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Unidade I: Dos remédios constitucionais

Mandado de segurança (teórica)


1. DEFINIÇÃO E CABIMENTO:
O mandado de segurança é uma ação constitucional de natureza civil, de
caráter sumaríssimo e decisão exequível; possui caráter subsidiário, pois
protege direito líquido e certo não amparado por habeas corpus e habeas
data; ademais é instrumento de liberdade civil e política, pois é usado para
que os indivíduos se defendam de atos ilegais ou praticados com abuso de
poder.
O mandado de segurança tem previsão não apenas na Constituição
Federal vigente (art. 5o, LXIX) como também em Lei Federal (Lei n°
12.016/09).

Constituição Federal
Art. 5o Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros
residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade,
à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger
direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou
habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou
abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa
jurídica no exercício de atribuições do Poder Público.

O objetivo do mandado de segurança é a fruição in natura do bem


jurídico pretendido. Não se pretende, por ele, a reparação em
dinheiro, tanto que o STF editou súmula no sentido de que o MS não
se presta a exercer às vezes de ação de cobrança (Súmula 269 do
STF) nem tampouco efeitos patrimoniais pretéritos (Súmula 271 do
STF e art. 19 da LMS).

Súmula 269. O mandado de segurança não é substitutivo de ação


de cobrança

Súmula 271. Concessão de mandado de segurança não produz


efeitos patrimoniais em relação a período pretérito, os quais
devem ser reclamados administrativamente ou pela via judicial
própria.

O objeto do mandado de segurança é, portanto, a correção de ato


ou omissão de autoridade revestido de ilegalidade cuja prova
possa ser líquida e certa. Constitui o mandado de segurança ação
civil pelo rito especial que objetiva corrigir ilegalidade decorrente
de autoridade pública.
A impetração do mandado de segurança depende do preenchimento dos
seguintes requisitos:
a) direito líquido e certo: comprovado de plano;
b) ilegalidade ou abuso de poder;
c) lesão ou ameaça de lesão;
d) ato comissivo ou omissivo de autoridade pública ou agente no
exercício de função pública.

2. O QUE É DIREITO LÍQUIDO E CERTO?


Direito líquido e certo é o que se apresenta manifesto na sua
existência, delimitado na sua extensão e apto a ser exercitado no
momento da impetração (Hely Lopes Meirelles). Se tais requisitos
não se revelarem presentes, a defesa pode ser exercida por outros
meios judiciais.
Ressalte-se, entretanto, para não haver confusão, que não é o direito,
propriamente dito, que deve ser líquido e certo, mas sim o fato carecedor
de tutela que deve ser líquido e certo. Ou seja: admite-se a propositura
do mandado de segurança quando houver controvérsia sobre o
direito (Súmula 625 do STF).
Súmula 625/STF, "controvérsia sobre matéria de direito não
impede concessão de mandado de segurança"

Em síntese, não pode haver dilação probatória. Esse ponto é nuclear


na impetração do mandado de segurança, porque é dever do
impetrante demonstrar a prima facie, na petição inicial, a ilegalidade
ou abusividade perpetrada.
Convém destacar, aliás, que o ordenamento brasileiro criou duas
exceções à necessidade de se apresentar toda documentação na
petição inicial:
a) o art. 6o, §§ Io e 2o, da LMS: estabelecem os referidos parágrafos
que:
§ 1º No caso em que o documento necessário à prova do alegado se
ache em repartição ou estabelecimento público ou em poder de
autoridade que se recuse a fornecê-lo por certidão ou de terceiro, o
juiz ordenará, preliminarmente, por ofício, a exibição desse
documento em original ou em cópia autêntica e marcará, para o
cumprimento da ordem, o prazo de 10 (dez) dias. O escrivão extrairá
cópias do documento para juntá-las à segunda via da petição.
b) para contrapor os documentos apresentados pela autoridade
coatora (aplicação do art. 435 do CPC/15): nesse caso não há como
estabelecer preclusão documental, tendo em vista que o impetrante
tomou ciência da apresentação de outros documentos com as
informações prestadas pela autoridade coatora

3. NÃO AMPARADO POR HABEAS CORPUS E HABEAS DATA

• AÇÃO SUBSIDIÁRIA;
• O habeas data é utilizado, dentre outras coisas, para a exibição de
dados pela Administração Pública.
O art. 6o, §§ Io e 2o, da LMS prevê incidente de exibição de documentos
pelo Poder Público. No caso concreto, qual dessas medidas se utiliza na
prática?
SE O OBJETIVO FINAL FOR MERA EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS CABE
HABEAS DATA
SE O OBJETIVO FINAL FOR A PRETENSÃO DE UM DIREITO, MAS
NECESSITAR DE APRESENTAÇÃO DESTES DOCUMENTOS CABE
MANDADO DE SEGURANÇA.
Espécies:
a) preventivo: serve para afastar ameaça ou justo receio de lesão a direito;
b) repressivo : serve para afastar constrangimento ou ato lesivo a
direito.

4. HIPÓTESE DE NÃO CABIMENTO

A. contra lei em tese: (Súmula 266, STF)


Súmula 266. Não cabe mandado de segurança contra lei em tese.

B. contra a coisa julgada: (cabe ação rescisória – art. 966 CPC)


Art. 5º Não se concederá mandado de segurança quando se tratar:
III - de decisão judicial transitada em julgado.

C. contra atos interna corporis: cabe correição parcial.


D. ato do qual caiba recurso administrativo com efeito
suspensivo e independente de caução;
Art. 5º Não se concederá mandado de segurança quando se tratar:
I - de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo,
independentemente de caução;
Importante ressaltar que a existência desse recurso não obsta a impetração
do mandado de segurança quando ato coator for omissivo (Súmula n° 429,
STF).
Súmula 429. A existência de recurso administrativo com efeito
suspensivo não impede o uso do mandado de segurança contra
omissão da autoridade..

E. decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo:


Portanto, contra ato judicial cabe mandado de segurança em apenas duas
hipóteses:
i) em que a lei expressamente vede o efeito suspensivo.
ii) de decisões irrecorríveis
Súmula 376 STJ - Compete a turma recursal processar e julgar o
mandado de segurança contra ato de juizado especial.

F. contra atos de gestão comercial:


§ 2o Não cabe mandado de segurança contra os atos de gestão
comercial praticados pelos administradores de empresas públicas, de
sociedade de economia mista e de concessionárias de serviço público.

G. Condenação em honorários advocatícios:


não cabe, nos termos da Súmula 512 do STF e 105 do STJ.

Súmula 512 - Não cabe condenação em honorários de advogado na ação


de mandado de segurança.

SÚMULA N. 105 STJ - Na ação de mandado de segurança não se admite


condenação em honorários advocatícios.

H. Contra ato disciplinar:


é possível quando a autoridade for incompetente ou não
houver observância das formalidades previstas em lei.

I. Liminar:
é cabível sempre que houver relevância do fundamento do
pedido e quando a demora puder acarretar dano irreparável
para o impetrante, nos termos do art. 7º da Lei n. 12.016/2009.
III - que se suspenda o ato que deu motivo ao pedido, quando houver
fundamento relevante e do ato impugnado puder resultar a ineficácia da
medida, caso seja finalmente deferida, sendo facultado exigir do
impetrante caução, fiança ou depósito, com o objetivo de assegurar o
ressarcimento à pessoa jurídica.

J. Cabimento em matéria criminal: EM REGRA NÃO CABE, MAS


TEM EXCEÇÕES
• vista de inquérito por advogado;
• acompanhar cliente na fase de inquérito;
• entrevista reservada do advogado com o cliente;
• obtenção de certidões;
• direito de juntada de documentos;
• obter efeito suspensivo de recurso;
• não admissibilidade do assistente de acusação;
• apreensão de objetos sem relação com o crime;
• processar correição parcial denegada;
• restituição de coisa apreendida por terceiro de boa-fé;
• acompanhar perícia;
• para oferecer quesitos em prova pericial;
• contra medida de sequestro;
• recusa de expedição de certidão negativa de antecedentes.

5. LEGITIMIDADE E COMPETÊNCIA

• LEGITIMIDADE ATIVA.
A) legitimado a impetrar o mandado de segurança é o titular do
direito individual ou coletivo líquido e certo, podendo ser pessoa
física ou jurídica ou formal, nacional ou estrangeira, pública ou
privada.
B) O Ministério Público, nos termos do art. 32 da Lei Orgânica n.
8.625/93, participa no mandado de segurança ora como parte, ora
como fiscal da lei.
C) órgão com capacidade processual;
D) universalidade reconhecida por lei (MANDADO DE SEGURANÇA
COLETIVO)

• LEGITIMIDADE PASSIVA.
Autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de
atribuições do Poder Público.
Considera-se autoridade coatora aquela que tenha praticado o ato
impugnado ou da qual emane a ordem para a sua prática.

• COMPETÊNCIA
A competência para o julgamento do mandado de segurança variará
de acordo com a autoridade coatora.
A competência é determinada pela categoria da autoridade coatora e
sua sede funcional.
Para se verificar a competência basta consultar os dispositivos
constitucionais adiante listados: 102, I, “d” (STF); 102, I, “r” (STF);
105, I, “b” (STJ); 108,1, “c” (TRF); 109, VIII (Justiça Federal) e 114, IV
(Justiça do Trabalho).

PREVISÃO
AUTORIDADE COATORA COMPETÊNCIA FUNDAMENTO
LEGAL
Presidente da República, as
Mesas da Câmara dos Excelentíssimo
Deputados e do Senado Senhor Doutor
Supremo
Federal, o Tribunal de Contas Ministro Presidente art. 102,1, “d”, CF
Tribunal Federal
da União, o Procurador-Geral da do Colendo Supremo
República ou o próprio Supremo Tribunal Federal
Tribunal Federal
Excelentíssimo
Ministro de Estado, pelos
Superior Senhor Doutor
Comandantes da Marinha, do
Tribunal de Ministro Presidente art. 105,1, “b”, CF
Exército e da Aeronáutica, ou
Justiça do Colendo Superior
pelo próprio Tribunal
Tribunal de Justiça
Excelentíssimo
Senhor Doutor
Tribunais Desembargador
Juiz federal ou pertencente ao
Regionais Federal Presidente art. 108,1, “c”, CF
próprio Tribunal
Federais do Egrégio Tribunal
Regional Federal
da... Região
Excelentíssimo
Senhor Doutor A DEPENDER DE
Desembargador CADA
Desembargadores do Tribunal Tribunal de
Presidente do CONSTITUIÇÃO
de Justiça Justiça
Egrégio Tribunal de DE CADA
Justiça d Estado ESTADO
de...
Ato de autoridade federal,
excetuados os casos de Excelentíssimo
Juízes federais art. 109, VIII, CF
competência dos Tribunais Senhor Doutor Juiz
Regionais Federais Federal da... Vara...
Quando o ato questionado da Seção Judiciária
Justiça do
envolver matéria sujeita à sua de... art. 114, IV, CF
Trabalho
competência
6. PRAZO DE IMPETRAÇÃO
Estabelece o art. 23 da LMS que o direito de requerer o mandado de
segurança será de 120 (cento e vinte dias) contados da ciência do ato.
Art. 23. O direito de requerer mandado de segurança extinguir-se-á
decorridos 120 (cento e vinte) dias, contados da ciência, pelo
interessado, do ato impugnado.
Se perder o prazo pode ser feito por vias ordinárias

O prazo tem apenas razão de ser quando o mandado de segurança for


repressivo. Contra o mandado de segurança preventivo, não há que se falar em
prazo, pois trata-se de medida inibitória que decorre antes do ato de lesão.
Se o ato for de omissão, o prazo decadencial terá início a partir do
vencimento do prazo em que o Poder Público deveria ter praticado o ato.
Se o ato for de omissão que se perdura no tempo (relação de trato
sucessivo) não contará o prazo de 120 dias, pois constitui uma omissão
continuada.

7. PROCEDIMENTO
• PRIORIDADE NO JULGAMENTO DOS ATOS PROCESSUAIS, SALVO
HABEAS CORPUS.
• PETIÇÃO INICIAL:
EM 2 VIAS
DOCUMENTOS QUE INSTRUIREM
INDICAR AUTORIDADE COATORA
INDICAR A PESSSOA JURÍDICA QUE INTEGRA
PODERÁ SER PEDIDO DE MEDIDA CAUTELAR
MANDADO DE SEGURANÇA
STF, STJ, Tribunais Superiores, Tribunais dos Estados e do DF,
Tribunais Regionais Federais, Juízes Federais, Juízes do Trabalho,
COMPETÊNCIA Juízes Estaduais.
(arts. 102, l,"d"; 105, l,"b"; 108,1, V; 109, VIII; 125, § 1o, todos da
CF e organização judiciária estadual).
De acordo com o órgão competente. Não há peça de interposição.
- Excelentíssimo Senhor Ministro Presidente do Supremo Tribunal
Federal;
- Excelentíssimo Senhor Ministro Presidente do Superior Tribunal
de Justiça;
- Excelentíssimo Senhor Ministro Presidente do (Tribunal Superior);
- Excelentíssimo Senhor Desembargador Presidente doTribunal de
ENDEREÇAMENTO
Justiça do Estado...;
- Excelentíssimo Senhor Desembargador Federal Presidente do
Tribunal Regional Federal da... Região;
- Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Federal da... Vara Federal da
Seção Judiciária de...;
- Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Cível da
Comarca... do Estado... (ou Vara de Fazenda Pública, se o caso).
LEGITIMIDADE ATIVA Impetrante (qualquer pessoa interessada).
LEGITIMIDADE PASSIVA Impetrado (autoridade coatora + pessoa jurídica a que se vincula).
FUNDAMENTO LEGAL Art. 5°, LXIX, CF e Lei n° 12.016/09.
A concessão da medida liminar para assegurar ao impetrante...;
(art. 7°, III da Lei n° 12.016/09);
- que se notifique a autoridade coatora do conteúdo da petição
inicial, enviando-lhe a segunda via apresentada com as cópias dos
documentos, a fim de que, no prazo de 10 (dez) dias, preste as
informações que julgar necessárias (art. 7o, 1 da Lei n° 12.016/09);
- que se dê ciência do feito ao órgão de representação judicial...,
enviando-lhe cópia da inicial sem documentos, para que, querendo,
REQUISITOS / PEDIDOS ingresse no feito (art. 7o, II da Lei n° 12.016/09);
- a intimação do representante do Ministério Público para que opine
no prazo improrrogável de 10 (dez) dias (art. 12 da Lei n°
12.016/09);
- seja julgado procedente o pedido para o fim de...;
a juntada da prova pré-constituída, a comprovar o direito líquido e
certo do impetrante;
- aplicação de astreinte ou de prisão por desobediência em caso de
descumprimento da decisão (art. 26 da Lei n° 12.016/09).
Não há pedido de provas.
PARTICULARIDADES
Deve-se atribuir valor à causa.
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA... VARA DE
FAZENDA PÚBLICA DO MUNICÍPIO K DO ESTADO...

PEDRO, nacionalidade..., estado civil...,


professor, cédula de identidade n°...,
inscrito no CPF sob o n°..., endereço
eletrônico..., residente e domiciliado na...
(endereço completo), por seu advogado
(instrumento de mandato anexo), com
escritório profissional na... (endereço
completo), local indicado para receber
intimações (art. 77, V, CPC/15), vem à
presença de Vossa Excelência, com
fundamento no art. 5o, LXIX, da
Constituição Federal, e Lei n° 12.016/09,
impetrar MANDADO DE SEGURANÇA,
com pedido de medida LIMINAR, em face
de ato praticado pelo SECRETÁRIO
MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO, que exerce
suas funções na..., estando vinculado ao
MUNICÍPIO K, pelos motivos de fato e de
direito que passa a expor.

I - DA TEMPESTIVIDADE E DO CABIMENTO
Consoante se depreende dos autos, o impetrante tomou inequívoca ciência
da decisão aos... e impetrou a presente medida em..., portanto, dentro do
prazo de 120 dias previsto no artigo 23 da Lei n° 12.016/09.
A presente medida é impetrada em face de autoridade coatora, bem como
está instruída documentalmente com toda prova do seu direito líquido e
certo. Portanto cabível, no caso, o presente Mandado de Segurança, nos
termos do artigo 1o da Lei n° 12.016/09.
II - DOS FATOS
O impetrante foi aprovado e nomeado em concurso de provas e títulos para
o cargo de Professor de Educação Infantil - Nível I, organizado pela
Secretaria de Educação do Município K, obtendo o primeiro lugar no
certame.
Lecionando há apenas 76 dias, foi denunciado pela suposta prática de
infração funcional, prevista no Estatuto dos Servidores Públicos do
Município como capaz de gerar a sua demissão.
Seu supervisor recomendou ao Secretário Municipal de Educação que o
demitisse, pois "o acusado não logrou comprovar a inocorrência do ato
que lhe é imputado, antes, apenas requereu a instauração de processo
administrativo, com respeito ao contraditório e ampla defesa, o que não
pode ser exigido por funcionário em estágio probatório (...)".
Há cinco dias publicou-se no Diário Oficial a demissão de Pedro, conforme
se constata da prova documental pré-constituída, em anexo.
A autoridade coatora argumenta que, por não se tratar de funcionário
estável, mas em estágio probatório, dispensável seria obedecer ao
contraditório e a ampla defesa no trâmite de dispensa.
III - DO DIREITO
Evidencia-se o direito líquido e certo do impetrante, uma que vez que a
autoridade coatora contrariou dispositivos constitucionais e legais, sendo
necessário controle jurisdicional de seu ato, o que se pretende pela
adequada via do Mandado de Segurança.
Diz a Constituição Federal, em seu art. 5o, inciso LXIX, que: "conceder-se-
á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não
amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela
ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública No mesmo sentido, é
o art. 1º da Lei n° 12.016/09.
A ciência do ato coator, ademais, deu-se há menos de 120 (cento e vinte
dias), inexistindo afronta ao art. 23 da Lei n° 12.016/09.
A prova documental pré-constituída revela que ao impetrante fora negado
o direito a processo administrativo justo. A Constituição Federal, em seu
art. 5o, inciso LV, assegura a todo e qualquer litigante, em processo judicial
ou administrativo, e aos acusados em geral, acesso ao contraditório e
ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes.
Assim, reconhece a Constituição Federal que todo servidor, não importa
se estável ou não, tem o direito de se defender em face de qualquer
acusação que lhe seja imputada, de forma que, havendo o impetrante sido
acusado da prática de infração funcional, a autoridade coatora deveria ter-
lhe garantido o direito de defesa, oportunizando lhe a produção de provas.
Todo ato administrativo deve observar as formalidades prescritas em lei,
no caso, a própria Constituição Federal estabelece a observância do
contraditório e da ampla defesa. Trata-se, ademais, de matéria sumulada
pela mais alta Corte de Justiça do País (Súmulas 20 e 21 do STF), que exige,
ainda que para funcionário em estágio probatório, processo administrativo
com ampla defesa.
IV - DA LIMINAR
Dispõe o art. 7o, III da Lei n° 12.016/09, que o juiz poderá suspender o ato
que deu motivo ao pedido, sempre que "houver fundamento relevante e do
ato impugnado puder resultar a ineficácia da medida, caso seja finalmente
deferida".
In casu, encontram-se configurados os requisitos para concessão da
medida liminar, quais sejam o periculum in mora e o fumus boni iuris, o
primeiro consistente no risco que Pedro corre de ser privado de verbas de
natureza alimentar, enquanto que o segundo está evidenciado pela
flagrante violação aos princípios constitucionais do contraditório e da
ampla defesa.
V - DO PEDIDO
Diante do exposto, requer-se:
a) a concessão da medida liminar para assegurar ao impetrante a imediata
recondução ao cargo (art. 7o, III da Lei n° 12.016/09);
b) que se notifique o Secretário Municipal de Educação do conteúdo da
petição inicial, enviando-lhe a segunda via apresentada com as cópias dos
documentos, a fim de que, no prazo de 10 (dez) dias, preste as informações
que julgar necessárias (art. 7o, I da Lei n° 12.016/09);
c) que se dê ciência do feito ao órgão de representação judicial do
Município "K", enviando-lhe cópia da inicial sem documentos, para que,
querendo, ingresse no feito (art. 7o, II da Lei n° 12.016/2009);
d) a intimação do representante do Ministério Público para que opine no
prazo improrrogável de dez dias (art. 12 da Lei n° 12.016/09);
e) seja julgado procedente o pedido para o fim de garantir ao impetrante o
contraditório e a ampla defesa no processo administrativo que pretende
apurar a prática de infração funcional;
f) a juntada da prova pré-constituída, a comprovar o direito líquido e certo
do impetrante;
g) aplicação de astreinte ou de prisão por desobediência em caso de
descumprimento da decisão (art. 26 da Lei n° 12.016/09);
Dá-se à causa o valor de R$ 1.000,00 (mil reais), para fins fiscais.

Deixa de requerer a condenação em honorários advocatícios, em razão do


disposto no art. 25 da Lei n° 12.016/09.

Termos em que pede deferimento.

Local e data...
ADVOGADO...
OAB...
HABEAS CORPUS (teórica)
1. BREVE INTRODUÇÃO
A Constituição de 1988 preceitua, no art. 5o, LXVIII, que: “conceder-se-á
habeas corpus (HC) sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de
sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade
ou abuso de poder”
Esse importante remédio constitucional faz cessar a ameaça ou coação à
liberdade de ir, vir e permanecer do indivíduo. Trata-se de ação
constitucional, de natureza penal, embora também possa ser impetrado
contra ato de autoridade civil.
O habeas corpus, previsto no art. 5º, LXVIII, da Constituição Federal e,
regulamentado pelos arts. 647 a 667 do Código de Processo Penal, é
remédio constitucional que visa a evitar ou cessar violência ou coação à
liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder.

SURGIMENTO
a) majoritária: surgiu na Inglaterra com a Magna Carta de 1215;
b) minoritária: surgiu no direito romano: os romanos já conheciam o
interdictum de homine libero exhibendo, como ordem em que o pretor dava
de trazer o cidadão ao seu julgamento, apreciando a legalidade da prisão
efetuada.

O habeas corpus tem como objeto de tutela a liberdade de locomoção, ou


seja, o direito de ir, vir, ficar, permanecer e deslocar.

2. ESPÉCIES
São três as espécies de habeas corpus:
(i) repressivo: a restrição indevida à liberdade de locomoção já aconteceu.
Pede-se a expedição de alvará de soltura;
(ii) preventivo: há efetivo risco à liberdade, de modo que, para evitar sua
concretização, pede-se a expedição do salvo conduto;
(iii) suspensivo: ocorre nas hipóteses em que a constrição à liberdade está
a caminho, já superou a fase de ameaça. Quando, por exemplo, o mandado
de prisão está pendente de cumprimento. Nesses casos, pede-se a
expedição de um contramandado de prisão.

3. CABIMENTO
O habeas corpus é ação judicial constitucional de caráter sumaríssimo
(não admite dilação probatória), gratuita (isenta de custas), de
procedimento especial, de natureza penal (envolve a liberdade de
locomoção) e popular (qualquer pessoa pode ajuizar o habeas corpus).
Para a propositura do habeas corpus, não é necessária intervenção de
advogado. O pedido formulado pelo autor tem de ser previsto e aceito pelo
ordenamento jurídico. O interesse de agir é demonstrado pela:
a) necessidade: é preciso que haja um constrangimento ou simples ameaça
na liberdade de locomoção;
b) adequação: o habeas corpus deve ser apto a corrigir ou remover a
situação ilegal ou abusiva causada na liberdade de locomoção de uma
pessoa.

As hipóteses de cabimento estão delineadas em rol exemplificativo, no art.


648 do Código de Processo Penal:
A. ausência de justa causa: ausência de materialidade do crime
e indícios de autoria. Exigem-se provas que sustentem a
persecução penal;
B. alguém estiver preso por mais tempo que determina a lei;
C. quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo;
D. houver cessado o motivo que autorizou a coação;
E. não for admitida a prestação de fiança, nos casos em que a lei
autoriza: a recusa em admitir a fiança, uma vez preenchidos
os seus requisitos, caracteriza abuso de autoridade;
F. o processo for manifestamente nulo;
G. extinta a punibilidade: as hipóteses de extinção da
punibilidade estão consignadas no art. 107 do Código Penal.
3.1 HIPÓTESE DE NÃO CABIMENTO

A. Custas processuais: não cabe habeas corpus para resolver


sobre ônus das custas, por não estar mais em causa a
liberdade de locomoção, nos termos da Súmula 395 do STF.
Súmula 395 STF - Não se conhece de recurso de habeas corpus cujo
objeto seja resolver sobre o ônus das custas, por não estar mais em
causa a liberdade de locomoção.

B. Pena de multa: não cabe contra decisão condenatória a pena


de multa, ou relativa a processo em curso por infração penal
em que a pena pecuniária seja a única cominada, nos termos
da súmula, pois não envolve liberdade de locomoção.
C. Pessoas desconhecidas: não é possível cabimento em favor
de pessoas desconhecidas de forma coletiva e indeterminada.
D. Medidas protetivas na Lei Maria da Penha: cabe habeas
corpus para apurar eventual ilegalidade na fixação de medida
protetiva de urgência consistente na proibição de aproximar-
se de vítima de violência doméstica e familiar. O eventual
descumprimento de medidas protetivas arroladas na Lei Maria
da Penha pode gerar sanções de natureza civil (art. 22, § 4º, da
Lei n. 11.340/2006 c/c o art. 461, §§ 5º e 6º, do CPC), bem como
a decretação de prisão preventiva, de acordo com o art. 313,
III, do CPP (Informativo 574/2015 do STJ).
Vale informar que a Constituição Federal estabelece, em seu art. 142, § 2.°,
que “não caberá habeas corpus em relação a punições disciplinares
militares
"Não cabe habeas corpus contra decisão
(Súmula 693 do condenatória a pena de multa ou relativa a
STF). processo em curso por infração penal a que a pena
pecuniária seja a única cominada"
"Não cabe habeas corpus contra a imposição da
(Súmula 694 do pena de exclusão
STF). de militar ou de perda de patente ou de função
pública.
(Súmula 695 do - "Não cabe habeas corpus quando já extinta a
STF). pena privativa de liberdade"

4. LEGITIMIDADE
a) Ativa: qualquer pessoa em seu favor ou de outrem, bem como pelo
Ministério Público (art. 32 da Lei Orgânica n. 8.625/93). O analfabeto pode
impetrar com assinatura a rogo; não basta impressão digital. O membro
do Ministério Público, como fiscal da lei, juiz e delegado, não pode
impetrar enquanto no exercício funcional. Pessoa jurídica pode impetrar
habeas corpus em favor de pessoa física.
b) Passiva: o habeas corpus é impetrado em face de autoridade pública
ou particular (exemplo: retenção em hospital por não pagamento das
despesas).

5. COMPETÊNCIA

PREVISÃO
AUTORIDADE COATORA COMPETÊNCIA FUNDAMENTO
LEGAL
o Presidente da República; via recursal, julgando
o Vice-Presidente; recurso ordinário,
os membros do Congresso Supremo quando o habeas (art. 102,1, “d”, da
Nacional; Tribunal Federal corpus for denegado CF)
os Ministros do Supremo em única instância
Tribunal Federal;
o Procurador-Geral da por Tribunais
República; Superiores
os Ministros de Estado;
os Comandantes da Marinha, do
Exército ou da Aeronáutica;
os membros dos Tribunais
Superiores;
os membros do Tribunal de
Contas da União;
os chefes de missão diplomática
de caráter permanente.
quando o impetrado ou o
paciente for autoridade ou
funcionário cujos atos estejam
sujeitos diretamente à jurisdição
(art. 102, I, “j”, da
do Supremo Tribunal Federal,
CF).
ou
se trate de crime sujeito à
mesma jurisdição em uma única
instância,
via recursal, julgando
via recursal, julgando recurso recurso ordinário,
ordinário, quando o habeas quando o habeas
(art. 102, II, “a”, da
corpus for denegado em única corpus for denegado
CF).
instância por Tribunais em única instância
Superiores por Tribunais
Superiores
Governador de Estado ou do
Distrito Federal;
Desembargador dos Tribunais
de Justiça dos Estados;
Desembargador do Distrito
Federal;
Membros dos Tribunais de
Contas dos Estados e do Distrito
Excelentíssimo
Federal;
Superior Senhor Doutor
Membros dos Tribunais
Tribunal de Ministro Presidente art. 105,1, “c”, CF
Regionais Federais;
Justiça do Colendo Superior
Membros dos Tribunais
Tribunal de Justiça
Regionais Eleitorais e do
Trabalho;
Membros dos Conselhos ou
Tribunais de Contas dos
Municípios;
Membros do Ministério Público
da União que oficiem perante
tribunais.
Tribunal sujeito à sua jurisdição;
- Ministro de Estado ou
Comandante da Marinha, do
Exército ou da Aeronáutica,
ressalvada a competência da
Justiça Eleitoral.
via recursal, julgando recurso
ordinário, quando 0 habeas
corpus for julgado em única ou
última instância pelos Tribunais
Regionais Federais ou Tribunais art. 105,1, “a”, CF
de Justiça, inclusive o Tribunal
de Justiça do Distrito Federal e
Territórios, e a decisão for
denegatória
Juiz federal ou pertencente ao Excelentíssimo
art. 108,1, “c”, CF
próprio Tribunal Senhor Doutor
Tribunais Desembargador
julgar, em grau de recurso, os Regionais Federal Presidente
habeas corpus decididos pelos Federais do Egrégio Tribunal art. 108, II, da CF
juízes federais Regional Federal
da... Região
matéria criminal de sua
competência ou quando o
constrangimento provier de Excelentíssimo
Juízes federais Senhor Doutor Juiz art. 109, VII, da CF
autoridade cujos atos não
estejam diretamente sujeitos a Federal da... Vara...
outra jurisdição da Seção Judiciária
de...
art. 121, § 4º, da
matéria de sua competência Justiça Eleitoral
CF

6. PRAZO DE IMPETRAÇÃO
Não há prazo para a propositura do habeas corpus. É possível desistência no
habeas corpus.
7. PROCEDIMENTO
• O habeas corpus é um remédio bastante informal e rápido, em
virtude da relevância do direito que tutela (a liberdade de
locomoção).
• É possível a concessão de liminar (mesmo diante da omissão
normativa) se presentes os requisitos fumus boni iuris e periculum
in mora.
• O habeas corpus não permite dilação probatória (já que a violação
ou a ameaça à liberdade de locomoção é líquida e certa e está
devidamente comprovada na inicial).
HABEAS CORPUS
Será definida de acordo com o status da autoridade coatora. Vale
COMPETÊNCIA lembrar, todavia, que em algumas hipóteses a Constituição Federal
atribui a competência a tribunal, em razão do status do paciente.
De acordo com o órgão competente. Não há peça de interposição.
- Excelentíssimo Senhor Ministro Presidente do Supremo Tribunal
Federal;
- Excelentíssimo Senhor Ministro Presidente do Superior Tribunal
de Justiça;
- Excelentíssimo Senhor Ministro Presidente do (Tribunal Superior);
- Excelentíssimo Senhor Desembargador Presidente do Tribunal de
ENDEREÇAMENTO
Justiça do Estado...;
- Excelentíssimo Senhor Desembargador Federal Presidente do
Tribunal Regional Federal da... Região;
- Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Federal da... Vara Federal da
Seção Judiciária de...;
- Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Cível da
Comarca... do Estado... (ou Vara de Fazenda Pública, se o caso).
Qualquer pessoa física, nacional ou estrangeira,
independentemente de capacidade civil, política ou profissional, de
idade, de sexo, profissão ou domicílio, pode sofrer a ameaça ou
LEGITIMIDADE ATIVA violação a seu direito de locomoção, logo, pode ser o legitimado
ativo no habeas corpus.
Importante frisar que o indivíduo poderá figurar como impetrante em
benefício próprio ou alheio.
Autoridade que praticar a coação ou ilegalidade ao direito de
LEGITIMIDADE PASSIVA
locomoção do paciente.
Deve-se identificar com precisão o ato ilegal que ameaça ou viola a
FUNDAMENTO LEGAL
liberdade de locomoção.
- A concessão da medida liminar para determinar a imediata
expedição do alvará de soltura, do salvo-conduto ou de um
contramandado de prisão em favor do paciente;
- A solicitação de informações à autoridade coatora;
REQUISITOS / PEDIDOS - A intimação do representante do Ministério Público;
- A concessão, em definitivo, do pedido apresentado no hobeas
corpus (expedição do alvará de soltura, do salvo-conduto ou de um
contramandado de prisão), sanando assim a ameaça ou a violação
à liberdade de locomoção.
-Trata-se de ação gratuita (art. 5o, LXXVII, da CF), que dispensa
PARTICULARIDADES capacidade postulatória;
- Não deve ser atribuído valor para a causa.
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE....

ADVOGADO, inscrito na OAB/UF sob o n°...,


com domicílio profissional na Rua...
(endereço completo), local indicado para
receber intimações (art. 370, § 1o, CPP), vem
à presença de Vossa Excelência, com
fundamento no art. 5o, LXVIII da Constituição
da República, e arts. 647 e 648 do Código de
Processo Penal, impetrar HABEAS CORPUS,
com pedido de MEDIDA LIMINAR, em favor
de MARIA, nacionalidade, estado civil,
profissão, cédula de identidade n°..., inscrita
no CPF sob o n0..., residente e domiciliada na
Rua... (endereço completo), contra ato
praticado pelo Excelentíssimo Senhor
Doutor JUIZ DE DIREITO DA...VARA CÍVEL
DA COMARCA DE...., pelos motivos a seguir
expostos.

I - DOS FATOS
A paciente adquiriu um veículo popular por meio de contrato de
arrendamento mercantil (leasing), em 60 prestações de R$ 800,00. A partir
da 24a prestação, começou a ter dificuldades financeiras e resolveu vender
o veículo a Pedro, o qual se comprometeu a pagar as prestações vincendas
e vencidas. Tal fato não foi comunicado ao agente financeiro.
Pedro deixou de pagar mais de cinco prestações, o que suscitaria rescisão
contratual. O agente financeiro houve por bem propor a ação de busca e
apreensão do veículo, tentativa essa que restou frustrada, pois a Paciente
já não possuía o veículo.
O agente financeiro pediu a transformação, nos mesmos autos, da ação de
busca e apreensão em ação de depósito e requereu a prisão da Paciente,
por ser depositária infiel do referido veículo. O juiz competente determinou
a prisão da Paciente até que ela devolvesse o referido veículo ou pagasse
as prestações em atraso.
A Paciente não tem mais o veículo em seu poder e perdeu o emprego em
virtude da prisão civil.
II - DO DIREITO
O Brasil adotou, no plano interno, dois importantes tratados internacionais
que versam sobre a proibição de prisão civil por dívida, exceção feita
unicamente à dívida alimentícia. São eles: o Pacto Internacional sobre
Direitos Civis e Políticos (art. 11) e, especialmente, a Convenção Americana
de Direitos Humanos (art. 7o, item 7).
Este último documento, que goza de status supralegal, é taxativo ao afirmar
que apenas se admite a prisão civil por dívida inescusável de alimentos.
Por essa razão, editou-se a Súmula Vinculante 25, cujo teor é o seguinte:
"É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade
do depósito".
Assim, e considerando que os direitos e garantias fundamentais expressos
na Constituição não excluem outros decorrentes do sistema internacional
(art. 5o, § 2o, CF), não cabe a prisão civil do devedor que descumpre
contrato garantido por alienação fiduciária, configurando-se ausência de
justa causa para manutenção da prisão ora impugnada.
III - DA MEDIDA LIMINAR
É flagrante a ilegalidade da prisão ora questionada, pois a ordem judicial
de prisão ignora precedentes do próprio Supremo Tribunal Federal, o que
desafiaria até mesmo o ajuizamento de Reclamação para garantir a
autoridade da súmula vinculante editada pela Suprema Corte.
Privilegiando-se a rápida solução do problema, optou-se pela impetração
do presente habeas corpus, o qual reclama a concessão de medida liminar
para que imediatamente seja expedido o competente alvará de soltura, com
posterior pedido de informações à autoridade e oitiva do Ministério
Público.

IV - DO PEDIDO
Diante do exposto, requer-se:
a) Diante do exposto, vem requerer que, após solicitadas as informações à
autoridade coatora, seja concedida a ordem impetrada, com base nos arts.
647 e 648, inciso..., do Código de Processo Penal, decretando-se..., como
medida de inteira justiça.
b) Decretando-se:
• extinção da punibilidade: decretando-se a extinção da punibilidade do
fato imputado ao paciente na ação penal, já que... (motivo da extinção) ...;
• nulidade: ... decretando-se a anulação... (ab initio ou a partir do ato...);
• falta de justa causa: ... decretando-se trancamento da ação penal (se não
houver sentença) ou cassação da sentença (se houver sentença);
• abuso de autoridade: ... decretando-se... (depende da situação colocada
no problema).
c) Pedidos complementares:
• prisão preventiva: revogação da prisão preventiva decretada contra o
paciente e a expedição do alvará de soltura em seu favor;
• prisão em flagrante: relaxamento da prisão em flagrante imposta ao
paciente e expedição do alvará de soltura em seu favor;
• iminência de ser preso: expedição do contramandado de prisão;
• HC preventivo: expedição do salvo-conduto.
Termos em que pede deferimento.

Local e data...
ADVOGADO...
OAB...
HABEAS DATA (teórica)
1. DEFINIÇÃO E CABIMENTO:
Regulamentado pela Lei n° 9.507/97, o habeas data pode ser descrito como uma
ação constitucional de natureza civil e procedimento especial, que pretende
viabilizar o conhecimento, a retificação, a anotação (de contestação ou
explicação sobre dado verdadeiro, mas justificável, e que esteja sob pendência
judicial ou amigável) de informações da pessoa do impetrante, constantes
de bancos de dados públicos ou bancos de dados privados de caráter
público.
O habeas data protege a esfera íntima da pessoa não só em relação aos
bancos de dados das entidades governamentais, mas também em relação
aos bancos de dados de caráter público que são geridos por pessoas
privadas.
Inspirado, sobretudo, nas Constituições portuguesa e espanhola, o habeas data
foi instituído em nosso ordenamento pela Constituição de 1988, visando,
especialmente, proteger a esfera íntima dos indivíduos contra:
1. uso abusivo dos registros de dados pessoais coletados por meios
fraudulentos, desleais ou ilícitos;
2. introdução nesses registros de dados sensíveis (assim chamados os de
origem racial, opinião política, filosófica ou religiosa, filiação partidária e
sindical, orientação sexual etc.);
3. conservação de dados falsos ou com fins diversos daqueles autorizados
em lei
O habeas data (HD) está enunciado expressamente no texto constitucional, no
art. 5o, LXXII, da CF, que dispõe:
“conceder-se-á habeas data: (a) para assegurar o conhecimento de
informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros
ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter
público”; e “(b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-
lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo

O pedido de habeas data poderá ser renovado se a decisão denegatória não lhe
houver apreciado o mérito. Os processos de habeas data terão prioridade sobre
todos os atos judiciais, exceto habeas corpus e mandado de segurança. São
gratuitos o procedimento administrativo para acesso a informações e retificação
de dados e para anotação de justificação, bem como a ação de habeas data.
O habeas data é previsto no art. 5º, LXXII, da Constituição Federal, e
regulamentado pela Lei n. 9.507/97 que entrou em vigor no dia 13 de
novembro de 1997.
A propositura do habeas data depende da recusa do banco de dados, nos termos
da Súmula 2 do STJ. Equivale à recusa a omissão do banco de dados, nos
termos do art. 7º da Lei n. 9.507/97. (DEMONSTRAÇÃO DE INTERESSE DE
AGIR)
SÚMULA 02 STJ - NÃO CABE O HABEAS DATA (CF, ART. 5º, LXXII,
LETRA "A") SE NÃO HOUVE RECUSA DE INFORMAÇÕES POR PARTE
DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA

Art. 7° Conceder-se-á habeas data:

I - para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do


impetrante, constantes de registro ou banco de dados de entidades
governamentais ou de caráter público;

II - para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por


processo sigiloso, judicial ou administrativo;

III - para a anotação nos assentamentos do interessado, de contestação


ou explicação sobre dado verdadeiro mas justificável e que esteja sob
pendência judicial ou amigável.

1.1 CABIMENTO
Conforme preceitua o art. 1º da Lei n° 9.507/97, é definido como de caráter
público “todo registro ou banco de dados contendo informações que sejam
ou que possam ser transmitidas a terceiros ou que não sejam de uso
privativo do órgão ou entidade produtora ou depositária das informações”.
Tal compreensão abrange, por exemplo, os serviços de proteção ao crédito
(SPC) ou de listagens da mala direta.
• finalidade do habeas data é permitir o acesso ou a retificação de
dados referentes à pessoa do impetrante, inseridos em bancos de
dados públicos ou bancos de dados privados de caráter público
• direito geral à informação (garantido pelo art. 5º, XXXIII,) é um direito
fundamental de obter informações do Poder Público, que será
exercitado na via administrativa e se relaciona com um interesse
particular, geral ou coletivo. (NESSE CASO CABE MANDADO DE
SEGURANÇA)

1.2 OBJETIVO E FINALIDADE


Para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do
impetrante, constantes de registro ou banco de dados de entidades
governamentais ou de caráter público; para a retificação de dados, quando não
se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo; para a
anotação nos assentamentos do interessado, de contestação ou explicação
sobre dado verdadeiro, mas justificável e que esteja sob pendência judicial ou
amigável.

As finalidades do habeas data (acesso, retificação e anotação) estão previstas


no art. 8º da Lei n. 9.507/97. Na Constituição Federal, estão mencionadas
apenas duas finalidades possíveis para a utilização do habeas data, quais sejam
o acesso e retificação.
Art. 8° A petição inicial, que deverá preencher os requisitos dos arts. 282
a 285 do Código de Processo Civil, será apresentada em duas vias, e os
documentos que instruírem a primeira serão reproduzidos por cópia na
segunda.

Parágrafo único. A petição inicial deverá ser instruída com prova:

I - da recusa ao acesso às informações ou do decurso de mais de dez


dias sem decisão;

II - da recusa em fazer-se a retificação ou do decurso de mais de quinze


dias, sem decisão; ou

III - da recusa em fazer-se a anotação a que se refere o § 2° do art. 4° ou


do decurso de mais de quinze dias sem decisão.

Neste caso, a petição inicial deverá ser instruída com prova:


A. da recusa ao acesso às informações ou do decurso de mais de 10 dias
sem decisão;
B. da recusa em fazer-se a retificação ou do decurso de mais de 15 dias,
sem decisão; ou
C. da recusa em fazer-se a anotação ou do decurso de mais de 15 dias sem
decisão.

2. HIPÓTESE DE CABIMENTO
A. Impossibilidade de utilização de ação exibitória como substitutiva de
habeas data
Não é cabível ação de exibição de documentos que tenha por objeto a
obtenção de informações detidas pela Administração Pública que não
foram materializadas em documentos (eletrônicos ou não), ainda que se
alegue demora na prestação dessas informações pela via administrativa
(Informativo 575/2016 STJ)

B. Acesso a dados do registro de procedimento fiscal: o habeas data


não é via adequada para obter acesso a dados contidos em Registro
de Procedimento Fiscal (RPF).
Isso porque o RPF, por definição, é documento de uso privativo da
Receita Federal; não tem caráter público, nem pode ser transmitido a
terceiros (Informativo 548/2014).

C. Inquérito sigiloso
não é cabível o habeas data para obrigar o ministro da Justiça a fornecer
informações sobre inquérito conduzido pela Polícia Federal que transita
em segredo de justiça, cujo objetivo é elucidar a prática de infração
penal. A quebra de sigilo poderá causar prejuízo à apuração da autoria e
materialidade do delito, além de o caso não se enquadrar em nenhuma
das hipóteses de cabimento do habeas data previstas no art. 7º da Lei n.
9.507/97 (Informativo 222/2014).

D. Recurso:
da sentença que conceder ou negar o habeas data cabe apelação.
Quando a sentença conceder o habeas data, o recurso terá efeito
meramente devolutivo.

E. Efeito suspensivo
quando o habeas data for concedido e o Presidente do Tribunal ao qual
competir o conhecimento do recurso ordenar ao juiz a suspensão da
execução da sentença, desse seu ato caberá agravo para o Tribunal a
que presida.

3. LEGITIMIDADE ATIVA E PASSIVA

a) Ativa: qualquer pessoa física ou jurídica. O impetrante somente pode


ajuizar habeas data para obter informações próprias. No caso de pessoa
falecida, é admitida a legitimidade dos herdeiros do de cujus e do cônjuge
supérstite.
• O habeas data poderá ser manejado por qualquer pessoa, tanto
natural quanto jurídica, nacional ou estrangeira, que deseje ter
acesso às informações a seu respeito.
• caráter personalíssimo da ação, que nos permite concluir que o
habeas data será sempre impetrado para a obtenção do acesso, da
retificação ou da anotação de informações relativas à pessoa do
próprio impetrante, nunca de terceiros.

O legitimado ativo será, necessariamente, o titular dos dados que se


pretende conhecer, retificar ou complementar com alguma anotação.
Isso deve ficar inequívoco na petição inicial.

EXCEÇÃO: PESSOA FALECIDA.


Nesse contexto, o extinto TFR (Tribunal Federal de Recursos) admitiu a
legitimidade dos herdeiros do de cujus e do cônjuge supérstite
(sobrevivente) para a retificação de dados do morto. O STJ igualmente se
pronunciou pela possibilidade de o cônjuge sobrevivente ser parte legítima
para propor habeas data com o objetivo de obter informações do de cujus.

b) Passiva: a pessoa jurídica responsável pelo banco de dados público


(informações gerenciadas pela Administração Pública) ou de caráter
público (informações gerenciadas por particular autorizado pelo Poder
Público). Se for banco de dados eletrônico o polo passivo será o provedor.

• legitimidade passiva, já que o remédio tem por intuito permitir o


conhecimento e/ou retificar informações constantes de registro ou
de banco de dados, tanto de entidades governamentais como de
particulares que tenham caráter público, são justamente essas
entidades que podem ser sujeitos passivos do habeas data, desde
que possuam informações relativas ao impetrante.

Pode-se concluir que o polo passivo será preenchido de acordo com a


natureza jurídica do banco de dados. Se o registro ou banco de dados
pertencer à entidade governamental, o sujeito passivo será a pessoa
jurídica que compõe a administração direta e indireta do Estado. Em
contrapartida, pertencendo o registro ou banco de dados a entidade
privada de caráter público, a entidade não governamental, portanto
privada, figurará no polo passivo da ação.

4. COMPETÊNCIA

Vale mencionar que as definições acerca da competência para o processo


julgamento são explicitadas tanto pela Constituição Federal quanto pelo
art. 20 da Lei n° 9.507/97.

Art. 20. O julgamento do habeas data compete:

I - originariamente:
a) ao Supremo Tribunal Federal, contra atos do Presidente da República,
das Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, do Tribunal
de Contas da União, do Procurador-Geral da República e do próprio
Supremo Tribunal Federal;

b) ao Superior Tribunal de Justiça, contra atos de Ministro de Estado ou


do próprio Tribunal;

c) aos Tribunais Regionais Federais contra atos do próprio Tribunal ou


de juiz federal;

d) a juiz federal, contra ato de autoridade federal, excetuados os casos


de competência dos tribunais federais;

e) a tribunais estaduais, segundo o disposto na Constituição do Estado;

f) a juiz estadual, nos demais casos;

II - em grau de recurso:

a) ao Supremo Tribunal Federal, quando a decisão denegatória for


proferida em única instância pelos Tribunais Superiores;

b) ao Superior Tribunal de Justiça, quando a decisão for proferida em


única instância pelos Tribunais Regionais Federais;

c) aos Tribunais Regionais Federais, quando a decisão for proferida por


juiz federal;

d) aos Tribunais Estaduais e ao do Distrito Federal e Territórios,


conforme dispuserem a respectiva Constituição e a lei que organizar a
Justiça do Distrito Federal;

III - mediante recurso extraordinário ao Supremo Tribunal Federal, nos


casos previstos na Constituição.

PREVISÃO
AUTORIDADE COATORA COMPETÊNCIA FUNDAMENTO
LEGAL
Presidente da República, as
Mesas da Câmara dos
Deputados e do Senado
(art. 102,1, “d" da
Federal, o Tribunal de Contas
Excelentíssimo CF c/c art. 20,1,
da União, o Procurador-Geral da
República e o próprio Supremo senhor ministro “a”, da Lei n°
Supremo
Tribunal Federal, a competência Tribunal Federal presidente do 9.507/97);
originária para julgamento será supremo tribunal
do Supremo Tribunal Federal federal
julgar, em recurso ordinário, o
(art. 102, II, V, da
habeas data decidido em única
CF);
instância pelos Tribunais
Superiores, se denegatória a
decisão

Excelentíssimo
Ato de Ministro de Estado, dos
Superior senhor ministro
Comandantes da Marinha, do (art. 105,1, “b”, da
Tribunal de presidente do
Exército e da Aeronáutica, ou do CF);
Justiça superior tribunal de
próprio Tribunal
justiça
Originariamente, os habeas Excelentíssimo
(art. 108,1, “c”, da
data contra ato de juiz federal ou senhor
Tribunais CF);
do próprio Tribunal desembargador
Regionais
processar e julgar em grau de federal presidente do
Federais (art. 108, II, da
recurso os habeas data tribunal regional
federal da... Região CF);
denegados por juízes federais
Excelentíssimo
senhor doutor juiz de
(art. 125, § Io, da
direito da... Vara
CF);
Dos tribunais estaduais e juízes cível da comarca...
A DEPENDER DE
estaduais, de acordo com o que Tribunal de Excelentíssimo
CADA
estabelecerem as Constituições Justiça senhor doutor
CONSTITUIÇÃO
estaduais respectivas desembargador
DE CADA
presidente do
ESTADO
tribunal de justiça do
estado de...
Excelentíssimo
processar e julgar os habeas
senhor doutor juiz
data contra ato de autoridade
federal da... Vara (art. 109, VIII, da
federal, excetuados os casos de Juízes federais
federal CF);
competência dos Tribunais
Da seção judiciária
Regionais Federais
de...
Excelentíssimo
senhor dr. Juiz
eleitoral da... Zona
eleitoral de...
apresenta quando a impetração Excelentíssimo
envolver matéria eleitoral senhor
desembargador
(art. 121, § 4o, V,
Justiça Eleitoral eleitoral presidente
da CF),
do tribunal regional
eleitoral da... Região
também tem competência Excelentíssimo
recursal, afinal, das decisões senhor ministro
denegatórias de habeas data presidente do
prolatadas pelos TREs cabe tribunal superior
recurso para o TSE eleitoral
processamento e julgamento do Excelentíssimo
habeas data quando o ato Justiça do senhor juiz do
art. 114, IV da CF
questionado envolver matéria Trabalho trabalho da... Vara
sujeita à sua jurisdição. de... Excelentíssimo
senhor juiz federal
da... Vara do
trabalho de...

Em relação à competência para julgamento do habeas data em grau de


recurso, é importante esclarecer a questão do cabimento de recurso para
o STJ. Segundo a Lei n° 9.507/97, em seu art. 20, II, “b”, é da competência
do STJ julgar, em grau de recurso, o habeas data decidido em única
instância pelos TRFs. Não se pode concluir que a via recursal autorizada
pela lei seja o recurso ordinário constitucional, afinal não há qualquer
menção a esse cabimento no texto da Constituição Federal de 1988 e,
como é sabido, as atribuições dos Tribunais Superiores são enunciadas
em seu texto de maneira taxativa, sendo vedada qualquer ampliação por
norma infraconstitucional. Nesse sentido, se não cabe o recurso
ordinário para o STJ, só podemos concluir, na hipótese, pelo cabimento
de recurso especial, nos termos do art. 105, III, da CF, desde que, é claro,
preenchidos todos os demais requisitos para seu manejo.

5. PROCEDIMENTO
5.1 Fase administrativa (pré-judicial):
• nesta fase, o interessado deve solicitar administrativamente a
informação, a retificação, a anotação ou explicação sobre um dado
exato constante do banco de dados;
• o requerimento será apresentado ao órgão ou entidade depositária
do registro ou banco de dados e será deferido ou indeferido no prazo
de 48 horas;
• havendo a recusa da instituição ou decurso do prazo de mais de dez
dias (no caso da solicitação do conhecimento das informações), ou
mais de 15 dias (no caso da retificação ou anotação) sem qualquer
resposta, será viável a impetração do habeas data, eis que atendida
a condição da ação, qual seja, o “interesse de agir”.

Nota-se que somente quando ultrapassada sem sucesso a fase


administrativa é que a fase judicial poderá ser inaugurada. Por isso é
imprescindível instruir a petição inicial com documentos que
comprovem: (i) o pedido administrativo, e (ii) a recusa ou o transcurso
do prazo estipulado pela lei.

5.2 Fase judicial:


• esta se inicia com o legitimado ativo impetrando o habeas data, isto
é, acionando o órgão judiciário competente de acordo com a
previsão constitucional (e também à luz do art. 20 da Lei n° 9.507/97);
• a petição inicial deverá preencher os requisitos do art. 319 do CPC/15
e será apresentada em duas vias (os documentos que instruírem a
primeira serão reproduzidos por cópia na segunda), nos termos do
art. 8o da Lei n° 9.507/97;
• - a petição inicial será instruída com prova (art. 8o, parágrafo único
da Lei n° 9.507/97):

(A) da recusa ao acesso às informações ou do decurso de mais de dez


dias sem decisão;
(B) da recusa em fazer-se a retificação ou do decurso de mais de quinze
dias, sem decisão; ou
(C) da recusa em fazer-se a anotação a que se refere o § 2o do art. 4o ou
do decurso de mais de quinze dias sem decisão;
• ao despachar a inicial, o juiz ordenará que se notifique o legitimado,
sendo-lhe concedido o prazo de dez dias para prestar informações
(art. 9o da Lei n° 9.507/97);
• na sequência, o processo é encaminhado ao Ministério Público que
irá atuar como fiscal da ordem jurídica, para emitir parecer no prazo
de cinco dias (art. 12 da Lei n° 9.507/97);
• depois o processo será concluso para o julgamento, que deverá
ocorrer no prazo (impróprio) de cinco dias (art. 12 da Lei n° 9.507/97).
• Finalmente, cumpre recordar que os processos de habeas data terão
prioridade sobre todos os atos judiciais, exceto habeas corpus e
mandado de segurança (art. 19 da Lei n° 9.507/97).

Algumas considerações práticas importantes:


1) o impetrante possui isenção de custas e despesas judiciais (art. 5o,
LXXVII, da CF) na fase administrativa, na fase judicial, inclusive na via
recursal, se esta houver, por isso não se deve fazer pedido de
condenação nas verbas de sucumbência (aplica-se o disposto no art. 21
da Lei n° 9.507/97);
2) determina o art. 291 do CPC/15 que a toda causa deverá ser atribuído
um valor certo, ainda que ela não possua conteúdo econômico
imediatamente aferível. Como no caso do habeas data não há como se
mensurar o valor econômico da ação, deve-se atribuir a ela valor ínfimo
(R$ 1.000,00), meramente para efeitos fiscais;
3) por fim, nos termos do art. 18 da Lei n° 9.507/97, o pedido de habeas
data poderá ser renovado se a decisão denegatória não lhe houver
apreciado o mérito.
HABEAS DATA
Será determinada de acordo com a autoridade que se negar (ou se
COMPETÊNCIA mantiver omissa no prazo legal) a prestar as informações, a fazer a
retificação ou a anotação dos dados (art. 20 da Lei n° 9.507/97).
De acordo com o órgão competente. Não há peça de interposição.
- Excelentíssimo Senhor Ministro Presidente do Supremo Tribunal
Federal;
- Excelentíssimo Senhor Ministro Presidente do Superior Tribunal
de Justiça;
- Excelentíssimo Senhor Ministro Presidente do (Tribunal Superior);
- Excelentíssimo Senhor Desembargador Presidente doTribunal de
ENDEREÇAMENTO
Justiça do Estado...;
- Excelentíssimo Senhor Desembargador Federal Presidente do
Tribunal Regional Federal da... Região;
- Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Federal da... Vara Federal da
Seção Judiciária de...;
- Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Cível da
Comarca... do Estado... (ou Vara de Fazenda Pública, se o caso).
Qualquer pessoa, tanto natural quanto jurídica, nacional ou
LEGITIMIDADE ATIVA estrangeira, que deseje ter acesso às informações a seu respeito,
devido ao caráter personalíssimo da ação.
Entidades governamentais, bem como entidades particulares, que
tenham caráter público (isto é, que mantenham registro ou banco
LEGITIMIDADE PASSIVA
de dados e deem publicidade aos dados coletados). Ver art. 1o da
Lei n° 9.507/97).
art. 5º, LXXII, da Constituição Federal, e regulamentado pela Lei n.
9.507/97
Demonstrar que as informações são pessoais e que houve
FUNDAMENTO LEGAL recusa/omissão em conceder informações referentes ao
impetrante, ou recusa/omissão em fazer a retificação, ou recusa/
omissão em fazer a anotação, mesmo após realização de pedido
administrativo.
- Que se notifique o coator do conteúdo da petição, entregando-lhe
a segunda via apresentada pelo impetrante, com as cópias dos
documentos, a fim de que, no prazo de dez dias, preste as
informações que julgar necessárias (art. 9o da Lei n° 9.507/97);
- Que seja ouvido o representante do Ministério Público, no prazo
de cinco dias (art. 12 da Lei n° 9.507/97);
- Que se apresentem ao impetrante as informações a seu respeito,
REQUISITOS / PEDIDOS
constantes de registros ou bancos de dados; ou apresente em juízo
a prova da retificação ou da anotação feita nos assentamentos do
impetrante (art. 13 da Lei n° 9.507/97);
- Que se imprima tramitação preferencial ao procedimento em
relação a outros procedimentos judiciais, exceto em relação ao
habeas corpus e mandado de segurança (art. 19 da Lei n°
9.507/97).
- Deve ser feita a demonstração do interesse de agir, mediante a
comprovação documental na petição inicial de que foi realizado um
PARTICULARIDADES
pedido em sede administrativa e este foi recusado ou não
respondido no prazo legal;
- Não há condenação em honorários advocatícios;
- Trata-se de ação gratuita (art. 5o, LXXVII, da CF);
- É uma ação de caráter personalíssimo;
- Deve-se atribuir como valor da causa R$ 1.000,00 (mil reais), já
que o art. 291 do CPC/15 dispõe que a toda causa deverá ser
conferido um valor certo, ainda que ela não possua conteúdo
econômico imediato. No caso do habeas data, não há como
mensurar um valor econômico específico para a ação, de forma que
deva ser atribuído valor ínfimo, para efeitos fiscais.

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DA... VARA CÍVEL DA


COMARCA... DO ESTADO...

PAULO, nacionalidade, estado civil, profissão,


cédula de identidade n°..., inscrito no CPF sob
o n0..., residente e domiciliado na... (endereço
completo), por seu advogado (instrumento de
mandato anexo), com escritório na..., local
indicado para receber intimações (art. 77, V, do
Código de Processo Civil de 2015), vem à
Presença de Vossa Excelência, com
fundamento no art. 5o, inciso LXXII, "a" da
Constituição Federal e arts. 7o, I, e 8o,
parágrafo único, I, da Lei n° 9.507/97, impetrar
HABEAS DATA em face de ato do DIRETOR DA
DIVISÃO DE INVESTIGAÇÃO SOCIAL DA
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO,
que exerce suas funções na..., pelos motivos de
fato e de direito a seguir expostos.
I - DOS FATOS
Paulo inscrevera-se no concurso para ingresso na Polícia Militar do Estado de
São Paulo, visando ser admitido como cabo. Prestou as duas primeiras fases do
certame, obtendo excelente pontuação, mas fora reprovado na etapa de
"investigação social".
As razões de reprovação não foram disponibilizadas ao impetrante, mesmo
tendo formulado pedido ao Diretor da Divisão de Investigação Social da Polícia
Militar do Estado de São Paulo.
Anexa-se aos autos prova documental de recusa ao acesso às informações
pessoais do impetrante.
II - DO DIREITO
A Constituição Federal prevê o direito à informação, no art. 5o, XIV e XXXIII, o
qual poderá ser assegurado por meio de habeas data:
Constituição Federal
Art. 5o Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes:
[...]
LXXII - conceder-se-á habeas data: a) para assegurar o conhecimento de
informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos
de dados de entidades governamentais ou de caráter público;
1. Da Competência
De acordo com o art. 5º, LXXII, c/c o art. 20 da Lei n. 9.507/97, a competência é
definida em razão da hierarquia funcional do agente público.
No caso é..., o que justifica que a presente ação seja ajuizada perante a
Justiça..., nos termos do... (indicar fundamento legal). b) legitimidade das partes:
o candidato deve demonstrar que as partes que ocupam os polos (ativo e
passivo) estão adequadas, conforme modelo abaixo:
2. Da Legitimidade Ativa
A legitimidade ativa para a impetração do habeas data está prevista no art. 5º,
LXIX, a, na Constituição da República Federativa do Brasil e no art. 7º, I, da Lei
n. 9.507/97. Da leitura dos referidos artigos, o legitimado ativo para propor o
habeas data é qualquer pessoa física ou jurídica, desde que seja observado o
caráter personalíssimo. No caso de pessoa falecida, é admitida a legitimidade
dos herdeiros do de cujus e do cônjuge supérstite.
No caso em tela, o(a) autor(a) da presente ação preenche o requisito subjetivo,
pois é... impetrante, que visa a assegurar o conhecimento de informação de
caráter personalíssimo, em face do que houve... (recusa ou omissão) pelo...
(identificar órgão ou entidade depositária do banco de dados).
2.1 Da Legitimidade Passiva
De acordo com o art. 5º, LXXII, da Constituição Federal c/c o art. 1º da Lei n.
9.507/97, o legitimado passivo é a pessoa responsável pelo banco de dados,
que pode ser público (informações gerenciadas pela Administração Pública) ou
de caráter público (informações gerenciadas por particular autorizado pelo Poder
Público).
No caso em tela, afirma-se que o legitimado passivo é... (identificar o(s) réu (s)),
tendo o poder-dever de conceder as informações pleiteadas pela impetrante.
3. Interesse de agir
Deve indicar que houve omissão ou recusa do órgão ou entidade depositária do
banco de dados, conforme modelo abaixo:
É cabível a impetração do presente habeas data com fulcro no art. 5º, LXXII, a,
da Constituição Federal e art. 7º, inciso... (conforme a finalidade), da Lei n.
9.507/95, por se tratar de... (recusa ou omissão) na prestação de informações
acerca do impetrante.
No caso em tela, está presente a condição da ação necessária do interesse de
agir para a impetração do habeas data, visto que a impetrante procurou obter a
informação de caráter pessoal pela via administrativa... (explicar como foi feito o
pedido na via administrativa e se houve recusa ou omissão pelo órgão ou
entidade depositária do banco de dados).
4. Mérito
Demonstrar que, diante da recusa ou omissão do órgão administrativo, é
justificada a propositura do habeas data para pedir acesso, retificação ou
anotação. O candidato pode adotar o seguinte modelo:
Na hipótese dos autos, houve... (recusa ou omissão) ao direito do impetrante de
receber informações constantes... (especificar órgão ou entidade depositária do
banco de dados). Diante da... (recusa ou omissão), houve violação ao direito
fundamental de... (acesso, retificação ou anotação), razão pela qual o impetrante
vem a juízo pleitear a devida prestação das informações por ele requeridas.
No caso em tela, a informação pleiteada pela impetrante... (manifestar a
importância da informação ao impetrante). Ressalta-se que o direito à
informação é previsto no art. 5º, XXXIII, da CRFB, além do que a atividade
pública exercida pelo... (identificar o órgão ou entidade depositária dos dados) é
regida pelo princípio da publicidade previsto no art. 37 da CRFB.
A presente medida tem por alicerce a negativa da autoridade coatora em
fornecer informações pessoais do impetrante, conforme faz prova o documento
anexo aos autos. In casu, a justificativa de que o edital confere sigilo a tais
informações não prospera, pois evidente que referida norma, perfeitamente
aplicável, tem por intuito proteger as informações do impetrante em relação a
terceiros. Recusar ao próprio impetrante acesso a tais informações, no entanto,
configura abuso de autoridade e violação a seu direito de ter acesso a
informações particulares (arts. 7o, I, e 8o, parágrafo único, I, da Lei n° 9.507/97).

III - DAS PROVAS


O candidato deve construir a seguinte frase: O autor pretende provar o alegado
por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente... (mencionar
as que forem indicadas no enunciado). Se acaso houver indicação de prova
testemunhal, o candidato não pode esquecer de indicar o rol de testemunhas.

IV - REQUERIMENTOS E PEDIDO
Diante do exposto, o impetrante requer:
a) seja a autoridade impetrada, o Sr. Diretor da Divisão de Investigação Social
da Polícia Militar, notificada nos termos do art. 9o da Lei n° 9.507/97, para que
preste informações que entender necessárias no prazo de dez dias;
b) seja ouvido o representante do Ministério Público, no prazo de cinco dias,
conforme estabelece o art. 12 da Lei n° 9.507/97;
c) que, ao Final, seja a presente ação julgada procedente no sentido de que seja
declarado o direito do impetrante de acesso às informações pessoais de caráter
público que o Poder Público detém, de forma a determinar-se à autoridade
coatora para que, em dia e hora designados por Vossa Excelência, apresente ao
impetrante as informações a seu respeito, constantes de seus Registros e
bancos de dados.
Requer-se, ainda, que se imprima tramitação preferencial ao presente
procedimento em relação a outros procedimentos judiciais, exceto em relação
ao habeas corpus e mandado de segurança, a teor do disposto no art. 19 da Lei
n° 9.507/97.
Deixa o impetrante de requerer a condenação em verba honorária, em razão do
disposto no art. 21 da Lei n° 9.507/97.
Requer-se, ainda, que as intimações dos atos e termos do presente processo
sejam feitas exclusiva e diretamente à pessoa do patrono constituído:
Advogado... inscrito na OAB/... n°..., com escritório na..., n0..., Município...,
Estado..., CEP...
Dá-se à causa o valor de R$ 1.000,00 (mil reais), para fins procedimentais.
Termos em que pede deferimento.

Local e data...
ADVOGADO...
OAB...
Mandado de injunção (teórica)

1. DEFINIÇÃO E CABIMENTO:

O mandado de injunção está previsto no art. 5º, LXXI, da Constituição Federal.


É regulamentado pela Lei n. 13.300/2016 e sofre aplicação subsidiária da Lei
do Mandado de Segurança e do CPC.

É remédio constitucional proposto sempre que a falta total ou parcial de


norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades
constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e
à cidadania. Considera-se parcial a regulamentação quando forem insuficientes
as normas editadas pelo órgão legislador competente.

É, portanto, ação cujo intuito é o de proteger os direitos subjetivos previstos em


dispositivos do texto constitucional cuja eficácia é limitada, isto é, dispositivos
dependentes de norma regulamentadora posterior para produzirem com
plenitude todos os seus efeitos.

2. OBJETO E FINALIDADE

Nesse sentido, percebe-se que o mandado de injunção possui dupla finalidade,


a saber:

(i) primordialmente, viabilizar o exercício de direitos previstos na


Constituição Federal;

(ii) de modo secundário, visa combater a inércia dos Poderes Públicos na


regulamentação da Constituição. O objeto é norma constitucional de
eficácia limitada.

3. REQUISITOS PARA O CABIMENTO

Podemos apontar como requisitos para o acionamento do remédio


constitucional:
(i) existência de uma norma constitucional de eficácia limitada que consagre
direitos, liberdades e prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à
cidadania, e que não tenha recebido uma regulamentação capaz de lhe conferir
aplicabilidade imediata e plena;

(ii) já que a norma constitucional tem eficácia limitada, a consequente


existência de um dever para os Poderes Públicos em editar as normas
infraconstitucionais capazes de regulamentar a norma constitucional e, com isso,
efetivar os direitos,

liberdades e prerrogativas que nela estejam contidos;

(iii) a comprovação de que o legitimado ativo só não exerce o direito/


liberdade/prerrogativa porque inexiste uma norma regulamentadora, pois
se esta houvesse, ele exerceria o direito na plenitude. Esse requisito intitulamos
nexo causal, isto é, a correlação necessária entre a ausência de norma e o não
exercício do direito.

É ação civil, de caráter essencialmente mandamental, e procedimento especial.


São requisitos:

a) que não haja ou seja insuficiente norma regulamentadora do direito,


liberdade ou prerrogativa prevista em norma constitucional;

b) que o impetrante seja beneficiário direto do direito, liberdade ou


prerrogativa;

c) inviabilidade do direito, liberdade ou prerrogativa prevista na


Constituição.

4. MANDADO DE INJUNÇÃO COLETIVO

O mandado de injunção coletivo é proposto por legitimados previstos na Lei


n. 13.300/2016, que agem em nome próprio, na defesa de interesses alheios.
Os direitos, as liberdades e as prerrogativas protegidos por mandado de injunção
coletivo são os pertencentes, indistintamente, a uma coletividade
indeterminada de pessoas ou determinada por grupo, classe ou categoria.

Sobre a admissibilidade do mandado de injunção coletivo:

a) até o advento da Lei n. 13.300/2016, o mandado de injunção coletivo,


embora não tivesse previsão expressa no texto da CRFB/88, era admitido
pelo STF por analogia ao disposto no art. 5º, LXX, da CRFB (o mandado de
segurança coletivo pode ser impetrado por:

i) partido político com representação no Congresso Nacional;

ii) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente


constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos
interesses de seus membros ou associados);

b) com o advento da Lei n. 13.300/2016, embora ainda sem previsão


constitucional expressa, o mandado de injunção coletivo passou a ser
previsto de forma expressa na Lei n. 13.300/2016.

A lei regulamentadora do mandado de injunção, na parte da legitimidade ativa


do mandado de injunção coletivo, inclui, além dos legitimados para propor o
mandado de segurança coletivo (o que aliás já era admitido na jurisprudência do
STF), os seguintes legitimados:

• Ministério Público, quando a tutela requerida for especialmente relevante


para a defesa da ordem jurídica, do regime democrático ou dos interesses
sociais ou individuais indisponíveis;

• Defensoria Pública, quando a tutela requerida for especialmente relevante


para a promoção dos direitos humanos e a defesa dos direitos individuais
e coletivos dos necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5º da
Constituição Federal.

5. LEGITIMIDADE DAS PARTES


MANDADO DE
MANDADO DE INJUNÇÃO COLETIVO Art. 12
SEGURANÇA COLETIVO
da Lei n. 13.300/2016
Art. 5º, LXX, da CRFB
Partido político com representação no
Partido político com Congresso Nacional: para assegurar o
representação no exercício de direitos, liberdades e prerrogativas
Congresso Nacional de seus integrantes ou relacionados com a
finalidade partidária.
Organização sindical: para assegurar o
exercício de direitos, liberdades e prerrogativas
em favor da totalidade ou de parte de seus
Organização sindical membros ou associados, na forma de seus
estatutos e desde que pertinentes a suas
finalidades, dispensada, para tanto,
autorização especial.
Entidade de classe: para assegurar o exercício
de direitos, liberdades e prerrogativas em favor
da totalidade ou de parte de seus membros ou
Entidade de classe
associados, na forma de seus estatutos e
desde que pertinentes a suas finalidades,
dispensada, para tanto, autorização especial.
Associação legalmente constituída e em
Associação legalmente funcionamento há pelo menos um ano: para
constituída e em assegurar o exercício de direitos, liberdades e
funcionamento há pelo prerrogativas em favor da totalidade ou de
menos um ano, em defesa parte de seus membros ou associados, na
dos interesses de seus forma de seus estatutos e desde que
membros ou associados. pertinentes a suas finalidades, dispensada,
para tanto, autorização especial.
Ministério Público, quando a tutela requerida for
especialmente relevante para a defesa da
ordem jurídica, do regime democrático ou dos
interesses sociais ou individuais indisponíveis
Defensoria Pública, quando a tutela requerida
for especialmente relevante para a promoção
dos direitos humanos e a defesa dos direitos
individuais e coletivos dos necessitados, na
forma do inciso LXXIV do art. 5º da Constituição
Federal

a) Ativa: qualquer pessoa física ou jurídica interessada (que se afirme titular


dos direitos, das liberdades ou das prerrogativas objeto do mandado de
injunção) pode ajuizar mandado de injunção; no caso de mandado de injunção
coletivo, os legitimados são os previstos no art. 12 da Lei n. 13.300/2016.

Nota-se, pois, que para a caracterização da legitimidade não é suficiente


a mera detecção de ausência de norma regulamentadora. É
imprescindível que o legitimado ativo comprove na petição inicial que o
não exercício do direito/liberdade/prerrogativa é consequência direta da
inexistência da regulamentação (nexo causal). Em outras palavras, é
preciso que o legitimado comprove que não exerce o
direito/liberdade/prerrogativa exatamente porque falta a norma
regulamentadora.

b) Passiva: o Poder, o órgão ou a autoridade com atribuição para editar a


norma regulamentadora. No caso de omissão, o responsável pela elaboração
da norma regulamentadora necessária ao exercício do direito constitucional
inviabilizado. Tem de ser pessoa estatal. Órgão ou entidade privada não tem
legitimidade passiva, nem mesmo na condição de litisconsorte passivo com
pessoa estatal.

Tal qual se faz no Mandado de Segurança, a petição inicial deverá indicar


expressamente o Impetrado e a Pessoa Jurídica a qual é vinculado.
Para ilustrar, imagine que a omissão refira-se à não edição da lei
complementar de que trata o art. 40, § 4o da CF. Nesse caso, em virtude
da previsão do art. 61, § 1o, II, "c" da CF, a iniciativa é privativa do
Presidente da República, de modo que, enquanto ele se mantiver omisso
na apresentação do projeto de lei, ele será apontado na petição inicial
como legitimado passivo. Quando, todavia, ele apresentar o projeto de
lei, a omissão de regulamentar (de votar e aprovar a lei) se transfere para
o Poder Legislativo, devendo, portanto, o Congresso Nacional ser
apontado na exordial como legitimado passivo.

Somente pessoas estatais podem figurar no polo passivo da relação


processual instaurada com a impetração do mandado de injunção, eis que
apenas a elas é imputável provimentos normativos (Informativo 167/2003
do STJ).

TIPO DE OMISSÃO LEGITIMADO PASSIVO


Lei federal Congresso Nacional
Lei estadual Assembleia Legislativa
Lei federal de iniciativa privativa
Presidente da República
do Presidente da República
Lei estadual de iniciativa privativa
Governador do Estado
do Governador do Estado
6. COMPETÊNCIA
PREVISÃO
AUTORIDADE COATORA COMPETÊNCIA FUNDAMENTO
LEGAL
caso a edição da norma
regulamentadora seja de atribuição
do Presidente da República, do
Congresso Nacional, da Câmara dos
Deputados, do Senado Federal, de art. 102,1, “q” da
quaisquer das Mesas dessas Casas CF
Legislativas, do Tribunal de Contas
da União, dos Tribunais Superiores
ou do Supremo Tribunal Federal;
igualmente a competência é do
excelentíssimo senhor ministro
Supremo Tribunal Federal para Supremo
presidente do supremo tribunal
julgar, em grau de recurso ordinário, Tribunal Federal
federal art. 102, 11, V da
o mandado de injunção decidido em
CF
única instância pelos Tribunais
Superiores, quando denegatória a
decisão
segundo a doutrina, é implícita a
competência tanto do STF quanto do
arts. 102, III, “a”,
STJ para julgarem, respectivamente,
e 105, III, V e V,
recursos extraordinários e especiais
ambos da CF
contra decisões proferidas em
mandado de injunção
quando a norma regulamentadora
for atribuição de órgão, entidade ou
autoridade federal da administração
direita ou indireta, excetuados os Superior excelentíssimo senhor ministro
art. 105,1, “h”
casos de competência do Supremo Tribunal de presidente do superior tribunal
da CF,
Tribunal Federal e dos órgãos da Justiça de justiça
Justiça Militar, da Justiça Eleitoral,
da Justiça do Trabalho e da Justiça
Federal
excelentíssimo senhor doutor
juiz-auditor da...a auditoria da
justiça militar da...a
Nos casos de a impetração discutir circunscrição judiciária militar
Justiça Militar,
matérias sujeitas à jurisdição desses excelentíssimo senhor doutor art. 105,1, “h”
Eleitoral ou do
ramos específicos; o fundamento juiz eleitoral da... zona da CF,
Trabalho
constitucional eleitoral de...
excelentíssimo senhor doutor
juiz do trabalho da... vara de
(cidade e estado)
EXCELENTÍSSIMO SENHOR
julgar as decisões dos Tribunais
MINISTRO PRESIDENTE DO (art. o art. 121, §
Regionais Eleitorais que denegarem Justiça Eleitoral
TRIBUNAL 4o, V);
mandados de injunção
SUPERIOR ELEITORAL
importante lembrar a possibilidade
de o mandado de injunção existir Excelentíssimo senhor doutor
também na esfera estadual, desde juiz de direito da... Vara cível da A DEPENDER
que haja previsão na respectiva comarca... DA
Constituição do Estado-membro, Justiça Estadual Excelentíssimo senhor doutor CONSTITUIÇÃO
devendo a competência para desembargador presidente do DE CADA
processamento e julgamento ser tribunal de justiça do estado ESTADO
definida pela própria Constituição de...
estadual
Tratando-se de mandado de injunção, diante de omissão apontada em
relação à norma emanada do Conselho Nacional de Trânsito (Contran),
órgão autônomo vinculado ao Ministério das Cidades e presidido pelo
titular do Departamento Nacional de Trânsito, a competência para
processar e julgar o mandado de injunção é da Justiça Federal nos
termos do art. 109, I, da CRFB (Informativo 286/2006 do STJ).

7. HIPOTESES DE (NÃO) CABIMENTO

• É pacífica a jurisprudência do STF no sentido de que o mandado de


injunção não comporta a concessão de medida liminar;
• Não cabe mandado de injunção diante de falta de norma
regulamentadora de norma infraconstitucional.
• Em relação ao direito de greve: a lei de greve do serviço público ainda
não foi regulamentada, mas, após o julgamento no STF do Mandado de
Injunção 708-DF, DJe 30-10-2008, determinou-se a aplicação das Leis n.
7.701/88 e 7.783/89 enquanto persistir essa omissão quanto à existência
de lei específica, nos termos previstos no art. 37, VII, da CRFB.
• O Superior Tribunal de Justiça, consequentemente, passou a ter
competência para apreciar os processos relativos à declaração
sobre a paralisação do trabalho decorrente de greve de servidores
públicos civis, bem como às respectivas medidas acautelatórias, quando
as greves forem nacionais ou abrangerem mais de uma Unidade da
Federação
• Também no citado mandado de injunção, o STF, ao interpretar o art. 7º
da Lei n. 7.783/89, entendeu que com a deflagração da greve ocorre
a suspensão do contrato de trabalho (Informativo 448/2010 do STJ).

8. PROCEDIMENTO JUDICIAL

Da decisão de relator que indeferir a petição inicial, caberá agravo, em cinco


dias, para o órgão colegiado competente para o julgamento da impetração.
• Enquanto não havia regulamentação, por força da Lei n° 8.038/90,
utilizava-se como parâmetro procedimental a Lei n° 12.016/09 que
regulamenta o Mandado de Segurança, com minúcias construídas pela
própria Jurisprudência.
• Com a edição da Lei n° 13.300/16, há uma regulamentação específica
para o processo e o julgamento do mandado de injunção que será
exposta pois já vigente, mesmo que ainda não acomodada pela
Jurisprudência e pela Doutrina.
• Assim, quando a pessoa natural ou jurídica se deparar com a situação
de ser titular de direito, liberdade constitucional ou prerrogativa
inerente à nacionalidade, à soberania ou à cidadania e inviável seu
exercício em razão da falta total ou parcial de norma regulamentadora
poderá impetrar mandado de injunção.
• A petição inicial deverá seguir o regramento da própria Lei n° 13.300/16
e preencher os requisitos da lei processual, quais sejam, os constantes
do art. 319 do Código de Processo Civil de 2015. A petição inicial
deverá indicar o impetrado e a pessoa jurídica a qual se encontra
vinculado, bem como estar acompanhada das provas necessárias
para provar os fatos apresentados. Quando o documento necessário à
prova do alegado encontrar-se em repartição ou estabelecimento público,
em poder de autoridade, de terceiro ou do próprio impetrado, havendo
recusa em fornecê-lo será ordenada a exibição do documento, a
pedido do impetrante.
• Poderá ser indeferida, desde logo, a petição inicial, quando a
impetração for manifestamente incabível ou manifestamente
improcedente, nos termos do art. 6o da Lei n° 13.300/16. Instituto
processual semelhante ao indeferimento da petição inicial e à
improcedência liminar do pedido presentes no Código de Processo Civil
de 2015 em seus arts. 330 e 332.
• Recebida a petição inicial, o órgão jurisdicional competente ordenará a
notificação do impetrado sobre o conteúdo da petição inicial para
que preste informações no prazo de 10 (dez) dias, bem como a ciência
do ajuizamento da ação ao órgão de representação judicial da pessoa
jurídica interessada para que ingresse no feito, caso queira.
• Terminado o prazo para apresentação das informações, será intimado o
Ministério Público para se manifestar em dez dias, prazo a partir do
qual, com ou sem o parecer ministerial, os autos serão conclusos para
decisão.
• Indispensável destacar que, acompanhando a Jurisprudência já
consolidada, a Lei n° 13.300/16 não dispôs sobre a concessão de
liminar ou qualquer antecipação de efeito da tutela, de modo que é
possível afirmar sua impossibilidade, com base na construção
jurisprudencial e no silêncio eloquente da lei.
• Por fim, importante destacar que a edição de norma regulamentadora
antes da decisão do mandado de injunção implica na perda de seu
objeto e na sua extinção sem resolução de mérito. Já a norma
regulamentadora editada após o trânsito em julgado da decisão do
mandado de injunção produzirá efeitos ex nunc em relação aos seus
beneficiados, salvo se sua aplicação lhes for mais favorável.

9. CONTEÚDO DA SENTENÇA

Reconhecido o estado de mora legislativa, será deferida a injunção para:


I – determinar prazo razoável para que o impetrado promova a edição da
norma regulamentadora (essa determinação será dispensada quando
comprovado que o impetrado deixou de atender, em mandado de injunção
anterior, ao prazo estabelecido para a edição da norma);
II – estabelecer as condições em que se dará o exercício dos direitos, das
liberdades ou das prerrogativas reclamados ou, se for o caso, as condições
em que poderá o interessado promover ação própria visando a exercê-los, caso
não seja suprida a mora legislativa no prazo determinado.

10. EFICÁCIA SUBJETIVA DA SENTENÇA

É limitada às partes e produzirá efeitos até o advento da norma


regulamentadora.
Poderá ser conferida eficácia ultra partes ou erga omnes à decisão, quando
isso for inerente ou indispensável ao exercício do direito, da liberdade ou da
prerrogativa objeto da impetração.
Transitada em julgado a decisão, seus efeitos poderão ser estendidos aos casos
análogos por decisão monocrática do relator.

11. A JURISPRUDÊNCIA ANTERIOR E A ATUAL REGULAÇÃO DOS


EFEITOS DA DECISÃO

Em síntese, temos duas correntes básicas, denominadas (1) “concretista” e (2)


“não concretista”, sendo que a primeira delas se subdivide em: (1 .A) “geral” e
(l.B) “individual”.
a) Não concretista: ao Poder Judiciário caberia apenas o reconhecimento da
inércia legislativa e consequente comunicação ao órgão competente para a
elaboração da norma regulamentadora necessária ao exercício do direito
constitucional inviabilizado.
A teoria “não concretista”, que foi a adotada pela maioria dos ministros do STF
por quase 20 anos, estabelece que a decisão que concede a injunção é
possuidora de natureza exclusivamente declaratória, tendo por objeto apenas
o reconhecimento da omissão na edição da norma regulamentadora.

Dessa forma, e dando primazia ao princípio da separação de Poderes, a


sentença judicial só pode declarar a mora, mas não pode implementar o
exercício do direito para o autor da ação, apenas recomendando ao legislador
(ou a outro órgão do Poder Público) que o faça.

b) Concretista geral: o juiz legisla erga omnes (ex.: MI 670, 708 e 712). O
Judiciário, mediante sentença, regularia a omissão em caráter geral.
De outro lado, temos a teoria “concretista”, que determina que a sentença
concessiva da injunção não possui apenas natureza declaratória da omissão
legislativa ou administrativa, mas também possui natureza constitutiva, uma
vez que concretiza temporariamente o exercício do direito, pendente de
regulamentação infraconstitucional, até que sobrevenha a norma
complementadora.
“concretista geral”, segundo a qual a sentença judicial produz efeitos erga
omnes permitindo a viabilização do exercício do direito para todos, até que
seja editada a norma pendente pela autoridade competente. Nesses termos,
a decisão da Corte implicaria concretização da norma genérica e
abstratamente para todas as pessoas que se incluem na situação. O STF não
adota atualmente essa corrente, sob afirmativa de que ela feriria o
princípio da separação dos Poderes, uma vez que a extensão de efeitos da
decisão para todos colocaria a Suprema Corte em posição semelhante a do
legislador

c) Concretista individual: o juiz implementa o direito para a pessoa reclamante


(ex.: MI 721-DF). O Poder Judiciário deve criar a regulamentação para o caso
específico.
“concretista individual”, na qual a decisão concessiva da injunção deve
viabilizar o direito previsto constitucionalmente, mas com eficácia inter
partes. Nesse sentido, a decisão fica restrita às partes do caso concreto. A
corrente concretista individual é corroborada pela maioria da doutrina.
A teoria “não concretista” firmou-se no início da década de 1990 do século
passado, e foi recentemente abandonada pelo STF, especialmente porque os
anos se passaram e a Corte verificou que seu apelo ao legislador não surtia
efeito, já que o Congresso não dava a devida atenção a essa demanda
normativa (não editava as leis faltantes) e, com isso, os direitos permaneciam
não exercitáveis.
d) Concretista intermediária: o juiz fixa prazo para o órgão omisso
regulamentar a matéria; se não o fizer no prazo, o juiz implementa o direito para
a pessoa. Expirado o prazo assinalado pelo Poder Judiciário, ficaria este
autorizado a suprir a lacuna para o caso concreto, isto é, somente para o
impetrante. O STF, por longos anos, defendeu a aplicação da teoria não
concretista. No ano de 2007, o STF passou a rever sua posição quanto aos
efeitos da decisão no mandado de injunção, com adoção ora da concretista
geral ora da concretista individual.

Essa virada paradigmática consolidou-se no STF a partir do julgamento de


alguns mandados de injunção coletivos, em outubro de 2007, que tinham
por objeto garantir aos servidores públicos o exercício do direito de
greve, conforme previsão do art. 37, VII da CF. O caso envolveu mandados
de injunção coletivos e nestes a Corte não apenas reconheceu a omissão
legislativa quanto ao dever de editar norma regulamentadora daquele direito,
como também viabilizou imediatamente o seu exercício, determinando, por
maioria de votos, que fosse aplicada a todos os servidores públicos, no que
coubesse, a lei de greve do setor privado (Lei n° 7.783/89).

O fato é que, após essa marcante e controversa decisão, a Corte parece ter
firmado o abandono da postura “não concretista” em prol da
“concretista”, o que restou comprovado em decisões posteriores, como
aquela proferida no julgamento do MI 721-DF, na qual o plenário do STF
discutia a ausência de regulamentação da aposentadoria especial dos
servidores públicos (conforme determinação constitucional do art. 40, § 4.° da
CF) e concluiu pela aplicação das normas do regime geral da previdência
(art. 57 da Lei n° 8.213/91). Nesse caso, portanto, a Corte adotou a corrente
concretista individual, mantendo os efeitos da decisão adstritos às partes da
ação.

É de se destacar que nessas decisões em mandado de injunção o STF tem


se valido da estratégia de proferir decisões de cunho normativo aditivo,
que importam na aplicação, por analogia, de uma lei já existente (mas
válida para outros casos) à situação constitucional carente de
regulamentação. Assim, é por meio da ampliação das hipóteses de incidência
de uma lei já existente para alcançar outros casos por ela não previstos, que
o STF tem conseguido concretizar o direito até então não exercitável pela
carência de norma, ao mesmo tempo em que não se compromete com a
atividade legislativa, evitando, com isso, qualquer ataque à separação de
poderes.
Como o STF tem adotado a teoria concretista e se valido de leis já
existentes para concretizar o direito carente de regulamentação, deve o
legitimado ativo, na petição inicial, apontar a eventual lei (acaso
existente) que regula hipótese semelhante àquela que ele pretende ver
normatizada, solicitando a concretização de seu direito a partir dos
parâmetros definidos na lei que será usada por analogia.

12. RENOVAÇÃO

O indeferimento do pedido por insuficiência de prova não impede a renovação


da impetração fundada em outros elementos probatórios.
Sem prejuízo dos efeitos já produzidos, a decisão poderá ser revista, a pedido
de qualquer interessado, quando sobrevierem relevantes modificações das
circunstâncias de fato ou de direito.

13. Eficácia da norma regulamentadora superveniente

Produzirá efeitos ex nunc em relação aos beneficiados por decisão transitada


em julgado, salvo se a aplicação da norma editada lhes for mais favorável.

14. Dicas da peça prática

ENDEREÇAMENTO
a) Verificar em primeiro lugar se é competência do STF ou STJ, conforme as
hipóteses previstas na Constituição Federal.
b) Verificar se é competência do juiz especial (eleitoral, trabalhista ou militar).
c) Verificar se é competência da Justiça Federal.
d) Será competência da Justiça Estadual.
MANDADO DE INJUNÇÃO
Supremo Tribunal Federal (art. 102, I, "q", e art. 102, I, V, ambos da CF);
- Superior Tribunal de Justiça (art. 105, I, "h" da CF);
COMPETÊNCIA
- Justiça Militar, Eleitoral ou do Trabalho (art. 105,1, "h"da CF);
- Tribunal Superior Eleitoral (art. 121, § 4o, V da CF).
De acordo com o órgão competente. Não há peça de interposição.
- Excelentíssimo Senhor Ministro Presidente do Supremo Tribunal Federal;
- Excelentíssimo Senhor Ministro Presidente do Superior Tribunal de Justiça;
- Excelentíssimo Senhor Ministro Presidente do (Tribunal Superior);
- Excelentíssimo Senhor Desembargador Presidente doTribunal de Justiça do
Estado...;
ENDEREÇAMENTO
- Excelentíssimo Senhor Desembargador Federal Presidente do Tribunal
Regional Federal da... Região;
- Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Federal da... Vara Federal da Seção
Judiciária de...;
- Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Cível da Comarca... do
Estado... (ou Vara de Fazenda Pública, se o caso).
Qualquer pessoa natural ou jurídica que se afirma titular de direito, liberdade ou
prerrogativa inerentes à nacionalidade, à soberania ou à cidadania e seu
LEGITIMIDADE ATIVA
exercício se encontre inviabilizado em razão da falta total ou parcial de norma
regulamentadora.
0 Poder, o órgão ou a autoridade com atribuição para editar a norma
LEGITIMIDADE PASSIVA regulamentadora que viabiliza o direito reclamado, bem como a pessoa jurídica
que ele integra ou aquela a que está vinculado.
FUNDAMENTO LEGAL Art. 5o, LXXI, CF e Lei n° 13.300/16
Identificar o direito (ou liberdade ou prerrogativa) constitucional não exercitável
em razão da ausência de norma regulamentadora.
Apontar a omissão inconstitucional do Poder Público ao não regulamentar o
FUNDAMENTO JURÍDICOS
dispositivo constitucional.
Na sequência, demonstrar o nexo causal entre a omissão do poder público e a
não efetivação do direito/liberdade/ prerrogativa constitucional.
Notificação do impetrado sobre o conteúdo da petição inicial, devendo-lhe ser
enviada a segunda via apresentada com as cópias dos documentos, a fim de que,
no prazo de 10 (dez) dias, preste informações (art. 5.°, 1 da Lei n° 13.300/16);
- Ciência do ajuizamento da ação ao órgão de representação judicial da pessoa
jurídica interessada, devendo-lhe ser enviada cópia da petição inicial, para que,
querendo, ingresse no feito, (art. 5.°, II da Lei n° 13.300/16);
- Oitiva do representante do Ministério Público, no prazo de dez dias (art. 1° da
REQUISITOS / PEDIDOS Lei n° 13.300/16); e
- Que ao final seja a ação julgada procedente, reconhecendo o estado de mora
legislativa e deferindo a injunção no sentido de determinar prazo razoável para
que o impetrado promova a edição da norma regulamentadora e estabelecer as
condições em que se dará o exercício dos direitos, das liberdades ou das
prerrogativas reclamados ou, se for o caso, as condições em que poderá o
interessado promover ação própria visando a exercê-los, caso não seja suprida
a mora legislativa no prazo determinado (art. 8o da Lei n° 13.300/16)
- Não se admite pedido liminar em mandado de injunção;
- Semelhante ao que acontece no mandado de segurança, não há condenação
em honorários advocatícios;
- É imprescindível que o legitimado ativo comprove na petição inicial que o não
exercício do direito/liberdade/prerrogativa é consequência direta da inexistência
PARTICULARIDADES da regulamentação;
- Deve-se atribuir como valor da causa R$ 1.000,00 (mil reais), já que o art. 291
do CPC/15 dispõe que a toda causa deverá ser conferido um valor certo, ainda
que ela não possua conteúdo econômico imediatamente aferível. No caso do
mandado de injunção, não há como mensurar um valor econômico específico
para a ação, de forma que deva ser atribuído valor ínfimo, para efeitos fiscais.
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO AMAZONAS

GIUSEPPE, italiano, estado civil..., funcionário público,


com cédula de identidade n°..., inscrito no CPF sob o
n°..„ endereço eletrônico..., residente e domiciliado
na..., n°..., Município..., Estado...; e LUIGI, italiano,
estado civil..., funcionário público, portador da cédula
de identidade n0..., inscrito no CPF sob o n°...,
endereço eletrônico..., residente e domiciliado na...,
n°..., Município..., Estado..., vêm à presença de Vossa
Excelência, por seu advogado (instrumento de
mandato anexo), impetrar o presente MANDADO DE
INJUNÇÃO, com fundamento no art. 5o, inc. LXXI, da
Constituição Federal de 1988 e na Lei n° 13.300/16, em
face do SR. PREFEITO DO MUNICÍPIO DE MANAUS,
vinculado à municipalidade de Manaus, pelos motivos
de fato e de direito a seguir expostos.

I - DOS FATOS
Os impetrantes são funcionários públicos efetivos do Município de Manaus,
Estado do Amazonas, e estão descontentes porque há mais de dois anos não
recebem o reajuste anual de suas remunerações.
Não se trata de um pedido de aumento salarial, mas tão somente a concretização
do direito de reajuste que lhes é assegurado nas Constituições Federal e
Estadual, bem como na Lei Orgânica do Município.
O problema é que tal direito depende de edição de norma regulamentadora, de
iniciativa privativa da autoridade impetrada, a qual, embora provocada por
diversos ofícios e comunicados formais, nada faz a respeito.
II - DO DIREITO

II.1 – DA JUSTIFICATIVA DA COMPETÊNCIA:


O candidato deve demonstrar a escolha correta do juízo competente para
processar e julgar o mandado de injunção. A justificativa deve ser feita conforme
o modelo abaixo:
De acordo com o artigo... (indicar o artigo conforme a competência no caso
concreto), a competência é definida pela... (especificar a hipótese da
competência).
No caso... (mencionar o ato omissivo/insuficiente) é... (identificar o Jórgão
omisso/insuficiente), o que justifica que a presente ação seja ajuizada perante...
(especificar o juízo competente), nos termos do... (indicar fundamento legal).

II.2 – DA JUSTIFICATIVA DA LEGITIMIDADE PASSIVA:


Na hipótese dos autos, o legitimado passivo é... (identificar o(s) réu (s)), o que
é justificado já que é órgão omisso/insuficiente, ou seja, não cumpriu o encargo
de regulamentar... (especificar o ato omissivo/insuficiente).

II.3 – DO MÉRITO
a) Falta de norma regulamentadora de norma constitucional
Na hipótese dos autos, não há norma regulamentadora da disposição contida no
inciso VII do art. 37 da Constituição Federal para viabilizar o direito de greve.
Após exaustivas e infrutíferas negociações com o governo do Estado, que se
recusou a atender reivindicações mínimas da categoria, viu-se na obrigação de
deflagrar um movimento grevista na Polícia Civil paulista.
b) Inviabilização do direito previsto na CRFB pela falta de norma
regulamentadora A omissão normativa inviabiliza o direito de greve da categoria.
A mora do legislador em regulamentar o direito de greve assegurado pelo
constituinte originário não pode permanecer, em razão do prejuízo ao
impetrante.
Todavia, o referido direito previsto na Constituição Federal (art. 37, VII, da
CRFB), depende de lei regulamentadora que, ainda não se encontrada editada
e, destarte, não restou outra medida senão a propositura do presente mandado
de injunção.

Dispõe a Constituição Federal, em seu art. 37, inciso X, competir à administração


pública direta e indireta, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios, assegurar a revisão geral anual da
remuneração dos servidores públicos, sempre na mesma data e sem distinção
de índices.
Sabendo-se que o art. 109, inciso VIII da Constituição do Estado do Amazonas
e, ainda, que o artigo 104 da Lei Orgânica do Município de Manaus estabelecem
direitos no mesmo sentido, de rigor considerar que a proteção da remuneração
dos servidores públicos diante da perda do poder aquisitivo da moeda ganhou
proteção constitucional e, pelo princípio da simetria, as normas
infraconstitucionais seguiram a mesma linha.
Por outro lado, para autorizar a plena efetivação desse direito concedido aos
servidores públicos é necessário desencadear o devido processo legislativo, de
competência privativa, ressalte-se, do chefe do Poder Executivo. Trata-se de
norma constitucional de eficácia limitada, que depende de regulamentação para
produzir seus mais relevantes efeitos.
Na espécie, não há dúvida acerca da existência de omissão por parte do Poder
Executivo Municipal, pois, os Impetrantes são funcionários públicos efetivos do
Município de Manaus e a autoridade para iniciar o processo legislativo sobre o
tema é atribuída exclusivamente ao Sr. Prefeito.

Por fim, deve-se atentar que a Súmula 339, do STF, não é aplicável ao caso,
pois, não se está a discutir aumento de remuneração, e sim mero reajuste anual,
em patamar suficiente para corrigir a inflação no período.

III - DO PEDIDO
Diante do exposto, requerem:
a) a Notificação do impetrado sobre o conteúdo da petição inicial, devendo- -Ihe
ser enviada a segunda via apresentada com as cópias dos documentos, a fim de
que, no prazo de 10 (dez) dias, preste informações, nos termos do art. 5.°, I da
Lei n° 13.300/16;
b) a Ciência do ajuizamento da ação ao órgão de representação judicial da
pessoa jurídica interessada, devendo-lhe ser enviada cópia da petição inicial,
para que, querendo, ingresse no feito, nos termos do art. 5.°, II da Lei n°
13.300/16;
c) a Oitiva do representante do Ministério Público, no prazo de dez dias, nos
termos do art. 7o da Lei n° 13.300/16;
d) a juntada dos documentos que comprovam os fatos alegados; e
e) que ao final seja a ação julgada procedente, reconhecendo o estado de mora
legislativa e deferindo a injunção no sentido de determinar prazo razoável para
que o impetrado promova a edição da norma regulamentadora e ordenar a
revisão geral anual de vencimentos dos impetrantes, em patamar que corrija a
inflação no período, até que lei específica venha a tratar do tema.
Por fim, e considerando a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, deixam
os impetrantes de formular pedido de medida liminar ou antecipação de tutela.
Deixam, igualmente, de requerer a condenação da autoridade impetrada ao
pagamento de honorários advocatícios, em razão do disposto no art. 25 da Lei
n°12.016/09.
Requer sejam as intimações dos atos e termos do presente processo feitas
exclusiva e diretamente à pessoa do(a) Dr.(a)..., inscrito(a) na OAB/... n°..., com
escritório na..., n0..., Município..., Estado..., CEP...

IV - DAS PROVAS
O candidato deve construir a seguinte frase:
O autor pretende provar o alegado por todos os meios de prova em Direito
admitidos, especialmente... (mencionar as que forem indicadas no enunciado).
Se acaso houver indicação de prova testemunhal, o candidato não pode
esquecer de indicar o rol de testemunhas.
Dá à causa o valor de R$ 1.000,00 (um mil reais), para efeitos procedimentais.
Termos em que pede deferimento.

Local e data...
ADVOGADO...
OAB...

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