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UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE

CENTRO DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES - CFP


DISCIPLINA TEXTO E DISCURSO – SEMESTRE 2020.2
PROFª. DRª. TELMA CRISTINA GOMES DA SILVA

Aluno (a) Josefa Amanda Dias de Souza

ESTUDO DIRIGIDO

1. Para Martins (1982), três são os níveis de leituras. Discorra sobre cada um deles e
exemplifique-os. (3,0 pts.)

a) Leitura sensorial

A visão, o tato, a audição, o olfato e o gosto podem ser apontados como os referenciais
mais elementares do ato de ler. (MARTINS, 1992, p. 40)
Com base na obra de Martins, compreendemos que a leitura sensorial é a responsável
pelas preferências do indivíduo em relação aos sentidos, ela nos acompanha desde a
infância, e perdura por toda a vida.
Sendo assim, a criança tem a possibilidade de descobrir o mundo a sua volta a partir da
leitura sensorial. Com os sentidos instigados pela curiosidade, podemos constatar que a
criança expressa-se com maior e mais espontaneamente, a mesma consegue descobrir
uma forma de prazer que lhe proporciona uma visão diferente daquela em que vivia
instantes atrás.
Compreendemos portanto, que na leitura sensorial cada pessoa reage a um estímulo de
seu próprio modo, ou seja, irá ler a seu modo. Por exemplo: você vai ao shopping. Como
você age? Há produtos que encantam… ignoram.. Na leitura acontece a mesma coisa.
Por isso, na leitura observamos mais sutilezas e mistérios do que a simples
decodificação das palavras escritas. É através dessa leitura que vamos nos revelando
para nós mesmos. Na descoberta das coisas agradáveis; rejeição das desagradáveis.
Ela vai permitindo ao leitor a descoberta do que ele gosta e do que não gosta… mesmo
inconscientemente e sem a necessidade de racionalizações.

b) Leitura emocional

A leitura emocional, caracteriza-se como um processo de participação afetiva numa


realidade alheia fora de nós. (Martins, 1992, p. 52.)
A leitura emocional está ligada com as emoções, sentimentos que são despertados
após a leitura de algo, sejam gargalhadas, lágrimas etc. É plausível elucidarmos que ao
realizarmos uma leitura nesse âmbito, podemos sentir satisfação, mas também muita
tristeza, nos tornando assim vulneráveis com aquilo que lemos, percebemos, portanto, o
poder que a leitura tem de transformar nosso interior, de regular nossas emoções,
dando aquela sensação de friozinho na barriga na descoberta, e apaixonamento de
algo novo. Dispomos da possibilidade viajar por várias dimensões, conhecer novos
países, novas culturas, sem ao menos sair de casa.
c) Leitura racional
Em síntese, a leitura racional acrescenta à sensorial e à emocional o fato de
estabelecer uma ponte entre o leitor e o conhecimento, a reflexão, a reordenação do
mundo objeto, possibilitando-lhe, no ato de ler dar sentido ao texto e questionar tanto a
própria individualidade como o universo das relações sociais. (Martins, 1992, p. 66.)
Ou seja, a leitura racional relaciona-se com as leituras anteriores, sejam elas sensoriais
e emocionais estabelecem uma ligação entre o leitor e o texto, trazendo reflexões
acerca do mundo objetivo, que possibilita a própria individualidade como o universo das
relações sociais. A leitura racional é uma leitura intelectual, pois permite
questionamentos e indagações acerca das informações na qual permite uma expansão
de conhecimentos. Pois, por meio da leitura racional o leitor, tem uma visão mais ampla,
além de transmutar conhecimentos em novas possibilidades em relação ao texto lido.

2. Para Koch e Elias (2006), três são as principais concepções de leitura e estão
fundamentadas nas seguintes relações a seguir. Discorra sobre cada uma delas,
exemplificando-as. (3,0 pts.)

a) Leitura com foco no autor

A concepção de leitura com foco no autor, para Koch e Elias (2007), é entendida como a
atividade de captação de ideias do autor sem levar em conta as experiências e os
conhecimentos do leitor.
Nessa concepção observamos que o leitor realizará um processo ativo de compreensão
do que está sendo apresentado no texto em questão. Este é realizado mediante a
compreensão e interpretação dos objetivos do mesmo, bem como de obtenção de
conhecimento sobre o assunto em questão. Além disso, a representação mental criada
pelo autor é esperada pela compreensão do leitor.
Ex: Na obra de Platão "República" o autor busca definir a justiça social e a
moralidade individual, virtude. (Livros)

b) Leitura com foco no texto

Com base na obra “Ler e compreender o sentido do texto” de Koch e Elias (2007), essa
concepção de leitura com foco no autor, é compreendida como a atividade de captação
de ideias do autor sem levar em conta as experiências, e conhecimentos do leitor, ou
seja, ele torna-se apenas um decodificador de palavras, estruturas.

Ex: Bula de remédio

O leitor precisa identificar a cor da tarja que aparece nas caixas de remédios e seu
significado e que de acordo com as normas do Ministério da Saúde, os medicamentos
são divididos em três categorias. A classificação tem como objetivo esclarecer o
consumidor em relação aos riscos que tal remédio oferece à saúde, visto que existem
medicamentos altamente tóxicos que só podem ser consumidos seguindo prescrição
médica. 
A tarja amarela: utilizada para sinalizar que o medicamento é genérico, ou seja, possui
as mesmas características de remédios mais caros, porém com preço inferior, a
embalagem traz a letra G em formato grande e na cor preta. Outra característica desta
embalagem é a inscrição Medicamento Genérico grafada de azul.

A tarja vermelha: usada em remédios que somente podem ser comercializados com
receita médica. Esta classe de medicamentos pode causar efeitos colaterais severos,
pois são psicotrópicos e/ou remédios controlados.

A tarja preta: indica os medicamentos que oferecem alto risco para o paciente, ou
provocam ação sedativa e, por este motivo, podem causar dependência física ou
psíquica.

c) Leitura com foco na interação autor-texto-leitor

Diferentemente das concepções anteriores, na concepção interacional da língua, são vistos


como autores ativos. (Koch e Elias, 2006, p. 10)
Determinada pela interação autor-texto-leitor, essa concepção visualiza a estrutura
linguística e o gênero estrutural como uma das formas de produção de sentido, isso com
intencionalidade do autor, e a capacidade do mesmo de compreender toda a
contextualidade, expressa pelo autor, perfazendo assim uma leitura altamente apropriada.
Assim a interação autor-texto-leitor será adequada propiciando uma rica produção de
sentidos. O texto pela sua estrutura imprime determinados sentidos, ou seja, o autor vai
realizando escolhas determinantes, segundo os sentidos que desejou construir e
posteriormente a partir das experiências, atuando como um co-autor.

Ex: Charge

Nesse exemplo observamos a  interação entre o  autor e o leitor, que deve usar seu 
conhecimento  de mundo  para interpretar a mensagem do  chargista.  A compreensão do
texto exige mais do que conhecimentos  linguísticos: nesse caso a “estrada” foi  utilizada
como metáfora, assim  como “obras”. O  texto  leva o leitor a refletir sobre a vida como algo
que é realizado  diariamente e  cujo  fim desconhecemos, assim como  uma estrada 
inacabada.

3. Koch e Elias (2006, p.21) afirmam que “considerar o leitor e seus conhecimentos e que seus
conhecimentos são diferentes de um leitor para outro implica aceitar uma pluralidade de leituras e
de sentidos em relação a um mesmo texto”. Com base nisto considere a tirinha abaixo, imagine
que leitura poderá realizar os seguintes leitores abaixo ao ver um mosquito esmagado na parede:
(2,5 pts.)
Fonte: Folha de São Paulo, 11 ago. 1997.

a) Filósofo:
b) Poeta:
c) Bêbado:
d) Professor:
e) Médico:
4. Para Geraldi (2002, p. 03), a leitura é compreendida “como uma oferta de
contrapalavras do leitor”. O que isso significa? Explicite. (1,5)

Bom estudo !!

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