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Provas Ilícitas

Na Constituição Federal brasileira de 1988, no rol dos direitos e garantias


individuais, em seu artigo 5º, LVI encontramos referência às provas ilícitas.
Traz o seguinte dispositivo legal que “são inadmissíveis, no processo, as
provas obtidas por meios ilícitos”. Considerando-se como provas ilícitas as
obtidas com violação da intimidade, da vida privada, da honra, da imagem, do
domicílio, e das comunicações, salvo nos casos permitidos no inciso XII, do
mesmo artigo, a das comunicações telefônicas.

São as provas ilícitas espécie das chamadas provas vedadas, porque por
disposição de lei é que não podem ser trazidas a juízo ou invocadas como
fundamento de um direito. Pelo mesmo motivo, enquadram-se dento das
provas ilegais, ao lado das provas ilegítimas.
Interceptação Telefônica
Entende-se por interceptação a captação da conversa por um terceiro, sem o
conhecimento dos interlocutores ou com o conhecimento de um só deles. Se o
meio utilizado for o “grampeamento” do telefone, tem-se a interceptação
telefônica; se se tratar de captação de conversa por um gravador, colocado por
terceiro, tem-se a interceptação entre presentes, também chamada de
interceptação ambiental. Se um dos interlocutores grava a sua própria
conversa, telefônica ou não, com o outro, sem o conhecimento deste, fala-se
apenas em gravação clandestina. 
Produção antecipada de prova
À luz do CPC/73, a produção antecipada de prova destinava-se a antecipar a
produção de determinados meios de prova, sob a justificativa de que a parte
não poderia aguardar a fase instrutória do processo principal, que era o
momento previsto para a sua produção. Tal medida possuía natureza cautelar,
poderia ser deferida em caráter preparatório ou incidental e a sua concessão
pressupunha urgência (perigo de dano).
Amplitude da antecipação

O CPC/73 admitia apenas a antecipação do interrogatório, da inquirição de


testemunha ou do exame pericial. O CPC/15 não trouxe semelhante limitação.
A produção antecipada de prova teve o seu espectro de incidência ampliado
com o CPC/15, de modo a permitir a antecipação de qualquer meio de prova.
Ressalve-se que objetivo da antecipação é garantir a regular produção da
prova, em momento anterior ao previsto na lei. Não se antecipa a valoração da
prova. Tal juízo somente será feito em futura e eventual demanda judicial, em
que se pleiteie a declaração do direito material.

Fundamentos para a antecipação da prova


A antecipação da prova pode ser requerida nos casos em que haja fundado
receio de que venha a se tornar difícil ou impossível a verificação de
determinados fatos no curso do processo (CPC/15, art. 381, inc. I). Trata-se da
hipótese tradicional de produção antecipada de prova, em que há risco de que
a prova não possa ser adequadamente produzida (ou tenha se tornado
inviável) no momento da sua produção no curso de um processo. Exemplo
disso é a testemunha de idade avançada e com saúde fragilizada, que é ouvida
antes da fase instrutória, sob pena de a sua oitiva não ser mais possível no
momento da audiência de instrução e julgamento.
Competência
A produção antecipada de prova pode ser ajuizada (i) no foro onde a prova
deva ser produzida ou (ii) no foro do domicílio do réu (CPC/15, art. 381, § 2º).
Trata-se de caso de competência concorrente. Não é possível extrair da regra
nenhuma espécie de subsidiariedade entre esses dois foros.

Contudo, valendo-se dos princípios da competência adequada, da boa-fé e da


eficiência, é possível dar preferência ao foro em que se situa a fonte de prova
(residência da testemunha, imóvel que será objeto da perícia...). Tal raciocínio
é congruente com a inexistência de prevenção para a ação que venha a ser
proposta (CPC/15, art. 381, § 3º), a qual observará as regras gerais de
competência.
Procedimento
A petição inicial deverá expor o motivo que justifica a antecipação e indicar
precisamente os fatos que se pretende provar (CPC/15, art. 382, caput). Isso
será fundamental para se demonstrar que a antecipação da prova será útil
(interesse) ao requerente (legitimidade).

Meios de prova

Os meios de prova são as formas usadas pelas partes no processo com o


intuito de convencer o juiz. Eles servem como um conector entre as provas e a
demanda judicial. Entre os meios de prova mais utilizados podemos citar
documental, testemunhal e pericial.

Dessa forma, os meios de provas podem ser vistos como uma prova em si,
produzida para embasar o fato indagado pelos integrantes do processo, seja
ele acusação, seja defesa, que buscam persuadir o magistrado da história
produzida por cada um.

Prova Documental
A produção da prova documental significa o procedimento necessário para
fazer com que o suporte fático do fato transeunte chegue ao processo. Pois,
no caso de prova documental, o fato ou ato já está registrado, logo  a sua
mera juntada aos autos já faz com que se surta seus efeitos como prova
produzida.

Diante disso, a doutrina afirma que a prova documental, em regra, não é


produzida, pois não há trâmites em juízo para extrair as informações
relevantes, como se faz no caso da testemunha que deve ser levada ao juízo
para lá se produzir a prova por meio de seu depoimento.
Para se determinar o momento da juntada da prova documental, devemos
dividir os documentos em duas categorias, quais sejam:

1. Documentos indispensáveis: são aqueles necessários para a instrução


das peças inicial das partes, portanto, quanto a estes, temos que o autor
deverá juntá-los na petição inicial e o réu, em sua contestação.
2. Documentos novos: são aqueles que poderão ser juntados em qualquer
momento do curso processual. Sendo considerados novos aqueles
documentos que:
a. O autor não tinha posse/disponibilidade no momento da propositura da
ação;
b. Surgiram/passaram a existir, somente, no curso do processo;
c. Somente se tornaram pertinentes ao processo em seu curso, em razão da
manifestação da outra parte, visando, portanto, a sua juntada, combater a
alegação que possa modificar, impedir ou extinguir o direito alegado.
Vale ressaltar, todavia, dentro do que se entende por lealdade e probidade
processual, que resta proibido às partes “guardar na manga” documentos já
disponíveis e pertinentes ao processo para ser utilizado, somente, quando se
notar que os rumos do processo se tornaram indesejados.
Logo, se o documento é pertinente e disponível deverá ser juntado
imediatamente aos autos.

Ata notarial
A ata notarial é um instrumento público (a exemplo da escritura pública) pelo
qual o tabelião ou outra pessoa autorizada no cartório (preposto), por
solicitação da pessoa interessada, constata (relata) fielmente fatos, coisas,
pessoas ou situações para comprovar a sua existência ou o seu estado.

É a confirmação, pelo tabelião (ou seus prepostos), em razão da fé pública, da


existência e das circunstâncias que caracterizam o fato, enquanto
acontecimento juridicamente relevante, relatado por uma pessoa.
Pode ser objeto da ata notarial tudo aquilo que não seja objeto de escritura
pública. A diferença básica entre ambas é a existência, ou não, de declaração
de vontade, que está presente na escritura pública e ausente na ata notarial.
Na ata há a narração de um fato, que caracteriza-se pela ausência de
manifestação de vontade.

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