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OBSERVAÇÕES INICIAIS

O presente material foi preparado pela Equipe Mege imediatamente após a


divulgação do gabarito preliminar da prova objetiva do TJ-AL. O intuito é auxiliar nossos
alunos e seguidores na elaboração de recursos e possibilitar também a revisão de temas
cobrados no certame em formato conclusivo. Trata-se de versão preliminar elaborada
com as finalidades informadas e concluída por nosso time específico para 1ª fase de
magistratura estadual, sem maiores pretensões de aprofundamento e trabalho editorial
neste momento com foco no apoio concurseiro.

Nas questões que identificamos como antecipadas, consideramos


especialmente o conteúdo da turma de reta final TJ-AL, com destaque para o que foi
abordado em rodada, simulados, selecionado para Vade Mege. Tal apuração é feita com
a devida celeridade e pode não contar com a menção de todos os conteúdos abordados
na turma e exigidos na prova. De todo modo, é um ótimo parâmetro para que o aluno
perceba o conteúdo abordado em seu curso fielmente representado na hora do seu
desafio oficial.

Até 11/10/2019 (sexta-feira), de acordo com o site “olhonavaga.com” (com 2


2.655 notas cadastradas), a nota de corte para ampla concorrência seguia estimada em
79 pontos, mas esteve por um bom período em 76 (sendo esta uma zona de grande
possibilidade de aprovação: 76-79). Para fins de parâmetro de desempenho, a nota
média registrada no site pelos candidatos é de 63 pontos.

Após análise de todas as questões por nosso corpo docente, consideramos 4


(quatro) como passíveis de anulação, com a numeração de acordo com o tipo de prova
analisada por nossa equipe apresentada na sequência: 1 (uma) de Direito da Criança e
do Adolescente, 1 (uma) de Penal, 1 (uma) de Eleitoral e 1 (uma) de Tributário (questões
40, 47, 70 e 83).

Aos alunos do TJ-AL (Reta Final), pedimos que não deixem de reler os conteúdos
das rodadas com temas antecipados na prova. A melhor fixação será importante nos
próximos desafios. Como perceberam, o estudo em sprint final foi revertido em pontos
decisivos. Sempre acreditamos muito que, com o devido foco, é possível evoluir mesmo
em menor prazo. Portanto, eis aqui o nosso extrato de conferência de pontuação com
os devidos apontamentos! O respeito ao concurseiro demanda transparência de
informações - um de nossos valores em cada atuação.

Nenhuma efetividade seria possível sem o apoio irrestrito de nosso corpo


docente, que no TJ-AL, entre materiais, simulados, videoaulas e aulão de véspera, foi
representado, com a devida especialização de atividades, pelos queridos mestres:
Rafael Maia, Arnaldo Bruno Oliveira, Flávia Martins, Guilherme Andrade, Beatriz
Fonteles, Edison Burlamaqui, Vanessa Pereira, Rafhael Nepomuceno, Raul Cabús, Jean
Vilbert, Bruno Pinto, Edison Burlamaqui, Bárbara Saraiva, Vinícius Reis, Ronald
Medeiros, Michael, Augusto Cezar, Domingos, Silvério Mota, Clarissa, Juliana e
Fernanda Marinela.

Por fim, vale ressaltar que estamos com inscrições abertas para Turma de 2ª
fase TJ-AL, onde contaremos com videoaulas, provas autorais e focadas no estilo
esperado para o concurso, correções efetivamente personalizadas, material de apoio,
preparação verticalizada em Humanística com o professor Rosângelo Miranda e
coordenação geral do professor Luiz Otávio Rezende (Juiz do TJDFT; ex-examinador de
certames para magistratura; e autor em Sentença Cível e Sentença Penal pela Editora
Juspodivm), que será auxiliado por outros ex-examinadores de concursos públicos nas
nossas correções de atividades. Tudo pensado para auxiliar nossos alunos na
manutenção da liderança em aprovações também nas turmas de 2ª fase (com vagas
limitadas!).

No último concurso, 33 (trinta e três) aprovados no TJ-AL estudaram ao nosso


lado.
3
Inscrições, com preço promocional de lançamento, em:
www.mege.com.br/cursomege.

Bons estudos!
Atenciosamente,
Equipe Mege.
SUMÁRIO

BLOCO I ............................................................................................................................. 5
DIREITO CIVIL ................................................................................................................ 5
DIREITO PROCESSUAL CIVIL ........................................................................................ 30
DIREITO DO CONSUMIDOR ......................................................................................... 48
DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE ................................................................. 66
BLOCO II .......................................................................................................................... 73
DIREITO PENAL ............................................................................................................ 73
DIREITO PROCESSUAL PENAL ...................................................................................... 85
DIREITO CONSTITUCIONAL ....................................................................................... 103
DIREITO ELEITORAL ................................................................................................... 114
BLOCO III ....................................................................................................................... 122
DIREITO EMPRESARIAL.............................................................................................. 122
DIREITO TRIBUTÁRIO ................................................................................................ 128
DIREITO ADMINISTRATIVO ....................................................................................... 139
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DIREITO AMBIENTAL ................................................................................................. 159
BLOCO I

DIREITO CIVIL

1. Luciana e Roberto casaram-se no ano de 2004 sob o regime da separação de bens,


divorciando-se em 2018, quando desfizeram a sociedade conjugal. Em 2013, Luciana,
culposamente, colidiu seu automóvel com o de Roberto, causando-lhe danos.

Nesse caso, a pretensão de Roberto obter a correspondente reparação civil de Luciana,


segundo o Código Civil,

(A) é imprescritível.

(B) prescreveu em 2016.

(C) prescreverá em 2021.

(D) prescreveu em 2018.


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(E) prescreverá em 2028.

RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado no material da turma de reta final (Rodada 04) e na
videoaula “Regime de bens e dissolução da sociedade conjugal” (professor Paulo César)
veiculada também na turma de reta final. Além disso, o artigo necessário para acertar a
questão foi um dos destacados na página 05 do Vade Mege.

(A) Incorreta.
De acordo com o Código Civil, não corre a prescrição entre os cônjuges na constância da
sociedade conjugal (art. 197, inc. I, do CC). Neste particular, considerando que o divórcio
de Luciana e Roberto ocorreu em 2018 - ocasião em que desfizeram a sociedade
conjugal - a pretensão de Roberto para obter a correspondente reparação civil de
Luciana passa a prescrever.
(B) Incorreta.
Não há que se falar em prescrição em 2016, uma vez que nesta data Luciana e Roberto
ainda estavam na constância da sociedade conjugal, aplicando a regra do já referido art.
197, inc. I, do CC.

(C) Correta.
Como lançado no item inaugural, a pretensão de Roberto para obter a correspondente
reparação civil de Luciana prescreve. Considerando que em 2018 não houve mais
constância da sociedade conjugal, a partir desta data passou a contar o prazo
prescricional.

Com efeito, se nos termos do CC/02, prescreve em três anos a pretensão de reparação
civil (art. 206, § 3°. inc. V), a pretensão de Roberto obter a correspondente reparação
civil de Luciana prescreverá em 2021.

(D) Incorreta.
Conforme comentado nos itens antecedentes - tudo à luz dos arts. 197, inc. I, e 206, §
3°. inc. V do CC - a pretensão de Roberto obter a correspondente reparação civil de
Luciana não prescreveu em 2018, ano em que ocorreu o desfazimento da sociedade
conjugal.
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(E) Incorreta.
Conforme comentado nos itens antecedentes - tudo à luz dos arts. 197, inc. I, e 206, §
3°. inc. V do CC - a pretensão de Roberto obter a correspondente reparação civil de
Luciana não prescreverá em 2028, mas sim em 2021.

2. Renato emprestou seu automóvel a Paulo. Quinze dias depois, ainda na posse do
veículo, Paulo o comprou de Renato, que realizou a venda sem revelar que o automóvel
possuía grave defeito mecânico, vício oculto que só foi constatado por Paulo na própria
data da alienação. Nesse caso, de acordo com o Código Civil, Paulo tem direito de obter
a redibição do contrato de compra e venda, que se sujeita a prazo

(A) prescricional, de trinta dias, contado da data em que recebeu o automóvel.

(B) prescricional, de quinze dias, contado da data da alienação.

(C) decadencial, de trinta dias, contado da data em que recebeu o automóvel.

(D) decadencial, de quinze dias, contado da data da alienação.


(E) decadencial, de noventa dias, contado da data em que recebeu o automóvel.

RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado no material da turma de reta final (Rodada 04).

(A) Incorreta.
Vícios redibitórios são defeitos ocultos que tornam a coisa imprópria para o uso a que
se destina ou lhe diminuem o valor e que tenha sido adquirida por contrato comutativo
ou doação onerosa.

Nesse sentido, destacamos que a coisa recebida em virtude de contrato comutativo


pode ser enjeitada por vícios ou defeitos ocultos, que a tornem imprópria ao uso a que
é destinada, ou lhe diminuam o valor (art. 401, caput, do CC).

Aduz, ainda o CC que o adquirente decai do direito de obter a redibição ou abatimento


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no preço no prazo de trinta dias se a coisa for móvel, e de um ano se for imóvel, contado
da entrega efetiva; se já estava na posse, o prazo conta-se da alienação, reduzido à
metade (art. 445, caput, do CC).

Note que o dispositivo acima não fala em prazo prescricional, mais sim em decadencial,
razão pela qual o item está incorreto.

(B) Incorreta.
Como vimos, o CC afirma que o adquirente decai do direito de obter a redibição ou
abatimento no preço no prazo de trinta dias se a coisa for móvel, e de um ano se for
imóvel, contado da entrega efetiva; se já estava na posse, o prazo conta-se da alienação,
reduzido à metade (art. 445, caput, do CC). Logo, não se trata de prazo prescricional, razão
pela qual o item está incorreto.

(C) Incorreta.
Como vimos, o CC afirma que o adquirente decai do direito de obter a redibição ou
abatimento no preço no prazo de trinta dias se a coisa for móvel, e de um ano se for
imóvel, contado da entrega efetiva; se já estava na posse, o prazo conta-se da
alienação, reduzido à metade (art. 445, caput, do CC).
Considerado tratar-se o caso da questão de coisa móvel, que já estava na posse de Paulo,
o prazo conta-se da alienação, reduzido à metade, motivo pela qual o item está
incorreto.

(D) Correta.
Como vimos, o CC afirma que o adquirente decai do direito de obter a redibição ou
abatimento no preço no prazo de trinta dias se a coisa for móvel, e de um ano se for
imóvel, contado da entrega efetiva; se já estava na posse, o prazo conta-se da
alienação, reduzido à metade (art. 445, caput, do CC).

Considerado tratar-se o caso da questão de coisa móvel, que já estava na posse de Paulo,
o prazo conta-se da alienação, reduzido à metade, qual seja: 15 dias.

Assim, nesse caso, de acordo com o Código Civil, Paulo tem direito de obter a redibição
do contrato de compra e venda, que se sujeita a prazo decadencial, de quinze dias,
contado da data da alienação.

(E) Incorreta.
Como vimos, o CC afirma que o adquirente decai do direito de obter a redibição ou
abatimento no preço no prazo de trinta dias se a coisa for móvel, e de um ano se for
imóvel, contado da entrega efetiva; se já estava na posse, o prazo conta-se da
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alienação, reduzido à metade (art. 445, caput, do CC).

Considerado tratar-se o caso da questão de coisa móvel, que já estava na posse de Paulo,
o prazo conta-se da alienação, reduzido à metade, motivo pela qual o item está
incorreto.

3. De acordo com o Código Civil, o negócio cujo objeto, ao tempo da celebração, é


impossível

(A) é nulo de pleno de direito, ainda que se trate de impossibilidade relativa.

(B) terá validade se a impossibilidade inicial do objeto cessar antes de realizada a


condição a que ele estiver subordinado.

(C) é valido, ainda que se trate de impossibilidade absoluta, desde que ela não tenha
sido criada por nenhuma das partes.

(D) é válido, porém ineficaz, ainda que se trate de impossibilidade absoluta.


(E) é nulo de pleno direito, porém eficaz, desde que se trate de impossibilidade relativa.

RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado no material da turma de reta final (Rodada 04).

(A) Incorreta.
Como cediço, o objeto do negócio jurídico deve ser determinado ou, pelo menos,
determinável (art. 104, inc. II do CC).

É certo, no entanto, que não há que se falar em invalidade do negócio por


indeterminação do objeto, sendo este um exemplo de incidência da regra constante do
art. 106 do CC:

“Art. 106. A impossibilidade inicial do objeto não invalida o negócio jurídico se for
relativa, ou se cessar antes de realizada a condição a que ele estiver subordinado”.
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Vê-se, pois, que o art. 106 do CC traz regra importante, distinguindo as consequências
da impossibilidade relativa da impossibilidade absoluta.

(B) Correta.
Como visto, não há que se falar em invalidade do negócio por indeterminação do objeto,
sendo este um exemplo de incidência da regra constante do art. 106 do CC:

“Art. 106. A impossibilidade inicial do objeto não invalida o negócio jurídico se for
relativa, ou se cessar antes de realizada a condição a que ele estiver subordinado”.

(C) Incorreta.
Isso porque não coaduna com o teor do art. 106 do CC.

(D) Incorreta.
Isso porque não coaduna com o teor do art. 106 do CC.

(E) Incorreta.
Isso porque não coaduna com o teor do art. 106 do CC.
4. Nos testamentos,

(A) é válida a disposição que deixe ao arbítrio de terceiro, desde que suficientemente
identificado, fixar o valor do legado.

(B) é ilícita a deixa ao filho do concubino, quando também o for do testador.

(C) pode ser nomeada herdeira, mas não legatária, a pessoa que nele figurou como
testemunha instrumentária.

(D) presume-se o prazo em favor do herdeiro.

(E) são inválidas as disposições de caráter não patrimonial, se o testador tiver se limitado
somente a elas.

RESPOSTA: D
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COMENTÁRIOS

(A) Incorreta.
Art. 1.900, inc. IV do CC:

“Art. 1.900. É nula a disposição:


(...)
IV - que deixe a arbítrio do herdeiro, ou de outrem, fixar o valor do legado;”

(B) Incorreta.
Art. 1.803 do CC:

“Art. 1.803. É lícita a deixa ao filho do concubino, quando também o for do testador”.

(C) Incorreta.
Art. 1.801 do CC:

“Art. 1.801. Não podem ser nomeados herdeiros nem legatários:


I - a pessoa que, a rogo, escreveu o testamento, nem o seu cônjuge ou companheiro, ou
os seus ascendentes e irmãos;

II - as testemunhas do testamento;

III - o concubino do testador casado, salvo se este, sem culpa sua, estiver separado de
fato do cônjuge há mais de cinco anos;

IV - o tabelião, civil ou militar, ou o comandante ou escrivão, perante quem se fizer,


assim como o que fizer ou aprovar o testamento.”

(D) Correta.
Art. 133 do CC:
“Art. 133. Nos testamentos, presume-se o prazo em favor do herdeiro, e, nos contratos,
em proveito do devedor, salvo, quanto a esses, se do teor do instrumento, ou das
circunstâncias, resultar que se estabeleceu a benefício do credor, ou de ambos os
contratantes”.

(E) Incorreta.
Art. 1.857 do CC:
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“Art. 1.857. Toda pessoa capaz pode dispor, por testamento, da totalidade dos seus
bens, ou de parte deles, para depois de sua morte.

(...)
§ 2° São válidas as disposições testamentárias de caráter não patrimonial, ainda que o
testador somente a elas se tenha limitado.”

5. Por conta de mútuo oneroso, João devia a Teresa a importância de cem mil reais. No
intuito de ajudar o amigo em dificuldade, Leopoldo assumiu para si a obrigação de João,
para o que houve expressa anuência de Teresa. Nesse caso,

(A) João ficará exonerado da dívida, salvo se Leopoldo, ao tempo da assunção, fosse
insolvente e Teresa ignorasse essa sua condição.

(B) Leopoldo poderá opor a Teresa as exceções pessoais que competiam a João.

(C) se a substituição do devedor vier a ser anulada, restaura-se o débito de João, sem
nenhuma garantia, independentemente de quem a tenha prestado.
(D) preservam-se as garantias especiais originariamente dadas a Teresa por João,
independentemente do assentimento dele.

(E) João responderá apenas pela metade da dívida, ainda que Leopoldo não cumpra a
obrigação assumida perante Teresa.

RESPOSTA: A

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado no material da turma de reta final (Rodada 04) com
a revisão sobre mútuo. O artigo necessário para acertar a questão foi um dos destacados
na página 06 do Vade Mege.

(A) Correta.
Art. 299 do CC:

“Art. 299. É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor, com o consentimento


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expresso do credor, ficando exonerado o devedor primitivo, salvo se aquele, ao tempo
da assunção, era insolvente e o credor o ignorava.

Parágrafo único. Qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que consinta na
assunção da dívida, interpretando-se o seu silêncio como recusa.”.

(B) Incorreta.
Art. 302 do CC:

“Art. 302. O novo devedor não pode opor ao credor as exceções pessoais que
competiam ao devedor primitivo”.

(C) Incorreta.
Art. 301 do CC:

“Art. 301. Se a substituição do devedor vier a ser anulada, restaura-se o débito, com
todas as suas garantias, salvo as garantias prestadas por terceiros, exceto se este
conhecia o vício que inquinava a obrigação.”.

(D) Incorreta.
Art. 300 do CC:

“Art. 300. Salvo assentimento expresso do devedor primitivo, consideram-se extintas, a


partir da assunção da dívida, as garantias especiais por ele originariamente dadas ao
credor.”.

(E) Incorreta.
Vide comentários das assertivas anteriores, especialmente da “A”.

6. De acordo com o Código Civil, a posse

(A) adquire-se no momento da celebração do contrato, mesmo que não seja possível o
exercício, em nome próprio, de quaisquer dos poderes inerentes à propriedade.

(B) justa é aquela adquirida de boa-fé.

(C) pode ser adquirida por terceiro sem mandato, dependendo, nesse caso, de
ratificação.
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(D) transmite-se aos herdeiros do possuidor com os mesmos caracteres, mas não aos
seus legatários.

(E) do imóvel gera presunção absoluta da posse das coisas que nele estiverem.

RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado no material da turma de reta final (Rodada 07)
antecipado na questão 11 do 247º Simulado Mege (TJ-AL). O artigo necessário para
acertar a questão foi um dos destacados na página 08 do Vade Mege.

(A) Incorreta.
Art. 1.204 do CC:

“Art. 1.204. Adquire-se a posse desde o momento em que se torna possível o exercício,
em nome próprio, de qualquer dos poderes inerentes à propriedade.”
(B) Incorreta. Posse justa é a que não é violenta, clandestina ou precária. Por sua vez,
posse de boa-fé está presente quando o possuidor ignora os vícios ou os obstáculos que
lhe impedem a aquisição da coisa ou quando tem um justo título que fundamente a sua
posse.

(C) Correta.
Art. 1.205 do CC:

“Art. 1.205. A posse pode ser adquirida:


(...)
II - por terceiro sem mandato, dependendo de ratificação.”

(D) Incorreta.
Art. 1.206 do CC:

“Art. 1.206. A posse transmite-se aos herdeiros ou legatários do possuidor com os


mesmos caracteres”.

(E) Incorreta.
Art. 1.209 do CC:
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“Art. 1.209. A posse do imóvel faz presumir, até prova contrária, a das coisas móveis que
nele estiverem.”.

7. Luciano, proprietário de duas casas, desapareceu do seu domicílio sem deixar


testamento, representante ou procurador para administrar-lhe os bens. À falta de
notícia de Luciano, o Juiz, a requerimento do Ministério Público, declarou sua ausência
e nomeou-lhe curador, que arrecadou seus bens. Decorrido um ano da arrecadação dos
bens, deferiu-se, a pedido dos filhos de Luciano, seus únicos herdeiros, a abertura da
sucessão provisória. Nesse caso,

(A) os imóveis de Luciano deverão ser vendidos, independentemente do estado de


conservação, permanecendo o produto da venda depositado judicialmente até a
conclusão da sucessão definitiva.

(B) para se imitirem na posse das casas, os filhos de Luciano precisarão dar garantia da
sua restituição, no equivalente aos seus respectivos quinhões.
(C) os imóveis de Luciano não poderão ser alienados em nenhuma hipótese, sendo
passíveis, no entanto, de desapropriação.

(D) os filhos de Luciano serão obrigados a capitalizar todos os frutos dos bens dele nos
quais forem empossados, cabendo-lhes prestar contas anualmente ao Ministério
Público.

(E) uma vez empossados nos seus bens, os filhos de Luciano ficarão o representando
ativa e passivamente, de modo que contra eles correrão as ações pendentes e futuras
movidas em face do ausente.

RESPOSTA: E

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado no material da turma de reta final (Rodada 01). O
artigo necessário para acertar a questão foi um dos destacados na página 04 do Vade
Mege.
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(A) Incorreta.
Art. 31 do CC:

“Art. 31. Os imóveis do ausente só se poderão alienar, não sendo por desapropriação,
ou hipotecar, quando o ordene o juiz, para lhes evitar a ruína”.

(B) Incorreta.
Art. 30 do CC:

“Art. 30. Os herdeiros, para se imitirem na posse dos bens do ausente, darão garantias
da restituição deles, mediante penhores ou hipotecas equivalentes aos quinhões
respectivos.

§ 1º Aquele que tiver direito à posse provisória, mas não puder prestar a garantia exigida
neste artigo, será excluído, mantendo-se os bens que lhe deviam caber sob a
administração do curador, ou de outro herdeiro designado pelo juiz, e que preste essa
garantia.
§ 2º Os ascendentes, os descendentes e o cônjuge, uma vez provada a sua qualidade de
herdeiros, poderão, independentemente de garantia, entrar na posse dos bens do
ausente”.

Note que o item não coaduna em completude com o caput do acenado dispositivo.

(C) Incorreta.
Art. 31 do CC:

“Art. 31. Os imóveis do ausente só se poderão alienar, não sendo por desapropriação,
ou hipotecar, quando o ordene o juiz, para lhes evitar a ruína”.

(D) Incorreta.
Art. 33 do CC:

“Art. 33. O descendente, ascendente ou cônjuge que for sucessor provisório do ausente,
fará seus todos os frutos e rendimentos dos bens que a este couberem; os outros
sucessores, porém, deverão capitalizar metade desses frutos e rendimentos, segundo o
disposto no art. 29 , de acordo com o representante do Ministério Público, e prestar
anualmente contas ao juiz competente.
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Parágrafo único. Se o ausente aparecer, e ficar provado que a ausência foi voluntária e
injustificada, perderá ele, em favor do sucessor, sua parte nos frutos e rendimentos.”

(E) Correta.
Art. 32 do CC:

“Art. 32. Empossados nos bens, os sucessores provisórios ficarão representando ativa e
passivamente o ausente, de modo que contra eles correrão as ações pendentes e as que
de futuro àquele forem movidas”.

8. Alessandra, atualmente com 17 anos de idade, nasceu com deficiência mental que a
impede, de forma permanente, de exprimir sua vontade. Para o Código Civil, ela

(A) é absolutamente incapaz de exercer pessoalmente os atos da vida civil, e


permanecerá nessa condição mesmo depois de completar 18 anos.

(B) não é incapaz, absoluta ou relativamente, de exercer pessoalmente os atos da vida


civil.
(C) é incapaz, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer, e permanecerá
nessa condição mesmo depois de completar 18 anos.

(D) é absolutamente incapaz de exercer pessoalmente os atos da vida civil, mas deixará
de sê-lo ao completar 18 anos.

(E) é incapaz, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer, mas deixará de


sê-lo ao completar 18 anos.

RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

O assunto foi abordado no material da turma de reta final (Rodada 01). A questão 02
do 247º Simulado Mege (TJ-AL) também trabalhou o tema com o aluno.

(A) Incorreta.
Art. 4º, inc. III, do CC, vide comentários da assertiva “C”:
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“Art. 4º São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer: (Redação
dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)
(...)
III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua
vontade;” (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)

(B) Incorreta.
Art. 4º, inc. III, do CC. Vide comentários do item “C”.

(C) Correta.
Art. 4º, inc. III, do CC:

“Art. 4º São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer: (Redação


dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)
(...)
III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua
vontade;” (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)
A Lei 13.146/2015 (Estatuto da Pessoa com deficiência), acaba por consolidar ideias
constantes na Convenção de Nova York, tratado internacional de direitos humanos do
qual o País é signatário e que entrou no sistema jurídico com efeitos de Emenda à
Constituição por força do art. 5.º, § 3.º, da CF/1988 e do Decreto 6.949/2009.

O art. 114 do Estatuto da Pessoa com Deficiência alterou substancialmente os


dispositivos, revogando todos os incisos do art. 3.º e alterando os incisos II e III do art.
4.º do CC.

No inciso III havia a previsão dos que, mesmo por causa transitória, não pudessem
exprimir sua vontade. Com as mudanças, somente são absolutamente incapazes os
menores de 16 anos, não mais havendo maiores absolutamente incapazes.

Assim, considerando que Alessandra, atualmente com 17 anos de idade, nasceu com
deficiência mental que a impede, de forma permanente, de exprimir sua vontade, para
o CC ela é incapaz, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer, e
permanecerá nessa condição mesmo depois de completar 18 anos.

(D) Incorreta.
Art. 4º, inc. III, do CC. Vide comentários do item “C”.
18
(E) Incorreta.
Art. 4º, inc. III, do CC. Vide comentários do item “C”.

9. De acordo com o Estatuto do Idoso (Lei no 10.741/2003), é assegurado, nos termos


da Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS), benefício mensal de

(A) um quarto do salário-mínimo aos idosos, a partir de 60 anos, que não possuam meios
para prover sua subsistência, ainda que possam tê-la provida por sua família.

(B) um salário-mínimo aos idosos, a partir de 65 anos, que não possuam meios para
prover sua subsistência, nem de tê-la provida por sua família.

(C) um salário-mínimo aos idosos, a partir de 65 anos, que não possuam meios para
prover sua subsistência, ainda que possam tê-la provida por sua família.

(D) até cinco salários-mínimos aos idosos, a partir de 60 anos, que não possuam meios
para prover sua subsistência, nem de tê-la provida por sua família.
(E) um quarto do salário-mínimo aos idosos, a partir de 70 anos, que não possuam meios
para prover sua subsistência, nem de tê-la provida por sua família.

RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS

(A) Incorreta.
Art. 34 da Lei no 10.741/2003:

“Art. 34. Aos idosos, a partir de 65 (sessenta e cinco) anos, que não possuam meios para
prover sua subsistência, nem de tê-la provida por sua família, é assegurado o benefício
mensal de 1 (um) salário-mínimo, nos termos da Lei Orgânica da Assistência Social –
Loas. (Vide Decreto nº 6.214, de 2007)

Parágrafo único. O benefício já concedido a qualquer membro da família nos termos do


caput não será computado para os fins do cálculo da renda familiar per capita a que se
refere a Loas.”
19
(B) Correta.
Art. 34 da Lei no 10.741/2003.

(C) Incorreta.
Art. 34 da Lei no 10.741/2003.

(D) Incorreta.
Art. 34 da Lei no 10.741/2003.

(E) Incorreta.
Art. 34 da Lei no 10.741/2003.

10. De acordo com o Código Civil, o casamento

(A) dispensa habilitação se ambos os cônjuges forem maiores e capazes.

(B) é civil e sua celebração gratuita.


(C) religioso não produz efeitos civis, em nenhuma hipótese.

(D) pode ser contraído entre colaterais, a partir do terceiro grau.

(E) pode ser celebrado mediante procuração, por instrumento público ou particular.

RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado no material da turma de reta final (Rodada 07).

(A) Incorreta.
É cediço que o casamento é um negócio jurídico formal e solene, relacionado com um
procedimento de habilitação prévio cheio de detalhes e solenidades.

A habilitação para o casamento é o procedimento administrativo, de iniciativa dos


nubentes, que tramita perante o Oficial do Cartório do Registro Civil de Pessoas Naturais
do domicílio de qualquer deles, com o propósito de demonstrar a capacidade para casar
20
e a inexistência de impedimentos matrimoniais e de causas suspensivas.

A habilitação está estruturada em quatro fases: (i) fase de requerimento e apresentação


da documentação; (ii) fase dos editais de proclamas; (iii) registro; (iv) expedição de
certidão.

É através do procedimento de habilitação que se verifica se os nubentes possuem plena


capacidade para o casamento, bem como a existência de impedimentos matrimoniais e
de causas suspensivas.

Outrossim, em relação à celebração, a norma jurídica impõe uma série de requisitos. O


art. 1.525 do CC/2002 prescreve que o requerimento de habilitação para o casamento
será firmado por ambos os nubentes, de próprio punho, ou, a seu pedido, por
procurador.

Por conseguinte, em regra, o casamento não dispensa habilitação se ambos os cônjuges


forem maiores e capazes.

(B) Correta.
Art. 1.512 do CC:
“Art. 1.512. O casamento é civil e gratuita a sua celebração.

Parágrafo único. A habilitação para o casamento, o registro e a primeira certidão serão


isentos de selos, emolumentos e custas, para as pessoas cuja pobreza for declarada, sob
as penas da lei.”

(C) Incorreta.
Art. 1.515 do CC:

“Art. 1.515. O casamento religioso, que atender às exigências da lei para a validade do
casamento civil, equipara-se a este, desde que registrado no registro próprio,
produzindo efeitos a partir da data de sua celebração.”

(D) Incorreta.
Art. 1.521 do CC:

“Art. 1.521. Não podem casar:


(...)
IV - os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro grau inclusive;”
21
(E) Incorreta.
Art. 1.542 do CC:

“Art. 1.542. O casamento pode celebrar-se mediante procuração, por instrumento


público, com poderes especiais.
(...)”.

11. André, solteiro, não teve filhos e morreu sem deixar ascendentes vivos. Por
testamento, deixou todos os seus bens para o seu melhor amigo, Antônio, com quem
não tinha nenhum grau de parentesco. Sentindo-se injustamente preteridos, os três
únicos irmãos de André ajuizaram ação visando à declaração da nulidade total do
testamento, argumentando que, devido ao parentesco, não poderiam ter sido excluídos
da sucessão. O pedido deduzido nessa ação é

(A) procedente, pois os irmãos de André são herdeiros necessários, devendo ser
declarada a nulidade total do testamento.
(B) procedente em parte, pois os irmãos de André são herdeiros necessários, devendo
ser declarada a nulidade parcial do testamento, apenas quanto a três quartos dos bens.

(C) procedente em parte, pois os irmãos de André são herdeiros necessários, devendo
ser declarada a nulidade parcial do testamento, apenas quanto a metade dos bens.

(D) improcedente, pois os irmãos de André não são herdeiros necessários.

(E) improcedente, pois os irmãos de André, embora sejam herdeiros necessários, podem
ser excluídos da sucessão mediante testamento.

RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS

O assunto da questão é abordado no Ponto 14 (Direito Civil) da Turma Extensiva de


Magistratura Estadual. O artigo necessário para acerto foi um dos selecionados na
página 16 do Vade Mege.
22
(A) Incorreta.
Art. 1.845 do CC:

“1.845. São herdeiros necessários os descendentes, os ascendentes e o cônjuge.”

Irmãos também são seus herdeiros (estão na sua linha sucessória), mas eles não são
herdeiros necessários.

(B) Incorreta.
Art. 1.845 do CC.

(C) Incorreta.
Art. 1.845 do CC.

(D) Correta.
Art. 1.845 do CC.

(E) Incorreta.
Art. 1.845 do CC.
12. Leandro formulou, perante o Cartório de Registro de Imóveis competente, pedido
de reconhecimento extrajudicial de usucapião de imóvel não residencial, onde funciona
uma fábrica de chocolates. Nesse caso, de acordo com a Lei dos Registros Públicos (Lei
n. 6.015/1.973),

(A) a posse poderá ser comprovada em procedimento de justificação administrativa,


realizado perante a própria serventia extrajudicial.

(B) a rejeição do pedido extrajudicial impedirá o ajuizamento de ação de usucapião.

(C) o pedido deverá ser rejeitado de plano, pois só é admitido o reconhecimento


extrajudicial de usucapião de imóvel residencial, destinado à moradia do próprio
requerente.

(D) não será admitido ao interessado suscitar procedimento de dúvida.

(E) é facultativa a representação de Leandro por advogado.

23
RESPOSTA: A

O assunto da questão foi abordado na aula sobre a Lei de Registros Públicos: principais
aspectos (Professora: Flavia Martins) veiculada na Turma Extensiva de Magistratura.

COMENTÁRIOS

(A) Correta.
Art. 216-A, § 15 da Lei n. 6.015/1.973:

“Art. 216-A. Sem prejuízo da via jurisdicional, é admitido o pedido de reconhecimento


extrajudicial de usucapião, que será processado diretamente perante o cartório do
registro de imóveis da comarca em que estiver situado o imóvel usucapiendo, a
requerimento do interessado, representado por advogado, instruído com:

(...)

§ 15. No caso de ausência ou insuficiência dos documentos de que trata o inciso IV do


caput deste artigo, a posse e os demais dados necessários poderão ser comprovados em
procedimento de justificação administrativa perante a serventia extrajudicial, que
obedecerá, no que couber, ao disposto no § 5o do art. 381 e ao rito previsto nos arts.
382 e 383 da Lei no 13.105, de 16 março de 2015 (Código de Processo Civil).
(Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017).”

(B) Incorreta.
Art. 216-A, § 9o da Lei n. 6.015/1.973:

§ 9 o A rejeição do pedido extrajudicial não impede o ajuizamento de ação de usucapião.


(Incluído pela Lei nº 13.105, de 2015)

(C) Incorreta.
Art. 216-A, caput, § 15 da Lei n. 6.015/1.973.

(D) Incorreta.
Art. 216-A, § 7o da Lei n. 6.015/1.973:

§ 7o Em qualquer caso, é lícito ao interessado suscitar o procedimento de dúvida, nos


termos desta Lei. (Incluído pela Lei nº 13.105, de 2015)

(E) Incorreta.
24
Art. 216-A, caput, da Lei n. 6.015/1.973.

13. Acerca das preferências e privilégios creditórios, segundo o Código Civil, considere
as seguintes proposições:

I. O credor por benfeitorias necessárias tem privilégio geral sobre a coisa beneficiada.

II. O crédito real prefere ao crédito pessoal privilegiado.

III. O crédito por despesas com a doença de que faleceu o devedor goza de privilégio
especial.

IV. Os credores hipotecários conservam seu direito sobre o valor da indenização mesmo
se a coisa hipotecada for desapropriada.

V. Direitos reais não são títulos legais de preferência, embora confiram prioridade sobre
o produto da alienação.
É correto o que se afirma APENAS em

(A) I e II.

(B) I e III.

(C) II e IV.

(D) III e V.

(E) IV e V.

RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

O artigo necessário para acerto foi um dos selecionados na página 08 do Vade Mege.

(A) Incorreta.
25
Isso porque o item I está errado: Art. 964, inc. III do CC:

“Art. 964. Têm privilégio especial:

(...)

III - sobre a coisa beneficiada, o credor por benfeitorias necessárias ou úteis”

O item II está certo:

“Art. 961. O crédito real prefere ao pessoal de qualquer espécie; o crédito pessoal
privilegiado, ao simples; e o privilégio especial, ao geral.”

(B) Incorreta.
Isso porque o item I está errado, como visto.

O item III também está errado:

“Art. 965. Goza de privilégio geral, na ordem seguinte, sobre os bens do devedor:
(...)

IV - o crédito por despesas com a doença de que faleceu o devedor, no semestre anterior
à sua morte;”

(C) Correta.
Isso porque, como já visto, o item II está correto, e o item IV também:

“Art. 959. Conservam seus respectivos direitos os credores, hipotecários ou


privilegiados:

II - sobre o valor da indenização, se a coisa obrigada a hipoteca ou privilégio for


desapropriada.”

(D) Incorreta.
Isso porque conforme já analisamos, o item III está errado. Do mesmo modo, está o V:

“Art. 958. Os títulos legais de preferência são os privilégios e os direitos reais”.

26
14. Por força de contrato estimatório, Laura entregou certa quantidade de peças de
vestuário a Isabela, que ficou autorizada a vender esses produtos a terceiros, pagando
àquela o preço ajustado. Nesse caso, de acordo com o Código Civil,

(A) Isabela, se preferir, poderá restituir os produtos a Laura, no prazo estabelecido, caso
em que ficará dispensada de pagar-lhe o preço ajustado.

(B) os produtos não poderão ser objeto de penhora ou sequestro pelos credores de
Isabela, nem mesmo depois de pago integralmente o preço a Laura.

(C) Isabela se exonerará da obrigação de pagar o preço, se a restituição dos produtos,


em sua integridade, se tornar impossível por fato não imputável a ela.

(D) Antes da concretização da venda por Isabela, Laura poderá dispor dos produtos,
mesmo antes de lhe serem restituídos ou de lhe ser comunicada a restituição.

(E) Isabela atuará como mandatária de Laura, dado que ao contrato estimatório se
aplicam, no que couber, as regras concernentes ao mandato.
RESPOSTA: A

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado no material da turma de reta final (Rodada 04).

(A) Correta.
Art. 534 do CC:

“Art. 534. Pelo contrato estimatório, o consignante entrega bens móveis ao


consignatário, que fica autorizado a vendê-los, pagando àquele o preço ajustado, salvo
se preferir, no prazo estabelecido, restituir-lhe a coisa consignada.”

(B) Incorreta.
Art. 536 do CC:

“Art. 536. A coisa consignada não pode ser objeto de penhora ou seqüestro pelos
credores do consignatário, enquanto não pago integralmente o preço”.

(C) Incorreta.
27
Art. 535 do CC:

“Art. 535. O consignatário não se exonera da obrigação de pagar o preço, se a restituição


da coisa, em sua integridade, se tornar impossível, ainda que por fato a ele não
imputável”.

(D) Incorreta.
Art. 537 do CC:

“Art. 537. O consignante não pode dispor da coisa antes de lhe ser restituída ou de lhe
ser comunicada a restituição.”.

(E) Incorreta.
Arts. 709 e 721 do CC.

15. Em contrato de locação não residencial de imóvel urbano, no qual nada foi disposto
acerca das benfeitorias,
(A) as benfeitorias necessárias e úteis introduzidas pelo locatário, ainda que não
autorizadas pelo locador, serão indenizáveis.

(B) as benfeitorias introduzidas pelo locatário, sejam elas necessárias, úteis ou


voluptuárias, ainda que autorizadas pelo locador, serão indenizáveis até o limite máximo
de três alugueres.

(C) as benfeitorias voluptuárias só serão indenizáveis se não puderem ser levantadas


pelo locatário, finda a locação, sem afetar a estrutura e substância do imóvel.

(D) as benfeitorias úteis introduzidas pelo locatário, desde que autorizadas pelo locador,
serão indenizáveis e também permitem o exercício do direito de retenção.

(E) as benfeitorias necessárias introduzidas pelo locatário, se não autorizadas pelo


locador, serão indenizáveis, mas não permitem o exercício do direito de retenção.

RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS
28
O assunto da questão foi abordado no material da turma de reta final (Rodada 04).

(A) Incorreta.
Art. 35 da Lei n. 8.245/91.

Para responder a questão, reputa-se necessário recordar os conceitos de benfeitorias


úteis e necessárias, expressos no art. 96 do Código Civil, sendo úteis aquelas que
aumentam ou facilitam o uso do bem, e necessárias as benfeitorias que tem por
finalidade conservar o bem ou evitar o seu perecimento. O enunciado, no entanto, exige
conhecimento também da lei do inquilinato (Lei n. 8.245/1991), pois é no art. 35 que
podemos encontrar a resposta para a questão:

Art. 35. Salvo expressa disposição contratual em contrário, as benfeitorias necessárias


introduzidas pelo locatário, ainda que não autorizadas pelo locador, bem como as úteis,
desde que autorizadas, serão indenizáveis e permitem o exercício do direito de
retenção.

Como se vê acima, APENAS as BENFEITORIAS NECESSÁRIAS NÃO AUTORIZADAS é que


são INDENIZÁVEIS.
(B) Incorreta.
Art. 35 e 36 da Lei n. 8.245/91.

A lei não fixou limites para indenização das benfeitorias, isso porque só serão
indenizáveis as benfeitorias necessárias ainda que não autorizadas, ou as benfeitorias
úteis autorizadas, conforme redação do art. 35 da Lei n. 8.245/91, citado no comentário
anterior. Já as VOLUPTUÁRIAS, NÃO SERÃO INDENIZÁVEIS, conforme se infere do art. 36
da lei de locação, a seguir:

Art. 36. As benfeitorias voluptuárias não serão indenizáveis, podendo ser levantadas
pelo locatário, finda a locação, desde que sua retirada não afete a estrutura e a
substância do imóvel.

(C) Incorreta.
Art. 36 da Lei n. 8.245/91.

Nos termos do art. 36 da Lei n. 8.245/91, as benfeitorias VOLUPTUÁRIAS NÃO SERÃO


INDENIZÁVEIS e PODEM SER LEVANTADAS pelo locatário com o encerramento da
locação, desde que sua retirada não afete a estrutura e a substância do imóvel. A
alternativa incorre em erro ao prever a possibilidade de indenização se impossível o seu
29
levantamento.

(D) Correta.
Art. 35 da Lei n. 8.245/91.

A questão reflete a previsão do art. 35:

Art. 35. Salvo expressa disposição contratual em contrário, as benfeitorias necessárias


introduzidas pelo locatário, ainda que não autorizadas pelo locador, bem como as úteis,
desde que autorizadas, serão indenizáveis e permitem o exercício do direito de
retenção.

(E) Incorreta.
Art. 35 da Lei n. 8.245/91

Vide comentário da alternativa anterior.


DIREITO PROCESSUAL CIVIL

16. É cabível denunciação da lide

(A) dos fiadores, na ação proposta contra um ou alguns deles.

(B) ao alienante imediato, no processo relativo à coisa cujo domínio foi transferido ao
denunciante, a fim de que possa exercer os direitos que da evicção lhe resultam.

(C) quando alguém pretender, no todo ou em parte, a coisa ou o direito sobre que
controvertem autor e réu.

(D) para instaurar o incidente de desconsideração da personalidade jurídica.

(E) para atuar como amicus curiae nas hipóteses legalmente previstas.

RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS
30
O assunto da questão foi abordado no ponto 05 de Direito Processual Civil da Turma
Extensiva de Magistratura Estadual. O artigo necessário para acerto foi um dos
selecionados na página 24 do Vade Mege.

(A) Incorreta.
Essa seria uma hipótese de chamamento ao Processo, nos termos do artigo 130, II, do
NCPC (Art. 130. É admissível o chamamento ao processo, requerido pelo réu: II - dos
demais fiadores, na ação proposta contra um ou alguns deles).

(B) Correta.
Art. 125, I, do NCPC – “Art. 125. É admissível a denunciação da lide, promovida por
qualquer das partes: I - ao alienante imediato, no processo relativo à coisa cujo domínio
foi transferido ao denunciante, a fim de que possa exercer os direitos que da evicção lhe
resultam).

(C) Incorreta.
Essa seria uma hipótese de Oposição, prevista no artigo 682 do NCPC, a qual não é mais
prevista como Intervenção de Terceiro, mas sim como Procedimento Especial de
Jurisdição Contenciosa (Art. 682. Quem pretender, no todo ou em parte, a coisa ou o
direito sobre que controvertem autor e réu poderá, até ser proferida a sentença,
oferecer oposição contra ambos).

(D) Incorreta.
Não se exige a denunciação da lide para a instauração do incidente de desconsideração
da personalidade jurídica, a qual tem seus requisitos previstos em lei, conforme artigo
133, §1º, do NCPC.

(E) Incorreta.
Os requisitos para que alguém se intervenha no processo como amicus curiae estão
previstos no artigo 138 do NCPC, e não guardam qualquer relação com o incidente de
desconsideração da personalidade jurídica.

17. Em relação à jurisdição, é correto afirmar que

(A) ao se dizer que a lei não excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a
direito, o ordenamento jurídico processual refere-se ao princípio da indelegabilidade.

(B) à jurisdição voluntária não se aplicam as garantias fundamentais do processo, pela


31
inexistência de lide e pela possibilidade de se julgar por equidade.

(C) viola o princípio do Juiz natural a instituição de Câmaras de Recesso nos tribunais,
por julgarem em períodos nos quais, em regra, não deve haver atividade jurisdicional.

(D) só haverá atividade jurisdicional relativa à disciplina e às competições desportivas


após esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva reguladas em lei.

(E) por ter natureza jurisdicional, a arbitragem pode tutelar quaisquer direitos,
patrimoniais ou imateriais, disponíveis ou não.

RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado no ponto 02 de Direito Processual Civil da Turma


Extensiva de Magistratura Estadual.
(A) Incorreta.
Trata-se, em verdade, do Princípio da Inafastabilidade do Poder Jurisdicional. Com
efeito, a prestação jurisdicional deve sempre ser realizada, ainda que para se dizer que
o direito não existe, ou, simplesmente, para se declarar a incompetência, conforme
dispõe o artigo 5º, XXXV da Constituição e o artigo 3º do NCPC. O princípio da
Indelegabilidade, por sua vez, decorre do princípio da indeclinabilidade, anteriormente
estudado, segundo o qual o órgão jurisdicional, uma vez provocado, não pode recusar-
se, tampouco delegar a função de dirimir os litígios, mesmo se houver lacunas na lei,
caso em que poderá o juiz valer-se de outras fontes do direito, como a analogia, os
costumes e os princípios gerais (art. 4º, LINDB). De fato, não pode o juiz delegar sua
jurisdição a outro órgão, pois, se assim o fizesse, violaria, pela via oblíqua, o princípio da
inafastabilidade e a garantia constitucionalmente assegurada do juiz natural.

(B) Incorreta.
A jurisdição voluntária não afasta as garantias fundamentais do Processo.

(C) Incorreta.
Somente haveria tal violação se fossem criadas especificamente para um determinado
ou determinados processos, mas não se houver norma predeterminada, já que o
Princípio do Juiz Natural determina que “ninguém será processado nem sentenciado
senão pela autoridade competente”, devendo 1) haver a preexistência do órgão
32
jurisdicional ao fato; 2) ser proibido juízo ou tribunal de exceção (art. 5º, XXXVII, CRFB);
3) haver o respeito absoluto às regras de competência (Art. 5º, LIII, CRFB - ninguém será
processado nem sentenciado senão pela autoridade competente; / Art. 5º, XXXVII, CRFB
- não haverá juízo ou tribunal de exceção).

(D) Correta.
Art. 217, §1º, da Constituição – “Art. 217. § 1º O Poder Judiciário só admitirá ações
relativas à disciplina e às competições desportivas após esgotarem-se as instâncias da
justiça desportiva, regulada em lei”.

(E) Incorreta.
A arbitragem somente pode ser convencionada por pessoas maiores e capazes e com
relação a direitos disponíveis (art. 1º da Lei 9.307/96).

18. Manoel oferece no quinto dia contestação em uma ação de cobrança contra ele
proposta. Posteriormente, ainda dentro dos quinze dias para defesa, apresenta petição
complementando suas razões, com argumentos outros que havia esquecido de
exteriorizar. Essa conduta
(A) não é possível, tendo ocorrido preclusão consumativa.

(B) é possível por se ainda estar no prazo de defesa, não tendo ocorrido preclusão
temporal.

(C) não é possível, tendo ocorrido preclusão-sanção ou punitiva.

(D) é possível pelo direito da parte ao contraditório amplo, não sujeito à preclusão.

(E) não é possível, tendo ocorrido preclusão lógica.

RESPOSTA: A

COMENTÁRIOS

Em que pese a questão trate de uma “contestação”, o tema Preclusão foi


constantemente explicado durante a Terceira Rodada de Processo Civil da Turma de
Reta Final, ao tratar dos “Recursos”, especialmente nos comentários às questões, onde
33
fizemos questão de transcrever as lições doutrinárias de Fredie Didier.

(A) Correta.
Segundo Fredie Didier (DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução
ao direito processual civil, parte geral e processo de conhecimento / Fredie Didier Jr. -
17. ed. - Salvador: Ed. Jus Podivm, 2015, p. 421-424) (...) A PRECLUSÃO CONSUMATIVA
consiste na perda de faculdade/poder processual, em razão de essa faculdade ou esse
poder já ter sido exercido, pouco importa se bem ou mal. Já se praticou o ato processual
pretendido, não sendo possível corrigi-lo, melhorá-lo ou repeti-lo. A consumação do
exercício do poder o extingue. Perde-se o poder pelo exercício dele. Essa preclusão
decorre da ideia de que não se deve repetir ato processual já praticado, encontrando
fundamento normativo, para as partes, no art. 200 do CPC, que se refere à produção de
efeitos imediatos com a prática atos processuais pela parte, exaurindo-se o exercício do
respectivo poder”. Nesse sentido, é pacífico o entendimento do Superior Tribunal de
Justiça de que “Após a interposição do recurso, tem-se a preclusão consumativa e
temporal da via recursal, não sendo possível se apresentar complementação mais de
1 mês após a apresentação do
Recurso ((AgRg nos EDcl no AgRg no AREsp 1229041/AM, Rel. Ministro REYNALDO
SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 04/09/2018, DJe 14/09/2018)”.
(B) Incorreta.
Vide explicação da assertiva A.

(C) Incorreta.
Segundo Fredie Didier (DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução
ao direito processual civil, parte geral e processo de conhecimento / Fredie Didier Jr. -
17. ed. - Salvador: Ed. Jus Podivm, 2015, p. 421-425), “A PRECLUSÃO-SANÇÃO OU
PRECLUSÃO PUNITIVA, conforme advertido linhas atrás, é possível que a preclusão
decorra da prática de um ato ilícito. Neste caso, a preclusão terá natureza jurídica de
sanção. Há ilícitos que geram a perda de um poder ou direito (na verdade, perda de
qualquer "categoria eficacial" ou situação jurídica ativa). São chamados de ilícitos
caducificantes. "Os atos ilícitos que não têm a eficácia de dever indenizativo e importam
em perda de direitos, pretensões, ações ou exceções são ditos caducificantes, espécie
de fato precludente. Quer dizer: a sua eficácia consiste em que direitos, pretensões,
ações, ou exceções caiam". Há alguns exemplos no direito processual brasileiro, em que
se vislumbra a perda de um poder processual (preclusão), como sanção decorrente da
prática de um ato ilícito: a) perda da situação jurídica de inventariante, em razão da
ocorrência dos ilícitos apontados no art. 622 do CPC; b) a confissão ficta, decorrente do
não-comparecimento ao depoimento pessoal (art. 385, § 1°, CPC), que é considerado
um dever da parte (art. 379, I, CPC), implica preclusão do direito de provar fato
confessado, mas, desta feita, como decorrência de um ilícito (descumprimento de um
34
dever processual); c) o excesso de prazo não-justificado autoriza a perda da
competência do magistrado para processar e julgar a causa (art. 235, §2°, do CPC); d)
constatada a prática de atentado (ilícito processual), perde-se o direito de falar nos
autos, até a purgação dos efeitos do ilícito (art. 77, §7°, do CPC)'6; e) a não devolução
dos autos pelo advogado implica a perda do direito de vista fora do cartório (art. 234,
§2o, CPC). Em todas essas hipóteses, há a perda de um poder jurídico processual
decorrente da prática de um ato ilícito; há, pois, preclusão decorrente de um ilícito e
não do descumprimento de um ônus. É preciso, enfim, completar a classificação de
Chiovenda, que leva em consideração apenas a preclusão decorrente da prática de atos
lícitos”.

(D) Incorreta.
Vide explicação da assertiva A.

(E) Incorreta.
Segundo Fredie Didier (DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução
ao direito processual civil, parte geral e processo de conhecimento / Fredie Didier Jr. -
17. ed. - Salvador: Ed. Jus Podivm, 2015, p. 421-424)
“(...) A PRECLUSÃO LÓGICA consiste na perda de faculdade/poder processual em razão
da prática anterior de ato incompatível com exercício desse poder. Advém, assim, da
prática de ato incompatível com o exercício da faculdade/poder processual. Trata-se da
"impossibilidade em que se encontra a parte de praticar determinado ato ou postular
certa providência judicial em razão da incompatibilidade existente entre aquilo que
agora a parte pretende e sua própria conduta processual anterior. É o que ocorre, por
exemplo, quando a parte aceita expressa ou tacitamente a decisão, o que é incompatível
com o exercício do direito de impugná-la (direito de recorrer), na forma do art. 1013,
CPC. Também há preclusão lógica do direito de produzir a prova do fato confessado (ao
confessar, a parte perde o direito de produzir prova do fato confessado). A parte que
deu causa ao defeito processual não pode pedir a sua invalidação (art. 276 do CPC). Não
pode a parte, que ofereceu o bem à penhora, pedir a invalidação dessa mesma
penhora”.

19. O erro de forma do processo

(A) acarreta a ineficácia de todos os atos processuais, que deverão ser repetidos de
acordo com a forma prescrita ou não defesa em lei.
35
(B) acarreta unicamente a anulação dos atos que não possam ser aproveitados, devendo
ser praticados os que forem necessários a fim de se observarem as prescrições legais.

(C) não acarreta consequência processual alguma, devendo prevalecer os atos


praticados em nome do exercício pleno e efetivo da atividade jurisdicional.

(D) acarreta a inexistência dos atos processuais cujo aproveitamento não seja possível,
a serem novamente praticados em tempo razoável.

(E) é mera irregularidade, que só necessitará de ratificação ou convalidação se alguma


das partes for menor ou incapaz.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

O tema “Atos Processuais” foi abordado na Primeira Rodada de Processo Civil da Turma
de Reta Final para o Concurso do TJ-AL.
O assunto da questão também foi abordado na questão 18 do 266º Simulado Mege (TJ-
AL II).
O artigo necessário para acerto foi um dos selecionados na página 24 do Vade Mege.

Art. 283 do NCPC – “Art. 283. O erro de forma do processo acarreta unicamente a
anulação dos atos que não possam ser aproveitados, devendo ser praticados os que
forem necessários a fim de se observarem as prescrições legais. Parágrafo único. Dar-
se-á o aproveitamento dos atos praticados desde que não resulte prejuízo à defesa de
qualquer parte”.

20. A tutela da evidência

(A) em nenhuma hipótese admite concessão de liminar judicial.

(B) depende de demonstração de perigo de dano iminente.


36
(C) depende de demonstração de risco ao resultado útil do processo.

(D) não pode ser concedida se dependente de prova documental dos fatos constitutivos
do direito do autor, ainda que o réu não oponha objeção capaz de gerar dúvida razoável.

(E) será concedida, entre outras hipóteses, se se tratar de pedido reipersecutório


fundado em prova documental adequada do contrato de depósito, caso em que será
decretada a ordem de entrega do objeto custodiado, sob cominação de multa.

RESPOSTA: E

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado no ponto 07 de Direito Processual Civil da Turma


Extensiva de Magistratura Estadual.

(A) Incorreta.
Nas hipóteses dos incisos II e III do artigo 311, o juiz poderá decidir liminarmente, nos
termos do Parágrafo único do artigo 311 do NCPC (Art. 311. A tutela da evidência será
concedida, independentemente da demonstração de perigo de dano ou de risco ao
resultado útil do processo, quando: II - as alegações de fato puderem ser comprovadas
apenas documentalmente e houver tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou
em súmula vinculante; III - se tratar de pedido reipersecutório fundado em prova
documental adequada do contrato de depósito, caso em que será decretada a ordem
de entrega do objeto custodiado, sob cominação de multa; Parágrafo único. Nas
hipóteses dos incisos II e III, o juiz poderá decidir liminarmente).

(B) Incorreta.
Art. 311, caput, do NCPC – “Art. 311. A tutela da evidência será concedida,
INDEPENDENTEMENTE DA DEMONSTRAÇÃO DE PERIGO DE DANO OU DE RISCO AO
RESULTADO ÚTIL DO PROCESSO (...)”.

(C) Incorreta.
Vide explicação da assertiva B.

(D) Incorreta.
Art. 311, IV, do NCPC – “Art. 311. A tutela da evidência será concedida,
independentemente da demonstração de perigo de dano ou de risco ao resultado útil
37
do processo, quando: IV - a petição inicial for instruída com prova documental suficiente
dos fatos constitutivos do direito do autor, a que o réu não oponha prova capaz de gerar
dúvida razoável”.

(E) Correta.
Art. 311, III, do NCPC – “Art. 311. A tutela da evidência será concedida,
independentemente da demonstração de perigo de dano ou de risco ao resultado útil
do processo, quando: III - se tratar de pedido reipersecutório fundado em prova
documental adequada do contrato de depósito, caso em que será decretada a ordem
de entrega do objeto custodiado, sob cominação de multa”.

21. Considere os enunciados seguintes, referentes à petição inicial:

I. Na ação que tiver por objeto cumprimento de obrigação em prestações sucessivas,


essas serão consideradas incluídas no pedido, independentemente de declaração
expressa do autor, e serão incluídas na condenação, enquanto durar a obrigação, se o
devedor, no curso do processo, deixar de pagá-las ou de consigná-las.
II. O pedido deve ser determinado, sendo lícito porém formular pedido genérico
somente se não for possível determinar, desde logo, as consequências do ato ou do fato,
ou ainda, nas ações universais, se o autor não puder individuar os bens demandados.

III. É lícita a cumulação em um único processo, contra o mesmo réu, de vários pedidos,
desde que entre eles haja conexão ou continência.

IV. Na obrigação indivisível com pluralidade de credores, aquele que não participou do
processo receberá sua parte, deduzidas as despesas na proporção de seu crédito.

Está correto o que se afirma APENAS em

(A) II e III.

(B) II e IV.

(C) I, II e III.

(D) I e IV.

(E) I, III e IV.


38

RESPOSTA: D

Tema tratado na videoaula de Processo Civil “Da Petição Inicial e da Improcedência


Liminar do Pedido (Professor: Guilherme Andrade)” veiculada na Turma de Reta Final
TJ-AL.
Além disso, o assunto da questão foi abordado no ponto 07 de Direito Processual Civil
da Turma Extensiva de Magistratura Estadual.

COMENTÁRIOS

(I) Correto.
Art. 323 do NCPC – “Art. 323. Na ação que tiver por objeto cumprimento de obrigação
em prestações sucessivas, essas serão consideradas incluídas no pedido,
independentemente de declaração expressa do autor, e serão incluídas na condenação,
enquanto durar a obrigação, se o devedor, no curso do processo, deixar de pagá-las ou
de consigná-las”.
(II) Incorreto.
Também é possível formular pedido genérico, além das hipóteses mencionadas, quando
a determinação do objeto ou do valor da condenação depender de ato que deva ser
praticado pelo réu, nos termos do artigo 324, §1º, III, do NCPC.

(III) Incorreto.
Art. 327 do NCPC – “Art. 327. É lícita a cumulação, em um único processo, contra o
mesmo réu, de vários pedidos, ainda que entre eles não haja conexão”.

(IV) Correto.
Art. 328 do NCPC – “Art. 328. Na obrigação indivisível com pluralidade de credores,
aquele que não participou do processo receberá sua parte, deduzidas as despesas na
proporção de seu crédito”.

22. Quanto aos princípios gerais e às modalidades de provas no Processo Civil,

(A) a existência e o modo de existir de algum fato podem ser atestados ou


documentados mediante ata lavrada por tabelião, salvo em relação a dados relativos a
imagem ou som gravados em arquivos eletrônicos.
39
(B) a produção antecipada da prova previne a competência do Juízo para a ação que
venha a ser proposta.

(C) quando a lei exigir instrumento público como da substância do ato, somente prova
pericial pode suprir-lhe a falta.

(D) a confissão judicial pode ser espontânea ou provocada; se espontânea, só pode ser
feita pela própria parte.

(E) o documento feito por oficial público incompetente ou sem a observância das
formalidades legais, sendo subscrito pelas partes, tem a mesma eficácia probatória do
documento particular.

RESPOSTA: E

COMENTÁRIOS
O assunto da questão foi abordado no Ponto 11 (Direito Processual Civil) da 3ª Turma
Extensiva de Magistratura Estadual.
A assertiva “B” foi destacada na questão 19 do 247º Simulado Mege (TJ-AL).

(A) Incorreta.
Art. 384 do NCPC – “Art. 384. A existência e o modo de existir de algum fato podem ser
atestados ou documentados, a requerimento do interessado, mediante ata lavrada por
tabelião. Parágrafo único. DADOS REPRESENTADOS POR IMAGEM OU SOM GRAVADOS
EM ARQUIVOS ELETRÔNICOS PODERÃO CONSTAR DA ATA NOTARIAL”.

(B) Incorreta.
Art. 381, §3º, do NCPC – “Art. 381. § 3º A produção antecipada da prova NÃO PREVINE
a competência do juízo para a ação que venha a ser proposta”.

(C) Incorreta.
Art. 406 do NCPC – “Art. 406. Quando a lei exigir instrumento público como da
substância do ato, nenhuma outra prova, por mais especial que seja, pode suprir-lhe a
falta”.

(D) Incorreta.
Art. 390 e §1º do NCPC – “Art. 390. A confissão judicial pode ser espontânea ou
40
provocada. § 1º A confissão espontânea pode ser feita pela própria parte OU POR
REPRESENTANTE COM PODER ESPECIAL”.

(E) Correta.
Art. 407 do NCPC – “Art. 407. O documento feito por oficial público incompetente ou
sem a observância das formalidades legais, sendo subscrito pelas partes, tem a mesma
eficácia probatória do documento particular”.

23. Quanto aos requisitos e efeitos da sentença,

(A) uma vez publicada, só poderá ser alterada por meio de embargos de declaração.

(B) a decisão que condenar o réu ao pagamento de prestação pecuniária e em obrigação


de fazer ou não fazer valerão como título constitutivo de hipoteca judiciária, salvo se a
condenação for genérica.

(C) no caso de colisão entre normas, ao ser proferida decisão, o Juiz deve justificar o
objeto e os critérios gerais da ponderação efetuada, enunciando as razões que
autorizam a interferência na norma afastada e as premissas fáticas que fundamentam a
conclusão.

(D) é defeso ao Juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida, bem como condenar
a parte em quantidade superior à pleiteada, podendo, porém, a condenação, referir-se
a objeto diverso se ao Juiz parecer compatível e adequado à natureza da causa.

(E) a decisão deve ser certa, salvo se resolver relação jurídica condicional.

RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

O gabarito da questão foi integralmente abordado na Segunda Rodada de Processo Civil


da Turma de Reta Final para o Concurso do TJ-AL, ao tratar do tema “Sentença e Coisa
Julgada”, sendo certo também que algumas assertivas foram abordadas no Aulão de
Revisão.

(A) Incorreta.
41
Art. 494 do NCPC – “Art. 494. Publicada a sentença, o juiz só poderá alterá-la: I - para
corrigir-lhe, de ofício ou a requerimento da parte, inexatidões materiais ou erros de
cálculo; II - por meio de embargos de declaração”.

(B) Incorreta.
Art. 495, §1º, I, do NCPC – “Art. 495. A decisão que condenar o réu ao pagamento de
prestação consistente em dinheiro e a que determinar a conversão de prestação de
fazer, de não fazer ou de dar coisa em prestação pecuniária valerão como título
constitutivo de hipoteca judiciária. § 1º A decisão produz a hipoteca judiciária: I - embora
a condenação seja genérica”.

(C) Correta.
Art. 498, §2º, do NCPC – “Art. 489. § 2º No caso de colisão entre normas, o juiz deve
justificar o objeto e os critérios gerais da ponderação efetuada, enunciando as razões
que autorizam a interferência na norma afastada e as premissas fáticas que
fundamentam a conclusão”.

(D) Incorreta.
Art. 492 do NCPC – “Art. 492. É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da
pedida, bem como condenar a parte em quantidade superior ou em objeto diverso do
que lhe foi demandado”.

(E) Incorreta.
Art. 492, Parágrafo único do NCPC – “Art. 492. Parágrafo único. A decisão deve ser certa,
ainda que resolva relação jurídica condicional”.

24. Os embargos de terceiro podem ser

(A) ajuizados pelo adquirente de bens cuja constrição decorreu de decisão que declara
a ineficácia da alienação realizada em fraude à execução, dentre outras hipóteses.

(B) impugnados em dez dias, após o que seguirão procedimento comum.

(C) opostos até ser proferida a sentença nos autos em que ocorreu a constrição.

(D) ajuizados somente pelo terceiro proprietário, ainda que fiduciário.


42
(E) utilizados sempre para manutenção ou reintegração de posse, necessariamente em
exame inicial e com prestação de caução pelo embargante.

RESPOSTA: A

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado no Ponto 20 de Direito Processual Civil da Turma


Extensiva de Magistratura Estadual.
A questão 22 do 266º Simulado Mege (TJ-AL II) antecipou a abordagem da questão.
Além disso, o artigo foi destacado no Vade Mege TJ-AL, página 31.

(A) Correta.
Art. 674, §2º, II, do NCPC – “Art. 674. Quem, não sendo parte no processo, sofrer
constrição ou ameaça de constrição sobre bens que possua ou sobre os quais tenha
direito incompatível com o ato constritivo, poderá requerer seu desfazimento ou sua
inibição por meio de embargos de terceiro. § 2º Considera-se terceiro, para ajuizamento
dos embargos: II - o adquirente de bens cuja constrição decorreu de decisão que declara
a ineficácia da alienação realizada em fraude à execução”.

(B) Incorreta.
Art. 679 do NCPC – “Art. 679. Os embargos poderão ser contestados NO PRAZO DE 15
(QUINZE) DIAS, findo o qual se seguirá o procedimento comum”.

(C) Incorreta.
Art. 675 do NCPC – “Art. 675. Os embargos podem ser opostos a qualquer tempo no
processo de conhecimento enquanto não transitada em julgado a sentença e, no
cumprimento de sentença ou no processo de execução, até 5 (cinco) dias depois da
adjudicação, da alienação por iniciativa particular ou da arrematação, mas sempre antes
da assinatura da respectiva carta”.

(D) Incorreta.
Art. 674, §1º, do NCPC – “Art. 674. § 1º Os embargos podem ser de terceiro proprietário,
inclusive fiduciário, OU POSSUIDOR”.

(E) Incorreta.
Arts. 677, §1º e 678, Parágrafo único do NCPC – “Art. 677. Na petição inicial, o
embargante fará a prova sumária de sua posse ou de seu domínio e da qualidade de
43
terceiro, oferecendo documentos e rol de testemunhas. § 1º É facultada a prova da
posse EM AUDIÊNCIA PRELIMINAR designada pelo juiz. / Art. 678. A decisão que
reconhecer suficientemente provado o domínio ou a posse determinará a suspensão
das medidas constritivas sobre os bens litigiosos objeto dos embargos, bem como a
manutenção ou a reintegração provisória da posse, se o embargante a houver
requerido. Parágrafo único. O juiz poderá condicionar a ordem de manutenção ou de
reintegração provisória de posse à prestação de caução pelo requerente, RESSALVADA
A IMPOSSIBILIDADE DA PARTE ECONOMICAMENTE HIPOSSUFICIENTE”.

25. Quanto aos prazos,

(A) sendo a lei omissa, o prazo para a parte praticar o ato processual será sempre o de
dez dias.
(B) a parte pode renunciar àqueles estabelecidos exclusivamente em seu favor, desde
que o faça de maneira expressa.
(C) quando contados em dias, estabelecidos legal ou judicialmente, computar-se-ão os
dias corridos.
(D) se processuais, interrompem-se nos dias compreendidos entre 20 de dezembro e 20
de janeiro, inclusive.
(E) será considerado intempestivo o ato praticado antes de seu termo inicial, por ainda
não existir, processualmente.

RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS

O gabarito da questão foi integralmente abordado na Primeira Rodada de Processo Civil


da Turma de Reta Final para o Concurso do TJ-AL, ao tratar do tema “Atos Processuais”,
sendo certo também que algumas assertivas foram abordadas no Aulão de Revisão.

(A) Incorreta.
Art. 218, §1º, do NCPC – “Art. 218. Os atos processuais serão realizados nos prazos
prescritos em lei. § 1º Quando a lei for omissa, O JUIZ DETERMINARÁ OS PRAZOS em
consideração à complexidade do ato”.

(B) Correta.
44
Art. 225 do NCPC – “Art. 225. A parte poderá renunciar ao prazo estabelecido
exclusivamente em seu favor, desde que o faça de maneira expressa”.

(C) Incorreta.
Art. 219 do NCPC – “Art. 219. Na contagem de prazo em dias, estabelecido por lei ou
pelo juiz, computar-se-ão somente os dias úteis”.

(D) Incorreta.
Art. 220 do NCPC – “Art. 220. SUSPENDE-SE o curso do prazo processual nos dias
compreendidos entre 20 de dezembro e 20 de janeiro, inclusive”.

(E) Incorreta.
Art. 218, §4º, do NCPC – “Art. 218. § 4º Será considerado tempestivo o ato praticado
antes do termo inicial do prazo”.

26. Considere os enunciados quanto ao cumprimento da sentença:


I. O cumprimento da sentença que reconhece o dever de pagar quantia, provisório ou
definitivo, far-se-á de ofício ou a requerimento do exequente.

II. Quando o Juiz decidir relação jurídica sujeita a condição ou termo, o cumprimento da
sentença dependerá de demonstração de que se realizou a condição ou de que ocorreu
o termo.

III. A autocomposição judicial, no cumprimento da sentença, pode envolver sujeito


estranho ao processo e versar sobre relação jurídica que não tenha sido deduzida em
juízo.

IV. A decisão judicial, desde que pendente de recurso recebido somente no efeito
devolutivo, poderá ser levada a protesto nos termos da lei, depois de transcorrido o
prazo para pagamento voluntário.

Está correto o que se afirma APENAS em

(A) II e III.

(B) I, II e IV.
45
(C) I e IV.

(D) III e IV.

(E) I, II e III.

RESPOSTA: A

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado no ponto 11 de Direito Processual Civil Turma


Extensiva de Magistratura Estadual.

(I) Incorreto.
Art. 513, §1º, do NCPC – “Art. 513. § 1º O cumprimento da sentença que reconhece o
dever de pagar quantia, provisório ou definitivo, FAR-SE-Á A REQUERIMENTO do
exequente”.
(II) Correto.
Art. 514 do NCPC – “Art. 514. Quando o juiz decidir relação jurídica sujeita a condição
ou termo, o cumprimento da sentença dependerá de demonstração de que se realizou
a condição ou de que ocorreu o termo”.

(III) Correto.
Art. 515, §2º, do NCPC – “Art. 515. § 2º A autocomposição judicial pode envolver sujeito
estranho ao processo e versar sobre relação jurídica que não tenha sido deduzida em
juízo”.

(IV) Incorreto.
Art. 517 do NCPC – “Art. 517. A decisão judicial TRANSITADA EM JULGADO poderá ser
levada a protesto, nos termos da lei, depois de transcorrido o prazo para pagamento
voluntário previsto no art. 523”.

27. Nos Juizados Especiais Cíveis

(A) cabem recursos de suas sentenças a serem recebidos no efeito devolutivo e


suspensivo como regra geral, não havendo assim execução provisória do julgado.
46
(B) não se admite, em seus processos, qualquer forma de intervenção de terceiro,
assistência ou litisconsórcio.

(C) só se admitem ações possessórias sobre bens móveis, mas não sobre bens imóveis.

(D) em seus processos o mandato ao advogado poderá ser verbal, inclusive quanto aos
poderes especiais.

(E) a prova oral será produzida na audiência de instrução e julgamento, ainda que não
requerida previamente, podendo o Juiz limitar ou excluir o que considerar excessivo,
impertinente ou protelatório.

RESPOSTA: E

COMENTÁRIOS

O artigo foi destacado na página 37 do Vade Mege TJ-AL.


(A) Incorreta.
Art. 43 da Lei 9.099/95 – “Art. 43. O recurso terá SOMENTE EFEITO DEVOLUTIVO,
podendo o Juiz dar-lhe efeito suspensivo, para evitar dano irreparável para a parte”.

(B) Incorreta.
Art. 10 da Lei 9.099/95 – “Art. 10. Não se admitirá, no processo, qualquer forma de
intervenção de terceiro nem de assistência. ADMITIR-SE-Á O LITISCONSÓRCIO”.

(C) Incorreta.
Art. 3º, IV, da Lei 9.099/95 – “Art. 3º O Juizado Especial Cível tem competência para
conciliação, processo e julgamento das causas cíveis de menor complexidade, assim
consideradas: IV - as ações possessórias sobre bens imóveis de valor não excedente ao
fixado no inciso I deste artigo”.

(D) Incorreta.
Art. 9º, §3º, da Lei 9.099/95 – “Art. 9º Nas causas de valor até vinte salários mínimos, as
partes comparecerão pessoalmente, podendo ser assistidas por advogado; nas de valor
superior, a assistência é obrigatória. § 3º O mandato ao advogado poderá ser verbal,
salvo quanto aos poderes especiais”.
47
(E) Correta.
Art. 33 da Lei 9.099/95 – “Art. 33. Todas as provas serão produzidas na audiência de
instrução e julgamento, ainda que não requeridas previamente, podendo o Juiz limitar
ou excluir as que considerar excessivas, impertinentes ou protelatórias”.
DIREITO DO CONSUMIDOR

28. No que concerne à qualidade de produtos e serviços, prevenção e reparação dos


danos nas relações de consumo,

(A) o comerciante só será responsabilizado perante o consumidor se não conservar


adequadamente os produtos perecíveis.

(B) os produtos e serviços colocados no mercado de consumo em nenhuma hipótese


poderão acarretar riscos à saúde ou à segurança dos consumidores.

(C) o fabricante, o produtor, o construtor e o importador respondem objetivamente pela


reparação dos danos causados aos consumidores, independentemente da existência de
nexo de causalidade, na modalidade de risco integral.

(D) o fornecedor de produtos e serviços deverá higienizar os equipamentos e utensílios


utilizados nesse fornecimento, ou colocados à disposição do consumidor, informando,
de maneira ostensiva e adequada, quando for o caso, sobre o risco de contaminação.

(E) a responsabilidade pessoal dos profissionais liberais dar-se-á objetivamente, na


48
modalidade do risco atividade.

RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na aula de revisão e no material da turma de reta


final.
A questão 30 do 266º Simulado Mege (TJ-AL II) antecipou a abordagem do tema.

(A) Incorreta.
Art. 13 do CDC.

Nos casos de responsabilidade por fato do produto, O comerciante não responde


objetiva e solidariamente em toda e qualquer situação. As hipóteses de
responsabilidade estão elencadas no art. 13:
- quando o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser
identificados (inciso I);
- quando o produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante, produtor,
construtor ou importador (inciso II);
- no caso de produtos perecíveis, o comerciante não os conservar adequadamente
(inciso III).

A assertiva está incorreta diante da sua incompletude. Primeiro porque não delimita a
responsabilidade do fornecedor aos casos de responsabilidade por fato do produto,
segundo porque aponta apenas uma das três hipóteses previstas legalmente no art. 13.

(B) Incorreta.
Art. 8º CDC.

O artigo 8º estabelece que os produtos/serviços não poderão acarretar riscos à saúde e


segurança do consumidor. Entretanto, são tolerados os riscos qualificados como
“normais e previsíveis”, desde que acompanhados de informações claras e precisas.

Trata-se da tolerância frente à periculosidade inerente ou latente: aquela que é


indissociável do produto/serviço e não surpreende o consumidor. Essa tolerância,
todavia, não exime o fornecedor do seu dever de informar.
49
Ex.: STJ, REsp 1.599.405/SP – Em se tratando de produto de periculosidade inerente
(medicamento), cujos riscos são normais à sua natureza e previsíveis, eventual dano por
ele causado ao consumidor não enseja a responsabilização do fornecedor (Info 603
2017).
Podem ser citados como exemplos clássicos de produtos com riscos inerentes e
previsíveis: medicamentos, produtos de limpeza, faca de cozinha etc.

No material do Curso de Reta Final, fizemos expressa alerta a pegadinhas como a


presente, em quadro destacado, trazendo inclusive algumas alternativas similares à
presente (e que foram tidas como incorretas também).

(C) Incorreta.
Art. 12 do CDC, especialmente par. 3º.

Não se indaga se o fabricante, produtor, construtor ou importador agiu com culpa,


sendo irrelevante se ele agiu com o maior cuidado possível. O dispositivo legal prevê
que a responsabilidade é “independentemente da existência de culpa”. Será suficiente
que o consumidor demonstre, para fins de responsabilização, o dano ocorrido (acidente
de consumo) e a relação de causalidade entre o dano e o produto adquirido.
O CDC adotou a teoria do risco da atividade, e não do risco integral. A prova disso é a
previsão expressa de excludentes da responsabilidade do fornecedor (art. 12, § 3º - “o
fabricante, o construtor, o produtor ou importador só não será responsabilizado quando
provar”):

- que não colocou o produto no mercado (inciso I);


- que o defeito inexiste, embora tenha colocado o produto no mercado (inciso II);
- a existência de culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro (inciso III).

No material do Curso de Reta Final, deixamos o seguinte quadro de advertência:

ATENÇÃO! A responsabilidade, aqui, é objetiva com lastro na teoria da atividade ou do


empreendimento.
Não vigora a responsabilidade objetiva com base na teoria do risco integral. Questões e
assertivas que digam que o CDC adotou a teoria do risco integral estão INCORRETAS.
Isso significa que existem excludentes de responsabilidade.

(D) Correta.
Art. 8º, par. 2º, do CDC.

Art. 8º (...)
50
§ 2º O fornecedor deverá higienizar os equipamentos e utensílios utilizados no
fornecimento de produtos ou serviços, ou colocados à disposição do consumidor, e
informar, de maneira ostensiva e adequada, quando for o caso, sobre o risco de
contaminação.

(E) Incorreta.
Art. 14, par. 4º, CDC.

Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa,


pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação
dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição
e riscos.
§ 4° A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a
verificação de culpa.

O CDC criou uma exceção à responsabilidade objetiva pelo fato do serviço, dispondo que
a responsabilização pessoal dos profissionais liberais depende da verificação de culpa,
sendo, portanto, responsabilidade subjetiva.
29. Quanto à decadência e à prescrição nas relações de consumo,

(A) tratando-se de vício oculto, o prazo decadencial não está sujeito a caducidade.

(B) a contagem do prazo decadencial inicia-se sempre a partir da aquisição do produto.

(C) obsta a decadência a instauração de inquérito civil, com termo final no pedido inicial
de diligências realizado pelo Ministério Público.

(D) o direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca em


noventa dias, tratando-se de produtos ou serviços de qualquer natureza.

(E) prescreve em cinco anos a pretensão à reparação pelos danos causados por fato do
produto ou do serviço, iniciando-se a contagem do prazo a partir do conhecimento do
dano e de sua autoria.

RESPOSTA: E
51
COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado no material da turma de reta final.


Além, disso, a questão 32 do 247º Simulado Mege (TJ-AL) e a questão 31 do 266º
Simulado Mege (TJ-AL II) também anteciparam a abordagem cobrada em prova.
O artigo foi destacado no Vade Mege TJ-AL, página 39.

(A) Incorreta.
Art. 26, par. 3º, do CDC.

Art. 26. O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca em:
I - trinta dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos não duráveis;
II - noventa dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos duráveis.
§ 3° Tratando-se de vício oculto, o prazo decadencial inicia-se no momento em que
ficar evidenciado o defeito.

(B) Incorreta.
Art. 26, pars. 1º e 3º, do CDC.

Art. 26. O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca em:
I - trinta dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos não duráveis;
II - noventa dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos duráveis.
§ 1° Inicia-se a contagem do prazo decadencial a partir da entrega efetiva do produto
ou do término da execução dos serviços.
§ 3° Tratando-se de vício oculto, o prazo decadencial inicia-se no momento em que
ficar evidenciado o defeito.

Temos, somente no CDC, três diferentes marcos para fins de contagem inicial do prazo
decadencial, que podem ser:
- No caso de vícios aparentes → iniciados ou da efetiva entrega do produto ou do
término da execução dos serviços;
- No caso de vícios ocultos → início no momento em que ficar evidenciado o defeito.

(C) Incorreta.
Art. 26, pars. 2º, III, do CDC.

De fato, a instauração de inquérito civil obsta a contagem do prazo de decadência. O


erro da alternativa reside até quando fica obstado, pois é até o encerramento do
inquérito civil, e não mero pedido inicial de diligências do Ministério Público, o que
antecede o desfecho do procedimento.
52
(D) Incorreta.
Art. 26, caput, do CDC.

A depender da natureza do produto ou serviço, o prazo de decadência para reclamar


vícios aparentes pode mudar, sendo ou de 30 dias (para produtos/serviços não duráveis)
ou de 90 dias (para produtos/serviços duráveis).

Art. 26. O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca em:
I - trinta dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos não duráveis;
II - noventa dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos duráveis.

(E) Correta.
Art. 27 do CDC.

Art. 27. Prescreve em cinco anos a pretensão à reparação pelos danos causados por fato
do produto ou do serviço prevista na Seção II deste Capítulo, iniciando-se a contagem
do prazo a partir do conhecimento do dano e de sua autoria.
30. Quanto à oferta de produtos e serviços nas relações de consumo,

(A) se cessadas sua produção ou a importação o fornecimento de componentes e peças


de reposição deverá ser mantido por até um ano.

(B) as informações nos produtos refrigerados oferecidos ao consumidor deverão constar


de catálogo à parte ou obtidas por meio de serviço de relacionamento direto com o
cliente.

(C) é defesa sua veiculação por telefone, quando a chamada for onerosa ao consumidor
que a origina.

(D) a responsabilidade que decorre de sua vinculação contratual e veiculação é subjetiva


ao fornecedor.

(E) o fornecedor do produto ou serviço é subsidiariamente responsável pelos atos de


seus prepostos ou representantes autônomos.

RESPOSTA: C
53
O assunto da questão foi abordado no material da turma de reta final.
A assertiva “C” foi abordado na questão 32 do 247º Simulado Mege (TJ-AL).
O artigo foi destacado no Vade Mege TJ-AL, página 37.

COMENTÁRIOS

(A) Incorreta.
Art. 32 do CDC.

Art. 32. Os fabricantes e importadores deverão assegurar a oferta de componentes e


peças de reposição enquanto não cessar a fabricação ou importação do produto.
Parágrafo único. Cessadas a produção ou importação, a oferta deverá ser mantida por
período razoável de tempo, na forma da lei.

Os fabricantes e importadores deverão assegurar a oferta de componentes e peças de


reposição enquanto não cessar a fabricação ou importação do produto.
Além da obrigação acima, existe a de manutenção da oferta de componentes e peças
por prazo razoável de tempo após a cessação da produção ou da importação, na forma
da lei (parágrafo único).
A manutenção de fornecimento por “tempo razoável” deve levar em conta a vida útil
média do produto, bem como a sua difusão no mercado de consumo. Na ausência de lei
regulamentadora, caberá ao juiz analisar o caso concreto.

Assim, não há previsão legal de que o fornecimento de peças e componentes de


reposição deverá ocorrer por até 01 ano.

(B) Incorreta.
Art. 31, parágrafo único, do CDC.

Art. 31. (...)


Parágrafo único. As informações de que trata este artigo, nos produtos refrigerados
oferecidos ao consumidor, serão gravadas de forma indelével.

Ora, as informações de produtos refrigerados devem constar dos próprios – de modo


indelével, para não correr o risco de serem apagados pela refrigeração (contato com
água, umidade etc.), e não de documentos a parte, como catálogo ou serviço de
relacionamento direto com o cliente. Tal impediria o correto e imediato conhecimento
das informações do produto pelo consumidor.

54
(C) Correta.
Art. 33, parágrafo único, do CDC.

Art. 33. Em caso de oferta ou venda por telefone ou reembolso postal, deve constar o
nome do fabricante e endereço na embalagem, publicidade e em todos os impressos
utilizados na transação comercial.
Parágrafo único. É proibida a publicidade de bens e serviços por telefone, quando a
chamada for onerosa ao consumidor que a origina.

(D) Incorreta.
Art. 30 do CDC.

Art. 30. Toda informação ou publicidade, suficientemente precisa, veiculada por


qualquer forma ou meio de comunicação com relação a produtos e serviços oferecidos
ou apresentados, obriga o fornecedor que a fizer veicular ou dela se utilizar e integra o
contrato que vier a ser celebrado.

O dispositivo consagra o princípio da vinculação contratual da oferta, gerando um


direito para o consumidor de exigir o cumprimento da oferta nos moldes do veiculado,
respondendo o fornecedor objetiva mente (via de regra) caso haja discrepância entre a
oferta/publicidade e o produto/serviço.

(E) Incorreta.
Art. 34 do CDC.

Art. 34. O fornecedor do produto ou serviço é solidariamente responsável pelos atos de


seus prepostos ou representantes autônomos.

31. Para vender a roupa do herói Megaman, seu fabricante veicula anúncio na TV em
que um ator sai voando pela janela e salva uma criança e seu cachorro em um imóvel
pegando fogo. Essa publicidade, quando vista por crianças,

(A) é apenas enganosa, pois não é possível que uma publicidade seja ao mesmo tempo
abusiva e enganosa pelas normas do CDC.

(B) é somente abusiva, pelo induzimento ao comportamento perigoso, pois toda criança
saberá discernir o conteúdo falso do ator voando pela janela.
55
(C) será só abusiva, pois esta engloba a publicidade enganosa no conceito mais amplo
da periculosidade da conduta e do aproveitamento da falta de experiência dos infantes.

(D) é simultaneamente abusiva e enganosa; abusiva por eventualmente induzir a


comportamento perigoso, por deficiência de julgamento e de experiência, e enganosa
pelo conteúdo não verdadeiro de pessoa voando no salvamento publicitário.

(E) é lícita, pois além do aspecto lúdico não pode haver jamais restrições à liberdade de
expressão, o que inclui a veiculação publicitária lastreada na fantasia.

RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado no material da turma de reta final.


O artigo foi destacado no Vade Mege TJ-AL, página 40.
O conceito de publicidade abusiva é amplo, relacionado à agressão de valores sociais, à
presença de uma conduta socialmente reprovável de abuso. O par. 2º do art. 37 do CDC
deixa claro que o rol de hipóteses é meramente exemplificativo (“dentre outras”),
fazendo expressa referência a:

- Publicidade dirigida a crianças: aquela que se aproveita da deficiência de julgamento e


experiência da criança. Não se permitem anúncios que exortem diretamente as crianças
ao consumo, que induzam as crianças a persuadir seus pais ou qualquer outro adulto a
adquirir produtos ou serviços.

Já a publicidade enganosa é aquela que contém informação falsa, total ou parcialmente,


por ação ou por omissão, capaz de induzir o consumidor em erro.

Nada obsta a que se tenha enganosidade e abusividade num mesmo anúncio


publicitário. O CDC não exclui a possibilidade. E, ademais, as consequências para ambas
são as mesmas, quais sejam, a possibilidade de imposição de contrapropaganda (sanção
administrativa) e de configuração de crime de consumo.

Em ambas, não se exige a intenção de enganar por parte do anunciante. Este é


objetivamente responsável, sendo irrelevante averiguar sua conduta de boa-fé ou má-
fé.
56

32. Considere os enunciados concernentes às relações de consumo:

I. Se o fornecedor de produtos ou serviços recusar cumprimento à oferta, apresentação


ou publicidade, o consumidor poderá rescindir o contrato, com direito à restituição de
quantia eventualmente antecipada, monetariamente atualizada, ou pleitear perdas e
danos.

II. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas,


executar serviços sem a prévia elaboração de orçamento e autorização expressa do
consumidor.

III. É prática abusiva permitir o ingresso em estabelecimentos comerciais ou de serviços


de um número maior de consumidores que o fixado pela autoridade administrativa
como máximo.

IV. O fornecedor de serviço será obrigado a entregar ao consumidor orçamento prévio


discriminando o valor da mão de obra, dos materiais e equipamentos a serem
empregados, as condições de pagamento, bem como as datas de início e término dos
serviços; salvo previsão contrária, o valor orçado terá validade pelo prazo de dez dias,
contado de seu recebimento pelo consumidor.

V. No caso de fornecimento de produtos ou de serviços sujeitos ao regime de controle


ou de tabelamento de preços, os fornecedores deverão respeitar os limites oficiais sob
pena de, não o fazendo, responderem pela restituição da quantia recebida em excesso,
monetariamente atualizada, podendo o consumidor exigir à sua escolha, o desfazimento
do negócio, sem prejuízo de outras sanções cabíveis.

Está correto o que se afirma APENAS em

(A) II, III e V.

(B) I, II e IV.

(C) III, IV e V.

(D) I, II, III e IV.

(E) I, III, IV e V.
57

RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na aula de revisão e no material da turma de reta


final.
O artigo foi destacado no Vade Mege TJ-AL, página 40.

(I) Incorreto. Art. 35, III, do CDC.

O art. 30 do CDC prevê que “toda informação ou publicidade, suficientemente precisa,


veiculada por qualquer forma ou meio de comunicação com relação a produtos e
serviços oferecidos ou apresentados, obriga o fornecedor que a fizer veicular ou dela se
utilizar e integra o contrato que vier a ser celebrado”.
O dispositivo consagra o princípio da vinculação contratual da oferta, gerando um
direito para o consumidor de exigir o cumprimento da oferta nos moldes do veiculado,
respondendo o fornecedor objetivamente (via de regra) caso haja discrepância entre a
oferta/publicidade e o produto/serviço.

Opções para o consumidor caso o fornecedor recuse cumprimento à oferta (art. 35 do


CDC) – em caso de recusa, o consumidor pode, alternativamente e à sua livre escolha:

- exigir o cumprimento forçado da obrigação, nos termos da oferta, apresentação ou


publicidade (inciso I);
- aceitar outro produto ou prestação de serviço equivalente (inciso II);
- rescindir o contrato, com direito à restituição da quantia eventualmente antecipada,
monetariamente atualizada, e a perdas e danos (inciso III).

Desse modo, a indenização por perdas e danos pode ocorrer de forma cumulativa à
rescisão do contrato e restituição monetária, e não alternativa, como indicado na
assertiva.

(II) Incorreto. Art. 39, VI, do CDC.

A assertiva está incorreta porque incompleta. Há caso em que a execução de serviços


dispensa autorização expressa do orçamento pelo consumidor.
58
Ressalvadas as hipóteses em que as partes já negociaram previamente sem a sua
elaboração, o orçamento é obrigatório. Existe exceção, portanto, na existência de
práticas anteriores entre as partes.

(III) Correto. Art. 39, XIV, do CDC.

O referido inciso foi incluído pela Lei n. 13.425/2017, conhecida por “Lei Kiss”, pois
estabelece diretrizes gerais sobre medidas de prevenção e combate a incêndio e a
desastres em estabelecimentos, edificações e áreas de reunião de público. Fizemos
referência expressamente a essa prática abusiva no material da aula de revisão de
véspera.

(IV) Correto. Art. 40, caput e par. 1º, do CDC.

De acordo com o art. 40 do CDC, o fornecedor de serviço será obrigado a entregar ao


consumidor orçamento prévio discriminando o valor da mão de obra, dos materiais e
equipamentos a serem empregados, as condições de pagamento, bem como as datas
de início e término dos serviços.
Prazo de validade do orçamento - art. 40, § 1o, do CDC - Salvo estipulação em contrário,
o valor orçado terá validade pelo prazo de dez (10) dias, contado de seu recebimento
pelo consumidor.

(V) Correto. Art. 41 do CDC.

Art. 41 do CDC - No caso de fornecimento de produtos ou de serviços sujeitos ao regime


de controle ou de tabelamento de preços, os fornecedores deverão respeitar os limites
oficiais sob pena de não o fazendo, responderem pela restituição da quantia recebida
em excesso, monetariamente atualizada, podendo o consumidor exigir à sua escolha, o
desfazimento do negócio, sem prejuízo de outras sanções cabíveis.

33. Na defesa do consumidor em juízo, na ação que tenha por objeto o cumprimento da
obrigação de fazer ou não fazer,

(A) o Juiz concederá a tutela específica da obrigação ou determinará providências que


assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento, como, dentre outras,
busca e apreensão, remoção de coisas e pessoas, desfazimento de obra e impedimento
de atividade nociva, além da requisição de força policial.
59
(B) a conversão eventual da obrigação em perdas e danos só será admissível por decisão
consensual das partes.

(C) a indenização por perdas e danos far-se-á abrangendo danos emergentes e lucros
cessantes, mas sempre com prejuízo da multa processual.

(D) somente após justificação prévia poderá o Juiz conceder a tutela jurisdicional
pleiteada, após citação do réu, em razão da natureza coletiva dos direitos discutidos na
lide.

(E) é possível impor-se multa diária ao réu, na sentença, desde que requerida
expressamente pelo autor e se suficiente ou compatível com a obrigação, fixado prazo
razoável para cumprimento do preceito.

RESPOSTA: A

COMENTÁRIOS
O assunto da questão foi abordado na aula de revisão para prova objetiva do TJ-AL.
O artigo foi destacado no Vade Mege TJ-AL, página 41.

Art. 84 do CDC. Na ação que tenha por objeto o cumprimento da obrigação de fazer ou
não fazer, o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou determinará providências
que assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento.

§ 1° A conversão da obrigação em perdas e danos somente será admissível se por elas


optar o autor ou se impossível a tutela específica ou a obtenção do resultado prático
correspondente.

§ 2° A indenização por perdas e danos se fará sem prejuízo da multa (art. 287, do Código
de Processo Civil).

§ 3° Sendo relevante o fundamento da demanda e havendo justificado receio de


ineficácia do provimento final, é lícito ao juiz conceder a tutela liminarmente ou após
justificação prévia, citado o réu.

§ 4° O juiz poderá, na hipótese do § 3° ou na sentença, impor multa diária ao réu,


independentemente de pedido do autor, se for suficiente ou compatível com a
60
obrigação, fixando prazo razoável para o cumprimento do preceito.

§ 5° Para a tutela específica ou para a obtenção do resultado prático equivalente, poderá


o juiz determinar as medidas necessárias, tais como busca e apreensão, remoção de
coisas e pessoas, desfazimento de obra, impedimento de atividade nociva, além de
requisição de força policial.

(A) Correta.
Art. 84, par. 5º, do CDC.

(B) Incorreta.
Art. 84, par. 1º, do CDC.

A conversão em perdas e danos é medida excepcional, cabível em duas hipóteses (par.


1º):
- se o consumidor/autor optar pela conversão; ou
- se forem impossíveis a tutela específica ou a obtenção de resultado prático
correspondente.

(C) Incorreta.
Art. 84, par. 2º, do CDC.

A indenização por perdas e danos se fará sem prejuízo da multa (par. 2º). Ou seja, o
pagamento de perdas e danos não exime o infrator do pagamento de multa nem vice-
versa.

(D) Incorreta.
Art. 84, par. 3º, do CDC.

O juiz pode conceder também a tutela liminarmente.

(E) Incorreta.
Art. 84, par. 4º, do CDC.

Uma das abordagens mais frequentes com relação à multa é quanto à previsão de que
pode ser imposta independentemente de pedido do autor. Ou seja, o magistrado pode
fixá-la inclusive de ofício.

34. Quanto às sanções administrativas previstas no CDC, considere os enunciados


61
abaixo:

I. As penas de apreensão, de inutilização de produtos, de proibição de fabricação de


produtos, de suspensão do fornecimento de produto ou serviço, de cassação do registro
do produto e revogação da concessão ou permissão de uso serão aplicadas pela
administração, mediante procedimento administrativo, assegurada ampla defesa,
quando forem constatados vícios de quantidade ou de qualidade por inadequação ou
insegurança do produto ou serviço.

II. As penas de cassação de alvará de licença, de interdição e de suspensão temporária


da atividade, bem como a de intervenção administrativa, serão aplicadas mediante
procedimento administrativo, assegurada ampla defesa, quando o fornecedor reincidir
na prática das infrações de maior gravidade previstas no CDC e na legislação de
consumo.

III. A pena de cassação da concessão será aplicada à concessionária de serviço público


exclusivamente quando violar obrigação legal.

IV. A pena de intervenção administrativa será aplicada sempre que as circunstâncias de


fato aconselharem a cassação de licença, a interdição ou a suspensão da atividade.
V. A imposição de contrapropaganda será cominada quando o fornecedor incorrer na
prática de publicidade enganosa ou abusiva sempre às expensas do infrator; a
contrapropaganda será divulgada pelo responsável da mesma forma, frequência e
dimensão e, preferencialmente no mesmo veículo, local, espaço e horário, de forma
capaz de desfazer o malefício da publicidade enganosa ou abusiva.

Está correto o que se afirma APENAS em

(A) I, III e IV.

(B) II, IV e V.

(C) I, II e V.

(D) III, IV e V.

(E) I, II e III.

62
RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado no ponto 06 de Direito do Consumidor da Turma


Extensiva de Magistratura Estadual.
O artigo foi destacado no Vade Mege TJ-AL, página 41.

(I) Correto.
Art. 58 do CDC.

Art. 58. As penas de apreensão, de inutilização de produtos, de proibição de fabricação


de produtos, de suspensão do fornecimento de produto ou serviço, de cassação do
registro do produto e revogação da concessão ou permissão de uso serão aplicadas pela
administração, mediante procedimento administrativo, assegurada ampla defesa,
quando forem constatados vícios de quantidade ou qualidade por inadequação ou
insegurança do produto ou serviço.

(II) Correto.
Art. 59, caput, do CDC.
Art. 59. As penas de cassação de alvará de licença, de interdição e de suspensão
temporária de atividade, bem como a de intervenção administrativa, serão aplicadas
mediante procedimento administrativo, assegurada ampla defesa, quando o fornecedor
reincidir na prática das infrações de maior gravidade previstas neste código e na
legislação de consumo.

(III) Incorreto.
Art. 59, par. 1º, do CDC.

A violação de obrigação contratual também permite a aplicação da referida penalidade


à concessionária de serviço público.
Par. 1º. A pena de cassação da concessão será aplicada à concessionária de serviço
público, quando violar obrigação legal ou contratual.

(IV) Incorreto.
Art. 59, par. 2º, do CDC.

Apenas incide a intervenção administrativa quando forem desaconselhadas as demais


penalidades previstas na assertiva.
63
Par. 2º. A pena de intervenção administrativa será aplicada sempre que as circunstâncias
de fato desaconselharem a cassação de licença, a interdição ou suspensão da atividade.

(V) Correto.
Art. 60 do CDC.

Art. 60. A imposição de contrapropaganda será cominada quando o fornecedor incorrer


na prática de publicidade enganosa ou abusiva, nos termos do art. 36 e seus parágrafos,
sempre às expensas do infrator.

Par. 1º. A contrapropaganda será divulgada pelo responsável da mesma forma,


frequência e dimensão e, preferencialmente no mesmo veículo, local, espaço e horário,
de forma capaz de desfazer o malefício da publicidade enganosa ou abusiva.

35. Nas ações coletivas para defesa de interesses individuais homogêneos,


(A) em caso de procedência do pedido, a condenação será certa e determinada, fixando-
se a responsabilidade do réu pelos danos causados e os legitimados a requererem o
cumprimento do julgado, individualizados.

(B) o Ministério Público atuará somente como autor, defeso fazê-lo como fiscal da lei, o
que só se permite na defesa de interesses difusos.

(C) seu ajuizamento só poderá ocorrer em nome próprio do legitimado.

(D) ajuizada a demanda será publicado edital no órgão oficial, a fim de que os
interessados possam intervir no processo como litisconsortes, sem prejuízo de ampla
divulgação pelos meios de comunicação social por parte dos órgãos de defesa do
consumidor.

(E) poderá ocorrer execução coletiva da decisão, com base em certidão das sentenças
de liquidação, necessariamente após o trânsito em julgado do feito.

RESPOSTA: D
64
COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na aula de revisão.


O ponto 07 de Direito do Consumidor da Turma Extensiva de Magistratura Estadual
explica o tema.
O item III da questão 33 do 266º Simulado Mege (TJ-AL II) antecipou o estudo para prova.

(A) Incorreta.

No caso da sentença de procedência de ação coletiva para a tutela de direitos individuais


homogêneos, será condenatória genérica, vez que não há individualização do montante
devido nem das vítimas a serem ressarcidas. Tais fatores serão apurados em liquidação
de sentença.
São incorretas, desse modo, questões e alternativas que afirmem que a sentença será
certa e específica para cada vítima ou sucessor.

Art. 95. Em caso de procedência do pedido, a condenação será genérica, fixando a


responsabilidade do réu pelos danos causados.

(B) Incorreta.
Art. 92 do CDC.

Art. 92. O Ministério Público, se não ajuizar a ação, atuará sempre como fiscal da lei.

(C) Incorreta.
Arts. 81 e 82 do CDC.

Perceba-se, do caput do art. 81, que a defesa do consumidor em juízo poderá ser feita:
a) individualmente; ou b) a título coletivo.
A tutela individual será deduzida em juízo pelo próprio titular do direito, daí tratar-se de
situação de legitimação ordinária; já a tutela coletiva dependerá da atuação de
legitimados próprios (legitimação extraordinária, em regra.

Trata-se de legitimação extraordinária por substituição processual, eis que o legitimado


atua em nome próprio para a defesa de direito alheio e propõe a ação isoladamente,
sem litisconsórcio com o suposto titular do direito material que se quer tutelar.
Há, porém, uma situação excepcional envolvendo as associações, já que não são
substitutas processuais.

(D) Correta.
Arts. 94 do CDC.
65
Art. 94. Proposta a ação, será publicado edital no órgão oficial, a fim de que os
interessados possam intervir no processo como litisconsortes, sem prejuízo de ampla
divulgação pelos meios de comunicação social por parte dos órgãos de defesa do
consumidor.

(E) Incorreta.

Art. 97. A liquidação e a execução de sentença poderão ser promovidas pela vítima e
seus sucessores, assim como pelos legitimados de que trata o art. 82.

Art. 98. A execução poderá ser coletiva, sendo promovida pelos legitimados de que trata
o art. 82, abrangendo as vítimas cujas indenizações já tiveram sido fixadas em sentença
de liquidação, sem prejuízo do ajuizamento de outras execuções.

O erro da assertiva é o condicionamento ao necessário trânsito em julgado, pois não há


tal exigência no CDC.
DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

36. Artur, com 8 anos, tem diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e está
matriculado no ensino fundamental em classe comum de ensino regular, no modelo de
educação inclusiva. Insatisfeito com o atendimento que lhe é ofertado Artur, por seu
representante legal, pode postular em face do poder público, comprovada a
necessidade e porque expressamente previsto em lei federal e seu decreto
regulamentador, que

(A) Artur seja atendido em escola especializada na educação de crianças com TEA ou, na
sua ausência, em escola especial para pessoas com deficiência.

(B) a escola disponibilize para Artur acompanhante especializado no contexto escolar,


apto a lhe oferecer apoio, entre outras, às atividades de comunicação e interação social.

(C) a classe comum onde Artur está matriculado não ultrapasse o limite máximo de vinte
alunos.

(D) seja disponibilizado um professor auxiliar para ajudar o professor regente da classe
comum de ensino regular onde Artur se encontra matriculado.
66
(E) a escola elabore e execute um plano individualizado de atendimento a Artur no
contexto escolar que contemple simultaneamente suas demandas de natureza
pedagógica e terapêutica.

RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS

O artigo foi destacado no Vade Mege TJ-AL, página 54.

Art. 58, § 1º da Lei 9.394/96 - Haverá, quando necessário, serviços de apoio


especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação
especial.
37. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA − Lei no 8.069/1990) estabelece,
expressamente, como regra geral referente aos procedimentos nele regulados, que

(A) os prazos estabelecidos no ECA aplicáveis aos seus procedimentos são contados em
dias corridos, vedado o prazo em dobro para a Fazenda Pública e Defensoria Pública.

(B) se a medida judicial a ser adotada não corresponder a procedimento previsto no ECA,
a autoridade judiciária poderá investigar os fatos e ordenar de ofício as providências
necessárias.

(C) as ações judiciais da competência da Justiça da Infância e da Juventude são isentas


de custas, emolumentos e honorários de sucumbência.

(D) o Ministério Público, nos processos em que for parte, será intimado para, no prazo
máximo de dez dias, intervir como curador da infância e da juventude, podendo juntar
documentos e requerer diligências, usando os recursos cabíveis.

(E) as normas procedimentais previstas no ECA permitem adequação ou flexibilização,


sempre que assim exigir a tutela do melhor interesse da criança e do adolescente,
demonstrada em decisão judicial fundamentada.
67

RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na aula de revisão e no material da turma de reta


final.

Art. 153 do ECA - Se a medida judicial a ser adotada não corresponder a procedimento
previsto nesta ou em outra lei, a autoridade judiciária poderá investigar os fatos e
ordenar de ofício as providências necessárias, ouvido o Ministério Público.

38. Segundo disposição expressa da Lei no 12.594/2012 (Lei do SINASE) e/ou Lei no
8.069/1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), deve ser fundamentada em parecer
técnico a decisão que

(A) substitui a medida socioeducativa mais branda por medida mais gravosa.
(B) declara extinta a medida socioeducativa pela realização de sua finalidade.

(C) autoriza as saídas externas de adolescentes em cumprimento de medida


socioeducativa privativa de liberdade.

(D) impõe, em situações excepcionais, sanção disciplinar de isolamento a adolescente


interno.

(E) aplica medida socioeducativa de liberdade assistida a adolescente a quem se atribui


autoria de ato infracional.

RESPOSTA: A

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na aula de revisão e no material da turma de reta


final.
68
Art. 43, § 4º da Lei 12.594/2012 - A substituição por medida mais gravosa somente
ocorrerá em situações excepcionais, após o devido processo legal, inclusive na hipótese
do inciso III do art. 122 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do
Adolescente), e deve ser: I - fundamentada em parecer técnico; II - precedida de prévia
audiência, e nos termos do § 1º do art. 42 desta Lei.

39. Em relação à publicidade direcionada a crianças e/ou adolescentes, é correto


afirmar:

(A) O Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional a Resolução 163 do Conselho


Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA) que dispõe sobre a
abusividade do direcionamento de publicidade e de comunicação mercadológica à
criança e ao adolescente.

(B) A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que


não se considera abusivo o marketing (publicidade ou promoção de venda) de alimentos
dirigido, direta ou indiretamente, às crianças.
(C) Conforme disposição expressa do Estatuto da Criança e do Adolescente, as revistas
e publicações destinadas ao público infanto-juvenil não poderão conter material
publicitário que estimule o consumo de alimentos industrializados sem valor nutricional.
(D) O Código de Defesa do Consumidor descreve como enganosa a publicidade que
promova consumo, por crianças e adolescentes, de quaisquer bens e serviços
incompatíveis com sua condição.

(E) O Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária dispõe que nenhum


anúncio dirigirá apelo imperativo de consumo diretamente à criança.

RESPOSTA: E

COMENTÁRIOS

O artigo foi destacado no Vade Mege TJ-AL, página 54.

Art. 37 do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária - Os esforços de pais,


educadores, autoridades e da comunidade devem encontrar na publicidade fator
coadjuvante na formação de cidadãos responsáveis e consumidores conscientes. Diante
69
de tal perspectiva, nenhum anúncio dirigirá apelo imperativo de consumo diretamente
à criança (...)

40. Rogério, pela prática de ato infracional equiparado a dano (primeiro ato), recebeu
remissão como forma de exclusão do processo com medida socioeducativa de
advertência. Um mês antes de completar 18 anos, Rogério é flagrado na prática de ato
infracional equiparado a tráfico de drogas (segundo ato). Segundo o que dispõe a lei,
sua interpretação pelo Supremo Tribunal Federal e as teses de orientação
jurisprudencial mais recentes divulgadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), é
correto afirmar que

(A) foi descabida a aplicação de advertência quando do primeiro ato, uma vez que
somente a remissão suspensiva e a remissão extintiva admitem a cumulação com
medida socioeducativa em meio aberto.

(B) o primeiro ato infracional (dano), compreendido na remissão, não serve para
caracterizar a reiteração que autorize a internação pelo segundo ato, mas prevalece
para fins de antecedentes, podendo influenciar na definição da medida mais adequada
e de seu tempo de duração.

(C) a medida de semiliberdade pode ser aplicada diante do segundo ato, já que a
imposição de tal medida não se vincula à taxatividade estabelecida no art. 122 da
Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei no 8.069/90) em relação à internação.

(D) é vedada, segundo a Súmula 492 do STJ, a aplicação de medida socioeducativa de


internação pelo segundo ato por não comportar violência ou grave ameaça à pessoa.

(E) com o alcance da maioridade civil ou penal de Rogério, a medida a ele aplicada pelo
segundo ato deve ser extinta, exceto se se tratar de medida de internação.

RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO!


70
O assunto da questão foi abordado na aula de revisão e no material da turma de reta
final.

LETRA C: Art. 120 do ECA - O regime de semi-liberdade pode ser determinado desde o
início, ou como forma de transição para o meio aberto, possibilitada a realização de
atividades externas, independentemente de autorização judicial.

§ 1º São obrigatórias a escolarização e a profissionalização, devendo, sempre que


possível, ser utilizados os recursos existentes na comunidade.
§ 2º A medida não comporta prazo determinado aplicando-se, no que couber, as
disposições relativas à internação.
Dessa forma, perfeitamente cabível a semiliberdade, posto que não se vincula
diretamente as hipóteses de internação previstas no art. 122 do ECA.
LETRA D: Merece destaque a assertiva, pois o caso concreto, de fato, não representaria
situação apta à aplicação de internação. A súmula 492 do STJ trata do assunto, além de
julgado do STJ que entendemos relevante para destaque:

“O ato infracional análogo ao tráfico de drogas, por si só, não


conduz obrigatoriamente à imposição de medida socioeducativa
de internação do adolescente.”
(Súmula 492, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 08/08/2012, DJe
13/08/2012)

"A medida socioeducativa de internação somente pode ser


imposta ao adolescente na hipótese de não haver outra mais
adequada e menos onerosa à sua liberdade, e caso o
adolescente incida em quaisquer das hipóteses previstas no
artigo 122 do Estatuto da Criança e do Adolescente. 2. O ato
infracional análogo ao crime de tráfico ilícito de entorpecentes, 71
a despeito da sua natureza hedionda, não dá ensejo, por si só, à
aplicação da medida socioeducativa de internação, já que a
conduta não pressupõe violência ou grave ameaça à pessoa."
(HC 180924 RJ, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA,
SEXTA TURMA, julgado em 03/02/2011, DJe 21/02/2011)

A polêmica é representada pelo fato da súmula não tratar exatamente de uma vedação
de aplicação de internação por não comportar violência ou grave ameaça à pessoa. Ela
menciona apenas que “por si só” não se aplicaria pelo mero fato de se tratar de ato
infracional análogo ao tráfico de drogas. Ainda assim, entendemos que o caso narrado
tem coerência com a súmula e induz o candidato a esta constatação. É válido mencionar
o art. 127 do ECA para solucionar a situação do primeiro ato e a não aplicação de
internação diante da remissão aplicada:

Art. 127. A remissão não implica necessariamente o


reconhecimento ou comprovação da responsabilidade, nem
prevalece para efeito de antecedentes, podendo incluir
eventualmente a aplicação de qualquer das medidas previstas
em lei, exceto a colocação em regime de semi-liberdade e a
internação.

72
BLOCO II

DIREITO PENAL

41. Segundo entendimento sumulado do Superior Tribunal de Justiça, INAPLICÁVEL o


princípio da insignificância:

(A) aos crimes ambientais e aos crimes patrimoniais sem violência ou grave ameaça à
pessoa, se reincidente o acusado.

(B) aos crimes praticados contra a criança e o adolescente e aos crimes contra a ordem
tributária.

(C) às contravenções penais praticadas contra a mulher no âmbito das relações


domésticas e aos crimes contra a Administração pública.

(D) aos crimes de licitações e às infrações de menor potencial ofensivo, já que regidas
por lei especial.
73
(E) aos crimes de violação de direito autoral e aos crimes previstos no estatuto do
desarmamento.

RESPOSTA: C

O assunto encontrava-se destacado no material de “Súmulas do STJ separadas por


assunto” enviado para Turma de Reta Final.
A questão 50 do 247º Simulado Mege (TJ-AL) antecipou a abordagem exigida em prova.
Além disso, a resposta foi destacada no material de súmulas separadas por assunto do
STJ enviado para turma TJ-AL.

COMENTÁRIOS

A questão merece atenção, na medida em que a alternativa correta é aquela que possui
todos os exemplos compatíveis com a exigência do enunciado. Assim sendo, temos:

(A) Incorreta. Segundo o STJ, é APLICÁVEL o princípio da insignificância aos crimes


ambientais (AgRg no AREsp 654.321/SC), aos crimes patrimoniais sem violência ou grave
ameaça à pessoa (AgRg no AREsp 19042/DF), se reincidente o acusado (REsp
1509985/RJ).

(B) Incorreta. Segundo o STJ, é INAPLICÁVEL o princípio da insignificância aos crimes


praticados contra a criança e o adolescente e APLICÁVEL aos crimes contra a ordem
tributária (REsp 1.709.029/MG).

(C) Correta. Segundo o STJ, é INAPLICÁVEL o princípio da insignificância às contravenções


penais praticadas contra a mulher no âmbito das relações domésticas (Súmula 589-STJ)
e aos crimes contra a Administração pública (Súmula 599-STJ).

(D) Incorreta. Segundo o STJ, é APLICÁVEL o princípio da insignificância aos crimes de


licitações (Súmula 599-STJ) e às infrações de menor potencial ofensivo, já que regidas
por lei especial (Não há relação entre a aplicação do princípio da insignificância e
regência das infrações por leis especiais).

(E) Incorreta. Segundo o STJ, é INAPLICÁVEL o princípio da insignificância aos crimes de


violação de direito autoral (AgRg no REsp 1380149/RS) e APLICÁVEL, aos crimes
previstos no estatuto do desarmamento (Há exceção, pois é inaplicável aos crimes de
posse e de porte de arma de fogo - HC 338153/RS)
74

42. No que toca à classificação doutrinária dos crimes,

(A) é imprescindível a ocorrência de resultado naturalístico para a consumação dos


delitos materiais e formais.

(B) é normativa a relação de causalidade nos crimes omissivos impróprios ou comissivos


por omissão, prescindindo de resultado naturalístico para a sua consumação.

(C) os crimes unissubsistentes são aqueles em que há iter criminis e o comportamento


criminoso pode ser cindido.

(D) os crimes omissivos próprios dependem de resultado naturalístico para a sua


consumação.

(E) os crimes comissivos são aqueles que requerem comportamento positivo,


independendo de resultado naturalístico para a sua consumação, se formais.
RESPOSTA: E

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado no ponto 04 de Direito Penal da Turma Extensiva de


Magistratura Estadual.

(A) Incorreta. É imprescindível a ocorrência de resultado naturalístico para a


consumação dos delitos materiais. Os crimes formais se caracterizam com a mera
prática da conduta não necessitando da ocorrência do resultado naturalístico, embora
seja possível.

(B) Incorreta. Os crimes omissivos impróprios ou comissivos por omissão são crimes que
descrevem uma ação e são praticados por meio de uma inatividade. Tais crimes são
próprios e materiais, ou seja, é imprescindível a ocorrência de resultado naturalístico
para a sua consumação.

(C) Incorreta. Os crimes unissubsistentes são aqueles em que a conduta é composta de


um único ato e, por isso, são crimes que não admitem a forma tentada.
75
(D) Incorreta. Os crimes omissivos próprios são crimes de mera conduta, ou seja, não
admitem resultado naturalístico como consequência direta da ação. Assim, o omitente
não responde pelo resultado naturalístico eventualmente produzido, mas somente pela
sua omissão.

(E) Correta.

43. Quanto ao concurso formal,

(A) a pena poderá exceder a que seria cabível pela regra do concurso material, se a ação
ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultarem de desígnios autônomos.

(B) aplicável a suspensão condicional do processo em relação às infrações penais


cometidas em concurso formal impróprio ou imperfeito, uma vez que se considera a
pena de cada uma, isoladamente, ainda que a somatória ultrapasse o limite de um ano.
(C) as penas de multa são aplicadas distinta e integralmente no caso de concurso formal
impróprio ou imperfeito, incidindo a extinção da punibilidade sobre a pena privativa de
liberdade de cada crime, isoladamente.

(D) há concurso formal próprio quando o agente, mediante uma só ação ou omissão,
prática dois ou mais crimes da mesma espécie, aplicando-se a mais grave das penas
cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um
sexto a dois terços.

(E) a pena pode ser aumentada até o triplo no caso de concurso formal impróprio ou
imperfeito, considerando o Juiz a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a
personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias dos crimes.

RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado no ponto 14 de Direito Penal da Turma Extensiva de


Magistratura Estadual.
76
O tema foi antecipado na questão 50 do 266º Simulado Mege (TJ-AL II).
O artigo foi destacado no Vade Mege TJ-AL, página 57.

(A) Incorreta. Art. 70, parágrafo único do Código Penal.

(B) Incorreta. Súmula 243-STJ e Súmula 723-STF.

(C) Correta. Art. 72 e 114 do Código Penal.

(D) Incorreta. Art. 70 do Código Penal.

(E) Incorreta. Art. 71, parágrafo único do Código Penal.

44. Na aplicação da pena,

(A) a folha de antecedentes constitui documento suficiente para a comprovação de


reincidência, não prevalecendo a condenação anterior, contudo, se entre a data do
cumprimento ou extinção da pena e a infração posterior tiver decorrido período de
tempo superior a cinco anos, computado o período de prova da suspensão ou do
livramento condicional, se não ocorrer revogação.

(B) incidirá a atenuante da confissão espontânea quando for utilizada para a formação
do convencimento do julgador, bastando, no crime de tráfico ilícito de entorpecentes,
que o acusado admita a posse ou propriedade da substância, ainda que para uso
próprio.

(C) se houver concurso de causas de aumento ou de diminuição previstas na parte geral


do Código Penal, pode o Juiz limitar-se a um só aumento ou a uma só diminuição,
prevalecendo, todavia, a causa que mais aumente ou diminua.

(D) sempre cabível a substituição da pena privativa de liberdade por prestação de


serviços à comunidade, isolada ou cumulativamente com outra sanção alternativa ou
multa, se aplicada pena corporal não superior a quatro anos e o crime não for cometido
com violência ou grave ameaça à pessoa, tratando-se de réu não reincidente em crime
doloso, além de favoráveis as circunstâncias judiciais.

(E) vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso para agravar a
pena-base, não se configurando a má antecedência se o acusado ostentar condenação
por crime anterior, transitada em julgado após o novo fato.
77

RESPOSTA: A

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado em rodada da turma de reta final.


A resposta foi destacada no material de súmulas do STJ separadas por assunto enviado
para turma TJ-AL.

(A) Correta. Art. 64 do Código Penal e Súmula 636-STJ.

(B) Incorreta. Súmula 630-STJ.

(C) Incorreta. Art. 68, parágrafo único, do Código Penal.

(D) Incorreta. Art. 44 do Código Penal.

(E) Incorreta. Súmula 444-STJ e EAREsp 1311636-MS-STJ


45. Em relação ao livramento condicional, correto afirmar que

(A) a prática de falta grave não interrompe o prazo para sua obtenção, mas o Juiz só
poderá revogá-lo a requerimento do Ministério Público ou mediante representação do
Conselho Penitenciário, ouvido o liberado.

(B) as penas correspondentes a infrações diversas não podem ser somadas para atingir
o limite mínimo necessário para a sua concessão.

(C) condicionada a sua concessão à prévia progressão do condenado ao regime aberto,


por expressa previsão legal.

(D) obrigatória a revogação se o liberado deixar de cumprir qualquer das obrigações


constantes da sentença concessiva.

(E) a ausência de suspensão ou revogação antes do término do período de prova enseja


extinção da punibilidade pelo integral cumprimento da pena.
78

RESPOSTA: E

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado em rodada da turma de reta final.


A resposta também foi destacada no material de súmulas do STJ separadas por assunto
enviado para turma TJ-AL.

(A) Incorreta. Súmula 441-STJ e Art. 131 da Lei de Execuções Penais.

(B) Incorreta. Art. 84 do Código Penal.

(C) Incorreta. Art. 83 do Código Penal.

(D) Incorreta. Art. 86 e 87 do Código Penal.

(E) Correta. Súmula 617-STJ.


46. No que se refere à execução das penas privativas de liberdade,

(A) imprescindível a instauração de procedimento administrativo pelo diretor do


estabelecimento prisional, assegurado o direito de defesa, a ser realizado por advogado
constituído ou defensor público nomeado, para o reconhecimento da prática de falta
grave no âmbito da execução penal, bem como necessário que se aguarde o trânsito em
julgado da sentença penal condenatória no processo penal instaurado para apuração do
fato, quando a infração disciplinar decorrer do cometimento de crime doloso no
cumprimento da pena.

(B) admite-se a progressão de regime de cumprimento de pena ou a aplicação imediata


de regime menos severo nela determinada, antes do trânsito em julgado da sentença
condenatória, obstando a promoção, no entanto, o fato de o réu se encontrar em prisão
especial, se ainda não definitiva a decisão condenatória.

(C) a prática de falta grave não interrompe a contagem do prazo para fim de comutação
de pena ou indulto, extinguindo este tanto os efeitos primários da condenação como os
secundários, penais ou extrapenais.
79
(D) possível a remição de parte do tempo de execução da pena quando o condenado,
em regime fechado ou semiaberto, desempenha atividade laborativa, ainda que
extramuros, considerando-se como pena cumprida, para todos os efeitos, o tempo
remido.

(E) o benefício de saída temporária no âmbito da execução penal é ato jurisdicional


insuscetível de delegação à autoridade administrativa do estabelecimento prisional, se
o condenado cumprir pena em regime fechado, permitindo-se a delegação, porém, se
em regime semiaberto.

RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado em rodada da turma de reta final.


A resposta também foi destacada no material de súmulas do STJ separadas por assunto
enviado para turma TJ-AL.
(A) Incorreta. Súmula 533-STJ e Súmula 526-STJ.

(B) Incorreta. Súmula 716-STF e Súmula 717-STF.

(C) Incorreta. Súmula 535-STJ e Súmula 631-STJ.

(D) Correta. Súmula 562-STJ e Art. 128 da Lei de Execução Penal.

(E) Incorreta. Súmula 520-STJ.

47. INCORRETO afirmar que, antes de passar em julgado a sentença final, a prescrição
não ocorre enquanto

(A) o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir advogado.

(B) o agente cumpre pena no estrangeiro.

(C) não resolvido incidente de insanidade mental do acusado.


80
(D) suspenso condicionalmente o processo.

(E) não resolvida, em outro processo, questão de que dependa o reconhecimento da


existência do crime.

RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO!


O assunto da questão foi abordado no material da turma de reta final.

Entendemos que a assertiva “A” também pode ser considerada incorreta. Nos termos
da Súmula 415 do STJ, o período de suspensão do prazo prescricional (na hipótese do
artigo 366 do CPP) se regula pelo máximo da pena cominada. Desse modo, após o
eventual decurso do prazo máximo da pena aplicada ao caso, o prazo de prescrição
voltará a fluir.

Art. 366. Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem


constituir advogado, ficarão suspensos o processo e o curso do
prazo prescricional, podendo o juiz determinar a produção
antecipada das provas consideradas urgentes e, se for o caso,
decretar prisão preventiva, nos termos do disposto no art. 312.
(Redação dada pela Lei nº 9.271, de 17.4.1996)

(A) POLÊMICA. Conforme explicado acima.

(B) Ver art. 116, II, do Código Penal.

(C) RESPOSTA OFICIAL. Art. 149 do Código de Processo Penal – A suspensão do curso da
ação penal não se confunde com a suspensão do prazo prescricional, que continua a fluir 81
normalmente.

(D) Ver art. 89, §6º da Lei 9.099/95.

(E) Ver art. 116, I, do Código Penal.

48. Segundo entendimento sedimentado dos Tribunais Superiores sobre crimes contra
o patrimônio,

(A) há latrocínio tentado quando o homicídio se consuma, mas o agente não realiza a
subtração de bens da vítima, não se admitindo o estabelecimento de regime prisional
mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta, com base na gravidade
abstrata do delito, se fixada a pena-base no mínimo legal.

(B) é possível o reconhecimento da figura privilegiada nos casos de furto qualificado, se


estiverem presentes a primariedade do agente, o pequeno valor da coisa e a
qualificadora for de ordem subjetiva, não se admitindo, porém, a aplicação, no furto
qualificado pelo concurso de agentes, da correspondente majorante do roubo.

(C) a intimidação feita com arma de brinquedo não autoriza, no crime de roubo, o
reconhecimento da causa de aumento relativa ao emprego de arma de fogo,
consumando-se o crime com a inversão da posse do bem mediante emprego de
violência ou grave ameaça, ainda que por breve tempo e em seguida à perseguição
imediata ao agente e recuperação da coisa roubada, imprescindível, porém, a posse
mansa e pacífica ou desvigiada.

(D) o condenado por extorsão mediante sequestro, dependendo da data de


cometimento da infração, poderá obter a progressão de regime após o cumprimento de
um sexto da pena, independendo a consumação do crime de extorsão comum a
obtenção de vantagem indevida.

(E) sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico ou por existência de


segurança no interior do estabelecimento comercial, por si só, não torna impossível a
configuração do crime de furto, admitindo-se a indicação do número de majorantes
como fundamentação concreta para o aumento na terceira fase de aplicação da pena
no crime de roubo circunstanciado.
82

RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado no material da turma de reta final.


A assertiva “C” da questão 43 do 247º Simulado Mege (TJ-AL) antecipou abordagem
exigida em prova.
A resposta foi destacada nos materiais de súmulas separadas por assunto do STF e STJ
enviados para turma de reta final TJ-AL.

(A) Incorreta. Súmula 610-STF, Súmula 440-STJ e Súmula 719-STF.

(B) Incorreta. Súmula 511-STJ e Súmula 442-STJ.

(C) Incorreta. Súmula 582-STJ e Súmula 174-STJ (esta última foi cancelada, o seu
entendimento, portanto, não é mais aplicável).

(D) Correta. Súmula vinculante 26-STF, Súmula 471-STJ e Súmula 96-STJ.


(E) Incorreta. Súmula 567-STJ e Súmula 443-STJ.

49. A ação penal é

(A) pública condicionada à representação no crime de estupro de vulnerável.

(B) privada no crime de dano qualificado por motivo egoístico.

(C) exclusiva do Ministério Público, embora condicionada à representação do ofendido,


por crime contra a honra de servidor público em razão do exercício de suas funções.

(D) privada, em qualquer situação, no crime de exercício arbitrário das próprias razões.

(E) pública condicionada à representação no crime de furto cometido em prejuízo de


irmão, legítimo ou ilegítimo, independentemente da idade deste.

83
RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado nos pontos da Turma Extensiva de Magistratura


Estadual sobre ação penal e crimes contra o patrimônio.

(A) Incorreta. Súmula 608-STF.

(B) Correta. Art. 167 do Código Penal.

(C) Incorreta. Súmula 714-STF.

(D) Incorreta. Art. 345, parágrafo único, do Código Penal.

(E) Incorreta. Art. 182 e Art. 183 do Código Penal.

50. Quanto aos crimes contra a fé pública,


(A) compete à Justiça Estadual comum processar e julgar civil denunciado pelos crimes
de falsificação e de uso de documento público falso quando se tratar de Carteira de
Habilitação de Amador, ainda que expedida pela Marinha do Brasil.

(B) há sempre concurso entre os crimes de falsificação de documento público e


estelionato, segundo entendimento do sumulado do Superior Tribunal de Justiça.

(C) configura crime de falsificação de documento particular o ato de falsificar, no todo


ou em parte, testamento particular, duplicata e cartão bancário de crédito ou débito.

(D) atípica a conduta de, em situação de autodefesa, atribuir-se falsa identidade perante
autoridade policial.

(E) inadmissível proposta de suspensão condicional do processo no crime de falsidade


ideológica de assentamento de registro civil.

RESPOSTA: E
84
COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado no ponto 25 de Direito Penal da Turma Extensiva de


Magistratura Estadual.

(A) Incorreta. Súmula vinculante 36-STF.

(B) Incorreta. Súmula 17-STJ.

(C) Incorreta. Art. 297 e 298, parágrafo único, do Código Penal.

(D) Incorreta. Súmula 522-STJ.

(E) Correta. Art. 299, parágrafo, único do Código de Possesso Penal e art. 89 da Lei
9.099/90.
DIREITO PROCESSUAL PENAL

51. Quanto aos aspectos processuais da Lei de Execução Penal,

(A) é de cinco dias o prazo ordinário para interposição de agravo contra a decisão do Juiz
da execução penal, descabendo intimação do defensor nomeado por publicação no
órgão incumbido da publicidade dos atos judiciais da comarca;

(B) compete ao Juízo das Execuções Federal a execução das penas impostas a
sentenciados pela Justiça Federal, Militar ou Eleitoral, ainda que recolhidos a
estabelecimentos sujeitos à Administração estadual;

(C) a aplicação das sanções disciplinares de isolamento e de inclusão no regime


disciplinar diferenciado é de competência, respectivamente, do diretor do
estabelecimento prisional e do Juiz da execução, não podendo a primeira exceder a
sessenta dias;

(D) a regressão do condenado a regime mais rigoroso depende de sua prévia oitiva se a 85
falta grave imputada consistir em incitar ou participar de movimento para subverter a
ordem ou a disciplina, mas não no caso de possuir, indevidamente, instrumento capaz
de ofender a integridade física de outrem;

(E) das decisões proferidas pelo Juiz caberá recurso de agravo, sem efeito suspensivo,
podendo o Ministério Público obtê-lo por meio da interposição de mandado de
segurança.

RESPOSTA: A

COMENTÁRIOS

O assunto foi abordado no material de súmulas do STF separadas por assunto enviado
para turma de reta final TJ-AL.

(A) Correta.
Súmula 700 do STF e art. Art. 370 § 4º do CPP.

A parte primeira da assertiva encontra arrimo na Súmula 700 do STF que nos informa
ser de cinco dias o prazo para interposição de agravo contra decisão do juiz.
Ademais, descabe intimação do defensor nomeado por publicação no órgão incumbido
da publicidade posto que sua intimação deverá ser pessoal, conforme art. 370 §4º do
CPP. Ao revés, tratando-se de defensor constituído, do advogado do querelante e do
assistente a intimação far-se-á por publicação no órgão incumbido da publicidade dos
atos judiciais da comarca, incluindo, sob pena de nulidade, o nome do acusado;

(B) Incorreta.
Súmula 192 do STJ.

Compete ao juízo das execuções penais do Estado a execução das penas impostas a
sentenciados pela Justiça Federal, Militar ou Eleitoral, quando recolhidos a
estabelecimentos sujeitos à administração estadual.

Vale ressaltar que mesmo que a condenação ainda não tenha transitado em julgado, se
o réu estiver preso em unidade prisional estadual, a competência para decidir sobre os
incidentes da execução penal, será da Justiça Estadual (STJ. CC 125.816/RN, j. em
09/10/2013);

(C) Incorreta.
Art. 60 da LEP.
86
A autoridade administrativa poderá decretar o isolamento preventivo do faltoso pelo
prazo de até dez dias (e não 60 como disposto na assertiva). A inclusão do preso no
regime disciplinar diferenciado, no interesse da disciplina e da averiguação do fato,
dependerá de despacho do juiz competente. O tempo de isolamento ou inclusão
preventiva no regime disciplinar diferenciado será computado no período de
cumprimento da sanção disciplinar;

(D) Incorreta.
Art. 50 da LEP c/c art. 118 do mesmo diploma.

Assevera o art. 118 da LEP que a execução da pena privativa de liberdade ficará sujeita
à forma regressiva, com a transferência para qualquer dos regimes mais rigorosos,
quando o condenado:

I - praticar fato definido como crime doloso ou falta grave;

Dentre outros casos, o art. 50 da LEP dispõe que comete falta grave o condenado à pena
privativa de liberdade que:
I - incitar ou participar de movimento para subverter a ordem ou a disciplina;
III - possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a integridade física de
outrem;
O erro da assertiva é informar que no caso de condenado possuir instrumento capaz de
ofender integridade física não seria preciso sua oitiva quando da regressão, pois vai de
encontro com o que dispõe § 2º do art. 50. Do dispositivo em comento extrai-se que
nestas duas hipóteses (incisos I e III do art. 50) deverá ser ouvido previamente o
condenado para que haja regressão;

(E) Incorreta.
Súmula 604-STJ e art. 197 da LEP.

Nas palavras de Renato Brasileiro, o efeito suspensivo “consiste na impossibilidade de a


decisão impugnada produzir seus efeitos regulares enquanto não houver a apreciação
do recurso interposto.” (LIMA, Renato Brasileiro de Manual de Processo Penal. 3ª ed.
Salvador: JusPodivm, 2015, p. 1664).
É certo que agravo em execução não possui efeito suspensivo por força de lei (art. 197
da LEP), salvo no caso de decisão que determina a desinternação ou liberação de quem
cumpre medida de segurança. No entanto, ao contrário do que dispunha a assertiva,
não pode o MP se utilizar do mandado de segurança para atribuir efeito suspensivo a
recurso criminal, conforme entendimento sumulado pelo Superior Tribunal de Justiça 87
(Súmula 604).

O entendimento sumulado tenta impedir uma situação usual na qual o MP impetra o


mandamus com a finalidade de atribuir efeito suspensivo ope iudicis (efeito suspensivo
impróprio) a um recurso que não o possui por força de lei (ope legis). Os fundamentos
utilizados pelo STJ está na ausência de amparo legal e fiel observância ao princípio
constitucional do devido processo legal, não podendo o Parquet buscar restringir o
direito do acusado além dos limites conferidos pela legislação de regência (STJ. 6ª
Turma. AgRg no HC 384.863/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em
05/10/2017).

52. No procedimento comum,

(A) o Juiz, se não rejeitar liminarmente a denúncia ou a queixa, recebê-la-á e ordenará


a citação do acusado para responder à acusação, por escrito, no prazo de dez dias, se
ordinário, ou de cinco, se sumário;

(B) produzidas as provas, ao final da audiência, o Ministério Público, o querelante e o


assistente e, a seguir, o acusado poderão requerer diligências cuja necessidade se
origine de circunstâncias ou fatos apurados na instrução e, realizada a diligência
determinada, as partes apresentarão, no prazo sucessivo de cinco dias, suas alegações
finais, por memorial, e, no prazo de dez dias, o Juiz proferirá a sentença;

(C) apresentada ou não a resposta no prazo legal, o Juiz, de imediato, ratificando o


recebimento da denúncia ou da queixa, designará dia e hora para a audiência,
ordenando a intimação do acusado, de seu defensor, do Ministério Público e, se for o
caso, do querelante e do assistente;

(D) a audiência de instrução e julgamento deve ser realizada no prazo máximo de


noventa dias, se ordinário, ou sessenta dias, se sumário, procedendo-se à tomada de
declarações do ofendido, à inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela
defesa, nesta ordem, ressalvado as ouvidas por carta precatória, bem como aos
esclarecimentos dos peritos, às acareações e ao reconhecimento de pessoas e coisas,
interrogando-se, em seguida, o acusado;

(E) a acusação e a defesa poderão arrolar até oito testemunhas, se ordinário o


procedimento, não se compreendendo nesse número as que não prestem compromisso
e as referidas, defeso ao Juiz, por expressa previsão legal, ouvir aquela que a parte
houver manifestado desistência de inquirição.
88

RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS

O assunto foi abordado na questão 55 do 266º Simulado Mege (TJ-AL II).

(A) Incorreta. Art. 396 do CPP.


Nos procedimentos ordinário e sumário, oferecida a denúncia ou queixa, o juiz, se não
a rejeitar liminarmente, recebê-la-á e ordenará a citação do acusado para responder à
acusação, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias;

(B) Correta. Art. 402 caput e § 3o do CPP.


Produzidas as provas, ao final da audiência, o Ministério Público, o querelante e o
assistente e, a seguir, o acusado poderão requerer diligências cuja necessidade se
origine de circunstâncias ou fatos apurados na instrução.

O juiz poderá, considerada a complexidade do caso ou o número de acusados, conceder


às partes o prazo de 5 (cinco) dias sucessivamente para a apresentação de memoriais.
Nesse caso, terá o prazo de 10 (dez) dias para proferir a sentença;

(C) Incorreta. Art. 396, caput c/c 396-A § 2o e Art. 399 ambos do CPP.
Nos procedimentos ordinário e sumário, oferecida a denúncia ou queixa, o juiz, se não
a rejeitar liminarmente, recebê-la-á e ordenará a citação do acusado para responder à
acusação, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias.

Recebida a denúncia ou queixa, o juiz designará dia e hora para a audiência, ordenando
a intimação do acusado, de seu defensor, do Ministério Público e, se for o caso, do
querelante e do assistente;

(D) Incorreta. Art. 400 e art. Art. 531 ambos do CPP.


PROCEDIMENTO ORDINÁRIO: Na audiência de instrução e julgamento, a ser realizada
no prazo máximo de 60 (sessenta) dias, proceder-se-á à tomada de declarações do
ofendido, à inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa, nesta
ordem, ressalvado o disposto no art. 222 do CPP, bem como aos esclarecimentos dos
peritos, às acareações e ao reconhecimento de pessoas e coisas, interrogando-se, em
seguida, o acusado.

PROCEDIMENTO SUMÁRIO: Na audiência de instrução e julgamento, a ser realizada no


89
prazo máximo de 30 (trinta) dias, proceder-se-á à tomada de declarações do ofendido,
se possível, à inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa, nesta
ordem, ressalvado o disposto no art. 222 do CPP, bem como aos esclarecimentos dos
peritos, às acareações e ao reconhecimento de pessoas e coisas, interrogando-se, em
seguida, o acusado e procedendo-se, finalmente, ao debate.

(E) Incorreta. Art. 401 do CPP e parágrafos c/c art. 209.

Art. 401. Na instrução poderão ser inquiridas até 8 (oito) testemunhas arroladas pela
acusação e 8 (oito) pela defesa.

§ 1º Nesse número não se compreendem as que não prestem compromisso e as


referidas (Testemunhas referidas são aquelas citadas pela testemunha em juízo).
§ 2º A parte poderá desistir da inquirição de qualquer das testemunhas arroladas,
ressalvado o disposto no art. 209 deste Código.

A assertiva encontra-se incorreta, pois não existe expressa previsão legal que impeça o
juiz de ouvir testemunha da parte que houver manifestado desistência de inquirição. Ao
contrário, o parágrafo 2º do art. 401 traz uma ressalva prevista no art. 209, que permite
o juiz, quando julgar necessário, ouvir outras testemunhas, além das indicadas pelas
partes e se lhe parecer conveniente, poderá ouvir as pessoas a que as testemunhas se
referirem.

As disposições do art. 209 do CPP é prerrogativa conferida ao juízo e há doutrina


minoritária sustentando sua inconstitucionalidade em virtude do sistema acusatório.
Assim, ainda que a parte desista pode o juiz entender necessário a oitiva daquela
testemunha, chamadas testemunhas do juízo. Além do mais é possível que ouça
testemunhas não arroladas, as chamadas extranumerárias;

53. Ao final da primeira fase do procedimento do júri,

(A) o Juiz, ao pronunciar o réu, não pode reconhecer em seu favor a existência de causa
especial de diminuição da pena;

(B) o Juiz deve sempre absolver o acusado desde logo no caso de inimputabilidade
decorrente de doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado;

(C) não se convencendo da materialidade do fato ou da existência de indícios suficientes


de autoria ou de participação, o Juiz, fundamentadamente, impronunciará o acusado,
90
mas sempre será possível a formulação de nova denúncia ou queixa se houver prova
nova;

(D) quando o Juiz se convencer da existência de crime diverso, em discordância com a


acusação, deve sentenciar o feito, independentemente da natureza da infração
reconhecida;

(E) o Juiz deve impronunciar o réu se ficar comprovado não ser ele autor ou partícipe do
fato.

RESPOSTA: A

COMENTÁRIOS

O assunto foi abordado na questão 55 do 247º Simulado Mege (TJ-AL).

(A) Correta.
Art. 7º da Lei de Introdução ao CPP c/c art. 413 §1º do CPP.
Art. 7º o juiz da pronúncia, ao classificar o crime, consumado ou tentado, não poderá
reconhecer a existência de causa especial de diminuição de pena.

Conforme se extrai do art. 413 §1º do CPP, o conteúdo da decisão de pronúncia deve
limitar-se a indicação da materialidade do fato e da existência de indícios suficientes de
autoria ou de participação, do dispositivo legal em que julgar incurso o acusado, das
circunstâncias qualificadoras e das causas de aumento de pena. Ou seja, eventuais
causas de diminuição de pena devem ser objeto de quesitação, caso tenha sido
requerido pelas partes nos debates, e decididas pelo juiz-presidente (art. 492, inciso I,
''c'' do CPP);

(B) Incorreta.
Art. 415, IV, 1ª parte, e parágrafo único.

Não é sempre que o juiz deve absolver o réu sumariamente com fundamento na
inimputabilidade por doença mental, mas tão somente nos casos em que é a única tese
defensiva. Isto se justifica porque o magistrado, neste caso, profere uma decisão
absolutória imprópria, absolvendo o réu e ao mesmo tempo o sujeitando a uma medida
de segurança.
Portanto, se há outra tese defensiva, deve o inimputável ser submetido a júri popular
91
tendo em vista que existe possibilidade de que venha a ser absolvido pelo Conselho de
Sentença sem imposição de medida de segurança. Ressalta-se que, como é isento de
pena, não reconhecendo os jurados a tese absolutória diversa, o juiz profere sentença
de absolvição sumária com imposição de medida de segurança, conforme art. 26 do CP;

(C) Incorreta.
Art. 414, parágrafo único do CPP.

Conforme exposto nos comentários sobre a assertiva A, a decisão impronúncia é


mutável o que se admite, diante do surgimento de novas provas, deflagração de nova
ação penal. Ocorre que, sabendo que essa decisão não faz coisa julgada material, não se
pode submeter o réu infinitamente ao poder de punir do Estado, assim somente é
possível formular nova denúncia ou queixa enquanto não ocorrer a extinção da
punibilidade e desde que exista prova nova;

(D) Incorreta. Art. 419 do CPP.

Art. 419. Quando o juiz se convencer, em discordância com a acusação, da existência


de crime diverso dos referidos no § 1º do art. 74 deste Código e não for competente
para o julgamento, remeterá os autos ao juiz que o seja.
Trata-se de decisão desclassificatória na qual o juiz reconhece que o fato não constitui
crime doloso contra a vida. Deste modo, sendo o Conselho de Sentença incompetente
para apreciar crime de natureza diversa, deve o magistrado submeter o processo ao
juízo competente (e não sentenciar conforme a assertiva).

Vale ressaltar que estamos discutindo uma decisão proferida na primeira fase (judicium
accusationis) dos procedimentos afetos ao Tribunal do Júri. Assim, em outras palavras,
o juiz recebendo o processo criminal e, percebendo que não há crime doloso contra a
vida, deve remeter os autos ao juízo competente. Não se deve confundir com o art. 492
§1º, decisão proferida na segunda fase (judicium causae) do procedimento.

(E) Incorreta. Art. 415, inciso II do Código de Processo Penal.

O caso é de absolvição sumária e não de impronúncia, pois restou comprovado que o


réu não é autor ou partícipe do fato. Vejamos.

Art. 415 O juiz, fundamentadamente, absolverá desde logo o acusado, quando:

[...]
II - provado não ser ele autor ou partícipe do fato.
92
O artigo em comento nos informa que, diante de um juízo de certeza, é possível que o
réu seja absolvido sumariamente nos procedimentos afetos ao tribunal do júri, sem
necessidade de que o juiz prossiga com a decisão de pronúncia.

Assim, provado não ser o réu autor ou partícipe, o caso é de absolvição sumária e não
de impronúncia.

Ao revés, seria caso de decisão de impronúncia quando da ausência de indícios


suficientes de autoria ou prova da materialidade delitiva, pois não se forma um juízo de
certeza apto a justificar a absolvição sumária. Ressalta-se que a impronúncia (decisão
interlocutória mista terminativa) nada mais é do que o reconhecimento da ausência de
êxito na primeira fase do júri (vide art. 414, CPP).

Ademais é uma decisão mutável que obedece a cláusula ''rebus sic stantibus'', caso
surjam novas provas é possível deflagração de novo processo (ressalvada causas
extintivas da punibilidade, sobretudo a prescrição, art. 107 do CP), o que não se observa
na decisão de absolvição sumária na qual o juiz aprecia o mérito, exprime um juízo de
certeza em momento antecipado e forma a coisa julgada material no processo penal,
impossibilitando discussão em uma eventual ação penal futura.
54. Cabível habeas corpus quando

(A) o processo for manifestamente nulo, mas não para o reconhecimento de extinção
da punibilidade do paciente;

(B) não houver justa causa para o inquérito policial, mas não quando já extinta a pena
privativa de liberdade;

(C) relativo a processo em curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a única
cominada, mas não quando já proferida decisão condenatória exclusivamente a pena de
multa;

(D) imposta pena de exclusão de militar ou de perda de patente ou de função pública;

(E) não for admitida a prestação de fiança e quando seu objeto consistir em resolução
sobre o ônus das custas.

93
RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS

O assunto foi abordado no material de súmulas do STF separadas por assunto enviado
para turma de reta final TJ-AL.

(A) Incorreta.
Art. 648, VI e VII.
De fato, conforme previsão Art. 648, VI do CPP cabe HC quando o processo for
manifestamente nulo, porém a segunda parte encontra-se em dissonância com o art.
648, VII do CPP, pois também é caso de HC quando verificada a extinção de punibilidade;

(B) Correta.
Art. 648, I e Súmula 695 do STF.
O art. 648, I do CPP dispõe que cabe HC quando não houver justa causa para o exercício
da ação penal. E, de fato, conforme Súmula 695 do STF não cabe HC quando já extinta a
pena privativa de liberdade;
(C) Incorreta.
Súmula 693 do STF.
Não cabe HC contra decisão condenatória a pena de multa, ou relativo a processo em
curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada;

(D) Incorreta.
Súmula 694 do STF.
Não cabe HC contra a imposição da pena de exclusão de militar ou de perda de patente
ou de função pública;

(E) Incorreta.
648, V e Súmula 395 do STF.
A parte primeira encontra-se em consonância com art. 648, V do CPP que admite HC
quando não for admitida a fiança. No entanto, a segunda parte vai de encontro com o
previsto na Súmula 395 do STF que dispõe não ser cabível habeas corpus cujo objeto
seja resolver sobre o ônus das custas, por não estar mais em causa a liberdade de
locomoção.

55. Em matéria de competência,


94
(A) cabe à Justiça Estadual do local da apreensão da droga remetida do exterior pela via
postal processar e julgar o respectivo crime de tráfico;

(B) cabe à Justiça Comum Estadual processar e julgar crime em que indígena figure como
vítima, mas não quando a ele for atribuída a autoria da infração;

(C) a conexão determina a reunião dos processos, ainda que um deles já tenha sido
julgado;

(D) cabe ao Tribunal de Justiça do Estado processar e julgar o mandado de segurança


contra ato do juizado especial.

(E) fica firmada em razão da entidade ou órgão ao qual apresentado o documento


público falso, independentemente da qualificação do órgão expedidor.

RESPOSTA: E
COMENTÁRIOS

O assunto foi abordado no material de súmulas do STJ separadas por assunto enviado
para turma de reta final TJ-AL.

(A) Incorreta.
Súmula 528-STJ.

Compete ao juiz federal do local da apreensão da droga remetida do exterior pela via
postal processar e julgar o crime de tráfico internacional;

(B) Incorreta.
Súmula 140 do STJ.
Compete à Justiça Comum Estadual Processar e Julgar Crime em que o indígena figure
como autor ou vítima;

(C) Incorreta.
Art. 82 do CPP.
Se, não obstante a conexão ou continência, forem instaurados processos diferentes, a
autoridade de jurisdição prevalente deverá avocar os processos que corram perante os
outros juízes, salvo se já estiverem com sentença definitiva. Neste caso, a unidade dos
95
processos só se dará, ulteriormente, para o efeito de soma ou de unificação das penas;

(D) Incorreta.
Súmula 376 do STJ.
Compete a turma recursal processar e julgar o mandado de segurança contra ato de
juizado especial;

(E) Correta.
Súmula 546 do STJ.
A competência para processar e julgar o crime de uso de documento falso é firmada em
razão da entidade ou órgão ao qual foi apresentado o documento público, não
importando a qualificação do órgão expedidor.

56. No julgamento da apelação, o Tribunal

(A) pode proceder a nova definição jurídica ao fato delituoso, em virtude de


circunstância elementar não contida explícita ou implicitamente na denúncia ou queixa;
(B) não fica adstrito aos fundamentos da sua interposição, ainda que se trate de recurso
contra decisões do Júri;

(C) pode impor medida de segurança, ainda que só o réu tenha recorrido, desde que o
tempo de sua duração não ultrapasse o limite máximo da pena abstratamente cominada
ao delito praticado;

(D) deve determinar a prévia intimação do réu para constituir outro defensor, se aquele
que o representava com exclusividade manifestar renúncia nos autos, ainda que já
apresentadas as razões recursais;

(E) não pode acolher, contra o réu, nulidade não arguida no recurso da acusação,
dispensada, porém, prévia intimação do defensor ou publicação da pauta.

RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS

O assunto da assertiva “B” foi abordado na questão 55 do 247º Simulado Mege (TJ-AL).
96
Além disso, a resposta foi destacada no material de súmulas do STF separadas por
assunto enviado para turma de reta final TJ-AL.

(A) Incorreta. Art. 617 caput do CPP e Súmula 453 do STF.

Conforme art. 617 do CPP o tribunal, câmara ou turma atenderá nas suas decisões ao
disposto no art. 383, no que for aplicável, não podendo, porém, ser agravada a pena,
quando somente o réu houver apelado da sentença.

O art. 383 do CPP possibilita a aplicação da emendatio libelli: o juiz, sem modificar a
descrição do fato contida na denúncia ou queixa, poderá atribuir-lhe definição jurídica
diversa, ainda que, em consequência, tenha de aplicar pena mais grave. E é possível sua
aplicação também em sede de recurso de apelação, afinal o réu se defende dos fatos,
não se perfaz qualquer violação ao princípio da adstrição (a exordial acusatória precisa
ter correlação com a sentença).

No entanto, em sede de apelação não é possível a mutatio libelli, prevista no art. 384 do
CPP, é o que depreende-se da Súmula 453 da Corte Suprema, vejamos: não se aplicam
à segunda instância o art. 384 e parágrafo único do Código de Processo Penal, que
possibilitam dar nova definição jurídica ao fato delituoso, em virtude de circunstância
elementar não contida, explícita ou implicitamente, na denúncia ou queixa.

Ora, caso se admitisse Mutatio libelli em 2º grau o Tribunal, em grau de recurso,


apreciaria fato não mensurado pelo juiz, ocorrendo então a chamada supressão de
instância. Não é outro o entendimento da melhor doutrina. Vejamos.

"(...) o duplo grau visa a assegurar que as questões fáticas e jurídicas possam ser
reexaminadas, isto é, examinadas no primeiro grau. Portanto, não se pode admitir que
o Tribunal faça o exame direto de determinada matéria pela primeira vez, sob pena de
supressão do primeiro grau de jurisdição, o que também seria causa de violação ao
duplo grau de jurisdição. É exatamente este o motivo pelo qual não se admite a mutatio
libelli na 2ª instância. Afinal, se fosse possível sua aplicação em segunda instância,
haveria supressão do primeiro grau de jurisdição, já que o acusado se veria
impossibilitado de se defender quanto à imputação diversa perante o juiz de 1ª
instância. Logo, se o art. 384 do CPP não foi aplicado no primeiro grau de jurisdição, não
poderá haver o aditamento da peça acusatória em sede recursal, nem tampouco poderá
o tribunal considerar fatos diversos daqueles constantes da imputação. Há, pois, uma
limitação cronológica à mutatio libelli: não se admite a possibilidade de mudança da
imputação em seu aspecto fático após o juiz proferir a sentença." (LIMA, Renato
Brasileiro de. Código de Processo Penal comentado. Salvador: Juspodivm, 2016, p.
1675);
97
(B) Incorreta. Súmula 713 do STF.

A apelação é o recurso cabível da decisão ou sentença contra a qual não cabe recurso
em sentido estrito (RESE), objetivando a reforma ou anulação do julgado. Isto porque,
enquanto as hipóteses de cabimento da apelação estão previstas em um rol flexível, as
hipóteses de RESE estão em um rol taxativo.

Conforme a melhor doutrina, a apelação pode ser parcial, contra parte do julgado ou
plena, contra todo o julgado. Essa delimitação feita na interposição do recurso é que
controla o chamado efeito devolutivo. Assim, caso a parte nada delimite no momento a
apelação será plena, entende-se que o efeito devolutivo é amplo: tantum devolutum
quantum apellatum, existindo porém uma ressalva, qual seja, a Súmula 713 do STF que
nos informa que o efeito devolutivo da apelação contra decisões do júri é adstrito aos
fundamentos de sua interposição.

Destaca-se que as nulidades absolutas, ainda que na situação acima descrita, poderão
ser reconhecidas a todo momento, ainda que não arguidas pela parte, tratando-se pois
de matéria de ordem pública, com exceção da decisão do Tribunal que acolhe, contra o
réu, nulidade não arguida no recurso da acusação, ressalvados os casos de recurso de
ofício (ressalva da ressalva) é o que dispõe a Súmula 160 STF;

(C) Incorreta. Súmula 525 do STF.

Não pode impor medida de segurança quando somente o réu tenha recorrido,
decorrência lógica da vedação a reformatio in pejus prevista no art. 617 do CPP. É o que
dispõe a Súmula 525 do STF nos informando que a medida de segurança não pode ser
imposta em segunda instância quando apenas o réu tenha recorrido. Isto porque, a
decisão é absolutória, porém, concomitantemente impõe ao acusado medida de
segurança;

(D) Incorreta. Súmula 708 do STF.

É nulo o julgamento da apelação se, após a manifestação nos autos da renúncia do único
defensor, o réu não foi previamente intimado para constituir outro;

(E) Incorreta. Súmulas 160 e 431 do STF.

Súmula 160 do STF: É nula a decisão do Tribunal que acolhe, contra o réu, nulidade não
arguida no recurso da acusação, ressalvados os casos de recurso de ofício.
98
Trata-se de aplicação do princípio da non reformatio in pejus, que impede o
agravamento da situação do réu sem uma manifestação formal e tempestiva da
acusação nesse sentido.

Lembre-se da clássica divisão: a non reformatio in pejus direta é aplicável ao caso da


súmula acima descrita, nada impede, porém, que a situação do réu seja piorada se
houver recurso da acusação com tal finalidade. Ao revés, a non reformatio in pejus
indireta se perfaz quando é provido recurso exclusivo da defesa que culmina na
anulação da decisão anterior, o Tribunal então remete os autos ao juiz competente que
não pode piorar a situação do réu (efeito prodrômico da sentença penal).

Ressalta-se que não se aplica o instituto aos jurados no Conselho de Sentença (princípio
da soberania dos vereditos), porém deve o juiz-presidente observância ao princípio em
comento, conforme melhor doutrina.

Ademais, a segunda parte da assertiva encontra-se incorreta, conforme Súmula 431 do


STF é nulo o julgamento de recurso criminal, na segunda instância, sem prévia
intimação, ou publicação da pauta, salvo em habeas corpus.
57. Em tema de nulidades, correto afirmar que

(A) a deficiência da defesa, no processo penal, constitui nulidade absoluta,


independentemente de prova de prejuízo para o réu;

(B) não é nula a citação por edital que indica o dispositivo da lei penal, embora não
transcreva a denúncia ou queixa, ou não resuma os fatos em que se baseia;

(C) não é nula a decisão que determina o desaforamento de processo da competência


do júri sem audiência da defesa;

(D) é absoluta a nulidade do processo criminal por falta de intimação da expedição de


precatória para inquirição de testemunha;

(E) não é nulo o julgamento ulterior pelo júri com a participação de jurado que funcionou
em julgamento anterior do mesmo processo.

RESPOSTA: B
99
COMENTÁRIOS

O assunto da assertiva “D” foi abordado na questão 53 do 266º Simulado Mege (TJ-AL
II).
O assunto foi abordado no material de súmulas do STF separadas por assunto enviado
para turma de reta final TJ-AL.

(A) Incorreta. Súmula 523 do STF.

No processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua deficiência
só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu. A súmula nos traz a distinção
clássica entre nulidade absoluta e relativa. A falta de defesa seria caso de nulidade
absoluta, enquanto a deficiência causa de nulidade relativa. Contudo, observa a melhor
doutrina que essa distinção não faz mais sentido, tendo em vista que o Supremo
Tribunal Federal tem constantemente decidido sobre a necessidade de demonstração
do prejuízo inclusive em caso de nulidade absoluta, em observância do princípio do pas
de nullité sans grief (HC 144.018 AgR, rel. min. Alexandre de Moraes, 1ª T, j. 7-11-2017,
DJE 261 de 17-11-2017);
(B) Correta. Art. 365, III e Súmula 366-STF.
Uma das finalidades da citação é cientificar o acusado do teor da imputação que lhe é
feita. Em tese, o edital deveria informar o conteúdo da denúncia ou queixa, ainda que
de maneira sucinta. No entanto, o STF entende (Súmula 366-STF) que não é nula a
citação por edital que indica o dispositivo da lei penal, embora não transcreva a
denúncia ou queixa, ou não resuma os fatos em que se baseia;

(C) Incorreta. Súmula 712 do STF.


Desaforamento nada mais é do que a transferência da sessão plenária do tribunal do
júri para comarca diversa, há uma impossibilidade de realizar o julgamento na comarca
de origem em virtude de interesse da ordem pública, dúvida sobre a imparcialidade do
júri, segurança pessoal do acusado e impossibilidade de realização do julgamento em 6
meses da preclusão de pronúncia. (vale a leitura na íntegra do art. 427 do CPP).
É nula a decisão que determina o desaforamento de processo da competência do júri
sem audiência da defesa, em observância ao princípio do contraditório e ampla defesa;

(D) Incorreta. Súmula 155 do STF.


É relativa a nulidade do processo criminal por falta de intimação da expedição de
precatória para inquirição de testemunha.
Para que o ato seja anulado, é necessário que a defesa alegue o vício no tempo oportuno
e demonstre a ocorrência de prejuízo sofrido.
100
É também entendimento do STJ que entendeu que a simples prolação de sentença
condenatória não revela, por si só, o prejuízo sofrido em virtude da suposta nulidade,
pois o édito condenatório pode se embasar em arcabouço probatório mais amplo, sendo
imprescindível a real demonstração de que a oitiva da testemunha em tela, com a prévia
intimação do advogado do réu, poderia determinar desfecho diverso (HC 265.989/PE,
julgado em 13/08/2013);

(E) Incorreta. Art. 449, inciso I do CPP e Súmula 206 do STF.

Não poderá servir o jurado que tiver funcionado em julgamento anterior do mesmo
processo, independentemente da causa determinante do julgamento posterior.
Trata-se de uma das causas de impedimento, de observância imperativa, com redação
dada pela Lei nº 11.689, de 2008 que acolheu o entendimento da Súmula 206 do STF
que dispõe ser nulo o julgamento ulterior pelo júri com participação de jurado que
funcionou em julgamento anterior do mesmo processo.
Vale a leitura integral do artigo em comento.

58. Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir advogado, o
(A) Juiz deve decretar a prisão preventiva.

(B) curso do prazo prescricional ficará suspenso indeterminadamente.

(C) processo ficará suspenso pelo prazo correspondente à pena mínima cominada para
a infração.

(D) Juiz deverá decretar a revelia e, após a nomeação de advogado dativo, determinar o
prosseguimento do feito.

(E) Juiz pode determinar a produção das provas concretamente consideradas urgentes.

RESPOSTA: E

COMENTÁRIOS

O assunto foi abordado no material de súmulas do STJ separadas por assunto enviado
101
para turma de reta final TJ-AL.

(A) Incorreta. Art. 366 do CPP.


O juiz não deve decretar a prisão preventiva, PODERÁ conforme assevera o art. 366 do
CPP, se for o caso e estiver presente por óbvio os requisitos autorizadores previstos nos
artigos 311 e 312 do CPP;

(B) e (C) Incorretas. Súmula 415 do STJ.

A um, o processo não fica suspenso indefinidamente e a dois, caso haja suspensão não
leva em consideração a pena mínima, senão a pena máxima cominada. Vejamos.

Súmula 415-STJ: O período de suspensão do prazo prescricional é regulado pelo máximo


da pena cominada.

STF porém discorda, para a Corte Maior o processo deverá ficar suspenso
indefinidamente. Na prática forense e em provas de concurso, contudo, tem prevalecido
a Súmula 415 do STJ;

(D) Incorreta. Art. 366 do CPP.


Não há revelia e nem há prosseguimento, o art. 366 nos informa que se o acusado,
citado por edital, não comparecer, nem constituir advogado, ficarão suspensos o
processo e o curso do prazo prescricional, podendo o juiz determinar a produção
antecipada das provas consideradas urgentes e, se for o caso, decretar prisão
preventiva, nos termos do disposto no art. 312.
Outrossim, não é demais recordar que não se aplica o art. 366 ao procedimento dos
crimes de Lavagem de Capitais (Lei 9.613/98). Conforme art. 2º, § 2o deve o acusado
que não comparecer nem constituir advogado ser citado por edital, prosseguindo o feito
até o julgamento, com a nomeação de defensor dativo;

(E) Correta. Súmula 455 do STJ e art. 366 do CPP.


A decisão que determina a produção antecipada de provas com base no artigo 366 do
CPP deve ser concretamente fundamentada, não a justificando unicamente o mero
decurso do tempo.

Conforme art. 366 do CPP se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem
constituir advogado, ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional,
podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes.

102
DIREITO CONSTITUCIONAL

59. Prefeito Municipal Aristóbulo ajuizou Ação Direta de Inconstitucionalidade contra lei
de iniciativa do Poder Legislativo Municipal que acrescentou artigo ao Código Tributário
Municipal, concedendo isenção do pagamento da Contribuição para o Custeio do
Serviço de Iluminação Pública (COSIP) às unidades consumidoras dos órgãos da
Administração direta e indireta do Município, situado no Estado de Alagoas. À luz da
disciplina constitucional pertinente e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal,
trata-se de ato

(A) inconstitucional, pois ocorre vício formal de iniciativa, uma vez que cria despesa sem
a correspondente previsão de custeio para a Administração Municipal.

(B) inconstitucional, pois significa alteração de tributo sem lei que o estabeleça.

(C) constitucional, diante do reconhecimento da natureza tributária da COSIP, bem


como da competência concorrente para iniciar processo legislativo em matéria
tributária.
103
(D) inconstitucional, porquanto caracteriza usurpação da competência tributária da
União.

(E) inconstitucional, porquanto a isenção da taxa viola a Constituição Estadual de


Alagoas, bem como a Constituição Federal.

RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi esmiuçado no Ponto 05 de Direito Constitucional da Turma


Extensiva de Magistratura Estadual.

(A) Incorreta. Não invalida a norma, por vício de iniciativa, a possibilidade de


repercussão na execução do orçamento municipal.

Isso porque as limitações à iniciativa legislativa admitem interpretação unicamente


restritiva e a natureza da norma em análise, como dito acima, é tributária, não
orçamentária, não cabendo cogitar, aqui, de repercussão no orçamento dela
decorrente.

A inexistência de reserva de iniciativa em matéria tributária foi reconhecida E. Supremo


Tribunal Federal, ao decidir a Repercussão Geral no Recurso Extraordinário com Agravo
n. 743780/MG. Além disso, a C. Corte já decidiu sobre sua admissibilidade mesmo nos
casos em que ocorram reflexos orçamentários:

“Tributário. Processo legislativo. Iniciativa de lei. 2. Reserva de iniciativa em matéria


tributária. Inexistência. 3. Lei municipal que revoga tributo. Iniciativa parlamentar.
Constitucionalidade. 4. Iniciativa geral. Inexiste, no atual texto constitucional, previsão
de iniciativa exclusiva do Chefe do Executivo em matéria tributária. 5. Repercussão geral
reconhecida. 6. Recurso provido. Reafirmação de jurisprudência” (Rel. Min. Gilmar
Mendes j. em 10/10/13 m.v.).

(B) Incorreta. Tanto a criação e majoração de tributo dependem de lei, e na mesma via,
a isenção também. Ocorre que na hipótese se veicula que houve Lei municipal, logo a
assertiva é incorreta.

Art. 20. São bens da União:


XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios.
104
(C) Correta. A elaboração de lei tributária é de competência legislativa concorrente, nos
termos da Constituição Estadual e art. 61 da Constituição Federal:

CONSTITUIÇÃO FEDERAL

Art. 61 . A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou


Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao
Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao
Procurador Geral da República e aos cidadãos, na forma e nos casos previstos
nesta Constituição.

Dessa forma, poderia mesmo integrante da Casa Legislativa municipal apresentar


projeto de lei concessiva de isenção da contribuição municipal.

(D) Incorreta. Trata-se de competência concorrente.

Art. 20. São bens da União:


§ 2º A faixa de até cento e cinquenta quilômetros de largura, ao longo das fronteiras
terrestres, designada como faixa de fronteira, é considerada fundamental para defesa
do território nacional, e sua ocupação e utilização serão reguladas em lei.

(E) Incorreta. Vide comentários ao item C

60. Com relação à súmula vinculante, é correto afirmar que

(A) é dotada de caráter geral e abstrato, produzindo eficácia erga omnes e efeito
vinculante, o qual autoriza a condenação por litigância de má-fé de particular que tenha
ajuizado ação contrária ao teor de súmula editada.

(B) somente após o esgotamento das vias administrativas será admitido o uso da
reclamação constitucional contra omissão ou ato da Administração Pública contrários
ao teor de enunciado de súmula vinculante.

(C) opera-se a sua caducidade automática, se a lei em que se fundou a edição de


enunciado de súmula vinculante for revogada ou modificada.
105
(D) o efeito vinculante não atinge o Poder Legislativo, em razão do que não cabe
questionar perante o Judiciário a validade de lei que seja contrária ao teor de súmula
vinculante.

(E) a súmula vinculante se caracteriza por ser súmula impeditiva de recursos.

RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na Rodada 05 da Turma de Reta Final TJ-AL.

(A) Incorreta. O Fato de ajuizar ação cuja pretensão seja contrária ao teor de uma súmula
vinculante não implica por sí só em litigância de má-fé, eis que não se enquadra no
dispositivo do CPC que estabelece essas hipóteses. Ademais, é possível inclusive discutir
se o enunciado se aplica ao caso ou se há distinção, se há possibilidade de superação da
Súmula, etc.
Há muita discussão quanto à limitação do livre convencimento motivado dos juízes,
mas prevalece que a limitação é justificável:

- de índole constitucional.
- limitação é relativa, admitindo o distinguishing e eventual overruling futuro.
- privilegia a celeridade processual, segurança e igualdade (igualdade não só perante
a lei, mas também perante o direito, incluindo os precedentes → a aplicação da
igualdade demanda julgamentos equânimes a casos semelhantes).

(B) Correta. A assertiva corresponde ao que enuncia o art. 7 § 1ª, da Lei nª 11.417

Art. 7º Da decisão judicial ou do ato administrativo que contrariar enunciado de súmula


vinculante, negar-lhe vigência ou aplicá-lo indevidamente caberá reclamação ao
Supremo Tribunal Federal, sem prejuízo dos recursos ou outros meios admissíveis de
impugnação.
§ 1º Contra omissão ou ato da administração pública, o uso da reclamação só será
admitido após esgotamento das vias administrativas.

(C) Incorreta. Existe um procedimento específico para revisão ou alteração de Súmula


Vinculante, estabelecido na Lei n 11.417. 106
(D) Incorreta. Neste caso, embora de fato não haja vinculação, é possível considerar que
a Lei inclusive nasce com presunção relativa de inconstitucionalidade, e pode ser
buscada a declaração de sua inconstitucionalidade.

(E) Incorreta. A Súmula vinculante não possui esse papel.

61. Quanto ao remédio constitucional mandado de segurança,

(A) permite-se a fungibilidade com a ação civil pública ou como sucedâneo da ação
popular, na proteção de direitos coletivos.

(B) não admite o litisconsórcio ativo, sendo o litisconsórcio passivo causa de extinção da
ação mandamental.

(C) o pedido de reconsideração na esfera administrativa interrompe o prazo decadencial


para sua impetração.
(D) os representantes ou órgãos de partidos políticos e os dirigentes de estabelecimento
de ensino superior são considerados autoridade coatora para o fim de legitimidade
passiva do mandado de segurança.

(E) denegada a segurança, é descabido o uso de ação própria pelo requerente.

RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na Rodada 05 da Turma de Reta Final TJ-AL, assim
como é trabalhado no ponto 05 de Direito Constitucional da Turma Extensiva de
Magistratura Estadual.
A assertiva “A” foi antecipada na questão 62 do 247º Simulado Mege (TJ-AL).

(A) Incorreta. Súmula 101 do STF: O mandado de segurança não substitui a ação popular.

(B) Incorreta. O mandado de segurança tanto pode ser impetrado de forma coletiva,
pelos legitimados indicados na Lei, como pode ser impetrado em litisconsórcio ativo,
107
sendo bastante a presença dos requisitos genéricos que justifiquem essa forma de
interposição.

(C) Incorreta. Enunciado nº 430 da Súmula do STF, in verbis: "Pedido de reconsideração


na via administrativa não interrompe o prazo decadencial". Nesse sentido: AgInt no RMS
51.319/SP, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 25/10/2016,
DJe 10/11/2016; MS 21.566/DF, Rel. Ministro Og Fernandes, Primeira Seção, julgado em
12/8/2015, DJe 3/9/2015.

(D) Correta. Nos termos do artigo 1º, § 1º, da Lei n.º 12.016, de 07/08/2009,
“equiparam-se às autoridades, para os efeitos desta Lei, os representantes ou órgãos de
partidos políticos e os administradores de entidades autárquicas, bem como dirigentes
de pessoas jurídicas ou as pessoas naturais no exercício de atribuições do Poder Público,
somente no que disser respeito a essas atribuições”. E, ainda, o artigo 2º destaca que
“considerar-se-á federal a autoridade coatora se as consequências de ordem
patrimonial do ato contra o qual se requer o mandado houverem de ser suportadas pela
União ou entidade por ela controlada”.
Conquanto a atividade seja privada, em se tratando de função pública delegada, por
força de lei, são equiparados a autoridades públicas, cujos atos estão sujeitos a mandado
de segurança. Nesse sentido a jurisprudência pacífica das Cortes de sobreposição.

(E) Incorreta. A denegação do mandado de segurança não impede a utilização de outras


vias, notadamente quando não for conhecido o mérito por ser a via estreita do mandado
de segurança inadequada pela limitação da cognição, ou mesmo pelo decurso do prazo
decadencial.

62. A arguição de descumprimento de preceito fundamental, como típico instrumento


do modelo concentrado de controle de constitucionalidade,

(A) somente pode provocar a impugnação ou questionamento de lei ou ato normativo


federal, estadual ou municipal a partir de situações concretas.

(B) admite a extensão da legitimidade ativa a tantos quantos forem os cidadãos que
tiverem seus direitos individuais afetados por ato do Poder Público lesivo a preceito
fundamental.
108
(C) pode ter os efeitos da declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo
restringidos, por razões de segurança jurídica e excepcional interesse social, desde que
atingido o quórum de dois terços do Supremo Tribunal Federal.

(D) pode ser admitida, ainda que haja outro meio eficaz de sanar a lesividade.

(E) exige o quórum mínimo de oito Ministros do Supremo Tribunal Federal para deferir
pedido de liminar.

RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na rodada 05 da Turma de Reta Final TJ-AL.

(A) Incorreta. Embora possa ser utilizada em questões concretas, a ADPF é um


instrumento típico de controle abstrato de constitucionalidade.
(B) Incorreta. Como a finalidade principal é defender a supremacia da Constituição, a
legitimidade é restrita (o art. 103 da CF não fala da ADPF, mas o art. 2º da lei da ADPF
estabelece que os legitimados são os mesmos da ADI).

(C) Correta. O Tribunal pode fixar um momento (para o futuro ou em outro marco) para
que a declaração de inconstitucionalidade produza efeitos. A isso se chama modulação
dos efeitos – no controle concentrado, a lei exige quorum qualificado de 2/3 dos
Ministros para que seja realizada a modulação (art. 27 da Lei nº 9.868/99). O mesmo
vale para ADPF – ART. 11 da Lei n 9.882/99

(D) Incorreta. A ADPF é submetida ao princípio da subsidiariedade, e somente é admitida


se não houver outro meio eficaz capaz de sanar a inconstitucionalidade.

Art. 4º A petição inicial será indeferida liminarmente, pelo relator, quando não for o caso
de arguição de descumprimento de preceito fundamental, faltar algum dos requisitos
prescritos nesta Lei ou for inepta.

§ 1º Não será admitida arguição de descumprimento de preceito fundamental quando


houver qualquer outro meio eficaz de sanar a lesividade.

(E) Incorreta. A liminar depende da manifestação favorável da maioria absoluta, sendo


109
possível sua concessão inclusive de forma monocrática:

Art. 5o O Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria absoluta de seus membros,
poderá deferir pedido de medida liminar na arguição de descumprimento de preceito
fundamental.

§ 1o Em caso de extrema urgência ou perigo de lesão grave, ou ainda, em período de


recesso, poderá o relator conceder a liminar, ad referendum do Tribunal Pleno.

63. Quanto ao controle concentrado de constitucionalidade exercido por via da ação


direta de inconstitucionalidade de competência originária do Supremo Tribunal Federal,

(A) será admitida a desistência, desde que ouvido o Advogado-Geral da União, a quem
compete defender o ato ou texto impugnado.

(B) será admitida a intervenção de terceiros, desde que devidamente justificada.


(C) foram estendidos o efeito vinculante e a legitimidade ativa à ação declaratória de
constitucionalidade, em âmbito constitucional, por meio da Emenda Constitucional nº
45/2004.

(D) requer o quórum mínimo de sete Ministros para possibilitar o início do julgamento
da ação direta de inconstitucionalidade.

(E) não admite a concessão de medida cautelar.

RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na Rodada 05 da Turma de Reta Final TJ-AL.


O tema foi antecipado na questão 65 do 266º Simulado Mege (TJ-AL II).
O artigo foi destacado no Vade Mege, página 82.

(A) Incorreta. Não é admitida a desistência de ADI – art. 5. Proposta a ação direta de 110
inconstitucionalidade por omissão, não se admitirá desistência.

(B) Incorreta. Não é admitida intervenção de terceiros. Art. 7 o Não se admitirá


intervenção de terceiros no processo de ação direta de inconstitucionalidade.

(C) Correta. Art. 102, § 2º, da CF – As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo
Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações
declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito
vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração
pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 45, de 2004)’’

(D) Incorreta. O quórum mínimo é de dois terços – 8 ministros. Art. 22. A decisão sobre
a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade da lei ou do ato normativo somente
será tomada se presentes na sessão pelo menos oito Ministros.

(E) Incorreta. É admitida medida cautelar.


64. A Câmara Legislativa do Município TXP aprovou uma lei regulamentando a proteção
ao meio ambiente daquela localidade. Em ação movida por empresa de construção,
pretendendo anular penalidade que lhe foi imposta pela municipalidade por suposto
desrespeito à legislação ambiental, é alegada a inconstitucionalidade daquela lei
municipal, pela via incidental, sob o fundamento de já existirem norma federal e
estadual disciplinando a matéria. No controle difuso de constitucionalidade, a questão
deve ser decidida pela

(A) inconstitucionalidade da lei, uma vez que se tratando de competência concorrente,


a existência de lei federal veda a elaboração de diplomas legislativos de outros entes
federativos.

(B) constitucionalidade, porquanto a lei municipal estaria legislando sobre matéria de


interesse local, tendo plena liberdade sobre o assunto.

(C) inconstitucionalidade, porquanto, embora se trate de matéria de interesse local, já


está disciplinada por lei federal, descabendo a repetitividade legislativa.

(D) constitucionalidade, desde que o Município exerça a competência para legislar sobre
meio ambiente com a União e o Estado no limite de seu interesse local, e desde que tal 111
regramento seja harmônico com a disciplina estabelecida pelos demais entes federados.

(E) constitucionalidade da lei por tratar-se de competência comum, no sistema


horizontal, estabelecendo a competência da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios para legislar sobre a matéria.

RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi expressamente abordado na Rodada 02 da Turma de Reta Final


TJ-AL.

(A) Incorreta. No caso de competência concorrente, há verdadeiro condomínio


legislativo, sendo que cabe à União legislar sobre os aspectos gerais e aos estados
legislar de forma complementar. Embora não haja previsão expressa, a doutrina
assevera que nestes casos o município também pode legislar, de modo que atenda às
peculiaridades e ao interesse local, em interpretação sistemática aos dispositivos
constitucionais que tratam da repartição de competências.
(B) Incorreta. Não há plena liberdade para legislar, pois em se tratando de competência
concorrente, deve a legislação local observar as diretrizes gerais.

(C) Incorreta. Conforme justificativa apontada no item A, em complemento, o fato de


existir legislação federal não estorva a possibilidade de edição de lei local.

(D) Correta. STF consolidou que "o município é competente para legislar sobre o meio
ambiente, com União e Estado, no limite de seu interesse local, e desde que tal
regramento seja suplementar e harmônico à disciplina estabelecida pelos demais entes
federados."

(E) Incorreta. Neste caso, o sistema é vertical, e não horizontal.

65. Dentre as medidas excepcionais de controle do pacto federativo, encontra-se a


intervenção, que, à luz da Constituição Federal, cabe ser decretada

(A) para garantir o livre exercício do Poder Legislativo Estadual, após solicitação dele.
112
(B) independentemente de apreciação pelo Congresso Nacional, se assim entender
conveniente o Presidente da República.

(C) em razão de instabilidade institucional.

(D) após aprovação do Congresso Nacional, por decreto legislativo.

(E) deixando de haver prisão durante a vigência do estado excepcional.

RESPOSTA: A

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na Rodada 02 da Turma de Reta Final TJ-AL.

(A) Correta. Art. 36. A decretação da intervenção dependerá:


I - no caso do art. 34, IV, de solicitação do Poder Legislativo
(B) Incorreta. Art. 36. § 1º O decreto de intervenção, que especificará a amplitude, o
prazo e as condições de execução e que, se couber, nomeará o interventor, será
submetido à apreciação do Congresso Nacional ou da Assembleia Legislativa do Estado,
no prazo de vinte e quatro horas.

(C) Incorreta. Não há essa previsão

(D) Incorreta. O congresso nacional apenas ratifica a validade do decreto presidencial.

(E) Não há essa previsão na CF.

113
DIREITO ELEITORAL

66. Aprovado o ato convocatório de plebiscito pelo Congresso Nacional, o Presidente do

(A) STF dará ciência à Justiça Eleitoral para a adoção das providências cabíveis para a sua
realização.

(B) Congresso Nacional dará ciência ao Presidente do STF para a adoção das providências
cabíveis para a sua realização, em homenagem ao princípio da separação dos poderes.

(C) Congresso Nacional após fixar a data da consulta popular, dará ciência à Justiça
Eleitoral para a adoção das providências cabíveis para a sua realização.

(D) Congresso Nacional dará ciência à Justiça Eleitoral, a quem incumbirá, nos limites de
sua circunscrição, entre outros, expedir instruções para a realização da consulta.

(E) STF, ouvida a Justiça Eleitoral, fixará a data, tornará pública a respectiva cédula e
expedirá instruções para realização da consulta.
114

RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado no ponto 1 (Direito Eleitoral) da Turma Extensiva de


Magistratura Estadual.

Lei nº 9709/98

Art. 8o Aprovado o ato convocatório, o Presidente do Congresso Nacional dará ciência


à Justiça Eleitoral, a quem incumbirá, nos limites de sua circunscrição:

I – fixar a data da consulta popular;


II – tornar pública a cédula respectiva;
III – expedir instruções para a realização do plebiscito ou referendo;
IV – assegurar a gratuidade nos meio de comunicação de massa concessionários de
serviço público, aos partidos políticos e às frentes suprapartidárias organizadas pela
sociedade civil em torno da matéria em questão, para a divulgação de seus postulados
referentes ao tema sob consulta.
67. Sobre os partidos políticos, é correto afirmar:

(A) É livre a criação, fusão, incorporação de partidos políticos de caráter regional e


nacional.

(B) A partir de 2020, são vedadas as coligações partidárias nas eleições proporcionais.

(C) Na legislatura seguinte às eleições de 2026, o partido político que tiver elegido
menos de treze Deputados Federais distribuídos em um terço das unidades da
Federação não terá direito a recursos do fundo partidário.

(D) A autonomia partidária contempla, entre outros, a definição da estrutura interna do


partido, regras sobre escolha, formação e duração de seus órgãos permanentes e
provisórios, sendo obrigatória a vinculação entre as candidaturas em âmbito nacional,
estadual, distrital ou municipal, devendo seus estatutos estabelecer normas de
disciplina e fidelidade partidária.

(E) Os partidos políticos adquirem personalidade jurídica após o registro de seus


115
estatutos no Tribunal Superior Eleitoral.

RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na aula de revisão e no material da turma de reta


final.

(A) Incorreta.

CF
Art. 17. É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos,
resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os
direitos fundamentais da pessoa humana e observados os seguintes preceitos:
Regulamento
I - caráter nacional;
(B) Correta.
EC 97/2017
Art. 2º A vedação à celebração de coligações nas eleições proporcionais, prevista no §
1º do art. 17 da Constituição Federal, aplicar-se-á a partir das eleições de 2020.

(C) Incorreta.
EC 97/2017
Art. 3º
III - na legislatura seguinte às eleições de 2026:
a) obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 2,5% (dois e meio
por cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da
Federação, com um mínimo de 1,5% (um e meio por cento) dos votos válidos em cada
uma delas; OU
b) tiverem elegido pelo menos treze Deputados Federais distribuídos em pelo menos
um terço das unidades da Federação.

(D) Incorreta.
CF
Art. 17.
§ 1º É assegurada aos partidos políticos autonomia para definir sua estrutura interna e
estabelecer regras sobre escolha, formação e duração de seus órgãos permanentes e
116
provisórios e sobre sua organização e funcionamento e para adotar os critérios de
escolha e o regime de suas coligações nas eleições majoritárias, vedada a sua celebração
nas eleições proporcionais, sem obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas
em âmbito nacional, estadual, distrital ou municipal, devendo seus estatutos
estabelecer normas de disciplina e fidelidade partidária. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 97, de 2017)

(E) Incorreta.
Adquire a personalidade jurídica com o registro no cartório civil de pessoa jurídica e,
após, faz o registro do estatuto no TSE.
CF
Art. 17.
§ 2º Os partidos políticos, após adquirirem personalidade jurídica, na forma da lei civil,
registrarão seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral.

68. Quanto à Ação de Impugnação de Registro de Candidatos (AIRC), é correto afirmar:


(A) Trata-se de veículo processual adequado para a discussão das condições de
elegibilidade, registrabilidade e inelegibilidades.

(B) A impugnação de registro de candidato por partido político ou coligação veda a ação
do Ministério Público nesse sentido.

(C) Poderá impugnar o registro de candidato o representante do Ministério Público,


mesmo que tenha integrado diretório de partido ou exercido atividade político-
partidária, desde que não mais filiado a partido político.

(D) Em homenagem ao princípio da celeridade processual que norteia o processo


eleitoral, deverá ser deduzida no prazo decadencial de três dias contados da publicação
do pedido de registro do candidato.

(E) Em homenagem ao princípio da imparcialidade do Juiz e visando o equilíbrio entre


as partes, o Juiz Eleitoral não poderá determinar diligências de ofício.

RESPOSTA: A
117
COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na aula de revisão para prova objetiva do TJ-AL.
O tema foi antecipado na questão 70 do 247º Simulado Mege (TJ-AL).
O artigo foi destacado no Vade Mege TJ-AL, página 95.

(A) Correta.
É no momento da formalização do pedido do registro da candidatura que as condições
de elegibilidade devem estar satisfeitas e as causas de inelegibilidade verificadas,
ressalvadas as alterações, fáticas ou jurídicas, supervenientes ao registro que afastem a
inelegibilidade (§ 10 do art. 11 da Lei das Eleições).
A AIRC visa impedir o registro da candidatura do pré-candidato escolhido em convenção
do partido ou coligação, em decorrência do não preenchimento dos requisitos legais e
constitucionais (condições de elegibilidade e causas de inelegibilidade).

(B) Incorreta.
Lc 64/90
Art. 3º.
§ 1° A impugnação, por parte do candidato, partido político ou coligação, não impede a
ação do Ministério Público no mesmo sentido.
(C) Incorreta.
Lc 64/90
Art. 3º.
§ 2° Não poderá impugnar o registro de candidato o representante do Ministério Público
que, nos 4 (quatro) anos anteriores, tenha disputado cargo eletivo, integrado diretório
de partido ou exercido atividade político-partidária.

(D) Incorreta.
Lc 64/90
art. 3° Caberá a qualquer candidato, a partido político, coligação ou ao Ministério
Público, no prazo de 5 (cinco) dias, contados da publicação do pedido de registro do
candidato, impugná-lo em petição fundamentada.

(E) Incorreta.
Lc 64/90
Art. 5º.
§ 2° Nos 5 (cinco) dias subseqüentes, o Juiz, ou o Relator, procederá a todas as diligências
que determinar, de ofício ou a requerimento das partes.

118
69. Sobre os órgãos da Justiça Eleitoral, é correto afirmar:

(A) Compete ao Juiz Eleitoral processar e julgar o registro e o cancelamento de registro


dos diretórios municipais de partidos políticos.
(B) Junta Eleitoral é órgão da Justiça Eleitoral composta pelo Juiz de Direito, que a
preside, pelo representante do Ministério Público eleitoral e por dois a quatro cidadãos
de notória idoneidade.
(C) O Tribunal Superior Eleitoral é composto, entre outros, por dois Juízes dentre seis
advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados pelo Senado Federal.
(D) Os tribunais regionais federais elegerão seu Presidente e Vice-Presidente dentre os
Juízes que os compõem.
(E) Além da função jurisdicional, o Juiz Eleitoral exerce função administrativa, já que
investido de poder de polícia. São exemplos dessa função administrativa: medidas para
impedir a prática de propaganda eleitoral irregular e o alistamento eleitoral.

RESPOSTA: E
COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na aula de revisão para prova objetiva do TJ-AL.

(A) Incorreta.
CE
Art. 29. Compete aos Tribunais Regionais:
I - processar e julgar originariamente:
a) o registro e o cancelamento do registro dos diretórios estaduais e municipais de
partidos políticos, bem como de candidatos a Governador, Vice-Governadores, e
membro do Congresso Nacional e das Assembléias Legislativas;

(B) Incorreta.
CE
Art. 36. Compor-se-ão as juntas eleitorais de um juiz de direito, que será o presidente,
e de 2 (dois) ou 4 (quatro) cidadãos de notória idoneidade.

(C) Incorreta.
CF
Art. 119. O Tribunal Superior Eleitoral compor-se-á, no mínimo, de sete membros,
escolhidos:
119
II - por nomeação do Presidente da República, dois juízes dentre seis advogados de
notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados pelo Supremo Tribunal Federal.

(D) Incorreta.
CF
Art. 120
§ 2º - O Tribunal Regional Eleitoral elegerá seu Presidente e o Vice-Presidente- dentre
os desembargadores.

(E) Correta.
CE
Art. 35.
XVII - tomar todas as providências ao seu alcance para evitar os atos viciosos das
eleições;

Lei 9504/97
Art. 41. A propaganda exercida nos termos da legislação eleitoral não poderá ser objeto
de multa nem cerceada sob alegação do exercício do poder de polícia ou de violação de
postura municipal, casos em que se deve proceder na forma prevista no art.
40. (Redação dada pela Lei nº 12.034, de 2009)
§ 1o O poder de polícia sobre a propaganda eleitoral será exercido pelos juízes eleitorais
e pelos juízes designados pelos Tribunais Regionais Eleitorais. (Incluído pela Lei nº
12.034, de 2009)
§ 2o O poder de polícia se restringe às providências necessárias para inibir práticas
ilegais, vedada a censura prévia sobre o teor dos programas a serem exibidos na
televisão, no rádio ou na internet. (Incluído pela Lei nº 12.034, de 2009)

70. No que se refere a propaganda eleitoral,

(A) somente é permitida após o dia 5 de julho do ano da eleição.

(B) não é permitida a veiculação de material de propaganda eleitoral em bens públicos


ou particulares, exceto bandeiras ao longo de vias públicas, desde que móveis e que não
dificultem o bom andamento do trânsito de pessoas e veículos.

(C) é permitido qualquer tipo de propaganda política paga no rádio e na televisão


durante o período eleitoral, desde que conste da prestação de contas do candidato,
partido ou coligação.
120
(D) configuram propaganda eleitoral antecipada, mesmo não havendo pedido explícito
de voto, a menção à pretensa candidatura e a exaltação das qualidades pessoais do pré-
candidato.

(E) é permitida a veiculação de propaganda eleitoral na internet em sítios de pessoas


jurídicas sem fins lucrativos.

RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS

QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO!


O assunto da questão foi abordado na aula de revisão para prova objetiva do TJ-AL e no
material da turma de reta final.

(A) Incorreta.

Lei 9504/97
Art. 36. A propaganda eleitoral somente é permitida após o dia 15 de agosto do ano da
eleição.

(B) Correta (pelo gabarito preliminar).


Entendemos que cabe recurso na questão, pois essa alternativa aponta como exceção
apenas as bandeiras ao longo de vias. Contudo, há a possibilidade de realizar
propaganda eleitoral na forma de adesivos plásticos em automóveis, caminhões etc.
Art. 37.
§ 2º Não é permitida a veiculação de material de propaganda eleitoral em bens públicos
ou particulares, exceto de: (Redação dada pela Lei nº 13.488, de 2017)
I - bandeiras ao longo de vias públicas, desde que móveis e que não dificultem o bom
andamento do trânsito de pessoas e veículos; (Incluído dada pela Lei nº 13.488, de
2017)
II - adesivo plástico em automóveis, caminhões, bicicletas, motocicletas e janelas
residenciais, desde que não exceda a 0,5 m² (meio metro quadrado).
§ 6o É permitida a colocação de mesas para distribuição de material de campanha e a
utilização de bandeiras ao longo das vias públicas, desde que móveis e que não
dificultem o bom andamento do trânsito de pessoas e veículos.

(C) Incorreta.
Lei 9504/97
121
Art. 44. A propaganda eleitoral no rádio e na televisão restringe-se ao horário gratuito
definido nesta Lei, VEDADA a veiculação de propaganda PAGA.

(D) Incorreta.
Lei 9504/97
Art. 36-A. Não configuram propaganda eleitoral antecipada, desde que não envolvam
pedido explícito de voto, a menção à pretensa candidatura, a exaltação das qualidades
pessoais dos pré-candidatos e os seguintes atos, que poderão ter cobertura dos meios
de comunicação social, inclusive via internet:

(E) Incorreta.
Lei 9504/97
Art. 57-C. É vedada a veiculação de qualquer tipo de propaganda eleitoral paga na
internet, excetuado o impulsionamento de conteúdos, desde que identificado de forma
inequívoca como tal e contratado exclusivamente por partidos, coligações e candidatos
e seus representantes. (Redação dada pela Lei nº 13.488, de 2017)
§ 1o É vedada, ainda que gratuitamente, a veiculação de propaganda eleitoral na
internet, em sítios: (Incluído pela Lei nº 12.034, de 2009)
I - de pessoas jurídicas, com ou sem fins lucrativos;
BLOCO III

DIREITO EMPRESARIAL

71. Segundo a Lei das Sociedades por Ações (Lei no 6.404/1976), a ação de
responsabilidade civil contra o administrador, pelos prejuízos causados ao patrimônio
da companhia, compete

(A) à própria companhia, podendo sua propositura ser deliberada em assembleia geral
ordinária, mesmo que a matéria não esteja prevista na ordem do dia.

(B) a qualquer acionista, independentemente da sua participação no capital social, caso


assembleia geral não aprove sua propositura pela companhia.

(C) aos acionistas, desde que representem, pelo menos, cinco por cento do capital social,
se ela não for proposta no prazo de três meses da deliberação da assembleia geral que
a houver aprovado.
122
(D) exclusivamente à própria companhia, só podendo ser deliberada em assembleia
geral extraordinária convocada especificamente para essa finalidade.

(E) à própria companhia e aos acionistas, de forma concorrente, mediante prévia


autorização do Conselho Fiscal, se houver.

RESPOSTA: A

COMENTÁRIOS

Conforme constou de nossa RODADA: Para a busca da responsabilização, é necessária


deliberação em assembleia (condição especial de procedibilidade). Se aprovada a
promoção da ação e os órgãos de administração não a promoverem em 3 meses,
qualquer acionista poderá fazê-lo (substituição processual derivada). Se a assembleia
geral decidiu não promover a responsabilização, acionistas com no mínimo 5% capital
social poderão ingressar com a ação judicial (substituição processual originária),
devendo ser indenizados de todas as despesas em que tiverem incorrido, inclusive
correção monetária e juros dos dispêndios realizados.
(A) Art. 159. Compete à companhia, mediante prévia deliberação da assembléia-geral, a
ação de responsabilidade civil contra o administrador, pelos prejuízos causados ao seu
patrimônio. § 1º A deliberação poderá ser tomada em assembléia-geral ordinária e, se
prevista na ordem do dia, ou for conseqüência direta de assunto nela incluído, em
assembléia-geral extraordinária.

(B) Se não aprovar, tem de ser 5% do capital social para promover a ação.

(C) Esse caso dos 5% é no caso de reprovação na assembleia.

(D) Essa competência não é exclusiva.

(E) Não é concorrente.

72. Acerca da recuperação judicial, é correto afirmar:

(A) Conforme entendimento sumulado do STJ, a recuperação judicial do devedor


principal impede, durante o prazo de cento e oitenta dias contados do deferimento do
123
seu processamento, o prosseguimento das execuções ajuizadas contra terceiros
devedores solidários ou coobrigados em geral, por garantia cambial, real ou fidejussória.

(B) Conforme entendimento sumulado do STJ, o Juízo da recuperação judicial é


competente para decidir sobre a constrição de quaisquer bens do devedor, ainda que
não abrangidos pelo plano de recuperação da empresa.

(C) Depois de deferido o processamento da recuperação judicial, a desistência do pedido


pelo devedor dependerá de aprovação da Assembleia Geral de Credores.

(D) Obtida maioria absoluta em todas as classes de credores, o plano de recuperação


apresentado pelo devedor poderá ser modificado, independentemente do
consentimento deste, desde que as modificações não impliquem diminuição dos
direitos exclusivamente dos credores ausentes.

(E) As objeções formuladas pelos credores ao plano de recuperação,


independentemente da matéria que versarem, serão resolvidas pelo Juiz, por decisão
fundamentada, sendo admitida a convocação da Assembleia Geral de Credores somente
nos casos que envolverem alienação de ativos do devedor ou supressão de garantias
reais.
RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na Rodada 06 da Turma de Reta Final e em aula


específica de revisão sobre recuperação judicial veiculada na turma.

(A) A recuperação judicial do devedor principal não impede o prosseguimento das


execuções nem induz suspensão ou extinção de ações ajuizadas contra terceiros
devedores solidários ou coobrigados em geral, por garantia cambial, real ou fidejussória,
pois não se lhes aplicam a suspensão prevista nos arts. 6º, caput, e 52, inciso III, ou a
novação a que se refere o art. 59, caput, por força do que dispõe o art. 49, § 1º, todos
da Lei 11.101/2005. STJ. 2ª Seção. REsp 1.333.349-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão,
julgado em 26/11/2014 (recurso repetitivo) (Info 554) - Súmula 581 do STJ.

(B) O juízo da recuperação judicial NÃO é competente para decidir sobre a constrição de
bens não abrangidos pelo plano de recuperação da empresa (STJ, Súmula 480).
124
(C) “Após o deferimento do processamento só é possível com concordância de todos os
credores. Após a concessão não é mais possível a desistência, nem com consentimento
dos credores”.

(D) Em princípio, o plano aprovado e homologado é imutável (se o devedor dele se


afastar, corre o risco de ter decretada sua falência). Mas, passando a condição
econômica do devedor por considerável mudança, o plano pode ser aditado mediante
retificação pela assembleia de credores.

(E) HAVENDO OBJEÇÃO o juiz convoca assembleia geral dos credores. A propósito, a Lei
de Falências entroniza a Assembleia de Credores inclusive para deliberar a respeito de
quaisquer objeções feitas pelos credores não satisfeitos. É o que menciona o art. 56 da
lei.

73. Por conta do comprometimento da sua situação econômica, o Banco XPTO,


instituição financeira que operava regularmente há mais de dez anos, teve decretada
sua liquidação extrajudicial. Nesse caso, de acordo com a Lei no 6.024/1974,
(A) em caso de dolo ou culpa grave, os administradores do banco responderão com seus
bens, subsidiariamente à instituição financeira liquidanda, pelas obrigações por ela
assumidas durante sua gestão, até que se cumpram.

(B) a decretação da liquidação extrajudicial não produzirá, de imediato, o vencimento


antecipado das obrigações do banco; porém, em caso de falência, o valor das dívidas da
instituição financeira será apurado retroativamente à data do decreto de liquidação.

(C) a liquidação extrajudicial será executada por liquidante nomeado pelo Presidente da
República, que poderá cometer a indicação a um dos seus Ministros; não havendo
nomeação do liquidante no prazo de trinta dias contado da data do decreto de
liquidação, a nomeação deverá ser feita pelo Presidente do Banco Central do Brasil.

(D) o liquidante do banco somente poderá requerer a falência deste quando houver
fundados indícios de crimes falimentares, ediante prévia consulta ao Banco Central do
Brasil.

(E) os administradores do banco ficarão com todos os seus bens indisponíveis,


ressalvadas as exceções legais, não podendo, por qualquer forma, direta ou indireta,
aliená-los ou onerá-los, até apuração e liquidação final de suas responsabilidades.
125

RESPOSTA: E

COMENTÁRIOS

(A) “Art. 39. Os administradores e membros do Conselho Fiscal de instituições


financeiras responderão, a qualquer tempo, salvo prescrição extintiva, pelos que
tiverem praticado ou omissões em que houverem incorrido. Art. 40. Os administradores
de instituições financeiras respondem solidariamente pelas obrigações por elas
assumidas durante sua gestão, até que se cumpram. Parágrafo único. A
responsabilidade solidária se circunscreverá ao montante e dos prejuízos causados.

(B) “A decretação da liquidação extrajudicial produzirá, de imediato, os seguintes


efeitos: [...] b) vencimento antecipado das obrigações da liquidanda” (art. 18).

(C) “A liquidação extrajudicial será executada por liquidante nomeado pelo Banco
Central do Brasil” (art. 16).
(D) Poderá “o interventor a requerer a falência da entidade, quando o seu ativo não for
suficiente para cobrir sequer metade do valor dos créditos quirografários, ou quando
julgada inconveniente a liquidação extrajudicial, ou quando a complexidade dos
negócios da instituição ou, a gravidade dos fatos apurados aconselharem a medida” (art.
12, d).

(E) “Os administradores das instituições financeiras em intervenção, em liquidação


extrajudicial ou em falência, ficarão com todos os seus bens indisponíveis não podendo,
por qualquer forma, direta ou indireta, aliená-los ou onerá-los, até apuração e
liquidação final de suas responsabilidades” (art. 36).

74. Em pagamento de serviços que lhe foram prestados, Antônio emitiu cheque nominal
em favor de Bianca, que o endossou a Carlos, que, por sua vez, o endossou a Débora.
Após, Eduardo lançou aval no cheque, porém sem indicar quem seria o avalizado. Nesse
caso, de acordo com a Lei do Cheque (Lei no 7.357/1985),

(A) consideram-se avalizados Antônio, Bianca e Carlos.

(B) considera-se avalizado Antônio, somente.


126
(C) considera-se avalizado Carlos, somente.

(D) considera-se avalizada Bianca, somente.

(E) o aval é nulo, pois a indicação do avalizado é requisito essencial de validade.

RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na Rodada 03 da Turma de Reta Final TJ-AL.


O artigo foi destacado no Vade Mege TJ-AL, página 129.

O aval em branco (em regra, beneficia o devedor principal): Nota promissória e Cheque
= considera-se dado em favor do sacador (emitente).
75. Fernando constituiu, regularmente, empresa individual de responsabilidade limitada
(EIRELI) destinada à prestação de serviços educacionais. Nesse caso, de acordo com o
Código Civil, Fernando

(A) não poderá figurar, simultaneamente, em outra empresa dessa mesma modalidade.

(B) poderá figurar, simultaneamente, em outra empresa dessa mesma modalidade,


desde que a primeira esteja em atividade há pelo menos cinco anos.

(C) poderá figurar, simultaneamente, em outra empresa dessa mesma modalidade,


desde que se destine a outro ramo de negócio.

(D) poderá figurar, simultaneamente, em outra empresa dessa mesma modalidade,


desde que o capital social da primeira esteja totalmente integralizado.

(E) poderá figurar, simultaneamente, em outra empresa dessa mesma modalidade,


desde que seja rigorosamente respeitada a separação entre os patrimônios de cada
empresa.

127
RESPOSTA: A

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na Rodada 03 da Turma de Reta Final TJ-AL.

(A) “A empresa individual de responsabilidade limitada será constituída por uma única
pessoa titular da totalidade do capital social” (CC, art. 980).

(B) Cada pessoa FÍSICA somente poderá constituir uma única EIRELI.

(C) Cada pessoa FÍSICA somente poderá constituir uma única EIRELI!

(D) Cada pessoa FÍSICA somente poderá constituir uma única EIRELI!!

(E) Cada pessoa FÍSICA somente poderá constituir uma única EIRELI!!!
DIREITO TRIBUTÁRIO

OBSERVAÇÃO:
A prova de tributário do TJ-AL fugiu à regra. Foram abordados pontos específicos da
legislação estadual e municipal em diversas questões. Isso não se perfaz uma
característica dos concursos para magistratura, portanto, essa prova, em específico, foi
muito peculiar neste aspecto. Registre-se que muitos destes assuntos foram abordados
nas rodadas da reta final e, também, no aulão de revisão final em Maceió, embora sem
esta abordagem tão focada na legislação estadual e municipal.

76. A Constituição do Estado de Alagoas estabelece que os Municípios têm competência


para instituir o imposto sobre vendas a varejo de combustíveis líquidos e gasosos, exceto
sobre o óleo diesel, determina que esse imposto compete ao Município em que se
completa sua venda a varejo e ainda estabelece que o referido imposto não exclui a
incidência concomitante do ICMS sobre as mesmas operações. Por sua vez, a Lei
Orgânica do Município de Maceió estabelece que compete ao Município instituir o
imposto sobre vendas a varejo de combustíveis líquidos ou gasosos, exceto sobre o óleo
diesel, quando o negócio se completar no território do Município de Maceió, que sua
incidência não exclui a incidência do ICMS sobre a mesma operação e que suas alíquotas 128
não poderão ultrapassar os limites superiores estabelecidos em lei complementar
federal. De acordo com a Constituição Federal, os

(A) Municípios têm competência para instituir esse imposto em seus territórios, embora
sua incidência esteja suspensa até que seja editada a lei complementar estabelecendo
os limites máximos para as alíquotas aplicáveis.

(B) Estados têm competência suplementar para instituir esse imposto em seus
territórios, caso os Municípios não o façam, podendo o valor efetivamente pago ser
escriturado como crédito do ICMS, no mesmo período de apuração, quando a aquisição
for feita por contribuinte desse imposto.

(C) Municípios têm competência para instituir esse imposto em seus territórios, o qual
incidirá apenas uma vez sobre combustíveis derivados de petróleo adquiridos em
operação interestadual.

(D) Municípios não têm competência para instituir esse imposto em seus territórios.

(E) Municípios têm competência para instituir esse imposto em seus territórios, que
incidirá, inclusive, sobre vendas de óleo diesel.
RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na aula de revisão e no material da turma de reta


final.
O artigo foi destacado no Vade Mege TJ-AL, página 100.

Não há competência delimitada na CF para os Municípios instituírem imposto sobre


vendas a varejo de combustíveis líquidos e gasoso.

A incidência sobre a venda de combustíveis e lubrificantes se encontra no ICMS-


monofásico, cuja competência é dos Estados (art. 155, § 2º, XII, “h”, §§ 3º e 4º, todos da
CF).

Portanto, a única alternativa correta é a “D”.

129
77. Eliseu Rodolfo, empresário alagoano, domiciliado em Maceió/AL, coleciona veículos
importados, de cor vermelha. No mês de maio de 2019, ele adquiriu quatro desses
veículos para sua coleção. O primeiro deles (Modelo 2019 − “0 Km”) foi importado
diretamente do exterior por ele. O segundo (Modelo 2018) foi adquirido novo (“0 Km”),
de empresa revendedora, localizada em Maceió, a qual promoveu sua importação. O
terceiro (Modelo 2017), licenciado no Estado de Alagoas, foi adquirido usado, do
Consulado de Portugal, localizado em Maceió, até então proprietário do veículo e
beneficiário de isenção de IPVA, nos termos do art. 6o, I, da Lei estadual no 6.555/2004.
O quarto (Modelo 2016), já licenciado no Estado de Alagoas, foi adquirido usado, de
empresa revendedora de veículos, localizada em Arapiraca/AL. De acordo com a Lei
estadual n o 6.555/2004, que dispõe sobre o tratamento tributário relativo ao Imposto
sobre a Propriedade de Veículos Automotores − IPVA, o fato gerador deste imposto,
relativamente ao exercício de 2019, no tocante ao MODELO

(A) 2017, só ocorrerá, pela primeira vez, em 1o de janeiro de 2020.

(B) 2019, ocorreu na data da nacionalização do veículo, que se deu com seu registro no
órgão de trânsito estadual.

(C) 2016, ocorreu na data em que Eliseu Rodolfo adquiriu o veículo.


(D) 2017, ocorreu no décimo dia útil posterior à venda do veículo a Eliseu Rodolfo,
pessoa que não faz jus a tratamento diplomático.

(E) 2018, ocorreu na data de sua aquisição por Eliseu Rodolfo.

RESPOSTA: E

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na Rodada 08 da Turma de Reta Final TJ-AL.


O tema foi antecipado na questão 76 do 247º Simulado Mege (TJ-AL).

Lei Estadual nº 6.555/2004

Art. 3º O fato gerador do imposto ocorre:


IV - tratando-se de veículo de procedência estrangeira, para efeito da primeira
tributação:
b) na data da aquisição por consumidor final, quando importado por empresa
130
revendedora;

78. Considere a seguinte situação fictícia. A Municipalidade de Maceió, mediante


cumprimento de todos os requisitos legais, contratou, em 2018, a Empresa de
Engenharia “Obra Certa S/A”, que possui apenas um estabelecimento, localizado no
Município de Marechal Deodoro/AL, para realizar obra pública (obra de construção civil)
na região central de Maceió. A realização dessa obra pública, iniciada em maio e
concluída em agosto de 2018, resultou em valorização do casarão de propriedade de
Theodoro Silva, que havia cedido parte dele, gratuitamente, de 2015 a 2024, para a
instalação e funcionamento de serviços públicos municipais. Em 2017, Theodoro cedeu,
também gratuitamente, a outra parte do imóvel para a instalação e funcionamento de
serviços públicos estaduais, pelo prazo de cinco anos. Tendo em conta as informações
acima e o disposto no Código Tributário do Município de Maceió (Lei municipal no 6.685,
de 18 de agosto de 2017), relativamente ao exercício de 2018,

(A) o imóvel cedido para a instalação e funcionamento de serviço público municipal é


isento do IPTU, relativamente às partes cedidas à Municipalidade.
(B) a valorização do imóvel, em decorrência da obra pública realizada, dará ensejo à
revisão do lançamento do IPTU já efetuado no exercício, com base em cinquenta por
cento da valorização comprovadamente obtida, excluída a incidência de encargos,
inclusive moratórios.

(C) a cessão gratuita do imóvel, durante o período em que ocorreu sua valorização,
impede que Theodoro Silva, seu proprietário, seja identificado como contribuinte da
contribuição de melhoria, mas não do IPTU.

(D) é vedada a incidência cumulativa de contribuição de melhoria e de ISSQN, em favor


da mesma pessoa jurídica de direito público interno, relativamente à mesma obra
pública (obra de construção civil).

(E) a valorização do imóvel, em decorrência da obra pública realizada, dará ensejo à


revisão do lançamento do IPTU já efetuado no exercício, com base em dez por cento do
valor total arbitrado para o imóvel após a sua valorização, excluída a incidência de
encargos, inclusive moratórios.

RESPOSTA: A
131
COMENTÁRIOS

Lei Municipal nº 6.685/2017

Art. 152. São isentos do Imposto Sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana:
I - O imóvel cedido gratuitamente para a instalação e funcionamento de quaisquer
serviços públicos municipais, relativamente às partes cedidas e enquanto durar a
prestação de serviço municipal;

79. A Constituição do Estado de Alagoas estabelece, expressamente, em seu texto, que

(A) é vedado ao Estado, inclusive a suas autarquias e fundações, cobrar tributos sem
observância aos princípios da legalidade, irretroatividade, anterioridade nonagesimal
(noventena) e anterioridade de exercício financeiro.

(B) os Municípios podem instituir taxas em razão do exercício do poder de polícia ou


pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis,
prestados aos contribuintes ou postos à sua disposição, bem como contribuição de
melhoria, decorrente de obra pública.

(C) a observância do princípio da legalidade não se aplica à fixação da base de cálculo do


IPTU.

(D) é vedado ao Estado, ainda que com interesse público justificado, renunciar à Receita
e conceder isenções e anistias fiscais.

(E) é vedado aos Estados exigir, aumentar, extinguir ou reduzir tributos, sem que lei o
estabeleça, ficando excluídas desta vedação a exigência e cobrança de emolumentos
por atos da Junta Comercial e de custas judiciais.

RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS

Art. 162. O Estado e os Municípios poderão instituir:


II – taxas, em razão do exercício do poder de polícia o pela utilização, efetiva ou
132
potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados aos contribuintes ou
postos à sua disposição;
III – contribuição de melhoria, decorrente de obra pública.

80. De acordo com a Lei estadual no 5.077, de 12 de junho de 1989, que institui o Código
Tributário do Estado de Alagoas, o imposto sobre transmissão causa mortis e doação de
quaisquer bens ou direitos (ITCD) incide sobre as aquisições desses bens ou direitos por
títulos de sucessão legítima ou testamentária ou por doação. De acordo com o referido
diploma legal, ainda,

(A) para a fixação da ocorrência do fato gerador, nas transmissões causa mortis, sendo
impossível estabelecer a data da morte do de cujus, considera-se ocorrido o fato gerador
no dia subsequente à data em que o de cujus foi visto vivo pela última vez.

(B) são isentas do imposto as doações e legados de peças e de obras de arte a museus,
públicos ou privados, situados no Estado de Alagoas, bem como a instituições culturais
ou de pesquisa, situadas no território nacional.
(C) considera-se ocorrido o fato gerador do imposto relativo às transmissões causa
mortis na data da abertura do processo de inventário ou arrolamento judiciais, sempre
que não for possível fixar com exatidão a data da ocorrência do fato gerador.

(D) ocorrem tantos fatos geradores distintos quantos forem os herdeiros, legatários ou
donatários, mesmo que o bem ou direito, objeto da tributação, seja indivisível.

(E) os donatários de bens móveis situados no Estado de Alagoas são contribuintes do


imposto devido a esse Estado, sempre que os doadores desses bens forem domiciliados
fora dele.

RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na aula de revisão e no material da turma de reta


final.

Lei Estadual nº 5.077/89


133
Art. 164. Ocorrem tantos fatos geradores distintos quantos forem os herdeiros,
legatários ou donatários, mesmo que o bem ou direito, objeto da tributação, seja
indivisível.

81. O art. 12 da Lei Complementar no 87/1996 define os fatos geradores do ICMS e


estabelece os momentos em que eles se consideram ocorridos. No tocante à Lei
estadual no 5.900, de 27 de dezembro de 1996, isso é feito no seu art. 2o. Embora não
estejam definidos na Lei Complementar no 87/1996, a Lei estadual no 5.900/1996 define
o fato gerador e o momento de sua ocorrência relativamente

(A) à entrada no estabelecimento do contribuinte de mercadoria proveniente de outra


unidade da Federação, destinada a integrar o respectivo ativo permanente ou a seu
próprio uso ou consumo.

(B) à transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando


a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente.
(C) ao ato final do transporte iniciado no exterior.

(D) à da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior


e apreendidos ou abandonados.

(E) à prestação onerosa de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive
a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a
ampliação de comunicação de qualquer natureza.

RESPOSTA: A

COMENTÁRIOS

A questão busca FG definido na Lei Estadual 5900/96 e que não esteja previsto na LC
87/96.

Ressalvada a letra “A” (alternativa correta), todas as demais há o FG previsto tanto na


Lei estadual quanto na Lc 87/96.
134
A previsão da letra “A” está no art. 2º, V, da Lei estadual 5900/96.

Art. 2º Considera-se ocorrido o fato gerador do ICMS no momento:


V - da entrada no estabelecimento do contribuinte de mercadoria proveniente de outra
unidade da Federação, destinada a integrar o respectivo ativo permanente ou a seu
próprio uso ou consumo;

82. Visando promover a industrialização acelerada em seu território, o Estado “X”, em


1990, mediante edição de lei ordinária, concedeu isenção de todos os impostos de
competência estadual e de competência municipal, por trinta anos e em função de
determinadas condições, às indústrias que se instalassem no seu território. Com base
no Código Tributário Nacional e na Constituição Federal,

(A) a isenção concedida, relativamente aos impostos estaduais, é extensiva àqueles


instituídos após a sua concessão, independentemente de previsão legal nesse sentido.

(B) a isenção concedida pelo Estado “X”, no que se refere ao IPVA, não pode ser
revogada, mesmo que por meio de edição de nova lei ordinária.
(C) a isenção concedida, relativamente aos impostos municipais, é extensiva àqueles
instituídos após a sua concessão, independentemente de previsão legal nesse sentido.

(D) os Estados não podem conceder isenção de impostos estaduais ou municipais, por
prazo superior a cinco anos, exceto se o fizerem por meio de lei complementar estadual.

(E) a isenção concedida, relativamente aos impostos estaduais, é extensiva às taxas e às


contribuições de melhoria instituídas pelo Estado “X”, independentemente de previsão
legal nesse sentido, desde que elas recaiam sobre os mesmos bens ou direitos que são
objeto de incidência do referido imposto.

RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS

O assunto foi antecipado na questão 79 do 266º Simulado Mege (TJ-AL II).

(A) Incorreta.
135
CTN
Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva:
II - aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão.

(B) Correta.
CTN
Art. 178 - A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas
condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o
disposto no inciso III do art. 104

(C) Incorreta.
Vedação de isenção heterônoma.
CF
Art. 151. É vedado à União:
III - instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal ou
dos Municípios.
CTN
Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva:
II - aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão.
(D) Incorreta.
Os Estados não podem conceder isenções de tributos municipais (vedação à insenção
heterônoma).

(E) Incorreta.
CTN
Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva:
I - às taxas e às contribuições de melhoria;

83. De acordo com a Constituição Federal, o ICMS incide em operações que destinem

(A) combustíveis líquidos e lubrificantes derivados de petróleo a estabelecimento filial,


localizado em outro Estado.

(B) gasolina a estabelecimento de empresa coligada, localizada em outro Estado, sem a


finalidade de ser utilizada como combustível em veículos automotores terrestres, em
aeronaves ou embarcações.

(C) lubrificantes derivados de petróleo a estabelecimento filial, localizado em outro


136
Estado, salvo disposição de lei complementar em contrário.

(D) ao exterior lubrificante produzido integralmente com óleo de origem vegetal.

(E) óleo de origem vegetal a destinatário localizado em outro Estado, com o fim único e
específico de ser utilizado como lubrificante.

RESPOSTA: E

COMENTÁRIOS

QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO!

A CF não aponta, especificamente, a incidência do ICMS em operações que destinem


“óleo de origem vegetal a destinatário localizado em outro Estado, com o fim único e
específico de ser utilizado como lubrificante.”
A CF prevê apenas a possibilidade de incidência de ICMS-monofásico para combustíveis
e lubrificante, seja qual for a finalidade. Caberá à LC definir esses combustíveis e
lubrificantes (art. 155, § 2º, XII, “h”, CF).

Contudo, quanto às assertivas, não incide ICMS quando a circulação ocorrer entre filiais.

Súmula 166 do STJ. Não constitui fato gerador do ICMS o simples deslocamento de
mercadoria de um para outro estabelecimento do mesmo contribuinte.

Então, as assertivas “a”, “b” e “c” estão incorretas.

(D) Incorreta.
CF
Art. 155.
§ 2º
X - não incidirá:
a) sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, nem sobre serviços
prestados a destinatários no exterior, assegurada a manutenção e o aproveitamento do
montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores;

(E) Correta (pelo gabarito preliminar).


137
Embora a alternativa aponte “com o fim único e específico”, a CF prevê a incidência de
combustíveis e lubrificantes para qualquer finalidade.
CF
Art. 155
§ 2º.
XII - cabe à lei complementar:
h) definir os combustíveis e lubrificantes sobre os quais o imposto incidirá uma única
vez, qualquer que seja a sua finalidade, hipótese em que não se aplicará o disposto no
inciso X, b;

Por tais motivos, a questão é passível de recurso.

84. Apolo Celestino, pessoa natural domiciliada em Palmeira dos Índios/AL, importou do
exterior, para seu uso pessoal, veículo automotor novo. Com a finalidade de auxiliá-lo
nos trâmites de importação, ele contratou os serviços de despacho aduaneiro da
empresa “Importações Sergipe Ltda.”, localizada em Aracajú/SE. O desembaraço
aduaneiro do veículo importado ocorreu no Porto do Recife, localizado no Município do
Recife/PE. Relativamente à situação acima descrita, há
(A) ICMS devido ao Estado de Pernambuco, relativamente à importação do veículo,
conforme estabelece a Lei Complementar no 87/1996.

(B) IPVA devido ao Estado de Sergipe, porque o ICMS-IMPORTAÇÃO é devido àquele


Estado e, na medida em que este ICMS integra a base de cálculo do IPVA incidente na
importação de veículo do exterior, Sergipe acaba sendo o sujeito ativo de ambos os
impostos, conforme estabelecem a Lei Complementar no 87/1996 e a Constituição
Federal.

(C) ISSQN devido ao Município de Aracaju, local em que se consideram prestados os


serviços de despacho aduaneiro, conforme estabelece a Lei Complementar no
116/2003.

(D) ICMS devido ao Estado de Sergipe, conforme estabelece a Lei Complementar no


87/1996, em razão de o estabelecimento prestador do serviço de despacho aduaneiro
se encontrar no Município de Aracaju.

(E) ISSQN devido ao Município de Palmeira dos Índios, pela prestação de serviço de
despacho aduaneiro, conforme estabelece a Lei Complementar no 116/2003, pois é lá
que o tomador do serviço se encontra domiciliado.
138

RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

O assunto da questão é abordado no ponto 12 de Direito Tributário da Turma Extensiva


de Magistratura Estadual.

LC 116/2003
Art. 3o O serviço considera-se prestado, e o imposto, devido, no local do
estabelecimento prestador ou, na falta do estabelecimento, no local do domicílio do
prestador, exceto nas hipóteses previstas nos incisos I a XXV, quando o imposto será
devido no local
DIREITO ADMINISTRATIVO

85. Suponha que determinado Município tenha editado uma lei obrigando
estabelecimentos comerciais a oferecerem produtos orgânicos a preços mais baixos que
os convencionais. A exposição de motivos que acompanhou o projeto de lei asseverou
que a proposição objetivava reduzir os gastos do sistema público de saúde e proteger o
meio ambiente, desestimulando o uso de agrotóxicos. A constitucionalidade da referida
lei foi contestada perante o Tribunal de Justiça, sob alegação de ofensa ao princípio da
livre iniciativa, que, por simetria, deve estar também insculpido na Constituição do
Estado. Para avaliação da plausibilidade da tese aventada, especificamente no que
concerne à violação ao princípio da livre iniciativa, deve-se levar em conta que

(A) a intervenção do Estado no domínio econômico sob o viés regulatório é, em regra,


vedada, somente sendo admitida para disciplinar atividades caracterizadas como
serviço público em sentido material.

(B) tal princípio não é absoluto e deve ser informado por outros objetivos, como a
proteção ao consumidor e ao meio ambiente, podendo a atividade econômica ser 139
regulada por lei, a qual, contudo, não pode impor obrigações desproporcionais.

(C) tal princípio só pode ser afastado em hipóteses bastante estritas, envolvendo os
imperativos de segurança nacional ou relevante interesse coletivo, não admitindo
outras ponderações ou mitigações.

(D) o que a ordem constitucional assegura não é propriamente a livre iniciativa, mas sim
a função social da propriedade, incluindo os meios de produção e todas as etapas da
cadeia econômica, visando o bem comum.

(E) tal princípio não se aplica na situação narrada, sendo o princípio supostamente
violado o da livre concorrência e este não admite qualquer mitigação ou ponderação
com outros princípios ou objetivos.

RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS
O artigo foi destacado no Vade Mege TJ-AL, página 88.

(A) Incorreta.
A intervenção do Estado no domínio econômico ocorre através de atos que restrinjam,
condicionem ou limitem a iniciativa privada em determinada atividade econômica, de
forma indireta, através da disciplina e regulação de determinada atividade, ou direta,
quando o Estado atua como agente econômico. Entre as várias formas de intervenção
do Estado, temos a intervenção regulatória, que se configura quando o Estado interfere
no domínio econômico por meio da edição de leis e regulamentos, através, por exemplo,
das agências reguladoras. Tal modalidade de intervenção é expressamente autorizada
pelo art. 174 Constituição Federal:

Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de


atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos
da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei.

(B) Correta.
O princípio da livre iniciativa não é absoluto e poderá ser mitigado para permitir a
intervenção do Estado, quando sua atuação for necessária para corrigir as falhas de
mercado e atender ao interesse público e garantir o atendimento dos princípios da
ordem econômica, consagrados no art. 170 da Constituição Federal.
140
(C) Incorreta.
Conforme comentário acima, o princípio da livre iniciativa poderá ser mitigado sempre
que necessário ao atendimento dos interesses públicos e não apenas em hipóteses
envolvendo os imperativos de segurança nacional ou relevante interesse coletivo, não
admitindo outras ponderações ou mitigações.

(D) Incorreta.
A Constituição Federal assegura, em seu art. 170, caput, que a ordem econômica será
fundada na valorização do trabalho e na livre iniciativa, observados diversos princípios,
entre eles, a função social da propriedade.

(E) Incorreta.
O princípio da livre concorrência, assim como o princípio da livre iniciativa, não é
absoluto e, portanto, permite mitigação ou ponderação quando em conflito com outros
princípios. Neste ponto, é importante lembrar que é justamente a natureza de
comandos de otimização dos princípios e a possibilidade de serem relativizados que os
diferenciam das regras.
86. As parcerias público-privadas constituem modalidade contratual introduzida no
ordenamento jurídico pátrio como espécies do gênero concessão, nos termos da Lei
federal no 11.079/2004. Assim, de acordo com o marco legal vigente desde então,

(A) os contratos de concessão de serviços públicos que envolvem o pagamento de tarifa


pelo usuário e contraprestação pecuniária pelo poder público enquadram-se como
concessão patrocinada, admitindo, ainda, aportes de recursos pelo parceiro público
destinados a investimentos em bens reversíveis.

(B) a denominada concessão administrativa substituiu a anterior concessão comum, que


era regida exclusivamente pela Lei federal no 8.987/1995, tendo sido introduzidas
disposições contratuais obrigatórias para todas as concessões, tais como prazo
contratual mínimo de cinco e máximo de trinta e cinco anos.

(C) restou vedada a assunção, pelo poder público, de riscos contratuais decorrentes de
caso fortuito ou força maior, que passam a ser alocados obrigatoriamente ao parceiro
privado, assegurando-se a este o reequilíbrio econômico-financeiro do contrato apenas
na hipótese de álea econômica extraordinária.

(D) estabeleceu-se um valor mínimo para os contratos de concessão patrocinada e


141
concessão comum, de R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais), abaixo do qual somente
se admite a contratação sob a forma de concessão administrativa.

(E) restou expressamente vedado o pagamento de contraprestação pelo poder público


antes da fruição integral do serviço objeto da concessão patrocinada, sendo autorizado
aporte de recursos pelo poder público, no ritmo de execução de obras, apenas na
modalidade concessão administrativa.

RESPOSTA: A

COMENTÁRIOS

O assunto da questão é abordado no Ponto 12 (Direito Administrativo) da Turma


Extensiva de Magistratura Estadual.
O artigo foi destacado no Vade Mege TJ-AL, página 121.

(A) Correta.
Art. 2º, §1º, da Lei nº 11.079/2004:
§ 1º Concessão patrocinada é a concessão de serviços públicos ou de obras públicas de
que trata a Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, quando envolver, adicionalmente
à tarifa cobrada dos usuários contraprestação pecuniária do parceiro público ao parceiro
privado.

(B) Incorreta.
A parceria público-privada (PPP) é uma modalidade especial de concessão de serviços
públicos instituída pela Lei nº 11.079/04 e não substitui a concessão comum, que
permanece regulada pela Lei Federal nº 8.987/95. A PPP abrange duas espécies: (i)
concessão patrocinada e (ii) concessão administrativa, sendo, esta último, “o contrato
de prestação de serviços de que a Administração Pública seja a usuária direta ou
indireta, ainda que envolva execução de obra ou fornecimento e instalação de bens”
(art. 2º, §2º).

(C) Incorreta.
Art. 5º, III da Lei nº 11.079/04:

Art. 5º. As cláusulas dos contratos de parceria público-privada atenderão ao disposto no


art. 23 da Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, no que couber, devendo também
prever:
142
III - a repartição de riscos entre as partes, inclusive os referentes a caso fortuito, força
maior, fato do príncipe e álea econômica extraordinária.

(D) Incorreta.
De fato a Lei nº 11.079/04 estabeleceu que os contratos de PPP deverão ter um valor
mínimo de R$ 10.000.000,00 – dez milhões de reais (art. 2º, §4º, I). Tal exigência,
diferentemente do que propõe a alternativa, aplica-se as concessões patrocinada e
administrativa e não abrange as concessões comuns.

(E) Incorreta.
A remuneração pelo parceiro público ao parceiro privado se dará somente após a
disponibilização do serviço, podendo ser parcial, se fruível em partes, ressalvada a
possibilidade de o contrato prever o aporte de recursos em favor do parceiro privado
para a realização de obras e aquisição de bens reversíveis (art. 7º). Tal regra aplica-se a
ambas as espécies de concessão na modalidade PPP.

87. No que concerne aos institutos da prescrição e decadência, quando aplicados às


relações jurídicas que envolvem a Administração pública, tem-se que
(A) nas relações com os particulares que contratam com a Administração, o prazo
decadencial para aplicação de sanções deve ser o dobro do prazo de prescrição fixado
pelo Código Civil para as ações contra a Fazenda Pública.

(B) a decadência opera-se apenas em relação aos efeitos patrimoniais das relações
administrativas, impedindo, por exemplo, a cobrança de débitos tributários, porém
nunca extinguindo pretensões punitivas.

(C) o poder de autotutela conferido à Administração encontra limites temporais pela


ação da decadência, inclusive em relação ao dever de anular atos eivados de ilegalidade.

(D) o exercício do poder disciplinar pela Administração perante seus servidores não é
atingido pela decadência ou prescrição, eis que estas somente se operam em relação à
responsabilidade civil e penal dos servidores.

(E) os prazos prescricionais estabelecidos na legislação trabalhista não se aplicam às


ações ajuizadas, em face de entidades da Administração indireta, por servidores
contratados pelo regime celetista, as quais são informadas por regras próprias
estatutárias.
143

RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

(A) Incorreta.
Nas relações com os particulares que contratam com a Administração, a Fazenda Pública
está sujeito ao mesmo prazo decadencial que deve ser observado pelos particulares nas
ações contra a Fazenda Pública, em razão do princípio da isonomia.

(B) Incorreta.
A decadência opera-se apenas em relação aos efeitos patrimoniais das relações
administrativas, bem como em relação às pretensões punitivas.

(C) Correta.
Em observância ao princípio da segurança jurídica, o art. 54 da Lei nº 9.784/99, que
regula o processo administrativo no âmbito federal, estabelece que “o direito da
Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis
para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados,
salvo comprovada má-fé”.

(D) Incorreta.
Art. 142 da Lei nº 8.112/90:

Art. 142. A ação disciplinar prescreverá:


I - em 5 (cinco) anos, quanto às infrações puníveis com demissão, cassação de
aposentadoria ou disponibilidade e destituição de cargo em comissão;
II - em 2 (dois) anos, quanto à suspensão;
III - em 180 (cento e oitenta) dias, quanto à advertência.

(E) Incorreta.
O art. 7º, XXIX, da Constituição Federal estabelece que é direito do trabalhador a “ação,
quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de
cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a
extinção do contrato de trabalho”. Tal disposição aplica-se também ao servidor
contratado sob o regime celetista que, ao contrário do que afirma a alternativa, não está
sujeito a regime estatutário própria, mas sim às regras e disposições da CLT.

144
88. Os consórcios públicos são um instituto relativamente recente, representando uma
outra vertente em relação aos mais antigos consórcios administrativos. Referido
instituto, tal como atualmente regulado pela legislação federal (Lei no 11.107/2005),

(A) possui uma governança extremamente complexa em decorrência da obrigação de


participação da União, como ente consorciado, sempre que estiverem consorciados ao
menos dois Estados, ou um Estado e Municípios situados fora do território
correspondente.

(B) constitui uma alternativa de prestação de serviços públicos utilizada em substituição


a contratos de concessão, tendo como diferencial a possibilidade de outorga da
titularidade dos serviços de um ente federativo para uma entidade privada consorciada.

(C) é obrigatoriamente constituído como pessoa jurídica de direito público, mediante


prévia autorização legislativa, não admitindo estabelecimento de vínculo jurídico com
entidades privadas para compartilhamento de recursos financeiros.
(D) demanda prévia celebração de contrato de rateio entre os entes públicos e os
concessionários privados consorciados, com a definição clara das responsabilidades
pelos investimentos demandados para a execução de seu objeto.

(E) permite a gestão associada de serviços públicos pelos diferentes entes federativos,
com a possibilidade de conjugação de recursos fiscais, podendo o consórcio público ser
contratado, com dispensa de licitação, por entidades da Administração indireta dos
entes consorciados.

RESPOSTA: E

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na Rodada 03 da Turma de Reta Final TJ-AL.

(A) A Lei nº11.107/05 não estabelece qualquer obrigação para União participar dos
consórcios de que participem ao menos dois Estados, ou um Estado e Municípios
situados for a do território correspondente. Determina, ao contrário, em seu art. 1º, §
2º, que “a União somente participará de consórcios públicos em que também façam
145
parte todos os Estados em cujos territórios estejam situados os Municípios
consorciados”.

(B) Incorreta.
Os consórcios públicos estão previstos no art. 241, da CF/88, como mecanismo de
“gestão associada de serviços públicos e são formados unicamente por entes
federativos/políticos. Não é possível a participação de entidade privada, incluindo
entidades da Administração Indireta.

(C) Incorreta.
Art. 1º, § 1º da Lei nº 11.107/05:

§1º O consórcio público constituirá associação pública ou pessoa jurídica de direito


privado”.

(D) Incorreta.
O contrato de rateio não é requisito indispensável à constituição ou funcionamento do
consórcio, sendo formalizado apenas quando o objetivo for transferência de recursos
do ente consorciado ao consórcio público. É formalizado em cada exercício, pode viger
por mais de um exercício financeiro se incluído no plano plurianual ou custeio por tarifas
ou preços públicos (art. 8º).

(E) Correta.
Art. 2º, § 1º da Lei nº 11.107/05:

Art. 2º Os objetivos dos consórcios públicos serão determinados pelos entes da


Federação que se consorciarem, observados os limites constitucionais.
§ 1º Para o cumprimento de seus objetivos, o consórcio público poderá:
III – ser contratado pela administração direta ou indireta dos entes da Federação
consorciados, dispensada a licitação.

89. Suponha que tenha sido interposta ação de improbidade administrativa em face de
diretor de uma empresa na qual o Estado do Alagoas detém participação acionária
minoritária, apontando a ocorrência de prejuízos financeiros à companhia em face da
realização de investimentos em projetos deficitários. A inicial da ação judicial aponta,
ainda, a responsabilidade de Secretários de Estado na formatação de tais projetos e
possível conluio com o diretor da companhia para as aprovações societárias
correspondentes. Considerando as disposições da legislação aplicável, a referida
146
demanda afigura-se

(A) cabível, tanto em face do diretor como dos Secretários de Estado, limitando-se a
sanção patrimonial à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos à
companhia.

(B) cabível apenas em face dos Secretários de Estado, dada a necessária condição de
agentes públicos, respondendo o diretor da companhia exclusivamente na esfera civil.

(C) descabida, eis que não se verifica prejuízo a entidade pública ou a empresa na qual
o poder público detenha a maioria do capital social.

(D) cabível apenas em face do diretor da companhia, nos limites da conduta lesiva
apurada, não alcançando os Secretários de Estado, os quais poderão responder por
crime de responsabilidade.

(E) cabível apenas se apurada conduta dolosa dos imputados, eis que o elemento volitivo
doloso é determinante para a caracterização de atos de improbidade, que não admitem
modalidade culposa.
RESPOSTA: A

O assunto foi abordado no material da turma de reta final em videoaula específica sobre
improbidade administrativa.
O tema também foi antecipado na questão 86 do 247º Simulado Mege (TJ-AL).

COMENTÁRIOS

(A) Correta.
Art. 1º, parágrafo único, da Lei nº 8.429/92.

Art. 1º
Parágrafo único. Estão também sujeitos às penalidades desta lei os atos de improbidade
praticados contra o patrimônio de entidade que receba subvenção, benefício ou
incentivo, fiscal ou creditício, de órgão público bem como daquelas para cuja criação ou
custeio o erário haja concorrido ou concorra com menos de cinqüenta por cento do
patrimônio ou da receita anual, limitando-se, nestes casos, a sanção patrimonial à
repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos.
147
(B) Incorreta.
Art. 3° da Lei nº 8.429/92.

Art. 3º. As disposições desta lei são aplicáveis, no que couber, àquele que, mesmo não
sendo agente público, induza ou concorra para a prática do ato de improbidade ou dele
se beneficie sob qualquer forma direta ou indireta.

(C) Incorreta.
Art. 1º, parágrafo único, da Lei nº 8.429/92.

(D) Incorreta.
“Os agentes políticos, com exceção do Presidente da República, encontram-se sujeitos
a um duplo regime sancionatório, de modo que se submetem tanto à responsabilização
civil pelos atos de improbidade administrativa, quanto à responsabilização político-
administrativa por crimes de responsabilidade”. (Pet 3240 AgR, Relator: Min. Teori
Zavascki, Relator p/ Acórdão: Min. Roberto Barroso, Tribunal Pleno, julgado em
10/05/2018)

(E) Incorreta.
Os atos de improbidade que causam prejuízo ao erário admitem a modalidade culposa,
isso ocorre porque o art. 10 da Lei de Improbidade é o único que dispõe expressamente
acerca da conduta culposa, nos seguintes termos: “Constitui ato de improbidade
administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa,
que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos
bens ou haveres das entidades referidas no art. 1º desta lei (...)”.

90. Suponha que uma autarquia estadual pretenda alienar alguns imóveis de sua
propriedade, objetivando a obtenção de receitas para a aquisição de um imóvel situado
em região mais central da cidade e no qual pretende concentrar suas atividades.
Considerando o regime jurídico aplicável aos bens públicos, bem como as disposições
da Lei federal no 8.666/1993,

(A) as alienações e as aquisições prescindem de autorização legislativa, devendo,


contudo, haver despacho motivado do dirigente da autarquia, avaliação prévia dos
imóveis e adoção de procedimento licitatório para cada um dos negócios jurídicos, na
modalidade leilão ou concorrência.
148
(B) a aquisição do novo imóvel depende de prévia autorização legislativa para afetação
às finalidades da autarquia, devendo ser efetuada por procedimento licitatório na
modalidade concorrência, aplicando-se as mesmas exigências em relação às alienações.

(C) o caráter de inalienabilidade dos imóveis pertencentes à entidade de direito público


impede a sua venda, salvo em se tratando de aquisição por meio de desapropriação.

(D) as alienações dependem de prévia autorização legislativa, admitindo-se a permuta


de imóvel(is) que se pretende alienar por outro que atenda às necessidades atuais de
instalação e localização da autarquia, com dispensa de licitação, observados os valores
de mercado.

(E) a autarquia poderá vender ou permutar os imóveis em questão, mediante


autorização legislativa específica para o negócio jurídico escolhido, afastando-se, em
ambos os casos, a necessidade de prévio procedimento licitatório.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na Rodada 03 da Turma de Reta Final TJ-AL.

Em nossa rodada de reta final sobre licitações, explicamos o ss. sobre a alienação de
imóveis da Administração Pública:

• Imóveis da Administração Pública de Direito Público NÃO adquiridos em processo


judicial ou por dação em pagamento: autorização legislativa + interesse público +
avaliação prévia + licitação por concorrência;
• Imóveis de Sociedade de Economia Mista e Empresa Pública NÃO adquiridos em
processo judicial ou por dação em pagamento: interesse público + avaliação prévia
+ licitação por concorrência. NÃO SE EXIGE AUTORIZAÇÃO LEGISLATIVA;
• Imóveis de qualquer órgão/entidade adquiridos em processo judicial ou por dação
em pagamento: avaliação prévia + utilidade + licitação por concorrência ou leilão.
NÃO SE EXIGE AUTORIZAÇÃO LEGISLATIVA;
• Móveis de qualquer órgão/entidade: interesse público + avaliação prévia + licitação
(leilão, se até R$ 1.430.000,00). NÃO HÁ AUTORIZAÇÃO LEGISLATIVA.

Por sua vez, sobre a permuta de imóveis da Administração, constou de nosso material o 149
quanto previsto no art. 17, I, “c”, da Lei Federal nº 8.666/1993:

Art. 17. A alienação de bens da Administração Pública, subordinada à existência de


interesse público devidamente justificado, será precedida de avaliação e obedecerá às
seguintes normas:
I – quando imóveis, dependerá de autorização legislativa (!) para órgãos da
administração direta e entidades autárquicas e fundacionais, e, para todos, inclusive as
entidades paraestatais, dependerá de avaliação prévia e de licitação na modalidade de
concorrência, dispensada esta nos seguintes casos:
a) dação em pagamento;
b) doação, permitida exclusivamente para outro órgão ou entidade da administração
pública, de qualquer esfera de governo, ressalvado o disposto nas alíneas f, h e i;
c) permuta, por outro imóvel que atenda aos requisitos constantes do inciso X do art.
24 desta Lei;

[...]

Art. 24. É dispensável a licitação:


[...]
X - para a compra ou locação de imóvel destinado ao atendimento das finalidades
precípuas da administração, cujas necessidades de instalação e localização condicionem
a sua escolha, desde que o preço seja compatível com o valor de mercado, segundo
avaliação prévia; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994)

Assim, por se tratar de autarquia, pessoa jurídica de direito público, a alienação do


imóvel depende de autorização legislativa, demonstração de interesse público,
avaliação prévia e licitação na modalidade concorrência, dispensada esta, dentre outras
hipóteses, quando se tratar de permuta por outro imóvel que atenda às finalidades
precípuas da Administração, cujas necessidades de instalação e localização condicionem
a sua escolha e desde que o preço seja compatível com o valor de mercado.

91. Considerando as medidas de organização da Administração Pública necessárias para


o desempenho de suas atividades, operadas a partir dos mecanismos de
desconcentração e de descentralização, nos limites estabelecidos pela Constituição
Federal, tem-se que a

(A) desconcentração e a descentralização pressupõem a criação de novos entes, com


personalidade jurídica própria, no primeiro caso para execução direta e, no segundo,
para execução indireta de atividades públicas.
150
(B) descentralização por colaboração é utilizada precipuamente para transferência da
titularidade de serviços públicos para a iniciativa privada ou organizações do terceiro
setor, mediante delegação operada pelos institutos da concessão ou permissão.

(C) criação de órgãos públicos é uma expressão da desconcentração, porém extravasa a


competência do Chefe do Executivo para dispor, mediante decreto, sobre organização
da Administração, sendo matéria de reserva de lei formal.

(D) desconcentração pressupõe a criação de outros entes públicos ou privados,


integrantes da estrutura administrativa, enquanto a descentralização refere-se à mera
realocação de competências dentro da estrutura existente.

(E) descentralização ocorre sempre que se cria um novo órgão com plexo de atribuições
próprias, o que se insere na competência normativa e regulamentar do Chefe do
Executivo para dispor sobre organização administrativa.

RESPOSTA: C
COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na Rodada 09 da Turma de Reta Final TJ-AL.


O artigo foi destacado no Vade Mege TJ-AL, página 80.

A descentralização administrativa é o processo por meio do qual o Estado atribui função


administrativa a outras pessoas, a par de sua Administração Direta. Pressupõe,
portanto, duas pessoas distintas: o Estado (por meio de sua Administração Direta) e a
pessoa outra que executará determinada atividade administrativa. Não existe relação
de subordinação (hierarquia) entre as pessoas envolvidas. Entre a Administração Direta
e a Administração Indireta ou particular colaborador existe mero controle finalístico,
tutela administrativa ou supervisão, nos limites da lei ou da delegação.

A Professora Maria Sylvia DI PIETRO classifica a descentralização administrativa em:

• POR OUTORGA, POR SERVIÇOS, TÉCNICA, FUNCIONAL OU LEGAL: há a transferência


da titularidade e da execução do serviço, somente podendo ser feita por meio de lei.
É a espécie de descentralização responsável pela criação das entidades da
Administração Indireta (autarquias, fundações públicas, sociedades de economia


mista e empresas públicas);
POR DELEGAÇÃO OU POR COLABORAÇÃO: há a transferência apenas da execução
151
do serviço, sendo realizada por contrato (para os particulares – concessionários e
permissionários de serviços públicos) e por ato administrativo (para particulares -
autorizatários de serviço público – Ex.: táxi);
• TERRITORIAL OU GEOGRÁFICA: ocorre nos Estados unitários, em que as entidades
locais, geograficamente delimitadas, são dotadas de personalidades jurídicas
próprias, de direito público, com capacidade administrativa genérica. Observe-se
que esses entes locais não possuem autonomia política, mas mera capacidade
administrativa genérica. É o que se dá na França, Itália e Bélgica, que se dividem
internamente em Departamentos, Regiões, Províncias ou Comunas. Verificou-se no
Brasil na época do Império. Não tem grande relevância para o Direito Administrativo
Brasileiro.

A seu turno, a desconcentração administrativa configura-se pela distribuição interna de


competências no âmbito de uma mesma pessoa jurídica. Há uma especialização interna,
acometendo-se funções específicas a novos órgãos.

Finalmente, o chamado “decreto autônomo”, de competência do Chefe do Poder


Executivo, jamais poderá criar ou extinguir órgãos públicos, conforme disposto no art.
84, VI, da CF/88:
• organização e funcionamento da Administração, desde que não implique aumento
de despesa nem criação ou extinção de ÓRGÃOS públicos;
• extinção de funções ou CARGOS públicos, quando vagos.

92. Considere que em um contrato de concessão rodoviária, regido pela Lei federal no
8.987/1995, tenha sido atribuída à concessionária a obrigação de realização de
determinadas obras de recuperação e ampliação da rodovia, ficando a cargo do poder
concedente a realização de algumas obras de pequena monta na mesma malha
rodoviária, que já estavam sendo executadas por empresas contratadas pela Lei no
8.666/1993. Ocorre que, em virtude da falência da empresa contratada, uma dessas
obras de responsabilidade do poder concedente foi paralisada e o contrato
correspondente, rescindido. Considerando tratar-se de obra indispensável para
assegurar a fluidez do tráfego na rodovia concedida, o poder concedente alterou
unilateralmente o contrato de concessão, para incluir a conclusão da referida obra como
obrigação da concessionária, procedendo ao reequilíbrio econômico financeiro
mediante aditamento contratual prevendo a prorrogação do prazo de concessão. De
acordo com as disposições legais aplicáveis, conduta do poder concedente

(A) será legítima se não ultrapassado o prazo máximo de trinta e cinco anos para a
152
exploração dos serviços concedidos e observado o limite de vinte e cinco por cento do
valor do contrato de concessão, calculado tomando por base os investimentos
originalmente alocados como responsabilidade da concessionária.

(B) somente será legítima se comprovada a necessidade do aditamento como condição


para manutenção da regularidade e atualidade do serviço e observado o limite de vinte
e cinco por cento do valor original do contrato de obras, devidamente atualizado.

(C) não encontra embasamento legal, eis que a manutenção da fluidez do tráfego é uma
obrigação essencial à regularidade dos serviços concedidos, ficando os custos
extraordinários para sua manutenção por conta e risco da concessionária.

(D) é legítima do ponto de vista da inclusão da obra como obrigação da concessionária,


dado o princípio da mutabilidade dos contratos administrativos, porém não quanto à
ampliação do prazo de concessão, eis que o reequilíbrio somente poderia ser feito
mediante aumento da tarifa.

(E) será legítima se não importar alteração do objeto definido no instrumento


convocatório, não estando o poder concedente obrigado a observar o limite de vinte e
cinco por cento do valor do contrato regido pela Lei no 8.666/1993 para fins da alteração
unilateral imposta no contrato de concessão.

RESPOSTA: E

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na Rodada 03 da Turma de Reta Final TJ-AL.


O artigo foi destacado no Vade Mege TJ-AL, página 117.

A Lei Federal nº 13.334/2016 criou o Programa de Parceria de Investimentos – PPI,


destinado à ampliação e fortalecimento da interação entre o Estado e a iniciativa privada
por meio da celebração de contratos de parceria para a execução de empreendimentos
públicos de infraestrutura e de outras medidas de desestatização (art. 1º, caput). Para
os fins desta Lei, consideram-se contratos de parceria a concessão comum, a concessão
patrocinada, a concessão administrativa, a concessão regida por legislação setorial, a
permissão de serviço público, o arrendamento de bem público, a concessão de direito
real e os outros negócios público-privados que, em função de seu caráter estratégico e
de sua complexidade, especificidade, volume de investimentos, longo prazo, riscos ou
153
incertezas envolvidos, adotem estrutura jurídica semelhante (art. 1º, § 2º).

Por sua vez, a Lei 13.448/2017, trouxe diretrizes gerais para prorrogação e relicitação
dos contratos de parceria definidos nos termos da Lei nº 13.334/2016, nos setores
rodoviário, ferroviário e aeroportuário da administração pública federal. Como visto, os
contratos de concessão comum da Lei Federal nº 8.987/1995, a exemplo do da questão
sob análise, estão abrangidos pela disciplina dessa novel legislação, notadamente sobre
a possibilidade de prorrogação (contratual e antecipada) e relicitação. De acordo com
o art. 4º desta Lei:

Art. 4º Para os fins desta Lei, considera-se:


I - prorrogação contratual: alteração do prazo de vigência do contrato de parceria,
expressamente admitida no respectivo edital ou no instrumento contratual original,
realizada a critério do órgão ou da entidade competente e de comum acordo com o
contratado, em razão do término da vigência do ajuste;
II - prorrogação antecipada: alteração do prazo de vigência do contrato de parceria,
quando expressamente admitida a prorrogação contratual no respectivo edital ou no
instrumento contratual original, realizada a critério do órgão ou da entidade
competente e de comum acordo com o contratado, produzindo efeitos antes do término
da vigência do ajuste;
III - relicitação: procedimento que compreende a extinção amigável do contrato de
parceria e a celebração de novo ajuste negocial para o empreendimento, em novas
condições contratuais e com novos contratados, mediante licitação promovida para
esse fim.

Vale consignar, ademais, que os contratos de concessão de serviço público são espécie
de contrato administrativo, daí porque estão submetidos, naquilo que não contrastar
com a legislação específica, à disciplina da Lei Federal nº 8.666/1993.

(A) Incorreta.
O prazo máximo de 35 anos é previsto para as concessões especiais da Lei Federal nº
11.079/2004 (parcerias público-privadas – concessões patrocinada e administrativa)
(art. 5º, I), e não para as concessões comuns da Lei Federal nº 8.987/1995, esta que
determina apenas que o contrato deve ter prazo determinado (arts. 2º, III, e 5º) [sem
embargo, as concessões da Lei Federal nº 9.074/1995 possuem prazo máximo de
duração: para geração de energia elétrica, 35 anos, prorrogáveis por igual período; para
transmissão e distribuição de energia elétrica, 30 anos]. A seu turno, os limites da
alteração unilateral previstos nos §§ 1º e 2ºdo art. 65 da Lei no 8.666/1993 não se
aplicam às concessões de serviços públicos (comuns e PPP’s), conforme consta
expressamente da Lei Federal nº 13.448/2017:
154
Art. 22. As alterações dos contratos de parceria decorrentes da modernização, da
adequação, do aprimoramento ou da ampliação dos serviços não estão condicionadas
aos limites fixados nos §§ 1º e 2º do art. 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993 .

(B) Incorreta.
Vide comentários à letra “A”.

(C) Incorreta.
Embora a Administração possa alterar unilateralmente o contrato de concessão para
“melhor adequação às finalidades de interesse público”, ela deverá respeitar os direitos
do contratado, dentre os quais o equilíbrio econômico-financeiro (art. 58, caput, I, e §
2º, da Lei Federal nº 8.666/1993). Esse equilíbrio, garantido constitucionalmente nos
contratos administrativos (art. 37, XXI, CF/88), leva em conta os riscos ordinários do
negócio, previstos e assumidos pelas partes nos exatos termos do instrumento
contratual. A álea econômica extraordinária e extracontratual, por sua vez, não
considerada inicialmente para a fixação dos encargos do contratado e da retribuição da
administração, não é assumida pelo concessionário, sendo causa de revisão contratual,
justamente para recompor o equilíbrio econômico-financeiro vislumbrado no
instrumento contratual (art. 65, II, “d”, da Lei Federal nº 8.666/1993). Inclusive, o § 2º
desse mesmo art. 65 é peremptório ao afirmar que “Em havendo alteração unilateral do
contrato que aumente os encargos do contratado, a Administração deverá restabelecer,
por aditamento, o equilíbrio econômico-financeiro inicial”. Nessa mesma linha, o § 4º
do art. 8º da Lei Federal nº 8.987/1995 prevê que, “Em havendo alteração unilateral do
contrato que afete o seu inicial equilíbrio econômico-financeiro, o poder concedente
deverá restabelecê-lo, concomitantemente à alteração”.

(D) Incorreta.
O art. 6º da Lei Federal 13.448/2017 consigna que a “A prorrogação antecipada ocorrerá
por meio da inclusão de investimentos não previstos no instrumento contratual vigente,
observado o disposto no art. 3º desta Lei”, justamente como ocorre com a obra
indispensável à fluidez do tráfego na rodovia concedida. Temos, assim, que a
prorrogação antecipada é mecanismo de recomposição do equilíbrio econômico-
financeiro, agora admitido expressamente em lei.

(E) Correta.
A alteração unilateral qualitativa do contrato (art. 65, I, da Lei Federal nº 8.666/1993)
jamais poderá desvirtuar o objeto do contrato, sob pena de burla ao princípio
constitucional da licitação. A seu turno, como visto, a alteração unilateral da concessão
rodoviária não precisa observar os limites da Lei Federal nº 8.666/1993.

155
93. De acordo com as disposições da Lei federal no 13.019/2014, o estabelecimento de
parcerias entre o poder público e entidades da sociedade civil sem fins lucrativos, para
a execução de planos de trabalho por estas propostos,

(A) se dá mediante termo de fomento, se envolver transferência de recursos públicos,


vedada a celebração de convênio para tal finalidade.

(B) não pode envolver, direta ou indiretamente, a transferência de recursos públicos à


entidade.

(C) deve ser precedido de procedimento licitatório, na modalidade convite, salvo em se


tratando de entidades de assistência social.

(D) deve ser feito mediante contrato de gestão, apenas com entidades pré-qualificadas.

(E) deve ser precedido de chamamento público, obrigando-se o poder público a celebrar
termo de parceria com a entidade melhor classificada.
RESPOSTA: A

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado nas Rodada 03 e 09 da Turma de Reta Final TJ-AL.

(A) Correta.
Nos termos do art. 2º, VIII, o termo de fomento é o “instrumento por meio do qual são
formalizadas as parcerias estabelecidas pela administração pública com organizações da
sociedade civil para a consecução de finalidades de interesse público e recíproco
propostas pelas organizações da sociedade civil, que envolvam a transferência de
recursos financeiros”. Ademais, o art. 84-A da Lei Federal nº 13.019/2014 é peremptório
no sentido de que os convênios são instrumentos restritos à colaboração interfederativa
(entre entes federados ou pessoas a eles vinculados) e à parceria com entidades não
estatais no âmbito do SUS (art. 199, § 1º, da CF/88).

(B) Incorreta.
Todas as modalidades de parceria da Lei Federal nº 13.019/2014 podem envolver a
transferência de recursos públicos. Isso vale até mesmo para o acordo de cooperação,
o qual apenas não pode envolver a transferência de recursos FINANCEIROS (art. 2º, VIII-
156
A).

(C) Incorreta.
Nos termos da Lei 13.019/2014, as parcerias com organizações da sociedade civil não
estão submetidas à licitação, sendo as entidades selecionadas, em regra, por meio de
chamamento público (arts. 2º, XII, e 23-32).

(D) Incorreta.
O contrato de gestão é outra modalidade de parceria com entidades da sociedade civil
sem fins lucrativos, estando disciplinada pela Lei Federal nº 9.637/1998, não se lhe
aplicando a Lei Federal nº 13.019/2014, conforme preconiza o art. 3º, III, desta última
Lei.

(E) Incorreta.
O § 6º do art. 27 da Lei Federal nº 13.019/2014 é expresso no sentido de que a
homologação do resultado do chamamento público não gera direito para a organização
da sociedade civil melhor classificada à celebração da parceria.
94. A atuação da Administração Pública se dá sob diferentes formas, sendo o exercício
do poder de polícia uma de suas expressões,

(A) presente na aplicação de sanções a particulares que contratam com a Administração


ou com ela estabelecem qualquer vínculo jurídico, alçando a Administração a uma
posição de supremacia em prol da consecução do interesse público.

(B) presente nas limitações administrativas às atividades do particular, tendo como


principal atributo a imperatividade, que assegura a aplicação de medidas repressivas,
independentemente de previsão legal expressa, a critério do agente público.

(C) dotada de exigibilidade, que confere meios indiretos para sua execução, como a
aplicação de multas, e admitindo, quando previsto em lei ou para evitar danos
irreparáveis ao interesse público, a autoexecutoriedade, com o uso de meios diretos de
coação.

(D) verificada apenas quando há atuação repressiva do poder público, tanto na esfera
administrativa, com aplicação de multas e sanções, como na esfera judiciária, com
apreensão de bens e restrições a liberdades individuais.

(E) dotada de imperatividade, porém não de coercibilidade, pressupondo, assim, a


157
prévia autorização judicial para a adoção de medidas que importem restrição à
propriedade ou liberdade individual.

RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na Rodada 08 da Turma de Reta Final TJ-AL.

(A) Incorreta. O poder de polícia alcança os particulares em geral, independentemente


de uma relação especial com a Administração Pública. É por isso que, na esteira da
classificação italiana de Renato ALESSI, trazida ao Brasil por Oswaldo Aranha Bandeira
de MELLO, fala-se que o poder de polícia é exercido com fundamento na sujeição geral,
em oposição à sujeição especial, que recai sobre aqueles que mantêm com a
Administração algum vínculo especial, como os alunos de uma escola pública ou os
celebrantes de contrato com o Estado.
(B) Incorreta. A imperatividade do ato de polícia consiste em sua aptidão de interferir
na esfera jurídica de terceiros independentemente de sua anuência ou da intervenção
do Poder Judiciário, impondo deveres ou obrigações aos cidadãos. Por se tratar de
restrição às liberdades, deve possuir fundamento em lei, não se relegando ao alvitre do
administrador.

(C) Correta. Não presente em todos os atos administrativos, a autoexecutoriedade


consiste na possibilidade de o ato ser executado imediata e diretamente pela própria
Administração, independentemente de ordem ou autorização judicial ou de
participação do destinatário. Conforme ensina Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a
autoexecutoriedade depende de expressa previsão legal ou de uma situação de
urgência, neste último caso quando indispensável à proteção do interesse público. Celso
Antônio Bandeira de Mello desmembra a autoexecutoriedade em exigibilidade e
executoriedade, explicando se tratar a primeira dos meios indiretos de constrangimento
do destinatário do ato administrativo e a primeira dos meios diretos de execução
imediata do ato pela própria Administração. Para o autor, somente a segunda é que
depende de previsão em lei (ou situação de urgência).

(D) Incorreta. Como sabido, o poder de polícia também se manifesta de forma


preventiva, notadamente por meio de normas regulamentares expedidas pela
Administração para limitar a liberdade e a propriedade. É o caso, por exemplo, das
158
limitações administrativas urbanísticas e ambientais.

(E) Incorreta. A coercibilidade (exigibilidade) está presente em geral nos atos de polícia,
não sendo necessária autorização judicial para impor restrições à esfera jurídica dos
cidadãos.
DIREITO AMBIENTAL

95. A disciplina constitucionalmente estabelecida para a proteção do meio ambiente


introduziu, como obrigação do poder público, a definição dos espaços territoriais a
serem especialmente protegidos,

(A) definidos na própria Constituição Federal, podendo o constituinte estadual, por


simetria, definir os espaços localizados no respectivo território passíveis do mesmo nível
de proteção máxima.

(B) trazendo a necessidade de definição, por lei complementar federal, dos requisitos
mínimos para que Estados e Municípios possam instituir as limitações e medidas
protetivas próprias de tal instituto.

(C) conferindo à União, em caráter privativo, a prerrogativa de identificar, em cada


unidade da federação, as áreas passíveis de receber esse grau máximo de proteção
ambiental.

(D) impondo tal obrigação a todas as unidades da federação, sem, contudo, estabelecer
um conceito único de espaço territorial especialmente protegido, podendo tal proteção
159
alcançar áreas públicas ou privadas.

(E) os quais devem integrar o domínio público, impondo, assim, a necessidade de


desapropriação quando a área que contemple os atributos passíveis de tal grau de
proteção pertença a particular.

RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na aula de revisão e rodada específica da turma de


reta final.
O tema foi antecipado na questão 99 do 266º Simulado Mege (TJ-AL II).

Art. 225, § 1º da CF - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder


Público: (...) III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus
componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão
permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a
integridade dos atributos que justifiquem sua proteção;

96. Suponha que tenha sido editada uma lei estadual capitulando como crime a caça e
o abate de animais em todo o Estado, em áreas públicas ou privadas, inclusive em
relação a espécies exóticas invasoras. A constitucionalidade do referido diploma foi
contestada em face do seu potencial de dano ao meio ambiente, eis que espécies já
reconhecidamente nocivas, como o javali, vêm se proliferando de forma desordenada e
causando danos efetivos à biodiversidade, além de risco à segurança e saúde da
população de áreas rurais. Para a avaliação do apontado vício de inconstitucionalidade,
cumpre considerar que

(A) a legislação estadual afigura-se compatível com as normas gerais editadas pela União
sobre crimes ambientais (Lei federal nº 9.605/1998) que proíbem a caça para controle
populacional, independentemente de tratar-se de espécie nociva, admitindo apenas
medidas de mitigação como captura e esterilização dos animais.

(B) o Estado, no exercício da competência concorrente, possui ampla liberdade para


definir e tipificar as condutas lesivas à sua fauna nativa, independentemente da
160
tipificação da legislação federal, especialmente em relação às denominadas espécies
exóticas, expressamente excluídas da proteção estabelecida pela Lei nº 9.605/1998.

(C) a legislação federal que tipifica os crimes contra o meio ambiente, editada ao amparo
da competência da União para estabelecer normas gerais de proteção da fauna e do
meio ambiente (Lei nº 9.605/1998), não considera crime a caça de animais nocivos,
desde que assim caracterizados pelo órgão competente.

(D) o Estado não possui competência para legislar sobre a matéria, que é privativa da
União, e já integralmente exercida nos termos da Lei federal nº 9.605/1998, que admite
expressamente a caça e o abate do javali e de outras espécies nocivas elencadas em rol
taxativo anexo ao referido diploma federal.

(E) a legislação federal que dispõe sobre sanções a condutas e atividades lesivas ao meio
ambiente (Lei nº 9.605/1998) disciplinou, de forma exaustiva, as hipóteses de proibição
da caça, vedando apenas a caça esportiva e aquela com finalidade meramente
recreativa, não havendo, assim, espaço para os estados legislarem sobre o tema em
caráter suplementar.
RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

O assunto da questão é tratado no ponto 09 da Turma Extensiva de Magistratura


Estadual.

Art. 37 da Lei 9.605/98 - Não é crime o abate de animal, quando realizado: (...) IV - por
ser nocivo o animal, desde que assim caracterizado pelo órgão competente.

97. A política nacional de recursos hídricos instituída pela Lei nº 9.433/1997, estabelece,
como um de seus instrumentos

(A) a possibilidade de cobrança pelo uso de recursos hídricos sujeitos a outorga, o que
não se confunde com taxa ou tarifa cobrada pelo fornecimento domiciliar de água
tratada e coleta de esgoto.

(B) a outorga onerosa dos direitos de uso dos recursos hídricos, conferida
161
exclusivamente para geração de energia por pequenas centrais hidrelétricas, com
potencial de geração de até 30 MW.

(C) os planos de recursos hídricos, elaborados de forma centralizada pela Agência


Nacional de Águas (ANA) e de aplicação compulsória pelos Estados e Municípios que
integrem a correspondente Bacia Hidrográfica.

(D) o sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos, órgão do Ministério de


Minas e Energia responsável pelo licenciamento ambiental de hidrelétricas e outros
empreendimentos que impactem de forma relevante as reservas hídricas disponíveis.

(E) a classificação indicativa de cursos de água, com o enquadramento dos rios e


afluentes de todo o território nacional nas categorias “A”, “B” ou “C”, conforme a
prioridade, respectivamente, para consumo humano, dessedentação de animais ou
geração de energia elétrica.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na Rodada 09 da Turma de Reta Final TJ-AL.

Art. 5º da Lei 9.433/97 - São instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos:


I - os Planos de Recursos Hídricos;
II - o enquadramento dos corpos de água em classes, segundo os usos preponderantes
da água;
III - a outorga dos direitos de uso de recursos hídricos;
IV - a cobrança pelo uso de recursos hídricos;
V - a compensação a municípios;
VI - o Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos.

Art. 19 da Lei 9.433/97 - A cobrança pelo uso de recursos hídricos objetiva: I - reconhecer
a água como bem econômico e dar ao usuário uma indicação de seu real valor; II -
incentivar a racionalização do uso da água; III - obter recursos financeiros para o
financiamento dos programas e intervenções contemplados nos planos de recursos
hídricos.

Art. 20 da Lei 9.433/97 - Serão cobrados os usos de recursos hídricos sujeitos a outorga,
nos termos do art. 12 desta Lei.
162
Dessa forma, a cobrança pelo uso da água é prevista pela Política Nacional de Recursos
Hídricos. Esta possui os seguintes objetivos: obter verba para a recuperação das bacias
hidrográficas brasileiras, estimular o investimento em despoluição, dar ao usuário uma
sugestão do real valor da água e incentivar a utilização de tecnologias limpas e
poupadoras de recursos hídricos. Entretanto, essa cobrança não é um imposto ou
tarifa cobrados pelas distribuidoras de águas na cidade, mas sim uma remuneração pelo
uso de um bem público.

98. Considerando a competência dos órgãos dos diferentes entes federativos para
licenciamento de empreendimentos potencialmente poluidores, tem-se que, a partir da
edição da Lei Complementar no 140/2011,

(A) na hipótese de o empreendimento demandar, adicionalmente, a supressão de


vegetação nativa, a competência do Estado para o licenciamento é deslocada para a
União, a quem cabe, privativamente, o estabelecimento das medidas de mitigação e
compensação.
(B) restou expressamente vedada a delegação de atribuições fixadas pela lei para as
diferentes esferas de governo, admitindo-se a atuação de órgão de outro ente
federativo apenas em caráter supletivo para apoio técnico.

(C) admite-se a cooperação entre diferentes órgãos licenciadores, exclusivamente para


fiscalização e aplicação de multas, cujo produto deverá reverter integralmente para o
órgão incumbido da fiscalização direta.

(D) cada empreendimento ou atividade serão submetidos a licenciamento ambiental de


um único ente federativo, o qual terá competência também para fiscalizar e lavrar autos
de infração correlatos à atividade ou empreendimento licenciado.

(E) foram estabelecidas medidas para atuação coordenada dos entes federativos no
exercício de suas competências para ações administrativas de proteção ao meio
ambiente, atribuindo-se aos municípios apenas atuação subsidiária posto que não
detêm competência originária para ações de tal natureza.

RESPOSTA: D
163
COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na Rodada 06 da Turma de Reta Final TJ-AL.

Art. 13 da LC 140/2011 - Os empreendimentos e atividades são licenciados ou


autorizados, ambientalmente, por um único ente federativo, em conformidade com as
atribuições estabelecidas nos termos desta Lei Complementar.

Art. 17 da LC 140/2011 - Compete ao órgão responsável pelo licenciamento ou


autorização, conforme o caso, de um empreendimento ou atividade, lavrar auto de
infração ambiental e instaurar processo administrativo para a apuração de infrações à
legislação ambiental cometidas pelo empreendimento ou atividade licenciada ou
autorizada.

99. Suponha que determinado proprietário rural deseje instituir servidão ambiental na
área de sua propriedade, incidente sobre a parcela correspondente à reserva legal
mínima imposta nos termos do Código Florestal (Lei nº 12.651/2012). Tal pretensão
(A) será viável se a reserva legal determinada para a região for inferior a vinte por cento
da área, devendo a servidão estabelecer as mesmas limitações e restrições ao uso da
área impostas por força da reserva legal.

(B) somente poderá ser acolhida se a servidão for instituída em caráter perpétuo e
gratuito e devidamente averbada na matrícula do imóvel.

(C) poderá ser acolhida, a critério do órgão ambiental competente, desde que a
propriedade não esteja localizada em área de proteção permanente.

(D) afigura-se inviável, eis que a instituição da servidão se dá exclusivamente por ato do
poder público, para proibir ou restringir o uso de parcela da propriedade objetivando a
preservação dos recursos naturais nela existentes.

(E) não encontra amparo legal, eis que a servidão ambiental constitui uma limitação
voluntária instituída pelo proprietário da área que não substitui ou reduz as limitações
impostas pela reserva legal mínima.

RESPOSTA: E
164
COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na Rodada 09 da Turma de Reta Final TJ-AL.

Art. 9º-A, § 2º da Lei 6.938/81 - A servidão ambiental não se aplica às Áreas de


Preservação Permanente e à Reserva Legal mínima exigida. (Redação dada pela Lei nº
12.651, de 2012).

100. Considerando a natureza e as peculiaridades do dano ambiental, seu regime


jurídico e o entendimento jurisprudencial e doutrinário acerca da sua apuração,
reparabilidade e responsabilização, considere as assertivas abaixo:

I. A responsabilidade civil em caso de dano ambiental causado em decorrência do


exercício de atividade com potencial de degradação ambiental é de natureza objetiva e
independe, portanto, de comprovação de dolo ou culpa.
II. A reparação do dano ambiental deve ocorrer, preferencialmente, de forma indireta,
com o pagamento de indenização e aplicação de sanções pecuniárias de cunho
inibitório.

III. O dano ambiental é de caráter coletivo ou difuso, podendo, contudo, impactar


também direitos individuais, materializando-se assim o denominado efeito ricochete na
forma de dano reflexo.

IV. Inexiste a figura do dano moral ambiental, havendo a obrigação de reparar apenas
danos patrimoniais, ainda que causados a bens imateriais (ou incorpóreos), como o
equilíbrio ambiental e a qualidade de vida da população.

Está correto o que se afirma APENAS em

(A) I e IV.
(B) I e III.
(C) III e IV.
(D) I e II.
(E) II e IV.

165
RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado em rodada específica da Turma de Reta Final TJ-AL.
O tema do item I foi antecipado na questão 96 do 266º Simulado Mege (TJ-AL II).
O artigo foi destacado no Vade Mege TJ-AL, página 108.

(I) Correto. Art. 14, § 1º da Lei 6.938/81 - Sem obstar a aplicação das penalidades
previstas neste artigo, é o poluidor obrigado, independentemente da existência de
culpa, a indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros,
afetados por sua atividade. O Ministério Público da União e dos Estados terá
legitimidade para propor ação de responsabilidade civil e criminal, por danos causados
ao meio ambiente (Responsabilidade Objetiva).

(II) Incorreto. A preferência será sempre pela RECUPERAÇÃO do meio ambiente de


forma direta. Somente quando não for possível, haverá a reparação de forma indireta.
(III) Correto. O meio ambiente sadio pertence à categoria de DIREITO FUNDAMENTAL
DE TERCEIRA GERAÇÃO, possuindo NATUREZA TRANSINDIVIDUAL e DIFUSA. Entretanto,
os danos ao meio ambiente podem também impactar na esfera individual (ex.:
pescadores impossibilitados de exercer sua atividade).

(IV) Incorreto. É entendimento consolidado da doutrina e jurisprudência que é cabível


condenação por danos morais em razão de danos causados ao meio ambientai, inclusive
danos morais coletivos.
(...)
4. O dano moral coletivo ambiental atinge direitos de personalidade do grupo
massificado, sendo desnecessária a demonstração de que a coletividade sinta a dor, a
repulsa, a indignação, tal qual fosse um indivíduo isolado. (...) (REsp 1269494/MG, Rel.
Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 24/09/2013)

166

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