Você está na página 1de 17

Nº 8, Julho de 2020

Documento Científico
Departamento Científico de Dermatologia
(2019-2021)

Infecções Fúngicas
Superficiais

Departamento Científico de Dermatologia


Presidente: Vânia Oliveira de Carvalho
Secretária: Ana Maria Mosca de Cerqueira
Conselho Científico: Ana Elisa Kiszewski Bau, Gleide Maria Gatto Bragança,
Jandrei Rogério Markus, Marice Emanuela El Achkar Mello,
Matilde Campos Carrera
Colaboradores: Gina B. Schiavon Masson, Iwyna França S. G. Vial,
Izabella Rodrigues Reis Gomes, Mayke Fabricia Steinbach

Introdução Dermatofitoses

As infecções cutâneas fúngicas podem ser Os dermatófitos são fungos que se desen-
superficiais ou profundas. As superficiais ocor- volvem no solo (geofílicos), nos animais (zoofíli-
rem por invasão fúngica restrita à pele, cabelos, cos) ou nos seres humanos (antropofílicos)1. Eles
unhas e membranas mucosas1. As infecções pro- digerem a queratina e invadem a pele, os pelos
fundas atingem órgãos internos e/ou camadas e as unhas, resultando em diferentes apresenta-
mais profundas da pele por contiguidade ou via ções clínicas. O local da pele acometido determi-
hematogênica2. na a denominação da dermatose:
• Tinea corporis - infecção de superfícies do cor-
Este documento científico objetiva revisar as
po que não sejam os pés, virilha, rosto, couro
infecções fúngicas superficiais mais frequentes
cabeludo ou barba;
na faixa etária pediátrica como: as dermatofito-
ses, a pitiríase versicolor, a piedra branca, a tinea • Tinea pedis - infecção do pé;
nigra e a candidíase. • Tinea cruris - infecção da virilha;

1
Infecções Fúngicas Superficiais

• Tinea capitis - infecção dos cabelos; As placas podem coalescer formando uma
• Tinea unguium (onicomicose) - infecção da configuração policíclica bizarra, lesões mais ex-
unha. tensas (Figura 2) são observadas em pacientes
com doenças sistêmicas que comprometam a
Termos adicionais usados para descre- imunidade como diabetes mellitus, leucemia e
ver apresentações clínicas infrequentes são imunodeficiência2,3.
tinea faciei (infecção localizada na face),
tinea manuum (infecção localizada na mão) e
Figura 2. Placa eritêmato-descamativa extensa.
tinea barbae (infecção dos pelos da barba)1,3.

Tinea Corporis

É a dermatofitose que acomete a pele da re-


gião do tronco ou extremidades, exceto palmas
e plantas. Os principais agentes são o Tricho-
phyton rubrum e Microsporum canis3-5.

A apresentação clínica caracteriza-se por


uma ou mais placas circinadas, com halo eritê-
mato-descamativo e cura central que determina
o centro claro (Figura 1). O limite da lesão pode
ser papular, vesicular ou pustular. Tem distribui-
ção assimétrica. É mais frequente em crianças,
As lesões de tinea corporis podem simular
pessoas que vivem em locais quentes e úmidos
outras dermatoses como: pitiríase rósea, eczema
e imunossuprimidos.
numular, psoríase, dermatite de contato ou han-
seníase na forma tuberculoide2.
Figura 1. Placa circinada eritêmato-descamativa.
Tinea incógnita é denominação dada à infec-
ção causada por dermatófitos incorretamente
tratada com corticosteroides tópicos ou sistê-
micos, ou pela aplicação tópica de imunomodu-
ladores (pimecrolimus e tacrolimus). Estes tra-
tamentos incorretos resultam em lesões sem o
formato anular ou oval típico de bordas circi-
nadas, outras variantes clínicas como o padrão
eczematoso com pápulas, pústulas e placas do
granuloma de Majocchi, que é raro. Clinicamente
caracteriza-se por lesão solitária ou múltipla, em
forma de placa, nódulo, pápulo-pústula ou, rara-
mente, assemelha-se a um queloide. Histologi-
camente é constituído de perifoliculite nodular
com formação de granuloma de corpo estranho,
devido à infecção do fungo na derme e tecido
subcutâneo. Além do uso de corticoides tópicos,
pode também estar associada à depilação com
lâmina em locais com infecção por dermatófitos
em pacientes imunocompetentes, principalmen-
te mulheres adultas2,3.

2
Departamento Científico de Dermatologia (2019-2021) • Sociedade Brasileira de Pediatria

Tinea Pedis Figura 4. Descamação e eritema na face lateral do pé.

A tinea pedis, popularmente denominada de


“pé de atleta” é mais frequentemente observada
nos adolescentes. O uso de calçados fechados
promovendo umidade predispõe ao desenvol-
vimento do fungo. A transmissão pode ocorrer
também em áreas úmidas, como vestiários e bor-
da de piscinas3.

Os agentes etiológicos mais frequentes são:


Trichophyton rubrum, Trichophyton mentagro-
phytes e Epidermophyton floccosum2,3.

Pode se apresentar de quatro formas clínicas


principais: Figura 5. Placa circinada eritêmato-descamativa na face
1. Tinea Pedis Interdigital: é a forma mais fre- lateral e planta do pé (imagem autorizada por Marinoni
quente, com descamação, maceração e infla- et al. Atlas Dermatologia Pediátrica de A a Z, 2018)
mação (Figura 3);
2. Tinea Pedis Inflamatória: vesículas, pústulas
ou bolhas na região medial dos pés (Figura
4). É mais frequente no verão. Pode desen-
cadear uma reação de hipersensibilidade
tardia à distância (chamada dermatofítide, e
mais conhecida como “ide”), que se manifesta
por uma erupção vesicular nas extremidades,
principalmente nas mãos e pés e menos fre-
quentemente no tronco;
3. Tinea Pedis em Mocassim: eritema, desca-
mação, fissuras e hiperceratose na superfície Nas crianças, o diagnóstico de tinea pedis não
plantar até as faces laterais dos pés (Figura 5); é frequente, e pode ser confundido com eczema
4. Tinea Pedis Ulcerativa: lesões interdigitais disidrótico, dermatite de contato e dermatose
com erosões e até ulcerações2,3. plantar juvenil2. Outros diagnósticos diferen-
ciais incluem psoríase, infecção bacteriana ou
por cândida e queratólise puntata3.
Figura 3. Maceração, descamação e eritema na região
interdigital dos pés. O Quadro 1 apresenta as medidas de preven-
ção da tinea pedis.

Quadro 1. Medidas de prevenção da tinea pedis.

• Usar chinelos em áreas úmidas comuns como


piscinas e vestiários
• Secar entre os dedos dos pés após o banho
com toalha ou secador de cabelo
• Usar meias de algodão e evitar as de material
sintético;
• Se infecção recorrente - usar antissépticos nos
pés e calçados;
• Tratar a hiperidrose plantar quando presente2

3
Infecções Fúngicas Superficiais

Tinea Cruris Tinea Faciei

Dermatofitose localizada na região da virilha, Dermatofitose localizada na face, com apre-


mais frequente em adolescentes do sexo mascu- sentação clínica semelhante à da tinea corporis,
lino. É comum estar associado à tinea pedis. Os com placas anulares eritematosas com limite
fatores de risco para tinea cruris são obesidade e descamativo. As lesões iniciam como pápulas
suor excessivo, por exemplo em atletas por exer- descamativas que expandem, formando um anel,
cício físico excessivo2. com hipo ou hiperpigmentação central3.

Os adolescentes podem apresentar tinea


Os agentes mais encontrados são Tricho-
barbae, geralmente uma infecção inflamatória
phyton rubrum, Trichophyton mentagrophytes e
com pápulas, pústulas, crostas, exsudato e nódu-
Epidermophyton floccosum3.
los nos folículos pilosos, com perda dos folículos
A apresentação clínica é caracterizada por da região afetada2.
manchas ou placas eritêmato-acastanhadas,
Os agentes mais frequentes são Trichophyton
bem demarcadas, com descamação nos limites
mentagrophytes e Trichophyton verrucosum3.
(Figura 6), localizadas nas pregas inguinais de
maneira simétrica e bilateral, associada a pruri-
Diagnóstico Laboratorial
do3.
O diagnóstico clínico pode ser confirmado
pelo exame micológico direto e pela cultura de
Figura 6. Placa circinada com descamação e eritema
fungos, por meio do raspado da pele lesionada,
na prega inguinal.
de preferência da parte descamativa da lesão,
ou seja, nos limites da placa. No exame direto,
o raspado é colocado numa solução de hidróxi-
do de potássio (KOH 10% a 20%) e o resultado
será disponibilizado em torno de dois dias. Já o
crescimento do fungo em cultura pode demo-
rar de duas a quatro semanas. Os tratamentos
tópicos devem ser interrompidos alguns dias
antes da coleta do exame para não mascarar o
resultado3.

Tratamento

Os antifúngicos tópicos são eficazes para a


maioria dos casos de dermatofitoses que não
acometem os pelos3. Os antifúngicos tópicos en-
contrados no Brasil estão descritos na Tabela 1.
Tinea Manuum
A nistatina não é efetiva para as infecções por
A tinea manuum é infrequente na criança. dermatófitos. Existem diferentes veículos como
creme, gel, spray ou pomada, que deve ser esco-
Tem apresentação unilateral e pode associar-se
lhido de acordo com a área a ser tratada3,6.
à tinea pedis, quando acomete uma mão e os dois
pés é denominada de “síndrome uma mão e dois Os antifúngicos tópicos devem ser aplicados
pés”. A lesão acomete a superfície palmar, com uma a duas vezes ao dia, de acordo com a posolo-
leve eritema e descamação difusa, com ou sem gia de cada um. O tempo de tratamento varia de
prurido. Diagnóstico diferencial: dermatite de acordo com a espécie fúngica infectante e com
contato, psoríase2,3. a localização da infecção. Geralmente é tratado

4
Departamento Científico de Dermatologia (2019-2021) • Sociedade Brasileira de Pediatria

por três semanas ou até alguns dias após a re- senvolvimento de doença extensa ou persisten-
solução clínica, podendo ser menos tempo. São te. A possibilidade de um distúrbio imunológico
bem tolerados, com mínimos efeitos colaterais, subjacente deve ser considerada em pacientes
como por exemplo, dermatite de contato2. com doença particularmente grave ou refratária
ao tratamento7.
Das tineas discutidas até agora, a tinea corpo-
ris disseminada, tinea pedis extensa e com sinais
As combinações tópicas de antifúngicos e
inflamatórios, tinea barbae, tineas em pacientes
corticosteroides de média ou alta potência (por
imunocomprometidos e granuloma de Majocchi,
exemplo, betametasona e cetoconazol), não
têm indicação de antifúngico por via oral e os
devem ser utilizados rotineiramente na práti-
antifúngicos mais indicados são a terbinafina e o
ca clínica8. A taxa de cura é satisfatória com o
itraconazol durante duas a quatro semanas2,3. O
uso do antifúngico correto; a terapia associada
cetoconazol oral é contraindicado devido ao ris-
com corticoide tópico pode causar complica-
co de lesão hepática grave, insuficiência adrenal
ções como atrofia da pele, telangiectasias, es-
e interações medicamentosas7.
trias e/ou absorção sistêmica, principalmente
A imunossupressão pode aumentar o risco de se usado em área da fralda, face, dobras ou sob
infecção por dermatófitos e contribuir para o de- oclusão7.

Tabela 1. Principais apresentações dos antifúngicos de uso tópico.

Princípio ativo Veículo Posologia Nome comercial*

Creme
Bifonazol 1 vez ao dia Mycospor®
Solução spray

Arcolan® Candiderm®, Cetozol®,


Fungoral®, Nizoral®, Zolmicol®,
Cetoconazol Creme 1 vez ao dia
Micoral® Cetonax®, Cetonin,
Ketomicol®, Ketonazol®

Creme
Ciclopiroxolamina Loção 2 vezes ao dia Loprox®, Fungirox®, Micolamina®
Solução

Clomazol®, Canesten®, Fungisten®,


Creme
Clotrimazol 2 vezes ao dia ABC®, Miclonazol®, Dermobene®,
Solução
Clomazen®, Clotigen®, Clotren®

Creme
Econazol 2 vezes ao dia Micostyl®
Loção

Creme 1-2 vezes


Fenticonazol Fentizol®
Spray ao dia

Flutrimazol Creme 1 vez ao dia Micetal®

Isoconazol Creme 1 vez ao dia Icaden®

continua...

5
Infecções Fúngicas Superficiais

... continuação

Princípio ativo Veículo Posologia Nome comercial*

Creme
Loção Vodol® Daktarin®, Ciconazol®,
Miconazol 1 vez ao dia
Pó Ginotarin®
Gel oral

Oxiconazol Creme 1 vez ao dia Oceral®, Oxipelle®

Sertaconazol Creme 1 vez ao dia Zalain®

Creme
Terbinafina Gel 1 vez ao dia Lamisil®, Micosil, Funtyl®, Lamisilate®
Solução spray

Creme
Tioconazol Loção 1 vez ao dia Tralen®, Coselen®, Neo Tionazol®

Cloridrato de Creme Loceryl®, Dermoceryl®, Lomytrat®,


1 vez ao dia
amorolfina Loção Onicoryl®, Onimorf®

Cloridrato de
Creme 1 vez ao dia Tefin®
Butenafina

*Alguns exemplos

Tinea Capitis te da África, Europa, Ásia e Brasil (Região Sul, São


Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Goiânia)
É a dermatofitose mais frequente na infân-
e o Trichophyton tonsurans nos Estados Unidos
cia, acometendo a pele e os pelos do couro ca-
da América, Caribe, América Central, Austrália e
beludo, caracterizada por alopécia localizada,
Brasil (regiões Norte e Nordeste, DF)10.
com cabelos tonsurados (cortados próximos à
raiz), descamação e eritema1,2. Acomete princi- A apresentação clínica pode ser variada e de-
palmente crianças saudáveis entre trêas e oito pende do agente e do hospedeiro1:
anos de idade9. Classe social econômica baixa e – Microsporum sp.: padrão não inflamatório, com
habitações com aglomerações são fatores de ris- descamação fina e alopécia (Figura 7);
co. A transmissão pode ocorrer pelo contato com – Tricophyton sp.: padrão não inflamatório, uma
escova/pente, máquina de cortar cabelo, chapéu ou mais placas de alopécia, podendo asseme-
de pessoas infectadas, ou por animais de estima- lhar-se a alopécia areata, com os “blackdots”
ção como cães, gatos e roedores3. na dermatoscopia, pontos pretos que repre-
Diferentes fungos dermatófitos podem cau- sentam o pelo que caiu;
sar tinea capitis, principalmente o Microsporum – Pustular: inflamatório, pústulas em áreas de
canis e o Trichophyton tonsurans.2 Em uma revi- alopécia, associado com linfonodopatia (cervi-
são que incluiu 4.449 casos de tinea capitis em cal, occipital ou retroauricular);
crianças e adolescentes, a espécie Trichophyton – Kerion celsi: reação inflamatória com aumento
sp. foi predominante7. A tinea capitis causada de volume (Figura 8), alopécia, pústulas e se-
pelo Microsporum canis é mais frequente no Nor- creção purulenta, que ocorre por uma resposta

6
Departamento Científico de Dermatologia (2019-2021) • Sociedade Brasileira de Pediatria

imune exagerada ao dermatófito; frequente- Após uma a duas semanas do início dos
mente ocorre no primeiro contato do indivíduo sinais clínicos ou após o início do tratamento
imunocompetente com o fungo; sistêmico, podem aparecer pápulas no couro
– Favus: lesão crônica, causada pelo fungo cabeludo, tronco e extremidades. É uma res-
Tricophyton schoenleinii, caracterizada por posta imune ao fungo, chamada de dermatofí-
placas eritematosas e descamativas com cros- tide (ou reação “ide”), que desaparece com o
tas amareladas ao redor dos folículos, pode tratamento da tinea e deve ser diferenciada de
deixar alopecia cicatricial permanente. reação à droga1,2.

O diagnóstico diferencial inclui a dermatite


Figura 7. Área arredondada de alopécia com cabelos seborreica, psoríase, alopécia areata, tricotilo-
tonsurados, e descamação esbranquiçada, (imagem mania, foliculite, impetigo, sífilis e psoríase1,3.
autorizada por Marinoni et al. Atlas Dermatologia
Pediátrica de A a Z, 2018).
Diagnóstico

Luz de wood: as infecções por Microsporum


sp. fluorescem na cor verde e as infecções por
Trichophyton sp. não fluorescem1.

O exame micológico direto e a cultura são


importantes para confirmação diagnóstica e es-
colha do tratamento2 e devem ser realizados
mediante uma hipótese diagnóstica de tinea.
O tratamento poderá ser alterado, se necessário,
após o resultado da cultura3.

Tratamento

O tratamento deve ser sistêmico, o que


permite a medicação atingir o folículo piloso.
Figura 8. Placa eritematosa infiltrada, exsudativa e O antifúngico oral de escolha para a criança com
recoberta por crostas. tinea capitis é a griseofulvina. Outros antifúngi-
cos utilizados são a terbinafina, o fluconazol e o
itraconazol (Quadro 2)1-3,12,13.

Antifúngicos tópicos não são recomendados


como monoterapia, mas podem ser usados como
adjuvantes do tratamento sistêmico para reduzir
a transmissão de esporos, como xampus de sul-
feto de selênio entre 1% a 2,5% ou de cetoco-
nazol a 2%1.

A griseofulvina é efetiva para Microsporum


sp., mas pouco efetiva para Trichophyton sp. A
dose para peso inferior a 50 kg é de 15 a 20 mg/
kg/dia, nos maiores de 50kg é de 1g/dia, duran-
te oito semanas. Deve ser ingerida com refeições
gordurosas para melhorar a absorção. Os efeitos
A linfadenopatia, especialmente cervical ou colaterais são cefaleia, distúrbios gastrintestinais,
suboccipital, pode estar associada2. fotossensibilidade e reação exantemática. Altera-

7
Infecções Fúngicas Superficiais

ções hematológicas e hepáticas são raras e o mo- terbinafina, os dados disponíveis de eficácia do
nitoramento laboratorial não é recomendado. fluconazol e itraconazol são mais limitados9.

A terbinafina pode ser usada em crianças a Fluconazol: dose de 6 mg/kg/dia durante


partir de 4 anos de idade, sendo mais efetivo três a seis semanas. Eficaz para Trichophyton e
para Trichophyton sp. A dose para menores de Microsporum. Efeitos adversos: sintomas gastrin-
20 kg é de 62,5 mg/d, entre 20 e 40 kg de testinais, cefaleia, reação medicamentosa e rea-
125 mg/dia, e acima de 40 kg é de 250 mg/dia ção com outras medicações. Alterações hemato-
durante 4 semanas. Doses maiores e tempo de lógicas e hepáticas podem ocorrer.
uso maior podem ser necessários para Microspo- Itraconazol: dose de 3 a 5 mg/kg/dia por qua-
rum canis. Os efeitos colaterais são cefaleia, dis- tro a seis semanas ou 5 mg/kg/dia por uma se-
túrbios gastrintestinais e tontura. É necessário mana por mês por dois a três meses. Eficaz para
monitorar as enzimas hepáticas e realizar hemo- Trichophyton e Microsporum. Efeitos adversos:
grama por risco de citopenias. sintomas gastrintestinais, cefaleia, e alterações
hepáticas1,2,3,9.
Terapias alternativas: fluconazol e itra-
conazol são tratamentos usados com menor O cetoconazol não deve ser utilizado no tra-
frequência para tinea capitis, aparentemente efi- tamento da tinea capitis. O medicamento está
cazes, porém sem estudos comprobatórios até associado ao risco de lesão hepática grave e in-
o momento. Comparado com a griseofulvina e a suficiência adrenal.

Quadro 2. Medicamentos disponíveis para tratamento de Tinea Capitis.

Medicação Fungo Posologia Observações Efeitos colaterais

Griseofulvina Microsporum sp. < 50 kg: 15-20 mg/kg/dia, Ingerir com refeições Cefaleia, distúrbios
>50kg: 1g/dia gordurosas para melhor gastrintestinais,
absorção. fotossensibilidade, reação
Em torno de 8 semanas exantemática. Alterações
hematológicas e hepáticas
são raras, monitoramento
laboratorial não está
recomendado.

Terbinafina Trichophyton sp. < 20 kg: 62,5 mg/d, Crianças a partir 4 anos. Cefaleia, distúrbios
20-40 kg: 125 mg/dia, Doses maiores e tempo gastrintestinais, tontura.
>40 kg: 250 mg/dia de uso maior podem Monitorar enzimas hepáticas
ser necessários para e hemograma (risco de
Em torno de Microsporum canis. citopenias).
4 semanas

Fluconazol Trichophyton sp. 6 mg/kg/dia por Sintomas gastrintestinais,


e 3 a 6 semanas cefaleia, reação
Microsporum sp. medicamentosa e reação
com outras medicações.
Alterações hematológicas e
hepáticas podem ocorrer.

Itraconazol Trichophyton sp. 3-5 mg/kg/dia por Sintomas gastrintestinais,


e 4 a 6 semanas cefaleia, e alterações
Microsporum sp. hepáticas
5mg/kg/ dose única
semanal durante
2 a 3 meses.

8
Departamento Científico de Dermatologia (2019-2021) • Sociedade Brasileira de Pediatria

A forma Kerion celsi tem risco de evoluir com Tinea Unguium - Onicomicose
alopécia cicatricial e também deve ser tratado
A infecção por dermatófitos nas unhas
com antifúngico oral. Glicocorticoides sistêmi-
das mãos ou dos pés. Os agentes envolvidos
cos (por exemplo, 0,5 a 1 mg/kg de prednisona
são: Trichophyton rubrum (mais frequente),
por uma semana) são ocasionalmente usados
Trichophyton mentagrophytes e Epidermophyton
em conjunto com a terapia antifúngica sistêmi-
floccosum3. A onicomicose é mais frequente nos
ca. Considerar antibioticoterapia oral se infecção
adultos, sendo a prevalência em crianças em
bacteriana associada2.
torno de 2,5%. A baixa incidência em crianças é
Crianças com tinea capitis podem frequen- atribuída ao crescimento mais rápido das unhas,
tar a escola, com cuidados para não contaminar menor área de superfície para invasão, menor in-
outras crianças, evitando compartilhar chapéu, cidência de tinea pedis e menor tempo de expo-
pente, escova de cabelo e casacos2. Os mem- sição a ambientes associados a fômites infecta-
bros da família devem ser examinados e tra- dos, como vestiários. A maioria das crianças com
tados simultaneamente, se houver infecção14. onicomicose tem um parente em primeiro grau
Animais de estimação devem ser avaliados por com onicomicose e/ou tinea pedis. Nas crianças,
um veterinário. O controle micológico pós-tra- a onicomicose é mais comum nas unhas dos pés
tamento é importante para confirmar a cura da e também nos pacientes com síndrome de Down
doença1. ou com imunodeficiência15.

No Quadro 3 estão apresentadas as cinco principais formas clínicas de onicomicose15

Quadro 3. Principais apresentações clínicas da onicomicose.

Denominação clínica Características Observações

Subungueal distal e lateral Descoloração amarelada da placa É o tipo mais comum em


(Figura 9) ungueal, detritos subungueais, crianças, geralmente
onicólise, espessamento da placa associado à tinea pedis
ungueal distal e lateral.

Subungueal Branca Proximal Leuconíquia, com início na parte Raro na criança. Comum nos
(Figura 10) proximal da unha. infectados por HIV*

Branca superficial Leuconíquia, placas brancas na parte


dorsal da placa ungueal;

Total distrófica Infecção acomete toda a placa É uma forma grave e rara na
ungueal. criança;

Onicomicose endonix Infecção acomete toda a placa É a forma mais grave de


ungueal. onicomicose e extremamente
rara na criança

*Vírus da Imunodeficiência Humana

9
Infecções Fúngicas Superficiais

Figura 9. Hiperceratose amarelada com detritos deve ser usado para tratar tinea pedis associa-
subungueais. da. A terapia tópica está indicada quando existir
contraindicação ao tratamento sistêmico, na pro-
filaxia após tratamento e na onicomicose branca
superficial e subungueal, sem onicólise ou en-
volvimento da matriz. A droga ideal deve ter pe-
netração efetiva e altas concentrações na lâmina
ungueal. As substâncias mais utilizadas são: ciclo-
pirox olamina (Loprox®, Fungirox®, Micolamina®) –
uso diário, amorolfina (Loceryl®) – uso semanal,2,15
e tioconazol (Tralen solução®, para unhas a 28%)
– duas vezes ao dia, por seis a 12 meses.

As soluções e cremes são pouco efetivos no


tratamento das onicomicoses. A amorolfina e o
Figura 10. Leuconíquia superficial.
ciclopirox em veículo esmalte atravessam a lâ-
mina ungueal e atingem o leito ungueal em con-
centrações superiores à concentração inibitória
mínima para a maioria dos fungos causadores de
onicomicose.

Pode ser necessária a associação de agen-


tes químicos, como pasta de ureia a 40% para
a remoção da lâmina ungueal. A avulsão cirúr-
gica total da unha está proscrita. A abrasão me-
cânica com lixas d´água esterilizadas pode ser
aventada como facilitador no tratamento. Essas
associações têm como objetivo o debridamento
da placa ungueal para diminuir a massa crítica
Diagnóstico fúngica, o que permitirá maior concentração e
O padrão ouro para o diagnóstico é o exame biodisponibilidade da droga nas camadas mais
micrológico direto e a cultura para fungo15. O mate- profundas da unha e leito ungueal15.
rial deve ser coletado da descamação subungueal
Os antifúngicos sistêmicos são os tratamen-
ou por meio de um clipping ungueal. A confirma-
tos mais eficazes. Estão indicados quando há
ção diagnóstica é importante, uma vez que outras
envolvimento de várias unhas, acometimento
doenças podem causar alterações ungueais, den-
de mais de 50% da placa ungueal, ou quando o
tre elas a psoríase, paroníquia crônica, paquioní-
tratamento tópico não for efetivo15.
quia congênita, onicodistrofia pós-dermatite, trau-
mas, drogas causadoras de onicólise, líquen plano, As provas de função hepática podem ser so-
dermatite atópica e alopécia areata2,3. licitadas antes e durante o tratamento com anti-
fúngico oral, apesar de alterações laboratoriais
A onicomicose raramente é simétrica, sendo
serem raras durante o tratamento. Os adolescen-
mais comum acometer uma ou poucas unhas. O
tes devem evitar o uso de bebida alcóolica du-
tratamento da tinea pedis e de parentes infecta-
rante a terapia oral15.
dos é importante para evitar a recontaminação2,15.

Antifúngicos orais15,16
Tratamento
Os agentes tópicos respondem melhor nas A terbinafina é a primeira escolha no trata-
crianças do que nos adultos15. Tratamento tópico mento das onicomicoses.

10
Departamento Científico de Dermatologia (2019-2021) • Sociedade Brasileira de Pediatria

Terbinafina: dose < 20 kg: 62,5 mg /dia, de 20 sos ocorre em adolescentes e adultos jovens em
a 40 kg: 125 mg/dia, > 40 kg: 250 mg/dia. Efeitos regiões de clima tropical. Os fatores de risco in-
colaterais: cefaleia, distúrbios gastrointestinais, cluem temperaturas quentes, alta umidade, imu-
tontura. Monitorar enzimas hepáticas e hemo- nossupressão, má nutrição, pele oleosa, excesso
grama (risco de citopenias). de suor e uso de corticoterapia3.

Itraconazol: 5 mg/kg/dia por 7 dias no mês, O diagnóstico é clínico e as lesões podem ter
por três a cinco meses (pulsoterapia). Efeitos cores variadas, por isto o termo versicolor, mas
adversos: sintomas gastrointestinais, cefaleia, e principalmente tendem a ser hipopigmentadas,
alterações hepáticas. hiperpigmentadas ou eritematosas. São lesões
circulares, máculas, manchas e/ou placas des-
Fluconazol: menos efetivo nas onicomicoses,
camativas na região anterior do tronco (Figuras
necessitando de tratamento mais longo, dose de
11 e 12), proximal dos braços, pescoço e face. Há
150mg/dose semanal por 12 a 16 semanas para
descamação nos limites e lesões menores po-
as unhas das mãos e 18 a 26 semanas para as
dem coalescer. O diagnóstico pode ser confirma-
unhas dos pés. Efeitos adversos: sintomas gas-
do pelo exame micológico direto2,12.
trintestinais, cefaleia, reação medicamentosa
e interação com outras medicações. Alterações
Figura 11. Máculas e manchas hipocrômicas com leve
hematológicas e hepáticas podem ocorrer.
descamação ao estiramento (sinal de Zileri).
Pode haver combinação de terapia tópica e
sistêmica, quando necessário. Tem a mesma in-
dicação da terapia sistêmica e a vantagem de ser
mais efetiva (por causa do sinergismo) quando
comparada à monoterapia oral. As indicações
absolutas incluem: dermatofitoma, hipercerato-
se da placa ungueal (espessura maior que 2 mm)
e a forma distrófica total. Esta associação deve
priorizar drogas com mecanismos de ação dife-
rentes, e ser escolhida de acordo com cada caso.

Os cuidados de higiene com os pés e calça-


dos descritos na tinea pedis também devem ser
orientados nos pacientes com onicomicose3,15.

A reação “ide” pode aparecer no início do tra- Figura 12. Máculas e manchas hipercrômicas
tamento sistêmico, sendo confundido com rea- descamativas ao estiramento.
ção à droga3.

Pitiríase versicolor

Tinea versicolor ou pitiríase versicolor é uma


infecção fúngica superficial frequente, causada
pelo fungo do gênero Malassezia, geralmente
Malassezia globosa, Malassezia sympodialis e
Malassezia furfur. Este fungo faz parte do micro-
bioma normal da pele, mas causa manifestações
clínicas quando a forma de levedura se trans-
forma na forma de micélio14. A maioria dos ca-

11
Infecções Fúngicas Superficiais

O diagnóstico diferencial é realizado com vi- Figura 13. Mancha acastanhada na região palmar.
tiligo, pitiríase alba, hipopigmentação ou hiper-
pigmentação pós-inflamatória, pitiríase rósea,
tinea corporis, psoríase, e papulose reticulada e
confluente de Gourgerot e Carteaud2,3.

Tratamento

Xampu à base de sulfeto de selênio a 2,5%


ou cetoconazol a 2%, diariamente durante
15 dias, depois duas vezes por semana como
manutenção e prevenção. O xampu deve ser
aplicado nas áreas acometidas durante 10 minu-
tos antes do enxague. Antifúngicos tópicos po-
dem ser associados uma vez ao dia por 30 dias
(Tabela 1). Raramente será utilizada a terapia
sistêmica, estando indicada para casos exten-
sos e recalcitrantes. Pode ser usado: fluconazol Tratamento: antifúngicos tópicos por duas
300 mg dose única e repetir após 14 dias, ou a quatro semanas e/ou queratolíticos tópicos
itraconazol 200 mg por dia por 7 dias3,12. como a ureia e ácido salicícilo15.

É importante lembrar que a hipopigmentação


e a hiperpigmentação podem persistir por meses Piedra Branca
após o tratamento bem-sucedido, não indicando,
A piedra branca é uma infecção fúngica crô-
portanto, falha terapêutica.
nica, rara e assintomática, da cutícula do pelo
ocasionada por espécies de leveduras do gênero
Trichosporon. É encontrada em regiões de clima
Tinea Nigra
temperado e tropical, afetando ambos os sexos
A tinea nigra é uma micose cutânea super- e todos os grupos etários. O modo de transmis-
ficial causada pelo fungo Hortaea werneckii de são ainda não é bem conhecido, porém dentre os
distribuição universal, mas principalmente em fatores predisponentes estão o calor, umidade,
regiões de clima tropical e subtropical, com alta imunossupressão, antibióticos e procedimentos
incidência nas Américas Central e do Sul, Ásia, invasivos18.
África e Caribe17. Caracteriza-se por mácula ou
Clinicamente, caracteriza-se pela presença
placa assintomática, bem delimitada, marrom
de nódulos firmes e irregulares de coloração
(Figura 13), verde ou cinza, de superfície avelu-
esbranquiçada a acastanhada, assintomáticos,
dada ou descamativa. Os locais mais comuns são
comprometendo a haste de pelos das áreas geni-
as regiões palmo-plantares, pescoço e tronco2,17.
tais, das axilas, barba e bigode, menos frequen-
O diagnóstico diferencial é realizado com temente do couro cabeludo, cílios e sobrance-
picadas de inseto, reação a drogas, lesão ocu- lhas. Não há alteração no folículo piloso, mas
pacional por exposição química ou lesão me- podemos encontrar lesões eritematosas e des-
lanocítica. A dermatoscopia pode ser uma fer- camativas na pele subjacente2,18.
ramenta essencial para diferenciar de lesões
Os diagnósticos diferenciais incluem a piedra
melanocíticas2,17.
preta, pediculose, dermatite seborreica, tricomi-
O diagnóstico é clínico e dermatoscópico na cose axilar, e anormalidades da haste do cabelo,
maioria dos pacientes, e pode ser confirmada como a tricorrexis nodosa, moniletrix e tricopti-
pelo micológico direto e cultura para fungos17. lose18.

12
Departamento Científico de Dermatologia (2019-2021) • Sociedade Brasileira de Pediatria

O diagnóstico é realizado pelos exames de mica e a CMC2. Nos bebês que apresentam can-
micológico direto e cultura para fungos18. didíase neonatal normalmente as suas mães têm
Candida sp. no trato intestinal ou vaginal, sendo
O tratamento de escolha da piedra branca é
foco da infecção na criança2.
cortar os pelos afetados e, devido à recorrência
frequente, são indicados antifúngicos tópicos,
com uso de xampu a base de piritionato de zinco
a 2% ou cetoconazol a 2% durante 30 dias2,18. Candidíase oral

A candidíase oral, também conhecida como


Candidíase “sapinho”, é uma infecção por Candida sp. que
pode acometer a língua, palatos mole e duro,
mucosa oral e gengival. As lesões são pápulas
A candidíase é uma infecção aguda ou crô- ou placas brancas e acinzentadas, aderentes
nica da pele, membranas mucosas e, ocasional-
(Figura 14), pseudomembranosas, com mucosa
mente, órgãos internos, causada pelo gênero
eritematosa ao redor2.
Candida2. Há, pelo menos 15 diferentes espécies
de Candida, a mais comum é a Candida albicans,
responsável por 50% das infecções e que pode Figura 14. Placas esbranquiçadas na mucosa
colonizar o microbioma da cavidade oral, trato jugal (imagem autorizada por Marinoni et al. Atlas

intestinal e vagina12,19. As bactérias residentes Dermatologia Pediátrica de A a Z, 2018).

na pele fornecem proteção ao hospedeiro por


meio da competição por nutrientes com essas le-
veduras, impedindo sua adesão na pele e produ-
zindo metabólitos tóxicos para elas. Quando há
um desequilíbrio neste microbioma, as levedu-
ras se transformam em hifas e causam infecção
no hospedeiro12.

Os fatores que predispõem à candidíase in-


cluem desordens endócrinas (diabetes mellitus,
hipoparatireoidismo e doença de Addison), de-
sordens genéticas (síndrome de Down, acroder-
matite enteropática, candidíase mucocutânea
crônica - CMC), malignidades (leucemias e linfo-
mas), e medicações sistêmicas (antibióticos, cor-
ticosteroides e imunossupressores)2. A infecção Aproximadamente 20% a 40% das crianças
por Candida sp. permanece uma grave ameaça saudáveis irão desenvolver candidíase oral no
aos pacientes imunocomprometidos, podendo primeiro ano de vida. Pode ser adquirida no ca-
afetar qualquer tecido do organismo, resultando nal do parto, pela esterilização inadequada das
em infecção local ou sistêmica12,20. chupetas e bicos de mamadeiras ou contamina-
ção do seio materno. O uso de corticosteroide
Recém-nascidos e lactentes têm uma suscep- inalatório pode predispor à infecção. Os bebês
tibilidade fisiológica à infecção por candida que podem apresentar dor, agitação ou recusa ali-
se manifesta por candidíase oral e candidíase mentar, mas com frequência, é assintomática.
da área da fralda. Outras manifestações clínicas Lactentes e pré-escolares podem apresentar
da infecção por Candida sp. na infância incluem sensação de boca seca, sentir áreas “macias, fel-
vulvovaginite, queilite angular, envolvimento pudas” dentro da boca, diminuição do paladar,
ungueal (paroníquia), candidíase neonatal, sistê- ou ser assintomáticas12.

13
Infecções Fúngicas Superficiais

O diagnóstico é clínico e pode ser confirmado Na criança, está relacionada à má oclusão dental,
pela raspagem das placas que, ao se destacarem, aparelhos ortodônticos e ao hábito de lamber os
mostram uma erosão inflamatória da mucosa, lábios2,12.
diferenciando-se de resíduos de leite. O exame
O tratamento consiste em corrigir os fatores
direto com KOH 10% a 20% também pode ser
predisponentes, antifúngicos tópicos por 14 dias,
realizado na dúvida diagnóstica2.
e utilizar emolientes à base de vaselina ou oxido
O diagnóstico diferencial inclui lesões provo- de zinco, para hidratar e proteger os lábios12.
cadas por vírus, bactérias ou por trauma12.

A nistatina solução oral é a primeira escolha


de tratamento, aplicando 1 mL em cada canto da Intertrigo e Candidíase Perineal
boca (100.000 unidades para cada lado), quatro
vezes ao dia, até dois dias após a resolução das O intertrigo é uma dermatose inflamatória
lesões. Clotrimazol e miconazol tópicos por sete das áreas de dobras ou de duas superfícies da
a 14 dias são alternativas terapêuticas. Outra op- pele em contato, como as axilas, região retroau-
ção é o fluconazol oral 6mg/kg no primeiro dia, ricular, dobras inguinais, interglúteas, inframa-
seguido de 3mg/kg/dia por mais sete a 14 dias. mária, pescoço e entre os dedos. A obesidade e
É importante esterilizar ou descolonizar chupe- o suor excessivo são fatores de risco. Apesar de
tas e bicos de mamadeira, além de verificar se não ser sempre uma infecção fúngica, a infecção
há contaminação do seio materno e tratar com por C. albicans é frequente e a infecção bacteria-
miconazol ou clotrimazol tópico12,20. na também pode estar presente2.

A proscrita violeta de genciana (0,5% ou 1%) Na região das fraldas, a oclusão crônica da
já foi muito usada e é realmente eficaz se aplica- pele associada à umidade local é um fator de risco
da à mucosa bucal, uma ou duas vezes ao dia. No que pode alterar a barreira cutânea e predispor a
entanto, está associada ao aumento do risco de infecções secundárias locais, como a candidíase.
câncer, pode manchar os lábios e as roupas da Esta se inicia geralmente em região perianal, es-
criança, causar irritação e ulceração. Pelos efei- tendendo-se para o períneo e região inguinal2,12.
tos colaterais mencionados seu uso não é mais
Caracteriza-se por uma área eritematosa, bem
recomendado21.
demarcada, úmida, com erosão superficial e pápu-
las ou pápulo-pústulas satélites (Figura 15)2.

Queilite Angular Figura 15. Eritema vermelho intenso e pápulas satélites


na região perineal. (imagem autorizada por Marinoni et al.
A queilite angular, também conhecida como Atlas Dermatologia Pediátrica de A a Z, 2018).

perlèche, é caracterizada por fissuras eritemato-


sas e dolorosas nas comissuras labiais. Costuma
ser um transtorno multifatorial de origem infec-
ciosa, com vários fatores locais e sistêmicos. As
lesões costumam infectar-se principalmente por
cândida e em alguns casos bactérias. Pode repre-
sentar uma infecção oportunista ou secundária
à deficiência nutricional (especialmente de vita-
mina B e ferro), o que, por sua vez, pode indicar
um transtorno de má nutrição ou má absorção.
Também pode ser uma manifestação de dermati-
te de contato, que pode ser irritativa ou alérgica.

14
Departamento Científico de Dermatologia (2019-2021) • Sociedade Brasileira de Pediatria

O diagnóstico diferencial inclui tinea cruris, 3mg/kg/dia por sete a 14 dias. Os efeitos adver-
dermatite de contato, dermatite atópica, psoría- sos incluem diarreia, náuseas, dor abdominal,
se invertida, dermatite seborreica e eritrasma12. cefaleia e exantema morbiliforme. Elevação das
transaminases pode ocorrer em 3% a 4% dos
O diagnóstico é clínico, porém, se houver dú-
pacientes. Evitar a associação de corticosteroide
vidas, pode-se fazer o exame direto com KOH12.
com antifúngico para tratamento da candidíase
O tratamento é realizado com antifúngico tó- pelo risco de atrofia da pele12. Se necessário, tra-
pico e redução dos fatores de risco, para evitar a tar a infecção bacteriana secundária associada2.
recorrência. A nistatina é a primeira linha de tra-
Além disso, práticas destinadas a minimizar a
tamento, 2-4 vezes ao dia por 14 dias. Miconazol
umidade e o atrito na área acometida, reduzindo
e clotrimazol são opções terapêuticas (Tabela 1).
a suscetibilidade ao intertrigo, são essenciais ao
Os potenciais efeitos adversos dos antifúngicos
tratamento e incluem: limpeza diária das áreas
tópicos incluem dermatite de contato alérgica,
de dobras, secando bem, uso de roupas de al-
irritação local, prurido e eritema12.
godão, aplicação de cremes de barreira em áre-
No intertrigo generalizado, acometendo vá- as que podem entrar em contato com urina ou
rios locais com ulceração e/ou exsudato e pús- fezes, tratamento da hiperidrose (se houver) e
tulas, o tratamento sistêmico está indicado. perda de peso em pacientes com sobrepeso ou
Opções: fluconazol 6mg/kg na 1ª dose, depois obesidade22.

15
Infecções Fúngicas Superficiais

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

01. Ferguson L, Fuller LC. Spectrum and burden 12. Alter SJ, McDonald MB, Schloemer J, et al. Common
of dermatophytes in children. J Infect. 2017; Child and Adolescent Cutaneous Infestations and
74:554-560. Fungal Infections. Curr Probl Pediatr Adolesc
Health Care, 2018; 48:3-25.
02. Paller AS, Mancini AJ. Hurwitz Clinical Pediatric
Dermatology. Fifth edition 2016; 402-420. 13. Gupta AK, Drummond-Main C. Meta-analysis
of randomized, controlled trials comparing
03. Hawkins DM, Smidt AC. Superficial Fungal particular doses of griseofulvin and terbinafine
Infections in Children. Pediatr Clin N Am. 2014; for the treatment of tinea capitis. Pediatr
61:443-455. Dermatol. 2013; 30:1-6.

04.
Fernandes NC, Akiti T, Barreiros MG. 14. Elewski BE, Hughey LC, Sobera JO, et al. Fungal
Dermatophytoses in Children: Study of 137 Cases. diseases. In: Bolognia JL, Jorizzo JL, Schaffer JV,
Rev Inst Med Trop Sao Paulo. 2001;43(2):83-5. editors. Dermatology. 3rd Ed. London: Mosby;
2012.
05. Chimelli PAV, Sofiatti AA, Nunes RS, Martins JEC.
Agentes de dermatofitoses na Cidade de São 15. Solís-Arias MP, García-Romero MT. Onychomycosis
Paulo no período de 1992 e 2002. Rev Inst Med in children. A review. Int J Dermatol.
trop S. Paulo. 2003;45(5):55-59 2017;56(2):123-130.

06. Rotta I, Otuki MF, Sanches ACC, Correr CJ. 16. Gupta AK, Paquet M. Systemic antifungals to treat
Eficácia de antifúngicos tópicos em diferentes onychomicosis in children: a systematic review.
dermatomicoses: uma revisão sistemática com Pediatr Dermatol. 2013; 30:294-302.
metanálise. Rev Assoc Med Bras. 2012;58(3):
17. Giordano MC, Fuente AD, Lorca MB, Kramer D.
308-318.
Tinea nigra: Report of three pediatrics cases. Rev
Chil Pediatr. 2018;89(4):506-510.
07. Goldstein AO, Goldstein GB. Dermatophyte (tinea)
infections. UpToDate Inc. Disponível em: https:// 18. Ferreira FR, Pollo T, Pereira MTF, Bueri MNP. Piedra
www.uptodate.com Acesso em 02 de maio 2020. Branca por Trichosporon ovoides no Sudeste
do Brasil: Relato e Breve Revisão da Literatura.
08. El-Gohary M, van Zuuren EJ, Fedorowicz Z. Topical Revista SPDV 2019; 77(2).
antifungal treatments for tinea cruris and tinea
corporis. Cochrane Database Syst Rev. 2014;(8). 19. Millsop JW, Fazel N. Oral candidiosis. Clin
Dermatol. 2016;34(4):487-94
09. Chen X, Jiang X, Yang M, Bennett C, González U,
Lin X, et al. Systemic antifungical therapy for tinea 20. Pappas PG, Kauffman CA, Andes D. Clinical Practice
capitis in children: Anabridged Cochrane Review. Guidelines for the Management of Candidiasis:
J Am Acad Dermatol. 2017; 368-374. 2016 Update by the Infectious Diseases Society
of America. Clin Infect Dis. 2016;62(4):e1-e50.
10. Urtler TGR, Diniz LM, Nicchio L. Microepidemia
de couro cabeludo por Microsporum canis em 21. Judith RC, Debra LP. Candida infections in
creche de Vitória - Espírito Santo (Brasil). A. Bras. children. UpToDate Inc. Disponível em: https://
Dermatol. 2005;80(3):267-272. www.uptodate.com Acesso em 07 de maio 2020.

11. Elghblawi E. Tinea Capitis in Children and 22. Robert TB, Lindsey BD. Intertrigo. UpToDate
Trichoscopic Criteria. Int J Trichology, 2017; Inc. Disponível em: https://www.uptodate.com
9(2):47-49. Acesso em 07 de maio 2020.

16
Departamento Científico de Dermatologia (2019-2021) • Sociedade Brasileira de Pediatria

Diretoria
Triênio 2019/2021

PRESIDENTE: MEMBROS: Dirceu Solé (SP) Luciana Rodrigues Silva (BA)


Luciana Rodrigues Silva (BA) Henrique Mochida Takase (SP) Joel Alves Lamounier (MG) Dirceu Solé (SP)
1º VICE-PRESIDENTE: João Carlos Batista Santana (RS) EDITORES ASSOCIADOS: Evelyn Eisenstein (RJ)
Clóvis Francisco Constantino (SP) Luciana Cordeiro Souza (PE) Danilo Blank (RS) Daniel Becker (RJ)
2º VICE-PRESIDENTE: Luciano Amedée Péret Filho (MG) Paulo Roberto Antonacci Carvalho (RJ) Ricardo do Rêgo Barros (RJ)
Edson Ferreira Liberal (RJ) Mara Morelo Rocha Felix (RJ) Renata Dejtiar Waksman (SP) OFTALMOLOGIA PEDIÁTRICA:
Marilucia Rocha de Almeida Picanço (DF) COORDENAÇÃO:
SECRETÁRIO GERAL: Vera Hermina Kalika Koch (SP) COORDENAÇÃO DO PRONAP
Sidnei Ferreira (RJ) Fernanda Luísa Ceragioli Oliveira (SP) Fábio Ejzenbaum (SP)
DIRETORIA DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS Tulio Konstantyner (SP) MEMBROS:
1º SECRETÁRIO: Nelson Augusto Rosário Filho (PR)
Ana Cristina Ribeiro Zöllner (SP) Cláudia Bezerra de Almeida (SP) Luciana Rodrigues Silva (BA)
Sergio Augusto Cabral (RJ) Dirceu Solé (SP)
2º SECRETÁRIO: COORDENAÇÃO DO TRATADO DE PEDIATRIA
REPRESENTANTE NA AMÉRICA LATINA Luciana Rodrigues Silva (BA) Galton Carvalho Vasconcelos (MG)
Paulo de Jesus Hartmann Nader (RS) Ricardo do Rego Barros (RJ) Julia Dutra Rossetto (RJ)
Fábio Ancona Lopez (SP)
3º SECRETÁRIO: DIRETORIA DE DEFESA PROFISSIONAL Luisa Moreira Hopker (PR)
Virgínia Resende Silva Weffort (MG) DIRETORIA DE ENSINO E PESQUISA
COORDENAÇÃO: Joel Alves Lamounier (MG) Rosa Maria Graziano (SP)
DIRETORIA FINANCEIRA: Fabio Augusto de Castro Guerra (MG) Celia Regina Nakanami (SP)
Maria Tereza Fonseca da Costa (RJ) COORDENAÇÃO DE PESQUISA
MEMBROS: Cláudio Leone (SP) SAÚDE MENTAL
2ª DIRETORIA FINANCEIRA: Gilberto Pascolat (PR) COORDENAÇÃO:
Cláudio Hoineff (RJ) Paulo Tadeu Falanghe (SP) COORDENAÇÃO DE GRADUAÇÃO Roberto Santoro P. de Carvalho Almeida (RJ)
Cláudio Orestes Britto Filho (PB) COORDENAÇÃO:
3ª DIRETORIA FINANCEIRA: Rosana Fiorini Puccini (SP) MEMBROS:
Hans Walter Ferreira Greve (BA) João Cândido de Souza Borges (CE) Daniele Wanderley (BA)
Anenisia Coelho de Andrade (PI) MEMBROS: Vera Lucia Afonso Ferrari (SP)
DIRETORIA DE INTEGRAÇÃO REGIONAL Rosana Alves (ES)
Fernando Antônio Castro Barreiro (BA) Isabel Rey Madeira (RJ) Rossano Cabral Lima (RJ)
Donizetti Dimer Giamberardino Filho (PR) Suzy Santana Cavalcante (BA) Gabriela Judith Crenzel (RJ)
COORDENADORES REGIONAIS Jocileide Sales Campos (CE) Angélica Maria Bicudo-Zeferino (SP) Cecy Dunshee de Abranches (RJ)
NORTE: Maria Nazareth Ramos Silva (RJ) Silvia Wanick Sarinho (PE) Adriana Rocha Brito (RJ)
Bruno Acatauassu Paes Barreto (PA) Gloria Tereza Lima Barreto Lopes (SE) COORDENAÇÃO DE RESIDÊNCIA E ESTÁGIOS
Adelma Alves de Figueiredo (RR) MUSEU DA PEDIATRIA
Corina Maria Nina Viana Batista (AM) EM PEDIATRIA COORDENAÇÃO:
NORDESTE: DIRETORIA DOS DEPARTAMENTOS CIENTÍFICOS E COORDENAÇÃO: Edson Ferreira Liberal (RJ)
Anamaria Cavalcante e Silva (CE) COORDENAÇÃO DE DOCUMENTOS CIENTÍFICOS Ana Cristina Ribeiro Zöllner (SP)
Eduardo Jorge da Fonseca Lima (PE) MEMBROS:
Dirceu Solé (SP) MEMBROS: Mario Santoro Junior (SP)
SUDESTE: DIRETORIA-ADJUNTA DOS DEPARTAMENTOS Eduardo Jorge da Fonseca Lima (PE) José Hugo de Lins Pessoa (SP)
Rodrigo Aboudib Ferreira Pinto (ES) CIENTÍFICOS Fátima Maria Lindoso da Silva Lima (GO)
Isabel Rey Madeira (RJ) Paulo de Jesus Hartmann Nader (RS) REDE DA PEDIATRIA
Emanuel Savio Cavalcanti Sarinho (PE) COORDENAÇÃO:
SUL: DIRETORIA DE CURSOS, EVENTOS E PROMOÇÕES Victor Horácio da Costa Junior (PR)
Silvio da Rocha Carvalho (RJ) Luciana Rodrigues Silva (BA)
Darci Vieira Silva Bonetto (PR) COORDENAÇÃO: Rubem Couto (MT)
Helena Maria Correa de Souza Vieira (SC) Lilian dos Santos Rodrigues Sadeck (SP) Tânia Denise Resener (RS)
Delia Maria de Moura Lima Herrmann (AL) MEMBROS:
CENTRO-OESTE: MEMBROS:
Regina Maria Santos Marques (GO) Helita Regina F. Cardoso de Azevedo (BA) SOCIEDADE ACREANA DE PEDIATRA:
Ricardo Queiroz Gurgel (SE) Jefferson Pedro Piva (RS) Ana Isabel Coelho Montero
Natasha Slhessarenko Fraife Barreto (MT) Paulo César Guimarães (RJ) Sérgio Luís Amantéa (RS) SOCIEDADE ALAGOANA DE PEDIATRIA:
COMISSÃO DE SINDICÂNCIA Cléa Rodrigues Leone (SP) Susana Maciel Wuillaume (RJ)
TITULARES: Ana Carolina de Carvalho Ruela Pires
COORDENAÇÃO DO PROGRAMA DE REANIMAÇÃO Aurimery Gomes Chermont (PA)
Gilberto Pascolat (PR) NEONATAL Luciano Amedée Péret Filho (MG) SOCIEDADE AMAZONENSE DE PEDIATRIA:
Aníbal Augusto Gaudêncio de Melo (PE) Maria Fernanda Branco de Almeida (SP) Elena Marta Amaral dos Santos
Maria Sidneuma de Melo Ventura (CE) COORDENAÇÃO DE DOUTRINA PEDIÁTRICA
Ruth Guinsburg (SP) Luciana Rodrigues Silva (BA) SOCIEDADE AMAPAENSE DE PEDIATRIA:
Isabel Rey Madeira (RJ) Rosenilda Rosete de Barros
Valmin Ramos da Silva (ES) COORDENAÇÃO PALS – REANIMAÇÃO PEDIÁTRICA Hélcio Maranhão (RN)
Alexandre Rodrigues Ferreira (MG) COORDENAÇÃO DAS LIGAS DOS ESTUDANTES SOCIEDADE BAIANA DE PEDIATRIA:
SUPLENTES: Kátia Laureano dos Santos (PB) Dolores Fernandez Fernandez
Paulo Tadeu Falanghe (SP) Adelma Figueiredo (RR)
COORDENAÇÃO BLS – SUPORTE BÁSICO DE VIDA André Luis Santos Carmo (PR) SOCIEDADE CEARENSE DE PEDIATRIA:
Tânia Denise Resener (RS) Anamaria Cavalcante e Silva
João Coriolano Rego Barros (SP) Valéria Maria Bezerra Silva (PE) Marynea Silva do Vale (MA)
Marisa Lopes Miranda (SP) COORDENAÇÃO DO CURSO DE APRIMORAMENTO Fernanda Wagner Fredo dos Santos (PR) SOCIEDADE DE PEDIATRIA DO DISTRITO FEDERAL:
Joaquim João Caetano Menezes (SP) EM NUTROLOGIA PEDIÁTRICA (CANP) GRUPOS DE TRABALHO Dennis Alexander Rabelo Burns
CONSELHO FISCAL Virgínia Weffort (MG) DROGAS E VIOLÊNCIA NA ADOLESCÊNCIA SOCIEDADE ESPIRITOSSANTENSE DE PEDIATRIA:
TITULARES: PEDIATRIA PARA FAMÍLIAS COORDENAÇÃO: Roberta Paranhos Fragoso
Núbia Mendonça (SE) Nilza Maria Medeiros Perin (SC) João Paulo Becker Lotufo (SP) SOCIEDADE GOIANA DE PEDIATRIA:
Nelson Grisard (SC) Normeide Pedreira dos Santos (BA) MEMBROS: Marise Helena Cardoso Tófoli
Antônio Márcio Junqueira Lisboa (DF) Marcia de Freitas (SP) Evelyn Eisenstein (RJ) SOCIEDADE DE PUERICULTURA E PEDIATRIA
SUPLENTES: PORTAL SBP Alberto Araujo (RJ) DO MARANHÃO: Marynea Silva do Vale
Adelma Alves de Figueiredo (RR) Luciana Rodrigues Silva (BA) Sidnei Ferreira (RJ) SOCIEDADE MINEIRA DE PEDIATRIA:
João de Melo Régis Filho (PE) PROGRAMA DE ATUALIZAÇÃO CONTINUADA Adelma Alves de Figueiredo (RR) Marisa Lages Ribeiro
Darci Vieira da Silva Bonetto (PR) À DISTÂNCIA Nivaldo Sereno de Noronha Júnior (RN) SOCIEDADE DE PEDIATRIA DO MATO GROSSO
ASSESSORES DA PRESIDÊNCIA PARA POLÍTICAS Luciana Rodrigues Silva (BA) Suzana Maria Ramos Costa (PE) DO SUL: Carmen Lucia de Almeida Santos
PÚBLICAS: Edson Ferreira Liberal (RJ) Iolanda Novadski (PR)
Beatriz Bagatin Bermudez (PR) SOCIEDADE MATOGROSEENSE DE PEDIATRIA:
COORDENAÇÃO: Natasha Slhessarenko Fraife Barreto (MT) Mohamed Kassen Omais
Maria Tereza Fonseca da Costa (RJ) Ana Alice Ibiapina Amaral Parente (RJ) Darci Vieira Silva Bonetto (PR)
Carlos Eduardo Reis da Silva (MG) SOCIEDADE PARAENSE DE PEDIATRIA:
MEMBROS: DOCUMENTOS CIENTÍFICOS Vilma Francisca Hutim Gondim de Souza
Luciana Rodrigues Silva (BA) Paulo César Pinho Ribeiro (MG)
Clóvis Francisco Constantino (SP) Milane Cristina De Araújo Miranda (MA) SOCIEDADE PARAIBANA DE PEDIATRIA:
Maria Albertina Santiago Rego (MG) Dirceu Solé (SP)
Emanuel Sávio Cavalcanti Sarinho (PE) Ana Marcia Guimarães Alves (GO) Leonardo Cabral Cavalcante
Donizetti Dimer Giamberardino Filho (PR) Camila dos Santos Salomão (AP)
Sérgio Tadeu Martins Marba (SP) Joel Alves Lamounier (MG) SOCIEDADE DE PEDIATRIA DE PERNAMBUCO:
Alda Elizabeth Boehler Iglesias Azevedo (MT) DIRETORIA DE PUBLICAÇÕES DOENÇAS RARAS Katia Galeão Brandt
Evelyn Eisenstein (RJ) Fábio Ancona Lopez (SP) COORDENAÇÃO: SOCIEDADE DE PEDIATRIA DO PIAUÍ:
Paulo Augusto Moreira Camargos (MG) Salmo Raskin (PR) Anenisia Coelho de Andrade
EDITORES DA REVISTA SBP CIÊNCIA
João Coriolano Rego Barros (SP) Joel Alves Lamounier (MG) MEMBROS: SOCIEDADE PARANAENSE DE PEDIATRIA:
Alexandre Lopes Miralha (AM) Altacílio Aparecido Nunes (SP) Magda Maria Sales Carneiro Sampaio (SP) Kerstin Taniguchi Abagge
Virgínia Weffort (MG) Paulo Cesar Pinho Ribeiro (MG) Ana Maria Martins (SP)
Claudio Cordovil (RJ) SOCIEDADE DE PEDIATRIA DO ESTADO
Themis Reverbel da Silveira (RS) Flávio Diniz Capanema (MG) DO RIO DE JANEIRO: Katia Telles Nogueira
DIRETORIA E COORDENAÇÕES Lavinia Schuler Faccini (RS)
EDITORES DO JORNAL DE PEDIATRIA (JPED) SOCIEDADE DE PEDIATRIA DO RIO GRANDE
DIRETORIA DE QUALIFICAÇÃO E CERTIFICAÇÃO COORDENAÇÃO: ATIVIDADE FÍSICA
COORDENAÇÃO: DO NORTE: Katia Correia Lima
PROFISSIONAL Renato Procianoy (RS) SOCIEDADE DE PEDIATRIA DE RONDÔNIA:
Maria Marluce dos Santos Vilela (SP) Ricardo do Rêgo Barros (RJ)
MEMBROS: Luciana Rodrigues Silva (BA) José Roberto Vasques de Miranda
Edson Ferreira Liberal (RJ) Crésio de Aragão Dantas Alves (BA)
MEMBROS: SOCIEDADE RORAIMENSE DE PEDIATRIA:
COORDENAÇÃO DE CERTIFICAÇÃO PROFISSONAL Paulo Augusto Moreira Camargos (MG) Adelma Alves de Figueiredo
José Hugo de Lins Pessoa (SP) João Guilherme Bezerra Alves (PE) Helita Regina F. Cardoso de Azevedo (BA)
Marco Aurelio Palazzi Safadi (SP) Patrícia Guedes de Souza (BA) SOCIEDADE DE PEDIATRIA DO RIO GRANDE DO SUL:
COORDENAÇÃO DE ÁREA DE ATUAÇÃO Teresa Maria Bianchini de Quadros (BA) Sérgio Luis Amantea
Mauro Batista de Morais (SP) Magda Lahorgue Nunes (RS)
Giselia Alves Pontes da Silva (PE) Alex Pinheiro Gordia (BA) SOCIEDADE CATARINENSE DE PEDIATRIA:
Kerstin Tanigushi Abagge (PR) Isabel Guimarães (BA)
Ana Alice Ibiapina Amaral Parente (RJ) Dirceu Solé (SP) Rosamaria Medeiros e Silva
Antonio Jose Ledo Alves da Cunha (RJ) Jorge Mota (Portugal)
COORDENAÇÃO DO CEXTEP Mauro Virgílio Gomes de Barros (PE) SOCIEDADE SERGIPANA DE PEDIATRIA:
(COMISSÃO EXECUTIVA DO TÍTULO DE EDITORES REVISTA RESIDÊNCIA PEDIÁTRICA Dirceu Solé (SP) Ana Jovina Barreto Bispo
ESPECIALISTA EM PEDIATRIA) EDITORES CIENTÍFICOS: SOCIEDADE DE PEDIATRIA DE SÃO PAULO:
Clémax Couto Sant’Anna (RJ) METODOLOGIA CIENTÍFICA
COORDENAÇÃO: COORDENAÇÃO: Sulim Abramovici
Hélcio Villaça Simões (RJ) Marilene Augusta Rocha Crispino Santos (RJ) SOCIEDADE TOCANTINENSE DE PEDIATRIA:
Marilene Augusta Rocha Crispino Santos (RJ)
MEMBROS: EDITORA ADJUNTA: Elaine Carneiro Lobo
Márcia Garcia Alves Galvão (RJ) MEMBROS:
Ricardo do Rego Barros (RJ) Gisélia Alves Pontes da Silva (PE) DIRETORIA DE PATRIMÔNIO
Clovis Francisco Constantino (SP) CONSELHO EDITORIAL EXECUTIVO: Cláudio Leone (SP) COORDENAÇÃO:
Ana Cristina Ribeiro Zöllner (SP) Sidnei Ferreira (RJ) Fernando Antônio Castro Barreiro (BA)
Carla Príncipe Pires C. Vianna Braga (RJ) Isabel Rey Madeira (RJ) PEDIATRIA E HUMANIDADE
COORDENAÇÃO: Cláudio Barsanti (SP)
Flavia Nardes dos Santos (RJ) Sandra Mara Moreira Amaral (RJ) Edson Ferreira Liberal (RJ)
Cristina Ortiz Sobrinho Valete (RJ) Maria de Fátima Bazhuni Pombo March (RJ) Álvaro Jorge Madeiro Leite (CE)
Luciana Rodrigues Silva (BA) Sergio Antônio Bastos Sarrubo (SP)
Grant Wall Barbosa de Carvalho Filho (RJ) Silvio da Rocha Carvalho (RJ) Maria Tereza Fonseca da Costa (RJ)
Sidnei Ferreira (RJ) Rafaela Baroni Aurílio (RJ) Clóvis Francisco Constantino (SP)
João de Melo Régis Filho (PE) ACADEMIA BRASILEIRA DE PEDIATRIA
Silvio Rocha Carvalho (RJ) Leonardo Rodrigues Campos (RJ) PRESIDENTE:
Álvaro Jorge Madeiro Leite (CE) Dilza Teresinha Ambros Ribeiro (AC)
COMISSÃO EXECUTIVA DO EXAME PARA Aníbal Augusto Gaudêncio de Melo (PE) Mario Santoro Júnior (SP)
OBTENÇÃO DO TÍTULO DE ESPECIALISTA EM Eduardo Jorge da Fonseca Lima (PE)
Marcia C. Bellotti de Oliveira (RJ) Crésio de Aragão Dantas Alves (BA) VICE-PRESIDENTE:
PEDIATRIA AVALIAÇÃO SERIADA Luiz Eduardo Vaz Miranda (RJ)
COORDENAÇÃO: CONSULTORIA EDITORIAL: CRIANÇA, ADOLESCENTE E NATUREZA
Eduardo Jorge da Fonseca Lima (PE) Ana Cristina Ribeiro Zöllner (SP) COORDENAÇÃO: SECRETÁRIO GERAL:
Victor Horácio de Souza Costa Junior (PR) Fábio Ancona Lopez (SP) Laís Fleury (RJ) Jefferson Pedro Piva (RS)

17

Você também pode gostar