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Universidade Federal do Amapá – UNIFAP

Departamento de Letras e Artes – DEPLA Cursos de Licenciatura em Letras


Português e Francês – PARFOR

Reflexões sobre Diferentes Grupos Étnicos-sociais

Prof º. Marcos Paulo T. Pereira

Acadêmico(a):Natália Cáren Pereira da Silva.

Atividade Avaliativa

1ª QUESTÃO:

“As oito e meia da noite eu já estava na favela respirando o odor dos excrementos que
mescla com o barro podre. Quando estou na cidade tenho a impressão que estou na
sala de visita com seus lustres de cristais, seus tapetes de viludos, almofadas de sitim.
E quando estou na favela tenho a impressão que sou um objeto fora de uso, digno de
estar num quarto de despejo.” (Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus)

“As vezes mudam algumas famílias para a favela, com crianças. No início são
iducadas, amaveis. Dias depois usam o calão, são soezes e repugnantes. São
diamantes que transformam em chumbo. Transformam-se em objetos que estavam na
sala de visita e foram para o quarto de despejo.” (Quarto de Despejo, de Carolina
Maria de Jesus)

Resposta:

O que eu observei na citação primeiramente foi o uso da linguagem da


moradora da periferia, e percebeu-se que o preconceito linguístico é uma
agressão àquilo pelo que nós lutamos diariamente, a liberdade de expressão e
a busca pela representatividade, e considerando uma das questões pertinentes
á observação de um diário se faz por meio da linguagem nela apresentada,
onde nem sempre apresenta uma gramática fiel a norma padrão,
especialmente por ser um tipo de texto que não leve em conta os ultiplos
leitores, pelo contrario, trata-se de contar sobre si para si. O texto aborda o
cotidiano de miséria, fome, violência e marginalização que se fazem presentes
na vida da escritora.

Apresenta também a realidade narrada de uma mulher negra, catadora de


papel, que não está apenas no que estamos lendo, como também o que
vivenciamos no cotidiano. A língua muitas vezes serve como um código
secreto, entretanto, ela não é só produto de uma tentativa ativa para restringir a
compreensão para o grupo falante da mesma, mas também são códigos de
comportamento que são integrantes da vida em comunidade. Os moradores
são fluentes na maneira de lidar com as invasões da polícia e chefes do tráfico,
reconhecendo o perigo e evitando certas áreas.
A autora faz comparação dos cômodos de uma casa à divisão da cidade entre
o centro e a periferia, onde segundo ela para o centro seria a sala de visitas, ou
seja, que apresenta uma estrutura que serve para receber visitas, a
organização. E a favela seria o quarto de despejo, o cômodo que serviria para
entulhar, no caso, aquilo que não se deseja enxergar, o que não presta para
uso. Percebe-se também que o texto carrega em si, além da metáfora, uma
critica sobre a falta de investimento para aqueles moradores da periferia e a
invisibilidade social.

2ª Citação:

“Eu estou contente com os meus filhos alfabetizados. Compreendem tudo. O José
Carlos disse-me que vai ser um homem distinto e que eu vou tratá-lo de Seu José. Já
tem pretensões, quer residir em alvenaria... Eu fui retirar os papelões. Ganhei 55
cruzeiros. Quando eu retornava para a favela encontrei com uma senhora que se
queixava porque foi despejada pela Prefeitura. Como é horrível ouvir um pobre
lamentando-se. A voz do pobre não tem poesia.” (Quarto de Despejo, de Carolina
Maria de Jesus)

Resposta:

Carolina quebra de inicio alguns conceitos da época com sua escrita, ao abrir
sua obra temos diante do texto um diário pessoal escrito por uma mulher negra
e semi-analfabeta. Todavia, além de dominar as letras de maneira adequada
para a escrita de seu diário, foi capaz de dominar alguns recursos poéticos, tal
como se pode constatar pela presença de algumas metáforas, as quais
enriquecem o texto ao narrar sobre a fome, a miséria e os inúmeros
preconceitos aqueles que na favela do Canindé dividiam com ela e seus filhos
a experiência da pobreza.

Na citação, embora Carolina tenha afirmado que a voz do pobre não tem
poesia, esse discurso é denso, é cheio de beleza, pois, existem vários recursos
expressivos utilizados pela autora, que podem ser citados o uso das cores para
expressar sentimentos, uso do paralelismo, ou seja, a repetição de uma
mesma estrutura, a comparação de diversas ordens, as metáforas, a
personificação, neologismo.

A linguagem da autora que chama atenção, pois, oscila entre formalidade e a


informalidade, inclui também o coloquialismos e neologismos, sendo então
raras as passagens em que a mesma inventa palavras, assim, como também
não é incomum o registro de palavras de acordo com a norma culta.

Essa mescla de estilos só seria possível a quem não teve ensino completo,
mas possui um olhar atento e observador, assim como gosto pela leitura e
escrita.
2ª QUESTÃO:

Resposta:

É possível através de relatos da obra perceber algumas reflexões são feitas a


partir da condição de vida do negro no Brasil, mesmo depois de tanto tempo da
promulgação da Lei Áurea, os negros continuam sofrendo com violações de
todos os tipos, como a fome, a miséria, a violência policial, o desemprego e o
preconceito, vale ressaltar e afirmar que pouca coisa de fato, mudou após
abolição.Com isso, na obra Quarto de Despejo promoveu um importante marco
na literatura brasileira, pois Carolina Maria de Jesus traz, em seu diário, o olhar
de quem vive a exclusão social, uma catadora de papel que não teve acesso à
educação e, portanto, não estaria apta à consagração como autora de uma
obra importante.

A Lei 10.639\2003 veio para valorizar a nossa cultura, e se trabalhar a


importância da cultura negra dentro das instituições de ensino, a nossa cultura
afro descendentes. O ensino da história e cultura afro-brasileira e africana,
após a aprovação da lei, fez-se necessário para garantir uma ressignificação e
valorização cultural das matrizes africanas que formam a diversidade cultural
brasileira. Portanto, os professores exercem importante papel no processo da
luta contra o preconceito e a discriminação racial no Brasil. 

O ensino da história e cultura afro-brasileira e africana no Brasil sempre foi


lembrado nas aulas de História com o tema da escravidão negra africana. No
presente texto pretendemos esboçar uma reflexão acerca da Lei 10.639/03,
alterada pela Lei 11.645/08, que torna obrigatório o ensino da história e cultura
afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do
ensino fundamental até o ensino médio.

Sendo assim, diante da leitura dos relatos de Carolina no texto ‘’Quarto de


Despejo’’, viu-se que as leis citadas a cima poderiam ser empregadas no
sentido de coibir a exclusão no sistema escolar, e manter a inclusão das
disciplinas na grade curricular, a obrigatoriedade da história e cultura afro-
brasileira, nos espaços escolares, vem ensejando diferentes encaminhamentos
a respeito do sucesso desta política. Essa disciplina pode ser uma porta
privilegiada para a derrubada de preconceitos, os quais tem contribuído para a
construção de uma sociedade segregacionista e injusta, que destina certos
"lugares" a determinados grupos de acordo com a cor de pele, classe social,
gênero, religião e outros. Pensar sobre a responsabilidade que os educadores
de Sociologia têm no suporte da lei 10.639/2003, é um caminhar importante, já
que amplia o leque de reflexão sobre essa disciplina, no tocante às relações
raciais na escola. Além disso, pode indicar caminhos para o abarcamento
dessa norma.
3ª QUESTÃO:

Diante do vídeo apresentado de Ailton Krenak, o mesmo evidencia a


importância do saber milenar das culturas tradicionais e seu potencial para
realizar a crítica da sociedade moderna, seja através dos costumes, seja na
maneira de produzir conhecimento. A ciência ocidental possui um enorme
saber e produziu importantes contribuições que devem ser defendidos em
tempos de negacionismo, porém, conhece ainda muito pouco perto do todo
existente no universo.
Ailton questiona o antropocentrismo e o saber ocidental imposto pela chegada
dos europeus, o líder indígena também fala sobre a visão que o branco
europeu tinha sobre os indígenas, como se fosse uma “humanidade
obscurecida”, que precisava ser “civilizada”, tal como eles eram.Os indígenas
consideram a natureza como família, eles respeitam essa conexão, ao fazerem
uso dos recursos que ela disponibiliza para a vida. Contudo, as pessoas que
estão divorciadas dessa conexão não têm qualquer compromisso com os
aspectos sagrados da natureza e por isso extraem dela os recursos, sem
pensar nela como uma mãe que os amamenta.
Para os indígenas, a natureza é um local sagrado, no qual os povos
tradicionais têm experiências não apenas de sobreviver, mas é dela que eles
também recebem orientação para a vida.

É na natureza que eles encontram inspiração para sonhar, cantar, curar,


resolver questões práticas da vida. Por isso, a visão que têm de preservação é
a que seus antepassados tinham na relação com a Terra e com a natureza. É
justamente isso que eles procuram repassar para as futuras gerações e outras
pessoas que dialogam com eles.

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