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A MÚSICA COMO INSTRUMENTO DE APRENDIZAGEM NA

ESCOLA

OLIVEIRA, Dayane de1


CRUZ, Andréia Cristina 2

RESUMO: O resumo deverá seguir a NBR 6028:2003 – Resumo. De acordo com a


norma, a extensão indicada para resumo de artigos é de 100 a 250 palavras,
devendo ser redigido em parágrafo único (sem recuo de parágrafo) empregando-se
letra normal. O resumo tem por finalidade fornecer uma visão geral do conteúdo
escrito, para que o leitor possa decidir pela continuidade ou não da sua leitura. O
resumo precisa, necessariamente, ser fiel ao trabalho. Ele não pode conter
informações extras não constadas no texto integral. No resumo não consta as
citações de autores, as tabelas, nem as figuras. A primeira frase do resumo deve ser
significativa e explicar o tema principal do trabalho. A sequência de frases consiste
na síntese dos pontos relevantes do texto, em linguagem clara, direta, concisa e
objetiva. Deve indicar a natureza do problema estudado, o método utilizado, as
principais teorias citadas, os resultados mais importantes alcançados e as principais
conclusões a que se chegou.

Palavras-Chave: Musica. Educação. Aprendizagem. Ensino.

SUMMARY: The summary should follow the NBR 6028: 2003 - summary. According
to the norm, the extent indicated for short articles is 100-250 words and should be a
single paragraph (no paragraph indent) employing standard font. The summary is
intended to provide an overview of content writing, so that the reader can decide the
continuation or not of your reading. The summary necessarily have to be true to
work. It can not contain extra information constadas not in full text. In summary not
on the quotes of authors, tables or figures. The first sentence of the abstract should
be meaningful and explain the main theme of the work. The sequence of sentences
is the summary of relevant items of text in clear, direct, concise and objective
language. Should indicate the nature of the problem studied, the method used, the
main theories mentioned, the most important results achieved and the main
conclusions that we arrived.

Keywords: Song. Education. Learning. Teaching.

1 INTRODUÇÃO

1
Acadêmica do Curso de Pedagogia da UEM-Universidade Estadual de Maringa – Campus Cianorte.
2
Mestre em Letras pela Universidade Estadual de Maringá – UEM. Especialista em Educação Especial pelas
Faculdades Maringá e em Psicopedagogia Clínica e Institucional, Educação Infantil e Séries Iniciais e
Neuropedagogia pelo Instituto Rhema Educação - FATEC. Contato: andreia_projetouem@yahoo.com.br
O tempo atual identifica grandes avanços tecnológicos que resultam em
diferentes formas de expressões artísticas. Essas podem e devem ser utilizadas
para melhorar o processo de ensino aprendizagem de crianças durante a sua
passagem pelo ensino fundamental. Diante de seu poder de entreter e despertar
curiosidade para uma fase e época que gosta do diferente, das mudanças e da
interatividade.
Nessa vertente, encontra-se a educação musical com o grande teor de
assimilação da realidade juntamente com a prática pedagógica por meio da
musicalização. Partindo dessa perspectiva, Loureiro (2003, p.14) esclarece que a
educação musical é fundamental para “estabelecer uma relação pedagógica com
crianças e jovens que propicie sua aproximação e o gosto pelo fazer musical”, e isso
se torna possível à medida que são levadas em conta suas experiências,
necessidades, e linguagens individuais. Pois, através da música a criança
conseguirá ampliar a sua capacidade sensorial aflorando a sua imaginação,
melhorando a sua capacidade crítica e reflexiva.
Desse modo, este estudo tem como problema: Quais as vantagens do ensino
da música como instrumento de aprendizagem na escola? Para responder a este
questionamento, objetiva-se contextualizar a música como instrumento de
aprendizagem na escola. Para isso, este estudo irá explicar sobre a relevância do
ensino musical na escola, suas vantagens, a importância da valorização musical e
ainda relacionar o ensino da música com o desenvolvimento cognitivo, educacional e
social do aluno.
Pois, a música está presente na vida da maioria das pessoas nas mais
diversas situações. Ela pode cumprir diferentes funções, como aborda Hummes
(2004, p.17) ela está nos “telefones convencionais e celulares, na internet, vídeos,
lojas, bares, nos alto-falantes, nos consultórios médicos, nos recreios escolares, em
quase todos os locais em que estamos e em meios que utilizamos para nos
comunicarmos [...]”. Desta forma, a música e sua função social são muito
importantes para a formação e desenvolvimento da criança seja no sentido
pedagógico, estético, social ou ainda funcional.
Nesse contexto, será realizada uma pesquisa exploratória com base em
referências bibliográficas buscando sanar dúvidas com relação ao uso da música
como instrumento de aprendizagem na educação infantil. No decorrer das pesquisas
foi possível observar a qualidade e a quantidade de autores renomados que
pesquisaram e escreveram sobre o uso da música na educação.
Segundo Gil (2008) a pesquisa exploratória com caráter bibliográfico
proporciona grande aproximação da realidade do problema trabalhado por um
levantamento bibliográfico, facilitando a pesquisa e entendimento quanto a trocas de
informações encontradas em autores que desenvolveram materiais compatíveis aos
objetivos propostos nessa pesquisa. Nesse contexto, a pesquisa bibliográfica é
realizada conforme materiais já publicados por autores renomados que tem suas
obras expostas em livros, artigos científicos, revistas e outras fontes confiáveis (GIL,
2008).
Nessa intenção, utiliza-se uma pesquisa bibliográfica fundamentada em
autores da área de música como Loureiro (2003); Barreto et al. (2012); Amato
(2010); Junior (2007); Jordão (2012); Junior (2011); os Parâmetros Curriculares
Nacionais (BRASIL, 1997; 2010), entre outros.
O primeiro capítulo é a Introdução com os objetivos, problema de pesquisa e
metodologia. Já o segundo capítulo apresentará fatos marcantes sobre o histórico
da educação musical e suas transformações desde o tempo da Coroa Real no Brasil
aos dias hoje. O terceiro capítulo versará sobre informações relevantes em relação a
música e seu papel na aprendizagem escolar ressaltando seus pontos positivos, sua
importância para o desenvolvimento cognitivo e social da criança, entre outras
coisas, respaldar a valorização musical na escola como uma rica ferramenta de
construção do saber. Por fim, o quarto capítulo são as conclusões e, em seguida,
seguem as referências.

2 HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO MUSICAL

As manifestações musicais estão presentes no Brasil, desde a fase da


colonização, enraizadas pela chegada da família Real advindas pelos portugueses
por meio dos Jesuítas. Conforme aponta Barreto et al. (2012,p. 02) “estes tinham por
objetivo principal catequizar os nativos, encontrando na arte e, especificamente na
música, o principal meio de sensibilizar os indígenas”.
Assim, utilizavam o cantochão para ensinar a população, já que a mesma é
uma prática monofônica de canto utilizada nas liturgias cristãs, de uma forma
simples, singela com ritmo livre, sendo utilizados para acompanhar os rituais
litúrgicos e ajudar na colonização indígena de acordo com os interesses da Igreja
Católica e da Coroa Portuguesa. Com o passar do tempo a música já não se limitava
mais apenas a Igreja, principalmente com a chegada da Família Real no Brasil em
1808, passando a participar de teatros, por operas e operetas desse tempo.
Fonterrada (2005) explica que chegado o ano de 1813 surgiram edificações
de teatros, que deram mais vida para a importância da música como fonte cultural e
de manifestações artísticas, que tempos depois facilitou a fundação do
Conservatório de Música do Rio de Janeiro, nesse momento no ano de 1841 pelo
compositor Francisco Manuel da Silva disseminando a presença da música na vida
cultural, social, acadêmica do brasileiro ainda mais. Contudo, a música estava
presente nas classes mais elitizadas.
Desta forma, foi apenas no ano de 1854, como pode ser visto nas palavras de
Barreto et. al. (2012) que:

Foi decretado oficialmente o ensino de música nas escolas públicas


brasileiras, que passou a processar de dois modos: noções de música e
exercícios de canto. Mas esse decreto não dava orientações de como
deveria ser direcionado o ensino. No ano seguinte, outro decreto faz a
exigência de contratação de professores de música através de concurso
público. Durante o século XX, o professor Anísio Teixeira, através da
proposta de Escola Nova de John Dewey, trouxe ao Brasil a ideia de que a
arte não deveria ser restrita a uma “elite”, mas que deveria estar no centro
da comunidade. Na escola, o ensino de música não deveria restringir-se a
alguns poucos talentos, mas ser acessível a todos, contribuindo para a
formação integral do ser humano. Atraídos por essas ideias, Mário de
Andrade, Oswald de Andrade e Villa-Lobos defendiam o valor social da
música folclórica e popular brasileira (BARRETO et. al., 2012, p.03).

Assim, foi realmente no século XX, que essa proporção se tornou mais
discutida e concreta, envolvendo relações políticas e legislativas que passaram a
ressaltar a educação musical nas escolas públicas. Primeiramente ela aparece nas
instituições paulistas, e depois vai ganhando força e se espalhando por todo o
território nacional. Essa progressão se deve a nomes como Veríssimo de Souza,
Fernando de Azevedo e Heitor Villa-Lobos.
Como indica Fonterrada (2003) primeiramente pela contribuição de Veríssimo
de Souza em elaborar um artigo sobre a educação musical publicado em uma
revista paranaense, sendo o pioneiro da discussão do ensino de música na escola
primária paranaense. Depois Fernando de Azevedo com a obra intitulada como
Novos Caminhos e Novos fins: a nova política da educação no Brasil, como
representante da escola nova e Heitor Villa-lobos por inserir o Canto Orfeônico,
formado por leis e decretos federais para o ensino secundário, que já havia tido uma
pequena participação anteriormente da nova política educacional defendida por
Fernando de Azevedo.
Nesse sentido, Junior (2011, p.280) diz que foi a partir da década de 30 que
“o canto orfeônico passou a fazer parte do ensino secundário, como reforma
apresentada pelo governo federal e depois tornou-se obrigatório no currículo escolar
no ensino primário e ginasial”. Surgindo até mesmo cursos de formação de
professores Secundários de Música e Canto Orfeônico, com várias Cadeiras
culturais e pedagógicas.
A criação da Superintendência de Educação Musical e Artística em 1933,
transformada em SEMA (Serviço de Educação Musical e Artística) no ano de 1939.
Este também foi o ano em que Villa-Lobos apresentou sua proposta de ensino
musical para os demais estados brasileiros culminando em um novo interesse
voltado para a propagação do ensino da musica nas escolas e pela organização de
orfeões escolares, aceitando ainda a matrícula de professores estaduais nos cursos
especializados, para pequenos estágios onde eles pudessem adquirir os
conhecimentos básicos imprescindíveis (AMATO, 2006).
Em 1942, conforme a evolução do ensino do canto orfeônico no Brasil foi
criado o Conservatório Nacional de Canto Orfeônico, para a formação de
professores de música permitindo a organização da música vocal na rede oficial de
ensino, que permitiu uma maior veiculação da cultura musical entre a população
brasileira por mais de uma década, em um processo de democratização e de
valorização musical.
Essa disseminação do canto orfeônico de Villa-lobos contou com o apoio do
governo do presidente Getúlio Vargas para favorecer as políticas defendidas pelos
seus ideais patrióticos. No entanto, surgiram muitas críticas, porque o Presidente
tinha a música como um poder sobre a massa, ou seja, uma excelente forma de
propaganda, na qual tentava-se uma certa legitimação a serviço de uma causa
política e não educacional.
Mas, foi a partir daí que Villa-lobos e o ensino do Canto Orfeônico passaram a
ser mais visto e contemplado na sociedade como um todo, sendo citado em diversos
livros didáticos promovendo a sua importância quanto à integração curricular da
educação musical na escola moderna. Já que a educação musical não estava
diretamente ligada na formação de músicos profissionais e sim de cidadãos capazes
de viver as novas tendências do mundo.
Contudo, a sua pretensão não era nacional, ele focava mais a região centro
sul, além disso, o ensino de música acontecia apenas de forma cantada e novas
necessidades começaram a surgir, assim, como novas pesquisas e formas de
ensinar. No ano de 1961, o canto orfeônico, foi substituído pela educação musical,
que não foi diferente da proposta anterior, mas ampliava o interesse de músicos
brasileiros pela educação musical nas escolas.
A partir daí passou a ser necessária a diplomação em Educação Musical,
causando algumas dificuldades diante das recomendações do Conselho Federal de
Educação pela portaria nº 63 do Ministério da Educação, ainda mais, porque seu
nome foi alterado para Licenciatura em Música em 1969. No entanto, dois anos
depois, em 1971, o presidente Médici sancionou a Lei de Diretrizes de Base nº
5.692. Nela, a Educação Musical foi banida, definitivamente, dos currículos
escolares, sendo introduzida a atividade de Educação Artística (JORDÃO et. al.,
2012).
Desta forma, os conteúdos não seriam mais trabalhados de forma privilegiada
com o intuito de valorizar todas as áreas do conhecimento artístico como as artes
cênicas, plásticas, música e desenho. Desse modo, cabia ao professor ser
polivalente, tendo conhecimento em todas as linguagens artísticas. A partir desse
momento, o predomínio na sala de aula foi das artes plásticas, já que para música
não havia curso de graduação. Essa relevância das artes plásticas deixaram a
educação musical de lado. Pois, a mesma passou a estar presente apenas em
alguns momentos nas atividades de contraturno e em funções secundárias como
comemorações e eventos escolares. Nesse contexto, ela não tinha mais a
significação de linguagem artística concreta em relação ao conhecimento.
Nessa perspectiva, foi no ano de 1974 que surgiu a formação superior em
Educação Artística pela resolução nº 23 com duas modalidades, Jordão et. al. (2012)

Licenciatura Curta com habilitação geral, para atuação no ensino de 1º grau,


e Licenciatura Plena, com habilitações específicas em Artes Plásticas, Artes
Cênicas, Música e Desenho, para trabalhos com alunos do ensino de 1º e 2º
graus. Mesmo assim, os professores ainda apresentavam grandes
deficiências em sua formação, afinal, a polivalência também se dava no
ensino superior. As faculdades não estavam preparadas para oferecer uma
formação mais sólida, limitando-se a um ensino técnico e sem bases
conceituais (JORDÃO et. al., 2012, p.25).
Nessa perspectiva, a formação em Educação Artística não aconteceu de
forma adequada e esperada. Pois, ela não conseguiu suprir as necessidades e
exigências do ensino, tornando o ensino mais fraco, precisando de novas reformas.
Que aconteceram somente no ano de 1996 com a Lei 9394/96 contida na Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB no art. 26, par.2 em (BRASIL, 2010,
p.23) “o ensino da Arte constituirá componente curricular obrigatório nos diversos
níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos
alunos”.
Contudo, essa lei passou a representar diversas interpretações entre os
profissionais da educação, que passaram a dar mais atenção a utilizar a música
para a aprendizagem do aluno, mas ainda com grande carência em sua relevância
para o sistema educacional e a capacitação e contratação de profissionais realmente
especializados, já que os questionamentos aumentaram em relação às
especificidades dessas contratações quanto a área do saber ministrada pelo campo
de Artes.
Culminando em novos manifestos como a criação do Grupo de Articulação
Parlamentar Pró-Música, formado por 86 entidades do setor, entre elas: Associação
Brasileira de Educação Musical (ABEM), Associação Brasileira da Música (ABM),
Associação Nacional de Pesquisa e Pós Graduação em Música (ANPPOM), Instituto
Villa-Lobos, universidades, escolas de música, sindicatos, artistas e representantes
da sociedade civil (NEVES, 2002).
Reunido e organizado, este grupo foi responsável pela elaboração de um
manifesto que solicitou às autoridades a implantação gradual. Porém legal, do
ensino de música nas escolas. Bem como a abertura de concursos públicos para
contratação de profissionais específicos para esta tarefa e a criação de projetos de
formação pedagógico-musical continuado aos professores. No entanto, mesmo com
a interferência da governadora Roseana Sarney e o deputado Frank Aguiar dois
anos depois, não conseguiram muitas coisas.
Nesse sentido, provocaram, mudanças que levaram o então Presidente da
época Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no mês de agosto a sancionar à Lei nº
11.769 b – alterando a LDB nº 9.394. Estabeleceu a mesma como responsável em
tornar a música como componente curricular obrigatório. Mas, não exclusivamente
da educação básica, garantindo a presença da música nos currículos escolares em
busca de uma educação de qualidade e de trabalho das mais diversas expressões
artísticas.
Nesse contexto, esclareceu várias dúvidas e questionamentos sobre a lei
instaurada anteriormente pela LDB, mas que passou, a criar novos
questionamentos. Sobre a necessidade de uma formação especifica no que tange a
capacitação do professor em ensinar música e a relação existente com o Art. 01
presente em Brasil (2010) ao atestar que outras artes também devem fazer parte da
formação escolar. Compete aos sistemas educacionais, exercendo sua autonomia,
elaborar seus projetos político pedagógicos, onde as artes devem ser inseridas.
Nesse pensamento, Figueiredo (2010) explica que faz-se necessário revisar
as concepções da inserção da música enquanto obrigatoriedade na educação
básica, ou seja:
Apesar do avanço que a legislação pode trazer, ainda restam diversas
questões sobre a educação musical na escola a partir da nova lei. A
questão do professor adequado para ensinar música na escola ainda não
está definida com toda a clareza necessária, pois a lei 11.769/2008 é
genérica; cabe aos estados e municípios, estabelecerem os detalhes desta
questão. A prática polivalente para o ensino das artes ainda está muito
presente nos sistemas educacionais brasileiros e, para vários deles, a nova
lei não acrescenta modificações. Após muitos debates e manifestações de
educadores, a atual legislação educacional brasileira reconhece a
importância da arte na formação e desenvolvimento de crianças e jovens,
incluindo-a como componente curricular obrigatório da educação básica
(FIGUEIREDO, 2010, p.03).

Sendo assim, efetivar o processo de ensino aprendizagem na Escola tem sido


um tema bastante discutido, seja pelas exigências que circundam a LDB, os PCNs,
os Referenciais Curriculares Nacionais, entre outros. Contudo, os valores que essa
prática pedagógica permite para a estimulação e o crescimento cognitivo e social do
aluno se revelam como incontestável.
Quando a nova legislação do ensino de Artes evidencia a necessidade do
conteúdo de música na escola, indicam a necessidade de profissionais qualificados
para tal, porém, o sistema educacional continua a salientar por meio de seus
próprios profissionais distintas concepções sobre as Artes e o seu ensino da escola,
bem como a formação acadêmica para a educação básica e a formação especifica
de um professor de música para essa modalidade (FIGUEIREDO, 2010).
Portanto, referencia-se por meio de toda a conquista da inserção da música
na educação brasileira como a mesma contribui para o processo de ensino
aprendizagem nas séries inicias no aprendizado como componente disciplinar de
Artes enquanto disciplina e da música sendo utilizada como prática pedagógica
interdisciplinar.
Ao longo da História da humanidade a música vem se apresentando diante
dos mais diversos âmbitos da sociedade contribuindo para o desenvolvimento do ser
humano. Ela se faz presente no dia a dia de cada um sendo essencial para a
socialização. Daí a relevância de compreender o significado de música.

3 A MÚSICA NA ESCOLA

Para alcançar o aluno através do coração, é mais do que tornar um período


letivo em que o professor poderá dar suas aulas com tranquilidade, sem indisciplina
por parte dos alunos, fazendo render o conteúdo a ser transmitido. Alcançar o
coração é necessário para que o professor faça parte da vida de seus alunos, mais
do que ele possa imaginar. “Ter uma influência tal que o fruto de seu trabalho seja
perpetuado por toda uma existência que é construída por este aluno” (MENSLIN,
2010, p. 68).
Os métodos ativos de educação musical passam a considerar a participação
ativa do aluno no processo e disseminam a importância do ensino coletivo de
música desde a primeira infância. Podemos dizer que “eles provocam uma
verdadeira revolução pedagógica, dando ênfase à ação e à prática mais do que ao
ensino da teoria musical” (ZAGONEL, 2013, p. 34).
A persuasão e a eficiência da música no ensino não se questionam, mas,
além de tal técnica de ensino nunca ter sido formalizada, a não ser com relação a
alunos com algum tipo de deficiência, não devemos nunca esquecer que a música,
nem por sonho, restringe-se apenas a isso. Trata-se de uma arte extremamente rica
e que dispõe de farto e vasto repertório acessível em qualquer lugar do nosso
planeta (FERREIRA, 2012).
Para ILARI (2009, p. 92) os programas sociais que existem no Brasil usam a
música não como distração, mas, como meio de despertar a autoestima,
desenvolver competências musicais, resgatar a cidadania e leva-las a se
desenvolverem de forma tal que se tornem cidadãos críticos e capazes de vencer
nesta sociedade.
Conforme Andrade apud Loureiro (2003, p.15) a música está na escola para
a construção do conhecimento. Ele vê como primordial, no projeto, o resgate
cultural, e ressalta que “as crianças geralmente não tem acesso à música popular, à
diversidade de ritmos. Quando levamos isso para a sala de aula, elas se
interessam”. Daí a importância de tornar a sala de aula um lugar propicio para a
educação musical como um local acolhedor passível de contextualizá-la e adaptá-la
como prática pedagógica atrativa para o educando e ainda responsável pelo seu
desenvolvimento pessoal em atividades de apreciação e produção.
Assim, diversas funções da educação musical podem ser utilizadas em sala
de aula, seja para o conhecimento sobre a música como para práticas pedagógicas
interdisciplinares que ampliem o trabalho do professor para estimular o processo de
ensino aprendizagem em seus alunos. Segundo Barreto et. al. (2012, p.07) o
professor pode proporcionar “o conhecimento por meio da sensibilidade, da
cooperação e da elevação do conhecimento sobre o mundo e si próprio”.
Conforme Vygotsky (1997, p.16) “a sociabilidade da criança é o ponto de
partida de suas interações sociais com o entorno” ressaltando a premissa da
importância e viver experiências significativas para melhorar e acelerar o
desenvolvimento integral do aluno. Desenvolvimento esse, que começa desde os
seus primeiros momentos de vida na escola. Depois com seus primeiros contatos
com os adultos no nascimento. Mais tarde com as experiências que passam a
vivenciar com a família. E posteriormente no ambiente educacional, aquele espaço
que ela passa a ter contato com diversas realidades, culturas, crenças, hábitos,
valores, ou seja, a diversidade e pluralidade cultural.
Brito (2003) aponta que a percepção de gestos e sons transforma-se em
vibrações sonoras permitindo a integração da criança com o mundo em que vive, ou
seja, as crianças ouvem:

O barulho do mar, o vento soprando, as folhas balançando no coqueiro,


ouvem o bater de martelos, o ruído das máquinas, o motor de carros ou
motos. O canto dos pássaros, o miado dos gatos, o toque do telefone ou o
despertador. Ouvem vozes e falas, poesia e música. [...] o sons que as
cercam são expressões da vida, da energia, do universo em movimento e
indicam situações, ambientes, paisagens sonoras: a natureza, os animais,
os seres humanos e suas máquinas traduzem, também sonoramente, sua
presença seu ser e estar, integrando ao todo orgânico e vivo nesse planeta
(BRITO, 2003, p.17).

Nesse sentido, a aprendizagem por meio do som tem grande implicância para
o conhecimento de si próprio e de mundo. A criança por intermédio dos sons formam
a sua cultura visual e a sua percepção entrelaçadas pela competência da Arte e da
Educação atual, que se inspira nas artes e na comunicação visual.
Nessa vertente, Romanelli (2009) concorda explicando que a música é a
linguagem da arte na escola, abrindo várias possibilidades de ensino para a criança,
pois, ela favorece a imaginação, a concentração, a imitação, entre outras coisas.
Mais uma vez, Vygotsky (1997, p.19) contribui ao afirmar que “tudo que é humano
tende a se objetivar e a se projetar nas obras”. Contextualiza-se então, a veracidade
de uma formação infantil comprometida com a linguagem, a percepção, os reflexos
das experiências com todas as formas de comunicação verbal e não-verbal e ainda
outros instrumentos relativos ao desenvolvimento cognitivo, social, psíquico,
sensório-motor, entre outros.
Sendo assim, quando se utiliza da educação musical, a mediação do
conhecimento ao formular práticas pedagógicas associadas à música trabalha a
linguagem física e intelectual da criança. Desta forma, a linguagem musical se faz
muito importante, e precisa ser realizada durante as aulas, ou seja, ser utilizada
pelos professores seja por exercícios ginásticos, rítmicos ou por jogos, brinquedos,
cantigas de roda e outras formas de aproveitamento para fluir e desenvolver a
comunicação corporal e sentimental com a realidade que a cerca.
Segundo Paz (2000):

O ensino de música deve ser, desde o começo, uma força viva. A criança,
muito antes de dominar as regras gramaticais, utiliza palavras com fluência
e formula frases já com entonação. A linguagem é, para ela, uma coisa viva
e, não, regras no papel. Deve-se educar o ouvido para que sejam sentidas,
perfeitamente, modulações e combinações sonoras diversas. Deve-se
deixar o aluno perceber a harmonia com seu próprio ouvido, antes de se
deparar com o ensino da mesma (PAZ, 2000, p.16).

Nessa perspectiva, a educação musical acompanha as necessidades


constantes de mudança, que as crianças possuem, pois, estão sempre na busca do
novo, já que ensiná-las, exigem habilidades em comprometê-las com o universo
educacional. E esse campo musical tem grande influencia em manter a
concentração e o interesse das mesmas. Pelo mecanismo de associar o som, a fala,
a escrita e a afetividade da criança.
Partindo desses pressupostos, ensinar através da música possibilita uma
eficiente ferramenta para formação do conhecimento cultural da criança, a
aprendizagem pela música passa a ter grande significância, ainda mais quanto ela
contribui para o desenvolvimento integral do aluno e para a sua evolução enquanto
ser humano, que precisa de contatos com o mundo exterior para essa formação e
socialização com os demais.
Segundo Rodrigues (2013, p.10) “a música é compreendida como forma de
ampliar o conhecimento cultural das crianças e jovens no período que abrange a
educação infantil e, também, como fator que contribui para o desenvolvimento no
ensino-aprendizagem escolar”.
Esse contexto mostra a objetivação da música para a formação da criança à
medida que ela é capaz de despertar a sensibilidade, as relações sócio afetivas, a
valorização das relações interpessoais, a memorização, a percepção, a abstração,
entre outras coisas, ativar a participação da criança nas praticas pedagógicas
favorecendo a sua inserção do currículo escolar.
Nessa perspectiva, a música integra a criança aos seus sentimentos,
pensamentos e ações facilitando a sua relação com tudo o que pode ver, sentir e
ouvir, ou seja, ela conhece novos horizontes e estabelece relações com o meio em
que está inserida. Nesse sentido, como dotada de várias possibilidades de trabalhos
pedagógicos, que podem ser muito bem desenvolvidos de forma interdisciplinar.
Sendo assim, utilizar a educação musical nas aulas de Arte contribui ainda
mais para o desenvolvimento do aluno, e quando realizado pelo profissional
capacitado se torna mais eficaz à medida que este possui capacitação para aliar a
dança, a música, o teatro, e outras manifestações artísticas para a formação do
aluno (BRASIL, 2010).
A função da escola passa a ser produto de culturas e parte da história, para
identificar elementos e compor trabalhos artísticos dentro de uma combinação bem
além da estética e sim como a organização de relações formais que contribuem para
o desenvolvimento integral do aluno.
Prosser (2012, p.32) explicita a música como “agente facilitador e integrador
do processo educacional e sua importância nas escolas como multiplicado de
crescimento”, ou seja, a música oportuniza a experiência musical entre o som, a
melodia e a corporeidade como forma de linguagem e estímulos auditivos partindo
para a compreensão do campo visual de acordo com o seu destino e interesse em
estabelecer o conhecimento na prática pedagógica lançada pelo professor.
Desta forma, a sensibilidade será desenvolvida e a música contribuirá
efetivamente para o desenvolvimento do campo visual e de atividades que associam
esses elementos sensoriais para o desenvolvimento pleno das competências dos
alunos nos primeiros anos do ensino fundamental. Nesse contexto, utilizar a
compreensão musical como aliada a teoria e a prática revela explorar o potencial
dessa prática pedagógica para a produção do conhecimento (GAZOLA, 2013).
Junior (2007, p.45) estabelece que os momentos atuais apresentam muitas
variações de práticas pedagógicas para o ensino de Artes Visuais nesse caso, “são
linguagens artísticas que se fundem, se unem. Podemos denominar essa linguagem
artística como “audiovisual” – união de som e de imagem”.
Vários são os elementos artísticos que estão presentes nas imagens do
cotidiano social, como as publicações gráficas em jornais, as revistas, os livros, os
outdoors, partindo desses pressupostos, todos esses parâmetros podem ser
utilizados para a transmissão do conhecimento entre a música e o ensino de Arte.
Como sugestão estratégica para trabalhar a música em sala de aula Barreto
et.al. (2012) descreve a sua utilização por meio de:

Interpretações de músicas existentes vivenciando um processo de


expressão individual ou grupal, dentro e fora da escola. Arranjos,
improvisações e composições dos próprios alunos baseadas nos elementos
da linguagem musical, em atividades que valorizem seus processos
pessoais, conexões com a sua própria localidade e suas identidades
culturais. Experimentação e criação de técnicas relativas à interpretação, à
improvisação e à composição. Experimentação, seleção e utilização de
instrumentos, materiais sonoros, equipamentos e tecnologias disponíveis
em arranjos, composições e improvisações. Observação e análise das
estratégias pessoais e dos colegas em atividades de produção. Seleção e
tomada de decisões, em produções individuais e/ou grupais, com relação às
ideias musicais, letra, técnicas, sonoridades, texturas, dinâmicas, forma, etc.
Utilização e elaboração de notações musicais em atividades de produção.
Percepção e identificação dos elementos da linguagem musical em
atividades de produção, explicitando-os por meio da voz, do corpo, de
materiais sonoros e de instrumentos disponíveis. Utilização e criação de
letras de canções, parlendas, raps, etc., como portadoras de elementos da
linguagem musical. Utilização do sistema modal/tonal na prática do canto a
uma ou mais vozes. Utilização progressiva da notação tradicional da música
relacionada à percepção da linguagem musical. Brincadeiras, jogos, danças,
atividades diversas de movimento e suas articulações com os elementos da
linguagem musical. Traduções simbólicas de realidades interiores e
emocionais por meio da música (BARRETO et.al. (2012, p. 09).

Nesse contexto, os professores podem desenvolver diversas práticas


pedagógicas envolvendo as manifestações artísticas com atividades voltadas para
tal, assim, o professor pode planejar uma aula utilizando uma melodia musical como
fonte de inspiração para desenvolver trabalhos no campo visual.
Através dos sons o mediador do conhecimento pode propor atividades como
desenho, ilustração, pinturas, esculturas daquilo que os alunos ouviram, aguçando
sua curiosidade, fantasia, realidade, memorização entre outras coisas estimulando o
seu campo visual e sonoro para a compreensão do conteúdo que está sendo
mediado produzindo conhecimentos de fato culturais, sociais e científicos. Contudo,
o envolvimento de todos esses aspectos terão os resultados esperados pelo
legislativo e pelo próprio sistema de ensino com a capacitação adequada do
mediador do conhecimento.
Compreende-se que a música está presente em todo o desenvolvimento da
criança, como uma ferramenta, um fator, uma prática pedagógica de extrema
importância. Assim, a educação musical pode estar inserida na realidade escolar de
diversas formas.

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