ATUALIZAÇÃO DO PROTOCOLO DE RESSUSCITAÇÃO CARIDOPULMONAR PARA ENFERMEIROS

Pablya Pedroso Nascimento ¹ André Luiz Hoffmann²

RESUMO: A doença cardiovascular é a principal causa de morte entre homens,
mulheres e crianças em todo o mundo, este fato é sem duvida uma das maiores preocupações entre os seres humanos. Existem relatos da ressuscitação cardiopulmonar desde a Antiguidade, onde muitos avanços têm acontecido nos últimos anos contribuindo para que muitas vidas possam ser salvas. O presente estudo objetiva qualificar os profissionais da Enfermagem a desenvolver as manobras de ressuscitação cardiopulmonar de forma consciente, rápida e eficaz, compreendendo a importância da sua realização no tempo certo.Quanto à metodologia utilizada para o presente artigo, fezse uso da revisão bibliográfica.

ABSTRACT: The cardiovascular illness is the main cause of death between men, women
and children in the whole world, this fact is without doubts one of the biggest concerns between the human beings. Stories of the resuscitation exist to cardiopulmonary since the Antiquity, where many advances have happened in the last years contributing so that many lives can be salutes. The present objective study to characterize the professionals of the Nursing to develop the resuscitation maneuvers to cardiopulmonary of conscientious, fast and efficient form, understanding the importance of its accomplishment in the certain time. How much to the methodology used for the present article, use of the bibliographical revision became.

PALAVRAS CHAVES: Atualização, protocolo, RCP, emergência, enfermagem, tempo,
vida.

KEY WORDS: Update, protocol, RCP, emergency, Nursing, time, life

___________________________ ¹ Graduanda do Curso de Enfermagem, UNIANDRADE
² Fisioterapeuta, Mestre, Docente da UNIANDRADE

dentro e fora dos hospitais. A PCR possui várias causas. deixando alterações neurológicas irreversíveis.INTRODUÇÃO A preocupação com a morte é uma questão eterna e universal. usualmente sem nenhum planejamento prévio e muitas vezes com pouco conhecimento a respeito do paciente envolvido (CIVETTA. incondicionais de ressuscitar. Segundo Erazo. Foram necessários muitos anos até que as manobras de ressuscitação fossem desenvolvidas.1992). a morte esteve envolta em uma atmosfera mística e mágica. a constatação dessas condições deve ser feita pelo socorrista durante o exame primário (ABCD). o choque elétrico. overdose de drogas. dentre as mais comuns cita-se a obstrução de vias aéreas por corpos estranhos ou queda da base da língua.1999). As manobras de Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) devem ser empregadas somente quando for constatada PCR simultaneamente. KIRBY. choque hemorrágico e ataque cardíaco (GUIDELINE. A maioria dos esforços de ressuscitação são iniciados como indicação de momento. 2006). TAYLOR. começou-se a considerar a possibilidade científica de que a ressuscitação seria possível (PHTLS. Doenças do coração são responsáveis por muitas mortes em todo o mundo. (CIRCULATION. Sabemos que o sucesso na recuperação de uma parada cardíaca respiratória (PCR) depende de uma série de intervenções. Desde o início da história do homem. 2005). usualmente inesperadamente. mas somente no século XVIII. a recuperação da vítima poderá não acontecer de forma adequada. Poucas circunstâncias na medicina evocam tanta emoção e ansiedade quanto às decisões agressivas. Se uma dessas ações for negligenciada. .

1999). A primeira fase da RCP pode ser desenvolvida com ou sem equipamentos especiais. Quanto a metodologia adotada para o desenvolvimento da presente pesquisa. na tentativa de restabelecer a ventilação pulmonar e a circulação sanguínea (OLIVEIRA. portanto pode ser desenvolvida com ou sem a presença do médico. Através de pesquisas muito bem fundamentadas. TEIXEIRA. devemos posicionar a vítima em superfície plana. onde os fatores tempo x vida são essenciais. a AHA é responsável pelas atualizações neste protocolo. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A American Heart Association (AHA) é uma entidade americana responsável por grande parte dos protocolos de primeiros socorros e emergências médicas que são utilizados no mundo. onde os profissionais dessa área devem conhecer a técnica a ser empregada. aprender a comandar a sua equipe. verificar se realmente há a necessidade da realização da técnica. o qual é anunciado pelo médico responsável.Existem referências históricas das manobras de RCP que datam desde a Antiguidade.PAROLIN. pois as massagens não serão eficientes se não houver a entrada de oxigênio no pulmão (SANTOS. pois está técnica deve ser desempenhada com seriedade absoluta. . compreender os sinais da equipe. verificar as via aéreas. O objetivo desse trabalho é qualificar os profissionais da Enfermagem para realização da RCP de forma correta e eficiente. 2004). Antes de se começar as manobras de ressuscitação. A equipe deve estar treinada e capacitada para a sua realização. A RCP é um conjunto de procedimento utilizados na vitima de PCR. fazer a reanimação até que se tenha certeza do óbito do paciente. conferir se elas estão desobstruídas. conhecer a medicação a ser utilizada e seus efeitos. foi selecionado o método de revisão bibliográfica.

novas recomendações de que. a checagem do pulso e ritmo só devem ser feitas após 02 minutos de execução de RCP e respaldo a recomendação do International Liaison Committe on Resuscitation (ILCOR. pois envolve conhecimentos e treinamentos especiais. As cinco principais modificações introduzidas nas diretrizes de 2005 são: maior ênfase e recomendações para melhorar a aplicação de compressões torácicas. uma única medida para a compressão-ventilação para todos os socorristas quando sozinhos e todas as vítimas (exceto recém-nascidos). tanto melhor o fluxo. Quanto mais profundas. Quando há PCS. usando uma redução da dose para crianças se disponível.Para realizar compressões eficientes os socorristas devem “comprimir com força. Tentar limitar o tempo de interrupções nas compressões. deve seguir imediatamente RCP. toda vez que você pára as compressões.Já a segunda fase da RCP obriga a presença do médico. como o cérebro e miocárdio. não há fluxo de sangue. não eram tão enfatizadas. recomendação de que toda a respiração no RCP deve ser dada acima de 01 segundo e produzir elevação visível do tórax. Antes a importância na qualidade e nas taxas de compressões. .A compressão do tórax deve atingir taxas de 100 compressões por minuto (AHA. Permitir o retorno completo do tórax para a posição normal após cada compressão e faça aproximadamente compressões e tempos de relaxamento iguais. a cada choque. 2005). comprimir rápido”. sendo usada para atender desfibrilação em caso de fibrilação ventricular (FV) e parada cardíaca súbita (PCS). A COMPRESSÃO DO TÓRAX DEVE SER EFICIENTE Compressões do tórax eficientes produzem fluxo no sangue durante a RCP. As compressões torácicas criam um pequeno fluxo para os órgãos vitais.2005) para o uso de Desfibrilador Automático Externo (DAE) em crianças de 01 a 08 anos (e mais velhas). o fluxo sanguíneo também pára.

overdose de drogas e trauma que desenvolvem PCS. RECOMENDAÇÕES PARA VENTILAÇÃO DE 01 SEGUNDO DURANTE O RCP Cada ventilação na RCP deve durar 1 segundo ou mais. durante os ciclos de RCP. a medida de compressão-ventilação para adultos recomendada era de 15:2 em adultos. Durante a RCP o fluxo de sangue para os pulmões é muito menor do que o normal. Durante os primeiros minutos de uma FV em uma PCS. Alem disso. De fato. por isso a vítima necessita de menos ventilação do que o normal. A desfibrilação imediata é apropriada para todos socorristas atendendo a um colapso súbito testemunhado com DAE no local (para vítimas maiores ou . o fazem devido a hipóxia. é importante reduzir o tempo usado para o emprego das ventilações para reduzir a interrupção das compressões. o emprego de ventilações muito fortes ou muito volumosas pode causar problemas gástricos e complicações posteriores. muitos volumes diferentes de ventilações eram recomendados com ou sem oxigênio. Onde eles devem prover o número de ventilações recomendadas e devem evitar o emprego de mais ventilações do que o recomendado ou ventilações muito compridas ou muito fortes. Ventilações deveriam ser empregadas em 1 segundo ou acima de 1 e entre 2 segundos. Esta recomendação se aplica a todos os socorristas.2005). A maioria das crianças e lactentes. Segundo Timerman. as vítimas de afogamento. a ventilação é provavelmente menos importante do que as 5 compressões torácicas. Segundo Frisoli.COMPRESSÃO-VENTILAÇÃO A AHA recomenda a medida de compressão-ventilação 30:2 para todos os socorristas para vítimas de todas as idades (exceto recém-nascidos). DESFIBRILAÇÃO As mudanças foram feitas para amenizar as interrupções nas compressões do tórax (GUIDELINE.

iniciando com compressões. o socorrista deve usar o DAE assim que possível. Estas recomendações podem ser modificadas na situação interna do hospital. RCP IMEDIATO APÓS O PRIMEIRO CHOQUE PARA TENTATIVA DE DESFIBRILAÇÃO Para o tratamento de parada cardíaca associada com FV ou taquicardia ventricular sem pulso. Quando usando o DAE para uma criança sem resposta a qual não foi testemunhado o colapso. Quando o pessoal do serviço médico de emergência chega ao local da ocorrência fora do hospital em que uma parada cardíaca não foi testemunhada. Quando qualquer socorrista profissional testemunha um colapso súbito em criança. Quando qualquer socorrista testemunha uma parada cardíaca em adulto e um DAE e está imediatamente desprovido no local. Os socorristas não devem interromper as compressões para checar a circulação (ex: avaliar ritmo ou pulso). o socorrista deve executar 5 ciclos ou cerca de 2 minutos de RCP antes de usar o DAE. o manual de 2005 recomenda o emprego de 1 choque simples seguido imediatamente de um período de RCP. é razoável que eles executem cerca de 5 ciclos (cerca de 2 minutos) de RCP antes de chegar o ECG ritmo e executar a desfibrilação. particularmente quando .iguais 1 ano de idade). é maior do que a 4 ou 5 minutos depois da chamada. 2005). Um choque seguido de RCP imediato iniciando com compressões do tórax é utilizado para a realização de desfibrilação.Compressões antes da desfibrilação devem ser consideradas quando da chegado do serviço médico de emergência à cena do colapso súbito.O ritmo é checado depois de 5 ciclos de RCP ou 2 minutos (CIRCULATION.até que 5 ciclos ou aproximadamente 2 minutos de RCP tenham sido fornecidos após o choque. o socorrista deve acionar (ou) mandar alguém acionar o sistema de emergência ou telefone de emergência e deve iniciar o RCP e colocar o DAE na vitima assim que possível. Para realizar desfibrilação em um adulto a dose usada em um desfibrilador manual monofásico é de 360 J.

e a relação de 15:2 quando forem em dois socorristas. o termo suporte básico de vida em pediatria (SBVP) tem sido usado para referir-se ao fornecimento de RCP em crianças. Segundo o ILCOR(2005). Choques repetidos eram necessários com desfibriladores monofásicos porque o primeiro choque freqüentemente era sem sucesso e muitos choques tipicamente eram necessários para eliminar a fibrilação ventricular. . e a dose recomendada para terceira e subseqüentes era de 360 J (OTTO. o DAE pode ser usado em crianças de 1 a 8 anos de idade (ou mais velhas). Antes a dose recomendada para o choque de inicial usando um desfibrilador monofásico no tratamento de fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso em adultos era de 200 J.O uso de uma seqüência “empilhada” de 3 choques era recomendado. Segundo Zideman. Se o socorrista não é familiarizado com a dose especificada do aparelho a recomendação consensual é de que o uso da dose deve ser de 200 J. a medida de compressão–ventilação recomendada antes para lactentes e crianças era de 5:1. O aumento ou não da intensidade da energia do choque bifásico pode ser usado com segurança e eficiência para eliminar a fibrilação ventricular de curta ou longa duração. Já diante de um desfibrilador bifásico a dose do choque inicial selecionada para adultos é 150 J a 200 J. sem a interposição de compressões no tórax para o tratamento de fibrilação ventricular com taquicardia ventricular sem pulso.Para crianças entre 1 e 8 anos de idade o socorrista deve usar um DAE com um sistema atenuador de dose pediátrica se este estiver disponível. A AHA também recomenda a medida de compressão-ventilação de 30:2 para lactentes e crianças quando os socorristas estiverem sozinhos.1993).eletrocardiografico ou monitoramento hemodinâmico está presente (AHA. SUPORTE BÁSICO DE VIDA EM PEDIATRIA Tradicionalmente. A segunda dose recomendada era de 200 a 300 J. A segunda dose deve ser a mesma ou maior. 2005).

COMPLICAÇÕES DA RCP Minimizados na realização correta da reanimação cardiorespiratória. um anestésico. o bicabornato de Sódio responsável pela correção da acidose metabólica . embolia gordurosa e outros menos freqüentes. continua sendo a primeira dose 2 J por kg e a segunda e doses subseqüentes.A dose inicial para realizar desfibrilação em bebês e crianças usando um desfibrilador monofásico ou bifásico.1993). aumentar a perfusão cerebral e corrigir os distúrbios ácido-base e eletrolítico. a lidocaína. os fármacos vasoativos ( noradrenalina. fratura de esterno. contusões pulmonares. FARMÁCOS EMPREGADOS EM REANIMAÇÃO CARDIOPULMONAR Os fármacos são usados para aumentar a perfusão coronariana. 4 J por kg ( CLEMENTS. propiciando um melhor fluxo sanguíneo. mesma assim podem ocorrer fratura de costela. a vasopressina que atua como vasoconstritor melhorando a perfusão coronariana.a atropina utilizada na bradicardia atua diretamente na função elétrica do coração). cuja finalidade é reduzir a hipoxemia.o cálcio que atua adversamente nas arritmias. a adrenalina responsável pela restauração do tônus vascular.Eles devem ser administrados o mais rápido possível. . dopamina e dobutamina). Os medicamentos utilizados na RCP são: Oxigênio. corrigir a hipoxemia. de preferência durante a carga de desfibrilação (ATLS. aumentar o inotropismo cardíaco.2000). pneumotórax. cerebral e coronariano. hemotórax. lacerações do fígado e baço.

O uso de fármacos específicos também pode melhorar a eficácia das manobras buscando reanimar a vítima. Em uma situação como essa. Nesta pesquisa pude perceber o quanto é importante a atualização dos profissionais que atuam nessa área. principalmente no que se refere ao número de massagens cardíacas. É de fundamental importância o treinamento e a orientação dos profissionais dentro e fora dos hospitais. foram revisados os principais aspectos relacionados ao Suporte Básico e Avançado de Vida. A Parada Cardíaca representa a maior emergência médica com que podemos nos deparar. onde ou com quem irá acontecer uma situação de emergência. pois nunca sabemos quando. principalmente se for administrado durante a carga de desfibrilação. O novo protocolo de atendimento está sendo repassado aos hospitais de forma gradual. .CONSIDERAÇÕES FINAIS No presente artigo. porém nem todos os profissionais estão cientes das alterações. Precisamos estar preparados para atuar com seriedade nessas situações. o diagnóstico rápido e a seqüência correta no atendimento possibilita uma maior chance de sobrevivência.

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