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3/11/2020 Entendendo o Arduino UNO – O Guia Definitivo – EletroShields

Entendendo o Arduino UNO – O Guia Definitivo

Entendendo o Arduino UNO – O Guia Definitivo


Arduino, Tutoriais 05/05/2019

Entenda todos os detalhes do diagrama esquemático do


Arduino UNO R3
Autor: Gustavo Ambrozini Furlan

Neste tutorial, vamos explicar todo o esquemático do Arduino UNO versão R3, mostrando as
funções de cada componente no circuito. Todos os componentes da placa, sem exceções, são
explicados aqui. Ao final deste tutorial, você entenderá os fundamentos de cada parte do circuito e
terá uma boa base para avaliar melhor as placas Arduino disponíveis no mercado, entendendo as
diferenças entre os diversos modelos, inclusive clones e placas compatíveis.

Nosso objetivo durante a preparação deste material foi passar a maior quantidade de informação
possível, porém mantendo uma linguagem simples. A ideia é que qualquer pessoa com algum
conhecimento sobre eletrônica e projetos consiga entender o material sem grandes dificuldades. Se
você quiser se aprofundar, e conhecer algum componente mais a fundo, nós disponibilizamos os
datasheets dos componentes mais importantes na seção de downloads ao final desta página.

Durante a explicação, nós também fizemos diversas comparações do UNO com outras versões do
Arduino. Assim você terá oportunidade de conhecer um pouco mais as diferenças entre elas, e
compreender melhor qualquer esquemático da família Arduino. Esperamos que você goste.

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Projeto do Arduino UNO


Atualmente, o Arduino UNO é a versão mais popular e mais vendida de toda a linha Arduino, além
de servir como base para outros modelos, como o Arduino MEGA 2560 por exemplo. Por esse
motivo nós o escolhemos para fazer esse tutorial.

Os projetos de toda a linha oficial do Arduino são feitos utilizando o software Eagle. Existe uma
versão grátis do Eagle, que você pode baixar e usar para abrir ou modificar os projetos originais do
Arduino. O projeto original do Arduino UNO pode ser baixado diretamente na seção
de downloads ao final desta página, ou diretamente do site do Arduino.

A instalação do Eagle, e o download dos arquivos de projeto do Arduino são opcionais, e não são
necessários para acompanhar esse tutorial.

Análise do esquemático
O diagrama esquemático completo do Arduino UNO R3 pode ser visto na imagem abaixo.

Esquemático original do Arduino UNO R3

Este esquemático pode parecer um pouco intimidador, e até mesmo um pouco confuso à primeira
vista.

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Para facilitar o entendimento, nós demos uma organizada no layout original. Isso foi feito apenas
alinhando o nome e o valor dos componentes, e também melhorando um pouco a separação entre
eles. Porém, nenhum componente foi modificado, retirado ou adicionado, mantendo 100% da
compatibilidade. Você pode baixar o arquivo Eagle desta versão, clicando no link disponível na
seção de downloads ao final desta página.

Nós também dividimos os componentes em três blocos principais: processador USB, processador
principal e alimentação. Todos eles serão explicados nas seções a seguir.

A figura abaixo mostra o esquemático após a organização.

Esquemático Arduino UNO R3 organizado em partes

Outra dificuldade que normalmente ocorre na análise do funcionamento do Arduino, é a dificuldade


de se localizar um componente específico na placa, já que a mesma não possui impressa a
identificação de todos eles. Apenas os LEDs, conectores e botão de reset têm identificação.
Resistores, capacitores, chips e demais componentes não são identificados.

Na figura abaixo, nós identificamos todos os componentes da placa com os mesmos nomes
utilizados no esquemático. Você pode utilizá-la como guia para localizar os componentes.

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Componentes nomeados na placa do Arduino UNO

Note os dois componentes marcados com ponto de interrogação (?). Eles estão na placa, mas não
aparecem no projeto. Isso indica que o projeto publicado pela equipe do Arduino é de uma versão
anterior, e não exatamente igual à da placa que está sendo produzida. Porém, nós não notamos
nenhuma outra diferença significativa e isso não atrapalha em nada a nossa análise.

Agora chega de papo. Vamos ao que interessa, que é a análise e explicação do esquemático. Nos
tópicos a seguir, vamos explicar como cada um dos três blocos principais funcionam:

Processador USB
Processador principal
Alimentação

Processador USB
O processador USB, nomeado como U3 no esquemático, é responsável por fazer a comunicação
do Arduino com o seu PC através da porta USB. Ele é necessário, pois o processador principal do
Arduino (ATmega328) não suporta conexão direta com uma porta USB. Dessa forma, o
processador USB converte os dados da USB do PC para um sinal serial (UART), e este sim pode
lido pelo processador principal. Podemos dizer então, que o processador USB funciona como um
conversor USB-Serial.

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O processador utilizado para essa função é o ATmega16U2. Versões anteriores do Arduino, como
Arduino Duemilanove, Diecimila, Nano, MEGA (anterior ao R3) e muitas outras placas similares,
utilizam outro componente para essa função, o FT232 fabricado pela empresa FTDI. Porém, muitos
usuários reclamaram que a troca do FT232 pelo ATmega16U2 ocasionou problemas de
compatibilidade com Windows e MAC. Desta forma, ainda hoje, muitas placas “Arduino compatível”
continuam utilizando os chips FTDI (como é o caso da nossa Base Boarduino).

Vamos ver mais de perto como é feita a implementação do processador USB ATmega16U2. A
figura abaixo mostra o circuito com mais detalhes:

Esquemático referente ao processador USB

Conector USB
À esquerda, podemos ver o conector USB nomeado como X2. Este é um conector USB fêmea
do tipo B, e é nele que você conecta o cabo USB. Outras versões do Arduino utilizam conectores
USB diferentes. O Arduino Nano por exemplo utiliza o conector Mini USB, e versões mais novas
como o Arduino Leonardo, DUE e Zero utilizam o conector Micro USB, que é o mesmo utilizado na
maioria dos smartphones atuais (nossa versão, Base Boarduino também utiliza o conector USB
Micro).

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Conectores USB utilizados nas placas Arduino

O conector USB tem duas funções – trazer as informações da porta USB do PC até a placa, e
também alimentar o Arduino quando não há uma fonte externa conectada.

Filtro e proteção USB


Saindo do conector, os sinais e a alimentação provenientes da USB passam pelo bloco chamado
“filtro e proteção USB”. Nós vamos analisar todos os componentes presentes nele.

F1
Primeiramente, toda a corrente proveniente da porta USB do PC (que vai alimentar o Arduino e
demais circuitos), passa pelo componente F1. Este componente é um fusível, e tem a função de
proteger a porta USB do PC caso ocorra um curto-circuito ou sobrecarga acidental na placa do
Arduino. Por padrão, cada porta USB deve ser capaz de fornecer até 500 miliampéres de corrente,
e o fusível está lá para protegê-la caso esse limite seja ultrapassado.

Na verdade, este fusível nada mais é do que um resistor, cujo valor da resistência aumenta com o
aumento da temperatura (também conhecido como PTC ou positive temperature coefficient).
Porém, diferentemente de um fusível tradicional, que queima quando há sobrecarga, este
componente tem a capacidade de se rearmar sozinho quando as condições de funcionamento
voltam ao normal.

Para valores de corrente iguais ou menores do que 500 miliampéres, o valor da resistência do
fusível se mantém baixo. Deste modo, a corrente circula por ele livremente (efetivamente é como se
ele não estivesse lá). Porém, quando há um curto-circuito ou sobrecarga no Arduino, a corrente
drenada pela porta USB aumenta. Isso faz com que mais corrente passe pelo fusível, causando o
aquecimento do mesmo e aumentando sua resistência. O aumento da resistência corta a
passagem da corrente, funcionando efetivamente como um fusível queimado. Porém, caso o curto-
circuito ou sobrecarga sejam removidos, o fusível esfria e o valor da sua resistência baixa
novamente, retornando ao estado original.

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Porém, é importante ter em mente que o valor de 500 miliampéres é apenas uma referência. Ele é
somente o valor mínimo exigido pelo padrão USB, sendo que muitos PCs conseguem fornecer mais
corrente do que isso (além de ter seus próprios mecanismos de proteção internos). Portanto não
quer dizer necessariamente que a porta USB do seu PC será danificada se você drenar 501
miliampéres dela. O próprio valor de corrente que efetivamente “desarma” o fusível não é
exatamente 500 miliampéres, sendo uma função do tempo que demora para que haja esse
desarme, juntamente com o valor da temperatura ambiente.

Consulte o datasheet se você tiver interesse em saber mais sobre o comportamento deste fusível (o
gráfico da página 3 mostra a relação do tempo de desarme em relação ao valor da corrente).

Operação do fusível de proteção

Todas as versões do Arduino com porta USB possuem esse fusível. Ele é o modelo MF-MSMF050-
2 fabricado pela Bourns

Z1 e Z2
A comunicação USB é feita através dos pinos do conector nomeados D- e D+. Estes sinais, após
saírem do conector, passam pelos componentes Z1 e Z2. Eles são conhecidos como varistores, e
tem a função de proteger os pinos do ATmega16U2 contra descargas eletrostáticas, o que
poderia causar a queima, ou mal funcionamento do processador.

Descargas eletrostáticas, ou ESD (do inglês eletrostatic discharge) são eventos que ocorrem
quando se aproxima um objeto carregado com cargas elétricas de outro que esteja descarregado.
O exemplo mais comum de uma descarga eletrostática é quando você anda sobre um tapete ou
carpete usando um sapato com sola de borracha, e depois toma um choque quando tenta abrir a
maçaneta metálica da porta. Nesse caso, o seu corpo fica carregado com cargas elétricas por
causa do atrito do sapato com o tapete, depois essas cargas são transferidas rapidamente para a
maçaneta da porta, fazendo com que você leve um pequeno choque. Se o seu corpo estiver
carregado, e ao invés da maçaneta, você tocar numa placa com circuitos eletrônicos, as cargas são
transferidas para ela, o que poderá causar danos aos circuitos (mesmo com a placa desligada).

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Descargas eletrostáticas ocorrem o tempo todo, e na maior parte dos casos, a corrente é muito
baixa para que você sinta um choque, de modo que elas acabam passando despercebidas, mas
mesmo assim ainda podem danificar os componentes mais sensíveis. Componentes e circuitos
com os quais o usuário final tem contato direto (como normalmente é o caso das portas USB),
merecem atenção especial quanto à proteção ESD, pois são eles que normalmente recebem as
descargas.

Assim como o fusível, o varistor também é um resistor, porém nesse caso, o valor da resistência
diminui conforme a tensão sobre ele aumenta. Com valores de tensão baixos, como os que
ocorrem durante o funcionamento normal da porta USB, a resistência do varistor é bastante elevada
(na ordem de 100 mega Ohms), assim os sinais passam por eles sem haver desvios. Porém,
quando um evento de descarga eletrostática ocorre, a tensão aumenta rapidamente (podendo
chegar a vários kilovolts), fazendo com que a resistência do varistor baixe, e desvie o excesso de
corrente dos pinos do ATmega16U2 para o GND do Arduino, protegendo o processador.

Operação dos varistores de proteção

O componente usado para essa função é o CG0603MLC-05E, também fabricado pela Bourns.

As versões do Arduno que utilizam os chips FTDI no lugar do ATmega16U2, normalmente não
possuem os componentes para proteção ESD. Isso ocorre porque estes chips já possuem
estruturas de proteção internas, o que é suficiente na maioria dos casos.

L1
O componente denominado L1 é conhecido como ferrite. Basicamente, ferrites são utilizadas para
supressão de ruído. Neste projeto, a sua função é a de filtrar possíveis ruídos que possam vir pela
malha do cabo USB até o Arduino, bem como isolar o PC de ruídos gerados pelo Arduino. Não são
todas as versões do Arduino que possuem esse componente, e sua presença não é obrigatória
para o funcionamento.

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Ferrite L1

O modelo utilizado é o BLM21 fabricado pela Murata.

RN3A e RN3D
Os últimos componentes deste bloco são os resistores de 22 Ohms denominados RN3A e RN3D. A
nomenclatura deles vem do fato de que no projeto do Arduino não são utilizados resistores
individuais, e sim componentes que possuem 4 resistores juntos. Esses componentes são
chamados de “rede de resistores”, ou em inglês “resistor network” (RN). Dessa forma, temos por
exemplo que o componente com nome RN3A é o resistor A da rede de resistores 3, o RN3B, é o
resistor B desta mesma rede, e assim por diante até o quarto resistor (denominado D). Veja que
nesse caso, apenas 2 resistores foram usados, o resistor B e o resistor C ficaram sobrando, e estão
localizados logo acima do bloco de filtro e proteção.

Resistores RN3A e RN3D

A função destes resistores é a de atenuar ruídos e picos de tensão que, porventura, podem vir
através do cabo USB, ajudando na proteção do processador. Porém, eles não são obrigatórios para
o funcionamento, e versões que utilizam chips FTDI normalmente não os utilizam.

Oscilador
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O oscilador é o coração de qualquer processador, sendo responsável pela geração do pulso de


clock. Virtualmente todos os processadores existentes utilizam um oscilador, e sua implementação
costuma ser bem semelhante. Apesar de utilizar poucos componentes, o funcionamento deste
circuito é relativamente complexo, por isso nós não iremos entrar em detalhes, e vamos nos
concentrar apenas nas características fundamentais.

Neste projeto, o oscilador do ATmega16U2 foi implementado utilizando um cristal como


componente principal (Y1). Este cristal tem uma frequência de ressonância de 16MHz. A função do
cristal é a de gerar uma senóide, que servirá como base para o clock. Internamente, o processador
transforma essa senoide em uma onda quadrada.

A figura abaixo mostra a senoide obtida medindo o oscilador do Arduino UNO.

Senoide de 16MHz gerada pelo oscilador do Arduino

Além do cristal, existem dois capacitores de 22 picofarad cada (C11 e C9), e um resistor de 1 Mega
Ohm (R1).

O papel do resistor R1 é facilitar o início da geração do clock. Alguns processadores e circuitos


integrados necessitam deste resistor para que o circuito comece a funcionar após a alimentação ser
ligada, porém isso não é obrigatório, e o seu uso depende da orientação do fabricante do chip.

Os capacitores C1 e C2 são obrigatórios neste tipo de circuito, e além de outras funções, têm o
papel de ajustar a frequência do cristal. Normalmente cada cristal tem a especificação de qual valor
de capacitor é ideal para o seu funcionamento, e é papel do projetista escolher o valor
adequadamente. Valores errados de capacitor podem alterar a frequência de ressonância do cristal,
ou até impedir o seu funcionamento.

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Processador USB
Este bloco compreende o processador USB em si, ou seja, o chip ATmega16U2. Neste projeto, ele
é responsável por receber os dados provenientes da USB, e transformá-los em sinais seriais.

Bloco processador USB

C7
Podemos ver o capacitor C7 com valor de 100 nanofarad ligado diretamente entre a tensão de
alimentação de 5 Volts e o GND. Neste circuito, o capacitor exerce a função de “capacitor de
desacoplamento“. Capacitores com esta função são muito importantes no funcionamento de
circuitos integrados digitais. Praticamente todos os fabricantes de circuitos integrados recomendam
o uso de capacitores ligados nos pinos de alimentação, sendo 100 nanofarad um valor clássico.
Além do valor, o quesito mais importante quando se utiliza um capacitor de desacoplamento é a sua
localização, devendo ser posicionados o mais perto possível dos pinos de alimentação do circuito
integrado em questão (caso fique afastado, seu efeito será nulo).

As principais funções de um capacitor de desacoplamento são:

Filtrar os ruídos provenientes da fonte alimentação, não deixando que os mesmos entrem no
circuito integrado. Além disso, filtram os ruídos gerados internamente no circuito integrado,
não deixando que eles se espalhem para outros componentes da placa.

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Um circuito digital, como um processador, consome corrente em picos, que normalmente


coincidem com as transições do pulso de clock. O capacitor tem o papel de armazenar uma
quantidade de energia suficiente para suprir os picos de corrente exigidos pelo processador.

RN1C
O resistor RN1C funciona como resistor de pull-up, e sua função é a de manter o pino 24 do
processador em nível alto (nível alto nesse caso quer dizer que há uma tensão de 5 Volts no pino).
Este é o pino de reset do processador, e o mesmo é ativo em nível lógico baixo, ou seja, o
processador é colocado em estado de reset quando a tensão no pino é zero. Desse modo, o
resistor segura a tensão em 5 Volts, e impede que o processador entre em estado de reset
indevidamente. O ATmega16U2 já tem um resistor de pull-up interno para esse pino, e o uso de
resistor interno não é obrigatório, porém é indicado no caso de ambientes com níveis elevados de
ruído.

D3
O diodo D3 tem o papel de reforçar a proteção contra descarga eletrostática (ESD) no pino 24.

Mas porque o diodo é colocado apenas nesse pino do processador, e não nos demais?

Bom, a história é um pouco comprida, mas podemos dizer que os processadores normalmente já
tem estruturas internas de proteção ESD, que são compreendidas por dois diodos ligados em cada
pino. Porém, o pino de reset é um caso especial, já que ele é usado durante a gravação do
software, e alguns métodos de programação (mas não todos) aplicam 12 Volts nesse pino durante
o processo. Esse fato impede que a estrutura de proteção ESD seja implementada de forma
completa no pino de reset, já que o diodo impediria a aplicação dos 12 Volts o mesmo. Dessa
forma, o fabricante do chip retira um dos dois diodos internos de proteção. Como na produção do
Arduino não são utilizados os métodos de programação que necessitam da aplicação dos 12 Volts
no pino de reset, o diodo de proteção interno omitido foi re-inserido externamente, deixando a
estrutura de proteção contra ESD completa novamente (baixe o documento “EMC Design
Considerations” na seção de downloads ao final da página para mais informações).

O uso deste diodo é opcional, e não está presente em muitas versões do Arduino, como Pro,
ProMini, Nano, Duemilanove, MEGA entre outras.

C8
O processador ATmega16U2 possui um regulador de tensão interno, que é necessário para o
funcionamento de alguns dos seus circuitos. Para que esse regulador trabalhe corretamente, o
fabricante recomenda que seja conectado ao pino 27 do processador (nomeado como UCAP), um
capacitor com valor de 1 microfarad.

LEDs USB
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São dois LEDs, RX e TX, que são controlados pelo software do processador, e usados para indicar
a atividade da comunicação USB. Ou seja, quando há informações enviadas do Arduino para o PC,
o LED TX pisca, e quando há informações enviadas do PC para o Arduino, o LED RX pisca. A
implementação desse circuito é bem simples e tradicional, há apenas um resistor em série com
cada LED (RN2B e RN2C) com valor de 1 kilo Ohms, e que tem o papel de limitar a corrente dos
mesmos.

LEDs para indicar atividade no barramento USB

Note que como os LEDs estão ligados diretamente na tensão de 5 Volts, o acionamento deles
ocorre de modo “invertido”. Ou seja, o LED apaga com nível lógico alto no pino, e acende com nível
lógico baixo.

Conector de programação

Conector de programação do
ATmega16U2

Normalmente este conector é usado somente durante a fabricação do Arduino, no momento em


que o primeiro software é gravado no processador. Este conector serve para ligar a placa do
Arduino ao programador que irá gravar o software (um exemplo de programador é o AVRISP mkII).

Demais componentes no processador USB


Ainda há alguns componentes ligados diretamente no processador ATmega16U2. Vamos explicá-
los agora.

RN4A e RN4B
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Resistores que interligam a serial entre os processadores

Estes dois resistores estão ligados em série com os sinais RX e TX da serial que vão para o
processador principal ATmega328, ou seja, eles são o elo de ligação entre os dois processadores.
A presença destes resistores em série permite que você utilize shields no Arduino que façam uso
da serial do processador ATmega328. De uma certa maneira, é como se a serial vinda do
processador ATmega16U2 seja desconectada no momento em que você pluga no Arduino um
shield que utilize a serial. Isso traz uma flexibilidade maior no uso do Arduino, já que permite o uso
da serial com outros shields, porém é como se a porta USB fosse desabilitada enquanto há um
shield serial plugado. Dessa forma, para programar o Arduino, ou se comunicar com o PC, é
necessário desplugar o shield que utiliza a serial.

C5 e RN2D

Acoplamento capacitivo na linha de reset

Quando você grava o seu software no Arduino, o processador ATmega16U2 envia as informações
para o processador principal (ATmega328) através da serial. Porém, durante o gravação, é preciso
resetar o processador ATmega328 para colocá-lo em modo de programação. O ATmega16U2 envia
esse sinal de reset para o ATmega328 através do pino 13. O capacitor C5 é inserido em série com
este sinal, fazendo um acoplamento capacitivo entre os processadores. Esse acoplamento
capacitivo faz com que o sinal de reset seja enviado apenas durante um curto espaço de tempo,
necessário para que o ATmega328 seja resetado, mas impedindo que ele fique em reset o tempo
todo.

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O resistor RN2D tem a indicação “USB boot En”, e é um resistor de “pull-down”. Porém nós não
conseguimos maiores informações sobre a sua função.

JP2

Conector JP2

Parece ser um conector de expansão, mas ele não vem soldado na placa, e nós não temos mais
informações sobre a sua função.

Ground

Jumper de solda

É um jumper de solda, que fica localizado na parte de baixo placa. Ele serve para conectar o terra
vindo da malha do cabo USB (após passar pelo indutor L1) ao terra principal. Em projetos
eletrônicos, normalmente os projetistas fazem essa conexão entre os “terras diferentes” utilizando

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um jumper, pois isso garante que eles sejam conectados apenas em um ponto, o que evita a
circulação de corrente em áreas indesejadas da placa. Este jumper já vem fechado de fábrica.

Processador principal
Agora que nós entendemos o funcionamento do processador USB, será bem mais fácil
compreendermos como funciona o processador principal, já que e implementação do circuitos
são bem semelhantes.

Como já dissemos anteriormente, no Arduino UNO, o componente que faz o papel de processador
principal é o ATmega328, também fabricado pela Atmel Semiconductor e nomeado como ZU4 no
esquemático.

Outros modelos de Arduino utilizam processadores diferentes. Por exemplo, existem versões do
Arduino Nano e Duemilanove que utilizam o ATmega168, que basicamente é um componente
idêntico ao ATmega328, porém com menos memória. O Arduino MEGA 2560 utiliza o o
ATmega2560, que possui mais pinos e mais memória do que o ATmega328. O Arduino Leonardo
utiliza o processador ATmega32U4, que possui características semalhantes ao ATmega328, porém
ele possui interface USB embutida, resultando em uma placa com apenas um processador (porém
essa versão acabou não se tornando muito popular). Por fim, existem ainda versões de Arduino que
utlilizam processadores ARM, como é o caso do Arduino DUE (AT91SAM3X8E), e ainda outras
plataformas como o Intel Galileo, que utiliza um processador Intel (Intel® Quark SoC X1000).

O ATmega328 é o “cérebro” do Arduino UNO e, resumidamente, podemos dizer que ele tem três
funções:

Recebe, envia e interpreta os sinais da serial que vêm do processador USB ATmega16U2.
Executa o software que está programado nele.
Interage diretamente com os shields e elementos externos, realizando acionamento de
dispositivos e leitura de sensores.

A figura abaixo mostra o bloco do processador principal:

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Esquemático referente ao processador principal

Vamos agora ver mais de perto como o circuito do processador principal é implementado.

Oscilador

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Ressonador cerâmico do ATmega328

O oscilador do ATmega328 funciona de modo bem semelhante ao oscilador do ATmega16U2


apresentado anteriormente, e ambos têm frequencia de 16 MHz. A principal diferença, é que o
oscilador do ATmega328 foi feito com um ressonador cerâmico ao invés do cristal utilizado no
ATmega16U2. O ressonador cerâmico é nomeado como Y2 no esquemático, e o modelo utilizado é
o CSTCE16M0V53-R0 fabricado pela Murata.

Ressonadores cerâmicos são componentes com função semelhante à do cristal, ou seja, eles
também são responsáveis por gerar a onda senoidal que servirá como base para o sinal de clock
do processador.

Normalmente o ressonador cerâmico é mais compacto do que o cristal, e já vêm com os


capacitores de ajuste instalados internamente, deixando o circuito mais simples. Porém, em termos
de precisão, o ressonador cerâmico costuma ter desempenho pior do que o cristal, podemos dizer
em linhas gerais que o ressonador tem precisão de 0,5% contra 0,003% do cristal. Por isso
ressonadores são mais usados em aplicações compactas e com pouco espaço disponível.

Versões do Arduino como Duemilanove, Diecimila e MEGA usam cristal como elemento
ressonante. Nós não sabemos ao certo o que levou essa troca para o ressonador cerâmico no
Arduino UNO. Talvez tenha sido uma herança do Arduino Nano, já que ele sempre usou
ressonador, mas é difícil dizer com certeza.

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De qualquer forma, o importante é saber que o circuito no geral é o mesmo, apenas os capacitores
são omitidos (por já estarem dentro do ressonador), e o resistor de 1 Mega Ohm que auxilia no
início do funcionamento (R2) continua.

Processador principal

Processador ATmega328

Este também é um bloco semelhante ao do processador USB. Podemos ver no esquemático os


componentes C4 e C6, ambos de 100 nano Farad, que cumprem a função de capacitores de
desacoplamento para os pinos 21 e 20 respectivamente. O projetista ainda poderia ter colocado
outro capacitor para desacoplar o pino 7, como é recomendado, porém ele não foi inserido nesse
esquema.

Os componentes RN1D e D2 cumprem a função de pull-up e proteção ESD para o pino de reset,
semelhante aos componentes RN1C e D3 no processador USB.

Também podemos notar os sinais seriais vindos do processador USB, e que são ligados nos pinos
2 e 3 do ATmega328, assim como o sinal de reset, ligado ao pino 1.

Conector programação

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Conector de programação do ATmega328

Este conector, assim como no processador USB, é usado para a programação do primeiro software
feito ainda na fábrica do Arduino (este software tem o nome de bootloader).

Botão de reset

Botão de reset do ATmega328

O botão é nomeado como RESET no esquemático. Quando pressionado, o botão fecha o contato
dos pinos 1 e 2 com os pinos 3 e 4, ligando o pino de reset do processador diretamente ao GND.
Isso faz com que haja um nível lógico baixo neste pino, o que reseta o processador.

Conectores para shields

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Conectores do ATmega328 para encaixe


dos shields

Estes são os conectores utilizados para plugar os shields ao Arduino. Eles são ligados diretamente
aos pinos de I/O do processador, e também às tensões de alimentação 5V, VIN, 3,3V e GND.

Note que no esquemático, todos os sinais com o mesmo nome estão interligados, independente de
haver uma conexão física entre os mesmos. Por exemplo, os dois ramos nomeados como
AD5/SCL estão ligados eletricamente, mesmo parecendo haver uma ponta “solta” no conector (veja
imagem do esquemático completo do bloco), isso também acontece com os sinais de 3,3V, RESET,
GND e todos os outros.

Tente fazer a correspondência entre os conectores representados no esquemático e os conectores


da placa. Veja que eles são nomeados como POWER, IOH, AD e IOL, e a legenda que aparece em
verde indica qual é a numeração ou a função do pino no Arduino. Além disso, há uma inscrição
indicando qual é o tamanho e o modelo do conector, por exemplo, a legenda “8x1F-H8.5” indica que
se trata de um conector com 8 pinos, uma coluna, tipo fêmea, e com altura de 8,5mm.

Alimentação
Vamos passar agora para o último bloco do esquemático, e ver como funciona a parte
de alimentação do Arduino UNO.

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3/11/2020 Entendendo o Arduino UNO – O Guia Definitivo – EletroShields

A figura abaixo mostra componentes presentes neste bloco:

Esquemático referente à alimentação do Arduino UNO

Jack de entrada
Este conector, nomeado como X1, é onde você conecta o plugue de alimentação da fonte
externa. É conveniente usar uma fonte externapara alimentar o Arduino quando o mesmo não
pode ficar conectado sempre na porta USB do PC, quando há algum elemento na aplicação que
precise ser alimentado com uma tensão maior do que 5 Volts, ou quando o circuito exige uma
corrente maior do que os 500mA suportados pela porta USB do PC.

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Jack para fonte externa

O intervalo de tensão recomendado para alimentação do Arduino com fonte externa é de 7 até 12
Volts, ainda que a placa suporte tensões de até 20 Volts. O uso de tensões superiores à 12 Volts
pode ocasionar aquecimento excessivo dos reguladores, não sendo recomendada (vamos ver mais
detalhes sobre isso mais adiante).

Este conector é do tipo fêmea, e definido como 2,1 mm, o que significa que o pino no seu centro
tem 2,1 milímetros de diâmetro. Isso quer dizer que a fonte utilizada deve ter um conector do tipo
macho, também com 2,1 milímetros e centro positivo (ou seja, o interior do plugue tem tem tensão
positiva em relação ao exterior, que é o GND).

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Imagem do plugue de 2,1mm necessário para conexão com Arduino

Infelizmente, não há uma padronização internacional para esse tipo de plugue (como há para os
conectores USB por exemplo), então não é difícil você se deparar com uma fonte que não tem um
conector adequado para se conectar ao Arduino. Por esse motivo, nós inserimos na nossa versão
(a Base Boarduino), um conector tipo borne de parafuso. Dessa forma você pode usar qualquer
fonte que tenha à mão, mesmo que ela não tenha um plugue adequado. Nesse caso, basta cortar o
plugue da fonte, e parafusar os fios direto no borne.

Diodo de proteção
A corrente que chega pelo jack de entrada logo encontra o primeiro componente, que se trata
do diodo de proteção D1. Sua função é a de proteger o Arduino caso uma fonte com polaridade
invertida seja conectada acidentalmente no jack. Uma fonte com polaridade invertida, nesse caso,
seria um modelo com centro negativo.

Quando se conecta acidentalmente uma fonte com polaridade invertida em uma placa eletrônica
que não é protegida, isso causa a circulação de corrente no sentido reverso, o que ocasiona a
queima de vários componentes, destruindo a maioria dos circuitos. No caso do Arduino, o diodo D1
evita que a corrente circule no sentido contrário, protegendo a placa. Resumidamente, podemos
dizer que o diodo funciona como uma chave fechada para fontes com a polaridade correta, e como
chave aberta para fontes com polaridade invertida.

É importante notar que na situação em que uma fonte com polaridade invertida é ligada ao o
Arduino, o mesmo fica protegido, porém não funciona, sendo necessário acertar a polaridade da
fonte para que o funcionamento volte ao normal.

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A figura abaixo ilustra o modo com que o diodo age para proteger o Arduino no caso de uma
ligação com fonte invertida.

Diodo protegendo a placa contra ligação reversa

Após passar pelo diodo de proteção, a tensão proveniente da fonte é chamada de VIN, e também
está disponível em um dos conectores do Arduino.

O diodo utilizado é o modelo M7, que se trata da versão SMD do popular 1N4007, e a corrente
máxima suportada é de 1A. Porém, a queda de tensão sobre este diodo é grande, chegando a 1,1
Volts, o que pode trazer efeitos indesejáveis como aumento da dissipação térmica, ocasionando
perda de eficiência. Nesse caso, um diodo tipo Schottky seria mais adequado, pois a queda de
tensão sobre ele é menor (nós usamos um diodo Schottky para essa função na Base Boarduino).

A maior parte das outras versões de Arduino não especifica qual modelo de diodo foi usado. Além
disso, algumas versões como o Nano, não possuem essa proteção contra inversão de polaridade.
Há ainda outras versões como o Leonardo e o Arduino Micro que utilizam outros componentes, ou
o mesmo diodo ligado de uma forma diferente. Baixe os projetos destas placas e tente comparar as
diferenças nos circuitos.

Regulador 5V

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O próximo componente do circuito que iremos analisar é o reguladorde 5 Volts nomeado como U1.
Sua função é a de baixar a tensão da fonte (que pode ter um valor entre 7 e 20 Volts) e estabilizá-la
em 5 Volts, que é a tensão recomendada para o funcionamento dos componentes do Arduino,
como os dois processadores por exemplo. Além disso, o regulador também funciona como um filtro,
atenuando os ruídos que possam estar presentes na tensão gerada pela fonte de alimentação.

Funcionamento do regulador de 5 Volts

Este regulador é chamado de regulador linear, e o meio que ele usa para baixar a tensão da fonte
é simplesmente dissipar o excesso de energia, jogando-a fora como calor. Por esse motivo, ele
apresenta uma eficiência baixa, e costuma esquentar bastante em alguns casos. Se você alimentar
o seu Arduino com uma fonte de 12 Volts por exemplo, estará aproveitando apenas 40% da energia
fornecida pela fonte, sendo os outros 60% jogados fora na forma de calor. Isso acontece com
qualquer regulador linear, independente do fabricante e do modelo. Portanto, não se assuste se
esse componente começar a esquentar quando você usa o Arduino com uma fonte externa, pois
ele está lá para isso mesmo. Se a placa estiver bem projetada, a temperatura ficará dentro dos
limites tolerados pelo componente (mas provavelmente ficará acima do limite tolerado pelo seu
dedo, portanto tenha cuidado).

Quanto mais se aumenta a tensão da fonte externa, menos eficiente se torna o funcionamento do
regulador linear. Usando uma fonte de 20V por exemplo, apenas 25% da energia é aproveitada,
sendo 75% jogada fora na forma de calor. Dessa forma, sempre que possível, utilize fontes de
alimentação com valor reduzido, como 9 ou 7,5 Volts por exemplo.

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No Arduino UNO, o componente utilizado para o regulador de 5 Volts é o NCP1117 fabricado pela
ON Semiconductor, e ele usa dois capacitores para ajudá-lo nessa tarefa, PC1 e PC2, ambos de
47uF. Estes capacitores são importantes para o bom funcionamento do regulador. O PC1 ajuda a
estabilizar a tensão de entrada proveniente da fonte de alimentação, e também fornece a energia
necessária para suprir os eventuais picos de corrente que acontecem durante a utilização da placa.
O capacitor PC2 tem o mesmo papel de estabilização, porém na tensão da saída. Além disso, este
capacitor ainda exerce um importante papel na estabilidade do regulador, devendo ser escolhido
cuidadosamente de acordo com as instruções do fabricante em termos de capacitância e de
resistência em série (esta é uma resistência parasita que todo capacitor tem, é chamada de ESR ou
“equivalent series resistance” em inglês). Uma falha na escolha do capacitor de saída pode
ocasionar oscilações indesejáveis no regulador.

Apesar da baixa eficiência, praticamente todas as versões do Arduino utilizam um regulador linear,
pois eles são fáceis de usar, baratos e confiáveis. Alguns modelos utilizam o mesmo NCP1117, já
outras versões utilizam chips diferentes. O Arduino Duemilanove usa por exemplo o MC33269D-
5.0, já o Arduino Nano utiliza o UA78M05. Porém, a função e o funcionamento são sempre
semelhantes. Ainda há outras versões, como o Arduino Due, que não usa um regulador linear para
gerar a tensão de 5 Volts (baixe o esquemático no site do Arduino e tente descobrir as diferenças.
Dica: o CI utilizado é o IC2, modelo LM2734Y).

Regulador 3,3 Volts


O Arduino UNO também tem um segundo regulador, que baixa a tensão de 5 Volts provenientes do
regulador U1 para uma tensão de 3,3 Volts. Este componente é nomeado como U2, e é o modelo
LP2985 fabricado originalmente pela National Semiconductor (hoje essa empresa faz parte da
Texas Instruments).

No projeto do Arduino UNO, a tensão de 3,3 Volts é usada somente no componente U5 (que faz
parte do circuito de chaveamento que veremos depois), nenhum outro componente é alimentado
por ela. E porque esse regulador está presente? Normalmente, a tensão de 3,3V é usada pelos
usuários para alimentar outros circuitos externos, ou shields que utilizem essa tensão.
Principalmente os circuitos eletrônicos mais modernos estão migrando da tensão clássica de 5 Volts
para 3,3 Volts, sendo hoje muito comum em vários dispositivos. Por isso é útil ter esse recurso
disponível no Arduino.

A implementação do regulador U2 é semelhante à do U1. O capacitor de entrada nesse caso é o


C2 com 100 nano Farad, e o capacitor de saída é o C3, com 1 micro Farad (veja na placa do
Arduino, que o capacitor C2 está localizado bem distante do regulador U2, o que não é
recomendado nesse caso).

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Funcionamento do regulador de 3,3 Volts

Algumas versões do Arduino que utilizam o chip FT232 para a função de conversor USB-serial,
como por exemplo o Duemilanove, Nano e MEGA, não possuem um segundo regulador para gerar
a tensão de 3,3V. Nesse caso ela é proveniente de um regulador interno presente no próprio chip
FT232. Apesar da capacidade de corrente ser reduzida (50 miliamperes), ela é suficiente para a
grande maioria dos casos.

Circuito de chaveamento
Como nós já vimos anteriormente, o Arduino pode ser alimentado tanto por uma fonte de
alimentação externa, como diretamente pela porta USB do PC. Nos casos em que o Arduino está
conectado à porta USB, e ainda há uma fonte externa ligada à ele, haveria um conflito entre as
mesmas, já que ambas tentariam alimentar o Arduino ao mesmo tempo. Isso poderia causar danos
à fonte, à porta USB do PC e também ao Arduino.

O circuito de chaveamento tem a função de resolver esse conflito. Ele desconecta a alimentação
proveniente da porta USB sempre que houver uma fonte de alimentação conectada ao Arduino.
Podemos dizer então que a fonte externa sempre terá preferência para alimentar o conjunto. Esse
processo é transparente ao usuário, de modo que você pode conectar e desconectar a fonte de
alimentação mesmo com a placa em funcionamento (supondo que a USB tenha capacidade de
alimentar todo o conjunto).

Os componentes responsáveis por essa função são os resistores RN1A, RN1B, o transistor T1 e o
chip U5.

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Vamos começar explicando o funcionamento do transistor T1 (o modelo é o FDN340P fabricado


pela Fairchild Semiconductor). Como o entendimento completo deste componente envolve
conceitos mais complexos como dopagem de silício e junções PN, vamos tentar abstrair um pouco,
e mostrá-lo de uma forma mais prática.

O transistor T1 faz parte de uma família de transistores conhecida como MOSFET (neste caso é um
MOSFET de canal P). Um MOSFET é um dispositivo que possui três terminais, um deles é o
terminal de comando (chamado de porta ou gate), e os outros dois são terminais que conduzem
corrente (denominados dreno e fonte, ou drain e source respectivamente). Seu funcionamento pode
ser descrito como a de uma chave liga e desliga. Dessa forma ele deixa passar, ou corta a corrente
que passa pelos terminais de dreno e fonte dependendo do comando que é enviado à ele.
Resumidamente podemos dizer que:

O MOSFET permanece desligado (cortando a corrente entre os terminais de dreno e fonte)


enquanto a tensão no seu terminal de comando estiver em nível lógico alto.
O MOSFET permanece ligado (deixando passar a corrente entre os terminais de dreno e
fonte) enquanto a tensão no seu terminal de comando estiver em nível lógico baixo.

A figura a seguir ilustra esse funcionamento:

Funcionamento simplificado do MOSFET canal P

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Quem envia o comando para ligar e desligar o transistor T1 é o componente U5. Este componente
é um amplificador operacional(amp-op). O amp-op é um dos componentes mais versáteis que
existe, e é muito utilizado em projetos eletrônicos analógicos, com ele é possível fazer osciladores,
filtros, buffers, somadores, e uma série de outras aplicações. Porém, no circuito de chaveamento do
Arduino UNO, o amp-op é utilizado como um comparador, e é assim que iremos analisá-lo.

O componente usado é o LMV358, fabricado por diversas empresas como Texas, On


Semiconductor, ST, etc…

Um comparador possui 2 terminais de entrada, que são denominados e , além de um terminal de


saída. Sua função é a comparar a tensão presente nos terminais e , indicando através do nível
lógico do terminal de saída, qual dessas tensões é a maior. O funcionamento pode ser descrito
como:

A tensão no terminal de saída permanece em nível lógico alto, enquanto a tensão no


terminal for maior do que a tensão no terminal .
A tensão no terminal de saída permanece em nível lógico baixo, enquanto a tensão no
terminal for menor do que a tensão no terminal .

Funcionamento do amp-op como comparador

Vamos voltar agora ao esquemático. Nele podemos ver que a tensão presente no terminal é a
própria tensão de 3,3V gerada no regulador U2. Já a tensão presente no terminal é a tensão VIN
proveniente da fonte externa após passar pelo divisor resistivo formado pelos resistores RN1A e
RN1B. Como os dois resistores têm valores iguais (10 kilo Ohms nesse caso), eles formam um
divisor por dois, de modo que a tensão presente no terminal do comparador é a metade da tensão
VIN (na verdade seria preciso descontar também a queda de tensão sobre o diodo D1, mas vamos
ignorar isso, pois a sua influência é baixa).

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Divisor resistivo formado pelos resistores RN1A e RN1B

Quando há apenas a tensão da USB presente, VIN é igual a zero, já que não há fonte externa
conectada. Nessa situação, a tensão no terminal é menor do que tensão no terminal , fazendo com
que a a saída do comparador permaneça em nível lógico baixo. Esse nível lógico baixo é enviado
diretamente ao terminal de comando do MOSFET, fazendo com que o mesmo ligue e conduza a
corrente proveniente da porta USB. Isso permite que ela alimente todo o circuito (no esquemático, a
corrente proveniente da USB vem pelo sinal denominado como USBVCC que é originado logo após
passar pelo fusível F1, lembre-se que sinais com o mesmo nome são sempre conectados entre si,
mesmo que não haja ligação física no esquemático)..

Porém, quando uma fonte de alimentação de 12 Volts por exemplo é ligada ao Arduino, haverá uma
tensão de 6 Volts presente no terminal do comparador (lembre-se do divisor resistivo por dois).
Nessa situação, a tensão no terminal é maior do que a tensão no terminal (que é sempre de 3,3V),
o que faz com que a saída do comparador permaneça em nível lógico alto. Esse nível lógico é alto
é enviado diretamente ao terminal de comando do MOSFET, fazendo com que o mesmo desligue e
impeça que a corrente da USB passe por ele, efetivamente desligando a alimentação da porta USB.
Portanto a corrente proveniente da fonte externa passa a ter preferência, e é ela quem alimenta o
Arduino.

Como a tensão da fonte é sempre dividida por dois na entrada do comparador, o valor mínimo
necessário para que ela tenha a capacidade de desligar o MOSFET é de 6,6 Volts. Esse valor está
abaixo do limite mínimo recomendado para alimentação do Arduino com fonte externa (que é de 7
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Volts), portanto a fonte externa sempre terá preferência.

Ainda há outro componente presente no circuito de chaveamento, que é o capacitor C1 de 100


nano Farad. No esquemático, ele está ligado a dois pinos que parecem “soltos” logo acima do
comparador U5A, porém estes pinos fazem parte do mesmo componente U5.

Capacitor de desacoplamento C1

O C1 está ligado aos pinos de alimentação do amp-op é o nosso velho conhecido capacitor de
desacoplamento (reveja a seção Processador USB” para mais detalhes).

LED D13
O próximo circuito que iremos analisar é o LED acionado pelo pino D13 do Arduino, ele é nomeado
com L no esquemático. Esse é o LED que pisca quando rodamos o exemplo Blink. Na verdade,
este circuito não faz parte do circuito de alimentação, porém o inserimos nesta seção pois ele
compartilha o mesmo componente U5 do circuito de chaveamento.

Este LED tem um resistor RN2A de 1 kilo Ohm ligado em série com o mesmo para limitar a sua
corrente, e eles estão conectados diretamente na saída de outro amp-op. Porém, apesar de haver
dois amp-ops no esquemático (U5A e U5B), ambos estão inseridos dentro do mesmo
encapsulamento, ou seja, eles fazem parte do mesmo componente (baixe o datasheet do LMV258
para ver mais detalhes).

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LED acionado pelo pino D13 do Arduino

Temos então que o terminal do amp-op está ligado no sinal SCK, que vem do pino D13 do Arduino,
e é este sinal que fará o acionamento do LED. O terminal do amp-op está ligado diretamente à
saída. Esta montagem do amp-op é chamada de seguidor de tensão ou buffer. Na prática, ele não
exerce nenhuma função lógica, já que o LED acende toda vez que há um nível alto no pino 13 e
apaga toda vez que há um nível lógico baixo. Efetivamente é como se o LED estivesse ligado
diretamente à esse pino.

Mas então pra que usar o amp-op para acionar o LED?

O amp-op foi utilizado, porque o pino D13 não tem a função exclusiva de acender e apagar o LED.
Ele também é por exemplo, o pino de clock da comunicação SPI (SCK). Se o LED fosse ligado
diretamente, ele drenaria do pino D13 uma corrente aproximada de 3 miliampéres enquanto
estivesse aceso, acrescentando uma carga extra. Isso poderia influenciar e prejudicar o uso do pino
D13 em outras aplicações.

O amp-op, por sua vez, possui uma alta impedância nos seus pinos de entrada. Isso quer dizer que
a corrente consumida por eles é muito pequena (em torno de 250 nanoampéres). Dessa forma, ele
praticamente não acrescenta carga extra ao pino D13 do Arduino, eliminando a influência do LED.
Resumindo tudo, você drena do pino uma corrente de apenas 250 nanoampéres para acionar uma
carga de 3 miliampéres (12000 vezes menos).

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O amp-op não é o único circuito que pode ser usado para essa finalidade, também é possível
utilizar buffers ou transistores. Outra opção é o uso de LEDs de alto brilho, que têm mais eficiência.
Desse modo, aumenta-se o valor do resistor, diminuindo a carga sobre o pino, o que torna
desprezível a influência do LED.

O Arduino Nano não utiliza esse circuito – LED vai ligado diretamente no pino do processador.

LED ON

LED indicador de alimentação

Este é o último bloco que falta analisarmos, e é também o mais simples. Trata-se do LED que
sempre fica aceso enquanto o Arduino está ligado, ele é nomeado no esquemático como ON.

O circuito tem dois resistores, RN4C e RN4D, ambos com 1 kilo Ohms e ligados em paralelo.
Efetivamente eles funcionam como um resistor único de 500 Ohms, e tem o papel de limitar a
corrente no LED.

Fiduciais

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Os mais atentos podem dizer que ainda faltam componentes a serem explicados. Eles são os três
círculos que aparecem soltos logo ao lado do conector POWER no esquemático original. A figura
abaixo mostra onde eles estão.

Localização dos três círculos

Bem, esses não são componentes propriamente ditos. Eles representam algumas marcações na
placa, e são chamados de pontos fiduciais. Esses pontos servem como pontos de referência para
as máquinas que fazem a montagem automática dos componentes na fábrica do Arduino, pois
assim se consegue um melhor alinhamento.

No projeto publicado pela equipe do Arduino, existem 3 pontos fiduciais, e eles ficam localizados
abaixo do jack de entrada para fonte, do botão de reset e do ATmega328. Desse modo não é mais
possível vê-los depois que os componentes estão montados.

Nós encontramos uma outra versão do Arduino UNO, com o processador ATmega328 em
encapsulamento SMD, onde é possível ver dois pontos fiduciais. Eles estão destacados na imagem
abaixo.

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Exemplos de pontos fiduciais

Downloads
Entendendo o Arduino UNO PDF
Datasheet ATmega328
Datasheet ATmega16U2
Projeto Eagle do Arduino UNO
Esquemático Arduino UNO organizado
Datasheet MF-MSMF050-2
Datasheet CG0603MLC-05E
Datasheet BLM21
Datasheet NCP1117
Datasheet LP2985
Datasheet LMV358
Datasheet FDN340P
Datasheet M7
EMC Design Considerations
Datasheet CSTCE16M0V53-R0

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