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O CERCO DE JADOTVILLE – RESENHA CRÍTICA

Escrito por Kevin Brodbin e dirigido por Richie Smyth, Jadotville é um drama que se
passa em meio ao conflito entre o exército irlandês e tropas da República do Congo
mais precisamente na região de Katanga, província que era pertencente ao lado sul
da República do Congo.
O filme começa mostrando como se desencadeou uma das principais motivações
que levaram os conflitos começarem, isso ocorre quando vemos o ministro eleito do
Congo Patrice Lumumba sendo assinado à tiros por alguns soldados do general
Tshombe, que tempos depois assumiria o poder total do Congo, acredita-se que
Lumumba foi morto por defender a estatização as mineradoras do Congo e agir
contra diversas aspirações governamentais defendidas por países como, Estados
Unidos, Bélgica e também pela própria ONU.
Com Tshombe chegando no poder também pudemos observar o estouro de mais
uma guerra civil no Congo, diante disso para evitar possíveis desfechos terríveis na
região do Congo foi necessária a intervenção da ONU, sendo assim o Secretariado
Geral da ONU nomeia Conor O’Brien, diplomata irlandês, como líder da missão no
Congo, por conseguinte Conor envia uma das principais tropas para a região de
Jadotville, O 35º Batalhão de Infantaria do Exército Irlandês, liderada pelo
comandante Pat Quinlan, soldado que ao longo do filme se torna o protagonista do
mesmo graças a sua liderança e tomada de decisões.
A partir do envio de tropas irlandesas a Katanga, no congo, o filme se desenrola
praticamente inteiro na região do conflito até o final, nesse contexto também vemos
algumas transições para alguns tramites políticos que incluem a relação da ONU
com o conflito, a posição dos líderes do Congo, os desentendimentos entre o
Diplomata Irlandês e o Comandante Pat Quinlan.
Em relação ao conflito armado o filme nos leva para Katanga no qual podemos
observar o alojamento irlandês que conta com 157 soldados. Nesse local podemos
presenciar um cenário completamente precário cercado por muita mata, no qual o
exército passa o filme inteiro com munição e suprimento limitado.
O plano inicial do pelotão comandado por Quinlan era não entregar sua posição e
obviamente não ter baixas no campo de batalha, mas com diversos pequenos
conflitos recorrentes na área onde se alojaram fizeram com que o exército irlandês
fosse ficando cada vez mais em desvantagem, e mesmo com o reforço de alguns
soldados enviados da ONU, o comandante Patrick Quinlan percebeu que aquela
situação terminaria com a baixa de praticamente todos seus soldados, dessa
maneira sem apoio de seus superiores e de outras entidades, Quinlan decide se
render e voltar para casa, mas isso só ocorre um mês depois haja vista que ficam
presos pelo exército inimigo da região.
Tempos depois na chegada ao território Irlandês, observamos o pelotão Pat sendo
reconhecido pelos seus superiores e pela população como fracassados pela
rendição, porém ao contrário dessas pessoas o pelotão e Quinlan aparecem
orgulhosos consigo mesmos, tendo em vista que os soldados fizeram o que podiam
com as diversas limitações e ainda assim saíram do campo de batalha com
nenhuma baixa.
Apesar dos soldados estarem certos em se sentirem orgulhos em sua missão o filme
ao chegar no final nos alerta que infelizmente o reconhecimento do pelotão só veio
em 2005.
O filme se conclui de forma honesta com o que era previsto exibindo fatos
importantes e uma visão diferente do que até então sabíamos sobre o conflito em
Katanga. Apesar de não ser um filme tão emocionante de guerra o mesmo consegue
contar uma história de certa forma linear sem muitos problemas e a compreensão é
facilitada ao longo do filme. Com tudo pode-se considerar Jadotville um bom drama
de guerra que apesar de sua simplicidade consegue entreter e revelar fatos
importantes da história do mundo.
Em diversas ocasiões o filme retratou de forma técnica e concisa eventos que
observamos no sistema internacional, como: Guerra civis, as diversas funções das
organizações internacionais e em especial da ONU, tramites políticos internacionais,
diplomacia internacional, conflitos armados, disputas de poder, Todos esses
processos nos leva relacionar ao temas principais existentes no curso de RI, como
a, política internacional, geopolítica, temas sensíveis de calamidade internacional,
assistência humanitária internacional, paz e segurança internacional, e mais alguns
temas...
A maioria dos eixos expostos podem ser ligados a matéria atual de segurança
internacional e estudo estratégico, e desenvolvimento socioeconômico devido a
incidência dos temas e áreas já mencionadas.

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