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BRUNO TORQUETTI MORAES

GUARDA COMUNITÁRIA: Reflexão sobre a melhor Guarda que pode ser oferecida aos munícipes de Belo Horizonte

Belo Horizonte

Escola Superior Dom Helder Câmara

2007

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BRUNO TORQUETTI MORAES

GUARDA COMUNITÁRIA: Reflexão sobre a melhor Guarda que pode ser oferecida aos munícipes de Belo Horizonte

Polícia Comunitária

Projeto da Monografia apresentado ao Curso de Pós-Graduação lato sensu em Segurança Pública e Direitos Humanos promovido pela Escola Superior Dom Helder Câmara como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Segurança Pública e Direitos Humanos

Orientador: Prof. Dr. Virgílio de Mattos

Belo Horizonte

Escola Superior Dom Helder Câmara

2007

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Ao inestimável Dr. Bezerra de Menezes, Pai Antônio e ao Sr. Exu Zé Pretrinho A humana e justa Dra. Márcia Martini Ao nobre e leal Major PMMG Ricardo Eustáquio Maia

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AGRADECIMENTOS

Tenho que agradecer a inúmeras pessoas, para que eu possa ficar em tranqüilidade com minha consciência, pois se estas pessoas não houvessem me ajudado dificilmente estaria nesta fase final de monografia.

Como não agradecer ao Carlinhos Costa, da Guarda Municipal de Belo Horizonte, que me avisou da inscrição do curso na Dom Helder faltando dois dias para se encerarem as inscrições. Como não agradecer aos professores da banca examinadora que de certa forma depositaram em mim confiança profissional. Como não agradecer a todos os alunos da sala de aula, onde fui tratado sempre com respeito e amizade. Será impossível não lembrar com alegria e saudade dos amigos que lá conquistei, entre eles o agente da PCMG Túlio Tissot e a Ten PMMG Ana Paula de Oliveira como amigos saudosos da sala de aula e a Sgt Bombeiro Militar Claudilene Ferreira, companhia agradabilíssima no ponto de ônibus. Para ser justo teria de dizer o nome de todos os(as) amigos(as).

Como o nome da Dra. Márcia Martini (Superintendente de Integração de Política de Direitos Humanos da Subsecretaria de Direitos Humanos na Secretaria de Desenvolvimento Social de Minas Gerais) que desde o primeiro dia conquistou minha admiração e respeito por ser uma pessoa tão importante no cenário estadual e nacional em prol dos Direitos Humanos. Sendo ao mesmo tempo tão simples e prestativa a todas as pessoas que lhe batam a porta do vosso auxílio profissional e humano, sempre respondendo de maneira nobre e justa, amiga e verdadeira, valores lendários, para tal alta posição governamental, da conjuntura atual de nossa realidade Social. Que me ajudou pessoalmente a desenvolver e apresentar um seminário a respeito da utilização da arma de fogo ao Cel PMMG Martinho Comandante da Guarda Municipal.

Ao Major PMMG Marcos da Costa Negraes, que me auxiliou na confecção do perfil profissiográfico para a Guarda Municipal de Belo Horizonte o que foi encaminhado ao Secretário da Guarda Cel PMMG Genedempsey Bicalho Cruz. Como também na indicação de nomes relevantes para o seminário mencionado acima.

Com saudades lembramos dos queridos amigos Ten Cel PMMG Sérgio Ricardo Bueno, sem sua intervenção operacional a pedido do honrado prof. Dr. Virgílio não estaria aqui. Ao Dr. Delegado PCMG Oswaldo Wermann Junior por sua estima e consideração demonstrada em todas as aulas do curso e, ao verdadeiro Dr. Ricardo Venâncio (Delegado de Polícia Federal), que sempre me incentiva a lutar por aquilo que busco, demonstrando a mim mesmo minhas qualidades latentes.

Em suma; são pessoas de altíssima capacidade profissional e ao mesmo tempo possuidoras de humildade e honra.

Como não agradecer ao inestimável Gabriel Borges, da Guarda Municipal, que enviou-me materiais pertinentes à Guarda Municipal.

Peço perdão se aqui não inclui nem a metade dos nomes daqueles que tenho de agradecer, porém distribuo a todos eles alegria e paz, gratidão e luz do meu coração.

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“A ignorância estabelece o cativeiro, mas a sabedoria oferece a liberdade” (irmão X)

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RESUMO

Guarda Cidadã, Guarda Comunitária, é uma proposta de atuação para as Guardas Civis onde o enfoque de suas atuações é pautado pela prevenção em detrimento do modelo repressivo da criminalidade. Suas ações serão amparadas pela ética e pelos Direitos Humanos. Seu enfoque estará em realizar projetos à infância e adolescência, proporcionando assim a desestruturação da mão de obra do tráfico de drogas, carro chefe da criminalidade e violência nos dias atuais. Interagindo com a comunidade proporcionando bem estar e segurança.

Palavras-chave: Guarda cidadã, comunitária, prevenção, ética, direitos humanos, projetos à infância e adolescência, tráfico, comunidade.

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RESUMEN

Guarde a ciudadano, protector de Communitarian, es una oferta del funcionamiento para los protectores civiles donde está pautado el acercamiento de sus funcionamientos por la prevención en el detrimento del modelo represivo del crimen. Su acción será apoyada por el ética y los derechos humanos. Su acercamiento consistirá en llevar con proyectos a la infancia y a la adolescencia, así proporcionando el desestruturação de la mano de la ejecución del tráfico de drogas, del jefe del coche del crimen y de la violencia en los días actuales. El obrar recíprocamente con la comunidad que proporciona a protector del bienestar y de seguridad.

Palabras claves: Guarde el ciudadano, la prevención communitarian, humana, el ética, las derechas, los proyectos a la infancia y la adolescencia, tráfico, comunidad.

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LISTA DE FIGURAS

FIGURA 1 – Saltos do Self

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LISTA DE TABELAS

TABELA 1 - Próprios a serem Atendidos pela Guarda

45

TABELA 2 - Visitas Preventivas

45

TABELA 3 - Número de Intervenções por Regionais de Belo Horizonte

46

TABELA 4 - Média Mensal de Visitas Preventivas

46

TABELA 5 - Número de Visitas nos Principais Tipos de Próprios

47

TABELA 6 - Número de Visitas por Regional

47

TABELA 7 – Principais tipos de intervenções nos Centros de Saúde sendo vítimas funcionários (2006)

48

TABELA 8 - Número de Intervenções por Tipicidade

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LISTA DE QUADROS

QUADRO 1 – Organograma da Guarda Civil de Belo Horizonte

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SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO

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1

A IMPORTÂNCIA DA PREVENÇÃO EM SEGURANÇA PÚBLICA

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1.1

PEQUENO RETROSPECTO DA ATUAÇÃO PREVENTIVA

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1.2

ASPECTOS SINGULARES DA ATUAÇÃO PREVENTIVA

18

1.3

FATORES IMPORTANTES NA AÇÃO COMUNITÁRIA

20

1.4

PERFIL INTELECTUAL E ÉTICO DO AGENTE COMUNITÁRIO: ROMPENDO

“PRÉ-CONCEITOS”

23

1.5

PREVENÇÃO COMUNITÁRIA MUITO ALÉM DA PREVENÇÃO DE

SEGURANÇA PÚBLICA

26

2

A GUARDA MUNICIPAL DE BELO HORIZONTE

28

2.1

ESTRUTURAÇÃO GERENCIAL DA GUARDA CIVIL DE BELO HORIZONTE.29

2.1.1 ORGANOGRAMA DA SECRETARIA MUNICIPAL DE SEGURANÇA

URBANA E PATRIMONIAL - SMSEG E DA GUARDA CIVIL DE BELO HORIZONTE

31

2.2 ATUAÇÕES E ATRIBUIÇÕES DA GUARDA CIVIL DE BELO HORIZONTE_ 32

2.2.1 COMPETÊNCIAS DA GUARDA MUNICIPAL DE BELO HORIZONTE

32

2.2.2 DEVERES DO GUARDA MUNICIPAL

34

2.2.3 OCORRÊNCIAS TÍPICAS

37

2.3 REGISTROS E ENCAMINHAMENTOS DIVERSOS

39

2.4 ATUAÇÃO NOS LOCAIS DE OCORRÊNCIAS

42

2.5 DADOS ESTATÍSTICOS RELEVANTES A RESPEITO DA ATUAÇÃO DA

12

2.5. 1. DADOS ESTATÍSTICOS

44

3

ATIVIDADES DA GUARDA CIDADÃ

50

3.1

A GUARDA TEM EMBASAMENTO PRÓPRIO PARA SER PREVENTIVA

50

3.2

TRABALHOS DE PREVENÇÃO NA PARCERIA DO ACIONAMENTO PELAS

GUARDAS MUNICIPAIS

52

3.3 CRIAÇÃO DE UMA GERÊNCIA ESPECÍFICA À GUARDA COMUNITÁRIA_ 55

3.4 PREVENÇÃO AO SELF

57

3.5 POSSIBILIDADES DE AVANÇO

61

3.5.1PREVENÇÃO SÓ SE CONCRETIZA EM PROL DA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA NUMA VISÃO MAIS APROFUNDADA DO SISTEMA DA CRIMINALIDADE

62

3.5.2 PROJETOS DESTINADOS PRINCIPALMENTE À INFÂNCIA E

ADOLESCÊNCIA E APERFEIÇOAMENTOS INSTITUCIONAIS ESPECÍFICOS EM

PROL DA GUARDA COMUNITÁRIA

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3.5.3 OBJETIVOS DO PROJETO:

3.5.4. REQUISITOS ESSENCIAIS

3.6 REFLEXÕES OPORTUNAS

3.6.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DA GUARDA MUNICIPAL DE BELO HORIZONTE

NO SISTEMA DE SEGURANÇA PÚBLICA DE MINAS GERAIS

69

70

71

73

3.6.2

A INTERFERÊNCIA POLÍTICA NO ASPECTO DA SEGURANÇA PÚBLICA.

AS GUARDAS NÃO DEVERIAM SER MINIS

75

4 CONCLUSÃO

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5 REFERÊNCIAS

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ANEXO I - SUCINTA HOMENAGEM À ANTIGA GUARDA CIVIL, SAUDADES

6

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13

Apresentação

Este trabalho monográfico é resultado final do Curso de Pós-Graduação lato sensu em Segurança Pública e Direitos Humanos, promovido pela Escola Superior Dom Helder Câmara, integrando a Rede Nacional de Altos Estudos em Segurança Pública -RENAESP, sob acompanhamento e financiamento da Secretaria Nacional de Segurança Pública - SENASP, Ministério da Justiça; a partir de convênio celebrado em 2006. As atribuições legais referente às Guardas Civis estão sendo debatidas, podendo resultar numa ampliação da legalização de suas atribuições já definidas pela Constituição de 1988 no art. 144, § 8º. Em síntese, há na atual conjuntura três âmbitos de possíveis modificações a serem reformulados. Tais modificações ainda se encontram em trâmite no Poder Legislativo Federal. O primeiro e o mais irrelevante aspecto seria que as Guardas se configurassem única

e exclusivamente na proteção do patrimônio público, uma espécie de vigilantes concursados.

Essa é a única função realmente legalizada com amparo Federal no momento, para a atuação

das Guardas Municipais e desta forma assim continuaria sem maior modificação e relevância.

A segunda direção na qual a Guarda Civil está se delineando é para uma espécie de

mini PM. Possui uma característica comum, onde todos os seus comandantes são ex-oficiais

das Polícias Militares, e se pauta por um trabalho ostensivo, regidos pela disciplina e

hierarquização das atribuições internas. Dentro desta opção haveria uma sub-opção sendo um

misto entre vigilante concursado e mini PMs.

Nesta opção, haveria várias implicações negativas em sua operacionalização, que

denotaria do prejuízo a uma reformulação constitucional. Implicariam em grande dificuldade

na definição de quais seriam as atribuições próprias às Guardas Civis, sem que sobrepusesse

às atribuições dos órgãos de segurança públicos já constituídos. Em suma; representaria uma

celeuma entre atribuições e instituições policiais.

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Na terceira e última opção, as Guardas Civis teriam uma característica Comunitária.

Esta opção estaria pautada numa fundamentação filosófica sobre as polícias comunitárias de

todo o mundo. Tais experiências demonstram que os órgãos de segurança pública possuem

maior eficácia quando mais articulados e integrados com a comunidade, possibilitando um

trabalho focado na prevenção da criminalidade e não sobre o sistema da reatividade ao crime.

Analisaremos que a terceira opção, ou seja, a da Guarda Comunitária, é uma opção

mais segura e eficiente, além de moderna. Haveria, por certo, desvantagens por se tratar de

um desafio a ser travado e construído, onde erros e tentativas estariam muito próximos, porém

a Guarda Cidadã resultaria em muitas vantagens na operacionalidade da segurança.

Teríamos uma confluência institucional saudável entre as instituições encarregadas

da segurança pública. Estas não entrariam em conflitos referentes à área de atuação, e

atribuições específicas. Pelo contrário estariam integradas em suas atuações, respeitando suas

particularidades. Diminuiria a burocratização sobre a referida segunda opção. A partir das

próprias deficiências do modelo reativo de polícia, se configuraria em prol da prevenção. A

prevenção com Direitos Humanos seria o perfil da atuação da Guarda Comunitária, Guarda

Cidadã.

A sociedade teria mais um órgão de segurança que diagnosticaria suas demandas

sociais interdisciplinarmente com a segurança pública de cada localidade. Um trabalho que

analisasse as deficiências de cada aglomerado, de cada região nobre, e estaria buscando a

resolução, ou melhor, a diminuição dos indices de criminalidade não apenas num âmbito

patrimonial, mas também de uma forma geral.

Neste intuito realizasse a presente monografia, para ser mais uma semente no

objetivo de demonstrar o benefício do trabalho preventivo, aumentando a colheita de

aprimoramento e eficiência na área da Segurança Pública Municipal.

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Este trabalho irá traçar, no primeiro capítulo, alguns apontamentos sobre a

importância da sistematização organizacional e operacional do trabalho preventivo. No

segundo capítulo, iremos abordar atribuições e atividades realizadas pela Guarda Municipal

de Belo Horizonte, constatando que a Guarda belo horizontina já realiza um trabalho de certa

forma preventivo. No terceiro e último capítulo, iremos apontar alguns pontos que irão

aprimorar a atuação preventiva da Guarda Municipal, principalmente no que se refere aos

projetos a serem desenvolvidos na área da infância e adolescência.

É necessário propormos, ações que abrandem os conflitos e minorarem as

deficiências da segurança para beneficiarmos mais amplamente os munícipes. Tais ações

devem ser desenvolvidas juntamente com as forças policiais já constituídas, não se tornando

mais uma força policial, mas um órgão de auxílio aos demais já instituídos legalmente para

desempenhar tais atribuições.

A Guarda Municipal de Belo Horizonte não usa armas, usa o diálogo; não utiliza

a intimidação, utiliza de energia com nobreza; e assim deve continuar e ser lapidada. Desde o

candidato

à

Guarda

Municipal,

passando

pelo

curso

de

formação,

avançando

em

aprimoramentos periódicos e sistemáticos durante sua atuação pública, até o dia de sua

aposentaria nesta profissão ímpar. Mesmo que a Guarda use a arma letal (que será provável,

porém não em todas as atribuições e locais de atuação) o seu foco não será jamais esta arma, e

sim a competência do potencial humano que esta na ponta da linha, manejando tais

instrumentos.

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1 A importância da Prevenção em Segurança Pública

1.1 Pequeno retrospecto da atuação preventiva

Torna-se extremamente importante ampliar ao máximo o que venha a ser atuar de forma preventiva. É exatamente este o embasamento do título do presente trabalho acadêmico. Para isso é preciso rever algumas atuações, planos e metas desenvolvidas na atuação de segurança pública junto à sociedade de cunho preventivo e integrado. Para tal recorte nos inspiramos nas páginas do livro: A Síndrome da Rainha Vermelha de autoria de Marcos Rolim e outras anotações. No Japão que prima por atuações distritais, localizadas, ou seja, de forma muito próxima das guardas municipais, o agente de segurança pública conhece em detalhes a comunidade em que está inserido, pois vive e convive com os seus moradores. Fica à disposição de tal comunidade, evitando e contornando situações que, se não tivessem sua intervenção, poderiam alcançar um patamar bem mais sério, que nos meios policias denominamos de crises de alta complexidade. Nos Estados Unidos, o pensamento de policiamento comunitário está constituído com tamanho destaque que criaram a Lei Criminal, em 1994, visando arrecadar fundos para a contratação de 100 mil policiais voltados à atuação comunitária. Nos relatórios da polícia da Irlanda do Norte, uma das mais importantes recomendações é que a atuação policial deva ser pautada no viés comunitário. Na Noruega, há vários documentos valorizando a atuação do policiamento comunitário. Como também na Dinamarca, Suécia, Finlândia, Inglaterra. A Polícia Montada do Canadá é ganhadora de vários prêmios internacionais como polícia cumpridora dos Direitos Humanos e de cunho comunitário. Em Cingapura, que realiza-se a intervenção comunitária de forma integral para toda a rede policial, e não apenas isoladamente em um setor ou numa guarnição. Como podemos observar, esta nova abordagem policial é parecida com uma corrente quântica, ou seja, todo o mundo, em todos os lugares, começa a pensar e

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direcionar seus esforços na mesma direção e no mesmo objetivo; o modelo reativo perde o foco em relação ao modelo preventivo. Cada localidade, ao seu tempo, com ações e estudos não permite o retrocesso na discussão em prol de uma segurança com mais eficiência e humanidade. A visão comunitária consegue conceber segurança pública de forma holística em todos os âmbitos heterogêneos interligados de uma sociedade capitalista com todos seus meandros. O Brasil segue a mesma direção. Poderemos dizer que este pensamento de atuação junto às comunidades de cunho preventivo inseriu-se nos debates brasileiros por volta de 1980, principalmente com a Constituição Federal de 1988, no seu artigo 144 onde se lê:

“Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos:.” (grifos nossos).

As polícias mineiras, em especial a militar, têm realizado verdadeiras conquistas, inovações e, de certa forma, constituindo como grande vanguardista em ações de cunho preventivo, perpassando suas estratégias desde a formação dos encarregados de segurança publica até a atuação na ponta linha com a sociedade. Sabemos que a lei e suas normas primárias e secundárias, nos requisitos normativos e valorativos, que dela derivam, muito antes de serem constituídas na materialidade, elas já ocorrem de grande forma nas mentes das pessoas. Tais pessoas as vêem com antecipação, e de certo modo direcionam os legisladores a materializarem-nas anos antes em diversos âmbitos da sociedade, e no critério de segurança pública não é diferente. Ressaltamos que todos os avanços realizados nas polícias do Brasil, em grande escala partem dos próprios policiais como expressa Marcos Rolim:

“Na maior parte das vezes, os esforços em favor do policiamento comunitário em nosso país estão diretamente vinculados ao papel desempenhado por alguns

que têm procurado, sem qualquer apoio governamental, desenvolver

novas abordagens de policiamento a partir de crítica ao “modelo reativo”.” (ROLIM, 2006, p.68).

policiais, (

)

As Guardas Civis não são exceções, também seguem a mesma cartilha de construção e expansão de seus potenciais. A questão é que ainda os legisladores não especificaram quais seriam as atribuições das Guardas Civis detidamente, retirando toda a celeuma interpretativa do vácuo legal, como diria Soares:

“O fato é que, hoje, no Brasil, a segurança municipal, em função das ambigüidades que caracterizam as Guardas Civis, encontram-se numa espécie de vácuo legal, cercada e perplexidade e de iniciativas que oscilam entre a criatividade promissora e a réplica do pior que nosso passado nos legou em matéria policial.” (SOARES, 2006, p.104).

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1.2 Aspectos singulares da atuação preventiva

Podemos perceber que vários teóricos, estudiosos e operadores chegaram à conclusão que segurança pública só se faz com eficiência em parceria com a própria comunidade e de cunho preventivo.

“Uma força policial que não troca idéias com a população na poderá ser eficiente”(Scarman, 1982). “A polícia é o público e o público é a polícia” (Robert Peel) “O maior erro da história do policiamento moderno foi o de ter dado às polícias a responsabilidade plena pela segurança; pela simples razão de que as organizações policiais não podem, por melhor que sejam, produzir, elas próprias, uma resposta satisfatória”. (Rosenbaum, 2002.p.39). “A primeira coisa para se entender é que paz pública das cidades – a paz nas calçadas e nas ruas – não é mantida pelas policias, mesmo que elas sejam necessárias. É mantida, em primeiro lugar, por uma rede intricada e quase inconsciente de controles e padrões voluntários entre as próprias pessoas, que elas próprias se encarregam de fazer com que sejam cumpridas.”(Jacobs, 2002).

Nesta construção de parceria e entrosamento entre comunidade e policiamento comunitário é imprescindível varias ações na estruturação da atuação policial. Podemos destacar algumas:

- Maior empenho no patrulhamento a pé, o que favorecerá a construção do vinculo

de confiança e amizade, resultando na diminuição de chamados ao serviço 190, como foi verificado em Flint, Michigan segundo Trojanowicz, 1983 e expressado por Rolim (2006,

p.80).

- Descentralização dos serviços policiais, como minidelegacias ou postos policiais, favorecendo pontos de referência à população e ao mesmo tempo constituindo postos logísticos à patrulha.

- O agente comunitário terá uma atribuição específica de coleta de informações

para a prevenção de crimes, num trabalho de inteligência preventiva. Tudo aquilo que saia da normalidade da comunidade de sua atuação é matéria de pesquisa.

- Este trabalho será feito em parceria com todos os demais órgãos de poder da

comunidade em questão, constituindo uma corrente entre setores do Estado, instituições não

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governamentais, empresários e entidades da sociedade civil, como associações e lideranças de bairros.

Tais estratégias de segurança comunitária devem ter sempre um foco determinado:

aprimorar a imagem, confiança e respaldo destes órgãos em relação à própria comunidade, e para isso ser possível a legitimidade destas ações. Segundo Rolim é preciso seguir três aspectos:

“1) faz aceitar sua autoridade, inclusive o uso da força; 2) oferece respostas aos usuários nos diversos serviços que presta; 3) está próxima à população e não parece uma força estranha a ela.”( Rolim, p. 83, 2006).

Estas ações estratégicas serão, a cada dia, aprimoradas pelos próprios agentes de segurança pública, gerando no cidadão um sentimento de aquisição da polícia para si mesmo(a), um sentimento de que tais órgãos estão realmente aos seus préstimos. Podemos aprofundar nossas reflexões sobre as ações singulares na atuação preventiva segundo o periódico da própria Polícia Militar de MG intitulado: A filosofia de Polícia Comunitária na Polícia Militar de Minas Gerais. Diretriz para a produção de serviços de Segurança Pública nº04/2.002 – CG de dezembro de 2002, (para citação será referido como Filosofia) na qual faremos vários recortes, apontando os seguintes:

“a) ouvir a todos indistintamente (principalmente os mais críticos);

b) neutralizar grupos específicos que querem obter privilégios da ação policial;

c) compartilhar informações com a comunidade, transformando-as em ações

preventivas e educativas. Quando o assunto exigir sigilo explicar o motivo, demonstrando a sua importância para a segurança da própria comunidade;

d) “os parceiros da polícia” não são apenas as pessoas com posse ou ascendência na

comunidade, mas todos: do mais humilde ao mais culto. Portanto, estimular a

participação de todos é importante no processo porque promove confiança e respeito;

e) demonstrar e discutir os erros com a comunidade, pode propiciar a evolução e

interesse na integração. Devemos lembrar que a instituição policial é constituída por pessoas, cidadãos que também tem interesses sociais;

f) ao cobrar ações e fornecer informações a polícia, a comunidade, seus líderes e os

conselhos representativos devem observar o bem comum (o coletivo); Interesses eleitoreiros ou político-partidários não combinam com polícia comunitária que deve ser polícia, apartidária e não ideológica. (Filosofia, p.17, 2002). Grifos nossos.

Podemos perceber com clareza que na atuação do policiamento comunitário não há espaço para preconceitos e muito menos para trocas de influência, o que compromete o senso de nobreza e justiça da instituição.

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1.3 Fatores importantes na ação comunitária

São os seguintes os aspectos sobre os quais o policial comunitário ou agente comunitário deve sempre se empenhar:

“a) estreitar os laços com a comunidade local no intuito de conquistar sua confiança e, consequentemente passar a receber informações que refletirão diretamente em uma melhoria na prestação do serviço policial;

b) no contato com a comunidade local, tentar conscientizá-la sobre a

responsabilidade de cada um na prevenção indireta dos ilícitos;

c) transmitir orientações ao cidadão, de forma a despertar o espírito de cidadania;

d) zelar constantemente pelo bem estar e qualidade de vida da comunidade local;

e) despertar no cidadão o interesse pela solução em conjunto, através da ajuda

mútua frente aos problemas comuns;

f) instruir a população sobre os seus direitos sobre cidadão e como acionar o poder

público para solução de seus problemas e da coletividade;

g) incentivar a participação da comunidade local nas atividades cívicas, culturais e

sociais;

h) desenvolver atividades de cidadania, voltadas para a comunidade,

principalmente infantil e juvenil, tendo como premissa contribuir para a formação do cidadão do futuro;” (Filosofia, p.23, 2002). Grifos nossos.

Com certeza, o grande foco da prevenção é a infância e juventude, remetendo-nos a um trabalho não esporádico ou sazonal, mas constante e ininterrupto.

“i) lembre-se que a polícia comunitária não se executa somente com viaturas sendo

muitas vezes mais eficaz, quando efetuado a pé, ou mesmo, com motonetas em lugares planos e de clima ameno, de bicicleta. A proximidade física com a comunidade, estreita os laços;

j) registrar os nomes das pessoas contatadas durante o desenvolvimento da polícia

comunitária, os quais deverão ser relacionados e controlados pelo policiamento local, visto tratarem-se de aliados em potencial ao sistema;

k) enviar todos os seus esforços para conhecer a rotina de seu setor de trabalho,

aprimorando-se para chamar as pessoas pelo nome, criando um vínculo de amizade e respeito mútuo. (Lembre-se, evite apelidos, até o cachorro gosta de ser chamado pelo nome);” (Filosofia, p.23, 2002). Grifos nossos.

No aspecto do policiamento a pé já nos referimos no estudo de Trojanowicz, possibilitando a criação deste vínculo de amizade e respeito.

“l) convidar a comunidade local para participar das reuniões comunitárias e

conhecer o policiamento e sua área de atuação;

m) conhecer as forças vivas de sua comunidade local, principalmente os presidentes

de associação de moradores, Lions, Rotary, maçonaria, clubes de serviços, etc; os

quais são importantes fontes de informações em decorrência de suas reprentatividades;

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n) tratar o cidadão como um aliado, exercitando-se para dele se aproximar para

“quebrar o gelo”. Lembre-se que antes de ser um policial militar, você também é um cidadão;

o) tratar os pequenos delitos com a sua importância devida. Às vezes, o

pequeno delito é o que realmente afligi a comunidade local;

p) nos locais onde houver incidência de furto ou outros delitos efetuar pequenas

reuniões com a comunidade para orientá-la e mantê-la vigilante para acionar a

polícia corretamente; as pessoas comuns muitas vezes não desconfiam e não sabem evitar os delitos, desta forma o policial estará desenvolvendo a mútua colaboração;

q) utilizar pequenos espaços de reuniões das igrejas, Lions, Rotary, maçonarias,

clubes de serviços, câmara municipal, associações de bairros e outros, para divulgar e prestar contas dos serviços que vem desenvolvendo, tudo de comum acordo entre o Cmt dos postos de policiamento comunitário e o responsável pelos órgãos, evitando sempre se tornar inconveniente em razão do tempo;” (Filosofia, p.24, 2002). Grifos nossos.

Podemos constatar um fator crucial nos aspectos a serem observados pelo agente comunitário. Ele deve ser desprovido de “pré-conceitos”. Em suma tal perfil profissional deva estar muito acima dos valores éticos da comunidade em qual convivemos atualmente. Por isso, o critério de formação deste agente deve ser diferenciado e aprimorado constantemente. Além de se reunir com a comunidade pedindo auxílio em sua função, o agente comunitário, também deve prestar contas a ela, ou seja, demonstrar que tais auxílios estão dando bons frutos, o que não deixa de ser um incentivo na continuação e fortalecimento do auxílio da comunidade.

“r) atentar para os eventos que ocorrem na sua área ou estão programados, para se

mostrar presente e preocupado com a segurança dos freqüentadores e de seus veículos, tudo dentro das normas da corporação; s) nas entrevistas e participações nas reuniões sempre agradecer a participação da comunidade nunca divulgar a fonte da informação que redundou em prisões,

etc; t) evitar que as pessoas denunciem traficantes e outros criminosos publicamente em reuniões. O ideal é ter uma a uma, garantindo o anonimato nas reuniões, urnas essas que poderão ser espalhadas nos locais de freqüência do

público, como bancos, correios, postos e gasolinas e serem recolhidas às mensagens pelo Cmt de base, com posterior resposta aos cidadãos;

u) a grande vantagem do policial comunitário é que dada a confiança as denúncias

não são anônimas “baseada na confiança e na segurança da fonte”. Isto impede que pessoas ligadas a traficantes e outros delitos fiquem telefonando de orelhões anonimamente e desgastando a polícia para correr de um lado para o outro com contra informação;” (Filosofia, p.24, 2002). Grifos nossos.

Podemos destacar neste recorte o senso elevado de organização e grupos do agente comunitário. Tal agente deve ser possuidor de uma dinâmica grupal que proporcione e intercale atitudes de um líder facilitador e de um membro participante. Em suma, o agente comunitário requer treinamento constante em relacionamentos grupais; deve ter uma perícia técnica equiparada à de um psicólogo de grupo ou um sociólogo grupal.

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Neste último recorte, também podemos pensar que se trata de algo muito perigoso e delicado; pois poderia estimular um denuncismo sistemático, o que acarretaria em muitos prejuízos na relação de confiança e seriedade da atuação do policial comunitário. Perderia o foco de prevenção integrada com a sociedade para uma espécie de repressão disfarçada e dissimulada. A intervenção policial perderia sua filosofia de uma prevenção prudente para uma filosofia do dedo duro. Recorte este que não podemos concordar para a Guarda Comunitária.

“v) na estrada e saída das escolas, procure se fazer presente com sorriso para

as crianças, distribua carinho e respeito, não fique isolado. Converse com os pais, procure para falar de seu trabalho com orgulho;

x) evite falar das ocorrências mais graves ou de vulto, a menos que seja

perguntado, pois estas causam medo e insegurança à população; y) colher sempre informações para abordar as pessoas que precisam ser abordadas para estas informações para outros patrulheiros que não estão na polícia comunitária, para que eles também possam acertar o alvo correto, sem desgastar desnecessariamente a imagem da polícia, as que dependem de obtenção de dados transmiti-las ao policiamento velado para registro e acompanhamento, que dependendo da gravidade atuarão em conjunto com as forças táticas e outras, lembrando que hoje o cidadão quer se sentir seguro, mas não gosta de ser molestado;” (Filosofia, p.24-25, 2002). Grifos nossos.

Tais atitudes, à primeira vista, parecem insignificantes e totalmente despretensiosas. Porém, com um olhar mais cauteloso poderemos observar grandes mudanças no aspecto de respeito, confiança, boa estima e consideração relacionadas ao agente comunitário.

23

1.4

conceitos”

Perfil

intelectual

e

ético

do

agente

comunitário:

rompendo

“pré-

O perfil do agente de segurança comunitário é um perfil diferenciado em vários

aspectos. Sua atuação eficiente só se verifica quando a norma diária é pautada pelo

cumprimento dos Direitos Humanos.

Quando nos referimos a Direitos Humanos, reportamo-nos aos conceitos contidos

na Declaração Universal dos Direitos Humanos - DUDH, que foi adotada pela ONU em 10 de

dezembro de 1948. É exatamente sobre os conceitos expressos na DUDH, que se funda o

perfil do agente e guarda comunitário. É inconcebível que tais profissionais insistam em ações

fundamentadas em preconceitos, pois os pré conceitos induzem a erros catastróficos.

Preconceitos que se fazem presentes contra os próprios agentes de segurança pública.

Podemos constatar que policiais militares e civis são preconcebidos como torturadores,

truculentos, ignorantes, corruptos. Há pessoas que quando estão a conversar com um policial

num colóquio de grande teor acadêmico e ético, ao saberem que seu interlocutor é policial

dizem, sem conter a estupefação: Mas você é um policial? como pode?, coitado(a), está

desperdiçado(a). São preconceitos instituídos na geração ainda vigente, construídos na

geração anterior. Segundo Platão, o tempo para se desconstruir uma idéia acrisolada no ser é

de um tempo e meio para sua construção. Como só temos cerca de 22 anos depois período

ditadura, falta cerca de 10 anos para reais mudanças.

Sabemos que a policia civil possui no seu corpo profissiográfico vários

profissionais com formação superior, pós graduação, com mestrado e/ou doutorado e não nos

referimos aos chefes de seções administrativas e sim a escrivães, agentes investigadores,

Com muita tranqüilidade podemos encontrar o

delegados e peritos, ou seja a ponta da linha

mesmo na Policia Militar. São soldados, cabos, sargentos, sem precisarmos nos alongarmos

nas incríveis e ilógicas 16 hierarquias militares, que possuem cursos e mais cursos inclusive

na área de Direitos Humanos.

Em suma, o preconceito é visível nos dois lados da moeda, tanto por parte dos

responsáveis pela segurança pública quanto dos tutelares dos direitos humanos, e do poder

judiciário, e estão sendo desconstruídos a cada ano, a peso de trabalho e profissionalismo.

Pontuamos tal aspecto, por um motivo muito simples, como realizar verdadeiramente uma

24

ação de segurança comunitária que em seu fundamento básico necessita da integração das comunidades e dos demais órgãos do Estado se entre estes órgãos ainda há visões pré- concebidas de caráter discriminatório? Na própria Guarda Municipal, também se constata um grande número de funcionários com cursos superiores completos, e há dezenas que estão em plena graduação universitária. Inclusive em áreas correlatas à segurança pública como direito, administração, pedagogia, psicologia, sociologia, filosofia, história, e muitas outras, mesmo que no edital de seleção cobre-se apenas o 1º grau completo (antiga 8ª serie) dificilmente encontraremos guardas com apenas a 8ª série. O Guarda comunitário deve se pautar sempre pelo diálogo, por raciocínio rápido, pelo bom senso, pelo carisma incontestável. Os agentes de segurança pública, atualmente, em suas atividades diárias, são muito mais pedagogos, conciliadores de conflitos do que propriamente repressivos, ou cumpridores e aplicadores da teoria do direito puro, como diria Hans Kelsen. Muitas ocorrências são resolvidas ou estabilizadas com um simples sorriso de empatia, com um simples dizer “Em que posso ajudar meu(minha) irmão (ã).” Quem não sabe dessa realidade é convidado a passar uma semana na rua na prática ostensiva de qualquer órgão de segurança pública de Belo Horizonte e aproveitar a oportunidade para rever conceitos, ou melhor, seus pre-conceitos.

“Esse policial estará permanentemente em contato com a comunidade e deverá ser respeitado pelos moradores. Isso é muito diferente de ser temido por eles.”(Rolim, p. 80, 2006).

Não apenas o perfil do agente comunitário é diferenciado como sugere Braiden, mas até a sua formação e o próprio recrutamento, ratificando Rolim.

“Uma estratégia e PC deve evitar tanto a ausência de controle quanto a falta de criatividade. O policial comunitário terá seu espaço de discricionariedade aumentado. Para todos os efeitos, é como se seu mandato fosse ‘alargado’. Caberá a ele, diariamente, tomar decisões que, no modelo tradicional, não seriam de sua alçada” (Braiden, 1992). “Assim, o policial comunitário deverá, necessariamente, gozar de um novo status. Isso exige uma nova preparação, uma formação de outro tipo e, especialmente, critérios distintos de recrutamento.”(Rolim, p. 80, 2006).

Indo além deste aspecto, é possível ver com clareza a importância do apoio dos supervisores hierárquicos sobre o agente comunitário que trabalha diretamente com a comunidade, como forma de manter um diálogo diferencial a ponto de terem uma liberdade

25

maior em suas ações e ao mesmo tempo não serem vistos como insubordinados aos seus superiores.

“O que pressupõem, também, uma mudança no papel dos administradores e oficiais superiores. Em vez de comandarem cada ação, dominando-as por completo com suas instruções, deverão cumprir um papel de orientadores, certificando-se de que os policiais da patrulha tenham o apoio necessário para implementar as medida que vão formulando em conjunto com a comunidade.” .”(Rolim, p. 82, 2006).

Em suma, o Guarda Comunitário deve sempre pautar em seus atos pela tolerância, encontrando no profissionalismo a eficiência talhada pelo respeito e vivenciando em todas as ações a coerência com os Direitos Humanos.

26

1.5 Prevenção comunitária muito além da prevenção de segurança pública

Atuações comunitárias de cunho integrado, em Belo Horizonte, está se configurando de forma mais sistemática e mensurável através dos órgãos do sistema de defesa social integrados, em busca de soluções mais práticas e reais.

É fácil chegar à conclusão de que segurança pública não é caso de polícia, não é

restrito apenas à atuação de órgãos policiais, mas infelizmente, no Brasil, ainda se vê em

grandes aglomerados as polícias sendo os únicos órgãos do Estado a “subir o morro”.

É imprescindível a integração de todos os órgãos e comunidades, de forma a

proporcionar políticas públicas de qualidade e transparência, nas ações. Se assim não ocorrer haverá descrédito o Estado, desde a destinação do dinheiro público até a falta de respeito nos momentos mais difíceis da vida o cidadão (saúde, alimentação escola). Podemos analisar que se o cidadão não conta com uma rede escolar de qualidade para si mesmo e para seus filhos; não teve condições básicas de subsistência: água, alimentação, saneamento básico, luz elétrica, serviços de telefonia, isso gera uma constante humilhação ao seu self, um sentimento de um zero a esquerda na rede social, proporcionando

a este cidadão indiferença social, recrudescimento de valores morais, culminando em revolta, para si próprio ou para outrem. Este desenvolvimento sistemático de inutilidade causa verdadeiros germes nefastos na psiquê humana, ocasionando violência externa (assaltos e inclusão na empresa do tráfico de drogas) ou violência interna (suicídios e lares desestruturados). Materializam-se no aumento da criminalidade, fortalecendo um ciclo vicioso pautado pelo descaso do Estado e perda de valores éticos sociais. Nas palavras de Martin Luter King jr. “privar um homem de emprego na sociedade em que vivemos equivale

a assassiná-lo psicologicamente”. Sem ter uma fonte de renda, que possibilite a manutenção

da família, tudo o mais é apenas discurso político e em nada melhora a situação dos guetos e

da criminalidade.

“Sem esse reconhecimento terminaremos com soluções que não resolvem, respostas que não respondem e explicações que não explicam” (King, p.151, 2006).

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O Estado Democrático de Direito tem que ser uma realidade e não apenas uma

fachada, com grande teor de verniz social, em madeira putrefada, como diria o célebre pensador e escritor francês Michael Foucault no seu livro Vigiar e Punir. Vigiar e punir os mais pobres e deserdados do Estado, utilizando o próprio Estado como máquina perversa e hipócrita.

Em suma, Segurança pública é caso de todos os órgãos do Estado Democrático de Direito e de toda a comunidade, não apenas de polícia, por mais preventiva que esta possa se pautar em suas estratégias operacionais.

“Compete ao poder público (Federal, Estadual e Municipal) incentivar e promover os modos desta articulação fazer-se de forma produtiva, posto que, agindo automaticamente essas comunidades poderão sucumbir à tentação de querer substituir o Estado no uso da força, acarretando o surgimento de grupos de justiçamentos clandestinos e a proliferação de calúnia, da difamação e da delação.” (SILVA, 1990).

Somente depois de todas essas condições estabelecidas numa sociedade dita civilizada é que entraria a questão policial que tem que ser de cunho humano e eficiente, gerando respeitabilidade e confiança na população. Entende-se com isso duas coisas, em primeiro lugar que as atividades básicas do Estado expressas na Constituição Federal, em seu artigo 5º, é vital para não haja

desenvolvimentos de patologias psíquicas de cunho anti-social não seno preciso adentrar em patologias físicas, pois tais sonegações de serviços públicos resultarão muito além do que os parcos recursos visuais podem alcançar em seus campos restritos de visão direta. Em segundo lugar, é preciso reconhecer que os órgãos de segurança pública estão realizando esforços e conquistas sobre-humanos em relação a outras instituições. Mas esse pensamento não se faz para cruzarmos os braços, já que está se fazendo muito mais que em outros órgãos, e sim para seguirmos em frente, confiando no potencial de sua guarnição de serviço em prol da cidadania da nação brasileira.

A Guarda Municipal entraria nesse âmbito junto aos demais órgãos de segurança

onde realizaria atribuições vinculadas ao engrandecimento social. No item seguinte, entraremos em maiores detalhes sobre a integração da Guarda Municipal e a importância de uma cadeira para ela junto ao Sistema Integrado de Defesa Social.

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2 A Guarda Municipal de Belo Horizonte

A Guarda Civil Municipal de Belo Horizonte realiza ações amparadas legalmente

nos três âmbitos legisladores do nosso Estado Democrático de Direito; nos âmbitos Federal, Estadual e Municipal. No âmbito Federal, na Constituição Federal de 1988, art. 144, § 8º; no

âmbito Estadual, na Constituição Estadual, art. 138; no âmbito Municipal, na Lei nº 8.486, de 20 janeiro de 2003, na Lei nº 9.011, de 01 janeiro de 2005, e no Estatuto da Guarda Municipal Lei de n. 9.319 de 19 de Janeiro de 2007.

A Guarda Municipal de Belo Horizonte foi criada em 20 de janeiro de 2003,

completando recentemente 4 anos de criação. Formou sua primeira turma em 29 de dezembro de 2003, com efetivo de 276 guardas, reservistas do Exército e da Aeronáutica do Brasil, começando a atuar operativamente em 31 de dezembro de 2003.

A Guarda Municipal consta atualmente com cerca de 1200 guardas, sendo 250 não

concursados, e tem como objetivo alcançar a meta de 3000 guardas concursados até 2008.

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2.1 Estruturação Gerencial da Guarda Civil de Belo Horizonte.

A estruturação formação e modo de atuação da Guarda Civil de Belo Horizonte têm servido de modelos para outras cidades, de Minas e Brasil. O Decreto de nº 12.639 de 23 de fevereiro de 2007, em seus art. 2º ao 4º, dispõe que a Secretaria Municipal de Segurança Urbana e Patrimonial - SMSEG, está estruturada em gerências, escalonadas em até três subníveis. São eles:

Art. 2º - As gerências e os demais subníveis da Secretaria Municipal de Segurança Urbana e Patrimonial são os seguintes:

I - Gerência de Pesquisas, de 1º nível;

II - Gerência de Projetos, de 1º nível;

III - Gerência de Programas Setoriais, de 1º nível;

IV - Gerência de Relações Institucionais, de 1º nível;

V - Gerência Administrativo-Financeira, de 1º nível:

V.1 - Gerência de Recursos Humanos, de 2º nível:

V.1.1 - Gerência de Controle de Pessoal, de 3º nível; V.2 - Gerência de Controle Orçamentário e Financeiro, de 2º nível;

V.3 - Gerência de Serviços Gerais, de 2º nível;

V.4 - Gerência de Logística Operacional, de 2º nível;

VI - Gerência de Saúde e Trabalho, de 1º nível;

VII - Gerência de Atividades Culturais e Educação Continuada, de 1º nível:

VII.1 - Gerência de Qualificação Profissional, de 2º nível; VII.2 - Gerência de Atividades Musicais, de 2º nível.

Art. 3º - As gerências e os demais subníveis da Guarda Municipal de Belo Horizonte são os

seguintes:

I - Gerência de Execução Operacional, de 1º nível:

I.1 - Gerência de Atividades Especiais I, de 2º nível; I.2 - Gerência de Atividades Especiais II, de 2º nível; I.3 - Gerência da Coordenação Operacional, de 2º nível; I.4 - Gerência de Suporte Regional I - Regionais Pampulha, Venda Nova e Norte, de 2º nível;

I.5 - Gerência de Suporte Regional II - Regionais Pampulha, Venda Nova e Norte, de 2º nível; I.6 - Gerência de Suporte Regional I - Regionais Noroeste, Oeste e Barreiro, de 2º nível; I.7 - Gerência de Suporte Regional II - Regionais Noroeste, Oeste e Barreiro, de 2º nível; I.8 - Gerência de Suporte Regional I - Regionais Centro-Sul, Leste e Nordeste, de 2º nível; I.9 - Gerência de Suporte Regional II - Regionais Centro-Sul, Leste e Nordeste, de 2º nível;

II - Gerência de Controle Institucional, de 1º nível:

II.1 - Gerência de Inteligência, de 2º nível:

II.1.1 - Gerência de Documentos e Arquivos, de 3º nível;

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II.1.2 - Gerência de Segurança Interna, de 3º nível; II.1.3 - Gerência de Defesa Urbana, de 3º nível; II.1.4 - Gerência de Apoio Técnico, de 3º nível; III - Gerência Técnico-Operacional, de 1º nível:

III.1 - Gerência de Análise Operacional, de 2º nível; III.2 - Gerência de Estatística, de 2º nível; III.3 - Gerência de Segurança Física, de 2º nível:

III.3.1 - Gerência de Segurança Patrimonial, de 3º nível.

Art. 4º - As gerências e os demais subníveis da Corregedoria da Guarda Municipal de Belo Horizonte são as seguintes:

I - Gerência Administrativa e de Atividades Correicionais, de 1º nível:

I.1 - Gerência de Feitos Correicionais, de 2º nível:

I.1.1 - Gerência de Desenvolvimento de Feitos, de 3º nível; I.1.2 - Gerência de Registro e Arquivo de Feitos, de 3º nível; II - Gerência Correicional, de 1º nível:

II.1 - Gerência de Desenvolvimento Correcional, de 2º nível:

II.1.1 - Gerência de Suporte Correicional , de 3º nível; II.2 - Gerência de Assuntos Internos, de 2º nível.

31

2.1.1 Organograma da Secretaria Municipal de Segurança Urbana e Patrimonial - SMSEG e da Guarda Civil de Belo Horizonte

31 2.1.1 Organograma da Secretaria Municipal de Segurança Urbana e Patrimonial - SMSEG e da Guarda

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2.2 Atuações e atribuições da Guarda Civil de Belo Horizonte

As atribuições da Guarda Municipal de Belo Horizonte são definidas pela Lei n.º 8486, de 20 de janeiro e 2003.

2.2.1 Competências da Guarda Municipal de Belo Horizonte

- Proteção aos bens e instalações do patrimônio público de Belo Horizonte;

- Serviços de vigilância de portaria das administrações direta e indireta;

- Auxiliar nas ações de defesa civil sempre que em risco de bens, serviços e instalações municipais e, em situações excepcionais a critério do Prefeito;

- Auxiliar permanentemente o exercício da fiscalização municipal, sempre que estiver em risco bens, serviços e instalações municipais e, temporariamente, diante de situações excepcionais, a critério do Prefeito;

- Manter a guarda e a segurança dos materiais, prédios e serviços públicos municipais de conformidade com os planos e ordens emanados do seu comando; - Prevenir a ocorrência de crimes e contravenções em sintonia com órgãos policiais componentes e de acordo com os planos e ordens;

- Proteger a vida e as instalações sob sua responsabilidade;

- Prestar os primeiros socorros às vítimas de acidentes ocorridos em sua área ou setor de atuação;

- Manter permanente ligação com seu imediato e com os companheiros de serviço;

- Reprimir 1 desordens e agitações na sua área ou setor, de atribuição;

1. Na palavra reprimir destacada acima, poderíamos entender que a palavra prevenir entraria em total consonância sem alterar o sentido prático deste tipo de ocorrência e pelo contrário demonstraria maior tirocínio, bom senso, e inteligência.

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- Apoiar os órgãos de Defesa Civil e de fiscalização municipail no desempenho de suas atividades, quando solicitado e mediante ordem; - Executar outras missões ou atribuições, conforme determinação do Prefeito Municipal. - Manter atividade fiscalizadora junto ao trânsito 2 dentro dos perímetros do município, sendo este grupo da Guarda Municipal especializado e autorizado para realizar tal função.

2. Essa atividade fiscalizadora junto ao trânsito está ainda em debates na área legislativa no âmbito municipal e estadual, pois até o presente momento é inconstitucional. Porém, está previsto para meados do ano vindouro um efetivo de 500 guardas civis só para esta atribuição.

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2.2.2 Deveres do Guarda Municipal

- Causar boa impressão sempre;

- Cuidar da higiene pessoal e do seu uniforme, como prova de respeito e educação;

- Não utilizar bebida alcoólica durante o exercício de sua função;

- Primar pela pontualidade. Em caso de impedimento justificável, comunicar com

antecedência para que sua substituição seja providenciada; - Estar sempre atento ao serviço, zelando pela segurança no posto de serviço e colocando em prática as ordens e instruções específicas do local, procurando intervir com presteza, prontidão e proatividade 1 ;

- Ao perceber qualquer anormalidade, comunicá-la ao seu imediato (inspetor).

- Não tomar decisões que estejam fora da sua competência;

- Manter a segurança dos Bens, Serviços e Instalações e poderá de acordo com contingência específica efetuar prisão 2 . -

funcionamento dos diversos órgãos municipais;

do

Orientar

as

pessoas

quando

solicitado,

a

respeito

da

localização

e

- Dar segurança aos servidores lotados nos órgãos ali instalados, bem como todos os usuários ali prestados, enquanto permanecerem no interior das instalações;

- Solicitar reforço para as situações de anormalidade ou de maior complexidade;

1. Pro atividade: Conforme o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, de

Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, na sua 2ª edição revisada e ampliada da editora Nova Fronteira de 1986, a partícula pro que vem do grego pró sugere a idéia de movimento pra

diante, posição em frente; visando uma ação com antecipação do fato em si. Em suma, proatividade encaixa-se perfeitamente no critério de prevenção da atividade do crime.

2. Conforme está no texto do Código de Processo Penal - CPP: Decreto Lei 3689/41

no seu Art. 301, onde se lê:

Qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito”.

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Imediatamente o Guarda Civil deverá acionar a Polícia Militar de Minas Gerais –PMMG, para as medidas subseqüentes (entre elas a condução do infrator para a delegacia).

- Conhecer todas as dependências dos órgãos, observando condições de segurança

como vias de acessos, saídas de emergências, localização dos equipamentos de combate a incêndio, chave geral de energia elétrica, registro geral hidráulico, interruptores e outros 3 .

- Abordar as pessoas encontradas no interior dos próprios de atuação que se

encontrem indecisas quanto ao seu destino encaminhando-as ou providenciando a sua

retirada;

- Orientar em caso de emergência, a evacuação das instalações, procedendo à

verificação de todas as repartições;

- Preservar as instalações quanto a toda e qualquer tipo de invasão, depredação ou vandalismo;

- Acionar a Polícia e ou os Bombeiros para as situações que exijam sua atuação;

- Suplementar a segurança do chefe do executivo e de outras autoridades nas

situações de grande afluxo de público no interior das instalações;

- Monitorar, comunicar ao setor pertinente e registrar em relatório as infrações ao código de posturas municipais verificadas;

- Utilizar o diálogo, a persuasão e a advertência para conter os usuários que se

apresentem mais exaltados, só usando da força física em último caso e de acordo com a

proporcionalidade da resistência do mesmo;

- impedir o acesso ao estabelecimento de pessoas, que se apresentem armado, exceto

os que possuem o porte de arma legal, providenciando o acionamento da Polícia Militar.

- Preencher adequadamente os relatórios de serviço e fazer seu encaminhamento da forma e no prazo recomendados;

3. Esta medida; de coleta de informações é de suma importância não apenas para o conhecimento do local de atuação do Guarda Civil em ocorrências operacionais, mas também na agilização de informações pertinentes ao comando do teatro de operações, numa uma crise de alta complexidade, como nos orienta o Cap. Gilmar Luciano Santos da PMMG em sua apostila “Como vejo a crise” de 2005.

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- Adotar as primeiras providências pertinentes, no caso de prática de crime (preservação do local de crime) 4 contravenção penal ou sinistro, verificadas nos interior das instalações, quando necessário até a chegada das autoridades competentes; - Coibir o tráfico e o uso de drogas ilegais promovendo a prisão dos infratores, nos casos em que couber e ou orientar os usuários para cessarem tais atividades em locais públicos.

4. Em prédios públicos onde haja guarda civil, muito provavelmente este será a primeira autoridade de segurança pública que chegará ao local de crime, por isso é necessário que ele preserve e isole o local de crime a ponto de resguardar os vestígios que poderão se tornar indícios, conforme o laudo da perícia técnica da Polícia Civil. Caso tal atribuição não for seguida o guarda civil poderá responder processo administrativo por crime. Conforme encontramos no texto do Código do Processo Penal Brasileiro - CPP, no seu Art. 169, no parágrafo único onde se lê:

“Os peritos registrarão no laudo, as alterações do estado das coisas e discutirão no relatório, as conseqüências dessas alterações na dinâmica dos fatos”.

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2.2.3 Ocorrências Típicas

As ocorrências em que a Guarda Municipal - GM de Belo Horizonte atua está no âmbito patrimonial e no âmbito de abrangência dos próprios servidores e usuários do serviço público.

 

I)

Patrimônio:

1)

Dano: (art. 163 CPB) acontece principalmente ocorrência ligada a danos ao

patrimônio.

 

2)

Do Furto: (art. 155CPB).

3)

Roubo: (art. 157 CPB) acontece, porém com menor freqüência.

II)

Aos Servidores e Usuários.

1)

Ultraje público ao pudor (art. 233CPB) - A Guarda Municipal atua em locais

de grande circulação de transeuntes, como parques ecológicos e praças públicas, o que de certa forma facilita o registro de infrações penais dessa natureza.

2)

Ato Obsceno (art. 233).

3)

Crimes praticados por particular contra a administração em geral.

Este item é de grande relevância visto que ocorre de maneira diária nos órgãos

públicos, principalmente no que se refere à ameaça.

a) Ameaça (art. 329 CPB).

b) Coação no curso do processo (art. 344 CPB).

c) Desobediência (art. 330 CPB).

d) Desacato (art. 331CPB).

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4) Crimes de perigo comum.

O Guarda Civil precisa estar sempre atento para infrações desta natureza mesmo que de forma culposa; cometida pelo próprio servidor público, ou em situações de origem

natural.

a) Incêndio (art. 520 CPB).

b) Explosão (art. 251 CPB).

c) Uso de gás tóxico ou asfixiante (art. 252 CPB).

d) Fabrico fornecimento, aquisição posse ou transporte de explosivos ou gás

tóxico, ou asfixiante (art. 253 CPB).

e) Inundação (art. 254 CPB).

f) Perigo de inundação (art. 255 CPB).

g) Desabamento ou desmoronamento (art. 256 CPB).

h) Subtração, ocultação ou inutilização de material de salvamento (art. 257

CPB).

3. Observações pertinentes:

- Muitas ocorrências de crimes de perigo comum podem ser evitadas, ou amenizadas pelo serviço público; com um pouco mais de agilidade burocrática, melhor infra-estrutura material, pessoal, e física, por isso a importância do relatório dos guardas civis.

39

2.3 Registros e Encaminhamentos Diversos

Os

registros

e

encaminhamentos

diversos

são

realizados

de

três

formas

operacionais:

1) Boletim de Intervenção - BI Sempre será realizado pelo Guarda que presenciar o ocorrido ou quando solicitado por um(a) servidor(a) ou usuário(a) do local.

O Guarda Municipal deve preencher todos os campos do BI.

É importante que o Guarda Civil, depois de colhidas as informações básicas para o

preenchimento e antes mesmo de “passar a limpo” o BI já se comunique com a CECOGE –

Central de Coordenação Geral, para:

- solicitar o número do referido BI,

- repassar as informações básicas do ocorrido,

- confirmar o código da classificação da ocorrência.

- definir se haverá ou não necessidade do apoio logístico ou de intervenção da

ronda motorizada. Havendo a presença da Polícia Militar de Minas Gerais, é necessário registrar o número do Boletim de Ocorrência - BO, o número e a placa da viatura, e o nome do responsável pela mesma. Havendo a presença do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência - SAMU é

necessário registrar para onde está sendo encaminhada a vítima, o número e placa da viatura, e o nome do responsável pela mesma. Havendo a presença da Polícia Civil de Minas Gerais é necessário o número e placa da viatura, e o nome do responsável pela mesma.

A postura do Guarda Municipal perante tais autoridades será sempre pautada pelo

respeito e colaboração, desde a prestação de informações até o auxílio de tarefas, como por

exemplo, ajudar no trânsito enquanto viatura do SAMU atende a vítima. É importante ressaltar que tais autoridades devem ser acionadas de preferência pelo próprio Guarda Municipal, podendo ser pela CECOGE ou, de acordo com o grau de agilização da ocorrência, solicitar transeuntes que o façam.

40

No caso de vários Guardas se encontrem no mesmo local de ocorrência, o BI será realizado pelo guarda que chegou primeiro ao local. O bom senso é necessário, em cada situação, pois muitas das vezes este guarda tem que dividir funções entre os outros em razão do da ocorrência. Por exemplo, atropelamento de usuário em frente escola de atuação do Guarda Municipal. Ele pode estar acompanhando os sinais vitais da vítima, enquanto o outro estará acionando o SAMU, e o outro viabilizando e conduzindo o trânsito. Quando não houver outros Guardas, em situação semelhante, solicitar tais atitudes dos próprios transeuntes do local. Em casos em que um dos envolvidos solicitar uma cópia do BI, será importante que o Guarda Municipal o oriente a realizar um pedido formal ao comando da guarda, informando no seu pedido dia, local e situação ocorrida. No mais tardar em 72 horas terá uma cópia disponível.

2) Relatório

É utilizado pelo Guarda Municipal principalmente quando:

- está assumindo as atividades de um próprio (local da atividade de trabalho do Guarda) onde não havia presença anteriormente de Guarda Municipal. No relatório deverá constar todas as informações pertinentes ao novo local de atuação do Guarda, perpassando por pontos vulneráveis do local: irregularidades infra–estruturais, como objetos danificados na área elétrica, hidráulica, portas, janelas, portões, cercas, e do próprio estabelecimento;

localização de hidrantes, extintores, caixa elétrica. Informar se há necessidade de determinado apoio logístico; rádio, bateria, base da bateria, colete, telefone, banheiro, vestiário, maior número de guardas etc.; - visa informar aos superiores situações arbitrárias sofridas pelos gerentes e funcionários do próprio, sejam eles concursados ou contratados. Relatar pormenores atividades que o guarda está sendo forçado a tomar ou o exercício de funções que não são predeterminadas e autorizadas por seus superiores hierárquicos, algumas até de teor ilegal;

- houver ocorrência por parte de funcionários e usuários do próprio na ausência do

guarda;

- for constatada sonegação ou omissão de informações de ocorrências acontecidas

mesmo no horário e presença do Guarda por interesses particulares dos funcionários e ou

usuários.

41

- o Guarda constatar situações que poderão resultar no favorecimento da

criminalidade e propor medidas que devem ser tomadas para o encaminhamento de situações específicas. Como por exemplo: falta de limpeza, muramento em terrenos baldios, tráfico e uso de rogas, riscos de desabamento, vazamento de água ou gás, imóveis abandonados,

O relatório, em suma, tem como objetivos: prestar informações de acontecimentos

relevantes ao local de atuação, encaminhando-as a quem de direito (supervisor hierárquico e Comando) para tomarem providências cabíveis e, de certa forma se resguardando de

qualquer empecilho futuro.

3) Solicitações São utilizadas principalmente em questões particulares do Guarda, podendo ser por vários assuntos e com vários motivos diferentes, como por exemplo:

- mudança ou permuta de horário de serviço;

- mudança ou permuta de dia de serviço;

- mudança ou permuta de troca de próprio de serviço;

- a troca de material de vestimenta de serviço;

- outros

Importante ressaltar que:

- não basta apenas comunicar a quem de direito dentro da organização das

gerências da Guarda Municipal. É imprescindível o retorno da resposta deferindo ou indeferindo a solicitação pretendida, que demora até 48 horas, de acordo com a situação. - O guarda deve procurar já trazer a solução para seu problema, pois assim conseguirá maior rapidez e impedimento nenhum terá para o deferimento do seu pedido, desde que dentro dos parâmetros legais. Exemplo disso é a troca de posto de serviço, se o GM já tiver em comum acordo com o outro GM do posto pretendido. Se esta situação não ocorrer (a solução para o seu problema) haverá necessidade de maior paciência e compreensão do guarda solicitante, pois não se poderá passar por cima dos demais interesses de outros guardas, por um capricho pessoal, por mais meritório que este se constitua. A não ser é óbvio, quando amparado legalmente para tais modificações. Como, por exemplo, nos casos de curso universitário e especializações acadêmicas e profissionais.

42

2.4 Atuação nos Locais de Ocorrências

As atuações da Guarda Municipal nos locais de ocorrência se fazem de duas

maneiras:

1) Preventivo:

O Guarda Municipal deverá primar sempre pela prevenção em sua atuação em todos locais que estiver. A prevenção perpassará:

- pela política de boa vizinhança;

- pela postura, compostura, respeito, gentileza, educação, profissionalismo com

conhecimento de causa de suas ações tanto para os funcionários como para os usuários do mesmo;

- pelo conhecimento das atividades e movimentos sociais do local; igrejas,

associações, áreas recreativas-esportistas, saúde, escola, policiamento, bancos, comércios,

empresas etc;

- pelo conhecimento da circunvizinhança do próprio; dos tipos e freqüência de

ocorrências policiais, proximidades de pontos de drogas, nível econômico, nível de instrução etc;

- pelo uso do bom senso, paciência e racionalidade na análise das situações que

podem surgir;

- pela informação aos funcionários e usuários de comportamentos favoráveis para

o a redução de ocorrências, como colocar bolsas e objetos de valores fora do campo de acesso

de terceiros: como comportar-se perante pessoa agressiva, bêbada, drogada, armada, a fim de que não agrave a ocorrência: não esconder ou camuflar ocorrências de campo restrito a determinado setor de trabalho etc;

- pelo plano de evacuação de incêndio, como constatação para providências

necessárias quanto a irregularidades nos ECI – Equipamentos de Combate a Incêndio.

43

2) Repressivo:

O Guarda Municipal deve estar preparado para, de acordo com situações que infligem a lei, tomar atitudes contra usuários ou funcionários do local; desde detenção, apreensão de objetos que constituem o flagrante da ocorrência, preservação do local de crime, e prisão, sendo que o deslocamento do infrator só será realizado pela Polícia Militar de Minas Gerais ao órgão de direito, juntamente com o Guarda Municipal. O Guarda Municipal deve sempre estar vigilante para se pautar dentro dos padrões do uso da força legalmente permitido para cada situação, conforme as normas de Direitos Humanos.

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2.5 Dados estatísticos relevantes a respeito da atuação da Guarda Civil de Belo Horizonte

2.5. 1. Dados Estatísticos

Podemos fazer um retrospecto de 2004 a 2006 da Guarda Municipal de Belo

Horizonte, em suas diversas atuações.

1. Efetivo:

A Guarda possuía um efetivo de apenas 276 guardas em janeiro 2004 com

nenhum inspetor. No mesmo ano, em agosto, já possuía um total de 451 guardas, com 11

inspetores, totalizando 462 guardas. Em abril de 2006 tínha-se 386 guardas, com 21

inspetores totalizando 407 guardas municipais contratados, sendo estes ex servidores das

forças armadas brasileiras.

2. Material de Apoio Logístico

- viaturas de quatro rodas 27 entre elas: Gol 14, Doblo 4, Pálio 9.

- 14 motos;

- 3 Sprinter;

- 350 armas (leves) – em estoque;

- 225 coletes a prova de balas (calibre 38 e 9 mm);

- 200 capas para coletes;

- 440 algemas;

- 217 rádios HT.

- 217 bases de rádio HT

45

3 Próprios (Estabelecimentos Públicos Municipais) a serem atendidos pela Guarda Municipal de Belo Horizonte.

Próprio – Estabelecimentos Públicos Municipais

 

Quantidade

Guarda Municipal

Porcentagem (%)

Escolas

18

39

21,5

Unidade Municipal de Educação Infantil (UMEI)

33

16

48,48

Centro de Saúde (C.S).

139

38

27,34

Unidade de Pronto Atendimento (UPAs)

6

54

100,00

Nesta tabela, além do número de postos; estabelecimentos públicos também denominados de próprio a serem atendidos em cada especificidade do Município sendo possível constatar a relação da distribuição dos Guardas Municipais nos mesmos. Assim, podemos perceber o quanto estava defasado a presença da Guarda na Rede Regular de Ensino Escolar Municipal. (Dados até 2006).

4 Visitas Preventivas

Regional

2004

2005

2006

Absoluto

%

Absoluto

%

Absoluto

%

Barreiro

492

15,98

434

14,45

196

15,43

Cento Sul

600

19,49

731

24,33

257

20,21

Leste

145

4,71

142

4,72

102

8,00

Nordeste

286

9,29

234

7,79

121

9,57

Noroeste

208

6,76

195

6,49

55

4,38

Norte

292

9,48

301

10,02

134

10,56

Oeste

303

9,84

230

7,66

110

8,66

Pampulha

415

13,48

367

12,22

144

11,39

Venda Nova

338

10,98

370

12,32

150

11,80

Total

3079

100,00

3004

100,00

1269

100,00

Este item é de grande interesse na política de segurança preventiva. A visita preventiva alcança vários objetivos como a quantificação de ocorrências as quais entrariam na denominada faixa negra; ocorrências que não são mensuradas pelas estatísticas, o

46

acolhimento de demandas e sugestões para evitar determinadas ocorrências, e orientações pertinentes, em cada caso singular, aos usuários funcionários e gestores específicos.

4.1. Número de Intervenções por Regionais de Belo Horizonte

Número e Intervenções por Regionais de Belo Horizonte

 
 

Absoluto

Absoluto

Absoluto

Absoluto

Regional

2004

2005

2006

2007

1

Barreiro

492

432

604

571

 

Centro Sul

600

733

965

988

 

Leste

145

141

264

456

 

Nordeste

286

235

409

397

 

Noroeste

208

200

262

599

 

Norte

292

290

456

326

 

Oeste

303

231

326

385

 

Pampulha

415

373

570

467

 

Venda Nova

338

365

517

364

 

TOTAL

3.079

3.000

4.373

4.553

5. Média Mensal de Visitas Preventivas

 

Próprio – Estabelecimentos Públicos Municipais

 
   

2004

 

2005

Porcentagem (%)

Escola

 

12,72

 

7,79

 

8,26

Centro de Saúde (C.S).

 

12,57

 

9,11

 

11,05

Unidade de Pronto Atendimento (UPAs)

 

54,24

 

98,24

 

89,58

Importante se faz salientar que tais visitas, em sua maior parte são realizadas por iniciativa periódica da própria Guarda Municipal. Mas muitas, também, são realizadas através de solicitações dos usuários, funcionários contratados e gestores. Dados de 2006 até 30 de abril.

A partir de julho de 2007, começou a ser apurado e dimensionado separadamente das visitas em si, criando-se a nomenclatura específica de G – 15: visita tranqüilizadora.

1. Dados apurados até o dia 21 de outubro de 2007.

47

5.1 Número de Visitas nos Principais Tipos de Próprios – Estabelecimentos

Públicos Municipais

Nº de Visitas nos Principais Tipos de Próprios

 

Próprio – Estabelecimentos Públicos

2004

2005

2006

2007*

Escola

27.619

13.152

15.121

8.204

Centro de Saúde - C.S

20.359

11.265

14.465

5.620

Unidade de Pronto Atendimento - UPA

3.905

3.410

6.848

2.207

Parque

4.291

2.993

4.403

5.639

Rodoviária

381

356

612

229

Praça

553

798

145

321

Unidade Municipal de Educação Infantil - UMEI

-

713

1.183

743

Cento e Apoio Comunitário - CAC

1.376

633

648

576

Serviço de Atendimento ao Cidadão - SAC

907

558

292

406

Regional

1.167

468

953

804

Total

60.558

21.194

44.670

24.749

Podemos perceber que a Guarda Municipal de Belo Horizonte está inserida em

setores da população de riquíssimas informações além dos já mencionados temos: Centro de

Referência em Saúde do Trabalho – CERSAT, Centro de Referência de Saúde Mental –

CERSAN, Centro de Referência a Infância e Adolescência – CRIA, Núcleo de Apoio a

Família – NAF, Centro de Educação Infantil – CEI, que podem resultar em estratégias

incomensuráveis ao trabalho preventivo de forma real e produtiva.

5.2 Número de Visitas por Regional

 

Número de Visitas por Regional

 

Regional

2004

2005

2006

2007

Barreiro

10.561

5859

6219

4202

Centro Sul

6.133

4244

10225

6469

Leste

6.176

4360

5022

4123

Nordeste

6.108

4209

5764

3063

Noroeste

7.551

3008

8134

5811

Norte

8.765

4748

6513

3636

Oeste

9.025

3282

5168

3983

Pampulha

7.366

4512

6257

4309

Venda Nova

7.559

5030

5535

3194

TOTAL

69.244

39.252

58.837

38.790

48

6. Principais tipos de intervenções nos Centros de Saúde sendo vítimas funcionários (2006).

Tipos de Ocorrência

Absoluto

Porcentagem (%)

Ameaça

25

28,74

Furto

13

14,94

Vias de Fato / Agressão

8

9,20

Atrito Verbal

30

34,48

Dano ao Patrimônio

3

3,45

É importante ressaltar que estes dados demonstram perspectivas que devem ser

explorados pelos gestores da Guarda, visto ser possível detectar com exatidão os tipos de

ocorrência em cada setor. Assim sendo, é imprescindível a elaboração de um plano de

atendimento específico a cada caso. Nesta tabela podemos traçar várias hipóteses e realizar várias reflexões à ótica preventiva. Em todos estes delitos mencionados são do âmbito à qualidade do atendimento aos usuários do serviço de saúde pública municipal.

É possível detectar o perfil mais freqüente das vítimas e autores, o horário mais

usual de tais crimes, e principalmente o porquê, a causa que gera o número tão grande de ameaças. A partir das causas relacionadas (demora no atendimento, falta de médicos, falta de

medicação, grosseria no atendimento, falta de informação segura, acomodações impróprias e sem conforto etc.). Poderia realizar com esses dados, sugestões de mudança junto à gerência do Centro de Saúde específico e, se for esse o caso, a toda à rede de Saúde do Município, e assim sucessivamente para os demais estabelecimentos públicos municipais específicos. Essas ações também fazem parte da Guarda Comunitária, esta seria uma grande contribuição da Guarda Comunitária aos Munícipes de Belo Horizonte.

49

7. Número de Intervenções por Tipicidade

 

Número de Intervenções por Tipicidade

 

Tipo de Intervenção Catalogada em Boletim de Intervenções

 

Número de Intervenções

 

Absoluto

Absoluto

Absoluto

Absoluto

2004

2005

2006

2007*

Acidente de trânsito

 

133

124

242

203

Ameaça

224

213

357

313

Apoio

à

pessoa

197

271

221

374

baleada/esfaqueada

Aquisição/posse ou guarda para uso próprio de substância entorpecente

 

98

190

117

Atrito Verbal

78

61

139

 

Averiguação de pessoa suspeita

161

75

97

84

Cobertura a eventos diversos (festas, reuniões, etc)

     

226

Dano ao patrimônio público

 

219

273

457

539

Desacato

40

68

118

150

Doente Mental

 

50

73

 

Embriaguez

56

     

Estouro de bomba

 

45

60

91

 

Furto

361

361

421

555

Furto qualificado (arrombamento)

     

63

Invasão (Esbulho Possessório)

131

83

83

62

Lesão corporal

   

89

99

Paciente alterado causando transtorno

 

139

117

   

Parturiente, pessoa ferida ou enferma

106

210

326

292

Perturbação do trabalho/sossego

208

142

326

224

Porte de arma

 

36

   

Roubo

74

89

96

74

Uso de substância entorpecente

161

     

Vias de fato/agressão

 

281

314

353

369

Outras

465

355

694

809

Total

3.079

3.000

4.373

4.553

50

3 Atividades da Guarda Cidadã

3.1 A Guarda tem embasamento próprio para ser preventiva

É imprescindível que a Guarda Municipal de Belo Horizonte, como todas as

demais em nível nacional, que atualmente alcançam a expressão significativa de 80.000

Guardas Civis distribuídas em 640 municípios, primem por ações preventivas ao invés de

ações repressivas ou simplesmente de vigilância ao patrimônio, por mais nobre que esta o

seja.

No Estatuto da Guarda Municipal de Belo Horizonte, (Lei nº 9.319, de 19 de

janeiro de 2007), as atribuições de ordem preventivas contidas estão no art. 5º, inc. XIII, onde

se lê:

“-atuar de forma preventiva nas áreas de sua circunscrição, onde se presuma ser possível à quebra de situação de normalidade;” (grifos de minha autoria)

Nesta citação, abre-se grande campo de discussões e ações que poderão ser

implantadas ou ampliadas pela Guarda Municipal de Belo Horizonte. Como vimos no item

2.5, e que veremos no item 3.2, a Guarda já realiza um trabalho de prevenção e parceria em

segurança pública. O que iremos propor neste trabalho é uma sistematização de projetos a

serem ampliados e realizados.

No intuito de aumentar estas discussões fazemos referência ao recorte da página

eletrônica da Prefeitura de Belo Horizonte 1 , a respeito de políticas de atuação da Guarda

Municipal, no âmbito das Políticas de Segurança Social. As funções são:

1.http://portal1.pbh.gov.br/pbh/index.html?idNv2=672&idConteudoNv2=12553&emConstruc

aoNv2=N&verServicoNv2=S&idNivel1Nv2=103&nivel3=

51

- Financiar estudos e desenvolver projetos voltados à segurança, em parceria com a comunidade, órgãos públicos e entidades da sociedade civil; - Planejar a operacionalidade das políticas públicas de segurança social, em conjunto com órgãos municipais, visando à diminuição da criminalidade; - Formular e aplicar, diretamente ou em colaboração com órgãos municipais,

reduzir a violência e a sensação de

insegurança.(grifos nossos).

métodos

preventivos

para

Retornando ao Estatuto da Guarda Municipal de Belo Horizonte, também podemos perceber os seguintes amparos legais como forma de incentivo para trabalhos de caráter preventivo, em seu art. 5º, inc. XIV:

“Atuar com prudência, firmeza e efetividade, na sua área de responsabilidade, visando ao restabelecimento da situação de normalidade, precedendo eventual emprego da Força Pública Estadual;”

Para preceder determinados eventos, o guarda já deve ter tomados todas as medidas relativas ao seu campo de atuação. Quando as medidas que devam ser tomadas estão acima de suas atribuições legais, deverá acionar as forças de segurança em escala estadual. O guarda já repassará um relato de seus esforços perante determinada situação, favorecendo a agilização do processo policial como na aquisição de informações pertinentes ao andamento do processo.

52

3.2 Trabalhos de prevenção na parceria do acionamento pelas Guardas Municipais

Uma grande vitória para a Guarda Comunitária seria alcançar uma cadeira

definitiva junto o Sistema Integrado de Defesa Social do Estado de Minas Gerais. A atuação

da Guarda Municipal vem aprimorando-se gradativamente para melhor cumprir suas funções

legais, já fazendo por merecer tal cadeira junto ao Sistema Integrado de Defesa Social. Mas

para tal conquista, como diria o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante palestra em um

dos estados brasileiros, no mês de agosto de 2007:

“Não importa se o Prefeito não gosta do Governador, se o Governador não gosta do

Presidente, o importante é que todos trabalhem unidos para o Povo Brasileiro, pois

depois quem vai ser prejudicado não será o Prefeito, nem o Governador e muito

menos o Presidente, e sim o Povo.”

O perfil das Guardas de certa maneira já é de cunho descentralizado e integrado à

sociedade visto que as guardas ficam ostensivamente nos locais públicos diariamente, em

pleno contato com a comunidade.

As Guardas vêm ao encontro de tudo o que se busca ter nas polícias comunitárias,

como ostensividade a pé, aumentando o contato com as pessoas, consolidando a transparência

das atividades que são desempenhadas junto à população; atuação como pedagogo, como

solucionador de conflitos, evitando que uma ocorrência ocasional transforme-se numa crise de

alta complexidade. Crise de alta complexidade que pode ser definida como sendo:

“Todo fato de origem humana ou natural que, alterando a ´Ordem Pública`, supere a capacidade de resposta dos esforços ordinários e/ou extraordinários de polícia/ órgãos de defesa social, exigindo a intervenção por meio de estruturação de ações e /ou operações de polícia ou o bombeiro-militar, com o objetivo de proteger e socorrer o cidadão.” (Santos. 2006).

Trabalhando de forma preventiva, a guarda já realiza tais funções, conforme se

depreende dos Boletins de Intervenção (BI) que ela emite diariamente ns quatro anos de sua

existência. Quantas ocorrências de crises foram contornadas, juntos aos usuários públicos, em

postos de saúde, escolas, parques ecológicos, órgãos de cunhos administrativos?

Além disso, com a presença da Guarda Civil, quanto ganhou em eficiência o

trabalho da polícia ostensiva, em função da rapidez da chamada do atendimento? Sabemos

53

que depois de cinco minutos do fato criminal ter ocorrido a polícia ostensiva se reduz em muito a eficiência de sua atuação repressiva.

“Quando a polícia chega antes de 4 minutos após a chamada, ela prende os responsáveis em 15,3% das vezes. Quando polícia chega após 6 minutos, sua taxa de sucesso cai para 8,2%.” (ROLIM, 2006, p.56).

Imaginemos, então, para quanto poderá aumentar o poder da polícia ostensiva com o auxílio do Guarda Municipal em parceria direta com as demais polícias. Muitas das chamadas realizadas pelos guardas municipais são feitas durante o momento exato que o crime está ocorrendo, ou em vias de ocorrer, como no caso de tumultos generalizados em postos de saúde, cemitérios (acerto de contas) ou crimes em patrimônio público, constituindo mais um aspecto a ser considerado. Uma chamada realizada por um Guarda Municipal que se identifica torna-se muito mais inspirador de fidedignidade do que uma ligação realizada de forma anônima.

“Segundo matéria de José Luiz Costa no jornal Zero Hora, em 13 de fevereiro de 2004, estatísticas gaúchas apontaram que 56,98% das ligações ao 190 feitas em Porto Alegre, em 2003, forma notícias falsas, chamadas para brincadeiras e ofensas a atendentes. Dos 1.413.264 telefonemas recebidos, apenas 53.286 (3,77%) foram pedidos reais de socorro.” (ROLIM, 2006, p.71).

De forma estatística, podemos ter uma idéia da economia e eficiência do trabalho reativo policial, considerando apenas o acionamento de chamadas em tempo real, e sua garantia de necessidade.

“Nos EUA, o tempo médio transcorrido entre o crime e a realização da chamada é de 41 minutos. Quando se deparam com esse dados, colhidos inicialmente em Kanbsas City, os chefes de polícia do Fórum Executivo de Pesquisa Policial afirmaram que os cidadãos de suas comunidades não levariam tanto tempo assim para efetuar uma chamada. A pesquisa foi então repetida em outra 4 cidades com mais de 4 mil casos avaliados, e o tempo médio encontrado foi o mesmo. As possibilidades de prisão naqueles crimes sérios forma de 29 para cada mil casos, dos quais 75% só foram descobertos pelas vítimas muito tempo depois de terem sido cometidos. Apenas em 25% das vezes, quando há envolvimento direto da vítima, o tempo médio para a chamada à polícia é menor, e em metade desses casos a vítima consegue completar uma ligação em pouco mais de que 5 minutos. Ora, nos EUA, por exemplo, a maioria das cidades possui uma estrutura de policiamento de tal ordem que toda e qualquer emergência será atendida no tempo máximo de 5 minutos. Em outras palavras, o tempo de comunicação do fato delituoso à polícia tenderá a ser, também nesses casos , superior ao tempo que a polícia levará para atender ao chamado. O que as pesquisas demonstraram é que passados 9 minutos desde o cometimento do crime, não existe qualquer relação entre tempo transcorrido para o atendimento de uma chamada e a possibilidade de prisão. A partir desse limite de tempo, as chances de prisão em flagrante podem ser direcionadas para efeito estatístico e a maior ou menor rapidez da chegada dos policiais só poderá ter algum sentido em termos de facilidade para o contato com eventuais testemunhas e para o recolhimento mais seguro de evidências.” (ROLIM, 2006, p.55).

54

Em suma, pode-se perceber que o guarda municipal, apenas no aspecto do acionamento da força policial em tempo real de uma ocorrência, está e tem muito a contribuir com a sociedade sendo que:

“O que se aceita mais amplamente é que o tempo de resposta às chamadas de emergência só faz sentido para crimes em andamento.” (ROLIM, 2006, p.55).

55

3.3 Criação de uma Gerência específica à Guarda Comunitária

A guarda tem muito a contribuir com estas questões de políticas preventivas de

forma integrada com a sociedade.

“ A grande contribuição dos municípios à segurança e a mais original será na esfera das políticas preventivas, isto é, das ações sociais e culturais voltadas para disputar menino a menino com o crime. Ações que possam gerar fontes de atração de jovens, com capacidade de encantamento e sedução, valorizando-os educando-os

e os divertindo. Essas ações sociais funcionariam como centros gravitacionais. 1. Os

municípios é a esfera mais apropriada às políticas de prevenção da violência

Essas políticas são intersetoriais e podem ser implementadas com o sem Guardas Civis – preferencialmente com elas. 3. O êxito depende da capacidade de diagnosticar, em cada bairro, os processos sociais que levam `a reprodução das práticas violentas e criminosas, porque esses processos é que constituem o alvo a ser interceptado. 4. Delimitar territorialmente cada conjunto de ação. É preciso que o fato de morar naquele lugar seja motivo de orgulho. 5. A política preventiva

eficiente é aquela que interrompe o abastecimento de mão-de-obra para o crime. 6. O beneficiário preferencial de políticas preventivas eficientes é o jovem, e o foco, sua auto-estima. A disputa pelo recrutamento dos jovens se dá, antes de mais nada, em seu coração. 7. O segredo das boas políticas está na capacidade de transformar círculos viciosos em círculos virtuosos. 8. Não há êxito sustentável sem avaliação regular e monitoramento corretivo com participação popular e transparência. 9. Finalmente, é indispensável a cooperação com as polícias

e as políticas estaduais. (SOARES, p. 106. 2006).

2.

A Guarda Municipal poderia realizar vários trabalhos preventivos, (veja item

3.4.2) com os jovens moradores de áreas críticas de segurança pública. Em todos estes projetos relacionados no item citado, UTILIZAR-SE-IA OS PRÓPRIOS GUARDAS, POIS ATRAVÉS DO PERFIL PROFISSIOGRÁFICO REALIZADO EM 2007 1 PODE-SE VERIFICAR TAIS COMPETÊNCIAS JÁ CONSTITUÍDAS ENTRE OS GUARDAS. Em síntese, não seriam programas isolados e sim integrados. Essas modalidades de atuação não ocorreriam num âmbito de voluntariado (como atualmente se dá) e sim numa atribuição específica de dedicação integral do seu turno de serviço. Numa Palavra, seria o trabalho do guarda municipal dedicando-se em seu tempo integral de serviço e não nos horários de almoço, finais de semana, dias de folga, férias etc.

1. Perfil Profissiográfico realizado em 2007, no qual fiz parte da comissão para sua elaboração.

56

Desta forma a participação em tais projetos constituiria um verdadeiro incentivador a aprimorar-se diariamente e constantemente, através de cursos, palestras, seminários, artigos acadêmicos etc., ou seja, aprimoramentos curriculares em sua respectiva atuação preventiva. Necessitaríamos a princípio, para iniciarmos sua implantação de maneira organizada e otimizada, cerca de 100 guardas e dez inspetores destinados a todas esses projetos. Sabendo que cada inspetor ficaria sendo responsável por projetos específicos e tendo em sua equipe dez guardas, é possível hipotetizar que em um ano já se poderia colher frutos modestos, porém promissores. Disposição não falta nos Guardas e Gestores da Guarda Municipal, na realização destes e de outros projetos que virão ao seu turno. Seria muito importante ao invés de termos 500 guardas para lavrar auto de infração de trânsito em BH no ano de 2008-2009, termos apenas 400 guardas multando (desde que confirmada a constitucionalidade deste ato). O ideal, futuramente seria que, desde a realização do concurso público, guardas fossem destinados a esta área especifica. Sendo que ao passar dos anos, uma porcentagem de 10% do montante total dos Guardas Municipais ficaria destinada à Guarda Comunitária, Guarda Cidadã no âmbito dos projetos, propriamente dito. Sendo que os guardas comunitários contassem com 50% de mulheres e 10% de deficientes físicos.

57

3.4 Prevenção ao Self

A questão da prevenção em segurança pública através de projetos interativos com o público alvo deve passar sempre por despertar o self, “da consciência profunda.” pois um projeto de cunho preventivo e social só agrega valor real se for algo construído com objetivos que também perpassem pela questão psíquica. Poderíamos definir o self, para que o leitor alcance maior compreensão da proposta, como:

“O notável psiquiatra Carl G. Jung definiu o self como sendo ‘a totalidade da psique consciente e inconsciente’ acrescentando que ‘essa totalidade transcende a nossa visão porque, na medida em que o inconsciente existe, não é definível; sua existência é um mero postulado e não se pode dizer absolutamente nada a respeito de seus possíveis conteúdos.’ Esse arquétipo, imagem original ou imago Dei, que vige no ser humano e concede-lhe a abrangência da consciência e da inconsciência, respondendo pela sua totalidade, procede do Arquétipo Primordial, Consciência

Cósmica, Deus ou Causalidade Absoluta. O self, na condição de um arquétipo primordial, preside ao processo de desenvolvimento que lhe é [ao ser humano] imperioso alcançar, mediante as experiências que fazem parte dos estatutos da Vida.

O self não é uma página em branco, na qual irão ser escritos os caracteres das

necessidades humanas. Herdeiro do psiquismo ínsito no inconsciente coletivo, é portador do seu próprio inconsciente pessoal. Herdeiro de si mesmo, o self é mais um arquétipo, sendo o próprio ser espiritual precedente ao berço e sobrevivente ao túmulo. O Self é, portanto, herdeiro de tôo esse patrimônio conseguido através das centenas de milhões de anos. Para ser penetrado na sua grandeza e totalidade é necessário que se mergulhe o olhar para entro de si mesmo, a fim de se poder identificar com o numinoso, a grande meta para as experiências transpessoais.” (Franco. 2002).

No intuito de resplandecer o self é importante que os projetos sejam respaldados em três aspectos: no âmbito individual, familiar e social. Sendo o individual (sucinto, didaticamente): os desejos de cunho particular, os traumas, os conflitos pertinentes a esta criatura, as ambições, os sonhos, a inteligência intelectual, emocional e espiritual – religiosidade.

“O indivíduo é a medida das suas realizações interiores e de toda a herança que

carrega no seu inconsciente, o que equivale dizer que é o resultado inevitável da sua longa jornada evolutiva, na qual, passa a passo, se liberta do instinto, mediante o uso correto da razão, desta passando para a intuição. Cada indivíduo é portador da herança dos próprios atos, que passam a constituir-lhe o patrimônio da evolução permanente. Se erra, recomeça a experiência; quando acerta e se incumbe a contento

do compromisso, incorpora-o ao patrimônio já conquistado.” (Franco, 2002).

58

No aspecto familiar (sucinto, didaticamente): a estruturação familiar, os valores, os costumes. Poderíamos dizer que é o mais importante do ser humano, já que muitos grandes homens e mulheres conseguiram sobrepujar dificuldades gigantescas mesmo sem o auxílio da instrução acadêmica, mas ainda se faz por encontrar os que se tornaram grandes homens e ou mulheres sem a acolhida familiar, seja ela qual for. Poderemos definir o conceito de Família sendo:

“Conceito – Grupamento de raça, de caracteres e gêneros semelhantes, resultado de

agregações afins, a família, genericamente, representa o clã social ou de sintonia por identidade que reúne espécimes dentro da mesma classificação. Juridicamente, porém, a família se deriva da união de dois seres que se elegem para uma vida em comum, através de um contrato, dando origem à genitura da mesma espécie. Pequena república fundamental para o equilíbrio da grande república humana representada pela nação. A família tem suas próprias leis, que consubstanciam as regras de bom comportamento dentro do impositivo do respeito ético, recíproco entre os seus membros, favorável à perfeita harmonia que dever vigir sob o mesmo teto em que se agasalha os que se consorciam. a casa são a argamassa, os tijolos a cobertura, os alicerces e os móveis, enquanto o lar são a renúncia e a dedicação, o silêncio e o zelo que se permitem àqueles que se vinculam pela eleição afetiva ou através do impositivo consangüíneo, decorrente da união. A família é mais do que o

são os ideais, os sonhos, os anelos, as lutas e árduas tarefas, os

sofrimentos e as aspirações, as tradições morais elevadas que se cimentam nos

liames da concessão divina.” (Franco,. 2002).

resultante genético

No aspecto social (sucinto, didaticamente): poderemos constatar o nível e grau da qualidade educacional, da saúde, do nível econômico, de questões de sobrevivência, da assimilação das leis que regem o Estado Democrático de Direito, religião - religiosidade, relacionamentos afetivos, amigos(as) etc.

“A sociedade é constituída por pessoas de gostos e idéias diferentes, de estruturas psicológicas diversas, que se harmonizam em favor do todo. A sociedade equilibrada deve funcionar como uma orquestra afinada executando especial obra sinfônica, na qual predomina a harmonia dos movimentos e das notas musicais sob a regência feliz do ideal que proporciona alegria e paz.” (Franco, 2002).

Os três fatores: individual, familiar e social se encontra absolutamente interligados com a primazia do familiar. Este é o fator de sustentabilidade, equacionalizador e direcionador dos demais aspectos profundos do self. Ao mesmo tempo os demais (individual e social) os circunscrevem e o transpassam-no. Sendo assim, os trabalhos da Guarda Comunitária, Guarda Cidadã devem ir ao encontro do familiar, abrangendo o individual e social. Devemos realizar propostas de atuação junto ao jovem, à esta criança, ao idoso, indo direto aos seus anseios por uma vertente social, que pode ser um projeto, uma palestra, um teatro

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etc., como uma atuação de conscientização sobre os usos e conseqüência das drogas em escolas de grande índice de uso e tráfico. A palestra deve ser elaborada de uma forma a abranger conhecimentos acadêmicos e psicológicos; nos desejos e anseios deste jovem, a fim de tirar de dentro deste o conhecimento e as angústias que ele já possui. Assim o conduziremos para um campo mental neutro onde ele poderá refletir, obter ao seu auto conhecimento e aprimoramento como cidadão.

Utilizando os três aspectos individual, familiar e social, possibilitaríamos aos jovens e às crianças a conscientização (racionalização, conscientização – ser consciente) do subconsciente (emoções, desejos) e do inconsciente profundo (sagrado) deixando-os aflorar através de atividades lúdicas, artísticas e didáticas, afim de que pudesse avançar ao superconsciente –inconsciente superior (espiritual, transcendência ética) de seu valores éticos-morais, proporcionando mudanças comportamentais. Dessa resultante (superconsciente, o espiritual – moral e ético) criaríamos um campo de reflexão, um círculo em espiral do self, o qual que o proporcionaria um salto evolutivo, salto este que perpassa desde seu modo de se posicionar na vida e em si mesmo(a), passando por experiências em campo meditativo, traçando suas metas, analisando os riscos, diminuindo o orgulho e egoísmo de sua personalidade através de suas escolhas, aumentando o conhecimento e iluminação de si próprio(a) e constituindo-se num homem de bem (como esclarece o emérito pedagogo francês Hypolite Léon Dénizard Rivail). Numa palavra, trabalho preventivo real só se faz com psicologia profunda, caso contrário estaremos apenas maquiando-maquinando e desviando as estatísticas criminais de localidade e ou tipicidade.

Saltos do Self

60

Saltos do Self 60

61

3.5 Possibilidades de Avanço

Neste item relacionamos alguns pontos essenciais em prol dos trabalhos de cunho

preventivo para que a Guarda Cidadã, Guarda Comunitária começasse a ganhar vida, e vida em abundância, se tais apontamentos fossem verdadeiramente implantados. São eles:

- Desenvolver a integração entre os conselhos municipais de segurança pública de

âmbito municipal, como os estaduais e federais, tendo participação ativa da Guarda

Municipal;

- Propor seminários, congressos, intercâmbios e convênios, nas esferas municipais, estaduais e internacionais;

- Desenvolver periódicos mensais, ou trimestrais das atividades das Guardas

municipais do Brasil e suas atuações de ordem preventiva e de caráter de aprimoramento profissional, no aspecto científico filosófico;

- Proporcionar aprimoramento profissional constante em treinamentos e reciclagens técnicas sempre focando na atuação preventiva;

- Ampliar o número de agentes comunitários e multiplicadores da Guarda Comunitária.

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3.5.1Prevenção só se concretiza em prol da Infância e Adolescência numa visão mais aprofundada do sistema da criminalidade

Não há como discursar seriamente sobre prevenção em segurança pública sem

focarem os esforços operacionais e organizacionais estratégicos em prol da infância e

adolescência. Inconcebível se torna atualmente qualquer gestão de segurança pública que não

destina os maiores esforços e as maiores verbas em prol desta demanda específica. Por um

motivo muito simples e infelizmente muito prático. O Tráfico de Drogas é o verdadeiro

dragão da criminalidade. O verdadeiro diabo lá se corporifica. Dele se emana verdadeiro

vulcão fumegante com sua lava diversificada de crimes interligados e correlacionados numa

raiz única. Não basta combater efeitos, é indispensável eliminar as causas que geram estes

efeitos.

Bilhões de dólares são gastos por todos os países, todos os anos, destinados a

combater o tráfico e drogas em diversas áreas de atuação. Em contrapartida, a menor taxa

gasta é em projetos sociais que inviabilizariam a mão-de-obra do baixo escalão do

narcotráfico, ou seja, as crianças e jovens de aglomerados.

A mão de obra do tráfico, conforme se vê no documentário Crianças do Tráfico é

reabastecido,e renovado diariamente por crianças e jovens. No tráfico de drogas, a mão-de-

obra infantil é abundante; a demanda causaria deslumbramento em qualquer grande

empresário mundial, e desta forma o trabalho escravo avança em todos os morros das grandes

cidades do Brasil.

A empresa do tráfico de drogas está sempre de portas abertas para o ingresso de mais

um trabalhador, e nesta empresa não há obstáculos quanto à contratação, seja referente à

idade, formação acadêmica, preparo profissional, e experiência de mercado; todos são

aproveitados, até a última gota de seu sangue e última filigrama de seus sonhos.

Em sua organização nefasta e inescrupulosa, o tráfico tem essas crianças e jovens

como testas de ferro; são os mantenedores operacionais de suas ações demoníacas; são cartas

descartáveis; são escravos sem almas; são os iludidos do sistema de vitória fácil capitalista,

dos 15 minutos de fama; são os joguetes do holocausto do prazer ilegal, fantoches repostos

automaticamente a cada baixa, como uma verdadeira linha de produção (ou melhor, de

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aniquilação) para nenhum fordista ou taylorista (ou melhor, nazista de Auschwitz) botar defeito.

Sabemos que quando um dono de boca é assassinado ou preso, aquele que era o seu braço direito assume imediatamente o posto, subindo assim de hierarquia e mando. Para obter tal promoção este deve ser um empregado exemplar, possuidor de um currículo invejável, com atos covardes e maldosos como diversos assassinatos e roubos, experiência curricular conseguida em tempo recorde; um verdadeiro treiner do antigo patrão, a ponto de inspirar temor e admiração nos comparsas de outras facções rivais. Garantindo, assim, por mais tempo, sua permanência no cargo tão concorrido e disputado a bala, literalmente falando, por dezenas de centenas de jovens dos aglomerados. Desta forma, analisando a estrutura criminosa do tráfico, a única maneira de destruirmos sua estrutura criminógena, que hoje constitui uma verdadeira pandemia, só retirando os seus agentes operacionais: os aviõezinhos, os fogueteiros, os futuros donos de boca, os distribuidores. Sim, trata-se de uma pandemia e para combater uma pandemia virótica é necessário cortar o contágio a outras pessoas (antes mesmo de achar a cura), ou seja, cortar a mão de obra do tráfico, pois a droga não chegará a outras pessoas, de forma tão fácil.

O narcotraficante que se preza sabe muito bem qual é o ponto vulnerável da sua empresa multinacional. Sabe muito bem que se não houver mão-de-obra barata e em abundância, ou seja, crianças e jovens, ele conhecerá a falência em poucos anos. Dessa forma, não terá condições de manter a máquina empresarial a todo o vapor; terá quedas orçamentárias desesperadoras; terá de expor a cada dia peças mais importantes do seu xadrez mortal a maiores riscos nas bolsas instáveis de corrupções especializadas dentro do próprio sistema, resultando da diminuição na qualidade do pronto atendimento. A máquina empresarial, com seus tênues e muitos meandros, se romperia como fios de aranha perante o sacudir de um pássaro que anseia e luta por liberdade. Os gastos alimentarão o sistema corrupto para sua manutenção às escondidas; seus investimentos demandarão maiores ousadias, desafiando ao limite a omissão dos justos, na manutenção a peso de ouro da lerdeza burocrática e incoerência legisladora que dificulte a penalização de seus investidores fiéis- usuários. Ele começará a sentir estresse, fadiga, depressão, irritações repentinas, paranóia, delírios, fobias, sensação de inutilidade. Como o mundo é redondo, ele começará a ter os mesmos sintomas de muitos policiais que anos a fio em vão se esforçam para realizarem um trabalho do qual se possa colher frutos espinhos; sentir-se-á um enxugador de gelo. Por outro lado, começaremos a subir no organograma de sua empresa, desestabilizando e desativando

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peças importantes de seu esquema sinistro. Nesta altura os que estão acima dele estariam cobrando do narco às metas traçadas; o narco estaria provando o copo de seu próprio veneno. O traficante, dono do morro, sempre faz um levantamento detalhado das potencialidades de sua localidade. Possui um RH para nenhuma empresa auto sustentável botar defeito. Tem-se uma equipe de verdadeiros psicólogos das trevas que analisam, selecionam e quantificam os traços de personalidade de cada criança e jovem do morro, para sua promissora empresa. Os mais agressivos são selecionados para serem os futuros donos de boca; os mais frios, para serem os cérebros e conselheiros dos anteriores; os com maiores dificuldades cognoscentes, porém sem vícios, também serão aproveitados como empacotadores; os deficientes físicos seriam os camuflados; os com grande Q.E. – quociente de inteligência emocional serão destinados para atuarem nas escolas, nas festas, e até mesmo em igrejas; os possuidores de um Q.I - quociente de inteligência, bem acima da média são selecionados com muita sagacidade, pois constituem o grande futuro do tráfico e da criminalidade. Para os olhos ensaneguecidos de um bom traficante são os futuros juizes, políticos, defensores dos direitos humanos, agentes de segurança publica. Em suma: completariam o mega sistema do tráfico, o grande escalão, o estado maior. Um grande traficante tem olhos de águia, de um grande líder; sabe exatamente o potencial e a destinação de cada empregado, sem dizer das promoções e especializações a inspirar dedicação e empenho, em suma, horas extras. Promoções estas que podem ocorrer em qualquer madrugada mais agitada, visto que a empresa apresenta muitas baixas e devem ser repostas na mesmo rítmo. Não pensar na infância e adolescência para amenizar a violência pública e a criminalidade que tem como carro chefe o tráfico, é algo que cheira a dupla intenção. Dizer que a infância e adolescência não são de altíssima importância nas medidas de prevenção da violência é porque querem que tais atos continuem a acontecer. Como se dizem por aí: A MISÉRIA DÁ LUCRO. Infelizmente, sabemos que toda emenda parlamentar que encontrar impedimento orçamentário sofrerá cortes imediatos nos programas da infância e da juventude como aconteceu no 2º turno para aprovação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira - CPMF.

‘Na tentativa de desobstruir a pauta do plenário da Câmara para aprovar a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que prorroga a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) até 2011, o governo federal aceitou tirar da medida provisória que criou o Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública)” (www.folha.com.br de 09 de outubro).

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Numa palavra: o sistema é hipócrita e o narcotraficante não gosta de crianças e investe pesado no sistema. Há muitas comprovações de que a prevenção é mais lucrativa para os cofres públicos. Neste mesmo jornal on-line, neste mesmo mês, e no dia 07 havia publicado:

“A prevenção dos delitos será um dos focos do programa. Os jovens em situação de risco das regiões escolhidas serão inseridos em programas de inclusão social. As famílias destes jovens também receberão atenção especial. Os jovens entre 14 e 29 anos que estão presos receberão acompanhamento por parte do governo federal com a adoção de programas de alfabetização, ensino e cursos profissionalizantes para os que se encontram presos. Um dos projetos prevê ainda a remição de pena para cada três dias de estudo, a exemplo do que já acontece com os presos que trabalham. A política de estímulo à prevenção é amparada por números. Segundo o Ministério da Justiça, o custo médio de um crime para o estado é de R$ 2,5 mil, entre internação, perda de produtividade, e outros indicadores. Para evitá-lo com ações preventivas, o custo cai para R$ 600. Já a ação de repressão ao delito não sai por menos de R$ 6 mil aos cofres públicos.” (grifos nossos)

Neste sentido posicionou-se o Presidente da República Federativa do Brasil, Sr. Luiz Inácio Lula da Silva:

“Estou convencido de que, se todos nós, governadores de estados, prefeitos, gente especializada em segurança pública, em direitos humanos, gente do conselho tutelar, ou seja, tem muita gente no Brasil preocupada com isso. Se nós criarmos em torno do programa uma corrente positiva, não há por que não dar certo”. (dia 20 de agosto de 2007 – Agência do Brasil).

O Ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, no dia 20 de agosto de 2007, na Agência do Brasil, afirmou:

“Esses recursos, que já foram anunciados pelo ministro Tarso Genro já foram negociados com a equipe econômica do governo. Sem dúvida nenhuma, estarão no orçamento dos próximos anos.” (grifos nossos).

Sem especular o que venha a ocorrer nos próximos anos, vemos que o corte cirúrgico é preciso. Dos 72 programas do Pronasci, foram cortados exatamente os relacionados às questões sociais preventivas da criminalidade 1 :

“Plenário conclui votação da MP que cria o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania. O relator excluiu os três programas de intervenção social direcionados à reintegração de jovens e defende que o Poder Executivo envie ao Congresso um projeto de lei sobre o tema. A matéria segue agora para o Senado. O Reservista-Cidadão é destinado à capacitação de jovens recém-licenciados do serviço militar obrigatório. Eles atuarão como líderes comunitários nas áreas abrangidas pelo Pronasci. Esse trabalho terá duração de 12 meses, e os participantes receberão formação para atuar diretamente em suas próprias comunidades.

1. Sobre a

Medida Provisória de n.º 384/07, como se vê na página eletrônica da

Câmara dos Deputados Federal (http://www2.camara.gov.br/).

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O Protejo (Projeto de Proteção dos Jovens em Território Vulnerável) é destinado à formação e inclusão social de jovens e adolescentes que se encontrem em situação infracional ou em conflito com a lei, e expostos à violência doméstica ou urbana. Também com duração de um ano, o programa terá foco no resgate da auto-estima e na reestruturação da vida desses jovens. Os participantes desses dois primeiros programas receberão auxílio no valor de R$ 100. Já o Projeto Mães da Paz é destinado à capacitação de mulheres líderes comunitárias. Esse trabalho deverá articular a participação dos jovens e adolescentes no Pronasci. Para as participantes, o auxílio será de R$ 190, e em nenhum caso será possível acumular mais de uma bolsa ou outro benefício do governo federal.”

A alegação dos deputados federais é que, num aspecto, tais medidas sociais são pontos que geram polêmica, e que não estão muito claras, e no segundo aspecto “se o governo abre mão delas é porque são desnecessárias, não são tão importantes assim2 . Os líderes da nação conseguirão redirecionar outras verbas para projetos específicos e semelhantes a estes, ou seja, projetos destinados a preservar a infância e adolescência. Mas, como diria Weber “Quer ser ético não seja político”, ou citando o próprio Maquiavel “A política se afasta da moralidade, pois cria-se um campo próprio.” É importante retomar a discussão a respeito do tráfico poder se constituir um poder alternativo. Sobre isso muitos dizem que o tráfico já constitui este poder alternativo, o que Max Weber não aceitaria, pois o crime organizado não poderia se estruturar fora do Estado, já que não seria eficaz. Outros diriam que apenas por um déficit de inteligência e coesão o tráfico não toma conta do Rio de Janeiro. Preferimos debruçar mais sobre Max Weber, pois se trata exatamente de uma questão de inteligência não tomar o Rio de Janeiro (como ponto de partida ou afronta) pois constituir Estado daria muito trabalho; é muito mais rentável explorar e alimentar-se das brechas perniciosas do Sistema.

2. Entrevista concedida em rede de televisão nacional, pelo deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM - RS).

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3.5.2 Projetos destinados principalmente à infância e adolescência e aperfeiçoamentos institucionais específicos em prol da Guarda Comunitária

a) Projetos destinados principalmente à infância e adolescência:

- Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência – PROERD (em

parceria com a PMMG e PC). Programa de palestras esclarecedoras sobre o uso de drogas e

suas implicações, seria um projeto diário nas escolas da Rede de Ensino Regular Municipal de

Belo Horizonte;

- Anjos da Escola (em parceria com a PMMG );

- peças teatrais com enfoque na segurança (drogas ilícitas, lares desestruturados:

violência familiar, alcoolismo, abuso sexual-sexualidade, etc);

- ampliação do trabalho de escotismo (utilizando os próprios parques municipais,

como já é feito de forma modesta);

- trabalhos esportivos, como artes marciais, futebol, voleibol, handibol,

basquetebol, o esporte do momento Lepaku e outros. Sempre voltando estas atividades

esportivas para questões pertinentes ao engrandecimento do ser humano, desenvolvendo e

estimulando o senso de disciplina, responsabilidade, aprender a perder e a ganhar,

pensamento de equipe, boa convivência, auto-estima, respeito à diversidade, e principalmente

valorização do ser em relação ao ter, entre outros.

- reforço escolar a crianças de grande déficit econômico, como também aulas de

idiomas e cursos profissionalizantes;

- desenvolver uma grande biblioteca na sede da Guarda com acesso de crianças,

jovens e idosos para realização de seus trabalhos escolares e incentivos à cultura;

- atividades artísticas: como música (com a própria banda da guarda municipal,

que desmembraria os músicos e faría um trabalho ao menos em cada regional), dança e

pintura;

- doutores do riso (em parceria ou semelhante a este), em hospitais, creches e nos

eventos da comunidade;

- auxílio jurídico;

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- auxílio psicológico (além de assistência aos pais, de grupos de Alcoólicos

Anônimos e Narcóticos anônimos, que poderia ajudar muito na diminuição da violência doméstica e vinculações com instituições de tratamento de internação);

- trabalho em parceria com o Programa Nacional de Segurança Pública com

Cidadania (Pronasci); - sugestões de mudança junto às gerências do Município, conforme explicitado no item 2.5 sub item de número 8; - buscar verbas e incentivos às ações preventivas e sociais, em órgãos públicos, privados e não governamentais, nacionais e internacionais;

b) Aperfeiçoamentos institucionais específicos em prol da Guarda Comunitária:

- - gerência específica para a Guarda Comunitária, na Guarda Municipal, com

contingente destinado para tal;

- realização de cursos, palestras, seminários, intercâmbio, material didático,

voltados para o aperfeiçoamento do Guarda Comunitário em suas atividades específicas sem

prejuízo das demais atividades de formação da Guarda Municipal convencional. - cadeira cativa no Sistema Integrado de Defesa Social Estadual;

Sabemos que tais projetos são ousados, projetos preventivos que vão muito além da função restrita da reatividade e da própria prevenção policial atual. São sugestões que darão grandes resultados, em favor da desconstrução do ideal temerário e das autoridades encarregadas da segurança pública, vigente em nossa sociedade.

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3.5.3 Objetivos do Projeto:

- integração da população;

- corte do abastecimento do capital humano ao tráfico de drogas;

- preenchimento do tempo com atividades enriquecedores e construtoras dda

cidadania;

- respeito e confiança em relação ao agente de segurança.

Temos consciência de que, numa primeira ponderação do leitor, o pensamento que poderá, surgir será: isso não é função de guarda, ou melhor, isso não é função de nenhum órgão de segurança pública. Talvez o leitor tenha certo grau de razão, porém por que não pensar que num órgão de segurança pública tais atividades poderão dar os melhores resultados, por causa de seu sistema disciplinador e de seriedade em suas ações. Desta forma, deve-se investir na infância e aguardar os frutos que virão em poucas décadas, para só a posteriori, concluir se foi ou não eficaz ter sido mais ousado na preservação da infância e adolescência.

70

3.5.4. Requisitos Essenciais

É importante ressaltar que teremos um grande avanço nos trabalhos preventivos desenvolvidos pela Guarda Municipal, quando:

- a Guarda Comunitária não estiver restrita a uma filosofia sem ação,

- não constituir uma estratégia desconhecida do Guarda que está na ponta da linha

do dia a dia; - não estiver restrita a uma repartição, ou a guardas destinados a realizar tais atribuições sem o contato das experiências em suas atuações;

- o agir preventivamente for um critério adotado por todo o sistema organizacional

e doutrinário da Guarda Municipal. Essa visão não restringe as atuações vigentes da Guarda, mas abre-se o campo e proporciona o aprimoramento da atuação. Ou seja, o guarda poderá estar na sua atividade cotidiana em um parque ecológico por exemplo, desenvolvendo suas atribuições de segurança aos bens, serviços e instalações conjuntamente aos usuários do mesmo, porém terá ampliado o seu leque mental a respeito de segurança e atitudes preventivas, em parceria com a comunidade local.

Deve-se criar mecanismos destinados a equacionar de forma avaliativa o

desenvolvimento da atuação preventiva da Guarda Cidadã, em toda a sua abrangência, através de vários mecanismos como questionários, relatórios, entrevistas em vários aspectos, como:

- dos usuários dos órgãos municipais;

- dos integrantes da Guarda Cidadão, Guarda Comunitária;

- no âmbito gerencial municipal, e demais funcionários municipais;

- e do próprio Guarda Municipal, integrante de um trabalho específico da

prevenção ou não.

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3.6 Reflexões Oportunas

Há muito tempo faço alguns questionamentos, e quem sabe através de questionários e estatísticas mensuráveis poderemos responder às seguintes perguntas. Em quanto a Guarda Municipal tem ajudado a polícia investigativa, a Polícia Civil, em preservação de locais de crimes? Em quanto a Guarda Municipal tem ajudado a polícia ostensiva, a Polícia Militar, em dados colhidos, para levantamento de BOs, na apreensão de suspeitos, na resolução de conflitos que ocasionariam seu acionamento, disponibilizando assim recurso precioso? Em quanto está sendo útil no levantamento de ocorrências que ficariam nas estatísticas da esfera da cifra negra, na orientação de usuários de drogas, e apreensão de drogas, no deslocamento e evitando furtos e roubos? Em quanto tem ajudado com visitas tranqüilizadoras? Pode estar atrapalhando em alguns casos? Ou, como no dizer dos críticos de plantão, em muitos casos? É possível. Mas me adianto a pressupor que em muito a Guarda tem contribuído com esta parceria com as demais polícias. O que dizer dos chamados crimes de oportunidade que estão sendo evitados por uma presença mais ostensiva. A pessoa que busca cometer um crime, segundo esta teoria inglesa, quantifica o esforço que será exigido para a sua realização, ou seja, os fatores de risco e o ganho recompensador oferecido pelo seu êxito. Com um guarda mais próximo e integrado com a sociedade fica mais difícil tal atitude criminosa. Sabemos que o fator preponderante que quantifica a eficiência da segurança pública é o da acessibilidade, a empatia e confiança recíproca entre agentes de segurança pública com a sociedade civil. A figura do guarda é cativante e estimuladora para ocorrer tal empatia com a sociedade, pois ele se encontra em contato direto e diário com a sociedade civil (escolas, parque, postos de saúde, órgãos administrativos etc.); Para que este contato não se perca, é imprescindível que o Guarda:

- dispa-se de preconceitos, de estereotipias; sua conduta deve ser a mesma para

todos;

- não se paute, em sua atuação preventiva, por vestimentas ou linguajar dos usuários, criando assim um campo neutro de confiança e profissionalismo a fim de que de

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certa forma estabeleça um vínculo de respeito e estima entre os moradores de forma que favoreça a colaboração. Ou seja, o encarregado de segurança pública que não se pautar pelo comprimento

dos Direitos Humanos só tem a perder nas suas próprias tarefas. Ele deverá estender suas ações até mesmo e inclusive e de preferência ao infrator, ao que realiza crimes, ou contravenções penais, que deverá ser mantido e tratado com o maior respeito e cidadania possível. Deve evitar, a todo custo, linchamentos por parte da população. Em suma é um verdadeiro embaixador da paz e da justiça como é cantado no Hino da Guarda. O guarda sabe (ou tem obrigação de saber e de ser ensinado a ele):

- até onde vai suas atribuições específicas;

- respeitar integralmente todos os órgãos e agentes de segurança pública;

- trabalhar em senso de equipe, e respeitabilidade a todos.

73

3.6.1 Contextualização da Guarda Municipal de Belo Horizonte no Sistema de Segurança Pública de Minas Gerais

Ações ostensivas são atribuições das Polícias Militares e ações investigativas de

caráter judiciário são ações instituídas às Polícias Civis. Atualmente está se corrigindo um

desvio de função gigantesca entre ambas as corporações, pois chegou-se ao ponto de a Policia

Militar desenvolver grande número de investigações e de a Polícia Civil destinar vários de

seus recursos Humanos para os cuidados com infratores.

Nesta regularização de atribuições, patenteia-se publicamente o trabalho em

conjunto de ambas as polícias desde atuações preventivas junto à sociedade aos trabalhos

repressivos. Digo patenteia-se, pois as polícias mineiras sempre trabalharam interligadas. A

questão de integração entre as polícias já é feito há décadas sendo mais recente no âmbito

belo horizontino. É muito significativo o entrelaçamento institucional de cunho integrado,

pois vem dar sustentação teórica e prática de maneira formal e oficial, às ações das duas

instituições, favorecendo o expurgo dos preconceitos e estereótipos que ainda respiravam

entre as duas polícias.

É preciso entender as grandes vantagens de utilizar a Guarda Municipal

juntamente com os demais órgãos policias, pois teríamos facilidades no que concerne à

integração social e ações preventivas.

Uma grande vantagem e nem sempre a mais visada é a receptividade de tais

modificações pela própria organização que fica na ponta da linha. É importante salientar que,

na tarefa de guarda cidadã ou comunitária, não haveria o preconceito dos próprios policiais

em relação aos colegas que fossem destinadas a estas atribuições mais especificadamente,

como ocorreu e ainda ocorre em menor grau com os policiais militares que iniciaram o

trabalho das ações preventivas junto à comunidade.

O preconceito dificultou o avanço da polícia comunitária dentro da própria

PMMG, por algum tempo, pois muitos dos policiais que aderiram à prevenção junto à

comunidade eram taxados como policias de menor vigor, ou policiais de mentirinha ou de faz

conta, enquanto seus colegas se julgavam policiais de verdade, por realizarem tarefas mais

arriscadas. Não refletindo em profundidade em suas próprias críticas aos companheiros do

policiamento comunitário, pois este também é repressivo em muitas ações. Mas graças aos

74

que preservaram este ideal humanitário hoje a PMMG está na frente de todas as Polícias Militares do Brasil no que se refere a polícia comunitária e em trabalhos de integração à Polícia Civil. A Guarda é integrada a todos os órgãos de Segurança Pública desde a sua formação na Academia da Polícia Militar, onde recebe aulas com vários polícias militares e policiais civis, policiais bombeiros militares, e membros da sociedade civil. O Guarda Municipal é tratado com respeito e consideração por todas as forças policias de Minas Gerais e também de cunho da federação. Este senso de respeito é inquestionável e recíproco, basta verificar nas ruas de Belo Horizonte o carinho e estima entre os membros dos órgãos de segurança pública e dos membros das Guardas Municipais (ponta da linha). Este senso de união e respeito deve ser aproveitado pelos gestores da melhor maneira possível em parcerias de atuações preventivas.

75

3.6.2 A interferência Política no Aspecto da Segurança Pública. As Guardas não deveriam ser MINIS

É muito importante que a Guarda Civil não seja reduzida a um trabalho de mini

PM, ou mini civil, ou outras minis. Aqui nem se coloca em pauta de discussão a idéia restrita

das guardas serem apenas um órgão de vigilantes concursados, como infelizmente ainda se

ouve, pois só há amparo legal para essa função no presente momento.

A criação da Guarda Municipal a partir de 1988 com a Constituição Federal em

seu artigo 144 no parágrafo 8º, será complementada em breve, no máximo em dois anos, nas

leis que estão em tramitação no Senado Federal e na Câmara Federal.

Até o presente momento, cada Guarda funciona de acordo com o critério de cada

Prefeito, o que não deixa de ser antiético e perigoso, pois é um poder sem regulamentação

legal. O que poderá ocasionar um verdadeiro transtorno nas áreas do Direito,

inconstitucionalidade, principalmente onerando os cofres públicos no pagamento de danos

morais na área Civil.

Se as guardas municipais tivessem funções de Polícias Militares ou de Policias

Civis, iria se tornar uma verdadeira celeuma. Aprendamos com os erros dos outros, e ninguém

melhor para errar em termos de segurança pública como os EUA. Haja vista que nos EUA

existem dezenas de centenas de órgãos policiais, somando os âmbitos distritais e o maior

número de presidiários do mundo cerca de 25% da população carcerária mundial encontra-se

só nos EUA. Em síntese, o modelo de polícia reativa está fadado ao fracasso, e a criação de

mais policias distritais (municipais) no Brasil só iria complicar ainda mais a situação. Em

suma: quanto mais as guardas estiverem parecidas com o modelo reativo das polícias já

constituídas maior a possibilidade de cometer os mesmos erros e desatinos.

76

4

Conclusão

A Guarda Comunitária, Guarda Cidadã, sendo construída logo no nascedouro da

Guarda Civil de Belo Horizonte colherá muitos frutos de cidadania e de bem estar social.

Será muito improvável vermos a truculência de um oficial como Bull Connor do

Estado de Alabama contra o movimento da conquista dos Direitos Civis aos negros. Liderada

pelo arauto Luther King, que em suas passeatas e sermões memoráveis, encontrou várias

vezes a desumanidade de Bulls Connors; que utilizava de seu cargo policial para reprimir de

forma violenta tais manifestações pacíficas. É verdade que estas forças de segurança não

utilizavam armas letais, porém usavam cães, jatos de água, e deixavam que as pessoas

também preconceituosas e violentas os linchassem com pedras, garrafadas, mesmo contra

mulheres, crianças e velhos, enquanto os mártires da não-violência entoavam hinos e orações.

Com estes preceitos de integração com a comunidade, e atuação com os Direitos

Humanos, nunca veremos atitude semelhante ao acontecido na Índia contra o movimento da

filosofia da não-violência (Ahimsa) e da ação não-violência (Satyagasaha) de Mohandas

Karamchand Gandhi, onde a força policial ainda mais violenta e arbitrária do que nos EUA,

utilizava de cassetetes e muitas vezes armas letais, contra pessoas em movimentos de cunho

pacífico, como diria Mahatma( grande alma) Gandhi:

“Para combater o fetiche da força, há um único meio: empregar táticas completamente diferentes das que estão em voga entre os puros adoradores da força bruta.” (Merton, p.48,1967).

Se tais atitudes foram usadas contra passeatas pacíficas aonde poderia chegar à

insanidade de tais encarregados em manter a segurança pública, se fosse conter uma

manifestação de cunho violento? Um genocídio, provável.

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Aqui mesmo no Brasil, temos um exemplo, de um extermínio. O massacre de

Eldorado dos Carajás, que ocorreu durante o conflito de 17 de abril de 1996, no sul do Pará,

resultando em dezenove sem-terra mortos pela Polícia Militar, numa intervenção desastrosa,

onde se comprovou atos de extermínio, de execução dos manifestantes pelos agentes

promovedores de segurança pública.

A Guarda Municipal delineando-se com objetividade além de suas atribuições já

legalizadas

constitucionalmente

até

o

presente

momento,

em

trabalhos

preventivos,

principalmente com a infância e adolescência, cortando a mão de obra do tráfico de drogas,

favorecerá grandemente as demais forças de segurança pública. A Guarda Cidadã é uma força

de Segurança que angariará grandes parcerias e aprendizagens frutíferas, favorecendo o bem

estar social dos munícipes.

Numa Palavra: A Guarda Municipal de Belo Horizonte demonstra indícios

efetivos que ela caminhe para essa atuação comunitária o que resultaria numa identidade

própria e inviolável; a Guarda Comunitária; a Guarda da Paz a Guarda Ágape.

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5

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6 Anexo I - Sucinta Homenagem à Antiga Guarda Civil, Saudades

A Guarda Civil de Minas Gerais, principalmente aqui mesmo em Belo Horizonte até a década de 60 foi a vanguardeira do Brasil, no critério de cidadania, e prevenção de criminalidade com ações integradas com a sociedade. Não há alguém que tenha algo contra tal Guarda Civil, saudosa, que de certa forma nos chama a responsabilidade (os guardas municipais atuais) de manter ações no comprimento da civilidade, ética, nobreza e bom senso ao cidadão.

Tal Guarda Civil era vinculada a Polícia Civil, por causa das reformas do século

XX do sistema policial, que por sua vez também executava o policiamento de forma

ostensivo, uniformizado, e em junção aos policias militares. Infelizmente na dita cuja revolução de 1964, por interesses de controle e opressão ao povo brasileiro de acordo com os interesses norte americanos, as Guardas Civis também não foram palpadas. As guardas civis foram extintas e infelizmente as polícias militares da época tiveram que aceitar o papel fiscalizador do Estado sendo a Polícia Militar de todos os Estados comandados por oficiais do próprio Exército Brasileiro. Quando lembramos da Guarda Civil, como não sentirmos saudades? Atualmente

encontramos não com pouca freqüência, vários chefes de seções administrativas, dezenas de policiais dos vários órgãos estaduais e federais, políticos de renome nacional, empresários, pensadores, escritores e pessoas donos de restaurantes, bares, padarias. Em suma; pessoas do povo, que são filhos e netos dos guardas civis, e guardam com carinho retratos e homenagens merecidamente feito aos valorosos guardas civis. A Guarda Municipal de Belo Horizonte e também mineira e Nacional está ressuscitando a Guarda Civil. Principalmente no que concerne aos atos de cidadania. E quem

sabe

poderá aprimorar-se a ponto de fazer ainda mais bonito criando uma secretaria voltada

para

à comunidade em ações preventivas e integradas com a mesma, em âmbito de cada

município e do estado e da federação.