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IMPORTÂNCIA DA ARTE NA EDUCAÇÃO: DESENVOLVIMENTO DE APRENDENTES

EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL

Luana da silva Ribeiro1


Universidade Federal da Paraíba - (UFPB)
Orientador: Roberto Derivaldo Anselmo2
Universidade Federal da Paraíba - (UFPB)

RESUMO
O presente estudo tem por objetivo apresentar a proposta da arte na educação como
auxiliadora do desenvolvimento de aprendendentes que se encontra em dificuldades
advinda da vulnerabilidade social, utilizando de vivências e diálogos com artistas que
convivem com esse campo da realidade. A concepção desse estudo apresenta para
educadores e profissionais afins, meios de lidar com dificuldades desse contexto,
propondo ideias e alternativas para o trabalho e a educação.

Palavras chaves: 1. Vulnerabilidade; 2. Arteducação; 3. Superação.

INTRODUÇÃO
A educação em seu contexto amplo traz consigo a concepção de que cada ser
cognoscente possui dimensões que abarcam seu processo de aprendizagem, seja em
interação consigo mesmo, seja em interação com o meio social. Diante desse
entendimento, há a compreensão de que existe o reconhecimento sobre tais dimensões,
e que cada aprendente detém caminhos diferentes para a própria aprendizagem.
Porquanto, a escola lida diretamente com aprendentes, bem como a carga psicológica e
emocional que cada um traz da própria história sendo que, algumas vezes torna-se um
embaraço ao educador trabalhar nesse processo, visto que a realidade, os desafios e a
afetividade de cada indivíduo são divergentes e desafiadores para o profissional.
Ainda que seja desafiador, os métodos de educação vigentes encaminham
técnicas para que esse processo seja eficaz. Perante isso, os Parâmetros Curriculares
Nacionais - PNC apresenta e propõe a Arte como um objeto facilitador da aprendizagem

1 Graduanda em Psicopedagogia pela UFPB. Membro do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Saúde


Mental, Educação e Justiça Social - NESMEJUS. E-mail: luanasrpsi@gmail.com

2 Mestre e Doutor em Educação pela UFPB. Especialista em Psicologia escolar e da Aprendizagem pela
FIP. E-mail: anselmoeduc40@hotmail.com
fundamental, sendo caracterizada pela capacidade de propiciar que o aprendente
caminhe para compreender suas próprias vias de acesso ao seu aprendizado singular,
seu processo de criação e sua relação com o mundo. Portanto, tornou-se um meio
didático para todas as idades, essencialmente no ensino fundamental, sendo esse ensino
regulamentado no Brasil, disposto no parágrafo 6º do artigo 26 da Lei de Diretrizes e
Bases da Educação (LDB) em vigor até os dias atuais.
As práticas e estudos tendo o usufruto da arte na educação trouxe para a
atualidade uma transformação inovadora para o desenvolvimento humano, a
Arteducação. Mas as pesquisas desse ramo precisam ter a assimilação de que é uma
área que se trabalha a inclusão, a prática dos direitos humanos em prol de crianças e
jovens que se encontram em vulnerabilidade social, seja deficiente ou não, com ou sem
problemas familiares, inclusive os que não possuem moradia, mas que seja fundamental
a participação do estudante na convivência escolar.
Tendo em vista as observações do desenvolvimento de crianças com acesso a
essa forma de educação, alguns projetos trouxeram essa prática para assessorar
aprendentes em situação de vulnerabilidade social, mas tendo como pré-requisito a
presença na escola, sendo a Arteducação um contraturno escolar, por meio de ONGs,
projetos e associações.
A partir dessas ponderações, o cerne principal deste estudo é explicar as
compreensões acerca da arte na educação para o desenvolvimento de aprendentes em
situação de vulnerabilidade social, mas especificamente: a) fazer uma breve definição
sobre a arte e sua importância no marco histórico humano, bem como sintetizar sobre o
conceito da arte em si no desenvolvimento humano; b) caracterizar a atuação da
Arteducação na Pedagogia do Desejo, práticas e técnicas da Psicopedagogia que
contribuem na atuação para sanar dificuldades e negligência social; c) discutir seus
impactos positivos na convivência social, abrangendo suas formas de capacitar
psicologicamente para os estudos formais, sociedade, facilidade de expressão por meio
da arte, bem como o entendimento da vida para crianças e adolescentes e suas
implicações na preparação cognitiva desses aprendentes possibilitando a abertura de
caminhos para a protagonização.

Metodologia
Este trabalho trata-se de uma pesquisa exploratória caracterizada pelo
levantamento bibliográfico de artigos publicados em eventos de Pedagogia e
Arteducação, bem como, [...] “entrevista com profissionais que tiveram experiências
práticas com o problema pesquisado” abordando e analisando exemplos que estimulam a
compreensão do assunto. (PRODANOV e FREITAS, 2013, p. 51-52).
Nessa perspectiva, participou apenas uma estudante discente do curso de
Psicopedagogia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), tendo a principal fonte de
coleta utilizada, uma entrevista aberta com um artista Argentino S. Hãstash (MËX) e um
professor de pintura e xilogravura de João Pessoa/PB José Altino Lemos, ambos
encontrados no Centro Estadual de Artes em um Workshop de arte urbana, possibilitando
à pesquisadora uma natureza maleável e proativa.
Por fim, abarcando-se de perguntas discursivas baseadas na observação, buscou-
se analisar os dados obtidos, bem como compreender por meio do diálogo a importância
da arte na educação e desenvolvimento de aprendentes e jovens em situação de
vulnerabilidade social. Para compreensão do tema, essa pesquisa fundamenta-se nos
seguintes teóricos: Fischer (1973) e Kramer (2000), entre outros que ofereceram
subsídios acerca dessa temática.

Conceito da Arte no Desenvolvimento Humano


A arte se encontra presente nas civilizações desde os primórdios da existência humana,
demarcando temporalidade, diversidade cultural e conhecimentos que atravessam
milênios. A arte em palavra no seu aspecto etiológico se exprime na dimensão do fazer,
visto que Bosi (1991, p.8), assim expressa este preceito: "Arte é fazer, Arte é exprimir,
Arte é conhecer". Por tanto, considerar a arte como área de conhecimento, exteriorização
histórica e cultural, é buscar e trazer a arte para o comando da cognição. No decorrer das
principais épocas da humanidade a arte é exprimida com fisionomias diferentes, tomando
formas e estilos próprios que equivalem a momentos distintos da história.
Diante disso, a proposta de implantação da arte para aprendentes vulneráveis ou
em situações de conflito, busca em Fischer (1973, p.15) a percepção de que para o ser
cognoscente a arte é um trabalho, uma criação consciente e racional, um andamento que
resulta numa realidade discernida, e não um estado de entusiasmo inebriante. Nesse
sentido, a arte estimula uma forma de conhecimento que propicia um firmamento para a
cognição, sendo um dos caminhos de expansão diretamente ligada ao raciocínio.
Nessa lógica, Junior (1991) explica a arte por meio de três níveis de profundidade:
o sociocultural, que diz respeito a preservação da cultura de um certo tempo através da
concepção artística; a currículo-escolar onde a arte como um âmbito específico, auxilia o
aprendente a estabelecer uma união com outras disciplinas da escola - Português e
história por exemplo; e o âmbito psicológico, que pensa a educação em arte como
desencadeadora de um raciocínio, capaz de possibilitar que um indivíduo possa
socializar-se com outros, com um aspecto mais resiliente, afetivo e além disso,
proporcionar o crescimento de pensamentos capazes de gerir uma força criadora.

Arteducação e a Pedagogia do /desejo: contexto social, negligência e superação.


Para se pensar em Arteducação, é essencial falar de uma das iniciativas presentes
no país, o Projeto Axé 3 ilustra que, é necessário abranger sobre a defesa dos direitos de
crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social, bem como os que
se encontram residindo nas ruas, para a realização de atividades culturais e artísticas que
caminha ao lado do lúdico, sendo essencialmente importante basear-se nos princípios da
ética e dos direitos humanos igualmente, com a finalidade de promover a inclusão e
justiça social.
O contexto social encarado por muitos aprendentes atualmente, pode ser um
desafio para o educador que lida com a realidade de seus educandos diariamente. Mas
além da escola, existem crianças e jovens que ainda não alcançaram o ensino básico
proposto pela UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e estão subtraídos
pela pobreza educacional que ainda atinge parte da população e suas variáveis são
diversas.
Nesse contexto, é compreendido que sua mola propulsora, que desencadeia tais
variáveis é um advento da desigualdade social que assola a sociedade, somatizando com
a negligência do Estado para com a educação popular, mesmo com as políticas públicas
vigentes que dá atenção a crianças e adolescentes com caráter protetivo promotor de
crescimento e desenvolvimento saudável.
Ainda assim, como defendido por Kramer (2000), é possível educar aprendentes
nesse contexto, na medida em que se trabalha na humanização e na apropriação das
diversas culturas, abrangendo a capacidade de interpretar o mundo, buscando a salvação
do saber. Para fazer o ser aprendente sentir-se pertencente ao mundo, é necessário abrir
experiências por meio da educação e socialização entre crianças, jovens e adultos,
essencialmente com a valorização e investimentos devidos à escola e ambientes para a
educação infantil, com a força de transformar.
O psicopedagogo na dimensão de sua competência profissional possui um papel
muito importante nesse processo, pois poderá vir a conscientizar pais e cuidadores sobre
a importância de estabelecerem um vínculo com a escola, visto que a educação é eficaz

3 É um centro não governamental que trabalha com a pedagogia do desejo e Arteducação, fundado
na cidade de Salvador Bahia desde 1990. Axé significa “energia positiva que permite que todas as
coisas venham a existir”.
quando todos trabalham juntos para que o aprendente esteja preparado para a importante
vivência social.
Diante disso, a Psicopedagogia atuará gerindo estratégias, não apenas para o
ensino, mas também na gestão escolar. Perante isso, o uso das técnicas com produções
4
de desenho (par educativo) onde o aprendente poderá compreender melhor sua
singularidade, subjetividade e como ocorrem seus processos de aprendizagem e o que
poderá ser melhorada para a apropriação do saber. (GONÇALVES, 2014.)

RESULTADOS E DISCUSSÕES
Posteriormente, ao analisar certas alegações sobre o desenvolvimento humano e
cognitivo pelo embasamento da arte, mais especificamente da Arteducação, bem como
sua intervenção para elevar a perspectiva de vida entre aprendentes e os que residem na
vulnerabilidade social, pode-se perceber formas de abrir as portas para incentivar e
formar jovens protagonistas e revolucionários de sua própria condição.
As práticas para auxiliar esses aprendentes vão além de idealizar, mas torna-se
fundamental acolher primeiramente, seja numa instituição escolar, programas sociais ou
numa associação responsável, levando a criação de vínculo com laços de respeito,
confiança e empatia, onde toda e qualquer atividade seja fundamentalmente levada a
reflexão, sendo fundamental a dedicação e o apoio.
Foi possível perceber a importância da presença de um profissional
Psicopedagogo no auxílio ao educador, pois ele fornecerá métodos para a educação
singular que cada aprendente possui envolvimento nos processos de aprendizagem, bem
como possibilitar laudos e encaminhamento para outros profissionais que lidam com
determinadas patologias ou dificuldades - Psicólogo e Psiquiatra, por exemplo. Por isso, é
primordial a intervenção por meio da Arteducação, pois a mesma contendo subsídios
necessários para sua atuação, levantando o nível de qualidade na resolução de
problemas sociais, dificuldades de aprendizagem e na inclusão social.

CONCLUSÃO

4 O Teste do Par Educativo (TPE) permite explorar o vínculo professor-aluno a partir da obtenção
das projeções da criança (expressão de sentimentos, pensamentos, afetos e demais
características referentes à relação e a aprendizagem).
A colaboração da Arte na educação trouxe grandes avanços no que diz respeito à
inclusão social e no egresso de jovens envolvidos com o crime e na marginalidade
psicológica e social, trazendo consigo o apoio dos Direitos Humanos, Leis e Parâmetros
nacionais de educação que contribuíram e muito na prosperidade e aperfeiçoamento
dessa forma de intervenção para a educação brasileira. No que diz respeito a sala de
aula, a arte, especificamente o desenho infantil, trouxe na bagagem profissional, o
caminho para acessar os anseios mais profundos de um ser cognoscente, sendo estes
muitas vezes, difíceis de ser acessado na superfície do diálogo ou observação
comportamental e familiar.
Diante disso, torna-se perceptível que essa também é uma forma de ensino
colaborativo, pois, para ter eficiência em seu caminho, torna-se necessário o apoio de
áreas afins e políticas públicas que viabilizem enxergar novos métodos e concepções,
bem como uma força para a inclusão, garantindo o direito à aprendizagem, pois haverá
sucesso não apenas das instituições e aprendentes, mas também na dimensão da
convivência social, pois prover educação é munir uma nação de pessoas educadas, tendo
o entendimento da ética e o respeito ao próximo, não pela opressão ideal ou repressão,
mas sim pela consciência e empatia pela existência do próximo e semelhante, sendo
capaz de discernir certo e errado por educação e não meramente por medo de punição
social e judicial.
Em suma, o presente trabalho sobre arte para o desenvolvimento, contribui para
refletir sobre práticas da educação pela destreza artística, evidenciando o viés que torna
essa realidade possível e alcançável ao nível mais simples, bem como possibilitar que
aprendentes em seus momentos cruciais da vida, possam refletir sobre o mundo, polindo-
se de dedicação continuada, transformando códigos internos em arte, possibilitando que o
mesmo sinta-se pertencente a sociedade em que vive, assim como apoiando educadores
em suas práticas cotidianas em prol do desenvolvimento humano, artístico e por
conseguinte social.

REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n.º 5.692/71. Brasília, MEC,
1971.
CARTA MAIOR. Arteducação no Brasil: trinta anos em poucos segundos. Disponível
em: <https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Mídia-e-Redes-Sociais/Arteducacao-no-
Brasil-trinta-anos-em-poucos-segundos/12/14829 28/03/2018> Acesso em: 28 de
setembro de 2018
DUARTE JÚNIOR, João Francisco. Porque Arte-Educação? 6. ed. – Campinas, SP:
Papirus, 1991;
KRAMER, Sonia. Infância, Cultura contemporânea e Educação contra a Barbárie -
“Seminário Internacional OMEP. Infância – Educação Infantil: reflexões para o início do século”.
Brasil, jul. 2000.
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394/96. Brasília: Editora do
Brasil, 1996.
NASCIMENTO, Vanderleia santos J. Ensino da arte: contribuições para uma
aprendizagem significativa. 2012. Disponível em:
<http://www.funarte.gov.br/encontro/wp-content/uploads/2013/04/artigo-para-submiss
%C3%A3o-pela-funarte_Vanderl%C3%A9ia-Santos.pdf> Acesso em: 26 de setembro de
2018
REVISTA PSICOPEDAGOGIA. Atendimento psicopedagógico aos universitários:
uma realidade possível. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?
script=sci_arttext&pid=S0103-84862014000200014> Acesso em: 29 de setembro de 2018

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