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Técnicas utilizadas na terapia cognitivo comportamental em casos de depressão

As técnicas cognitivas segundo Cardoso (2011) têm como objetivo principal


ensinar o paciente a identificar e lidar com as situações relacionadas aos sintomas da
doença, além de auxiliar no repertorio de habilidades sociais e resolução dos problemas.
As técnicas mais utilizadas no tratamento de depressão estão relacionadas ao
automonitoramento (anotações), auxílio no enfretamento (início ou realização de
alguma atividade), reestruturação cognitiva e auxílio nas habilidades sociais, todas as
estratégias irão ajudar o individuo a identificar pensamentos e sentimentos automáticos
disfuncionais que estão relacionados ao seu sentimento de disforia.
O paciente deve registrar tanto atividades prazerosas e produtivas
quanto aquelas que lhe trazem tristeza ou desânimo em realizá-las. As
atividades que ajudam o paciente a desenvolver um autoconhecimento
e monitoramento do seu comportamento permitem com que ele entre
em contato com as contingências que podem estar mantendo o
problema. As aplicações dessas técnicas muitas vezes são estruturadas
em protocolos de atendimento. Esses protocolos tendem a delimitar o
que será abordado com o paciente a cada sessão. Para o tratamento da
depressão, o número de sessões pode variar de 12 a 16 atendimentos.
(CARDOSO,2011)

Psicoeducação: Essa intervenção tem como principal finalidade auxiliar o paciente a


conhecer e entender sobre o seu transtorno e assim percebendo a importância de mudar
seus comportamentos.
O terapeuta e a psicoeducação irá acompanhar o paciente durante todo o
processo terapêutico. O terapeuta ao explicar o modelo terapêutico a ser seguido, deve
explicar e relacionar os conceitos de sentimentos, pensamentos, possíveis reações físicas
e comportamentais. A intervenção auxilia no manejo dos sintomas no decorrer da
terapia pois, o paciente já sabe quais possíveis sintomas poderão ocorrer e que elas são
decorrentes do seu transtorno. (PALOSKI; CHRIST,2014)
A psicoeducação pode ser utilizada para a melhoria, manter o paciente no
tratamento, melhorando os resultados a longo prazo em diferentes tipos de doença uma
vez que ela fornece conhecimentos para que o paciente se torne seu próprio terapeuta
fazendo com que ele consiga identificar pensamentos e comportamentos disfuncionais,
auxiliando a modificar o seu funcionamento. (MORELI; BRAGA; DONADON, 2021)

Quadro de atividades e lista de prazer e satisfação: A intervenção irá auxiliar para


que o paciente consiga inserir em sua rotina novamente atividades prazerosas que
anteriormente ele realizava e que foram identificadas em sua lista de prazer e satisfação
para que assim ele e o terapeuta consiga reforçar essas atividades.

Segundo Cardoso (2011) o terapeuta comportamental associa a depressão com a


redução da frequência de certas atividades praticadas anteriormente pelo individuo,
principalmente as prazerosas trazendo um aumento de comportamentos de fuga e
esquiva de situações consideras aversivas por ele. Os comportamentos citados estariam
relacionados a depressão uma vez que o individuo apresenta dificuldade em acessar os
reforçadores do ambiente.

A ativação comportamental tem como objetivo aumentar o repertorio


comportamental, inserindo atividades em que o individuo consiga resolver os problemas
e assim entre em contato com as contingências de reforçamento positivo, o terapeuta
deve identificar as contingências que estão mantendo os comportamentos depressivo e
alterá-los.

Inventario de custo e benefício: A partir da análise comportamental e funcional será


verificado as atividades atuais e do passado do indivíduo e o que elas têm ocasionado
nele, para analisar se esta deve ser punida ou reforçada.
Costa (2002) afirma que na análise funcional de um comportamento, entre todas
as informações da vida atual e passada do indivíduo, o terapeuta deve analisar e
selecionar aquelas variáveis que tenha algum tipo de relação com o comportamento que
será analisado e que a escolha correta destas variáveis somente irá ocorrer após sua
manipulação.
Assim, a aplicação clínica da análise funcional não visa descrever
todas as relações entre variáveis relevantes. Aquelas que apresentam
magnitude insignificante e aquelas que não podem ser modificadas
são excluídas para simplificar o quadro e para identificar aquelas
variáveis que poderiam ser modificadas durante o tratamento. Nesse
contexto, análise funcional é uma forma ideográfica de avaliação que
é orientada ao desenvolvimento de um tratamento adaptado
individualmente (Costa (2002) apud Sturmey, 1996)

Registro e avaliação de pensamentos e crenças disfuncionais: O objetivo é que a


partir dos registros o paciente consiga identificar e compreender seus padrões de
comportamento e assim entender como sua cognição e humor são afetados.
As suposições e inferências disfuncionais são a causa das emoções e
condutas disfuncionais. Esses pensamentos sempre estarão
relacionados às crenças centrais, construídas ao longo do
desenvolvimento. Na formulação da conceituação de um caso é
relevante identificar quais situações serviram como gatilho ou
desencadeantes de cognições e respostas disfuncionais antes de definir
as estratégias de enfrentamento e perguntar ativamente sobre as
crenças nucleares que subjazem aos pressupostos disfuncionais, as
atitudes, as demandas, as normas e as distorções cognitivas do
paciente. (ANDRETTA, I; OLIVEIRA, S, M, 2011)
Referencias

ANDRETTA, I; OLIVEIRA, S, M. Manual prático de terapia cognitivo


comportamental. Casapsi livraria e editora. São Paulo. 2011

CARDOSO, R, D, L. Psicoterapias comportamentais no tratamento da depressão.


Psicol. Argum., Curitiba, v. 29, n. 67, p. 479-489, out./dez. 2011

COSTA, E, G, C, S. Um modelo de apresentação de análise funcionais do


comportamento. Estud. psicol. (Campinas) 19 (3) dez 2002 

MORELI, S, P; BRAGA, A, T; DONADON, F, M. Psicoeducação na terapia


cognitivo comportamental: um caso de depressão com histórico de violência.
Revista Eixo. Brasília-DF, v. 10, n. 2, maio-agosto de 2021

PALOSKI, L. CHRIST, H. Terapia cognitivo-comportamental para depressão com


sintomas psicóticos: Uma revisão teórica. Contextos Clínicos, 7(2):220-228, julho-
dezembro 2014

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