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Universidade do Vale do Itajaí

Escola de Ciências da Saúde


Curso de Psicologia
Trabalho de Iniciação Científica

RESENHA CRÍTICA

Luciana A. Santos - estágio básico 6° período matutino


Profa. Me.. Márcia Gisela de Lima

Escola e escolha Profissional: um olhar sobre a construção de projetos


profissionais
Maria da Conceição C. Ubaldo
Fabiano F. Da Silva

Referência:
Uvaldo, M. C. C., & Silva, F. F. (2010). Escola e escolha profissional: um olhar sobre
a construção de projetos profissionais. Em R. S. Levenfus e D. H. P. Soares (Orgs.),
Orientação Vocacional Ocupacional (pp. 31-38). 2.ed. Porto Alegre: ArtMed.

Em Janeiro de 1942 aparece pela primeira vez a expressão Orientação Educacional


na legislação federal brasileira: é a Lei Orgânica do Ensino Industrial. Esse início
pouco acadêmico da reflexão acabou por abranger no processo pedagógico a
importância da personalidade do aluno e de sua vida social e profissional futura. Em
setembro de 1942 a Lei Orgânica do Ensino Secundário estabeleceu a função da
Orientação Educacional nas instituições de ensino. Assim a Orientação foi
caminhando em sua trajetória no Brasil. Com a Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional de 1961, a formação em Orientação Educacional voltou a ter
destaque, em 1968, surgiu a profissão do orientador educacional e vocacional como
braço da pedagogia, regulamentada em 1973. A nova LDB de 1996 abre novamente
a abertura para orientação profissional na grade curricular, reconhecendo sua
necessidade diante de mudanças na sociedade, mas ainda com pouco
conhecimento técnico.
Mais recentemente, a mudança de paradigma de “escolha” profissional para
“projeto” de orientação possibilitou orientar os alunos para as escolhas de carreira e
dar condições para que eles sejam capazes de enfrentar novas situações de
aprendizagem e aperfeiçoamento voltados para o trabalho. Sendo que o conceito de
projeto “liberta” o estudante do determinismo da escolha para o restante da vida. NO
projeto é possível olhar para o passado, presente e criar um projeto com intenção no
futuro.

A escola é o lugar onde melhor se faz o elo aprendizado-vida e portanto a transição


escola-trabalho. Várias pesquisas se desencadearam no intuito de perceber o papel
da escola e sua relação com mercado de trabalho no contexto brasileiro. Percebe-se
assim então, a importância da escola para essa formação de adolescentes (e num
mundo ideal iniciando ainda na infância), as disparidades de oportunidades que está
atrelada à classe social e condição econômica na realidade brasileira. Percebe-se
também que a escola é um espaço de promoção de cidadania e autonomia, desde
que reconheça quais fatores interferem nos projetos de seus alunos. Nota-se que
por via da Orientação Profissional é possível fazer com que adolescentes adquiram
competência de analisar suas características, trunfos, limites, capacidades, o seu
ambiente e oportunidades e dificuldades deste para pensar estratégias e ajustes em
seu projeto de futuro.

Assim, várias questões passam a ser levantadas por pesquisadores. Como fazer da
escola esse espaço aberto de exploração de potencialidade e construção de
projetos pensados para a realidade? Que tipo de projeto seria esse?

Ressalta-se a necessidade de uma escola fundida com sua comunidade, da


formação de profissionais para tal atividade e a instrumentalização dos alunos.
Constatando-se afinal que esse processo de escolha deve fazer parte de um
processo, esse processo se apresenta como projeto e se origina da proposta teórica
chamada de Ativação do Desenvolvimento Vocacional e Pessoal (ADVP), tem quatro
momentos (cada qual com suas etapas): exploração (de si e do mundo);
cristalização (ordenar o modo de ser e de agir); especificação (valores do sujeito
somados às possibilidades do meio), realização (revisão das etapas e a escolha).
Resumindo assim o método em dois momentos: dar aos alunos uma experiência
vivenciada e criar condições de compreensão dessas experiências, integrando-as ao
seu universo simbólico por processos lógicos e psicológicos.

Este artigo nos mostra quão relevante é pensarmos a Orientação Profissional como
conteúdo atrelado à escola, essencialmente útil à sociedade. Lamas (2008) nos
mostra que a escolha profissional é um processo evolutivo que, se realizada de
forma consciente e planejada, interfere positivamente na qualidade de vida. A
própria Uvaldo (1995) define o fato do Ministério da Educação do Brasil colocar a
orientação profissional como um dos objetivos da escola e não de qualquer forma,
mas como pessoas responsáveis por esse trabalho: Orientador Educacional,
Psicólogo Escolar e Professor Especializado.

Desse modo, segundo Lamas e colaboradores (2008), a Orientação Profissional no


contexto escolar, além de ter uma função preventiva, pode se tornar uma
intervenção para a promoção de saúde, visto que pretende trabalhar as relações
sociais, sua compreensão e a transformação delas, além de capacitar indivíduos a
agir de modo transformador da sua realidade, superando os mais diversos
obstáculos que dela advêm.

Porém a bibliografia nos mostra que este serviço, porém, é geralmente realizado
com mais frequência em escolas particulares (LAMAS, 2008). Na rede pública, ainda
há muitos impedimentos para a implantação desses serviços, já que a demanda dos
profissionais fica voltada a problemas emergenciais, como dificuldades de
aprendizagem, problemas comportamentais e socioeconômicos, a Orientação
Profissional, embora relevante, fica em segundo plano, infelizmente.

Concluo que a relevância da Orientação Profissional, não só no ensino médio, mas


já desde a infância, como um processo com início, meio e fim e com vistas no
passado, presente e futuro é importantíssimo instrumento de desenvolvimento e de
apoio num momento de transição da adolescência para a juventude adulta, sendo
fundamental compreendê-lo melhor e colaborar para que seja cada vez mais
abrangente no Brasil, a todos os públicos.
Bibliografia complementar:

Lamas, K. C. A., Pereira, S. M., & Barbosa, A. J. G. (2008). Orientação profissional


na escola: uma pesquisa com intervenção. Psicologia em Pesquisa, 2(1), 60-68.

Uvaldo, M. C. C. (1995). Relação homem-trabalho: Campo de estudo e atuação da


Orientação Profissional. Em: A. M. Bock & W. J. Aguiar (Org.). A escolha profissional
em questão (pp. 215- 237). São Paulo: Casa do Psicólogo.

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