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Manual de Perícia

Grafotécnica
Luciana Boschi
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

 1 – Breve histórico do sistema gráfico


 2 – Princípios e as Leis do grafismo
 3 – Evolução da escrita
 4 – Fases da produção do grafismo
 5 – Gestação de assinaturas
 6 – Elementos gráficos
 7 – Elementos técnicos
 8 – Metodologia e procedimentos
 9 – Análise de assinaturas
 10 – Classificação das assinaturas
 11 – Falsificações e disfarces
 12 – Coleta de padrões gráficos
 13 – Elementos técnicos para confronto
 14 – Espontaneidade
 15 – Dinâmica
 16 – Recursos Óticos
 17 – Estrutura e requisitos do Laudo
 18 – Descrição da peca questionada
 19 – Exemplos de textos para o Laudo
1 - BREVE HISTÓRICO DO SISTEMA GRÁFICO

1.1 - A historia da Grafoscopia

1.2 - Conceitos gerais


• Documento e qualquer objeto que fornece informações. A origem etimológica da palavra e o termo
latino “docere”, que significa “ensinar”.
• Grafoscopia e a área da Documentoscopia que estuda a escrita, objetivando verificar sua
autenticidade ou não e, no caso de falsidade, determinar sua autoria. O objetivo inicial e o de esclarecer questões
criminais, ligadas a área da criminologia. Alguns autores consideram a finalidade como determinar a origem do
documento gráfico, uma vez que, através da Grafoscopia, podem ser apuradas características da produção de um
documento. A partir da comparação entre os escritos, determina-se se foram produzidos pelo mesmo punho
escritor, seja num texto completo ou em apenas uma rubrica. Com a finalidade de verificar autenticidade ou
falsidade material de um escrito (texto, assinatura, rubrica, cifras, etc) a pericia grafotécnica se fundamenta no
confronto das características dos escritos autênticos (padrões) e as confronta com os escritos questionados.
Historicamente, surgiram diversos métodos, a saber:

• A - Morfológico: consistia na comparação isolada de letras em seus elementos essenciais de forma,


posição e dimensão. E absolutamente superficial e falho porque se ocupa apenas dos aspectos
externos, que são os mais fáceis de imitar ou modificar com intuitos fraudulentos. Foi responsável por
grandes erros judiciários, mas, mesmo assim, ainda e utilizado nos cartórios para reconhecimento de
forma “por semelhança”.

• B - Grafométrico: apreciação métrica da escrita, partindo do pressuposto que as proporções são


invariáveis na escrita da cada pessoa. De pouca utilidade pratica, só teve a vantagem de destacar o
exame da proporcionalidade e do calibre, fatores importantes no exame.

• C - Grafológico: baseando-se no conceito dos “7 gêneros” proposto por CREPIEUX-JAMIN (tamanho,


forma, direção, velocidade, pressão, continuidade e ordem), propõe a analise da personalidade pela
observação do grafismo, mas de pouca importância para a determinação da autoria gráfica. Apesar de
suas limitações, trouxe valiosa contribuição para a Grafotécnia ao se ocupar de elementos intrínsecos do
grafismo relacionados com a própria gênese da escrita.

• D - Grafocrítico: este método fez surgir a distinção entre elementos formais e estruturais que, no seu
conjunto, constituem a fisionomia de um escrito, permitindo distingui-lo de qualquer outro. Destaca-se a
importância dos gesto-tipos que aparecem tanto nos elementos constitutivos como nos estruturais, e,
sendo inconscientes, são praticamente imperceptíveis ao leigo, se tornando valioso indicador de autoria.

• E - Grafonômico: considerado o mais atual, este método agrega o que resultou de útil e valido nos
métodos anteriormente usados. Consiste em analisar a maneira usual e típica da escrita da pessoa,
sendo em 3 fases: o que e visível, os movimentos e a forca usada no traço.
1.3 - Recursos técnicos

Tradicionalmente, um documento esta ligado ao ato da escrita. Porem, com a finalidade de transmitir
informação, documentos não são apenas textos produzidos em papel, mas também registros feitos em imagens,
filmes, sistemas multimídia, como arquivos de computador ou paginas da web.

• Materiais: o suporte do documento e o tipo de instrumento de registro das ideias


• Gráficos: a forma como a informação e expressa no suporte: letras, números, pontos, pixels, etc.
• Linguísticos: a linguagem em sentido amplo: escrita, audiovisual, de mídia, software, etc;
• Intelectuais: conteúdo que o documento pretende transmitir (ex: cheque assinado em branco).

2 - PRICIPIOS E LEIS DA ESCRITA

 2.1 – Princípios fundamentais

• Solange Pellat:

“A escrita é individual e inconfundível, pois é resultante de estímulos cerebrais que determinam os


movimentos que resultam em formas gráficas.”

A escrita produzida por um individuo leva os sinais de sua personalidade. Assim como as pessoas são
reconhecidas pela sua maneira de andar, falar, gesticular etc., o grafismo também identifica seu autor.
A forma como o individuo desenvolve as letras, a maneira como são articuladas, as elaborações mais
detalhadas de certos gráficos, a distancia entre as letras e palavras, enfim, diversas são as características
individuais observadas na grafoscopia que podem identificar um determinado punho escritor.

“As leis da escrita independem do alfabeto utilizado. As formas alfabéticas são resultantes dos
movimentos originados a partir dos estímulos cerebrais, particulares a cada punho escritor.”

As características e formas inseridas no grafismo de uma pessoa são individuais, podendo identifica-la.
A presença de tais características gráficas independera de fatores tais como cultura, classe social, etc.

o 1a LEI (do impulso cerebral)


“O gesto gráfico esta submetido a influencia imediata do cérebro. O órgão que escreve não modifica a
forma, se estiver funcionando normalmente e adaptado a sua função.”

A escrita e dependente do cérebro e o órgão escritor e meramente um instrumento para a expressão do


gesto gráfico. Exemplo disso e que a pessoa mutilada pode desenvolver a escrita com o uso do pé ou boca, após
adaptação, resultando em gestos com mesmas características fundamentais, uma vez que somente o órgão motor
foi atingido, mas não o cérebro.

o 2a LEI (da ação do eu)


“Quando se escreve, o “eu” está ativo, mas o sentimento quase inconsciente dessa atuação passa por
alternância de intensidade e debilidade. O máximo de intensidade ocorre quando se tem que realizar um
esforço, ou seja, nos começos, e o mínimo quando o movimento vem secundado pelo impulso adquirido,
ou seja, nos finais.”

Esta relacionada a Teoria Psicológica da escrita, associando-se o máximo de intensidade a ação do


consciente e o mínimo ao inconsciente. As alternativas de intensidade podem ter relação com as variações da
Dinâmica.

o 3a LEI (da identidade gráfica)


“A escrita habitual não poderá ser modificada voluntariamente num determinado momento, senão pela
introdução, em seus traços, do esforço dispensado para obter essa modificação.”

A escrita e processada pela mente subconsciente, quando o escritor, de forma consciente, tenta
modificar seu grafismo, ha um conflito entre ações subconsciente e consciente. Este conflito resultara na presença
de defeitos na escrita tais como paradas, retomadas, indecisões, tremores, claudicações, etc. Apos o exercício da
escrita, esta se torna um habito do subconsciente e, por isso, difícil de alterar. Nesta Lei se enquadram os casos
de falsificações e autofalsificacoes.

o 4a LEI (da permanência dos caracteres)


“Quando o ato de escrever é realizado em circunstâncias desfavoráveis ao escritor, ele registra,
inconscientemente, as formas que lhe forem mais favoráveis e fáceis de serem executadas.”

Pode ser considerada a “lei do mínimo esforço” ou “lei das simplificações” manifestada pelo
subconsciente. O gesto gráfico se torna simplificado por questões permanentes ou fortuitas, e o escritor tende a
produzir traços que são mais fáceis. No caso da falsificação, pode-se perceber que o falsário quando se depara
com um traçado mais complexo, procura reproduzir traçados que lhe são familiares e característicos.

o 5a LEI (da individualidade gráfica - enunciada por Crepieux Jamin, 1930):


“Nenhuma escrita é idêntica a outra. Cada indivíduo possui uma escrita característica que se diferencia
das demais e que é possível reconhecer.”

o Lei das equivalências gráficas


E a denominação dada a um principio de suma importância para o exame, assim formulado:
“Dois grafismos de forma diferentes devem ser considerados idênticos sempre que ambos apresentarem
o mesmo tipo de movimento ou desenvolvimento gráfico.”
O perito deve ter sempre presente as seguintes observações, segundo BALBUENA:
“A equivalência gráfica está mais relacionada com a semelhança do desenvolvimento do que com a
identidade da forma que eles produzem.”
Assim, “a arte do cotejo de firmas consiste em encontrar a semelhança dos desenvolvimentos e não a
igualdade das formas.”
Neste sentido, todas as formas gráficas diferentes, provenientes dos mesmos desenvolvimentos
gráficos, pela lei da equivalência gráfica, deverão ser consideradas iguais.
3 – EVOLUCAO DA ESCRITA

Assim como o homem ultrapassa as fases da infância, adolescência, maturidade e velhice, a escrita
também passa por um processo evolutivo.
Na passagem destas etapas, a escrita adquire características próprias; no entanto, não se pode definir
com exatidão o inicio e o fim de cada fase.
A evolução da escrita e dependente do habito de escrever. Por isso, pessoas que não possuem
destreza com o instrumento escritor podem chegar a idade madura com sua escrita pouco desenvolvida.
Esta evolução esta relacionada com o estado psicossomático do escritor e sua capacidade de
elaboração de um escrito. Em condições normais, a escrita pode ser classificada didaticamente em 4 etapas:

 A - Canhestra (ou rústica): Escrita do aprendizado: e o contato inicial, rudimentar, com deformidades
inerentes a baixa habilidade do escritor com o instrumento.

 B - Escolar: Em grau avançado de aprendizado, o escrevente tem preocupação em se fazer legível,


submetendo-se aos símbolos gráficos alfabéticos e, por isso, tem pouca velocidade.

 C - Automatizada (ou secundária): Grau mais avançado resultando na maturidade gráfica, onde não
ha mais obediência aos símbolos caligráficos formais, sendo introduzidos modismos particulares. Esta
fase varia de pessoa para pessoa.

 D - Senil (ou terciária): Caracterizada por traços com algumas deformidades, como tremores e
indecisões, em virtude da diminuição da energia vital e da tonicidade dos músculos do braço e da mão,
esta escrita se apresenta em processo de regressão.

Além das etapas da evolução das escritas em condições normais, podemos citar duas outras variações:

 Patológica: Apresenta deformações decorrentes de patologias temporárias ou permanentes, que


afetam o sistema nervoso central, responsável pelos comandos nervosos de estímulos aos sistemas
musculares ou parte motora, comprometendo a desenvoltura do punho.
 Imitada: Esta escrita e a dos analfabetos ou semianalfabetos que imitam algum modelo previamente
traçado (também pode ser classificada como rustica/canhestra).

3.1 – Particularidades da escrita

 A formação do traço
O traço e resultante da atuação de duas forcas: vertical (pressão), que pressiona o instrumento escrevente
contra o suporte; e lateral (progressão), que representa o movimento do instrumento no suporte.

 A formação da escrita
A reunião dos traços forma o traçado, e o traçado e o registro do traço em movimento, formando um
lançamento gráfico. O grafismo resulta de uma serie de movimentos registrados através dos traços, que acabam
por adquirir aspecto, isto e, forma ou feitio. As forcas (pressão e progressão) estão intimamente combinadas,
sendo inversamente proporcionais.
Os traços podem ter fraca, media ou forte pressão, que e observada no suporte pela sulcagem deixada pelo
instrumento escrevente. Na analise da escrita, podem ser observadas regiões de claro-escuro que formam
contrastes entre o branco do papel e a tinta da caneta.
A conclusão e a de que a região mais clara tem menos pressão e a mais escura mais pressão. 10 Da mesma
maneira, podemos interpretar a velocidade do traçado pela progressão da escrita, que pode ser rápida ou morosa.
A rápida sugere habilidade do punho escritor, resultando em traçado espontâneo. A morosa sugere
dificuldade na destreza manual.

3.2 - Causas modificadoras da escrita

 A - Voluntárias: também conhecidas como PROPOSITAIS, são modificações introduzidas na escrita


visando o disfarce.

 B - Involuntárias: estas modificações podem ser normais ou acidentais. Causas normais são
decorrentes da evolução natural do individuo, ou seja, infância, maturidade e velhice.

Causas acidentais independem da vontade do escritor e podem ser de duas naturezas:

 Intrínsecas: decorrem de causas emocionais e que alteram o estado psicossomático, resultando em


alguma deformidade. Aqui cabem os casos de euforia, medo, ira, depressão, ansiedade e ate uso de
medicamentos, que, gerados no sistema nervoso central, provocam alterações na morfologia da escrita,
em maior ou menor intensidade;

 Extrínsecas: independem do punho escritor e podem estar relacionadas ao instrumento escrevente,


posição incomoda na cadeira ou mesa, papeis ásperos ou muito lisos, calor ou frio excessivos,
iluminação inadequada, etc.

4 - FASES DA PRODUÇÃO DO GRAFISMO

O individuo aprende a escrever tomando por base modelos utilizados como parâmetros, normalmente os
utilizados na escola conforme os paradigmas apresentados pelos professores. E o que chamamos de escrita
inicial.
A medida que vai se desenvolvendo a escrita, automaticamente a pessoa tende a deixar os padrões
utilizados inicialmente na primeira fase do aprendizado, incorporando ou alterando os símbolos gráficos.
Esta fase e chamada de escrita individual, pois esta já pode ser reconhecida quanto ao seu autor
mediante o cotejo com outros padrões gráficos.
Na produção do grafismo, podemos considerar três fases:

1ª = morfologia: a pessoa busca a lembrança da forma gráfica da trajetória


2ª = gênese: o individuo dimensiona a escrita de forma que fique proporcional ao campo disponível para
o lançamento no papel
3ª = sinergia: trata-se da execução da escrita propriamente dita.

Para a análise propriamente dita, utilizam-se elementos básicos a serem considerados:


 A imagem da assinatura, ou a forma como foi lançada;
 A espontaneidade, ou seja, a naturalidade com que o grafismo foi produzido;
 A dinâmica, que corresponde aos pontos de pressão utilizados pelo punho escritor no momento da
execução da escrita.

5 – GESTAÇÃO DE ASSINATURAS

“Assinatura tem um ciclo vital: se gesta, nasce, cresce, se reproduz e... morre com seu titular.”

5.1 - Fases da formação da assinatura

 aprendizagem da escrita
 busca do desenho da firma
 repetição do modelo
 gravação na memoria motriz
 decisão inconsciente de imutabilidade do modelo

5.2 - Lei da imutabilidade da firma


A decisão definitiva de escolha do modelo de assinatura torna-o imutável, levando a uma renuncia
inconsciente de modelos anteriormente utilizados. Mas, ainda assim, o titular mantem a capacidade de reproduzir
os modelos em desuso.

5.3 - Etapas do processo de formação da assinatura

Uma vez decidida a imutabilidade da firma, cada vez que se quer assinar, ocorrem as seguintes etapas:

 informação do consciente ao inconsciente (“quero assinar”)


 exame dos estímulos materiais (caneta, papel, mesa, etc.)
 exame dos estímulos gráficos (marcas gráficas, carimbos, selos, espaço para assinar...)
 execução dos reflexos condicionados (estímulos conhecidos e desconhecidos)
 processo motriz (impulsos sinápticos que ativam a memoria motriz)
 posicionamentos prefixados: materialização dos reflexos condicionados

5.4 - Proeminência do inconsciente

E a superioridade hierárquica do inconsciente sobre o consciente na realização de ações automáticas.


Manifesta-se com as seguintes características:

 enquanto o consciente quer assinar, o inconsciente o substitui e toma o comando das ações;
 as ações que o inconsciente realiza ficam despercebidas ou invisíveis para o consciente;
 o consciente não interfere nas ações que o inconsciente dirige;
 o consciente ignora totalmente as informações de que o inconsciente dispõe.
5.5 - Movimentos graficados e não graficados

O corpo da assinatura se compõe de movimentos graficados. Porem, seu espirito esta constituído pelos
movimentos não graficados.

 Graficados: aqueles que ficam registrados no papel e, por isso, são visíveis. Podem ser legíveis ou
literais e consistem em pontos ou traços.

 Não graficados: são aqueles produzidos “no ar” antes, durante ou depois do ato de escrever. São
traços que não marcam o papel, mas conclui-se uma ligação entre o termino de um traço e o inicio de
outro. São também chamados de ligações imateriais.

5.6 - Tipos de legibilidade

 Literal: geralmente legível, onde podem ser identificadas as letras que a compõe:

 Semiliteral: parcialmente legível, onde se identifica as letras dos nomes:

 Não literal: sendo ilegível, os traços não guardam correspondência com as letras
6 - PADRÕES GRÁFICOS

As análises grafoscópicas se dão por meio de comparações entre manuscritos com objetivo de
identificar a autoria (questionados) e aqueles cuja autoria seja conhecida - os padrões gráficos.
A função destes escritos padrões é permitir ao perito identificar os hábitos gráficos de uma determinada
pessoa que se suspeite a autoria.
Portanto, o sucesso da Grafoscopia dependerá basicamente de três fatores:

 Características dos escritos questionados: este dificilmente poderá ser melhorado ou aperfeiçoado,
já que não se pode escolher quais documentos serão examinados;

 Capacidade técnica do perito: este depende de vários anos de estudo e trabalho prático para que
tenha condições de atuar com eficiência, mas nunca mudará sua natureza humana, limitada e passível
de falhas.
 Qualidade dos padrões gráficos: é o único que pode chegar perto da perfeição, sem que imponha
alguma limitação aos trabalhos. Existem basicamente dois tipos de padrões gráficos:
o Padrões fornecidos sob demanda: produção solicitada especialmente para a realização de
uma perícia grafoscópica, com conhecimento do fornecedor;

OS: Padrões naturais: escritos sabidamente produzidos por uma pessoa durante sua vida normal,
independente de estar implicada com as questões que motivaram a perícia.

Os padrões sob demanda permitem que se obtenham textos com a mesma composição dos
questionados, na quantidade que se julgue necessária, e tantas vezes quanto for preciso.
O ideal é em torno de 20 assinaturas. No entanto, tais padrões estão sujeitos a diversas variações que
podem ocorrer, desde aquelas de natureza psicológica, em virtude do estresse emocional que o fornecedor pode
sentir durante sua produção até as variações intencionais: os disfarces gráficos.
Além disso, se o documento for antigo, esses padrões podem não mais corresponder plenamente à
escrita da época em que o documento questionado foi produzido, tornando-os não contemporâneos.
Falecimentos ou não localização do fornecedor ou sua recusa também são fatores impeditivos ao
fornecimento de padrões gráficos.
Já os padrões naturais normalmente não sofrem grande influência de fatores psicológicos e, em tese,
estão livres de disfarces gráficos.
Porém, na prática jurídica, em muitos casos a perícia grafotécnica fica prejudicada pela dificuldade ou
impossibilidade de obter padrões naturas contemporâneos de assinaturas questionadas.
Para que se exerça satisfatoriamente sua função, os padrões gráficos devem atender os seguintes
requisitos:

 A - Autenticidade: certeza da origem = fidedignidade. Peças oriundas de pessoas qualificadas a


produzi-las. Elas podem ser colhidas na presença do perito (peças testes) ou antes da solicitação, sem
intenção pericial (peças padrão), sendo as duas peças de confronto.

OBS: Cartões de assinatura em cartórios de notas, apesar da autenticidade presumida por lei, não são
inteiramente confiáveis, já que também são passíveis de falsificação.
 B - Adequabilidade: são as peças de confronto que exibem as mesmas condições do grafismo
questionado. Na peça teste, o perito deve tomá-la em condições análogas às da peça questionada.

EXEMPLO:
Peça teste feita com caneta esferográfica e papel com pauta - o material colhido deve seguir estas
mesmas condições. Isso vale também para o tamanho do espaço, etc.
Estas condições permitem ao perito observar características decorrentes das modificações do grafismo
habitual, principalmente em relação ao calibre.

 C - Contemporaneidade: são peças produzidas em datas próximas, já que a escrita vai sofrendo
alterações como evoluções, inovações e modismos ao longo da vida. Datas muito distantes podem
evidenciar tais alterações.

 D - Quantidade: quanto mais peças de confronto, melhor será a confiança na perícia, pois o perito terá
mais condições de interpretação correta das variações acidentais, modismos e outras alterações
existentes. Pode ser através de textos ou assinaturas ditados pelo perito e sugere-se a coleta de pelo
menos 20 padrões para confronto.

 E - Espontaneidade: diz-se do ato natural de escrever, onde a atenção do escritor se volta para o
conteúdo do texto e não para o formato de letras e palavras. Nestas condições, o grafismo é uma ação
quase inconsciente e os manuscritos são produzidos de forma natural e espontânea, evidenciando
hábitos gráficos normais do escritor.

7- ELEMENTOS GRÁFICOS

“A escrita é a expressão muscular do centro nervoso do grafismo.”

Se a manifestação do grafismo está intimamente ligada aos estímulos enviados a partir do sistema
nervoso central e que este processo varia de pessoa para pessoa, pode-se afirmar que a escrita apresenta
elementos personalíssimos que individualizam o punho escritor.
São eles:

 A - Elemento dinâmico: representa a sucessão dos movimentos determinados por comandos por
comandos cerebrais que dão origem à forma.

 B - Elemento estático: representa a forma gráfica, ou seja, o desenho gerado pela manifestação
muscular e, por isso, está sujeita às alterações voluntárias do escritor.
Este elemento não é individualizador e, por isso, diz-se que é o aspecto mais consciente da escrita.
Neste sentido, deve-se ter atenção para não confundir forma e gênese. Os símbolos abaixo ilustram a diferença:
 As circunferências acima são idênticas, ou seja, apresentam a mesma forma, mas não a mesma
gênese.
 No exemplo A, o movimento foi produzido da direita para a esquerda. Já o exemplo B foi produzido no
sentido da esquerda para a direita.
8 – METODOLOGIA E PROCEDIMENTOS

A perícia grafoscópica, em geral, implica em confrontos entre uma ou mais peças de que se deseja
descobrir a autoria (peças questionadas) e outras de autoria conhecida (padrão gráfico).
Porém, esta tarefa vai além da simples comparação ou busca por semelhanças e diferenças. Trata-se
de um estudo aprofundado e abrangente dos hábitos gráficos registrados nas duas peças (tanto a padrão quanto a
questionada).
Hábitos gráficos são ações rotineiras e repetitivas, como mecanismos inconscientes, que o escrevente
executa ao longo da onda gráfica e, muitas vezes, nem se dá conta dos gestos-tipo que vai deixando registrado no
papel.
Estes traços individuais são os que diferenciam sua escrita de todas as outras escritas do universo.
Quando se tem um único exemplar da escrita, seja a padrão ou questionada, torna-se difícil identificar hábitos
gráficos.
Neste sentido, a fim de se ter maior margem de segurança na análise, deve-se trabalhar com uma
grande quantidade de escritos, com repetição de frases, palavras ou assinaturas.
Assim, a análise será feita com base nos hábitos gráficos, e não em características, aumentando então a
eficiência do exame.
Além disso, é sugerido analisar separadamente cada grafismo que será confrontado, para então
confrontá-los entre si.
Neste momento, o perito vai estar mais familiarizado com seus elementos identificadores, tendo,
inclusive, alguma noção das características que devem ganhar mais peso e quais delas são mais frequentes ou
mais raras.
PS: Vale ressaltar que na maioria das perícias há confrontos que envolvem somente escritas de autoria
desconhecida, onde só é possível identificar se há ou não unicidade de punho.
Para evitar procedimentos desnecessários e consequente perda de tempo, vale adotar uma metodologia
que não comprometa a qualidade da perícia, a saber:

A) Ao analisar os escritos questionados, deve-se observar não só todo o documento como as


circunstâncias em que supostamente foi produzido, evitando se restringir à analise do grafismo.
Fato importante a ser considerado junto às circunstâncias do documento são as alegações das partes
envolvidas.
O prévio conhecimento das histórias contadas pelas partes é fundamental para o perito, não apenas
para comparar com o resultado de seu trabalho, mas principalmente para buscar dados que corroborem ou
contradigam o que foi declarado por elas.

 A área da Grafo-Psicologia é uma base importante que tem muito a contribuir com a perícia judicial.
Trata-se de uma ciência humanista que estuda a personalidade a partir de registros gráficos. Entretanto,
esta aplicação somente deve ser feita com conhecimentos profundos da psiquiatria, psicologia e
antropologia.

 A grafo-psicologia judicial pode ser aplicada como especialidade de utilização forense no diagnóstico da
personalidade para investigação de estado anímico ou de determinadas patologias que podem ser
objeto do caso em questão.

 Certos gestos-tipo também podem aparecer por descuido do falsificador e a Grafologia irá sinalizar uma
personalidade dissimulada.
 Entretanto, é preciso estar atento para não se influenciar no sentido de atribuir a responsabilidade à
pessoa que grafologicamente apresenta maior predisposição à falsidade.

Esta 1ª etapa inclui verificar a natureza e a morfologia da peça questionada: se se trata de uma
assinatura ou textos diversos, se está em estilo cursivo ou letras desligadas, tamanho do campo gráfico, etc.

B) Observar a natureza e a importância do documento questionado, que pode sinalizar o quanto


alguém estaria disposto a investir tempo e dinheiro para imitar ou disfarçar a escrita de alguém.

C) Buscar sinais de raspagens, acréscimos ou sulcos gerados por outros manuscritos; identificar
existência de retoques, sinais de hesitação, paradas, etc;

D) Verificar a homogeneidade dos grafismos quanto ao instrumento escritor, estilo de escrita, calibre,
pressão, etc;

A partir destas observações, parte-se para o confronto utilizando equipamentos adequados como lupas,
microscópio ou tela de computados, que permitam ampliações das imagens. Neste confronto também são
analisados inclinação, alinhamento, espaçamentos, remates, etc.
A comparação e a avaliação são etapas feitas em conjunto, pois tudo o que for comparado precisa ser
simultaneamente ponderado. Comparar duas escritas consiste em verificar se os elementos discriminadores
(verificados na fase da análise) são convergentes ou não.
Esta comparação irá resultar numa relação quantitativa de divergências e semelhanças, onde cada
característica identificada numa escrita deve ser comparada com o que existe na outra. Todas as avaliações feitas
no documento padrão devem ser feitas na peça questionada.
PS: Nas falsificações servis, as convergências superam as divergências. A razão disso é que o falsário
prima por não deixar divergências, enquanto que o titular da assinatura não se importa se ela sai um pouco
diferente.
José Balbuena Balmaceda, em sua obra FIRMAS AUTÉNTICAS Y DETECCIÓN DE FIRMAS FALSAS,
defende:
• “As diferenças de forma de duas firmas que apresentam movimentos equivalentes fará pressupor a
normalidade, provavelmente a autenticidade....”
• “É correto pensar que todo imitador de firmas, busca prioritariamente que ela se pareça o máximo
possível com os modelos autênticos. Certamente, quanto mais parecida a firma falsa, mais seguro se sentirá de
lograr seu intento. Se a firma falsa lhe sai diferente da autêntica, tentará outra vez e, finalmente, guardará a que
sela mais semelhante à autêntica. Como conclusão, então, podemos afirmar que: todo falsificador busca executar
a firma o mais parecida com as autênticas....”
• “Estas constatações nos permitem afirmar que: se há diferenças entre questionadas e autênticas,
essas diferenças podem provir mais do que tudo do seu titular.” (id.Ibd.PG.200)

No livro TRATADO DE DOCUMENTOSCOPIA, SILVA & FEUERHARMEL advertem:


• “Se houver numerosas e significativas convergências entre as características dos escritos padrões e
questionados, pode-se até mesmo concluir por unicidade de punho; a despeito da falta de contemporaneidade...
• Já em uma situação oposta, isto é, no caso de serem encontradas muitas divergências, é preferível
não emitir conclusões sobre autoria.”
Esta relação pode ser verificada até mesmo por leigos, mas somente um estudo mais aprofundado será
capaz de sinalizar o grau de relevância de cada aspecto, tornando, assim, a avaliação a fase mais crítica da
perícia.

9 - ANÁLISE DE ASSINATURAS

Assinaturas são, em geral, os grafismos mais frequentemente produzidos por uma pessoa ao longo de
toda a vida, inclusive em relação à escrita do próprio nome.
Por isso, a assinatura acaba sendo o símbolo gráfico produzido com maior automatismo,
espontaneidade e facilidade.
Por esta razão, espera-se que a assinatura reflita mais fielmente os hábitos gráficos de seu detentor do
que qualquer outro manuscrito de mesma extensão.

 ASSINATURA: a escrita se apresenta de forma diferenciada para representar o nome de uma pessoa,
identificada pela ASSINATURA.

 FIRMA: diferencia-se da assinatura por ser um símbolo gráfico que representa formalmente uma
determinada pessoa e é usado para autenticar documentos ou manifestar concordância com os
 termos de um documento que lhe foi apresentado.

 RUBRICA: firma abreviada, de importância secundária e usada para situações de menor criticidade,
como vistos em documentos, etc.

**Assinatura é uma firma produzida manualmente e usada como principal símbolo de autenticação
pessoal. Assinatura é espécie e firma é gênero.”
A produção de uma assinatura é tarefa que não pode ser delegada a terceiros, ainda que se nomeie um
procurador para praticar quaisquer atos em seu lugar.
No caso dos textos, isso não acontece, pois qualquer pessoa poderia escrevê-los.
Porém, ao contrário de textos, assinaturas podem ser feitas de forma legível ou ilegível. Mas, ainda,
assim, representam mais ricamente os hábitos gráficos de um escritor do que qualquer outra palavra ou sinal.
Daí a importância em diferenciar “autenticidade” e “determinação de autoria de assinatura”.
Se a assinatura é um sinal gráfico produzido por uma pessoa para demonstrar concordância ou
conhecimento a respeito de um fato ou documento, e é aquilo que atesta fidedignidade ao que está dito acima,
portanto, só pode ser produzida pela própria pessoa.
A Grafoscopia visa basicamente a determinação da autoria de um manuscrito, e o exame de uma
assinatura também consiste em determinar o autor: se foi produzida pelo seu detentor, será considerada autêntica;
caso contrário será falsa.
Desta forma, a verificação da autenticidade de uma assinatura consiste em determinar se ela foi
produzida pelo próprio detentor ou não. Trata-se, portanto, de uma determinação de autoria muito específica.
No caso das perícias judiciais, o objetivo principal é verificar se a assinatura questionada foi produzida
ou não por determinado autor, pois a determinação da autoria de uma assinatura falsa é tarefa muito difícil.
Os padrões podem ser preexistentes (cédulas de identidade, título de eleitor, carteira profissional, cartas,
etc) ou coletados pelo perito, normalmente mediante ditado de palavras ou textos ou produção de assinaturas e
rubricas (também denominados peças testes).
É importante ressaltar que a semelhança de forma indica identidade gráfica, pois a primeira coisa que o
falsário procura imitar é o aspecto visual da escrita. Neste sentido, pode-se afirmar que:

“Se duas assinaturas são exatamente iguais, uma é falsa.”

Conforme escreveu CREPIEUX-JAMIN (1930):


 “Nenhuma escrita é idêntica a outra. Cada indivíduo possui uma escrita característica, que se diferencia
das demais e que é possível reconhecer.”

Segundo FEDERICO CARBONEL:


 “Assim como não existem duas pessoas com exata fisionomia, também não existem dois escritos
traçados por distintas mãos com idêntica ou exata fisionomia.”

Daí se conclui que o reconhecimento de firma por semelhança, tão comum em cartórios e
estabelecimentos bancários, não garante a autenticidade de uma assinatura, pois não tem caráter técnico-
científico.

10 - CLASSIFICAÇÃO DAS ASSINATURAS

A assinatura é uma forma representativa do nome do emitente e pode ser elaborada através de gestos
gráficos legíveis, ilegíveis, sobrepostos ou de resumida execução.
Assinaturas podem se apresentar de duas formas:

 Cursiva: estilo que segue o modelo escolar e apresenta caracteres interligados


 Forma: ou sincopado é o estilo que copia os caracteres de imprensa

10.1 - Assinatura segura

Uma assinatura que permita identificar categoricamente sua autenticidade ou falsidade pode ser
considerada totalmente segura.
Alguns modelos estão muito próximos deste extremo, outros muito distantes, e a maioria deles em
posições intermediárias.
Para se aproximar ao máximo deste extremo de segurança, uma assinatura precisa atender a vários
critérios como traçado extenso (quanto maior o traçado, maior a chance de um imitador cometer erros), gênese
gráfica complexa, dinamismo, levantamentos discretos da caneta, com equilíbrio entre a força e a pressão, sem
tremores ou hesitações.
Afirmava ROBERT SAUDEK no início do Séc. XX:
“Ninguém é capaz de imitar, ao mesmo tempo, estes cinco elementos do grafismo: riqueza e variedade de
formas, dimensão, enlaces, inclinação e pressão.”

10.2 - Simplificada

 Modelo de gestos resumidos, inexpressivos, ausentes de formas gráficas representativas, mas com
elementos grafocinéticos suficientes para o confronto.
 Apesar de se tratarem de rabiscos como sinais gráficos, a perícia pode usar vários recursos gráficos
para a verificação como, por exemplo, analisar a trajetória do traço inicial, observar se apresentam
curvas ou ângulos, o calibre, ganchos, ataques e remates, seu dinamismo, força, velocidade e qualidade
geral do traçado.

 As proporções longitudinais e angulares dos espaçamentos internos dos gramas também deverão ser
consideradas, assim como pausas no movimento, curvas mais fechadas ou mais abertas, inclinação e
hábitos gráficos do escritor.

10.3 - Trajetórias sobrepostas

Quando ocorrerem sobreposições de traços, a perícia deverá se ater às trajetórias (ataques e remates),
pontos escuros ou grossos, onde se percebe muita velocidade, mas o escritor não tocou na superfície do papel
suporte.

10.4 - Cursiva, legível e evoluída

Por não apresentar claudicações, tremores, dinâmica, espontaneidade e naturalidade, mas com
velocidade, ritmo e habilidade peculiares de um punho evoluído, esta assinatura é a mais difícil de falsificar.
Quando em condições normais, este modelo também apresenta harmonia na forma simplificada das
articulações gramaticais, bem como proporção entre o primeiro e último passantes superiores em relação aos não
passantes, como no exemplo abaixo:

10.5 - Cursiva, legível e não evoluída

Em geral, ocorre com punho de pouca habilidade gráfica, formando um traçado lento e arrastado, com
tremores, paradas em pontos não habituais ou claudicações, tornando mais fácil a imitação, o que dificulta a
identificação pelo perito.
Nestes casos, a assinatura tende a se manter igual, com traços mais grossos e escuros do início ao fim,
sem alternâncias de pressão nem dinamismo.

10.6 - Não legível

São símbolos gráficos indefinidos. Neste caso, o perito deve se familiarizar com o gesto gráfico do autor,
fazendo isso a partir da coleta de outras palavras ou nomes que contenham parte da peça questionada.
O exemplo abaixo apresenta formação de arpão no início (1), com movimento na base dos não
passantes e remate em estilo infinito (2). Tais características ajudarão no confronto final.

11 - FALSIFICAÇÕES E DISFARCES GRÁFICOS

Embora a palavra falsificação seja corriqueiramente utilizada em laudos periciais, deve ser evitada, pois
sugere ocorrência de fraude e vontade de realizá-la (dolo).
O termo mais indicado é imitação, já que elimina o perito de fazer considerações sobre a real intenção
de seu autor e das consequências jurídicas que acarreta e que são decididas pelo Juiz de Direito.

11.1 - Firmas autênticas e inautênticas

Firma autêntica é aquela constituída pela forma ou conjunto de formas gráficas que, provindo de seu
titular, em determinado tempo, mantém constantes as características que ele espontaneamente escolheu para se
identificar.

 Pode haver mais de uma forma ou conjunto de formas gráficas na constituição de firmas. Muitas
pessoas têm mais de uma firma (completa, abreviada, rubrica);

 Só o titular da firma pode utilizá-la. Por mais semelhante que seja uma firma escrita por quem não é seu
titular, ela não será autêntica;

 As firmas autênticas têm tempo de vigência. Uma firma autêntica em 1950 pode não ser mais autêntica
em 1980. Não significa que passe a ser falsa, mas torna-se uma firma em desuso. O modelo que é
autêntico hoje pode não sê-lo amanhã;
As firmas autênticas têm que manter constância das características gráficas escolhidas para identificação do
titular.
Se o titular não mantiver as mesmas características gráficas, poderá estar produzindo uma forma antiga, ou
disfarçada ou firmada com mão oposta à habitual, o que retira a qualificação de autêntica;

 As firmas evoluem e as modificações introduzidas costumam ficar incorporadas aos novos modelos,
geralmente após 4 ou 5 anos;

 Nem toda firma inautêntica é falsa: se alguém assina um documento, atualmente, utilizando modelo de
30 anos atrás, já alterado ou evoluído, não está produzindo uma firma falsa, mas está produzindo uma
firma inautêntica.

 Firma falsa é qualquer firma produzida por quem não é seu titular;

“Quem não é titular de uma firma jamais poderá produzi-la como autêntica, e quem é o titular de uma firma
jamais poderá realizá-la como falsa.

11.2 - Modificações de boa-fé (voluntárias e involuntárias)

 Voluntárias: quando ocorre, por exemplo, mudança do nome pelo casamento, há necessidade de
simplificar a assinatura quando tem que assinar muitos documentos, etc.
 Involuntárias: também de boa-fé, ocorrem quando, por exemplo, há a necessidade de escrever com a
mão não habitual, uma irregularidade no suporte ou do instrumento escrevente e a posição do escritor.

11.3 - Disfarces gráficos

O disfarce consiste em fazer parecer falso um escrito autêntico. Por isso, alguns autores o denominam
de “falsa falsificação”.
Algumas causas de distorções na escrita podem ocorrer em função de problemas temporários ou
permanentes de saúde, uso ou ausência de medicação, posição da escrita, uso de álcool ou drogas.
No caso do disfarce, este tem como característica a intencionalidade. Ao dissimular sua escrita, o
escrevente faz um esforço consciente para mudar seus modos gráficos a fim de evitar ser identificado.
Portanto, escritas disfarçadas são aquelas em que o autor busca, propositadamente, não deixar
transparecer as suas características gráficas habituais, e sem imitar a de outra pessoa.

As estratégicas de disfarce mais encontradas são:

 escrita cursiva com modificação das formas dos caracteres


 alteração da inclinação
 uso da forma caligráfica com velocidade lenta
 utilização do padrão tipográfico
 aumento ou diminuição do calibre das letras
 aumento ou diminuição do espaçamento
 uso da mão não habitual para gerar diferenças
 deformação dos traços e caracteres gerais.
Em caso de suspeita de disfarce no fornecimento de padrões, deve-se empenhar em colher grande
quantidade de padrões. Um sinal claro de que uma amostra de padrão possa ser um disfarce é a ocorrência de
inconsistência entre os lançamentos da escrita, ou seja, divergências entre termos do próprio padrão.
Se o autor da escrita altera sua inclinação, ele irá voltar para sua escrita normal durante um lapso de
concentração. Se o escritor introduz formas não usuais, poderemos encontrar formas normais entre as atípicas.
Mudanças no tamanho ou velocidade podem ser evidentes. Portanto, se houver ausência de
consistência interna, podemos estar diante da hipótese de disfarce.

11.4 - Tipos de falsificação

Principais tipos:

A - Falsificação sem imitação:

O falsificador não conhece a assinatura verdadeira, mas sabe o nome e eventualmente alguns outros
detalhes, como CPF, RG, etc. Pode fazê-lo da sua própria mente e acabar lançando traços de sua própria grafia.

Verdadeira: Falsificada:

B - Falsificação por imitação de memória:

Situação em que o estelionatário já viu, mesmo que só uma vez, a assinatura original da vítima.
Consegue imitar apenas em alguns detalhes, como letras maiúsculas iniciais ou chamativas e pouco complexas,
deixando um resultado que dependerá da capacidade para guardar detalhes.

Verdadeira: Falsificada:

C - Imitação servil

- simples: o imitador dispõe de um modelo genuíno, mas não conhece as variações do titular,
produzindo uma imitação sem treino suficiente. Facilmente detectável devido às falhas e à velocidade lenta pela
insegurança do falsificador.

- exercitada: é aquela treinada diversas vezes. Esta é a técnica mais elaborada e, dependendo da
habilidade do falsário e simplicidade da firma, pode-se conseguir reproduzir satisfatoriamente a morfologia do
modelo, com traçados igualmente dinâmicos. É a técnica mais elaborada de falsificação e, por isso, a mais difícil
de identificar.

Verdadeira: Falsificada:

D - Falsificação com modelo à vista:

Com posse de algum documento com assinatura da vítima, o estelionatário copia a assinatura de forma
lenta e paciente para evitar que gestos bruscos ou tremores atrapalhem a fraude.

E - Falsificação por sobreposição (decalque):

Pode se dar de duas maneiras:

o Direta: uma folha em branco é colocada em cima da folha com assinatura


o Indireta: a partir de um rascunho ou com carbono, percorre-se o traçado da assinatura a fim
de deixar sulcos na folha de baixo.

Verdadeira: Falsificada:

F - Falsificação própria ou inventada:

Neste caso, o falsário não conhece a assinatura da vítima e não se preocupa em imitá-la, e sim inventar
qualquer assinatura que ache viável. O falsário geralmente procura escrever, em forma de assinatura, o nome da
vítima por extenso, pois desta forma a fraude se torna mais fácil e aceitável.
Verdadeira: Falsificada:

G - Autofalsificação:

Quando o próprio titular tenta modificar o lançamento caligráfico com objetivo de promover algum tipo de
fraude.

Verdadeira: Falsificada:

H - Simulação de falso:

Diferente da autofalsificação, pois o falsário reproduz sua assinatura naturalmente e somente depois
acrescenta traços anormais e estranhos àquele grafismo, a fim de apontá-lo como espúria. Os retoques são feitos
de forma cautelosa para que não fiquem evidentes.
O exame poderá indicar a correspondência dos aspectos genéticos para provar que se trata de
assinatura legítima quando comparada ao padrão.
O examinador deve avaliar se cabe afirmar tratar-se de simulação de falso, uma vez que necessita de
outras informações que corroborem a observação.

I - Negativa de autenticidade:

O escritor lança sua assinatura naturalmente e depois nega autoria. Não há dificuldade no confronto, já
que há convergências de natureza formal e de gênese gráfica em relação ao padrão.
Este caso pode estar relacionado com a pessoa que se quer livrar de um compromisso ou a pessoa, de
boa fé, que assinou um documento em branco, após um golpe ardiloso aplicado pelo falsário. Este caso é
considerado falsidade ideológica, onde a pessoa não reconhece o conteúdo de determinado documento; porém a
assinatura é legítima.

J - Transplante de assinatura:

Neste caso, já em desuso, há necessidade de se recortar o local onde está a assinatura alvo para
recolocá-la na área de interesse e proceder aos retoques do traçado.
A assinatura é legítima, mas há complementação de traços que, porventura, não tenham acompanhado
todo o conjunto.
11.5 - Indicadores de falsificações

São muitos os indicadores de falsificação. Seguem abaixo os mais comuns:

 paradas, levantamentos, retoques, retificações, repasses


 rasuras, apagamentos, fibras eriçadas, raspadas ou aplainadas
 restaurações, alisamentos, (passar o ferro) no papel
 sulcos sem entintamento ou sem correspondência com os traços
 traços encobertos
 tremores inconsistentes
 diferentes medidas nos espaçamentos
 pressão uniforme ou ausência de pressão

12 - COLETA DE PADRÕES GRÁFICOS

Uma das principais ações a serem tomadas para correta condução e estabelecimento da conclusão
pericial é a realização da coleta de padrões gráficos com a técnica adequada.
A eficiência do trabalho pericial fundamenta-se na qualidade dos padrões coletados, haja vista a
complexidade desta etapa e diversidade de peças padrão apresentadas e utilizadas para o confronto.
Ele também deve se aproximar o quanto possível dos materiais utilizados para o lançamento gráfico,
principalmente analisando as diversas variáveis que ocorrem ao utilizarmos diferentes tipos de instrumento
escritores e papéis suportes.
Daí a indispensável presença do perito no momento da coleta, atestando a qualidade e quantidade das
peças, estando atento para que os padrões sejam da mais alta qualidade, pois talvez não haja outra chance.
Para tanto, recomenda-se um bom planejamento, evitando-se assim improvisos e consequente
possibilidade de insucesso.

12.1 – Objetivo da perícia

Inicia-se a perícia pelo conhecimento prévio dos documentos questionados e os objetivos da perícia a
ser realizada. Quanto mais informação sobre o caso melhor, pois a perícia pode envolver a autenticidade de uma
assinatura, autoria de algarismos numa agenda, autoria de uma carta, etc.
Devemos também considerar a possibilidade do fornecedor ser a vítima de falsários ou ele mesmo ser
um hábil falsificador.

12.2 – Documentos pessoais

Os documentos pessoais do escritor devem ser comparados com os anexados aos autos. Isto ajudará o
perito a conhecer dados pessoais do escritor, como idade, naturalidade e nacionalidade, devolvendo-os somente
ao final da coleta.
12.3 - Características do manuscrito

Deve-se identificar as principais características do manuscrito como idioma, tipo de escrita, instrumento
escritor, campo gráfico (se pautado, restrito, quadriculado, etc), palavras que compõem o texto e como foram
produzidas.

12.4 - Papel suporte

As folhas suportes devem apresentar as mesmas características do documento questionado, devendo


ser preparadas previamente. Exemplo: se o questionamento é sobre uma assinatura em cheque bancário, pode-se
criar um modelo de talão semelhante com o mesmo texto do documento questionado.
Deve-se usar de preferência papel branco e sobrepor algumas folhas a fim de fazer calço e registrar com
maior eficiência as oscilações da dinâmica empregada no lançamento gráfico.
A superfície onde se irá escrever, como mesa de madeira por exemplo, pode apresentar irregularidades
que podem acarretar acidentes gráficos, como tremores, torções, etc.
É interessante, quando possível, anexar ao laudo pericial papéis suportes semelhantes aos utilizados
para o lançamento de peças questionadas. Este cuidado visa reproduzir de forma mais fidedigna as reações do
grafismo em relação à espessura e o tipo de papel.

12.5 - Instrumento escritor

O instrumento escritor deve ser o mais semelhante possível ao que foi usado na peça questionada. Por
exemplo, se for caneta esferográfica, qual a cor da caneta, etc.
Os instrumentos mais encontrados no mercado são a esferográfica, a tinteiro e a hidrográfica. Cada um
desses tem uma deposição de tinta diferenciada e pode, assim, alterar a visualização das características no
grafismo.

12.6 – Postura corporal

O ambiente deve ser o mais confortável e agradável possível, evitando influências externas de calor,
iluminação, ou ainda de fatores psicológicos e fisiológicos como nervosismo, sede, indignação, etc.
A atitude postural deve ser da melhor maneira possível para evitar interferências físicas. Sentar-se de
maneira confortável e deixar o braço com angulação de 45 graus em relação ao tronco e com o cotovelo apoiado.

12.7 - Aspecto muscular

Qualquer atividade física exige a utilização de determinados grupos musculares e, no caso da grafia, os
músculos usados são do antebraço e flexores e extensores do punho e dos dedos.
O exagero na quantidade de padrões coletados pode causar fadiga muscular e consequentemente
alterações no grafismo e debilidade das funções motoras, que poderão influenciar aspectos como espontaneidade
e dinamismo.
Para tanto, pode-se fazer algumas pausas para relaxar os músculos. Mas deve-se ter atenção ao fato de
que a musculatura poderá apresentar-se tensa, com o objetivo de evitar o lançamento espontâneo do grafismo,
momento em que as características pessoais serão mascaradas.
Neste caso, um bate-papo informal e fora do contexto pode ajudar a desviar a atenção ao que será
lançado.
Por outro lado, sabe-se que o lançamento contínuo das peças padrões ocasionará maior naturalidade no
grafismo e consequente registro dos caracteres gráficos pessoais.

12.8 – Fator psicológico

A disponibilidade para fornecer os padrões para confronto vão dizer muito sobre o indivíduo, pois o
sentimento de culpa e o medo poderão interferir no grafismo, podendo mascarar certas características pessoais.
Para desviar a atenção sobre a peça questionada, pode-se usar expressões com a mesma sequência
de símbolos gráficos, pois assim os hábitos pessoais serão inseridos com naturalidade em palavras diferenciadas.

12.9 – Padrões contemporâneos

Se a peça questionada foi lançada há muito tempo e a mudança da escrita dificultar a análise, pode-se
recorrer a instituições como bancos, cartórios, juntas comerciais, departamento de trânsito, contadores, etc. já que
estes lugares mantêm arquivos de processos e documentos por longo período de tempo, sendo fontes úteis de
pesquisa.

12.10 – Padrões com naturalidade

A naturalidade nos lançamentos dos padrões fará com que os gestos gráficos pessoais sejam
visualizados com mais facilidade.
Se o perito perceber algum tipo de alteração proposital, pode efetuar uma pausa na coleta e retomar
posteriormente.

12.11 – Membro escritor

Acidentes podem ocasionar mudança do membro escritor. Como é o cérebro que escreve e comanda o
impulso gráfico, as características do grafismo permanecem do mesmo jeito.
Pode aparecer pouca habilidade para lançar o grafismo, mas não haverá alteração nas características
do mesmo. Neste caso, detecta-se falta de espontaneidade, senilidade e distorções na imagem.

12.12 – Outras patologias

Algumas patologias podem afetar o sistema nervoso central ocasionando disfunções psíquicas ou
motoras ou motoras, como Parkinson, AVC, isquemias, etc.
Casos como perda de sensibilidade e motricidade, atrofias, flacidez, ausência de coordenação ou
mesmo padrões posturais podem dificultar o lançamento gráfico. Neste caso, sugere-se buscar padrões
contemporâneos e abandonar a coleta.

12.13 - Cuidados gerais

Sugere-se alguns cuidados na coleta:

- As folhas em branco usadas como calço devem ser anexadas ao material, pois ficaram marcadas pelos
sulcos. E devem ser evitadas para uso em outras coletas.
- Ao concluir o preenchimento de uma folha, esta é recolhida e colocada fora do alcance da visão,
evitando que o escritor observe os grafismos e tente copiar.

- Pode-se pedir que o fornecedor reproduza algumas formas de assinaturas e rubricas que já tenha
utilizado, pelo menos outras 3 vezes, a fim de confrontá-las, mesmo que preliminarmente, com as assinaturas dos
documentos.

- Ao final da coleta, o perito deve assinar todas as folhas coletadas e devolver os documentos pessoais
do fornecedor.

- Os padrões naturais devem sempre ser analisados exaustivamente antes de seu emprego, garantindo
sua real autoria, bem como a eventual presença de escritos feitos por outras pessoas.

13 - ELEMENTOS TÉCNICOS PARA CONFRONTO

Para analisar a autenticidade do grafismo e elaborar o confronto das peças, deve-se observar os
seguintes elementos técnicos:

13.1 – Partes da assinatura

Teoricamente, toda assinatura extensa, e muitas das assinaturas reduzidas ou mesmo rubricas, podem
ser divididas em até 4 partes:

1 = Grafia capital
2 = Caixa caligráfica (ou signatural)
3 = Passantes
4 = Rasgo de saída

Nem toda assinatura apresenta as 4 partes, mas URCIA BERNABÉ, em seu livro “Verificacion de
Firmas”, assegura que, numa amostragem de 100 mil firmas, verificou que 85% apresentavam todas elas.

13.2 - Caixa caligráfica

 Limitantes gráficas: são linhas que delimitam a pauta da caixa caligráfica. As caixas regulares podem
apresentar diversos formatos, tais como simples, dupla, sinuosa, côncava, convexa, retilínea, paralela,
gladiolada (em forma de espada ou gládio), ingladiolada, ascendente, descendente ou horizontal.

Linhas de caixa caligráfica:


13.3 - Registros gráficos

 Ponto: registro gráfico produzido por um único toque do instrumento.

 Traço: é o arrasto do instrumento escrevente sobre o suporte. Pode ser essencial (faz parte da
configuração do caracter) ou acessório (conectam caracteres).

 Traçado: registro gráfico representado por um ou mais traços. Quando um traço se superpõe a outro,
forma o retraço ou retraçado.

 Rasgos: linhas secundárias que se agregam ao modelo padrão, por hábitos adquiridos pelo autor do
escrito, em geral no início ou no fim das assinaturas.

 Grama, ou unidade gráfica, é o resultado de um gesto gráfico feito sem mudança brusca de sentido e
sem interrupção.

Deste modo, a cada mudança de direção, surge um novo grama.


Nas imagens abaixo, pode-se identificar os traços que compõem letras do modelo caligráfico padrão,
com o respectivo número de gramas. De acordo com Del Picchia, as letras são divididas quanto ao número de
gramas:

 letras formadas por 1 grama: c; o; u

 letras formadas por 2 gramas: a; b; d; e; f; h; i; j; l; n; p; q; r; s; t; u; v; x; y; z

 letras formadas por 3 gramas: k; m; g

 letras formadas por 4 gramas: w


OBS: com as variações formais da escrita, as letras podem não conter o número mínimo de gramas especificado
no exemplo.

 Os pingos das letras I e J, cedilhas, barras do T e o til são traços que podem ser estudados quanto à
sua posição, forma, presença ou ausência.
Circular:

Semicircular:

Sinuoso:

Vertical:

Horizontal:

Laçada:
A letra é a unidade do alfabeto. As letras possuem características para sua identificação em um exame
grafotécnico e podem se apresentar de variadas formas:

A – Gramas não passantes: gramas que permanecem entre as linhas de base e ápice

B – Gramas passantes superiores: gramas que extrapolam a delimitação determinada pela linha de ápice
(hastes das letras):

C – Gramas passantes inferiores: gramas que extrapolam a delimitação determinada pela linha de base (pernas
das letras):

D – Gramas duplo passante: gramas que ultrapassam os limites tanto da linha de base com da linha de ápice
(letra F):

OBS: As letras minúsculas são sempre consideradas passantes.

E – Gramas com presilhas: letras V e B minúsculas


F – Gramas com dupla presilha: letra R minúscula

G – Gramas com anel: letra E e L minúsculas

H – Gramas com platô: letra R minúscula

13.4 – Inclinação axial

A inclinação axial define-se através de um eixo perpendicular imaginário em relação à linha de base, que
pode ser imaginária ou real. Assim, partindo-se do ângulo inicial de 90°, o grafismo pode comportar-se das
seguintes formas quanto à inclinação:

A - Vertical, alinhada ou perpendicular (mantém-se o eixo de 90 graus):

B - Destrógira (à direita)

C - Sinistrógira (à esquerda)
13.5 – Ataque

É o traço inicial do grafismo que acontece sempre que o instrumento escritor é colocado sobre a
superfície de um papel. Para cada movimento gráfico haverá um ataque. Trata-se de uma característica individual,
que varia de cada punho escritor e pode ser classificada como:

A - Apoiada: traço que começa com pressão provocando aparecimento de um ponto na parte inicial, típico de
punho pesado e cultura gráfica baixa

B - Não apoiada: a pressão se mantém igual ao restante do traço, com o mesmo calibre.

C – Infinita: o punho desce em grande velocidade e, ao tocar o papel, o traço fica claro, afilado, firme, reto e
fluente. Neste caso, temos o predomínio da progressão e é um comportamento característico de punho leve e
cultura gráfica alta.

D – Em arpão: o punho desce em grande velocidade e, ao tocar o papel, ainda em velocidade, produz um traço
reto, firme, claro e afilado parecendo um anzol.

13.6 – Remate

É a parte final do grafismo e tem grande relevância, pois muitas vezes, passa despercebida pelo
falsificador, evidenciando a imitação.

A - Apoiado: traço final que passa da progressão para a pressão provocando aparecimento de um ponto escuro
produzido pelo excesso de tinta, típico de cultura gráfica baixa:
B - Sem apoio: a pressão se mantém igual à progressão, mantendo o mesmo calibre ao final do grafismo:

C – Em fuga (infinito): é o término da ação da pressão, culminando em um traço claro, afilado, reto e fluente no
final do lançamento. Característico de punho leve:

D – Em arpão: pode ocorrer quando finaliza o movimento gráfico ainda em velocidade, que resulta em um traço
com característica de um anzol:

13.7 – Observações

Em algumas escritas podem ocorrer situações que dificultam a identificação de ataques ou remates.
A – Encavalamento: movimentos sucessivos e sobrepostos coincidindo com as extremidades do grafismo:

B – Entintamento: massa de tinta descarregada no início ou final do grafismo:

C – Erro de planejamento: quando partes do grafismo situam-se fora do espaço destinado. Isto pode ser
observado em situações onde o espaço é reduzido, como, por exemplo, em cartões de crédito.

D – Fechamento dos gramas circulares


A gênese da escrita costuma seguir o movimento dos ponteiros de um relógio e o momento de seu fechamento se
dará num determinado horário. Cabe observar se ocorrerá alguma alteração no ponto do fechamento. O confronto
dos gramas circulares deve ser feito somente entre os símbolos correlatos, ou seja, o primeiro de uma peça com o
primeiro de outra, e assim sucessivamente.
13.8 - Hábitos gráficos (Idiografismo ou Gesto-tipo)

É a formação de símbolos não convencionais que podem acontecer de diversas formas. São gestos
típicos de cada pessoa e são como um tique nervoso que tem grande valia na investigação de manuscritos.
Podem ser identificados no ataque, no remate, em pingos dos I, barras dos T, etc.

A – Gancho ou arpão: movimento regressivo que se manifesta em qualquer lugar da letra.

B – Golpe de sabre: movimento brusco, anguloso e seco, produzido por um impulso em qualquer direção.

C – Golpe de chicote: movimento para a frente, de maneira impulsiva com forma de laço.

D – Triângulo: gesto mais comum nas pernas das letras.

E – Espiral: lembra um caracol, podendo ser no início ou no final das letras. É mais comum nas letras C, L, M, N,
R e S.
F – Laço: assemelha-se ao bucle, sendo comum nos F e Q.

G – Nó: sinal da vogal que cruza início e final das letras, podendo ser para dentro ou para fora.

H – Serpentina: barra do T em forma de til.

I – Guirlandas: curvas ascendentes que pode ser no início ou final das letras.

J – Arcos: curvas que iniciam de baixo para cima formando um arco antes das letras.

L – Unha de gato: traço regressivo à esquerda e por baixo da palavra.

M – Traço regressivo: gesto que retorna à esquerda e por cima da palavra.


N – Traço do procurador: movimento que se prolonga para a direita.

O - Tremor: movimentos bambos, frouxos e sem firmeza. Traços quebrados.

P - Torção: desvio de direção em traços que deveriam ser retos.

13.9 – Alinhamento gráfico

É a direção da escrita em relação às linhas de pauta, sendo ela real ou imaginária. Pode se apresentar
da seguinte forma:

A – Alinhado (apoiado ou tangente): obedece rigorosamente à linha de pauta

B – Não alinhado (sem apoio ou superior) (a pessoa escreve acima da pauta):

C - Não alinhado (sem apoio ou inferior) (a pessoa escreve abaixo da pauta):


D – Ascendente: a grafia se eleva da esquerda para a direita:

E – Descendente: a grafia tende a descer durante sua execução:

F – Sinuoso: apresenta sinuosidade ao longo do traçado:

G – Arqueado convexo: traçado que sobe e desce em relação à pauta:

H - Arqueado côncavo: traçado que desce e sobe em relação à pauta:

13.10 – Tendência de punho

É o comportamento do gesto gráfico que leva à formação de ângulos ou curvas.

A – Anguloso: traços pontiagudos:

B – Arcada: traços arredondados formando arcos, principalmente em Ms e Ns:


C – Guirlanda: traços em forma de U, principalmente em Ms e Ns:

13.11 – Calibre

É a altura das letras não passantes. Neste aspecto, devemos considerar os espaços destinados à
assinatura em alguns documentos (ex: cartão de crédito).

A – Pequeno: altura inferior a 3mm:

B – Médio: varia entre 3 e 4mm:

C – Grande: altura superior a 4mm:

13.12 – Espaçamento

Este tópico considera o espaçamento entre os gramas, letras ou vocábulos.

A – Intervocabular: espaços entre palavras:

B – Interliteral: espaços entre letras:


C – Intergramatical: espaços entre os gramas:

13.13 – Gladiolagem

Em relação à altura dos gramas não passantes, é possível perceber, em alguns grafismos, aumentos ou
diminuições progressivas até o final do traçado.

A – Gladiolado positivo: letras não passantes que vão diminuindo progressivamente (decrescentes):

B – Gladiolado negativo: letras que começam pequenas e terminam grandes (crescentes):

C – Não gladiolado: letras que permanecem do mesmo tamanho do início ao fim:

13.14 – Trajetória do punho

A trajetória do punho diz respeito ao caminho utilizado pelo escritor para o desenvolvimento dos traços.
Deve-se observar, na comparação, se a trajetória desenvolvida é a mesma entre as peças.
Compare os dois exemplos abaixo:
14 – ESPONTANEIDADE

A naturalidade na execução do grafismo é observada a partir da presença ou não de tremores,


indecisões no traçado, claudicações ou paradas em locais não habituais.

A – Assinatura espontânea (escrita com o punho escritor habitual)

B – Não espontânea: apresenta alterações no curso do traçado (punho escritor não habitual)

14.1 – Fatores que influenciam a quebra da naturalidade

A falta de naturalidade do traço pode ter origem em diversas causas, a saber:

A – Acidentais: alguns fatores externos podem provocar acidentes como superfícies irregulares, fadiga muscular,
etc.

B – Emotivas: emoções como depressão, raiva, tristeza, euforia, ira, etc.

C – Patológicas: problemas de saúde que afetam as funções motoras ou patologias neurológicas. De acordo com
a patologia, que pode ser passageira ou irreversível, a escrita sofre deformidades mais ou menos intensas. As
mais comuns são Parkinson, esquizofrenia, epilepsia, alcoolismo, uso de drogas e outras demências.

Normal Acidental Emotiva Patológica


D – Senis: a senilidade aqui está relacionada ao grafismo e não ao escritor. Podemos encontrar pessoas com
idade avançada e excelente coordenação motora e, por outro lado, pessoas jovens com claudicações e tremores
em seus traçados.

E – Fraudulentas: a falsificação também pode interferir na espontaneidade, pois a tentativa de manter a forma da
grafia faz o indivíduo refrear o gesto gráfico, provocando tremores e paradas em locais não habituais.

15 – DINÂMICA

A dinâmica indica como o punho escritor alterna o uso da força e velocidade durante a formação dos
gramas. A força e a velocidade podem ser visualizadas nos traços escuros ou grossos (força) e nos claros ou finos
(velocidade).
O tipo de caneta pode modificar a formação da dinâmica, como, por exemplo, a caneta tinteiro, que
deixa um traço espesso quando usada com força. Já a caneta esferográfica alterna a dinâmica mediante o
emprego da pressão e velocidade no traçado.

16 – RECURSOS ÓTICOS

Apesar de a análise grafotécnica ser direcionada ao confronto do grafismo, torna-se necessário


observarmos possíveis alterações contidas no papel-suporte.
Tais alterações somente são perceptíveis através da utilização de equipamentos óticos de ampliação,
possibilitando a identificação.
Outras alterações somente serão perceptíveis através da incidência sobre o papel-suporte de raios
luminosos com radiações diferenciadas.

Para a escolha do equipamento ótico, duas variáveis deverão ser conhecidas:

 o nível de ampliação a ser atingido;


 o campo de visualização necessário para efetuar a análise.
Como a análise é bastante minuciosa, o perito deverá se valer de todos os recursos óticos possíveis
para a fundamentação da conclusão da perícia.

16.1 – Conta-fios

Sendo um equipamento de baixa capacidade de ampliação, seu campo de visão varia de 1 a 10cms de
diâmetro. Não possui iluminação, mas têm duas vantagens: possui régua interna que possibilita precisar
milimetricamente as características observadas, e o fato de ser dobrável, facilitando sua posição sobre o papel-
suporte.

16.2 – Lupa
As melhores lupas que existem são aquelas feitas de cristal, pois garantem baixíssimos níveis de
distorção da imagem.
Podem apresentar uma variedade de ampliação de 2 a 20 vezes. Lupas com pequena capacidade de
ampliação apresentam campo visual com diâmetro bastante variado, porém a espessura da lente é pequena.
Por outro lado, equipamentos com maior capacidade de ampliação apresentam um pequeno campo
visual e lentes com grande espessura. Ou seja, a capacidade de ampliação de uma lupa é diretamente
proporcional à espessura de sua lente.
Da mesma forma que o conta-fios, a lupa também não possui iluminação própria. Por isso, deve–se
procura trabalhar em locais com grande luminosidade.

16.3 – Lupa estereoscópica

Com capacidade de ampliação maior que lupas comuns, o microscópio estereoscópico mostra-se
bastante útil para análises documentoscópicas e grafotécnicas.
Esta lupa possui iluminação artificial dos tipos incidente e transmitida, o que proporciona boa
luminosidade. Algumas ainda têm o recurso do controle de iluminação.
Estes equipamentos podem ser monoculares ou binoculares. Alguns ainda apresentam o sistema de
zoom, que permite ampliações de 10 a 160 vezes.
Tal variação torna possível visualizar detalhes mínimos do material. Porém, seu campo de visualização,
ou extensão do foco, é relativamente pequeno, podendo alcançar 85mm.
E quanto maior a ampliação do documento, menor o campo visual obtido. Ou seja, a ampliação do
material é inversamente proporcional ao campo visual analisado.

16.4 – Microscópio

A diferença do microscópio para a lupa estereoscópica é a capacidade de ampliação e campo visual. O


primeiro possui alta capacidade de ampliação e campo visual reduzido; a lupa, por outro lado, tem capacidade de
ampliação menor, mas com campo visual maior.
Algumas lentes objetivas apresentam boa capacidade de ampliação, mas com campo visual
extremamente pequeno. Suas imagens podem ser ampliadas de 40 a 1.000 vezes.
A capacidade de iluminação é igual à da lupa, inclusive com controle de intensidade.
Sendo assim, comparando os dois equipamentos, concluímos que as lupas estereoscópicas têm maior
aplicabilidade, pois apresentam ampliação satisfatória e campo visual maior.

16.5 – Digitalização de imagens

Este recurso auxilia muito nas análises, pois é possível ampliar, recortar e ilustrar o laudo, tornando o
trabalho bastante didático.
Deve-se, então, ter a atenção para que se use equipamento de alta definição para não comprometer o
aspecto original do grafismo.

16.6 – Instrumentos utilizados

No conteúdo do Laudo Pericial, deverão constar as características técnicas do equipamento utilizado na


perícia.
Deve-se ressaltar o nível de ampliação imposto à imagem, tipo de equipamento utilizado e demais
técnicas que levaram à conclusão.

17 – ESTRUTURA E REQUISITOS DO LAUDO

A conclusão de uma perícia grafotécnica é o resultado final de um trabalho investigativo intenso. Como é
a resposta para as indagações propostas, trata-se da parte mais importante do trabalho.
A descrição da conclusão deve traduzir a opinião final do perito e deve empregar palavras ou
expressões claras, concisas e objetivas, evitando termos que sugiram entendimento dúbio ou que venham de
encontro ao parecer final.
Cada profissional tem seu estilo de laudo, mas os tópicos abaixo têm o objetivo de exemplificar e
demonstrar como estabelecer de maneira sucinta as ações tomadas pelo perito.
É imprescindível detalhar as razões que o levaram àquelas conclusões, incluindo no laudo o item que
descreva as fundamentações ou razões que subsidiaram a conclusão. Nesta etapa, entram o complemento de
ilustrações e suas respectivas explicações.
Enquanto o tópico do confronto entre peças questionadas e padrões descreve suas correlações, a
fundamentação apresenta os argumentos técnicos, descrevendo, de maneira minuciosa, os caracteres, a análise
do traçado em suas qualidades e elementos gerais e específicos do grafismo.
Não podemos esquecer que o laudo poderá ser lido por pessoas que não detêm conhecimento
aprofundado da matéria.
Neste caso, as ilustrações podem não trazer o efeito esperado pela dificuldade de interpretação das
mesmas.
A leitura e entendimento da conclusão pericial estão diretamente relacionados à qualidade das imagens
inseridas no trabalho, as quais explicam e fundamentam a mesma. Daí a importância as escolha das ilustrações a
serem anexadas.
Dada sua importância, a conclusão deve ser um item a parte, com destaque para as fontes consultadas.
Seu enunciado deve estar totalmente fundamentado em observações que assegurem ao perito total segurança no
resultado de seu trabalho.
Vale ressaltar que o laudo deverá ter um texto límpido, conciso e que exprima na medida certa o
resultado das observações durante o trabalho pericial.
A conclusão pode ser expressa apenas diante das respostas aos quesitos formulados pelas partes
envolvidas, dispensando apresentação de item específico.

A - Cotejos entre assinaturas questionadas e os padrões de confronto, com anotação e interpretação de


suas convergências e divergências, conforme a metodologia pericial grafocinética: análise propriamente
dita das peças confrontadas, ou seja, servirá de guia para a fundamentação da conclusão do trabalho
pericial, onde serão demonstradas todas as características do grafismo.

B - Adicionar as melhores imagens digitalizadas ilustrativas A utilização de imagens fica a critério de


cada profissional, mas sugere-se obedecer a três princípios básicos:
o Ilustrar o trabalho pericial
o Demonstrar as características do grafismo analisado
o Fundamentar a conclusão pericial
C - Coordenação de todos os dados técnicos apurados
o Apresentar alternância de imagens de peças questionadas e padrões e suas descrições ajuda
o rápido entendimento do motivo da perícia.

D – Características visíveis a olho nu como ataques, remates, tremores, etc. Veja no exemplo abaixo,
uma das maneiras de se mencionar tais aspectos:

Comentário: “Observamos no detalhe que o passante inferior apresenta inclinação destra, movimento ascendente
em curva com menor pressão comparado ao movimento descendente.”

Comentário:
“O passante superior apresenta grande semelhança nos espaçamentos internos, e remate com movimento
semicircular em direção destra com tendência infinita. Alinhamento apenas do primeiro grama em relação à linha
de base, e presença do mesmo número de momentos gráficos.”

Mesmo sabendo que as imagens têm caráter apenas ilustrativo com objetivo de complementar o
argumento, elas contribuem para a fundamentação da conclusão pericial.

E – Citar o papel suporte e alguns comentários e se houve adulterações. Neste caso, cita-se o recurso
ótico como conta-fios, lupa, radiações diferenciadas, etc.

F – Na peça questionada, citar a situação em que se encontra o documento.

G – Descrição das características:


o A descrição comparativa deve se focar não só nos símbolos gráficos, mas também em outros
elementos inerentes, como localização da assinatura em relação a um texto.

Novo Código de Processo Civil

Com as alterações do Novo Código de Processo Civil, amparadas pela Resolução do Conselho Nacional
de Justiça – CNJ (que determinou a aplicabilidade destas alterações passasse a vigorar a partir do dia 17 de
Outubro de 2017), o artigo 473 assim determina:

“Artigo 473. O laudo pericial deverá conter:


l – a exposição do objeto da perícia;
ll – a análise técnica ou científica realizada pelo perito;
lll – a indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando ser predominantemente aceito pelos
especialistas da área do conhecimento da qual se originou;
lV – resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz, pelas partes e pelo órgão do Ministério
Público.
£ 1º. No laudo, o perito deve apresentar sua fundamentação em linguagem simples e com coerência lógica,
indicando como alcançou suas conclusões.
£ 2º. É dedado ao perito ultrapassar os limites de sua designação, bem como emitir opiniões pessoais que
excedam o exame técnico ou científico do objeto da perícia.
£3º. Para o desempenho de sua função, o perito e os assistentes técnicos podem valer-se de todos os meios
necessários, ouvindo testemunhas, obtendo informações, solicitando documentos que estejam em poder da parte,
de terceiros ou em repartições públicas, bem como instruir o laudo com planilhas, mapas, plantas, desenhos,
fotografias ou outros elementos necessários aos esclarecimentos do objeto da perícia.”

18 – DESCRIÇÃO DA PEÇA QUESTIONADA

A perícia começa efetivamente pela descrição da peça em exame. Assim, deve-se utilizar todos os
recursos disponíveis para análise do documento, inclusive destacando possíveis alterações tanto no grafismo
quanto no papel-suporte. Esta descrição se divide em três etapas:

1ª: descrição do grafismo: considerações somente sobre o que está inserido na peça questionada,
com atenção a possíveis alterações como recoberturas, borrões, emendas, raspagens, tipo de instrumento
escritor, tipo de massa ou tinta e aspectos gerais.

2ª: descrição do papel-suporte: considerações sobre o estado físico do documento apresentado,


destacando características como alteração de pigmentação, coloração do papel, dobras, recortes, rasgaduras,
desfibramento, raspagens, recoberturas, colagens, uso d papel carbono, sulcos, etc.

3ª: descrição do conteúdo visual: abrange aspectos mecânicos, manuscritos, carimbos, corretivos,
logo e outras ilustrações como datas, números, valor, etc.
Nestas etapas, os comentários são abordados de maneira superficial e genérica, visando unicamente à
descrição do documento questionado. As considerações referentes ao exame propriamente dito, ou seja, a efetiva
análise do documento abordará minuciosamente, serão comentados em tópico específico.

19 – EXEMPLOS DE TEXTOS PARA O LAUDO

19.1 - Exemplo de Introdução para elaboração de Laudo

“Aos dezessete dias do mês de maio do ano de dois mil e um, nesta cidade de Curitiba – PR, os
infrafirmados Sr. XX e SR. YY, ambos peritos grafotécnicos e documentoscopistas, conforme solicitação do Sr. ZZ,
passaram a realizar exames dos documentos descritos em tópico seguinte deste trabalho.
Esgotados todos os recursos possíveis para melhor condução e elaboração do trabalho pericial
grafotécnico/Documentoscópico, passamos a apresentar os resultados obtidos.”

*Trecho retirado do livro “Entendendo o Laudo Pericial Grafotécnico e a Grafoscopia”

19.2 - Modelo de texto com cotejo entre peças

*“Nesta etapa, os infrafirmados passam a efetuar o cotejo entre as firmas questionadas e os padrões
gráficos utilizados. De início foram observadas características grafocinéticas, forma e qualidades gerais que
identificam tais espécimes. A este respeito, os peritos destacam o mesmo tipo de comportamento quanto à
inclinação de alguns símbolos, o alinhamento em relação às linhas de pautas dos documentos, os espaçamentos
interliterais, além de se observar também semelhança na alternância do dinamismo empregado nas peças
cotejadas.
Observa-se também entre as peças confrontadas, que os sinais gráficos apresentam componentes de
movimentos proporcionais, onde ficam evidenciadas as predominâncias no estilo curvilíneo entre os gramas
cotejados.
Além disso, estes profissionais não detectaram quaisquer sinais de simulação nos espécimes com o
intuito de introduzir movimentos diferentes dos habituais produzidos pelo punho escritor.”

*Trecho retirado do livro “Entendendo o Laudo Pericial Grafotécnico e a Grafoscopia”

19.3 - Modelo de conclusão quando o objetivo da perícia for único

*”Diante das afirmações efetuadas no confronto entre as peças objeto de análise e as características
gráficas ilustradas na fundamentação do trabalho que o grafismo questionado foi lançado pelo punho escritor do
Sr. XX.
Ao observar as divergências demonstradas junto às ilustrações que compõe a fundamentação do
trabalho e os comentários contidos em item específico ao confronto das peças, concluem estes peritos que a
grafia questionada não pertence ao punho escritor do Sr.XX.”

*Trecho retirado do livro “Entendendo o Laudo Pericial Grafotécnico e a Grafoscopia”

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