respondeu rispidamente.
Mas ele pegou Mairin suavemente e a colocou na cadeira. Keeley verificou
se ela tinha cobertores o suficiente e então foi buscar o bebê e o colocou nos
braços de Mairin.
— Pare de ser tão carrancudo, marido. – Mairin disse. – Estou perfeitamente
bem. Se eu tivesse que ficar mais um dia na cama ficaria louca.
— Estou apenas preocupado com você. – ele falou. – Quero que você e
Isabel estejam aquecidas e protegidas.
Mairin sorriu e afagou o braço de Ewan.
— Nós duas estamos muito bem.
Ewan sentou-se na beirada da cama e viu como Mairin cuidou de Isabel. Seus
olhos brilhavam de amor.
— Você quase me fez esquecer o que vim lhe dizer. – Ewan disse. – Vendo-a
fora da cama me fez esquecer minhas intenções.
Mairin riu.
— Não é a primeira vez que você esquece suas intenções, marido.
Ele lhe atirou um olhar sufocante.

169
— O rei chega em dois dias. Meu mensageiro interceptou-os com a notícia
do nascimento de Isabel. Ele terá o prazer de celebrar o casamento de Alaric e a
concretização de nossa aliança, bem como conceder o legado de Neamh Alainn a
nossa filha.
Keeley congelou, mas continuou a tarefa de recolher a roupa suja de Mairin.
— Não posso continuar na cama quando o rei está para chegar. – Mairin
lamentou.
— Você não irá se sobrecarregar. – Ewan disse severamente.
— Eu não vou perder o casamento de Alaric. Não me importo se você me
levar no colo para baixo. É ridículo ficar presa nesta cama tantos dias.
— Em breve você não terá nenhuma dificuldade de descer as escadas se
permanecer quieta e descansar. – Keeley interveio.
Ewan lançou para Mairin um olhar presunçoso. Mairin encarou Keeley.
— Traidora. – ela sussurrou.
Uma batida soou na porta e Ewan levantou-se com uma carranca. Quando
abriu a porta, Rionna McDonald estava no corredor. Keeley endureceu e olhou
para longe, mas isso foi estúpido. Rionna podia muito vê-la ali.
— Desculpe, Laird McCabe, - Rionna disse formalmente. – Eu gostaria de ver
Lady McCabe e seu bebê, se a visita for autorizada.
Mairin lançou para Ewan um olhar desesperado e em seguida, olhou de
soslaio para Keeley com um pedido de desculpas.
— Terminei minhas tarefas aqui. – Keeley disse em voz alta. – Mais tarde
voltarei para vê-la, minha senhora. – ela se curvou para o Laird McCabe e passou
por Rionna.
Rionna estendeu a mão para tocar o braço de Keeley.
— Por favor, Keeley. Gostaria de falar com você depois.
Keeley abriu um amplo sorriso.
— Não há necessidade. Não há nada para discutir. Ouvi dizer que o rei
chegará em dois dias. Parabéns pelo seu casamento. Tenho certeza que você está
muito feliz.
Ela se virou e correu pelo corredor. O olhar perturbado de Rionna a seguiu
por todo o caminho.
Alaric arremessou a sua espada em um largo arco e enviou para longe o
escudo de seu oponente. Era o quarto homem que tinha despachado em poucos
minutos. Ele se virou procurando seu próximo adversário. Seus homens estavam a
uma distância cautelosa e ninguém tomou a iniciativa de desafiá-lo.
Então Caelen deu um passo a frente, lançando sua espada de forma casual
que descaradamente zombava – e desafiava.
— Está querendo uma luta, irmão. Estou mais que ansioso a ajudá-lo.
Alaric fez uma careta.

170
— Não estou com humor para sua adulação.
Caelen ergueu uma sobrancelha.
— Adulação? Nós dois queremos a mesma coisa. Perder tempo e levantar
sua espada.
Sem parar para perguntar por que Caelen estava procurando uma luta,
Alaric pulou e girou sua espada. Caelen facilmente dançou fora do caminho e
enfiou a espada para baixo, bloqueando o impulso de Alaric.
O barulho de metal encheu o pátio e logo os murmúrios aumentaram.
Ambos os homens McCabe e McDonald formaram um círculo ao redor dos irmãos.
Alaric começou com golpes leves, controlando-se e medindo seus golpes.
Mas logo ficou claro que Caelen não estava a fim de um simples treinamento.
A raiva brilhou nos olhos de seu irmão e sua mandíbula se apertava muito a
cada estocada de sua espada.
Com um som selvagem de satisfação, Alaric atirou-se para a batalha. Toda a
frustração que tinha segurado nas últimas semanas transbordava e ele despejou
tudo isso em seu irmão mais novo.
Mas ele não parecia preocupado. O quer que deixou Caelen tão furioso, foi
alimentando sua força, e os dois homens estavam rosnando enquanto lutavam.
Em questão de minutos, os homens ao redor faziam apostas e os gritos de
encorajamento subiram acima do som dos metais e dos grunhidos altos dos dois
oponentes.
A uma curta distância, Ewan assistia à batalha em silêncio. Ele não fez
nenhum esforço para intervir. Não era estúpido. Seus dois irmãos tinham sangue
em seus olhos. E sabia que não iriam matar um ao outro. Se eles pudessem se ferir
já era outra questão. Mas ele não estava prestes a entrar na briga e correr o risco
de ter um membro amputado ou um osso quebrado.
Ewan não tinha certeza o que fez Caelen sentir tanta raiva. Mas ia descobrir.
Já era tarde e a maioria das pessoas no castelo já estavam deitadas. Mas
Keeley ainda estava acordada, em sua cama, pensando nos acontecimentos do
dia. Foi um dia desgastante e ela não tinha certeza quanto tempo mais poderia
ficar sob pressão sem rachar.
Não ouviu nenhuma discussão envolvendo Laird McDonald, de modo que
ela supôs que Caelen manteve sua palavra e não contou a ninguém sobre o ataque
do laird.
Ela fechou as mãos e tentou relaxar, filtrando a raiva que corria em seu
sangue. Teria gostado de matar aquele filho da puta. Sua única satisfação foi
saber que ele não levou a melhor e que ela não ficou paralisada de medo, incapaz
de se defender. Teria saltado da janela antes de permitir que Laird McDonald
violentasse.

171
Seu desejo era sair pelo corredor até o quarto onde o desgraçado ficou
escondido o dia todo e acertá-lo novamente.
Keeley sentou-se ereta na cama quando ouviu uma batida suave na porta.
Pegou um xale e apressou-se a atender, temendo que algo estivesse errado com
Mairin ou o bebê.
Quando abriu a porta, ficou surpresa ao ver Rionna em pé, com expressão
indecifrável.
— Rionna?
— Keeley. – Rionna cumprimentou baixinho. – Posso entrar?
Keeley segurou a porta até os nós dos dedos ficarem brancos. Não queria
ter essa conversa com Rionna. Não queria falar com a mulher de maneira alguma.
Já era demais saber que se casaria com Alaric em poucos dias.
Mas não podia evitar o inevitável. Era melhor ter a conversa em um lugar
privado, onde ninguém poderia ouvi-las.
Então relaxou e abriu a porta completamente.
— Sim, pode entrar.
Rionna entrou e Keeley fechou a porta atrás dela. Foi então em direção à
cama e se sentou na beirada. Ela não daria a Rionna o prazer de saber que estava
nervosa com sua visita.
Rionna esfregou as mãos nas calças masculinas que usava e flexionou os
dedos em um gesto nervoso.
— Há tanta coisa que eu queria falar a você, Keeley. Começando pelo fato
de que estou muito feliz em saber que está viva e muito bem. Temia que algo
terrível tivesse acontecido com você.
A amargura surgiu e antes que Keeley pudesse se controlar, deixou escapar.
— Uma coisa estranha de dizer dada a forma como eu fui afastada de minha
casa, tendo que sobreviver sozinha.
Rionna balançou a cabeça e a dor brilhou em seus olhos dourados.
— Não. Não sozinha.
Keeley levantou-se da cama e ficou as pernas tremendo.
— Nem mesmo me procurou depois que sua mãe morreu. E sabia a verdade,
Rionna. Você sabia.
Rionna baixou a cabeça.
— Sim, eu sabia. Sempre soube. É terrível para uma mulher saber sobre seu
pai. Por que acha que sempre preferi brincar fora do castelo, longe de meu pai? Vi
a maneira como ele olhava parA você, Keeley. Sabia e o desprezava por isso.
Keeley escancarou a boca. Não podia nem mesmo formular uma resposta,
tão chocada que ficou com as palavras de Rionna.
Rionna estendeu a mão e tocou o braço de Keeley.
— Por favor, sente-se e ouça o que tenho a dizer.

172
Keeley hesitou.
— Por favor. – Rionna sussurrou.
Keeley caiu na cama e Rionna tomou o lugar ao lado dela, mas manteve uma
distância, torcendo os dedos nervosamente , olhando concentrada a parede
oposta.
— Fiquei arrasada quando minha mãe a tratou como uma prostituta e
expulsou-a para longe do castelo. Sabia o que tinha acontecido e estava furiosa
por ela culpar você. Ela era uma mulher orgulhosa e teria morrido se alguém
soubesse a verdade. Isso não é uma desculpa. Eu estava zangada até o dia em que
morreu por não protegê-la como me protegeu. Eu sempre me perguntei...
Rionna respirou fundo e fechou os olhos.
— Eu sempre me perguntei o que ela teria feito se tivesse sido eu. Teria me
chamado de prostituta? Fingiria que nada aconteceu? Teria se voltado contra sua
própria filha para salvar seu orgulho?
Keeley engoliu o enorme nó na garganta. Havia tanta dor e vergonha na voz
de Rionna. Ela queria alcançá-la e envolvê-la e seus braços.
— Ela fingiu que você não existia. – disse Rionna, dolorosamente. – Eu
costumava ficar acordada à noite, preocupada com você.
—Mas mesmo assim, não fez nada depois que sua mãe morreu. – Keeley
disse amargamente.
Rionna suspirou, com o rosto vincado com a infelicidade.
— As pessoas que procuravam sua ajuda, aqueles que sempre lhe davam
moedas ou caça por seus serviços, era enviados por mim. Foi a única forma eu
encontrei para ajudá-la e garantir sua sobrevivência.
Toda a dor que Keeley havia enterrado voltou.
— O que eu precisava era de seu amor e apoio, o apoio de meu clã. Tem
alguma ideia de como é ser lançada para fora e saber que nunca mais poderá
voltar? Que eu já estava morta para as pessoas que amei desde o nascimento?
Rionna esticou o braço e pegou a mão dela devagar, como se estivesse com
medo de que Keeley a repelisse.
— Não podia deixá-la voltar, Keeley.
Keeley levantou a cabeça e olhou-a em profunda confusão.
— Por quê?
A vergonha encheu os olhos de Rionna que desviou o olhos cheios de
lágrimas.
— Ele era obcecado por você, Keeley. Nunca a deixaria e paz. A única
maneira de protegê-la era ter a certeza que ficou longe de meu pai. Você nunca
estaria segura ao lado dele.
O coração de Keeley balançou. A verdade nas palavras de Rionna bateu nela
com a força de um punho. Ela viu o apetite desordenado nos olhos de Laird

173
McDonald. Sentiu seu desespero. Era como se os últimos anos não tivessem
existido e ele esperou tanto tempo para ter sua chance com ela.
— Oh, Rionna. – Keeley murmurou.
— Essa é parte da razão pela qual concordei com o casamento com Alaric
McCabe. – Rionna continuou. – Se meu pai não for mais o laird, poderei tê-la de
volta em casa. Os McCabes são honrados. Alaric nunca permitiria que meu pai a
prejudicasse. Poderíamos ser irmãs novamente.
Os olhos de Keeley ardiam. Sua garganta latejava com lágrimas não
derramadas e seu coração doía pela inocência perdida de duas meninas.
— Nunca esqueci você, Keeley. Não passou um dia que não me preocupei
com você. Sempre a amei como minha irmã e sei que você tem razão por estar
zangada. Não a culpo por não me perdoar, mas fiz a única coisa que poderia fazer
para mantê-la segura.
Keeley inclinou-se e puxou Rionna em um abraço. Elas se abraçaram durante
alguns minutos, ambas fungando como se lutassem com as lágrimas. Keeley não
sabia o que dizer. Abrigou a mágoa por tanto tempo dentro dela, mas agora
entendia que Rionna também sofreu.
— Fiquei tão preocupada quando me disseram que você se foi de sua casa
na floresta. – disse Rionna assim que se afastou. – Como veio parar aqui com os
McCabes?
A mente de Keeley ficou cheia de remorso. Como poderia explicar a Rionna
sobre o que aconteceu e seu caso com Alaric? Como poderia contar que seu futuro
marido amava outra? Não se sentiu culpada pela mentira que inventou.
— Laird McCabe precisava de uma curandeira pois sua esposa estava
prestes a dar a luz. Foi um encontro casual e ele me ofereceu uma casa. Era uma
oportunidade que não podia deixar passar.
— Você está feliz aqui? É bem tratada?
Keeley sorriu e pegou a mão de Rionna novamente.
— Sim. Eu sou. Os McCabes são a minha família.
— Estou feliz por você estar aqui para meu casamento com Alaric. – Rionna
disse. – Não há mais ninguém que eu queira por perto do que você.
Levou um tempo para Keeley reagir á inocente declaração de Rionna.
Impulsivamente, Rionna puxou-a nos braços e novamente apertou-a.
Não a quero perder de novo, Keeley. Prometa que virá me visitar e me
ajudar no nascimento de meu primeiro filho. Não quero que a distância esteja
entre nós novamente.
Keeley fechou os olhos e abraçou Rionna ferozmente.
— Sim. – ela resmungou. – Eu prometo.

174
Capítulo Trinta e Quatro
Keeley viu de sua janela como Alaric caminhava com Rionna ao longo da
margem do lago. Não era um namoro privado. McCabes e McDonalds colocaram
guardas para vigiarem, enquanto o casal passava um tempo juntos.
Embora o clima não estivesse quente, a temperatura estava confortável
para um passeio ao ar livre. O pátio estava cheio de vida com os preparativos do
casamento.
A notícia da chegada do rei voou pelas highlands, e os clãs vizinhos foram
chegando e montando acampamento fora das muralhas.
Gertie e as mulheres corriam para preparar alimento suficiente para o fluxo
de visitantes.
Parecia que toda a highland zunia com expectativa. A guerra era iminente e
cada clã queria ter certeza de que se aliaram com o lado vencedor. O rei viria
declarar abertamente sua aprovação sobre o casamento de Rionna e Alaric e
também a lealdade dos clãs vizinhos. Com a outorga de Neamh Alainn sobre a filha
de Ewan, os McCabes teriam o controle sobre a maior parte da Escócia, além do
próprio rei.
Seria um dia lembrado por muitos anos.
O olhar de Keeley pairava sobre Alaric, que estava ouvindo atentamente a
Rionna, embora parecesse que Rionna estivesse discursando. Ela sabia que Alaric
estava destinado a ser grande. Como laird dos McDonalds, ele tomaria o seu lugar
ao lado de Ewan na defesa do trono e de seus próprios clãs.
Naquele momento, Alaric olhou para cima e uma brisa balançou sua trança.
Ela desejava estender as mãos para roçar os cabelos dele. Seus olhares se
encontraram e a tristeza se estampou no rosto dele.
Keeley se afastou, não querendo que ninguém testemunhasse aquela troca
de olhares. Ela não faria nada que envergonhasse Rionna, não se importando que
seu coração estivesse quebrado em mil pedaços.
Uma batida na porta interrompeu seus pensamentos. Ela correu atender,
grata pela distração. Para sua surpresa, era Caelen quem aguardava em sua porta.
Ela olhou para ele, sem ideia do que dizer.
Caelen não parecia confortável com a situação. Limpou a garganta e fez uma
careta.
— Pensei que você gostaria... quero dizer, pensei que você gostaria de
descer, para a refeição da noite, sem escolta.
Ela levantou a sobrancelha.
— Você está me convidando?

175
— Sim. – ele respondeu - Sei que todo esse assunto sobre o casamento de
Alaric amanhã está lhe sufocando. Mas não acho que deveria passar o dia sozinha
em seu quarto.
A expressão dela se suavizou e sorriu para ele.
— Pelo amor de Deus, só não chore. – ele resmungou.
— Ficarei muito feliz em ter sua companhia.
Ele estendeu o braço e olhou-a fixamente.
O jantar foi barulhento e tumultuado, e durou até tarde da noite. A mesa
estava cheia dos chefes dos clãs vizinhos, todos lutando ao lado do rei.
Rionna parecia entediada e inquieta, sentada entre Alaric e seu pai. Mairin
parecia que ia desmaiar a qualquer momento, até que Ewan colocou o braço em
volta dela e puxou-a ao seu lado, indiferente às normas de decoro.
Caelen sentou-se ao lado de Keeley e observava silenciosamente o
burburinho em torno dele. Apesar de não ser falador, ele se inclinou mais de uma
vez para conversar com ela. Sua preocupação a tocou. Embaixo daquele mal
humorado, jazia um homem mergulhado em honra e lealdade. Ela não sabia por
que ele estava tão cuidadoso e cauteloso com seus afetos, mas era evidente que
ganhou sua devoção.
— Estou bastante preocupada com Mairin. – Keeley sussurrou para Caelen. –
Ela não admitirá que está cansada porque quer permanecer ao lado de seu marido,
especialmente com o rei aqui.
Caelen olhou na direção de Mairin e franziu a testa.
— Ewan deveria tê-la mandado para a cama horas atrás.
— Talvez eu possa intervir e dizer que o bebê está precisando dela.
— Subirei com vocês para que Ewan não deixe a reunião. – Caelen disse com
firmeza.
— Estou feliz por sua escolta. – ela respondeu, sorrindo.
— Ele não terá outra chance de ficar sozinho com você. – ele olhou
fixamente para Laird McDonald.
Keeley passou sem olhar na direção de Laird McDonald, embora ela
encontrou o olhar de Rionna e ofereceu-lhe um pequeno sorriso. Seu olhar cintilou
sobre Alaric, as ela desviou rapidamente, com medo de que seu rosto a traísse.
Caelen levou-a à cabeceira da mesa e Keeley ofereceu uma reverência ao rei
antes de voltar sua atenção para Laird McCabe.
— Se me der sua licença, levarei Lady McCabe para cima. Estou preocupada
que ela se sobrecarregue logo após o nascimento de sua filha.
Ewan lhe lançou um olhar agradecido e ajudou a esposa a se levantar. Mairin
também olhou agradecida enquanto segurou o braço de Caelen. Keeley estava
prestes a se virar quando o rei levantou a mão. Keeley congelou, incerta do que
fazer.

176
— Ewan me contou que você é a curandeira que assistiu minha sobrinha
durante a gravidez.
— Sim, Vossa Majestade.
As palavras saíram de modo instável.
— Também me contou que tem grande habilidade de curas e salvou a vida
de Alaric McCabe.
Keeley balançou a cabeça. Seu desconforto crescia quando mais pessoas
pararam de comer para ouvir as palavras do rei.
— Os McCabes têm sorte por tê-la. Se Ewan não fosse um aliado tão
valorizado, eu iria levá-la para cuidar de mim pessoalmente.
Ela arregalou os olhos e engoliu em seco.
— Obrigada, Vossa Majestade. É uma grande honra ouvir isso.
Ele ergueu a mão e a dispensou.
— Vá agora. Minha sobrinha precisa descansar.
Keeley fez uma reverência novamente e saiu com Caelen e Mairin em
direção à escada.
— Como você está? – Mairin perguntou a Keeley quando ficaram sozinhas
no quarto.
— Estou preocupada com você. Parecia esgotada durante o jantar.
Mairin fez uma careta.
— Sim, eu estava. Obrigada por me resgatar.
Mairin sentou-se enquanto Keeley foi buscar o bebê para ela amamentar.
Quando recebeu a criança nos braços, voltou sua atenção para Keeley.
— Você está bem? Sei que isso não está sendo fácil.
— Estou bem. – Keeley respondeu com um sorriso forçado. – De verdade.
Falei com Rionna. Ela sofreu tanto quanto eu ao longo desses anos. Ela é a irmã de
meu coração. Não quero vê-la sofrer mais.
— E em vez disso quem sofre é você. – Mairin disse com voz baixa.
Keeley suspirou.
— Quero que ela seja feliz. Quero que Alaric seja feliz. Acredito que ela
poderá fazer isso. É uma boa mulher. Vai ser leal e fiel ao marido. Terá filhos e
filhas fortes. Ela é uma companheira digna de um laird.
— Como você, Keeley. – Mairin disse calmamente.
Keeley sorriu torto.
— Talvez um dia eu encontre o meu próprio laird.
Mas, enquanto ela falava, sabia que ninguém jamais tomaria o lugar de
Alaric em seu coração.
— Fique comigo. – Mairin convidou. – Ewan virá tarde esta noite. Não me
surpreenderá se vier um pouco antes do amanhecer.

177
Keeley concordou, porque a ideia de ficar sozinha em seu quarto era mais do
que poderia suportar. De alguma forma, a companhia dos bons amigos aliviava um
pouco a dor em seu coração.
Uma batida suave na porta do quarto despertou Keeley. Ela esfregou os
olhos e piscou confusa. Nem mesmo havia amanhecido. Tinha apenas começado a
dormir depois de ficar com Mairin durante a maior parte da noite.
Com a esperança de nada estivesse errado, ela rolou da cama e foi atender a
porta. Quando viu Caelen lá, abriu mais a porta.
— Caelen? Há algo errado?
Ele colocou um dedo em seus lábios. Então se inclinou para frente.
— Alaric me enviou. Ele gostaria de vê-la. Mas não queria se arriscar a vir ao
seu quarto.
Keeley ofegou.
— Onde?
— Vista roupas quentes. Ele está perto do lago, onde Crispen pula suas
pedras.
— Dê-me um momento.
Ela se vestiu às pressas e voltou para onde Caelen a esperava. No meio da
escada, ela parou e franziu a testa.
— Você percebe que se alguém no ver, eles podem assumir que eu e você...
que nós... que nós somos...
— Sim. – Caelen disse calmamente. – Eu sei disso.
Keeley mordeu os lábios e recomeçou a caminhada descendo as escadas.
Caelen caminhava protetoramente enquanto saiam do castelo e caminhavam até
o lago na escuridão. Entraram em um pequeno bosque e saíram pela margem do
lago onde havia várias pedras.
— Obrigado, Caelen. – Alaric disse quando se encontraram.
— Esperarei por Keeley entre as árvores. – Caelen respondeu, recuando.
Keeley virou-se nervosamente para Alaric. Parecia que havia passado uma
verdadeira eternidade desde que se viram. Desde que se tocaram e se beijaram.
Alaric segurou as mãos dela delicadamente entre as dele.
— Eu precisava vê-la esta noite. Mais uma vez antes de dizer meus votos
amanhã. Uma vez que eu disser, não poderei voltar atrás. E não trairia minha
esposa ou meu clã.
As lágrimas brilhavam nos olhos de Keeley enquanto ela contemplava o
homem que ela mais amava em sua vida.
— Sim, eu sei.
Ele levantou as mãos dela aos lábios e pressionou-as contra a boca trêmula.

178
— Quero que você saiba que eu te amo, Keeley McCabe. Sempre vou te
amar. Quero que você encontre a felicidade. Que encontre um homem capaz de
amar como eu a amei e que lhe dará a família que merece.
Lágrimas escorriam pelo rosto dela.
— Também quero que seja feliz, Alaric. Rionna é uma boa mulher. Será uma
boa esposa. Tente amá-la. Ela merece ser amada.
Alaric puxou-a em seus braços e segurou-a firmemente, com sua cabeça
descansando no topo da dela.
— Farei qualquer coisa que me pedir, Keeley.
— Então, seja feliz. – ela sussurrou. – Lembre-se de mim com carinho. Nunca
esquecerei o tempo que passamos juntos. Vou guardá-lo em meu coração para
sempre. Você é um homem maravilhoso e um grande guerreiro. O clã McDonald
será o maior entre todos com você como líder.
Alaric afastou-se lentamente e ela sabia que tinha chegado a hora de deixá-
lo ir. Seu peito doía tanto que cada respiração era uma agonia. Ela ficou ereta,
determinada a ser valente e se despediria com dignidade e graça. Alaric merecia
tanto. A última coisa que ele precisava era uma ex-amante histérica na véspera de
seu casamento.
Ela estendeu a mão para tocar seu rosto e traçou as linhas de sua mandíbula
forte e os ângulos de sua bochecha.
—Tenha uma vida longa e seja feliz, meu amor.
Ele pegou a mão dela e apertou um beijo na palma da mão. Quando ela
puxou a mão de volta, estava úmida com as lágrimas dele. Era mais do que ela
podia suportar. Virou-se e caminhou depressa em direção à floresta.
—Caelen. – ela chamou em voz baixa.
— Estou aqui. – ele disse quando saiu das sombras.
— Por favor, leve-me de volta. – ela pediu em uma voz muito baixa.
Caelen segurou seu braço e guiou-a para o castelo. A cada passo, a dor se
tornou tão insuportável que ela pensou que poderia morrer.
Eles voltaram ao castelo em silêncio. Caelen acompanhou-a até seu quarto e
abriu a porta. Por um longo momento ela permaneceu parada, tão entorpecida
que não tinha certeza se conseguiria alcançar a cama.
— Você está bem? – Caelen perguntou delicadamente.
Quando ela não respondeu, ele a levou para dentro do quarto e fechou a
porta atrás deles. Então, puxou-a em seus braços e abraçou-a com força.
— Venha, moça. Chore se quiser. Ninguém irá ouvi-la além de mim.
Ela escondeu o rosto na túnica dele quando as lágrimas começaram a cair.

179
Capítulo Trinta e Cinco
— Keeley, você deve se apressar! O padre fará o meu casamento com
Cormac no salão antes do de Alaric e Rionna no pátio ao meio-dia. – Christina
disse.
Keeley esfregou seus olhos cansados e esperou que eles não estivessem tão
vermelhos e inchados. Ficou sem dormir depois de seu encontro com Alaric e ela
não deseja sair do quarto.
Mas não poderia estragar a felicidade de Christina. A menina estava tão
animada para seu casamento com Cormac que estava prestes a saltar do vestido
belamente costurado por Maddie e Bertha. Ela olhou para Christina e sorriu.
— Você está linda.
Sim, ela estava maravilhosa. Seu rosto era uma coroa de flores de felicidade.
Não havia parado de sorrir a manhã inteira.
— Obrigada. – disse Christina. – Agora, depressa! Não quero fazer Cormac
esperar.
Christina pegou a mão de Keeley e arrastou-a em direção às escadas. Keeley
vestiu-se cuidadosamente e penteou os cabelos com uma trança especialmente
feita para a ocasião. Ela não queria que ninguém suspeitasse que estava morrendo
por dentro.
Cormac esperava por Christina e o alívio cruzou seu rosto quando ela entrou
na sala. Ewan era a testemunha de Cormac e Christina puxou Keeley de lado.
— Mairin está descansando antes do casamento de Alaric e Rionna. Assim,
eu gostaria que você ficasse ao meu lado como minha testemunha. – Christina
sussurrou.
Keeley apertou a mão da menina.
— Claro que eu vou.
Christina timidamente se aproximou de Cormac e seu rosto se iluminou
quando ele segurou a mão dela. Eles se voltaram para o sacerdote e trocaram seus
votos. Keeley escutava as sagradas palavras que os uniriam como marido e
mulher. O amor entre eles ficava evidente à medida que se olhavam nos olhos.
Ninguém mais existia para o casal.
Quando finalmente se inclinaram para o beijo, a sala irrompeu em aplausos.
Christina se ruboreceu quando se virou para os espectadores reunidos.
Keeley hesitou por um momento para entrar no grupo de pessoas
esperando para cumprimentar o casal, então resolveu dar a volta, com a intenção
de escapar de volta para seu quarto.

180
— Keeley, uma palavra por favor.- Ewan disse assim que ela passou.
Ele acenou para um pavilhão atrás do salão. Ela olhou interrogativamente
para ele e esperou a finalidade de seu pedido.
— Caelen contou-me o que aconteceu entre você o Laird McDonald.
Keeley congelou.
—Ele não deveria ter feito isso.
— Sim, ele deveria. Sinto muito que isso aconteceu. Estou chocado que
alguém sob meus cuidados tenha sido tratado desta forma. O laird nunca será
bem-vindo em meu castelo novamente.
Keeley assentiu.
— Obrigada.
—Também quero agradecer por não contar a Alaric. Isso poderia arruinar a
aliança entre nossos clãs.
Keeley engoliu em seco e balançou a cabeça.
—Você tem coragem, moça. Talvez mais coragem que já presenciei em uma
mulher tão jovem. Tornou-se querida para minha mulher. Não, para todo o clã. Se
há algo que eu possa fazer para garantir sua felicidade aqui, você terá a minha
palavra.
— Agradeço pelo clã McCabe me acolher. – ela disse. – Estou orgulhosa.
Ewan sorriu.
— Vá agora. Não quero prendê-la ainda mais.
Keeley fez uma reverência e saiu às pressas do pavilhão e foi em direção ao
pátio. Esquivou-se da multidão de pessoas e caminhou até o lugar onde Alaric e
Rionna iriam se casar.
Puxando o xale mais apertado em torno dela para afastar o frio, ela parou
sobre o tapete de grama que ficou encoberto pela neve por tanto tempo.
O vento a acalmou e anestesiou um pouco a dor que ainda apertava seu
peito. O sol brilhava lá no alto e aquecia seu rosto e ombros. Era um dia perfeito
para um casamento. O dia estava tão lindo que só podia ser um sinal de que Deus
aprovava essa união.
Todo o castelo cantarolava com ar de expectativa. Brasões de diferentes
clãs ondulavam fora da muralha. Pequenas celebrações entre os clãs podiam ser
ouvidas pelo ar e ela escutava os músicos tocarem músicas animadas.
Hoje todos os olhos estariam em Alaric e Rionna. Keeley sorriu de saudade
da época em ela e Rionna eram apenas meninas, sonhando com o príncipe
encantado e com a festa de casamento. Rionna merecia ter seu sonho realizado. E
Alaric seria o melhor dos maridos.
Estava tão imersa em seus pensamentos que não percebeu que todos já se
reuniam no pátio. Não estava muito longe a hora da cerimônia. Prendeu a
respiração quando Alaric saiu, elegantemente vestido para o casamento. Usava

181
uma túnica de veludo azul e estampada na bainha com a insígnia McCabe. Seus
cabelos caiam abaixo dos ombros e a pontas balançavam com o vento, dando-lhe
um aspecto deliciosamente despenteado.
Ele tomou posição ao lado do sacerdote e esperou Rionna aparecer. Alguns
momentos depois, Rionna chegou ao pátio. Keeley sentiu uma onda de orgulho
pela beleza da amiga. Rionna brilhava mais que o sol. Seu cabelo dourado parecia
chamas no brilho da luz do sol. Seu elaborado vestido precisava das mãos de duas
mulheres para apoiar a barra nas costas. Ela parecia uma rainha.
Quando Rionna estava há poucos passos de Alaric, ele olhou na direção de
Keeley. Olhou-a por um longo momento e ela soube que a viu na encosta.
Lentamente, ela trouxe os dedos aos lábios e depois, fechando as mãos em
punho, tocou seu coração.
Alaric levantou a mão em gesto sutil e esticou dos dedos sobre seu coração,
antes de voltar seu olhar para Rionna.
Quando segurou a mão de Rionna e ambos se viraram para o padre, o
coração de Keeley se apertou. Então, era isso. Mais alguns minutos e Alaric estaria
casado com outra mulher e ela o teria perdido para sempre.
Doze tambores alinhados em ambos os lados de Alaric e Rionna começaram
a bater, um tributo ao casamento prestes a ocorrer. O som enchia o ar e ecoou por
todo o campo.
Um movimento chamou a atenção de Keeley e ela franziu a testa,
inclinando-se para se concentrar na figura que se escondia em uma pedra atrás da
multidão.
O que ele estava fazendo?
O sol refletiu algo em sua mão, um brilho rápido, mas o suficiente para
Keeley saber que ele levava uma balestra1.
Ela ergueu-se e gritou bem alto. Mas os tambores continuaram a bater, mais
rápido e mais alto. Gritou, mas sua voz ficou perdida no vento. Então, começou a
correr, certa de que nunca chegaria a tempo. Não tinha certeza de qual seria o
alvo. O rei estava presente. Ewan estava lá com Mairin. Tudo o que sabia era que
tinha que avisar a todos antes que fosse tarde demais.
Os tambores ecoavam ferozmente nos ouvidos de Alaric. A cada batida, o
pavor aumentava em sei coração, até que tudo o que podia fazer era respirar.
Olhou para suas mãos reunidas às de Rionna e depois para a beleza de sua noiva.
Sim, ela era linda. Seria uma boa esposa. Daria a ele filhos e filha. Ela poderia ser
um crédito na sua liderança do clã McDonald.

182
Então olhou para seu irmão, que estava com Mairin ao seu lado, e o rei do
outro. Seu irmão, que se sacrificou ao longo dos anos para garantir a sobrevivência
de seu clã. Como ele não poderia fazer o mesmo? Fechou os olhos. Oh, Deus, ele
não poderia fazer isso. Não podia seguir adiante.
A bateria parou abruptamente e o silêncio era tão forte. Então, ele ouviu um
grito. Seu nome. Rionna olhou para sua direita e ele fez o mesmo. Apenas a tempo
de segurar Keeley em seus braços. Os olhos dela estavam arregalados de choque e
dor. Sua boca se abriu e depois se fechou, e ela ofegou, com o rosto pálido.
Por um momento ele não sabia o que tinha acontecido, mas ouviu os gritos
horrorizados atrás de Keeley. E o som inconfundível de espadas sendo sacadas. E
depois um grito.
No entanto, tudo o que podia ver era o rosto de Keeley golpeado pela dor
enquanto a segurava em seus braços. Quando ela cedeu, ele viu a seta saindo de
suas costas e ele soube. O conhecimento do que ela tinha feito o feriu com tanta
força que cambaleou e os joelhos fraquejaram. Ele caiu no chão, segurando-a
contra o peito.
— Keeley, não! Não! Por que você fez isso? Oh, Deus, Keeley, não. Não. Não.
A voz dele saia como um soluço. Ele não se importava. Já não tinha orgulho.
Nenhuma vergonha. Ela tinha o rosto pálido e o olhar da morte nos olhos. O olhar
que ele tinha visto em inúmeras faces de outros guerreiros quando eram abatidos
no calor da batalha.
Rionna caiu ao lado dele, com o rosto quase tão branco quando o de Keeley.
—Keeley? – ela sussurrou, sua voz embargada e cheia do mesmo medo que
tomou conta de Alaric.
Ao seu redor, o mundo enlouqueceu. Houve gritos e apelos às armas. Ewan
conduziu Mairin e o rei para um lugar seguro. Caelen e Gannon se posicionaram na
frente de Alaric, suas espadas prontas para derrubar qualquer ameaça.
— Keeley, não me deixe, meu amor. – Alaric sussurrou. – Espere um pouco.
Eu cuidarei de você. Assim como você cuidou de mim.
Ela sorriu, ainda tremendo, o rosto vincado de dor.
— Valeu a pena. Você está destinado a ser grande. Eu não podia. – ela se
calou quando outro espasmo de agonia sacudiu seu corpo. – Não podia permitir
que você morresse hoje.
Alaric tirou os cabelos dela do rosto e segurou-a gentilmente contra ele
enquanto a balançava para frente e para trás. Ele a olhou em seus olhos, para as
sombras que cresciam a cada respiração. Segurou o rosto dela e forçou-a a olhar
para ele. Então se abaixou e entrelaçou fortemente os dedos nos dela.
— Eu, Alaric McCabe, recebo você, Keeley McDonald McCabe... recebo você
como minha esposa até a morte, até que nossas almas se reencontrem no futuro.
O choque brilhou nos olhos dela e sua boca se abriu, sem palavras.

183
— Diga as palavras, Keeley. Dê a mim o que não estava disposta a dar-me
antes. Case-se comigo aqui e agora, com todos como testemunha. Eu te amo.
Uma única lágrima rolou pela sua face. Ela fechou os olhos como se
buscasse forças, mas depois os abriu com determinação renovada.
— Eu, Keeley McDonald, agora McCabe, recebo você Alaric McCabe, como
meu marido para sempre e sempre, até o dia de minha morte.
Sua voz ficava cada vez mais fraca, mas as palavras foram ditas. Os votos
foram trocados diante de centenas de testemunhas. Ela era sua esposa. Pertencia
a ele durante o tempo que Deus achar por bem dar um presente tão precioso. Ele
se inclinou e a beijou na testa.
— Eu te amo. – ele sussurrou.- Não me deixe, Keeley. Não agora, quando
tive coragem de fazer o que era o certo.
— Alaric. – a voz suave de Rionna se intrometeu em sua dor.
Ele olhou para a mulher com quem esteve prestes a casar e não viu nenhum
choque ou horror. Nenhum julgamento ou ressentimento. Viu tristeza e dor,
enquanto as lágrimas se arrastavam interminavelmente por seu rosto.
—Temos que levá-la para dentro. Devemos ajudá-la. – Alaric a apertou mais
em seus braços e depois parou. A flecha ainda se projetava nas costas, um
lembrete cruel do que ela sacrificou por ele.
— Alaric, por aqui. – Ewan gritou para ele. – Leve-a para dentro para que eu
possa ver sua ferida.
O mundo se balançava ao redor dele. Moveu-se lentamente, como se
suspenso no tempo. Caelen e Gannon seguiam à sua frente, suas espadas
formando uma barreira protetora. O rugido em seus ouvidos o impediu de ouvir as
vozes ao seu redor. Ele cambaleou em direção ao castelo enquanto o sangue de
Keeley escorria pelo chão.
Ele fechou os olhos. Não a leve de mim, Deus. Não agora. Não deixe que seja
tarde demais para fazer o que é certo. Dá-me a chance de fazer as pazes.

Capítulo Trinta e Seis


O quarto de Keeley estava cheia de pessoas quando Alaric a carregou para
dentro. Ewan ficou ao lado da cama, com expressão sombria. Mairin e Maddie
estavam ao pé da cama, com os olhos vermelhos de tanto chorar. Cormac estava

184
ao lado, confortando Christina. Gannon e Caelen montavam guarda na porta, com
a fúria brilhando em seus olhos.
Alaric deitou-a na cama com cuidado para não colocar o lado com a flecha
para baixo. Ele olhou para seu irmão com o peito apertado de pavor e tristeza.
— Você pode ajudá-la, Ewan?
Ewan se ajoelhou ao lado da cama e olhou com cuidado para o ferimento da
flecha.
— Vou tentar, Alaric, mas você deve saber que isso não é bom. A flecha
entrou profundamente em seu corpo. Pode ter atingido algo vital.
Alaric fechou os olhos e procurou controlar a raiva que ameaçava
ultrapassar seus sentidos. Ela precisava dele calmo. Não de um lunático, mesmo
que ele quisesse sair gritando com raiva de seu destino.
— Terei que cortá-la para retirar a ponta da flecha. – Ewan disse
severamente. – É o único caminho.
Uma comoção na porta fez Alaric levantar a cabeça. Rionna, já sem as
roupas do casamento, foi retida por Caelen, o que não a deixou nada feliz.
— Deixe-me passar. – ela exigiu. – Ela é minha amiga. Gostaria de ajudar.
— Deixe-a passar. – Alaric disse com voz rouca. Ele olhou para Rionna
quando ela se apressou para a cabeceira de Keeley.
— Você pode ajudá-la? Tem alguma habilidade para a cura?
— Não muito, mas tenho uma mão firme. E não desmaio quando vejo
sangue. E estou determinado a não deixá-la morrer.
— Deixe-a ficar. Pode me ajudar. –Ewan disse. Então olhou na direção de
Caelen. – Leve-o daqui. Não é algo para ele estar presente.
Por um momento, Alaric não soube que seu irmão falou dele. Não até
Gannon e Caelen estenderem as mãos para seus braços com a intenção de
removê-lo do quarto.
Ele tropeçou para trás e puxou a espada, apontando-a para seu irmão mais
novo.
— Matarei o homem que tentar me levar para longe dela. Não a deixarei.
— Alaric, seja sensato. – Ewan ordenou. – Deixe este lugar. Você é apenas
um obstáculo.
— Eu não vou deixá-la. – Alaric rosnou.
— Alaric, por favor. – disse Mairin, correndo para frente dele. Ela desviou
sua espada e apertou suavemente a mão no peito. – Venha comigo. Sei que você a
ama. Ela sabe que você a ama. Deixe Ewan tentar salvá-la. Não será bom para ela
ter você como um selvagem ao seu lado. Não será agradável ouvi-la quando Ewan
cortar a flecha de suas costas. Não se torture desnecessariamente.
Alaric olhou para sua cunhada e viu lágrimas em seus olhos.
—Não posso deixá-la. – ele sussurrou. – Não a deixarei morrer sozinha.

185
— Droga, Alaric. Dê o fora daqui. – Ewan gritou. – Se as coisa irem mal,
chamo você de uma vez. Se quisermos ter uma chance de salvá-la, temos de agir
rapidamente.
Mairin se aproximou e pegou a mão dele.
— Venha, Alaric. Vamos deixá-los cuidar disso.
Alaric fechou os olhos e soltou os ombros. Virou-se para onde Keeley estava
deitada e caiu sobre um joelho. Tocou o ombro dela gentilmente, acariciando a
pele macia ante de se inclinar e beijar sua testa pálida.
— Eu amo você, Keeley. Seja forte. Viva. Por mim.
Caelen e Gannon puxaram Alaric para fora do quarto. Ele tropeçou no
corredor, seu coração martelando como um tambor. A porta se fechou, banhando
o corredor em trevas. Ele se virou e esmurrou a parede de pedra.
— Não! Inferno, não!
Caelen passou os braços em torno de Alaric e puxou-o pelo resto do
caminho até seu próprio quarto. Chutou a porta e enfiou Alaric dentro.
Os olhos de Caelen brilhavam com raiva e ele empurrou Alaric para sua
cama.
— Fazer isso não vai ajudá-la.
Alaric olhou para a mão inchada e para o sangue que escorria da pele
machucada. Ele queria destruir alguma coisa, ele queria o filho da puta que ousou
fazer isso com Keeley. Ele olhou para Caelen com frieza.
— Vocês sabem quem fez isso?
— Sim. – disse Gannon da porta. – Ele está acorrentado no calabouço.
— Será que ele agiu sozinho? – Alaric perguntou.
—Nós não sabemos ainda. Aguardamos o laird para interrogá-lo.
Alaric respirou fundo pelo nariz.
— Ele é meu. Vou matá-lo.
Caelen sentou-se ao lado do irmão na cama.
— Sim, quando tivermos extraído as informações necessárias, ele será seu
para matar. Ninguém irá negar-lhe esse direito.
— Ela me salvou de novo. – Alaric disse friamente. – A flecha era para mim.
Ela entrou na frente dele e salvou minha vida.
— Ela é uma mulher valente. E ama você.
Caelen surpreendentemente falava de amor sem escárnio. Havia apenas
admiração relutante e verdade em sua voz. Alaric enterrou a cabeça nas mãos.
— Eu fiz uma grande confusão.
— Não se torture, Alaric. Você estava em uma situação impossível. Você e
Keeley lidaram com isso da melhor maneira que podiam. Muito estava em jogo
com seu casamento com Rionna.
— Eu estou casado com Keeley. – Alaric disse calmamente.

186
— Sim. Eu ouvi. Testemunhei os votos.
— Isso não me traz nenhum conforto quando ela está morrendo no quarto.
Caelen olhou para Gannon e depois de volta para Alaric.
— Você põe muita pouca fé na mulher, Alaric. Ela é forte. Confesso que
nunca conheci uma mulher como ela. Ela ganhou meu respeito e minha fidelidade.
Alaric levantou-se.
— Não posso ficar sentado aqui sem saber o que está acontecendo. Se ela
foi corajosa o suficiente para receber a flecha no meu lugar, o mínimo que posso
fazer é ficar ao seu lado enquanto ela passa pelo pior. Eu sei que Ewan tem boas
intenções, mas ela precisa de mim e não vou decepcioná-la.
Caelen suspirou.
— Se fosse minha mulher, também não deixaria ninguém me fazer sair do
lado dela.
Gannon acenou com a cabeça em concordância.
Alaric foi até a porta, mas fez uma pausa e virou o rosto para seu irmão.
— Eu não agradeci por ter ficado com Keeley durante os últimos dias. Foi
difícil para ela, eu sei.
— Não foi tão mal. A moça até me diverte.
Os cantos da boca de Alaric levantaram-se em meio sorriso e então deixou o
quarto, em direção ao corredor.parou na porta de Keeley com medo de abrir. Não
havia nenhum som no interior. Nenhum grito de dor. Nada para sinalizar que ela
ainda respirava.
Com uma oração sussurrada, ele abriu a porta e entrou.
Ewan estava dobrado sobre a cama, com o rosto concentrado. Rionna
estava na cabeça de Keeley, acariciando seus cabelos e murmurando palavras
tranqüilizadoras.
Ewan lançou um rápido olhar na direção de Alaric, mas não desviou de sua
tarefa. Alaric, quando se aproximou, viu o quanto estava cortado. Ewan abriu a
carne o suficiente ao redor da flecha para puxar a ponta. Os panos ao redor do
ferimento estavam ensopados de sangue.
— Deixe-me segurá-la para que você possa concentrar-se mais na flecha. –
Alaric disse. Mal reconheceu sua própria voz.
— Você tem que segurá-la firme. Ela não pode se mover. – Ewan disse.
Alaric concordou e então, cuidadosamente se aproximou da cama. Keeley
estava deitada de lado para que Ewan tivesse acesso às suas costas. Ewan esperou
até que Alaric deitou-se ao lado de Keeley e cuidadosamente colocou seu braço
sobre o quadril dela. Ele deslizou o braço por baixo da cabeça e puxou-a
cuidadosamente do colo de Rionna.
— Você pode ajudar a limpar o sangue para que eu possa ver o que estou
fazendo. – Ewan disse a Rionna.

187
A respiração de Keeley era um mero sussurro contra o pescoço de Alaric.
Quando Ewan voltou a lâmina para sua pele, ela ficou rígida contra Alaric e um
gemido escapou de seus lábios.
— Shh, amor. – Alaric murmurou. – Eu estou com você. Eu tenho você. Sei
que dói. Seja corajosa por mim. Lute como me disse para lutar.
Ewan trabalhou diligentemente por várias horas. Ele estava com medo da
perda de sangue, então trabalhou lenta e cuidadosamente para extrair a ponta da
flecha. Quando o metal finalmente ficou livre, ele praguejou, pois ela começou a
sangrar abundantemente.
Keeley há muito havia perdido a consciência e nem sequer se levantou
quando Ewan puxou a flecha livre de sua carne. O sangue escorria pelo chão. Ewan
e Rionna pressionavam juntos a ferida. Alaric ignorou a expressão resignada no
rosto de seu irmão e focou apenas em Keeley. Ele quis que ela respirasse. Que ela
vivesse.
Levou mais duas horas para Ewan costurar a ferida. Foi uma tarefa difícil
porque não conseguiam estancar o sangramento. Ele trabalhou rápido para fechar
a ferida quando por fim deu o último ponto, sentou-se no chão, com o rosto
cansado de exaustão.
— Mantenha a pressão sobre a ferida. – ele orientou Rionna. – O
sangramento diminuiu. Não sei se conseguimos deter a tempo ou se ela deu todo
o sangue de sua vida.
Com os dedos trêmulos, Alaric sentiu o pulso em seu pescoço. Estava fraco e
voava como asas de uma borboleta, mas ela ainda vivia.
Rionna ficou depois de colocar um curativo na ferida.
— Preciso limpá-la, Alaric. A roupa precisa ser tirada. Devo lavar a sujeira de
seu corpo e colocar um vestido limpo.
— Eu vou fazer isso. – Alaric disse calmamente. – Não vou deixá-la. É meu
dever cuidar dela. Não vou deixá-la sozinha.
A mulher com quem quase se casou olhou para ele, com dor e pesar em seus
olhos.
— Sinto muito, Alaric. Não sabia que vocês se amavam.
— Vá agora e descanse. - Alaric disse gentilmente. – Eu cuidarei de Keeley.
Depois que Rionna saiu, Ewan lavou as mãos em uma bacia e ficou ali por um
longo momento, com as mãos apoiadas nas laterais.
— Fiz o que posso, Alaric. Está nas mãos de Deus, agora.
— Sim, eu sei.
— Vou deixá-lo. Tenho muito que fazer.
Alaric concordou.
— Obrigado por salvá-la.
Ewan ofereceu um vislumbre de sorriso.

188
— Sua fé em minhas capacidades é humilhante. Se essa mulher viver, será
por pura teimosia.
Quando Ewan deixou o quarto, Maddie entrou correndo. Juntos, eles
tiraram a roupa de cama e a roupa ensangüentada de Keeley. Alaric limpou-a com
panos molhados.
— É melhor deixá-la sem roupas. – Maddie aconselhou. — A ferida é muito
grande nas costas e vamos precisar verificá-la muitas vezes. Deite-a de lado e
vamos colocar travesseiros atrás dela para não rolar de costas.
Alaric fez como Maddie sugeriu e quando ficou convencido de que Keeley
estava confortável, deitou-se ao seu lado e a abraçou.
Ele fechou os olhos e apertou os lábios em sua testa macia.
— Eu te amo. – ele sussurrou.

Capítulo Trinta e Sete


Durante três dias, Alaric não saiu do lado de Keeley. Ela não recuperou a
consciência, por mais que Alaric tentasse acordá-la. Ele implorou, intimidou,
coagiu. Prometeu a lua. Tudo em vão. Temeu que ela estivesse desnutrida, e
depois de perder tanto sangue, ela precisava estar alimentada.
E então veio a febre muito alta. Ela se retorcia em seu sono e demônios
pareciam atormentá-la sem piedade. Alaric sussurrava e a acalmava. Ele a banhava
em uma banheira de água, segurando-a em uma tentativa de esfriar a febre alta.
Uma semana depois, Alaric estava perdendo as esperanças. Ela ficava cada
dia mais fraca e mais apática.
No sétimo dia, Ewan e Caelen vieram buscá-lo. A fúria de Alaric foi um
espetáculo para ser visto. Foi preciso os dois irmãos, mais Gannon e Cormac para
forçá-lo a sair do quarto.
Rionna e Maddie tomaram o lugar de Alaric quando dos homens o levaram
para fora do castelo.
— Onde vocês estão me levando? – Alaric rosnou enquanto lutava para se
soltar.
Seus irmãos nada disseram, mas o levaram para o lago e jogaram-no dentro.
A água foi um choque. Ele afundou, soltando todo o ar dos pulmões em uma
corrida de bolhas. Seria tão fácil parar de respirar e se juntar a Keeley. Ele padecia
em pensar nela em um lugar escuro, com medo, sozinha, morta.
Mas ela não estava morta.
Quando o frio o congelou, o instinto de sobrevivência falou mais algo e ele
abriu o caminho para a superfície. Em cima, ele inspirou um bocado de ar.
— Que bom que você decidiu ficar com a gente. – Ewan disse atrás dele.

189
Alaric esperneou na água por um momento e olhou para os irmãos.
— Que diabos foi isso?
— Você está se definhando à toa. Não deixou o quarto de Keeley em uma
semana. Não come. Não se banha. Nem sequer trocou de roupas. Se a lesão não a
matar, provavelmente seu cheiro vai. – Caelen rosnou.
Alaric nadou até a margem e saiu do lago, sacudindo a água de seus cabelos.
Arreganhou os dentes por um momento antes de atracar-se com Caelen.
Os dois homens caíram no chão com um baque e Caelen grunhiu quando foi
atingido no peito. Ele se recuperou rapidamente e rolou, empurrando o braço
sobre o pescoço de Alaric.
Alaric deu um soco no queixo de Caelen, que recuou. Ante que Alaric
saltasse para seus pés, Ewan bateu duro, dirigindo seu ombro em sua barriga.
— Por Deus, você está tentando me matar? – Alaric perguntou, derrotado
por Ewan.
— Só estou tentando colocar um pouco de juízo em sua cabeça dura. –
Ewan rosnou. – Você está pronto para ouvir?
Alaric jogou sua cabeça contra o nariz de Ewan e depois rolou sobre o irmão
mais velho.
— Você está ficando velho, irmão. – Alaric insultou.
Caelen pulou de volta em Alaric e os três homens rolaram enquanto
maldiçoes e punhos voavam. Vários minutos depois, os três homens estavam
esparramados no chão, respirando pesadamente.
— Ai, droga. – Ewan gemeu.
Alaric olhou para ver Mairin de pé sobre seu marido, as mãos nos quadris.
— Você deveria estar descansando. – Ewan rosnou.
— E vocês deveriam estar fazendo algo diferente do que estar distribuindo
sopapos. – Mairin bufou. – Que vergonha!
— Não sei. Senti-me muito bem. – Caelen respondeu do chão.
Alaric levantou-se lentamente.
— Há alguma mudança com Keeley?
A expressão de Mairin se suavizou.
— Não, ela ainda dorme.
Alaric fechou os olhos e então se virou para o lago. Talvez um mergulho
abrisse sua cabeça. Ewan estava certo. Apodrecer ao lado de Keeley não era bom
para ninguém.
— Ewan, o rei o todos os lairds estão inquietos. – Mairin disse. – Eles querem
saber o que está sendo feito.
— Eu sei bem, Mairin. – havia censura na voz de Ewan, como se ele não
tivesse gostado de trazer à tona o assunto na frente de Alaric.

190
Alaric ignorou a ambos e entrou de novo na água gelada. Ele sabia que o rei
e os lairds esperavam pela morte de Keeley para que ele pudesse se casar com
Rionna e selara a aliança.
Gannon lhe atirou uma barra de sabão e esperou nas margens enquanto
Alaric completasse o banho. Ewan e Caelen retornaram com Mairin.
Quando voltaram ao castelo uma meia hora mais tarde, Rionna correu ao
encontro com os olhos vermelhos e inchados. Seu coração se acelerou, batendo
no peito dele.
— O que aconteceu? – ele perguntou.
— Você precisa vir. Ela está chamando por você. Está ruim, Alaric. Temo que
ela não vai durar uma hora. Está tão fraca que não consegue manter os olhos
abertos, e a febre alta a faz delirar.
Alaric correu pelo corredor, esbarrando em várias pessoas. Quando explodiu
no quarto de Keeley, seu coração ficou suspenso.
Ela estava imóvel, então temeu que fosse tarde demais. Mas então os lábios
dela se moveram ligeiramente e ela sussurrou seu nome.
— Ele correu para o lado dela e se ajoelhou ao lado da cama.
— Estou aqui, Keeley. Estou aqui, meu amor.
Ele acariciou a mão sobre o rosto, querendo que ela sinta o seu toque,
querendo tranqüilizá-la. Era tão frágil, tão preciosa contra suas mãos. Não poderia
aceitar que ela partiria a qualquer momento.
— Alaric? – ela sussurrou novamente.
— Sim, amor. Estou aqui.
— Tão frio. Não dói mais. Apenas frio.
Um arrepio alarmante passou por sua espinha.
Ela virou-se como se buscando o rosto dele. Seus olhos se abriram em
simples fendas, mas ela não se concentrou nele. Seu olhar era cego, como se
olhasse o vazio escuro.
— Estou com medo.
Ele a abraçou e lágrimas queimavam suas pálpebras.
— Estou com você, Keeley. Não tenha medo. Não vou deixá-la. Juro.
—Leve-me... – ela interrompeu, com a voz quase um sussurro.
— Levá-la para onde, querida?
— Para onde..onde dissemos... adeus. Onde você me beijou... última vez.
Ele escondeu o rosto contra seu pescoço e chorou.
— Por favor.
Oh, Deus, ele não queria que ela suplicasse. A súplica na voz dela o aniquilou
completamente.
— Sim, Keeley, eu vou levá-la onde quiser ir.

191
Ela sorriu fracamente e seus olhos se fecharam, como se as poucas palavras
que ela disse a desgastou.
Ele a levantou gentilmente. Segurou-a contra o peito e apertou os lábios no
topo da cabeça. Lágrimas caíram pelo rosto enquanto ele caminhava pelo
corredor. Ninguém tentou impedi-lo. Mairin e Rionna choravam abertamente
enquanto ele passava. Maddie tinha um olhar ferido e Gannon curvou a cabeça em
tristeza. No topo da escada, Caelen estava de pé, com os punhos apertados.
Então, lentamente ele levantou a mão para tocar os cabelos de Keeley e
deixou os dedos deslizar sobre seu rosto. Inclinou-se e roçou os lábios sobre a
testa em um gesto de ternura. Foi a primeira vez que Alaric viu irmão demonstrar
abertamente alguma afeição ou respeito por uma mulher desde que a mulher que
ele amava o traiu tantos anos atrás.
— Fique em paz. – Caelen sussurrou.
Em seguida, recuou e se afastou com a mandíbula apertada.
Todo o clã se reuniu quando Alaric atravessou o pátio e se dirigiu par onde o
lago se espalha para o leste. Ele caminhou entre as árvores onde esperou por ela
apenas uma semana antes. Parou na margem e se abaixou para se sentar em uma
das pedras.
— Chegamos, Keeley. Você pode sentir a brisa me seu rosto? Pode sentir o
cheiro do ar fresco?
Suas pálpebras tremulavam e ela respirou profundamente. A ação causou-
lhe dor imediata e um espasmo atravessou seu rosto. Por vários momentos ela se
largou nos braços dele, o peito trabalhando para cima e para baixo com o esforço
dos pulmões.
—Sim. – ela disse finalmente. – É maravilhoso sentir o sol em minha pele.
Estou cansada, Alaric. Eu tentei lutar duramente.
Ele podia sentir a dor em sua voz, a dor de quem estava morrendo.
— Quero que saiba que vou morrer feliz. Tudo... tudo o que queria... era ser
sua. Sua esposa...mesmo que por pouco tempo. Você é meu e eu sou sua.
Alaric olhou para o céu, a tristeza esmagando-o com o peso de uma pedra.
— Você sempre foi minha, Keeley. A partir do momento que me levou para
sua casa. Nunca houve outra mulher que me conquistou, de corpo e ala, como
você fez. Nunca haverá outra. Deveria ter feito tudo antes. Quis fazer o que
parecia certo e no final nada disso vai importar se eu perder você.
— Abrace-me. – ela sussurrou. – Fique comigo e me segure até chegar
minha hora. Estou cada vez mais fraca. Acho que não vai demorar.
Um brutal som angustiante de agonia saiu do pescoço de Alaric. Seu peito
queimava como se tivesse engolido fogo. Suas mãos tremiam tanto que temia
deixá-la cair.

192
— Sim, eu vou te abraçar, Keeley. Não vou deixá-la sozinha. Vamos ficar
aqui, juntos, e ver o sol se pôr sobre o lago. Vou contar-lhe todos os sonhos que
tive de nossa vida juntos.
Ela sorriu e estremeceu contra ele. Por um longo tempo ela ficou ali, até que
se levantou, parecendo que ter uma última coisa a dizer.
— Você é meu sonho, Alaric McCabe. Amo você. Sempre o amei, desde o
momento em que seu cavalo levou você para a minha casa. Passei tanto tempo me
ressentindo e lamentando as circunstâncias de minha vida, mas agora não mudaria
uma única coisa, porque então nunca teria conhecido o seu amor.
Ele segurou o rosto dela e baixou para encontrar os lábios dela. Suas
lágrimas se misturavam e sal salgou suas línguas enquanto Alaric carinhosamente
a beijava.
Ele fechou os olhos e balançou-a para frente e para trás em seus braços. O
dia desapareceu e o entardecer trouxe o frio. Gannon saiu com peles e em silêncio
envolveu Alaric e Keeley antes de deixar os dois sozinhos novamente.
O castelo já estava se preparando para lamentar. Ninguém esperava que
Keeley vivesse durante a noite.
Envolvido nas peles, Alaric tentou se posicionar o mais confortável possível
sobre a pedra onde estava sentado. Começou a contar a Keeley as coisas que ele
mais amava nela. Como ela o fazia rir com seu temperamento e inteligência afiada.
Como enfrentava qualquer um de seus irmãos.
Contou a ela sonhos de terem seus filhos e como ele queria que as meninas
fossem tão belas e tão valentes como ela, e os meninos com seu fogo e coragem.
A noite chegou e as estrelas apareceram no céu. A lua refletia no lago,
iluminando os dois enquanto Alaric segurava Keeley com firmeza, não disposto a
deixá-la escapar dele.
O silêncio cresceu. Ele percebia que ela ficava cada vez mais fraca. A dor era
demais para suportar.
Deitou a cabeça em cima dela e fechou os olhos, querendo um breve
momento de paz. Quando voltou a abrir os olhos, o céu empalideceu com a
chegada iminente do amanhecer.
O pânico esfaqueou seu peito. Quanto tempo tinha dormido? Ele estava com
medo de olhar para baixo. E se ela morreu em seus braços enquanto dormia?
Como poderia se perdoar?
— Keeley?- ele sussurrou enquanto ele se movia sobre a pedra.
Para sua surpresa, ela gemeu e moveu-se irritada contra ele. A testa brilhava
com... suor. Com dedos trêmulos ele tocou sua pele úmida e sentiu a umidade
pegajosa que assinalava o fim de sua febre.

193
Oh, Deus. Ele não conseguia pensar. Não podia processar. Deveria levá-la de
volta para o castelo para que Ewan a examinasse. Mas se tentasse se levantar
agora, ele cairia de cara o chão.
Ele tocou seu rosto, suas pálpebras.
— Keeley, Keeley, acorde, olhe para mim. Diga alguma coisa. Qualquer coisa.
Ela tentou dizer alguma coisa, mas não tinha forças. Seus olhos se abriram
em uma fenda, mas não conseguia mantê-los abertos.
— Não importa. – ele acalmou. – Sua febre baixou. Você está me ouvindo?
Sua febre baixou. Isso é um bom sinal, Keeley. Você não vai morrer agora, você me
ouve? Lutou por um longo tempo e agora me recuso a deixar você morrer.
Ela sussurrou algo que ele não podia ouvir. Inclinou-se e colocou seu ouvido
ao lado de seus lábios.
— O que você disse?
— Estúpido. – ela murmurou.
Ele fechou os olhos e riu impotente. Um sentimento maravilhoso o atingiu.
Jogou a cabeça para trás e riu até suas lágrimas de alívio escorreram pelo seu
rosto.
— Alaric, o que é? – Ewan perguntou enquanto corria e direção ao irmão.
Alaric virou-se para ver seu irmão a poucos passos, com expressão
desconfiada e triste. Ele olhou para a figura de Keeley e então para as lágrimas
escorrendo pelo rosto de Alaric.
— Sinto muito, Alaric. Estou tão arrependido.
Alaric sorriu amplamente.
— Ela está viva, Ewan. Viva! Febre baixou e ela me chamou de estúpido.
Certamente isso é um sinal de que ela não tem nenhuma intenção de morrer.
Um largo sorriso dividiu o rosto de Ewan.
—Sim, isso é um bom sinal, com certeza. Qualquer moça que consegue
reunir o bom senso certamente não irá morrer.
— Não posso levantá-la, Ewan. – Alaric admitiu. – Estou tão chocado que me
faltam forças para levantar.
Ewan avançou para frente e levantou Keeley nos braços. Alaric demorou um
momento, mas foi capaz de levantar e esticar as pernas para então caminhar ao
lado de seu irmão de volta ao castelo.
— Todos pensam que ela está morta. – Ewan explicou. – Espalhou-se pelo
castelo que você a trouxe para o lago para morrer.
—É um milagre, Ewan. Um milagre que não posso explicar, mas pelo qual
sou grato. Ela estava morrendo. Podia senti-la morrer em meus braços. Segurei-a
durante a noite, falei com ela sem parar. Dormi e quando acordei a febre tinha
desaparecido e ela estava banhada em suor. Ela ainda está muito fraca, mas a
febre a deixou.

194
— Examinarei suas feridas assim que levá-la para a cama. – Ewan prometeu.
Então, devemos abordar a questão do que será feito sobre a aliança com os
McDonalds. O rei aguarda com os lairds aqui reunidos para o casamento. Não
podemos segurá-lo por mais tempo.
Alaric olhou para o irmão com todo o pavor em seu coração. Então, ele
acenou com a cabeça, sabendo que tinha que enfrentar esse problema ou o
resultado poderia ser desastroso para seu clã.
— Tão logo Keeley esteja segura, irei com você para encontrar nosso rei. –
Alaric disse calmamente.

Capítulo Trinta e Oito


Alaric deixou Keeley com Maddie e Christina, e Mairin também corria para
verificar quando conseguia passar por Cormac, que guardava a porta do quarto.
Maddie irrompeu em lágrimas quando Alaric disse que a febre havia baixado.
— Eu cuidarei bem dessa moça, Alaric. Vá fazer o que deve ser feito. Vou
limpá-la e alimentá-la para que sua recuperação seja rápida, eu prometo.
Alaric sorriu.
— Eu sei que você fará isso, Maddie.
Ele pressionou um último beijo nos lábios de Keeley antes de sair do quarto,
dirigindo-s ao andar de baixo onde os outros o aguardavam. Caelen o encontrou
no meio das escadas.
—Eu ouvi dizer que Keeley está se recuperando.
Alaric sorriu.
— Sim.
— Quero que saiba que pode contar com meu apoio, não importa o decidam
hoje.
— Isso significa muito para mim, Caelen. Mais do que jamais vai saber. –
Alaric disse com sobriedade.
— Vamos ver o que rei tem a dizer, então?
Alaric entrou à frente de Caelen e a sala imediatamente silenciou. Era quase
uma reunião impressionante. Na mesa alta estavam sentados Ewan e o rei,
juntamente com Laird McDonald e Rionna à sua direita.
Os outros lairds sentaram-se nas duas mesas que ladeavam a mesa alta no
meio da sala.
Quando o rei viu Alaric entrar, levantou-se e fez um sinal para ele se
aproximar.

195
— Vossa Majestade. – Alaric murmurou quando parou na frente do homem
mais velho.
— Temos uma situação, Alaric McCabe. Uma que devemos remediar
rapidamente.
Alaric se postou em pé, com as pernas afastadas e os braços cruzados sobre
o peito enquanto esperava o rei continuar.
— É admirável que você tenha dito os votos para a mulher que amava
depois que ela salvou sua vida e estava morrendo em seus braços. O problema
surge agora que ouvi que ela pode se recuperar.
— Ela vai se recuperar. – Alaric corrigiu, suavemente.
— Então você está casado com a mulher errada.
Laird McDonald levantou-se e bateu o punho sobre a mesa.
— Isso é um insulto. Um absurdo. O acordo era para ele se casar com minha
filha Rionna, não com uma prostituta banida do clã McDonald anos atrás.
Alaric rosnou e avançou para o laird, mas Caelen chegou lá primeiro. Agarrou
o pescoço do McDonald e jogou-o novamente em seu assento. O laird
imediatamente ficou em silêncio e olhou para Caelen com medo.
Alaric fez uma careta. O que havia acontecido entre os dois que deixou
Caelen com tanta raiva e o laird com tanto medo de seu irmão?
— Fique em silêncio, McDonald. – o rei repreendeu. — Essa prostituta que
você fala salvou a vida de Alaric duas vezes e cuidou da minha sobrinha, trazendo
com segurança o herdeiro de Neamh Alainn. Temos uma grande dívida com ela e
minha intenção que nada lhe falte em sua vida.
Ele voltou sua atenção para Alaric.
— Como eu disse, é muito nobre seu casamento com a curandeira... mas
você deve deixá-la de lado para que o casamento com Rionna possa seguir em
frente. Tenho dúzias de lairds prontos para jurar fidelidade à coroa e aliar-se aos
McCabes assim que você se casar e assumir o clã McDonald.
Alaric olhou para o rei, não acreditando que ele pudesse sugerir com tanta
calma para pôr de lado uma mulher e se casar com Rionna. Ele então olhou para
Ewan para ver sua resposta. Seu irmão estava ao lado do rei com uma expressão
indecifrável. Será que ele também esperava que Alaric desistisse de Keeley para ir
em frente com seu casamento com Rionna?
Pensou em tudo o que estava em risco por aquele casamento. A segurança
de seu clã. Seus irmãos. Mairin e o bebê. Finalmente a derrota de Cameron.
E seu casamento poderia fazer tudo isso? Ele balançou a cabeça.
— Não. Não a deixarei.
Os olhos do rei se arregalaram e a sala se transformou em um caos. Vozes se
levantaram. Declarações de raiva foram ouvidas. Ameaças foram feitas e Laird
McDonald estava quase apoplético em sua fúria.

196
Alaric gritou uma ordem para acalmar. Quando o salão finalmente silenciou,
ele olhou para os homens ali reunidos.
— Somente um homem sem honra deixaria de lado a mulher que ama para
casar com outra. Apenas um homem sem honra abandona sua mulher que esteve
tão perto da morte depois de salvar sua vida. Eu não posso ser esse homem. Eu a
amo. Devo-lhe minha lealdade. Devo-lhe minha proteção e toda a felicidade que
possa dar-lhe para o resto de sua vida.
Então, virou-se para enfrentar Ewan.
— Sei que isso vai diminuir meu valor em minha família. Meus irmãos. Meu
clã. Meu rei. Mas não posso deixar de ser o homem que você sempre soube que eu
era se eu fizer isso. Deve haver outra maneira de fazer essa aliança funcionar. Não
posso ser o elo que manterá todos juntos se me tornar o Laird do clã McDonald.
O rei soltou um profundo suspiro, com os olhos brilhando de raiva.
— Pense no que está fazendo. Cameron quase destruiu seu clã. Esta é a sua
oportunidade de acabar com ele uma vez por todas.
— Com ou sem esta aliança, Cameron é um homem morto. – Alaric disse
com uma voz ameaçadora. – O que você procura é uma aliança que vai impedir
Malcolm de tomar o trono, e você usaria nosso clã para alcançar seu objetivo.
A raiva do rei aumentou mais ainda.
— Eu não farei isso. – Alaric olhou para Rionna, com um pedido de desculpas
em seus olhos. – Sinto muito, Rionna. Não quero humilhá-la diante de todos. Você
é uma boa moça e merece um marido que não ame outra mulher. Não posso me
casar com você.
— Eu me casarei com ela.
O salão foi tomado por um silêncio mortal. Alaric virou-se, certo de que não
era Caelen que havia dito aquelas palavras. Quando ele viu que era seu irmão, só o
olhou com espanto.
Rionna ofegou e levou a mão à boca, olhando horrorizada para Caelen.
Ewan levantou-se de seu lugar.
— Acho que não ouvi direito.
— Eu disse que vou me casar com ela. – Caelen repetiu. – É a solução mais
fácil. Um McCabe torna-se laird do clã McDonald. Nossa aliança é selada.
Comprometemo-nos com o rei contra Malcolm e Cameron. Alaric permanece
casado com Keeley. Todo mundo fica bem.
— Exceto você. – Alaric murmurou.
Caelen torceu os lábios.
— Não importa. Enquanto ela pode me dar filhos e filhas eu estarei satisfeito
com o jogo.
Rionna ficou pálida e afundou em seu assento ao lado de seu pai. O laird
estava quase tão pálido quando olhava horrorizado diante do rei.

197
— Não pode permitir isso. – Laird McDonald protestou. — O acordo era para
Alaric McCabe casar-se com Rionna.
O rei coçou o queixo de forma pensativa.
— Ewan, o que pensa dessa confusão?
Ewan olhou fixamente para Caelen e Caelen o encarou com uma expressão
teimosa e inflexível.
— Acho...- Ewan disse lentamente. – que é uma solução razoável, desde que
todas as partes concordem.
— Eu não concordo! – Laird McDonald gritou.
— Pai, sente-se. – Rionna disse em voz tão alta que soou como uma espada
contra um escudo.
Ela avançou para frente e direção ao centro da sala onde estava Alaric e
Caelen, diante de Ewan e do rei.
— Suas condições? – ela perguntou para Caelen com uma voz fria.
— Garota esperta. – Caelen murmurou. – Sim, há condições. Seu pai parte
imediatamente de nosso castelo, para nunca mais voltar, enquanto Keeley
McCabe morar aqui. Quando voltarmos para as terras McDonalds, logo após nosso
casamento, seu pai imediatamente cede o poder do clã a mim.
— Isso é um ultraje. – Laird McDonald berrou.
Vários outros do clã McDonald expressaram seu descontentamento e logo o
salão vibrava com gritos zangados.
Para a surpresa de Alaric, Rionna não disse nada durante a discussão. Ficou
imóvel estudando Caelen.
— Suas condições não parecem razoáveis. – disse o rei.
Caelen encolheu os ombros.
— São as minhas condições. Razoáveis ou não.
— Não estou disposto a abrir mão de minha posição de laird. – Laird
McDonald berrou. – O acordo era ceder o poder a Alaric quando seu primogênito
nascesse.
Caelen ofereceu um sorriso preguiçoso.
— Posso lhe assegurar que sua filha terá uma criança dentro de nove meses
a partir de nosso casamento. Você acha que nove meses é um preço razoável para
comprá-lo?
Rionna ficou ruborizada e Laird McDonald quase explodiu de raiva.
Caelen então se virou para o rei.
— Dei minha palavra que não contaria a ninguém algo que aconteceu há
alguns dias. Mas não há mais razão para não contar e eu gostaria que todos
soubessem que tipo de homem é Laird McDonald e porque é a minha condição
que ele deixe de ser o chefe do clã assim que me casar com sua filha.
O rei franziu a testa.

198
— Fale então. Dou-lhe licença para quebrar essa promessa.
— Quando Keeley era uma jovem menina, ela era uma McDonald. Era prima
de Rionna e sobrinha de Laird McDonald. Ele a prendeu em seu quarto e tentou
estuprá-la. Uma menina quase à beira da feminilidade. Quando sua esposa os
encontrou, chamou Keeley de prostituta e a expulsou do clã. Ela foi forçada a viver
sozinha, ficou sem proteção. É um milagre que tenha sobrevivido.
— Isso é conversa de louco. – Laird McDonald protestou. – Tudo aconteceu
como minha esposa disse. A moça tentou me seduzir.
Rionna girou e encarou seu pai com um brilho que o empalideceu, fazendo-o
sentar novamente.
— Isso não é tudo. – Caelen disse suavemente. – Após sua chegada aqui,
quando descobriu que Keeley estava hospedada no castelo McCabe, ele esperou
por ela quando passava em frente ao seu quarto. Puxou-a para dentro do quarto,
trancou a porta e tentou estuprá-la novamente.
Alaric pulou sobre a mesa e bateu em Laird McDonald. A força foi tão grande
que ambos caíram no chão, com um baque que ecoou por todo o castelo.
— Seu filho da puta. – Alaric rosnou. – Como se atreveu a tocá-la
novamente? Vou matá-lo por isso!
Puxou o laird aos seus pés e quebrou o punho em seu rosto, satisfeito
quando o homem vomitou sangue e dois dentes de sua boca. Alaric recuou para
acertá-lo novamente quando Caelen o segurou.
— Basta. – disse calmamente. – Dei-lhe sua chance de surrá-lo, mas agora
isso é problema meu, e vou lidar com ele de acordo.
— Você é o único que a encontrou, não é? – Alaric disse com voz rouca. – E
você não me disse. Ela era minha para defender.
Caelen sorriu.
— Sua mulher fez um bom trabalho sozinha. Ela quebrou o nariz dele e o
jogou no chão. Eu simplesmente terminei o que ela começou.
O rei se levantou com uma expressão escura, enquanto olhava para os
acontecimentos.
— Isso é verdade, Laird McDonald? Você tentou estuprar uma criança que
estava sob seus cuidados e sua proteção? E ainda a atacou sob o teto de Laird
McCabe?
O laird permaneceu em silêncio enquanto limpava o sangue de sua boca.
— Sim, ele fez. – Rionna disse calmamente. – Eu estava lá.
— Sua puta desleal.- o laird cuspiu.
Caelen atacou o laird novamente.
— Não insulte minha futura esposa. Sugiro que você reconsidere todas as
palavras que disser a ela no futuro.
O rei esfregou os dedos cansados na ponta de seu nariz.

199
— O que você acha disso, Ewan? Ainda podemos salvar esta aliança? Os
outros se unirão a nós em nossa causa?
Ewan levantou uma sobrancelha e depois estudou os ocupantes da sala, a
maioria dos quais haviam permanecido em silêncio enquanto eles observavam o
que ocorreu entre McDonald e McCabes.
— Por que não perguntar a eles?
O rei riu.
— Parece ser um ideia, Ewan.
Ele levantou as mãos pedindo silêncio e então se dirigiu à sala lotada.
— O que vocês diriam, Lairds? Se Caelen McCabe se casar com Rionna
McDonald, selando a aliança com os McDonalds, vocês se unirão a nos em nossa
luta contra Duncan Cameron e Malcolm?
Um a um, os lairds deram um passo a frente, em um único som, o de suas
botas batendo no chão.
— Eu me recuso a aliar-me a um covarde que ataca as crianças. – um dos
lairds disse. – Se Caelen McCabe tornar-se laird com seu casamento com Rionna
McCabe, então sim, eu me unirei a vocês, jurando lealdade a Vossa Majestade e
aos McCabes.
Os lairds logo assentiram e manifestaram o seu acordo.
— Existe ainda uma pergunta. – Caelen falou.
Todas as cabeças viraram em sua direção, mas ele olhava para Rionna, que
ainda permanecia parada e pálida no centro da sala.
— Você está disposta a se casar comigo e não com Alaric McCabe, Rionna
McDonald?
Rionna olhou para o pai dela e balançou a cabeça em um gesto de tristeza.
Finalmente, olhou para Caelen e o encarou com seus cativantes olhos dourados.
— Sim, Caelen McCabe. Você mostrou ser um amigo digno e leal de Keeley e
irmão de Alaric.
— E você irá me apoiar se me tornar o líder de seu clã, logo após nosso
casamento?
Desta vez ela sequer hesitou.
— Sim. Mas não quero meu pai em nossas terras.
A sala zumbia com o choque de suas palavras. Laird McDonald protestou e
depois a ofendeu novamente.
— Você é uma puta ingrata! Para onde acha que irei?
— Não me importo. Mas não será bem-vindo nas terras McDonalds nunca
mais.
Caelen levantou uma sobrancelha, surpreso. Então, trocou um olhar com
Alaric. Nenhum dos irmãos esperava por isso. Sabiam da existência de uma certa

200
tensão entre pai e filha, mas não estavam preparados para a impassível declaração
de Rionna.
— Então, está tudo resolvido. – disse o rei. – Acho que temos um casamento
para assistir, depois de tudo.

Capítulo Trinta e Nove


Alaric encontrou Caelen quando estava prestes a entrar no quarto de
Keeley.
— Dê a ela o meu amor e diga que nunca duvidei dela nem por um segundo.
– Caelen disse com tímida diversão.
— Sim, eu darei. E Caelen, obrigado. Nem sei o que dizer. Você interveio em
nosso favor. Nenhum de nós saberemos como recompensá-lo.
— Aprendi muito com essa mulher. – Caelen disse, sorrindo. – E nunca
conheci alguém tão ferozmente leal e altruísta como ela. Ela não permitiu que eu
contasse sobre o ataque de McDonald porque sabia o que você faria e isso poderia
arruinar seu casamento com Rionna. Ela sabia o quanto esta aliança era
importante para o clã e estava disposta a abrir mão de sua felicidade pelo bem de
nossa família. Como eu poderia deixar de fazer alguma coisa?
— Cuide de Rionna. – avisou Alaric. – Mairin estava preocupada que eu fosse
muito duro com a moça. Se ela pensava isso de mim, imagine o que ela dirá
quando descobrir que será você quem se casará com ela.
Caelen bufou.
— Mairin parece pensar que nós queremos controlar a moça com mão forte
e sufocar a parte dela que a faz especial. – Alaric deu de ombros. – Não tenho ideia
do que ela quer dizer, mas você descobrirá. Tenho certeza de tem algo a ver com
o fato de ela usar roupas masculinas, empunhar uma espada e montar um cavalo
melhor que a maioria dos guerreiros.
— Ela fará o que eu mandar. – Caelen disse preguiçosamente.
— Gostaria de estar ali para testemunhar isso.
— Agora vá ver sua dama. Sua esposa. - Caelen corrigiu.
Alaric bateu no ombro de Caelen e entrou no quarto de Keeley. Para sua
surpresa, Gannon estava sentado na cama, ao lado de Keeley, enxugando sua
testa com um pano úmido.
Ele quase riu. Keeley conquistou a todos. Não se surpreenderia se todo o clã
resolvesse cuidar de Keeley.
Gannon olhou para cima e viu Alaric.

201
— Maddie levou Mairin para baixo para que ela pudesse amamentar o bebê.
Estou cuidando dela até um de vocês voltarem.
Alaric concordou e em seguida fez sinal para Gannon se levantar.
— Como ela está? Está consciente?
— Está transpirando devido à febre e ficou tão quente que tivemos que abrir
a janela para deixar o ar mais frio entrar. Ela flutua entre um estado e outro,
embora eu ache que ela está mais dormindo que inconsciente.
Alaric respirou aliviado.
— Você pode ir. Cuidarei dela a partir de agora.
Gannon parou na porta.
— O que aconteceu lá? Ouvi dizer que o rei ordenou que você abandonasse
Keeley?
— Sim, ele fez. – Alaric respondeu sorrindo.
Gannon fez uma careta e levantou os ombros como se estivesse prestes a
explodir.
—Eu recusei.
Gannon levantou uma sobrancelha em estado de choque.
— Você disse não ao rei?
— Sim, eu disse. – Alaric disse com tristeza. – Foi mais fácil do que eu
pensava.
— O que vai acontecer agora?
— Essa é uma longa história que se você encontrar Caelen, tenho certeza
que ele ficará mais feliz em contá-la. Agora, preciso ver minha esposa e dizer-lhe
novamente que a amo.
Gannon sorriu e fechou a porta quando saiu. Alaric correu para o lado de
Keeley e deitou-se ao lado dela. Ela se aconchegou contra seu corpo e ele
absorveu a deliciosa sensação de sua pele contra a dela, tão quente e macia.
Delicada e infinitamente frágil.
Ela era um milagre. Seu milagre. Que ele agradeceria a Deus por todos os
dias do resto de sua vida.
— Alaric? – ela sussurrou.
— Sim, amor?
— Você está desistindo de mim? Porque tenho que contar que farei uma
coisa detestável depois que eu sobreviver. Desta vez não ficarei calada. Você é
meu marido e não vou desistir de meu marido para que ele possa se casar com
outra.
A petulância na voz dela o fez rir. Ela parecia extremamente irritada e
ofendida. Beijou seu nariz e segurou seu rosto entre as mãos.

202
— Não, amor. Temo que você esteja presa a mim. Já desafiei o rei e meu
irmão, além de quase doze outros clãs, para não mencionar o bastardo do Laird
McDonald, que atacou você há poucos dias.
— Mmm, você fez tudo isso por mim? – ela perguntou sonolenta.
— Sim, eu fiz.
Ela sorriu contra seu pescoço.
—Eu amo você. Eu lhe contei que estava decidida a morrer, mas desisti da
ideia porque não suportaria vê-lo casado com outra mulher?
Ele fez uma careta para ela e tocou-lhe o queixo para olhar diretamente em
seus olhos.
— Nem pense nisso novamente, está me escutando? Eu a proíbo de morrer.
— Muito bem, então, já que você proíbe, pretendo fazer uma recuperação
completa. A ferida é dolorosa e sinto ânsia de vômito toda a vez que faço um
movimento indevido. Mas pretendo estar em forma em uma semana, grave minha
palavras.
Ele riu com as palavras arrogantes e depois a silenciou um suave beijo na
boca.
— Eu amo você, Keeley McCabe. Agora você é uma McCabe de verdade.
Somos casados aos olhos de Deus e de nosso clã. Só é preciso a consumação.
Ela gemeu.
— Essa parte terá que esperar um pouco.
Ele a abraçou com tanto cuidado e ficou parado, absorvendo a alegria de tê-
la viva, pertencendo a ele, de ser capaz de dizer ao mundo que a amava.
— Vou esperar o tempo que for preciso, meu amor. Temos o resto de nossas
vidas para consumar nosso casamento. Na verdade, acho que teremos que
consumá-lo diariamente. Depois que você estiver bem, é claro.
Ela suspirou e apertou seu rosto contra o peito dele.
— Eu te amo, Alaric McCabe. E estou disposta a ensaiar nossa consumação
na próxima semana, se assim você desejar.
Ele riu e virou-se par capturar os lábios dela em um longo e delicioso beijo.
— Se eu desejar? Moça, não há nada que eu mais deseje neste mundo do
que uma vida com você cheia de amor e risos de crianças.
Ela bocejou, fechou os olhos e dormiu sobre o peito dele. Certamente não
haveria visão mais preciosa do que vê-la deitada sobre seu corpo, e não mais doce
que saber que ela era verdadeiramente sua. Enquanto respirar.

Fim

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Trilogia McCabe

1) In a Bed With a Highlander


2) Seduzida pelo Highlander
3) Never Love a Highlander

Ebooks distribuídos sem fins lucrativos e de fãs para fãs.


A comercialização deste produto é estritamente proibida.

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