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Negociação e Conflitos

Pós-Graduação “lato sensu”


Prof. Elimar Melo
Pós-Graduação “lato sensu” | Negociação e Conflitos
Prof. Elimar Melo

Unidade I

INTERAÇÕES HUMANAS, ÉTICA E SOCIEDADE


Aula 1.2

Caraterísticas básicas das sociedades e as interações humanas.

Segundo o dicionário, a Etimologia da palavra interação é inter + ação;


Influência recíproca entre uma coisa e outra, entre uma pessoa e outra: a interação da
teoria e da prática; Diálogo entre pessoas que se relacionam ou convivem. O ser
humano tem necessidade de interagir a todo tempo, independentemente da fase da
vida em que se encontra, seja através da linguagem corporal, falada ou escrita.

A COMUNICAÇÃO é o caminho chave para o relacionamento bom e


agradável.

Comunicação é uma palavra derivada do termo latino "communicare", que


significa "partilhar, participar algo, tornar comum". Através da comunicação, os seres
humanos e os animais partilham diferentes informações entre si, tornando o ato de
comunicar uma atividade essencial para a vida em sociedade.
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O DIÁLOGO é a forma clássica da comunicação


verbal recíproca entre duas ou mais pessoas.
(Bakhtin, 1997).
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ÉTICA

O termo ética deriva do grego ‘ethos’ que significa caráter, modo de ser de
uma pessoa, costume, comportamento. Ética é um grupo de conjunto de normas,
valores morais, princípios, formas de pensar que guiam ou ajudam a guiar as ações
de um grupo em particular. Norteiam a conduta humana na sociedade. De um modo
geral, a Ética existe para que haja um equilíbrio, um bom funcionamento social;
mantém a idéia de que nenhum ser humano prejudique o seu semelhante, fazendo
com que a relações e interações humanas fluam com harmonia e equilíbrio.
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Ética é uma ciência que tem por objeto de estudo a moral e conduta humana.
Graças à ética, é possível distinguir algo bom de algo ruim, algo respeitável de algo
corrupto; algo leal de algo indigno. A ética propõe a valorização moral do ser
humano, das ações, das situações, e portanto guia o comportamento humano, orienta
por exemplo, numa determinada situação, como devemos agir.

O estudo da ética subdivide-se em vários ramos, como a Bioética, a Ética de


Hacker, Revolucionária, Kantiana, Empírica, entre outras. A mais conhecida e de
mais comum aplicação no mundo profissional e a Deontologia profissional, que
estuda as normas morais e fundamentos do dever profissional de cada profissional
de diferentes âmbitos: jurídico, médico, jornalista, etc. Cada profissão regulamentada
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por lei possui seu Código de Ética Profissional, com artigos e sanções em caso de
desobediência.

A ação ética se apoia então na intencionalidade da ação, na relação da


consciência consigo mesmo, na integridade do ser humano perante seus semelhantes.

Durkeim define Ética como: "Tudo que é relativo aos bons costumes ou às
normas de comportamento admitidas e observadas, em certa época, numa dada
sociedade" (Durkeim apud Oliveira, 2006). Já Moore (1975: 4) a conceitua como "a
investigação geral sobre aquilo que é bom, isso se dá porque o maior objetivo da
Ética é tentar aproximar o ser humano da perfeição, alcançar a sua realização
pessoal".

Aquilo que podemos adquirir como seres humanos para nos posicionar de
forma coerente diante dos conflitos que as relações humanas nos impõe é a
verdadeira Ética. A nossa ética. Nos permite raciocinar, sentir, ter consciência a
respeito do que se enfrenta, avaliar, ter sobretudo autonomia para resolver os
conflitos. Basear-se em preceitos éticos desenvolve em nós o processo de viver,
conviver em sociedade e manter relações sociais harmoniosas e saudáveis.
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Reportando-nos agora ao estudo das disciplinas filosóficas, embora nem todos


os autores coincidam em sua classificação, nem em relação aos conteúdos específicos,
de maneira geral, são conhecidos cinco grandes ramos:
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De acordo com a maioria dos pensadores e estudiosos, “Cada um desses


ramos fundamentais, com suas várias subdivisões, acha-se estreitamente relacionado
aos demais, e todo sistema filosófico que pretenda oferecer uma compreensão
unitária e abrangente da realidade aspira a integrá-los num conjunto harmônico”.

A Ética, como categoria filosófica, impulsiona o exercício crítico - reflexivo das


bases moralistas, quando necessária elucidação à dos fatos morais. Desta forma, é
notável que a Ética, na Filosofia, não oferece um código de normas, antes incentiva o
homem, como ser racional e social, a praticar o senso crítico e auto - avaliativo em
suas atitudes e modo de agir. Neste sentido, o professor Ângelo V. Cenci afirma: A
ética não pode prescrever conteúdos ao agir, nem pode instrumentalizá-lo; não é seu
papel fornecer soluções concretas ao agir humano.

A ética precisa contar com a capacidade de os indivíduos encontrarem saídas


plausíveis, racionais para o seu agir. A ética filosófica (formal e universalista) não
pode, paternalisticamente, dizer o que o indivíduo deve fazer, prescrevendo ações;
ela não pode se constituir em um receituário para a conduta cotidiana dos
indivíduos, nem servir de desculpa para justificar seu agir mediante motivos
puramente externos. A justa medida requerida pela ética não é extraída por
intermédio de fórmula alguma; ela é medida qualitativamente, por isso requer
mediania. (Cenci, 2002:88).
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De acordo com Marilena Chauí (1998), o que foi apresentado por Cenci (2002)
corresponde ao principal pilar da diferenciação entre Moral e Ética, pois para ela
toda moral é normativa enquanto designada a ditar aos sujeitos os padrões de
conduta individual e ou social, assim como os valores e costumes das sociedades das
quais participam. Já a ética não é necessariamente normativa. A professora ainda
sistematiza a subdivisão de ética em normativa e não normativa. Normativa seria a
ética de deveres e obrigações e não normativa a ética que tem como objeto de estudo
as ações e paixões humanas embasadas no ideal da felicidade de acordo com o
critério da relação razão - vontade - liberdade.

Especificamente em relação à nossa matéria abordada, concentraremos nossos


estudos nos conceitos gerais de da ética relacionados ao Direito, que significa "aquilo
que é reto" "que está coerente com a justiça e equidade". Portanto, pode-se dizer que
Direito é a disciplina da qual se originam as normas a serem observadas pelo homem
e englobam direitos e deveres, dos quais ninguém se isenta. Conforme Pinho (1995),
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o Direito pode ser entendido como "aquilo que é" ou "que deve ser". Assim, o Direito
surgiu em resposta à necessidade de se estabelecer regras gerais para o convívio do
homem em sociedade. O Direito é considerado antes de tudo, uma instituição ética
que trabalha no sentido de aplicar as leis, os princípios morais, tais como: igualdade,
justiça, liberdade, dentre outros, na solução de controvérsias.

Portanto, a Ética está diretamente relacionada ao Direito, quando definida


como conduta amparada na aplicação de regras morais no meio de convívio social,
ou seja, a caracterização do homem enquanto ser relacional. É essa face normativa da
Ética que a relaciona intimamente com o Direito. Nesse sentido, a contínua discussão
da Ética dentro do Direito encontra respaldo no fato de ser uma área das Ciências
Humanas que busca a consolidação e manutenção da justiça e da moralidade social.

Cenci (2002: 90) define que a Ética "nasce amparada no ideal grego da justa
medida, do equilíbrio das ações". Ângelo Cenci ainda esclarece que "a justa medida é
a busca do agenciamento do agir humano de tal forma que o mesmo seja bom para
todos". Para tanto, indaga-se: e não é esse o fundamento para o exercício cotidiano
dos profissionais do Direito?
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Resta evidente, embora alguns até discordem, que os valores éticos e morais
devem ser o fundamento da construção do profissional do Direito, no sentido da
aplicação dos princípios morais enumerados pela Ética geral aplicada ao campo
profissional, possibilitando a prática da ética profissional. A pessoa tem que estar
imbuída de certos princípios ou valores próprios do ser humano para vivenciá-lo nas
suas atividades de trabalho. De um lado, ela exige a deontologia, isto é, o estudo dos
deveres específicos que orientam o agir humano no seu campo profissional; de outro
lado, exige a diciologia, isto é, o estudo dos direitos que a pessoa tem ao exercer suas
atividades (Camargo, 1999: 33).
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EM CASO DE DÚVIDA NA HORA DE TOMAR UMA


DECISÃO EM RELAÇÃO A UMA ATITUDE SUA COM O
OUTRO, SE NÃO CONSEGUIR DISTINGUIR O QUE É
ÉTICO OU NÃO, BASTA IMAGINAR O QUE VOCÊ NÃO
GOSTARIA QUE FIZESSEM COM VOCÊ.

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